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GERAL => Mensagens de Ânimo => Tópico iniciado por: Klauz em 26 de Janeiro de 2011, 10:12

Título: A RELIGIÃO DOS HOMENS E A RELIGIÃO DE DEUS
Enviado por: Klauz em 26 de Janeiro de 2011, 10:12
A RELIGIÃO DOS HOMENS E A RELIGIÃO DE DEUS


“Tendes ouvido o que foi dito: Amarás o teu próximo e aborrecerás ao
teu inimigo. Eu porém vos digo: Amai aos vossos inimigos e orai pelos
que vos perseguem, para que vos torneis filhos do vosso Pai que está nos
Céus, porque Ele faz nascer o seu Sol sobre os bons e sobre os maus, e vir
suas chuvas sobre os justos e injustos. Porque, se amardes aos que vos
amam, que recompensa tendes? Não fazem os publicanos o mesmo? E se
saudardes somente aos vossos irmãos, que fazeis de especial? Não fazem
os gentios também o mesmo? Sede vós, pois, perfeitos, como o vosso Pai
celestial é perfeito.”
(Mateus, V, 43-48.)

“Mas os fariseus, sabendo que Jesus fizera calar os saduceus,
reuniram-se; e um deles, doutor da Lei, para o experimentar, fez-lhe esta
pergunta: Mestre, qual é o grande mandamento da Lei?
“Respondeu-lhe Jesus: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu
coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. E o segundo semelhante a este é: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. Estes dois mandamentos resumem toda a Lei e os Profetas.”
(Mateus, XXII, 34-40.)

A Religião dos homens não é a Religião de Deus. A religião dos
homens se resume nos sacramentos: batismo, confissão, crisma,
matrimônio, missas, cultos, louvores, dízimos, extrema-unção, procissões, festas, dias-santos.
A Religião de Deus é caridade, misericórdia, paz, paciência, tolerância, perdão, amor a Deus, amor ao próximo.
A religião dos homens é misericórdia sujeita ao numerário.
A Religião de Deus está isenta do dinheiro do mundo. A religião dos
homens circunscreve a razão e o sentimento, prescrevendo a ignorância;
não admite a evolução.
A Religião de Deus reclama o estudo e proclama o progresso.
A religião dos homens consiste em dogmas e mistérios que a
consciência repele e o sentimento repudia.
A Religião de Deus derriba as barreiras do sobrenatural e afirma que
nunca disse, nem dirá a última palavra, porque é de evolução permanente.
A religião dos homens escraviza as almas, escraviza a inteligência,
anula a razão, condena a análise, a investigação, o livre-exame.
A Religião de Deus manda ao indivíduo, como Paulo, examinar tudo,
crescer em todo o conhecimento, fazer o estudo crítico do que lhe for
apresentado para separar o bom do mau e não ter tropeço no “dia do
Cristo”.
A religião dos homens não tem espírito: para ela o Evangelho é letramorta, não tem a Palavra de Jesus; seus santos são de pau e barro; suas virtudes, de incenso e alfazema; suas obras são folguedos, festanças com alarido de sinos, de foguetes, de fanfarra; seus ornamentos, de fitas e
papéis de cores.
A Religião de Deus é vivificada pelo Espírito da Vida Eterna, é acionada pelas Revelações Sucessivas, baseia-se na Palavra de Jesus, nos Evangelhos, nas Epístolas Apostólicas. Seus santos são Espíritos vivos,
puros, ou que se estão purificando e que vêm comunicar-se com os
homens na Terra, para guiá-los à Verdade; suas virtudes são as curas dos
enfermos operadas por esses Espíritos, as manifestações de materializações, de transportes, de fotografia, que vêm dar a certeza da
Imortalidade e estabelecer a Verdadeira Fé.
A religião dos homens é a aflição, o desespero, a morte; ao doente ela
só oferece a confissão auricular; ao agonizante, a extrema-unção e depois
da morte o De-Profundis com as subseqüentes missas, que constituem um
gravame eterno para a família do morto.
A Religião de Deus é a consolação, a esperança, a vida: ao doente dá
remédios, fluidos divinos para lenir o sofrimento; ao agonizante desvenda
o Reino da Imortalidade e afirma o prosseguimento da Vida independente
da vida na Terra; dá de graça a misericórdia, cerca o paciente de amor e a
todos recomenda a oração gratuita como meio de auxiliar os que sofrem.
A religião dos homens é composta de uma hierarquia que começa no
pequeno cura de aldeia para se elevar através das dignidades de cônego,
monsenhor, bispo, arcebispo, cardeal, ao caporal maior, o Sumo Pontífice
Infalível, o Papa; cada qual se distingue pela tonsura, vestimenta, rubis,
pedrarias de esmeraldas, brilhantes, diamantes e roupagens de seda, de
púrpura, de holanda: obrigando o hábito a fazer o monge.
A Religião de Deus é ministrada pelo Espírito, por intermédio dos
dons espirituais de que fala o grande Apóstolo da Luz em sua gloriosa
Epístola, hoje de divulgação mundial; ela não distingue o religioso, o
cristão, pelo hábito, pela opa, pela batina, pelos anéis, pela coroa, pela
mantilha, pelos rosários, pelas medalhas, pelas cruzes, porque qualquer
tartufo ou “tartufa” pode usar essas insígnias; mas reconhece o cristão, o
religioso pelo caráter, pelo critério, pela fé que dele emana, pela caridade
que o caracteriza, pela esperança não fingida que manifesta.
A religião dos homens persegue, anatematiza, odeia e calunia os que
são descrentes.
A Religião de Deus perdoa, ora, auxilia, serve e ampara seus próprios
perseguidores, detratores, caluniadores e adversários.
A religião dos homens se ilumina à luz do azeite, da cera, da
eletricidade.
A Religião de Deus é a Luz do Mundo e de todo o Universo.
A Religião dos homens é insípida, corruptível; usa o sal material.
A Religião de Deus é o Sal da Terra: conserva, transforma, purifica.
A religião dos homens tem igrejas de pedra, de terra, de cal, de ferro,
de madeira.
A Religião de Deus tem por Igreja, como disse o Apóstolo, almas,
espíritos vivificantes.
As igrejas dos homens são de matéria inerte, caem ao embate dos
ventos, das tempestades, das correntezas.
Contra a Igreja de Deus os elementos não prevalecem; ela é
imperecível e se nos mostra cada vez mais viva, mais luminosa.
A religião dos homens é a opressão, o orgulho, o egoísmo, a
mercancia.
A Religião de Deus é a da liberdade, da humildade do amor, do
desinteresse. A religião dos homens não é a Religião de Deus: a religião
dos homens é dos homens e para os homens.
A Religião de Deus é a Luz Universal que proclama a Verdade, o
Caminho e a Vida, repetindo a Palavra do incomparável sábio e santo,
Jesus o Cristo: Amai os vossos inimigos; orai pelos que vos caluniam; que
a vossa justiça seja maior que a dos escribas e fariseus; ama; a Deus e ao
próximo, porque neste amor se fundam a Lei e os Profetas; sede perfeitos
como perfeito é o vosso Pai Celestial!

Caibar
Título: Re: A RELIGIÃO DOS HOMENS E A RELIGIÃO DE DEUS
Enviado por: Marcinho Medeiros em 27 de Janeiro de 2011, 18:51
Gostei do Tópico, Klauz.
Aqui na cidade que moro, o Padre tinha um horrível costume de falar mal dos Pastores e estes revidavam com atitudes da mesma natureza. Hoje isso diminuiu. Mas houve época que as imagens construídas na parte de fora da Igreja Católica foram atacadas. O Padre dizia que fizeram a mando do Pastor.... e por aí à fora.
Eu tenho o costume de adaptar uma expressão muito usada pelas pessoas aos cristãos:
As pessoas costumam falar: "Se fulano tivesse estudado mais, hoje era doutor..." Adaptando isso aos cristãos eu digo: "Se todos os cristãos estudassem mais, hoje eram espíritas..."
Não é à toa que digo, pois somos os únicos cristãos que dispomos de um material grandiosíssimo e valiosíssimo para o estudo daquilo que para muitos não passa de mistérios - A vida no mundo espiritual, além dos constantes estudos bíblicos, comum a todo cristão.



Paz e Luz!
Título: Re: A RELIGIÃO DOS HOMENS E A RELIGIÃO DE DEUS
Enviado por: Klauz em 27 de Janeiro de 2011, 19:58
É isso ai, as pessoas hoje em dia estão mais preocupadas com dogmas e liturgias do que com o sentimento.
Sentimento que realmente une as pessoas e consequentemente levam a Deus.
Que Jesus o nosso mestre de amor nos deixe a sua paz
Título: Re: A RELIGIÃO DOS HOMENS E A RELIGIÃO DE DEUS
Enviado por: Conforti em 30 de Janeiro de 2011, 22:07

          Religião - O que é?

          Da carta a um amigo:           
          Meu amigo, as religiões mais nos enchem de ilusões, dúvidas e, sobretudo, esperanças em coisas que nem temos certeza de que, um dia, vão acontecer. Dão-nos esperanças de recompensas, nos dão medos e remorsos pelos erros, sentimentos de culpa, sofrimentos, preocupações. É certo que suas regras objetivam trazer um melhor relacionamento entre as já tão sofridas criaturas divinas. Veja o Decálogo: não matar, não roubar, não cobiçar o que seja do próximo, não desonrar, não dar falso testemunho, não adulterar. Observe que aí nada tem que signifique regra de “salvação”. Quanto aos quatro primeiros mandamentos, são inócuos, pois apenas visam a que se respeite aquele ser poderoso que o homem tão somente “imagina” o que possa ser. E não só que se respeite, mas até que se tema, como ainda hoje ocorre com tantas ameaças que as religiões, não só as ocidentais, apregoam.
          Veja o que todos os líderes, depois tidos por líderes religiosos, tiveram que fazer inicialmente: colocar ordem e tranqüilidade ao povo. Esse é o exemplo de Moisés, liderando uma fuga pelo deserto de, fora as crianças, 600 mil pessoas, rebeldes, sofridas, desorganizadas, indisciplinadas, prontas para matar, roubar, cobiçar etc. Como esse povo agiria com a disciplina necessária, em condições tão críticas, quando não tinha recurso algum nem mesmo para transmitir suas ordens? Somente despertando-lhe medo, o que fez apresentando-lhe um “Deus poderoso e cruel”, com ordens que, se negligenciadas pelo povo hebreu, resultariam castigos terríveis e assustadores, como ocorreu tantas vezes. O mesmo fez Maomé, com seu povo nômade. 
          Observe e verá que, ainda hoje, aquele medo persiste. Essa a razão de confissões e comunhões, promessas, sacrifícios, o forçar a própria natureza para perdoar, para agir em benefício do próximo, penitências, orações etc. Como não podemos deixar de perceber, é o medo que está por trás de tudo isso; medo de não estar protegido, de não agradar ou de ofender a divindade; de não cumprir os mandamentos de sua crença e vir a ser, em conseqüência, sentenciado a penalidades torturantes e cruéis ditas educativas, num futuro incerto.
          O medo dos ancestrais ainda está em nós. E a crença de que agradando os “deuses” seremos favorecidos, também. Quanta coisa o homem faz para agradar e, assim, conseguir o favor de Deus? O sacrifício nas diferentes promessas de fazer ou não fazer isto ou aquilo; o sacrifício do próprio corpo no jejum, as orações, os serviços/caridade forçados aos semelhantes etc.
          Quantas vezes a natureza do indivíduo ainda não tem condições de amar, mas ele a força, pois que acredita que deve seguir os conselhos de sua crença particular e, assim, poderá conseguir méritos visando a uma compensação no futuro. Por isso os sábios dizem que, enquanto não se “conhecer a verdade que liberta”, como disse Jesus, todas as virtudes, como o amor e a humildade, são ou prematuras, imitações, forçadas ou falsas. O homem, muito do que faz quando parece virtuoso, o faz por receio da desaprovação de Deus. A expressão comum “sou temente a Deus” é significativa. 
          As lições de Jesus, “em geral”, tinham o mesmo objetivo: uma vida menos sofrida pelo fato de todos se respeitarem naqueles aspectos citados; quando o Mestre disse “... dali não sairás até que tenhas pago o último ceitil...”, “... serás atirado ao fogo da geena...”, “... teu credor te levará ao juiz...”, observe que tudo visava a um entendimento melhor, a um relacionamento mais harmonioso com vistas a suavizar a vida daqueles homens já sujeitos a tantas desditas. 
          Isso é a religião, sobretudo a religião popular, organizada: leva os homens a melhor se conduzirem e se respeitarem, sobretudo por temerem as conseqüências, tantas vezes inenarráveis, de seus “erros”. Por isso, sérios pesquisadores do cristianismo primitivo afirmaram que “‘pelo cristianismo de hoje, ninguém chega ao Pai”, que “a igreja cristã falhou, por estar fazendo a humanidade ocidental caminhar contra um muro, sem conseguir dar um passo na direção de Deus”. 
          Por isso, também, os mestres afirmam que “as religiões impedem o acesso à verdade”, que “aquele que se liga a religiões organizadas é imaturo, ainda está no jardim da infância e, dificilmente, chegará à graduação universitária”. As religiões, embora elas não aceitem esta verdade, apenas visam trazer ordem, harmonia e tranqüilidade, mas não nos aproximam de Deus.
          Fiquem em Deus.