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GERAL => Outros Temas => Livros Espíritas => Tópico iniciado por: HelenaBeatriz em 14 de Maio de 2010, 13:21

Título: A Missão Libertadora de Dom Pedro II e da Princesa Isabel/Entrevista com o autor
Enviado por: HelenaBeatriz em 14 de Maio de 2010, 13:21
(http://imagens.travessa.com.br/livro/DT/0d/0d93ce85-0c95-404a-a2ec-9e2de4d0d19b.jpg)

Paulo Roberto Viola é jornalista e advogado, espírita, colabora em vários órgãos de divulgação doutrinária e, nos últimos três anos, vem se dedicando a oferecer uma visão espírita-cristã do Segundo Reinado, época que muito tem encantado o público. Seu primeiro livro "Dom Pedro II e a princesa Isabel" (2008) já se encontra em sua 3a. edição.


Revista Cultura Espírita: Quais as maiores lutas, provas e expiações que rondavam os palácios de Dom Pedro II?


PRV - Durante o Segundo Reinado, sem dúvida alguma, a Guerra do Paraguai, que durou 6 anos, foi o maior tormento do Imperador e de sua filha, a Princesa Isabel, pois essa guerra ceifouy, de forma absolutamente cruel, a vida de milhares de pessoas. Esse enfrentamento resultou de um "lamentável precedente" - usando a expressão de Humberto de Campos em sua obra "Brasil, coração do mundo, pátria do Evangelho", pela psicografia de Chico Xavier - que foi a invasão efetuada pelo Brasil no Uruguai.
 Disse Jesus ao Imperador, tomado pelo sono: "A tua incerteza lançou a Pátria do Evangelho numa sinistra aventura", que foi a reação do ditador paraguaio Solano Lopez de invadir o Brasil, iniciando a guerra. Por sua vez, a Questão Religiosa configurada com a insubordinação de altas autoridades eclesiásticas também tirou noites de sono, tanto de Dom Pedro II, quanto da Princesa Isabel. E, no fim do Segundo Reinado, eclodiu a Questão Militar.
O maior golpe moral sofrido pelo Imperador foram as traições dos amigos republicanos que promoveram a  quartelada, como ocorreu com o marechal Deodoro. Mas estava escrito, pois Jesus dissera ao grande Imperador, antes da reencarnação missionária, que ele seria alijado de sua posição por aqueles mesmos a quem proporcionara os elementos da cultura e da liberdade. As mãos aduladoras que buscaram a proteção das tuas, voltarão aos teus palácios transitórios para assinar o decreto da tua expulsão do solo abençoado. Que dor maior poderia sofrer uma filha, vendo seu honrado pai exposto a tamanha humilhação?

RCE - Hoje, sob nosso olhar, lançado de um Brasil republicano, que atributos de Dom Pedro II e da Princesa Isabel se destacam do ponto de vista pessoal, político e espiritual?

O Segundo Reinado foi um período de paz interna em nosso país. A conturbação vivida pela administração de Dom Pedro I e o período de grande inquietação social e política experimentado pela Regência deu lugar a um Brasil de calmaria com a posse de Dom Pedro II que, em 18889, entregou o país pacificado aos golpistas republicanos, os quais, entretanto, se viram às tontas com o poder nas mãos.
Título: Re: A Missão Libertadora de Dom Pedro II e da Princesa Isabel/Entrevista com o autor
Enviado por: HelenaBeatriz em 14 de Maio de 2010, 14:02
Continuação...

O resultado foi um período de grande turbulência política com o fechamento do Congresso, prisões de oposicionistas, invasão de jornais.
Nesse tempo, o Espiritismo sofreu uma perseguição implacável, com as Casas Espíritas sendo invadidas, num clima de horror inusitado, como descreveu o confrade Canuto de Abreu.
Circunstâncias que o Segundo Reinado não conheceu, dada a ampla liberdade que Dom Pedro II garantia aos súditos. Todavia, o Brasil estava amadurecido para deixar a Monarquia, como assinalou a psicografia de Humberto de Campos. Mas essa transição poderia ter sido por acordo, sem ruptura institucional, pois Dom Pedro II estava cansado e gravemente enfermo, depois de meio século de poder monárquico. Porém, foram em vão as tentativas do monarca de "conferenciar" com Benjamin Constant e Deodoro no dia do golpe.

RCE - Que lições nos ficam como pátria, como Estado e como nação, do meio século de governo de Dom Pedro II e do período em que a Princesa Isabel esteve no poder?

PRV - O maior legado da gestão de Dom Pedro II, auxiliado por sua filha, a magnífica Princesa Isabel, foi a autoridade moral que ambos imprimiram à administração do Império. Com essa autoridade moral, eles pacificaram a Nação, vencendo todas as resistências de movimentos provinciais insurgentes, promoveram a paz e o progresso daquele Brasil que fazia tão pouco se tornara uma Nação Independente.
No contexto de uma República tão maculada por desvios éticos, o exemplo do Segundo Reinado deveria figurar de maneira mais ostensiva nos projetos de educação de nosso país.

RCE - Como foram tratadas, por ambos os monarcas, as delicadas questões militar, religiosa, abolicionista?


PRV - A Questão Militar assumiu proporções com a liderança acadêmica de Benjamin Constant junto à jovem oficialidade.
Neurótico de guerra e revoltado com suas condições pessoais de penúria, ele alimentou o equívoco de que todos os males da da Nação vinham da Monarquia. Mas com 1 ano de golpe, Benjamin Constant ficou totalmente esquecido pelos seus companheiros republicanos. Por seu turno, a questão religiosa que azedou as relações do Estado com a Igreja resultou de uma insubordinação de 2 bispos contra a autoridade do Imperador, gerando a prisão de ambos, determinada pela Corte Suprema de Justiça, por desobediência, sendo eles mais tarde anistiados por Dom Pedro II.
Quanto ao abolicionismo, o desfecho final, que dependia do parlamento, resultou de uma eficaz manobra política de Isabel, quando substituiu o Presidente do Conselho de Ministros, ao assumir a Regência, no ano de 1888, em decorrência do afastamento de seu pai, "sob a influência dos mentores invisíveis", como informa a psicografia de Humberto de Campos. Ao sancionar a lei aprovada pelo parlamento, Isabel foi "cercada de entidades angélicas e misericordiosas", ainda conforme a aludida psicografia.
Título: Re: A Missão Libertadora de Dom Pedro II e da Princesa Isabel/Entrevista com o autor
Enviado por: HelenaBeatriz em 14 de Maio de 2010, 14:25
Continuação...

RCE - Quais as relações de Dom Pedro II, da Princesa Isabel e do Barão de Santo ângelo com Bezerra de Menezes e com o Espiritismo?

PRV - A função de Presidente da Câmara de Vereadores, exercida pelo Dr Bezerra de Menezes, correspondia, naquela época, à de um Prefeito da capital. Era, pois, um cargo de prestígio. Naturalmente ele se relacionava com a Coroa. Todavia, esse relacionamento certamente era discreto, pois a Princesa e seu Pai fizeram juramento de fidelidade ao catolicismo, como determinava a Constituição Imperial, enquanto o Dr Bezerra de Menezes houvera se declarado publicamente um espírita.
A historiadora Mary Del Priore afirma que "há fortes indícios que nos permitem inferir o interesse do Imperador pelo Kardecismo". Por sua vez, Isabel também teria demonstrado interesse pelo Espiritismo ao perguntar a Porto-Alegre, um espírita notável do Império, que muito influenciou Dom Pedro II e a Princesa Isabel, "quem era seu espírito protetor"

RCE - Quais as consequências espiritual, social e política da forma como a família imperial enfrentou o banimento?

PRV - O abalo moral foi derradeiro. A Imperatriz desencarnou um mês depois de deportada. O Imperador amargou a solidão de um quarto de hotel simples na França, sustentado por amigos, e morreu 2 anos depois de exilado. A Princesa nunca escondeu a dolorosa saudade que sentia das amigas e, sobretudo, de Petrópolis. Por sua vez, a República mergulhou numa década de instabilidade social e política, deixando saudade da pacata monarquia.

RCE - Qual a dimensão espiritual e o descortino missionário da atuação libertadora de Dom Pedro II e da Princesa Isabel no Brasil?

PRV - Não só pela atuação libertadora do padecimento dos negros - que, de resto, não foi em vão, "os negros das costas africanas foram uma das pedras angulares do monumento evangélico do Coração do Mundo", conforme psicografia de Umberto de Campos - mas também pelo espírito de caridade e fraternidade que norteou toda a trajetória encarnada desses Espíritos nobres, que hoje "desfrutam da semeadura que promoveram no planeta e prosseguem na marcha sublime do amor que entre nós encarnados disseminaram. Vibram em estágios superiores de onde emanam fraternidade pura e solidariedade espiritual". É o que conclui o livro "Dom Pedro II e a Princesa Isabel, Uma Visão Espírita- Cristã do Segundo Reinado.