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CODIFICAÇÃO => O Evangelho Seg. Espiritismo => Tópico iniciado por: Antonio Renato em 23 de Setembro de 2014, 15:10

Título: A fé e a caridade
Enviado por: Antonio Renato em 23 de Setembro de 2014, 15:10
Meus irmão poderiamos disassociar a fé da caridade? - Disse-vos,não há muito meus
caros filhos,que a caridade,sem a fé,não basta para manter entre os homens uma ordem social capaz de o tornar feliz(O Evangelho Segundo o Espiritismo).Muitos julgam de uma
forma errada que para fazer caridade não é necessário ter fé,sem saberem que a fé é a
nossa sustentação para que possamos levar adiante os nossos propósitos de praticar o
amor,esse amor caridoso,benevolente,despretensioso,sem descriminar quem quer que
seja.É na prática da caridade que nos aproximamos de Deus e dos seus popósitos a
todos nós.
Título: Re: A fé e a caridade
Enviado por: lucineide.c em 31 de Julho de 2015, 07:45
Bom dia, amigo Antonio. A fé é o combustível que nos impulsiona a caminharmos , mesmo nos dias chuvosos. Ela quando verdadeira é capaz de contagiar muitos corações. A fé não se explica, se sente. A fé não é esperança, é força que impulsiona a caminhar pra frente. Um abraço!
Título: Re: A fé e a caridade
Enviado por: Vitor Santos em 31 de Julho de 2015, 12:00
Olá amiga Lucineide

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Bom dia, amigo Antonio. A fé é o combustível que nos impulsiona a caminharmos , mesmo nos dias chuvosos. Ela quando verdadeira é capaz de contagiar muitos corações. A fé não se explica, se sente. A fé não é esperança, é força que impulsiona a caminhar pra frente. Um abraço!

Ao reflectir sobre o interessante assunto proposto pelo António, interroguei-me sobre o seguinte:

- Será que uma das razões possíveis da fé não é uma esperança de que podemos escapar, ou minimizar as contrariedades e infelicidades da vida?

Concordo que a fé poderá ajudar a enfrentar as dificuldades, ajudando a ter coragem, paciência e resignação, mais optimismo. E penso que é mau para nós sermos pessimistas, porque isso nos pode bloquear e impedir de fazer o que devemos fazer.

Mas se nós pensarmos que a fé nos dá alguma imunidade, digamos assim, quando nos surgem contrariedades graves podemos ficar decepcionados. E perder a fé.

Nós devemos lutar e ter esperança de vencer ou minimizar as contrariedades, mas, por vezes, elas podem ser de tal modo que não é possível vencê-las. Podemos ter esperança, mas não podemos esperar milagres, lá por sermos crentes de uma Doutrina Espiritual, seja ela qual for, e por termos muita fé.

Há algo que parece quase um milagre, mas não é, que é descobrirmos que podemos ter uma atitude psicológica mais benéfica perante a vida, e conseguirmos fazê-lo. E isso pode levar-nos a conseguir o que para nós era impensável.

Obstáculos de vária ordem, desde fazermos um discurso não realista e pessimista  para nós mesmos, vendo obstáculos onde eles não existem, até não compreendermos ou não querermos encarar que temos defeitos de natureza moral e maus hábitos a corrigir, pode impedir que tenhamos a  atitude certa. Todavia, se conseguirmos remover esses obstáculos podemos ficar surpreendidos connosco próprios.       

Assim, a questão que nos devemos colocar é a seguinte: Será que se os desejos manifestados nas nossas preces, para vencer as contrariedades graves, não são atendidos, será que, apesar da fé e da prece, a desgraça que nos bate à porta, e nos verga fortemente, nós continuamos a ter fé?

- Se continuamos, a fé não era supersticiosa, nós não esperávamos milagres, apenas ânimo para lutar. Se perdemos a fé, é porque não tínhamos realmente fé, mas porque tínhamos uma atitude supersticiosa.

A fé, para mim, resume-se à fé em nós mesmos, à fé que Deus existe e é Bom e Justo e que isso se reflecte nas leis da natureza que Ele concebeu, a fé de que somos espiritos imortais e não os corpos de carne mortais a que estamos transitoriamente presos, e a fé supersticiosa e cega, que acabei de descrever. Podemos acreditar sabendo no que acreditamos, ou esperar milagres.

Bem haja
Título: Re: A fé e a caridade
Enviado por: Patricia S. Botelho em 31 de Julho de 2015, 18:49
Amigo Vítor,

É sempre ótimo ler suas opiniões.
Que bom que sempre as compartilha conosco

Abraço
Patricia
Título: Re: A fé e a caridade
Enviado por: Danilo Henrique em 31 de Julho de 2015, 20:24
Meus irmão poderiamos disassociar a fé da caridade? - Disse-vos,não há muito meus
caros filhos,que a caridade,sem a fé,não basta para manter entre os homens uma ordem social capaz de o tornar feliz(O Evangelho Segundo o Espiritismo).Muitos julgam de uma
forma errada que para fazer caridade não é necessário ter fé,sem saberem que a fé é a
nossa sustentação para que possamos levar adiante os nossos propósitos de praticar o
amor,esse amor caridoso,benevolente,despretensioso,sem descriminar quem quer que
seja.É na prática da caridade que nos aproximamos de Deus e dos seus popósitos a
todos nós.

Para entendermos caridade com fé e caridade sem fé é preciso primeiro definir fé.
Fé é a entrega e confiança absoluta no Senhor do Universo. Ou seja, a confiança de que tudo se encontra em perfeita ordem e que portanto não há nada a se temer ou se angustiar nessa vida.
Desse ponto de vista, caridade com fé significa a consciência de que Deus é o único agente caridoso do universo, e que nós somos instrumentos da Sua vontade e não autônomos da nossa vontade. Ou seja, que não seria possível a caridade sem Deus.
De posse dessa consciência, a caridade não precisa de raciocínio, plano, ou motivo. Ela simplesmente acontece, ou é deixada acontecer. Porque é Deus quem dirige o ato para quem merece recebê-lo, e não o "ser humano" que decide quem será a pessoa premiada da sua pretensa benevolência.
 
Já a caridade sem fé é apenas uma auto-realização. Quando alguém acredita que ser "caridoso" seja algo obrigatório, certo, moralmente necessário, e aguarda qualquer tipo de recompensa ou reconhecimento pelo seu ato, ou até mesmo quando utiliza a caridade como "ferramenta" para alcançar um pretenso mérito espiritual, essa pessoa espiritualmente rejeitou A Ordem Perfeita, a Harmonia, a Onipotência de Deus, e investiu-se de uma auto-estima ilusória. Como se Deus dependesse dela para fazer algo bom para alguém e Ele não depende. Na realidade o ato caridoso apenas ocorre, porque ambos os Espíritos passam por uma provação, onde cada um precisa dar ao seu próprio EU uma resposta para determinada espécie de tentação que certamente surgirá em decorrência desse ato. E essa tentação é a ação do pensamento, ou da voz do ego, que tentará tomar para si os louros e o mérito da ação.

Abraços!
 
Título: Re: A fé e a caridade
Enviado por: lconforjr em 01 de Agosto de 2015, 18:06
Re: A fé e a caridade

      Responder #5 em: Hoje às 18:06 »

      Ref resp #4 em: 31 07 15, 20:24, de Danilo

      Citação de: ARenato em 23 09 14, 15:10:... podemos dissociar a fé da caridade? – “Disse-vos que a caridade, sem a fé, não basta para manter entre os homens uma ordem social capaz de torná-los felizes (ESE). Muitos julgam, de uma forma errada, que, para fazer caridade não é necessário ter fé, sem saberem que a fé é a nossa sustentação para que possamos levar adiante os nossos propósitos de praticar o amor, esse amor caridoso, benevolente, despretensioso, sem descriminar quem quer que seja. É na prática da caridade que nos aproximamos de Deus e de seus propósitos...

      Conf: a fé só tem algo com a caridade se esta está sendo feita devido a termos fé em nosso coração, certo? Caridade feita sem fé nada mais é que, ou hipocrisia, ou obediência à ética religiosa devido ao medo do que possa acontecer se não manifestarmos caridade, ou para ter uma boa imagem perante a opinião pública...

      Danilo: Para entendermos caridade com fé e caridade sem fé é preciso primeiro definir fé. Fé é a entrega e confiança absoluta no Senhor do Universo. Ou seja, a confiança de que tudo se encontra em perfeita ordem e que, portanto, não há nada a se temer ou se angustiar nessa vida... De posse dessa consciência, a caridade não precisa de raciocínio, plano, ou motivo. Ela simplesmente acontece, ou é deixada acontecer.

      Conf: aqui, o jovem amigo me força a fazer uma pergunta: “como” é que devemos fazer para adquirir a fé? “Como fazer” para termos “confiança absoluta” no Senhor do Universo? Como adquirir a “consciência de que tudo se encontra em perfeita ordem” e que, portanto, “não há nada a se temer ou se angustiar nessa vida”? Sobretudo se qualquer um de nós pode ver que não é essa a verdade do mundo, que sempre a vida está nos mostrando exatamente o oposto disso?!

      Dan:... Porque é Deus quem dirige o ato para quem merece recebê-lo, e não o "ser humano" que decide quem será a pessoa premiada da sua pretensa benevolência.

      Conf: aqui duas perguntas: primeira: como fazer para ter confiança (ou fé), nisso que vc disse em seu argumento acima? Segunda: porq uns poderão receber a “pretensa benevolência de Deus” e outros não? Não somos todos perfeitamente iguais no momento em que somos criados? O que é que, de repente, surge e destrói essa perfeita igualdade original?

      Dan: Já a caridade sem fé é apenas uma auto realização...

      Conf: embora eu não tenha compreendido o que é essa “auto realização”, eu diria q a caridade sem fé nada mais é do que uma simples "manifestação exterior”, e, sendo apenas isso, em nada nos ajuda em relação ao nosso aperfeiçoamento espiritual, certo? Logo, nenhum valor moral tem, se a praticarmos ou não a praticarmos!

      Dan:... cada um precisa dar ao seu próprio EU uma resposta para determinada espécie de tentação que certamente surgirá em decorrência desse ato. E essa tentação é a ação do pensamento, ou da voz do ego, que tentará tomar para si os louros e o mérito da ação.

      Conf: e qual é, meu jovem amigo, a causa de, como vc disse, "certamente" surgir uma “tentação” em decorrência desse ato? E se não conseguirmos vencer essa tentação, certamente, de algum modo, sofreremos, concorda?

      E sendo assim, se sofreremos devido a isso, qual será a justificativa da Lei de Deus, para esses sofrimentos? Não conseguir vencer essa tentação é transgressão nossa à lei divina?! Se puder ser mais ser mais claro...!

      Abraços!
.............

Título: Re: A fé e a caridade
Enviado por: Vitor Santos em 01 de Agosto de 2015, 20:28
Olá amiga Patricia

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É sempre ótimo ler suas opiniões.
Que bom que sempre as compartilha conosco

Ainda bem que a amiga achou a minha opinião útil. Todavia conheço-a suficientemente bem para saber que se sabe guiar muito bem, na questão da fé. E é você que me tem ensinado muito sobre isso. Por isso sou eu que devo estar grato.

Olá amigo Danillo

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Para entendermos caridade com fé e caridade sem fé é preciso primeiro definir fé.
Fé é a entrega e confiança absoluta no Senhor do Universo. Ou seja, a confiança de que tudo se encontra em perfeita ordem e que portanto não há nada a se temer ou se angustiar nessa vida.

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A definição de fé que é consensual é a que está no dicionário, amigo:


(latim fides, -ei)
substantivo feminino
1. Adesão absoluta do espírito àquilo que se considera verdadeiro.
2. [Religião]  Sentimento de quem acredita em determinados ideias ou princípios religiosos. = CRENÇA
3. Religião, culto (ex.: fé cristã, fé islâmica).
4. [Religião]  Uma das virtudes teologais.
5. Estado ou atitude de quem acredita ou tem esperança em algo. = CONFIANÇA, ESPERANÇA ≠ CEPTICISMO, INCREDULIDADE
6. Fidelidade.
7. Prova.
8. Testemunho autêntico dado por oficial de justiça.

à fé
• Por certo, certamente.
fazer fé
• Merecer crédito (ex.: a fazer fé no que ele diz, isto é muito grave).
• Constituir prova.
fé púnica
• Perfídia; deslealdade

"fé", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/f%C3%A9 [consultado em 01-08-2015].
 
De uma forma geral, a  palavra fé é conotada com crença. A sua definição é a que corresponde ao n.º 1 do dicionário. A confiança absoluta em algo implica que é algo de que se tem uma certeza absoluta, pela lógica.

Pelo outros não posso falar, mas eu não tenho confiança absoluta em nada, nem em Deus, porque, para mim, Deus é uma crença. Crença e certeza absoluta são coisas totalmente diferentes. 

Há quem diga que consegue sentir Deus, há quem diga que pode constatar que Deus existe, por exemplo, através da meditação. Neste último caso será mais próprio dizer que experimentámos a presença de Deus. Eu não consigo fazer isso, porque não me dedico à meditação. Embora reconheça que ela pode ser benéfica Mas supondo que dedicava, e que tinha uma experiência do mesmo tipo do que a dos meditadores muito experientes descrevem, tratava-se de uma experiência subjectiva. E aquilo que eu pudesse dizer sobre ela correspondia à minha posterior interpretação racional do que me sucedeu. As pessoas podiam até crer no meu testemunho, podiam crer que a minha descrição do fenómeno está correcta, mas, na verdade, só pode entender quem experimentou, porque não acredito que existam palavras para descrever esse tipo de coisas, de uma forma exacta.   

Enfim, de qualquer das formas eu teria de me considerar infalível, para ter a certeza absoluta. Ainda que o tivesse constatado numa experiência, eu teria de considerar que eu tinha a certeza absoluta da minha interpretação da mesma (infalibilidade). Se foram outras pessoas que testemunharam, ou que passaram a palavra que lhes foi passada a elas, eu não tinha como ter a certeza absoluta. Nem compreendo como alguém a pode ter. Parece-me ilógico.
     
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Desse ponto de vista, caridade com fé significa a consciência de que Deus é o único agente caridoso do universo, e que nós somos instrumentos da Sua vontade e não autônomos da nossa vontade. Ou seja, que não seria possível a caridade sem Deus.
De posse dessa consciência, a caridade não precisa de raciocínio, plano, ou motivo. Ela simplesmente acontece, ou é deixada acontecer. Porque é Deus quem dirige o ato para quem merece recebê-lo, e não o "ser humano" que decide quem será a pessoa premiada da sua pretensa benevolência.

Se creio em Deus, no sentido de Inteligência suprema, Causa primeira de todas as coisas, tudo surgiu na sequência do impulso da Criação, as leis da Natureza foram concebidas por Deus, logo só existimos por causa de Deus.Se Ele não existisse nós não existíamos.

Todavia, se não sou apenas uma máquina natural mortal, se não sou uma máquina, então tenho vontade própria. E a minha vontade pode ser concretizada, se as circunstâncias, a minha capacidade de realizar e as leis da Natureza o permitirem. Crendo que as leis da Natureza correspondem à vontade de Deus, numa sentido lato posso dizer que dependo da vontade de Deus, pois foi Ele que concebeu as regras do "jogo".   

Mas se a minha acção  é a acção de Deus, então eu sou apenas uma máquina natural manipulada por Ele. Se não tenho vontade própria, sou uma máquina de carne. E, como máquina de carne, não creio que seja possível sobreviver à morte carnal. A vida nem antes, nem agora, nem no futuro existe. O "EU" que eu sou é uma ilusão criada pela máquina de carne.

Em conclusão, se eu pensasse como o amigo seria ateu materialista, porque era a única via que me fazia sentido.

Mas eu não penso como o amigo, nem acredito que é possível ter a certeza absoluta de nada, porque acho sou falível no meu julgamento do que eu próprio sou, do que experimento, e de tudo isto em que estamos inseridos. E se eu sou falível no meu julgamento do que é a realidade, porque havia de pensar que os outros serão os outros infalíveis?

Se o amigo, para mim, é falível, no seu julgamento do que é a realidade,  não acredito que possa ter a certeza absoluta de que Deus existe, e muito menos da forma como Deus actua.

Bem haja
Título: Re: A fé e a caridade
Enviado por: lucineide.c em 02 de Agosto de 2015, 05:34
Bom dia a todos !

A fé nos renova

         Sustentadora dos grandes ideais, a fé é o polo de atratividade positiva de tudo quanto se relaciona com a misericórdia de Deus. Fé para lutar diante das dificuldades e fé para vencer todas as batalhas ;fé para não desanimar ao longo das penosas caminhadas ;fé que somos capazes de superar a “perda” de entes queridos ,acreditando que é possível recomeçar a vida depois da tempestade, que o sol se põe mas nasce outra vez todos os dias.
        Diante da dor, a vida desbota e perde todo sentido. Nesses momentos ficamos fragilizados , e sem a fé que nos renova , a vida caminharia a passos lentos e, de forma ainda mais penosa. É ela que nos levanta depois de vários tombos, nos possibilita caminhar quando muitas vezes a nossa única vontade é desistir .
       A confiança no Pai nos dá a esperança de vencermos batalhas e progredirmos passo a passo. Com a fé de que Deus nos assiste caminhamos com mais segurança, e mesmo diante da adversidade não desanimamos , pois seguimos com a certeza de que Deus nos apoia e de que nada é impossível para Ele. Mas é preciso acreditar que tudo podemos quando cultivamos em nós a verdadeira fé em Deus. Ele pode agir em nossa vida , porém , se não acreditarmos que tudo é possível para Ele , seguiremos como um barco sem direção.
     Falemos com bastante fé: Tudo posso naquele que me fortalece.
     Que a fé em dias melhores cresça dentro de nós a cada amanhecer , que em todas as manhãs de nossa vida, a fé seja o verdadeiro combustível capaz de nos erguer depois de dias difíceis.
Lu
Título: Re: A fé e a caridade
Enviado por: Vitor Santos em 02 de Agosto de 2015, 15:16
Olá amiga Lucineide

Esta sua definição de fé é muito interessante, e até é, também, bela.

As únicas palavras que me fazem mais confusão são as seguintes;

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A confiança no Pai nos dá a esperança de vencermos batalhas e progredirmos passo a passo. Com a fé de que Deus nos assiste caminhamos com mais segurança, e mesmo diante da adversidade não desanimamos , pois seguimos com a certeza de que Deus nos apoia e de que nada é impossível para Ele. Mas é preciso acreditar que tudo podemos quando cultivamos em nós a verdadeira fé em Deus. Ele pode agir em nossa vida , porém , se não acreditarmos que tudo é possível para Ele , seguiremos como um barco sem direção.

Concordo consigo. Efectivamente a fé em nós mesmos e fé espiritual pode-nos inspirar:

- Mais fé ainda;

- Coragem e paciência para lutar, porque, como se costuma dizer, Deus ajuda quem se ajuda. Quem não encontrar coragem e paciência para se ajudar, e ficar de braços cruzados, não pode esperar ajuda.

- A resignação, que nos pode ajudar nos aceitarmos a nós mesmos, tal como somos, a aceitarmos a situação em que nos encontramos, pois, para melhorar é condição essencial não negarmos a nós mesmos o ponto em que nos encontramos (e vencer as emoções que nos bloqueiam quando não nos aceitamos como somos actualmente e na situação em que estamos, não é fácil, sobretudo quando estamos em perda). A resignação também é aceitar que há obstáculos que não dependem de nós, para não sermos irrealistas como seria uma mosca a tentar roer um prego de aço. Só conseguimos definir o ponto onde nos encontramos e soubermos o ponto para onde queremos ir, podemos traçar a nossa rota no sentido do progresso.

Eu acredito que Deus nos apoia. Talvez não directamente, mas através dos bons espiritos, já capazes de amar incondicionalmente os outros, ou talvez através de outras vias que eu não sei explicar. E acredito que, para Deus, tudo é possível.

O que eu não acredito é que Deus, ou as leis da natureza, que Ele concebeu, abram excepções para ninguém, ou seja, que existam milagres. O facto de Deus ser Todo Poderoso não quer dizer que Ele vai alterar as leis da natureza a favor deste ou daquele apenas porque ele tem fé.

Ele pode-nos enviar, talvez, de alguma forma, inspiração, para conhecermos e compreendermos melhor a regras do "jogo", o que nos permitirá movimentar melhor, no "tabuleiro de xadrez" que é a vida (tanto a vida material como a espiritual). Mas contar que podemos vencer  impossíveis não me parece de bom senso (a não ser os impossíveis que apenas são impossíveis na nossa mente, mas, que, na realidade, não são impossíveis).

Sendo Deus Justo, como cremos, nenhum Espírito pode ser privilegiado ou prejudicado em relação a outros, nem nenhum está isento de estar sujeito à leis da natureza, sejam elas referentes à natureza material ou espiritual.

Sendo Deus a Inteligência Suprema, as leis que ele concebeu, que são as regras do "jogo" para todo o Universo, deverão estar bem concebidas, não necessitando de alterações (que seriam os milagres ou fenómenos sobrenaturais).

Se bem que nós não conhecemos e compreendemos todas as leis da natureza que Deus concebeu e podemos tomar algo que está previsto nas leis da natureza por sobrenatural, por equivoco. Aquilo a que chamamos fenómenos paranormais estão nesse grupo: são fenómenos naturais, mas tais que a ciência ainda não os sabe explicar de forma suficiente.

Assim, o optimismo, ou a seja, a esperança de conseguir encontrar forças, paciência e engenho para  ultrapassar os obstáculos que está na nossa mão ultrapassar, pode ser alimentado pela fé em Deus. Mas  a crença em milagres é superstição. Não podemos contar que Deus vá alterar as leis que concebeu por nossa causa, ainda que o pudesse fazer, se quisesse.

A fé supersticiosa é nociva porque é uma ilusão, e quem se ilude, mais dia ou menos dia vai decepcionar-se.   

Na realidade nós não podemos separar os tipos de fé que temos. E pode coexistir fé espiritual com fé supersticiosa, na mesma pessoa, no mesmo momento. Até penso que isso será o mais normal. Mas se a nossa fé for apenas supersticiosa ela termina ao primeiro embate grave, quando nós constatamos que a forças das coisas pode cilindrar-nos e que nenhum milagre nos vem salvar.

A ideia que os infelizes são almas sob pena de outras encarnações e que os felizes são as almas limpas de penas anteriores, justificando assim todas as dificuldades e obstáculos que encontramos aqui na Terra, parece-me errada. Este mundo é difícil para todos, todos aqui passam por dificuldades e obstáculos.

E somos nós que construímos o nosso futuro, não creio em destinos pré-definidos. E daí que a fé seja tão importante, tal como a amiga nos mostra. Se tudo o que nos acontece já estivesse escrito, tanto fazia ter fé como não.

Bem haja
Título: Re: A fé e a caridade
Enviado por: lucineide.c em 02 de Agosto de 2015, 17:39
             Bom dia, amigo Vitor, paz em seu coração.
        Um homem sem fé é como um barquinho no mar.Qualquer vento poderá mudar seu rumo.
        Não basta dizer que tem esperanças em algo e cruzar os braços, esperando que o universo faça milagres;não basta falar para o mundo que carrega a fé em si, e nos momentos de provações cair por terra, não basta repetir bordões, se o coração não acredita no que a boca fala.
  Ter fé é cultivar em si a esperança , não uma esperança imediatista, mas algo sereno .
Não esperemos milagres , pois eles podem até acontecer, mas se estivermos realmente em sintonia com os bons espíritos. Nossos pedidos serão realizados mediante nosso merecimento. Nem tudo que cultivamos em nós será atendido. Deus é justo e jamais nos daria algo que nos prejudicasse . Por isso é necessário a serenidade para aceitar coisas que não acontecem da foma que queremos que aconteçam. 
     Através da fé raciocinada o homem adquire maturidade , caminha com mais segurança.  Fé e crença podem até mistura-se , para alguns, porém uma é diferente da outra. Ter fé vai muito mais além de crê. Podemos dizer claramente que cremos em Deus, porém na hora da dor não temos fé que Ele nos segura através dos espíritos benfeitores, através dos amigos e da própria família. Cremos que somos espíritos imortais, todavia o desespero toma conta de nós quando , num consultório médico , recebemos a notícia que estamos mal. Então , que fé é essa?  Nossa fé nem sempre é para que mudemos determinadas situações, mas sim, para que aprendamos a conviver bem com elas. E quando aprendemos a conviver com algo, adquirimos tranquilidade , e com isso, nossos problemas passam a ser trabalhados de forma mais serena.
        Com uma fé sólida, raciocinada, podemos encontrar dentro de nós forças surpreendentes para caminhamos com mais segurança. E vale lembrar que ela aparece em nós mediante nossas experiências. Felizes os que caem e fazem de suas quedas aprendizados. Estes aprendem a caminhar com fé e mais firmeza.
    Acredito que a fé seja a mãe da esperança e da caridade, e todas juntas nascem do amor.
   Abraços !
 
Título: Re: A fé e a caridade
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 02 de Agosto de 2015, 18:22
"Ora,a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se vêem".
(Hebreus 11:1)

886. Qual o verdadeiro sentido da palavra caridade, como a entendia Jesus?
Benevolência para com todos, indulgência para com as imperfeições dos outros, perdão das ofensas."
(OLE)

I – Fé, Mãe da Esperança e da Caridade
JOSÉ
Espírito Protetor, Bordeaux, 1862


            11 – A fé, para ser proveitosa, deve ser ativa; não pode adormecer. Mãe de todas as virtudes que conduzem a Deus, deve velar atentamente pelo desenvolvimento das suas próprias filhas.

            A esperança e a caridade são uma conseqüência da fé. Essas três virtudes formam uma trindade inseparável. Não é a fé que  sustenta a esperança de se verem cumpridas as promessas do Senhor; porque, se não tiverdes fé, que esperareis?
Não é a fé que vos dá o amor?
Pois,se não tiverdes fé, que reconhecimento tereis, e por conseguinte, que amor?

            A fé, divina inspiração de Deus, desperta todos os sentimentos que conduzem o homem ao bem: é à base da regeneração. É, pois, necessário que essa base seja forte e durável, pois se a menor dúvida puder abafá-la, que será do edifício que construístes sobre ela?
Erguei, portanto, esse edifício, sobre alicerces inabaláveis. Que a vossa fé seja mais forte que os sofismas e as zombarias dos incrédulos, pois a fé que não desafia o ridículo dos homens, não é a verdadeira fé.

               A fé sincera é dominadora e contagiosa. Comunica-se aos que não a possuíam, e nem mesmo desejariam possuí-la;
encontra palavras persuasivas, que penetram na alma, enquanto a fé aparente só tem palavras sonoras, que produzem o frio e a indiferença. Pregai pelo exemplo da vossa fé, para transmiti-la aos homens;
pregai pelo exemplo das vossas obras, para que vejam o mérito da fé; pregai pela vossa inabalável esperança, para que vejam a confiança que fortifica e estimula a enfrentar todas as vicissitudes da vida.

            Tende, portanto, a verdadeira fé, na plenitude da sua beleza e da sua bondade, na sua pureza e na sua racionalidade. Não aceiteis a fé sem comprovação, essa filha cega da cegueira. Amai a Deus, mas sabei porque o amais. Crede nas suas promessas, mas sabei por que o fazeis. Segui os nossos conselhos, mas conscientes dos fins que vos propomos e dos meios que vos indicamos para atingi-los. Crede esperai, sem fraquejar; os milagres são produzidos pela fé.
Título: Re: A fé e a caridade
Enviado por: lconforjr em 03 de Agosto de 2015, 00:47
Re: A fé e a caridade

      Ref resp #9 em: 02 08 15, às 17:39, de Lucineide

      Lucineide disse: Um homem sem fé é como um barquinho no mar. Qualquer vento poderá mudar seu rumo.

      Conf: aí está uma verdade inquestionável (mas com certas restrições)... porém, infelizmente, ninguém, nem religiões, nem religiosos, nem espíritos amigos, encarnados ou não, nem Jesus, nem a codificação, as escrituras, sabem ensinar “como fazer” para que exista fé em nós. Nem mesmo o Mestre dos Mestres, Jesus, nos ensinou isso. E a fé, com certeza, não brota espontaneamente em nosso íntimo!

      Luci: Não basta dizer que tem esperanças em algo e cruzar os braços, esperando que o universo faça milagres; não basta falar para o mundo que carrega a fé em si, e nos momentos de provações cair por terra, não basta repetir bordões, se o coração não acredita no que a boca fala.

      Conf: novamente uma verdade inquestionável; e a pergunta é a mesma: Porq uns a têm e outros não?

      Luci: Ter fé é cultivar em si a esperança, não uma esperança imediatista, mas algo sereno.

      Conf: então ter fé ou esperança depende, não de nosso desejo de tê-las, nem de escolha nossa. Afinal, depende de quê?

      Mas, se não tivermos esperanças no futuro, isso pode nos fazer  sofrer, e muitas vezes de modo desesperador, qual é a justificativa da lei divina para esse sofrimento, sobretudo se nos lembrarmos de que todos os sofrimentos resultam de transgredirmos as leis de Deus? Onde está em não ter fé, ou não ter esperança, a transgressão a essas Leis?

      Luci: Não esperemos milagres... Nossos pedidos serão realizados mediante nosso merecimento.

      Conf: e qual é a causa, minha jovem, de uns terem merecimentos e outros não?! E outra pergunta semelhante à que já foi feita acima: “como fazer” para se adquirir serenidade? Todos apenas sabem ensinar somente “o que fazer” – tenha fé, tenha esperanças, creia, seja sereno, justo e bom etc - mas, infelizmente, ninguém sabe ensinar “como fazer” isso!

      Luci: Com uma fé sólida, raciocinada, podemos encontrar dentro de nós forças surpreendentes para caminhamos com mais segurança. E vale lembrar que ela aparece em nós mediante nossas experiências. Felizes os que caem e fazem de suas quedas aprendizados. Estes aprendem a caminhar com fé e mais firmeza.

      Conf: sem dúvida, essa é uma afirmação que todos os bem intencionados, espíritos amigos, a doutrina, as doutrinas, as escrituras, Jesus etc, sempre fazem... mas, de que adiantam essas afirmações se, na verdade, ninguém sabe “como fazer” para ter fé? É extremamente  fácil ensinar “o que fazer”, mas quem é que nos ensina o mais difícil que é o “como fazer”?!

      Afinal, onde se encontra esse ensinamento? Nas palavras de quem, de que Mestre, de que espírito amigo? Alguém sabe?

      Luci: Acredito que a fé seja a mãe da esperança e da caridade, e todas juntas nascem do amor.

      Conf: e aí há uma estranheza para mim: Paulo diz que ter fé é crer naquilo que não se vê, certo? Mas, pergunto, como crer naquilo que não se vê? Essa fé naquilo que não vemos pode resultar em desilusões, em decepção, em sofrimentos.

      Ter fé não vem do fato de se estar convencido, nem de já ter passado por experiências que nos deram fé, concordam?! Afinal, como e de onde surge a fé??

      Abraços!
..............................
Título: Re: A fé e a caridade
Enviado por: Vitor Santos em 03 de Agosto de 2015, 14:32
Olá amigo Iconforjr

As suas questões em relação à fé têm toda a razão de ser.

Aquilo que as pessoas chamam fé nem sequer é o mesmo para todos, segundo me parece.

A pessoa que vai ao Santuário de Fátima prometer a Maria de Nazaré que vai fazer um sacrifício (por exemplo ir de casa a Fátima a pé, andando a pé centenas de quilómetros) tem uma fé supersticiosa e não espiritual. Porque se essa fé fosse espiritual compreenderia que negociar com Deus, ou com os Espíritos elevados, ou os ditos Santos, não tinha lógica (apesar que eu respeito a forma de pensar do toda a gente, ainda que eu não concorde com ela).

Aquilo que fazemos em nome da espiritualidade não é um favor que fazemos a Deus, ou aos Espíritos Elevados. É um favor que fazemos a nós mesmos. Pensar que é um favor que fazemos a Deus é como a atitude infantil daquela criança que estuda como se fosse um favor que faz aos pais, não entendendo que o que está a fazer é por ela mesmo. E até se acha no direito de pedir uma recompensa se passar o ano com bom aproveitamento...

Será que Deus depende de nós? Será que a felicidade dos Bons Espíritos que nos tentam inspirar depende de nós? As Entidades que já evoluíram para patamares superiores amam incondicionalmente, não esperam nada em troca, nem dependem de nós. Nem sequer querem que nós fiquemos dependentes delas, mas que deixemos crescer as nossas "asas",  se a evolução espiritual é o que eu interpreto da Doutrina Espirita.

Mas duvido que se possa encontrar a fé de forma exclusivamente racional, seja através da dedução, da indução, ou seja lá como for. E também admito que aquilo que sentimos e que chamamos fé, muitas vezes possa ser outra coisa qualquer, por exemplo o instinto de sobrevivência, ou outra sensação psicológica, ou neurológica.

A fé em algo tem de vir da experiência pessoal que nos leva a constatar que esse algo é verdadeiro. Como não somos infalíveis, como a nossa interpretação da experiência, por mais convincente que ela seja, pode não estar correcta, não podemos ter a certeza absoluta, chamamos-lhe fé. Apenas chamamos conhecimento efectivo aquilo que é muito fiável, de modo a que a dúvida é muito pequena, quase nula, ou seja, naquilo em que a nossa fé é fortíssima.

Uma pessoa pode ser muito optimista, por natureza. Mas se vê que tudo lhe corre sempre mal, na vida, pode entrar em desamparo adquirido e deixar de lutar pela vida. Até a um animal isso pode acontecer, como revelam as experiências com cães, por exemplo. Isso demonstra que, embora algumas pessoas tenham tendência para ter mais optimismo do que as outras, se a experiência lhes mostra quase sempre que tudo lhe corre mal, ou se apenas se lembram do que lhes corre mal, generalizando isso ao resto, elas podem ficar pessimistas e desistir de acreditar que alguma coisa lhes possa vir a correr bem.   

Tudo o que acreditamos sobre nós, sobre isto tudo em que nós estamos inseridos, é sempre uma questão de fé, ainda que fosse tudo suficientemente comprovado pela ciência. O grau de dúvida é que pode variar muito. Há coisas muito mais fiáveis do que outras. 

A fé não pode depender de uma religião, pois há muitas religiões que, em alguns assuntos, descrevem a realidade de  forma oposta. Como saber quais as que estão correctas? Será que há alguma correcta? Se a base é o testemunho alheio e palavras ditas pelos antigos, se todos dissessem mais ou menos o mesmo, ao longo de milhares de anos, essa concordância tinha algum significado, pois era uma espécie de comprovação estatística.

Então, ou arranjamos uma forma de constatar, através da experiência, que somos espiritos imortais transitoriamente presos num corpo de carne, ou, pelo menos, podemos constatar que não somos apenas a carne e os ossos, ou a nossa fé é frágil. Já que constatar que Deus existe já é mais complicado, na minha óptica actual.

A utilidade das instituições religiosas, para além de terem casas funerárias, que dão jeito, do meu ponto de vista só existe se elas podem ensinar e/ou facilitar às pessoas uma forma de elas poderem constatar pessoalmente que a respectiva natureza é espiritual e não carnal. É ensinar a pescar, em vez de dar o peixe.

As questões que o amigo coloca, vulgarmente, ou seja, quando questiona porque é que os espiritos são tão diferentes evoluindo todos a partir do mesmo ponto (o momento em que foram criados), só fazem sentido se o amigo conseguir constatar experimentalmente que os espiritos existem e que você próprio é um Espírito. Caso contrário é uma divagação sobre uma especulação. Ou seja, a existência dos espiritos tem precedência em relação à discussão sobre a natureza e comportamento dos mesmos.

Digo isto porque não me faz sentido ter fé espiritual sem eu próprio ser um espírito. Aliás, existindo Deus, isso seria uma crueldade de Deus -  criar máquinas de carne mortais, com consciência de si mesmas e da finitude inevitável (cadáveres adiados). Um Deus assim era horrível. Ainda que ele existisse eu nem queria pensar nisso, porque era um pensamento deprimente.

Então, para ter fé, no sentido espiritual, temos de encontrar uma forma de experimentar, para constatar, senão, a fé será cega, baseada em algo muito vago, muito pouco fiável. E é isso que temos de descobrir, se for possível. Afinal parece que há pessoas que tiveram experiências de quase morte que mudaram por causa delas, como foi constatado anos depois, no que toca à forma de encarar a vida e a morte. Há Yoguis que dizem que após determinadas práticas, que incluem a meditação, constatam pessoalmente o que eles próprios são e tudo o que é isto onde estamos inseridos. Há pessoas que dizem ter recebido mensagens mediúnicas de pessoas falecidas, que traziam elementos para comprovar que era mesmo a mente dessas pessoas que estava espelhada na mensagem. Há pessoas que alegam que comunicaram por via mediúnica com espiritos que disseram onde moravam, antes de desencarnar, e isso foi constatado posteriormente. 

Nós somos criaturas complexas, e a fé é um fenómeno complexo. Eu já tive muita fé. Agora tenho menos. Mas quando eu tinha muita fé eu não sabia explicar porque razão a tinha. Por um lado incorporei as ideias que retirei do Novo Testamento da Bíblia e do Livro dos Espíritos, e, por outro lado era um pouco supersticioso, talvez, e a superstição foi-se embora quando me deparei com contrariedades mais fortes - imagino que foi essa a causa, mas não posso assegurar. Mas digo-lhe uma coisa: a fé era algo que me parecia fazer muito bem. E, nem que seja só por isso, fiquei convencido que valia a pena!

Bem haja
Título: Re: A fé e a caridade
Enviado por: Diegas em 03 de Agosto de 2015, 19:07
Olá !


Jesus, Buda, Confucio, Zoroastro, Hermes Trismegisto e muitos outros mestres da Espiritualidade que estiveram encarnados entre nós jamais agiram de forma personalistica e nem tiveram intenção de criar qualquer religião (minúsculo) que os representassem. Caso tivessem criado algo que os ilustrassem teriam desfigurado/desmentido a elevada moral que ensinaram. As religiões são instituições criadas pelos homens, aliás, por homens aproveitadores, que deturparam os ensinamentos originais e que espertamente exploram a fé alheia (a intenção desses religiosos-profissionais é somente adquirir poder e riqueza).

O termo cristão, por exemplo, nasceu do evangelista Lucas quando de sua permanência em Antioquia por que naquela época os primeiros seguidores de Jesus eram conhecidos como os 'Homens do Caminho'. E explicava Lucas que 'caminhos' eram muitos, que até para o mal existe. Então, sugeriu que os seguidores de Jesus fossem conhecidos por 'cristãos', alvitre que foi aceito de bom grado por toda a comunidade. Foi a partir daí que surgiu a expressão-Cristianismo que lembrava os ensinamentos sublimes de Jesus-Cristo.

A fé em Deus não necessita de intermediários ou idolatrar um pedaço de pedra, madeira ou ferro - quer coisa mais irracional ?



Abç
Título: Re: A fé e a caridade
Enviado por: Danilo Henrique em 03 de Agosto de 2015, 20:26
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   Danilo: Para entendermos caridade com fé e caridade sem fé é preciso primeiro definir fé. Fé é a entrega e confiança absoluta no Senhor do Universo. Ou seja, a confiança de que tudo se encontra em perfeita ordem e que, portanto, não há nada a se temer ou se angustiar nessa vida... De posse dessa consciência, a caridade não precisa de raciocínio, plano, ou motivo. Ela simplesmente acontece, ou é deixada acontecer.

      Conf: aqui, o jovem amigo me força a fazer uma pergunta: “como” é que devemos fazer para adquirir a fé? “Como fazer” para termos “confiança absoluta” no Senhor do Universo? Como adquirir a “consciência de que tudo se encontra em perfeita ordem” e que, portanto, “não há nada a se temer ou se angustiar nessa vida”? Sobretudo se qualquer um de nós pode ver que não é essa a verdade do mundo, que sempre a vida está nos mostrando exatamente o oposto disso?!

Para lhe responder essa pergunta, eu lhe respondo fazendo outra: Quem é o EU que você se refere? O EU egóico que vive uma vida mental, ou o EU que se preparou para essa vida antes de chegar a ela e vive uma prova de teor espiritual? Se o objetivo da sua pergunta é para poder afirmar a si mesmo que possui fé, ou seja, para a sua mente, é uma pergunta vazia de sentido e de resultado prático. Cada Espírito recebeu uma medida de fé e aqui deve colocá-la em ação (parábola dos talentos). Como colocar essa fé em prática, quem sabe é o Espírito, e não eu ou você. A mim e a você, cabe apenas tentar interiorizar o sentido dessas palavras. Como? Ouvindo e meditando sobre elas.

 
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Dan:... Porque é Deus quem dirige o ato para quem merece recebê-lo, e não o "ser humano" que decide quem será a pessoa premiada da sua pretensa benevolência.

 Conf: aqui duas perguntas: primeira: como fazer para ter confiança (ou fé), nisso que vc disse em seu argumento acima?

Por favor, tente não deturpar os conceitos. Eu defini fé como entrega e confiança absoluta em Deus, e não confiança em palavras, crenças ou raciocínios humanos. Você não precisa ter fé no que eu falo (apesar de eu não estar falando nada de mim mesmo, mas apenas estar repetindo um ensinamento de Paulo). Você precisa ter fé em Deus. E como fazer isso, é o que tentei explicar logo acima.

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Segunda: porq uns poderão receber a “pretensa benevolência de Deus” e outros não? Não somos todos perfeitamente iguais no momento em que somos criados? O que é que, de repente, surge e destrói essa perfeita igualdade original?

Eu não reconheço o termo colocado em aspas na minha fala. A benevolência de Deus não é pretensiosa. Ela é real e absoluta. Talvez foi um erro de leitura seu, pois me referi à pretensiosidade do homem, e não de Deus.
Vou tentar explicar mais claramente o que eu disse nesse trecho: O ato benevolente tal como conhecemos, possui uma causa. E como todo efeito possui uma causa anterior, a causa primária desse ato foi Deus. Portanto, ela não partiu de uma "bondade humana" mais sim de uma "bondade divina", assim como tudo o que acontece na vida parte do divino. Nós somos "Espíritos passando por provas", e não "seres humanos realizando ações". Foi isso que tentei dizer.

     
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Dan: Já a caridade sem fé é apenas uma auto realização...

      Conf: embora eu não tenha compreendido o que é essa “auto realização”, eu diria q a caridade sem fé nada mais é do que uma simples "manifestação exterior”, e, sendo apenas isso, em nada nos ajuda em relação ao nosso aperfeiçoamento espiritual, certo? Logo, nenhum valor moral tem, se a praticarmos ou não a praticarmos!

Exatamente! Sua explicação é melhor do que a minha. Com auto-realização, eu quis dizer que essa manifestação exterior, conforme você diz, tem como qualquer outra apenas uma finalidade egoísta, de fazer bem a si mesmo, e não ao próximo. Pois ninguém pode fazer bem ao próximo, uma vez que não sabe e nunca soube o que de fato é bom para ele. Portanto, apenas Deus faz o bem. O ser humano é instrumento da bondade de Deus.

     
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Dan:... cada um precisa dar ao seu próprio EU uma resposta para determinada espécie de tentação que certamente surgirá em decorrência desse ato. E essa tentação é a ação do pensamento, ou da voz do ego, que tentará tomar para si os louros e o mérito da ação.
      Conf: e qual é, meu jovem amigo, a causa de, como vc disse, "certamente" surgir uma “tentação” em decorrência desse ato? E se não conseguirmos vencer essa tentação, certamente, de algum modo, sofreremos, concorda?

A causa é Deus (a única causa de tudo) que concede a tentação para o Espírito ter a oportunidade de colocar em prática a sua Fé.

     
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E sendo assim, se sofreremos devido a isso, qual será a justificativa da Lei de Deus, para esses sofrimentos? Não conseguir vencer essa tentação é transgressão nossa à lei divina?! Se puder ser mais ser mais claro...!

A resposta está na questão 258 do livro dos Espíritos:

258. No estado errante, antes de nova existência corpórea, o Espírito  tem consciência e previsão do que lhe vai acontecer durante a vida?

      — Ele mesmo escolhe o gênero de provas que deseja sofrer; nisto consiste o seu livre-arbítrio.

      258. A) Não é Deus quem lhe impõe as tribulações da vida, como castigo?

      — Nada acontece sem a permissão de Deus, porque foi ele quem estabeleceu todas as leis que regem, o Universo. Perguntareis agora por que ele fez tal lei em vez de tal outra! Dando ao Espírito a liberdade de escolha, deixa-lhe toda a responsabilidade dos seus atos e das suas conseqüências; nada lhe estorva o futuro; o caminho do bem está à sua frente, como o do mal. Mas se sucumbir, ainda lhe resta uma consolação, a de que nem tudo se acabou para ele, pois Deus, na sua bondade, permite-lhe recomeçar o que foi malfeito. É necessário distinguir o que é obra da vontade de Deus e o que é da vontade do homem. Se um perigo vos ameaça, não fostes vós que o criastes, mas Deus; tivestes, porém, a vontade de vos expordes a ele, porque o considerastes um meio de adiantamento; e Deus o permitiu.



Ou seja, o Espírito, ao embarcar na aventura humana, assina um "termo de responsabilidade" que o conscientiza dos riscos dessa aventura, e que é de sua inteira responsabilidade assumir as consequências da sua imprudência. Daí, eu já conhecendo o amigo, você perguntará "qual a causa da imprudência?" "como não ser imprudente?", e eu vou lhe responder que esse Espírito, antes de vir, se preparou e estudou assuntos espirituais (não compreensíveis na nossa linguagem), ocultos à nossa consciência, que o ensinam a utilizar a prudência, a fé, o amor, para passar pelo desafio. Esse conhecimento espiritual não desaparece após a encarnação. Ele está registrado em alguma parte do Espírito. Está registrado na minha alma, e na sua. O espírito foi instruído, preparado, e sabe o que fazer. Então não há com o que se preocupar. Enquanto nós (egos) estamos preocupados tentando descobrir "o que fazer", o Espírito já está fazendo a sua prova. E muitas vezes quando "achamos" que estamos indo mal, na verdade estamos indo bem, ou vice-versa.A preocupação com o que deve ser feito é apenas uma "manifestação exterior" (na sua linguagem), logo, é um discurso do ego. Pode revelar apenas o medo do sofrimento ou desejo de vitória, mas não a vontade de se aproximar de Deus, que é apenas do Espírito. Já o ego humano sequer conhece a Deus, como pode ter alguma vontade de se aproximar dele? Somente depois de nos libertarmos dessa matéria poderemos ver o que acertamos e erramos. E por quê acertamos ou erramos.
Título: Re: A fé e a caridade
Enviado por: Vitor Santos em 04 de Agosto de 2015, 13:25
Olá amigo Diegas

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Jesus, Buda, Confucio, Zoroastro, Hermes Trismegisto e muitos outros mestres da Espiritualidade que estiveram encarnados entre nós jamais agiram de forma personalistica e nem tiveram intenção de criar qualquer religião (minúsculo) que os representassem. Caso tivessem criado algo que os ilustrassem teriam desfigurado/desmentido a elevada moral que ensinaram. As religiões são instituições criadas pelos homens, aliás, por homens aproveitadores, que deturparam os ensinamentos originais e que espertamente exploram a fé alheia (a intenção desses religiosos-profissionais é somente adquirir poder e riqueza).

O termo cristão, por exemplo, nasceu do evangelista Lucas quando de sua permanência em Antioquia por que naquela época os primeiros seguidores de Jesus eram conhecidos como os 'Homens do Caminho'. E explicava Lucas que 'caminhos' eram muitos, que até para o mal existe. Então, sugeriu que os seguidores de Jesus fossem conhecidos por 'cristãos', alvitre que foi aceito de bom grado por toda a comunidade. Foi a partir daí que surgiu a expressão-Cristianismo que lembrava os ensinamentos sublimes de Jesus-Cristo.

A fé em Deus não necessita de intermediários ou idolatrar um pedaço de pedra, madeira ou ferro - quer coisa mais irracional ?

Gostei desta sua intervenção amigo. Sobretudo no que se refere à distinção entre o que ensinaram os sábios antigos, com palavras e/ou com o exemplo pessoal, e o que ensinam e exemplificam os sacerdotes que são os seguidores posteriores deles. Você separa as águas claramente e mostra uma lógica com que me identifico.

E ainda separou claramente aqueles seguidores exemplares, como Paulo, por exemplo, dos exploradores da religião. Jesus de Nazaré expulsou os vendilhões do templo de uma forma muito marcante e enérgica, deixando esse exemplo, complementado com outros ensinamentos, que confirmam o que o amigo afirma.
 
Tenho é dificuldade de concentrar o pensamento em Deus, porque se trata de Uma Entidade que me parece muito longe de mim, muito longe dos seres encarnados na Terra, como nós, e não temos uma analogia, uma referência, para o visualizar mentalmente, ou para o identificarmos através do que sentimos ou percepcionamos.

Quando digo longe, óbviamente não estou a falar de distância física, mas da distância no sentido de compreensão de mim para Deus, de caracterização de Deus. Jesus dá-nos uma ideia: "Pai Nosso". Um bom pai e/ou uma boa mãe geram o corpo de carne dos filhos, cuidam e amam os mesmos. Mas trata.-se de uma alegoria muito limitada.

Os espiritos responderam a Allan Kardec que Infinito significa: o que não compreendemos e não conhecemos. E nesse sentido podemos dizer que Deus é Infinito.

Assim, com intermediários ou sem eles, tenho de reconhecer que, pelo menos até agora, nem a minha compreensão, nem a minha percepção me dão elementos suficientes para que eu possa concentrar-me Nele. Nós, humanos, temos mais facilidade de concentrar o pensamento no que conhecemos, ou numa extensão dos conceitos que temos para nós, Deus está demasiado acima da minha percepção, da minha capacidade de sentir, e até da minha imaginação. E a nossa relação com Ele, idem, idem. Por isso, muitos de nós imaginam Deus à semelhança do homem, para conseguirem concentrar o pensamento. Mas eu já não sou capaz de pensar assim.

Bem haja
Título: Re: A fé e a caridade
Enviado por: Diegas em 04 de Agosto de 2015, 18:13
Olá, Vitor Santos


'...Tenho é dificuldade de concentrar o pensamento em Deus, porque se trata de Uma Entidade que me parece muito longe de mim, muito longe dos seres encarnados na Terra, como nós, e não temos uma analogia, uma referência, para o visualizar mentalmente, ou para o identificarmos através do que sentimos ou percepcionamos...'


Creio que encontramo-nos muito mais próximos do Criador do que imaginamos, aliás, penso que o elo de ligação entre Deus e as criaturas são permanentes - criaturas de qualquer espécie - do átomo ao Arcanjo. Elo que nunca se desfez. Por acaso, já pensou na possibilidade de medir a distancia que nos separa de Deus partindo de um referencial dentro dos próprios individuos em vez de tentar localizá-Lo fora, num determinado ponto distante no Universo ?

Já teve a curiosidade de reparar como os Espiritos superiores respondem, quase que imediatamente, a uma solicitação ou a uma oração ? Na própria Codificação temos muitos exemplos de evocações plenamente atendidas !!



Abç
Título: Re: A fé e a caridade
Enviado por: lconforjr em 04 de Agosto de 2015, 19:05
Re: A fé e a caridade

      Ref resp #10 em: 02 06 15, às 18:22, de Moisés

      Amigos,

      Conf: Sem dúvida, temos necessidade de entender a doutrina (e para mim, tem sido muito difícil entende-la) e, para entende-la, como ela mesma recomenda, temos necessidade de raciocinar profundamente; e para provocar o raciocínio nada melhor do que fazer perguntas, concordam? Então vamos às perguntas: vou só perguntar sobre aquilo que  ainda não compreendo! Se alguém puder explicar será um favor para mim!
....
      Moisés citou: "Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se veem". (Hebreus 11:1)

      Conf: sem dúvida, ninguém pode negar que Paulo era um sábio, embora as doutrinas cristãs, inclusive a espírita, nem mesmo se referem a muitas lições importantes que ele nos deixou, pois não as consideram como sendo verdades!

      Mas, também sem dúvida, a igreja de Roma pode ter, como fez com tantos livros do Antigo e do Novo Testamento, modificado o que ele disse ou escreveu. Pois como podemos entender que a fé “prova” alguma coisa que não vemos, que não sabemos se existe ou não?! Se alguém puder explicar o que seja essa afirmação de Paulo, tenho certeza que serial muito útil para todos nós! 

      A fé não prova nada; é apenas “esperança” que pode, muitas vezes, resultar em "desesperanças"! Se se “comprovar” que o que, devido a ela, imaginamos ou acreditamos ser uma verdade, resultará em grandes felicidades para nós; porém se, ao contrário, não se comprovar que seja verdade, pode resultar, para quem teve fé de que era verdade, em profundas decepções, desilusões, descrença, sofrimentos, desesperos e lágrimas! Concordam?

      Moisés (cit): 11 – A fé, para ser proveitosa, deve ser ativa; não pode adormecer. Mãe de todas as virtudes que conduzem a Deus,  deve velar atentamente pelo desenvolvimento das suas próprias filhas.

      Conf: tb não entendi essas palavras: sem dúvida a fé é a “mãe” de todas as virtudes, pois faz que acreditemos que todas elas são necessárias para nos aproximarmos de Deus. Mas, e se, depois, comprovamos que aquilo em que tínhamos fé não era verdade? O que acontecerá senão frustração, decepção, desilusão, descrença etc!

      Moisés (cit): A esperança e a caridade são uma consequência da fé. Essas três virtudes formam uma trindade inseparável. Não é a fé que  sustenta a esperança de se verem cumpridas as promessas do Senhor; porque, se não tiverdes fé, que esperareis?

      Conf: sim, consequências que certamente poderão nos fazer sofrer, como colocado acima. Sabemos que a fé é uma faca de dois gumes: pode resultar em felicidade, ou em infelicidades!

      Moisés (cit): Não é a fé que vos dá o amor?

      Conf: mas, o que é que a fé nos dá quando percebemos que ela foi nada mais que ilusão ou suposição que tivemos confiantes, crentes e esperançosos de que era uma absoluta verdade?

      Moisés (cit): Pois, se não tiverdes fé, que reconhecimento tereis, e por conseguinte, que amor?

      Conf: essa é uma pergunta inteligente e que nos faz perguntar: qual é a causa de uns terem fé e tantos outros não terem? Como é que se adquire fé? E porq aqueles que não têm fé são mais infelizes do que aqueles que têm?

      Moisés (cit): A fé, divina inspiração de Deus, desperta todos os sentimentos que conduzem o homem ao bem: é à base da regeneração. É, pois, necessário que essa base seja forte e durável, pois se a menor dúvida puder abafá-la, que será do edifício que construístes sobre ela?

      Conf: mas porq é que tantos não recebem essa divina inspiração?

      Moisés (cit): Erguei, portanto, esse edifício, sobre alicerces inabaláveis.

      Conf: novamente, como em “zilhões” de textos, msgs etc etc, nos ensinam apenas “o que fazer”! (neste texto: “ter fé”). Mas, e o “como fazer” para ter fé, quem é que ensina? E, qualquer um pode ver que saber o “como fazer” é muito mais importante do que saber “o que fazer”!

      E mais uma  questão: se nem mesmo sabemos “como ter fé”, como vamos saber “erguê-la” sobre alicerces inabaláveis?? Quais são esses alicerces?! E quem é que tem o poder de "manipular" sua fé pra tornar seus alicerces mais fortes"? Fé, como o amor, o ódio, todos os sentimentos (e pensamentos) positivos ou negativos, são sentimentoe e absolutamente ninguém tem a capacidade manipular sentimentos, de fazer com que se tornem mais fortes ou mais fracos, de simplesmente transformar um sentimento mau em um sentimento bom? 

      Moisés (cit): Que a vossa fé seja mais forte que os sofismas e as zombarias dos incrédulos, pois a fé que não desafia o ridículo dos homens, não é a verdadeira fé.

      Conf: mas, se não sabemos como fazer para ter fé, como fazer para torna-la mais forte? Ter ou não ter fé não depende de nós, de nossa vontade! Sendo assim, quem é que pode, por sua vontade, fazê-la mais forte?!     

      Moisés (cit):... Pregai pelo exemplo da vossa fé, para transmiti-la aos homens...

      Conf: alguém pode nos explicar o que significam essas palavras? Nem mesmo Jesus, o exemplo maior de amor, modelo e guia para todos nós, conseguiu transmitir a “fé” pelos seus exemplos, ensinamentos e por seu sacrifício!

      Moisés (cit): Tende, portanto, a verdadeira fé, na plenitude da sua beleza e da sua bondade, na sua pureza e na sua racionalidade.

       Conf: como já perguntamos, quem sabe como se adquire uma “verdadeira” fé? Já sabemos que não basta querer, pois não depende de nosso desejo possuí-la! E, então, de que depende ter ou não ter fé? Onde encontraremos resposta a esta pergunta?

      Moisés (cit): Não aceiteis a fé sem comprovação, essa filha cega da cegueira. Amai a Deus, mas sabei porque o amais. Crede nas suas promessas, mas sabei por que o fazeis.

      Conf: aí está novamente a mesma questão: como aceitar a fé, se não temos comprovação de que aquilo em que temos “fé” seja mesmo uma verdade?!

      Moisés (cit): Segui os nossos conselhos, mas conscientes dos fins que vos propomos e dos meios que vos indicamos para atingi-los. Crede esperai, sem fraquejar; os milagres são produzidos pela fé.

      Conf: quais são esses meios que os espíritos nos indicam? E de adianta dizer “crede” pois crer ou não crer não depende de nossa vontade?
.......................
Título: Re: A fé e a caridade
Enviado por: Diegas em 04 de Agosto de 2015, 19:17
Do Livro dos Espiritos:


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“Aos que pensarem ser impossível que espíritos verdadeiramente elevados se consagrem a uma tarefa tão laboriosa e de todos os instantes, diremos que influenciamos vossas almas, mesmo estando a vários milhões de léguas de vós: para nós, o Espaço nada é e, mesmo vivendo num outro mundo, nossos espíritos conservam sua ligação com o vosso. Gozamos de qualidades que não podeis compreender, mas ficai certos de que Deus não nos impôs uma tarefa acima de nossas forças e não vos deixou sozinhos na Terra, sem amigos e amparo. Cada anjo guardião tem seu protegido, pelo qual vela, como um pai vela por seu filho; fica feliz, quando o vê no bom caminho; sofre, quando seus conselhos são menosprezados.”


Do Evangelho Segundo o Espiritismo:

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10. O Espiritismo nos faz compreender a ação da prece, explicando como se processa a transmissão do pensamento, seja quando o ser chamado atende ao nosso apelo, seja quando o nosso pensamento chega até ele. Para se compreender o que se passa nessa circunstância, é preciso imaginar todos os seres, encarnados e desencarnados, imersos no fluido universal que ocupa o espaço, assim como aqui na Terra estamos mergulhados na atmosfera. O fluido recebe o impulso da vontade, ele é o veículo do pensamento, como o ar é o veículo do som, com a diferença de que as vibrações do ar são circunscritas, enquanto que as do fluido universal se estendem ao infinito. Assim sendo, quando o pensamento é dirigido para um ser qualquer, sobre a Terra ou no espaço, de encarnado a desencarnado ou de desencarnado a encarnado, uma corrente fluídica se estabelece de um ao outro, transmitindo o pensamento, da mesma forma que o ar transmite o som. A energia dessa corrente está na razão direta da energia do pensamento e da vontade. É assim que a prece é ouvida pelos espíritos, em qualquer lugar em que eles se encontrem; que os espíritos se comunicam entre si; que nos transmitem suas inspirações e que se estabelecem as relações, à distância, entre os encarnados...'
Título: Re: A fé e a caridade
Enviado por: Patricia S. Botelho em 04 de Agosto de 2015, 20:25
Olá amigos

Na minha opinião a caridade para ser praticada necessita de fé, pois sem ela não conseguimos caminhar muito longe. Quando iniciamos algum trabalho em direção ao próximo, inevitavelmente esbarraremos nos defeitos dos outros e, por nossa falta de capacidade de perdoar e compreendê-los, acabamos por nos afastar, ao passo que quando temos fé, sabemos que é necessário seguir adiante respeitando as limitações do outro, assim como queremos que aceitem nossas limitações. A fé nos fortalece e nos faz seguir adiante. Por outro lado, quando são os nossos defeitos que estão incomodando o outro, nem sempre aceitamos as críticas e nos melindramos nos afastando dos trabalhos de caridade.
Com relação aos líderes religiosos, são tão falhos quanto qualquer um de nós. Assim como nós lutamos e nos debatemos com nossas infinitas imperfeições, também os líderes religosos travam idêntica luta em suas vidas. Os mestres como Jesus, Buda e outros, eram espíritos iluminados, muito mais elevados que nós, que vieram para nos deixar a rota a ser trilhada. Porém, se nós temos dificuldades em seguir a rota, igualmente os líderes religiosos têm.
 
Um abraço a todos e muita paz
Patrícia
Título: Re: A fé e a caridade
Enviado por: Vitor Santos em 05 de Agosto de 2015, 01:23
Olá amigo Diegas

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Creio que encontramo-nos muito mais próximos do Criador do que imaginamos, aliás, penso que o elo de ligação entre Deus e as criaturas são permanentes - criaturas de qualquer espécie - do átomo ao Arcanjo. Elo que nunca se desfez. Por acaso, já pensou na possibilidade de medir a distancia que nos separa de Deus partindo de um referencial dentro dos próprios individuos em vez de tentar localizá-Lo fora, num determinado ponto distante no Universo ?

Amigo Diegas, posso ter-me expressado mal, mas eu não consigo medir a distância de mim para Deus, não sei se está longe, se está perto, se está dentro ou fora de mim. A distância que eu mencionei, como eu disse, não é uma distância espacial. Deus pode estar ligado a mim, como a todas as criaturas, pelo menos as que são seres espirituais, ou seja todos aqueles que exibem inteligência, ainda que rudimentar, que não são meras máquinas naturais nem matéria bruta não animada de vida.

Um individuo que tenha a a vista muito "gasta" necessita de um bom par de óculos para ver. Ainda que tenha um livro quase encostado ao nariz não consegue ver as letras pequenas sem óculos. E o que eu quero dizer, grosso modo, é que me faltam uns óculos adequados para conseguir percepcionar ou sentir Deus. O defeito não é de Deus, mas da minha falta de "visão", que é inerente ao meu estado de evolução espiritual somado à prisão num corpo de carne, que é uma lente adicional mas quase opaca, como dizem os Espíritos.

Evidentemente, eu só posso responder pela parte da minha experiência pessoal de que me lembro, não quer que outras pessoas tenham maiores capacidades, a este nível, ou seja, que tenham uns "óculos" melhores do que os meus.

Eu posso ler e reler o que os Espíritos dizem de Deus. Posso ler e reler o que dizem de Deus a Bíblia, o Alcorão, a Codificação, etc., e acreditar ou não acreditar que Deus existe, que está próximo, que está longe, ou até que vive dentro de mim, ou que é à semelhança do homem, com defeitos e tudo. 

Partindo da crença de que Deus existe, o problema é explicar como é que uma inteligência como a minha pode compreender como é algo que é a Inteligência suprema do Universo, de compreender como é algo que é capaz de Criar o Universo, mas que não foi criado, e que, por isso é a Causa primeira de tudo, que não tem uma Causa para existir. A distância, amigo Diegas, é uma distância entre inteligências, uma distância que está na minha incapacidade de O  percepcionar e sentir. E, ainda que O percepcione ou sinta, está na incapacidade de reconhecer que é Ele? A não ser que Ele tivesse "um cartaz pendurado no pescoço" a dizer "Deus"? :)

Nem posso saber qual é a lógica que está implícita nestas leis da natureza (porque é que são estas e não outras) que Ele concebeu, nem saber se Ele intervêm directamente na nossa vida na Terra, e se intervêm, saber como é que Ele intervêm.

Citar
...reparar como os Espiritos superiores respondem, quase que imediatamente, a uma solicitação ou a uma oração ? Na própria Codificação temos muitos exemplos de evocações plenamente atendidas !!

Isso para mim não é evidente, porque a solicitação através da prece pode ou não ser atendida. Se for atendida dizem que foi da prece, senão dizem que é falta de merecimento, ou dão uma desculpa qualquer. Ou seja, é muito difícil determinar se algo sucedeu como efeito da prece ou não, pelo menos para mim.

Falo de pedidos justos e lógicos e não do pedido de disparates ou milagres (actuações sobrenaturais), nem do pedido daquilo que não é absolutamente necessário e justo. Esses pedidos acho normal que nunca sejam atendidos.

E também o que sucede de acordo com um pedido formulado talvez fique mais na nossa memória. Os pedidos não atendidos esquecem facilmente.

Bem haja
Título: Re: A fé e a caridade
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 05 de Agosto de 2015, 02:33
(...)Re: A fé e a caridade

      Ref resp #10 em: 02 06 15, às 18:22, de Moisés

      Amigos,

      Conf: Sem dúvida, temos necessidade de entender a doutrina (e para mim, tem sido muito difícil entende-la) e, para entende-la, como ela mesma recomenda, temos necessidade de raciocinar profundamente; e para provocar o raciocínio nada melhor do que f..(...)em dúvida a fé é a “mãe” de todas as virtudes, pois faz que acreditemos que todas elas são necessárias para nos aproximarmos de Deus. Mas, e se, depois, comprovamos que aquilo em que tínhamos fé não era verdade? O que acontecerá senão frustração, decepção, desilusão, descrença etc!

      Moisés (cit): A esperança e a caridade são uma consequência da fé. Essas três virtudes formam uma trindade inseparável. Não é a fé que  sustenta a esperança de se verem cumpridas as promessas do Senhor; porque, se não tiverdes fé, que esperareis?

      Conf: sim, consequências que c(...   )
      Moisés (cit): Erguei, portanto, esse edifício, sobre alicerces inabaláveis.

      Conf: novamente, como em “zilhões” de textos, msgs etc etc, nos ensinam apenas “o que fazer”! (neste texto: “ter fé”). Mas, e o “como fazer” para ter fé, quem é que ensina? E, qualquer um pode ver que saber o “como fazer” é muito mais importante do que saber “o que fazer”!

      E mais uma  questão: se nem mesmo sabemos “como ter fé”, como vamos saber “erguê-la” sobre alicerces inabaláveis?? Quais são esses alicerces?! E quem é que tem o poder de "manipular" sua fé pra tornar seus alicerces mais fortes"? Fé, como o amor, o ódio, todos os sentimentos (e pensamentos) positivos ou negativos, são sentimentoe e absolutamente ninguém tem a (...)  e da sua beleza e da sua bondade, na sua pureza e na sua racionalidade.

       Conf: como já perguntamos, quem sabe como se adquire uma “verdadeira” fé? Já sabemos que não basta querer, pois não depende de nosso desejo possuí-la! E, então, de que depende ter ou não ter fé? Onde encontraremos resposta a esta pergunta?

      Moisés (cit): Não aceiteis a fé se(...) os milagres são produzidos pela fé.

      Conf: quais são esses meios que os espíritos nos indicam? E de adianta dizer “crede” pois crer ou não crer não depende de nossa vontade?
.......................
A resistência do incrédulo, convenha, quase sempre se deve menos a ele do que à maneira pela qual lhe apresentam as coisas.
A fé necessita de uma base, e essa base é a perfeita compreensão daquilo em que se deve crer. Para crer, não basta ver, é necessário sobretudo compreender.
A fé cega não é mais deste século .
É precisamente o dogma da fé cega que hoje em dia produz o maior número de incrédulos.
Porque ela quer impor-se, exigindo a abdicação de uma das mais preciosas prerrogativas do homem: a que se constitui do raciocínio e do livre-arbítrio.
É contra essa fé, sobretudo, que se levanta o incrédulo, o que mostra a verdade de que a fé não se impõe.
Não admitindo provas, ela deixa no espírito um vazio, de que nasce a dúvida.
A fé raciocinada, que se apóia nos fatos e na lógica, não deixa nenhuma obscuridade: crê-se, porque se tem à certeza, e só se está certo quando se compreendeu.
Eis porque ela não se dobra: porque só é inabalável a fé que pode enfrentar a razão face a face, em todas as épocas da Humanidade.

Kardec
Título: Re: A fé e a caridade
Enviado por: Patricia S. Botelho em 05 de Agosto de 2015, 12:12

•   Olá amigos
•   
•   Penso que para despertar a fé, é semelhante a despertar o amor. Eles não nascem vigorosos da noite para o dia, num passe de mágica. São como uma sementinha bem pequenininha e bem frágil, que crescerá e se fortalecerá só com tempo e dedicação. Se inicialmente temos o desejo de despertar o amor em nós e igualmente temos o desejo de despertar a fé em nós, esse desejo já é um pontapé inicial. Orando e pedindo que Deus nos fortaleça o amor e a fé, consequentemente Ele nos auxilia, e temos que fazer a nossa parte.
•   Francisco de Assis dizia é dando que se recebe. Ao darmos de nós ao nosso semelhante, de diversas maneiras, automaticamente recebemos em troca um aumento de nosso amor e de nossa fé. Nós colocamos um tijolinho, Deus e a Espiritualidade colocam outro tijolo, e continua assim, até que se erga a construção, que será tanto mais sólida, quanto mais nos dedicarmos a esse fim. Fora da caridade não há salvação. Praticando pequenos atos de caridade, desperta a fé. Com fé queremos agir mais largamente na caridade, e com o aumento dessa prática, aumenta também a nossa fé. Torna-se um círculo vicioso.
Abraço
            Patrícia
•   
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•   
•   
•   
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Título: Re: A fé e a caridade
Enviado por: Diegas em 05 de Agosto de 2015, 13:47
Olá, Vitor Santos


'...posso ter-me expressado mal, mas eu não consigo medir a distância de mim para Deus, não sei se está longe, se está perto, se está dentro ou fora de mim...'


Entendi perfeitamente seu raciocínio.

O problema, de forma geral, é que sabemos muitissimo pouco de Deus.

Dizem-nos que Ele é Onipotente, Onisciente, Onipresente, Causa Primeira de todas as coisas, o Criador-incriado, e por meio de algumas de suas obras temos uma vaga idéia do tamanho de Sua grandeza. Todavia, Deus é uma incógnita de difícil solução - aprofundar-se no assunto-Deus é como entrar num enorme labirinto sem descobrir a saída.

Na verdade, quando o instiguei a medir a distancia entre o homem e Deus quis somente chamar a atenção para o fato de que a maioria dos individuos quase-sempre imagina Deus escondido em algum lugar geográfico muito distante no Universo. No entanto, há a possibilidade Dele encontrar-se dentro de cada individuo, e me apoio nesta afirmativa em virtude dos Espiritos afirmarem que
Citar
'...mesmo estando a vários milhões de léguas de vós: para nós, o Espaço nada é e, mesmo vivendo num outro mundo, nossos espíritos conservam sua ligação com o vosso...'

Ou, então, quando afirmam que pela transmissão do pensamento os desencarnados atendem ao nosso apelo
Citar
'...e que para se compreender o que se passa nessa circunstância, é preciso imaginar todos os seres, encarnados e desencarnados, imersos no fluido universal que ocupa o espaço, assim como aqui na Terra estamos mergulhados na atmosfera. O fluido recebe o impulso da vontade, ele é o veículo do pensamento, como o ar é o veículo do som, com a diferença de que as vibrações do ar são circunscritas, enquanto que as do fluido universal se estendem ao infinito. Assim sendo, quando o pensamento é dirigido para um ser qualquer, sobre a Terra ou no espaço, de encarnado a desencarnado ou de desencarnado a encarnado, uma corrente fluídica se estabelece de um ao outro, transmitindo o pensamento, da mesma forma que o ar transmite o som. A energia dessa corrente está na razão direta da energia do pensamento e da vontade. É assim que somos ouvidos pelos espíritos, em qualquer lugar em que eles se encontrem...'


Se o processo de comunicação funciona da forma apresentada entre os Espiritos, então, especulo que Deus deve ter um meio de comunicação ainda mais direto e eficiente !



Abç
Título: Re: A fé e a caridade
Enviado por: Vitor Santos em 05 de Agosto de 2015, 14:39
Olá amigo Moisés

Citar
A resistência do incrédulo, convenha, quase sempre se deve menos a ele do que à maneira pela qual lhe apresentam as coisas.
A fé necessita de uma base, e essa base é a perfeita compreensão daquilo em que se deve crer. Para crer, não basta ver, é necessário sobretudo compreender.
A fé cega não é mais deste século .
É precisamente o dogma da fé cega que hoje em dia produz o maior número de incrédulos.
Porque ela quer impor-se, exigindo a abdicação de uma das mais preciosas prerrogativas do homem: a que se constitui do raciocínio e do livre-arbítrio.
É contra essa fé, sobretudo, que se levanta o incrédulo, o que mostra a verdade de que a fé não se impõe.
Não admitindo provas, ela deixa no espírito um vazio, de que nasce a dúvida.
A fé raciocinada, que se apóia nos fatos e na lógica, não deixa nenhuma obscuridade: crê-se, porque se tem à certeza, e só se está certo quando se compreendeu.
Eis porque ela não se dobra: porque só é inabalável a fé que pode enfrentar a razão face a face, em todas as épocas da Humanidade.

O amigo está a tocar num dos equívocos e contradições da Doutrina Espirita. Mas, sobretudo, no contexto actual.

Por um lado Allan Kardec dá-nos aqui a ideia de que a Doutrina Espirita funciona numa base de "ver para crer", conjugada com um estudo das comunicações dos espiritos, que se mostram coerentes e lógicas, eliminando as contradições, sobretudo as da Igreja Católica Romana, que era, à data, e não sei se ainda é, a religião da esmagadora maioria do mundo dito Ocidental.

Quanto à explicação da vida, sobretudo no que se refere à parte espiritual da mesma, estou de acordo. A Codificação é muito mais lógica, ou pelo menos, muito menos contraditória, do que a que é apresentada pela Igreja Católica Apostólica Romana e por muitas Igrejas e Movimentos Religiosos. Mas só por uma  explicação ser lógica e coerente não fica garantido que se trata de uma boa explicação da realidade

Allan Kardec diz não basta ver (e não que se deve crer sem ver), mas também perceber que se trata de uma explicação lógica. Ou seja, "ver" não é suficiente, mas é necessário, para convencer o incrédulo.

Ele fala numa metodologia parecida com a da ciência: hipótese -> comprovação. A comprovação é que tem de ser de natureza diferente da que se aplica à ciências ditas exactas, mas mais parecida com a que se aplica à psicologia, complementada com uma investigação do tipo policial (procurar confirmar as informações com Entidades independentes). Dificilmente pode ser uma comprovação objectiva e universal e ultrapassar o nível da comprovação pessoal. Está sujeita à vontade dos Espíritos, pelo que não podemos ficar à espera num laboratório, mas investigar no terreno, com as ferramentas possíveis, mas adequadas.

De notar que a comprovação não tem de vir de Espíritos que já atingiram uma ordem superior. As manifestações dos Espíritos atrasados, desde que seja comprovável de que se trata mesmo de manifestações de Espíritos, também pode ser uma comprovação. As comunicações de carácter instrutivo é que devem vir dos Espíritos Superiores,     

Que eu saiba o Movimento Espirita é constituído pelos trabalhadores, incluindo os dirigentes, das Associações e Federações Espíritas, incluindo Associações que agregam determinados profissionais, como as Associações Médico Espíritas. É claro que há pessoas que são autodidactas, que são independentes do Movimento, no sentido em que não frequentam organizações do mesmo. Mas a face pública do Movimento Espirita são as organizações e não os autodidactas. Quando alguém pretende saber o que é o Espiritismo, por esta ou por aquela razão, é aconselhado a dirigir-se a um Centro Espirita e não a um autodidacta.
   
Em conclusão, será necessário, para convencer os incrédulos, segundo Kardec, encontrar um meio dele poder constatar pessoalmente a Doutrina Espirita. E isso não existe, ou quase não existe no Movimento Espirita, e se assim não for peço que me corrijam, por favor . isto não é uma critica, mas a constatação dos factos, segundo o que me é dado saber.

Então, essa conversa que tenta separar a Doutrina Espirita das Religiões e Doutrinas dogmáticas, é uma conversa que não tem fundamento. Sem comprovação, o publico tem de acreditar, ou não, nas palavras e testemunhos de outras pessoas, tal qual acontece na Igreja Católica. Se dizemos que é a palavra dos Espíritos, sem comprovação que os espiritos existem, isso é o mesmo que dizer que é a palavra dos profetas, dos Santos, dos Gurus, dos Mestres ou equivalente. Onde está a diferença?

Eu não vejo problema nenhum no facto de a Doutrina Espirita não apresentar formas de comprovação, nem sei se isso é praticável. Quem quiser crê, quem não quiser não crê. O facto de algo não ser comprovado não implica que é uma mentira, mas também não implica que seja uma verdade. É verdade para quem crê. O problema que eu vejo é em afirmar ou insinuar que o Movimento Espirita promove a a constatação pessoal da Doutrina Espirita, para lhe tentar dar um aspecto para-cientifico, ou seja, fazer propaganda enganosa.



No contexto actual é mais complicado ainda. Efectivamente para afirmar que a Doutrina Espirita é lógica e coerente, nós temos de saber dizer o que é Doutrina Espirita, ou não? E não há um entendimento entre os Espíritas sobre o que é e o que não é Doutrina Espirita, pois uns incluem como revelações doutrinárias uns livros, e outros outros. Dizer que a Doutrina Espirita é coerente e  lógica, nestas condições, também é propaganda enganosa. Para dizer isso O Movimento Espirita tem de assumir o que é e o que não é a Doutrina Espirita. previamente. Depois, é necessário determinar se há mesmo essa lógica e coerência.

Ainda há dias, neste fórum, houve até quem dissesse que todas as comunicações mediúnicas são revelações doutrinárias, que tudo tem carácter instrutivo. E que cada um deve seleccionar para si o que bem entender. Isso é o mesmo que dizer que a Doutrina Espirita não é nada de concreto e que as afirmações de Kardec, que o amigo Moisés citou, estão completamente ultrapassadas. O tópico foi trancado a seguir, para que mais ninguém pudesse contestar essas afirmações.

Que as pessoas leiam o que lhes apetece, isso nem tem discussão. Cada um é livre de ler o que bem entender, e nem há qualquer forma de impedir isso. Estávamos a debater sobre o que o Movimento Espirita dos dias de hoje considera ou não, revelação doutrinária, e não o que cada um, individualmente, pensa.

Eu sei o que é Doutrina Espirita, para mim, é a Codificação. O que é Doutrina Espirita na actualidade, para o Movimento Espirita, isso não sei, amigo. Porque não conheço nenhuma outra definição minimamente consensual de Doutrina Espirita, para o poder dizer a uma pessoa que me perguntasse o que é, para o Movimento Espirita, a Doutrina Espirita. Aliás, o que me pareceu é que essa pessoa insinuava que o Movimento Espirita actual, na realidade, não tem autoridade como tal. 

Não se trata de dizer que a Codificação é a única revelação doutrinária, mas que é a única minimamente consensual. E que vai continuar a ser, na minha opinião, até ser redefinido o que é revelação doutrinária pelo Movimento Espirita. Talvez nunca seja, não sei...

Imagine o amigo que, agora, a ciência passava a definir que o conhecimento cientifico é o que cada um quiser. ou o que mais lhe convém. Acharia isso lógico? Era o caos na ciência e esta perderia toda a credibilidade.     

Bem haja
Título: Re: A fé e a caridade
Enviado por: Patricia S. Botelho em 05 de Agosto de 2015, 15:34
Olá amigos

Já escrevi aqui uma vez e foi apagado meu texto, e imagino que novamente será. Concordo com Vítor em tudo que disse e como já disse aqui há um mês atrás, hoje a Doutrina Espírita é uma doutrina bebê, que não tem nem dois séculos de vida. Que são dois séculos comparados aos milênios do Cristianismo? Estamos vivendo período equivalente ao que viveram os apóstolos na época do cristianismo primitivo. O mestre os havia deixado, e eles não mais tinham a certeza dos caminhos a seguir. Inúmeras decisões tinham de ser tomadas, como hoje sucede a nós. Decidir quais livros são doutrinários hoje, equivale às decisões dos apóstolos que ora necessitavam opinar se iam aos gentios considerados impuros, ou não, se continuariam com a circuncisão ou não. E outras dúvidas, várias. Lendo Paulo e Estevão, de Emmanuel, que considero leitura obrigatória, vemos todo esse trilhar dos apóstolos. Suas dúvidas, orações, intuições, reuniões, discussões, muitas vezes inflamadas, mas que resultaram em uma doutrina sólida a ponto de perdurar dois milênios. Hoje nos prendemos ao passado e temos o novo a nos chamar. Da mesma maneira os apóstolos tinham o passado, na figura da circuncisão e o novo na figura dos gentios. As decisões foram tomadas depois de muito diálogo para definir as diretrizes, assim como hoje nos falta que façamos o mesmo. Os apóstolos fizeram o dever de casa. Falta que façamos também o nosso.
Abraço
Patrícia
Título: Re: A fé e a caridade
Enviado por: Diegas em 05 de Agosto de 2015, 16:00
Olá, Vitor Santos


'...Em conclusão, será necessário, para convencer os incrédulos, segundo Kardec, encontrar um meio dele poder constatar pessoalmente a Doutrina Espirita. E isso não existe, ou quase não existe no Movimento Espirita, e se assim não for peço que me corrijam, por favor . isto não é uma critica, mas a constatação dos factos, segundo o que me é dado saber...'


Kardec fala da necessidade de sermos convencidos pela lógica e/ou pelos fatos. De inicio, Kardec faz uma critica à fé cega preconizada pelas instituições religiosas, principalmente ao Catolicismo que era a religião predominante no seculo XIX, para em seguida apontar o raciocinio e o livre-arbitrio como instrumentos que conduz a razão.

Agora, seria inusitado se tivessemos de constatar tudo pessoalmente sobre o que a Ciencia ensina. Desacredito de Einstein por que não o acompanhei pessoalmente em seus altos voos cientificos e por não possuir capacidade suficiente de entender a teoria da relatividade ? Passaria a ser um dogma os astronautas terem visitado a Lua, ou quando acredito que o fluor branqueia os dentes ? - afinal, pessoalmente não participei da exploração lunar e nem vi qualquer experiencia da reação quimica do fluor em contato com o esmalte da dentição !

Se não bastasse as religiões, temos o dogmatismo cientifico. Ou seria exagero ou absurdo de minha parte ver dogma em tudo que não vi ou participei ?



Abç
Título: Re: A fé e a caridade
Enviado por: Vitor Santos em 05 de Agosto de 2015, 19:19
Olá amiga Patrícia

A sua forma de analisar parece-me interessante e, tanto quanto eu sei, descreve a realidade do Movimento Espirita e os motivos. E sei que não é fácil ultrapassar esta situação.

Não estamos a falar da dita "pureza doutrinária" que alguns defendem, no sentido em que nada mais do que a Codificação é válido. Mas em determinar o que é e o que não é a Doutrina Espirita para o Movimento Espirita, nos dias de hoje. O resultado desse estudo pode até concluir que há muitas coisas desactualizadas ou incorrectas na Codificação e que há muitas coisa certas noutras obras. Mas há que ter algum rigor e critério nessa ponderação. O problema é que não existe estudo nenhum minimamente consensual, que eu saiba.


Olá amigo Diegas

Citar
Agora, seria inusitado se tivessemos de constatar tudo pessoalmente sobre o que a Ciencia ensina. Desacredito de Einstein por que não o acompanhei pessoalmente em seus altos voos cientificos e por não possuir capacidade suficiente de entender a teoria da relatividade ? Passaria a ser um dogma os astronautas terem visitado a Lua, ou quando acredito que o fluor branqueia os dentes ? - afinal, pessoalmente não participei da exploração lunar e nem vi qualquer experiencia da reação quimica do fluor em contato com o esmalte da dentição !

Se não bastasse as religiões, temos o dogmatismo cientifico. Ou seria exagero ou absurdo de minha parte ver dogma em tudo que não vi ou participei ?

Em primeiro lugar foi o próprio Allan Kardec que disse que é preciso ver para crer, de acordo com a citação do amigo Moisés. Foi sobre esse texto que eu me debrucei.

Em segundo lugar, como eu disse, nada diz que a Doutrina Espirita tenha que ser mais do que uma crença. Não haveria nenhuma obrigação de demonstração senão fossem os próprios espíritas a alegar que a Doutrina não é apenas uma crença, mas que tem base cientifica. É Kardec e muitos outros fazem essa alegação, antigamente e nos dias de hoje.

Em terceiro lugar não é necessário confirmar tudo o que a Doutrina disse, mas, pelo menos, confirmar que a mediunidade existe, por exemplo, pois se ela não existisse tudo seria uma grande mentira.

Por último, o amigo está a dar às pessoas uma ideia completamente errada do funcionamento do Movimento Espirita, ao comparar o mesmo com a ciência. A comprovação cientifica do espiritismo só poderia ser vantajosa, é pena é que ainda estejamos tão longe disso. Não há razão para olhar a ciência como se estivesse em oposição à Doutrina Espirita.

Não há nenhuma vertente cientifica no funcionamento do Movimento Espirita. Nem nada que se possa assemelhar à investigação cientifica e aos respectivos métodos, nem à credibilidade dos mesmos. Como pode o amigo comparar o funcionamento do Movimento Espirita e o Movimento Cientifico, no mundo? - Está mesmo a falar a sério? Acredita mesmo nisso que escreveu ou é só uma força de expressão? Não sabe que crer em algo como Doutrina Espirita, nos dias de hoje, é imensamente mais difícil do que acreditar na ciência, não percebe mesmo a diferença? 

A ciência não se baseia em afirmações, nem em opiniões pessoais, nem na honorabilidade da pessoa do cientista. Ela baseia-se no cepticismo permanente e em evidências. Quanto maior a comprovação através de centros de investigação independentes e isentos, por esse mundo fora, mais essas evidências são credíveis. Há evidências muito confiáveis e outras pouco confiáveis. Mas os resultados da investigação cientifica estão à vista de todos. Há toda uma série de inventos, que nós usamos no nosso dia a dia, que funcionam. Dou em exemplo que é fatal. A ciência determinou que existiam materiais semi-condutores. A partir daí foram construídos diodos, transistores, circuitos integrados diversos, incluindo os microprocessadores, os microcontroladores, os ecrans LED, etc. Hoje em dia não há quase nada que não incorpore a electrónica. Como pode o amigo duvidar disso? Acha que um celular (telemóvel) tem um espiritozinho lá dentro?  :) 

Ainda há outra coisa. O amigo pode não necessitar de qualquer comprovação, mas outros podem necessitar. Terá você o direito de falar por eles, ou de os condenar por isso? Lá porque o amigo aceita crer sem ver, os outros têm que pensar como você pensa? O amigo pode garantir que a sua fé é inabalável e que nunca vai precisar de comprovação?

Bem haja 
Título: Re: A fé e a caridade
Enviado por: Patricia S. Botelho em 05 de Agosto de 2015, 20:16
Amigo Vítor

Não quis fazer comparação de impureza dos gentios com impureza dos livros. Pode ter dado essa impressão, mas não foi essa minha intenção. O que tentei comparar e talvez não tenha sido clara, é que os apóstolos se depararam com um grande número de problemas, que poderiam até, naquela época levá-los à pena de morte por estarem questionando, e mesmo assim, não se furtaram em debatê-los, pois sabiam ser necessário o debate para se chegar num consenso e consolidar os alicerces. Mesmos alicerces de que hoje a Doutrina Espírita necessita por estar também ainda engatinhando e precisando um consenso para seguir adiante com opiniões que estejam de acordo.
Abraço
Patricia
Título: Re: A fé e a caridade
Enviado por: Vitor Santos em 05 de Agosto de 2015, 23:52
Olá amiga Patricia

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Não quis fazer comparação de impureza dos gentios com impureza dos livros. Pode ter dado essa impressão, mas não foi essa minha intenção. O que tentei comparar e talvez não tenha sido clara, é que os apóstolos se depararam com um grande número de problemas, que poderiam até, naquela época levá-los à pena de morte por estarem questionando, e mesmo assim, não se furtaram em debatê-los, pois sabiam ser necessário o debate para se chegar num consenso e consolidar os alicerces. Mesmos alicerces de que hoje a Doutrina Espírita necessita por estar também ainda engatinhando e precisando um consenso para seguir adiante com opiniões que estejam de acordo.

Eu penso que entendi, e não fiquei com essa impressão amiga. Efectivamente os apóstolos e os verdadeiros seguidores de Jesus, como Paulo, tinham uma grande coragem e uma grande determinação, como podemos constatar pelo Novo Testamento. E não só se arriscavam à pena de morte como muitos a sofreram, na crueldade- espectáculo que eram as arenas romanas. A força que superava o medo da morte mostrava algo mais do que fé. Mostravam forte confiança em Jesus de Nazaré. E forte confiança na vida depois da morte.

Como poderia gente com aquela fé impressionante não se esforçar por colmatar a falta do Mestre encarnado, debatendo incansavelmente até se entenderem? Mas, se a promessa que ele lhes fez se cumpriu, ele estaria no meio deles, mesmo desencarnado. Os primeiros Cristãos não diziam que tinham fé, mostravam-no com as respectivas acções de uma forma inegável.

Aliás, é fantástico como um pequeno movimento em Israel se expandiu, de tal modo que vergou o Império Romano. Os romanos passaram de perseguidores a seguidores de Jesus de Nazaré. Só foi pena que o poder politico de então passasse a liderar o Movimento Cristão e a manobrá-lo segundo os interesses materiais e jogos de poder, abafando-o.

Todavia, graças aos romanos, chegaram-nos as palavras de Jesus de Nazaré. E eram as palavras dele, porque elas não indicavam as atrocidades de que a Igreja Católica Romana era cúmplice e fomentadora. Indicavam o amor ao próximo e até aos inimigos, ou seja a benevolência para com todos, a não violência e a não vingança. Se fossem palavras inventadas elas seriam, provavelmente, diferentes. Incluiriam justificativas para as atrocidades cometidas, em vez de as condenar.

É interessante ver também que a vinda de Jesus no tempo do império Romano foi estratégica. Foi um momento da história humana propicio. Ao perseguir os Cristãos, mal eles sabiam que estavam a ajudar o Cristianismo a singrar.   
   
Penso que o Movimento Espirita não teve nunca uma força que se possa assemelhar ao Movimento Cristão inicial, de maneira alguma. E, pelo menos aparentemente, também não teve tantos seguidores com aquela determinação, com aquela coragem, capazes de se arriscarem a morrer na boca dos leões, ou espancados e trucidados por gladiadores implacáveis, em nome de uma Doutrina.

Num tempo em que não havia Internet, nem meios de comunicação poderosos, em 150 a 200 anos eles expandiram a Doutrina a todo império Romano. O Movimento Espirita, em 150 anos, mas com outros meios, como a facilidade de imprimir livros, com novos meios audio-visuais, há poucos anos com a Internet, jamais conseguiu expandir-se significativamente. Ficou parado no Brasil e pouco mais. E mesmo no Brasil, segundo as estatísticas, há muita gente Espirita, mas que é uma pequenina percentagem dos habitantes desse grande país.   
 
Ideias revolucionárias, que deveriam revolucionar o mundo, dar esperança às pessoas, a tal fé raciocinada, afinal talvez não sejam suficientes. Era tempo de reflectirmos no porquê disso. Está claro que 150 anos é pouco tempo, mas em termos tendenciais não se perspectiva uma grande mudança, segundo parece.

Será que Doutrina Espirita, daqui a 2000 anos, ainda permaneça na mente das pessoas, como aconteceu com o Novo Testamento? só Deus sabe, mas se continuar neste caminho, não me parece...

Bem haja   
Título: Re: A fé e a caridade
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 06 de Agosto de 2015, 00:15
Olá Vitor
Vou tentar conversar contigo
nestas assuntos abaixo...pois sempre há algo em seus dizeres
que busco ler para compreender suas análises
Como disse...Numa conversa



O amigo está a tocar num dos equívocos e contradições da Doutrina Espirita. Mas, sobretudo, no contexto actual.
te confesso que não entendi esta sua percepção...se pude me explicar estes equívocos te agradeço
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Por um lado Allan Kardec dá-nos aqui a ideia de que a Doutrina Espirita funciona numa base de "ver para crer", conjugada com um estudo das comunicações dos espiritos, que se mostram coerentes e lógicas, eliminando as contradições, sobretudo as da Igreja Católica Romana, que era, à data, e não sei se ainda é, a religião da esmagadora maioria do mundo dito Ocidental.
Entendo
de alguma forma predomina ainda..desde que historicamente exerceu a influencia grandiosa na formação do ocidente.... e entendo q esta parte era  parte do alcance, do poder...do modos adquirido...

Não credito que seja necessariamente ver para crer...pois que ai ficaríamos limitados e engessados unicamente ao alcance da visão...mas penso em analisar o que se crê, ...será realmente algo que se vê ?...ou que poderá ser visto?...neste campo que entra a criação fantasiosa...teorias e imposições que de nada falam pois que em nada se fundamentam...mas se impõem...
Este ver de kardec, ao meu entender, para se crer
é justamente poder negar as forças dos olhos e mesmo assim ser impossível ocultar o que de fato é.
será assim Vitor?
o sentir além do corpo... além do que se mostra
Como o malandro.. que antecipa os fatos
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Quanto à explicação da vida, sobretudo no que se refere à parte espiritual da mesma, estou de acordo. A Codificação é muito mais lógica, ou pelo menos, muito menos contraditória, do que a que é apresentada pela Igreja Católica Apostólica Romana e por muitas Igrejas e Movimentos Religiosos. Mas só por uma  explicação ser lógica e coerente não fica garantido que se trata de uma boa explicação da realidade

Esta é a questão
kardec de uma certa forma não enfrenta as ideias católicas...a DE não é oposição as Ideias e aos conceitos católicos...pois que não precisa tal declaração....
Os conceitos Católicos é que não se sustentam por eles mesmo
e mediante uma analise mais profundas eles se esvanecem
Contrario aos pontos que apresentam a DE
que está presente em todos as religiões
dispersos aqui e abundantes ali
por eles mesmo se comprovam
por uma observação minuciosa
mostram-se lógicos .. se destacam
Citar

Allan Kardec diz não basta ver (e não que se deve crer sem ver), mas também perceber que se trata de uma explicação lógica. Ou seja, "ver" não é suficiente, mas é necessário, para convencer o incrédulo.

O incrédulo se perde pelas incredulidades de seus argumentos ou daquilo que se lhes apresentam
veja na citação:
A resistência do incrédulo, convenha, quase sempre se deve menos a ele do que à maneira pela qual lhe apresentam as coisas.
são as coisas que se apresentam que não são firmes]razão isto que perante certas coisas, nada como ser incrédulo...
Perante o Deus da ICAR...somos ateus convictos ( os espíritas)
logo incrédulos...pois não cremos nestas coisas...elas não tem forças.
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Ele fala numa metodologia parecida com a da ciência: hipótese -> comprovação. A comprovação é que tem de ser de natureza diferente da que se aplica à ciências ditas exactas, mas mais parecida com a que se aplica à psicologia, complementada com uma investigação do tipo policial (procurar confirmar as informações com Entidades independentes). Dificilmente pode ser uma comprovação objectiva e universal e ultrapassar o nível da comprovação pessoal. Está sujeita à vontade dos Espíritos, pelo que não podemos ficar à espera num laboratório, mas investigar no terreno, com as ferramentas possíveis, mas adequadas.

As investigações parapsicologias dependem da vontade do encarnado, uma vez ele tendo a capacidade ele a faz,
..
Nós também somos espíritos...
se não há os que demonstram vontade
há as vontades espontâneas e também há as vontades inconscientes
mesmo que um espírito não queira se manifestar
Uma pessoa poderá ve-lo
descreve-lo, relata-lo
deleta-lo....acompanha-lo
persegui-lo...constrange-lo
inquiri-lo...ameaça-lo
conquista-lo....poderá exercer sobre ele uma força moral

Nem tudo na Doutrina espírita foi a vontade dos espíritos
muitos espíritos tinham até boa vontade , mas não tinham a capacidade
Muitos espíritos querendo influenciar na DE, se renderam a lógica e aos argumentos de Kardec
pensemos nisto !

Título: Re: A fé e a caridade
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 06 de Agosto de 2015, 00:33

De notar que a comprovação não tem de vir de Espíritos que já atingiram uma ordem superior. As manifestações dos Espíritos atrasados, desde que seja comprovável de que se trata mesmo de manifestações de Espíritos, também pode ser uma comprovação. As comunicações de carácter instrutivo é que devem vir dos Espíritos Superiores,     
Isso sim
mas !
Não somente dos espíritos superiores surgem as instruções, dos encarnados também surgem..
e pelo fato de ser espírito inferior não implica que não possa nos instruir naquilo que esta envolvido..

Aquele que observa e conclui, também poderá formar uma vasta instrução
haja visto o caráter Doutrinário...ciência de observação.
Há espíritos que vem até os grupos dos encarnados para aprender
e se valiarem
Citar
Que eu saiba o Movimento Espirita é constituído pelos trabalhadores, incluindo os dirigentes, das Associações e Federações Espíritas, incluindo Associações que agregam determinados profissionais, como as Associações Médico Espíritas. É claro que há pessoas que são autodidactas, que são independentes do Movimento, no sentido em que não frequentam organizações do mesmo. Mas a face pública do Movimento Espirita são as organizações e não os autodidactas. Quando alguém pretende saber o que é o Espiritismo, por esta ou por aquela razão, é aconselhado a dirigir-se a um Centro Espirita e não a um autodidacta.

Não necessariamente
Há muitos autodidatas que assessoram casas espíritas
e até federações
Há cientistas que estudam sozinhos
e depois é que apresentam seus trabalhos as comunidades

Entendo que a face pública do movimento espírita
também está e começa com o direito pessoal de se declarar espírita
por que crê nos princípios espíritas
Já está inerente a sua natureza

apesar do grade Trabalho de Divaldo
ele sempre deixa claro que representa quilo que é capaz de entender
portanto passível de correção todos somos

O Movimento Espírita
é a somatória de todos os crentes e simpatizantes
e penso que incluem seriamente
os contrários
pois são estes que propagam gratuitamente

Citar
   
Em conclusão, será necessário, para convencer os incrédulos, segundo Kardec, encontrar um meio dele poder constatar pessoalmente a Doutrina Espirita. E isso não existe, ou quase não existe no Movimento Espirita, e se assim não for peço que me corrijam, por favor . isto não é uma critica, mas a constatação dos factos, segundo o que me é dado saber.

Você coloca bem
mas na DE não há interesse nenhum em convencer os incrédulos
pelo contrario
deve-se deixar de lado
Não há nenhuma prova científica que certifique a Doutrina Materialista
logo compete ao incrédulo
provar a si mesmo o que ele não acredita e o que acredita que não acredita

E outra!
haverá novas reencarnações crendo ou não crendo

Citar
Então, essa conversa que tenta separar a Doutrina Espirita das Religiões e Doutrinas dogmáticas, é uma conversa que não tem fundamento. Sem comprovação, o publico tem de acreditar, ou não, nas palavras e testemunhos de outras pessoas, tal qual acontece na Igreja Católica. Se dizemos que é a palavra dos Espíritos, sem comprovação que os espiritos existem, isso é o mesmo que dizer que é a palavra dos profetas, dos Santos, dos Gurus, dos Mestres ou equivalente. Onde está a diferença?

Há diferença grande nesta pretensão
Separar...não é assim
é a própria forças das coisas
Não é para se preocupar com o incrédulo
isto é um problema dele
Não dizemos as pessoas que as palavras são dos espíritos
são elas que perguntam...elas leem por elas mesmo
Então nós os espíritas
nós nos envolvemos porque assim o queremos, buscamos, batemos
e cremos por que assim se sucedeu
nada nos foi esfregado
salvo nossas teimosias

Foram as coisas que acreditávamos que não se sustentaram
Não necessariamente a nossa crença...mas as coisas

Título: Re: A fé e a caridade
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 06 de Agosto de 2015, 01:00

Eu não vejo problema nenhum no facto de a Doutrina Espirita não apresentar formas de comprovação, nem sei se isso é praticável. Quem quiser crê, quem não quiser não crê. O facto de algo não ser comprovado não implica que é uma mentira, mas também não implica que seja uma verdade. É verdade para quem crê. O problema que eu vejo é em afirmar ou insinuar que o Movimento Espirita promove a a constatação pessoal da Doutrina Espirita, para lhe tentar dar um aspecto para-cientifico, ou seja, fazer propaganda enganosa.

Quem assume que os fatos da DE estão provados
é o próprio kardec
ele afirma peremptoriamente
prova em fatos e em teses teóricas
é assim também com a ciência
(fatos e teoria)

Não concordando com o que kardec apresenta
não é obrigado a tal
Mas kardec afirma
e não se preocupa com os incrédulos
e nem com os crédulos (exagerados)
Citar
No contexto actual é mais complicado ainda. Efectivamente para afirmar que a Doutrina Espirita é lógica e coerente, nós temos de saber dizer o que é Doutrina Espirita, ou não? E não há um entendimento entre os Espíritas sobre o que é e o que não é Doutrina Espirita, pois uns incluem como revelações doutrinárias uns livros, e outros outros. Dizer que a Doutrina Espirita é coerente e  lógica, nestas condições, também é propaganda enganosa. Para dizer isso O Movimento Espirita tem de assumir o que é e o que não é a Doutrina Espirita. previamente. Depois, é necessário determinar se há mesmo essa lógica e coerência.

Isto é uma questão de postura pessoal
somente respondemos pelo que fazemos
e aconselha-se fazer somente o que se esta ao alcance fazer

Cada um deve buscar com suas forças conhecer a Doutrina
e também estudarmos juntos
O movimento é assim
Formado dos mais aplicados e dos menos aplicados
dos simples
e dos exagerados
dos verdadeiros e dos fantasiosos
Agora!
que medo é este ?

Citar
Ainda há dias, neste fórum, houve até quem dissesse que todas as comunicações mediúnicas são revelações doutrinárias, que tudo tem carácter instrutivo. E que cada um deve seleccionar para si o que bem entender. Isso é o mesmo que dizer que a Doutrina Espirita não é nada de concreto e que as afirmações de Kardec, que o amigo Moisés citou, estão completamente ultrapassadas. O tópico foi trancado a seguir, para que mais ninguém pudesse contestar essas afirmações.
Vitor
A Doutrina fala que há comunicação mediúnica, ou seja, com espíritos dos mortos através dos médiuns
logo, uma questão Doutrinaria
independente do que um espírito diz e ou se consegue
a comunicação com espíritos é um princípio doutrinário
e não é patente dos espíritas e nem do movimento espírita
isto é com toda a humanidade em todo as as coletividades
Logo !
não há como kardec está ultrapassado ( os fatos comprovam que está em nossa actualidade)

Concordo com o amigo
quando o assunto se refere ao conteúdo das mensagens (comunicações)
ai já é outros quinhentos...
( mas convenhamos...há espíritos de todas as ordens..não devemos temer a coragem que eles tem de nos enganar..rsrs)
Citar
Que as pessoas leiam o que lhes apetece, isso nem tem discussão. Cada um é livre de ler o que bem entender, e nem há qualquer forma de impedir isso. Estávamos a debater sobre o que o Movimento Espirita dos dias de hoje considera ou não, revelação doutrinária, e não o que cada um, individualmente, pensa.

Não vamos aceder uma vela para a doutrina
vamos vivenciar e avançar
sem medo
sem receios
deixemos outros falarem e agirem
precisamos de testes, de desapontamentos, de riscos...de decepções..
de equívocos, de pseudos sabios, de fanfarrões
afinal !
é o campo de trabalho...

Citar
Eu sei o que é Doutrina Espirita, para mim, é a Codificação. O que é Doutrina Espirita na actualidade, para o Movimento Espirita, isso não sei, amigo. Porque não conheço nenhuma outra definição minimamente consensual de Doutrina Espirita, para o poder dizer a uma pessoa que me perguntasse o que é, para o Movimento Espirita, a Doutrina Espirita. Aliás, o que me pareceu é que essa pessoa insinuava que o Movimento Espirita actual, na realidade, não tem autoridade como tal. 

Não se trata de dizer que a Codificação é a única revelação doutrinária, mas que é a única minimamente consensual. E que vai continuar a ser, na minha opinião, até ser redefinido o que é revelação doutrinária pelo Movimento Espirita. Talvez nunca seja, não sei...

Imagine o amigo que, agora, a ciência passava a definir que o conhecimento cientifico é o que cada um quiser. ou o que mais lhe convém. Acharia isso lógico? Era o caos na ciência e esta perderia toda a credibilidade.     

Bem haja

Então Vitor
toda afirmação carecerá de;
fincar raízes,
desenvolver tronco,
criar folhas,
propiciar flores ,
fecundar frutos
e propiciar sementes

Há ainda o plantio do joio junto ao plantio do trigo

Se conhece uma terra fértil pela quantidade de pragas que nasce ali abundantemente
terras estéreis não nascem nada...nem nada
é tudo dogmatizado...rsrs
Não há espaço

O Semeador semeou em terra fértil
e ali produziu uns trinta, outros sessenta e outros cem por um

Agora é que éh ora de ser trabalhador espírita
precisa-se de lavrador destemido e plicado

Quando um agricultor hábil muda de região
descobre coisas novas que se podem alimentar
descobre épocas diferentes para aquilo que já conhecia
descobre novas formas de plantio
descobre novas técnicas de enxerto, de irrigação
descobre novas técnicas de aproveitamento de solo
descobre novas técnicas de conserva..de acondicionamento
Conhece e aprende a dominar novas pragas
Cria coragem
torna-se um mestre com o passar dos tempos

mas tem que ter calos
e pés furados

Se habilita?




Título: Re: A fé e a caridade
Enviado por: Patricia S. Botelho em 06 de Agosto de 2015, 15:54
Amigo Vítor,

Você disse que foi uma pena que o poder político de então (Roma Antiga) passasse a liderar o Movimento Cristão. Entendo sua opinião e concordo em partes. Se, por um lado foi uma pena, por outro lado, foi exatamente isso que possibilitou que nos viesse o evangelho até os dias de hoje, pois era a época da força física e, sob os cuidados do Império Romano isso de tornou possível.
Os espíritos que encarnaram na época do cristianismo primitivo com certeza eram elevadíssimos. Daí a força deles e também a força do movimento cristão. Jesus não veio só. Veio em excelente companhia. Além, também como você disse, que Jesus permaneceu entre eles mesmo desencarnado, dando-lhes força. Mas, depois que essa leva de espíritos desencarnou, o movimento perdeu a beleza e as características iniciais do cristianismo primitivo. Todas as barbáries cometidas pelos cristãos nos séculos que se sucederam, denotam a sua inferioridade moral e menor elevação espiritual.
Mil anos depois, Jesus pede a Francisco de Assis que reencarne entre nós para nos auxiliar, para que retornássemos para os trilhos...
Acredito que Jesus nos enviará auxilio, como sempre fez.
Um grande abraço
Patrícia
Título: Re: A fé e a caridade
Enviado por: lconforjr em 09 de Agosto de 2015, 20:45
Re: A fé e a caridade

      Ref resp #30 em: 06 08 15, 00:15, de Moisés

      Moisés disse (ao Vitor):... O amigo está a tocar num dos equívocos e contradições da Doutrina Espirita. Mas, sobretudo, no contexto actual... te confesso que não entendi esta sua percepção... se pude me explicar estes equívocos te agradeço!

      Conf: meu querido amigo Moisés, todas as doutrinas religiosas contêm equívocos, questões confusas e até mesmo contraditórias; sem dúvida, umas mais do que outras. E a doutrina espírita não está livre disso.

      Moisés: Não credito que seja necessariamente ver para crer... pois que ai ficaríamos limitados e engessados unicamente ao alcance da visão...


      Conf: não, meu amigo Moisés, esse “é necessário ver para crer” significa que “é necessário ‘compreender’ para crer”; nada tem a ver com nossa visão! É necessário compreender e, para que se compreenda é necessário que haja prova de que seja mesmo uma verdade, que não deixe dúvidas! Se não for assim, podemos “comer gato por lebre”, concorda?

      Moisés: O incrédulo se perde pelas incredulidades de seus argumentos ou daquilo que se lhes apresentam... veja na citação: A resistência do incrédulo, convenha, quase sempre se deve menos a ele do que à maneira pela qual lhe apresentam as coisas.

      Conf: nunca se deve a ele: sempre se deve à maneira pela qual a escola da vida, essa escola do bem e do mal, lhe apresenta as coisas. Tudo que ele sabe, que compreende, que sente, que pensa, que decide fazer, vem do aprendizado que a vida lhe proporciona.

      Moisés: Nós também somos espíritos... se não há os que demonstram vontade há as vontades espontâneas e também há as vontades inconscientes mesmo que um espírito não queira se manifestar.

      Conf: e como é que surgem as vontades espontâneas, e as vontades inconscientes?

      Moisés: Nem tudo na Doutrina espírita foi a vontade dos espíritos
muitos espíritos tinham até boa vontade , mas não tinham a capacidade... Muitos espíritos querendo influenciar na DE, se renderam a lógica e aos argumentos de Kardec... pensemos nisto !

      Conf: vc me deu a oportunidade de repetir uma questão a que ninguém dá resposta: qual é a causa de uns terem essa capacidade e outros não? De tantos se renderem à lógica de Kardec e tantos outros não?

      Um forte abraço.
........................

Título: Re: A fé e a caridade
Enviado por: Vitor Santos em 10 de Agosto de 2015, 09:09
Olá amigo Moisés

Citar
Não concordando com o que kardec apresenta
não é obrigado a tal
Mas kardec afirma
e não se preocupa com os incrédulos
e nem com os crédulos (exagerados)

Moisés, agradeço a sua atenção e paciência, amigo.

Mas uma ciência, ou um conhecimento comprovado, de alguma forma, não tem crédulos nem incrédulos. As Religões é que têm. Há evidências comprovadas ou não. Evidências universalmente comprovadas, do que eu conheço, não me parece que existam. Há indícios, não há dúvida, mas estão longe de podermos dizer que são evidências suficientemente comprovadas, universalmente. Outras evidências, de natureza pessoal, podem existir. Mas não para o público que o deseje, se há são para uma minoria de pessoas no Movimento Espirita, escondidas do público.

Repare que Kardec diz "fé raciocinada", apelando à crença, embora sustentada em explicações que ele considera lógicas e coerentes, não em comprovação. Para ele podia existir comprovação, e, segundo ele mesmo, foi isso que o levou a elaborar a Doutrina Espirita.

Kardec também falava em caridade. E caridade material, é necessária, útil, positiva, mas não é o objectivo fundamental do Espiritismo. A maior caridade é levar as pessoas a conhecer a Doutrina e as evidências que a sustentam, de uma forma eficaz. Foi essa a maior caridade de Jesus de Nazaré, quando encarnou na Terra. Teresa de Calcutá fez muito mais caridade material do que Jesus. Tudo indica que a missão de Jesus era passar uma mensagem, uma mensagem espiritual, e não um obra assistencial.

Bem haja
Título: Re: A fé e a caridade
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 10 de Agosto de 2015, 19:21
Olá amigo Moisés

Citar
Não concordando com o que kardec apresenta
não é obrigado a tal
Mas kardec afirma
e não se preocupa com os incrédulos
e nem com os crédulos (exagerados)

Moisés, agradeço a sua atenção e paciência, amigo.

Mas uma ciência, ou um conhecimento comprovado, de alguma forma, não tem crédulos nem incrédulos. As Religões é que têm. Há evidências comprovadas ou não. Evidências universalmente comprovadas, do que eu conheço, não me parece que existam. Há indícios, não há dúvida, mas estão longe de podermos dizer que são evidências suficientemente comprovadas, universalmente. Outras evidências, de natureza pessoal, podem existir. Mas não para o público que o deseje, se há são para uma minoria de pessoas no Movimento Espirita, escondidas do público.

Repare que Kardec diz "fé raciocinada", apelando à crença, embora sustentada em explicações que ele considera lógicas e coerentes, não em comprovação. Para ele podia existir comprovação, e, segundo ele mesmo, foi isso que o levou a elaborar a Doutrina Espirita.

Kardec também falava em caridade. E caridade material, é necessária, útil, positiva, mas não é o objectivo fundamental do Espiritismo. A maior caridade é levar as pessoas a conhecer a Doutrina e as evidências que a sustentam, de uma forma eficaz. Foi essa a maior caridade de Jesus de Nazaré, quando encarnou na Terra. Teresa de Calcutá fez muito mais caridade material do que Jesus. Tudo indica que a missão de Jesus era passar uma mensagem, uma mensagem espiritual, e não um obra assistencial.

Bem haja

Bom Vitor

Você é uma pessoa que crê
na Doutrina
E demonstra isso com facilidade
é capaz de desenvolver vários assuntos
bem na verdade todos transitamos em algum tema que kardec coloca
ou até em uma explicação
e ficamos a refletir sobre tais coisas destes assuntos
e sobre a extensão das nossas ações

Todos desconfiamos de algo e fiamos em outro algo
algo acontece repentinamente
e outros algos precisará de mais observações
No campo do saber, do entender
e até do aceitar

Eu te acho uma pessoa crente e contagiosa
Suas colocações sobre a prudencia é bem fundamentada
...


Quero dizer que você não é incrédulo
é estudioso
Título: Re: A fé e a caridade
Enviado por: Diegas em 11 de Agosto de 2015, 11:31
Olá, Vitor Santos



Em primeiro lugar foi o próprio Allan Kardec que disse que é preciso ver para crer, de acordo com a citação do amigo Moisés. Foi sobre esse texto que eu me debrucei..'


Kardec assim manifesta o seu pensamento:

Citar
'...Para crer, não basta ver, é necessário sobretudo compreender...'

Que significa: 'Para crer é necessário sobretudo compreender'.


Aliás, de que me serviria ver alguma coisa caso não a compreendesse ?

Portanto, em momento algum, Kardec assume a posição de São Tomé. Aliás, Jesus foi ainda mais sintético 'felizes todos aqueles que acreditam/ram apesar de não terem visto'.

Caso aceitasse a sua interpretação, o pensamento kardequiano soaria totalmente contraditório (o amigo até frisou), principalmente pelo fato de, em toda a Codificação, sempre destacar/chamar a atenção sobre a importância da razão.



Abç
Título: Re: A fé e a caridade
Enviado por: Diegas em 11 de Agosto de 2015, 12:45
Olá, Vitor Santos


Em terceiro lugar não é necessário confirmar tudo o que a Doutrina disse, mas, pelo menos, confirmar que a mediunidade existe, por exemplo, pois se ela não existisse tudo seria uma grande mentira.

Saber da imortalidade do Espirito torna a Doutrina cientifica.

A demonstração da existência da mediunidade não pode servir de prova por que nem todas as manifestações mediúnicas dependem necessariamente da presença de desencarnados para ocorrerem. Estão as inúmeras manifestações anímicas em que o Espirito encarnado vive momentos de liberdade onde os individuos recobram uma vaga consciência da multiplicidade das existências, que permitem mostrar essa realidade.

Citar
Por último, o amigo está a dar às pessoas uma ideia completamente errada do funcionamento do Movimento Espirita, ao comparar o mesmo com a ciência.

Somente chamo a atenção para o fato de que aceitamos cegamente muita coisa que a Ciência prega, seja pela incapacidade de compreensão ou por faltar-nos oportunidade de encontrarmo-nos pessoalmente na data comemorativa da descoberta de cada invento.



Citar
Está mesmo a falar a sério?


Sim - não há como negar que existe uma fé cega na Ciencia e nos cientistas !

Não sei, por exemplo, se há ciência na teoria da relatividade, e também ainda não consegui observar pessoalmente os efeitos do flúor nos dentes. Talvez, em outras encarnações terei capacidade suficiente para 'compreender' Einstein (conforme Kardec, compreender para crer), ou então, se um dia assistirei com os meus proprios olhos a ação 'química' do flúor nos dentes.



Abç
Título: Re: A fé e a caridade
Enviado por: lconforjr em 17 de Agosto de 2015, 20:44
Re: A fé e a caridade

      Ref resp #19 em: 04 08 15, 20:25, de Patrícia

      Pat disse:  Na minha opinião a caridade para ser praticada necessita de fé, pois sem ela não conseguimos caminhar muito longe.

      Conf: sem dúvida a jovem Pat está se referindo a uma caridade genuína, àquela que resulta do amor e de uma compreensão profunda de o que é a vida para todos nós, humanos ou não humanos.  Mas há, pelo mundo, tanta caridade que nada tem a ver com amor!

      Pat: Quando iniciamos algum trabalho em direção ao próximo, inevitavelmente esbarraremos nos defeitos dos outros e, por nossa falta de capacidade de perdoar e compreendê-los, acabamos por nos afastar...

      Conf: mas, minha jovem, se todo efeito tem sua causa, qual é a causa que faz que aconteça isso? Isso de uns terem capacidade de perdoar e de compreender os que apresentam defeitos, ao passo que outros não perdoam e nem mesmo têm a compreensão necessária para entender os outros?? E, se nem todos são assim, porq uns são e outros não?

      Pat:... ao passo que quando temos fé, sabemos que é necessário seguir adiante respeitando as limitações do outro, assim como queremos que aceitem nossas limitações. A fé nos fortalece e nos faz seguir adiante. Por outro lado, quando são os nossos defeitos que estão incomodando o outro, nem sempre aceitamos as críticas e nos melindramos nos afastando dos trabalhos de caridade.

      Conf: aí, para mim, há um mistério que não consigo entender: porq nem todos têm a mesma fé? Porq uns têm uma fé inabalável e tantos outros nenhuma fé têm? E se não temos fé, porq temos de sofrer mais do que aqueles que têm? Alguém é responsável por não ter fé?

      Pat: Assim como nós lutamos e nos debatemos com nossas infinitas imperfeições, também os líderes religiosos travam idêntica luta em suas vidas.

      Conf: aqui, minha querida,  tenho de perguntar: se no princípio somos todos perfeitamente iguais, o que é destrói essa perfeita igualdade original e a transforma em gigantesca desigualdade? E se no princípio não éramos inclinados nem para o bem, nem para o mal, porq é que tantos se tornam possuidores das mais monstruosas imperfeições?

      Pat: Os mestres como Jesus, Buda e outros, eram espíritos iluminados, muito mais elevados que nós, que vieram para nos deixar a rota a ser trilhada. Porém, se nós temos dificuldades em seguir a rota, igualmente os líderes religiosos têm.

      Conf: mas o que é que nos impede de seguir a rota que tantos iluminados nos aconselham seguir?! Não queremos segui-las? O aprendizado da escola do bem e do mal, que é a vida, nos impede de segui-la?
..............
Título: Re: A fé e a caridade
Enviado por: lconforjr em 17 de Agosto de 2015, 22:14
Re: A fé e a caridade

      Ref resp #21 em: 05 08 15, 02:33 de Moisés

      Citação de: lconforjr em 04 de Agosto de 2015, 19:05:... temos necessidade de entender a doutrina (para mim, tem sido muito difícil entende-la) e, para entende-la, temos necessidade de raciocinar profundamente, como ela mesma recomenda; e para provocar o raciocínio nada melhor do que fazer perguntas.
....
      Sem dúvida a fé é a “mãe”, não de todas as virtudes, mas só de algumas virtudes, pois faz que as procuremos por acreditar que todas elas são necessárias para nos aproximarmos de Deus. Mas, e se, depois, comprovamos que aquilo em que tínhamos fé não era verdade? O que acontecerá senão frustração, decepção, desilusão, descrença, sofrimentos etc?!

      Moisés (cit): A esperança e a caridade são uma consequência da fé. Essas três virtudes formam uma trindade inseparável. Não é a fé que sustenta a esperança de se verem cumpridas as promessas do Senhor; porque, se não tiverdes fé, que esperareis?

      Conf: tenho de discordar: a caridade não é consequência da fé; a caridade é consequência de existir amor no coração! Podemos ver no mundo muitos que são caridosos e que nenhuma fé têm!

      Moisés (cit): Erguei, portanto, esse edifício, sobre alicerces inabaláveis.

      Conf: novamente, como em tantos milhares de textos, msgs etc etc, que lemos todos os dias, nos é ensinado apenas “o que fazer”! Neste texto: “ter fé”, “erguê-la sobre alicerces inabaláveis”. Mas, e o “como fazer” para ter fé, quem é que ensina? E, qualquer um pode ver que saber o “como fazer” é muito mais importante do que saber “o que fazer”!

      E como fazer para “erguê-la sobre alicerces inabaláveis”? Quem que pode nos dar uma ideia de como fazer isso?! Pois, se “nem mesmo sabemos como fazer para ter fé”, como vamos saber “erguê-la sobre alicerces inabaláveis”?? E quais são esses alicerces?!

      E quem é que tem o poder de "manipular" sua fé pra torná-la e seus alicerces mais fortes"? Fé, como o amor, o ódio, afinal todos os sentimentos positivos ou negativos, são sentimentos e absolutamente ninguém tem a capacidade de manipular seus sentimentos, ninguém tem a capacidade de torna-los mais fortes, nem mesmo está em nossas mãos a possibilidade de transformar um pequeno e simples sentimento de desamor em um sentimento de amor! Nem o contrário é possível para nós: tornar um simples sentimento de amor em um sentimento de desamor!

      E, como já perguntamos, quem sabe como se adquire uma “verdadeira” fé? Já sabemos que não basta querer, pois não depende de nosso desejo possuí-la! E, então, de que depende ter ou não ter fé? Onde encontraremos resposta a esta pergunta?
     
      Moisés: A fé necessita de uma base, e essa base é a perfeita compreensão daquilo em que se deve crer. Para crer, não basta ver, é necessário sobretudo compreender.

      Conf: mas “se é necessário sobretudo compreender”, como podemos compreender se a própria doutrina não nos diz o que é necessário e fundamental para compreendê-la? Ex: porq este é bom e aquele outro é mau?!

      Moisés: É contra essa fé, sobretudo, que se levanta o incrédulo, o que mostra a verdade de que a fé não se impõe.

      Conf: se o amigo Moisés puder ser mais claro, agradeço pois, para meu modo de ver, a fé nunca nasce de nós: sempre é imposta por algo que está fora de nós, pelas experiências/lições da escola da vida!

      Moisés: A resistência do incrédulo, convenha, quase sempre se deve menos a ele do que à maneira pela qual lhe apresentam as coisas.

      Conf: pelo meu entendimento e raciocínio, a resistência do incrédulo nunca depende dele, mas sempre da maneira pela qual a escola da vida lhe apresenta as coisas! E, sem dúvida, também com relação à fé, acontece a mesma coisa!
...............     
Título: Re: A fé e a caridade
Enviado por: lconforjr em 21 de Agosto de 2015, 20:58
Re: A fé e a caridade

      Ref resp #30 em: 06 08 15, 00:15, de Moisés

      Moisés disse (ao Vitor):... O amigo está a tocar num dos equívocos e contradições da Doutrina Espirita. Mas, sobretudo, no contexto actual... te confesso que não entendi esta sua percepção... se puder me explicar estes equívocos te agradeço!

      Conf: meu querido amigo Moisés, “todas” as doutrinas religiosas contêm equívocos, questões confusas e até mesmo contraditórias; sem dúvida, umas mais do que outras. A doutrina espírita não está livre disso.

      Moisés: Não credito que seja necessariamente ver para crer... pois que ai ficaríamos limitados e engessados unicamente ao alcance da visão...


      Conf: não, meu amigo Moisés, esse “é necessário ver para crer” significa que “é necessário ‘compreender ou provar’ para crer”; nada tem a ver com nossa visão! É necessário compreender e constatar que seja mesmo uma verdade, que não deixe dúvidas! Se não for assim, poderemos estar “comendo gato por lebre”, concorda?

      Moisés: O incrédulo se perde pelas incredulidades de seus argumentos ou daquilo que se lhes apresentam... veja na citação: A resistência do incrédulo, convenha, quase sempre se deve menos a ele do que à maneira pela qual lhe apresentam as coisas.

      Conf: a resistência do incrédulo nunca” se deve a ele: sempre se deve à maneira pela qual a escola da vida, essa escola do bem e do mal, lhe apresenta as coisas. Tudo que ele sabe, que compreende, sente, deseja, pensa, decide fazer, vem do aprendizado que a vida lhe proporciona. Ou de onde mais poderia vir?

      Moisés: Nós também somos espíritos... se não há os que demonstram vontade há as vontades espontâneas e também há as vontades inconscientes mesmo que um espírito não queira se manifestar.

      Conf: e se todo efeito tem sua causa, qual é a causas que têm como efeito o surgimento de vontades “espontâneas”, e de vontades que vc chamou de “inconscientes”?

      Mosés: Nem tudo na Doutrina espírita foi a vontade dos espíritos
muitos espíritos tinham até boa vontade , mas não tinham a capacidade... Muitos espíritos querendo influenciar na DE, se renderam a lógica e aos argumentos de Kardec... pensemos nisto !

      Conf: com o pensarmos nisso, vc me deu a oportunidade de repetir uma questão a que ninguém dá resposta: qual é a causa de uns terem essa capacidade e outros não? De tantos se renderem a lógica de Kardec e tantos outros não? Onde estará a resposta a estas perguntas?

      Um forte abraço.
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