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GERAL => Mensagens de Ânimo => Meditação => Tópico iniciado por: macili em 22 de Abril de 2013, 19:53

Título: A paz que excede toda a inteligência
Enviado por: macili em 22 de Abril de 2013, 19:53
(http://files.cacef.webnode.com.br/200002390-79d2a7acc9/A%20PAZ%20QUE%20EXCEDE%20TODA%20A%20INTELIG%C3%8ANCIA.jpg)



A paz que excede toda a inteligência

{Eckhart Tolle}



(http://sl.glitter-graphics.net/pub/740/740902utv7w4gg6a.gif)



Existem muitos relatos de pessoas que vivenciaram essa nova dimensão emergente da consciência como resultado de uma perda trágica em determinado momento de sua vida.

Há quem tenha perdido todos os bens, os filhos ou o cônjuge, a posição social, a reputação ou a capacidades físicas. Em certos casos, em decorrência de desastres ou guerras, tudo isso se foi ao mesmo tempo e esses indivíduos se viram com “nada”.

Podemos chamar um quadro como esse de situação-limite.

Não importa com que elementos essas pessoas estavam identificadas, o que lhes dava a percepção do ser, isso se acabou. Então, de repente e inexplicavelmente, a angústia e o medo intenso que elas sentiam desapareceram, dando lugar ia sensação sagrada da Presença, uma paz e uma serenidade profunda e uma completa libertação do medo.

Esse fenômeno deve ter sido familiar a São Paulo, que usou a expressão “a paz de Deus excede toda a inteligência”.

Na verdade, é uma paz que não parece fazer sentido, e quem já passou por essa experiência se pergunta: diante disso, como é possível que eu sinta tanta paz?



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Depois que compreendemos o que é o ego e como ele funciona, a resposta é simples.

Quando as formas com as quais nos identificamos, que nos dão a presença do eu desmoronam ou são removidas, o ego entra em colapso, uma vez que ele é a identificação com a forma.

No momento em que não há mais nada com que possamos nos identificar, quem somos nós?

Assim que as formas ao nosso redor morrem ou quando a morte se aproxima, nossa percepção da Existência, do “eu sou”, fica livre das ligações com a forma: o espírito é liberado da sua prisão na matéria.

Passamos a compreender nossa identidade essencial como informe, como uma Presença onipresente do Ser antes de todas as formas, de todas as identificações.

Entendemos nossa verdadeira identidade como a consciência propriamente dita em vez de algo ao qual a consciência se vinculara.

 Essa é a paz de Deus.



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A verdade suprema de quem nós somos não é “eu sou isso ou eu sou aquilo”, mas “eu sou”.

Nem todo mundo que vivencia uma grande perda passa por esse despertar, isto é, pelo processo de se desassociar da forma.

 Algumas pessoas criam de imediato uma forte imagem mental ou uma forma de pensamento em que se vêem como vitimas – das circunstâncias, de alguém, de um destino injusto ou de Deus.

Assim, vinculam-se com intensidade a essa forma de pensamento e às emoções que ela origina, como raiva, ressentimento e auto-piedade, que assumem de modo instantâneo o lugar de todas as outras identificações que entraram em colapso por causa da perda.

Em outras palavras, o ego logo encontra uma nova forma. E o fato de que ela seja algo profundamente infeliz não o preocupa muito, desde que ele tenha uma nova identidade, boa ou má.

Na verdade, esse novo ego será mais retraído, mais rígido e impenetrável do que o antigo.



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Quando a perda trágica ocorre, nós ou resistimos a ela ou nos resignamos. Há pessoas que se tornam amargas ou muito ressentidas, enquanto outras se mostram mais solitárias, sábias e afetuosas.

A resignação significa a aceitação interior do que aconteceu.

Ficamos abertos à vida.

A resistência é uma contração interior, um endurecimento da concha do ego. Permanecemos fechados.

Seja qual for a ação que adotemos num estado de resistência interior (que podemos também chamar de negativismo), ela criará mais resistência externa, e o universo não estará do nosso lado.

A vida não nos beneficiará.

Se as persianas estiverem fechadas, o sol não conseguirá entrar.

Quando nos submetemos internamente, ou seja, no momento em que nos entregamos, uma nova dimensão da consciência se abre.

Caso uma ação seja possível ou necessária, essa atitude será alinhada com o todo e apoiada pela inteligência criativa, a consciência incondicional com a qual nos unificamos num estado de receptividade interior.

As circunstâncias e as pessoas então se tornam favoráveis, cooperativas.

Coincidências acontecem.

Se nenhuma ação for possível, repousaremos na paz e no silêncio interior que acompanham a resignação. Descansaremos em DEUS.



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Retirado do livro : O despertar de uma nova consciência
Eckhart Tolle - Editora Sextante

Título: Re: A paz que excede toda a inteligência
Enviado por: Thyago Costa em 23 de Abril de 2013, 19:25
Fantastico! Obrigado!!!  :)
Título: Re: A paz que excede toda a inteligência
Enviado por: Ann@ em 23 de Abril de 2013, 19:46
Oi Macili, texto maravilhoso...

passei exatamente por uma situação deste tipo alguns anos atrás e digo uma coisa: penso que quando vivemos uma situação confortável, materialmente falando, o orgulho fortalece a imagem que tentamos manter. Desconstruir uma imagem material é difícil. Psicologicamente temos que admitir não só um erro, mas um fracasso - é assim que é encarado normalmente.

Talvez naquele momento em que tudo se perdeu e por mais que se tente não há como manter a aparência, a gente solte todas as amarras que nos prendem a certos conceitos materiais tão enraizados em nossa cultura e educação, que só servem para nos manter ancorados na mesmice e na ilusão.

Talvez esta paz de Deus sentida por tantos nesses momentos, seja a constatação íntima de que possuímos tudo que precisamos.

Abçs
Título: Re: A paz que excede toda a inteligência
Enviado por: macili em 25 de Abril de 2013, 20:21
Olá a todos,

Talvez esta paz de Deus sentida por tantos nesses momentos, seja a constatação íntima de que possuímos tudo que precisamos.

Anna, concordo plenamente com esta sua frase...  que possamos ter a serenidade de vivenciar este sentimento, principalmente nos momentos mais difíceis de nossos caminhos...

Obrigada pelo carinho dos comentários feitos pelos Irmãos Anna e Thiago...


Que a paz de nosso querido Mestre Jesus envolva nossas almas...




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Quer ser feliz? Confronte-se com o acolhimento





Temos tanto medo de nos confrontarmos com nossa realidade interior, que vivemos buscando respostas para nossos problemas e angústias fora de nós. Culpamos e julgamos todas as pessoas com quem convivemos, acreditamos que somos vítimas da má sorte e que Deus nos esqueceu, como uma forma de colocarmos em algum lugar externa, as responsabilidades por todas as nossas dificuldades e dissabores. Algumas vezes, em momentos de dor mais intensa, entramos em um processo de muito medo, e acabamos nos rendendo às evidências do desequilíbrio, e não vemos outra saída, a não ser buscar ajuda exterior.

Porém, quando finalmente nos encontramos diante de um profissional que possa nos ajudar a reencontrar o equilíbrio, nossa intenção é no sentido de fazer com que ele acredite em nossa condição de vítima. Contamos nossa história, nossos dissabores, temores e angústias, mas o tempo todo estamos tentando fazer com que esse profissional nos dê uma fórmula mágica a qual fará com que nossos problemas se dissipem e, o que mais desejamos, é que ele nos mostre um meio de mantermos nossa vida, atitudes e personalidade do jeito exato em que se encontra, sem que precisemos mudar qualquer condição interna em nós. Nossa tentativa é no sentido de encontrarmos meios de sairmos da dor e do medo, reassumindo o controle, e meios de mudarmos as pessoas que "nos ferem e prejudicam", como se toda a culpa fosse delas.

Não queremos que ele nos faça sugestões de promovermos mudanças internas, mesmo porque não gostamos nada da idéia de que ele nos aponte os nossos erros, nossas atitudes incorretas, nossa responsabilidade dentro do que nos acontece. Quando ele faz esse papel, de nos mostrar aquilo que está oculto em nosso inconsciente e que não queremos ver, e de nos mostrar o que em nós precisa ser modificado para que nossa interação com as pessoas e circunstâncias possam ser mais equilibradas, nossa reação é de recusa e de negação. Nos fechamos de forma a impedir que o terapeuta nos mostre além daquilo que estamos dispostos a ouvir e conhecer a nosso respeito.

Nosso pensamento é: não vim aqui para ser acusado, mas para que ele me ajude a provar, a mim mesmo e a todos, que estou certo e que sou a parte injustiçada e prejudicada, portanto, não quero ser responsável por nada do que me ocorre, mas quero encontrar uma forma de me fortalecer para vencer os problemas e as pessoas envolvidas nele, e para que possa encontrar meios de provar a essas pessoas o quanto elas estão erradas e precisam mudar. Elas sim precisam mudar, pois estou certo e convicto de que meus pensamentos, sentimentos e atitudes estão perfeitamente corretos.

Enquanto o terapeuta nos mostra a responsabilidade dos outros e nos acolhe em nossas dores, nos entregamos ao processo, mas basta que ele passe a nos apontar nossos defeitos e negatividades que nos trancamos internamente, na tentativa de não deixarmos que ele nos invada.

É aqui que nos prejudicamos, pois nessa atitude teimosa, arrogante, prepotente e defensiva, estamos perdendo a oportunidade de voltarmos o olhar para dentro de nós, com humildade e honestidade, para encontrarmos com nossos verdadeiros "inimigos", aqueles que são os únicos responsáveis por nossos fracassos, dores e temores - nossos medos, crenças antigas, mecanismos de auto-sabotagem, ódio, instinto de vingança, arrogância, dentre muitos outros - os quais mantemos tão habilmente trancafiados em nosso inconsciente para que ninguém, nem mesmo nós, possamos descobrir e para que evitemos entrar em contato com a dura realidade: somente nós somos os responsáveis por tudo o que nos acontece.

Somos responsáveis quando manipulamos as pessoas; quando nos omitimos em determinadas situações que pedem um posicionamento firme; quando permitimos que as pessoas nos prejudiquem ao invés de interditá-las, e nos fazemos de vítimas; quando nos deixamos manipular e envolver por hábeis tiranos, mesmo tendo consciência dessa interação; quando abrimos mão de nosso poder pessoal, ao invés de mantermos as rédeas de nossa vida em nossas mãos.

Portanto, fica claro que quanto mais insistimos em nos colocarmos em posição de infelizes vítimas da vida, ao invés de nos voltarmos para dentro de nós na intenção de descobrirmos quem somos de verdade, mais estamos resistindo ao processo que nos levará a uma liberdade verdadeira, em que nos libertaremos dos grilhões que nós mesmos nos impusemos inconscientemente. Quando atravessamos a densa camada de nossa negatividade, com consciência e determinação, encontraremos, oculta por essa camada, nossa verdadeira identidade, nossa essência divina. Portanto, quanto mais mergulhamos em nós, mais de nossa Luz libertamos.

Quando resolvemos nos confrontar, a despeito de todo e qualquer aspecto negativo que venhamos a descobrir a nosso respeito, e se soubermos acolher cada um desses aspectos, com amorosidade e aceitação, somos finalmente capazes de encontrar a felicidade que buscamos.

Não existe outro caminho a não ser o do autoconhecimento. Mas se não estamos dispostos a ir até as profundezas de nosso inconsciente e tentarmos apenas olhar para a superfície dele, acreditando que com o conhecimento de meia dúzia de defeitos já será o bastante para nos libertarmos, nunca nos sentiremos seres íntegros e equilibrados. Se resistirmos e nos enganarmos, por preguiça, medo ou covardia - também devemos descobrir esta verdade oculta -, nosso Ego reassumirá o poder, e tentará, a todo custo, nos fazer acreditar que o caminho do autoconfronto é perigoso e que fará com que nos percamos de nós mesmos. Se nos perdermos, será do nosso próprio Ego, se sentirmos a sensação de confusão e de perda de identidade é porque estaremos nos desidentificando com nosso Ego, o que é ótimo, para que possamos ter a liberdade de descobrir nossa negatividade oculta, o que nos levará a descobrir nossa identidade Real.

Porém, poderemos nos equivocar e passarmos a nos identificar com nossos aspectos negativos, acreditando que somos essa parte horrível de nós. Era justamente pelo medo que tínhamos de descobrir essa realidade, que nos deixávamos guiar por nosso Ego, para que o mundo não viesse a descobrir o ser abominável que somos. Mas se perseverarmos, conseguiremos nos libertar novamente das garras do Ego manipulador e nos entregaremos novamente ao processo, que nos levará a descobrir tudo o que há de pior em nós, sem acreditarmos que somos esses aspectos negativos, mas que apenas os contemos. Conseguiremos compreender, que nossa negatividade é proveniente da mesma corrente de energia positiva, que faz parte da Luz de nosso Ser Real, a qual apenas se negativou, mas continua sendo luz.

Isto nos trará serenidade para passarmos a nos confrontar cada vez mais profundamente e, a cada descoberta de negatividade, saberemos que ela apenas faz parte de nós na dualidade e que não é nossa realidade final. E tudo de negativo que faz parte de nós na dualidade, deve ser acolhido e aceito, para ser "educado e orientado", para que encontre o caminho de volta à nossa luz, o caminho da reconversão e reintegração com nossa essência divina.




por Teresa Cristina Pascotto - crispascotto@hotmail.com
Fonte: CACEF - Casa de Caridade Esperança e Fé