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CODIFICAÇÃO => O Evangelho Seg. Espiritismo => Tópico iniciado por: Almeida em 24 de Agosto de 2005, 13:20

Título: CAP. 19 A FÉ QUE TRANSPORTA MONTANHAS
Enviado por: Almeida em 24 de Agosto de 2005, 13:20

Quanto a ter fé em Deus, pode interpretar-se como simplesmente acreditar que existe o Criador; ou acreditar que, para além disso, a nossa fé no Criador pode conduzir-nos a atingir objectivos, por mecanismos tipo efeito placebo ou equivalente:  é o "tenho fé, logo consigo"; ou ainda que a nossa fé no Criador fará com Ele intervenha directamente nos nossos assuntos;

Esta última hipótese parece-me pouco provável. Na resposta à questão 525 do Livro dos Espiritos, o Espirito inquirido refere que os Espiritos têm uma acção directa sobre o cumprimento das coisas, influenciando o nosso pensamento. Contudo é claro ao dizer: mas eles (os Espiritos) nunca agem fora das leis da natureza. É então provável que à nossa fé em Deus corresponda a ajuda de Bons Espiritos, que nos inspiram bons pensamentos (escolhermos o médico certo para nos ajudar, por exemplo). Em nome do Criador eles poderão ajudar-nos, mas não é directamente o Criador.




525. Exercem os Espíritos alguma influência nos acontecimentos da vida?
Certamente, pois que vos aconselham.”
- Exercem essa influência por outra forma que não apenas pelos pensamentos
sugerem, isto é, têm ação direta sobre o cumprimento das coisas?
Sim, mas nunca atuam fora das leis da Natureza.”
(1)

A fé é uma virtude. E virtude não se improvisa. É uma conquista gradativa do ser em evolução.

A semente na cova, pela sua fé, automaticamente, vence os obstáculos da terra que a recobre e busca a luz que a vivifica.
O animal, pela suas necessidades de sobrevivência e compondo a cadeia alimentar natural, pela sua fé, instintivamente, a sós ou em grupo atinge o objetivo de captura da sua caça.
O homem, pelas suas conquistas intelectuais e morais, vislumbra objetivos possíveis e caminha inexorável e conscientemente ao encontro da realização.
Ingere alimentos, absorve medicamentos, embarca em avião, aventura-se em alto mar ou entra em órbita em aparelhos sofisticados, pois, embasado na razão, tem a certeza, a fé, de que os efeitos daquela sua atitude redundarão em sucesso.

Através da razão, ao admitir a Perfeição do Criador, Sua solicitude, Bondade, Onipresença, Onipotência, etc, a Fé manifesta-se espontaneamente e o homem caminha resoluto. O Espiritismo apresenta a Fé Raciocinada ao homem, não a Fé Cega.
Os obstáculos deixam de ser forças contrárias e passam a ser oportunidades de aprimoramentos. As dores adquirem o condão de parâmetros a serem respeitados, de sinais de que está havendo infração à Lei de Amor, Lei que rege o crescimento.

Como vimos nas respostas que os espíritos deram acima, pergunta 525, os espíritos influem em nossas vidas aconselhando-nos, como fazem nossos pais, nossos amigos.
Alguns têm a função do professor, transmitem-nos seus conhecimentos, porém o trabalho de absorção deles deve ser do aprendiz.

A Lei que rege esse intercâmbio é a Lei de Afinidade e de Auxílios Mútuos, pois sintonizamos com os temas com os quais temos afinidade.
Se temos afinidade pelo estudo de Física, as aulas de Geografia se tornam de mais difícil assimilação.
Assim se cultivamos pensamentos elevados, voltados para o bem e para o belo, para o crescimento enfim, teremos contatos com amigos dessa mesma freqüência mental. O oposto também ocorre. Se somos sensuais, invejosos, maledicentes, orgulhosos, teremos as companhias, a sintonia (e os conselhos/induções) correspondentes.



(1) Livro dos Espíritos


Título: Re: 19º Cap.- A FÉ QUE TRANSPORTA MONTANHAS
Enviado por: Almeida em 25 de Agosto de 2005, 12:04

Na realidade Jesus Cristo dizia frequentemente a quem ele curava: "a tua fé te salvou". Mas o que é que ele queria dizer na realidade e em termos práticos com isso?





“Não penseis que vim destruir a Lei ou os profetas; não vim para destruí-los, mas para dar-lhes cumprimento. Porque em verdade vos digo que o Céu e a Terra não passarão, até que não se cumpra tudo quanto está na Lei, até o último jota e o último ponto”.(1)

Jesus não viera destruir a Lei. Não somente a Lei Humana mas também as Leis Espirituais.
Assim sendo, todos os benefícios que Ele promoveu individualmente, os chamados “milagres” na realidade não existiram pois não houve derrogação de Leis Naturais, mas sim atendimento de condições naturais que propiciaram a realização de determinados fenômenos.

Muitos acontecimentos de hoje, tornados corriqueiros, que qualquer um de nós faz, antigamente poderia ser catalogado à conta de milagre, pois não se sabia o seu mecanismo.
Poderíamos citar os próprios meios de comunicação hoje existentes. Comunicamo-nos instantaneamente de um continente a outro, sem dificuldades, no entanto, há pouco tempo, esse fato seria um verdadeiro milagre ou “coisa do demônio”.

O conhecimento que temos dessa possibilidade faz com que tomemos a iniciativa de realizá-lo com toda a tranqüilidade e certeza de que se concretizará. Ou por outra, com uma fé natural.

O Espiritismo nos tem ensinado que a Fé é sinônimo de confiança. Podemos ter confiança em nós mesmos à medida que nos conhecemos melhor, à medida que descobrimos nosso potencial.

Por exemplo, o atleta ao se dispor a competir tem confiança em si mesmo, digamos, tem fé, que vai poder disputar de igual para igual com os demais concorrentes e, quiçá, vencer a competição. O empresário, o agricultor, o jovem enamorado, todos tem fé, confiança, em seus projetos e empreendimentos.

À medida que nos conscientizamos de que há um Criador Amantíssimo, e que suas Leis Perfeitas vigem em nosso favor, para o nosso bem, também nossa fé, nossa confiança se robustece, nessa Causa Perfeita.

O conjunto consciente dessas aquisições ao atingir o nível de merecimento e utilidade; o que o Espiritismo chama de “Fé Raciocinada”, coloca o ser em condições de receber o benefício correspondente.

Quando Jesus dizia “A tua Fé te salvou” denotava que a pessoa que estava sendo beneficiada por Jesus, criara em si mesma, por sua confiança, por sua fé, as condições de receber o benefício.

Não se trata de uma condição artificial, improvisada, mas sim de uma condição real, adquirida através das somas das experiências que vida propiciou.

Mas para algumas pessoas advertia também Jesus: “Vá e não peques mais”, ou seja, recomendava o Mestre para que a pessoa mantivesse o padrão elevado de sintonia para que não perdesse o benefício recebido.

Equivaleria as palavras de um professor ao seu aluno que acabara de assimilar difícil questão: “Muito bem, seu esforço e dedicação aos estudos fizeram com que você compreendesse essa lição, continue estudando”.


Mateus V- 17:18



Título: Re: CAP. 19 A FÉ QUE TRANSPORTA MONTANHAS
Enviado por: Brilho da Lua em 15 de Outubro de 2008, 21:48
   Para podermos crer de verdade, antes de mais nada, precisamos compreender aquilo em que devemos crer. A crença sem raciocínio não passa de uma crença cega, de uma crendice ou mesmo de uma superstição. Antes  de aceitarmos algo como verdade, devemos analisá-lo bem. O mal de muita gente é acreditar facilmente em tudo que lhe dizem, sem cuidadoso exame.
     
      "Fé inabalável é aquela que pode encarar a razão, face a face, em todas as épocas da humanidade." Allan Kardec.