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GERAL => O que é o espiritismo => Lei de Causa e Efeito => Tópico iniciado por: fakir em 11 de Abril de 2008, 20:53

Título: Suicidio
Enviado por: fakir em 11 de Abril de 2008, 20:53
A minha prima diz que se quer matar, os meus tios levaram-na a uma pessoa e eles disseram que o espirito do meu (nosso) avô, que gostava muito dela, eu n conheci porque quando nasci ja tinha falecido, entrou nela e falou com os meus tios, a dizer que gostava muito da minha prima e que a queria levar pra junto dele...
Será normal?
Será que eles inventaram?
Título: Re: Suicidio
Enviado por: fakir em 12 de Abril de 2008, 15:01
Obrigado pela explicação, como devem perceber sou novo nisto e não sei bem como dizer as coisas...

Nessa mesma conversa, o "meu avô"/espirito/entidade (nem sei como dizer..) disse que cada vez que iamos por uma vela na sua campa que o "xatiavamos" mais e que ele tava lá socegado mas que ao irmos la por a vela e era "obrigado" a vir "xatiar-nos"...
Disse também que uma tia minha fazia "coisas" (se é que me entendem..." no mar/praia e a minha avó fazia no cemiterio, e que era isso tambem que o fazia sair de onde ele está para nos vir "xatiar"...
Falou que o meu pai nunca ia arranjar trabalho, e que ele e a minha mãe iam ficar cada vez mais "secos"...

Este assunto está a abalar a familia toda, eu só queria saber se isto é mesmo verdade...
E na minha ideia o ir acender a vela serve sim para ir iluminar e dar um bocado de paz à pessoa que está lá enterrada...
Título: Re: Suicidio
Enviado por: FENet em 12 de Abril de 2008, 15:38
Olá Fakir!

No seguimento dos bons conselhos do Atlante, deve considerar a hipótese de ser alguém a fazer-se passar por teu avô. Também pode acontecer, utilizando isso para vos perturbar.

O que importa é a intenção com que fazemos as coisas, se exteriorizar essa intenção o faz ter mais convicção não tem qualquer problema, apesar de desnecessário.

O principal objectivo parece ser perturbar, por isso se essa não era a postura do vosso avô enquanto vivo, também não o é agora que continua vivo, mas sem corpo físico. As mistificações são muito comuns - pessoas que se fazem passar por outras para poderem melhor alcançar o objectivo.

O suicídio é uma forma de agravar todos os problemas quer no plano espiritual, quer na próxima reencarnação.

Façam uma oração sentida pedindo auxílio aos bons espíritos, para que vocês possam ser ajudados tal como aqueles que se encontram no plano espiritual a necessitar de auxílio.

Mas devem ir a um centro espírita para falar com alguém pessoalmente. Basta clicar no mapa do lado esquerdo.

Grande abraço :)
Título: Re: Suicidio
Enviado por: Vitor Santos em 12 de Abril de 2008, 18:40
Olá Fakir

Seja bem vindo

Para além do que já foi dito pelos companheiros de fórum, gostava de acrescentar uma informação que acho relevante:

Se a sua prima se quer matar, independentemente de estar a ser influenciada ou não por espiritos, pode estar com uma depressão ou outro problema semelhante.

Antes de tudo o mais devem ir ao médico com ela. Não arrisquem, porque essas coisas são sérias e podem acontecer mesmo. O médico de familia saberá indicar o que deve ser feito, em principio. Se não agirem já, depois pode ser tarde

Os Centros Espiritas não servem para deixar de ir ao médico. Cuidado!


bem haja
Título: Re: Suicidio
Enviado por: Vitor Santos em 12 de Abril de 2008, 18:51
Olá Fakir

click abaixo para ver os sintomas da depressão e mostre à sua prima para ver se ela sente alguma coisa parecida:

http://www.adeb.pt/saude_mental/unipolar/unipolar.htm (http://www.forumespirita.net/fe/go.php?url=aHR0cDovL3d3dy5hZGViLnB0L3NhdWRlX21lbnRhbC91bmlwb2xhci91bmlwb2xhci5odG0=)

bem haja
Título: Re: Suicidio
Enviado por: dOM JORGE em 08 de Agosto de 2011, 08:26
                                     VIVA JESUS!


         Bom-dia! queridos irmãos.

                  Suicídio - por que evitá-lo?

“Os próprios Espíritos de suicidas são unânimes em declarar a intensidade dos sofrimentos que experimentam (...), afirmam que a fome, a desilusão, a pobreza, a desonra, a doença, a cegueira, qualquer situação, por mais angustiosa que seja, sobre a Terra, ainda seria excelente condição comparada ao que de melhor se possa atingir pelos desvios do suicídio.” 1
 

Narra Hilário Silva2 que Allan Kardec, em abril de 1860, passava por momento de desânimo. Sobrevinham-lhe dificuldades de toda ordem: críticas, injúrias, zombarias e falta de recursos.

Nessa ocasião, recebeu, com um exemplar de “O Livro dos Espíritos” belamente encadernado, carta de gratidão de desconhecido. Relatava ele que ia se atirar ao Rio Sena. Ao segurar em amurada de uma ponte, percebe ali um livro. Era “O Livro dos Espíritos”. A morte da mulher amada o levara ao desespero. Essa a razão de seu desencanto com a vida.

Registra que leu, entre irritado e curioso, no frontispício do livro: “Esta obra salvou-me a vida. Leia-a com atenção e tenha bom proveito. — A. Laurent.”

Mergulha na sua leitura e não mais nas águas. Abandona a ideia fatídica. Reformula a vida. Ao encaminhá-lo a Kardec, acrescenta:

“Salvou-me também. Deus abençoe as almas que cooperaram em sua publicação. — Joseph Perrier.”

E estimulava Allan Kardec a “prosseguir em suas tarefas de esclarecimento da Humanidade”.

Chega o depoimento quando o Missionário sentia todo o peso de sua tarefa e o reanima, encorajando-o a prosseguir no trabalho da Codificação do Espiritismo.

O Codificador, ao lê-la, emocionou-se. Levou o lenço aos olhos, enxugando discreta lágrima...

O estudo do Espiritismo tem libertado o ser humano
de quedas

Como se vê, a partir de sua origem, no século passado, o estudo da Doutrina Espírita – a compreensão de seus postulados – tem libertado o ser humano de quedas a que o conduz a ignorância da realidade espiritual.

Dá-lhe certeza da sobrevivência do Espírito à morte do corpo físico; esclarece-o acerca da responsabilidade por seus atos, pelo conhecimento da Lei de Causa e Efeito; e da inutilidade do gesto extremo, eis que, Espíritos eternos, é-nos impossível renunciar à vida.

Esclarecidos, candidatos à autodestruição desistem desse ato, fruto da descrença, do desespero e do materialismo, quando leem depoimentos de Espíritos de suicidas: a vida continua; sofrimentos inenarráveis sobrevêm às vítimas dessa inútil tentativa de fuga; suas consequências prolongam-se por séculos de sofrimentos, na recuperação do equilíbrio, através de reencarnações em que expiam as consequências dessa grave falta.

É o que contém a farta literatura Espírita, a partir do lançamento, por Allan Kardec, do livro “O Céu e o Inferno” 3, em 1º de agosto de 1865. Ali se leem testemunhos de suicidas; estudos e observações do Codificador sobre o tema, no Cap. V da 2ª Parte.

O suicídio voluntário importa numa transgressão
da lei de Deus

Orienta-nos, ainda, acerca do que muitos de nós ignorávamos: excessos de toda natureza constituem variedades de suicídios, embora lentos e indiretos, mas também graves, ainda que inconscientes:

– Excesso de alimentos e de trabalho;

– O hábito da irritação e da cólera;

– O uso de bebidas alcoólicas;

– O hábito de fumar;

– O uso de tóxicos;

– Os excessos, enfim, de todos os vícios, físicos ou morais.

É o que se lê na obra “Nosso Lar” 4.

Em “O Livro dos Espíritos” 5, as questões 943 a 957 ferem os assuntos: Desgosto da Vida. Suicídio. Dentre elas, destacamos:

“944. Tem o homem o direito de dispor da sua vida?

– Não; só a Deus assiste esse direito. O suicídio voluntário importa numa transgressão desta lei”.

a) — Não é sempre voluntário o suicídio?

– “O louco que se mata não sabe o que faz.”

“950. Que pensar daquele que se mata, na esperança de chegar mais depressa a uma vida melhor?

– Outra loucura! Que faça o bem e mais certo estará de lá chegar, pois, matando-se, retarda a sua entrada num mundo melhor e terá que pedir lhe seja permitido voltar, para concluir a vida a que pôs termo sob o influxo de uma ideia falsa. Uma falta, seja qual for, jamais abre a ninguém o santuário dos eleitos.”

“957. Quais, em geral, com relação ao estado do Espírito, as consequências do suicídio?

– Muito diversas são as consequências do suicídio. Não há penas determinadas e, em todos os casos, correspondem sempre às causas que o produziram. Há, porém, uma consequência a que o suicida não pode escapar: é o desapontamento. Mas a sorte não é a mesma para todos; depende das circunstâncias. Alguns expiam a falta imediatamente, outros em nova existência, que será pior do que aquela cujo curso interromperam.”

“Que faça o bem e mais certo estará de lá chegar”, é a sábia sugestão do Espírito.

      GEBALDO JOSÉ DE SOUSA                                      (continua )


                                                            PAZ, MUITA PAZ!                                                                                                                                            
Título: Re: Suicidio
Enviado por: dOM JORGE em 08 de Agosto de 2011, 08:30
                                      VIVA JESUS!


         Bom-dia! queridos irmãos.


                 Não podemos, de maneira nenhuma, fugir de nós próprios

Vejamos, sobre o assunto, duas valiosas lições.

De Hermínio C. Miranda (João Marcus):

“Na verdade, o suicídio é, basicamente, uma fuga. O suicida quer fugir de situações embaraçosas, de desgostos, de pessoas que detesta, de mágoas que não se sente com forças para suportar; deseja, afinal de contas, fugir de si mesmo. É aí que está a gênese de seu fatal desengano: não podemos, de maneira alguma, fugir de nós próprios. (...)

E aquele que arrebentou seus próprios ouvidos, com um tiro assassino, renasce com o mecanismo da audição destruído; não podendo ouvir, não aprende a falar. E daí atravessa uma existência inteira, isolado na solidão forçada, a fim de que seu Espírito compreenda, no silêncio, o verdadeiro sentido da vida e o valor inestimável dos dons que recebemos ao nascer. O que tomou venenos corrosivos volta à carne com as vísceras deficientes, sujeitas a misteriosas e incuráveis mazelas. (...)

Logo, o suicídio é o maior, o mais trágico e lamentável equívoco que o ser humano pode cometer.” 6. (Grifamos.)

De Emmanuel:

“154 — Quais as primeiras impressões dos que desencarnam por suicídio?

— A primeira decepção que os aguarda é a realidade da vida que se não extingue com as transições da morte do corpo físico, vida essa agravada por tormentos pavorosos, em virtude de sua decisão tocada de suprema rebeldia.

Suicidas há que continuam experimentando os padecimentos físicos da última hora terrestre, em seu corpo somático, indefinidamente. (...) a pior emoção do suicida é a de acompanhar, minuto a minuto, o processo da decomposição do corpo abandonado no seio da terra, verminado e apodrecido”. 7

Esposas ciumentas que recorreram ao suicídio viram que seus maridos se casaram justamente com aquelas de quem se enciumavam. Passaram o próprio esposo e seus filhos às mãos de que fugiam. E ainda a lhes dever favores, pois que cumpriam tarefas que lhes cabiam junto aos entes amados.

Empresários sem perspectivas veem que os problemas que enfrentavam foram superados. E assim por diante.

Em caso nenhum, o suicida fica isento da consequência
de sua falta

De depoimentos dos próprios suicidas; de respostas de Espíritos Superiores ou de observações de Allan Kardec, nas questões citadas, conclui-se que:

– O suicídio agrava os sofrimentos do Espírito;

– É culpado aquele que abrevia de alguns instantes os seus sofrimentos, apressando voluntariamente sua morte;

– Afastam-se os suicidas daqueles a quem amam: “Em vez de se reunirem ao que era objeto de suas afeições, dele se afastam por longo tempo, pois não é possível que Deus recompense um ato de covardia (...)” (L. E. q. 956);

– Há persistência prolongada, tenaz, do laço que une o Espírito ao corpo, acarretando perturbação espiritual e muitos sofrimentos;

– Veem, incessantemente, o próprio aniquilamento;

– Sentem os efeitos da decomposição;

– Essa sensação pode durar pelo tempo que devia durar a vida que sofreu interrupção. Em comentário à questão 957 de “O Livro dos Espíritos”, observa Kardec: “Não é geral este efeito; mas, em caso nenhum, o suicida fica isento das consequências da sua falta de coragem e, cedo ou tarde, expia, de um modo ou de outro, a culpa em que incorreu. Assim é que certos Espíritos, que foram muito desgraçados na Terra, disseram ter-se suicidado na existência precedente e submetido voluntariamente a novas provas, para tentarem suportá-las com mais resignação. (...) A maior parte deles sofre o pesar de haver feito uma coisa inútil, pois que só decepções encontram”.

Ora, se nada de positivo advém do suicídio; se conduz a decepções, a sofrimentos prolongados para si e para outrem, a reparações dolorosas, ao longo de muitas encarnações; se só malefícios acarreta, por que recorrer a ele?

É nosso dever evitá-lo e dele afastar os incautos, prestes a cair num abismo de dores, recorrendo à prece, ao tratamento espiritual nos Centros Espíritas, ao tratamento médico, ao trabalho em benefício do próximo, onde, doando de nós mesmos aos mais necessitados, afastamos Espíritos obsessores e higienizamos a mente.

E orar sempre por aqueles que, frágeis, se renderam à fuga impossível.

 

Referências bibliográficas:

1 - FREDERICO FRANCISCO. O estranho mundo dos suicidas. REFORMADOR, Rio de Janeiro, v. 82, n. 3, p 70, mar. 1964. Republicado no REFORMADOR, v. 112, n. 1980, pp. 88-89, mar. 1994;

2 - SILVA, Hilário. O Espírito da Verdade. 3 ed. Rio de Janeiro: FEB, 1977. 236p. pp. 125-128: Cap. 52.

3 - KARDEC, Allan. O Céu e o Inferno. 37 ed. Rio de Janeiro: FEB, 1991. 425p. pp. 295-327: 2ª Parte, Cap. V;

4 - XAVIER, Francisco C. Xavier. Nosso Lar, pelo Espírito André Luiz. 25 ed. Rio de Janeiro: FEB, 1982. 281p. pp. 31-35. Cap. 4;

5 - KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 75 ed. Rio de Janeiro: FEB, 1994. 494p. pp. 439-444: 4ª Parte, Cap. I;

6 - JOÃO MARCUS. Vale a pena suicidar-se?  REFORMADOR, Rio de Janeiro, v. 81, n. 3, mar. 1963, republicado em REFORMADOR, Rio de Janeiro, v. 111, n. 1.976, pp. 340-1, nov. 1993;

7 - XAVIER, Francisco C. O Consolador, pelo Espírito Emmanuel. 7 ed. Rio de Janeiro: FEB, 1977. 96.

         GEBALDO JOSÉ DE SOUSA


                                                            PAZ, MUITA PAZ!
Título: Re: Suicidio
Enviado por: dOM JORGE em 22 de Agosto de 2011, 11:12
                                         VIVA JESUS!


         Bom-dia! queridos irmaos.

                O centro espírita no combate ao suicídio

O Centro Espírita deve ser um foco de luz na Terra, que clareia caminhos, apazigua corações, cura feridas da alma, instrui, conforta e faz a criatura sentir-se num ambiente familiar, como se estivesse em sua própria casa em conversa com amigos queridos, onde pode falar de seus dramas, medos e angústias, sem qualquer constrangimento.

Pode parecer estranho o início deste artigo, mas irei explicar melhor. É que na Terra deparamo-nos com dores das mais diversas, e muita gente arrefece o ânimo, literalmente cai e se entrega ao desalento. Quando isto ocorre, estão abertas as portas para que a ideia do suicídio comece a perseguir a pessoa.

Trabalhando neste tema com mais dois amigos – o suicídio –, tema, aliás, que foi abordado por Kardec diversas vezes, deparamo-nos com uma infinidade de casos que nos entristecem e mostram a urgência e necessidade que se tem de fazer ecoar a voz dos Espíritos por todos os cantos deste planeta para que livre toda e qualquer criatura da ideia de exterminar a sua existência.

No presente texto não iremos levantar dados, tampouco nos aprofundar nas questões que levam o sujeito a tentar colocar um ponto final em sua aventura na Terra. Nosso intento é o de apenas sugerir para que dirigentes, diretores e coordenadores se reúnam e procurem alguma forma de montar uma central de atendimento direcionada ao público que acalenta a ideia do suicídio.

Muitos dirão que há o atendimento fraterno e que os trabalhadores estão preparados para desenvolver tal atividade. Concordo. Há, sim, o sublime trabalho de atendimento fraterno. A própria USE Intermunicipal Bauru tem um grupo competente que promove cursos para diversas casas espíritas que querem implantar o atendimento fraterno em suas fileiras.

Todavia, refiro-me mais precisamente a oferecer algo que seja específico aos casos de suicídio. Seja atendimento por telefone, carta ou e-mail – muitas vezes a pessoa fica constrangida de comparecer pessoalmente ao local –, mas que os centros espíritas pensem seriamente na proposta de fornecer um atendimento personalizado ao público que intenta exterminar a própria vida, como uma espécie de marketing antissuicídio.

Pesquisas apontam: quem cogita em se matar não está apenas falando da boca para fora. Pode, sim, executar a sua triste pretensão.

E por qual razão abordar o assunto suicídio?

É que há algum tempo, por conta do trabalho na literatura espírita, venho recebendo e-mails de pessoas dispostas a partir desta para uma pior. Uma delas diz que não mais aguenta o peso da existência, ainda não se matou por causa dos pais. Outra diz que não aguenta mais a solidão, enfim, os relatos são os mais diferentes, mas que em seu bojo trazem a tristeza, insatisfação e falta de fé da criatura diante da existência.

Em face da procura, resolvemos pesquisar e trabalhar em uma obra sobre o suicídio. E pasmem: os números são assustadores, mas por algumas razões não os repassaremos aqui. Entretanto, fico a refletir: É preciso que façamos alguma coisa para exterminar ou diminuir o número de pessoas que chegam ao cúmulo do suicídio. O Espiritismo tem as respostas. Sua divulgação ajuda? Sim, e muito. Entretanto, pensemos seriamente em conversar e montar uma central para trabalhar especificamente com esses casos.

Como faremos? Questão de planejar. Dará trabalho? Com certeza. Todos sabemos que precisaremos de voluntários capacitados para identificar e lidar com o suicida em potencial. Teremos, portanto, de buscar conhecimento para qualificar nossos trabalhadores, assim como parcerias, e visitar instituições que já oferecem este tipo de trabalho.

Não resta dúvida de que a Doutrina Espírita tem muito a colaborar para que o ser humano possa ser feliz o tanto quanto é possível neste planeta, deixando de lado a nefasta ideia de atentar contra a própria vida.

Vários livros foram escritos sobre o tema. Destaco, pela linguagem simples e acessível, a obra “Suicídio, tudo o que você precisa saber”, de Richard Simonetti.

Porém, é preciso fazer mais. Pensemos seriamente nestas questões. O desafio está lançado e o Espiritismo é um eficaz antídoto para os males humanos que ameaçam jogar a criatura no fundo do poço.

        Wellington Balbo



                                                      PAZ, MUITA PAZ!
Título: Re: Suicidio
Enviado por: dOM JORGE em 15 de Outubro de 2011, 11:16
                                        VIVA JESUS!


       Bom-dia! queridos irmãos.

              Considerações sobre o suicídio
Parte 1
 
 
 Embora tema complexo, trago-o à baila sensibilizada pela notícia da qual tomei conhecimento de modo tardio há algum tempo, acontecida em primeiro de agosto do ano de 1993 com um ator inglês que me encantou por sua interpretação magnífica do personagem Pierre Gringoire, o Poeta Maior em Notre Dame de Paris, na sua versão televisiva do ano de 1982 - Gerry Sundquist. Por razões que desconheço, nesse dia nefasto e já longínquo ele se suicidou, aos trinta e sete anos, em Norbiton Train Station, Londres, Inglaterra.
No entanto, a intenção ao discorrer sobre tal assunto se prende, antes, à devida exaltação da vida. Esse ator, ao que me parecia de escola sheakespeareana, era um excelente e talentoso artista, como se evidenciava nesse e em outros trabalhos seus no mundo da arte dramática. A pergunta que fica é a razão de tal ato extremo – ou razões, provavelmente muitas, uma autêntica amálgama intrincada.

O que leva alguém assim, supostamente bem-sucedido, famoso, com o seu trabalho reconhecido a nível internacional, belíssimo, a ver-se encurralado num beco sem saída tão absoluto a ponto de não achar nenhum respiradouro; a ponto de lhe ser mesmo indiferentes as suas grandes realizações como ser humano e como profissional, a admiração de muitos; o respeito e o reconhecimento pelo seu trabalho; e o amor de tantos que ficaram, certamente em estado lamentável de sofrimento decorrente da perda de um ser que lhes é caro, e que voluntariamente deixou os cenários do mundo desta forma brusca, intempestiva, e extremamente infeliz?

Desejo abordar um pouco esta questão do ponto de vista espírita – o único, a meu ver, que oferece sobre este complexo drama humano, diariamente presenciado em todo canto do planeta, alguma luz, algum esclarecimento lógico e plausível.

André Luiz fala sobre a situação dos que creem
firmemente no nada após a vida física

O que tudo indica é que os que assim envidam tal atentado crucial contra a sua expressão de vida, vencendo em si mesmos a maior das resistências, qual seja o instinto de sobrevivência que, em circunstâncias normais, nos leva a perseverar e lutar pela vida até o nosso último fôlego – estas pessoas se veem vitimadas por um estágio de sofrimento crucial no seu universo íntimo: alguma situação desesperadora, seja de ordem material ou emocional; uma falência financeira crítica, uma perda amorosa aparentemente insuportável, ou mesmo um estado de tédio agudo: uma falta de objetivos avassaladora, para que estes indivíduos admitam a continuidade de uma existência que gradativamente perdeu as suas cores; que foi aos poucos se esvaziando, e paralisando numa letargia pétrea, aterrorizadora – e, com isso, perdendo todo o seu sentido.

Sim; o que testemunhamos nestes casos nos aparenta, na essência, um sem-número de situações provocadas por um extremo qualquer de frustração intransponível, crônica – ao menos da ótica daqueles que não enxergam mais atalhos nem alternativas, a um tal grau alucinatório, que lhes sobra apenas uma via de mão única: eliminar a si próprios; a ilusão de que, acabando com a existência que lhes parece miserável e desgraçada a um tal ponto irreversível, extermina-se também este estado terminal de sofrimento, para o qual não encontram mais forças nem razões que justifiquem ter que suportá-lo por mais tempo.

Lembro-me de um dos livros do Espírito André Luiz, psicografado pelo saudoso mestre Chico Xavier, onde ele se demora ouvindo a explicação minuciosa de um de seus orientadores da cidade espiritual Nosso Lar, a respeito do estado petrificado dos Espíritos que aportam na vida invisível debaixo dos lastimáveis efeitos da sua crença arraigada, enquanto reencarnados, de que, uma vez transpostos os limiares da transição corpórea, tudo haveria de acabar-se. A situação dos que creem firmemente no "nada" após a vida física, e que, obedecendo, na sua constituição de seres eternos, às iniludíveis leis que regem a Vida na sua expressão maior no Universo, atraem para si exatamente o estado no qual creem intransigentemente, segundo os parâmetros da causa e do efeito. O orientador explica a André Luiz que aquelas almas que ali se encontram naquele aspecto inerte, enrijecido, como se estivessem "mortas para a eternidade", não se acham mortas de fato – apenas expressam em si mesmas aquilo em que creem, e que defenderam durante todo o tempo, dominados pela visão míope do funcionamento maior da existência, de que se dispõe durante o período de condicionamento sensorial rígido e limitante da reencarnação. 

André Luiz nos relata ter sido classificado – para
sua surpresa – como suicida

Com o tempo, o lampejo de consciência, imbatível e inexorável, e que de si próprio se impõe, desde o minério adormecido nos primórdios da evolução, até os cumes de expressão vital dos anjos nas dimensões mais evoluídas do Cosmos – este lampejo também ali, naquelas almas enrijecidas, sobrepõe seu brado de convocação à realidade maior das coisas, que afinal os impulsionará ao despertamento natural, e à natural transmutação de seus conceitos noutros mais gratos, mais fidedignos à nossa gloriosa condição de filhos da eterna divindade.

Pois assim também se dá no funcionamento da Lei para com o suicida, este querido irmão de jornada merecedor da nossa melhor disposição amorosa, para lhe estender a luz da compreensão, da prece e do auxílio. Porque, se em situação ainda agravada ao se envidar tal atentado contra si mesmo em fase prematura da vida, se achará este indivíduo preso, durante extenso intervalo de tempo, à vivência inexorável daquele ápice de loucura e de sofrimento a que se abandonara na hora do gesto extremo. Como nada mais vislumbrara para além daquele instante; como nenhuma alternativa, nenhum atalho, nenhuma escolha a mais ou luz no fim do túnel admitia para si, de modo tão definitivo, o suicida fica, assim, preso dessa hipnose autoimposta: enrodilhado na insistência voluntária do seu estado mórbido de alma, e na visão repetitiva implacável do seu gesto extremo de violência contra si, em busca de uma libertação que, para seu sumo desvario desde então, não encontra, agravando os sofrimentos tidos como insuperáveis, mas que, da forma mais lastimável, descobre serem passíveis ainda de agravamento num tal estado indescritível de tormento espiritual.

Em Nosso Lar, André Luiz nos relata ter sido classificado – para sua surpresa – como suicida pelos técnicos da espiritualidade amáveis que o acolheram na cidade etérea memorável, descrita nas obras de Chico Xavier; e por razões talvez que mais amenas: pela sua incúria para com a sua saúde enquanto nas paisagens materiais, o que o levou a contrair as moléstias que o vitimaram ao ponto da transição, considerada prematura pelos devotados mentores. André Luiz nos descreve, textualmente: "Suicida! Suicida! Criminoso infame!" – gritos assim cercavam-me de todos os lados (...). Tais objurgatórias (...) perturbavam-me o coração. Infeliz, sim; mas, suicida?! (...) Sim (...) esclareceu o médico, demonstrando a mesma serenidade superior (...) – Talvez o amigo não tenha ponderado bastante. O organismo espiritual apresenta em si mesmo a história completa das ações praticadas no mundo (...). Vejamos a área intestinal. A oclusão derivava de elementos cancerosos, e estes, por sua vez, de algumas leviandades do meu estimado irmão, no campo da sífilis".



           Christina Nunes                          ( continua )



                                                            PAZ, MUITA PAZ!
Título: Re: Suicidio
Enviado por: dOM JORGE em 15 de Outubro de 2011, 11:24
                                       VIVA JESUS

       
          Bom-dia! queridos irmãos.


                  O suicida é, antes de tudo, um doente da alma,
merecedor, pois, de nosso melhor carinho

Vemos no excerto o ensinamento da realidade maior no que se refere ao chamado suicida inconsciente, que conduz sua vida material à conclusão precoce em decorrência de um padrão de conduta leviano para com os cuidados devidos à saúde orgânica, diferente daquele que, via gesto brutal e extremo, dá fim intempestivo e dramático aos dias de modo até certo ponto lúcido, embora claramente dominado pelo que podemos facilmente admitir como um doentio estado alucinatório hipnótico que o subjuga à morbidez derrotista imbatível, à qual afinal sucumbe. Entretanto, se diferem as determinantes, os resultados se fazem equânimes. Se o estado orgânico do corpo sutil espiritual acusa e realça claramente os efeitos derivados das causas situadas na negligência com que o indivíduo se descuida de seu veículo físico, seu precioso instrumento de expressão nos palcos materiais para que bem cumpra seu fugaz compromisso no planeta, durante um mero momento na eternidade, também em quem atenta contra o seu corpo na lastimável ilusão de fim perpétuo, de si próprio, quanto dos problemas tidos como cruciais e invencíveis que o flagelam, se opera o triste resultado do ato impensado e sumamente enganoso.

Fica, pois, o suicida preso ao local do seu gesto ensandecido durante todo o resto do tempo que lhe faltaria à conclusão de sua vida física, e submetido ao incessante tormento das sensações dolorosas do corpo nos seus últimos momentos, saturado que se acha o seu perispírito (o corpo espiritual, ou sutil, réplica do físico, e veículo fiel das sensações do corpo mais grosseiro, e das impressões sensoriais experimentadas, à alma) do fluido vital necessário ao período de vida física, programado antecipadamente pelos técnicos que a cada um de nós auxiliam em cada retorno aos estágios de reencarnação; principalmente se se manteve este indivíduo destituído de qualquer noção de fundo espiritual, que, instintivamente, o induziria, flagelado pela dor, a solicitar o socorro do Mais Alto, de Deus, e dos amigos assistentes da invisibilidade que, se nestes momentos prescindem de chamado para ajudar – o que fazem de pronto em função de amor – não podem efetivar auxílio sem que o auxiliado se conscientize, por ele mesmo, do próprio estado precário, e da sua necessidade de ajuda.

O suicida, portanto, é antes de tudo doente da alma, em virtude do que merecedor de nosso melhor carinho, pensamentos e orações. É indivíduo vitimado por um estado desvirtuado de ser e de sentir a Vida na sua maior extensão. Iludido, sobretudo, pelo maior dos enganos: o de que aqui, neste microscópico mundo perdido no Cosmos, se encerra a nossa expressão última de existir, e toda a sua finalidade, com os seus enredos acanhados e incertos como as nuvens nos céus. Ignora, assim, o sem-fim do nosso percurso, e as alternativas inimagináveis que nos aguardam se, simplesmente, nos entregarmos ao saudável exercício de expandir nossa visão interior para além dos objetivos, valores, e conceitos puramente materiais, aprendendo que o corpo físico é, antes de tudo, veículo, instrumento – a nossa transitória expressão densa num orbe que nos recebe como hóspedes durante o nosso percurso evolutivo dentro da trajetória maior da eternidade que a todos aguarda, em cenários e contextos de vida inimaginavelmente melhores.

A reencarnação é uma realidade que não se
prende a crença ou a descrença

Vivemos em tempos em que não se admitem mais meias palavras na elucidação de coisas importantes. Assim, no que aqui nos interessa mais de perto, e para atingir o ponto pretendido, preciso é que se diga: uma das maiores desgraças ocorridas para a saudável evolução mental e espiritual no ocidente foi a retirada arbitrária, pelo Concílio de Constantinopla em 553 d. C, das menções à realidade da reencarnação nos evangelhos.

Vejam bem que enuncio aqui, e de caso muito bem pensado, realidade! Porque já é ultrapassado o prazo para o entendimento de que a verdade da reencarnação não se prende a crença ou a descrença. Existe, tanto quanto o sol sobre as nossas cabeças; e se fará presente na trajetória de cada um de nós tantas quantas forem as vezes necessárias ao nosso entendimento de que o aprendizado e o crescimento são as metas da trajetória – não nenhuma suposta chegada estacionária nalgum paraíso entediante e mergulhado num eterno e inútil tocar de harpas; e nem tampouco nalgum inferno sádico e incoerente para com os propósitos grandiosos do Criador que a tudo gerou com equilíbrio e com finalidade sábia, que não é, jamais, a condenação de qualquer parte de Si mesmo a um castigo absurdo, perene, e despojado de qualquer objetivo maior para a contabilidade cósmica num Universo que a tudo aproveita e exalta na sua função, para glória maior da Vida!

O suicídio enreda seres que já nascem cerceados nesta armadilha: num mundo que, no decorrer dos últimos séculos, por imposição do poder religioso, se habituou a conceber o funcionamento da existência humana como uma viagem que começa no berço e acaba inapelavelmente no túmulo – tendo como único e diáfano reconforto a esperança de que, talvez, se for muito – mas muito! – bonzinho, livre de pecados, irá após a morte para o tal do céu!

          Christina Nunes



                                                      PAZ, MUITA PAZ!
Título: Re: Suicidio
Enviado por: dOM JORGE em 22 de Outubro de 2011, 10:08
                                          VIVA JESUS!


       Bom-dia! queridos irmãos.

               

  Considerações sobre o suicídio
Parte 2 e final
 

 

No final da primeira parte deste artigo dissemos que neste mundo, por imposição do poder religioso, habituamo-nos a conceber o funcionamento da existência humana como uma viagem que começa no berço e acaba inapelavelmente no túmulo, tendo como único reconforto a esperança de que, talvez, se formos bonzinhos e livres de pecados, poderemos ir para o tal de céu!

Ora, ser livre de pecados é jogo perdido na nascente, já que o conceito de pecado é mal estruturado, e o real crescimento se prende, antes, e obrigatoriamente, a ensaio e erro – àquele mesmo tipo de mecanismo simplista que diz à criança que não deve colocar a mão no fogo para não se queimar!

O ser humano nasce, então, e cedo se descobre, ou carregado demais de culpas para atingir o hipotético céu (já que a recompensa vem sempre depois, só depois, e de modo algum no aqui e agora!), e, portanto, já destinado ao limbo ou ao tal do inferno, ou – se dispuser de um espírito mais lúcido e sofisticado em entendimento, mas, por outro lado, tão perdido de compreensão das realidades maiores da Vida quanto qualquer religioso ingênuo – logo se vê saturado de um tédio natural e decorrente da situação de quem está como que lacrado dentro de uma caixa de sapatos apertada, sem escoadouro, sem alternativas. Na riqueza ou na pobreza, tudo o que tem em mãos é o que a fugaz trajetória neste mundo perdido no Cosmos oferece: suas limitações humanas, seus desejos não satisfeitos, suas fraquezas e alegrias passageiras, e seus bens, que logo passarão às mãos de outros, quando da sua despedida deste mundo...

E então, por vezes, o indivíduo, na tentativa de suprir um vácuo que a ele mesmo é ininteligível, subjugado por certo tipo de compulsão..., vai acumulando mais bens, e mais, nos casos em que a riqueza material o favorece.

Só que isso não preenche o estranho vácuo. Assim como as teorias acerca de apenas uma só vida, e o céu e o inferno, não atendem à compreensão daqueles que, meras marionetes na massa populacional no mundo, não atinam com o propósito maior das coisas, e com esta engrenagem aparentemente arbitrária que lhes governa as vidas, se atirando assim, por instinto, vencidos, à mediocridade alienante da luta pela sobrevivência, sem nem ao menos uma parada para reflexão.

Resta-lhes, portanto, o cansaço espiritual a inspirar-lhes, volta e meia, o mesmo tédio avassalador que a outros sugere a estranha falta de sentido numa existência confinada entre as paredes da imensa caixa que é este mundo – nosso objetivo único, segundo as explicações insuficientes ventiladas pelos criadores da fé cega.

A vida é eterna! E, no panorama material, a expressamos de dentro de variadas situações

Este, portanto, o estrago supremo nas mentalidades de todos os últimos séculos de um obscurantismo de ordem espiritual, outorgado a pulso dos interesses de poder e de manipulações religiosos. Roubou-se do ser humano o conhecimento puro e simples de um mero mecanismo evolutivo na jornada do homem rumo às luzes maiores da vida; mecanismo, entretanto, conferidor de liberdade e de uma autossuficiência que nos ensina, através das lições do nosso próprio cotidiano, que somos nós os criadores, em última análise, dos nossos destinos, e que a história toda, em função disso, possui desdobramentos, sendo bem mais vasta do que sugere o pequeno enredo de uma só vida vivida no nosso acanhado mundo, diminuto entre os gigantes do céu estrelado e infinito; que não precisamos nos desesperar, porque a força e a capacidade de superação das dificuldades no nosso aprendizado começam e terminam em nós mesmos, assim como as diretrizes do que virá depois, em consequência – e não nalgum deus humanizado, despótico e arbitrário, mais ainda do que nós o somos nas nossas limitações –, punindo e recompensando nalguma situação atemporal alheia ao presente, segundo contrariemos ou não os seus ininteligíveis caprichos; que, enfim, não precisamos cometer a idiotice de nos deixarmos iludir pela tentativa improfícua de dar fim ao que, de si, não tem fim: a Vida, que há de pulsar em nós e apesar de nós, em quaisquer dimensões onde nos pilharmos em decorrência das nossas decisões, movidas ou não por desespero, e cobrando-nos, sempre e em qualquer época, posicionamento perante as consequências das nossas escolhas!

A vida é eterna! E, no panorama material, a expressamos de dentro de variadas situações e papéis desempenhados ocasionalmente, em meio ao nosso infindo percurso evolutivo. Neste mister, criamos, literalmente, os lances mais ou menos dramáticos no nosso caminho, por intermédio do uso das escolhas de nosso livre-arbítrio, que – só estas! – atraem para nós todo tipo de consequência bem ou mal-aventurada, por lei de efeito respondendo a uma causa, e por nada mais!

É um conceito e tanto no tocante às responsabilidades que nos cabem quanto aos nossos próprios atos e pensamentos, e que, por isso mesmo, cobram funda maturidade espiritual de cada um de nós. Porque põe um basta definitivo a anjos, a demônios e a um tipo de Deus despótico e vingador que nada mais faz que nos julgar durante todo o tempo! É a noção de uma liberdade irrestrita e maravilhosa que, todavia, como tudo, cobra o seu preço: o de se enfrentar tudo sem desfalecimentos, já que, aqui ou em qualquer lugar, nunca encontraremos o fim do túnel – e faremos da vida exatamente o que queremos que ela seja.

Suicídio inconsciente foi a causa da desencarnação do autor do livro Nosso Lar

Em Nosso Lar, obra psicografada pelo saudoso Chico Xavier, e que teve a sua deslumbrante versão cinematográfica ano passado, o autor espiritual, André Luiz – vale repetir! –, relata das suas angústias, vivenciadas ao ser recebido como suicida inconsciente por tutores e médicos amáveis e lúcidos na cidade espiritual, após demorado estágio de sofrimento nas paragens do umbral. (1)

"– É de lamentar que tenha vindo pelo suicídio.

(...) Senti que singular assomo de revolta me borbulhava no íntimo. Suicídio? Recordei as acusações dos seres perversos das sombras. Não obstante o cabedal de gratidão que começava a acumular, não calei a incriminação.

– Creio haja engano – asseverei, melindrado. – Meu regresso do mundo não teve esta causa. Lutei mais de quarenta dias, na Casa de Saúde, tentando vencer a morte. Sofri duas operações graves, devido à oclusão intestinal...

– Sim – esclareceu o médico (...) –, mas a oclusão radicava-se em causas profundas (...) O organismo espiritual apresenta em si mesmo a história completa das ações praticadas no mundo (...) A oclusão derivava de elementos cancerosos, e estes, por sua vez, de algumas leviandades do meu estimado irmão, no campo da sífilis (...) Seu modo especial de conviver, muita vez exasperado e sombrio, captava destruidoras vibrações naqueles que o ouviam. Nunca imaginou que a cólera fosse manancial de forças negativas para nós mesmos?”. (Obra citada, pág. 32.)


         Christina Nunes                             ( continua )


                                                          PAZ, MUITA PAZ!
 
 
 
 
Título: Re: Suicidio
Enviado por: dOM JORGE em 22 de Outubro de 2011, 10:19
                                            VIVA JESUS!


        Bom-dia! queridos irmãos.


                Útil a qualquer época que de tempos em tempos lancemos mãos destas vertentes valiosas de ensinamentos vindos da espiritualidade assistente aos reencarnados, para ponderar acerca de nuances de nosso comportamento, de molde a que talvez, e inadvertidamente, amanhã ou depois nos vejamos, para nossa desagradável surpresa, incluídos no quadro lamentável descrito com destemor pelo autor desencarnado, da obra acima mencionada.

Além da explicação destacada no excerto, o médico da cidade das dimensões invisíveis aos reencarnados ainda adverte André Luiz sobre uma série de outros fatores cruciais aos quais não deu a devida atenção enquanto entretido com os lances da vida material, e que determinaram sua morte precoce em tal estado íntimo precário.

A despreocupação em considerar a vida de uma ótica mais válida, lembrando-se da Autoria Suprema da criação, atitude que naturalmente nos evoca reverência e respeito por todas as manifestações de vida circundantes – acima de tudo no nosso próximo – nutrindo-se as virtudes da tolerância e da compaixão, que espontaneamente reforçam os vínculos de amor.   

A displicência com relação ao fumo muitas vezes
se utiliza de alegações questionáveis

A leveza de viver com hábitos alimentares e de conduta sóbrios, sem o zelo exagerado de prazeres autodestrutivos como o da bebida, do fumo, ou de quaisquer vícios de molde a provocar desequilíbrios no organismo espiritual, a partir do qual, em verdade, se enraízam as desarmonias vibratórias que terminam por desencadear as moléstias mais graves, de ordem física...

Quantas vezes, inadvertidamente, não nos abandonamos a rompantes, excessos, ou a hábitos prejudicais, em primeiro lugar, a nós mesmos, comprovando ainda aqui, e em curto intervalo de tempo, os resultados desalentadores?!

Quanta mágoa e rancor íntimo alimentados em processo quase inconsciente, sem se atentar devidamente que tais emoções vibram em padrão tão pesado e deletério que as repercussões, invariavelmente, atingem em primeiro lugar o nosso estado de ânimo – e, por conseguinte, o desempenho saudável do sistema imunológico – baqueando-nos em depressão contínua e em vícios comportamentais lamentáveis e reincidentes, quais o de queixar-se em demasia ou arengar continuamente com os de nossa convivência?

Em quantas situações a displicência com o fumo, sob alegações questionáveis: "– Meu avô morreu com oitenta e cinco anos e fumou a vida inteira!" –, esquecendo-se convenientemente de que o mesmo avô poderia talvez ter usufruído uma sobrevida de mais cinco ou dez anos, não fosse o hábito lúgubre de intoxicação do delicado aparelho respiratório com o que visualmente, em exames acurados, nos revela resultados em forma de resíduos lamacentos que, se antevistos ao vício indesejável, certamente lançariam o fumante em dúvidas sinceras sobre o se sujar por esta forma agressiva o corpo, de cujo equilíbrio e salubridade depende todo o repertório da qualidade de vida que sustentará durante o seu período de vida?

Quantos vícios degradantes e de repercussões futuras desesperadoras não principiam com a impensada primeira dose?

Quantas atitudes mal sopesadas, e tidas em conta do contexto comum do cotidiano agitado das populações, não vão desencadear um crescendo de outros episódios que haverão de nos escapar por completo do controle, com resultados infelizes de dimensões inimagináveis a curto ou médio prazo? 

O suicídio inconsciente se constrói em processo
paulatino, dia a dia, gota a gota

Quantas intrigas pelo vício do mau uso da palavra contra o semelhante; quantos embates familiares que destroem diariamente o sossego íntimo de pessoas que em pouco tempo, e sem atinar com as causas atraídas pelas leis energéticas da sintonia, se veem lançadas a sintomas insidiosos e de difícil debelação: enxaquecas renitentes, dores diversas, descontrole nervoso, mal funcionamento intestinal, males cardíacos, enfim, todo um cortejo de moléstias que, mais do que supostamente determinadas pelos fatores ligados às deficiências recorrentes da qualidade de vida do mundo atual, com seus sobressaltos, ansiedades, questionáveis padrões alimentares e de consumo, se fundamentam, em grande soma, em hábitos adotados, por invigilância, antes de tudo por nós mesmos!

É recorrente que indivíduos habituados a gastar mais da metade do tempo falando e se atemorizando a respeito de doenças e fatalidades acabem sendo vitimizados exatamente por aqueles mesmos fantasmas que aterrorizam o seu universo mental. Quem fala demais em dores, inconscientemente atravessa os dias dentro de consultórios médicos atrás de terapias e de tratamentos para imenso cortejo de dores; os que acenam repetidamente para acontecimentos drásticos, surpreendentemente, volta e meia nos chegam com notícias de fatalidades e de lances pungentes dos quais se viram vítimas. Para exemplo, mencionamos o caso de senhora de nosso círculo pessoal de amizades que, após anos a fio temendo acidentes em ônibus, receio que proclamava em verso e prosa a cada conversa com conhecidos, quase todo dia, terminou por sofrer acidente dentro de um desses coletivos, saindo do episódio com vários ferimentos.

O suicídio inconsciente, do que podemos depreender do ensinamento valioso dos mentores da invisibilidade e da observação oferecida pelas nossas vivências, se constrói em processo paulatino, gota a gota. Oportuno, portanto, que a questão seja examinada a tempo e com destemor por cada um de nós, porque, em assim sendo, nunca será tarde para o autoexame que nos previna de incorrer no perfil indesejável descrito por André Luiz, na obra elucidativa dos requisitos íntimos fundamentais a que aportemos, amanhã ou depois, nas colônias ou estâncias das dimensões imateriais, para a continuidade de um aprendizado, tanto quanto possível, orientado por bases saudáveis adquiridas durante as nossas vivências mais recentes – e não como réprobos de nós mesmos, pelo aviltamento voluntário do precioso dom da Vida.

         Christina Nunes




                                                       PAZ, MUITA PAZ!
Título: Re: Suicidio
Enviado por: dOM JORGE em 23 de Outubro de 2011, 22:29
                                           VIVA JESUS!


       Boa-noite! queridos irmãos.

             
Suicidar-se nunca!  


Meu caro leitor, se você é daquelas
pessoas que está enfrentando difícil fase de sua existência, com escassez de
recursos financeiros, enfermidades ou complexos desafios pessoais (na vida
familiar ou não) e está se sentindo muito abatido, gostaria de convidá-lo a uma
grave reflexão.

Todos temos visto a ocorrência triste e
dramática daqueles que se lançam ao suicídio, das mais variadas formas. A idéia
infeliz surge, é alimentada pelo agravamento dos problemas do cotidiano e
concretiza-se no ato infeliz do auto-extermínio.

Diante de possíveis angústias e estados
depressivos, não há outro remédio senão a calma, a paciência e a confiança na
vida, que sempre nos reserva o melhor ou o que temos necessidade de enfrentar
para aprender. Ações precipitadas, suicídios e atos insanos são praticados
devido ao desespero que atinge muitas pessoas que não conseguem enxergar os
benefícios que as cercam de todos os lados.

Mas é interessante ressaltar que estes
estados de alma, de desalento, de angústias, de atribulações de toda ordem, não
são casos isolados. Eles integram a vida humana. Milhões de pessoas, em todo
mundo, lutam com esses enigmas como alunos que quebram a cabeça tentando resolver exercícios de física
ou matemática. Mas até uma criança sabe que o problema que parece insolúvel não
se resolverá rasgando o caderno e fugindo da sala de aula.

Sim, a comparação é notável. Destruir o
próprio corpo, a própria vida, como aparente solução é uma decisão absurda.
Vejamos os problemas como autênticos desafios de aprendizado, nunca como
castigos ou questões insuperáveis. Tudo tem uma solução, ainda que difícil ou
demorada.

O fato, porém, é que precisamos sempre
resistir aos embates do cotidiano com muita coragem e determinação. Viver é algo
extraordinário. Tudo, mas tudo mesmo, passa. Para que entregar-se ao desespero?
Há razões de sobra para sorrir, rir e viver...!

O suicídio é um dos maiores equívocos
humanos, para não dizer o maior. A pessoa sente-se pressionada por uma
quantidade variável de desafios, que julga serem problemas sem solução, e
precipita-se na ilusão da morte. Sim, ilusão, porque ninguém consegue
auto-exterminar-se. E o suicídio agrava as dificuldades porque aí a pessoa
sente o corpo inanimado, cuja decomposição experimenta com os horrores
próprios, pressionada agora pelo arrependimento, pelo remorso, sem
possibilidade de retorno imediato para refazer a própria vida. Em meio a dores
morais intensas, com as sensações físicas próprias, sentindo ainda a angústia
dos seres queridos que com ele conviviam, o suicida torna-se um indigente do além.

Como? Sim, apenas conseqüências do ato
extremo, nunca castigo. Isto tudo por uma razão muito simples: não somos o
corpo, estamos no corpo. Somos espíritos reencarnados, imortais. E a vida nunca
cessa, ela continua objetivando o aprimoramento moral e intelectual de todos os
filhos de Deus. Suicidar-se é ilusão. Os desafios existenciais surgem
exatamente para promover o progresso, convidando à conquista de virtudes e o
desenvolvimento da inteligência. A oportunidade de viver e aprender é muito
rica para ser desprezada. E quando alguém a descarta, surgem consequências
naturais: o sofrimento físico, pela auto-agressão e o sofrimento moral do
arrependimento e da perda de oportunidades. Muitos talvez, poderão
perguntar-se: Mas de onde vem
essas informações?

A Revelação Espírita trouxe essas
informações. São os próprios espíritos que trouxeram as descrições do estado
que se encontram depois da morte. Entre eles, também os suicidas descrevem os
sofrimentos físicos e morais que experimentam. Sim porque sendo patrimônio
concedido por Deus, a vida interrompida por vontade própria é transgressão à
sua Lei de Amor. Como uma criança pequena que teima em não ouvir os pais e
coloca os dedos na tomada elétrica.

Para os suicídios há atenuantes e
agravantes, mas sempre com consequências dolorosas e que vão requerer longo
tempo de recuperação. Deus, que é Pai bondoso e misericordioso, jamais abandona
seus filhos e concede-lhes sempre novas oportunidades. Aí surge a reencarnação
como caminho reparador, em existências difíceis que apresentam os sintomas e
aparências do ato extremo do suicídio. Há que se pensar nos familiares,
cônjuges, pais e filhos, na dor que experimentam diante do suicídio do ser
querido. Há que se pensar no arrependimento inevitável que virá. Há que se
ponderar no desprezo endereçado à vida. Há, mais ainda, que se buscar na
confiança em Deus, na coragem, na prece sincera, nos amigos (especialmente o
maior deles, Jesus), a força que se precisa para vencer quaisquer idéias que
sugiram o auto-extermínio.

Meu amigo, minha amiga, pense no tesouro
que é tua vida, de tua família! Jamais te deixes enganar pela ilusão do
suicídio. Viva! Viva intensamente! Com alegria! Que não te perturbe nem a
dificuldade, nem a enfermidade, nem a carência material. Confie, meu caro, e
prossiga!


        Orson Peter Carrara



                                                            PAZ, MUITA PAZ!





Título: Re: Suicidio
Enviado por: dOM JORGE em 16 de Novembro de 2011, 19:12
                                         VIVA JESUS!


         Boa-tarde! queridos irmãos.

               SUICÍDIO

Em Taiwan, a fabricante de eletrônicos Foxconn  “anunciou que vai contratar dois mil profissionais de saúde mental para tentar conter uma onda de suicídios em suas fábricas na China”(1). A empresa conta com 700 mil funcionários - cerca de 300 mil deles na China -, fabrica vários produtos para multinacionais, como o celular iPhone, da Apple, os consoles de games PlayStation, da Sony, Wii, da Nintendo, e Xbox, da Microsoft, e o leitor eletrônico Kindle, da Amazon..
Na França, como se não bastasse o preocupante “Dia nacional de prevenção ao suicídio”, a Justiça francesa está investigando a onda de suicídios na operadora de telefonia France Telecom. Nos últimos dois anos, 46 funcionários da companhia se mataram - 11 deles apenas em 2010, segundo dados da direção da empresa e dos sindicatos.
Nos EUA a Universidade de Cornell, no estado americano de Nova York, lançou recentemente uma campanha de prevenção ao suicídio. A Universidade já carrega há muito tempo a fama negativa de ser uma escola marcada por suicídios. Entre 2000 e 2005, houve 10 casos de suicídio confirmados na Cornell.
O número de suicídios na Terra estarrece, senão vejamos: há dez anos foram “815.000 pessoas que cometeram suicídio. Países do Leste Europeu são os recordistas em média de suicídio por 100.000 habitantes. A Lituânia (41,9), Estônia (40,1), Rússia (37,6) (a taxa de suicídio na Rússia é a segunda no mundo, abaixo somente da Lituânia e leste europeu), Letônia (33,9) e Hungria (32,9). Guatemala, Filipinas, e Albânia estão no lado oposto, com a menor taxa, variando entre 0,5 e 2. Os demais estão na faixa de 10 a 16. Em números absolutos, porém, a República Popular da China lidera as estatísticas. Foram 195 mil suicídios no ano de 2000, seguido pela Índia com 87 mil, os Estados Unidos com 31 mil, o Japão com 20 mil (em  2008 o suicídio entre jovens bateu novo recorde no Japão)e a Alemanha com 12,5 mil” (2).
O suicídio é um ato exclusivamente humano e está presente em todas as culturas. Suas matrizes causais são numerosas e complexas.  Alguns veem o suicídio como um assunto legítimo de escolha pessoal e um direito humano (absurdamente conhecido como o "direito de morrer"), e alegam que ninguém deveria ser obrigado a sofrer contra a sua vontade, sobretudo de condições como doenças incuráveis, doenças mentais e idade avançada que não têm nenhuma possibilidade de melhoria.
Nenhuma religião admite o suicídio. Essa unanimidade evidencia tratar-se de algo contrário às leis divinas. Mas, algumas seitas paranóicas fazem cultos ao suicídio, como a Ordem do Templo Solar, a Heaven’s gate, a Peoples Temples e outras. Entre os adeptos “notáveis” dessa escola de pensamento estão incluidos o filósofo pessimista Arthur Schopenhauer, Friedrich Nietzsche, e o empirista escocês David Hume.
Sob o ponto de vista sociológico, o suicídio é um ato que se produz no marco de situações anômicas(3), em que os indivíduos se veem forçados a tirar a própria vida para evitar conflitos ou tensões inter-humanas, para eles insuportáveis. Em verdade para os espíritas o "suicídio é o ato sumamente covarde de quem opta por fugir, despertando em realidade mais vigorosa, sem outra alternativa de escapar"(4).
O suicida não quer matar a si próprio, mas alguma coisa que carrega dentro de si e que, sinteticamente, pode ser nominado de sentimento de culpa e vontade de querer matar alguém com quem se identifica. Como as restrições morais o impedem, ele acaba se autodestruindo. Assim, o suicida mata uma outra pessoa que vive dentro dele e que o incomoda, profundamente. O pensador Émile Durkheim teoriza que a "causa do suicídio, quase sempre, é de raiz social, ou seja, o ser individual é abatido pelo ser social. Absorvido pelos valores [sem valor], como o consumismo, a busca do prazer imediato, a competitividade, a necessidade de não ser um perdedor, de ser o melhor, de não falhar, a pessoa se afasta de si mesmo e de sua natureza. Sobrevive de ‘aparências’, para representar um ‘papel social’ como protagonista do meio. Nessa vivência neurotizante, ele deixa de desenvolver suas potencialidades, não se abre, nem expõe suas emoções e se esmaga na sua intimidade solitária"(5).
Curiosamente, há casos e casos. Em incêndios de edifícios, algumas  pessoas presas em andares superiores, têm pulado para a morte, ante a proximidade das chamas. Não podemos considerar essa situação como um ato suicida. Há apenas um gesto instintivo de fuga. O calor, nessa situação, é tão intenso que, literalmente, pode levar a pessoa ao estado de absoluta inconsciência.
Situação grave que merece ser analisada é a obsessão que pode ser definida como um constrangimento que um indivíduo, suicida em potencial ou não, sente, pela presença perturbadora de um obsessor(encarnado ou desencarnado). Há suicídios que se afiguram como verdadeiros assassinatos, cometidos por perseguidores desencarnados (e encarnados também). Esses seres envolvem de tal forma a vítima que a induzem a matar-se. Obviamente que o suicida nesse caso não estará isento de responsabilidade. Até porque um obsessor não obriga ninguém ao suicídio. Ele sugere telepaticamente ao ato, porém a decisão será sempre do autocida.
A simples ideia, repetida várias vezes, leva o indivíduo à fascinação, à subjugação, e, por fim, ao suicídio. Emmanuel adverte que o suicídio é como alguém que “pula no escuro sobre um precipício de brasas. Após o ato, sobrevêm ao infeliz a sede, a fome, o frio, o cansaço, a insônia, os irresistíveis desejos carnais, a promiscuidade e as tempestades com constantes inundações de lamas fétidas”(6). Em verdade, "de todos os desvios da vida humana o suicídio é, talvez, o maior deles pela sua característica de falso heroísmo, de negação absoluta da lei do amor e de suprema rebeldia à vontade de Deus, cuja justiça nunca se fez sentir, junto dos homens, sem a luz da misericórdia"(7)
Refletindo sobre a questão 945 de "O Livro dos Espíritos", que pensar do suicídio que tem por causa o desgosto da vida? Os Espíritos responderam: "Insensatos! Por que não trabalhavam? A existência não lhes seria uma carga!"(8) O suicídio é a mais desastrada maneira de fugir das provas ou expiações pelas quais devemos passar. É uma porta falsa em que o indivíduo, julgando libertar-se de seus males, precipita-se em situação muito pior. Arrojado violentamente para o além-túmulo, em plena vitalidade física, revive, intermitentemente, por muito tempo, as chicotadas de consciência e sensações dos derradeiros instantes, além de ficar submerso em regiões de penumbras, onde seus tormentos serão importantes para o sacrossanto aprendizado, flexibilizando-o e credenciando-o a respeitar a vida com mais empenho.
Na literatura espírita encontramos livros que comentam o assunto. Temos como exemplo: "O Martírio dos Suicidas", de Almerindo Martins de Castro, e "Memórias de um Suicida", ditado pelo Espírito Camilo e psicografado por Yvonne A. Pereira. O mestre de Lyon, em o livro "O Céu e o Inferno" deixa enorme contribuição em exame comparado das doutrinas sobre a passagem da vida corporal à vida espiritual e, especificamente, no capítulo V, da Segunda parte, onde aborda a questão dos suicidas.
Quando um indivíduo perde a capacidade de se amar, quando a autoestima está debilitada, passa a ter dificuldade de manter a saúde física, psíquica e somática. André Luiz explica que "os estados da mente são projetados sobre o corpo através dos bióforos que são unidades de força psicossomáticas, que se localizam nas mitocôndrias. A mente transmite seus estados felizes ou infelizes a todas as células do nosso organismo, através dos bióforos. Ela funciona ora como um sol irradiando calor e luz, equilibrando e harmonizando todas as células do nosso organismo, e ora como tempestades, gerando raios e faíscas destruidoras que desequilibram o ser, principalmente em atingindo as células nervosas"(9).
O mais grave é que o suicida acarreta danos ao seu perispírito. Quando reencarnar, além de enfrentar os velhos problemas ainda não solucionados, verá acrescida a necessidade de reajustar a sua lesão perispiritual. Portanto, adiar dívida significa reencontrá-la mais tarde, com juros cuidadosamente calculados e cobrados, sem moratória. A questão 920, de O Livro dos Espíritos, registra que a vida na Terra foi dada como prova e expiação, e depende do próprio homem lutar, com todas as forças, para ser feliz o quanto puder, amenizando as suas dores(10).
Ante o impositivo da Lei da fraternidade, devemos orar pelos nossos irmãos que deram fim às suas vidas, compadecendo-nos de suas angústias, sem condená-los. Até porque, todos os suicidas, sem exceção, lamentam o ato praticado e são acordes na informação de que somente a oração em seu favor alivia as atrozes dores conscienciais em que se encontram e que lhes parecem eternas.

Jorge Hessen



                                                          PAZ, MUITA PAZ!
Título: Re: Suicidio
Enviado por: dOM JORGE em 18 de Novembro de 2011, 11:10
                                       VIVA JESUS!


       Bom-dia! queridos irmãos.

              Saiba mais sobre o suicídio

1 - Por que algumas pessoas pensam, erroneamente, que o suicídio pode resolver seus problemas?

Dificuldade alguma justifica o suicídio e matar-se pensando fugir dos problemas é um enorme engano, porque o Espírito encontrará sofrimentos inenarráveis e de mais difícil solução no outro Plano. A vida continua no Mundo Espiritual e cada Espírito, ao desencarnar, lá encontra as virtudes, os defeitos e os problemas não resolvidos na última reencarnação. Porém, é com fé e certeza na sabedoria e bondade de Deus e na justiça de Suas leis que encontramos forças para lutar. E através da prece nos ligamos aos bons Espíritos que nos intuem no caminho do bem, compreendendo que a vida é um presente de Deus, uma oportunidade valiosa de aprendizado. 

2 - O que acontece com quem se suicida?

As conseqüências dependem dos méritos e deméritos e dos atenuantes ou agravantes. Geralmente (afastados os casos em que se dá um estado de inconsciência), uma vez cometido o ato equivocado, o desencarnado se encontrará em regiões infelizes no Plano Espiritual, vales sinistros, na companhia de trevosas sociedades, situações essas ricamente descritas no livro “Memórias de um Suicida”, de Yvonne Pereira. Além disso, a lesão ao corpo físico lesa também o corpo espiritual. E é ele, o perispírito, a matriz que vai registrar, nos corpos das reencarnações subseqüentes, o resultado das lesões ocasionadas pelo suicídio, em forma de enfermidades ou deficiências.

3 - O que fazer se percebemos que alguém pensa em cometer suicídio?

Quando se percebe alguém com pensamentos ou tendências suicidas, é dever cristão auxiliar, esclarecendo acerca das conseqüências do suicídio, além de incentivar a oração e a valorização da vida. Através de conversas fraternas e leituras é possível esclarecer que as dificuldades são provas ou resgates que proporcionam o progresso espiritual, se vividas com resignação, coragem e confiança em Deus. Importante também elevar a auto-estima da pessoa, levando esperança e amizade àquele que sofre, lembrando que todo sofrimento é transitório.

4 - E o que podemos fazer para auxiliar alguém que se matou?

Podemos ajudar através da prece e das vibrações de amor emitidas em seu favor, aliviando assim seu sofrimento. Sempre haverá uma nova chance, pois o Pai Misericordioso não condena ninguém ao sofrimento eterno. No futuro, ser-lhe-á dada nova oportunidade de superar as provas ou expiações que não teve coragem de transpor, através de uma nova reencarnação.

5 - Qual o papel da Doutrina Espírita com relação ao suicídio?

A Doutrina Espírita esclarece encarnados e desencarnados acerca desse ato insano, despertando a luz da fé, da oração e dos valores éticos e cristãos, construtores do verdadeiro progresso espiritual. Também auxilia a reequilibrar aqueles que estão com a idéia de fugir à vida e auxilia, através do esclarecimento e da prece, os infelizes que desencarnaram por meio desse ato dramático, bem como as vítimas que aqui ficaram: parentes e amigos.

          Claudia Schmidt



                                                    PAZ, MUITA PAZ!
Título: Re: Suicidio
Enviado por: dOM JORGE em 26 de Novembro de 2011, 07:54
                                       VIVA JESUS!


        Bom-dia! queridos irmãos.

                 Suicídio no Brasil

A mídia brasileira divulga incansavelmente notícias que envolvem corrupção, desmandos, crimes, banalidades da vida alheia, doenças como febre amarela, dengue...

Há, porém, uma situação que vem sendo esquecida não só pela mídia, como pela sociedade brasileira como um todo: o suicídio no Brasil.

Notável artigo escrito pelo jornalista André Trigueiro e publicado no jornal Folha Espírita – mês de Janeiro/2008, mostra essa triste realidade. Compartilho com o leitor alguns dados pesquisados por Trigueiro:

O Brasil está entre os dez países do mundo no ranking do suicídio, cerca de 8.000 casos por ano. Acrescente-se a isso que muitas mortes não são registradas como suicídio, sem contar as tentativas infrutíferas de autoextermínio, que, segundo Trigueiro, acontecem em uma esfera dez vezes superior aos casos consumados.

O suicídio está vinculado a falta de informação. As pessoas que tentam ou consumam o autoextermínio geralmente não têm conhecimento da imortalidade da alma, tampouco das conseqüências desastrosas dessa atitude. Consideram que a vida se extingue com o findar do corpo físico, e por isso vêem no suicídio a saída para seus problemas. O cansaço da vida promovido pelo vazio existencial coloca muitas pessoas na rota direta do suicídio. Há muita gente vivendo por viver, sem objetivos, sem brilho nos olhos, sem sonhos...

Criaturas que se frustram por pouco e encaram as provas da existência como castigo divino, com  isso sentem-se desprezadas, angustiadas, acabrunhadas.  Despreparadas para enfrentar os pedagógicos caminhos da jornada humana não têm paciência de encarar desafios. Querem colocar fim no que julgam ser um sofrimento interminável. Alguns casos na região de Bauru mostram que, muitos jovens colocaram fim na vida por motivos banais, cicatrizes que o tempo, esse senhor soberano, trata de curar, como término de namoro, por exemplo. E dado entristecedor: o suicídio já é uma das três principais causas de morte envolvendo jovens que estão entre os 15 e 34 anos.

E para complicar  mídia e  sociedade não abraçam a causa dos desajustes humanos como deveriam abraçar. Depressão, angustia, receios, melhor qualidade de vida são assuntos que obrigatoriamente deveriam estar na pauta de debates por parte da mídia, governo e sociedade de uma forma geral.

Mas, infelizmente não é isso o que acontece. Abre-se espaço em horário nobre para bisbilhotar a vida alheia, futilidades que levam do nada ao lugar nenhum, mas esquece-se de que naquele mesmo horário há muita gente vivenciando sofrimentos de todos os matizes. Poderíamos utilizar melhor o tempo. Sim, caro leitor, quando uma sociedade emprega bem seu tempo há menos tristezas, menos sofrimentos, menos injustiças. Poderíamos, por exemplo, evitar que seres humanos cometam a loucura de exterminar a própria vida porque ignoram a imortalidade da alma. Por isso o Espiritismo cumpre função social das mais importantes. Aliás, o espírita tem essa função social: a de divulgar o Espiritismo para a educação da alma humana. Não quero aqui mostrar que o Espiritismo é dono exclusivo da verdade, nada disso. Quero apenas salientar que, ao ensinar que a vida continua, que o espírito prosseguirá com suas conquistas, mas também com suas dificuldades  além dessa vida material, o ensino espírita colabora de forma decisiva para que a criatura humana saiba que o suicídio não resolve problema algum, ao contrário, apenas agrava.

Quando todos souberem que as dificuldades são passageiras e que podem significar passaporte para uma vida melhor, o número de suicídios terá drástica redução. Dificilmente teremos jovens que atentam contra a própria existência porque a namorada colocou fim ao namoro. Não teremos mais pessoas tentando se autoexterminar por causa de problemas financeiros, nem criaturas à beira da loucura porque a vida não lhes dá de mão beijada o que pretendem.

O assunto referente ao suicídio deve ser debatido, a sociedade tem de se mobilizar, informações devem ser transmitidas, o espaço precisa ser concedido. São vidas humanas em jogo. Ou nos mobilizamos agora, ou o número de suicídios aumentará. Ou psiquiatras, religiosos, psicólogos, jornalistas e nós da sociedade nos mobilizamos para tratar o assunto com a gravidade que ele merece, ou nosso Brasil terá a triste alcunha de: O país do suicídio.

           Wellington Balbo



                                                            PAZ, MUITA PAZ!
Título: Re: Suicidio
Enviado por: maria.ma@ em 26 de Novembro de 2011, 13:37
Como nada acontece sem a permissão de Deus, conforme o Livro dos Espíritos, não há suicídio voluntário por parte dos seres humanos. Deus é que manda quem vai embora ou quem fica.

O resto que também se pode encontrar no mesmo livro sobre o suicídio, é simples consolação para o ser humano continuar a pensar que tem algum poder. Isto, pelo menos, até que ele se entregue totalmente ao todo poderoso Senhor e confirme esta verdade por ele próprio.
Título: Suicidio
Enviado por: Sylvia Campos em 27 de Novembro de 2011, 20:45
Excelentes textos, Dom Jorge!
Título: Re: Suicidio
Enviado por: Karene em 27 de Novembro de 2011, 22:21
Eu tenho muitas dúvidas com relação ao suícidio, mas acredito que a principal, é justamente, esta possível "contradição": se nada acontece em nossas vidas, sem a permissão de Deus, porque ele permite que um filho tire a sua própria vida ?
Título: Re: Suicidio
Enviado por: Tathi_G em 27 de Novembro de 2011, 23:56
Amiga Karene, boa noite!!!.

Deus nos criou simples e ignorantes, e a partir do momento que nos desenvolvemos, utilizamos nosso livre-arbítrio, tendo nossa consciência como nossa guia.

O cidadão que se mata está utilizando seu livre-arbítrio. De uma forma totalmente equivocada, mas está. Deus sabe que um dia(cedo ou tarde), aquele filho terá consciência do mal que praticou contra si mesmo e que irá reparar o erro, dando 1 passo a frente à evolução. Por isso, ele nao interfere nas nossas escolhas, pois sempre sofremos as consequencias de cada uma delas, sejam "acertadas" ou não.

Abs!!!
Título: Re: Suicidio
Enviado por: dOM JORGE em 24 de Setembro de 2012, 20:08
                                                                 VIVA JESUS!




            Boa-tarde! queridos irmãos.



                   
Suicídio: opção tola e inútil


No início de setembro, em relatório publicado na cidade de Genebra, a Organização Mundial de Saúde divulgou um dado alarmante: um milhão de pessoas por ano cometem suicídio, um número maior do que o total de vítimas causadas por guerras e homicídios. O relatório foi apresentado no dia 10 de setembro durante a décima edição do Dia Mundial de Prevenção de Suicídio.

De acordo com os números divulgados, as taxas de suicídio mais elevadas verificam-se nos países do leste da Europa, como Lituânia ou Rússia, e as mais baixas se situam nas Américas Central e do Sul, em países como Peru, México, Brasil ou Colômbia. Estados Unidos, Europa e Ásia estão na metade da escala e não existem estatísticas no tocante aos países africanos e do sudeste asiático.

Se o número de suicídios é alto, que diremos do número de tentativas, cerca  de 20 milhões por ano! Cinco por cento das pessoas no mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde, fazem uma tentativa de suicídio pelo menos uma vez em sua vida. E – o que é mais assustador – o suicídio é, em todo o mundo, a segunda causa de morte entre os adolescentes de 15 a 19 anos.

O tema suicídio tem sido examinado com certa frequência nas obras e nos periódicos espíritas.

O capítulo 3 do livro Astronautas do Além, uma parceria entre Chico Xavier e Herculano Pires, teve sua origem numa carta de uma pessoa que solicitou a Cornélio Pires (Espírito) esclarecimentos a respeito do suicídio.

Na reunião em que a carta foi entregue a Chico Xavier, assim que feita a prece inicial, caiu para estudo a questão 943 d’ O Livro dos Espíritos:  “De onde vem o desgosto pela vida que, sem motivos plausíveis, se apodera de alguns indivíduos?”. 

Os imortais responderam: “Efeito da ociosidade, da falta de fé e geralmente do fastio. Para aqueles que exercem as suas faculdades com um fim útil e segundo as suas aptidões naturais, o trabalho nada tem de árido e a vida passa mais rapidamente. Suportam as suas vicissitudes com tanto mais paciência e resignação, quanto mais agem tendo em vista a felicidade mais sólida e durável que os espera”.

No final da reunião, Cornélio Pires, valendo-se das faculdade de Chico Xavier, respondeu ao amigo, a quem dedicou o poema intitulado Suicídio, formado por oito quadras, nas quais diz que não devemos pensar em suicídio nem mesmo por brincadeira, porquanto um ato desses resulta na dor de uma vida inteira.

Na sequência, Cornélio relata de forma sintética o drama de seis suicidas e as consequências de seus atos. Quim afogou-se num poço e renasceu atolado no enfisema. Dilermanda matou-se com um tiro e agora não fala, não vê, não anda. Dona Cesária da Estiva pôs fogo nas próprias vestes e retornou num corpo que é chaga viva. Maricota da Trindade suicidou-se ingerindo formicida e voltou, morrendo de um câncer aos quatro meses de idade. Columbano enforcou-se e hoje é paraplégico. Dona Lília Dagele queimou-se com gasolina e agora sofre sarna que lembra fogo na pele.

Fechando o poema, Cornélio grafou este admirável conselho:

“Tolera com paciência

Qualquer problema ou pesar;

Não adianta morrer,

Adianta é se melhorar”.

Em uma mensagem acerca do assunto, Emmanuel diz que as pessoas que revelem tendências suicidas deveriam tomar algumas precauções indispensáveis à vigilância, pois, caso contrário, a queda no abismo tornar-se-á quase inevitável. É preciso – diz Emmanuel – que, em primeiro lugar, a pessoa pense em Deus e na bondade do Pai que nos deu a vida, a família, os amigos e as oportunidades de crescimento. Em segundo lugar, que medite na falta que, se partir de repente desta vida, fará aos entes queridos – mulher, filhos, irmãos, pais e  amigos. Em terceiro lugar, que ore e peça forças a Deus e aos protetores espirituais, e, por fim, dedique-se à prática do bem, ajudando os que, mais carentes que nós, enfrentam situações que talvez não suportaríamos.

Cada existência no mundo em que vivemos constitui-se de desafios, porque estes são indispensáveis ao nosso progresso. Fugir a eles, desertar da vida, abandonar o curso de uma existência pela via do suicídio só ampliam, jamais aliviam, os amargores da vida.

“A vida material – diz Herculano Pires – é um exercício para o desenvolvimento dos poderes do Espírito. Quem abandona o exercício por vontade própria está renunciando ao seu desenvolvimento e sofre as consequências naturais dessa opção negativa.”  “Nova oportunidade lhe será concedida, mas já então ao peso do fracasso anterior.” (Astronautas do Além, cap. 3.)
 

          Editorial-O Consolador





                                                                                    PAZ, MUITA PAZ!
Título: Re: Suicidio
Enviado por: dOM JORGE em 16 de Dezembro de 2012, 14:09
                                                                    VIVA JESUS!




               Boa-tarde! queridos irmãos.


                     Resistir ao suicídio…


João estava desesperado. Fora despedido. A empresa falira, engolida no egoísmo de quem a geria. A esposa, empregada fabril, tinha sido despedida há 2 meses. João pensava nos dois filhos que tinha para criar, de 15 e 17 anos. Almejava dar-lhes um curso superior, que agora ia pelo cano abaixo. Faltavam 10 anos para acabar de pagar o empréstimo da casa, e agora não tinha como. O futuro tinha fugido, de repente. Não tinha saída.

A solução estava ali à mão de semear. Vivia perto da linha de comboio, perto de uma curva, seria uma morte rápida e sem grande dor, pensava no seu íntimo.

Nessa noite, deitou-se pela última vez ao lado da esposa, carcomida pelas dificuldades da vida, tal como ele. Olhou para ela, dormindo, cansada, e uma lágrima de tristeza misturada com ternura rolou pela face.

Não podia fraquejar! Levaria o seu plano por diante, após a rotina diária de desempregado, após o café diário, no café do Sr. Joaquim. Assim não daria nas vistas.

Ajeitou-se nas mantas, e sem saber como nem por quê, lembrou-se da sua falecida mãe, que lhe falava do seu anjo da guarda ou guia espiritual. Nunca fora dado a essas coisas da espiritualidade. Ela morrera, e era apenas uma leve recordação.

Adormeceu.

Teve um sonho muito nítido, onde se via lado a lado com um ser luminoso, que o levava a visitar um local sinistro, sombrio, onde a dor não tem palavras para ser relatada. Olhou para uma tabuleta que encimava a entrada: “Vale dos suicidas”. O seu companheiro de viagem durante o sono (o seu guia espiritual) mostrava-lhe ali o estado de inúmeras pessoas que, pensando tudo acabar com a morte do corpo de carne, ali sofriam os horrores da desilusão, até que um dia, por mérito próprio, fossem resgatadas pelos Espíritos benfeitores, levando-as para um local mais calmo, em preparação para nova reencarnação.

Gritos, tiros, apitos de comboios, gemidos de dores, de tudo um pouco ouvia, e aquilo o perturbou imenso. Pediu para voltar. De repente, acordou, alagado em suor.

5 da manhã! A esposa dormia tranquila…

“Que raio de sonho!”, pensou… Deviam ser preocupações devido ao que planeava.

Mas, aquilo tinha sido tão nítido que não conseguiu dormir mais, e continuou até de manhã, a matutar naquele sonho que, para ele, parecia realidade. Se fosse daqueles que acreditavam nas coisas da espiritualidade, iria jurar que tinha sido real. Mas não, a vida para além da morte não existe, cogitava, enquanto se procurava acalmar.

No dia seguinte, levantou-se, fez a rotina diária e, enquanto tomava o café no Café do seu bairro e lia as notícias do dia, antes do fatídico momento que tinha preparado, apareceu-lhe o Victor, amigo de sempre. “Pobre coitado, o filho fora assassinado no bairro, faz quase um mês, sem ter culpa nenhuma, e o homem, mesmo assim, aguentou-se”, pensava com os seus botões.

Depois dos cumprimentos de praxe, Victor mandou vir um café, pousando um livro sobre a mesa.

“Que andas a ler” – perguntou o João.

“Ah, é um livro que me tem ajudado muito”, disse o Victor. “Imagina que o André, o nosso vizinho, é espírita, faz parte daquelas reuniões todas as 4ªs feiras, naquele grupo espírita ali à beira da mercearia do Antônio. Nunca acreditei nessas coisas. Ele convidou-me a lá ir, e destroçado com a morte do meu filho, lá fui.” 

O Espiritismo, provando a vida para além da morte,  demonstra que o suicídio não faz sentido

“Oh! homem, vim de lá novo. Este livro, O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, abriu-me os horizontes da vida, tenho ido às reuniões, e venho sempre de lá melhor. Até tenho esperança de um dia receber uma mensagem do meu filho.”

João estava atônito, pois desconhecia a fé daquele homem, a quem tinham matado o seu único filho e a esperança para o fim da sua vida.

“Queres ir lá um dia comigo?” – perguntou o Victor. – “Bem sei que não acreditas em Deus, mas vais ver que é diferente.”

João irrompeu num pranto, soluçou, para espanto do seu colega de mesa e dos restantes que estavam nas mesas ao lado. Depois de se acalmar, João já lhe contou do seu projeto para dali a minutos quando o comboio passasse, contou-lhe o sonho vívido que tivera, a lembrança repentina da sua mãe antes de adormecer, e agora aquele encontro inopinado, e ainda as mais inopinadas revelações da frequência do seu amigo às reuniões espíritas.

Seria um sinal para que não se matasse? – cogitava agora em voz alta!

Victor pegou-lhe pela mão. Foram ao centro espírita.

João pôde ali lavar a alma, com um dos dirigentes presentes, que lhe falou das inúmeras provas da imortalidade do Espírito, da comunicabilidade dos Espíritos, da reencarnação, e da esperança num dia melhor.

O comboio acabou por passar, apitando na dita curva, enquanto eles iam falando da espiritualidade e da imortalidade.

Ali, naquele momento, João apanhou o comboio da vida de novo, e ainda hoje pensa que, se não fosse o Espiritismo, talvez estivesse naquele lugar do seu sonho, a carpir as mágoas, próprias de quem tenta em vão fugir da Vida e das leis sábias de Deus.

A esperança estava de novo ali, pois havia a perspectiva de ir trabalhar como jardineiro para a casa de um dos frequentadores do grupo espírita onde fora socorrido.

Pensava com os seus botões: nos momentos difíceis é fundamental… resistir ao suicídio...




                     José Lucas







                                                                                                    PAZ, MUITA PAZ!