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GERAL => Mensagens de Ânimo => Meditação => Tópico iniciado por: Marianna em 09 de Setembro de 2009, 00:01

Título: MEDITAÇÃO
Enviado por: Marianna em 09 de Setembro de 2009, 00:01



MEDITAÇÃO.

Sabe-se que a meta do ser humano é a autorealização, ou a “iluminação” como dizem os iogues orientais. Estamos na Terra com a finalidade de evoluirmos espiritualmente, muito já foi falado a respeito, Jesus, nosso exemplo maior, nos deixou ensinamentos preciosos para atingirmos os mais altos graus evolutivos, dos quais citamos: a prática da caridade, o orai e vigiai, o perdoar para ser perdoado e a frase “Busca a verdade e a verdade te libertará.”

Em sua obra psicológica, Joanna de Angelis comenta sobre a busca da “verdade”, ou seja, o conhecimento de si. Pode parecer estranho, mas a realidade é que nós não nos conhecemos, devido ao fato de que durante as sucessivas reencarnações desenvolvemos uma infinidade de “eus”, agregados psicológicos, que atrapalham nossa evolução. Eliminá-los é nossa tarefa, e necessitamos da interiorização para conquistarmos a autorealização.

No livro “O Ser Consciente”, Joanna, por intermédio da psicografia de Divaldo Franco, informa que os habitantes da Terra não conseguem encontrar o caminho da paz e vivem num ciclo vicioso de guerras devastadoras devido aos “...Apegos morais, emocionais, culturais, pessoais, a objetos, a raças, a grupos sociais...”. Afirma, ainda, que: “A única maneira de lográ-los, é viajar para dentro de si, domando a mente irrequieta – que os orientais chamam o “macaco louco que salta de galho em galho” – e induzi-la à reflexão, ao autodescobrimento”.

Na obra “Vida, desafios e soluções”, Joanna é de parecer “que a meditação [...] oferece os melhores recursos para a incursão profunda”, no ser. Comentando sobre a raiva, agregado psicológico que é movido pelo instinto, em “Autodescobrimento” Joanna ensina que “A meditação deve ser buscada também, para auxiliar na análise das origens do acontecimento...”. Diante das observações acima, questionemos: O que é meditação? Como meditar?

Dentre os vários conceitos encontrados sobre meditação, concordamos com Clovis (1982), que “...meditação são todos os momentos da vida vividos em plena consciência”. O que não é fácil de conseguir, visto que, dificilmente estamos com a atenção voltada para o presente, para o que estamos realizando neste exato momento. Dizem os estudiosos da mente que podemos meditar na ação, quando estiver comendo, coma; quando estiver lendo, leia; quando estiver lavando a louça, lave a louça.

Parece um paradoxo, como pode ser isto? Acontece que na maioria das vezes, quando estamos comendo, nossa mente está em outro local, ou no passado ou em alguma perspectiva de futuro, o que fiz ou o que terei de fazer, e quase nunca estamos presentes no exato momento da refeição.

Quando lavamos uma louça, também damos asas à imaginação ou nos focamos nas lembranças do passado. Por isso meditar é estar presente, com a consciência desperta no que se está fazendo. Meditar é deixar a mente livre, é a não ação da mente, se os pensamentos surgirem, deixe-os, eles vem e vão, podemos usar a metáfora de um observador, apenas observe seus pensamentos sem interferir.

Osho (2002), ensina que “Quando você não estiver fazendo absolutamente nada, seja física ou mentalmente ou em qualquer outro nível, quando toda a atividade houver cessado e você estiver apenas sendo, isto é meditação”. Aconselha a pararmos em determinados momentos do dia para sermos, entrarmos em contado com o nosso interior e desfrutarmos do momento de relaxamento e bem estar que, com certeza, acontecerá.

Outro exercício prático voltado ao autoconhecimento é o seguinte: Sente-se com as costas retas, respire fundo, feche os olhos e relaxe. Agora, pergunte mentalmente – Quem sou eu? Deixe as respostas surgirem naturalmente, sem reprimi-las ou censurá-las, apenas observe e continue com a indagação – Que sou eu? Sou estes pensamentos? Sou o corpo físico? Quem sou eu? Sou as sensações? Quem sou eu? Quem sou eu? Não é necessário responder às perguntas, apenas observe as respostas e reflita sobre elas.

Aprenda a silenciar a mente tagarela, a meditação é muito simples e por seu intermédio poderemos encontrar a “verdade” sobre nós, a meditação o tornará mais consciente, mais desperto, proporcionará uma melhor qualidade de vida, alie-a a prática da caridade e com uma certa dose de disciplina poderá atingir a autorealização.

ANGELIS, Joanna de (Espírito).
Autodescobrimento
 uma busca interior. 13ª ed.
Psicografado por Divaldo P. Franco

Por Joilson Mendes



Título: Re: MEDITAÇÃO
Enviado por: Victor Passos em 09 de Setembro de 2009, 09:35
Ola muita paz e harmonia
Amiga  Marianna

Uma só Luz


          Ninguém nega que provações amargam, que lutas complicam, que desentendimento dificultam, que ofensas ferem.

          Ninguém nega isto.

          Entretanto, é imperioso considerar tudo isso na condição real com que se apresenta na escola da vida, isto é, por material didático imprescindível na elucidação e no aperfeiçoamento da alma.

          Rememora, a título de estudo, os últimos dez anos de existência, sobre os quais te eriges fisicamente agora.

          Examina a transitoriedade de todas as ocorrências que te entretecem a paisagem exterior.


Livro: Mãos Unidas
Emmanuel & Francisco Cândido Xavier
Muita Paz
Título: Re: MEDITAÇÃO
Enviado por: Marianna em 14 de Setembro de 2009, 05:08


Curso "Aprenda a meditar": Novas turmas / intensivos e semi intensivos em finais de semana.
 
Este é um curso de oito horas que o capacita em quatro técnicas de meditação, baseadas na yoga e cabala, com aprendizado de mantras em sânscrito e hebraico e técnicas de respiração. O curso acontece apenas em São Paulo, capital.

Leia a matéria "Os benefícios da meditação" e "Momentos de interiorização" em Energia e em Meditação. Informações pelo e-mail eunice.ferrari@terra.com.br


Título: Re: MEDITAÇÃO
Enviado por: Marianna em 20 de Setembro de 2009, 20:09


Do livro MOMENTOS DE MEDITAÇÃO ditado pelo espírito JOANNA DE ÂNGELIS ao médium DIVALDO PEREIRA FRANCO, retrata preciosas informações sobre o ato de meditar.     

Por que meditar,
para que meditar,
quando meditar.

MEDITAÇÃO significa ato ou efeito de refletir.
Oração Mental.


Joanna de Angelis enfoca a necessidade de reservarmos um tempo para a meditação. Meditar é uma necessidade imperiosa que se impõe antes de qualquer atividade, com essa atitude acalma-se a emoção. Através dela, estaremos colocando o equilíbrio em nossa mente, harmonizando os sentimentos para enfrentarmos as tarefas diárias.

Estaremos, dessa forma, recarregando nossas energias nas FORÇAS DIVINAS.

Treinar a meditação é necessária para que nos acostumemos a realizá-la. Num momento calmo. Somos aquilo que pensamos.

Tudo que projetamos em nossa inconsciente é arquivado e retorna de alguma forma proporcionando-nos bem ou mal-estar, alegria ou tristezas, saúde ou doença.

A meditação é eficaz para que possamos ter um equílibrio.

A. D.

Título: Re: MEDITAÇÃO
Enviado por: Victor Passos em 22 de Setembro de 2009, 10:49
Ola Amiga Mariana
Muita paz

Harpa Silenciosa


Livro: Conviver e Melhorar - 05
Lourdes Catherine & Francisco do Espírito Santo Neto

          Fatores limitantes: Estou iniciando o desenvolvimento da mediunidade. Sou médium consciente e por isso estou inseguro quanto à veracidade do fenômeno espiritual que ocorre comigo. Estou perdido em meu mundo interno e (por que não dizer?) um tanto confuso. Tenho idéias geniais, mas, em determinados momentos, irreais e excêntricas. Não sei distinguir o que é meu do que é dos espíritos! O que eles dizem está certo ou errado? Devo seguir suas orientações em todos os momentos?

          Expandindo nossos horizontes:

          Os Espíritos Superiores não ditam normas de conduta a ninguém. Eles têm um enorme respeito pelo livre-arbítrio de cada um. Sabem que, na atual etapa evolutiva da humanidade, a compreensão da verdade é muito relativa.

          O que hoje se entende de uma maneira amanhã sofrerá mudança e aperfeiçoamento e se compreenderá de outra forma. Em face do avanço das ciências e das idéias, tudo se retifica continuamente.

          ... por isso que os Espíritos verdadeiramente superiores nos recomendam, sem cessar, submeter todas as comunicações ao controle da razão e da mais severa lógica.

          Sensibilidade mediúnica é uma “harpa silenciosa” criada pelo sopro divino para sonorizar as melodias da criatividade e da evolução espiritual.

          Mediunidade é uma faculdade natural do ser humano e ocorre em determinado momento de sua evolução. É um fenômeno irreversível, quer dizer, não se pode evitá-lo, pois faz parte do desenvolvimento inato das criaturas.

          O sentido da palavra desenvolver é desenrolar, abrir ou libertar algo que estava envolvido. Os botões de gerânio se formam inclinando-se para fora dos vasos ou descendo pelos muros de pedra, desabrochando suas pétalas pouco a pouco em forma de flor. As madressilvas, com seu perfume doce e suave, medram nos campos, transformando tudo em sua volta, num encantamento inebriante.

          Podemos dizer que uma semente completou seu ciclo evolutivo quando se tornou um vegetal adulto. Nela havia em gérmen um potencial a se manifestar.

          Em vista disso, concluímos que o princípio do perfume ou das pétalas está no âmago de suas flores, assim como as faculdades psíquicas existem no homem em estado latente.

          Temos o hábito de falar em desenvolvimento de um programa, porque ele também, no estágio inicial, começou de uma idéia, ou seja, de seu embrião intelectual.

          Com a visão ampliada a respeito do significado lingüístico dessa palavra, percebemos que nenhum desenvolvimento pode ocorrer de fora para dentro. Ele sempre tem início a partir de uma potencialidade já existente em estado natural.

          Portanto, a mediunidade é apenas um canal inerente às criaturas, capaz de registrar mensagens das dimensões invisíveis da Vida.

          Não se preocupe com sua consciência durante as comunicações. O médium é um filtro imprescindível ao pensamento do espírito comunicante e seus sentidos não podem ser completamente desprezados. As funções mentais, intelectuais, emocionais e espirituais do medianeiro somam-se às do espírito no ato mediúnico, produzindo a mensagem falada ou escrita.

          Para que possamos identificar aquilo que é genuinamente nosso sentimento, idéia, pensamento e emoção, é preciso antes conhecer e compreender bem nosso mundo interior.

          É óbvio que as leituras clássicas e as complementares da Doutrina Espírita vão auxiliar muito o desenvolvimento de sua mediunidade. Mas, antes de pedir opiniões aqui e acolá, procure analisar os fenômenos com seus critérios e valores mais íntimos.

          A maneira mais segura de você não ser ludibriado pelos espíritos desencarnados e também (por que não dizer?) pelos encarnados, é não usar o senso comum, mas seu senso interior. Evidente que você o possui, e quanto mais você usá-lo, mais ele se tornará claro e eficiente, mantendo sua consciência desperta e evidenciando sua sabedoria interior.

          Somos uma unidade físico-psíquico-espiritual e precisamos dar a cada coisa sua devida importância. Identificando de modo gradual nossos estados interiores, não seremos levados a confundi-los com os dos outros.

          Identificar quer dizer registrar algo - um fato, um encontro, uma sensação, um lugar - que pode ou não pertencer à nossa identidade.

          Para aprendermos o que é nosso, é necessário olhar para dentro de nós mesmos, com toda a clareza que pudermos, além do corpo somático, abstraindo-nos das idéias preconcebidas, dos sentidos externos e dos papéis que representamos na vida.

          Permanecendo nesse exercício de constante auto-identificação, veremos, pouco a pouco, o que estamos sentindo e absorvendo: as energias alheias, ou as nossas próprias sensações energéticas.

          A identificação/desidentificação vai modificar nossa postura interior diante das pessoas e das situações exteriores, ou seja, iremos distinguir aquilo que pensamos ser ou pensamos sentir daquilo que realmente somos e sentimos.

          A abertura da sensibilidade pode proporcionar-nos momentos de muito júbilo.

          Nossa ligação com os planos superiores da Vida se reverte num extraordinário repositório de lucidez e serenidade para o nosso coração.

          O ser humano torna-se original apenas quando percebe o toque da inspiração divina em si mesmo.

          Mediunidade são pupilas invisíveis para vermos e admirarmos os espetáculos ocultos do Universo. É ver sem valer-se dos olhos, é saber antes de tomar conhecimento dos fatos.

 Victor Passos
Título: Re: MEDITAÇÃO
Enviado por: dim-dim em 02 de Outubro de 2009, 12:50

http://www.youtube.com/watch?v=0Wv3Ya9nskA&feature=PlayList&p=9711FA476777015A&index=4&playnext=5&playnext_from=PL (http://www.forumespirita.net/fe/go.php?url=aHR0cDovL3d3dy55b3V0dWJlLmNvbS93YXRjaD92PTBXdjNZYTluc2tBJmFtcDtmZWF0dXJlPVBsYXlMaXN0JmFtcDtwPTk3MTFGQTQ3Njc3NzAxNUEmYW1wO2luZGV4PTQmYW1wO3BsYXluZXh0PTUmYW1wO3BsYXluZXh0X2Zyb209UEw=)
***

Fernando Pessoa

Não digas nada!
Nem mesmo a verdade
Há tanta suavidade em nada se dizer
E tudo se entender_
Tudo metade
De sentir e de ver...
Não digas nada
Deixa esquecer.

Talvez que amanhã
Em outra paisagem
Digas que foi vã
Toda essa viagem
Até onde quis
Ser quem me agrada...
Mas ali fui feliz
Não digas nada.


LUZ
Título: Re: MEDITAÇÃO
Enviado por: Victor Passos em 03 de Outubro de 2009, 11:14
Ola muita paz Dim- Dim

Conselhos

Livro: Vida Feliz
Joanna de Ângelis & Divaldo P. Franco


          Os conselhos somente terão valor se estiveres disposto a segui-los.

          Quando estejas com dificuldade em qualquer assunto, recorre a uma pessoa mais experiente, mais bem equipada, pedindo-lhe ajuda e orientação.

          Todavia, não leves a tua própria opinião, tentando prová-la verdadeira.

          Ouve com cuidado, reflexiona e, depois, toma a decisão que te pareça mais acertada.

          Por outro lado, não faças ouvidos moucos às orientações e conselhos que te dêem ou que busques.

          "Examina tudo e retém o que é bom", ensina o Apóstolo, em nome do Bem.



      Muita Paz
Título: Re: MEDITAÇÃO
Enviado por: Marianna em 06 de Outubro de 2009, 05:54



Dicas para a meditação: nossa mente e o suco de maçã

Sol e Folhas Verdes

Hoje três crianças, duas meninas e um menino, vieram da aldeia para jogar com Thanh Thuy. Os quatro foram para a ladeira atrás de nossa casa, brincaram uma hora e voltaram para pedir algo para beber. Eu peguei a última garrafa de suco de maçã caseiro e dei a cada um copo cheio, servindo Thuy por último. Considerando que o suco dela era do fundo da garrafa, tinha alguma polpa. Quando ela notou as partículas, fez beicinho e recusou a beber. Assim as quatro crianças voltaram para as brincadeiras na ladeira, e Thuy não bebeu nada.

Meia hora depois, enquanto eu estava meditando em meu quarto, eu a ouvi chamando. Thuy quis um copo de água fria, mas mesmo na ponta dos pés ela não podia alcançar a torneira. Eu a lembrei do copo de suco na mesa e lhe pedi que bebesse aquele primeiro. Virando o olhar, ela viu que a polpa tinha assentado e o suco parecia claro e delicioso. Ela foi para a mesa e pegou o copo com ambas as mãos.

Depois de beber a metade, ela colocou o copo sobre a mesa e perguntou, “Este é um copo diferente, Tio Monge?” (um termo comum que as crianças vietnamitas usam ao se dirigir a um monge mais velho.) “Não”, eu respondi. “É o mesmo que antes”. Ele sentou quietamente um pouquinho, “e agora está claro e delicioso.” Thuy olhou novamente para o copo. “Realmente é bom. Ele estava meditando como você, Tio Monge? ” Eu ri e bati levemente na cabeça dela. “Digamos que eu imito o suco de maçã quando eu sento; isso é mais próximo da verdade.”

Todas as noites na hora de dormir de Thuy, eu medito. Eu a deixo dormir no mesmo quarto, próximo de onde estou sentando. Nós concordamos que enquanto eu estiver sentando, ela irá para cama sem falar. Naquela atmosfera calma, o sono vem facilmente para ela dentro de 5 ou 10 minutos. Quando eu termino de sentar, eu a cubro com uma manta.

Thanh Thuy é filha das “pessoas de barco.” Ela não tem ainda 4 anos e meio. Cruzou os mares com o seu pai e chegou da Malásia em abril do ano passado. A mãe dela ficou no Vietnã. Quando o pai chegou aqui na França, deixou Thuy conosco durante vários meses enquanto foi para Paris procurar um trabalho. Eu lhe ensinei o alfabeto vietnamita e algumas baladas populares de nosso país. Ela é muito inteligente, e depois de duas semanas já soletra e lê lentamente “O Reino dos Bobos”, de Leo Tolstoy que eu traduzi do francês para o vietnamita.

Toda noite Thanh Thuy me vê sentar. Eu lhe falei que eu estou “sentando em meditação” sem explicar o que significa ou por que faço isto. Todas as noites quando ela me vê lavar minha face, vestir meus roupões, e acender um incenso para fazer o quarto ter uma boa fragrância, ela sabe que logo eu começarei a “meditar.” Ela também sabe que está na hora dela escovar os dentes, mudar os pijamas, e ir quietamente para cama. Eu nunca tive que a lembrar.

Sem dúvida, Thuy pensou que o suco de maçã estava sentando por um tempo para se clarear como o seu Tio Monge. “Ele estava meditando como você?” Eu penso que Thanh Thuy, apesar de não ter 4 anos e meio, entende o significado de meditação sem qualquer explicação. O suco de maçã ficou claro depois de descansar por algum tempo. Da mesma maneira, se nós descansarmos por algum tempo em meditação, também ficaremos claros. Esta claridade nos refresca e nos dá força e serenidade. Como nós nos sentimos refrescados, nossos ambientes também serão refrescados. Crianças gostam de estar perto de nós, não apenas para ganharem doces e ouvir histórias. Elas gostam de estar perto de nós porque podem sentir este “frescor.”

Hoje à noite um convidado veio. Eu enchi um copo do último do suco de maçã e pus na mesa no meio da sala de meditação. Thuy já tinha adormecido, e eu convidei meu amigo a sentar muito quietamente, como o suco de maçã.

Nós sentamos durante aproximadamente 40 minutos. Eu noto meu amigo sorrindo quando ele olha para o suco. Ficou muito claro. “E você, meu amigo, ficou? Até mesmo se você não se estabilizou tão completamente quanto o suco de maçã, você não sente um pouco menos agitado, menos irrequieto, menos perturbado? O sorriso em seus lábios ainda não enfraqueceu, mas eu penso que você duvida que se possa ficar tão claro quanto o suco de maçã, mesmo se nós continuarmos sentando por horas.

“O copo do suco tem uma base muito estável. Mas seu sentar não é tão firme. Esses pedaços minúsculos de polpa só têm que seguir as leis de natureza para cair suavemente para o fundo do copo. Mas seus pensamentos não obedecem nenhuma lei. Pelo contrário, eles zumbem febrilmente, como um enxame de abelhas, e assim você pensa que não pode se estabilizar como o suco de maçã.

“Você me fala que as pessoas, seres vivos com capacidade de pensar e sentir, não podem ser comparados com um copo de suco”. Eu concordo, mas eu também sei que nós podemos fazer o que o suco de maçã fez, e mais. Nós podemos estar em paz, não só enquanto sentamos, mas também enquanto caminhamos e trabalhamos.

“Talvez você não acredite em mim, porque 40 minutos se passaram e você tentou tão duramente, mas não pôde alcançar a paz que desejou. Thuy está dormindo pacificamente, a respiração dela está clara. Por que nós não acendemos outra vela antes de continuar nossa conversa? ”

“A pequena Thuy dorme sem esforço. Você sabe essas noites quando sono foge, e quanto mais você tenta dormir menos pode. Você está tentando se forçar a estar calmo, e sente a resistência dentro de você. Este mesmo tipo de resistência é sentida por muitas pessoas durante a sua primeira experiência com meditação. Quanto mais eles tentam se acalmar, mais inquietos se tornam.

Os vietnamita acham que isto é porque elas são vítimas de demônios ou karmas ruins, mas na realidade esta resistência nasce de nossos próprios esforços para ficar calmos. O próprio esforço se torna opressivo. Nossos pensamentos e sentimentos fluem como um rio. Se nós tentarmos parar o fluxo de um rio, conheceremos a resistência da água. É melhor fluir com ele, e então poderemos guiá-lo do modo que queremos. Nós não devemos tentar pará-lo.

Título: Re: MEDITAÇÃO
Enviado por: Marianna em 06 de Outubro de 2009, 05:55


“Lembre-se que o rio tem que fluir e que nós vamos segui-lo. Nós devemos estar atentos a todo pequeno regato que se une a ele. Nós devemos estar atentos a todos os pensamentos, sentimentos, e sensações que surgem dentro nós, ao seu nascimento, duração, e desaparecimento.

Você vê?
Agora a resistência começa a desaparecer.

O rio de percepções ainda está fluindo, mas não mais na escuridão. Está fluindo agora na luz da consciência. Manter este sol sempre brilhando dentro de nós, iluminando cada regato, cada seixo, cada curva no rio, é a prática de meditação. Praticar meditação é, em primeiro lugar, observar e seguir estes detalhes”

“No momento da consciência sentimos que estamos no controle, embora o rio ainda esteja lá fluindo. Nós nos sentimos em paz, mas isto não é a ‘paz’ do suco de maçã. Estar em paz não significa que nossos pensamentos e sentimentos estão congelados. Estar em paz não é igual a estar anestesiado. Uma mente calma não quer dizer uma mente vazia de pensamentos, sensações e emoções.

Uma mente calma não é uma mente ausente. Está claro que pensamentos e sentimentos sozinhos não constituem a totalidade de nosso ser. Fúria, ódio, vergonha, fé, dúvida, impaciência, desgosto, desejo, tristeza e angústia também são a mente. Esperança, inibição, intuição, instinto, as mentes subconscientes e inconscientes fazem igualmente parte do eu. (…)”

Meditadores iniciantes normalmente pensam que têm que suprimir todos os pensamentos e sentimentos (freqüentemente chamada de “falsa mente”) para criar condições favoráveis para concentração e entendimento (chamada “verdadeira mente”). Eles usam métodos como focalizar a sua atenção em um objeto ou contar as respirações para tentar impedir pensamentos e sentimentos. Concentrar em um objeto e contar a respiração são métodos excelentes, mas eles não deveriam ser usados para supressão ou repressão. Nós sabemos que assim que houver repressão, haverá rebelião.

Repressão requer rebelião. Verdadeira mente e falsa mente são um. Negar uma é negar a outra. Suprimir uma é suprimir a outra. Nossa mente é nosso eu. Nós não podemos suprimi-la. Nós temos que tratá-la com respeito, com bondade e absolutamente sem violência. Considerando que nós nem mesmo sabemos o que é nosso “eu” é, como nós podemos saber se é verdadeira ou falsa, e se ou o que suprimir? A única coisa que podemos fazer é deixar a luz da consciência brilhar em nosso “eu” e iluminá-lo, assim podemos olhar diretamente para ele.

Da mesma maneira que flores e folhas são só partes de uma planta, e da mesma maneira que ondas são só parte do oceano, percepções, sentimentos e pensamentos são só parte do eu. Flores e folhas são uma manifestação natural de plantas, e ondas são uma expressão natural de oceanos. É inútil para tentar reprimi-los ou abafá-los. É impossível. Nós só podemos observá-los. Como eles existem, podemos achar a sua origem que é igual à nossa própria. O sol de consciência origina no coração do eu. Permite ao eu iluminar o eu. Não só ilumina todos os pensamentos e sentimentos presentes. Se ilumina também.

Vamos voltar ao suco de maçã, “descansando” quietamente. O rio de nossas percepções continua fluindo, mas agora, à luz da consciência, flui pacificamente, e nós estamos serenos. A relação entre o rio de percepções e o sol da consciência não é igual a de um rio real e o sol real. Se é meia-noite ou meio-dia, se o sol está ausente ou se seus raios penetrantes estão irradiando, as águas do Rio de Mississipi continuam fluindo, mais ou menos do mesmo modo. Mas quando o sol da consciência brilha no rio de nossas percepções, a mente é transformada. Rio e sol são da mesma natureza.

Vamos considerar a relação entre a cor das folhas e a luz solar que também têm a mesma natureza. À meia-noite, a luz estrelada e o luar revelam só a forma das árvores e folhas. Mas se o sol de repente brilhasse, a cor verde das folhas apareceria imediatamente. O verde tenro das folhas de abril existe porque a luz solar existe. (…)

Assim que o sol da consciência brilha, naquele mesmo momento uma grande mudança acontece. A meditação deixa o sol da consciência levantar facilmente, assim podemos ver mais claramente. Quando meditamos, parecemos ter dois egos. Um é o rio corrente de pensamentos e sentimentos, e o outro é o sol da consciência que brilha neles. Qual deles é nosso eu? Qual é o verdadeiro? Qual é o falso? Qual é bom? Qual é ruim? Por favor tranqüilize-se, meu amigo. Abaixe sua espada afiada de pensamento conceitual. Não tenha pressa de cortar seu “eu” em dois. Ambos são eu. Nenhum é verdadeiro. Nenhum é falso. Eles são ambos verdadeiros e ambos falsos.

Nós sabemos que luz e cor não são fenômenos separados. Da mesma maneira, o sol do eu e o rio do eu não são diferentes. Sente comigo, deixe um sorriso se formar em seus lábios, deixe seu sol brilhar, feche seus olhos, se for necessário para ver seu eu mais claramente. Seu sol da consciência é apenas parte do rio do seu eu, não é? Segue as mesmas leis de todos os fenômenos psicológicos: surge e desaparece. Para examinar algo com um microscópio, um cientista tem que iluminar o objeto a ser observado. Para observar o eu, você tem que ilumina-lo também a luz de consciência. (…)

Observe as mudanças que acontecem em sua mente sob a luz da consciência. Até mesmo sua respiração mudou e se tornou “não-duas” (eu não quero dizer “uma”) com seu eu que observa. Isto também é verdade para seus pensamentos e sentimentos que, junto com os seus efeitos, são transformados de repente. Quando você não tentar julgá-los ou suprimi-los, eles se entrelaçarão com a mente observadora.

De vez em quando você pode ficar inquieto, e a inquietude não irá embora. Nestas ocasiões, apenas se sente quietamente, siga sua respiração, sorria um meio sorriso, e brilhe sua consciência na inquietude. Não julgue ou tenta destruí-la, porque esta inquietude é você. Nasce, tem algum período de existência, e diminui, bastante naturalmente.

Não tenha grande pressa em achar sua origem. Não se esforce demais para fazê-la desaparecer. Apenas a ilumine. Você verá que mudará pouco a pouco, se fundindo, ficando conectada com você, o observador. Qualquer estado psicológico que você sujeite a esta iluminação suavizará e adquirirá a mesma natureza da mente observadora.

Ao longo de sua meditação, mantenha o sol de sua consciência brilhando. Como o sol físico que ilumina toda folha e toda grama, nossa consciência ilumina todos os nossos pensamentos e sentimentos, nos permitindo reconhecê-los, ficar atentos ao seu nascimento, duração, e dissolução, sem os julgar ou avaliar, dando boas-vindas ou os banindo. É importante que você não considere que consciência é seu “aliado”, chamada para suprimir os “inimigos” que são seus pensamentos incontroláveis.

Não transforme sua mente em um campo de batalha. Não tenha uma guerra nela; porque todos os seus sentimentos – alegria, tristeza, raiva, ódio – são parte de você. Consciência é como um irmão mais velho, gentil e atento, que está lá para guiar e iluminar. É uma presença tolerante e lúcida, nunca violenta ou discriminadora. Está lá para reconhecer e identificar pensamentos e sentimentos, não para julgá-los como bons ou ruins, ou colocá-los em acampamentos adversários para lutarem entre si. A oposição entre bom e mal é comparada freqüentemente com luz e escuridão, mas se nós olharmos para isto de um modo diferente, veremos que quando a luz brilha, a escuridão não desaparece. Não vai embora; funde-se com a luz. Torna-se a luz.

Eu convidei meu convidado a sorrir. Meditar não significa lutar com um problema. Meditar significa observar. Seu sorriso prova isto. Prova que você está sendo suave com você mesmo, que o sol da consciência está brilhando em você, que você tem controle da situação. Você é você mesmo, e você adquiriu alguma paz. É esta paz que faz uma criança amar estar perto de você.

(Do livro “The sun my heart”
Por Thich Nhat Hanh)
(Traduzido por Leonardo Dobbin)