Forum Espirita

GERAL => Mensagens de Ânimo => Tópico iniciado por: YESNO em 19 de Outubro de 2009, 14:34

Título: Espíritos não usam guarda-chuvas
Enviado por: YESNO em 19 de Outubro de 2009, 14:34
O Centro Espírita funcionava num quartinho nos fundos, num bairro na periferia de S.Paulo. Brincávamos de chamá-lo, não de Casa Espírita, mas de Edícula Espírita. Cabiam mais ou menos dez pessoas um tanto quanto acanhadas, mas o grupo que se reunia regularmente nunca passava de seis gatos pingados.

Um dia, o único médium, Sr Belmiro* mudou-se para Santos e até que essa falta fosse suprida, as reuniões eram apenas de estudos e prece, o que também sempre era agradável pela confraternização amorosa. As sessões mediúnicas aconteciam, unicamente, quando o Sr Belmiro nos avisava que podia vir de lá participar dos trabalhos.

Nessas reuniões, a manifestação do mentor da casa, infundia ânimo para a edificação das novas instalações onde poderíamos melhor espalhar os ensinamentos mesmo ante as dificuldades de recursos, o que parece ser uma prova para os iniciantes.

Era muito bem humorado, o que nos deixava à vontade, já que não se colocava como o sábio dos céus, mas um irmão mais esclarecido pelas novas luzes.
Certa feita ele telefonou avisando que viria naquela quarta-feira, o que era sempre uma satisfação enorme a todos.

Ocorre que, naquela tarde, após o meio-dia, o céu fechou e choveu. Choveu muito.Tínhamos a impressão de que era a sobra do dilúvio que caia. Vários bairros ficaram inundados, e muitas vias de acesso, intransitáveis.

Perto das dezenove horas (a reunião era às sete e meia) estavam em frente à porta trancada, só dois amigos meus. Os demais, eu incluído, rendemo-nos ao mau tempo.

Os dois esperaram, esperaram e, após quase uma hora, sem ninguém, fizeram uma prece e voltaram às suas casas.

O Sr. Belmiro desculpou-se, o que foi mais do que entendido, e prometeu vir na próxima quarta, o que ocorreu com tempo bom e ameno.

Durante a manifestação mediúnica, após os momentos solenes da prece e orientações, o mentor, pelos olhos do médium, fitou aqueles dois amigos aqui antes citados e disse: "Carlos e Marcos * , ...quarta-feira passada, não foram só vocês que ficaram na porta aguardando..."

Entendemos todos, que a espiritualidade colocou-se, como se coloca sempre, à disponibilidade para o trabalho quando os requisitamos pela prece, pelo pensamento e boas intenções. Dependem, depois, da combinação da nossa disponibilidade, da nossa vontade e da possibilidade de bem fazer e dizer presente, quando assumimos um compromisso.
 
(*) os nomes estão trocados por óbvio resguardo.


Um abraço a todos.

Título: Re: Espíritos não usam guarda-chuvas
Enviado por: Mourarego em 19 de Outubro de 2009, 16:13
Se posso, amigo Yesno,
gostaria de estender um cadinho esse tema, mas falando sob outro aspecto.
bem se sabe que as reuniões devem ter um horário para começo e para fim, sabemos também que entre esses dois horários, haveremos de desencumbir todas as atividades da casa espírita.
Para que isso aconteça a contento, teremos de seguir o horário.
Mas qual, quantas são as vezes em que as coisas saem do normal e um trablaho ou um estudo avança no tempo dos outros trabalhos.
Que fazer então?
Alguns, prezando ao máximo a organização dos trabalhos daquela casa, chegam a cerrar as portas de entrada para que os atrasados não atrapalhem àqueles que chegaram no horário marcado.
Depois, fixam-se no relógio chegando a interromper uma fala importante, para anunciar que o estudo ou trabalho não poderá continuar...
Pode parecer a alguns, extrema competência, mas a vista do Espírito Verdade e mesmo de São Luis, tal coisa se dá por outros motivos.
A extrema obrigação em cumprimento dos horários, que pode parecer um indício de elevação espiritual, não é, segundo esses dois conhecidos Espíritos, conseqüência de conhecimento ou de responsabilidade, mas sim, uma positiva assinatura de Espíritos que ainda estagiam nos primeiros bancos da iniciação.
Diz São Luiz que estes Espíritos são apena ignorantes e que por um bem restrito a um horário se arrogam em condutores da ordem.
Sei que não devemos generalizar mas a nota de destaque serve para que nos acautelemos. Quando um trabalho estiver em marcha, apenas os Espíritos que o conduzem podem saber o horário melhor para término.
Não se trata do "liberou geral", mas de simples compreensão de que aqueles que ali estão, orbitam em esfera superior a nossa, vendo e conhecendo detalhes que a nós permanecem desconhecidos.
Abraços,
Moura
Título: Re: Espíritos não usam guarda-chuvas
Enviado por: YESNO em 19 de Outubro de 2009, 17:22
Sem dúvida, Caro Moura, os extremos são perigosos.

Já fiquei algumas vezes do lado de fora, mas também já fiquei orando, lá dentro, para que blá blá blás intermináveis se findassem em sessões que pareciam descompromissadas com o relógio e o dia-a-dia dos encarnados.

Boas palavras são: Planejamento, disciplina e...Bom senso.

Um abraço
Título: Re: Espíritos não usam guarda-chuvas
Enviado por: Siegmund Beulke em 19 de Outubro de 2009, 17:52
Se posso, amigo Yesno,
gostaria de estender um cadinho esse tema, mas falando sob outro aspecto.
bem se sabe que as reuniões devem ter um horário para começo e para fim, sabemos também que entre esses dois horários, haveremos de desencumbir todas as atividades da casa espírita.
Para que isso aconteça a contento, teremos de seguir o horário.
Mas qual, quantas são as vezes em que as coisas saem do normal e um trablaho ou um estudo avança no tempo dos outros trabalhos.
Que fazer então?
Alguns, prezando ao máximo a organização dos trabalhos daquela casa, chegam a cerrar as portas de entrada para que os atrasados não atrapalhem àqueles que chegaram no horário marcado.
Depois, fixam-se no relógio chegando a interromper uma fala importante, para anunciar que o estudo ou trabalho não poderá continuar...
Pode parecer a alguns, extrema competência, mas a vista do Espírito Verdade e mesmo de São Luis, tal coisa se dá por outros motivos.
A extrema obrigação em cumprimento dos horários, que pode parecer um indício de elevação espiritual, não é, segundo esses dois conhecidos Espíritos, conseqüência de conhecimento ou de responsabilidade, mas sim, uma positiva assinatura de Espíritos que ainda estagiam nos primeiros bancos da iniciação.
Diz São Luiz que estes Espíritos são apena ignorantes e que por um bem restrito a um horário se arrogam em condutores da ordem.
Sei que não devemos generalizar mas a nota de destaque serve para que nos acautelemos. Quando um trabalho estiver em marcha, apenas os Espíritos que o conduzem podem saber o horário melhor para término.
Não se trata do "liberou geral", mas de simples compreensão de que aqueles que ali estão, orbitam em esfera superior a nossa, vendo e conhecendo detalhes que a nós permanecem desconhecidos.
Abraços,
Moura

Se posso também gostaria de dar meu entendimento

Concordo plenamente com o Irmão Mourarego.
Por algum tempo , eu também tive essa atitude de que o horário é de suma importância para o bom andamento dos espíritos maiores.

Depois de estudar por mais de uma vez O Livro dos Médiuns, Mudei de opinião. Sendo assim vejamos:

LIVRO DOS MÉDIUNS-CAP XXIX, Item 333,

333. Há ainda outro ponto não menos importante: o da regularidade das
reuniões. Em todas, sempre estão presentes Espíritos a que poderíamos chamar
freqüentadores habituais, sem que com isso pretendamos referir-nosaos que se encontram em toda parte e em tudo se metem. Aqueles são, ou Espíritos
protetores, ou os que mais assiduamente se vêem interrogados.
Ninguém suponha que esses Espíritos nada mais tenham que fazer, senão ouvir o
que lhes queiramos dizer, ou perguntar. Eles têm suas ocupações e, além disso, podem
achar-se em condições desfavoráveis para serem evocados. Quando as reuniões se
efetuam em dias e horas certos, eles se preparam antecipadamente a comparecer e é raro
faltarem. Alguns mesmo há que levam ao excesso a sua pontualidade. Formalizam-se,
quando se dá o atraso de um quarto de hora e, se são eles que marcam o momento de
uma reunião, fora inútil chamá-los antes desse momento.
Acrescentemos, todavia, que, se bem os Espíritos prefiram a regularidade, os de
ordem verdadeiramente superior não se mostram meticulosos a esse extremo. A
exigência de pontualidade rigorosa é sinal de inferioridade, como tudo o que seja pueril.

Mesmo fora das horas predeterminadas, podem eles, sem dúvida, comparecer e se
apresentam de boa-vontade, se é útil o fim objetivado. Nada, porém, mais prejudicial às
boas comunicações do que os chamar a torto e a direito, quando isso nos acuda à
fantasia e, principalmente, sem motivo sério. Como não se acham adstritos a se
submeterem aos nossos caprichos, bem pode dar-se que não se movam ao nosso
chamado. E então que ocorre tomarem-lhe outros o lugar e os nomes.

Desde então dei mais valor ao que se aprende, à oportunidade de mais irmãos aprenderem e estarem juntos.
 É claro que se fugimos muito dos horários estipulados , como diz o texto acima, com negligência, desprezo, sem responsabilidades, com certeza os bons espíritos não nos esperarão.


Título: Re: Espíritos não usam guarda-chuvas
Enviado por: Mourarego em 19 de Outubro de 2009, 18:08
Exato Siegmund,
a negligência é fator de afastamento assim como a puerilidade ou a levinadade.
Obrigado por postar a doutrina já que atestei com minhas palavras o que ela diz.
É como sempre afirmo: A Doutrina é de claridade que só ofusca as crenças vãs.
Abraços,
Moura