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GERAL => O que é o espiritismo => Lei de Causa e Efeito => Tópico iniciado por: Dhi em 28 de Janeiro de 2013, 06:11

Título: Mortes coletivas, Santa Maria RS
Enviado por: Dhi em 28 de Janeiro de 2013, 06:11
Apesar da tristeza que assola os corações dos familiares das vítimas deste desastre e da tristeza também da maioria dos brasileiros, não consigo para de buscar explicação pra o que aconteceu, independente, da causa culposa do fato, pergunto aos meus colegas mais esclarecidos do fórum, se casos assim, de mortes coletivas, de uma vez, tem algum propósito, algo que para o mundo espiritual tinha que se cumprir, e caso de acidentes, também onde morrem famílias de uma vez, desastres de avião... Sinceramente, a intenção é trazer conforto, no sentido de " haver sentido", propósito...A fins como estes...
Título: Re: Mortes coletivas, SANTA MARIA RS
Enviado por: Artur V. em 28 de Janeiro de 2013, 14:09
Ante tragédias como essa mais recente, ou como outras de triste memória: o incêndio do Edifício Joelma, em São Paulo; o incêndio no circo em Niterói; desastres de avião; terremotos; inundações; enfim, diante desses dramáticos episódios a fé arrefece, torna-se vacilante e, não raro, surge a revolta, o desespero, a descrença. Menciona-se que Deus castiga violentamente ou que pouco se importa com os sofrimentos da Humanidade. Chega-se ao ponto de comparar-se o Criador a um pai terreno e, nesse confronto, este sair ganhando pois zela pelos seus filhos e quer o melhor para eles, enquanto que Deus...

O Codificador do Espiritismo interrogou os Espíritos Superiores quanto às provas coletivas, no item intitulado Flagelos Destruidores, conforme vemos em "O Livro dos Espíritos", nas questões 737 a 741. A Espiritualidade Amiga também já se pronunciou algumas vezes a respeito das provações coletivas.

Vejamos a mensagem do Espírito Irmão X (Humberto de Campos) no livro "Cartas e Crônicas" de Chico Xavier, com relação ao incêndio no Gran Circus em Niterói, em 1961, que matou cerca de 500 pessoas, a grande maioria crianças:



Tragédia no Circo

Naquela noite, da época recuada de 177, o concilium de Lyon regurgitava de povo.

Não se tratava de nenhuma das assembléias tradicionais da Gália, junto ao altar do Imperador, e sim de compacto ajuntamento.

Marco Aurélio reinava, piedoso, e, embora não houvesse lavrado qualquer resolução em prejuízo maior dos cristãos, permitira se aplicassem na cidade, com o máximo rigor, todas as leis existentes contra eles.

Ninguém examinava necessidades ou condições. Mulheres e crianças, velhos e doentes, tanto quanto homens válidos e personalidades prestigiosas, que se declarassem fiéis ao Nazareno, eram detidos, torturados e eliminados sumariamente.

Através do espesso casario, a montante da confluência do Ródano e do Saône, multiplicavam-se prisões, e no sopé da encosta, mais tarde conhecida como colina de Fourvière, improvisara-se grande circo, levantando-se altos tapumes em torno de enorme arena.

As pessoas representativas do mundo lionês eram sacrificadas no lar ou barbaramente espancadas no campo, enviando-se os desfavorecidos da fortuna, inclusive grande massa de escravos, ao regozijo público. As feras pareciam agora entorpecidas, após massacrarem milhares de vítimas, nas mandíbulas sanguissedentas.

Em razão disso, inventavam-se tormentos novos. Verdugos inconscientes ideavam estranhos suplícios. Senhoras cultas e meninas ingênuas eram desrespeitadas antes que lhes decepassem a cabeça, anciães indefesos viam-se chicoteados até a morte. Meninos apartados do reduto familiar eram vendidos a mercadores em trânsito, para servirem de escravos domésticos em províncias distantes, e nobres senhores tombavam assassinados nas próprias vinhas.

Mais de vinte mil pessoas já haviam sido mortas.

Naquela noite, a que acima nos referimos, anunciou-se para o dia seguinte a chegada de Lúcio Galo, famoso cabo de guerra, que desfrutava atenções especiais do Imperador por se haver distinguido contra a usurpação do general Avídio Cássio, e que se inclinava agora a merecido repouso. Imaginaram-se, para logo, comemorações a caráter.Por esse motivo, enquanto lá fora se acotovelavam gladiadores e trovadores, o patrício Álcio Plancus, que se dizia descendente do fundador da cidade, presidia a reunião a pedido do Propretor (magistrado abaixo do Juíz), programando os festejos.

- Além das saudações, diante dos carros que chegarão de Viena - dizia, algo tocado pelo vinho abundante -, é preciso que o circo nos dê alguma cena de exceção... O lutador Setímio poderia arregimentar os melhores homens; contudo, não bastaria renovar o quadro de atletas...

- A equipe de dançarinas nunca esteve melhor - aventou Caio Marcelino, antigo legionário da Bretanha que se enriquecera no saque. - Sim, sim... - concordou Álcio - instruiremos Musônia para que os bailados permaneçam à altura...- Providenciaremos um encontro de auroques (boi selvagem, bisão) - lembrou Pérsio Níger. - Auroques! Auroques!... - clamou a turba em aprovação.
- Excelente lembrança! - falou Plancus em voz mais alta - mas, em consideração ao visitante, é imperioso acrescentar alguma novidade que Roma não conheça...

- Um grito horrível nasceu da assembléia:

- Cristãos às feras! Cristãos às feras!

Asserenado o vozerio, tornou o chefe do conselho:

- Isso não constitui novidade! E há circunstâncias desfavoráveis. Os leões recém-chegados da África estão preguiçosos... Sorriu com malícia. - Ouvi, porém, alguns companheiros, ainda hoje, e apresentaremos um plano que espero resulte certo. Poderíamos reunir, nesta noite, aproximadamente mil crianças e mulheres cristãs, guardando-as nos cárceres... E, amanhã, coroando as homenagens, ajuntá-las-emos na arena, molhada de resinas e devidamente cercada de farpas embebidas em óleo, deixando apenas passagem estreita para a liberação das mais fortes.

Depois de mostradas festivamente em público, incendiaremos toda a área, deitando sobre elas os velhos cavalos que já não sirvam aos nossos jogos... Realmente, as chamas e as patas dos animais formarão muitos lances inéditos...

- Muito bem! Muito bem! - rugiu a multidão, de ponta a ponta da sala.

- Urge o tempo - gritou Plancus - e precisamos do concurso de todos... Não possuímos guardas suficientes...

E erguendo ainda mais o tom de voz:

- Levante a mão direita quem esteja disposto a cooperar. Centenas de circunstantes, incluindo mulheres robustas, mostraram destra ao alto, aplaudindo em delírio.

Encorajado pelo entusiasmo geral, e desejando distribuir a tarefa com todos os voluntários, o dirigente da noite enunciou, sarcástico e inflexível:

- Cada um de nós traga um... Essas pragas jazem escondidas por toda parte... Caçá-las e exterminá-las é o serviço da hora...

Durante a noite inteira, mais de mil pessoas, ávidas de crueldade, vasculharam residências humildes e, no dia subsequente, ao Sol vivo da tarde, largas filas de mulheres e criancinhas, em gritos e lágrimas, no fim de soberbo espetáculo, encontraram a morte, queimadas nas chamas alteadas ao sopro do vento, ou despedaçadas pelos cavalos em correria.

Quase dezoito séculos passaram sobre o tenebroso acontecimento... Entretanto, a justiça da Lei, através da reencarnação, reaproximou todos os responsáveis, que, em diversas posições de idade física, se reuniram de novo para dolorosa expiação, a 17 de dezembro de 1961, na cidade brasileira de Niterói, em comovedora tragédia num circo.

Espírito Irmão X

Título: Re: Mortes coletivas, SANTA MARIA RS
Enviado por: Artur V. em 28 de Janeiro de 2013, 14:11
Vejamos também dois sonetos presentes no livro "Diálogo dos Vivos", de psicografia de Chico Xavier, em relação ao trágico incêndio no edifício Joelma, em São Paulo:



Luz nas chamas

Fogo!... Amplia-se a voz no assombro em que se espalha.
Gritos, alterações... O tumulto domina.
No templo do progresso, em garbos de oficina,
O coração se agita, a vida se estraçalha.

Tanto fogo a luzir é mística fornalha
E a presença da dor reflete a lei divina.
Onde a fé se mantém, a prece descortina
O passado remoto em longínqua batalha...

Varrem com fogo e pranto as sombras de outras eras
Combatentes da Cruz em provações austeras,
Conquanto heróis do mundo, honrando os tempos idos.

Na Terra o sofrimento, a angústia, a cinza, a escória...
Mas ouvem-se no Além os hinos de vitória
Das Milícias do Céu saudando os redimidos.

Cyro Costa



Incêndio em São Paulo

Céu de São Paulo... O dia recomeça...
O povo bom na rua lida e passa...
Nisso, aparece um rolo de fumaça
E o fogo para cima se arremessa.

A morte inesperada age possessa,
E enquanto ruge, espanca ou despedaça,
A Terra unida ao Céu a que se enlaça
É salvação e amor, servindo à pressa...

A cidade magoada e enternecida
É socorro chorando a despedida,
Trazendo o coração triste e deserto...

Mas vejo, em prece, além do povo aflito,
Braços de amor que chegam do Infinito
E caminhos de luz no céu aberto...

Cornélio Pires



Tecendo comentários sobre o soneto de Cyro Costa, Herculano Pires (no livro já citado), pondera que somente a reencarnação pode explicar a ocorrência trágica. Segundo o poeta, as dívidas remontavam ao tempo das Cruzadas. Estas foram realizadas entre os séculos XI e XIII e eram guerras extremamente cruéis com a agravante de terem sido praticadas em nome da fé cristã. Os historiadores relatam atos terríveis, crimes hediondos, chacinas vitimando adultos e crianças. Os débitos contraídos foram de tal gravidade que os resgates ocorreram a longo prazo.

A idéia de que um ente querido tenha cometido crimes tão bárbaros às vezes não é bem aceita e muitos se revoltam diante dessas explicações, mas, conhecendo-se um pouco mais acerca do estágio evolutivo da Humanidade terrestre e do quanto é passageira e impermanente a vida humana, a compreensão se amplia e aceitam-se de forma mais resignada os desígnios do Criador. Por outro lado, que outra explicação atenderia melhor às nossas angustiosas indagações?

Estas orientações do Plano Maior sobre as provações coletivas expressam, é óbvio, o que ocorre igualmente no carma individual. Todavia, é compreensível que muitos indaguem como seria feita a aproximação dessas pessoas envolvidas em delitos no passado. A literatura espírita, especialmente a mediúnica, tem trazido apreciáveis esclarecimentos sobre essa irresistível aproximação que une os seres afins, quando envolvidos em comprometimentos graves. A culpa, insculpida na consciência, promove a necessidade da reparação.

O Codificador leciona de forma admirável a respeito das expiações, em "O Céu e o Inferno", cap. 7 - As penas futuras segundo o Espiritismo. Esclarece que "o Espírito é sempre o árbitro da própria sorte, podendo prolongar os sofrimentos pela permanência no mal, ou suavizá-los e anulá-los pela prática do bem".

Assim - expressa Kardec -, as condições para apagar os resultados de nossas faltas resumem-se em três: arrependimento, expiação e reparação.

"O arrependimento suaviza os travos da expiação, abrindo pela esperança o caminho da reabilitação; só a reparação, contudo, pode anular o efeito destruindo-lhe a causa."
Título: Re: Mortes coletivas, SANTA MARIA RS
Enviado por: Aimoré em 28 de Janeiro de 2013, 20:09
Considerar que as mortes coletivas acontecem sem motivo, é aceitar um universo caótico sem um Criador coordenando,o que está fora de questâo.A reencarnaçâo,espinha dorsal da Doutrina Espírita,trás como consequência a lei de causa e efeito e a necessidade de evoluçâo.Portanto aprender com os erros,reparar os erros,ficar bem com nossa consciência sâo itens que fazem parte do processo evolutivo.Não é fácil,em nosso nível evolutivo,aceitar a perda de entes queridos.Vamos  sempre ser solidários com os parentes e amigos.Os espíritas,sabendo dessa realidade(que a vida continua),devem ser esforçar para manter o equilíbrio e reforçar as oraçôes pelos espíritos desencarnantes nessas condições.
Título: Re: Mortes coletivas, SANTA MARIA RS
Enviado por: Zé Ninguém em 28 de Janeiro de 2013, 20:36
Questão 859 do LE - Se a morte não pode ser evitada quando chega a sua hora, acontece o mesmo com todos os acidentes no curso da nossa vida?

      — São, em geral, coisas demasiado pequenas, das quais podemos prevenir-vos dirigindo o vosso pensamento no sentido de as evitardes porque não gostamos do sofrimento material. Mas isso é de pouca importância para o curso da vida que escolhestes. A fatalidade, na verdade, só consiste nestas duas horas: a em que deveis aparecer e desaparecer deste mundo.

Questão  859 do LE– a) Há fatos que devem ocorrer forçosamente e que a vontade dos Espíritos não pode conjurar?

      — Sim, mas que tu, quando no estado de Espírito, viste e pressentiste ao fazer a tua escolha. Não acrediteis, porém, que tudo o que acontece esteja escrito como se diz. Um acontecimento é quase sempre a conseqüência de uma coisa que fizeste por um ato de tua livre vontade, de tal maneira que se não tivesses praticado aquele ato, o acontecimento não se verificaria. Se queimas o dedo, isso é apenas a conseqüência de tua imprudência e da condição da matéria. Somente as grandes dores, os acontecimentos importantes e capazes de influir na tua evolução moral são previstos por Deus, porque são úteis à tua purificação e à tua instrução.


Questão 853 do LE-. Certas pessoas escapam a um perigo mortal para cair em outro; parece que não podem escapar à morte. Não há nisso fatalidade?

     — Fatal, no verdadeiro sentido da palavra, só o instante da morte. Chegando esse momento, de uma forma ou de outra, a ele não podeis furtar- vos.

Questão 853 do LE – a) Assim, qualquer que seja o período que nos ameace, não morreremos se a nossa hora não chegou?

     — Não, não morrerás, e tens disto milhares de exemplos. Mas quando chegara tua hora de partir, nada te livrará. Deus sabe com antecedência qual o gênero de morte por que partirás daqui, e freqüentemente teu Espírito também o sabe, pois isso lhe foi revelado quando fez a escolha desta ou daquela existência.
Título: Re: Mortes coletivas, SANTA MARIA RS
Enviado por: onaiab em 28 de Janeiro de 2013, 21:19
Considerar que as mortes coletivas acontecem sem motivo, é aceitar um universo caótico sem um Criador coordenando,o que está fora de questâo.A reencarnaçâo,espinha dorsal da Doutrina Espírita,trás como consequência a lei de causa e efeito e a necessidade de evoluçâo.Portanto aprender com os erros,reparar os erros,ficar bem com nossa consciência sâo itens que fazem parte do processo evolutivo.Não é fácil,em nosso nível evolutivo,aceitar a perda de entes queridos.Vamos  sempre ser solidários com os parentes e amigos.Os espíritas,sabendo dessa realidade(que a vida continua),devem ser esforçar para manter o equilíbrio e reforçar as oraçôes pelos espíritos desencarnantes nessas condições.

Sendo assim, não existe diferença alguma entre Lei de causa e efeito e Pena de Talião. Olho por olho, dente por dente. Uma lei na base da vingança, do "quem com ferro fere, com ferro será ferido".
Não acredito em algum assim, nem sonhando. Me causa arrepios, só de imaginar que outras tragédias estão por vir e de nada vai adiantar tentar evitar porque Deus ou sabe-se lá quem já bateu o martelo em favor da pena.
Título: Re: Mortes coletivas, SANTA MARIA RS
Enviado por: Zé Ninguém em 28 de Janeiro de 2013, 21:22
Questão 764 do Livro dos Espíritos:
Disse Jesus: Quem matou com a espada, pela espada perecerá. Estas palavras não consagram a pena de talião e, assim a morte dada ao assassino não constitui uma aplicação dessa pena?

 
“Tomai cuidado! Muito vos tendes enganado a respeito dessas palavras, como acerca de outras.   
  A pena de talião é a justiça de Deus. É Deus quem a aplica. Todos vós sofreis essa pena a cada instante, pois que sois punidos naquilo em que haveis pecado, nesta existência ou em outra.
 Aquele que foi causa do sofrimento para seus semelhantes virá a achar-se numa condição em que sofrerá o que tenha feito sofrer. Este o sentido das palavras de Jesus.
Mas, não vos disse ele também: Perdoai aos vossos inimigos? E não vos ensinou a pedir a Deus que vos perdoe as ofensas como houverdes vós mesmos perdoado, isto é, na mesma proporção em que houverdes perdoado, compreendei-o bem?”

Título: Re: Mortes coletivas, SANTA MARIA RS
Enviado por: Zé Ninguém em 28 de Janeiro de 2013, 21:26
Neste tópico se levantou questionamento semelhante:
http://www.forumespirita.net/fe/aborto/o-estupro/msg303988/#msg303988


Dentro das colocações de PSI e Anton:
Deus nos utiliza como instrumentos de seus desígnios, os irmãos algozes também estão desempenhando um papel dentro do plano divino.
Mas também lembremos do que nos disse Jesus:
É necessário que o escândalo venha, mas ai daquele por meio do qual venha o escândalo.
Analisando então as orientações dos espíritos em conjunto com este ensinamento de Jesus pode-se concluir que o fato do  estuprador também ser filho de Deus e estar desempenhando muitas vezes um papel dentro da lei de causa e efeito não lhe tira a responsabilidade de seus atos.
Mesmo sendo um instrumento da justiça divina também responderá por cada vez que conscientemente violar a regra do respeito ao próximo.
 Concordo com Anton quando ele fala sobre o relativismo da vítima e do algoz.
Nós tachamos as pessoas como vítimas porque estamos vendo apenas a ponta do iceberg.
Uma vez li uma obra mediúnica que mostrava isso de forma muito clara.
No livro o obsediado, um homem bom, era perseguido implacavelmente por seu obsessor.
O espírito tripudiava e era difícil não vê-lo como algoz e o obsediado como uma pobre vítima.
Porém no final da obra descobrimos que o pobre rapaz obsediado em encarnação anterior foi amigo de seu obsessor, ambos traficavam escravos, e aproveitando-se  de sua ausência durante uma viagem vendeu sua esposa e suas duas filhas para um capitão de navio mercenário. Como a mulher se recusou a dormir com ele foi dada para ser usada pelos marinheiros do navio e foi seviciada brutalmente por dias até que não resistiu e veio a desencarnar. Sua outra filha adolescente teve o mesmo destino e a menor para não contar o que se passou teve a língua cortada e foi vendida como escrava.
O obsessor na verdade era a verdadeira vítima da história e a vítima é que era o algoz.
Quando as pessoas falam em lei de causa e efeito confunde-se com vingança e lei de talião.
O que precisamos entender é que ás vezes é sim necessário que invertamos o papel e passemos pelo o que fizemos o outro passar por uma simples questão: introjetamos melhor o aprendizado quando o vivemos na pele, fato.
Entendemos melhor a dor alheia quando essa dor também é nossa.

Deste modo , por exemplo ,o homem que não respeitava as mulheres  numa outra encarnação e vivencia uma situação de abuso como mulher nesta vida ,  passa a entender o que uma mulher sente naquela situação e pela vivência pessoal será mais fácil não repetir a conduta abusiva pois o que ele viveu fica de certa forma arquivado no seu inconsciente.
Não se trata de vingança ,mas de uma questão pedagógica.
Da mesma forma que o político que não é honesto e deixa faltar recursos básicos a população poderia encarnar em situação de miséria não por vingança ,mas para vivenciar o que fez os outros vivenciarem e sentindo na pele a dor  irá entender o que sente realmente uma pessoa naquela situação.
Deste modo, é  provável que numa outra existência comece a desenvolver uma maior empatia pelos menos favorecidos.
É este o espírito da lei de causa e efeito tão confundida com lei de talião: aprendizado.
P.S: Peço que tenhamos cautela quanto a interpretação do que está sendo discutido aqui. Pois daqui a pouco vem um grupo feminista dizendo que os espíritas dizem que as mulheres merecem ser estupradas...
Muita calma nessa hora.
Nunca passei por isso e nem posso imaginar o sofrimento destas mulheres.
Tudo o que escrevo é com base no que esta na codificação espírita, não tenho a pretensão aqui de analisar algo que foge da minha alçada.

Como costuma colocar o nobre colega Anton" não existem balas perdidas, todas as balas são achadas" e este é o espírito da doutrina.
Não há acaso nem injustiça no cosmos, nem vítimas e algozes, apenas seres humanos vivenciando suas experiências, respondendo cada um na medida de sua responsabilidade.

paz e luz!
Título: Re: Mortes coletivas, SANTA MARIA RS
Enviado por: Aimoré em 28 de Janeiro de 2013, 22:11
Considerar que as mortes coletivas acontecem sem motivo, é aceitar um universo caótico sem um Criador coordenando,o que está fora de questâo.A reencarnaçâo,espinha dorsal da Doutrina Espírita,trás como consequência a lei de causa e efeito e a necessidade de evoluçâo.Portanto aprender com os erros,reparar os erros,ficar bem com nossa consciência sâo itens que fazem parte do processo evolutivo.Não é fácil,em nosso nível evolutivo,aceitar a perda de entes queridos.Vamos  sempre ser solidários com os parentes e amigos.Os espíritas,sabendo dessa realidade(que a vida continua),devem ser esforçar para manter o equilíbrio e reforçar as oraçôes pelos espíritos desencarnantes nessas condições.

Sendo assim, não existe diferença alguma entre Lei de causa e efeito e Pena de Talião. Olho por olho, dente por dente. Uma lei na base da vingança, do "quem com ferro fere, com ferro será ferido".
Não acredito em algum assim, nem sonhando. Me causa arrepios, só de imaginar que outras tragédias estão por vir e de nada vai adiantar tentar evitar porque Deus ou sabe-se lá quem já bateu o martelo em favor da pena.

Claro que existe diferença.Uma coisa não tem nada a ver com a outra.Lei de causa e efeito são as consequências de nossas atitudes,a lei de Talião é simplesmente lei humana imperfeita.E nâo esqueçamos o que diz a Doutrina,fatal só o momento da morte.Utilizando nosso livre-arbítrio no trabalho no bem,mudando nossos sentimentos para melhor,podemos recuperar os estragos feitos no passado, e quem sabe, aliviar ou até anular expiaçôes.Nada se consegue sem esforço e trabalho.No entanto Deus sabe o que realmente o nosso Espírito precisa para evoluir.Ele nos conhece intimamente.
Título: Re: Mortes coletivas, SANTA MARIA RS
Enviado por: Artur V. em 28 de Janeiro de 2013, 22:23
Sendo assim, não existe diferença alguma entre Lei de causa e efeito e Pena de Talião. Olho por olho, dente por dente. Uma lei na base da vingança, do "quem com ferro fere, com ferro será ferido".
Não acredito em algum assim, nem sonhando. Me causa arrepios, só de imaginar que outras tragédias estão por vir e de nada vai adiantar tentar evitar porque Deus ou sabe-se lá quem já bateu o martelo em favor da pena.

São inúmeros os exemplos na literatura Espírita onde fica claro que, na maioria das vezes, é o próprio Espírito que no estado de erraticidade, reconhecendo sua imperfeição e suas faltas do passado, escolhe ele próprio, por ato de seu livre arbítrio, o gênero de provas que julga mais próprio ao seu adiantamento e que sofrerá em sua nova existência.

Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, o codificador nos informa que “o homem sofre sempre a consequência de suas faltas; não há uma só infração à lei de Deus que fique sem a correspondente punição. A severidade do castigo é proporcionada à gravidade da falta. Indeterminada é a duração do castigo, para qualquer falta; fica subordinada ao arrependimento do culpado e ao seu retorno a senda do bem; a pena dura tanto quanto a obstinação no mal; seria perpétua, se perpétua fosse a obstinação; dura pouco, se pronto é o arrependimento. Desde que o culpado clame por misericórdia, Deus o ouve e lhe concede a esperança. Mas, não basta o simples pesar do mal causado; é necessária a reparação, pelo que o culpado se vê submetido a novas provas em que pode, sempre por sua livre vontade, praticar o bem, reparando o mal que haja feito.”

Além disso, vejamos o que o Espírito Emmanuel nos diz sobre o tema, na questão 247, do livro o Consolador:

A  lei da prova e da expiação é inflexível?  
– Os tribunais da justiça humana, apesar de imperfeitos, por vezes não 
comutam as penas e não beneficiam os delinqüentes com o “sursis ”? 
A  inflexibilidade e a dureza não existem para a misericórdia divina, que, 
conforme a conduta do Espírito encarnado, pode dispensar na  lei, 
em benefício do  homem, quando a sua existência já demonstre 
certas expressões do amor que cobre a multidão dos pecados. 
Título: Re: Mortes coletivas, SANTA MARIA RS
Enviado por: eldercoutinho em 29 de Janeiro de 2013, 00:36
Considerar que as mortes coletivas acontecem sem motivo, é aceitar um universo caótico sem um Criador coordenando,o que está fora de questâo.A reencarnaçâo,espinha dorsal da Doutrina Espírita,trás como consequência a lei de causa e efeito e a necessidade de evoluçâo.Portanto aprender com os erros,reparar os erros,ficar bem com nossa consciência sâo itens que fazem parte do processo evolutivo.Não é fácil,em nosso nível evolutivo,aceitar a perda de entes queridos.Vamos  sempre ser solidários com os parentes e amigos.Os espíritas,sabendo dessa realidade(que a vida continua),devem ser esforçar para manter o equilíbrio e reforçar as oraçôes pelos espíritos desencarnantes nessas condições.

Sendo assim, não existe diferença alguma entre Lei de causa e efeito e Pena de Talião. Olho por olho, dente por dente. Uma lei na base da vingança, do "quem com ferro fere, com ferro será ferido".
Não acredito em algum assim, nem sonhando. Me causa arrepios, só de imaginar que outras tragédias estão por vir e de nada vai adiantar tentar evitar porque Deus ou sabe-se lá quem já bateu o martelo em favor da pena.

Claro que existe diferença.Uma coisa não tem nada a ver com a outra.Lei de causa e efeito são as consequências de nossas atitudes,a lei de Talião é simplesmente lei humana imperfeita.E nâo esqueçamos o que diz a Doutrina,fatal só o momento da morte.Utilizando nosso livre-arbítrio no trabalho no bem,mudando nossos sentimentos para melhor,podemos recuperar os estragos feitos no passado, e quem sabe, aliviar ou até anular expiaçôes.Nada se consegue sem esforço e trabalho.No entanto Deus sabe o que realmente o nosso Espírito precisa para evoluir.Ele nos conhece intimamente.

Ainda há outra importante diferença em relação à doutrina do Carma. Pelo carma budista/hinduísta "matou tem que morrer", é parecido com a lei de Talião (não possuo conhecimento sobre essas religiões orientais, mas já ouvi isso). No caso da lei de causa e efeito da doutrina espírita, o mal pode ser "amenizado" ou "anulado" em determinadas situações, pelas bem aventuranças que se possa ter praticado durante a vida. Acho que assim é "mais justo".
Título: Re: Mortes coletivas, Santa Maria RS
Enviado por: onaiab em 29 de Janeiro de 2013, 01:00
Evidente que há uma diferença entre Lei de causa e efeito e Pena de Talião. Uma, divina e portanto, perfeita. E se perfeita, ainda de difícil compreensão por parte de seres em franca evolução, como todos nós por aqui. A outra, uma imposição de um legislador de milênios atrás, que, por força das circunstâncias, implantou a tal penalidade por obrigação.
Eu é que não vou concordar em repetir erros tais como, interpretar ao pé da letra algo que está escrito. Deu no que deu, adotar essa postura em relação à Bíblia.
Além do mais, sobre assunto tão interessante, porque cargas d'água os espíritos da codificação não trataram com todas as letras, para que não houvesse dúvida alguma? E "resgate coletivo", no meu entender é um tema pra lá de polêmico criado no movimento espírita.
Título: Re: Mortes coletivas, Santa Maria RS
Enviado por: Joao Paulo Soares em 29 de Janeiro de 2013, 01:14
Caros,

 Só para relembrar que podemos ser "punidos", com uma relação de muito Amor para com a nossa vitima, numa outra oportunidade.
 Senão criava-se um ciclo rotativo, ilogico :)

Forte Abraço,
 
Título: Re: Mortes coletivas, Santa Maria RS
Enviado por: AlexG em 29 de Janeiro de 2013, 01:36
Alô Pessoal,

Concordo com o Aimoré: (faço questão de repetir o seu post)

Citar
Considerar que as mortes coletivas acontecem sem motivo, é aceitar um universo caótico sem um Criador coordenando,o que está fora de questão. A reencarnação,espinha dorsal da Doutrina Espírita,trás como consequência a lei de causa e efeito e a necessidade de evolução. Portanto aprender com os erros,reparar os erros,ficar bem com nossa consciência são itens que fazem parte do processo evolutivo. Não é fácil,em nosso nível evolutivo,aceitar a perda de entes queridos.Vamos  sempre ser solidários com os parentes e amigos.Os espíritas,sabendo dessa realidade(que a vida continua),devem ser esforçar para manter o equilíbrio e reforçar as orações pelos espíritos desencarnastes nessas condições.

... e proponho a releitura:

“O homem sofre a conseqüência de suas faltas; não há uma só infração à lei divina. Que fique sem correspondente necessidade de reparação.”

“O homem é constantemente o árbitro de sua sorte; pertence-lhe abreviar ou prolongar indefinidamente as suas angústias; a sua felicidade depende exclusivamente da vontade que tenha de praticar o bem.”

(Evangelho Segundo o Espiritismo – Cap. XXVII – item 21)


Abraço a todos.

(Abração Onaiab. Gostei da maneira, eu diria até poética,  :) de falar do seu horror em estar a mercê de um destino cruel. Estou contigo! ... mas temos é que encarar  :-[ ... mas fica sossegado porque algo me diz que o pior já passamos.   :)  )

AlexG
Título: Re: Mortes coletivas, Santa Maria RS
Enviado por: amazona em 29 de Janeiro de 2013, 02:13
Olá amigos, algum de vocês pode me dizer como ajudar a essas almas a encotrarem o caminho delas, seja ele qual for?
Uma pessoa conhecida que tem alguns dons mediúnicos viu na noite passada, vários desses jovens desencarnados na boate em Santa Maria. Eles pareciam perdidos, sem rumo e de repente olharam para essa pessoa, como se ela pudesse lhes dizer algo.
Eles não falavam, apenas havia angustia ou talvez confusão em seus olhares porque, diz ela, eles provavelmente não sabiam o que lhes acontecera.

Como ela pode ajudá-los?

Título: Re: Mortes coletivas, Santa Maria RS
Enviado por: Dhi em 29 de Janeiro de 2013, 05:00
essa também seria minha pergunta, foi bom ter feito, realmente estes jovens desencarnados desta maneira, com ficam, pela maneira incomum eles ainda fica ali, podem se comunicar uns com os outros?
Título: Re: Mortes coletivas, Santa Maria RS
Enviado por: amazona em 29 de Janeiro de 2013, 05:02
essa também seria minha pergunta, foi bom ter feito, realmente estes jovens desencarnados desta maneira, com ficam, pela maneira incomum eles ainda fica ali, podem se comunicar uns com os outros?

Pelo o que a pessoa vira eles estavam num semi-círculo mas ela não sabe se podiam se comunicar ou até mesmo se estavam cientes da presença uns dos outros.
Título: Re: Mortes coletivas, Santa Maria RS
Enviado por: Kazaoka em 29 de Janeiro de 2013, 09:24
A prova do Espírito reside nas variantes que a existência física oferece e não na fatalidade da morte. Não é a morte que é prova!
Quem assim vê a passagem pela matéria são aqueles que acreditam estar aqui a verdadeira felicidade e Jesus deixou bem claro que "a felicidade não é deste mundo".
Tragédias como esta não visa punir com a morte violenta e coletiva um grupo de Espíritos devedores, fatos como este é mais lição para os que continuam mourejando na carne, dando-lhes a oportunidade de aprendizado e aperfeiçoamento em todos os sentidos, principalmente moral, do que propriamente punição para os que partiram.
Quando chega o momento do desencarne de uma Alma, se ela cumpriu o que estava designado diante das escolhas feitas quanto ao gênero de provas que desejava passar, e das quais recebeu de Deus a permissão para vivenciá-las, para este Espírito o desencarne é uma benção e o fará feliz por ter podido retornar à verdadeira vida sem o ônus do dever não cumprido. E a maneira como o desencarne processou, se foi por morte natural ou morte trágica deixa de ter importância para aquele Espírito, pois para ele o que tem realmente valor é a liberdade que foi re-adquirida.
Título: Re: Mortes coletivas, Santa Maria RS
Enviado por: Mourarego em 29 de Janeiro de 2013, 14:39
Muito bom mano Kao!
Abraços,
Moura
Título: Re: Mortes coletivas, Santa Maria RS
Enviado por: Zé Ninguém em 29 de Janeiro de 2013, 14:52
IV – Perda de Pessoas Amadas e Mortes Prematuras
 
           " 21 – Quando a morte vem ceifar em vossas famílias, levando sem consideração os jovens em lugar dos velhos, dizeis freqüentemente: “Deus não é justo, pois sacrifica o que está forte e com o futuro pela frente, para conservar os que já viveram longos anos, carregados de decepções: leva os que são úteis e deixa os que não servem para nada mais; fere um coração de mãe, privando-o da inocente criatura que era toda a sua alegria”.

            Criaturas humanas, são nisto que tendes necessidades de vos elevar, para compreender que o bem está muitas vezes onde pensais ver a cega fatalidade. Por que medir a justiça divina pela medida da vossa? Podeis pensar que o Senhor dos Mundos queira, por um simples capricho, infligir-vos penas cruéis? Nada se faz sem uma finalidade inteligente, e tudo o que acontece tem a sua razão de ser. Se perscrutásseis melhor todas as dores que vos atingem, sempre encontraria nela a razão divina, razão regeneradora, e vossos miseráveis interesses representariam umas considerações secundárias, que relegaríeis ao último plano.

            Acreditai no que vos digo: a morte é preferível, mesmo numa encarnação de vinte anos, a esses desregramentos vergonhosos que desolam as famílias respeitáveis, ferem um coração de mãe, e fazem branquear antes do tempo os cabelos dos pais. A morte prematura é quase sempre um grande benefício, que Deus concede ao que se vai, sendo assim preservado das misérias da vida, ou das seduções que poderiam arrastá-lo à perdição. Aquele que morre na flor da idade não é uma vítima da fatalidade, pois Deus julga que não lhe será útil permanecer maior tempo na Terra.

            É uma terrível desgraça, dizeis, que uma vida tão cheia de esperanças seja cortada tão cedo! Mas de que esperanças querem falar? Das esperanças da Terra onde aquele que se foi poderia brilhar, fazer sua carreira e sua fortuna? Sempre essa visão estreita, que não consegue elevar-se acima da matéria! Sabeis qual teria sido a sorte dessa vida tão cheia de esperanças, segundo entendeis? Quem vos diz que ela não poderia estar carregada de amarguras? Considerais como nada as esperanças da vida futura, preferindo as da vida efêmera que arrastais pela Terra? Pensais, então, que mais vale um lugar entre os homens que entre os Espíritos bem-aventurados?

            Regozijai-vos em vez de chorar, quando apraz a Deus retirar um de seus filhos deste vale de misérias. Não é egoísmo desejar que ele fique, para sofrer convosco? Ah! essa dor se concebe entre os que não tem fé, e que vêem na morte a separação eterna. Mas vós, espíritas, sabeis que a alma vive melhor quando livre de seu invólucro corporal. Mães, vós sabeis que vossos filhos bem-aventurados estão perto de vós; sim, eles estão bem perto: seus corpos fluídicos vos envolvem, seus pensamentos vos protegem, vossa lembrança os inebria de contentamento; mas também as vossas dores sem razão os afligem, porque revela uma falta de fé e constituem uma revolta contra a vontade de Deus.

            Vós que compreendeis a vida espiritual, escutai as pulsações de vosso coração, chamando esses entes queridos. E se pedirdes a Deus para os abençoar, sentireis em vós mesmas a consolação poderosa que faz secarem as lágrimas, e essas aspirações sedutoras, que vos mostram o futuro prometido pelo soberano Senhor."

Evangelho Segundo o Espiritismo
Título: Re: Mortes coletivas, Santa Maria RS
Enviado por: Marcinho Medeiros em 29 de Janeiro de 2013, 18:55
Providencial, amigo Kazaoka!

Citar
Sendo assim, não existe diferença alguma entre Lei de causa e efeito e Pena de Talião. Olho por olho, dente por dente. Uma lei na base da vingança, do "quem com ferro fere, com ferro será ferido".
Não acredito em algum assim, nem sonhando. Me causa arrepios, só de imaginar que outras tragédias estão por vir e de nada vai adiantar tentar evitar porque Deus ou sabe-se lá quem já bateu o martelo em favor da pena.

Clique aqui para ler mais: http://www.forumespirita.net/fe/lei-de-causa-e-efeito/mortes-coletivas-santa-maria-rs/?action=post;num_replies=19#ixzz2JOMYrPoY

A maioria das pessoas ainda vê a morte somente como uma punição!





Título: Re: Mortes coletivas, Santa Maria RS
Enviado por: Zé Ninguém em 29 de Janeiro de 2013, 19:52
Então vamos ver o que diz Allan Kardec:

"Quando se consideram todos os crimes dos tempos passados, em que a vida dos homens e a honra das famílias em nenhuma conta eram tidas, em que o fanatismo acendia fogueiras em honra da divindade; quando se pensa em todos os abusos de poder, em todas as injustiças que se cometiam com desprezo dos mais sagrados direitos, quem pode estar certo de não haver participado mais ou menos de tudo isso e admirar-se de assistir a grandes e terríveis expiações coletivas?

Mas, dessas convulsões sociais uma melhora sempre resulta; os Espíritos se esclarecem pela experiência; o infortúnio é o estimulante que os impele a procurar um remédio para o mal; na erraticidade, refletem, tomam novas resoluções e, quando voltam, fazem coisa melhor. É assim que, de geração em geração, o progresso se efetua.

Não se pode duvidar de que haja famílias, cidades, nações, raças culpadas, porque, dominadas por instintos de orgulho, de egoísmo, de ambição, de cupidez, enveredam por mau caminho e fazem coletivamente o que um individuo faz insuladamente. Uma família se enriquece à custa de outra; um povo subjuga outro povo, levando-lhe a desolação e a ruína; uma raça se esforça por aniquilar outra raça. Essa a razão por que há famílias, povos e raças sobre os quais desce a pena de talião.“Quem matou com a espada perecerá pela espada”, são palavras do Cristo, palavras que se podem traduzir assim: Aquele que fez correr sangue verá o seu também derramado; aquele que levou o facho do Incêndio ao que era de outrem, verá o Incêndio ateado no que lhe pertence; aquele que despojou será despojado; aquele que escraviza e maltrata o fraco será a seu turno escravizado e maltratado, quer se trate de um individuo, quer de uma nação, ou de uma raça, porque os membros de uma individualidade coletiva são solidários assim no bem como no mal que em comum praticaram.

Ao passo que o Espiritismo dilata o campo da solidariedade, o materialismo o restringe às mesquinhas proporções da efêmera existência do homem, fazendo da mesma solidariedade um dever social sem raízes, sem outra sanção além da boa-vontade e do interesse pessoal do momento. É uma simples teoria, simples máxima filosófica, cuja prática nada há que a imponha. Para o Espiritismo, a solidariedade é um fato que assenta numa lei universal da Natureza, que liga todos os seres do passado, do presente e do futuro e a cujas conseqüências ninguém pode subtrair-se. É esta uma coisa que todo homem pode compreender, por menos instruído que seja.
"

Obras Póstumas


Novamente:

Questão 764 do Livro dos Espíritos:
Disse Jesus: Quem matou com a espada, pela espada perecerá. Estas palavras não consagram a pena de talião e, assim a morte dada ao assassino não constitui uma aplicação dessa pena?

 
“Tomai cuidado! Muito vos tendes enganado a respeito dessas palavras, como acerca de outras.   
  A pena de talião é a justiça de Deus. É Deus quem a aplica. Todos vós sofreis essa pena a cada instante, pois que sois punidos naquilo em que haveis pecado, nesta existência ou em outra.

 Aquele que foi causa do sofrimento para seus semelhantes virá a achar-se numa condição em que sofrerá o que tenha feito sofrer.Este o sentido das palavras de Jesus. Mas, não vos disse ele também: Perdoai aos vossos inimigos? E não vos ensinou a pedir a Deus que vos perdoe as ofensas como houverdes vós mesmos perdoado, isto é, na mesma proporção em que houverdes perdoado, compreendei-o bem?”


A questão do LE vai ao encontro do escrito em Obras Póstumas, portanto temos na DE duas afirmações em diferentes obras no mesmo sentido.

Podemos não concordar com a lei de causa e efeito e confundi-la ,equivocadamente, com vingança, temos até mesmo o direito de dizer que não aceitamos a explicação contida na codificação ,mas as palavras de Allan Kardec e dos espíritos são claras.
Não há espaço para brechas e interpretações diante das palavras contundentes trazidas acima.
Este é o posicionamento da DE, os demais são opiniões pessoais.

paz e luz
Título: Re: Mortes coletivas, Santa Maria RS
Enviado por: onaiab em 29 de Janeiro de 2013, 19:58
Em outras palavras a Justiça Divina é vingativa.
Título: Re: Mortes coletivas, Santa Maria RS
Enviado por: Zé Ninguém em 29 de Janeiro de 2013, 20:12
Não, é pedagógica:

Quando as pessoas falam em lei de causa e efeito confunde-se com vingança e lei de talião.
O que precisamos entender é que ás vezes é sim necessário que invertamos o papel e passemos pelo o que fizemos o outro passar por uma simples questão: introjetamos melhor o aprendizado quando o vivemos na pele, fato.
Entendemos melhor a dor alheia quando essa dor também é nossa.

Deste modo , por exemplo ,o homem que não respeitava as mulheres  numa outra encarnação e vivencia uma situação de abuso como mulher nesta vida ,  passa a entender o que uma mulher sente naquela situação e pela vivência pessoal será mais fácil não repetir a conduta abusiva pois o que ele viveu fica de certa forma arquivado no seu inconsciente.
Não se trata de vingança ,mas de uma questão pedagógica.
Da mesma forma que o político que não é honesto e deixa faltar recursos básicos a população poderia encarnar em situação de miséria não por vingança ,mas para vivenciar o que fez os outros vivenciarem e sentindo na pele a dor  irá entender o que sente realmente uma pessoa naquela situação.
Deste modo, é  provável que numa outra existência comece a desenvolver uma maior empatia pelos menos favorecidos.
É este o espírito da lei de causa e efeito tão confundida com lei de talião: aprendizado.


Título: Re: Mortes coletivas, Santa Maria RS
Enviado por: Zé Ninguém em 29 de Janeiro de 2013, 20:22
Gente,
É o seguinte: numa situação com esta que causa grande comoção ficar discutindo os aspectos filosóficos da tragédia parece até insensibilidade por parte dos espíritas.
Também me condoí e me solidarizo com o sentimento de luto de cada uma das famílias. Se falar que sei o que estão sentindo estaria mentindo, não consigo nem dimensionar o tamanho do sofrimento.
Mas, como espíritas, sabemos que não ocorre acasos. Aliás entendemos muto bem isso até acontecer algo deste porte ou quando a tragédia nos bate á nossa porta, momento em que colocamos em cheque até nossas crenças e convicções.
A realidade por vezes é dura demais e nos faz questionar a credibilidade da teoria.
Para as famílias que não são espíritas a explicação da doutrina por mais racional que pareça não trará agora alívio nenhum e pode soar como indiferença e frieza.
Neste momento é um pouco desnecessário ficar discutindo doutrina e corre-se  o risco de criar polêmicas desnecessárias e ferir a sensibilidade dos parentes dos irmãos que desencarnaram , por isso peço  licença para me retirar do debate.

paz e luz
Título: Re: Mortes coletivas, Santa Maria RS
Enviado por: onaiab em 29 de Janeiro de 2013, 20:43
Sempre haverá debate sobre assuntos dessa natureza. Se não imediatamente mas com o tempo a discussão tem lá sua razão de ser. O que considero uma profunda falta de respeito é ficar apresentando explicações para um acontecimento tão trágico, com afirmações do tipo "é a Justiça Divina, através da lei de causa e efeito, punindo infratores.................."
Em relação à "pedagogia" da lei divina, não me parece sensato admitir que um erro seja reparado com outro na mesma intensidade. Quer dizer, bateu, levou. Isso é ensinar?
Título: Re: Mortes coletivas, Santa Maria RS
Enviado por: amazona em 29 de Janeiro de 2013, 21:06
A prova do Espírito reside nas variantes que a existência física oferece e não na fatalidade da morte. Não é a morte que é prova!
Quem assim vê a passagem pela matéria são aqueles que acreditam estar aqui a verdadeira felicidade e Jesus deixou bem claro que "a felicidade não é deste mundo".
Tragédias como esta não visa punir com a morte violenta e coletiva um grupo de Espíritos devedores, fatos como este é mais lição para os que continuam mourejando na carne, dando-lhes a oportunidade de aprendizado e aperfeiçoamento em todos os sentidos, principalmente moral, do que propriamente punição para os que partiram.
Quando chega o momento do desencarne de uma Alma, se ela cumpriu o que estava designado diante das escolhas feitas quanto ao gênero de provas que desejava passar, e das quais recebeu de Deus a permissão para vivenciá-las, para este Espírito o desencarne é uma benção e o fará feliz por ter podido retornar à verdadeira vida sem o ônus do dever não cumprido. E a maneira como o desencarne processou, se foi por morte natural ou morte trágica deixa de ter importância para aquele Espírito, pois para ele o que tem realmente valor é a liberdade que foi re-adquirida.


Ué mas espera aí; eu li que o espírito escolhe que morte que deseja antes de encarnar num novo corpo.
Eles escolheram essa morte PORÉM essa morte não foi uma forma de pagar pelos pecados de outras vidas?
Título: Re: Mortes coletivas, Santa Maria RS
Enviado por: Kazaoka em 29 de Janeiro de 2013, 21:16
Não Amazona! Você não leu em nenhum lugar da Doutrina que o Espírito escolhe a forma de morrer como prova e nem como gênero de prova. Revire sua memória e tente lembrar onde você viu tal afirmação. Na Codificação Espírita tenho certeza que não foi, e onde foi está a contradizer o que os Espíritos ensinaram.

Título: Re: Mortes coletivas, Santa Maria RS
Enviado por: Kazaoka em 29 de Janeiro de 2013, 21:32
Quando sofremos pelo que pecamos o sofrimento que experimentamos tem sua origem naquilo que disseminamos, no sentimento que fizemos imperar em nós, nos que estão próximos a nós e até onde o nosso poder de influenciação possa chegar e ter receptividade. Se disseminamos a maledicência e ela consegue, à partir de nós, alcançar um determinado avolumamento, quem estará no centro dessa psicosfera? Nós que a impetramos e todos aqueles que foram receptivos a ela e que, por isso mesmo, deram seu contributo para que o mal se estabelecesse. E ai, todos sofrem, todos que pela espada feriram mostrando aos demais com seu ato a aplicação que aquele instrumento pode ter, ele também passa a ser uma vitima em potencial daquilo que ele mesmo criou o fomentou.
Não tem segredo e nem é tão difícil de compreender o quanto é importante nos policiarmos em termos daquilo que aspergimos moralmente em torno de nós.
Título: Re: Mortes coletivas, Santa Maria RS
Enviado por: Zé Ninguém em 29 de Janeiro de 2013, 21:35
Sempre haverá debate sobre assuntos dessa natureza. Se não imediatamente mas com o tempo a discussão tem lá sua razão de ser. O que considero uma profunda falta de respeito é ficar apresentando explicações para um acontecimento tão trágico, com afirmações do tipo "é a Justiça Divina, através da lei de causa e efeito, punindo infratores.................."
Em relação à "pedagogia" da lei divina, não me parece sensato admitir que um erro seja reparado com outro na mesma intensidade. Quer dizer, bateu, levou. Isso é ensinar?


Bom, não pode ser considerada falta de respeito trazer textos da própria doutrina em um fórum espírita.
Como disse antes podemos não gostar do que está escrito, direito que nos cabe, mas como percebe tudo o que escrevi foi com base na DE e trouxe os textos que vão ao encontro dos meus comentários, sem tirar uma vírgula.
Ao contrário do amigo não escrevi o que "acho". Trouxe inclusive os textos da codificação que respaldam minhas palavras. Você tem todo o direito de não gostar do que os espíritos e Allan Kardec escreveram, mas eu não tenho nada a ver com isso.
Voltei ao debate porque você fez um comentário direto á mim e insinuou que estava sendo desrespeitosa por trazer doutrina. Então achei que era necessário alguns esclarecimentos.
Gostaria muito também que a resposta dos espíritos tivesse sido diferente. Esta explicação é por demais inconveniente e incômoda, mas é o que temos, gostemos ou não.
Gostaria também de poder usar outras fontes para responder a questão, mas tenho que me ater ao que diz a doutrina.Este é um fórum espírita lembra, não tem como ser diferente.
As explicações também vão ao encontro de várias passagens de Jesus.
Ademais, temos centenas de relatos mediúnicos esparsos no mesmo sentido do LE e de Obras Póstumas.
Até os espíritos considerados polêmicos e acusados de serem antidoutrinários respondem a mesma coisa que Kardec e os Espíritos Superiores, portanto, não tenho mais nada a acrescentar
Temos o direito de acreditar no que quisermos, se o que está na codificação lhe parece incoerente tens todo o direito de não aceitar.Se o amigo não gostou das explicações, tudo bem, não irei violentar suas crenças.

Diante do momento atual acho que a coisa menos importante é desenvolver qualquer tipo de sentimento antifraterno ou querer ter razão. Como disse antes, prefiro deixar os embates filosóficos para outro momento.
Acho importante levar o esclarecimento e até mesmo realizar esta  discussão, só que agora nenhum dos familiares quer saber de lei de causa e efeito ou da razão dos padecimento.
A melhor explicação não irá trazer o consolo e conforto que o momento exige.
Há ocasiões onde as palavras faltam e talvez seja melhor que assim seja, no momento oportuno as famílias irão buscar o entendimento.
Mas quem quiser continuar discutindo o tema, fique á vontade, que fique claro que não estou criticando ninguém, nem mesmo a querida autora do tópico que o abriu imbuída das melhores intenções.Apenas eu não me sinto á vontade para dar prosseguimento à esta discussão. É que o tema mexe com sentimentos de outras pessoa,s a ferida está aberta e ficar especulado sobre o ocorrido talvez traga dor e sofrimento àqueles diretamente envolvidos.
paz e luz
 
Título: Re: Mortes coletivas, Santa Maria RS
Enviado por: amazona em 29 de Janeiro de 2013, 21:35
Não Amazona! Você não leu em nenhum lugar da Doutrina que o Espírito escolhe a forma de morrer como prova e nem como gênero de prova. Revire sua memória e tente lembrar onde você viu tal afirmação. Na Codificação Espírita tenho certeza que não foi, e onde foi está a contradizer o que os Espíritos ensinaram.

haha eu li sim, vou procurar e posto aqui
Título: Re: Mortes coletivas, Santa Maria RS
Enviado por: amazona em 29 de Janeiro de 2013, 22:09

Questão 853 do LE – a) Assim, qualquer que seja o período que nos ameace, não morreremos se a nossa hora não chegou?

     — Não, não morrerás, e tens disto milhares de exemplos. Mas quando chegara tua hora de partir, nada te livrará. Deus sabe com antecedência qual o gênero de morte por que partirás daqui, e freqüentemente teu Espírito também o sabe, pois isso lhe foi revelado quando fez a escolha desta ou daquela existência.





Não Amazona! Você não leu em nenhum lugar da Doutrina que o Espírito escolhe a forma de morrer como prova e nem como gênero de prova. Revire sua memória e tente lembrar onde você viu tal afirmação. Na Codificação Espírita tenho certeza que não foi, e onde foi está a contradizer o que os Espíritos ensinaram.

Ok, eu não prestara atenção: o espírito sabe o gênero de morte mas a escolha não foi dele.
Então se a morte violenta (ou no caso dos que faleceram na boate, uma morte triste) não seria uma maneira de limpar a alma do pecado, por quê há pessoas que morrem de maneiras brutais, como os que foram torturados até a morte durante a ditadura militar ou naquele avião que pegou fogo em 2007 em Congonhas que  cozinhou as pessoas em 1000 graus?
Título: Re: Mortes coletivas, Santa Maria RS
Enviado por: MarcosBorges em 29 de Janeiro de 2013, 22:40
Para apreciação de todos uma contribuição de Dora Incontri sobre a Tragedia em Santa Maria. Gostaria de salientar que o meu raciocinio sobre o incedente do ponto de vista espirita, se identifica muito com discurso abaixo.

Reflexões espíritas sobre a Tragédia de Santa Maria

Por Dora Incontri

A tragédia de Santa Maria me leva a algumas reflexões que considero importantes para o movimento espírita.

Recentemente participei de uma banca de doutorado na Universidade Metodista, em que o pesquisador José Carlos Rodrigues, examinou em ampla investigação de campo quais os principais motivos de “conversão”, eu diria, “migração” para o espiritismo, no Brasil. Ganhou disparado a “resposta racional” que a doutrina oferece para os problemas existenciais.

De fato, essa é grande novidade do espiritismo no domínio da espiritualidade: introduzir um parâmetro de racionalidade e distanciar-se dos mistérios insondáveis, que as religiões sempre mantiveram intactos e impenetráveis, sobretudo o mistério da morte.
Entretanto, essa racionalidade, que era realmente a proposta de Kardec, tem sido barateada em nosso meio, como tudo o mais, para tornar-se uma cartilha de respostinhas simples, fechadas e dogmáticas, que os adeptos retiram das mangas sempre que necessário, de maneira triunfante e apressada, muitas vezes, sem respeito pela dor do próximo e sem respeito pelas convicções do outro.

Explico-me. Por exemplo: existe na Filosofia espírita uma leitura de mundo de “causa e efeito”, que traduziram como “lei do karma”, conceito que vem do hinduísmo. Essa ideia é de que nossas ações presentes geram resultados, que colheremos mais adiante ou que nossas dores presentes podem ser explicadas à luz de nossas ações passadas. Mas há muitas variáveis nesse processo: por exemplo, estamos sempre agindo e portanto, sempre temos o poder de modificar efeitos do passado; as dores nem sempre são efeitos do passado, mas sempre são motivos de aprendizado. O sofrimento no mundo resulta das mais variadas causas: má organização social, egoísmo humano, imprevidência… Estamos num mundo de precário grau evolutivo, onde a dor é nossa mestra, companheira e o que muitas vezes entendemos como “punição” é aprendizado de evolução.

O assunto é complexo e pretendo escrever mais profundamente sobre isso. Aqui, apenas gostaria de afirmar que nós espíritas, temos sim algumas respostas racionais, mas elas são genéricas e não podem servir como camisas de força para toda a realidade. Que respostas baseadas em evidências e pesquisas temos, por exemplo, para essas famílias enlutadas com a tragédia de Santa Maria?

• que a morte não existe e que esses jovens continuam a viver e que poderão mais dia, menos dia, dar notícias de suas condições;
• que a morte traumática deixa marcas para quem fica e para quem foi e que todos precisam de amparo e oração;
• que o sofrimento deve ter algum significado existencial, que cada um precisa descobrir e transformá-lo em motivo de ascensão…
• que a fé, o contato com a Espiritualidade, seja ela qual for, dá forças ao indivíduo, para superar um trauma dessa magnitude.
 
Não podemos afirmar por que esses jovens morreram. Não devemos oferecer uma explicação pronta, acabada, porque não temos esses dados. Os espíritas devem se conformar com essa impotência momentânea: não alcançamos todas as variáveis de um fato como esse, para podermos oferecer uma explicação definitiva. Havia processos da lei de causa e efeito? Provavelmente sim. Houve falha humana, na segurança? Certamente sim. Qual o significado que essa tragédia terá? Cada pai, cada mãe, cada familiar, cada pessoa envolvida deverá achar o seu significado. Alguns talvez terão notícias de algum evento passado que terá desembocado nesse drama; outros extrairão dessa dor, um motivo de luta para mais segurança em locais de lazer; outros acharão novos valores e farão de seu sofrimento uma bandeira para ajudar outros que estejam no mesmo sofrimento e assim por diante.

Oremos por essas pessoas, ofereçamos nossas melhores vibrações para os que foram e para os que ficaram e ainda para os que se fizeram de alguma forma responsáveis por esse evento trágico. Mas tenhamos delicadeza ao tratar da dor do próximo! Não ofereçamos respostas fechadas, apressadas, categóricas, deterministas. Ofereçamos amor, respeito e àqueles que quiserem, um estudo aberto e não dogmático, da filosofia espírita.

http://doraincontri.com/2013/01/28/reflexoes-espiritas-sobre-a-tragedia-de-santa-maria/


Abraço fraterno
Marcos Borges
Título: Re: Mortes coletivas, Santa Maria RS
Enviado por: onaiab em 29 de Janeiro de 2013, 23:23
Sempre haverá debate sobre assuntos dessa natureza. Se não imediatamente mas com o tempo a discussão tem lá sua razão de ser. O que considero uma profunda falta de respeito é ficar apresentando explicações para um acontecimento tão trágico, com afirmações do tipo "é a Justiça Divina, através da lei de causa e efeito, punindo infratores.................."
Em relação à "pedagogia" da lei divina, não me parece sensato admitir que um erro seja reparado com outro na mesma intensidade. Quer dizer, bateu, levou. Isso é ensinar?

Bom, não pode ser considerada falta de respeito trazer textos da própria doutrina em um fórum espírita.
Como disse antes podemos não gostar do que está escrito, direito que nos cabe, mas como percebe tudo o que escrevi foi com base na DE e trouxe os textos que vão ao encontro dos meus comentários, sem tirar uma vírgula.
Ao contrário do amigo não escrevi o que "acho". Trouxe inclusive os textos da codificação que respaldam minhas palavras. Você tem todo o direito de não gostar do que os espíritos e Allan Kardec escreveram, mas eu não tenho nada a ver com isso.
Voltei ao debate porque você fez um comentário direto á mim e insinuou que estava sendo desrespeitosa por trazer doutrina. Então achei que era necessário alguns esclarecimentos.


Grifei apenas pata responder. Realmente não é nenhum desrespeito debater sobre Doutrina Espírita, especialmente em ambiente adequado como é o caso aqui.
Eu vou sempre achar, aqui e ali, algo que eu considere aceitável ou não. E sinceramente, em Doutrina Espírita, sobre determinadas questões, a nossa opinião está longe de ser definitiva. Nos falta a evolução necessária.
Me desculpe se pareceu estar me referindo particularmente a você. Não é o que eu quis dizer.
Título: Re: Mortes coletivas, Santa Maria RS
Enviado por: Kazaoka em 30 de Janeiro de 2013, 01:01

Então se a morte violenta (ou no caso dos que faleceram na boate, uma morte triste) não seria uma maneira de limpar a alma do pecado, por quê há pessoas que morrem de maneiras brutais, como os que foram torturados até a morte durante a ditadura militar ou naquele avião que pegou fogo em 2007 em Congonhas que  cozinhou as pessoas em 1000 graus?


As tragédias, os sofrimentos e todo tipo de grilhões que dilaceram o sentimento do encarnado não é, em si, o que determinará a bem aventurança daquele Espírito na vida futura. Ou seja, não é o "tanto" que sofreu ou a tragédia comovente que envolveu o seu desencarne que determinará seus méritos ou amortizará seus débitos e imperfeições morais.
O verdadeiro valor de tudo isso está na forma como o Espírito suportou e que atitudes tomou diante de todas as vicissitudes como, também, diante de todas bonanças que a vida pode lhe oferecer.
Mais uma vez trocando em miúdos; não é como morreu que interessa, mas sim como tem vivido sua existência, esta e as passadas.
Título: Re: Mortes coletivas, Santa Maria RS
Enviado por: Mourarego em 30 de Janeiro de 2013, 14:58
Não deves ter lido em uma obra básica amiga amazona.
O que está escrito lá é que o Espírito escolhe apenas o Gênero das provas.
Logo, escolhe uma generalidade, como ser rico, ser pobre etc. A morte é e nos chega em decorrência de várias causas, uma delas  o decréscimo da energia vital. Esta causa a falência dos órgãos.
abração,
Moura
A prova do Espírito reside nas variantes que a existência física oferece e não na fatalidade da morte. Não é a morte que é prova!
Quem assim vê a passagem pela matéria são aqueles que acreditam estar aqui a verdadeira felicidade e Jesus deixou bem claro que "a felicidade não é deste mundo".
Tragédias como esta não visa punir com a morte violenta e coletiva um grupo de Espíritos devedores, fatos como este é mais lição para os que continuam mourejando na carne, dando-lhes a oportunidade de aprendizado e aperfeiçoamento em todos os sentidos, principalmente moral, do que propriamente punição para os que partiram.
Quando chega o momento do desencarne de uma Alma, se ela cumpriu o que estava designado diante das escolhas feitas quanto ao gênero de provas que desejava passar, e das quais recebeu de Deus a permissão para vivenciá-las, para este Espírito o desencarne é uma benção e o fará feliz por ter podido retornar à verdadeira vida sem o ônus do dever não cumprido. E a maneira como o desencarne processou, se foi por morte natural ou morte trágica deixa de ter importância para aquele Espírito, pois para ele o que tem realmente valor é a liberdade que foi re-adquirida.


Ué mas espera aí; eu li que o espírito escolhe que morte que deseja antes de encarnar num novo corpo.
Eles escolheram essa morte PORÉM essa morte não foi uma forma de pagar pelos pecados de outras vidas?
Título: Re: Mortes coletivas, Santa Maria RS
Enviado por: Vitor Santos em 30 de Janeiro de 2013, 15:03
Olá amigo kazaoka

Citar
Mais uma vez trocando em miúdos; não é como morreu que interessa, mas sim como tem vivido sua existência, esta e as passadas

Clique aqui para ler mais: http://www.forumespirita.net/fe/lei-de-causa-e-efeito/mortes-coletivas-santa-maria-rs/30/#ixzz2JTHnvDvh

Por vezes conseguimos dizer muito em poucas palavras. É o caso desta sua frase.

bem haja
Título: Re: Mortes coletivas, Santa Maria RS
Enviado por: Mourarego em 30 de Janeiro de 2013, 15:08
apenas sobre as palavras de jesus e também a explicação dada po Espírito ou pelo codoificador sobre a lei de Talião.
eu poderia ficar a encehr muitas laudas demonstrando por nomes conhecidos, os que "viveram pela espada" mas que não morreram pela espada;
Ou ainda, os que muito sangue derramaram e que por fator de morte nenhuma gota de sangue lhes foi derramada.
Então Jesus mentiu? Kardec engodou a gente?
Claro que não, Jesus nos asseverou que no mais das vezes falava por parábolas e esta apenas uma delas ou seja, uma forma de explicação que se utiliza de simbologias, já que por espada se pode falar não só da arma, mas também da língua, do ver duro sobre os aspecto que lhes fossem contrários etc, um exemplo simples está na ocasião em que Pedro o antigo pescador, vendo Jssus ser acossado por guardas de Roma, saca da espada e é contido pelo Nazareno sob as indicação: Pedro, embainha a tua espada".
Também o codificador se mune dessa forma quando nos indica a assertiva: A Lei de Deus é a lei de Talião".
Ora, se a lei de Deus, que age nesses casos é a de Causa e Efeito,  Quem casuar o mal, também a si terá como resposta um mal, porém este mal não é obrigatoriamente haurido sob a mesma forma, ou seja, se sou um assassino contumaz, por certo poderei voltar um Juiz, que terá todo o escopo de sua atividade julgando com justiça inteira aos assassinos, ou se fui uma aborteira, não necessariamente reencarnarei como uma mulher estéril e mesmo num caso com oeste, poderei me destacar na ajuda aos órfãos, e mesma pela adoção destes que lhes evidenciaria uma vida melhor e mais amorável.
A Lei de Deus age inderrogável e irrecorrivelmente, mas não trás em sua resposta senão atos de Bondade e Justiça Soberanos.
Abraços,
Moura
Título: Re: Mortes coletivas, Santa Maria RS
Enviado por: Mourarego em 30 de Janeiro de 2013, 15:10
Sim mano Vitor,
mas não nota o amigo oque alguns de nós ainda vêem a Deus muito antopromorficamente? quantos não existem entre nós que pensam nas respostas de Deus com se fossem atos da justiça Humana?
concordo com você.
Abraços,
Moura
Título: Re: Mortes coletivas, Santa Maria RS
Enviado por: Zé Ninguém em 30 de Janeiro de 2013, 17:03
apenas sobre as palavras de jesus e também a explicação dada po Espírito ou pelo codoificador sobre a lei de Talião.
eu poderia ficar a encehr muitas laudas demonstrando por nomes conhecidos, os que "viveram pela espada" mas que não morreram pela espada;
Ou ainda, os que muito sangue derramaram e que por fator de morte nenhuma gota de sangue lhes foi derramada.


Moura com base em que afirma isso? Acaso acompanhou todas as encarnações de um espírito?
Quem disse que a consequência pelo ato cometido é sentida  exclusivamente na mesma encarnação em que ele é praticado?
A DE não diz isso.
Um conquistador, por exemplo, que tenha assassinado muitos irmãos pode até não morrer assassinado na mesma existência, mas não sabemos o que lhe aguardava nas próximas reencarnações, a não ser que tenhamos bola de cristal.
Eu pelo menos não tenho. ;)

P.S: O que você escreveu não encontra base na DE, ao contrário desmente o que escreveu Allan Kardec. Como ficamos então?
Título: Re: Mortes coletivas, Santa Maria RS
Enviado por: Zé Ninguém em 30 de Janeiro de 2013, 17:08
De Novo.....


Então vamos ver o que diz Allan Kardec:

"Quando se consideram todos os crimes dos tempos passados, em que a vida dos homens e a honra das famílias em nenhuma conta eram tidas, em que o fanatismo acendia fogueiras em honra da divindade; quando se pensa em todos os abusos de poder, em todas as injustiças que se cometiam com desprezo dos mais sagrados direitos, quem pode estar certo de não haver participado mais ou menos de tudo isso e admirar-se de assistir a grandes e terríveis expiações coletivas?

Mas, dessas convulsões sociais uma melhora sempre resulta; os Espíritos se esclarecem pela experiência; o infortúnio é o estimulante que os impele a procurar um remédio para o mal; na erraticidade, refletem, tomam novas resoluções e, quando voltam, fazem coisa melhor. É assim que, de geração em geração, o progresso se efetua.

Não se pode duvidar de que haja famílias, cidades, nações, raças culpadas, porque, dominadas por instintos de orgulho, de egoísmo, de ambição, de cupidez, enveredam por mau caminho e fazem coletivamente o que um individuo faz insuladamente. Uma família se enriquece à custa de outra; um povo subjuga outro povo, levando-lhe a desolação e a ruína; uma raça se esforça por aniquilar outra raça. Essa a razão por que há famílias, povos e raças sobre os quais desce a pena de talião.“Quem matou com a espada perecerá pela espada”, são palavras do Cristo, palavras que se podem traduzir assim: Aquele que fez correr sangue verá o seu também derramado; aquele que levou o facho do Incêndio ao que era de outrem, verá o Incêndio ateado no que lhe pertence; aquele que despojou será despojado; aquele que escraviza e maltrata o fraco será a seu turno escravizado e maltratado, quer se trate de um individuo, quer de uma nação, ou de uma raça, porque os membros de uma individualidade coletiva são solidários assim no bem como no mal que em comum praticaram.

Ao passo que o Espiritismo dilata o campo da solidariedade, o materialismo o restringe às mesquinhas proporções da efêmera existência do homem, fazendo da mesma solidariedade um dever social sem raízes, sem outra sanção além da boa-vontade e do interesse pessoal do momento. É uma simples teoria, simples máxima filosófica, cuja prática nada há que a imponha. Para o Espiritismo, a solidariedade é um fato que assenta numa lei universal da Natureza, que liga todos os seres do passado, do presente e do futuro e a cujas conseqüências ninguém pode subtrair-se. É esta uma coisa que todo homem pode compreender, por menos instruído que seja.
"

Obras Póstumas


Novamente:

Questão 764 do Livro dos Espíritos:
Disse Jesus: Quem matou com a espada, pela espada perecerá. Estas palavras não consagram a pena de talião e, assim a morte dada ao assassino não constitui uma aplicação dessa pena?

 
“Tomai cuidado! Muito vos tendes enganado a respeito dessas palavras, como acerca de outras.   
  A pena de talião é a justiça de Deus. É Deus quem a aplica. Todos vós sofreis essa pena a cada instante, pois que sois punidos naquilo em que haveis pecado, nesta existência ou em outra.

 Aquele que foi causa do sofrimento para seus semelhantes virá a achar-se numa condição em que sofrerá o que tenha feito sofrer.Este o sentido das palavras de Jesus. Mas, não vos disse ele também: Perdoai aos vossos inimigos? E não vos ensinou a pedir a Deus que vos perdoe as ofensas como houverdes vós mesmos perdoado, isto é, na mesma proporção em que houverdes perdoado, compreendei-o bem?”


A questão do LE vai ao encontro do escrito em Obras Póstumas, portanto temos na DE duas afirmações em diferentes obras no mesmo sentido.

Podemos não concordar com a lei de causa e efeito e confundi-la ,equivocadamente, com vingança, temos até mesmo o direito de dizer que não aceitamos a explicação contida na codificação ,mas as palavras de Allan Kardec e dos espíritos são claras.
Não há espaço para brechas e interpretações diante das palavras contundentes trazidas acima.
Este é o posicionamento da DE, os demais são opiniões pessoais.

paz e luz
Título: Re: Mortes coletivas, Santa Maria RS
Enviado por: Zé Ninguém em 30 de Janeiro de 2013, 17:18
Sabe gente,
Uma coisa que tenho percebido em várias discussões, e não apenas nessa, é que há uma tendência em se ignorar solenemente algumas passagens quando elas vão de encontro com nossas crenças.
Muitos são os debates onde se afirmam coisas totalmente contrárias do que consta da DE e mesmo quando os textos são trazidos mostrando de forma explícita tal divergência, ainda assim os textos são ignorados, é como se não existissem , são empurrados para debaixo do tapete.
Já falei sobe isso em outras ocasiões( lembro do debate sobre sexo para fins reprodutivos).
Precisamos definir: seguimos a doutrina ou as partes que gostamos?

paz e luz
Título: Re: Mortes coletivas, Santa Maria RS
Enviado por: Mourarego em 30 de Janeiro de 2013, 17:18
Amiga Susana, as questões de interpretação vão de acordo com o conhecimento de quem as interprete:
"Tomai cuidado! Muito vos tendes enganado a respeito dessas palavras, como acerca de outras.   
  A pena de talião é a justiça de Deus. É Deus quem a aplica. Todos vós sofreis essa pena a cada instante, pois que sois punidos naquilo em que haveis pecado, nesta existência ou em outra.

 Aquele que foi causa do sofrimento para seus semelhantes virá a achar-se numa condição em que sofrerá o que tenha feito sofrer.Este o sentido das palavras de Jesus. Mas, não vos disse ele também: Perdoai aos vossos inimigos? E não vos ensinou a pedir a Deus que vos perdoe as ofensas como houverdes vós mesmos perdoado, isto é, na mesma proporção em que houverdes perdoado, compreendei-o bem?”"

Vamos pensar, Deus não daria um fim senão ao proporcional à ofensa, por isso é que a DE ensina, Deus julga pela intenção.
Talião trocava pedra por pedra, morte por morte , entretanto tratamos da Justiça e Bondade Soberanas de Deus, logo, há que se compreender e por isso o aviso da Espiritualidade que exponho em vermelho..
No mais é apenas questão de interpretação, correta ou erradiça.
Abraços,
Moura.

Clique aqui para ler mais: http://www.forumespirita.net/fe/lei-de-causa-e-efeito/mortes-coletivas-santa-maria-rs/30/#ixzz2JTpAawYg
Título: Re: Mortes coletivas, Santa Maria RS
Enviado por: Zé Ninguém em 30 de Janeiro de 2013, 17:25
Comente por favor o texto destacado de Obras Póstumas.
O  que há para se interpretar nas palavras contundentes, explícitas, diretas, claras,cristalinas, transparentes de Allan Kardec?


Título: Re: Mortes coletivas, Santa Maria RS
Enviado por: Mourarego em 30 de Janeiro de 2013, 17:30
Susana,
há uma flagrante razão para que no meu caso eu me abstenha de comentar, salvo em textos que estejam já apascentados na DE, as colocações de OP.
Você sabe que esta obra, que não se encontra entre as básicas, foi haurida da compilação de vários textos, alguns ainda nem submetidos ao CUEE pelo codificador, daí o motivo da minha abstenção.
Para se debater dentro da DE apenas deve ser utilizada a própria DE .
Abraços,
Moura
Título: Re: Mortes coletivas, Santa Maria RS
Enviado por: Zé Ninguém em 30 de Janeiro de 2013, 17:34
Entendo..
Então Obras Póstumas não faz parte da codificação você não reconhece o texto com advindo de Allan Kardec por ausência de CUEE.
Interessante.
Poque me lembro de algumas discussões onde o amigo se utilizou de informações contidas na obra para embasar seus argumentos( não vou trazer os textos porque acho desnecessário).
Dois pesos duas medidas?

paz e luz
Título: Re: Mortes coletivas, Santa Maria RS
Enviado por: Haga em 30 de Janeiro de 2013, 17:46
Sabe gente,
Uma coisa que tenho percebido em várias discussões, e não apenas nessa, é que há uma tendência em se ignorar solenemente algumas passagens quando elas vão de encontro com nossas crenças.
Muitos são os debates onde se afirmam coisas totalmente contrárias do que consta da DE e mesmo quando os textos são trazidos mostrando de forma explícita tal divergência, ainda assim os textos são ignorados, é como se não existissem , são empurrados para debaixo do tapete.
Já falei sobe isso em outras ocasiões( lembro do debate sobre sexo para fins reprodutivos).
Precisamos definir: seguimos a doutrina ou as partes que gostamos?

paz e luz

+10 ;)
Título: Re: Mortes coletivas, Santa Maria RS
Enviado por: Vitor Santos em 31 de Janeiro de 2013, 12:27
Olá

Eu não necessito de ler passagem nenhuma, para além das que me falam na Infinita bondade e justiça do Criador, e, consequentemente, das leis que Ele concebeu, para governar o universo.

Lei causa-efeito significa: todo o efeito tem uma causa. É o determinismo, em sentido restrito. Não é apenas uma posição do espiritismo, é uma visão do mundo, que inclui a visão da própria ciência que trata das coisas da matéria.

As leis da natureza são as leis que governam o universo, tanto as que regem a matéria comum, como as que regem os espiritos. A natureza bruta (não inteligente) não pode perdoar. É como a pena de Talião, de facto. Não se altera por ter pena de mim, nem por ter pena de ninguém. Isso é a afirmação de que a ciência material está correcta, no que se refere às causas do comportamento da matéria bruta. Elas não são divinas. A causa primeira pode ter sido divina, mas as actuais não.

A pena por encarnações anteriores seria vingar os outros espiritos a que esse espírito prejudicou. E a vingança não é justiça, nem bondade, nem tem qualquer utilidade, a não ser para destilar o ódio dos que se sentem vitimas. A pena só se justifica no sentido de vergar o espírito. De o conduzir à força. É algo que tem utilidade para o próprio e não para as vitimas que ele fez, por via da acção passada dele.   

E a pena nunca poderá permanecer depois de a causa da mesma cessar. Ou será que, mesmo quando o espírito que já se melhorou, que, quando colocado na mesma situação em que antes errou, já não comete o mesmo erro, ainda tem de sofrer uma pena por esse erro?

Onde é que está a justiça? onde está a bondade? onde é que está a utilidade disto?

A pena pode justificar-se, eventualmente, como uma forma de forçar o espírito a evoluir, se ele está renitente. Para o vergar, à força. Mas nunca por causa das acções passadas. Mas aí, lá se vai a noção de livre-arbitrio. O espírito é conduzido, como uma criança o é, pelos pais, não é ele que se conduz sozinho. E se não é ele que se conduz sozinho, não podemos imputar-lhe todas as culpas do que lhe acontece. É isso que posso concluir que acontece connosco (connosco, espiritos imortais).

Se nós vergamos uma besta a puxar uma carroça, através de um chicote, podemos concluir que a besta agiu de livre vontade? - Mas aí o chicote ainda tinha uma utilidade, que era fazer a besta andar e levar a mercadoria.

Se depois de já não ser preciso chicotear a besta, para ela andar, porque já a vergámos, lhe continuarmos a bater, não estamos a ser ainda mais cruéis, porque batemos sem qualquer utilidade?

No caso da besta, a utilidade não era para o animal que leva com o chicote, mas para o proprietário da mesma. Portanto há utilidade, mas não há bondade.

No caso do homem, a utilidade é para ele mesmo. Há utilidade e há bondade. Não há é livre-arbitrio, nem se trata de uma pena de encarnações anteriores. O homem é conduzido, não se conduz sozinho. A capacidade de decisão vai crescendo à medida que o espírito evolui. A liberdade total apenas existe no espírito puro.   

Se me disser que o espírito tem de reparar o mal feito com o bem, mesmo depois de se extinguir a causa do mal, isto depois de o espírito ter compreendido e aceitado que errou, e de ter passado a agir de outra forma, eu compreendo. Isso poderá ter utilidade. Embora se trate de um acerto de contas entre espiritos e não entre Deus e os espiritos, pois Deus não se ofende, nem se sente vitima de injustiça. A não ser que tenha características humanas... E aí ficam as coisas ainda mais complicadas.

bem haja
Título: Re: Mortes coletivas, Santa Maria RS
Enviado por: Mourarego em 31 de Janeiro de 2013, 13:17
susana, se a amiga deu atenjção ao que lhe escrevi,
haveria de ter entendido, pois para isso está apetrechada, que OP, sendo uma compilação não abraçada totalmente pelo CUEE não pode ser considerada, nem mesmo, obra de kardec já que foi Amelie Boudet, na forma de preito amoroso, que o fez ser editado.
Mais uma coisinha: Não sou eu quem diz para que não se a considere uma obra da codificação mas sim que há duas razões simples porém importantes para tal:
1: Estão ali anotações, que nem sempre partiram de Espíritos desencarnados, não podendo por isso serem coisas da psicografia;
2: Foram os Espíritos superiores que sentenciaram o que você coloca sob minhas palavras. Mas eles o sentenciaram ao próprio codificador, que só pelo título que lhe foi dado por Flamarion, "O Bom Senso Encarnado",a aceitou e obedeceu.
Não posso atinar com o porque da amiga, que diz conhecer bem a DE, não saber disso...
Abraços,
Moura

Entendo..
Então Obras Póstumas não faz parte da codificação você não reconhece o texto com advindo de Allan Kardec por ausência de CUEE.
Interessante.
Poque me lembro de algumas discussões onde o amigo se utilizou de informações contidas na obra para embasar seus argumentos( não vou trazer os textos porque acho desnecessário).
Dois pesos duas medidas?

paz e luz
Título: Re: Mortes coletivas, Santa Maria RS
Enviado por: André Luis Carvalho em 31 de Janeiro de 2013, 14:20
Olá irmãos! Eu li muitos tópicos, e apareceram algumas perguntas:

O desastre seria então, forma de punição (ou autopunição)? Se sim, não seria meio desumano saber que os próprios desencarnados seriam os responsáveis?

Sendo isso, nós nos julgamos a ponto de reparar o dano causado aplicando-o a nós mesmos? O famoso ditado: "Só sabe é quem sente na pele."

Então, a falta de responsabilidade dos donos e dos integrantes da banda, seria de fato, a consequência dos danos realizados pelos que desencarnaram em vidas passadas?
Título: Re: Mortes coletivas, Santa Maria RS
Enviado por: Mourarego em 31 de Janeiro de 2013, 15:03
André, não hjá aquele encarnado que possa afirmar sobre vidas passadas, pois o que existem são apenas vivências ou experiências passadas.
avaliar então sobre esse tipo de coisa quando ocorrem com outros é então conjecturar sobre oque não se tem condições de conhecer.
As vidas de cada um de nós, não formam um face book, onde todos possam pitacar.
Abraços,
Moura
Título: Re: Mortes coletivas, Santa Maria RS
Enviado por: Zé Ninguém em 31 de Janeiro de 2013, 15:30
Moura,
Vou lhe encaminhar a resposta por MP para não desvirtuar o debate.
Meu texto traz algumas observações e pede por mais esclarecimentos, então como é uma dúvida direcionada e muito específica e por uma questão de respeito ao autor do tópico estou encaminhando a resposta por mensagem pessoal.

paz e luz
Título: Re: Mortes coletivas, Santa Maria RS
Enviado por: eldercoutinho em 31 de Janeiro de 2013, 17:28
Caros,

 Só para relembrar que podemos ser "punidos", com uma relação de muito Amor para com a nossa vitima, numa outra oportunidade.
 Senão criava-se um ciclo rotativo, ilogico :)

Forte Abraço,
 

Exatamente! Só o amor para quebrar esse círculo vicioso!  :D
Título: Re: Mortes coletivas, Santa Maria RS
Enviado por: Vitor Santos em 31 de Janeiro de 2013, 17:58
Caros,

 Só para relembrar que podemos ser "punidos", com uma relação de muito Amor para com a nossa vitima, numa outra oportunidade.
 Senão criava-se um ciclo rotativo, ilogico :)

Forte Abraço,
 

Exatamente! Só o amor para quebrar esse círculo vicioso!  :D

Mas nesse caso não era uma punição, mas uma reparação...

bem haja
Título: Re: Mortes coletivas, Santa Maria RS
Enviado por: Aimoré em 31 de Janeiro de 2013, 23:23
Olá irmãos! Eu li muitos tópicos, e apareceram algumas perguntas:

O desastre seria então, forma de punição (ou autopunição)? Se sim, não seria meio desumano saber que os próprios desencarnados seriam os responsáveis?

Sendo isso, nós nos julgamos a ponto de reparar o dano causado aplicando-o a nós mesmos? O famoso ditado: "Só sabe é quem sente na pele."

Então, a falta de responsabilidade dos donos e dos integrantes da banda, seria de fato, a consequência dos danos realizados pelos que desencarnaram em vidas passadas?

De modo geral,podemos entender assim,a necessidade de evoluir faz com que o espírito procure oportunidades de reparação de seus erros.Evolução é lei Divina,e estamos submetidos a ela.Quando Deus nos criou,princípios inteligentes simples e ignorantes,nos deu o instinto de evolução,que nos leva para frente sempre.Temos essa oportunidade de evolução nas reencarnações. E nos mundos de provas e expiações,onde há muita imprevidência e negligência,é que se dá o ambiente para reparações.
Título: Re: Mortes coletivas, Santa Maria RS
Enviado por: EsoEstudos em 01 de Fevereiro de 2013, 00:06

A filosofia do crime e castigo é uma triste herança da religiosidade que a igreja latina instituiu no ideário de miríades de povos e gerações.

Uma ferida não dói mesmo depois de tratada para que o incauto seja punido; a dor de uma ferida faz o ser tornar-se mais cuidadoso.

Quem escolhe o gênero de provas é o Espírito e nisso consiste o seu livre-arbítrio --- é o que ensina a Doutrina. Ora, nosso remorso nos faz optar por experiências para que, aliviada a consciência (embotada nesse entorpecente que é a culpa), possamos voltar a nos sentir "quites" e, por extensão, em "paz"...

A Psicologia descreve casos em que o indivíduo só retorna a algum equilíbrio se sentir alguma punição por um ato de que se penitencie...

NÃO estou dizendo que seja essa a causa das mortes dos jovens de Santa Maria. Estou apenas dizendo que não acredito no acaso.

Para qualquer efeito danoso há uma causa determinante, se não no presente, no passado. É o que diz a doutrina.

Título: Re: Mortes coletivas, Santa Maria RS
Enviado por: Zé Ninguém em 01 de Fevereiro de 2013, 00:27
Com carinho para cada uma das famílias que foram atingidas pelo incêndio em Santa Maria.

As Duas Jóias

Narra antiga lenda árabe, que um rabino, religioso dedicado, vivia muito  feliz com sua família.
 
 Esposa admirável e dois filhos queridos.

Certa vez, por imperativos da religião, o rabino empreendeu longa viagem  ausentando-se do lar por vários dias.

No período em que estava ausente, um grave acidente provocou a morte dos  dois filhos amados.

A mãezinha sentiu o coração dilacerado de dor.

No entanto, por ser uma mulher forte, sustentada pela fé e pela confiança em Deus, suportou o choque com bravura.

Todavia, uma preocupação lhe vinha a mente: como dar ao esposo a triste  notícia?

Sabendo-o portador de insuficiência cardíaca, temia que não suportasse  tamanha comoção.

Lembrou-se de fazer uma prece. Rogou a Deus auxílio para resolver a  difícil questão.

Alguns dias depois, num final de tarde, o rabino retornou ao lar.

Abraçou longamente a esposa e perguntou pelos filhos...

 Ela pediu para que não se preocupasse.

Que tomasse o seu banho, e logo depois ela lhe falaria dos moços. Alguns  minutos depois estavam ambos sentados a mesa.

Ela lhe perguntou sobre a viagem, e logo ele perguntou novamente pelos filhos.

A esposa, numa atitude um tanto embaraçada, respondeu ao marido:
 - Deixe os filhos. Primeiro quero que me ajude a resolver um problema que considero grave.  O marido, já um pouco preocupado perguntou:
 - O que aconteceu? Notei você abatida ! Fale ! Resolveremos juntos, com a  ajuda de Deus.

 - Enquanto você esteve ausente, um amigo nosso visitou-me e deixou duas  jóias de valor incalculável, para que as guardasse. São jóias muito  preciosas! Jamais vi algo tão belo! O problema é esse ! Ele vem buscá-las  e eu não estou disposta a devolvê-las, pois já me afeiçoei a elas. O que  você me diz?

 - Ora mulher! Não estou entendendo o seu comportamento! Você nunca
 cultivou vaidades!... Por que isso agora?

 - É que nunca havia visto jóias assim! São maravilhosas!
 - Podem até ser, mas não lhe pertencem! Terá que devolvê-las.
 - Mas eu não consigo aceitar a idéia de perdê-las!

E o rabino respondeu com firmeza: ninguém perde o que não possui. Retê-las equivaleria a roubo!

 - Vamos devolvê-las, eu a ajudarei. Faremos isso juntos, hoje mesmo.

 - Pois bem, meu querido, seja feita a sua vontade. O tesouro será  devolvido.

 Na verdade isso já foi feito. As jóias preciosas eram nossos filhos.

 - Deus os confiou a nossa guarda, e durante a sua viagem veio buscá-los.
 Eles se foram...
 O rabino compreendeu a mensagem.
 Abraçou a esposa, e juntos derramaram muitas lágrimas.

 
 Do livro "Quem tem medo da morte"
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Pegadas na Areia

Uma noite eu tive um sonho...

Sonhei que estava andando na praia

com o Senhor
e no céu passavam cenas de minha vida.
Para cada cena que passava,
percebi que eram deixados dois pares
de pegadas na areia:
um era meu e o outro do Senhor.
Quando a última cena da minha vida
passou diante de nós, olhei para trás,
para as pegadas na areia,
e notei que muitas vezes,
no caminho da minha vida,
havia apenas um par de pegadas na areia.
Notei também que isso aconteceu
nos momentos mais difíceis
e angustiantes da minha vida.
Isso aborreceu-me deveras
e perguntei então ao meu Senhor:
- Senhor, tu não me disseste que,
tendo eu resolvido te seguir,
tu andarias sempre comigo,
em todo o caminho?
Contudo, notei que durante
as maiores tribulações do meu viver,
havia apenas um par de pegadas na areia.
Não compreendo por que nas horas
em que eu mais necessitava de ti,
tu me deixaste sozinho.
O Senhor me respondeu:
- Meu querido filho.
Jamais te deixaria nas horas
de prova e de sofrimento.
Quando viste na areia,
apenas um par de pegadas,
eram as minhas.
Foi exatamente aí,
que te carreguei nos braços.



Autoria: Copyright © 1984 Mary Stevenson, a partir do texto original 1936, Todos os direitos reservados **


Confiemos em Deus e em sua sabedoria, não permitamos que o rancor e o desespero nos dominem.
O maior dos homens que por aqui passou não tinha nada a expiar e saiu daqui numa cruz.
Quando nossas dores se tornarem insuportáveis lembremos do exemplo de Jesus e de sua mensagem de fé e renovação; "  Vinde a mim, todos vós que estais aflitos e sobrecarregados, que eu vos aliviarei."

paz e luz
Título: Re: Mortes coletivas, Santa Maria RS
Enviado por: EsoEstudos em 01 de Fevereiro de 2013, 00:39


Linda mensagem... Uma das mais belas lendas que já li...   :)

Título: Re: Mortes coletivas, Santa Maria RS
Enviado por: Dhi em 01 de Fevereiro de 2013, 04:43
li,, reli muitas opiniões , colocações , e notei realmente que muito vai da crença e da maneira de ver as coisas de cada um, então entendo que SIM, essas mortes tinham que ser assim, para uma espiação geral, e assim ser única.... pois isso que aconteceu, não é uma coisa da qual se passe em dias, ou em meses, a tristeza está até aqui, nesse cantinho do Brasil, e sinceramente quero sim ficar tranquila, porque muito eu entendia no que ser referia sobre as coisas de desencarne, mas assim com jovens lindos, todos, cheios de vida, e juntos. Deu uma certa dificuldade de entender,,, por isso continuarei a ler e reler para entender ... obrigado pelas respostas e colocações será muito útil pra eu ler essas interpretações
Título: Re: Mortes coletivas, Santa Maria RS
Enviado por: Mourarego em 01 de Fevereiro de 2013, 13:12
Moura,
Vou lhe encaminhar a resposta por MP para não desvirtuar o debate.
Meu texto traz algumas observações e pede por mais esclarecimentos, então como é uma dúvida direcionada e muito específica e por uma questão de respeito ao autor do tópico estou encaminhando a resposta por mensagem pessoal.

paz e luz
susaninha, me desculpe, li a sua MP mas indevidamente cliquei em apagar ao invés de enviar.
Porém o que subsiste é: OP, não sendo uma obra que possa ser dita codificada, não pode, por tal razão, ser tomada como obra básioca também.
Senão seria o mesmo que se dizer que o codoificador a codificou, quando estava desencarnado, já que ele é o ún ico a deter este matiz de codificador.
O que se deve fazer é olhar-se bem para o ponto que OP tenha anotado, e ver se  está em alguma das obras básicas mesmo as RE, e com aferição do codificador.
Lembremo-nops uqe o avido dos Espíritos Superiroes, dado a Kardec foi para que mesmo as mensagens dele fosse passadas pelo crivo do método que como conhecemos é o CUEE.
abraços,
Moura
Título: Re: Mortes coletivas, Santa Maria RS
Enviado por: André Luis Carvalho em 01 de Fevereiro de 2013, 16:05
André, não hjá aquele encarnado que possa afirmar sobre vidas passadas, pois o que existem são apenas vivências ou experiências passadas.
avaliar então sobre esse tipo de coisa quando ocorrem com outros é então conjecturar sobre oque não se tem condições de conhecer.
As vidas de cada um de nós, não formam um face book, onde todos possam pitacar.
Abraços,
Moura

Entendi.

Li sobre isso hoje, a reparação dos erros, no livro Memórias de Um Suicida Págs. 380 a 390, não existem meios que reparem a falha a não ser sentir na carne (é um resumo do que entendi o que tem escrito no livro).
Título: Re: Mortes coletivas, Santa Maria RS
Enviado por: Mourarego em 01 de Fevereiro de 2013, 16:11
André,
novamente o amigo lê de obra não espírita e avalia o lido como verdade.
Amigo creia:
O fato da morte, ou do sentir-se mais ou menos dor ou sofrimento nela, não induz à modificação se o Espírito não o quiser ou trabalhor por assim se modificar esta a lei.
Abraços,
Moura
Título: Re: Mortes coletivas, Santa Maria RS
Enviado por: Tibério em 09 de Fevereiro de 2013, 19:04
Prezados,

O mito de Édipo nos remete ao conceito de destino e, portanto de determinismo. Neste Ínterim não importa o que se faça para evitá-lo, pois o destino se cumprirá. É exatamente essa a idéia que se tem ao dizer “nada é por acaso”, tão comum nas rodas de debate espírita. Ora, se todo efeito tem causa o que vale dizer que nada é por acaso, então, por exemplo, após o assassinato de algumas pessoas o assassino pode se arrepender profundamente e em seguida salvar a vida de muitas pessoas através da educação, ou da adoção de crianças pobres, ou medicando gratuitamente em bolsões de miséria... etc. Assim, as ações bondosas posteriores ao mal realizado são outro gerador de efeitos desta vez positivos. A lei de causa e efeito existe, mas pelo que entendi não é engessada e sim dinâmica e atua de acordo às atitudes de cada um ao longo da vida inteira. Melhor seria dizer Lei de causas e efeitos, pois eles são muitos e complexos demais para virar um simples jargão. Caso Contrário Édipo sempre matará seu pai e desposará sua própria mãe como vaticinado pelo oráculo, não importa o que se faça para modificar a estória; Édipo, Laio e Jocasta estarão para sempre impossibilitados de evitar aquela dor.
Questão:
1)   A transformação moral do indivíduo reeducada nos moldes, por exemplo, do evangelho não atenuaria ou mesmo eliminaria o efeito doloroso de uma causa maléfica primeiramente impetrada?

2)   Qual o significado disciplinador ou educativo que um evento de morte coletiva tem para os espíritos desencarnantes envolvidos?

Agradeço pela paciência,


Tibério
Título: Re: Mortes coletivas, Santa Maria RS
Enviado por: Amigo em 10 de Fevereiro de 2013, 05:53
(http://doraincontri.files.wordpress.com/2013/01/f_149388.jpg?w=710)

A tragédia de Santa Maria me leva a algumas reflexões que considero importantes para o movimento espírita.

Recentemente participei de uma banca de doutorado na Universidade Metodista, em que o pesquisador José Carlos Rodrigues, examinou em ampla investigação de campo quais os principais motivos de “conversão”, eu diria, “migração” para o espiritismo, no Brasil. Ganhou disparado a “resposta racional” que a doutrina oferece para os problemas existenciais.

De fato, essa é grande novidade do espiritismo no domínio da espiritualidade: introduzir um parâmetro de racionalidade e distanciar-se dos mistérios insondáveis, que as religiões sempre mantiveram intactos e impenetráveis, sobretudo o mistério da morte.

Entretanto, essa racionalidade, que era realmente a proposta de Kardec, tem sido barateada em nosso meio, como tudo o mais, para tornar-se uma cartilha de respostinhas simples, fechadas e dogmáticas, que os adeptos retiram das mangas sempre que necessário, de maneira triunfante e apressada, muitas vezes, sem respeito pela dor do próximo e sem respeito pelas convicções do outro. Explico-me.

Por exemplo: existe na Filosofia espírita uma leitura de mundo de “causa e efeito”, que traduziram como “lei do karma”, conceito que vem do hinduísmo. Essa ideia é de que nossas ações presentes geram resultados, que colheremos mais adiante ou que nossas dores presentes podem ser explicadas à luz de nossas ações passadas. Mas há muitas variáveis nesse processo: por exemplo, estamos sempre agindo e portanto, sempre temos o poder de modificar efeitos do passado; as dores nem sempre são efeitos do passado, mas sempre são motivos de aprendizado. O sofrimento no mundo resulta das mais variadas causas: má organização social, egoísmo humano, imprevidência… Estamos num mundo de precário grau evolutivo, onde a dor é nossa mestra, companheira e o que muitas vezes entendemos como “punição” é aprendizado de evolução.

O assunto é complexo e pretendo escrever mais profundamente sobre isso. Aqui, apenas gostaria de afirmar que nós espíritas, temos sim algumas respostas racionais, mas elas são genéricas e não podem servir como camisas de força para toda a realidade. Que respostas baseadas em evidências e pesquisas temos, por exemplo, para essas famílias enlutadas com a tragédia de Santa Maria?

• que a morte não existe e que esses jovens continuam a viver e que poderão mais dia, menos dia, dar notícias de suas condições;

• que a morte traumática deixa marcas para quem fica e para quem foi e que todos precisam de amparo e oração;

• que o sofrimento deve ter algum significado existencial, que cada um precisa descobrir e transformá-lo em motivo de ascensão…

• que a fé, o contato com a Espiritualidade, seja ela qual for, dá forças ao indivíduo, para superar um trauma dessa magnitude.

 

Não podemos afirmar por que esses jovens morreram. Não devemos oferecer uma explicação pronta, acabada, porque não temos esses dados. Os espíritas devem se conformar com essa impotência momentânea: não alcançamos todas as variáveis de um fato como esse, para podermos oferecer uma explicação definitiva. Havia processos da lei de causa e efeito? Provavelmente sim. Houve falha humana, na segurança? Certamente sim. Qual o significado que essa tragédia terá? Cada pai, cada mãe, cada familiar, cada pessoa envolvida deverá achar o seu significado. Alguns talvez terão notícias de algum evento passado que terá desembocado nesse drama; outros extrairão dessa dor, um motivo de luta para mais segurança em locais de lazer; outros acharão novos valores e farão de seu sofrimento uma bandeira para ajudar outros que estejam no mesmo sofrimento e assim por diante.

Oremos por essas pessoas, ofereçamos nossas melhores vibrações para os que foram e para os que ficaram e ainda para os que se fizeram de alguma forma responsáveis por esse evento trágico. Mas tenhamos delicadeza ao tratar da dor do próximo! Não ofereçamos respostas fechadas, apressadas, categóricas, deterministas. Ofereçamos amor, respeito e àqueles que quiserem, um estudo aberto e não dogmático, da filosofia espírita.

(http://doraincontri.files.wordpress.com/2012/12/dora-blog.jpg?w=490&h=370)
Título: Re: Mortes coletivas, Santa Maria RS
Enviado por: Norizonte da Rosa em 10 de Fevereiro de 2013, 13:42
Olá Amigo.

Realmente, ainda que tenhamos possíveis explicações sobre o porquê do acontecido, talvez não seja o momento de 'de cara' fazermos qualquer afirmação, pois isto em vez de trazer algum conforto, poderia até agravar a fragilidade por que passam os familiares das vítimas. Não seria hora de falar em resgates, o que poderia sugerir que as vítimas passaram pelo que passaram por faltas passadas.

Que o entendimento venha com o tempo e que seja recebido com naturalidade para quem buscar resposta, mas não como uma sentença que mais machucaria que traria algum conforto.

Abraço.
Título: Re: Mortes coletivas, Santa Maria RS
Enviado por: Kazaoka em 10 de Fevereiro de 2013, 14:41
Entendo a necessidade de levar o conforto e consolo aos que foram vitimados pelas tragédias. E nos momentos agudos o conforto maior é através das ações diretas que minimizem os efeitos de cada catástrofe.

O ambiente do fórum é um ambiente de estudo e como tal deve ser aproveitado visando aquilo a que ele se propõe.
O objetivo aqui é estudar espiritismo.

Oremos pelos que sofreram as tragédias e as aproveitemos como objeto de estudo para a nossa melhor compreensão da natureza humana e os desígnios de Deus.
Título: Re: Mortes coletivas, Santa Maria RS
Enviado por: Mourarego em 10 de Fevereiro de 2013, 15:26
Um local onde aqueles que se acham movidos a fazerem preces conjuntas, que temos aqui no FE é o chat.
Sob o comando do meu mano Altino, após ao Estudo do ESE geralmente há uma parte em que se possa fazer uma espéie de pensamento coletivo.
Abraços,
Moura
Título: Re: Mortes coletivas, Santa Maria RS
Enviado por: edu em 10 de Fevereiro de 2013, 20:39
Olá a todos.
Moro a + ou - 170 km de Santa Maria. Fiz faculdade lá e visito a cidade nos fiins de semana.
Além do mais dentro da organização do movimento espírita no Rio Grande do Sul, Santa Maria é a sede da nossa região, é onde fazemos cursos, reuniões e capacitações.
O impacto na região foi enorme.
Da minha cidade houve 2 desencarnes e ainda temos 6 pessoas hospitalizadas.
Explicamos o fenômeno pela ótica das expiações coletivas e acho prematuras as conecções que temos visto por aí com relação a resgates de época do holocausto.
Prece e oração pelos feridos, desencarnados e seus familiares são de muita valia.
Um abraço
Eduardo Bastos
Título: Re: Mortes coletivas, Santa Maria RS
Enviado por: Dhi em 17 de Fevereiro de 2013, 22:54
infelizmente, mais pessoas morreram... as que estavam hospitalizadas, vidas lindas... pergunto, no momento da passagem existem espíritos que foram ao encontros desses jovens, para ampara-los? como retratou no filme NOSSO LAR
Título: Re: Mortes coletivas, Santa Maria RS
Enviado por: Mirina em 17 de Fevereiro de 2013, 23:03
Dhi,


a resposta é sim! Mas não só aqueles que trabalham no plano espiritual são pontos de luzes a ampará-los na passagem.  Voce, eu e todos os que à eles direcionam bons pensamentos, lembranças de momentos felizes e gratidão pela convivência que hajam tido com os que partiram, todos estes pensamentos, todas estas energias são luzes a iluminar o caminho deles nesta passagem!

A lembrança que devemos alimentar sempre, quando pessoas que nos são caras atravessam a morte em direção ao plano espiritual deve ser sempre de alegria, de luz e de gratidão, só assim poderemos realmente ajudá-los neste momento de transição.

Abraços de luz,

Mirina
Título: Re: Mortes coletivas, Santa Maria RS
Enviado por: Kazaoka em 17 de Fevereiro de 2013, 23:07
A apará-los estarão os Espíritos designados para esta tarefa e é uma obrigação destes, atendendo a todos de forma indistinta. Agora, com quem encontraremos, ai sim, serão aqueles com quem temos afinidades, e este "afinar" está no campo do sentimento que nutrimos intimamente. Isso quer dizer que a afinidade pode ser com os bons como pode, também, ser com maus Espíritos, ficando na dependência daquilo que verdadeiramente cultivamos espiritualmente. 
Título: Re: Mortes coletivas, Santa Maria RS
Enviado por: Mourarego em 18 de Fevereiro de 2013, 13:30
Amiga Dhi,
Nosso Lar é um romance, aliás muito fantasioso.
Sobre se existem Espíritos que foram amparar aos que morreram, tanto lá quando no tsunami, claro que houve, são aqueles que nos amaram, e que podiam assim fazer.
Não basta só que nos amem, mas sim e também que estejam emcondições para fazê-lo.
abraços,
Moura
infelizmente, mais pessoas morreram... as que estavam hospitalizadas, vidas lindas... pergunto, no momento da passagem existem espíritos que foram ao encontros desses jovens, para ampara-los? como retratou no filme NOSSO LAR
Título: Re: Mortes coletivas, Santa Maria RS
Enviado por: Carol Guimarães em 08 de Março de 2013, 19:55
Texto muito bem escrito e explanado.
Sei que como sempre acontece, nestes casos de acidentes de repercussão pela mídia, muitos grupos mediúnicos recebem informações sobre os casos. Como Kardec sempre alertou em suas codificações "uma só garantia séria existe para o ensino dos Espíritos (as manifestações mediúnicas de toda forma que buscam transmitir um conhecimento): a concordância que haja entre as revelações que eles façam espontaneamente, servindo-se de grande número de médiuns estranhos uns aos outros e em vários lugares". Ele explica que médiuns que se conhecem, acima como médiuns que atuam num mesmo lugar, podem estar sob um influência particular que altera o sentido verdadeiro do conteúdo the transmissão.

Falando disso, relato o que nos foi transmitido, no grupo Caibar Schutel the Comunhão Espírita de Brasília no dia 27 de fevereiro de 2013 (um mês após o caso de Santa Maria) após ter lido psicografia alheia de outro centro que confirma o conteúdo transmitido ao nosso grupo:

"O nosso grupo é grande. Nós não sofremos, nós não vimos nada! Era o momento!

E eu quero rogar que orem por nossas famílias, nossos pais, nossos familiares, porque nosso sofrimento tá grande em função do sofrimento deles. É como se a gente andasse e voltasse pelo desespero, pela dor, pela revolta.

Na Terra, tem a justiça, seja feita, mas nós não precisamos disso.

Nós somos espíritos hoje, como nos disseram, livres. E nós precisamos caminhar.

E para terminar de cumprir a missão que nos foi designada.

Não é só eu, nós somos muitos e estamos em grupos diferentes, eu não sei ainda a razão.

Mas nós precisamos desse apoio, dessa prece e dessa ajuda.

A separação é difícil pra todos e não seria diferente pra nós, por mais que tivesse programado.

Eu, em meu nome e no nome de todos aqui presentes, agradecemos toda prece, toda luz e toda energia que nos for dada."