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GERAL => Outros Temas => Tópico iniciado por: edu em 14 de Janeiro de 2014, 23:59

Título: O Livro 1889, D. Pedro II e Camilo Castelo Branco
Enviado por: edu em 14 de Janeiro de 2014, 23:59
 Olá amigos.
 
 Quem leu o livro 1889, de Laurentino Gomes - que não é uma obra espírita, mas de história com uma linguagem mais acessível, e está familiarizado com a literatura mediúnica brasileira deve ter reparado em um encontro narrado no livro entre o imperador D. Pedro II, já exilado em Portugal após o golpe. e o escritor português Camilo Castelo Branco, já empobrecido, cego e doente. O encontro entre os dois, narrado por uma sobrinha de Camilo, é uma das partes mais lindas do livro.

 Acontece que a origem das dores dos dois personagens acima é narrado pela literatura mediúnica brasileira. A história do encarne do D. Pedro II é descrita no livro "Brasil, Coração do Mundo Pátria do Evangelho" psicografado por Francisco Cândido Xavier e ditado pelo espírito Humberto de Campos. Em um capítulo especial Humberto de Campos narra a convocação feita por Jesus ao espírito Longuinus para que reencarne com imperador do Brasil representando os ideais de caráter que deveriam inspirar o jovem povo brasileiro. As dores do degredo foram antecipadas por Jesus com a promessa que na hora derradeira estaria com o futuro imperador.

 Já no caso de Camilo que em alguns meses após o encontro com o ex-monarca brasileiro cometeria suicídio tem a sua história contada pelo romance "Memórias de um Suicida" psicografado pro Ivone do Amaral Pereira ditado pelo próprio Camilo com o Pseudônimo de Camilo Cândido Botelho. Na minha opinião um dos melhores romances espíritas já escritos. Nele vamos ver as consequências do suicídio e as causas das aflições do romancista português como inquisitor em uma encarnação passada.

 Vemos neste episódio a lei de causa e efeito agindo por intermédio da reencarnação. A causa anterior das nossas aflições e a importância da fé, da paciência e da humildade antes as dificuldades.

 Muito interessante. Quem gosta de história, literatura espírita e principalmente tudo isto junto vale a pena conferir os três livros.

Um abraço a todos.

Eduardo Bastos

(http://ts2.mm.bing.net/th?id=H.4609703745293277&pid=15.1)
(http://ts4.mm.bing.net/th?id=H.4572234461021087&pid=15.1)
(http://ts3.mm.bing.net/th?id=H.4557236435092538&pid=15.1)
Título: Re: O Livro 1889, D. Pedro II e Camilo Castelo Branco
Enviado por: MarcosBorges em 16 de Janeiro de 2014, 22:15
Longuinus,  o tal centurião romano que fincou a lança no franco direito de Jesus na crucificação???
Estas narrativas aparenta uma forma de dar legitimidade divina a um planejamento encarnatorio de um monarca.  Jesus convocando um espírito para uma missão ilustra bem está ideia. Longuinus deve ter reencarnado muitas vezes,  eu acho, e se for o mesmo manter o mesmo nome parece obra do autor. A importância deste personagem e depois o mesmo redimido e evoluído o bastante para ser convocado por Jesus é  típico de um romance. Não sei se teria a mesma importância histórica quanto o conteúdo do livro 1889.

Abraço frateno

Marcos Borges
Título: Re: O Livro 1889, D. Pedro II e Camilo Castelo Branco
Enviado por: edu em 17 de Janeiro de 2014, 12:19
Não podemos confundir o filho com o pai.
Enquanto teve saúde D. Pedro II foi um governante ativo, dinâmico e bem informado.
Sem dúvida um homem a frente do seu tempo.
Se hoje nosso povo. nossos burocratas carecem de formação imaginem a solidão de um governante culto, ético e bem informado naquela época?
Com sólida formação cultural e ética talvez um dos maiores governantes que o Brasil teve em que pese ter sido um imperador.
Era um democrata e republicano. Permitia charges debochadas e ataques a sua pessoa em uma época que liberdade de imprensa era coisa rara.
Era admirado mesmo por opositores da monarquia. Mesmos os republicanos como Benjamin Constant e Quintino Bocaiúva respeitavam muito o idoso monarca.
Os episódios narrados em 1889 mostram um imperador já idoso e doente.
Se os fatos narrados pela mediunidade do Chico forem verdadeiro, "se", acho que ele cumpriu bem sua missão.
Título: Re: O Livro 1889, D. Pedro II e Camilo Castelo Branco
Enviado por: Norizonte da Rosa em 17 de Janeiro de 2014, 17:04
Não podemos confundir o filho com o pai.
Enquanto teve saúde D. Pedro II foi um governante ativo, dinâmico e bem informado.
Sem dúvida um homem a frente do seu tempo.
Se hoje nosso povo. nossos burocratas carecem de formação imaginem a solidão de um governante culto, ético e bem informado naquela época?
Com sólida formação cultural e ética talvez um dos maiores governantes que o Brasil teve em que pese ter sido um imperador.
Era um democrata e republicano. Permitia charges debochadas e ataques a sua pessoa em uma época que liberdade de imprensa era coisa rara.
Era admirado mesmo por opositores da monarquia. Mesmos os republicanos como Benjamin Constant e Quintino Bocaiúva respeitavam muito o idoso monarca.
Os episódios narrados em 1889 mostram um imperador já idoso e doente.
Se os fatos narrados pela mediunidade do Chico forem verdadeiro, "se", acho que ele cumpriu bem sua missão.

Disse quase tudo em poucas palavras e a simplicidade a que me referi é em relação a uma vida que se poderia dizer até humilde, sem o luxo de outros reinos europeus da mesma época e isso também o livro relata.
Título: Re: O Livro 1889, D. Pedro II e Camilo Castelo Branco
Enviado por: Norizonte da Rosa em 17 de Janeiro de 2014, 19:58
Brenno, como você conclui assim tão fácil e decididamente que Dom Pedro II não cumpriu com sua missão?

Ninguém está querendo pintar Dom Pedro II como um santo, mas não foi alguém de quem se possa dizer que falhou em sua missão, tenha sido convocado por Jesus ou não.
Vou reproduzir apenas algumas partes de 1889.

" ..A professora alemã Ina Von Binzer, já citada neste livro e que morava no Rio de Janeiro na época, confirmou:

Vida social praticamente não existe fora dos limites do corpo diplomático; o imperador não dá recepções.
Com exceção do palácio imperial de petrópolis, as instalações da corte brasileira surpreendiam os viajantes e diplomatas pelo aspecto de abandono e decadência. "Uma barraca", definiu o jornalista alemão Carlos von Koseritz ao visitar o paço da Cidade, no centro do Rio de Janeiro, em 1883.."

(páginas 264  e 265).

"Pouco antes da partida (de Dom Pedro para o exílio), um oficial subiu a bordo com a notícia de que o governo republicano daria uma ajuda de 5 mil contos de réis para custear as despesas do imperador no exílio. Era uma grande fortuna na época, equivalente a cerca de 70 milhões de dólares ou 150 milhões de reais hoje, mas dom Pedro II limitou-se a receber o papel, sem dar uma resposta conclusiva.
(..)
O fato é que, ao chegar a São Vicente, no arquipélagode Cabo Verde, duas semanas após a partida do Brasil, dom Pedro enviaria uma carta ao governo provisório renunciando formalmente a qualquer ajuda financeira, além do salário mensal a que tinha direito por lei enquanto monarca."

(páginas 294 e 295)

"Ao desembarcar em Lisboa, dom Pedro II recusou o palácio que lhe foi oferecido pelo sobrinho-rei, prefeindo hospedar-se no Hotel Bragança, como um cidadão comum. Como não tinha dinheiro para pagar a conta, teve de socorrer-se de um empréstimo de Manuel Joaquim Alves Machado, rico comerciante português..

(página 297)


Que dom Pedro II cumpriu uma missão isso não se discute, se foi por vontade de Jesus isso pode ser conjetura, mas afirmar que falhou em sua missão? baseado em que você afirma isso? Quem de nós tem capacidade para avaliar se outro encarnado cumpriu ou não com sua missão? que exemplos tão ruins para o povo brasileiro dom Pedro II deixou, para que se possa dizer categoricamente que falhou em sua missão?

Não foi um monarca ao estilo de outros da Europa que viveram na riqueza, foi um grande intelectual em sua época, recusou no exílio a riqueza que poucos recusariam..
Pelo que li sobre dom Pedro II me inclino a pensar muito mais bem do que mal sobre essa grande personagem de nossa história.