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CODIFICAÇÃO => O Evangelho Seg. Espiritismo => Tópico iniciado por: Almeida em 18 de Outubro de 2005, 00:31

Título: Cap. 2 – Meu reino não é deste mundo
Enviado por: Almeida em 18 de Outubro de 2005, 00:31


O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO

CAP. II – MEU REINO NÃO É DESTE MUNDO

A VIDA FUTURA

Jesus trouxe a segunda revelação das Leis Divinas aos homens. Revelou a existência do mundo espiritual, ou a vida futura. Essa revelação contém em si mesma o Amor do Criador pois, com esse conhecimento, o homem concebe que toda a Sua Criação evolui infinitamente, não há condenação. Define-se o futuro e ele é glorioso.

Os ensinamentos do Mestre Jesus adquirem fundamentos, deixam de ser evasivos, ilógicos, para serem palpáveis, racionais, lógicos.

Antes de Jesus a vida futura era imprecisa. O homem compreendia que o seu comportamento gerava as penas e recompensas terrenas. A concepção da Divindade era Antropomórfica.

Com a mente obnubilada pelo emaranhado das concepções da vida, do futuro, da justiça, os ensinamentos de Jesus tiveram que ser feitos de forma adequada a sua capacidade de absorção.

Mas Ele prometera que quando estivéssemos com a visão mais clara um novo passo seria dado, esclarecendo o que Ele só falava de forma alegórica, por parábolas.

O Espiritismo é essa nova revelação. Ele vem pela voz dos próprios espíritos e traz a realidade do mundo espiritual, da vida após a morte do corpo material. Da eternidade coroada com a lógica da reencarnação que a tudo explica, que a tudo destaca o Amor e a Justiça Divina.

Mas Jesus já antecipara, Ele mesmo, o trabalho que seria feito pelos espíritos dezoito séculos depois.

Após a Sua crucificação, eis que o Mestre ressurge, Ele mesmo, radiante e feliz e convive ainda por vários dias com seus amigos.

A Bíblia e a literatura espírita narram muitos desses momentos de luz. Citaremos apenas três pela sua beleza e sublimidade...

“13 Nesse mesmo dia, dois discípulos caminhavam para uma aldeia chamada Emaús, distante de Jerusalém sessenta estádios.
14 Iam falando um com o outro de tudo o que se tinha passado.
15 Enquanto iam conversando e discorrendo entre si, o mesmo Jesus aproximou-se deles e caminhava com eles.
16 Mas os olhos estavam-lhes como que vendados e não o reconheceram.
17 Perguntou-lhes, então: De que estais falando pelo caminho, e por que estais tristes?
18 Um deles, chamado Cléofas, respondeu-lhe: És tu acaso o único forasteiro em Jerusalém que não sabe o que nela aconteceu estes dias?”
(1)

“24 Tomé, um dos Doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus.
25 Os outros discípulos disseram-lhe: Vimos o Senhor. Mas ele replicou-lhes: Se não vir nas suas mãos o sinal dos pregos, e não puser o meu dedo no lugar dos pregos, e não introduzir a minha mão no seu lado, não acreditarei!
26 Oito dias depois, estavam os seus discípulos outra vez no mesmo lugar e Tomé com eles. Estando trancadas as portas, veio Jesus, pôs-se no meio deles e disse: A paz esteja convosco!
27 Depois disse a Tomé: Introduz aqui o teu dedo, e vê as minhas mãos. Põe a tua mão no meu lado. Não sejas incrédulo, mas homem de fé.
28 Respondeu-lhe Tomé: Meu Senhor e meu Deus!
29 Disse-lhe Jesus: Creste, porque me viste. Felizes aqueles que crêem sem ter visto!”
(2)

“( ) Nesse dia, como que a antiga atmosfera se fazia sentir mais fortemente. Por instinto, todos tinham a impressão de que o Mestre voltaria a ensinar as bem-aventuranças celestiais. Os ventos recendiam suave perfume, trazendo a harmonia do lago próximo. Do céu, muito azul, como em festa para receber as primeiras estrelas, parecia descer uma tranqüilidade imensa que envolvia todas as coisas. Foi nesse instante, de indisível grandiosidade, que a figura do Cristo assomou no cume iluminado pelos derradeiros raios do Sol.

Era Ele.

Seu sorriso desabrochava tão meigo, como ao tempo glorioso de suas primeiras pregações, mas de todo o seu vulto se irradiava luz tão intensa que os mais fortes dobraram os joelhos.. ( )"
(3)

(1) O Evangelho Segundo Lucas- cap.24
(2) O Evangelho Segundo João- cap.20
(3) Humberto de Campos – Boa Nova – item 29 – Os Quinhentos da Galiléia



Título: Re: Cap. 2 – Meu reino não é deste mundo
Enviado por: Almeida em 20 de Outubro de 2005, 12:23


O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO

CAP. II – MEU REINO NÃO É DESTE MUNDO

A REALEZA DE JESUS


Tornou pois a entrar Pilatos no Pretório, e chamou a Jesus, e disse-lhe: Tu és o Reis dos Judeus? Respondeu-lhe Jesus: O meu Reino não é deste mundo; se o meu Reino fosse deste mundo, certo que os meus ministros haviam de pelejar para que Eu não fosse entregue aos judeus; mas por agora o meu reino não é daqui. Disse-lhe então Pilatos: Logo, Tu é Rei? Respondeu-lhe Jesus: Tu o dizes, que Eu sou Rei. Eu não nasci e nem vim a este mundo senão para dar testemunho da verdade; todo aquele que é da verdade ouve a minha voz”. (1)

A vinda e a permanência do Mestre Jesus entre nós alterou profundamente o padrão energético do Planeta.

Muito antes da maravilhosa noite de luzes e estrelas onde a manjedoura marcava o início da maioridade terrestre, todo o orbe fora envolvido pelas energias sublimes da plêiade de Espíritos que compunha o séqüito do Mestre que mergulharia no campo denso do planeta.

“A lição do Salvador deveria, agora, resplandecer para os homens, controlando-lhes a liberdade com a exemplificação perfeita do amor. Todas as providências são levadas a efeito. Escolhem-se os instrutores, os precursores imediatos, os auxiliares divinos. Uma atividade única registra-se, então, nas esferas mais próximas do planeta, e, quando reinava Augusto, na sede do governo do mundo, viu-se uma noite cheia de luzes e de estrelas maravilhosas. Harmonias divinas cantavam um hino de sublimadas esperanças no coração dos homens e da Natureza. A manjedoura é o teatro de todas as glorificações da luz e da humildade, e, enquanto alvorecia uma nova era para o globo terrestre, nunca mais se esqueceria o Natal, a "noite silenciosa, noite santa"”. (2)

Sua Realeza Natural aturdia e confundia. As opiniões acerca Dele eram as mais díspares. Os próprios discípulos que O seguiam cotidianamente O não compreendiam. Amavam-no porém por uma força indizível que os imantavam a Sua presença.
Pedro foi quem o melhor entendeu, porém num átimo de lucidez maior ao defini-Lo como o Messias Esperado.(3)

O povo ignorante acusava-O de mistificador, de servidor do Satanás, de feiticeiro.
Entretanto a acusação pela qual Ele fora condenado era a de Ele era o Rei dos Judeus. Confusos, diante da Majestosa figura do Mestre, elegeram-No, ironicamente, Rei dos Judeus, pois Jesus não era o Rei que aquele povo esperava. Aguardavam alguém que, com mãos de ferro, lhes outorgaria o poder e a hegemonia sobre a Terra. Por isso condenaram-No a crucificação aureolando-O com a humilhante coroa de espinhos.

Diante da Majestosa figura do Mestre, Pilatos aturdido, confuso, sem saber o que fazer pronuncia a tíbia e célebre pergunta acima. O Mestre, compreensivo, caridoso e amoroso, sabedor das limitações daquele homem que detinha apenas poderes temporais responde calmamente que sim, que Ele era o Rei. Ele sim detinha a Sabedoria e o Poder pois conhecia todas a Leis da Vida planetária, mas esclarece que o Seu Reino ainda não era daquele momento planetário, daquele mundo de despotismo mas do orbe que a partir do Seu exemplo e ensinamentos começaria a ser construído.

(1) O Evangelho Segundo João: cap. 18 vv 33 a 37
(2) Emmanuel – A Caminho da Luz – cap. 11
(3) O Evangelho Segundo Mateus: cap. 16 vv 15 a 17


Título: Re: Cap. 2 – Meu reino não é deste mundo
Enviado por: Almeida em 08 de Novembro de 2005, 11:24


O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO

CAP. II – MEU REINO NÃO É DESTE MUNDO

O PONTO DE VISTA


Durante nossa vida no plano material a Lei do Progresso nos impulsiona compulsoriamente. Assim, todos almejamos algo melhor, um futuro de realizações, paz e harmonia interior e projeção social.
Inevitavelmente vislumbramos uma profissão rendosa, o casamento feliz, um bom empreendimento e nos movemos intuitivamente na direção desses objetivos.

Antes de assumi-los idealizamos como será!...Sonhamos e fantasiamos ...
É o nosso ponto de vista acerca de algo que não conhecemos, que não temos experiências ainda.

Porém, tanto procuramos que chega a hora da realização.

Quando o sonho se torna realidade, percebemos o quanto fantasiamos, notamos que não será possível fazer como sonhamos. A realidade nua e crua se impõe inexoravelmente...

Se antes tivéssemos consciência do que nos espera tudo seria mais fácil, melhor, não teríamos muitas decepções nem surpresas. Nossos pontos de vista seriam mais verdadeiros.

É o que ocorre em relação à vida futura.
Todos os homens têm em si a idéia inata da vida futura. Todos, e cada um ao seu modo, se preparam para essa realidade.
Porém, ela se nos apresenta incerta, não temos ainda a maturidade suficiente para fazer uma idéia mais clara dela.

As fantasias e alegorias emergem naturalmente e povoam nossas mentes. Os locais de beatitude perene ou de sofrimentos atrozes, as incertezas geradas pela irracionalidade delas, pela dúvida, influenciam sobremaneira no nosso comportamento.

Se tivéssemos a certeza de como seria essa vida tudo mudaria. Teríamos melhor consciência de como nos preparar para esse futuro fatal. Não sofreríamos grandes decepções pois teríamos noções do que é e do que não é possível.

Pois é exatamente essa certeza que o Espiritismo traz.
Os próprios habitantes dessa vida futura vêm nos dizer como é lá.
Nossa intuição reavivada aceita com naturalidade que não pode ser diferente pois as provas são irrefutáveis e tudo se coaduna com a Sabedoria e Bondade do Criador.

Toda a névoa que obnubilava nossa visão se dissipa e vemos que a vida é uma só e continua sem solução de continuidade.

Nosso ponto de vista sofre radical modificação.
A Bondade do Criador se ressalta. A confiança, a alegria de sermos Filhos da Eterna Sabedoria invade nosso ser.

A dúvida, a incerteza, o medo do desconhecido desaparecem e o sentimento de fraternidade desponta natural entre os homens. Reconhecem-se como irmãos, com o mesmo destino glorioso de ser feliz.

Um novo alento passa a impulsionar a humanidade pois tem a certeza de que o Criador o amparará eternamente.

É o Consolador Prometido ...
Título: Re: Cap. 2 – Meu reino não é deste mundo
Enviado por: SB em 08 de Novembro de 2005, 12:05
Olá Almeida,  :)

O Consolador, para mim...é tudo o que embarga nos ensinamentos dessa consolação, esperança, segurança e plenitude...

Uma coisa de cada vez, e sejam precisas quantas vidas forem necessárias  :)

A informação que vai complementando o nosso ser, corrompe com as ideias fracas para passar á libertação do ser, pela verdade...

Tudo tem um processo, tal é a Lei, e devemos nos cingir pelo erro e na sua correcção para agariarmos toda a prática que o Consolador nos mostra.

Tudo é muito simples...mas...complicamos...queremos complicar ainda...

Tudo se tornaria mais claro, se tivessemos a noção da ilusão ou desilusão que criamos em nós. Se tivessemos presente e conscientemente que somos nós que adiamos a ultrapassagem dos obstáculos e assim os tornamos mais longos e dolorosos...

Sim, pq se soubessemos sentir a Lei da Afinidade e usassemos o bom senso, simples era ver que somos nós que não seguimos a nossa intuição nem a razão, devidamente...

Mas tal nunca se realiazará sem darmos oportunidade em interiorizar, analizar conscientemente, em aceitar o sofrimento como aprendizagem, e só se aceitará quando conseguirmos nunca nos cingirmos a culpas/desculpas (ilusões)...

Esta é uma grande dádiva que me mostra o Espiritismo, o Consolador!

Um dia chegaremos todos á conclusão que o sofrimento é bendito, e esse doce sofrimento, tornar-se-á na verdadeira esperança, segurança e plenitude  :D

Bem hajas



 

Título: Re: Cap. 2 – Meu reino não é deste mundo
Enviado por: edu em 20 de Novembro de 2005, 16:59
Olá amigos :

                       Jesus nos prometeu o Consolador prometido que ficaria conosco para sempre.

A primeira vista a idéia foi de personificar esse Consolador atribuindo a alguém , a uma pessoa .Um profeta ou o próprio jesus voltando  e ficando para todo o sempre coma humanidade de forma física .Não nos parece uma explicação muito lógica.

A Doutrina Espírita trata o consolador prometido como uma alegoria para a informação, para o conhecimento , para a verdade. " Conhece a verdade e ela te libertará " tanbém disse o Nazareno.O Consolador seria o saber novo que a humanidade imatura da época não tinha evolução para absorver na sua plenitude.

Mas temos de ter cuidado ao analizar as palavras de Kardec.O codificador apresenta a doutrina como o consolador prometido.Nada mais natural visto a luz que ela joga nos ensinamentos de Jesus e o sucesso que a sua aplicação causa na reforma moral do homem.

No entanto para aqueles que ouvem de fora esta afirmação pode parecer presunçosa e arrogante .Seria "somente" pela doutrina espírita que nos "consolaremos" ?A conquista do novo entendimento passa exclusivamente pelo espiritismo ?É certo que não .

O consolador vem a ser as idéias que o espiritismo defende e não o seu movimento ou a adesão a ele .O entendimento amplo da reencarnação , da imortalidade da alma, da mediunidade e a sua aplicação no entendimento da moral cristã é que é a chave e isto pode ser obtido fora do espiritismo embora a doutrina ofereça isto deforma bastante  acessível.

O próprio Kardec foi  sábio ao afirmar - se não me engano no livro :" O Que é O Espiritismo" - que não aconteceria do mundo todo se tornar espírita mas que haveria católico espírita, judeu espírita , etc .Seria a incorporação das verdades espirituais pelas mais variadas correntes do pensamento religioso.A primeira vista estas pessoas aceitariam tópicos espíritas mas continuariam seguindo com seus gostos e costumes religiosos .É a verdade e o conhecimento que consolam venham com que embalagem for.

O espiritismo é o consolador prometido ? Sim. Só o espiritismo é ? Não . Pois as pessoas podem ter contato com os preceitos que o espiritismo defende e que esclarecem e consolam fora do movimento espírita e inseridos em outros contextos.

Eu pelo menos entendo assim e os amigos o que acham ?
Título: Re: Cap. 2 – Meu reino não é deste mundo
Enviado por: _Natalia em 20 de Novembro de 2005, 18:22
Concordo contigo, amigo Edu!

No futuro as verdades espirituais chegarão a todos, porém serão adicionadas às crenças de cada um. Hoje em dia a gente já percebe um montão de espiritólicos por aí.  Antigamente, espírita era "maluco".    ::)

No programa sobre EQM que passou nessa semana na globo, já percebemos cientistas até então céticos admitindo a necessidade  do aprofundamento do estudo do imaterial.  :)

Maravilha isso que você escreveu:


O consolador vem a ser as idéias que o espiritismo defende e não o seu movimento ou a adesão a ele .O entendimento amplo da reencarnação , da imortalidade da alma, da mediunidade e a sua aplicação no entendimento da moral cristã é que é a chave e isto pode ser obtido fora do espiritismo embora a doutrina ofereça isto de forma bastante  acessível.

Abração
Namastê,
Natália  :-*
Título: Re: Cap. 2 – Meu reino não é deste mundo
Enviado por: SB em 21 de Novembro de 2005, 17:22
Ola meu querido amigo Eduardo  :) em primeiro desejo tudo de bom para ti!

Ja tinha saudades de te ler!

E mais uma vez sinto sintonia nas tuas palavras.

É por sentir tudo o que acabas de descrever tão bem, que não vejo diferenças em qq religião, raça ou cultura, toda a verdade se encontra ao alcance de todos, e não precisa de ser adepto, sim conhecedor do consolador, das palavras doceis do benfeitor e mestre Jesus...Embora eu me considere espirita, os outros não tem que o ser...o espiritismo encontra-se mesmo em quem não é adepto...

Já para não falar que sabendo desta forma viver o espiritimso, estaremos a respeitar todos...é desta forma que sabemos aplicar toda a caridade...

Tenho amigos padres da igreja catolica que lhes chamo cristãos espiritas...eles sorriem...como sorri agora ao ler-te amigo  ;)

Devo dizer que os admiro por eles me respeitarem como sei que fazem o mesmo cmg, pois o resultado das nossas discussões são sempre muito boas  :D e de cada vez que nos encontramos essa admiração e renovação de nossos conhecimentos, aproxima-nos, como seres humanos que somos, mas crentes na verdade!

Bem hajas meu amigo
Que a Paz nunca te falte, nem a Luz divina
Título: Re: Cap. 2 – Meu reino não é deste mundo
Enviado por: luiz gustavo em 07 de Julho de 2008, 21:47
Quando Jesus diz "meu reino não é deste mundo"dá a idéia  da existência do mundo espiritual, onde o materialismo e as paixões terrenas se encontram dissipados por espíritos de luz, que aí estão para nos auxiliar na evolução em que estamos.
Esta idéia só pode ser entendida com a "descoberta" do Espiritismo que nos traz a explanações sobre o mundo imaterial.Porém isto só ocorre com aqueles que realmente querem entender as maxímas divinas,
Título: Re: Cap. 2 – Meu reino não é deste mundo
Enviado por: *Leni* em 27 de Dezembro de 2008, 13:46



A Vida Futura

1 – “Tornou pois a entrar Pilatos no pretório, e chamou a Jesus, e disse-lhe:
- Tu és o Reino dos Judeus?

Respondeu-lhe Jesus:
- O meu Reino não é deste mundo; se o meu Reino fosse deste mundo, certo que os meus ministros haviam de pelejar para que eu não fosse entregue aos judeus; mas por agora o meu Reino não é daqui.

Disse-lhe então Pilatos:
- Logo, tu és rei?

Respondeu Jesus:
- Tu o dizes, que eu sou rei. Eu não nasci nem vim a este mundo senão para dar testemunho da verdade; todo aquele que é da verdade ouve a minha voz”. (João, cap. XVIII, 33-37)

2 – Por estas palavras, Jesus se refere claramente à vida futura, que ele apresenta, em todas as circunstâncias, como o fim a que se destina a humanidade, e como devendo ser o objeto das principais preocupações do  homem sobre a terra. Todas as suas máximas se referem a esse grande princípio. Sem a vida futura, com efeito, a maior parte dos seus preceitos de moral não teriam nenhuma razão de ser. É por isso que os que não crêem na vida futura, pensando que ele apenas falava da vida presente, não os compreendem ou os acham pueris.

Esse dogma pode ser considerado, portanto, como o ponto central do ensinamento do Cristo. Eis porque está colocado entre os primeiros, no início desta obra, pois deve ser a meta de todos os homens. Só ele pode justificar os absurdos da vida terrestre e harmonizar-se com a justiça de Deus.

3 – Os judeus tinham idéias muito imprecisas sobre a vida futura. Acreditavam nos anjos, que consideravam como os seres privilegiados da criação, mas não sabiam que os homens, um dia, pudessem tornar-se anjos e participar da felicidade angélica. Segundo pensavam, a observação das leis de Deus era recompensada pelos bens terrenos, pela supremacia de sua nação no mundo, pelas vitórias que obteriam sobre os inimigos. As calamidades públicas e as derrotas eram os castigos da desobediência. Moisés o confirmou, ao dizer essas coisas, ainda mais fortemente, a um povo ignorante, de pastores, que precisava ser tocado antes de tudo pelos interesses deste mundo. Mais tarde, Jesus veio lhes revelar que existe outro mundo, onde a justiça de Deus se realiza. É esse mundo que ele promete aos que observam os mandamentos de Deus. É nele que os bons são recompensados. Esse mundo é o seu reino, no qual se encontra em toda a sua glória, e para o qual voltará ao deixar a Terra.

Jesus, entretanto, conformando o seu ensino ao estado dos homens da época, evitou lhes dar os esclarecimentos completos, que os deslumbraria em vez de iluminar, porque eles não o teriam compreendido. Ele se limitou a colocar, de certo modo, a vida futura como um princípio, uma lei da natureza, à qual ninguém pode escapar. Todo cristão, portanto, crê forçosamente na vida futura, mas a idéia que muitos fazem dela é vaga, incompleta, e por isso mesmo falsa em muitos pontos. Para grande número, é apenas uma crença, sem nenhuma certeza decisiva, e daí as dúvidas, e até mesmo a incredulidade.

O Espiritismo veio completar, nesse ponto, como em muitos outros, o ensinamento do Cristo, quando os homens se mostraram maduros para compreender a verdade. Com o Espiritismo, a vida futura não é mais simples artigo de fé, ou simples hipótese. É uma realidade material, provada pelos fatos. Porque são as testemunhas oculares que a vêm descrever em todas as suas fases e peripécias, de tal maneira, que não somente a dúvida já não é mais possível, como a inteligência mais vulgar pode fazer uma idéia dos seus mais variados aspectos, da mesma forma que imaginaria um país do qual se lê uma descrição detalhada. Ora, esta descrição da vida futura é de tal maneira circunstanciada, são tão racionais as condições da existência feliz ou infeliz dos que nela se encontram, que acabamos por concordar que não podia ser de outra maneira, e que ela bem representa a verdadeira justiça de Deus.

O Evangelho Segundo o Espíritismo



Título: Re: Cap. 2 – Meu reino não é deste mundo
Enviado por: *Leni* em 27 de Dezembro de 2008, 19:16



CONTINUAÇÃO:

*  A Realeza de Jesus
*  O Ponto de Vista
*  UMA REALEZA TERRENA

-  A Realeza de Jesus:

4 – O reino de Jesus não é deste mundo. Isso todos compreendem. Mas sobre a Terra ele não terá também uma realeza? O título de rei nem sempre exige o exercício do poder temporal. Ele é dado, por consenso unânime, aos que, por seu gênio, se colocam em primeiro lugar em alguma atividade, dominando o seu século e influindo sobre o progresso da humanidade. É nesse sentido que se diz: o rei ou o príncipe dos filósofos, dos artistas, dos poetas, dos escritores, etc. Essa realeza, que nasce do mérito pessoal, consagrada pela posterioridade, não tem muitas vezes maior preponderância que a dos reis coroados? Ela é imperecível, enquanto a outra depende das circunstâncias; ela é sempre abençoada pelas gerações futuras, enquanto a outra é, às vezes, amaldiçoada. A realeza terrena acaba com a vida, mas a realeza moral continua a imperar, sobretudo, depois da morte. Sob esse aspecto, Jesus não é um rei mais poderoso que muitos potentados? Foi com razão, portanto, que ele disse a Pilatos: Eu sou rei, mas o meu reino não é deste mundo.

-  O Ponto de Vista

5 – A idéia clara e precisa que se faça da vida futura dá uma fé inabalável no porvir, e essa fé tem conseqüências enormes sobre a moralização dos homens, porque muda completamente o ponto de vista pelo qual eles encaram a vida terrena. Para aquele que se coloca, pelo pensamento, na vida espiritual, que é infinita, a vida corporal não é mais do que rápida passagem, uma breve permanência num país ingrato. As vicissitudes e as tribulações da vida são apenas incidentes que ele enfrenta com paciência, porque sabe que são de curta duração e devem ser seguidos de uma situação mais feliz. A morte nada tem de pavoroso, não é mais a porta do nada, mas a da libertação, que abre para o exilado a morada da felicidade e da paz. Sabendo que se encontra numa condição temporária e não definitiva, ele encara as dificuldades da vida com mais indiferença, do que resulta uma calma de espírito que lhe abranda as amarguras.

         Pelas simples dúvida sobre a vida futura, o homem concentra todos os seus pensamentos na vida terrena. Incerto do porvir, dedica-se inteiramente ao presente. Não entrevendo bens mais preciosos que os da Terra, ele se porta como a criança que nada vê além dos seus brinquedos e tudo faz para os obter. A perda do menor dos seus bens causa-lhe pungente mágoa. Um desengano, uma esperança perdida, uma ambição insatisfeita, uma injustiça de que for vítima, o orgulho ou a vaidade ferida, são tantos outros tormentos, que fazem da sua vida uma angústia perpétua, pois que se entrega voluntariamente a uma verdadeira tortura de todos os instantes.

         Sob o ponto de vista da vida terrena, em cujo centro se coloca, tudo se agiganta ao seu redor. O mal o atinge, como o bem que toca aos outros, tudo adquire aos seus olhos enorme importância. É como o homem que, dentro de uma cidade, vê tudo grande em seu redor: os cidadãos eminentes como os monumentos; mas que, subindo a uma montanha, tudo lhe parece pequeno.

         Assim acontece com aquele que encara a vida terrena do ponto de vista da vida futura: a humanidade, como as estrelas no céu, se perdem na imensidade; ele então se apercebe de que grandes e pequenos se confundem como as formigas num monte de terra; que operários e poderosos são da mesa estatura; e ele lamenta essas criaturas efêmeras, que tanto se esfalfam para conquistar uma posição que os eleva tão pouco e por tão pouco tempo. É assim que  importância atribuída aos bens terrenos está sempre na razão inversa da fé que se tem na vida futura.   

6 – Se todos pensarem assim, dir-se-á, ninguém mais se ocupando das coisas da Terra, tudo perigará. Mas não, porque o homem procura instintivamente o seu bem estar, e mesmo tendo a certeza de que ficará por pouco tempo em algum lugar, ainda quererá estar o melhor ou o menos mal possível. Não há uma só pessoa que, sentindo um espinho sob a mão, não a retire para não ser picada. Ora, a procura do bem estar força o homem a melhorar todas as coisas, impulsionado como ele é pelo instinto do progresso e da conservação, que decorre das próprias leis da natureza. Ele trabalha, portanto, por necessidade, por gosto e por dever, e com isso cumpre os desígnios da Providência, que o colocou na Terra para esse fim. Só aquele que considera o futuro pode dar ao presente uma importância relativa, consolando-se facilmente de seus revezes, ao pensar no destino que os aguarda.

         Deus não condena, portanto, os gozos terrenos, mas o abuso desses gozos, em prejuízo dos interesses da alma. É contra esse abuso que se previnem os que compreendem estas palavras de Jesus: O meu reino não é deste mundo.

         Aquele que se identifica com a vida futura é semelhante a um homem rico, que perde uma pequena soma sem se perturbar; e aquele que concentra os seus pensamentos na vida terrestre é como o pobre que ao perder tudo o que possui, cai em desespero.

7 – O Espiritismo dá amplitude ao pensamento e abre-lhe novo horizonte. Em vez dessa visão estreita e mesquinha, que o concentra na vida presente, fazendo do instante que passa sobre a terra o único e frágil esteio do futuro eterno, ele nos mostra que esta vida é um simples elo do conjunto harmonioso e grandioso da obra do Criador, e revela a solidariedade que liga todas as existências de um mesmo ser, todos os seres de um mesmo mundo e os seres de todos o mundos. Oferece, assim, uma base e uma razão de ser à fraternidade universal, enquanto a doutrina da criação da alma, no momento do nascimento de cada corpo, faz que todos os seres sejam estranhos uns aos outros. Essa solidariedade das partes de um mesmo todo explica o que é inexplicável, quando apenas consideramos uma parte. Essa visão de conjuntos, os homens do tempo de Cristo não podiam compreender, e por isso o seu conhecimento foi reservado para mais tarde.

-  UMA REALEZA TERRENA

UMA RAINHA DE FRANÇA
Havre, 1863

8 – Quem poderia, melhor do que eu, compreender a verdade destas palavras de Nosso Senhor: Meu reino não é deste mundo? O orgulho me perdeu sobre a Terra. Quem, pois, compreenderia o nada dos reinos do mundo, se eu não o compreendesse? O que foi que eu levei comigo, da minha realeza terrena? Nada, absolutamente nada. E como para tornar a lição mais terrível, ela não me acompanhou sequer até o túmulo! Rainha eu fui entre os homens, e rainha pensei chegar no Reino dos Céus. Mas que desilusão! E que humilhação, quando, em vez de ser ali recebida como soberana, tive de ver acima de mim, mas muito acima, homens que eu considerava pequeninos e os desprezava, por não terem nas veias um sangue nobre! Oh, só então compreendi a fatuidade dos homens e das grandezas que tão avidamente buscamos sobre a Terra!

         Para preparar um lugar nesse reino são necessárias à abnegação, a humildade, a caridade, a benevolência para com todos. Não se pergunta o que fostes, que posição ocupastes, mas o bem que fizestes, as lágrimas que enxugastes.

         Oh, Jesus! Disseste que teu reino não era deste mundo, porque é necessário sofrer para chegar ao Céu, e os degraus do trono não levam até lá. São os caminhos mais penosos da vida os que conduzem a ele. Procurai, pois o caminho através de espinhos e abrolhos e não por entre as flores!

         Os homens correm atrás dos bens terrenos, como se os pudessem guardar para sempre. Mas aqui não há ilusões, e logo eles se apercebem de que conquistaram apenas sombras, desprezando os únicos bens sólidos e duráveis , os únicos que lhes podem abrir as portas dessa morada.

         Tende piedade dos que não ganharam o Reino dos Céus. Ajudai-os com as vossas preces, porque a prece aproxima o homem do Altíssimo, é o traço de união entre o Céu e a Terra. Não o esqueçais!

O Evangelho Segundo o Espíritismo

Título: Re: Cap. 2 – Meu reino não é deste mundo
Enviado por: Ramon em 10 de Abril de 2015, 12:31
Só Tomé ficou com a fama de incrédulo
A experiência com a morte impulsiona a transformação. Isso aconteceu com os Apóstolos de Jesus, angustiados na crucificação. Enquanto se angustia a pessoa se singulariza. Diante da morte só ela pode ser o que ela é.
Jesus ministrou aula prática, sobre isso. Tomé foi o escolhido. Lamentamos não sermos como Tomé. Ainda não temos condição de sermos perseguido, martirizados e morrermos pelo Mestre.
“Jesus foi à montanha e passou a noite inteira em oração. Depois, ao amanhecer, chamou os discípulos e dentre eles escolheu doze, aos quais deu o nome de apóstolos.” E entre eles estava Tomé.
Percebia, em Tomé, além da racionalidade, um senso crítico importante no exercício da semeadura.  Assim, como o escultor enxerga na pedra bruta a futura obra prima, Jesus enxergava em Tomé o trabalhador dedicado e sincero do porvir.
A objetividade de Tomé, aliada à fé, permite que ele faça uma análise profunda da perigosa situação. Entendendo que Jesus iria a Jerusalém, onde queriam matá-lo, ele interrompe o tumulto e diz: “Vamos todos com Ele para morrermos também.”
 “Eu sou o caminho da Verdade e da Vida e ninguém vem ao Pai, senão por Mim.”
 Os apóstolos tiveram apenas um dia para metabolizar essas palavras, porque então tudo aconteceu: Jesus foi preso, açoitado, julgado, coroado de espinhos e, finalmente, crucificado.
Depois, Jesus cumpriu a promessa e ressurgiu, aparecendo à Madalena.
Todos foram incrédulos, pois ninguém acreditou quando ela , correndo, foi contar que vira o Senhor. Mas só Tomé ficou com a fama de incrédulo.
Então, no oitavo dia, portas e janelas fechadas, Jesus novamente apareceu no meio deles e sua voz ecoou: “A paz seja convosco!”
Tomé, coração acelerado, embargado de pranto, vê Jesus se aproximar e dizer: “Vem, Tomé, introduz aqui o teu dedo...”. Tomé cai de joelhos e clama com todas as suas forças: “Meu Senhor!”
 “Porque me viste, creste. Felizes os que não viram e creram.”
Jesus teve razão em acreditar em Tomé, pois ele correspondeu plenamente à confiança do Senhor.
Evangelizou a Pérsia e a Índia, onde é reconhecido como santo, tendo um monte e uma catedral com seu nome.
Está colocado na nona bem aventurança, pois foi perseguido e martirizado, morto a flechadas por amor a Jesus.
Leia mais, Português/Español, "Jesus, Tomé e Nós". (abril 2015)
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