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GERAL => Outros Temas => Livros Espíritas => Tópico iniciado por: ram-wer em 09 de Dezembro de 2013, 00:00

Título: Entrevistas com os espíritos (Antônio Carlos)
Enviado por: ram-wer em 09 de Dezembro de 2013, 00:00
(http://www.forumespirita.net/fe/livros/entrevistas-com-os-espiritos-(antonio-carlos)/?action=dlattach;attach=60071)


Entrevistas com os espíritos

(Antônio Carlos, Vera Lúcia Marinzeck de Carvalho, Editora Petit)

Quando comecei a ler esse livro, falei sobre ele no tópico Que livro espírita estás a ler? Terminei a leitura há um mês, mas fiquei em dúvida sobre se deveria fazer um artigo específico pra ele. Agora tá aqui.

Uma coisa é o teor de utilidade moral de um livro espírita. Nesse ponto o livro é bem útil. Outra coisa é o prazer da leitura, o interesse que os capítulos vão despertando.

Já li trabalhos mais atraentes do Antônio Carlos. Morri! E agora? foi uma ótima leitura. Também tinha algumas entrevistas, se me lembro. Um novo recomeço também foi muito interessante.

É tudo questão de gosto. Varia de leitor pra leitor. Não consigo ler muita filosofia se ela não tiver os pés no chão. Também acho difícil avançar numa série de entrevistas que pouco informam do entrevistado. Sim, prefiro descrições detalhadas. Não precisa chegar aos botões da blusa, salvo se forem muito diferentes, rs. Porém ficaria mais digerível se houvesse a preocupação de ambientar o leitor.

É isso: gosto de descrições que dão boa ideia do ambiente e das pessoas envolvidas. Livro não é história em quadrinho nem filme. Se o escritor não descreve as pessoas e o ambiente, fica faltando algo.

Mas o Antônio é o Antônio, e o Conde Rochester é o Conde Rochester. Cada um ao seu jeito. Um vai direto ao assunto e deixa o leitor meio no ar. O outro vai no perfume que a rainha usava, sem esquecer dos fornecedores do palácio que lhe levavam essências raras da Pérsia.

Entrevistas com os espíritos foi lançado em 2011. Tem 265 páginas na versão física. Por enquanto só tem a versão em papel mesmo. Gostaria de ver muitos livros da Petit no Kobo e no Kindle, em vez de somente à base de árvore.



Eis um pedaço de Entrevistas com os espíritos.

Trecho do Capítulo 15 – Aqueles que devemos seguir como exemplos

(Aqui o Antônio entrevista Maria Abadia, ou Maba. O autor a descreve como tranquila, risonha e com energias benéficas.)



(...)"– Por favor, Maba, conte-me um pouquinho como foi sua vida encarnada – pedi.

– Nasci numa família comum, isto é, onde ninguém se destacava na vivência do bem, mas não havia maldosos. Meu pai, assim que fiquei mocinha, fez planos de me casar. Repeli esta ideia e então encontrei uma solução. Tornei-me religiosa.

– Deu certo? – perguntei curioso.

– Sim, porque escolhi me dedicar aos pobres, aos enfermos. Tornei-me uma enfermeira. Porém, foi difícil para mim, como é para qualquer ser humano, ver, diariamente, muitos sofrimentos, diferenças sociais e deficiências e não questionar “por que Deus quer ou quis?”

Um dia, conversando com um enfermo, ele me deu de presente um livro e me falou sobre a reencarnação. A obra oferecida foi: O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec. Li e esta obra respondeu minhas indagações, me tranquilizou e compreendi Deus. Não mudei de religião, escondi esse livro, não disse a ninguém que o lera. Seria muito difícil continuar a fazer o que fazia afastada de minha ordem religiosa. De modo velado, consolava os enfermos. Sentia no íntimo, isto é, meu espírito sabia, ser verdadeira a Lei da Reencarnação. Depois dessa leitura não duvidei mais do amor de Deus por todos nós.

– Quantos anos trabalhou encarnada como enfermeira?

– Sessenta e dois anos – respondeu Maria Abadia.

– Qual é a melhor lembrança que trouxe para o Além de sua vida encarnada?

(…)

– Uma vez, tinha quase nove anos, fui passear com minha família. Foram meus pais, irmãos, tios e primos numa excursão num local muito bonito, numa praia de difícil acesso. Achando o lugar lindo, me distraí pegando pedrinhas e me perdi. O grupo conversando animado seguiu e eu fiquei.

– “Menina –, escutei –, o que faz aqui sozinha?”

Assustei-me e foi então que percebi que meus familiares não estavam ali. Senti medo e o senhor que me chamou sorriu. Era um homem vestido pobremente, com barba por fazer.

– “Não se assuste! – pediu ele. – Você está com alguém?”

– “Com minha família. Eles estavam aqui.”

– “Seus familiares devem ter ido para outro local e, quando perceberem que você não está com eles, voltarão. Sente-se aqui, ficarei com você.”

Não tive mais vontade de pegar as pedrinhas, joguei-as no chão, senti vontade de chorar. O homem ficou sem saber o que fazer, para onde me levar, pensando que voltariam para me buscar, ficou comigo, me contou histórias. Duas horas se passaram, comecei a chorar e ele, então, pegou em minha mão e resolveu me levar até a estrada. Nisso, alguns dos meus familiares chegaram e um dos meus primos, sem ao menos saber o que ocorria, atacou o homem, esmurrando-o e os outros também vieram para bater nele; aí eu gritei:

– “Parem! Ele estava me ajudando!”

Não entendi o porquê da violência. Com meus gritos, todos ficaram quietos e eu expliquei:

– “Percebi que estava sozinha, este senhor me fez companhia, ia me levar à estrada para encontrá-los.”

Perguntas foram feitas a mim para saber se ele não me fez nenhum mal. meu primo, o agressor, se desculpou e o que escutei daquele senhor me serviu de lema, foi um ensinamento que tentei seguir por toda minha vida encarnada. O homem respondeu:

– “Desculpo-o! Porém, se o senhor tivesse usado de bom-senso, procurado saber o que aconteceu, não necessitaria agora pedir desculpas.”

Resolvi viver de tal modo para não precisar me desculpar com ninguém. Por ter sido para mim muito importante, é a melhor lembrança que guardo da vida encarnada.
"(…)
Título: Re: Entrevistas com os espíritos (Antônio Carlos)
Enviado por: jsoranz em 09 de Dezembro de 2013, 16:20
Muito bom.
Obrigado amigo
Título: Re: Entrevistas com os espíritos (Antônio Carlos)
Enviado por: ram-wer em 10 de Dezembro de 2013, 00:55
De nada, Soranz.

O livro é bom, mas seria melhor se o autor percebesse que, na Terra, a gente não vê pensamento. Se não descrever, cada um vai imaginar uma coisa diferente...

Tem um Capítulo em que o Antônio Carlos reuniu uma galera e foi fazendo uma lista de perguntas pra todos. Segundo o autor, eles tinham nível moral mediano – nem muito bons, nem maus. Pra não acharem que é exagero, a única informação que o Antônio deu sobre o ambiente foi:

"Reuni vinte e uma pessoas, moradoras do Além, numa sala para entrevistá-las."

Nada mais. No final do Capítulo:

"Após os cumprimentos, despedimo-nos e o grupo se desfez. Voltamos aos nossos afazeres."

Ninguém ouse saber como eram essas pessoas. Nem como era a sala. Onde ficava? Como foi a entrevista? O pessoal tava sentado ou em pé?

Volta, Patrícia! (e olha que a médium é a mesma, rs.)



Falando sério, essa entrevista em grupo mostrou que o Além pode não ser o lugar ideal pra maioria dos desencarnados. O Antônio pergunta o que a galera achou de ter desencarnado. A maioria dá a entender que ficou meio decepcionada.

Quanto a ficar surpreso com a passagem pro outro mundo, todos ficaram. Até mesmo o único espírita do grupo confessou ter ficado muito surpreso.

Se a mudança não foi tão boa quanto esperavam, a gente compreende. Basta lembrar o ensinamento de Jesus:

"Porque onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração." (Mateus, 6:21)




Título: Re: Entrevistas com os espíritos (Antônio Carlos)
Enviado por: ram-wer em 26 de Julho de 2019, 02:12
Em 2013, ao escrever este tópico, apontei o fato de Entrevistas com os espíritos ainda não ter versão eletrônica.

Mas agora tem. Pipocou no Kindle em 2014. É só procurar na Loja Kindle. E tem um lance interessante: logo acima da capa, o botão "Dê uma olhada" leva pra um bom pedaço do livro.

(http://www.forumespirita.net/fe/livros/entrevistas-com-os-espiritos-(antonio-carlos)/?action=dlattach;attach=60071)