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GERAL => O que é o espiritismo => Imortalidade da Alma => Tópico iniciado por: Marianna em 03 de Setembro de 2009, 00:12

Título: ESQUECIMENTO DO PASSADO
Enviado por: Marianna em 03 de Setembro de 2009, 00:12


ESQUECIMENTO DO PASSADO

Por que nos esquecemos das vidas pregressas? Isto não seria um obstáculo à tese da reencarnação?

Veja aqui a opinião de Allan Kardec sobre estas e outras questões envolvendo a pluralidade das existências e o esquecimento do passado. 

O esquecimento do passado é freqüentemente questionado diante da tese da reencarnação, sustentada pela Doutrina Espírita, exatamente porque, defrontadas por tal realidade, as pessoas querem saber quem foram em outras existências, onde viveram e que papel representaram em suas vidas passadas os parentes, cônjuges, amigos e inimigos atuais.

Além disso, é muito comum vermos pessoas ou visitarmos cidades com a impressão mais ou menos precisa de que já as conhecíamos, embora com a certeza absoluta de que nunca as tenhamos visto na vida presente (a este fenômeno os franceses denominam déjà-vu, que significa “já visto”).

Por outro lado, faz alguns anos que a Terapia de Vidas Passadas (TVP) tem sido realizada com relativo sucesso por vários psicanalistas profissionais, sem contar os inúmeros curiosos que praticam a regressão de memória com resultados desastrosos para seus “pacientes”, normalmente pessoas desprevenidas para o perigoso reencontro com um passado infeliz, que precisa ficar encoberto durante a vida de relação.

Sendo assim, como atualmente essa temática tem servido de roteiro para filmes, telenovelas e peças teatrais, fomos pesquisar, para nossa instrução, algumas abordagens feitas por Allan Kardec, na Revista Espírita de Julho de 1860, Setembro de 1863, Novembro de 1864, Fevereiro de 1867 e Junho de 1869, sobre a delicada questão envolvendo a reencarnação, as causas das misérias humanas, o esquecimento e a lembrança de  vidas passadas.

Vejamos o resultado dessa singela pesquisa.

1. Sendo a reencarnação uma realidade, como o Espiritismo responde à objeção feita a esta teoria pelo esquecimento do passado?

“A questão da pluralidade das existências, desde longa data preocupou os filósofos, e muitos deles viram na anterioridade da alma a única solução possível dos mais importantes problemas da Psicologia. A maior objeção que se pode fazer a esta teoria é a da ausência de lembrança das existências anteriores. O Espiritismo responde, inicialmente, que a lembrança das existências infelizes, juntando-se às misérias da vida presente, tornariam esta ainda mais penosa; é, pois, um acréscimo de sofrimentos, que Deus nos quis evitar; sem isto, qual não seria, por vezes, a nossa humilhação, ao pensarmos naquilo que fomos!

Quanto ao nosso melhoramento, essa lembrança seria inútil. Durante cada existência damos alguns passos à frente; adquirimos algumas qualidades e despojamo-nos de algumas imperfeições; cada uma delas é, assim, um novo ponto de partida, no qual somos aquilo que nos fizemos, onde nos tomamos pelo que somos, sem termos que nos inquietar com aquilo que fomos.”

2. A lembrança das vidas passadas não tornaria mais fácil o progresso do homem, na medida em que o ajudaria a não repetir os erros cometidos?

“Dai-vos ao trabalho de estudar o Espiritismo e o sabereis. Não repetiremos, pois, o que cem vezes foi demonstrado relativamente à inutilidade da lembrança, para aproveitar a experiência adquirida em vidas precedentes e o perigo dessa lembrança para as relações sociais.”

“Por outro lado, o esquecimento não é tão absoluto quanto o supõem. Ele só se dá na vida exterior de relação, no mesmo interesse da humanidade; mas a vida espiritual não sofre solução de continuidade. Tanto na erraticidade, quanto nos momentos de emancipação, o Espírito se lembra perfeitamente e essa lembrança lhe deixa uma intuição que se traduz na voz da consciência, que o adverte do que deve, ou não deve, fazer.

Se não a escuta, então é culpa sua. Além disso, o Espiritismo dá ao homem um meio de remontar ao seu passado, senão aos atos precisos, ao menos aos caracteres gerais desses atos que ficaram mais ou menos desbotados na sua vida atual. Das tribulações que suporta, das expiações e provas deve concluir que foi culpado; da natureza dessas tribulações, ajudado pelo estudo de suas tendências instintivas, apoiando-se no princípio que a mais justa punição é a conseqüência da falta, pode deduzir seu passado moral. Suas tendências más lhe ensinam o que resta de imperfeito a corrigir em si.”

3. Como explicar alguns casos evidentes de lembranças do passado?

“Essas lembranças vivas são muito raras. A faculdade de se recordar é uma aptidão inerente ao estado psicológico, isto é, ao mais fácil desprendimento da alma em certos indivíduos do que em outros, uma espécie de visão espiritual retrospectiva, que lhes lembra o passado, ao passo que aos que não a possuem, esse passado não deixa qualquer traço aparente.

O passado é como um sonho, do qual a gente se lembra mais ou menos exatamente, ou do qual se perdeu totalmente a lembrança. Só raramente Deus o permite, a fim de trazer os homens ao conhecimento da grande lei da pluralidade das existências, a única que explica a origem das qualidades boas ou más, mostra-lhe a justiça das misérias que suporta aqui e lhe traça a rota do futuro.”

4. Os males que nos acontecem são sempre decorrentes do nosso passado?

“Esses males têm uma causa. Ora, a menos de os atribuir ao capricho do Criador, é-se forçado a admitir que a causa esteja em nós mesmos e que as misérias que experimentamos não podem ser resultado de nossas virtudes. Então têm sua fonte nas nossas imperfeições. Se um Espírito encarnar-se na Terra em meio à fortuna, as honras e todos os prazeres materiais, poder-se-á dizer que sofra a prova do arrastamento; para o que cai na desgraça por sua conduta ou sua imprevidência, é a expiação de suas faltas atuais e pode dizer-se que é punido por onde pecou.”

“Mas que dizer daquele que, após o nascimento, está a braços com as necessidades e as privações, que arrasta uma existência miserável e sem esperança de melhora, que sucumbe ao peso de enfermidades congênitas, sem ter ostensivamente nada feito para merecer tal sorte? Como todo efeito tem uma causa, as misérias humanas são efeitos que devem ter a sua; se esta não estiver na vida atual, deve estar numa vida anterior.”

5. As misérias humanas são expiações ou provas?

“São expiações no sentido de que são conseqüência de uma falta e provas em relação ao proveito delas tirado. Diz-nos a razão que Deus não pode ferir um inocente. Assim, se formos feridos e se não somos inocentes: o mal que sentimos é o castigo, a maneira porque o suportamos é a prova.

6. O esquecimento do passado não retiraria dos males humanos o caráter de expiação, que então seriam sempre provas?

“É um erro. Dai-lhe o nome que quiseres: não fareis que não sejam a conseqüência de uma falta. Se o ignorais, o Espiritismo vo-lo ensina. Quanto ao esquecimento das faltas mesmas, ele não tem as conseqüências que lhe atribuis. Temos demonstrado alhures que a lembrança precisa dessas faltas teria inconvenientes extremamente graves, por isso que nos perturbaria, nos humilharia aos nossos próprios olhos e aos do próximo; trariam uma perturbação nas relações sociais e, por isto mesmo, travaria o nosso livre-arbítrio. As misérias daqui são, pois, expiação, por seu lado efetivo e material, e provas, por suas conseqüências morais. Seja qual for o nome que se lhes dê, o resultado deve ser o mesmo: o melhoramento. Em presença de um objetivo tão importante, seria pueril fazer uma questão de princípio de uma questão de palavra. Isto provaria que se liga mais importância às palavras do que à coisa.”

7. Qual o motivo da proliferação das idéias espíritas pela imprensa?

“As idéias espíritas hoje se produzem sob todas as formas; estão na ordem do dia e a imprensa, sem querer confessá-las, as registra e as semeia em profusão, crendo que apenas enriquece suas colunas de facécias. Não é admirável que todos os adversários da idéia, sem exceção, trabalhem a porfia na sua propagação? Gostariam de calar o que a força das coisas os arrasta a falar. Assim o quer a Providência — para os que crêem na Providência.”

Eliseu Mota Júnior.
(Coluna originalmente publicada na Revista Internacional do Espiritismo, Novembro  de 1996)



Título: Re: ESQUECIMENTO DO PASSADO
Enviado por: Marianna em 08 de Novembro de 2009, 19:44


O esquecimento do passado é considerado a mais séria das objeções contra a reencarnação. Como pode o homem aproveitar da experiência adquirida em suas anteriores existências, quando não se lembra delas?

Pois que, desde que lhe falta essa reminiscência, cada existência é para ele qual se fora a primeira; deste modo está sempre a recomeçar... Pareceria ilógico fazer-nos expiar em uma existência faltas cometidas nas vidas passadas, de que tivéssemos perdido a lembrança. Enfim, se o homem já viveu, pergunta-se: por que não se lembra de suas existências passadas?

RAZÕES DO ESQUECIMENTO:

Depois de concluir que o esquecimento do passado atesta a sabedoria de Deus, pois a lembrança de existências anteriores traria inconvenientes muito graves, o Codificador apresenta as principais razões do ponto de vista moral:

a) A lembrança do passado traria perturbações inevitáveis às relações sociais: o Espírito renasce freqüentemente no mesmo meio em que viveu, e se encontra em relação com as mesmas pessoas a fim de reparar o mal que lhes tenha feito. Se nelas reconhecesse as mesmas que havia odiado, talvez o ódio reaparecesse. De qualquer modo, ficaria humilhado perante aquelas pessoas que tivesse ofendido.

Quantos ódios milenares são desfeitos em uma existência quando os adversários de ontem se reencontram na condição de pai e filho, de mãe e filha ou de irmãos consanguíneos? Se eles tivessem na consciência a lembrança das faltas cometidas uns contra os outros, dificilmente conseguiriam pacificar as relações. De tudo isto deduz-se que a lembrança do passado perturbaria as relações sociais e tornar-se-ia um entrave ao progresso.

b) Pelo esquecimento do passado o homem é mais ele mesmo: livre da reminiscência de um passado importuno, o homem viverá com mais liberdade, terá maior mérito em praticar o bem, e poderá exercitar seu livre-arbítrio de forma mais ampla. A lembrança do passado poderia humilhar o Espírito culpado levando-o a muitos processos de auto-depreciação, como poderia também exaltar o orgulho dos Espíritos que tiveram um passado de destaque em qualquer área da atividade humana. A vida terrestre é, algumas vezes, difícil de suportar; ainda mais o seria se, ao cortejo dos nossos males atuais, acrescesse a memória dos sofrimentos ou das vergonhas passadas;

c) O esquecimento do passado arrefece o complexo de culpa, dando condições ao Espírito culpado de renovar-se psiquicamente: muitos Espíritos faltosos encontram-se em terríveis sofrimentos purgatoriais. Nas diversas esferas da erraticidade, em função de um remorso estanque, de uma culpa neurótica, sem estrutura psicológica para reparar o passado através da prática do bem e de uma atitude mental positiva. Esquecendo o passado, ele mergulha em nova vida, onde as oportunidades de ressarcimento se lhe apresentarão naturalmente sem que o remorso paralisante atormente a sua consciência frágil;

d) O esquecimento do passado é uma condição temporária: ocorre apenas durante a vida física. Volvendo à vida espiritual, readquire o Espírito a lembrança do passado. Nada mais há, portanto, do que uma interrupção temporária, semelhante à que se dá na vida terrestre durante o sono. Ao retornar à vida extra-física, o homem vai, paulatinamente (mais ou menos rapidamente em função de sua evolução), tomando ciência de suas experiências anteriores, e então, já mais lúcido e tranqüilo, tem condições de tomar decisões sábias, preparando-se para novas batalhas.

Há, ainda, outra argumentação filosófica:

Por acaso o fato de não nos lembrarmos da nossa infância representa prova de que essa infância não existiu?

Quantos acontecimentos vivemos, muitos deles, inclusive, perpetuados em fotografias, em filmes ou em gravações, e deles nos esquecemos completamente?

Do ponto de vista científico, as razões que explicam porque perde o Espírito as lembranças do passado são de três ordens:

1. O restringimento do perispírito no processo encarnatório;
2. O estado de perturbação que acompanha o Espírito reencarnante;
3. A imaturidade das células do sistema nervoso central nos primeiros anos de vida.

Esses fatores se somando fazem com que em cada nova existência o Espírito se esqueça, em seu próprio benefício das experiências pretéritas.

INSTRUMENTOS DO PRESENTE

Se o homem esquece o passado, poder-se-ia objetar: como condu-zir-se diante das provas, das opções, das situações difíceis que se lhe depararão na nova existência? Qual o caminho a seguir? Qual a atitude a tomar?

Kardec diz: "Deus nos deu, para nos melhorarmos, justamente o que necessitamos e nos é suficiente: a voz da consciência e as tendências instintivas. O homem traz ao nascer, aquilo que adquiriu. Ele nasce exatamente como se fez. Cada existência é para ele um novo ponto de partida. Pouco lhe importa saber o que foi: se está sofrendo, é porque fez o mal, e suas tendências atuais indicam o que lhe resta corrigir em si mesmo. Examinando suas aptidões, seus defeitos suas inclinações inferiores ele pode inferir de seu passado e buscar elementos para reestruturar-se moral e intelectualmente. É sobre isso que ele deve concentrar toda a sua atenção, pois daquilo que foi completamente corrigido já não restam sinais." [ESE-cap V it 11] Examinando sempre sua consciência, estudando atentamente o que é certo e errado ele encontrará o caminho ideal a seguir, pois cada um traz impresso em seu interior as necessidades prementes e as resoluções tomadas quando no mundo espiritual.

A estes fatores acrescem-se dois outros: a assistência dos bons Espíritos e as lembranças advindas durante o sono. Não é somente após a morte que o Espírito terá recordações de suas outras existências. Muitas vezes, quando Deus julga útil, permite que o Espírito durante o desdobramento natural do sono, tenha lembranças fragmentárias de outras encarnações. Mesmo que não se lembre totalmente delas ao acordar, as manterá em seu campo psíquico sobre a forma de reflexos e condicionamentos positivos, que nos momentos de dúvida poderão auxiliá-lo a tomar as decisões corretas.

Por outro lado, todos nós, ao reencarnamos, passamos a ser assistidos por amigos espirituais que estarão ao nosso lado, sempre que necessário, velando por nós e nos inspirando nas decisões mais difíceis.

BIBLIOGRAFIA
1) O Livro dos Espíritos - Allan Kardec
2) O Que é o Espiritismo? - Allan Kardec
3) O Evangelho Segundo o Espiritismo - Allan Kardec
Apostila Original: Instituto de Difusão Espírita de Juiz de Fora - MG




 
Título: Re: ESQUECIMENTO DO PASSADO
Enviado por: Mourarego em 09 de Novembro de 2009, 21:34
Amigos,
o autor teve a boa vontade de nois trazer um texto onde Kardec dá luz a muitas das dúvidas que escutamos e lemos, contudo, ao m misturar suas palavras com as do codificador, faz com que se pense que Existam várias vidas, quando na realidade vida é apenas uma, e logo não existem as tais vidas passadas.
Kardec, brilhantementye diz: "Pluralidade de existências", o que não dá no mesmo que "vidas passadas".
Existência as tivemos e as teremos quantas nos forem necessárias à nossa emancipação total da carne. Para isso a reencarnação é o caminho indicado como o mais correto.
No que tange a  TVP, já tive a oportunidader de ver algumas estatísticas e essas comprovam que a ajuda tem sido  muito menor que o apregoado.
Há algumas diferenças na utilização do processo:
Há os que hipnotizam o paciente. Há também os que lhe ministram soníferos ou hipnóticos, ou substâncias diversas que os fazem cair em sonolência.
Há os que entoam uma espécie de mantra, ou mesmo aqueles que apelam para a indução psíquica.
Todas essas vertentes tem como resposta apenas os ecos de um psiquismo muito emaranhado em lembranças não de existências passadas mas sim dessa mesma, que a bruma do tempo fez com que esquecêssemos. Logo, a estas respostas, não consiste nem ajuda nem mesmo uma ação que vise a existência passada.
Alguns porém, conhecedores da doutrina conseguem, fazer com que alguma luz chegue ao sujet, proporcionando a este uma vontade em se modificar, daí a melhora. Como se vê, não se arranhou nem ao Umbral de existência alguma, no vestuário do passado, mas sim, nesse campo fértil de experiência vividas por nós em nosso dia a dia.
Esta a beleza de uma doutrina, que não prevendo terapia alguma, faz com que um indivíduo tenda a se moralizar modificando-se e transformando-se por sua própria vontade, e com isso vencer os problemas não das outras, mas dessa própria existência de hoje.
Muito cuidado com essa tal de TVP.
Abraços,
Moura
Título: Re: ESQUECIMENTO DO PASSADO
Enviado por: Aldebaran em 09 de Novembro de 2009, 22:30
De fato, se tem uma tese que é espírita é dizer "a vida é uma só"  :D, já que, o que são várias são as existências, como bem disse o Moura,

abçs

Renato

Título: Re: ESQUECIMENTO DO PASSADO
Enviado por: Marianna em 11 de Novembro de 2009, 22:25



Por que perde o Espírito encarnado a lembrança de seu passado?:

"Não pode o homem, nem deve, saber tudo. Deus assim o quer em sua sabedoria. Sem o véu que lhe oculta certas coisas, ficaria ofuscado, como quem, sem transição, saísse do escuro para o claro. Esquecido de seu passado, ele é mais senhor de si." (Questão 392 de "O Livro dos Espíritos" – Allan Kardec – FEB) Gil Restani de Andrade

Dentre os obstáculos interpostos para a compreensão, o entendimento e a aceitação da reencarnação como a verdade inelutável que é, encontra-se o questionamento feito com freqüência sobre o fato de não nos lembrarmos das vidas anteriores.

Vários e numerosos são os argumentos explicativos sobre essa deliberação divina para cada retorno à vida carnal, podendo-se citar, do ponto de vista científico:

· O restringimento do Perispírito no processo reencarnatório;
· O estado de perturbação que acompanha o Espírito reencarnante;
· A imaturidade das células no sistema nervoso central, nos primeiros anos de vida.


O momento exato do reencarne ocorre quando da fecundação do óvulo feminino pelo gameta masculino, mas, precedendo esse momento tão especial, onde a atuação divina se faz presente, muitas outras ações são necessárias, no Plano Espiritual.

No livro "Missionários da Luz" (André Luiz/Francisco Cândido Xavier), tais providências são descritas de forma magistral, no episódio que trata da reencarnação de Segismundo. A ligação fluídica do reencarnante com os futuros pais implica na perda dos pontos de contato com os vínculos que consolidou na esfera espiritual: alimentação diferenciada, novos hábitos e outros elementos, dos quais "é necessário que se desfaça, para penetrar, com êxito, a corrente da vida carnal."

Por interveniência da Espiritualidade, atuando através de poderosa carga magnética, é procedida uma redução do corpo perispirítico do reencarnante, até que sua forma se assemelhe à de uma criança. Os Espíritos induzem a vontade do reencarnante, através de mensagens de incentivo: "Imagine sua necessidade de tornar a ser criança para aprender a ser homem!" Esse fato corresponde à morte física carnal, com todas as suas características de perturbação.

O Instrutor Alexandre expõe, comparando:

"A enfermidade mortal, para o homem terreno, não deixa, em certo sentido, de ser prolongada operação redutiva, libertando por fim a alma, desembaraçando-a dos laços fisiológicos." Necessário se diga que o procedimento de restringimento do Perispírito não é o mesmo em todos os processos reencarnatórios: "Há companheiros de grande elevação que, ao voltarem à esfera mais densa em apostolado de serviço e iluminação, quase dispensam o nosso concurso. Outros irmãos nossos, contudo, procedentes de zonas inferiores, necessitam de operação mais complexa que a exercida no caso de Segismundo."

O iluminado mentor Emmanuel, guia espiritual de Chico Xavier, no livro "Religião dos Espíritos", oferece novas luzes sobre estes tópicos: "Encetando uma nova existência corpórea, para determinado efeito, a criatura recebe, desse modo, implementos cerebrais, no domínio das energias físicas, e, para que se lhe adormeça a memória, funciona a hipnose natural como recurso básico, de vez que, em muitas ocasiões, dorme em pesada letargia, muito tempo antes de acolher-se ao abrigo materno.

Na melhor das hipóteses, quando desfruta de grande atividade mental nas esferas superiores, só é compelida ao sono, relativamente profundo, enquanto perdure a vida fetal. Em ambos os casos, há prostração psíquica nos primeiros sete anos de tenra instrumentação fisiológica dos encarnados, tempo que se lhes reaviva a experiência terrestre. Temos, assim, mais ou menos três mil dias de sono induzido ou hipnose terapêutica, a estabelecerem enormes alterações nos veículos de exteriorização do Espírito, as quais, acrescidas às consequências dos fenômenos naturais de restringimento do corpo espiritual, no refúgio uterino, motivam o entorpecimento das recordações do passado, para que se alivie a mente na direção de novas conquistas."

No livro "O Pensamento de Emmanuel", do estimado irmão Martins Peralva, lê-se, no Capítulo 20: "Com o encolhimento do veículo perispiritual – operação redutiva, por ação magnética – submete-se o Espírito às limitações corporais, como que, praticamente, enclausura-se na libré física, alterando-se-lhe, em conseqüência, o movimento vibratório do Perispírito."

Do ponto de vista moral, o Codificador Allan Kardec enumera as principais razões para o olvido do passado:

· As perturbações da vida contingente,  no lar e na sociedade:

Se o reencarnante reconhecesse as pessoas a que havia odiado, talvez o ódio reaparecesse, sendo certo que ficaria humilhado perante quem houvesse ofendido. Importa acrescentar que o reencarne, normalmente, ocorre dentro do mesmo círculo de relacionamento da vida anterior.

Como seria a vida de relação entre pai e filho, se aquele reconhecesse no filho seu assassino de antanho? No livro "Nosso Lar"(André Luiz/Francisco Cândido Xavier), a senhora mãe de André Luiz comunica-lhe que deverá partir para nova reencarnação, quando então será, novamente, esposa de Laerte, seu pai carnal, o qual, no Plano Espiritual, achava-se em zona trevosa, ainda magnetizado, em termos obsidiantes, a duas entidades femininas, suas amantes na última vida física; dizia mais: que receberia as duas entidades como suas filhas queridas, na vida carnal futura. Ora, sem o esquecimento do passado, como seria o relacionamento dessas criaturas, na vida de relação na Terra?

· O maior mérito em praticar o bem e exercitar o livre-arbítrio:

Em "O Evangelho Segundo o Espiritismo" (Capítulo V – item 11) encontramos: "Deus nos deu, para nos melhorarmos, justamente o que necessitamos e nos é suficiente: a voz da consciência e as tendências instintivas. O homem traz ao nascer, aquilo que adquiriu. Ele nasce exatamente como se fez. Cada existência é para ele um novo ponto de partida."

Léon Denis, em "O Grande Enigma", lembra-nos a citação evangélica: "Infeliz aquele que, pondo a mão na charrua, olhar para trás."

Efetivamente, neste mundo de provas e expiações, onde o peso das dificuldades, às vezes, verga a maior vontade, se fossem somados os equívocos do passado, a criatura não poderia cuidar de seu progresso, tendo um óbice muito forte à sua evolução. Quantas ocorrências desta vida somos levados a esquecer, propositadamente, para liberar nossa vontade para agir.

Neste caso, o esquecimento é fator de estímulo ao progresso. Com muito mais razão, é justo que seja promovido o esquecimento das vidas anteriores, onde os erros, possivelmente, serão tão mais marcantes. Ainda no livro "Nosso Lar", já especificado, o Espírito de D. Laura informa a André Luiz que fora-lhe permitido o acesso, no Ministério do Esclarecimento, ao registro de suas anteriores reencarnações, até o limite de 300 anos, porque mais do que isso, não suportaria.

Como nos afirma Léon Denis, em "O Problema do Ser, do Destino e da Dor"(FEB):

"É necessário a ignorância do passado para que toda a atividade do homem se consagre ao presente e ao futuro, para que se submeta à lei do esforço e se conforme com as condições do meio em que renasce."

· Recordações humilhantes e orgulhosas:

Diz Léon Denis, em "O Problema do Ser, do Destino e da Dor": "Todos os criminosos da História, reencarnados para expiar, seriam desmascarados; as vergonhas, as traições, as perfídias, as iniquidades de todos os séculos seriam de novo assoalhadas à nossa vista." - Com que proveito? Em caso de termos tido uma vida de grandes realizações no bem, tais fatos não funcionariam como impeditivos à nossa evolução, isto no caso de não nos debruçarmos no orgulho por termos tido tal comportamento? Teríamos de ser ainda melhores na nova vida.

Em "Obras Póstumas", Allan Kardec faz excelente observação, a respeito, no item "O Caminho da Vida": "Que proveito pode o homem tirar de suas existências anteriores, para melhorar-se, dado que ele não se lembra das faltas que haja cometido. O Espiritismo responde, primeiro, que a lembrança de existências desgraçadas, juntando-se às misérias da vida presente, ainda mais penosa tornaria esta última. Desse modo, poupou Deus às suas criaturas um acréscimo de sofrimentos. Se assim não fosse, qual não seria a nossa humilhação, ao pensarmos no que já fôramos? Para o nosso melhoramento, aquela recordação seria inútil. Durante cada existência, sempre damos alguns passos para a frente, adquirimos algumas qualidades e nos despojamos de algumas imperfeições. Cada uma das tais existências é, portanto, um novo ponto de partida, em que somos qual nos houvermos feito, em que nos tomamos pelo que somos, sem nos preocuparmos como que tenhamos sido."

· Os preconceitos raciais, sociais, religiosos, etc.:

Prevalecem em nosso mundo os preconceitos. Imagine-se as criaturas tendo lembranças de terem sido integrantes de famílias nobres ou extremamente humildes, de terem sido de famílias tradicionais de certos credos religiosos, etc. Na Índia, por exemplo, ainda predominam os conceitos de casta. Como viveriam, sabendo que, em vida anterior, integraram tal ou qual casta, inferior ou superior? E alguém que, tendo sido judeu em uma vida, tenha renascido como palestino?

No livro "Renúncia" (Emmanuel/Francisco Cândido Xavier), encontramos uma frase lapidar, que encerra toda uma filosofia a respeito do esquecimento das vidas passadas: "Sem a paz do esquecimento transitório, talvez a Terra deixasse de ser uma escola abençoada para ser um ninho abominável de ódios perpétuos."

Entretanto, a Codificação Espírita nos leciona que examinando as nossas aptidões e inclinações, podemos inferir de nosso passado e buscar elementos para nossa reestruturação moral e intelectual. Mais: não é somente após a morte que o Espírito terá recordações de suas outras existências. Muitas vezes, quando Deus julga útil, permite que o Espírito, durante o desdobramento natural do sono, tenha lembranças fragmentárias de outras encarnações. Mesmo não recordando totalmente delas ao acordar, as manterá no campo psíquico sob a forma de reflexos e condicionamentos positivos, que, nos momentos de dúvida, podem ser preciosos elementos de auxílio na tomada de decisões corretas.

São as "Reminiscências Construtivas", de que nos informa Martins Peralva, em "O Pensamento de Emmanuel", concluindo: "Embora vagas, ou talvez por isso mesmo, constituem incentivo e sustentação para o Espírito em nova experiência, considerando-se que representavam valiosa ponte entre o Ontem e o Hoje, na áspera caminhada para o Amanhã."

Bibliografia:
Denis, Léon – "O Grande Enigma"- FEB
Kardec, Allan – "Obras Póstumas"- FEB
Kardec, Allan – "O Livro dos Espíritos" – FEB
Emmanuel/Francisco Cândido Xavier – "Renúncia"- FEB
André Luiz/Francisco Cândido Xavier – "Nosso Lar"- FEB
Kardec, Allan – "O Evangelho Segundo o Espiritismo"- FEB
Peralva, José Martins – "O Pensamento de Emmanuel"- FEB
Denis, Léon – "O Problema do Ser, do Destino e da Dor"- FEB
André Luiz/Francisco Cândido Xavier – "Missionários da Luz" – FEB
Emmanuel/Francisco Cândido Xavier - "Religião dos Espíritos"- FEB

Publicado em REFORMADOR de abril/2004


Título: Re: ESQUECIMENTO DO PASSADO
Enviado por: Telmaluz em 07 de Fevereiro de 2010, 02:56
O lema é esquecer e perdoar.
Título: Re: ESQUECIMENTO DO PASSADO
Enviado por: Marianna em 14 de Fevereiro de 2010, 03:48

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O lema é esquecer e perdoar.
Sempre orando e vigiando.