Forum Espirita

CODIFICAÇÃO => Estudos mensais => Tópico iniciado por: Moises de Cerq. Pereira em 04 de Março de 2017, 00:43

Título: Não separar o que Deus juntou
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 04 de Março de 2017, 00:43
Olá a todos

Tomo a iniciativa e em conjunto com todos os participantes a de  iniciarmos mais um estudo mensal

Convido a todos a participarem deste tema

Em principio e ao meu entender trata-se das uniões entre duas almas

Uma decisão que envolve sérias questões:

Como a vida em companhia e o próprio progresso da humanidade

Neste tema mensal que é extraído do:

Capítulo XXII do livro O Evangelho Segundo o Espíritismo

Com o tema:

Não separar o que Deus juntou

Temos um assunto de seríssimo aprendizado

Exigindo de nós profundas reflexões

Tanto para a nossa orientação

Como para a instrução correta dos que buscam na Doutrina um parecer seguro

Um assunto que nos remete diretamente a Deus

E ao maior de todos os sentimentos que é o amor
 
Além da questão do envolvimento direto com o próximo
nas questões do sentimento, do prazer e da disciplina

Deveremos descobrir nestes estudos até que ponto o nosso desejo não deve prejudicar a liberdade alheia

E também compreender as questões que nos envolve no amar e no prazer

Enfim!

Roguemos permissão a Deus
E confiemos no amparo dos bons amigos espirituais

E consequentemente a graça da participação de todos

Que assim possamos o bem aprender

Graças a Deus


Moisés de Cerqueira Pereira



Título: Re: Não separar o que Deus juntou
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 04 de Março de 2017, 00:48
Indissolubilidade do casamento

1. Também os fariseus vieram ter com ele para o tentarem e lhe disseram: Será permitido a um homem despedir sua mulher, por qualquer motivo?
Ele respondeu:
Não lestes que aquele que criou o homem desde o princípio os criou macho e fêmea e disse: -Por esta razão, o homem deixará seu pai e sua mãe e se ligará à sua mulher e não farão os dois senão uma só carne?
- Assim, já não serão duas, mas uma só carne. Não separe, pois, o homem o que Deus juntou.
Mas, por que então, retrucaram eles, ordenava Moisés que o marido desse à sua mulher um escrito de separação e a despedisse?
- Jesus respondeu:
Foi por causa da dureza do vosso coração que Moisés permitiu despedísseis vossas mulheres; mas, no começo, não foi assim.
- Por isso eu vos declaro que aquele que despede sua mulher, a não ser em caso de adultério, e desposa outra, comete adultério;
 e que aquele que desposa a mulher que outro despediu também comete adultério.

(S. MATEUS, cap. XIX, vv. 3 a 9.)
Título: Re: Não separar o que Deus juntou
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 04 de Março de 2017, 00:52
Indissolubilidade do casamento

2. Imutável só há o que vem de Deus. Tudo o que é obra dos homens está sujeito a mudança. As leis da Natureza são as mesmas em todos os tempos e em todos os países. As leis humanas mudam segundo os tempos, os lugares e o progresso da inteligência. No casamento, o que é de ordem divina é a união dos sexos, para que se opere a substituição dos seres que morrem; mas, as condições que regulam essa união são de tal modo humanas, que não há, no inundo inteiro, nem mesmo na cristandade, dois países onde elas sejam absolutamente idênticas, e nenhum onde não hajam, com o tempo, sofrido mudanças. Daí resulta que, em face da lei civil, o que é legítimo num país e em dada época, é adultério noutro país e noutra época, isso pela razão de que a lei civil tem por fim regular os interesses das famílias, interesses que variam segundo os costumes e as necessidades locais. Assim é, por exemplo, que, em certos países, o casamento religioso é o único legítimo; noutros é necessário, além desse, o casamento civil; noutros, finalmente, este último casamento basta.

3. Mas, na união dos sexos, a par da lei divina material, comum a todos os seres vivos, há outra lei divina, imutável como todas as leis de Deus, exclusivamente moral: a lei de amor. Quis Deus que os seres se unissem não só pelos laços da carne, mas também pelos da alma, a fim de que a afeição mútua dos esposos se lhes transmitisse aos filhos e que fossem dois, e não um somente, a amá-los, a cuidar deles e a fazê-los progredir. Nas condições ordinárias do casamento, a lei de amor é tida em consideração? De modo nenhum. Não se leva em conta a afeição de dois seres que, por sentimentos recíprocos, se atraem um para o outro, visto que, as mais das vezes, essa afeição é rompida. O de que se cogita, não é da satisfação do coração e sim da do orgulho, da vaidade, da cupidez, numa palavra: de todos os interesses materiais. Quando tudo vai pelo melhor consoante esses interesses, diz-se que o casamento é de conveniência e, quando as bolsas estão bem aquinhoadas, diz-se que os esposos igualmente o são e muito felizes hão de ser.

Nem a lei civil, porém, nem os compromissos que ela faz se contraiam podem suprir a lei do amor, se esta não preside à união, resultando, freqüentemente, separarem-se por si mesmos os que à força se uniram; torna-se um perjúrio, se pronunciado como fórmula banal, o juramento feito ao pé do altar. Daí as uniões infelizes, que acabam tornando-se criminosas, dupla desgraça que se evitaria se, ao estabelecerem-se as condições do matrimônio, se não abstraísse da única que o sanciona aos olhos de Deus: a lei de amor. Ao dizer Deus: "Não sereis senão uma só carne", e quando Jesus disse: "Não separeis o que Deus uniu", essas palavras se devem entender com referência à união segundo a lei imutável de Deus e não segundo a lei mutável dos homens.

4. Será então supérflua a lei civil e dever-se-á volver aos casamentos segundo a Natureza? Não, decerto. A lei civil tem por fim regular as relações sociais e os interesses das famílias, de acordo com as exigências da civilização; por isso, é útil, necessária, mas variável. Deve ser previdente, porque o homem civilizado não pode viver como selvagem; nada, entretanto, nada absolutamente se opõe a que ela seja um corolário da lei de Deus. Os obstáculos ao cumprimento da lei divina promanam dos prejuízos e não da lei civil. Esses prejuízos, se bem ainda vivazes, já perderam muito do seu predomínio no seio dos povos esclarecidos; desaparecerão com o progresso moral que, por fim, abrirá os olhos aos homens para os males sem conto, as faltas, mesmo os crimes que decorrem das uniões contraídas com vistas unicamente nos interesses materiais. Um dia perguntar-se-á o que é mais humano, mais caridoso, mais moral: se encadear um ao outro dois seres que não podem viver juntos, se restituir-lhes a liberdade; se a perspectiva de uma cadeia indissolúvel não aumenta o número de uniões irregulares.
Título: Re: Não separar o que Deus juntou
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 05 de Março de 2017, 00:47
O divórcio

O divórcio é lei humana que tem por objeto separar legalmente o que já, de fato, está separado.

Não é contrário à lei de Deus, pois que apenas reforma o que os homens hão feito e só é aplicável nos casos em que não se levou em conta a lei divina.

Se fosse contrario a essa lei, a própria Igreja seria obrigada a considerar prevaricadores aqueles de seus chefes que, por autoridade própria e em nome da religião, hão imposto o divórcio em mais de uma ocasião.

E dupla seria aí a prevaricação, porque, nesses casos, o divórcio há objetivado unicamente interesses materiais e não a satisfação da lei de amor.

Mas, nem mesmo Jesus consagrou a indissolubilidade absoluta do casamento.

Não disse ele: "Foi por causa da dureza dos vossos corações que Moisés permitiu despedísseis vossas mulheres?"

Isso significa que, já ao tempo de Moisés, não sendo a afeição mútua a única determinante do casamento, a separação podia tornar-se necessária.

Acrescenta, porém: "no princípio, não foi assim", isto é, na origem da Humanidade, quando os homens ainda não estavam pervertidos pelo egoísmo e pelo orgulho e viviam segundo a lei de Deus, as uniões, derivando da simpatia, e não da vaidade ou da ambição, nenhum ensejo davam ao repúdio.

Vai mais longe: especifica o caso em que pode dar-se o repúdio, o de adultério.

Ora, não existe adultério onde reina sincera afeição recíproca.

É verdade que ele proíbe ao homem desposar a mulher repudiada; mas, cumpre se tenham em vista os costumes e o caráter dos homens daquela época.

A lei moisaica, nesse caso, prescrevia a lapidação.

Querendo abolir um uso bárbaro, precisou de uma penalidade que o substituísse e a encontrou no opróbrio que adviria da proibição de um segundo casamento.

Era, de certo modo, uma lei civil substituída por outra lei civil, mas que, como todas as leis dessa natureza, tinha de passar pela prova do tempo.
Título: Re: Não separar o que Deus juntou
Enviado por: Edna☼ em 06 de Março de 2017, 16:59
Olá Moisés,

Parabéns pela iniciativa!

Temos aí um importante tema para tirar dúvidas diante dos conflitos vivenciados por muitos casais, e verificarmos a aplicação da transitória lei dos homens, que acompanha a evolução humana,e leva em conta os costumes, cultura... E a eficácia da lei do amor que é divina, eterna e imutável.

Bons estudos a todos!

Abraços,

Edna ;)




Título: Re: Não separar o que Deus juntou
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 07 de Março de 2017, 11:55
Olá Moisés,

Parabéns pela iniciativa!

Temos aí um importante tema para tirar dúvidas diante dos conflitos vivenciados por muitos casais, e verificarmos a aplicação da transitória lei dos homens, que acompanha a evolução humana,e leva em conta os costumes, cultura... E a eficácia da lei divina que é eterna e imutável.

Bons estudos a todos!

Abraços,

Edna


Verdade Edna
valeu pela observação

Abraços
Título: Re: Não separar o que Deus juntou
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 08 de Março de 2017, 18:22
Uniões de prova

Citar
“Não separe o homem o que Deus ajuntou.”
Jesus em Mateus, 19: 6

“Quando Jesus disse: ‘Não separe o homem o que Deus ajuntou’, essas palavras se devem entender com referência à união, segundo a lei imutável de Deus e não segundo a lei mutável dos homens.”

Aspiras a convivência dos espíritos de eleição com os quais te harmonizas agora, no entanto, trazes ainda na vida social e doméstica, o vínculo das uniões menos agradáveis que te compelem a frear impulsos e a sufocar os mais belos sonhos.

Não violentes, contudo, a lei que te preceitua semelhantes deveres. Arrastamos, do passado ao presente, os débitos que as circunstâncias de hoje nos constrangem a revisar.

O esposo arbitrário e rude que te pede heroísmo constante é o mesmo homem de outras existências de cuja lealdade escarneceste, acentuando-­lhe afeição agressiva e cruel.

Os filhinhos doentes que te desfalecem nos braços, cancerosos ou insanos, idiotizados ou paralíticos são as almas confiantes e ingênuas de anteriores experiências terrestres, que impeliste friamente às pavorosas quedas morais.

A companheira intransigente e obsecada, a envolver­te em farpas magnéticas de ciúme, não é outra senão a jovem que outrora embaiste com falsos juramentos de amor, enredando­-lhe os pés em degradação e loucura.

Os pais e chefes tirânicos, sempre dispostos a te ferirem o coração, revelam a presença daqueles que te foram filhos em outras épocas, nos quais plantaste o espinheiral do despotismo e do orgulho, hoje contigo para que lhes renoves o sentimento, ao preço de bondade e perdão sem limites.

Espíritos enfermos, passamos pelo educandário da reencarnação, qual se o mundo, transfigurado em sábio anestesista, nos retivesse no lar para que o tempo, à feição de professor devotado, de prova em prova, efetue a cirurgia das lesões psíquicas de egoísmo e vaidade, viciação e intolerância que nos comprometem a alma.

À frente, pois, das uniões menos simpáticas, saibamos suportá-­las, de ânimo firme. Divórcio, retirada, a rejeição e demissão, às vezes, constituem medidas justificáveis nas convenções humanas, mas quase sempre não passam de moratórias para resgate em condições mais difíceis, com juros de escorchar.

Ouçamos o íntimo de nós mesmos. Enquanto a consciência se nos aflige, na expectativa de afastar­mos da obrigação, perante alguém, vibra em nós o sinal de que a divida permanece.


.......................................
Ditado pelo Espírito: Emmanuel
Psicografado por: Francisco Cândido Xavier
Título: Re: Não separar o que Deus juntou
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 10 de Março de 2017, 13:23
Casamento e divórcio
PAULO ARTUR GONÇALVES

Segundo o "mito", não é certo o divórcio, a separação, perante Deus; mas, segundo entendemos, o que não é certo perante
Deus é a infelicidade

Pergunta-se o que exatamente Jesus quis dizer com “Não separe, pois, o homem o que Deus juntou” se os israelenses daquela época praticavam a poligamia em alta escala e uma mulher podia ser dispensada segundo regras de Moisés.

Mesmo entre os cristãos a poligamia persistiu parcialmente até o século V quando, segundo Santo Agostinho, a Igreja Católica Romana a proibiu para adequar-se à lei greco-romana, que prescrevia uma só esposa legal, tolerando concubinas e prostituição.

O tempo e a evolução dos costumes cuidaram para que a monogamia se estabelecesse, mesmo assim só em pouco mais de 2/3 (dois terços) da humanidade, visto que exclui o Islã, que tolera até 4 esposas.

Nos dois terços que adotam o casamento monogâmico as relações extraconjugais ainda são praticadas por pura sensualidade ou até mesmo por afinidade.

Para entender melhor o assunto, está transcrito a seguir o único trecho do Evangelho (Mateus, cap. XIX, vv. 3 a 9.) em que Jesus supostamente tratou do assunto, não por iniciativa própria, mas porque foi provocado:

“Também os fariseus vieram ter com ele, para o tentarem, e lhe disseram: Será permitido a um homem despedir sua mulher, por qualquer motivo? Ele respondeu: – Não lestes que aquele que criou o homem desde o princípio os criou macho e fêmea e disse: Por esta razão, o homem deixará seu pai e sua mãe e se ligará à sua mulher e não farão os dois senão uma só carne? Assim, já não serão duas, mas uma só carne. Não separe, pois, o homem o que Deus juntou.
 
Mas, por que então, retrucaram eles, ordenava Moisés que o marido desse à sua mulher um escrito de separação e a despedisse? Jesus respondeu: – Foi por causa da dureza do vosso coração que Moisés permitiu despedísseis vossas mulheres; mas, no começo, não foi assim. Por isso eu vos declaro que aquele que despede sua mulher, a não ser em caso de adultério, e desposa outra, comete adultério; e que aquele que desposa a mulher que outro despediu também comete adultério”.

Na segunda declaração grifada, Jesus diz ser lícito o divórcio em caso de adultério, o que é conflitante com a indissolubilidade da união dita na primeira.

Assim, nem mesmo Jesus consagrou a indissolubilidade absoluta do casamento. Não disse ele: “Foi por causa da dureza dos vossos corações que Moisés permitiu despedísseis vossas mulheres”?
 
O adultério era o grande mal da época de Moisés
 
Isso significa que, não sendo a afeição mútua a única determinante do casamento, a separação podia tornar-se necessária. Nesta segunda declaração, Jesus ampliou o conceito de adultério em relação à lei de Iahweh ditada a Moisés.
 
O adultério era o grande mal da época. Em Deuteronômio, 22:22, está: “Se um homem é encontrado dormindo com uma mulher casada, ambos devem morrer. Deve-se expurgar o mal de Israel!”. A título de exemplo, Salomão teve 700 esposas e 300 concubinas (Reis, 11:13). Davi teve muitas esposas e concubinas (Samuel, 5:13).

Isto se deve ao primitivismo daquele povo, em que o instinto sexual era ainda predominante, incluindo-se aí o homossexualismo e as relações com animais. Por este motivo, Iahweh, Espírito-guia do povo de Israel, e na Bíblia qualificado como deus único de Israel (não confundir com Deus, “Inteligência Suprema do Universo e causa primária de todas as coisas”), estabeleceu restrições de relacionamento sexual que estão em Levítico, capítulo 20, de 7 a 21, como está transcrito a seguir:

7        “Dediquem-se completamente a mim e sejam santos, pois eu sou o SENHOR, o deus de vocês.
8        Obedeçam às minhas leis. Eu sou o SENHOR, e eu os separei dos outros povos para que vocês sejam somente meus.
10      Se um homem cometer adultério com a mulher de outro, ele e a mulher deverão ser mortos.
11      Se um homem tiver relações com uma das mulheres do pai, ele estará desonrando o pai, e ele e a mulher deverão ser mortos; eles serão responsáveis pela sua própria morte.
12      Se um homem tiver relações com a nora, os dois deverão ser mortos por causa desse ato imoral; eles serão responsáveis pela sua própria morte.
13      Se um homem tiver relações com outro homem, os dois deverão ser mortos por causa desse ato nojento; eles serão responsáveis pela sua própria morte.
14      Se um homem casar(*) com uma mulher e também com a mãe dela, isso é uma imoralidade grave, e os três deverão ser queimados vivos; essa imoralidade precisa ser eliminada do meio do povo.
15      Se um homem tiver relações com um animal, os dois deverão ser mortos.
16      Se uma mulher tiver relações com um animal, os dois deverão ser mortos; eles serão responsáveis pela sua própria morte.
Moisés pôs limites nos relacionamentos sexuais
17      Se um homem casar(*) com a irmã, seja por parte só de pai ou por parte de pai e mãe, os dois deverão ser expulsos publicamente do meio do povo. É uma vergonha um homem casar com a irmã; ele merece castigo.
18      Se um homem tiver relações com uma mulher durante a menstruação, os dois deverão ser expulsos do meio do povo. Os dois ficaram impuros, pois quebraram as leis da pureza a respeito da menstruação.
19      Se um homem tiver relações com a tia, os dois merecem castigo, pois são parentes.
20      E o homem que tiver relações com a tia envergonha o tio. O homem e a tia merecem castigo; eles nunca terão filhos.
21      Se um homem tiver relações com a cunhada, ele envergonha o irmão. É uma imoralidade, e os dois morrerão sem terem filhos”.

Com isto, Iahweh, através de Moisés, tão-somente estabeleceu limites nos relacionamentos sexuais praticados, bem como na formação do harém de cada um.

Jesus veio, colocou sua doutrina muito bem resumida no sermão da montanha, e certamente não se preocupou com o assunto poligamia, harém etc., porque sabia que o tempo e os costumes cuidariam disto.

Para finalizar e esclarecer bem o assunto, a seguir está parte do trabalho publicado pelo Grupo de Estudos Allan Kardec, que pode ser encontrado em www.luzdoespiritismo.com (http://www.forumespirita.net/fe/go.php?url=aHR0cDovL3d3dy5sdXpkb2VzcGlyaXRpc21vLmNvbQ==):     
“O ser humano é uma criatura sociável que necessita do convívio com outros seres para desenvolver-se e pôr em prática os ensinamentos adquiridos.

A sociedade como a conhecemos é composta de várias outras sociedades menores que são as famílias. Uma sociedade sadia só existe com famílias sadias. E as famílias principiam no casamento.


No princípio da relação afetiva, o amor-paixão é muito forte, suplantando os demais. À medida que o tempo passa, vai perdendo a sua força, embora permaneça. É quando surge então o amor-companheirismo, aquele amor que se alegra com a alegria do outro, onde nos sentimos bem em privar da sua presença, é quando fazemos o bem sem esperar retribuição.
No futuro, restará apenas o amor-companheirismo que se chamará, então, Amor Universal.
O casamento representa um alto estágio de evolução do ser, quando se reveste de respeito e consideração pelo cônjuge, firmando-se na fidelidade. Naturalmente, o casamento civil é um dever a ser cumprido pelos espíritas, porque legitima a união perante as leis vigentes, que asseguram ao homem e à mulher direitos e deveres.”

Há cinco tipos distintos de casamento   

“Martins Peralva [Estudando a Mediunidade] apresenta uma divisão didática dos diferentes tipos de casamento, em 5 tipos distintos:

Transcendentais: São casamentos afins entre almas enobrecidas que, juntas, vão dedicar-se a obras de grande valor para a Humanidade. Raros os casos aqui na Terra.

Afins: São aqueles formados por parceiros simpáticos, afins, onde há uma verdadeira afeição da alma. Geralmente, eles sobrevivem à morte do corpo e mantém-se a afeição em encarnações diversas. Pouco comuns na Terra.

Provacionais: São uniões entre almas mutuamente comprometidas, que estão juntas para pacificarem as consciências ante erros graves perpetrados no passado, e simultaneamente desenvolverem os valores da paciência, da tolerância e da resignação. São os mais comuns.
Sacrificiais: São aqueles que se caracterizam por uma grande diferença evolutiva entre os cônjuges.  Um Espírito de mais alta envergadura que aceita o consórcio com outro menos adiantado para ajudá-lo em seu progresso espiritual.

Acidentais: São os casamentos que não foram programados no mundo espiritual. Obedecem apenas à afeição física, sem raízes na afetividade sincera.

Não sabemos em qual categoria nos achamos, mas não existe o acaso, ninguém se acha sob o mesmo teto por mera casualidade. ‘Deus permite, nas famílias, encarnações de Espíritos antipáticos ou estranhos com o duplo fim de servir de prova a uns e de avanço aos outros’.” 
Título: Re: Não separar o que Deus juntou
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 10 de Março de 2017, 13:24
É clara a posição espírita ante o divórcio

“A posição espírita ante o divórcio está plenamente estabelecida nas duas obras mais conhecidas da codificação espírita: O Livro dos Espíritos e O Evangelho segundo o Espiritismo.

Em L.E., questão 697, Kardec pergunta se a indissolubilidade do casamento pertence à Lei de Deus ou se é apenas uma lei humana. Os Espíritos responderam: ‘A indissolubilidade do casamento é uma lei humana muito contrária à lei natural’.”

Os casamentos transcendentais e afins, que são poucos, se caracterizam pela estabilidade total, por imperar a lei do amor. Neles a preocupação com divórcio e ligações extraconjugais inexiste. O mesmo se pode dizer do cônjuge de alta envergadura nos casamentos sacrificiais.
A preocupação com divórcio e ligações extraconjugais cabe nos demais tipos de casamento.

Por se tratar de ligações provacionais, a probabilidade de falha existe e, dependendo das desavenças ocorridas, é melhor que haja a separação que em muitos casos preserva a amizade criada, o que já é um avanço. Além disso, existem os casos em que a relação se esgotou e ambos ficam juntos, como amigos, por mera conveniência.

Neste caso, uma relação de afeto fora do casamento poderia ser até aceitável se não houvesse o risco de azedar tudo e fazer a relação de amizade desandar.

Para terminar, está transcrita a instrução contida em O Evangelho segundo o Espiritismo:
Na união dos sexos, a par da lei divina material, comum a todos os seres vivos, há outra lei divina, imutável como todas as leis de Deus, exclusivamente moral: a lei de amor. Quis Deus que os seres se unissem não só pelos laços da carne, mas também pelos da alma, a fim de que a afeição mútua dos esposos se lhes transmitisse aos filhos e que fossem dois, e não um somente, a amá-los, a cuidar deles e a fazê-los progredir.

À medida que avançamos no caminho da evolução, os tipos de casamento tendem a ser transcendentais e afins e aí a afirmativa de que “não separe, pois, o homem o que Deus juntou” passa a ser uma verdade absoluta, porque o amor impera. 

O casamento acidental, uma das maiores causas de divórcio

Não objetiva este artigo a defender o divórcio nem a infidelidade. A infidelidade é uma das grandes causas das desuniões. Ela pode e deve ser evitada. O sexo nos é altamente salutar, porém, para tal, basta um homem e uma mulher.

Hoje, diferentemente do passado, se podem fazer testes. Testar não é sair ficando com qualquer um. É namorar e, assim, o namoro deve ser um teste também para a fidelidade.
O casamento provacional, por ser uma prova, é sinônimo de problemas futuros que só podem ser vencidos sem egoísmo.

É o egoísmo que nos leva a querer resolver os problemas querendo que o parceiro mude. Errado. A gente só pode mudar a gente mesmo. Entretanto, se pelo egoísmo as relações se tornarem um inferno, é melhor que se separe e se preserve, no mínimo, a amizade.

Um dos maiores causadores do divórcio é o casamento acidental. Nesses não há o compromisso de provas ou ajuste e não há laços do carma. Casamentos vapt vupt, via de regra, são acidentais, e na maioria das vezes nascem com o ficar indiscriminado e também com objetivos vazios.

Tanto os casamentos provacionais como os acidentais que desandaram podem ser chamados de casamentos de fachada. Em alguns casos os cônjuges respeitam e se tornam amigos, em outros só se toleram, e em outros mais chegam a odiar-se. Aí vem o lado da fidelidade, do companheirismo. Como ser fiel e companheiro de alguém que não se suporta ou odeia?

Impossível isso. É união "sem união". Isso acarreta desajustes que, pela lei de causa e efeito, deverão ser ajustados, mais provavelmente em vidas futuras, pois, quando dois seres se unem, são responsáveis pela felicidade um do outro. É um comprometimento.

Agora vem o lado do "mito": não é certo o divórcio, a separação, perante Deus. O que não é certo perante Deus é a infelicidade. A maioria destes desajustes pode ser evitada com o namoro longo, onde se testa também a fidelidade.

Se no tempo de Moisés as uniões se davam dos 13 aos 15 anos, era porque a expectativa de vida era curta, por volta dos 40 anos. Hoje a expectativa de vida já passa dos 70 anos. Assim, sobra tempo para um namoro responsável. O namoro é a base sólida para qualquer união e uma duração maior do mesmo reduz a ação da paixão, deixando as partes se conhecerem melhor.
 
(*) O verbo casar é usado aí no sentido de tomar a mulher para seu harém.
Título: Re: Não separar o que Deus juntou
Enviado por: Gustavo Rettenmaier em 12 de Março de 2017, 02:34
Algum tempo atrás, estudamos esse tema em nosso grupo de estudos na sociedade espírita que trabalho.
A questão aqui esta, em minha opinião, na diferença que existe entre as leis eternas e imutáveis de Deus, e as leis temporais, muitas vezes privilegiando pequenos grupos mais organizados.
Podemos colocar tambem a grande diferença que existe entre os dois planos da vida.
Jesus deixou muito claro que a verdadeira vida é a do espírito, e que a verdade se refere ao espírito, todo o resto são ferramentas e oportunidades para o espírito progredir.
Dessa forma, as uniões feitas por Deus, são aquelas baseadas nos sentimentos nobres do espírito, e não nos interesses menores da matéria.
Isso significa dizer que, aquilo que é unido pelas leis de Deus, de amor e fraternidade, não será separado, por homem nenhum.
Título: O casamento e a lei dos homens
Enviado por: Edna☼ em 12 de Março de 2017, 19:38
[attachimg=1 align=left width=260] "O casamento, desde épocas imemoriais, era celebrado mediante a assinatura de um contrato conhecido como ketubah. A cerimônia é, ainda hoje, repleta de muitos significados", e, com rituais em algumas religiões.

"As obrigações básicas constante nos antigos modelos encontrados falam da necessidade de o marido prover a habitação, o alimento e o vestuário à sua esposa. Esta por sua vez, deverá tratá-lo com absoluto respeito e dedicação; cuidar do bom andamento do lar, da criação dos filhos e preparar aos seus, tão somente, aqueles alimentos determinados pela dieta kasher (alimentos cujo consumo é permitido aos judeus)."



"O divórcio, por outro lado, também é contemplado pela Torah, sendo admitido na antiguidade, no caso de a noiva não ser mais virgem e por outras motivações..."

Citar
"Se um homem tomar uma mulher, casar-se com ela, e esta depois deixar de lhe agradar por ter ele achado nela qualquer coisa indecente, escrever-lhe-á uma carta de divórcio, e lha dará na mão, e a despedirá da sua casa." (Dt 24:1).



"O Decálogo condenava, também, a prática do adultério (Dt 5:18). Nesse quesito em particular, a lapidação era usualmente a pena aplicada. O Código de Hamurabi previa uma outra pena - o afogamento, e permitia a revogação da sentença se houvesse perdão por parte do marido traído (artigo 129 do Código de Hamurabi). A Lei Moisaica, nesta situação, apresenta-se de modo bem mais severo, pois aqui não se vislumbra qualquer forma de remissão."


Bibliografia:

PALMA, Rodrigo Freitas. História do Direito. 4a. Ed. São Paulo. Saraiva. 2011. "Leis de caráter civilista entre os hebreus".




Compartilhado trechos para fins de estudo.
Título: O casamento perante as leis humanas
Enviado por: Edna☼ em 12 de Março de 2017, 20:18
[attachimg=1 align=left width=260] "Através dos tempos, mesmo entre as tribos primitivas, deparam-se-nos leis de proteção à família; e quanto mais avançamos no caminho da civilização, mais apuram-se essas leis.

As leis humanas de amparo à família são necessárias, porque no coração humano ainda há muito egoísmo. A pessoa facilmente se esquece dos compromissos que assumiu para com a família, pela qual cumpre zelar; e procura quase sempre furtar-se a seus deveres familiares. As pessoas, com raras exceções, ainda não sabem respeitar a integridade moral de seus semelhantes; um egoísmo feroz fá-los desprezar as leis mais elementares da fraternidade; e quando no ambiente familiar se torna imprescindível o sacrifício, a renúncia, a luta enobrecedora ainda que áspera, a tendência geral é desertar.  E, assim que os legisladores se viram na contingência de elaborarem leis que protegessem cada um dos cônjuges em particular e os filhos e os órfãos e tudo quanto se relacione à estabilidade da família.

À medida, porém, que se processa a espiritualização da humanidade, essas leis também irão evoluindo, até acabarem por se alicerçarem unicamente no Evangelho de Jesus."


Bibliografia:

RIGONATTI, Eliseu. O Espiritismo Aplicado. 20a. Ed. Editora Pensamento. São Paulo. "A Família perante a lei humana".
Título: Re: Não separar o que Deus juntou
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 13 de Março de 2017, 12:00

UNIÃO INFELIZ - SEPARAÇÃO


Citar
Pergunta - Qual o fim objetivado com a reencarnação?
Resposta - Expiação, melhoramento progressivo da Humanidade. Sem isto, onde a justiça?
Item n° 167, de "O livro dos Espíritos".

Dolorosa, sem dúvida, a união considerada menos feliz. E, claro, que não existe obrigatoriedade para que alguém suporte, a contragosto, a truculência ou o peso de alguém, ponderando-se que todo espírito é livre no pensamento para definir-se, quanto às próprias resoluções.

Indiscutivelmente, os débitos que abraçamos são anotados na Contabilidade da Vida; todavia, antes que a vida os registre por fora, grava em nós mesmos, em toda a extensão, o montante e os característicos de nossas faltas.

A pedra que atiramos no próximo talvez não volte sobre nós em forma de pedra, mas permanece conosco na figura de sofrimento.

E, enquanto não se remove a causa da angústia, os efeitos dela perduram sempre, tanto quanto não se extingue a moléstia, em definitivo, se não a eliminamos na origem do mal.

Nas ligações terrenas, encontramos as grandes alegrias; no entanto, é também dentro delas que somos habitualmente defrontados pelas mais duras provações.

Isso porque, embora não percebamos de imediato, recebemos, quase sempre, no companheiro ou na companheira da vida intima, os reflexos de nós próprios.

É natural que todas as conjunções afetivas no mundo se nos figurem como sendo encantados jardins, enaltecidos de beleza e perfume, lembrando livros de educação, cujo prefácio nos enleva com a exaltação dos objetivos por atingir.
 
A existência física, entretanto, é processo específico de evolução, nas áreas do tempo, e assim como o aluno nenhuma vantagem obterá da escola se não passa dos ornamentos exteriores do educandário em que se matricula, o espírito encarnado nenhum proveito recolheria do casamento, caso pretendesse imobilizar-se no êxtase do noivado.

Os princípios cármicos desenovelam-se com as horas.

Provas, tentações, crises salvadoras ou situações expiatórias surgem na ocasião exata, na ordem em que se nos recapitulam oportunidades e experiências, qual ocorre à semente que, devidamente plantada, oferece o fruto em tempo certo.

O matrimônio pode ser precedido de doçura e esperança, mas isso não impede que os dias subsequentes, em sua marcha incessante, tragam aos cônjuges os resultados das próprias criações que deixaram para trás.

A mudança espera todas as criaturas nos caminhos do Universo, a fim de que a renovação nos aprimore.

A jovem suave que hoje nos fascina, para a ligação afetiva, em muitos casos será talvez amanhã a mulher transformada, capaz de impor-nos dificuldades enormes para a consecução da felicidade; no entanto, essa mesma jovem suave foi, no passado - em existências já transcorridas -, a vítima de nós mesmos, quando lhe infligimos os golpes de nossa própria deslealdade ou inconsequência, convertendo-a na mulher temperamental ou infiel que nos cabe agora relevar e retificar.

O rapaz distinto que atrai presentemente a companheira, para os laços da comunhão mais profunda, bastas vezes será provavelmente depois o homem cruel e desorientado, suscetível de constrangê-la a carregar todo um calvário de aflições, incompatíveis com os anseios de ventura que lhe palpitam na alma.

Esse mesmo rapaz distinto, porém, foi no pretérito - em existências que já se foram - a vítima dela própria, quando, desregrada ou caprichosa, lhe desfigurou o caráter, metamorfoseando-o no homem vicioso ou fingido que lhe compete tolerar e reeducar.

Toda vez que amamos alguém e nos entregamos a esse alguém, no ajuste sexual, ansiando por não nos desligarmos desse alguém, para depois somente depois - surpreender nesse alguém defeitos e nódoas que antes não víamos, estamos à frente de criatura anteriormente dilapidada por nós, a ferir-nos justamente nos pontos em que a prejudicamos, no passado, não só a cobrar-nos o pagamento de contas certas, mas, sobretudo, a esmolar-nos compreensão e assistência, tolerância e misericórdia, para que se refaça ante as leis do destino.

A união suposta infeliz deixa de ser, portanto, um cárcere de lágrimas para ser um educandário bendito, onde o espírito equilibrado e afetuoso, longe de abraçar a deserção, aceita, sempre que possível, o companheiro ou a companheira que mereceu ou de que necessita, a fim de quitar-se com os princípios de causa e efeito, liberando-se das sombras de ontem para elevar-se, em silenciosa vitória sobre si mesmo, para os domínios da luz.

EMMANUEL
(Do livro Sexo e Vida, 9, FCXavier, FEB)
Título: Re: Não separar o que Deus juntou
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 13 de Março de 2017, 13:52
Casamento e Família

Diante das contestações que se avolumam, na atualidade, pregando a reforma dos hábitos e costumes, surgem os demolidores de mitos e de Instituições, assinalando a necessidade de uma nova ordem que parece assentar as suas bases na anarquia.

A onda cresce e o tresvario domina, avassalador, ameaçando os mais nobres patrimônios da cultura, da ética e da civilização, conquistados sob ônus pesados, no largo processo histórico da evolução do homem.

Os aficionados de revolução destruidora afirmam que os valores ora considerados, são falsos, quando não falidos, e que os mesmos vêm comprimindo o indivíduo, a sociedade e as massas, que permanecem jungidos ao servilismo e à hipocrisia, gerando fenômenos alucinatórios e mantendo, na miséria de vários matizes, grande parte da humanidade.

Entre as Instituições que, para eles, se apresentam ultrapassadas, destacam o matrimônio e a família, propondo a promiscuidade sexual, que disfarçam com o nome de "amor livre", e a independência do jovem, imaturo e inconseqüente, sob a justificativa de liberdade pessoal, que não pode nem deve ser asfixiada sob os impositivos da ordem, da disciplina, da educação...

Excedendo-se, na arbitrariedade das propostas ideológicas ainda não confirmadas pela experiência social nem pela convivência na comunidade, afirmam que a criança e o jovem não são dependentes quanto parecem, podendo defender-se e realizar-se, sem a necessidade da estrutura familiar, o que libera os pais negligentes de manterem os vínculos conjugais, separando-se tão logo enfrentam insatisfações e desajustes, sem que se preocupem com a prole.

Não é necessário que analisemos os problemas existenciais destes dias, nem que façamos uma avaliação dos comportamentos alienados, que parecem resultar da insatisfação, da rebeldia e do desequilíbrio, que grassam em larga escala.

A monogamia é conquista de alto valor moral da criatura humana, que se dignifica pelo amor e respeito ao ser elegido, com ele compartindo alegrias e dificuldades, bem-estar e sofrimentos, dando margem às expressões da afeição profunda, que se manifesta sem a dependência dos condimentos sexuais, nem dos impulsos mais primários da posse, do desejo insano.

Utilizando-se da razão, o homem compreende que a vida biológica é uma experiência muito rápida, que ainda não alcançou biótipos de perfeição, graças ao que, é frágil, susceptível de dores, enfermidades, limitações, sendo, os estágios da infância como o da juventude, preparatórios para os períodos do adulto e da velhice.

Assim, o desgaste e o abuso de agora tornam-se carência e infortúnio mais tarde, na maquinaria que deve ser preservada e conduzida com morigeração.

Aprofundando o conceito sobre a vida, se lhe constata a anterioridade ao berço e a continuidade após o túmulo, numa realidade de interação espiritual com objetivos definidos e inamovíveis, que são os mecanismos inalienáveis do progresso, em cujo contexto tudo se encontra sob impositivos divinos expressos nas leis universais.

Desse modo, baratear, pela vulgaridade, a vida e atirá-la a situações vexatórias, destrutivas, constitui crime, mesmo quando não catalogado pelas leis da justiça, exaradas nos transitórios códigos humanos.

O matrimônio é uma experiência emocional que propicia comunhão afetiva, da qual resulta a prole sob a responsabilidade dos cônjuges, que se nutrem de estímulos vitais, intercambiando hormônios preservadores do bem estar físico e psicológico. Não é, nem poderia ser, uma incursão ao país da felicidade, feita de sonhos e de ilusões.

Representa um tentame, na área da educação do sexo, exercitando a fraternidade e o entendimento, que capacitam as criaturas para mais largas incursões na área do relacionamento social. Ao mesmo tempo, a família constitui a célula experimental, na qual se forjam valores elevados e se preparam os indivíduos para uma convivência salutar no organismo universal, onde todos nos encontramos fixados.

A única falência, no momento, é a do homem, que se perturba, e, insubmisso, deseja subverter a ordem estabelecida, a seu talante, em vãs tentativas de mudar a linha do equilíbrio, dando margem às alienações em que mergulha.

Certamente, muitos fatores sociológicos, psicológicos, religiosos e econômicos contribuíram para este fenômeno. Não obstante, são injustificáveis os comportamentos que investem contra as Instituições objetivando demoli-las, ao invés de auxiliar de forma edificante em favor da renovação do que pode ser recuperado, bem como da transformação daquilo que se encontre ultrapassado.

O processo da evolução é inevitável. Todavia, a agressão, pela violência, contra as conquistas que devem ser alteradas, gera danos mais graves do que aqueles que se buscam corrigir. O lar, estruturado no amor e no respeito aos direitos dos seus membros, á a mola propulsionadora do progresso geral e da felicidade de cada um, como de todos em conjunto.

Para esse desiderato, são fixados compromissos de união antes do berço, estabelecendo-se diretrizes para a família, cujos membros se voltam a reunir com finalidades específicas de recuperação espiritual e de crescimento intelecto-moral, no rumo da perfeição relativa que todos alcançarão.

Esta é a finalidade primeira da reencarnação.

A precipitação e desgoverno das emoções respondem pela ruptura da responsabilidade assumida, levando muitos indivíduos ao naufrágio conjugal e á falência familiar por exclusiva responsabilidade deles mesmos.

Enquanto houver o sentimento de amor no coração do homem --- e ele sempre existirá, por ser manifestação de Deus ínsita na vida --- o matrimônio permanecerá, e a família continuará sendo a célula fundamental da sociedade.

Envidar esforços para a preservação dos valores morais, estabelecidos pela necessidade do progresso espiritual, é dever de todos que, unidos, contribuirão para uma vida melhor e uma humanidade mais feliz, na qual o bem será a resposta primeira de todas as aspirações.

....................................
Espírito: Benedita Fernandes
Médium: Divaldo Pereira Franco.
Livro: Antologia Espiritual. Espíritos Diversos. LEAL.
Título: Espiritismo e Lar
Enviado por: Edna☼ em 13 de Março de 2017, 19:07
Diante das dificuldades de convívio que envolvem muitas relações, e que podem levar ao  divórcio do casal, vale a pena relembrar a visão de um estudioso espírita sobre casamento, que classifica-os como:


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Martins Peralva, no capítulo 18, do livro Estudando a Mediunidade, apresenta uma classificação dos tipos de casamentos na Terra, ao analisar o capítulo "Em serviço espiritual" do livro Nos domínios da mediunidade, ditado pelo Espírito André Luiz, psicografado por Francisco Cândido Xavier.

Em razão disso, de uma forma didática classificou os casamentos em cinco tipos principais, assim compreendidos :


Acidentais: Encontro de almas inferiorizadas, por efeito de atração momentânea, sem qualquer ascendente espiritual.

Provacionais: Reencontro de almas, para reajustes necessários à evolução de ambos.

Sacrificais: Reencontro de alma iluminada com alma inferiorizada, com o objetivo de redimí-la.

Afins: Reencontro de corações amigos, para consolidação de afetos.

Transcendentes: Almas engrandecidas no Bem e que se buscam para realizações imortais.



Fonte:

Estudando a Mediunidade, Martins Peralva.

Compartilhado parte do texto para fins de estudo.
Título: Acerca do divórcio
Enviado por: Edna☼ em 13 de Março de 2017, 19:39
Citar
E chegaram-se a ele os fariseus, tentando-o e dizendo: É porventura lícito a um homem repudiar a sua mulher, por qualquer causa? Ele, respondendo, lhes disse: Não tendes lido que quem criou o homem, desde o princípio os fez macho e fêmea? E disse: Por isso, deixará o homem pai e mãe, e ajuntar-se-á com sua mulher, e serão dois numa só carne. Assim que já não são dois, mas uma só carne. Não separe logo o homem o que Deus ajuntou..." (Mateus, XIX: 3-9)

Ao observar a classificação dos casamentos feita por Martins Peralva, e perante a (eventual) dificuldade no relacionamento é sempre importante lembrar que:

"O casamento é uma instituição divina, e por meio do casamento Deus providencia corpos materiais para os Espíritos reencarnarem e progredirem, porque é pelo trabalho incessante que o Espírito realiza, nos círculos materiais e espirituais, a sua evolução. Ao lado das leis materiais, quase que instintivas, funcionam também puras e santificantes leis morais. Se as leis do instinto ligam os corpos, as leis morais ligam as almas..." (O Evangelho dos Humildes, Eliseu Rigonatti).

Pensemos nisso!

Abraços fraternos,

Edna



Título: Re: Não separar o que Deus juntou
Enviado por: Diegas em 14 de Março de 2017, 10:34
Maria e José, juntos, no programa messiânico de Jesus:


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RAMATÍS: — Maria era todo coração e pouco intelecto; um ser amorável, cujo sentimento se desenvolvera até à plenitude angélica. No entanto, ainda precisaria aprimorar a mente em encarnações futuras para completar o binômio "Razão-sentimento", que liberta definitivamente a alma do ciclo das encarnações humanas. Ademais, além de participar do programa messiânico de Jesus, ela também resolvera acolher sob o seu amor maternal algumas almas a que se ligara no passado, a fim de ajudá-las a melhorarem o seu padrão espiritual. Embora muito jovem e recém-casada, não se negou a criar os filhos do primeiro casamento de José, viúvo de Débora, e que trouxera para o novo lar cinco filhos menores: Matias, Cleofas, Eleazar, Jacó e Judas, estes dois últimos falecidos bem cedo. À exceção de Jesus, que era um missionário eleito, os demais filhos de José e Maria eram espíritos comprometidos por mútuas responsabilidades cármicas do passado, cuja existência em comum serviu para amenizar-lhes as obrigações espirituais recíprocas.

Maria era um espírito amoroso, terno e paciente, completamente liberta do personalismo tão próprio das almas primárias e sem se escravizar à ancestralidade da carne. Possuía virtudes excelsas oriundas do seu elevado grau espiritual. Cumpria seus deveres domésticos e se devotava heroicamente à criação da prole numerosa, tão despreocupada de sua própria ventura como o bom aluno que aceita as lições de alfabetização, mas não se escraviza à materialidade da escola. Oferecia de si toda ternura, paciência, resignação e humildade, sem quaisquer exigências pessoais.

Na época de Jesus, as escolas se multiplicavam em Jerusalém e mesmo pelas cidades adjacentes, pois ensinava-se em casa, nas ruas e nas sinagogas. No entanto o ensino se particularizava por uma imposição religiosa, pois tanto as crianças como os adultos, assim que aprendiam a ler devotavam-se a interpretar tudo o que se reportava à religião judaica. Eram estudos do culto, das concepções religiosas quanto às profecias e aos salmos, que transformavam cada alfabetizado em um novo cooperador intelectual e pessoal para o Templo. Sem dúvida, existiam estabelecimentos superiores, tais como as escolas rabínicas, na maioria filiadas à Escola de Hilel e preferida pelos fariseus, que ensinavam botânica, medicina, agricultura, higiene, direito, arquitetura etc. Mas as mulheres, afora o conhecimento primário para um entendimento razoável, eram destituídas de cultura geral. Maria, no entanto, era muitíssimo considerada em Nazaré, por ser exímia em bordados, costuras, tecelagem de tapetes de lã e cordas, cujo ofício aprendera durante sua estada entre as virgens de Sião, no Templo de Jerusalém. Ela aproveitava todos os instantes disponíveis para contribuir com suas prendas e confecções no orçamento da família, que era precário em face do trabalho modesto de José, na oficina de carpintaria.

Embora mulher meiga e amorosa, anjo exilado na Terra, em face de sua modesta cultura e falta de conhecimentos profundos da psicologia humana. Maria vivia o imediatismo das reações emotivas e sem as complexidades do intelecto. Mas era tão dadivosa ao próximo, assim como a fonte de água pura renova-se à medida que a esgotam; como a rosa que doa incondicionalmente o seu perfume, ela jamais se preocupava em saber qual o mecanismo que transforma o adubo do solo em fragrância tão odorante!
Título: Re: Não separar o que Deus juntou
Enviado por: Diegas em 14 de Março de 2017, 10:47
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RAMATíS: — Se o amor doado por uma só criatura fosse suficiente para eliminar as manifestações agressivas e desagradáveis do mundo tão primário, como é a Terra, é evidente que Jesus não seria crucificado, mas entusiasticamente consagrado pelos seus contemporâneos. Assim também acontecia com Maria, pois embora o seu amor intenso, incondicional e puro pudesse abrigar toda a família, os amigos, a vizinhança e até os estranhos, nem por isso pôde livrar-se de certa inveja, intriga, mesquinharia e ciúme de algumas almas de quilate inferior, que também viviam naquele mundículo de Nazaré.

E' certo que nas imediações do seu lar vivia o povo nazareno, tradicionalmente hospitaleiro, religioso e serviçal; mas esse ouro da alma ainda se achava impregnado da ganga inferior das paixões e dos interesses mesquinhos do mundo. A cupidez, inveja, falsidade e avareza e as murmurações malévolas às vezes também estendiam seus tentáculos, procurando turbar a paz do lar tranqüilo de Maria e José. Isso os obrigava a estóicas renúncias e abdicação do amor próprio, amenizando os mexericos da vizinhança, inquieta e rixenta. Só a ternura, a humildade, o amor e a paciência de Maria puderam transformar a intriga e o falatório tempestuoso de alguns, na brisa inofensiva da cordialidade. O seu sorriso angélico desfazia o ressentimento mais duro e abrandava o coração mais tirânico. Ela contornava com tal doçura os enredos de inveja e de ciúmes, a lhe rondarem o aconchego do lar amigo, que conseguia desarmar os intrigantes mais capciosos e renitentes.

A Galiléia não era um mundo de criaturas santificadas, só porque ali vivia Jesus, o Messias, pois não é o tipo de raça, a latitude geográfica ou a tradição histórica de um povo o que imprime na alma humana o selo da espiritualidade. Isso é obra da transformação, do apuro de sentimentos e da maturidade espiritual, efetuado no seio da alma, e não de acordo com a mudança do ambiente. A alma vil e inferior tanto é própria do povo chinês, polaco ou judeu, como do egípcio ou hindu! E o povo judeu, na época, a par de suas virtudes tradicionais e fé religiosa, era cúpido, fanático, avaro e rixento. Às vezes, o animal ou a ave inocente pagava com a vida o fim da discussão violenta que os seus donos empreendiam por "cima da cerca". Doutra feita, a rixa entre as crianças assumia tal dramaticidade, que mobilizava os pais para a troca de imprecações e insultos na defesa das tradições e dos preconceitos da família. E à semelhança do que ainda hoje acontece nos cortiços, às vezes, motivos sem importância terminavam em violento pugilato.

Felizmente, José, embora homem severo e intransigente, sabia amainar essas tempestades emotivas, aliando-se à meiguice de Maria para sobrepairar acima dos mexericos perigosos. Malgrado tratar-se de uma família numerosa, aquele lar pobre, mas honesto, sustentou o clima psíquico adequado à eclosão das forças espirituais do Menino-Luz. Isto evitou desperdício de tempo e qualquer desvio na marcha messiânica do Mestre Amado.

Enquanto José se assemelhava ao carvalho vigoroso, sob cuja sombra protetora Jesus pôde crescer tranqüilo, Maria era como o sândalo a perfumar o machado da maledicência, intriga e mesquinharia humana, que às vezes tentava ferir-lhe o lar.
Título: Re: Não separar o que Deus juntou
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 16 de Março de 2017, 13:15
O que Deus uniu
Por: Ramon de Andrade   

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"Aproximaram-se dele alguns fariseus que o experimentavam, dizendo: É lícito ao homem repudiar sua mulher por qualquer motivo? Respondeu-lhe Jesus: Não tendes lido que o Criador os fez desde o princípio homem e mulher, e que ordenou: 'Por isso deixará o homem pai e mãe, e unir-se-á a sua mulher; e serão os dois uma só carne?' Assim já não são mais dois, mas um só carne. Portanto o que Deus ajuntou, não o separe o homem. Responderam-lhe: Então por que mandou Moisés dar-lhe carta de divórcio e repudiá-la? Disse-lhes ele: Pela dureza de vossos corações Moisés vos permitiu repudiar vossas mulheres; mas não foi assim desde o princípio. Eu vos digo porém, que qualquer que repudiar sua mulher, a não ser por causa de infidelidade, e casar com outra, comete adultério; e o que casar com a repudiada também comete adultério. Disseram-lhe os discípulos: Se tal é a condição do homem relativamente à mulher, não convém casar. Ele, porém, lhes disse: Nem todos podem aceitar esta palavra, mas somente aqueles a quem é dado. Porque há eunucos que nasceram assim; e há eunucos que pelos homens foram feitos assim; e outros há que a si mesmos se fizeram eunucos por causa do reino dos céus. Quem pode aceitar isso, aceite-o."
Mateus, capítulo 19

 
Um famoso professor se  encontrou com um grupo de jovens que falava contra o  casamento.

Argumentavam que o que  mantém um casal é o romantismo e que é preferível acabar com a relação quando  este se apaga, em vez de se submeter à triste monotonia do  matrimônio.

O mestre disse que  respeitava sua opinião, mas lhes contou a seguinte história:

Meus pais viveram 55 anos casados. Numa manhã minha mãe descia a escada para preparar o café e  sofreu um enfarto.

Meu pai correu até ela,  levantou-a como pôde e quase se arrastando, a levou até à  caminhonete. Dirigiu a toda  velocidade até o hospital, mas quando chegou, infelizmente ela já estava  morta.

Durante o Velório, meu  pai não falou. Ficava o tempo todo  olhando para o nada. Quase não chorou. 

Eu e meus irmãos  tentamos, em vão, quebrar a nostalgia recordando momentos  engraçados.

Na hora do  sepultamento, papai, já mais calmo, passou a mão sobre o  caixão e falou com sentida emoção:

Meus filhos, foram  55 bons anos... Ninguém pode falar do  amor verdadeiro se não tem idéia do que é o compartilhar a vida com alguém por  tanto tempo.

Fez uma pausa,  enxugou as lágrimas e continuou:

Ela e eu tivemos juntos muitas crises. Mudei de emprego,  renovamos toda a mobília quando vendemos a casa e mudamos de  cidade.

Compartilhamos a  alegria de ver nossos filhos concluírem a faculdade, choramos um ao lado do  outro quando entes queridos partiam.

Oramos juntos na sala  de espera de alguns hospitais, nos apoiamos na hora da dor, trocamos abraços em  cada Natal, e perdoamos nossos erros...

Filhos, agora ela se  foi e eu estou contente. E vocês sabem por quê?

Porque ela se foi antes  de mim e não teve que viver a agonia e a dor de me enterrar, de ficar só depois  da minha partida. Sou eu que vou passar por essa situação, e agradeço a Deus por isso. Eu a amo tanto que não  gostaria que sofresse assim...

Quando meu pai  terminou de falar, meus irmão e eu estávamos com os rostos cobertos de lágrimas. Nós o abraçamos e ele nos consolava, dizendo:

Está tudo bem, meus  filhos, podemos ir para casa.

E por fim o professor  concluiu:

Naquele dia entendi o que é o verdadeiro amor. Está muito além do romantismo e do erotismo, mas se vincula ao trabalho e ao  cuidado a que se dedicam duas pessoas realmente  comprometidas.

Quando o mestre  terminou de falar, os jovens universitários não puderam argumentar. Pois esse tipo de amor era algo que não conheciam.

O verdadeiro AMOR se  revela nos pequenos gestos, no dia a dia e por  todos os dias.

O verdadeiro AMOR não é  egoísta, nem é presunçoso, nem alimenta o desejo de posse sobre a pessoa amada.

QUEM CAMINHA SOZINHO PODE  ATÉ CHEGAR MAIS RÁPIDO, MAS AQUELE QUE VAI  ACOMPANHADO, COM CERTEZA, CHEGA MAIS  LONGE.
Título: Re: Não separar o que Deus juntou
Enviado por: wenderpinguim em 16 de Março de 2017, 19:00
olá a todos
o matrimônio inicio da formação familiar dentre muitas experiências vividas aqui neste mundo de provas e expiações acredito ser muito importante para nossa evolução pois temos que aprender diariamente o convívio com o diferente e muitas vezes o oposto de nós , nos é permitido este convívio em muitas vezes como expiação do passado mas sempre nos aproximando do amor verdadeiro que é amar o outro além de nós mesmo, por isso é preciso força , aceitação e resignação para cumprir esta tarefa que nos trará enormes benefícios , por isso não separar o que DEUS juntou,

Abraços, muita paz e luz a todos!
Título: Re: Não separar o que Deus juntou
Enviado por: Gustavo Rettenmaier em 19 de Março de 2017, 22:20
"Amai-vos uns aos outros como eu vos amei, e todos saberão que sois meus discípulos".
Não existe melhor oportunidade de exercitar esse mandamento do que um casamento, sempre existem diferenças, questões pontuais de divergência, onde se pode exercitar o verdadeiro amor.
Título: Re: Não separar o que Deus juntou
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 20 de Março de 2017, 13:26
Violência Física e Psicológica no Casamento

Reflexões sobre as agressões no matrimônio

Você já se questionou se as discussões no seu casamento são saudáveis?

É importante diferenciar a violência de divergências comuns a todos os relacionamentos em que existem discussões agressivas. Não podemos esquecer que discórdias no casal são comuns, no entanto é necessário distingui-las da situação de violência. A diferença não está apenas nos insultos ou nos tapas mas também na maneira como a relação é formatada.

A psiquiatra e psicanalista Marie-France Hirigoyen (2005) aponta para uma “assimetria” presente nas relações violentas; esta característica pode ser notada quando uma das partes trata o outro como objeto do seu desejo. Um dos membros vê o outro como um ser que está disponível para a satisfação de suas necessidades, não o respeitando nem o considerando como ativo na relação. Nas colocações divergentes comuns a todos os casais, a identidade de ambos é preservada e há respeito pelo parceiro. Em grande parte dos casos, na violência conjugal o objetivo é exercer domínio e “acabar” com o outro. Neste tipo de relação, a alteridade não é aceita, existindo apenas o desejo de destruir o parceiro e de reafirmar a sua condição de superioridade (p.14)

No seu relacionamento há espaço para que cada um se coloque sem receio e para conversas respeitosas? A agressividade, que pode possuir um caráter sadio e natural, algumas vezes acaba tomando o espaço do diálogo e passa a ser doentia e prejudicial para ambas as partes. Dessa forma, a agressão como forma de exercer controle sobre o outro se torna a única maneira possível de diálogo.

É muito importante que você reflita sobre como está vivenciando a violência no lar. Esta pode se revelar de diversas maneiras, por exemplo, através da violência sexual (mesmo dentro do casamento), controle financeiro, assédio moral, entre outras. Todas estas formas de agressão, no entanto, estão vinculadas a violência psicológica. O parceiro que sente as agressões pode se deparar com uma situação ameaçadora, se ver “sem saída” diante de um parceiro que exerce controle e domínio.

Muitas pessoas não têm condições de refletir sozinhas sobre os dolorosos fatores de encontrar-se em uma relação violenta e atribuem a responsabilidade a fatores externos, como uso de álcool ou estresse por questões alheias ao casamento. Sim, estes fatores podem ser agravantes de alguma situação de conflito que já esteja ocorrendo no ambiente doméstico. Isto é, podemos compreender que o desejo do cônjuge em utilizar as agressões é potencializado por estas questões, que não são a única fonte da desarmonia entre o casal.

A violência pode retirar dos parceiros a capacidade de pensar sobre a própria condição dentro da relação. A partir do momento que o lugar de cada membro está rigidamente estabelecido, torna-se difícil o remanejamento da dinâmica conjugal. É neste sentido que a psicoterapia, individual ou de casal, se propõe a ajudar. Compreender as razões pelas quais os cônjuges estabeleceram uma relação desarmônica, entender as funções, papéis e a contribuição de cada um para a condição atual do casamento, permite que experiências sejam resignificadas e novas perspectivas sejam traçadas.

Autora: Natália Anauate (Psicóloga CRP 06/103768)
Referências bibliográficas: Hirigoyen, Marie-France (2005). A Violência no Casal. Bertrand Brasil: Rio de Janeiro.
Título: Re: Não separar o que Deus juntou
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 20 de Março de 2017, 13:44
A violência psicológica contra mulheres é um problema naturalizado

Os resultados de uma recente pesquisa do Instituto Avon sobre violência doméstica vêm rodando pela internet – mas entre tantos dados pertinentes e preocupantes, há um ponto especial que geralmente passa batido: os abusos psicológicos, verbais e emocionais. Segundo os resultados, uma porcentagem assustadora de 56% dos homens entrevistados admitiram ter tido atitudes violentas contra mulheres. Algumas formas de violência citadas incluem xingamentos, humilhações públicas, ameaças verbais, empurrões e proibições de sair de casa em algum momento, sendo os xingamentos os mais prevalentes.

A Psicologia trabalha amplamente com a questão dos abusos verbais. A quantidade de publicações relacionadas ao tema é vasta e a maioria dos profissionais concordam que xingamentos dentro de relacionamentos românticos são sinal de péssimas consequências. Grande parte das demandas clínicas e de saúde mental envolvem violência psicóloga, crises de ciúme e o podamento da liberdade do parceiro. É importante perceber que essas demandas são mais frequentes entre as mulheres e as estatísticas só servem para confirmar o recorte de gênero.

O fato de que as mulheres são as maiores vítimas dos abusos psicológicos chama atenção para o machismo da sociedade (Flickr/Christopher Michel)
Mas não é necessário ser profissional ou estudante de Psicologia para compreender as consequências catastróficas dos abusos verbais. Casos de violência física e feminicídio muito frequentemente começam com xingamentos, manipulações e chantagens, formas de violência que não aparentam ser tão graves no começo, mas que pioram gradativamente. As narrativas são muito semelhantes e o agressor que esmurrou ou espancou sempre começa com comentários depreciativos, muitas vezes devido a crises de ciúmes.

No entanto, as mortes e hematomas não são as únicas consequências que os abusos verbais precedem, pois a violência psicológica e emocional causa outros problemas gravíssimos. Um comentário depreciativo é o suficiente para agredir a autoestima e a percepção de valor próprio do alvo, várias vezes minando sua vontade de viver. Gestos e palavras agressivas transformam uma mulher em um rascunho de ser humano, perdida na dependência emocional e sem forças para enxergar uma realidade melhor. Os termos e chantagens são tão pesados que fazem com que a vítima não consiga entender que merece um relacionamento feliz, já que aquele contexto de sofrimento se torna o padrão, a única opção.


Um dos fatores que dificultam solucionar os relacionamentos abusivos é que os abusos são, quase sempre, encarados como coisas normais dentro de um casamento, que “fazem parte da vida”. O discurso conformista é praticamente unânime. No entanto, permitir que a sociedade continue encarando brigas violentas, físicas ou verbais, como coisas indissociáveis dos relacionamentos, é uma colaboração com os intermináveis crimes misóginos. Se todos os comportamentos humanos acontecem devido a influências de suas raízes culturais, é óbvio que o modo como as pessoas lidam com os problemas no campo emocional é a própria base da violência doméstica. Não adianta tentar impedir os espancamentos e estupros, mas continuar se omitindo quando um casal discute e o homem dispara uma bomba de termos chulos, palavrões e críticas cruéis contra sua esposa.

O fato de que as mulheres são as maiores vítimas dos abusos psicológicos chama atenção para o machismo da sociedade. São as mulheres que crescem sob demandas violentas, sendo pressionadas a suportar toda espécie de xingamento, controle sobre seus corpos e podamento de suas liberdades. Os axiomas de sensibilidade, compreensão e cuidado continuam empurrando o sexo feminino para uma história única, sem variações significativas: ao invés de serem responsabilizados por seus atos, os homens problemáticos precisam de cuidado e compreensão, pois considera-se que somente uma mulher amorosa pode ser capaz de transformá-lo. Até parece um conto de fadas, só que nesses casos é a mulher que precisa ser maternal e se anular enquanto sujeito para salvar o homem de seus comportamentos impulsivos e desonestos.

Para além das idealizações, a resignação em um relacionamento infeliz é frequentemente exigida das mulheres. É por isso que quando são envolvidas questões de classe e religião, a manutenção do status econômico e a reputação na comunidade espiritual funcionam como correntes que mantêm as mulheres presas aos abusos – afinal, “o amor tudo suporta, tudo espera”. Tal constatação é extremamente preocupante, pois a sociedade pressiona e coage o gênero feminino a permanecer com maridos e namorados abusivos, mesmo que reconheçam que o homem está passando dos limites; a expectativa é de que com paciência tudo se resolva eventualmente.

Relacionar o amor com a tolerância ao machismo adoece os relacionamentos, tornando-os venenosos e perigosos. A sociedade induz as mulheres a se transformarem em mártires, e sob a pena de serem consideradas infiéis, vadias e negligentes, muitas delas se conformam com os relacionamentos abusivos. Não é à toa que se espera a desistência da autonomia por parte da mulher quando a mesma se diz apaixonada. Além disso, o sexismo ligado aos papéis de gênero contribui fortemente na manutenção dos abusos: os discursos culturais giram em torno da “irracionalidade” feminina e de como estão supostamente exagerando quando reclamam de atitudes dos parceiros. Desse modo, é fácil invalidar as denuncias das mulheres, pois se são cegas emocionalmente e sempre reclamam de tudo, nada garante que o homem está de fato sendo violento. É por isso que testes como este são tão importantes, sendo uma ferramenta acessível para que mais mulheres em relacionamentos possam pensar se sofrem risco de abuso.

É preciso alertar homens e mulheres sobre o que configura abuso emocional e psicológico e controle sobre a outra parte, como quando o parceiro passa a se incomodar com as roupas que a mulher usa, suas amizades ou locais que frequenta. Se um homem chega ao ponto de impedir a saída da mulher e o contato com outras pessoas, é porque ele está sendo abusivo e machista, tratando-a como um objeto sob seu controle. Lamentavelmente, a sociedade custa a entender isso e levanta muitos argumentos para justificar tais atitudes. As pessoas se acostumaram com o cerceamento, principalmente quando o sexo feminino é que está sendo cerceado.

Muitas mulheres não sabem que estão sendo vitimadas e permanecem condenadas a um cotidiano de violência. Por isso, é importante nos politizarmos e passarmos a nos posicionar a respeito da violência de gênero. Conscientizar a população sobre a violência psicológica e emocional deve ser prioridade, combatendo a menor manifestação de abuso contra qualquer mulher.

*O teste foi retirado da página Machismo Nosso de Cada Dia no Facebook. Outros testes similares são distribuídos em cartilhas do governo em todos os estados do Brasil.
Título: Re: Não separar o que Deus juntou
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 20 de Março de 2017, 14:06
O adultério virtual como violação dos deveres conjugais: problematização

1 INTRODUÇÃO
A noção de que o homem é um ser social vem desde os primórdios, como acentua Aristóteles. Os seres humanos possuem a necessidade de constituir família com outro da mesma espécie. Essa constituição familiar para que possa estabelecer direitos perante a justiça, deve ser efetuada na forma da lei por representante competente, salvo as exceções previstas na legislação pátria. Devido à evolução dos pensamentos da sociedade e a igualdade entre homens e mulheres veemente defendidos em nossa Lei Maior, os homens e mulheres passaram a possuir os mesmos direitos e deveres na vida conjugal.

A crise que se tem atualmente com relação a instituição do casamento se relaciona com uma série de fatores, moral, mudanças de comportamento, destrato ao cônjuge dentre outros tantos que avassalam com a vida a dois. O ordenamento jurídico não poderia ficar omisso com relação a assunto tão relevante, assim se abandonou os antigos preconceitos que se tinham no que tange à separação, conceitos esses que impunham à permanência do casamento de maneira explícita.

Toda essa mudança pode ser considerada de maneira única com o desenvolvimento da ótica da jurídico-social com relação ao casamento, passando a analisar os elementos subjetivos como fidelidade, companheirismo, dentre outros que se ausentes desconfiguram a relação matrimonial. Nesse diapasão, implantou-se uma nova visão e se por acaso algum dos cônjuges vier a cometer falta grave com relação aos deveres matrimoniais, que possa dificultar ou corromper a convivência em harmonia do casal é cabível o pedido de separação judicial.

As infrações dos deveres conjugais geralmente dão ensejo à separação judicial litigiosa, principalmente em se tratando de adultério. O adultério trata-se do descumprimento do dever de fidelidade entre os cônjuges, considerado como um dos pilares da relação matrimonial. Como a evolução tecnológica vive em crescimento constante com o aumento do número de usuários da Rede Mundial de Computadores (Internet), vão surgindo novas formas de relacionamentos virtuais que podem dar causa a violação dos deveres matrimoniais.

2 VIOLAÇÃO GRAVE DOS DEVERES DO CASAMENTO   

A legislação pátria que regulamenta o casamento impõe determinados deveres recíprocos para os cônjuges, sendo que estes deveres estão elencados no art. 1.556 do Código Civil. Apesar de ser notório a imensa gama de direitos que o casamento sobrepõe para o casal, à lei apenas se ateve aos deveres mais importantes, ou seja, aqueles que são necessários para uma estabilidade conjugal. A infração de algum desses deveres gera o direito do pedido de separação judicial na sua forma litigiosa, ou seja, em sua forma unilateral.1

“SEPARAÇÃO JUDICIAL CONTENCIOSA – ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO A UM DOS DEVERES DO CASAMENTO – INOCORRÊNCIA – TESTEMUNHAS QUE COMFIRMAM A BOA CONDUTA DO CÔNJUGE VARÃO – IMPROCEDÊNCIA DO PEDIDO QUE SE IMPÕE – RECURSO CONHECIDO E PROVIDO – Quando um dos cônjuges requerer a separação judicial com base na conduta desonrosa do outro, ou por este ter violado os deveres do casamento, cabe-lhe o ônus da prova dessa transgressão, sob pena de ver seu pedido julgado improcedente”. (Ap. Cível nº 98.003436-1, da Capital, Relator Des. Eder Graf). (TJSC – AC 00.023057-0 – 2ª C.Cív. – Rel. Des. Vanderlei Romer – J. 08.02.2001)
O rol dos deveres matrimoniais protegidos pela legislação civil vigente, constitui-se da exigência do cumprimento dos seguintes deveres: fidelidade recíproca; vida em comum no domicílio conjugal; mútua assistência; sustento, guarda e educação dos filhos; respeito e consideração mútuos. De acordo com o art. 1573 do Código Civil existem determinados motivos que podem caracterizar a impossibilidade da convivência pacífica entre o casal, sendo estes:

Adultério;

Tentativa de morte;
Sevícia ou injúria grave;
Abandono voluntário do lar conjugal, durante um ano contínuo;
Condenação por crime infamante;
 Conduta desonrosa.         
É necessário ressaltar que de acordo com o art. 1.573, parágrafo único do Código Civil há possibilidade do magistrado observar outros fatores que impossibilite a vida harmônica entre o casal, o que demonstra não ser este rol taxativo.

2.1 Infidelidade

Trata-se de uma violação grave dos deveres do casamento. De acordo com a determinação legal o casamento constitui uma relação de caráter monogâmico, ou seja, relação em que à pessoa deve fidelidade amorosa a seu cônjuge por toda a vida, ou durante a relação matrimonial em uma análise mais atual. Em decorrência dessa característica particular do casamento, pode-se dizer que “O adultério é a mais grave das violações ao dever matrimonial de fidelidade”.2

Caso o outro cônjuge aceite a prática do adultério do nubente, se descaracteriza a gravidade da falta cometida, não influenciando na insuportabilidade da vida em comum que a lei determina como um pressuposto para a separação, tendo em vista a preferência que a lei atribui a continuidade familiar. Em decorrência disso, é que se faz necessária à apreciação de caso a caso pelo magistrado, sempre primando pela conciliação dos nubentes. “Entende-se por adultério a prática voluntária de relações sexuais com pessoa pertencente ao sexo oposto que não seja o cônjuge”.3

Não obstante o adultério convencional, existem também outras formas de infidelidade como, por exemplo, o quase adultério, que se expressa pela divulgação de atos que sirvam de identificador para uma aproximação amorosa entre um dos cônjuges com uma terceira pessoa, provocando um abalo na estrutura familiar. O adultério era também crime previsto no art. 240 do Código Penal. A lei deixou ainda de se referir ao perdão e ao concurso necessário para o adultério, como fazia o Código Civil (art.319), que retirava o motivo para o desquite, e agiu com acerto. Obviamente, devido aos costumes da sociedade e a adaptação da lei as aspirações sociais, ocorreu a abolitio criminis com relação ao adultério, sendo esse apenas uma violação grave aos deveres matrimoniais, fato ensejador da seperação judicial litigiosa, ou seja, unilateral. Fator ensejador até mesmo de dano moral, conforme posicionamento defendido por Drª. Sônia Maria Teixeira da Silva.

Título: Re: Não separar o que Deus juntou
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 20 de Março de 2017, 14:07
3 INFIDELIDADE VIRTUAL

Atualmente vivencia-se uma crescente evolução tecnológica, especialmente no que tange áreas relacionadas aos meios de comunicações, com uma maior e mais eficaz transmissão de informações entre pessoas nos mais longínquos locais do globo. Todo esse avanço tecnológico dispensa a presença física entre os interlocutores para que se conclua determinada negociação, pois as informações são praticamente transferidas em tempo real.

Todo esse avanço tecnológico revolucionou fundamentalmente toda a esfera jurídico-social, vindo a afetar também as relações matrimoniais e amorosas, já que é possível uma pessoa se relacionar com outra a milhares de quilômetros de distância. Este tipo de relacionamento amoroso é denominado como o relacionamento virtual.

Nessa forma de relacionamento fictício, em sua grande maioria, as pessoas participantes não se conhecem pessoalmente, ou/e talvez jamais se conheçam. Essa dificuldade de encontro das partes no relacionamento virtual prima na confidencialidade da identidade de cada um, sendo permitido que a pessoa utilize um nome falso ou apelido na rede. Esse nome falso garante a possibilidade de manter um relacionamento com outra pessoa sem que nem mesmo saiba o nome de seu companheiro de relacionamento.

A partir dessa nova perspectiva de romance nasce um problema para os juristas, já que muitas pessoas casadas judicialmente procuram essa nova forma de relacionamento para a prática do chamado sexo virtual. Não obstante, a prática de tal relação sexual levanta questões complicadas acerca da possibilidade da prática de adultério pela rede. Praticamente toda a doutrina defende que a prática de adultério só pode ocorrer com a efetivação de uma conjunção carnal, ou seja, a prática efetiva de sexo, posicionamento estabelecido deste a antiga tipificação penal do adultério. Mas não ignoram a gravidade e a ofensa à honra do outro cônjuge e aos deveres matrimoniais, tendo em vista a impossibilidade de solução ao caso concreto a ser aplicada pelo magistrado (princípio da inafastabilidade).

O adultério é a infração ao dever recíproco de fidelidade, desde que haja voluntariedade da ação e consumação da cópula carnal propriamente dita. (...) não se caracterizam como tal pela ausência do elemento objetivo da consumação da conjunção carnal: correspondência epistolar, cópula  frustrada, inseminação artificial,  que podem dar origem a uma infidelidade moral, equivalente à injúria grave, ao outro cônjuge.4

 [...] o adultério, que é difícil de provar, porque resulta da conjunção carnal entre duas pessoas do sexo diferente, praticado em geral às escondidas. (...) os atos pré-sexuais ou preparatórios não deixam de ofender o dever de fidelidade, mas caracterizam-se como injúria grave ou quase-adultério.5
O adultério é um dos pilares mestres para que um cônjuge possa pedir a separação judicial litigiosa, consiste em uma grave violação nos deveres do casamento, (art. 231 do Código Civil). Entretanto, como já foi firmado, o juiz poderá observar outras violações de deveres matrimoniais que possam ofender a honra e a continuidade da relação matrimonial, salvo se a parte ofendida pelo descumprimento do dever matrimonial perdoar o outra, pois como já observado, se descaracteriza a possibilidade da alegação relacionada ao descumprimento.

Diante das afirmativas dos doutrinadores que foram expostos anteriormente, os atos de infidelidade onde não se tem a conjunção carnal, não constituem adultério, mas sim uma violação dos deveres do casamento e, dependendo da sua gravidade, será avaliada caso a caso.

Entretanto, existem doutrinadores renomados como Magalhães Noronha e Nelson Hungria que atribuíam ao adultério uma maior amplitude, pois consideravam também como o mesmo as demais formas de condutas típicas sexuais equivalentes na forma fisiológica e sucundânea, como por exemplo, sexo anal e oral. Porém, é pacífica no meio jurídico a afirmativa de que o adultério somente pode ser praticado através da cópula.

Com relação aos encontros sexuais pela Internet, apenas fazem parte da imaginação de cada um, podendo ser considerado como um universo paralelo. É impossível que as pessoas interessadas atinjam o objetivo maior que é o sexo. É justamente essa impossibilidade de meios que descaracteriza totalmente a conduta por completo, assemelhando esta, a outras condutas como: tele-sexo, filmes e revistas pornográficas, que satisfazem determinados desejos sexuais, mas não são considerados como adultério. Sendo assim, o que é o ponto crucial para a descaracterização do sexo pela Internet como adultério é a impossibilidade de se encontrar o co-réu, haja vista que uma pessoa não comete adultério sozinho, já que se trata de uma contravenção dos deveres matrimoniais que exige a bilateralidade, requisitando a participação de duas ou mais pessoas para sua realização.

A materialidade da forma transmitida pelo computador não pode ser um meio comprometedor, para que assim comprove o flagrante delito, já que o co-réu poderá em muitas situações se encontrar a milhares de quilômetros de distância, ou em muitas circunstâncias pode nem ser homem ou mulher.
Mesmo com a autorização do pedido de dissolução da sociedade conjugal prevista na Lei 6.515/77, por intermédio da conduta desonrosa que possa acarretar a convivência em comum insuportável, em muitas circunstâncias não se caracteriza o sexo virtual como uma injúria grave, sendo essa consideração uma atribuição subjetiva e particular do magistrado. É difícil que se caracterize como conduta desonrosa tal ato virtual, pois a prova obtida é muito imprecisa.

Título: Re: Não separar o que Deus juntou
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 20 de Março de 2017, 14:07
3.1 A possibilidade de caracterização do adultério virtual

Apesar da certeza jurídica de que os operadores do Direito têm com relação a este tema, duas questões se sobrepõem perante o mundo jurídico: será possível o sexo pela Internet praticado por pessoa casada ser considerado como um fundamento para a impetração com um pedido de separação judicial com culpa, de acordo com a terminologia do art. 1.566, I e 1.573, I, do novo Código Civil?

Mediante a existência de uma possibilidade do envolvimento de pessoas casadas através de programas de computador com conteúdo voltado para o lado erótico-afetivo, pode-se caracterizar a infidelidade por contatos virtuais e imaginários com outras pessoas? Não da para caracterizar o adultério, mas para a maioria da corrente doutrinaria se caracterizaria uma conduta desonrosa por parte do réu (cônjuge).6
Para responder a questão suscitada anteriormente é necessário que se faça um estudo mais aprofundado acerca do romance virtual.

Em tempos recentes foi elaborado um estudo na Universidade da Flórida, nos Estados Unidos, com as pessoas que afirmam ter tido pelo menos uma vez, algum caso pela rede. Das pessoas que foram entrevistadas cerca de 83% afirmam que não consideram como adultério a prática de sexo virtual com uma pessoa distinta do cônjuge. Contudo, 30% das pessoas deste mesmo grupo tiveram romances virtuais que acabaram se transmudando em romances normais. Esses dados demonstram que quase um terço dessas formas de relacionamento acabaram por se transferir para o mundo real.7
Sendo assim, por intermédio do sexo virtual pode ocorrer a destruição do ambiente familiar, já que essa forma de relacionamento que a princípio pode parecer uma brincadeira sem conseqüências, na maioria das situações extrapola os limites cibernéticos para se transformar em namoros reais. Esses fatos expostos sem sombra de dúvida podem ser considerados como uma forma agravante para a discussão, tendo em vista a seriedade que rodeia os relacionamentos cibernéticos em que a intimidade dos “namorados” é em muitas situações muito superior aos namoros convencionais.
Em face de uma não autenticidade das provas sobrepuja uma dificuldade para a caracterização da conduta desonrosa, pois se cogita a hipótese da invasão de privacidade nas operações de resgate de mensagens realizadas pelos peritos. A internet oferece para os usuários uma forma de privacidade relativa, haja vista a possibilidade de resgate através do acesso a memória do computador, ou no provedor de acesso a rede. Data vênia, é lógico que se adote a ausência da caracterização da invasão de privacidade, tendo em vista que o usuário não tomou as devidas providências para a preservação de sua intimidade, mesmo tal posicionamento não sendo pacífico na doutrina.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

É notório então que a infidelidade virtual pode ser considerada como um elemento que fundamenta o pedido de separação litigiosa, podendo ainda gerar indenização por danos morais e materiais, desde que haja a comprovação de que a vítima não contribuiu para a prática de tal ato e que houve efetivo prejuízo moral e material. Deve-se ainda afirmar que não há a configuração de adultério com a pratica do sexo virtual, pois as duas pessoas não efetuaram a conjunção carnal, podendo apenas se configurar como uma forma de infidelidade moral, servindo de elemento basilar para uma fundamentação em injúria grave, praticada pelo cônjuge da vítima. Entretanto, é certo que as provas apresentadas através dos meios possíveis carecem de autenticidade e idoneidade para a comprovação dos fatos.
Enfim, o que podemos afirmar é que aguardamos ansiosamente uma solução para esse dilema, através da inteligência de nossos juristas e da força que exerce as jurisprudências no cenário jurídico brasileiro.
 
REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS
DINIZ, Maria Helena. Curso de direito civil brasileiro. São Paulo: Saraiva, 2002.
GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito de Família.  São Paulo: Saraiva, 2003.
VENOSA, Silvio de Salvo. Direito civil:direito de família. São Paulo: Atlas, 2007.
1 GOLÇALVES, Carlos Roberto. Direito de Família.  São Paulo: Saraiva, 2003. p. 88/122.
2 VENOSA, Silvio de Salvo. Direito civil:direito de família. São Paulo: Atlas, 2007. p. 231/232.
3 VENOSA, 2007, p. 232.
4 DINIZ, Maria Helena. Curso de direito civil brasileiro. São Paulo: Saraiva, 2002. 228/229.
5 GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito de Família.  São Paulo: Saraiva, 2003. p. 62.
6 VENOSA, Silvio de Salvo. Direito civil:direito de família. São Paulo: Atlas, 2007. p. 231/236
7 Fonte: Universidade da Florida, EUA.


Juliano Silva do Lago
Estudante de Direito cursando atualmente o 4° ano;
Estagiário em escritório de advocacia.
Inserido em 21/02/2008
Parte integrante da Edição no 257
Código da publicação: 1916
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Título: Re: Não separar o que Deus juntou
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 01 de Abril de 2017, 00:37
O valor das pequenas coisas

Em cada indelicadeza que pratico
assassino um pouco aqueles que me amam

Em cada desatenção não sou nem educado, nem cristão

Em cada olhar de desprezo, alguém termina magoado

Em cada gesto de impaciência, dou uma bofetada invisível
naqueles que convivem ao meu lado
Em cada ressentimento, revelo meu amor próprio ferido

Em cada palavra áspera que falo, perco uns pontinhos na contagem

Em cada omissão que pratico, desprezo os conselhos do Mestre,

Em cada oração que eu não faço, me perco

Em cada fofoca que me envolvo, perco a oportunidade do silêncio

Porem para tudo há o reverso, pois
Em cada pranto que enxugo, eu torno alguém mais feliz

Em cada ato de fé que pratico, eu canto um hino à vida
Em cada sorriso que espalho, eu planto uma esperança

Em cada espinho que arranco, eu curo uma ferida
Em cada semente que espalho colho um pouco de Amor...

Cabe a nós mesmos saber que destino queremos dar
a nossa vida e ao nosso coração
Pois em cada passo certo que tomo, um Anjo diz Amém.....

..................................................
( Do livro Conversa com o Travesseiro )
- texto de Roque Schneider –
Título: Re: Não separar o que Deus juntou
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 01 de Abril de 2017, 00:38
Suporta

Nos momentos de crise,
Não te abatas.
Escuta.
Por nada te revoltes,
Nem te amedrontes.
Ora.
Suporta a provação.
Não reclames.
Aceita.
Não grites com ninguém.
Nem firas.
Abençoa.
Lance de sofrimento
É o ensejo da fé.
Silencia.
Deus sabe
O instante de intervir.

................................
Da obra: Caminhos.
Francisco Cândido Xavier.
Ditado pelo Espírito Emmanuel.
Título: Re: Não separar o que Deus juntou
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 01 de Abril de 2017, 00:43
Barbara Penna ...
Foi queimada e espancada pelo ex-namorado.


https://www.youtube.com/watch?v=iuYcEUbnLUE

Publicado em 30 de mar de 2017

Barbara Penna foi queimada e espancada pelo ex-namorado, foi jogada do terceiro andar de um prédio. Teve seus dois filhos mortos por asfixia. Já passou por mais de 220 cirurgias. Hoje, luta por igualdade de gênero e é um dos maiores exemplos no combate à violência contra a mulher. Faça como ela e venha junto nesta causa.
Título: Re: Não separar o que Deus juntou
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 06 de Abril de 2017, 14:54
Vida a Dois (Casal Perfeito)
Por:
Jamiro dos Santos Filho


É possível encontrar na Terra um casal perfeito?
Um par feliz , em que cada um, com as suas possibilidades ,
complete o outro sem exigências , sem ferir e magoar?
Podemos dizer que um casamento perfeito pressupõe a união de duas pessoas perfeitas. Porém, isso é impossível aqui em nosso mundo ,
ainda tão atrasado espiritualmente .
No entanto, não obstante os defeitos que ainda predominam em nossa sociedade, sabemos de casais que vivem muito bem e gozam de uma relativa felicidade ,
já que a felicidade total só conheceremos em outro Mundo , conforme nos disse o Cristo.
Esses casais felizes são pessoas comuns que lutam com dificuldades profissionais , familiares , e até mesmo íntimas ,porém, possuem o firme propósito de alcançarem a paz junto ao cônjuge e com as pessoas que os rodeiam.
Então, é possível encontrar a harmonia no casamento ?
Sim. É possível .
Pelo menos alguns itens importantes para o êxito da união conjugal foram destacados ,
nas páginas deste volume despretensioso.
Acrescentemos ainda que o começo de tudo é nos conscientizarmos de que , assim como eliminamos o amor, também o cultivamos .
Devemos empreender esforços rumo a essa plantação que será cultivada dentro de nos, em nosso coração, todos os dias, com carinho e atenção,
respeito e tolerância.
A harmonia conjugal é obra de compreensão e respeito mútuo.
O casal feliz é aquele que encontra tempo par amar.
As horas divididas a dois somam muito, na estabilidade emocional de ambos.
Os cônjuges que não têm tempo um par o outro viverão em mundos diferentes , particulares , e quase nada realizarão juntos.
Quando isso ocorre , depois de alguns anos serão dois estranhos que vivem sob o mesmo teto, unidos apenas por um papel, sem que se amem verdadeiramente.
Matrimônio feliz é aquele que tem por base o amor e a amizade sincera.
Outro fator importante para a felicidade conjugal é a cumplicidade . Esse sentimento deverá alcançar todas as situações da vida .
Isto significa gostar do jeito do outro, admirar suas realizações ,
vibrar com seus afetos , perdoar seus erros , empenhar-se em seus projetos , sofrer com as suas dores , repartir as derrotas , enfim , serem unidos de verdade. Quando o casal se une de verdade , as vitórias acontecem mais facilmente . E mesmo que haja derrotas, as lágrimas derramadas serão motivos para leva-los a encarar a oportunidade sem culpas e acusações.
Casamento não é constituído por adversários , mas se isso ocorrer , a melhor forma de recuperar a união é tornar o outro nosso amigo parceiro.
Não devemos , no casamento , lutar a fim de impor somente a nossa vontade ,para satisfação do nosso ego.
Ao contrário de vencer, é preferível e os dois saiam vencedores.
Precisamos , também, descobrir a alegria de doar e não somente receber.
E se nos casamos é para fazer o outro feliz , também.
Casal feliz é aquele que se doa mutuamente .
Enfim, podemos enumerar vários outros ingredientes ,para que obtenhamos a felicidade conjugal, mas certamente com amor acharemos nossos próprios caminhos e conseguiremos êxito em nossa convivência.
Basicamente saibamos que, informados de todas essas virtudes ,
nada obteremos sem que elas sejam colocadas em prática ,
incansavelmente , até os últimos dias de nossa convivência a dois.
Devemos acreditar , sempre , que poderemos ser felizes.
É com essa finalidade que aqui estamos .
E seremos , se assim o quisermos.

....................
Extraído do site
Centro Espírita Caminhos de Luz
Título: Re: Não separar o que Deus juntou
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 25 de Abril de 2017, 16:05
...

O Divórcio e os seus Aspetos Psicossociais
Célia Félix

 
“Às vezes a única coisa que podemos fazer é aceitar que algumas pessoas vão embora. E permitir que outras cheguem.”

O divórcio é visto em termos gerais como o término duma relação, devido a uma diversidade de motivos. A maioria destes tem na sua origem uma causa de carácter negativo que implica ou envolve crises emocionais e outros conflitos inerentes ao final duma relação.No casamento, ambos os parceiros mudam ou evoluem ao longo dos anos, geralmente em diferentes ritmos, e não necessariamente em direções complementares, podendo surgir a necessidade da separação.
Neste sentido, e perante um casamento não satisfatório, começam a surgir inúmeros problemas no convívio e no relacionamento, que podemos denominar como desajustes conjugais.
Quando ocorre a separação, o casal passa por um período, na maioria das vezes, de sofrimento, consequência direta e natural da perda da relação.

Quais os principais fatores que contribuem na sua maioria para a manutenção duma relação desajustada?

– As questões socioculturais são de extrema importância na manutenção de casamentos desajustados, principalmente em culturas e classes sociais em que a mulher (ou o homem) tem uma educação rígida em relação ao casamento, não tendo uma vida pessoal própria, mesmo a nível profissional, sendo que o casamento e a maternidade são vistos como um meio de vida, muitas vezes por necessidade e não como opção.


– A extrema dependência afetiva dos cônjuges um pelo outro, que faz com que desajustes intensos no casamento sejam tolerados, de modo que a tristeza pela perda do casamento seja intensa ou até insuportável, não permitindo uma separação mesmo que existam e permaneçam os problemas conjugais sem resolução.

Quais as principais causas do divórcio?

Existem estudos que confirmam que geralmente a separação é mais comum entre casais que se uniram na adolescência ou entre membros de diferentes níveis sócio-económicos e culturais.

-Também pessoas cujos pais eram separados têm maior tendência a resolver um problema conjugal optando pelo divórcio.

– As relações extra-conjugais ou infiéis constituem outra das principais causas que conduzem o casal ao divórcio.

Motivos psicológicos para o divórcio:

Para além dos motivos apresentados anteriormente, podem ocorrer igualmente fatores psicológicos (inconscientes) da pessoa que são desencadeados no momento de optarem pela separação, além dos fatores objetivos, práticos, que se mostram mais evidentes.

Podemos falar nos seguintes fatores psicológicos que determinam as separações:

-Opção do cônjuge:
As alterações e evoluções da vida a dois verificadas no decorrer do: nascimento dos filhos; aparecimento de novas rotinas, alteração da vida sexual, entre outros aspetos potenciadores de ansiedade, podem conduzir a uma reflexão sobre a relação a dois, e pôr em causa anos de vida em comum.

– Não valorização dos afetos e outras questões emocionais:
A diminuição ou desaparecimento de questões simples, mas de extrema importância, como os afetos, podem determinar o fim do casamento.
Com o passar do tempo, o casal tende a remeter para segundo ou terceiro planos a manifestação de afetos e carinho. Esta situação alida à rotina do quotidiano, desencadeia um afastamento físico e psicológico no casal, que senão for resolvido de forma precoce, aparece como efeito bola de neve, podendo culminar em separação.

– Aparecimento de problemas conjugais e ausência de diálogo:
O aparecimento de problemas pessoais ou profissionais que são transferidos para o seio familiar, associados a outros problemas de carácter conjugal, quando não são falados ou discutidos abertamente.

A crise do divórcio

O divórcio é um momento de crise importante na vida da pessoa. Em geral, ocorre uma reação de luto pelo fim da união. Falamos de luto pela tristeza decorrente da perda do casamento.
A maioria das pessoas relata sintomas de depressão e angústia intensa, relacionada a dúvidas e mudança constante no humor na época do divórcio.
Apesar de uma separação poder ocorrer de forma rápida, estudos mostram que o processo de recuperação psicológica da crise do divórcio leva cerca de dois anos até atingir uma resolução satisfatória, aceitando sua nova identidade de pessoa divorciada.

Os filhos do divórcio

Como ficam as crianças após o divórcio é uma preocupação frequente dos pais e daqueles que profissionalmente se dedicam a minimizar o efeito do divórcio nos filhos dos casais separados.
Neste sentido, é necessário termos em conta alguns fatores, tais como a idade das crianças e o seu grau de desenvolvimento.
O mais importante é os seus pais manterem uma relação estável e adequada, no que diz respeito, à educação dos seus filhos, respeitando os direitos e deveres destes.

As crianças mais novas,em idades pré-escolares, de 3 a 5 anos, podem apresentar uma regressão após um dos seus pais abandonar o lar, podendo voltar a urinar na cama-enurese noturna , requerem mais atenção demonstrando ter vários medos e podem apresentar alterações nos padrões de sono. Podem se tornar irritáveis e exigentes.

Crianças de 5 a 8 anos geralmente demonstram uma tristeza profunda pelo divórcio, refletindo frequentemente num declínio do rendimento escolar.

Na faixa etária de 8 a 12 anos em geral, a criança reage com raiva ou revolta em relação a um ou a ambos os pais, por terem causado a separação. Por vezes demonstram ansiedade, solidão e sentimentos de humilhação pela sua própria impotência face ao sucedido.
O desempenho escolar e o relacionamento com colegas podem ter prejuízo nesta fase.

Vimos como as conseqüências do divórcio nas crianças a médio e a longo prazo é muito variável. Já os adolescentes sofrem com o divórcio muitas vezes com depressão, raiva intensa ou com comportamentos rebeldes e desorganizados.

Divórcio e tratamentos psicológicos:

Sendo o divórcio uma fase critica e complexa na vida das pessoas que o enfrentam, muitos procuram algum tipo de tratamento psicológico, seja antes, durante, ou após a separação.
A maioria das pessoas, contudo, não o fazem, seja por não sentirem necessidade, seja por falta de condições (ou não possuírem algum tratamento acessível) ou por falta de conhecimento a respeito do apoio psicológico.
No entanto, tratamentos psicológicos bem orientados, permitem reduzir as perturbações no relacionamento, muitas vezes favorecendo a manutenção do casamento e o enriquecimento do vínculo afetivo do casal.
Além disso, muitas pessoas podem sentir necessidade de tratamento após a separação, pela perda que esta envolve, ou pelas modificações de vida decorrentes da mesma.
Procure apoio psicológico.