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CODIFICAÇÃO => O Evangelho Seg. Espiritismo => Tópico iniciado por: Almeida em 04 de Junho de 2008, 20:34

Título: CAP. 16 - SERVIR A DEUS E A MAMON
Enviado por: Almeida em 04 de Junho de 2008, 20:34


O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO

CAP. XVI

SERVIR A DEUS E A MAMON

SALVAÇÃO DOS RICOS  



“Nenhum servo pode servir a dois senhores, porque ou há de aborrecer a um e amar ao outro, ou há de entregar-se a um e não fazer caso do outro; vós não podeis servir a Deus e às riquezas”. (1)

O conceito de riqueza como fonte de perdição é uma daquelas idéias que permanecem cristalizadas no espírito do homem.

A passagem bíblica acima parece colocar a posse de bens materiais como algo que inexoravelmente arrasta o seu possuidor a atitudes egoísticas, contrárias ao bem, tornando-o, assim, candidato a sofrimento eterno, diante do dogma da unicidade da existência.

Porém, à luz da Doutrina Espírita, e sabendo que “a letra mata, mas o espírito vivifica” (2), podemos considerar que o apego aos imediatismos da vida física realmente podem obnubilar o raciocínio do homem e desviá-lo de sua tarefa principal na encarnação, que é o seu aprimoramento pessoal, intelectual e moral.

O Mestre Jesus adverte desse modo que a influência da matéria sobre o espírito é natural em decorrência mesmo das necessidades de sobrevivência e adaptação ao cosmo celular (3) que instiga comportamentos instintivos, resquícios do reino animal, do qual o homem muito recentemente emancipou-se.

“É mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino dos Céus” reflete bem a necessidade constante que o homem tem de exercitar-se no desenvolvimento de sua capacidade de sintonia com as coisas da sua real essência, ou seja, da sua espiritualidade. Sintonia essa que o respaldará quanto ao gerenciamento adequado de suas possibilidades materiais, transformando-as em objeto de seu crescimento e evolução espiritual.


(1)   Lucas – XVI: 13
(2)   2º Corintios – III: 6
(3)   Livro dos Espíritos – pergs. 367 a 370

Título: Re: CAP. 16 - SERVIR A DEUS E A MAMON
Enviado por: mythbuster em 13 de Junho de 2008, 22:20
Quando analisamos a Biblia, deparamo-nos com varios homens ricos desde o Antigo Testamento ao Novo Testamento.

No Antigo Testamento temos um exemplo bem representativo do que é, o não apego aos bens materiais - Jó.
Jó foi um homem que ficou sem nada por um periodo de tempo entendido por Deus.
Foi sujeito á tentação, até mesmo pelos amigos e pela mulher sendo que a fé prevaleceu acima de tudo, e tudo lhe foi restituido sendo os seus anos prolongados na terra e as suas riquezas multiplicadas.
A razão disto foi porque Jó não colocou as riquezas á frente de Deus, confiou sempre N'Ele, a sua fé era inabalavel.

Outro exemplo tambem, da maior riqueza que houve na Historia foi a de Salomão.
Salomão não enlouqueceu porque colocou as riquezas a frente do Deus vivo, mas porque pecou noutras areas, afastando-se de Deus.

Ora o pecado é o que nos separa de Deus, e isso é uma coisa bem ciente na Biblia.

Quando Jesus diz, "Nenhum servo pode servir a dois senhores, porque ou há de aborrecer a um e amar ao outro, ou há de entregar-se a um e não fazer caso do outro; vós não podeis servir a Deus e às riquezas (Mamon)”, significa que não devemos colocar nada acima do nosso Deus.

Se servimos a Deus apenas esse deve de ser o caminho "Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas (Mateus 6:33)"

As coisas que nos serão acrescentadas, assim o serão se estivermos em comunhão com Deus e buscar-mos primeiro as suas Leis, o seu amor e o seu reino.   

Jesus está interessado nos nossos corações, na nossa natureza, mas porque é que em 28 parábolas existentes no Novo Testamento 16 são sobre dinheiro?

Porque Jesus disse que onde estiver o nosso tesouro, ali também estará o nosso coração e nosso coração vai sempre atrás do tesouro, por isso convem que o nosso tesouro seja Deus.

Mamon era o deus adorado pelos filisteus, era o deus que eles usavam para buscar prosperidade, sendo essa infelizmente a condição humana, busca de prosperidade colocando Deus de lado.

Jesus realmente foi um mestre, um mestre da Lei, da Palavra de Deus, um rabi. Ele ensinava nas sinagogas desde jovem, levava a Palavra a todos os oprimidos de coração libertando-os dos seus males, dos seus sofrimentos.

Jesus é o Filho de Deus, daí advir tanta autoridade e sabedoria e isso é inegavel.






Título: Re: CAP. 16 - SERVIR A DEUS E A MAMON
Enviado por: Carlos Ribeiro em 13 de Junho de 2008, 22:29
Olá Mythbuster (caçador de mitos?).
Concordo com tudo o que disse, apenas coloco em causa sua úlima frase:
Citar
Jesus é o Filho de Deus, daí advir tanta autoridade e sabedoria e isso é inegavel.
.
Penso que filhos de Deus somos todos e não apenas Jesus. E para mim não existem "Filhos" e "filhos". Aos olhos de Deus todos somos iguais.
Ass:Carlos Ribeiro
Título: Re: CAP. 16 - SERVIR A DEUS E A MAMON
Enviado por: Almeida em 17 de Junho de 2008, 12:23




O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO  -  CAP. XVI

SERVIR A DEUS E A MAMON  -  GUARDAI-VOS DA AVAREZA

 “Então lhe disse um homem da plebe: Mestre, dize a meu irmão que reparta comigo da herança. Porém Jesus lhe respondeu: Homem, quem me constituiu a mim juiz, ou partidor, sobre vós outros? Depois lhe disse: Guardai-vos e acautelai-vos de toda avareza, porque a vida de cada um não consiste na abundância das coisas que possui. Sobre o que lhes propôs essa parábola, dizendo: O campo de um homem rico tinha dado abundantes frutos, e ele revolvia dentro de si estes pensamentos, dizendo: Que farei, que não tenho onde recolher os meus frutos? E disse: Farei isto; derrubarei os meus celeiros e os farei maiores; e neles recolherei todas as minhas novidades, e os meus bens. E direi à minha alma: Alma minha, tu tens muitos bens em depósito para largos anos; descansa, come, bebe, regala-te. Mas Deus disse a este homem: Néscio, esta noite te virão demandar a tua alma, e as coisas que tu ajuntaste, para quem serão? Assim é o que entesoura para si, e não é rico para Deus.” (1)

É comum ao homem que se destaca em suas atividades, ser abordado por pessoas que desconhecem a sua real tarefa, com solicitações descabidas. A passagem bíblica acima destaca um momento desses com o Mestre Jesus. O homem da plebe, simbolizando uma pessoa simples, com poucos conhecimentos, dirige-se ao Mestre e lhe solicita que ordene ao seu irmão que reparta com ele a herança em disputa.

Jesus, compreensiva e pacientemente, adverte-o de que aquela não era a sua função principal, e, após ensinar que a avareza altera o verdadeiro sentido da vida; e, como que revelando a sua verdadeira missão elabora uma Parábola onde o personagem, descuidado das atitudes essenciais da vida, amontoa riquezas, que, inevitavelmente se perderá, pelo excesso.

O mesmo ocorre ainda em nossos dias. É comum pessoas aproximarem-se do Consolador, com intenções diferentes das do que o Espiritismo oferece. Querem soluções simples e imediatas para seus problemas, facilidades, privilégios, na expectativa de que a Doutrina sendo destaque entre as instituições orientadoras do Espírito as favoreça também em seus objetivos mesquinhos.

Jesus ensina que a riqueza só tem valor pela sua utilidade.
O avaro acumula bens, prende-se a eles e se encastela sobre seu brilho fugidio, indiferente de que sua vida efêmera o obrigará a deixar tudo o que amontoa. “Néscio, esta noite te virão demandar a tua alma, e as coisas que tu ajuntaste para quem serão?” pergunta judiciosamente o Mestre na Parábola.

A própria natureza ensina que recursos acumulados sem utilidade apodrecem e se perdem. É só observar a água parada

Não só o dinheiro exige direcionamento adequado, mas a autoridade exige sabedoria para exercê-la; os projetos elevados necessitam de execução efetiva; os ideais de perfeição necessitam da exemplificação para serem aproveitados pelos semelhantes; as páginas escritas requisitam elevação e sublimidade para serem rotas seguras e os amigos, verdadeiros sustentáculos para nosso equilíbrio, exigem respeito para se multiplicarem.

“O senhor não te identificará pelos tesouros que ajuntaste, pelas bênçãos que retiveste, pelos anos que viveste no corpo físico. Reconhecer-te-á pelo emprego dos teus dons, pelo valor de tuas realizações e pelas obras que deixaste, em torno dos próprios pés”. (2)

(1)   (Lucas, XII: 13-21).
(2)   (Emmanuel - Caminho, Verdade e Vida- 165)

Título: Re: CAP. 16 - SERVIR A DEUS E A MAMON
Enviado por: Almeida em 19 de Junho de 2008, 14:31


O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO  -  CAP. XVI

SERVIR A DEUS E A MAMON  -  JESUS EM CASA DE ZAQUEU


E tendo entrado em Jericó, atravessa Jesus a cidade. E vivia nela um homem chamado Zaqueu, e era ele um dos principais entre os publicanos, e pessoa rica. E procurava ver Jesus, para saber quem era, e não o podia conseguir, por causa da muita gente, porque era pequeno de estatura. E correndo adiante, subiu a um sicômoro para o ver, porque por ali havia de passar. E quando Jesus chegou àquele lugar, levantando os olhos, ali o viu, e lhe disse: Zaqueu desce depressa, porque importa que eu fique hoje em tua casa. E desceu ele a toda pressa, e recebeu-o prazeroso. E vendo isto todos, murmuravam, dizendo que tinha ido hospedar-se em casa de um homem pecador. Entretanto Zaqueu, posto na presença do Senhor, disse-lhe: Senhor, eu estou para dar aos pobres a metade dos meus bens, e naquilo em que eu tiver defraudado alguém, pagar-lhe-ei quadruplicado. Sobre o que Jesus lhe disse: Hoje entrou a salvação nesta casa, porque este também é filho de Abraão. Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o que tinha perecido.”(1)

Jesus, o Governador do Planeta Terra, veio trazer uma Nova Revelação para os homens. Ao ensinar que a vida se rege por amor Ele institui um novo modelo de comportamento, comportamento esse que estilhaça idéias cristalizadas.

A questão da riqueza, já no período em que Jesus esteve encarnado entre os homens, era uma dessas idéias cristalizadas.
Pensava-se que os possuidores de bens materiais estavam irremediavelmente condenados ao sofrimento eterno, devido ao apego à matéria, considerada a fonte do mal.

Entre os próprios discípulos de Jesus essa idéia vigorava profundamente.

Para escândalo de todos, principalmente de seus discípulos, ao chegar em Jericó, Jesus oferece-se para se hospedar em casa de Zaqueu, homem rico e ainda publicano; dois motivos bastante fortes para que o cobrador de impostos fosse o último dos habitantes daquele lugar onde Jesus se hospedaria, segundo entendimento da época.

Mas Ele foi muito bem recebido por Zaqueu, que, jubiloso, após expor os benefícios que a sua fortuna proporcionava a várias famílias da região, propôs-se a distribuir parte de seus recursos financeiros e a ressarcir generosamente a aqueles que porventura houvesse prejudicado.

Jesus conhecia-lhe os sentimentos, sua índole.
Sua condição de espírito puro, facultava-Lhe saber das intenções nobres do cobrador de impostos e a Sua presença em sua casa fora o fator desencadeante para a execução delas. Jesus expressa esse fato ao dizer: “Hoje entrou a salvação nesta casa, porque este também é filho de Abraão. Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o que tinha perecido.”

Ainda atualmente o homem anda a braços com idéias cristalizadas, os atavismos que teimam em permanecer ditando rumos de comportamentos. Distraídos de que a evolução individual é tarefa intransferível o homem alimenta conceitos que já poderiam ter sido expurgados da humanidade.
Aferrados aos dogmas e crendices, que, aliás, o Espiritismo vem eliminar, ele se entrincheira em conceitos que por estarem cristalizados em suas mentes são de difícil modificação.

A chave para a desintegração desses pensamentos estáticos, retrógrados, está no estudo da doutrina Espírita, na revelação de Jesus, que o Espiritismo vem por ao alcance de todos com sua filosofia pedagógica, instituindo a nova fé aos homens, a Fé Raciocinada.

Jesus, o Mestre, entrou em casa do publicano Zaqueu e escandalizou a todos os que permaneciam invigilantes quanto a suas responsabilidades de crescimento e atualização de conceitos acerca da vida, das Leis Divinas, de si mesmos enfim; mas deixou a todos nós o ensinamento que agora estamos, à luz da Doutrina Espírita, sendo convidados a assimilar e a praticar a fim de que o homem se emancipe do estado de inação causada pela paralisia das idéias cristalizadas.

Espíritas! amai-vos, este o primeiro ensinamento; instruí-vos, este o segundo”, (2) este é um dos grandes ensinamentos do Espiritismo. No entanto a falta de estudo, a falta de atualização do conhecimento gera tal paralisação no processo de evolução que os novos conceitos ao invés de modificarem o homem são modificados por ele para adequarem-se aos seus pontos de vistas.


(1)   Lucas, cap. XIX, vv. 1 a 10.
(2)   O Evangelho Segundo o Espiritismo – cap. 6 – item 5

Título: Re: CAP. 16 - SERVIR A DEUS E A MAMON
Enviado por: Almeida em 23 de Junho de 2008, 15:06


O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO

CAP. XVI – SERVIR A DEUS E A MAMON

Parábola do Mau Rico

5. Havia um homem rico, que se vestia de púrpura e de holanda, e que todos os dias se banqueteava esplendidamente. Havia também um pobre mendigo, por nome Lázaro, todo coberto de chagas, que estava deitado à sua porta, e que desejava fartar-se das migalhas que caíam da mesa do rico, mas ninguém lhes dava; e os cães vinham lamber-lhe as úlceras. Ora sucedeu morrer este mendigo, que foi levado pelos anjos ao seio de Abraão. E morreu também o rico, e foi sepultado no inferno. E quando ele estava nos tormentos levantando os olhos, viu ao longe Abraão, e Lázaro no seu seio. E gritando ele, disse: Pai Abraão, compadece-te de mim, e manda cá Lázaro, para que molhe em água a ponta do seu dedo, a fim de me refrescar a língua, pois sou atormentado nesta chama. E Abraão lhe respondeu: Filho, lembra-te de que recebestes os teus bens em tua vida, e de que Lázaro não teve senão males; por isso está ele agora consolado, e tu em tormentos. E demais, que entre vós está firmado um grande abismo, de maneira que os que querem passar daqui para vós não podem, nem os de lá passar para cá. E disse o rico: Pois eu te rogo, Pai, que o mandes à casa de meu pai, pois tenho cinco irmãos, para que lhes dê testemunho, e não suceda venham também eles parar a este lugar de tormentos. E Abraão lhe disse: Eles lá têm Moisés e os profetas; ouçam-nos. Disse pois o rico: Não, pai Abraão, mas se for a eles algum dos mortos, hão de fazer penitência. Abraão, porém, lhe respondeu: Se eles não dão ouvidos a Moisés e aos profetas, tampouco se deixarão persuadir, ainda que ressuscite algum dos mortos. (1)

A parábola acima reforça o conceito comentado no item anterior de que a riqueza é causa de sofrimentos futuros.

Reaviva ainda a idéia de que a pobreza, o sofrimento, é o meio para se adquirir a felicidade.

O Espiritismo ensina que a riqueza material em si é neutra; não é má, mas sim o seu uso inadequado.
Ensina também que o sofrimento inútil não é credencial para receber as benesses do alto. Ensina que a utilização adequada dos recursos que o ser possui é que lhe oferecerá as experiências e o aprendizado necessários para que construa a sua paz interior, o seu estado beatífico, sublime.

O mau uso dos recursos é efeito das más tendências humanas e não o fato de possuí-los. Da avareza quando se refere às coisas materiais, do orgulho, vaidade, incúria, quando se refere as coisas morais. Então o que trará o sofrimento ou a alegria são o uso dos recursos materiais ou as faculdades, de acordo com as tendências negativas ou positivas que persiste no homem.

Devido mesmo a esse estigma a posse de bens materiais acaba funcionando como forte fator indutivo para o egoísmo que o homem ainda carrega. Ou seja, o fomento dessas idéias cristalizadas suscitam conceituações e mesmo comportamentos que se robustecem cada vez mais tornando-se difíceis de serem extirpadas do psiquismo humano.

Outra vez, destaca-se a necessidade do conhecimento para gerar o entendimento correto da questão riqueza.

Isto posto, fica mais claro entender na alegoria da parábola do porquê de nada adiantaria os espíritos, os mortos, alertarem os encarnados sobre o seu futuro, pois eles os não entenderiam.

Diz a parábola que há entre eles, os ricos e os pobres, um grande abismo. Esse abismo simboliza a ignorância das Leis Divinas, que mantém o homem paralisado nas idéias estagnadas sobre a realidade da vida e que impossibilita a sintonia, o entendimento, a aceitação mútua. Tal impossibilidade se dá sempre que a freqüência mental é incompatível, “que de maneira que os que querem passar daqui para vós não podem, nem os de lá passar para cá”, ou seja, é imprescindível que se assimilem os ensinamentos existentes e com isso diminuem os obstáculos que separam os homens de bem daqueles que ainda permanecem mais próximos do reino anterior da evolução. Assim fazendo criam-se as condições de sintonia, e elimina o abismo existente.

Enfim, o conhecimento é a ferramenta que dá condição de transformar as idéias cristalizadas, que mantém a mente estagnada, impenetrável ao crescimento, à evolução; em mente acessível a novas instruções que são as pontes que ligam os homens, equiparando-os.
Essa, aliás, é uma tarefa individual e intransferível.

“712. Com que fim Deus fez atrativos os gozos dos bens materiais?
— Para instigar o homem ao cumprimento da sua missão e também para prová-lo na tentação.
712-a. Qual o objetivo dessa tentação?
— Desenvolver a razão que deve preservá-lo dos excessos.

Se o homem não fosse instigado ao uso dos bens da terra senão em vista da sua utilidade, sua indiferença poderia ter comprometido a harmonia do Universo. Deus lhe deu o atrativo do prazer que o solicita à realização dos desígnios da Providência. Mas, por meio desse mesmo atrativo, Deus quis prová-lo também pela tentação, que o arrasta ao abuso, do qual a sua razão deve livrá-lo”. (2)

A guisa de digressão poderíamos ainda citar:

“A fábula – A raposa e as uvas

Uma raposa que vinha pela estrada encontrou uma parreira com uvas madurinhas. Passou horas pulando tentando pegá-las, mas sem sucesso algum... Saiu murmurando, dizendo que não as queria mesmo, porque estavam verdes. Quando já estava indo, um pouco mais à frente, escutou um barulho como se alguma coisa tivesse caído no chão... Voltou correndo pensando ser as uvas, mas quando chegou lá, para sua decepção, era apenas uma folha que havia caído da parreira. A raposa decepcionada virou as costas e foi-se embora.

Moral: Aqueles que são incapazes de atingir uma meta tendem a denegrí-la, para diminuir o peso de seu insucesso.
É fácil desprezar aquilo que não se pode alcançar”.

(1) (Lucas, XVI: 19-31).
(2) Livro dos Espíritos
(3) A Raposa e as Uvas é uma fábula atribuída a Esopo e reescrita por Jean de La        Fontaine
Título: Re: CAP. 16 - SERVIR A DEUS E A MAMON
Enviado por: Ana Belo em 23 de Junho de 2008, 16:34
SE...    ELES     não dão ouvidos a Moisés e aos Profetas...

Esta é uma daquelas frases que muito gosto.
Quem somos nós para "mensajar" o que quer que seja ?
Penso que devemos procurar cumprir, direcionando as nossas ações
agindo dentro das nossas várias limitações.

Ninguém é Mestre de ninguém, embora sejamos sempre exemplo,
bom ou mau, ou assim assim.
Fazemos sempre o melhor que sabemos.
O problema é que sabemos sempre pouco.

O tema é bom. elevemo-lo

-------------------------------------------

Com muito carinho

                        Ana Belo
Título: Re: CAP. 16 - SERVIR A DEUS E A MAMON
Enviado por: Almeida em 24 de Junho de 2008, 12:49



O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO

CAP. XVI – SERVIR A DEUS E A MAMON

Parábolas dos Talentos

“Porque assim é como um homem que, ao ausentar-se para longe, chamou os seus servos e lhes entregou os seus bens. E deu a um cinco talentos, e a outro dois, e a outro deu um, a cada um segundo a sua capacidade, e partiu logo. O que recebera pois cinco talentos, foi-se, e entrou a negociar com eles e ganhou outros cinco. Da mesma sorte também o que recebera dois, ganhou outros dois. Mas o que havia recebido um, indo-se com ele, cavou na terra, e escondeu ali o dinheiro de seu senhor. E passando muito tempo, veio o senhor daqueles servos, e chamou-os a contas. E chegando-se a ele o que havia recebido os cinco talentos, apresentou-lhes outros cinco talentos, dizendo: Senhor, tu me entregaste cinco talentos; eis aqui tens outros cinco mais que lucrei. Seu senhor lhe disse: Muito bem, servo bom e fiel; já que foste fiel nas coisas pequenas, dar-te-ei a intendência das grandes; entra no gozo do teu senhor. Da mesma sorte apresentou-se também o que havia recebido dois talentos, e disse: Senhor, tu me entregaste dois talentos, e eis aqui tens outros dois que ganhei com eles. Seu senhor lhe disse: Bem está, servo bom e fiel; já que fostes fiel nas coisas pequenas, dar-te-ei a intendência das grandes; entra no gozo de teu senhor.
Chegando também o que havia recebido um talento, disse: Senhor, sei que és homem de rija condição; segas onde não semeaste, e recolhes onde não espalhaste; e temendo me fui, e escondi o teu talento na terra; eis aqui tens o que é teu. E respondendo o seu senhor, lhe disse: Servo mau e preguiçoso, sabias que sego onde não semeei, e que recolho onde não tenho espalhado. Devias logo dar o meu dinheiro aos banqueiros, e vindo eu, teria recebido certamente com juro o que era meu. Tirai-lhe, pois, o talento, e dai-o ao que tem dez talentos. Porque a todo o que tem, dar-se-lhe-á, e terá em abundância; e ao que não tem, tirar-se-lhe-á até o que parece que tem. E ao servo inútil, lançai-o nas trevas exteriores: ali haverá choro e ranger de dentes”
. (1)

As aptidões e virtudes que se revelam no homem, os seus talentos, são ferramentas com as quais ele deve trabalhar para o bem geral, ou seja, utilizá-los com amor.

Se ele tem talento para as artes, para a administração, para o esporte, para o comércio, para a política, para a religiosidade, para o ensino ou outros ramos quaisquer das atividades humanas ou mesmo recursos pecuniários, são todas essas oportunidades, ferramentas que, se bem utilizadas, multiplicam-se, produzem elevação de sentimentos nas artes, disciplina na administração, estímulos no esporte, fartura no comércio, justiça na política, elevação espiritual na religiosidade e capacitação no ensino.

A boa utilidade dos recursos financeiros produz trabalho que sustenta famílias, com conforto, com saúde, com oportunidades de crescimento, de estudos, promovendo a harmonia social.

Toda uma nação prosperará com os núcleos familiares equilibrados pelo trabalho que gera recursos através dos quais os governantes gerirão o bem estar do Estado.

Desse modo o destemor na utilização dos talentos causada pela consciência da humildade faz com que qualquer um desses recursos dobre de valor, porém, o orgulho que causa a paralisia nas atitudes, o medo, enterra as possibilidades, torna-os improdutivos, estagnados, transforma-se em focos pestilenciosos de doenças e problemas.

Quando na hora em que as transformações naturais da morte do corpo se apresentam, e o mordomo vê-se constrangido a prestar contas do uso que fez dos seus talentos, aquele que os multiplicou estará apto a continuar trabalhando e produzindo enquanto que o que se manteve improdutivo necessitará de reiniciar o processo de aprendizado que o habilitará a nova oportunidade futura.

Desse modo, como sói acontecer, a vida naturalmente privilegiará o humilde, que soube dar aos seus talentos a utilidade providencial, promovendo o crescimento e o progresso do meio onde fora localizado.

O que enterrou seus bens no campo do medo, do orgulho, da preguiça, terá que se capacitar para administrar os seus talentos, através do seu esforço, trabalho e suor, ou seja, com “choro e ranger de dentes”.

TENDO MEDO

"E, tendo medo, escondi na terra o teu talento..."

Na parábola dos talentos, o servo negligente atribui ao medo a causa do insucesso em que se infelicita.
Recebera mais reduzidas possibilidades de ganho. Contara apenas com um talento e temera lutar para valorizá-lo. Quanto aconteceu ao servidor invigilante da narrativa evangélica, há muitas pessoas que se acusam pobres de recursos para transitar no mundo como desejariam. E recolhem-se à ociosidade, alegando o medo da ação.
Medo de trabalhar.
Medo de servir.
Medo de fazer amigos.
Medo de desapontar.
Medo de sofrer.
Medo da incompreensão.
Medo da alegria.
Medo da dor.
E alcançam o fim do corpo, como sensitivas humanas, sem o mínimo esforço para enriquecer a existência.
Na vida, agarram-se ao medo da morte.
Na morte, confessam o medo da vida.
E, a pretexto de serem menos favorecidos pelo destino, transformam-se, gradativamente, em campeões da inutilidade e da preguiça.
Se recebeste, pois, mais rude tarefa no mundo, não te atemorizes à frente dos outros e faze dela o teu caminho de progresso e renovação. Por mais sombria seja a estrada a que foste conduzido pelas circunstâncias, enriquece-a com a luz do teu esforço no bem, porque o medo não serviu como justificativa aceitável no acerto de contas entre o servo e o Senhor.(2)

(1)   Mateus, XXV:14-30
(2)   Fonte Viva 132 - Emmanuel
Título: Re: CAP. 16 - SERVIR A DEUS E A MAMON
Enviado por: zeni em 24 de Junho de 2008, 14:11

Olá!

Se recebeste, pois, mais rude tarefa no mundo, não te atemorizes à frente dos outros e faze dela o teu caminho de progresso e renovação. Por mais sombria seja a estrada a que foste conduzido pelas circunstâncias, enriquece-a com a luz do teu esforço no bem, porque o medo não serviu como justificativa aceitável no acerto de contas entre o servo e o Senhor.(2)

Sábia poderação aí está tudo oque precia ser feito, lutar e evoluir com oque temos nas mãos, se não temos muito lutemos para duplica-los, com sabedoria e humildade e fraternidade e assim caminharemos ao progresso evolutivo.


Abraço Zenilda.
Título: Re: CAP. 16 - SERVIR A DEUS E A MAMON
Enviado por: Almeida em 27 de Junho de 2008, 19:52


O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO

CAP. XVI – SERVIR A DEUS E A MAMON


UTILIDADE PROVIDENCIAL DA FORTUNA


Os itens anteriores desse capítulo, que ora estudamos, mostram que a riqueza, por si mesma, não é boa nem má. Possuí-la pode levar o homem a grandes realizações como também a grandes quedas. Deduzimos então que o uso que a índole do seu possuidor o arrasta é que pode ser o fator de elevação ou não.

O ensinamento do Mestre Jesus, no encontro que teve com o jovem rico, é emblemático.
Jesus o não condena por ser rico, nem o eleva por ser cumpridor da lei, mas o argúi sobre o seu apego aos bens materiais e o comportamento do jovem disse que ele ainda não havia se desprendido dos bens materiais. Desprender-se não significa abandonar, mas não ter apego; significa dar aos seus recursos o valor que ele tem de lhe propiciar realizações que beneficiem ao meio onde se encontra e principalmente a si mesmo pela experiência e trabalho em que se envolverá.

Por outro lado sabemos que é necessário o acúmulo de recursos materiais nas mãos de pessoas ou instituições para as realizações necessárias ao conforto e evolução do homem.

Pesquisas científicas, atividades remuneradas que mantém famílias harmonizadas nas sociedades, empreendimentos nas áreas estatais que promovem o intercâmbio comercial entre as nações estimulando a saúde cultural, as iniciativas que facultam atingir níveis de alimentação física e mental às populações, tudo isso envolve grandes valores e que se realizados promovem o bem-estar e prepara a Terra para o seu destino futuro de abrigar homens com condições de convivência cada vez mais fraternal.

Allan Kardec afirma que “a riqueza é, sem dúvida, uma prova mais arriscada, mais perigosa que a miséria, em virtude das excitações e das tentações que oferece, da fascinação que exerce. É o supremo excitante do orgulho, o egoísmo e da vida sensual”. E Emmanuel corroborando esse pensamento adverte: “Foge de reprovar todos aqueles que transitam na Terra sob a cruz do dinheiro, a definir-se, freqüentemente, por fardo de aflição.
Não somente os depósitos amoedados podem ser convertidos em trabalho renovador e santificante.
Todas as disponibilidades da natureza são forças neutras.
O ouro e o vapor, a eletricidade e o magnetismo não são maus nem bons em si mesmos; o uso é o denominador comum que lhes revela os bens e os males decorrentes do controle e da orientação que lhes imprimimos
”. (1)

Esta é uma das funções do Espiritismo, o Consolador Prometido por Jesus; o de esclarecer que tudo na Providência tem um fim útil, uma função pedagógica e evolutiva, tanto para os seus fautores, co-criadores, quanto para o Orbe do Mestre Jesus, que espera do homem que eles se conscientizem de seus deveres como co-participantes da construção da sua moradia celeste, e cumpram a sua parte.

Idéias cristalizadas, apego egoístico, conceitos condicionados pelos dogmas e imposições que acompanharam o homem até hoje, paradigmas que compõem a escada evolutiva, são quebrados pela Nova Revelação, pelo Consolador que vem “ensinar todas as coisas e lembrar o homem de tudo o que Ele houvera dito” (1)


(1) Livro da Esperança- 43
(2) João XIV – in O Evangelho Segundo o Espiritismo – cap. VI item 3


Título: Re: CAP. 16 - SERVIR A DEUS E A MAMON
Enviado por: Almeida em 02 de Julho de 2008, 13:45


O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO

CAP. XVI – SERVIR A DEUS E A MAMON

DESIGUALDADE DAS RIQUEZAS


“Será possível e já terá existido a igualdade absoluta das riquezas”?
“Não; nem é possível. A isso se opõe a diversidade das faculdades e dos caracteres.”

a)”Há, no entanto, homens que julgam ser esse o remédio aos males da sociedade. Que pensais a respeito?”
“São sistemáticos esses tais, ou ambiciosos cheios de inveja. Não compreendem que a igualdade com que sonham seria a curto prazo desfeita pela força das coisas. Combatei o egoísmo, que é a vossa chaga social, e não corrais atrás de quimeras.”(
1)

Vimos que grandes cometimentos, tanto no campo das ciências, do comércio, da arte, da religiosidade, e outras, necessitam de que grandes recursos estejam reunidos em uma só mão para a sua execução. As Leis Divinas, portanto, são justas e sábias. Permitem que tais recursos sejam administrados por pessoas ou instituições e com isso haja a participação do homem no processo de aprimoramento compulsório a que estão destinados tanto o Planeta quanto a si próprio.

Desse modo, ao mesmo tempo em que a riqueza se presta para os grandes avanços intelectuais e tecnológicos, ela serve também para que os indivíduos que as detém provisoriamente possam exercitar sua qualidades em formação, obtendo condição de servir a uma faixa maior de irmãos de caminhada.

Caso a experiência particular adquirida não seja suficiente para dar o uso adequado aos recursos financeiros, certamente a Bondade das Leis Divinas ofertará nova oportunidade de administração de grandes quantidades de dinheiro, autoridade, inteligência, poder enfim, para que as experiências em desenvolvimento se transformem em conquistas e se consolidem, pela repetição.

É impraticável, portanto, a igualdade das riquezas entre os homens. Se toda a riqueza fosse igualitariamente distribuída, todos ficariam impossibilitados de realizações em favor da coletividade e utilizariam a pequena parte que lhes pertencessem apenas para a sobrevivência. Esse fato anularia a possibilidade de conviver com a experiência que os arrastamentos do poder proporcionam, causando o estacionamento da evolução natural tanto do homem quanto do orbe.

Além disso, em pouco tempo, as aptidões e os caracteres individuais, fariam com que essa igualdade se desfizesse. Os mais aptos, os mais trabalhadores, os mais destemidos, os empreendedores, açambarcariam valores que os destacariam.

Com o conhecimento da Lei da Reencarnação que o Espiritismo traz atualmente fica mais clara a sabedoria das Leis Divinas, uma vez que, os homens, renascendo várias vezes entre os seus afins, não raro, retomam posições sociais que ora são administradas por outros, mas que lhes pertenceram anteriormente, havendo assim, portanto, constantemente, a transição dos recursos entre os que os sabem utilizar e mesmo entre os que ainda permanecem em fase de aprendizado.

Desse modo, considerando que pela Lei da Reencarnação o ser sempre progride, os ricos de hoje poderão receber no futuro novas incumbências de realizações que necessitem administradores experientes, bem assim, os que falharam em suas provas poderão ser convidados a se submeterem a novo estágio, renascendo como aprendizes, administrando poucos recursos que lhes serão concedidos como objeto de novo aprendizado.

“Disse-lhes o Senhor: Bem está, bom e fiel servo. Sobre o pouco foste fiel, sobre o muito te colocarei.” (2)



(1)   O Livro dos Espíritos – perg. 811
(2)   Mateus, 25.23