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GERAL => O que é o espiritismo => Lei de Causa e Efeito => Tópico iniciado por: dOM JORGE em 08 de Julho de 2018, 22:22

Título: Morrer não soluciona os problemas
Enviado por: dOM JORGE em 08 de Julho de 2018, 22:22
                                                              VIVA JESUS!




             Boa-noite! queridos irmãos.




                   
 
Morrer não soluciona os problemas




No Brasil e também nos Estados Unidos, é entre os jovens que tem sido registrada, nos dias em que vivemos, a maior expansão no número de suicídios. A principal revista semanal de nosso país dedicou em sua edição de 20 de junho uma extensa reportagem sobre o tema. Segundo a matéria, a decisão de pôr fim à própria vida já é a quarta causa mais frequente de morte entre os jovens.

É evidente que ocorrências suicidas são coisas antigas em nosso mundo. Mas atingiam, em maior número, indivíduos adultos, um dado que, como vemos, tem sofrido significativa mudança.

Várias obras espíritas têm tratado do assunto, que foi igualmente objeto de estudo por parte de Allan Kardec, como mostramos recentemente no editorial publicado na edição 566 desta revista, que o leitor pode reverclicando aqui.

No livro Astronautas do Além, fruto de uma parceria entre Chico Xavier e J. Herculano Pires, o tema foi focalizado no capítulo 3, que teve origem em um bilhete escrito por um amigo de Cornélio Pires, o qual solicitou a opinião do conhecido poeta a respeito do suicídio.

Na reunião pública em que Cornélio atendeu ao pedido do amigo, feita a prece inicial, caiu para estudo a questão 943 d’O Livro dos Espíritos: - De onde vem o desgosto pela vida que, sem motivos plausíveis, se apodera de alguns indivíduos? “Efeito da ociosidade, da falta de fé e geralmente do fastio”, responderam os Espíritos.

Cornélio Pires, respondendo à consulta, escreveu então, pelas mãos de Chico Xavier, o poema Suicídio, formado por oito quadras, nas quais diz que não devemos pensar em suicídio nem mesmo por brincadeira, porquanto um ato desses resulta na dor de uma vida inteira. Em seguida, narrou de forma sintética o drama de seis suicidas e as respectivas consequências. Quim afogou-se num poço e renasceu atolado no enfisema. Dilermanda matou-se com um tiro e agora não fala, não vê, não anda. Dona Cesária da Estiva pôs fogo nas próprias vestes e retornou num corpo que é chaga viva. Maricota da Trindade suicidou-se ingerindo formicida e voltou, morrendo de um câncer aos quatro meses de idade. Columbano enforcou-se e hoje é paraplégico. Dona Lília Dagele queimou-se com gasolina e agora sofre sarna que lembra fogo na pele.

Após o relato, Cornélio fechou o poema com um admirável conselho:

Tolera com paciência

Qualquer problema ou pesar;

Não adianta morrer,

Adianta é se melhorar.

No comentário que escreveu acerca da mesma questão e seus efeitos, Herculano Pires lembra-nos que não é Deus quem castiga o suicida, pois é o próprio indivíduo que castiga a si mesmo, incurso pelo seu procedimento nas consequências da lei de causa e efeito.

Ninguém – diz Herculano – é levado na corrente da vida pela força exclusiva das circunstâncias. Além de deter em si a faculdade do livre-arbítrio, para poder controlar-se e dirigir-se, o homem está sempre amparado pelas forças espirituais que governam o fluxo das coisas. Daí a recomendação de Jesus: “Orai e vigiai”.

“A vida material – acrescenta Herculano – é um exercício para o desenvolvimento dos poderes do Espírito. Quem abandona o exercício por vontade própria está renunciando ao seu desenvolvimento e sofre as consequências naturais dessa opção negativa.” “Nova oportunidade lhe será concedida, mas já então ao peso do fracasso anterior.”

Tolerar as dificuldades e os pesares, eis, portanto, uma sábia atitude, porque buscar a morte não soluciona problema algum, apenas o agrava.


        Editorial-O Consolador









                                                                                                    PAZ, MUITA PAZ!                                                             
Título: Re: Morrer não soluciona os problemas
Enviado por: dOM JORGE em 02 de Agosto de 2018, 20:56
                                                              VIVA JESUS!




              Boa-tarde! queridos irmãos.




                    O Estranho Mundo dos Suicidas


 

Frequentemente somos procurados por iniciantes do Espiritismo, para
explicações sobre este ou aquele ponto da Doutrina. Tantas são as perguntas, e
tão variadas, que nos chegam, até mesmo através de cartas, que chegamos à
conclusão de que a dúvida e a desorientação que lavram entre os aprendizes da
Terceira Revelação partem do fato de eles ainda não terem percebido que, para
nos apossarmos dos seus legítimos ensinamentos, havemos de estabelecer um estudo
metódico, parcelado, partindo da base da Doutrina, ou exposição das leis, e não
do coroamento, exatamente como o aluno de uma escola iniciará o curso da
primeira série e não da quarta ou da quinta.

Desconhecendo a longa série dos clássicos que expuseram as leis
transcendentes em que se firmam os valores da mesma Doutrina, não somente nos
veremos contornados pela confusão, impossibilitados de um sadio discernimento
sobre o assunto, como também o sofisma, tão perigoso em assuntos de Espiritismo,
virá em nosso encalço, pois não saberemos raciocinar devidamente, uma vez que só
a exposição das leis da Doutrina nos habilitará ao verdadeiro raciocínio.

Procuraremos responder a uma dessas perguntas, de vez que nos chegou através
de uma carta, pergunta que nos afligiu profundamente, visto que fere assunto
melindroso, dos mais graves que a Doutrina Espírita costuma examinar. A dita
pergunta veio acompanhada de interpretações sofismadas, próprias daquele que
ainda não se deu ao trabalho de investigar o assunto para deduzir com a
segurança da lógica. Pergunta o missivista:

– Um suicida por motivos nobres sofre os mesmos tormentos que os demais
suicidas? Não haverá para ele uma misericórdia especial?

E então respondemos:

– De tudo quanto, até hoje, temos estudado, aprendido e observado em torno do
suicídio à luz da Doutrina Espírita, nada, absolutamente, nos tem conferido o
direito de crer que existam motivos nobres para justificar o suicídio perante as
leis de Deus. O que sabemos é que o suicídio é infração às leis de Deus,
considerada das mais graves que o ser humano poderia praticar ante o seu
Criador. Os próprios Espíritos de suicidas são unânimes em declarar a
intensidade dos sofrimentos que experimentam, a amargura da situação em que se
agitam, conseqüentes do seu impensado ato. Muitos deles, como o grande escritor
Camilo Castelo Branco, que advertiu os homens em termos veementes, em memorável
comunicação concedida ao antigo médium Fernando de Lacerda, afirmam que a fome,
a desilusão, a pobreza, a desonra, a doença, a cegueira, qualquer situação, por
mais angustiosa que seja,, sobre a Terra, ainda seria excelente condição
“comparada ao que de melhor se possa atingir pelos desvios do suicídio”.

Durante nosso longo tirocínio mediúnico, temos tratado com numerosos
Espíritos de suicidas, e todos eles se revelam e se confessam superlativamente
desgraçados no Além-Túmulo, lamentando o momento em que sucumbiram. Certamente
que não haverá regra geral para a situação dos suicidas. A situação de um
desencarnado, como também de um suicida, dependerá até mesmo do gênero de vida
que ele levou na Terra, do seu caráter pessoal, das ações praticadas antes de
morrer.

Num suicídio violento como, por exemplo, os ocasionados sob as rodas de um
trem de ferro, ou outro qualquer veículo, por uma queda de grande altura, pelo
fogo, etc., necessariamente haverá traumatismo perispiritual e mental muito mais
intenso e doloroso que nos demais. Mas a terrível situação de todos eles se
estenderá por uma rede de complexos desorientadores, implicando novas
reencarnações que poderão produzir até mesmo enfermidades insolúveis, como a
paralisia e a epilepsia, descontroles do sistema nervoso, retardamento mental,
etc. Um tiro no ouvido, por exemplo, segundo informações dos próprios Espíritos
de suicidas, em alguns casos poderá arrastar à surdez em encarnação posterior;
no coração, arrastará a enfermidades indefiníveis no próprio órgão, conseqÜência
essa que infelicitará toda uma existência, atormentando-a por indisposições e
desequilíbrios insolúveis.

Entretanto, tais conseqüências não decorrerão como castigo enviado por Deus
ao infrator, mas como efeito natural de uma causa desarmonizada com as leis da
vida e da morte, lei da Criação, portanto. E todo esse acervo de males será da
inteira responsabilidade do próprio suicida. Não era esse o seu destino,
previsto pelas leis divinas. Mas ele próprio o fabricou, tal como se apresenta,
com a infração àquelas leis. E assim sendo, tratando-se, tais sofrimentos, do
efeito natural de uma causa desarmonizada com leis invariáveis, qualquer suicida
há de suportar os mesmos efeitos, ao passo que estes seguirão seu próprio curso
até que causas reacionárias posteriores os anulem.

No caso proposto pelo nosso missivista, poderemos raciocinar, dentro dos
ensinamentos revelados pelos Espíritos, que o suicida poderia ser sincero ao
supor que seu suicídio se efetivasse por um motivo nobre. Os duelos também são
realizados por motivos que os homens supõem honrosos e nobres, assim como as
guerras, e ambos são infrações gravíssimas perante as leis divinas. O que um
suicida suporia motivo honroso ou nobre, poderia, em verdade, mais não ser do
que falso conceito, sofisma, a que se adaptou, resultado dos preconceitos
acatados pelos homens como princípios inabaláveis.

A honra espiritual se estriba em pontos bem diversos, porque nos induzirá,
acima de tudo, ao respeito das mesmas leis. Mas, sendo o suicida sincero no
julgar que motivos honrosos o impeliram ao fato, certamente haverá atenuantes,
mas não justificativa ou isenção de responsabilidades. Se assim não fosse, o
raciocínio indica que haveria derrogação das próprias leis de harmonia da
Criação, o que não se poderá admitir.

Quanto à misericórdia a que esse infrator teria direito como filho de Deus,
não se trataria, certamente, de uma “misericórdia especial”. A misericórdia de
Deus se estende tanto sobre esse suicida como sobre os demais, sem predileções
nem protecionismo. Ela se revela no concurso desvelado dos bons Espíritos, que
auxiliarão o soerguimento do culpado para a devida reabilitação, infundindo-lhe
ânimo e esperança e cercando-o de toda a caridade possível, inclusive com a
prece, exatamente como na Terra agimos com os doentes e sofredores a quem
socorremos. Estará também na possibilidade de o suicida se reabilitar para si
próprio, através de reencarnações futuras, para as duas sociedades, terrena e
invisível; as quais escandalizou com o seu gesto, e para as leis de Deus, sem se
perder irremissivelmente na condenação espiritual.

De qualquer forma, com atenuantes ou agravantes, o de que nenhum suicida se
isentará é da reparação do ato que praticou com o desrespeito às leis da
Criação, e uma nova existência o aguardará, certamente em condições mais
precárias do que aquela que destruiu, a si mesmo provando a honra espiritual que
infringira.

O suicídio é rodeado de complexos e sutilezas imprevisíveis, contornado por
situações e conseqüências delicadíssimas, que variam de grau e intensidade
diante das circunstâncias. As leis de Deus são profundas e sábias, requerendo de
nós outros o máximo equilíbrio para estudá-las e aprendê-las sem alterá-las com
os nossos gostos e paixões.

Assim sendo, que fique bem esclarecido que nenhum motivo neste mundo será
bastante honroso para justificar o suicídio diante das leis de Deus. O suicida é
que poderá ser sincero ao supor tal coisa, daí advindo então atenuantes a seu
favor. O melhor mesmo é seguirmos os conselhos dos próprios suicidas que se
comunicam com os médiuns: – Que os homens suportem todos os males que lhes
advenham da Terra, que suportem fome, desilusões, desonra, doenças, desgraças
sob qualquer aspecto, tudo quanto o mundo apresente como sofrimento e martírio,
porque tudo isso ainda será preferível ao que de melhor se possa atingir pelos
desvios do suicídio. E eles, os Espíritos dos suicidas, são, realmente, os mais
credenciados para tratar do assunto.

Revista Reformador de março de 1964









                                                                                                     PAZ, MUITA PAZ!
Título: Re: Morrer não soluciona os problemas
Enviado por: dOM JORGE em 18 de Agosto de 2018, 16:48
                                                              VIVA JESUS!





             Boa-tarde! queridos irmãos.




                    Jovens suicidas




Entre as mais aflitivas causas das mazelas humanas está o suicídio, que, lamentavelmente, continua produzindo crescente número de vítimas. De modo geral, o virtual suicida é um indivíduo que não sabe lidar adequadamente com as adversidades e dificuldades existenciais. Ocorre que problemas, contrariedades e reveses permeiam as nossas vidas em maior ou menor intensidade. Por outro lado, é preciso entender – gostemos ou não – que eles são fundamentais à nossa evolução. Por meio deles, aliás, temos a oportunidade – quando usamos a energia benfazeja do otimismo e da perseverança – de arregimentar as poderosas forças latentes da alma, do intelecto e dos sentimentos com vistas à autossuperação. 

Apesar desses recursos potenciais, considerável contingente de pessoas prefere a via mais “fácil”, esperando aliviar, assim, o peso dos problemas. Com efeito, uma reportagem recente da revista Veja descreveu um quadro desolador nesse particular que merece reflexão. Celebridades e pessoas comuns continuam a dar cabo das suas vidas movidas, não raro, por razões fúteis. Às vezes, pessoas muito bem situadas na sociedade não conseguem vencer as crises que palmilham, por sinal, a existência de todos nós. Outros tantos, simplesmente vencidos pela drogadição ou álcool, tomam o mesmo caminho aziago. Mal sabem que, do lado de lá, continuarão a ser perturbados pelos pensamentos malsãos substancialmente agravados pelas consequências da ação radical. 

Dados revelados pela referida reportagem indicam a alarmante estatística de que 800.000 pessoas se suicidam por ano no planeta (uma a cada quarenta segundos). Os jovens têm apresentado taxas ainda mais preocupantes. Para exemplificar, nos Estados Unidos, indivíduos na faixa etária de 15 a 24 anos apresentaram 20% de crescimento no número de suicídios no período de 2011 e 2016. De maneira semelhante, a tendência no Brasil não é nada auspiciosa, considerando igual aumento no mesmo intervalo na faixa entre 15 a 19 anos. A propósito, vale frisar que aqui o suicídio ocupa a quarta posição na causa de mortes especificamente nesse grupo.

As estatísticas são ainda mais estarrecedoras em países como Japão e Coreia do Sul, onde o suicídio é a principal causa entre meninos e meninas e reside aí um terrível paradoxo. Afinal, as mesmas sociedades que exigem elevadíssimo grau de disciplina, obediência e dedicação dos jovens se omitem diante do suicídio daqueles que não se ajustam a esse rígido e inflexível padrão ou que simplesmente não se saem bem. Em outras palavras, tais sociedades, em que pese o seu alto nível de desenvolvimento educacional e tecnológico, não conseguem preparar os seus jovens membros para os eventuais fracassos da vida. Por isso, falta a esse grupo uma noção mínima do elemento espiritual, da encarnação, das provas e expiações inerentes aos indivíduos em jornada pela dimensão material.

Desse modo, jovens cercados de todos os cuidados e desejos não recebem, surpreendentemente, a devida atenção para os seus dramas interiores. Os pais modernos, normalmente muito ocupados com as suas carreiras e interesses, não conseguem divisar as anomalias que jazem na alma dos seus filhos. Além disso, a deficiente percepção de muitos jovens acerca da vida e tudo que ela envolve torna-os vítimas desse ato extremo. Como observam os especialistas, melancolia e depressão são também fortes instigadores do suicídio. É preciso também reconhecer que o jovem contemporâneo está sob forte pressão existencial. As incertezas hodiernas atingem-lhes vigorosamente o ânimo. Profissões estão ficando obsoletas de um momento para o outro devido ao passo tecnológico. Em decorrência disso, todo esforço pessoal e dedicação de um jovem para obter uma profissão pode ser em vão. Faltam-lhes, muitas vezes, perspectivas concretas de desenvolvimento profissional, emancipação financeira e avanço social.

Posto isto, o Espiritismo tem muito a oferecer às criaturas que passam por esses dramas, desde que busquem por algo mais sólido. Nesse sentido, é pertinente recordar que Allan Kardec escreveu n’O Evangelho segundo o Espiritismo que a doutrina: “[...] Apresenta-nos os próprios suicidas a informar-nos da situação desgraçada em que se encontram e a provar que ninguém viola impunemente a Lei de Deus, que proíbe ao homem encurtar a sua vida. Entre os suicidas, alguns há cujos sofrimentos, nem por serem temporários e não eternos, não são menos terríveis e de natureza a fazer refletir os que porventura pensam em daqui sair, antes que Deus o haja ordenado”.

Kardec ainda observou que: “[...] O espírita tem, assim, vários motivos a contrapor à ideia do suicídio: a certeza de uma vida futura, em que, sabe-o ele, será tanto mais ditoso, quanto mais inditoso e resignado haja sido na Terra; a certeza de que, abreviando seus dias, chega, precisamente, a resultado oposto ao que esperava; que se liberta de um mal, para incorrer num mal pior, mais longo e mais terrível; que se engana, imaginando que, com o matar-se, vai mais depressa para o céu; que o suicídio é um obstáculo a que no outro mundo ele se reúna aos que foram objeto de suas afeições e aos quais esperava encontrar; donde a consequência de que o suicídio, só lhe trazendo decepções, é contrário aos seus próprios interesses. [...]”.

Entretanto, cumpre lembrar que o Espiritismo não é a bússola seguida pela maioria das criaturas. Poucos realmente mergulham no sagrado dever de esclarecer o próprio Espírito bebendo nas fontes da sabedoria universal. É mais fácil, assim, ligar-se às coisas mundanas e fúteis que atropelam a razão e o bom senso do que encarar as próprias fraquezas. O Espiritismo oferece ferramentas e orientações confiáveis às almas envolvidas em conflito íntimo, mas não se sobrepõe ao livre-arbítrio de ninguém.


             Anselmo Ferreira Vasconcelos









                                                                                                     PAZ, MUITA PAZ!