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GERAL => Mensagens de Ânimo => Tópico iniciado por: Moises de Cerq. Pereira em 26 de Fevereiro de 2019, 11:04

Título: Evangelho Segundo Lucas
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 26 de Fevereiro de 2019, 11:04
Capítulo 1

Prólogo

1 Muitos tentaram escrever a história dos fatos ocorridos entre nós,

2 assim como nos transmitiram aqueles que, desde o início, foram testemunhas oculares e, depois, se tornaram ministros da palavra.

3 Diante disso, decidi também eu, caríssimo Teófilo, redigir para ti um relato ordenado, depois de ter investigado tudo cuidadosamente desde as origens,

4 para que conheças a solidez dos ensinamentos que recebeste.

PRIMÓRDIOS
Anúncio do nascimento de João Batista

5 No tempo de Herodes, rei da Judéia, havia um sacerdote, chamado Zacarias, da classe de Abias. Sua esposa era descendente de Aarão e chamava-se Isabel.

6 Ambos eram justos diante de Deus e cumpriam fielmente todos os mandamentos e preceitos do Senhor.

7 Não tinham filhos, pois Isabel era estéril, e os dois eram de idade avançada.

8 Ao exercer as funções sacerdotais diante de Deus, quando era a vez de sua classe,

9 conforme o costume dos sacerdotes, Zacarias foi sorteado para entrar no Santuário do Senhor e fazer a oferenda do incenso.

10 Nessa hora do incenso, todo o povo estava em oração, do lado de fora.

11 Apareceu-lhe, então, o anjo do Senhor, de pé, à direita do altar do incenso.

12 Quando Zacarias o viu, ficou perturbado e cheio de medo.

13 O anjo lhe disse: “Não tenhas medo, Zacarias, porque o Senhor ouviu o teu pedido. Isabel, tua esposa, vai te dar um filho, e tu lhe porás o nome de João.

14 Ficarás alegre e feliz, e muitos se alegrarão com seu nascimento.

15 Ele será grande diante do Senhor. Não beberá vinho nem bebida fermentada; e, desde o ventre da mãe, ficará cheio do Espírito Santo.

16 Ele fará voltar muitos dos filhos de Israel ao Senhor, seu Deus.

17 Caminhará à frente deles, com o espírito e o poder de Elias, para fazer voltar o coração dos pais aos filhos e os rebeldes, à sabedoria dos justos; e para preparar um povo bem disposto para o Senhor.

18 Zacarias disse ao anjo: “Como posso ter certeza disso? Estou velho e minha esposa já tem uma idade avançada”.

19 O anjo respondeu-lhe: “Eu sou Gabriel, e estou sempre na presença de Deus. Eu fui enviado para falar contigo e anunciar-te esta boa nova.

20 E agora, ficarás mudo, sem poder falar até o dia em que estas coisas acontecerem, já que Não acreditaste nas minhas palavras, que se cumprirão no tempo certo”.

21 O povo estava esperando Zacarias e se admirava com sua demora no Santuário.

22 Quando saiu, não podia falar, e perceberam que ele tivera uma visão no Santuário. Zacarias se comunicava com eles por meio de gestos e permanecia mudo.

23 Passados os dias do seu ofício, ele voltou para casa.

24 Algum tempo depois, sua esposa Isabel ficou grávida e permaneceu escondida durante cinco meses; ela dizia:

25 “Assim o Senhor fez comigo nestes dias: ele dignou-se tirar a vergonha que pesava sobre mim”.

Anúncio do nascimento de Jesus

26 Quando Isabel estava no sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré,

27 a uma virgem prometida em casamento a um homem de nome José, da casa de Davi. A virgem se chamava Maria.

28 O anjo entrou onde ela estava e disse: “Alegra-te, cheia de graça!- O Senhor está contigo”.

29 Ela perturbou-se com estas palavras e começou a pensar qual seria o significado da saudação.

30 O anjo, então, disse: “Não tenhas medo, Maria! Encontraste graça junto a Deus.

31 Conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus.

32 Ele será grande; será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai.

33 Ele reinará para sempre sobre a descendência de Jacó, e o seu reino não terá fim”.

34 Maria, então, perguntou ao anjo: “Como acontecerá isso, se eu não conheço homem?”

35 O anjo respondeu: “O Espírito Santo descerá sobre ti, e o poder do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra. Por isso, aquele que vai nascer será chamado santo, Filho de Deus.

36 Também Isabel, tua parenta, concebeu um filho na sua velhice. Este já é o sexto mês daquela que era chamada estéril,

37 pois para Deus nada é impossível”.

38 Maria disse:
“Eis aqui a serva do Senhor! Faça-se em mim segundo a tua palavra”.
E o anjo retirou-se de junto dela. Visita a Isabel.

O Magnificat

39 Naqueles dias, Maria partiu apressadamente se a uma cidade de Judá.

40 Ela entrou na casa de Zacarias e saudou Isabel.

41 Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança pulou de alegria em seu ventre, e Isabel ficou repleta do Espírito Santo.

42 Com voz forte, ela exclamou: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre! 4

3 Como mereço que a mãe do meu Senhor venha me visitar?

44 Logo que a tua saudação ressoou nos meus ouvidos, o menino pulou de alegria no meu ventre.

45 Feliz aquela que acreditou, pois o que lhe foi dito da parte do Senhor será cumprido!”.

46 Maria então disse:

47 “A minha alma engrandece o Senhor, e meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador,

48 porque ele olhou para a humildade de sua serva. Todas as gerações, de agora em diante, me chamarão feliz,

49 porque o Poderoso fez para mim coisas grandiosas. O seu nome é santo,

50 e sua misericórdia se estende de geração em geração sobre aqueles que o temem.

51 Ele mostrou a força de seu braço: dispersou os que tem planos orgulhosos no coração.

52 Derrubou os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes.
Título: Re: Evangelho Segundo Lucas
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 26 de Fevereiro de 2019, 11:06
53 Encheu de bens os famintos, e mandou embora os ricos de mãos vazias.

54 Acolheu Israel, seu servo, lembrando-se de sua misericórdia,

55 conforme prometera a nossos pais, em favor de Abraão e de sua descendência, para sempre”.

56 Maria ficou três meses com Isabel. Depois, voltou para sua casa.

Nascimento de João Batista.

Cântico de Zacarias

57 Quando se completou o tempo da gravidez, Isabel deu à luz um filho.

58 Os vizinhos e os parentes ouviram quanta misericórdia o Senhor lhe tinha demonstrado, e alegravam-se com ela.

59 No oitavo dia, foram circuncidar o menino e queriam dar-lhe o nome de seu pai, Zacarias.

60 A mãe, porém, disse: “Não. Ele vai se chamar João”.

61 Disseram-lhe: “Ninguém entre os teus parentes é chamado com este nome!”

62 Por meio de sinais, então, perguntaram ao pai como ele queria que o meninos e chamasse.

63 Zacarias pediu uma tabuinha e escreveu: “João é o seu nome!” E todos ficaram admirados.

64 No mesmo instante, sua boca se abriu, a língua se soltou, e ele começou a louvar a Deus.

65 Todos os vizinhos se encheram de temor, e a notícia se espalhou por toda a região montanhosa da Judéia.

66 Todos os que ouviram a notícia ficavam pensando: “Que vai ser este menino?” De fato, a mão do Senhor estava com ele.

67 Zacarias, seu pai, cheio do Espírito Santo, profetizou dizendo:

68 “Bendito seja o Senhor, Deus de Israel, porque visitou e libertou o seu povo.

69 Ele fez surgir para nós um poderoso salvador na casa de Davi, seu servo,

70 assim como tinha prometido desde os tempos antigos, pela boca dos seus santos profetas:

71 de salvar-nos dos nossos inimigos e da mão de quantos nos odeiam.

72 Ele foi misericordioso com nossos pais: recordou-se de sua santa aliança,

73 e do juramento que fez a nosso pai Abraão, de nos conceder

74 que, sem medo e livres dos inimigos, nós o sirvamos,

75 com santidade e justiça, em sua presença, todos os dias de nossa vida.

76 E tu, menino, serás chamado profeta do Altíssimo, porque irás à frente do Senhor, preparando os seus caminhos,

77 dando a conhecer a seu povo a salvação, com o perdão dos pecados,

78 graças ao coração misericordioso de nosso Deus, que envia o sol nascente do alto para nos visitar,

79 para iluminar os que estão nas trevas, na sombra da morte, e dirigir nossos passos no caminho da paz”.

80 O menino crescia e seu espírito se fortalecia. Ele vivia nos desertos, até o dia de se apresentar publicamente diante de Israel.
Título: Re: Evangelho Segundo Lucas
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 03 de Março de 2019, 10:17

Capítulo 2

Nascimento de Jesus. Os pastores

1 Naqueles dias, saiu um decreto do imperador Augusto mandando fazer o recenseamento de toda a terra

2 O primeiro recenseamento, feito quando Quirino era governador da Síria.

3 Todos iam registrar-se, cada um na sua cidade.

4 Também José, que era da família e da descendência de Davi, subiu da cidade de Nazaré, na Galiléia, à cidade de Davi, chamada Belém, na Judéia,

5 para registrar-se com Maria, sua esposa, que estava grávida.

6 Quando estavam ali, chegou o tempo do parto.

7 Ela deu à luz o seu filho primogênito, envolveu-o em faixas e deitou-o numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria.

8 Havia naquela região pastores que passavam a noite nos campos, tomando conta do rebanho.

9 Um anjo do Senhor lhes apareceu, e a glória do Senhor os envolveu de luz. Os pastores ficaram com muito medo.

10 O anjo então lhes disse: “Não tenhais medo! Eu vos anuncio uma grande alegria, que será também a de todo o povo:

11 hoje, na cidade de Davi, nasceu para vós o Salvador, que é o Cristo Senhor!

12 E isto vos servirá de sinal: encontrareis um recém-nascido, envolto em faixas e deitado numa manjedoura”.

13 De repente, juntou-se ao anjo uma multidão do exército celeste cantando a Deus:

14 “Glória a Deus no mais alto dos céus, e na terra, paz aos que são do seu agrado!”

15 Quando os anjos se afastaram deles, para o céu, os pastores disseram uns aos outros: “Vamos a Belém, para ver o que aconteceu, segundo o Senhor nos comunicou.

16 Foram, pois, às pressas a Belém e encontraram Maria e José, e o recém-nascido deitado na manjedoura.

17 Quando o viram, contaram as palavras que lhes tinham sido ditas a respeito do menino.

18 Todos os que ouviram os pastores ficavam admirados com aquilo que contavam.

19 Maria, porém, guardava todas estas coisas, meditando-as no seu coração.

20 Os pastores retiraram-se, louvando e glorificando a Deus por tudo o que tinham visto e ouvido, de acordo com o que lhes tinha sido dito.

Circuncisão e apresentação.
Volta para Nazaré

21 No oitavo dia, quando o menino devia ser circuncidado, deram-lhe o nome de Jesus, como fora chamado pelo anjo antes de ser concebido no ventre da mãe.

22 E quando se completaram os dias da purificação, segundo a lei de Moisés, levaram o menino a Jerusalém para apresentá-lo ao Senhor,

23 conforme está escrito na Lei do Senhor: “Todo primogênito do sexo masculino será consagrado ao Senhor”.

24 Para tanto, deviam oferecer em sacrifício um par de rolas ou dois pombinhos, como está escrito na Lei do Senhor.

25 Ora, em Jerusalém vivia um homem piedoso e justo, chamado Simeão, que esperava a consolação de Israel. O Espírito do Senhor estava com ele.

26 Pelo próprio Espírito Santo, ele teve uma revelação divina de que não morreria sem ver o Ungido do Senhor.

27 Movido pelo Espírito, foi ao templo. Quando os pais levaram o menino Jesus ao templo para cumprirem as disposições da Lei,

28 Simeão tomou-o nos braços e louvou a Deus, dizendo:

29 “Agora, Senhor, segundo a tua promessa, deixas teu servo ir em paz,

30 porque meus olhos viram a tua salvação,

31 que preparaste diante de todos os povos:

32 luz para iluminar as nações e glória de Israel, teu povo”.

33 O pai e a mãe ficavam admirados com aquilo que diziam do menino. 

34 Simeão os abençoou e disse a Maria, a mãe: “Este menino será causa de queda e de reerguimento para muitos em Israel. Ele será um sinal de contradição

35 – uma espada traspassará a tua alma! – e assim serão revelados os pensamentos de muitos corações”.

36 Havia também uma profetisa, chamada Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser. Ela era de idade avançada. Quando jovem, tinha sido casada e vivera sete anos com o marido.

37 Depois ficara viúva e agora já estava com oitenta e quatro anos. Não saía do templo; dia e noite servia a Deus com jejuns e orações.

38 Naquela hora, Ana chegou e se pôs a louvar Deus e a falar do menino a todos os que esperavam a libertação de Jerusalém.

39 Depois de cumprirem tudo conforme a Lei do Senhor, eles voltaram para Nazaré, sua cidade, na Galiléia.

40 O menino foi crescendo, ficando forte e cheio de sabedoria. A graça de Deus estava com ele.

Jesus com doze anos

41 Todos os anos, os pais de Jesus iam a Jerusalém para a festa da Páscoa.

42 Quando completou doze anos, eles foram para a festa, como de costume.

43 Terminados os dias da festa, enquanto eles voltavam, Jesus ficou em Jerusalém, sem que seus pais percebessem.

44 Pensando que se encontrasse na caravana, caminharam um dia inteiro. Começaram então a procurá-lo entre os parentes e conhecidos.

45 Mas, como não o encontrassem, voltaram a Jerusalém, procurando-o.

46 Depois de três dias, o encontraram no templo, sentado entre os mestres, ouvindo-os e fazendo-lhes perguntas.

47 Todos aqueles que ouviam o menino ficavam maravilhados com sua inteligência e suas respostas.

48 Quando o viram, seus pais ficaram comovidos, e sua mãe lhe disse: “Filho, por que agiste assim conosco? Olha, teu pai e eu estávamos, angustiados, à tua procura!”

49 Ele respondeu: “Por que me procuráveis? Não sabíeis que eu devo estar naquilo que é de meu Pai?”

50 Eles, porém, não compreenderam a palavra que ele lhes falou.

51 Jesus desceu, então, com seus pais para Nazaré e era obediente a eles. Sua mãe guardava todas estas coisas no coração.

52 E Jesus ia crescendo em sabedoria, tamanho e graça diante de Deus e dos homens.
Título: Re: Evangelho Segundo Lucas
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 17 de Março de 2019, 10:37
Capítulo 3

João Batista

1 No décimo quinto ano do império de Tibério César, quando Pôncio Pilatos era governador da Judéia; Herodes, tetrarca da Galiléia; seu irmão Filipe, tetrarca da Ituréia e da Traconítide, e Lisânias, tetrarca de Abilene;

2 enquanto Anás e Caifás eram sumos sacerdotes, a palavra de Deus veio a João, o filho de Zacarias, no deserto.

3 Ele percorreu toda a região do Jordão, pregando um batismo de conversão para o perdão dos pecados,

4 como está escrito no livro dos oráculos do profeta Isaías: “Voz de quem clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as veredas para ele.

5 Todo vale será aterrado; toda montanha e colina serão rebaixadas; as passagens tortuosas serão endireitadas, e os caminhos esburacados, aplanados.

6 E todos verão a salvação que vem de Deus”.

7 João dizia às multidões que iam a ele para serem batizadas: “Víboras que sois, quem vos ensinou a querer fugir da ira que está para chegar?

8 Produzi frutos que mostrem vossa conversão, e não comeceis a dizer a vós mesmos: ‘Nosso pai é Abraão!’, pois eu vos digo: Deus pode destas pedras suscitar filhos para Abraão.

9 O machado já está posto à raiz das árvores. Toda árvore que não der bom fruto será cortada e lançada ao fogo.”

10 As multidões lhe perguntavam: “Que devemos fazer?”

11 João respondia: “Quem tiver duas túnicas, dê uma a quem não tem; e quem tiver comida, faça o mesmo!”

12 Até alguns publicanos foram para o batismo e perguntaram: “Mestre, que devemos fazer?”

13 Ele respondeu: “Não cobreis nada mais do que foi estabelecido.”

14 Alguns soldados também lhe perguntaram: “E nós, que devemos fazer?” João respondeu: “Não maltrateis a ninguém; não façais denúncias falsas e contentai-vos com o vosso soldo”.

15 Como o povo estivesse na expectativa, todos se perguntavam interiormente se João era ou não o Cristo,

16 e ele respondia a todos: “Eu vos batizo com água, mas virá aquele que é mais forte do que eu. Eu não sou digno de desatar a correia das suas sandálias. Ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo.

17 Ele traz a pá em sua mão para limpar a eira, a fim de guardar o trigo no celeiro; mas a palha, ele queimará num fogo que não se apaga”.

18 Assim e com muitas outras exortações, João anunciava ao povo.

19 Mas o rei Herodes, por ele repreendido por viver com Herodíades, a mulher de seu irmão, e por causa de todos os crimes que cometeu,

20 acrescentou mais este crime: lançou João no cárcere. Batismo, investidura e genealogia de Jesus

21 Enquanto todo o povo era batizado e Jesus, batizado, estava em oração, o céu se abriu

22 e o Espírito Santo desceu sobre ele, em forma corpórea, como uma pomba. E do céu veio uma voz: “Tu és o meu filho amado; em ti está o meu agrado”.

23 Ao iniciar seu ministério, Jesus tinha cerca de trinta anos. Ele era, segundo se pensava, filho de José, filho de Heli,

24 filho de Matat, filho de Levi, filho de Melqui, filho de Janai, filho de José,

25 filho de Matatias, filho de Amós, filho de Naum, filho de Hesli, filho de Nagai,

26 filho de Maat, filho de Matatias, filho de Semei, filho de José, filho de Jodá,

27 filho de Joanã, filho de Resa, filho de Zorobabel, filho de Salatiel, filho de Neri,

28 filho de Melqui, filho de Adi, filho de Cosã, filho de Elmadã, filho de Her,

29 filho de Jesus, filho de Eliezer, filho de Jorim, filho de Matat, filho de Levi,

30 filho de Simeão, filho de Judá, filho de José, filho de Jonã, filho de Eliaquim,

31 filho de Meléia, filho de Mená, filho de Matatá, filho de Natã, filho de Davi,

32 filho de Jessé, filho de Obed, filho de Booz, filho de Sala, filho de Naasson,

33 filho de Aminadab, filho de Admin, filho de Arni, filho de Esron, filho de Farés, filho de Judá,

34 filho de Jacó, filho de Isaac, filho de Abraão, filho de Taré, filho de Nacor,

35 filho de Sarug, filho de Reú, filho de Faleg, filho de Héber, filho de Salé,

36 filho de Cainã, filho de Arfaxad, filho de Sem, filho de Noé, filho de Lamec,

37 filho de Matusalém, filho de Henoc, filho de Jared, filho de Malaleel, filho de Cainã,

38 filho de Enós, filho de Set, filho de Adão, filho de Deus.

Título: Re: Evangelho Segundo Lucas
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 25 de Março de 2019, 15:16
Capítulo 4

A tentação no deserto

1 Jesus, cheio do Espírito Santo, voltou do rio Jordão e, no Espírito, era conduzido pelo deserto.

2 Ali foi posto à prova pelo diabo, durante quarenta dias. Naqueles dias, ele não comeu nada e, no final, teve fome.

3 O diabo, então, disse-lhe: “Se és o Filho de Deus, manda que esta pedra se transforme em pão”.

4 Jesus respondeu: “Está escrito: ‘Não se vive somente de pão’”.

5 O diabo o levou para o alto; mostrou-lhe, num relance, todos os reinos da terra,

6 e lhe disse: “Eu te darei todo este poder e a riqueza destes reinos, pois a mim é que foram dados, e eu os posso dar a quem eu quiser.

7 Portanto, se te prostrares diante de mim, tudo será teu”.

8 Jesus respondeu-lhe: “Está escrito: ‘Adorarás o Senhor teu Deus e só a ele prestarás culto’”.

9 Depois, o diabo levou Jesus a Jerusalém e, colocando-o no ponto mais alto do templo, disse-lhe: “Se és Filho de Deus, lança-te  daqui abaixo.

10 Pois está escrito: ‘Ele dará ordens aos seus anjos a teu respeito para que te guardem’,

11 e ainda: ‘Eles te carregarão nas mãos, para que não tropeces em alguma pedra’”.

12 Jesus, porém, respondeu: “Também foi dito: ‘Não porás à prova o Senhor, teu Deus’”.

13 Terminadas todas as tentações, o diabo afastou-se dele até o tempo oportuno.

ATUAÇÃO DE JESUS NA GALILÉIA

Início na Galiléia. Nazaré

14 Jesus voltou para a Galiléia, com a força do Espírito, e sua fama se espalhou por toda a região.

15 Ele ensinava nas sinagogas deles, e todos o elogiavam.

16 Foi então a Nazaré, onde se tinha criado. Conforme seu costume, no dia de sábado, foi à sinagoga e levantou-se para fazer a leitura.

17 Deram-lhe o livro do profeta Isaías. Abrindo o livro, encontrou o lugar onde está escrito:

18 “O Espírito do Senhor está sobre mim, pois ele me ungiu, para anunciar a Boa-Nova aos pobres: enviou-me para proclamar a libertação aos presos e, aos cegos, a recuperação da vista; para dar liberdade aos oprimidos

19 e proclamar um ano aceito da parte do Senhor”.

20 Depois, fechou o livro, entregou-o ao ajudante e sentou-se. Os olhos de todos, na sinagoga, estavam fixos nele.

21 Então, começou a dizer-lhes: “Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabastes de ouvir.”

22 Todos testemunhavam a favor dele, maravilhados com as palavras cheias de graça que saíam de sua boca. E perguntavam: “Não é este o filho de José”?

23 Ele, porém, dizia: “Sem dúvida, me citareis o provérbio: ‘Médico, cura-te a ti mesmo’. Tudo o que ouvimos dizer que fizeste em Cafarnaum, faze também aqui, na tua terra!”

24 E acrescentou: “Em verdade, vos digo que nenhum profeta é aceito na sua própria terra.

25 Ora, a verdade é esta que vos digo: no tempo do profeta Elias, quando não choveu durante três anos e seis meses e uma grande fome atingiu toda a região, havia muitas viúvas em Israel.

26 No entanto, a nenhuma delas foi enviado o profeta Elias, senão a uma viúva em Sarepta, na Sidônia.

27 E no tempo do profeta Eliseu, havia muitos leprosos em Israel, mas nenhum deles foi curado, senão Naamã, o sírio”.

28 Ao ouvirem estas palavras, na sinagoga, todos ficaram furiosos.

29 Levantaram-se e o expulsaram da cidade. Levaram-no para o alto do morro sobre o qual a cidade estava construída, com a intenção de empurrá-lo para o precipício.

30 Jesus, porém, passando pelo meio deles, continuou o seu caminho.

Jesus em Cafarnaum.

O possesso na sinagoga

31 Jesus desceu para Cafarnaum, cidade da Galileia, e lá os ensinava, aos sábados.

32 Eles ficavam maravilhados com os seus ensinamentos, pois sua palavra tinha autoridade.

33 Na sinagoga estava um homem que tinha um espírito impuro, e ele gritou em alta voz:

34 ”Que queres de nós, Jesus de Nazaré? Vieste para nos destruir? Eu sei quem tu és: o Santo de Deus!”

35 Jesus o repreendeu: “Cala-te, sai dele!” O demônio então lançou o homem no chão e saiu dele, sem lhe fazer mal algum.

36 Todos ficaram espantados e comentavam: “Que palavra é essa? Ele dá ordens aos espíritos impuros, com autoridade e poder, e eles saem”.

37 E sua fama se espalhava por todos os lugares da redondeza.

Cura da sogra de Simão e outras curas

38 Jesus saiu da sinagoga e entrou na casa de Simão. A sogra de Simão estava sofrendo, com muita febre. Intercederam a Jesus por ela.

39 Então, Jesus se inclinou sobre ela e, com autoridade, mandou que a febre a deixasse. A febre a deixou, e ela, imediatamente, se levantou e pôs-se a servi-los.   

40 Ao pôr-do-sol, todos os que tinham doentes, com diversas enfermidades, os levavam a Jesus. E ele impunha as mãos sobre cada um deles e os curava.

41 De muitas pessoas saíam demônios, gritando: “Tu és o Filho de Deus!” Ele os repreendia, proibindo que falassem, pois sabiam que ele era o Cristo.

Anúncio nas cidades da região

42 De manhã, bem cedo, Jesus saiu e foi para um lugar deserto. As multidões o procuravam e, tendo-o encontrado, tentavam impedir que ele as deixasse.

43 Mas ele disse-lhes: “Eu devo anunciar a Boa Nova do Reino de Deus também a outras cidades, pois é para isso que fui enviado”.

44 E ele ia proclamando pelas sinagogas da Judéia.
Título: Re: Evangelho Segundo Lucas
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 01 de Abril de 2019, 15:36
Capítulo 5

Vocação dos primeiros discípulos. Pesca milagrosa

1 Certo dia, Jesus estava à beira do lago de Genesaré, e a multidão se comprimia a seu redor para ouvir a Palavra de Deus.

2 Ele viu dois barcos à beira do lago; os pescadores tinham descido e lavavam as redes.

3 Subiu num dos barcos, o de Simão, e pediu que se afastasse um pouco da terra. Então sentou-se e, do barco, ensinava as multidões.

4 Quando acabou de falar, disse a Simão: “Avança mais para o fundo, e ali lançai vossas redes para a pesca”.

5 Simão respondeu: “Mestre, trabalhamos a noite inteira e não pegamos nada. Mas, pela tua palavra, lançarei as redes”.

6 Agindo assim, pegaram tamanha quantidade de peixes que as redes se rompiam.

7 Fizeram sinal aos companheiros do outro barco, para que viessem ajudá-los. Eles vieram e encheram os dois barcos a ponto de quase afundarem.

8 Vendo isso, Simão Pedro caiu de joelhos diante de Jesus, dizendo: “Afasta-te de mim, Senhor, porque sou um pecador!”

9 Ele e todos os que estavam com ele ficaram espantados com a quantidade de peixes que tinham pescado.

10 O mesmo ocorreu a Tiago e João, filhos de Zebedeu e sócios de Simão. Jesus disse a Simão: “Não tenhas medo! De agora em diante serás pescador de homens!”

11 Eles levaram os barcos para a margem, deixaram tudo e seguiram Jesus.

O leproso

12 Estando Jesus numa das cidades, apareceu um homem coberto de lepra. Ao ver Jesus, ele caiu com o rosto em terra e suplicou-lhe: “Senhor, se queres, tens o poder de purificar-me.”

13 Estendendo a mão, Jesus tocou nele e disse: “Quero, sejas purificado”. E imediatamente a lepra desapareceu.

14 E ordenou-lhe que não o contasse a ninguém. “Mas”, disse,“ vai mostrar-te ao sacerdote e apresenta por tua purificação a oferenda prescrita por Moisés. Isso lhes servirá de testemunho”.

15 Cada vez mais, sua fama se espalhava, e as multidões acorriam para ouvi-lo e para serem curadas de suas doenças.

16 Ele, porém, se retirava para lugares desertos, onde se entregava à oração.

O paralítico

17 Num desses dias, ele estava ensinando na presença de fariseus e mestres da Lei, que tinham vindo de todos os povoados da Galiléia, da Judéia e de Jerusalém. O poder do Senhor estava nele para fazer curas.

18 Vieram alguns homens carregando um paralítico sobre uma maca. Eles

12 tentavam introduzi-lo e colocá-lo diante dele.

19 Como não encontrassem um modo de introduzi-lo, por causa da multidão, subiram ao telhado e, pelas telhas, desceram o paralítico, com a maca, no meio, diante de Jesus.

20 Vendo a fé que tinham, ele disse: “Homem, teus pecados são perdoados”.

21 Os escribas e os fariseus começaram a pensar: “Quem é este que fala blasfêmias? Quem pode perdoar pecados, a não ser Deus?”

22 Jesus, penetrando-lhes os pensamentos, perguntou: “Que estais pensando no vosso íntimo?

23 O que é mais fácil, dizer: ‘Teus pecados são perdoados’, ou: ‘Levanta-te e anda?’

24 Ora, para que saibais que o Filho do Homem tem poder de perdoar pecados na terra... eu te ordeno – disse ao paralítico –, levanta-te, pega tua maca e vai para casa”.

25 No mesmo instante, levantando-se diante de todos, pegou a maca e foi para casa, glorificando a Deus.

26 Todos ficaram admirados e glorificavam a Deus, cheios de temor, dizendo: “Vimos hoje coisas maravilhosas”.

Vocação de Levi

27 Depois disso, Jesus saiu e viu um publicano, chamado Levi, sentado na coletoria de impostos. Disse-lhe: “Segue-me”.

28 Deixando tudo, levantou-se e seguiu-o.

29 Levi preparou-lhe um grande banquete na sua casa. Lá estava um grande número de publicanos e de outras pessoas, sentadas à mesa com eles.

30 Os fariseus e os escribas dentre eles murmuravam, dizendo aos discípulos de Jesus: “Por que comeis e bebeis com os publicanos e com os pecadores?”

31 Jesus respondeu: “Não são as pessoas com saúde que precisam de médico, mas as doentes.
32 Não é a justos que vim chamar à conversão, mas a pecadores”.

O jejum e o vinho novo

33 Eles disseram-lhe: “Os discípulos de João e os discípulos dos fariseus jejuam com freqüência e fazem orações, mas os teus discípulos comem e bebem”.

34 Jesus, então, lhes disse: “Podeis obrigar os convidados do casamento a jejuar, enquanto o noivo está com eles?

35 Dias virão...– então, quando o noivo lhes for tirado, naqueles dias vão jejuar”.

36 Contou-lhes ainda uma parábola: “Ninguém corta um remendo de roupa nova para costurá-lo em roupa velha. Caso contrário, o novo rasga o velho, e o remendo de roupa nova não combina com a roupa velha.

37 Ninguém põe vinho novo em odres velhos, porque o vinho novo arrebenta os odres, e perdem-se o vinho e os odres.

38 Vinho novo em odres novos”.

39 E disse ainda: “Ninguém que tomou vinho envelhecido deseja vinho novo, pois diz: ‘O velho é melhor’”.
Título: Re: Evangelho Segundo Lucas
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 13 de Abril de 2019, 22:29
Capítulo 6

Arrancando espigas no sábado 

1 Num sábado, Jesus estava passando pelas plantações de trigo, e os discípulos arrancavam as espigas, debulhavam e comiam.

2 Alguns fariseus disseram: “Por que fazeis o que não é permitido em dia de sábado?”

3 Jesus respondeu-lhes: “Nunca lestes o que fez Davi, quando ele teve fome, e seus companheiros também?

4 Ele entrou na casa de Deus, pegou os pães da oferenda, comeu e ainda deu aos seus companheiros esses pães, que só aos sacerdotes era permitido comer”.

5 E acrescentou: “O Filho do Homem é Senhor também do sábado”.

A mão seca curada no sábado

6 Num outro sábado, Jesus entrou na sinagoga e começou a ensinar. Lá estava um homem que tinha a mão direita seca.

7 Os escribas e os fariseus observavam Jesus, para ver se ele faria uma cura no dia de sábado, a fim de terem motivo para acusá-lo.

8 Ele, porém, conhecendo-lhes os pensamentos, disse ao homem da mão seca: “Levanta-te e fica aqui no meio!” Ele se levantou e ficou de pé.

9 Jesus disse-lhes: “Eu vos pergunto: em dia de sábado, o que é permitido, fazer o bem ou fazer o mal? Salvar uma vida ou deixar morrer?”

10 Passando o olhar sobre todos eles, Jesus disse ao homem: “Estende a mão!” O homem assim o fez e a mão ficou curada.

11 Eles se encheram de raiva e começaram a discutir entre si sobre o que fariam contra Jesus. Eleição dos Doze

12 Naqueles dias, Jesus foi à montanha para orar. Passou a noite toda em oração a Deus.

13 Ao amanhecer, chamou os discípulos e escolheu doze entre eles, aos quais deu o nome de apóstolos:

14 Simão, a quem chamou Pedro, e seu irmão André; Tiago e João; Filipe e Bartolomeu;

15 Mateus e Tomé; Tiago, filho de Alfeu, e Simão, chamado zelote;

16 Judas, filho de Tiago, e Judas Iscariotes, que se tornou o traidor.

Pregação na planície

17 Jesus desceu com eles da montanha e parou num lugar plano. Ali estavam muitos dos seus discípulos e uma grande multidão de gente de toda a Judéia e de Jerusalém, e do litoral de Tiro e Sidônia.

18 Vieram para ouvi-lo e serem curados de suas doenças. Também os atormentados por espíritos impuros eram curados.

19 A multidão toda tentava tocar nele, porque dele saía uma força que curava a todos.

Bem-aventuranças e “ais”

20 Jesus levantou o olhar para os seus discípulos e disse-lhes: “Felizes vós, os pobres, porque vosso é o Reino de Deus!

21 Felizes vós que agora passais fome, porque sereis saciados! Felizes vós que agora estais chorando, porque haveis de rir!

22 Felizes sereis quando os homens vos odiarem, expulsarem, insultarem e amaldiçoarem o vosso nome por causa do Filho do Homem.

23 Alegrai-vos, nesse dia, e exultai, porque será grande a vossa recompensa no céu, pois era assim que os seus antepassados tratavam os profetas.

24 Mas, ai de vós, ricos, porque já tendes vossa consolação!

25 Ai de vós que agora estais fartos, porque passareis fome! Ai de vós que agora estais rindo, porque ficareis de luto e chorareis!

26 Ai de vós quando todos falarem bem de vós, pois era assim que seus antepassados tratavam os falsos profetas.

O amor aos inimigos

27 “Ora, a vós que me escutais, eu digo: amai os vossos inimigos e fazei o bem aos que vos odeiam.

28 Falai bem dos que falam mal de vós e orai por aqueles que vos caluniam.

29 Se alguém te bater numa face, oferece também a outra. E se alguém tomar o teu manto, deixa levar também a túnica.

30 Dá a quem te pedir e, se alguém tirar do que é teu, não peças de volta.

31 Assim como desejais que os outros vos tratem, tratai os do mesmo modo.

32 Se amais somente aqueles que vos amam, que generosidade é essa? Até os pecadores amam aqueles que os amam.

33 E se fazeis o bem somente aos que vos fazem o bem, que generosidade é essa? Os pecadores também agem assim.

34 E se prestais ajuda somente àqueles de quem esperais receber, que generosidade é essa? Até os pecadores prestam ajuda aos pecadores, para receberem o equivalente.

35 Amai os vossos inimigos, fazei o bem e prestai ajuda sem esperar coisa alguma em troca. Então, a vossa recompensa será grande. Sereis filhos do Altíssimo, porque ele é bondoso também para com os ingratos e maus.

36 Sede misericordiosos como vosso Pai é misericordioso.

O perdão e a generosidade

37 “Não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados; perdoai e sereis perdoados.

38 Dai e vos será dado. Uma medida boa, socada, sacudida e transbordante será colocada na dobra da vossa veste, pois a medida que usardes para os outros, servirá também para vós”.

Cegos guias de cegos. O cisco e a trave

39 Ele contou-lhes, também, uma parábola: “Pode um cego guiar outro cego? Não cairão os dois no buraco?

40 O discípulo não está acima do mestre; todo discípulo bem formado será como o mestre.

41 Por que observas o cisco que está no olho do teu irmão, e não reparas na trave que está no teu próprio olho?

42 Como podes dizer a teu irmão: ‘Irmão, deixa-me tirar o cisco do teu olho’, quando não percebes a trave que está no teu próprio olho? Hipócrita! Tira primeiro a trave que está no teu olho e, então, enxergarás bem para tirar o cisco do olho do teu irmão.

A árvore e os frutos

43 “Não existe árvore boa que dê frutos ruins, nem árvore ruim que dê frutos bons.

44 Cada árvore se reconhece pelo seu fruto. Não se colhem figos de espinheiros, nem uvas de urtigas.

45 Quem é bom tira coisas boas do tesouro do seu coração, que é bom; mas quem é mau tira coisas más do seu tesouro, que é mau. Pois a boca fala daquilo de que o coração está cheio.

Conclusão. A casa bem construída

46 “Por que me chamais: ‘Senhor! Senhor!’, mas não fazeis o que vos digo?

47 Vou mostrar-vos com quem se parece todo aquele que vem a mim, ouve as minhas palavras e as põe em prática.

48 É semelhante a alguém que, para construir uma casa, cavou fundo e firmou o alicerce sobre a rocha. Veio a enchente, a correnteza atingiu a casa, mas não conseguiu derrubá-la, porque estava bem construída.

49 Aquele, porém, que ouve e não põe em prática, é semelhante a alguém que construiu uma casa no chão, sem alicerce. A correnteza atingiu a casa, e ela, imediatamente, desabou e ficou totalmente destruída”.
Título: Re: Evangelho Segundo Lucas
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 28 de Abril de 2019, 19:25
Capítulo 7

O servo do centurião

1 Quando terminou de falar estas palavras ao povo que o escutava, Jesus entrou em Cafarnaum.

2 Havia um centurião que tinha um servo a quem estimava muito. Estava doente, à beira da morte.

3 Tendo ouvido falar de Jesus, o centurião mandou alguns anciãos dos judeus pedir-lhe que viesse curar o seu servo.

4 Quando eles chegaram a Jesus, recomendaram com insistência: “Ele merece este favor,

5 porque ama o nosso povo. Ele até construiu uma sinagoga para nós”.

6 Jesus foi com eles. Quando já estava perto da casa, o centurião mandou alguns amigos dizer-lhe: “Senhor, não te incomodes, pois não sou digno de que entres em minha casa.

7 Por isso, nem fui pessoalmente ao teu encontro. Mas dize uma palavra, e meu servo ficará curado.

8 Pois eu, mesmo na posição de subalterno, tenho soldados sob as minhas ordens, e se ordeno a um: ‘Vai!’, ele vai; e a outro: ‘Vem!’, ele vem; e se digo a meu escravo: ‘Faze isto!’, ele faz”.

9 Ao ouvir isso, Jesus ficou admirado. Voltou-se para a multidão que o seguia e disse: “Eu vos digo que nem mesmo em Israel encontrei uma fé tão grande”.

10 Aqueles que tinham sido enviados voltaram para a casa do centurião e encontraram o servo em perfeita saúde.

O filho da viúva de Naim

11 Em seguida, Jesus foi a uma cidade chamada Naim. Os seus discípulos e uma grande multidão iam com ele.

12 Quando chegou à porta da cidade, coincidiu que levavam um morto para enterrar, um filho único, cuja mãe era viúva. Uma grande multidão da cidade a acompanhava.

13 Ao vê-la, o Senhor encheu-se de compaixão por ela e disse: “Não chores!”

14 Aproximando-se, tocou no caixão, e os que o carregavam pararam. Ele ordenou: “Jovem, eu te digo, levanta-te!”

15 O que estava morto sentou-se e começou a falar. E Jesus o entregou à sua mãe.

16 Todos ficaram tomados de temor e glorificavam a Deus dizendo: “Um grande profeta surgiu entre nós”, e: “Deus veio visitar o seu povo”.

17 Esta notícia se espalhou por toda a Judéia e pela redondeza inteira.

A pergunta de João Batista

18 Os discípulos informaram a João sobre todos estes fatos. João, então, chamou dois deles

19 e os enviou ao Senhor, para perguntar: “És tu aquele que há de vir ou devemos esperar outro?”

20 Eles foram ter com Jesus e disseram: “João Batista nos mandou a ti para perguntar se tu és aquele que há de vir ou se devemos esperar outro”.

21 Naquela ocasião, Jesus havia curado a muitos de suas doenças, moléstias e espíritos malignos, e proporcionado a vista a muitos cegos.

22 Respondeu, pois: “Ide contar a João o que vistes e ouvistes: cegos recuperam a vista, paralíticos andam, leprosos são purificados e surdos ouvem, mortos ressuscitam e a pobres se anuncia a Boa Nova.

23 E feliz de quem não se escandaliza a meu respeito”. João, Jesus e a presente geração

24 Depois que os mensageiros de João partiram, Jesus começou a falar às multidões sobre João: “Que fostes ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento?

25 Que fostes ver? Um homem vestido com roupas finas? Os que vestem roupas finas e vivem no luxo estão nos palácios dos reis.

26 Que fostes ver então? Um profeta? Sim, eu vos digo, e mais que um profeta.

27 Este é de quem está escrito: ‘Eu envio meu mensageiro à tua frente, para preparar o teu caminho diante de ti’.

28 Eu vos digo: entre todos os nascidos de mulher não há ninguém maior do que João. No entanto, o menor no Reino de Deus é maior do que ele.

29 Todo o povo que o escutava e até os publicanos reconheceram a justiça de Deus e deixaram-se batizar com o batismo de João.

30 Mas os fariseus e os doutores da Lei recusaram ser batizados por João e desprezaram os planos de Deus a respeito deles.

31 Com quem, então, vou comparar as pessoas desta geração? Com quem são parecidas?

32 São parecidas com crianças sentadas nas praças, que gritam umas para as outras: ‘Tocamos flauta para vós e não dançastes! Entoamos cantos de luto e não chorastes!’

33 Veio João Batista, que não come, nem bebe vinho, e dizeis: ‘Tem um demônio!’

34 Veio o Filho do Homem, que come e bebe, e dizeis: ‘É um comilão e beberrão, amigo de publicanos e de pecadores!’

35 Ora, a sabedoria é reconhecida por todos os seus filhos”.

A pecadora

36 Um fariseu convidou Jesus para jantar. Ele entrou na casa do fariseu e sentou-se à mesa.

37 Havia na cidade uma mulher que era pecadora. Quando soube que Jesus estava à mesa na casa do fariseu, trouxe um frasco de alabastro, cheio de perfume,

38 postou-se atrás, aos pés de Jesus e, chorando, lavou-os com suas lágrimas. Em seguida, enxugou-os com os seus cabelos, beijou-os e os ungiu com o perfume.

39 Ao ver isso, o fariseu que o tinha convidado comentou: “Se este homem fosse profeta, saberia quem é a mulher que está tocando nele: é uma pecadora!”

40 Então Jesus falou: “Simão, tenho uma coisa para te dizer”. Ele respondeu: “Fala, Mestre”.

41 “Certo credor”, retomou Jesus, “tinha dois devedores. Um lhe devia quinhentas moedas de prata, e o outro cinqüenta.

42 Como não tivessem com que pagar, perdoou a ambos. Qual deles o amará mais?”

43 Simão respondeu: “Aquele ao qual perdoou mais”. Jesus lhe disse: “Julgaste corretamente”.

44 Voltando-se para a mulher, disse a Simão: “Estás vendo esta mulher? Quando entrei na tua casa, não me ofereceste água para lavar os pés; ela, porém, lavou meus pés com lágrimas e os enxugou com seus cabelos.

45 Não me beijaste; ela, porém, desde que cheguei, não parou de beijar meus pés.

46 Não derramaste óleo na minha cabeça; ela, porém, ungiu meus pés com perfume.

47 Por isso te digo: os muitos pecados que ela cometeu estão perdoados, pois ela mostrou muito amor. Aquele, porém, a quem menos se perdoa, ama menos”.

48 Em seguida, disse à mulher: “Teus pecados estão perdoados”.

49 Os convidados começaram a comentar entre si: “Quem é este que até perdoa pecados?”

50 Jesus, por sua vez, disse à mulher: “Tua fé te salvou. Vai em paz!”
Título: Re: Evangelho Segundo Lucas
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 07 de Maio de 2019, 13:16
Capítulo 8

Mulheres entre os seguidores de Jesus

1 Depois disso, Jesus percorria cidades e povoados proclamando e anunciando a Boa-Nova do Reino de Deus. Os Doze iam com ele,

2 e também algumas mulheres que tinham sido curadas de espíritos maus e de doenças: Maria, chamada Madalena, de quem saíram sete demônios;

3 Joana, mulher de Cuza, alto funcionário de Herodes; Susana, e muitas outras mulheres, que os ajudavam com seus bens.

Parábolas. O semeador

4 Ajuntou-se uma grande multidão, e de todas as cidades iam até Jesus. Ele, então, contou uma parábola:

5 “O semeador saiu a semear. Ao semear, uma parte da semente caiu à beira do caminho e foi pisada; e os pássaros do céu a comeram.

6 Outra parte caiu sobre as pedras; brotou, mas secou, por falta de umidade.

7 Outra parte caiu entre os espinhos e, crescendo ao mesmo tempo, os espinhos a sufocaram.

8 Ainda outra parte caiu em terra boa; brotou e deu frutos, até cem por um”. Depois de dizer isso, ele exclamou: “Quem tem ouvidos para ouvir, ouça!”

Explicação da parábola do semeador

9 Seus discípulos faziam perguntas sobre o sentido da parábola.

10 Jesus, então, lhes disse: “A vós foi dado conhecer os mistérios do Reino de Deus. Aos outros, porém, só por meio de parábolas, de modo que, olhando, não enxergam e, ouvindo, não entendem.

11 A parábola quer dizer o seguinte: a semente é a Palavra de Deus.

12 Os que caem à beira do caminho são os que escutam, mas logo vem o Diabo e arranca a palavra do seu coração, para que não acreditem e não se salvem.

13 Os que ficam sobre as pedras são os que ouvem e acolhem a palavra com alegria, mas não têm raízes. Por um momento, acreditam, mas quando chega a tentação, desistem.

14 Aquilo que caiu entre os espinhos são os que escutam, mas vivendo em meio às preocupações, as riquezas e os prazeres da vida, são sufocados e não chegam a amadurecer.
15 O que caiu em terra boa são aqueles que, ouvindo com um coração bom e generoso, conservam a Palavra e dão fruto pela perseverança.

A lâmpada

16 “Ninguém acende uma lâmpada para escondê-la debaixo de uma vasilha ou colocá-la debaixo da cama; ela é posta no candelabro, a fim de que os que entram vejam a claridade.

17 Ora, nada há de escondido que não venha a ser descoberto. Nada há de secreto que não venha a ser conhecido e se tornar público.

18 Olhai, portanto, a maneira como ouvis! Pois a quem tem será dado, e a quem não tem, até aquilo que julga ter lhe será tirado!”

A verdadeira família de Jesus

19 Sua mãe e seus irmãos vieram ter com ele, mas não podiam se aproximar, por causada multidão.

20 Alguém lhe comunicou: “Tua mãe e teus irmãos estão lá fora e querem te ver”.

21 Ele respondeu: “Minha mãe e meus irmãos são estes: os que ouvem a Palavra de Deus e a põem em prática”.

A tempestade acalmada

22 Num daqueles dias, Jesus entrou no barco com seus discípulos e lhes disse: “Vamos para a outra margem do lago!” E partiram.

23 Enquanto navegavam, ele dormiu. Abateu-se, então, uma ventania tão forte sobre o lago, que o barco ia se enchendo de água e eles corriam perigo.

24 Então dirigiram-se a Jesus e o acordaram, dizendo: “Mestre! Mestre! Estamos perecendo!” Ele acordou e deu ordens ao vento e à fúria das águas. E a tempestade parou e veio a calmaria.

25 Então disse aos discípulos: “Onde está a vossa fé?” Cheios de temor e admirados, eles diziam uns aos outros: “Quem é este que dá ordens aos ventos e à água, e lhe obedecem?”

O possesso de Gerasa

26 Eles aportaram na região dos gerasenos, que fica em frente da Galiléia.

27 Enquanto Jesus desembarcava em terra, um homem da cidade que tinha vários demônios veio ao seu encontro. Havia muito tempo que ele não vestia roupa, nem morava em casa, mas nos túmulos.

28 Ao ver Jesus, prostrou-se diante dele, gritando em alta voz: “Que queres comigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Eu te peço, não me atormentes”.

29 Pois Jesus estava ordenando ao espírito impuro que saísse daquele homem. Muitas vezes o espírito o tinha dominado. Para protegê-lo, amarravam-no com correntes e grilhões. Ele, porém, arrebentava as correntes, e o demônio o levava para lugares desertos.

30 Jesus, então, lhe perguntou: “Qual é o teu nome?” Ele respondeu:“ Legião!”, porque muitos demônios tinham entrado nele.

31 Eles pediam a Jesus que não os mandasse para o abismo.

32 Estava ali, no morro, uma grande manada de porcos pastando. Pediram, então, que os deixasse entrar nos porcos, e Jesus permitiu.

33 Saindo do homem, os demônios entraram nos porcos. E a manada precipitou-se no mar pelo despenhadeiro e se afogou.

34 Vendo isso, os homens que cuidavam dos porcos fugiram e espalharam a notícia pela cidade e pelas aldeias.

35 Então, as pessoas foram ver o que tinha acontecido. Chegaram perto de Jesus e encontraram, sentado, o homem de quem tinham saído os demônios. Ele estava aos pés de Jesus, vestido e no seu perfeito juízo. Eles, então, ficaram com medo.

36 Os que tinham presenciado o fato contaram-lhes como o possesso tinha ficado são.

37 Toda a multidão da região dos gerasenos pediu a Jesus que fosse embora, pois estavam com muito medo. Jesus entrou no barco e voltou.

38 Entretanto, o homem de quem saíram os demônios pedia a Jesus para ficar com ele. Ele o despediu, dizendo:

39 “Volta para casa e conta tudo o que Deus fez por ti”. Ele foi embora, anunciando por toda a cidade o que Jesus tinha feito por ele.

A filha de Jairo e a mulher com hemorragias

40 Quando Jesus voltou, a multidão foi recebê-lo, pois todos estavam esperando por ele.

41 Veio, então, um homem chamado Jairo, um dos chefes da sinagoga, e caindo aos pés de Jesus pediu que fosse à sua casa.

42 Sua filha única, de doze anos, estava nas últimas. Enquanto Jesus estava a caminho, a multidão o comprimia.

43 Uma mulher que sofria hemorragias já por doze anos e gastara tudo o que possuía com médicos, sem que ninguém conseguisse curá-la,

44 aproximou-se dele, por detrás, e tocou na franja de seu manto. Instantaneamente, a hemorragia estancou.

45 Jesus, então, perguntou: “Quem tocou em mim?” Enquanto todos negavam, Pedro disse: “Mestre, são as multidões que te cercam e te apertam”.

46 Jesus, porém, disse: “Alguém me tocou. Eu senti uma força saindo de mim”.

47 Vendo que tinha sido descoberta, a mulher, tremendo, lançou-se por terra aos pés dele. Diante de todos, explicou a razão por que o tinha tocado, e como tinha ficado curada instantaneamente.

48 Jesus, então, lhe disse: “Filha, a tua fé te salvou. Vai em paz!”

49 Enquanto ainda estava falando, chegou alguém da casa do chefe da sinagoga dizendo:“ Tua filha acaba de morrer. Não incomodes mais o mestre”.

50 Ouvindo isto, Jesus lhe disse: “Não tenhas medo. Somente crê, e ela será curada”.

51 Quando chegaram à casa, não deixou ninguém entrar com ele, a não ser Pedro, João, Tiago e o pai e a mãe da menina.

52 Todos choravam e lamentavam. Mas Jesus disse:“ Não choreis. Ela não está morta, mas dorme”.

53 Zombaram dele, pois sabiam que ela tinha morrido. 54 Então ele pegou a menina pela mão e exclamou: “Menina, levanta-te!”

55 Ela voltou a respirar e imediatamente se levantou. Jesus mandou que lhe dessem de comer.

56 Seus pais ficaram extasiados, mas Jesus lhes ordenou que não contassem a ninguém o que tinha acontecido.
Título: Re: Evangelho Segundo Lucas
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 22 de Julho de 2019, 19:17
Capítulo 9

A missão dos Doze

1 Jesus convocou os Doze e deu-lhes poder e autoridade sobre todos os demônios e para curar doenças.

2 Ele os enviou para anunciar o Reino de Deus e curar os enfermos.

3 E disse-lhes: “Não leveis nada pelo caminho: nem cajado, nem sacola, nem pão, nem dinheiro, nem duas túnicas.

4 Na casa onde entrardes, permanecei ali, até partirdes daí.

5 Quanto àqueles que não vos acolherem, ao sairdes daquela cidade, sacudi a poeira dos vossos pés, para que sirva de testemunho contra eles”.

6 Os discípulos partiram e percorriam os povoados, anunciando a Boa Nova e fazendo curas por toda parte.

Reação de Herodes

7 O rei Herodes ouviu falar de tudo o que estava acontecendo, e ficou confuso, porque alguns diziam que João Batista tinha ressuscitado dos mortos.

8 Outros diziam que Elias tinha aparecido; outros ainda, que um dos antigos profetas tinha ressuscitado.

9 Então Herodes disse: “Eu mandei cortar a cabeça de João... Quem será esse homem, sobre quem ouço falar estas coisas?” E procurava ver Jesus.

Milagre dos pães

10 Ao voltarem, os apóstolos contaram a Jesus quanto haviam feito. Ele tomou-os consigo e retirou-se, à parte, para uma cidade chamada Betsaida.

11 Mas as multidões souberam disso e o seguiram. Jesus as acolheu e falava-lhes sobre o Reino de Deus; e curava todos os que precisavam.

12 O dia já estava chegando ao fim, quando os Doze se aproximaram de Jesus e disseram: “Despede a multidão, para que possam ir aos povoados e sítios vizinhos procurar hospedagem e comida, pois estamos num lugar deserto”.

13 Mas ele disse: “Vós mesmos, daí-lhes de comer”. Eles responderam: “Só temos cinco pães e dois peixes – a não ser que fôssemos comprar comida para toda essa gente!”

14 Havia mais ou menos cinco mil homens. Jesus então disse aos discípulos: “Mandai o povo sentar-se em grupos de cinqüenta”.

15 Os discípulos assim fizeram, e todos se sentaram.

16 Então ele pegou os cinco pães e os dois peixes, ergueu os olhos ao céu, pronunciou sobre eles a bênção, partiu-os e os deu aos discípulos para que os distribuíssem à multidão.

17 Todos comeram e se saciaram. E ainda foram recolhidos doze cestos dos pedaços que sobraram.

Profissão de fé de Pedro. Primeiro anúncio da Paixão

18 Jesus estava orando, a sós, e os discípulos estavam com ele. Então, perguntou-lhes: “Quem dizem as multidões que eu sou?”

19 Eles responderam: “Uns dizem que és João Batista; outros, que és Elias; outros ainda acham que algum dos antigos profetas ressuscitou”.

20 Mas Jesus perguntou: “E vós, quem dizeis que eu sou?” Pedro respondeu: “O Cristo de Deus”.

21 Mas ele advertiu-os para que não contassem isso a ninguém.

22 E explicou: “É necessário o Filho do Homem sofrer muito e ser rejeitado pelos anciãos, sumos sacerdotes e escribas, ser morto e, no terceiro dia, ressuscitar”.

Tomar a cruz e seguir Jesus

23 Depois, Jesus começou a dizer a todos: “Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome sua cruz, cada dia, e siga-me.

24 Pois quem quiser salvar sua vida a perderá, e quem perder sua vida por causa de mim a salvará.

25 Com efeito, de que adianta a alguém ganhar o mundo inteiro, se vier a perder-se e a arruinar a si mesmo?

26 Se alguém se envergonhar de mim e das minhas palavras, o Filho do Homem também se envergonhará dele quando vier na sua glória, na glória do Pai e dos santos anjos.

27 Em verdade vos digo: alguns dos que estão aqui presentes não provarão a morte, sem antes terem visto o Reino de Deus”.

Transfiguração

28 Uns oito dias depois destas palavras, Jesus levou consigo Pedro, João e Tiago, e subiu à montanha para orar.

29 Enquanto orava, seu rosto mudou de aparência e sua roupa ficou branca e brilhante.

30 Dois homens conversavam com ele: eram Moisés e Elias.

31 Apareceram revestidos de glória e conversavam sobre a saída deste mundo que Jesus iria consumar em Jerusalém.

32 Pedro e os companheiros estavam com muito sono. Quando acordaram, viram a glória de Jesus e os dois homens que estavam com ele.

33 E enquanto esses homens iam se afastando, Pedro disse a Jesus: “Mestre, é bom ficarmos aqui. Vamos fazer três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias”. Nem sabia o que estava dizendo.

34 Estava ainda falando, quando desceu uma nuvem que os cobriu com sua sombra. Ao entrarem na nuvem, os discípulos ficaram cheios de temor.

35 E da nuvem saiu uma voz que dizia: “Este é o meu Filho, o Eleito. Escutai-o!”

36 Enquanto a voz ressoava, Jesus ficou sozinho. Os discípulos ficaram calados e, naqueles dias, a ninguém contaram nada do que tinham visto.

O menino epilético

37 No dia seguinte, ao descerem da montanha, uma grande multidão foi ao encontro de Jesus.

38 Nisso, um homem, no meio da multidão, começou a gritar: “Mestre, peço-te que olhes para o meu filho! É o único filho que tenho.

39 Um espírito o domina e, de repente, ele começa a gritar e o sacode com violência, e ele espuma. Com muita dificuldade o deixa, depois de machucá-lo.

40 Pedi a teus discípulos que o expulsassem, mas não conseguiram”.

41 Jesus respondeu: “Ó geração sem fé e pervertida! Até quando vou ficar convosco e suportar-vos? Traze aqui o teu filho”.

42 Enquanto o menino se aproximava, o demônio o jogou no chão e o sacudiu violentamente. Mas Jesus repreendeu o espírito impuro, curou o menino e o entregou ao pai.

43 E todos ficaram maravilhados com o poder de Deus.

Segundo anúncio da Paixão

Enquanto todos se admiravam com tudo o que Jesus fazia, ele disse aos discípulos:

44 “Prestai bem atenção às palavras que vou dizer: o Filho do Homem vai ser entregue às mãos dos homens”.

45 Mas eles não compreendiam esta palavra. O sentido lhes ficava oculto, de modo que não podiam entender. E tinham medo de fazer perguntas sobre o assunto.

Quem é o maior?

46 Surgiu entre os discípulos uma discussão sobre qual deles seria o maior.

47 Sabendo o que estavam pensando, Jesus pegou uma criança, colocou-a perto de si

48 e disse-lhes: “Quem receber em meu nome esta criança, estará recebendo a mim mesmo. E quem me receber, estará recebendo Aquele que me enviou. Pois aquele que entre todos vós for o menor, esse é o maior”.

O exorcista estranho

49 Tomando a palavra, João disse: “Mestre, vimos alguém expulsar demônios em teu nome, mas nós lhe proibimos, porque não anda conosco”.

50 Jesus respondeu: “Não o proibais, pois quem não é contra vós, está a vosso favor”. S

UBIDA A JERUSALÉM

Recusa dos samaritanos

51 Quando ia se completando o tempo para ser elevado ao céu, Jesus tomou a firme decisão de partir para Jerusalém.

52 Enviou então mensageiros à sua frente, que se puseram a caminho e entraram num povoado de samaritanos, para lhe preparar hospedagem.

53 Mas os samaritanos não o queriam receber, porque mostrava estar indo para Jerusalém.

54 Vendo isso, os discípulos Tiago e João disseram: “Senhor, queres que mandemos descer fogo do céu, para que os destrua?”

55 Ele, porém, voltou-se e os repreendeu.

56 E partiram para outro povoado.

Exigências do seguimento

57 Enquanto estavam a caminho, alguém disse a Jesus: “Eu te seguirei aonde quer que tu vás”.

58 Jesus respondeu: “As raposas têm tocas e os pássaros do céu têm ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça”.

59 Então disse a outro: “Segue-me.” Este respondeu: “Permite-me primeiro ir enterrar meu pai”.

60 Jesus respondeu: “Deixa que os mortos enterrem os seus mortos; mas tu, vai e anuncia o Reino de Deus”.

61 Um outro ainda lhe disse: “Eu te seguirei, Senhor, mas deixa-me primeiro despedir-me dos de minha casa”.

62 Jesus, porém, respondeu-lhe: “Quem põe a mão no arado e olha para trás, não está apto para o Reino de Deus.”
Título: Re: Evangelho Segundo Lucas
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 22 de Julho de 2019, 19:18
Capítulo 10

Episódio dos setenta e dois

1 O Senhor escolheu outros setenta e dois e enviou-os, dois a dois, à sua frente, a toda cidade e lugar para onde ele mesmo devia ir.

2 E dizia-lhes: “A colheita é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi, pois, ao Senhor da colheita que mande trabalhadores para sua colheita.

3 Eis que vos envio como cordeiros para o meio de lobos.

4 Não leveis bolsa, nem sacola, nem sandálias, e não vos demoreis para saudar ninguém pelo caminho!

5 Em qualquer casa em que entrardes, dizei primeiro: ‘A paz esteja nesta casa!’

6 Se ali morar um amigo da paz, a vossa paz repousará sobre ele; senão, ela retornará a vós.

7 Permanecei naquela mesma casa; comei e bebei do que tiverem, porque o trabalhador tem direito a seu salário. Não passeis de casa em casa.

8 Quando entrardes numa cidade e fordes bem recebidos, comei do que vos servirem,

9 curai os doentes que nela houver e dizei: ‘O Reino de Deus está próximo de vós’.

10 Mas quando entrardes numa cidade e não fordes bem recebidos, saindo pelas ruas, dizei:

11 ‘Até a poeira de vossa cidade que se grudou aos nossos pés, sacudimos contra vós. No entanto, sabei que o Reino de Deus está próximo!’

12 Eu vos digo: naquele dia, Sodoma receberá sentença menos dura do que aquela cidade.

As cidades sem fé

13 “Ai de ti, Corazim! Ai de ti, Betsaida! Se em Tiro e Sidônia se tivessem realizado os milagres feitos no meio de vós, há muito tempo teriam demonstrado arrependimento, vestindo-se de saco e sentando-se sobre a cinza.

14 Pois bem: no dia do julgamento, Tiro e Sidônia terão uma sentença menos dura do que vós.

15 E tu, Cafarnaum, serás elevada até o céu? Até o inferno serás rebaixada!

16 Quem vos escuta, a mim escuta; e quem vos despreza, a mim despreza; ora, quem me despreza, despreza Aquele que me enviou”.

Volta dos setenta e dois

17 Os setenta e dois voltaram alegres, dizendo: “Senhor, até os demônios nos obedecem por causa do teu nome.”

18 Jesus respondeu: “Eu vi Satanás cair do céu, como um relâmpago.

19 Eu vos dei o poder de pisar em cobras e escorpiões, e sobre toda a força do inimigo. Nada vos poderá fazer mal.

20 Contudo, não vos alegreis porque os espíritos se submetem a vós. Antes, ficai alegres porque vossos nomes estão escritos nos céus”.

21 Naquela mesma hora, ele exultou no Espírito Santo e disse: “Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste essas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, assim foi do teu agrado.

22 Tudo me foi entregue por meu Pai, e ninguém conhece o Filho, a não ser o Pai; e ninguém conhece o Pai, a não ser o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar”.

23 E voltando-se para os discípulos em particular, disse-lhes: “Felizes os olhos que veem o que vós estais vendo!

24 Pois eu vos digo: muitos profetas e reis quiseram ver o que vós estais vendo, e não viram; quiseram ouvir o que estais ouvindo, e não ouviram”.

O principal mandamento. O bom samaritano

25 Um doutor da Lei se levantou e, querendo experimentar Jesus, perguntou: “Mestre, que devo fazer para herdar a vida eterna?”

26 Jesus lhe disse: “Que está escrito na Lei? Como lês?”

27 Ele respondeu: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração e com toda a tua alma, com toda a tua força e com todo o teu entendimento; e teu próximo como a ti mesmo!”

28 Jesus lhe disse: “Respondeste corretamente. Faze isso e viverás”.

29 Ele, porém, querendo justificar-se, disse a Jesus: “E quem é o meu próximo?”

30 Jesus retomou: “Certo homem descia de Jerusalém para Jericó e caiu nas mãos de assaltantes. Estes arrancaram-lhe tudo, espancaram-no e foram-se embora, deixando-o quase morto.

31 Por acaso, um sacerdote estava passando por aquele caminho. Quando viu o homem, seguiu adiante, pelo outro lado.

32 O mesmo aconteceu com um levita: chegou ao lugar, viu o homem e seguiu adiante, pelo outro lado.

33 Mas um samaritano, que estava viajando, chegou perto dele, viu, e moveu-se de compaixão.

34 Aproximou-se dele e tratou-lhe as feridas, derramando nelas óleo e vinho. Depois colocou-o em seu próprio animal e o levou a uma pensão, onde cuidou dele.

35 No dia seguinte, pegou dois denários e entregou-os ao dono da pensão, recomendando: ‘Toma conta dele! Quando eu voltar, pagarei o que tiveres gasto a mais’.

36 Na tua opinião – perguntou Jesus –, qual dos três foi o próximo do homem que caiu nas mãos dos assaltantes?”

37 Ele respondeu: “Aquele que usou de misericórdia para com ele”. Então Jesus lhe disse: “Vai e faze tu a mesma coisa”.

Marta e Maria

38 Jesus entrou num povoado, e uma mulher, de nome Marta, o recebeu em sua casa.

39 Ela tinha uma irmã, Maria, a qual se sentou aos pés do Senhor e escutava a sua palavra.

40 Marta, porém, estava ocupada com os muitos afazeres da casa. Ela aproximou-se e disse: “Senhor, não te importas que minha irmã me deixe sozinha com todo o serviço? Manda pois que ela venha me ajudar!”

41 O Senhor, porém, lhe respondeu: “Marta, Marta! Tu te preocupas e andas agitada com muitas coisas.

42 No entanto, uma só é necessária. Maria escolheu a melhor parte e esta não lhe será tirada”.
Título: Re: Evangelho Segundo Lucas
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 22 de Julho de 2019, 19:19
Capítulo 11

O Pai-nosso

1 Um dia, Jesus estava orando num certo lugar. Quando terminou, um de seus discípulos pediu-lhe: “Senhor, ensina-nos a orar, como também João ensinou a seus discípulos”.

2 Ele respondeu: “Quando orardes, dizei: Pai, santificado seja teu nome; venha o teu Reino;

3 dá-nos, a cada dia, o pão cotidiano,

4 e perdoa-nos os nossos pecados, pois nós também perdoamos a todo aquele que nos deve; e não nos introduzas em tentação”.

A oração insistente

5 E Jesus acrescentou: “Imaginai que um de vós tem um amigo e, à meia-noite, o procura, dizendo: ‘Amigo, empresta-me três pães,

6 pois um amigo meu chegou de viagem e nada tenho para lhe oferecer’.

7 O outro responde lá de dentro: ‘Não me incomodes. A porta já está trancada. Meus filhos e eu já estamos deitados, não posso me levantar para te dar os pães’.

8 Digo-vos: mesmo que não se levante para dá-los por ser seu amigo, vai levantar-se por causa de sua impertinência e lhe dará quanto for necessário.

9 Portanto, eu vos digo: pedi e vos será dado; procurai e encontrareis; batei e a porta vos será aberta.

10 Pois todo aquele que pede recebe; quem procura encontra; e a quem bate, a porta será aberta.

11 Algum de vós que é pai, se o filho pedir um peixe, lhe dará uma cobra?

12 Ou ainda, se pedir um ovo, lhe dará um escorpião?

13 Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais o Pai do céu saberá dar o Espírito Santo aos que lhe pedirem!”

O demônio mudo. Jesus e Beelzebu

14 Jesus estava expulsando um demônio que era mudo. Quando o demônio saiu, o mudo começou a falar, e as multidões ficaram admiradas.

15Alguns, porém, disseram: “É pelo poder de Beelzebu, o chefe dos demônios, que ele expulsa os demônios”.

16 Outros, para tentar Jesus, pediam-lhe um sinal do céu.

17 Mas, conhecendo seus pensamentos, ele disse-lhes: “Todo reino dividido internamente será destruído; cairá uma casa sobre a outra.

18 Ora, se até Satanás está dividido internamente, como poderá manter-se o seu reino? Pois dizeis que é pelo poder de Beelzebu que eu expulso os demônios.

19 Se é pelo poder de Beelzebu que eu expulso os demônios, pelo poder de quem então vossos discípulos os expulsam? Por isso, eles mesmos serão vossos juízes.

20 Mas, se é pelo dedo de Deus que eu expulso os demônios, é porque o Reino de Deus já chegou até vós.

21 Quando um homem forte e bem armado guarda o próprio terreno, seus bens estão seguros.

22 Mas, quando chega um mais forte do que ele e o vence, arranca-lhe a armadura em que confiava e distribui os despojos.

23 Quem não está comigo é contra mim; e quem não recolhe comigo, espalha.

24 Quando o espírito impuro sai de alguém, fica vagando por lugares áridos, à procura de repouso. Não o encontrando, diz: ‘Vou voltar para minha casa de onde saí’.

25 Chegando aí, encontra a casa varrida e arrumada.

26 Então ele vai e traz outros sete espíritos piores do que ele, que entram e se instalam aí. No fim, o estado dessa pessoa fica pior do que antes”.

Bem-aventurança da mãe de Jesus

27 Enquanto Jesus assim falava, uma mulher levantou a voz no meio da multidão e lhe disse: “Feliz o ventre que te trouxe e os seios que te amamentaram”.

28 Ele respondeu: “Felizes, sobretudo, são os que ouvem a Palavra de Deus e a põem em prática”.

O sinal de Jonas

29 Acorrendo as multidões em grande número, Jesus começou a dizer: “Esta geração é uma geração perversa. Busca um sinal, mas nenhum sinal lhe será dado, a não ser o sinal de Jonas.

30 De fato, assim como Jonas foi um sinal para os ninivitas, assim também será o Filho do Homem para esta geração.

31 No dia do juízo, a rainha do Sul se levantará juntamente com esta geração e a condenará, pois ela veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria de Salomão, e aqui está quem é mais do que Salomão.

32 No dia do juízo, os ninivitas se levantarão juntamente com esta geração e a condenarão; pois eles mostraram arrependimento com a pregação de Jonas, e aqui está quem é mais do que Jonas”.

A luz do corpo

33 Ninguém traz uma lâmpada para colocá-la num lugar escondido ou debaixo de uma vasilha; coloca-a no suporte, a fim de que os que entram vejam a claridade.

34 A lâmpada que ilumina o corpo é o olho. Se teu olho for límpido, ficarás todo cheio de luz; mas se teu olho for ruim, ficarás todo em trevas!

35 Examina, pois, se a luz em ti não são trevas!

36 Se então teu corpo estiver todo cheio de luz, sem traço algum de escuridão, ficarás totalmente iluminado, como acontece quando a lâmpada te ilumina com seu clarão”.

Crítica aos fariseus e os escribas

37 Enquanto Jesus estava falando, um fariseu o convidou para jantar em sua casa. Jesus foi e pôs-se à mesa.

38 O fariseu ficou admirado ao ver que ele não tinha feito a lavação ritual antes da refeição.

39 O Senhor disse-lhe: “Vós, fariseus, limpais por fora o copo e a travessa, mas o vosso interior está cheio de roubos e maldades.

40 Insensatos! Aquele que fez o exterior não fez também o interior?

41 Antes, dai em esmola o que está dentro, e tudo ficará puro para vós.

42 Ai de vós, fariseus, porque pagais o dízimo da hortelã, da arruda e de todas as outras ervas, mas deixais de lado a justiça e o amor de Deus. Isto é que deveríeis praticar, sem negligenciar aquilo.

43 Ai de vós, fariseus, porque gostais do primeiro assento nas sinagogas e de serdes cumprimentados nas praças.

44 Ai de vós, porque sois como túmulos que não se vêem, sobre os quais as pessoas andam sem saber”.

45 Um doutor da Lei tomou a palavra e disse: “Mestre, falando assim, insultas também a nós!”

46 Jesus respondeu: “Ai de vós igualmente, doutores da Lei, porque carregais as pessoas com fardos insuportáveis, e vós mesmos, nem com um só dedo, não tocais nesses fardos!

47 Ai de vós, porque construís os túmulos dos profetas! No entanto, foram vossos pais que os mataram.
48 Com isso, sois testemunhas e aprovais as ações de vossos pais, pois eles mataram os profetas e vós construís os túmulos.

49 É por isso que a sabedoria de Deus afirmou: ‘Eu lhes enviarei profetas e apóstolos, e a alguns, eles matarão ou perseguirão;

50 por isso se pedirá conta a esta geração do sangue de todos os profetas derramado desde a criação do mundo,

51 desde o sangue de Abel até o sangue de Zacarias, que foi morto entre o altar e o Santuário. Sim, eu vos digo: esta geração terá de prestar conta disso.

52 Ai de vós, doutores da Lei, porque ficastes com a chave da ciência: vós mesmos não entrastes, e ainda impedistes os que queriam entrar”.

53 Quando Jesus saiu de lá, os escribas e os fariseus começaram a importuná-lo e a provocá-lo em muitos pontos,

54 armando ciladas para apanhá-lo em suas próprias palavras.
Título: Re: Evangelho Segundo Lucas
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 22 de Julho de 2019, 19:21
Capítulo 12

O fermento dos fariseus

1 Entretanto, milhares de pessoas se ajuntaram, a ponto de uns pisarem os outros. Jesus começou a falar, primeiro a seus discípulos: “Cuidado com o fermento dos fariseus, que é a hipocrisia.

2 Não há nada de oculto que não venha a ser revelado, e não há nada de escondido que não venha a ser conhecido.

3 Portanto, tudo o que tiverdes dito na escuridão, será ouvido à luz do dia; e o que tiverdes pronunciado ao pé do ouvido, nos quartos, será proclamado sobre os telhados.

Não temer, dar testemunho

4 “A vós, porém, meus amigos, eu digo: não tenhais medo dos que matam o corpo e depois não podem fazer mais nada.

5 Vou mostrar-vos a quem deveis temer: temei aquele que, depois de fazer morrer, tem o poder de lançar-vos no inferno. Sim, eu vos digo, a este deveis temer.

6 Não se vendem cinco pardais por duas moedinhas? No entanto, nenhum deles é esquecido por Deus.

7 Até mesmo os cabelos de vossa cabeça estão todos contados. Não tenhais medo! Vós valeis mais do que muitos pardais.

8 Eu vos digo: todo aquele que se declarar por mim diante do povo, o Filho do Homem também se declarará a favor dele diante dos anjos de Deus.

9 Aquele, porém, que me renegar diante do povo será renegado diante dos anjos de Deus.

10 Todo aquele que falar uma palavra contra o Filho do Homem será perdoado. Mas quem blasfemar contra o Espírito Santo não será perdoado.

11 Quando vos conduzirem diante das sinagogas, magistrados e autoridades, não vos preocupeis com os argumentos para vos defender, nem com o que dizer.

12 Pois nessa hora o Espírito Santo vos ensinará o que deveis dizer”.

O rico insensato

13 Alguém do meio da multidão disse a Jesus: “Mestre, dize ao meu irmão que reparta a herança comigo”.

14 Ele respondeu: “Homem, quem me encarregou de ser juiz ou árbitro entre vós?”

15 E disse-lhes: “Atenção! Guardai-vos de todo tipo de ganância, pois mesmo que se tenha muitas coisas, a vida não consiste na abundância de bens”.

16 E contou-lhes uma parábola: “A terra de um homem rico deu uma grande colheita.

17 Ele pensava consigo mesmo: ‘Que vou fazer? Não tenho onde guardar minha colheita’.

18 Então resolveu: ‘Já sei o que fazer! Vou derrubar meus celeiros e construir maiores; neles vou guardar todo o meu trigo, junto com os meus bens.

19 Então poderei dizer a mim mesmo: Meu caro, tens uma boa reserva para muitos anos. Descansa, come, bebe, goza a vida!’

20 Mas Deus lhe diz: ‘Tolo! Ainda nesta noite, tua vida te será tirada. E para quem ficará o que acumulaste?’

21 Assim acontece com quem ajunta tesouros para si mesmo, mas não se torna rico diante de Deus”.

Os lírios do campo

22 Então, Jesus disse a seus discípulos: “Por isso, eu vos digo: não vivais preocupados com o que comer, quanto à vida; nem com o que vestir, quanto ao corpo.

23 A vida é mais que o alimento, e o corpo, mais do que a roupa.

24 Olhai os corvos: não semeiam nem colhem, não têm celeiro nem despensa. No entanto, Deus os sustenta. Será que vós não valeis mais do que os pássaros?

25 Quem dentre vós pode, com sua preocupação, acrescentar um só dia à duração de sua vida?

26 Se não está em vosso poder fazer a menor coisa, como então vos preocupar com o resto?

27 Olhai como crescem os lírios. Não trabalham, nem fiam. No entanto, eu vos digo: nem Salomão, em toda a sua glória, jamais se vestiu como um só dentre eles.

28 Ora, se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada ao forno, quanto mais não fará convosco, gente de pouca fé.

29 Também vós, não fiqueis ansiosos com o que comer ou beber. Não vos inquieteis!

30 Os pagãos deste mundo é que vivem procurando todas essas coisas, mas o vosso Pai sabe que delas precisais.

31 Buscai, pois, o seu Reino, e essas coisas vos serão dadas por acréscimo.

32 Não tenhas medo, pequeno rebanho, pois foi do agrado do vosso Pai dar a vós o Reino.

33 Vendei vossos bens e dai esmola. Fazei para vós bolsas que não se estraguem, um tesouro no céu que não se acabe; ali o ladrão não chega nem a traça corrói.

34 Pois onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração.

A vigilância

35 “Ficai de prontidão, com o cinto amarrado e as lâmpadas acesas.

36 Sede como pessoas que estão esperando seu senhor voltar de uma festa de casamento, para lhe abrir a porta, logo que ele chegar e bater.

37 Felizes os servos que o Senhor encontrar acordados quando chegar. Em verdade, vos digo: ele mesmo vai arregaçar sua veste, os fará sentar à mesa e passará para servi-los.

38 E caso ele chegue pela meia-noite ou já perto da madrugada, felizes serão, se assim os encontrar!

O vigilante dono de casa

39 “Ficai certos: se o dono da casa soubesse a que horas viria o ladrão, não deixaria que fosse arrombada sua casa.

40 Vós também ficai preparados! Pois na hora em que menos pensais, virá o Filho do Homem”.

O servo fiel e atento

41 Então Pedro disse: “Senhor, é para nós ou para todos que contas esta parábola?”

42 O Senhor respondeu: “Quem é o administrador fiel e atento, que o senhor encarregará de dar à criadagem a ração de trigo na hora certa?

43 Feliz aquele servo que o senhor, ao chegar, encontrar agindo assim!

44 Em verdade, vos digo: ele lhe confiará a administração de todos os seus bens.

45 Ora, se um outro servo pensar: ‘Meu senhor está demorando’ e começar a bater nos criados e nas criadas, a comer, beber e embriagar-se,

46 o senhor daquele servo chegará num dia inesperado e numa hora imprevista, ele o excluirá e lhe imporá a sorte dos infiéis.

47 O servo que, conhecendo a vontade do senhor, nada preparou, nem agiu conforme a sua vontade, será chicoteado muitas vezes.

48 O servo, porém, que não conhecendo essa vontade fez coisas que merecem castigo, será chicoteado poucas vezes. Portanto, todo aquele a quem muito foi dado, muito lhe será pedido; a quem muito foi confiado, dele será exigido muito mais!

Jesus veio trazer fogo sobre a terra

49 “Fogo eu vim lançar sobre a terra, e como gostaria que já estivesse aceso!

50 Um batismo eu devo receber, e como estou ansioso até que isto se cumpra!

51 Pensais que eu vim trazer a paz à terra? Pelo contrário, eu vos digo, vim trazer a divisão.

52 Pois daqui em diante, numa família de cinco pessoas, três ficarão divididas contra duas e duas contra três;

53 ficarão divididos: pai contra filho e filho contra pai; mãe contra filha e filha contra mãe; sogra conta nora e nora contra sogra”.

Os sinais do tempo

54 Jesus dizia também às multidões: “Quando vedes uma nuvem vinda do ocidente, logo dizeis que vem chuva. E assim acontece.

55 Quando sentis soprar o vento sul, logo dizeis que vai fazer calor. E assim acontece.

56 Hipócritas! Sabeis avaliar o aspecto da terra e do céu. Como é que não sabeis avaliar o tempo presente?

57 Por que não julgais por vós mesmos o que é justo?

58 Quando, pois, estás indo com teu adversário apresentar-te diante do magistrado, procura resolver o caso com ele enquanto ainda a caminho. Senão ele te levará ao juiz, o juiz te entregará ao oficial de justiça, e o oficial de justiça te jogará na prisão.

59 Eu te digo: dali não sairás, enquanto não pagares o último centavo”.
Título: Re: Evangelho Segundo Lucas
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 28 de Agosto de 2019, 15:53
Capítulo 13

Os galileus e a torre de Siloé

1 Nesse momento, chegaram algumas pessoas trazendo a Jesus notícias a respeito dos galileus que Pilatos tinha matado, misturando o sangue deles com o dos sacrifícios que ofereciam.

2 Ele lhes respondeu: “Pensais que esses galileus eram mais pecadores do que qualquer outro galileu, por terem sofrido tal coisa?

3 Digo-vos que não. Mas se vós não vos converterdes, perecereis todos do mesmo modo.

4 E aqueles dezoito que morreram quando a torre de Siloé caiu sobre eles? Pensais que eram mais culpados do que qualquer outro morador de Jerusalém?

5 Eu vos digo que não. Mas, se não vos converterdes, perecereis todos do mesmo modo”.

A figueira estéril

6 E Jesus contou esta parábola: “Certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha. Foi lá procurar figos e não encontrou.

7 Então disse ao agricultor: ‘Já faz três anos que venho procurando figos nesta figueira e nada encontro. Corta-a! Para que esta ocupando inutilmente a terra?’

8 Ele, porém, respondeu: ‘Senhor, deixa-a ainda este ano. Vou cavar em volta e pôr adubo.

9 Pode ser que venha a dar fruto. Se não der, então a cortarás”.

Cura da mulher encurvada, no sábado

10 Jesus estava ensinando numa sinagoga, num dia de sábado.

11 Havia aí uma mulher que, dezoito anos já, estava com um espírito que a tornava doente. Era encurvada e totalmente incapaz de olhar para cima.

12 Vendo-a, Jesus a chamou e lhe disse: “Mulher, estás livre da tua doença”.

13 Ele impôs as mãos sobre ela, que imediatamente se endireitou e começou a louvar a Deus.

14 O chefe da sinagoga, porém, furioso porque Jesus tinha feito uma cura em dia de sábado, se pôs a dizer à multidão: “Há seis dias para trabalhar. Vinde, pois, nesses dias para serdes curados, mas não em dia de sábado”.

15 O Senhor respondeu-lhe: “Hipócritas! Não solta cada um de vós seu boi ou o jumento do curral, para dar-lhe de beber, mesmo que seja em dia de sábado?

16 Esta filha de Abraão, que Satanás amarrou durante dezoito anos, não devia ser libertada dessa prisão, mesmo em dia de sábado?”

17 Essa resposta envergonhou todos os inimigos de Jesus. E a multidão inteira se alegrava com as maravilhas que ele fazia.

O grão de mostarda e o fermento

18 E Jesus dizia: “A que é semelhante o Reino de Deus, e com que poderei compará-lo?

19 É como um grão de mostarda que alguém pegou e semeou no seu jardim: cresceu, tornou-se um arbusto, e os pássaros do céu foram fazer ninhos nos seus ramos”.

20 Jesus disse ainda: “Com que mais poderei comparar o Reino de Deus?

21 É como o fermento que uma mulher pegou e escondeu em três porções de farinha, até tudo ficar fermentado”.

A porta estreita

22 Jesus atravessava cidades e povoados, ensinando e prosseguindo o caminho para Jerusalém.

23 Alguém lhe perguntou: “Senhor, é verdade que são poucos os que se salvam?” Ele respondeu:

24 ”Esforçai-vos por entrar pela porta estreita. Pois eu vos digo que muitos tentarão entrar e não conseguirão.

25 Uma vez que o dono da casa se levantar e fechar a porta, vós, do lado de fora, começareis a bater, dizendo: ‘Senhor, abre-nos a porta!’. Ele responderá: ‘Não sei de onde sois’.

26 Então começareis a dizer: ‘Comemos e bebemos na tua presença, e tu ensinaste em nossas praças!’

27 Ele, porém, responderá: ‘Não sei de onde sois. Afastai-vos de mim, todos vós que praticais a iniqüidade!’

28 E ali haverá choro e ranger de dentes, quando virdes Abraão, Isaac e Jacó, junto com todos os profetas, no Reino de Deus, enquanto vós mesmos sereis lançados fora.

29 Virão muitos do oriente e do ocidente, do norte e do sul, e tomarão lugar à mesa no Reino de Deus.

30 E assim há últimos que serão primeiros, e primeiros que serão últimos”.

Herodes, a raposa. Lamentação sobre Jerusalém

31 Naquela hora, alguns fariseus aproximaram-se e disseram a Jesus: “Sai daqui, porque Herodes quer te matar”.

32 Ele disse: “Ide dizer a essa raposa: eu expulso demônios e faço curas hoje e amanhã; e no terceiro dia chegarei ao termo.

33 Entretanto, preciso caminhar hoje, amanhã e depois de amanhã, pois não convém que um profeta morra fora de Jerusalém.

34 Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te foram enviados! Quantas vezes eu quis reunir teus filhos, como a galinha reúne os pintainhos debaixo das asas, mas não quiseste!

35 Vede, vossa casa ficará abandonada. Eu vos digo: não mais me vereis, até que chegue o tempo em que digais: ‘Bendito aquele que vem em nome do Senhor’”.
Título: Re: Evangelho Segundo Lucas
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 28 de Agosto de 2019, 15:54
Capítulo 14

Cura do hidrópico, no sábado

1 Num dia de sábado, Jesus foi comer na casa de um dos chefes dos fariseus. Estes o observavam.

2 Em frente de Jesus estava um homem que sofria de hidropisia.

3 Tomando a palavra, Jesus disse aos doutores da Lei e aos fariseus: “Em dia de sábado, é permitido curar ou não?”

4 Eles ficaram em silêncio. Então Jesus tomou o homem pela mão, curou-o e o despediu.

5 Depois lhes disse: “Se algum de vós tem um filho ou um boi que caiu num poço, não o tira logo daí, mesmo em dia de sábado?”

6 E eles não foram capazes de responder a isso.

Os lugares no banquete

7 Jesus notou como os convidados escolhiam os primeiros lugares. Então contou-lhes uma parábola:

8 “Quando fores convidado para uma festa de casamento, não ocupes o primeiro lugar. Pode ser que tenha sido convidado alguém mais importante,

9 e o dono da casa, que convidou os dois, venha a te dizer: ‘Cede o lugar a ele’. Então irás cheio de vergonha ocupar o último lugar.

10 Ao contrário, quando fores convidado, vai sentar-te no último lugar. Quando chegar então aquele que te convidou, ele te dirá: ‘Amigo, vem para um lugar melhor!’ Será uma honra para ti, à vista de todos os convidados.

11 Pois todo aquele que se exalta será humilhado, e quem se humilha será exaltado”.

12 E disse também a quem o tinha convidado: “Quando ofereceres um almoço ou jantar, não convides teus amigos, nem teus irmãos, nem teus parentes, nem teus vizinhos ricos. Pois estes podem te convidar por sua vez, e isto já será a tua recompensa.

13 Pelo contrário, quando deres um banquete, convida os pobres, os aleijados, os coxos, os cegos!-

14 Então serás feliz, pois estes não têm como te retribuir! Receberás a recompensa na ressurreição dos justos”. Os convidados do banquete

15 Tendo ouvido isso, um dos que estavam junto à mesa disse a Jesus: “Feliz quem come o pão no Reino de Deus!”

16 Ele respondeu: “Alguém deu um grande banquete e convidou muitas pessoas.

17 Na hora do banquete, mandou seu servo dizer aos convidados: ‘Vinde! Tudo está pronto’.

18 Mas todos, um a um, começaram a dar desculpas. O primeiro disse: ‘Comprei um campo e preciso ir vê-lo. Peço que me desculpes’.

19 Um outro explicou: ‘Comprei cinco juntas de bois e vou experimentá-las. Peço que me desculpes’.

20 Um terceiro justificou: ‘Acabo de me casar e, por isso, não posso ir’.

21 O servo voltou e contou tudo a seu senhor. Então o dono da casa ficou irritado e disse ao servo: “Sai depressa pelas praças e ruas da cidade. Traze para cá os pobres, os aleijados, os cegos e os coxos’.

22 E quando o servo comunicou: ‘Senhor, o que mandaste fazer foi feito, e ainda há lugar’,

23 o senhor ordenou ao servo: ‘Sai pelas estradas e pelos cercados, e obriga as pessoas a entrar, para que minha casa fique cheia.

24 Pois eu vos digo: nenhum daqueles que foram convidados provará do meu banquete’”.

As exigências do seguimento

25 Grandes multidões acompanhavam Jesus. Voltando-se, ele lhes disse:

26 “Se alguém vem a mim, mas não me prefere a seu pai e sua mãe, sua mulher e seus filhos, seus irmãos e suas irmãs, e até à sua própria vida, não pode ser meu discípulo.

27 Quem não carrega sua cruz e não caminha após mim, não pode ser meu discípulo.

28 De fato, se algum de vós quer construir uma torre, não se senta primeiro para calcular os gastos, para ver se tem o suficiente para terminar?

29 Caso contrário, ele vai pôr o alicerce e não será capaz de acabar. E todos os que virem isso começarão a zombar:

30 ‘Este homem começou a construir e não foi capaz de acabar!’

31 Ou ainda: um rei que sai à guerra contra um outro não se senta primeiro e examina bem se com dez mil homens poderá enfrentar o outro que marcha contra ele com vinte mil?

32 Se ele vê que não pode, envia uma delegação, enquanto o outro ainda está longe, para negociar as condições de paz.

33 Do mesmo modo, portanto, qualquer um de vós, se não renunciar a tudo o que tem, não pode ser meu discípulo!

O sal

34 “O sal é bom. Mas se até o sal perder o sabor, com que se há de salgar?

35 Não serve nem para a terra, nem para o esterco, mas só para ser jogado fora. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça”.