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GERAL => Outros Temas => Livros Espíritas => Tópico iniciado por: Det's me!... em 27 de Outubro de 2005, 02:12

Título: FCXavier - Série André Luiz - 2 - OS MENSAGEIROS - Livro Electrónico
Enviado por: Det's me!... em 27 de Outubro de 2005, 02:12
Muita Paz!

Apresentamos a Segunda obra da Série André Luiz......."OS MENSAGEIROS"

OS MENSAGEIROS –

SINOPSE

Segundo livro da série, retrata a renovação de André Luiz, o tédio com o passado e o desejo sincero de trabalhar em benefício do próximo. Narra o próprio André: "Desligando-me dos laços inferiores que me prendiam às atividades terrestres, elevado entendimento felicitou-me o espírito.
Semelhante libertação, contudo, não se fizera espontânea.
Sabia, no fundo, quanto me custara abandonar a paisagem doméstica, suportar a incompreensão da esposa e a divergência dos filhos amados.
Guardava a certeza de que amigos espirituais, abnegados e poderosos, me haviam a auxiliado a alma pobre e imperfeita, na grande transição.
Antes, a inquietude relativa à companheira torturava-me incessantemente o coração; mas agora, vendo-a profundamente identificada com o segundo marido, não via recurso outro que procurar diferentes motivos de interesse.
Foi assim que, eminentemente surpreendido, observei minha própria transformação, no curso dos acontecimentos."
Pensando desta forma, feliz e renovada, é levado por Tobias, seu companheiro de trabalho nas Câmeras de Retificação, até Aniceto, nobre Instutor no Ministério da Comunicação.
Aprovado para ingressar no quadro de aprendizes, André Luiz tem a oportunidade de conhecer o fascinante serviço de formação de médiuns para fins de tarefas espedíficas na Crosta.
Em companhia de Tobias, já no Ministério, André espanta-se:
- "Mas esta organização imensa restringe-se ao movimento de transmissão de mensagens?" - perguntei curioso.
O companheiro sorriu significativamente e esclareceu:
- "Não suponha se encontre aqui localizado o serviço de correio, simplesmente. O Centro prepara entidades a fim de que se transformem em cartas vivas de socorro e auxílio aos que sofrem no Umbral, na Crosta e nas Trevas. Acreditaria, porventura, que tanto trabalho se destinasse apenas a mera movimentação de noticiário? Amplie suas vistas. Este serviço é a cópia de quantos se vêm fazendo nas mais diversas cidades espirituais dos planos superiores. Preparam-se aqui numerosos companheiros para a difusão de esperanças e consolos, instruções e avisos, nos diversos setores da evolução planetária. Não me refiro tão só a emissários invisíveis. Organizamos turmas compactas de aprendizes para a reencarnação. Médiuns e doutrinadores saem daqui às centenas, anualmente. Tarefeiros do conforto espiritual encaminham-se para os círculos carnais, em quantidade considerável, habilitados pelo nosso Centro de Mensageiros."
Mais tarde, em companhia de Aniceto e Vicente, outro médico, André Luiz tem a oportunidade de realizar aprendizado na Terra, junto aos encarnados, fornecendo bastas e enriquecedoras notícias do desdobramento das tarefas que, segundo Emmanuel, no prefácio do livro, constituiram o relatório incompleto de uma semana de trabalho espiritual dos mensageiros do Bem, junto aos homens.

RESUMO MAIS EXTENSO DA OBRA

"Desligando-me dos laços inferiores que me prendiam às atividades terrestres, elevado entendimento felicitou-me o espírito.
Semelhante libertação, contudo, não se fizera espontânea.
Sabia, no fundo, quanto me custara abandonar a paisagem doméstica, suportar a incompreensão da esposa e a divergência dos filhos amados.
Guardava a certeza de que amigos espirituais, abnegados e poderosos, me haviam a auxiliado a alma pobre e imperfeita, na grande transição.
Antes, a inquietude relativa à companheira torturava-me incessantemente o coração; mas agora, vendo-a profundamente identificada com o segundo marido, não via recurso outro que procurar diferentes motivos de interesse.
Foi assim que, eminentemente surpreendido, observei minha própria transformação, no curso dos acontecimentos.
Experimentava o júbilo da descoberta de mim mesmo. Dantes, vivia à feição do caramujo, segregado na concha, impermeável aos a grandiosos espetáculos da Natureza, rastejando no lodo. Agora, entretanto, convencia-me de que a dor agira em minha construção mental, à maneira do alvião pesado, cujos golpes eu não entendera de pronto. O alvião quebrara a concha de antigas viciações do sentimento. Libertara-me. Expusera-me o organismo espiritual ao sol da Bondade Infinita. E comecei a ver mais alto, alcançando longa distância.
Pela primeira vez, cataloguei adversários na categoria de benfeitores. Comecei a freqüentar, de novo, o ninho da família terrestre, não mais como senhor do círculo doméstico, mas como operário que ama o trabalho da oficina que a vida lhe designou. Não mais procurei, na esposa do mundo, a companheira que não pudera compreender-me e sim a irmã a quem deveria auxiliar, quanto estivesse em minhas forças. Abstive-me de encarar o segundo marido como intruso que modificara meus propósitos, para ver apenas o irmão que necessitava o concurso de minhas experiências. Não voltei a considerar os filhos propriedade minha e sim companheiros muito caros, aos quais me competia estender os benefícios do conhecimento novo, amparando-os espiritualmente na medida de minhas possibilidades.
Compelido a destruir meus castelos de exclusivismo injusto, senti que outro amor se instalava em minhalma.
Órfão de afetos terrenos e conformado com os desígnios superiores que me haviam traçado diverso rumo ao destino, comecei a ouvir o apelo, profundo e divino, da Consciência Universal.
Somente agora, percebia quão distanciado vivera das leis sublimes que regem a evolução das criaturas.
A Natureza recebia-me com transportes de amor. Suas vozes, agora, eram muito mais altas que as do meus interesses isolados. Conquistava, pouco a pouco, o júbilo de escutar-lhe os ensinamentos misteriosos no grande silêncio das coisas. Os elementos mais simples adquiriam, a meus olhos, extraordinária significação. A colônia espiritual, que me abrigara generosamente, revelava novas expressões de indefinível beleza. O rumor das asas de um pássaro, o sussurro do vento e a luz do sol pareciam dirigir-se à minhalma, enchendo-me o pensamento de prodigiosa harmonia.
A vida espiritual, inexprimível e bela, abriram-me os pórticos resplandecentes. Até então, vivera em "Nosso Lar" como hóspede enfermo de um palácio brilhante, tão extremamente preocupado comigo mesmo, que me tornara incapaz de anotar deslumbramentos e maravilhas.
A conversação espiritualizante tornara-se-me indispensável.
Aprazia-me, antigamente, torturar a própria alma com as reminiscências da Terra. Estimava as narrativas dramáticas de certos companheiros de luta, lembrando o meu caso pessoal e embriagando-me nas perspectivas de me agarrar, novamente, à parentela do mundo, valendo-me de laços inferiores. . Mas agora... perdera totalmente a paixão pelos assuntos de ordem menos digna. As próprias descrições dos enfermos, nas Câmaras de Retificação, figuravam-se-me desprovidas de maior interesse. Não mais desejava informar-me da procedência dos infelizes, não indagava de suas aventuras nas zonas mais baixas. Buscava irmãos necessitados. Desejava saber em que lhes poderia ser útil.
Identificando essa profunda transformação, falou-me Narcisa certo dia:
- "André, meu amigo, você vem fazendo a renovação mental. Em tais períodos, extremas dificuldades espirituais nos assaltam o coração. Lembre-se da meditação no Evangelho de Jesus. Sei que você experimenta intraduzível alegria ao contato da harmonia universal, após o abandono de suas criações caprichosas, mas reconheço que, ao lado das rosas do júbilo, defrontando os novos caminhos que se descerram para sua esperança, há espinhos de tédio nas margens das velhas estradas inferiores que você vai deixando para trás. Seu coração é uma taça iluminada aos raios do alvorecer divino, mas vazia dos sentimentos do mundo, que a encheram, por séculos consecutivos."
Não poderia, eu mesmo, formular tão exata definição do meu estado espiritual.
Narcisa tinha razão. Suprema alegria inundava-me o espírito, ao lado de incomensurável sensação de tédio, quanto às situações na natureza inferior. Sentia-me liberto de pesados grilhões, porém não mais possuía o lar, a esposa, os filhos amados. Regressava freqüentemente ao círculo doméstico e aí trabalhava pelo bem de todos, mas sem qualquer estímulo. Minha devotada amiga acertara. Meu coração era bem um cálice luminoso, porém vazio. A definição comovera-me.
Vendo-me as lágrimas silenciosas, Narcisa acentuou:
- "Encha sua taça nas águas eternas daquele que é o Doador Divino. Além disso, André, todos nós somos portadores da planta do Cristo, na terra do coração. Em períodos como o que você atravessa, há mais facilidade para nos desenvolvermos com êxito, se soubermos aproveitar as oportunidades. Enquanto o espírito do homem se engolfa apenas em cálculos e raciocínios, o Evangelho de Jesus não lhe parece mais que repositário de ensinamentos comuns; mas, quando se lhe despertam os sentimentos superiores, verifica que as lições do Mestre têm vida própria e revelam expressões desconhecidas da sua inteligência, à medida que se esforça na edificação de si mesmo, como instrumento do Pai. Quando crescemos para o Senhor, seus ensinos crescem igualmente aos nossos olhos. Vamos fazer o bem, meu caro! Encha seu cálice com o bálsamo do amor divino. Já que você pressente os raios da alvorada nova, caminhe confiante para o dia!..."
E conhecendo meu temperamento de homem, amante so serviço movimentado, acrescentou, generosa:
- "Você tem trabalhado bastante aqui nas Câmaras, onde me preparo, por minha vez, considerando o futuro próximo, na carne. Não poderei, portanto, acompanhá-lo, mas creio deve você aproveitar os novos cursos de serviço, instalados no Ministério da Comunicação. Muitos companheiros nossos habilitam-se a prestar concurso na Terra, nos campos visíveis e invisíveis ao homem, acompanhados, todos eles, por nobres instrutores. Poderia você conhecer experiências novas, aprender muito e cooperar com excelente ação individual. Por que não tenta?"
Antes que pudesse agradecer o alvitre valioso, Narcisa foi chamada ao interior das câmaras, a serviço, deixando-me dominado por esperanças diferentes de quantas abrigara até então, relativamente às minhas tarefas."

ANICETO -
Levado por Tobias, e com a aquiescência do Ministro Genésio, André Luiz segue para a residência de Aniceto, para conversar a respeito das novas oportunidades de estudo e realização.
Recebidos com extrema gentileza, o que causa-lhe excelente impressão, Aniceto deixa em André a impressão de homem calmo e refletido, que chegou à idade madura sem fantasias da mocidade inexperiente. Embora lhe transpareça muita energia no rosto, revela o otimismo sadio do coração cheio de ideais sacrossantos.
Após esplanar com minúcias sobre seu método operacional, Aniceto adverte André: "Nosso serviço é variado e rigoroso. O departamento de trabalho, afeto à nossa responsabilidade, aceita somente os cooperadores interessados na descoberta da felicidade de servir. Comprometemo-nos, mutuamente, a calar toda espécie de reclamação. Ninguém exige expressão nominal nas obras úteis realizadas, e todos respondem por qualquer erro cometido."
Ouvindo, entre surpreso e admirado o modo do generoso mentor administrar tarefas, André responde ao final, comovido:
- "Compreendo seu nobres programas. Será honra para mim a possibilidade de acompanhá-lo e receber suas determinações de serviço."
Aniceto, esboçando a expressão fisionômica de quem atinge a solução desejada, conclui:
- "Pois bem: poderá começar amanhã."
A partir desse momento, segundo as próprias palavras de André Luiz, Aniceto se ligaria fundamente à sua vida espiritual.

NO CENTRO DE MENSAGEIROS -
Conta André: "No dia seguinte, após ouvir longas ponderações de Narcisa, demandei o Centro de Mensageiros, no Ministério da Comunicação. Acompanhava-me o prestimoso Tobias, não obstante os imensos trabalhos que lhe ocupavam o círculo pessoal.
Deslumbrado, atingi a série de majestosos edifícios de que se compõe a sede da instituição. Julguei encontrar algumas universidades reunidas, tal a enorme extensão deles. Pátios amplos, povoado de arvoredo e jardins, convidavam a sublimes meditações.
Tobias arrancou-me do encantamento, exclamando:
- "O Centro é muito vasto. Atividades complexas são desempenhadas neste departamento de nossa colônia espiritual. Não creia esteja a instituição nos edifícios sob nossos olhos. Temos, nesta parte, tão somente a administração central e alguns pavilhões destinados ao ensino e à preparação em geral."
- "Mas esta organização imensa restringe-se ao movimento de transmissão de mensagens?" - perguntei curioso.
O companheiro sorriu significativamente e esclareceu:
- "Não suponha se encontre aqui localizado o serviço de correio, simplesmente. O Centro prepara entidades a fim de que se transformem em cartas vivas de socorro e auxílio aos que sofrem no Umbral, na Crosta e nas Trevas. Acreditaria, porventura, que tanto trabalho se destinasse apenas a mera movimentação de noticiário? Amplie suas vistas. Este serviço é a cópia de quantos se vêm fazendo nas mais diversas cidades espirituais dos planos superiores. Preparam-se aqui numerosos companheiros para a difusão de esperanças e consolos, instruções e avisos, nos diversos setores da evolução planetária. Não me refiro tão só a emissários invisíveis. Organizamos turmas compactas de aprendizes para a reencarnação. Médiuns e doutrinadores saem daqui às centenas, anualmente. Tarefeiros do conforto espiritual encaminham-se para os círculos carnais, em quantidade considerável, habilitados pelo nosso Centro de Mensageiros."
- "Que me diz?" - interroguei, surpreso. - "Segundo seus informes, os trabalhos de esclarecimento espiritual devem estar muitíssimo adiantados no mundo!..."
Fixou Tobias expressão singular, sorriu tranqüilamente e explicou:
- "Você não ponderou, todavia, meu caro André, que esta preparação não constitui, ainda, a realização propriamente dita. Saem milhares de mensageiros aptos para o serviço, mas são muito raros os que triunfam. Alguns conseguem execução parcial da tarefa, outros muitos fracassam de todo. O serviço legítimo não é fantasia. É esforço sem o qual a obra não pode aparecer nem prevalecer. Longas fileiras de médiuns e doutrinadores para o mundo carnal partem daqui, com as necessárias instruções, porque os Benfeitores da Espiritualidade Superior, para intensificarem a redenção humana, precisam de renúncia e de altruísmo. Quando os mensageiros se esquecem do espírito missionário e da dedicação aos semelhantes, costumam transformar-se em instrumentos inúteis. Há médiuns e mediunidade, doutrinadores e doutrina, como existem a enxada e os trabalhadores. Pode a enxada ser excelente, mas, se falta espírito de serviço no cultivador, o ganho da enxada será inevitavelmente a ferrugem. Assim acontece com as faculdades psíquicas e com os grandes conhecimentos. A expressão mediúnica pode ser riquíssima; entretanto, se o dono não consegue olhar além dos interesses próprios, fracassará fatalmente na tarefa que lhe foi conferida. Acredite, meu caro, que todo trabalho construtivo tem as batalhas que lhe dizem respeito. São muito escassos os trabalhadores que toleram as dificuldades e reveses das linhas de frente. Esmagadora percentagem permanece a distância do fogo forte. Trabalhadores sem conta recuam quando a tarefa abre oportunidades mais valiosas."
Algo impressionado, considerei:
- "Isto me surpreende sobremaneira. Não supunha fossem preparados, aqui, determinados mensageiros para a vida carnal."
- "Ah! meu amigo" - falou Tobias sorridente - , "poderia você admitir que as obras do bem estivessem circunscritas a simples operações automáticas? Nossa visão, na Terra, costuma viciar-se no círculo dos cultos externos, na atividade religiosa. Cremos, por lá, resolver todos os problemas pela atitude suplicante. Entretanto, a genuflexão não soluciona questões fundamentais do espírito, nem a mera adoração à Divindade constitui a máxima edificação. Em verdade, todo ato de humildade e amor é respeitável e santo, e, incontestavelmente, o Senhor nos concederá suas bênçãos; no entanto, é imprescindível considerar que a manutenção e limpeza do vaso, para recolhê-las, é dever que nos assiste. Não preparamos, pois, neste Centro, simples postalistas, mas espíritos que se transformem em cartas vivas de Jesus para a Humanidade encarnada. Pelo menos, este é o programa de nossa administração espiritual..."
Calei, emocionado, ponderando a grandeza dos ensinamentos. Meu companheiro, após longa pausa, prosseguiu, observando:
- "Raros triunfam, porque quase todos estamos ainda ligados a extenso pretérito de erros criminosos, que nos deformaram a personalidade. Em cada novo ciclo de empreendimentos carnais, acreditamos muito mais em nossas tendências inferiores do passado, que nas possibilidades divinas do presente, complicando sempre o futuro. É desse modo que prosseguimos, por lá, agarrados ao mal e esquecidos do bem, chegando, por vezes, ao disparate de interpretar dificuldades como punições, quando todo obstáculo traduz oportunidade verdadeiramente preciosa aos que já tenham "olhos de ver"."
A essa altura, alcançamos enorme recinto.
Centenas de entidades penetravam no vasto recinto, cujas escadarias galgamos em animada conversação.
Os aspectos do maravilhoso átrio impressionavam pela imponente beleza. Espécies de flores, até então desconhecidas para mim, adornavam colunatas, espalhando cores vivas e delicioso perfume.
Quebrando-me o enlevo, Tobias explicou:
- "As diversas turmas de aprendizes encaminham-se às aulas. Procuremos Aniceto no departamento de instrutores."
Atravessamos galerias vastíssimas, sempre defrontados por verdadeiras multidões de entidades que buscavam as aulas, em palestras vibrantes.
Em pequeno grupo que parecia manter conversação muito discreta, encontramos o generoso amigo da véspera, que nos abraçou sorridente e calmo.
- "Muito bem!" - disse, alegre e bondoso - "esperava o novo aluno, desde a manhãzinha."
E em virtude de Tobias alegar muita pressa, o nobre instrutor explicou:
- "Dorovante, André ficará aos meus cuidados. Volte tranqüilo."
Despedi-me do companheiro, comovidamente.
Notando-me o natural acanhamento, Aniceto determinou a um auxiliar de serviço:
- "Chame o Vicente em meu nome."
E, voltando-se para mim, esclareceu:
- "Até agora, Vicente é o meu único aprendiz médico. Vocês ficarão juntos, em vista da afinidade profissional."
Não haviam decorridos três minutos e tínhamos Vicente diante de nós.
- "Vicente" - falou Aniceto sem afetação -, André Luiz é nosso novo colaborador. Foi também médico nas esferas carnais. Creio, pois, que ambos se encontrarão à vontade, partilhando a mesma experiência."
O interpelado abraçou-me, demonstrando extrema generosidade, e, após encorajar-me com belas palavras de estímulo, perguntou ao nosso orientador:
- "Quando deveremos procurá-lo para os estudos de hoje?"
Aniceto pensou um instante e respondeu:
- "Esclareça ao novo candidato os nossos regulamentos e venham juntos para as instruções após o meio-dia."


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Título: Re: FCXavier - Série André Luiz - 2 - OS MENSAGEIROS
Enviado por: Det's me!... em 27 de Outubro de 2005, 02:17
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VICENTE - C

onta André: "Impossível traduzir meu encantamento com a nova companhia. Vicente, semblante muito calmo, olhar inteligente e lúcido, irradiava carinho e bondade, sensatez e compreensão. Disse-me de sua alegria por haver encontrado um companheiro médico, alojou-me convenientemente junto dele, demonstrando extrema generosidade fraternal."

E contou-lhe seu drama pessoal, após ouvir a triste narrativa de André Luiz sobre o segundo casamento de Zélia: Casara-se aos vinte e cinco anos com Rosalinda, seu sonho de amor, e com ela vivera feliz por muitos anos. Tiveram dois filhinhos. Com a chegada de seu irmão à sua casa, um advogado solteiro e bem posto, Rosalinda modificou-se por completo. Deixou de acompanhar Vicente ao laboratório, onde trabalhavam juntos, preferindo a companhia de Eleutério. Sua vida doméstica, antes tão feliz, passou a ser de solidão assaz amarga, que ele tentava iludir com o trabalho persistente e honesto.
Mas o pior estava por vir: uma pequena espinha no nariz adquiriu de repente extrema gravidade e declarou-se a septicemia. Inúteis todos os cuidados. Rosalinda e Eleutério pareciam consternados.
Sobreveio a morte.
Após algum tempo de tristes perturbações nas zonas inferiores, quando já se encontrava restabelecido em "Nosso Lar", certificou-se de toda a verdade: regressando ao lar terrestre, viu Rosalinda e Eleutério casados. E o pior: soube que fora vítima de odioso crime. Sua mulher e seu irmão haviam se apaixonado perdidamente e cedido à tentações inferiores. Não havia divórcio e mesmo que houvesse, seria um escândalo a união de ambos. Por isso, Eleutério tramou sua morte através da inoculação de determinada cultura microbiana em minúscula espinha nasal, algo ferida.
Rosalinda não vacilou. Valendo-se do sono descuidado do marido, introduziu na espinha o vírus destruidor, causando-lhe a morte.

OUVINDO INSTRUÇÕES -

Na aula de Aniceto, o espírito Telésforo, antigo lidador da Comunicação, dirigiu aos aprendizes as seguintes palavras:
- "Agora conversaremos sobre as necessidades da representação de nossa colônia nos trabalhos terrestres. Aqui se encontram companheiros fracassados nas intenções mais nobres e irmãos outros desejosos de colaborar nas tarefas que condizem com as nossas responsabilidades atuais. Referimo-nos às laboriosas atividades da Comunicação, no plano carnal. Vemos nesta reunião grande parte dos cooperadores de "Nosso Lar" que faliram nas missões da mediunidade e da doutrinação, bem como muitos outros colegas que se preparam para provas dessa natureza, nos círculos da Crosta.
"Nossa repartição vem promovendo grande movimento de auxílio a irmãos encarnados e desencarnados, que se revelam incapazes de qualquer ação, além da superfície terrestre.
"Nossa tarefa é enorme. Precisamos disseminar ensinamentos novos, relativamente à preparação dos que habitam nossa colônia, considerando os esforços e realizações do presente e do porvir.

"É indispensável socorrer os que enfrentam, corajosos, as profundas transformações do Planeta.
"As transições essenciais da existência na Terra encontram a maioria dos homens absolutamente distraídos das realidades eternas. A mente humana abre-se, cada vez mais, para o contato com as expressões invisíveis, dentro das quais funciona e se movimenta. Isto é uma fatalidade evolutiva. Desejamos e necessitamos auxiliar as criaturas terrestres; todavia, contra a extensão de nosso concurso fraterno, operam dilatadas correntes de incompreensão. Não relacionamos apenas a ação da ignorância e da perversidade. Agem, contraditoriamente, nesse particular, grande número do forças do próprio espiritualismo. Combatem-nos algumas escolas cristãs, como se não colaborássemos com o Mestre Divino.

A Igreja Romana classifica-nos a cooperação como diabólica. A Reforma Luterana, em seus matizes variados, persegue-nos a colaboração amistosa. E há correntes espiritualistas de elevado teor educativo que nos malsinam a influência, por quererem o homem aperfeiçoado de um dia para outro, rigorosamente redimido a golpe instantâneo da vontade, sem realização metódica.

"No campo de nosso conhecimento da vida, não podemos condená-los pelo desentendimento atual. O catolicismo romano tem suas razões ponderáveis, o protestantismo é digno de nosso acatamento, as escolas espiritualistas possuem notáveis edificações. Toda expressão religiosa é sagrada, todo movimento superior de educação espiritual é santo em si mesmo. Temos, então, diante de nós, a incompreensão dos bons, que constitui dolorosa prova para todos os trabalhadores sinceros, porque, afinal, não estamos fazendo obra individual e sim promovendo movimento libertador da consciência humana, a favor da própria idéia religiosa do mundo.
"Sacerdotes e intérpretes dos núcleos organizados da religião e da filosofia, não percebem, ainda, que o espírito da Revelação é progressivo, como a alma do homem. As concepções religiosas se elevam com a mente da criatura. Muitas igrejas não compreendem, por enquanto, que não devemos espalhar a crença nos tormentos eternos para os desventurados, e sim a certeza de que há homens infernais criando infernos para si mesmos.

"Não podemos, porém, perder tempo no exame da teimosia alheia. Temos serviços complexos e dilatados. E, como dizíamos, a Humanidade terrestre aproxima-se, dia a dia, da esfera de vibrações dos invisíveis de condição inferior, que a rodeia em todos os sentidos. Mas, segundo reconhecemos, esmagadora percentagem de habitantes da Terra não se preparou para os atuais acontecimentos evolutivos. E os mais angustiosos conflitos se verificam no sendal humano. A Ciência progride vertiginosamente no Planeta, e, no entanto, à medida que se suprimem sofrimentos do corpo, multiplicam-se aflições da alma. Os jornais do mundo estão cheios de notícias maravilhosas, quanto ao progresso material.

Segredos sublimes da Natureza são surpreendidos nos domínios do mar, da terra e do ar, mas a estatística dos crimes humanos é espantosa. Os assassinos da guerra, apresentam requintes de perversidade muito além dos que foram conhecidos em épocas anteriores. Os homicídios, os suicídios, as tragédias conjugais, os desastres do sentimento, as greves, os impulsos revolucionários da indisciplina, a inquietação sexual, as moléstias desconhecidas, a loucura, invadem os lares humanos. Não existe em país algum preparação espiritual bastante para o conforto físico. Entretanto, esse conforto tende a aumentar naturalmente. O homem dominará, cada vez mais, a paisagem exterior que lhe constitui moradia, embora não se conheça a si mesmo. Atendido, porém, o corpo revelará as necessidades da alma e vemos agora a criatura terrestre assoberbada de problemas graves, não pelas deficiências de si própria, senão também pela espontânea aproximação psíquica com a esfera vibratória de milhões de desencarnados que se agarram à Crosta Planetária, sequiosos de renovar a existência que menosprezaram, sem maior consideração aos desígnios do Eterno.

"A rigor, também nós compreendemos que os serviços da Comunicação, no mundo, deveriam realizar-se apenas no plano da inspiração divina para os círculos terrenos, do superior para o inferior, mas, como agir diante de milhões de enfermos e criminosos nas zonas visíveis e invisíveis da experiência humana? Pelo simples culto externo, como pretende a Igreja de Roma? Pelo ato de fé, exclusivamente, como espera a Reforma Protestante? Por mera afirmação da vontade, conforme pontificam certas escolas espiritualistas? Não podemos, no entanto, circunscrever apreciações, na visão unilateral do problema. Concordamos que a rever6encia ao Pai, a fé e a vontade são expressões básicas da realização divina no homem, mas não podemos esquecer que o trabalho é necessidade fundamental de cada espírito. Que outros irmãos nossos perseverem, tão somente, nas especulações teológicas; encaremos, porém, os serviços do Senhor, como se faz indispensável.

"A Humanidade terrena, atualmente, é como um grande organismo coletivo, cujas células, que são as personalidades humanas, se envolvem no desequilíbrio entre si, em processo mundial de reajustamento e redenção.
"Quantos cooperam conosco, vêem a extensão dos cipoais em que se debate a mente humana. Criminosos agarram-se a criminosos, doentes associam-se a doentes. Precisamos oferecer, no mundo, os instrumentos adequados às retificações espirituais, habilitando nossos irmãos encarnados a um maior entendimento do Espírito do Cristo. Para consegui-lo, todavia, necessitamos de colaboradores fiéis, que não cogitem de condições, compensações e discussões, mas que se interessem pela sublimidade do sacrifício e de renunciação com o Senhor.
"Irmãos nossos, fazem-se ouvir na Terra gritos comovedores de sofrimento. Necessitamos de servidores que desejem integrar-se na escola evangélica da renúncia.

"Desde as primeiras tarefas do Espiritismo renovador, "Nosso Lar" tem enviado diversas turmas ao trabalho de disseminação de valores educativos. Centenas de companheiros partem daqui anualmente, aliando necessidades de resgate ao serviço redentor; mas ainda não conseguimos os resultados desejáveis. Alguns alcançaram resultados parciais nas tarefas a desenvolver, mas a maioria tem fracassado ruidosamente. Nossos institutos de socorro debalde movimentam medidas de assistência indispensável. Raríssimos conquistam algum êxito nos delicados misteres da mediunidade e da doutrinação.

"Outras colônias de nossa esfera providenciam tarefas da mesma natureza, mas pouquíssimo são os que se lembram das realidades eternas, no "outro lado do véu"... A ignorância domina a maioria das consciências encarnadas. E a ignorância é mãe das miséria, das fraquezas, dos crimes. Grandes instrutores, nos fluidos da carne, amedrontam-se, por sua vez, diante dos atritos humanos, e se recolhem, indevidamente, na concepção que lhes é própria. Esquecem-se de que Jesus não esperou que os homens lhe atingissem as glórias magnificentes e que, ao invés, desceu até o plano dos homens para amar, ensinar e servir. Não exigiu que as criaturas se fizessem imediatamente iguais a Ele, mas fez-se como os homens, apara ajudá-los na subida áspera.
"Se o Mestre Divino adotou esta norma, que dizer das nossas obrigações de criaturas falidas?
"Abstraindo-nos das necessidades imensas de outros grupos, procuremos identificar as falhas existentes naqueles que nos são afins.
"Em derredor de nós mesmos, os laços pessoais constituem extenso campo de atividade para o testemunho.
"Cesse, para nós outros, a concepção de que a Terra é vale tenebroso, destinado a quedas lamentáveis, e agasalhemos a certeza de que a esfera carnal é uma grande oficina de trabalho redentor. Preparemo-nos para a cooperação eficiente e indispensável. Esqueçamos os erros do passado e lembremo-nos de nossas obrigações fundamentais.

"A causa geral dos desastres mediúnicos é a ausência da noção de responsabilidade e da recordação do dever a cumprir.
"Quantos de vós fostes abonados aqui, por generosos benfeitores que buscaram auxiliar-vos, condoídos de vosso pretérito cruel? Quantos de vós partistes, entusiastas, formulando enormes promessas? Entretanto, não soubestes recapitular dignamente, para aprender a servir, conforme os desígnios superiores do Eterno. Quando o Senhor vos enviava possibilidades materiais para o necessário, regressáveis à ambição desmedida; ante o acréscimo de misericórdia do labor intensificado, agarrastes a idéia da existência cômoda; junto às experiências afetivas, preferistes os desvios sexuais; ao lado da família, voltastes à tirania doméstica, e aos interesses da vida eterna sobrepusestes as sugestões inferiores da preguiça e da vaidade. Deste-vos, na maioria, à palavra sem responsabilidade e à indagação sem discernimento, amontoando atividades inúteis. Como médiuns, muitos de vós preferíeis a inconsciência de vós mesmos; como doutrinadores, formuláveis conceitos para exportação, jamais para uso próprio.

"Que resultado atingimos? Grandes massas batem às fontes do Espiritismo sagrado, tão só no propósito de lhe mancharem as águas. Não são procuradores do Reino de Deus os que lhe forçam, desse modo, as portas, e sim caçadores dos interesses pessoais. São os sequiosos da facilidade, os amigos do menor esforço, os preguiçosos e os delinqüentes de todas as situações, que desejam ouvir os Espíritos desencarnados, receosos da acusação que lhes dirige a própria consciência. O fel da dúvida invade o bálsamo da fé, nos corações bem intencionados. A sede de proteção indevida azorraga os seguidores da ociosidade. A ignorância e a maldade entregam-se às manifestações inferiores da magia negra.

"Tudo porque, meus irmãos? Porque não temos sabido defender o sagrado depósito, por termos esquecido, em nossos labores carnais, que o Espiritismo é revelação divina para a renovação fundamental dos homens. Não atendemos, ainda, como se faz indispensável, à construção do "Reino de Deus" em nós.
"Contudo, não abandonemos nossos deveres a meio da tarefa. Voltemos ao campo, retificando as semeaduras. O Ministério da Comunicação vem incentivando esse movimento renovador. Necessitamos de servidores de boa vontade, leais ao espírito da fé. Não serão admitidos os que não desejarem conhecer a glória oculta da cruz do testemunho, nem atendem aqui os que se aproximem com objetivos diferentes...

"Aqui estamos todos, companheiros da Comunicação, endividados com o mundo, mas esperançosos de êxito em nossa tarefa permanente. Levantemos o olhar. O Senhor renova diariamente nossas benditas oportunidades de trabalho, mas, para atingirmos os resultados precisos, é imprescindível sejamos seguidores da renunciação ao inferior. Nenhum de nós, dos que aqui nos encontramos, está livre do ciclo de reencarnações na Crosta. Todos, portanto, somos sequiosos de Vida Eterna. Não olvidemos, desse modo, o Calvário de Nosso Senhor, convictos de que toda saída dos planos mais baixos deve ser uma subida para a esfera superior. E ninguém espere subir, espiritualmente, sem esforço, sem suor e sem lágrimas!..."


MÉDIUNS FALIDOS -

Em companhia de Vicente, André passa a estabelecer conversação com vários médiuns que faliram em sua última encarnação. Fica, desta forma, a par do drama de OTÁVIO, que passou pela existência terrena sem atender o chamado da Espiritualidade Superior, enredando-se, outrossim, em compromissos escusos na área afetiva; conhece igualmente o desastre de ACELINO, que munido das mais belas faculdades psíquicas, e não obstante o esclarecimento íntimo, transformou sua mediunidade em fonte de renda material, fracassando ruidosamente e tornando-se presa de espíritos inferiores.

Ouve igualmente impressões de algumas MULHERES, lamentando a queda devido a pressões familiares, ao medo da mistificação ou a desconfiança doentia, e inteira-se da experiência de JOEL, que munido de extrema sensibilidade, no tocante a possibilidade de verificar o passado e descortinar o futuro, se absteve de qualquer tarefa edificante nessa área, restringindo-se a localizar companheiros do pretérito na presente encarnação, fracassando naturalmente e angariando perturbações mentais de monta. É apresentado a BELARMINO, o doutrinador, que em nome da Ciência e da pesquisa, atormentou os médiuns que a Divina Providência colocou sob sua responsabilidade, levando-os a se retraírem, devido às longas e porfiadas perquirições nos planos invisíveis. Queria provas, sem conseguí-las, porque a cada um é dado segundo suas obras. Irritado, tornou-se descrente; e descrente e distanciado da Verdade, envolveu-se em politicalha inferior, acabando seus dias em um palácio de pedra e com um deserto no coração. André Luiz também conhece MONTEIRO, outro doutrinador, que trocou as verdades evangélicas pela volúpia de doutrinar espíritos desencarnados de posição inferior, ou de fazer ver aos espíritos sofredores que eles próprios eram os responsáveis por seu sofrimento.

Ao desencarnar, vítima de angina, entidades perigosas e vingativas aguardavam-no à saída do plano físico. Os seres malévolos, frente a lamentável situação espiritual do doutrinador, repetiam-lhe longas frases de suas sessões. Ironicamente, recomendavam-lhe serenidade, paciência e perdão às alheias faltas e lhe inquiriam porque, se estava desencarnado, não se desgarrava do mundo. Monteiro suportou este tormento por muito tempo, enquanto perduraram seus sentimentos de apego à esfera física.

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Título: Re: FCXavier - Série André Luiz - 2 - OS MENSAGEIROS
Enviado por: Det's me!... em 27 de Outubro de 2005, 02:22
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PREPARATIVOS PARA A VIAGEM À CROSTA -

Em companhia de Aniceto, André e Vicente preparam-se para uma semana de labores no Plano Físico. Os dois médicos, devido à pouca visão espiritual, são munidos de vidência dilatada, no Gabinete de Auxílio Magnético às Percepções, junto ao Centro de Mensageiros.
Sentindo-se mais fortes, mais confiantes, e inicialmente com a visão e a audição apenas algo mais límpidas, encetam a viagem com Aniceto, munidos da mais sincera disposição de servir.
Aniceto evita utilizar as vias normais de comunicação entre "Nosso Lar" e a Crosta, preferindo o caminho mais rude, para melhor ensinar. Fazendo-se peregrino como André e Vicente, espíritos ainda vulgares e distituídos de expressão vibratória adequada aos grandes feitos, Aniceto demonstra energia e humildade em maravilhoso consórcio.

A VIAGEM -

Através de paisagens frias e angustiosas, André e Vicente acusam extrema dificuldade em volitar. Aniceto aconselha a caminhada, pura e simples, e os três chegam aocume de grande montanha, envolvida em sombra fumarenta. Aniceto alerta de que, embora ainda distantes da Crosta, já se encontram em região alcançada pela influenciação mental humana.

"Sigamos!", diz Aniceto, e então André e Vicente percebem em si alguma coisa imprevista, a felicitar-lhe o coração sobremaneira: contrastando as sombras, raios de luz despreendem-se intensamente de seus corpos, levando-os a extraordinária comoção. Banhados em lágrimas, caem de joelhos, enviando ao Eterno profundos agradecimentos, em votos de júbilo fervoroso. Aniceto os incentiva a agradecer. Mais tarde, seguem a viagem, penetrando num clima estranho, onde predominam o frio e a ausência da luz solar. Descendo sempre, Aniceto aconselha-os a apagar a luz própria, através da vontade, por estarem penetrando região de ignorância e sofrimento. André Luiz espanta-se com a paisagem sob seus olhos, invisível ao olhar humano, e Aniceto lhe explica que o que estão vendo é continuação da Terra. "Os olhos humanos vêem apenas algumas expressões do vale em que se exercitam para a verdadeira visão espiritual, como nós outros que, observando agora alguma coisa, não estamos igualmente vendo tudo." - esclarece o generoso Instrutor.

NO POSTO DE SOCORRO -

Dando-lhe a impressão de castelo soberbo, deslumbrando-o, André nota que a construção magnífica aonde aportam não se mantêm sem defesa. Cercam-na pesados muros numa extensão que seus olhos não conseguem abranger. No interior, pomares e jardins maravilhosos perdem-se de vista. A sombra ali não é intensa, graças aos grandes focos de luz radiante.

São recebidos por Alfredo, abnegado administrador do Posto e acompanhado de Ismália, sua bela esposa. "Mas que surpresa agradável!" - exclama ele, feliz - "Há muitos dias não temos visitas de "Nosso Lar"! Ainda bem que vieram hoje, quando Ismália veio ter igualmente comigo!..." Assim, André fica sabendo que Ismália, espírito já muito evoluído, vive em esferas elevadas, prosseguindo, no entanto, ligada a Alfredo, o qual visita com freqüência.
Alfredo, mais tarde, conta à André e Vicente sua triste estória, revelando que esteve casado com Ismália, em sua última encarnação, em clima de intensa felicidade, até que o monstro da calúnia, na figura de um amigo infiel, destruiu-lhes o lar. Desesperado, abandonou a esposa, tomando-lhe os filhinhos, e só após a sua morte soube pelos lábios do sócio e caluniador, também agonizante, a verdadeira versão dos fatos, e não conseguindo perdoar, naquele instante, o homem que lhe destruiu os sonhos mais caros. Por isso, hoje, devido à sua atitude de outrora com a companheira, ainda não tem a permissão para viver com Ismália, embora o divino compromisso da união eterna entre eles.
Tormentas magnéticas intensas obrigam os viajantes a pernoitar no Posto de Socorro, inteirando-se de lutas e dificuldades presentes.

Participam igualmente do trabalho de auxílio à entidades adormecidas, ou o "sopro", pelo qual energizam os infelizes, visando seu despertamento. Na noite bastante agitada, também conhecem de perto o trabalho de defesa do Posto, quando disparos magnéticos se fazem necessários no dispersamento de hordas infernais, a intentar a tomada da fortaleza.

A PRECE DE ISMÁLIA -

"É momento da oração, no Posto de Socorro - diz Alfredo, gentil. Insatado a chefiar o momento, Aniceto escusa-se, humildemente, alegando que a posição cabe à devotada Ismália.
Num gesto de indefinível delicadeza, Ismália começa a orar: "Senhor! dignai-vos assistir vossos humildes tutelados, enviando-nos a luz de vossas bênçãos santificantes. Aqui estamos, prontos para executar vossa vontade, sinceramente dispostos a secundar vossos altos desígnios. Conosco, Pai, reúnem-se os irmãos que ainda dormem, anestesiados pela negação espiritual a que se entregaram no mundo. Despertai-os, Senhor, se é de vossos desígnios sábios e misericordiosos, despertai-os do sono doloroso e infeliz. Acordai-os para a responsabilidade, para a noção dos deveres justos!... Magnânimo Rei, apiedai-vos de vossos súditos sofredores; Criador compassivo, levantai as vossas criaturas caídas; Pai Justo, desculpai vossos filhos desventurados! Permiti caia o orvalho do vosso amor infinito sobre o nosso modesto Posto de Socorro!... Seja feita a vossa vontade acima da nossa, mas se é possível, Senhor, deixai que os nossos doentes recebam um raio vivificante do sol da vossa bondade!...

"Temos, ao nosso lado, Senhor, infortunadas mães que não souberam descobrir o sentido sublime da fé, resvalando, imprudentemente, nos despenhadeiros da indiferença criminosa; pais que não conseguiram ultrapassar a materialidade no curso da existência humana, incapazes de ver a formosa missão que lhes confiaste; cônjuges desventurados pela incompreensão de vossas leis augustas e generosas; jovens que se entregaram, de corpo e alma, aos alvitres da ilusão!... Muitos deles, atolaram-se no pantanal do crime, agravando débitos dolorosos! Agora dormem, Pai, à espera de vossos desígnios santos.

Sabemos, contudo, Senhor, que este sono não traduz repouso no pensamento... Quase todos os nossos asilados são vítimas de terríveis pesadelos, por terem olvidado, no mundo material, os vossos mandamentos de amor e sabedoria. Sob a imobilidade aparente, movimenta-se-lhes o Espírito, entre aflições angustiosas que, por vezes, não podemos sondar. São eles, Pai, vossos filhos transviados e nossos companheiros de luta, necessitados de vossa mão paternal para o caminho! Quase todos se desviaram da senda reta, pelas sugestões da ignorância que, como aranha gigantesca dos círculos carnais, tece os fios da miséria, enredando destinos e corações! Deprecando vossa misericórdia para eles, rogamos, igualmente, para nós, a verdadeira noção de fraternidade universal! Ensinai-nos a transpor as fronteiras de separação para que vejamos em cada infeliz o irmão necessitado do nosso entendimento! Ajudai-nos a compreensão, a fim de que venhamos a perder todo impulso de acusação nas estradas da vida!

Ensinai-nos a amar como Jesus nos amou! Também nós, Senhor, que aqui vos rogamos, fomos leprosos espirituais, cegos do entendimento, paralíticos da vontade, filhos pródigos do vosso amor!... Também nós já dormimos, em tempos idos, nos Postos de Socorro da vossa misericórdia!... Somos simples devedores, ansiosos de resgatar imensos débitos!

Sabemos que vossa bondade nunca falha e esperamos confiantes a bênção de vida e luz!..."
André levanta os olhos para o alto e, olhos umedecidos, vê, maravilhado, grande quantidade de flores esbranquiçados, de tamanhos variadíssimos, a caírem copiosamente sobre todos que oram, exceto sobre as entidades adormecidas. Mal saído da surpresa, vê ele a ocorrência de novo fenômeno: as flores se diluem ao tocá-los, ao tempo que eles próprios principiam a emitir, da fronte e do peito, grandes bolhas luminosas, com a coloração da claridade de que estavam revestidos. As bolhas elevam-se no ar e atingem os numerosos espíritos adormecidos. As luzes emitidas por Ismália são mais brilhantes, intensas e rápidas, alcançando muitos enfermos de uma só vez. Em seguida vem as fornecidas pelas senhoras de seu círculo pessoal, as de Aniceto, de Alfredo e dos demais. Cada qual, naquele instante de contato com o plano superior, revela o valor próprio na cooperação que pode prestar.
Logo após a oração, várias "múmias", como designou-as piedosamente André Luiz, começam a dar sinais de vida. Alguns daqueles infelizes deixam escapar gemidos angustiosos, outros falam em voz alta, dando conta dos pesadelos que os atormentam, como sonâmbulos prestes a despertar. Muitos movem os pés e as mãos, como a se esforçarem por fugir ao sono doloroso.

Quando as luzes se apagam, gradativamente, os espíritos infelizes retomam a imobilidade anterior. Ismália declara terminadas as atividades da oração. Aniceto, percebendo a perplexidade de André e Vicente, esclarece, de maneira significativa: "Conforme viram, o trabalho da prece é mais importante do que se pode imaginar no círculo dos encarnados. Não há prece sem resposta. E a oração, filha do amor, não é apenas súplica. É comunhão entre o Criador e a criatura, constituindo, assim, o mais poderoso influxo magnético que conhecemos."

OUVINDO SERVIDORES-

Percebe André, observando em torno, que o trabalho no Posto se desenvolve em ambiente da mais bela camaradagem, não obstante o respeito natural às noções de hierarquia. Alfredo atende aos seus servidores como um amigo realmente disposto a ajudar. Aconselha Alonso, saudoso de casa e preocupado com a situação da família após sua morte, a permanecer no posto, fortificando o coração antes de voltar ao ninho doméstico, e no com o mesmo tom de gentileza e bondade, atende outros colaboradores, respondendo com voz firme e afetuosa, demonstrando interesse de irmão.

O CALUNIADOR -

Enquanto o administrador se entrega a conversações educativas com os numerosos subordinados, Aniceto chama André e Vicente a uma pequena construção isolada e lhes diz: "Vejamos outro ensinamento." Lá dentro, um louco, fundamente irritado, grita estentóricamente ao vê-los. Aniceto, porém, chamando-o pelo nome e perguntando-lhe como vai, emite, junto com as palavras, certo fluxo magnético, modificando o enfermo, que se acalma. Ao ser tocado no ombro, por Aniceto, o pobre doente esboça algum raciocínio, respondendo: "Vou melhorando, graças..." Aniceto o incentiva:

"Termine!" Com enorme esforço, o louco conclui: "G..r..a..ç..a..s a D..e..u..s."
Convidados à uma observação mais acurada da mente do enfermo, com enorme surpresa André Luiz e Vicente vislumbram, em sua tela mental, imagens de uma Ismália sofrida e maltratada e de um Alfredo envelhecido e desesperado. Buscam esclarecimento junto a Aniceto, e esse diz: "Lembram-se da estória de Alfredo? Temos diante de nós o falso amigo que lhe arruinou o lar." Estupefacto, André inquire: "Mas Paulo veio ter casualmente a este posto?"

"Não" -, responde Aniceto - "foi trazido pelo próprio Alfredo que sentiu necessidade de disciplinar o próprio coração. Nosso amigo, que hoje dirige esta casa de amor, despreendeu-se do mundo, sob intensa vibração de ódio e desesperação. Sofreu muitíssimo nos primeiros tempos, embora nunca fosse abandonado pela dedicação da abnegada companheira. Alfredo, todavia, não pode ver Ismália enquanto não se desvencilhou das baixas manifestações do rancor. Socorrido em "Campo da Paz", compreendeu as próprias necessidades. Tão logo adquiriu algum mérito, intercedeu pelo amigo infiel, buscou-o em recanto abismal, e tão nobremente se dedicou ao aperfeiçoamento de si mesmo, que conquistou a posição de administrador de um Posto de Socorro. Trouxe o tutelado em sua companhia e trata-o como irmão, atualmente. Não julguem que o marido de Ismália conseguiu essa vitória espiritual tão somente pelo fato de desejá-la.

Ele desejou-a, procurou-a, alimentou-a, e, agora, permanece na realização. Há muitos anos conversa com Paulo, diariamente. Nos primeiros tempos, aproximava-se do enfermo, como que necessitado de reconciliação; depois como pessoa caridosa; mais tarde adquiriu entendimento, comparando situações; em seguida, sentiu piedade; logo após experimentou simpatia e, presentemente, conquistou a verdadeira fraternidade, o amor sublime de irmão pelo ex-inimigo."

VIDA SOCIAL -

Conta André: "À noite, surpreendiam-me os sublimes aspectos do firmamento no Posto de Socorro. Ia comentar a beleza do céu, quando a campainha retiniu suavemente. Eram visitas de "Campo da Paz" que chegavam: o sr. Bacelar e família. Muito feliz, Ismália expediu convite à todas as famílias das redondezas, e logo o castelo pareceu à André um palácio maravilhosamente iluminado, repleto de visitantes seletos, cujo traço principal era a simplicidade e a sinceridade pura, num quadro social inacessível ao fingimento. Após conversação elevada e afetuosa com Cecília e Aldonina, respectivamente filha e sobrinha do sr. Bacelar, André e Vicente são convidados, assim como os demais, para o salão da música. Ladeando um órgão, oitenta crianças, meninos e meninas, surgem, ali, num quadro vivo, encantador, executando uma linda barcarola com maravilhosa perfeição. Após, Ismália convida Cecília para entoar ao piano uma velha música a lhe recordar o lar terreno nos seus dias mais belos.

Ao piano, Cecília executa "Tocata e Fuga em Ré Menor", de Bach, acompanhada pelas crianças exultantes. Atendendo a novo pedido de Ismália, Cecília torna ao piano, para entoar uma canção nascida de seu coração. Finalmente, Ismália, também instada a oferecer algo da música de seus planos aos convidados, oferece à Aniceto, em especial uma melodia de sublime beleza, como uma oração inarticulada, levando os presentes às lágrimas.

OFICINA DE "NOSSO LAR" -

No dia seguinte, utilizando-se de pequeno veículo a deslocar-se impulsionado por fluidos elétricos acumulados, os três partem do Posto de Socorro, levando no coração as horas de fraternidade e alegria ali vividas, como energias novas para a viagem. Quase ao meio-dia, o carro estaciona num pequeno posto, e Aniceto, André e Vicente prosseguem a pé. A paisagem, então, torna-se muito fria e diferente. Aniceto avisa que em quatro horas, mais ou menos, estarão na Crosta. E alerta que as sombras que os rodeiam são emissões mentais da Humanidade encarnada, de natureza bastante inferior.

Entre dezoito e dezenove horas, atingem uma casa singela em bairro modesto, na cidade do Rio de Janeiro. Porém, durante o longo percurso pelas ruas movimentadas, André espanta-se sobremaneira, por se deparar com quadros totalmente novos, que só agora, com o dilatamento da visão pode observar. Muitos desencarnados de ordem inferior seguem os passos de transeuntes vários ou vão colados neles, em abraço singular. Muitos de dependuravam nos veículos e outros observam os três de sacadas próximas.

André passa a sentir choques desagradáveis enquanto receios imprevistos se lhe instalam no coração. Aniceto, contudo, tranqüiliza-o e à Vicente, igualmente surpreso e inquieto.
Junto à casa muito humilde, que agora alcançam, cariciosa impressão de conforto domina-os, desfazendo a desagradável impressão de pouco antes. André nota-lhe os lindos clarões espirituais, iluminando-a soberbamente e recordando a colônia distante. Percebendo a admiração dos dois companheiros, Aniceto esclarece: "Teremos aqui o nosso refúgio. É uma oficina que representa "Nosso Lar".

Ao se aproximarem, são saudados por inúmeros companheiros espirituais, que assomam à janela. Um simpático cavalheiro vem lhes abrir a porta e André surpreende-se uma vez mais ao ver ali vigorando um sistema vibratório de segurança que ainda não conhecia. Em sua antiga casa, compara, costumava entrar e sair sem que portas ou paredes lhe fossem obstáculo. Contudo, ali, a casa encontra-se seguramente guarnecida de qualquer intromissão espiritual estranha. Aniceto apresenta o cavalheiro: é Isidoro, marido desencarnado de Isabel, valorosa servidora nas atividades da fé.

Isabel, no interior da casa, junto aos filhos, surpreende-se, por momentos, identificando os visitantes através da vidência. Aniceto esclarece: "Nossa amiga é senhora de grande vidência psíquica, mas os benfeitores que nos orientam os esforçam recomendam não se lhe permita a visão total do que se passa em torno de suas faculdades mediúnicas. O conhecimento exato da paisagem espiritual em que vive, talvez lhe prejudicasse a tranqüilidade. Isabel, portanto, apenas pode ver, mais ou menos, a vigésima parte dos serviços espirituais em que colabora, de modo direto..."
Acomodados e refeitos, mais tarde acompanham o culto do Evangelho no lar, quando Isabel instrui amorosamente seu filhos.

E quando a generosa viúva recolhe-se com eles, em pequeno aposento, para o sono restaurador, dirigem-se os três até o jardim, onde André observa estranho fenômeno: uma pequenina espiritual, em companhia de sua mãe, também desencarnada, encanta-se com um cravo perfumado, colhendo-o, incontinenti. Imediatamente, a parte material do cravo murcha e tomba. Depois, à eminência de forte aguaceiro, vêem entidades inferiores, algumas monstruosas, buscando abrigo junto à casa, e recuando imediatamente, espantadas e receosos. Voltando ao interior, surpreendem-se com a presença de Isabel, já desligada do corpo pelo sono, lindamente vestida em companhia de Isidoro, em expressões de sublime noivado.

As atividades na singela oficina desenvolvem-se noite a dentro, com muitos encarnados, fora das vestes físicas vindo ao encontro de familiares desencarnados, para colher instrução e consolo.
Observando a oficina, em trabalho altamente edificante e restaurador, André inquire de Aniceto: "Haverá, porém, centros de reunião para os espíritos desequilibrados no mal, como acontece, aqui, aos amigos interessados no bem?"
O generoso mentor sorri, benévolo, e responde: "Não haja dúvidas quanto à isto. Através das correntes magnéticas suscetíveis de movimentação, quando se efetua o sono dos encarnados, são mantidas obsessões inferiores, perseguições permanentes, explorações psíquicas de baixa classe, vampirismo destruidor, tentações diversas. Ainda são poucos, relativamente, os irmãos encarnados que sabem dormir para o bem..."

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Título: Re: FCXavier - Série André Luiz - 2 - OS MENSAGEIROS
Enviado por: Det's me!... em 27 de Outubro de 2005, 02:26
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RUMO AO CAMPO -

No dia seguinte, antes do meio dia, Aniceto, que se desincumbira da tarefa lhe dada por Telésforo, em "Nosso Lar", durante a madrugada, convida André e Vicente para acompanhá-lo. Inquirido por um vigilante amigo sobre o local para onde iriam, Aniceto apenas responde: "Vamos ao campo." Pelo caminho, nas ruas, mais observações dignas de espanto: vagando pelo chão, nuvens compactas de bactérias variadas, flutuando em grupos e obedecendo ao princípio de afinidades. Aniceto os exorta a observações mais acuradas: "Observem os grandes núcleos pardacentos ou completamente obscuros!..." - diz.

"São zonas de matéria mental inferior, matéria que é expelida incessantemente por certa classe de pessoas. Se demorarmos em nossa investigação, veremos igualmente os monstros que se arrastam nos passos das criaturas, atraídos por elas mesmas..." E imprimindo grave inflexão às palavras, considera: "Tanto assalta o homem a nuvem de bactérias destruidoras da vida física, quanto as formas caprichosas das sombras que ameaçam o equilíbrio mental. Como vêem, o "orai e vigiai" do Evangelho tem profunda importância em qualquer situação e a qualquer tempo.

Somente os homens de mentalidade positiva, na esfera da espiritualidade superior, conseguem sobrepor-se às influências múltiplas de natureza menos digna." Interessado em maiores esclarecimentos, André pergunta: "Mas a matéria mental emitida pelo homem inferior tem vida própria como o núcleo de corpúsculos microscópicos de que se originam as enfermidades corporais?

Sorrindo singularmente, o mentor acentua: "Como não? Vocês, presentemente, não desconhecem que o homem terreno vive num aparelho psicofísico, Não podemos considerar somente, no capítulo das moléstias, a situação fisiológica propriamente dita, mas também o quadro psíquico da personalidade encarnada. Ora, se temos a nuvem de bactérias produzidas pelo corpo doente, temos a nuvem de larvas mentais produzidas pela mente enferma, em identidade de circunstâncias.

Desse modo, na esfera das criaturas desprevenidas de recursos espirituais, tanto adoecem corpos, como almas. No futuro, por esse mesmo motivo, a medicina da alma absorverá a medicina do corpo. Poderemos, na atualidade da Terra, fornecer tratamento ao organismo de carne. Semelhante tarefa dignifica a missão de consolo, da instrução e do alívio. Mas, no concerne à cura real, somos forçados a reconhecer que esta pertence exclusivamente ao homem espírito."

Vicente se espanta: "Deus meu! A que perigos está submetido o homem comum!" Completando o esclarecimento, proclama Aniceto, após pausa mais longa: "Todos precisamos saber emitir e saber receber. Para alcançarmos a posição de equilíbrio, neste mister, empenham-se os homens encarnados e nós outros, em luta incessante. E já que conhecemos alguma coisa da eternidade, é preciso não esquecer que toda queda prejudica a realização, e todo esforço nobre ajuda sempre."

Sequioso de ensinamentos, André Luiz torna ao assunto: "A lição para mim tem valores incalculáveis. E quando penso no alto poder reprodutivo da flora microbiana..." Aniceto, conhecendo de antemão a pergunta, corta-lhe a frase, exclamando: "Sim, André, se não fosse o poder muito maior da luz solar, casada ao magnetismo terrestre, poder esse que destrói intensivamente para selecionar as manifestações da vida, na esfera da Crosta, a flora microbiana de ordem inferior não teria permitido a existência dum só homem na superfície do globo. Por esta razão, o solo e as plantas estão cheios de princípios curativos e transformadores."

ENTRE ÁRVORES -

Decorridos alguns minutos, encontram-se em pequena propriedade rural, povoada de arvoredo acolhedor. Aniceto explica: "Reina aqui a paz relativa e equilibrada. Nem a selvageria da mata, nem a sufocação dos fluidos humanos. O campo é nosso generoso caminho central, a harmonia possível, o repouso desejável." Na relva veludosa, descansam os três, durante algumas horas, magnificamente asilados no templo da Natureza. Ao crepúsculo, Aniceto convida-os a passeio rápido pelas imediações. Mas a atenção do pequeno grupo é atraída para um significativo movimento na estrada próxima.

Dirigindo-se para lá, são defrontados por um quadro interessante: um homem jaz por terra, numa poça de sangue, tendo a seu lado um pequeno veículo sustentado por um muar impaciente, dando mostras de grande inquietação. São informados, então, de que o homem tanto surrara o pobre animal, tanto o atormentara o dia todo, que ele lhe devolvera a ingratidão com um coice. Indicando o grupo que conduzia o ferido a uma casa próxima, Aniceto conclui, sereno: "Como homem comum, nosso pobre amigo sofrerá muitos dias, chumbado ao leito; entre as aflições dos familiares, demorar-se-á um tanto s restabelecer o equilíbrio orgânico; mas, como espírito eterno, recebeu agora uma lição útil e necessária."

EVANGELHO EM AMBIENTE RURAL -

Mais tarde, a pedido dos trabalhadores da região, Aniceto promove um Evangelho ao ar livre. O tema, retirado do Livro Sagrado, é lido por ele, em voz alta: "Porque a ardente expectação da criatura espera a manifestação dos filhos de Deus. Porque a criação ficou sujeita à vaidade, não por sua vontade, mas por causa do que a sujeitou, na esperança de que também a mesma criatura será libertada da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus. (Epístola aos Romanos, cap. 8, vs 19,20,21) ".

Narra André: "Todos os colaboradores espirituais da região, ali presentes, demonstravam grande interesse pela palavra de Aniceto.

Tudo era de aspecto imponente e calmo na Natureza. Um rebanho bovino acercara-se de nós, atraído por forças magnéticas que não consegui compreender. Alguns muares humildes chegaram, igualmente, de longe. E as aves tranqüilizavam-se nas frondes fartas, sem um pio. A única voz que toava, leve e branda, era a do vento, sussurrando harmonia e frescura. A paisagem não podia ser mais bela, vestida em outro líquido do Poente. Excetuada a rusticidade natural do quadro vivo, o ambiente sugeria recordações fiéis dos verdes salões de "Nosso Lar"." Sob a forte impressão da platéia, e dos dois aprendizes, Aniceto explana sobre a exploração humana na natureza, notadamente sobre o nitrogênio, indispensável à manutenção da vida, e convertida em tragédia mundial pela cobiça desvairada do homem.

Finalizando, diz: "Ajudemos o homem a compreender, para que se organize uma era nova. Auxiliemo-lo a amar a terra, antes de explorá-la no sentido inferior, a valer-se da cooperação dos animais, sem os recursos do extermínio! Nessa época, o matadouro será convertido em local de cooperação, onde o homem atenderá os seres inferiores e onde esses atenderão as necessidades do homem, e as árvores úteis viverão no meio do respeito que lhes é devido. Nesse tempo sublime a indústria glorificará o bem e, sentindo-se o entendimento, a boa vontade e a veneração às leis divinas, permitir-nos-á o Senhor, pelo menos em parte, a solução do problema técnico de fixação do nitrogênio da atmosfera. Ensinemos aos nossos irmãos que a vida não é um roubo incessante, em que a planta lesa o solo, o animal extermina a planta e o homem assassina o animal, mas um movimento de permuta divina, de cooperação generosa, que nunca perturbaremos sem grave dano à própria condição de criaturas responsáveis e evolutivas! Não condenemos! Auxiliemos sempre! Contemplando os animais e aves próximas com simpatia, como se estivesse a endereçar-lhes profundos pensamentos de amor, Aniceto conclui:

"Observamos com o Evangelho que a criação aguarda ansiosamente a manifestação dos filhos de Deus encarnados! Concordamos que as criaturas inferiores têm suportado o peso de iniqüidades imensas! Continuemos em auxílio delas, mas não nos percamos em vãs contendas.

Os homens esperam também a nossa manifestação espiritual! Desse modo, ajudemos a todos, no capítulo do grande entendimento."

ANTES DA REUNIÃO -

Findo o Evangelho, retornam os três para a residência de Isabel, a fim de participar dos trabalhos da noite. Os preparativos para a reunião são ativos e complexos. Longas faixas fluídicas são utilizadas para dividir a sala de modo singular. André observa, supreso, que o próprio ar também é magnetizado. Aniceto vem em seu socorro: "Não se impressione, André. Em nossos serviços, o magnetismo é força preponderante. Somos compelidos a movimentá-lo em grande escala."

Noutra ordem de serviço, Isabel e sua filha Joaninha chegam ao salão dispondo arranjos diferentes. Usam, largamente, a vassoura e o espanador, revestindo a mesa de toalha muito alva e colocando sobre ela pequenos recipientes de água pura. A uma ordem de um dos superiores daquele templo doméstico, espalham-se vigilantes, em derredor da moradia singela e logo após, alguns minutos além das dezoito horas, começam a chegar os necessitados da esfera invisível ao homem comum.

Conta André: "Aqueles rostos esqueléticos causavam compaixão. Chegavam ao recinto aquelas entidades perturbadas, em pequenos magotes, seguidas de orientadores fraternais. Pareciam cadáveres erguidos do leito de morte. Alguns se locomoviam com grande dificuldade. Tínhamos diante dos olhos uma autêntica reunião de "coxos e estropiados", segundo o símbolo evangélico." Aniceto, paternal, esclarece: "Em maioria, são irmãos abatidos e amargurados, que desejam a renovação sem saber como iniciar a tarefa. Aqui, poderemos observar apenas sofredores dessa natureza, porque o santuário familiar de Isidoro e Isabel não está preparado para receber entidades deliberadamente perversas. Cada agrupamento tem seus fins."

Profunda angústia estampava-se na face dos recém-chegados. Senhoras em pranto eram numerosas. Algumas entidades mantinham as mãos no ventre, calcando regiões feridas. Não eram poucas as que traziam ataduras e faixas. "Muitos - diz Aniceto -, "não concordam, ainda, com as realidades da morte corporal. E toda essa gente, de modo geral, está prisioneira da idéia da enfermidade. Existem pessoas, e vocês, como médicos, as terão conhecido largamente, que cultivam as moléstias com verdadeira volúpia. Apaixonam-se pelos diagnósticos exatos, acompanham no corpo, com indefinível ardor, a manifestação dos indícios mórbidos, estudam a teoria da doença de que são portadoras, como jamais analisam um dever justo no quadro das obrigações diárias, e quando não dispõem das informações nos livros, estimam a longa atenção dos médicos, os minuciosos cuidados da enfermagem e as compridas dissertações sobre a enfermidade de que constituem voluntárias prisioneiras. Sobrevindo a desencarnação, é muito difícil o acordo entre elas e a verdade. Às vezes, no fundo, são boas almas, dedicadas aos parentes de sangue e aproveitáveis na esfera restrita de entendimento a que se recolhem, mas, no entanto, carregadas de viciação mental por muitos séculos consecutivos."

ASSISTÊNCIA -

A paisagem de sofrimento, desdobrada aos olhos de André Luiz, lembravam-lhe o ambiente das Câmaras de Retificação. Aniceto, entendendo-se com Isidoro, chamou, resoluto, os dois aprendizes ao serviço. André objeta se estará preparado para semelhante tarefa e o instrutor lhe responde, com voz firme, que toda competência e especialização no mundo, nos setores de serviço, constituem o desenvolvimento da boa vontade, bastando o sincero propósito de cooperação e a noção de responsabilidade que se seja iniciado, com êxito, em qualquer trabalho novo.
André, estimulado pelas palavras do mentor amigo, recorda-se de Narcisa, a dedicada irmã dos infortunados, que permanece em "Nosso Lar" quase sempre sem repouso, como prisioneira do sacrifício. Recorda-lhe a voz fraterna e carinhosa, em precioso conselho: "André, meu amigo, nunca te negues, quanto possível, a auxiliar os que sofrem. Ao pé dos enfermos, não olvides que o melhor remédio é a renovação da esperança; se encontrares os falidos e os derrotados da sorte, fala-lhes do divino ensejo do futuro, se fores procurado, algum dia, pelos espíritos desviados e criminosos, não profiras palavras de maldição. Anima, eleva, educa, desperta, sem ferir os que ainda dormem. Deus opera maravilhas por intermédio do trabalho de boa vontade!"

Sem mais hesitação, André dispõe-se ao serviço. Aniceto designa-lhe um grupo de seis enfermos espirituais. A primeira pessoa a ser atendida, uma senhora profundamente abatida, que lastima a cegueira, recebe dele o passe de alívio sobre os olhos. Pronunciando palavras de animação, às quais ligava a melhor essência de suas intenções, André Luiz concentrou suas possibilidades magnéticas de auxílio na zona perturbada. Dentro de instantes a desencarnada desferiu um grito de alegria: "Vejo! Vejo!" e ajoelhou-se, num gesto instintivo, para render graças, enquanto inquiria comovidamente: "Quem sois vós, emissário do bem?"

Dominado de profunda emoção, que não conseguia sofrear, André entrega-se em uma onda de pensamentos novos. Enquanto a enferma espiritual se desfaz em lágrimas de louvor, igualmente ele deixa o pranto inundar-lhe as faces, sem que possa retê-lo nos recônditos mananciais do coração. Aniceto, porém, aproxima-se delicadamente, falando-lhe em voz baixa: "André, a excessiva contemplação dos resultados pode prejudicar o trabalhador. Em ocasiões como esta, a vaidade costuma acordar dentro de nós, fazendo-nos esquecer o Senhor. Não olvides que todo bem procede d'Ele, que é a luz de nossos corações. Somos seus instrumentos nas tarefas de amor. O servo fiel não é aquele que inquieta pelos resultados, nem o que permanece enlevado na contemplação deles, mas justamente o que cumpre a vontade divina do Senhor e passa adiante."

As palavras poderosas de Aniceto são profundamente significativas. Creditando a Jesus a dádiva do momento, perante a jubilosa mulher, André passa adiante, aproximando-se do enfermo próximo.
Deste modo, atende um infeliz vitimado pelo câncer, desencarnado na Gamboa (Rio), que acusa sensível melhora, dois ex-tuberculosos do Encantado, uma senhora desencarnada em Piedade, em conseqüência de um tumor maligno, e a um rapaz de Olaria, que se desprendeu durante um choque operatório. Nenhum dos quatro últimos enfermos manifesta qualquer alívio, persistindo as mesmas indisposições orgânicas. Aniceto esclarece, ao final dos trabalhos: "As atividades de assistência se processam conforme observam aqui. Alguns se sentem curados, outros acusam melhoras, e a maioria parece continuar impermeável ao serviço de auxílio...

Devemos esmagadora percentagem desses padecimentos à falta de educação religiosa. Não me refiro, porém, àquela que vem do sacerdócio ou que parte da boca de uma criatura para os ouvidos de outra. Refiro-me à educação religiosa, íntima e profunda, que o homem nega sistematicamente a si mesmo."

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Título: Re: FCXavier - Série André Luiz - 2 - OS MENSAGEIROS
Enviado por: Det's me!... em 27 de Outubro de 2005, 02:30
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MENTE ENFERMA -

"Aqui não comparecem apenas os desencarnados enfermos."- diz Aniceto, observando e trabalhando sempre - "Reparem os encarnados. Entre o nosso círculo e a assembléia dos irmãos corporificados, a percentagem de trabalhadores em relação ao número de doentes e necessitados é quase a mesma." E designa cavalheiro aprumado e bem posto, que se mantêm em palestra com o senhor Bentes, doutrinador da casa. "Vejam este amigo rodeado de sombra, em conversação com o colaborador de nossa irmã Isabel. Ouçam-lhe a palavra e depois ajuízem." - completa.

O cavalheiro indicado rodeava-se de pequenas nuvens, mormente ao longo do cérebro. E asseverava com ênfase: "Há muito freqüento as reuniões espiritistas, à procura de alguma coisa me satisfaça; no entanto - e sorriu ironicamente -, ou a minha infelicidade é maior que a dos outros ou estamos diante de mistificação mundial. Tenho estudado muitíssimo, não me furtando ao crivo da razão rigorosa. Já devorei extensa literatura relativa à sobrevivência humana e, todavia, nunca obtive uma prova. O Espiritismo está cheio de teses sedutoras, mas o terreno se mostra cheio de dúvidas. A obra de Kardec, inegavelmente, representa extraordinária afirmação filosófica, entretanto, encontramos com Richet um acervo de perspectivas novas. A metapsíquica corrigiu muitos vôos da imaginação, trazendo à análise pública observações mais profundas sobre pos desconhecidos poderes do homem. No exame dessas verdades científicas, o mediunismo foi reduzido em suas proportções. Precisamos de um movimento de racionalização, ajustando os fenômenos a critério adequado. Todavia, meu caro Bentes, vivemos em paisagem de mistificações sutis, distantes das demonstrações exatas."

A essa altura, o interlocutor, muito calmo e seguro na fé, intervêm, considerando: "Concordo, Dr. Fidélis, em que o Espiritismo não deva fugir a toda espécie de considerações sérias; contudo, creio que a doutrina é um conjunto de verdades sublimes, que se dirigem, de preferência, ao coração humano. É impossível auscultar-lhe a grandeza divina com a nossa imperfeita faculdade de observação, ou recolher-lhe as águas puras com o vaso sujo de nossos raciocínios viciados nos erros de muitos milênios. Ao demais, temos aprendido que a revelação de ordem divina não é trabalho mecânico em leis de menor esforço. Lembremos que a missão do Evangelho com o Mestre, foi precedida por um esforço humano de muitos séculos. Antes de morrerem os cristãos nos circos do martírio, quantos precursores de Jesus foram sacrificados? Primeiramente, devemos construir o receptáculo, em seguida alcançaremos a bênção. A Bíblia, sagrado livro dos cristãos, é o encontro da experiência humana, cheia de suor e lágrimas, consubstanciada no Velho Testamento, com a resposta celestial, sublime e pura, no Evangelho de Nosso Senhor."

André nota que o cavalheiro, que atendia pelo nome de Dr. Fidélis, sorria de modo vago, entre a ironia e a vaidade ferida. Bentes, no entanto, sem perder a oportunidade continua: "Se todo serviço sério da existência humana é alguma coisa de sagrado aos nosso olhos, que dizer da expressão divina no trabalho planetário? E considerando a essência do serviço na organização do mundo, que seria de nós se um punhado de espíritos amigos e sábios nos arrebatassem à visão ampla de orbes superiores, impelindo-nos para eles, precipitadamente, tão só pelo fato de nos dispensarem, como indivíduos, uma estima santa? Estaríamos preparados para a mudança radical? Saberemos o que vem ser a vida num orbe superior?

Teremos trabalhado bastante para entender os divinos desígnios? E a Terra? E as nossas milenárias dívidas para com o planeta que nos tem suportado as imperfeições? Como residir nos andares mais altos, sem drenar os pântanos que jazem embaixo? Estas considerações tornam-se imprescindíveis no exame de argumentação como a sua, porquanto não poderemos ajuizar, com precisão, as correntes generosas de um rio caudaloso, observando tão somente as gotas recolhidas no dedal de nossas limitações."

Sem dar-se por vencido, o pesquisador renitente acentua a expressão irônica do rosto e revida: "Você fala como homem de fé, esquecendo que meu esforço se dirige à razão e à ciência. Quero referir-me às ilações inevitáveis da consulta livre, às farsas mediúnicas de todos os tempos. Você está informado de que cientistas inúmeros examinaram as fraudes dos mais célebres aparelhos do mediunismo, na Europa e na América. Ora, que esperar de uma doutrina confiada a mistificadores continentais?"

Bentes, muito sereno, responde, revidando: "Está enganado, meu amigo. Estaríamos laborando em erro grave, se colocássemos toda responsabilidade doutrinária nas organizações mediúnicas. Os médiuns são simples colaboradores do trabalho de espiritualização. Cada um responderá pelo que fez das possibilidades recebidas, como nós também seremos compelidos a contas necessárias, algum dia. Não poderíamos cometer o absurdo de atribuir a concentração de todas as verdades divinas somente na cabeça de alguns homens, candidatos a novos cultos de adoração. A doutrina, Dr. Fidélis, é uma fonte sublime e pura, inacessível aos pruidos individualistas de qualquer de nós, fonte na qual cada companheiro deve beber a água da renovação própria.

Quanto às fraudes mediúnicas a que se refere, é forçoso reconhecer que a pretensa infabilidade científica tem procurado converter os mais nobres colaboradores dos desencarnados em grandes nervosos ou em simples cobaias de laboratório. Os pesquisadores, atualmente batizados como metapsiquistas, são estranhos lavradores que enxameiam no campo de serviço sem nada produzirem de fundamentalmente útil. Inclinam-se para a terra, contam os grãos de areia e os vermes invasores, determinam o grau de calor e estudam a longitude, observam as disposições climáticas e anotam as variações atmosféricas, mas, com grande surpresa para os trabalhadores sinceros, desprezam a semente."

Dr. Fidélis deixa de sorrir e observa: "Vamos ver, vamos ver... Espero a mensagem dos meus com os sinais iniludíveis da sobrevivência, após a morte..."
Aniceto, tocando André e Vicente de leve, lhes diz: "Repararam com este homem traz a mente enfermiça? É um dos curiosos doentes, encarnados. Tem vasta cultura e, todavia, como traz o sentimento envenenado, tudo quanto lhe cai nos raciocínios participa da geral intoxicação. É pesquisador de superfície, como ocorre a muita gente. Tudo espera dos outros, examina seu semelhante, mas não ausculta a si mesmo. Quer a realização divina sem o esforço humano; reclama a graça, formulando a exigência; quer o trigo da verdade, sem participar da semeadura; espera a tranqüilidade pela fé, sem dar-se ao trabalho das obras; estima a ciência sem consultar a consciência; prefere a facilidade sem filiar-se à responsabilidade, e, vivendo no torvelinho de continuadas libações, agarrado aos interesses inferiores e à satisfação dos sentidos físicos, em caráter absoluto, está aguardando mensagens espirituais..."
As conclusões interessantes do instrutor amigo surpreendem os dois aprendizes. Vicente, sob forte impressão, pergunta: "Afinal de contas, que deseja esse homem?"

Aniceto sorri e responde: "Também ele teria imensas dificuldades para responder. Para nós outros, o Dr. Fidélis é um desses enfermos que ainda não se dispuseram a procurar o alívio, pelo demasiado apego à sensação."

APRENDENDO SEMPRE -

Faltando ainda mais de uma hora para o início da preleção de Bentes, o serviço espiritual já era intensíssimo.
Para a esfera dos encarnados, podia-se contar trinta e cinco pessoas, porém, no círculo dos desencarnados, o número de necessitados excedia de duas centenas. Muitas entidades perturbadas, acompanhantes dos encarnados, encontravam-se no recinto, igualmente, mas em local apropriado, cercado de elementos de maior vigilância.
Nota André, num ângulo da grande mesa, numerosas indicações de receituários e assistência. O mais variados nomes ali se enfileiram. Muitos pedindo conselhos médicos, orientações, assistência e passes. E todos afirmando necessitadas de amparo e socorro imediato. "Mas recebem elas tudo quanto pedem?" - indaga André. Aniceto esclarece: "Recebem o que precisam."

NO TRABALHO ATIVO -

A explanação de Bentes, obedecendo à inspiração de um emissário de nobre posição, presente à assembléia, é recebida com respeito geral, no círculo das entidades desencarnadas.
Na esfera dos encarnados, porém, não há o mesmo traço de harmonia, pela instabilidade de pensamento. A expectativa ansiosa dos presentes perturba a corrente vibratória. De quando em quando, é possível surpreender determinados desequilíbrios que afetam, particularmente, a organização mediúnica de Isabel e a posição receptiva de Bentes que parece perder "o fio das idéias". Nestes casos, o ritmo é restabelecido quanto possível, porém repara André e demais companheiros alguns encarnados se mantêm irriquietos em demasia, notadamente os mais novos em conhecimentos doutrinários, estes exibindo enorme irresponsabilidade. Pelas imagens mentais expelidas, é possível notar que suas mentes vagam muito longe dos comentários edificantes. Alguns se mantêm presos aos quefazeres domésticos, outros dão mostras de impaciência por não lograrem a realização imediata dos propósitos que os trouxeram até ali. Aniceto, discretamente, vem em socorro de André e Vicente: "Muitos estudiosos do Espiritismo se preocupam com o problema da concentração, em trabalhos de natureza espiritual. Não são poucos os que estabelecem padrão ao aspecto exterior da pessoa concentrada, os que exigem determinada atitude corporal e os que esperam resultados rápidos nas atividades dessa ordem.

Entretanto, quem diz concentrar, forçosamente se refere ao ato de congregar alguma coisa. Ora, se os amigos encarnados não tomam a sério as responsabilidades que lhes dizem respeito, fora dos recintos de prática espiritista, se, por ventura são cultores da leviandade, da indiferença, do erro deliberado e incessante, da teimosia, da inobservância interna dos conselhos de perfeição cedidos a outrem, que poderão concentrar nos momentos fugazes de serviço espiritual? Boa concentração exige vida reta. Para que os nossos pensamentos se congreguem uns aos outros, fornecendo o potencial de nobre união para o bem, é indispensável o trabalho preparatório de atividades mentais na meditação de ordem superior. A atitude íntima de relaxamento, ante as lições evangélicas recebidas, não pode conferir ao crente, ou ao cooperador, a concentração de forças espirituais no serviço de elevação, tão só porque se entreguem, apenas por alguns minutos na semana, a pensamentos compulsórios de amor cristão."
Repara André com mais atenção os circunstantes encarnados: não fosse o devotamento dos colaboradores espirituais, se tornaria impossível qualquer proveito concreto. Isidoro e outros amigos trabalham com ardor, despertando alguns dorminhocos e reajustando o pensamento dos invigilantes, na tentativa de neutralizar determinadas influências nocivas.

PAVOR DA MORTE -

André Luiz se questiona, intimamente, do motivo de tantos desencarnados estarem ali reunidos. Não poderiam congregar-se em lugares igualmente espirituais? Respeitosamente, interroga Aniceto a respeito, obtendo a explicação do generoso mentor:

"De fato, André, a maioria dos desencarnados recebe esclarecimentos justos em nossa esfera de ação. Você mesmo, nos primórdios da nova experiência espiritual, não foi conduzido ao ambiente de nossos amigos corporificados para o necessário encaminhamento. Grande número de criaturas, porém, na passagem para cá, sentem-se possuídas de "doentia saudade do agrupamento", como acontece, noutro plano de evolução, aos animais, quando sentem a mortal "saudade do rebanho". Para fortalecer as possibilidades de adaptação dois desencarnados dessa ordem ao novo "habitat", o serviço de socorro é mais eficiente, ao contato das forças magnéticas dos irmãos que ainda se encontram envolvidos nos círculos carnais. Esta sala, em momentos como este, funciona como grande incubadora de energias psíquicas, para o serviço de aclimação de certas organizações espirituais à vida nova."

E designando a grande assembléia de necessitados, prossegue: "Os irmãos nas condições a que me refiro, ouvem-nos a voz, consolam-se com o nosso auxílio, mas o calor humano está cheio de um magnetismo de um teor mais significativo, para eles. Com semelhante contato, experimentam o despertar de forças novas. Por isso, o trabalho de cooperação, em templos dessa espécie, oferece proporções que você, por agora, não conseguiria imaginar. Não observou os preguiçosos, os dorminhocos e os invigilantes que vieram colher benefícios nesta casa? Pois eles também deram alguma coisa de si... Deram calor magnético, irradiações vitais proveitosas aos benfeitores desse santuário doméstico, que manipulam os elementos dessa natureza, distribuindo-os em valiosas combinações fluídicas às entidades combalidas e inadaptadas."
Finda a reunião, com benefícios gerais, dirigem-se, Aniceto, André e Vicente até um edifício de grandes proporções. Gentil, o mentor os conduz até o interior de um espaçoso necrotério, onde se defrontam por um quadro interessante: o cadáver de uma jovem de menos de trinta anos, ali jaz gelado e rígido, tendo a seu lado uma entidade masculina, seu antigo noivo, em atitude de zelo. Com assombro, André nota que a desencarnada está unida aos despojos, parecendo recolhida a si mesma, sob forte impressão de terror.

A entidade a chama, porém mais ela se aterroriza. Aniceto pede-lhe que se afaste, e então fala com a jovem desencarnada, como se fosse novo médico. A moça se alegra, dando graças, julgando que estivera sob império de terrível pesadelo, e submete-se ao passe magnético do mentor, adormecendo imediatamente. Retirando-a dos despojos, Aniceto a entrega nos braços do noivo jubiloso, que se afasta, volitando, levando nos braços o suave fardo de seu amor. Depois esclarece André e Vicente: "Pela bondade natural do coração e pelo cultivo espontâneo da virtude, não precisará de provas purgatoriais. É de lamentar, contudo, não se tivesse preparado na educação religiosa dos pensamentos. Em breve, porém, ter-se-á adaptado à vida nova. Os bons não encontram obstáculos insuperáveis."
E, desejoso talvez de consubstanciar a síntese da lição, arremata: "Como vêem, a idéia da morte não serve para aliviar, curar ou edificar verdadeiramente. É necessário difundir a idéia da vida vitoriosa. Aliás, o Evangelho já nos ensina, há muitos séculos, que Deus não é o Deus dos mortos, e, sim, o Pai das criaturas que vivem para sempre."


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Título: Re: FCXavier - Série André Luiz - 2 - OS MENSAGEIROS
Enviado por: Det's me!... em 27 de Outubro de 2005, 02:33
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MÁQUINA DIVINA - Alguns minutos depois, estão ao lado de um agonizante, cuja situação preocupava o clínico espiritual que o atendia. Um homem, de aproximadamente sessenta anos, a quem a leucemia aniquilava morosamente. Aniceto examina o enfermo detidamente e sentencia: "Nada resta senão a necessidade de concurso para o desligamento final." Em seguida, convida André e Vicente a uma observação mais detalhada do enfermo.
Concentrando todas as suas possibilidades, André Luiz fixa o enfermo prestes a desencarnar. Nota com minúcias, que a alma se retira lentamente através de pontos orgânicos insulados. Mas, assombrado, verifica que bem no centro do crânio, há um foco de luz mortiça, candelabro aceso às ondulações brandas do vento. Enche toda a região encefálica, despertando no aprendiz profunda admiração.

"A luz que você observa" - , diz-lhe Aniceto, - é a mente, para cuja definição essencial não temos, por agora, conceituação humana." E auxiliando-o, coloca a mão na sua fronte, transmitindo-lhe vigoroso influxo magnético. Assim, André pode ver o corpo do moribundo agigantando-se e oferecendo um espetáculo surpreendente. O quadro científico era simplesmente estupefativo. Identificava, em grandes proporções, os nove sistemas de órgãos da máquina humana: o arcabouço ósseo, a musculatura, a circulação sangüínea, o aparelho de purificação do sangue consubstanciado nos pulmões e nos rins, o sistema linfático, o maquinismo digestivo, o sistema nervoso, as glândulas hormonais e os órgãos do sentido.

O plasma sanguíneo figura-se à André líquido estranho e gangrenoso.
Aniceto compreende a sua profunda admiração: "Está vendo a máquina divina, formada pelo molde espiritual preexistente? O corpo do homem encarnado é um tabernáculo e uma bênção. Nessa hecatombe angustiosa de uma existência, pode você reparar que todos os movimentos do corpo estão subordinados à administração da mente. O organismo vivo, André, representa uma conquista laboriosa da Humanidade terrestre, no quadro de concessões do Eterno Pai. Pode você, identificar os movimentos da matéria viva. Cada órgão é um departamento autônomo na esfera celular, subordinado ao pensamento do homem.

Cada glândula é um centro de serviços ativos. Há muita afinidade física entre o corpo e a máquina moderna. São ambos impulsionados pela carga de combustível, com a diferença de que no homem a combustão química obedece ao senso espiritual que dirige a vida organizada. É na mente que temos o governo dessa usina maravilhosa. Não possuímos, aí, tão somente o caráter, a razão, a memória, a direção, o equilíbrio, o entendimento; mas, também, o controle de todos os fenômenos da expressão corpórea. Na sede mental e, conseqüentemente, no cérebro, temos todos os registros de distribuição dos princípios vitais aos núcleos celulares, inclusive a água e o açúcar. Os centros metabólicos são grandes oficinas de trabalho incessante. A mente humana, ainda que indefinível pela conceituação científica limitada, na Terra, é o centro de toda manifestação vital no planeta. Cada órgão, cada glândula, meu amigo, integra o quadro de serviço da máquina sublime, construída no molde sutil do corpo espiritual preexistente e, por isso mesmo, chegará o tempo em que a Ciência reconhecerá qualquer abuso do homem como ofensa causada a si mesmo.. A usina humana é repositório de forças elétricas de alto teor construtivo ou destrutivo. Cada célula é um minúsculo motor, trabalhando ao impulso mental."
Usando do artifício da "súbita melhora", Aniceto retira dali alguns familiares do moribundo que o retinham no corpo através de fios fluídicos, processando-se, enfim, o desligamento.

NAS DESPEDIDAS -

Depois de outras atividades espirituais numerosas, finda a semana de serviço a que Aniceto admitiu André Luiz e Vicente em sua companhia.
Terminado o serviço de orações, na ultima reunião semanal da residência de Isidoro e Isabel, grande número de amigos de Aniceto acercam-se do instrutor, ansiosos por partilharem a luz da conversação de despedidas.
André e Vicente tem os olhos úmidos, desejando externar, verbalmente o reconhecimento pelas bênçãos recolhidas, mas, ao se aproximarem do abnegado orientador, ele lhe sorri e antecipa: "Agradeçam a Jesus pelo muito que nos tem dado."
Mais tarde, aguardam o sono da valorosa trabalhadora, para as despedidas finais. Trazendo Isabel e Isidoro ao peito, Aniceto fixa os olhos no alto e ora com sublime beleza:

"Senhor, ensina-nos a receber as bênçãos do serviço! Ainda não sabemos, Amado Jesus, compreender a extensão do trabalho que nos confiaste. Permite, Senhor, possamos formar em nossa alma a convicção de que a Obra do Mundo te pertence, a fim de que a vaidade não se insinue em nossos corações com as aparências do bem!
Dá-nos, Mestre, o espírito de consagração aos nossos deveres e desapego aos resultados que pertencem ao teu amor!
Ensina-nos a agir sem as algemas das paixões, para que reconheçamos os teus santos objetivos!
Senhor Amorável, ajuda-nos a ser teus leais servidores,
Mestre Amoroso, concede-nos, ainda, as tuas lições,
Juiz Reto, conduze-nos aos caminhos direitos,
Médico Sublime, restaura-nos a saúde.
Pastor Compassivo, guia-nos à frente das águas vivas.
Engenheiro Sábio, dá-nos o teu roteiro,
Administrador Generoso, inspira-nos a tarefa,
Semeador do Bem, ensina-nos a cultivar o campo de nossas almas,
Carpinteiro Divino, auxilia-nos a construir nossa casa eterna,
Oleiro Cuidadoso, corrige-nos o vaso do coração,
Amigo Desvelado, sê indulgente, ainda, para com as nossas fraquezas,
Príncipe da Paz, compadece-te de nosso espírito frágil, abre nossos olhos e mostra-nos a estrada de teu Reino!..."
Aniceto cala-se, comovido, e, de olhos úmidos, contendo a custo as lágrimas do seu reconhecimento, André Luiz incorpora-se à nobre caravana que seguirá com o grupo de regresso a "Nosso Lar"


........FIM......