CONVERSANDO SOBRE O PASSE
A MAGNETIZAÇÃO ASSISTIDA
Moura Rêgo
Já escrevi, em outros tempos, outros artigos sobre o serviço de passes, hoje, o farei de modo mais simplificado, visando um melhor entendimento do tema.
É que, depois de muito estudar este assunto, achei muitas e incongruentes versões, trazidas por escritores que, a custa de suas opiniões particulares, ditas em tom doutrinário, acabaram por deixar com que o movimento espírita as tomassem por doutrina, coisa que não o são.
Trouxeram esses escritores, uma série de invencionices, no que tange ao gestual ou mesmo às características do trabalho, entornando sobre o tema um caldo místico de sabor muito ruim.
Contudo, não será o viés deste artigo, a crítica destas obras, mas por outra, o que pretendo fazer é, facilitar a compreensão de todos sobre este trabalho tão dignificante para o Espírito.
Vamos lá:
Falamos sobre o passe, no mais das vezes, de maneira muito mística, como se o passista fosse um ser angélico ou, como se costuma ouvir, um “médium forte”. Na verdade, o médium passista, sob a visão codificada, encontra-se classificado entre os médiuns curadores, sendo, por especificidade, uma subdivisão desta classe. São todos estes médiuns portadores de características especialíssimas como se pode notar do estudo das obras básicas que citarei ao fim deste resumo.
Para citar uma assertiva que acredito ser válida, fora do escopo doutrinário, mas em acordo para com este, lembro Martins Peralva quando diz: “O passe é um vigoroso banho de energias psico-físico-mentais.”
Esta uma sintetização inteligente do mister que envolve o médium e o trabalho.
Ora, sempre me perguntam: “Então o passe não pode ser administrado fora da casa espírita?
Ao que eu respondo, explicando:
O material cirúrgico a ser utilizado numa operação, fica, ao alcance de qualquer um nos hospitais? Por outra, As roupas dos cirurgiões são as mesmas com as quais eles adentram ao hospital? A resposta que não espera é sempre um grande não. Respondida a questão eu prossigo; assim também ocorre com o passe... Na casa espírita, há antes de qualquer trabalho, uma espécie der assepsia, feita pelas equipes espirituais envolvidas em tal trabalho, agindo nos fluidos existentes no local, bem como em cada médium envolvido, estes Espíritos, como que os higienizam magneticamente, tornando-os mais susceptíveis ao contato especialíssimo que vão ter no campo do Bem ao próximo.
Em se tratando dos médiuns reza a doutrina que não é qualquer médium que pode assim desempenhar o papel do passista, é que a espiritualidade vai se acercar daqueles que lhe são mais intimamente afins. Quero dizer com isso que há de se ter uma qualidade ou característica mediúnica especialíssima para que o trabalho de passes ocorra com maior exatidão e força.
Os médiuns que não tenham tal qualidade específica, entretanto, não ficam alijados de poder participar, constituem as colunas de sustentação, mais das vezes, e se possuem e emitem uma vontade soberana aliada a um desejo fortificado de fazer o bem, executam-no também, se bem que de forma mais cansativa, esta a razão de se sentirem cansados ao extremo em algumas vezes. Consta que, a extrema doação de um fluido que só a eles era destinado, requer tempo para que seja realimentado seu tônus.
Kardec demonstra o fato quando os inclui na classe dos médiuns curadores, visto terem consigo uma quantidade e qualidade especial deste fluido que se doado não lhes faz a mesma falta que aos outros médiuns.
No ministrar do passe, a espiritualidade envolve o magnetismo animal dos médiuns envolvidos com o seu magnetum mais sutil e poderoso, desse amalgamado magnético surge como produto o fluido salutar indispensável ao exercício desta terapêutica que se pode chamar de magnetização assistida, já que, via de regra nas casas espíritas, a maioria dos trabalhos nesse sentido são executados em maneira dupla, quer dizer, sob a ação conjunta do Espírito do encarnado, e da espiritualidade.
Pois é, os amigos já devem ter notado que a minha leitura se projeta de maneira diferenciada da de alguns autores que já deitaram na praça uma quantidade de livros sobre o assunto, não?
Mas ela ainda vai ficar mais distinta da visão destes autores...
No entender deles, há uma extensa gama de posições, gestual, e uma quase obrigação na imposição das mãos, isso não procede com a instrução doutrinária mais primária sobre o assunto: “Tudo se dá pelo pensamento”. Das duas uma: ou Kardec e toda plêiade estão defasados, ou esses autores, são Espíritos mais adiantados que a plêiade senhores de maiores conhecimentos e qualidades morais que os dela. A resposta, todavia, quem nos vai dar é a nossa razão.
Num pensamento mais dilatado teríamos, se é o pensamento, norteado pela soberana vontade, que dá rumo ao elemento magnético, produto extraído da ação conjunta Espírito/espiritualidade, por que o gestual das mãos? Qual a utilidade de certos rangeres de dentes, chiados e estalar de mãos? Qual a procedência de um exclusivo dançar de mãos sobre o corpo do paciente?
A meu ver, nenhuma.
Numa ação puramente magnetizadora, aquela desempenhada exclusivamente pelo magnetizador, espírita ou não, os fluidos salutares são enviados da mesma maneira, norteados pela vontade aliada a um pensamento pelo bem do próximo.
Quando porém desempenhada numa casa espírita, o médium pedindo o concurso da espiritualidade, tem dela o fortificar do seu pensamento e a sutilização de seu magnetum animal e dessa maneira o gestual ou especificamente a imposição das mãos ficaria restrita a uma indicação especial da espiritualidade e isso meus amigo, não acontece toda hora.
Quando em palestras, chego a esse pormenor explodem as perguntas, (e eu gostcho!).
Quer dizer, Moura, que só por indicação da espiritualidade se possa impor as mãos? E eu respondo: sim, eu contra argumento: Jesus sempre impunha as mãos? Lembram do caso do serviçal do centurião? O que disse o Rabi respondendo ao pedido do oficial? Vai em paz, teu criado está curado. Impôs ele as mãos? Teve qualquer trejeito característico de misticismo, ou um chiar ou ranger de dentes? A resposta é não, concordam?
Compreendem o mal que faz à compreensão do movimento espírita esse tipo de pensamento transferido às páginas de um livro como instrução doutrinária avançada? É por isso que tantos do movimento espírita são iludidos e passam a acreditar ser ouro aquilo que não passa de lata dourada.
Bem amigos, eu poderia ficar a encher muitas mais páginas excertando da doutrina suas retilíneas instruções codificadas, todavia, para não tornar maçante ou tediosa, esta linha de pensamentos deixo-lhes, agora, por término deste, as indicações doutrinárias dos pontos que abordo neste pequeno artigo.
O Livro dos Médiuns; cap. VIII, item131;
A Gênese - Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo – cap. XIV, itens dezoito, trinta e um a trinta e três.
Muita paz.
Rio de Janeiro, 15 de julho de 2009
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