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CODIFICAÇÃO => O Evangelho Seg. Espiritismo => Tópico iniciado por: JosueNeto em 23 de Setembro de 2010, 17:40

Título: Comentários de Eugênia ao Capítulo II : “Meu Reino Não É deste Mundo”
Enviado por: JosueNeto em 23 de Setembro de 2010, 17:40
Comentários de Eugênia ao Capítulo II de “O Evangelho segundo o Espiritismo”: “Meu Reino Não É deste Mundo”.

Benjamin Teixeira
pelo espírito Eugênia.

1. O pensamento de Jesus tem vários níveis simultâneos de significado, como ocorre a textos deveras profundos. Os evangelhos, em particular, entre os textos sagrados da humanidade, são os que mais apresentam tal característica sublime. A linha exegética pode tomar feição sociológica, histórica, literária, psicológica, assim como um tom pragmático pode ser decodificado, no sentido de infundir uma melhoria significativa no nível de bem-estar humano. E, em todos estes âmbitos ou sistemas interpretativos, várias camadas de grau de dificuldade e complexidade do tema podem ser desdobradas, para assombro dos mais perspicazes, como um repositório infinito de sabedoria. Por outro lado, informações com alto grau de sabedoria costumam expressar-se por meio de paradoxos, e é por isso que, em alguns momentos, o Cristo, com impecável lógica espiritual, apresenta assertivas aparentemente contraditórias como: “Quem quiser ganhar sua vida, perdê-la-á”. Perde-se num nível, para ganhar-se em outro – fica mais claro, à medida que aprofundamos as reflexões em torno de Suas palavras.

2. Assim, quando o Cristo se refere a Seu Reino não ser deste mundo, aludia ao mundo das idéias, valores, interesses e ocupações do ego, do imediato, do material. À medida que esta tríade primitiva “egoísmo-imediatismo-materialismo” é superada e posta em plano secundário, mais se aproxima o ser humano do nível de consciência do Cristo, que propele a criatura ao altruísmo, à busca do permanente e do eterno, às conquistas e vivências do espírito.

3. De modo nenhum Jesus condenaria a responsabilidade com os compromissos materiais, sejam de trabalho, de família ou mesmo sociais, que, como é muito fácil inferir, têm substanciais correlações com o universo moral e espiritual. Quem é espiritualizado vive no mundo material com qualidade, maturidade e bom senso, inclusive, ironicamente, desfrutando, com maior qualidade e extensão de tempo, os prazeres do plano físico. Quem não tem autodomínio, é sabido, facilmente se descontrola e precipita a perda da própria vida orgânica, pelos excessos a que se entrega, displicentemente. O que o Mestre Supremo queria que entendêssemos é que não se pode pôr o espírito em função do material, o permanente em prol do provisório, o coletivo na dependência do pessoal, o Divino sob a tutela do humano. Propunha a ordem correta das prevalências, das prioridades na vida de um indivíduo, que deve saber calar conveniências de ordem material, quando uma questão de natureza espiritual está em jogo. É isto que o Cristo pede, em escolhas que vão desde estar com um parceiro afetivo de quem se goste, mas que a família não aprova, até abraçar uma carreira profissional que renda menos status e fortuna, mas que condiga com a vocação e o ideal da própria alma.

4. Não é necessário abandonarem-se posições de destaque ou fugir de situações de favor material, mesmo porque o poder, o prestígio e a riqueza são conferidos às criaturas em caráter de depósito divino, em função de tarefas específicas de estímulo ao progresso e ao bem-estar tanto individuais como coletivos, de que o despenseiro terá que dar contas, após seu desencarne (ou mesmo, amiúde, já em pleno curso da reencarnação, com grandes reviravoltas que podem indicar cassações de favores divinos, como, de modo diametralmente oposto, suspensões de carma). Entretanto, constantemente, a oração e a paz de consciência, o bem comum e a felicidade eterna têm que vir em primeiro plano de considerações, e não em último, como normalmente se costuma fazer na Terra.

5. Assim como reflexionamos sobre esta máxima do Cristo, que afirma não ser este o Mundo d’Ele, também podemos lucubrar em torno de um aforismo popular que se celebrizou nos meios espirituais: “A felicidade não é deste mundo”, fazendo-nos recordar das imagens tradicionais do planeta como um “vale de lágrimas” – conforme a linguagem católica – ou como um “mundo de provas e expiações” – nos dizeres da terminologia espírita. Sim, não se pode ser feliz vivendo condicionado às necessidades do corpo e do ego, negligenciando os valores e princípios do espírito. Todavia, a felicidade é, sim, possível, na medida em que o indivíduo se programa de acordo com as aspirações superiores dos extratos mais elevados de sua consciência – que receberão nomes variados, conforme a escola de psicologia ou a ideologia religiosa que se siga. Com isto, o Mestre quis deixar claramente destacada a necessidade de se buscarem as diretrizes, interesses e prioridades do espírito, da consciência, do ideal, do coração – como se queira chamar –, sem pô-los abaixo do empenho, do tempo e da energia que se dedicam às conquistas de ordem material e pessoal.

6. Importa ainda considerar que Jesus, ao afirmar não ser deste mundo Seu Reino, referia-se, igualmente, à questão temporal, já que, à proporção que a humanidade amadurecer, psicológica e moralmente, mais comporá e estará sob o império de Seu Reino Soberano de Espiritualidade, Amor e Paz sobre o orbe, ao lado de Sua Mãe Sacrossanta. Não por acaso, a Ela confiou a humanidade, órfã de Sua divina paternidade, no alto da cruz, com o fito de que pudesse o gênero humano se aprimorar sob os cuidados da Mãe Santíssima, até que ocorresse a “volta” do Cristo, desta vez simbólica e coletiva, nas expressões de conduta, valores e sentimentos da maioria dos componentes das populações terrícolas, assinalando o início de Seu eterno Reinado sobre a Terra, o que poderíamos traduzir, em linguagem psicológica, como sendo a hegemonia dos padrões de idealismo, humanismo e espiritualismo no psiquismo da maioria dos habitantes de nosso planeta, predomínio este que se instalará, progressivamente, na crosta de nosso mundo, na correspondência exata da evolução do nível de consciência das massas, com o conseqüente alinhamento aos propósitos subidos do Cristo e de Deus, por conseguinte.

7. E quanto à Rainha? Como fica, nesta hierarquia, o Poder de Maria? O Reinado é do Cristo Jesus ou d’Ela, Maria Cristo (*1)? Isto, embora possa soar risível para mentes e corações mais amadurecidos, pode se converter em motivo de confusão e perturbação nos intelectos mais lineares-analíticos, pelo que nos antecipamos a asseverar que Jesus representa o que poderíamos, grosseiramente, comparar com o Poder Executivo, nas sociedades organizadas conforme o sistema tripartite de divisão de poder. É Ele, em última análise, como Voz da Verdade para a Terra, Quem manda no globo. Eis por que a própria Maria, embora também um augusto Cristo como Ele, pediu se fizesse o que Ele determinasse (*2). Para o Plano Superior, não existem as questões de ego, de pessoalidade, de interesses conflitantes entre indivíduos. O coletivo e o transpessoal, o divino e o transcendente estão sempre em primeiro plano. Assim, o Reinado é de Deus, acima de tudo, mas, para o nosso pobre planeta, em termos mais “burocráticos” – temos que rir ante tais colocações, quase grotescas para o que se dá realmente, embora não tenhamos como dizê-lo d’outra forma, para que sejamos didática na paupérrima linguagem humana –, Ele é o Governador (*3) e Ela é a Conselheira-Mor, que preside a tudo, em verdade, dos “bastidores” da Espiritualidade Excelsa.


(Texto psicografado em 15 de agosto de 2006. Revisão de Delano Mothé.)

(*1) Eugênia alude à tese de seu livro homônimo, Maria Cristo.

(*2) Vide: João, 2:5.

(*3) “Governador Espiritual da Terra”: assertiva sobre Jesus, feita na obra ímpar do médium Francisco Cândido Xavier (o Chico Xavier).

(Notas do Médium.)[/font]
Título: Re: Comentários de Eugênia ao Capítulo II : “Meu Reino Não É deste Mundo”
Enviado por: davidpai em 26 de Setembro de 2010, 03:00
josue muito bom esclarecimento ,ao meu ponto de vista dá para retirar as duvidas pendentes com relação e menssagen do cristo ,bem como o papel da Maria tão pouco esclarecido nos meios católicos.
Título: Re: Comentários de Eugênia ao Capítulo II : “Meu Reino Não É deste Mundo”
Enviado por: JosueNeto em 26 de Setembro de 2010, 17:03
O Espírito Eugêinia, querido Davi, é a responsável pela obra Salto Quantico, juntamente com seu médium, Benjmain de Aguiar. Sua abordagem é interdisciplinar, didática e muito esclarecedora e reconfortante.

Vários dos temas esclaricidos em suas esplanações são considerados polêmicos, mas, todas as peças que trata, são abordados com base filosófica, espiritual e científica quando possível.

Outros textos excelentes você verá nos tópicos:
http://www.forumespirita.net/fe/artigos-espiritas/dialogo-sobre-judas-iscariotes-e-a-revelacao-de-ser-ele-o-preferido-de-jesus/

http://www.forumespirita.net/fe/artigos-espiritas/dialogo-sobre-masturbacao-benjamin-teixeira-em-dialogo-com-o-espirito-eugenia/

http://www.forumespirita.net/fe/homossexualidade/dialogo-sobre-homossexualidade-benjamin-teixeira-em-dialogo-com/

Sou muito feliz em compartilhá-los com todos.
Todos os domingos, às 19:30h (Brasília) são transmitidas palestras on line.
www.saltoquantico.com.br (http://www.forumespirita.net/fe/go.php?url=aHR0cDovL3d3dy5zYWx0b3F1YW50aWNvLmNvbS5icg==).

Felicidades!
Título: Re: Comentários de Eugênia ao Capítulo II : “Meu Reino Não É deste Mundo”
Enviado por: Prí Martins em 23 de Outubro de 2010, 02:17
Maravilhoso texto e muito esclarecedor...
Título: Re: Comentários de Eugênia ao Capítulo II : “Meu Reino Não É deste Mundo”
Enviado por: lizbeth em 23 de Outubro de 2010, 04:56


Muita paz, luz e amor a todos os irmãos.

Jesus Manso e Humilde de Coração, fazei nossos corações semelhantes ao Vosso!

 :)