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CODIFICAÇÃO => O Evangelho Seg. Espiritismo => Tópico iniciado por: MARCUSCHI em 01 de Abril de 2010, 01:57

Título: O que poderemos fazer pelos mortos
Enviado por: MARCUSCHI em 01 de Abril de 2010, 01:57
Bateu na porta de minha sala de trabalho e pediu licença para entrar. Usava uniforme; uma calça azul e uma camisa de mangas longas na mesma cor; era o responsável da seção de pintura de máquinas; as roupas estavam cobertas por fino pó da massa de pintura lixada. À volta dos olhos e nos cantos do rosto o mesmo pó esbranquiçado se acumulava em contrataste com o círculo avermelhado que se formou embaixo do meio da testa até o queixo, contornando a boca e cobrindo o nariz; lugar protegido pela mascara contra pó. Sem meias palavras cumprimentou-me perguntando se estava atrapalhando, desejava só um minutinho de minha atenção.
Descreveu-me como tudo acontecera. Seu pai havia falecido há 7 dias. Levando em conta que um mês antes eles estiveram juntos se abraçando e o paizinho já se encontrava muito mal e poderia partir a qualquer hora não considerava uma tragédia o falecimento, isso já era previsto.  Mesmo assim não conseguiu disfarçar a emoção, seus olhos permaneceram umedecidos e congestionados enquanto relatava as ultimas notícias do falecimento. Uma morte nunca acontece sem provocar muita dor naqueles que eram próximos de quem morreu.
Conversamos sobre a importância de compreendermos a morte; comparamos com algo semelhante a uma pausa para tomar-se um café durante um dia de trabalho, uma paradinha para uma conversa como aquela que estamos levando; concluímos que a morte não é o fim de tudo é mais ou menos como a troca de roupa antes de voltar para casa, ao final do dia.
Pedi a ele que fosse até meu carro e procurasse no banco traseiro um livro.
Estendeu-me o livro. Devolvi-lhe explicando tratar-se de um presente para ele usar todos os dias, uma pequenina lembrança para compreender a viagem de seu pai. Olhou-me, curioso, e aceitou o presente. Era um exemplar do “Evangelho Segundo o Espiritismo” de Allan Kardec.
 Abrimos o índice e juntos passamos o olho pelos tópicos, fomos diretamente a parte final onde estão as preces em geral.
PRECES POR ALGUÉM QUE ACABA DE MORRER:
“As preces pelos Espíritos que acabam de deixar a Terra não objetivam, unicamente, dar-lhes um testemunho de simpatia: também têm por efeito auxiliar-lhes o desprendimento e, desse modo, abreviar-lhes a perturbação que sempre se segue à separação, tornando-lhes mais calmo o despertar. Ainda aí, porém, como em qualquer outra circunstância, a eficácia está na sinceridade do pensamento e não na quantidade das palavras que se profiram mais ou menos pomposamente e em que, amiúde, nenhuma parte toma o coração.”

Lemos a prece pelos mortos, que se encontra naquele livro; elevamos o pensamento em memória de seu  falecido paizinho. Poucos minutos depois ele saiu de minha sala, agradecido.
Sendo, pois, a fé, “a garantia do que se espera e a prova das realidades invisíveis”, a prece é o convite para que a esperança se realize em nós, ou diante de nós. A prece é o instrumento do amor grande e puro de que nos falou o Cristo; é por ela que a caridade nos faz agentes da Divindade.
Diz um antigo provérbio: “ todo o bem que se faz é uma luz que se acendo no mundo”.
Faça de sua vida uma oração permanente pelos vivos e pelos mortos, você sentirá imensa paz e motivaçao nas horas mais dificeis. A cada um, a vida dá, de acordo com o que semeia.
Joao Carlos Marcuschi