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CODIFICAÇÃO => O Evangelho Seg. Espiritismo => Tópico iniciado por: *Leni* em 12 de Abril de 2009, 15:14

Título: Cap XVIII - Muitos os chamados e poucos os escolhidos:
Enviado por: *Leni* em 12 de Abril de 2009, 15:14



"O Evangelho Segundo o Espiritismo"
Livraria Allan Kardec Editora.
 
Cap XVIII - Muitos os chamados e poucos os escolhidos:
 
  Parábola da Festa de Núpcias
  A porta Estreita
  Os que dizem: Senhor! Senhor!
  A Quem Muito Foi Dado, Muito Será Pedido
— Instruções dos Espíritos
  O Que Tem Se Llhe Dará
  Reconhece-se o Cristão Pelas Suas Obras
Parábola da Festa de Núpcias
1. E respondendo Jesus, lhe tornou a falar segunda vez em parábolas, dizendo:

O Reino dos Céus é semelhante a um homem rei, que faz as bodas a seu filho; e mandou os seus servos a chamar os convidados para as bodas, mas eles recusaram ir.
 
Enviou de novo outros servos, com este recado.
 
Dizei aos convidados:
Eis aqui, tenho preparado o meu banquete, os meus touros e os animais cevados estão já mortos, e tudo pronto; vinde às bodas.
 
Mas eles desprezaram o convite, e se foram, um para a sua casa de campo, e outro para o seu tráfico. Outros porém, lançaram mão dos servos que ele enviara, e depois de os haverem ultrajado, os mataram. Mas o rei, tendo ouvido isto, se irou; e tendo feito marchar seus exércitos, acabou com aqueles homicidas, e pôs fogo à sua cidade.
 
Então disse aos seus servos:
As bodas com efeito estão aparelhadas, mas os que foram convidados não foram dignos de se acharem no banquete. Ide pois às saídas das ruas, e a quantos achardes, convidai-os para as bodas. E tendo saído os seus servos pelas ruas, congregaram todos os que acharam, maus e bons; e ficou cheia de convidados a sala do banquete de bodas. Entrou depois o rei para ver os que estavam à mesa, e viu ali um homem que não estava vestido com veste nupcial.
 
E disse-lhe: Amigo, como entraste aqui, não tendo vestido nupcial? Mas ele emudeceu.
Então disse o rei aos seus ministros: Atai-o de pés e mãos e lançai-o nas trevas exteriores: aí haverá choro e ranger de dentes. Porque são muitos os chamados e poucos os escolhidos. (Mateus, XXII:1-4).

2. O incrédulo ri desta parábola, que lhe parece de uma pueril ingenuidade, pois não admite que haja tantas dificuldades para a realização de um banquete, e ainda mais quando os convidados chegam ao ponto de massacrar os enviados do dono da casa. "As parábolas _ diz ele _ são naturalmente alegorias, mas não devem passar os limites do possível".

O mesmo se pode dizer de todas as alegorias, das fábulas mais engenhosas, se não lhes descobrimos o sentido oculto. Jesus se inspirava nas usanças mais comuns da vida, e adaptava as suas parábolas aos costumes e ao caráter do povo a que se dirigia. A maioria delas tinha por fim fazer penetrar nas massas populares a idéia da vida espiritual, e seu sentido só parece incompreensível para os que não se colocam nesse ponto de vista.

Nesta parábola, por exemplo, Jesus compara o Reino dos Céus, onde tudo é felicidade e alegria, a uma festa nupcial. Os primeiros convidados são os judeus, que Deus havia chamado em primeiro lugar para o conhecimento da sua lei. Os enviados do rei são os profetas, que convidaram os judeus a seguir o caminho da verdadeira felicidade, mas cujas palavras foram pouco ouvidas, cujas advertências foram desprezadas, e muitos deles foram mesmo massacrados, como os servos da parábola. Os convidados que deixam de comparecer, alegando que tinham de cuidar de seus campos e de seus negócios, representam as pessoas mundanas que, absorvidas pelas coisas terrenas, mostram-se indiferentes para as coisas celestes.

Acreditavam os judeus de então que a sua nação devia conquistar a supremacia sobre todas as outras. Pois não havia Deus prometido a Abraão que a sua posteridade cobriria a Terra inteira? Tomando sempre a forma pelo fundo, eles se julgavam destinados a uma dominação efetiva, no plano material.

Antes da vinda do Cristo, com exceção dos hebreus, todos os povos eram politeístas e idólatras. Se alguns homens superiores haviam atingido a idéia da unidade divina, essa idéia entretanto permanecia como sistema pessoal, pois em nenhuma parte foi aceita como verdade fundamental, a não ser por alguns iniciados, que ocultavam os seus conhecimentos sob formas misteriosas, impenetráveis à compreensão do povo.Os judeus foram os primeiros que pratica ram publicamente o monoteísmo. Foi a eles que Deus transmitiu a sua lei; primeiro através de Moisés, depois através de Jesus. Desse pequeno foco partiu a luz que devia expandir-se pelo mundo inteiro, triunfar do paganismo e dar a Abraão uma posteridade espiritual "tão numerosa como as estrelas do firmamento".

Mas os judeus, embora repelindo a idolatria, haviam negligenciado a lei moral, para se dedicar à prática mais fácil do culto exterior. O mal chegara ao cúmulo: a nação, dominada pelos romanos, estava esfacelada pelas facções, dividida pelas seitas; a própria incredulidade havia atingido até mesmo o santuário. Foi então que Jesus apareceu, enviado para chamá-los à observação da lei e para abrir-lhes os novos horizontes da vida futura. Primeiros convidados ao banquete da fé universal, eles repeliram, porém, as palavras do celeste Messias, e o sacrificaram. Foi assim que perderam o fruto que deviam colher da sua própria iniciativa.

Seria injusto, entretanto, acusar o povo inteiro por essa situação. A responsabilidade coube principalmente aos Fariseus e aos Saduceus, que puseram a nação a perder, os primeiros pelo seu orgulho e fanatismo, e os segundos pela sua incredulidade. São eles, sobretudo, que Jesus compara aos convidados que se negaram a comparecer ao banquete de núpcias, e acrescenta que o rei, vendo isso, mandou convidar a todos os que fossem encontrados nas ruas, bons e maus. Fazia entender assim que a palavra seria pregada a todos os outros povos, pagãos e idólatras, e que estes, aceitando-a, seriam admitidos à festa de núpcias em lugar dos primeiros convidados.

Mas não basta ser convidado; não basta dizer-se cristão, nem tampouco sentar-se à mesa para participar do banquete celeste. É necessário, antes de tudo, e como condição expressa, vestir a túnica nupcial, ou seja, purificar o coração e praticar a lei segundo o espírito, pois essa lei se encontra inteira nestas palavras: Fora da caridade não há salvação. Quão poucos se tornam dignos de entrar no Reino dos Céus! Foi por isso que Jesus disse: Muitos serão os chamados e poucos os escolhidos.




Título: Re: Cap XVIII - Muitos os chamados e poucos os escolhidos:
Enviado por: Wallace & Shiva - Transmutador Interdimensional em 02 de Agosto de 2011, 20:56
Estranho banquete este, para o qual o anfitrião teve necesssidade de enviar os seus servos para chamar os convidados, e estes
recusaram ao ponto de ultrajar e matar os portadores dos convites.
O rei, que patrocinava as Bodas, excedendo-se ainda mais, mandou matar aqueles que recusaram o convite e, após essa
barbaridade, ordenou que suas cidades fossem incendiadas, dando ordens para que novos convidados, mais dignos, fossem
chamados, sem qualquer distinção entre bons e maus, ricos e pobres, o que pressupõe que o traje não fosse de rigor, e os pobres
pudessem ali penetrar com as únicas roupas que possuíam. Mas, outra incongruência ocorreu, pois um dos convivas, encontrado
sem as vestes nupciais, foi atado de pés e mãos e lançado, onde haveria pranto e ranger de dentes.
A circunstância de haver relutância em se aceitar o convite para um banquete, chegando-se ao inconcebivel de aniqüilar os
portadores dos convites, significa que o banquete só poderia ser representado por encargos ou chamamento à responsabilidade.
Há paradoxo na narração em se tratando de um festim material, não acontecendo o mesmo se procurarmos encontrar a
interpretação espiritual que ela encena, o que tentaremos fazer:
O Criador, em Sua infinita misericórdia, achou que o povo judeu, monoteísta e religioso, havia atingido um ponto de maturidade
suficiente para difundir uma Nova Revelação para toda a Humanidade, como prelúdio da grandiosa missão que o Ungido de Deus viria
desempenhar mais tarde.
Os Dez Mandamentos foram, então, revelados, os quais passaram a representar perene convite às criaturas humanas no sentido de
se precatarem contra os desregramentos e os desmandos.
Todos os judeus foram assim convidados para uma senda melhor, mais pura, mais eficiente. Mas, isso significava o abandono de
muitas vantagens materiais, portanto, o convite não foi aceito, e os profetas e missionários, encarregados de despertar essas
criaturas para o Bem, insistindo no convite generoso, foram ultrajados e mortos.
O Senhor, vendo a sanha feroz e a iniqüidade que minava o povo, o qual vinha sendo preparado para tão excelsa missão, deixou que
as leis imutáveis e inexoráveis, que regem a Humanidade, tivessem aplicação. Assim, os judeus tiveram muitas das suas cidades
destruídas e muitos dos seus filhos aniqüilados, culminando essa série de ocorrências com a destruição de Jerusalém e a dispersão
dos israelitas.
Disse então o Senhor: "As bodas na verdade estão preparadas, mas os convidados não foram dignos, ide pois às saídas dos
caminhos e convida para as bodas todos os que encontrardes." Realmente, desta vez, os Enviados do Alto puseram-se a convidar
indistintamente judeus e gentios, bons e maus, ricos e pobres, monoteístas e politeístas. Enquanto Pedro, Tiago, João e outros,
desenvolviam o mais árduo esforço no sentido de convidar os judeus para o cumprimento da lei, Paulo, Barnabé, Timóteo e outros, envidavam gigantesco e eficiente apostolado em favor da conversão e integração dos gentios politeístas na comunidade cristã, que
se encaminhava para o processo da aproximação com o Alto.
E a seara se tomou repleta de trabalhadores de todos os matizes e, no meio deles surgiram os interesseiros, os idolatras, os falsos
profetas, os quais, apesar de se locupletarem com as iguarias do banquete dos Evangelhos, se mantiveram na posição de pedras de
tropeço, de cegos que não querem ver e de falsos mentores, passando estes últimos a causar a deturpação dos ensinamentos de
Jesus.
Como resposta à afirmativa de Cristo de que o Filho do homem não tinha uma pedra onde reclinar a cabeça, fizeram suntuosas casas
de oração, esquecidos da advertência do Profeta de que Deus não habita em templos feitos pelas mãos dos homens.
E m réplica à admoestação do Meigo Nazareno de que se deveria ser manso e humilde de coração, criaram tribunais religiosos,
engenharam instrumentos de coação e tortura, e fomentaram cruzadas fratricidas e sanguinolentas.
Contrariando os ensinos do Messias de que se deveria orar em segredo e concisamente, manipularam longas e intermináveis
orações e ladainhas.
Atentando contra as palavras do Nazareno de que "O Pai não quer a morte do ímpio", de que "O Pai faz o seu sol brilhar para os bons
e para os maus", de que "ninguém verá o reino dos Céus sem renascer de novo", de que "o pai não paga o pecado do filho, nem o
filho paga o pecado do pai", de que "a vontade do Pai é de que haja um só rebanho sob o cajado de um só pastor", de que "a cada um
será dado segundo as suas obras", criaram uma infinidade de dogmas e preceitos incríveis que tomaram o nome de pecado original, de penas eternas, de unicidade das existências terrenas, de salvação pela graça, impingindo ainda a crença na existência de um
inferno circunscrito e de um céu privilegiado.
Sustentando a ferro e fogo esses princípios, alguns dos convidados deixaram de se revestir das vestes nupciais enquanto
perambulavam pela Terra, apresentando-se no mundo espiritual com o perispírito revestido de densas manchas por terem mantido
a luz debaixo do velador. A estes, os mensageiros da vontade de Deus dirão: - Amigo, como queres entrar aqui sem usar as vestes
nupciais? Não lhe restando outra solução senão serem relegados aos planos de sofrimento espiritual, onde há prantos e ranger de
dentes.
O Reino dos Céus não se toma de assalto - asseverou Jesus; e é notório que somente aqueles que cumprem com o dever, são bons e
misericordiosos, alcançam a perfeição pelo esforço próprio, se tornando pacificadores, e dessa oportunidade podem se revestir das
diáfanas vestes dos anjos. Essa aquisição não se, faz numa só vida na Terra, mas em jornadas prolongadas no decurso de milhares
ou milhões de anos.
Não basta ser seguidor de determinada fé para se adquirir essas excelsas qualidades espirituais; é imprescindível o trabalho de
vanguarda, o esforço incessante, o cultivo das virtudes cristãs.
Os participantes das Bodas, que não se revestiram das vestes nupciais, transformaram os suculentos manjares do Evangelho em
indigesto cardápio.
Título: Re: Cap XVIII - Muitos os chamados e poucos os escolhidos:
Enviado por: filhodobino em 02 de Agosto de 2011, 21:27

Não basta ser seguidor de determinada fé para se adquirir essas excelsas qualidades espirituais; é imprescindível o trabalho de
vanguarda, o esforço incessante, o cultivo das virtudes cristãs.
Os participantes das Bodas, que não se revestiram das vestes nupciais, transformaram os suculentos manjares do Evangelho em
indigesto cardápio.

Amado irmão,
Saúde e Paz!
O mais interessante do desenvolvimento de sua ideia, nessa reflexão, penso que é o fator amor ao próximo e a Deus como a si mesmo, que nos torna imperativo que respeitemos totalmente quem achar esse cardápio indigesto, tanto quanto a quem ainda pensa que isto é manjar de deuses, e a quem já aceitou plenamente essa essência em seu livre viver e o pratica de forma leal e desinteressada...
Gostei de ambas reflexões...
Saúde e Paz!
Título: Re: Cap XVIII - Muitos os chamados e poucos os escolhidos:
Enviado por: Kazaoka em 02 de Agosto de 2011, 22:47
Ouçam a música...[attach=1]
Título: Re: Cap XVIII - Muitos os chamados e poucos os escolhidos:
Enviado por: Kazaoka em 02 de Agosto de 2011, 23:23
Na parábola das bodas, Jesus faz anúncio do que era a sua missão e o desfecho que teria. Ele veio como emissário do Pai, anunciando a boa nova e, no entanto, não foi reconhecido e foi imolado. Hoje, todos, cristãos e não-cristãos, constituem a multidão dos convidados a receberem a enunciação do bem e das verdades, através dos mensageiros enviados por Deus, de acordo com a crença e com a fé que a professe, facultando a cada um o livre-arbítrio da decisão e a obrigatoriedade das responsabilidade inerentes ao gozo do direito Divino à liberdade e da busca pela felicidade. E nós Espíritas, estamos transitando entre essa multidão, levando aqui e acolá a mensagem que Jesus nos deixou, intercambiando aprendizado e buscando despertar nos corações entorpecidos, a revivescência dos sublimes ensinamentos constituindo-nos assim, em incansáveis trabalhadores da primeira à última hora.
Título: Re: Cap XVIII - Muitos os chamados e poucos os escolhidos:
Enviado por: filhodobino em 02 de Agosto de 2011, 23:26
Ouçam a música... (Ligação para o anexo)

Congratulações amado irmão... bela ideia-imagem...
Saúde e Paz!
Título: Re: Cap XVIII - Muitos os chamados e poucos os escolhidos:
Enviado por: Wallace & Shiva - Transmutador Interdimensional em 03 de Agosto de 2011, 03:26
Saude e paz ao estimado irmão "filhodobino"!

Caro irmão, esta explicação e suas afirmações não são minhas, são do saudoso Paulo Alves de Godoy, foi um jornalista e escritor espírita brasileiro (São Paulo, 22 de setembro de 1914 - São Paulo, 19 de abril de 2001), mas, tive a satisfação de conhecer sua obra e tem muita coisa coisa interessante.
Apenas postei para dar mais ênfase ao nosso assunto que é deveras importante e interessantíssimo, aliás, como todo assunto dentro dos Evangelhos de Jesus, nosso Irmão Maior.

Apóstolos do Espiritismo - Paulo Alves de Godoy
A Parábola do Festim das Bodas
Artigo publicado no jornal Unificação - Ano IX - Junho de 1961 - Número 99
http://www.irmaclara.com.br/apostolos/artigo-espirita/66/%22%22

Desculpa eu não ter salientado antes!

Saudações fraternais:
Wallace Souza.