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GERAL => Mensagens de Ânimo => Tópico iniciado por: Moises de Cerq. Pereira em 28 de Dezembro de 2018, 20:06

Título: Série Psicológica - Joanna de Ângelis
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 28 de Dezembro de 2018, 20:06
Série Psicológica Joanna de Ângelis
Livro : JESUS E ATUALIDADE

* JESUS E ATUALIDADE *

A atualidade do pensamento de Jesus surpreende os mais cépticos estudiosos da problemática humana, sempre complexa e desafiadora, nestes dias.
Profundo conhecedor da psique, Jesus penetrava com segurança nos refolhos do indivíduo e descobria as causas reais das aflições que o inconsciente de cada um procurava escamotear.
Não se permitindo derivativos nem adiamentos, enfrentava as questões com elevado critério de sabedoria, que desnudava as mais intrincadas personalidades psicopatológicas, propondo com rigor a terapia compatível, elucidando quanto à responsabilidade pessoal e eliminando a sombra projetada sob a qual muitos se ocultavam.
Por processos mais demorados, a psicologia profunda chega, no momento, às mesmas conclusões que Ele lograva com facilidade desde há dois mil anos.
Roberto Assagioli, por exemplo, com sua psicossíntese, penetrou nas causas das enfermidades, apoiando-se na realidade “transpessoal” do ser como fator desencadeante das mesmas.
Abraão Maslow descobriu a “psicologia do ser” e abriu espaço para o seu entendimento profundo em relação à psicogênese das enfermidades que deterioram a personalidade do homem.
Groff, relacionando a mente com o cérebro, vai mais além e defronta o ser imortal como agente de inúmeras psicopatologias.
Melanie Klein e Carl Johnson, de origem freudiana, propõem para os esquizofrênicos terapêuticas fundamentadas no amor, na caridade, no perdão cristão como as de maior eficácia, embora se reconheçam arreligiosos.
A personalidade marcante de Jesus impressionava, de forma indelével, todos aqueles que O encontravam.
Identificado com Deus, demonstrava-O em todos os Seus passos, conclamando os ouvintes à conquista da realidade — o reino dos céus — que se encontra no imo de cada um.
A Sua proposta de aferição de valores — os materiais com os espirituais — oferecia a excelente oportunidade para o despertamento mental a respeito da vida e a conseqüente experiência vivencial em clima de harmonia íntima, com uma identificação entre as possibilidades e as circunstáncias existenciais.
Sem utilizar-se de expressões e conceitos interpolados, falava uma linguagem de simples apreensão pela massa ignorante e pelas mentes elitizadas que O buscavam.
Extraordinário narrador de histórias, uma das artes mais difíceis na área do discurso, e poeta ímpar, em razão das imagens puras na sua riqueza de cores e de significado, os Seus ensinamentos eternizaram-se, reconhecidos como dos mais belos jamais anotados pela gnose.
O sermão da montanha, considerado a “carta magna dos direitos humanos”, é um desafio de não-violência, próprio para esta época, assim como foi para aquela em que Ele o enunciou.
Os que o ouviram, jamais se desempregaram da sua magia incomparável.
Não somente, porém, Jesus é atual pelas terapias de amor e pelos ensinamentos que propõe ao homem contemporâneo, mas, também, pelo exemplo de felicidade e exteriorização de paz que irradiava.
Enquanto as ambições desregradas conduzem as inteligências ao paroxismo e à alucinação da posse, da fama, da glória, das disputas cegas, Ele ressurge na consciência moderna em plenitude, jovial e amigo, afortunado pela humanidade e a segurança íntima.
A atualidade necessita urgentemente de Jesus descrucificado, companheiro e terapeuta em atendimento de emergência, a fim de evitar-lhe a queda no abismo.
Pensando nesta inadiável questão, resolvemos apresentar, neste pequeno livro, vinte situações contemporâneas com ocorrências do cotidiano que aturdem a civilização, buscando respostas da conduta na terapia de Jesus, cujos resultados, obviamente, são a saúde, a paz e a felicidade como experiências ainda não fruídas individual e coletivamente pelos homens.
Certa de que o caro leitor encontrará nestas páginas respostas para algumas das suas inquietações, rogamos a Ele que nos oriente e ampare no rumo que seguimos, ansiosos pela nossa realização total.

Salvador, 20 de fevereiro de 1989.
Joanna de Ângelis

Série Psicológica Joanna de Ângelis
JESUS E ATUALIDADE
Médium:  Divaldo Pereira Franco
ESPÍRITO:  Joanna de Ângelis

Título: Re: Série Psicológica - Joanna de Ângelis
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 29 de Dezembro de 2018, 20:12
Série Psicológica Joanna de Ângelis
Livro : JESUS E ATUALIDADE

1 JESUS E DESAFIOS

O processo de evolução constitui para o Espírito um grande desafio.
Acostumado às vibrações mais fortes no campo dos sentidos físicos, somente quando a dor o visita é que ele começa a aspirar por impressões mais elevadas, nas quais encontre lenitivo, anelando por conquistas mais importantes.
Vivendo em luta constante contra os fatores constringentes do estágio em que se demora, vez por outra experimenta paz, que passa a querer em forma duradoura.
No começo, são as dores com intervalos de bem-estar que o assinalam, até conseguir a tranqüilidade com breves presenças do sofrimento, culminando com a plenitude sem aflição.
De degrau em degrau ascende, caindo para levantar-se, atraído pelo sublime tropismo do Amor.
Conseguir o estágio mais alto, significa-lhe triunfar.
Aturdido e inseguro, descobre uma conspiração quase geral contra o seu fatalismo.
São as suas heranças passadas que agora ressurgem, procurando retê-lo na área estreita do imediatismo, em nível inferior de consciência, onde apenas se nutre, dorme e se reproduz, com indiferença pelas emoções do belo, do nobre, do sadio.
Anestesiado pelas necessidades vegetativas, busca apenas o gozo, que termina por causar-lhe saturação, passando a um estado de tédio que antecipa a necessidade premente de outros valores.
Lentamente desperta para realidades que antes não o sensibilizavam e, de repente, passam a significar-lhe meta a conseguir, sentindo-se estimulado a abandonar a inoperância.
O psiquismo divino, nele latente, responde ao apelo das forças superiores e desatrela-se do cárcere celular, qual antena que capta a emissão de mensagens alcançadas somente nas ondas em que sintoniza.
O primeiro desafio, o de penetrar emoções novas, o atrai, impelindo-o a tentames cada vez mais complexos, portanto, mais audaciosos.
Experimentando este prazer ético e estético, diferente da brutalidade do primarismo, acostuma-se com ele e esforça-se para novos cometimentos que, a partir de então, já não cessam, desde que, encerrado um ciclo, qual espiral infinita, outro prazer se abre atraente, parecendo-lhe cada vez mais fácil.
Tudo na vida são desafios às resistências.
A “lei de entropia” degrada a energia que tende à consumpção, para manter o equilíbrio térmico de todas as coisas.
O envelhecimento e a morte são fenômenos inevitáveis no cosmo biológico e no universo.
Os batimentos cardíacos são desafios à resistência do músculo que os experimenta; os peristálticos são teste constante para as fibras que os sofrem; a circulação do sangue é quesito essencial para a irrigação das células; a respiração constitui fator básico, sem o qual a vida perece.
Tudo isso e muito mais, na área dos automatismos fisiológicos, a interferir-nos de natureza psicológica.
É natural que o mesmo suceda no campo moral do ser, que nunca retrocede e não deve estacionar sob pretexto algum.
No progresso, a evolução é inevitável.
A felicidade é o ponto final.
Não cabe ao homem retroceder na luta, senão para reabastecer-se de forças e prosseguir nos embates.
O crescimento de qualquer ideal é resultado dos estágios inferiores vencidos, das etapas superadas, dos desafios enfrentados.
A sequóia culmina a altura e o volume máximos, célula a célula.
O universo se renova e prossegue, molécula a molécula. Facilidade é perda de estímulo com prejuízo para a ação.
Toda a vida do Mestre foi um suceder incessante de desafios.
Embates no Seu meio social e familial constituíram-lhe os primeiros impedimentos, que foram ultrapassados, em razão da superior finalidade para a qual viera.
Ele não aceitou carregar o fardo do mundo em caráter de redenção dos outros, mas ensinou cada um a conduzir o seu próprio compromisso em paz de consciência; não assumiu as tarefas alheias, nem deixou de demonstrar como fazê-las; no entanto, altaneiro, sem presunção, tampouco sem submissão covarde.
Os desafios da sociedade injusta e arbitraria chegaram-Lhe provocadores, mediante situações, pessoas e circunstâncias; apesar disso, sem deter-se, Ele continuou íntegro, enfrentando-os sem ira ou medo.
Passou aquele tempo; todavia, permanecem os resíduos doentios.
Alterou-se a paisagem, não os valores, que prosseguem relativamente os mesmos, gerando obstáculos e insatisfações.
Enfrenta os desafios da tua vida, serena-mente.
Não aguardes comodidades que não mereces.
Realiza a tua marcha, indômito, preservando os teus valores íntimos e aumentando-os na ação diária.
Quem teme a escuridão, perde-se na noite.
Sê tu aquele que acende a lâmpada e clareia as sombras.
Desafiado, Jesus venceu.
Segue-O e nunca te detenhas ante os desafios para o teu crescimento espiritual.

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Série Psicológica Joanna de Ângelis
JESUS E ATUALIDADE
Médium: Divaldo Pereira Franco
ESPÍRITO: Joanna de Ângelis
Título: Re: Série Psicológica - Joanna de Ângelis
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 02 de Janeiro de 2019, 21:14
Série Psicológica Joanna de Ângelis
Livro : JESUS E ATUALIDADE

2 JESUS E REENCARNAÇÃO

Não fosse Jesus reencarnacionista e toda a sua mensagem seria fragmentária, sem suporte de segurança, por faltar-lhe a justiça na sua mais alta expressão propiciando ao infrator a oportunidade reeducativa, com o conseqüente crescimento para a liberdade a que aspira.
O amor por Ele ensinado, se não tivesse como apoio a bênção do renascimento corporal ensejando recomeço e reparação, teria um caráter de transitória preferência emocional, com a seleção dos eleitos e felizes em detrimento dos antipáticos e desditosos.
Com o apoio na doutrina dos renascimentos físicos, Ele identificava de imediato quais os necessitados que estavam em condições de recuperar a saúde ou não, tendo em consideração os fatores que os conduziam ao sofrimento.
E por isso mesmo, nem todos aqueles que Lhe buscavam a ajuda logravam-na ou recuperavam-se.
Porque sabia ser enfermo o Espírito, e não o corpo, sempre se dirigia preferencialmente à individualidade, e não à personalidade de que se revestia cada homem.
Sabendo acerca da fragilidade humana, emulava à fortaleza moral, fiel à lei de causa e efeito vigente no mundo.
Não apenas no diálogo mantido com Nicodemos vibrou a Sua declaração quanto à “necessidade de nascer de novo”.
Ela se repete de forma variada, outras vezes, confirmando o processo das sucessivas experiências carnais, método misericordioso do amor de Deus para o benefício de todos os Espíritos.
Nenhuma surpresa causara aos seus discípulos a resposta a respeito do Elias que já viera, assim como a indagação em torno de quem Ele seria, segundo a opinião do povo, em razão de ser crença, quase generalizada à época, a pluralidade dos renascimentos. 
Espírito puro, jamais enfermou, enfrentando os fatores climáticos e ambientais mais diversos com a mesma pujança de força e saúde a se refletir na expressão de beleza e de paz nEle estampada.
Quem O visse, jamais O olvidaria, e todo aquele que Lhe sentisse o toque amoroso, ficaria impregnado pelo seu magnetismo para sempre.
É verdade que não poucos homens, que foram comensais da Sua misericórdia, aparentemente O esqueceram...
Todavia, reencarnaram-se através da História, recordando-O às multidões, e ainda hoje se encontram empenhados em fazê-lO conhecido e amado.
A psicoterapia que Ele utilizava era centrada na reencarnação, por saber que o homem é o modelador do próprio destino, vivendo conforme o estabeleceu através dos atos nas experiências passadas.
Por tal razão, jamais condenou a quem quer que fosse, sempre oferecendo a ocasião para reparar o prejuízo e recuperar-se diante da própria, bem como da Consciência Divina.
Sem preferência ou disputa por alguém ou coisa alguma, a tudo e a todos amou com desvelo, albergando a humanidade de todos os tempos no seu inefável afeto.
Espalhou missionários pela Terra, falando a linguagem da reencarnação, até o momento em que Ele próprio veio confirmá-la, acenando com esperança futura de felicidade para todas as criaturas.
Não te crucifiques na consciência de culpa, após reconheceres o teu erro.
Não te encarceres em sombras, depois de identificares os teus delitos.
Não te amargures em demasia, descobrindo-te equivocado.
Renasce dos teus escombros e recomeça a recuperação de imediato, evitando futuros retornos expiatórios, injunções excruciantes, situações penosas.
Pede perdão e reabilita-te, ante aquele a quem ofendeste e prejudicaste.
Se ele te desculpar, será bom para ambos.
Porém, se não o fizer, compreende-o e segue adiante, não mais errando.
Infelicitado por alguém, perdoa-o e desatrela-te dele, facultando-lhe a paz e vivendo o bem-estar que decorre da ação correta.
A reencarnação de que te utilizas é concessão superior, que não podes desperdiçar.
Cada momento é valioso para o teu trabalho de sublimação, de desapego, de amor puro. Abrevia os teus renascimentos agindo corretamente e servindo sem cansaço, com alegria, porqüanto, para adentrares no reino dos céus, que se estende da consciência na direção do infinito, é necessário nascer de novo, conforme Ele acentuou.

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JESUS E ATUALIDADE
Médium: Divaldo Pereira Franco
ESPÍRITO: Joanna de Ângelis
Título: Re: Série Psicológica - Joanna de Ângelis
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 06 de Janeiro de 2019, 15:42
Série Psicológica Joanna de Ângelis
Livro : JESUS E ATUALIDADE

3 JESUS E HUMANIDADE


Jesus-Homem é a lição de vida que haurimos no Evangelho como convite ao homem que se deve deificar.
Não havendo criado qualquer doutrina ou sistema, Jesus tornou a Sua vida o modelo para que o homem se pudesse humanizar, adquirindo a expressão superior.
No Seu tempo, e ainda agora, o homem tem sido símbolo de violência, prepotência e presunção, dominador exterior, estorcegando-se, porém, na sua fragilidade, nos seus conflitos e perecibilidade.
Após os Seus exemplos surgiu um diferente homem: humilde, simples, submisso e forte na sua perenidade espiritual.
Enquanto os grandes pensadores de todos os tempos estabeleceram métodos e sistemas de doutrinas, Ele sustentou, no amor, os pilotis da ética humanizadora para a felicidade.
Não se utilizou de sofismas, nem de silogismos, jamais aplicando comportamentos excêntricos ou fórmulas complexas que exigissem altos níveis de inteligência ou de astúcia.
Tudo aquilo a que se referiu é conhecido, embora as roupagens novas que o revestem.
Utilizou-se de um insignificante grão de mostarda, para lecionar sobre a fé; recorreu a redes de pesca e a peixes, para deixar imperecíveis exemplos de trabalho; a semente caindo em diferentes tipos de solos, para demonstrar a diversidade de sentimentos humanos ante o pólen de luz da Sua palavra.
O “sermão da montanha” inverteu o convencional e aceito sem discussão, exaltando a vítima inocente ao invés do triunfador arbitrário; o esfaimado de justiça, de amor e de verdade, em desconsideração pelo farto e ocioso, dilapidador dos dons da vida.
Jesus é a personagem histórica mais identificada com o homem e com a humanidade.
Todo o Seu ministério é feito de humanização, erguendo o ser do instinto para a razão e daí para a angelitude.
Igualmente, é o Homem que mais se identifica com Deus.
Nunca se lhe refere como se estivesse distante, ou fosse desconhecido, ou temível.
Apresenta-o em forma de Amor, amável e conhecido, próximo das necessidades humanas, compassivo e amigo.
Reformula o conceito mosaico e atualiza-o em termos de conquista possível, aproximando os homens dele pela razão simples de Ele estar sempre próximo dos indivíduos que se recusam a doar-se-lhe em amor.
Referindo-se ao “reino”, não o adorna de quimeras nem o torna pavoroso; antes, desperta nos corações o anelo de consegui-lo na realidade da transcendência de que se reveste.
Nega o mundo, sem o maldizer, abençoando-o nas maravilhosas  paisagens nas quais atende a dor, e deixa-se mergulhar em meditações profundas sob o faiscar das estrelas luminíferas do Infinito.
Jesus, na humanidade, significa a luz que a aquece e a clareia.
Se te deixaste fossilizar por doutrinas ortodoxas que pretendem nEle ter o seu fundador, renasce e busca-O, na multidão ou no silêncio da reflexão, fazendo uma releitura das Suas palavras, despidas das interpretações forjadas.
Se te decepcionaste com aqueles que se dizem seguidores dEle, mas não Lhe vivem os exemplos, olvida-os, seguindo-O na simplicidade dos convites que Ele te endereça até agora e estão no conteúdo das Suas mensagens, ainda vivas quão ignoradas.
 Se não lhe sentiste o calor, rompe o frio da tua indiferença e faze-te um pouco imparcial, sem reações adrede estabelecidas, facultando-Lhe penetrar-te o coração e a mente.
Na tua condição humana necessitas dEle, a fim de cresceres, saindo dos teus limites para o infinito do Seu amor.
 Jesus veio ao homem para humanizá-lo, sem dúvida.
Cabe-te, agora, esquecer por momentos das tuas pequenezes e recebê-lO, assim cristificando-te, no logro da tua realização plena e total.

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JESUS E ATUALIDADE
Médium: Divaldo Pereira Franco
ESPÍRITO: Joanna de Ângelis
Título: Re: Série Psicológica - Joanna de Ângelis
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 09 de Janeiro de 2019, 12:08
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4 JESUS E AMOR

A figura humana de Jesus confirma a Sua procedência e realização como o Ser mais perfeito e integral jamais encontrado na Terra.
Toda a Sua vida se desenvolveu num plano de integração profunda com a Consciência Divina, conservando a individualidade em um perfeito equilíbrio psicofísico.
Como conseqüência, transmitia confiança, porque possuía um caráter com transparência diamantina, que nunca se submetia às injunções vigentes, características de uma cultura primitiva, na qual predominavam o suborno das consciências, o conservadorismo hipócrita, uma legislação tão arbitrária quanto parcial e a preocupação formalística com a aparência em detrimento dos valores legítimos do individuo.
Portador de uma lidima coragem, se insurgia contra a injustiça onde e contra quem se apresentasse, nunca se omitindo, mesmo quando o consenso geral atribuía legalidade ao crime.
Paciente e pacífico, mantinha-se em serenidade nas circunstâncias mais adversas, e jovial, nos momentos de alta emotividade, demonstrando a inteireza dos valores íntimos em ritmo de harmonia constante.
Numa sociedade agressiva e perversa, elegeu o amor como a solução para todos os questionamentos, e o perdão irrestrito como terapêutica eficaz para todas as enfermidades.
Não apenas ministrava-o através de palavras, mas, sobretudo, mediante atitudes claras e francas, arriscando-se por dilatá-lo especialmente aos infelizes, aos detestados, aos segregados, aos carentes.
Em momento algum submeteu-se às conveniências perniciosas de raça, ideologia, partido e religião, em detrimento do amor indistinto quanto amplo a todos que O cercavam ou O encontravam.
Por amor, elegeu um samaritano desprezado, para dele fazer o símbolo da solidariedade.
Com amor, liberou uma mulher equivocada, tirando-lhe o complexo de culpa.
Pelo amor, atendeu à estrangeira siro-fenícia que Lhe pedia socorro para a enfermidade humilhante.
De amor estavam repletos Seu coração e Suas mãos para esparzi-lo com os espezinhados, fosse um cobrador de Impostos, uma adúltera, o filho pródigo, a viúva necessitada, ou a mãe enlutada.
Sempre havia amor em Sua trajetória, iluminando as vidas e amparando as necessidades dos corpos, das mentes, das almas.
Compadecia-se de todos; no entanto, mantinha a energia que educa, edifica, disciplina e salva.
Chorou sobre Jerusalém, invectivou a farsa farisaica, advertiu os distraídos, condenou a hipocrisia e deu a própria vida em holocausto de amor.
Nunca se perdeu em sentimentalismos pueris ou agressividades rudes.
O amor norteava-lhe os passos, as palavras e os pensamentos.
Tornou-se e prossegue como sendo o símbolo do amor integral em favor da humanidade, à qual auspicia um sentimento humano profundo e libertador.

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JESUS E ATUALIDADE
Médium: Divaldo Pereira Franco
ESPÍRITO: Joanna de Ângelis
Título: Re: Série Psicológica - Joanna de Ângelis
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 12 de Janeiro de 2019, 16:47
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Livro : JESUS E ATUALIDADE

5 JESUS E TOLERÂNCIA

Em termos de psicologia profunda, a questão do julgamento das faltas alheias constitui um grave cometimento de desumanidade em relação àquele que erra.
O problema do pecado pertence a quem o pratica, que se encontra, a partir daí, incurso em doloroso processo de autoflagelação, buscando, mesmo que inconscientemente, liberar-se da falta que lhe pesa como culpa na economia da consciência.
A culpa é sombra perturbadora na personalidade, responsável por enfermidades soezes, causadoras de desgraças de vária ordem.
Insculpida nos painéis profundos da individualidade, programa, por automatismos, os processos reparadores para si mesma.
Toda contribuição de impiedade, mediante os julgamentos arbitrários, gera, por sua vez, mecanismos de futura aflição para o acusador, ele próprio uma consciência sob o peso de vários problemas.
Julgando as ações que considera incorretas no seu próximo, realiza um fenômeno de projeção da sua sombra em forma de auto-justificação, que não consegue libertá-lo do impositivo das suas próprias mazelas.
A tolerância, em razão disso, a todos se impõe como terapia pessoal e fraternal, compreendendo as dificuldades do caído, enquanto lhe distende mãos generosas para o soerguer.
Na acusação, no julgamento dos erros alheios, deparamos com propósitos escusos e vingança-prazer em constatar a fraqueza dos outros indivíduos, que sempre merecem a misericórdia que todos esperamos encontrar quando em circunstâncias equivalentes.
Jesus sempre foi severo na educação dos julgadores da conduta alheia.
Certamente, há cortes e autoridades credenciadas para o ministério de saneamento moral da sociedade, encarregadas dos processos que envolvem os delituosos, e os julgam, estabelecendo os instrumentos reeducativos, jamais punitivos, pois que, se o fizessem, incidiriam em erros idênticos, se não mais graves.
O julgamento pessoal, que ignora as causas geradoras dos problemas, demonstra o primitivismo moral do homem ainda “lobo” do seu irmão.
O Mestre estabeleceu a formosa imagem do homem que tem uma trave dificultando-lhe a visão, e no entanto vê o cisco no olho do seu próximo.
A proposta é rigorosa, portadora de claridade iniludível, que não concede pauta a qualquer evasão de responsabilidade.
Ele próprio, diante da multidão aflita, equivocada, perversa, insana, ao invés de a julgar, “tomou-se de compaixão” e ajudou-a.
Naturalmente não solucionou todos os problemas, nem atendeu a todos, como eles o desejavam.
Não obstante, compadecido, os amou, envolvendo-os em ternura e ensinando-lhes as técnicas de libertação para adquirirem a paz.
Tem compaixão de quem cai.
A consciência dele será o seu juiz.
Ajuda aquele que lhe constitui punição.
Tolera o infrator.
Ele é o teu futuro, caso não disponhas de forças para prosseguir bem.
A tolerância que utilizares para com os infelizes se transformará na medida emocional de compaixão que receberás, quando chegar a tua vez, já que ninguém é inexpugnável, nem perfeito.

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JESUS E ATUALIDADE
Médium: Divaldo Pereira Franco
ESPÍRITO: Joanna de Ângelis
Título: Re: Série Psicológica - Joanna de Ângelis
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 19 de Janeiro de 2019, 12:24
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6 JESUS E HONRA

A estrutura psíquica de Jesus é o modelo da perfeita identificação com a tarefa que Ele veio exercer.
Ele pôde penetrar nas leis fundamentais da vida que conduzem os homens, estabelecendo em palavras e atos os roteiros seguros para o equilíbrio fisiopsíquico de todos.
Projetando a Verdade, não esmagava com a Sua natural superioridade, não absorvendo cada individualidade, que permanecia mais independente.
Aqueles que se Lhe afeiçoavam, encontravam a paz e por esta razão, optavam livremente por segui-lo.
Ele sabia despertar as potencialidades jacentes em cada um, canalizando-as para as operações saudáveis, mediante cujo esforço se fruíam júbilos e plenitude.
As parábolas, que lhe guardam as instruções vivas, continuam adequadas para os problemas hodiernos, possuindo sentido harmônico e orientação capazes de serem aplicadas sem qualquer conflito de época, lugar e pessoa.
O homem moderno prossegue, de certo modo, com as mesmas aspirações e necessidades dos seus antepassados, ressalvadas algumas conquistas logradas através dos tempos.
Desse modo, ainda permanece com carências e inseguranças que lhe perturbam as estruturas emocionais.
Para conseguir a liberdade interior e a emancipação, necessita da luz do conhecimento e da coragem para entregar-se com decisão â honra dos objetivos que persegue.
Saber o que pretende da vida e como consegui-lo, eis o processo-parto de amadurecimento pessoal rompendo com as suas próprias raízes os atavismos que lhe procedem do passado espiritual.
Para este esforço, a honra se lhe torna o inigualável guia interior, impulsionando-o para a frente, nos passos que deve dar, sem mais deter-se.
Na ruptura dos laços familiares constringentes, Jesus, sem deixar de atender aos compromissos morais e sociais com o clã a que pertencia, demonstrou a grandeza da coragem que a honra pessoal lhe facultava.
Buscado pela família, que Lhe ignorava o ministério, duvidando da Sua missão, e assim tentando interrompê-la, quando Ele punha os alicerces da Boa Nova nos corações, foi advertido por alguém que Lhe disse:
“— Tua mãe e Teus irmãos aí se encontram e chamam por Ti.”
Chegara-Lhe o momento da indeclinável quão honrosa decisão, facultando-Lhe interrogar com tranqüilidade:
“— Quem é meu pai, minha mãe, quem são meus irmãos, senão aqueles que fazem a vontade de Deus?”
A estupefação geral não O perturbou e Ele prosseguiu como se nada houvesse acontecido.
Honra é a coragem de eleger o melhor.
A dubiedade na decisão entre os que O desejavam reter e aqueles que Lhe necessitavam da presença e das lições, seria a lamentável falência dos objetivos que buscava.
Não há, aí, desrespeito aos familiares.
Estes, sim, presunçosos e amedrontados, sem O consultarem, desrespeitavam-Lhe a opção de homem independente, que viera para um apostolado que jamais negara qual seria o término: a humilhação, a cruz, a morte.
A Sua honra levava-O ao prosseguimento, mesmo lutando contra todos os fatores hostis.
Ele viera romper os impedimentos, arrancar a escultura modelada do homem integral, do mármore frio da sociedade utilitarista e escravocrata.
O cinzel e o martelo para arrebentar a pedra eram a honra e o dever.
Nada podia emparedá-lo nos limites das conveniências, dos receios pueris, das afeições imaturas.
Vinte séculos depois, ei-lO o mesmo escultor de almas, trabalhando o granito das vidas, a fim de libertá-las.
Tua honra deve modelar-se na dEle.
Tua decisão para a felicidade, rompendo as estruturas passadistas e acomodadas, é a força do teu empreendimento.
Entra em ti mesmo e ausculta a consciência, o teu guia íntimo, a fim de saberes o que pretendes, o que é melhor para ti e como conquistá-lo.
A tua libertação diferirá daquela que rompe vínculos de afetividade para soltar-se, escravizando-se a outras situações piores.
A honra de encontrar um guia interno, que te orienta nos fundamentos da vida de Jesus, é o desalgemar-se de tudo quanto constitui retentiva, para que sigas plenamente.
Após isto, não serás mais o mesmo, nem te repetirás.
A consciência do dever se manifestará a ti na honra de seguir em padrões de respeito a todos e a tudo, porém, de liberdade total sob a liderança de Jesus.

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Médium: Divaldo Pereira Franco
ESPÍRITO: Joanna de Ângelis
Título: Re: Série Psicológica - Joanna de Ângelis
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 01 de Fevereiro de 2019, 11:51
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8 JESUS E DEVER

Por certo, de maneira inconsciente, incontáveis indivíduos se crêem merecedores de tudo.
Supõem que até o Sol brilha porque eles existem, a fim de facultar-lhes claridade, calor e vida.
Fecham-se nos valores que se atribuem possuir e, quando defrontam a realidade, amarguram-se ou rebelam-se, partindo para a agressividade ou a depressão.
Não assumem responsabilidades, nem cumprem com os deveres que lhes cabem.
As vezes comprometem-se, para logo abandonarem a empresa acusando os outros, sentindo-se injustiçados.
São exigentes com a conduta alheia e benevolentes com os próprios erros.
Sempre estremunhados, tornam-se pesado fardo na economia social, criando situações desagradáveis.
Fáceis e gentis quando favorecidos, tornam-se rudes e ingratos, se não considerados como acreditam merecer.
Afáveis no êxito, apresentam-se agressivos no esforço.
Olvidam-se de que a vida é um desafio à coragem, ao valor moral e que todos temos deveres impostergáveis para com ela, para com nós mesmos e para com os nossos irmãos terrestres.
Ninguém tem o direito de fruir sem trabalhar, explorando o esforço de outrem.
O prêmio é a honra que se concede ao triunfador que se empenhou por consegui-lo.
Palmo a palmo, o viajante ganha o terreno que percorre, fitando com desassombro a linha de chegada.
O dever de cada um o conduz na empreitada da evolução.
Esse esforço resulta da conquista moral que a consciência se permite, em plena sintonia com o equilíbrio cósmico.
Ser útil em toda e qualquer circunstância, favorecer o progresso, viver com dignidade, são algumas expressões do dever diante da vida.
Em inolvidável parábola, Jesus delineou o comportamento do homem que se esforça e merece respeito, demonstrando-lhe a fragilidade e, ao mesmo tempo, o desejo de renovação.
Mateus recorda que:

“havia um homem que tinha dois filhos.
Falou ao primeiro:
“Filho, vai hoje trabalhar na vinha”,
ao que ele respondeu:
“Sim, senhor”;
porém, refletindo, mais tarde, resolveu não ir.
Ao segundo filho fez a mesma proposta e ele disse:
“Não quero”.
Todavia, arrependido, foi. “
— Qual dos dois atendeu a vontade do pai?”, pergunta o Mestre.
 E os interrogantes responderam a Jesus:
“O segundo”. (*)

Defrontamos, nessa experiência, a ação e a promessa, o fato e a intenção.
A ação deve predominar porque é resultante do dever.
Para ela não se tornam necessárias palavras melífluas ou confortadoras, mas sim a decisão para realizá-la corretamente.
Jesus sempre propõe o dever, a ação; bem entender, a fim de melhor atuar.
Ele não induz ninguém à alienação da realidade objetiva do mundo.
Ele estabelece uma escala de valores que devem ser respeitados, merecendo primazia os mais relevantes, que se tornam a pauta de conquistas do homem de bem, que cumpre com o seu dever.
Diante dEle, estagnação é morte e esta é crime cometido contra o “reino de Deus” que está dentro do próprio homem, necessitando de ser conquistado.
Todas as parábolas que Ele nos ofereceu estão plenas de ação, sem impositivos externos, antes como resultado de espontânea lucidez da consciência desperta.
Nunca prometas realizar o que não pretendes fazer.
Jamais permaneças inoperante em um lugar já conquistado.
Identifica as possibilidades aí vigentes e segue adiante.
O dever que te impõe renúncia e sacrifício, também te alça à harmonia, liberando-te dos conflitos e das dúvidas.
Não cesses de crescer interiormente.
 A insatisfação com o que já lograste sem rebeldia, será a tua motivação para conquistas mais expressivas.
És servidor do mundo. Jesus, que se originara nas estrelas, afirmou ser o servo de todos e assim se fez, para que “tivéssemos vida e esta em abundância”.

*Mateus: 21, 28 e seguintes.
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JESUS E ATUALIDADE
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ESPÍRITO: Joanna de Ângelis
Título: Re: Série Psicológica - Joanna de Ângelis
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 08 de Fevereiro de 2019, 11:28
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9 JESUS E ALEGRIA

Essa tristeza que te domina, amargurando as tuas horas, é grave enfermidade que deves combater a partir de agora.
Nenhuma complacência para com ela, nem justificativa enganosa para aceitá-la.
Os argumentos de infelicidade quanto de insatisfação não passam de sofismas e mecanismos de evasão da realidade.
Problemas todos os têm, com um imenso universo de apresentação.
A falta deles geraria, por enquanto, desmotivação para a luta, para o progresso.
Essa nostalgia deprimente que te aliena e consome é adversária cruel, a que te entregas livremente sem reação, ampliando-lhe o campo de domínio, à medida que lhe cedes espaço.
Seja qual for a razão, fundamentada em acontecimentos atuais, deves transformar em bênção que te convida à reflexão e não ao desalento.
A tristeza é morbo prejudicial ao organismo, peste que consome a vida.
Tudo, em tua volta, é um hino de louvor, de alegria, de gratidão a Deus.
Observa-o bem.
Somente o homem, porque pensa, se permite empolgar pela tristeza, descambando para os surdos conflitos da rebeldia.
Essa tristeza pode resultar de dois fatores, entre outros: reminiscências do teu passado espiritual e perturbação com repercussão obsessiva.
No primeiro caso, as impressões pessimistas devem ser eliminadas, alijando-as do inconsciente, sob pressão de idéias novas, agradáveis, positivas, que te cumpre cultivar, insistindo em fixá-las nos painéis mentais.
Se te acostumas a pensar bem, superarás as lembranças más.
Os hábitos se enraízam, porque se repetem, dominando os automatismos da mente e do corpo.
Na segunda hipótese, a hospedagem mental e emocional de Entidades desencarnadas, malévolas, ocorre porque encontram sintonia nas tuas faixas psíquicas, estabelecendo contato hipnótico que se agrava com o tempo.
Em ambos os casos te encontras incurso em débitos para com as soberanas Leis da Vida.
Não te reencarnaste, porém apenas para pagar, antes, sim, para ressarcir com amor, liberando-te dos compromissos negativos mediante as ações relevantes.
És candidato às cumeadas da montanha, e não um condenado às galés nas sombras do remorso inútil ou no charco das lágrimas perdidas.
Se permaneces na situação infeliz, tornas-te vítima de ti mesmo.
Todavia, se te resolves por sair do caos, transformas-te em teu próprio psicoterapeuta.
Jesus, apenas uma vez, deixou-se vestir de tristeza, de amargura.
No Getsêmani, quando só Ele velava e os amigos, ali próximos, dormiam, embora aquela fosse a hora decisiva, o pré-final.
E o permitiu por piedade para com os companheiros invigilantes, que se não davam conta da gravidade do momento.
Sempre Ele cultivou a alegria da esperança, a bênção da saúde, a dádiva da paz.
O Seu, foi o ministério do júbilo, da transformação do homem e do mundo velhos em uma criatura e sociedade inteiramente novas.
Renascimento é vitória sobre a morte.
E alegria que procede da libertação.
Rasga, portanto, essa mortalha de sombras sob a qual ocultas todas as tuas possibilidades de triunfo, e sai a semear fraternidade na grande vinha que te aguarda.
Realiza um novo, um atual encontro contigo mesmo e examina-te melhor, sem deplorares a situação em que te encontras, e vai na direção do êxito.
Isto é fundamental, não como um pagamento, porém como um dever que te falta cumprir, a fim de te recuperares.
Deus te concede esse direito e tens que corresponder-Lhe, usando-o em teu benefício.
Provavelmente sofres pressões, que são uma falta de humanidade, mas tua é a submissão a essa força constritora que aceitas.
Se, em verdade, queres sair da tristeza, podes.
Em caso contrário, és responsável por ela, assim te comprazendo, o que é séria enfermidade.
 
 “Alegrai-vos”, propôs Jesus, “é chegado até vós o reino de Deus.”

Este reino está dentro de nós, esperando ser descoberto e habitado.
Aguarda-te, desafiador.
Chegou até onde estás.
Dá o teu passo em sua direção, penetra-o, deixa-te por ele preencher e alegra-te para sempre, como herói que concluirá a luta.

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JESUS E ATUALIDADE
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Título: Re: Série Psicológica - Joanna de Ângelis
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 12 de Fevereiro de 2019, 19:38
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10 JESUS E CORAGEM

A coragem de Jesus!
A Sua foi uma vida de constantes desafios.
Em luta contínua em favor do Bem, jamais deixou de agir corretamente, com desassombro.
A mensagem de que se tornara portador, objetivando libertar as consciências humanas para a Verdade, dEle fez o paladino da coragem.
Nunca anuiu com o crime disfarçado de legalidade; com a arrogância mascarada de humildade; com a injustiça apoiada pelos poderosos; com a hipocrisia travestida de honestidade; com a discriminação de qualquer natureza sob justificativas sociais, econômicas, raciais ou religiosas.
Elegeu um samaritano como exemplo de solidariedade, em detrimento de um sacerdote presunçoso e de um levita astuto, que desfrutavam de algum prestígio na comunidade dominadora, embora aquele fosse detestado e desconsiderado.
Apoiou a mulher, que se tornara objeto de prazeres e era acusada publicamente de haver induzido o homem ao pecado, ao crime, com naturalidade e ternura, escolhendo uma equivocada, de conduta pública irregular, para torná-la mensageira da boa nova da Sua ressurreição.
Fez-se a voz dos humildes e esquecidos, os sem direitos nem apoio, a fim de que os seus justos reclamos se fizessem ouvidos.
Conviveu com as pessoas ditas de “má vida”, sem receio de contaminação, com total desprezo dos que possuíam privilégios em uma vida má, à qual se entregavam ocultamente.
Sua palavra, suave ante os sofredores, tornava-se contundente e viril diante dos perversos, dos bajuladores e dos pusilânimes, os quais nunca temeu.
Em momento algum receou perder a vida, pois que para isso viera.
Não negociou favores ou submeteu-se às conveniências humanas.
Humilde, não se fez subserviente; afável, não se tornou piegas; amigo, não se qualificou subalterno.
Sempre estóico, mantinha a linguagem e a conduta próprias para cada ocasião, pessoa e circunstância, sem afastar-se do roteiro que estabelecera.
Viveu e agiu com firmeza, fora de subterfúgios, mantendo um só comportamento; o de fidelidade a Deus.
Apóia-te nEle.
Sob tribulação ou fora dela, busca-O.
Em dúvida atroz ou perseguido, pensa em como Ele agiria nessa situação, e faze conforme te inspire a consciência reta.
Reflexiona com tranqüilidade em torno da coragem de Jesus e busca-Lhe o exemplo.
Tem coragem de viver!
Não te escondas, nem escamoteies a tua situação sob desculpas e mentiras.
Auto-analisa-te, banhado pela claridade dos ensinamentos dEle e rompe os grilhões que te jugulam ao medo, à insegurança, à instabilidade, ao sofrimento moral e físico.
Enfrenta com naturalidade os teus limites e angústias, confiante na vitória, não te evadindo dos deveres que te compete realizar.
Em cada insucesso aprende como não repetir a façanha, sem depressão ou arrependimento.
A experiência é a súmula das tentativas que deram resultados positivos e negativos.
Nunca temas a ninguém, atribuindo-lhe uma superioridade e valor que certamente não possui.
Respeita, sim, as conquistas de cada pessoa, considera-a e toma-a como estímulo para ti, a fim de que também alcances essas realizações superiores.
Concede-te o direito de ser humano e o dever de cresceres sempre, sem que te detenhas no degrau ou patamar onde te encontras.
Age sempre ajudado pelo otimismo.
O medo é inimigo atroz, que dizima vidas aos milhões.
A coragem nasce nos valores morais do homem que elege a conduta correta para uma vida feliz.
A coragem de viver deve ser treinada continuamente, vencendo as pequenas barreiras da timidez, dos receios de fracassos, dos complexos de inferioridade, das doenças reais ou imaginárias, fortalecendo o ânimo em cada triunfo e reconsiderando a ação em cada insucesso.
Coragem é conquista que difere muito da temeridade.
O homem de coragem espera, confia e age no momento próprio, enquanto que o temerário faz-se precipitado, impiedoso e irresponsável.
Toma como exemplo para tua vida a coragem de Jesus e segue tranqüilo.

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Título: Re: Série Psicológica - Joanna de Ângelis
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 20 de Fevereiro de 2019, 15:42
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11 JESUS E DECISÃO

A um jovem, que parecia disposto a ingressar na Nova Era, candidatando-se a segui-lO, Jesus propôs o convite direto, sem preâmbulos.
Apesar do interesse que se refletia na face ansiosa, o moço, receoso, esquivou-se sob a justificativa de que iria antes sepultar o genitor que havia morrido.
Diante da resposta que parecia justa, o Mestre foi, no entanto, contundente, informando-o “Deixa aos mortos o cuidado de sepultar os seus mortos; mas tu, vem construir no coração o reino de Deus”.
Pode causar estranheza a atitude e proposta de Jesus a um filho que pretendia cumprir com o seu dever imediato: no caso, enterrar o pai desencarnado.
É provável que esse fosse o seu intento real, adiando o engajamento na tarefa da vida eterna.
Todavia, é possível que o moço ocultasse alguma outra intenção.
O desejo de estar presente ao velório e à inumação do cadáver talvez significasse a preocupação de ser visto como um filho cuidadoso e fiel, merecedor da herança que lhe cabia.
Alguma disposição testamentária, provavelmente, exigia-lhe o cumprimento desse dever final, sob pena de perder o legado.
Então, a sua presença não significaria um ato de amor, mas um ato de interesse subalterno.
Os bens materiais, não obstante possuam utilidade, favorecendo o conforto, o progresso, a paz entre os homens quando bem distribuídos, são, às vezes, de outra forma, algemas cruéis que aprisionam as criaturas, e que, transitando de mãos, são coisas mortas, que não merecem preferência ante as verdades eternas.
Igualmente se pode pressupor que o rapaz, ainda cioso da sua juventude, não estivesse disposto a renunciá-la, encontrando, na justificativa, uma forma nobre para evadir-se do compromisso.
Os gozos materiais são cadeias muito vigorosas que jugulam os homens às paixões primitivas que deveriam superar a benefício próprio, mas que quase sempre os levam à decomposição moral, à morte dos ideais libertadores.
Quiçá a preocupação a respeito da nova responsabilidade causasse no candidato um receio injustificado, levando-o à escusa com o argumento apresentado.
O medo de assumir compromissos graves impede o desenvolvimento intelecto-moral do indivíduo, mantendo-o estacionado na rotina despreocupada e monótona do seu dia-a-dia.
O convite de Jesus faz-se acompanhar de um programa intenso, iniciando-se na renovação íntima para melhor, e prosseguindo na ação construtiva do bem em toda parte.
O medo é fator dissolvente da individualidade humana, responsável por graves desastres e crimes que poderiam ser evitados.
É força atuante que conduz à morte das realizações dignificantes e das próprias criaturas.
Por fim, suponhamos que o sentimento filial prevalecesse na resposta e ele estivesse preocupado com o pai desencarnado.
Ainda assim, qualquer pessoa poderia sepultá-lo, mas ninguém, exceto ele mesmo, poderia encarregar-se da sua iluminação.
Jesus era a sua oportunidade única.
Jesus penetrou-o e sabia o motivo real da sua recusa.
Porém, deixou-o livre para decidir-se.
Ele foi sepultar o progenitor e não voltou.
Perdeu a oportunidade.
Muitos ainda agem assim.
Observa o que elegeste para a tua atual existência: seguir a vida e vivê-la ou acumular tesouros mortos para sepultá-los no olvido.
Desnuda-te interiormente e contempla-te.
Que possuis de real, que a morte não te arrebatará, e o que seguirá contigo?
Usa de severidade neste exame de consciência e toma o lugar do jovem convidado.
Que responderias a Jesus nesse momento?
Queixas-te dos problemas que te aturdem e os relacionas, ignorando ou tentando desconhecer que estás na Terra para aprender, resgatar, reeducar-te.
Olha ao redor e compreenderás o quanto é urgente que te decidas pelo melhor e duradouro para ti como ser imortal que és.
Postergando a decisão, quando então a tomar, provavelmente as circunstâncias já não serão as mesmas e a tua situação estará diferente, talvez complicada.
O momento é este.
Deixa-te permear pela presença dEle e, feliz, segue-o.
Com tal atitude os teus problemas mudarão de aparência. perderão o significado afligente, contribuirão para a tua felicidade.
Renascerás dos escombros e voarás no rumo da Grande Luz, superando a noite que te aturde.

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Título: Re: Série Psicológica - Joanna de Ângelis
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 26 de Fevereiro de 2019, 12:06
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12 Jesus e Responsabilidade

Há, no homem, latente, um forte mecanismo que o leva a fugir da responsabilidade, transferindo o seu insucesso para outrem, na condição de indivíduo social, ou para os fatores circunstanciais da sorte, do nascimento e até de Deus.
Quando tal não se dá, na área das suas projeções comportamentais, apega-se ao complexo de culpa, mergulhando nas depressões em que oculta a infantilidade, pouco importando a idade orgânica em que transita.
A responsabilidade resulta da consciência que discerne e compreende a razão da existência humana, sua finalidade e suas metas, trabalhando por assumir o papel que lhe está destinado pela vida.
Graças a isso, não se omite, não se precipita, estabelecendo um programa de ação tranquila, dentro do quadro de deveres que caracterizam o progresso individual e coletivo, visando à conquista da plenitude.
O homem responsável sabe o que fazer, quando e como realizá-lo.
Não se torna parasita social, nem se hospeda no triunfo alheio, tampouco oculta-se no desculpismo ridículo.
A sua lucidez torna-o elemento precioso no grupo social onde se movimenta.
Talvez não lhe notem a presença, face à segurança natural que proporciona; todavia, a sua falta sempre se faz percebida por motivos óbvios.
A responsabilidade do homem leva-o aos extremos do sacrifício, da abnegação, da renúncia, inclusive do bem-estar, e até mesmo da sua vida.
Como pastor de almas, Jesus fez-se nos responsável, elucidando-nos a respeito dos deveres, das necessidades reais, dos legítimos objetivos da nossa vida.
Em contrapartida, doou-se nos até o holocausto, não fosse a Sua vida ao nosso lado, em si mesma, um grande e estoico sacrifício de amor.
Não obstante, conclamava a todos que O buscavam para o dever da responsabilidade, que os capacita para as realizações relevantes.
Por conhecer a alma humana em sua realidade plena, identificava nela as nascentes de todos os males, como também a fonte generosa de todas as bênçãos.
Porque o homem ainda prefere a manutenção das próprias mazelas, nelas se comprazendo, anestesia-se no infortúnio em que permanece com certo agrado, embora demonstre desconforto e infelicidade.
Desse modo, sempre que acolhia àqueles que O buscavam, conhecendo-lhes as causas dos pesares, após atendê-los, propunha-lhes com veemência que não retornassem aos erros, a fim de que lhes não acontecesse nada pior.
A responsabilidade liberta o indivíduo de si mesmo, alçando-o aos planos superiores da vida.
Enquanto ele se movimenta cultivando o morbo das paixões selvagens, desajusta os implementos emocionais, tornando-se vítima de si mesmo, facultando que se lhe instalem as doenças degenerativas e causticantes.
A renovação moral propicia a canalização das energias saudáveis de forma favorável, preservando o ser para os cometimentos elevados a que se destina.
A humanidade sobrevive graças aos seus homens responsáveis, que trabalham continuamente em prol do bom, do belo, do ideal.
Eles se destacam pela grandeza das suas realizações cimentadas no sacrifício pessoal.
À mulher surpreendida em adultério, aos portadores do mal de Hansen e aos obsediados, após a recuperação de cada um, a advertência de Jesus era sempre firmada na responsabilidade, para que, em entesourando os valores éticos e os deveres espirituais, não se permitissem voltar aos erros.
Neste momento, quando necessitas dEle, reformula os teus conceitos sobre a vida e passa a atuar corretamente, dominado pela responsabilidade.
A ninguém transfiras a causa dos teus desaires, dos teus insucessos.
Dá-te conta deles e recomeça a ação transformadora.
Mesmo que não o queiras, serás sempre responsável pelos efeitos dos teus atos.
Colherás conforme semeares.
Assume, portanto, o teu compromisso com o Mestre e permanecerás saudável interiormente, prosseguindo íntegro nos teus deveres com responsabilidade.

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Título: Re: Série Psicológica - Joanna de Ângelis
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 02 de Março de 2019, 19:15
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13 JESUS E REVOLUÇÃO

Jesus sempre agiu na condição de psicólogo profundo.
Não importava o revestimento, a aparência com que se Lhe apresentavam as pessoas ou estas se referiam ás suas doenças, aos seus sentimentos.
Quando verbaliza o que lhe vai no íntimo, o homem invariavelmente escamoteia, no envoltório das palavras, o que desejaria dizer.
Há mesmo, de forma inconsciente, um terrível pavor para alguém desnudar-se perante si próprio, e não menor diante de outrem.
Por sua vez, são poucas as pessoas que sabem escutar, ver, compreender.
O sorriso de simpatia de um momento transforma-se em esgar noutro instante e a gentileza transmuda-se em agressividade.
Além disso, o ouvinte capta a projeção do narrador, adaptando a informação à própria problemática; o entendimento de que é capaz, ao seu campo de conflitos.
Jesus, por ser o Homem Integral, límpido na Sua transparência efetiva, penetrava os arcanos mais profundos do indivíduo, desconhecidos para si mesmo, que se debatia na superfície dos efeitos sem lograr remontar às suas causas.
Seus diálogos eram rápidos e diretos.
Não se utilizava de circunlóquios, nem de evasões.
Quando recorria a parábolas ou apresentava contra-interrogações aos fariseus e hipócritas, usava de uma técnica sem paralelo, mediante a qual o farsante se descobria nas suas próprias palavras.
Assim o fez, repetidas vezes, inclusive com o sacerdote que Lhe indagara quem era o seu próximo, narrando-lhe a parábola do “Bom samaritano” e obrigando-o, pela lógica, à conclusão.
Igualmente, aplicou o método com aqueles que Lhe inquiriram se era lícito pagar-se o imposto, pedindo-lhes uma moeda e indagando-lhes de quem era a efígie nela esculpida.
Era com os sofredores, porém, que Ele mantinha a mais correta psicoterapia de que se tem conhecimento.
Não recorria aos sonhos dos seus pacientes, para descobrir-lhes o inconsciente, os seus arquivos, as suas sombras psicológicas.
Não administrava os medicamentos usuais ou outros de complicadas fórmulas.
Não transferia para os seus familiares o peso da culpa, da hereditariedade, dos fatores sócio-econômicos.
Não fazia que sumarizassem os fenômenos desgastantes, mediante acusações de qualquer procedência.
Amava-os, transmitindo-lhes segurança e auxiliando-os a redescobrirem as potencialidades latentes, abandonadas.
Despertava neles uma visão nova da existência, amparando-os naquele instante, não porém impedindo que prosseguissem conforme o desejassem.
Jamais se lhes impôs.
Era buscado por todos, sem os procurar, porque o êxito de qualquer empreendimento depende do seu realizador.
Os fatores circunstanciais são-lhe o campo, o espaço onde agirá.
É certo que, beneficiados, quase todos que Lhe receberam a claridade libertadora foram adiante, a sós, por eleição pessoal.
Muitos, se não a quase totalidade, foram ingratos; outros tantos recaíram nas redes em que se amolentaram na indolência; diversos
O acusaram, inconscientes e inadvertidos.
Todos, porém, sem exceção, não ficaram indenes ao Seu magnetismo, à Sua afabilidade, ao Seu poder.
Revolucionário por excelência, estabelecia a luta de dentro para fora: a morte do homem velho e o nascimento do homem novo.
Oferecia a contribuição do primeiro passo.
Os demais pertenciam ao candidato, que os deveria dar.
A obra era geral; a ação de cada um, que Lhe cabia realizar.
Seguindo à frente, aplainava a estrada.
Os inimigos estavam no foro íntimo dos combatentes.
Ele sabia, também, que o esforço era árduo e só a perseverança, o tempo e o trabalho levariam à vitória.
Assim, não se irritava, e nunca se impacientava.
Se desejas, realmente, a cura dos teus males, deixa-te auscultar por este sublime psicoterapeuta.
Segue-lhe as instruções.
Revoluciona-te, rompendo com o comodismo, a autoflagelação, a autopiedade, o passado sombrio.
Renasce de dentro de ti.
Se queres o triunfo real, sai a campo e luta.
Abre-te ao amor e ama sem esperar resposta.
Não estás sozinho na batalha.
Ao teu lado outros combatentes aguardam apoio, qual ocorre contigo.
Descobre-os e une-te a eles, sabendo, porém que a tua será a revolução com Jesus e não contra o mundo, a humanidade ou a vida.

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Título: Re: Série Psicológica - Joanna de Ângelis
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 08 de Março de 2019, 11:03
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14 JESUS E POSSES

O apego aos bens materiais torna-se uma jaula que aprisiona o possuidor distraído, que passa a pertencer àquilo que supõe possuir.
Causa aflição, pelo medo de perder o que acumula; pela ânsia de aumentar o volume dos recursos; pela circunstância de ter que deixá-los ante a iminência da morte sempre presente na vida.
Desvaria, porque intoxica de orgulho e prepotência a criatura, que se crê merecedora de privilégios e excepcionais deferências, que a não impedem de enfermar-se, neurotizar-se, padecer de solidão e morrer como todas as demais.
Enrijece os sentimentos, que perdem a tônica da solidariedade, da compaixão e da caridade, olvidando-se dos outros para pensar apenas em si.
Faz pressupor que nasceu para ser servido, abandonando o espírito de serviço que dignifica e favorece o progresso.
O possuidor que não se interessa por repartir os valores, oferecendo dignas oportunidades de trabalho, é escravo que mais se envilece, quanto mais se prende às posses.
Rico é todo aquele que doa, assim espalhando os recursos, que se multiplicam em diversas mãos em benefício geral.
O rico verdadeiro é investidor consciente, que não paralisa o crescimento da sociedade, antes amplia sua área de realizações.
Sabe que é mordomo transitório e não dono permanente, devendo prestar contas, oportunamente, dos valores que lhe foram confiados.
Verdadeiramente, o homem nada possui.
Nem a si mesmo ou à sua vida, tornando-se usuário de tudo quanto lhe chega e passa.
A descoberta de tal realidade harmoniza-o interiormente e com tudo quanto é temporário, em trânsito para o que é de sabor eterno, que é a sua espiritualização.
No século desfruta, mas não retém.
Na Vida permanece, mas não abusa.
O encontro de Jesus com o jovem rico, que se dispôs a segui-lO, reveste-se de extraordinário conteúdo contemporâneo.
Apesar de cumpridor das exigências formais da sociedade e da religião, não tinha consciência do significado da integração da sua existência no ideal fecundo da vida eterna.
Queria o “reino”, desfrutando os favores do mundo, em forma dos bens que lhe facilitavam a caminhada faustosa.
Anelava por seguir o Amigo e fruir da Sua companhia, sem contribuir com nada.
Ter mais, sem despojar-se de algo, era o seu intento.
O Mestre, que o conhecia em profundidade, estabeleceu como requisito fundamental, que ele vendesse tudo quanto possuía, desse-o aos pobres e o seguisse.
A vida é feita de intercâmbios, de trocas e permutas.
“Se dá a quem tem e se tira de quem não tem”, daquele que é avaro e nunca reparte o excesso que, para ele, não é nada, no entanto, para os demais, é tudo.
O moço era rico e gozador, mas não era feliz, pois que lhe faltava algo: a solidariedade que pacifica as ansiedades do coração.
Talvez ele se pudesse libertar dos bens materiais; todavia, não estava acostumado aos limites da escassez, ao equilíbrio da falta, a uma posição menos vistosa, destituída do brilho enganoso da fatuidade e da bajulação.
Renunciar aos tesouros seria um passo na direção da renúncia de si mesmo, e isto era-lhe demasiado.
Favorecido pela abundância, receou a carência.
Renunciou, então, ao permanente, e perdeu-se na vacuidade.
Possuis, como bens atormentantes, ao lado das moedas, propriedades, títulos, semoventes, as paixões e caprichos deles decorrentes.
Almejas paz e afeição, felicidade e auto-realização; entretanto, quando se te apresenta o ensejo, recalcitras e avalias o montante daquilo que deves doar em troca, optando por prosseguir conforme te encontras.
Queres, porém não estás seguro da opção que deves fazer, da contribuição a brindar, do teu esforço pela libertação.
Somente é feliz aquele que é livre.
Só existe felicidade em quem se encontrou com a verdade, absorveu-a e tomou-a como norma de conduta.
No redemoinho das tuas querelas e conveniências, se desejas vida nova e harmônica, ouve Jesus:
“Despoja-te de tudo, dá aos outros o que seja útil e segue-me”
— propõe Ele.
Desnudado, estarás fecundado pela luz; portanto, livre e feliz.
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Título: Re: Série Psicológica - Joanna de Ângelis
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 17 de Março de 2019, 10:23
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15 JESUS E TORMENTOS

Genericamente, o homem tem sido considerado como a massa física e mental, ainda incompleta, que demanda o túmulo e ali se consome.
As religiões reportam-se à alma com um destino adrede fixado para o futuro, repousando na ociosidade ou padecendo na punição intérmina.
O mundo é, para os primeiros, um lugar de prazeres imediatos com a inevitável presença do sofrimento, que faz parte da sua imperfeição; para os segundos, é “vale de lágrimas” ou “lugar de degredo”.
De um lado, a simplista informação do nada após a morte; do outro, a fatalidade preestabelecida, violando os códigos do querer, do lutar, do vencer.
Uma e outra corrente de pensamento conduz, inevitavelmente, aos tormentos.
Aqui, o gozo até a lassidão dos sentidos, e ali, a amargura frustrante. a castração da alegria em mecanismos de evasão da realidade.
Fundamentados nessas propostas, surgem aqueles que vivem para fruir e os que se recusam à satisfação.
Jesus foi o protótipo da felicidade.
Amava a Natureza, os homens, os labores simples com os quais teceu as Suas maravilhosas parábolas.
Não condenava as condições terrenas, não as exaltava.
Na posição de Mestre ensinava como se devia utilizá-las, respeitando-as, com elas gerando alegria entre todos, abençoando-as.
Como Médico das almas propunha vivê-las sem pertencer-lhes, assinalando metas mais elevadas, que deveriam ser conquistadas com esforço pessoal.
Os tormentos humanos procedem da consciência de culpa de cada criatura.
Originário de outras existências corporais, o Espírito herda as suas ações, que ressurgem em forma de efeitos.
Quando aquelas foram saudáveis, estes se lhe fazem benfazejos.
O inverso é, igualmente, verdadeiro.
Dos profundos arcanos da individualidade surgem as matrizes das aflições que se lhe estabelecerão no ser como processos depuradores, facilitando a instalação das enfermidades, dos tormentos, das insatisfações.
Da mesma forma, criam-se-lhe as condições favoráveis para a existência, fácil ou árdua, no lar caracterizado por problemas sócio-econômlco-morais, ou enriquecido de amor e recursos que lhe favorecem a jornada.
No ser profundo, imortal, encontram-se as raízes dos fenômenos que agora lhe repontam sobre o solo da organização carnal. 
Os teus tormentos atuais são tormentos que engendraste em vidas passadas.
Atormentaste com impiedade e agora sofres sem conforto.
Afligiste sem misericórdia e ora padeces sem afeição.
Inquietaste com perversidade e hoje te perturbas sem consolo.
O teu íntimo é um caldeirão fervente.
Os conflitos se sucedem e sais de um para outro desespero.
Tens dificuldade em exteriorizá-los, verbalizá-los, aliviando-te.
Fobias, complexos, recalques dominam-te a paisagem mental e te sentes um fracassado.
Retempera o ânimo, porém, e sai do refúgio dos teus tormentos para a luz clara da razão.
Ninguém está, na Terra, fadado ao sofrimento aos conflitos destruidores.
Todos retornam ao mundo para aprender, recuperar-se, reconstruir.
Na ausência do amor-ação, aparece-lhes a dor-renovação.
Assim, dispõe-te à paz, à libertação dos tormentos e lograrás alcançá-las.
No inolvidável encontro de Jesus com a mulher de vida libertina, que Lhe lavou os pés com unguento de lágrimas, enxugando-os com os seus cabelos, temos a psicoterapia para todos os tormentos.
Disse Ele ao anfitrião que o censurava mentalmente por aceitar a atitude da pobre atormentada:
“Ela muito amou, e, por isso, os seus pecados lhe serão perdoados.”
Fitando-a com ternura e afeição, recomendou-lhe:
“Vai-te em paz, a tua fé te salvou.”
O amor que se converte em reparação de erros é a eficiente medicação moral para todas as chagas do corpo, da mente e da alma.
Ama e tranquiliza-te, deixando os teus tormentos no passado, e, ressuscitando dos escombros. ressurge, feliz, para a reconstrução sadia da tua vida.

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JESUS E ATUALIDADE
Médium: Divaldo Pereira Franco
ESPÍRITO: Joanna de Ângelis
Título: Re: Série Psicológica - Joanna de Ângelis
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 23 de Março de 2019, 13:37
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Livro: JESUS E ATUALIDADE

16 JESUS E REPOUSO

Há, no homem, sempre presente, um imenso desejo de repousar, espairecer, sair do trabalho, refazer energias.
Programas de férias se sucedem em todas as quadras do ano, com excursões, esportes, divertimentos.
Quem reside nos campos deseja viajar às cidades; quem trabalha nas montanhas busca as praias; quem vive nos trópicos anela pelo frio e as recíprocas são verdadeiras.
A febre das viagens toma conta das criaturas.
Aquele que as não realiza, sente-se diminuído, marginalizado, sem status social.
Por extensão, todos desejam realizar o seu plano alternativo de espairecimento e descanso.
Um grande número se entrega a trabalhos esfalfantes durante o ano para economizar e realizar o seu sonho nas férias.
Labora até a exaustão, assume compromissos para pagar depois, a expensas de juros escorchantes no resgate penoso, a fim de gozar hoje.
Comenta-se sobre as facilidades para viajar, as vantagens, e tudo são apenas palavras.
Trata-se de um modismo.
Com raras exceções, as viagens são penosas e as excursões exaustivas.
Pouco repouso e muito incômodo.
As alegrias e entusiasmos do começo emurchessem à medida que passam os dias, substituídos pelo sono irregular, pelas indisposições, pelas horas intérminas de espera em hotéis abarrotados, com serviços deficientes e outros percalços.
A propaganda bem apresentada fala da exceléncia de tudo, que a realidade demonstra não ser verdade.
Na ocasião do retorno, quando não acontecem problemas muito comuns em tais ocasiões, recompõem-se as aparências a fim de impressionar aqueles que ficaram, e os comentários exagerados afloram aos lábios sorridentes dos felizardos, que agora partem para a faina de regularizar ou recuperar os gastos, cansando-se muito mais.
Toda mudança de atividade faculta renovação de energias e dá novas motivações.
Um bom balanço de labores define quais as opções de que se dispõe como alternativas para o bem-estar.
O homem necessita, sem dúvida, de férias, de repouso, de espairecimento, que lhe proporcionam alegrias e refazimento para prosseguir trabalhando.
Expedientes excitantes, planos extravagantes, movimentação contínua e horários preestabelecidos constituem esforços desnecessários, com desperdício de energias.
A preocupação com trajes, a aparência, o tormento das compras de novidades e lembranças, exaurem o sistema nervoso, que se desgoverna, gerando irritação e mau humor.
Jesus comentou que “o Pai até hoje trabalha” e Ele “também trabalha”.
O trabalho é lei da vida, tanto quanto o é o repouso.
Este, porém, não é paralisação, ociosidade, nem corrida da busca de coisa-nenhuma.
Como repouso entenda-se tranqüilidade interior, recuperação de forças, conquista de otimismo, estar de bem com a vida.
Proporcionar-se relaxação, leitura agradavel esporte sadio, convivência com pessoas experientes, joviais, alegres, sem ruídos, viajar em calma para tomar contato com outros lugares, costumes, indivíduos, sem pressa, constituem método eficaz para um bem utilizado repouso.
Igualmente, meditar, no próprio lar; orar, buscando sintonia com as nascentes do pensamento superior; confraternizar com os sofredores, confortando-os e ajudando-os; asserenar-se, escutando melodias de profundo conteúdo emocional, são recursos valiosos e técnicas de repouso que podem ser aplicados em qualquer lugar, nas horas possíveis.
Basta entrar no quarto, fechar a porta e conversar com Deus, conforme ensinou Jesus ao referir-se à técnica da oração.
O quarto é o mundo íntimo e a porta é o acesso ao exterior.
Nesse lugar silencioso ouvirás Deus.
No teu programa de saúde física e mental inclui o repouso como necessidade prioritária.
Cuida, porém, do que farás como recurso repousante.
Aproveita a ocasião para descobrires-te, conheceres-te melhor e identificar o que, em verdade, te é indispensável, selecionando com rigor aquilo que necessitas para uma vida saudável, abandonando ou dando menos valor aos demais.
Repouso, sim, com ação edificante.

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Título: Re: Série Psicológica - Joanna de Ângelis
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 31 de Março de 2019, 15:10
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17 JESUS E INSEGURANÇA

Segurança, na Terra, é conquista muito difícil e remota.
Face à condição de ser “planeta de provas e expiações”, o processo evolutivo sempre se apresenta exigindo árduos esforços nas lutas em que todos se devem empenhar.
Igualmente, a constituição somática frágil, sujeita a muitos fatores que a agridem, proporciona estados transitórios de harmonia, alterados por desgastes, desajustes e renovação constante de peças.
Do ponto de vista emocional, as heranças que jazem no Espírito, responsáveis pelo seu crescimento, surgem e ressurgem em forma de angústias e alegrias, que se sucedem, umas às outras, até o momento da libertação.
Além disso, o estágio moral em que transitam os indivíduos não Lhes tem permitido liberar-se dos seus instintos agressivos, que os levam às neuroses, às paranóias, às enfermidades mentais, à violência.
Multiplicam-se, em conseqüência, os crimes com celeridade incontrolável, ao tempo em que os mecanismos de repressão igualmente se tornam desumanos, tornando o mundo todo uma imensa arena na qual se digladiam as forças antagônicas em belicosidade incessante, volumosa.
O mercado do sexo, das drogas, dos vícios em geral, vem enlouquecendo as populações, e a insegurança do homem se torna um fenômeno quase normal.
Todos tentam conviver com ela, acostumar-se, quase aguardando a vez de cada um ser agredido.
Instala-se, no íntimo, a desconfiança, e todo um séquito de famanazes a segue, dominando, a pouco e pouco, as paisagens psicológicas do homem.
Compreendendo o primitivismo em que se debatia a humanidade do Seu tempo, Jesus percebeu quão difícil seria a implantação da paz nos corações e quantas lágrimas seriam vertidas, a fim de que tal acontecesse. Por esta razão, previu as catástrofes e hecatombes que as criaturas desencadeariam, bem como as incontáveis aflições que se imporiam, aprendendo lentamente o respeito pela vida, conforme relata o Seu discípulo no “sermão profético”.
Ofereceu, porém, uma perspectiva de paz, ao afirmar que “aquele que perseverar até o fim, será salvo”.
A salvação, aqui, deve ser tomada como um estado de consciência tranqüila, de auto-descobrimento, em que o mundo interior assoma, governando os impulsos desordenados e harmonizando o indivíduo.
Salvo está aquele que sabe quem é, o que veio fazer no mundo, como realizá-lo, e, confiante, se entrega à realização do compromisso estabelecido.
A responsabilidade faculta-lhe segurança relativa para o desempenho da atividade a que se vincula.
Cada pessoa tem um compromisso específico na vida e com a vida.
Jesus no-lo demonstrou, e o Seu, foi de construção do “reino de Deus” na Terra.
Não se deteve e nunca postergou essa realização.
Da mesma forma, a segurança pessoal e coletiva resulta do grau de comprometimento do indivíduo, bem como do grupo social.
Ele atestou a segurança que o caracterizava em todos os momentos, por estar comprometido sem restrições.
Propunha:
“Credes em Deus? Crede também em mim”.
“Ide e pregai”;
“Tomai sobre vós o meu fardo e aprendei comigo, que sou manso e humilde de coração”.
Inúmeras vezes, o seu comprometimento com a Verdade desvelava-Lhe a segurança que O sustentava na ação.
Sem demonstrar agressividade ou teimosia, a Sua certeza era tranqüila, a Sua determinação imbatível.
A segurança do Mestre acalmava aqueles que se Lhe apoiavam, que confiavam nEle.
Sempre tranqüilo, irradiava essa segurança, que mimetizava quantos se lhe entregavam, até mesmo diante do martírio que enfrentavam com desassombro.
Jesus ensina como deve o homem lograr a sua evolução psíquica, que deve ser desenvolvida simultaneamente com a orgânica, o que demanda tempo.
E por isso, não apresenta receita salvacionista ou simplista, de ocasião.
Antes, propõe o amadurecimento pelo esforço constante mediante avanços e recuos para fixar o aprendizado e prosseguir até a meta final.
Saber aguardar, esforçando-se, é uma lei que lhe faculta a vitória.
Desejando segurança na vida, busca Jesus e a Ele confia os teus planos.
Faze a parte que te diz respeito e não desfaleças na conquista dos objetivos que parecem distantes.
Retempera o ânimo e persevera.
A segurança te virá como efeito da paz que te luarizará o coração, servindo de estímulo para todas as tuas futuras conquistas.

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Título: Re: Série Psicológica - Joanna de Ângelis
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 09 de Abril de 2019, 11:45
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18 JESUS E SOFRIMENTOS

Quando procurado pelos portadores de enfermidades, Jesus sempre os inquiria se realmente desejavam a saúde, ou criam que Ele os poderia curar.
Era de fundamental importância para o restabelecimento do enfermo a sua segurança íntima sobre estes dois requisitos: querer e crer.
Complementando-se um no outro, tornam-se essenciais para o restabelecimento físico e psíquico do candidato à cura. 
O querer em profundidade, sem reservas, altera completamente o quadro psicofísico do indivíduo, que se transfere do estado inarmônico em que se encontra para o de equilíbrio, auxiliando o organismo na restauração dos seus equipamentos danificados.
A doença não é mais do que um sintoma do desarranjo do Espírito, em realidade o portador da mesma.
O ato de querer libera-o dos elementos perniciosos, geradores dos distúrbios que se apresentam na emoção, na mente e no corpo.
Querer é decidir-se, abandonando a acomodação parasitária ou o medo de assumir responsabilidades novas perante a vida, desse modo arrebentando as cadeias da revolta persistente, da autocompaixão, das sombras nas quais o indivíduo se oculta.
Quem quer, investe; e ao fazê-lo, age de forma a colher os resultados almejados.
O crer é uma decisão grave, de maturidade emocional e humana.
A crença vive inata no homem, aguardando os estímulos que a façam desabrochar-se, enriquecendo de forças a vida.
Há uma crença automática, natural, herança arquetípica das gerações passadas, que induz à aceitação dos fatos, das ideias e experiências, sem análise racional.
E existe aqueloutra, que é resultado da elaboração da lógica, das evidências dos acontecimentos com os quais a razão anui.
Crê-se, portanto, por instinto e por conhecimento experimental.
Quando se quer, despojado de dúvida, a crença no êxito já se encontra no bojo do desejo exteriorizado.
O receio aí não tem guarida, nem as vacilações produzem desconfiança.
A paisagem mental irisa-se de luz e os componentes da infelicidade se diluem sob os raios poderosos da vontade bem dirigida.
Querer e crer conduzem à luta, mediante a decisão de sair da furna sombria para o campo do êxito.
Após o logro feliz, devem prosseguir estes dois valores morais comandando a integridade emocional, para impedir a recidiva.
No episódio do paralítico, que foi descido pelo telhado e posto ao Seu lado, como em outros variados, as duas questões são postas em evidência pelo Mestre.
À pergunta direta:
“Tu crês que eu te posso curar?”, o doente respondeu: “Sim”, demonstrando a fé que o dominava, ao mesmo tempo retratando querer recuperar a saúde, tal o esforço empreendido para estar ali.
Movimentara amigos e pessoas solidárias; submetera-se ao desconforto de ser conduzido; tivera aumentadas as dores, e, porque queria, conseguiu.
Sensibilizado por tal esforço, Jesus o libertou da doença, de que ele, sem revolta, desejava despojar-se.
Nas tuas dificuldades e dores, abandona a complacência para com elas e toma a segura decisão de querer ser feliz e crer que o conseguirás.
Nada te impede o tentame.
Basta que estabeleças, no íntimo, o desejo forte de libertação.
Sacudido pela dúvida, rechaça-a.
Perturbado pelo pessimismo, contempla os triunfadores que lutaram antes de ti.
Não lhes foi diverso o esforço para a vitória.
Sucede que iniciaram o labor sem que o soubesses e agora vês somente o seu resultado.
Ademais, apela para Jesus com firmeza, certo de que a tua rogativa não ficará sem resposta, e abre-te ao influxo da força restauradora, não lhe opondo barreiras.
Se queres a paz e a saúde, e crês na sua imediata conquista, não adieis o teu momento de consegui-las, pois este é agora.

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Título: Re: Série Psicológica - Joanna de Ângelis
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 15 de Abril de 2019, 13:47
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19 JESUS E INGRATIDÃO

Os sentimentos de amor, justiça, caridade e gratidão são inerentes à natureza humana, herdeira natural do bom, do nobre, do belo.
Todavia, porque ainda se demora em crescimento de valores, mais vinculada atavicamente aos instintos primitivos, não se manifestam essas qualidades, que devem ser cultivadas com esforço até que se expressem por automatismos defluentes da sua elevação interior.
Em razão disso, são mais comuns as manifestações agressivas, as rebeldias, as ingratidões que aturdem, mantendo um clima mental e emocional belicoso entre os homens.
A ingratidão, que é desapreço, apresenta-se como grave imperfeição da alma, que deve ser corrigida.
O ingrato é enfermo que se combure nas chamas do orgulho mal dissimulado, da insatisfação perversa.
A si todos os direitos e méritos se atribui, negando ao benfeitor a mínima consideração, nenhum reconhecimento.
Olvidando-se, rapidamente, do bem que lhe foi dispensado, silencia-o, mesmo quando não pensa que o recebido não passou de um dever para com ele, insuficiente para o seu grau de importância.
A ingratidão é chaga moral purulenta no indivíduo, que debilita o organismo social onde se encontra.
Assim, os ingratos são numerosos, sempre soberbos, e auto-suficientes, em dependência mórbida, porém, dos sacrifícios dos outros.
Jesus sempre admoestava os ingratos que lhe cruzavam o caminho.
Nunca lhe faltaram no ministério estes infelizes.
No admirável fenômeno de cura orgânica dos dez leprosos, patenteiam-se a ingratidão dos beneficiados e a interrogação do Mestre, diante daquele que havia retornado para agradecer:

“Onde estão os outros?
Não foram dez os curados?”

Nove se haviam ido, apressados, para o gozo e a algaravia, recuperados por fora, sem liberação da doença interna, que desapareceria somente a partir do momento em que fossem agradecer, modificando-se psicológica e moralmente.
Na tragédia do Calvário, não se encontrava presente nenhum dos que foram beneficiados pelas Suas mãos, e estes haviam sido muitos.
Ele iluminara olhos apagados; abrira ouvidos moucos; ofertara som aos lábios silenciosos; equilíbrio a mentes tresvariadas; movimentos a membros mortos; vida a catalépticos; recuperação orgânica a portadores de males inumeráveis e, no entanto, ficou esquecido por todos eles.
Não obstante o bem que receberam, fugindo do reconhecimento, os ingratos viram-se diante de si mesmos, das consciências molestadas pelos remorsos, tornando a enfermar e morrendo, pois que deste fenômeno biológico ninguém escapa.
O Mestre conhecia as debilidades morais do homem e sempre se preocupava em alcançá-las, a fim de que as pretendidas curas alcançassem as matrizes das doenças, onde as mesmas se originam, erradicando-as, de modo que não voltassem a produzir miasmas e males perturbadores.
A Sua era uma constante proposta de renovação de metas, de atitudes, de pensamentos. Sendo o exemplo máximo, pedia que O vissem, isto é, que Lhe tomassem a conduta de desapego das paixões cáusticas e cuidassem de uma só coisa necessária, que é o “reino de Deus” embutido no coração.
Na busca do mais importante, o seu encontro elimina o secundário, que deixa de ter valor, para ceder lugar ao essencial, que é o necessário.
Os homens, porém, na superficialidade dos seus interesses, anelam apenas pelo imediato, que lhes satisfaz num momento, deixando-os ansiosos outra vez.
Por imaturidade espiritual, ceifam a árvore de onde retiram os frutos de hoje, acreditando, com ingenuidade, que não terão fome amanhã.
E quando esta se apresenta novamente, não têm onde recolher o alimento.
Assim agem os ingratos.
Toldam a água da fonte que os dessedentou; queimam o trigal que lhes deu o pão; cortam a planta frutífera que os alimentou; afastam o amigo generoso que os socorreu.
Em contrapartida, vivem a sós, amesquinhados, em si mesmos por conhecerem o íntimo.
Desconfiados, neurotizam-se; arbitrários, são desamados; soberbos, passam ignorados.
Não te preocupes com os ingratos dos teus caminhos de amor.
Prossegue, ofertando luz, sem te inquietares com a teimosia da treva.
Onde acendas uma lâmpada, a claridade aí derramará dádivas.
Os teus beneficiários que te abandonaram, esqueceram ou se voltaram contra ti, aprenderão com a vida e compreenderão, mais tarde, o que fizeram.
Recordarão das tuas atitudes e buscarão passar adiante o que de ti receberam.
Não é, portanto, importante, o tratamento que te deem em retribuição, mas sim, o que prossigas fazendo por eles.

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Título: Re: Série Psicológica - Joanna de Ângelis
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 26 de Abril de 2019, 11:47
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20 JESUS E INIMIGOS

O progresso tecnológico, favorecendo o conforto, implacavelmente nivela os homens em uma só faixa, produzindo um tipo de igualdade desumanizadora que o consumismo estabelece como logro social relevante.
Por efeito, uma comunidade é tida como feliz em razão dos instrumentos eletrônicos de que dispõe, dos automóveis, iates e até aviões que aguardam para serem utilizados.
Os modismos assolam, gerando um comportamento mesmista, em que os indivíduos se imitam, assumindo posturas idênticas, com enfraquecimento dos ideais, da ética, da família, da criatura em si mesma.
Reagindo a tal conduta, multiplicam-se aqueles que se apresentam originais, já não surpreendendo pelo exotismo e desprezo a tudo e todos, denominados como “reacionários por protestos”, de imediato aceitos, imitados e absorvidos, logo passada a novidade.
Tais posturas escondem os chamados complexos coletivos, que destroem a vida, instalando o clima de indiferença, quando não de instabilidade nas pessoas.
Há modelos para todos os nivelamentos de indivíduos com injustificável desprezo pela sua identidade humana.
Sufocado pela falta de humanidade, o homem busca refúgio nos partidos políticos, nos clubes sociais e desportivos, nos aglomerados, temendo enfrentar-se.
Permanece na multidão, sofrendo de insuportável soledade.
Vê inimigos em toda parte e busca afastá-los, usando artifícios segregacionistas de vários tipos, embora fantasiando-se de democrata e solidário.
Os inimigos mais cruéis, todavia, permanecem no imo das próprias criaturas, que os vitalizam com o orgulho, o egoísmo e o disfarce da acomodação social aparente.
Jesus soube identificá-los, como jamais alguém logrou fazê-lo em tal profundidade.
Ouvia os Seus interlocutores, que embora dissimulassem os motivos reais que os assinalavam, não conseguiram passar despercebidos.
Diante da Sua visão penetrante se desnudavam os hipócritas e enganadores.
A Sua posição moral impunha-se lhes, no entanto, e Ele os enfrentava com amor ou energia, conforme a circunstância e a intenção de que se revestissem; sempre porém generoso.
Levava cada um a auscultar-se e adentrar-se, a fim de extirpar as matrizes do mal em desenvolvimento.
Logo depois, estimulava-os ao crescimento pessoal, desarticulando os mecanismos mentais e sociais que conspiravam para a decadência geral, pela queda do nível cultural e emocional que deve constituir a base da sociedade.
Em a negativa de Pedro, três vezes repetida, a respeito do amigo, temos uma lição de grande magnitude, porquanto, tão logo ele veio a cair em si, chorou amargamente”.
A explosão das lágrimas foi-lhe a oportuna catarse liberativa do arrependimento que o poderia neurotizar, levá-lo, como aconteceu a Judas, ao suicídio infame.
Reergueu-se da queda, venceu o medo inimigo e a pusilanimidade adversária, dando, a partir dali, todo o restante da vida ao serviço de reparação pelo bem.
Jesus, por Sua vez, aceitou-lhe a oferenda de amor, utilizando-o no ministério.
O Mestre conhecia-o.
Por isso, anunciara-lhe a defecção porvindoura, as fragilidades, apontando-lhe os inimigos internos que deveria combater.
Não temas enfrentar as tuas sombras, esses inimigos que vigem em ti mesmo.
Fortalece o ânimo e concentra-te em Jesus, a própria terapia atuante.
Deixa que a tua emoção O alcance.
Não tenhas medo destes adversários com os quais convives sem saber.
Identifica-os, um a um, desembaraçando-te logo após da pressão que exercem sobre ti.
Recupera a tua humanidade, sendo tu mesmo.
Convive com todos no teu grupo social, mas preserva-te, sem seguir os modelos fabricados pelo consumismo devorador e neurotizante.
Permanece aberto à renovação, à diversidade, à tua identidade.
Desprovido de prevenções e precauções perturbadoras, gozarás de otimismo, fator essencial a uma vida sadia e a um inter-relacionamento social saudável.

Fim

(*) Mateus:26,75
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Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 26 de Abril de 2019, 18:58
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Livro: O Homem Integral

O Homem Integral

As enciclopédias definem o homem como um
“animal racional, moral e social, mamífero, bípede, bímano, capaz de linguagem articulada, que ocupa o primeiro lugar na escala zoológica; ser humano...”
O momento mais eloqüente do seu processo evolutivo deu-se quando adquiriu a consciência para discernir o bem do mal, a verdade da impostura, o certo do errado, prosseguindo na marcha ascensional que o conduzirá às culminâncias da angelitude.
Estudado largamente através dos séculos, Pitágoras afirmava que ele (o homem) é a medida de todas as coisas, enquanto Sócrates elucidava ser o objeto mais direto da preocupação filosófica.
Durante o estoicismo e o neoplatonismo houve uma preocupação para que ocorresse a “dissolução do homem em a Natureza”, mesmo aí revelando a grande preocupação de ambas as escolas com este ser admirável.
Na conceituação cristã ele “transcende o mundo”, em uma dimensão totalmente diferente desta.
Já o racionalismo o considera, desde Descartes, como o “ser pensante por excelência, como a razão que compreende e explica o mundo e a si mesma.”
No espiritualismo idealista o “espírito tem a primazia em tudo que se relaciona com o mundo e a vida humana”, enquanto que para o materialismo o “espírito não é mais que uma forma de atividade da matéria que, em determinada fase de sua evolução, de formas simples para outras mais complexas, adquiriu consciência...”
Mivart, o célebre naturalista inglês, analisando, psicologicamente, o homem, esclarece que ele “difere dos outros animais pelas características da abstração, da percepção intelectual, da consciência de si mesmo, da reflexão, da memória racional, do julgamento, da síntese e indução intelectual, do raciocínio, da intuição intelectual, das emoções e sentimentos superiores, da linguagem racional, do verdadeiro poder de vontade.”
Sócrates e Platão estabeleceram que o homem era o resultado do ser ou Espírito imortal e do não ser ou sua matéria que, unidos, lhe facultavam o processo de evolução.
Os filósofos atomistas reduziam-no ao capricho das partículas que, em se desarticulando, aniquilavam-se através do fenômeno biológico da morte.
 Jesus, superando todos os limites do conhecimento, fez-se o biótipo do Homem Integral, por haver desenvolvido todas as aptidões herdadas de Deus, na condição de ser mais perfeito de que se tem notícia.
Toda a Sua vida é modelar, tornando-se o exemplo a ser seguido, para o logro da plenitude, de quem deseja libertação real.
A Filosofia, mediante as suas diversas escolas, tem procurado oferecer ao homem caminhos que o felicitem em contínuas tentativas de interpretar a vida e entendê-lo.
A Psicologia, que inicialmente se confundia com a estrutura filosófica, de passo em passo libertou-se de seu jugo e, buscando estudar a psique, alcançou, na atualidade, expressão de relevo para a compreensão do homem, dos seus problemas e seus desafios psicológicos.
A multiplicidade de tendências ora vigentes, nessa área, comprova o interesse dos estudiosos desta e de outras disciplinas do conhecimento, buscando a libertação do indivíduo em relação aos desafios e dificuldades que o afligem.
Algo recentemente (1966) surgiu, nos Estados Unidos, a quarta força em Psicologia, que é a Transpessoal, ampliando o campo de investigação além do Behaviorismo, da Psicanálise e da Psicologia Humanista, fornecendo mais amplos esclarecimentos sobre o homem integral...
Os seus pioneiros vieram dos quadros da Psicologia Humanista, facultando a introdução de alguns ensinamentos e experiências orientais, graças aos quais abrem espaços para uma visão espiritualista do ser humano em maior profundidade.
O Espiritismo, por sua vez, sintetizando diversas correntes de pensamento psicológico e estudando o homem na sua condição de Espírito eterno, apresenta a proposta de um comportamento filosófico idealista, imortalista, auxiliando-o na equação dos seus problemas, sem violência e com base na reencarnação, apontando-lhe os rumos felizes que deve seguir.
Na presente Obra fazemos um estudo de diversos fatores de perturbação psicológica, procurando oferecer terapias de fácil aplicação, fundamentadas na análise do homem à luz do Evangelho e do Espiritismo, de forma a auxiliá-lo no equilíbrio e no amadurecimento emocional, tendo sempre como ser ideal Jesus, o Homem Integral de todos os tempos.
Embora reconheçamos singela a nossa contribuição, esperamos de alguma forma auxiliar aqueles que nos leiam com real desejo de renovação e de aquisição de saúde psicológica, consciente de havermos feito o máximo ao nosso alcance, neste grave momento da Humanidade.

 Salvador, 20 de fevereiro de 1990.
Joanna de Ângelis

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Título: Re: Série Psicológica - Joanna de Ângelis
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 02 de Maio de 2019, 12:35
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PRIMEIRA PARTE

FATORES DE PERTURBAÇÃO


A segunda metade do Século 19 transcorre numa Eurásia sacudida pelas contínuas calamidades guerreiras, que se sucedem, truanescas, dizimando vidas e povos.
As admiráveis conquistas da Ciência que se apoia na Tecnologia, não logram harmonizar o homem belicoso e insatisfeito, que se deixa dominar pela vaga do materialismo-utilitarista, que o transforma num amontoado orgânico que pensa, a caminho de aniquilamento no túmulo.
Possuir, dominar e gozar por um momento, são a meta a que se atira, desarvorado.
Mal se encerra a guerra da Criméia, em 1856, e já se inquietam os exércitos para a hecatombe franco-prussiana, cujos efeitos estouram em 1914, envolvendo o imenso continente na loucura selvagem que ameaça de consumição a tudo e a todos.
O Armistício, assinado em nome da paz, fomentou o explodir da Segunda Guerra Mundial, que sacudiu o Orbe em seus quadrantes.
Somando-se efeitos a novas causas, surge a Guerra Fria, que se expande pelo sudeste asiático em contínuos conflitos lamentáveis, em nome de ideologias alienígenas, disfarçadas de interesses nacionais, nos quais, os armamentos superados são utilizados, abrindo espaços nos depósitos para outros mais sofisticados e destrutivos...
Abrem-se chagas purulentas que aturdem o pensamento, dores inomináveis rasgam os sentimentos asselvajando os indivíduos.
O medo e o cinismo dão-se as mãos em conciliábulo irreconciliável.
A Guerra dos seis dias, entre árabes e judeus, abre sulcos profundos na economia mundial, erguendo o deus petróleo a uma condição jamais esperada.
Os holocaustos sucedem-se.
Os crimes hediondos em nome da liberdade se acumulam e os tribunais de justiça os apoiam.
O homem é reduzido à ínfima condição no “apartheid”, nas lutas de classes, na ingestão e uso de alcoólicos e drogas alucinógenas como abismo de fuga para a loucura e o suicídio.
Movimentos filosóficos absurdos arregimentam as mentes jovens e desiludidas em nome do Nadaísmo, do Existencialismo, do Hippieísmo e de comportamentos extravagantes mais recentes, mais agressivos, mais primários, mais violentos.
O homem moderno estertora, enquanto viaja em naves superconfortáveis fora da atmosfera e dentro dela, vencendo as distâncias, interpretando os desafios e enigmas cósmicos.
A sonda investigadora penetra o âmago da vida microscópica e abre todo um universo para informações e esclarecimentos salvadores.
Há esperança para terríveis enfermidades que destruíram gerações, enquanto surgem novas doenças totalmente perturbadoras.
A perplexidade domina as paisagens humanas.
A gritante miséria econômica e o agressivo abandono social fazem das cidades hodiernas o palco para o crime, no qual a criatura vale o que conduz, perdendo os bens materiais e a vida em circunstâncias inimagináveis.
Há uma psicosfera de temor asfixiante enquanto emerge do imo do homem a indiferença pela ordem, pelos valores éticos, pela existência corporal.
Desumaniza-se o indivíduo, entregando-se ao pavor, ou gerando-o, ou indiferente a ele.
Os distúrbios de comportamento aumentam e o despautério desgoverna.
Uma imediata, urgente reação emocional, cultural, religiosa, psicológica, surge, e o homem voltará a identificar-se consigo mesmo.
A sua identidade cósmica é o primeiro passo a dar, abrindo-se ao amor, que gera confiança, que arranca da negação e o irisa de luz, de beleza, de esperança.
A grande noite que constringe é, também, o início da alvorada que surge.
Neste homem atribulado dos nossos dias, a Divindade deposita a confiança em favor de uma renovação para um mundo melhor e uma sociedade mais feliz.
Buscar os valores que lhe dormem soterrados no íntimo é a razão de sua existência corporal, no momento.
Encontrar-se com a vida, enfrentá-la e triunfar, eis o seu fanal.

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Série Psicológica Joanna de Ângelis
JESUS E ATUALIDADE
Médium: Divaldo Pereira Franco
ESPÍRITO: Joanna de Ângelis

Título: Re: Série Psicológica - Joanna de Ângelis
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 05 de Maio de 2019, 18:31
Série Psicológica Joanna de Ângelis
Livro: O Homem Integral

Primeira parte
 A ROTINA

A natural transformação social, decorrente dos efeitos da ciência aliada à tecnologia a partir do século 19, impôs que o individualismo competitivo pós renascentista cedesse lugar ao coletivismo industrial e comunitário da atualidade.
A cisão decorrente do pensamento cartesiano, na dicotomia do corpo e da alma, ensejou uma radical mudança nos hábitos da sociedade, dando surgimento a uma série de conflitos que irrompem na personalidade humana e conduzem a alienações perturbadoras.
Antes, os tabus e as superstições geravam comportamentos extravagantes, e a falsa moral mascarava os erros que se tornavam fatores de desagregação da personalidade, a serviço da hipocrisia refinada.
A mudança de hábitos, no entanto, se liberou o homem de algumas fobias e mecanismos de evasão perniciosos, impôs outros padrões comportamentais de massificação, nos quais surgem novos ídolos e mitos devoradores, que respondem por equivalentes fenômenos de desequilíbrio.
Houve troca de conduta, mas não de renovação saudável na forma de encarar-se a vida e de vivê-la.
De um lado, a ciência em constante progresso, não se fazendo acompanhar por um correspondente desenvolvimento ético-espiritual, candidata-se a conduzir o homem ao nilismo, ao conceito de aniquilamento.
Noutro sentido, o contubérnio subjacente, apresenta um elenco exasperador de áreas conflitantes nas guerras e ameaças de guerras que se sucedem, nas variações da economia, nos volumosos bolsões de miséria de vária ordem, empurrando o homem para a ansiedade, a insegurança, a suspeição contumaz, a violência.
A fim de fugir à luta desigual — o homem contra a máquina — os mecanismos responsáveis pela segurança emocional levam o indivíduo, que não se encoraja ao competitivismo doentio, à acomodação, igualmente enferma, como forma de sobrevivência no báratro em que se encontra, receando ser vencido, esmagado ou consumido pela massa crescente ou pelo desespero avassalador.
Estabelece algumas poucas metas, que conquista com relativa facilidade, passando a uma existência rotineira e neurotizante, que culmina por matar-lhe o entusiasmo de viver, os estímulos para enfrentar desafios novos.
Rotina é como ferrugem na engrenagem de preciosa maquinaria, que a corrói e arrebenta.
Disfarçada como segurança, emperra o carro do progresso social e automatiza a mente, que cede o campo do raciocínio ao mesmismo cansador, deprimente.
O homem repete a ação de ontem com igual intensidade hoje; trabalha no mesmo labor e recompõe idênticos passos; mantém as mesmas desinteressantes conversações: retorna ao lar ou busca os repetidos espairecimentos:
bar, clube, televisão, jornal, sexo, com frenético receio da solidão, até alcançar a aposentadoria.. –
Nesse ínterim, realiza férias programadas, visita lugares que o desagradam, porém reúne-se a outros grupos igualmente tediosos e, quando chega ao denominado período do gozo-repouso, deixa-se arrastar pela inutilidade agradável, vitimado por problemas cardíacos, que resultam das pressões largamente sustentadas ou por neuroses que a monotonia engendra.
O homem é um mamífero biossocial, construído para experiências e iniciativas constantes, renovadoras.
A sua vida é resultado de bilhões de anos de transformações celulares, sob o comando do Espírito, que elaborou equipamentos orgânicos e psíquicos para as respostas evolutivas que a futura perfeição lhe exige.
O trabalho constitui-lhe estímulo aos valores que lhe dormem latentes, aguardando despertamento, ampliação, desdobramento.
Deixando que esse potencial permaneça inativo por indolência ou rotina, a frustração emocional entorpece os sentimentos do ser ou leva-o à violência, ao crime, como processo de libertação da masmorra que ele mesmo construiu, nela encarcerando-se.
Subitamente, qual correnteza contida que arrebenta a barragem, rompe os limites do habitual e dá vazão aos conflitos, aos instintos agressivos, tombando em processos alucinados de desequilíbrios e choque.
Nesse sentido, os suportes morais e espirituais contribuem para a mudança da rotina, abrindo espaços mentais e emocionais para o idealismo do amor ao próximo, da solidariedade, dos serviços de enobrecimento humano.
O homem se deve renovar incessantemente, alterando para melhor os hábitos e atividades, motivando-se para o aprimoramento íntimo, com conseqüente movimentação das forças que fomentam o progresso pessoal e comunitário, a benefício da sociedade em geral.
Face a esse esforço e empenho, o homem interior sobrepõe-se ao exterior, social, trabalhado pelos atavismos das repressões e castrações, propondo conceitos mais dignos de convivência humana, em consonância com as ambições espirituais que lhe passam a comandar as disposições íntimas.
O excesso de tecnologia, que aparentemente resolveria os problemas humanos, engendrou novos dramas e conflitos comportamentais, na rotina degradante, que necessitam ser reexaminados para posterior correção.
O individualismo, que deu ênfase ao enganoso conceito do homem de ferro e da mulher boneca, objeto de luxo e de inutilidade, cedeu lugar ao coletivismo consumista, sem identidade, em que os valores obedecem a novos padrões de crítica e de aceitação para os triunfos imediatos sob os altos preços da destruição do indivíduo como pessoa racional e livre.
A liberdade custa um alto preço e deve ser conquistada na grande luta que se trava no cotidiano.
Liberdade de ser e atuar, de ter respeitados os seus valores e opções de discernir e aplicar, considerando, naturalmente, os códigos éticos e sociais, sem a submissão acomodada e indiferente aos padrões de conveniência dos grupos dominantes.
A escala de interesses, apequenando o homem, brinda-o com prêmios que foram estabelecidos pelo sistema desumano, sem participação do indivíduo como célula viva e pensante do conjunto geral.
Como profilaxia e terapêutica eficaz, existem os desafios propostos por Jesus, que são de grande utilidade, induzindo a criatura a dar passos mais largos e audaciosos do que aqueles que levam na direção dos breves objetivos da existência apenas material.
A desenvoltura das propostas evangélicas facilita a ruptura da rotina, dando saudável dinâmica para uma vida integral em favor do homem-espírito eterno e não apenas da máquina humana pensante a caminho do túmulo, da dissolução, do esquecimento.

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Série Psicológica Joanna de Ângelis
JESUS E ATUALIDADE
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ESPÍRITO: Joanna de Ângelis
Título: Re: Série Psicológica - Joanna de Ângelis
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 17 de Maio de 2019, 12:51
Série Psicológica Joanna de Ângelis
Livro: O Homem Integral

Primeira parte

A ansiedade


Não se deixando vitimar pela rotina, o homem tende, às vezes, a assumir um comportamento ansioso que o desgasta, dando origem a processos enfermiços que o consomem.
A ansiedade é uma das características mais habituais da conduta contemporânea. Impulsionado ao competitivismo da sobrevivência e esmagado pelos fatores constringentes de uma sociedade eticamente egoísta, predomina a insegurança no mundo emocional das criaturas.
As constantes alterações da Bolsa de Valores, a compressão dos gastos, a correria pela aquisição de recursos e a disputa de cargos e funções bem remunerados geram, de um lado, a insegurança individual e coletiva.
Por outro,
As ameaças de guerras constantes, a prepotência de governos inescrupulosos e chefes de atividades arbitrários quão ditadores; os anúncios e estardalhaços sobre enfermidades devastadoras; os comunicados sobre os danos perpetrados contra a ecologia prenunciando tragédias iminentes; a catalogação de crimes e violências aterradoras respondem pela inquietação e pelo medo que grassam em todos os meios sociais, como constante ameaça contra o ser e o seu grupo, levando-os a permanente ansiedade que deflui das incertezas da vida.
Passando, de uma aparente segurança, que era concedida pelos padrões individualistas do século 19, no apogeu da industrialização, para o período eletrônico, a robotização ameaça milhões de empregados, que temem a perda de suas atividades remuneradas, ao tempo em que o coletivismo, igualando os homens nas aparências sociais, nos costumes e nos hábitos, alija os estímulos de luta, neles instalando a incerteza, a necessidade de encontrar-se sempre na expectativa de notícias funestas, desagradáveis, perturbadoras.
Esvaziados de idealismo e comprimidos no sistema em que todos fazem a mesma coisa, assumem iguais composturas, passando de uma para outra pauta de compromisso com ansiedade crescente.
A preocupação de parecer triunfador, de responder de forma semelhante aos demais, de ser bem recebido e considerado é responsável pela desumanização do indivíduo, que se torna um elemento complementar no grupamento social, sem identidade, nem individualidade.
Tendo como modelo personalidades extravagantes, que ditam modas e comportamento exóticos, ou liderado por ídolos da violência, como da astúcia dourada, o descobrimento dos limites pessoais gera inquietação e conflitos que mal disfarçam a contínua ansiedade humana.
A ansiedade tem manifestações e limites naturais, perfeitamente aceitáveis.
Quando se aguarda uma notícia, uma presença, uma resposta, uma conclusão, é perfeitamente compreensível uma atitude de equilibrada expectativa.
Ao extrapolar para os distúrbios respiratórios, o colapso periférico, a sudorese, a perturbação gástrica, a insônia, o clima de ansiedade torna-se um estado patológico a caminho da somatização física em graves danos para a vida.
O grande desafio contemporâneo para o homem é o seu autodescobrimento.
Não apenas identificação das suas necessidades, mas, principalmente, da sua realidade emocional, das suas aspirações legítimas e reações diante das ocorrências do cotidiano.
Mediante o aprofundamento das descobertas íntimas, altera-se a escala de valores e surgem novos significados para a sua luta, que contribuem para a tranqüilidade e a autoconfiança.
Não há, em realidade, segurança enquanto se transita no corpo físico.
A organização mais saudável durante um período, debilita-se em outro, assim como os melhores equipamentos orgânicos e psíquicos sofrem natural desgaste e consumição, dando lugar às enfermidades e à morte, que também é fenômeno da vida.
A ansiedade trabalha contra a estabilidade do corpo e da emoção.
A análise cuidadosa da existência planetária e das suas finalidades proporciona a vivência salutar da oportunidade orgânica, sem o apego mórbido ao corpo nem o medo de perdê-lo.
Os ideais espiritualistas, o conhecimento da sobrevivência à morte física tranqüilizam o homem, fazendo que considere a transitoriedade do corpo e a perenidade da vida, da qual ninguém se eximirá.
Apegado aos conflitos da competição humana ou deixando-se vencer pela acomodação, o homem desvia-se da finalidade essencial da existência terrena, que se resume na aplicação do tempo para a aquisição dos recursos eternos, propiciadores da beleza, da paz, da perfeição.
O pandemônio gerado pelo excesso de tecnologia e de conforto material nas chamadas classes superiores, com absoluta indiferença pela humanidade dos guetos e favelas, em promiscuidade assustadora, revela a falência da cultura e da ética estribada no imediatismo materialista com o seu arrogante desprezo pelo espiritualismo.
Certamente, ao fanatismo e proibição espiritualista de caráter medieval, que ocultavam as feridas morais dos homens, sob o disfarce da hipocrisia, o surgimento avassalador da onda de cinismo materialista seria inevitável.
No entanto, o abuso da falsa cultura desnaturada, que pretendeu solucionar os problemas humanos de profundidade como reparava os desajustes das engrenagens das máquinas que construiu, resultou na correria alucinada para lugar nenhum e pela conquista de coisas mortas, incapazes de minimizar a saudade, de preencher a solidão, de acalmar a ansiedade, de evitar a dor, a doença e a morte...
Magnatas, embora triunfantes, proíbem que se pronuncie o nome da morte diante deles.
Capitães de monopólios recusam-se a sair à rua, para evitarem contágio de enfermidades, e alguns impõem, para viver, ambientes assepsiados, tentando driblar o processo de degeneração celular.
Ases da beleza cercam-se de jovens, receando a velhice, e utilizam-se de estimulantes para preservarem o corpo, aplicando-se massagens, exercícios, cirurgias plásticas, musculação e, não obstante, acompanham a degeneração física e mental, ansiosos, desventurados.
Propalando-se que as conquistas morais fazem parte das instituições vencidas — matrimônio, família, lar — os apaniguados da loucura crêem que aplicam, na velha doença das proibições passadas, uma terapêutica ideal.
E olvidam-se que o exagero de medicamento utilizado em uma doença, gera danos maiores do que aqueles que eram sofridos.
A sociedade atual sofre a terapia desordenada que usou na enfermidade antiga do homem, que ora se revela mais debilitado do que antes.
São válidas, para este momento de ansiedade, de insatisfação, de tormento, as lições do Cristo sobre o amor ao próximo, a solidariedade fraternal, a compaixão, ao lado da oração, geradora de energias otimistas e da fé, propiciadora de equilíbrio e paz, para uma vida realmente feliz, que baste ao homem conforme se apresente, sem as disputas conflitantes do passado, nem a acomodação coletivista do presente.

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O Homem Integral
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Título: Re: Série Psicológica - Joanna de Ângelis
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 22 de Julho de 2019, 19:23
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Primeira parte
Medo

Decorrente dos referidos fatores sociológicos, das pressões psicológicas, dos impositivos econômicos, o medo assalta o homem, empurrando-o para a violência irracional ou amargurando-o em profundos abismos de depressão.
Num contexto social injusto, a insegurança engendra muitos mecanismos de evasão da realidade, que dilaceram o comportamento humano, anulando, por fim, as aspirações de beleza, de idealismo, de afetividade da criatura.
Encarcerando-se, cada vez mais, nos receios justificáveis do relacionamento instável com as demais pessoas, surgem as ilhas individuais e grupais para onde fogem os indivíduos, na expectativa de equilibrarem-se, sobrevivendo ao tumulto e à agressividade, assumindo, sem darem-se conta, um comportamento alienado, que termina por apresentar-se igualmente patológico.
As precauções para resguardar-se, poupar a família aos dissabores dos delinquentes, mantendo os haveres em lugares quase inexpugnáveis, fazem o homem emparedar-se no lar ou aglomerar-se em clubes com pessoal selecionado, perdendo a identidade em relação a si mesmo, ao seu próximo e consumindo-se em conflitos individualistas, a caminho dos desequilíbrios de grave porte.
Os valores da nossa sociedade encontram-se em xeque, porque são transitórios.
Há uma momentânea alteração de conteúdo, com a consequente perda de significado.
A nova geração perdeu a confiança nas afirmações do passado e deseja viver novas experiências ao preço da alucinação, como forma escapista de superar as pressões que sofre, impondo diferentes experiências.
No âmago das suas violações e protestos, do vilipêndio aos conceitos anteriores vige o medo que atormenta e submete às suas sombras espessas.
A quantidade expressiva de atemorizados trabalha a qualidade do receio de cada um, que cresce assustadoramente, comprimindo a personalidade, até que esta se libere em desregramento agressivo, como forma de escapar à constrição.
Quem, porém, não consiga seguir a correnteza da nova ordem, fica afogado no rio volumoso, perde o respeito por si mesmo, aliena-se e sucumbe.
Na luta furiosa, as festas ruidosas, as extravagâncias de conduta, os desperdícios de moedas e o exibicionismo com que algumas pessoas pensam vencer os medos íntimos, apenas se transformam em lâminas baças de vidro pelas quais observam a vida sempre distorcida, face à óptica incorreta que se permitem.
São atitudes patológicas decorrentes da fragilidade emocional para enfrentar os desafios externos e internos.
A consumação da sociedade moderna é a história da desídia do homem em si mesmo, enlanguescido pelos excessos ou esfogueado pelos desejos absurdos.
Adaptando-se às sombras dominadoras da insensatez, negligencia o sentido ético gerador da paz.
A anarquia então impera, numa volúpia destrutiva, tentando apagar as memórias do ontem, enquanto implanta a tirania do desconcerto.
Os seus vultos expressivos são imaturos e alucinados, em cuja rebelião pairam o oportunismo e a avidez.
Procedentes dos guetos morais, querem reverter a ordem que os apavora, revolucionando com atrevimento, face ao insólito, o comportamento vigente.
Os antigos ídolos, que condenaram a década de 20 e 30 como a da “geração perdida”, produziram a atual “era da insegurança”, na qual malograram as profecias exageradamente otimistas dos apaniguados do prazer em exaustão, fabricando os super-homens da mídia que, em análise última, são mais frágeis do que os seus adoradores, pois que não passam de heróis da frustração.
Guindados às posições de liderança, descambaram, esses novos condutores, em lamentáveis desditas, consumidos pelas drogas, vencidos pelas enfermidades ainda não controladas, pelos suicídios discretos ou espetaculares.
A alucinação generalizada certamente aumenta o medo nos temperamentos frágeis, nas constituições emocionais de pouca resistência, de começo, no indivíduo, depois, na sociedade.
Esta é uma sociedade amedrontada.
As gerações anteriores também cultivaram os seus medos de origem atávica e de receios ocasionais.
O excesso de tecnicismo com a correspondente ausência de solidariedade humana produziram a avalanche dos receios.
A superpopulação tomando os espaços e a tecnologia reduzindo as distâncias arrebataram a fictícia segurança individual, que os grupos passaram a controlar, e as consequências da insânia que cresce são imprevistas.
Urge uma revisão de conceitos, uma mudança de conduta, um reestudo da coragem para a imediata aplicação no organismo social e individual necrosado.
Todavia, é no cerne do ser — o Espírito — que se encontram as causas matrizes desse inimigo rude da vida, que é o medo.
Os fenômenos fóbicos procedem das experiências passadas — reencarnações fracassadas —, nas quais a culpa não foi liberada, face ao crime haver permanecido oculto, ou dissimulado, ou não justiçado, transferindo-se a consciência faltosa para posterior regularização.
Ocorrências de grande impacto negativo, pavores, urdiduras perversas, homicídios programados com requintes de crueldade, traições infames sob disfarces de sorrisos produziram a atual consciência de culpa, de que padecem muitos atemorizados de hoje, no inter-relacionamento pessoal.
Outrossim, catalépticos sepultados vivos, que despertaram na tumba e vieram a falecer depois, por falta de oxigênio, reencarnam-se vitimados pelas profundas claustrofobias, vivendo em precárias condições de sanidade mental.
O medo é fator dissolvente na organização psíquica do homem, predispondo o, por somatização, a enfermidades diversas que aguardam correta diagnose e específica terapêutica.
À medida que a consciência se expande e o indivíduo se abriga na fé religiosa racional, na certeza da sua imortalidade, ele se liberta, se agiganta, recupera a identidade e humaniza-se definitivamente, vencendo o medo e os seus sequazes, sejam de ontem ou de agora.

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Título: Re: Série Psicológica - Joanna de Ângelis
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 22 de Julho de 2019, 19:24
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Primeira parte
Solidão

Espectro cruel que se origina nas paisagens do medo, a solidão é, na atualidade, um dos mais graves problemas que desafiam a cultura e o homem.
A necessidade de relacionamento humano, como mecanismo de afirmação pessoal, tem gerado vários distúrbios de comportamento, nas pessoas tímidas, nos indivíduos sensíveis e em todos quantos enfrentam problemas para um intercâmbio de idéias, uma abertura emocional, uma convivência saudável.
Enxameiam, por isso mesmo, na sociedade, os solitários por livre opção e aqueloutros que se consideram marginalizados ou são deixados à distância pelas conveniências dos grupos.
A sociedade competitiva dispõe de pouco tempo para a cordialidade desinteressada, para deter-se em labores a benefício de outrem.
O atropelamento pela oportunidade do triunfo impede que o indivíduo, como unidade essencial do grupo, receba consideração e respeito ou conceda ao próximo este apoio que gostaria de fruir.
A mídia exalta os triunfadores de agora, fazendo o panegírico dos grupos vitoriosos e esquecendo com facilidade os heróis de ontem, ao mesmo tempo que sepulta os valores do idealismo, sob a retumbante cobertura da insensatez e do oportunismo.
O homem, no entanto, sem ideal, mumifica-se.
O ideal é-lhe de vital importância, como o ar que respira.
O sucesso social não exige, necessariamente, os valores intelecto-morais, nem o vitalismo das idéias superiores, antes cobra os louros das circunstâncias favoráveis e se apóia na bem urdida promoção de mercado, para vender imagens e ilusões breves, continuamente substituídas, graças à rapidez com que devora as suas estrelas.
Quem, portanto, não se vê projetado no caleidoscópio mágico do mundo fantástico, considera-se fracassado e recua para a solidão, em atitude de fuga de uma realidade mentirosa, trabalhada em estúdios artificiais.
Parece muito importante, no comportamento social, receber e ser recebido, como forma de triunfo, e o medo de não ser lembrado nas rodas bem sucedidas, leva o homem a estados de amarga solidão, de desprezo por si mesmo.
O homem faz questão de ser visto, de estar cercado de bulha, de sorrisos embora sem profundidade afetiva, sem o calor sincero das amizades, nessas áreas, sempre superficiais e interesseiras.
O medo de ser deixado em plano secundário, de não ter para onde ir, com quem conversar, significaria ser desconsiderado, atirado à solidão.
Há uma terrível preocupação para ser visto, fotografado, comentando, vendendo saúde, felicidade, mesmo que fictícia.
A conquista desse triunfo e a falta dele produzem solidão.
O irreal, que esconde o caráter legítimo e as lídimas aspirações do ser, conduz à psiconeurose de autodestruição.
A ausência do aplauso amargura, face ao conceito falso em torno do que se considera, habitualmente como triunfo.
Há terrível ânsia para ser-se amado, não para conquistar o amor e amar, porém para ser objeto de prazer, mascarado de afetividade.
Dessa forma, no entanto, a pessoa se desama, não se torna amável nem amada realmente.
Campeia, assim, o “medo da solidão”, numa demonstração caótica de instabilidade emocional do homem, que parece haver perdido o rumo, o equilíbrio.
O silêncio, o isolamento espontâneo são muito saudáveis para o indivíduo, podendo permitir-lhe reflexão, estudo, auto-aprimoramento, revisão de conceitos perante a vida e a paz interior.
O sucesso, decantado como forma de felicidade, é, talvez, um dos maiores responsáveis pela solidão profunda.
Os campeões de bilheteria nos shows, nas rádios, televisões e cinemas, os astros invejados, os reis dos esportes, dos negócios cercam-se de fanáticos e apaixonados, sem que se vejam livres da solidão.
Suicídios espetaculares, quedas escabrosas nos porões dos vícios e dos tóxicos comprovam quanto eles são tristes e solitários.
Eles sabem que o amor, com que os cercam, traz, apenas, apelos de promoção pessoal dos mesmos que os envolvem, e receiam os novos competidores que lhes ameaçam os tronos, impondo-lhes terríveis ansiedades e inseguranças, que procuram esconder no álcool, nos estimulantes e nos derivativos que os mantêm sorridentes, quando gostariam de chorar, quão inatingidos, quanto se sentem fracos e humanos.
A neurose da solidão é doença contemporânea, que ameaça o homem distraído pela conquista dos valores de pequena monta, porque transitórios.
Resolvendo-se por afeiçoar-se aos ideais de engrandecimento humano, por contribuir com a hora vazia em favor dos enfermos e idosos, das crianças em abandono e dos animais, sua vida adquiriria cor e utilidade, enriquecendo-se de um companheirismo digno, em cujo interesse alargar-se-ia a esfera dos objetivos que motivam as experiências vivenciais e inoculam coragem para enfrentar-se, aceitando os desafios naturais.
O homem solitário, todo aquele que se diz em solidão, exceto nos casos patológicos, é alguém que se receia encontrar, que evita descobrir-se, conhecer-se, assim ocultando a sua identidade na aparência de infeliz, de incompreendido e abandonado.
A velha conceituação de que todo aquele que tem amigos não passa necessidades, constitui uma forma desonesta de estimar, ocultando o utilitarismo sub-reptício, quando o prazer da afeição em si mesma deve ser a meta a alcançar-se no inter-relacionamento humano, com vista à satisfação de amar.
O medo da solidão, portanto, deve ceder lugar, à confiança nos próprios valores, mesmo que de pequenos conteúdos, porém significativos para quem os possui.
Jesus, o Psicoterapeuta Excelente, ao sugerir o “amor ao próximo como a si mesmo” após o “amor a Deus” como a mais importante conquista do homem, conclama-o a amar-se, a valorizar-se, a conhecer-se de modo a plenificar-se com o que é e tem, multiplicando esses recursos em implementos de vida eterna, em saudável companheirismo, sem a preocupação de receber resposta equivalente.
O homem solidário, jamais se encontra solitário.
O egoísta, em contrapartida, nunca está solícito, por isto, sempre atormentado.
Possívelmente, o homem que caminha a sós se encontre mais sem solidão, do que outros que, no tumulto, inseguros, estão cercados, mimados, padecendo disputas, todavia sem paz nem fé interior.

A fé no futuro, a luta por conseguir a paz íntima

—Eis os recursos mais valiosos para vencer-se a solidão, saindo do arcabouço egoísta e ambicioso para a realização edificante onde quer que se esteja.

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Título: Re: Série Psicológica - Joanna de Ângelis
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 22 de Julho de 2019, 19:25
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Primeira parte
Liberdade


As pressões constantes geradoras de medo, não raro extrapolam em forma de violência propondo a liberdade.
Sentindo-¬se contido nos movimentos, o animal reage à prisão e debate¬-se até à exaustão, na tentativa de libertar-¬se.
Da mesma forma, o homem, sofrendo limites, aspira pela amplidão de horizontes e luta pela sua independência.
É perfeitamente normal o empenho do cidadão em favor da sua libertação total, passo esse valioso na conquista de si mesmo.
Todavia, pouco esclarecido e vitimado pelas compressões que o alucinam, utiliza-¬se dos instrumentos da rebeldia, desencadeando lutas e violência para lograr o que aspira como condição fundamental de felicidade.
A violência, porém, jamais oferece a liberdade real.
Arranca o indivíduo da opressão política, arrebenta-¬lhe as injunções caóticas impostas pela sociedade injusta, favorece-¬o com terras e objetos, salários e haveres.
Isto, porém, não é a liberdade, no seu sentido profundo.
São conquistas de natureza diferente, nas áreas das necessidades dos grupos e aglomerados humanos, longe de ser a meta de plenitude, talvez constituindo um meio que faculte a realização do próximo passo, que é o do autodescobrimento.
A violência retém, porém não doa, já que sempre abre perspectivas para futuros embates sob a ação de maiores crueldades.
As guerras, que se sucedem, apoiam-¬se nos tratados de paz mal formulados, quando a violência selou, com sujeição, o destino da nação ou do povo submetido...
O instinto de rebeldia faz parte da psique humana.
A criança que se obstina usando a negativa, afirma a sua identidade, exteriorizando o anseio inconsciente de ser livre.
Porque carece de responsabilidade, não pode entender o que tal significa.
Somente mediante a responsabilidade, o homem se liberta, sem tornar¬-se libertino ou insensato.
A sociedade, que fala em nome das pessoas de sucesso, estabelece que a liberdade é o direito de fazer o que a cada qual apraz, sem dar-¬se conta de que essa liberação da vontade, termina por interditar o direito dos outros, fomentando as lutas individuais, dos que se sentem impedidos, espocando nas violências de grupos e classes, cujos direitos se encontram dilapidados.
Se cada indivíduo agir conforme achar melhor, considerando-¬se liberado, essa atitude trabalha em favor da anarquia, responsável por desmandos sem limites.
Em nome da liberdade, atuam desonestamente os vendedores das paixões ignóbeis, que espalham o bafio criminoso das mercadorias do prazer e da loucura.
A denominada liberação sexual, sem a correspondente maturidade emocional e dignidade espiritual, rebaixou as fontes genésicas a paul venenoso, no qual, as expressões aberrantes assumem cidadania, inspirando os comportamentos alienados e favorecendo a contaminação das enfermidades degenerativas e destruidoras da existência corporal.
Ao mesmo tempo, faculta o aborto delituoso, a promiscuidade moral, reconduzindo o homem a um estágio de primarismo dantes não vivenciado.
A liberdade de expressão, aos emocionalmente desajustados, tem permitido que a morbidez e o choque se revelem com mais naturalidade do que a cultura e a educação, por enxamearem mais os aventureiros, com as exceções compreensíveis, do que os indivíduos conscientes e responsáveis.
A liberdade é um direito que se consolida, na razão direta em que o homem se autodescobre e se conscientiza, podendo identificar os próprios valores, que deve aplicar de forma edificante, respeitando a natureza e tudo quanto nela existe.
A agressão ecológica, em forma de violência cruel contra as forças mantenedoras da vida, demonstra que o homem, em nome da sua liberdade, destrói, mutila, mata e mata¬-se, por fim, por não saber usá-¬la conforme seria de desejar.
A liberdade começa no pensamento, como forma de aspiração do bom, do belo, do ideal que são tudo quanto fomenta a vida e a sustenta, dá vida e a mantém.
Qualquer comportamento que coage, reprimes viola é adversário da liberdade.
Examinando o magno problema da liberdade, Jesus sintetizou os meios de consegui¬-la, na busca da verdade, única opção para tornar o homem realmente livre.
A verdade, em síntese, que é Deus — e não a verdade conveniente de cada um, que é a forma doentia de projetar a própria sombra, de impor a sua imagem, de submeter à sua, a vontade alheia — constitui meta prioritária.
Deus, porém, está dentro de todos nós, e é necessário imergir na sua busca, de modo que O exteriorizemos sobranceiro e tranquilizador.
As conquistas externas atulham as casas e os cofres de coisas, sem torná¬-los lares nem recipientes de luz, destituídos de significado, quando nos momentos magnos das grandes dores, dos fortes dissabores, da morte, que chegam a todos...
A liberdade, que se encerra no túmulo, é utópica, mentirosa.
Livre, é o Espírito que se domina e se conquista movimentando¬-se com sabedoria por toda parte, idealista e amoroso, superando as injunções pressionadoras e amesquinhantes.
Gandhi fez¬-se o protótipo da liberdade, mesmo quando nas várias vezes em que esteve encarcerado, informando que “não tinha mensagem a dar.
A minha mensagem é a minha vida.”
Antes dele, Sócrates permaneceu em liberdade, embora na prisão e na morte que lhe adveio depois.
E Cristo, cuja mensagem é o amor que liberta, prossegue ensinando a eficiente maneira de conquistar a liberdade.
Nenhuma pressão de fora pode levar à falta de liberdade, quando se conseguir ser lúcido e responsável interiormente, portanto, livre.
Não se justifica, deste modo, o medo da liberdade, como efeito dos fatores extrínsecos, que as situações políticas, sociais e econômicas estabelecem como forma espúria de fazer que sobrevivam as suas instituições, subjugando aqueles que vencem.
O homem que as edifica, dá¬-se conta, um dia, que dominando povos, grupos, classes ou pessoas também não é livre, escravo, ele próprio, daqueles que submete aos seus caprichos, mas lhe roubam a opção de viver em liberdade.
Não há liberdade quando se mente, engana, impõe e atraiçoa.
A liberdade é uma atitude perante a vida.
Assim, portanto, só há liberdade quando se ama conscientemente.

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Série Psicológica Joanna de Ângelis
O Homem Integral
Médium: Divaldo Pereira Franco
ESPÍRITO: Joanna de Ângelis
Título: Re: Série Psicológica - Joanna de Ângelis
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 22 de Julho de 2019, 19:26
Série Psicológica Joanna de Ângelis
Livro: O Homem Integral

Segunda parte

ESTRANHOS RUMOS, SEGUROS ROTEIROS

Homens e aparência


A falta de uma consciência idealista, na qual predomina o bem geral sem os impulsos egoístas que trabalham em favor do imediatismo, torna difícil a realização da liberdade.
Para lográ¬-la até a plenitude, faz¬-se mister um seguro conhecimento interior do homem, das suas aspirações e metas, bem como os instrumentos de trabalho com os quais pretende movimentar-¬se.
Ignorando as reações pessoais sempre imprevisíveis, facilmente ele tomba nas ciladas da violência ou entrega¬-se à depressão, quando surgem dificuldades e as respostas ao seu esforço não correspondem ao anelado.
Incapaz de controlar¬-se, mantendo uma atitude criativa e otimista, mesmo em face dos dissabores, a liberdade se lhe transforma em uma conquista vazia, cuja finalidade é permitir--lhe extravasar os impulsos primitivos e as paixões agressivas, em atentado cruel contra aquilo que pretende:
O anseio de ser livre.
O homem livre, sonha e trabalha, confia e persevera, semeando, em tempo próprio, a feliz colheita porvindoura.
Não se pode conseguir de um para outro momento a liberdade, nem a herdar das gerações passadas.
Cada indivíduo a conquista lentamente, acumulando experiências que amadurecem o discernimento e a razão de que se utiliza no momento de vivenciá¬-la.
Ela começa na escolha de si próprio, conforme o enunciado cristão do:
“Amar ao próximo como a si mesmo”
Se ama, por quanto não existindo este sentimento pessoal de respeito à própria individualidade, que propõe os limites dos direitos na medida dos deveres executados, não se pode esperar consideração aos valores alheios, com a consequente liberdade dos outros indivíduos.
Esse amor a si mesmo ergue o homem aos patamares superiores da vida que a sua consciência idealista descortina e o seu esforço produz.
Meta a meta, ele ascende, fazendo opções mais audaciosas no campo do belo, do útil, do humano, deixando pegadas indicadoras para os indecisos da retaguarda.
Sua personalidade se ilumina de esperança e a sua conduta se permeia de paz.
Lentamente, são retiradas as aparências do conveniente social, do agradável estatuído, do conforme desejado, para que a legítima identidade apareça e o homem se torne o que realmente é.
É claro que nos referimos às expressões de engrandecimento que, normalmente, permanecem enclausuradas no íntimo sem oportunidade de exteriorizar¬-se, soterradas, às vezes, sob sucessivas camadas de medo, de indiferença, de acomodação.
Muitos homens temem ser conhecidos nos seus sentimentos éticos, nos seus esforços de saudável idealismo, tachados, esses valores, pelos pigmeus morais, encarcerados no exclusivismo das suas paixões, como sentimentalismos, pieguices, fraquezas de caráter.
Confundem coragem com impulsividade e força com expressões do poder, da dominação.
Porque vivem sem liberdade, desdenham os homens livres.
Na consciência profunda está ínsita a verdadeira liberdade, que deve ser buscada mediante o mergulho no âmago do ser e a reflexão demorada, propiciadora do autoconhecimento.
Em realidade o homem é livre e nasceu para preservar este estado.
Não tem limites a conquista da liberdade, porquanto ele pode, embora não deva, optar por preservar ou não o corpo, através do suicídio espetacular ou escamoteado, na recusa consciente ou não de continuar a viver.
Não se decidindo, porém, em preservar esse atributo, sustentando ou melhorando as estruturas psicológicas, sofre os efeitos do relacionamento social pressionador, e tomba nos meandros da turbulência dos dias que vive.
Esvaziados de objetivos elevados, os movimentos dos grupos sociais como dos indivíduos proporcionam a anarquia, que se mascara de liberdade, destacando¬-se a violência de um lado e o conformismo de outro, sem um relacionamento saudável entre as criaturas.
Dissimulam¬-se os sentimentos para se apresentarem bem, conforme o figurino vigente, detestando¬-se fraternalmente e vivendo a competição frenética e desgastante para cada qual alcançar a supremacia no grupo, agradando o ego atormentado.
Apesar de acumularem haveres pregando o existencialismo comportamental, esses vitoriosos permanecem vazios, sem ideal, sem consciência ética, mumificados nas ambições e presos aos desejos que nunca satisfazem.
Desencadeia¬-se um distúrbio no conjunto social, que afeta o homem, por sua vez perturbando mais o grupo, em círculo vicioso, no qual a causa, gerando efeitos, estes se tornam novas causas de tribulação.
Reverter o sistema injusto e desgastante, no qual se mede e valoriza o homem pelo que tem, e não pelo que é, em razão do que pode, não do que faz, é o compromisso de todo aquele que é livre.
A desordenada preocupação por adquirir, a qualquer preço, equipamentos, veículos, objetos da propaganda alucinada;
A ansiedade para ser bem¬ visto e acatado no meio social;
O tormento para vestir-¬se de acordo com a moda exigente;
A inquietação para estar bem informado sobre os temas sem profundidade de cada momento transtornam o equilíbrio emocional da criatura, arrojando-¬a aos abismos da perda da identidade, à desestruturação pessoal, à confusão de valores.
Homens¬ aparência, tornam-¬se quase todos.
Calmos ou não, fortes ou fracos, ricos ou pobres enxameiam num contexto confuso, sem liberdade, no entanto, em regime político e social de liberdade, atulhados de ferramentas de trabalho como de lazer, desmotivados e automatistas, sem rumo.
Prosseguem, avançando — ou caminhando em círculo?
— desnorteados na grande horizontal das conquistas de fora, temendo a verticalidade da interiorização realmente libertadora.

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Série Psicológica Joanna de Ângelis
O Homem Integral
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ESPÍRITO: Joanna de Ângelis
Título: Re: Série Psicológica - Joanna de Ângelis
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 28 de Agosto de 2019, 15:38
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Segunda parte
ESTRANHOS RUMOS, SEGUROS ROTEIROS

Fobia social


Pressionado pelas constrições de vária ordem, exceção feita aos fenômenos patológicos, na área da personalidade, o indivíduo tímido, desistindo de reagir, assume comportamentos fóbicos.
Neuroses e psicoses se lhe manifestam, atormentando-¬o e gerando¬-lhe um clima de pesadelo onde quer que se encontre.
A liberdade, que lhe é de fundamental importância para a vida, perde o seu significado externo, face às prisões sem paredes que são erguidas, nelas encarcerando¬-se.
Da melancolia profunda ele passa à ansiedade, com alternâncias de insatisfação e tentativas de autodestruição, e da desconfiança sistemática tomba, por falta de resistências morais, diante dos insucessos banais da existência.
Nem mesmo o êxito nos negócios, na vida social e familiar, consegue minimizar¬-lhe o desequilíbrio que, muitas vezes, aumenta, em razão de já não lhe sendo necessário fazer maiores esforços para conseguir, considera¬-se sem finalidade que justifique prosseguir.
Os estados fóbicos desgastam-¬lhe os nervos e conduzem¬-no às depressões profundas.
São vários estes fenômenos no comportamento humano.
Surge, porém, no momento, um que se generaliza, a pouco e pouco, o denominado como fobia social, graças ao qual, o indivíduo começa a detestar o convívio com as demais pessoas, retraindo¬-se, isolando¬-se.
A princípio, apresenta-¬se como forma de mal¬ estar, depois, como insegurança, quando o homem é conduzido a enfrentar um grupo social ou o público que lhe aguarda a presença, a palavra.
O grau de ansiedade foge-¬lhe ao controle, estabelecendo conflitos psicológicos perturbadores.
A ansiedade comedida é fenômeno perfeitamente natural, resultante da expectativa ante o inusitado, face ao trabalho a ser desenvolvido, diante da ação que deve ser aplicada como investimento de conquista, sem que isto provoque desarmonia interior com reflexos físicos negativos.
Quando, então, se revela, desencadeada por problemas de somenos importância, produzindo taquicardias, sudorese álgida, tremores contínuos, estão ultrapassados os limites do equilíbrio, tornando¬-se patológica.
A fobia social impede uma leitura em voz alta, uma assinatura diante de alguém que acompanhe o gesto, segurar um talher para uma refeição, pegar um vaso com líquido sem o entornar...
O paciente, nesses casos, tem a impressão de que está sob severa observação e análise dos outros, passando a detestar as presenças estranhas até os familiares e amigos mais íntimos.
Em algumas circunstâncias, quando o processo se encontra em instalação, a concentração e o esforço para superar o impedimento auxiliam¬-no, facultando¬-o somente relaxar¬-se e adquirir naturalidade após constatar que ninguém o observa, perdendo, assim, o prazer do diálogo, face à tensão gerada pelo problema.
A tendência natural do portador de fobia social é fugir, ocultar¬-se malbaratando o dom da existência, vitimado pela ansiedade e pelo medo.
O homem é o único animal ético existente.
Para adquirir a condição de uma consciência ética é convidado a desafios contínuos, graças aos quais discerne o bem do mal, o belo do feio, o lógico do absurdo, imprimindo¬-se um comportamento que corresponda ao seu grau de compreensão existencial.
Aprofundando¬-se no exame dos valores, distingue¬-os, passando a viver conforme os padrões que estabelece como indispensáveis às metas que persegue, porquanto pretende constituir¬-lhe a felicidade.
A fim de lograr o domínio desses legítimos valores, aplica outra das suas características essenciais, que é o de ser um animal biossocial.
A vida de relação com os demais indivíduos é¬-lhe essencial ao progresso ético.
Isolado, asselvaja¬-se ou entrega¬-se a uma submissão indiferente, perniciosa.
As imposições do relacionamento social exterior, sem profundidade emocional, respondem por esta explosão fóbica, face à ausência de segurança afetiva entre os indivíduos e à competição que grassa, desenfreada, fazendo que se veja sempre, no atual amigo, o potencial usurpador da sua função, o possível inimigo de amanhã.
Tal desconfiança arma as pessoas de suspeição, levando¬-as a uma conduta artificial, mediante a qual se devem apresentar como bem estruturadas emocionalmente, superiores às vicissitudes, capazes de enfrentar riscos, indiferentes às agressões do meio, porque seguras das suas reservas de forças morais.
Gerando instabilidade entre o que demonstram e aquilo que são realmente, surge o pavor de serem vencidas, deixadas à margem, desconsideradas.
O mecanismo de fuga da luta sem quartel apresenta¬-se-¬lhes como alternativa saudável, por poupar¬-lhes esforços que lhes parecem inúteis, desde que não se sentem inclinadas a usar dos mesmos métodos de que se crêem vítimas.
Simultaneamente, as atividades trepidantes e as festas ruidosas mais afastam os amigos, que dizem não dispor de tempo para o intercâmbio fraternal, a assistência cordial, receosos, por sua vez, de igualmente tombarem, vitimados pelo mesmo mal que os ronda, implacável.
Nestas circunstâncias, mentes desencarnadas, deprimentes, se associam aos pacientes, complicando-¬lhes o quadro e empurrando¬-os para as psicoses profundas, irreversíveis.
A desumanização do homem, que se submete aos caprichos do momento dourado das ilusões, conspira contra ele próprio e o seu próximo, tornando esta a geração do medo, a sociedade sem destino.

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O Homem Integral
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Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 28 de Agosto de 2019, 15:39
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Segunda parte
ESTRANHOS RUMOS, SEGUROS ROTEIROS

Ódio e suicídio


Herdeiro de si mesmo, carregando, no inconsciente, as experiências transatas, o homem não foge aos atavismos que o jungem ao primitivismo, embora as claridades arrebatadoras do futuro chamando-¬o para as grandes conquistas.
Liberar¬-se do forte cipoal das paixões animalizantes para os logros da razão é o grande desafio que tem pela frente.
Onde quer que vá, encontra-¬se consigo mesmo.
A sua evolução socioantropológica é a história das contínuas lutas, em que o artista — o Espírito — arranca do bloco grotesco — a matéria — as expressões de beleza e grandiosidade que lhe dormem imanentes.
Os mitos de todos os povos, na história das artes, das filosofias e das religiões, apresentam a luta contínua do ser libertando¬-se da argamassa celular, arrebentando algemas para firmar¬-se na liberdade que passa a usar, agressivamente, no começo, até converter¬-se em um estado de consciência ética plenificador, carregado de paz.
Em cada mito do passado surge o homem em luta contra forças soberanas que o punem, o esmagam, o dominam.
Gerado o conceito da desobediência, o reflexo da punição assoma dominador, reduzindo o calceta a uma posição ínfima, contra a qual não se pode levantar, sequer justificar a fragilidade.
Essa incapacidade de enfrentar o imponderável — as forças desgovernadas e prepotentes — mais tarde se apresenta camuflada em forma de rebelião inconsciente contra a existência física, contra a vida em si mesma.
Obrigado mais a temer esses opressores, do que a os amar, compelido a negociar a felicidade mediante oferendas e cultos, extravagantes ou não, sente-se coibido na sua liberdade de ser, então rebelando¬-se e passando a uma atitude formal em prejuízo da real, a um comportamento social e religioso conveniente ao invés de ideal, vivendo fenômenos neuróticos que o deprimem ou o exaltam, como efeitos naturais de sua rebelião íntima.
Ao mesmo tempo, procurando deter os instintos agressivos nele jacentes, sem os saber canalizar, sofre reações psicológicas que lhe perturbam o sistema emocional.
O ressentimento — que é uma manifestação da impotência agressiva não exteriorizada — converte¬-se em travo de amargura, a tornar insuportável a convivência com aqueles contra os quais se volta.
Antegozando o desforço — que é a realização íntima da fraqueza, da covardia moral — dá guarida ao ódio que o combure, tornando a sua existência como a do outro em um verdadeiro inferno.
O ódio é o filho predileto da selvageria que permanece em a natureza humana.
Irracional, ele trabalha pela destruição de seu oponente, real ou imaginário, não cessando, mesmo após a derrota daquele.
Quando não pode descarregar as energias em descontrole contra o opositor, volta¬-se contra si mesmo articulando mecanismos de autodestruição, graças aos quais se vinga da sociedade que nele vige.
Os danos que o ódio proporciona ao psiquismo, por destrambelhar a delicada maquinaria que exterioriza o pensamento e mantém a harmonia do ser, tornam¬-se de difícil catalogação.
Simultaneamente, advêm reações orgânicas que se refletem nas funções hepáticas, digestivas, circulatórias, dando origem a futuros processos cancerígenos, cardíacos, cerebrais...
A irradiação do ódio é portadora de carga destrutiva que, não raro, corrói as engrenagens do emissor como alcança aquele contra quem vai direcionada, caso este sintonize em faixa de equivalência vibratória.
Lixo do inconsciente, o ódio extravasa todo o conteúdo de paixões mesquinhas, representativas do primarismo evolutivo e cultural.
Algumas escolas, na área da psicologia, preconizam como terapia, a liberação da agressividade, do ódio, dos recalques e castrações, mediante a permissão do vocabulário chulo, das diatribes nas sessões de grupo, das acusações recíprocas, pretendendo o enfraquecimento das tensões, ao mesmo tempo a conquista da auto¬realização, da segurança pessoal.
Sem discutirmos a validade ou não da experiência, o homem é pássaro cativo fadado a grandes vôos;
Ser equipado com recursos superiores, que viaja do instinto para a razão, desta para a intuição e, por fim, para a sua fatalidade plena, que é a perfeição.
Uma psicologia baseada em terapêutica de agressão e libertação de instintos, evitando as pressões que coarctam os anseios humanos, certamente atinge os primeiros propósitos, sem erguer o paciente às cumeadas da realização interior, da identificação e vivência dos valores de alta monta, que dão cor, objetivo e paz à existência.
Assumir a inferioridade, o desmando, a alucinação é extravasá-¬los, nunca sanar o mal, libertar¬se dele por desnecessário.
Se não é recomendável para as referidas escolas, a repressão, pelos males que proporciona, menos será liberar alguns, aos outros agredindo, graças aos falsos direitos que tais pacientes requeiram para si, arremetendo contra os direitos alheios.
A sociedade, considerada como castradora, marcha para terapias que canalizem de forma positiva as forças humanas, suavizando as pressões, eliminando as tensões através de programas de solidariedade, recreio e serviços compatíveis com a clientela que a constitui.
O ódio pressiona o homem que se frustra, levando¬-o ao suicídio.
Tem origens remotas e próximas.
Nas patologias depressivas, há muito fenômeno de ódio embutido no enfermo sem que ele se dê conta.
A indiferença pela vida, o temor de enfrentar situações novas, o pessimismo disfarçam mágoas, ressentimentos, iras não digeridas, ódios que ressumam como desgosto de viver e anseio por interromper o ciclo existencial.
Falhando a terapia profunda de soerguimento do enfermo, o suicídio é o próximo passo, seja através da negação de viver ou do gesto covarde de encerrar a atividade física.
Todos os indivíduos experimentam limites de alguma procedência.
Os extrovertidos conquistadores ocultam, às vezes, largos lances de timidez, solidão e desconfiança, que têm dificuldade em superar.
Suas reuniões ruidosas são mais mecanismos de fuga do que recursos de espairecimento e lazer.
Os alcoólicos que usam, as músicas ensurdecedoras que os aturdem, encarregam¬-se de mantê¬los mais solitários na confusão do que solidários uns com os outros.
As gargalhadas, que são esgares festivos, substituem os sorrisos de bem¬ estar, de satisfação e humor, levando-¬os de um para outro lugar nenhum, embora se movimentem por cidades, clubes e reuniões diversos.
O ser humano deve ter a capacidade de discernimento para eleger os valores compatíveis com as necessidades reais que lhe são inerentes.
Descobrir a sua realidade e crescer dentro dela, aumentando a capacidade de ser saudável, eis a função da inteligência individual e coletiva, posta a benefício da vida.
As transformações propõem incertezas, que devem ser enfrentadas naturalmente, como as oposições e os adversários encarados na condição de ocorrências normais do processo de crescimento, sem ressentimentos, nem ódios ou fugas para o suicídio.
O homem que progride cada dia, ascende, não sendo atingido pelas famas dos problematizados que o não podem acompanhar, por enquanto, no processo de crescimento.
Alcançado o acume desejado, este indivíduo está em condições de descer sem diminuir¬-se, a fim de erguer aquele que permanece na retaguarda.
Ora, para alcançar¬-se qualquer meta e, em especial, a da paz, torna-¬se necessário um planejamento, que deflui da autoconsciência, da consciência ética, da consciência do conhecimento e do amor,
O planejamento precede a ação e desempenha papel fundamental na vida do homem.
Somente uma atitude saudável e uma emoção equilibrada, sem vestígios de ódio, desejo de desforço, podem planejar para o bem, o êxito, a felicidade.

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Título: Re: Série Psicológica - Joanna de Ângelis
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 28 de Agosto de 2019, 15:40
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Segunda parte
ESTRANHOS RUMOS, SEGUROS ROTEIROS

Mitos


A história do homem é a consequência dos mitos e crendices que ele elaborou para a sobrevivência, para o seu pensamento ético.
Medos e ansiedades, aspirações e sofrimentos estereotipam¬-se em fórmulas e formas mitológicas que lhe refletem o estágio evolutivo, em alguns deles perfeitamente consentâneos com as suas conquistas contemporâneas.
As concepções indianas lendárias, as tradições templárias dos povos orientais, recuperam as suas formulações nas tragédias gregas, excelentes repositórios dos conflitos humanos, que a mitologia expõe, ora com poesia, em momentos outros com formas grotescas de dramas cruéis.
A vingança de Zeus contra Prometeu, condenado à punição eterna, atado a um rochedo, no qual, um abutre lhe devorava o fígado durante o dia e este se refazia à noite para que o suplício jamais cessasse, humaniza o deus vingador e despeitado, porque o ser, que ele criara, ao descobrir o fogo, adquirira o poder de iluminar a Terra, tornando¬-se uma quase divindade.
O ciúme e a paixão humana cegaram o deus, que se enfureceu.
O criador desejava que o seu gerado fosse sempre um inocente, ignorante, dependente, sem consciência ética, sem discernimento, a fim de que pudesse, o todo¬ poderoso, nele comprazer-se.
A desobediência, ingênua e curiosa do ser criado, trouxe-¬lhe o ignóbil, inconcebível e imerecido castigo, caracterizando a falência do seu gerador.
Com pequenas variações vemos a mesma representação em outros povos e doutrinas de conteúdo infantil, que se não dão conta ou não querem encontrar o significado real da vida, a sua representação profunda, castigando aqueles que lhe desobedecem e preferem a idade adulta da razão, abandonando a infância.
O pensamento cartesiano, com o seu “senso prático”, deu-¬lhes o primeiro golpe e lentamente decretou a morte dos mitos e das crenças.
Se, de um lado, favoreceu ao homem que abandonasse a tradição dos feiticeiros, dos bichos-papões, das cegonhas trazendo bebês, eliminou também as fadas madrinhas, os gênios bons, os anjos¬ da ¬guarda.
E quando já se acreditava na morte dos mitos, considerando-¬se as mentes adultas liberadas deles, eis que a tecnologia e a mídia criaram outros hodiernos:
Os super¬ homens, os He¬man, os invasores marcianos, os homens invisíveis, gerando personagens consideradas extraordinárias para o combate contra o mal sem trégua em nome do bem incessante.
Concomitantemente, a robótica abriu espaços para que a imaginação ampliasse o campo mitológico e as máquinas eletrônicas, na condição de simuladores, produzissem novos heróis e ases vencedores no contínuo campeonato das competições humanas.
O exacerbar do entusiasmo tornou a ficção uma realidade próxima, permitindo que os jovens modernos confundam as suas possibilidades limitadas com as remotas conquistas da fantasia.
Imitam os heróis das histórias em quadrinhos, tomam posturas semelhantes aos líderes de bilheteria, no teatro, no rádio, no cinema, na televisão e chegam a crer¬-se imortais físicos, corpos indestrutíveis ou recuperáveis pelos engenhos da biônica, igualmente fabricantes de seres imbatíveis.
Retorna-¬se, de certo modo, ao período em que os deuses desciam à Terra, humanizando¬-se, e os magos com habilidades místicas resolviam quaisquer dificuldades, dando margem a uma cultura superficial e vandálica de funestos resultados éticos.
A violência, que irrompe, desastrosa, arma os novos Rambos com equipamentos de vingança em nome da justiça, enfrentando as forças do mal que se apresentam numa sociedade injusta, promovendo lutas lamentáveis, sem controle.
As experiências pessoais, resultado das conquistas éticas, cedem lugar aos modelos fabricados pela imaginação fértil, que descamba para o grotesco, fomentado o pavor, ironizando os valores dignos e desprezando as Instituições.
A falência do individualismo industrial, a decadência do coletivismo socialista deram lugar a novas formas de afirmação, nas quais o inconsciente projeta os seus mitos e assenhoreia¬-se da realidade, confundindo-¬a com a ilusão.
As virtudes apresentam-¬se fora de moda e a felicidade surge na condição de desprezo pelo aceito e considerado, instituindo a extravagância — novo mito — como modelo de auto-realização, desde que choque e agrida o convívio social.
O perdido “jardim do Éden” da mitologia bíblica reaparece na grande satisfação do “fruto do pecado”, transformando a punição em prazer e desafiando, mediante a contínua desobediência, o Implacável que lhe castigou o despertar da consciência.
Na sucessão de desmandos propiciados pelos mitos contemporâneos, toma corpo a saudade da paz — inocência representativa do bem — e a experiência, demonstrando a inevitabilidade dos fenômenos biológicos do desgaste do cansaço, do envelhecimento e da morte, propicia uma revisão cultural com amadurecimento das vivências, induzindo o ser a uma nova busca da escala de valores realmente representativos das aspirações nobres da vida.
A solidão e a ansiedade que os mitos mascaram, mas não equacionam, rompem a couraça de indiferença do homem pela sua profunda identidade, levando¬-o a um amadurecimento em que o grupo social dele necessita para sobreviver, tanto quanto lhe é importante, favorecendo¬-o com um intercâmbio de emoções e ações plenificadoras.
Os mitos, logo mais, cederão lugar a realidades que já se apresentam, no início, como símbolos de uma nova conquista desafiadora e que se incorporarão, a pouco e pouco, ao cotidiano, ensinando disciplina, controle, respeito por si mesmo, aos outros, às autoridades, que no homem se fazem indispensáveis para a feliz coexistência pacífica.

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Título: Re: Série Psicológica - Joanna de Ângelis
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 28 de Agosto de 2019, 15:42
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Autodescobrimento

O esforço para a aquisição da experiência da própria identidade humanizada leva o indivíduo ao processo valioso do autodescobrimento.
Enquanto empreende a tarefa do trabalho para a aquisição dos valores de consumo isola¬-se, sem contribuir eficazmente para o bem ¬estar do grupo social, no qual se movimenta.
Os seus empreendimentos levam¬-no a uma negação da comunidade a benefício pessoal, esperando recuperar esta dívida, quando os favores da fortuna e da projeção lhe facultarem o desfrutar do prazer, da aposentadoria regalada.
As suas preocupações giram em torno do imediatismo, da ambição do triunfo sem resposta de paz interior.
A sociedade, por sua vez, ignora-¬o, pressentindo nele um usurpador.
De alguma forma é levado ao competitivismo individualista, criando um clima desagradável.
A sua ascensão será possível mediante a queda de outrem, mesmo que o não deseje.
Torna-¬se, assim, um adversário natural.
O seu produto vende na razão direta em que aumentam as necessidades dos outros e a sua prosperidade se erige como consequência da contribuição dos demais.
Não cessam as suas atividades na luta pelo ganha ¬pão.
Naturalmente, esse comportamento passa a exigir, depois de algum tempo, que o indivíduo se associe a outro, formando uma empresa maior ou um clube de recreação, ignorando-¬se interiormente e buscando, sem cessar, as aquisições de fora.
A ansiedade, o medo, a solidão íntima tornam-se lhe habituais, uma de cada vez, ou simultaneamente, desgastando-o, amargurando¬-o.
O homem, pela necessidade de afirmar-¬se no empreendimento a que se vincula, busca atingir o máximo, aspira por ser o número um e logra-¬o, às vezes.
A marcha inexorável do tempo, porém, diminui-¬lhe as resistências, solapando-lhe a competitividade, sendo substituído pelos novos competidores que o deixam à margem.
Mesmo que ele haja alcançado o máximo, os sócios atuais consideram¬-no ultrapassado, prejudicial à Organização por falta de atualidade e os filhos concedem-¬lhe postos honrosos, recreações douradas, lucros, desde que não interfira nos negócios...
Ocorre-¬lhe a inevitável descoberta sobre a sua inutilidade, isto produzindo-¬lhe choque emocional, angústia ou agressividade sistemática, em mecanismo de defesa do que supõe pertencer-¬lhe.
O homem, realmente não se conhece.
Identifica e persegue metas exteriores.
Camufla os sentimentos enquanto se esfalfa na realização pessoal, sem uma correspondente identificação íntima.
A experiência, em qualquer caso, é um meio propiciador para o autoconhecimento, em razão das descobertas que enseja àquele que tem a mente aberta aos valores morais, internos.
Ela demonstra a pouca significação de muitas conquistas materiais, econômicas e sociais diante da inexorabilidade da morte, da injunção das enfermidades, especialmente as de natureza irreversível, dos golpes afetivos, por defrontar-¬se desestruturado, sem as resistências necessárias para suportar as vicissitudes que a todos surpreendem.
O homem possui admiráveis recursos interiores não explorados, que lhe dormem em potencial, aguardando o desenvolvimento.
A sua conquista faculta¬-lhe o autodescobrimento, o encontro com a sua realidade legítima e, por efeito, com as suas aspirações reais, aquelas que se convertem em suporte de resistência para a vida, equipando¬-o com os bens inesgotáveis do espírito.
Necessário recorrer a alguns valores éticos morais, a coragem para decifrar¬-se, a confiança no êxito, o amor como manifestação elevada, a verdade que está acima dos caprichos seitistas e grupais, que o pode acalmar sem o acomodar, tranquiliza-¬lo sem o desmotivar para a continuação das buscas.
Conseguida a primeira meta, uma nova se lhe apresenta, e continuamente, por considerar¬-se o infinito da sabedoria e da Vida.
É do agrado de algumas personalidades neuróticas, fugirem de si mesmas, ignorarem-¬se ou não saberem dos acontecimentos, a fim de não sofrerem.
Ledo engano!
A fuga aturde, a ignorância amedronta, o desconhecido produz ansiedade, sendo, todos estes, estados de sofrimento.
O parto produz dor, e recompensa com bem ¬estar, ensejando vida.
O autodescobrimento é também um processo de parto, impondo a coragem para o acontecimento que libera.
Examinar as possibilidades com decisão e enfrentá¬-las sem mecanismos desculpistas ou de escape, constitui o passo inicial.
Édipo, na tragédia de Sófocles, deseja conhecer a própria origem.
Levado mais pela curiosidade do que pela coragem, ao ser informado que era filho do rei Laio, a quem matara, casando¬-se com Jocasta, sua mãe, desequilibra¬-se e arranca os olhos.
Cegando-¬se, foge à sua realidade, ao autodescobrimento e perde-¬se, incapaz de superar a dura verdade.
A verdade é o encontro com o fato que deve ser digerido, de modo a retificar o processo, quando danoso, ou prosseguir vitalizando-¬o, para que se o amplie a benefício geral.
Ignorando¬-se, o homem se mantém inseguro.
Evitando aceitar a sua origem tomba no fracasso, na desdita.
Ademais, a origem do homem é de procedência divina.
Remontar aos pródromos da sua razão com serena decisão de descobrir¬-se, deve ser-¬lhe um fator de estímulo ao tentame.
O reforço de coragem para levantar¬-se, quando caía, o ânimo de prosseguir, se surgem conspirações emocionais que o intimidam, fazem parte de seu programa de enriquecimento interior.
O auto¬ encontro enseja satisfações estimuladoras, saudáveis.
Esse esforço deve ser acompanhado pela inevitável confiança no êxito, porquanto é ambição natural do ser pensante investir para ganhar, esforçar¬-se para colher resultados bons.
Certamente, não vem prematuramente o triunfo, nem se torna necessário.
Há ocasião para semear, empreender, e momento outro para colher, ter resposta.
O que se não deve temer é o atraso dos resultados, perder o estímulo porque os frutos não se apresentam ou ainda não trazem o agradável sabor esperado.
Repetir o tentame com a lógica dos bons efeitos, conservar o entusiasmo, são meios eficazes para identificar as próprias possibilidades, sempre maiores quanto mais aplicadas.
Ao lado do recurso da confiança no êxito, aprofunda-¬se o sentimento de amor, de interesse humano, de participação no grupo social, com resultado em forma de respeito por si mesmo, de afeição à própria pessoa como ser importante que é no conjunto geral.
Discute¬-se muito, na atualidade, a questão das conquistas éticas e morais, intentando¬-se explicar que a falta de sentimento e de amor responde pelos desatinos que aturdem a sociedade.
Têm razão, aqueles que pensam desta forma.
Todavia, parece¬-nos que a causa mais profunda do problema se encontra na dificuldade do discernimento em torno dos valores humanos,
O questionamento a respeito do que é essencial e do que é secundário inverteu a ordem das aspirações, confundindo os sentimentos e transformando a busca das sensações em realização fundamental, relegando-¬se a plano inferior as expressões da emoção elevada, na qual, o belo, o ético, o nobre se expressam em forma de amor, que não embrutece nem violenta.
A experiência do amor é essencial ao autodescobrimento, pois que, somente através dele se rompem as couraças do ego, do primitivismo, predominante ainda em a natureza humana.
O amor se expande como força co¬criadora, estimulando todas as expressões e formas de vida.
Possuidor de vitalidade, multiplica¬-a naquele que o desenvolve quanto na pessoa a quem se dirige.
Energia viva, pulsante, é o próprio hálito da Vida a sustenta-¬la.
A sua aquisição exige um bem direcionado esforço que deflui de uma ação mental equilibrada.
Título: Re: Série Psicológica - Joanna de Ângelis
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 28 de Agosto de 2019, 15:42
Na incessante busca da unidade, ora pela ciência que tenta chegar à Causalidade Universal, ou através do mergulho no insondável do ser, podemos afirmar que os equipamentos que proporcionaram a desintegração do átomo, complexos e sofisticados, foram conseguidos com menor esforço, em nosso ponto de vista, do que a força interior necessária para a implosão do ego, em que busque a plenitude.
A formidanda energia detectada no átomo, propiciadora do progresso, serviu, no começo, para a guerra, e ainda constitui ameaça destruidora, porque aqueles que a penetraram, não realizaram uma equivalente aquisição no sentimento, no amor, que os levaria a pensar mais na humanidade do que em si e nos seus.
Amar torna¬-se um hábito edificante, que leva à renúncia sem frustração, ao respeito sem submissão humilhante, à compreensão dinâmica, por revelar-¬se uma experiência de alta magnitude, sempre melhor para quem o exterioriza e dele se nutre.
Na realização do cometimento afetivo surge o desafio da verdade, que é a meta seguinte.
Ninguém deterá a verdade, nem a terá absoluta.
Não nos referimos somente à verdade dos fatos que a ciência comprova, mas àquela que os torne verazes:
Verdade como veracidade, que depende do grau de amadurecimento da pessoa e da sua coragem para assumi-¬la.
Quando se trata de uma verdade científica, ela depende, para ser aceita, da honestidade de quem a apresenta, dos seus valores morais. Indispensável, para tanto, a probidade de quem a revela, não sendo apenas fruto da cultura ou do intelecto, porém, de uma alta sensibilidade para percebê¬-la.
Defrontamo-¬la em pessoas humildes culturalmente, mas probas, escasseando em indivíduos letrados, porém hábeis na arte de sofismar.
A verdade faculta ao homem o valor de recomeçar inúmeras vezes a experiência equivocada até acertá¬-la.
Erra¬-se tanto por ignorância como pela rebeldia.
Na ignorância, mesmo assim, há sempre uma intuição do que é verdadeiro, face à presença íntima de Deus no homem.
A rebeldia gera a má fé, o que levou Nietzsche a afirmar com certo azedume:
“Errar é covardia!”,
Face à opção cômoda de quem elege o agradável do momento, sem o esforço da coragem para lutar pelo que é certo e verdadeiro.
A aquisição da verdade amadurece o homem, que a elege e habitua¬-se à sua força libertadora, pois que, somente há liberdade real, se esta decorre daquela que o torna humilde e forte, aberto a novas conquistas e a níveis superiores de entendimento.

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Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 28 de Agosto de 2019, 15:43
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12 Consciência ética

O homem é o único “animal ético” que existe.
Não obstante, um exame da sociedade, nas suas variadas épocas, devido à agressividade bélica, à indiferença pela vida, à barbárie de que dá mostras em inúmeras ocasiões, nos demonstre o contrário.
Somente ele pode apresentar uma “consciência criativa”, pensar em termos de abstrações como a beleza, a bondade, a esperança, e cultivar ideais de enobrecimento.
Essa consciência ética nele existe em potencial, aguardando que seja desenvolvida mediante e após o autodescobrimento, a aquisição de valores que lhe proporcionem o senso de liberdade para eleger as experiências que lhe cabem vivenciar.
Atavicamente receoso, experimenta conflitos que o atormentam, dificultando-¬lhe discernir entre o certo e o errado, o bem e o mal, o bom e o pernicioso.
Ainda dominado pelo egocentrismo da infância, de que não se libertou, pensa que o mundo existe para que ele o desfrute, e as pessoas a fim de que o sirvam, disputando e tomando, à força, o que supõe pertencer¬-lhe por direito ancestral.
Diversos caminhos, porém, deverá ele percorrer para que a autoconsciência lhe descortine as aquisições ética indispensáveis:
A afirmação de si mesmo, a introspecção, o amadurecimento psicológico e a autovalorização entre outros...
O “negar-¬se a si mesmo” do Evangelho, que faculta a personalidades patológicas o mergulho no abandono do corpo e da vida, em reação cruel, destituído de objetivo libertador, aqui aparece como mecanismo de fuga da realidade, medo de enfrentar a sociedade e de lutar para conseguir o seu “lugar ao Sol”, como membro atuante e útil da humanidade, que necessita crescer graças à sua ajuda.
Este conceito cristão mantém as suas raízes na necessidade de “negar¬-se” ao ego prepotente e dominador, a vassalagem do próximo, em favor das suas paixões, a fim de seguir o Cristo, aqui significando a verdade que liberta.
O desprezo a si mesmo, literalmente considerado, constitui reação de ódio e ressentimento pela vida e pela humanidade, mortificando o corpo ante a impossibilidade de flagiciar a sociedade.
O homem que se afirma pela ação bem direcionada, conquista resistência para perseverar na busca das metas que estabelece, amadurecendo a consciência ética de responsabilidade e dever, o que o credencia a logros mais audaciosos.
Ele rompe as algemas da timidez, saindo do calabouço da preocupação, às vezes, patológica, de parecer bem, de ser tido como pessoa realizada ou de viver fugindo do contato social.
Ou, pelo contrário, canaliza a agressividade, a impetuosidade de que se vê possuído para superar os impulsos ansiosos, aprendendo a conviver com o equilíbrio e em grupo, no qual há respeito entre os seus membros, sem dominadores nem dominados.
Consegue o senso de planejamento das suas ações, criando um ritmo de trabalho que o não exaure no excesso, nem o amolenta na ociosidade, participando do esforço geral para o seu e o progresso da comunidade.
Adquire um conceito lógico de tempo e oportunidade para a realização dos seus empreendimentos, confiando com tranquilidade no resultado dos esforços dispendidos. Mediante a autoconsciência, aplica de maneira salutar as experiências passadas, sem saudosismo, sem ressentimentos, planejando as novas com um bem delineado programa que resulta do processamento dos dados já vividos e adicionados às expectativas em pauta a viver. Por sua vez, o fenômeno da autoconsciência consiste no conhecimento lógico do que fazer e como executá-¬lo, sem conceder¬-lhe demasiada importância, que se transforme numa obsessão, pela minudência de detalhes e face ao excesso de cuidados, correndo o risco do lamentável perfeccionismo.
Ele resulta de uma forma de dilatação do que se sabe, de uma consciência vigilante e lúcida do que se realiza, expandindo a vida e, como efeito, graças ao dinamismo adquirido, sentir-¬se liberado de tensões, fora de conflitos.
Esta conquista de si mesmo enseja maior soma de realizações, mais amplo campo de criatividade, mais espontaneidade.
A introspecção ajuda-¬o, por ser o processo de conduzir a atenção para dentro, para a análise das possibilidades íntimas, para a reflexão do conteúdo emocional e a meditação que lhe desenvolva as forças latentes.
Desse modo, não pode afastar o homem para lugares especiais, ou favorecer comportamentos exóticos, desligando-¬se do mundo objetivo e caindo em alienação.
Vivendo¬-se no mundo, torna-¬se inevitável vencer-¬lhe os impositivos negativos, tempestuosos das pressões esmagadoras.
Diante dos seus desafios, enfrenta-¬los com natural disposição de luta, não alterando o comportamento, nem o deixando estiolar0¬se.
E muito comum a atitude apressada de viver¬-se emocionalmente acontecimentos futuros que certamente não se darão, ou que ocorrerão de forma diversa da que a ansiedade estabelece.
As impressões do futuro, como consequência de tal conduta, antecipam-¬se, afligindo, sem que o indivíduo viva as realidades do presente, confortadoras.
Para esta conduta ansiosa Jesus recomendava que “a cada dia baste a sua aflição”, favorecendo o ser com o equilíbrio para manter-¬se diante de cada hora e fruí-¬la conforme se apresente.
A introspecção cria o clima de segurança emocional para a realização de cada ação de uma vez e a vivência de cada minuto no seu tempo próprio.
Ajuda a manter a calma e a valorizar a sucessão das horas.
O homem introspectivo, todavia, não se identifica pela carranca, pela severidade do olhar, pela distância da realidade, tampouco pela falsa superioridade em relação às outras pessoas.
Tais posturas são formalistas, que denunciam preocupação com o exterior sem contribuição íntimo ¬transformadora.
Antes, surge com peculiar luminosidade na face e no olhar, comedido ou atuando conforme o momento, porém sem perturbar-¬se ou perturbar, transmitindo serenidade, confiança e vigor.
A introspecção torna-¬se um ato saudável, não um vício ou evasão da realidade.
À medida que o homem se penetra, mais amadurece psicologicamente, saindo da proteção fictícia em que se esconde — dependência da mãe, da infância, do medo, da ansiedade, do ódio e do ressentimento, da solidão — para assumir a sua identidade, a sua humanidade.
As ações humanistas são o passo que desvela a consciência ética no indivíduo que já não se contenta com a experiência do prazer pessoal, egoísta, dando-¬se conta das necessidades que lhe vigem em volta, aguardando a sua contribuição.
Nesse sentido, a sua humanidade se dilata, por perceber que a felicidade é um estado de bem¬estar que se irradia, alcançando outros indivíduos ao invés de recolher-¬se em detrimento do próximo.
Qual uma luz, expande¬-se em todas as direções, sem perder a plenitude do centro de onde se agiganta.
Amplia-¬se¬-lhe, desta forma, o senso da responsabilidade pela vida em todas as suas expressões, tornando¬ o um ser humano ético, que é agente do progresso, das edificações beneficentes e culturais.
A perseguição da inveja não o perturba, tampouco a bajulação da indignidade o sensibiliza.
Paira nele uma compreensão dos reais valores, que o propele a avançar sem timidez, sem pressa, sem temor.
A sua se transforma em uma existência útil para o meio social, tornando-¬se parte ativa da comunidade que passa a servir, sem autoritarismo nem prejuízo emocional para si mesmo ou para o grupo.
A consciência ética é a conquista da iluminação, da lucidez intelecto ¬moral, do dever solidário e humano.
Ela proporciona uma criatividade construtiva ilimitada, que conduz à santificação, na fé e na religião;
Ao heroísmo, na luta cotidiana e nas batalhas profissionais;
Ao apogeu, na arte, na ciência, na filosofia, pelo empenho que enseja em favor de uma plena identificação com o ideal esposado.
São Vicente de Paulo, Nietzsche, Allan Kardec, Freud, Schweitzer, Cézanne são exemplos diversos de homens que adquiriram um estado de consciência ética aplicada em favor da humanidade.

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Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 15 de Outubro de 2019, 11:35
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13 - Religião e religiosidade

No caleidoscópio do comportamento humano há, quase sempre, uma grande preocupação por mais parecer do que ser, dando origem aos homens¬ espelhos, aqueles que, não tendo identidade própria, refletem os modismos, as imposições, as opiniões alheias.
Eles se tornam o que agrada às pessoas com quem convivem, o ambiente que no seu comportamento neurótico se instala.
Adota¬-se uma fórmula religiosa sem que se viva de forma equânime dentro dos cânones da religião.
É a experiência da religião sem religiosidade, da aparência social sem o correspondente emocional que trabalha em favor da auto ¬realização,
O conceito de Deus se perde na complexidade das fórmulas vazias do culto externo, e a manifestação da fé íntima desaparece diante das expressões ruidosas, destituídas dos componentes espirituais da meditação, da reflexão, da entrega.
Disso resulta uma vida esvaziada de esperança, sem convicção de profundidade, sem madureza espiritual.
A religião se destina ao conforto moral e à preservação dos valores espirituais do homem, demitizando a morte e abrindo-lhe as portas aparentemente indevassáveis à percepção humana.
Desvelar os segredos da vida de ultra tumba, demonstrar-lhe o prosseguimento das aspirações e valores humanos, ora noutra dimensão dentro da mesma realidade da vida, é a finalidade precípua da religião.
Ao invés da proibição castradora e do dogmatismo irracional, agressivo à liberdade de pensamento e de opção,
A religião deve favorecer a investigação em torno dos fundamentos existenciais, das origens do ser e do destino humano, ao lado dos equipamentos da ciência, igualmente interessada em aprofundar as sondas das pesquisas sobre o mundo, o homem e a vida.
A fim de que esse objetivo seja alcançado, faz¬-se indispensável a coragem de romper com a tradição
— rebelar-¬se contra a mãe religião — libertando-¬se das fórmulas, para encontrar a forma da mais perfeita identificação com a própria consciência geradora de paz.
Tornar-¬se autêntico é uma decisão definidora que precede a resolução de crescer para dar¬-se.
O desafio consiste na coragem da análise de conteúdo da religião, assim como da lógica, da racionalidade das suas teses e propostas.
Somente, desta forma, haverá um relacionamento criativo entre o crente e a fé, a religiosidade emocional e a religião.
Essa busca preserva a liberdade íntima do homem perante a vida, facultando-¬lhe um incessante crescimento, que lhe dará a capacidade para distinguir  o em que acredita e por que em tal crê, sustentando as próprias forças na imensa satisfação dos seus descobrimentos e nas possibilidades que lhe surgem de ampliar  essas conquistas.
Já não se torna, então, importante a religião, formal e circunspecta, fechada e sombria, mas a religiosidade interior que aproxima o indivíduo de Deus em toda a Sua plenitude:
No homem, no animal, no vegetal, em a natureza, nas formas viventes ou não, através de um inter-relacionamento integrador que o plenifica e o liberta da ansiedade, da solidão, do medo.
As suas aspirações não se fazem atormentadoras;
Não mais surge a solidão como  abandono e desamor, e dilui¬-se o medo ante uma religiosidade que impregna a vida com esperança, alegria e fé.
O germe divino cresce no interior do homem e expande¬-se, permitindo que se compreenda o  conceito paulino, que ele já não vivia, “mas o Cristo” nele vivia.
A personalidade conflitante no jogo dos interesses da sociedade cede lugar à individualidade eterna e tranqüila, não mais em disputa primária de ambições e sim em realizações nas quais se movimenta.
Os outros camuflam a sua realidade e vivem conforme os padrões, às vezes detestados, que lhes são apresentados ou impostos pela sua sociedade.
O grupo social, porém, rejeita-¬os, por sabe-¬los inautênticos, no entanto os aplaude, porque eles não incomodam os seus membros, fazendo-¬os mesmistas, iguais, despersonalizados, desestruturados.
Por falta de uma consciência objetiva — conhecimento dos seus valores pessoais, controle das várias funções do seu organismo físico e emocional, definição positiva de atitudes perante a vida —,
Não têm a coragem ética de ser autênticos, padecendo conflitos a respeito do senso de responsabilidade e de liberdade, característico do amadurecimento, que se poderá denominar como uma virtude de longo curso.
Não se trata da coragem de arrostar consequências pela própria temeridade, mas do valor para enfrentar¬-se a si mesmo, gerando um relacionamento saudável com as demais pessoas, repetindo com entusiasmo a experiência malsucedida, sem ataduras de remorso ou lamentação pelo  fracasso.
E saber retirar do insucesso os resultados positivos, que se podem transformar em alavancas para futuros empreendimentos, nos quais a decisão de insistir e realizar assumem altos níveis éticos, que se tornam desafios no curso do processo evolutivo.
Para que o ânimo robusto possa conduzir às lutas exteriores, faz¬-se necessária a auto conquista, que torna o indivíduo justo, equilibrado, sem a característica ansiedade neurótica, reveladora do medo do futuro, da solidão, das dificuldades que surgem.
É preciso que o homem se arrisque, se aventure, mesmo que esta decisão o faça ansioso quanto ao seu desempenho, aos resultados.
Ninguém pode superar a ansiedade natural, que faz parte da realidade humana, desde que não extrapole os limites, passando a conflito neurótico.
Por atavismo ancestral o homem nasce vinculado a uma crença religiosa, cujas raízes se fixam no comportamento dos primitivos habitantes da Terra.
Do medo decorrente das forças desorganizadas das eras primeiras da vida, surgiram as diferentes formas de apaziguar a fúria dos seus responsáveis, mediante os cultos que se transformariam em religiões com as suas variadas cerimônias, cada vez mais complexas e sofisticadas.
Das manifestações primárias com sacrifícios humanos, até as expressões metafísicas, toda uma herança psicológica e sociológica se transferiu através das gerações, produzindo um natural sentimento religioso que permanece em a natureza humana.
Ao lado disso, considerando¬-se a origem espiritual do indivíduo e a Força Criadora do Universo, nele permanece o germe de religiosidade aguardando campo fecundo para desabrochar. Expressa¬-se, esse conteúdo intelecto ¬moral, em forma de culto à arte, à ciência, à filosofia, à religião, numa busca de afirmação ¬integração da sua na Consciência Cósmica.
A força primitiva e criadora, nele existente como uma fagulha, possui o potencial de uma estrela que se expandirá com as possibilidades que lhe sejam facultadas.
Bem direcionada, sua luz vencerá toda a sombra e se transformará na energia vitalizadora para o crescimento dos seus valores intrínsecos, no desdobramento da sua fatalidade, que são a vitória sobre si mesmo, a relativa perfeição que ainda não tem capacidade de apreender.
Na execução do programa religioso, a maioria das pessoas age por convencionalismo e conveniência, sem a coragem de assumir as suas convicções, receosas da rejeição do grupo.
Adotam fórmulas do agrado geral, que foram úteis em determinados períodos do processo histórico e evolutivo da sociedade e,
Não obstante descubram novas expressões de fé e consolação, receiam ser consideradas alienadas, caso assumam as propostas novas que lhes parecem corretas,
Mas não usuais, e sim de profundidade.
Afirmou um monge medieval que:
“Todo aquele que vive morrendo, quando morre não morre”,
Porque o desapego, o despojar das paixões em cada morrer diário, liberta-¬o, desde já, até que, quando lhe advém a morte,
Ele se encontra perfeitamente livre, portanto, não morto, equivalente a vivo.
A religiosidade é uma conquista que ultrapassa a adoção de uma religião;
Uma realização interior lúcida, que independe do formalismo,
Mas que apenas se consegue através da coragem de o homem emergir da rotina e encontrar a própria identidade.

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Título: Re: Série Psicológica - Joanna de Ângelis
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 15 de Outubro de 2019, 11:38
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14 Insegurança e crises

Esboroam-¬se, sob os camartelos das revoluções hodiernas, os edifícios da tradição ultramontana, cedendo lugar às apressadas construções do desequilíbrio, sem memória ancestral, sem alicerce cultural.
Ruem, diante dos abalos da ciência tecnológica, o empirismo passadista e as obras da arbitrária dominação totalitária, substituídos pelo alucinar das novas maquinações de aventureiros desalmados, perseguindo suas ambições imediatistas a prejuízo da sociedade, do indivíduo.
A política desgovernada exibe os seus corifeus, que se fazem triunfadores de um dia, logo passando ao anonimato, repletos de gozos e valores perecíveis, a intoxicar-¬se nos vapores dos vícios e das perversões em que falecem os últimos ideais que ainda possuíam.
Os direitos humanos decantados em toda parte sofrem o vilipêndio daqueles que os deveriam defender, em razão do desrespeito que apresentam diante das leis por eles mesmos elaboradas, em desprezo flagrante às Instituições que se comprometeram socorrer, por descrédito de si próprios.
A anarquia substitui a ordem e as transformações sociais apressadas não têm tempo de ser assimiladas, porque substituídas pelos modismos que se multiplicam em velocidade ciclópica.
Velhos dogmas, nascidos e cultivados no caldo  da ignorância, são  esquecidos e nascem as ideias liberais revolucionárias, que instigam o homem fraco  contra o  seu  irmão mais forte gerando ódios, quando deveriam amansar o lobo  ameaçador, a fim de que, pacificado, pudesse beber na mesma fonte com o cordeiro  sedento, que lhe receberia proteção dignificadora.
As circunstâncias externas do inter-relacionamento das criaturas, fenômeno consequente ao desequilíbrio do indivíduo, engendram no contexto hodierno a insegurança, que fomenta as crises.
Sucedem-¬se, desse modo, as crises de autoridade, de respeito, de honradez, de valores ético¬morais, e a desumanização da criatura assoma nos painéis do comportamento, Insensibilizando¬-a pelo amolentamento emocional ou exacerbação, na volúpia do prazer e da violência conduzidos pelas ambições desmedidas.
As crises respondem pela desconfiança das pessoas, umas em relação às outras, pelo rearmamento belicoso de uns indivíduos contra os outros, pela agressividade automática e atrevida.
A queda do respeito que todos se devem, respeito este sem castração nem temor, estimula a indisciplina que começa na educação  das gerações novas, relegadas a plano secundário, em que se cuidam de oferecer coisas, em mecanismos sórdidos de chantagem emocional, evitando-¬se dar amor, presença, companheirismo  e orientação saudável.
A crise de autoridade responde pela corrupção em todas as áreas, sob a cobertura daqueles que deveriam zelar pelos bens públicos e administrá¬-los em favor da comunidade, pois que, para tal se candidataram aos postos de comando, sendo remunerados pelos contribuintes para este fim.
Como efeito, os maus exemplos favorecem a desonestidade, discreta e pública, dos membros esfacelados do organismo social enfermo, preparando os bolsões de miséria econômica, moral, com todos os ingredientes para a rebelião criminosa, o assalto a mão armada, o apropriamento indébito dos bens alheios, a insegurança geral.
O que se nega em compromisso de direito, é tomado em mancomunação da força com o ódio.
Mesmo os valores espirituais do homem se apresentam em crise de pastores, e amigos, capazes de exercerem o ministério da fé religiosa com serenidade, sem separativismo, com amor, sem discórdia na grei, com fraternidade, sem disputas da primazia, sem estrelismo.
Nas várias escolas de fé espocam a rebelião, as disputas lamentáveis, a maledicência ácida ou o distanciamento formando quistos perigosos no corpo comunitário.

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QUARTA PARTE
O HOMEM EM BUSCA DO ÊXITO
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Título: Re: Série Psicológica - Joanna de Ângelis
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 15 de Outubro de 2019, 11:42
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15 Conflitos degenerativos da sociedade

O homem apresenta-¬se doente, e a sociedade, que lhe é o corpo grupal, encontra¬-se desestruturada em padecimento total.
As crises gerais, que procedem da insegurança individual, são, por sua vez, responsáveis por mais altas e expressivas somas de desconforto, insatisfação, instabilidade emocional do homem, formando um círculo vicioso que se repete, sem aparente possibilidade de arrebentar as cadeias fortes que o constituem.
Vitimado por sucessivos choques desde o momento do parto, quando o ser é expulso do claustro materno, onde se encontrava em segurança, este enfrenta, desequipado, inumeráveis desafios que não logra superar.
Chegando a idade adulta, ei¬-lo receoso, desestruturado para enfrentar a maquinaria insensível dos dias contemporâneos, em que a eletrônica e a robótica são conduzidas, porém, avançam, tomando o controle da situação e, lentamente, reduzindo¬-o a observador das respostas e imposições digitadas, apertando ou desligando controles e submetendo¬ se aos resultados preestabelecidos, sem emoção, sem participação pessoal nos dados recolhidos.
Noutras circunstâncias, ou em estado fetal, experimenta os choques geradores de insegurança, no comportamento da gestante revoltada diante da maternidade não desejada e até mesmo odiada.
O jogo de reações nervosas, as vibrações deletérias da revolta contra o ser em formação, atingem-¬lhe os delicados mecanismos psíquicos, desarmonizando os núcleos geradores do futuro equilíbrio, sob as chuvas de raios destruidores, que os afetam irreversivelmente.
O que o amor poderia realizar posteriormente e a educação lograr em forma de psicoterapia, ficam, à margem, sob os cuidados de pessoas remuneradas, sem envolvimento emocional ou interesse pessoal, produzindo marcas profundas de abandono e solidão, que ressurgirão como traumas danosos no desenvolvimento da personalidade.
A par dos fatores sócio¬ mesológicos, outras razões são preponderantes na área do comportamento inseguro, que são aquelas que procedem das reencarnações anteriores, malogradas ou assinaladas pelos golpes violentos que foram aplicados pelo Espírito em desconcerto moral, ou que os padeceu nas rudes pugnas existenciais.
Assinalando com rigor a manifestação da afetividade tranquila ou desconfiada, aquelas impressões são arquivadas no inconsciente profundo, graças aos mecanismos sutis do perispírito.
O homem é um ser inacabado, que a atual existência deverá colaborar para o aperfeiçoamento a que se encontra destinado.
Faltando¬-lhe os recursos favoráveis ao ajustamento, torna-¬se uma peça mal colocada ou inadaptada na complexidade da vida social, somando à sua a insegurança dos outros membros, assim favorecendo as crises individuais e coletivas.
Por desinformação ou fruto de um contexto imediatista consumista, elaborou¬-se a tese de que a segurança pessoal é o resultado do ter, que se manifesta pelo poder e recebe a resposta na forma de parecer.
Todos os mecanismos responsáveis pelo homem e sua sobrevivência se estribam nessas propostas falsas, formando uma sociedade de forma, sem profundidade, de apresentação, sem estrutura psicológica nem equilíbrio moral.
Trabalhando somente no exterior, relega¬-se, a plano secundário ou a nenhum, o sentido ético do ser humano, da sua realidade intrínseca, das suas possibilidades futuras, jacentes nele mesmo.
O homem deve ser educado para conviver consigo próprio, com a sua solidão, com os seus momentâneos limites e ansiedades, administrando¬-os em proveito pessoal, de modo a poder compartir emoções e reparti¬-las, distribuir conquistas, ceder espaços, quando convidado à participação em outras vidas, ou pessoas outras vierem envolver-¬se na sua área emocional. Desacostumado à convivência psíquica consciente com os seus problemas, mascara¬-se com as fantasias da aparência e da posse, fracassando nos momentos em que se deve enfrentar, refletido em outrem que o observa com os mesmos conflitos e inseguranças.
As uniões fraternais então se desarticulam, as afetivas se convertem em guerras surdas, o matrimônio naufraga, o relacionamento social sucumbe disfarçado nos encontros da balbúrdia, da extravagância, dos exageros alcoólicos, tóxicos, orgíacos, em mecanismos de fuga da realidade de cada um.
A educação, a psicoterapia, a metodologia da convivência humana devem estruturar¬-se em uma consciência de ser, antes de ter;
De ser, ao invés de poder, de ser, embora sem a preocupação de parecer.
Os valores externos são incapazes de resolver as crises internas, aliás, não poucas vezes, desencadeando¬-as.
O que o homem é, suas realizações íntimas, sua capacidade de compreender¬-se, às pessoas e ao mundo, sua riqueza emocional e idealística, estruturam-¬no para os embates, que fazem parte do seu modus vivendi e operandi, neste processo incessante de crescimento e cristificação.
A coragem para os enfrentamentos, sem violência ou recuos, capacita¬-o para os logros transformadores do ambiente social, que deslocará para o passado a ocorrência das crises de comportamento, iniciando¬-se a era de construção ideal e de reconstrução ética, jamais vivida antes na sua legitimidade.
Os conceitos do poder e da força estão presentes na sistemática governança dos povos.
Sempre os militares governaram mais do que os filosóficos, e o poder sempre esteve por mais tempo nas mãos dos violentos do que na sabedoria dos pacíficos, gerando as guerras exteriores, porque os seus apaniguados viviam em constantes guerras íntimas, inseguros, aguardando a traição dos fracos que, bajuladores, os rodeavam, e a audácia dos mais fortes, que lhes ambicionavam o poderio, terminando, quase todos, vítimas das suas nefastas urdiduras.
A segurança íntima conseguida mediante o auto descobrimento, a humanização e a finalidade nobre que se deve imprimir à vida são fatores decisivos para a eliminação das crises, porquanto, afinal, a descrença que campeia e o desconcerto que se generaliza são defluentes do homem moderno que se encontra em crise momentânea, vitimado pela insegurança que o aturde.
Conflitos degenerativos da sociedade a crise de credibilidade, de confiança, de amor instaura o estado conflitivo da personalidade que perde o roteiro, incapaz de definir o que é correto ou não, qual a forma de comportamento mais compatível com a época e, ao mesmo tempo, favorável ao seu bem¬ estar, anquilosando pessoas refratárias ao progresso nas idéias superadas ou produzindo grupos rebeldes fadados à destruição, que se entregam à desordem, à contra¬cultura, buscando sempre chocar, agredir.
Os grupos opostos se afastam, se armam e se agridem.
O homem ainda não aprendeu a ser solidário quando não concorda, preferindo ser solitário, ser opositor.
Certamente, a renovação é lei da vida.
A poda faculta o ressurgimento do vegetal.
O fogo purifica os metais, permitindo¬-lhes a moldagem.
A argila submete¬ se ao oleiro.
A vida social é resultado das alterações sofridas pelo homem, seu elemento essencial.
É necessário, portanto, que se dê a transformação, a evolução dos conceitos, o engrandecimento dos valores.
Para tal fim, às vezes, é preciso que ocorra a demolição das estratificações, do arcaico, do ultrapassado.
Título: Re: Série Psicológica - Joanna de Ângelis
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 15 de Outubro de 2019, 11:42
Lamentavelmente, porém, nesta ação demolidora, a revolta contra o passado, pretendendo apagar os vestígios do antigo, vai-¬lhe até as raízes, buscando extirpá-¬las.
O homem e a sociedade, sem raízes não sobrevivem.
No começo, o paganismo greco¬romano era uma bela doutrina, rica de símbolos e significados, caracterizando o processo psicológico da evolução histórica do homem.
O abuso, mais tarde, fê-¬lo degenerar e a Doutrina cristã se apresentou na forma de um corretivo eficaz, oportuno.
A dosagem exagerada, porém, terminou por causar danos inesperados, no largo período da noite medieval, da qual algumas religiões contemporâneas ainda padecem os efeitos negativos.
O mesmo vem acontecendo com a sociedade que, para livrar¬-se das teias da hipocrisia, da hediondez, dos preconceitos, da vilania, da prepotência, elaborou os códigos da liberdade, da igualdade, da fraternidade, em lutas sangrentas, ainda não considerados além das formulações teóricas e referências bombásticas, sem repercussão real no organismo das comunidades humanas em sofrimento.
As recentes reações culturais contra a autenticidade da conduta têm produzido mais males que resultados positivos.
Em nome da evolução, sucedem-¬se as revoluções destrutivas que não oferecem nada capaz de preencher os espaços vazios que causam.
A insatisfação do indivíduo fustiga e perturba o grupo no qual ele se localiza, sendo expulso pela reação geral ou tornando-¬se um câncer em processo metastático.
Facilmente o pessimista e o colérico contaminam os desalentos, passando-¬lhes o morbo do desânimo ou o fogo da irritação, a prejuízo geral.
Armam¬-se querelas desnecessárias, altera¬-se a filosofia dos partidos existentes, que se transferem para a agressividade, as acusações descabidas, sem trabalho à vista para a retificação dos erros, a reabilitação moral dos caídos, para o bem ¬estar coletivo.
Cada pequeno grupo dentro do grupo maior, sem consenso, busca atrapalhar a ação do adversário, mesmo quando benéfica, porque deseja demonstrar¬ lhe a falência, movido pelos interesses personalistas, em detrimento do processo de estabilidade e crescimento de todos.
O personalismo se agiganta, as paixões servis se revelam, o idealismo cede lugar à vileza moral.
A predominância do egoísmo em a natureza humana faz¬-se responsável pelo caos em volta, no qual os conflitos degenerativos da sociedade campeiam.
Surgem as plataformas frágeis em favor do grupo desde que sob o comando e a alternativa única do ególatra, que alicia outros semelhantes, que se lhe acercam, igualmente ansiosos por sucessos que não merecem, mas que pleiteiam.
Inseguros, incapazes de competir a céu aberto, honestamente, aguardam na furna da própria pequenez, por motivos verdadeiros ou não, para incendiarem o campo de ação alheia, longe dos objetivos nobres, porém reflexos dos seus estados íntimos conflituosos.
Não se tornam adversários leais, porque a inveja, antes, os fizera inimigos ocultos que aguardavam ensejo para desvelarem-¬se.
Face às distonias pessoais de que são portadores, decantam a necessidade do progresso da sociedade e bloqueiam¬-no com a astúcia, a desarticulação de programas eficientes, antes de testados, atacando¬-os vilmente e aos seus portadores, a quem ferem pessoalmente, pela total impossibilidade de permanecerem no campo ideológico, já que não possuem idealismo.
Estimulam a dissensão, porque os seus conflitos não os auxiliam a cooperar, entretanto, os motivam a competir.
Não podem trabalhar a favor, porque os seus estímulos somente funcionam quando se opõem.
Em razão da insegurança pessoal desconfiam dos sentimentos alheios e provocam distúrbios que se originam em suspeitas injustificáveis, a soldo do prazer mórbido que os assinala.
O conflito íntimo é matriz cancerígena no organismo humano em constante ameaça ao grupo social.
Cabe ao homem em conflito revestir¬-se de coragem, resolvendo¬-se pelo trabalho de identificação das possibilidades que dispõe, ora soterradas nos porões da personalidade assustada.
Sentindo-¬se incapaz de enfrentar¬-se, a busca de alguém capacitado a apontar-¬lhe o rumo e ajudá-¬lo a percorrê¬-lo é tão urgente quão indispensável.
Inúmeras terapias estão ao seu alcance, entre os técnicos da área especializada, assim como as da Psicologia Transpessoal apresentando-¬lhe a intercorrência de fatores paranormais e da Psicologia Espírita, aclarando-¬o com as luzes defluentes dos fenômenos obsessivos geradores dos problemas degenerativos no indivíduo e na sociedade.
O conglomerado social, por sua vez, tem o dever de auxiliar o homem em conflito, de ajudá¬-lo a administrar as suas fobias, ansiedades, traumas, e mesmo o de socorrê-¬lo nas expressões avançadas quando padecendo psicopatologias diversas, em ética de sobrevivência do grupo, pois que, do contrário, através do alijamento de cada membro, quando vier a ocorrência se desarticulará o mecanismo de sustentação da grei.
A sociedade deve responder pelos elementos que a constituem, pelos conflitos que produz, assim como assume as glórias e conquistas dos felizardos que a compõem.
Os conflitos degenerativos da sociedade tendem a desaparecer, especialmente quando o homem, em se encontrando consigo mesmo, harmonize o seu cosmo individual (micro), colaborando para o equilíbrio do universo social (macro), no qual se movimenta.

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QUARTA PARTE
O HOMEM EM BUSCA DO ÊXITO
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Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 07 de Novembro de 2019, 10:16
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16 O primeiro lugar e o homem indispensável

Na área dos conflitos psicológicos a competição surge, quase sempre, como estímulo, a fim de fortalecer a combalida personalidade do indivíduo que, carente de criatividade, apega-se às experiências exitosas que outros realizaram, para impor-¬se e, assim, enfrentar as próprias dificuldades, escamoteando¬-as com o esforço que se aplica na conquista do que considera meta de triunfo.
Ambicionando a realização pessoal e temendo o insucesso que, afinal, é um desafio à resistência moral e à sua perseverança no ideal, prefere disputar as funções e cargos à frente, sem qualquer escrúpulo, em luta titânica, na qual se desgasta, esperando compensações externas, monetárias e de promoção social, assim massageando o ego, ambicioso e frágil.
O homem que age desta forma, está sempre um passo atrás da sua vítima provável, que de nada suspeita e ajuda-¬o, estimula¬-o até padecer-¬lhe a injunção ousada quão lamentável.
Por sua vez, o triunfador não se apercebe que no degrau deixado vago, já alguém assoma utilizando¬-se dos mesmos artifícios ou mascarando¬-os com os olhos postos no seu trono passageiro.
A competição saudável, em forma de concorrência, fomenta o progresso, multiplica as opções, abre espaços para todos que, criativos, propõem variações do mesmo produto, novidades, idéias originais, renovação de mercado.
De outra forma, as personalidades conflituosas, arquitetando planos de segurança, apegam¬-se ao trabalho que realizam, às empresas onde laboram, crendo¬ se indispensáveis, responsáveis pelo primeiro lugar que conseguiram com sacrifício, e transferem¬-se, psicologicamente, para a sua Entidade.
Somente se sentem felizes e compensadas quando discutem o seu trabalho, a sua execução, a sua importância.
O lar, a família, o repouso, as férias se descobrem, porque não preenchem as falsas necessidades do ego exacerbado.
Respiram o clima de preocupação do trabalho em toda parte e vivem em função dele.
Sentem o triunfo após os anos de lutas exaustivas, e informam que, a sua saída seria uma tragédia, um caos para a organização, já que são pessoas ¬chave, molas¬ mestras, sem as quais nada funciona, ou se tal se dá é precariamente.
Não percebem que o tempo escoa na ampulheta das horas, os métodos de ação se renovam, o cansaço os vence, a vitalidade diminui e, no degrau, imediatamente inferior, já está o competidor, jovem ambicioso aguardando, disputando, aprendendo a sua técnica e mais bem equipado do que ele, em condições de substituí¬-lo com vantagens.
A sua cegueira não lhes permite enxergar.
Quando o observam, deprimem¬-se, revoltam¬-se contra os limites orgânicos inexoráveis, utilizando¬-se de artifícios para prosseguirem.
Dão¬-se conta que passaram a ser constrangimento no trabalho, que pensavam pertencer--lhes, lamentando-¬se, queixando “que deram a vida e agora colhem ingratidão”.
Certamente, os homens indispensáveis doaram a vida como fuga de si mesmos e ofereceram¬na a um ser sem alma, sem coração, que apenas objetiva lucros, portanto, insensível, impessoal...
Ali, os filhos substituem os pais, expulsam-¬nos, jovialmente, sob a alegação de que estes merecem o justo repouso, as viagens de férias que nunca tiveram; aposentam¬-nos.
Livram a Empresa deles, de sua dominação, não mais condizente com os tempos modernos.
Eles foram bons e úteis no começo, não mais agora, quando começam a emperrar a máquina do progresso, a impedirem, por inadaptação óbvia, o curso do crescimento e desenvolvimento da entidade...
Assim, chega o momento da realidade para o homem que ocupa o primeiro lugar, o indispensável.
É convidado a solicitar a aposentadoria, quando não é jubilado sem maior consideração.
Surpreso, diz¬-se em condições de prosseguir.
Afirma que ainda é jovem; quer trabalhar; dispõe de saúde...
O silêncio constrangedor adverte¬-o que não há mais outra alternativa.
Ele foi usado como peça de engrenagem empresarial que, desgastada, deve ser substituída de imediato a benefício geral.
Oportunamente, a benefício da organização, ele tomara a mesma atitude em relação a outros funcionários, que foram afastados.
A amargura domina¬-o, o ressentimento enfurece¬-o e a frustração, longamente adiada, assoma e o conduz à depressão.
As interrogações sucedem¬-se.
“E agora? Que fazer da vida, do tempo?”
Como não cultivou outros valores, outros interesses, arroja-¬se ao fosso da autodestruição, egoisticamente, esquecido dos familiares e amigos, afinal, aos quais nunca deu maior importância nem valorização.
Afasta¬-se mais do convívio social e, não raro, suicida¬-se, direta ou indiretamente.
A empresa não lhe sente a falta, prossegue em funcionamento.
Somente quem realizou uma boa estrutura de personalidade, enfrenta com razoável tranqüilidade o choque de tal natureza, para o qual se preparou, antevendo o futuro e programando¬-se para enfrentá-¬lo, transferindo-¬se de uma ação para outra, de uma empresa para um ideal, de uma máquina para um grupamento humano respirável, emotivo, pensante.
Ninguém é indispensável em lugar nenhum.
O primeiro de agora será dispensável amanhã, assim como o último de hoje, possivelmente, estará no comando no futuro.
A morte, a cada momento, demonstra-¬o.
A polivalência das aspirações é reflexo de normalidade, de equilíbrio comportamental, de harmonia da personalidade, convidando o homem a buscar sempre e mais.
A desincumbência do dever reflete-¬lhe o valor moral e a nobreza da sua consciência.
Segurar as rédeas da dominação em suas mãos fortes, denota insegurança íntima, crise de conduta.
O homem tem o dever de abraçar ideais de enobrecimento pessoal e grupal, participar, envolver-¬se emocionalmente, fazer¬-se presente na comunidade, como complemento da sua conduta existencial.
A criatura terrena está em viagem pela Terra, e todo trânsito, por mais demorado, sempre termina.
Ninguém se engane e não engane a outros.
Uma auto¬ análise cuidadosa, uma reflexão periódica a respeito dos valores reais e aparentes, a meditação sobre os objetivos da vida concedem pautas e medidas para a harmonia, para o êxito real do ser.
A finalidade da existência corporal é a conquista dos valores eternos, e o êxito consiste em lograr o equilíbrio entre o que se pensa ter e o que se é realmente, adquirindo a estabilidade emocional para permanecer o mesmo, na alegria como na tristeza, na saúde conforme na enfermidade, no triunfo qual sucede no fracasso.
Quem consiga a ponderação para discernir o caminho, e o percorra com tranqüilidade, terá começado a busca do êxito que, logo mais, culminará com alegria.

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QUARTA PARTE
O HOMEM EM BUSCA DO ÊXITO
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Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 07 de Novembro de 2019, 10:17
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17 O conceito de saúde

Lexicamente, “saúde é o estado do que é são, do que tem as funções orgânicas regulares.”
A Organização Mundial de Saúde elucida que a falta de doença não significa necessariamente um estado de saúde, antes, porém, esta resulta da harmonia de três fatores essenciais, a saber:
Bem-estar psicológico, equilíbrio orgânico e satisfação econômica, assim contribuindo para uma situação saudável do indivíduo.
Num período de transição e mudança brusca da escala dos valores convencionais, com a inevitável irrupção dos excessos geradores da anarquia, a saúde tende a ceder espaço a conflitos emocionais, desordens orgânicas e dificuldades econômicas, propiciando o surgimento de patologias complexas no homem.
A sociedade enferma perturba¬-o, e este, desajustado, piora o estado geral do grupo.
O sentido de dignidade pessoal, nesta situação, é substituído pela astúcia e pelo prazer, proporcionando distonias emocionais que facultam a instalação de enfermidades orgânicas de variada procedência.
Abstraindo-¬se destas últimas, aquelas que são originadas por germes, bacilos, vírus e traumatismos, multiplicam¬-se as de ordem psicológica, que se avolumam nos dias atuais.
O homem teima por ignorar¬-se.
Assume atitudes contraditórias, vivendo comportamentos estranhos.
Prefere deixar que os acontecimentos tenham curso, às vezes, desastroso, a conduzi¬-los de forma consciente.
Os dias se sucedem, sem que ele dê-¬se conta das suas responsabilidades ou frua dos seus benefícios em uma atitude lúcida, perfeitamente compatível com as conquistas contemporâneas.
Surpreendido, no entanto, pela doença e pela morte, desperta assustado, sem haver vivido, estranhando¬-se a si mesmo e descobrindo tardiamente que não se conhecia.
Foi um estranho, durante toda a existência, inclusive, a ele próprio.
A saúde, entretanto, fá-lo participativo, membro atuante do grupo social, desperto e responsável na luta com que se enriquece de beleza e alegria, assumindo posições de vigor e segurança íntima, que lhe constituem prêmio ao esforço desenvolvido.
A falta de saúde, que se generaliza, conduz a mente lúcida a um diagnóstico pessimista, o que não significa ser desesperador.
Em tal situação, por falta de outra alternativa, o homem enfrenta a dificuldade, por ser pensante, e altera o quadro, impulsionado ao avanço, a aceitar os desafios.
Deixa de fugir da sua realidade, descobre-¬se e trabalha para alcançar etapas mais lúcidas no seu desenvolvimento emocional, pessoal.
Quem se resolve, porém, pela submissão autodestrutiva, não merece o envolvimento respeitoso de que todos são credores diante dos combatentes, porquanto, deixando de investir esforços, abandona a sua dignidade de ser humano e prefere o esfacelamento das suas possibilidades como sendo o seu agradável estado de saúde, certamente patológico.
A saúde produz para o bem e para o progresso da sociedade, sem compaixão pelos mecanismos de evasão e pieguismos comportamentais vigentes.
Realizadora, propele a vida para as suas cumeadas e vitórias, sem parada nas baixadas desanimadoras.

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18 Os comportamentos neuróticos

Produtos do inconsciente profundo, a se manifestarem como comportamentos neuróticos, os fatores psicogênicos têm suas raízes na conduta do próprio paciente em reencarnações passadas, nas quais se desarmonizou interiormente.
Fosse mediante conflitos de consciência ou resultados de ações ignóbeis, os mecanismos propiciadores de reabilitação íntima imprimem no inconsciente atual as matrizes que se exteriorizam como dissociações e fragmentações da personalidade, alucinações, neuroses e psicoses.
Ínsitas no indivíduo, essas causas endógenas se associam às outras, de natureza exógena, tornando¬-se desagregadoras da individualidade vitimada pelas pressões que experimenta.
As pressões de qualquer natureza são decisivas para estabelecer o clima comportamental da criatura.
Por formação antropológica, em luta renhida contra os fatores compressivos e adversários, o homem aspira pela liberdade.
Todos os seus esforços convergem para uma atitude, uma atuação, um movimento, livres de empeços, de detenções, de aprisionamento.
As pressões que lhe limitam os espaços emocionais e físicos aturdem¬-no, dando margem a evasões, agressividade, disfarces e violências, através dos quais tenta escamotear o seu estado real.
Isto, quando não tomba na depressão, no pessimismo.
Vivendo sob estímulos, faculta-¬os à sociedade, que progride e age conforme as energias que os constituem.
Quando estes estímulos são emuladores à felicidade, eis o homem atuante e encorajado, trabalhando pelo progresso próprio e geral, mediante um comportamento otimista.
No sentido oposto, quase nunca se motiva à reação, para ascender aos sentimentos ideais que promovem a vida, libertando¬-se das constrições naturalmente transitórias.
Equivocado quanto aos referenciais da existência, deixa-¬se imbuir pelas sensações da posse, do prazer fugidio, caindo em depressões, seja pela constituição psicológica fragmentária ou porque estabelece como condição de triunfo a aquisição das coisas que se podem amealhar e perdem o valor, quando se não possui o essencial, que é a capacidade de administrá-¬las, não se lhes submetendo ao jugo enganoso.
Assim, apresentam¬-se os que se crêem infelizes porque não têm e os que se fazem desditosos porque tendo, não se contentam face à ausência da plenitude interior.
O mito da ambição do rei Midas, que tudo quanto tocava se convertia em ouro, causa da sua felicidade e desgraça, tem atualidade no comportamento neurótico dos possuidores-possuídos.
A experiência, no entanto, fazendo a pessoa aprofundar-¬se na consciência dos valores, altera¬lhe o campo de compreensão, favorecendo o entesouramento do equilíbrio.
Todavia, tal ocorrência é resultado da luta que deve ser travada sem cessar.
Assim, a saúde psicológica decorre da autoconsciência, da libertação íntima e da visão correta que se deve manter a respeito da vida, das suas necessidades éticas, emocionais e humanas.
O comportamento neurótico, assustador e predominante na sociedade consumista, procura esconder o desajuste e as fobias do homem contemporâneo, que se afunda em mecanismos patológicos.
Receando ser ele mesmo, torna¬-se pessoa¬ espelho a refletir as conveniências dos outros, ou homem¬ parede a reagir contra todas as vibrações que lhe são dirigidas, antes de as examinar.
“Agredir antes, evitando ser agredido” é a filosofia dos fracos, fechando¬-se no círculo apertado dos receios e da não aceitação dos outros, forma neurótica de ocultar a não aceitação de si mesmo.
São raros aqueles que preferem ser homens¬ pontes, colocados entre extremos para ajudarem, facilitarem o trânsito, socorrerem nos abismos existenciais...
O espírito de competição neurotizante vigente e estabelecido como fomentador das riquezas, deve ceder lugar ao de cooperação, responsável pela solidariedade e pela paz, humanizando a sociedade e tornando a pessoa bem identificada.
Competir não é negativo, desde que tenha por meta progredir, e não vencer os outros;
Porém, superar-¬se cada vez mais, desenvolvendo capacidades latentes e novas na individualidade.
Competir, todavia, para derrubar quem está à frente, em cima, é atitude neurótica, inconformista, invejosa, que abre brecha àquele que vem atrás e repetirá a façanha em relação ao aparente vencedor atual.
Tal atitude responde pela insegurança que domina em todas as áreas do relacionamento social.
Da mesma forma, deixar-¬se viver sem aventurar¬-se, no bom sentido do termo, como se transitasse em um sonho cujos acontecimentos inevitáveis se dão sem qualquer ingerência da pessoa, é uma atitude patológica, irracional, em se considerando a capacidade de discernimento e a de realização que caracteriza a criatura humana.
O homem¬ ação de equilíbrio gera os fatores do próprio desenvolvimento, abandonando o conformismo neurótico, a fim de comandar o destino sempre maleável a injunções novas e motivadoras.
Os seres humanos têm as suas matrizes em a natureza, com a qual devem manter um relacionamento saudável, ao invés de evitá¬-la.
Sendo partes integrantes da mesma, não se devem alienar, antes buscar¬-lhe a cooperação e auxiliá-¬la num intercâmbio de energias vigorosas, com o que sairão da gaiola particular onde se ocultam e se acautelam
Há personalidades neuróticas que a temem, receosas de serem absorvidas pela sua grandiosidade e dando às suas expressões — céus, montanhas, mares, florestas, etc. — determinados tipos de projeções humanas, poderosas e devoradoras.
Assim, anulam-¬na, matando-¬a no seu consciente através da negação da sua necessidade.
Os comportamentos neuróticos são desgastantes, extrapolando os limites das resistências orgânicas, que passam a somatizá-¬los, abrindo campo para várias enfermidades que poderiam ser evitadas.

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Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 12 de Novembro de 2019, 11:25
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19 Doenças físicas e mentais

A expressiva soma de atividades físicas e mentais atesta que o homem é um ser inacabado.
A sua estrutura orgânica aprimorada nos milênios da evolução antropológica, ainda padece a fragilidade dos elementos que a constituem.
Vulnerável a transformações degenerativas, é tecido que reveste o psiquismo e que através dos seus neurônios cerebrais se exterioriza, afirmando-¬lhe a preexistência consciencial, independente das moléculas que constituem a aparelhagem material.
A consciência, na sua realidade, é fator extrafísico, não produzido pelo cérebro, pois que possui os elementos que se consubstanciam na forma que lhe torna necessária à exteriorização.
Essa energia pensante, preexistente e sobrevivente ao corpo, evolve através das experiências reencarnacionistas, que lhe constituem processo de aquisição de conhecimentos e sentimentos, até lograr a sabedoria.
Como conseqüência, faz-¬se herdeira de si mesma, utilizando-¬se dos recursos que amealha e deve investir para mais avançados logros, etapa a etapa.
Em razão disso, podemos repetir que somente “há doenças, porque há doentes”, isto é, a doença é um efeito de distúrbios profundos no campo da energia pensante ou Espírito.
As suas resistências ou carências orgânicas resultam dos processos da organização molecular dos equipamentos de que se serve, produzidos pela ação da necessidade pensante.
O psicossoma organiza o soma necessário à viagem, breve no tempo, para a individualidade espiritual.
As doenças orgânicas se instalam em decorrência das necessidades cármicas que lhe são inerentes, convocando o ser a reflexões e reformulações morais proporcionadoras do reequilíbrio.
Nas patologias congênitas, o psicossoma impõe os fatores cármicos modeladores necessários à evolução, sob impositivos que impedem, pelos limites de injunções difíceis, a reincidência no fracasso moral.
Assim considerando, à medida que a Ciência se equipa e soluciona patologias graves, criando terapias preventivas e proporcionando recursos curativos de valor, surgem novas doenças, que passam a constituir¬-se tremendos desafios.
Isto se dá, porque, à evolução tecnológica e científica da sociedade não se apresenta, em igual correspondência, o mecanismo de conquistas morais.
O homem conquista o exterior e perde-¬se interiormente.
Avança na horizontal do progresso técnico sem o logro da vertical ética.
No inevitável que se estabelece — comodidade e prazer, sem harmonia interna nem plenitude — desconecta os centros de equilíbrio e abre¬-se favoravelmente a agentes agressores novos, aos quais dá vida e que lhe desorganizam os arquipélagos celulares.
Outrossim, as tensões, frustrações, vícios, ansiedades, fobias facultam as distonias psíquicas que são somatizadas aos problemas orgânicos ou estes e suas sequelas dão surgimento aos tormentos mentais e emocionais.
Todo equipamento para funcionar em harmonia com ajustamento, para as finalidades a que se destina, exige perfeita eficiência de todas as peças que o compõem.
Da mesma forma, a maquinaria orgânica depende dos fluxos e refluxos da energia psíquica e esta, por sua vez, das respostas das diversas peças que aciona.
Nessa interdependência, a vibração mental do homem é-¬lhe propiciadora de equilíbrio ou distonia, conscientemente ou não.
Sabendo canalizar¬-lhe a corrente vibratória, organiza e submete os implementos físicos ao seu comando, produzindo efeitos de saúde, por largo período, não indefinidamente, face à precariedade dos elementos construídos para o uso transitório.
As doenças contemporâneas, substituindo algumas antigas e somando-¬se a outras não debeladas ainda, enquadram-se no esquema do comportamento evolutivo do ser, no seu processo de harmonização interior, de deificação.
Na sua essência, a energia pensante possui os recursos divinos que deve exteriorizar.
Para tanto, à semelhança de uma semente, somente quando submetida à germinação faculta a eclosão dos seus extraordinários elementos, até então adormecidos ou mortos.
A morte da forma desata-¬lhe a vida latente.
A mente equilibrada comandará o corpo em harmonia e, nesse intercâmbio, surgirá a saúde ideal.

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20 A tragédia do cotidiano

Os conteúdos psicológicos do homem hodierno são de aturdimento, instabilidade emocional, insegurança pessoal, levando-¬o à perda do senso trágico.
Desestruturados pelos choques comportamentais e esmagados pelo volume das informações impossíveis de serem digeridas, as massas eliminam arquétipos ou os transferem para indivíduos imaturos portadores de fragilidade psicológica, aterrando-¬os, soterrando¬-os, na avalanche das necessidades mescladas com os conflitos existenciais.
Simultaneamente, desaparecem os mitos ancestrais individuais e a cultura devoradora investe contra os outros, os coletivos, deixando as criaturas desprotegidas das suas crenças, dos seus apoios psicológicos.
A fé cega substituída pela ditadura da razão, destruiu ou substituiu os mitos nos quais se sustentavam os homens, apresentando outros, igualmente frágeis, que novamente sofrem a agressão dos valores contemporâneos.
A consciência coletiva, herdeira do choque dos opostos, do ser e do não ser, da coragem e do medo, do homem e da mulher, não sobrevive sem a segurança mítica.
Os seus arquétipos, multimilenarmente estruturados na convicção mitológica, alternam a forma de sobrevivência, transferindo-¬se os mitos deificados, porém sobreviventes, na sua profundidade psicológica, a todos os golpes mortais que lhe foram desferidos através dos tempos.
Ressuscitam, não obstante, disfarçados em novos modelos, porém, ainda dominadores, prometendo glórias e castigos, prazeres e frustrações aos seus apaniguados, conforme o culto que deles recebam.
Assim, ao lado da violência que se espraia dominadora, vicejam religiões apressadas, salvadoras, na sua ingenuidade mítica, arrastando multidões desprevenidas e sem esclarecimento que, fracassadas, no contubérnio social, ali se refugiam, cultuando o paraíso eterno que lhes está reservado como prêmio ao sofrimento e ao desprezo de que se sentem objeto pela cultura consumista e desalmada.
A autorrealização pelo fanatismo mantém os bolsões da miséria sócio¬ econômica, por não trabalhar o idealismo latente no homem, a fim de que transforme os processos geradores da desgraça atual em realização pessoal e felicidade, na Terra, mesmo.
De certa maneira, o arrebanhar das multidões para as crenças salvadoras diminui, de alguma forma, o volume da violência, que irrompe, paralelamente, porquanto, sem o mito da salvação pela fé, toda essa potencialidade seria canalizada na direção da agressividade destruidora.
A agressividade salvacionista a que dá lugar, embora os prejuízos éticos e sociais que engendra, acalma os conteúdos psicológicos desviando os sujeitos dos crimes que poderiam cometer.
O mito da violência, por sua vez, nascido nos porões do submundo da miséria sócio econômico ¬moral e graças à eclosão das drogas em uso abusivo, engendra o símbolo da força, do poder, do estrelismo, no campeonato da aventura e da bravata, exibindo as heranças atávicas da animalidade primitiva ainda predominante no homem.
Toma¬-se pela força o que deveria ser dado pela fraternidade, através do equilíbrio da justiça social e dos deveres humanos, em solidário empenho pela promoção dos indivíduos, dignos de todos os direitos à vida que apenas alguns desfrutam.
A tragédia do cotidiano se apresenta nas mil faces da violência que se mescla ao comportamento geral, muitas vezes disfarçando¬-se até em formas de submissão rebelde e humildade¬ humilhante, que descarregam suas frustrações adquiridas ao lado dos mais fortes, no dorso desprotegido dos mais fracos.
Os conteúdos psicológicos, mantenedores do equilíbrio, fragmentam¬-se ao choque do cotidiano agitado e desestruturam o homem que se asselvaja, ou foge para a furna sombria da alienação, considerando-¬se incapaz de enfrentar a convivência difícil do grupo social, igualmente superficial, interesseiro, despreparado para a conjuntura vigente.
Graças a isso, os indivíduos fracassam ou enfermam, atritam ou debandam enquanto os crédulos ressuscitam os mitos das velhas crendices de males feitos, de perseguições da inveja, do ciúme e do despeito, ou arregimentam argumentos destituídos de lógica para explicarem as ocorrências malsucedidas, danosas...
Certamente, sucedem tais perseguições; busca-¬se o malfazer; campeiam as paixões inferiores que são pertinentes ao homem, ainda em estágio infantil da sua evolução, sem que seja mau.
A sua aparente maldade resulta dos instintos agressivos ainda não superados, que lhe predominam em a natureza animal, em detrimento da sua natureza espiritual.
Em toda e qualquer tragédia do cotidiano, ressaltam os componentes psicológicos encarregados da desestruturação do homem, nesse processo de individuação para adquirir uma consciência equilibrada, capaz de proporcionar-¬lhe paz, saúde, realização interior, gerando, no grupo social, o equilíbrio entre os contrários e a satisfação real da convivência não competitiva, no entanto cooperativa.

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QUINTA PARTE
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Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 12 de Novembro de 2019, 11:27
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21 O homem moderno

Buscando enganar a sua realidade mediante a própria fantasia, o homem moderno procura a projeção da imagem sem o apoio da consciência.
Evita a reflexão esclarecedora, que pode desalgemar dos problemas, e permanece em contínuas tentativas de negar¬-se, mascarando a sua individualidade.
O ego exerce predominância no seu comportamento e estereotipa fantasias que projeta no espelho da imaginação.
Irrealizado, porque fugindo do enfrentamento com o seu eu, transfere¬-se de aspirações e cuidados a cada novidade que depara pelo caminho.
Não dispõe de decisão para desmascarar o ego, por temer petrificar¬-se de horror, qual se aquele fosse uma nova Medusa, que Perseu, e apenas ele, venceu, somente porque a fez contemplar-¬se no escudo espelhado que lhe dera Atena...
Obviamente, esse espelho representa a consciência lúcida, que descobre e separa objetivamente o que é real daquilo que apenas parece.
Nesse sentido, o ego que vive e reincide nos conteúdos inconscientes, necessita de conscientizar-¬se, desidentificando¬-se dos seus resíduos emergentes.
O homem vive na área das percepções concretas e, ao mesmo tempo, das abstratas.
A cultura da arte faz que ele se porte, ora como observador, ora como observado
E ainda o observador que se observa, a fim de poder transformar os complexos ou conflitos inconscientes em conhecimentos que possa conduzir, senhor da sua realidade, dos seus atos.
Sua meta é poder sair da agitação, na qual se desgoverna, para observar-¬se, a distância, evitando o sofrimento macerador.
A este ato chamaremos a separação necessária entre o sujeito e o objeto,
Através da qual se observam os acontecimentos sem os sofrer de forma dilacerante,
Modificando o estado de ânimo angustiante para uma simples expressão do conhecimento,
Mediante a transferência da realidade que jaz no espírito para o exterior das formas e da emoção.
A reflexão constitui um admirável instrumento para o logro, apoiando¬-se na cultura e na realização artística, social, solidária, que desvela os mananciais de sentimento e de consciência humanos.
Jogado em um mundo exterior agressivo, no qual predominam a luta pela sobrevivência do corpo e a manutenção do status, o homem acumula conteúdos psíquicos não descartáveis nem digeríveis, avançando, apressado, para o stress, as neuroses, as alienações.
Acumula coisas e valores que não pode usar e teme perder, ampliando o campo do querer, mais pelo receio de possuir de forma insuficiente, sem dar¬-se conta da necessidade de viver bem consigo mesmo, com a família e os amigos, participando das maravilhosas concessões da vida que lhe estão ao alcance.
A mensagem de Jesus é uma oportuna advertência para essa busca insana, quando Ele recomenda que
“Não se ande, pois, ansioso pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã a si mesmo trará seu cuidado; ao dia bastam os seus próprios males”.
Comedir-¬se, agir com sensatez e tranquilidade, confiar nos próprios valores e nas possibilidades latentes são regras que vão ficando esquecidas, a prejuízo da harmonia pessoal dos indivíduos.
Os interesses competitivos postos em jogo, a aflição por vencer os outros, o sobrepor-¬se às demais pessoas desarticularam as propostas da vitória do homem sobre si mesmo, da sua realização interior, da sua harmonia diante dos problemas que enfrenta.
As linhas do comportamento alteradas, induzindo ao exterior, devem agora ser revisadas, sugerindo a conduta para o conhecimento dos valores reais, a redescoberta do sentido ético da existência, a busca da sua imortalidade.
Quando o homem moderno passar a considerar a própria imortalidade em face da experiência fugaz do soma, empreenderá a viagem plenificadora de trabalhar pelos projetos duradouros em detrimento das ilusões temporárias, observando o futuro e vivendo ¬o desde já, empenhado no programa da sua conscientização espiritual.
Nele se insculpirá, então, o modelo da realização em um ser integral, destituído do medo da vida e da morte, da sombra e da luz, do transitório e do permanente, da aparência e da realidade.

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Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 26 de Novembro de 2019, 11:31
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22 Mecanismos de evasão

A larga infância psicológica das criaturas é dos mais graves problemas, na área do comportamento humano.
Habituada, a criança, a ter as suas necessidades e anseios resolvidos, imaturamente, pelos adultos — pais, educadores, familiares, amigos — ou atendidos pela violência do clã e da sociedade, nega-¬se a crescer, evitando as responsabilidades que enfrentará.
No primeiro caso, porque tudo lhe chega às mãos de forma fácil, dilata o período infantil, acreditando que a vida não passa de um joguete e o seu estágio egocêntrico deve permanecer, embora a mudança de identidade biológica, de que mal se dá conta.
Mimada, acomoda-¬se a exigir e ter, recusando¬-se o esforço bem dirigido para a construção de uma personalidade equilibrado, capaz de enfrentar os desafios da vida, que lhe chegam, a pouco e pouco.
Acreditando-¬se credora de todos os direitos, cria mecanismos inconscientes de evasão dos deveres, reagindo a eles pelas mais variadas como ridículas formas de atitude, nas quais demonstra a prevalência do período infantil.
No segundo caso, sentindo¬-se defraudada pelo que lhe foi oferecido com má vontade e azedume ou sistematicamente negado, a criança se transfere de uma para outra faixa etária, sem abandonar as sequelas da sua castração, buscando realizar os desejos sufocados, mas, vivos, quando lhe surja a oportunidade.
Em ambos acontecimentos, o desenvolvimento emocional não corresponde ao físico e ao intelectual, que não são afetados pelos fenômenos psicológicos da imaturidade.
Excepcionalmente, pode suceder que o alargamento do período infantil, por privação dos sentimentos e pelas angústias, produza distúrbios na saúde física como na mental, gerando dilacerações profundas, difíceis de sanadas.
Na generalidade, porém, o que sucede são as apresentações de adulto susceptível, medroso, instável, ciumento, que não superou a crise da infância, nela permanecendo sob conflitos lastimáveis.
As figuras domésticas representadas pelo pai e pela mãe permanecem em atividade emocional, no inconsciente, resolvendo os problemas ou atemorizando o indivíduo, que se refugia em mecanismos desculpistas para não lutar, mantendo-¬se distante de tudo quanto possa gerar decisão, envolvimento responsável, enfrentamento.
Fugindo das situações que exigem definição, parte para as formulações e comportamentos parasitas, buscando nas pessoas que considera fortes e são elegidas como seus heróis ou seus superiores, porquanto, tudo que elas empreendem se apresenta coroado de êxito.
Não se dá conta da luta que travam, das renúncias e sacrifícios que se impõem.
Esta parte, não lhe interessa, ficando propositadamente ignorada.
Como efeito cresce¬-lhe a área dos conflitos da personalidade, com predominância da autocompaixão, num esforço egoísta de receber carinho e assistência, sem a consciência da necessidade de retribuição.
Não lhe amadurecendo os sentimentos da solidariedade e do dever, crê¬-se merecedor de tudo, em detrimento do esforço de ser útil ao próximo e à comunidade, esquecendo-¬se das falsas necessidades para tornar-¬se elemento de produção em favor do bem geral.
Instável emocionalmente, ama como fuga, buscando apoio, e transfere para a pessoa querida as responsabilidades e preocupações que lhe são pertinentes, tornando o vínculo afetivo insuportável para o eleito.
Outras vezes, a imaturidade psicológica reage pela forma de violência, de agressividade, decorrentes dos caprichos infantis que a vida, no relacionamento social, não pode atender.
Uma peculiar insensibilidade emocional domina o indivíduo, que se desloca, por evasão psicológica, do ambiente e das pessoas com quem convive, poupando¬-se a aflições e somente considerando os próprios problemas, que o comovem, ante a frieza que exterioriza quando em relação aos sofrimentos do próximo.
O homem nasceu para a auto¬rrealização, e faz parte do grupo social no qual se encontra, a fim de promove-¬lo crescendo com ele.
Os problemas devem constituir-¬lhe meio de desenvolvimento, em razão de serem-¬lhe estímulos¬ desafios, sem os quais o tédio se lhe instalaria nos painéis da atividade, desmotivando¬-o para a luta.
Desse modo, são parte integrante da estruturação mental e emocional, responsáveis pelos esforços do próximo e do grupo em conjunto, para a sobrevivência de todos.
O solitário é prejuízo e dano na economia social, perturbando a coletividade.
Fatores que precedem ao berço, presentes na historiografia do homem, decorrentes das suas existências anteriores, situam-¬no, no curso dos renascimentos, em lares e junto aos pais de quem necessita, a fim de superar as dívidas, desenvolver os recursos que lhe são inerentes e lhe estão adormecidos, dando campo à fraternidade que deve viger em todos os seus atos. Assim, cumpre¬-lhe libertar¬-se da infância psicológica, mediante as terapias competentes, que o desalgemam dos condicionamentos perniciosos, ao mesmo tempo trabalhando-¬lhe a vontade, para assumir as responsabilidades que fazem parte de cada período do desenvolvimento físico e intelectual da vida.
Partindo de decisões mais simples, o exercício de ações responsáveis, nas quais o insucesso faz parte dos empreendimentos, o homem deve evitar os mecanismos de evasão, assim como as justificativas sem sentido, tais:
Não tenho culpa, não estou acostumado, nada comigo dá certo, aí ocultando a sua realidade de aprendiz, para evitar as outras tentativas que certamente se farão coroar de êxitos.
A experiência do triunfo é lograda através de sucessivos ei-¬los.
O acerto, nos primeiros tentames, não significa a segurança de continuados resultados positivos.
Em todas as áreas do comportamento estão presentes a glória e o fracasso, como expressões do mesmo empreendimento.
A fixação de qualquer aprendizagem dá-¬se mediante as tentativas frustradas ou não.
Assim, vencer o desafio é esforço que resulta da perseverança, da repetição, sem enfado nem cansaço.
Toda fuga psicológica contribui para a manutenção do medo da realidade, não levando a lugar algum.
Mediante sua usança, aumentam os receios de luta, complicam-¬se os mecanismos de subestima pessoal e desconsideração pelos próprios valores.
O homem, no entanto, possui recursos inesgotáveis que estão ao alcance do esforço pessoal.
Aquele que se demora somente na contemplação do que deve fazer, porém, não se anima a realiza-¬lo, perde excelente oportunidade de desvendar-¬se, desenvolvendo as capacidades adormecidas que o podem brindar com segurança e realização interior.
Todo o esforço a ser envidado, em favor da libertação dos mecanismos de fuga, contribui para apressar o equilíbrio emocional, o amadurecimento psicológico, de modo a assumir a sua humanidade, que é a característica definidora do indivíduo:
Sua memória, seus valores, seus atos, seu pensamento.
A fuga, portanto, consciente ou não, no comportamento psicológico, deve ser abolida, por incondizente com a lei do progresso, sob a qual todas as pessoas se encontram submetidas pela fatalidade da evolução.

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Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 26 de Novembro de 2019, 11:33
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23 O problema do espaço

O espaço é de vital importância para a movimentação dos seres, especialmente do homem.
Experiências de laboratório demonstram que, em uma área circunscrita, na qual convivem bem alguns exemplares de ratos, à medida que aumenta o seu número, neles se manifesta a agressividade, até o momento em que, tornando¬-se mínimo o espaço para a movimentação, os roedores lutam, dominados por violenta ferocidade que os leva a dizimar¬-se.
Graças a isto, nas cidades e lugares outros super-populosos, o respeito pela criatura e à propriedade desaparece, aumentando, progressivamente, a violência e o crime, que se dão as mãos, em explosões de sandices inimagináveis.
A diminuição do espaço retira a liberdade, restringindo¬-a, na razão do volume daqueles que o ocupam, o que dá margem à promiscuidade no relacionamento das pessoas, com o conseqüente desrespeito entre elas mesmas.
Inconscientemente, a preservação do espaço se torna um direito de propriedade, que adquire valores crescentes em relação à sua escassez e localização.
O homem, como qualquer outro animal, luta com todas as forças e por todos os meios para a manutenção da sua posse, a dominação do espaço adquirido e, às vezes, pelo que gostaria de possuir, tombando nas ambições desmedidas, na ganância.
No relacionamento social, cada indivíduo é cioso dos seus direitos, do seu espaço físico e mental, da sua integridade, da sua intimidade, zelando pela independência de ação e conduta nestas áreas comportamentais.
Quando os sentimentos afetivos irrompem e ele deseja repartir a sua liberdade com a pessoa amada, naturalmente espera compartir dos valores que ela possui, numa substituição automática daquilo que irá ceder.
Trata¬-se de uma concessão¬-recepção, gerando uma ação cooperativista.
A princípio, o encantamento ou a paixão substitui a razão, quebrando um hábito arraigado, sem chance de preenchê-¬lo por um novo, que exige um período de consciente adaptação para uma convivência agradável, emocionalmente retributiva.
Apesar disso, ficam determinados bolsões que não podem ou não devem ser violados, constituindo os remanescentes da liberdade de cada um, o reino inconquistado pelo alienígena.
Nos relacionamentos das pessoas imaturas, os espaços são, de imediato, tomados e preenchidos, tornando a convivência asfixiante, insuportável, logo passam as explosões do desejo ou os artifícios da novidade.
Surgem, nesse período, as discussões por motivos fúteis, que escamoteiam as causas reais, nascendo as mágoas e rancores que separam os indivíduos e, às vezes, os arruínam.
Nas afeições das pessoas amadurecidas psicologicamente, não há predominância de uma vontade sobre a do outro, porém, um bom entrosamento que sugere a eleição da sugestão melhor, sem que ocorra a governança de uma por outra vida, que a submetendo aos seus caprichos comprime¬-a, estimulando as reações de malquerença silenciosa que explodirá, intempestivamente, em luta calamitosa.
Por isto mesmo, o afeto conquista sem se impor, deixando livres os espaços emocionais, que substituem os físicos cedidos, ampliando-¬se os limites da confiança, que permite o trânsito tranqüilo na sua e na área do ser amado, que lhe não obstaculiza o acesso, o que é, evidentemente, de natureza recíproca.
O homem ou a mulher de personalidade infantil deseja o espaço do outro, sem querer ceder aquele que acredita seu.
Quando consegue, limita a movimentação do afeto, a quem deseja subjugar por hábeis maneiras diversas, escondendo a insegurança que é responsável pela ambição atormentada.
Se não logra, parte para o jogo dos caprichos, que termina em incompatibilidade de temperamentos, disfarçando as suas reações neuróticas.
A vida feliz é um dar, um incessante receber.
Toda doação gratifica, e nela, embutida, está a satisfação da oferta, que é uma forma de gratulação.
Aquele que se recusa a distribuição padece a hipertrofia da emoção retribuída e experimenta carência, mesmo estando na posse do excesso.
Somente doa, cede, quem tem e é livre, interiormente amadurecido, realizado.
Assim, mesmo quando não recebe de volta e parece haver perdido o investimento, prossegue pleno, porquanto, somente se perde o que não se tem, que é a posse da usura e não o valor que pode ser multiplicado.
A pessoa se deve acostumar com o seu espaço, liberando-¬se da propriedade total sobre ele e adaptando-¬se, mentalmente, à idéia de reparti-¬lo com outrem, mantendo porém, integral, a sua liberdade íntima, cujos horizontes são ilimitados.
Ademais, deve considerar que os espaços físicos são transitórios, em razão da precariedade da própria vida material, que se interrompe com a morte, transferindo o ser para outra dimensão, na qual os limites tempo e espaço passam a ter outras significações

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24 A reconquista da identidade

A imaturidade psicológica do homem leva-¬o a anular a própria identidade, face aos receios em relação às lutas e ao mundo nas suas características agressivas.
A timidez confunde-¬o, fazendo que os complexos de inferioridade lhe aflorem, afastando¬-o do grupo social ou propelindo¬-o à tomada de posições que lhe permitam impor-¬se aos demais.
A violência latente se lhe desvela, disfarçando os medos que lhe são habituais.
Ocultando a identidade, mascara¬-se com personalidades temporárias que considera ideais — cada uma a seu turno — e que são copiadas dos comportamentos de pessoas que lhe parecem bem, que triunfaram, que são tidas como modelares, na ação positiva ou negativa, aquelas que quebraram a rotina e que, de alguma forma, fizeram-¬se amadas ou temidas.
Gestos e maneirismos, trajes e ideologias são copiados, assumindo-¬lhes o comportamento, no qual se exibe e consome, até passar a outros modelos em voga que lhe despertem o interesse.
Na superficialidade da encenação, asfixia¬-se, mais se conflitando em razão da postura insustentável que se vê obrigado a manter.
Como efeito do desequilíbrio, passa a fingir em outras áreas, evitando a atitude leal e aberta, mas, sempre sinuosa, que lhe constitui o artificialismo com que se reveste.
Vulnerável aos acontecimentos do cotidiano, sem identidade, é pessoa de difícil relacionamento, vez que tem a preocupação de agradar, não sendo coerente com a sua realidade interior e, mutilando¬-se psicologicamente, abandona, sem escrúpulos, os compromissos, as situações e as amizades que, de momento, lhe pareçam desinteressantes ou perturbadoras...
A falta de identidade cria o indivíduo sem face, dissimulador, com loquacidade que obscurece as suas reais impressões, sustentando condicionamentos cínicos para a sobrevivência da representação.
Cada criatura é a soma das próprias experiências culturais, sociais, intelectuais, morais e religiosas.
O seu arquétipo é caracterizado pelas suas vivências, não sendo igual ao de outrem.
A sua identidade é, portanto, a individualidade real, modeladora da sua vida, usufrutuária dos seus atos e realizações.
No variado caleidoscópio das individualidades, surge o grupo social das afinidades e interesses, das aspirações e trocas, da convivência compartilhada.
Os destaques são aquelas de temperamento mais vigoroso de que o grupo necessita, na condição de líderes naturais, de expressões mais elevadas, que servem de meta para os que se encontram na retaguarda.
Nenhum contrassenso ou prejuízo em tal exceção.
A generalidade é o resultado dos biótipos de nível equivalente, sem que sejam pessoas iguais, que não as existem, porém, com uma boa média de realizações semelhantes.
Em razão do processo reencarnatório, alguns indivíduos recomeçam a existência física sob injunções conflitantes, que devem enfrentar, sem fugir aos objetivos que a Vida a todos destina.
Como cada um é a sua realidade, ninguém melhor ou pior, face à sua tipologia.
Existem os mais e os menos dotados, com maior ou menor soma de títulos, de valores, porém, nenhum sem os equipamentos hábeis para o crescimento, para alcançar o ideal desafiador que luz à frente.
É um dever emocional assumir a sua identidade, conhecer¬-se e deixar¬-se conhecer.
Certamente, não nos referimos à necessidade de o indivíduo viver as suas deficiências, impondo-¬as ao grupo social no que se encontra...
Porém, não escamotear os próprios limites e anseios ainda não logrados, mantendo falsas posturas de sustentação impossível, é o compromisso existencial que leva a um equilibrado amadurecimento emocional.
Afinal, todos os indivíduos se encontram, na Terra, em processo de evolução.
Conseguida uma etapa, outra se lhe apresenta como o próximo passo.
A satisfação, na parada no patamar conquistado leva ao tédio, ao cansaço da vida.
Aventurar-¬se, no bom e profundo sentido da palavra, é a estimulação de valores, revelação dos conteúdos íntimos, proposta de experiência nova.
A ansiedade e a incerteza decorrentes do tentame fazem parte dos projetos da futura estabilidade psicológica, do armazenamento dos dados que cooperam para uma vida estável, realizadora e feliz.
Os insucessos e preocupações durante a empresa tornam-¬se inevitáveis e são eles que dão a verdadeira dimensão do que significa lutar, competir, estar vivo, ter uma identidade a sustentar.
Deste modo, o indivíduo tem o dever de enfrentar-¬se, de descobrir qual é a sua identidade e, acima de tudo, aceitar¬-se.
A aceitação faz parte do amadurecimento íntimo, no qual os inestimáveis bens da vida assomam à consciência, que passa a utilizá¬-los com sabedoria, engrandecendo¬-se na razão direta que os multiplica.
A sociedade é constituída por pessoas de gostos e ideais diferentes, de estruturas psicológicas diversas, que se harmonizam em favor do todo.
Das aparentes divergências surge o equilíbrio possível para uma vida saudável em grupo, no qual uns aos outros se ajudam, favorecendo o progresso comunitário.
O descobrir¬-se que a própria identidade é única, especial, em decorrência de muitos fatores, favorece a manutenção do bem-estar íntimo, impedindo fugas atormentantes e inúteis.
Quem foge da sua realidade, neurotiza-¬se, padecendo estados oníricos de pesadelos, que passam à área da consciência, em forma de ameaças de desditas por acontecer, com o mundo mental povoado de fantasmas que não consegue diluir.
Aceitando¬-se como se é, possui¬-se estímulos para auto aprimorar-se, superando os limites e desajustes por educação, disciplina e lutas empreendidas em favor de conquistas mais expressivas.
Somente através da aceitação da sua identidade, sem disfarces, o homem, por fim, adquire o amadurecimento psicológico que o capacita para uma existência ideal, libertadora.
A própria identidade é a vida manifestada em cada ser.

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Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 12 de Dezembro de 2019, 12:00
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25 Ter e ser

A psicologia sociológica do passado recomendava a posse como forma de segurança.
A felicidade era medida em razão dos haveres acumulados, e a tranquilidade se apresentava como sendo a falta de preocupação em relação ao presente como ao futuro.
Aguardar uma velhice descansada, sem problemas financeiros, impunha¬-se como a grande meta a conquistar.
A escala de valores mantinha como patamar mais elevado a fortuna endinheirada, como se a vida se restringisse a negócios, à compra e venda de coisas, de favores, de posições.
Mesmo as religiões, preconizando a renúncia ao mundo e aos bens terrenos, reverenciavam os poderosos, os ricos, enquanto se adornavam de requintes, e seus templos se transformavam em verdadeiros bazares, palácios e museus frios, nos quais a solidariedade e o amor passavam desconhecidos.
A felicidade se apresentava possível, desde que se pudesse comprá¬-la.
Todos os programas traziam como impositivo prioritário o prestígio social decorrente da posse financeira ou do poder político.
Cunhou¬-se o conceito irônico de que o dinheiro não dá felicidade, porém ajuda a consegui¬-la.
Ninguém o contesta;
No entanto, ele não é tudo.
O imediatismo substituiu os valores legítimos da vida, e houve uma natural subestima pelos códigos éticos e morais, as conquistas intelectuais, as virtudes, por parecerem de somenos importância.
Não se excogitava, então, averiguar se as pessoas poderosas e possuidoras de coisas eram realmente felizes, ou se apenas fingiam sê-¬lo.
Não se indagava a respeito das reais ambições dos seres, e o quanto dariam para despojar-¬se de tudo, a fim de serem outrem ou fazerem o que lhes aprazia e não o que se lhes impunham.
Embora os avanços da Psicologia profunda, na atualidade, ainda permanecem alguns bolsões de imposição para que o homem tenha, sem a preocupação com o que ele seja.
O prolongamento da idade infantil, em mecanismos escapistas da personalidade, faz que a existência permaneça como um jogo, e os bens, como as pessoas, tornem¬-se brinquedos nas mãos dos seus possuidores.
Os homens, entretanto, não são marionetes de fácil manipulação.
Cada indivíduo tem as suas próprias aspirações e metas, não podendo ser movido, pelo prazer insano ou com bons propósitos que sejam, por outras pessoas.
Esses atavismos infantis não absorvidos pela idade adulta, impedindo o amadurecimento psicológico encarregado do discernimento, são igualmente responsáveis pela insegurança que leva o indivíduo a amontoar coisas e a cuidar do ego, em detrimento da sua identidade integral.
Sem que se dê conta, desumaniza¬-se e passa à categoria de semideus, desvelando os caprichos infantis, irresponsáveis, que se impõem, satisfazendo as frustrações.
O amadurecimento psicológico equipa o homem de resistências contra os fatores negativos da existência, as ciladas do relacionamento social, as dificuldades do cotidiano.
A vida são todas as ocorrências, agradáveis ou não, que trabalham pelo progresso, em cuja correnteza todos navegam na busca do porto da realização.
Importante, desse modo, é manter-¬se o equilíbrio entre ser e exteriorizar o que se é, sem conflito comportamental, eliminando os estados de tensão resultantes da insatisfação ou do comodismo, assim, realizando¬-se, interior e exteriormente.
Nesta luta entre o ego artificial, arquetípico, e o eu real, eterno e evolutivo, os conteúdos ético¬morais da vida têm prevalência, devendo ser incorporados à conduta que os automatiza, não mais gerando áreas psicológicas resistentes à auto¬ realização, e liberando-¬as para um estado de plenitude relativa, naturalmente, em razão da transitoriedade da existência física.
É óbvio que não fazemos a apologia da escassez ou da miséria, na busca da realização pessoal.
Tampouco, propomos o desdém à posse, levando a mente a ilhas onde se homiziam o despeito e a falsa auto¬suficiência.
A posse é uma necessidade para atender objetivos próprios, que não são únicos nem exclusivos.
Os recursos amoedados, o poder político ou social são mecanismos de progresso, de satisfação, enquanto conduzidos pelo homem, qual locomotiva a movimentar os canos que se lhe submetem.
Quando se inverte a situação, o iminente desastre está à vista.
Os recursos são para o homem utilizá¬-los, ao invés deste se lhes tornar servil, arrastado pelos famanazes dos interesses subalternos que, de auxiliares da pessoa de destaque, passam à condição de controladores das circunstâncias, aprisionando nas suas hábeis manobras aquele que parece conduzi-¬las...
Não é a posse que o envilece.
Ela faculta-¬lhe o desabrochar dos valores inatos à personalidade, e os recalques, os conflitos em predominância assomam, prevalecendo¬-lhe no comportamento.
Eis aí a importância do amadurecimento psicológico do indivíduo, que lhe proporciona os meios de gerir os recursos, sem se lhes submeter aos impositivos.
Quando se tem a sabedoria de administrar os valores de qualquer natureza, a benefício da vida e da coletividade, não apenas se possui, sobretudo se se é livre, nunca possuído pelas enganosas engrenagens dos metais preciosos, dos títulos de negociação, dos documentos de consagração e propriedade, todos, afinal, perecíveis, que mudam de mão, que são fáceis de perder¬-se, destruir-¬se, queimar-¬se...
A integridade e a segurança defluem do que se é, jamais do que se tem.

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26 Observador, observação e observado

Anteriormente, pareciam existir três posturas na situação de um observador:
A pessoa, o objeto e o ato.
Separados, a pessoa se abstraía do todo para observar;
O objeto se apresentava a distância, sob observação;
A atitude afastava o observador.
Esses limites tornavam¬-se dificuldades para um comportamento unitário, concorde com as circunstâncias, afastando sempre o indivíduo dos acontecimentos e, de certo modo, isentando¬-o das responsabilidades.
As complexidades do destino, da sorte, do berço e outras preponderavam como mecanismos de justificação do êxito ou do fracasso de cada um.
O homem se apresentava, então, dissociado da vida, afastado do universo, fora das ocorrências, como um ser à parte dos fatos.
A pouco e pouco, ele se deu conta de que a unidade se encontra presente no conjunto, que por sua vez se faz unitário,
Assim como a onda é o mar, embora o mar não seja a onda.
Permanecem, em tal postura, os critérios da individualidade pessoal,
Não obstante a sua integração no todo.
O olho que observa é, ao mesmo tempo, o olho observado, responsável pela observação.
A criatura já não se isola da harmonia geral ou do coletivo, a fim de observar, sem que, por sua vez, não seja observada.
A observação faz parte da vida que, de igual modo, depende do indivíduo observador.
Na inteireza da unidade, todos os agentes que a constituem são portadores do mesmo grau de responsabilidade, a benefício do conjunto.
Não há como transferir¬-se para outrem a tarefa que lhe diz respeito.
O excesso de esforço em um, enfraquece-¬o, a favor, negativo, da ociosidade de outro, que se debilita por falta de movimentação.
Tal compreensão do mecanismo existencial deflui de uma capacidade maior de amadurecimento psicológico do homem,
Que já não se compadece da própria fraqueza, porém busca fortalecer¬-se;
Tampouco se considera inferior em relação aos demais, por saber-¬se detentor de energias equivalentes.
O seu é o mesmo campo de luta, no qual todos se encontram com idênticas responsabilidades, evitando marginalizar-¬se.
Se o faz, tem consciência que está conspirando contra o equilíbrio geral e que ficará a sós, desde que o todo se refará mesmo sem ele, criando e assumindo nova forma.
Mergulhado na harmonia geral, o homem deve contribuir conscientemente para mantê-la, observando-¬a e com ela se identificando, observado e em sintonia, diante do conjunto que também o envolve no ato de observar.

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27 O devir psicológico

Por largo tempo houve uma preocupação, na área psicológica, para encontrar¬-se as raízes dos problemas do homem, o seu passado próximo
— Vida pré¬ natal, infância e juventude a fim de os equacionar.
A grande e contínua busca produzia, não raro, um desesperado anseio para a compreensão dos fenômenos castradores e restritivos da existência, no dealbar dela mesma.
Interpretações apressadas, comumente, tentavam liberar os pacientes dos seus conflitos, atirando as responsabilidades da sua gênese aos pais desequipados,
Uns superprotetores, outros agressivos,
Que,
Na sua ignorância afetiva, desencadeavam os complexos variados e tormentosos.
Tratava¬-se de uma forma simplista de desviar o problema de uma para outra área, sem a real superação ou equação do mesmo.
Os pacientes, esclarecidos indevidamente, adquiriam ressentimentos contra os responsáveis aparentes pelas suas aflições, transferindo¬-se de postura patológica.
Em reação, na busca do que passavam a considerar como liberdade, independência daqueles agentes castradores, inibidores, faziam-¬se bulhentos, assumindo atitudes desafiadoras, na suposição de que esta seria uma forma de afirmação da personalidade, de autorrealização.
E o ressentimento inicial contra os pais, os familiares e educadores crescia, transferindo-¬se, automaticamente, para a sociedade como um todo.
A conscientização dos fenômenos neuróticos não deve engendrar vítimas novas, contra as quais sejam atiradas todas as responsabilidades.
Isto impede o amadurecimento psicológico do paciente, que assume uma posição injusta de deserdado da sociedade, aí se refugiando para justificar todos os seus insucessos.
Sem dúvida, desde o momento da vida extra¬uterina, há um grande choque na formação psicológica do bebê,
Ao qual se adicionam outros inumeráveis, decorrentes da educação deficiente no lar e no grupamento social.
O mundo, com as suas complexidades estabelecidas e para ele impenetráveis, apresenta¬-se agressivo e odiento, exigindo¬-lhe alto suprimento de habilidades para escapar-¬lhe ao que considera suas ciladas.
Nessas circunstâncias adversas para a formação psicológica do homem, devemos convir que as suas causas precedem a existências anteriores,
Que formaram as estruturas da individualidade ora reencarnada,
Responsáveis pelas resistências ou fragilidades dos componentes emocionais.
No mesmo clã e sob as mesmas condições,
As pessoas as enfrentam de forma diversa, desvelando, nas suas reações, a constituição de cada uma, que antecede ao fenômeno da concepção fetal.
A moderna visão psicológica, embora respeitando as injunções do passado atual, busca desenvolver as possibilidades latentes do homem,
O seu vir¬ a¬ ser, centralizando a sua interpretação nos seus recursos inexplorados.
Há, nele, todo um universo a conquistar e ampliar, liberando as inibições e conflitos,
Diante dos novos desafios que acenam com a autorrealização e o amadurecimento íntimo.
De etapa a etapa, ele avança conquistando as terras novas da vida e da experiência, que se sobrepõem aos alicerces fragmentários da infância, substituindo¬ os vagarosamente.
O devir psicológico é mais importante do que o seu passado nebuloso, que o sol da razão consciente se encarregara de clarear, sem ilhas de sombra doentia na personalidade. Extraordinariamente, em alguns casos de psicoses e neuroses, de dificuldades no interrelacionamento pessoal, de inibições sexuais e frustrações,
Pode¬-se recorrer a uma viagem consciente ao passado, a fim de encontrar¬-se a matriz cármica e aplicar-¬lhe a terapia especializada, capaz de conscientizar o paciente e ajudá¬-lo na superação do fator perturbante.
Mesmo assim, a experiência terapêutica exige os recursos técnicos e as pessoas especializadas para o tentame,
Evitando-¬se apressadas conclusões falsas e o mergulho em climas obsessivos que impõem mais cuidadosa análise e tratamento adequado.
A questão, pela sua gravidade, exige siso e cuidados especiais.
A nova psicologia profunda pretende desvendar as incógnitas das várias patologias que afetam o comportamento psicológico do homem,
Utilizando-¬se de uma nova linguagem e desenvolvendo os recursos da sua evolução ainda não excogitados.
Por enquanto, o indivíduo não se conhece, apresentando-¬se como se fora uma máquina com as suas complicadas funções, que busca automatizar.
É indispensável, assim, que tome consciência de si o que lhe independe da inteligência, da atividade de natureza mental.
A consciência expressa-¬se em uma atitude perante a vida, um desvendar de si mesmo, de quem se é, de onde se encontra, analisando, depois, o que se sabe e quanto se ignora, equipando-¬se de lucidez que não permite mecanismos de evasão da realidade.
Não finge que sabe, quando ignora;
Tampouco aparenta desconhecer, se sabe.
Trata-¬se, portanto, de uma tomada de conhecimento lógico.
Esses momentos de consciência impõem exercício, até que sejam aceitos como natural manifestação de comportamento.
Para tanto, devem ser considerados os diversos critérios de duração, de frequência e de largueza, como de discernimento.
Por quanto tempo se permanece consciente, em estado de identificação?
Quantas vezes o fenômeno se repete e de que o indivíduo está consciente?
Factível estabelecer-¬se uma programação saudável.
No painel existencial, no qual nada é fixo e tudo muda, torna¬-se inadiável a busca da consciência atual sem as fixações do passado, de modo a multiplicar os estímulos para o futuro que chegará.
Destaca¬-se aí, a necessidade do equilíbrio, que segundo Pedro Ouspenski, é “como aprender a nadar”.
A dificuldade inicial cede então lugar à realização plena.
O homem amargurado, que se faz vítima dos conflitos, deve aprender a resolver os desafios do momento, despreocupando-¬se das ocorrências traumáticas e gerando novas oportunidades.
As suas propostas para amanhã começam agora, não aguardando que o tempo chegue,
Porque é ele quem passará pelas horas e chegará àquela dimensão a que denomina futuro.
A estrutura psicológica social — soma de todas as experiências culturais, históricas, políticas, religiosas —
Exerce uma função compressiva no comportamento do homem, que se deve libertar mediante o amadurecimento pessoal, que elimina o medo, a ira, a ambição, característicos das heranças atávicas,
E se programa dentro das próprias possibilidades inexploradas.
A consciência do vir ¬a¬ ser proporciona uma mente aberta, com capacidade para considerar com clareza e saúde todos os fatos da existência,
Comportando¬-se de maneira tranquila, com possibilidades de conquistar o infinito.

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Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 16 de Janeiro de 2020, 11:38
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28 Problemas sexuais

Herança animal predominante em a natureza humana, o instinto de reprodução da espécie exerce um papel de fundamental importância no comportamento dos seres.
Funcionando por impulsos orgânicos nos irracionais, expressa-¬se como manifestação propiciatória à fecundação nos ciclos orgânicos, periódicos, em ritmos equilibrados de vida.
No homem, face ao uso, que nem sempre obedece à finalidade precípua da perpetuação das formas, experimenta agressões e desvios que o desnaturam,
Tornando-¬se, o sexo, fator de desditas e problemas da mais variada expressão.
Face à sensação de prazer que lhe é inata, a fim de atrair os parceiros para a comunhão reprodutora,
Torna¬-se fonte de tormentos que delineiam o futuro da criatura.
Considerando¬-se a força do impulso sexual, no comportamento psicológico do homem, as disjunções orgânicas, a configuração anatômica e o temperamento emocional
Tornam¬-se de valor preponderante na vida, no interrelacionamento pessoal, na atitude existencial de cada qual.
A sua carga compressiva, no entanto, transfere¬-se de uma para outra existência corporal, facultando um uso disciplinado, corretor, em injunções específicas, que por falta de esclarecimento leva o indivíduo a uma ampla gama de psicopatologias destrutivas na área da personalidade.
Com muita razão, Alice Bailey afirmava, diante dos fenômenos de alienação mental, que eles podem ser
“...de natureza psicológica, hereditários por contatos coletivos e cármicos”.
Introduzia, então, o conceito cármico, na condição de fator desencadeante das enfermidades a expressar-¬se nas manifestações da libido, de relevante importância nos estudos freudianos.
O conceito, em torno do qual o homem é um animal sexual, peca, porém, pelo exagero.
Naturalmente, as heranças atávicas impõem-lhe a força do instinto sobre a razão, levando¬-o a estados ansiosos como depressivos.
Todavia, a necessidade do amor é¬-lhe superior.
Por falta de uma equilibrada compreensão da afetividade, deriva para as falazes sensações do desejo, em detrimento das compensações da emoção.
Mais difícil se apresenta um saudável relacionamento afetivo do que o intercurso apressado da explosão sexual, no qual o instinto se expressa, deixando, não poucas vezes, frustração emocional.
Passados os rápidos momentos da comunhão física, e já se manifestam a insatisfação, o arrependimento, os conflitos perturbadores...
A falta de esclarecimento, no passado, em torno das funções do sexo, os mistérios e a ignorância com que o vestiram, desnaturaram¬-no.
A denominada revolução sexual dos últimos tempos, igualmente, ao demitizá-¬lo,
Abriu espaços de promiscuidade para os excessivos mitos do prazer,
Com a consequente desvalorização da pessoa,
Que se tornou objeto, instrumento de troca, indivíduo descartável, fora de qualquer consideração, respeito ou dignidade.
A sociedade contemporânea sofre, agora os efeitos da liberação sem disciplina, através da qual a criatura vive a serviço do sexo, e não este para o ser inteligente,
Que o deve conduzir com finalidades definidas e tranquilizadoras.
As aberrações se apresentam, neste momento, com cidadania funcional, levando os seus pacientes a patologias graves que alucinam, matam e os levam a matar¬-se.
A consciência deve dirigir a conduta sexual de cada indivíduo, que lhe assumirá as consequências naturais.
Da mesma forma que uma educação castradora é responsável por inúmeros conflitos, a liberativa em excesso abre comportas para abusos injustificáveis e de lamentáveis efeitos no psiquismo profundo.
A vida se mantém sob padrões de ordem, onde quer que se manifeste.
Não há, aí, exceção para o comportamento do homem.
Por esta razão, o uso indevido de qualquer função produz distúrbios, desajustes, carências, que somente a educação do hábito consegue harmonizar.
Afinal, o homem não é apenas um feixe de sensações, mas, também, de emoções, que pode e deve canalizar para objetivos que o promovam,
Nos quais centralize os seus interesses, motivando¬-o a esforços que serão compensados pelos resultados benéficos.
Exclusão feita aos portadores de enfermidades mentais a se refletirem na conduta sexual,
O pensamento é portador de insuspeitável influência, no que tange a uma salutar ou desequilibrada ação genésica o mesmo fenômeno ocorre nas mais diferentes manifestações da vida humana.
Mediante o seu cultivo, eles se exteriorizam no comportamento de forma equivalente.
A vida, portanto, saudável, na área do sexo, decorre da educação mental,
Da canalização correta das energias,
Da ação física pelo trabalho,
Pelos desportos,
Pelas conversações edificantes que proporcionam resistência contra os derivativos,
Auxiliando o indivíduo na eleição de atitudes que proporcionam bem ¬estar onde quer que se encontre.
As ambições malconduzidas, toda frustração decorrente do querer e não poder realizar, dão nascimento ao conflito.
O conflito, por sua vez, quando não equacionado pela tranquila aceitação do fato,
Sobrepondo a identidade real ao ego dominador e insaciável, termina por gerar neuroses.
Estas, sustentadas pela insatisfação, transmudam¬-se em paranóia de catastróficos resultados na personalidade.
Considerado na sua função real e normal, o sexo é santuário da vida, e não paul de intoxicação e morte.
Estimulado pelo amor, que lhe tem ascendência emocional, propicia as mais altas expressões da beleza, da harmonia, da realização pessoal;
Acalma, encoraja para a vida, tornando-¬se um dínamo gerador de alegrias.
Os problemas sexuais se enraízam no espírito,
Que se aturde com o desregramento que impõe ao corpo, exaurindo as glândulas genésicas e exteriorizando¬-se em funções incorretas,
Que se fazem psicopatologias graves, a empurrar a sua vítima para os abismos da sombra, da perversidade e do crime.
A liberação das distonias sexuais, mais perturbam o ser, que se transfere de uma para outra sensação com sede crescente, mergulhando na promiscuidade, por desrespeito e desprezo a si mesmo e, por extensão, aos outros.
A sua é uma óptica desfocada, pela qual passa a ver o mundo e as demais pessoas na condição de portadoras dos seus mesmos problemas,
Só que mascaradas ou susceptíveis de viverem aquela conduta, quando não deseja impor a sua postura especial como regra geral para a sociedade.
Sob conflito psicológico, o portador de problema sexual, ou de outra natureza,
Não se aceita,
Fugindo para outros comportamentos dissimuladores;
Ou quando se conscientiza e resolve-¬se por vive-¬lo,
Assume feição chocante, agressiva, como uma forma de enfrentar os demais, de maneira antinatural, demonstrando que não o digeriu nem o assimilou.
Toda exibição oculta um conflito de timidez ou inconformação, de carência ou incapacidade.
Uma terapia psicológica bem cuidada atenua o problema sexual,
Cabendo ao paciente fazer uma tranquila auto¬análise, que lhe faculte viver em harmonia com a sua realidade interna,
Nem sempre compatível com a sua manifestação externa.
Não basta satisfazer o sexo — toda fome e sede, de momento, saciadas, retornam, em ocasião própria —
Mas, harmonizar-¬se, emocionalmente, vivendo em paz de consciência, embora com alguma fome perfeitamente suportável,
Ao invés do constante conflito da insatisfação decorrente da imaginação fértil,
Que programa prazeres contínuos e elege companhias impossíveis de conseguidas em qualquer faixa sexual que se estagie.
Ninguém se sente pleno, no mundo, acreditando¬-se haver logrado tudo quanto desejava.
A aspiração natural e calma para atingir um próximo patamar, faz¬-se estímulo para o progresso do indivíduo e da sociedade.
Os problemas sexuais, por isto mesmo, devem ser enfrentados sem hipocrisia, nem cinismo, Fora de padrões estereotipados por falsa moralidade,
Tampouco levados à conta de pequeno significado.
São dificuldades e, como tais, merecem consideração, tempo e ação especializada.

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Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 16 de Janeiro de 2020, 11:39
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29 Relacionamentos perturbadores

Os indivíduos de temperamento neurótico, tornam¬-se incapazes de manter um relacionamento estável.
Pela própria constituição psicológica, são perturbadores de afetividade obsessiva e, porque inseguros, são desconfiados, ciumentos,
Por consequência depressivos ou capazes de inesperadas irrupções de agressividade.
Os conflitos de que são portadores os levam a uma atitude isolacionista, resultado da insatisfação e constante irritabilidade contra tudo e todos.
Creem não merecer o amor de outrem e, se tal acontece, assumem o estranho comportamento de acreditar que os outros não lhes merecem a afeição,
Podendo traí-los ou abandoná¬-los na primeira oportunidade.
Quando se vinculam, fazem¬-se absorventes, castradores, exigindo que os seus afetos vivam em caráter de exclusividade para eles.
São, desse modo, relacionamentos perturbadores, egocêntricos.
O amor é uma conquista do espírito maduro, psicologicamente equilibrado;
Usina de forças para manter os equipamentos emocionais em funcionamento harmônico.
E uma forma de negação de si mesmo em autodoação plenificadora.
Não se escora em suspeitas, nem exigências infantis;
Elimina o ciúme e a ambição de posse, proporcionando inefável bem¬ estar ao ser amado que, descomprometido com o dever de retribuição, também ama.
Quando, por acaso, não correspondido, não se magoa nem se irrita, compreendendo que o seu é o objetivo de doar¬-se, e não de exigir.
Permite a liberdade ao outro, que a si mesmo se faculta, sem carga de ansiedade ou de compulsão.
Quando estas características estão ausentes, o amor é uma palavra que veste a memória condicionada da sociedade, em torno dos desejos lúbricos, e não do real sentimento que ele representa.
Esse relacionamento perturbador faz da outra pessoa um objeto possuído, por sua vez, igualmente possuidor, gerando a desumanização de ambos.
Ao dizer¬-se meu amigo, minha esposa, meu filho, meu companheiro, meu dinheiro, a posse estão presente e a submissão do possuído é manifesta sem resistência,
Evitando conflitos no possuidor, não obstante, em conflito aquele que se deixa possuir, até o momento da indiferença, por saturação, desinteresse,
Ou da reação, do rompimento, transformando-¬se o afeto ¬posse em animosidade, em ódio.
Necessária uma nova conduta e para isto a psicologia profunda se torna o estudo de uma nova linguagem libertadora.
A palavra é um símbolo que veste a ideia;
Por sua vez, formulação de pensamento, que se torna uma memória acumulada e retorna quando se deseja vesti¬-lo.
A memória da sociedade adicionou conceitos sobre o amor e o relacionamento,
Estabelecendo sinais que os caracterizam, sem que auscultasse as suas estruturas psicológicas despidas de símbolos.
O homem deve comprometer¬-se ao autodescobrimento, para ser feliz, identificando seus defeitos e suas boas qualidades, sem autopunição, sem autojulgamento, sem autocondenação.
Pesca¬-los, no mundo íntimo, e eliminar aqueles que lhe constituem motivos de conflitos, deve ser-¬lhe a meta...
Não se sentir feliz ou desventurado, porém empenhar-¬se por atenuar as manifestações primitivas de agressividade e posse, desenvolvendo os valores que o equipem de harmonia, vivendo bem cada momento, sem projetos propiciadores de conflitos em relação ao futuro ou programas de reparação do passado.
Simplesmente deve renovar¬-se sempre para melhor, agindo com correção, sem consciência de culpa, sem autocompaixão, sem ansiedade.
Viver o tempo com dimensão atemporal, em entrega, em confiança, em paz.
Pode-¬se dizer que, no amor, quando alguém se identifica com a pessoa a quem supõe amar, esta apenas, realizando um ato de prolongamento de si mesmo,
Portanto, amando¬-se, e não à outra pessoa.
Esta identificação se baseia na memória do prazer e da dor, das alegrias e dos insucessos, portanto, amando o passado e as suas concessões, e não a pessoa em si, neste momento, como é.
É habitual dizer¬-se: “
— Amo, porque ela (ou ele) tem compartido da minha vida, das minhas lutas;
Ajudou¬-me, sofreu ao meu lado, etc.”
O sentimento que predomina aí é o de gratidão, e gratidão, infelizmente, não é amor, é reconhecimento que deve retribuir, compensar, quando em verdade, o amor é só doação. Imprescindível, assim, uma nova linguagem que rompa com o atavismo, com a memória da sociedade, acumulada de símbolos, falsos uns, e inadequados outros.
Os relacionamentos humanos tornam-¬se, portanto, perturbadores, desastrosos, por falta de maturidade psicológica do homem, em razão, também, dos seus conflitos, das suas obsessões e ansiedades.
Graças ao autoconhecimento ele adquire confiança, e os seus conflitos cedem lugar ao amor, que se transforma em núcleo gerador de alegria com alta carga de energia vitalizadora.
O amor, porém, entre duas ou mais pessoas somente será pleno, se elas estiverem no mesmo nível.
A solução, para os relacionamentos perturbadores, não é a separação, como supõem muitos.
Rompendo¬-se com alguém, não pode o indivíduo crer¬-se livre para um outro tentame, que lhe resultaria feliz,
Porquanto o problema não é a da relação em si, mas do seu estado íntimo, psicológico.
Para tanto, como forma de equacionamento, só a adoção do amor com toda a sua estrutura renovadora, saudável, de plenificação, consegue o êxito almejado,
Porquanto, para onde ou para quem o indivíduo se transfira, conduzirá toda a sua memória social, o seu comportamento e o que é.
Desse modo, transferir-¬se não resolve problemas.
Antes, deve solucionar-¬se para trasladar¬-se, se for o caso, depois.

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Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 16 de Janeiro de 2020, 11:40
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30 Manutenção de propósitos

O homem é um ser muito complexo.
Somatório das suas experiências passadas tem, no inconsciente, um completo arquivo da raça, da cultura, das tradições que lhe influem no comportamento.
Por outro lado, a educação, os hábitos, os fenômenos psicológicos e fisiológicos estão a alterá-lo a cada momento.
Do acúmulo destes valores resultam-¬lhe as aspirações, as tendências e anseios, seus conflitos, ansiedades e realizações.
O inconsciente, como efeito, está sempre a ditar-¬lhe o que fazer e o que a realizar, inclinando-o numa ou noutra direção.
Todavia, o mecanismo essencial da Vida impulsiona¬-o para o progresso, para a evolução, mediante os programas de autoburilamento, de orientação, de trabalho...
O resultado natural deste processo é uma mente confusa, buscando claridade;
São problemas psicológicos, aguardando solução.
Torna¬se-¬lhe imperiosa a adoção de propósitos para saber o motivo da confusão mental e entender os problemas, antes que tentar solucioná-¬los superficialmente,
Deixando em aberto novas dificuldades deles decorrentes.
A solução de agora pode satisfazê¬-lo por momentos, porém se não são entendidos, eles retornam por outro processo, permanecendo na condição de conflitos a resolver.
Para que se mantenha o propósito de entendimento de si mesmo e da Vida, faz¬-se necessário um percebimento integral de cada fato, sem julgamento, sem compaixão, sem acusação.
Examiná-¬lo com imparcialidade, na sua condição de fato que é, com uma mente inocente, sem passado, sem futuro, apenas presente, mediante uma honesta compreensão, é a forma segura de o entender,
Portanto, de o perceber e digeri¬-lo convenientemente, sem dar margem a novos comprometimentos.
Sem tal experiência se está tentando burlar a mente, qual se deseje saber por palavras o que se passa em algum lugar, sem interesse de ir¬-se lá, de conhecer-¬se pessoalmente.
Esta é uma conduta de quem somente busca informação sem interesse pelo conhecimento real, desde que se nega ao esforço do deslocamento até o lugar em pauta.
O entendimento de si mesmo, a fim de encontrar as raízes dos problemas, para extirpá¬-los, exige uma energia permanente, um propósito perseverante, mantidos com inteireza moral e psicológica.
Em caso contrário, desejam-¬se apenas, informações verbais, sem mais profundas conseqüências.
Todos os problemas existentes no homem, dele mesmo procedem, das suas complexidades, da dominação do seu ego.
Normalmente, em razão do próprio passado, as tentativas de manter os propósitos de autoconhecimento,
Sem acumulação de dados especulativos,
Mas de real identificação de si mesmo,
Redundam em insucesso pela falta de perseverança,
Pelo desânimo diante das dificuldades do começo da empresa e pelo desinteresse de libertar-¬se dos conflitos.
O homem se queixa que o autoconhecimento exige despesa de energia face ao desgaste que o esforço provoca.
Talvez não seja necessária uma luta como a que se trava em outras atividades.
A manutenção dos conflitos produz muito mais consumpção de forças.
Basta uma atitude de desvalorização dos problemas, como quem deixa cair um fardo simplesmente,
Ao invés de empenhar¬-se por atirá-¬lo fora.
A manutenção dos propósitos de renovação e de auto ¬aprimoramento é resultado de uma aceitação normal e de todo momento, da necessidade de auto descobrir¬-se,
Morrendo para as constrições e ansiedades, os medos e rotinas do cotidiano.
Desta ação consciente, de que se impregna,
O homem se plenifica interiormente,
Sem neurose ou outros quaisquer fenômenos psicóticos, perturbadores da personalidade e da vida.

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Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 07 de Fevereiro de 2020, 11:04
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31 Leis cármicas e felicidade

Nas experiências psicológicas de amadurecimento da personalidade, na busca da plenitude, a incerteza é indispensável, pois que ela fomenta o crescimento, o progresso, significando insatisfação pelo já conseguido.
A certeza significaria, neste sentido, a cessação de motivos e experiências, que são sempre renovadores, facultando a ampliação dos horizontes do ser e da vida.
Graças à incerteza, que não representa falta de fé, os erros são mais facilmente reparáveis e os êxitos mais significativos.
Ela ajuda na libertação, pois que a presença do apego, no sentimento, gera a dor, a angústia.
Este último, que funciona como posse algumas vezes, como sensação de segurança e proteção noutras ocasiões, desperta o medo da perda, da solidão, do abandono.
A verdadeira solidão — a mente estar livre, descomprometida, observando sem discutir, sem julgar — é um estado de virtude — nem memória conflitante do passado, nem desespero pelo futuro não delineado — geradora de energia, de coragem.
Normalmente, o medo da solidão é o fantasma do estar sozinho, sem ninguém a quem submeter ou a quem submeter¬-se.
A insegurança porque se está a sós assusta, como se a presença de outra pessoa pudesse evitar os fenômenos automáticos de transformação interna do ser — fisiológica e psicologicamente — impedindo os acontecimentos desagradáveis ou a morte.
É necessário que o homem aprenda a viver com a sua solidão — ele que é um cosmo miniaturizado, girando sob a influência de outros sistemas à sua volta — com o seu silêncio criativo, sem tagarelice, liberando¬-se da consciência de culpa, que lhe vem do passado.
Destinado à liberdade plena, encontra¬-se encurralado pelas lembranças arquivadas nos painéis do inconsciente — sua memória perispiritual — que lhe põem algemas em forma de ansiedade, de fobias, de conflitos.
Mesmo quando os fatores da vida se lhe apresentam tranquilizadores, evade¬-se do presente sob suspeitas injustificáveis de que não merece a felicidade, refugiando¬-se no possível surgimento de inesperados sofrimentos.
A felicidade relativa é possível e se encontra ao alcance de todos os indivíduos, desde que haja neles a aceitação dos acontecimentos conforme se apresentam.
Nem exigências de sonhos fantásticos, que não se corporificam em realidade, tampouco o hábito pessimista de mesclar a luz da alegria com as sombras densas dos desajustes emocionais.
As heranças do passado espiritual ressumam em manifestações cármicas, que devem ser enfrentadas naturalmente por fazerem parte da vida, elementos essenciais que são constitutivos da existência.
Como decorrência de uma vida anterior dissoluta, surgem os conflitos, as castrações, os tormentos atuais, da mesma forma, como efeito do uso adequado das funções se apresentam as bênçãos de plenificação.
As leis cármicas, que são o resultado das ações meritórias ou comprometedoras de cada indivíduo, geram, na economia evolutiva de cada um, efeitos correspondentes, estabelecendo a ponderabilidade da Divina Justiça, presente em todos os fenômenos da Natureza e da Criação.
O fatalismo cármico da evolução é a felicidade humana, quando o ser, depurado e livre, sentir¬se perfeitamente integrado na Consciência Cósmica.
A sua marcha, embora as aparências dissonantes de alegria e tristeza, de saúde e doença, está incursa no processo das conquistas que lhe cumpre realizar, passo a passo, com dignidade e com iguais condições delegadas aos seus semelhantes, sem protecionismos vis ou punições cerceadoras Indevidas, que formaram os arquétipos de privilégio e recusa latentes em muitos.
A resolução para ser feliz rompe as amarras de um carma negativo, face ao ensejo de conquistar mérito através das ações benéficas e construtivas, objetivando a si mesmo, o próximo e a sociedade.
Nenhum impedimento na vida à felicidade.
Uma resignação dinâmica ante o infortúnio — a naturalidade para enfrentar o insucesso negando-¬se a que interfiram no estado de bem ¬estar íntimo, que independe de fatores externos — realiza a primeira fase do estágio feliz.
O amadurecimento psicológico, a visão correta e otimista da existência são essenciais para adquirir¬-se a felicidade possível.
Na sofreguidão da posse, o homem supõe que o apego às coisas, a disponibilidade de recursos, a ausência de problemas são os fatores básicos da felicidade e, para tanto, se empenha com desespero.
Ao desfrutar deles, porém, dá¬-se conta que não se encontra ditoso, embora confortado, porque é no seu mundo íntimo, de satisfação e lucidez em torno das finalidades da vida, que estão os valores da plenitude.
As leis cármicas são a resposta para que alguns indivíduos fruam hoje o que a outros falta, ao mesmo tempo são a esperança para aqueles que lutam e anelam, acenando¬-lhes a possibilidade próxima de aquisição dos elementos que felicitam.
Idear a felicidade sem apego e insistir para consegui-¬la;
Trabalhar as aspirações íntimas, harmonizando¬-as com os limites do equilíbrio;
Digerir as ocorrências desagradáveis como parte do processo;
Manter-¬se vigilante, sem tensões nem receios e se dará o amadurecimento psicológico, liberativo dos carmas de insucesso, abrindo espaço para o auto¬ encontro, a paz plenificadora.

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SÉTIMA PARTE
PLENIFICAÇÃO INTERIOR
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Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 07 de Fevereiro de 2020, 11:05
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32 Nascimento da consciência

Antropológica e historicamente, a sobrevivência equilibrada do homem e da sociedade tem estado sempre vinculada à ideia de um mito central,
No qual se haurem os valores éticos de sustentação das suas atividades e do seu equilíbrio.
Toda vez em que fatores adversos interferem nos mitos humanos, desacreditando aquele que sintetiza as suas aspirações,
os homens se encaminham para o caos e se agridem e se perturbam, parecendo haver perdido o rumo.
Passada a tempestade, os seus remanescentes, não destruídos in totum, emergem, dando surgimento a uma nova ideação,
e um mito criativo aparece preenchendo a lacuna deixada pelo anterior.
No estado atual da sociedade existe a carência de um mito predominante, que aglutine todas as mentes, sobre elas derramando as suas benesses e confortando¬-as.
A perda do mito expõe os conteúdos psíquicos, que alteram os objetivos das suas necessidades,
Fazendo¬-os mergulhar no vazio ou no desinteresse, no prazer ou na alucinação do poder.
Em se considerando que nenhum desses objetivos plenifica o indivíduo, ele passa a disputar a necessidade abrangente do despertar da consciência, interpretando os mitos menores nele jacentes.
Jung, em uma análise profunda, estabeleceu que:
“A existência só é real quando é consciente para alguém”,
Afirmando a necessidade que o Criador possui em relação ao homem consciente. Oportunamente, voltou a esclarecer que;
“A tarefa do homem é (...) conscientizar¬-se dos conteúdos que pressionam para cima, vindos do inconsciente”.
Esse despertar e crescimento da consciência, ainda segundo o eminente psicanalista, termina por afetar-¬lhe também o inconsciente.
É obvio que, se os conteúdos psíquicos emergentes formam a consciência, as contribuições atuais desta se irão incorporar ao inconsciente que surgirá mais tarde.
Deste modo, o nascimento da consciência se opera mediante a conjunção dos contrários, como decorrência de uma variada gama de conteúdos psíquicos,
Que formam as impressões arquetípicas ao fazerem contato com o ego, dando surgimento à sua substância psíquica e tornando todo esse trabalho um processo de individuação.
Daí surgem os discernimentos entre as coisas opostas,
O eu e o não¬ eu,
O ego e o inconsciente,
O sujeito e o objeto,
A própria pessoa e a outra.
Dando campo aos conflitos, este sentimento que enfrenta e contesta torna¬-se uma forma altamente criativa de luta, cuja vitória proporciona satisfação, ampliação e aprimoramento da vida.
Sem essa dualidade dos opostos, que leva à reflexão, no processo de individuação, não há aumento real de consciência,
Que somente se opera entrando em contato com os opostos e os absorvendo.
A consciência, do ponto de vista filosófico, é;
“Um atributo altamente desenvolvido na espécie humana e que se caracteriza por uma oposição básica, essencial.
E o atributo pelo qual o homem toma em relação ao mundo — bem como aos denominados estados interiores e subjetivos — a distância em que se cria a possibilidade de níveis mais altos de integração...
Por sua vez, declara, ainda, Jung. a consciência é;
“A relação dos conteúdos psíquicos com o ego, na medida em que essa relação é percebida como tal, pelo ego”.
E conclui que;
“As relações com o ego que não são percebidas como tal são inconscientes”.
Estabelece, ademais, a diferença entre consciência e psique, que esta última;
“Representa a totalidade dos conteúdos psíquicos”
E como esses conteúdos, na sua totalidade, não estão vinculados no ego, tais não são consciência.
Nos mitos centrais de todos os povos, os opostos formaram a essência das suas crenças, dos seus conteúdos psíquicos geradores da consciência.
Encontramo¬-los nas religiões da antiguidade oriental e, particularmente, no mito da Criação, no qual, os conflitos da treva e da luz, do bem e do mal são relevantes.
O Zoroastrismo também o ressuscitou e, mais tarde, a alquimia facultou o surgimento da Pedra Filosofal como mediadora dos opostos,
Do Santo Gral, como depósito que compõe as bases da consciência humana, a se avolumar através dos tempos, dando, desde o início, a ideia das suas várias expressões, tais: a consciência moral, a consciência de fé, a consciência do dever, de justiça, de paz, de amor...
Os equipamentos constitutivos da consciência sutilizam¬-se, e adquirem mais amplas percepções que facultam o desenvolvimento emocional e ético do homem,
Auxiliando¬-o na liberação de conflitos.
As heranças atávicas, que se convertem em arquétipos, no inconsciente individual e coletivo dizem respeito às realidades do Espírito, em si mesmo responsável pelos resíduos psíquicos, que se transformam nos conteúdos preponderantes para a formação da consciência.
O homem deve adquirir o conhecimento para elevar¬-se do ser bruto, tornando¬-se o sujeito detentor da consciência.
Não lhe bastará conhecer, mas também, viver a experiência de ser o objeto conhecido.
Não somente conhecer de fora para dentro, porém, vivenciar o que é conhecido, incorporando-¬o à sua realidade.
Enquanto o ego conhece, o outro passa a ser um objeto detido, conhecido, o que não plenifica.
Esta satisfação advém quando o ego, passando pela vivência do que conhece, torna¬-se, por sua vez, conhecido pelo outro, que também tem a função de sujeito conhecedor.
O ego adquire, desse modo, a consciência autêntica, no momento em que é sujeito que conhece o objeto conhecido.
Indispensável, nesse jogo do conhecer sendo conhecido, que se não crie uma dependência em relação à pessoa que conhece.
A vida saudável é a que decorre da liberdade consciente, capaz de enfrentar os obstáculos e dificuldades que se apresentam no relacionamento humano e na própria individualidade.
Esta é a meta que a consciência almeja.

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Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 18 de Fevereiro de 2020, 10:49
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33 Os sofrimentos humanos


Buda considerou a vida como uma forma de sofrimento e que a sua finalidade era, exclusivamente, encontrar a maneira de libertar¬-se dele (do sofrimento).
Para o budismo, a vida é constituída de misérias que geram o sofrimento;
Por sua vez, o sofrimento é causado pelos desejos insatisfeitos ou pelas emoções perturbadoras e (o sofrimento) deixará de existir se forem eliminados os desejos,
Sendo necessário, para tanto, uma conduta moderada, e a entrega à meditação em torno das aspirações elevadas do ser.
A fim de transmitir adequadamente suas lições, o príncipe Gautama utilizou-¬se de parábolas, conforme fez Jesus mais tarde.
O fundamento essencial dos seus ensinos se encontra na Lei do carma, graças à qual o homem é o construtor de sua desdita ou felicidade, mediante o comportamento adotado no período da sua existência corporal.
Em uma etapa, a aprendizagem equipa-¬o para a próxima, sendo que a soma das experiências e ações positivas anula aquelas que lhe constituem débito propiciador de sofrimento.
O sofrimento se apresenta, na criatura humana, como uma enfermidade, que necessita de tratamento conveniente,
Em que se invistam todos os valores ao alcance, pela primazia de lograr¬-se o bem¬-estar e o equilíbrio fisiopsíquico.
Deste modo,
O sofrimento pode decorrer do desgosto orgânico ou mental que é um processo degenerativo do instrumento material do homem.
As doenças campeiam, e a receptividade daqueles que se encontram incursos nos códigos da Justiça Divina sofrem-¬nas,
Mediante as coarctações danosas dos mecanismos genéticos, ou por contaminação posterior, escassez alimentar, traumatismos físicos e psicológicos, num emaranhado de causas próximas, decorrentes dos compromissos negativos do passado mais remoto.
Noutro caso, o sofrimento resulta da transitoriedade da própria vida física e da fragilidade de todos os bens que proporcionam prazer por um momento,
Convertendo-¬se em razão de preocupação, de arrependimento, de amargura.
A busca do prazer é inata, instintiva, e o homem se lhe aferra na condição de meta prioritária.
Não raro, ao consegui¬-lo, frui da satisfação momentânea e, por insatisfação psicológica, propõe¬-se a prolonga-¬lo indefinidamente,
Sofrendo ante a impossibilidade de o manter, pelas alterações naturais que se derivam da impermanência de tudo,
Pela saturação e, finalmente, pela perda de objetivo após conseguido o anelo.
Por fim, surge o sofrimento dos condicionamentos de ordem física e mental.
Os hábitos arraigados constituem uma segunda natureza, com prevalência na conduta psicológica do homem.
As alterações e transformações produzem sofrimento, pela necessidade de ajustamento, pelo esforço da adaptação,
E os altibaixos da emoção que tende a reagir às mudanças que se devem operar na conduta.
Encontrado o sofrimento, o homem tem o dever de identificar as suas causas, que procedem dos atos degenerativos próximos ou remotos, referentes às suas reencarnações.
Ao lado daqueles que ressumam das dívidas cármicas, estão os decorrentes das suas emoções desequilibradas,
Que têm nascentes no egoísmo, no apego, na imaturidade psicológica.
Dentre outros, apresentam-¬se em plano de destaque, o medo, o ciúme, a ira, que explodem facilmente engendrando sofrimento.
Chega o momento de buscar-¬se a cessação deles, qual ocorre com as enfermidades que devem ser tratadas com carinho, porém com disciplina.
De um lado, é imprescindível ir-¬se às causas, a fim de fazê-¬las parar, ao mesmo tempo evitar novos fatores desencadeantes.
Conhecidas as origens, mais fáceis se tornam as terapias que, aplicadas convenientemente, resultam favoráveis ao clima de saúde e de bem-¬estar.
O esforço empreendido para o término do sofrimento, apresenta¬-se em etapas que se vão incorporando ao dia¬ a¬ dia do indivíduo cioso da sua necessidade de paz.
Impõe¬se-¬lhe o trabalho de condicionar a mente à necessidade da harmonia, recorrendo à meditação em torno das finalidades altruísticas da vida, disciplinando a vontade, exercitando a tranquilidade diante dos acontecimentos que não podem ser evitados, das ocorrências denominadas tragédias, das quais pode retirar excelentes resultados para o comportamento e a auto¬realização.
O processo da cessação do sofrimento dá¬-se, ainda, através do sofrimento que propicia satisfação pela certeza que advém de se estar liberando da sua áspera constrição.
Enfrentar, portanto, o sofrimento, sem válvulas psicológicas escapistas, é uma atitude saudável, muito distante da distonia masoquista habitual.
Também resulta de uma disposição consciente para o homem enfrentar-¬se desnudado, com uma visão otimista em torno do futuro por conquistar.
Realmente, o sofrimento faz parte do mecanismo da evolução na Terra.
Nos reinos vegetal e animal ele se encontra na embrionária percepção das plantas, que sofrem as agressões e hostilidades do meio, as contaminações e processos degenerativos.
Entre os animais, desde os menos expressivos até os mais avançados biologicamente, o sofrimento se manifesta na sensibilidade nervosa, como forma de produzir novos e mais perfeitos biótipos,
Em constante adaptação e harmonia das formas do psiquismo neles latente.
A superação do sofrimento é, sem dúvida, o grave desafio da existência humana, que a todos cumpre conseguir.

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Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 18 de Fevereiro de 2020, 10:50
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34 Recursos para a liberação dos sofrimentos

A coragem é fator decisivo para o bem do indivíduo na sua historiografia psicológica.
Para hauri¬-la, basta o interesse consciente e duradouro em favor da aquisição da felicidade, que se deve tornar a meta essencial da sua existência.
Inexistente esta necessidade tampouco há sofrimento,
Porque, a ausência das aspirações nobres resulta da morte dos ideais, provocada pela indiferença da vida, em uma psicopatologia grave.
O sofrimento, em si mesmo, é fonte motivadora para as lutas de crescimento emocional e amadurecimento da personalidade,
Que passa a compreender a existência de maneira menos sonhadora e mais condizente com a sua realidade.
Os jogos e ilusões da idade infantil, superados, dão ensejo a uma integração consciente do indivíduo no grupo social no qual se encontra,
Fomentando o esforço pelo bem dos demais, por saber-¬se membro valioso e entender, por experiência pessoal, os gravames que a dor proporciona.
Inobstante esta experiência lúcida, sabe que o esforço a envidar para liberar-¬se dos sofrimentos é, por sua vez, conquista da inteligência e do sentimento postos a serviço da sua realização pessoal e comunitária.
Na maior parte dos métodos, a vontade do paciente prevalece como fator de alta importância.
Excetuando¬-se os referidos sofrimentos por sofrimentos, e mesmo em grande parte deles, a reflexão bem direcionada gera uma psicosfera de paz, renovadora, que o envolve e alimenta, levando à liberação deles.
Relacionemos algumas fases da terapia liberativa:

a) Considerar todos os indivíduos como dignos de ser amados e tomar por modelo alguém que o ama e se lhe dedica, por isto mesmo, credor de receber todo o afeto.
Este sentimento, sem apego nem interesse gerador de emoções perturbadoras, desarma o indivíduo de suspeitas, de ansiedades e medos, ao mesmo tempo dirimindo as incompreensões de outrem e desarticulando quaisquer planos infelizes.
Uma visão favorável sobre alguém dilui as nuvens densas que lhe obscurecem a personalidade, facultando um relacionamento positivo.
A não ¬reação à agressividade do outro desmantela-lhe a couraça de prepotência, na qual se oculta.
Se a resposta é otimista e sem azedume, conquista¬-o para um intercâmbio útil, ampliando--lhe o círculo de expressões afetivas.
Logo, este sentimento contribui para anular os efeitos do sofrimento moral e dissipar algumas, senão todas as suas causas perturbadoras.
O ato de ver bem as demais pessoas, torna¬-se um hábito terapêutico preventivo, em relação às agressões do meio ambiente, dos companheiros, constituindo um encorajamento para a luta libertadora.
O cultivo, a expansão de idéias e conceitos edificantes apagam o incêndio ateado pelo pessimismo da maledicência, da inveja, da calúnia, tornando respirável a atmosfera social do grupo onde o homem se localiza.

b) Identificar e estimular os traços de bondade do caráter alheio.
Não há solo, por mais sáfaro, que, tratado, não permita o vicejar de plantas.
Em todo sentimento existem terras férteis para a bondade, mesmo quando cobertas por caliça e pedregulhos.
Um trabalho, breve que seja, afastando o impedimento, e logo esplendem os recursos próprios para a sementeira da esperança.
Os indivíduos que se notabilizavam pela maldade na vida privada e no seu círculo social, revelavam-¬se bondosos e gentis tornando¬-se amados pela família e pelo grupo, mesmo conhecendo¬-lhes as atrocidades em que eram exímios.
A maldade sistemática, a impiedade, o temperamento hostil revelam as personalidades psicopatas que, antes, necessitam de ajuda, ao invés de reproche.
A bondade, neles latente, aguarda o momento de manifestar¬-se e predominar, mudando--lhes o comportamento.
Com tal atitude, a de identificar a bondade, torna¬-se possível a superação do sofrimento, como quer que se apresente, especialmente o que tem procedência moral.

c) Aplicar a compaixão quando agredido.
Uma reação de pesar, ante o ato infeliz, produz um efeito positivo no agressor.
Proporciona o equilíbrio à vítima, que não desce à faixa vibratória violenta em que o outro se demora.
Impede a sintonia com a cólera e seus famanazes, impossibilitando a instalação de enfermidades nervosas e distúrbios gastrointestinais e outros, face à não absorção de energias deletérias.
A compaixão dinâmica, aquela que vai além da piedade buscando ajudar o infrator, expressa bondade e se enriquece de paixão participativa, que levanta o caído, embora seja ele o perturbador.
Essa conduta impede que se instale o sofrimento na criatura.

d) O amor deve ser uma constante na existência do homem.
Há em tudo e em todos os seres a presença do Amor.
Em um lugar revela-¬se como ordem, noutro beleza e, sucessivamente, harmonia, renovação, progresso, vida, convocando à reflexão.
O amor é o antídoto mais eficaz contra quaisquer males.
Age nas causas e altera as manifestações, mudando a estrutura dos conteúdos negativos quando estes se exteriorizam.
Revela¬-se no instinto e predomina durante o período da razão, responsabilizando-¬se pela plenificação da criatura.
O amor instaura a paz e irradia a confiança, promove a não¬ violência e estabelece a fraternidade que une e solidariza os homens, uns com os outros, anulando as distância e as suspeitas.
É o mais poderoso vínculo com a causa geradora da vida.
É o motor que conduz à ação bondosa, desdobrando o sentimento de generosidade, ao mesmo tempo estimulando à paciência.
Graças à sua ação, a pessoa doa, realizando o gesto de generosa oferta de coisas, até o momento em que é levado à autodoação, ao sacrifício com naturalidade.
O amor é o rio onde se afogam os sofrimentos, pela impossibilidade de sobrenadarem nas fortes correntezas dos seus impulsos benéficos.
Sem ele a vida perderia o sentido, a significação.
Puro, expressa, ao lado da sabedoria, a mais relevante conquista humana.

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35 Meditação e ação

O autodescobrimento é o clímax de experiências do conhecimento e da emoção, através de uma equilibrada vivência.
Para consegui¬-lo, faz¬-se indispensável o empenho com que o homem se aplique na tarefa que o possibilita.
É certo que o tentame se reveste inicialmente de várias dificuldades aparentes, todas passíveis de superadas.
A realização de qualquer atividade nova se apresenta complexa pelo inusitado da sua própria constituição.
Não há, todavia, nada, com que o indivíduo não se acostume.
Demais, tudo aquilo que se torna habitual reveste-¬se de facilidade.
Assim, a busca de si mesmo, para a liberação de conflitos, amadurecimento psicológico, afirmação da personalidade, resulta de uma consciente disposição para meditar,
Evitando o emprego de largos períodos que se transformam em ato constrangedor e aborrecido.
A meditação deve ser, inicialmente, breve e gratificante, da qual se retorne com a agradável sensação de que o tempo foi insuficiente, o que predispõe o candidato a uma sua dilatação.
Através de uma concentração analítica, o neófito examina as suas carências e problemas, os seus defeitos e as soluções de que poderá dispor para aplicar¬-se.
Não se trata de uma gincana mental, mas de uma sincera observação de si mesmo, dos recursos ao alcance e dos temores, condicionamentos, emoções perturbadoras que lhe são habituais.
Estudando um problema de cada vez, surge a clara solução como proposta liberativa que deve ser aplicada sem pressa, com naturalidade.
A sua repetição sistemática, sem solução de continuidade, uma ou duas vezes ao dia, cria uma harmonia interior capaz de resistir às investidas externas sem perturbar-¬se, por mais fortes que se apresentem.
Após a meditação analítica, descobrindo as áreas frágeis da personalidade e os pontos nevrálgicos da conduta, o exercício de absorção de forças mentais e morais torna¬se-¬lhe o antídoto eficiente, que predispõe ao bem¬ estar, encorajando ante as inevitáveis lutas e vicissitudes do viver cotidiano.
As empresas do dia¬ a¬ dia fazem¬-se fenômenos existenciais que não assustam, porque o indivíduo conhece as suas possibilidades de enfrentamento e realização, aceitando umas, e de outras declinando, sem aturdimentos emocionais, nem apegos perturbadores.
Sucessivamente passa do estado de análise para o de tranquilidade, deixando a reflexão e experimentando a harmonia, sem discussão intelectiva,
Como quem se embriaga da beleza de uma paisagem, de uma agradável recordação, da audição de uma página musical, de um enlevo, nos quais apenas frui, sem questionamento, sem raciocinar.
Fruir é banhar¬-se por fora e penetrar-¬se por dentro, simplesmente, desfrutando.
Passado um regular período de alguns anos, por exemplo, a avaliação patenteará os resultados.
Quais as conquistas obtidas?
De que se libertou?
Quantas aquisições de instrumentação para o equilíbrio?
Estas questões se revestem de magna significação, por atestarem o progresso emocional logrado, dispondo a mais amplos experimentos.
A meditação, portanto, não deve ser um dever imposto, porém, um prazer conquistado.
Sem a claridade interior para enfrentar os desafios pessoais, o indivíduo transfere¬-os de uma para outra circunstância, somando frustrações que se convertem em traumas inconscientes a perturbarem a inteireza da personalidade.
A meditação, no caso em pauta, abre lugar à ação, sendo, ela mesma, uma ação da vontade, a caminho da movimentação de recursos úteis para quem a utiliza e, por extensão, para as demais pessoas.
O homem, que se autodescobre, faz¬-se indulgente e as suas se tornam ações de benevolência, beneficência, amor.
O seu espaço íntimo se expande e alcança o próximo, que alberga na área do seu interesse, modificando para melhor a convivência e a estrutura psicológica do seu grupo social.
A ação consolida as disposições comportamentais do indivíduo, ora impregnado pelo idealismo de crescimento emocional, sem perturbações, e social, sem conflitos de relacionamento.
Em razão da sua identidade transparente, passa a compreender os dilemas e dificuldades dos outros, cooperando a benefício geral e fazendo¬-se mola propulsionadora do progresso comum.
A ação é o coroamento das disposições íntimas, a materialização do pensamento nas expressões da forma.
Aquela que resulta da meditação é proba, e tem como objetivos imediatos a transformação do ambiente e do homem, ensejando¬-lhes recursos que facultam a evolução e a paz.
Assim, o ato de meditar deve ser sucedido pela experiência do viver¬-agir,
Porquanto será inútil a mais excelente terapia teórica ao paciente que se recusa, ou não se resolve aplica-la na sua enfermidade.
Tal procedimento, a ação bem vivenciada, faz que o homem se sinta satisfeito consigo mesmo, o que lhe faculta espontânea alegria de viver, conhecendo¬-se e amadurecendo psicologicamente para a existência.
Caracterizam a conduta de um homem que medita e age, uma mente bondosa e um coração afável.
Vencendo as suas más inclinações adquire sabedoria para a bondade, evitando as paixões consumidoras.
Assim, faz¬-se pacífico e produtivo, não se aborrecendo, nem brigando, antes harmonizando tudo e todos ao seu redor.
Essa transformação processa-¬se lentamente, e ele se dá conta só após vencidas as etapas da incerteza e do treinamento.
A ação gentil coroa-¬lhe o esforço, nunca lhe permitindo a presença da amargura, do ódio, do ressentimento e dos seus sequazes...
Uma das diferenças entre quem medita e aquele que o não faz, é a atitude mental mediante a qual cada um enfrenta os problemas.
O primeiro age com paciência ante a dificuldade e o segundo reage com desesperação.
Assim, o importante e essencial é dominar a mente, adquirindo o hábito de ser bom.

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Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 24 de Fevereiro de 2020, 00:09
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36 A morte e seu problema

Fatalidade biológica, a morte é fenômeno habitual da vida.
Na engrenagem molecular, associam-¬se e desagregam-¬se partículas, transformando-¬se através do impositivo que as constitui, face à finalidade específica de cada uma.
Por efeito, o mesmo ocorre com o corpo, no que resulta o fenômeno conhecido como morte.
Desinformado quanto aos mecanismos da forma e da funcionalidade orgânica, desestruturado psicologicamente, o homem teme a morte, em razão do atavismo representativo do fim da vida, da consumpção do ser.
Em variadas culturas primitivas e contemporâneas, para fugir¬-se à realidade desta inevitável ocorrência, foram criados cerimoniais e cultos religiosos que pretendem diminuir o infausto acontecimento, escamoteando¬-o, ao tempo em que se adorna o morto de esperança quanto à sobrevivência.
Em muitas sociedades do passado, era comum colocar¬-se entre os dentes dos falecidos uma moeda de ouro, para recompensar o barqueiro encarregado de conduzi¬-lo à outra margem do rio da Vida.
Na Grécia, particularmente, este uso se tornou normal, objetivando compensar a avareza de Caronte, que ameaçava deixar vagando os não¬ pagantes, quando da travessia do rio Estige, segundo a sua Mitologia.
Modernamente, repetindo o embalsamamento em que se notabilizaram os egípcios, nas Casas dos Mortos, busca-¬se embelezar os defuntos para que deem a impressão de vida e bem¬-estar, assim liberando os vivos dos temores e das reminiscências amargas.
Todavia, por mais se mascare a verdade, chega o momento em que todos a enfrentam sem escapismo, convidados a vivenciá-¬la.
A morte é um fenômeno ínsito da vida, que não pode ser desconsiderado.
Neuroses e psicoses graves se estabelecem no indivíduo em razão do medo da morte, paradoxalmente, nas expressões maníaco¬ depressivas, levando o paciente a suicidar¬-se ante o temor de a aguardar.
Numa análise psicológica profunda, o homem teme a morte, porque receia a vida.
Transfere, inconscientemente, o pavor da existência física para o da destruição ou transformação dos implementos que a constituem.
Acostumado a evadir-¬se das responsabilidades, mediante os mecanismos desculpistas, o inexorável acontecimento da morte se lhe torna um desafio que gostaria de não defrontar, por consciência, quiçá, de culpa, passando a detestar esse enfrentamento.
Para fugir, mergulha na embriaguez dos sentidos consumidores e das emoções perturbadoras, abreviando o tempo pelo desgaste das energias mantenedoras do corpo físico.
O homem, acreditando-¬se previdente e ambicioso, aplica o tempo na preparação do futuro e na preservação do presente.
Entretanto, poderia e deveria investir parte dele na reflexão do fenômeno da morte, de modo a considera-¬lo natural e aguardá¬-lo com tranquila disposição emocional.
Nem o desejando ou, sequer, evitando driblá¬-lo.
A educação que se lhe ministra desde cedo, face ao mesmo atavismo apavorante da morte, é centrada no prazer nas delícias do ego, nas vantagens que pode retirar do corpo, sem a correspondente análise de temporalidade e fragilidade de que se revestem.
Graças a essa inadvertência espocam-¬lhe os conflitos, as fobias, a insegurança.
Um momento diário de análise, em torno da vida física, predispõe a criatura a projetar o pensamento para mais além do portal de cinza e de lama em que se deteriora a organização somática.
Tudo, no mundo físico, é impermanente, e tal impermanência pode ser vista sob duas formas:
A exterior ou grosseira, e a interior ou sutil.
Nada é sempre igual, embora a aparência que preserva nos períodos de tempo diferentes.
Por isto mesmo, tudo se encontra em incessante alteração no campo das micropartículas até o instante em que a forma se modifica — fase sutil de impermanência.
Um objeto que se arrebenta e um corpo, vegetal, animal e humano, que morre, passam pela fase da transição exterior grosseira para uma outra estrutura, experimentando a morte.
A morte, todavia, não elimina o continun da consciência, após a disjunção cadavérica.
Se, desde cedo, cria¬-se o hábito da meditação a respeito da consciência sobrevivente, independente do corpo, a morte perde o seu efeito tabu de aniquiladora, odienta destruidora do ideal, do ser, da vida.
O tradicional enigma do que acontece após a morte deve ser de interesse relevante para o homem que, meditando, encontra o caminho para decifrá¬-lo.
Deixar¬-se arrastar pelo pavor ou não lhe dar qualquer importância constituem comportamentos alienantes.
A curiosidade pelo desconhecido, a tendência de investigar os fenômenos novos são atrações para a mente perquiridora, que encontra recursos hábeis para os cometimentos.
A intuição da vida, o instinto de preservação da existência, as experiências psíquicas do passado e para¬psicológicas do presente atestam que a morte é um veículo de transferência do ser energético pensante, de uma fase ou estágio vibratório para outro, sem expressiva alteração estrutural da sua psicologia.
Assim, morre-¬se como se vive, com os mesmos conteúdos psicológicos que são os alicerces (inconsciência) do eu racional (consciência).
Nesta panorâmica da vida (no corpo) e da morte (do corpo) ressalta um fator decisivo no comportamento humano:
O apego à matéria, com as consequentes emoções perturbadoras e extratos do comportamento contaminados, jacentes na personalidade.
Sob um ponto de vista, a manifestação do instinto de conservação é valiosa, por limitar os tresvarios do homem que, diante de qualquer vicissitude, apelaria para o suicídio, qual acontece com certos psicopatas.
De certo modo, frenado, inconscientemente, enfrenta os problemas e supera¬-os com a ação eficiente do seu esforço dirigido corretamente.
Por outro lado, os esclarecimentos religiosos, embora a multiplicidade dos seus enfoques, demonstrando que a morte é período de transição entre duas fases da vida, contribuem para demitizar o pavor do aniquilamento.
Definitivamente, as experiências psíquicas, parapsicológicas e mediúnicas, provocadas ou naturais, têm trazido importante contribuição para equacionar o problema da morte, dando sentido à existência.
Conscientizando-¬se, o homem, da continuidade do ser pensante após as transformações do corpo através da morte da forma, alteram¬se¬-lhe, totalmente, os conceitos sobre a vida e a sua conduta no transcurso da experiência orgânica.
De qualquer forma, reservar espaços mentais para o desapego das coisas, das pessoas e das posições, analisando a inevitabilidade da morte, que obriga o indivíduo a tudo deixar, é uma terapia saudável e necessária para um trânsito feliz pelo mundo objetivo.

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Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 24 de Fevereiro de 2020, 00:10
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37 A controvertida comunicação dos Espíritos

O anseio inconsciente pela sobrevivência do ser consciente à morte física abre as portas da percepção psíquica,
Facultando o devassar das sombras do além.
Já não aspira o homem sorver a água do Letes para o esquecimento, porém sondar o que ocorre na sua outra margem.
E é de lá que têm vindo inesgotáveis informações, notícias, desafios novos, todos demonstrando a indestrutibilidade da vida, a sua causalidade e seu finalismo inevitável.
Das civilizações antigas às modernas,
Desde as culturas mais primitivas até as mais bem equipadas de conhecimento e tecnologia,
As tumbas descerram as suas lajes para, rompendo o enganoso silêncio e o falso repouso dos falecidos, apresentarem suas vozes e ações.
Por mais se dilatem os arquétipos junguianos até às suas nascentes, estratificadoras, a sobrevivência os precede,
Porque foram aqueles que atravessaram a fronteira, que vieram para elucidar a ocorrência mortuária,
Falando sobre a imortalidade a que retornaram.
As suas lições ensejaram o surgimento da fé religiosa, dos cultos —
Mesmo os mais extravagantes —
De algumas filosofias e se consubstanciaram nos desafios às modernas ciências parapsicológicas, psicobiofísicas, psicotrônicas.
Ainda não superando a Doutrina Espírita, apresentada por Allan Kardec,
Resultado de acuradas observações e experimentos de laboratório, provando a sobrevivência do ser à sua disjunção cadavérica.
É inerente à estrutura da vida a sua indestrutibilidade, graças à qual somente há transformações e nunca aniquilamento.
Partindo-¬se deste princípio de imanência, a consciência não se extingue por ocasião da desorganização cerebral.
Independente dela, torna-¬a instrumento pelo qual se expressa, mas, não indispensável à sua existência.
Os fenômenos de ectoplasmia, vidência, psicofonia, psicografia e os mais hodiernamente estudados pela Meta-ciência que se utiliza de complexos aparelhos — spiricon, vidicom — atestam a continuação e independência do Espírito à morte do corpo.
Examinadas com cuidado inúmeras hipóteses para explica-¬los, a única a resistir a todo cepticismo, pelos fatos que engloba, é a da imortalidade da alma com a sua consequente comunicabilidade.
Além dos produzidos pelo psiquismo humano, ressaltam aqueles que têm gênese nos seres de outras dimensões,
Que se fazem identificar de forma exaustiva e clara, não deixando outra alternativa exceto a sua realidade transcendental, de seres independentes e desencarnados.
Neste capítulo se enquadram diversas psicopatias, cujas gêneses resultam de influências espirituais mediante as quais se abre o campo das obsessões,
Igualmente conhecidas desde priscas eras com outras denominações.
Esta influência deletéria dos mortos sobre os vivos tem o seu reverso no que se opera graças à interferência dos anjos, dos serafins, dos santos, dos guias espirituais e familiares de inegáveis benefícios para a criatura humana,
Inclusive, na área da preservação e recuperação da saúde.
Cunhou¬-se, como efeito imediato, o brocardo que assevera que;
“Os mortos conduzem os vivos”,
Tal a ingerência que têm aqueles no comportamento destes.
Eliminando-¬se, porém, o exagero, o intercâmbio psíquico e físico se dá com mais frequência entre eles do que supõem os desinformados.
E isto constitui bela página do Livro da Vida, facultando ao ser pensante a compreensão e certeza da sua eternidade,
Bem como ensejando atender as excelentes possibilidades de crescimento desalienante e a perspectiva de plenitude,
Fora das conturbações e dos desajustes que ocorrem no processo de seu amadurecimento psicológico e de seu autodescobrimento.
A transitoriedade assume a sua preponderância apenas enquanto vige a existência corporal de grande significação para estruturar a sobrevivência feliz, delineando as atividades futuras a ressurgirem como culpa ¬castigo, tranquilidade¬ prêmio, que governam e estatuem os destinos humanos.
A consciência, não se aniquilando através da morte, aprimora¬-se mediante experiências extrafísicas, que lhe dilatam o campo de aquisição de recursos capazes de elucidar os enigmas da genialidade e da demência, da lucidez e da idiotia congênitos.
Este inter¬relacionamento entre o homem e os Espíritos desenvolve¬-lhe os sentidos extrafísicos, proporcionando-¬lhe um desdobramento paranormal,
No qual a mediunidade lhe propicia uma vivência real nas duas esferas vibratórias onde a vida se apresenta.
Portador dessa percepção, embora habitualmente embotada, agiganta¬-se¬-lhe a área de sensibilidade psíquica ao educa-¬la,
Como se lhe entorpece e turbam outros campos mentais, se a desconsidera ou se não dá conta da sua existência.
O complexo homem é de natureza transcendental, corporificando-¬se na forma física e dissociando¬-se através da morte,
Sem surgir de um para outro momento ao acaso ou desintegrar¬-se sob o capricho de uma fatalidade nefasta, destruidora.
A Psicologia profunda vai às raízes deste ser resgatando-¬o do lodo da terra e erguendo¬-o da lama do sepulcro, para conceder-¬lhe a dignidade que merece no concerto universal, como parte integrante do mesmo.
A única forma de demonstrar e confirmar a imortalidade da alma é mediante a sua comunicabilidade,
O que oferece consolações e esperanças inimagináveis,
Por outro lado facultando ao ser humano lutar com estoicismo graças à meta que o aguarda à frente, enquanto a consumpção, além de desnaturar a vida, retira¬-lhe todo o sentido, o significado, em razão da sua brevidade, isto sem nos referirmos aos desenlaces precoces, aos natimortos...
A vida vem aplicando milhões de anos no seu aperfeiçoamento e complexidades, não se podendo evolar ao capricho da desoxigenação cerebral.
Com esta certeza esmaece o pavor da morte, desarticula-¬se a neurose disto advinda, abrindo um leque de perspectivas positivas para o bemestar durante a existência física, prelúdio da espiritual para onde se ruma inexoravelmente.
Os planos agora já não se limitam nas balizas próximas impeditivas, antes se dilatam encorajadores, no prosseguimento da evolução.
Deste modo, as controvérsias sobre a sobrevivência vão cedendo lugar à afirmação da vida, especialmente agora,
Quando se desdobram as terapias alternativas na área da saúde, que recorrem às memórias do passado, aos substratos da mente precedente ao corpo,
Mediante as quais o continuum da consciência não sofre interrupção com a morte orgânica nem surge com o seu renascimento.
A vida predomina, prevalece em toda parte, sempre e vitoriosa.

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Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 26 de Fevereiro de 2020, 14:23
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38 O modelo organizador biológico

O homem é, deste modo, um conjunto de elementos que se ajustam e interpenetram, a fim de condensar-¬se em uma estrutura biológica,
Assim formado
Pelo Espírito — ser eterno, preexistente e sobrevivente ao corpo somático —,
O perispírito — também chamado modelo organizador biológico, que é o “princípio intermediário, substância semimaterial que serve de primeiro envoltório ao Espírito e liga a alma ao corpo.
Tais, num fruto, o germe, o perisperma e a casca” (*) —
E o corpo — que é o envoltório material.
Estes elementos mantêm um inter¬relacionamento profundo com os respectivos planos do Universo.
O perispírito, também denominado corpo astral, é constituído de vários tipos de fluidos (energia) ou de matéria hiperfísica,
Sendo o laço que une o Espírito ao corpo somático.
Multimilenarmente conhecido, atravessou a História sob denominações variadas.
Hipócrates, por exemplo, chamava-o “Enormon”,
Enquanto Plotino o identificava como “Corpo Aéreo” ou Ígneo.
Tertuliano o indicava como “Corpo Vital da Alma”,
Orígenes como “Aura”,
Quiçá inspirados no apóstolo Paulo que o referia como “Corpo Espiritual” e “Corpo Incorruptível”.
No Vedanta ele aparece como “Manontaya¬Kosha”
E no Budismo Esotérico é designado por “Kainarupa”.
Os egípcios diziam-¬no “Ka”
E o Zend Avesta aponta-¬o por “Baodhas”,
A Cabala hebraica por “Rouach”.
É o “Eidôlon” do Tradicionalismo grego,
O “Miago” dos latinos,
O “Khi” dos chineses,
O “Corpo sutil e etéreo” de Aristóteles...
Confúcio igualmente o identificou, chamando-¬o “Corpo Aeriforme”
E Leibnitz qualificou¬-o de “Corpo fluídico”...
As variadas épocas da Humanidade defrontaram¬-no e por outras denominações ele passou a ser aceito.
De importância máxima no complexo humano, é o moderno Modelo organizador biológico,
Que se encarrega de plasmar no corpo físico as necessidades morais evolutivas, através dos genes e cromossomos,
Pois que,
Indestrutível, eteriza¬-se e se purifica durante os processos reencarnatórios elevados.
Pode¬-se dizer, que ele é o esboço, o modelo, a forma em que se desenvolve o corpo físico.
E na sua intimidade energética que se agregam as células, que se modelam os órgãos,
Proporcionando-¬lhes o funcionamento.
Nele se expressam as manifestações da vida, durante o corpo físico e depois, por facultar o intercâmbio de natureza espiritual.
É o condutor da energia que estabelece a duração da vida física,
Bem como e responsável pela memória das existências passadas que arquiva nas telas sutis do inconsciente atual,
Facultando lampejos ou recordações esporádicas das existências já vividas.
O filósofo escocês Woodsworth estudando¬-o, disse que é o “Mediador plástico” através do qual passa a torrente de matéria fluente que destrói e reconstrói incessantemente o organismo vivo.
Na sua estrutura de energia se localizam os distúrbios nervosos, que se transferem para o campo biológico e que procedem dos compromissos negativos das reencarnações passadas.
Igualmente ele responde pelas doenças congênitas, em razão das distonias morais que conduz de uma para outra vida.
Por isso mesmo, trata¬-se de um organismo vivo e pulsante, sendo constituído por trilhões de corpos unicelulares rarefeitos, muito sensíveis,
Que imprimem nas suas intrincadas peças as atividades morais do Espírito,
Assinalando-¬as nos órgãos correspondentes quando das futuras reencarnações.
Veículo sutil e organizador, é o encarregado de fixar no organismo os traumas emocionais como as aspirações da beleza, da arte, da cultura, plasmando nos sentimentos as tendências e as possibilidades de realiza-¬las.
Graças à sua interpenetração nas moléculas que constituem o corpo, exterioriza, através deste, os fenômenos emocionais — carmas —,
Positivos ou não,
Que procedem do passado do indivíduo e se impõem como mecanismos necessários à evolução.
Comandado pelo Espírito mediante automatismos nas faixas menos evoluídas da Vida, pode ser dirigido consciente¬mente,
Desde que se encontre liberado dos impositivos dos resgates dolorosos, no processo da aprendizagem compulsória.
Quanto mais o homem se espiritualiza, domando as más inclinações
E canalizando as forças para as aspirações de enobrecimento e sublimação,
Mais sutis são as suas possibilidades plasmadoras,
Dando gênese a corpos sadios, emocional e moralmente,
Em razão do agente causal estar liberado das aflições e limites purificadores.
O amadurecimento psicológico proporciona ao indivíduo utilizar¬-se das aquisições morais, mentais e culturais
Para estimular-¬lhe os núcleos fomentadores de vida,
Alterando sempre para melhor a própria estrutura física e psíquica pelo irradiar de energias saudáveis,
Reconstruindo o organismo e utilizando¬-o com sabedoria para fruir da paz e da alegria de viver.

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Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 26 de Fevereiro de 2020, 14:25
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39 A reencarnação

Destituída de finalidade seria a vida que se diluísse na tumba, como efeito do fenômeno da morte.
Diante de todas as transformações que se operam nos campos da realidade objetiva, como das alterações que se processam na área da energia,
Seria utópico pensar-¬se que a fatalidade do existir é o aniquilamento.
Embora as disjunções moleculares e as modificações na forma, tudo se apresenta em contínuo vir¬ a ¬ser, num intérmino desintegrar¬-se — reintegrando¬-se —
Que oferece, à Vida, um sentido de eternidade, além e antes do tempo, conforme as limitadas dimensões que lhe conferimos.
Nesse sentido, especificamente, o complexo humano apresenta¬-se através de faixas de movimentação instável, qual ocorre com o corpo;
Em mecanismos de sutilização, o perispírito;
E de aprimoramento, quando se trata do Espírito,
Este último, aliás, inquestionavelmente imortal.
A aquisição da consciência é o resultado de um processo incessante, através do qual o psiquismo se agiganta desde o sono, na força aglutinadora das moléculas, no mineral;
À sensibilidade, no vegetal;
Ao instinto, no animal;
E à inteligência, à razão, no homem.
Nesta jornada automática, funcionam as inapeláveis Leis da Evolução, em a Natureza, defluentes da Criação.
Chegando ao patamar humano, esse psiquismo, de início rudimentarmente pensante, atravessa inúmeras experiências pessoais,
Que o tornam herdeiro de si mesmo, em um encadeamento de aprendizagens pelo mergulho no corpo e abandono dele,
Toda vez que se rompam os liames que retêm a individualidade.
Este processo de renascimentos, que os gregos denominavam de palingenésico, constitui um avançado sistema de crescimento intelecto¬moral, fomentador da felicidade.
Graças a ele, a existência humana se reveste de dignidade e de relevantes objetivos que não podem ser interrompidos.
Toda vez que surge um impedimento, que se opera um transtorno ou sucede uma aparente cessação,
A oportunidade ressurge e o recomeço se estabelece, facultando ao aprendiz o crescimento que parecia terminado.
Face a este mecanismo, os fenômenos psicológicos apresentam¬-se em encadeamentos naturais,
E elucidam-¬se inumeráveis patologias psíquicas e físicas,
Distúrbios de comportamento,
Diferenças emocionais, intelectuais
E variados acontecimentos, nas áreas sociológica, econômica, antropológica, ética, etc.
O processamento da aquisição intelectual faz-¬se ao largo das experiências de aprendizagem, mediante as quais o Eu consciente adiciona conteúdos culturais,
Ao mesmo tempo que desenvolve as aptidões jacentes, para as diversas categorias da técnica, da arte, da ética, num incessante aprimoramento de valores.
A anterioridade do Espírito ao corpo, brinda-¬lhe maior soma de conhecimentos do que os apresentados pelos principiantes no desiderato físico.
A genialidade de que uns indivíduos são portadores, em detrimento dos limites que se fazem presentes em outros seres do mesmo gene,
Demonstra que os psiquismos aí expressos diferem em capacidade e lucidez.
Embora herdeiro dos caracteres da raça — aparência, morfologia, cabelos, olhos, etc. —, os valores psicológicos, intelecto¬morais não são transmissíveis pelos genes e cromossomos,
Antes, são atributos da individualidade eterna,
Que transfere de uma para outra existência corporal o somatório das suas conquistas salutares ou perturbadoras.
Não há como negar-¬se a influência genética na evolução do ser,
Os impositivos do meio, dos costumes e dos hábitos, entretanto, impende observar que o corpo reproduz o corpo, não a mente, a consciência, que só o Espírito exterioriza.
A introdução do conceito reencarnacionista na Psicologia dá¬-lhe dimensão invulgar,
Esclarecimento das dificuldades na argumentação em torno do Inconsciente, dos arquétipos, individual e coletivo,
Estudando o homem em toda a sua complexidade profunda
E, mediante a identificação do seu passado, facultando-¬lhe o descobrimento e utilização das suas possibilidades, do seu vir ¬a ¬ser.
Nos alicerces do Inconsciente profundo encontram-¬se os extratos das memórias pretéritas, ditando comportamentos atuais,
Que somente uma análise regressiva consegue detectar, eliminando os conteúdos perturbadores,
Que respondem por várias alienações mentais.
No capítulo dos impulsos e compulsões psicológicas, o passado espiritual exerce uma predominância irrefreável,
Que leva aos grandes rasgos do devotamento e da abnegação, quanto à delinquência, à agressividade, à multiplicidade de personificações parasitárias,
Mesmo excluindo¬-se a hipótese das obsessões.
Na imensa panorâmica dos distúrbios mentais, especialmente nas esquizofrenias,
Destacam¬-se as interferências constritoras dos desencarnados que se estribam nas leis da cobrança pessoal,
Certamente injustificáveis, para desforçar-¬se dos sofrimentos que lhes foram anteriormente infligidos, em outras existências, pelas vítimas atuais.
Diante das ocorrências do déjà vu,
Os remanescentes reencarnacionistas estabelecem parâmetros sutis de lembranças que retornam à consciência atual como lampejos e clichês de evocações,
Ressumando dos conteúdos da inconsciência — ou da memória extracerebral, do perispírito —
Oferecendo possibilidades de identificação de pessoas, acontecimentos, lugares e narrativas já vividos, já conhecidos, antes experimentados...
Desfilam, então, os fenômenos psicológicos das simpatias e das antipatias,
Dos amores alucinantes e dos ódios devoradores,
Que ressurgem dos arquivos da memória anterior ante o estímulo externo de qualquer natureza, que os desencadeiam, tais:
Um encontro ou reencontro; uma associação de idéias — a atual revelando a passada —
Uma dissensão ou um diálogo;
Qualquer elemento que constitua ponte de ligação entre o hoje e o ontem.
Excetuando¬-se os conflitos que têm sua psicogênese na vida atual, a expressiva maioria deles procede das jornadas infelizes do ser eterno, herdeiro de si mesmo,
Que transfere as fobias, insatisfações, consciência de culpa, complexos, dramas pessoais, de uma para outra reencarnação através de automatismos psicológicos,
Responsáveis pelo equilíbrio das Leis que governam a Vida.
Diante de tais acontecimentos, considerando-¬se os fenômenos místicos, as ocorrências paranormais.
os êxtases naturais e os provocados, aos quais a Psicologia organicista dava gêneses patológicas, nasceu, mais ou menos recentemente, a denominada quarta força em Psicologia
— sucedendo (ou completando) o Behaviorismo, a Psicanálise e a Psicologia Humanista —,
Que é a Escola Transpessoal.
Entretanto, já no começo do século, Burcke, desejando enquadrar em uma só denominação estes e outros eventos psicológicos,
Cunhou o conceito de consciência cósmico, a fim de os situar em um só capítulo,
Tornando¬-se, de alguma forma, pioneiro, na área da Psicologia Transpessoal,
Que abrange, entre outras, as percepções extra¬sensoriais, além da área da consciência.
Nesta conceituação, a morte é fenômeno biológico a transferir o ser de uma para outra realidade, sem consumpção da vida.
O ser humano, diante da visão nova e transpessoal, deixa de ser a massa, apenas celular, para tornar-¬se um complexo com predominância do princípio eterno.
A decisiva contribuição dos seus pioneiros, entre os quais, Maslow, Assagioli — com a sua Psicossíntese —, Sutich, Wilber, Grof e outros,
Oferece excelentes recursos para a psicoterapia,
Liberando a maioria dos pacientes dos seus conflitos e problemas que desestruturam a personalidade.
Neste admirável amálgama da integração dos mais importantes Insights das Doutrinas psicológicas do Ocidente com as Tradições Esotéricas do Oriente,
Agiganta¬-se o Espiritismo, pioneiro de uma Psicologia Espiritualista dedicada ao conhecimento do homem integral, na sua valiosa complexidade —
Espírito, perispírito e matéria —
Ampliando os horizontes da vida orgânica, a se desdobrarem além do túmulo
E antes do corpo, com infinitas possibilidades de progresso, no rumo da perfeição.

– Fim –
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Título: Re: Série Psicológica - Joanna de Ângelis
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 28 de Fevereiro de 2020, 10:32
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Livro: Plenitude

Plenitude

Filosofias pessimistas e doutrinas religiosas arbitrárias estabeleceram que a vida é sofrimento e que toda tentativa para a libertação dele resulta em malogro lamentável.
Pensadores precipitados de ontem como de hoje, fiéis ao diagnóstico ignóbil,
Propõem o suicídio como solução, a eutanásia e o aborto como mecanismos de fuga para superar as situações aflitivas e a pena de morte como recurso punitivo,
Em demonstração de conduta materialista rebelde e ácida, na qual a crueldade assume papel preponderante.
O utilitarismo e o hedonismo, sobre os quais constroem as suas aspirações, são os responsáveis pela óptica distorcida da realidade, de que desejam libertar-se.
Certamente, o sofrimento faz parte da vida, por ser mecanismo da natureza, através do qual o progresso intelecto-moral se expressa e consolida.
O diamante bruto aguarda a lapidação para fulgir como estrela luminosa.
Os metais necessitam da alta temperatura, a fim e amoldarem-se à beleza e à utilidade.
A madeira experimenta os instrumentos cortantes para desempenhar os papéis relevantes a que está destinada.
O rio cava o próprio leito por onde corre.
Igualmente, o Espírito necessita lapidar as arestas que lhe encobrem a luminosidade, e, para tal, o sofrimento se apresenta como ocorrência normal,
Que o conhecimento e a força de vontade conseguem conduzir com equilíbrio, alcançando a finalidade sublime a que se encontra destinado.
O sofrimento, por outro lado, está vinculado à sensibilidade de cada um, variando, portanto, e adquirindo dimensões diversas.
A dor do bruto apresenta-se asselvajada e perturbadora, explodindo em agressividade e loucura.
O sofrimento do esteta e do santo se expressa como anseio de libertação e crescimento íntimo.
Atravessando as fases primárias da vida, no seu mecanismo automático de evolução,
O psiquismo amplia as aptidões inatas e desenvolve os germes da perfeição nele jacentes, tornando-se herdeiro na etapa imediata das experiências anteriores.
O sofrimento, em face das injunções de amargura e dor de que se reveste, vem merecendo o mais amplo investimento histórico de que se tem notícia,
Objetivando-se a libertação dele e a plenitude da criatura.
De Krishna a Nuda, a Jesus, a Allan Kardec,
A visão religiosa e filosófica sobre o sofrimento recebeu valiosas contribuições, que hoje, no esforço dos modernos cientistas da saúde holística,
Parecem alcançar um grau maior de entendimento do homem e do seu inter-relacionamento com as forças vivas da natureza, refletidas na Ecologia, ensejando uma compreensão maior da vida e da sua finalidade.
Antecipando essa conduta hodierna, o Espiritismo vem conclamando o homem para o respeito a Deus, a si mesmo, ao próximo,
A todas as expressões vivas ou não que lhe constituem o ambiente em que está localizado,
Para aprender e ser feliz, assim adquirindo a sua plenitude.
Considerando a problemática humana, existente no próprio indivíduo –
O desconhecimento de si mesmo – e tendo em vista os urgentes fatores que desencadeiam o sofrimento,
Arrastando multidões à sandice, ao desalento, à alucinação, às fugas inglórias pelo suicídio e pelos vícios,
Resolvemos aprofundar estudos em torno dele, ora reunidos no presente livro,
Que trazemos ao conhecimento do prezado leitor, interessado na solução desse terrível flagelo responsável por incontáveis males, para uns, e bençãos, para outros,
Possibilitando aos últimos a ascensão e a glória...
Analisamos alguns dos seus aspectos, conforme a visão budista e a cristã,
E propomos a solução espírita, em razão da atualidade dos postulados que constituem a Revelação do Consolador,
Convidando o homem ao autodescobrimento, à vivência evangélica, ao comportamento lúcido advindo do estudo e da ação iluminativa na trilha da caridade fraternal.
Confiamos que o nosso esforço irá contribuir para o esclarecimento dos nossos leitores, induzindo-os à aquisição da plenitude, em paz e saúde,
Inteiramente livres do sofrimento, construindo o amor como fonte viva de realização íntima e geral.
Esperando haver alcançado o objetivo a que nos propusemos, rogamos ao “Modelo e Guia da humanidade” nos abençoe e conduza.

Salvador, 17 de outubro de 1990.
Joanna de Ângelis

.........

“Senhor!
Ajuda-me a transitar:
da treva para a luz;
da mentira para a verdade;
e da morte para a imortalidade.”

(Upanishads)


“Sente-se sozinho, em silêncio.
Baixe a cabeça, feche os olhos, respire pausadamente
e imagine que está contemplando o interior do seu coração.
Transfira sua mente, seus pensamentos de seu corpo para seu coração.
Quando expirar, diga:
Senhor, tende piedade de mim”.

(Gregório do Sinai – Mosteiro do Monte Athos – Século XIV)

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PLENITUDE
Título: Re: Série Psicológica - Joanna de Ângelis
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 06 de Março de 2020, 11:18
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Livro: Plenitude

I – Sofrimento

O homem empenha-se, afanosamente, para vencer o sofrimento, que se lhe apresenta como adversário soez* em todas as épocas,
Ele vem travando uma violenta batalha para eximir-se à dor, em contínuas tentativas infrutíferas,
Nas quais exaure as forças, o ânimo e o equilíbrio, tombando depois em mais graves aflições.
Passar incólume ao sofrimento é a grande meta que todos perseguem.
Pelo menos, diminuir-lhe a intensidade ou acalmá-lo, de modo a poder fruir os prazeres da existência e incessantes variações.
Imediatista, interessa-lhe o hoje, sem visão do porvir.
Como efeito, o sofrimento tem sido considerado vingança ou castigo divino, portanto, credor de execração e ódio.
Nas variadas mitologias, as figuras de deuses invejosos quão despeitados, infligindo punições às criaturas e comprazendo-se ante as dores que presenciam, são a resposta ancestral para o sofrimento na Terra.
Diversas escolas filosóficas e doutrinas religiosas, de alguma forma concordes com essas absurdas conceituações, estabeleceram métodos depuradores para a libertação do sofrimento, que vão desde as mais bárbaras flagelações
– silícios, holocaustos, promessas e oferendas –
Ao ascetismo mais exacerbado, procurando negar o mundo e odiá-lo, a fim de, com essas atitudes, acalmarem e agradarem aos deuses ou a Deus.
Paralelamente, o estoicismo, herdeiro de alguns comportamentos orientais, tentou imunizar o homem,
Estimulando-o a uma conduta de graves sacrifícios que, sem embargo, é desencadeadora do sofrimento.
Para libertar-se desse adversário, a criatura impõe-se outras formas de dor, que aceita racionalmente, por livre opção, não se dando conta do equívoco em que labora.
A dor, porém, não é uma punição.
Antes, revela-se um excelente mecanismo da vida a serviço da própria vida.
Fenômeno de desgaste pelas alterações naturais da estrutura dos órgãos
– à medida que a energia se altera advém a deterioração do invólucro material que ela vitaliza
– essa disjunção faz-se acompanhada pelas sensações desagradáveis da angústia, desequilíbrio e dor, conforme seja a área afetada no indivíduo.
Desse modo, é inevitável a ocorrência do sofrimento na Terra e nas áreas vibratórias que circundam o planeta, nas quais se movimentam os seus habitantes.
Ele faz parte da etapa evolutiva do orbe e de todos quantos aqui estagiam, rumando para planos mais elevados.
Na variada gênese do sofrimento, todo esforço para mitigá-lo, sem a remoção das causas, não logrará se não paliativos, adiamentos.
Mesmo quando alguma injunção premie o enfermo com uma súbita liberação, se a terapia não alcançou as razões que o desencadeiam,
Ele transitará de uma para outra problemática sem conseguir a saúde real.
Isso porque, em todo processo degenerativo ou de aflição, o Espírito, em si mesmo, é sempre o responsável, consciente ou não.
E, naturalmente, só quando ele se resolve pela harmonia interior, opera-se-lhe a conquista da paz.
Em tal situação, mesmo ocorrendo os processos transformadores da ação biológica, o sofrimento disso decorrente não afeta a emoção nem se transforma em causa de danos.
À semelhança de outros automatismos fisiológicos, consciência não lhe registra a manifestação.
O sofrimento, portanto, pode e deve ser considerado uma doença da alma, que ainda se atém às sensações e opta pelas direções e ações que produzem desequilíbrio.
Nessa fase, dos interesses imediatos, todo um emaranhado de paixões primitivas propele o ser na direção do gozo,
Sem a ética necessária ou o sentimento de superior eleição, e o atira nos cipoais dos conflitos que geram a desarmonia das defesas orgânicas,
As quais cedem à invasão de micróbios e vírus que lhes destroem a imunidade, instalando-se, insaciáveis, devoradores.
Da mesma forma, os equipamentos mentais hipersensíveis desajustam-se, abrindo campo à instalação das alienações, das obsessões cruéis.
Por extensão, pode-se dizer que sofrimento não é imposto por Deus, constituindo-se eleição de cada criatura,
Mesmo porque, a sua intensidade e duração estão na razão direta da estrutura evolutiva, das resistências morais características do seu estágio espiritual.
É a sensibilidade emocional que filtra a dor e a exterioriza.
Com ela reduzida, as agressões de toda ordem recebem resposta de violência e agressividade.
Nas faixas mais primitivas da evolução, os fenômenos dor, desgaste, envelhecimento e morte, porque quase destituídos os seres de raciocínio e emotividade, que ainda se lhes encontram em germe, seguem uma linha direcional automatista,
Na qual as exceções atestam o trânsito da essência psíquica para estágios mais elevados.
Decorre disso que o sofrimento é maior nas áreas moral e emocional, que somente se encontram nos portadores de mais alto grau de evolução, de sensibilidade, de amor, capazes de ultrapassar tais condições,
Sobrepondo-se-lhes mediante o controle de que se fazem possuidores, diluindo na esperança, na ternura e na certeza da vitória as injunções aflitivas.
Fugir, escamotear, anestesiar o sofrimento são métodos ineficazes, mecanismos de alienação que postergam a realidade,
Somando-se sempre com a sobrecarga das complicações decorrentes do tempo perdido.
Pelo contrário, uma atitude corajosa de examiná-lo e enfrentá-lo representa valioso recurso de lucidez com efeito terapêutico propiciador de paz.
As reações de ira, violência e rebeldia ao sofrimento mais o ampliam, pelo desencadear de novas desarmonias em áreas antes não afetadas.
A resignação dinâmica, isto é, a aceitação do problema com uma atitude corajosa de o enfrentar e remover-lhe a causa, representa avançado passo para a sua solução.
É de insuspeitável significação positiva o equilíbrio mental e moral diante do sofrimento, o que consegue por meio do treinamento pela meditação, pela oração, que defluem do conhecimento que ilumina a consciência, orientando-a corretamente.
Conhecer-se, na condição de Espírito imortal em processo evolutivo mediante as experiências reencarnatórias,
Representa para o homem alta aquisição de valores para compreender, considerar e vencer o sofrimento, que faz parte do modus operandi de todos os seres.
Muitas pessoas advogam que o sofrimento é a única certeza da vida,
Se compreenderem que ele está na razão direta da conduta remota ou próxima mantida para cada qual.
Pode-se dizer, portanto, que a sua presença resulta do distanciamento do amor, que lhe é o grande e eficaz antídoto.
Interdependentes, o sofrimento e o amor são mecanismos da evolução.
Quando um se afasta, o outro se apresenta.
Às vezes, coroando a luta, na reta final, ei-los que surgem simultaneamente, sem os danos que normalmente desencadeiam.
Acima de todos eles, porém, destaca-se o exemplo de Jesus, lecionado, pelo amor, a vitória sobre o sofrimento durante toda a Sua vida,
Principalmente nos momentos culminantes do Getsêmani ao Gólgota, e daí à ressurreição...

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 “Os fenômenos da vida podem ser comparados a um sonho, a um fantasma, a uma bolha, a uma sombra, a uma orvalhada cintilante ou a um raio luminoso,
E como tal deveria ser contemplados”.
Buda (O Sutra Imutável)

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*) Oportunamente, fizemos um breve estudo sobre o sofrimento em nosso livro mediúnico: O Homem Integral, capítulo 8 – itens:
Os sofrimentos humanos e Recursos para a libertação dos sofrimentos.
Livraria Espírita Alvorada –
Editora. (Nota da Autora Espiritual)

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Título: Re: Série Psicológica - Joanna de Ângelis
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 13 de Março de 2020, 12:39
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II – Análise dos Sofrimentos

Buda ensinava que a única função da vida é a luta pela vitória sobre o sofrimento.
Empenhar-se em superá-lo deve ser a constante preocupação do homem.
Após tentá-lo mediante o ascetismo mais austero e as disciplinas mais rígidas, o jovem Guatama afastou-se do monastério com alguns candidatos desanimados e foi meditar calmamente, logrando a Iluminação.
Estabeleceu a teoria do 'caminho do meio' para alcançar a paz.
Nem mais a austeridade cruel, nem as dissipações comuns, mas o equilíbrio da meditação.
Voltou-se então para a libertação dos homens e estabeleceu as quatro Nobres Verdades:
O sofrimento, suas origens, a cessação do sofrimento e os caminhos para a libertação do sofrimento.
Segundo as suas reflexões, o sofrimento se apresenta sob três formas diferentes:
O sofrimento do sofrimento:
O sofrimento da impermanência
E o sofrimento resultante dos condicionamentos.
O sofrimento do sofrimento é resultado das aflições que ele mesmo proporciona.
A dor macera os sentimentos, desencoraja as estruturas psicológicas frágeis, infelicita, leva a conclusões falsas e estimula os estados da exaltação emocional ou de depressão conforme a estrutura íntima de cada vítima.
Apresente-se sob dois aspectos:
Físico e mental, na imensa área das patologias geradoras de doenças.
Nesse caso, o sofrimento é como uma doença e resultado dela.
As doenças, porém, são inevitáveis na existência humana, em razão da constituição molecular do corpo, dos fenômenos biológicos a que está sujeito nas suas incessantes transformações.
A abrangência da ação da matéria sobre o Espírito, particularmente nos estágios mais primitivos, enseja sofrimentos constantes em face das doenças físicas contínuas e das distonias mentais frequentes.
À semelhança do buril agindo sobre a pedra bruta e lapidando-a, as doenças são mecanismos buriladores para a alma despertar as suas potencialidades e brilhar além do vaso orgânico que a encarcera.
Nessa área, a ciência médica alcançou um elevado patamar do conhecimento, debelando antigas enfermidades que dizimavam milhões de existências e alucinavam multidões.
A lucidez do diagnóstico, a habilidade cirúrgica, a farmacopéia rica e as diversas terapias alternativas, têm contribuído com um grande contingente de socorro para atender os enfermos.
Embora os surtos periódicos de antigos males e o surgimento de outros que a imprevidência gera, essa conquista expressiva contribui para que tal sofrimento seja atenuado.
Na área das psicologias a visão humana é hoje mais benigna do que no passado, considerando o enfermo mental um ser humano, e como tal prossegue, ainda que momentaneamente tenha perdido a identidade, o equilíbrio, com o direito de receber assistência, oportunidade e amor.
Multiplicaram-se lamentavelmente, porém, os distúrbios existenciais, comportamentais, na área psicológica, nascendo a chamada geração neurótica perdida no mare magnum das vítimas do sexo em desalinho, das drogas alucinantes, da violência e agressividade urbanas, do cinismo desafiador.
Os avanços tecnológicos não bloquearam os corredores do desespero;
E as guerras contínuas fomentaram o medo, a insatisfação, o desespero, as fugas emocionais.
A juventude insegura tornou-se-lhe a grande vítima a um passo da depressão, da loucura, do suicídio.
Ao lado das diversificadas patologias desesperadoras do momento os fenômenos psicológicos de desequilíbrio alastram-se incontroláveis.
A mole humana passou a sofrer o efeito desses sofrimentos que se generalizaram.
A doença, todavia, é resultado do desequilíbrio energético do corpo em razão da fragilidade emocional do Espírito que o aciona.
Os vírus, as bactérias e os demais micro-organismos devastadores não são os responsáveis pela presença da doença, porquanto eles se nutrem das células quando se instalam nas áreas em que a energia se debilita.
Causam fraqueza física e mental, favorecendo o surgimento da doença, por falta da restauração da energia mantenedora da saúde.
Os medicamentos matam os invasores, mas não restituem o equilíbrio como se deseja, se a fonte conservadora não irradia a força que sustenta o corpo.
Momentaneamente, om a morte dos micróbios, a pessoa parece recuperada, ressurgindo, porém, a situação, em outro quadro patológico mais tarde.
A conduta moral e mental dos homens, quando cultivas as emoções da irritabilidade, do ódio, do ciúme, do rancor, das dissipações,
Impregna o organismo, o sistema nervoso, com vibrações deletérias que bloqueiam áreas por onde se espraia a energia saudável,
Abrindo campo para a instalação das enfermidades, graças à proliferação dos agentes viróticos degenerativos que ali se instalam.
Quase sempre as terapias tradicionais removem os sintomas sem alcançarem as causas profundas das enfermidades.
A cura sempre provém da força da própria vida, quando canaliza corretamente.
As tensões físicas, mentais e emocionais são, igualmente, responsáveis pelas doenças
– sofrimento que gera sofrimento.
 O homem, desde as suas origens sociais, aprende a ter medo, a conservar mágoas, a desequilibrar-se por acontecimentos de somenos importância, desarticulando o seu sistema energético.
Passa de um aborrecimento para outro, cultivando vírus emocionais que facultam a instalação dos outros, degenerativos, responsáveis pelo agravamento das suas doenças.
Os condicionamentos, as ideias pessimistas, as crenças absurdas, as ações vexatórias são responsáveis pelas tensões que levam à desarmonia.
Evitando essas cargas, o sistema energético-imunológico liberará de doenças o indivíduo, e a sua vida mudará, passando a melhorar o seu estado de saúde.
As causas profundas das doenças, portanto, estão no indivíduo mesmo, que se deve auto-examinar, autoconhecer-se a fim de liberar-se desse tipo de sofrimento.

Título: Re: Série Psicológica - Joanna de Ângelis
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 13 de Março de 2020, 12:39
De imediato há o prazer que gera sofrimento.
O cotidiano demonstra que abusca insaciável do prazer constitui um tormento que aflige sem compensação.
Quando se tem a oportunidade de fruí-lo, constata-se que o preço pago foi muito alto e a sensação conseguida não recebeu retribuição correspondente.
Ademais, há aquisições que proporcionam prazer em um momento para logo se transformarem em dores acerbas.
E o responsável por esse resultado é a ilusão.
A maioria dos sofrimentos decorre da forma incorreta porque a vida é encarada.
Na sua transitoriedade, os valores reais transcendem ao aspecto e à movimentação que geram prazer.
Esse é o sofrimento da impermanência das coisas terrenas.
Esfumam-se como palha ao fogo, atiçado pelo vento, logo se transformando em cinza flutuando no ar.
Para conseguir desfrutar de determinado prazer o indivíduo investe além das possibilidades, constatando, depois, quantas dificuldades tem a enfrentar para manter essa conquista.
A luta para possuir um automóvel último modelo expõe-no a compromissos pesados para o futuro.
A imaginação estimula-o com a ilusão da posse para averiguar, passado o prazer, que não tem condições para preservar o veículo adquirido, ou os móveis, ou a residência, enfim, tudo quanto é impermanente e brilha com atração apenas por um dia...
Medidas as possibilidades sem sacrifícios, é factível constatar até onde pode aventurar-se, sem os riscos de sofrer dores e arrependimentos tardios.
Essa visão correta, realista, que se adquire da existência, emoldura-a de harmonia.
No entanto, a fantasia injustificada responde pelo choque inevitável com a realidade. Certamente, cautela nas decisões não se pode converter em medo de agir, em cultivo de pessimismo para o futuro.
São a ambição irrefreada, a precipitação, a falta de controle para o prazer que gera dor.
Aí estão os vícios sociais e morais estiolando vidas, longo prazo conduzindo à loucura, ao autocídio.
São alguns deles o inocente cigarro de exibição no grupo social como afirmação da personalidade, eliminação de tabu, respondendo por graves problemas respiratórios, cânceres, enfisemas pulmonares;
O prazer etílico gerador de ressacas tormentosas, cirroses hepáticas, úlceras gástricas e duodenais, distúrbios intestinais e outros,
Além das alucinações que levam à violência, à depressão, à destruição de outras vidas e tudo quanto é caro, precioso, com resultados funestos;
As drogas, que escravizam, iniciando-se as dependências nas primeiras tentativas que parecem proporcionar o prazer, estimulando a alegria, a coragem, a realização, vitórias fugidias sobre os fortes conflitos psicológicos,
Logo se convertendo em desgraças, às vezes, irremediáveis...
O engano de considerar-se invencível, superior, provando o desconhecimento da fragilidade e da impermanência do conjunto que o constitui, especialmente de seu corpo, faculta, ao ser, prazer mentiroso,
Que o desperta sob grande sofrimento.
Ninguém escapa às conjunturas que constituem a vida.
Programada de forma a educar e fortalecer, seus aprendizes não podem burlar indefinidamente.
Enfrentar as vicissitudes e superar os valores indicativos de prosperidade, de prazer injustificável, eis como poupar-se ao sofrimento.
É certo que um número significativo de prazeres se apresenta, sem riscos de converter-se em fator afligente.
O sofrimento, portanto, quando se tem dele consciência, é facilmente evitável.
O sofrimento resultante do condicionamento abarca a educação incorreta, a convivência social pouco saudável, que propiciam agregados físicos e mentais contaminados.
A escala de valores, para muitos indivíduos, apresenta-se invertida, tendo por base o imediato, o arriscado, o vulgar e o promíscuo, o poder transitório, a força, como revelantes para a vida.
Os seus agregados, sob altas cargas de contaminação, produzem sofrimentos de largo porte.
Ao mesmo tempo, a contaminação psíquica e física, derivadas dos condicionamentos doentios dos grupos sociais e dos indivíduos, promove sofrimentos que poderiam ser evitados.
A irradiação mórbida de uma pessoa enviando à outra energia negativa, termina por contaminá-la, caso esta não possua fatores defensivos, reagentes, que procedam da sua conduta mental e moral edificante.
O homem vive na Terra soba a ação de medos:
Da doença, da pobreza, da solidão, do desamor, do insucesso, da morte.
Essa conduta é resultado de seu despreparo para os fenômenos normais da existência, que deve encarar como processo da evolução.
Herdeiro da própria consciência, é também legatário dos atavismos sociais, dos hábitos enfermos, entre os quais se destacam esses pavores que resultam das superstições, desinformações e ilusões ancestrais,
Formando os condicionamentos perturbadores.
Absorvendo e impregnando-se desses fatores negativos, os sofrimentos apresentam-se-lhe inevitáveis, produzindo distúrbios psicológicos, mentais e físicos por somatização automática.
A educação calcada nos valores éticos-morais, não-castradora, que estimule a consciência do dever e da responsabilidade do indivíduo para com ele próprio, para com o seu próximo e para com a vida,
Equipa-o de saúde emocional e valor espiritual para o trânsito equilibrado pela existência física.
Esse conhecimento prepara-o para que saiba selecionar o que lhe é útil e saudável, ajudando-o no crescimento interior para a sua realização pessoal.
Enquanto este discernimento não se transformar em força canalizadora para o seu bem,
O indivíduo experimentará o sofrimento resultante do condicionamento, que lhe advém dos agregados físicos e mentais contaminados.

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“Os sofrimentos devidos a causas anteriores à existência presente, como os que se originam de culpas atuais,
São muitas vezes a consequência da falta cometida, isto é, o homem, pela ação de uma rigorosa justiça distributiva, sofre o que fez sofrer aos outros”
(O evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, 52ª edição, FEB, Cap.V, item 7.)

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Título: Re: Série Psicológica - Joanna de Ângelis
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 02 de Abril de 2020, 21:41
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III – Origens do Sofrimento

Ainda segundo o budismo, as origens do sofrimento se apresentam por meio de condições internas e extras, resultando daí outras duas ordens:
As cármicas e as emoções perturbadoras.
Indubitavelmente, conforme acentua a doutrina Espírita, o homem é a síntese das suas próprias experiências, autor do seu destino, que ele elabora mediante os impositivos do determinismo e do livre-arbítrio.
Esse determinismo – inevitável apenas em alguns aspectos:
Nascimento: morte, reencarnação – estabelece as linhas matrizes da existência corporal, propelindo o ser na direção da sua fatalidade última:
A perfeição relativa.
Os fatores que programam as condições do renascimento do corpo físico são o resultado dos atos e pensamentos das existências anteriores.
Ser feliz quanto antes ou desventurado por largo tempo depende do livre-arbítrio pessoal.
A opção por como e quando agir libera o Espírito do sofrimento ou agrilho-a nas suas tenazes.
A vida são os acontecimentos de cada instante a se encadearem incessantemente.
Uma ação provoca uma correspondente reação, geradora de novas ações, e assim sucessivamente.
Desse modo, o indivíduo é o resultado das suas atividades anteriores.
Nem sempre, porém, se lhe apresentam esses efeitos imediatamente, embora isso não o libere dos atos praticados.
É possível que uma experiência fracassada ou danosa, funesta ou prejudicial se manifeste a outras pessoas como ao seu autor por meio dos resultados, após a próxima ou passadas algumas reencarnações.
Esses resultados, no entanto, chegarão de imediato ou em mais tardio tempo.
O certo é que virão em busca da reparação indispensável.
Da mesma forma, as construções do bem se refletirão no comportamento posterior do indivíduo, sem que, necessariamente, tenham caráter instantâneo.
O fator tempo, na sua relatividade, é de somenos importância.
Portanto, os sofrimentos humanos de natureza cármica podem apresentar-se sob dois aspectos que se complementam:
Provação e expiação.
Ambos objetivam educar e reeducar, predispondo as criaturas ao inevitável crescimento íntimo, na busca da plenitude que as aguarda.
A provação é a experiência requerida ou proposta pelos Guias espirituais antes do renascimento corporal do candidato, examinadas as suas fichas de evolução, avaliadas as suas probabilidades de vitória e os recursos ao seu alcance para o cometimento.
Apresenta-se como tendências, aptidões, limites e possibilidades sob controle, dores suportáveis e alegrias sem exagero, que facultem a mais ampla colheita de resultados educativos.
Nada é imposto, podendo ser alterado o calendário das ocorrências, sem qualquer prejuízo para a programação iluminativa do aprendiz.
No mapa dos compromissos, não figuram as injunções mais aflitivas nem as conjunturas traumatizantes irreversíveis.
As opções de como agir multiplicavam-se favoravelmente, de forma que, havendo arestas a aplainar, esse trabalho não impõe uma ação imediata pelo sofrimento.
A ação do amor brinda o ser com excelentes ensanchas de alterar para melhor o seu desempenho e as suas atividades,
Constituindo-lhe suportáveis provas o malogro de alguma aspiração, o desafio ante algumas metas que lhe parecem inalcançáveis, as dores dos processos de desgaste orgânico e mental,
Sem as quedas profundas nos calabouços das paralisias, das alienações, das doenças irrecuperáveis.
Se tal suceder, ainda poderemos catalogar como escolha pessoal, por acreditar o candidato ser esse o meio mais eficaz para a sua felicidade próxima, liberando-se da canga rude da inferioridade moral.
Poder-se-á identificar essa providencial escolha, na resignação e coragem demonstradas pelo educando e até mesmo na sua alegria diante das ocorrências dolorosas.
As provações se manifestam, dessa forma, de maneira suave, lenificadora no seu conteúdo e abençoada nas suas finalidades.
Sem o caráter punitivo, educam de forma consciente, incitando ao aproveitamento da ocasião em forma eficiente e mais lucrativa,
Com o que equipam aqueles que as experimentam, para que se convertam em exemplos, apóstolos do amor, do sofrimento, missionários do bem, mártires dos ideais que esposam, mesmo que no anonimato dos testemunhos,
Sempre se tornando modelos dignos de ser imitados por outras pessoas.
As provações mudam de curso, suavizando-se ou agravando-se conforme o desempenho do Espírito.
A eleição de certas injunções mais difíceis no processo evolutivo representa um ato de sabedoria, tendo-se em vista a rapidez da existência corporal e os benefícios auferidos que são de duração ilimitada.
Considerando-se a vida sob o ponto de vista causal, das suas origens eternas, as ocorrências na esfera física são de breve duração, não se alongando mais do que um curto período que, ultrapassado, deixa as marcas demoradas de como foram vivenciadas.
Valem, portanto, quaisquer empenhos, os sacrifícios, as provas e testes que recompõem os tecidos dilacerados da alma, advindos das anteriores atitudes insensatas.
Toda aprendizagem propõe esforço para ser assimilada e toda ascensão exige o contributo da persistência, da força e do valor moral.
Os compromissos negativos, pois, ressurgem no esquema da reencarnação como provações lenificadoras,
Título: Re: Série Psicológica - Joanna de Ângelis
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 02 de Abril de 2020, 21:43
Que o amor suaviza e o trabalho edificante consola.
As expiações, todavia, são impostas, irrecusáveis, por constituírem a medicação eficaz, a cirurgia corretiva para o mal que se agravou.
Semelhante ao que sucede na área civil, o delinquente primário tem crédito que lhe suaviza a pena e, mesmo ante os gravames pesados, logra certa liberdade de movimento sem a ter totalmente cerceada.
O reincidente é convidado à multa e prisão domiciliar, conforme o caso, no entanto, aquele que não se corrige é conduzido ao regime carcerário e, diante de leis mais bárbaras, à morte infamante.
Guardadas as proporções, nos primeiros casos, o infrator espiritual é conduzido a provações, enquanto que, na última hipótese, à expiação rigorosa.
Porque o amor de Deus vige em todas as Suas leis, mais justas do que as dos homens,
Seja qual for o crime, elas objetivam reeducar e conquistar o revel,
Não o matando, isto é, não o extinguindo.
Jamais intentam vingar-se do alucinado, antes buscam recuperá-lo, porque todos são passíveis de reabilitação.
O encarceramento nas paresias, limitações orgânicas e mentais, as paralisias, as patologias congênitas sem possibilidade de reequilíbrio, certos tipos de loucura, de cânceres, de enfermidades degenerativas
Se transformam em recurso expiatório para o infrator reincidente que, no educandário das provações, mais agravou a própria situação, derrapando para os abismos da rebeldia e da alucinação propositais.
Entre esses, suicidas premeditados, homicidas frios, adúlteros contumazes, exploradores de vidas, vendedores de prazeres viciosos, tais como as drogas alucinógenas, o sexo, o álcool, os jogos de azar, a chantagem e muitos artigos da crueldade humana catalogados nos Estatutos Divinos.
Cada ser vive com a consciência que estrutura.
De acordo com os seus códigos, impressos em profundidade na consciência, recolhe as ressonâncias como experiências reparadoras ou propiciatórias de libertação.
Há, em nome do amor, casos de aparentes expiações – seres mutilados, surdos-mudos, cegos e paralisados, hansenianos e aidéticos, - entre outros,
Que escolheram essas situações para lecionarem coragem e conforto moral aos enfraquecidos na luta e desolados na redenção.
Jesus, que nunca agiu incorretamente, é o exemplo máximo.
Logo após, Francisco de Assis, que elegeu a pobreza e a dor para ascender mais, não expurgava débitos, antes demonstrava-lhes a grandiosidade dos benefícios.
Hellen Keller, Steinmetz e muitos outros heróis de ontem como de hoje são lições vivas do amor em forma de abnegação,
Convidando à felicidade e ao bem.
As expiações podem ser atenuadas, não, porém, sanadas.
Enquanto as provações constituem forma de sofrimento reparador que promove, as expiações apenas restauram o equilíbrio perdido, reconduzindo o delituoso à situação em que se encontrava antes da queda brutal.
Transitam, ainda, na Terra, portadores de expiações que não trazem aparência exterior.
São os seres que estertoram em conflitos cruéis, instáveis e insatisfeitos, infelizes e arredios, carregando dramas íntimos que os estiolam, afligindo-os sem cessar.
Podem apresentar aparência agradável e conquistar simpatia, sem que se liberem dos estados interiores mortificantes.
A consciência não perdoa, no que concerne a deixar no alvido o crime perpetrado.
O seu perdão se expressa mediante a reabilitação do infrator.
As origens do sofrimento estão sempre, portanto, naquele que o padece, no recôndito do seu ser, nos painéis profundos da sua consciência.
Ao lado das origens cármicas do sofrimento, surgem as causas atuais, quando o homem o busca mediante a irresponsabilidade, a precipitação, a prevalência do egoísmo que o incita à escolha do melhor para sim em detrimento do seu próximo.
Essa atitude se revela em forma de emoções perturbadoras, que o aturdem na área das aspirações e se condensam em formas de aflição.
As emoções perturbadoras galvanizam o homem contemporâneo, mais do que o de ontem, em razão dos conflitos psicossociais, socioeconômicos, tecnológicos e outros...
Os impulsos e lutas que induzem o indivíduo à perda da individualidade, escravizando-o aos padrões de conveniência vigente, são relevantes como desencadeadores do sofrimento.
Também a perda do senso de humor torna a criatura carrancuda e artificial, gerando emoções perturbadoras.
A ausência da liberdade pelas constrições de toda ordem igualmente proporciona sofrimento.
Esses fenômenos psicológicos, no campo do comportamento, propiciam emoções afligentes tais como:
O desejo, o ofuscamento, o ódio, a frustração.
Porque não se sabe distinguir entre o essencial e o supérfluo, o que convém e aquilo que não é lícito conseguir,
O homem extrapola nas aspirações e atormenta-se pelo desejo malconduzido, ambicionando além das possibilidades e transferindo-se de uma para outra forma de amargura.
O desejo é um corcel desenfreado que produz danos e termina por ferir-se, na sua correria insana.
A primeira demonstração de lucidez e equilíbrio da criatura é a satisfação ante tudo quanto a vida lhe concede.
Não se trata de uma atitude conformista, sem a ambição racional de progredir,
Mas, sim, de uma aceitação consciente dos valores e recursos que lhe chegam, facultando-lhe harmonia interior e bem-estar na área dos relacionamentos, no grupo social no qual se situa.
Toda vez que o desejo exorbita, gera sofrimento, em razão de tornar-se uma emoção perturbadora forte,
Que desarticula as delicadas engrenagens do equilíbrio.
Narra-se que a infelizmente célebre Messalina, após uma larga noite de desejos e orgia, foi interrogada por Cláudio, ao amanhecer, igualmente aturdido:
- “Estás satisfeita?”
Ao que ela teria redarguido:
“Não; cansada!” Febre voraz, o desejo faz arder as energias, aniquilando-as.
Sempre se transfere de uma para outra área, por conduzir o combustível da insatisfação.
Males incontáveis se derivam da sua canalização equivocada, em face das suas nascentes no egoísmo, este câncer do Espírito, responsável por danos contínuos no processo da evolução do ser.
Título: Re: Série Psicológica - Joanna de Ângelis
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 02 de Abril de 2020, 21:43
Mesmo na realização edificante, o desejo tem que ser conduzido com equilíbrio, a fim de não impor necessidades que não correspondem à realidade.
O ideal do bem, o esforço por consegui-lo expressam-se de forma saudável quão gratificante, tornando-se estímulo para o desenvolvimento constante dos germes que dormem na criatura, aguardando a eclosão dos fatores que lhes são propiciatórios.
Como efeito do desejo, o ofuscamento, que decorre da presunção e do orgulho, é causa de sofrimentos, em razão do emaranhado de raízes na personalidade do homem ambicioso e deslumbrado,
Como Narciso ante a própria imagem refletida no lago.
As ilusões da prosperidade econômica e social, cultural e política induzem o insensato ao ofuscamento,
Por permitirem-lhe acreditar-se superior aos demais, inacessível ao próximo, colocando barreiras no relacionamento com as outras pessoas que lhe pareçam de menor status,
Qual se estas lhe ameaçassem a situação de destaque.
Ignoram os fenômenos biológicos inevitáveis da enfermidade, velhice e morte, ou anestesiam a consciência para não pensarem nas ocorrências do insucesso, da mudança de situação, das surpresas do cotidiano.
Todos esses fatores são motivos de sofrimento,
Quando se pretende manter a posição de relevo, quando se teme perdê-la e quando isso acontece.
O ofuscamento desgoverna inumeráveis existências que se permitem as fantasias do trânsito orgânico,
Sem a claridade que discerne entre as reais e as falaciosas metas da vida.
Na mesma trilha, ressalta o domínio do ódio nas passagens dos sofrimentos humanos.
As suas irradiações destrutivas comburem as energias de quem o sustenta, enquanto, muitas vezes, atingem aqueles contra quem se dirigem,
Caso permaneçam distraídos dos deveres relevantes ou em faixas mentais equivalentes.
Loucura do amor não atendido, o ódio revela a presença predominante dos instintos agressivos vigentes,
Suplantando os sentimentos que devem governar a vida.
Jamais havendo motivo que lhe justifique a existência, o ódio é responsável pelas mais torpes calamidades sociais e humanas de que se tem conhecimento.
Quando se instala com facilidade, expande as suas raízes como tenazes vigorosas, que estrangulam a razão, transformando-se em agressividade e violência, em constante manifestação.
Em determinados temperamentos, é qual uma chispa insignificante em um monte de feno, produzindo um incêndio devorador.
Por motivo de somenos importância, explode e danifica em derredor.
O ódio é causador de muitos sofrimentos.
Todo o empenho deve ser enviado para desarticulá-lo onde se apresente e instale; sem esse trabalho, ele se irradia e infelicita.
Pestilencial, ele contamina com facilidade, travestindo-se de irritação, ansiedade, revolta e outros danosos mecanismos psicológicos reagentes.
A frustração, por sua vez, responde por sofrimentos que seriam evitáveis, não fossem as exageradas esperanças do homem, as suas confusas ideias de automerecimento, que lhe infundem crenças falsas nas possibilidades que não lhe estão ao alcance.
Porque se supõe credor de títulos que não possui, a criatura se frustra, entregando-se a reações inesperadas de depressão ou cólera, fugindo da vida ou atirando-se, rebelde, contra ela e os seus valores.
Quando o homem adquire a medida do pouco ou quase nenhum merecimento pessoal, equipa-se de harmonia e fé, de coragem e paz para enfrentar as vicissitudes e superá-las, nunca se permitindo malograr nos empreendimentos.
Se esses não oferecem os resultados desejados, como é natural, insiste, persevera, até a constatação de que outro deve ser o campo de atividade a desenvolver
Ou até receber a resposta favorável do trabalho envidado.
O amor é o antídoto para todas as causas do sofrimento, por proceder do Divino Psiquismo, que gera e sustenta a vida em todas as suas expressões.
Luarizado pelo amor, o homem discerne, aspira, age e entrega-se em confiança, irradiando energia vitalizadora, graças a qual se renova sempre e altera para melhor a paisagem por onde se movimenta.
O amor é sempre o conselheiro sábio em qualquer circunstância, orientando com eficiência e produzindo resultados salutares, que propelem ao progresso e à felicidade.
Na raiz de qualquer tipo de sofrimento sempre será encontrado como seu autor o próprio Espírito, que se conduziu erroneamente, trocando o mecanismo do amor pela dor, no processo da sua evolução.
A fim de apressar a recuperação, eis que se inverte a ordem dos acontecimentos, sendo a dor o meio de levá-lo de volta ao amor, por cuja trilha se faz pleno.

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“O homem tem de lutar com o problema do sofrimento.
O oriental que livrar-se do sofrimento, expulsando-o ;
O ocidental procura suprimi-lo com remédios.
Mas o sofrimento precisa ser superado,
E o único meio de superá-lo é suportando-o.
Aprendemos isso somente com Ele (o Cristo Crucificado).”
Carl Gustav Jung (Letters) Princeton Princeton University Press, 1973-vol.I, p.236.

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Série Psicológica Joanna de Ângelis
Médium: Divaldo Pereira Franco
PLENITUDE
Título: Re: Série Psicológica - Joanna de Ângelis
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 02 de Abril de 2020, 21:44
Série Psicológica Joanna de Ângelis
Livro: Plenitude

IV – Cessação do Sofrimentos

Na condição de enfermidade, o sofrimento, para ser curado, encontra diversos meios eficazes.
Alguns o atenuam, outros são inócuos, e raros se apresentam como de eficiência incontestável.
A cura real, porém, somente se concretizará se a terapia extirpa-lhe as causas.
Enquanto não se extingam as suas fontes geradoras, ele se manifestará inevitavelmente.
Desde que o mau uso da razão o origina, é indispensável agir no fulcro do seu desencadeamento, de modo a fazer cessar a energia que o aciona e vitaliza.
Nos reinos irracionais, nos quais o sofrimento resulta do fenômeno evolutivo através do desgaste natural das formas por desestruturação das moléculas e células, o concurso do amor humano atenua-lhe a intensidade, alterando o campo e proporcionando lenitivo de equilíbrio ou saúde.
O homem, que pensa, é responsável pela preservação da vida, que se manifesta em outros matizes e faz parte do conjunto que lhe sustenta a existência, possibilitando a evolução de todos os seres e princípios vitais.
Desse modo, os atentados e a desconsideração à ecologia se refletem na vida humana, qual ocorre com sua preservação e cuidados.
São as ações respondendo pelos seus efeitos.
A fim de que se possa fazer cessar o sofrimento, torna-se imprescindível a aquisição de uma consciência responsável, capaz de remontar-lhe às origens, analisá-las e trabalhá-las com direcionamento adredemente planejado.
A educação do pensamento, a disciplina dos hábitos e a segurança das metas são os recursos hábeis para o logro, sem os quais as terapias e técnicas se tornam paliativas, sem resultarem solucionadoras.
Em alguns casos o sofrimento, em si mesmo, ainda é a melhor terapia para o progresso humano.
Enquanto sofre, o homem menos se compromete, demorando-se em reflexão, de onde partem as operações de reequilíbrio.
É comum a mudança de comportamento para pior, comprometimento parece assaltar o indivíduo imaturo, que parte para futuras situações penosas, complicando os parcos recursos de que dispõe.
Desse modo, a duração do sofrimento muito contribui para uma correta avaliação dos atos a que ele se deve entregar.
Porque se origina no primitivismo pessoal, pensamentos e ações reprocháveis induzem-no a uma existência infeliz, da qual se liberta somente quando se resolve por escalar a montanha do esforço direcionado para a evolução, a serenidade, a harmonia, trabalhando os metais grosseiros da individualidade e moldando-os no calor do sacrifício.
Sem esse, não há elevação moral, nem compreensão das finalidades da existência terrena.
Insculpidas na consciência, as Divinas Leis propelem a realização do bem que jaz em germe.
A demora pela definição é resultado de um período normal para o amadurecimento que faculta eleger o que deve, daquilo que não convém realizar.
A cura de uma enfermidade impõem a extinção das suas causas.
Alguém que haja sido mordido ou picado por uma áspide ou um inseto venenoso deve, de início, bloquear, mediante garrote, a expansão do tóxico, para combatê-lo depois.
Diante de uma pessoa que foi atingida por uma seta envenenada, recomenda antiga sabedoria hindu, arranca-se-lhe a flecha primeiro, para depois tornar-se outra providência qualquer.
As setas morais venenosas, cravadas no cerne da alma, enquanto não sejam retiradas, continuam resistindo aos antídotos aplicados nos seus danos, por prosseguirem contaminando suas vítimas.
Educar a mente, disciplinando a vontade, constitui o passo inicial para extirpar as causas das aflições, infundindo responsabilidades atuais, geradoras, por sua vez, de novos resultados saudáveis, para propiciarem o futuro bem-estar a que se está fadado.
A recomendação de Jesus sobre o amor é de eficácia incontestável, por ser, esse sentimento, gerador de valores responsáveis pela felicidade humana.
O amor dulcifica o ser e incita-o às atitudes edificantes da vida.
Mediante a sua vigência, pensa-se antes de tornar-se decisões, considerando-se quais as que são mais compatíveis coma ética e os anseios do próprio coração.
Jamais desejando para o seu próximo o que não gostaria de experimentar, assumem-se compromissos de prosperidade, sem prejuízo de natureza alguma para si ou para os outros.
A própria lucidez gerada pelo amor induz ao perdão indiscriminado para todas as pessoas, por consequência, para si mesmo.
O ouvido do mal, com abandono do propósitos de vingança, é inadiável para alguém liberar-se de expressiva soma de sofrimentos.
As ideias deprimentes, acalentadas como resultados do ressentimento ou do desejo de retribuição malévola, geram enfermidades que dilaceram os tecidos orgânicos e desconcertam os equipamentos emocionais.
Enquanto vigem, demoram-se os sofrimentos dominadores.
Por sua vez, o remorso e o arrependimento das ações infelizes, a tristeza e os desgostos delas derivados constituem fatores mentais dissolventes que se instalam nas engrenagens da alma, provocando distúrbios psicológicos, físicos e morais de demorado curso.
O perdão para as faltas alheias luariza a paisagem íntima, clareando as sombras da angústia insistente que bloqueia a alegria de viver, produzindo sofrimentos injustificáveis.
Cerrada a porta de uma afeição, agredido por um amigo ou desconhecido, deve-se sempre seguir adiante no rumo das outras, das inúmeras portas abertas que nos aguardam, e da compreensão fraternal para o revel, considerando-o um enfermo ignorante do mal que o consome.
A vida são as incessantes oportunidades que surgem pela frente, jamais os insucessos que ocorreram no passado.
Assim, libertar-se do acontecimento negativo, qual madeira podre que se arremessa nas águas do rio do esquecimento, é atitude de saudável sabedoria.
Tal comportamento credencia o homem a ser perdoado pelo seu irmão, que o libera do pagamento dos seus momentos infelizes, não irradiando contra ele pensamentos destrutivos – ideias anestesiantes – que sempre são assimilados pelo fenômeno da sintonia mediante a consciência de culpa.
Quando alguém se liberta do lixo mental, acumulado pela ignorância e tal futilidade, começa o seu restabelecimento espiritual, e toda uma atividade nova se lhe apresenta favorável, abrindo-lhe espaço para a saúde.
Nesse grupo de tentames edificantes está o autoperdão.
Considerando a própria fragilidade, o indivíduo deve conceder-se a oportunidade de reparar os males praticados, reabilitando-se perante si mesmo e perante aqueles a quem haja prejudicado.
A perfeita consciência do autoperdão não se apóia em mecanismos de falsa tolerância para com os próprios erros, que seria negligência moral, conivência e imaturidade, antes representa uma clara identificação de crescimento mental e moral, que propicia direcionamento correto dos atos para a saúde pessoal e geral.
O arrependimento, puro e simples, se não acompanhado da ação reparadora, é tão inócuo e prejudicial quanto a falta dele.
Assim, o complexo de culpa é igualmente danoso, porque não soluciona o mal praticado, sendo, ademais, responsável pelo agravamento dos seus maus resultados.
O autoperdão compreende a posição mental a respeito do erro e a satisfação íntima ante a possibilidade de interromper o curso dos males causados, como arrancar-lhes as raízes encravadas em quem lhes padece a constrição.
Será possível lograr o cometimento por meio de uma análise meticulosa dos fatores que levaram à ação reprochável, examinando outras alternativas que não foram utilizadas e que não teriam produzidos efeitos negativos, para depois predispor-se à oportuna reconsideração da atitude, liberando-se da desconfortável injunção de culpa conflituosa.
Se, ante a resolução de auto-renovação, não se encontra a receptividade por parte da vítima, não constitua, esta recusa, um novo motivo para atrito, senão estímulo para continuar-se com o propósito salutar, revestindo-se de mais paciência e tolerância, a fim de enfrentar-se a reação do outro, igualmente enfermo e sem disposição, por enquanto, para liberar-se do mal que o entorpece.
O autoperdão ajuda o amadurecimento moral, porque propicia clara visão da responsabilidade, levando o indivíduo a cuidadosas reflexões antes de tomar atitudes agressivas ou negligentes, precipitadas ou contraditórias no futuro.
Quando alguém se perdoa, aprende também a desculpar, oferecendo a mesma oportunidade ao seu próximo.
O bem-estar que experimenta faculta-lhe a alegria de propiciá-lo ao outro, o ofendido, gerando uma aura de simpatia a sua volta, que se converte em clima de libertação do sofrimento.
A cessação real do sofrimento, portanto, dá-se quando, erradicadas as suas causas, desaparecem-lhe os naturais fenômenos das consequências.

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“Qual o objetivo da encarnação dos Espíritos?”
Deus lhes impõe a encarnação com o fim de fazê-los chegar à perfeição.
Para uns, é expiação; para outros, missão.
Mas, para alcançarem essa perfeição, têm de sofrer todas as vicissitudes da existência corporal:
Nisso é que está a expiação.
Visa ainda a outro fim a encarnação: o de pôr o Espírito em condições de suportar a parte que lhe toca na obra da criação.
Para executá-la é que, em cada mundo, toma o Espírito um instrumento de harmonia com a matéria essencial desse mundo, a fim de aí cumprir, daquele ponto de vista, as ordens de Deus.
É assim que, concorrendo para a obra geral, ele próprio se adianta.”
(O Livro dos Espíritos, A. Kardec. 29ª edição, FEB)

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Série Psicológica Joanna de Ângelis
Médium: Divaldo Pereira Franco
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Título: Re: Série Psicológica - Joanna de Ângelis
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 11 de Abril de 2020, 14:11
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Livro: Plenitude

V – Caminhos para a Cessação do Sofrimento

Considerar-se que os sofrimentos são causados pelos desconcertos do Espírito, que desarmonizam o fluxo da energia, permitindo a instalação das enfermidades físicas, mentais e morais,
A forma eficaz para que cessem deve atingir o seu fulcro gerador, graças a cujo comportamento será interrompida a onda perturbadora.
Na mente lúcida surgirá então a tranquilidade, encarregada de produzir a saúde, que se irradiará por todo o organismo, produzindo o equilíbrio.
Assim, os caminhos constituirão o seu remédio eficiente.
Enquanto não houver uma consciência de saúde real, o ser transitará de um para outro sofrimento.
Há pessoas que, embora sem conhecimento das regras que promovem a harmonia íntima, gozam de saúde, apresentando-se bem dispostas e fortes.
São esses, no entanto, fenômenos automáticos do organismo, que se contaminará ou não durante a existência, de acordo com a conduta moral e mental que se lhe imprima, permanecendo ou não saudáveis.
A antiga sabedoria budista estabeleceu um sistema de meditação, pelo qual a saúde se instala e o sofrimento desaparece.
Jesus, portador de equilíbrio pleno, considerava o amor como a causa única para a realização ideal do ser.
A multidão ou ausência do amor a Deus, ao próximo ou a si mesmo, produz a insatisfação, o desajuste, o desequilíbrio da energia, tornando-se fator causal de doenças, de sofrimentos.
O desamor é, em realidade, uma doença, cuja manifestação se dá de imediato ou posteriormente, assinalando o ser com processos degenerativos da personalidade, que instalam no organismo os vírus e bacilos agressivos.
A somatização dos problemas emocionais que decorrem da insegurança e do medo, da mágoa e do ódio, do rancor e do ciúme é responsável por graves patologias orgânicas,
Assim como as diversas enfermidades físicas, produzindo distonias emocionais e perturbações psíquicas lamentáveis.
Quando o amor, conforme o conceito de Jesus, assenhoreia-se do ser humano, vitaliza-o e irradia paz, gerando uma psicosfera rica de vibrações de equilíbrio,
Graças as quais a saúde se exterioriza de forma positiva, inundando a vida de esperança, de altruísmo e de realizações edificantes.
O indivíduo saudável em espírito faz-se elemento útil no concerto geral, tornando-se peça indispensável ao conjunto social, que progride com os seus esforços em contributos grandiosos, dignificadores.
O recolhimento interior, mediante análise profunda os recursos ao alcance, favorece o homem para que encontre os meios que fazem cessar o sofrimento.
Partindo de uma outra etapa lógica, ele avança na harmonização interior, à energia que preserva a saúde um curso sem bloqueio,
Portanto, uma irradiação em todos os sentidos, intercambiando com a vibração divina, razão essencial da vida.
Inicialmente, deve o homem reconhecer todos os seres como se fossem a manifestação dos seus próprios pais, que lhe facultaram a vida física,
Especialmente a mãe, pelos sacrifícios que se impôs durante a gestação, o parto e a alimentação preservadora da vida, nascida nas suas entranhas.
Mesmo quando esta não haja sabido cumprir com os deveres livremente assumidos e aceitos, o fato de haver permitido que a vida se manifestasse, concede-lhe crédito para ser exemplo a ser considerado.
Transferir para todos os seres vivos a imagem materna, certamente sem a visão psicanalítica dos tormentos da libido,
Porém com sentimentos de respeito e de ternura, constitui o primeiro passo para uma auto-realização pessoal, para o equilíbrio da emoção,
Liberando-se interiormente de quaisquer reminiscências amargas ou perturbadoras, que são matrizes ocultas de muitos distúrbios comportamentais geradores de sofrimentos.
O homem renasce para ser livre, a fim de poder crescer e alcançar o seu fanal maior, que é a realização plena.
Toda amarra emocional negativa, com a retaguarda do seu processo de evolução, torna-se-lhe uma carga constritora, responsável por inúmeros problemas afligentes.
A imagem da mãe, de alguma forma respondendo por muitos conflitos, é também criadora de saudáveis estímulos.
Seus sacrifícios e dedicação, as horas infindáveis de vigília e de renúncia de si mesma em favor da prole,
As melodias que cantou nos ouvidos dos recém-nascidos e todas as promessas que se foram tornando realidade merecerem ser levadas em conta, repensadas e transferidas para todo ser senciente.
Diante de agressões ou submetido a dificuldades pelo seu próximo, irritado ou cínico, perverso ou escravocrata, enfermo em qualquer hipótese, deve-se considerá-lo como se fosse a mãe em um instante de fraqueza ou cansaço, carente de carinho e amizade.
Ao invés da reação também agressiva, do repúdio ou indiferença vingadora, a paciência generosa, a oportunidade para reflexão, a desculpa sincera, nenhum ressentimento, nem amargura.
Esse comportamento libera-o do azedume, do ódio e do rancor, responsáveis por enfermidades que se infiltram com facilidade e que são difíceis de ser erradicadas.
Num prolongamento da afetividade, a consideração pela mãe-Natureza ressalta como de importância fundamental para o equilíbrio ecológico, por consequência, de todos quantos contribuem para a sua harmonia.
Ver, portanto, em todos os seres vivos a projeção materna positiva, agradável, proporciona forças para a preservação ou restauração da saúde, para a liberação dos sofrimentos e do bem-estar, que são condições essenciais para a felicidade.
De imediato, após a reflexão-vivência desse postulado, descobrir a bondade que dorme em todos os seres e necessita ser despertada, estimulada, a fim de que frondeje, enflorescendo e produzindo frutos bons.
Além e acima das nuvens sombrias há espaços transparentes infinitos, que os limites das borrascas não alcançam.
No interior do diamante bruto, escuro e informe, fulgura uma estrela que aguarda ser arrancada a golpes de cinzel e lâminas lapidadoras.
Não há ninguém que não possua bondade interior.
Há, nos refolhos da alma, a presença de Deus como luz coagulada, aguardando os estímulos de fora a fim de brilhar com alta potência.
Pessoas agressivas, que se comprazem em atormentar, produzindo sofrimentos, são portadoras de muitas dores íntimas, que buscam disfarças sob a máscara da violência, da falsa superioridade, da alucinação.
Mesmo os animais selvagens, sob a máscara da violência, da falsa superioridade, da alucinação.
Mesmo os animais selvagens, sob domesticação, tornam-se amigos, e recebendo a vibração do amor alteram a constituição do instinto agressivo, mudando de comportamento, o que atesta a presença do psiquismo divino em germe, em tudo e todos.
Trata-se de uma conquista de sabedoria poder penetrar na bondade latente dos seres, buscando sintonizar com esse estado de vida, ao invés de vincular-se apenas às manifestações exteriores, às suas reações defensivas-agressivas, que são portadoras de vibrações morbíficas, portanto, desencadeadoras de muitos males que respondem pelos sofrimentos.
Da experiência de identificar a bondade nos seres em geral vem a extraordinária conquista de descobrir a presença de Deus em toda parte, em todas as criaturas, estabelecendo vínculos emocionais de intercâmbio se torne lúcido é empreendimento válido que faculta o progresso dos homens, desenvolvendo aptidões mais eloquentes e expressivas.
A vida é um permanente desafio, rica de oportunidades de crescimento e penetração nos seus profundos arcanos, que se revelam cada vez mais fascinantes e grandiosos.
Por isso, não cessa o desenvolvimento dos valores intelecto-morais do Espírito na sua faina de evoluir.
A dor e o sofrimento em geral são estágios mais primitivos do processo de desenvolvimento que, mediante as sensações e emoções afligentes, propelem, o ser para outros planos, patamares mais elevados, nos quais os estímulos se apresentam de maneira diversa, mais nobremente convidativos.
Título: Re: Série Psicológica - Joanna de Ângelis
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 11 de Abril de 2020, 14:12
Em tudo e em todos jazendo a presença de Deus, é necessário saber descobrir neles a bondade que se expressa a sua essência, a sua origem, igualmente presente em todas as vidas.
Nesse estágio, cumpre acentuar o desejo de retribuir essa bondade, essa presença divina.
A harmonia universal resulta da diversidade de formas, de expressões, de apresentações, em sutis processos de sintonia, de similaridade.
Da mesma forma, ao ser identificado qualquer valor relevante, especialmente a bondade em pessoas e animais, nos elevados objetivos da vida vegetal, é preciso planejar retribuir esse sentimento.
Partindo da intenção, deixar crescer o desejo de devolver, por natural fenômeno da retribuição, a bondade, já então mais desenvolvida no seu mundo interior.
Do pensamento à palavra, à ação, passo a passo se agiganta a intenção que se converte em realidade criadora, retributiva, desenvolvendo recursos de alta magnitude em derredor.
Essa movimentação de energia positiva é saudável esforço para evitar-se o sofrimento ou dele liberar-se.
A bondade é um pequeno esforço do dever de retribuir com alegria todas as dádivas que o homem frui, sem dar-se conta, sem nenhum esforço, por automatismo – como o sol, a lua e as estrelas, o firmamento, o ar, as paisagens, a água, os vegetais, os animais – e que, inadvertidamente, o homem vem consumindo, poluindo com alucinação, matando com impiedade...
A vida cobra aos seus agressores o preço da interferência negativa na sua ordem e estrutura.
Assim, devolver-lhe a bondade é respeitar-lhe os códigos da existência, da sobrevivência, fomentando-lhe o aumento, a continuidade, a própria vida, onde quer que ela se expresse.
Essa bondade que se pode denominar como deve retributivo, abre espaço ao hábito para outras formas de manifestá-la.
Os sentimentos nobres que não são estimulados à ação por largo período embotam-se, debilitam-se, quase desaparecem.
Desse modo, a bondade cresce por meio do exercício, tornando-se um hábito de vida ou desaparecendo por falta de ação.
Optar por agir ou não com bondade é atitude da mente e produzir o bem é do coração.
Há em todo os seres o instinto de conservação da vida e uma natural inclinação par o bem, em razão de serem herdeiros de Deus em aprendizagem, na forma da utilização dos recursos à sua disposição.
A escolha do rumo a seguir depende do interesse imediato de resultados ou da lúcida preferência de frutos posteriores duradouros, mediante a renúncia do momento.
A ascese longa e, às vezes, difícil, será lograda fatalmente, em face da destinação assinalada para todos os seres.
Torná-la iluminada e agradável deve ser a opção de todos quantos pensam e anelam por fazer cessarem os próprios sofrimentos.
O exercício da bondade faculta campo para a vigência do amor, cuja conquista plena coroa a vida, libertando- de todas as algemas que a retêm.
O amor é a vibração do Pai expandindo-se na direção do filho e dele se exteriorizando em todas as direções.
Mesmo nos indivíduos mais cruéis, nos verdugos mais insensíveis, vigem os lampejos do amor em ondas de ternura, gestos de carinho, expressões de sacrifício...
Preservando a vida de prole, as feras se expõem por instinto, traindo a presença imanente do amor em forma irracional.
No homem, o amor esplende e cria o heroísmo, o holocausto, o sacrifício com que a vida se engrandece e triunfa sobre a morte, qual dia perene sobre a noite transitória.
O exercício do amor, dilatando o sentimento que se harmoniza com a alma da vida em tudo pulsando, favorece a cessação do sofrimento, acaso existente.
É o antídoto mais poderoso para quaisquer fenômenos degenerativos, em forma de dor ou ingratidão, agressividade ou desequilíbrio, crime ou infâmia.
Ele possui os ingredientes que diluem o mal e favorecem o surgimento do bem oculto.
Onde viceja o progresso, o amor se manifesta.
Há exceções, como no caso do crescimento horizontal, em que o interesse e a ganância fomentam o desenvolvimento econômico, tecnológico e social...
Mesmo aí, o amor se encontra presente, embora direcionado para o egoísmo, a satisfação dos próprios sentidos, de onde partirá para os gestos altruísticos, que proporcionam a alegria de outrem, o bem-estar geral...
Sem o passo inicial, ninguém vence as distâncias.
O egoísmo é a estaca zero, às vezes perniciosa, para ensejar os primeiros movimentos no rumo da solidariedade, do bem comum.
Pior que ele é o desinteresse, a morbidez da indiferença, deixando transparecer que o amor está morto, não obstante se encontre dormindo, aguardando o estímulo correspondente para despertar.
A vida é impossível sem o amor.
Da mesma forma que o crime se disfarça e os sentimentos inferiores se escamoteiam sob máscaras diversas, há várias expressões positivas que surgem no homem refletindo o amor de que ele ainda não se deu conta.
À medida que se agiganta, neutraliza o sofrimento e a sua vigência contribui para que cessem as causas degenerativas que facultam o sofrimento.
Quando atinge elevada qualidade, em somente uma pessoa, anula a fúria e o ódio com suas incontáveis vítimas, bem como dos seus fomentadores.
Irradiando-se, à semelhança da luz, domina todos os escaninhos e tudo arrasta na direção do fulcro gerador da energia.
Amor é sinônimo de saúde moral e quem o possui elimina as geratrizes envenenadas que se expandem produzindo sofrimento.
O amor é sutil e sensível, paciente e constante, não se irritando nem se impondo nunca.
No entanto, quem lhe experimenta o mimetismo, jamais o esquece.
Mesmo que momentaneamente lhe interrompa o fluxo, ele sempre envolve.
Na raiz de toda ação enobrecida está a seiva do amor, produzindo vida e sustentando-a.
Usar essa energia vital constitui dever e, com a consciência lúcida de sua magnitude, aplicá-la em prol da harmonia faz cessar o sofrimento.
Ela é vibração positiva, que enseja entusiasmo e otimismo, dando colorido à existência.
Reverdece a terra cansada do coração e drena o charco, no qual a pestilência das paixões deixou que se descompusessem a esperança e a alegria.
Ninguém ama inerte.
Dinâmico, amor induz à ação construtiva, responsável pelo progresso.
Objetivando sempre o bem, concentra suas forças nele e não desiste enquanto não lobriga a meta.
Ainda aí permanece solidário, de modo a evitar que o ser pereça e tombe no desânimo.
Como o sofrimento decorre da insatisfação, da distonia, da degeneração dos tecidos e dos fenômenos biológicos desajustados, o amor age sobre as moléculas como onda vitalizante e, restaurando-lhes o equilíbrio, vence o sofrimento, interrompendo-lhe o fluxo causal.
Quando, porém, perseveram as dores físicas, efeitos dos desarranjos orgânicos, a resignação e a coragem do amor amortecem-lhes os efeitos, tornando-os suportáveis e produzindo os heróis do sofrimento,
Cujo martírio de qualquer procedência, delas fazem modelos que dão força a dignidade às demais criaturas, assim embelezando a vida moral e humana na Terra.
Sob a ação do amor, são processados novos mecanismos cármicos positivos, que interrompem aqueles de natureza perniciosa, porquanto o bem anula o mal e suas consequências, liberando os infratores das leis, quando eles as recompõem e corrigem os mecanismos que haviam desarticulado.
É o amor que leva à piedade fraternal, à compaixão, induzindo o homem à solidariedade e mesmo ao sacrifício.
Há um tipo de compaixão que, não resultando da ação dinâmica do amor profundo, pode ser perniciosa e até deprimente.
Trata-se daquela, que lamenta o sofrimento e descoroçoa quem o experimenta, como uma forma de aureolá-lo de desdita e abandono, de falta de sorte e desgraça.
Essa atitude transparece e resulta de uma óptica equivocada sobre o sofrimento, deixando a perspectiva equivocada sobre o sofrimento, deixando a perspectiva de que o mesmo é punição arbitrária, injustiça perturbadora.
A compaixão junta-se ao companheirismo, que comparte dos sentimentos alheios, sem enfraquecer-lhes as resistências morais, incitando o indivíduo à perseverança nos ideais e postulados relevantes, que o impulsionam ao incessante avanço, sem possibilidade de retrocesso.
Compaixão pelo bem, fruto do amor, o ser age adequadamente, mudando a estrutura do sofrimento, do qual o cinzel, da ternura arranca as asperezas e anfractuosidades.
Título: Re: Série Psicológica - Joanna de Ângelis
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 11 de Abril de 2020, 14:12
Esse sentimento é semelhante à suavidade do luar em noite escura espraiando luz tênue e confortadora sobre a paisagem.
Faculta uma visão propiciadora de ações úteis, onde predominavam as sombras de desalento, do medo e do desespero em crescimento.
A paixão pelo serviço de elevação irradia piedade construtiva, que estimula à beneficência e dá calor à filantropia, aureolando-a de vigor fraternal, graças ao qual os sentimentos solidários expressam o amor em sua multiface.
A ausência de compaixão envilece o homem e a falta de paixão pelo bem torna o ser revel, quando não mantém apenas na indiferença mórbida, qual observador mumificado diante dos acontecimentos do cotidiano.
O serviço do bem, com a correspondente paixão de sustentá-lo, transforma-se em caridade que plenifica aquele que recebe o socorro e quem propícia.
Enseja a ação de dupla via:
A satisfação que faculta àquele a quem é dirigida e a que retorna como resposta interior da consciência tranquila pela emoção experimentada.
A vida sempre responde de acordo com a maneira como é inquirida.
A cada ação resulta uma equivalente reação, desencadeando sucessivos efeitos que se tornam consequências dessa última, por sua vez geradora de novos resultados.
Para que seja interrompido o ciclo, quando pernicioso, a compaixão por si mesmo e pelo próximo induz o homem às ações construtivas, nas quais se instalam os mecanismos que desencadeiam resultados favoráveis ao progresso, assim interrompendo a onda propiciadora de sofrimento.
A paixão de Cristo por todas as criaturas é um estímulo constante a que se compadeçam os indivíduos uns pelos outros,
Sustentando-se nas dores e dificuldades, jamais piorando as suas necessidades ou afligindo-se mais por meio dos instintos agressivos, por acaso prevalecentes em sua natureza animal.
É de vital importância a compaixão no comportamento humano.
Ela conduz à análise a respeito da fragilidade da existência corporal e de todos os engodos que a disfarçam.
Sendo a ilusão um fator responsável por incontáveis sofrimentos, a compaixão desnuda-a.
Porque se fantasia a existência terrena com quimeras e sonhos, a realidade, desfazendo essa imagem infantil, leva ao sofrimento todos aqueles que, imaturos, confiaram em demasia na transitoriedade das formas e apresentação física, das promessas de afeto imorredouro e de fidelidade perpétua, de alegria sem tristeza e meio-dia sem crepúsculo no fim da jornada.
Assim, a morte da ilusão fere aqueles que lhe confiaram a existência, entregando-se-lhe sem reserva, sem precaução.
A ilusão é, pois, anestésico para o Espírito.
Certamente, algo de fantasia emoldura a vida e dá-lhe estímulo.
Entretanto, firmar-se nos alicerces frágeis da ilusão, buscando aí construir o futuro, é pretender trabalhar sobre areia movediça ou solo pantanoso coberto por água tranquila apenas na superfície.
Há quem postergue a realidade, evitando-a, para não sofrer...
E existem aqueles que pretendem apoiar-se no realismo rude, que não passa, muitas vezes, de outra forma errônea de ilusão.
A consciência da realidade resulta da observância dos acontecimentos diários, da Plenitude transitoriedade do chamado mundo objetivo e de uma análise tranquila e lúcida a respeito do que é verdadeiro em relação ao aparente, do essencial ao secundário, e sucessivamente.
A compaixão por si mesmo – amor a si próprio – faculta a visão realista, sem agressão, dos objetivos da existência terrena, impulsionando a compaixão pelo seu irmão – amor ao próximo – solidarizando-se com a sua luta e dando-lhe a ao amiga, a fim de sustentá-lo ou erguê-lo para que prossiga na marcha.
Essa atitude, ao invés de produzir uma postura pessimista, cética, amargurada, resultante da morte da ilusão, alenta e engrandece, dando sentido e significado a todos os acontecimentos.
Por isso, a compaixão se torna fator que faz cessar os sofrimentos, como resultado natural dos outros passos, partindo da emoção para a ação.
Apresenta-se, então, no painel do comportamento, a necessidade de agir com inteireza, com abnegação, transformando os propósitos mantidos em realização enobrecedora.
Todas as experiências humanas constituem formas de amadurecimento da criatura.
Algumas decorrem dos deveres imediatos e são comuns a todos, constituindo a sua vivência um fenômeno natural, sem o qual se experimenta inevitável alienação com todas as suas consequências perniciosas.
O fato de participar do contexto social, mesmo que sem gestos incomuns ou de arrebatamento, equipa o indivíduo com recursos emocionais que lhe trabalham a existência, aformoseando-a com estímulos crescentes para o seu prosseguimento.
No que tange aos meios para facultarem a cessação do sofrimento, as ações meritórias, conforme já enfocadas, são preponderantes, destacando-se aquelas inabituais, que caracterizam os temperamentos nobres, os sentimentos abnegados.
Distinguir-se por meio dos gestos incomuns, desconhecidos, é forma de buscar a iluminação mediante o concurso da realização de tudo quanto internamente se conjuga para esse fim.
Quem acumula um tesouro tem em mente aplicá-lo em finalidades específicas.
Se portador de sabedoria, pensa em multiplicá-lo ao tempo em que o investe, escolhendo os empreendimentos mais rentáveis, seja do ponto de vista econômico, assim como de retribuição emocional.
Com essa atitude promove o progresso, gera oportunidades de serviço e dignifica as vidas que antes estavam sob ameaça do desespero e da inutilidade.
Da mesma forma, os recursos espirituais e emocionais elevados devem ser canalizados para as atividades incomuns, superiores, as quais nem todos se atrevem a realizar.
As ações incomuns variam desde os contributos materiais valiosos, irrigados de amor e de ternura até os gestos extraordinários do silêncio ante as ofensas, do perdão às agressões e do esquecimento do mal.
Todo aquele que dilui as forças negativas que teimam, por obstruir-lhe o avanço. utilizando-se do detergente do amor, evita contaminar-se, e de já visitado por elas, liberta-se, fazendo co isso que cessem as causas e desapareçam os sofrimentos.
O campo mental indefeso faculta que as farpas do mal aí proliferem, infestando a área com resíduos pestíferos, responsáveis por males incontáveis.
A defesa, em relação aos fatores perniciosos, é somente possível quando a irradiação de energias saudáveis vitaliza a organização psíquica, que reflete as aspirações do Espírito, resguardando-a das agressões externas.
Não gerando pensamentos destrutivos nem acumulando vibrações perturbadoras de ódio, medo, ciúme, rancor, mágoa, concupiscência, não se faz vítima dos conteúdos internos degenerativos.
Esse estado interior impulsiona aos atos incomuns superiores, passo próximo da iluminação.
Somente iluminando-se, o homem supera todas as dores; erradicando-lhes as causas, resguarda-se de agressões destrutivas.
A iluminação resulta do esforço da busca íntima do ser profundo, opção de sabedoria que é, em relação ao ego que prevalece no mapeamento das aspirações humanas mais imediatas, portadoras de distúrbios vitais e fragorosas derrotas na luta, que é a breve existência corporal.
O desenvolvimento da chama divina imanente em todos os seres merece todos os sacrifícios e empenhos, a fim de que arda em todo o seu esplendor, vencendo as teimosas sombras, que são a herança demorada das experiências nas faixas primitivas do processo inicial da evolução.
A verdadeira iluminação promove o homem que, superando as contingências-limites da estância carnal, anula todas as causas de sofrimentos, fazendo-as cessar.
Já não necessita da dor para alcançar metas, pois o amor lhe constitui a razão única do existir, em sintonia com o pensamento divino que o atrai cada vez com mais vigor para a meta final.

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Título: Re: Série Psicológica - Joanna de Ângelis
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 22 de Abril de 2020, 13:56
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VI – Altruísmo

O altruísmo, que é lição viva de caridade, expressão superior do sentimento e amor enobrecido, abre as portas à ação, sem a qual não teria sentido a sua existência.
Dilatação da solidariedade, alcança o seu mais significativo mister quando reparte bençãos e comparte aflições.
Trabalhando por minimizar-lhes os feitos, erradicando-lhes as causas.
É o próprio amor ensinado por Jesus, que esquece de si mesmo para concentrar-se no bem do seu próximo, olvidando todo o mal para agigantar-se no bem do seu próximo, olvidando todo o mal para agigantar-se nas aspirações do progresso, da ordem e da felicidade.
Antítese do egoísmo, cicatriza as lesões da alma, que este produz, fomentando a vigência da saúde integral.
Estrela luminar, irradia paz envolvente, que alcança e vence as grandes distâncias emocionais e preconceituosas que separam os homens.
Arrasta os corações que se deixam impregnar pela sua irradiação, assinalando, indelevelmente, os períodos das vidas com a sua presença.
O desejo de posse, de gozo, de superioridade, que tipifica o egoísmo, na área libertadora do altruísmo, se converte em anelo de doação, de felicidade, de fraternidade.
O próprio desejo muda de conteúdo, perdendo a face tormentosa de jogo de prazeres, para constituir-se numa aspiração de serviço.
Os impulsos da carne, que buscam satisfazer os instintos e as paixões mais fortes, mais primárias, transformam-se em arrebatamentos de bondade e compreensão humana.
O próximo deixa de ser usado para ser dignificado.
Todos os estímulos são conduzidos para o seu crescimento e triunfo sobre as falsas necessidades, trabalhando-lhe as virtudes em despertamento, a fim de que o homem espiritual sobreponha a sua à natureza dominante do homem animal.
A existência do altruísmo revela-se por diversos sentimentos de grandeza moral, que dão dignidade à vida.
Entre esses, a generosidade assume papel de destaque, por ser-lhe a primeira manifestação prática, portanto, a sua forma inicial de exteriorizar-se na ação.
Costuma-se afirmar que, aquele que não abre a mão, mantém fechado o coração.
E com fundamento, porquanto a generosidade tem início no sentimento que ama e deseja ajudar, a fim de concretizar-se na ação que socorre.
Abrir a mão é o gesto de deixar verter do coração ao mundo exterior o fluxo generoso em forma de doação, a fim de alcançar, no futuro, as grandiosas formas de abnegação, a fim de alcançar, no futuro, as grandiosas formas de abnegação.
A generosidade, portanto, doa, de início, coisas, objetos e utensílios, roupas e alimentos, agasalhos e teto, para depois brindar sentimentos, aprimorando a arte de servir até poder doar.
Somente quem se exercita na oferta material, predispõe-se às dádivas transcendentes, aquelas que não tem preço, “não enferrujam” nem “os ladrões roubam”.
A generosidade mais se enriquece quanto mais distribui, mais se multiplica quanto mais divide, pois que tudo aquilo que se oferece possui-se, não obstante, qualquer valor que se retenha passa-se a dever.
A felicidade, desse modo, resulta da ação de dar, dos benefícios dela decorrentes.
O homem generoso irradia simpatia e gera bem-estar onde se encontra.
Visceral adversária do egoísmo, a generosidade arranca, pela raiz, as tenazes desse responsável pela causalidade dos sofrimentos.
 Jesus, na cruz, padecendo a ingratidão dos homens, ainda atendeu o ladrão que lhe rogou socorro, generosamente prometendo-lhe o reino dos céus, que já se lhe instalava na mente e no coração, a partir daquele momento.
O altruísmo, no processo de expansão, apresenta-se, também, com uma formulação ética. Entendamos essa ética, na condição de serenidade que respeita todos os comportamentos, sem impor a sua forma de ser, de encarar a vida, de manifestar-se.
Além de uma ética moral, tem um caráter moral, tem um caráter universal, superando os interesses e convenções geográficas, que estabelecem conceitos e limites, estatuídos em leis transitórias, às vezes, necessárias, mas que não objetivam o bem comum.
Assim, observamos éticas que apoiam estados escravocratas, limitam a liberdade de movimento, freiam a procriação, perseguem os que discordam dos seus códigos, punem a dizimam a seu bel-prazer.
A ética da generosidade centraliza suas atenções na lei natural ou de amor, que respeita a vida em todos os seus estágios e ampara todos os seres sencientes, facultando-lhes a expansão.
Allan Kardec recebeu dos Benfeitores da Humanidade as diretrizes éticas perfeitas, oriundas da lei natural, porque procedente de Deus, a irradiar-se em várias outras, que fomentam o progresso, preservam a vida e dignificam a todos, promovendo o homem por meio do trabalho, igual ao seu irmão na origem e diferente nas conquistas intelecto-morais, sem privilégios, porém, ao alcance de todos.
Essa ética faculta discernir o correto do equivocado, impulsionando a criatura à aquisição de uma consciência elevada, resultado da eleição dos valores positivos, que tornam a vida digna de ser fruída.
A sua moral é centrada na generosidade, sem a falácia da anuência ao erro ou qualquer atentado aos códigos da ordem, do dever da justiça.
Toda a sua estrutura de responsabilidade visa à promoção dos seres e do seu habitat, ao considerar a interdependência que existe entre eles.
Não elege uns seres em detrimento de outros, embora a sua expressão de amor varie de acordo com as respostas afetivas, o que não invalida a necessidade de superar a pertinácia dos maus e tê-los em conta como necessitados também da generosidade, que pode e lhes deve ser dispensada.
Normalmente, sob a ação do desejo, as demais pessoas são classificadas de acordo com o interesse que fomentam, com o lucro que proporcionam, tornando-as afáveis e amigas, antipáticas ou inimigas, insignificantes ou indiferentes.
Manifestam-se, então, os sentimentos do amor possessivo, do desamor e do ódio, e de desinteresse ou indiferença.
A ética da generosidade propõe a conquista de valores que permanecem escondidos nos últimos, e a compreensão, quando os primeiros não correspondem ao modelo ao qual foram submetidos.
Não é castradora, por apresentar-se destituída de caráter punitivo;
Não obstante, o seu senso crítico analisa tudo e todos de modo a produzir o melhor.
A ética da generosidade é tranquila e, nesse conceito, pode ser considerada como a conquista da serenidade, conforme o seu significado profundo em sânscrito.
Como efeito, é paciente, não antecipando apressadamente realizações, nem buscando resultados imediatos.
A paciência é o próximo passo na execução do programa altruístico.
Há um inter-relacionamento entre os vários requisitos para a integral vivência do altruísmo, que erradica as causas dos sofrimentos.
Um fator depende do outro, que são conquistas do Espírito na sua busca de perfeição.
Tornando-se saudável exercício de elevação moral, cada um promove a área do sentimento, desenvolvendo o intelecto na arte de compreender para servir, de crescer para libertar-se, de entesourar conhecimentos para os distribuir.
A paciência, em razão disso, é relevante, pelo significado de criar condições no tempo próprio para cada realização.
Nem a postergação do labor, tampouco, pressa, irreflexão, que não conduzem aos resultados que se esperam.
Ela harmoniza as aspirações humanas, elucidando sobre o valor a ação contínua, bem elaborada, que atende a cada tarefa no momento oportuno.
Faculta repetir qualquer labor malogrado com o mesmo entusiasmo, ensinando como realiza-lo da maneira mais eficiente, sem o cansaço que induz ao pessimismo, ao abandono da realização.
Sabe que tudo quanto hoje não pode ser feito sê-lo-á depois, desde que se persevere no tentame.
A vida se agiganta, molécula a molécula, em clima de harmonia, em paciente e incessante movimentação.
A paciência estimula a coragem, que se esforça para colimar os resultados.
Essa coragem é fruto do conhecimento das leis que propiciam a insistência no programa do altruísmo.
Título: Re: Série Psicológica - Joanna de Ângelis
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 22 de Abril de 2020, 13:56
A coragem é valor moral para enfrentar a luta e persevera nela, nunca a abandonando sob qualquer pretexto.
O esforço contínuo permite o prosseguimento da ação, que realiza o programa estabelecido.
A erradicação das causas geradoras do sofrimento somente é possível através do esforço com que se empreende a tarefa, a ela dedicando-se com empenho, sem o que se malogra, adiando a oportunidade.
O esforço bem direcionado caracteriza o grau de evolução do ser, porquanto, mais expressivo nuns do que noutros, distingue-os, demonstrando as conquistas já logradas, ao tempo em que faculta a percepção do muito a conseguir.
Insistir, portanto, com seriedade, pela conquista do altruísmo, encetando atividades que devem ser concluídas etapa a etapa, constitui passo de segurança para a libertação do sofrimento.
Mede-se, desse modo, o caráter de um homem, pelo esforço que compreende para crescer, para melhorar-se, a fim de enfrentar as reações que o seu ideal e empreendimento provocam.
Aquele que cede ante o obstáculo, que desiste diante da dificuldade já perdeu a batalha sem a ter enfrentado.
Não raro, o obstáculo e a dificuldade são mais aparentes que reais, mais ameaçadores do que impeditivos.
Só se pode avaliá-los após o enfrentamento.
Ademais, cada vitória conseguida se torna aprimoramento da forma de vencer e cada derrota ensina a maneira como não se deve tentar a luta.
Essa conquista é proporcionada mediante o esforço de prosseguir sem desfalecimento e insistir após cada pequeno ou grande insucesso.
O objetivo deve ser conquistado, e, para tanto, a coragem do esforço contínuo é indispensável.
Muitas vezes, será necessário parar para refletir, recuar para renovar forças e avançar sempre.
É uma salutar estratégia aquela que faculta perder agora o que é de pequena monta para ganhar resultados permanentes e de valor expressivo depois.
O esforço estimula desenvolvimento dos recursos que dormem no próprio homem, agigantando-se, à medida que realiza.
A canalização correta do esforço dinamiza-o, já que o arrastamento para o vício, que quebra as resistências morais, é também uma forma de força arrebatadora, que poderia ser direcionada em sentido superior.
O altruísmo não vige sem o esforço para a sua manifestação, considerando-se que parece haver uma conspiração por parte do egoísmo, a fim de impedir-lhe a presença e o predomínio na área da emoção.
O computador, como outro engenho qualquer que ora fascina o homem, guardando milhões de dados, resulta do esforço daqueles que o engendraram e digitaram as informações, sinal por sinal.
Sem esforço a vida perece.
Os membros não movimentados perdem a flexibilidade, entibiam-se e morrem.
Outro fator essencial ao altruísmo é a concentração nele, sem cujo contributo a mente se desvia, abrindo brechas para que se instalem ideias pessimistas, desanimadoras.
Centralizar o pensamento na ação altruística permite o estabelecimento de um programa eficiente, graças ao qual se delineiam técnicas e se logram recursos para executá-la.
A concentração amplia os horizontes enquanto fortalece o íntimo, por facultar o intercâmbio de energias superiores que passam a vitalizar o indivíduo, renovando-lhe as forças quando em exaurimento, especialmente no mister altruístico.
Desacostumados aos gestos de elevação, os homens reagem contra eles, tornando-se agressivos e ingratos, para reconhecerem os resultados positivos e ingratos, para reconhecerem os resultados positivos só posteriormente.
Essa atitude não poucas vezes desanima as pessoas abnegadas e menos preparadas, que recuam ou desistem, porque não buscaram o apoio da meditação e deixaram-se intoxicar pelo bafio pestilento em expansão.
Meditando-se, percebe-se a necessidade de maior contribuição altruística sacrificial, compreendendo-se que a imensa carência de amor responde pela dureza dos sentimentos, e a agressividade predominante atesta a gravidade das doenças morais em desenvolvimento nas criaturas.
A meditação amplia a visão a respeito do mal, ao tempo em que equipa o homem de lucidez, fornecendo-lhe os instrumentos próprios para cuidar desse adversário cruel.
A arte da concentração é uma conquista valiosa e demorada, que exige cultivo e exercício, a fim de responder de maneira eficiente às necessidades emocionais do homem.
Habituado a concentrar-se nos fenômenos que decorrem das paixões ou sensações mais fortes, tais como o desejo, o ciúme, o ódio, o ressentimento, a sensualidade, a gula, os vícios em geral, quando se trata das aspirações mais elevadas e sutis, o indivíduo justifica-se com escusas de que não consegue concentrar-se, que lhe falta capacidade para deter-se no assunto, exclusivamente por comodidade mental ou porque prefere fugir às responsabilidades que advêm da mudança de programa.
Sem o contributo da concentração quaisquer atividades perdem o brilho e são mal executadas.
É ela que propicia o enriquecimento dos detalhes, a visão particular e geral do empreendimento, revigorando o indivíduo, concedendo-lhe lucidez e inspiração.
Todos os grandes realizadores devem à concentração, ao esforço e à paciência o êxito que alcançaram.
Esqueciam-se de tudo, quando fixados no propósito de algo realizar.
Certamente, a tenacidade com que se mantinham era resultado da experiência que se alongava no tempo, propiciando-lhes a capacidade crescente de se afastarem mentalmente de quaisquer outros objetivos, fixando-se na ação a que se entregavam.
A concentração ilumina o altruísmo e revigora-o nos momentos difíceis, por facultar compreender as circunstâncias dos acontecimentos e os problemas nos quais as pessoas se emaranham.
Capacita-o com energia especial e irradia-se em ondas de bem-estar, que impregnam todos quantos se aproximam da pessoa que a exercita.
E quanto mais o faz, tanto maior se lhe torna a capacidade de exteriorização.
É, portanto, essencial ao altruísmo, propiciando a anulação das causas do sofrimento, por facultar a vigência dos sentimentos elevados da vida em plena realização de bem.
Por fim, após a vivência desses variados itens, a sabedoria se instala na mente e no coração do homem, libertando-o da ignorância, apontando-lhe o objetivo real da existência corporal, impulsionando-o para novos tentames, cada vez mais sedutores e agradáveis, brilhando à frente.
Confunde-se a sabedoria com o conhecimento intelectual, o burilamento da mente, a fixação da cultura que, apesar de valiosos, são uma conquista horizontal.
Torna-se indispensável que, ao lado dessa importante aquisição, o sentimento lúcido e profundo do amor se torne a grande vertical do processo evolutivo.
Essa conquista vertical é responsável pelo discernimento de como agir, facultando os recursos lógicos para tal, ao mesmo tempo suavizando pelo afeto a aspereza ocasional do processo de execução.
A sabedoria faz que o amor seja prudente e um sentimento generoso, doador, altruístico, evitando que se entorpeça com as manifestações do pieguismo, que disfarça os esquemas do ego enfermo.
Simultaneamente, proporciona ao intelecto a serena percepção de que à razão se deve unir o sentimento humano, sereno e afável, responsável pelo arrastamento das pessoas.
O sábio reconhece a área extensa que tem diante dele para ser conquistada, e vive pelo arrastamento das pessoas.
O sábio reconhece a área extensa que tem diante dele para ser conquistada, e vive mais do que fala, ensina mais pelo exemplo do que pelas palavras.
Quando são desenvolvidos os passos que contribuem para o altruísmo e se adquire sabedoria, ilumina-se o Espírito, e a vida ganha sentido, superando-se os limites do tempo e espaço, em face da grande meta que se deve conquistar.
Os sofrimentos cedem, então, lugar à paz, porque desaparecem os fatores cármicos, vencidos pelas novas libertadoras, e, porque não sejam geradas causas atuais negativas, o futuro não se desenha sombrio nem ameaçador.
Assim, o altruísmo viceja na mente e no coração, já não sendo mais o homem quem vive e sim o Cristo que nele passa a viver, conforme acentuou Paulo e o sentiram outros mártires, heróis e sábios de todos os tempos, que se entregaram o altruísmo em favor da Humanidade.

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Título: Re: Série Psicológica - Joanna de Ângelis
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 03 de Maio de 2020, 21:26
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VII – Motivos de Sofrimentos

Na busca incessante do prazer, o homem transfere-se exteriormente, de uma para outra sensação,
Sem dar-se conta de que, o desequilíbrio gerador de ansiedade é responsável pelo sofrimento que o aturde, ameaçando-o de desespero cruel.
Enquanto não se resolva por selecionar os valores reais daqueles aos quais atribui significando e que são apenas fogos-fátuos,
Terá dificuldade em afirmar-se e seguir uma diretriz propiciadora de paz.
Vivendo sob a injunção de uma máquina, que lhe impõe necessidades a serem atendidas e o predispõe a outras, falsas e perturbadoras,
Ele opta pelas últimas, que são produto das sensações do ego dominador, empurrando-o para as aspirações mais grosseiras,
Em detrimento daquelas outras sutis e enobrecedoras, que adquirem resistência na renúncia, no esforço elevado, na abnegação, no cultivo da vida interior, no domínio da matéria pelo Espírito.
O corpo deve ser considerado um instrumento transitório para o ser eterno,
Temporariamente um santuário, em face da finalidade edificante de propiciar à alma a sua ascensão,
Mediante as experiências iluminativas que faculta, nos aspectos moral, espiritual, intelectual, pelo exercício das virtudes que devem ser postas em prática,
E jamais para atendimento das sensações que lhe caracterizam a constituição molecular.
Certamente, aqui não cabe também o comportamento asceta, alienador, que fomenta a fuga da realidade aparente,
Porquanto, o importante é a vida mental modeladora da física.
Pode-se mudar de lugar sem alterar-se a conduta, vivendo-se um estado exterior e outro íntimo.
Pela falta de sintonia entre as duas formas de vida, surge a desagregação do indivíduo,
Com aparecimento de neuroses e psicoses devastadoras, impondo sofrimentos que poderiam ser evitados,
Caso se permitisse uma melhor compreensão das finalidades existenciais.
O exame racional e lúcido das necessidades legítimas faculta o direcionamento saudável, com as compensações da harmonia íntima e do equilíbrio emocional.
A ambição desmedida pelas coisas, divertimentos e gozos nunca preenche os espaços do prazer, pelo contrário, frustra aqueles que lhe tombam nas armadilhas.
Há indivíduos que dispõem de somas consideráveis, prestígio social, fama e inteligência, graças aos quais adquirem o que lhes apraz,
Viajam para onde desejam, relacionam-se com as mais diferentes pessoas,
E, não obstante, são atormentados pelo vazio, pelo tédio, pela insatisfação, fortes causas de sofrimento.
Invariavelmente colocam os acontecimentos e interesses fora de sua realidade, no mundo exterior,
Passando a considerá-los a fonte dos sofrimentos ou dos gozos, conforme conseguem fruí-los ou não.
Todavia, a questão é mais profunda e pertinente à sua vida íntima.
Não havendo um real significado interior, o aparente sentido que demonstram perde-se tão logo sejam conseguidos.
Nisso reside a maior soma de frustrações e de insatisfações que causam sofrimentos.
Algo vale somente quando inspira o mesmo sentido para todas as pessoas, que projetam as suas necessidades íntimas e aspirações legítimas na sua conquista.
Aos lugares belos, as cidades ricas e cosmopolitas que a uns indivíduos causam impacto, provocando o desejo incomum de aí ficarem,
Noutros despertam mal-estar, desconforto e desagrado.
Ilhas paradisíacas e refúgios de oração que a uns fascinam,
A outros causam sensações desencontradas, angústias e desesperos insuportáveis.
Vestuários luxuosos e jóias cobiçadas, que aumentam a cupidez em alguns,
Noutros não conseguem a sensibilização, não lhes geram qualquer interesse, nem qualquer sofrimento, por não possuí-los.
A busca da realidade, do Eu, deve partir de uma análise profunda e interna das necessidades legítimas da vida,
Jamais da preferência de adornos, objetos e situações, que destacam o ego e perturbam-no, tornando-o jactancioso, prepotente ou, na sua falta, magoado, ressentido, receoso...
Primeiro, é necessário adquirir um estado de espírito de paz, para passar por tudo sem ater-se a nada.
A chama que clareia exteriormente projeta luz, mas faz sombra,
Enquanto a que se manifesta do interior, irradia-se por igual em todas as direções, sem gerar qualquer escuridão.
A mente e o corpo susceptíveis à dor pela posse ou perda das coisas externas sempre atravessarão largos períodos de sofrimentos, transferindo-se de uma para outra forma de sofrimento, sem conseguir a libertação.
Essa ocorre quando o homem se esvazia de ambição, instalando a abnegação no íntimo e superando os desejos.
O ato de querer, (transferência para outrem, porque o que se detém se deve, não se possui), assim suscitando o domínio responsável pelas sensações de ansiedade, insegurança, medo, que são geradores de sofrimentos.
O autoconhecimento coopera para que se possa discernir em torno do que é útil ou supérfluo, indispensável ou secundário à vida feliz.
As conquistas dispensáveis pesam na economia emocional e passam a constituir preocupação que desvia a mente das metas que deve perseguir.
Jesus afirmou com sabedoria que o “Filho do Homem não possuía uma pedra para reclinar a cabeça”,
Embora “as aves do céus, as serpentes e feras tivessem ninhos e covis”, demonstrando o Seu desapego total a todas as coisas que sobrecarregam a criatura de tensão, de inquietação.
A um jovem que O queria seguir, Ele esclareceu que uma coisa lhe faltava “Vende tudo e dá-o aos pobres”;
Ele, que afirmava ser justo, cumpridor das leis, permanecia, todavia, envolvido, perdido nas quinquilharias do mundo a que se atava...
E ele não O seguiu.
É muito difícil liberar-se dos atavismos:
Pertencentes e hábitos que se impregnam ao comportamento, passando a constituir uma nova natureza, a predominante.
Sob o fardo dessas dependências, o ser não logra ver a luz, discernir a meta, libertar-se para encontrar-se.
Confunde a paz com a tranquilidade dos recursos que possui,
Dos quais aufere conforto, destaque social, mediante os quais desperta inveja, podendo perdê-los, de um para outro momento, na existência física,
Em razão das normais vicissitudes que a todos surpreende, como da compulsória pela morte, que obriga a deixar tudo,
Nem sempre facultando a libertação, desde que o tormento prossegue além das vibrações orgânicas.
O sofrimento deve ser superado pelo amor, pela meditação, pela compreensão da sua presença na vida dos seres,
Fator de progresso, necessidade de reeducação, mecanismo da evolução que é,
E que permanece nos indivíduos que discernem e pensam por eleição deles mesmos,
Já que a meta da reencarnação é a de lograr a vitória sobre ele.

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Título: Re: Série Psicológica - Joanna de Ângelis
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 22 de Maio de 2020, 15:53
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VIII – Caminhos para a Saúde

O sofrimento é via de redenção espiritual, em face do incompleto desenvolvimento moral do indivíduo.
Opção pessoal, é roteiro destituído de qualquer ação punitiva, educando ou reeducando por meio dos mesmos mecanismos, graças aos quais houve comprometimento, desvio de rota, desrespeito às leis da vida.
A sua presença vige, enquanto se faz necessária a depuração.
As únicas exceções se apresentam nos quadros de iluminação coletiva, quando os missionários do bem e do amor mergulham nas sombras do mundo, a fim de clareá-las com os seus exemplos.
Não mais lhes sendo necessárias as dores físicas e morais, elegem-nas ou aceitam-nas como holocaustos espontâneos, a fim de ensinarem coragem, abnegação e sacrifício aos que estão na retaguarda, comprometidos com a ignorância e a ilusão, a rebeldia e a violência, o egoísmo e a negação do dever, todos eles geradores de sofrimentos, de enfermidades e dores.
A saúde integral, a paz, a alegria interior resultam da lucidez mental, que elege os atos corretos para a existência modeladora da ascensão.
Enquanto não se convençam as criaturas de realizar o equilíbrio, a homeostase ideal entre o psiquismo e o corpo físico, debater-se-ão nas malhas de qualquer tipo de sofrimento.
Advertência ao desvio da linha de harmonia, ele se apresenta em forma de energia comprometida, bloqueada ou desequilibrada, facultando a instalação de doenças, de desares, de padecimentos de qualquer natureza.
Certamente, as terapias convencionais ajudam na recuperação da saúde, na sua relativa manutenção.
Todavia, somente os fatores internos que respondem pelo comportamento emocional e social podem criar s condições permanentes de bem-estar, erradicando as causas penosas, proporcionando outras novas que compensarão aquelas, se não superadas, promovendo o equilíbrio estrutural do ser.
Jesus sintetizou no amor a força poderosa para a anulação das causas infelizes do sofrimento e parra a sua compensação pelo bem.
Allan Kardec, por meio da observância das lições do Evangelho e das diretrizes propostas pelos Espíritos superiores, aludindo a Jesus, apresentou a caridade como sendo a via real para a salvação, a aquisição da saúde integral.
A caridade, que é o amor na sua expressão mais elevada, para ser real exige a iluminação de quem a prática, facultando-lhe, ao mesmo tempo, um constante aprimoramento de propósitos que induzem à abnegação e à vitória sobre as tendências primitivas, que permanecem dominadoras.
Pelo seu extraordinário conteúdo emocional, a caridade dulcifica aquele que a pratica e abençoa quem recebe, dignificando-o, promovendo-o e ajudando-o a superar-se.
Por isso, verdadeiramente, a sua é uma ação de profundidade, que exige requisitos especiais, adquiridos pelo esforço de constante aprimoramento espiritual.
Buda, no passado, recomendava uma via de salvação, em 8 passos, que são indispensáveis para a iluminação pelo amor e a plenitude pela felicidade.
A criatura humana sempre crê, até naquilo que nega.
O seu ato de negar é uma força de crer, que defende com entusiasmo e vigor.
A negação, por isso mesmo, é um tipo de afirmação.
Demonstrando a crença natural ou racional em torno da sua convicção.
Crer, retamente, porém, é direcionar o pensamento de forma positiva, edificante, firmando-o em propósitos saudáveis, que favorecem a realização excelente dos postulados, nos quais se crê.
Essa é uma crença estimuladora que enriquece de beleza e aciona os mecanismos da vida, alterando, profundamente, o comportamento para melhor e propondo uma vivência pautada na força da crença.
Diante de todos os enfermos que O buscavam, Jesus era peremptório, quanto ao todo paciente crer nEle e na recuperação da saúde.
A sua resposta positiva criava a reação orgânica favorável à movimentação da energia bloqueada pelos condicionamentos doentios, pelas sequelas cármicas propiciadoras dos distúrbios degenerativos, nas áreas do corpo, da mente ou da emoção.
A abertura mental e emocional do enfermo à certeza de que era possível a recuperação, e que Jesus podia consegui-lo, proporcionava-lhe a receptividade necessária ao imediato processo de cura.
Assim, a fé tudo pode, pois aciona inexplorados mecanismos íntimos do homem, geradores de forças não utilizadas, modificando por completo a paisagem interna, depois externa do ser.
“A fé remove montanhas”, acentuou Jesus.
Ela é a canalização de todas as possibilidades psíquicas alterando a ação das forças habituais.
Quando se apresenta, estimula à ação e vibra interiormente, gerando energias que vitalizam toda a maquina pela qual se movimenta.
A crença reta faculta uma visão otimista da vida, que se enriquece de motivações, que nada perturba.
Sabe esperar e estimula ao prosseguimento da empresa, mesmo quando as circunstâncias parecem conspirar contra, ocasionando confusão ao projeto abraçado.
Todas as conquistas da Humanidade tiveram início no ato de crer corretamente, graças ao qual se movimentavam as pessoas, persistindo na execução dos planos mentais transferidos para a realidade objetiva.
Nicolau Copérnico, por acreditar retamente no sistema heliocêntrico, sofreu humilhações constantes e lutou contra o sectarismo, a intolerância, o fanatismo e a ignorância, até provar que estava com a razão.
Cristóvão Colombo, recordando-se psiquicamente das terras que eram desconhecidas da civilização europeia, apesar de desestimulado e ironizado pelas Cortes as quais pediu ajuda, e pelos seus contemporâneos, por crer retamente, descobriu a América, provando que estava certo.
Crer retamente conduz ao querer retamente.
Umas das razões do sofrimento humano é o querer equivocadamente, conforme a ilusão do prazer imediatista e alucinado, que elege o dispensável em detrimento do essencial, de acordo com o transitório e não com o permanente.
Título: Re: Série Psicológica - Joanna de Ângelis
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 22 de Maio de 2020, 15:54
E para lográ-lo, age segundo as tendências negativas, comprometendo-se moral e espiritualmente.
Esse querer equivocado escraviza o ser às paixões inferiores, cujas algemas o retêm inexoravelmente aos efeitos infelizes da eleição.
Para o seu prazer, o indivíduo que o que não lhe convém, permitindo que o egoísmo se sobreponha aos interesses gerais prejudicando todos aqueles que possam constituir-lhe impedimento ou provocar-lhe dificuldade.
Querer retamente propõe métodos compatíveis com os objetivos da crença anelada.
Os meios incorretos não são justificáveis quando usados para fins nobres, porquanto degeneram os ideias que devem permanecer pulcros.
Sem o uso dos meios correspondentes, as realizações perdem a qualidade de que se devem revestir.
As supostas facilidades muito aneladas pelas criaturas são uma forma de evitar os meios hábeis, complexos às vezes, que compõem o quadro do querer de maneira elevada.
Não que as realizações mais fáceis signifiquem desvio de meta.
Elas ocorre amiúde, como é natural, não devendo tornar-se regra geral, que desencoragem as demais que proponham esforço, persistência e sacrifício.
Quem elege a montanha não evita a ascensão difícil, porquanto faz parte da aspiração que se sustenta interiormente.
O ato de querer tornar menos ásperos os desafios e as dificuldades.
Querendo retamente difundir a mensagem de Jesus, Paulo aplicou os mais desgastantes esforços, padecendo, enfermidades, abandono, apedrejamento e quase morte, afirmando, confiante:
“Ai de mim se não pregar o Evangelho”, vivendo com sacrifício o ideal que o abrasava.
A preservação do querer com retidão rechaça as propostas ignóbeis, mesmo quando se apresentam como fórmulas salvacionistas, solucionadoras.
O que não tem a chancela da retidão desmerece a qualidade da ação. Jesus sempre quis retamente e sempre assim agiu, tornando a Sua mensagem uma luz inapagável a varar os séculos, superando desfigurações, interpolações e adulterações lamentáveis.
Quando se crê e se quer retamente, fala-se com a mesma qualidade de intenção, e essas palavras, conforme se refere o Evangelho, exteriorizam o de que está cheio o coração.
Indispensável, portanto, a vivência íntima das aspirações superiores, a fim de que a música da palavra traduza-as para o exterior retamente.
A palavra é valioso instrumento de comunicação, que tem entorpecido grandes ideais da humanidade, por não ser fiel aos sentimentos que deveria expressar.
Fala-se por falar-se;
Fala-se para dissimular emoções e ideias;
Fala-se com objetivos sórdidos e prejudiciais.
A palavra que liberta, igualmente faz-se meio de escravidão.
Por isso, a arte de falar impõe requisitos que são essenciais para expressar-se retamente.
Deve-se pôr na palavra a discrição que sabe como e quando falar, evitando gerar constrangimento e amargura.
Não faltam, no mundo, acusadores e palradores da inutilidade, das ideias vazias de conteúdo, de ironias e sentidos dúbios.
Eles inquietam e anatematizam, infelicitam e desajustam, dominados por idealismos falsos e paixões inferiores.
O falar retamente fomenta o progresso, desenvolvendo as aspirações que se exteriorizam em ideais de liberdade e amor, impulsionando as criaturas para a frente, para o bem.
Falando retamente, Sócrates desenvolveu a filosofia, elevando-a às cumeadas e dignificando os princípios éticos e morais que ainda constituem base ao idealismo, ao Espiritualismo.
As boas palavras enrijecem o caráter, dulcificam o coração e iluminam a vida.
As más, entorpecem os sentimentos, deformam a conduta e matam os ideias de enobrecimento.
Crer, querer e falar retamente produzem uma vibração de paz que fomenta a saúde, alterando o comportamento emocional que refaz o equilíbrio da energia, modificando o campo no qual se instalam as enfermidades.
São, inevitavelmente, caminhos para uma existência saudável.
Logo surge o momento da ação, que equivale à diretriz do opera retamente.
Os requisitos anteriores alcançam o seu momento máximo na ação, sem o que deixam de influenciar, como necessário, o comportamento, que retrata a realidade íntima da pessoa.
A retidão impõe-se em todos os passos da existência humana.
Um coração tranquilo é resultado de uma conduta reta, e por consequência, fator basilar para uma consciência de paz.
Interdependem-se, portanto, esses elementos, para uma vida feliz, desde que, olhar-se para trás sem remorsos, agir-se sem medo, em face dos sentimentos enobrecidos, produzem um estado de paz que nada perturba, porque enraizada na maneira de operar, conduzindo a caminhada retamente.
O mundo progrediu sempre graças àqueles que agem om retidão.
Os seus exemplos de dedicação às causas dignificadoras tornaram-se a base do processo de engrandecimento da vida e das demais criaturas.
Conscientes das suas responsabilidades não temeram as perseguições, as lutas ásperas, os sacrifícios, nem mesmo o holocausto, quando este se fazia necessário, desde que permanecesse impoluto o ideal que sustentavam.
Sabiam que a morte do corpo não destrói a ideia grandiosa, e que é no sangue do martirológico que a semente da verdade germina, a fim de poder frondejar mais tarde, abençoando com flores e frutos.
Como se mede a grandeza ou a pequenez das criaturas graças aos ideais que possuem, é na ação que se avalia a excelência das suas aspirações, pois que ai, ao aperá-las, trazê-las ao mundo objetivo, é que elas experimentam a intensidade dos fornos onde são lançadas antes de se tornarem realidade.
Entre companheiros doentes e em uma sociedade injusta, é um verdadeiro desafio operar retamente.
As propostas da insensatez se multiplicam, os conchavos da desonestidade bem urdidos e disfarçados de legais enxameiam, as concessões morais e conivências fazem-se quase normais, dificultando a ação correta.
Quem age com retidão parece alienado, é malvisto, tido por excêntrico, ou como se o fizesse para pretender chamar a atenção.
Há uma oposição sistemática, ancestral, arquitetada contra o correto, de modo a impedir o desmascarar da fraude e da corrupção em predomínio.
Operar retamente é técnica de terapia preventiva quanto curadora para o sofrimento.
Quem não atua errado, não tem necessidade de repetir a experiência, refazer o caminho, ressarcir débitos...
Tal ação, entretanto, começa nas pequenas decisões, nas realizações mais simples e de aparente significação sem importância.
Tudo é importante na vida.
Os pequenos atos são preparatórios dos gestos grandiosos e das realizações vultosas.
Manter o mesmo nível de conduta reta em uma pequena como noutra atividade de relevo é forma de treinamento para uma vivência equilibrada.
Viver retamente é, portanto, o passo seguinte.
As ações que se sucedem, transformam-se no modus operandi de cada indivíduo que aí passa a ter o seu modus vivendi.
Quem age retamente, vive retamente.
O seu hoje representa as ações antes realizadas e o seu amanhã defluirá das suas atividades hoje desenvolvidas.
Não se homizia no erro, não se exalta, não se deprime.
Suas horas transcorrem harmoniosas e as suas lutas, mesmo quando desgastantes, não o infelicitam, porque elas são conquistas de patamares mais elevados, que aguardam.
A vida adquire sentido e significação, porque não se acabando no túmulo, amplia-se ao infinito, rica de oportunidades excelentes de aprendizagem e plenificação.
Título: Re: Série Psicológica - Joanna de Ângelis
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 22 de Maio de 2020, 15:55
Ghandi recomendava a igualdade radical, de deveres e direitos.
Todavia, para que os seus fossem ideais legitimamente respeitados, vivia conforme preconizava, trabalhando no tear e acolhendo os párias no seu ashram, a eles concedendo a mesma consideração que dispensava a qualquer outra pessoa.
Viveu pobremente, de acordo com o que se considerava as necessidades básicas para a vida, que prescrevia para as demais criaturas.
Jesus não tinha “uma pedra para reclinar a cabeça”, embora “as aves do céu tivessem os seus ninhos e as feras os seus covis”, porque para Ele uma só coisa era importante:
Dar-se, num mundo de coisas que valem o que se lhes atribui, já que não têm valor real... uma vivência de tal natureza impõe um grande esforço, já que é larga a porta que conduz à perdição.
O passo imediato é esforçar-se retamente.
Sem esforço, nenhum empreendimento se torna possível, muito menos se faz vitorioso.
A intensidade do esforço desvela a qualidade do caráter.
Sem uma disciplina que o exercício prodigaliza, o esforço deperece e as aspirações morrem. Essa força, que decorre do querer, é responsável pelos resultados das aspirações colocadas na prática.
As pessoas que não se esforçam por preservar os ideais de enobrecimento perdem as batalhas da evolução antes mesmo de iniciá-las, perturbando a marcha do progresso geral.
Afirma-se, muito, como justificativa para não se esforçar, que não se logra manter o nível do ideal necessário.
No entanto, a execução dos hábitos viciosos dá-se mediante esforços que se incorporam ao cotidiano como fenômeno natural.
A libertação deles somente é possível através do investimento de energias que se lhes opõem.
Não raro, os indivíduos, em razão do prazer que experimentam na vivência viçosa, sacrificam-se, aplicando todos os valores imagináveis, a fim de continuarem com as sensações a que se escravizam.
Quando se lhes propõe, no entanto, a mudança para as emoções duradouras, negam-se ao esforço, por acomodação ao que já fruem, mesmo que lhes seja desgastante.
Ninguém vive sem esforço.
Ultrapassados os limites dos fenômenos automáticos, a vida exige o empenho da vontade, a aplicação e direcionamento das energias.
Quem se esforça em um sentido, realiza-o também em outro, se quiser.
Esforçar-se retamente é saber aplicar a capacidade dos seus recursos naquilo que propicia felicidade real, duradoura, sem as aflições dos prazeres fugidos, que necessitam de repetir-se sem cessar, não lhes aplacando a sede, antes aumentando-a, perturbadoramente.
No esforço bem dirigido as energias se retemperam e as motivações, por serem elevadas, mais atraem a novos tentames, que se sobrepõem aos limites e desgastes dos sofrimentos.
A mente, colocada em áreas nobres, anestesia as sensações dos desajustes e das enfermidades, emulando na conquista da harmonia, que se alcança mediante esforço retamente aplicado.
Das pequenas e constantes tentativas de agir corretamente se desenvolvem as forças que serão canalizadas para os grandes cometimentos, mesmo que desconhecidos das demais pessoas.
A constante renovação moral e todo o trabalho de alterar a estrutura do comportamento exigem o reto esforço que leva ao êxito.
De natureza íntima, decorrem do crer nas metas a alcançar, do valor que possuem, a fim de querer com afinco, de modo a envidar a capacidade de ação, sem o que o tentame malogra.
Esse esforço decorre da aplicação do pensar retamente.
O que se cultiva no pensamento transborda para a esfera objetiva, constituindo-se elemento existencial no comportamento humano.
O pensamento é fonte geradora e dínamo condutor da Vida para a vida.
A energia encontra-se presente em tudo, aguardando que o pensamento a comande, e direcione.
No que tange aos sofrimentos, na sua multiface, a ação mental é relevante.
Todo aquele que se deixa dirigir pelo pessimismo e pela depressão faz quadros enfermiços, debatendo-senas malhas de dores perfeitamente dispensáveis.
Por um processo de natural afinidade, sintoniza com as doenças, abrindo brechas nas próprias resistências para a instalação de males e perturbações afligentes.
O bombardeio constante contra os sutis mecanismos da emoção e da aparelhagem orgânica termina por desarticular-lhes o equilíbrio, produzindo o desajustamento que facilita a penetração dos agentes degeneradores.
A ação do pensamento reto, pelo contrário, produz o fortalecimento do campo psicofísico, expulsando as doenças e gerando sucessivas ondas de bem-estar, que são responsáveis pela saúde.
Acrescente-se a esse quadro a interferência dos espíritos desencarnados no cotidiano das criaturas humanas.
Os raios mentais direcionados em um outro sentido facultam a sintonia com Entidades de teor vibratório correspondente.
Não é, pois, de surpreende, o atual surto epidêmico de obsessões, que decorre da afinidade mental e moral existente entre os homens aturdidos e os Espíritos infelizes, com os quais os primeiros mantém convivência ideológica.
Ideoplastias enfermiças, formas-pensamento extravagantes e doentias terminam por criar uma psicosfera viciada que intoxica as pessoas, aumentando o quadro das enfermidades, estas últimas de diagnose difícil pela Medicina convencional e cuja terapia terá que partir do próprio paciente, por meio de uma radical mudança de comportamento mental e moral, a fim de desatrelar-se das vibrações que o envolvem.
Pensar retamente faculta harmonia psicológica e sintonia com os Benfeitores da Humanidade, em cuja convivência psíquica se haurem energias benéficas propiciadoras de saúde, que vão atuar nas causas dos sofrimentos alterando-lhes a vigência e os efeitos.
Quem pensa retamente encontra-se consigo mesmo, com o seu próximo e com Deus.
O hábito saudável de pensar conduz à etapa final, que é meditar retamente.
Fixam-se nos painéis da memória, por educação mental perniciosa, em maior quantidade, as impressões infelizes, os atos reprocháveis, as aspirações inferiores, e, por isso, afirma-se com leviandade que meditar é muito difícil.
Basta, porém, que se mude a direção dos hábitos mentais e se criarão as bases da meditação.
Como não se vive sem pensar, exceção feita aos portadores de psicopatologias graves, deve-se fazê-lo sempre de forma positiva e otimista, gerando novo costume no campo mental até que seja absorvido e transformado em automatismo pela repetição natural.
Por mau hábito, quando algo de negativo acontece, a pessoa se deixa consumir, entregando-se, comentando, repetindo e fixando, quando a atitude a tomar deveria ser totalmente oposta.
No entanto, quando algo de bom e útil acontece, raramente se analisa, penetra e revive, logo substituindo-o por outro fato desagradável, acostumando-se com o último em detrimento do anterior.
Natural que, desacostumado à reflexão em torno do bem e da paz, da saúde e da alegria, tenha dificuldade em meditar retamente.
Nas primeiras tentativas, os arquivos da memória liberam as impressões deprimentes, perniciosas, e o candidato desiste, quando deveria prosseguir com esforço para liberar-se dessas e fixar as novas imagens e aspirações geradoras de saúde, de felicidade.
A concentração é a fixação da mente, por interesse ou seleção, em qualquer pensamento, em alguma ideia especial que se deseje analisar ou reter.
Meditar é aplicar a concentração na busca de Deus, interiormente, com determinação e constância.
Seu objetivo único é o de atingir o fluxo divino e conhecer Deus, senti-lO e alimentar-se da Sua energia.
É o estado de quietação mental.
Jesus afirmou:
“O teu olho é a luz do teu corpo.
Se o teu olho for um só, todo o teu corpo será luminoso”.
Se o indivíduo permitir-se olhar para dentro, todo ele se torna uma só ideia visual;
Ao captar a luz divina, igualmente todo fara luminoso, e nenhum sofrimento o perturbará, graças à aquisição da saúde integral.
A meditação reabastece de energias salutares, refazendo a harmonia do psiquismo e este, a do organismo físico.
Quem medita retamente, crê, quer, fala, opera, vive, esforça-se e pensa com retidão, adquire os valores indispensáveis à salvação.
Nesse estágio, a pessoa doa-se e já não mais vive, sendo o “Cristo quem vive” nela.
...Liberta-se, por fim, do sofrimento.

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Série Psicológica Joanna de Ângelis
Médium: Divaldo Pereira Franco
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Título: Re: Série Psicológica - Joanna de Ângelis
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 04 de Junho de 2020, 00:19
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IX – Processo de Autocura

A criatura humana possui, inexplorados, valiosos recursos que aguardam a canalização conveniente.
Entre eles, a bioenergia é fonte de inexauríveis potencialidades, que o desconhecimento e a negligência direcionam em sentido equivocado, malbaratando inconscientemente forças preciosas.
Invisível à óptica comum, a irradiação bioenergética passa despercebida, exercendo influência no inter-relacionamento pessoal, graças ao qual provoca ondas de simpatia como de animosidade, conforme a procedência de um indivíduo moralmente são ou enfermo.
Captada pelo perispírito, nele interfere através do campo que exterioriza, facultando renovar as forças ou perturbá-las de acordo com o tipo de descargas que propicia.
Essa bioenergia é responsável pela atração interpessoal, qual ocorre no campo molecular, celular, gravitacional, universal.
Semelhante à invisível camada magnética que envolve a Terra e que somente é registrada por aparelhos especiais, de igual modo ela é somente percebida através da paranormalidades ou de câmeras ultravelozes em filmes também ultra-sensíveis.
A sua ação, todavia, é de mais fácil registro na emotividade, nas áreas afetadas por enfermidades, pelas reações psicológicas que provocam nos relacionamentos humanos.
Referindo-se aos fenômenos que produzia, Jesus, o Excelso Curador, foi peremptório, afirmando:
“Vocês podem fazer coisas maiores do que estas”, se quiserem.
O querer é de alta importância, porquanto representa não apenas a vontade interesseira, imediatista, porém, todo o empenho, todo o investimento de recursos para adquirir-se o pleno comando dessa força e a sua hábil canalização com objetivos elevados.
É de igual relevância a finalidade da sua aplicação.
Todos aqueles que a utilizam na vulgaridade, no divertimento, fazem-se joguete do próprio desequilíbrio, passando a sofrer-lhe os efeitos danosos do mau direcionamento dado.
O exercício e a aplicação saudável da bioenergia, entretanto, desenvolvem-lhe o campo da ação benéfica, torando-a valioso recurso curativo de inestimável significação.
Pode-se direcioná-la mediante a operação, a concentração, a meditação e os sentimentos bons, a benefício do próximo, bem como do próprio, trabalhando-a para auxiliar na recuperação da saúde, da paz, do bem-estar, dos objetivos elevados.
Não se farão de imediato os resultados, como é compreensível, porém, eles ocorrerão no momento próprio.
Sendo o sofrimento uma necessidade para o Espírito devedor, a sua liberação depende de inúmeros requisitos devidamente observados, alguns dos quais foram já analisados.
Não obstante, o amor de Deus, por misericórdia de acréscimo, faculta ao comprometimento oportunidade de experimentar o equilíbrio, a fim de motivá-lo ao labor para a sua aquisição definitiva.
Assim, diante de sofrimentos advindos, particularmente, de enfermidades, devem-se levar em consideração alguns fatores, a fim de propiciar-se a autocura.
Por elasticidade de aplicação, quando necessário, direcioná-los em favor de outros enfermos.

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Título: Re: Série Psicológica - Joanna de Ângelis
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 04 de Junho de 2020, 00:20
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IX – Processo de Autocura

1ª) OBSERVE-SE O PENSAMENTO, O SEU TEOR PREFERÊNCIAL, A FIM DE QUE IRRADIE ENERGIAS POSITIVAS, SAUDÁVEIS.

A atitude imediata é desejar-se saúde com fervor, não porque se queira libertar da doença, pura e simplesmente.
A liberação de uma enfermidade, se não produz o engajamento do paciente em atividades psíquicas e físicas positivas, faculta a presença de outras doenças.
O anseio por adquirir a saúde deve estar acompanhado de objetivos edificantes, que podem ser alcançados, e não do interesse imediato pelos prazeres que se deseje fruir, descarregando ondas de energia negativa nos intricados mecanismos perispirituais responsáveis pela ação posterior.
Esse desejo de saúde é firmado na crença e na certeza de que o “Pai não quer a destruição do pecador, mas, a do pecado”, e quem defrauda a lei deve recompor-se perante ela.
A firmeza do desejo, sem ansiedade nem tormento, a fim de que se não torne uma imposição, mas sim, uma solicitação, concede tranquilidade ao enfermo, constituindo um primeiro resultado precedente à cura.
De imediato, deve-se concentrar na saúde, considerar-lhe a validade, abundância de possibilidades edificantes que propicia, de realizações produtivas, de efeitos benéficos para si e para a coletividade.
Ao concentrar-se nela, que se entregue de corpo e alma aos resultados que advirão, deixando-se impregnar pelo otimismo com irrestrita confiança em Deus, trabalhando mentalmente pela restauração dos forças combalidas em contínuo esforço a favor do bem-estar.
A irritação, a ansiedade, o inconformismo, o ciúme, a rebeldia devem ser rejeitados, sempre que se insinuem nas paisagens mentais, por serem portadores de raios destruidores que atingem os fulcros celulares e os desarranjam, alterando-lhes o ritmo e a multiplicação.
As ideias enobrecedoras, os planos de futura ação benéfica são portadores de energia equilibrante, que estimula os complexos campos celulares, propiciando-lhes harmonia e produtividade.
Nesse esforço, é de bom alvitre visualizar a saúde e incorporá-la.
O indivíduo deve concentrar-se numa visão saudável, projetando-se no tempo em condições de equilíbrio;
Ver-se recuperado, assumindo responsabilidades e desenvolvendo as atividades que pretende encetar.
Essa projeção mental reestrutura os mecanismos do perispírito afetado, recompondo-lhe o campo, de que resultam os efeitos em forma de saúde, de harmonia e de entusiasmo.
Os pacientes, em geral, com as exceções naturais, sempre visualizam o estado de agravamento do mal que os aflige, atirando no organismo projéteis mentais destrutivos.
Não poucas vezes, Jesus afirmou àqueles doentes que O buscavam:
Se quiseres, já que queres, concluindo:
Levanta-te e anda, vê, sê limpo, conforme a enfermidade de que se faziam objeto.
Naquele momento, o enfermo saía do campo vibratório de sombras, no qual se homiziava, e abria-se à energia vigorosa do Benfeitor Divino, que lhe alterava a área em desordem, restaurando-lhe a saúde.
Assim, visualizar-se com saúde no futuro e programar-se em ação constituem fatores fundamentais para a autocura.

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Título: Re: Série Psicológica - Joanna de Ângelis
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 14 de Junho de 2020, 13:32
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IX – Processo de Autocura

2ª) MANTER SINTONIA MENTAL COM A FONTE DO PODER.

Todo amor procede de Deus, a Fonte do Poder.
Como consequência, a sintonia mental do paciente com a causalidade se torna imprescindível para a recuperação da saúde.
Sendo a enfermidade o resultado da desarmonia vibratória dos órgãos que compõem a maquinaria orgânica, permitindo a proliferação dos elementos destrutivos, todo trabalho de regularização deve partir da energia para o corpo, do Espírito para a matéria.
Desse modo, a identificação mental do necessitado com a Fonte Geradora de Vida torna-se essencial para o restabelecimento da harmonia.
Assim, o cultivo das ideias positivas favorece a identificação com as faixas vibratórias mais elevadas, produzindo a sintonia necessária com o Poder Supremo.
A oração é outro veículo por meio do qual se produz a sintonia mental com Deus.
Ela faculta uma análise das necessidades humanas em relação às finalidades essenciais da existência, ao tempo em que propicia o relaxar das tensões, estimulando as forças enfraquecidas e renovando-as, graças ao que se abrem as possibilidades de recuperação da saúde.
Habituado aos pensamentos vulgares, agindo sob impulsos de depressão ou de violência, o indivíduo intoxica-se de vibrações deletérias, que mais o perturbam e o enfermam.
A mudança de diretriz mental, a fixação de ideias saudáveis, geram uma psicosfera harmoniosa que produz as condições propiciatórias ao bem-estar, em sintonia inicial com a saúde.
Quem aspira o oxigênio puro mais se desintoxica, ampliando a própria capacidade respiratória.
De igual modo, a sintonia mental com a Fonte do Poder propicia o restabelecimento de energias saudáveis, que reinstalam no organismo o equilíbrio perdido, restabelecendo a harmonia vibratória que fomenta o predomínio dos agentes de saúde.
Mesmo diante da aparente demora de recuperação é justo que se processe a sintonia, que somente benefícios emocionais, psíquicos e orgânicos proporciona.
O ser deve elevar a Deus não apenas para pedir e buscar benefícios imediatos, mas, também, para manter-se em harmonia com a própria vida.
Tal estado de sintonia abre as portas da percepção extrafísica à inspiração, ao equilíbrio e à coragem para enfrentar quaisquer vicissitudes e situações afligentes imprevisíveis ou não.
Quando alguém se eleva a Deus, ergue com o seu gesto toda a humanidade.
A sintonia com Ele, fonte do poder, é causa de felicidade e fator de paz.

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Título: Re: Série Psicológica - Joanna de Ângelis
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 17 de Julho de 2020, 13:40
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IX – Processo de Autocura

3º) CUIDAR DO DESCANSO, DA DIETA, DA HIGIENE, MANTENDO ORDEM NAS ATIVIDADES.

O descanso físico é de alta importância no programa da autocura, todavia, o repouso mental, advindo da harmonia dos pensamentos, torna-se vital, um fator imprescindível para a instalação da saúde.
Uma mente em repouso não significa em ociosidade, antes, em ação positiva, que gera equilíbrio.
Esse, proporciona descanso das excitações, das emoções e sensações perturbadoras, geratrizes de doenças, de sofrimentos.
As leituras edificantes e otimistas, ricas de esperança, propiciam repouso mental e físico, predispondo o organismo à calma, à harmonia.
Esse descanso, igualmente, pode ser conseguido por uma alimentação bem balanceada, na qual se evitem os excessos de qualquer natureza, especialmente aqueles de assimilação difícil, muito ricos em calorias e de digestão demorada.
Alimentação para a vida, respeitando os limites impostos pela enfermidade, ao invés da vida para a alimentação, que complica as funções do organismo alquebrado, que necessita de todas as resistências para vencer o estado de desgaste.
A higiene também desempenha papel preponderante na reconquista da saúde.
Ela faculta mais ampla eliminação de toxinas, ao tempo que proporciona agradável sensação de leveza.
A higiene física também impõe a de natureza mental, cujo complexo, quando poluído pelas preferências perniciosas, exterioriza a desagregação das engrenagens orgânicas, à semelhança de ferrugem em peças mecânicas que se devem ajustar harmoniosamente.
Esses fatores põem ordem nas atividades que a doença não interrompe, ou naquelas que, não obstante o problema da saúde, merecem reflexão, programação para posterior execução.
Quem não se programa sofre as surpresas da improvisação com os danos, porventura, presentes.
O leito de enfermidade é lugar para acuradas meditações e estabelecimento de metas, que a agitação do cotidiano em outras situação não permite.
Ao mesmo tempo, a revisão dos atos e comportamentos torna-se oportuna, buscando descobrir a gênese de alguns dos males ora desencarnados ou os efeitos das ações impensadas que geram os distúrbios agora sofridos.
A degenerescência orgânica é fácil e rápida, enquanto que a sua recuperação é complexa e demorada.
Toda construção e reedificação exigem tempo e experiência, não ocorrendo o mesmo com a ação destrutiva.
A vida saudável, portanto, são os esforços concentrados para a manutenção dos equipamentos da maquinaria corporal, sob equilibrado comando do Espírito.
Certamente encontramos corpos sadios e de aparência harmoniosa sob a direção de Espíritos frívolos, ignorantes e até perversos.
É natural a ocorrência, que passará a um plano lamentável no futuro, em razão do seu mau uso atual, exigindo lenta e sofrida recuperação mediante enfermidades dilaceradoras, dolorosas.
É da Lei Divina, pois ninguém malbarata o patrimônio da vida sem experimentar as suas funestas consequências.
Da mesma fora, com frequência, são encontrados corpos mutilados e padecentes, nos quais habitam Espíritos sadios, ditosos.
São eles os mestres da abnegação, que acima dos limites orgânicos, sem qualquer angústia, lecionam coragem diante da dor e ressarcem antigos débitos, que ficaram nas páginas do tempo e agora se apresentam para proporcionar a libertação total de quem os adquiriu.
Em toda a Criação vige a lei de igualdade, graças a qual ninguém frui de felicidade em caráter de exceção.
A luta é o clima por onde passam todos os seres na vida de evolução.

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Título: Re: Série Psicológica - Joanna de Ângelis
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 17 de Julho de 2020, 13:42
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4º) CANALIZAÇÃO DOS PENSAMENTOS E DAS EMOÇÕES PARA O AMOR, A COMPAIXÃO. A JUSTIÇA, A EQUANIMIDADE E A PAZ.

A preservação do pensamento otimista predispõe a um estado emocional receptivo à saúde.
Fácil, pois, se torna canalizá-lo para as expressões nobilitantes do amor, da compaixão, da justiça, da equanimidade e da paz.
O amor, que é o élan mágico que unirá todas as criaturas um dia, deve ser cultivado na condição de experiência nova, que o exercício converterá em um hábito, em um estado normal do Espírito.
A sua força restaura a confiança nos homens e na vida, porquanto, a sua presença produz estímulos facultando que, periodicamente, o sangue receba renovação de cargas de adrenalina, produzindo revigoramento orgânico.
Pela sua óptica os acontecimentos apresentam angulações antes não percebidas, permitindo que as emoções não se entorpeçam, nem se exaltem, ao mesmo tempo em que predispõe o indivíduo à compaixão, fator humanizador da criatura.
Quando as forças conjugadas do medo e da ira, da mágoa e da vingança, do ciúme e do ódio começam a perturbar a emoção,
O sentimento de compaixão pelo algoz, apresenta-o frágil e vulnerável, evita que o desequilíbrio trabalhe em favor da agressividade por parte da vítima.
Esta passa a ver o seu adversário como sendo um doente da alma, que ignora a gravidade do próprio mal, e, invés de derrapar na animosidade, envolve-o em ondas de simpatia, de compreensão, não lhe devolvendo o malefício que dele recebeu.
No quadro das doenças que abalam os homens, encontramos instaladas no perispírito várias matrizes de ódio, de ressentimento, de azedume, em relação a outras pessoas.
O amor propicia a compaixão que se gostaria de receber, caso a situação fosse oposta, diminuindo a intensidade do golpe recebido e anulando-lhe os efeitos danosos.
Ela fala sobre a justiça inexorável de Deus que alcança a todos e propõe a bondade para com o opositor, conscientizando-o, embora indiretamente, de que o mal é sempre pior para quem o pratica.
A justiça, por sua vez, jaz insculpida na consciência de cada pessoa que pode ser anestesiada de manifestar-se.
O equivocado conhece o seu erro, mesmo quando o disfarça, e assim procede porque lhe sabe a procedência.
Encobrir uma ferida não impede que ela permaneça decompondo a área, na qual se encontra instalada.
A justiça na consciência impõe reparação do delito e das suas consequências infelizes, induzindo as vítimas a que não assumam a postura de cobradores,
Já que as leis soberanas dispõem de recursos que impedem se contraiam novos, quando se corrigem velhos débitos.
Para culminar o seu objetivo, tem ela que ser estruturada na equanimidade, que discerne como aplicá-la, sem o contributo emocional da paixão de qualquer natureza, porém com a finalidade superior de corrigir sem desforço e recuperar sem maus-tratos.
O sentimento de equanimidade nasce da razão que discerne e da emoção que compreende, fazendo que o recurso e o método de reeducação sejam os mesmos para todos os incursos nos seus códigos, não sendo severa em demasia para uns e generosa em excesso para com outros.
A sua linha reta de ação abrange na mesma faixa todos os infratores, prodigalizando-lhes idêntico tratamento.
A consciência de amor com equanimidade propõe a paz, que tira as tensões e inspira o prosseguimento da ação.
Estado íntimo de harmonia, irradia-se em sucessivas ondas de tranquilidade que se exteriorizam, promovendo a absorção e fixação das energias saudáveis no organismo.
O pensamento canalizado para a paz se torna uma onda que sincroniza com a Fonte do Poder, contribuindo para o entendimento geral e fraternidade, que é o passo inicial do amor entre as criaturas.
No processo de autocura,
O Espírito recupera as energias gastas, vitaliza, mediante a ação do pensamento, os fulcros perispirituais e predispõe-se ao resgate pelo amor,
Sem a intenção de negociar benefícios, antes, com a de se tornar elemento útil no concerto social,
Membro ativo do progresso geral e não um peso desagradável quão infeliz na economia do grupo humano onde se encontra.
Co-autor da sua recuperação, ele haure na Fonte providencial do amor de Deus as energias sãs, saindo das sombras da enfermidade para as luzes da saúde, dispostos a contribuir decisivamente em favor do mundo melhor de hoje e de amanhã, renovado, esclarecido e feliz.

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“Os meios de se combater a obsessão variam, de acordo com o caráter que ela reveste...” (Item 249)
“As imperfeições morais do obsidiado constituem, frequentemente, um obstáculo à sua libertação...” (Item 252)
“Demais, o ascendente que o homem pode exercer sobre os Espíritos está na razão da sua superioridade moral.
Ele não domina os Espíritos superiores, nem mesmo os que, sem serem superiores, são bons e benevolentes, mas pode dominar os que lhe são inferiores em moralidade.”
(Item 254) (O Livro dos Médiuns, de Allan Kardec, Cap. XXIII. 28ª edição, FEB.)

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Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 17 de Julho de 2020, 13:43
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X – Terapia Desobsessiva

No estudo dos sofrimentos humanos destaca-se um capítulo que, pelas suas graves injunções, merece estudo à parte.
Chaga moral do Espírito, a obsessão tem uma generalização muito mais ampla do que se pode imaginar, tornando-se, periodicamente, uma virose de contágio célere, em face das circunstâncias que exige como decorrência do processo evolutivo das criaturas e do planeta, que a impõem como necessidade saneadora dos volumosos compromissos negativos que permanecem na economia da sociedade.
Na Antiguidade Oriental, como depois, durante a Idade Média, apresentava-se com características epidêmicas e varria os povos, dava-lhes uma trégua e retornava intempestivamente.
Confundida com a loucura nos seus diversos aspectos, tem desafiado os estudiosos do comportamento, da saúde, da religião e das ciências da mente.
Sutil, em certas ocasiões, assume proporções inesperadas, levando a extremos lamentáveis aqueles que lhe tombam nas urdiduras.
A humanidade tem-na sofrido, considerando-a, em diversas épocas, como castigo divino, e usado métodos de combate não menos cruéis, por desconhecimento da sua gênese, portanto, pela impossibilidade de enfrentá-la, de amenizá-la com recursos hábeis, eficazes.
Trata-se da alienação mental por obsessão,
Isto é, pela ingerência da presença psíquica de um desencarnado num encarnado.
A obsessão pode influenciar maleficamente também a organização física, produzindo patologias complexas quão danosas.
Allan Kardec estudou-a com proficiência, sendo o primeiro investigador a penetrar-lhe as causas, dissecá-las, e apresentou as terapias compatíveis, capazes de amenizá-la ou erradicá-la completamente.
Antes dele, Jesus, diversas vezes, enfrentou e atendeu obsessos e obsessores, socorrendo-os com Seu inefável amor e libertando-os uns dos outros mediante a força restauradora de que se faz possuidor.
Os Seus diálogos com esses enfermos são profundos, apresentando à psicopatologia admirável capítulo, que permanece obscuro nas áreas das doutrinas especializadas.
O Espiritismo, porém, por lidar com os fatores causais, analisa o problema e o elucida, propondo corretos métodos para atender os que se encontram envolvidos, ao tempo que fornece terapias preventivas, que impedem a instalação da mazela.
A obsessão tem as suas raízes fixadas nos antecedentes morais de ambos os litigantes, que se deixaram vencer pela inferioridade que os dominava, à época da pugna.
Egoístas e irrefletidos, não mediram as consequências dos seus atos venais, passando a vincular-se um ao outro por meio das algemas do ódio, do desforço, que os tornam cada vez mais infelizes.
Arrastam-se, desse modo, por séculos de sofrimentos excruciantes, passando de vitimas a algozes, e reciprocamente, até que o amor lhes acenda a luz da esperança nas sombras onde se detêm e o perdão os torne verdadeiros irmãos na senda evolutiva.
O amor é, assim, o primeiro medicamento para a terapia antiobsessiva.
Abre as portas à esperança e esclarece quanto às sagradas finalidades da vida, proporcionando o perdão que suaviza as dores produzidas pela ulcerações do ódio.
Enquanto persistam o ressentimento e a malquerença, a desconfiança e o rancor, a obsessão permanece como ácido queimando as delicadas engrenagens da casa mental e produzindo as alienações tormentosas.
A mediunidade, por outro lado, é a grande oportunidade que faculta a identificação e a cura das obsessões, porque é através dos seus delicados mecanismos que elas se manifestam e, por eles mesmos, que se podem atender aos agentes indigitados.
O paciente, vítima de obsessão é, certamente, portador de mediunidade, que necessita de conveniente educação, a fim de aplicá-la em finalidades relevantes.
A obsessão é doença grave, mesmo que quando se apresenta em quadro simples, em forma de inspiração depressiva ou de morbo que afeta a saúde física.
Isso porque impõe a transformação moral do paciente e a mudança emocional do agente que a desencadeia, consciente ou não.
Só há obsessão porque há débito de quem a sofre.
As leis da vida dispõem de recursos elevados para a reeducação dos incursos nos seus códigos de justiça.
No entanto, a intemperança e precipitação dos indivíduos, perturbados em si mesmos, levam-nos aos desforços e vinganças, produzindo esses desnecessários processos de sofrimentos.
A mente infeliz, mediante a monoidéia de revide, descarrega ondas de ódio no seu desafeto que, desequipado de recursos morais, tais vigilância, a caridade, o amor, capta-as pelo campo do perispírito, com o qual aquela sintoniza por afinidade vibratória até transformar-se em ideia perturbadora no seu próprio psiquismo.
De outras vezes, irradia as mesmas deletérias energias e condensa, pela ação da vontade, as suas vibrações, apresentando-se com aspectos terrificadores durante a vigília e o parcial desdobramento pelo sono, e provocando vinculação pelo pavor, que se transforma em patologia alucinante.
Na sucessão de interferências consegue dominar a mente culpada, que se lhe faz submissa, dando curso aos mais graves fenômenos de subjugação, que a ignorância, por muitos séculos, considerou como possessão demoníaca e os cientistas rotularam de esquizofrenia.
Da mesma forma, a constante ingestão psíquica da onda mental enfermiça produz distúrbios orgânicos variados, que facultam a instalação de germes destrutivos da saúde ou provocam, por si mesmos, degenerações celulares, ulcerações, disfunções de diversos órgãos.
A desobsessão, por consequência, é a terapia especializada e única possuidora dos recursos para a libertação do alienado.
Mediante o esclarecimento do Espírito enfermo, imbuído da falsa ideia de justiça, dever-se-á dissuadi-lo do infeliz propósito, demonstrando-lhe o erro em que se encontra e induzi-lo à certeza de que o amor de Deus tudo resolve.
Concluída essa tarefa, que exige a interferência de um médium educado – quando o fenômeno da psicofonia atormentada não se dá através do próprio paciente – é indispensável a conscientização da vítima, a fim de que busque a reabilitação por meio de uma mudança de comportamento mental e espiritual, aplicando as técnicas referidas no capítulo da autocura.
Essa forma moral do obsidiado fará que o seu atual perseguidor constate-lhe o esforço para melhorar-se, demonstrando arrependimento das ações infelizes, e, asserenando o ânimo, torne-se amigo do antigo verdugo, avançando com ele pela rota do bem.
O ministério da desobsessão pode também processar-se além da esfera física, pela interferência os Benfeitores espirituais, quando constatam o esforço da alma para reabilitar-se e auxiliar o seu perseguidor.
Nos processos que afetam o organismo físico, além do recurso espiritual liberativo é conveniente a terapia médica correspondente, para o reaparelhamento orgânico.
Proliferam, também, as obsessões entre os encarnados, graças aos abusos do sentimento, que os levam à vampirização psíquica, gerando distúrbios demorados.
Os desejos perturbadores direcionam petardos mentais que atingem aqueles aos quais são dirigidos, produzindo-lhes estranhas e desagradáveis sensações.
Quando são recíprocos, dão curso à interdependência psíquica que afeta tanto a área da emotividade como da organização somática, gerando sofrimento.
Toda forma de obsessão resulta de um inter-relacionamento pessoal interrompido pelas forças negativas da agressividade, do ódio, da traição, do crime ou das expressões do amor em desalinho, que destrambelham os sentimentos.
A desobsessão consiste na interrupção do processo de imantação de ambos os infelizes, porquanto o agressor, embora se considere realizado pelo mal que aflige a sua vítima, padece, por sua vez, de infortúnio e falta de paz.
A criatura é sempre responsável pela própria vida.
Somente há pesar, obsessão e sofrimento, porque se elegem os comportamentos doentios em detrimento daqueloutros positivos.
Diante das obsessões, constata-se o retorno dos atos inditosos em busca da reparação imediata.
Dissolver os grilhões do mal com as energias poderosas do amor, eis no que consiste a terapia desobsessiva, que libera o ser do sofrimento que a sua incúria gerou, favorecendo-o com a saúde integral, resultado de uma mente em harmonia com a vida, uma organização física em equilíbrio e a emoção como a razão dirigidas para o bem, para o progresso, para a felicidade.

“Se os médicos são malsucedidos, tratando da maior parte das moléstias, é que tratam do corpo, sem tratarem da alma.
Ora, não se achando o todo em bom estado, impossível é que uma parte dele passe bem.”
(O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, Introdução – Item XIX – Resumo da Doutrina de Sócrates e Platão – 52ª edição, FEB)

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Médium: Divaldo Pereira Franco
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Título: Re: Série Psicológica - Joanna de Ângelis
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 17 de Julho de 2020, 13:44
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XI – Terapias Alternativas

A ignorância, geradora do egoísmo, que propicia o apego e a paixão às pessoas e coisas.
É a grande responsável pelos sofrimentos.
Considerando-se a impermanência de tudo, em um mundo em constantes alterações, o apego representa a ilusão para deter a marcha dos acontecimentos e reter tudo mais, impossibilitando o surgimento da realidade.
O impermanente é a materialização transitória da realidade e, por consequência, todo apego exagerado à forma produz sofrimento em razão das inevitáveis alterações que ela experimenta.
Corresponde à ilusão de pretender-se deter o tempo, que deixará frustrado aquele que se apega a tal intento.
Assim, a maioria das enfermidades se origina na área emocional, como efeito do desequilíbrio da energia, transferindo-se para o psíquico ou físico, produzindo lesões que alteram a estrutura orgânica.
As terapias da Medicina clássica objetivam, quase sempre, deter as doenças, destruir os invasores perniciosos, sustentar o corpo.
Toda a filosofia médica ocidental centraliza-se nesse objetivo como essencial à saúde, com pequenas variações metodológicas.
A sabedoria oriental, em contrapartida, estabelece, há milênios, que, sendo as doenças efeitos degenerados da energia pelos fatores já examinados, elas devem ser combatidas nas suas causas.
Assim, variam as técnicas alternativas para a aquisição da saúde, mediante a supressão da sua causalidade.
Ressurgem agora, no ocidente, essas terapias, abrindo espaços para a eliminação ou, pelo menos, modificação do sofrimento, propondo a restauração do equilíbrio energético no ser.
A Ciência Espírita, por sua vez, reconhecendo que todo sofrimento decorre do mau uso do livre-arbítrio pelo homem, nos valores morais em recomposição se encontra o mecanismo essencial para a liberação do mesmo.
A tese é extensiva à problemática das doenças.
Sem uma correspondente transformação moral do paciente, a terapia que se lhe aplique, quando enfermo, poderá modificar-lhe o quadro orgânico, não, porém, liberá-lo, porquanto ao primeiro ensejo, ela ressurgirá ou facultará a manifestação de outras patologias já vigentes no campo vibratório não reequilibrado.
As terapias alternativas preocupam-se, essencialmente, com o homem integral, com todo o complexo que se exterioriza no corpo e não apenas com este.
A acupuntura, por exemplo, considera o corpo como um instrumento de um sistema energético, portanto, não físico, o que equivale a dizer, menos denso do que aparenta.
Esse sistema tem prevalência sobre todo o conjunto, qual se fosse um outro sistema nervoso mais complexo, sustentando toda a aparelhagem delicada e os seus implementos mais sutis da organização somática.
Encarrega-se de manter a interação mente-corpo, emoção-sensação, pensamento-matéria.
A técnica da acupuntura busca, através do corpo físico, alcançar o campo de energia e vitalizá-lo, eliminando os bloqueios impeditivos da irrigação de forças mantenedoras da saúde.
Esse sistema energético é composto de meridianos que são correntes de energia que se estendem por todo o corpo, nos seus mais variados departamentos.
Pode-se, com relativa facilidade, encontrar e medir os pontos de acupuntura, carregados de energia, ao longo dos meridianos.
Modernamente, o tobiscópio, delicado aparelho elétrico, consegue localizá-los, comprovando-lhes a existência.
Considera-se que existem quatorze meridianos principais e cinquenta e sete secundários, constituindo o sistema energético.
Em face de qualquer bloqueio na corrente de energia ou desequilíbrio proveniente da força mental devastadora e dos atos morais reprocháveis, as enfermidades se instalam.
Aplicando-se agulhas nos pontos de acupuntura, reequilibra-se a energia do meridiano, desbloqueando-o e o sistema gerador se refaz, restaurando a saúde.
Esses pontos sensíveis podem facultar a anestesia para tratamentos cirúrgicos nos casos mais graves, partos, etc.
Outra prática de inestimáveis resultados é a ioga, especialmente para a emoção em desequilíbrio, para os graves problemas psicológicos e alguns outros na área de saúde.
O conhecimento dos chakras (rodas) como fontes de energia no sistema de vitalização orgânica, propiciou técnicas de desenvolvimento, alimentação e equilíbrio de forças, para a manutenção da aparelhagem material de que se utiliza o Espírito no seu processo de evolução.
Os chakras, tradicionalmente em número de sete, são considerados como órgãos de energia.
Do coronário ao genésico eles são o suporte de sustentação das funções psíquicas e orgânicas do corpo.
Segundo a mesma tradição, o mais importante a ser considerado nos chakras é a denominada energia Kundalini, também conhecida pelo nome de serpente adormecida, que se manifesta em ascendente pela espinha dorsal, nutrindo-os e sendo, ao mesmo tempo, por eles sustentada.
É também responsável pela organização dos nervos.
Quando adormecida na base, atende por automatismo a organização dos chakras.
Por meio da meditação, de exercícios rítmicos, de várias outras técnicas, é despertada e sua energia pode ser canalizada convenientemente, atendendo os chakras, ampliando a área da consciência espiritual e facultando saúde física, vitalidade, harmonia nervosa.
Essa, também, chamada serpente de fogo, permite a aplicação da sua energia no restabelecimento da saúde pessoal, como pode ser aplicada em benefício de outros indivíduos.
A ioga faculta o equilíbrio psicofísico, transformando-se em terapia alternativa de grande valor.
A cromoterapia talvez se haja inspirado na helioterapia, que consiste, esta última, na utilização dos raios solares, como equilíbrio, provocando uma ativação salutar dos mecanismos vitais do corpo.
A colesterina, por exemplo, sob a ação dos raios ultravioletas se transforma na vitamina D ou anti-raquítica.
É de excelente resultado, quando sob cuidadoso controle, mediante aumento de tempo sob a exposição solar, nos casos de espasmofilia, nas anemias infantis, em variados casos de astenia, nas convalescenças, na asma infantil, na tuberculose cutânea, em múltiplas dermatoses. Etc.
Os solários são de comprovado resultado positivo nas neuranemias, neurastenias, etc.
A cromoterapia devidamente aplicada, por meio de um correto conhecimento das cores e dos efeitos, proporciona estados de recuperação da saúde.
A luz vermelha, por exemplo, em determinados estados infecciosos, como na varíola, faculta bons resultados.
A homeopatia nasceu por volta de 1796, quando Samuel Hahnemann iniciou a sua aplicação, após publicar o seu Ensaio sobre um novo princípio para descobrir as virtudes curativas das substâncias medicinais, seguido de alguns comentários a respeito dos princípios aceitos na época atual.
Ele havia experimentado em si mesmo e nos familiares por seis anos a nova terapêutica, cujos resultados foram surpreendentes.
A homeopatia se fundamenta no princípio do similia, similibus curanter ou seja, os semelhantes curam os semelhantes e, através de diluições infinitesimais, nas quais, teoricamente, não devem existir moléculas da substância original, o medicamento deixa de ser químico para tornar-se físico.
Como tudo no Universo são energia e matéria, que se convertem, devem-se aplicar os recursos energéticos para que se reequilibre o organismo físico, na usa essência, igualmente constituído da energia necessária à vida.
E multiplicam-se as terapias alternativas:
Piscobiofísicas, das vidas passadas, cirurgias psíquicas e mediúnicas, hipnose, ao lado da fitoterapia ou flora medicinal, cristalterapia e outros cooperando para a saúde,
O reequilíbrio da criatura na Terra, a diminuição e mesmo o desaparecimento do sofrimento no mundo.
Considerando a valiosa contribuição de todas elas, não podemos esquecer que é na transformação moral do indivíduo para melhor, na ação da caridade – como prescreve o Espiritismo, respaldado no conceito de a pecar, a fim de que não lhes acontecesse nada pior – que a cura real se processa e o sofrimento se dilui, cedendo lugar à paz e ao equilíbrio psicofísico.

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Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 07 de Agosto de 2020, 18:31
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XII – Sofrimento ante a Morte

A impermanência de todas as coisas e pessoas no mundo físico é também extensiva à conjuntura do sofrimento.
A sua vigência resulta da intensidade dos fatores causais que o engendraram.
O campo de energia afetado, no caso das doenças, terminada a prova ou a expiação que depuram, recompõe-se, facultando o equilíbrio.
Não obstante, nos sofrimentos morais, quando a desarmonia é emocional, por meio do autocontrole, da oração, da meditação, das ações de beneficência, o ser mais facilmente se libera, deixando de valorizar demasiadamente as ocorrências aflitivas, considerando-as naturais no processo evolutivo, e por consequência, aceitáveis.
A aceitação do sofrimento é o passo decisivo para a liberação dele, enquanto a rebeldia produz efeito totalmente contrário.
Compreendendo-se que o corpo é uma organização delicada, sujeita a deterioramento, desgaste e transformação pelo fenômeno da morte, nele não se colocam as bases da vida, nem se fiam as realidades essenciais.
Assim, quando lhe sucedam as desconexões e os desajustes, advindo-lhes a interrupção, a morte não se transforma em motivo de desgraça, de ruína.
A preparação conveniente para enfrentar a morte faculta uma aceitação do seu fatalismo e, portanto, uma diminuição do sofrimento.
Quem, na vida material deposita todas as suas aspirações e nela vê um fim único, constatando-lhe a interrupção, o cessar de manifestações, experimenta superlativas dores morais, que se transformam em sofrimentos físicos sem lenitivo imediato.
Assim, as dores têm muito a ver com as disposições psicológicas de cada indivíduo, a maneira de encarar a vida e a sua estrutura, os acontecimentos e as suas matrizes.
A morte, por ignorância da vida, tem sido através dos milênios a causa de sofrimentos inimagináveis, desencadeadora de tragédias e de desconforto sem-fim.
Todo fenômeno biológico que se inicia, naturalmente cessa.
Tudo que nasce, no plano físico, interrompe-se, transforma-se, portanto, morre.
Não há prazo nem determinismo absoluto de tempo, dependendo de inumeráveis razões para que o ciclo que começou se encerre...
Assim, a morte é inevitável e o sofrimento que ela gera resulta somente de má interpretação dos objetivos da vida.
O apego à forma transitória, que se decompõe, produz a perturbação emocional, dando ideia de que tudo se consumiu, nada mais restando como finalidade da existência humana.
Colocadas todas as esperanças no corpo, os fenômenos inerentes à sua constituição perturbam quem nele se firma, produzindo o impacto desesperador.
De certo modo, a ocorrência é resultado de uma educação, uma formação cultural materialista, mesmo que sob o disfarce espiritualista.
As pessoas ligam-se a correntes religiosas sem vinculação emocional nem aprofundamento racional do seu conteúdo, e, em face desse comportamento, a morte se lhes apresenta como sendo a grande destruidora de planos, de anseios e realizações.
Por negarem-se a uma análise profunda em torno da vida, passam a existência corporal transferindo reflexões no tempo e programando, fruindo ao máximo, sob a conivente ilusão da eternidade carnal.
Quando jovens, transferem para a velhice o exame da morte quando sadios, adiam para o período das enfermidades a mesma reflexão, acreditando-se invulneráveis ao desgaste e aos fenômenos degenerativos da matéria.
Á medida que o tempo transcorre, negam-se a envelhecer, utilizando-se de expedientes cirúrgicos, ginásticos, alimentares, na vã tentativa de manter a juventude que os anos arrebatam inexoravelmente.
A luta para escamotear a realidade é tenaz, e, quando essa se apresenta vexatória, derrapam nas crises neuróticas, nas fugas pelos alcoólicos e outras drogas, tombando no suicídio.
Assim, a morte tem sido responsabilizada por ocorrências que lhe não dizem respeito e devem ser creditadas à intemperança das próprias criaturas.
A morte de um ser amado, em razão disso, não deveria acarretar desespero, antes alegria, especialmente se a sua foi uma existência digna.
Deplora-se, então, não poucas vezes, a morte de uma pessoa boa e a permanência de outra má, numa espécie de desequilíbrio das leis soberanas, quando o correto é essa determinação.
O homem e a mulher de bem, porque exemplares na conduta e no pensamento, encerraram os seus compromissos o mundo físico, podendo retornar à sua origem, enquanto os endividados, os de conduta insana devem desfrutar de tempo para a sua reparação, o reequilíbrio.
O corpo, mesmo quando bafejado pela saúde, é um cárcere, e a liberação de um ser amado que volve à plenitude deverá causar alegria e não desgosto.
Se forem pessoas más que desencarnem, também a satisfação deveria permanecer, pelo fato de a mesma interromper-lhes o curso dos delitos, facultando-lhes tempo para pensar, não se comprometendo mais, nem se arruinando em demasia.
Não é assim que reagem as criaturas, na teimosia em que permanecem, negando-se a uma mudança saudável de conduta.
“Não me conformo” - asseveram uns. –
“É uma desgraça”. - afirmam outros.
“Nunca aceitarei”. - informa a maioria,
Diante da morte dos seres queridos, entregando-se voluntariamente ao sofrimento.
O orgulho desmedido e a presunção pessoal são lhes os adversários mais rigorosos, que não lhes permitem raciocinar diante do que acontece com todos os seres.
Acompanham a ocorrência da morte em toda parte com as demais pessoas, porém, acreditam que não ocorrerá com eles, pelo menos, indefinidamente, na dimensão do seu capricho.
Como morte no interroga antes os interessados na vida, ao arrebatá-los, deixa surpresos os seus afetos, que se entregam às desordens emocionais e aos desnecessários sofrimentos que os arrasam.
A morte sempre produz sentimentos contraditórios naqueles que partem, como naqueles outros que ficam.
Para todos é, normalmente, uma grande surpresa, na maioria das vezes, desagradável.
Quem considerou e se preparou para o acontecimento, logo se adapta após o choque inicial, como é compreensível.
No entanto, para aquele que ao corpo delegou todos os interesses, a surpresa é substituída pelo desgosto ante o suicídio, acompanhado por injustificável revolta, que causa males insuspeitados.
O sofrimento que decorre da morte é, portanto, resultado da óptica pela qual se observam e se acompanham os mecanismos da vida.
Constituem fenômenos naturais a dor da saudade, a melancolia, a preocupação com o estado do ser que partiu, como decorrência de necessárias provações para o amor, que precisa sublimar-se pela ausência física e por todas as implicações dela decorrentes.
Como a real, a verdadeira felicidade não se pode fruir no mundo físico, dia chegará, logo mais, para vivê-la, onde não haja morte, nem separando-se para morrer, aflitiva, evitando o desespero e todo o seu séquito de agentes perturbadores.

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“Por ocasião da morte, tudo, a princípio, é confuso.
De algum tempo precisa a alma para entrar no conhecimento de si mesma.
Ela se acha como que aturdida, no estado de uma pessoa que despertou de profundo sono e procura orientar-se sobre a sua situação.
A lucidez das ideias e a memória do passado lhe voltam, à medida que se apaga a influência da matéria que ela acaba de abandonar, e à medida que se dissipa a espécie de névoa que lhe obscurece os pensamentos.
Muito variável é o tempo que dura a perturbação que se segue à morte.
Pode ser de algumas horas, como também de muitos meses e até de muitos anos.
Aqueles que, desde quando ainda viviam na Terra, se identificaram com o estado futuro que os aguardava, são os em que menos longa ele é, porque esses compreendem imediatamente a posição em que se encontram.
(”Comentários de Allan Kardec à questão nº 165 de O Livro dos Espíritos. 29ª edição, FEB)

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Título: Re: Série Psicológica - Joanna de Ângelis
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 07 de Agosto de 2020, 18:32
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XIII – Sofrimento no Além-Túmulo

A problemática do sofrimento se apresenta, à luz do Espiritismo, com uma dimensão desconhecida pela maioria das doutrinas filosóficas e religiosas, ampliando a sua área de estudo e discussão.
As religiões ortodoxas resolveram a questão da Justiça Divina mediante a aplicação das penas e recompensas eternas.
Estabeleceram o conceito de punição eterna, engendrando uma forma de vingança celeste, na qual o amor, a compaixão, a benevolência e a própria justiça ficam à margem, desconsiderados.
O infrator, segundo esse critério, perde o direito à reabilitação.
Mesmo quando ignorante, psicopata ou simplesmente revel, ao tombar no erro é condenado sem remissão, caso morra em pecado.
Com a mesma atitude, num momento severa, noutro, torna-se ingênua, diante do medroso que se arrepende ou do astuto que diz submeter-se ao dogma ou aceitar o cristo como seu salvador,
Liberando-o, a passe de mágica, de todo o sofrimento e brindando-o com a perpétua felicidade,
Que é reservada ao justo, como se procedimentos díspares merecessem a mesma qualificação e recompensa.
A culpa assinala a consciência que se abre em chaga viva até a reparação do erro, a recomposição do campo energético agredido.
O arrependimento sincero ou os propósitos honestos de reabilitação não bastam para conceder o reequilíbrio no psiquismo e na emoção do delinquente.
Por isso, quanto mais esclarecido e lúcido o infrator, tanto maior o grau da sua responsabilidade.
O erro retém o seu autor nas próprias malhas, que este deve desfazer mediante a correção do que foi praticado.
Esse labor faculta dignificação, promovendo o indivíduo.
Liberado do mal praticado, adquire experiência e avança, estrada a fora, no rumo de novos patamares para a felicidade, sem retentivas a retaguarda.
Nem mesmo o perdão que a vítima concede ao seu malfeitor libera-o da consciência de culpa.
Ajuda-o, naturalmente, a sentir-se melhor consigo próprio e com aquele a quem prejudicou, estimulando-se, ele mesmo, para reparar o dano causado.
Mediante a concessão do amor e não o ódio em forma de revide, torna-se-lhe mais factível a vitória, recuperação moral, assim liberando-se do sofrimento.
A ilusão da posse, a presença das paixões primitivas, o egoísmo, agasalhados enquanto no corpo, transferem as chagas que geram para além da sepultura.
Desde que o homem é Espírito e este, energia, as suas mazelas permanecem impregnadas, produzindo as ulcerações alucinantes onde quer que este se encontre: no corpo ou fora dele.
Não provocando real alteração em ninguém, a morte apenas transfere os seres de posição e situação vibratória, mantendo-os conforme são.
É natural que a troca de indumentária imposta pelo cessar do fenômeno biológico não lhe arranque as estratificações na área da energia, portanto, na sede da consciência.
O desencarnado desperta além das vibrações moleculares do corpo com as mesmas aptidões, ansiedades, engodos, necessidades cultivadas, boas ou más, voltando a assumir a postura equivalente ao grau de evolução em que estagie.
As sensações que lhe são predominantes na individualidade permanecem-lhe, quando atrasado, sensual, amante dos prazeres, vinculado aos pensamentos sinistros, licenciosos, egoísticos, fazendo-o experimentar a mesma densidade vibratória que lhe era habitual durante a conjuntura orgânica.
Rematerializa-se e passa a viver como se estivesse encarcerado no corpo somático, sofrendo-lhe todos os limites, conjunturas, condicionamentos, doenças, desgastes...
A mente, escrava das sensações, elabora formas ideoplásticas que o aturdem e infelicitam, tornando-lhe o sofrimento de difícil descrição.
Tenta o contato com os familiares e amigos que ficaram, e eles não se apercebem, o que lhe aflige dores morais superlativas, levando-o à loucura, à agressividade, ao desalento.
Em alguns momentos, esbraveja e exaure-se, entregando-se aos paroxismos do desespero e desmaia, para logo recomeçar, sem termo, até quando brilha na consciência entenebrecida o amor,
Que o desperta para outro tipo de sofrimento,
O de remorso, do arrependimento que o conduz ao renascimento, para a recuperação sob os estigmas da cruz que traz insculpida na existência.
Enquanto não lhe chega esse socorro,
Une-se em magotes de desesperados, que constroem regiões dantescas, onde se homiziam e prosseguem sob o açodar das penas que o automatismo das leis de Deus, neles próprios, como em todos nós inscritas, impõem.
O sofrimento, nessas regiões, decorre dos atentados perpetrados com a anuência da razão.
Ninguém se evade das consequências dos seus atos, como planta alguma produz diferente fruto da sua própria estrutura fatalista.
O amor é a grande lei da vida.
É o amor que estabelece o critério de justiça com igualdade para todos, respondendo em reação conforme praticada a ação.
A conduta mental e moral cultivada durante a existência corporal propicia resultados correspondes, impregnando o ser com os hábitos que se transformam em experiências de libertação ou retenção,
Consoante a qualidade de que de revestem.
O prolongamento da vida após a morte física faz-se com as mesmas características, resultando as fixações como futuros critérios de comportamento.
Porque a mente viciada gera necessidades que não encontram correspondente satisfação,
O sofrimento é a presença constante naqueles que se enganaram ou lograra prejudicar os outros.
Consciências encarceradas na ignorância das leis da vida, quando são chamadas ao sofrimento purificador, entregam-se à rebeldia e buscam fugir da colheita que lhes chega mediante o suicídio horrendo.
Para a própria desdita, mais dolorosa, encontram a vida que ultrajaram com o gesto desvairado, somando às novas dores a frustração por constatarem-se como indestrutíveis,
E as aflições decorrentes do ato praticado, que produzem dilacerações no perispírito que passa, então, a sofrer males que não conduzia.
Além desses, estão na sua realidade espiritual, as consequências infelizes, tais:
A dor dos familiares ou a revolta que neles se instala;
O exemplo negativo, que estimula outras futuras defecções;
Os problemas que recaem sobre os que ficaram, produzindo-lhes sofrimentos inenarráveis, que se arrastam por decênios largos até o momento de retorno à Terra, com as marcas da deserção.
Noutros casos, buscando fugir às enfermidades degenerativas, outras pessoas recorrem à eutanásia,
Título: Re: Série Psicológica - Joanna de Ângelis
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 07 de Agosto de 2020, 18:33
Na ingênua perspectiva de sono eterno sem despertar, quando tudo fala de vida, de atividade, de progresso.
O letargo que buscam é povoado de pesadelos sombrios e presenças espirituais impiedosas, que lhes invectivam o ato e as atormentam sem descanso.
A morte, em hipótese alguma, faz cessar o sofrimento, porque, não anulando a consciência, faculta-lhe logicar e vivenciar o prosseguimento das experiências,
E porque as percepções pertencem ao Espírito,
Continuam sendo transformadas as delicadas engrenagens da energia em sensações e emoções.
Daí a manifestação do sofrimento corrigindo os erros e conduzindo o infrator à reparação.
Ninguém pense em morrer para libertar-se, caso não se libere antes do fenômeno de alterações biológicas pelo processo da morte.
A ilusão que se permite os indivíduos, conceituando a vida como um acidente biológico, à a grande responsável pelos disparates que lhes engendram dor e sofrimento.
Somente a conscientização, a verdadeira individualização permitem uma vida saudável, na Terra e além dela,
Quando ocorre o fenômeno da morte, em natural processo final de ciclo biológico. Prosseguindo o ser, além da disjunção cadavérica, com a consciência de si mesmo, é natural que permaneçam nele impressas as sensações e emoções amplamente vividas.
Como efeito, aquelas que lhe constituíram bênção ou desarmonia predominam com mais vigor, dando curso à vida, embora noutra dimensão.
Nessa panorâmica, ressaltam as impressões grosseiras, de que não quis ou não de pôde libertar, gerando sofrimentos correspondentes, qual se permanecesse na esfera física.
Como é compreensível, as fantasias cultivadas e os desequilíbrios da insensatez geram, na área dos sentimentos, amarguras, que são complementadas pelos complexos resultados da consciência de culpa,
Em razão dos erros perpetrados e de tudo quanto de positivo ele houvera podido realizar e não logrou fazer.
A consciência que se apresenta culpada engendra mecanismos de reparação que se transformam em pesadelos de arrependimento desnecessário,
Assim permanecendo como látego inclemente a infligir-lhe punição.
O arrependimento deve constituir um despertar da responsabilidade que convida à reconstrução, à renovação, à ação reparadora sem aflição nem desdita.
O sofrimento no além-túmulo também assume condições chocantes, quando o desencarnado, por meio da perturbação do após-morte, entrega-se às ideoplastias do cotidiano,
Construindo psiquicamente um clima e uma realidade, nos quais se envolve, que lhe proporcionam o prosseguimento do estado orgânico com as suas difíceis conjunturas,
Agora em situação diferente, prolongando a ilusão carnal com todos os seus ingredientes perturbadores,
Que são resultado do apego à matéria, de que se não libertou realmente, apesar do fenômeno biológico da morte.
É indispensável a libertação dos condicionamentos materiais, disciplinado a mente e a vontade,
De modo a adaptar-se de imediato à vida-além-da vida.
Somente assim o sofrimento pode ser evitado, especialmente se a existência corporal fez-se caracterizar pelas ações enobrecidas, atingindo a finalidade precípua da reencarnação, que é a busca da felicidade.
A educação moral e espiritual do ser é o instrumento seguro para libertá-lo do sofrimento na Terra, como no além-túmulo, facultando-lhe vida em abundância de paz.

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“Irmãos, tomai como exemplo, só sofrimento e na paciência, os profetas que falaram em nome do Senhor.
Eis que chamamos felizes aos que sofreram.
Tendes ouvido da paciência de Job e tendes visto o fim do Senhor, que é cheio de ternura e de compaixão.”
(Tiago, 5:10 e 11.)

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Médium: Divaldo Pereira Franco
PLENITUDE
Título: Re: Série Psicológica - Joanna de Ângelis
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 07 de Agosto de 2020, 18:33
Série Psicológica Joanna de Ângelis
Livro: Plenitude

XIV – Libertação do Sofrimento

Diante da infinita gama dos sofrimentos que dilaceram as criaturas, a finalidade da terapia profunda é arrancar-lhes as causas geradoras.
Ao lado de todo o contributo ético-moral que suaviza o sofrimento e altera-lhe a causalidade, produzindo gêneses saudáveis para o futuro,
A assistência médica, quando se trate de questões na área da saúde física, assim como a assistência das ciências psíquicas no comportamento alienado ou nos conflitos da personalidade são de relevante valor.
Seja qual for o tipo de sofrimento, as suas garras produzem chagas de demorado processo degenerativo que leva, às vezes à alucinação, ao despautério, às arbitrariedades, especialmente as pessoas destituídas de resistências morais.
Normalmente, a sua intensidade é captada conforme a sensibilidade de quem o experimenta.
Sofredores há, na esfera física, portadores de alta capacidade para suportar-lhe a injunção, que, no entanto, tombam, desalentados, quando o sofrimento se apresenta no campo moral.
A recíproca é verdadeira, consagrando os heróis das resistências quase inacreditáveis, sob o jugo dos terríveis acúleos cravados nos tecidos da alma.
O sofrimento está muito relacionado com o processo espiritual.
A ampla sensibilidade faculta-lhe maior profundidade emocional, que responde pelas angústias e desagregações interiores, sem queixumes nem acusações.
O padecente silencia a dor e deixa-se estraçalhar interiormente, em especial quando tomba nas aflições morais, derivadas da traição, da injustiça, da crueldade, do abandono, do isolamento...
Se possuem fé religiosa e transferem o testemunho para o futuro espiritual, suportam melhor as lâminas cortantes, com equilíbrio, logrando vencer a conjuntura, superando-se e saindo da crise com amadurecimento e paz.
As enfermidades de larga duração aformoseiam-lhes o caráter e dão-lhes maior quota de amor aos sentimentos, que transbordam de ternura.
Quando atingem aqueles que estagiam em faixas menos evolutivas, as enfermidades brutalizam-nos e asselvajam-lhes as bases dos sentimentos, que se desenvolviam noutra direção benéfica.
O Espiritismo, em razão da sua complexa estrutura cultural, científica, moral e religiosa, é a doutrina capaz de equacionar o sofrimento, liberando as suas vítimas.
Carl Gustav Jung foi possivelmente quem melhor penetrou a realidade do sofrimento, propondo a sua elucidação e cura.
Enquanto a preocupação geral se baseava nos resultados físicos, no bem-estar emocional, sob a angulação médica, ele recorreu a dois métodos para encontrar-lhe a gênese e a solução:
Os sonhos e a imaginação.
Embora reconhecesse que toda generalidade peca por insuficiência de recursos para o atendimento, desde que cada caso é específico e exige uma linguagem terapêutica especial, adotava os dois comportamentos como método eficaz para os resultados saudáveis.
Ao mesmo tempo recomendava o apoio religioso, portador de excelentes contribuições para a cura da alma., na qual se sediam todas as causas dos sofrimentos.
A individualização e a marcha na direção do luminoso constituíram-lhe valiosos mecanismos terapêuticos para os problemas dos pacientes que o buscavam.
A promoção moral proposta pelo Espiritismo e a contribuição extraordinária que dá, pelo fato de ser a alma imortal
– herdeira dos próprios atos que, equivocados, são geradores de sofrimentos
– e da reencarnação
– em cujos renascimentos o ser espiritual se depura, mediante, não raro, o sofrimento
– constituem terapias irrecusáveis, no programa de eliminação da dor no homem e na Terra.
O sofrimento tem vigência transitória, por ser efeito do desequilíbrio da energia que, direcionada para o bem e para o amor, deixa de desarticular-se, facultando aos seres a iluminação, a plenitude, portanto, a saúde integral, que a todos no mundo está reservada pelo Pai Criador

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Série Psicológica Joanna de Ângelis
Médium: Divaldo Pereira Franco
Título: Re: Série Psicológica - Joanna de Ângelis
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 24 de Agosto de 2020, 11:07
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Livro: Momentos de Saúde e de Consciência

Momentos de Saúde

A conquista da saúde integral é a meta ambicionada pela criatura humana.
Conseguir a harmonia entre o equilíbrio orgânico, o emocional e o psíquico, num quadro geral de bem-estar, constitui um grande desafio para a inteligência humana que, milenarmente, vem recorrendo às mais variadas quão complexas experiências, que têm resultado em admiráveis e valiosas conquistas.
Desse labor específico aliado a outros da ciência apoiada à tecnologia, relativamente ao meio ambiente, aos fatores destrutivos, a vida humana atinge hoje os mais elevados índices de longevidade de todos os tempos.
O homem tem conseguido banir da Terra enfermidades que dizimavam, no passado, povos inteiros, em permanente ameaça de extinção do gênero humano.
A precisão de diagnóstico e o uso de sofisticados aparelhos vêm logrando o milagre de detectar graves enfermidades antes da sua calamitosa manifestação,
Ou no seu início, ao lado de terapêuticas avançadas, que prolongam a existência carnal, diminuem as dores e preservam os órgãos, mesmo quando afetados.
Certamente, novas doenças surgem e tomam conta das paisagens humanas, no entanto, sendo estudadas e combatidas sem trégua.
Por instinto, o ser procura evitar o sofrimento ou liberar-se d’Ele, utilizando-se de todos os recursos imagináveis.
O temor do desgaste, da dor e da morte apresenta-se ínsito em todos, sob o comando da necessidade de preservação da vida,
O que é uma bênção, evitando, ao máximo, os atos de desespero extremo, que resultam no suicídio,
Esse nefando inimigo da caminhada evolutiva do espírito.
Graças à inferioridade humana permanecem os fatores de perturbação e desordem na área da saúde, desenvolvendo as enfermidades dilaceradoras.
À medida que a criatura se autodescobre e se autopenetra com os equipamentos do amor, constata que a saúde é uma conquista interior,
Que se reflete no corpo como resultado da harmonia íntima.
Felizmente, a ciência médica alarga o seu elenco conceptual em torno da saúde e da doença, recorrendo a outras disciplinas,
Que contribuem eficazmente para o bem-estar dos seres.
As modernas constatações da Psicossomática vêm demonstrar que as ocorrências patológicas, nas áreas psíquica e emocional,
Facilmente se transferem para a orgânica, ensejando campo para a instalação de doenças de gênese variada.
Perturbado o equilíbrio energético de sustentação das células, os fatores imunológicos, sob bombardeio de descargas mentais destrutivas,
Alteram-se, facultando a instalação e desenvolvimento dos agentes mortíferos, que produzem a degenerescência do organismo.
Em razão disso, torna-se imprescindível o estabelecimento de uma era de nova consciência da responsabilidade,
A fim de que, lúcido e equilibrado, o indivíduo defina os paradigmas de uma conduta moral e mental harmônicas, para a aquisição do valioso patrimônio da saúde.
Jesus, em todo o Evangelho, exalta a harmonia moral e emocional da criatura perante a Vida como fator essencial para a sua salvação — o estado de saúde integral.
Psicoterapeuta incomum, propôs o autoexame em forma de receita para a aquisição da paz, como decorrência das propostas do amor a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.
Síntese de ímpar sabedoria,
O amor é a chave para o enigma da enfermidade-saúde.
Posteriormente, atualizando o pensamento do Mestre, Allan Kardec estabeleceu, na Caridade, a terapia para a paz e o modelo de aplicação correta para o amor.
Modernamente, diversas ciências são concordes com esses programas, especialmente as Psicologias Transpessoal, Transacional e Criativa,
Concitando ao autoencontro, à libertação do entulho mental e moral, à conquista do ego e plenificação do self, do eu espiritual eterno, no seu inevitável processo de crescimento.
Desejando participar desse abençoado esforço desenvolvido pelos sacerdotes da área da saúde,
Apresentamos ao caro leitor esta modesta contribuição,
Que nada inova,
Porém, pretende fazer uma ponte entre as excelentes contribuições do conhecimento tecnológico com os ensinamentos sábios de Jesus e de Allan Kardec,
Diminuindo o abismo entre a Ciência em si mesma e a Religião,
A fim de que avancem unidas, beneficiando as criaturas e a sociedade, que marcham na busca de um amanhã feliz.
Esperando que estes momentos de saúde sejam o pórtico para a conquista da saúde integral,
Sentimo-nos compensada pelo prazer de participar na obra do Senhor como servidora menor e dedicada.

Joanna de Ângelis Salvador, 22 de outubro de 1992

• O psiquismo divino flui através de mim.
• Deus sustenta-me e conduz-me em todos os dias da vinha vida.
• Há um fluxo e refluxo de força que me percorre o ser e impulsiona-me ao prosseguimento.
• De mim depende coordenar os movimentos, eleger a meta e avançar.
• Submetendo-me a essa força vital tudo se me torna acessível, e poderei chegar ao bom termo das minhas aspirações em paz.

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Médium: Divaldo Pereira Franco
Título: Re: Série Psicológica - Joanna de Ângelis
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 24 de Agosto de 2020, 11:08
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Livro: Momentos de Saúde e de Consciência

1. DECISÃO DE SER FELIZ

Empenha-te ao máximo para tornar tua vida agradável a ti mesmo e aos outros.
É importante que, tudo quanto faças, apresente um significado positivo, motivador de novos estímulos para o prosseguimento da tua existência, que se deve caracterizar por experiências enriquecedoras.
Se as pessoas que te cercam não concordarem com a tua opção de ser feliz, não te descoroçoes, e, sem qualquer agressão, continua gerando bem-estar.
És a única pessoa com quem contarás para estar contigo, desde o berço até o túmulo, e depois d’Ele, como resultado dos teus atos...
Gerar simpatia, produzindo estímulos otimistas para ti mesmo, representa um crescimento emocional significativo, a maturidade psicológica em pleno desabrochar.
É relevante que o teu comportamento produza um intercâmbio agradável, caricioso, com as demais pessoas.
No entanto, se não te comprazer, transformar-se-á em tormento, induzindo-te a atitudes perturbadoras, desonestas.
Tuas mudanças e atitudes afetam aqueles com os quais convives.
É natural, portanto, que te plenificando, brindem-te com mais recursos para a geração de alegrias em volta de ti.
Todos os grandes líderes da Humanidade lutaram até lograr sua meta — alcançar o que haviam elegido como felicidade, como fundamental para a contínua busca.
Buda renunciou a todo conforto principesco para atingir a iluminação.
Maomé sofreu perseguições e permaneceu indômito até lograr sua meta.
Gandhi foi preso inúmeras vezes, sem reagir, fiel aos planos da não-violência e da liberdade para o seu povo.
E Jesus preferiu a cruz infamante à mudança de comportamento fixado no amor.
Todos quantos anelam pela integração com a Consciência Cósmica geram simpatia e animosidade no mundo, estando sempre a braços com os sentimentos desencontrados dos outros,
Porém fiéis a si mesmos, com quem sempre contam, tanto quanto, naturalmente, com Deus.
Quando se elege uma existência enriquecida de paz e bem-estar, não se está eximindo ao sofrimento, às lutas, às dificuldades que aparecem.
Pelo contrário, eles sempre surgem como desafios perturbadores, que a pessoa deve enfrentar, sem perder o rumo nem alterar o prazer que experimenta na preservação do comportamento elegido.
Transforma, dessa maneira, os estímulos afligentes em contribuição positiva, não se lamentando, não sofrendo, não desistindo.
Quem, na luta, apenas vê sofrimento, possui conduta patológica, necessitando de tratamento adequado.
A vida é bênção, e deve ser mantida saudável, alegre, promissora, mesmo quando sob a injunção libertadora de provas e expiações.
Tornando tua vida agradável, serão frutíferos e ensolarados todos os teus dias.

• O pensamento divino concedeu-me liberdade de poder realizar todo bem que deseje.
• Ser feliz ou desventurado é-me opção voluntária.
• Sou escravo da lei, que me enseja progredir sem interrupção no tempo.
• O que eu sou ou o que serei, depende de mim.
• A inspiração superior nunca me falta, porém, sintonizar com ela será aspiração pessoal.
• Construindo as estruturas existenciais na mente, torná-las-ei realidade no percurso carnal.

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Médium: Divaldo Pereira Franco
Título: Re: Série Psicológica - Joanna de Ângelis
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 29 de Agosto de 2020, 11:16
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2. LIBERDADE DE ESCOLHA

És livre para imprimir na tua existência o padrão de felicidade ou de aflição com o qual desejes conviver.
A liberdade é lei da vida, que faz parte do concerto da harmonia universal.
Os imperativos inamovíveis e deterministas são vida e morte, no que diz respeito aos equipamentos orgânicos, mesmo assim, sob o fatalismo de incessantes transformações.
Submetido à ordem da ação, que desencadeia reações correspondentes, és o que de ti próprio faças, movimentando-te no rumo que eleges.
Há pessoas que preferem a queixa e a lamentação, armazenando o pessimismo em que se realizam.
Negociam o carinho que pretendem receber com as altas quotas de padecimentos que criam psiquicamente.
Ao lado de outras, que chantageiam os afetos, mediante a adoção de sofrimentos irreais, estabelecem como metas a conquista de atenções e carícias que lhes são sempre insuficientes, não se dando conta que, dessa forma, farão secar a fonte generosa que as oferece.
Ninguém se sente bem ao lado de criaturas que elegem o infortúnio como falsa solução para os seus conflitos existenciais.
Essa coação emocional termina por produzir amizades falsas, situações constrangedoras, mais insegurança.
Podes e deves ser feliz.
Esta é a tua liberdade de escolha.
Se te encontras atrelado ao carro das aflições, porfia construindo o bem e te libertarás.
A dificuldade de agora é o efeito da insensatez do passado.
A vida renova-se a cada momento.
Situações funestas alteram-se para melhor, à semelhança de paisagens ensombradas que rapidamente vestem-se de Sol.
Não dês trégua à desdita, à ociosidade, aos queixumes.
És senhor do teu destino, e ele tem para ti, como ponto de encontro, o infinito.
Quem se desvaloriza e se desmerece e se invalida, fica na retaguarda.
É necessário que te envolvas com o programa divino.
Todo aquele que se não envolve positivamente, nunca se desenvolve.
Se preferires sofrer, terás liberdade para a experiência até o momento em que te transfiras para a opção do bem-estar.
Desse modo, não transformes incidentes de pequena monta, coisas e ocorrências corriqueiras, em tragédias.
Ninguém tem o destino do sofrimento.
Ele é resultado da ação negativa, jamais a causa.
Faze uma avaliação honesta da tua existência,
Sem consciência de culpa,
Sem pieguismo desculpista,
Sem coerção de qualquer natureza,
E logo depois desperta para o que deves produzir de bom, de útil, de construtivo empenhando-te na realização da tua liberdade de ser feliz.
• A presença divina apóia-me nos processos de crescimento e renovação.
• Cada momento constitui-me oportunidade nova para avançar ou corrigir erros.
• As transformações que a vida opera são fases de desenvolvimento.
• A poda renova; A dor desperta; A provação educa; A alteração de comportamento propõe esforço.
• Estou fadado à felicidade, que lograrei mediante renovação e luta, pois que sou filho de Deus.
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Médium: Divaldo Pereira Franco
Título: Re: Série Psicológica - Joanna de Ângelis
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 21 de Setembro de 2020, 15:52
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3. FENÔMENOS RENOVADORES

A vida é um incessante mecanismo de transformações.
Nada permanece inalterável.
A mudança é fenômeno natural do processo renovador.
Tudo quanto não se renova, morre, impondo um normal efeito de desenvolvimento.
O repouso é interpretação equivocada em torno de ocorrências não detectadas.
Desse modo, emoções, organização fisiológica, comportamentos humanos, encontram-se sujeitos aos imperativos de alterações necessárias, variando de acordo com ocorrências, circunstâncias, ocasiões.
Essas alterações na criatura humana procedem de estados diferenciados de consciência, de padrões mentais diversos, de filosofias existenciais variadas.
Conforme se pensa, assim se procede.
A mente, exteriorizando os níveis psicológicos, é responsável pelas atitudes, por expressar a realidade espiritual de cada um.
O processo que precede à ação é de natureza mental.
Portanto, tudo quanto se afirma, ou se nega mentalmente, passa a exercer preponderância que se materializa no campo da realidade objetiva.
O cultivo das idéias pessimistas, geradoras de enfermidades e dissabores, angústias e tragédias, deve ser substituído pelos pensamentos saudáveis, produtivos, responsáveis pelos bens da vida.
Ninguém há que se encontre fadado à desdita.
Renovando-se, altera-se-lhe a paisagem para o futuro, mediante o que elabore na área dos desejos mentais.
Os teus pensamentos seguem a linha direcional das tuas aspirações.
O que anelas na emoção, elaboras na construção mental.
Sucederá, portanto, conforme o queiras.
Certamente experimentarás, no transcurso da existência física, provas e expiações, que decorrem de pensamentos e atitudes passadas, ora retornando ao proscênio do ser como mecanismos de reparação, resgate, reeducação.
Houvesses agido de forma diferente e enfrentarias outras situações cármicas.
Não obstante tais efeitos, a lei de renovação propele-te à modificação da estrutura dos dias porvindouros, mediante a tua conduta presente.
Revisa, quanto antes, os teus planos de ação.
Submete-os a uma análise tranquila e considera as tuas possibilidades atuais, refazendo programas e estabelecendo metas novas.
Se te parecem corretos, amplia-os.
Se te manifestam insuficientes ou perturbadores, corrige-os.
Renova-te, porém, alterando sempre para melhor as tuas disposições de crescimento, seja como for que te encontres.
Não exijas que as pessoas sejam-te iguais, sempre as mesmas, com repetitivos hábitos, expressando-te idênticos sentimentos.
Diante dos afetos que diminuíram de intensidade;
Dos comportamentos que se alteraram;
Das situações que sofreram mudanças;
Dos amigos que fizeram novas opções;
Do entusiasmo que arrefeceu ou passou para outra área;
Dos desafios novos, não te insurjas pela depressão ou violência.
São fenômenos, estes, de mudança que a vida impõe.
Aceita-os com calma e em paz, continuando com os ideais nobres e evoluindo sempre, sem retentivas com a retaguarda nem ansiedades em relação ao futuro.
• A força divina perpassa pela minha mente e meu corpo.
• Renasci em situação penosa para treinamento da evolução.
• As pessoas são conforme se comprazem, mas, eu sou uma busca perene de harmonia.
• O mal que me fizeram, tornarei um bem para mim.
Não era intenção d’Eles estigmatizar-me.
Sucede que, a seu turno, foram vítimas e não sabiam fazer melhor.
Assim, eu os amo e serei livre para conquistar as metas da perfeição.

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Médium: Divaldo Pereira Franco
Título: Re: Série Psicológica - Joanna de Ângelis
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 21 de Setembro de 2020, 15:53
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4. LIBERAÇÃO

As cargas mentais negativas possuem a nefasta força de desorganizar as engrenagens psicológicas e físicas do ser.
Acostumando-se-lhes, será necessário ingente esforço para destrinçá-las nos sutis emaranhados dos campos de energia geradora da vida.
Recordações desagradáveis, pensamentos perturbadores, idéias viciosas, frases deprimentes do ontem, ressumam como necessidades de queixas, ressentimentos guardados, iras conservadas, depreciação de si mesmo, desamor,
Num conjunto de ingredientes destrutivos,
Que terminam por desorganizar o ser que se lhes permite vitimar.
Não se pode evitar o haver nascido em um lar agressivo, entre pessoas hostis, sob injunções sóciomorais e econômicas penosas.
Tal acontecimento faz parte do passado e a lamentação somente complica-o, ao invés de eliminá-lo.
Submeter-se às reminiscências deploráveis torna-se uma forma de infeliz masoquismo, que vitaliza o que não se tem como eliminar, embora os recursos de que se dispõe para sobrepô-las e esquecê-las.
Toda vez que alguém se apóia à autocompaixão diante do insucesso da existência planetária, acomoda-se ao sucedido e preserva-o por conformismo.
Faz-se, então, inadiável, a decisão para ser feliz, revertendo o ocorrido.
A reencarnação conduziu-te a um lar que consideras inadequado para o teu progresso, e que te faz sofrer.
Talvez, tu mesmo o hajas elegido para adaptar-te desde cedo ao processo reparador.
Cada um se vincula aos seres de que necessita para a evolução.
Permanecer, porém, ergastulado a esses eventos afligentes é atitude acomodatícia com o negativo e perturbador,
Quando dispões de valiosos meios para a libertação.
Problemas existem, para serem solucionados.
Dificuldades são testes para desafiar os valores latentes do conhecimento, da capacidade de luta de cada um.
Se preferes a autopiedade, ninguém te poderá ajudar.
O ressentimento, o medo, a queixa, a reclamação do passado, mais te farão dependente do acontecido, no qual inconscientemente te apóias a fim de não lutares pela restauração da paz, e o logro da alegria.
Não podes, nem deves incorporar à existência os vaticínios danosos que te fizeram,
As expressões chulas que te dirigiram,
As frases deprimentes que te endereçaram,
As agressões verbais, morais e físicas de que foste vítima.
Isso já passou e não tens como fazer, para que não houvessem sucedido.
Desviar-lhes, porém, os efeitos daninhos, sim, cabe-te realizá-lo.
Sabes que não és o que te acusaram.
Mas, se por infortúnio da tua fragilidade psicológica, incorporaste à personalidade as investidas aleivosas e te crês conforme te definiram,
Rompe as algemas e ensaia a tua libertação.
És uma gema bruta por lapidar.
Se, exteriormente, a ganga é impura, tens no íntimo o brilho das estrelas, que te cumpre liberar.
Começa agora o novo processo da tua vida.
Dá-te a oportunidade de provar a ti mesmo quanto possuis, e conseguirás produzir.
Experimenta o prazer de construir o teu futuro e, de pronto, começarás a ser uma pessoa ditosa. 

• O auxílio divino invade-me durante os dias da minha vida e encoraja-me.
• Empenho-me em abandonar a acomodação e o desânimo, revigorando-me na prece e trabalhando pela conquista dos recursos superiores.
• As sombras que me envolvem permanecem, porque as sustento com o pensamento.
• Serei o sol do esforço pessoal e banhado pela divina luz me restaurarei, sendo feliz.

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Médium: Divaldo Pereira Franco
Título: Re: Série Psicológica - Joanna de Ângelis
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 21 de Setembro de 2020, 15:54
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5. SAÚDE E BEM - ESTAR

O planejamento de qualquer projeto responde pela qualidade da futura realização.
Previsões e detalhes, cálculos e referenciais, organograma e execução, constituem a base do labor, do qual decorrem os êxitos ou insucessos.
Da planificação até a concretização do empreendimento, quaisquer alterações têm que ser estudadas, a fim de serem introduzidas sem prejuízo para o conjunto ou excesso de gastos não previstos.
Na mesma linha de raciocínio, uma cuidadosa sementeira de cardos, com adubação frequente, outra colheita não resultará, senão de espinhos e acúleos.
A criatura humana torna-se o que pensa, o que sustenta mentalmente e desenvolve até a fixação.
Lamentavelmente, porém, expressiva maioria de indivíduos somente acalenta idéias negativas, lucubra pessimismo, agasalha mal-estares.
Como resultado, enfraquecem-se-lhe as resistências morais, debilitam-se-lhe os valores espirituais e alimenta-se da própria insânia.
Há determinadas provações que são inevitáveis, por procederem de desmandos de outras existências.
Podem, entretanto, através de construções mentais e humanas edificantes, ser alteradas, atenuadas e até liberadas, pois que os atos saudáveis granjeiam mérito para superar aqueles que são danosos.
Não te atenhas aos atavismos infelizes, revivendo-os, comentando-os, reestruturando-os nos campos mental e verbal.
Eles não te abandonarão, enquanto não os deixes.
Queixas-te de insucessos, dissabores, enfermidades, desamor;
E, no entanto, aferras-te a eles de tal forma que perdes o senso de avaliação da realidade, rotulando-te como infeliz e estacionando aí, sem qualquer esforço de renovação.
Afirma a sabedoria popular com propriedade:
Pedra que rola não cria limo, sugerindo alteração de rota, movimento, realização.
Esforça-te por desconsiderar as ocorrências desagradáveis, perturbadoras.
Planeja o teu presente, estabelece metas para o futuro e põe-te a trabalhar sem desfalecimento, sem autocomiseração, sem amargura.
Podes e deves alterar para melhor o clima que respiras, o ambiente no qual te encontras.
Não basta pedires a Deus ajuda, porém, deves fazer a tua parte, sem o que, pouco ou nada conseguirás.
Saúde ou doença, bem ou mal-estar dependem de ti.
Narra-se
Que um sábio caminhava com os discípulos por uma via tortuosa, quando encontraram um homem piedoso que, ajoelhado, rogava a Deus o auxiliasse a tirar do atoleiro o carro em que seguia.
Todos olharam o devoto, sensibilizaram-se e prosseguiram.
À frente, alguns quilômetros vencidos, havia um outro homem, que tinha, igualmente, o carro atolado num lamaçal.
Este, porém, esbravejava reclamando, mas tentava com todo empenho liberar o veículo.
Comovido, o sábio propôs aos discípulos ajudá-lo.
Reunidas todas as forças, logo o transporte foi retirado e, após agradecimentos, o viajante prosseguiu feliz.
Os aprendizes surpresos, indagaram ao mestre:
— O primeiro homem orava, era piedoso e não o ajudamos.
Este, que era rebelde e até vociferava, recebeu nosso apoio.
Por que?
Sem perturbar-se, o nobre professor elucidou:
— O que orava, aguardava que Deus viesse fazer a tarefa que a ele competia.
O outro, embora desesperado por ignorância, empenhava-se, merecendo auxílio.
Será, pois, ideal, que sem reclamar e pensando corretamente te disponhas a retirar do paul o carro da tua existência,
A fim de seguires feliz adiante com saúde e bem-estar.

• O amor divino inunda-me de paz.
• Sua presença conduz-me ao próximo, que passo a amar.
• Descubro-me em falta para com Deus e para com o meu irmão.
• Por fim, amo-me e renovo-me, pleno, regozijando-me no amor, que é a meta essencial da vida.

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Série Psicológica Joanna de Ângelis
Médium: Divaldo Pereira Franco
Título: Re: Série Psicológica - Joanna de Ângelis
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 01 de Outubro de 2020, 11:43
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6. AMOR ACIMA DE TUDO

Jesus recomendou que o amor deve ser a pedra angular de todas as construções.
Considerou-o como o mandamento maior e sintetizou toda a Lei e os profetas no amor a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.
Nessa diretriz de aspecto tríplice estão presentes todas as realizações humanas, suas ambições e metas.
O amor a Deus significa o respeito e a ação preservadora da vida em todas as suas expressões, tornando-se o ser parte integrante d’Ele, consciente do conjunto cósmico.
A responsabilidade perante a Natureza, não a agredindo nem a vilipendiando,
Antes contribuindo para o seu desenvolvimento e harmonia,
Expressa o amor que contribui para a obra divina, homenageando lhe o Autor.
O amor ao próximo é consequência daquele que se dedica ao Genitor, demonstrando a fraternidade que a todos deve unir, por Lhe serem filhos diletos que marcham de retorno ao seu seio.
Sem este sentimento para com o seu irmão, eis que se desnorteia na solidão e enfraquece-se, descoroçoando-se nas atividades iluminativas.
O amor a si mesmo sem a paixão ególatra eleva-o à culminância da plenitude, auxiliando-o no desenvolvimento dos ignorados tesouros que lhe jazem adormecidos.
Esse amor se manifesta como forma de preservar e dignificar a existência física, harmonizando-se com o conjunto geral,
Tornando-se um pólo de irradiação de alegria, paz e bem-estar que a todos impregna.
Observa se te encontras na condição de cumpridor da recomendação do Mestre.
Nessa síntese perfeita defrontas todas as necessidades para a tua atual existência e a solução para todos os teus problemas.
Avalia com serenidade a tua conduta em relação a Deus, ao próximo e a ti mesmo.
Caso te encontres em falta com algum dos postulados da tríade superior, propõe-te em corrigir a deficiência, em alterar a conduta para a planificação.
Certamente descobrirás a necessidade de amar o Pai Celeste e o próximo conforme as tuas possibilidades.
No entanto, tens restrições ou paixões com referência a ti mesmo.
Em uns períodos detestas-te, enquanto que noutros justificas-te, confessando-te vítima dos outros.
Necessário que te ames com retidão.
Dedica-te à meditação salutar em torno das tuas deficiências, para corrigi-las, e dos teus valores, para ampliá-los.
Usa de severidade sem crueza e de amor sem pieguismo, para te colocares em rota de equilíbrio, de crescimento.
Amar-se é maneira de aprimorar-se em espírito, em emoção e em corpo.
Sem nenhum desprezo por qualquer componente do conjunto harmônico que és, ama-te, lutando com tenacidade para te superares cada dia mais,
Estabelecendo novas diretrizes e alvos promissores que lograrás, sendo generoso, ativo e perseverante no bem, em relação a ti mesmo.

• O poder divino enriquece-me do necessário a uma existência feliz.
• O que me falta, certamente não é importante, não me faz falta.
• Diante das pessoas encarceradas na insatisfação, que possuem coisas inúteis embora disputadas, eu disponho dos recursos do discernimento para a conquista da saúde e da paz.
• A posse real nunca me será tomada. Esta eu a deverei lograr.

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Médium: Divaldo Pereira Franco
Título: Re: Série Psicológica - Joanna de Ângelis
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 01 de Outubro de 2020, 11:45
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7. POSSES

O verdadeiro possuidor é sempre o melhor doador.
O que se tem, deve-se.
Quando se oferece, possui-se.
Na contabilidade da vida, a verdadeira posse apresenta-se como o bem que se esparze e proporciona alegria,
Ao invés de significar o recurso que se armazena, permanecendo inútil.
A verdadeira doação enriquece aquele que a faz,
Certamente beneficiando quem a recebe.
Convencionalmente, a pessoa que economiza e guarda valores amoedados torna-se rica.
Quase sempre, porém, amesquinha-se, apaixonando-se pelos haveres de que se faz prisioneira.
Há, em consequência, sistemas que se encarregam de amealhar e ensinar a poupar, gerando as cirandas de investimentos, que permitem auferir lucros e vantagens.
Os que assim tornam-se ricos, vivem em constante ansiedade em relação às oscilações do câmbio, das bolsas, dos títulos,
Pobres de sentimentos elevados, vítimas da ganância financeira.
A riqueza, em si mesma, não é boa, nem é má, dependendo de quem a usa e de como é utilizada.
Com facilidade gera o apego e o medo de perdê-la;
Empobrece outros indivíduos, enquanto dorme nos cofres da usura, permitindo que a miséria se generalize.
Aprende a repartir, a fim de melhor compartires.
O que tens passa, deixas de possuir;
Mas, o que és permanece, não se consome.
Reflete em torno da transitoriedade da existência física e compreenderás quão é urgente aproveitá-la com propriedade.
A sucessão inexaurível do tempo demonstra a fragilidade das coisas diante d’Ele e a sua inexorabilidade, no que diz respeito à consumpção de tudo quanto é terreno.
Somente as conquistas intelecto-morais têm sabor de eternidade.
Desse modo, enriquece-te das aquisições espirituais, que te alargarão os horizontes do entendimento, da vida,
Melhor apresentando-te o significado e o objetivo da existência carnal.
Portador de uma visão correta a respeito de como deves proceder, irás libertando-te de incontáveis fatores degenerativos que se te fixaram à personalidade
E são responsáveis por problemas, doenças, insatisfações, que te afligem.
Não mais disputarás vaidades, nem te afetarão agressões, que são de nenhuma importância.
Tuas aspirações serão mais elevadas.
Não te sentirás maior ou menor de acordo com o jogo das enganosas referências, das inúteis competições do palco terrestre.
Tuas conquistas não serão mensuráveis por aplausos ou apupos.
Viverás tranquilo, e disporás de tudo quanto é necessário, sem o tormento dispensável do supérfluo.
A vida te dá tudo, bastando o esforço para consegui-lo.
Também toma-o, sem que ninguém possa reter os bens que lhe não pertencem.
“Saúde, paz, alegria, trabalho e auto-realização”.
Sejam-te as raras moedas de que necessitas para a jornada humana, que te abrirão as portas do futuro no rumo da imortalidade
— A tua meta final e única.

• O estímulo divino emula-me ao avanço.
• As leis de incessantes mudanças funcionam em toda parte, ensinando-me renovação e progresso.
• Sou acionado por uma energia superior que me propele para as cumeadas da vida.
• O vale é sombra, e a montanha conquistada é luz.
• Satisfeito, saudável e pleno, sou estimulado a vencer e a crescer.

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Título: Re: Série Psicológica - Joanna de Ângelis
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 19 de Outubro de 2020, 21:11
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8. INSATISFAÇÃO E UTOPIAS

A insatisfação responde pela presença de muitos males e sofrimentos no organismo social, gerando desequilíbrios que poderiam perfeitamente ser evitados.
Utilizando-se de mecanismos de evasão, a criatura evita assumir a própria realidade, elaborando modelos de fictícia felicidade,
Para os quais transfere as aspirações, produzindo os estados de inconformismo, de desgosto, a que se aferra,
Perdendo as excelentes ocasiões de conhecer-se e plenificar-se.
Tais padrões passam então a ser-lhe metas, sempre improváveis de concretizarem-se, e mesmo quando consegue alcançar os patamares próximos,
Porque os seus são objetivos fantasiosos, mantém-se no mesmo estado de morbidez, de desajuste.
Pequenas características tornam-se-lhe fundamentais, e detalhes que o diferenciam do que considera belo, saudável, estético e feliz adquirem alta importância, assim mantendo o condicionamento de desditoso.
De caráter rebelde e conduta perturbadora, despreza os recursos preciosos que dispõe, anelando somente pelo que gostaria de ser, de ter, de parecer.
Aguarda, nesse clima de inconformação, um milagre que jamais lhe ocorrerá de fora para dentro,
Sem realizar o notável esforço de transformação de conceito, bem como a mudança de atitude de dentro para fora.
Aprofunda-te no autoconhecimento, redescobrindo-te.
És conforme te elaboraste na sucessão do tempo.
As tuas matrizes encontram-se no passado espiritual que não mais alcançarás.
Entretanto, através de novos comportamentos alterarás o ritmo e as ocorrências da vida.
Examina-te e tem a coragem de enfrentar como te encontras,
Elaborando paradigmas e propostas reais que conseguirás alcançar.
A fuga de ti mesmo não leva a lugar algum,
Porquanto jamais te dissociarás da tua realidade.
Inicia um programa de autovalorização analisando os fatos, conforme mereçam, ou não, consideração.
A nada, a ninguém culpes pelo que consideras insucessos.
A pessoa irresponsável, quando não se esforça para alterar o que pode ser modificado, transfere a responsabilidade para as circunstâncias que acredita más, às pessoas,
Ou culpa-se a si mesmo, preferindo a queixa e a comiseração ao esforço profícuo.
O tempo, o lugar, a sociedade, o governo, a inveja alheia, a competição malsã, a má sorte ou a sua fraqueza são os ingredientes para justificar a acomodação, o falso sofrimento de que se diz objeto.
Ruma na direção das estrelas.
Impõe novos conceitos à vida e trabalha por vivenciá-los de forma edificante.
Quem tem piedade de si mesmo, nega-se a receber ajuda do seu próximo.
O insatisfeito, além de ingrato, é rebelde e preguiçoso, que prefere as sombras da reclamação e do atraso, às claridades do progresso libertador.
Não te permitas utopias existenciais, partindo para a conquista de realizações legítimas.
• A Consciência Divina irriga-me com paz.
• Os meus equívocos são elucidados, e acalmo-me, considerando as imensas possibilidades de equilíbrio que estão ao meu alcance.
• Diante de mim o presente, elaborando o futuro. O passado são as lições aprendidas e as vantagens do conhecimento servindo-me de suporte para o crescimento interior.
• Confio e renovo-me, tranquilizando-me no Bem.

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Título: Re: Série Psicológica - Joanna de Ângelis
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 19 de Outubro de 2020, 21:12
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9. PERANTE A CONSCIÊNCIA

Entre os flagelos íntimos que vergastam o ser humano, produzindo inomináveis aflições,
A consciência de culpa ganha destaque.
Insidiosamente instala-se e, qual ácido destruidor, corrói as engrenagens da emoção, facultando a irrupção de conflitos que enlouquecem.
Decorrente da insegurança psicológica no julgamento das próprias ações, abre um abismo entre o que se faz e o que se não deveria haver feito,
Supliciando, com crueza, aquele que lhe sofre a pertinaz perseguição.
Considerando a própria fragilidade,
O indivíduo se permite comportamentos incorretos que lhe agradam às sensações,
Para, logo cessadas, entregar-se ao arrependimento autopunitivo, com o qual pretende corrigir a insensatez.
De imediato, assoma-lhe a consciência de culpa, que o perturba.
Perversamente, ela pune o infrator perante si mesmo,
Porém, não altera o rumo da ação desencadeada, nem corrige aquele a quem fere.
Ao contrário, não obstante cobradora inclemente,
Desenvolve mecanismos inconscientes de novos anseios, repetidas práticas e sempre mais rigorosa punição...
Atavismo de comportamentos religiosos, morais e sociais hipócritas, que não hesitavam em fazer um tipo de recomendação com diferente ação,
Deve ser eliminada com rigor e imediatamente.
O que fizeste, não mais podes impedir ou evitar.
Disparado o dardo, ele segue o rumo.
Avaliza, desse modo, seus efeitos e repara-os, quando negativos.
Se a tua foi uma ação reprochável, corrige-a, logo possas, mediante novas atividades reparadoras.
Se resultou em conflito pessoal a tua atitude, que não corresponde ao que crês, como és,
Treina equilíbrio e põe-te em vigília.
Fraco é todo aquele que assim se considera,
Não desenvolvendo o esforço para fortalecer-se.
Quando justificas o teu erro com autoflagelação reparadora,
Logo mais retornarás a ele.
Propõe-te encarar a existência conforme é e as circunstâncias se te apresentam.
Erradica da mente as idéias que consideras impróprias, prejudiciais, conflitivas.
Substitui-as vigorosamente por outras saudáveis, equilibradas, dignificantes.
Quando não dispões de um acervo de pensamentos superiores para a reflexão,
Vais colhido pelos de caráter venal, pueris, perniciosos, que se te fazem familiares, impulsionando-te à ação correspondente.
Toda realização se inicia na mente.
Desenhada no plano mental vem materializar-se ao primeiro ensejo.
Pensa, portanto, com correção, liberando-te das idéias malsãs que te gerarão consciência de culpa.
Sempre que errares, recomeça com o entusiasmo inicial.
A dignidade, a harmonia, o equilíbrio entre consciência e conduta têm um preço:
A perseverança no dever.
Se, todavia, tiveres dificuldade em agir corretamente, em razão da atitude viciosa encontrar-se arraigada em ti,
Recorre à oração com sinceridade, e a Consciência Divina te erguerá à paz.
• A verdade divina penetra-me e transforma-me.
• Ao deixar-me impregnar, renovo-me, e todas acusações que me fazem os frívolos e maus não me atingem, não me perturbam.
• Permito-me seguir a trilha da libertação com entusiasmo e paz.
• A verdade divina inunda-me a consciência. Penso e ajo com correção.

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