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GERAL => O que é o espiritismo => Imortalidade da Alma => Tópico iniciado por: Marianna em 27 de Fevereiro de 2019, 22:56

Título: Os Mortos Nos Falam
Enviado por: Marianna em 27 de Fevereiro de 2019, 22:56

   

OS MORTOS NOS FALAM
Pe. François Brune.


(https://www.picgifs.com/thumbs/graphics/r/rainbow/graphics-rainbow-981916.gif)


Escrevi este livro para tentar derrubar o espesso muro de silêncio, de incompreensão, de ostracismo, erigido pela maior parte dos meios intelectuais do ocidente.

Para eles, dissertar sobre a eternidade é tolerável; dizer que se pode vivê-la torna-se mais discutível; afirmar que se pode entrar em comunicação com ela é considerado insuportável.

Tomem este livro como um itinerário.

Abandonem, tanto quanto possível, suas ideias preconcebidas. Não tenham medo; se este livro não os transformar, logo se aperceberão.

Em todo caso, leiam esta obra como a história de uma descoberta fabulosa e verdadeira.

Progressivamente então, surgirão essas verdades essenciais que se tomarão, assim eu lhes desejo, a matéria de suas vidas. A morte é apenas uma passagem.

Nossa vida continua, sem qualquer interrupção, até o fim dos tempos. Levaremos conosco para o além nossa personalidade, nossas lembranças, nosso caráter.

O após vida existe e nós podemos nos comunicar com aqueles que chamamos de mortos.

Pe. François Brune.



Título: Re: Os Mortos Nos Falam
Enviado por: Marianna em 28 de Fevereiro de 2019, 01:22

I Ninguém Morre:
   
A primeira descoberta, e talvez a mais fantástica de todas, pois interessa-nos em primeiro grau, é a de que enfim, temos, praticamente, a prova de nossa sobrevivência após a morte. Eu não penso aqui nas famosas “E.F.M.” (Experiências nas Fronteiras da Morte), da qual se fala cada vez mais.

Essas experiências, de pessoas tidas por mortas e contudo retomadas à vida, foram reconhecidas, sobretudo, a partir de 1970 e o primeiro estudo sobre o assunto, que fez grande barulho, foi o do Dr. Moody, na América, em 1975. Falarei a respeito mais adiante nesta obra.  Por enquanto gostaria de frisar algo ainda mais fantástico.

E aí, curiosamente, trata-se de uma descoberta mais antiga que a precedente, mas da qual ninguém, ou quase ninguém, fala. Trata-se da gravação direta das vozes dos defuntos em fitas magnéticas.

É verdade que, nessa área, os trabalhos foram desenvolvidos sobretudo no mundo germânico, e que recebemos mais rapidamente as últimas novidades vindas do outro lado do Atlântico que aquelas do outro lado do Reno. Jürgenson e Raudive: pioneiros da comunicação com os mortos:

Tudo começou em 12 de junho de 1959, nas proximidades de Estocolmo, com Friedrich Jürgenson. Jürgenson nasceu em Odessa em 1903, mas em 1943 fixou-se em Estocolmo.

Ele estudou pintura e canto e exerceu efetivamente essas duas artes, como pintor e cantor de Ópera. Mais tarde, dedicou-se à produção de filmes de arte.

Após haver realizado três documentários sobre Pompéia, foi autorizado oficialmente a empreender novas escavações, o que lhe deu a oportunidade de realizar novos filmes.

Em seguida, o Vaticano encarregou-o de transpor para suas telas, a recordação das escavações realizadas sob a Basílica de São Pedro, em Roma.

Ele obteve até os direitos exclusivos para um filme sobre a Basílica durante o qual aparecia o Papa Paulo VI em pessoa.

Ele realizou ainda um filme sobre o prodígio do sangue de São Genaro, em Nápoles, e um outro sobre o Papa e seus colaboradores.

Ora, nesse 12 de junho de 1959, nas cercanias de Estocolmo, Jürgenson havia planejado registrar o canto dos pássaros. Qual não foi sua surpresa quando, ao escutar a fita, ouviu, de repente, um solo de trompete que terminava com uma espécie de fanfarra.

Em seguida, uma voz de homem, em norueguês, falava-lhe sobre o canto dos pássaros noturnos. Finalmente, ele acreditou, mesmo, reconhecer o canto de um alcaravão. Pensou logo em uma desregulagem de seu aparelho.

Perguntou-se se, em circunstâncias particulares, um gravador poderia captar certas emissões como um receptor de rádio. Mandou, então, revisar o aparelho, mas permaneceu ainda muito intrigado. A coincidência era, de qualquer forma, perturbadora.

Um mês mais tarde, quando trabalhava para a rádio numa transmissão sobre a grande Anastácia, uma voz falou-lhe sobre a Rússia, em alemão, chamando-o por seu nome.

Título: Re: Os Mortos Nos Falam
Enviado por: Marianna em 28 de Fevereiro de 2019, 01:27

Outras vezes, em italiano: “Federico”. Essas vozes diziam-lhe também: “você está sendo observado, a cada noite procure a v e r d a de . . . " .

E s s a s vozes eram sempre inaudíveis durante a gravação.

Quando da audição, eram apenas um leve murmúrio. Jürgenson teve mesmo de treinar os ouvidos para percebê-las. A fadiga sobrepondo-se à curiosidade, ele quis abandonar essas atividades.

Era o outono de 1959. Ele foi então tomado por uma espécie de alucinações auditivas. Seus ouvidos, sensibilizados, acreditavam perceber palavras ou fragmentos de frases nos barulhos mais diversos: no cair da chuva, no amassar de papéis, etc...

E sempre as mesmas palavras surgiam ‘‘escutar, manter contato, escutar”.

Jürgenson retornou seus trabalhos. Mas só obtinha mensagens estranhas e incompletas. Ele acreditou por um tempo estar lidando com extraterrestres. Como não obtinha confirmação e não entendia o que se passava, estava a ponto de abandonar tudo.

Foi então que, já com o dedo sobre o botão de “parada”, captou em seus fones: “por favor, espere, espere, escute-nos”.

Essas poucas palavras mudaram toda a sua vida.

A partir desse momento ele não interrompeu mais suas pesquisas nesse campo e a elas consagra-se por inteiro. Logo reconheceu entre as vozes a de sua mãe, morta há quatro anos.

Todas as hipóteses para encontrar uma outra explicação caíam uma a uma.

Pouco a pouco, a evidência impunha-se: ele estava recebendo, diretamente, mensagens do além. Sabendo-o poliglota, as vozes misturavam na mesma frase palavras em todas as línguas, o que não faz nenhuma estação de rádio.

Eles procuravam se fazer reconhecer por todos os meios, falando-lhe de sua família, de seu trabalho, apresentando-se como defuntos de seu círculo pessoal, parentes, amigos, conhecidos.

O que acontecia ali, repetia-se diariamente e clareava-se lentamente, escreveu Jürgenson, tinha a força explosiva da verdade pura que se apoia sobre fatos.

Era a verdade, a realidade que iria talvez rasgar em mil pedaços a cortina do além e, ao mesmo tempo, reconciliar este mundo com o outro lançando uma ponte sobre o abismo. Não se tratava, de qualquer forma, de sensacionalismo.

Eu estava apenas encarregado dessa tarefa, grande mas difícil, da construção dessa ponte entre o aqui e o além. Se me mostrasse à altura, então, talvez o enigma da morte seria resolvido, pela técnica e pela física

Título: Re: Os Mortos Nos Falam
Enviado por: Marianna em 28 de Fevereiro de 2019, 20:04

Eis porque não podia recuar, a despeito de todas as telas que não seriam pintadas ou das escavações em Pompéia que não seriam realizadas.

Imediatamente Jürgenson começou a se cercar de testemunhas e colaboradores discretos e seguros para continuar suas experiências. Esses foram, primeiramente, o parapsicólogo sueco Dr. J.

Björkhem e Ame Weisse da Rádio sueca, com cinco outros observadores. Esta “première” pública foi em parte gravada, mais tarde, em disco que acompanhava a obra de Jürgenson.

Em 1963, o Instituto de Parapsicologia da Universidade de Friburgo, dirigido por Hans Bender, recebeu uma gravação completa.

No verão de 1964, o Instituto de Friburgo colocou-se, com Jürgenson, em contato com o Deutsches Institut für Feldphvsik em Northeim e com o Instituto Max Planck em Munique.

Os primeiros trabalhos foram pois realizados em Northeim; depois em outubro de 1965, em Nysund na Suécia e, no mesmo local, no começo de maio de 1970, sempre com Hans Bender, mas com novos colaboradores.

Um engenheiro do Grupo de Pesquisas Acústicas do Serviço Central de técnicas “Sprechfunk mit Verstorbenen Communication” radio avec des Morts, Editions Hermann Bauer: Fribourg en Brisgau.

1967 Editado no Brasil sob o título Telefone para o Além. pela Editora Civilização Brasileira S. A. 1972 de telecomunicações de Berlim, veio juntar-se às pesquisas.

Nesse estágio, a origem paranormal dessas vozes já era cientificamente reconhecida como muito provável. Isso era apenas um início. Uma série de novos pesquisadores vieram se unir a eles e frequentemente dedicar uma boa parte de suas vidas a este trabalho.

Constantin Raudive, nascido na Letônia em 1909, deixou seu país aos 22 anos. Após estudos feitos em Paris, Salamanca, Londres e uma longa permanência na Espanha, fixou-se definitivamente em Upsala, em 1944.

Poliglota, grande tradutor de literatura espanhola para o letão, era também romancista e filósofo profundamente espiritualista.

Estava transtornado pelo drama de caos que havia tomado conta da Europa


Título: Re: Os Mortos Nos Falam
Enviado por: Marianna em 28 de Fevereiro de 2019, 20:07

“Kosti! Kosti!...”

Era a voz de sua mãe que o chamava dando-lhe, como a mãe de Jürgenson havia feito com seu filho, o diminutivo afetuoso de outrora”. Tendo ouvido falar das experiências de Jürgenson desde 1965, ele convidou-o logo à Upsala onde puderam confrontar seus resultados.

Desde então, até sua morte, em setembro de 1974 não parou mais de gravar. Jean Prieur afirma-nos que ele captou, desta maneira, mais de 70.000 vozes.

Mas Raudive teve sempre o cuidado de melhorar seus métodos e de verificar seu trabalho. Ele esteve em relação com o físico suíço Alex Schneider, com o teólogo católico Gebhard Frei, com o prelado Pfleger, com os técnicos de rádio e televisão Theodor Rudolph e Nobert Unger.

Em 1968, ele publicava um livro intitulado Unhörbares wirdhörbar, (O inaudível toma-se audível).

O engenheiro Franz Seidl da Escola Técnica Superior de Viena recebeu o prêmio Paul Getty por seus trabalhos sobre a Energia. Inventor de numerosos aparelhos e membro de honra do centro Euro-americano de pesquisas Eurafok, construiu, para Raudive, o psicofone a fim de facilitar a gravação dessas vozes.

Ele, igualmente, desenvolveuo positron que permite aos mortos fazer ouvir sobre a fita magnética, sons de batidas que não se percebe por ocasião da gravação e que podem, por convenção, constituir respostas às questões colocadas.

O padre Léo Schmid, cura católico de Oeschgen, na Suíça, e autor de obras para a juventude, esforçou-se muito pela imprensa, pelo rádio, pela televisão ou em suas conferências, para anunciar a novidade: os mortos podem nos responder!

Foi a leitura do livro de Jürgenson, depois a de Raudive, que o incitou a tentar, ele mesmo, a experiência. Foi, inclusive, à casa de Raudive para iniciar-se na manipulação dos aparelhos necessários. Durante seis semanas entretanto, não obteve qualquer resultado.

Um dia, enfim, percebeu inicialmente batidas fortes e ritmadas, seguidas imediatamente de uma voz débil. Desde então, ele passou a gravar todos os dias, até a sua morte em 1976.

Em pouco mais de 100 sessões, ele recebeu em torno de 12.500 vozes, dirigindo-se a ele em dialeto suíço alemão, alemão, latim, francês e inglês.
Como Jürgenson, foi por acaso que Constantin Raudive descobriu esta possibilidade fantástica de comunicar-se com os mortos.

“No final do ano de 1964, ele foi obrigado a sair de casa de improviso... quando retomou, percebeu que havia deixado seu gravador ligado. Quis escutar o início da fita... repentinamente ouviu, estupefato.

Título: Re: Os Mortos Nos Falam
Enviado por: Marianna em 28 de Fevereiro de 2019, 20:12

Vários dos seus interlocutores identificavam-se é ele podia, inclusive, pouco a pouco, reconhecer suas vozes.

Ele reuniu as mensagens correspondentes a cada um dos seus principais interlocutores e pôde assim constatar que cada qual voltava, sempre, aos mesmos temas, movendo-se num mundo de preocupações que lhe era próprio.

Dessa maneira “irmão Nicolau” insistia continuamente sobre a necessidade da prece e da paz interior.

Ele lhe prodigalizava encorajamentos: “Nós te ajudamos!”, ou convites insistentes a “crer mais firmemente... a rezar... a amar”. O padre Schmid recebe também, vez que outra, pedidos de ajuda.

Certos mortos suplicam suas preces. Outros tentam inquietá-lo: “Viemos para destruir”. Aprende-se, sobre essa pessoa falecida, que ela ainda dorme.

♣  Uma voz geme: “Nós somos castigados, atormentados.”
♣  Uma outra, ao contrario, proclama: “Aqui, é sempre luz”; ou ainda:
♣  Outro diz : “Aqui é um estado de felicidade e de alegria, de dança, de júbilo”.

— Uma ponta do véu começa a se levantar!

Às vezes, essas vozes advertem-no sobre pequenos acontecimentos futuros. Anunciam-lhe, por exemplo, seis dias antes que receberá uma carta de certa pessoa cujo nome lhe é citado, mas sobre a qual ele próprio nada sabe.

Ele pede-lhes mesmo conselhos para o seu ministério. Mas não recebe respostas a todas as suas perguntas. Se parece muito curioso a seus interlocutores, eles respondem: “questão proibida”, ou simplesmente: “procure sozinho”.

Nos Estados Unidos, George Meek, engenheiro, membro da Academia de Ciências de Nova Yorque, da Sociedade Americana de Engenheiros Mecânicos, do Clube dos Engenheiros, e depositário de inúmeras patentes, aposentou-se aos sessenta anos de idade.

A pequena fortuna ganha com suas invenções permitiu-lhe dedicar-se ao estudo do homem e de seu destino.

Em 1970, ele realizou quatro viagens ao redor do mundo, dezoito à Europa, África, Austrália, América do Sul, China e a todas as quinze Repúblicas da URSS.

Levava consigo físicos, psiquiatras, parapsicólogos, à procura de antigas e grandes tradições que pudessem deter uma parte da verdade que ele buscava.

Em reunião interdisciplinar que havia, organizado na Filadélfia, um médium declarou ter recebido mensagem de um sábio falecido.

Esse sábio se propunha a ajudar engenheiros ou técnicos que viviam sobre a terra, a criar uma comunicação entre os dois níveis de existência através de aparelhos eletromagnéticos.

Este era o sonho de Meek: graças à ajuda de médiuns capazes de compreender explicações científicas, entrar em contato com sábios desaparecidos e criar, enfim, aparelhos que lhe permitissem, no futuro, prescindir dos médiuns.

Ele terminou por encontrar o médium que satisfazia suas exigências; uma personalidade do Far-West, de ascendência índia, generosa, extravagante, obstinada, desinteressada até as raias do heroísmo: Bill 0’Neil.

Bill trabalharia inicialmente com um certo Doc Nick, morto há 5 anos, depois com Georges Müller, físico de grande valor, morto em 1967. Bill, por sua vez clarividente e clariaudiente, podia vê-los e ouvi-los sem qualquer aparelho.

Título: Re: Os Mortos Nos Falam
Enviado por: Marianna em 01 de Março de 2019, 16:49

Contudo, somente em 27 de outubro de 1977, ele obteve uma gravação em diálogo direto.

A voz do falecido fazia-se ouvir pelo alto-falante ao mesmo tempo em que era gravada, sem que fosse necessário retomar a fita para ouvi-la. Foi um diálogo muito curto de conteúdo bem pobre, mas um diálogo assim mesmo. Depois disto, um longo silêncio, apesar das investigações incessantes.

Em 22 de setembro de 1980, Bill obteve um novo diálogo direto, perfeitamente claro, com Georges Müller desta vez, com duração de treze minutos.

Depois, novamente o silêncio. Sucesso sem continuidade, suficiente para convencer a maior parte dos espíritos de boa vontade, mas não os meios científicos, a priori mais do que céticos.

Meek queria encontrar um verdadeiro meio de comunicação, regular, confiável e reproduzível à vontade, de acordo com as exigências bem conhecidas da ciência. Não era ainda a hora.

Em todas as pesquisas então realizadas, o sucesso, que parecia estar ao alcance das mãos, escapa de repente. O progresso não é sempre linear.

Em verdade, o fenômeno não apareceu tão bruscamente e de modo inesperado, quanto as primeiras narrativas poderiam fazer-nos crer.

Agora que o fenômeno é relativamente bem reconhecido, começa-se a fazer a ligação com o trabalho de certos pesquisadores ou com certos acontecimentos até então inexplicados.

Edison, o inventor do fonógrafo, havia já realizado trabalhos nesse sentido.

Harold Sherman, fundador da Associação para Pesquisas sobre “P.E.S.” (Percepções ExtraSensoriais) assinala, em sua última obra(l), que já em 1947 Attila Von Szalay, trabalhando sobre discos, havia obtido murmúrios inexplicáveis.

Em 1950, em Chicago, John Otto, engenheiro diplomado, havia recebido, com a colaboração de um grupo de rádio amadores, sinais de origem desconhecida, expressos em várias línguas ou mesmo cantados.

Mais ou menos na mesma época, um outro americano, John KeeI, realizando pesquisas sobre os OVNI, assinalava a aparição de vozes desconhecidas em gravações militares ou civis.

Título: Re: Os Mortos Nos Falam
Enviado por: Marianna em 06 de Março de 2019, 03:16

As pesquisas realizadas na Alemanha sobre esse assunto, nos arquivos nazistas, parecem excluir uma explicação por esse lado. Enfim, sabe-se agora que também os italianos haviam realizado trabalhos para se comunicar com o além.

Começa-se pois a compreender que, em realidade, à medida que a técnica progredia, novas possibilidades de comunicação começavam a aparecer, que nossos falecidos espreitavam com impaciência.

Existiram muitas outras gravações antes das de Jürgenson, a maioria geralmente obtida involuntariamente, mas elas não geraram pesquisas sistemáticas.

Algumas passaram mesmo completamente desapercebidas e só foram notadas quando o fenômeno adquiriu uma ampla audiência (pelo menos no exterior).

Ré escutando velhas gravações realizadas por ocasião de uma festa de família, os iniciados de hoje, cujos ouvidos estão mais treinados, reconhecem, às vezes com surpresa, a voz dos defuntos da família (que, sem dúvida, eram então invisíveis) junto deles comentando o evento.

Uma vez, pelo menos, alguns meses antes da aventura de Jürgenson, uma voz fez-se ouvir claramente. O incidente vale ser contado.

Foi na Inglaterra, em maio de 1959. O senhor Sidney Woods encontrava-se com uma amiga em casa de um médium, em Londres, e gravava suas palavras.

Repentinamente uma outra voz interveio, “com lentidão e dificuldade”, nos frisa Jean Prieur:(2) “Bom dia a todos. Aqui é o Monsenhor Lang!”. O arcebispo de Canterbury morrera em 1945. A voz parecia provir da direita do médium, a cerca de um metro de sua cabeça.

Por conseguinte, neste caso particularmente espetacular, a voz foi ouvida ao mesmo tempo em que se gravava na fita.

Este não é, pois, em realidade, o mesmo processo do qual tratávamos. A voz, pouco a pouco, “fez-se mais firme, mais rápida e ditou uma mensagem de vinte minutos na qual o arcebispo ressaltava, ao mesmo tempo, o valor e os perigos do espiritismo”.

Todos aqueles que haviam conhecido bem Monsenhor Lang e que escutaram esta gravação tiveram a impressão de reconhecer sua voz. O reverendo John Pearce Higgings, vigário em Putney, mandou até divulgar esta gravação pela televisão inglesa.

Mas, tudo o que passa pelos médiuns é, para muitas pessoas, desconsiderado a priori.

A grande novidade com as gravações em fita magnética, prende-se ao fato de que todos podem ouvi-las sem precisar de dons particulares.

Além disso, mesmo se dons mediúnicos parecem facilitar a gravação, eles não são realmente necessários. Bons aparelhos e muita paciência podem ser suficientes. Contudo, o acontecimento não se espalhou rapidamente. A desconfiança e o medo do ridículo paralisavam tudo.

O primeiro colóquio sobre esse tema aconteceu em Horb sobre o Neckar, na primavera de 1972. Um segundo foi realizado em abril de 1973, na mesma cidade.

Depois em Caldarola, na Itália, em junho do mesmo ano, com a presença da imprensa e da televisão italianas. Uma outra sessão ocorreu em Horb, em abril de 1974, desta vez provocando o interesse da televisão alemã.

Depois foi a vez de Dusseldorf, com 130 participantes; e uma nova vez em Horb, em abril de 1975.

Foi fundada, então, a primeira associação para as pesquisas de gravação de vozes. Era necessário contar aqui o começo, os primeiros passos dessa formidável aventura que, aliás, está apenas começando.

Espero haver mostrado quantas pessoas competentes e sérias se preocuparam com o tema. Como explicar que uma tal descoberta, bem mais fantástica que a chegada do primeiro homem à lua, tenha até hoje encontrado tão poucos ecos?

O ceticismo dos cientistas é, sem dúvida, uma das razões. Admitir, de uma só vez, que a morte não é a morte, que os mortos continuam a viver, que eles estão muito bem e que, além disso, comunicam-se com nosso mundo, é muita coisa de uma só vez.

Eles tentaram todas as hipóteses possíveis, o que de um ponto de vista puramente científico é inteiramente normal. Nenhuma hipótese resistiu, exceto a evidência de que são verdadeiramente os mortos que nos falam.

Então, que esperam eles para proclamar este fato?

É aí que se vê quanto a palavra do Cristo é profunda quando, na parábola de Lázaro e do mau rico, Abraão recusa enviar Lázaro à terra para explicar aos irmãos do mau rico o que se passa após a morte: "Mesmo que alguém ressuscite dos mortos, eles não se convencerão”. (Evangelho de São Lucas 16,31).

Eu creio, cada vez mais, que cada um não acredita senão no que quer acreditar. Os motivos da ciência ou da razão estão longe de serem os mais profundos e os mais decisivos.

É muito surpreendente pois que esse fenômeno de gravação de vozes do além comporta quantidades de detalhes técnicos que, parece-me, deveriam varrer todas as hipóteses mais terra a terra.

Por exemplo, se a fita girasse por ocasião da gravação, à velocidade de 9,5, por ocasião da audição poder-se-ia muito bem perceber, nos mesmos lugares três e mesmo quatro vozes de defuntos diferentes: uma na velocidade de gravação, isto é 9,5; uma outra na velocidade acelerada 19, com um outro texto...

... mas pronunciado na velocidade normal; uma outra, ainda, com um terceiro texto pronunciado na velocidade normal com a fita correndo em baixa velocidade, isto é, na velocidade de 4,75; e, às vezes, o que é ainda mais inexplicável, uma quarta voz, normal, com um quarto texto, girando-se a fita de trás para a frente.

Pesquisas foram feitas em laboratórios de acústica para se tentar compreender esse último fenômeno, mesmo independentemente da origem paranormal dessas vozes, mas por enquanto o mistério permanece total.

Título: Re: Os Mortos Nos Falam
Enviado por: Marianna em 10 de Março de 2019, 03:33

Em outra obra, este mesmo autor menciona relatórios militares na Escandinávia, já nos anos 30, onde vozes não identificadas haviam intrigado as autoridades.

As pesquisas realizadas na Alemanha sobre esse assunto, nos arquivos nazistas, parecem excluir uma explicação por esse lado. Enfim, sabe-se agora que também os italianos haviam realizado trabalhos para se comunicar com o além.

Começa-se pois a compreender que, em realidade, à medida que a técnica progredia, novas possibilidades de comunicação começavam a aparecer, que nossos falecidos espreitavam com impaciência.

Existiram muitas outras gravações antes das de Jürgenson, a maioria geralmente obtida involuntariamente, mas elas não geraram pesquisas sistemáticas.

Algumas passaram mesmo completamente desapercebidas e só foram notadas quando o fenômeno adquiriu uma ampla audiência (pelo menos no exterior).

Ré escutando velhas gravações realizadas por ocasião de uma festa de família, os iniciados de hoje, cujos ouvidos estão mais treinados, reconhecem, às vezes com surpresa, a voz dos defuntos da família (que, sem dúvida, eram então invisíveis) junto deles comentando o evento.

Uma vez, pelo menos, alguns meses antes da aventura de Jürgenson, uma voz fez-se ouvir claramente. O incidente vale ser contado.

Título: Re: Os Mortos Nos Falam
Enviado por: Marianna em 12 de Março de 2019, 22:28

A hostilidade instintiva das pessoas da Igreja tem certamente também seu papel neste abafamento, quase universal, da grande novidade.

Que a fé não seja mais necessária para se crer na sobrevivência, que ela se encontre de certa forma atropelada por miseráveis aparelhos transistorizados, parece-lhes intolerável.

Entretanto, como já vimos, o antigo arcebispo de Canterbury, Monsenhor Lang, não hesitou em se fazer ouvir através de um médium, e precisamente para falar do espiritismo sem condená-lo em bloco, de maneira simplista.

Um padre católico, Léo Schmid dedicou muito de seu precioso tempo a essas pesquisas. O prelado Karl Pfleger, cura de Behlenheim na Alsácia, acompanhava de perto os trabalhos de Constantin Raudive.

Enfim, mais decisivo ainda, para um católico, o Papa Paulo VI havia sido informado diretamente por Jürgenson sobre suas pesquisas nesse campo, por ocasião de suas filmagens sobre o Vaticano, o que não impediu o Papa de tomá-lo “Comendador da Ordem de São Gregório, o Grande”, ainda que Jürgenson não fosse sequer católico.

Em 1970, o Vaticano há mesmo criado uma cátedra de parapsicologia e a equipe que fez, no outono de 1970 no 3- Congresso Internacional da Imago Mundi, uma exposição sobre as vozes do Além, foi oficialmente encorajada pelo Vaticano a prosseguir suas pesquisas.

Acrescentarei ainda que essa recusa dos nossos interlocutores do Além de responder a algumas de nossas perguntas, como já o vimos, recusa está muito frequente, sugere bem que essas comunicações são inteiramente permitidas por instâncias superiores e permanecem todo o tempo sob seu controle.

Muitas dessas vozes afirmam-nos que tudo isso faz parte do plano de Deus, e vai continuar ainda a se desenvolver, Completando-se em breve por uma certa imagem do corpo espiritual dos falecidos.

Estabeleceremos, em breve, a áudio visão com o Céu!

Não estamos ainda lá. Nós encontramos aí, provavelmente, um outro motivo da lentidão da divulgação desta grande nova. O sistema de fitas magnéticas funciona bem, mas não é assim tão fácil e é, sobretudo, muito irregular.

Às vezes a voz é extremamente límpida, bem timbrada, a pronuncia clara e todos podem escutar e compreender o texto sem nenhum treinamento.

Mas, frequentemente, não passam de débeis murmúrios, a tal ponto que, em velhas fitas, quando não se conhecia ainda esse fenômeno, existiam já vozes que ninguém havia notado. Haviam sido confundidas com ruídos de fundo.

Em numerosos casos, para maior segurança, tem-se decifrado a fita, não em grupo, mas um após outro, em um cômodo isolado, cada qual anotando aquilo que acreditou ter ouvido e compreendido. É preciso muita perseverança e paciência.

Todavia, as técnicas têm sido, pouco a pouco, melhoradas. Vimos que Constantin Raudive havia montado o psicofone para facilitar essas comunicações. Uma firma alemã de gravadores entrega, aliás sob encomenda, um modelo adaptado a esse tipo de gravação.

A obra muito completa da senhora Schäfer indica dezenove métodos diferentes para captar as vozes do além. Parece ser conveniente provocar certos barulhos no local onde se faz a gravação. Não é raro que esses barulhos, perfeitamente audíveis quando da gravação, desaparecem, em parte ou na totalidade, no momento da reprodução.

Por exemplo, Jürgenson nota seis latidos de cães, bem claros, quando da gravação. Durante a escuta, apenas dois permaneceram. As vibrações dos outros latidos foram utilizadas pelos nossos caros falecidos para imprimir suas vozes sobre a fita magnética.

Os ruídos simples da rua são também propícios, ou o murmúrio regular de uma fonte, ou ainda a emissão de uma estação de rádio em língua estrangeira, impossível de ser confundida com as línguas que se conhece.

O livro de Hildegard Schäfer descreve como preparar toda essa matéria-prima para registrar as vozes dos falecidos. Ela descreve também, minuciosamente, como exercitar-se para ouvir. Mas o melhor é, sem nenhuma dúvida, unir-se a um grupo ou a algumas pessoas já bem treinadas tanto em gravação quanto em audição.

Uma derradeira razão para explicar a indiferença geral: é preciso reconhecer honestamente que o conteúdo das mensagens é muitas vezes decepcionante. Não que o mundo do qual eles falam seja decepcionante.

Mas é que eles não dizem quase nada a respeito. Nossos cosmonautas pelo menos falavam quando desembarcaram na lua.

Eles nos contavam que estavam muito emocionados, que a luminosidade da terra era extraordinária vista da lua, que era surpreendente dar enormes saltos à menor pressão sobre o solo, etc...

Nossos correspondentes particulares do além não nos enviam qualquer relatório detalhado sobre suas condições na vida nova. Isto deve fazer parte dos famosos assuntos proibidos. Contudo, veremos que se pode saber muitas coisas por outras vias.

Porém menos seguras. Inversamente, a via mais direta não nos transmite, ainda, grandes coisas. O padre Schmid havia tentado preparar um catálogo dos temas às vezes abordados nestas mensagens.

Ele observava assim que um conteúdo interessante pode atingir, às vezes, 60% do conjunto da mensagem; mas que, em média, não ultrapassa 15%. Ele evoca o garimpeiro de ouro que apanha muita areia mas recolhe muito pouco ouro.

Mas nós estamos ainda no início.

Nos primeiros tempos, parece que a grande preocupação dos finados tenha sido de fazer-nos admitir que a comunicação estava realmente estabelecida. Tem-se a impressão, pela leitura dos registros das mensagens, que o grande receio deles era de que desistíssemos.

Em seguida, buscaram melhorar o sistema, dando-nos conselhos técnicos. Mas sobretudo, a grande preocupação deles era a de se fazer reconhecer, de provar sua identidade evocando detalhes pessoais, pequenos segredos da vida que apenas eles podiam conhecer.

Mas talvez sejamos, também muito gulosos. Aqueles que perderam um ente querido e que, após meses, às vezes anos, ouvem novamente a voz familiar e as palavras características daquele ou daquela que amaram, não pedem tanto.

Hildegard Schäfer evoca sua emoção quando Raudive fez-lhe escutar uma fita magnética, com a voz de uma mãe ainda viva neste mundo e que chamava, desesperadamente, em italiano, seu pequeno filho morto. Este apelo era imediatamente respondido pela voz fresca da criança.

Jean Prieur conta-nos também como a senhora Gabriella Alvisi Gerosa ficou transtornada de alegria quando voltou a escutar, pela primeira vez, a voz de sua filha:

“Eu estava destruída pela dor, tinha a impressão de que a luz havia-se apagado para sempre junto com ela. O desespero me havia tomado totalmente insensível; parecia que mais nada poderia atingir-me.

Enquanto eu estava mergulhada nesse estado de torpor e de aniquilação, a manchete publicada numa revista conseguiu atrair minha atenção: alguém nos chama do além... Decidi, então, tentar a experiência e esperei, angustiada, a resposta das vozes do além”.

Título: Re: Os Mortos Nos Falam
Enviado por: Marianna em 13 de Março de 2019, 01:30

Mas também para ela não foi assim tão simples. Primeiramente, levou vários meses para decidir-se realmente a fazer a primeira experiência. Mais tarde percebeu que, se hesitara tanto tempo, era porque tinha muito medo de, com um fracasso, destruir sua ultima esperança.

Ela recebeu primeiro algumas palavras em alemão, em inglês e, depois, parece, a palavra francesa “balancer”.(l) Nada tinha qualquer sentido. Mas ela perseverou, tentando a toda hora do dia e da noite.

Em seguida, uma voz grave, pausada, pronunciou claramente em latim;: “opus hic, hic opus, hic opus...”, qualquer coisa como: “É uma obra para nós”, ou, “há uma obra a ser realizada”.

Em seguida, enfim, alguns dias após, a voz tão esperada emitiu suas primeiras palavras:  “Do que você precisa?”

“Parecia que esta voz não se havia jamais afastado de sua casa e que provinha do quarto ao lado... Roberta fez todo o possível para dar-me sinais de reconhecimento. Ela me repetiu palavras e frases que costumava dizer quando era pequena, frases que apenas ela e eu conhecíamos.

Ela citou objetos que lhe haviam pertencido. Chegou mesmo a assoviar, modulando as mesmas notas com as quais costumava, por brincadeira, acordar sua irmã”.

Evidentemente não existe aí material para fazer uma reportagem sensacional sobre o além. Mas para os pais, esposos, amigos, separados pela morte daqueles que amaram, o que haverá de mais emocionante que ouvir outra vez a voz amada, tão direta, tão próxima? que descobrir que eles estão aqui, perto de nós, que a vida deles continua, que eles continuam a evoluir e que um dia nós os reencontraremos?

Tudo mudou em 1984, quando a Rádio Luxemburgo convidou, por ocasião de um programa de televisão em alemão, o professor Hans Otto König a fazer, em publico e ao vivo, uma demonstração do seu já famoso “generator”.

O aparelho, transportado até os estúdios, foi remontado, sob os olhos perscrutadores dos técnicos da estação, para se assegurarem que ali não havia truque.

O aparelho trazia grande novidade: as vozes recebidas eram muito mais claras na gravação e, sobretudo, eram ouvidas diretamente através de alto-falante ao mesmo tempo em que eram gravadas. Estabelecia-se, pois, enfim, um verdadeiro diálogo direto, sem precisar retornar a fita após cada resposta.

O aparelho era suficientemente confiável para que a experiência pudesse ser reproduzida à vontade. Era o sonho de George Meek que enfim se realizava. Aliás ele assistiu à demonstração e teve a surpresa de ser chamado por seu nome.

Cada um pôde fazer perguntas.

As respostas vinham após uma curta espera, muito claras, como se a voz ressoasse diretamente na sala. O sucesso foi considerável e a audiência, calculada em dois milhões de ouvintes. König retomou várias vezes aos mesmos estúdios.

Após uma de suas demonstrações a estação recebeu três mil cartas numa semana. O muro do silêncio estava quebrado. A experiência de Luxemburgo: “Uma parcela de eternidade escapa da destruição”

Todavia, as respostas eram ainda muito curtas e não permitiam uma longa explicação. Mas, desde então, as pesquisas têm progredido muito. Eu mesmo pude constatar isto, maravilhado, em casa de meus novos amigos H.F., em Luxemburgo.

Foi a senhora Schäfer quem me colocou em contato com eles. Antes de me aceitarem, consultaram seus correspondentes habituais do além, ou seja: Constantin Raudive, que, como já vimos, ocupou-se muito tempo dessas gravações insólitas durante os últimos anos de sua vida. Hoje em dia, do outro lado, não abandonou sua velha paixão.

Ele continua, pacientemente, a mesma obra, com o mesmo objetivo espiritual, acreditando que esta comunicação com o além terminará por mudai em pouco nossos corações e, por conseguinte, nosso mundo. Ele apoia pesquisas de vários grupos do mundo e, notadamente, desse casal luxemburguense e de seu amigo J.P.S., engenheiro em Luxemburgo.

Um outro interlocutor também intervém regularmente; alguém que afirma não haver jamais vivido em nosso planeta, de não ter jamais encarnado.

Como meus amigos lhe haviam um dia pressionado para que se apresentasse, recusou fornecer-lhes um nome; mas disse-lhes, poeticamente:  “Eu sou como um desses que, invisíveis, acompanham as criancinhas quando passam por sobre uma ponte”.

E acrescentou:  “Podem chamar-me o técnico. o bibliotecário, o arquivista. Eu sou um pouco de tudo isso para o planeta terra”.

De fato, é sobretudo o “técnico” que lhes deu os conselhos necessários para melhorar a comunicação. Ele fez com que meus amigos adquirissem, pouco a pouco, uma série de aparelhos capazes de fornecer ondas de todos os comprimentos.

Ele também orientou-os quanto ao posicionamento desses aparelhos. Ele indica, às vezes, o lugar que cada um dos participantes deve ocupar numa sala dedicada às comunicações.

Trata-se de um verdadeiro pequeno laboratório hoje em dia, com lâmpadas ultra violeta, como as dos filatelistas, um pisca-pisca, um aparelho emissor de ondas de alta freqüência, um televisor branco e preto ligado a uma tela branca, com ruídos de fundo, um pequeno aparelho de rádio.

É muito importante esse aparelho porque é por meio dele que nós escutamos a voz do além, ao vivo. Eles haviam pois consultado Constantin Raudive e “o técnico” sobre meu desejo de participar, se possível, de uma das sessões. Haviam obtido sinal verde, e nós estávamos lá, todos os quatro no laboratório.

Todos os aparelhos funcionavam, emitindo luzes, sons estranhos e um forte ruído de fundo.

A moça, com ajuda do microfone ligado ao gravador, chamava: “Caro técnico, caro Constantin Raudive, nós pedimos que nos falem, se possível; lieber techniker, zwanzig Uhr und sechzehn Minuten, vinte horas e dezesseis minutos, 22 de junho de 1987, segunda-feira à noite, saudamos todo o grupo... (Silêncio preenchido por ruídos dos diversos aparelhos)...

Vinte horas e dezoito minutos, 22 de junho de 1987... (ruídos estranhos, luzes). Afinal, lentamente, emerge do ruído de fundo uma voz grave, bem timbrada.

A de Constantin Raudive que, em minha honra, fala em francês: “...um substrato imaterial, qualquer que seja o nome que lhe dê, princípio, alma, espírito, uma parcela da eternidade escapa da destruição, (ruído dos aparelhos)... A infelicidade é que, hoje em dia, as pessoas têm medo da morte.

Ora, a morte não é para ser temida, mas sim a enfermidade e o que precede a morte... A morte, caros amigos, resulta em uma eternidade radiosa, uma liberação que põe termo às vossas tragédias. A morte é uma outra vida”.


Título: Re: Os Mortos Nos Falam
Enviado por: Marianna em 13 de Março de 2019, 01:49

Em seguida intervém a voz do “técnico”. De início, em alemão: mais aguda, mais rápida, entrecortada, grupando as palavras. Eu só compreenderia bem o texto, ao repassar as fitas em velocidade reduzida.

Seguiu-se enfim uma longa citação de São Paulo, um dos grandes textos da Escritura sobre a ressurreição.

Primeira Epístola aos Coríntios, anuncia o “técnico”, capítulo 15, versículos 35-45: “Mas alguém dirá: “Como os mortos ressuscitam? E com que corpo retomam?

Insensato! O que tu semeias não retoma ã vida se primeiramente não morre... Toda carne não é a mesma carne, mas outra é a carne dos homens, outra aquela das aves, outra aquela dos peixes. Existem também corpos celestes e corpos terrestres.

Mas o esplendor dos corpos celestes é diferente daquele dos corpos terrestres. Um é o esplendor do Sol, outro é o da Lua, outro o das estrelas. E mesmo o esplendor de uma estrela difere do de outra estrela. Assim o é na ressurreição dos mortos.

O corpo semeado em corrupção, ressuscita em incorrupção. E semeado em desprezo, ressuscita em glória. Semeado em enfermidade, ressuscita na força. Semeado corpo animal, ressuscita corpo espiritual. Se há um corpo animal, há também um corpo espiritual...”

Em seguida o “técnico” acrescenta uma citação da epístola de Tiago, capítulo 1, versículo 12: "Feliz o homem que resiste à tentação, porque, após ter sido posto ã prova, ele receberá a coroa da vida que Deus prometeu àqueles que O amam".

Pareceu-me que nosso interlocutor não se utilizava de qualquer tradução já feita, pois de todas aquelas que pude consultar, a mais próxima seria a de Segond.

Enfim a voz grave e lenta de Raudive retoma: “Caros amigos, que prova poderiamos dar-lhes de que não buscamos enganá-los? Nenhuma, senão a certeza interior, absoluta, de uma aproximação, de uma troça, de um tocar de almas.

Caros amigo, eu mesmo precisei travar longas e grandes lutas para aceitar colocar-me em uníssono com esta presença que eu sentia nas fronteiras de mim mesmo, à escuta desta voz que procurava penetrar até em minha consciência.

Então, eu chamei e ele me respondeu. Caros amigos, vocês ouvem vozes. Façam o que julgarem necessário" “Kontakt ende” disse ainda várias vezes o “técnico”, enquanto nós agradecíamos a todos os nossos amigos invisíveis e tão próximos.

As vozes são claras, limpas. As palavras, bem pronunciadas. Uma ou duas vezes, com respeito a Raudive, uma consoante soava um pouco, numa sílaba nasal, como ocorre no sul da França. É verdade que ele viveu vários anos na Espanha.

Acabo de transcrever esses textos ao reescutá-los em meu pequeno gravador. Sou reconhecido a esses amigos do além. Eles escolheram bem seus textos e suas mensagens. Eu creio ter sentido esse “tocar de alma".

Uma outra surpresa me estava reservada por meus amigos de Luxemburgo. Eu havia lido que já se havia obtido, algumas vezes, fotografias dos mortos. No início, acidentalmente, sem que se tivesse procurado. Jean Prieur conta que alguém havia fotografado o túmulo de sua cadela para guardar da mesma uma última lembrança.

Qual não foi sua surpresa de ver, na foto revelada, a imagem do animal familiar, perfeitamente reconhecível. Nos Estados Unidos, quando de uma sessão de gravação de vozes de defuntos, onde foram recebidas vinte e três vozes diferentes, fotos foram tiradas, aleatoriamente, sem que se estivesse vendo qualquer pessoa.

Por ocasião de um congresso internacional em Milão, em junho de 1986, perante 2.200 participantes, H.O. König apresentou uma série de dispositivos a partir dos trabalhos de K. Schreiber.

Entre essas fotos havia muitos falecidos da família de K. Schreiber, naturalmente, mas também Romy Schneider, Curd Jürgens, muitos desconhecidos, e ainda duas fotos de crianças cujas mães, presentes na sala, com a emoção que se pode imaginar, reconheceram perfeitamente.

A maior parte dessas fotos encontram-se reproduzidas na obra consagrada aos trabalhos de Klaus Schreiber realizada por Rainer Holbe (assinalados, a esse respeito, que o videocassete é mais nítido ainda que as fotos do livro).

As primeiras imagens do além! Fantástico, incrível! Contudo...

Meus amigos de Luxemburgo também receberam tais imagens. O professor Ernest Senkowski, da Escola Superior Técnica de Mayença, ajudou-os a montar, em seu pequeno laboratório, os aparelhos necessários.

Mas, ainda nisso, eles foram ajudados por seus amigos do além. O boletim do Círculo de Estudos sobre a Transcomunicação publicado por eles, contém uma lista desses conselhos dados na véspera pelo “técnico”. As imagens aparecem em uma tela de televisão, e podem ser gravadas em vídeo por uma câmera.

O resultado, eu vi: Duas vistas de paisagens arborizadas, ainda um pouco fora de foco. Uma paisagem montanhosa com um vale. Em seguida, a visão de uma espécie de planeta, maior do que a nossa lua, elevando-se no céu, acima do horizonte.

Depois, uma espécie de cidade por trás da qual corria um rio que o “técnico” chamou, a seguir, de rio da Eternidade. No centro da tela erguia-se a silhueta de um edifício maior que os outros. Era, segundo o “técnico”, o centro emissor para as transcomunicações com a terra.

Mas a sequência mais emocionante, e também sem dúvida a mais nítida, era a imagem de meio-corpo de uma jovem, no centro da tela voltada para os espectadores. Atrás dela, o mar; o equivalente ao mar do além.

Via-se perfeitamente o movimento das vagas, e as ondas que vinham quebrar-se na praia do além. Esta jovem surgia com a mão direita sobre a boca e enviava um beijo aos espectadores que éramos nós, um beijo àqueles que ela deixara na terra.

Todas essas imagens, de acordo com o “técnico”, correspondiam ao terceiro nível, segundo a terminologia de F. Myers.

Nós veremos mais adiante que existem muitos níveis, muitos planos no além, e muitas maneiras de contá-los. Conhecemos aqui muitos sistemas para medir a temperatura ou a intensidade dos tremores de terra, como por exemplo a escala Richter.

Pois há também a escala de Myers! Contentemo-nos, por enquanto, em dizer que a classificação de Myers comporta sete níveis, ou melhor sete etapas, uma vez que o instante mesmo da morte é contado como o primeiro nível e a etapa intermediária seguinte, imediatamente após a morte, como a segunda.

Esta terceira etapa corresponde, pois, na sua classificação, ao primeiro nível de existência um pouco durável no além.

Meus amigos do C.E.T.L. (Círculo de Estudos sobre a Transcomunicação de Luxemburgo) já haviam recebido várias outras imagens, dentre as quais uma merece particularmente ser mencionada: em 16 de janeiro de 1987, a tela de televisão mostrava o rosto de um homem bem jovem, completamente desconhecido.

Como a imagem e o som não poderíam ser obtidos ao mesmo tempo, não havia qualquer meio de identificá-lo. Entretanto, em 2 de maio de 1987, uma nova comunicação (desta vez verbal) ocorreu com meus amigos do C.E.T.L.

Estavam presentes, além do grupo habitual, o padre Andreas Resch, doutor em teologia e doutor em psicologia, professor de psicologia clínica e de paranormalogia no Alfonsianum da Universidade de Labrão, em Roma, e também diretor do Instituto para os Problemas das Fronteiras da Ciência em Innsbruck; George Meek, engenheiro americano sobre o qual já falamos; o professor Senkowski e sua esposa.

Após a voz de Constantin Raudive, uma outra voz declarava, em inglês, mas com um sotaque seu colaborador terrestre habitual e falava-lhe em inglês.

Mas era a primeira vez que ele se apresentava.

Tão logo terminou a emissão, na mesma noite, um dos membros do C.E.T.L. abriu seu dicionário Larousse Universal e encontrou as seguintes linhas: “Sainte-Claire Deville, (Henri Etienne), químico francês, nascido nas Antilhas, morto em Bolonha sobre o Sena (1818-1881); autor da dissociação e de importantes trabalhos sobre a química dos metais”.

Título: Re: Os Mortos Nos Falam
Enviado por: Marianna em 13 de Março de 2019, 01:54

Em uma “transcomunicação” posterior, o “técnico” revelaria que o rosto de homem surgido na tela em 16 de janeiro, era o de SainteClaire Deville.

A viagem que George Meek efetuaria ao Luxemburgo era conhecida há muito tempo no além. Essas histórias de pioneiros farão, talvez, sorrir compassivamente quem tiver seu pequeno videofone para comunicar-se com o além. No momento, os pesquisadores organizam-se por toda a parte.

Harold Sherman avaliava, em 1981, o número de pesquisadores na Alemanha em cerca de mil. Os ingleses e os americanos recuperam, pouco a pouco, seu atraso devido, em parte, segundo H. Sherman, à obra malévola de um jovem diplomado de Cambridge em busca de celebridade.

Na Inglaterra, G. Gilbert Bonner teria se comunicando durante meia-hora.

Na Escócia, Alex MacRae, engenheiro eletrônico que trabalhou para a NASA (Skilab e nave), estudando aparelhos de comando verbal para deficientes, teve a ideia de tentar captar as vozes do além, em janeiro de 1983, com pleno sucesso imediato; mas, ao menos naquela época, unicamente para a reaudição, não ao vivo como König.

Os italianos ocupam um bom lugar no movimento e assim provaram em diferentes congressos.

Um artigo do boletim da Metascience Foundation criada por Meek assinala que tentativas têm sido feitas por todo lado, notadamente no Egito, pela americana Sarah Estep: na grande pirâmide de Gizeh, no templo subterrâneo de Dendera, e com sucesso!

Mesmo os russos se engajaram. Este artigo menciona também os nomes do professor Romen da Universidade de Alma-Ata e do professor Krokhalev da Universidade de Perm.

Na Igreja Católica, enfim, a boa vontade manifestada por Paulo VI não foi frustrada. Claro, não houve o entusiasmo que se podería esperar, mas vários eclesiásticos engajaram-se.

Aos nomes dos padres Leo Schmid, Gemelli, Karl Pfleger, Eugenio Ferraroti, Andreas Resch, deve-se juntar ainda o do padre beneditino Pellegrino Ernetti.

O Cronovisor e as imagens do passado O padre Ernetti colabora com pesquisas talvez mais fantásticas, pois trata-se de captar, com o cronovisor, imagens e vozes de defuntos, mas no momento de suas vidas sobre a terra.

O padre Ernetti tem cerca de sessenta anos e é titular de uma cátedra absolutamente única no mundo. Ele ensina, na Universidade de Veneza, música arcaica (prépolifônica), voltando, portanto, no tempo, desde o ano mil da nossa era
até o décimo século A.C.

Um dos problemas que o preocupavam há muito tempo era o da rítmica da música antiga. Ele foi levado a trabalhar com o padre Gemelli na Universidade Católica de Milão, no momento em que este havia captado, em 1952, vozes do além.

Nomeado em Veneza, em 1955, para ministrar aquela nova matéria, pôde reunir em torno de si uma dezena de cientistas de alto nível, especialistas vindos de várias partes do mundo.

Foi então que se elaborou lentamente, no maior segredo, um novo aparelho. Lá pela metade dos anos 70, terse-ia captado o som e as imagens de uma tragédia antiga, encenada em Roma em 169 A.C.

Tratar-se-ia de Tieste de Quintus Ennius, tragédia hoje quase que completamente perdida.

Ela só era conhecida por 25 fragmentos, citações de três autores latinos diferentes: Probius, Nonius e Cícero. O “cronovisor”, restituiu o texto, com seu acompanhamento musical: recitação cantada ao modo dórico. Sabe-se ainda, por algumas fugidias confidências, que uma outra vez o aparelho transmitiu uma cena de mercado em Roma.

Informações sobre o passado imediato podem também ser obtidas. Assim, um dia, o padre Ernetti recebeu em seu aparelho os planos que acabavam de ser elaborados para um assalto.

Ele pôde prevenir a polícia e fazer fracassar a operação. Imagina-se facilmente todas as implicações militares, comerciais ou políticas de um tal aparelho. Compreende-se melhor a relutância dos inventores em colocar tais meios nas mãos de todos.

O padre Ernetti parece temer ainda as possíveis consequências psicológicas, tão surpreendentes são seus efeitos.

Evidentemente, admitir a autenticidade de tais experiências é dar um grande passo. Seria desta vez, plena fantasia? O futuro dirá. O próprio padre Ernetti se fecha, no momento, por trás de uma barreira de condicionais: uma equipe de sábios, diz ele, sem falar de si mesmo, teria desenvolvido um aparelho, que parecería...

Foi apenas com autorização do Vaticano que o padre beneditino fez esta exposição em Trento, às margens do lago, em outubro de 1986. A revista Oggi mencionou o fato (nº 44, de 29 de outubro de 1986, pp. 111-112); o professor Senkowski, que não é nenhum extravagante, traduziu este artigo para o alemão, acrescentando seus próprios comentários.

Pierre Monnier, um jovem oficial francês morto em 1915, do qual já registrei, resumidamente, comunicações por escrita intuitiva com sua mãe, revelava-nos do além, já em 1919, um fenômeno que poderia explicar, parcial mente ao menos, o funcionamento desse fantástico aparelho.

Sua mãe quis fazer, com um antigo colega de seu filho, sobrevivente da Grande Guerra, uma peregrinação aos lugares da última batalha onde seu filho tombara. Ela teve a estranha impressão de ver e ouvir alguma coisa daquele horrível combate.

Pierre explicou-lhe que não se tratava de uma ilusão, uma invenção de sua imaginação, mas de um fenômeno natural, muito generalizado, mesmo que ainda poucos homens percebam: “Permanece sempre uma ‘imagem indelével’ dos quadros do passado - o que vocês chamam de psicometria.

Então, se você souber ver, uma espécie de ‘clichê’ da nossa passagem permanece visível aos olhos do espírito. Vocês têm, às vezes, exemplos, que tomam como alucinações, mas que são absolutamente reais, revelados excepcionalmente a seus olhos...

Nos campos de batalha, mãezinha, nossas sombras permaneceram! A música toca ainda os brados furiosos e a Marselhesa; a bandeira drapeja... mas são imagens prolongadas e não uma realidade objetiva.

Esses fenômenos permanecem ainda desconhecidos de sua ciência; entretanto, eles foram constatados por ‘videntes’, seres cuja constituição espiritual possui um desenvolvimento que os outros ignoram. Tudo o que atinge as diversas ondas que as envolvem, aí deposita uma imagem indelével; uma fotografia...

Vocês compreenderão este processo num tempo bem próximo. Pierre volta ao assunto mais longamente, e explica que entre os milhares de clichês registrados num mesmo local, é o choque provocado por uma emissão de ondas de nossa parte que vai selecionar, como numa memória, o quadro desejado ou temido e colocá-lo em movimento:

“Trata-se de uma variedade da telepatia, que chamaria de material, entre ondas e ondas, que libera, assim como uma mola, o quadro de certo modo estabilizado; ele põe-se em movimento, estimulado que está pelas ondas análogas àquela que o banhou quando foi formado”.

Parece, igualmente, que condições atmosféricas particulares, regulares, periódicas ou excepcionais, podem favorecer o fenômeno.

Isto explicaria, talvez, certos casos da aparição dos fantasmas. Temos sempre tendência de simplificar, mesmo que involuntariamente, e de querer reduzir a uma explicação única os fenômenos que apenas nossa ignorância faz com que consideremos idênticos.

Mas enfim, as inumeráveis visões, devidamente constatadas, de exércitos de fantasmas, travando eternamente o mesmo combate, encontrariam uma explicação por esse mesmo mecanismo, descrito por Pierre Monnier.

O desfile de soldados de infantaria, por exemplo, que se vê regularmente na primavera, na alvorada ou ao crepúsculo, perto de Frango Kastelli, velha fortaleza veneziana em ruínas, ao sul de Creta. Os habitantes da região chamam esse exército de sombras de Drosulites, isto é: os homens do orvalho.

Os testemunhos são numerosos, totalmente dignos de fé. Mais de um cético teve de se render à evidência. As narrativas se cruzam e se completam. Sabe-se que se pode atravessar este exército sem ser incomodado nem o embaraçar. As vezes só podemos vê-lo colocando-nos muito baixo, ao nível do solo, agachados.

Ele pode desaparecer progressivamente e não apenas por atenuação da imagem, mas por camadas; as pernas dos soldados desaparecem primeiro, depois seus troncos.

Só se vê, então, os capacetes e as lanças. A visão é talvez bem nítida, mas a descrição não é bastante precisa para permitir a identificação do exército. Fala-se apenas de capacetes, cotas de malha, lanças e escudos.

Louis Pauwels, de quem extraio todos esses detalhes, relata que “um conservador da Biblioteca Nacional, Jean-Pierre Seguin, declarou (num artigo publicado no jornal Le Monde), dispor de cerca de uma centena de publicações que registram a aparição de tropas armadas, de figuras humanas, de animais, de diversos objetos assustadores, às vezes projetados no céu".

Título: Re: Os Mortos Nos Falam
Enviado por: Marianna em 13 de Março de 2019, 01:59

Nosso autor cita então, brevemente, a batalha entre dois exércitos, em pleno céu, acima da paróquia de Sarlat, em 11 de setembro de 1587: Em 27 de janeiro de 1795, perto de Ujest na Silésia, em campo aberto, diante de uns cinquenta camponeses, um corpo de infantaria apareceu de repente, formado em três colunas e precedido por dois oficiais que carregavam bandeiras vermelhas.

Em certo ponto a tropa parou e a primeira linha atirou na direção dos camponeses que não ouviram, contudo, qualquer ruído. Dissipada a fumaça, os soldados da cavalaria ligeira apareceram e desapareceram, também repentinamente.

A cena se repetiu em 3 de fevereiro do ano seguinte, diante de quatrocentas pessoas, e ainda em 15 do mesmo mês, perante trinta pessoas.

Desta vez preveniram, imediatamente, o general Von Sass que se deslocou logo para o lugar com um destacamento. O exército fantasma que, nesse meio tempo, havia desaparecido, apareceu de pronto.

Os dois oficiais a cavalo, de um e de outro exército, deslocaram-se ao encontro um do outro. O vivo interpelou o fantasma, que não respondeu. O vivo ia atirar no fantasma quando tudo desapareceu.

Outros casos são narrados nesta obra. Uma terrível batalha que se reproduziu por cinco vezes, no mesmo lugar na Inglaterra, em 1642, dois meses depois de realmente travada. Dois enviados de Carlos I da Inglaterra chegaram a reconhecer, entre os combatentes fantasmas, alguns dos que ali haviam morrido.

Mais curioso ainda: em 1574, cinco soldados da guarda, em Utrecht, veem no horizonte, perto da meia-noite, um combate feroz que só ocorrería de fato, doze dias mais tarde.

Enfim, mais recentemente ainda, 0 Ministro da Defesa de “Sua Majestade" Elizabete II deveria abrir um inquérito sobre um combate de “espectros” que acontece a cada 23 de outubro, em Keinton... num campo do exército que serve de depósito de munições.

Conheço pessoalmente uma pessoa a quem aconteceu aventura parecida, porém, sem combates inquietantes, de forma bem mais simples. Esta pessoa, em visita à casa de um amigo médium, quis filmar um lindo jardim que acabara de atravessar ao descer por uma escada.

Qual não foi o seu assombro, quando viu a si mesma, através do visor da filmadora, descendo a escada como fizera alguns minutos antes. Surpresa, ela abaixou de imediato a câmera para olhar novamente a escada, sem o intermédio do aparelho. Os degraus estavam vazios. Ela perguntou a seus amigos se haviam visto alguém descer aquela escada.

Não, responderam eles, um pouco espantados com sua pergunta, não há outra pessoa aqui, além de nós. Mas quando da revelação, ela aparecia no filme, somente da cintura até os pés, por causa do rápido movimento que havia feito com a câmera.

Como se vê, esse mistério de ondas remanescentes existe em todas as épocas e é menos raro do que se poderia crer.

Sem dúvida é um mecanismo físico semelhante, ainda desconhecido, inexplicado, mas nada fantástico ou “sobrenatural” que está na origem daquilo que a senhora Monnier percebeu quando de sua peregrinação aos locais do combate onde havia perecido seu filho Pierre. O que acontece com as imagens, é também possível para os sons.

Se os camponeses da Silésia não ouviram os tiros, em contra-partida os espectadores da batalha de Edge Hill, na Inglaterra, ouviam muito bem o rufar dos tambores, os tiros de canhão, o ruído dos mosquetes e os gritos de agonia dos soldados, e ficaram muito apavorados.

Pode mesmo acontecer que apenas os sons sejam perceptíveis. Assim é para a “horda selvagem” (das Wilde Heer) que se houve perto do castelo em ruína de Rodenstein, nas montanhas d’Odenwald ao sul de Hesse. Os testemunhos remontam até 1750.

Cada vez que uma guerra ou uma catástrofe está iminente, ouve-se ruídos de veículos, de marcha, de cavalos. O fenômeno era tão conhecido que certos governos europeus procuravam saber, nos períodos de tensão internacional, se alguém havia escutado a célebre horda.

Cada um pense o que quiser, mas Werner Schiebeler, professor de física e eletrônica da Escola Técnica Superior de Ravensburg, apaixonado pela parapsicologia, contou-me que fizera viagens a Oldenwald e que novamente uma testemunha havia escutado a horda, às vésperas da guerra do Yom Kippour.

Mas, se o universo está assim repleto de ondas do passado, que, em certas circunstâncias, podem encontrar-se reativadas e tomando-se, por um curto instante, novamente visíveis e audíveis, é muito possível que, às vezes também, nossas gravações em fitas magnéticas não nos transmitam senão ondas sonoras remanescentes de diálogos do passado entre vivos sobre a terra, de outros tempos, hoje já falecidos.

Foi o que aconteceu talvez, desta vez em Paris, em 1968, a uma pianista que morava à rua Ordener. A senhorita Marie-Claude X, havia composto algumas melodias que registrava no gravador.

Escutando sua fita percebeu, além de sua composição, alguns sons bizarros, depois palavras confusas e, finalmente, muito claro, sempre impressas sobre sua música, algumas palavras pronunciadas muito claramente: “Você!

Eis! Rocking”(l) e depois: “Com vocês... oh! que frio!.. É preciso voltar..." Ela morava no 6º andar, as janelas estavam fechadas, o apartamento estava completamente silencioso.

De qualquer forma, se uma voz houvesse ressoado bastante forte para ser gravada na fita magnética, ela a teria escutado.

Deixemo-la contar: “Eu recoloquei meu aparelho em funcionamento. Havia gravações. Um instante mais tarde, eu me sobressaltei: um grito estridente, aterrorizante, cobria meus acordes”.

Ela parou de imediato o aparelho e depois, finalmente, tomou coragem, apesar de sua perturbação, para escutar o último trecho.

“O início não foi perturbado por qualquer ruído anormal, mas quase no fim, uma voz grave de repente, encobria a musica para
dizer: ‘É muito gentil...’. Depois, ‘Eu voltarei’. Esta voz pareceu-me tão presente, que senti um calafrio”.

Por curiosidade, ela deixou sua fita correr até o fim, mas nenhum outro som saiu do aparelho. Após haver longamente refletido e pensado em todas as hipóteses possíveis, ela quis escutar novamente a fita. Ouviu de novo os sussurros, as palavras estranhas e o grito estridente.

Meditou sobre tudo isso, sem pensar em parar a fita após as últimas palavras. Foi então que, de repente, no fim da fita, onde um momento antes não havia nada, ela percebeu muito claramente o ruído de uma respiração; depois, um momento de silêncio e, de novo, "palavras ecoaram na peça, gritadas por uma voz de homem: “Louise! Louise!...

Onde está você?", E novamente o silêncio. Silêncio que foi quebrado várias vezes por gritos longínquos e arquejos.

Depois, bruscamente, uma voz feminina surgiu gritando: "A casa é mais baixa!". Finalmente, após um longo intervalo, a voz masculina retornou para dizer em tom decrescente: “Escutem!... Escutem!... E preciso escutar!".

Na manhã seguinte, Marie-Claude fez vir seu primo e novas gravações foram feitas à noite, deixando o aparelho ligado antes de irem se deitar, Uma voz de mulher pronunciou então, claramente, várias vezes: “Robic, Robic, meu pequeno...".

O primo chamava-se Robert e “Robic" era o apelido afetuoso que sua mãe lhe havia dado. Robert reconheceu a voz. Uma outra voz chamou por Marie-Claude. A comunicação, se bem que sempre imperfeita, acabou tomando-se relativamente normal: apelo de falecidos e viventes terrestres.

Mas o mais estranho, e para nós o mais interessante desse acontecimento, foi a primeira frase: Marie-Claude teria recebido em seu aparelho pedaços remanescentes de conversações passadas que flutuavam ainda na atmosfera da peça?

O que daria mais a pensar são os chamados: “Louise... Louise, onde está você?".

E mais ainda o grito estridente. Ou então o gravador surpreendeu um diálogo que se desenrolara no próprio fevereiro de 1968, mas entre pessoas para nós invisíveis e inaudíveis: entre vivos de um outro plano.

O final da história seria mais favorável a esta segunda interpretação. Donde, talvez, a exclamação: “A casa é mais baixa...", como se tratasse de seres viventes cm outro espaço que teriam marcado encontro no nosso mundo e tivessem necessidade de coordenar seus esforços para encontrar o lugar escolhido?

Título: Re: Os Mortos Nos Falam
Enviado por: Marianna em 13 de Março de 2019, 02:17

Pode-se efetivamente captar, hoje em dia, com a ajuda de aparelhos, as imagens e os sons do passado? O “cronovisor" está já no ponto ou só terá, até o momento, realizado explorações isoladas e sem futuro, como os primeiros diálogos diretos obtidos por Bill O'Neil?

Não estou em condições de responder. Penso, contudo, que de qualquer modo, isto será em breve uma realidade.

Em 1919, Pierre Monnier anunciava-nos que compreenderíamos logo o “processo” dessas ondas. Em 1922, sem visar particularmente esta área de pesquisa, é verdade, ele nos explicava como ocorreriam nossos progressos:

“Temos entre nós numerosos amigos das ciências que, na vida terrestre, contribuíram para decifrá-las, para detectá-las, e que se esforçam agora em esclarecer os pesquisadores da terra: este é o papel deles, esta é sua missão, que para eles, é uma incomparável alegria...”.

Um pouco como Constantin Raudive para com meus amigos de Luxemburgo, ou como Doc Nick e George Müller para com Bill O’Neil e George Meek. Mas, sem duvida, também para muitos outros pesquisadores que não sabem donde lhes vêm intuições mais geniais.

Mas, lendo-se atentamente Pierre Monnier, tem-se a impressão de estar diante de um mistério em vários graus que ultrapassa, de longe, as simples imagens do passado captadas pelo “cronovisor”.

Trata-se da objetivação de todos os nossos pensamentos e de todos os nossos sentimentos, de sua projeção sob a forma de ondas. Imenso problema, sobre o qual retomaremos mais extensamente.

Contentemo-nos, por enquanto, com esse texto ainda extraído das Cartas de Pierre.(2) Ele se dirige, como sempre, à sua mãe: “Em uma palavra, você pode admitir que a acuidade de um sentimento seja uma figura com uma forma, da qual você sentirá a qualidade que eu posso definir: “espiritualmente sólida”.

Não lhe será impossível dar a esta sensação exteriorizada, um corpo (imaginário, mas ao mesmo tempo real). Esse sentimento que lhes parece totalmente subjetivo, não o é tanto quanto vocês supõem, na ignorância que têm da realidade objetiva da sensibilidade psíquica.

Os chamados telefônicos do além. Não acabamos ainda com o fantástico. Graças a todos os nossos instrumentos, as provas da sobrevivência multiplicam-se e vão além de todos os nossos dons particulares.

Há algum tempo, um novo tipo de provas nos são dadas, menos conhecidas que os fenômenos de “transcomunicação”, não reproduzíveis à vontade, ao menos no momento, mas não menos espetaculares: são as chamadas telefônicas a partir do além.

Um artigo de Theo Locher, presidente da associação suíça de parapsicologia (Schweizerische Vereinigung für Parapsychologie), analisa este assunto em dois números do Parastimme, o boletim da Associação Alemã de Transcomunicação (abril e agosto de 1986).

Seu telefone toca normalmente. Você atende e, de imediato, escuta a voz, o timbre, as palavras familiares da mãe ou filho que você “perdeu” (ou acreditou ter perdido) na véspera, há alguns dias, alguns meses ou alguns anos. O choque pode ser terrível.

Uma mãe que pranteava sua filha há dois anos, escutou, dessa forma, um dia ao telefone, sem qualquer sinal de advertência, a voz de sua filha que lhe relembrava um incidente típico e familiar “Mamãe, sou eu; preciso de vinte dólares para voltar para casa”.

A mãe caiu, desmaiada, ao lado do telefone. O fenômeno não é contestável porque, em certos casos, um tanto excepcionais é preciso admitir, mas que provam que os outros casos são muito verossímeis, defuntos fizeram, ao telefone, revelações que
puderam ser verificadas depois.

Uma atriz, Ida Lupino, que vivia em Los Angeles durante a Segunda Guerra Mundial, recebeu uma chamada telefônica de seu pai, morto há seis meses. A casa da família, em Londres, acabara de ser destruída por uma bomba, e a família encontrava-se em situação muito difícil por não ter o respectivo título de propriedade.

Seu pai reveloulhe de modo muito preciso, o lugar do porão onde havia escondido seus documentos. Essas indicações foram comunicadas a Londres, os documentos foram facilmente encontrados e tudo voltou à normalidade.

Uma amiga dessa atriz, a senhora Pendleton, testemunhou o chamado telefônico e confirmou a autenticidade do relato. Esses fatos são ainda pouco conhecidos por boas razões.

Aqueles a quem eles acontecem não ousam falar, com medo de serem considerados por “desequilibrados”. Ignorando que isso já aconteceu a outros, terminam por duvidar de si próprios.

Em certos casos, felizmente, havia várias testemunhas. Algumas obras começam a reunir esses relatos em estudos.

Theo Locher assinala, assim, dois livros; um de S. Ralph Harlow A Life After Death, e outro, de Scott Rogo, Phone Calls from the Dead, que analisa cinquenta casos entre os setenta reunidos pelo autor e Raymond Bayless durante três anos de trabalho intenso.

Os estudos atuais mostram que o chamado pode vir de parentes ou amigos, mas geralmente de crianças a seus pais ou inversamente.

As chamadas entre esposos parecem, ao contrário muito mais raras. O intervalo entre a morte e os chamados pode variar desde a manhã seguinte à morte até alguns anos depois. Em várias dessas chamadas o falecido parece não haver compreendido que não pertencia mais ao nosso mundo.

Aqueles que chamam pouco depois de sua morte têm um ar, geralmente, perdido e a chamada é curta. Aqueles que, ao contrário, fizeram a grande passagem há um certo tempo, expressam-se mais calma e longamente.

As vezes os "vivos da terra” não reconhecem de imediato a voz de seu falecido. Cabe então aos vivos-do-além insistir para serem reconhecidos, como já o vimos com as gravações.

Enfim, em alguns casos extremos, quando a comunicação é estabelecida, a surpresa é tão grande no além quanto na terra.

O motivo dessas chamadas pode ser tanto uma espécie de necessidade do defunto de retomar contato com aqueles que deixou, quanto o desejo de tranquilizá-los e consolá-los.

Um simples bom dia, de passagem pode também acontecer. A filha da senhora H.S. não tinha mais que vinte anos quando morreu após numerosas operações. Sua mãe, entretanto, depois de um longo período de desespero já havia obtido alguns sinais incontestáveis da sobrevivência de sua filha em outro mundo.

A dor de separação ainda existia, certamente, mas não o desespero. Um belo dia, enquanto a mãe falava ao telefone com uma amiga, a voz da jovem interveio no meio da conversa. Não para dela tomar parte, mas simplesmente para manifestar-se, reafirmar seu carinho com diminutivos familiares que restabelecem rapidamente a intimidade perdida.

Certas pessoas, particularmente sujeitas a esse gênero de fenômenos, terminam gravando, sistematicamente, todas as suas chamadas telefônicas. Como neste caso. A mãe fez-me ouvir a fita cassete.

A voz de sua filha é débil mas perfeitamente reconhecível, com a pronúncia muito rápida, bem característica das vozes dos falecidos registradas em gravador. As exclamações da mãe e de sua amiga suavizam-se.- A mãe agradece, mas não ousa lazer perguntas.

A amiga encarrega-se de perguntar à jovem se ela pode recomeçar. E por três ou quatro vezes, as palavras retomam: “Eu sou feliz. mamãe, eu te amo". Quanto ao mecanismo dessas chamadas, perdemo-nos atualmente em hipóteses.

Pode ser que apenas a campainha passe pelo cabo telefônico e que, em seguida, os sons sejam diretamente transmitidos no ouvido ou nos centros auditivos da pessoa receptora.

Mas, pelo menos em um caso tal explicação não satisfaz, porque a telefonista anunciou uma chamada de longa distância. No local indicado, a chamada não foi registrada.

Nós estamos pois, em novo período da história humana, onde a sobrevivência pessoal de cada um não é mais uma questão de fé, de crença, de intuição ou de opinião, mas de conhecimento: como no tempo em que alguns sabiam que a terra girava em tomo do sol enquanto outros o ignoravam, por estarem mal informados.

O mesmo ocorre hoje em dia, quando existem uns que sabem que a sobrevivência é um fato e outros que pensam que isso é apenas uma hipótese a ser considerada.

Agora vocês sabem!

Título: Re: Os Mortos Nos Falam
Enviado por: Marianna em 13 de Março de 2019, 02:50

II A Morte É Um Segundo Nascimento

A alegria de morrer:

Portanto, a morte não é a morte. Ela não é senão uma passagem para uma nova forma de vida, como um novo nascimento.

—  Mas como se dá essa passagem?
—  Em que consiste esta nova existência?

Procedamos por etapas.

Antes de tudo, é preciso dizer, porque é sempre útil saber, caso... mais exatamente, para o momento em que for preciso fazer essa passagem: é maravilhoso morrer.

Reconheçamos honestamente que antes pode-se sofrer, e até mesmo terrivelmente. Mas é da passagem propriamente dita que quero falar.

Já durante a última guerra, bem antes das revelações do Dr. Moody sobre as Experiências nas Fronteiras da Morte, o professor Eckart Wiesenhütter encontrava-se muito intrigado com as reações de um jovem soldado de 28 anos. Os intestinos em pedaços devido a uma explosão de obus, havia sido salvo por um triz.

Voltando a si, durante vários dias inteiros recusou-se a falar. Enfim, deixou escapar:
—“Por que vocês fizeram isso?”.

Apenas mais tarde ousou contar a respeito do sentimento de libertação extraordinária de alegria paradisíaca que havia experimentado e que lhe haviam roubado.

Algumas semanas mais tarde, o professor Wiesenhütter recolhia outros testemunhos, mais precisos, de dois rapazes que quase se haviam afogado e que haviam sido salvos com muita dificuldade.

Eles guardavam uma lembrança tão maravilhosa de sua experiência que era da mesma morte que desejavam partir definitivamente no dia em que a hora chegasse. Eles não ignoravam que passariam outra vez pela mesma angústia.

Mas sabiam que ela não duraria e que a alegria em seguida seria imensa... O professor recolheu testemunho semelhante de um estudante quase morto de frio durante um passeio de esqui após ter-se perdido devido a neblina.

Ele teve amputados dedos da mão e dos pés. Entretanto, declarou que desejava morrer assim - caso tivesse escolha - Wiesenhütter soube, por intermédio de montanheses experientes, que tal sensação é temida pelas equipes de socorro.

As vítimas, passado o momento de pânico, sentem tal felicidade que a vontade de lutar desaparece.

A mesma observação já havia sido feita, há muito tempo, a respeito de quedas ocorridas nas montanhas. A tal ponto, que alguém já escreveu: “Morrer caindo de uma grande altura é muito agradável".

É verdade que hoje se sabe qual o papel desempenhado pela secreção da endorfina nesta sensação de euforia, mas, como veremos adiante, isto não explica tudo.

—  Quando não se traz o moribundo de volta à vida, quando o mesmo não é trazido de volta, à força, para nosso mundo, como as coisas acontecem?

Vamos descrevê-los, inicialmente, em seu aspecto exterior. Parece não haver aí regras absolutas, uniformes. Cada um inventará um pouco a sua própria morte. Neste momento, seremos todos criadores.

Entretanto, parece também, que não se pode tomar como modelo o que ocorre quando a morte é apenas momentânea, provisória, como o caso daqueles que se traz, finalmente, de volta à vida. Neste caso, quem está morrendo encontra-se fora de seu invólucro carnal, sem ter um outro corpo completamente constituído.

Ele pode ver, às vezes ouvir tudo o que se passa neste mundo, atravessar paredes e tetos, deslocar-se instantaneamente, e encontrar-se onde desejar, livremente; mas, na maioria dos casos, ele não tem a impressão de possuir um verdadeiro corpo, ou então sente-se em um corpo vagamente esférico, sem contornos precisos e sem consistência, como uma espécie de “bruma”, de “nuvem”, de “vapor”, ou de “campo de energia”.

Sabe-se que tal fenômeno de desincorporação, ou de saída para fora do corpo, pode, muito bem aliás, produzir-se independentemente do contexto da morte, de um acidente ou de uma operação.

É verdade, não obstante, que muitas pessoas que se desincorporaram ou se desdobraram pela primeira vez fizeram-no depois espontaneamente fora de qualquer perigo. Algumas terminam mesmo podendo fazê-lo por sua própria vontade.

Enfim, é preciso notar que existem agora na França e em outros lugares, centros onde se pode treinar essa viagem fora do corpo, no “astral”. Há, inclusive, manuais, guias práticos, métodos, onde se descreve, minuciosamente, como se preparar para isso, e nisso se exercitar.

Segundo pesquisas conhecidas, 80% daqueles que fizeram esta experiência de desincorporação provisória sentiram-se mais como espírito, como consciência desencarnada, do que como viventes em um novo corpo. É ao menos a esse resultado que chegaram, separadamente, Celia Green e K. Ring.

Parece que ficam tão cativados por tudo o que vêem e ouvem, que não têm tempo de se perguntarem sob qual forma continuam a viver.

Assim, a senhora Yolande Eck contou-nos que, estando fora de seu corpo, em um magnífico jardim, teve a impressão de ali ver um banco e de nele sentar-se; um pouco mais tarde, levantou-se para ir ao encontro de um ser maravilhoso que vinha ao seu encontro.

Cheia de respeito diante da elevação espiritual daquele ser de luz, e transtornada pelo amor que dele emanava, caiu de joelhos diante dele. Mas, na realidade, apenas mais tarde, quando ele a fez retomar à terra, apesar de suas súplicas, ela lembrou-se de verificar se tinha um corpo, muito cuidadosamente ela conta que tentou apalpar-se.

De tal forma que, ao contar sua aventura, ela faz sempre o gesto de beliscar o próprio braço. Ela tem, pois, o impulso de fazer gestos, o que significa que ela tinha a impressão de ter um corpo: mas teve, contudo, a surpresa de não encontrar nada consistente.

Título: Re: Os Mortos Nos Falam
Enviado por: Marianna em 13 de Março de 2019, 02:59

A Constituição Do Corpo Espiritual

No caso dos que morrem a morte definitiva, com efeito, tudo leva a crer que as coisas acontecem de outra forma. Um verdadeiro corpo constitui uma cópia, mas isso leva tempo.

O fenômeno, aliás, era conhecido dessa forma há muito tempo, mas os testemunhos diretos não eram muito numerosos, e nossa cultura, nos últimos séculos, tomou-se distante disso. Uma guinada colossal está em curso, atualmente.

Eis então, a narrativa feita por um missionário, no século XIX, das crenças dos taitianos sobre a morte: eles acreditam que, no momento da morte: “A alma é atraída, fora do corpo de que foi retirada, para ser lenta e gradualmente unida com o deus do qual ela emanara"...

Os taitianos concluíram daí que uma substância, tomando forma humana, saía do cadáver pela cabeça. Pois, entre os raros privilegiados que possuem o dom sagrado da vidência, alguns afirmam que pouco após a parada da respiração do corpo humano, um vapor eleva-se da cabeça e paira um pouco acima dele, ligado ao mesmo por uma corda vaporosa.

A substância, dizem, aos poucos aumenta de volume e toma a forma de um corpo inerte. Quando está completamente fria, a corda de ligação desaparece e a alma, com forma corporal, afasta-se flutuando, como levada por carregadores invisíveis”.

Esta narrativa é totalmente confirmada pelo testemunho de observadores modernos e ocidentais. R. Crookall na sua obra “Out of the Estelle Roberts descreveu dessa forma a transição de seu marido: “Vi seu espírito deixar o corpo. Saiu por sua cabeça e foi, pouco a pouco, modelando-se em uma réplica exata de seu corpo terrestre".

Permaneceu em suspensão, a cerca de trinta centímetros acima do seu corpo, estendido na mesma posição horizontal e ligado à cabeça por uma corda. Depois a corda se rompeu, a forma espiritual afastou-se flutuando e atravessou a parede”. A outra narrativa provém de um médico do século XX que possuía, certamente, dons mediúnicos.

Eis aqui, pois, como o doutor R.B. Hout descreve-nos a morte de sua tia: “Minha atenção foi atraída... logo acima de seu corpo físico, para alguma coisa em suspensão na atmosfera, a pouco mais de sessenta centímetros da cama.

Eu não distingui de imediato nada além do vago contorno de uma substância brumosa semelhante à neblina. Parecia não haver lá, em suspensão, senão uma bruma imóvel.

Mas, como eu a olhava, pouco a pouco aquele vapor inexplicável ganhou volume, tornou-se mais denso, compacto, e condensou-se à minha frente. Depois, fiquei assombrado de ver que se formavam contornos precisos, enquanto aquela substância brumosa tomava uma forma humana.

Compreendi rapidamente que via um corpo parecido ao corpo físico de minha tia... o corpo astral (o termo é de Hout) permanecia suspenso horizontalmente, a menos de um metro acima de sua contrapartida física... Continuei a olhar e... o corpo do espírito (este termo é, novamente, de Hout) pareceu tornar-se completo.

Eu distinguia perfeitamente seus traços. Eram similares aos do rosto físico, mas irradiava paz e exprimia vigor ao invés de velhice e dor. Os olhos estavam fechados como em sono tranquilo e uma luminosidade parecia irradiar-se do corpo do espírito.

Enquanto eu observava o corpo do espírito em suspensão, minha atenção foi atraída, de novo intuitivamente, por uma substância prateada que saía da cabeça do corpo físico em direção à do espírito da cópia. Depois, eu vi a corda de ligação entre os dois corpos.

E enquanto olhava, eu dizia a mim mesmo: “a corda de prata". Compreendia seu significado pela primeira vez. Aquela corda de prata era o elo de conexão entre os corpos físico e espiritual, como o cordão umbilical que une a criança a sua mãe...

A corda era ligada a cada um dos corpos na protuberância occiptal, bem na base do crâneo. No ponto de ligação com o corpo físico, ela abria-se em leque e numerosos raminhos separados ligavam-se, isoladamente, à base do crânio.

Mas fora desses pontos de ligação, a corda era roliça, com um diâmetro de cerca de dois centímetros e meio. Sua cor era aquela de um raio luminoso, translúcido e prateado.

Ela parecia vibrar sob o efeito de uma energia intensa. Eu via pulsações luminosas percorrerem-na, do corpo físico ao espírito da cópia. A cada pulsação, o corpo do espírito ganhava vigor e densidade, enquanto o corpo-físico parecia mais calmo e inerte...

Nesse momento, os traços se tomaram bem distintos. Toda a vida encontrava-se no corpo astral... as pulsações da corda haviam parado... Eu olhava suas ramificações abertas em leque na base do crânio. Cada ramo partia-se... a separação final era iminente.

Um duplo processo de morte e nascimento iria acontecer...

O último ramo de conexão da corda de prata partiu-se e o corpo do espírito foi libertado. O corpo do espírito, que se encontrava em levitação (estendido sobre o dorso) ergueu-se... Os olhos fechados abriram-se e um sorriso clareou os traços iluminados. Ela deu-me um sorriso de adeus e desapareceu.

Fui testemunha do fenômeno acima como de uma realidade inteiramente objetiva. Vi as formas do espírito com meu olhar físico. Em caso de morte definitiva, a existência de um segundo corpo, corpo “sutil”, ou “espiritual”, é certa.

Bem como, muito provavelmente, a existência de muitos corpos embutidos uns nos outros como bonecas russas. Mas a forma como esse segundo corpo se desliga do invólucro carnal pode variar.

Parece, quanto a isto, que se pode aceitar os testemunhos recolhidos a respeito das mortes provisórias, como igualmente válido para as mortes definitivas. A saída, bem como o retomo, podem ocorrer pelo alto da cabeça, praticamente pela moleira.

Alguns têm a impressão de serem aspirados para fora de seus corpos ou neles introduzidos como por um funil, mas com dor; outros sentiram-se deslizar para fora do seu corpo pela lateral: “entre o colchão e a beirada da cama”, relata-nos uma dessas testemunhas, “parecia que eu passava através dessa beirada”.

A saída pode, também, acontecer pela boca, como a ideia do “ultimo suspiro” bem sugere. A esse propósito, nós temos sorte de ter um texto bem antigo, bem anterior a todas essas pesquisas, onde a testemunha fez um esforço todo particular para acompanhar todas as fases do processo.

Eis aqui, pois, a narrativa desta saída do corpo pela boca, tal como foi várias vezes vivida pela grande mística alemã, Marie-Anne Lindmayr.

Trata-se, nesse caso, para ela, de um tipo particular de êxtase, o mais profundo. Ela conhecia outros dois tipos. Seu confessor havia lhe pedido, em 1705, um relatório detalhado a respeito: “Pedi ao Senhor para me fazer perceber o desenrolar do êxtase, mantendo o pleno uso de minha razão, como muitos que estão morrendo conservam, até o derradeiro momento, suas consciências... Conheci o início, o ponto culminante e o fim deste êxtase.

Título: Re: Os Mortos Nos Falam
Enviado por: Marianna em 13 de Março de 2019, 03:04

Estava tomada de grande fraqueza. Não era consequência de uma debilidade natural, mas porque Deus queria fazer-me ver suas maravilhas.

Esta debilidade era acompanhada e seguida de um frio de intensidade inexprimível, indescritível, que começava pela parte inferior do corpo e tomava, pouco a pouco, meu corpo inteiro que perdia assim, toda a sensibilidade.

Eu sentia meu coração parar, pouco a pouco, de bater e minha respiração tornar-se cada vez mais curta. Sentia, ainda, um pouco de vida em meu coração.

Como um moribundo - a quem Deus dá a graça da consciência - sente que piora cada vez mais, e que sua alma está a ponto de deixá-la, eu tinha a alma como que saindo pela boca. Antes da partida da alma, sentia-me ainda presente; mas estava exteriormente como morta, absolutamente insensível, fria como gelo, sentindo sobre mim um sopro frio.

Num instante a razão havia desaparecido com o espírito, e ao mesmo tempo via-me sendo conduzida ao local onde Deus queria que eu estivesse. Permaneci assim durante mais de duas horas fora do meu corpo.

O senhor fez-me sentir, igualmente, quando meu espírito voltou a meu corpo.

Como se o espírito me invadisse - o que durou um curto instante - recuperei toda a razão. Era para mim como se, pelo poder de Deus, um gigante forte e poderoso me sacudisse e minha alma entrasse pela minha boca, como por ela havia saído.

Pouco a pouco, sentia de novo a vida em meus membros e, após uma hora, recuperei um pouco a sensibilidade corporal (embora meu corpo estivesse ainda enrijecido pelo frio que só desapareceu após alguns dias).

O Senhor Deus fez-me também, então, compreender que sempre que isto acontecia era por um milagre de sua onipotência”.

Mas a grande passagem pode, igualmente, produzir-se sem que se perceba, como ocorre, com frequência, em caso de acidente. O corpo espiritual encontra-se projetado para fora de seu invólucro carnal.

Há numerosas narrativas de pessoas que se viram a alguns metros de distância de seus carros - surpresas por perceberem pessoas correndo até o veículo e, ainda mais, por verem que dele retiravam seu próprio corpo.

Esta saída imediata do invólucro carnal pode também produzir-se em casos de febre muito alta e de intensa preocupação, sem qualquer choque físico brutal. A narrativa do jovem soldado americano George Ritchie é muito significativa.

Após exercícios um pouco rigorosos, ele ficou resfriado; mas, com a despreocupação natural da idade, fez pouco caso dos médicos e enfermeiros embora sua temperatura atingisse 41,4o. Sua única preocupação era não perder o táxi que deveria levá-lo, durante a noite, até a estação de onde iria para casa, para as festividades do Natal.

Ele desmaiou quando o faziam passar pelo raio X. Subitamente, em plena noite, ele despertou em um minúsculo quarto onde fora isolado:“Levantei-me sobressaltado.

—  Que horas eram?

Olhei para a mesa de cabeceira, mas haviam levado o despertador. Aliás: onde
estavam minhas coisas?... O trem! Eu havia perdido o trem! Saltei cama, tomado de pânico, procurando minhas roupas... Meu uniforme não estava sobre a cadeira.

Olhei embaixo dela, atrás. A mala também não estava ali.

—  Onde poderia ter colocado minhas coisas senão no guarda-roupa?
—  Debaixo da cama, talvez? Dei a volta e, de repente, senti-me paralisado...

Havia alguém na cama! Cheguei mais perto. Era um jovem de cabelos castanhos cortados bem curto, deitado calmamente. Mas, era impossível! Eu acabara de sair dessa cama! Durante um tempo lutei contra este mistério. Era verdadeiramente estranho, mas eu não tinha tempo..."

Ele sai precipitadamente para ver se suas roupas não estariam com o guarda... Apenas bem mais tarde ele compreenderia que o corpo sobre a cama era o seu.

Era ele mesmo. Segue-se, então, uma procura de seu próprio corpo em várias barracas, todas semelhantes, uma verdadeira busca mística à procura de si mesmo. Procura realmente assombrosa.

Lendo essa narrativa, não se pode deixar de imaginar a situação e de ver aquela cópia que se senta à beira da cama, dissociando-se de seu invólucro carnal como na célebre sequência de “Vampyr” de Karl Dreyer, onde a cópia de um homem levanta-se, enquanto que seu corpo carnal permanece sentado sobre um banco.

A cópia, evidentemente, não projeta qualquer sombra sobre o solo. Mas que ninguém se engane: a história de George Ritchie é bem autêntica. É até mesmo "uma das três ou quatro mais extraordinárias” que R. Moody conhece, e a primeira que ele escutou levando-o às pesquisas que conhecemos.

Estaríamos tentados a crer que essa passagem para o além, sem que se perceba, só é possível no caso de morte provisória. Aqueles que morrem de verdade, pelo menos eles, devem perceber a passagem, senti-la. Só podemos sabê-lo se confiarmos em outros tipos de testemunhos e, sobretudo, nos médiuns.

Título: Re: Os Mortos Nos Falam
Enviado por: Marianna em 13 de Março de 2019, 03:12

Citarei apenas duas histórias, rapidamente, todas elas relatadas por Jean Prieur. A primeira é um pouco trágica. Um trabalhador morre, instantaneamente, ao acender um maçarico em um tanque de gasolina vazio, mal limpo e mal ventilado.

O que não o impedira, naturalmente, de voltar tranquilamente para sua casa... sem seu corpo carnal, o único, infelizmente, que a maioria das pessoas pode ver. Em sua casa todo mundo está chorando e comentando sua morte.

Ele tenta tranquilizar sua mãe, mostrar-lhe que está ali, falar-lhe... em vão. Finalmente, em casa de uma vizinha, ele vai encontrar ajuda. De início, uma mulher, sem enxergá-lo, sente sua presença e pode, em pensamentos, dialogar diretamente com ele. Ela não ousa, entretanto, explicar-lhe o que aconteceu.

Uma outra pessoa, em visita à casa da primeira e que pode vê-lo, começa a ajudá-lo. Somente com muita paciência essas duas mulheres conseguiram fazê-lo admitir que passara para o outro mundo.

Enfim, um de seus parentes, morto antes dele, veio buscá-lo. Este jovem permaneceu um amigo fiel das pessoas que o socorreram, vindo assistir, do invisível, a seus círculos bíblicos e trazendo-lhes alguns de seus novos amigos, tão invisíveis quanto ele.

Um dia declarou:
—  "Como é possível que coisas tão importantes não sejam ensinadas na Igreja?

Eles cometem um crime por não falarem a respeito. Se as pessoas soubessem o que vocês sabem, e que eu sei agora, não se ficaria angustiado aqui, como eu fiquei nos primeiros tempos. Se as pessoas soubessem o que vocês sabem, não teriam medo de morrer”.

É verdade que, até um certo ponto, os tibetanos estão, de há muito, mais bem preparados para esta prova. O célebre Bardo Thödol, seu livro de preparação para a morte, explica o seguinte: “Sem cessar, involuntariamente, tu erraras. A todos aqueles que chorarem (tu dirás): ‘Estou aqui, não chorais'.

Mas como não te escutarão, tu pensarás:  ‘Eu estou morto’, e nesse momento ainda tu te sentirás infeliz. Não fiques infeliz por isto".

A outra história de morto, realmente morto, mas sem o haver percebido, tem algo de francamente engraçado. É a de um pobre caminhoneiro português que sofreu um acidente.

A cabine ficou completamente carbonizada, mas ele deve ter morrido sem ter conhecimento do fato, pois continuou a fazer esforços desesperados para desvirar seu caminhão. Foi uma moça que, passando de carro pelo local do acidente, graças às suas faculdades mediúnicas, pôde compreender e descrever a cena.

Um pouco mais tarde, passando outra vez pelo mesmo local, ela não viu mais o caminhão que teria sido rebocado. Mas, para sua surpresa, ela viu à beira da estrada o mesmo caminhoneiro português, tentando, ainda desesperadamente, conseguir uma carona.

É verdade, como veremos adiante, que uma vez no além, o tempo não é mais o mesmo! Temos ainda confirmação, por uma outra fonte, do caso em que o morto se vê tão bruscamente projetado no além que sequer o nota.

Trata-se de numerosas mensagens recebidas por escrita intuitiva. O fenômeno tem, evidentemente, ligações com a mediunidade, mas é, de qualquer forma, um pouco diferente.

O caso que vou contar é o de um jovem oficial de cavalaria “morto em combate” e foi-nos transmitido pela viuva e pela filha do célebre coronel Gascoigne, oficial britânico, herói da batalha de Cartun e antigo companheiro de Cecil Rhodes: “Eu acreditava que somente a exterminação poderia vir após tal inferno. De todos os lados, inglês como alemão, era uma hecatombe. Os blindados, a metralha e os aviões!

Tinha a impressão de que estávamos sendo exterminados pelas máquinas que havíamos criado... Sentia-me doente e deplorável. Depois essas sensações desapareceram e eu me encontrei do lado de fora falando com o meu coronel.

Ele parecia não notar as balas que caíam sobre nós, sem cessar. Eu corri para abrigar-me, mas ele chamou-me dizendo-me que não me preocupasse. Ele tinha um ar juvenil como o de um recruta e parecia alegrar-se com a batalha.

Pôs as mãos sobre meus ombros e disse:
—  “Não vê você, Kit, que estamos mortos?

Contudo, estamos mais vivos que os outros...” Outros, também definitivamente mortos, tiveram, ao contrário, tempo de ver sua morte chegar. Isto não é, contudo, tão terrível como poder-se-ia temer.

Mais precisamente, mesmo nos casos mais dolorosos e angustiantes, o horror parece sumir, pelo menos no ultimo instante.

Temos uma multidão de testemunhos de moribundos que, em seus últimos momentos, viram chegar até eles aqueles que haviam amado na terra, e que haviam feito a passagem antes deles.

Em vários desses casos, alguns tiveram mesmo a surpresa de ver chegar a seu encontro amigos e parentes cuja morte ainda ignoravam. Em razão de seu estado já grave seus acompanhantes haviam preferido não lhes infligir a prova suplementar dessa “triste” notícia.

Mais emocionante ainda é o testemunho de Pierre Monnier sobre sua morte, durante a Primeira Guerra Mundial. Já citei seu nome e serei levado a fazê-lo várias vezes ainda, nesta obra. Já é tempo, pois, de apresentá-lo ao leitor.

Pierre Monnier é um jovem oficial francês, morto aos vinte e três anos de idade, em 8 de janeiro de 1915, no front de Argonne. Filho único, nascido numa família protestante, muito crente e praticante, teve a felicidade de ser uma criança muito amada em um lar unido.

Boa saúde, estudos brilhantes, família afortunada. Também uma boa educação cristã, com leitura cotidiana da Bíblia, preces antes das refeições, formação da consciência para a retidão e para senso do dever. Ferido uma primeira vez, ele retoma à sua família, em convalescença.

Título: Re: Os Mortos Nos Falam
Enviado por: Marianna em 13 de Março de 2019, 03:19

Novo adeus. Desta vez, não retomará mais. Para os pais foi a ruína total. Contudo, pouco tempo depois da morte de seu filho, a senhora Monnier reconheceu claramente a voz de Pierre que a chamava três vezes.

Transtornada, ela perguntou: “É você,
Pierre?”...“Certamente, mamãe! não tema nada, eu estou vivo!”

A senhora Monnier não tinha nada de fanática. Foi, além do mais, a única vez em sua vida em que ela escutou, sobre a terra, a voz de seu filho morto. Mas, desde então Pierre continou a comunicar-se com ela.

Ela percebia interiormente seus pensamentos, reconhecia-os muito claramente como não oriundos dela mesma. Em 5 de agosto de 1918, ela recebeu dessa forma a ordem interior: “Não pense em nada! Escreva!''

Ela apanhou rapidamente o que estava ao alcance de sua mão: um bloco de notas e um lápis e começou a escrever sem parar: “Sim, fui eu quem pediu para escrever.

Creio que por esse meio conseguiremos comunicar-nos bem mais facilmente". As
comunicações duraram até 9 de janeiro de 1937, por quase dezenove anos!

De início eram diárias; depois, um pouco mais espaçadas. Sete grossos volumes, com cerca de 450 páginas cada um, foram escritos dessa forma. Eles estão sendo reeditados pela Editora Femand Lanore.

Este caso não é único. Outras comunicações foram estabelecidas entre defuntos e vivos, sem que houvesse, necessariamente, um laço afetivo.

Às vezes, o morto e o vivo nunca se conheceram, na terra.

Para informar mais exatamente o leitor já conhecedor desse gênero de fenômenos de escrita “automática" ou “intuitiva", direi que nessa imensa literatura eu distingo claramente, de todo o resto, quatro grandes textos: as mensagens transmitidas por Pierre Monnier, Bertha, Paqui e Roland de Jouvenel.

A estes acrescento um pequeno texto, curto mas muito denso, recebido pessoalmente de Simone por Jouvenel: “Por um grande número de razões, muito fortes, mas que seria demasiado longo enumerar e discutir aqui, tenho esses textos em particular estima, em pé de igualdade com os maiores textos místicos.

Eles têm, também, a imensa vantagem de serem compreensíveis e atraentes para um grande número de leitores e; além do mais, são mais precisos, em muitas áreas que os místicos: estes últimos apenas conseguiram entrever o que essas testemunhas diretas do além puderam ver.”

Pierre Monnier, em sua terceira mensagem, de 8 de agosto de 1918, deixa-nos perceber uma parte do mistério da morte, do mistério da passagem propriamente dita: “Mãezinha, não tema a morte! Eu tive medo, embora sem querer...

Eu a desconhecia, era um rosto desconhecido que eu imaginava coberto de sangue - Sim! Eu tinha medo dela!

Mas quando ela veio, tinha uma face luminosa que se parecia com a sua! Eu adormeci em seus braços; ela consolava-me com uma voz que tinha as mesmas inflexões da sua... não seria a sua, oh querida mamãe, para a qual se voltava toda a ternura do meu pensamento?

Tudo isso não durou mais que um momento... não houve tempo para ter medo, eu asseguro-lhe!

O senso de responsabilidade as decisões a tomar... a vontade de defender meu posto independente do que pudesse acontecer... depois, um grande choque no peito e na cabeça... como um soco que me impedisse de respirar, mas não de gritar minhas ordens a meus homens... em seguida, uma vertigem... depois, nada mais!!!

Nem mesmo a sensação da queda... e, de repente, sua voz, sua voz desesperada que chamava: “Pierre! Pierre! meu pequeno! meu pequeno! e o despertar completo para correr ao seu encontro”.

Pierre, então, percebendo a dor de seus pais, encontra-se imediatamente junto deles, mas invisível, e tenta, em vão, consolá-los. Nós já vimos esta situação.

Muitos anos depois, Pierre volta a essa passagem para o outro mundo, e conta-nos mais sobre o segredo de sua serenidade nos últimos momentos: “Ah! mamãe, durante as horas trágicas de nossa última prova terrestre, quantas vezes eu senti junto a mim a presença abençoada de meu Salvador!

Quantas vezes, sob a ameaçadora efígie da morte provável, eu descortinei a luminosa face do Cristo triunfante, que ternamente me dizia: “Coragem! Sou eu, não tenha medo!”

Título: Re: Os Mortos Nos Falam
Enviado por: Marianna em 13 de Março de 2019, 03:28

E, contudo, diante de meus olhos emocionados, só havia chamas e sangue! Meas ouvidos só escutavam o fragor das batalhas e os gemidos dos agonizantes!

Mas, além dessas visões, mais alto que esses estrondos e esses apelos, a radiosa figura do Ressuscitado e sua palavra consoladora dominavam a poeira do furacão: “Coragem!... Sou eu!... Não tenha medo”.

“Minha querida, são muito numerosos aqueles que abertamente ou em segredo viveram esta experiência: por isso aguardaram tranquilamente a vontade de Deus. A intervenção de Cristo é um fato, não um sonho.

Nós vimos, ouvimos, tocamos o Invisível. O exército espiritual sustentou-nos e guiou-nos até a dupla vitória, a vitória sobre nós mesmos e a vitória dc nossa causa.”

Um outro texto de 24 de dezembro de 1919, já evocava esta consolação trazida pelo Cristo, insistindo, com veemência, no caráter real dessas visões: “As crianças que morrem sozinhas nos campos de batalha, e os homens sinceros que “colocam seus espíritos nas mãos de Deus” (Lucas XXIII 46, têm sido constantemente amparados e aliviados por esta visão consoladora.

Não emprego a palavra “visão” no sentido “imaginativo”, mas naquele da vista desenvolvida, do olhar intensificado. Eu entendo que o Cristo estava lá, Ele Mesmo, em sua forma humana, e visível àqueles que Ele vinha fortificar!

Não classifiquem, indistintamente entre as lendas, as narrativas onde se afirma que tal ou qual dentre os seus irmãos viu seu Salvador; não é um sonho, uma fantasmagoria...

O pensamento do Amor divino, objetivamente expresso, encontrava-se realmente diante deles.” Eu creio que estes textos são muito importantes para nós e para aqueles a quem amamos.

Acredito que, frequentemente, talvez sempre, Deus intervem no momento supremo. Mas no último instante, quando o agonizante não está mais em estado de dizê-lo ou não tem mais tempo.

Deus não quer forçar a liberdade daqueles que ficam. É pois, secretamente que ocorre o encontro. Mas todos são assistidos na hora da maior prova, não pelo amor dos seus, mas pelo amor de Deus, por seu Cristo, ou por “mensageiros”, ou seja, por anjos.

Esses anjos, esses enviados de Deus, podem às vezes, parece, como em certos filmes, enganar-se quanto ao agonizante. Karlis Osis e Erlendur Haraldsson assinalam vários casos na Índia, enquanto que nos Estados Unidos não encontraram incidentes semelhantes quando de suas pesquisas.

Na Índia, esses “erros” parecem acontecer independente da religião do moribundo. Já aconteceu a cristãos indianos (um padre e um professor) ou mesmo a estrangeiros (um missionário sueco).

Num desses casos, dois doentes com o mesmo nome encontravam-se no mesmo hospital. Quando o primeiro voltou a si, acreditava-se que estivesse morto, contou que havia sido levado a “um local maravilhoso por mensageiros vestidos de branco.

Ele viu, então um homem, igualmente vestido de branco e com um grande livro nas mãos, que disse aos mensageiros que eles haviam conduzido a pessoa errada.

Ordenou-lhes reconduzir o paciente à terra”. O fato é que, quando este voltava a si, o outro doente que tinha o mesmo nome morreu. Em alguns casos o moribundo, levado por engano, volta com marcas físicas em seu corpo de carne, após sua aventura no além.

Muitos também tiveram a impressão de terem podido escolher com toda a liberdade, entre retomar à terra para cumprir uma tarefa que julgavam importante, ou permanecer no além. Mas esse adiamento parece só haver sido concedido para a realização de missões de caridade junto a uma criança ou um doente.

Outros, ao contrário, são mandados compulsoriamente de volta à terra, apesar de suas súplicas, ou levados deste mundo sem que se compreenda o motivo, sem que tivesse havido imprudência ou atitude inconsequente de sua parte.

Alguns defuntos chegam mesmo a dizer que nós somos protegidos do além, a tal ponto que mesmo nossas imprudências são quase sempre compensadas.

Mas, ao contrário, quando chega a hora, nada nos pode reter. Belline, médium bem conhecido, contou num belo livro que, após a morte de seu filho único, Michel, conseguiu comunicar-se com ele, por pensamento. Esse testemunho é muito emocionante por ser muito sincero.

Poder-se-ia pensar que um grande médium como Belline não teria qualquer dificuldade para comunicar-se, assim, com seu próprio filho. Ele fazia isto tantas vezes para outros, e com tanto sucesso! Poder-se-ia pensar que em caso de fracasso Belline tentaria ao menos dissimulá-lo, o que não teria sido muito difícil.

Título: Re: Os Mortos Nos Falam
Enviado por: Marianna em 13 de Março de 2019, 03:38

Quem poderia verificar?

Mas, não! Belline conta-nos como precisou buscar durante horas, dias, noites, esse contato, esse pensamento interior que sentiria em si mesmo, como vindo verdadeiramente de seu filho.

Ele poderia muito bem iludir-se com outros, mas apenas a comunicação autêntica poder-lhe-ia trazer algum consolo. O livro não nos conta toda essa espera, mas nos faz conhecê-la de forma bastante fiel.

Com frequência Belline observa: “Silêncio. São 9h45. O contato foi desfeito”. Ou: “a comunicação foi interrompida brutalmente. São 5h22. Eis aqui o primeiro diálogo: “Eu: Michel? Sou eu, seu pai. São cinco horas da manhã.

Meu coração está apertado, sinto uma imensa dor ao pensar em você. Depois do seu acidente e sua partida, em 5 de agosto de 1969, eu não quis atormentá-lo, tentando uma comunicação.

Michel, sou eu, papai. Você está me escutando?
Michel: Eu estou ouvindo.

Eu: Michel, seu desaparecimento permanece um mistério para nós. Como foi que aconteceu?
Michel: Aquilo deveria acontecer de qualquer maneira. Minha vida estava traçada, e suas angústias a meu respeito eram fundadas.

Eu: Michel, você pode ser mais claro?
Michel: O que você quer saber?

Eu: sobre o acidente.
Michel: O acidente aconteceu brutalmente. Meu carro deu uma guinada para a esquerda e eu tentei controlá-lo. Depois, foi a noite total.

Eu: Michel, houve avaria mecânica, negligência ou imprudência de um terceiro?
Michel: Não, minha hora havia chegado, eu precisava partir.

Eu: Michel, você pode ajudar-nos a viver?
Michel: Não, mas vocês devem viver. É a vida que é mais forte. Minha morte só tem sentido pelo sofrimento e pela sobrevivência de vocês.

Eu: Michel, nosso sofrimento tem, pois, um valor, uma utilidade?
Michel: Sim, todo sofrimento traz em si os germens da vida "

Uma outra criança, morta muito mais jovem, e sobre a qual ainda falaremos muito, declarou o mesmo a sua mãe, por escrita intuitiva (como Pierre com a senhora Monnier): “Minha morte não foi um acidente, mas o efeito da vontade Divina. Toda separação tem seu motivo”.

O chamamento do infinito

Elisabeth Kübler-Ross, a grande iniciadora de todas as pesquisas modernas sobre a morte, e mais exatamente sobre o acompanhamento de moribundos, interessou-se particularmente pelas crianças que estavam morrendo. Sua convicção é muito clara: as crianças sabem, quase sempre, por antecipação, que vão morrer, qualquer que seja a causa da morte.

Sabem mesmo cm que circunstâncias, ou melhor, é seu subconsciente que o sabe e expressa-o, exprime através de desenhos, cartas, poemas, cujo sentido só se compreende, geralmente, após sua morte.

Mas pressentem também o que vem depois, a etapa seguinte, o encontro na luz, o país do amor universal e incondicional que as aguarda, e do qual, às vezes, chegam a ouvir o chamamento.

Poder-se-ia, no caso de morte por doença, atribuir o pressentimento da criança ao afloramento, ao nível do subconsciente, do processo biológico já desencadeado.

Mas, quando se trata de um acidente provocado por terceiros, ou de um assassinato, a explicação deve ser procurada noutra parte. Ora Elisabeth Kübler Ross fornece-nos sobre esses dois últimos casos, vários exemplos muito convincentes. Contentar-nos-emos aqui com o mais extraordinário prazer.

Título: Re: Os Mortos Nos Falam
Enviado por: Marianna em 13 de Março de 2019, 03:48
A narrativa foi feita pela mãe da criança:

“Minha filha acordou cedo naquela manhã, num estado que se poderia chamar de grande superexcitação.

Ela havia dormido em minha cama e despertou-me, abraçando-me e sacudindo-me: “Mamãe, mamãe! Jesus me disse que eu vou para o céu! Estou muito contente de ir para o céu, mamãe. Lá tudo é belo, de ouro e prata, e brilha. É lá que estão Jesus e Deus”, etc. etc.

Ela falava tão rápido que eu mal conseguia acompanhá-la. Como num estado de beatitude. Aquilo me deu medo, antes de tudo por ser muito estranho. Não era, afinal, um assunto habitual para uma conversa.

Eu estava sobretudo inquieta com a sua superexcitação. Era uma criança calma, quase contemplativa, muito inteligente, mas não era uma criança dada a entusiasmos. Ela possuía um extenso vocabulário e expressava-se com precisão.

Era extraordinário vê-la tão agitada, com as palavras atropelando-se em seus lábios a ponto de fazê-la gaguejar. Não me lembro de jamais tê-la visto em tal estado, nem no Natal, nem nos aniversários, nem no circo.

Disse-lhe que falasse mais baixo, que se acalmasse, que não dissesse mais aquilo (era de minha parte uma crença supersticiosa, porque, desde o seu nascimento, eu tinha - como numa espécie de pressentimento - a ideia de que ela não permaneceria muito tempo comigo).

Eu só falara disto a uma amiga muito íntima. Eu não queria que me fizessem pensar nisso, e não desejava ouvir falar disso, sobretudo daquela maneira súbita, inesperada, um pouco louca. Ela só havia falado antes na morte, mas de maneira abstrata. Porém, jamais de sua morte.

Não conseguia acalmá-la e ela continuou a falar do “lindo céu todo dourado, cheio de maravilhas, e anjos dourados, diamantes e jóias, mamãe!” E falava de como estava contente de ir para lá, de como se alegrava, e do que Jesus lhe dissera...

Lembro-me do seu comportamento mais que de suas expressões literais, mas consegui reter algumas de suas palavras.

Disse-lhe então: “Descanse um pouco”, e quis deitá-la de novo. “Se você for para o céu me fará falta, minha querida. Estou muito contente porque você teve um sonho muito bonito, mas agora repouse um pouco, está bem?” Foi inútil.

Ela respondeu-me: “Não foi um sonho, foi verdade!" (e que ênfase ela colocou naquela palavra, aquela criança de quatro anos!) “mas você não precisa se preocupar, mamãe, porque Jesus me disse que eu tomarei conta de você, que eu vou dar a você ouro e pedras preciosas e que você não precisará se preocupar com nada”...! Eu cito apenas as frases de que me lembro totalmente, palavra por palavra.

Ela falou-me ainda algum tempo sobre as maravilhas do céu, mas foi acalmando-se pouco a pouco. Quando eu disse novamente que ela havia tido um sonho muito bonito, ela repetiu que era verdadeiro, verdadeiramente verdadeiro.

Ela aninhou-se em meus braços dizendo que eu não me inquietasse porque Jesus cuidaria de mim.

Depois, saltou da cama e foi correndo brincar. Eu também me levantei para preparar o café da manhã. Era um dia como outro qualquer. Mas entre 3h e 3h e meia, na tarde daquele mesmo dia, minha filha foi assassinada (afogada intencionalmente).

A conversa que eu havia tido com ela, pela manhã, fora tão surpreendente que eu imediatamente falei a respeito com uma pessoa, por telefone, a qual se recorda disso muito bem, Quando ela soube da morte de R., um de seus primeiros pensamentos foi: como a criança pudera saber?

Para mim, creio ser impossível conhecer o futuro. As leis físicas não podem ser modificadas. Minha filha não poderia saber que “iria para o céu”, mas assim aconteceu: ela acordou-me em estado de superexcitação pouco comum, afirmando que Jesus dissera-lhe que ela iria para o céu (sinceramente, não me recordo se ela disse “hoje”).

E ela morreu naquela tarde. Aproximadamente sete horas mais tarde. Eu não posso explicar isto. Nós não éramos uma família muito praticante.

Minha filha tinha ido à Igreja conosco duas vezes e, naturalmente, nós líamos para as crianças as histórias de Moisés, Jesus, Maria e José. Elas frequentavam a escola dominical, mas sem regularidade.

Eu me esforcei para ensinar a meus filhos a amar e respeitar os outros, a serem bons e prestativos, mais do que a praticar uma religião.

Eu não podia ensinar-lhes o que não conheço. Embora tivesse estudado, orado, meditado, quando minhas filhas perguntavam sobre o céu, eu respondia nada saber sobre o que se passa após a morte.

Não foi em casa que elas ouviram a palavra céu” e imagens como “as estradas douradas do céu”. Nós jamais falamos a respeito.. ”

A convicção de Elizabeth Kübler-Ross liga-se à mensagem de Constantin Raudive que recebi em Luxemburgo: “E isso talvez que podemos oferecer de melhor (escreveu ele a pais que haviam perdido um filho), esta certeza de que nosso corpo material é apenas uma crisálida, um invólucro.

E que a morte faz surgir aquilo que, em nós é indestrutível, imortal, e que a borboleta pode simbolizar”. “As crianças do campo de concentração de Majdanek, antes de entrar nas câmaras de gás, desenharam pequenas borboletas com as unhas, nas paredes.

Seus filhos, também, na hora de morrer, sabem que vão penetrar, livres, sem obstáculos, em um lugar onde não se sofre mais, em um país de paz e de amor onde o tempo não existe e do qual poderão vir ao seu encontro com a velocidade do pensamento”.

Observemos que em grego antigo ou moderno, para se dizer “borboleta”, diz-se “alma” (ou inversamente, se preferirmos). É a mesma palavra que designa as duas coisas. Existe, todavia, uma outra palavra em grego demótico.


Título: Re: Os Mortos Nos Falam
Enviado por: Marianna em 15 de Março de 2019, 23:11

III Nosso Novo Corpo Na Outra Vida

Todos os cemitérios estão vazios. Isto nunca será repetido o bastante. Mais exatamente: os túmulos não contém mais do que velhas vestimentas em processo de decomposição.

Velhas roupas de tecidos e velhas vestimentas de carne. Infinitamente respeitáveis sem dúvida, pois que foram as últimas vestimentas daqueles que amamos. Mas eles estão em outro lugar.

Sob estas lajes não jaz ninguém, não descansa ninguém. Requiescat in pace - descanse em paz, diz sempre o padre quando do sepultamento. A paz em questão não é exatamente um repouso.

É uma mudança de sentido devido a uma tradução muito literal, primeiramente para o grego (eirèné), depois para o latim (pax), finalmente para o português (paz), da palavra hebraica shalom, cujo sentido é muito mais amplo.

É a paz, mas também a felicidade, a plenitude de vida. Em muitas religiões os ritos que supõe-se, garantem que o “repouso” dos mortos visavam sobretudo tranquilizar os vivos para que não tivessem muito medo de ver os mortos retomarem sob a forma de fantasmas insatisfeitos.

Isto, provavelmente, causou essa mudança de sentido. Deseja-se muito mais que eles permaneçam tranquilos a que vivam na plenitude.

Não é esta, contudo, a verdadeira fé cristã. O Cristo na cruz promete ao bom ladrão arrependido: “Em verdade, te digo, hoje comigo estarás no paraíso".

A vida continua sem prazos. Daí as preces pelos mortos.

Daí as preces aos santos para que nos assistam agora. A teoria de um desaparecimento completo de todo o ser após a morte e de uma reconstituição ou recriação por Deus, no fim dos tempos, é apenas uma invenção muito recente, de certos meios protestantes.

A alma é um corpo sutil

Restava, todavia, um problema importante e mal resolvido, mesmo na melhor teologia católica tradicional. Ensinava-se a sobrevivência imediata, mas apenas da alma, não do corpo. A alma era concebida como absolutamente imaterial, segundo a filosofia grega.

A teologia ensinava pois a possibilidade desta alma imortal, não somente continuar a existir, mas se purificar, ou fruir imediatamente à contemplação de Deus, considerada como a recompensa eterna dos justos. Ela podia conhecer, desde então, a beatitude eterna. Sem seu corpo.

Mas ele ressuscitaria, mesmo assim, no último dia, no fim do mundo. O problema era pois o seguinte: se as almas já estavam plenamente felizes sem seus corpos, para que ressuscitar? se a ressurreição lhes trazia alguma felicidade, é por que antes não eram plenamente felizes.

Em realidade, na tradição judaica, que era ainda aquela do Cristo e dos seus apóstolos, não se havia jamais concebido a alma como imaterial. Muitas nuances intervieram, apareceram e desapareceram ao longo de muitos séculos, mas sempre com esta constância: a alma, a nephesh, era um corpo, animado, consciente, dotado de personalidade do vivo.

Um corpo feito de uma outra matéria, mais leve, menos densa, mais sutil. Pensou-se, durante muitos séculos, que esta concepção vinha simplesmente de uma espécie de enfermidade, de uma incapacidade inata do pensamento hebraico, muito primitivo, muito concreto, de se elevar até o nível das abstrações filosóficas. Muitos pensam hoje que era mais por fidelidade à realidade, que não sabíamos ver além.

Mas se os cristãos pouco a pouco adotaram a ideia de uma alma totalmente imaterial, é preciso reconhecer que, inversamente, a maioria tinha, e tem ainda, uma ideia da ressurreição excessivamente terra a terra. A famosa profecia de Ezequiel sobre os esqueletos descarnados que ele viu, pouco a pouco, recobrirem-se novamente de carne, nervos, depois de pele, e de novo animados pelo espírito, foi, com frequência, tomada ao pé da letra, como uma imagem da nossa ressurreição.

O texto é, todavia, explícito: esta visão é uma imagem da restauração de Israel. A consequência disto é que muitos cristãos acreditam que nossa ressurreição será uma recuperação de um corpo de carne como este que agora temos, um pouco melhorado, sem doenças, sem cansaço, sem perigo de indigestão...

Encontramo-nos, pois, frente a dificuldades intransponíveis. Qual corpo recuperaremos? O último? Todos os nossos corpos sucessivos, com todos os átomos que pelo menos por um instante, o tiverem com posto? Em que haverá continuidade?

Título: Re: Os Mortos Nos Falam
Enviado por: Marianna em 11 de Abril de 2019, 00:22
E aí deparamo-nos com uma nova contradição. Se nosso corpo ressuscitado é composto da mesma matéria que nosso corpo atual, como poderia escapar das leis desta mesma matéria e encontrar-se imune à dor e à decomposição?

Em verdade, todos os testemunhos que hoje podemos colher dos mortos provisórios ou definitivos levam-nos ao verdadeiro ensinamento cristão: o corpo ressuscitado, o corpo de glória, é um corpo espiritual Nossas velhas roupas poder-se-ão decompor tranquilamente, em paz, nos cemitérios, pois não desceremos jamais com elas aos túmulos.

Quando começamos a falar de corpo “espiritual”, segundo a expressão de São Paulo, e a explicar que este corpo tem, sim, uma consistência correspondente àquela do novo mundo onde deverá viver, muitas pessoas, crentes ou cristãos, entram totalmente em pânico.

A consistência espessa e pesada de nosso corpo de carne atual convem-lhes perfeitamente. As necessidades biológicas deste corpo não repugna-lhes de forma alguma e eles não sentem qualquer necessidade de trocá-lo.

Entretanto, um ponto do testemunho da senhora Yolande Eck chamou minha atenção: quando, enviada de volta à terra pelo ser de luz, ela voltou em seu invólucro carnal, teve uma horrível impressão, comparável ao efeito produzido ao colocarmos luvas de borracha, frias e molhadas. Algo assim gelado e viscoso.

Ela teve, aliás, uma reação de repulsa tão violenta que, imediatamente, tornou a sair de seu corpo. Apenas com a ajuda de seu guia espiritual do além ela conseguiu reassumir o corpo carnal.

Pierre Monnier confirma-nos esta impressão. Explica-nos que, por mais atroz que tenha sido o suplício da Crucificação, a aceitação da simples vinda de Cristo em nossa carne, a Encarnação, foi, na realidade, uma provação ainda maior e, portanto, uma maior prova de amor por nós:

“Vocês compreendem mal o sacrifício realizado na Encarnação. E, no entanto, o sofrimento da Pureza Integral, ao penetrar na carne, ultrapassou o maior dom, que foi o do sofrimento na Cruz... Ser a Plenitude da Beleza e revestir-se de uma matéria aviltante pelas tentações vulgares que ela faz com que a alma sofra - é uma provação que ultrapassa tudo o que podemos pensar ou sentir.

Até nós mesmos, agora, mal saídos do corpo físico, rejeitamos com pavor, com horror, as consequências de uma possível reencarnação... Que o Eterno, por amor, tenha aceitado rebaixar-se ao nível da carne é motivo de nossa adoradora meditação... e ficamos confusos perante tal caridade!”

Alguns falecidos parecem até levemente aborrecidos com a lentidão com a qual nos deslocamos e com os limites de nossa audição e de nossa vista. Amavelmente, nestes casos, chamam-nos de “larvas”. E claro que nosso novo corpo, nosso corpo espiritual, deve ser mais agradável de ser vivido que nosso invólucro carnal atual.

O primeiro, o espiritual, assemelha-se ao carnal, porém em seu maior esplendor. As crianças, no outro mundo, continuarão a crescer e desenvolver-se até chegarem à idade adulta. Inversamente, os anciãos reencontrarão a juventude. Para que tenhamos uma ideia a respeito, a maioria dos mensageiros do além dá-nos, como referencial, a idade de trinta anos.

A idade aproximada com que o Cristo morreu.

Nosso corpo espiritual será libertado de qualquer enfermidade. Se tivermos tido um membro amputado, nosso novo corpo será completo. Se tivermos nos tomado surdos ou cegos, ou se o tivermos sido desde o nascimento, ainda assim nosso corpo espiritual enxergará e escutará. O livro dos mortos dos tibetanos já mencionava isto.

Os testemunhos dos mortos, de morte provisória, o confirmam. Pierre Monnier, do além, repete-nos a mesma coisa com bastante frequência.Nós enxergaremos muito melhor. Enxergaremos tanto à noite quanto de dia. Ou melhor, para nós não haverá mais noite.

Enxergaremos à distância. Bastará vislumbrar ou querer ver... e encontramos no local que nosso olhar desejou ver, para satisfazer nossa curiosidade, como ho “zoom” de certas câmeras, dizem alguns. Johann Christoph Hampe, em obra publicada em alemão no mesmo ano da publicação do livro de Moody em inglês, também relatou casos recentes de desencorporação.

Mas ele também começou a procurar, sistematicamente, no passado, testemunhos de tais experiências. Desta forma, pôde fornecer-nos trechos de uma conferência feita em 26 de fevereiro de 1927 pelo doutor Sir Auckland Geddee, perante a Sociedade Real de medicina de Londres, sobre sua própria morte (provisória, evidentemente):

“Pouco a pouco eu percebi que podia ver não apenas meu corpo e a cama sobre a qual estava deitado, mas também tudo que estava na casa e o jardim. Depois, percebi que podia ver não somente a casa, mas o que estava em Londres ou na Escócia, para onde minha atenção voltava-se sempre.

Soube, por um instrutor que não conhecia, a quem chamo de meu mentor, que eu estava totalmente livre, em uma dimensão temporal do espaço onde “agora” correspondia, em certa medida, ao “aqui” do espaço tridimensional habitual”.

Pierre Monnier repete o mesmo, à sua moda: “Nós não perdemos a aparência humana, mas deixamos na terra as enfermidades de nossa carne, nossos olhos vêem como outrora e assemelham-se àqueles que vocês amaram...

Trata-se de uma evolução ascendente de acordo com o plano geral adotado pelo Criador. Isto dá a nosso novo corpo facilidades de ação muito grandes. É uma transformação magnífica e não a renovação integral...

Permanecemos sendo nós mesmos, definitivamente, pois a morte é uma transudação pela qual nosso corpo, glorificado pelo amor do Cristo e pelo dom da vida eterna, passa através do corpo material – do qual mantém a forma e conserva a personalidade inteira.

Título: Re: Os Mortos Nos Falam
Enviado por: Marianna em 11 de Abril de 2019, 23:38

Os teólogos dos primeiros séculos já haviam compreendido este fato. Eis, entre várias outras, uma passagem de São Gregório de Nysse, do século IV:
“Tu verás este invólucro corporal, agora desfeito pela morte, tecido novamente a partir de seus próprios elementos, não segundo a constituição atual, espessa e pesada, mas em trama leve e etérea, de forma que teu corpo bem-amado esteja presente, restabelecido em beleza maior e mais graciosa.”

É-nos difícil determinar, entretanto, se esta visão - consideravelmente melhorada - é verdadeiramente mais nítida, apesar da distância, ou se é o próprio corpo espiritual que se encontra direta e imediatamente no local onde o falecido deseja estar.

É difícil dizê-lo segundo nossos conceitos. Na realidade, é o próprio espaço que não é mais o mesmo. Este corpo espiritual pode encontrar-se no espaço, bem distante da terra. Isto já é sabido há muito tempo, mas a ciência oficial não dispunha de armas para estudar tais fenômenos.

Johann Chistoph Hampe elaborou um resumo da imensa literatura que trata deste assunto, já bem antes da obra de Moody. Encontrei aí alguns títulos que datam de 1884!

Este corpo glorioso pode ser-nos mostrado, às vezes, pelos falecidos. Pierre Monnier, sempre muito claro, distingue dois tipos de manifestações bem diferentes. Uma, onde a forma do defunto aparece-nos bem nitidamente, mas translúcida: “a luz atravessa-a e as sombras dos objetos perante as quais passa sua imagem desenham-se através dele.”

Neste caso, nós o vemos tal como é. Em outras visões, há verdadeiramente uma materialização. Mas Pierre rejeita fortemente tal tipo de manifestação.

Parece, entretanto, que o além permite certas exceções, quando estas são motivadas pelo amor. Jean Prieur relata a história de uma mãe que, vários anos após sua morte, conseguiu manifestar-se, bem concretamente, a um padre de Nantes, durante a guerra:

Ela tocou a campainha do presbítero, falou com o padre e escreveu, em um bloco que ele lhe dera, o endereço de seu filho.

Ela insistiu tanto, declarando que o rapaz estava correndo perigo de vida, que o padre aceitou partir a seu encontro na mesma noite. O rapaz que encontrou no referido endereço estava gozando de perfeita saúde. Os dois conversaram mesmo assim.

O rapaz confessou-se. Durante a noite, foi morto em um dos grandes bombardeios de Nantes... Mas, por mais impressionante que seja esta história, Harold Sherman relata dois outros testemunhos ainda mais convincentes. Eis o mais extraordinário:

“Arlis Coger, que possuía e dirigia um “drugstore” em Huntsville, no Arkansas, há vários anos, dizia que a coisa mais interessante que já lhe ocorrera em sua existência era a de ter conseguido, concentrando sua atenção na nuca de um colega de escola, que o mesmo se voltasse e olhasse para ele.

Sua mulher, Anna, com a qual viveu durante quase 45 anos, morreu de insuficiência renal. Ele amava-a com ternura e teve dificuldade em readaptar-se após sua morte. Uma bela noite, dois meses depois, acordando, encontrou-a na cama a seu lado.

Seu corpo estava quente e firme, tão real que ele estendeu a mão e bateu-lhe na testa duas vezes antes que a mesma desaparecesse bruscamente. Segundo suas próprias palavras: “não era um sonho. Como todas as demais pessoas, eu sonhei durante toda a minha vida.

Era diferente. Não sou uma pessoa agitada e sou mentalmente são. Anna havia realmente voltado dos mortos. Nada pode fazer-me mudar de ideia.” O tempo mostrou que aquilo fora apenas o início de uma série de treze voltas espirituais, visitas que se prolongaram, em intervalos regulares, por um período de mais de um ano.

Na primeira vez, ele não teve o reflexo de ver as horas; mas depois, passou a tomar notas cuidadosamente. Não havia qualquer regularidade. Às vezes era despertado logo após haver adormecido; outras vezes, em plena noite ou de madrugada.

Para mostrar que tais visitas pareciam-lhe reais e concretas, em um nível verdadeiramente excepcional, eis alguns trechos de suas anotações:
“Da primeira vez, foi quase aterrorizante - mas não creio ser esta a palavra exata para expressar o que senti. A segunda aparição, diferentemente da primeira, constituiu-se em um acontecimento feliz. Abraçamo-nos e ela desapareceu repentinamente, deixando-me desperto.

O que mais me marcou foi o fato de sentir seu corpo quente. Saibam que não era um sonho. Eu abraçava-a realmente, e estava acordado. Esta aparição não era como as outras. Ela ficava perto da cama. Eu sempre pensei que os anjos vestiam-se de branco. Mas ela, ao contrário, trajava um vestido longo, leve e dourado. Eu estendi a mão e segurei a dela. Minha mão deslizou sobre seus dedos, e eles eram firmes.
Ha passou para o meu lado direito e disse qualquer coisa.

Não creio que tenha utilizado sua voz, mas era tudo perfeitamente claro. Ela disse-me: “Aqui, as coisas não são o que deveríam ser”.

Pensei que ela desejasse que eu estivesse com ela, lá no alto. Na vez seguinte, ela apareceu-me na cama, e quando perguntei-lhe se estava feliz sua resposta foi, simplesmente: “Sim", e pude sentir-me bem melhor.

Eu não ousava esperar por ela, e no entanto Anna estava ali novamente, na noite seguinte. Foi rápido mas temo e eu pude abraçá-la. Disse-lhe que seria bom se ela visitasse um de nossos filhos que não acreditava em sua volta. Ela não respondeu... mas deu-me um maravilhoso beijo na boca.

Duas noites seguidas... à meia-noite e cinquenta e seis minutos. Tanto quanto eu sabia, nunca estive em contato com ela em seu mundo espiritual. Bruscamente, os lençóis que me cobriam ergueram-se sobre a cama e Anna apareceu. Tudo durou um ou dois segundos, mas ela estava realmente ali.

Apertei-a contra mim e ela descansou sua cabeça em meu ombro. Senti sua cabeleira abundante encostada em meu rosto.” Estes trechos podem parecer um tanto incoerentes, pois estão fora de seu contexto.

Mas o testemunho é claro. Harold Sherman, que dedicou cerca de setenta anos ao estudo dos fenômenos paranormais, e sobretudo às P.E.S. (Percepções extra-sensoriais), assim apresenta o trecho seguinte: “Na vida de inúmeras pessoas, muitos incidentes ocorrem e
provam que nossos bem amados, que deixaram esta vida, voltam com frequência por ocasião de aniversários, de eventos terrestes.”

Arlis Coger relata agora aquela que foi, talvez, a mais importante da série de visitas do espírito de sua mulher Anna: “Hoje, seis de outubro, é dia de meu septuagésimo quinto aniversário, e do primeiro da morte de Anna. Eu esperava ficar deprimido, mas não estou porque na noite anterior Anna voltou aqui.

Ela estava perto da cama. Tomou-me em seus braços, ergueu meu tórax, abraçou-me fortemente e beijou-me os lábios com força. Depois, deixou-me cair novamente sobre a cama. O que mais me surpreende é sua força.

Com seu corpo, ela ergueu a parte superior do meu. Com seu corpo físico, jamais teria sido capaz de fazer isto. Fico com os olhos cheios de lágrimas ao escrever estas palavras, mas não de tristeza.

Sinto Alegria em meu coração pois sei que um dia estaremos, ela e eu, reunidos por toda a eternidade.

...Hoje é 1º de novembro de 1982. Ontem foi o quadragésimo sexto aniversário de nosso casamento. Em determinado momento, entre duas e três horas da manhã, percebi, de repente, que Anna estava comigo, na cama, sob os lençóis.

Tomei-a em meus braços e falei-lhe de meu grande amor por ela. Ela como que desapareceu por alguns instantes e depois voltou. Tal fato repetiu-se sete vezes durante, pelo menos, trinta minutos.

Espero que ela continue vindo até mim... até que eu possa unir-me a ela em seu mundo espiritual. Não tenho, verdadeiramente, nenhum medo da morte. Sei que há uma outra vida além do túmulo.”

Título: Re: Os Mortos Nos Falam
Enviado por: Marianna em 13 de Abril de 2019, 22:30

Arlis Coger resume, assim, suas experiências:

“O corpo de Anna não era mais aquele que havia sido colocado no túmulo. Era mais jovem. Tinha o poder de passar através de objetos materiais.

Havia um lençol e um colcha sobre a cama. Quanto ela ia embora, simplesmente desaparecia sem que o lençol que estava sobre ela sequer estremecesse. Seu corpo era firme ao, toque. Era quente.

Nós podíamos conversar, embora pense que não usávamos a voz. Anna possuía uma espécie de corpo espiritual diferente do corpo físico que possuía antes. Cheguei a vê-la normalmente, várias vezes, quando ela ficava perto de minha cama."

Prova absoluta de que estas aparições não eram alucinações, fruto de uma imaginação delirante, as materializações terminaram. Em 21 dedezembro de 1982, H. Sherman recebeu de Arlis o seguinte cartão de Natal:
"Anna não voltou mais, desde 31 de outubro. Espero que venha durante as férias. Reze, por mim, para que ela volte. Arlis Sempre poder-se-á argumentar, contra este tipo de testemunho, que o bom homem esteve delirando. Mas, como vimos, as aparições não correspondiam sempre a seu desejo. Aliás, ele insiste no caráter concreto das manifestações. O corpo era firme e tinha o calor da vida.”

Devemos reconhecer que estes fatos, raros (pelo menos quando apresentam-se com tal grau de materialização), são mais frequentes do que poder-se-ia imaginar. Mas poucas testemunhas ousam falar a respeito.

O professor Werner Schiebeler relata um caso também claro:
“Trata-se de uma mulher do cantão de Zurique, sujeita a fenômenos paranormais desde sua adolescência, mas muito discreta a respeito e muito equilibrada. Seu marido morreu em agosto de 1976, e duas semanas após sua morte começou a ocorrer uma série de manifestações.”

Por ocasião da terceira, ela pensou em pedir-lhe que a ajudasse a encontrar a chave de um cofre onde estavam guardados documentos importantes.

É interessante notar que, normalmente, a materialização de seu marido acontecia em seu quarto e era progressiva. No dia em que ele trouxe-lhe a chave, a materialização já ocorrera ainda na rua. Ela ouviu-o abrir a porta de sua casa, andar pelo corredor, abrir a porta de seu quarto.

Então ela viu quando ele abriu a gaveta da cômoda, onde habitualmente guardava a chave, e ouviu o barulho familiar da chave caindo no interior da gaveta. Ela levantou-se, então, agradeceu-lhe e pôde apertá-lo, por um instante, em seus braços. Mas, nas outras vezes, ela via-o sair da parede, porém ainda pouco consistente.

Seu rosto e todo seu corpo iam ficando mais densos, rapidamente, perante seus olhos, a tal ponto que ela podia levá-lo pela mão até a sala de estar onde sentavam-se para conversar mais à vontade.

Após um ano de ausência, ele reapareceu, pela última vez, no início de 1978, com seu irmão, morto em 1969, e com um terceiro homem que sua mulher não conhecia.

Há, portanto, materializações de vários falecidos de uma só vez. Mas aí havia apenas uma única testemunha.

O inverso também existe, e até mesmo a combinação dos dois: vários fantasmas e várias testemunhas, como ocorreu na célebre história do fantasma do voo 401. Os acontecimentos situam-se entre o dia 29 de dezembro e a primavera de 1974.

Dois fantasmas, os do comandante Bob Loft e do segundo oficial Don Repo, mortos em um acidente de avião, durante o voo 401, Nova Iorque/Miami, apareciam, com frequência, no mesmo voo, para a tripulação da cabine, passageiros, aeromoças, mecânicos, com o objetivo, parece, de cuidar da segurança do aparelho.

Com que corpo todos estes falecidos aparecem-nos?

Talvez com seu verdadeiro novo corpo, normalmente invisível para nós. É por este motivo, que ele foi visto, na história de Anna, vinda treze vezes após sua morte visitar o marido. Os falecidos aparecem com um rosto e um corpo que irradiam juventude.

Mas os mortos podem, ao contrário, para melhor se fazerem reconhecer, reassumir momentaneamente suas enfermidades passadas: a mesma idade, os óculos, os ferimentos, e até antigas roupas que nós conhecíamos.

Este corpo glorioso, espiritual, esta cópia, não é, aliás, verdadeiramente novo, na realidade. Ele já está em nós desde nossa concepção.

As antigas representações medievais, ou ainda as de hoje, das igrejas ortodoxas, não são assim tão ingênuas quando mostram a alma saindo pela boca do defunto sob a forma de uma pequena boneca.

A representação é imperfeita, certo. O corpo glorioso não é menor que o corpo de carne. Mas é verdade que só se forma progressivamente e marca a entrada em uma nova vida, ou, mais exatamente, em uma nova fase da vida.

Título: Re: Os Mortos Nos Falam
Enviado por: Marianna em 13 de Abril de 2019, 22:37

A Imortalidade Para Os Egípcios

Os Egípcios conheciam a existência desta cópia, o Ka. Não se pode, contudo, pensar, de modo simplista, que a morte não tinha segredos para eles. E muito fácil imaginar que eles sabiam tudo, como muitas obras fazem crer.

A sobrevivência desta cópia era, para eles, ligada à conservação do corpo de carne. O que explica o trabalho extenuante que tinham para colocar o invólucro carnal ao abrigo da decomposição e, também, dos saqueadores.

O que explica, ainda, seu desespero, sobre tudo em períodos de crises políticas quando nada podia garantirlhes, de forma absoluta, que seus corpos não seriam destruídos.

A interpretação deste Ka como “cópia” é, aliás, bastante incerta. Seria, antes, dizem-nos os egiptólogos o princípio vital, e a autonomia de sua existência parece bem restrita. Segundo algumas correntes religiosas, parece que a imortalidade seria assegurada pelo Ba, que corresponderia mais à nossa noção de alma, representado por um pássaro.

Mas, de um modo ou de outro, é verdade que os Egípcios foram os primeiros de nossa civilização do Ocidente a acreditar na possibilidade de uma verdadeira vida após a morte, primeiramente apenas para os reis, depois para todos os homens.

“Meu pai não morreu de morte, mas espírito tornou-se meu pai”, ou, ainda nos textos dos sarcófagos: “Levanta-te vivente, tu não estás morto. levanta-te para viver, tu não estás morto.”

Roland de Jouvenel: construir a sua morada na eternidade Cabe a nós, já nesta vida terrestre, através de nossa vida espiritual, fazer com que este corpo glorioso, esta cópia, evolua em direção a um esplendor maior.

Roland de Jouvenel, um dos grandes místicos do além, já o repetia sem cessar a sua mãe. Roland era filho de Bertrand de Jouvenel, filósofo, economista, forte personalidade um tanto marginal, e de Marcelle de Jouvenel, romancista e jornalista.

Muitas celebridades conviviam com o casal: Maurice Leblanc, Jean Rostand, Maurice Maeterlinck, Marcei L’Herbier, Pierre Lecomte du Nouy, Maurice Barrès.

A romancista falava de uma Paris mundana, um pouco convencional. A jornalista não recusava reportagens ousadas, como aquela sobre a prisão para menores de Roquette, em Rio de Oro, em plena guerra de conquista espanhola, na Etiópia, pouco antes do assalto final das tropas italianas.

Inteligência, coragem, mas nenhum misticismo. Os Jouvenel não praticavam qualquer religião. Haviam-se casado apenas no civil. Roland, filho deles, encontrou sozinho o caminho de Deus. Como a senhora E. Kübler-Ross bem mostrou em experiências vividas por várias crianças, Roland pressentia sua morte. Várias frases por ele pronunciadas comprovam seus pressentimentos.

Ele rezava nas igrejas, em particular na Igreja de São Roque, situada próximo à casa de sua mãe.

Em 1946, ele ficou doente. Uma dor de garganta foi diagnosticada, provavelmente por engano, como sendo paratifo. Prescreveram-lhe uma dieta, o que enfraqueceu suas últimas resistências. Esperou-se, em vão, a chegada de um novo remédio milagroso: a estreptomicina.

Todos os dias seu pai, ou algum amigo da família, ia espiar os aviões que chegavam da América. Em vão. A 12 de maio de 1946, quando tinha apenas quinze anos, Roland, maravilhado, viu sua avó, morta há dois anos, vir até ele e levá-lo consigo.

Bertrand e Marcelle já estavam separados. Marcelle encontrava-se completamente sozinha. Desespero, revolta, pensamento de suicídio. Depois, uma lenta melhora. Ela encomendou uma missa para seu filho e comungou. Começam, aí, os sinais.

Um universo feérico de cores produzia-se naquela igreja. E ela teria a oportunidade, em seguida, de voltar a ter muitos outros sinais como este. A conselho de uma amiga, pegou um lápis, apesar de muita relutância. Um arrepio percorreu sua mão e palavras formaram-se sobre o papel em branco.

Era 24 de outubro de 1946. Como no caso de Pierre Monnier, as mensagens foram, inicialmente, diárias, mas depois espaçaram-se. A última delas data de 16 de fevereiro de 1969. Esta simples frase: “Mamãe, nós nos alimentamos daquilo que damos aos outros”

Roland dizia sempre a sua mãe: “A sobrevivência já começa nos seres por ocasião de seu nascimento. Esta sobrevivência é esta cópia que vive no corpo e que desabrocha na morte. Já que a alma desenvolve-se como uma planta, devemos cultivar nossos climas internos.”

“Não se preocupe muito com este segundo personagem que, no entanto, está ligado a você tão estreitamente quanto sua sombra. Com mãos de escultor você deve modelar a construção física de sua cópia. Cuidados nunca serão demais no aprimoramento de seu ser invisível.”

“Você encara muito levianamente a construção de sua cópia. Pedra por pedra, você deve construir sua morada da eternidade...”

Este corpo espiritual, esta cópia de nós mesmos, radia permanentemente. É o que se chama de “aura”. Quanto a isto, parece-me que não há unanimidade entre os testemunhos, tampouco entre os especialistas. Alguns distinguem várias auras e atribuem-lhes nomes bastante
eruditos.

Outros afirmam que se trata da mesma aura percebida pelos médiuns e que agora já pode ser fotografada graças aos processos Kirlian ou Lichtenberg. O que outros contestam. O que extraio dos testemunhos do além é que nossos corpos espirituais radiam, como aliás todas as coisas, uma luz que nossos olhos de carne não percebem.

Esta luz é colorida e corresponde, em cada um de nós, desde já e durante toda nossa evolução futura, a nosso grau de espiritualidade, a nossas disposições internas. A maioria das obras consagradas ao além fornece um pequeno quadro de equivalência entre as tonalidades da aura e os sentimentos dominantes que ela revela.

Os místicos muitas vezes reconheceram este fenômeno. Como Anne Catherine Emmerich em suas visões:
“Vejo também, muitas vezes, quando devo ser instruída a respeito, os movimentos da alma, os sofrimentos internos; em resumo, todos os sentimentos mostram-se através do peito e de todo o corpo sob mil formas luminosas ou tenebrosas, seguindo direções diferentes, com diferentes graus de lentidão ou rapidez.”

A tradição cristã, entretanto, prende-se apenas ao último grau da evolução, à luz branca com reflexos ligeiramente dourados. Esta luz é mencionada em quase todas as narrativas da vida dos santos. Ela já era citada, inclusive, no Antigo Testamento. Sua mais alta manifestação continua sendo a que aparece na narrativa da Transfiguração do Cristo no Monte Tabor.

Seus trajes aparecem, então, “de uma alvura tal que nenhum lavadeiro na terra as podería alvejar". São Marcos, IX, 3; ou ainda “brancos como a luz”, São Mateus, XVII, 2; ou “seu rosto resplandeceu como o sol".

Todos os teólogos dos primeiros séculos, em particular os do Oriente cristão, viram aí a melhor manifestação de nossa glória futura. Aliás, para São João Damasceno, no século VIII, não foi Cristo, na realidade, que, por um instante, radiou uma glória nova e excepcional.

Mas, sim, os apóstolos Pedro, Tiago e João que, por um momento, tornaram-se dignos de ver o Cristo na glória que ele possuía. Hoje poderíamos insistir no fato de que eles viram, ali também, Elias e Moisés, mortos há muito tempo, em longa conversa com o Cristo.

É o corpo de glória, a cópia dos apóstolos, já presentes neles desde sua concepção - como afirma Roland de Jouvenel - que vê, diretamente, através de seus corpos de carne, o que seus corpos de carne não podiam ver.

Os apóstolos passam, por um breve instante, de um plano para outro, do plano de nossa matéria pesada para o plano de glória.

Como ocorre com os desincorporados questionados pelo doutor Moody ou por J.C. Hampe, esta passagem de um plano para outro é feita por uma espécie de túnel: é um “sono” estranho, ou antes, um torpor que se abate sobre os apóstolos naquele momento.

Não é possível descrever, com exatidão, esta glória do corpo espiritual. Muito menos pintá-la, diretamente. Mas, para dar-nos uma certa idéia ou para manter cm nós o desejo insatisfeito, o Oriente cristão inventou esta forma de arte tão particular: o ícone.

Nela, tudo está posto sobre um fundo de ouro, sobre um fundo de Deus. Nem os corpos, nem os objetos, projetam sombras. Os corpos são alongados, achatados, quase como fantasmas.

Os rostos são iluminados do interior para o exterior, lançando todos os sombreados em forma de halo em redor do rosto. Os olhos quase não têm a parte branca, não têm cílios, nem pálpebras semi-cerradas. Eles estão sempre
abertos para o além. Contemplam o invisível.

Quando Santa Teresa de Ávila, ou Santa Bernadete, em Londres, veem esta mesma luz, notando que ela é mais fulgurante que o sol sem, entretanto, ferir os olhos, penso que se trata do mesmo fenômeno: é a cópia que vê através de seus corpos de carne.

Título: Re: Os Mortos Nos Falam
Enviado por: Marianna em 18 de Abril de 2019, 00:12

Os poderes do corpo espiritual

É, talvez, o mesmo mecanismo, que se produz durante as levitações: O corpo de glória ou corpo astral, sutil, levando consigo o corpo de carne, fazendo-o flutuar como já ocorreu com tantos mortos, de morte provisória, que foram parar no teto das salas de operações. Roland de Jouvenel parece sugerir a mesma ideia quando escreve a sua mãe:

“A levitação não é apenas uma manifestação física; é um começo de metamorfose. Uma mudança de peso ocorre no corpo.”

É, sem dúvida, ainda o corpo sutil que possuímos desde o momento de nossa concepção, mas sob o efeito de forças prodigiosas, que pode projetar no ar o corpo de carne por ocasião de possessões demoníacas.

Eis um breve trecho de um exorcista célebre e totalmente digno de fé, o Reverendo Padre Mathieu, de Besançon. Aí veremos que o estilo não é o de um intelectual, mas não se trata também nem de um simplório nem de um iluminado.

“Eles seguraram-no (o possuído) bem firme mas, ao primeiro sinal da cruz que fiz, ele conseguiu escapar. As cordas afrouxaram-se e ele ergueu-se no espaço. Eles, finalmente, conseguiram amarrá-lo como puderam. Colocaram-no deitado no chão, segurando-o, agarrando-o - não gostaria de dizer brutalizando-o, não seria exato.

Mas os seus movimentos eram tão violentos que era preciso usar de toda força para poder lutar contra ele. As freiras também estavam lá, assistindo, pois era uma sessão pública. Quando ele foi imobilizado no chão, deitado de costas, e eu quis recomeçar os exorcismos, disse:

“É preciso que algumas pessoas sentem sobre ele. Com este peso, haverá maior resistência e eu poderei recomeçar o exorcismo”.

Depois de alguns minutos, eles começaram a gritar:
“Padre, Padre, para onde estamos indo?”

O homem (o possuído) subia no espaço, com seis homens sentados sobre ele. Eles não sabiam que ele pararia no meio do caminho e diziam a si mesmos:
“Tomara que ele não suba até a abóbada da igreja", pois não havia razão para que o homem, parasse de subir! Mas ele parou. Depois desceu, sempre com os homens sentados sobre ele, sem qualquer apoio, claro, e pousou no chão. Os homens estavam lívidos...”

É também, provavelmente, esta mesma propriedade (de poder imediatamente encontrar-se onde se deseja) que carrega, em alguns casos, o corpo de carne e o faz desaparecer, de repente, de um lugar para surgir, em outro.

Relata-se, sobretudo, como Santa Catarina de Siena, em sua infância, tendo afastado-se da cidade para levar uma vida de ermitã, foi milagrosamente levada, uma noite, ao interior dos muros da cidade. Mas é sempre fácil duvidar de uma história do século XIV. Na nossa época, a mesma história pode ser encontrada.

O Padre Isaac, do monastério de Dionísio, no Monte Atos, havia sido enviado, às pressas, de Karies, capital daquela república monástica, até seu monastério. Era inverno, e ele foi surpreendido, nas montanhas, por uma tempestade de neve quando mal havia atingido os limites de um outro monastério, o de Simonos Petra. Eu imagino bem o local. Nenhum abrigo.

A neve, acumulando-se, impedia-o de avançar. O frio era terrível. Ele estava condenado a ser soterrado rapidamente. Mal teve tempo de fazer uma oração, um grito de fé, e já se encontrava à porta de seu monastério no exato momento em que o porteiro fechava os portões.

A vida de Madre Yvonne-Aimée de Malestroit é repleta de fenômenos semelhantes. Desta forma, ela escapou, um dia, das torturas da Gestapo. Várias testemunhas podem comprovar o fato.

É preciso, evidentemente, comparar tais casos com aqueles de bilocação. Nestes últimos, o corpo de carne não é levado. Aliás, às vezes é difícil distinguir os dois processos. Só se pode ter certeza de que houve bilocação quando testemunhas confiáveis declaram ter visto a
mesma pessoa, no mesmo instante, em dois lugares diferentes.

Madre Yvonne-Aimée aparece em “stalags” para ajudar os prisioneiros a fugir, lança-se à procura de hóstias profanadas. O maravilhoso surge com tal frequência em sua vida que a Igreja romana intervem, com vigor, para impedir que se fale a respeito.

Entretanto, Madre Yvonne recebeu seis medalhas, dentre as quais a Cruz de guerra com palmas, a Legião de honra (que o General de Gaulle entregou-lhe pessoalmente), a King’s Medal, a Medalha da resistência, a Medal of Freedom americana.

As maravilhosas propriedades deste corpo de glória que já está em nós podem manifestar-se de modo ainda mais espetacular. AnneCatherine Emmerich percorria, assim, a terra inteira, conduzida por seu anjo. Ela sofria, ao mesmo tempo em seu corpo e em sua alma, os cansaços da viagem.

No percurso, aprendia os nomes dos países, dos povos, das flores, das montanhas, as particularidades de suas arquiteturas e seus costumes.

Os mesmos fenômenos aparecem na vida de Teresa-Helena Higginson, estigmatizada inglesa, simples professora primária em um colégio católico. Ela entrega um crucifixo a um chefe indígena e recupera-o alguns dias mais tarde...

As perspectivas ampliam-se ainda mais quando Robert de Langeac, um dos maiores místicos de nosso tempo, nos fala da ação de Deus que a alma sente em si própria, e em outras almas.

Como de hábito, os termos utilizados por este místico são simples e diretos, mas, quando se está habituado a tais textos, sabe-se que os mesmos devem ser tomados ao pé da letra: “Não é apenas em si mesma que a alma apreende o poder de vossa obra, ó meu Deus! é também em tomo de si mesma e até nos confins do mundo”.

Durante o sono, parece, segundo bons autores, que este corpo espiritual que há em nós abandona bruscamente seu invólucro carnal. Ele pode, assim, passear por locais bem distantes, por este mundo terrestre, ou, da mesma forma, por outros planos onde pode encontrar, por curtos instantes, os mortos que amaram e aos quais, em breve, reunir-se-ão.

Pode até mesmo acontecer, embora excepcionalmente, que nos lembremos do fato após o mesmo ter acontecido. A senhora O.P. tinha um filho que era brilhante em seus estudos. Antes de concluir o segundo grau, teve a oportunidade de passar férias em São Francisco. Mas as condições psicológicas não foram tão favoráveis quanto havia desejado.

Uma noite ele foi abruptamente despertado por sua mãe que intuira que o mesmo estava drogando-se. Voltando à França, tendo prestado os exames finais, o rapaz tinha apenas uma idéia na cabeça: estudar na Califórnia. Infelizmente, mais uma vez, as coisas aconteceram contrariamente às suas previsões.

Ele chegou ao Minnesota e hospedou-se em uma família muito numerosa, onde ninguém dava-lhe atenção. Ele volta, então, para a França e inscreve-se, às pressas, na Faculdade de Jussieu. Seus estudos continuaram a ser coroados de sucesso, mas a saúde do estudante começava a declinar.

Os mesmos fenômenos aparecem na vida de Teresa-Helena Higginson, estigmatizada inglesa, simples professora primária em um colégio católico. Ela entrega um crucifixo a um chefe indígena e recupera-o alguns dias mais tarde...

As perspectivas ampliam-se ainda mais quando Robert de Langeac, um dos maiores místicos de nosso tempo, nos fala da ação de Deus que a alma sente em si própria, e em outras almas.

Como de hábito, os termos utilizados por este místico são simples e diretos, mas, quando se está habituado a tais textos, sabe-se que os mesmos devem ser tomados ao pé da letra: “Não é apenas em si mesma que a alma apreende o poder de vossa obra, ó meu Deus! é também em tomo de si mesma e até nos confins do mundo”.

Durante o sono, parece, segundo bons autores, que este corpo espiritual que há em nós abandona bruscamente seu invólucro carnal. Ele pode, assim, passear por locais bem distantes, por este mundo terrestre, ou, da mesma forma, por outros planos onde pode encontrar, por curtos instantes, os mortos que amaram e aos quais, em breve, reunir-se-ão.

Pode até mesmo acontecer, embora excepcionalmente, que nos lembremos do fato após o mesmo ter acontecido. A senhora O.P. tinha um filho que era brilhante em seus estudos. Antes de concluir o segundo grau, teve a oportunidade de passar férias em São Francisco. Mas as condições psicológicas não foram tão favoráveis quanto havia desejado.

Uma noite ele foi abruptamente despertado por sua mãe que intuirá que o mesmo estava drogando-se. Voltando à França, tendo prestado os exames finais, o rapaz tinha apenas uma ideia na cabeça: estudar na Califórnia. Infelizmente, mais uma vez, as coisas aconteceram contrariamente às suas previsões.

Ele chegou ao Minnesota e hospedou-se em uma família muito numerosa, onde ninguém dava-lhe atenção.

Ele volta, então, para a França e inscreve-se, às pressas, na Faculdade de Jussieu. Seus estudos continuaram a ser coroados de sucesso, mas a saúde do estudante começava a declinar.

Título: Re: Os Mortos Nos Falam
Enviado por: Marianna em 18 de Abril de 2019, 00:49

A mãe percebeu e foi visitá-lo

A mãe percebeu e foi visitá-lo, tentando arrancá-lo do perigo que ela sentia estar rondando.

Durante toda a noite seguinte ela rezou à Virgem Maria para que protegesse seu filho. De manhã, ficou sabendo que o mesmo havia-se jogado de uma janela, do sétimo andar.

Vários meses mais tarde, enquanto dormia, a mãe viu seu filho, trajando uma longa roupa branca, circundado por uma luz de um branco azulado como o diamante, com um ar feliz.

Ele disse-lhe as seguintes palavras, incríveis, totalmente inesperadas, absurdas:
“Eu não estou morto como você pensa. Eu afoguei-me no rio Nilo”.

Pela manhã, a mãe acordou tranquila, feliz. Ela nada havia compreendido das palavras do filho que ficaram gravadas em sua mente; mas tinha a sensação nítida, a certeza interior, de que não se tratara de um simples sonho.

Alguns dias mais tarde, ao receber um amigo para jantar, contou-lhe a manifestação que tivera de seu filho. Seu amigo deu-lhe, então, uma explicação também inesperada: “Afogar-se no rio Nilo” é uma expressão antiga para indicar uma morte feliz. Ela não poderia nunca ter inventado, sozinha, esta expressão."

Fora, de fato, seu filho que, através desta expressão enigmática, havia encontrado o meio de tomar autêntica sua manifestação indubitável. Este corpo espiritual está em contínua evolução. Já vimos que ele é formado progressivamente.

No início, pode-se compará-lo a uma esfera luminosa de vapor. Isto aparece claramente, por exemplo, na narrativa a seguir onde a desincorporação não ocorre nem após um acidente, nem durante uma operação.

Trata-se de um doente que deveria ser operado. Ele está em seu quarto de hospital, alguns dias antes da intervenção cirúrgica. Uma noite, é misteriosamente informado a respeito de sua morte iminente:
“Vi uma luz surgir no canto do quarto, um pouco abaixo do teto. Era uma bola luminosa, uma espécie de globo, não muito grande. Calculo que tivesse vinte ou trinta centímetros de diâmetro, não mais... Vi uma mão estender-se em minha direção, como que saída desta luz.

E a luz disse-me:
“Vem comigo, tenho, algo a mostrar-te”. Imediatamente, e sem a menor hesitação, também estendi minha mão para segurar aquela que eu via. Ao fazer isto, tive a impressão de ser atraído para cima e abandonar meu corpo. Eu olhei para trás e vi meu corpo estendido sobre o leito, enquanto eu era erguido rumo ao teto do quarto.

Ao deixar meu corpo, assumi a mesma forma da luz... Não era um corpo: apenas uma névoa, um vapor... Esta substância espiritual não tinha a estrutura de um corpo. Era mais ou menos esférica e possuía o que poderíamos chamar de mão.

Percebi isto porque, quando a luz lá do alto estendeu-me sua mão, foi com a minha mão que eu a segurei. Mas nos momentos em que eu não utilizava minha mão espiritual, meu espírito retomava sua forma arredondada...”

Este é, aliás, um dos casos em que, para concluir uma obra de amor junto a uma criança, um doente obteria um prazo de vários anos na terra, até que a referida criança atingisse sua maioridade. Observe-se que esta espécie de mão retrátil aparece apenas durante o gesto que deve ser realizado.

Temos uma narrativa bem semelhante, feita por Theresa Neumann, quando das duas intervenções de Santa Teresa de Lisieux. A primeira, para curá-la de sua paralisia; e a segunda, de uma apendicite:
“De repente surgiu uma luz forte e tudo foi magnificamente iluminado à minha frente. Não posso descrever-lhe esta claridade... E alguma coisa pegou-me pela mão direita fazendo com que eu sentasse em minha cama...

A Voz falou:
“Sim, agora podes sentar, podes também andar.” E novamente algo segurou minha mão e eu tomei a sentar em minha cama.”

Isto aconteceu no dia 17 de maio de 1925. Na segunda vez, a narrativa da grande estigmatizada alemã refere-se à primeira cura:
“Tomei a ver a luz, uma mão direita, e voltei a escutar aquela doce voz...” Aí não encontramos a forma esférica. Entretanto, também não há corpo, já que são utilizadas expressões como: “alguma coisa pegou-me pela mão”.

A esfera não seria uma primeira fase anterior à formação completa do corpo de glória?

Não se tem certeza. Roland de Jouvenel deixa-nos entrever uma evolução, particularmente rápida em seu caso. Ele insiste bastante nesta evolução contínua. A cada etapa há gritos de alegria, de encantamento.

Ele morreu a 2 de maio de 1946. Já em 18 de dezembro de 1949 comunicava a sua mãe:
“Mamãe, é preciso que você anote este dia e esta hora com uma cruz no calendário. Hoje, você já não pode imaginar mais nada a respeito das zonas que acabo de atingir. Estou em um plano que nada tem de semelhante ao seu mundo...

Tudo aquilo que não tem mais nem corpo, nem forma, nem nada de sensível, escapa à concepção humana. Pare, então, de querer pensar em Deus através de imagens.

Mas a ascenção continuou ainda por muito tempo. E, certamente, ainda continua. Em 12 de maio de 1952, ele transmite esta mensagem fantástica, prodigiosa, maravilhosa, que deveria impressionar as pessoas bem mais que todos os passos de nossos cosmonautas na lua: “Aqui onde estou não há nem forma, nem contorno, nem expressão; nem palavra."

Há o Infinito no Infinito. Além dos rios e das planícies, além das colinas e dos montes, além do sol e da lua, onde nem o pé nem o espírito pode pousar, há o ‘Tudo’ no 'Tudo’

Pierre Monnier testemunha, também, esta evolução contínua de nosso corpo espiritual. Ele o faz em um estilo todo seu, correspondente a sua família e a seu meio, retomando as palavras de São Paulo:
"Vocês viverão etemamente, em um invólucro cada vez mais idealizado por uma espiritualidade sempre crescente, e que os levará ‘de glória em glória'

A etapa final desta evolução sem fim não teria sido ainda atingida por ele, mesmo se consultarmos as ultimas mensagens do volume VII.
Mas seus orientadores espirituais do além lhe falaram a respeito:
“Nossos orientadores ensinam-nos que a espiritualidade absoluta e essencial, uma vez obtida, separar-nos-á definitivamente de qualquer forma limitada.

Ainda não somos capazes, nós mesmos, de compreender esta individualidade persistente fora de uma objetividade visível... mas seria a verdadeira semelhança com Deus.“ Liszt, Franz Liszt, o famoso compositor, afirmou a mesma coisa à senhora Rosemary Brown.

Título: Re: Os Mortos Nos Falam
Enviado por: Marianna em 19 de Abril de 2019, 00:21


O Caso Rosemary Brown

Trata-se de uma das mais surpreendentes histórias de mediunidade do século. A vida desta respeitável senhora inglesa não tem mistérios. Nasceu em uma velha casa de Londres, de pais sem grande fortuna. Viveu sempre na mesma casa. Aprendeu um pouco de piano com um professor do bairro mas nunca passou de uma instrumentista medíocre.

Parece que seus ouvidos também não eram muito sensíveis. Ela mal distinguia uma obra de Schubert das de Mozart ou Beethoven. Levou uma vida laboriosa como esposa e mãe de dois filhos. Estes tinham entre quatro e oito anos quando seu marido morreu após longa doença que acabou por arruiná-los financeiramente. Era o mês de junho de 1961.

Acontece que Rosemary, desde sua mais tenra infância, via pessoas que os outros não viam. Ela tinha aproximadamente sete anos e estava deitada em sua cama, em um canto do quarto do andar superior da casa de seus pais. Foi então que Franz Liszt apareceu-lhe pela primeira vez. Ele estava de pé, tinha a aparência de um ancião com longos cabelos brancos, e vestia uma espécie de longo vestido preto.

Ele não se apresentou mas disse que, na terra, havia sido compositor e pianista e que voltaria mais tarde, quando ela fosse maior, para ensinar-lhe música. Foi o que, de fato, ocorreu mais tarde, e durante anos.

Ele trouxe, também, seu grande amigo Ghopin que ditou para ela todas as suas últimas composições, além de inúmeras outras de compositores de épocas e estilos bem diferentes, de Monteverdi a Francis Poulenc. Liszt explicou-lhe que havia organizado, no além, uma sociedade de compositores que aceitavam manifestar-se aos pobres terrestres, que somos nós, para tentar convencer-nos de nossa sobrevivência.

Ele acreditava que se os homens fossem convencidos de que esta vida aqui só é um começo de uma vida eterna, comportar-se-iam menos mal. Liszt, já aqui na terra, era muito crente. No final de sua vida, preparava-se para o sacerdócio e já havia recebido os primeiros graus, as ordens menores.

Isto explicava a batina preta que ele usava ao manifestar-se, bem como suas várias composições para igreja. Os maiores especialistas internacionais foram solicitados a dar um parecer sobre as composições recebidas pela senhora Brown.

A eles não era fornecida a verdadeira origem das peças musicais. E os pareceres foram sempre categóricos a favor da autenticidade das mesmas. Apenas Chopin poderia ter composto tal obra. E era mesmo sua mais bela composição. Outra, era absolutamente típica de Debussy, etc...

Ora, Franz Liszt conversava frequente mente com a senhora Brown a respeito da vida do além. Ele dizia sobretudo coisas muito importantes sobre a Reencarnação, como veremos a seguir. Ele explicou-lhe, também, que em seu mundo havia diferentes esferas ou níveis
de consciência:
“O último estágio é o de um estado de consciência celeste, onde a alma não se interessa pela aparência, mas pelo ser.” “As almas neste estado, dizia ele, perderam todo o interesse pela representação corporal individual pois sabem que esta forma externa não é mais necessária... Alguns destes níveis mais evoluídos são imprecisos, porque aí as almas não precisam mais garantir para si uma forma externa.”

Como podemos, então, ser reconhecidos? perguntou a senhora Brown.

“Há uma espécie de percepção da alma, disse ele. Quando uma alma está perto de outra, reconhece-a ao perceber sua presença e pode identificar a atmosfera de uma pessoa. Isto acontece após um longo tempo. Pode levar numerosos anos.

Após lermos tais textos, compreendemos melhor a manifestação de Santa Teresa de Lisieux à Theresa Neumann. A enferma só viu a luz, ouviu uma voz e viu ou sentiu alguma coisa que a pegava pela mão. É um pouco menos nítido que a bola de luz que veio buscar o doente que deveria ser operado. Mas teria sido diferente? Ou seria apenas uma nuance na manifestação, na maneira de aparecer? Pois esta bola de luz é encontrada em vários outros casos.

A Estrela De Belém É Mensageira Do Além

Acho que tal era, na realidade, “a estrela” de Belém. Sabe-se, hoje em dia, graças às descobertas arqueológicas realizadas no Oriente Próximo, e sobretudo em Doura-Europos, que os primeiros cristãos jamais representavam os anjos como homens alados. A antiguidade pagã dava, entretanto, numerosos exemplos disto e as Escrituras falavam das asas dos anjos.

Mas as Escrituras, como todo o antigo Oriente-Próximo, associava as estrelas aos anjos. Por este motivo, nos primeiros séculos, os anjos que aparecem aos pastores na noite de Natal, ou aqueles que as mulheres encontram junto ao túmulo vazio do Cristo, são representados por estrelas.

Numerosos textos antigos, em grego, em siríaco, em armênio, explicam-nos que esta estrela de Belém - que guiava os magos rumo à gruta onde encontrava-se o Cristo - era, na realidade, um “anjo”, ou seja, um mensageiro de Deus, um mensageiro do além.
De modo inesperado, esta interpretação é confirmada por Pierre
Monnier.

Esta bola de luz é encontrada na vida de Santa Ana-Maria Taigi (1769-1837). Durante 47 anos, dia e noite, ela via uma bola de luz que mostrava-lhe todos os acontecimentos do mundo, até aqueles ocorridos nos países mais longínquos e nos gabinetes mais secretos. Os Papas muitas vezes consultaram-na, Napoleão I também percebia, junto a si, uma bola de luz. Ele sentia como que uma presença pessoal de bom agouro.

Grande, também viu, um dia, em um raio de luz, a alma de Germano, bispo de Cápua, que os anjos conduziam ao céu “em um globo de fogo". Tais experiências não têm idade e não estão ligadas a nenhuma cultura em particular. Em um texto do século VI, encontramos um eco longínquo desta experiência do corpo espiritual em forma de bola de luz e de sua primeira formação, como em uma cópia alongada, suspensa acima de um corpo de carne. Mas este texto faz-nos ir ainda mais longe, até o século III, pois trata-se da condenação de opiniões atribuídas a Orígenes pelo Édito de Justiniano, em 543:

‘‘Se alguém diz ou pensa que na ressurreição os corpos dos homens revelar-se-ão esféricos e se não admitir que nós nos levantaremos na posição vertical, que seja anatematizado". Compreende-se, evidentemente, que a perspectiva de encontrar-se, um dia, redondo como um balão, sem braços e pernas, ou na impossibilidade de ficar de pé, parecia insuportável a pessoas incapazes de imaginar um mundo totalmente diferente do nosso, que comportasse, além do mais, numerosas etapas.

Ora, separados de qualquer contexto que lhes dê sentido, tais afirmações tomam-se falsas e, ao mesmo tempo, ridículas - e até perigosas, pois suscetíveis de confundir os espíritos. Não temos qualquer texto de Orígenes que permita afirmar que ele sustentava tal opinião. Mas é verdade que, uma vez condenado, sua obra foi em grande parte destruída.

Para nós, entretanto, o essencial é saber que esta era uma opinião bastante conhecida, para ter merecido uma condenação. Encontramos, aliás, outros testemunhos em São Jerônimo, em Metódio de Olimpo e em Plotino, no século III d.C. Mas além deste problema da forma esférica, estava em discussão a própria natureza do corpo glorioso.

Se a maioria dos teólogos, após São Paulo defendia, ao mesmo tempo, a continuidade e a mudança de um corpo para outro, outros defendiam, sobretudo, a continuidade, tal como São Jerônimo e Epifânio; um outro grupo insistia na mudança, como Orígenes e Evagro do Ponto (ou Evagro, o Pôntico). Anatematismo, aliás, retomado quase que nos mesmos termos por ocasião do Concílio de Constantinopla, em 553.

É verdade que a mudança assustava-os pois pensavam que este corpo glorioso deveria dar lugar, um dia, a um outro corpo, ainda mais glorioso e mais espiritual, e assim sucessivamente, através de uma série de mortes sucessivas até que o último corpo espiritual desaparecesse completamente.

Os mensageiros do além não associam a evolução ulterior do corpo espiritual a uma sucessão de mortes, com tudo que isto implicasse de necessariamente doloroso. Mas nada permite afirmar que Evagro compreendia o fato desta forma. Vemos, neste ponto (sem querer julgar aqui o conjunto de sua teologia, o que seria um outro problema), segundo tudo que podemos saber hoje através das comunicações com o além, que Orígenes e Evagro tinham razão.

Título: Re: Os Mortos Nos Falam
Enviado por: Marianna em 19 de Abril de 2019, 01:10
IV Nas Fronteiras Da Morte

A chegada ao outro mundo comporta diversos elementos que ocorrem em diferentes momentos. Mas sua ordem de sucessão pode variar e, segundo as circunstâncias, certos elementos podem ficar ausentes. Não há aí qualquer contradição ou incoerência nos testemunhos.

Simplesmente ocorre que a realidade adapta-se indefinidamente a cada caso particular. Imagine-se tendo que contar a algum extraterrestre como as coisas acontecem em nosso planeta quando alguém está doente.

Você poderá dizer que, geralmente, chamamos um médico, ou que vamos a seu consultório; que, em seguida, às vezes, somos enviados ao hospital, mas nem sempre; que, no hospital, somos examinados por um outro médico, mas nem sempre pelo mesmo; e que, aliás, em caso de acidente, vamos primeiro ao hospital, e não ao consultório... Tudo isto pode parecer muito complicado e desconcertante, quando - para nós - a realidade é muito simples.

As coisas acontecem mais ou menos assim nas diferentes fases que vamos descrever agora. Como são fatos relativamente bem conhecidos, sobretudo nestes últimos anos, limitar-me-ei, em cada caso, a citar somente alguns exemplos e as obras mais acessíveis sobre o tema.

Rever aqueles que amamos no exato momento da morte, veremos surgir à nossa frente, vin Os testemunhos são incontáveis. Sobretudo depois que as famosas E.F.M. (Experiências nas Fronteiras da Morte) se multiplicaram Eis a narrativa feita pelo doutor Moody:
“O médico havia desistido de salvar-me, Mas eu, durante este tempo, sentia-me muito lúcido... Neste momento exato, percebi a presença de uma porção de pessoas, quase uma multidão, planando junto ao teto de meu quarto. Eram todas pessoas que eu havia conhecido no passado e que já haviam morrido.

Reconheci minha avó e uma antiga colega de escola, bem como outros parentes e amigos. Eu via, sobretudo, os seus rostos e sentia-os ali. Todos pareciam contentes, Era uma ocasião feliz e eu sabia que tinham vindo para proteger-me ou guiar-me. Era como se eu estivesse voltando para casa e que estivessem todos ali para me receber, na porta, para me desejar as boas-vindas.”

O comitê de recepção é, às vezes, mais reduzido e pode, em circunstâncias movimentadas, limitar-se a uma pessoa desconhecida: pelo menos em um primeiro momento. Eis um destes casos, onde reduzimos a narrativa às frases que consideramos, aqui, essenciais:
“Eu estava em um petroleiro. Quando nosso navio afundou, afogamo-nos rapidamente. Eu não sofri... Fui sendo levado meio aos destroços e, após algum tempo, percebi que estávamos em águas profundas... afastamo-nos, sem saber direito o que fazíamos. Depois, descobrimos que havia um desconhecido conosco.

“Suas roupas estavam secas e ele andava como se a água que nos circundava não existisse para ele... Após ter andado em linha reta, à nossa frente, por um tempo enorme, eu vi que nos dirigíamos rumo ao que me parecia ser um nascer do sol. Eu nunca vira alvorada mais bonita. Olhei para trás... quando o desconhecido pôs a mão em meu ombro e disse: “Ainda não, você deve continuar até o Vale da Sombra da Morte. Só ao chegar lá você poderá olha para trás, se quiser.”

Eles chegaram, em seguida, a um tipo de jardim maravilhoso onde adormeceram. Ao despertar, surpresos, tentaram reconstituir juntos a sequência dos acontecimentos. “Durante todo este tempo o desconhecido estivera conosco, sem dizer uma só palavra. Finalmente, perguntei-lhe de onde vinha e por que nos havia conduzido até ali.

Ele respondeu:
“Oh, sou um simples marinheiro, como vocês. Mas tendo atracado já há algum tempo, pensei que poderia ajudá-los.”
Um pouco mais adiante, na mesma narrativa, surge outro episódio:
... “Papai veio ver-me e nós passamos maravilhosos momentos juntos. Fica engraçado chamá-lo de papai pois agora ele está mais jovem que eu: pelo menos, aparenta estar ...”

O leitor sabe, agora, como o pai deste marinheiro reencontrou sua juventude. A menção bíblica do Vale da Sombra da Morte é, também, muito interessante. Enfim, pudemos perceber que o testemunho anterior vinha de alguém que havia chegado bem perto da morte, mas sem dar o passo final. Foi um caso de morte provisória. Agora temos a narrativa de uma morte definitiva.

A mensagem foi recebida pela viuva e pela filha do célebre coronel Gascoigne, em escrita intuitiva. Os céticos tentarão explicar tudo de outra forma, reduzindo tudo, como de hábito, a um simples jogo de projeções psicológicas ou a alucinações.

Há, entretanto, numerosos casos que não podem ser reduzidos a esta espécie de explicação: são casos de crianças que ainda não sabiam ler, que ignoravam as obras do doutor Moody ou de J.C. Hampe, e que identificaram, entre os mortos que vieram encontrá-las no além, pessoas cujas mortes ignoravam, pessoas das quais ignoravam até a existência.

Eis alguns exemplos revelados por Elisabeth Kübler-Ross:
“Uma menina, julgada morta durante uma operação cardíaca muito delicada, contou a seu pai que havia sido abordada por um irmão ao lado do qual sentira-se muito feliz, como se já se conhecessem. Ora, ela nunca havia conhecido um irmão. O pai, emocionado com a narrativa da criança, contou-lhe que ela tivera, de fato, um irmão mas que o mesmo havia falecido antes de seu nascimento.”

 “... Sim, agora está tudo bem. Mamãe e Peter já estão esperando por mim”, disse-me um menino. E com um sorriso feliz entrou em estado de coma que antecedeu sua passagem para o que chamamos de morte. Eu sabia que sua mãe havia morrido no momento do acidente, mas seu irmão Peter havia sobrevivido: fora hospitalizado em um serviço especializado em queimados graves (o carro incendiara-se antes que pudessem retirar o garoto). Eu quis ter notícias de Peter, mas não foi preciso: ao passar pela sala das enfermeiras soube, por um telefonema recebido do outro hospital, que ele havia morrido alguns minutos antes.”

A senhora Kubler-Ross resume assim suas observações:
“Durante todos os anos de minhas pesquisas, da Califórnia à Austrália, junto a crianças brancas e negras, aborígenes, esquimós, sul-americanas, americanas, líbias, sempre constatei que quando falavam de alguém que as esperava, tratava-se de alguém que havia falecido antes, mesmo que minutos antes. Entretanto, nenhuma delas havia sido informada a respeito desta morte recente.

Coincidência? Nenhum especialista, nenhum estatístico, conseguirá convencer-me de que isto ocorreu por “falta de oxigênio” (como afirmam alguns colegas) ou por outros motivos racionais e cientificamente explicáveis.

Mas, evidentemente, tais fenômenos não datam de hoje. Não estão ligados a qualquer aparelhagem ou a qualquer método médico recente. Eles são reconhecidos há muito tempo e poderíam, por si só, dar-nos a prova de nossa sobrevivência após a morte. Já no início de nosso século, por exemplo, o grande pesquisador italiano, Ernesto Bozzano, dedicava-lhes uma centena de páginas em sua obra. No capítulo intitulado Aparições de defuntos no leito de morte, relata não menos que 55 casos cuidadosamente divididos por tipos:
- Casos em que as aparições dos falecidos foram percebidas unicamente pelos moribundos que sabiam da ocorrência das mortes. - Casos nos quais outras pessoas, juntamente com o agonizante, percebem um mesmo fantasma de defunto... Bozzano distingue, assim, seis categorias de casos.

Sabe-se até, há algum tempo, que estas visões de falecidos no momento da morte acontecem em todos os países, qualquer que seja a raça, a cultura ou a religião do moribundo. Os doutores Karlis Osis e Erlendur Haraldsson realizaram uma dupla pesquisa, nos Estados Unidos e na Índia, sobre estas famosas E.F.M. (Experiências nas Fronteiras da Morte) onde constata-se que o fenômeno parece ser universal.

O trabalho relaciona mais de mil casos e é acompanhado de quadros estatísticos detalhados. Tais quadros mostram-nos que estas visões são mais frequentes em moribundos que atingiram um elevado nível de instrução. Os Indianos têm tendência a ver chegar até eles personagens falecidos com menos frequência que os americanos, o que se podería explicar, talvez, por uma certa inibição do Indiano em relação à mulher.

Os homens, na índia, ao morrer, têm menos visões de falecidos – em geral - que as mulheres: isto parece confiimar a explicação anterior. O encontro de um Ser de luz. Um outro episódio, apesar de muito importante, foi pouco observado - mesmo pelos grandes pioneiros deste tipo de pesquisa. Ernesto Bozzano não o menciona em sua lista dos doze pontos fundamentais encontrados na quase totalidade dos casos.

Talvez por que, por um lado, este encontro não se diferencia muito claramente do outro tipo de encontro citado anteriormente. Assim, por exemplo, ocorre na narrativa de um soldado morto durante a ultima guerra na Líbia, e cuja mensagem - como muitas outras - foi recebida por escrita automática pela viuva e pela filha do coronel Gascoigne.


Título: Re: Os Mortos Nos Falam
Enviado por: Marianna em 20 de Abril de 2019, 01:52

Este soldado encontra-se com outros falecidos no campo de batalha, mas observa, de repente, que outra pessoa juntara-se a eles:
“O desconhecido não usava farda e durante alguns segundos perguntei a mim mesmo como um civil havia conseguido chegar ali. Ele assemelhava-se a um árabe. Quando virou-se para mim e olhou-me, senti estar sendo recriado por ele. Ajoelhei-me e murmurei:
- O Cristo! com todo o respeito de uma criança.
- Cristo não, mas um de seus mensageiros, disse o homem frente ao qual eu estava prostrado. Ele quer você, disse-me ele.

Ele me queria!
- Mas para que? perguntei com uma voz entrecortada.
Ele ergueu seu olhar para os outros, mas eu nada vi além de uma gloriosa luz. Ela enchia minha cabeça e, queimando algo em mim, retinha-me naquele lugar. Depois, sua voz fez-se novamente ouvir:
- Por seu sacrifício, você atingiu o ápice da força. Depois, não me lembro de mais nada. Já foi visto que os moribundos nem sempre são recebidos, no além, no primeiro instante, por seus familiares. Sobretudo em casos de guerra ou acidente.

A narrativa que acabamos de ler começa um pouco como a história do marinheiro morto que vinha auxiliar os outros quando os mesmos naufragavam. Aqui, este soldado da Líbia nota, primeiramente, apenas um desconhecido. Sua única surpresa foi: “o desconhecido não usava farda”. Mas, em seguida, a narrativa evolui quando o desconhecido olha-o: “senti estar sendo recriado por ele”. A expressão é muito bonita, mas extremamente forte, e compreendemos que tal impressão possa ter feito o soldado pensar em Cristo.

Este soldado encontra-se com outros falecidos no campo de batalha, mas observa, de repente, que outra pessoa juntara-se a eles:
“O desconhecido não usava farda e durante alguns segundos perguntei a mim mesmo como um civil havia conseguido chegar ali. Ele assemelhava-se a um árabe. Quando virou-se para mim e olhou-me, senti estar sendo recriado por ele. Ajoelhei-me e murmurei:
- O Cristo! com todo o respeito de uma criança. - Cristo não, mas um de seus mensageiros, disse o homem frente ao qual eu estava prostrado. Ele quer você, disse-me ele.

Ele me queria!
- Mas para que? perguntei com uma voz entrecortada. Ele ergueu seu olhar para os outros, mas eu nada vi além de uma gloriosa luz. Ela enchia minha cabeça e, queimando algo em mim, retinha-me naquele lugar.

Depois, sua voz fez-se novamente ouvir:
"Por seu sacrifício, você atingiu o ápice da força. Depois, não me lembro de mais nada. Já foi visto que os moribundos nem sempre são recebidos, no além, no primeiro instante, por seus familiares. Sobretudo em casos de guerra ou acidente.

A narrativa que acabamos de ler começa um pouco como a história do marinheiro morto que vinha auxiliar os outros quando os mesmos naufragavam. Aqui, este soldado da Líbia nota, primeiramente, apenas um desconhecido. Sua única surpresa foi: “o desconhecido não usava farda”.

Mas era apenas um de seus “mensageiros”. Não devemos esquecer que a palavra grega “anggelos”, de onde tiramos a palavra “anjo”, não significa nada mais que “mensageiro”. A menção feita à luz vem um pouco depois, como se a mesma houvesse aparecido apenas em uma terceira etapa, e sem emanar diretamente do mensageiro.

Osis e Haraldsson mencionam, também, este encontro com uma “figura religiosa” (para retomar a expressão que utilizam), no relatório da dupla pesquisa realizada nos Estados Unidos e na Índia:
“A identificação da figura religiosa também representou um problema junto aos adultos.

Com efeito, um grande numero de pacientes viram um homem, vestido de branco, e com uma auréola de luz, que lhes provocou tranquilidade e serenidade inexplicáveis e no qual pensam ter reconhecido, segundo os casos: um anjo, Jesus, Deus, ou, entre os hindus, Krishna, Shiva e Deva. Em raríssimos casos, em compensação, os pacientes não se preocuparam em identificar a figura religiosa que lhes apareceu.

Mas, em seguida, a narrativa evolui quando o desconhecido olha-o: “senti estar sendo recriado por ele”. A expressão é muito bonita, mas extremamente forte, e compreendemos que tal impressão possa ter feito o soldado pensar em Cristo.

Mas era apenas um de seus “mensageiros”. Não devemos esquecer que a palavra grega “anggelos”, de onde tiramos a palavra “anjo”, não significa nada mais que “mensageiro”. A menção feita à luz vem um pouco depois, como se a mesma houvesse aparecido apenas em uma terceira etapa, e sem emanar diretamente do mensageiro.

Osis e Haraldsson mencionam, também, este encontro com uma “figura religiosa” (para retomar a expressão que utilizam), no relatório da dupla pesquisa realizada nos Estados Unidos e na Índia:
“A identificação da figura religiosa também representou um problema junto aos adultos. Com efeito, um grande numero de pacientes viram um homem, vestido de branco, e com uma auréola de luz, que lhes provocou tranquilidade e serenidade inexplicáveis e no qual pensam ter reconhecido, segundo os casos: um anjo, Jesus, Deus, ou, entre os hindus, Krishna, Shiva e Deva. Em raríssimos casos, em compensação, os pacientes não se preocuparam em identificar a figura religiosa que lhes apareceu.

Encontraremos, assim, um grande número de testemunhos sobre esta luz nas duas obras do doutor Moody:
“Luz inicialmente fraca cujo brilho aumentou muito rapidamente até tornar-se “supraterrestre”, sem, no entanto, ofuscar. Mas, sobretudo, nem um único de meus entrevistado - continua o doutor Moody - expressou a menor dúvida quanto ao fato de que se tratasse de um ser, de um ser de luz.

E, o que é mais interessante, este ser é sempre uma pessoa, com personalidade claramente definida. O calor e o amor que emanam deste ser, em relação ao moribundo, ultrapassam de longe qualquer possibilidade de expressão. As mesmas expressões voltam sem cessar: “Imagine uma luz feita de total compreensão e de perfeito amor”. “O amor que emanava da luz é inimaginável, indescritível.”

A bem da verdade, o leitor já terá percebido que há, em todas estas experiências, sempre alguma coisa em comum e muitas variantes.

Em outros testemunhos, o moribundo ouve apenas uma voz e sente uma presença. Às vezes trata-se de uma espécie de bola de luz, às vezes é um homem vestido de branco, ele também luminoso ou apenas cercado de luz. A experiência parece, assim, modelar-se segundo as necessidades ou as capacidades de cada um. Pode ocorrer, também, que em alguns casos seja verdadeiramente o Cristo que vem a nosso encontro.

Pierre Monnier afirma isto e tenho todos os motivos para confiar nele. Pode ser, ainda, às vezes, um de seus anjos, ou mesmo algum humano falecido cuja evolução espiritual esteja bastante adiantada para irradiar tal luz. Por vezes, esta luz permanece sem forma determinada, assim como serão nossos corpos gloriosos ao final de sua evolução. Tom Sawyer, mecânico, esmagado em sua própria oficina por um pequeno caminhão que estava consertando, viveu uma experiência muito intensa de fusão com esta luz:

“Inicialmente, como uma estrela, um ponto no horizonte. Depois, como um sol. Um sol enorme, um gigantesco sol, cuja claridade, apesar de extraordinária, não incomodava. Ao contrário, era um prazer olhá-lo. Quanto mais ele aproximava-se desta luz branca e dourada, mais sentia a sensação de reconhecer sua natureza. Como se uma antiga, muito antiga lembrança, escondida lá no recôndito de sua memória, despertasse incendiando pouco a pouco toda a sua consciência.

Era extremamente delicioso... pois era uma lembrança de amor. Aliás, e seria possível, esta luz estranha parecia também exclusivamente composta de amor. A substância “amor puro’’, era tudo que ele sentia do mundo... Quanto mais aproximava-se da luz, mais o fenômeno crescia.

E quando, finalmente, ele penetrou na luz ocorreu um êxtase indescritível, pois sua atenção e sua emoção intensificaram-se, diz
ele, “milhares de vezes”... Tom Sawyer, quando narra este fato, chora a cada três ou quatro frases”. Como ele próprio diz, é uma experiência de um amor total, infinito.

J-C. Hampe relata testemunho semelhante:
“E então fez-se a grande luz, uma luz branca irradiante, de intensidade supra terrestre, ofuscante. Ela inundava todo o meu ser e levou-me a um êxtase de sublime elevação, indescritível, tornando-me um só ser com a essência divina.”

Terminaremos, a respeito deste ser de luz, com uma citação de George Ritchie, o jovem soldado americano acometido de febre quando de um rigoroso treinamento e que, por isto, desencorporou. Ele encontra-se perto de sua cama, ao lado de seu corpo. Pouco a pouco a luz do cômodo começa a mudar, torna-se extremamente brilhante, preenchendo todos os espaços, sem que se possa ver de onde Vem:
“Todas as lâmpadas do setor não teriam podido fornecer tamanha luminosidade. Nem todas as lâmpadas do universo!”

“Mas, de repente, ele descobre a fonte luminosa:
Era Ele. Ele era muito brilhante para que pudesse ser olhado de frente. Eu via, então, que não era luz mas um Homem que havia entrado no quarto, ou melhor, um Homem feito de luz... Fiquei de pé, e enquanto levantava-me tive esta certeza plena: “Você está
em presença do Filho de Deus”.

Novamente a ideia parecia formar-se dentro de mim, mas não era um raciocínio especulativo. Era uma espécie de conhecimento imediato e completo. Percebi outras coisas a Seu respeito.

Inicialmente: Ele era o Ser mais totalmente viril que jamais havia encontrado. Se Ele era o Filho de Deus, Seu nome era Jesus. Mas... não era o Jesus de meus livros de religião. O Jesus que eu conhecera era gentil, amável, compreensivo e talvez um pouco frágil.

Título: Re: Os Mortos Nos Falam
Enviado por: Marianna em 20 de Abril de 2019, 02:02

Este Personagem agora era o Poder personificado, mais velho que o tempo e, entretanto, mais atual que qualquer um. Para completar, com a mesma misteriosa certeza interior, soube que este Homem amava-me. Mais ainda que poder, o que emanava desta Presença era um amor incondicional. Um amor surpreendente. Um amor situado além de meus sonhos mais loucos...”

Sem querer dizer que se trata exatamente do mesmo fenômeno, não posso deixar de sublinhar que um dos critérios das experiências místicas autênticas é a existência desta certeza interior, esta percepção que surge, internamente, à medida em que a experiência desenrola-se, sobre o sentido de tudo aquilo que está ocorrendo.

Observemos, a respeito de nosso mecânico que chora sempre ao contar sua história, que isto é o que acontece a muitos que viveram com certa intensidade a experiência do amor de Deus. A isto dá-se o nome de dom das lágrimas, bem conhecido na tradição dos cristãos do Oriente.

O que você fez de sua vida?

E então, geralmente, que o moribundo ouve uma pergunta que brota do ser de luz, embora ela seja mais uma comunicação direta de pensamento para pensamento que uma indagação pronunciada, verdadeiramente, por uma voz. Esta pergunta parece ser fundamentalmente sempre a mesma, embora cada morto provisório relate-a à sua maneira: “Você está pronto para morrer?”; Ou: “O que você fez de sua vida?”.

Como que para ajudar o moribundo a responder à indagação, aparece, à sua frente, o filme de sua vida. O fenômeno é bastante conhecido. Pode-se produzir até sem que tenhamos deixado nosso corpo, sem acidente, sob o efeito de um choque violento, de uma violenta emoção, mas sempre em situações ligadas ao temor de uma morte iminente. Assim testemunha uma jovem:

“Tão logo apareceu, o ser de luz imediatamente perguntoume:
“Mostre-me o que você fez de sua vida”, ou algo parecido. E, no mesmo instante, tudo andou para trás. Eu perguntava-me o que estava acontecendo, porque, de repente, encontrava-me ainda menina. A partir daí, comecei a avançar no tempo, através dos primeiros tempos de minha existência, ano por ano, até o momento atual...

Todas as coisas reapareceram-me na ordem em que eu as havia vivido. Elas pareciam reais. Os ambientes surgiam como se eu tivesse saído de casa e visse as coisas com todos os seus contornos, e em cores.

E tudo movia-se. Mas eu não revivia a cena tal como a havia visto com meus olhos de criança: era como se a menina que eu via fosse outra pessoa, como acontece no cinema. Uma menina, entre outras crianças, brincando numa sala.

Mas, entretanto, aquela era eu. Via-me fazendo o que eu fazia quando era pequena. Tudo acontecia exatamente como na realidade, lembro-me muito bem.”

George Ritchie, o jovem soldado americano do qual falamos há pouco, conta sua experiência quase que nos mesmos termos. Ele explica que este ser de luz, que para ele é o Cristo, conhecia tudo a seu respeito, todas as suas fraquezas, seus erros, e que, mesmo assim, o amava:
“Quando eu digo que Ele sabia tudo sobre mim, falo a partir de um fenômeno observável. Pois, naquele cômodo, com Sua presença esplendorosa, havia entrado também cada episódio de minha existência... Tudo o que havia acontecido a mim estava ali, simplesmente, plenamente visível, atual e real, parecendo desenrolar-se à nossa frente... as imagens apresentavam-se em três dimensões, imagens animadas e sonoras.”

Ele nota, então, como muitos outros, que a ontem dos acontecimentos parece não ter mais importância:
“Não era possível perceber se tal fato ocorrera antes ou depois de outro... Havia muitas outras cenas, centenas, milhares, todas iluminadas por esta luz crua, em uma existência onde o tempo parecia ter desaparecido. Eu teria precisado de semanas inteiras de tempo comum para assistir a todos aqueles acontecimentos. Entretanto, eu não sentia os minutos passarem".

Título: Re: Os Mortos Nos Falam
Enviado por: Marianna em 20 de Abril de 2019, 02:18

Este detalhe, aliás, já era conhecido há muito tempo. O cura d’Ars via a vida de seus penitentes, em seus mínimos detalhes e de modo praticamente instantâneo. Isto era-lhe imposto como um tipo de evidência que o constrangia, pois nem sempre conseguia conter suas reações. Ele conseguia ver, no passado das pessoas que vinham vê-lo, gestos sem grande importância, mas que feriam sua extrema exigência do absoluto. Ele era, então, obrigado a tranquilizar seus pobres penitentes desconcertados.

Este aspecto de seus carismas, ou seja, de seus dons paranormais, sempre pareceu inverossímil. Tal tipo de visão supõe a presença de milhões de percepções. Nosso espírito não é um computador. Não pode gravar e processar tudo instantaneamente. No entanto, o fenômeno aparece constantemente em todas as narrativas “nas fronteiras da morte”, com algumas variantes.

Por vezes, temos a impressão de que todos os acontecimentos são vistos ao mesmo tempo, em um único instante. Outras vezes, desenrolam-se com extrema velocidade, em fração de segundos. Pode acontecer, até, que a ordem das cenas seja mostrada ao contrário. Como no testemunho colhido por J.C.

Hampe:
“Começou então um fantástico teatro em quatro dimensões, formado por inúmeras imagens que reproduziam cenas de minha vida. Para ordenar as idéias, eu havia falado antes de duas mil, mas parece que havia mesmo quinhentas ou dez mil cenas. Nas primeiras semanas após meu acidente, eu conseguia lembrar de cento e cinquenta a duzentas cenas dentre as que havia revisto.

Infelizmente não pude registrar tais lembranças em um gravador. Mas no tocante ao essencial, o número não tem importância. Cada cena era completa. O Diretor havia, curiosamente, montado esta peça de teatro de tal forma que vi primeiro a última cena de minha vida, ou seja, minha morte em uma estrada próxima a Bellinzona. A última cena do espetáculo mostrava minha primeira experiência, ou seja, meu nascimento.

Cada cena era mostrada do inicio ao fim. Apenas a ordem das cenas estava invertida. Desta forma, então, comecei revivendo minha morte. A segunda cena era a de minha excursão em Gothard...”

Alguns conseguem rever todas as cenas; outros, apenas as mais importantes. Alguns assistem a seu próprio nascimento; outros começam o filme quando já têm cinco ou seis anos... Mas, voltemos ao sentido desta “sessão especial”, com a narração de George Ritchie:
“Cada detalhe destes vinte anos de experiência estava ali, para ser visto. O bom, o mau, os pontos fortes, as fugas. Com este espetáculo que englobava tudo, surgia uma pergunta, implícita em cada cena, e que, como as próprias cenas, parecia vir da luz viva que estava a meu lado:

"O que você fez de sua vida?"
No caso, não se tratava de uma pergunta como se Ele estivesse desejando uma informação. O que eu havia feito da minha vida aparecia visivelmente ali. De qualquer forma, esta lembrança geral, perfeita e detalhada, provinha d’Ele, não de mim. Eu não teria conseguido lembrar-me de um décimo daquilo que era mostrado, salvo se me fosse mostrado por Ele.

“Não havia pecados espetaculares, apenas imagens eróticas e os segredinhos de todo jovem. Mas, se não havia abismos terríveis, tampouco havia elevações. Somente uma preocupação clamorosa, míope e constante comigo mesmo...” Vêm-lhe à mente, então, como se fossem atenuantes, condecorações de escoteiro, sua presença fiel na igreja aos domingos, e seus estudos de medicina. Mas, em presença do Ser de luz, não pode mentir para si mesmo e sente que fizera tudo aquilo apenas para si próprio.

“Compreendi que era eu mesmo quem julgava, de forma bastante severa, os acontecimentos que nos circundavam. Era eu quem os via insignificantes, egocêntricos, inconsequentes. Tal condenação não vinha da Glória que brilhava em tomo a mim: ali não havia nem censura nem repreensão, simplesmente amor para comigo... Enchendo o mundo com Sua presença e, ao mesmo tempo, atento à minha pessoa...

Aguardando minha resposta à pergunta que permanecia no ar, naquele sopro ofuscante:
"O que você fez de sua vida que possa mostrar-me?'' A pergunta, como tudo o que vinha d’Ele, estava relacionada ao amor: quantas vezes você amou durante sua vida? Você amou os outros da forma como eu amo você? Totalmente? Incondicionalmente? Foi então que uma espécie de indignação tomou conta Dele, como se houvesse sido apanhado em uma armadilha:

“Alguém deveria ter-me dito isto!”
E a resposta veio do homem de luz, imediata, sempre por pensamento direto, sempre sem censura:
“Eu disse isto a você!"
“Mas como?”
“Eu disse-lhe isto através da vida que vivi. Eu disse-lhe isto através da morte que sofri. Neste instante, George Ritchie tem a confirmação de que o próprio Cristo era agora seu instrutor. E ele começaria, então, uma fantástica viagem educativa com o Cristo”.

Tudo isso é novo? Certamente que não! São João disse e repetiu:
“Deus é amor, Deus é luz” (São João, Primeira Epístola). Eis que, de repente, ao lermos tal narrativa, estas palavras tornam-se inacreditavelmente concretas e adquirem uma nova força. Reconheçamos ainda que muitos teólogos, durante séculos, com a bênção da Santa Igreja, tudo fizeram para esvaziar de sentido estas palavras de São João.

Deus só pode amar. Nenhuma crítica, nenhuma censura, mas, ao mesmo tempo toda a exigência do amor. Mesmo que o ser de luz não seja sempre o Cristo, a exigência é a mesma. A senhora Yolande Eck ouviu também a mesma pergunta: “O que você fez pelos outros?” E, perante a intensidade da presença do ser de luz que erguia-se à sua frente, ela caiu de joelhos. Mas, embora cristã, não acredita - segundo disse-me - que fosse o Cristo.

Acha que se tratava apenas de seu “guia”, de seu “anjo da guarda”, se preferirmos. Deus é amor mas, para dividir a vida com Ele, é preciso aprender a amar com Ele. Este é o sentido de nossa vida. George sentiu que o Homem de luz conhecia todas as suas fraquezas. Apesar disto, amava-o totalmente, incondicionalmente.

É isto que Ele também espera de nós:
“Fôra eu capaz de amar as pessoas, mesmo aquelas que eu conhecia a fundo, com seus defeitos? Perguntou-me Ele, conta um homem de aproximadamente quarenta anos que conseguiu escapar de um acidente automobilístico. “

...Ele mostrou-me tudo o que eu havia feito, e depois perguntou-me se eu estava satisfeita comigo mesma... Era o amor que interessava a Ele. Esta era a questão. Esta espécie de amor que me dá vontade de saber se meu próximo está vestido e alimentado, que me dá vontade de ajudá-lo, se necessário”, tenta explicar uma mulher, vítima de uma crise cardíaca durante uma cirurgia”.

Título: Re: Os Mortos Nos Falam
Enviado por: Marianna em 22 de Abril de 2019, 03:07

Uma outra mulher observa que, durante o desenrolar do filme de sua vida, não via mais o Ser de luz. Mas continuava a sentir sua presença e permanecia em comunicação direta com Ele, pelo pensamento.

“Ele não tentava informar-se sobre o que eu havia feito, pois já sabia perfeitamente a respeito de tudo. Escolhia certas passagens de minha existência e fazia com que revivessem à minha frente, para que eu me recordasse delas.

“Durante todo este tempo, ele aproveitava todas as oportunidades para destacar a importância do amor... Disse-me que eu deveria pensar mais nos outros, que deveria agir da melhor forma possível.

Mas nada disto parecia uma acusação. Mesmo quando falava das vezes em que eu havia sido egoísta, queria mostrar-me que eu havia também aprendido a lição”.

Assim compreender-se-á, facilmente, afirmações que poderiam parecer, à primeira vista, contraditórias.

Alguém dirá que, de todas as cenas que lhe foram mostradas, desprendia-se paz e harmonia, mesmo onde a moral tradicional e religiosa teria visto pecado, e até pecado mortal. Outro dirá, ao contrário, por ser um médico bastante racional, que nas mesmas circunstâncias sentiu “extrema culpabilidade ligada às más ações mais ínfimas”.

Sem dúvida é porque, por um lado, apenas o amor tem importância; e porque a Igreja inventou erros graves onde nada havia de verdadeiramente grave.

É, talvez também, por outro lado, porque a pedagogia do amor do ser de luz adapta-se às necessidades e possibilidades de cada um. Mas, definitivamente, apenas o amor tem importância.

É isto que o “guia”, ou o próprio Cristo às vezes, mostra àqueles que devem retomar à terra para concluir sua missão. Mas o testemunho daqueles que deixaram definitivamente este mundo confirmará ampla e detalhadamente esta mensagem essencial, com todas as suas implicações e consequências.

Já percebemos, também, que o julgamento definitivo é feito por nós mesmos. George Ritchie, no trecho que citei anteriormente, já dizia isto.

Mas o ser de luz desempenha, entretanto, um papel importante quando deste julgamento. Às vezes, já vimos, quando o filme da vida só comporta algumas cenas, é ele quem as escolhe.

Quando interiormente tentamos esquivar-nos da verdade sobre nós mesmos, ele nos ilumina. Vejamos um testemunho a este respeito:
“Eu estava tomado de vergonha por causa de uma série de coisas que havia feito e que, agora, via sob um prisma totalmente diverso: a luz revelou-me o que era mim, em que ponto eu agira mal.

E tudo era muito real”. Tudo isto corresponde exatamente ao ensinamento cristão mais tradicional, ao que chamamos de julgamento particular, e que acontece logo após a morte.

Na maioria das vezes dizia-se que era, provavelmente, a própria alma que se julgava, com o auxílio das luzes enviadas por Deus.

Se alguém imaginava ainda, antes de ter feito tal experiência, que o julgamento envolve um tribunal com um trono e um velho juiz barbudo, não deve acusar precipitadamente as Igrejas.

Da mesma forma, se acreditam ainda em Papai Noel e acham que são as cegonhas que trazem os bebês, devem incriminar a si mesmos.

Este julgamento parece atender a dois objetivos precisos. Primeiramente, permite ao falecido dar-se conta, por si só, do nível espiritual que atingiu e, entre os caminhos que se abrem após esta vida, escolher ou aceitar aquela que, de fato, melhor lhe convém.

Em seguida, permite ao falecido começar, aos poucos, a purificação necessária.

Este será, sem dúvida, um longo processo que deverá ser cumprido etapa por etapa. Entretanto, quanto ao essencial, o mecanismo será sempre o mesmo, como muitos mortos provisórios já notaram:
“...Eu via não apenas tudo o que havia feito, mas também as repercussões que meus atos haviam acarretado para Outras pessoas. Não era como um filme projetado em uma tela, visto que eu sentia tudo, havia sentimento... Descobri que até meus pensamentos haviam sido guardados.

Todos os meus pensamentos estavam ali. Nossos pensamentos nunca são perdidos...  Tudo isto é-nos perfeitamente confirmado pelos mortos definitivos. Vejamos o que diz Pierre Monnier:
“O primeiro plano, onde as almas ficam após a morte, é, de certa forma, um local de ‘triagem’; mas os espíritos só ficam lá quando seu peso material os prende a um ambiente semelhante ao da Terra. As outras almas são aconselhadas e apoiadas por espíritos mais evoluídos, que lhes ensinam a elevar-se rumo a esferas mais puras”.

Entretanto, aquelas que não evoluíram ainda o bastante para poder deixar este plano primitivo não ficam abandonadas. “Estas estão destinadas a evoluir como as demais: um trabalho missionário, intenso e ativo, é realizado a seu favor.

Vocês devem saber e aceitar que tais almas não são felizes: encontram se esmagadas pela lembrança de seus erros... entenda-se aqui os erros dos quais foram responsáveis devido a uma resistência desejada). Imediatamente após ser libertado de sua carne, Cristo foi visitar estes ‘espíritos prisioneiros’. ”

(Alusão, após a Ressurreição de Cristo, à sua Descida aos Infernos - segundo a Primeira Epístola de São Pedro, capítulo III, 19 e a Epístola de São Paulo aos Gálatas, capítulo VI, 7).

Isto se apresenta como sendo o fim da existência. No dia 27 de outubro de 1919, Pierre Monnier descreve a sua mãe:
“Vemos surgir a nossa frente, com uma forma definida, as consequências de nossos atos e de nossa influência terrestre. Recebemos, então, uma aula “cinematográfica”, por assim dizer, que nos emociona, que nos instrui e nos enche de remorsos ou de reconhecimento.

Nós adquirimos também a faculdade de seguir o curso espiritual dos impulsos por nós produzidos, e a acompanhá-los, antecipadamente, até o fim de sua viagem...

Que lição, querida Mamãe!” Sim eles sempre dizem que nós levaremos até as últimas consequências felizes ou infelizes, todos os nossos atos, todos os nossos pensamentos. Como conta um morto provisório:
“Eu gostaria tanto de não ter feito as coisas que fiz, gostaria tanto de voltar atrás para poder desfazê-las.


Título: Re: Os Mortos Nos Falam
Enviado por: Marianna em 27 de Abril de 2019, 04:46

Mas não nos deixemos também aterrorizar. Pierre Monnier frisa bem uma distinção de suma importância: só somos responsáveis pelos erros cometidos por uma resistência desejada.

Passo novamente a palavra a Pierre Monnier pois estamos aí frente à Revelação do sentido de nossa existência, tanto nesta terra quanto nas etapas que estão por vir. Além do mais, seu testemunho estabelece um vínculo entre as narrativas dos mortos provisórios e as dos mortos definitivos:
“Quando a morte violenta e súbita atinge o homem da terra, toda sua existência, sua existência em seus mínimos detalhes, atravessa sua lembrança. E o prelúdio do próximo futuro espiritual...

Rapidamente, a consciência da existência espiritual, que foi aquela da alma durante seus dias terrestres, manifesta-se sob a forma de lembranças bem nítidas: os remorsos, os pesares, e também a satisfação do bem realizado... Vocês devem pensar nisto, pois tal experiência é tão inevitável para a alma quanto a própria morte. É a conclusão lógica da transição de uma condição para outra e dela depende sua vida nas esferas celestes...’’

A 6 de agosto de 1920 ele diz a sua mãe como ocorre esta purificação em suas diferentes etapas:
“As lembranças amontoam-se, numerosas... passam frente a meu olhar psíquico, como vários quadros animados, e fazem-me sentir novamente as emoções passadas.

Desde que cheguei à esfera onde moro agora, constato uma maior capacidade da lembrança. Isto acontece porque nossas almas, cada vez mais livres e em busca de pureza, devem procurar mais minuciosamente todos os movimentos espirituais dos quais devem prestar conta.

No início de nossa transição, este trabalho é feito (se posso falar assim)  no atacado’. Mas depois deve ser feito de forma mais Completa e perfeita. Para tanto, o afluxo das lembranças torna-se necessário, até em seus mínimos detalhes.

É o que pode explicar o fato de ser-me bem mais fácil recordar agora as coisas do passado terrestre que quando do envio de minhas primeiras mensagens... Quando chega o momento, e quando chegamos a um nível de desenvolvimento absoluto de nossa alma face à integridade perfeita, revivemos os menores fatos através da lembrança pessoal, para nos alegrarmos ou arrepender-nos’’.

Acrescentemos, ainda, que às vezes Pierre Monnier fala de uma espécie de recapitulação final, quando a provação de toda a humanidade estiver terminada. Então ele retoma, é verdade, o termo bíblico do Julgamento final, e fala de “tribunal” e “trono”. Mas, mesmo então, nada indica que se deva tomar estas expressões ao pé da letra. Há coisas que apenas a poesia permite sugerir É preciso compreender.

Entretanto, quanto ao essencial, também neste ponto tenho total confiança nele. Inicialmente porque uma parte de suas afirmações, já antigas, encontra-se hoje confirmada, amplamente e independentemente de qualquer vínculo confessional. E também porque, quando ele crê que deve completar ou contradizer o ensinamento das Igrejas, não se constrange em fazê-lo.

Finalmente, porque a lógica deste Julgamento final é sempre a mesma, a do amor:
“Então, as almas que tiverem sistematicamente se recusado a renunciar a si próprias, a seu orgulho, a seu egoísmo, em uma palavra, que tiverem recusado amar, serão abandonadas no fogo do remorso e da vergonha... elas aniquilar-se-ão: ‘Será a segunda
morte’...”

A última misericórdia de Deus para com elas será a de deixá-las voltar ao nada. Não há, portanto, inferno eterno, o que se afasta do ensinamento tradicional. Mas Pierre Monnier e muitos outros confirmam esta segunda morte de forma categórica.

Entre vida e morte:

O túnel e o sono Para evitar que você, leitor, fique surpreso e aterrorizado quando a hora da grande partida chegar para você, quando sua contagem regressiva chegar a zero, devo falar também das transições, das zonas intermediárias. Ainda não o fiz até agora pois é difícil situá-las. Nem todos, ao que parece, têm direito a elas - que apresentam variantes importantes de um indivíduo para outro e não se situam, sempre, no mesmo ponto do percurso.

Raymond Moody fala longamente sobre uma espécie de túnel. Em sua primeira obra, situa-o no momento da desincorporação. Correspondería, assim, à saúde do corpo...

Entretanto, em seu segundo livro, relata vários casos em que o túnel encontra-se claramente após a de sincorporação. O corpo espiritual flutua no cômodo, acima do corpo de carne, e é então que o moribundo sente-se aspirado para dentro deste túnel. Estudos posteriores, sobretudo os de Ring e Sabon, parecem confirmar esta colocação. O túnel correspondería, então, não à saída do corpo, mas à passagem deste plano da realidade para um outro plano.

Sejamos bem claros. Quando o doente apenas sai de seu corpo de carne, permanece no mesmo plano que nós. Ele flutua junto ao teto do cômodo com seu corpo espiritual que não vemos. Mas ele vê a todos nós. Ele vê, ainda com este corpo espiritual, nosso mundo comum.

Nota os desenhos da luminária do teto, as agulhas dos aparelhos de controle, o coque na nuca da enfermeira que está inclinada sobre seu corpo físico... Pode atravessar portas, paredes e tetos, mas só pode, apesar de tudo, enxergar o nosso mundo. Parece, ao contrário, que o túnel marca o acesso a um outro mundo.

As palavras para descrevê-lo são quase sempre as mesmas: “longo corredor sombrio; algo semelhante a um tubo de esgoto”, “um vazio na completa escuridão... cilindro sem ar”, “profundo e obscuro vale”, “espécie de tubo condutor estreito e muito, muito sombrio”, “túnel formado por círculos concêntricos”. Lembremo-nos, ainda uma vez, do Vale da sombra da morte do qual fala a Bíblia.

Neste túnel desliza-se em velocidade vertiginosa, mas sem esforço. Não tenham medo se ouvirem aí algum barulho, mesmo que desagradável, como um tilintar de campainha ou um zumbido. É geralmente no final deste túnel que se encontra o ser de luz e, com muita frequência, um jardim maravilhoso. É também, muitas vezes, apenas depois deste túnel que encontramos aqueles que amamos. Mas, quanto a isto, não há regra geral.

Muitos moribundos viram chegar até eles seus queridos mortos sem terem passado pelo túnel, sem terem sequer desincorporado. Na maioria das vezes, sequer deixaram de ver as paredes de seus quartos, a equipe hospitalar ou os visitantes que se encontravam perto deles. Simplesmente atingiram um outro plano em uma espécie de superposição de imagens.

Já vimos que Elisabeth Kübler-Ross foi testemunha de muitos casos deste tipo quando cuidava de crianças que estavam próximas da morte. Mas o mesmo fenômeno produz-se também com os adultos. Sir William Barret, professor de física no Colégio Real de Ciências de Dublin organizou toda uma coletânea com narrativas desta natureza...

Tenho a impressão, em relação a estes últimos casos, que os falecidos percorrem aí mais da metade do caminho em direção a nosso mundo. São vistos pelos moribundos que, contudo, permanecem em nosso plano. Tal fato estaria confirmado em alguns casos onde o moribundo não é o único visitantes do além. Desta forma, a enfermeira inglesa Joy Snell podia ver, sem contudo conhecer esta passagem obscura, amigos e parentes que vinham do além para buscar aqueles de quem ela cuidava. Assim ela pôde reconhecer duas amigas intimas de uma agonizante, mortas anteriormente.

A jovem, ao morrer, exclamou: “De repente ficou tudo tão escuro. Não estou enxergando mais nada”. Foi então que ela percebeu a presença de suas duas amigas que vinham a seu encontro. A moça estendeu as mãos e Joy Snell viu que as duas amigas seguraram-na durante um minuto.

Depois as mãos separaram-se. As amigas esperaram que o corpo espiritual acabasse de se formar para irem embora, as três juntas. Aqui o túnel foi reduzido a este instante de obscuridade. Mas foi suficiente para marcar a mudança completa de plano, a passagem das coisas deste mundo para o outro. Joy Snell, embora vendo as duas amigas falecidas, permanecia em nosso mundo.

Mas, em certos casos, a percepção, pelo menos momentânea, de coisas e pessoas de outro mundo pode, sem que se atinja este momento de obscuridade completa, vir acompanhada de uma espécie de torpor. Assim declara um homem de negócios que acaba de assistir à morte de sua mulher, quando percebe tanto a formação de seu corpo de glória quanto a aparição progressiva de três pessoas luminosas, vindas para recebê-la:

“Durante cinco horas, senti uma estranha sensação de esmagamento: um grande peso pousava sobre minha cabeça e meus membros; meus olhos estavam pesados e cheios de sono.” Parece-me que a mesma coisa aconteceu no Monte Tabor, quando da Transfiguração de Cristo frente a Pedro, Tiago e João.

O texto de São Lucas é o que me parece ter melhor reproduzido o acontecimento:
"Pedro e seus companheiros estavam pesados de sono. Ao despertarem (ou "permanecendo despertos"), viram a glória de Jesus e os dois homens (Moisés e Elias) que estavam com ele." (Lucas IX, 32).

Título: Re: Os Mortos Nos Falam
Enviado por: Marianna em 28 de Abril de 2019, 18:03

Como muitas vezes ocorre, a narrativa do Evangelho não segue uma ordem rigorosa. Ele já descrevera a glória do Cristo e a presença de Moisés e de Elias.

Mas, de repente, lembra-se deste detalhe, muito importante para nós: os apóstolos estavam “pesados de sono”. Apenas depois desta “sensação estranha”, como diria o homem de negócios cujo testemunho acabamos de ver, os apóstolos puderam ver Jesus em sua glória e ver Moisés e Elias com ele.

Portanto, após a passagem através de um sono esmagador, os apóstolos - sem deixar de perceber o mundo (e, portanto Jesus, vivo como eles) - puderam ter acesso, ao menos parcial, ao mundo do além e ver os falecidos (Moisés e Elias) que falavam com Jesus.

Então, enquanto puderam ver este mundo do além, puderam ver a glória de Jesus, glória que Jesus sempre possui mas que não podemos ver, normalmente, com nossos olhos de carne.

Mas o moribundo não percebe apenas, por um instante, o outro mundo. É preciso que ele aí entre por inteiro. Entretanto, parece que podem ocorrer variantes neste processo.

Alguns moribundos fazem a viagem em duas etapas: inicialmente, a desencorporação sem deixar o nosso mundo; e depois, a passagem através do túnel em um outro plano. Outros parecem saltar de seus corpos passando, imediatamente, pelo túnel para entrar diretamente em um outro nível de realidade.

Devo ainda preveni-los: se vocês, digamos, derem uma “falsa partida”, como já aconteceu com algumas pessoas, não lhes será impossível voltar pelo mesmo túnel. Moody registrou vários casos desta espécie.

Enfim, um caso raríssimo: uma mulher diz ter encontrado neste túnel, quando ia em direção à luz, um amigo seu que pôde reconhecer perfeitamente... mas ele estava voltando!

Passaram um pelo outro, como acontece nas escadas rolantes de uma estação de metrô, ele explicou-lhe - por transmissão de pensamento - que havia sido “mandado de volta” para nosso mundo.

Foi isto também, aliás, que aconteceu à referida mulher que pôde, então, fazer-nos o referido relato Tão logo pôde, ela procurou informar-se sobre o que havia acontecido ao tal amigo. Soube que o mesmo havia sofrido uma parada cardíaca, mais ou menos na mesma hora em que ela vivera sua experiência.

Seria, evidentemente, muito interessante saber se seu amigo, quando de sua volta à terra, também teve consciência de ter passado por ela. Mas quando Moody narrou este testemunho a K. Ring não havia podido ainda verificar o fato.

Este túnel seria, então, uma passagem obrigatória entre os dois mundos? A qual espaço corresponderia?

Os moribundos têm a impressão de passar por ele em grande velocidade e, muitas vezes, em movimento ascendente, em direção ao ser de luz. Entretanto, por mais concordantes que sejam estas descrições, não devemos tomá-las ao pé da letra. Quando alguém “entra” neste túnel, espaço e tempo são diferentes.

Dar-nos-emos conta disto ao examinarmos (mais à frente, neste livro) os novos mundos aos quais ele conduz. Parece, aliás, que há pelo menos uma outra forma de acesso aos mundos superiores ou, talvez, de travessia deste túnel: através do sono.

Muitos de nossos caros falecidos afirmam que, com frequência, nós chegamos até eles durante nosso sono. Ocorrem, então, verdadeiros reencontros provisórios, doces conversas, das quais, infelizmente, quase sempre esquecemo-nos ao despertar.

Pierre Monnier diz-nos que, enquanto dormem, seus queridos pais não chegam até ele, de fato, no nível onde ele próprio, habitualmente, encontra-se realizando a nova missão que Deus, no outro mundo, confiou-lhe.

Eles encontram-se em uma espécie de zona intermediária:
“Como são doces nossos reencontros!... nós três juntos percorremos uma esfera que lhes é acessível quando seus espíritos libertam-se das pesadas correntes da carne.

Com efeito, vocês não vêm encontrar-se comigo no próprio plano onde encontra-se minha “morada” atual. Mas eu tenho a possibilidade e a alegria de poder retomar às esferas que os espíritos encarnados visitam quando estão momentaneamente libertos.

Esta sagrada alegria das reuniões espirituais podem ser confirmadas por todas as vozes do Além... Entretanto, como é difícil convencê-los disto! Querida mamãe... querido Papai, às vezes eu os acompanho até o momento em que seus espíritos reencontram, com um sorriso de pesar, suas prisões cotidianas.

Procuro deixá-los com uma intuição, uma impressão que prolongue em vocês a lembrança de nossa bem- aventurada reunião. As vezes, consigo alguma coisa, não é mesmo, Mamãe querida?”

Uma vez, ao menos, o feliz adormecido não somente guardou a lembrança clara deste encontro, como também quase teve a prova de sua realidade. A conversa começou durante seu sono e continuou quando o mesmo já estava acordado.

Mas é preciso que se diga que tratava-se de um médium. Foi em um dos últimos contatos de Belline com seu filho, morto aos vinte anos em um acidente automobilístico.

Belline, célebre “vidente”, teve sempre contatos muito difíceis com seu filho, como já disse. Em janeiro e fevereiro de 1972, sequer podemos falar de diálogo. Ele tinha apenas a impressão de ouvir o riso do filho Michel, ou a palavra “papai”, apesar das longas horas de escuta e de vã tensão.

Um pouco cansado e desencorajado, Beline desistiu e foi, com sua mulher, descansar em Florença:
“Nós buscávamos a serenidade. Eu não tentava mais chamar por Michel. Com certeza eu sequer pressentia a graça que me seria concedida. Uma noite, em nosso hotel à beira do rio Amo, Michel apareceu-me em sonho. Não posso lembrar-me das preliminares, mas estava com ele ao meu lado, em um carro, como fizéramos, tantas vezes, quando ele ainda estava vivo.

Mas, desta vez, eu dirigia e ele deixava-se conduzir.
Disse-lhe: Michel, sei que estou sonhando. Como é possível que, depois de tantas tentativas vãs de encontrá-lo, apenas esta
noite esteja-nos sendo permitido este encontro?

Michel respondeu-me: Você acha que estamos mesmo separados? A energia que era minha voltou para você e para mamãe.

É sempre assim. O amor daqueles que ficam, e choram, e chamam, atrai um pouco do ser querido que se foi. Alguma coisa dele vive em seus pensamentos, mora em seus corpos.
Eu: Eu sinto que agora vivo para dois: para você e para mamãe. E mamãe sente a mesma coisa. Será verdade? Esta sensação não é ilusória?

Michel: Um dia, justiça será feita à presciência dos poetas e dos corações daqueles que amam. Eu ouvi, ou melhor, vi seu riso pois ele voltou-se para mim e eu olhei para ele: estava radiante. Sua alegria contagiava-me. Seus olhos estavam repletos de uma claridade que transmitia-se

para mim. Havia uma espécie de fusão íntima. Nunca mais esquecerei este momento em que Michel e eu olhamo-nos um ao outro, fora do espaço e do tempo, face a face.

Eu: Michel, mal posso falar, tamanha a minha felicidade por revê-lo tão resplandecente. De repente, tenho a impressão de que o mundo não vai tão mal assim, que os homens podem encontrar - se desejarem sinceramente - uma solução para seus males.

Michel abraçou-me.
Eu: Vejo vir até mim tantos seres infelizes e deprimidos a quem a tristeza esmaga. Alguns estão à beira do suicídio. Como devolver-lhes o gosto de viver e esta alegria que estou sentindo agora?
Michel: Você pode dar-lhes força para subirem o rio da vida. São cinco horas. Acordo e ouço-me falando com Michel. Distingo perfeitamente a voz de meu filho.
Eu: Explique-me. Ainda tenho tantas perguntas a fazer! Michel: Não force a verdade, papai. Ela vem sempre na hora certa.
Eu: Eu faço o que posso para esperar. Muitas das coisas que você me disse são estranhas. Talvez eu ainda esteja sonhando.
Mas, no entanto, você está aqui.
Michel: A vida é uma energia, a morte é uma outra, e o sonho balança entre as duas.
Eu: Você acha que eu poderia ir mais longe, com você, em nossas investigações?
Michel: Pare de atormentar-se, papai. Evite desdobrar-se demais. As energias que você desprende podem não retomar a seus centros. Isto provoca sempre perdas de memória.
Eu: Quando a alma de uma pessoa deixa seu corpo, na hora da morte, encontra intactas as partículas errantes que dela escaparam?
Michel: Sim. Mesmo a loucura continua em evolução tão harmoniosa quanto possível. No além, os acidentes da alma não pesam mais que um ferimento ou uma enfermidade física. Apenas as faltas cometidas conscientemente na terra funcionam como freios.
Eu: Que freios?
Michel: Espere-me, papai, eu voltarei. A voz apagou-se, mas permaneceu a impressão feliz.

Título: Re: Os Mortos Nos Falam
Enviado por: Marianna em 01 de Maio de 2019, 06:03

O SONHO DA MORTE

Gostaria de tratar de um outro sono. Aquele que se costuma chamar, comumente, de o sono da morte. Diz-se ainda: "dormir o último sono”. Veremos, a seguir, que os mortos não dormem Má, é verdade, no inicio, um período de sono. Mas este não corresponde ao momento em que nós, vivos, temos a impressão de que os moribundos adormecem.

Na realidade, como já vimos, quando os moribundos fecham os olhos, não dormem, não perdem a consciência: apenas deixam o corpo e atingem um outro nível de realidade onde, normalmente, não percebemos o que fazem. É exatamente neste nível, e somente algum tempo após a morte, que se situa o “sono” sobre o qual gostaria de falar agora.

A experiência do sono também não é absolutamente universal. Entretanto, parece ser habitual. Neste ponto abandonamos completamente o setor ainda acessível através da narrativa dos que voltaram da morte. Aqueles que podem contar a respeito deste sono são os que verdadeiramente morreram, os mortos definitivos.

Este sono parece ser, um pouco, o que sela a morte definitiva. A passagem pelo túnel dá acesso aos mundos superiores, já vimos, mas podemos voltar à terra.

Entretanto, não temos nenhum exemplo de alguém que tenha voltado a viver na terra após este sono. As mensagens transmitidas à viúva e à filha do coronel Gascoigne, por soldados mortos na última guerra, fornecem algumas das variantes possíveis. Eis, inicialmente, o que narra um escocês, ferido e feito prisioneiro em Creta.

Ele não foi tratado e, após intermináveis sofrimentos, o infeliz. entrou em um sono absoluto:
“Ao despertar, a dor havia desaparecido e eu estava livre. Pensei, então, que havia escapado e comecei a passear, feliz por estar em liberdade. Mas era incapaz de compreender o que havia ocorrido...” Ele estava, no entanto, morto. E aí está o sentido de seu primeiro sono.

Mas ao encontrar-se vivo ao “despertar", não compreendeu o que se passara. Ele tem dificuldade em andar, encontra-se em meio a uma espécie de nevoeiro:
“Fui ficando desesperado. Pessoas aproximavam-se de mim para ajudar-me. Quando começávamos a nos compreender, eu era levado pela vontade de esconder-me dos alemães. Parecia uma tortura. Depois, as pessoas conseguiram alcançar-me, e eu pude dormir o verdadeiro sono da morte - a extinção de nossa vida e o nascimento de uma outra”.

Percebe-se, portanto, que, para aquele que está verdadeiramente morto, o “verdadeiro sono da morte” não acontece no momento em que fecha os olhos e quando os que estão próximos constatam sua morte. Trata-se de um outro sono, de um sono do corpo espiritual. Observem, também, que as pessoas que chegavam para ajudá-lo eram, certamente, vivos do outro mundo.

Mesma narrativa por parte do marinheiro que já nos contou como afundou com seu petroleiro. Tendo-se encontrado “em águas profundas” com muitos de seus companheiros, começaram todos a andar. Depois, observaram - entre eles - a presença de um desconhecido, sem uniforme.

E chegaram, desta forma, ao flanco de uma colina, a um jardim maravilhoso:
“Eu estava cansado, caía de sono e meus pés recusavam-se a carregar-me. O desconhecido propôs que repousássemos. Sentei-me ao chão, sobre a grama, e dormi imediatamente”. Desta vez, as coisas acontecem bem mais simplesmente. De fato, eles vivem tudo isto como se estivessem em um segundo estado. Apenas ao despertar têm a grande surpresa.

Os companheiros dormiram, como ele, e apenas ao reunirem suas recordações, e com a ajuda do desconhecido - um simples marinheiro que havia chegado ao além antes deles - conseguem admitir que haviam feito a grande passagem. Eis uma outra narrativa, agora de um piloto polonês abatido nos céus da França.

Mesma surpresa por não mais sofrer, mesma surpresa por ver que havia escapado, milagrosamente, dos alemães que não o haviam visto, embora tivesem aprisionado seu co-piloto. Mesma decepção por ver que os camponeses franceses, aos quais pedia ajuda sequer respondiam-lhe.

“Estou atônito. Não sei onde estou. Peço, rezo, esqueço que não tenho religião. Peço ajuda e ela me é concedida. Alguém extremamente estranho, mas semelhante a nós, aproxima-se de mim. Diz-me para não me preocupar com a mudança, pois vai ser melhor para todos, e que eu vou ser feliz ali.

Não entendo muito bem. Imagino que fui capturado. Em seguida, ele explica-me que não há prisão, nem prisioneiro, e volto a sentir-me livre. Ele conduz-me, então, e manda que eu durma. Toca meus olhos e eu imediatamente adormeço".

Pierre Monnier também fala deste sono reparador:
“Espécie de gestação que precede o novo nascimento da alma. Mas nós estaremos presentes, velando por este sono com a ternura de uma mãe, de uma enfermeira vigilante, espreitando cada movimento anunciador do despertar, prontos a estender-lhe as mãos, a tranquilizá-Io (o espírito), a fazê-lo compreender que está cercado de amor, de bem-aventurança e de simpatia.

Pouco a pouco, os olhos espirituais abrem-se para a luz: a primeira sensação após este despertar é a de um certo pesar pelo irreparável realizado (a morte).

A alma recorda-se de tudo aquilo que ficou para trás, daqueles que ficaram sobre a terra, sem dar-se conta de que não separou-se deles. Mas logo encontra os bem-amados que esperam por ela e reconhece-os. Sente-se acolhida com uma alegria reconfortante.

O ambiente de luz e de serenidade aquece-a, tranquiliza-a. A bondade de Deus permite que a lembrança de suas faltas, de seu pecado, não venha perturbá-la já em seu despertar. É pouco a pouco, progressivamente, que a alma culpada percebe a bagagem avariada que traz consigo...Imediatamente, para receber seu filho, o Pai envia até ele os mensageiros de seu amor.

A alma, em seu novo corpo espiritual, desperta, portanto, em uma atmosfera desconhecida, onde todas as suas aspirações parecem se deleitar, como pulmões que, após terem respirado um ar carregado de miasmas, dilatam-se ao contato de uma brisa pura e viva. É um alívio, uma sensação do intenso contentamento, intraduzível, que dura segundo a vontade de Deus.

A alma, tendo experimentado neste momento uma alegria infinita e incomparável, conservará um intenso desejo de retorno a tal sensação, que poderia-mos chamar de “possessão da alma, sedenta de amor, que um único Deus pode saciar”.

Não nos esquecemos nunca desta primeira sensação de felicidade do céu, que é uma graça do amor divino, pois esta lembrança é o mais poderoso estimulante a ajudar-nos em nossa evolução, indispensável para que retomemos a esta “voluptuosidade do espírito” (se é que tais palavras podem ser associadas)”.

Título: Re: Os Mortos Nos Falam
Enviado por: Marianna em 01 de Maio de 2019, 06:13

A FORÇA DO AMOR

Sim, é o mesmo “mecanismo”, por assim dizer, é a mesma pedagogia divina que encontramos operando na vida de tantos místicos. Deus faz sentir a doçura de sua presença, a qualidade, totalmente à parte, da felicidade de seu amor.

Depois, retira-se, desaparece, cala-se, esconde-se. E então vem a dor, ainda maior face à fantástica felicidade anterior. E a alma fica disposta a tudo para reencontrar esta felicidade, disposta a passai; por todas as provações, a sofrer todos os tormentos, a aceitar todas as renúncias.

E esta dor tão lancinante, este desejo tão ardente, que tão bem expressou São Simeão, o Novo Teólogo - único místico das Igrejas do Oriente, talvez, a deixar-nos entrever os segredos de seu coração.

“Deixem-me sozinho, fechado em minha cela. Deixem-me sozinho com o único Amigo do homem, com Deus! Afastem-se, afastem-se, permitam-me morrer sozinho perante a face de Deus que me criou. Que ninguém bata à minha porta ou fale. Que nenhum de meus parentes ou amigos me visite.

Que ninguém desvie, à força, meu pensamento da contemplação do Senhor, tão bom e tão belo. Que ninguém me traga comida ou bebida, pois para mim basta morrer perante a face de meu Deus, do Deus misericordioso que desceu à terra para chamar os pecadores e conduzi-los à Vida eterna.

Não quero mais ver a luz deste mundo, nem o próprio sol, nem nada do que se encontra aqui embaixo...

Deixem-me soluçar, chorando pelos dias e noites que perdi olhando este mundo, o sol e esta lúgubre luz sensível que não ilumina a alma.

Nesta luz, cega, eu vivi, alegrando-me e deixando-me seduzir, sem sequer pensar que havia uma outra luz, Luz de toda a vida... Ele dignou-se tornar-se visível para mim, infeliz, e depois escondeu-se. Permitam-me, pois, fechar-me em minha cela e até cavar um buraco na terra para nele me esconder.

Eu viverei aí, inteiramente fora do mundo, contemplando meu imortal Senhor e meu Criador...”

Esta pedagogia divina é necessária, mesmo no além, pois, como já sugerimos várias vezes, mesmo após nossa morte teremos ainda muito a progredir! Ora, o que eu descobri aos poucos, e que agora admito – mesmo que não me agrade - é que seria preciso, neste esquema de conjunto, sempre válido, considerar mais atentamente a pequena purificação necessária.

Ela durará, com certeza, bem mais que o previsto. É o que o ensinamento católico tradicional deixava-nos perceber com a doutrina do Purgatório, embora, de fato, nos detalhes, a realidade não corresponda às representações populares tradicionais. Nós não seremos projetados em Deus simplesmente porque ainda não o poderíamos suportar.

A maioria de nós ainda não está preparada para a morte. Para poder viver a vida de Deus, é preciso ter aprendido a amar com Ele. Eu já havia compreendido isto através da teologia dos Padres gregos dos primeiros séculos, dos místicos do ocidente e de toda a tradição das Igrejas ortodoxas.

Mas simplesmente esperava que, por ocasião de nossa morte, como nos contos, quando o feitiço perde seu poder, acordaríamos transformados, purificados, e que o Cristo só precisaria, com uma varinha de condão, realizar a última Transfiguração.

Título: Re: Os Mortos Nos Falam
Enviado por: Marianna em 13 de Maio de 2019, 15:55

A Evolução Espiritual Continua No Além

Agora entendo melhor que esta visão das coisas é impossível, pois a transformação necessária é puramente interior. Deus, apesar de todo seu Amor, não pode realizar esta transformação para nós sem nos, em nosso lugar.

Ele pode ser uma espécie de dinamismo interior - e aí está toda a verdadeira teologia da Redenção mas ainda é preciso, creio eu, que deixemos desabrochar cm nós este dinamismo interno e que nos transformemos a partir de nosso íntimo.

A grande lei que se desprende de todos estes testemunhos vindos do Além, é a do respeito absoluto à nossa liberdade. A consequência deste respeito absoluto é que a nossa evolução e sua rapidez de realização, etapa por etapa, de mundo para mundo, dependerão da boa vontade de cada um. Todos afirmam isto.

Pierre Monnier:
“A vida eterna é dividida em várias etapas, mas depende apenas de nós prolongá-las ou ‘queimar’ algumas...”
“...Vocês sabem que nós avançamos, segundo nossas decisões voluntárias, no caminho que conduz a Deus, como ocorre na terra. Evoluímos por nosso livre esforço e aperfeiçoamo-nos, às vezes consideravelmente. Aquilo que vocês vêm à sua volta é a representação do que acontece nas regiões celestes... Uma evolução, sim, uma evolução que se acentua mais ou menos rapidamente segundo nossa vontade e porque desejamos obedecer a Deus, em um amor que, do mesmo modo, espiritualiza-se e aperfeiçoa-se..."

Albert Pauchard insiste em outro aspecto, também muito importante. Pauchard era um genebrês (1878-1934), de origem protestante, que se interessou pelo Espiritismo ainda em sua infância. Foi membro da Sociedade de Estudos Psíquicos de Genebra; depois, tornou-se seu bibliotecário e, por fim, seu Presidente. Manteve estreitas relações de amizade com Léon Denis e, em 1911, estudou o Ocultismo, por um ano, com o célebre Papus (Doutor Encausse).

Não foi à sua mulher que transmitiu suas mensagens por escrita automática, mas a um pequeno grupo de amigos, na Holanda. Embora seus escritos não tenham, para mim, o mesmo valor espiritual daqueles de Pierre Monnier, de Roland de Jouvenel, de Paqui ou de Miss Mortley, embora sejam, às vezes, um tanto desconcertantes, constituem um testemunho importante, na minha opinião.

Albert Pauchard insiste, particularmente, no mecanismo interno desta evolução.
Permanecemos na etapa da espera enquanto estamos interessados. Só trocamos de plano (de “nível” ou de “esfera”) quando começamos a ficar cansados do plano em que nos encontramos. Mas então, ao trocarmos de plano, nosso corpo passa para um novo estado, sempre em harmonia com o novo mundo que alcançamos.

“O espírito abandona um Mundo quando dele se desliga... É o interesse que sentimos por um determinado Mundo que nos faz
conservar o instrumento - o ‘corpo’ - que pode servir a este referido Mundo”.

Encontramos a mesma mensagem em Marie-Louise Morton. Trata-se de mais um dentre os inúmeros textos de grande interesse. Marie-Louise vivia em Nova Iorque. Havia perdido seu irmão e seu noivo, e não sentia mais o gosto de viver. Nestas condições um tanto excepcionais, foi atraída pela escrita automática. De 1940 a 1956 recebeu mensagens, principal mente de seus dois entes queridos falecidos.

Marie-Louise é, geralmente, classificada no grupo dos mensageiros anglo-saxões. Mas, na realidade, era francesa e recebia diretamente suas mensagens em francês. Eis, portanto, sobre o nosso assunto, o que ela nos transmitiu:
“Ajudar alguém é desenvolver a si mesmo. É a lei do progresso. No além, significa ir em direção daqueles a quem cremos poder auxiliar, intelectual ou espiritualmente - encarnados ou desencarnados - se tivermos um pouco mais de visão que eles.

Alguns aprendem rapidamente e outros são mais lentos... Quando se tem o espírito receptivo, aprende-se logo. Mas não podemos, neste plano totalmente subjetivo, apressar o desenvolvimento mental de um ser, da mesma forma como não podemos, na Terra, abrir o botão de uma flor para que a mesma desabroche mais rapidamente...”

Como vemos, pode -se ajudar na evolução de alguém. Mas não se pode forçá-lo. Pode-se ajudá-lo em seu interior: este é o papel do Cristo e da comunhão dos santos, como já tentei mostrar em meu primeiro livro. Pode-se ajudar do exterior através da palavra e do exemplo. Mas, de qualquer forma, o processo envolve nossa liberdade. 

E isto é, ao mesmo tempo, perfeitamente lógico e um tanto terrível. Nós conhecemos tão bem nossa fraqueza que temos sempre a tentação de acreditar em varinhas de condão. Os teólogos cristãos sempre foram tentados a interpretar desta forma os sacramentos.

É o que chamavam de “objetividade” dos sacramentos, em oposição às disposições interiores do sujeito, ditas "subjetivas”. Melhor dizendo: se você não se sente bastante forte para subir pela escada, Deus coloca os elevadores (os sacramentos) à sua disposição. Você deveria, naturalmente, pensar nesta possibilidade, dar-se ao trabalho de entrar no elevador e apertar o botão.

Mas, a partir daí a subida estava garantida. Sempre combati esta concepção dos sacramentos. E tudo que descobri, ao ler estes testemunhos, não me levou - de forma alguma – a rever os princípios de minha teologia. Ao contrário, fez-me permanecer fiel a ela, até o fim, e dela extrair todas as consequências.

Isto explica o valor e o papel do chamamento à perfeição, existente além das exigências da boa moral comum. Mesmo que eu não faça o mal, mesmo que faça um pouco o bem, enquanto eu me satisfizer com pequenas alegrias secundárias, permanecerei prisioneiro.

Naturalmente, não se deve querer ir muito rápido, mais rápido do que poderíamos evoluir interiormente. Tal foi sempre, de certa forma, a tentação das Igrejas ao quererem, por constrangimentos internos, apressar a conversão e a evolução íntimas. Isto não faz qualquer sentido.

É impossível. Entretanto, o grande princípio lançado por Santa Catarina de Siena soará sempre como um apelo urgente:
“Tanto ci manca di Lui quanto ci riserviamo di noi: Deus faz-nos falta, precisamos d’Ele, somos privados d’Ele, na medida em que ficamos presos a nós mesmos.”

Ou seja: não há mal nenhum em assistir a um bom jogo de futebol, em ir a um concerto - e, talvez, até precisemos mesmo disto. Mas enquanto preferirmos assistir ao jogo ou ao concerto a mergulhar na contemplação de Deus, não podemos sonhar em ser aspirados em Deus. Deus não nos pode impor sua companhia.

Poderíamos, aliás, traduzi-lo de outra forma pois todos sabem que o segundo mandamento é semelhante ao primeiro: enquanto você preferir fazer uma boa refeição, deixando seu próximo na miséria, não estará totalmente amadurecido para dividir plenamente a vida de Deus.

Roland de Jouvenel, o místico, muitas vezes um tanto estonteante em suas formulações, evoca todas estas etapas que nos serão necessárias como novas vidas no além:
“Os olhos nus não podem olhar o sol de frente. São necessárias miríades de vidas para chegar-se à contemplação da luz divina. Construa sua vida interior por etapas...”

Isto não chega a ser necessariamente desesperador. É preciso entendê-lo num sentido positivo. São Paulo diz que: “Refletindo a glória do Senhor, nós somos transfigurados de glória em glória” (II Coríntios, 3, 18). São Gregório de Nissa, no século IV, já dizia que iremos “de começo em começo, por começos que não terão fim”. Em cada um destes planos, dizia ele, seremos preenchidos por Deus.

É o próprio excesso do dom que aumentará nossa capacidade de Deus e nos tomará prontos para a etapa seguinte.

Quando compreendemos bem isto, simplesmente torna-se evidente que avançaremos em velocidades bem diversas. Nesta terra, neste primeiro nível, encontramo-nos todos misturados, embora já nos encontremos em “níveis” espirituais bastante diferentes. O que, para os melhores, representa uma das principais causas de sofrimento.

Mas, no além, cada um atingirá, com rapidez, o nível correspondente ao grau de espiritualidade que tiver pessoalmente alcançado. Perceberemos, então, que as diferenças existentes entre cada indivíduo podem ser enormes.

Alguns dispararão “como balas de canhão”, retomando a expressão do Cura d’Ars a quem foi perguntado como se deveria chegar a Deus. Outros arrastar-se-ão como caracóis.

Estas explicações eram necessárias para que se compreendesse a extrema diversidade dos testemunhos que nos chegaram do além. Vejamos, agora, os testemunhos.

Título: Re: Os Mortos Nos Falam
Enviado por: Marianna em 13 de Maio de 2019, 15:58

V - Os Primeiros Passos No Além

Os mensageiros do invisível. Começamos citando mensagens relativamente incontestáveis: gravações ao vivo de vozes do Além. Comunicações seguras, mas curtas. Revolução capital para aqueles que necessitavam de provas.

Continuamos com narrativas daqueles que haviam feito a ida-e-volta. Evidentemente, não tiveram tempo de se instalar no país do além-morte. Portanto, não puderam descrevê-lo. Mas eles fizeram, de qualquer forma, a parte essencial da viagem.

E a convergência de seus testemunhos é totalmente convincente. Depois, tentando progredir rumo ao desconhecido, encontramos o testemunho de pessoas completamente mortas (como no início de nossa pesquisa).

Mas foram testemunhos transmitidos por “intermediários”; portanto, um pouco indiretos. Ainda assim, a convergência dos testemunhos dava-lhes uma forte verossimilhança, um índice de probabilidade muito elevado.

Tentemos, agora, ir ainda mais longe. Nós só teremos como material as afirmações de mortos, verdadeiramente mortos, transmitidas - quase sempre - indiretamente pelos médiuns, através de escrita automática ou pela prancheta.

Mas nestes casos, e pela primeira vez, com uma dificuldade adicional bem conhecida por aqueles que mergulharam nesta vasta literatura: não encontraremos mais a formidável unanimidade que nos havia sustentado até agora.

Ao contrario! Os próprios mensageiros sabem disto.

Eles são os primeiros a advertir-nos e a colocar-nos em guarda. Reconheçamos até que, neste as quanto que a mensagem que temos em mãos é absolutamente segura, pois seu autor está mais bem posicionado que os demais.

Julguem vocês mesmos. E a cada vez, o autor nos deve apresentar suas credenciais que, infelizmente, não podemos verificar; podemos acreditar ou recusar, apenas, da mesma forma que o conteúdo da mensagem.

É o caso de Georges Morranier (não confundí-lo com George Monnier o jovem oficial francês morto durante a Primeira Guerra Mundial). Com quase vinte e nove anos, matou-se, em 13 de setembro, com um tiro de pistola. Ele havia estudado Física até o nível de Doutorado, e pretendia prestar os exames finais.

Porém, paralelamente realizava uma pesquisa filosófica e espiritual. Após uma estada na Índia, de onde retomou muito decepcionado, começou a dedicar-se ao ioga real, de forma imprudente, sem qualquer controle, sem conhecimentos suficientes. Caiu em depressão, deixou de lado seus alunos da Faculdade de Ciências, abandonou suas pesquisas.

Numa triste manhã, trancou-se em seu quarto, deitou-se em sua cama e atirou em si mesmo. A senhora Jeanne Morrannier conta como, progressivamente, através de diversos sinais e certos encontros, começou a comunicar-se com seu filho pela escrita automática.

Georges Morrannier explica-nos que está, atualmente, na quinta esfera. Mas, para melhor situá-lo, é preciso saber que, paia ele, há ao todo sete esferas - excluindo a Terra. A sétima esfera estaria reservada àqueles que se consagraram a Deus e que, portanto (não sou eu que o diz), permaneceram solteiros. Georges sabe que só chegará à sexta esfera.

Está, então, na penúltima delas! Se levarmos em conta que, na quinta, ele goza diretamente dos ensinamentos fornecidos por guias provenientes da sexta esfera (é ele quem o diz), não está nada mal! Georges não é o único a encontrar-se em sua esfera.

Nela encontrou familiares e fez novos amigos que, evidentemente, comungam de suas convicções (que nos são, inclusive, transmitidas, sempre por intermédio da senhora Morrannier.

Obtivemos, assim, as “revelações” de um antigo padre da diocese de Paris, de um antigo Pastor protestante, de um antigo monge, prior de seu convento, sem contar as de dois arquitetos, de u’a médica, de um antigo professor.

Todos eles dizem, com convicção:
“É preciso que vocês acreditem em nós, pois dizemos o que é. Não há mais qualquer razão para que nossas explicações sejam alteradas por nossas próprias interpretações... Iodas as nossas explicações coincidem pelo simples fato de serem, todas elas, a Verdade”.

É o pastor quem fala!

Para Pierre Monnier, as coisas são claras. Ele é instruído diretamente pelos anjos Não se podería querer mais.

“Querida mamãe, por que você prestaria tanta atenção às minhas palavras, se eu não fosse um mensageiro de Deus, soldado do exército celeste, instruído por estes espíritos ‘que estão a serviço de Deus, em prol dos homens’ (Epístola aos Hebreus, capítulo 1,14), aos quais chamo de anjos”.