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CODIFICAÇÃO => O Evangelho Seg. Espiritismo => Tópico iniciado por: Marianna em 16 de Setembro de 2009, 02:33

Título: VISÃO ESPÍRITA DA BÍBLIA
Enviado por: Marianna em 16 de Setembro de 2009, 02:33



VISÃO ESPÍRITA DA BÍBLIA

Onde entra o Cristo, tudo se transforma.

22. Eva e a costela de Adão: um mito de origem social
23. Kardec esclarece a alegoria da queda do homem na Bíblia
24. Mostra a Bíblia que Adão não foi o primeiro
25. Caim fundou uma cidade sem ter quem habitá-la

22 - EVA E A COSTELA ADÃO: UM MITO DE ORIGEM SOCIAL:

Acreditam alguns comentaristas e exegetas que a alegoria bíblica da criação da mulher tinha uma finalidade social: incutir no homem o respeito pela companheira tirada da sua própria carne. A verdade, ao que parece, é outra. Esse objetivo seria melhor atingido se Deus criasse o casal ao mesmo tempo. A Bíblia deu preferência ao homem e colocou a mulher em segundo plano. O motivo deve ser a necessidade de atender aos preconceitos da época.

Mas é incrível que até hoje, no mundo inteiro, multidões de pessoas acreditem que Adão dormiu sozinho e acordou acompanhado de Eva, porque Deus lhe tirou uma costela e dela fez a primeira mulher. A passagem figura no Cap. II do Gênesis, versículos 18 a 25. Note-se que Deus já havia criado todas as coisas, o mundo já estava feito e povoado de animais, com Adão solitário no Éden, quando a mulher foi criada. Tudo concorre para a sua situação de dependência e subserviência das sociedades patriarcais. O próprio Moisés não compreenderia a mulher criada ao mesmo tempo que o homem. Por isso, o espírito-guia do povo hebreu, que na verdade era o deus-familiar de Abrão, Isaac e Jacó, lançou mão dessa alegoria ingênua e poética, proveniente de lendas folclóricas.

Quem estuda, na História das Religiões e na Antropologia cultural, o problema das cosmogonias antigas, não tem dúvida quanto à natureza lendária e alegórica dessa passagem bíblica. Basta recordar os processos mitológicos

de criação, em que os próprios deuses eram tirados do corpo de outros deuses e as criaturas humanas também, como no caso muito conhecido da descendência de Brama, na índia. Aceitar, pois, literalmente, o relato bíblico da criação

da mulher é deixar de lado a nossa faculdade de pensar, que Deus nos deu para que seja usada e desenvolvida cada vez mais. A situação de dependência da mulher se justifica ainda com a alegoria do pecado original, pois é a mulher, criatura inferior, que põe o homem a perder. O Cristianismo veio modificar essa situação, típica das sociedades patriarcais de toda a Antiguidade, ao valorizar a mulher no plano espiritual, como vemos no Novo Testamento, a começar do nascimento do Messias. O Espiritismo, que representa o desenvolvimento natural do

Cristianismo, completa essa modificação, ao revelar que homem e mulher só existem como expressões da vida nos planos inferiores. O espírito não tem sexo e se encarna neste ou naquele sexo de acordo com as suas necessidades evolutivas. Por isso Jesus ensinou que os espíritos "nem se casam nem se dão em casamento, pois são como os anjos do céu", como vemos na passagem de Mateus sobre a ressurreição (Mateus, 22:23-33). E Paulo sustenta o mesmo princípio, afirmando que em Cristo, na vida espiritual que ele nos oferece: "não há nem homem nem mulher". (Galatas, 3:28).

23 - ALEGORIA DA QUEDA DO HOMEM NA BÍBLIA:

O dogma da queda do homem é sustentado no campo religioso como um dos mistérios de Deus, impenetrável à inteligência humana. Seu fundamento bíblico é o Cap. III do Gênesis. Todos conhecem a lenda poética da árvore proibida, no meio do jardim do Éden, com a serpente demoníaca (a píton grega) enganando Eva, que leva Adão ao pecado original da desobediência. Mas em virtude do dogmatismo fideísta das religiões, poucas pessoas admitem a natureza alegórica desse conto ingênuo. O símbolo está evidente, à flor da pele. Mas os que consideram a Bíblia como a palavra de Deus não podem admiti-lo. Entendem a alegoria como realidade divina, tomando-a simplesmente ao pé da letra. Kardec explica em A Gênese, Cap. XII, toda a simbologia dessa passagem bíblica:

Adão é a personificação da Humanidade e sua falta representa a fragilidade humana; a árvore da vida é o símbolo da vida espiritual, que desenvolve a consciência humana e o livre-arbítrio da criatura; o fruto proibido está no meio do jardim de delícias, porque é a tentação dos prazeres materiais; a desobediência de Adão e Eva é a violação das leis de Deus pela concupiscência do homem; a serpente é a imagem da perfídia, da maldade que incita os outros ao erro.

Pergunta Kardec: "Por que impor à fé ingênua da credulidade infantil, como verdades, alegorias tão evidentes, falseando O seu julgamento e fazendo-as mais tarde encarar a Bíblia como um conjunto de fábulas absurdas?" Além disso, Kardec estuda o verdadeiro sentido dos termos bíblicos em sua origem hebraica e estabelece comparações entre o texto sagrado e conhecidas alegorias mitológicas. A forma das alegorias bíblicas é bela e o seu sentido é profundo. Mas essa beleza e essa profundidade são transformadas em absurdo e ridículo pela interpretação literal.

24 - MOSTRA A BÍBLIA QUE ADÃO NÃO FOI O PRIMEIRO HOMEM:

Expulso do Éden, o casal primitivo teve dois filhos: Caim e Abel, segundo nos relata o Cap. IV do Gênesis, versículos l a 16. Estava assim iniciada, segundo as religiões dogmáticas, a raça humana na Terra. Mas a própria bíblia desmente essa suposição, ao declarar, logo no vers. 2, que "Abel foi pastor e Caim lavrador". Nos versículos 14 e 15 vemos Caim temer que "outros" o matem e o Senhor "pôs um sinal em Caim, para que não o ferisse de morte quem quer que o encontrasse". E o versículo 16 nos oferece esta preciosa informação: retirando-se da presença do Senhor o renegado Caim "habitou na terra de Node, ao oriente do Éden". Não precisamos sair dos limites desse capítulo 4 do Gênesis para ver que Adão e Eva não iniciaram a raça humana, mas apenas a sua própria descendência, num mundo já povoado há muito tempo. Os versículos seguintes confirmam isso plenamente.

Que faz o Espiritismo em face deste problema? Rejeita e condena a Bíblia como falsa? Não. Pelo contrário, procura interpretá-la em espírito e verdade, em vez de apegar-se às contradições e aos absurdos da "letra que mata". No capítulo XI de A Gênese, Kardec explica que a chamada raça adâmica foi uma das últimas a surgirem na Terra. "O Gênesis no-la mostra, - diz ele, - desde o seu início, industriosa, apta para as artes e as ciências, sem haver passado pela infância intelectual, o que não é próprio das raças primitivas, mas concorda com a opinião de que ela se compunha de Espíritos já avançados". Caim era lavrador, Abel era pastor, e logo mais veremos Caim casar-se (com quem?) ter filhos e construir uma cidade. Tratemos agora do fratricídio de Caim, cujo símbolo é também dos mais significativos. Vemos na Bíblia que Caim matou Abel por ciúmes de Deus. Ambos haviam oferecido ao Senhor as primícias de seus trabalhos; Caim, os frutos da terra, Abel, os gordos rebentos do seu rebanho. O que mostra que já viviam na era das civilizações agrárias. Mas o Senhor não gostou da oferta vegetal, preferindo a de carne. Como todos os deuses antigos, o Deus Único da Bíblia

também gostava mais de carnes que de frutas. A alegoria é evidente: Caim representa o egoísmo humano de uma raça em desenvolvimento, Abel é a vítima inocente desse egoísmo feroz; Deus pune Caim, mas não o aniquila, por que ele precisa continuar progredindo; e o Deus em causa não é o verdadeiro Deus, mas um guia espiritual, que

representa o Senhor perante a ingenuidade desse povo nascente. É inacreditável que ainda hoje nos queira impingir essas alegorias em seu sentido liberal!

25 - CAIM FUNDOU UMA CIDADE SEM TER QUEM HABITÁ-LA!

Com quem se casou Caim, ao retirar-se para a terra do Node? Se Adão e Eva eram as primeiras criaturas humanas. Caim era a terceira. Não haveria mais

gente em toda a Terra. Mas a Bíblia nos conta o seguinte: "E coabitou Caim com sua mulher; ela concebeu e deu à luz Enoque. Caim edificou uma cidade e lhe chamou Enoque, o nome de seu filho". (Gênesis, IV: 17). Não há explicação teológica que possa resolver as contradições do texto. É evidente que Caim não era a terceira criatura da Terra, mas apenas o primeiro descendente de uma nova raça, que surgia num mundo já povoado e evoluído. A mulher de Caim era de outra raça, do povo que habitava a terra de Node. Os costumes da época ressaltam de todo o texto. Ao construir uma cidade, Caim lhe deu o nome do filho, homenagem comum nos tempos antigos e ainda hoje

comum entre os pioneiros de zonas novas. E com que povo ia Caim povoar a sua cidade? Pensaria em fazê-lo apenas com a sua geração? Claro que isso seria absurdo. Era o povo de Node que teria de habitar a cidade de Caim.

O fato mesmo de Caim ser pastor e Abel lavrador já nos mostra que Adão e Eva viviam numa civilização constituída. Se já havia profissões, divisão do trabalho, especialização da produção e até mesmo fundação de cidades, é evidente que o mundo não estava começando, mas já havia começado há muito tempo. Não se pode ajeitar as coisas, diante destes dados do texto. O que se pode e deve fazer é interpretar o texto, desvendar-lhe o sentido, decifrar-lhe o símbolo como o fez Kardec. A raça adâmica era uma nova raça que surgia na Terra, proveniente de migrações espirituais. Sua missão era auxiliar o desenvolvimento do planeta, ajudar os seus habitantes primitivos a se elevarem espiritualmente.

Não surgia milagrosamente, mas de forma natural, por descendência biológica de outras raças mais aperfeiçoadas. Entretanto, como era necessário preservar a condição evolutiva dessa raça, a fim de que ela não se perdesse na animalidade terrena, a Bíblia usou o mito da criação direta de Adão e Eva por Deus. A descendência de Caim e a genealogia do povo hebreu, que vêm nos versículos seguintes da Bíblia, desse mesmo capítulo IV: 17-26, e do capítulo V: l -32, provam precisamente o que acabamos de acentuar. Os casamentos ali referidos não podem ser explicados sem a existência de outros povos, na Terra, como

não se pode admitir que a corrupção do gênero humano tenha ocorrido na descendência de Adão. Insistir na aceitação literal dessas coisas, a pretexto de que a Bíblia é "a palavra de Deus", só serve para desmoralizar a Bíblia e a própria religião. Já é tempo das criaturas pensantes examinarem problemas tão sérios com maior seriedade.

J. Herculano Pires.



Título: Re: VISÃO ESPÍRITA DA BÍBLIA
Enviado por: Marianna em 07 de Novembro de 2009, 12:54


SENTIDO HISTÓRICO DA BÍBLIA E A SUA NATUREZA PROFÉTICA.

- Qual a posição do Espiritismo diante do problema bíblico? Os recentes debates natelevisão entre espíritas, pastores protestantes e sacerdotes católicos, deram motivo aalgumas incompreensões, de que se aproveitaram adversários pouco escrupulosos daDoutrina Espírita, para lhe desfecharem novos e injustos ataques.

Vamos procuraresclarecer, por estas colunas, a posição espírita, como já havíamos prometido.Kardec define essa posição, desde O Livro dos Espíritos, como a de estudo eesclarecimento do texto, à luz da História e na perspectiva da evolução espiritual daHumanidade. No cap. III deste livro, final do item 59, depois de analisar as contradiçõesentre a Bíblia e as Ciências, no tocante à criação do mundo, ele declara:

"Devemos concluir que a Bíblia é um erro?

Não; mas que os homens se enganaram na sua interpretação".Essas palavras de Kardec, sustentadas através de toda a Codificação, esclarecem aposição espírita. Devemos reconhecer na Bíblia a sua natureza profética (ou seja:mediúnica), encerrando a l Revelação, no ciclo histórico das revelações cristãs. Esse ciclocomeça com Moisés (l Revelação), define-se com Jesus (II Revelação) e encerra-se com oEspiritismo (III Revelação). Os leitores encontrarão explicações detalhadas a respeito em OEvangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, que é um manual de moral evangélica.

O conceito espírita de Revelação, porém, não é o mesmo das religiões em geral. Revelar éensinar, e isso tanto pode ser feito pêlos Espíritos (revelação divina) quanto pêlos homens(revelação humana), mas não por Deus "em pessoa", porque Deus age através de suas leis edos Espíritos. A revelação bíblica, portanto, não pode ser chamada de "palavra de Deus".Ela é, apenas, a palavra dos Espíritos-Reveladores, e essa palavra é sempre adequada aotempo em que foi proferida. Isto é confirmado pela própria Bíblia, como veremos nodecorrer deste estudo.A expressão "a palavra de Deus" é de origem judaica. Foi naturalmente herdadapelo Cristianismo, que a empregou para o mesmo fim dos judeus: dar autoridade à Igreja.

ABíblia, considerada "a palavra de Deus", reveste-se de um poder mágico: a sua simplesleitura, ou simplesmente a audiência dessa leitura, pode espantar o Demônio de uma pessoae convertê-la a Deus. Claro que o Espiritismo não aceita nem prega essa velha crendice,mas não a condena.

A cada um, segundo suas convicções, desde que haja boa orientações.

J. Herculano Pires.