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GERAL => O que é o espiritismo => Lei de Causa e Efeito => Tópico iniciado por: Victor Passos em 24 de Fevereiro de 2009, 17:10

Título: AS CONQUISTAS ESPIRITUAIS DO NOVO HOMEM DO FUTURO
Enviado por: Victor Passos em 24 de Fevereiro de 2009, 17:10
AS CONQUISTAS ESPIRITUAIS DO NOVO HOMEM DO FUTURO

Os conceitos expostos neste volume correspondem a uma nova forma mental, a do adulto, enquanto a precedente era infantil. O homem hoje está superando esta fase para chegar àquela. Ele atravessa uma crise de desenvolvimento, que o conduzirá a um nível evolutivo mais alto.
No passado, o homem era movido sobretudo pelos instintos e a inteligência era usada para satisfazê-los. No velho estilo, a religião, a fé, a moral, instituições e toda a organização social implicitamente permitiam a obtenção de tal fim, embora isso fosse um inocente produto do inconsciente de um primitivo, que ainda não tem consciência da justiça ou da moralidade de sua conduta. Assim, tudo se explica e justifica, mas se compreende hoje a sua falsidade porque já foi superada aquela fase de evolução; o velho mundo desaba e se procura viver de modo diferente. Ser criança e comportar-se como tal não é culpa enquanto se é criança, porque não pode ser de outro modo. A infância é uma fase necessária na evolução dos indivíduos, dos povos e da humanidade.
Hoje, porém, se começa a entrar na fase da maturidade, pela qual se verifica uma mudança de forma mental e de relativa conduta. Quando essa transformação tiver conquistado a maioria, o homem do velho estilo, que antigamente constituía a normalidade, será julgado um subdesenvolvido e a sua conduta será reprovada. A grande diferença entre os dois estilos de vida consiste no fato de que no novo, a inteligência não é usada a serviço dos instintos, mas com a finalidade de compreensão. A parte melhor, a que está à  frente da evolução, de serva passa a senhora, de dependente dos impulsos do inconsciente a dirigente deles. Quando o homem não tinha ainda conhecimento nem consciência para autodirigir-se, não havia outro sistema para fazê-lo funcionar segundo os fins da Lei, se não que ela o dirigisse por meio de impulsos instintivos como um autômato. Vejamos como ocorre a transformação.
Começar hoje a usar a inteligência para compreender a Lei que tudo dirige, em vez de usá-la para satisfação dos próprios instintos significa entender o pensamento dessa Lei, conhecer as suas diretivas e poder colaborar livre e responsavelmente com elas, em lugar de tolerá-las cegamente. Com este passo adiante, a posição do indivíduo diante da vida muda completamente.
As conseqüências de tal mudança de forma mental e da conduta que se lhe segue são importantes. O homem se torna consciente da presença do pensamento diretivo da existência, compreende a técnica do funcionamento de tudo, pode, portanto, inserir-se nele, harmonicamente, dirigindo-se para os fins aos quais tende, sem os erros e as dores que acompanham o processo. Em lugar de ser dirigido sem saber, o homem pode dirigir a sua vida, sabendo. Em vez de receber inconscientemente a orientação das forças da Lei, ele pode conscientemente funcionar paralelamente com elas, permanecendo de forma espontânea na ordem ao invés de ser a isso obrigado pelas sanções corretivas. Quando se conhece a técnica funcional da Lei, estando-se de acordo com ela, secundando os seus movimento, se pode avançar ajudados pela corrente em que se navega, em vez de ser dificultados pelo impulso contrário. Então a própria vontade não é anti-Lei, mas está de acordo com a Lei; e o próprio eu não é mais isolado, rebelde, repelido, mas se torna um elemento do grande organismo universal dirigido pelo pensamento de Deus. Em vez de evoluir à força, chicoteados pela Lei que quer que se avance, se sobe, levantados por sua corrente ascensional na qual somos inseridos.
Eis as vantagens da nova posição mais avançada de adultos à qual conduz a atual maturação evolutiva. Esta começou com a ciência moderna. As religiões representam, ao contrario, a fase infantil da humanidade. Mas elas são úteis no seu tempo, justificadas pelo fato de constituírem um degrau necessário para chegarem, ela também, à fase adulta, em que fundirão com a ciência. Esta, como movimento de vanguarda, arrastará consigo mesmo as posições mais atrasadas, elevando-as ao seu nível, em que viverá o novo homem adulto.
A ciência exige um desenvolvimento mental que as religiões não exigem e de que até mesmo, podem prescindir. O choque entre a ciência e a fé é devido a distancia que há entre as suas formas psicológicas, situadas nos antípodas como duas posições, uma mais avançada e a outra menos, em relação à fase evolutiva hoje percorrida pelo homem. É por isso que a ciência se fez materialista e atéia, em oposição à religião, e freqüentemente no último século elas se guerrearam mutuamente, sem compreender a razão do seu antagonismo, que é o de distancia e oposição de posições ao longo do caminho da evolução. Prova-o o fato de que a religião está morrendo na sua velha forma e a ciência está triunfando pronta a arrastar consigo para frente a religião, tão logo o permita a maturação mental do homem.
Para o adulto tais antagonismos desaparecem, a religião se torna cientifica e a ciência se torna religião. O antagonismo se encontra só na mente do involuído que não compreendeu o fenômeno. Por sua natureza, a ciência não pode ser atéia. Como poderia sê-lo se a ciência perscruta continuamente o funcionamento de todos os fenômenos? Ninguém mais do que o homem de ciência pode sentir a presença de Deus no material que estuda. O ateísmo da ciência, hoje bem diferente, não é uma negação de Deus , mas é apenas negação do Deus de tipo antropomórfico, que as religiões construíram para uso das massas atrasadas, que exigiam uma tal imagem porque dela necessitavam para seu próprio uso e consumo. É natural que a forma mental da ciência, racional e positiva, repelisse tal imagem. Por isso, quem não a aceitou, foi declarado ateu, já que essa imagem representava o próprio Deus.
A ciência não é contra o espírito e Deus. Ela só não pode aceitar os produtos de uma forma mental de sonho, e as relativas e instintivas construções fideísticas não fundadas na realidade. Bastará dar tempo à evolução, a fim de que as massas atinjam um nível mais alto e o antagonismo entre a ciência e a fé desaparecerá. A ciência não é contra a religião, mas somente contra a forma mental infantil que ela usava nas suas concepções.


Assim nos explica a atual crise religiosa que, na verdade, é problema de forma mental, e não de religião. Não se aceitavam mais os produtos das formas mentais do passado e a religião está entre elas. A religião está se transformando, morrendo na sua forma antiga para assumir outra nova, mais próxima da ciência. De fato, apenas aparece a cultura, desaparecem o fanatismo e a superstição. Não se trata de uma religião ou de outra, mas da velha forma mental que desaparece em todas as religiões. A atual crise das religiões não é senão um caso particular de uma crise universal de valores. Agora é inútil agarrar-se ao velho. O homem começa a raciocinar de modo diverso em todos os campos, inclusive no religioso. Do mesmo modo que com a chegada dos novos tempos não teremos o fim do mundo mas o fim do velho, para nascer um novo, assim o fim do velho modo de conceber a religião faz nascer um novo.
Este fenômeno, que hoje é natural, porque hoje vivemos numa fase ativa de transformismo, era inconcebível quando se vivia em posição estática. Foi assim que se acreditou que a verdade fosse imutável e eterna. Mas depois se via que, não obstante tais afirmações, ela mudava. Até que isso ocorresse, porém, não se podia compreender que a verdade é relativa, e está em evolução, entendimento já alcançado hoje, porque a vida nos mostrou esta posição diferente. Assim é explicável a surpresa de quem agora ainda pensa com a velha forma mental. Trata-se não da clássica luta entre religiões ou contra uma heresia, ficando no mesmo nível mental, mas de uma passagem para outro nível, razão pela qual, sem ataques destrutivos, o velho cai por si, abandonado pela vida às margens do caminho da evolução. Está acabando o espírito anti-religioso de outrora entre grupos guiados pela mesma forma mental. Esta transforma-se em todos, assemelhando-os no mesmo modo de pensar, muito diverso do que foi no passado. Hoje as diferenças e antagonismos percebidos não acontecem entre os diversos métodos e verdades de planos e tempos diversos, isto é, entre aqueles que opunham ciência e religião e aqueles para os quais a religião se torna ciência e a ciência religião.
Somente hoje se compreende que o velho estilo de vida estava errado. Mas para chegar a isso era preciso tornar-se adultos. Não se pode compreender os erros das crianças senão quando nos tornamos diferentes delas, apartando-nos da velha forma mental para adquirir uma outra. Enquanto o homem permanecer criança, ele acha justa a sua conduta infantil. Para dar-se conta de um erro, é preciso experimentar-lhe as conseqüências. Enquanto  isso não ocorre, tudo vai bem, porque os resultados são favoráveis e não perturbam. Antigamente bastava que se tivesse uma boa fachada, sem se importar com o que estava atrás. E por muito tempo esse sistema andou bem e ninguém o acusou de hipocrisia. Se hoje não se houvesse compreendido os danosos efeitos daquele sistema, ninguém pensaria em corrigi-lo, e estaríamos ainda satisfeitos com as velhas posições.
Isso não quer dizer que a fé, sustentáculo da religião, deva acabar. Se existiu, significa que tem uma função, que deve ser reconhecida, porém situada no lugar que lhe cabe. A ciência, com a mente racional e objetiva, desempenha a função de indagar para compreender e depois aplicar com a técnica as suas descobertas, utilizando-as para a vida. A fé, como o sentimento e a intuição, desempenha a função de revelar realidades espirituais inacessíveis à razão, lançando pontes para o futuro da evolução. São pois funções distintas, as da ciência e da fé, mas complementares. O conflito nasce quando uma quer substituir a outra, invadindo o seu campo: isto é, quando a fé quer eliminar o trabalho da razão, impondo mistérios e a ciência procura paralisar o trabalho da fé, suprimindo suas intuições. A função de ambas é, no entanto, a de colaborar, ajudando-se mutuamente para o mesmo fim, que é o de avançar no mesmo caminho.
A passagem da fase infantil à posição de adulto leva a um modo de perceber e comportar-se diferente. O método do passado, de luta entre as religiões rivais, se substitui o da compreensão  e colaboração. A maturação evolutiva leva à criação de uma imagem diferente de Deus. A vida deixa que o homem crie aquilo que mais lhe convém para progredir. Um Deus constituído por um pensamento abstrato, que é lei diretora do funcionamento universal, era um conceito inimaginável para o primitivo do passado, conceito, pois, que não servia à vida. É assim que esta permitiu que se imaginasse para seu uso um Deus antropomórfico  mas acessível, um Deus que satisfizesse à sua forma mental. Mas é assim que hoje, por idênticas razões, já se pode passar a um outro conceito de Deus, aceitável para o homem da ciência moderna. Quando as velhas representações da verdade não convém mais à vida, esta as abandona e as substitui por outras, mesmo se as aceitou no passado, quando lhe convinham. Isso não impede que ainda possam servir aos povos e indivíduo subdesenvolvidos aquelas velhas representações que os mais evoluídos já superaram. Tudo, pois, está certo, porque cumpre a sua função a seu tempo e em seu lugar.
A essa progressão de sucessivas representações se deve o ter-se podido obter uma sempre mais verdadeira concepção da divindade. É preciso também reconhecer que a presença de uma fase inferior precedente é necessária, para poder superá-la. É o que ocorre hoje. Encontramo-nos, de fato, num período de passagem do velho ao novo. O primeiro é feito de fé e sonho (fase mitológica, infantil); o segundo é feito de razão e realização (fase científica, adulta). O primeiro poder-se-ia assemelhar à intuição dos poetas, aos contos de ficção cientifica; o segundo, à técnica realizadora das descobertas dos cientistas. O primeiro é fantasia que antecipa, mas sonhando (Julio Verne descreve a viagem à lua). O segundo é ciência que concretiza o sonho (os primeiros astronautas desceram na lua em 20 de junho de 1969).
Para conhecer qual poderá ser a nova religião do futuro, podemos estabelecer as seguintes proporções:
Os romances de ficção cientifica preludiam  a positiva realização da técnica cientifica, assim como a fé na mitologia religiosa antecipa a positiva religião cientifica do porvir.
Por analogia, da primeira parte da proporção,, isto é, do conhecimento dos dois primeiros termos e suas relações, se pode deduzir o valor da incógnita, que é o quarto termo. Este não contradiz o terceiro, mas confirma-o, uma vez que é constituído pelo seu desenvolvimento. Assim, o novo tipo de religião não destrói o velho, mas continua levando-o mais adiante.
Chegado a esse novo nível, o homem atingirá uma compreensão  que hoje ainda não tem. Deslocar-se-á o plano de seu conhecimento, ele se tornará consciente do funcionamento universal e de sua posição nele. Compreenderá, com forma mental positiva, que a desordem do caos do AS em que está situado, é apenas aparente e de superfície. Ele descobrirá que, na fenomenologia universal, há uma íntima realidade, constituída pela presença do S na profundidade do AS, isto é, da presença de uma ordem perfeita e inviolável à qual a desordem do AS está sujeita, ordem que enquadra e disciplina aquela desordem, dominando-a.
Então o mal que reina no AS constitui apenas uma posição periférica do ser, ao passo que a sua posição central é constituída pelo S, o que significa um núcleo vital que é o oposto do mal, isto é, o bem. Se assim não fosse, o AS, com o seu negativismo, já teria sido destruído há tempo. Eis que, no centro desse negativismo, há o positivismo do S. Isso significa que, dentro desse invólucro de mal, há o positivismo do S. Isso significa que, dentro deste invólucro de mal, dores, ignorância, morte, trevas etc., há um centro feito de bem, felicidade, conhecimento, luz, vida etc. Não fomos separados dos mananciais da existência, eles continuam a irradiar-nos, através da cortina da negatividade do AS e podem alcançar-nos, mas na medida em que permite a transparência de nossa atmosfera, que se faz cada vez mais sutil, quanto mais evoluímos subindo para o centro S.
Este atrai e tudo o que existe movimenta-se em sua direção. A atração determina o movimento evolutivo de retorno e o canaliza para o centro S. Em outras palavras, a grande esperança é esta via de salvação, dada pela presença do Deus imanente que realiza esse prodígio, que é o fenômeno da evolução, com funções universais curadoras de todo o mal e negatividade que existe no AS. Eis que neste subsiste a presença de um fundamental impulso sadio, que irradia vida e saúde no organismo enfermo para curá-lo. A grande descoberta do homem já adulto consistirá em adquirir consciência da presença do S no fundo do AS, isto é, da primeira fonte do existir. Então a ciência compreenderá a Lei e terá encontrado Deus.
Os astronautas russos se gabaram de não ter encontrado Deus no céu, onde se diz que Ele está. Pensavam talvez em encontrar um Deus com imagem humana? Mas eles encontraram leis, leis e leis, que revelam a presença de um pensamento sábio e expressas por uma vontade de ferro, às quais prestaram obediência. Isto é Deus. Eles O tocaram e não O viram.


Continua
Título: Re: AS CONQUISTAS ESPIRITUAIS DO NOVO HOMEM DO FUTURO
Enviado por: Victor Passos em 24 de Fevereiro de 2009, 17:10
continuação

É que Deus não pode ser procurado no exterior, fora do ser, mas no seu íntimo, no interior das coisas, dos fenômenos, da ciência, de nós mesmos. Esta afirmação é confirmada pela existência destes fatos concomitantes e já explicados por nós: a evolução vai do AS ao S; o sistema está no interior do AS; então a evolução procede para o interior, onde está o S; este é de natureza espiritual; a evolução leva à espiritualidade. Assim se explica por que a evolução consiste num desenvolvimento nervoso, cerebral, mental. Deus que é pensamento, está e deve ser procurado no íntimo do ser.
Assim a evolução é um despertar de qualidades espirituais, é uma reconstrução da parte interior do ser, a decaída e pertencente ao S. A evolução consiste, antes de tudo, naquele despertar e naquela reconstrução, isto é, no desenvolvimento psíquico da personalidade.  Só como conseqüência do desenvolvimento psíquico a evolução cuidará do desenvolvimento do organismo, que é apenas um instrumento de manifestação e experimentação dessa personalidade. É assim que, em substância a evolução consiste numa espiritualização do ser, entendido como desenvolvimento psíquico. Conceituemos aqui a espiritualidade “latu sensu”, como faculdade de pensar e compreender pela aquisição de conhecimento e é neste sentido que a ciência conquista seu espaço.
Assim se explica por que o homem deva procurar Deus dentro de si mesmo, mas se explica também por que ele O procura fora. Trata-se de um comportamento próprio do AS; é, pois, natural que isso seja feito de modo invertido, centrífugo e enfermo. Justamente porque o não invertido, são e centrípeto, está dirigido para o S do qual não procura fugir. Por essa razão sabemos agora qual a postura correta que se deveria assumir. Mas é natural que o homem comporte-se justamente de modo contrário, porque ele está mergulhado no AS e não pode senão seguir-lhe os métodos.
Tal posição dos elementos do fenômeno leva também a uma outra conseqüência. Da presença do S no centro do AS, isto é, do Deus imanente em nosso universo, conclui-se que tudo, no seu íntimo profundo, isto é, nas suas raízes que estão no nível do S, é perfeito, ainda que essa perfeição  fique escondida por uma crosta de imperfeição , tanto maior quanto mais o ser está envolvido no AS, isto é, longe do S. Isso significa que, mesmo se na superfície ocorre o contrário, e na aparência é diferente, tudo, em substância, funciona para o maior bem do ser e para o melhor rendimento para o seu progresso.

Observemos agora as conseqüências práticas a que levam tais conceitos. Deles deriva uma nova visão da vida, que leva a assumir uma nova posição diante dela, trazendo por conseguinte resultados diversos. Conhecer a técnica de tal fenômeno pode ser útil na procura do sucesso, problema hoje considerado de maior importância. O homem em geral segue o método egocêntrico, separatista, próprio do AS, isto é, se faz centro e luta contra todos para superá-los e sujeitá-los. Ele se sente elemento isolado no caos, em que busca impor a própria ordem, impondo-se como centro dessa ordem, tentando dobrar tudo à sua vontade. Ora, um tal comportamento, num mundo regulado por leis que não admitem ser violadas, isso é absurdo e desastroso, porque o homem se choca, continuamente, com a vontade das leis, também decididas a impor a sua ordem. E quem paga é o mais fraco. A vida sabe o que quer. Ela maltrata quem desobedece, mas ajuda quem a segue.
 O rendimento do próprio trabalho é completamente diverso quando se realiza indo contra a Lei, ou quando se realiza seguindo a sua corrente. Enquanto no primeiro caso este se consome em atritos contra ela, no segundo caso evitando o desgaste, o rendimento é maior. Viver no AS não quer dizer que não se possa viver, desde que se seja evoluído, em profundidade, na ordem do S, seguindo-lhe os métodos. Mas é preciso ter compreendido que há uma Lei e saber viver em função dela em lugar do próprio eu. O ponto de referencia da vida nos dois casos é completamente diverso. Num caso esta referencia é a Lei; no outro, o eu. Resultam dois tipos de vida diversamente orientados, com as relativas conseqüências.
Em nosso mundo o melhor é o mais forte, aquele que, com a sua potência, sabe vencer a todos num regime de caos. Segundo o outro tipo de vida, o melhor é quem tem mais méritos por ter conquistado valores pessoais, que põe a serviço de todos num regime de ordem. Tal indivíduo sabe que tudo é controlado pela sabedoria da Lei, que não admite violações e os castiga. Muitas vezes o homem acredita vencer porque é inteligência e forte e não se dá conta que é a vida que o lança para o alto, porque, põe suas qualidades, é usado como instrumento para fazer um trabalho útil à vida e para o qual ele é adequado. O problema não é mais o de saber vencer sozinho, mas de conhecer a Lei, a sua vontade, a própria posição em consonância com a realização de seus fins, as razões pelas quais cumpre tais lances, o impulso e a estrutura da onda pela qual se deve ser ou não ser, porque e como, levados ao alto.
Então o sucesso na vida e em todo campo depende de um cálculo mais complexo, que não leva em conta somente as próprias forças e as resistências do ambiente contra o qual deve lutar, mas calcula também a estrutura, direção e impulso propulsivo das correntes da vida às quais deve juntar-se para subir. No futuro, diante de uma empresa de qualquer gênero, bélica, comercial, política, religiosa etc., se levará em conta, com uma exata técnica das previsões, também estes fatores, hoje confusamente relegados ao imponderável. Se Napoleão e Hitler tivessem feito este cálculo, não teriam falido, porque a vida não os teria abandonado, quando tentaram impor-lhe o próprio egocentrismo para seguir os seus egoísticos fins, sobrepondo-os à finalidade da vida. Eles ciaram porque faltou a razão do impulso que os tinha lançado para o alto. Se eles se houvessem retirado a tempo, logo que tivessem terminado o trabalho para o qual a vida os protegia, não teriam falido como ocorreu, desde que subverteram a própria missão para tornar-se o centro do próprio desejo de grandeza.
Entretanto alguns indivíduos, mesmo que sejam personagens históricos considerados de pouco valor, fizeram sucesso pelo fato de terem sido elevados pela onda da vida, porque servia à sua finalidade. Assim se explica também que homens de grande valor não tenham sido reconhecidos porque, vivendo fora do tempo, se encontraram na descida da onda.
Há uma outra diferença entre os dois métodos. O do mundo, de tipo AS, produz resultados transitórios, tanto mais instáveis quanto mais baixo o nível biológico em que se opera; pelo menos, aparentemente, é mais forte o AS, o seu transformismo, o estado de caos e de luta. De fato o mundo está cheio de falências e desilusões e não se sabe o que valem as suas conquistas já que estas não duram. Ao contrario, o método de quem se ajusta à Lei, pelo fato de que se projeta na direção do S, produz resultados duradouros, definitivamente nossos, de que ninguém, sequer a morte, poderá privar-nos. Eles não são como os do mundo, anexados ao exterior, mas assimilados como qualidades nossas, constituindo valores espirituais definitivamente adquiridos.
Tentemos aplicar estes conceitos de forma ainda mais particular. Estas observações não são para aqueles que, embriagados pelas fáceis vitorias, crêem numa vida terrena de triunfo, mas para aquele que mais experimentaram a dureza da realidade. À luz das precedentes considerações, vejamos se é virtude ou defeito o desprendimento do fruto do próprio trabalho. Num mundo em que tudo é aleatório, o problema da durabilidade é fundamental. A primeira mais espontânea resposta a esse quesito é que tal separação não é uma virtude, como os moralistas podem sustentar. Cada trabalho deve prefigurar um fruto, como resultado que o justifique. A própria vida é utilitária e não gasta suas energias para não produzir coisa alguma. É a ligação a esse fruto que nos sustém no esforço de cumprir aquele trabalho. Então aquela distancia passa a ser um mal, porque elimina até mesmo a nossa vontade de trabalhar e nos leva a inércia.
É inegável, porém, que vivemos num mundo de tentativas, onde não há garantia de se conseguir a posse do fruto do próprio trabalho. É fácil então ficar desiludidos, de mãos vazias, depois de ter feito tanto esforço. Encarado sem egoísmo, desprender-se pode até ser-nos útil. Mas se ele nos retirar a vontade de trabalhar, e, para evitar desilusões, não se fizer mais nada, caímos no pior dos sistemas. Como se resolverá o problema?
A maior parte dos resultados que se propõe conseguir na Terra pertence a esse plano de evolução e são de natureza caduca e ilusória. Acabam freqüentemente, num engano: ou porque se trabalha mas não se chega ao resultado e com isso a satisfação sonhada, ou porque eles não são por natureza duradouros. O melhor seria dirigir-se à conquista de valores superiores, não exteriores, mas íntimos, fazendo parte da própria personalidade, porque consistentes nas suas qualidades adquiridas e permanentes. Isso porém não impede que mesmo o trabalho para resultados falhos ou fictícios não deixa de ter  sua utilidade, porque serve como experimentação e vale como frutos de experiências que fixam na personalidade do indivíduo. É neste sentido que até mesmo a corrida atrás de glórias, riqueza, poder, prazeres, pode ter sua utilidade, se bem que tais coisas redundem sempre em ilusão.
Devemos condenar quem trabalha nesse nível? Não, porque este é o seu plano evolutivo e ele não saberia fazê-lo de outra maneira. Não se pode culpar uma criança de ser inexperiente e de não saber trabalhar de outro modo. Além do mais, este ser está sujeito a sofrer provas, erros e sanções que lhe são úteis porque lhe servem para experimentar e evoluir, em proporção ao seu nível, ignorância e sensibilidade. Assim também ele se realiza a si mesmo tal como é, pois, mesmo enganando-se, atinge os fins que a vida deseja.
Vejamos agora como funciona o indivíduo do outro tipo. Antes de tudo, os resultados que ele consegue são independentes do juízo, aprovação ou condenação, por parte do mundo, atitude rara, já que a maior parte teme este juízo e, para evitar o contrário, se obriga ao conformismo, impondo-se limitações. Mesmo esse tipo de homem, como todos os demais, está ansioso de sucesso. Mas sucesso em que? Ele está preso ao fruto do próprio trabalho, mas que fruto? Este outro tipo de homem está livre da opinião alheia, porque tem consciência dos próprios deveres, e do que faz, presta contas, diretamente ao tribunal de Deus, o que diante do mundo o torna autosuficiente. O seu sucesso, o fruto pelo qual trabalha é superior, espiritual e mais íntimo, consiste em valores imperecíveis, que não se podem perder. É certo que o crescimento é fundamental instinto da evolução. Crescer é desenvolver-se e subir. Mas cresce de verdade aquele que cresce nos valores espirituais, e não quem cresce apenas nos valores materiais. Concentrar-se em si e para si é anti-social, o é contra as leis da vida, porque queira ou não, vivemos coletivamente num organismo, cada um como uma roda num relógio, que não se pode tornar egoisticamente maior sem turbar o funcionamento e a ordem, sendo, pois, obrigado por essa ordem a reentrar nas suas justas dimensões. Uma tal roda desajustada acaba sendo jogada fora do relógio. Será vantagem, no entanto, aperfeiçoar-se dentro dos seus limites, tornando-se assim sempre mais valorizada porque apta a melhor cumprir a sua função.
Devemos esclarecer que crescer como  valor espiritual não é entendido aqui no sentido de isolar-se do mundo, a exemplo do místico ou anacoreta, que se ausentam da realidade da vida. Por valor espiritual, entendemos também o fruto da atividade mental do cientista e do pensador, do dirigente industrial ou de qualquer outra organização social. Como valor espiritual entendemos o fruto de toda a atividade que desenvolve a inteligência. É indiscutível que a nossa vida atual se pode ter verdadeiro valor se vivida em função de uma a meta a atingir, sem o que a vida fica sem sentido. Cuidemos, portanto, de vivê-la com inteligência, percorrendo orientadamente e não de forma cega, o caminho evolutivo que a constitui. Mas estamos longe de negar a vida terrena, fazendo dela um exílio, enfrentando-a somente de forma negativa, para fugir ao trabalho criativo que ela, com a sua experimentação, representa. Se a vida terrena existe, é porque tem os seus fins. É preciso evitar o excesso de quem a apresenta como fim em si mesma, usufruindo dela todo o prazer, com o argumento de que tudo acaba com a morte. Mas é preciso não cair também no excesso oposto, que apresenta a vida como a suportação de um mal, que é necessário sofrer para subir aos céus. Na Idade Média se pecou no segundo sentido. Hoje se peca pelo oposto. A Lei, no entanto, engloba tudo e funciona na Terra como no céu.
Então continua-se a trabalhar no mundo como quem é do mundo, mas com outro ânimo, com uma outra visão da vida e seus fins. Funciona-se aparentemente como os outros, mas evitando a fazer-se centro de tudo, mantendo-se, ao contrário, em posição subordinada à Lei e aos fins da vida. Faz-se isso não por princípios ideais ou morais, em que se pode crer, mas porque este é o caminho mais seguro, e portanto  é útil segui-lo, argumento que todos compreendem. A posição de quem está orientado é completamente diferente de quem está sem orientação. Sucede então que, se um indivíduo chega a defrontar-se com o insucesso, no plano material, ele não se sente atingido por isso, porque o que ora perde não é o fruto que queria conseguir. Tendo em mira outra realização, em outro plano, ele atinge o seu fim, mesmo que no mundo tenha falido. Isto lhe confere uma força e uma superioridade, que o outro tipo não possui. Quando se cumpriu fielmente o próprio dever diante de Deus  e se sente que Ele, no mais fundo de nossa consciência, o aprova, a finalidade maior já foi alcançada e o fruto melhor fica conosco. O que ficou perdido é o resultado do exterior, o transitório, destinado a passar e que mais cedo ou mais tarde fatalmente passará. A perda é, pois, leve e fácil de ser consolada, porque o ganho maior fica conosco, intacto e definitivo.
O fruto espiritual obtido com o trabalho realizado consiste em: 1º) ter sido feito honestamente e com convicção para um fim superior;  2o ) ser para o bem do próximo; 3o ) haver cumprido o dever, sem qualquer interesse ou recompensa material; 4o ) fazê-lo bem feito e com zelo; 5o ) ter aprendido, levando consigo, através de novas atitudes, o conhecimento adquirido. Tudo isso permanece como nosso patrimônio, constituído pelo mérito adquirido diante da justiça da Lei, valor que fica como propriedade, permanente, em benefício de quem o ganhou.
O fruto do trabalho consiste também nas boas qualidades assimiladas pela personalidade, que constituirão muito futuros instrumentos da sua potência. É assim que se constrói o homem superior dotado de inteligência, boa vontade,  honestidade, espiritualidade, altruísmo, senso de dever, capacidade construtiva etc. A aquisição de tais qualidades significa evolução para um plano mais alto, em que a vida é menos dura. O homem se torna mais livre, autônomo, senhor do seu destino, consciente dos seus movimento, dirigidos para o bem. Assim se alcança o maior resultado possível em uma vida: o de ter subido um degrau na escala da evolução. Trata-se indiscutivelmente de grandes vantagens. Mas para poder usufruir disso, é preciso ter  alcançado o grau de inteligência necessário para compreender a utilidade de adotar esta nova técnica de vida.
Os outros resultados terrenos não perdem o valor por isso, mas ficam subordinados àqueles outros, o que nos livra de toda a amargura e desilusão quando se revela a sua caducidade. Eles não são desprezados nem negligenciados. Mas esclarecidos os equívocos, eles não são supervalorizados, mas simplesmente colocados no seu justo lugar, reconhecendo e apreciando a sua função. Assim, cada tipo de atividade é introduzido, em todo o nível, na grande corrente de forças animadoras do organismo da vida e, segundo sua natureza e qualidades, dá os seus frutos na mesma proporção. Tudo isso sabe o homem que se põe diante de Deus e vive consciente diante da Lei.

Pietro Ubaldi