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GERAL => O que é o espiritismo => Imortalidade da Alma => Tópico iniciado por: dOM JORGE em 01 de Novembro de 2016, 15:07

Título: Situação do espírita após a morte
Enviado por: dOM JORGE em 01 de Novembro de 2016, 15:07
                                                                   VIVA JESUS!





               Boa-tarde! queridos irmãos.




                      Situação do espírita após a morte



               Muitos espíritas estão desencarnando em situações deploráveis, recebendo socorro em sanatórios no Plano Maior da Vida em virtude das péssimas condições morais e psíquicas em que se encontram.

Este quadro é descrito com muita propriedade no livro Tormentos da Obsessão, de Manoel Philomeno de Miranda, psicografado por Divaldo Pereira Franco, que traz informações edificantes para nós, espíritas, sobre a importância de um bom desempenho de nossas funções, assumidas ainda no Mundo Espiritual.

O Espírito Manoel Philomeno de Miranda ressalta que as experiências narradas no livro permitem compreender que “a crença é muito importante, no entanto, a vivência dos postulados exarados na Codificação tem regime de urgência e não pode nem deve ser postergada”. E Bezerra de Menezes, logo no início da obra, lembra que “Jesus acentuou que mais se pedirá àquele a quem mais se deu, considerando-se o grau de responsabilidade pessoal, em razão dos fatores predisponentes e preponderantes para a conduta”.

Em adição, em No Mundo de Chico Xavier, consta informação interessante do Espírito Romeu do Amaral Camargo, tempos depois de sua desencarnação, comentando acerca da situação dos espíritas ao adentrar no Mundo Espiritual.

Conta Chico Xavier que Romeu do Amaral “prosseguia trabalhando ativamente em organizações espíritas-cristãs do Plano Superior e que nós, os espíritas, carregamos enormes responsabilidades nos ombros, porque recebemos o conhecimento libertador de que as leis de Deus funcionam na consciência de cada um”. E o Espírito complementa que “não havia visto dentre os companheiros já desencarnados com os quais convivia, um só que não se queixasse de condições deficitárias para com a Doutrina Espírita.

Tão grandes eram as bênçãos recolhidas, que todos admitiam terem saído da experiência física reconhecendo-se endividados para com o Espiritismo Cristão, pelo qual, segundo opinião deles mesmos, deviam ter trabalhado mais”.

Portanto, percebemos dos ensinamentos dos Espíritos que, embora façam referência mais detida às experiências dos espíritas após a morte, a condição de felicidade ou sofrimento destes guarda estreita relação com a vivência dos ensinamentos morais, e por isso, trata-se de possibilidade que acomete qualquer um que, de posse do conhecimento dos valores da Vida Eterna, estagna-se na marcha do progresso, independente de sua religião.

Neste sentido, Eurípedes Barsanulfo, em palestra educativa narrada por Manoel Philomeno de Miranda, alerta que “todo conhecimento superior que se adquire visa ao desenvolvimento moral e espiritual do ser. No que diz respeito às conquistas imortais, a responsabilidade cresce na razão direta daquilo que se assimila. Ninguém tem o direito de acender uma candeia e ocultá-la sob o alqueire, quando há o predomínio de sombras solicitando claridade” (Capítulo 22 do livro Tormentos da Obsessão).

A culpa e os pesares da consciência são maiores quanto melhor o homem sabe o que faz. Kardec conclui primorosamente este ensinamento, afirmando que “a responsabilidade é proporcional aos meios de que ele [o homem] dispõe para compreender o bem e o mal. Assim, mais culpado é, aos olhos de Deus, o homem instruído que pratica uma simples injustiça, do que o selvagem ignorante que se entrega aos seus instintos” (questão 637 de O Livro dos Espíritos).

Por fim, fiquemos com a exortação de Bezerra de Menezes, orientando para que “cuidemos-nos, todos nós, de nos preservar do mal, suplicando o divino socorro, conforme propôs o incomparável Mestre, na Sua oração dominical, buscando-Lhe o amparo e a inspiração, a fim de podermos transitar com equilíbrio pelos difíceis caminhos da ascensão espiritual” (Capítulo 1 do livro Tormentos da Obsessão).







                                                                                                             PAZ, MUITA PAZ!
Título: Re: Situação do espírita após a morte
Enviado por: dOM JORGE em 10 de Novembro de 2016, 12:15
                                                                   VIVA JESUS!




              Bom-dia! queridos irmãos.



                       Mundo Espiritual



               
Muitos espíritas imaginam que será tranquilo o seu retorno ao Mundo Espiritual, tendo em vista que conhecem a realidade do “outro lado”, pois o Espiritismo esclarece, em inúmeras obras, como se processa o desencarne e como é o Mundo dos Espíritos. Esse conhecimento, porém, não altera a realidade de cada Espírito ao desencarnar, que independe de sua sabedoria ou de seu credo, sendo, porém, determinado por seus pensamentos e atitudes na seara do bem, como elucida Manoel Philomeno de Miranda, em sua obra Tormentos da Obsessão, através da mediunidade de Divaldo Franco 1:

“Não são poucas as pessoas que (...) acreditam que o fato de alguém esposar as lições que defluem das páginas luminosas da Codificação, e das Obras que lhe são subsidiárias, de imediato o torna um ser renovado e imbatível. Isso deveria ocorrer, sem dúvida, no entanto, em razão das heranças ancestrais negativas e das múltiplas vinculações com o vício, cujos resíduos permanecem por longo período impregnando o perispírito, nem sempre o candidato à edificação de si mesmo consegue o objetivo a que se propõe. Para que isso aconteça, torna-se imprescindível todo o empenho e sacrifício pessoal, renunciando às fortes tendências perturbadoras, a fim de realizar a transformação moral imprescindível à felicidade.
(...) Sucede, no entanto, que o conhecimento apenas não basta para oferecer resistência a pessoa alguma ante as inclinações para o mal e a desordem interior. Após consegui-lo, faz-se imprescindível vivenciá-lo, passo a passo, momento a momento, mantendo a vigilância e coerência na conduta, a fim de não se comprometer negativamente, desviando-se do caminho da retidão”.

Esclarece, ainda, o autor espiritual 2:
“O processo de evolução – continuou espontaneamente a enunciar – é lento, porque aqueles que nele estamos envolvidos optamos pelo imediato, que são as ilusões que afastam aparentemente as responsabilidades e as lutas, intoxicando-nos os centros do discernimento e entorpecendo-nos a razão. Luz, porém, em toda parte, o amor de Nosso Pai convidando à renovação e ao trabalho, à conquista de si mesmo como passo inicial para a aquisição da alegria, da paz e da felicidade de viver”.

A Doutrina Espírita, se bem compreendida e vivenciada em seus princípios de amor e caridade, é roteiro certo para a evolução espiritual. Assim, o espírita, que estuda e compreende o Mundo Espiritual, e que está ciente de que prestará contas inclusive “do bem que deixou de realizar”, tem o compromisso do autoconhecimento e da autossuperação de suas mazelas morais, pois sabe que responderá perante sua própria consciência acerca do que fez em sua última reencarnação, mais cedo ou mais tarde. Vale lembrar que cada um é responsável por sua reforma íntima e é sempre boa ideia evitar surpresas desagradáveis no momento e após o desencarne.

Fonte: FRANCO, Divaldo. Tormentos da Obsessão. Pelo Espírito Manoel Philomeno de Miranda.







                                                                                                                 PAZ, MUITA PAZ!
Título: Re: Situação do espírita após a morte
Enviado por: dOM JORGE em 28 de Novembro de 2017, 08:09
                                                               VIVA JESUS!





              Bom-dia! queridos irmãos.




                      Desencarnação e socorro imediato: um caso singular



O tema da morte é um assunto evitado pela maioria das pessoas. Afinal de contas, é algo que traz inquietação, dúvida e intranquilidade – como um companheiro indesejável que nos acompanha por toda a vida – diante do desconhecido, do que nos aguarda do lado de lá, enfim. Entretanto, a morte chega para todos nós – gostemos ou não – implacavelmente. Dito de maneira mais simples, a morte encerra o cumprimento de um ciclo para o qual devemos estar preparados. Para uns, esse ciclo é longo, mas, para outros, é extremamente curto. Seja como for, todos os dias somos lembrados da presença da morte, seja de uma forma ou de outra.
Como será, então, a nossa transição para a dimensão espiritual? A única certeza que podemos ter é que vai depender exclusivamente de nós. Como sensatamente alertou-nos Jesus, “a cada um segundo as suas obras”. Com efeito, tal advertência aplica-se imediatamente no momento da nossa morte. Ou seja, já nos primeiros instantes seguintes à desencarnação iniciamos a justa colheita das “nossas obras”. A qualidade destas, aliás, determinam a nossa condição espiritual e, por extensão, a merecida ajuda ou punição do lado de lá. O caso que relatarei a seguir envolveu uma pessoa da minha relação de amizades – referir-me-ei a ela como Dona M, uma extraordinária médium – e a sua participação no desencarne de um amigo e vizinho seu de longa data, o Senhor P.
Há alguns dias atrás, o Senhor P desencarnou inesperadamente em sua residência, vítima de um ataque cardíaco fulminante. Segundo Dona M, ele estava, ao que tudo indica, padecendo dos primeiros estágios de um câncer de garganta (o diagnóstico fora dado recentemente). No entanto, o seu estado geral de saúde parecia saudável dada a sua aparência, e a sua morte súbita surpreendeu a todos. A filha mais nova e o neto estavam morando com ele, e, pelo que a Dona M apurou, o Senhor P estava muito preocupado com a situação deles.
A notícia sobre o passamento do Senhor P havia lhe chegado pouco antes da hora do almoço daquele dia, deixando-a extremamente chateada, considerando a amizade que mantinham. Ela sentiu um choque muito grande, mas decidiu nada fazer até que lhe chegassem mais informações sobre o féretro. Fez, no entanto, uma prece sentida pelo amigo recém-desencarnado. Recordou muitos momentos agradáveis da convivência que tiveram ao longo dos anos.
Assim sendo, continuou os seus afazeres domésticos, embora sem conseguir tirar a imagem do Senhor P da mente. Em dado momento foi ao quintal da sua casa recolher algumas roupas do varal, até que um “pensamento abrupto” lhe invadiu a mente com a seguinte recomendação: “Troque de roupa, arrume o cabelo e vá à casa do Senhor P”. Médium experimentada, ela decidiu cumprir incontinenti a tarefa delineada.
Alguns minutos depois, Dona M estava na residência dele. Os familiares a receberam com muito respeito – ela já é uma septuagenária e as cãs lhe adornam a cabeça. Com muita determinação, ela solicitou permissão aos familiares – crentes, cumpre salientar – para ver o corpo e fazer uma oração junto dele, antes que a viatura do Instituto Médico Legal o levasse. Disse-lhes ainda, com sinceridade, “Sou espírita, mas o evangelho de Jesus é igual para todos”. Eles educadamente concordaram e pediram a uma moça, amiga da família, que acompanhasse Dona M.
As duas adentraram a residência, passaram por vários cômodos, até chegarem ao banheiro onde jazia o corpo inerme de bruços coberto por um lençol alvo. O banheiro estava muito limpo e a pintura era clara. Dona M pediu à sua jovem acompanhante para descobrir a cabeça do Senhor P e fizesse uma oração.
Em seguida, ela mentalizou os seus mentores espirituais, e rogou fervorosamente, em voz alta, ajuda para o amigo desencarnado. Sentindo-se já mediunizada, iniciou um diálogo singular com o falecido. Ela revelou-me que ouvia perfeitamente a sua voz (rouca, a propósito, como de costume) indignada, as suas palavras de desespero diante da morte súbita e dos problemas familiares pendentes. Diante do quadro doloroso, ela falou-lhe o que segue:
– “Senhor P, o senhor está me ouvindo? Eu vim aqui para falhar-lhe. Eu sinto que o senhor está desesperado por tudo ter terminado assim... O senhor não quer, mas é a vontade de Deus! O senhor estava com uma doença grave e iria sofrer muito, mas Jesus lhe abreviou a passagem. Desculpe-me por falar-lhe deste jeito, mas eu tenho conhecimento e pedi aos meus protetores, que estão ao seu lado, para lhe auxiliar levando-o, de modo que o senhor possa receber a assistência apropriada em outro lugar... Um dia o senhor vai entender e poderá também ajudar aos seus entes queridos que aqui ficam... Vá com esses mentores que querem apenas o seu bem”.
Nesse interregno, acorreu à mente de Dona M um pensamento (sugestão) incisivo, e ela, por conseguinte, apôs as suas mãos sobre o corpo inerme. Os seus braços e mãos começaram a tremer. Ela recomendou ainda à sua acompanhante que não temesse e continuasse rezando. Dona M relatou-me que sentiu naquele momento significativo da sua intervenção uma energia vinda do corpo sem vida levando-a quase ao desfalecimento.
Foi amparada pela moça, e subitamente assomou-lhe o pensamento de que os fluidos vitais remanescentes haviam sido retirados. Em sua mente recebia o esclarecimento do seu mentor que o corpo do Senhor P não estava totalmente debilitado, isto é, havia nele ainda energia vital que deveria ser retirada para que “os vampiros” não a sugassem.
Já recuperada da tarefa, retirou-se juntamente com a moça. Despediu-se da família reiterando que o amor de Jesus está presente em todas as religiões. Ao sair da casa do Senhor P encontrou com uma outra vizinha, Dona C, que se ofereceu para acompanhá-la até a sua residência. No curto caminho entre as duas residências, Dona C contou-lhe que, poucas horas antes, a sua filha (também portadora de vários tipos de mediunidade) viera inesperadamente visitá-la junto com a netinha recém-nascida. Informada sobre o passamento do vizinho da mãe, a quem conhecia desde criança, sugeriu-lhe que fizessem o culto do Evangelho no Lar a distância.
Mal começaram e a jovem médium, por meio da sua vidência, identificou a presença do Senhor P no recinto, absolutamente desesperado – exatamente como a Dona M posteriormente também constatou – diante da sua súbita desencarnação. As duas mulheres oraram e a imagem do Espírito desencarnado desvaneceu-se. Dona C confessou à Dona M que ela e a filha tiveram o desejo de ir à casa do Senhor P, mas não se sentiram à vontade, já que a família era de evangélicos e elas não queriam entrar em conflito.
O caso em apreço merece algumas observações à luz da doutrina espírita. Em primeiro lugar, ao desencarnar, o Senhor P imediatamente se desligou do corpo consciente do ocorrido (de alguma forma, Dona M captou a dor que o Senhor P sentiu). Como era uma pessoa de boa índole e íntegro, nada o prendeu aos despojos mortais, e a assistência dos dois lados da vida foi notável.
Nesse sentido, cabe lembrar algumas observações de Allan Kardec, na obra O Céu e o Inferno, capítulo 1, O Passamento, a saber: “A extinção da vida orgânica acarreta a separação da alma em consequência do rompimento do laço fluídico que a une ao corpo, mas essa separação nunca é brusca. O fluido perispiritual só pouco a pouco se desprende de todos os órgãos, de sorte que a separação só é completa e absoluta quando não mais reste um átomo do perispírito ligado a uma molécula do corpo. ‘A sensação dolorosa da alma, por ocasião da morte, está na razão direta da soma dos pontos de contato existentes entre o corpo e o perispírito, e, por conseguinte, também da maior ou menor dificuldade que apresenta o rompimento’. Não é preciso, portanto, dizer que, conforme as circunstâncias, a morte pode ser mais ou menos penosa. Estas circunstâncias é que nos cumpre examinar”.
Conclui-se, portanto, que a coesão entre o perispírito e o corpo do Senhor P já era inexistente, e, desta forma, o seu Espírito se libertou espontaneamente. Entretanto, Dona M foi intuída a dar um passe para a eliminação total do fluido vital do corpo do falecido a fim de que as entidades infelizes dele não se aproveitassem. A propósito, na obra Missionários da Luz, de autoria do Espírito André Luiz (psicografia de Francisco Cândido Xavier), capítulo 11, Intercessão, o benfeitor é esclarecido pelo mentor Alexandre que tais entidades “abusam de recém-desencarnados sem qualquer defesa ... nos primeiros dias que se sucedem à morte física, subtraindo-lhes as forças vitais depois de lhes explorarem o corpo grosseiro...”
Embora as venerandas entidades espirituais estivessem se referindo ao suicida Raul, a experiência aqui relatada demonstra que foi tomado exatamente o mesmo cuidado no caso do Senhor P. Este, por sinal, será certamente esclarecido – mercê do seu esforço e conduta no bem quando encarnado – com relação às forças do amor que foram mobilizadas em seu favor na sua despedida da vida material.


            Anselmo Ferreira de Vasconcelos








                                                                                                       PAZ, MUITA PAZ!