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CODIFICAÇÃO => O Céu e o Inferno => Tópico iniciado por: Vitor Santos em 08 de Novembro de 2009, 12:31

Título: OS "MORTOS" FALAM DA MORTE
Enviado por: Vitor Santos em 08 de Novembro de 2009, 12:31
Olá

O livro o "Céu e o Inferno", de Allan Kardec contém várias descrições da passagem que a morte representa. Fica aqui um comunicação daqueles que Kardec denominou: "Espiritos Sofredores", que julgo ser o mais próximo da média das pessoas na terra. Só Deus sabe de que categoria nos aproximamos mais.

"CAPÍTULO IV

ESPÍRITOS SOFREDORES

O castigo

Exposição geral do estado dos culpados por ocasião da entrada no mundo dos Espíritos, ditada à Sociedade Espírita de Paris, em outubro de 1860.

"Depois da morte, os Espíritos endurecidos, egoístas e maus são logo presas de uma dúvida cruel a respeito do seu destino, no presente e no futuro. Olham em torno de si e nada vêem que possa aproveitar ao exercício da sua maldade - o que os desespera, visto como o insulamento e a inércia são intoleráveis aos maus Espíritos. Não elevam o olhar às moradas dos Espíritos elevados, consideram o que os cerca e, então, compreendendo o abatimento dos Espíritos fracos e punidos, se agarrarão a eles como a uma presa, utilizando-se da lembrança de suas faltas passadas, que eles põem continuamente em ação pelos seus gestos ridículos. Não lhes bastando esse motejo, atiram-se para a Terra quais abutres famintos, procurando entre os homens uma alma que lhes dê fácil acesso às tentações. Encontrando-a, dela se apoderam exaltando-lhe a cobiça e procurando extinguir-lhe a fé
em Deus, até que por fim, senhores de uma consciência e vendo segura a presa, estendem a tudo quanto se lhe aproxime a fatalidade do seu contágio. O mau Espírito, no exercício da sua cólera, é quase feliz, sofrendo apenas nos momentos em que deixa do atuar, ou nos casos em que o bem triunfa do mal. Passam no entanto os séculos, e, de repente, o mau Espírito pressente que as trevas acabarão por envolvê-lo; o circulo de ação se lhe restringe e a consciência, muda até então, faz-lhe sentir os acerados espinhos do remorso. Inerte, arrastado no turbilhão, ele vagueia, como dizem as Escrituras, sentindo a pele arrepiar-se-lhe de terror. Não tarda, então, que um grande vácuo se faça nele e em torno dele: chega o momento em que deve expiar; a reencarnação aí está ameaçadora... e ele vê como num espelho as provações terríveis que o aguardam; quereria recuar, mas avança e, precipitado no abismo da vida, rola em sobressalto, até que o véu da ignorância lhe recaia sobre os olhos. Vive, age, é ainda culpado, sentindo em si não sei que lembrança inquieta, pressentimentos que o fazem tremer, sem recuar, porém, da senda do mal. Por fim, extenuado de forças e de crimes, vai morrer.

Estendido numa enxerga ou num leito, que importa? o homem culpado sente. sob aparente imobilidade, revolver-se e viver dentro de si mesmo um mundo de esquecidas sensações. Fechadas as pupilas, ele vê um clarão que desponta, ouve estranhos sons; a alma, prestes a deixar o corpo, agita-se impaciente, enquanto as mãos crispadas tentam agarrar as cobertas... Quereria falar, gritar aos que o cercam: - Retenham-me! eu vejo o castigo! - Impossível! a morte sela-lhe os lábios esmaecidos, enquanto os assistentes dizem: Descansa em paz! E contudo ele ouve, flutuando em torno do corpo que não deseja abandonar.
Uma força misteriosa o atrai; vê, e reconhece finalmente o que já vira. Espavorido, ei-lo
que se lança no Espaço onde desejaria ocultar-se, e nada de abrigo, nada de repouso.
Retribuem-lhe outros Espíritos o mal que fez; castigado, confuso e escarnecido, por sua vez vagueia e vagueará até que a divina luz o penetre e esclareça, mostrando-lhe o Deus vingador, o Deus triunfante de todo o mal, e ao qual não poderá apaziguar senão à força de expiação e gemidos.

Georges."

Nota - Nunca se traçou quadro mais terrível e verdadeiro à sorte do mau; será ainda necessária a fantasmagoria das chamas e das torturas físicas?

NOVEL

Nota - O Espírito dirige-se ao médium, que em vida o conhecera.
"Vou contar-te o meu sofrimento quando morri. Meu Espírito, preso ao corpo
por elos materiais, teve grande dificuldade em desembaraçar-se - o que já foi, por si
uma rude angústia.
A vida que eu deixava aos 21 anos era ainda tão vigorosa que eu não podia crer
na sua perda. Por isso procurava o corpo, estava admirado, apavorado por me ver
perdido num turbilhão de sombras. Por fim, a consciência do meu estado e a revelação
das faltas cometidas, em todas as minhas encarnações, feriram-me subitamente,
enquanto uma luz implacável me iluminava os mais secretos âmagos da alma, que se
sentia desnudada e logo possuída de vergonha acabrunhante. Procurava fugir a essa
influência interessando-me pelos objetos que me cercavam, novos, mas que, no
entanto, já conhecia; os Espíritos luminosos, flutuando no éter, davam-me a idéia de
uma ventura a que eu não podia aspirar; formas sombrias e desoladas, mergulhadas
umas em tedioso desespero; furiosas ou irônicas outras, deslizavam em torno de mim
ou por sobre a terra a que me chumbava. Eu via agitarem-se os humanos cuja
ignorância invejava; toda uma ordem de sensações desconhecidas, ou antes reencontradas,
invadiram-me simultaneamente. Como que arrastado por força irresistível,
procurando fugir à dor encarniçada, franqueava as distâncias, os elementos, os
obstáculos materiais, sem que as belezas naturais nem os esplendores celestes
pudessem calmar um instante a dor acerba da consciência, nem o pavor causado pela
revelação da eternidade. Pode um mortal prejulgar as torturas materiais pelos arrepios da carne; mas as vossas frágeis dores, amenizadas pela esperança, atenuadas por distrações ou mortas pelo esquecimento, não vos darão nunca a idéia das angústias de uma alma que sofre sem tréguas, sem esperança, sem arrependimento. Decorrido um tempo cuja duração não posso precisar, invejando os eleitos cujos esplendores entrevia, detestando os maus Espíritos que me perseguiam com remoques, desprezando os humanos cujas torpezas eu via, passei de profundo abatimento a uma revolta insensata. Chamaste-me finalmente, e pela primeira vez um sentimento suave e terno me acalmou; escutei os ensinos que te dão os teus guias, a verdade impôs-se-me, orei; Deus ouviu-me, revelou-se-me por sua Clemência, como já se me havia revelado por sua Justiça.

Novel."



bem hajam



Título: Re: OS "MORTOS" FALAM DA MORTE - O passamento
Enviado por: Vitor Santos em 08 de Novembro de 2009, 18:28
Olá
___________________________________________________________________________
O Céu e o inferno, de Kardec


EXEMPLOS

CAPÍTULO 1

O PASSAMENTO

1. - A certeza da vida futura não exclui as apreensões quanto à passagem desta para a outra vida. Há muita gente que teme não a morte, em si, mas o momento da transição. Sofremos ou não nessa passagem? Por isso se inquietam, e com razão, visto que ninguém foge à lei fatal dessa transição. Podemos dispensar-nos de uma viagem neste mundo, menos essa. Ricos e pobres, devem todos fazê-la, e, por dolorosa que seja a franquia, nem posição nem fortuna poderiam suavizá-la
2. - Vendo-se a calma de alguns moribundos e as convulsões terríveis de outros, pode-se previamente julgar que as sensações experimentadas nem sempre são as mesmas. Quem poderá no entanto esclarecer-nos a tal respeito? Quem nos descreverá o fenômeno fisiológico da separação entre a alma e o corpo? Quem nos contará as impressões desse instante supremo quando a Ciência e a Religião se calam? E calam-se porque lhes falta o conhecimento das leis que regem as relações do Espírito e da matéria, parando uma nos umbrais da vida espiritual e a outra nos da vida material. O Espiritismo é o traço de união entre as duas, e só ele pode dizer-nos como se opera a transição, quer pelas noções mais positivas da natureza da alma, quer pela descrição dos que deixaram este mundo. O conhecimento do laço fluídico que une a alma ao corpo é a chave desse e de muitos outros fenômenos.

3. - A insensibilidade da matéria inerte é um fato, e só a alma experimenta sensações de dor e de prazer. Durante a vida, toda a desagregação material repercute na alma, que por este motivo recebe uma impressão mais ou menos dolorosa. É a alma e não o corpo quem sofre, pois este não é mais que instrumento da dor: - aquela é o paciente. Após a morte, separada a alma, o corpo pode ser impunemente mutilado que nada sentirá; aquela, por insulada, nada experimenta da destruição orgânica. A alma tem sensações próprias cuja fonte não reside na matéria tangível. O perispírito é o envoltório da alma e não se separa dela nem antes nem depois da morte. Ele não forma com ela mais que uma só entidade, e nem mesmo se pode conceber uma sem outro. Durante a vida o fluido perispirítico penetra o corpo em todas as suas partes e serve de veículo às sensações físicas da alma, do mesmo modo como esta, por seu intermédio, atua sobre o corpo e dirige-lhe os movimentos.

4. - A extinção da vida orgânica acarreta a separação da alma em conseqüência
do rompimento do laço fluídico que a une ao corpo, mas essa separação nunca é
brusca.O fluido perispiritual só pouco a pouco se desprende de todos os órgãos, de
sorte que a separação só é completa e absoluta quando não mais reste um átomo do
perispírito ligado a uma molécula do corpo. "A sensação dolorosa da alma, por ocasião
da morte, está na razão direta da soma dos pontos de contacto existentes entre o
corpo e o perispírito, e, por conseguinte, também da maior ou menor dificuldade que
apresenta o rompimento." Não é preciso portanto dizer que, conforme as
circunstâncias, a morte pode ser mais ou menos penosa. Estas circunstâncias é que
nos cumpre examinar.
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2ª PARTE - CAPÍTULO I
5. - Estabeleçamos em primeiro lugar, e como princípio, os quatro seguintes
casos, que podemos reputar situações extremas dentro de cujos limites há uma infinidade
de variantes:
1° - Se no momento em que se extingue a vida orgânica o desprendimento do
perispírito fosse completo, a alma nada sentiria absolutamente.
2° - Se nesse momento a coesão dos dois elementos estiver no auge de sua
força, produz-se uma espécie de ruptura que reage dolorosamente sobre a alma.
3° - Se a coesão for fraca, a separação torna-se fácil e opera-se sem abalo.
4° - Se após a cessação completa da vida orgânica existirem ainda numerosos
pontos de contacto entre o corpo e o perispírito, a alma poderá ressentir-se dos efeitos
da decomposição do corpo, até que o laço inteiramente se desfaça.
Daí resulta que o sofrimento, que acompanha a morte, está subordinado à força
adesiva que une o corpo ao perispírito; que tudo o que puder atenuar essa força, e
acelerar a rapidez do desprendimento, torna a passagem menos penosa; e, finalmente,
que, se o desprendimento se operar sem dificuldade, a alma deixará de experimentar
qualquer sentimento desagradável.
6. - Na transição da vida corporal para a espiritual, produz-se ainda um outro
fenômeno de importância capital - a perturbação. Nesse instante a alma experimenta
um torpor que paralisa momentaneamente as suas faculdades, neutralizando, ao
menos em parte, as sensações. É como se disséssemos um estado de catalepsia, de
modo que a alma quase nunca testemunha conscientemente o derradeiro suspiro.
Dizemos quase nunca, porque há casos em que a alma pode contemplar conscientemente
o desprendimento, como em breve veremos.
169
O PASSAMENTO
A perturbação pode, pois, ser considerada o estado normal no instante da morte e
perdurar por tempo indeterminado, variando de algumas horas a alguns anos. A proporção
que se liberta, a alma encontra-se numa situação comparável à de um homem
que desperta de profundo sono; as idéias são confusas, vagas, incertas; a vista
apenas distingue como que através de um nevoeiro, mas pouco a pouco se aclara,
desperta-se-lhe a memória e o conhecimento de si mesma. Bem diverso é, contudo,
esse despertar; calmo, para uns, acorda-lhes sensações deliciosas; tétrico, aterrador e
ansioso, para outros, é qual horrendo pesadelo.
7. - O último alento quase nunca é doloroso, uma vez que ordinariamente
ocorre em momento de inconsciência, mas a alma sofre antes dele a desagregação da
matéria, nos estertores da agonia, e, depois, as angústias da perturbação. Demo-nos
pressa em afirmar que esse estado não é geral, porquanto a intensidade e duração do
sofrimento estão na razão direta da afinidade existente entre corpo e perispírito. Assim,
quanto maior for essa afinidade, tanto mais penosos e prolongados serão os esforços
da alma para desprender-se. Há pessoas nas quais a coesão é tão fraca que o
desprendimento se opera por si mesmo, como que naturalmente; é como se um fruto
maduro se desprendesse do seu caule, e é o caso das mortes calmas, de pacífico
despertar.
8. - A causa principal da maior ou menor facilidade de desprendimento é o
estado moral da alma. A afinidade entre o corpo e o perispírito é proporcional ao apego
à matéria, que atinge o seu máximo no homem cujas preocupações dizem respeito
exclusiva e unicamente à vida e gozos materiais. Ao contrário, nas almas puras, que
antecipadamente se identificam com a vida espiritual, o apego é quase nulo. E desde
que a lentidão e a dificuldade do desprendimento estão na razão do grau de pureza e
desmaterialização da alma, de nós somente depende o tornar fácil ou penoso, agradável ou doloroso, esse desprendimento. Posto isto, quer como teoria, quer como resultado de observações, resta-nos examinar a influência do gênero de morte sobre as sensações da alma nos últimos transes.

9. - Em se tratando de morte natural resultante da extinção das forças vitais por
velhice ou doença, o desprendimento opera-se gradualmente; para o homem cuja alma
se desmaterializou e cujos pensamentos se destacam das coisas terrenas, o
desprendimento quase se completa antes da morte real, isto é, ao passo que o corpo
ainda tem vida orgânica, já o Espírito penetra a vida espiritual, apenas ligado por elo
tão frágil que se rompe com a última pancada do coração. Nesta contingência o Espírito
pode ter já recuperado a sua lucidez, de molde a tornar-se testemunha consciente
da extinção da vida do corpo, considerando-se feliz por tê-lo deixado. Para esse a
perturbação é quase nula, ou antes, não passa de ligeiro sono calmo, do qual desperta
com indizível impressão de esperança e ventura. No homem materializado e sensual, que mais viveu do corpo que do Espírito, e para o qual a vida espiritual nada significa, nem sequer lhe toca o pensamento, tudo contribui para estreitar os laços materiais, e, quando a morte se aproxima, o desprendimento, conquanto se opere gradualmente também, demanda contínuos esforços. As convulsões da agonia são indícios da luta do Espírito, que às vezes
procura romper os elos resistentes, e outras se agarra ao corpo do qual uma força
irresistível o arrebata com violência, molécula por molécula.
10. - Quanto menos vê o Espírito além da vida corporal, tanto mais se lhe
apega, e, assim, sente que ela lhe foge e quer retê-la; em vez de se abandonar ao movimento que o empolga, resiste com todas as forças e pode mesmo prolongar a luta por
dias, semanas e meses inteiros. Certo, nesse momento o Espírito não possui toda a lucidez, visto como a perturbação de muito se antecipou à morte; mas nem por isso sofre menos, e o vácuo em que se acha, e a incerteza do que lhe sucederá, agravam-lhe as angústias. Dá-se por fim a morte, e nem por isso está tudo terminado; a perturbação continua, ele sente que vive, mas não define se material, se espiritualmente, luta, e luta ainda, até que as
últimas ligações do perispírito se tenham de todo rompido. A morte pôs termo a
moléstia efetiva, porém, não lhe sustou as conseqüências, e, enquanto existirem
pontos de contacto do perispírito com o corpo, o Espírito ressente-se e sofre com as
suas impressões.

11. - Quão diversa é a situação do Espírito desmaterializado, mesmo nas
enfermidades mais cruéis! Sendo frágeis os laços fluídicos que o prendem ao corpo,
rompem-se suavemente; depois, a confiança do futuro entrevisto em pensamento ou
na realidade, como sucede algumas vezes, fá-lo encarar a morte qual redenção e as
suas conseqüências como prova, advindo-lhe dai uma calma resignada, que lhe
ameniza o sofrimento. Após a morte, rotos os laços, nem uma só reação dolorosa que o afete; o despertar é lépido, desembaraçado; por sensações únicas: o alívio, a alegria!
12. - Na morte violenta as sensações não são precisamente as mesmas.
Nenhuma desagregação inicial há começado previamente a separação do perispírito; a
vida orgânica em plena exuberância de força é subitamente aniquilada. Nestas
condições, o desprendimento só começa depois da morte e não pode completar-se
rapidamente. O Espírito, colhido de improviso, fica como que aturdido e sente, e
pensa, e acredita-se vivo, prolongando-se esta ilusão até que compreenda o seu
estado. Este estado intermediário entre a vida corporal e a espiritual é dos mais
interessantes para ser estudado, porque apresenta o espetáculo singular de um
Espírito que julga material o seu corpo fluídico, experimentando ao mesmo tempo
todas as sensações da vida orgânica. Há, além disso, dentro desse caso, uma série
infinita de modalidades que variam segundo os conhecimentos e progressos morais
do Espírito. Para aqueles cuja alma está purificada, a situação pouco dura, porque já
possuem em si como que um desprendimento antecipado, cujo termo a morte mais
súbita não faz senão apressar. Outros há, para os quais a situação se prolonga por
anos inteiros. É uma situação essa muito freqüente até nos casos de morte comum,
que nada tendo de penosa para Espíritos adiantados, se torna horrível para os
atrasados. No suicida, principalmente, excede a toda expectativa. Preso ao corpo por
todas as suas fibras, o perispírito faz repercutir na alma todas as sensações daquele,
com sofrimentos cruciantes.
13. - O estado do Espírito por ocasião da morte pode ser assim resumido: Tanto
maior é o sofrimento, quanto mais lento for o desprendimento do perispírito; a
presteza deste desprendimento está na razão direta do adiantamento moral do
Espírito; para o Espírito desmaterializado, de consciência pura, a morte é qual um sono
breve, isento de agonia, e cujo despertar é suavíssimo.
14. - Para que cada qual trabalhe na sua purificação, reprima as más tendências
e domine as paixões, preciso se faz que abdique das vantagens imediatas em prol do
futuro, visto como, para identificar-se com a vida espiritual, encaminhando para ela
todas as aspirações e preferindo-a à vida terrena, não basta crer, mas compreender.
Devemos considerar essa vida debaixo de um ponto de vista que satisfaça ao mesmo
tempo à razão, à lógica, ao bom senso e ao conceito em que temos a grandeza, a
bondade e a justiça de Deus. Considerado deste ponto de vista, o Espiritismo, pela fé
inabalável que proporciona, é, de quantas doutrinas filosóficas que conhecemos, a que
exerce mais poderosa influência.
O espírita sério não se limita a crer, porque compreende, e compreende, porque
raciocina; a vida futura é uma realidade que se desenrola incessantemente a seus
olhos; uma realidade que ele toca e vê, por assim dizer, a cada passo e de modo que a
dúvida não pode empolgá-lo, ou ter guarida em sua alma. A vida corporal, tão limitada,
amesquinha-se diante da vida espiritual, da verdadeira vida. Que lhe importam os
incidentes da jornada se ele compreende a causa e utilidade das vicissitudes humanas,
quando suportadas com resignação? A alma eleva-se-lhe nas relações com o mundo
visível; os laços fluídicos que o ligam à matéria enfraquecem-se, operando-se por
antecipação um desprendimento parcial que facilita a passagem para a outra vida. A
perturbação conseqüente à transição pouco perdura, porque, uma vez franqueado o
passo, para logo se reconhece, nada estranhando, antes compreendendo, a sua nova
situação.
15. - Com certeza não é só o Espiritismo que nos assegura tão auspicioso
resultado, nem ele tem a pretensão de ser o meio exclusivo, a garantia única de
salvação para as almas. Força é confessar, porém, que pelos conhecimentos que
fornece, pelos sentimentos que inspira, como pelas disposições em que coloca o
Espírito, fazendo-lhe compreender a necessidade de melhorar-se, facilita enormemente
a salvação. Ele dá a mais, e a cada um, os meios de auxiliar o desprendimento doutros
Espíritos ao deixarem o invólucro material, abreviando-lhes a perturbação pela
evocação e pela prece. Pela prece sincera, que é uma magnetização espiritual,
provoca-se a desagregação mais rápida do fluido perispiritual; pela evocação
conduzida com sabedoria e prudência, com palavras de benevolência e conforto,
combate-se o entorpecimento do Espírito, ajudando-o a reconhecer-se mais cedo, e, se
é sofredor, incute-se-lhe o arrependimento - único meio de abreviar seus sofrimentos.
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bem hajam