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GERAL => Outros Temas => Artigos Espíritas => Tópico iniciado por: jose da silva de jesus em 26 de Maio de 2013, 20:58

Título: Viver para si ou viver para os outros
Enviado por: jose da silva de jesus em 26 de Maio de 2013, 20:58

























Viver para si ou viver para os outros
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Existem duas maneiras básicas de se viver a vida: para si ou para os outros.
Algumas pessoas vivem quase que exclusivamente para si, outras vivem quase que exclusivamente para os outros, mas a grande maioria de nós esta mesmo perdida entre estes dois opostos e ou não sabe muito bem para o que vive e vive na verdade um conflito eterno entre o que gostaria de viver e o que é obrigada a viver.

Mas o que seria exatamente viver para si ou para os outros?

Não é muito difícil examinar o comportamento de algumas pessoas e rotula-las como pessoas que vivem só para si (egoístas) ou para os outros (altruístas), sendo que a grande maioria de nós aceita facilmente o egoísmo como algo negativo e que temos de evitar, pouquíssimas são as pessoas que aceitam ser chamadas de egoístas e se sentem bem com esse rótulo.

Mas existe uma certa distância entre entender basicamente o que significa uma e outra coisa, aprovando uma como o modelo ideal e rejeitando a outra, e adotar o comportamento socialmente aceito como o correto, ou seja, o oposto do viver para si (egoísmo) o altruísmo. Entender o egoísmo e visualiza-lo no comportamento alheio costuma ser muito mais fácil do que evitar este comportamento em nós mesmos e então praticar o oposto dele.

Este conflito entre o que eu sei e considero que deva ser o correto e o que meus desejos e vontades me fazem buscar é a causa de inúmeras decepções na vida da maioria das pessoas e também a causa de inúmeros conflitos sociais e familiares.

Vejamos alguns exemplos:

o que seria viver para si e viver para os outros para um pai de família?

Viver para os outros seria ocupar o papel esperado de um pai de família, aquele que trabalha para prover o lar, não o lar como um ninho de descanso e prazer para ele mesmo, mas o lar de sua família, tendo como principal objetivo obter conforto e segurança para os outros integrantes da família, o pai de família que vive para os outros se preocupa com o bem estar da sua esposa e filhos em primeiro lugar, a casa confortável em lugar seguro como local de descanso e convívio para a educação e desenvolvimento dos filhos e que proporciona por sua vez o necessário para que a esposa também desempenhe seu papel com tranqüilidade. O conforto, lazer e tranqüilidade que ele obtém neste mesmo lar é mera conseqüência do convívio sob o mesmo teto naquele lar que ele construiu pensando nos outros em primeiro lugar.

Para um pai de família, viver para si é enxergar no lar um local de prazer conforto e descanso para ele mesmo, o pai de família que vive para si coloca suas prioridades acima das prioridades do restante da família, o conforto da família é conseqüente do conforto que ele busca para si mesmo, e como geralmente ele costuma concentrar uma maior parcela de poder nas decisões de compra de itens para o lar este pai de família acaba deixando de suprir algumas necessidades básicas do lar; mas a pior face do comportamento do pai de família que vive para si é que sendo o lar um território de convívio e aprendizado coletivo em que surgem conflitos naturais, este pai de família começa a criar meios de fuga deste ambiente, o futebol com amigos e o bar estão entre os pretextos mais comuns que o pai de família do tipo que vive para si encontra para conseguir manter distancia dos conflitos familiares que não se resolvem sozinhos sem a sua participação e, pelo contrário, vão se acumulando e se transformando em grandes problemas e grandes falhas na educação dos filhos. O pai de família que vive para si na verdade tenta fugir do papel de pai de família, tentando manter de alguma forma os prazeres que tinha antes de assumir este compromisso, esta sempre procurando os amigos dos tempos de solteiro, as bebedeiras dos tempos de solteiro, a falta de compromisso e de horários que tinha no tempo de solteiro etc. Resumindo, o pai de família que vive para si não é um bom pai de família.

E no mundo do trabalho, o que seria viver para si? Vamos tomar como exemplo a mais nobre das profissões, o médico. O médico que vive para os outros coloca seus interesses em segundo plano, as ambições naturais de construir uma carreira e ser retribuído e reconhecido adequadamente são para ele muito menos importantes do que as imensas oportunidades de ajudar, curar e salvar vidas; seu dia a dia é cada vez mais e mais dominado pelo intuito de corresponder as expectativas das dezenas de pessoas que depositam nele a esperança de uma cura; o agradecimento sincero e emocionado das pessoas que ele ajuda e que muitas vezes não tem a menor condição de proporcionar para ele qualquer retribuição financeira é para este profissional algo muito mais valioso dos que a multiplicação da sua renda.

continua...
Título: Re: Viver para si ou viver para os outros
Enviado por: jose da silva de jesus em 26 de Maio de 2013, 21:00
Já o médico que vive para si fez, como todos os outros, o juramento de salvar vidas, mas o seu estilo de vida acaba ofuscando este grande compromisso. Assisti a algum tempo atrás o filme do Bezerra de Menezes e nele o personagem principal afirma em certo ponto que aquele médico que faz exigências e cobra valores altos ou só atende as pessoas que tem condição de pagar não é médico, mas negociante de medicina; atualmente vemos multiplicar cada vez mais e mais o número destes negociantes de medicina, profissionais que com o intuito de multiplicar sua renda assumem diversos cargos com cargas de trabalho que se cumpridas integralmente passariam de 24 horas diárias, o resultado é que ele não cumpre e nem poderia cumprir suas cargas horárias, o que acaba refletindo na ausência destes profissionais justamente nos locais e situações onde sua presença é mais necessária, e a população mais carente que depende do sistema público de saúde é quem paga por este comportamento do nobre trabalhador que exerce a nobre profissão mas que decidiu viver para si.

E quanto à vida pública e os grandes compromissos sociais? O que seria para um político viver para si ou viver para os outros?

É muito fácil imaginar como seria um político que vive para os outros, é simplesmente o político que cumpre, ou pelo menos tenta cumprir, aquelas maravilhosas promessas que vemos sempre no horário político da televisão. A verdade é que no mundo real é quase que impossível encontrar um político, de qualquer linha ideológica e em qualquer parte do mundo, que saiba o que significa viver e viva para os outros; é inerente à própria luta pelo poder político a corrupção moral dos cidadãos que deveriam representar o interesse da maioria e principalmente os mais necessitados, sendo quase que uma regra geral que políticos em todos os tempos sempre representaram os interessem das minorias poderosas, seja em uma democracia em que o financiamento das campanhas é feita pelos grandes grupos privados ou em uma ditadura em que a figura pública do político serve aos interesses das minorias privilegiadas que sustentam as estruturas de poder autoritárias. O político que vive para si é aquele que ignora o conteúdo de seus próprios discursos e vende seu cargo em troca dos títulos e bajulações do poder e dos privilégios e rendas que obtém de diversas formas como sobras de campanhas, caixa 2, cargos a familiares, investimentos de empresários que jorram em empresas privadas que ele mantém paralelamente à função pública e muitas outras formas de enriquecimento que quase sempre possuem uma fachada de legalidade. O político que vive para si, assim como o pai de família e o médico que vivem para si, desempenha muito mal a sua função, é um mau político.

Vamos dar uma “olhada” agora em figuras que ao contrário das anteriores,exercem atividades nada respeitáveis.

Um criminoso vivendo para si esta em seu habitat natural, seja sozinho um em grupo o criminoso tem como regra de vida viver para si, não tem respeito pela propriedade e vida alheias, para obter pequenas vantagens pessoais causa desde prejuízos até grandes tragédias nas vidas das pessoas que cruzam o seu caminho; se age em bandos não confia em nenhum de seus comparsas e eles também sabiamente não confiam nele, o criminoso que vive para si é um grande criminoso e respeitado entre seus pares, exerce bem sua função.

E quanto ao terrorista? Como poderia um terrorista não viver para si? Somente munido de um sentimento egocêntrico e um total descaso pelas outras pessoas uma pessoa pode achar que atacar pessoas inocentes e desarmadas, entre elas mulheres, idosos e crianças, é uma boa idéia, seja qual for a causa e qual a ideologia o terrorista só pode estar pensando em si mesmo, na futura glória e poder que pode obter quem sabe de revoluções sangrentas iniciadas por ataques covardes, um terrorista que vive para si esta apto a agir como terrorista, se vivesse minimamente para os outros não teria coragem de praticar nenhum de seus atos.

Por último vamos ver o ditador. O ditador impõe sua vontade de forma autoritária, se obedecesse à vontade popular poderia se sujeitar tranquilamente ao sistema democrático, mas, pelo contrário, sua condição de ditador é necessária para que imponha sua vontade particular e também do pequeno grupo que o apóia contra a vontade da maioria; isto por si só já nos mostra que o ditador não vive para os outros, vive para si; viver para os outros significaria abdicar do poder quando as massas não acatassem voluntariamente as suas idéias e decisões, vivendo para si pode tranquilamente ignorar o apelo popular e usar a força para se manter no poder quando necessário. O ditador que vive para si é com certeza um grande ditador.

Vimos que tanto na vida privada dentro da família, como no mundo do trabalho e também na vida pública, a pessoa que vive para si ao mesmo tempo que causa grandes decepções e sofrimento para todos à sua volta, também gera para si decepções e tristezas equivalentes. Alguém tem dúvida de que o pai de família que vive no bar e tem uma família desestruturada é muito infeliz se comparado ao pai de família que troca o seu lazer egoísta pelo lazer em família? Será que o médico que possui uma renda altíssima e que acumula riqueza ao mesmo tempo em que gera sofrimento, tristeza e rancor das pessoas que agonizam por causa de sua ausência, é mais feliz do que o outro médico que mesmo numa jornada única de 8 horas diárias ainda recebe uma retribuição bastante razoável e leva uma vida confortável  ao mesmo tempo em que cumpre suas obrigações e esta sempre presente, acumulando gratidão e reconhecimento dos seus pacientes? Será que o político que se vende aos interesses dos poderosos e conquista grande prestígio mentindo e enganando a população é mais feliz do que o outro político que não aceitou se vender e em conseqüência não conseguiu se eleger, mas que possui ideais nobres e sinceros, acredita no que diz e é realmente respeitado e admirado por pessoas bem informadas que vêem nele um modelo a ser seguido, enquanto o primeiro conquista votos dos ignorantes (de todas as camadas sociais) que vedem o voto por uma dentadura ou por um favor no alto escalão?

O livre arbítrio nos permite viver como bem quisermos, mas a análise da realidade nos mostra como é enganosa e infeliz a estrada daquele que escolheu viver para si. De forma que só existe uma opção real para a busca de uma vida melhor e mais feliz, viver para os outros. Contrária ao nosso instinto animal de sobrevivência, a opção de viver para os outros, alimentar aos outros, dar conforto aos outros, lutar pelos outros, acatar à vontade dos outros, trabalhar pelos outros, sofrer pelos outros, é paradoxalmente o único caminho para uma vida feliz, mas essa é uma conclusão a que só o homem realmente racional consegue chegar.
Título: Re: Viver para si ou viver para os outros
Enviado por: Conforti em 27 de Maio de 2013, 01:22
      Amigo,

      Esse ideal é, na carne, dificílimo; temos nossa família, nossos, compromissos para com eles... mas sendo o mundo e a vida o q são, cheios de impiedades e eventos cruéis, é o de q mais necessitam os homens: amor; por isso essa virtude foi citada como a mais excelsa de todas, tanto, por Jesus, como por Paulo e por tantos outros. Se não houver mãos, braços e palavras q ajudem, o mundo será mais impiedoso e caótico do que é!