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GERAL => Mensagens de Ânimo => Meditação => Tópico iniciado por: Victor Passos em 29 de Abril de 2011, 11:55

Título: Sofrer Para Ser Feliz
Enviado por: Victor Passos em 29 de Abril de 2011, 11:55
Ola muita apz e harmonia
Bons Amigos e Amigas

             (http://www.anossaescola.com/cr/AdvHTML_Upload/poesia.jpg)

    SOFRER PARA SER FELIZ

                        Sofrer para ser feliz. Um paradoxo para quem não vê, na letra, o espírito.

                Sofrer para iluminar-se de claridades interiores. Para sentir essa felicidade que se não obtém com a satisfação dos prazeres efêmeros, materiais.

                Sofrer pelo Cristo.

                Sofrer pelo próximo.

                Por uma causa nobre.

                Para que a ciência progrida e o mundo avance.

                Para que haja paz entre os homens.

                Sofrer por amor a Deus. Só esse sofrimento, que é também um gozo, alegria incompreensível para o homem comum, é que traz a vitória espiritual.

                Será feliz neste mundo mesmo e no outro, quem sabe sofrer. Não fosse verdadeira a vida futura, e não seria lógico sofrer e amar a dor, que exprime amor.

                (De “O perfume do Evangelho”, de Clóvis Ramos)
Título: Re: Sofrer Para Ser Feliz
Enviado por: Taciana ♥ em 29 de Abril de 2011, 12:30
Bom dia Victor! Muito bonito seu texto!  :D Meditação otima pela manhã!

Fique na paz!

Beijos!

Título: Re: Sofrer Para Ser Feliz
Enviado por: HamLacerda em 29 de Abril de 2011, 15:39
O texto é bonito, sem dúvida, mas devemos entender que os sofrimentos são consequência da nossa resistência em modificar os nossos hábitos, pensamentos e ações. Portanto, é bom deixar claro que aceitar o sofrimento sem entender a causa pode deixar às pessoas acomodadas e esperar que a vida as arraste sem que elas não façam nada para mudar.


Como diz Séneca:

"O destino conduz quem consente e arrasta quem resite"


abs
Título: Re: Sofrer Para Ser Feliz
Enviado por: Mourarego em 29 de Abril de 2011, 16:10
Vamos conversar um cadinho gente?
O texto, bem interessante, do autor Clovis Ramos, trás apenas a eleição que ele dá ao sofrer e não ao sofrimento.
Notem bem, sofrer é uma coisa e sofrimento é outra.
Enquanto o segundo vocábulo se enquadra no estado dorido que alguns sintam, o primeiro quer dizer, dentro da óptica doutrinária, "passar por".
Assim. quando se diz: O Espírito sofre várias transformações morais durante seus périplos encarnatórios", se quer apenas explicar que este Espírito passa por diversas modificações morais e intelectuais até que se forje em Puro Espírito.
Logo, não há uma dor com explicita o autor, não aquela dor que sentimos ao cortar um dedo quando na cozinha ou mesmo quando damos uma topada com o calo de estimação em algum lugar.
Não posso me escudar em falar, também que por estarmos em um mundo de provas e expiações, tendo de "comer o pão no suor de nosso rosto" com exemplificou Jesus, este suor representa apenas, como já foi dito aqui e neste tópico, aquele sentimento por que uns passam mais fortemente, e que é sentido pela não resignação com que encaramos as vicissitudes que nós mesmos demos causa num passado distante ou mais aproximado de nosso hoje.
Assim, quando o autor nos diz "Será feliz neste mundo mesmo e no outro, quem sabe sofrer. Não fosse verdadeira a vida futura, e não seria lógico sofrer e amar a dor, que exprime amor.", ele trata de um ponto da obra O ESE que versa sobre o bom e o mal sofrer.
Mas que este sofrer se dê dentro da visão de passar pelas vicissitudes com resignação.
Abraços,
Moura
Título: Re: Sofrer Para Ser Feliz
Enviado por: gisellesen em 29 de Abril de 2011, 18:14
Parabens pela explicação!  É importante que ao colocar um texto ao publico, seja interpretado de forma coerente, poi não podemos nos esquecer que muitos não tem o conhecimento da doutrina e logo pode ficar assustado e acabar tomamndo aversão pelo conhecimento da doutrina. Li um trecho do texto no facebook e fiquei preocupada, mas com a explicação de Moura, tudo fica mais brando. Parabens mais uma vez pela explicação e que nosso irmão Victor possa da proxima vez colocar um lindo texto comungado com bela explicação. Abçs
Título: Re: Sofrer Para Ser Feliz
Enviado por: Victor Passos em 29 de Abril de 2011, 22:26
Ola muita paz e harmonia
Amiga Gisellesen

  Amiga agradeço a sua apelação, apenas queria dizer, que não posso fazer uma explicação do texto, após coloca-lo sem alocução ao mesmo.
  E se reparar , usando a visão  de cada personalidade irá verificar que terá uma alusão diferente do texto.
  Cada companheiro (a) vê aquilo que dentro do seu conceito acha ser a sua realidade .
  Todos somos Seres pensantes e cada um terá então , o seu conceito de sofrer e sofrimento e capacidade de o gerir da forma que estiver preparado, da forma como o aceita, enfim, não estou a discordar do Querido Amigo Moura, mas é nesse ambito que devemos reflectir.
  essas diversas formas de ver e liberdade de sentir é que enriquecem a alma e a fazem eclodir.
   No meu ponto de vista, em relação ao texto digo que o estagio de sofrimento diverge do sofrer, porque cada um tem capacidade diferente de assumir , mas também do estagio moral em que se encontra, porque se nós percebermos, quem somos, se nós contemplarmos a razão e a justiça Misericordiosa do Criador, iremos saber compreender que apelando à resignação, que não passiva, mas apelativa de reconhecimento da valorização da alma, iremos vê-lo como forma de crescimento e não como um flagelo.
  Estamos realmente num plano de provas e expiações, e claro apesar do peso está em sintonia com o merecimento, a felicidade a que possamos reçalvar será sempre relativa, pois dificilmente a obteremos absoluta neste plano.

  Muita paz e harmonia em vossos corações

Victor Passos
Título: Re: Sofrer Para Ser Feliz
Enviado por: Anton Kiudero em 29 de Abril de 2011, 22:38
Para sofrer, basta sofrer...
Para ser feliz, basta ser feliz...

Título: Re: Sofrer Para Ser Feliz
Enviado por: Victor Passos em 29 de Abril de 2011, 22:55
Ola Amigo Anton
Muita paz

   Acredito que sim, mas nada se gera pelo acaso....

   Ocupação Feliz

Resolvi examinar as diversas ocupações que as pessoas têm na vida, procurando escolher a melhor entre elas; e, sem desejar dizer algo a respeito delas, concluí que não poderia fazer nada melhor do que continuar naquela que encontrei para mim, ou seja, ocupando toda a minha vida no cultivo da razão e na busca do conhecimento da verdade, seguindo o Método que prescrevi a mim mesmo. Eu senti um contentamento tão profundo desde que comecei a usar esse Método, que não acreditava que alguém pudesse obter algo mais doce ou mais inocente nesta vida; e, ao continuar a descobrir, a cada dia, por meio dele, verdades que me pareciam dotadas de certa importância e das quais os outros não estavam em geral cientes, a satisfação que senti preencheu a minha mente de maneira tão plena que nada mais de modo nenhum me afectava.

René Descartes, in 'Discurso do Método'

Muita paz e harmonia
abraço amigo

Victor Passos
Título: Re: Sofrer Para Ser Feliz
Enviado por: Hebe M C em 29 de Abril de 2011, 23:07
Achei este artigo bem interessante e pertinente ao tópico.

As Quatro Nobres Verdades - Parte 8

Carlos Alberto Iglesia Bernardo
IV - Questões Filosóficas

Concepção deste mundo

- Budismo

"(...) convém esclarecer que a verdade do sofrimento, enunciada pelo Buda em seu primeiro sermão, pertence à verdade relativa e não descreve a natureza última das coisas, pois aquele que atinge a realização espiritual goza de uma felicidade inalterável e percebe a pureza infinita dos fenômenos: nele, todas as causas de sofrimento desapareceram. Então, por que destacar tanto o sofrimento ? Para tomar consciência, em um primeiro momento, das imperfeições do mundo condicionado. Neste mundo da ignorância, os sofrimentos se acrescentam uns aos outros: um de nossos pais morre, o outro o segue algumas semanas depois. As alegrias efêmeras se transformam em tormentos: parte-se para um alegre piquenique em família e nosso filho é picado por uma cobra. A reflexão sobre a dor, portanto, deve nos incitar a tomar o caminho do conhecimento. (...) " Matthieu Ricard, Ação sobre o mundo e ação sobre sí mesmo, O Monge e o Filósofo, Ed. Mandarim
A ilusão de um "eu" individual leva ao egoísmo e a considerar as coisas deste mundo como permanentes. Este apego leva ao sofrimento. O homem deve libertar-se dessa ignorância, compreender que tudo é impermanente (transitório) e aí terá atingido a felicidade.
O ser que age para se libertar da ignorância, seguindo as regras do caminho óctuplo, vive longe dos extremos - nem o ascetismo exagerado, muito menos o apego desmesurado aos bens materiais - daí a expressão "caminho do meio". Pelo ideal do Bodhisattva, há a valorização do esforço para melhorar o mundo e trazer a felicidade para todos. O Budista deve sempre agir para diminuir o sofrimento, onde e da maneira que lhe for possível.
- Espiritismo

"172 - Todas as nossas diferentes existências realizam-se na Terra ? Não, vivemo-las nos diferentes mundos: as da Terra não são as primeiras nem as últimas, porém das mais materializadas e distantes da perfeição.
173 - A cada nova existência corporal a alma passa de um mundo a outro ou lhe é possível viver muitas vidas no mesmo planeta ? Pode reviver várias vezes no mesmo planeta, se não estiver suficientemente avançada para passar a um mundo superior." O Livro dos Espíritos, Allan Kardec.
O mundo material é transitório, temos uma percepção limitada da realidade devido as nossas limitações de entendimento e de percepção. Como o mundo físico é uma escola na jornada evolutiva do ser, e as vicissitudes da vida material desafios para o espírito, o verdadeiro espírita deve sempre procurar melhorar a sí mesmo e, conseqüentemente, melhorar também seu modo de agir no mundo. Assim, pela lei de caridade e pela prática da sabedoria, o espírita deve sempre procurar melhorar a situação de seu próximo e da sociedade em que vive. O Espiritismo não aprova os extremos, nem o ascetismo exagerado nem o apego aos bens matérias. Somos depositários temporários dos bens deste mundo e devemos empregá-los do melhor modo possível para o bem de todos.
- Análise

A primeira vista, em um estudo superficial, o Budismo parece ter uma visão pessimista deste mundo, por sua aguda percepção do sofrimento e de suas causas. Isso porém não corresponde a realidade, pois faz parte das bases doutrinarias do Budismo a conscientização de que é possível superar-se o sofrimento e agir de tal modo que se possa ter um razoável grau de felicidade já nesta vida. Desta maneira, a concepção do mundo - e conseqüentemente da ação do homem no mundo - valoriza o esforço no sentido do bem e do progresso.
O Espiritismo por outro lado, valoriza imensamente as oportunidades de aprendizado oferecidas por este mundo material, enfatizando que o correto agir, conforme as leis morais, resulta não só no progresso individual como no coletivo. Para o Espiritismo ainda estamos a caminho da verdadeira civilização, onde as leis de amor e de justiça serão aplicadas em sua verdadeira extensão. Para que esta civilização seja atingida, precisamos nós todos nos empenharmos no esforço de reforma interior e conseqüente mudança de comportamento.
Uma vez que se compreenda que somos espíritos, temporariamente reencarnados em um corpo material com finalidades educativas e que tudo neste mundo é transitório, se tem uma nova visão do mundo e pode se atingir a felicidade relativa que nosso nível de progresso permite. A verdadeira felicidade só é atingida com o progresso do espírito e sua depuração de todas suas imperfeições.
O fim do egoísmo, almejado tanto pelo Budismo, como pelo Espiritismo, transformam o individuo e o mundo ao seu redor. Não há o apelo para o abandono da ação no mundo, mas o redirecionamento desta ação. O melhor exemplo dentro do Budismo é o próprio Dalai Lama, em seu trabalho incansável - e pacifico, conforme as diretrizes de Buda - em prol de seu povo."
(Publicado no Boletim GEAE Número 436 de 30 de abril de 2002"
Título: Re: Sofrer Para Ser Feliz
Enviado por: Victor Passos em 29 de Abril de 2011, 23:53
Ola Amiga Hebe
Muita paz

 É uma grande certeza que não devemos ver a dor pelo pessimismo, mas pelo valor que ela nos proporciona. Será sempre avaliada e gerida mediante o grau evolutivo de cada Ser, fando psicologicamente,a dor e sofrimento fazem parte da nossa natureza .  Essas as formas pelas quais nós nos agitamos e reagimos, e assim damos novos passos. E, mesmo sem entender, modificamos e moldamos o que somos,daquilo que eramos. De nada vale fugir das mudanças.

Vivenciar a dor e o sofrimento com menos receio nos aproxima de nós mesmos, leva-nos ao autoconhecimento, elemento crucial para que vivamos em maior plenitude. Quanto mais nos conhecemos e nos aceitamos, mais crescemos. Tomando a verdade e bom senso,encontramos a chave da porta para modificar o que entendemos que deva ser modificado. Enganar-se, retarda qualquer modificação de nossa parte. É tarefa difícil compreender que o sofrimento existencial é um componente de nossa dinâmica de se viver, ao contrário, o enxergamos como um castigo, ou uma punição apenas.
Ele é luz no nosso caminho.

Muita paz e harmonia

Victor Passos
 
Título: Re: Sofrer Para Ser Feliz
Enviado por: Anton Kiudero em 30 de Abril de 2011, 00:40
Sofre quem deseja sofrer e enquanto desejar sofrer, porque o sofrimento (moral) é filho de um apego ou paixão e portanto apenas uma pura expressão do egoismo. O sujeito sofre porque sente que algo lhe foi tomado, apenas isto... E isto a nada leva.... Todo o demais são racionalizações ou em palavras bem simples "me engana que eu gosto".....

Da mesma forma para ser feliz, basta ser feliz. Ou não possuir apegos e paixões e portanto nada desejando, estar sempre satisfeito com aquilo que lhe é dado naquele instante...Sem racionalizações de qualquer especie. 


Título: Re: Sofrer Para Ser Feliz
Enviado por: Suelen em 30 de Abril de 2011, 01:13
“Os Espíritos não ocupam perpetuamente a mesma categoria. Todos se melhoram passando pelos diferentes graus da hierarquia espírita. Esta melhora se efetua por meio da encarnação, que é imposta a uns como expiação, a outros como missão. A vida material é uma prova que lhes cumpre sofrer repetidamente, até que hajam atingido a absoluta perfeição moral."

Livro dos Espíritos - Introdução.
Título: Re: Sofrer Para Ser Feliz
Enviado por: Victor Passos em 30 de Abril de 2011, 11:40
Ola muita paz e harmonia
Amigos e Amigas

   Ninguém deseja sofrer, a ignorância dos valores da vida é que nos atiram para o crescimento porque o sofrer é isso mesmo.vejamos este excerto do livro Mais Perto
Emmanuel & Francisco Cândido Xavier

  Aflição
"Bem-aventurados os aflitos!" - disse-nos o Divino Mestre.

Cabe-nos, todavia, considerar que semelhante felicidade não decorre simplesmente da dor pela dor.

Não podemos esquecer que a aflição é um dardo espiritual que nos impele à procura. E somente aqueles que procuram a frente se transformam em construtores do progresso.

Quem encontra para si mesmo um acordo acomodatício com as experiências da Terra, dificilmente consegue ausentar-se do vale da estagnação para os luminosos cimos do conhecimento superior, às vezes, tão-somente, acessíveis pelos trilhos pedregosos do sofrimento.

Todas as descobertas, que dilataram a alegria e a cultura no Planeta, nasceram na aflição de homens desajustados que souberam criar a renovação à custa do próprio sacrifício.

Guttemberg sente a angústia do pensamento enclausurado e estabelece o berço da imprensa.

Colombo reconhece a estreiteza do Mundo Antigo e, preocupado, avança no rumo da América.

Edison experimenta a inquietação das trevas e inventa a lâmpada elétrica que afugenta as sombras noturnas.

Marconi registra o tormento da separação que isola as criaturas entre si e aperfeiçoa o telégrafo, trazendo á civilização a maravilha do rádio.

Pasteur suporta consigo os padecimentos de milhões de enfermos e, atormentado, desenvolve a conquista salvadora contra os perigos do microcosmo.

Alinhamos estas citações para nos referirmos, tão-somente, a alguns dos missionários da prosperidade comum.

Não podemos olvidar, porém, acima de tudo, o martirológio do Grande e Inesquecível Aflito da Cruz.

Sentindo na própria alma as chagas da ignorância e da penúria que arruinavam a Humanidade, Cristo vem a nós e imola-se no madeiro, para que o Amor incendeie o coração humano na senda dos séculos.

Por esse motivo, a última lembrança do Divino Flagelado está expressa no desajustamento que o assinala no monte do testemunho.

Nem no céu indiferente aos enigmas do mundo, nem na Terra esquecido das perfeições celestiais, mas sim suspenso entre os anjos e os homens, como a dizer-nos que somente algemados à cruz de nossos próprios deveres é que acharemos, depois da procura vitoriosa, o excelso caminho de nossa própria ressurreição.


Título: Re: Sofrer Para Ser Feliz
Enviado por: Anton Kiudero em 30 de Abril de 2011, 12:29
“Os Espíritos não ocupam perpetuamente a mesma categoria. Todos se melhoram passando pelos diferentes graus da hierarquia espírita. Esta melhora se efetua por meio da encarnação, que é imposta a uns como expiação, a outros como missão. A vida material é uma prova que lhes cumpre sofrer repetidamente, até que hajam atingido a absoluta perfeição moral."

Livro dos Espíritos - Introdução.

Sofrer neste contexto possui o sentido de "passar por".
Título: Re: Sofrer Para Ser Feliz
Enviado por: Victor Passos em 30 de Abril de 2011, 12:45
Ola muita paz e harmonia
Bons Amigos e Amigas

   A espiritualidade não vive de semantica, mas da realidade de que a provação e expiação são meios de chegarmos até ao amor, quer queiramos  ou não.
   A espaço o merecimento e resgaste irão ditar o crescimento de cada um daqueles que se propuserem a cumprir suas escolhas,.

muita paz e harmonia

abraço Amigo Anton

Victor Passos
Título: Re: Sofrer Para Ser Feliz
Enviado por: Anton Kiudero em 30 de Abril de 2011, 13:09
A espiritualidade não vive de semantica, mas da realidade de que a provação e expiação são meios de chegarmos até ao amor, quer queiramos  ou não.

Voce, como todos, possui todo o direito individual de ler e interpretar o LE do modo que mais lhe satisfaz. No entanto Kardec, que era extremamente cuidadoso no uso das palavras, secundado pelos espiritos que lhe inspiravam, não afirmou o que voce acredita haver lido.

A vida material é uma prova que lhes cumpre sofrer repetidamente, até que hajam atingido a absoluta perfeição moral.

Se o termo sofrer indica sofrimento moral, o sentido da frase será: toda vida material é sofrimento
Se o termo sofrer indica passar por, o sentido da frase será: todo espirito deve passar pela vida material repetidamente

À luz da DE, entendemos que a segunda opção é a efetiva. E isto não é uma tertulia semantica.

Título: Re: Sofrer Para Ser Feliz
Enviado por: Mourarego em 30 de Abril de 2011, 15:21
Na verdade mano Victor,
desta vez vou fazer coro com o Anton, pois está bem explícito no parágrafo que você trouxe o que o vocábulo "sofrer" tem como explicação ao que foi exposto.
Os Espíritos superiores, mano,por certo não vivem de semântica, porém foi para fugirem do anfibologismo que eles assim fizeram editar nossa doutrina por pessoa bemdotada de conhecimentos.
Abraços,
Moura
Título: Re: Sofrer Para Ser Feliz
Enviado por: Kazaoka em 30 de Abril de 2011, 17:17
"a verdadeira felicidade não é deste mundo"

A felicidade ou o sofrimento é um estado do Espírito naquele momento de sua existência, em função do que Ele vivência.
Os caminhos que nos conduzem à verdadeira felicidade, felicidade esta que talvez, ainda, nem a conheçamos realmente, são os mais variados. Uns têm existência perturbada, vivem envolvidos com todos os tipos de problemas e, por isso, se consideram sofredores. Outros vivem existência abastada, sem privações, gozam de prestígios e, mesmo assim, consideram-se infelizes e, portanto, sofredores também.
Então, o que nos fará felizes não é o quanto sofremos, mas o que aprendemos e como lidamos com as diversas situações de nossa existência terrena. Tanto aquelas que nos colocam no catre das privações como aquelas que nos colocam no pedestal das ilusórias realizações terrena.
Título: Re: Sofrer Para Ser Feliz
Enviado por: Victor Passos em 30 de Abril de 2011, 20:22
Ola muita paz e harmonia
Bom Amigo Kazaoka

   Penso que foi expressado que a felicidade neste Mundo é relativa e não absoluta.
  Então onde voce ve uma infelicidade poderá outro  Ser ver-lhe uma felicidade, o grau evolutivo lhe ditará essa condição generosa.
    A dor não é vista como felicidade, mas o traço do que se achava dificil e que se poderá tornar mais facil.
   Claro que a felicidade visivel pela materialidade apenas é o para os cegos, a real felicidade está no amor incondicional, na compartilha , na aceitação , mas em pleno de elo com a evolução moral, espiritual e inteletual.

Muita apz e harmonia
abraço bom Amigo

Victor Passos
   
Título: Re: Sofrer Para Ser Feliz
Enviado por: Kazaoka em 30 de Abril de 2011, 22:48
A fato é que, neste mundo, associamos a nossa felicidade a realizações e conquista próprias deste mundo. Não somos capazes de sermos felizes, com a nossa felicidade sendo em função do amor incondicional, da partilha e da aceitação, sabemos que este é o caminho, mas ainda não conseguimos trilhá-lo em razão de nosso orgulho e vaidade tão proeminentes, mesmo sabendo que isso é ruim para nossa evolução Espiritual.
Começamos a cultuar a nossa felicidade futura, quando conseguimos satisfação com o que já temos e com o que já somos. Se conseguirmos pelo menos isso, o resto virá por acréscimo de Deus como efeito de nossa vivência em acordo às suas Leis. E se sofremos, não é para merecermos a felicidade, é por que estaremos sofrendo o efeito de nossa transgressão a estas mesmas Leis.
Título: Re: Sofrer Para Ser Feliz
Enviado por: Victor Passos em 02 de Maio de 2011, 14:32
Ola muita paz e harmonia
Amigo Kazaoka

    A felicidade está sempre presente, nós é que nunca nos damos bem com ela.
    Vivemos as coisas mortas e esquecemos as coisas vivas.
     Todos sabemos como ser felizes, mas estamos limitados à inoperância das ações em prole do amor , da justiça e da ajuda fraterna. Vivemos demais para nós e pouco para os outros.
    Deus não criou ninguém para não ser feliz, mas para fazer algo para o ser.


muita paz e harmonia

Victor Passos
Título: Re: Sofrer Para Ser Feliz
Enviado por: Conforti em 02 de Maio de 2011, 14:47
          Amigos   (ref #0)
          O companheiro Victor trouxe o texto abaixo que vou procurar comentar. Cito o texto:
          “Sofrer para ser feliz. Um paradoxo para quem não vê, na letra, o espírito”.
          Cel: realmente é um tremendo paradoxo, pois não é uma verdade. Para ser realmente feliz nenhuma necessidade se tem de sofrer por qualquer motivo que seja: ou para iluminar-se, ou pelo Cristo (como sofrer pelo Cristo, consciência da qual só emana amor!!!), nem sofrer pelo próximo, ou para que haja paz, por amor a Deus (porque sofrer por amor a Deus? O que significam estas palavras: “sofrer por amor a Deus”? Alguém terá alguma explicação?!!!). Na realidade, ninguém tem de sofrer e nem mesmo sofre por nada disso, pois esse sofrimento é desnecessário, como tantas vezes diz nosso amigo Anton. A única razão do sofrimento, de que natureza for, é, exatamente, e só por isto: o fato de sermos ignorantes de nossa verdadeira natureza e identidade, o que significa que somos ignorantes da verdade, pois não sabemos o que fazer para não sofrer. Ninguém precisa sofrer para compreender isso mas, como ainda não compreendemos, o sofrimento é inevitável. Assim, não sofremos pelo Cristo nem por Deus, mas pela ignorância. A visão que as doutrinas nos dão é a de que a evolução só se dá à custa de sofrimentos obrigatórios para todos sem exceção, como se o Criador, como um verdugo, à força de chicotadas, nos instigasse a caminhar rumo ao aperfeiçoamento!
          Não é assim! Nenhuma necessidade existe de sofrer, para atingir o “supremo gozo espiritual”, como diz o texto. Só existe a necessidade de “compreender”; compreender aquilo que pode nos levar a esse “gozo”. Por isso, Jesus, o Cristo, ensinou que “... a verdade vos libertará!”.  Nem Jesus, como nenhum outro sábio ou mestre, sequer insinuou que é o sofrimento que nos trará a liberdade, ou que temos de sofrer para nos tornarmos “livres”! 
          Se, para ser felizes, aceitamos passivamente ou nos impomos sofrimentos, isso não passa de “masoquismo”; se acreditarmos que Deus, ou alguém, exige que soframos para sermos felizes, isso nada mais é que acreditarmos que esse “alguém” seja adepto da prática do “sadismo”.
          Até mais.


Título: Re: Sofrer Para Ser Feliz
Enviado por: Victor Passos em 02 de Maio de 2011, 15:08
Ola muita paz
Amigo Coronel

  À muito tempo que não nos cruzamos.
   Amigo , se ler o texto anterior ao que você colocou em resposta a Kazaoka, vai verificar que estamos em sintonia.
  Apesar de não concordar com tudo.
   Realmente o texto de Chico Xavier tem algumas lacunas!Ou dos espiritos que o assessoraram...

   Muita paz e harmonia
Bom Amigo

Victor Passos
Título: Re: Sofrer Para Ser Feliz
Enviado por: Conforti em 03 de Maio de 2011, 00:18
          Victor Passos   (ref #22)
         
          É verdade; há muito não nos cruzamos. E estamos tão perto; é "só" atravessar o Atlântico. Mas, vamos lá. É este, abaixo, o texto a que vc se refere?
          Cito o texto:
          “A felicidade está sempre presente, nós é que nunca nos damos bem com ela. Todos sabemos como ser felizes, mas estamos limitados à inoperância das ações em prol do amor , da justiça e da ajuda fraterna. Vivemos demais para nós e pouco para os outros. Deus não criou ninguém para não ser feliz, mas para fazer algo para o ser.”
          Cel: me permita um pequenos reparo (pelo meu ponto de vista, é claro). Você tem razão, pois a felicidade está sempre presente; é mesmo o estado “natural” do espírito. Só não compreendi o “todos sabemos como ser felizes”. O fato é que não sabemos, pois se soubéssemos por que continuamos infelizes?! Quem é que gosta de ser infeliz?! E não o sabemos exatamente porque não sabemos como eliminar o ego e, assim, não conhecemos nossa verdadeira natureza de espíritos puros e perfeitos; pela ação do ego, iludidos, ficamos supondo que os fatos, compromissos, conflitos, dores pelos quais passamos são a realidade. Quando conseguirmos calar o ego, veremos que não somos homens, mas espíritos perfeitos. (espírito perfeito + ego = homem imperfeito; homem imperfeito – ego = espírito perfeito) Toda imperfeição, toda ilusão, toda infelicidade está no ego, está em acreditar que somos um ego/mente/eu/homem. É evidente que, nesta minha colocação, existe algo que é diferente em relação às visões das doutrinas cristãs, ou, talvez, de todas as doutrinas; essa é a razão de você não concordar com tudo. Para voce, a felicidade é resultado da prática do amor; para mim, é resultado de "conhecer a verdade".
          Um abraço, amigo Victor.

Título: Sofrer Para Ser Feliz
Enviado por: Sylvia Campos em 03 de Maio de 2011, 01:26
Excelente tópico!!

Moura, Anton, Victor, Kazaoka, e demais: obrigada por tão importante debate!

Gostaria de inserir uma questão: alguém comentou quem em nenhum momento Jesus mencionou o sofrimento/sofrer como algo necessário a evolução espiritual.. Nesse caso como interpretaríamos o "bem aventurados os aflitos.." ?

Obrigada!!

Muita paz!!
Título: Re: Sofrer Para Ser Feliz
Enviado por: Anton Kiudero em 03 de Maio de 2011, 09:21
Ja o escrevi antes e volto a realçar, por ser a unica forma de comprender o que seja o sofrimento e o que seja a felicidade ou bem aventurança.

Todo sofrimento é fruto do egoismo, não importa a racionalização ou explicação que procuremos criar.

Uns sofrem porque perdem alguma coisa por quebra, furto ou roubo. Outros sofrem porque perdem algum ente querido. Outros sofrem quando veem alguem em condições miseraveis. Outros sofrem quando veem alguem doente. Outros sofrem quando alguem lhes diz que o que pensam ser verdadeiro é apenas parcialmente verdadeiro.

E todos estes sofrimentos são provenientes de apegos ou paixões. Sempre sofre-se 'por si mesmo' e jamais pelo 'outro'.

Quem sofre pela perda de alguem ente querido, sofre porque acha que perdeu alguem e jamais se pergunta se isto foi melhor para o que foi perdido ou como estaria. Sofre porque alguem lhe faz falta. Sente um vazio interior e sente pena de si mesmo. Puro egoismo...

Quem sofre quando ve alguem em situação que lhe parece humilhante ou pior, quase destruida, como pedinte ou drogado nas ruas, sofre porque gostaria de que a 'sua verdade' fosse aplicada a todos. Sofre porque gostaria (a paixão) que todos fossem como ele. O mesmo se aplica ao encontrar alguem muito bem de vida.... Ambas as situações são pura expressão de egoismo. De achar que sabe o que é melhor para o outro sem atentar que o que o outro esta passando é o que deve passar e é o melhor para ele naquele instante...

Isto não significa que não devemos prestar assistencia, se pudermos. Sem nos esquecer que a assistencia que prestarmos será sempre dirigida aquele que naquele momento merece receber a assistencia. Mas isto deverá ser realizado sem qualquer sofrimento e tampouco sem qualquer alegria, por não ser merito nosso.

Reflitam...

Em contrapartida a felicidade mostra a ausencia de egoismo. Quem é feliz e para ser feliz, deve ser feliz sempre, incondicionalmente, não possui apegos ou paixões e portanto não tem razões para sofrer...

Reflitam sobre isto tambem...

Sejam como as crianças que nada sabem e passam os dias rindo por qualquer bobajem, até que aprendam a sofrer pelos apegos que lhes são inclulcados...

Sejam felizes.


Título: Re: Sofrer Para Ser Feliz
Enviado por: Lingia em 03 de Maio de 2011, 11:20
"Aquilo que resiste, persiste"


O texto é bonito, sem dúvida, mas devemos entender que os sofrimentos são consequência da nossa resistência em modificar os nossos hábitos, pensamentos e ações. Portanto, é bom deixar claro que aceitar o sofrimento sem entender a causa pode deixar às pessoas acomodadas e esperar que a vida as arraste sem que elas não façam nada para mudar.


Como diz Séneca:

"O destino conduz quem consente e arrasta quem resite"


abs
Título: Re: Sofrer Para Ser Feliz
Enviado por: Lingia em 03 de Maio de 2011, 11:25
Anton Kiudero, linda mensagem.
Eu concordo plenamente com você.
Quando colocamos nossa felicidade no outro, nossa fecidade se torna  efêmera... e isso não é sadio, pois tão logo vem a tristeza e a angústia... a felicidade existe para aqueles que dela não querem fazer prisão..
Tenha um bom dia irmão.. ;)
Título: Re: Sofrer Para Ser Feliz
Enviado por: Victor Passos em 03 de Maio de 2011, 11:52
Ola muita paz e harmonia
Amiga Lingia e companheiros

(http://ensimesmada.files.wordpress.com/2010/06/dor2.jpg)

 A Dor e Suas Bençãos


        No universo o caos é a presença da vida em ebulição, em desenvolvimento.

        O repouso, se houvesse, significaria o aniquilamento da ordem, do equilíbrio.

        Tudo se agita, desde as micropartículas às galáxias em incessante movimentação.

        Sucumbe um astro pela decadência da energia e surge outro pela aglutinação de novas moléculas.

        Só há vida em toda parte e, portanto, ação.

        É natural que, no ser humano, esse processo se expresse como desgaste que produz dor.

        ***

        O pântano e as águas estagnadas experimentam rigorosa drenagem, a fim de se transformarem em jardim e pomar.

        O deserto sente a modificação da sua estrutura, mediante elementos químicos, de modo a reverdecer e coroar-se de flores.

        A semente sofre o esmagamento e arrebenta-se em vida exuberante.

        Nos animais, o parto é violência orgânica dolorosa, que liberta a vida que conduzia encarcerada.

        Compreensível, desse modo, que o desabrochar da perfeição comece pelo despedaçar do grotesco em predominância no ser humano.

        Erros que geraram calamitosos efeitos a reparar, desafios que promovem à conquista de mais elevados patamares se apresentam com freqüência.

        São inevitáveis as ocorrências depuradoras, os sofrimentos de sublimação.

        A dor é mensagem da vida cantando o hino de exaltação e glória à evolução.

        Recebê-la com tranqüilidade constitui admirável realização íntima da lucidez intelecto-moral do ser humano.

        ***

        Pressões, compressões, dilacerações constituem mecanismos da vida que se liberta do cárcere temporário para a exuberância da plenitude.

        Compreender a função da dor é atitude solidária, caminhando-lhe ao lado, ao invés de enfrentá-la com a extravagância da derrota.

        Entendida no seu significado profundo, torna-se amena e disciplinadora de impulsos graves quão danosos que persistem, dominadores.

        Em razão disso, a atitude passiva, o pensamento de aceitação e entendimento contribuem para torná-la produtiva, enriquecedora.

        Diante da transitoriedade do carro orgânico a que o Espírito se atrela, eis que o desgaste e a decomposição fazem parte dos fatores de destruição da aparência, para que o ser eterno singre os rios incomparáveis da imortalidade.

        Sem a histólise, que precede à histogênese demorada, a lagarta jamais flutuaria no ar como borboleta delicada.

        As condições físicas, portanto, são uma permanente transformação e a dor representa as mãos do Divino Escultor trabalhando em formas novas, aprimorando arestas e corrigindo anfractuosidades...

        Alegra-te, por haveres sido contemplado pela dor, por mais paradoxal que te pareça.

        Bem-aventurado aquele que sofre em paz, quando outros, desassisados, em tranqüilidade infelicitam vidas...

        Mantém-te confiante, mesmo sofrendo, e transforma as tuas ansiedades em gratidão a Deus, por haver estabelecido diretrizes diferentes das tuas, que te farão realmente feliz para sempre.

        Deixa-te, pois, arrastar pelas mãos do sofrimento digno, e converterás lágrimas em sorrisos, tristezas em júbilos, frustrações em pacificação interna, arrimado em Jesus, que nunca te abandonará.

        ***

        Dor bendita, que liberta e sublima, louvada sejas!

Fonte: Fonte de Luz
Joanna de Ângelis & Divaldo P. Franco
Título: Re: Sofrer Para Ser Feliz
Enviado por: Dadinho em 03 de Maio de 2011, 12:15
Anton,

Cristo sofreu na cruz. E não foi por ele, mas pelo bem da humanidade, ou seja, pelos desígnios de Deus. Foi ele egoísta?
Como é que você me explica isso?

Sds
Dadinho

Ja o escrevi antes e volto a realçar, por ser a unica forma de comprender o que seja o sofrimento e o que seja a felicidade ou bem aventurança.

Todo sofrimento é fruto do egoismo, não importa a racionalização ou explicação que procuremos criar.

Uns sofrem porque perdem alguma coisa por quebra, furto ou roubo. Outros sofrem porque perdem algum ente querido. Outros sofrem quando veem alguem em condições miseraveis. Outros sofrem quando veem alguem doente. Outros sofrem quando alguem lhes diz que o que pensam ser verdadeiro é apenas parcialmente verdadeiro.

E todos estes sofrimentos são provenientes de apegos ou paixões. Sempre sofre-se 'por si mesmo' e jamais pelo 'outro'.

Quem sofre pela perda de alguem ente querido, sofre porque acha que perdeu alguem e jamais se pergunta se isto foi melhor para o que foi perdido ou como estaria. Sofre porque alguem lhe faz falta. Sente um vazio interior e sente pena de si mesmo. Puro egoismo...

Quem sofre quando ve alguem em situação que lhe parece humilhante ou pior, quase destruida, como pedinte ou drogado nas ruas, sofre porque gostaria de que a 'sua verdade' fosse aplicada a todos. Sofre porque gostaria (a paixão) que todos fossem como ele. O mesmo se aplica ao encontrar alguem muito bem de vida.... Ambas as situações são pura expressão de egoismo. De achar que sabe o que é melhor para o outro sem atentar que o que o outro esta passando é o que deve passar e é o melhor para ele naquele instante...

Isto não significa que não devemos prestar assistencia, se pudermos. Sem nos esquecer que a assistencia que prestarmos será sempre dirigida aquele que naquele momento merece receber a assistencia. Mas isto deverá ser realizado sem qualquer sofrimento e tampouco sem qualquer alegria, por não ser merito nosso.

Reflitam...

Em contrapartida a felicidade mostra a ausencia de egoismo. Quem é feliz e para ser feliz, deve ser feliz sempre, incondicionalmente, não possui apegos ou paixões e portanto não tem razões para sofrer...

Reflitam sobre isto tambem...

Sejam como as crianças que nada sabem e passam os dias rindo por qualquer bobajem, até que aprendam a sofrer pelos apegos que lhes são inclulcados...

Sejam felizes.



Título: Re: Sofrer Para Ser Feliz
Enviado por: Carmen.gbi em 03 de Maio de 2011, 12:19

Bom dia!

Olá, amigos


Vejam que mesmo cultura considerada por alguns,  inutil , dependendo de como se vê , tira-se proveito?
Na novela das 19 horas ... um cientista perdeu a mulher que amava e fez um robô igual a ela e esse robô não o ama e é desprovido de emoções, mas ainda assim, o robô na convivência com o ser humano percebe toda a sua diferença e pede primeiramente que o seu criador lhe  dê algumas características peculiares ao ser humano, como calor nas mãos e o tempo todo ela, o robô , questiona a sua diferença , querendo ser como ele e ao mesmo tempo questionando a sua existência  sem  ser como o humano e vivendo no meio deles.

Bem, não faço apologia ao sofrimento , muito pelo contrário e prefiro usar o verbo sofrer no sentido transitivo.

Parece fácil agir racionalmente quando se lê alguns textos acima, como se a emoção não existisse em nós seres humanos. Só se fossemos robôs programados para nada sentir.Elas existem sim e como...mas é claro que devemos saber lidar com as emoções e através delas, crescer.

Não dá prá viver como se não tivessemos apegos e assim parecermos desprovidos de afetividade .

Acredito que  temos que viver e experimentar sim, as emoções, sejam elas ruins ou boas... sentir, ter saudade, querer, etc e sei que não deixa de ser um pouco de egoísmo, mas é ainda inerente ao ser humano.Só temos que saber  aproveitar e transformar e assim ainda cito uma musiquinha.

“Para ser feliz é preciso ter... este céu azul, a imensidão...  e fazer das tristezas , estrelas a mais e do pranto uma canção. Há um mundo bem melhor, todo feito prá você, é um mundo pequenino que a ternura fez” ( Acho que é assim)[/color]


Beijos



Carmen
Título: Re: Sofrer Para Ser Feliz
Enviado por: Kazaoka em 03 de Maio de 2011, 12:29
Sylvia,

"Deus está em tudo". E este estar em tudo, significa estar em todos os momentos  de nossa existência, tanto nos bons como nos maus momentos. Temos a infeliz tendência de nos julgarmos auto-suficientes quando nos sentimos satisfeitos em nossos anseios, tanto espirituais como materiais, excluindo a participação de Deus naquele momento como, também, nós temos o sentimento de ter-mos sido esquecidos por Deus quando estamos em estado de aflição. É analisando nesta ótica que entendo a afirmação de Jesus, quando disse: "Bem aventurados os aflitos...". Foi no sentido de dar ânimo no momento em que tende-se a sentir-se marginalizado e esquecido por aquele que, na verdade, nestes momentos tão comuns em nossa existência, nos carrega no colo. É para reavivar nossa fé e nossa disposição para a luta que Jesus nos deixou esta frase.
 
Título: Re: Sofrer Para Ser Feliz
Enviado por: Dadinho em 03 de Maio de 2011, 12:48
Mano Moura, muito boa colocação.

Às vezes confundimos a dificuldade de realizar o bem com o sofrimento e esse, por sua vez com a dor.

Para produzir coisas construtivas, realizar o bem, agir em prol do benefício de todos, não é raro ter que lançar mão do esforço e dedicação, que eventualmente nos fadigam e nos trazem a sensação penosa de dor e cansaço. Mas isso não quer dizer que estejamos sofrendo no sentido moral como você bem apontou. A dor aí é simplemente dor física, por consequência da limitações do corpo matérial, que de alguma forma "sofreu" (passou por) desgastes pelas tranformações fisico-químicas que teve de relizar. O sofrimento (isto é, a ação sofrida) nesse caso é inerente à condição de se estar encarnado e que qualquer um está sujeito.

O sofrimento no sentido de dor moral destacado por você em seguida é um sentimento que só vivencia quem ainda não adquiriu elevação moral e intelectual para compreender a circunstância por que passa. Aí sim, concordo com Anton, que nesse caso nosso orgulho e egoísmo é quem são os responsáveis pela existência desse estado desagradável.

Muita paz!
Dadinho

Vamos conversar um cadinho gente?
O texto, bem interessante, do autor Clovis Ramos, trás apenas a eleição que ele dá ao sofrer e não ao sofrimento.
Notem bem, sofrer é uma coisa e sofrimento é outra.
Enquanto o segundo vocábulo se enquadra no estado dorido que alguns sintam, o primeiro quer dizer, dentro da óptica doutrinária, "passar por".
Assim. quando se diz: O Espírito sofre várias transformações morais durante seus périplos encarnatórios", se quer apenas explicar que este Espírito passa por diversas modificações morais e intelectuais até que se forje em Puro Espírito.
Logo, não há uma dor com explicita o autor, não aquela dor que sentimos ao cortar um dedo quando na cozinha ou mesmo quando damos uma topada com o calo de estimação em algum lugar.
Não posso me escudar em falar, também que por estarmos em um mundo de provas e expiações, tendo de "comer o pão no suor de nosso rosto" com exemplificou Jesus, este suor representa apenas, como já foi dito aqui e neste tópico, aquele sentimento por que uns passam mais fortemente, e que é sentido pela não resignação com que encaramos as vicissitudes que nós mesmos demos causa num passado distante ou mais aproximado de nosso hoje.
Assim, quando o autor nos diz "Será feliz neste mundo mesmo e no outro, quem sabe sofrer. Não fosse verdadeira a vida futura, e não seria lógico sofrer e amar a dor, que exprime amor.", ele trata de um ponto da obra O ESE que versa sobre o bom e o mal sofrer.
Mas que este sofrer se dê dentro da visão de passar pelas vicissitudes com resignação.
Abraços,
Moura
Título: Re: Sofrer Para Ser Feliz
Enviado por: Hebe M C em 03 de Maio de 2011, 13:08
O que nos faz sofrer,
O fato em si ou o apego a dor?
Quantas vezes o homem só enxerga o que é ruim, esquecendo o valor a vida como um todo.
Como espíritos escolhemos as nossas provas para o nosso adiantamento, mas sobre o ponto de vista humano as compreendemos como sofrimento e dor.
Remetam-se a Sto Agostinho ESE cap. Bem e Mal Sofrer e vejam que ele diz.
Tudo que se considera sofrimento são vicissitudes da vida que devem ser superadas.
Quanto mais apegados ao prazer mais dor sentiremos ao perdê-lo.
Deus consente as escolhas das provas, sabe que o espírito é capaz de superá-la, mas quando encarnado o egoísmo impera, porque sua vista é turva e não se vê como espírito em aprendizado. Sendo assim sucumbe a prova tendo que reencarnar mais uma vez e outra e outra até se convencer que tanto o bem quanto o mal vem como lição e amadurecimento.
Um abço
Hebe



Título: Re: Sofrer Para Ser Feliz
Enviado por: Dadinho em 03 de Maio de 2011, 13:17
Querida Sylvia,

Aflitos aí não é no sentido de sofrimento, mas sim no sentido de indignação ou não aceitação do estado das coisas. Aquele que deseja fazer o bem se indigna com o mal existente, pois esse mal causa lhe aflição em duas situações: a de ver a dor do outro, ou a de perceber que precisa de mudar.

Aflito com a situação penosa do seu próximo, o benfeitor busca de alguma forma agir para o ajudar. É, na verdade, o resultado do sublime sentimento de misericórdia para com o próximo.

Aflito consigo mesmo, pelo fato de perceber e compreender melhor o seu próprio eu, identificando seus erros e onde precisa atuar para se melhorar, o indivíduo passa a buscar o acerto, motivando-se no sentido de fazer o bem.

Ainda assim, aproveito para citar a passagem das bem aventuranças que diz: "Bem-aventurados os que sofrem, por que serão consolados". Mas para esse caso acho que o sentido de sofrer está alinhado com o que já escrevi acima em resposta ao comentário muito pertinente do Moura, isto é, "sofrer" no sentido de material, e não moral.

Muita paz!
Dadinho

Excelente tópico!!

Moura, Anton, Victor, Kazaoka, e demais: obrigada por tão importante debate!

Gostaria de inserir uma questão: alguém comentou quem em nenhum momento Jesus mencionou o sofrimento/sofrer como algo necessário a evolução espiritual.. Nesse caso como interpretaríamos o "bem aventurados os aflitos.." ?

Obrigada!!

Muita paz!!
Título: Re: Sofrer Para Ser Feliz
Enviado por: Anton Kiudero em 03 de Maio de 2011, 18:33
        É natural que, no ser humano, esse processo se expresse como desgaste que produz dor.
        A dor é mensagem da vida cantando o hino de exaltação e glória à evolução.
        Recebê-la com tranqüilidade constitui admirável realização íntima da lucidez intelecto-moral do ser humano.
        Compreender a função da dor é atitude solidária, caminhando-lhe ao lado, ao invés de enfrentá-la com a extravagância da derrota.
        Entendida no seu significado profundo, torna-se amena e disciplinadora de impulsos graves quão danosos que persistem, dominadores.
        Diante da transitoriedade do carro orgânico a que o Espírito se atrela, eis que o desgaste e a decomposição fazem parte dos fatores de destruição da aparência, para que o ser eterno singre os rios incomparáveis da imortalidade.
        As condições físicas, portanto, são uma permanente transformação e a dor representa as mãos do Divino Escultor trabalhando em formas novas, aprimorando arestas e corrigindo anfractuosidades...
        Alegra-te, por haveres sido contemplado pela dor, por mais paradoxal que te pareça.
        Bem-aventurado aquele que sofre em paz, quando outros, desassisados, em tranqüilidade infelicitam vidas...

O amigo confunde a dor fisica, objeto do texto, com o sofrimento. São coisas completamente diferentes.

Título: Re: Sofrer Para Ser Feliz
Enviado por: Kazaoka em 03 de Maio de 2011, 18:44
Sofrimento, dor física, dor moral, etc., servem para nos alertar que estamos no caminho errado. E se esse alerta servir para o nosso realinhamento, que soframos cada um de acordo com a necessidade e com a intensidade necessária, atendo a exigência de entendimento individual, buscando aplicar a si mesmo as Leis Universais, que no caso em questão destaca-se as de: Causa e Efeito, Livre Arbítrio, Lei do Trabalho.
Título: Re: Sofrer Para Ser Feliz
Enviado por: Hebe M C em 03 de Maio de 2011, 18:48
Vamos a fonte

CAPÍTULO V - ESE
Bem-aventurados os aflitos


Motivos de resignação
"12. Por estas palavras: Bem-aventurados os aflitos, pois que serão consolados, Jesus aponta a compensação que hão de ter os que sofrem e a resignação que leva o padecente a bendizer do sofrimento, como prelúdio da cura.
Também podem essas palavras ser traduzidas assim: Deveis considerar-vos felizes por sofrerdes, visto que as dores deste mundo são o pagamento da dívida que as vossas passadas faltas vos fizeram contrair; suportadas pacientemente na Terra, essas dores vos poupam séculos de sofrimentos na vida futura. Deveis, pois, sentir-vos felizes por reduzir Deus a vossa dívida, permitindo que a saldeis agora, o que vos garantirá a tranquilidade no porvir.
O homem que sofre assemelha-se a um devedor de avultada soma, a quem o credor diz: "Se me pagares hoje mesmo a centésima parte do teu débito, quitar-te-ei do restante e ficarás livre; se o não fizeres, atormentar-te-ei, até que pagues a última parcela." Não se sentiria feliz o devedor por suportar toda espécie de privações para se libertar, pagando apenas a centésima parte do que deve? Em vez de se queixar do seu credor, não lhe ficará agradecido?
Tal o sentido das palavras: "Bem-aventurados os aflitos, pois que serão consolados." São ditosos, porque se quitam e porque, depois de se haverem quitado, estarão livres. Se, porém, o homem, ao quitar-se de um lado, endivida-se de outro, jamais poderá alcançar a sua libertação. Ora, cada nova falta aumenta a dívida, porquanto nenhuma há, qualquer que ela seja, que não acarrete forçosa e inevitavelmente uma punição. Se não for hoje, será amanhã; se não for na vida atual, será noutra. Entre essas faltas, cumpre se coloque na primeira fiada a carência de submissão à vontade de Deus. Logo, se murmurarmos nas aflições, se não as aceitarmos com resignação e como algo que devemos ter merecido, se acusarmos a Deus de ser injusto, nova dívida contraímos, que nos faz perder o fruto que devíamos colher do sofrimento. E por isso que teremos de recomeçar, absolutamente como se, a um credor que nos atormente, pagássemos uma cota e a tomássemos de novo por empréstimo.
Ao entrar no mundo dos Espíritos, o homem ainda está como o operário que comparece no dia do pagamento. A uns dirá o Senhor: "Aqui tens a paga dos teus dias de trabalho"; a outros, aos venturosos da Terra, aos que hajam vivido na ociosidade, que tiverem feito consistir a sua felicidade nas satisfações do amor-próprio e nos gozos mundanos: "Nada vos toca, pois que recebestes na Terra o vosso salário. Ide e recomeçai a tarefa."
13. O homem pode suavizar ou aumentar o amargor de suas provas, conforme o modo por que encare a vida terrena. Tanto mais sofre ele, quanto mais longa se lhe afigura a duração do sofrimento. Ora, aquele que a encara pelo prisma da vida espiritual apanha, num golpe de vista, a vida corpórea. Ele a vê como um ponto no infinito, compreende-lhe a curteza e reconhece que esse penoso momento terá presto passado. A certeza de um próximo futuro mais ditoso o sustenta e anima e, longe de se queixar, agradece ao Céu as dores que o fazem avançar. DContrariamente, para aquele que apenas vê a vida corpórea, interminável lhe parece esta, e a dor o oprime com todo o seu peso. [/b]Daquela maneira de considerar a vida, resulta ser diminuída a importância das coisas deste mundo, e sentir-se compelido o homem a moderar seus desejos, a contentar-se com a sua posição, sem invejar a dos outros, a receber atenuada a impressão dos reveses e das decepções que experimente. Dai tira ele uma calma e uma resignação tão úteis à saúde do corpo quanto à da alma, ao passo que, com a inveja, o ciúme e a ambição, voluntariamente se condena à tortura e aumenta as misérias e as angústias da sua curta existência.. "

Acho que foi o que eu mais ou menos falei anteriormente.
Um abço Hebe

PS: Grifo meu
Título: Re: Sofrer Para Ser Feliz
Enviado por: Victor Passos em 03 de Maio de 2011, 22:55
Ola muita paz e harmonia
Bons Amigos e Amigas

  Interessante como uma mensagem consegue trazer tanto esclarecimento e um dialogo ameno.
   Sofrimento é qualquer experiência aversiva (não necessariamente indesejada) e sua emoção negativa correspondente. Ele é geralmente associado com dor e infelicidade, mas qualquer condição pode gerar sofrimento se ele for subjetivamente aversiva.
 
  A Nobre Verdade do Sofrimento é esta: nascer é sofrer, envelhecer é sofrer, adoecer é sofrer, a morte é sofrer; pesares e lamentações, dor, preocupação e desespero são sofrimento; associação ao desagradável é sofrimento, dissociação do prazer é sofrimento; não se ter o que se quer é sofrimento…Budismo

  Reparem que em tudo existe espaço para o sofrimento e por consequência a dor, seja pelo,amor, pela preocupação, pela ambição, pela bondade,duvida, solidão, pelo doença,enfim uma enormidade de situações que tem como elam, a passagem por a consequência , de qual saí a projeção  e essa é sempre ou um alerta, ou um meio de libertação.

Muita paz e harmonia
Abraço fraterno
Título: Re: Sofrer Para Ser Feliz
Enviado por: Kazaoka em 04 de Maio de 2011, 01:11
Victor,
e como a felicidade está, sempre, tão perto da gente, não é mesmo!?
Conforme sua citação (estou me inspirando no nosso amigo Coronel):
 
  "A Nobre Verdade do Sofrimento é esta: nascer é sofrer, envelhecer é sofrer, adoecer é sofrer, a morte é sofrer; pesares e lamentações, dor, preocupação e desespero são sofrimento; associação ao desagradável é sofrimento, dissociação do prazer é sofrimento; não se ter o que se quer é sofrimento…Budismo"

Se estamos enfermos a nossa felicidade momentânea é recuperarmos a saúde, se estamos desempregado a nossa felicidade é conseguirmos um emprego, se estamos sozinhos é encontrarmos a companhia certa. E assim vai, se vivemos o sofrimento, a felicidade relativa está sempre ao nosso lado.

 
Título: Re: Sofrer Para Ser Feliz
Enviado por: Conforti em 04 de Maio de 2011, 18:23
          Sylvia Campos   (ref #24)
          Olá, nova amiga; cito você:
          “(se o sofrimento não é necessário para a evolução espiritual)  como interpretaríamos o "bem aventurados os aflitos.." ?
          Cel: a amiga lembrou bem as palavras de Jesus. Aquele comentário é meu; e, se a amiga analisar, verá que Jesus não disse “serão bem-aventurados os sofredores <<pelo fato>> de, agora, estarem sofrendo”; se você bem analisar, vai ver que para “nenhuma” das bem-aventuranças que o Mestre citou, ele disse que seriam <conseqüência> do fato de terem sofrido, chorado, sido mansos, sentido fome e sede de justiça, de terem sido misericordiosos, puros, pacíficos, perseguidos, os pobres de espíritos. Ele, iluminado, apenas tentava “consolar” os que viviam neste mundo (material) onde o sofrimento alcança, mais dia menos dia, a todos, e lhes trazer esperanças, pois que, inevitavelmente, chega o tempo em que todos os sofrimentos terminam, e que haverá felicidade. Tudo “consolação” para diminuir sofrimentos.
          Se a amiga bem observar verá que todos os ensinamentos de Jesus, como de outros de cujas palavras foram convencionadas religiões, como Moisés, por ex, tinham o objetivo de trazer mais tranqüilidade à vida já tão conturbada daquelas criaturas sempre sujeitas ao poder discricionário dos poderosos; trazer um relacionamento mais harmonioso àqueles que tinham de viver em coletividade. Nada, nos dez mandamentos, existe como “regra de salvação”; tudo ali é “regra de bem conviver”.
          Veja que as religiões, em geral, nos trazem dúvidas e, sobretudo, esperanças em coisas que nem temos certeza de que, um dia, vão acontecer. Dão-nos esperanças de recompensas, medos e remorsos pelos erros que fizemos, sentimentos de culpa e medo de penalidades, e até sofremos antecipadamente. Suas regras objetivavam trazer um melhor relacionamento entre as já tão sofridas criaturas. Veja o Decálogo: não matar, não roubar, não cobiçar o que seja do próximo, não desonrar, não dar falso testemunho, não adulterar. Como coloquei acima, aí nada tem que signifique “regra de salvação”; só “regras de bem conviver”. Quanto aos quatro primeiros são inócuos, pois apenas visam a que se respeite aquele ser poderoso que o homem tão somente “imagina” o que possa ser. E não só que se respeite, mas até que se tema, como ainda hoje ocorre com tantas ameaças que as religiões anunciam.
          Veja o que todos os líderes, depois tidos por líderes religiosos, tiveram que fazer inicialmente: colocar ordem e tranqüilidade ao povo. Esse é o exemplo de Moisés, liderando uma fuga pelo deserto de, fora as crianças, 600 mil pessoas, rebeldes, sofridas, desorganizadas, indisciplinadas, prontas para matar, roubar, cobiçar, mentir etc. Como essa multidão desorganizada o obedeceria, quando não tinha recurso nem para se comunicar a fim de ser ouvido e obedecido? Somente despertando-lhe medo, o que fez apresentando-lhe um “Deus poderoso e cruel, impaciente, parcial, orgulhoso”, com ordens que, se negligenciadas, resultariam castigos assustadores, como ocorreu tantas vezes. O mesmo fez Maomé, nas tentativas de unir seu povo. E semelhantes a esses são os mandamentos de muitas outras religiões. 
          Observe e verá que, ainda hoje, aquele medo persiste. Essa a razão de confissões e comunhões, promessas, sacrifícios, forçar a própria natureza para agir com amor ao próximo, orações etc. Perceba que é o medo que está por trás de tudo isso; medo de não estar protegido, de não agradar ou de ofender a divindade; de não cumprir os mandamentos de sua crença e vir a ser, no futuro, sentenciado a penalidades torturantes e cruéis ditas educativas.
          O medo dos ancestrais ainda está em nós. E a crença de que agradando os “deuses” seremos favorecidos, também. Quanta coisa o homem faz para agradar e, assim, conseguir o favor de Deus? O sacrifício nas diferentes promessas de fazer ou não fazer isto ou aquilo, jejum, subir escadarias e fazer longos percursos de joelhos; preces e orações, serviços e caridade “forçados” ao próximo etc.
          Quantas vezes a natureza do indivíduo ainda não tem condições de amar, mas ele a força, pois que acredita que deve seguir os conselhos de sua crença particular e, assim, também, poderá conseguir méritos. Por isso os sábios dizem que, enquanto não se “conhecer a verdade que liberta”, como disse Jesus, todas as virtudes são ou prematuras, imitações, forçadas ou falsas. O homem, muito do que faz quando <parece> virtuoso, o faz por receio da desaprovação de Deus. A expressão comum “sou temente a Deus” é significativa. 
          Veja, Sylvia, que as lições de Jesus, em geral, tinham esse mesmo objetivo: uma vida menos sofrida alicerçada no fato de todos se respeitarem naqueles aspectos citados; quando o Mestre disse “dali não sairás até que tenhas pago o último ceitil”, “serás atirado ao fogo da geena”, “teu credor te levará ao juiz”, “oferece a outra face”, “perdoar sempre, e abençoar os inimigos”, observe que tudo visava a um relacionamento mais harmonioso com vistas a suavizar a vida daqueles homens já sujeitos a tantas desditas. 
          Isso é a religião, sobretudo a religião popular, organizada: leva os homens a melhor se conduzirem e se respeitarem, sobretudo por temerem as conseqüências, tantas vezes inenarráveis, de seus “erros”. As religiões visam trazer ordem e tranqüilidade, mas não levam a Deus. O que leva a Deus está em: “Buscai em primeiro lugar o reino de Deus,...”, “conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”; “o Senhor habita em vossos corações”, “vós sois o templo do Altíssimo”. “é o Senhor que opera em nós o pensar...”, “não sois salvos por vossas obras, mas pela graça de Deus”, e outras.constantes das escrituras que, felizmente, não tiveram essas passagens suprimidas por tantas interferências de poderosos, com o correr dos séculos. 
           Essa foi, também, a finalidade do Sermão da Montanha: consolar os sofredores (pois a vida é sofrimento para todos), dar, a todos, esperanças de um futuro de felicidade.

          Até mais.
Título: Re: Sofrer Para Ser Feliz
Enviado por: Conforti em 04 de Maio de 2011, 19:17
          Dadinho   (ref #29)
          Cito suas palavras:
          “Cristo sofreu na cruz. E não foi por ele, mas pelo bem da humanidade, ou seja, pelos desígnios de Deus. Foi ele egoísta? Como é que você me explica isso?”
          Cel: meu amigo, o iluminado só sofre se quiser sofrer; aquele que conheceu a verdade e se percebeu “um com o Pai” está livre de todo sofrimento. Essa afirmação de que Jesus sofreu na cruz, que muito sofreu para salvar os homens, deve ter a finalidade de fazer que todos  respeitem mais e obedeçam (por consideração e reconhecimento) esse homem que tanta coisa boa nos ensinou. Essa questão de sofrimento deve ter sido interpolada nas escrituras (como aconteceu com muitas outras questões), por interesse dos líderes (e teólogos) da igreja nascente. O iluminado não sofre, pois compreende! (" e tudo o mais vos virá por acréscimo").
          E, quanto ao ele ser ou não egoísta, veja: o egoísmo é produto do ego, e. aquele que se ilumina, já se desfez do ego. Assim, isso que denominam "sofrimento de Jesus" nada tem a ver com egoísmo, como, tenho certeza, o amigo Anton concordará
          Um abraço.
 
Título: Re: Sofrer Para Ser Feliz
Enviado por: Conforti em 04 de Maio de 2011, 20:14
          Hebe   (ref #33)
         
          Amiga Hebe, sua colocação retrata a verdade. Só tenho uma pequena coisa (mas, de enorme significado) a acrescentar: todo esse sofrimento do homem, de que natureza seja, afinal, em última análise, vem de sua ignorância inata, de desconhecer a verdade de quem, na realidade, ele é. Conhecendo essa verdade, que é mesma verdade que liberta, o homem estará livre de “todos” os sofrimentos.
          Abç. 

Título: Re: Sofrer Para Ser Feliz
Enviado por: Victor Passos em 04 de Maio de 2011, 20:18
Ola muita paz e harmonia
Bons amigos e Amigas

OS LIMITES DA DOR

O limite da dor. Pode alguém fixar limite para a dor? Este é um problema que tem desafiado fisiologistas e neurologistas. Sabe-se, por exemplo, que quando o homem impõe um limite para sua dor, desencadeia um mecanismo de fuga: a alienação mental, suicídio e tantos outros.

Mas, este caso, como dissemos, trata de um limite imposto pelo próprio homem. Será mesmo este o limite máximo? Ou é o limite previamente fixado pelo ser humano, sem levar em conta considerações de ordem espiritual, ou, mesmo, de ordem orgânica: a reação repentina e inesperada de um determinado órgão, por exemplo.

O limite da dor traduzido naquela expressão: "não agüento mais", é puramente pessoal, O que para uma pessoa é perfeitamente suportável, para outra pode ser desesperadamente insuportável. Por que essa diferença entre as pessoas: essa diferença entre o limite da dor?

Léon Denis, grande filósofo da Doutrina Espírita, em seu precioso livro O Problema do Ser; do Destino e da Dor, faz expressivas observações de ordem moral e filosófica, que nos dão a razão da dor. E mais: dá a cada um condições de descobrir, pelo próprio sofrimento, as razões de sua própria dor. Descobrindo-se as razões de nossa dor, poderemos, logicamente, desencadear em nós mecanismos positivos pra enfrentá-la, para superá-la. Em última análise, para aproveitar a dor como elemento de burilamento de nosso ser imortal.

Aquele que só vê na dor motivo de desespero e revolta, não está aproveitando esse poderoso elemento de burilamento da alma. Aliás, é o próprio Léon Denis que compara a dor ao buril do artista que, tomando de pedra bruta e informe, a golpes profundos e certeiros, a vai transformando numa estátua de formas harmoniosas. Normalmente, somos a rocha bruta (o Espírito ainda cheio de impurezas), que precisa do buril do artista-dor para revelar a forma luminosa e plena de harmonia que dormita em nós.

É claro que nem sempre a dor é o buril que fere a pedra bruta.

Quando compreendemos a Paternidade Divina e sua Justiça Infinita, começamos a trilhar os caminhos do amor. Esse amor que, com sofrimento muito mais suave, será o buril que nos revelará o ser puro e imortal latente em todos os homens. De qualquer forma a dor está sempre presente: com maior ou menor intensidade. Os momentos de grande alegria, por exemplo, são precedidos de dor ou de angústia. Às dores do parto sucede a alegria de haver-se dado à luz um novo ser vivo. A alegria da criação do artista exige-lhe sacrifícios e renúncias; angústias e incertezas.

A dor é realmente o instrumento que embeleza a criatura. A criatura imortal, espiritual, bem entendido. Pois devemos ter em mente que o homem físico é mortal: seu Espírito não morre nunca. Reencarna muitas vezes, cada vez mais purificado e mais harmonioso, trabalhado pelo excelso buril da dor.

Finalmente, a nenhum ser vivo é dado o direito de se impor o limite da dor. A dor deste segundo - que parece extremamente insuportável- será superada pela dor do segundo seguinte. E quem nos garante que no próximo minuto não descortinaremos um amplo campo de luz e felicidade a que nos conduziram os degraus da dor?

Esta é a finalidade da Doutrina Espírita, que, por Léon Denis, seu filósofo, nos coloca a dor como degraus que nos conduzem ao bem e à felicidade eternos.

Valentim Lorenzetti
Título: Re: Sofrer Para Ser Feliz
Enviado por: Dadinho em 04 de Maio de 2011, 20:22
Amigo Coronel,

Jesus sofreu sim na cruz. Sofreu a dor da carne. Se isso não foi verdade, então ele foi um grande teatrólogo e conseguiu representar bem o seu papel enganando a todos.

Fiz os questionamentos ao confrade Anton porque ele expôs sua ideia de modo muito definitiva e dura. Quando usamos as palavras "nunca", "sempre", "tudo", "nada", etc é sempre bom reler o texto, pois pode ser que tenhamos esquecido daquela pequena excessão que vai mascarar a nossa premissa e, consequentemente, por abaixo toda a nossa teoria.

O objetivo foi somente alertar ao amigo para buscar um caminho mais pelo meio, isto é, considerando as várias possibilidades, sejam elas alinhadas ou não. Uma pessoa que começou a estudar o Espiritismo agora, ao ler o texto como se encontrava poderia acabar achando que Jesus nada sofreu, o que obviamente não é verdade, se considerarmos que ele reencarnou (em um corpo físico), tendo que passar pelas mesmas dificuldades que qualquer outro ser humano passa nessa condição.

Agora, como eu disse em outra citação, o sofrimento moral já são outros quinhentos...

;-)
Muita paz!
Dadinho


          Dadinho   (ref #29)
          Cito suas palavras:
          “Cristo sofreu na cruz. E não foi por ele, mas pelo bem da humanidade, ou seja, pelos desígnios de Deus. Foi ele egoísta? Como é que você me explica isso?”
          Cel: meu amigo, o iluminado só sofre se quiser sofrer; aquele que conheceu a verdade e se percebeu “um com o Pai” está livre de todo sofrimento. Essa afirmação de que Jesus sofreu na cruz, que muito sofreu para salvar os homens, deve ter a finalidade de fazer que todos  respeitem mais e obedeçam (por consideração e reconhecimento) esse homem que tanta coisa boa nos ensinou. Essa questão de sofrimento deve ter sido interpolada nas escrituras (como aconteceu com muitas outras questões), por interesse dos líderes (e teólogos) da igreja nascente. O iluminado não sofre, pois compreende! (" e tudo o mais vos virá por acréscimo").
          E, quanto ao ele ser ou não egoísta, veja: o egoísmo é produto do ego, e. aquele que se ilumina, já se desfez do ego. Assim, isso que denominam "sofrimento de Jesus" nada tem a ver com egoísmo, como, tenho certeza, o amigo Anton concordará
          Um abraço.
 
Título: Re: Sofrer Para Ser Feliz
Enviado por: Victor Passos em 04 de Maio de 2011, 20:25
Ola muita paz e harmonia

Bons Amigos e Amigas


Sofrimento regenerador


Na questão 167 de O Livro dos Espíritos, Kardec indaga os instrutores espirituais: “Qual a finalidade da reencarnação?” Responderam eles: “Expiação, melhoramento progressivo da humanidade. Sem isto, onde estaria a justiça?”

É corriqueiro constatar muitos espíritas afirmarem que é preciso sofrer para pagar dívidas do passado. Afirmam que, fazendo alguém sofrer numa existência, volta-se na próxima sofrendo o mesmo mal, para sua quitação.

Até alguns expositores espíritas, em palestras, costumam afirmar a mesma coisa, como se isso tivesse fundamento no Espiritismo. Afirmam que a finalidade da reencarnação é “pagar dívida”, “resgatar crimes”.

Entretanto, o que aprendemos no Espiritismo é que o mal praticado precisa ser ressarcido, não como castigo, mas como aprendizado e correção para colaborar com a nossa evolução espiritual. Mesmo que o ofendido tenha perdoado, um dia o ofensor sentirá necessidade de reparar o mal, passando por sofrimento idêntico ao por ele praticado, para alívio de sua consciência.

Para que o culpado sinta esta necessidade, é preciso que tome consciência da sua culpa, reconheça seu erro e arrependa-se. Deus, na sua infinita misericórdia, aguarda o momento mais conveniente para que ele possa assumir a prova, pois só assim, quando fortalecido, terá melhores condições para realizar conscientemente o reparo da falta e usufruir da tranquilidade necessária ao seu bem-estar e felicidade futura.

Portanto, o sofrimento não é imposto ao Espírito por castigo divino. Ele faz parte da Lei de Ação e Reação; de Causa e Efeito; de Plantação e Colheita.

Na questão 1000 de O Livro dos Espíritos, Kardec faz o seguinte questionamento: “Já desde esta vida poderemos ir resgatando as nossas faltas?” Resposta: “Sim, reparando-as. Mas, não creiais que as resgateis mediante algumas privações pueris, ou distribuindo em esmolas o que possuirdes (...). Só por meio do bem se repara o mal e a reparação nenhum mérito apresenta se não atinge o homem no seu orgulho, nem nos seus interesses materiais”.

Contrariando ensinamentos coerentes da doutrina espírita, muitos companheiros afirmam que é necessário tolerar com resignação todas as provas e, assim entendendo, se curvam diante de uma passividade de conformação e de improdutividade, deixando de cumprir as propostas reencarnatórias de reformulação de atitudes corajosas, alterando o seu “carma” pela ação do merecimento próprio no trabalho da busca de recursos morais para a construção da própria felicidade.

Segundo se entende dos ensinamentos espíritas, a dor não é fonte de salvação como muitos equivocadamente aceitam. Ela, segundo Emmanuel, é a “pedagogia divina” que nos ensina a aproveitá-la, pois ela é que ensina a reconhecer e entender a sua ação benéfica iluminando os caminhos da evolução espiritual.

Portanto, se nos encontramos ao lado dessa ou daquela pessoa por união conjugal e não nos sentimos felizes, não será a separação que irá fazer a nossa felicidade. É necessário refletir sobre a máxima espírita: “não há efeito sem causa”. Se a Lei nos reuniu nesta existência, provavelmente é para efeito de reconciliação; é para se aparar as arestas por nós mesmos criadas. Como não pode existir paz entre adversários, é fácil para os espíritas entenderem que a Lei nos uniu para desfazer animosidades, reconciliando com o nosso próximo, enquanto a caminho com ele, como recomendou Jesus. Mesmo que apenas uma das partes entenda a razão das desavenças, já é motivo suficiente para reconhecer que a Lei de Causa e Efeito está presente e assim lutar com todas as forças para salvar a oportunidade de solver seus problemas, perdoando e amando a outra. Separação entre os cônjuges, que conhecem os ensinamentos doutrinários, só mesmo quando os conflitos perigarem atritos maiores, complicando ainda mais o futuro de ambos.

Neste sentido atentamos para as luzes que o Espírito Emmanuel nos traz em seu livro Leis de Amor. Inquiriram-no na questão 11: “O que foi em vida passada o marido desleal?” Resposta: “O marido desleal, em muitas circunstâncias, é o mesmo esposo do pretérito, que precipitamos na deserção, com os próprios exemplos menos felizes”. E na seguinte: “E a esposa desorientada?”. “A companheira desorientada que nos amarga o sentimento é a mulher que menosprezamos em outra época, obrigando-a a resvalar no poço da loucura.”

Ambas as respostas são bastante evidentes para nos alertar sobre o engano das separações, prorrogativas de débitos vencidos que, no futuro, para a felicidade dos participantes deverão ser resgatados, muitas vezes em situações mais difíceis.

Especialmente os Espíritas devem se conscientizar de que a finalidade do sofrimento é a de aprender que “só por meio do bem se repara o mal e a reparação nenhum mérito apresenta, se não atingir o homem no seu orgulho, nem nos seus interesses materiais”, conforme nos ensinam os amigos espirituais na questão 1000 de “O Livro dos Espíritos”.

Assim procedendo estaremos usando o sofrimento regenerador como oportunidade de acerto do nosso passado delituoso.

Pensemos nisso, aproveitemos a benfeitora oportunidade que a nossa nova reencarnação está nos proporcionando.

 ÉDO MARIANI
Título: Re: Sofrer Para Ser Feliz
Enviado por: Conforti em 05 de Maio de 2011, 21:25
          Dadinho    (ref #44) 
          Olá, amigo Dadinho, cito você:
          “Jesus sofreu sim na cruz... a dor da carne. Se isso não foi verdade, então ele foi um grande teatrólogo... enganando a todos”.
          Cel: não Dadinho, eu não disse que Jesus não sofreu; disse que ele sofreu “se” quis sofrer. Quanto a ter sido um bom artista e, assim, ter enganado a todos, nada podemos dizer, nem eu nem você, porque não estávamos lá. Se diz isso, com base nos evangelhos, veja que as escrituras, nesses dois mil anos, passaram por tantas traduções, gramáticas, interpretações e idiomas, e sofreram a influência de tantos interesses, costumes e culturas tão diferentes! Sofreram, em todos esses séculos, em geral por conveniência da própria igreja, subtrações e acréscimos que lhe modificaram profundamente o sentido.  Veja apenas um exemplo, relatado por um homem de reputação ilibada, considerado, entre todos os historiadores, um dos mais fiéis: Rui Barbosa, que escreveu a introdução ao livro “O Papa e o Concílio”. As fontes citadas são irrefutáveis, muitas do próprio Vaticano: decretos, anais, tratados, acordos, bulas papais, cartas de bispos, reis, imperadores, obras de historiadores de imparcialidade irrepreensível, atas de concílios etc. Nessa introdução, conta que o Papa Sixto V escreveu, de próprio punho, uma nova versão da Bíblia, decretando que só essa era verdadeira e que seriam excomungados os que lhe alterassem uma só palavra. Contudo, a nova versão continha cerca de duas mil incorreções em pontos importantes, em geral favorecendo as intenções do papado. O papa Belarmino, seu sucessor, aconselhou abafar o perigo a que Sixto expunha a igreja: recolher e destruir todos os exemplares; e, depois de corrigida, reimprimi-la afirmando-se, no prefácio, serem os erros culpa dos impressores.
          Além dessa, houve numerosas outras modificações. Houve, também, problemas de traduções equivocadas. Veja um: conforme os Evangelhos, Jesus disse: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim”, certo? Pois, há pouco tempo, em entrevista na TV, dois rabinos doutores da lei e do idioma judaicos afirmaram que a tradução correta é: “O ‘eu’ é o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai, senão pelo ‘eu”, coisa que altera, completamente, o significado anterior.
          Quanto a sofrer na cruz, veja o seguinte: há cerca de 4 anos, numa sexta feira santa, dois monges coreanos se deixaram crucificar com direito a cravos de ferro nas mãos e pés, coroa de espinhos, tudo real, flagelação etc. Turistas alemães, holandeses e outros que filmavam as cenas, muito espantados perguntaram aos monges, depois da “descrucificação”: “Como é que não vimos o mais leve traço de dor em suas fisionomias quando os cravos eram martelados... quando, com todo o peso do corpo, vocês ficaram pendurados pelos cravos na cruz etc?!” Eles, ainda ensangüentados na cabeça, mãos e pés, apenas sorriram e responderam: “Nós não estávamos mais lá; tínhamos nos recolhido aos braços de Brahma”. Do mesmo modo, outros disseram a mesma coisa. Ramana, mestre indiano, tinha um enorme câncer na articulação do cotovelo esquerdo; discípulos, intrigados, perguntavam: “Como o Sr, uma santidade, tem essa feia ferida aí? Como deve sofrer por isso!” e Ramana dizia: “Nada disso: quando sinto que a dor se aproxima, me recolho aos braços do Absoluto”.     
          Essa afirmação de que Jesus sofreu pelos homens, deve ser apenas tentativa da igreja primitiva de levar os fiéis a mais respeitarem e, assim, acatarem os ensinamentos daquele que nos deixou tantas importantes lições.   
          A consciência expandida além do ego, pode impedir o sofrimento; o iluminado não sofre, exatamente porque “compreende”.
          Um abraço.
Título: Re: Sofrer Para Ser Feliz
Enviado por: Anton Kiudero em 06 de Maio de 2011, 21:34
Ninguém nem nada pode nos fazer sofrer, mas ninguém nem nada pode nos fazer feliz.

Isso porque sofrer ou ser feliz é uma questão de escolha, de opção.
Todos os sentimentos existem dentro de nós como se fossem sementes adormecidas sob o solo. A cada acontecimento, em cada momento da vida, escolhemos uma para regar e fazer crescer.

Se você quer ser feliz sempre é preciso regar sempre a semente da felicidade.

Título: Re: Sofrer Para Ser Feliz
Enviado por: Dadinho em 07 de Maio de 2011, 04:46
Amigo Coronel,

Gostei do que escreveu, pois me abriu um novo angulo de pensamento que até então eu não tinha considerado: a aceitabilidade de algumas pessoas sobre o eventual controle de Jesus sobre a dor física.  Porém mesmo nesse caso ainda não vejo isso como uma proposição suficiente para validar a possibilidade de que Jesus sempre pôde escolher se sentiria ou não dor física. Se assim fosse, ele não teria nascido nas mesma condições que nós outros e, daí, onde estaria o seu mérito em exemplificar, se ele já estaria partindo de uma premissa diferente da nossa?

Para que toda a sua vida enquanto encarnado faça sentido para nós, necessário é que ele passe pelas circunstâncias do processo encarnatório em pé de igualdade com todos os outros homens. Do contrário, pra que ele encarnou então? Se toda vez que ele fosse passar pelas impressões penosas que o corpo traz ele resolvesse se "recolher nos braços de Brahma" (ou do Absoluto, ou de Deus, etc), qual a utilidade de estar encarnado? Era mais fácil ele vir em estado de espírito e se materializar para passar o seu recado.

Mas "passar o recado" não era o seu objetivo principal como ser encarnado. A encarnação foi para ele a oportunidade de vivenciar as mesmas vicissitudes de seus semelhantes, de modo que fosse possível provar que, mesmo nas condições que nos encontramos, é possível cumprir com a Lei de Amor e Caridade.

A ideia do "artista" que eu citei está intimamente ligado a isso. Se ele não sofreu na carne, então todas as cenas de dor, desde o momento que foi preso, chicoteado, levado ao Gólgota e crucificado, não se passou de uma encenação. O que o levaria à qualidade de teatrólogo, como disse, e, nesse caso, porque eu deveria tê-lo como modelo, se ele mérito algum de suportar algo teve?

Supor que sua face não demonstrou dor para evitar a hipótese da encenação também não caberia, afinal, tal circunstância seria um "prato cheio" para os apóstolos relatarem essa façanha um tanto incomum para eles: como é que um homem é espancado, chicoteado, crucificado e seu semblante permanece inalterado mostrando total ausência de dor? Seria aí mais um indício de sua supremacia, que certamente não seria deixada de lado nos Evangelhos.

E eu disse isso não baseado nos Evangellhos, mas em Kardec, A Gênese - Os Milagres do Evangelho, itens 65 e 66, que reproduzo abaixo um trecho:

"65. (...) Por virtude das suas propriedades materiais, o corpo
carnal é a sede das sensações e das dores físicas, que repercutem
no centro sensitivo ou Espírito. Quem sofre não
é o corpo, é o Espírito recebendo o contragolpe das lesões
ou alterações dos tecidos orgânicos
. Num corpo sem Espírito,
absolutamente nula é a sensação. Pela mesma razão,
o Espírito, sem corpo material, não pode experimentar os
sofrimentos, visto que estes resultam da alteração da matéria,
donde também forçoso é se conclua que, se Jesus
sofreu materialmente, do que não se pode duvidar, é que
ele tinha um corpo material de natureza semelhante ao de
toda gente.

66. Aos fatos materiais juntam-se fortíssimas considerações
morais.
Se as condições de Jesus, durante a sua vida, fossem
as dos seres fluídicos, ele não teria experimentado nem a
dor, nem as necessidades do corpo. Supor que assim haja
sido é tirar-lhe o mérito da vida de privações e de sofrimentos
que escolhera, como exemplo de resignação. Se tudo
nele fosse aparente, todos os atos de sua vida, a reiterada
predição de sua morte, a cena dolorosa do Jardim das Oliveiras,
sua prece a Deus para que lhe afastasse dos lábios o
cálice de amarguras, sua paixão, sua agonia, tudo, até ao
último brado, no momento de entregar o Espírito, não teria
passado de vão simulacro, para enganar com relação à sua
natureza e fazer crer num sacrifício ilusório de sua vida,
numa comédia indigna de um homem simplesmente honesto,
indigna, portanto, e com mais forte razão de um ser tão
superior
. Numa palavra: ele teria abusado da boa-fé dos seus
contemporâneos e da posteridade. Tais as consequências
lógicas desse sistema, conseqüências inadmissíveis, porque
o rebaixariam moralmente, em vez de o elevarem."

(grifos nossos)

Sendo assim, na sua linha de raciocínio, parece-me que então Jesus quiz sofrer, pois que escolheu sua rude prova. Logo, no fim das contas ele sofreu, que é o cerne da questão que estamos discutindo.

Por fim, só queria esclarecer um aspeto que você citou sobre os Evangelhos que não está de acordo com o que os pesquisadores dos meios acadêmicos que estudam o Jesus Histórico consensuam: Essa história de que os Evangelhos possuem interpolações intencionais da igreja é falácia. Hoje em dia os estudos sobre a origem das escrituras originais e das sociedades daquela época estão bastante avançados e é fácil comprovar que a Vulgata Latina traduzida por São Jerônimo do grego para o latim é bastante compatível com o texto original. Se existe equívocos de grafia ou substituição de palavras, bem como de inserções de partes de textos que não existiam inicialmente, estes são encontrados nos originais (isto é, os originais nasceram já com os erros), e não nas traduções.

É injusta e inoportuna a acusação que as pessoas geralmente fazem de que a igreja deturpou as traduções incluindo ou omitindo informações para divulgar os conceitos que a ela lhe interessava.

Muita paz
Dadinho


          Dadinho    (ref #44) 
          Olá, amigo Dadinho, cito você:
          “Jesus sofreu sim na cruz... a dor da carne. Se isso não foi verdade, então ele foi um grande teatrólogo... enganando a todos”.
          Cel: não Dadinho, eu não disse que Jesus não sofreu; disse que ele sofreu “se” quis sofrer. Quanto a ter sido um bom artista e, assim, ter enganado a todos, nada podemos dizer, nem eu nem você, porque não estávamos lá. Se diz isso, com base nos evangelhos, veja que as escrituras, nesses dois mil anos, passaram por tantas traduções, gramáticas, interpretações e idiomas, e sofreram a influência de tantos interesses, costumes e culturas tão diferentes! Sofreram, em todos esses séculos, em geral por conveniência da própria igreja, subtrações e acréscimos que lhe modificaram profundamente o sentido.  Veja apenas um exemplo, relatado por um homem de reputação ilibada, considerado, entre todos os historiadores, um dos mais fiéis: Rui Barbosa, que escreveu a introdução ao livro “O Papa e o Concílio”. As fontes citadas são irrefutáveis, muitas do próprio Vaticano: decretos, anais, tratados, acordos, bulas papais, cartas de bispos, reis, imperadores, obras de historiadores de imparcialidade irrepreensível, atas de concílios etc. Nessa introdução, conta que o Papa Sixto V escreveu, de próprio punho, uma nova versão da Bíblia, decretando que só essa era verdadeira e que seriam excomungados os que lhe alterassem uma só palavra. Contudo, a nova versão continha cerca de duas mil incorreções em pontos importantes, em geral favorecendo as intenções do papado. O papa Belarmino, seu sucessor, aconselhou abafar o perigo a que Sixto expunha a igreja: recolher e destruir todos os exemplares; e, depois de corrigida, reimprimi-la afirmando-se, no prefácio, serem os erros culpa dos impressores.
          Além dessa, houve numerosas outras modificações. Houve, também, problemas de traduções equivocadas. Veja um: conforme os Evangelhos, Jesus disse: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim”, certo? Pois, há pouco tempo, em entrevista na TV, dois rabinos doutores da lei e do idioma judaicos afirmaram que a tradução correta é: “O ‘eu’ é o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai, senão pelo ‘eu”, coisa que altera, completamente, o significado anterior.
          Quanto a sofrer na cruz, veja o seguinte: há cerca de 4 anos, numa sexta feira santa, dois monges coreanos se deixaram crucificar com direito a cravos de ferro nas mãos e pés, coroa de espinhos, tudo real, flagelação etc. Turistas alemães, holandeses e outros que filmavam as cenas, muito espantados perguntaram aos monges, depois da “descrucificação”: “Como é que não vimos o mais leve traço de dor em suas fisionomias quando os cravos eram martelados... quando, com todo o peso do corpo, vocês ficaram pendurados pelos cravos na cruz etc?!” Eles, ainda ensangüentados na cabeça, mãos e pés, apenas sorriram e responderam: “Nós não estávamos mais lá; tínhamos nos recolhido aos braços de Brahma”. Do mesmo modo, outros disseram a mesma coisa. Ramana, mestre indiano, tinha um enorme câncer na articulação do cotovelo esquerdo; discípulos, intrigados, perguntavam: “Como o Sr, uma santidade, tem essa feia ferida aí? Como deve sofrer por isso!” e Ramana dizia: “Nada disso: quando sinto que a dor se aproxima, me recolho aos braços do Absoluto”.     
          Essa afirmação de que Jesus sofreu pelos homens, deve ser apenas tentativa da igreja primitiva de levar os fiéis a mais respeitarem e, assim, acatarem os ensinamentos daquele que nos deixou tantas importantes lições.   
          A consciência expandida além do ego, pode impedir o sofrimento; o iluminado não sofre, exatamente porque “compreende”.
          Um abraço.

Título: Re: Sofrer Para Ser Feliz
Enviado por: hcancela em 07 de Maio de 2011, 09:45
Olá amigos(as)

O título do tópico, é sofrer para ser feliz.

Ora caros amigos(as) mas dentro do meu entendimento e perdoem as minhas palavras, mas desde quando é que sofrer nos faz ser felizes?

Dor não faz ninguém ser feliz nunca, tanto é que nós quando sofremos queremos é tirar ela e seja de que forma for, né.. ;).

Que ela seja um processo normal ao nosso crescimento espiritual, aí percebo, mas nuca como objetivo, inevitável, porque tudo depende da forma como a vemos ou lidamos, e neste aspecto, todos lidamos de forma bem diferente.

Lembro que naquela parte do Evangelho quando diz! Bem aventurados os sofredores, ora quer dizer e no meu entender que a dor quando ela chega, é uma questão de a perceber e saber sofrer, porque como também sabem a maior parte das vezes não a compreendemos e a revolta instala-se e não somos Bem aventurados, voltando em novas existências repetindo tudo, até compreendê-la e assim passarmos a ser o tal de " Bem aventurados sofredores".
 Lembro que Jesus sofreu mas não com a Cruz, mas sim com aquilo que via de nós ( seus irmãos atrasados)compreendendo que era o nosso processo da altura, porque caros amigos Ele ao vir a este Mundo, sabia perfeitamente como iria ( morrer) e não era um pedaço de pau que o magoava, porque Ele estava para lá de tudo isso.

Por isso amigos(as) e dentro do meu entendimento, o sofrimento é um processo e não um objetivo, porque "Sofrer para ser feliz" seria dizer que Deus a infinita bondade gostava que seus Filhos sofressem para serem felizes e isso não era ser Deus mas sim ( masoquista).

Saudações fraternas
Título: Re: Sofrer Para Ser Feliz
Enviado por: Victor Passos em 07 de Maio de 2011, 12:36
Ola muita paz e harmonia
Amigo H.Cancela

Citar
Por isso amigos(as) e dentro do meu entendimento, o sofrimento é um processo e não um objetivo, porque "Sofrer para ser feliz" seria dizer que Deus a infinita bondade gostava que seus Filhos sofressem para serem felizes e isso não era ser Deus mas sim ( masoquista).

   Amigo Cancela, permite discordar , todos sabemos que Deus, é infinitamente justo e de caridade eterna, porém aqui ao falarmos em sofrimento, ele é sempre proporcionado pelos nossos excessos, pela falta de caridade com o próximo e com nós mesmos, porque devido
   aos nossos atos e lembro" Cada um segundo suas Obras" do evangelho, nós preparamos esse caminho.
    Claro que existem atenuantes, mas serão de acordo com nossa conduta.
    É realmente uma verdade que a dor nos leva à felicidade, e não que a dor dá felicidade, é preciso não confundir.
    Nós após o resgate das nossas paixões negativas , sentimos alivio, e não tenha duvida disso, tal como o ditado "após a tempestade bem a abonança"
   Tu mesmo disseste Amigo"Dor não faz ninguém ser feliz nunca, tanto é que nós quando sofremos queremos é tirar ela e seja de que forma for, né"
  logo isso predece-se que após a dor sentiremos alivio.
   Outra situação é também de semantica, a dor não é um objetivo nosso,do Ser, mas a dor tem um objetivo a retificação, o reajuste.Portanto a dor não é objetivo de ninguém, mas proporciona um objetivo, a nossa evolução através da reciclagem compulsiva.

Muita paz Amigo

Victor Passos
   
Título: Re: Sofrer Para Ser Feliz
Enviado por: Conforti em 09 de Maio de 2011, 20:13
          Dadinho   (ref 48)
          Olá, amigo, você se referiu ao fato de, se um iluminado não sente dor, é por exercer “controle” sobre o organismo fisiológico. Dadinho, não será mais certo dizer-se, não “controlar” (que implica “luta, esforço” para não sentir dor”), mas simplesmente afasta-la, supera-la, ter uma natureza livre da dor, a natureza do “novo homem”?! Lembre-se: “... a verdade vos libertará”.       
          Dadinho: “... não vejo isso como uma proposição suficiente para validar a possibilidade de que Jesus sempre pôde escolher se sentiria ou não dor física. Se assim fosse, ele não teria nascido nas mesma condições que nós outros e, daí, onde estaria o seu mérito em exemplificar, se ele já estaria partindo de uma premissa diferente da nossa?”
          Cel: amigo, Jesus só pode escolher sentir ou não dor após iluminar-se; antes não! Não entendi o que você disse: que “ele não teria nascido nas mesmas condições de nós outros”! Pois, desde o nascimento até sua iluminação (simbolizada pela pomba, no episódio do batismo por João), Jesus foi um ser humano idêntico a qualquer outro; assim, nasceu como qualquer outro, sem privilégios quaisquer. Sinceramente, também não entendi a questão: “assim sendo, onde estaria seu mérito para exemplificar” e que “ele estaria partindo de uma premissa diferente da nossa”. Agradeço se o amigo for mais claro. Bom, se com “premissa diferente” você está dizendo “condições diferentes”, isso não é verdade, pois Jesus foi um homem igual aos outros. E porque ele teria de ter méritos por sofrer?!” Ou de sofrer para ter méritos?
          Dad: “Para que... sua vida... encarnado faça sentido para nós, necessário é que ele passe pelas circunstâncias do processo encarnatório em pé de igualdade com todos os demais. Do contrário, pra que ele encarnou então?”
          Cel: é possível que minha cabeça não esteja ajudando, mas, para você, ele não esteve “em pé de igualdade” com os demais? Ele não foi um homem igual aos demais? A diferença (e que tremenda diferença!), é que, num determinado momento, ele se tornou um “iluminado”, um Buda, despertou, abriu os olhos e “compreendeu”, pois conheceu a “verdade que liberta” e se percebeu “um com o Pai”. E a encarnação só faz sentido se há sofrimento?”
          Dad: “Se toda vez que ele fosse passar pelas impressões penosas que o corpo traz resolvesse se "recolher nos braços de Brahma", qual a utilidade de estar encarnado?”
          Cel: “agora não entendi mesmo! Então o amigo acredita que a “utilidade”, ou finalidade, de estar encarnado é a de “sofrer”?!!”
          Dad: “Era mais fácil ele vir em estado de espírito e se materializar para passar o seu recado”.
          Cel: bom, estava me esquecendo de que sua visão é a que recebeu das doutrinas cristãs, de que ele foi um ser diferente dos demais, que veio à Terra com uma missão. Contudo, se isso fosse mais fácil, porque não dizermos também que seria mais fácil que o Criador já criasse todos perfeitos, livrando-nos dessa “via crucis” de inúmeras reencarnações (conforme doutrinas) e desse trabalho de seres evoluídos terem de vir a planos “pesados” para ensinar os homens a se libertarem? Não seria tudo mais fácil, mais simples do que terem as criaturas divinas de, à força de sofrimentos torturantes e insuportáveis, obrigatóramente impostos  pelas leis divinas, a todos sem exceção, chegarem à realização espiritual?”
          Dad: “A encarnação foi para ele a oportunidade de... provar que, mesmo nas condições que nos encontramos, é possível cumprir com a Lei de Amor e Caridade”.
          Cel: Dadinho, tem absoluta convicção disso, ou apenas repete o que as doutrinas ensinam? Me parece que você, como as religiões populares, crêem num Jesus redentor, que redimiu os homens, que eliminou a multidão de pecados, que veio nos salvar! A quem ele salvou? A quem ele livrou dos pecados? A quem redimiu? A humanidade de “depois” de Jesus comete os mesmos absurdos, ou muito maiores, do que a humanidade de “antes” dele. Jesus foi um homem que, a partir da iluminação, passou a vida tentando mostrar o caminho para o conhecimento da verdade libertadora. A todos que se iluminam, desperta-lhes um amor “quase insuportável” pelos semelhantes, pois que estão sofrendo justamente por não conhecerem a “verdade que liberta”. A partir de então, só se calam quando a morte lhes fecha a boca. É o caso de muitos outros, também”.
          Dad: “Se ele não sofreu... as cenas de dor... não passou de encenação. O que o levaria à qualidade de teatrólogo, como disse, e, nesse caso, porque eu deveria tê-lo como modelo, se ele mérito algum de suportar algo teve?”
          Cel: não meu amigo, nada de encenação! Foi amaldiçoado, sim, torturado e executado (execução que até hoje desperta muitas suspeitas de que não tenha acontecido); passou pelo que passavam os que iam ser crucificados. A diferença, que os homens desconheciam, é que o iluminado está acima das ilusões do mundo, fruto das interpretações distorcidas do “ego”, pois este ego, para o que conheceu a verdade, não mais existe. Se lhe damos méritos tão somente por ter sabido sofrer sem reclamar, apenas estaremos homenageando um homem que sabe superar a dor, não um ser superior...”. 
          Dad: “... tal circunstância seria um "prato cheio" para os apóstolos... ”
          Cel: “e não foi um “prato cheio”? Todos, desde as duas Marias, e os apóstolos no caminho para Emaús, se assombraram, e muito, com fatos que representam “pratos cheios”; lembre-se de Tomé que tocou as feridas para acreditar. Esses fatos são relatados nas escrituras, e sempre pelas “igrejas”, ou por ignorância, ou na intenção de despertar, nos fiéis, mais admiração e respeito e assim, mais disposição para obedecerem os conselhos de quem muito sofreu por eles”. 
        Dad: “Seria mais um indício de sua supremacia, que certamente não seria deixada de lado nos Evangelhos”.
         Cel: não sei se entendi pois, na realidade os evangelistas não deixaram de lado esses fatos; quantas vezes relataram “milagres” (como denominamos, pela nossa ignorancia): que multiplicou pães e peixes, transformou água em vinho bom, comandou elementos da natureza, andou sobre as águas, cessou tempestades, encheu de peixes as redes, curou, fez ressuscitar e ressuscitou! Não são pratos cheios? Uma fisionomia sem mostrar dor, seria um prato “mais cheio” do que esses?!!!”
          Dad: “A Gênese: "65... o corpo carnal é a sede das... dores físicas, que repercutem no... Espírito. Quem sofre é o Espírito... Num corpo sem Espírito, absolutamente nula é a sensação. Pela mesma razão, o Espírito, sem corpo material, não pode experimentar os sofrimentos... donde também forçoso é se conclua que, se Jesus sofreu materialmente, do que não se pode duvidar, é que ele tinha um corpo material de natureza semelhante ao de toda gente”.
          Cel: sei o que você  quer dizer; no entanto, esquecemos um detalhe, afirmado pela codificação: na projeção/viagem astral/bilocação/emancipação da alma/transporte e até mesmo no sono (DE) a alma entra em estado igual ao que fica depois da morte; os sentidos entorpecem, o espirito se afasta do corpo físico... Ao mesmo tempo, o testemunho de muitos e da ciência moderna é exatamente que todas as imperfeições (logo, a possibilidade de sentir dor) estão no ego; o espírito é puro, perfeito, sem mácula, é criado pelo Perfeito (do qual, como diz a DE, nada que procede pode ser imperfeito). O espirito procede de Deus; o ego é ilusório. (Espírito, ser perfeito + ego = homem; homem – ego = espírito, ser perfeito)”.
          Dad: “66... Se as condições de Jesus... fossem as dos seres fluídicos, ele não teria experimentado nem a dor, nem as necessidades do corpo. Supor que assim haja sido é tirar-lhe o mérito (??!!) da vida de privações e de sofrimentos que escolhera, como exemplo de resignação”.
          Cel: sinceramente, como não compreendi o amigo nestas mesmas considerações, também não entendo as considerações da DE. O iluminado se percebe “um com o Pai”, confunde-se com o Pai; não mais sofre pois chegou “lá”. E qual o significado de se tornar indigno de méritos por não ter passado por privações e sofrimentos?!”
          Continua por mais um texto...
Título: Re: Sofrer Para Ser Feliz
Enviado por: Conforti em 09 de Maio de 2011, 20:17
          Dadinho   (ref #48)       Continuação e fim...
          Dad: “Se tudo nele fosse aparente (mas quem disse  que tudo nele era aparente?)... ele teria abusado da boa-fé dos seus contemporâneos e da posteridade. Tais as conseqüências lógicas desse sistema, conseqüências inadmissíveis, porque o rebaixariam moralmente, em vez de o elevarem."
          Cel: sinceramente, Dadinho, não penso assim e essa não é a visão do misticismo de séculos ou milênios antes de Jesus, até nossos dias. Quem afirmou que tudo nele era aparente?! Como afirmar-se que teria abusado da boa fé dos demais? E você já pensou que são os relatos que fazem esse abuso? E mais, um ser que chega à estatura de iluminado, não tem porquê conquistar méritos; para ele sofrer ou morrer, por qualquer causa que seja, nenhum sacrifício é. Quanto ao relato de todas as passagens que indicam sofrimentos, são totalmente duvidosas, pois podem ser manipulação bíblica para que se respeite o que sofreu por nós”.
          Dad: “... na sua linha de raciocínio, parece-me que então Jesus quiz sofrer, pois que escolheu sua rude prova. Logo, no fim das contas ele sofreu, que é o cerne da questão que estamos discutindo”.
          Cel: ao contrário, Dadinho; minha colocação é a de que ele sofreu “se” quis sofrer. Quanto a ter escolhido uma rude prova, lhe pergunto: qual rude prova? Vir para um mundo de involuídos, ser torturado e morrer na cruz? Se veio para cumprir tal missão (DE), a cumpriu com imenso altruísmo e sem sofrimento algum”.
          Dad: “... só queria esclarecer um aspecto... que não está de acordo com o que os pesquisadores dos meios acadêmicos que estudam o Jesus Histórico: Essa história de que os Evangelhos possuem interpolações intencionais da igreja é falácia. Hoje em dia os estudos sobre a origem das escrituras originais e das sociedades daquela época estão bastante avançados e é fácil comprovar que a Vulgata Latina traduzida por São Jerônimo do grego para o latim é bastante compatível com o texto original. Se existe equívocos de grafia ou substituição de palavras, bem como de inserções de partes de textos que não existiam inicialmente, estes são encontrados nos originais (isto é, os originais nasceram já com os erros), e não nas traduções”.
          Cel: “percebeu, amigo, como discutir tais fatos se torna praticamente impossível? Os evangelhos, a bíblia toda, foram alvo de numerosas modificações para atender a interesses de  poderosos da igreja e de fora dela. Veja que nestes séculos e milênios, nossas escrituras passaram por tantas traduções, gramáticas, interpretações e idiomas, e sofreram a influência de tantos interesses, costumes e culturas tão diferentes! Um exemplo: conforme os Evangelhos, Jesus disse: “ Eu sou o caminho, a verdade e a vida” e: “Ninguém vem ao Pai senão por mim”. Pois, recentemente, em entrevista na TV, dois rabinos, doutores da lei e da língua hebraica, afirmaram, o que muitos já haviam constatado exatamente isto: que a tradução correta é: “O <eu> é o caminho, a verdade e a vida” e: “Ninguém vem ao Pai senão pelo <eu>”; pequeno exemplo, mas imenso na sua significação! Outro exemplo: um homem, considerado entre todos os historiadores um dos mais fiéis, o nosso Rui Barbosa, escreveu a introdução ao livro “O Papa e o Concílio”. As fontes citadas são irrefutáveis, muitas do próprio Vaticano: decretos, anais, tratados, acordos, bulas papais, cartas de bispos, padres, reis, imperadores, obras de historiadores de imparcialidade irrepreensível, atas de concílios, pastorais, sermões etc. Nessa introdução, relata que o Papa Sixto V escreveu, de próprio punho, uma nova versão da Bíblia, decretando que só essa era verdadeira e que seriam excomungados os que lhe alterassem uma só palavra. Contudo, a nova versão continha cerca de duas mil incorreções em pontos importantes. O papa Belarmino, seu sucessor, aconselhou abafar o perigo a que Sixto levara a igreja: recolher e destruir todos os exemplares; e, depois de corrigida, reimprimi-la afirmando-se, no prefácio, serem os erros culpa dos impressores.
          Há outras numerosas alterações. O evangelho de Mateus sofreu amputação de quase metade de seu texto, pois não atendia aos desejos do papado por conter ensinamentos voltados para o misticismo oriental. E mais uma coisa, meu amigo, Dadinho: de dezenas de evangelhos, a igreja nascente elegeu quatro (talvez os mais convenientes aos desejos do papado); esses foram alterados “n”  vezes e, desconheço a razão pela qual as doutrinas que vieram depois, adotaram exatamente aqueles 4 que a igreja adotara. O amigo sabe a razão? E ainda mais, sérios estudiosos do cristianismo chegam a afirmar que, devido a tantas interferências, devemos suspeitar de 99%  da história bíblica.”
          Meu amigo, afinal esta nossa discussão a nada leva; é apenas um acidente de percurso em nossa conversa. O essencial é compreender como nos aproximarmos de Deus. Me perdoe texto tão longo e se, porventura, repeti muita coisa; abusei de  sua paciência.
          Forte abraço.

Título: Re: Sofrer Para Ser Feliz
Enviado por: Anton Kiudero em 09 de Maio de 2011, 20:46
Coloquei um texto complementar neste outro tópico
http://www.forumespirita.net/fe/auto-conhecimento/so-sofre-quem-quer/
Convido a quem o ler a refletirmos juntos.
Título: Re: Sofrer Para Ser Feliz
Enviado por: hcancela em 09 de Maio de 2011, 21:22
Ola muita paz e harmonia
Amigo H.Cancela

Citar
Por isso amigos(as) e dentro do meu entendimento, o sofrimento é um processo e não um objetivo, porque "Sofrer para ser feliz" seria dizer que Deus a infinita bondade gostava que seus Filhos sofressem para serem felizes e isso não era ser Deus mas sim ( masoquista).

   Amigo Cancela, permite discordar , todos sabemos que Deus, é infinitamente justo e de caridade eterna, porém aqui ao falarmos em sofrimento, ele é sempre proporcionado pelos nossos excessos, pela falta de caridade com o próximo e com nós mesmos, porque devido
   aos nossos atos e lembro" Cada um segundo suas Obras" do evangelho, nós preparamos esse caminho.
    Claro que existem atenuantes, mas serão de acordo com nossa conduta.
    É realmente uma verdade que a dor nos leva à felicidade, e não que a dor dá felicidade, é preciso não confundir.
    Nós após o resgate das nossas paixões negativas , sentimos alivio, e não tenha duvida disso, tal como o ditado "após a tempestade bem a abonança"
   Tu mesmo disseste Amigo"Dor não faz ninguém ser feliz nunca, tanto é que nós quando sofremos queremos é tirar ela e seja de que forma for, né"
  logo isso predece-se que após a dor sentiremos alivio.
   Outra situação é também de semantica, a dor não é um objetivo nosso,do Ser, mas a dor tem um objetivo a retificação, o reajuste.Portanto a dor não é objetivo de ninguém, mas proporciona um objetivo, a nossa evolução através da reciclagem compulsiva.

Muita paz Amigo

Victor Passos
   
Victor  caro amigo

Fui bem explicito no que disse e não vai contra aquilo que agora disseste.

A dor e agora dito de forma diferente mas com o mesmo sentido! È um processo e não um objetivo. Respondi apenas ao titulo que diz" Sofrer para ser feliz"como também ninguém é feliz quando sofre. Esta a minha opinião e se a tua é diferente tudo bem amigo, não tenho que concordar ou discordar, é apenas e como disse, opinião.

Abraços
Título: Re: Sofrer Para Ser Feliz
Enviado por: Dadinho em 09 de Maio de 2011, 22:48
Amigo Cancela,

Desculpe, ou eu estou com uma redação muito ruim, ou estamos partindo de premissas totalmente diferentes, ou você realmente não está alcançando o que eu quiz dizer.

Bem...  independente das três situações, acho que é como você citou ao fim: não vai adiantar continuar discutindo sobre isso. Você acredita que, quando encarnado, o "iluminado" sofre "se" quiser. Eu já vou pela linha de que se ele está encarnado é porque ele quiz sofrer, conforme exposto no trecho que eu trouxe anteriormente e que se encontra em A Gênese, o último livro publicado por Kardec e a SPEE, que teve mais de 14 anos de maturação das ideias ali impressas.

Se Kardec diz que quem sofre é o espírito (e não o corpo), então é nessa linha que eu vou...  o que me permite manter minha convicção que o espírito de Jesus sofreu sim enquanto esteve aqui, pois na minha humilde visão, o "iluminado" não deixa de sofrer porque "compreende", ao contrário: é justamente porque compreende que ele põe a sofrer. (aliás, não só o "iluminado", mas qualquer um).

Mas admiro sua coragem de ir contra o que Kardec expôs...

Paz!
Dadinho
Título: Re: Sofrer Para Ser Feliz
Enviado por: Hebe M C em 09 de Maio de 2011, 23:27
Dadinho,
 Jesus sabia pelo o que ia passar, sabia quem o trairia, tinha plena consciência da vida, não se iludia com nada e nem com ninguém,  deixou como exemplo o total desapego as dores do Mundo, em suas palavras "Eu venci o Mundo". Tinha a capacidade de amar sem distinção, sendo amigo, inimigo, parente consangüíneo ou não. Nenhum sofrimento moral o abatia, estava absolutamente em paz apesar da rejeição e tudo o que sofreu fisicamente.
Esse foi o seu principal exemplo.
Um abço Hebe
 
Título: Re: Sofrer Para Ser Feliz
Enviado por: hcancela em 09 de Maio de 2011, 23:50
Amigo Cancela,

Desculpe, ou eu estou com uma redação muito ruim, ou estamos partindo de premissas totalmente diferentes, ou você realmente não está alcançando o que eu quiz dizer.

Bem...  independente das três situações, acho que é como você citou ao fim: não vai adiantar continuar discutindo sobre isso. Você acredita que, quando encarnado, o "iluminado" sofre "se" quiser. Eu já vou pela linha de que se ele está encarnado é porque ele quiz sofrer, conforme exposto no trecho que eu trouxe anteriormente e que se encontra em A Gênese, o último livro publicado por Kardec e a SPEE, que teve mais de 14 anos de maturação das ideias ali impressas.

Se Kardec diz que quem sofre é o espírito (e não o corpo), então é nessa linha que eu vou...  o que me permite manter minha convicção que o espírito de Jesus sofreu sim enquanto esteve aqui, pois na minha humilde visão, o "iluminado" não deixa de sofrer porque "compreende", ao contrário: é justamente porque compreende que ele põe a sofrer. (aliás, não só o "iluminado", mas qualquer um).

Mas admiro sua coragem de ir contra o que Kardec expôs...

Paz!
Dadinho
Olá Dadinho

Não vou contra o Kardec amigo, é apenas um ponto diferente de ver as coisas, no qual até posso estar errado.Lembro que eu ao dizer " Processo" quero dizer que nestes Mundos em que o Espirito tem de encarnar e devido á rudeza dos elementos em que ele habita e fruto também da sua fraca elevação moral, ele acaba por sentir no espírito aquilo que a carne sofre, mas como sabe amigo tudo depende de cada um suportar ou não,e ao suportar o espirito nem sofre, porque compreende que isso o faz alertar para o caminho errado que está a percorrer,e assim mudar a forma de ser e estar na vida. Isto não é um objetivo, porque se o espirito quando ( sofre) quer é tirar as dores seja de que forma for, e como sabe também que nem sempre mudamos de vida, mesmo estando a sofrer(somos teimosos)kkkkkkk. Por isso é que repetimos muitas vezes as mesmas provas, em vidas diferentes.
Como vê amigo não mudei o discurso, apenas explico de forma diferente, só isso. Talvez seja deficiência de escrita minha , mas creio que agora fui lá, não?..rssssss
Abração
Título: Re: Sofrer Para Ser Feliz
Enviado por: Victor Passos em 10 de Maio de 2011, 00:20
Ola muita paz e harmonia
Bons Amigos Dadinho e Cancela

Dadinho
Citar
Bem...  independente das três situações, acho que é como você citou ao fim: não vai adiantar continuar discutindo sobre isso. Você acredita que, quando encarnado, o "iluminado" sofre "se" quiser. Eu já vou pela linha de que se ele está encarnado é porque ele quiz sofrer, conforme exposto no trecho que eu trouxe anteriormente e que se encontra em A Gênese, o último livro publicado por Kardec e a SPEE, que teve mais de 14 anos de maturação das ideias ali impressas.

Se Kardec diz que quem sofre é o espírito (e não o corpo), então é nessa linha que eu vou...

Amigos penso que a visão de cada um , pode ser diferente , pela forma de semantica ou de reflexão e opção da vontade , porém, me parece que existem razões para dar a ambos a proximidade da essência da resposta, porque a dor fisica  e dor moral são dispares, e seu objetivo e grau maior ou menor dependem do estgio de cada personalidade, isto falando do espirito.
Ninguém sente, ou opera da mesma forma , perante o valor moral de cada Ser este sentirá maior ou menor desconforto com a Dor.

A DOR FÍSICA E DOR MORAL


A lição é-nos fornecida por Vinícius (pseudônimo de Pedro de Camargo), inegavelmente de grande beleza e significação, razão pela qual, entendemos, merece-nos atenção especial. É uma verdade inconteste. Diz-nos o seu Autor: Será a dor um bem? Será um mal? Se é um bem, por que a consideramos como -- indesejável? -- Se é um mal, por que Deus fez dela o patrimônio comum da Humanidade? Será a dor punição ou castigo?
 
Então, como se explica atinja ela os bons e de sua influência não escapem os justos? De outra sorte, como se entende que a vida dos maus, senão sempre, muitas vezes transcorra menos árida e penosa que a dos que procuram viver segundo a justiça?

A dor será, então, um problema complexo, de solução difícil, inacessível às inteligências vulgares? não devemos buscar o seu "porquê"? Cumpre que a ela nos submetamos premidos pelas circunstncias, como vítimas indefesas? Diante da dor, qual a atitude a assumir, de revolta ou de submissão incondicional e passiva? Descobre-se facilmente a incógnita da dor através da seguinte parábola de Jesus: "Um homem tinha uma figueira plantada na sua vinha, e foi buscar fruto nela, e não o encontrou. Então disse ao viticultor: Faz três anos que venho procurar fruto nesta figueira, e não acho; corta-a; para que está ela ainda ocupando a terra inutilmente? Respondeu-lhe: Senhor, deixa-a por mais este ano, até que eu cave em roda e lhe deite adubo; e se der fruto no futuro, bem está; mas, senão, corta-la-á".

Eis aí como se faz luz sobre o caso. Aquilo que nos parecia tão complicado, torna-se perfeitamente claro. A dor é uma necessidade em orbes como este onde nos encontramos. Ela é, na vida do Espírito, o que o fertilizante é na vida da planta. Os homens, como as árvores, não devem ocupar neste mundo um lugar inutilmente. É da lei que as árvores e homens produzem frutos, cada um segundo suas espécies e natureza. Quando a árvore se torna estéril, o agricultor recorre aos processos aconselhados ao caso: abre sulcos em volta do seu tronco e aduba a terra ao redor. Quando o Espírito estaciona na senda de evolução, mostrando-se negligente e relapso no dever que lhe assiste de produzir frutos de aperfeiçoamento moral e de desenvolvimento intelectual, vem o aguilhão da dor despertá-lo. É assim que os abúlicos, os comodistas impenitentes, os preguiçosos e os cínicos são chamados a postos e forçados a assumirem atitudes definidas e positivas nas lutas da vida.

A dor física, determinando sensações desagradáveis e penosas, põe cobro aos desmandos da intemperança e a todos os arrastamentos de animalidade a que os homens nos entregamos na satisfação insaciável dos sentidos, Em busca da saúde perdida, vemo-nos na necessidade de submeter-nos às leis de higiene, cujos preceitos são mandamentos divinos. Começa aí a obra de nossa espiritualização.

A dor moral geral sentimentos fazendo aflorar nos corações as mais belas virtudes ao lado das mais puras e santas emoções. É pelo sentimento que o gérmen de tudo que é bom e de tudo que é belo cresce e frutifica. O sentimento é o esplendor da centelha divina que anima e vivifica o Espírito, ou, para melhor dizer, é a essência do próprio Espírito. A dor moral é o sopro que desperta os sentimentos como a aragem ressuscita a brasa amortecida sob espessa camada de cinza.

O homem assemelha-se à cana de açúcar. Através dos grandes sofrimentos é que ele nos revela as belezas ocultas e as suas qualidades mais nobres e excelentes, tal como a cana que só esmagada e triturada entre os impiedosos cilindros da moeda é que nos fornece o seu delicioso suco repassado de incomparável doçura. Daí porque sofrem todos neste mundo: os injustos para que se regenerem, e os justos e os santos para que melhor se justifiquem e se santifiquem.

A dor é uma necessidade em orbes como este onde nos encontramos.
Milton Luz
(Jornal Mundo Espírita de Fevereiro de 1998)
 
Título: Re: Sofrer Para Ser Feliz
Enviado por: Dadinho em 10 de Maio de 2011, 04:11
hiiiiii  Cancela!... 
Cê me desculpa aí...  Não era nada disso.  Eu queria citar o Coronel!
Nem sei pq veio Cancela na cabeça, se o seu nick é hcancela.
Mais uma vez...  mil desculpas.  ;-)

Vamos começar tudo de novo: Onde está escrito Cancela, leia-se Coronel!

Abs
Dadinho
Título: Re: Sofrer Para Ser Feliz
Enviado por: Dadinho em 10 de Maio de 2011, 04:30
Vitor e Hebe,

Eu já cansei desse tema... vou ficar por aqui.
Concordo em parte com o que a maioria de vocês escreveu quanto a ideia de que temos que ter um olhar otimista para a vida, percebendo oportunidades no lugar de sofrimentos. Mas disso eu já sou adepto há muito tempo. Não é à toa que eu critico bastante esse comportamento do MEB de ficar cultuando o sofrimento e o lado negativo da lei de causa e efeito. Tipo, se o carinha cortou o dedo de alguém, na outra encarnação ele terá o dedo cortado, e por aí vai...  Ninguém pensa na hipótese de que o indivíduo pode vir a ser um cirugião plástico que poderá trabalhar gratuítamente para comunidades de baixa renda restabelecendo dedos, mãos, pés etc amputados.

Só que essa visão de otimismo (ou de compreensão, como queiram) está associada ao sofrimento moral. Essa eu sei que só existirá se o indivíduo quiser ou não tiver evolução para se esquivar.

Mas não é do sofrimento moral que eu estou falando. Eu falo do sofrimento material mesmo, isto é, a dor. Em minha visão, essa existirá independente do estágio evolutivo do ser. Basta que ele esteja encarnado para estar apto a sentir o sofrimento que a carne poderá lhe oferecer.

Esse sofrimento é um sofrimento que existe para nos fazer felizes, pois só seremos felizes depois de encarnarmos inumeráveis vezes até a nossa perfeição. Ou seja, não tem "jeitinho"...  tem que passar pela dor, pelas intempéries, pelo cansaço, fadiga, doenças etc. Sem isso não há experiências e, consequentemente, não há crescimento.

Bem...  vou ficando por aqui. Acho que para mim esse tópico já deu tudo o que tinha que dar.

Um forte abraço a todos.
Dadinho

Ola muita paz e harmonia
Bons Amigos Dadinho e Cancela

 
Título: Re: Sofrer Para Ser Feliz
Enviado por: hcancela em 10 de Maio de 2011, 19:10
Olá amigos(as)

Tudo beleza amigo Dadinho, vou finalizar este tópico para mim , citando algo! :-* :-* :-*


Tudo depende da forma como convivemos com os sentimentos, e isso é e será sempre pessoal.

Felicidade é viver internamente em paz e harmonia consigo mesmo. Ponto final. ;) ;) ;)


Saudações fraternas
Título: Sofrer Para Ser Feliz
Enviado por: Sylvia Campos em 10 de Maio de 2011, 23:58
Obrigada dadinho, coronel, anton, victor, Hebe e demais!! :)
Título: Re: Sofrer Para Ser Feliz
Enviado por: Victor Passos em 11 de Maio de 2011, 09:52
Ola muita paz e harmonia
Amigos e Amigas

   Por muito que achemos que os temas já estão anelados à passividade ou cansem a visão dos mais conscios,nunca fica tudo dito e mais eles tem para se dizer, pois aquilo que vemos como verdade hoje , amanhã pode não ser.
   Sendo todos nós personalidades diferentes, de toda a certeza veremos e teremos opiniões diferentes, mas não nos deve levar a achar que porque não concordamos , o tema fecha aqui, isso será rutura de valores de respeito pelos que encontram sempre algo para valorizar o aprendizado.
   Ninguém tem inteligência suprema , pelos menos entre nós, estamos sempre a aprender, pelos menos eu entendo assim.


A dor e seus inestimáveis efeitos


Definida por Léon Denis como lei de equilíbrio e educação, tanto a dor física quanto a dor moral têm por objetivo alçar o ser humano a um novo grau evolutivo.

Pessoas há, como sabemos, que não despertam para as realidades superiores da vida a não ser pela dor, e os exemplos disso são numerosos. Em outros casos, a dor constitui uma espécie de atalho, de chamamento, de estímulo a uma mudança, como diz nossa irmã Ana Maria Brito Leal Previato, a entrevistada da semana nesta mesma revista.

Levada ao Espiritismo em decorrência de uma pausa para tratamento de saúde, Ana Maria declarou ao seu entrevistador: “Posso dizer, sem medo de errar, que procurei a Doutrina Espírita levada pela dor, bendita dor que iluminou o meu caminho”.

Além da dor, o fenômeno espírita tem sido também fator importante na conversão das pessoas. Muitos médiuns e estudiosos conhecidos do Espiritismo nele ingressaram por força de um ou de outra. O exemplo de Benedita Fernandes é, nesse sentido, extraordinário, como o são igualmente os casos de conversão de Jésus Gonçalves, Cairbar Schutel e tantos outros.

Em nossa região, três deles merecem registro. Mencioná-los-emos aqui, ocultando propositadamente os nomes das pessoas envolvidas.

Determinada mulher, ao assistir na igreja ao casamento de uma amiga, sentiu-se desfalecer justamente na hora em que os noivos se beijaram. No dia seguinte, ela já estava internada num dos hospitais psiquiátricos da cidade. O processo obsessivo ganhou vulto, o tratamento afigurava-se à família muito difícil, até que amigos a conduziram a uma Casa Espírita, onde a mulher se equilibrou e o processo chegou ao fim, ganhando o movimento espírita da cidade uma nova médium e trabalhadora incansável que muito fez e tem feito pela causa do Evangelho no local em que vive.

Professor e escritor ilustre, dotado de recursos intelectuais invejáveis, tinha, no entanto, dificuldade de aceitar Deus como ensinado pelas religiões tradicionais e vivia, em face disso, apartado de qualquer religião e das preocupações atinentes aos trabalhadores da seara cristã. Certa tarde, após o almoço, o sogro – que havia falecido anos atrás – lhe aparece. O fenômeno repete-se nos dias seguintes e com tal nitidez, que morreu ali o materialista para dar lugar a um novo espiritista, que inscreve nos livros que publica as noções espíritas acerca do Criador e suas leis.

Pais católicos de dois filhos moços, o casal sucumbiu à perda do caçula de 15 anos, encontrado morto em condições misteriosas que indicavam, pelo menos na aparência, a ideia do suicídio. Levados a um psiquiatra, este os encaminhou a uma Casa Espírita, advindo da frequência às reuniões e dos estudos espíritas um equilíbrio diferente, uma paz desconhecida e, por incrível que possa parecer, a eclosão da faculdade mediúnica na mãe do jovem desaparecido. Graças a essa faculdade, ela passou a sentir a presença do filho, tornando-se em seguida instrumento dele, como médium psicógrafa que é, para auxílio a tantas pessoas que passaram, em período recente, por prova semelhante.

Quando o Iraque se viu livre do ditador que o dominava até ser deposto, os médiuns apareceram e puseram, como se diz popularmente, “suas mangas de fora”. Conforme o relato da grande imprensa, alguns se especializaram na arte de descobrir o paradeiro de pessoas desaparecidas, enquanto outros passaram a se dedicar às curas. E isso num país muçulmano, livre portanto das influências cristãs, comprovando que nada se pode fazer contra os fatos, porque os fenômenos fazem parte das leis de Deus, não são fruto do ensinamento e não pertencem a essa ou àquela religião.

Muita paz e hyarmonia

Victor Passos
Título: Re: Sofrer Para Ser Feliz
Enviado por: Hebe M C em 11 de Maio de 2011, 11:39
Talvez se possa entender um pouquinho mais sobre o sofrimento, estudando os mecanismo da mente humana.
Trago aqui um texto de Joanna de Ângelis muito interessante para reflexão.

"Livro: Amor Imbatível Amor: Capítulo 29-IMAGEM E PROJEÇÃO    
Amor Imbatível Amor - Joanna de Angelis
Escrito por Joana de Ângelis   


O ego, na sua ambição possessiva, esconde o ser quanto pode. Mascara a realidade como mecanismo teimoso de sobrevivência, desenvolvendo projeções para o exterior, mesmo que em situação conflitiva.
Ambicionando o que não conseguiu nem se esfor­ça para conquistar, assume comportamento ambivalen­te: aquilo que demonstra e a frustração da não realida­de.
Desestruturado da personalidade que não se orga­nizou com segurança, o ego elabora imagens que assu­mem aspecto de legitimidade, dando lugar ao surgi­mento de personificações parasitárias, prejudiciais.
Insculpidas no inconsciente por impulsos de fuga de situações afugentes, as mesmas assomam e se insta­lam, bloqueando a consciência e adquirindo domínio sobre a razão.
São muito delicados os alicerces da personalida­de, que se vão organizando através do tempo, desde o período perinatal, cuja influência forte estabelece, por automatismos, programas que se manifestarão na infância, adolescência e idade adulta, exigindo atenção.
Quando se trata de um ser equilibrado, cujo de­senvolvimento se dá com naturalidade, sem complexi­dades patológicas, todo o futuro psicológico faz-se har­mônico, saudável, e os enfrentamentos mais consoli­dam as estruturas que os constituem. Quando porém, são vítimas dos conflitos ambientais, dos distúrbios fa­miliares, com destaque para os pais, especialmente para a mãe, mesmo sem que tenham responsabilidade cons­ciente, os efeitos são desastrosos.
A insegurança, os temores, os complexos de inferi­oridade, as compulsões mascaram o ser, e este, a fim de sobreviver no grupo social que se lhe apresenta como hostil, passa a atuar de forma semelhante, isto é, em consonância com o que se lhe impõe, tornando-se pes­soa espelho, mas tormentosa para si mesmo.
Para a integração da imagem no ser, das facetas e personalidades que assume, nos mecanismos de defe­sa e de fuga da realidade, torna-se indispensável uma terapia psicológica cuidadosa e a convivência com um grupo de ajuda saudável.
Assim mesmo, deve-se considerar que o ser é a soma de muitas reencarnações, nas quais esteve na con­dição de personalidades transitórias, cujos conteúdos foram-lhe incorporados, formando-lhe a individualida­de. E natural, portanto, que essas experiências e vivên­cias mais marcantes arquivadas no inconsciente pro­fundo emerjam, vez que outra, confundindo a consci­ência atual e, às vezes, escapando-lhe ao controle em forma de imagens projetadas, de personificações que exteriorizam com prevalêncía do ego.
Adicione-se a esse transtorno psicológico a incidên­cia de psiquismos diversos, ínteragindo por processos hipnóticos, conscientes ou não, sobre a pessoa porta­dora de uma estrutura psicológica frágil, e o conflito se torna mais expressivo.
Neste capítulo, surgem as obsessões espirituais, particularmente produzidas pelos Espíritos desencar­nados, que interferem na conduta humana, graças à emissão de ondas-pensamento perniciosas, carregadas de altos teores vibratórios de ódio, ciúme, despeito, vin­gança, e se verão as mudanças bruscas na conduta mo­ral, mental e comportamental, dando curso a psicopa­tologias variadas e graves.
Esta incidência, que é muito comum, particular­mente em razão dos mecanismos de afinidade entre os seres, constitui enfermidade desafiadora, por significar
a força opressiva e constritora de um campo psíquico sobre outro que passa a dominar.
A imagem captada, que se instala sobre a persona­lidade, aturde-a, e trava-se uma luta perturbadora en­tre o agredido e o agressor, que conduz carga vibrató­ria constituída de energia deletéria, resultado do culti­vo de sentimentos destrutivos.
Seja, porém, qual for a psicogênese do distúrbio em que se transformam as imagens projetadas pelo in­divíduo, faz-se urgente a psicoterapia, a fim de auxiliá­lo no auto-encontro, na conquista da sua identidade, que são os caminhos eficientes para a auto-realização.
O ser real tem que vencer as camadas sucessivas de sombras que o ocultam, desarticulando as engrena­gens passadas das imagens que projeta em estados mórbidos, enfrentando o meio onde vive após auto-enfrentar-se.
A identificação de metas saudáveis, aquelas que enobrecem, constitui o passo que deve ser dado para conquistá-las, diluindo, em cada etapa, as projeções ja­centes no inconsciente ou captadas psiquicamente, ori­ginadas de outros campos psíquicos.
Assumir-se, pois, os valores que a cada um tipifica, é conquista do ser sobre o ego, liberando-se de conflitos.

Joana de Ângelis - Psicografado por Divaldo franco"

Grifo meu
 A causa do sofrimento é o apego tanto para encarnados quanto para desencarnados.
Um abço
Hebe
Título: Re: Sofrer Para Ser Feliz
Enviado por: Dadinho em 11 de Maio de 2011, 14:10
Ola muita paz e harmonia
Amigos e Amigas

   Por muito que achemos que os temas já estão anelados à passividade ou cansem a visão dos mais conscios,nunca fica tudo dito e mais eles tem para se dizer, pois aquilo que vemos como verdade hoje , amanhã pode não ser.
   Sendo todos nós personalidades diferentes, de toda a certeza veremos e teremos opiniões diferentes, mas não nos deve levar a achar que porque não concordamos , o tema fecha aqui, isso será rutura de valores de respeito pelos que encontram sempre algo para valorizar o aprendizado.
   Ninguém tem inteligência suprema , pelos menos entre nós, estamos sempre a aprender, pelos menos eu entendo assim.


Prezado Victor,

Como eu disse: "Acho que para mim esse tópico já deu tudo o que tinha que dar."
Isso não quer dizer contudo que o mesmo deva ser encerrado e, muito menos, que em algum momento alguém tenha faltado com respeito com os demais colegas. Ao contrário disso, rogo a compreensão e respeito de vocês para me permitir não ficar tratando sobre "mais do mesmo", se para mim não há evidências de que o assunto possa continuar evoluindo de alguma forma e, por isso, eu possa estar colaborando.

Sendo assim, termino minha participação aqui desejando a vocês bons estudos e reproduzindo um trecho da mensagem do espírito Lázaro, recebida na SPEE e publicada na RE de fevereiro de 1862, intitulada "Esquecimento das Injúrias":

"No Jardim das Oliveiras Jesus conheceu a dor humana, mas
sempre ignorou as amarguras do orgulho e a pequenez da vaidade;
foi encarnado para mostrar aos homens o protótipo da beleza
moral que lhes devia servir de modelo: não vos afasteis jamais".
(grifos nossos)

Muita paz!
Dadinho


Nota: Já desabilitei a notificação desse tópico através do botão "remover notificação", mas continuo recebendo-as. Alguém sabe como faço para parar de receber?
Título: Re: Sofrer Para Ser Feliz
Enviado por: Hebe M C em 12 de Maio de 2011, 19:30
Hubert Rohden
O Sermão da Montanha,páginas 45 a 49.(2003)-Editora Martin Claret

"Bem-aventurados os tristes"
Antes de tudo, convém distinguir duas espécies de tristeza e alegria, uma tristeza central, permanente, por vezes circundada de alegrias periféricas, intermitentes-e uma alegria  central, permanente, que, por vezes, se acha envolta em tristeza periférica, intermitente.

Pode alguém ser infeliz* e estar alegre-como também poder ser alegre(feliz)** e estar triste. O que é decisivo é a atitude interna, permanente, positiva ou negativa. E essa atitude radica, em última análise, num profundo substrato metafísico, a VERDADE, ou então o seu contrário. Quem tem a consciência reta e sincera de estar na Verdade é profundamente alegre, calmo, feliz, embora externamente lhe aconteçam coisas que o entristeçam -e quem no íntimo das sua consciência, sabe que não está na Verdade é profundamente infeliz*, ainda que externamente se destraia com toda a espécie de alegrias.

Quanto mais triste o homem é internamente, pela ausência de harmonia espiritual, tanto mais necessita ele, de alegrias externas, geralmente ruidosas e violentas. Esse homem não tolera a solidão, que lhe traz consciência mais nítida da sua vacuidade ou desarmonia interior; por isso, evita quanto possível estar a sós consigo...

Quem teme a concentração necessita de toda espécie de distrações para poder suportar a si mesmo. E, como essas distrações e prazeres, pouco a pouco, calejam a sensibilidade, necessita esse homem de intensificar progressivamente os seus estimulantes artificiais para que ainda produzam efeito sobre seus nervos cada vez mais embotados.

Mas, quando o homem acerta em descobrir a bela tristeza da vida com Deus, renuncia espontaneamente a essas horrorosas alegrias da vida sem Deus, ou então satura de espiritualidade todas as suas materialidades, transformando em oásis de vida abundante o seu velho deserto morto.

Aos olhos dos profanos, leva o homem espiritual uma vida tristonha e descolorida... E talvez não seja possível dar ao profano uma idéia de profunda alegria e felicidade  que o homem espiritual goza, porque esta jaz em uma outra dimensão, totalmente ignorada pelo profano.

O homem habituado a certo grau de espiritualidade tem uma imensa vantagem sobre o homem não-espiritual; não necessita de estímulos violentos para sentir alegria, porque a sua alegria não vem de fora e sim de dentro. E as fontes da sua alegria brotam por toda a parte; nem é necessário que saia de casa para encontrar motivos de alegria, porque sua alegria é de qualidade, que não está sujeita às categorias do tempo e espaço. como as alegria ruidosas e grosseiras dos profanos. Um único grau de alegria-qualidade dá maior felicidade do que sem graus de alegria-quantidade...

O homem espiritual da bela tristeza é proclamado "bem aventurado", e tem a certeza de ser consolado. Um dia , a sua bela tristeza de hoje se converterá numa jubilosa alegria de amanhã. E isso pode acontecer mesmo antes de ele morrer fisicamente.Quando plenamente realizado no Cristo, pode dizer como este, em véspera de sua morte: "Dou-vos a paz, deixo-vos a minha paz para que a minha alegria esteja em vós e seja perfeita a vossa alegria". Pode dizer também como um dos mais cristificados que a humanidade conhece: "Transbordo de júbilo em todas as minhas tribulações."...

"Bem-aventurado os que estão tristes- porque eles serão consolados."

*Palavra original do texto é "triste",mas a troquei por "infeliz" para não ficar confuso para o leitor. Como pode alguém ser triste e estar alegre? Então utilizei me do "infeliz",que é um estado mais permanente que o "triste".

*Coloquei a palavra "feliz" entre parênteses, para facilitar a compreensão do leitor,o mesmo motivo da questão acima.


Título: Sofrer Para Ser Feliz
Enviado por: Sylvia Campos em 13 de Maio de 2011, 17:15
Linda mensagem amiga Hebe!

Obrigada por compartilhar!!
Muita paz!