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CODIFICAÇÃO => Estudos mensais => Tópico iniciado por: Moises de Cerq. Pereira em 01 de Agosto de 2016, 14:26

Título: Fora da caridade não há salvação
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 01 de Agosto de 2016, 14:26
............

Olá a todos!
Que neste momento nos encontremos todos bem
Estamos nos mês de agosto do ano de 2016
Frequentamos com alegria este espaço virtual
Com todo o prazer de nossas realidades
Este significante espaço
Que nos acolhe e nos recebe
Que nos orienta e nos educa
Que nos convida e nos recebe
Que nos ouve e nos permite a fala

E assim, em específico neste tópico
Iniciamos mais um estudo mensal
E que todos os que participam
Seja lendo ou postando
Recebam os carinhos da espiritualidade
Que sabemos nos acompanham com bastante ternura

Neste mês estudaremos um tema de suma importância
Tanto para nós e nosso momento  como para a nossa evolução
Como também para o entendimento da moral da Doutrina dos Espíritos

E o tema proposto é;

Fora da caridade não há salvação

Está contido no capítulo XV do livro
"O Evangelho segundo O Espiritismo"
Por Alan kardec

Convidamos a todos a participação
Assim mesmo como podemos

Que o Cristo nos abençoe
Que Deus nos permita
Que tenhamos paz
Que tenhamos sucesso

Que assim seja

Graças a Deus!
Título: Re: Fora da caridade não há salvação
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 01 de Agosto de 2016, 14:35
...Deixo-vos a paz; a minha paz vos dou.
Não vo-la dou como o mundo a dá.
Não permitais que vosso coração se preocupe, nem vos deixeis amedrontar.
Vós ouvistes o que Eu disse:
‘vou, mas retorno para vós.’
Se me amásseis, ficaríeis alegres com o fato de que Eu vou para o Pai,
pois o Pai é maior do que Eu.

Jesus
Título: Re: Fora da caridade não há salvação
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 01 de Agosto de 2016, 14:40
O de que precisa o Espírito para ser salvo.

Ora, quando o filho do homem vier em sua majestade, acompanhado de todos os anjos, sentar-se-á no trono de sua glória; - reunidas diante dele todas as nações, separará uns dos outros, como o pastor separa dos bodes as ovelhas, - e colocará as ovelhas à sua direita e os bodes à sua esquerda.

Então, dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: vinde, benditos de meu Pai, tomai posse do reino que vos foi preparado desde o princípio do mundo; - porquanto, tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; careci de teto e me hospedastes; - estive nu e me vestistes; achei-me doente e me visitastes; estive preso e me fostes ver.

Então, responder-lhe-ão os justos: Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer, ou com sede e te demos de beber? - Quando foi que te vimos sem teto e te hospedamos; ou despido e te vestimos? - E quando foi que te soubemos doente ou preso e fomos visitar-te? - O Rei lhes responderá: Em verdade vos digo, todas as vezes que isso fizestes a um destes mais pequeninos dos meus irmãos, foi a mim mesmo que o fizestes.

Dirá em seguida aos que estiverem à sua esquerda: Afastai-vos de mim, malditos; ide para o fogo eterno, que foi preparado para o diabo e seus anjos; - porquanto, tive fome e não me destes de comer, tive sede e não me destes de beber; precisei de teto e não me agasalhastes; estive sem roupa e não me vestistes; estive doente e no cárcere e não me visitastes.

Também eles replicarão: Senhor, quando foi que te vimos com fome e não te demos de comer, com sede e não te demos de beber, sem teto ou sem roupa, doente ou preso e não te assistimos? - Ele então lhes responderá: Em verdade vos digo: todas a vezes que faltastes com a assistência a um destes mais pequenos, deixastes de tê-la para comigo mesmo.

E esses irão para o suplício eterno, e os justos para a vida eterna.

(S. MATEUS, cap. XXV, vv. 31 a 46.)
Título: Re: Fora da caridade não há salvação
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 01 de Agosto de 2016, 14:44
Parábola do bom samaritano

Então, levantando-se, disse-lhe um doutor da lei, para o tentar: Mestre, que preciso fazer para possuir a vida eterna? - Respondeu-lhe Jesus: Que é o que está escrito na lei? Que é o que lês nela? - Ele respondeu: Amarás o Senhor teu Deus de todo o coração, de toda a tua alma, com todas as tuas forças e de todo o teu espírito, e a teu próximo como a ti mesmo. - Disse-lhe Jesus: Respondeste muito bem; faze isso e viverás.

Mas, o homem, querendo parecer que era um justo, diz a Jesus: Quem é o meu próximo? - Jesus, tomando a palavra, lhe diz:

Um homem, que descia de Jerusalém para Jericó, caiu em poder de ladrões, que o despojaram, cobriram de ferimentos e se foram, deixando-o semimorto. - Aconteceu em seguida que um sacerdote, descendo pelo mesmo caminho, o viu e passou adiante. -Um levita, que também veio àquele lugar, tendo-o observado, passou igualmente adiante. - Mas, um samaritano que viajava, chegando ao lugar onde jazia aquele homem e tendo-o visto, foi tocado de compaixão. - Aproximou-se dele, deitou-lhe óleo e vinho nas feridas e as pensou; depois, pondo-o no seu cavalo, levou-o a uma hospedaria e cuidou dele. - No dia seguinte tirou dois denários e os deu ao hospedeiro, dizendo: Trata muito bem deste homem e tudo o que despenderes a mais, eu te pagarei quando regressar.

Qual desses três te parece ter sido o próximo daquele que caíra em poder dos ladrões? - O doutor respondeu: Aquele que usou de misericórdia para com ele. - Então, vai, diz Jesus, e faze o mesmo.

(S. LUCAS, cap. X, vv. 25 a 37.)
Título: Re: Fora da caridade não há salvação
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 01 de Agosto de 2016, 14:53
      Toda a moral de Jesus se resume na caridade e na humildade, isto é, nas duas virtudes contrárias ao egoísmo e ao orgulho.
      Em todos os seus ensinos, ele aponta essas duas virtudes como sendo as que conduzem à eterna felicidade:
      Bem-aventurados, disse, os pobres de espírito, isto é, os humildes, porque deles é o reino dos céus;
      bem-aventurados os que têm puro o coração;
      bem-aventurados os que são brandos e pacíficos;
      bem-aventurados os que são misericordiosos;
      amai o vosso próximo como a vós mesmos;
      fazei aos outros o que quereríeis vos fizessem;
      amai os vossos inimigos; perdoai as ofensas, se quiserdes ser perdoados;
      praticai o bem sem ostentação;
      julgai-vos a vós mesmos, antes de julgardes os outros.
      Humildade e caridade, eis o que não cessa de recomendar e o de que dá, ele próprio, o exemplo. Orgulho e egoísmo, eis o que não se cansa de combater.
      E não se limita a recomendar a caridade; põe-na claramente e em termos explícitos como condição absoluta da felicidade futura.
     
      No quadro que traçou do juízo final, deve-se, como em muitas outras coisas, separar o que é apenas figura, alegoria.
      A homens como os a quem falava, ainda incapazes de compreender as questões puramente espirituais, tinha ele de apresentar imagens materiais chocantes e próprias a impressionar.
      Para melhor apreenderem o que dizia, tinha mesmo de não se afastar muito das idéias correntes, quanto à forma, reservando sempre ao porvir a verdadeira interpretação de suas palavras e dos pontos sobre os quais não podia explicar-se claramente.
      Mas, ao lado da parte acessória ou figurada do quadro, há uma idéia dominante: a da felicidade reservada ao justo e da infelicidade que espera o mau.

      Naquele julgamento supremo, quais os considerandos da sentença?
      Sobre que se baseia o libelo? Pergunta, porventura, o juiz se o inquirido preencheu tal ou qual formalidade, se observou mais ou menos tal ou qual prática exterior?
      Não; inquire tão-somente de uma coisa: se a caridade foi praticada, e se pronuncia assim:
      Passai à direita, vós que assististes os vossos irmãos;
      passai à esquerda, vós que fostes duros para com eles. Informa-se, por acaso, da ortodoxia da fé?
      Faz qualquer distinção entre o que crê de um modo e o que cru de outro'?
      Não, pois Jesus coloca o samaritano, considerado herético, mas que pratica o amor do próximo, acima do ortodoxo que falta com a caridade.
      Não considera, portanto, a caridade apenas como uma das condições para a salvação, mas como a condição única.
      Se outras houvesse a serem preenchidas, ele as teria declinado.
      Desde que coloca a caridade em primeiro lugar, é que ela implicitamente abrange todas as outras: a humildade, a brandura, a benevolência, a indulgência, a justiça, etc.,

      e porque é a negação absoluta do orgulho e do egoísmo.
Título: Re: Fora da caridade não há salvação
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 01 de Agosto de 2016, 14:57
O Livro dos Espíritos

   886. Qual o verdadeiro sentido da palavra caridade, como a entendia Jesus?

      — Benevolência para com todos, indulgência para as imperfeições alheias, perdão das ofensas.

Comentário de Kardec:
O amor e a caridade são o complemento da lei de justiça, porque amar ao próximo é fazer-lhe todo o bem possível, que desejaríamos que nos fosse feito. Tal é o sentido das palavras de Jesus: “Amai-vos uns aos outros, como irmãos”.

      A caridade, segundo Jesus, não se restringe à esmola, mas abrange todas as relações com os nossos semelhantes, quer se trate de nossos inferiores, iguais ou superiores. Ela nos manda ser indulgentes, porque temos necessidade de indulgência, e nos proíbe humilhar o infortúnio, ao contrário do que comumente se pratica. Se um rico nos procura, atendemo-lo com excesso de consideração e atenção, mas se é um pobre, parece que não nos devemos incomodar com ele. Quanto mais, entretanto, sua posição é lastimável, mais devemos temer aumentar-lhe a desgraça pela humilhação. O homem verdadeiramente bom procura elevar o inferior aos seus próprios olhos, diminuindo a distância entre ambos.
Título: Re: Fora da caridade não há salvação
Enviado por: M.Altino em 02 de Agosto de 2016, 11:04
Amigos é com  muito carinho que a todos dou o meu bom dia de muita paz e ao mesmo tempo saudar o nosso amigo Moisés pelo seu começo deste estudo que o fazendo em forma de versos ficou muito lindo e ao mesmo tempo lhe agradecer a sua preciosa colaboração mediante a grandeza deste tema que é a Caridade............
http://www.youtube.com/watch?v=uIojYnV_pVY 
Segundo a lei natural, o direito de um é o direito de outro, por serem todos iguais diante de Deus.
Não é justo que uns tenham direitos diferentes dos outros, ante o Pai que se encontra na direção de tudo que existe.
Podemos observar a justiça interna, mesmo entre os órgãos que trabalham, sem nada exigir, para garantir a harmonia do conjunto sobre uma mente instintiva, recebendo ordens e mais ordens da consciência.
Cada órgão, em seu lugar, tem trabalho a fazer.
Segundo a lei natural, a lei de Deus é a mesma lei interna, que podemos observar quando despertados para tal, pelos processos que chamamos de dor e depois de amor.
Uma das formas da lei da justiça é que cada um seja respeitado em seus direitos, sejam homens, países ou mesmo os mundos habitados.
Os próprios átomos e planetas têm suas órbitas como sinal de respeito pelos que circulam por perto.
O que chamamos de "lei da gravidade" nos mostra onde termina o direito do outro vizinho. Assim no mundo, com os pertences das criaturas: a lei se expressa em cercas, muros e papéis, afigurando o dono. Invadir os direitos dos outros passa a ser injustiça e falta grave, que merece punição.
Em Atos dos Apóstolos, capítulo nove, versículo vinte e quatro, passamos a ler o seguinte:
Porém o plano deles chegou ao conhecimento de Paulo; dia e noite guardaram também as portas para o matarem.
Vejamos aí a falta de respeito para com a vida alheia, a injustiça; por que Paulo não teria direito de pregar as ideias de vida e de justiça?
Paulo sabia na carne o que era lutar contra Deus; o seu próprio mestre Gamaliel o informou sobre isso.
Desrespeitar a justiça é criar fogo para o seu próprio caminho.
É o que não devem fazer os homens que estão lendo todos os dias o Evangelho.
A primeira coisa que devemos fazer é respeitar os direitos dos outros, para que os outros respeitem os nossos.
 Se queremos colher bons frutos, não podemos esquecer as boas sementes.
Busquemos a vida, que a vida mais intensa nos busca; demos a paz, ou estimulemos essa paz, que a paz vem ao nosso encontro, com todas as formas de vida; perdoemos aos nossos ofensores, que eles serão nossos amigos do coração.
Quando nos descuidamos dos nossos órgãos, eles se descuidam de nós; quando maltratamos as crianças, o coração sente.
As normas de vida mais excelentes são as dadas por Jesus em Seu Evangelho, porque ele estimula a vida e dá visão aos que padecem de cegueira.
Segundo a lei natural, é dando que recebemos; se escolhemos a dádiva, a vida, senão a lei, escolhe a recompensa na mesma dimensão.
O verdadeiro critério de justiça começa na intimidade de cada um, porque a injustiça que pensamos fazer aos outros começa a ser deturpada dentro de nós mesmos.
Os erros alimentares são uma injustiça com o nosso próprio organismo.
Os vícios são injustiça com muitos dos corpos que nos servem, para que tenhamos harmonia no coração. A perca do sono em demasia, por coisas vãs, é uma injustiça para com o instrumento de carne.
O trabalho que ultrapassa nossas forças é, igualmente, injustiça com as nossas qualidades de servir.
A Doutrina Espírita é um manancial de orientações espirituais, que vão chegando do céu de acordo com as necessidades da alma.
Não a desprezes, pois é na luta para compreendermos a justiça, que o amor nos chega ao coração.
Se acordamos para o direito pessoal, devemos saber em seguida que devemos respeitar o direito do próximo.
Jesus não pediu aos homens para amarem ao próximo como a eles mesmos?
Eis ai a lei com mais evidência, buscando-nos, para que nos tornemos felizes, no cumprimento dos nossos deveres..............
Amigos que nos visitam e moderadores sintam que neste tema importante está na Caridade que podemos fazer e por vezes não a fazemos ............ cuidado
Com um grande abraço sereno de muita paz este vosso amigo....
[attach=2]
Manuel Altino
Título: Re: Fora da caridade não há salvação
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 02 de Agosto de 2016, 16:19
O mandamento maior

Mas, os fariseus, tendo sabido que ele tapara a boca aos saduceus, se reuniram;
e um deles, que era doutor da lei, foi propor-lhe esta questão, para o tentar:
-Mestre, qual o grande mandamento da lei?
- Jesus lhe respondeu:
Amarás o Senhor teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu espírito.
- Esse o maior e o primeiro mandamento.
- E aqui está o segundo, que é semelhante ao primeiro:
Amarás o teu próximo, como a ti mesmo.
- Toda a lei e os profetas se acham contidos nesses dois mandamentos.

(S. MATEUS, cap. XXII, vv. 34 a 40.)


Caridade e humildade, tal a senda única da salvação.
Egoísmo e orgulho, tal a da perdição.
Este princípio se acha formulado nos seguintes precisos termos:

"Amarás a Deus de toda a tua alma e a teu próximo como a ti mesmo; toda a lei e os profetas se acham contidos nesses dois mandamentos."

E, para que não haja equívoco sobre a interpretação do amor de Deus e do próximo, acrescenta:

"E aqui está o segundo mandamento que é semelhante ao primeiro"

, isto é, que não se pode verdadeiramente amar a Deus sem amar o próximo, nem amar o próximo sem amar a Deus.
Logo,
tudo o que se faça contra o próximo o mesmo é que fazê-lo contra Deus.
Não podendo amar a Deus sem praticar a caridade para com o próximo, todos os deveres do homem se resumem nesta máxima:

FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO.
Título: Re: Fora da caridade não há salvação
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 03 de Agosto de 2016, 11:50
Necessidade da caridade, segundo S. Paulo

Ainda quando eu falasse todas as línguas dos homens e a língua dos próprios anjos, se eu não tiver caridade, serei como o bronze que soa e um címbalo que retine;
-ainda quando tivesse o dom de profecia, que penetrasse todos os mistérios, e tivesse perfeita ciência de todas as coisas;
ainda quando tivesse a fé possível, até o ponto de transportar montanhas, se não tiver caridade, nada sou.
- E, quando houver distribuído os meus bens para alimentar os pobres e houvesse entregado meu corpo para ser queimado, se não tivesse caridade, tudo isso de nada me serviria.
A caridade é paciente;
é branda e benfazeja;
a caridade não é invejosa;
não é temerária, nem precipitada;
não se enche de orgulho;
não é desdenhosa;
não cuida de seus interesses;
não se agasta, nem se azeda com coisa alguma;
não suspeita mal; não se rejubila com a injustiça,
mas se rejubila com a verdade;
tudo suporta, tudo crê, tudo espera, tudo sofre.

Agora, estas três virtudes:
a fé, a esperança e a caridade permanecem;
mas, dentre elas, a mais excelente é a caridade


(S. PAULO, 1ª Epístola aos Coríntios, cap. XIII, vv. 1 a 7 e 13.)

De tal modo compreendeu S. Paulo essa grande verdade, que disse:
Quando mesmo eu tivesse a linguagem dos anjos;
quando tivesse o dom de profecia, que penetrasse todos os mistérios;
quando tivesse toda a fé possível, até ao ponto de transportar montanhas, se não tiver caridade, nada sou.
Dentre estas três virtudes: a fé, a esperança e a caridade, a mais excelente é a caridade. Coloca assim, sem equívoco, a caridade acima até da fé.
É que a caridade está ao alcance de toda gente: do ignorante, como do sábio, do rico, como do pobre, e independe de qualquer crença particular.

Faz mais:
define a verdadeira caridade, mostra-a não só na beneficência, como também no conjunto de todas as qualidades do coração, na bondade e na benevolência para com o próximo.

de:
O Evangelho Segundo o Espiritismo
Título: Re: Fora da caridade não há salvação
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 03 de Agosto de 2016, 12:36
Fora da caridade não há salvação

Fora da caridade não há salvação
Estes princípios, para mim, não são apenas uma teoria, eu os coloco em prática; faço o bem tanto quanto o permite a minha posição; presto serviço quando posso; os pobres jamais foram rejeitados em minha casa, ou tratados com dureza; a todo momento não foram sempre recebidos com a mesma benevolência?

Jamais lamentei meus passos e minhas deligências para prestar serviço; pais de família não saíram da prisão pelos meus cuidados? Certamente não me cabe fazer o inventário do bem que pude fazer; mas, num momento em que parece tudo esquecer-se, é-me muito permitido, creio, chamar à minha lembrança que a minha consciência me diz que não fiz mal a ninguém, que fiz todo o bem que pude, e isso o repito sem pedir conta da opinião; sob esse aspecto, a minha consciência está tranqüila e de alguma ingratidão com a qual pude ser pago, em mais de uma ocasião, isso não poderia ser para mim um motivo para deixar de fazê-lo; a ingratidão é uma das imperfeições da Humanidade, e como nenhum de nós está isento de censuras, é preciso saber passar aos outros pelo que se nos passa a nós mesmos, a fim de que se possa dizer, como J. C.: "que aquele que está sem pecado, lhe atire a primeira pedra."

Continuarei, pois, a fazer todo o bem que puder, mesmo aos meus inimigos, porque o ódio não me cega; e eu lhes estenderia sempre a mão para tirá-los de um precipício, se a ocasião disso se apresentasse.

Eis como entendo a caridade cristã; compreendo uma religião que nos ordena retribuir o mal com o bem, com mais forte razão restituir o bem pelo bem. Mas não compreenderia jamais a que nos prescrevesse retribuir o mal com o mal.

(Allan Kardec)
Título: Re: Fora da caridade não há salvação
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 03 de Agosto de 2016, 23:41

CARIDADE

por Richard Simonetti

Qual o verdadeiro sentido da palavra caridade, como a entendia Jesus?

Benevolência para com todos, indulgência para as imperfeições dos outros, perdão das ofensas.

Questão n° 886 (Das Leis Morais, em O Livro dos Espíritos).

 

Muitos centros espíritas levam o nome Amor e Caridade. Evidentemente não imaginavam seus fundadores tivessem o mesmo significado, algo como Luz e Claridade ou Paz e Tranquilidade.

Caridade seria, na ótica de O Livro dos Espíritos:

Benevolência, que se exprime na boa vontade e na disposição para praticar o Bem;

Indulgência, que é clemência e misericórdia para com as imperfeições alheias;

Perdão, que é o ato de desculpar ofensas.

Exercício de benevolência: Trabalho em favor do semelhante.

Exercício de indulgência: Solidariedade em face das limitações e fraquezas do próximo, evitando discriminá-lo.

Exercício de perdão: Esquecimento do mal que se tenha sofrido de alguém, num ato de tolerância esclarecida que se exprime na compreensão.

Talvez tenhamos aí a origem da máxima de Kardec Trabalho, Solidariedade e Tolerância, a orientar a ação espírita. Sem tais princípios não há a possibilidade de um entendimento perfeito entre os homens na construção de um mundo melhor.

E o Amor?

Amor é afeição profunda. É gostar muito. Ê, em sua acepção mais nobre, querer o bem de alguém na doação de si mesmo.

Decantado pelos poetas e exaltado pelos sonhadores, o Amor é abençoado sol que ilumina e aquece os escabrosos caminhos humanos.

Só há um problema: é impossível sustentá-lo, torná-lo operoso e produtivo sem o combustível da caridade.

Encontramos na via pública uma mulher em penúria, rodeada de filhos maltrapilhos e famintos. Sensibilizamo-nos:

– Que quadro triste, meu Deus! Quanto sofrimento!

Estendemos-lhe alguns trocados e seguimos em frente, evocando, cheios de compaixão:

– Jesus a ampare, minha irmã!

Naquele exato momento brilhou em nós uma réstia de amor, infiltrando-se no impassível egocentrismo humano.

Mas que amor vazio, efêmero! Um amor quase inútil, que se limitou à esmola para aliviar a consciência, transferindo para o Cristo providência melhor, sem considerar que Ele esperava por nós para atendê-la com a iniciativa de parar, conversar, conhecer melhor a extensão de seus problemas, ajudando-a. Sem caridade o amor pode ser muito displicente...

Temos um grande amigo. Gostamos muito dele. Um dia ele faz algo que nos desagrada. Irritamo-nos profundamente. Azedamos nosso relacionamento. Distanciamo-nos, jogando fora uma gratificante amizade. Sem caridade o companheiro mais querido pode converter-se num estranho...

O casal vive muito bem. Marido e mulher amam-se profundamente. Um dia ele comete um deslize: envolve-se em aventura extraconjugal. A esposa toma conhecimento e o abandona imediatamente, não obstante ele implorar-lhe que fique, dilacerado de remorsos. E estagiam ambos em crônica infelicidade, marcada por insuperável nostalgia. Sem caridade o afeto mais ardente pode ser afogado num oceano de mágoas e ressentimentos.

No passado muitos religiosos instalavam-se em lugares ermos, impondo-se privações e flagícios como sacrifício em favor da Humanidade. Em sua maioria apenas comprometeram-se em excentricidades e desequilíbrios. Sem caridade o amor pelo semelhante pode converter-se em perturbadora paixão por nós mesmos...

O apóstolo Paulo vai bem mais longe no assunto (I Coríntios 13:1-3), quando destaca que ainda que detenhamos o verbo mais sublime, a mediunidade mais apurada, o conhecimento mais profundo, a convicção mais poderosa, o desapego mais amplo e inabalável destemor da morte, isso tudo pouco valerá se faltar a caridade, isto é, se não estivermos imbuídos do desinteresse pessoal, no desejo sincero de servir o semelhante.

E Kardec nos oferece a mesma visão da inutilidade de todas as iniciativas em favor da redenção humana, se faltar o componente básico, ao proclamar,

Fora da Caridade não há Salvação.
Título: Re: Fora da caridade não há salvação
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 04 de Agosto de 2016, 14:32
Fora da Igreja não há salvação. Fora da verdade não há salvação

Enquanto a máxima - Fora da caridade não há salvação - assenta num princípio universal e abre a todos os filhos de Deus acesso à suprema felicidade,
o dogma - Fora da Igreja, não há salvação -se estriba, não na fé fundamental em Deus e na imortalidade da alma, fé comum a todas as religiões, porém numa fé especial, em dogmas particulares; é exclusivo e absoluto.
Longe de unir os filhos de Deus, separa-os; em vez de incitá-los ao amor de seus irmãos, alimenta e sanciona a irritação entre sectários dos diferentes cultos que reciprocamente se consideram malditos na eternidade, embora sejam parentes e amigos esses sectários. Desprezando a grande lei de igualdade perante o túmulo, ele os afasta uns dos outros, até no campo do repouso.
A máxima - Fora da caridade não há salvação consagra o princípio da igualdade perante Deus e da liberdade de consciência. Tendo-a por norma, todos os homens são irmãos e, qualquer que seja a maneira por que adorem o Criador, eles se estendem as mãos e oram uns pelos outros.
Com o dogma - Fora da Igreja não há salvação, anatematizam-se e se perseguem reciprocamente, vivem como inimigos; o pai não pede pelo filho, nem o filho pelo pai, nem o amigo pelo amigo, desde que mutuamente se consideram condenados sem remissão. É, pois, um dogma essencialmente contrário aos ensinamentos do Cristo e à lei evangélica.

Fora da verdade não há salvação equivaleria ao Fora da Igreja não há salvação e seria igualmente exclusivo, porquanto nenhuma seita existe que não pretenda ter o privilégio da verdade.
Que homem se pode vangloriar de a possuir integral, quando o âmbito dos conhecimentos incessantemente se alarga e todos os dias se retificam as idéias?
A verdade absoluta é patrimônio unicamente de Espíritos da categoria mais elevada e a Humanidade terrena não poderia pretender possuí-la, porque não lhe é dado saber tudo.
Ela somente pode aspirara uma verdade relativa e proporcionada ao seu adiantamento.
Se Deus houvera feito da posse da verdade absoluta condição expressa da felicidade futura, teria proferido uma sentença de proscrição geral, ao passo que a caridade, mesmo na sua mais ampla acepção, podem todos praticá-la.
O Espiritismo, de acordo com o Evangelho, admitindo a salvação para todos, independente de qualquer crença, contanto que a lei de Deus seja observada, não diz:
Fora do Espiritismo não há salvação; e, como não pretende ensinar ainda toda a verdade,
também não diz: Fora da verdade não há salvação, pois que esta máxima separaria em lugar de unir e perpetuaria os antagonismos.
Título: Re: Fora da caridade não há salvação
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 04 de Agosto de 2016, 19:19
Fora da caridade não há salvação
Título: Re: Fora da caridade não há salvação
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 04 de Agosto de 2016, 20:49
Fora da caridade não há salvação
Título: Re: Fora da caridade não há salvação
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 06 de Agosto de 2016, 15:49
INSTRUÇÕES DOS ESPÍRITOS

Fora da caridade não há salvação

10. Meus filhos, na máxima: Fora da caridade não há salvação, estão encerrados os destinos dos homens, na Terra e no céu; na Terra, porque à sombra desse estandarte eles viverão em paz; no céu, porque os que a houverem praticado acharão graças diante do Senhor. Essa divisa é o facho celeste, a luminosa coluna que guia o homem no deserto da vida, encaminhando-o para a Terra da Promissão. Ela brilha no céu, como auréola santa, na fronte dos eleitos, e, na Terra, se acha gravada no coração daqueles a quem Jesus dirá: Passai à direita, benditos de meu Pai. Reconhecê-los-eis pelo perfume de caridade que espalham em torno de si Nada exprime com mais exatidão o pensamento de Jesus, nada resume tão bem os deveres do homem, como essa máxima de ordem divina. Não poderia o Espiritismo provar melhor a sua origem, do que apresentando-a como regra, por isso que é um reflexo do mais puro Cristianismo. Levando-a por guia, nunca o homem se transviará. Dedicai-vos, assim, meus amigos, a perscrutar-lhe o sentido profundo e as conseqüências, a descobrir-lhe, por vós mesmos, todas as aplicações. Submetei todas as vossas ações ao governo da caridade e a consciência vos responderá. Não só ela evitará que pratiqueis o mal, como também fará que pratiqueis o bem, porquanto uma virtude negativa não basta: é necessária uma virtude ativa. Para fazer-se o bem, mister sempre se torna a ação da vontade; para se não praticar o mal, basta as mais das vezes a inércia e a despreocupação.

Meus amigos, agradecei a Deus o haver permitido que pudésseis gozar a luz do Espiritismo. Não é que somente os que a possuem hajam de ser salvos; é que, ajudando-vos a compreender os ensinos do Cristo, ela vos faz melhores cristãos. Esforçai-vos, pois, para que os vossos irmãos, observando-vos, sejam induzidos a reconhecer que verdadeiro espírita e verdadeiro cristão são uma só e a mesma coisa, dado que todos quantos praticam a caridade são discípulos de Jesus, sem embargo da seita a que pertençam.

Paulo, o apóstolo.
(Paris, 1860.)
Título: Re: Fora da caridade não há salvação
Enviado por: Vitor Santos em 06 de Agosto de 2016, 16:56
Olá amigo Moisés

Bom estudo para ti e para todos.

Este tema é fulcral, na doutrina. A definição da palavra caridade, neste âmbito, parece-me ser muito importante. Pois esta palavra tem, por vezes, a conotação de esmola, ou trabalhar numa ONG, etc. E ela é muito mais abrangente. E vai dar a questão, como deve viver o homem neste mundo?

Uma visão da questão:


Citar
ESE

I – A Caridade Material e a Caridade Moral

IRMÃ ROSÁLIA

Paris, 1860

 

            9 – “Amemo-nos uns aos outros e façamos aos outros o que quereríamos que nos fosse feito”. Toda a religião, toda a moral, se encerram nestes dois preceitos. Se eles fossem seguidos no mundo, todos seriam perfeitos. Não haveria ódios, nem ressentimentos. Direi mais ainda: não haveria pobreza, porque, do supérfluo da mesa de cada rico, quantos pobres seriam alimentados! E assim não mais se veriam, nos bairros sombrios em que vivi, na minha última encarnação, pobres mulheres arrastando consigo miseráveis crianças necessitadas de tudo.

            Ricos! Pensai um pouco em tudo isso. Ajudai o mais possível aos infelizes; daí, para que Deus vos retribua um dia o bem que houverdes feito: para encontrardes, ao sair de vosso invólucro terrestre, um cortejo de Espíritos reconhecidos, que vos receberão no limitar de um mundo mais feliz.

            Se pudésseis saber a alegria que provei, ao encontrar no além aqueles a quem beneficiei, na minha última vida terrena!

            Amai, pois, ao vosso próximo; amai-o como a vós mesmos, pois já sabeis, agora, que o desgraçado que repelis talvez seja um irmão, um pai, um amigo que afastais para longe. E então, qual não será o vosso desespero, ao reconhecê-lo depois no Mundo dos Espíritos!

            Quero que compreendais bem o que deve ser a caridade moral, que todos podem praticar, que materialmente nada custa, e que não obstante é a mais difícil de se por em prática.

            A caridade moral consiste em vos suportardes uns aos outros, o que menos fazeis nesse mundo inferior, em que estais momentaneamente encarnados. Há um grande mérito, acreditai, em saber calar para que outro mais tolo possa falar: isso é também uma forma de caridade. Saber fazer-se de surdo, quando uma palavra irônica escapa de uma boca habituada a caçoar; não ver o sorriso desdenhoso com que vos recebem pessoas que, muitas vezes erradamente, se julgam superiores a vós, quando na vida espírita, a única verdadeira, está às vezes muito abaixo: eis um merecimento que não é de humildade, mas de caridade, pois não se incomodar com as faltas alheias é caridade moral.

            Essa caridade, entretanto, não deve impedir que se pratique a outra. Pelo contrário: pensai, sobretudo, que não deveis desprezar o vosso semelhante; lembrai-vos de tudo o que vos tenho dito; é necessário lembrar, incessantemente, que o pobre repelido talvez seja um Espírito que vos foi caro, e que momentaneamente se encontra numa posição inferior à vossa. Reencontrei um dos pobres do vosso mundo a quem pude, por felicidade, beneficiar algumas vezes, e ao qual tenho agora de pedir, por minha vez.

            Recordai-vos de que Jesus disse que somos todos irmãos, e pensai sempre nisso, antes de repelirdes o leproso ou o mendigo. Adeus! Pensai naqueles que sofrem, e orai.

bem hajam
Título: Re: Fora da caridade não há salvação
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 07 de Agosto de 2016, 16:28
Caridade, a grande Virtude
Autor: Francisco Rebouças

Toda moral ensinada por Jesus, se resume em duas simples palavras: Caridade e Humildade, isto é, nas duas maiores virtudes em que devemos concentrar todas as nossas forças em desenvolvê-las, se pretendemos erradicar de nosso espírito o egoísmo que até hoje nos mantém presos às teias da ignorância.

Em tudo que ensinou, chamou-nos a atenção apontando essas duas virtudes como sendo as que poderão nos conduzir de encontro à eterna e verdadeira felicidade. Falou-nos ele: “Bem-aventurados os pobres de espírito, isto é os simples, os humildes, porque deles é o reino dos céus; e continuou a nos ensinar; bem-aventurados os que têm puro o coração; bem-aventurados os que são brandos e pacíficos; bem-aventurados os que são misericordiosos; amai o vosso próximo como a vós mesmos; fazei aos outros o que gostaria que vos fizessem; amai os vossos inimigos; perdoai as ofensas, se quiserdes ser perdoados; praticai o bem sem ostentação; julgai-vos a vós mesmos, antes de julgardes os outros; não saiba a vossa mão esquerda o que dê a vossa mão direita”. Em todas estas passagens de seus ditos se pode tirar o ensinamento maior resumindo em caridade e humildade, eis o que não cessa de recomendar e exemplificar em todas as suas ações. Em tudo que pregou em sua passagem pelo nosso planeta, não cansou de combater o orgulho e o egoísmo que são sem dúvida as duas grandes chagas a corroer a humanidade.

O Mestre maior de todos nós não se limitou apenas a recomendar a caridade, põe-na como condição absoluta para a conquista da felicidade futura, assegurando-nos que as ações empreendidas pelos caridosos com certeza lhes assegurarão uma melhor posição no futuro quando a justiça divina nos chamar para a prestação de contas, como nos ensinou também em outra oportunidade “a cada um segundo as suas obras”.

Na Parábola do Bom Samaritano, considerado herético, mas que naquele momento pratica o amor ao próximo, Jesus coloca-o acima do ortodoxo que falta com a caridade. Não considera, portanto, a caridade apenas como uma das condições para a salvação, mas designa como condição única. Se outras houvesse que a substituíssem ele as teria ensinado. Desde que coloca a caridade em primeiro lugar, é que ela implicitamente abrange todas as outras: a humildade, a brandura, a benevolência, a indulgência, a justiça, etc., e também porque significa a negação absoluta do orgulho e do egoísmo naquele que a pratica.

O Espiritismo sendo o Cristianismo Redivivo, ou seja o cristianismo na sua pureza inicial, vem reafirmar os ensinos do seu criador com a máxima: “Fora da caridade não há salvação”, máxima essa que consagra o princípio da igualdade perante Deus, e da liberdade de consciência, deixando a todos a escolha da maneira como queiram seguir adorando o Pai Celestial, não pregando que fora do espiritismo não há salvação, pois bem sabe que o Cristo não fundou nenhuma religião, por isso mesmo respeita a liberdade de crença de todos os seus irmãos em humanidade, pois em qualquer corrente religiosa a que pertença o homem, terá aí mesmo a oportunidade de seguir os ensinamentos de Jesus.

Dediquemo-nos portanto meus irmãos à prática da caridade ensinada no evangelho de Jesus, pois ela nos ajudará não só a evitar a prática do mal, mas também nos impulsionará em direção ao trabalho no bem, e para a prática do bem uma só condição se faz indispensável: a nossa vontade, pois para a prática do mal basta apenas a inércia e a despreocupação, agradeçamos pois a Deus nosso Pai, por nos permitir encontrar em nossa estrada evolutiva a bênção de gozar da luz do Espiritismo.

Não significa achar que só os espíritas serão salvos; é que ajudando-nos a melhor compreensão dos ensinos do Cristo, ele nos faz, se seguirmos seus ensinos, melhores cristãos, confirmando por nossas ações que verdadeiros espíritas e verdadeiros cristãos são uma só e a mesma coisa, pois todos quantos praticam a caridade são discípulos de Jesus, não importando para tanto, que pertençam a esta ou àquela seita religiosa.
Título: Re: Fora da caridade não há salvação
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 07 de Agosto de 2016, 16:29
Olá amigo Moisés

Bom estudo para ti e para todos.

Este tema é fulcral, na doutrina. A definição da palavra caridade, neste âmbito, parece-me ser muito importante. Pois esta palavra tem, por vezes, a conotação de esmola, ou trabalhar numa ONG, etc. E ela é muito mais abrangente. E vai dar a questão, como deve viver o homem neste mundo?

Uma visão da questão:


Citar
ESE

I – A Caridade Material e a Caridade Moral

IRMÃ ROSÁLIA

Paris, 1860

 

            9 – “Amemo-nos uns aos outros e façamos aos outros o que quereríamos que nos fosse feito”. Toda a religião, toda a moral, se encerram nestes dois preceitos. Se eles fossem seguidos no mundo, todos seriam perfeitos. Não haveria ódios, nem ressentimentos. Direi mais ainda: não haveria pobreza, porque, do supérfluo da mesa de cada rico, quantos pobres seriam alimentados! E assim não mais se veriam, nos bairros sombrios em que vivi, na minha última encarnação, pobres mulheres arrastando consigo miseráveis crianças necessitadas de tudo.

            Ricos! Pensai um pouco em tudo isso. Ajudai o mais possível aos infelizes; daí, para que Deus vos retribua um dia o bem que houverdes feito: para encontrardes, ao sair de vosso invólucro terrestre, um cortejo de Espíritos reconhecidos, que vos receberão no limitar de um mundo mais feliz.

            Se pudésseis saber a alegria que provei, ao encontrar no além aqueles a quem beneficiei, na minha última vida terrena!

            Amai, pois, ao vosso próximo; amai-o como a vós mesmos, pois já sabeis, agora, que o desgraçado que repelis talvez seja um irmão, um pai, um amigo que afastais para longe. E então, qual não será o vosso desespero, ao reconhecê-lo depois no Mundo dos Espíritos!

            Quero que compreendais bem o que deve ser a caridade moral, que todos podem praticar, que materialmente nada custa, e que não obstante é a mais difícil de se por em prática.

            A caridade moral consiste em vos suportardes uns aos outros, o que menos fazeis nesse mundo inferior, em que estais momentaneamente encarnados. Há um grande mérito, acreditai, em saber calar para que outro mais tolo possa falar: isso é também uma forma de caridade. Saber fazer-se de surdo, quando uma palavra irônica escapa de uma boca habituada a caçoar; não ver o sorriso desdenhoso com que vos recebem pessoas que, muitas vezes erradamente, se julgam superiores a vós, quando na vida espírita, a única verdadeira, está às vezes muito abaixo: eis um merecimento que não é de humildade, mas de caridade, pois não se incomodar com as faltas alheias é caridade moral.

            Essa caridade, entretanto, não deve impedir que se pratique a outra. Pelo contrário: pensai, sobretudo, que não deveis desprezar o vosso semelhante; lembrai-vos de tudo o que vos tenho dito; é necessário lembrar, incessantemente, que o pobre repelido talvez seja um Espírito que vos foi caro, e que momentaneamente se encontra numa posição inferior à vossa. Reencontrei um dos pobres do vosso mundo a quem pude, por felicidade, beneficiar algumas vezes, e ao qual tenho agora de pedir, por minha vez.

            Recordai-vos de que Jesus disse que somos todos irmãos, e pensai sempre nisso, antes de repelirdes o leproso ou o mendigo. Adeus! Pensai naqueles que sofrem, e orai.

bem hajam

Obrigado Vitor
Valeu!
Título: Re: Fora da caridade não há salvação
Enviado por: lconforjr em 07 de Agosto de 2016, 19:20
Amigos, bom domingo!

Sinceramente não consigo entender; é provável que quem estude muito a doutrina, possa me ajudar a entender: o fórum espírita tem a finalidade de contribuir para a realização daquilo que a doutrina recomenda: estudar a doutrina, divulgá-la, unir as pessoas, não é isso, ou estou enganado? No entanto, qdo procuramos estudar a doutrina, ou divulgá-la para quem consideramos que a entenda menos do que nós, não podemos fazer isso!

Pois vejam: "se fora da caridade não há salvação", estamos todos perdidos; ninguém será salvo pois, para ser caridoso, é necessário que tenhamos amor pelos semelhantes, pela natureza, pela criação e, absolutamente, ninguém nos ensina como fazer para ter amor pelos demais.
...
Título: Re: Fora da caridade não há salvação
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 08 de Agosto de 2016, 14:19
Amigos, bom domingo!

Sinceramente não consigo entender; é provável que quem estude muito a doutrina, possa me ajudar a entender: o fórum espírita tem a finalidade de contribuir para a realização daquilo que a doutrina recomenda: estudar a doutrina, divulgá-la, unir as pessoas, não é isso, ou estou enganado? No entanto, qdo procuramos estudar a doutrina, ou divulgá-la para quem consideramos que a entenda menos do que nós, não podemos fazer isso!

Pois vejam: "se fora da caridade não há salvação", estamos todos perdidos; ninguém será salvo pois, para ser caridoso, é necessário que tenhamos amor pelos semelhantes, pela natureza, pela criação e, absolutamente, ninguém nos ensina como fazer para ter amor pelos demais.
...

Olá Luis
Suas questões são interessantes
principalmente para um leigo das questões espíritas
mas com a resposta abaixo contida no livro de autoria de Alan Kardec
Com o titulo de: O Evangelho Segundo o Espiritismo
Uma resposta sobre as questões  das desigualdades da riqueza
dará para nós que estamos aprendendo
fazermos uma boa avaliação dos ensinos espíritas

Desigualdade das riquezas

A desigualdade das riquezas é um dos problemas que inutilmente se procurará resolver, desde que se considere apenas a vida atual.
A primeira questão que se apresenta é esta:
Por que não são igualmente ricos todos os homens?
Não o são por uma razão muito simples:
por não serem igualmente inteligentes, ativos e laboriosos para adquirir, nem sóbrios e previdentes para conservar.
E, alias, ponto matematicamente demonstrado que a riqueza, repartida com igualdade, a cada um daria uma parcela mínima e insuficiente; que, supondo efetuada essa repartição, o equilíbrio em pouco tempo estaria desfeito, pela diversidade dos caracteres e das aptidões;
que, supondo-a possível e durável, tendo cada um somente com que viver, o resultado seria o aniquilamento de todos os grandes trabalhos que concorrem para o progresso e para o bem-estar da Humanidade;
que, admitido desse ela a cada um o necessário, já não haveria o aguilhão que impele os homens às grandes descobertas e aos empreendimentos úteis.
Se Deus a concentra em certos pontos, é para que daí se expanda em quantidade suficiente, de acordo com as necessidades.

Título: Re: Fora da caridade não há salvação
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 08 de Agosto de 2016, 14:25
Caridade


Caridade é , sobretudo, amizade.

Para o faminto - é o prato de sopa.

Para o triste - é a palavra consoladora.

Para o mau - é a paciência com que nos compete auxiliá-lo

Para o desesperado - é o auxílio do coração.

Para o ignorante - é o ensino despretensioso.

Para o ingrato - é o esquecimento.

Para o enfermo - é a visita pessoal.

Para o estudante - é o concurso no aprendizado.

Para a criança - é a proteção construtiva.

Para o velho - é o braço irmão.

Para o inimigo - é o silêncio.

Para o amigo - é o estímulo.

Para o transviado - é o entendimento.

Para o orgulhoso - é a humildade.

Para o colérico - é a calma.

Para o preguiçoso - é o trabalho.

Para o impulsivo - é a serenidade.

Para o leviano - é a tolerância.

Para o deserdado da Terra - é a expressão de carinho.


Caridade é amor, em manifestação incessante e crescente.
É o sol de mil faces, brilhando para todos, e o gênio de mil mãos, amparando, indistintamente, na obra do bem, onde quer que se encontre, entre justos e injustos, bons e maus, felizes e infelizes, por que, onde estiver o Espírito do Senhor aí se derrama a claridade constante dela, a benefício do mundo inteiro.


Emmanuel
Chico Xavier.
Título: Re: Fora da caridade não há salvação
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 08 de Agosto de 2016, 14:29
Caridade Difícil

"Caridade habitualmente incompreendida e sempre difícil de ser praticada
- o amparo em regime de repetição.

Ergue-se a casa, elemento a elemento.
Realiza-se a viagem passo a passo.

Entretanto, freqüentemente exigimos a recuperação de criaturas determinada, de momento para outro, qual se as realizações da vida interior fossem estranhas às funções do tempo.

Se te encontras num problema assim, de cuja solução esperas segurança e paz, não te aflijas pela obtenção do fruto nos esforços a que te empenhas, nem esmoreças ante as situações que te solicitam tolerância e paciência.

O companheiro que se te afigura incorrigível pelos desgostos que te impõe é um enfermo da alma a pedir-te doses reiteradas de compreensão e socorro, de modo a refazer-se.

E a pessoa querida que te pareça ingrata pelos golpes com que te alanceia o coração, é doente da alma a solicitar-te medicamentos renovados de ternura e entendimento, a fim de restaurar-se.

Quase sempre, antes da corporificação em novo berço terrestre, rogamos à Divina Providência para que se nos confie a laboriosa tarefa da assistência espiritual, em benefício da alguém que só o tratamento longo na reencarnação consegue melhorar ou recuperar."

Emmanuel
Chico Xavier
Título: Re: Fora da caridade não há salvação
Enviado por: Dothy em 08 de Agosto de 2016, 19:21
Boa tarde amigos do FE, bom estudo a todos

 boa tarde Moises, que a espiritualidade amiga responsável por este espaço te envolva em paz e sabedoria

Fora da caridade

Kardec escreveu que sendo o objetivo essencial do espiritismo a transformação da humanidade pela melhoria individual, para o qual deve tender todo espírita sério, ele definiu como primeiro dever imposto por essa doutrina o lema : “Fora da Caridade não há salvação”, que foi aceito com entusiasmo, como o sol do futuro, o símbolo da fraternidade, como uma garantia da segurança nas relações sociais. E ele afirma que “ela decorre do ensino dos Espíritos, os quais a colheram nos do Cristo, onde ela está escrita com todas as letras, como pedra angular do edifício cristão...” (2)

   Não nos esqueçamos, pois, de que o espiritismo veio, com seus princípios, para auxiliar os homens a entenderem, aceitarem e viverem o amor a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo, conforme seu lema: Fora da Caridade não há salvação.
Título: Re: Fora da caridade não há salvação
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 09 de Agosto de 2016, 14:55
Boa tarde amigos do FE, bom estudo a todos

 boa tarde Moises, que a espiritualidade amiga responsável por este espaço te envolva em paz e sabedoria

Fora da caridade

Kardec escreveu que sendo o objetivo essencial do espiritismo a transformação da humanidade pela melhoria individual, para o qual deve tender todo espírita sério, ele definiu como primeiro dever imposto por essa doutrina o lema : “Fora da Caridade não há salvação”, que foi aceito com entusiasmo, como o sol do futuro, o símbolo da fraternidade, como uma garantia da segurança nas relações sociais. E ele afirma que “ela decorre do ensino dos Espíritos, os quais a colheram nos do Cristo, onde ela está escrita com todas as letras, como pedra angular do edifício cristão...” (2)

   Não nos esqueçamos, pois, de que o espiritismo veio, com seus princípios, para auxiliar os homens a entenderem, aceitarem e viverem o amor a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo, conforme seu lema: Fora da Caridade não há salvação.

Obrigado Amiga
Título: Re: Fora da caridade não há salvação
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 09 de Agosto de 2016, 15:21
A CARIDADE MAIOR

Ao Homem que alcançara o Céu, pedindo orientação sobre as tarefas de benemerência social que pretendia estender na Terra, o Anjo da Caridade falou compassivo:

– Volta ao mundo e cumpre, de boa vontade, as obrigações que o destino te assinalou!…

Para que te sintas de pé, cada dia, milhões de vidas microscópicas esforçam-se em tua carne, garantindo-te a bem estar…

Cada órgão e cada membro de teu corpo amparam-te, abnegadamente, para que te faças abençoado discípulo da civilização.

Os olhos identificam as imagens que já podes perceber, livrando-te da desordem interior.

Os ouvidos selecionam sons e vozes para que não vivas desorientado.

A língua auxilia-te a expressar os pensamentos, enriquecendo-te de sabedoria.

As mãos realizam-te os sonhos, engrandecendo-te o caminho na ciência e na arte, no progresso e na indústria.

Os pés sustentam-te a máquina física para que não te arrojes à inércia.

A boca mastiga os alimentos para que não te condenes à inação.

Os pulmões asseguram-te o ar puro contra a asfixia.

O estômago digere as peças com que nutrirás o próprio sangue.

O fígado gera forças vitais que te entretêm a harmonia orgânica.

O coração movimenta-se sem parar, escorando-te a existência.

Vives da caridade de inúmeras vidas inferiores que te obedecem a mente.

Torna, pois, ao lugar em que o Senhor te situou e satisfaze as tarefas imediatas que o mundo te reserva!…

Caridade é servir sem descanso, ainda mesmo quando a enfermidade sem importância te convoque ao repouso;

– é cooperar espontaneamente nas boas obras, sem aguardar o convite dos outros;

– é não incomodar quem trabalha;

– é aperfeiçoar-se alguém naquilo que faz para ser mais útil;

– é suportar sem revolta a bílis do companheiro;

– é auxiliar os parentes, sem reprovação;

– é rejubilar-se com a prosperidade do próximo;

– é resumir a conversação de duas horas em três ou quatro frases;

– é não afligir quem nos acompanha;

– é ensurdecer-se para a difamação;

– é guardar o bom humor, cancelando a queixa de qualquer procedência;

– é respeitar cada pessoa e cada coisa na posição que lhes é própria…

E por que o Homem ensaiasse inoportunas indagações, o Anjo da Caridade concluiu:

– Volta ao corpo e age incessantemente no bem!… Não percas um minuto em descabidas inquirições. Conduze os problemas que te atormentam o espírito ao teu próprio trabalho e o teu próprio trabalho liquidá-los-á…

A experiência aclara o caminho de quantos lhe adquirem o tesouro de luz.

Recolhe as crianças desvalidas, ampara os doentes, consola os infelizes e socorre os necessitados.

Não olvides, pois, que a execução de teus deveres para com o próximo será sempre a tua caridade maior.

....

Pelo Espírito Irmão X (Humberto de Campos).
Psicografia de Francisco Cândido Xavier.
Título: Re: Fora da caridade não há salvação
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 09 de Agosto de 2016, 15:32
O EXAME DA CARIDADE

Depois de certa pregação de Jesus, em Cafarnaum, encontrou o Mestre, em casa de Pedro, quatro cavalheiros de luzente aspecto, a lhe aguardarem a palavra.

Vinham de longe, explicaram atenciosos. Judeus prestigiosos da Fenícia, moravam em Sidon. Já haviam bebido a cultura egípcia e grega, tanto quanto a filosofia dos persas e babilônios. O anúncio da Boa Nova chegara-lhes aos ouvidos. Desejavam servir nas fileiras do Novo Reino, combatendo a licenciosidade dos costumes, na avareza dos ricos e na revolta dos pobres. Aceitavam o Deus único e pretendia, consagrar-lhe a vida.

De quando em quando, os recém-chegados retificavam as dobras das irrepreensíveis túnicas de linho alvo ou acentuavam, de leve, o apuro das sandálias.

O Senhor ouviu-lhes as informações com admirável benevolência.

Cada qual falou, por sua vez, comentando as angústias do problema social na poderosa cidade de que provinham e, após encarecerem a necessidade de transformações políticas no cenário do mundo, esperaram, curiosos, a palavra do Cristo, que lhes afirmou, bondoso:

- Está escrito: - Amarás o Senhor, Nosso Deus e Nosso Pai, de todo o coração, e não farás dEle imagens abomináveis; eu, porém, acrescento – fugi igualmente à idolatria de vossos próprios desejos, aniquilai o exclusivismo e não vos entronizeis na mentira, porque estaríeis lesando a Sublime Divindade.

Recomenda Moises: - Não tomarás o nome do Todo-Poderoso em vão; esclareço-vos, contudo, que ninguém deve menoscabar o nome do próximo na maledicência, na calúnia, no verbo inútil ou desleal.

Determina o Decálogo: - Santificarás o dia de sábado; exorto-vos, entretanto, a não converterdes semelhante artigo em escora da ociosidade sistemática. Respeitando a pauta necessária da natureza, não a transformeis em hosanas à preguiça dissolvente.

Manda o texto antigo: - Venera teu pai e tua mãe nos laços consangüíneos; todavia, é imperioso reconhecer a necessidade de respeito a todos os homens dignos, onde estiverem, olvidando-se no bem geral as fronteiras de raça, família, cor e religião, compreendendo-se que acima dos limites impostos pelo sangue, na Terra, prevalecem os imperativos sagrados da Família Universal.

Reza a lei do passado: - Não matarás; eu, porém, vos digo que não se deve matar em circunstância alguma e que se faz indispensável a vigilância sobre os nossos impulsos de oprimir os seres inferiores da Natureza, porque, um dia, responderemos à Justiça do Criador Supremo pelas vidas que consumimos. Pede o venerável testamento: - Não cometerás adultério; asseguro-vos, no entanto, que o adultério não atinge somente o corpo de nossas irmãs em Humanidade, mas também a carne e a alma de todos os homens que se esqueceram de caminhar retamente.

Aconselha o grande legislador: - Não furtarás; digo-vos, contudo que não se deve roubar, não somente objetos valiosos e valores em dinheiro, mas também não nos cabe furtar o tempo do Senhor, nem distrair os minutos dos servos aplicados de suas obras.

Consta na velha aliança: - Não dirás falso testemunho conta o teu próximo; declaro-vos, porém, que é imprescindível guardar boa-vontade e amor no coração, irradiando-os em pensamento.

Assinala a revelação antiga: - Não cobiçarás a casa do teu próximo, nem desejarás a sua mulher, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento; eu, porém, vos afianço que nos compete a obrigação de procurar a luz, o bem e felicidade, trabalhando sem desânimo e servindo a todos sem descanso,inacessíveis à peçonha do ódio, da inveja, do ciúme, do despeito e da discórdia, portadores que são de veneno e treva para o Espírito.

Fez o Mestre pequeno intervalo na prelação, reparando que os visitantes da Fenícia se mantinham pálidos e confundidos.

Nesse ínterim, a sogra de Pedro reclamou-lhe a presença num quarto próximo: e Jesus, rogando ligeira licença, prometeu prosseguir nos ensinamentos novos, por mais alguns instantes; todavia, em voltando pressuroso aos ouvintes, debalde procurou os consulentes, movimentado os olhos ternos e lúcidos.

Na sala silenciosa não havia ninguém...

..........

Pelo Espírito Irmão X (Humberto de Campos).
Psicografia de Francisco Cândido Xavier.


Título: Re: Fora da caridade não há salvação
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 09 de Agosto de 2016, 23:09
O Complexo e a Caridade

Enganam-se os que pensam que basta freqüentar sessões num centro espírita para ser espírita e poder discutir Espiritismo. Enganam-se ainda mais os que pensam que podem conhecer a doutrina através de comunicações dos “guias”. O Espiritismo é uma doutrina que envolve, como dizia Kardec, princípios referentes a todas as ciências, pois que toca simultaneamente em todos os ramos do conhecimento. Daí a sua característica, tão mal compreendida e tão ironicamente combatida por adversários diversos, de doutrina tríplice, envolvendo no seu todo doutrinário a ciência, a filosofia e a religião. Como, pois, conhecer uma doutrina dessa natureza, sem estudá-la a fundo, sem ler atentamente as suas obras fundamentais?
Kardec, Léon Denis e Oliver Lodge afirmaram que o Espiritismo constitui uma síntese do conhecimento. É uma doutrina que reúne em si os resultados da investigação científica, da cogitação filosófica e do sentimento religioso, na busca da compreensão do universo e da vida. Isso quer dizer, não que o Espiritismo represente uma espécie de enciclopédia, o que seria absurdo, mas que ele encerra na sua estrutura e visão global do mundo e da vida, obtida pelo homem através daqueles ramos do saber humano. O caráter sintético do Espiritismo não é conseqüência de um esforço intencional nesse sentido, mas o resultado natural da evolução dos conhecimentos humanos, que tendem naturalmente a uma síntese conceptual.

Quando compreendemos essa posição excepcional do Espiritismo, admiramo-nos da facilidade com que certas pessoas, às vezes dotadas de cultura, se referem a ele, para formulação de críticas levianas e sem sentido. Mas ainda nos admiramos da atitude de pessoas que, mal ingressaram no movimento doutrinário, já se consideram capazes de discutir problemas da doutrina, como se fossem velhos estudiosos do assunto. Só não podemos nos espantar, evidentemente, com os adversários, pois que esses, firmados em preconceitos, fecharam os olhos e os ouvidos a qualquer entendimento. Entretanto, as pessoas de cultura deviam ter mais cautela ao se referirem à doutrina.

Há pouco, em um dos nossos jornais diários, comentando a campanha da construção de um hospital espírita para doentes mentais, em Jaú, escrevia um colunista que devia tratar-se de um caso de complexo de culpa. E para justificar a sua tese, a sua possível descoberta, em termos de possível interpretação psicanalítica, citava alguns autores: Blavatsky, que era contrária ao Espiritismo, e mais dois pesquisadores, que admitiam a possibilidade de perturbações psíquicas provenientes de práticas espíritas. Não há, entretanto, nenhuma novidade nessa tese, que é tão velha quanto o próprio Espiritismo. Já em “O Livro dos Espíritos”, obra fundamental da doutrina, Kardec tratou do assunto, demonstrando a má fé dos que a acusam de produzir desequilíbrios. O interessante é que a própria psicanálise, em que o colunista se apóia, é também acusada de transtornar os que a ela se dedicam. Tão infundada, é claro, uma acusação, quanto a outra. Kardec explica, com aquele admirável bom-senso que falta a tanta gente – apesar da distribuição eqüitativa de Descartes –, que todas as preocupações profundas podem desequilibrar as pessoas já naturalmente propensas ao desequilíbrio, desde as matemáticas até aos estudos de qualquer religião.

A fundação de hospitais espíritas não decorre da verificação de casos de desequilíbrio nos trabalhos doutrinários. Muito pelo contrário, decorre da procura desses trabalhos pelos doentes mentais, em geral desenganados pela ciência e sem possibilidades de recursos em suas religiões. Os espíritas, acusados de “fabricarem” loucos, têm sido, neste país e no mundo inteiro, os maiores e mais eficientes curadores de desequilíbrios mentais e psíquicos. E tanto assim, que a maior rede de hospitais para doentes mentais em nosso Estado foi construída pelos espíritas. O hospital de Jaú será mais uma unidade dessa rede maravilhosa, em que os doentes mentais, graças ao Espiritismo, se livram dos internamentos dolorosos e sem fim das clínicas materialistas. Não é um complexo de culpa, mas o lema da doutrina, que leva os espíritas a cuidarem do assunto: “Fora da caridade não há salvação”.

As pessoas que desejarem saber por que motivo os espíritas de Jaú estão fundando mais esse hospital, e por que motivo os de Franca, Marília, Amparo, Itapira, Rio Preto, Penápolis, São Paulo e outras cidades do nosso Estado, fora as de outros Estados, fundaram hospitais para doentes mentais, deverão ler o livro de Bezerra de Menezes, o “médico dos pobres”, intitulado “A Loucura sob Novo Prisma”, ou os livros de Inácio Ferreira, médico do sanatório Espírita de Uberaba, intitulados “Novos Rumos à Medicina”, ou ainda as famosas experiências do professor Karl Wickland, de Chicago, reunidas em seu livro “Trinta Anos Entre os Mortos”. Não é a psicanálise que explica o interesse dos espíritas por esse doloroso problema: é o fracasso da ciência materialista, no tratamento da maioria dos casos de desequilíbrios mentais e psíquicos.

Vemos, assim, como o Espiritismo confirma, na prática, a sua natureza de doutrina tríplice. Das simples reuniões religiosas nos Centros Espíritas, os adeptos da doutrina são forçados a passar ao campo da ciência, com a fundação dos grandes hospitais que estão hoje solucionando um dos mais graves problemas sociais em nosso país. Pena que todo esse esforço dos espíritas não consiga comover os que, sem conhecerem a doutrina, se julgam no direito de acusá-la.

(Herculano Pires)
Título: Re: Fora da caridade não há salvação
Enviado por: lconforjr em 09 de Agosto de 2016, 23:37
Re: Fora da caridade não há salvação

      Ref resp #19 em: 08 08 16, às 14:19, de Moisés de Cerq Pereira

      Citação de: lconforjr em 07 de Agosto de 2016, 19:20:  Sinceramente não consigo entender; ... o fórum espírita tem a finalidade de contribuir para a realização daquilo que a doutrina recomenda: estudar a doutrina, divulgá-la, unir as pessoas, não é isso? No entanto, qdo procuramos estudar a doutrina, ou divulgá-la para quem consideramos que a entenda menos do que nós, não podemos fazer isso!

      Pois vejam: "se fora da caridade não há salvação", estamos todos perdidos; ninguém será salvo pois, para ser caridoso, é necessário que tenhamos amor pelos semelhantes, pela natureza, pela criação e, absolutamente ninguém nos ensina como fazer para ter amor pelos demais.

      Moisés respondeu: Suas questões são interessantes principalmente para um leigo das questões espíritas...

      Conf: mas foi justamente devido a me considerar “leigo em relação às questões espíritas” que fiz o comentário que está citado acima; e me considero “leigo” devido a não conseguir entender muitas coisas da doutrina que vc e os amigos, pelo que dizem, “entendem” perfeitamente.

      Não consigo, meu velho, nem mesmo entender o fato do porq uns são bons e outros são maus. Na doutrina não existe esse esclarecimento. A doutrina ensina que uns são bons e outros são maus porq escolheram ser assim; que aquele que é bom, é bom porq escolheu ser bom, e aquele que é mau, é mau porq escolheu ser mau, não é isso?

      Sinceramente, meu amigo, vc entende isso? Porq alguém escolheria ser mau??!! Vc, se pode escolher ser bom, porq escolheria ser mau?!!!

      Veja: segundo a doutrina, e tendo em vista a perfeita justiça divina, no princípio, somos todos perfeitamente iguais, nem inclinados para o bem, nem para o mal; não é isso que a DE diz? E, se é assim, porq uns escolherão ser bons e outros maus, se somos perfeitamente iguais? Se somos perfeitamente iguais como nossas escolhas poderão ser desiguais?

      Diz a doutrina: a causa disso está no uso diferente que fazemos do livre-arbítrio! Mas, se somos todos perfeitamente iguais, o uso que fazemos do livre-arbítrio tb será perfeitamente igual para todos!! Se somos perfeitamente iguais porq nossos livres-arbítrios não são, também, perfeitamente iguais??!! O livre-arbítrio permite escolher entre o bem e o mal mas, é evidente, que não faz que seres perfeitamente iguais façam escolhas desiguais! E se somos perfeitamente iguais, qual é a causa de nossas escolhas serem tremendamente desiguais??!!

...
Título: Re: Fora da caridade não há salvação
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 10 de Agosto de 2016, 14:02
Olá Luis
Gosto muito de suas indagações
E acredito que obterás as respostas corretas para as suas indagações
e não me incomodo que elas  não seja no espiritismo
Com isso eu não me preocupo
E nem me incomodo

Mas antes de tudo atentemo-nos para as bases de nossas indagações
e para os princípios da Doutrina dos Espíritos

A doutrina nos ensina que somos indivíduos únicos
Logo não há indivíduos iguais
e pelo visto por mais que haja espécies iguais na natureza
Elas se diferem uma das outras
e com os homens não é diferente
Por mais que haja regiões onde predominam as mesmas características
Observemos que se diferenciam em muito em cada detalhe que observarmos
nesta respectiva região
Assim também não é diferente conosco

Uma coisa interessante é o principio de nossas existências 
A Doutrina diz que pertence a Deus tal saber
e que não temos recursos em nosso sentidos para compreender tal questão
Ou seja foge a nossa percepção

Quanto a questão do livre arbítrio
Somente pelo fato de conter a palavra livre
e a palavra arbitre
já nos diz que implica em diferenças nas escolhas dos indivíduos
Já nos deixa claro que não há igualdade nos passos que cada um dá

Então

Não está tão difícil para a nossacompreensão
Salvo a questão  de aceitarmos a existência de Deus ou não

Mas ai é um outro assunto
No qual eu não me preocupo
de forma alguma com as opiniões dos outros
Crendo ou não

Para este tópico

Gostaria apenas de saber o que levou o amigo a cometer alguns assassinatos
qual a razão?

E se hoje os cometeria outra vez?

Abraços

PS.

São apenas perguntas simples
Título: Re: Fora da caridade não há salvação
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 10 de Agosto de 2016, 14:07
A Lei da Caridade

Citar
“E estando Jesus assentado defronte donde era o gazofilácio, observava ele de que modo deitava o povo o dinheiro; e muitos, que eram ricos, deitavam com mão larga. E tendo chegado uma pobre viúva, lançou duas pequenas moedas, que importavam um real. E convocando seus discípulos, lhes disse: Na verdade voz digo, que mais deitou esta pobre viúva do que todos os outro que deitaram no gazofilácio. Porque todos os outros deitaram do que tinham na sua abundância; porém esta deitou da sua mesma indulgência tudo o que tinha, e tudo que lhe restava para o seu sustento.”

(Marcos, XII: 41-44 – Lucas, XXI: 1-4)

“A verdadeira caridade faz antes pensar nos outros que em si mesmo”
“O óbolo do pobre, que tira de sua própria privação, pesa mais na balança de Deus que o ouro do rico, que dá sem privar-se de nada.”


(Evangelho Segundo o Espiritismo)

            Para Deus não importa quanto ouro se tem e sim o amor que se tem pelo próximo, dar de sua indulgência significa dar algo de si mesmo, algo que venha de dentro, que venha do coração.
            A viúva dando tudo que tinha além de demonstrar grande amor pelo próximo também demonstra sua grande fé, porque confia na providência divina que tudo provê. “Se Deus veste um simples lírio com tanta beleza” o que dizer do que a providência pode fazer em nosso favor? São necessárias a confiança, a fé e um grande amor ao próximo para praticar a caridade em toda sua plenitude.
            Segundo Carlos Torres Pastorino na obra (Sabedoria do Evangelho) que os ricos que deitavam o dinheiro nogazofiácio trocavam moedas de alto valor por moedas de menor valor, isso aumentava a quantidade de moedas que ao serem despejadas faziam maior barulho chamando a atenção dos que estavam em volta. A meu ver mais uma faceta da vaidade a conta de caridade, no fundo todos queriam mostrar-se abastados e caridosos, no entanto a viúva que deu de seu sustento soube praticar a caridade com o verdadeiro sentimento de amor por seu irmão e grande confiança no pai.
              A viúva deu o que tinha, então certamente renunciou alguma coisa para que pudesse dar aquelas moedas, importante saber renunciar.
            O Ensinamento também nos remete a uma mudança em nossa escala de valores, parando assim de analisar superficialmente as situações que ocorrem a nossa frente. Porque naquele momento em que a viúva deitava suas moedas, todos olharam com desdém, apenas o mestre que enxerga muito além das aparências compreendeu a atitude de renúncia daquela mulher.
            Valorizar mais o que as pessoas tem de bom, o que está em seus corações, seus sentimentos e não aquilo que possuem na terra, os bens perecíveis dos quais nada levamos, nem o corpo nos pertence, tudo é empréstimo do pai, que nos concede a graça do esquecimento através da vida corpórea para que possamos nos recuperar espiritualmente o mais rápido possível, sem o peso do remorso das faltas cometidas no passado.


“Quando derdes um jantar ou alguma ceia, não chames nem teus amigos, nem teus irmãos, nem teus parentes, nem teus vizinhos que forem ricos, para que não aconteça que também eles te convidem à sua vez, e te paguem com isso; mas quando deres um banquete, convida os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos, e serás bem aventurado, porque estes não tem como te retribuir; mas ser-te-á isso retribuído na ressurreição dos justos. Tendo ouvido essas coisas, um dos que estavam na mesa disse para Jesus: “Bem aventurado o que comer o pão no Reino de Deus.”
(Lucas XIV: 12-15).

            Jesus nos fala claramente que devemos fazer o bem sem esperar retribuição, a verdadeira retribuição segundo Humberto Rodhen é a auto-realização de si mesmo, descobrir que quem dá com alegria é rico, quem precisa receber é um miserável. A participação na abundância quer dizer, na abundância que cada um desfruta, se eu estou na abundância de carinho, devo servir o banquete do carinho, se estou na abundância do afeto, devo dividir com os meus irmãos esta abundância e do ponto de vista material se tenho em abundância, por que não dividir com o meu irmão mais necessitado?
          A caridade pode ser material ou moral. Nos diz o Evangelho Segundo o Espiritismo que a caridade moral consiste em voz suportardes uns aos outros. (Tolerância), acredito que seja o que estamos mais habilitados a fazer, enquanto não conseguirmos vislumbrar a Lei Suprema!
Nos diz também que não se incomodar com as faltas alheias é caridade moral.


"A caridade pode ser feita em pensamento, em palavras e em ações. Em pensamento, orando pelos pobres abandonados, em palavras dirigindo aos vossos companheiros alguns conselhos".

(Um espírito protetor, Evangelho Segundo o Espiritismo) 

“É na caridade que deveis procurar a paz do coração, o contentamento da alma, o remédio para as aflições da vida”.

(Adolfo, Bispo de Alger, Bordeaux, 1861, Evangelho Segundo o Espiritismo)
Título: Re: Fora da caridade não há salvação
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 10 de Agosto de 2016, 14:22

...
...
Oração para quando você for caluniado

"Senhor, quem pode habitar na tua tenda?
E morar no teu santo monte?
Aquele que vive sem culpa, age com justiça e fala a verdade no seu coração; que não diz calúnia com sua língua, não causa dano ao próximo e não lança insulto ao vizinho.
A seus olhos é desprezível o malvado, mas honra quem respeita o Senhor.
Mesmo se jura com prejuízo para si, não muda;
se empresta dinheiro é sem usura, e não aceita presentes para condenar o inocente.
Quem agir deste modo ficará firme para sempre"

(SI 15[14], 1-5).

Senhor, concede-me forças para suportar as calúnias lançadas contra minha pessoa.
Enche minha alma de bênçãos e preserva minha língua de proferir palavras maldosas, sobretudo de lançar falso testemunho contra quem quer que seja.
Que eu pratique a justiça para ser merecedor do teu amor.
Jesus!
Ensina-me a conter meus impulsos de vingança e,
apesar das marcas profundas que ficaram gravadas em meu ser,
dá-me o dom de perdoar aqueles que fizeram uso de maledicências com o objetivo de prejudicar-me.

Obrigado, Senhor, pela tua Palavra, que me dá esperança!
Obrigado, Senhor, pela tua justiça, que me dá segurança!
Obrigado, Senhor, pelo teu amor, que me dá a paz! Amém!

"Socorre-me, Senhor, meu Deus;
salva-me segundo tua bondade"

(SI 109[108],26).

Rosemary de Ross - Trecho do livro: Mensagens e orações para diversas situações do dia a dia - Paulinas Editora
Título: Re: Fora da caridade não há salvação
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 10 de Agosto de 2016, 14:31
Testemunho

Citar
"Respondeu-lhe Jesus:
- Dizes isso de ti mesmo ou foram outros que to disseram de mim?" -
(JOÃO, capítulo 18, versículo 34.)

A pergunta do Cristo a Pilatos tem significação mais extensiva. Compreendemo-la, aplicada às nossas experiências religiosas.

Quando encaramos no Mestre a personalidade do Salvador, por que o afirmamos? estaremos agindo como discos fonográficos, na repetição pura e simples de palavras ouvidas?

É necessário conhecer o motivo pelo qual atribuímos títulos amoráveis e respeitosos ao Senhor. Não basta redizer encantadoras lições dos outros, mas viver substancialmente a experiência íntima na fidelidade ao programa divino.

Quando alguém se refere nominalmente a um homem, esse homem pode indagar quanto às origens da referência.

Jesus não é símbolo legendário; é um Mestre Vivo.

As preocupações superficiais do mundo chegam, educam o espírito e passam, mas a experiência religiosa permanece.

Nesse capítulo, portanto, é ilógico recorrermos, sistematicamente, aos patrimônios alheios.

É útil a todo aprendiz testificar de si mesmo, iluminar o coração com os ensinos do Cristo, observar-lhe a influência excelsa nos dias tranqüilos e nos tormentosos.

Reconheçamos, pois, atitude louvável no esforço do homem que se inspira na exemplificação dos discípulos fiéis; contudo, não nos esqueçamos de que é contraproducente repousarmos em edificações que não nos pertencem, olvidando o serviço que nos é próprio.
Título: Re: Fora da caridade não há salvação
Enviado por: lconforjr em 11 de Agosto de 2016, 05:13
Re: Fora da caridade não há salvação

      Ref resp #28 em: 10 08 16, às 14:02, de Moisés de Cerq.

      Moisés escreveu: Gosto muito de suas indagações. E acredito que obterás as respostas corretas para as suas indagações e não me incomodo que elas não seja no espiritismo... Mas antes de tudo atentemo-nos para as bases de nossas indagações e para os princípios da Doutrina dos Espíritos.

      Conf: concordo, e é exatamente isso que estou fazendo: uma indagação pertinente ao tema desde tópico. Por isso fiz a indagação e o comentário anterior que repito aqui:

      Comentário: “Pois vejam: ‘se fora da caridade não há salvação’, estamos todos perdidos; ninguém será salvo pois, para ser caridoso, é necessário que tenhamos amor pelos semelhantes, pela natureza, pela criação e, absolutamente ninguém nos ensina como fazer para ter amor pelos demais... Não consigo, meu velho, nem mesmo entender o fato do porq uns são bons e outros são maus. Na doutrina não existe esse esclarecimento”.

      Indagação: “A doutrina ensina que uns são caridosos e outros não são caridosos porq escolheram ser assim; que aquele que é caridoso, é caridoso porq escolheu ser caridoso, e aquele que não é caridoso, não é caridoso porq escolheu não ser caridoso, não é isso?” (troquei a palavra “bom” pela palavra “caridoso” porq, no fundo, significam a mesma coisa).

      A resposta para a questão sobre "quem ensina a ter amor pelos semelhantes" e sobre "qual é a causa de um ser caridoso e outro não ser", ou sobre "porq uns escolhem ser caridosos e outros não" não existe na doutrina?!! Está fora do espiritismo?!! Se o espiritismo não tem essa resposta como será possível entender a DE, se tudo que está nela está ligado ao fato de uns serem caridosos e outros não, até mesmo a salvação, como está no titulo que vc deu ao tópico?!!!
...
      (Ao amigo, necessito interromper aqui; o restante da resposta para sua msg/resp, farei mais tarde).
.
Título: Re: Fora da caridade não há salvação
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 11 de Agosto de 2016, 12:13
Re: Fora da caridade não há salvação

      Ref resp #28 em: 10 08 16, às 14:02, de Moisés de Cerq.

      Moisés escreveu: Gosto muito de suas indagações. E acredito que obterás as respostas corretas para as suas indagações e não me incomodo que elas não seja no espiritismo... Mas antes de tudo atentemo-nos para as bases de nossas indagações e para os princípios da Doutrina dos Espíritos.

      Conf: concordo, e é exatamente isso que estou fazendo: uma indagação pertinente ao tema desde tópico. Por isso fiz a indagação e o comentário anterior que repito aqui:

      Comentário: “Pois vejam: ‘se fora da caridade não há salvação’, estamos todos perdidos; ninguém será salvo pois, para ser caridoso, é necessário que tenhamos amor pelos semelhantes, pela natureza, pela criação e, absolutamente ninguém nos ensina como fazer para ter amor pelos demais... Não consigo, meu velho, nem mesmo entender o fato do porq uns são bons e outros são maus. Na doutrina não existe esse esclarecimento”.

      Indagação: “A doutrina ensina que uns são caridosos e outros não são caridosos porq escolheram ser assim; que aquele que é caridoso, é caridoso porq escolheu ser caridoso, e aquele que não é caridoso, não é caridoso porq escolheu não ser caridoso, não é isso?” (troquei a palavra “bom” pela palavra “caridoso” porq, no fundo, significam a mesma coisa).

      A resposta para a questão sobre "quem ensina a ter amor pelos semelhantes" e sobre "qual é a causa de um ser caridoso e outro não ser", ou sobre "porq uns escolhem ser caridosos e outros não" não existe na doutrina?!! Está fora do espiritismo?!! Se o espiritismo não tem essa resposta como será possível entender a DE, se tudo que está nela está ligado ao fato de uns serem caridosos e outros não, até mesmo a salvação, como está no titulo que vc deu ao tópico?!!!
...
      (Ao amigo, necessito interromper aqui; o restante da resposta para sua msg/resp, farei mais tarde).
.

Tudo bem Luis
e se puder ler a minha resposta a sua  postagem te agradeço
e
também
se puder contribuir com o tema
para os nossos estudos também te agradeço
seria sim,
muito importante para o concurso do estudo mensal

Falarmos sobre a caridade e a salvação
nas temáticas espiritas

Abraços
Título: Re: Fora da caridade não há salvação
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 11 de Agosto de 2016, 19:09
Caridade material e caridade moral
Por Rose Mary Grebe

A caridade material, como sabemos é aquela que muitos de nós já aprendemos a fazer. Normalmente, oferecemos o que nos sobra; nos apiedamos daqueles que têm pouco; dos que passam fome; dos que não têm um teto.

Esta caridade, em parte, conhecemos; embora muitas das vezes temos a necessidade de deixar sempre um "pedacinho da mão" para mostrar que somos nós que fizemos a caridade. Nós fizemos isto, mas muitas vezes não entendemos aqueles a quem estamos ajudando.

A propósito, no livro "Das Leis Morais", de Roque Jacinto, encontramos um alerta: " O homem quando se condena a pedir esmolas, estendendo a mão em busca de algum auxílio, com o tempo se degrada moral e fisicamente, embrutecendo-se."

Seria importante refletirmos um pouco sobre este tipo de pessoa, que muitas vezes nos bate à porta. Imaginemos :

- que humilhante ter que pedir;

- não ter onde dormir;

- buscar emprego e não conseguir, por falta de especialização, documentos, pela desconfiança que nós temos. É a situação de muitos retirantes, que vão tentar a vida em outro lugar e acabam nesta situação.

- isto acaba gerando, em muitas situações: o desânimo, vício, (álcool, roubo) embrutecimento;

- uma outra questão: às vezes o mais necessitado, pelo medo de sofrer a humilhação, não pede, sofre em silêncio;

Roque Jacinto, no mesmo livro também diz que a verdadeira caridade é sempre bondosa e benevolente e está tanto no ato da doação, como na maneira de fazê-la, já que tem um duplo valor quando feita com delicadeza. Foi por isso que Jesus alertou: "Que sua mão esquerda ignore o que faz a direita", ensinando-nos, assim, a não manchar com o orgulho o ato da caridade.

A sociedade deverá assegurar a existência daqueles que, por circunstâncias diversas não possam trabalhar, sem deixar-lhes a vida à mercê do acaso e da boa vontade de alguns. E quando falamos das riquezas, vale lembrar, devemos entender que ninguém recebe uma grande fortuna só para si.

A caridade moral

LE 886. Qual o verdadeiro sentido da palavra caridade?
Benevolência para com todos, indulgência para com as imperfeições alheias e perdão das ofensas.

Como é difícil sermos indulgentes e benevolentes para com as limitações alheias. Nós sempre achamos que os outros têm a obrigação de entender tudo o que queremos, tudo o que dizemos. Nos esquecemos de que somos colocados entre Espíritos mais evoluídos e menos evoluídos.

Por isso temos que entender que, do mesmo jeito que muitas vezes queremos que os outros tenham paciência conosco, porque não entendemos as coisas, nós também temos que ter a paciência, benevolência para com os outros.

Alerta-nos Roque Jacinto para a indulgência em relação aos defeitos dos nossos semelhantes, não acusando, desprezando, julgando. Mas, sempre que possível dando o exemplo, instruindo.

Muitas das vezes, aquilo que mais abominamos no outro, é um grande defeito nosso, que procuramos esconder de todas as maneiras.

Para fazermos a caridade moral precisamos estar muito atentos a nós mesmos, cuidando:

- não fazendo julgamentos;

- suportando, muitas vezes, as diferenças;

- sabendo ouvir, muitas vezes o que o outro precisa é só que alguém o escute;

- confortando nas horas difíceis, naquelas horas que somem todos; (amigos)

- dando o nosso abraço sincero;

- colocando-nos a disposição, oferecendo nosso tempo;

O dar de si é importante. Ou melhor: é a única coisa realmente nossa que podemos dar: a nossa disponibilidade em servir. Do resto somos usufrutuários.

Tudo isto é caridade. Também é caridade orarmos pelos que sofrem, pelos que estão em desespero, pelos que são nossos inimigos. De um jeito ou de outro, todos somos capazes de fazer caridade, desde que tenhamos a sinceridade e boa vontade em nossos corações.

A caridade é a viga mestra de todas as virtudes. Dela é que derivam outras virtudes que nos impulsionam à perfeição. Quanto mais secreta, mais valor terá..

Necessidade da caridade, segundo S. Paulo, não pode faltar em nossas reflexões:

Ainda quando eu falasse todas as línguas dos homens e língua dos próprios anjos, se eu não tiver caridade, serei como o bronze que soa e um címbalo que retine; - ainda quando tivesse o dom da profecia, que penetrasse todos os mistérios, e tivesse perfeita ciência de todas as coisas; ainda quando tivesse toda a fé possível, até o ponto de transportar montanhas, se não tiver caridade, nada sou. - E, quando houvesse distribuído os meus bens para alimentar os pobres e houvesse entregado meu corpo para ser queimado, se não tivesse caridade, tudo isso de nada me serviria.

A caridade é paciente; é branda e benfazeja; a caridade não é invejosa; não é temerária, nem precipitada; não se enche de orgulho; - não é desdenhosa; não cuida de seus interesses; não se agasta, nem se azeda com coisa alguma; não suspeita mal; não se rejubila com a injustiça, mas se rejubila com a verdade; tudo suporta, tudo crê, tudo espera, tudo sofre.

Agora, estas três virtudes: a fé, a esperança e a caridade permanecem; mas, dentre elas a mais excelente é a caridade. ( S. Paulo/ Epístola aos Coríntios. )

Caridade material e caridade Moral

" O homem quando se condena a pedir esmolas, estendendo a mão em busca de algum auxílio, com o tempo se degrada moral e fisicamente, embrutecendo-se."
JACINTO, Roque. Das Leis Morais.

- é humilhante ter que pedir;

-  não ter onde dormir;

- buscar emprego e não conseguir;

- isto acaba gerando, em muitas situações: o desânimo, vício, embrutecimento;

- às vezes, o mais necessitado, pelo medo de sofrer a humilhação, não pede, sofre em silêncio.

A sociedade deverá assegurar a existência daqueles que, por circunstâncias diversas não possam trabalhar, sem deixar-lhes a vida à mercê do acaso e da boa vontade de alguns.

LE 886. Benevolência para com todos, indulgência para com as imperfeições alheias e perdão das ofensas.

A caridade moral

- não julgar;

- suportar as diferenças;

- saber ouvir;

- confortar nas horas difíceis;

- dar um abraço sincero;

- colocar-se à disposição
Título: Re: Fora da caridade não há salvação
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 13 de Agosto de 2016, 00:34
A caridade vem de dentro
Jorge Gomes

Revista de Espiritismo nº. 34 - FEP

Caridade. Para o espiritismo é a virtude máxima. É indiscutível que começa em casa, e, em síntese, é o amor em movimento.

Na óptica espírita, o oposto da caridade é o egoísmo. Ela é generosa, ele é mesquinho.
Não está em causa o manicaísmo resultante das concepções que se recusam a ver o ser humano como alguém submetido ao trabalho da sua própria evolução: todo o bem de um lado, do outro o mal. Herculano Pires já dissertou com mestria sobre a função do egoísmo nos horizontes evolutivos de onde vimos, via reencarnação, na sua obra «Curso Dinâmico de Espiritismo». O egoísmo é uma forma de comportamento que estamos a abandonar e que encontra as suas causas profundas no eterno desejo de estar bem, embora siga, é claro, pelo caminho errado. Ser não é possuir. Estar não é ser.

Não justifiquemos por isso o egoísmo, a que estamos a deixar de tender, quando se percebe que já temos condições de melhorar.

Essa tendência no percurso evolutivo de qualquer pessoa é parecida com a corrente de um curso de água na busca do oceano. Os rios, a partir da nascente, são rápidos, de leito abrupto, mas amansam à medida que atingem o mar e que envelhecem. Na evolução é também assim. E estamos no início, não nos iludamos.

Tão inconsciente é essa tendência de sermos egoístas, como se compreende, que agimos com ele, vindo de nós próprios, nas suas diversas roupagens sociais - a veste familiar, o pano comunitário e a farda nacional.

Resultados

Viver por viver não satisfaz. É importante viver bem. Seja neste plano de vida material, seja no Além. O egoísmo resseca, desalenta, infelicita. O amor refaz, desanuvia, alegra, e jamais se desgasta, tanto mais quanto mais depurado é. Isso porque é a meta evolutiva a que tendemos, em estágios mais amadurecidos.

A caridade - nada mais que o amor em movimento - é a grande desconhecida. Passa na história da Humanidade com personagens memoráveis, e assim sonhamos tê-la connosco. O grande problema é o de a conquistar: ela não se compra nem se transfere de uns para outros. Adquire-se, construindo-a no imo. Não é um objecto.

Também não é obra construída de agora para logo ou de hoje para amanhã, como um produto acabado. O psiquismo humano é complexo, como se se compusesse de diversas camadas que se justapõem numa individualidade una e única.

Um mergulho de superfície na caridade não é de desperdiçar. Mas daí a acreditar-se que o problema de a assimilar é imediato e rápido vai um longo caminho que desmente essa ilusão: o da experiência.

É compreensível: evoluir, amadurecer espiritualmente, não é seguir regras de fora para dentro, memorizar, mas sim debater ideias, estudar, aprender, testar, vivenciar para constituir sabedoria. E esta, património irreversível (quando muito apenas ocultado temporariamente via reencarnatória ou outra), segundo as situações concretas, verte atitudes luminosas de dentro para fora, sem esperar ou desejar aplauso, que não seja o da sua consciência feliz.

Ser e parecer

Caridade não é «caridadezinha». Temos uma amiga cuja prática é admirável. Integra uma equipa directora de uma associação de protecção à infância. Há algum tempo houve um jantar beneficente ilustrado com quem dizem ser o herdeiro da extinta coroa portuguesa. Esgotados os lugares, entre os sócios houve uma senhora que ficou ofendida por não lhe reservarem bilhetes ao ponto de entre impropérios dizer que ia deixar de ser sócia.

É um exemplo clássico. A contribuição dessa senhora revoltada feita até à data não perdeu valor. Ela é que rejeita a alegria de continuar a colaborar na satisfação das necessidades dessas crianças em séria dificuldade. Essa mistura do egoísmo e do orgulho com a caridade não é coisa fácil de erradicar. Porquê?

Porque a evolução para ser real, autêntica, tem de ser amadurecida em todas as camadas do nosso psiquismo, das mais superficiais para as mais profundas, e só quando atinge, se sedimenta nestas é que se torna mais frequente.

Vejamos a definição elevada, sucinta, clara e completa de «O Livro dos Espíritos»:

Allan Kardec: - Qual o verdadeiro sentido da palavra caridade, como a entende Jesus?

Resposta: - Benevolência para com todos, indulgência para com as imperfeições alheias, perdão das ofensas.

Doação imaterial

Caridade é doação afectiva, desinteressada, espontânea. Traz aos destinatários um bem-estar real, não um gozo periférico. O espírito Emmanuel, numa mensagem ensina que ficamos apenas com o que damos.

Caridade é a fraternidade que acompanha o gesto, a atitude interior. Não é o gesto visualizado. Este pode apenas querer parecer, para merecer o aplauso mundano, conforme descreve o Evangelho.

Pensar nos outros, nas suas dificuldades. Ajudar... sem atrapalhar.

Neste cenário, contudo, quando uma mão se estende para auxiliar, torna-se necessário, em geral, que haja uma mão que queira receber. Este é um dos maiores entraves ao processo de aproximação que envolve a caridade. Os espíritos mais sábios sabem «convencer» o necessitado a aceitar a contribuição fraterna, ao cativá-lo, sensibilizando-o.

A caridade vai-se sedimentando no nosso comportamento tanto mais quanto mais o quisermos, sem angústias ou pressas. E começa nas mais pequeninas coisas. Às vezes ajuda reflectir no lado bom das pessoas mais próximas, em casa, no trabalho, na rua, ou das circunstâncias. Pensar na caridade sem ser de cima para baixo, como sendo eu o bom e o outro o desgraçado. Somos seres que caminhamos lado a lado, todos necessitados do amparo recíproco. Temos momentos melhores umas vezes, de outras têm os outros.

O que não resulta, por certo, é fazer cobranças a outrem, porque é melhor convencermo-nos, em benefício próprio, que ninguém - mas mesmo ninguém - tem qualquer obrigação de ser caridoso connosco, mas, de facto, nós próprios temos a maior obrigação de ser caridosos com os demais, entendendo-os, perdoando o que houvesse a perdoar, agradecendo a quota de generosidade com que de uma forma ou de outra nos beneficiam...

E aí, caridade pode ser o silêncio de alguém que nos tolera algum desassossego.

Os amigos

Às vezes, irreflectidamente, acreditamos que os nossos amigos são aqueles que jamais nos apontam os enganos, que nos dizem que somos os maiores do mundo, que nos batem nas costas, mesmo quando estamos quase a caminho de um colapso de consciência.

Caridade não é aplaudir, apoiar a asneira. É manter a fraternidade de, na altura certa, sem violência, dizer o que se pensa, mesmo que não nos seja perguntado directamente.

Dar mais espaço a alguém em caminhada acelerada para estertorosa queda não é ser seu amigo. Aparecer como se lhe desse apoio, isso não é ajudá-lo.

A caridade não exclui a disciplina nem uma conduta coerente, mas sem agressividade.

Caridade social

A nossa tendência a tomar os conteúdos pela forma conduz a confusões como as de considerar que a prática da caridade para ser autêntica obriga a participar necessariamente - e em casos extremos até a criar - em obras de assistência social como orfanatos, hospitais, lares de idosos. Diz-se que o movimento espírita brasileiro passou a ser respeitado pelas obras dessa índole que foi criando com muito altruísmo. Até pode ser. Mas o facto é que o que dignifica mesmo, e passa uma boa impressão para quem não é espírita, é a conduta da pessoa em causa: o seu equilíbrio, a sua brandura, a sua paz, a sua capacidade de perdoar, numa palavra o seu timbre de caridade.

Esta virtude não nasce de fora para dentro, a partir de regulamentos: é manifestação afectiva de dentro para fora. A base da caridade assenta na sensibilidade, no conhecimento, no discernimento.

Depois, a caridade não tem rótulo. Não existe uma caridade espírita, outra budista, etc.. O amor em movimento - a caridade - é universalista, ajuda sem olhar a quem, levantando o ser para a dignificação de si próprio. É louvável matar a fome e a sede a quem a tem, inquestionavelmente. Mas proporcionar-lhe educação para prover a si próprio é o mais desejável. A maior caridade não será a divulgação do espiritismo?
Título: Re: Fora da caridade não há salvação
Enviado por: lconforjr em 13 de Agosto de 2016, 22:31
Re: Fora da caridade não há salvação

      Ref resp #33 em: 11 08 16, 12:13, de Moisés de Cerq.

      Moisés, vc disse: Tudo bem Luis, e se puder ler a minha resposta a sua postagem te agradeço e também se puder contribuir com o tema para os nossos estudos também te agradeço; seria sim, muito importante para o concurso do estudo mensal... Falarmos sobre a caridade e a salvação nas temáticas espiritas

      Conf, e eu lhe respondo: concordo, e é isso que sempre estou procurando fazer, embora alguns amigos não compreendam: contribuir para o estudo dos temas que aqui são apresentados; é exatamente essa a minha intenção, por isso mesmo, como já te disse várias vezes, tenho feito tantas perguntas com a intenção de, como a DE manda, que raciocinemos para entender os temas pois, vc há de concordar, que nada é melhor para fazer raciocinar do que refletir para responder as perguntas que nos fazem, certo?

      E sempre leio suas postagens, mas nelas vc tb nunca disse o que sempre desejo saber: o que a doutrina ensina sobre o fato de uns terem amor e outros não!

      Vc disse, então, que “antes de tudo atentemo-nos para as bases de nossas indagações e para os princípios da Doutrina dos Espíritos”

      E eu lhe respondi: concordo, e é exatamente isso que estou fazendo: uma indagação pertinente ao tema desde tópico, pois perguntei: “se fora da caridade não há salvação”, então estamos todos perdidos, já que ninguém sabe nos ensinar como fazer para sermos caridosos, pois ser caridoso não é, simplesmente, ajudar os demais, mas ter, no coração, o sentimento de amor pelos demais!

        Vc mesmo, amigo, Moisés, já sente amor pelos demais, pelos homens e pelos animais, pela criação? Se sente, como vc fez adquirir essa virtude? Foi por sua própria vontade de possuir amor, ou porq? Raciocine: se foi pela sua vontade, que vc consegue amar o próximo, qual será a causa de nem todos terem essa vontade que vc teve? E, se temos amor, somos bons, solidários, humildes, calmos, pacientes, é porq queremos ser assim, ou porq? Qual é, para vc, a causa de uns terem amor e outros não? De uns serem bons e outros maus?

      Na própria DE não encontrei nada que esclarecesse sobre isso? Vc encontrou?
  ...
Título: Re: Fora da caridade não há salvação
Enviado por: Vitor Santos em 14 de Agosto de 2016, 14:21
Olá amigo Moisés

Excelente escolha este artigo brilhante do Jorge Gomes. Dá que pensar e ajuda bastante a entende o que significa caridade. Como vocês dizem, aí no Brasil: valeu!

Bem hajas
Título: Re: Fora da caridade não há salvação
Enviado por: lconforjr em 15 de Agosto de 2016, 00:52
Re: Fora da caridade não há salvação

      Ref resp #28 em: 10 08 16, às 14:02, de Moisés de Cerq.

      Moisés escreveu: Gosto muito de suas indagações. E acredito que obterás as respostas corretas para as suas indagações e não me incomodo que elas não seja no espiritismo... Mas antes de tudo atentemo-nos para as bases de nossas indagações e para os princípios da Doutrina dos Espíritos.

      Conf: concordo, e é exatamente isso que estou fazendo: um comentário relativo ao tema desde tópico. “se fora da caridade não há salvação’, estamos todos perdidos; ninguém será salvo pois, para ser caridoso, é necessário que tenhamos amor pelos semelhantes, pela natureza, pela criação e, absolutamente ninguém nos ensina como fazer para ter amor pelos demais... Não consigo, meu velho, nem mesmo entender o fato do porq uns são bons e outros são maus. Na doutrina não existe esse esclarecimento”.

      E escrevi isto: “pois a doutrina apenas ensina que aquele que é caridoso, é caridoso porq escolheu ser caridoso, e aquele que não é caridoso, não é caridoso porq escolheu não ser caridoso, não é isso?” Mas não ensina porq um escolheu ser caridoso e outro escolheu não ser caridoso!

      A resposta para essa indagação não existe na doutrina?!! Está fora do espiritismo?!!

      Moisés: A doutrina nos ensina que somos indivíduos únicos. Logo não há indivíduos iguais...

      Conf: amigo, estamos nos referindo ao princípio; depois, tb não sabemos porq, pois a doutrina não explica, todos passamos a ser desiguais. No princípio, segundo a doutrina, somos todos perfeitamente iguais, inclusive em relação a todos os quesitos necessários à evolução; não fosse assim, não haveria justiça. E a questão aqui, então, é esta: qual é a causa de termos nos tornado tão gigantescamente desiguais, que uns seguem, desde o princípio, o caminho do bem e outros, tb desde o princípio, o do mal?

      Moisés: Quanto a questão do livre arbítrio. Somente pelo fato de conter a palavra livre e a palavra arbítrio já nos diz que implica em diferenças nas escolhas dos indivíduos, já nos deixa claro que não há igualdade nos passos que cada um dá.

      Conf: com essa resposta vc está apenas repetindo palavras da doutrina, mas sem raciocinar, sem questionar; pois, raciocine agora: se somos perfeitamente iguais porq, qual é a causa de nossos livres-arbítrios, nossas escolhas não serem tb perfeitamente iguais? Em tudo iguais, menos no livre-arbítrio!!!!!!!

      Moisés: Gostaria apenas de saber o que levou o amigo a cometer alguns assassinatos, qual a razão?

      Conf: a mesma razão que levou vc a cometer assassinatos!

      Moisés: E se hoje os cometeria outra vez?

      Conf: como tb deve acontecer com vc, acredito que não cometeria outra vez, embora nem vc, nem eu, e absolutamente ninguém, senão aqueles que já se iluminaram, conhecemos os limites de nossa força de resistir, em todas as situações, à vontade de cometê-los!

      Abraços e tenha uma ótima semana!
....


Título: Re: Fora da caridade não há salvação
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 15 de Agosto de 2016, 13:53
Olá amigo Moisés

Excelente escolha este artigo brilhante do Jorge Gomes. Dá que pensar e ajuda bastante a entende o que significa caridade. Como vocês dizem, aí no Brasil: valeu!

Bem hajas

Olá Vitor
Também gostei deste texto
As  observações de muitos estudiosos nos ajudam e muito

Valeu mesmo

rs
Título: Re: Fora da caridade não há salvação
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 15 de Agosto de 2016, 14:20
Re: Fora da caridade não há salvação

      Ref resp #33 em: 11 08 16, 12:13, de Moisés de Cerq.

      Moisés, vc disse: Tudo bem Luis, e se puder ler a minha resposta a sua postagem te agradeço e também se puder contribuir com o tema para os nossos estudos também te agradeço; seria sim, muito importante para o concurso do estudo mensal... Falarmos sobre a caridade e a salvação nas temáticas espiritas

      Conf, e eu lhe respondo: concordo, e é isso que sempre estou procurando fazer, embora alguns amigos não compreendam: contribuir para o estudo dos temas que aqui são apresentados; é exatamente essa a minha intenção, por isso mesmo, como já te disse várias vezes, tenho feito tantas perguntas com a intenção de, como a DE manda, que raciocinemos para entender os temas pois, vc há de concordar, que nada é melhor para fazer raciocinar do que refletir para responder as perguntas que nos fazem, certo?
Olá Luis
Nestes objetivos de estudos e para os estudos é que nos agradecemos uns aos outros e consequentemente
todos aprendemos
Citar
      E sempre leio suas postagens, mas nelas vc tb nunca disse o que sempre desejo saber: o que a doutrina ensina sobre o fato de uns terem amor e outros não!
Sim, tenho observado o seu insistente apontamento
parece-me que é algo bem particular do entendimento
Pois somente você apresenta estes questionamento
Confesso que já observei estes questionamentos vindo dos grupos dos ateus
mas creio que não é o seu caso
Não que isso fosse agravante
Citar
      Vc disse, então, que “antes de tudo atentemo-nos para as bases de nossas indagações e para os princípios da Doutrina dos Espíritos”

      E eu lhe respondi: concordo, e é exatamente isso que estou fazendo: uma indagação pertinente ao tema desde tópico, pois perguntei: “se fora da caridade não há salvação”, então estamos todos perdidos, já que ninguém sabe nos ensinar como fazer para sermos caridosos, pois ser caridoso não é, simplesmente, ajudar os demais, mas ter, no coração, o sentimento de amor pelos demais!
Luis!
se cremos que os espíritos se manifestam
se cremos que eles foram criados simples e ignorantes
se cremos que há espíritos puros
se cremos que Deus não cessa de criar
Convenhamos
Que não estamos perdidos
Pois se o próprio Jesus
nos coloca que o que ele fez todos podermos fazer
logo!
Concluí-se pelo conjunto da  obra observada
Que não estamos perdidos
e se estamos no momento
não estaremos para o sempre

valeu?
Citar
        Vc mesmo, amigo, Moisés, já sente amor pelos demais, pelos homens e pelos animais, pela criação?
Se sente, como vc fez adquirir essa virtude?
Foi por sua própria vontade de possuir amor, ou porq?
Raciocine: se foi pela sua vontade, que vc consegue amar o próximo, qual será a causa de nem todos terem essa vontade que vc teve?
E, se temos amor, somos bons, solidários, humildes, calmos, pacientes, é porq queremos ser assim, ou porq?
 Qual é, para vc, a causa de uns terem amor e outros não? De uns serem bons e outros maus?

      Na própria DE não encontrei nada que esclarecesse sobre isso? Vc encontrou?
  ...


É complicado ser juiz de causa própria
Eu sigo a doutrina em estudo e em busca de aplicar-me
pelo próprio exemplo dos elementos que ela nos expõe, que nos favorece
Os assuntos da DE mostram a mim a minha realidade
o mais
que posso fazer
mas creio que o amigo encontrará respostas

valeu!
Título: Re: Fora da caridade não há salvação
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 15 de Agosto de 2016, 14:35
Re: Fora da caridade não há salvação

      Ref resp #28 em: 10 08 16, às 14:02, de Moisés de Cerq.

      Moisés escreveu: Gosto muito de suas indagações. E acredito que obterás as respostas corretas para as suas indagações e não me incomodo que elas não seja no espiritismo... Mas antes de tudo atentemo-nos para as bases de nossas indagações e para os princípios da Doutrina dos Espíritos.

      Conf: concordo, e é exatamente isso que estou fazendo: um comentário relativo ao tema desde tópico. “se fora da caridade não há salvação’, estamos todos perdidos; ninguém será salvo pois, para ser caridoso, é necessário que tenhamos amor pelos semelhantes, pela natureza, pela criação e, absolutamente ninguém nos ensina como fazer para ter amor pelos demais... Não consigo, meu velho, nem mesmo entender o fato do porq uns são bons e outros são maus. Na doutrina não existe esse esclarecimento”.

      E escrevi isto: “pois a doutrina apenas ensina que aquele que é caridoso, é caridoso porq escolheu ser caridoso, e aquele que não é caridoso, não é caridoso porq escolheu não ser caridoso, não é isso?” Mas não ensina porq um escolheu ser caridoso e outro escolheu não ser caridoso!

 A resposta para essa indagação não existe na doutrina?!! Está fora do espiritismo?!!
Acredito Luis
que a pratica da oração nos ajuda e muito
oremos e confiemos
Orar é dialogar
se hoje não compreendemos algo
isso não nos impede a existência
Por ser um raciocínio tal entendimento
Não implica que devemos aceitar
mas convenhamos
aceitar as nossas limitações
pelo mento
Citar
     

      Moisés: A doutrina nos ensina que somos indivíduos únicos. Logo não há indivíduos iguais...

      Conf: amigo, estamos nos referindo ao princípio; depois, tb não sabemos porq, pois a doutrina não explica, todos passamos a ser desiguais. No princípio, segundo a doutrina, somos todos perfeitamente iguais, inclusive em relação a todos os quesitos necessários à evolução; não fosse assim, não haveria justiça. E a questão aqui, então, é esta: qual é a causa de termos nos tornado tão gigantescamente desiguais, que uns seguem, desde o princípio, o caminho do bem e outros, tb desde o princípio, o do mal?

      Moisés: Quanto a questão do livre arbítrio. Somente pelo fato de conter a palavra livre e a palavra arbítrio já nos diz que implica em diferenças nas escolhas dos indivíduos, já nos deixa claro que não há igualdade nos passos que cada um dá.

      Conf: com essa resposta vc está apenas repetindo palavras da doutrina, mas sem raciocinar, sem questionar; pois, raciocine agora: se somos perfeitamente iguais porq, qual é a causa de nossos livres-arbítrios, nossas escolhas não serem tb perfeitamente iguais? Em tudo iguais, menos no livre-arbítrio!!!!!!!

      Moisés: Gostaria apenas de saber o que levou o amigo a cometer alguns assassinatos, qual a razão?

      Conf: a mesma razão que levou vc a cometer assassinatos!

      Moisés: E se hoje os cometeria outra vez?

      Conf: como tb deve acontecer com vc, acredito que não cometeria outra vez, embora nem vc, nem eu, e absolutamente ninguém, senão aqueles que já se iluminaram, conhecemos os limites de nossa força de resistir, em todas as situações, à vontade de cometê-los!

      Abraços e tenha uma ótima semana!
....




Bom acredito que se hoje não somos mais criminosos (claro que foi apneas didático)
alguma razão nos distanciou criteriosamente destas praticas
e parece-nos  que outros ainda não  deixaram estas praticas
por observarmos ainda esta pratica

Você atentou para um dos objetivos da doutrina
que é a do foro intimo
E também observou que há espíritos mais iluminados
e também a necessidade que temos de resistir ainda tais questões
que sabemos nos prejudicaria

vejo exposto um caráter preciso da doutrina quando se diz cientifica
que é o da observação

valeu amigo
avancemos
Título: Re: Fora da caridade não há salvação
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 15 de Agosto de 2016, 14:55
Caridade segundo a Doutrina Espírita 

Citar
“(...) porque terão de responder por todo o bem que podiam fazer e não fizeram (...)” - O Livro dos Espíritos, questão 896.


Na questão 893 de O Livro dos Espíritos, Kardec indaga qual a mais meritória das virtudes, obtendo dos Espíritos a resposta de que é a caridade desinteressada.
Mas o que é caridade segundo a Doutrina Espírita?
Para facilitar a compreensão, pode-se dividi-la em caridade material e moral.

A caridade material compreende aquilo que tem manifestação no mundo físico, devendo ser exercida com desprendimento e amor, sem humilhar quem recebe.
O amor se manifesta na maneira como se dá, não incluindo os que doam algo apenas para se verem livres de quem pede ou para aliviar a consciência, mas sim a atitude realizada com real vontade de auxiliar.
Já o desinteresse consiste em não esperar reconhecimento, gratidão ou retorno de qualquer espécie pela ação realizada, consoante a frase:
 “que a mão esquerda não saiba o que dá a mão direita”.
Assim, pode-se dar muito ou pouco, com muito ou pouco amor.

A caridade moral, como a entendia Jesus, é elucidada na questão 886 de O Livro dos Espíritos, como sendo benevolência (boa vontade) para com todos, indulgência (tolerância) para com as imperfeições alheias e perdão das ofensas.
Esse conceito de caridade reúne todos os deveres do ser humano para com seu próximo, podendo ser exercitada através de três perguntas :

A - Ao pensar, julgando ou avaliando o próximo, como devo proceder?
Com indulgência (tolerância);

B - Como deve ser a minha ação para com o meu próximo?
Com benevolência (boa vontade);

C - Como devo receber a ação do próximo? Com perdão.

Assim, a caridade moral pode ser:

* Verbal: palavras que consolam, esclarecem e edificam, prece que aproxima de Deus, silêncio ou suavidade no falar;

* Mental: ondas mentais sob a forma de perdão, prece e amor, emitidas em favor de encarnados e desencarnados;

* gestual: afago fraternal, abraço, aperto de mão, sorriso, carinho;

* passiva: silêncio diante de uma ofensa, atenção perante um desabafo;

* mediúnica: amparo a encarnados e desencarnados através da faculdade mediúnica.

Sempre há condições e oportunidades para o exercício da caridade, pois não há quem não possa doar algo, dedicar atenção a um irmão, vibrar positivamente por alguém;
cada indivíduo, porém, procura e encontra meios de realizar o bem de acordo com a sua evolução espiritual.
Mas, à medida que compreende que fora da caridade não há salvação (evolução), o Espírito esforça-se por praticá-la em suas diversas manifestações, eliminando assim, gradualmente, o orgulho e o egoísmo, na exata proporção que se eleva a Deus.

 .....

1) MASSI, Cosme D. B. A Caridade segundo o Espiritismo. Revista A Reencarnação. FERGS Editora.
2) COELHO, José Marcelo Gonçalves.  Caridade Integral. Revista Internacional de Espiritismo. Editora O Clarim. Novembro de 2001.


CLAUDIA SCHMIDT
(Revista o Consolador
5 de Dezembro de 2010)
Título: Re: Fora da caridade não há salvação
Enviado por: lconforjr em 15 de Agosto de 2016, 21:40
Re: Fora da caridade não há salvação

      Ref resp #40 em: 15 08 16, às 14:20, de Moisés de Cerqueira

      Conf (msg de 13 08 16, 22:31): Moisés, vc disse: Tudo bem Luis, e se puder ler a minha resposta a sua postagem te agradeço e também se puder contribuir com o tema para os nossos estudos também te agradeço; seria sim, muito importante para o concurso do estudo mensal... Falarmos sobre a caridade e a salvação nas temáticas espiritas.

      Conf (msg ant): e eu lhe respondi: concordo, e é isso que sempre estou procurando fazer, embora alguns amigos não compreendam: contribuir para o estudo dos temas que aqui são apresentados; é exatamente essa a minha intenção, por isso mesmo, como já te disse várias vezes, tenho feito tantas perguntas com a intenção de, como a DE manda, que raciocinemos para entender os temas pois, vc há de concordar, que nada é melhor para fazer raciocinar do que refletir para responder as perguntas que nos fazem, certo?

      Moisés: Olá Luis, Nestes objetivos de estudos e para os estudos é que nos agradecemos uns aos outros e consequentemente todos aprendemos.

      Conf (msg ant): E sempre leio suas postagens, mas nelas vc tb nunca disse o que sempre desejo saber: o que a doutrina ensina sobre o fato de uns terem amor e outros não!

      Moisés: Sim, tenho observado o seu insistente apontamento parece-me que é algo bem particular do entendimento Pois somente você apresenta estes questionamento Confesso que já observei estes questionamentos vindo dos grupos dos ateus mas creio que não é o seu caso... Não que isso fosse agravante.

      Conf: com certeza que não é agravante; é atenuante, pois é a própria doutrina que afirma que devemos estudá-la, que devemos ter uma fé raciocinada.

      E se somente eu apresento esses questionamentos, deve ser porq eu, pelo fato de estudar a doutrina  por 70 anos, tenha percebido a necessidade de questionar, necessidade que outros não perceberam, devido a terem estudado por menor tempo.

      Conf (msg ant): Vc disse, então, que “antes de tudo atentemo-nos para as bases de nossas indagações e para os princípios da Doutrina dos Espíritos”. E eu lhe respondi: concordo, e é exatamente isso que estou fazendo: uma indagação pertinente ao tema desde tópico, pois perguntei: “se fora da caridade não há salvação”, então estamos todos perdidos, já que ninguém sabe nos ensinar como fazer para sermos caridosos, pois ser caridoso não é, simplesmente, ajudar os demais, mas ter, no coração, o sentimento de amor pelos demais!

      Moisés: Luis! se cremos que os espíritos se manifestam, se cremos que eles foram criados simples e ignorantes, se cremos que há espíritos puros, se cremos que Deus não cessa de criar... Convenhamos: Que não estamos perdidos Pois se o próprio Jesus nos coloca que o que ele fez todos podermos fazer, logo, Concluí-se pelo conjunto da obra observada Que não estamos perdidos e se estamos no momento não estaremos para o sempre, valeu?

      Conf: mas vc acha que é absurda a pergunta que fiz? A doutrina, aliás, a bandeira, o lema orientador da doutrina" é que  fora da caridade não há salvação”; com esse lema, a doutrina mostra que temos de ser caridosos, que temos, como Jesus disse, amar os nossos irmãos, senão, pelo menos, será difícil nossa salvação, certo? E de que adianta que a doutrina diga que essa é uma das condições da salvação, aliás a mais importante, que precisamos ser caridosos, mas não ensina a ninguém como ser caridoso?! Ela diz: se vc deseja se salvar, vc tem de, obrigatoriamente, ser caridoso e, depois, nos deixa no ar, na ignorância, sem saber como fazermos para nos salvar! E, certamente, é impossível que espíritos superiores não saibam que nos deixaram no ar, sem saber como fazer isso! 

      Conf (msg ant): Vc mesmo, amigo, Moisés, já sente amor pelos demais, pelos homens e pelos animais, pela criação? Se sente, como vc fez adquirir essa virtude? Foi por sua própria vontade de possuir amor, ou porq? Raciocine: se foi pela sua vontade, que vc consegue amar o próximo, qual será a causa de nem todos terem essa vontade que vc teve? E, se temos amor, somos bons, solidários, humildes, calmos, pacientes, é porq queremos ser assim, ou porq? Qual é, para vc, a causa de uns terem amor e outros não? De uns serem bons e outros maus? Na própria DE não encontrei nada que esclarecesse sobre isso! Vc encontrou?

      Moisés: É complicado ser juiz de causa própria... Eu sigo a doutrina em estudo e em busca de aplicar-me pelo próprio exemplo dos elementos que ela nos expõe, que nos favorece... Os assuntos da DE mostram a mim a minha realidade... o mais que posso fazer... mas creio que o amigo encontrará respostas.

      Conf: mas como vou encontrar as respostas, se os espíritos não deram nenhuma resposta? Vc está certo, concordo com vc que todos vão se salvar, senão as religiões não teriam razão de existir. Mas, como fazer para ser caridoso, para ter amor pelos demais? Olhe o mundo, Moisés, e veja quantos milhões de irmãos nossos não sabem como fazer isso! Vc, seus queridos, alguém que vc conheça sabe como fazer para ter amor pelos demais? Alguém sabe como fazer para colocar amor num coração vazio de amor? Sabe como substituir o egoismo que Deus plantou em nós, a ambição, o desejo de ser mais do que os outros, por amor?
..........
Título: Re: Fora da caridade não há salvação
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 17 de Agosto de 2016, 15:14
Re: Fora da caridade não há salvação

      Ref resp #40 em: 15 08 16, às 14:20, de Moisés de Cerqueira

      Conf (msg de 13 08 16, 22:31): Moisés, vc disse: Tudo bem Luis, e se puder ler a minha resposta a sua postagem te agradeço e também se puder contribuir com o tema para os nossos estudos também te agradeço; seria sim, muito importante para o concurso do estudo mensal... Falarmos sobre a caridade e a salvação nas temáticas espiritas.

      Conf (msg ant): e eu lhe respondi: concordo, e é isso que sempre estou procurando fazer, embora alguns amigos não compreendam: contribuir para o estudo dos temas que aqui são apresentados; é exatamente essa a minha intenção, por isso mesmo, como já te disse várias vezes, tenho feito tantas perguntas com a intenção de, como a DE manda, que raciocinemos para entender os temas pois, vc há de concordar, que nada é melhor para fazer raciocinar do que refletir para responder as perguntas que nos fazem, certo?

      Moisés: Olá Luis, Nestes objetivos de estudos e para os estudos é que nos agradecemos uns aos outros e consequentemente todos aprendemos.

      Conf (msg ant): E sempre leio suas postagens, mas nelas vc tb nunca disse o que sempre desejo saber: o que a doutrina ensina sobre o fato de uns terem amor e outros não!

      Moisés: Sim, tenho observado o seu insistente apontamento parece-me que é algo bem particular do entendimento Pois somente você apresenta estes questionamento Confesso que já observei estes questionamentos vindo dos grupos dos ateus mas creio que não é o seu caso... Não que isso fosse agravante.

      Conf: com certeza que não é agravante; é atenuante, pois é a própria doutrina que afirma que devemos estudá-la, que devemos ter uma fé raciocinada.

      E se somente eu apresento esses questionamentos, deve ser porq eu, pelo fato de estudar a doutrina  por 70 anos, tenha percebido a necessidade de questionar, necessidade que outros não perceberam, devido a terem estudado por menor tempo.

      Conf (msg ant): Vc disse, então, que “antes de tudo atentemo-nos para as bases de nossas indagações e para os princípios da Doutrina dos Espíritos”. E eu lhe respondi: concordo, e é exatamente isso que estou fazendo: uma indagação pertinente ao tema desde tópico, pois perguntei: “se fora da caridade não há salvação”, então estamos todos perdidos, já que ninguém sabe nos ensinar como fazer para sermos caridosos, pois ser caridoso não é, simplesmente, ajudar os demais, mas ter, no coração, o sentimento de amor pelos demais!

      Moisés: Luis! se cremos que os espíritos se manifestam, se cremos que eles foram criados simples e ignorantes, se cremos que há espíritos puros, se cremos que Deus não cessa de criar... Convenhamos: Que não estamos perdidos Pois se o próprio Jesus nos coloca que o que ele fez todos podermos fazer, logo, Concluí-se pelo conjunto da obra observada Que não estamos perdidos e se estamos no momento não estaremos para o sempre, valeu?

      Conf: mas vc acha que é absurda a pergunta que fiz? A doutrina, aliás, a bandeira, o lema orientador da doutrina" é que  fora da caridade não há salvação”; com esse lema, a doutrina mostra que temos de ser caridosos, que temos, como Jesus disse, amar os nossos irmãos, senão, pelo menos, será difícil nossa salvação, certo? E de que adianta que a doutrina diga que essa é uma das condições da salvação, aliás a mais importante, que precisamos ser caridosos, mas não ensina a ninguém como ser caridoso?! Ela diz: se vc deseja se salvar, vc tem de, obrigatoriamente, ser caridoso e, depois, nos deixa no ar, na ignorância, sem saber como fazermos para nos salvar! E, certamente, é impossível que espíritos superiores não saibam que nos deixaram no ar, sem saber como fazer isso! 

      Conf (msg ant): Vc mesmo, amigo, Moisés, já sente amor pelos demais, pelos homens e pelos animais, pela criação? Se sente, como vc fez adquirir essa virtude? Foi por sua própria vontade de possuir amor, ou porq? Raciocine: se foi pela sua vontade, que vc consegue amar o próximo, qual será a causa de nem todos terem essa vontade que vc teve? E, se temos amor, somos bons, solidários, humildes, calmos, pacientes, é porq queremos ser assim, ou porq? Qual é, para vc, a causa de uns terem amor e outros não? De uns serem bons e outros maus? Na própria DE não encontrei nada que esclarecesse sobre isso! Vc encontrou?

      Moisés: É complicado ser juiz de causa própria... Eu sigo a doutrina em estudo e em busca de aplicar-me pelo próprio exemplo dos elementos que ela nos expõe, que nos favorece... Os assuntos da DE mostram a mim a minha realidade... o mais que posso fazer... mas creio que o amigo encontrará respostas.

      Conf: mas como vou encontrar as respostas, se os espíritos não deram nenhuma resposta? Vc está certo, concordo com vc que todos vão se salvar, senão as religiões não teriam razão de existir. Mas, como fazer para ser caridoso, para ter amor pelos demais? Olhe o mundo, Moisés, e veja quantos milhões de irmãos nossos não sabem como fazer isso! Vc, seus queridos, alguém que vc conheça sabe como fazer para ter amor pelos demais? Alguém sabe como fazer para colocar amor num coração vazio de amor? Sabe como substituir o egoismo que Deus plantou em nós, a ambição, o desejo de ser mais do que os outros, por amor?
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Valeu Luis

Voltemos ao tema
Título: Re: Fora da caridade não há salvação
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 17 de Agosto de 2016, 15:48
Caridade é a alma do Espiritismo: Revista Espírita –
Dezembro de 1868:

Qual é, pois, o laço que deve existir entre os espíritas? Eles não estão unidos entre si por nenhum contrato material, por nenhuma prática obrigatória. Qual o sentimento no qual se deve confundir todos os pensamentos?

É um sentimento todo moral, todo espiritual, todo humanitário: o da caridade para com todos ou, em outras palavras: o amor do próximo, que compreende os vivos e os mortos, pois sabemos que os mortos sempre fazem parte da Humanidade.

A caridade é a alma do Espiritismo; ela resume todos os deveres do homem para consigo mesmo e para com os seus semelhantes, razão por que se pode dizer que não há verdadeiro espírita sem caridade.

Mas a caridade é ainda uma dessas palavras de sentido múltiplo, cujo inteiro alcance deve ser bem compreendido; e se os Espíritos não cessam de pregá-la e defini-la, é que, provavelmente, reconhecem que isto ainda é necessário.

O campo da caridade é muito vasto; compreende duas grandes divisões que, em falta de termos especiais, podem designar-se pelas expressões Caridade beneficente e caridade benevolente. Compreende-se facilmente a primeira, que é naturalmente proporcional aos recursos materiais de que se dispõe; mas a segunda está ao alcance de todos, do mais pobre como do mais rico. Se a beneficência é forçosamente limitada, nada além da vontade poderia estabelecer limites à benevolência.

O que é preciso, então, para praticar a caridade benevolente? Amar ao próximo como a si mesmo. Ora, se se amar ao próximo tanto quanto a si, amar-se-o-á muito; agir-se-á para com outrem como se quereria que os outros agissem para conosco; não se quererá nem se fará mal a ninguém, porque não quereríamos que no-lo fizessem.

Amar ao próximo é, pois, abjurar todo sentimento de ódio, de animosidade, de rancor, de inveja, de ciúme, de vingança, numa palavra, todo desejo e todo pensamento de prejudicar; é perdoar aos inimigos e retribuir o mal com o bem; é ser indulgente para as imperfeições de seus semelhantes e não procurar o argueiro no olho do vizinho, quando não se vê a trave no seu; é esconder ou desculpar as faltas alheias, em vez de se comprazer em as pôr em relevo, por espírito de maledicência; é ainda não se fazer valer à custa dos outros; não procurar esmagar ninguém sob o peso de sua superioridade; não desprezar ninguém pelo orgulho.

Eis a verdadeira caridade benevolente, a caridade prática, sem a qual a caridade é palavra vã; é a caridade do verdadeiro espírita, como do verdadeiro cristão; aquela sem a qual aquele que diz: Fora da caridade não há salvação, pronuncia sua própria condenação, tanto neste quanto no outro mundo.

Quantas coisas haveria a dizer sobre este assunto! Que belas instruções não nos dão os Espíritos incessantemente! Não fosse o receio de alongar-me em demasia e de abusar de vossa paciência, senhores, seria fácil demonstrar que, em se colocando no ponto de vista do interesse pessoal, egoísta, se se quiser, porque nem todos os homens estão ainda maduros para uma completa abnegação, para fazer o bem unicamente por amor do bem, digo que seria fácil demonstrar que têm tudo a ganhar em agir deste modo, e tudo a perder agindo diversamente, mesmo em suas relações sociais; depois, o bem atrai o bem e a proteção dos Espíritos bons; o mal atrai o mal e abre a porta à malevolência dos maus.

Mais cedo ou mais tarde o orgulhoso será castigado pela humilhação, o ambicioso pelas decepções, o egoísta pela ruína de suas esperanças, o hipócrita pela vergonha de ser desmascarado; aquele que abandona os Espíritos bons por estes é abandonado e, de queda em queda, finalmente se vê no fundo do abismo, ao passo que os Espíritos bons erguem e amparam aquele que, nas maiores provações, não deixa de se confiar à Providência e jamais se desvia do reto caminho; aquele, enfim, cujos secretos sentimentos não dissimulam nenhum pensamento oculto de vaidade ou de interesse pessoal.

Assim, de um lado, ganho assegurado; do outro, perda certa; cada um, em virtude do seu livre-arbítrio, pode escolher a sorte que quer correr, mas não poderá queixar-se senão de si mesmo pelas conseqüências de sua escolha.

Crer num Deus Todo-Poderoso, soberanamente justo e bom; crer na alma e em sua imortalidade; na preexistência da alma como única justificação do presente; na pluralidade das existências como meio de expiação, de reparação e de adiantamento intelectual e moral; na perfectibilidade dos seres mais imperfeitos; na felicidade crescente com a perfeição; na eqüitativa remuneração do bem e do mal, segundo o princípio: a cada um segundo as suas obras;

na igualdade da justiça para todos, sem exceções, favores nem privilégios para nenhuma criatura; na duração da expiação limitada à da imperfeição; no livre-arbítrio do homem, que lhe deixa sempre a escolha entre o bem e o mal; crer na continuidade das relações entre o mundo visível e o mundo invisível; na solidariedade que religa todos os seres passados, presentes e futuros, encarnados e desencarnados;

considerar a vida terrestre como transitória e uma das fases da vida do Espírito, que é eterno; aceitar corajosamente as provações, em vista de um futuro mais invejável que o presente; praticar a caridade em pensamentos, em palavras e obras na mais larga acepção do termo;

esforçar-se cada dia para ser melhor que na véspera, extirpando toda imperfeição de sua alma; submeter todas as crenças ao controle do livre-exame e da razão, e nada aceitar pela fé cega; respeitar todas as crenças sinceras, por mais irracionais que nos pareçam, e não violentar a consciência de ninguém; ver, enfim, nas descobertas da Ciência, a revelação das leis da Natureza, que são as leis de Deus: eis o Credo, a religião do Espiritismo, religião que pode conciliar-se com todos os cultos, isto é, com todas as maneiras de adorar a Deus.

É o laço que deve unir todos os espíritas numa santa comunhão de pensamentos, esperando que ligue todos os homens sob a bandeira da fraternidade universal.

Com a fraternidade, filha da caridade, os homens viverão em paz e se pouparão males inumeráveis, que nascem da discórdia, por sua vez filha do orgulho, do egoísmo, da ambição, da inveja e de todas as imperfeições da humanidade.

O Espiritismo dá aos homens tudo o que é preciso para a sua felicidade aqui na Terra, porque lhes ensina a se contentarem com o que têm. Que os espíritas sejam, pois, os primeiros a aproveitar os benefícios que ele traz, e que inaugurem entre si o reino da harmonia, que resplandecerá nas gerações futuras.

Os Espíritos que nos cercam aqui são inumeráveis, atraídos pelo objetivo que nos propusemos ao nos reunirmos, a fim de dar aos nossos pensamentos a força que nasce da união. Ofereçamos aos que nos são caros uma boa lembrança e o penhor de nossa afeição, encorajamentos e consolações aos que deles necessitem.

Façamos de modo que cada um recolha a sua parte dos sentimentos de caridade benevolente, de que estivermos animados, e que esta reunião dê os frutos que todos têm o direito de esperar.

-Allan Kardec.
Título: Re: Fora da caridade não há salvação
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 17 de Agosto de 2016, 16:45
...
...
Fora da caridade não há salvação
Título: Re: Fora da caridade não há salvação
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 19 de Agosto de 2016, 17:55
Caridade e Coração

Não olvides que a caridade,
é o coração no teu gesto.


Autor: Meimei
Psicografia de Chico Xavier
Título: Re: Fora da caridade não há salvação
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 19 de Agosto de 2016, 17:57
A Caridade Maior

(...)

Caridade é servir sem descanso, ainda mesmo quando a enfermidade sem importância te convoque ao repouso;

* é cooperar espontaneamente nas boas obras, sem aguardar convite dos outros;

* é não incomodar quem trabalha;

* é aperfeiçoar-se alguém naquilo que faz para ser mais útil;

* é suportar sem revolta a bílis do companheiro;

* é auxiliar os parentes sem reprovação;

* é rejubilar-se com a prosperidade do próximo;

* é resumir a conversação de duas horas em três ou quatro frases;

* é não afligir quem nos acompanha;

* é ensurdecer-se para a difamação;

* é guardar bom humor, cancelando a queixa de qualquer procedência;

* é respeitar cada pessoa e cada coisa na posição que lhes é própria.

(...)

Não percas um minuto em descabidas inquirições. Conduzes os problemas que te atormentam o Espírito e o teu próprio trabalho liquidá-los-á. A experiência aclara o caminho de quantos lhe adquirem os tesouros de luz. Recolhe as crianças desvalidas, ampara os doentes, consola os infelizes e socorre os necessitados. Não olvideis, pois, que a execução dos teus deveres para com o próximo será sempre a tua caridade maior.

Espírito : Irmão X
Médium. Chico Xaveir
Título: Re: Fora da caridade não há salvação
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 19 de Agosto de 2016, 19:50
O Céu

O Céu e o Inferno
Primeira Parte - Capítulo III -


8. - A encarnação é necessária ao duplo progresso moral e intelectual do Espírito:
ao progresso intelectual, pela atividade que ele é obrigado a desenvolver no trabalho;
ao progresso moral, pela necessidade que os homens têm uns dos outros.

A vida social é a pedra de toque das boas e das más qualidades.
A bondade, a maldade, a doçura, a violência, a benevolência, a caridade, o egoísmo, a avareza, o orgulho, a humildade, a sinceridade, a franqueza, a lealdade, a má fé, a hipocrisia, numa palavra, tudo o que constitui o homem de bem ou o homem perverso tem por motor, por objetivo e por estimulante as relações do homem com seus semelhantes; para o homem que vivesse sozinho, não haveria vícios nem virtudes; se, pelo isolamento, ele se preserva do mal, anula o bem. 
Título: Re: Fora da caridade não há salvação
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 19 de Agosto de 2016, 20:18
A salvação segundo o espiritismo
José Edson F. Mendonça

O que nos espera depois desta vida?
O que devemos fazer para garantir um  “bom lugar” após a morte?
A salvação é ir para o Céu?
É nos livrarmos do “fogo do Inferno”?
Para isso, basta a Fé, ou são as obras que nos conduzirão ao Paraíso?
É a conquista da “vida eterna”?
Ou da “felicidade futura”?
Afinal, em que consiste a salvação?

Apresentam-se aqui, muito sucintamente, esclarecimentos, à luz do Espiritismo, sobre o tema.

Allan Kardec – o insigne Codificador -,
no memorável livro O Evangelho segundo o espiritismo, dedica todo o cap. XV –
“Fora da caridade não há salvação”,
à explicação detalhada do binômio: caridade x salvação; enfatiza em dez itens, um magnífico conteúdo que vale a pena estudar todo:
“O de que precisa o espirito para se salvar. Parábola do Bom Samaritano.
O Mandamento maior. Necessidade da Caridade, segundo Paulo, Fora da Igreja não há Salvação.
Fora da verdade não há salvação. Instruções dos Espíritos:
Fora da Caridade Não há salvação (Paulo, o apóstolo – Paris, 1860)”.
Essa referida parte tem início com duas importantes transcrições dos Evangelhos: a primeira, de Mateus (25:31-46), que aborda a alegoria do juízo final e, a outra, de Lucas (10: 25 a 37), sobre a famosa parábola do bom samaritano. Allan Kardec sintetiza as duas passagens, dizendo quanto à primeira, que: “Ao lado da parte acessória ou figurada do quadro, há uma ideia dominante – a da felicidade reservada ao justo e da infelicidade que espera o mau”, e que, naquele julgamento supremo, o juiz não pergunta se o inquirido preencheu tal ou qual formalidade, se observou tal ou qual prática exterior.
“Não! Inquire tão somente se a caridade foi praticada, e se pronuncia dizendo: Passai à direita vós que assististes os vossos irmãos; passai à esquerda, vós que fostes duros para com eles”. Sobre a maravilhosa parábola, Kardec comenta que “Jesus coloca o samaritano herético, mas que pratica o amor do próximo, acima do ortodoxo que falta com a caridade. Não considera a caridade apenas como uma das condições para a salvação, mas como a condição única”, visto que ela “implicitamente abrange todas as outras: a humildade, a brandura, a benevolência, a indulgência, a justiça, e porque é a negação absoluta do orgulho e do egoísmo” .

Finalmente, é importante observar a questão 982, de “O livro dos espíritos”, onde Kardec indaga e o Espírito de Verdade responde. “Será necessário que professemos o Espiritismo e creiamos nas manifestações espíritas, para termos assegurado a nossa sorte na vida futura?” “Se assim fosse, estariam deserdados todos os que nele não creem, ou que não tiveram ensejo de esclarecer-se, o que seria absurdo. Só o bem assegura a sorte futura. Ora, o bem é sempre o bem, qualquer que seja o caminho que a ele conduza”.

Portanto, pode-se concluir que fora da vivência legítima e sincera das virtudes em nosso íntimo, ou seja, fora dos verdadeiros sentimentos que nos impelem à prática da caridade ativa e desinteressada, fazendo o bem a todos, indistintamente, é que não há salvação.

Texto publicado no Jornal do Commercio, veiculado no dia 11/05/2014. O autor é membro do Instituto Espírita Gabriel Delanne.
Título: Re: Fora da caridade não há salvação
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 20 de Agosto de 2016, 13:12

Moralidade, caridade, altruísmo e contradições.

Peter Singer:
o filósofo mais perigoso do mundo

Peter Singer é um filósofo polêmico por pedir coerência prática com o que pensamos.
Se amamos os animais, por que os comemos?
Se colocamos o valor da vida acima dos objetos, por que gastamos tanto comprando tais objetos em vez de ajudarmos instituições de caridade?

São incontáveis as questões e os desafios que Singer nos apresenta, confrontando-nos com uma nem sempre agradável conclusão: muito dizemos, pouco vivemos.

Em entrevista ao Cambrige Tab, Singer fala sobre moralidade, caridade, altruísmo e contradições.

Cambridge Tab: É o conceito de caridade mal interpretado atualmente?
Peter Singer: Creio que o grande erro é a caridade não ser obrigatória. Minha luta é fazer com que as pessoas percebam que é algo essencial para uma vida ética. Presumindo que elas possuam uma renda adequada – que possibilite gastos extras – estou tentando mostrar que o altruísmo é tão importante para a vida ética quanto o “não matar".

Cambridge Tab: Qual o problema com a ideia de moral convencional?
Peter Singer: as pessoas tendem a determinar o que é certo e errado com base no que elas fazem e acabam negligenciando o que elas não fazem. Quando o simples fato de permitimos o acontecimento de coisas pode trazer consequências muito mais sérias do que as infrações a regras morais que muitos acreditam ser relevantes.

Cambridge Tab
: existe altruísmo demais?
Peter Singer: Penso que existe um nível além do que você gostaria de ir sim. É um nível extremo, sendo que temos tanto em meio a pessoas com tanta necessidade. Mas, não acho que este seja o padrão a ser pedido numa sociedade que dá tão pouco. É melhor trabalhar dentro de um campo mais alcançável de ação. Giving what we can [ONG criada pelo filósofo australiano Toby Ord, da qual Singer é membro] argumenta em favor da doação dos básicos 10%. No meu livro, A vida que podemos salvar [no Brasil, pela editora Gradiva], existe um ideal diferente, que inicia mais baixo e termina mais alto e que depende do quanto você ganha. Felizmente, uma vez que as pessoas começam algo significativo, elas descobrem que não é difícil, que é até recompensador, e constroem seus caminhos em direção a isso.

Cambridge Tab: Como você define uma carreira bem-sucedida?
Peter Singer: É a carreira da qual o mundo mais se beneficia. Sua carreira é algo que demanda muito da sua energia e tempo – 80 mil horas – e, portanto, devemos ser conscientes de optarmos por sermos agentes de mudança significativa, e esperarmos satisfação e bem-estar de nossas carreiras. Mas, este é um conselho geral; a decisão depende também de aptidões individuais.

Cambridge Tab: A busca por altruísmo efetivo em me tornar um agente financeiro é fundamentalmente contraditório?
Peter Singer: De certa forma, precisamos aceitar o argumento de Will Crouch [filósofo britânico ligado ao altruísmo efetivo): se você não se tornar um altruísta, alguém o fará e terá o mesmo impacto que você teria. Se você não se tornar um agente financeiro em busca de altruísmo efetivo, alguém se tornará um agente financeiro no seu lugar e causará o mesmo dano que você teria causado, mas sem doar nada.

Cambridge Tab: O altruísmo efetivo dá ênfase à razão. Quais são os perigos de uma racionalidade excessiva?
Peter Singer: Se seguirmos minha posição logicamente, diremos que é errado gastarmos mais com nós mesmos, com nossos filhos ou com um parente doente em vez de darmos para pessoas que necessitam mais do que nós. Mas, o que sugiro é que devemos tentar que as pessoas façam algo altruísta e que também não sejam muito autocríticas se não forem até o fundo disso.

Cambridge Tab: São altruísmo efetivo e combate à pobreza mundial suas perspectivas menos contestáveis?
Peter Singer: Muitas pessoas contestam minhas posições sobre bioética e o valor da vida com base em visões religiosas. Ao mesmo tempo, existem cristãos que levam muito a sério o que atribuem como dito por Jesus disse, que devemos ir muito longe no trabalho de ajudarmos os necessitados. Para eles, o altruísmo efetivo é a menos contestável das minhas posições. Para outros – e estou pensando nos seguidores de Ayn Rand – que pensam que todos devem apenas ganhar dinheiro, que o egoísmo é bom, que o mercado os recompensa por darem aos seus clientes o que precisam, o altruísmo efetivo é controverso. Creio que este tipo de raciocínio contamina tanto a motivação – e acho que estão confusos sobre isso – e o direito de manter o que você ganhou. Não estou dizendo que não há direito sobre propriedade. Pode ser que haja este direito, mas, se quisermos que seja ético, é preciso compartilhar muito do que ganhamos.

Cambridge Tab: sem os mandamentos religiosos ou um imperativo categórico, existe ousadia suficiente para as pessoas seguirem a ética utilitarista?
Peter Singer: Uma coisa interessante do movimento pelo altruísmo efetivo é como as pessoas religiosas ou não concordam em seus objetivos. Com base nas evidências até aqui, eu diria que sim, muitas pessoas são suficientemente motivadas por saberem a diferença que podem gerar sem uma religião que as embase. Não sei se algum dia concluiremos outra coisa. Acho que o movimento segue crescendo, mas, em algum momento, começará a se acomodar, porque ainda existem muitos que não são motivados pelo impacto que causam. No mais, não quero ligar altruísmo e utilitarismo.

Por Cambridge Tab - 18.03.2016
Título: Re: Fora da caridade não há salvação
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 21 de Agosto de 2016, 17:56
CARIDADE

Jesus foi um exemplo vivo da prática do amor e da caridade, que se constituem em fundamentos básicos do Cristianismo.

Para o Espiritismo, que é uma Doutrina essencialmente cristã, o amor e a caridade constituem-se em deveres inadiáveis para seus adeptos.

Na realidade, o amor e a caridade inter-relacionam-se estreitamente. O primeiro é o sentimento maior, herdado de Nosso Pai Eterno, que temos por dever engrandecê-lo, cada vez mais, pela sua exteriorização a Deus e aos semelhantes. A caridade é o instrumento que nos possibilita a distribuição de benefícios inúmeros aos semelhantes, externando amor e engrandecendo a nossa faculdade íntima de amar.

A CARIDADE NO ESPIRlTISMO

Em “O Livro dos Espíritos”(1), a caridade cristã está definida como “Benevolência para com todos, indulgência para as imperfeições dos outros, perdão das ofensas.” Já no “O Evangelho Segundo o Espiritismo”(2), Allan Kardec elucida-nos que não podemos amar a Deus sem praticar a caridade para com o próximo; que a beneficência, praticada sem ostentação, presta-se a caridade material e à caridade moral, sendo que só esta resguarda a suscetibilidade do beneficiado, permitindo-o aceitar o benefício sem dano ao seu amor próprio; e que, enfim, todos os deveres do homem podem ser resumidos nesta máxima: “Fora da caridade não há salvação.”

Léon Denis(3) também nos ensina que a caridade é a virtude por excelência; que só ela nos dá a chave dos destinos elevados; que a caridade material tem aplicação limitada, em forma de socorro, apoio e animação aos semelhantes, mas que a caridade moral pode ser estendida a todos os que participam da nossa existência neste mundo; e que tudo o que fizermos pelos irmãos, em atos, sentimentos e pensamentos, fica gravado no perispírito, de modo permanente, garantindo-nos recompensas em existências futuras.
Portanto, a prática da caridade, provando amor a Deus e aos semelhantes, é o meio superior e seguro de conquistarmos grandes virtudes e ascensão na hierarquia espiritual, com resultados venturosos.

Ainda, ao adotarmos, no dia-a-dia, a máxima “Fora da caridade não há salvação”, estamos firmemente empenhados na prática do Mandamento Maior, que é a Lei de Amor a Deus e aos Semelhantes. Isso exige, evidentemente, de nós: trilhar, de modo incansável, as sendas da bondade e das virtudes; libertar do egoísmo, da vaidade e do orgulho; tratar, de modo fraterno e justo, todos como irmãos; buscar sempre o aprimoramento pessoal para poder melhor servir; cumprir todos os deveres pessoais e sociais; e respeitar os direitos e as crenças humanas.

LIÇÕES DOS BONS ESPÍRITOS

Os Bons Espíritos, através de diversos médiuns brasileiros, têm nos ensinado novas lições sobre a caridade e nos estimulado à prática de ações simples, que não envolvam, necessariamente, o uso de dinheiro, mas que são também formas de sermos mais amorosos.

Eis um breve resumo dessas lições dos Espíritos Amigos contida em diversos livros espíritas. Por essas lições aprendemos que praticar a caridade é: Fazer o bem, pacientemente. Ser útil, em todas as ocasiões, sem esperar recompensas ou retribuições. Não descuidar dos mínimos atos e gestos cotidianos, a partir do próprio lar. Doar bens que não nos têm mais serventia. Orar pelos necessitados, amigos ou inimigos. Educar e ensinar sempre, principalmente as crianças. Vencer o orgulho, o egoísmo e a vaidade, que tantos males ocasionam a nós e ao próximo. Fazer justiça e defender sempre os indefesos e injustiçados. Não se queixar de situações e de pessoas, dilatando a compreensão das causas e dos benefícios que podemos tirar delas. Enxugar lágrimas e ajudar e consolar as pessoas sofredoras e aflitas. Não distinguir as pessoas por raça, crenças ou posições políticas e sociais, porque todos somos irmãos em evolução, Filhos do mesmo Deus, apenas vivendo experiências diversas e detendo graus diferentes de aprimoramento espiritual. Respeitar as convicções sinceras dos semelhantes, como gostamos de ter as nossas respeitadas. Usar adequadamente as palavras para não gerar pensamentos, imagens, sentimentos e atitudes indesejáveis. Cumprir os compromissos assumidas. Trabalhar sempre para aliviar os sofrimentos físicos e morais dos semelhantes. Não alimentar sentimentos de ódio, rancor e desejos de vingança contra os próximos, contrariando os ensinamentos de Jesus. Saber perdoar sempre, esquecendo as ofensas. Ser indulgente para com os defeitos e as fraquezas alheias, compreendendo que todos ainda somos imperfeitos, mas em processo de aprendizado e evolução. Combater as próprias imperfeições para não ferir com elas os semelhantes. Usar, com benevolência e sabedoria, os talentos, a riqueza e a autoridade.

Enfim, praticar a caridade, com amor, é, hoje e sempre: servir, socorrer, auxiliar, compreender, consolar, doar, cumprir, iluminar, falar, ouvir, esclarecer, ensinar, perdoar, tolerar, orar, esperar, confiar, abençoar, reconfortar e trabalhar.


BIBLIOGRAFIA BÁSICA
(1) KARDEC, Allan – "O Livro dos Espíritos" – Parte Terceira, Capítulo XI – Da Lei de Justiça, de Amor e de Caridade;
(2) KARDEC, Allan – “O Evangelho Segundo o Espiritismo” – Capítulo XIII: Não saiba a vossa esquerda o que dê a vossa mão direita. Capítulo XIV: Honrai o vosso pai e a vossa mãe. Capítulo XV: Fora da Caridade não há salvação.
(3) DENIS, Léon – "Depois da Morte" – Parte Quinta, Capítulo XLVII – A Caridade. FEB, 12ª edição, P. 272 a 279

Matéria extraída da revista Informação ANO XVI 182 Janeiro de 1992, escrita por Geziel Andrade.

(Grupo de Ideal Espírita André Luiz)
Título: Re: Fora da caridade não há salvação
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 21 de Agosto de 2016, 22:14
A CARIDADE E A ASSISTÊNCIA SOCIAL


"Encontra satisfação nos benefícios que espalha, nos serviços que presta, no fazer ditosos os outros, nas lágrimas que enxuga nas consolações que prodigaliza aos aflitos". (KARDEC, 2002, p. 272)

A assertiva em epígrafe, como tantas outras da obra kardequiana, expressa um valor religioso – a caridade – que fundamenta a proposta ética espírita.

Em consequência, aparece o cotidiano como o espaço natural e privilegiado para ação social espírita, conforme assinala a resposta da questão 643 d’O Livro dos Espíritos:

"(...) basta que se esteja em relações com outros homens para que se tenha ocasião de fazer o bem, e não há dia da existência que não ofereça, a quem não se ache cego pelo egoísmo, oportunidade de praticá-lo" (KARDEC, 2002, p.513).

Em outras palavras, a proposta ética espírita propõe a transformação do homem na sociedade.

"A vida social é a pedra de toque das boas ou más qualidades" (KARDEC, 2002, p.81).

Por outro lado, abre-se ao espírita um espaço socioinstitucional – o centro espírita – como o lugar dedicado ao exercício da caridade em sua dupla dimensão – a moral e a material –, como afirma Kardec (2002a).

É importante ressalvar que as atividades beneficentes – a dimensão material da caridade – têm sido uma constante nas atividades espíritas brasileiras, como vem apontando os estudos realizados por antropólogos.

Assim, a caridade tornou-se "um mandamento capaz de mobilizar recursos pessoais e financeiros em vista de ações filantrópicas cristalizadas em instituições específicas ou dispersas entre os próprios centros espíritas", como analisa Giumbelli (1998).

As atividades beneficentes dos Centros Espíritas, desde 1890, quando foi criado na Federação Espírita Brasileira - FEB o Departamento de Assistência aos Necessitados, fazem parte das "iniciativas invisíveis", frequentemente ligadas a redes religiosas como católica, a espírita e, em menor escala, a protestante, para o bem ou para o mal, têm sido parte orgânica da estratégia de sobrevivência de determinados setores da população e vem atuando de fato no vazio deixado pelos poderes públicos com a relação à pobreza (LANDIM, 1998, p.278).

De tal maneira que as "redes religiosas" ocuparam um lugar relevante no que pode ser denominado de "sistema de proteção primária", ancorado em relações pessoalizadas e ações eventuais de caráter emergencial que, não poucas vezes, era a única possibilidade de atendimento das demandas dos segmentos empobrecidos da população.

De certo modo, tal situação justifica que as atividades dos centros espíritas tenham dado ênfase a beneficência conforme os estudos realizados por antropólogos, mencionado anteriormente.

Ainda que, por vezes necessária, a beneficência apresenta limites em suas possibilidades. Isto porque "ela dá alívio a miséria presente; aplaca a fome, preserva o frio e proporciona abrigo, ao que não o tem" (KARDEC, 2002a, p. 264), mas "dever, porém igualmente imperioso e meritório e o de prevenir a miséria" (KARDEC, 2002a, p. 264).

Isto implica em retomar o pensamento de Kardec quando se refere a dupla dimensão da caridade: a moral e material. Ou seja, a caridade não deveria ser reduzida às atividades beneficentes do Centro Espírita. No indispensável estudo da obra kardequiana, cabe registrar o capítulo XIII do ESE no qual, em diversas oportunidades, se registra a relação indissociável entre a caridade material e moral, sem o que beneficência pode ser se converter em esmola "quase sempre humilhante".

"Daí delicadamente, juntai ao benefício que fizerdes os mais preciosos de todos os benefícios o de uma boa palavra, de uma carícia, de um sorriso amistoso" (KARDEC, 2002a, p. 231).

Em tempos atuais da Assistência Social, a beneficência precisa levar em conta a concepção multidimensional da pobreza.

"A pobreza é a expressão direta das relações sociais vigentes na sociedade e certamente não se reduz às privações materiais. Alcança o plano espiritual, moral e político dos indivíduos submetidos aos problemas de sobrevivência" (YAZBECK, 2003, p. 62-80).

Em tempos atuais do APSE, a beneficência deve ser mediada em espaços de convivência.

"Esse espaço é mediado pelas palavras, gestos e atitudes, o que nele se sucede e se relacionam consciente ou inconscientemente. Quando se distingue o outro como sujeito, abre-se um novo espaço de conversação" (SARMENTO, 2013, p. 80).

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Referências Bibliográficas

GIUMBELLI, E. Caridade, assistência social, política e cidadania: práticas e reflexões no espiritismo. In: LANDIM, L (org). Ações em sociedade. Militância, caridade, assistência etc. Rio de Janeiro. NAU Editora, 1998
KARDEC, A. O evangelho segundo o espiritismo. 119ed - Rio de Janeiro. Federação Espírita Brasileira, 2002a.
___________O livro dos espíritos. 83ed - Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 2002b.
___________O céu e o inferno. 49ed - Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira: 2002c.
LANDIM, L (org). Ações em Sociedade. Militância, caridade, assistência etc. Rio de Janeiro. NAU Editora, 1998
SARMENTO, H. B. M; PONTES, R. N.; PAROLIN, S. R. H. Conviver para Amar e Servir: Baseado em Mario da Costa Barbosa. 1. ed. Rio De Janeiro: FEB, 2013. p. 166.
YAZBECK, M.C. Classe subalterna e a assistência social. São Paulo. Cortez, 2003.

CORREIO FRATERNO

http://www.correioespirita.org.br/categoria-de-materias/artigos-diversos/1767-a-caridade-e-a-assistencia-social
Título: Re: Fora da caridade não há salvação
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 22 de Agosto de 2016, 13:48

DIANTE DE TUDO

Diante de tudo, estabelece Jesus para nós todos uma conduta básica, de que todas as providências exatas se derivam para a solução dos problemas no caminho da vida.

Sombra ? Caridade da luz.

Ignorância ? Caridade do ensino.

Penúria ? Caridade do socorro.

Doença ? Caridade do remédio.

Injúria ? Caridade do silêncio.

Tristeza ? Caridade do consolo.

Azedume ? Caridade do sorriso.

Cólera ? Caridade da brandura.

Ofensa ? Caridade da tolerância.

Insulto ? Caridade da prece

Desequilíbrio ? Caridade do reajuste.

Ingratidão ? Caridade do esquecimento.

Diante de cada criatura, exerçamos a caridade do serviço e da bênção.

Todos somos viajores na direção da Vida Maior.

Doemos amor a Deus, na pessoa do próximo, e Deus, através do próximo, dar-nos-á mais amor.

(Bezerra de Menezes / Francisco Cândido Xavier)
Título: Re: Fora da caridade não há salvação
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 22 de Agosto de 2016, 20:43
A Lenda da Caridade

Diz interessante lenda do Plano Espiritual que, a princípio, no mundo se espalham milhares de grupos humanos, nas extensas povoações da Terra.

O Senhor endereçava incessantes mensagens de paz e bondade às criaturas, entretanto, a maioria de desgarrou no egoísmo e no orgulho.

A crueldade agravava-se, o ódio explodia...

Diligenciando solução ao problema, o Celeste Amigo chamou o Anjo Justiça que entrou, em campo e, de imediato, inventou o sofrimento.

Os culpados passaram a resgatar, os próprios delitos, a preço de enormes padecimentos.

O Senhor aprovou os métodos da Justiça que reconheceu indispensáveis ao equilíbrio da Lei, no entanto, desejava encontrar um caminho menos espinhoso para a transformação dos espíritos sediados na Terra, já que a dor deixava comumente um rescaldo de angústia a gerar novos e pesados conflitos.

O Divino Companheiro solicitou concurso ao Anjo Verdade que estabeleceu, para logo, os princípios da advertência.

Tribunas foram erguidas, por toda parte, e os estudiosos do relacionamento humano começaram a pregar sobre os efeitos doma ledo bem, compelindo os ouvintes à aceitação da realidade.

Ainda assim, conquanto a excelência das lições propagadas repontavam dúvidas em torno dos ensinamentos de virtude, suscitando atrasos altamente prejudiciais aos mecanismos da elevação espiritual.

O Senhor apoiou a execução dos planos ideados pelo Anjo da Verdade, observando que as multidões terrestres não deveriam viver ignorando o próprio destino.

No entanto, a compadecer-se dos homens que necessitavam reforma íntima sem saberem disso, solicitou cooperação do Anjo do Amor, à busca de algum recurso que facilitasse a jornada dos seus tutelados para os Cimos da Vida.

O novo emissário criou a caridade e iniciou-se profunda transubstanciação de valores.

Nem todas as criaturas lhe admitiam o convite e permaneciam, na retaguarda, matriculados ns tarefas da Justiça e da Verdade, das quais hauriam a mudança benemérita, em mais longo prazo, mas todas aquelas criaturas que lhe atenderam as petições, passaram a ver e auxiliar doentes p obsessos, paralíticos e mutilados, cegos e infelizes, os largados à rua e os sem ninguém.

O contato recíproco gerou precioso câmbio espiritual.

Quantos conduziam alimento e agasalho, carinho e remédio para os companheiros infortunados recebiam deles, em troca, os dons da paciência e da compreensão, da tolerância e da humildade e, sem maiores obstáculos, descobriram a estrada para a convivência com os Céus.

O Senhor louvou a caridade, nela reconhecendo o mais importante processo de orientação e sublimação, a benefício de quantos usufruem a escola da Terra.

Desde então, funcionam, no mundo, o sofrimento, podando as arestas dos companheiros revoltados: a doutrinação informando aos espíritos indecisos quanto às melhores sendas de ascensão às Bênçãos Divinas; e a caridade iluminando a quantos consagram ao amor pelos semelhantes, redimindo sentimentos e elevando almas, porque, acima de todas as forças que renovam os rumos da criatura, nos caminhos, humanos, a caridade é a mais vigorosa, perante Deus, porque é a única que atravessa as barreiras da inteligência e alcança os domínios do coração.

 
Autor: Meimei
Médium: Chico Xavier
Título: Re: Fora da caridade não há salvação
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 23 de Agosto de 2016, 19:14

 
Caridade - expressão do amor ao próximo
FRANCISCO ALTAMIR DA CUNHA

1 – Como interpretar à luz da Doutrina Espírita a afirmativa: “Fora da     Igreja não há salvação”?

Encontramos uma grande diferença quando submetemos a uma análise mais aprofundada as duas afirmativas: ‘Fora da Igreja não há salvação’, e ‘Fora da caridade não há salvação’.

Quando dizemos ‘Fora da Igreja não há salvação’, particularizamos; pois, dessa forma são excluídas as pessoas que não frequentam a Igreja, ou que não estão vinculadas a uma religião. No entanto, quando afirmamos “Fora da caridade não há salvação”, desvinculamos a salvação de uma obrigatoriedade religiosa, tornando-a consequência da solidariedade, da prática do amor, que são a essência da doutrina de Jesus.

2 – Há um ponto de doutrina em algumas religiões, através do qual somente    a fé salva; a caridade é dispensável. Comente a respeito.

Não há como aceitarmos essa afirmativa quando analisamos o que se encontra registrado em Mt. 25, 34-36: “[...] Vinde benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo; porque tive fome e destes-me de comer; tive sede e destes-me de beber [...]”, e também em Tiago 2, 14-17: “Meus irmãos, que aproveita se alguém disser que tem fé, e não tiver as obras? Porventura a fé pode salvá-lo? [...] A fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma”.   

A fé, sem sombra de dúvida, é importante; mas é justamente pela fé, que depositamos em Jesus, que devemos seguir seus preceitos, cuja base é o amor. E o amor em ação chama-se caridade.

A expressão da fé através da adoração e da exaltação do nome de Jesus é louvável, mas não suficiente, pois ele mesmo afirmou: “Nem todos os que me dizem ‘Senhor! Senhor!’ entrarão no reino dos céus; apenas entrará aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus”. (Mt. 7; 21)

3 – Quem é nosso próximo, ao qual devemos amar, conforme os ensinamentos de Jesus?


Toda criatura no mundo é o nosso próximo, ao qual devemos amar como extensão do amor a Deus. A proximidade à qual Jesus faz referência não é exclusivamente espacial. Nós nos tornamos próximos pelo laço espiritual que nos une, através do qual, formamos a grande família universal. Somos todos irmãos independentes de crença, nacionalidade ou condição sócio-econômica, porque somos filhos de Deus. No entanto, no que diz respeito à prática da caridade, o próximo será sempre aquele que, de forma direta ou indireta, apresente-se em nossa vida como necessitado material ou espiritual.
 
Título: Re: Fora da caridade não há salvação
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 23 de Agosto de 2016, 19:18
Partir o seu pão em dois pedaços
GERSON SIMÕES MONTEIRO


O soneto “Ato de Caridade”, do mineiro, nascido em Congonhas, Djalma Andrade, foi considerado pela Academia de Letras de Portugal como um dos doze sonetos mais bonitos da língua portuguesa.

Diz o poeta, dirigindo-se à Mãe de Jesus:

“Que eu faça o bem e de tal modo o faça,
Que ninguém saiba o quanto me custou.
– Mãe, espero em ti mais esta graça:
– Que eu seja bom sem parecer que o sou.

Que o pouco que me dês me satisfaça,
E se, do pouco mesmo, algum sobrou,
Que eu leve esta migalha onde a desgraça
Inesperadamente penetrou.

Que a minha mesa, a mais, tenha um talher,
Que será, minha mãe, Senhora nossa,
Para o pobre faminto que vier.

Que eu transponha tropeços e embaraços:
Que eu não coma, sozinho, o pão que possa
Ser partido, por mim, em dois pedaços”.


De fato, quando somos egoístas sentimos dificuldade em partir o pão em dois pedaços para oferecer o outro a quem precisa. O poeta, muito inspirado, falando da caridade neste soneto, fez-me lembrar da mensagem de São Vicente de Paulo, em O Evangelho segundo o Espiritismo, quando nos exorta:

“Sede bons e caridosos: essa a chave dos céus, chave que tendes em vossas mãos. Toda a eterna felicidade está contida neste preceito: Amai-vos uns aos outros. Não pode a alma elevar-se às altas regiões espirituais, senão pelo devotamento ao próximo; somente na caridade encontra ventura e consolação. Sede bons, amparai os vossos irmãos, deixai de lado a horrenda chaga do egoísmo”.

Sobre esse mal da humanidade, também em O Evangelho segundo o Espiritismo encontramos a mensagem de Emmanuel que diz:

“O egoísmo, chaga da Humanidade, tem que desaparecer da Terra...

O egoísmo é, pois, o alvo para o qual todos os verdadeiros crentes devem apontar suas armas, dirigir suas forças, sua coragem.
Digo: coragem, porque dela muito mais necessita cada um para vencer-se a si mesmo, do que para vencer os outros”.
Eis por que Allan Kardec asseverou:

“Fora da caridade não há salvação”.
Título: Re: Fora da caridade não há salvação
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 24 de Agosto de 2016, 13:55
Sorriso


Onde estiveres, seja onde for, não olvides estender o sorriso, por oferta sublime da própria alma.

Ele é o agente que neutraliza o poder do mal e a oração inarticulada, que inibe a extensão das trevas.

Com ele, apagarás o fogo da cólera, cerrando a porta ao incêndio da crueldade.

Por ele, estenderás a plantação da esperança, soerguendo almas caídas na sombra, para que retornem à luz.

Em casa, é a benção da paz, na lareira da confiança.

No trabalho, é música silenciosa incentivando a cooperação.

No mundo, é chamamento de simpatia.

Sorri para a dificuldade e a dificuldade transformar-se-á em socorro de tua vida.

Sorri para a nuvem, e ainda mesmo que a nuvem se desfaça em chuva de lágrimas nos teus olhos, o pranto será conforto do Céu, a fecundar-te os campos do coração.

Não te roga o desesperado solução do enigma de sofrimento que lhe persegue o destino. Implora-te um sorriso de amor, que renove as forças, para que prossiga em seu atormentado caminho.

E, em verdade, se os famintos e os nus te pedem pão e agasalho, esperam de ti, acima de tudo, o sorriso de ternura e compreensão que lhes acalme chagas ocultas.

Não condenes as criaturas que se arrogaram aos precipícios da violência e do crime. Oferece-lhes o sorriso generoso da fraternidade, que ajuda incessantemente, e voltar-se-ão, renovadas, para o roteiro do bem.

Sorri, trabalhando e aprendendo, auxiliando e amando sempre.

Lembra-te de que o sorriso é o orvalho da caridade e que em cada manhã, o dia renascente no Céu é um sorriso de Deus.


Autor: Meimei
Psicografia de Francisco Cândido Xavier
Título: Re: Fora da caridade não há salvação
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 25 de Agosto de 2016, 15:05
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Fora da caridade não há salvação
Título: Re: Fora da caridade não há salvação
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 25 de Agosto de 2016, 15:06
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"Fora da caridade não há salvação"
Título: Re: Fora da caridade não há salvação
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 25 de Agosto de 2016, 20:09
Caridade, a grande Virtude
Autor: Francisco Rebouças


Toda moral ensinada por Jesus, se resume em duas simples palavras: Caridade e Humildade, isto é, nas duas maiores virtudes em que devemos concentrar todas as nossas forças em desenvolvê-las, se pretendemos erradicar de nosso espírito o egoísmo que até hoje nos mantém presos às teias da ignorância.

Em tudo que ensinou, chamou-nos a atenção apontando essas duas virtudes como sendo as que poderão nos conduzir de encontro à eterna e verdadeira felicidade. Falou-nos ele: “Bem-aventurados os pobres de espírito, isto é os simples, os humildes, porque deles é o reino dos céus; e continuou a nos ensinar; bem-aventurados os que têm puro o coração; bem-aventurados os que são brandos e pacíficos; bem-aventurados os que são misericordiosos; amai o vosso próximo como a vós mesmos; fazei aos outros o que gostaria que vos fizessem; amai os vossos inimigos; perdoai as ofensas, se quiserdes ser perdoados; praticai o bem sem ostentação; julgai-vos a vós mesmos, antes de julgardes os outros; não saiba a vossa mão esquerda o que dê a vossa mão direita”. Em todas estas passagens de seus ditos se pode tirar o ensinamento maior resumindo em caridade e humildade, eis o que não cessa de recomendar e exemplificar em todas as suas ações. Em tudo que pregou em sua passagem pelo nosso planeta, não cansou de combater o orgulho e o egoísmo que são sem dúvida as duas grandes chagas a corroer a humanidade.

O Mestre maior de todos nós não se limitou apenas a recomendar a caridade, põe-na como condição absoluta para a conquista da felicidade futura, assegurando-nos que as ações empreendidas pelos caridosos com certeza lhes assegurarão uma melhor posição no futuro quando a justiça divina nos chamar para a prestação de contas, como nos ensinou também em outra oportunidade “a cada um segundo as suas obras”.

Na Parábola do Bom Samaritano, considerado herético, mas que naquele momento pratica o amor ao próximo, Jesus coloca-o acima do ortodoxo que falta com a caridade. Não considera, portanto, a caridade apenas como uma das condições para a salvação, mas designa como condição única. Se outras houvesse que a substituíssem ele as teria ensinado. Desde que coloca a caridade em primeiro lugar, é que ela implicitamente abrange todas as outras: a humildade, a brandura, a benevolência, a indulgência, a justiça, etc., e também porque significa a negação absoluta do orgulho e do egoísmo naquele que a pratica.

O Espiritismo sendo o Cristianismo Redivivo, ou seja o cristianismo na sua pureza inicial, vem reafirmar os ensinos do seu criador com a máxima: “Fora da caridade não há salvação”, máxima essa que consagra o princípio da igualdade perante Deus, e da liberdade de consciência, deixando a todos a escolha da maneira como queiram seguir adorando o Pai Celestial, não pregando que fora do espiritismo não há salvação, pois bem sabe que o Cristo não fundou nenhuma religião, por isso mesmo respeita a liberdade de crença de todos os seus irmãos em humanidade, pois em qualquer corrente religiosa a que pertença o homem, terá aí mesmo a oportunidade de seguir os ensinamentos de Jesus.

Dediquemo-nos portanto meus irmãos à prática da caridade ensinada no evangelho de Jesus, pois ela nos ajudará não só a evitar a prática do mal, mas também nos impulsionará em direção ao trabalho no bem, e para a prática do bem uma só condição se faz indispensável: a nossa vontade, pois para a prática do mal basta apenas a inércia e a despreocupação, agradeçamos pois a Deus nosso Pai, por nos permitir encontrar em nossa estrada evolutiva a bênção de gozar da luz do Espiritismo.

Não significa achar que só os espíritas serão salvos; é que ajudando-nos a melhor compreensão dos ensinos do Cristo, ele nos faz, se seguirmos seus ensinos, melhores cristãos, confirmando por nossas ações que verdadeiros espíritas e verdadeiros cristãos são uma só e a mesma coisa, pois todos quantos praticam a caridade são discípulos de Jesus, não importando para tanto, que pertençam a esta ou àquela seita religiosa.
Título: Re: Fora da caridade não há salvação
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 26 de Agosto de 2016, 14:16
Mediunidade com Caridade
José Francisco Costa Rebouças

Analisando o benefício representado pela mediunidade, "abençoada ferramenta de que dispomos para alcançar os cimos da libertação", chegaremos invariavelmente à conclusão de que nada mais é que a grande oportunidade que a bondade celeste, através da reencarnação nos concede de continuarmos resgatando antigas dívidas assumidas por todos nós mergulhados na carne, trazidas de épocas recuadas, a se apresentarem como compromissos inadiáveis que temos de saldar perante a Lei divina, a se apresentarem por limitações e angústias, transformando-se mais tarde em desequilíbrios da emoção.

Em razão disso, reencarnamos sujeito a dores regulamentadoras e aflições disciplinantes, para que através do exercício mediúnico, que nos faculta reencontros espirituais com os que continuam na erraticidade, nos candidatarmos através do trabalho em forma de caridade no intercâmbio entre os dois mundos, material e espiritual, a elaborar nossa ascensão na busca da sublimação a que nos destinamos.

Nesse contato, com os Espíritos sofredores desencarnados, podemos nós médiuns exercer o sublime dom da comunicabilidade que nos permite colocarmo-nos a serviço dos irmãos que estão necessitados desse tipo de atendimento, fazendo a filtragem mediúnica, que está na razão direta das chagas que o médium conduz das experiências pregressas, e são através delas que se ergue para a renovação sofrendo e amando, em constante exercício do bem operante.

Ocorre, no entanto, que diante do fenômeno incipiente e transitório, muitas vozes se levantam para blasfemar contra o animismo, com enorme impaciência e incompreensão com o animista, como se fosse ele conscientemente responsável pela deficiência de filtragem psíquica de que se faz intermediário. É justamente na manifestação anímica que encontramos excelentes ensejos, para auxiliar o médium que sofre, esclarecendo-o e iluminando-o com a palavra evangelizadora e doutrinária de que tem necessidade.

Sendo, pois, o médium um Espírito em constante processo de aprimoramento moral, é natural que se lhe permitam equívocos e enganos, aflições e fraquezas que a ele mesmo compete corrigir, manipulado por forças indômitas do passado, que nele se enraizaram em incessante clima de luta libertadora.

Por isso, se tomba nos percalços da estrada, compadeçamo-nos dele, se vence os entraves da estrada, rejubilemo-nos com ele, pois sua vitória é também nossa como nos ensinou o mestre dos mestres quando nos disse: "fazei aos outros, o que gostaria que os outros lhe fizessem".

Mediunidade é caminho de serviço evolutivo por onde seguem, carregando a cruz, os Espíritos em prova. Por isso, se não nos cabe confundir fenômeno anímico de procedência íntima do médium mesmo, com fenômeno mediúnico de origem espiritual daqueles que transpuseram a porta do túmulo, não nos cabe, também, perseguir o animismo afligindo o animista, como se o doente e não a doença merecesse nosso combate acirrado.

Amparemos, desse modo, nossos companheiros de atividade mediúnica, sem lhes exigir além das próprias possibilidades, compreendendo que a caridade começa, inicialmente, entre aqueles que a exercitam em relação aos outros, como nos propôs o Mestre na parábola do Bom Samaritano "ajudar o próximo mais próximo".
Título: Re: Fora da caridade não há salvação
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 28 de Agosto de 2016, 00:51
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Fora da caridade não há salvação
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Título: Re: Fora da caridade não há salvação
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 29 de Agosto de 2016, 15:32
Caridade

Citar
Por que o comportamento caridoso não é algo espontâneo e natural em muitos de nós?
Quando nos envolvemos com a caridade, o que vale mais: a quantidade ou a qualidade?
Quais são as suas formas de expressão?
Com o Espiritismo, a caridade abarca outros aspectos e opções?
O autêntico comportamento caridoso sempre está a esperar o reconhecimento, a gratidão ou qualquer outro tipo de recompensa?

 Trata-se de uma constante, em nossa vida, a busca de alegria, de satisfação íntima e de realizações em seus mais variados aspectos.

         É fato para a grande maioria das pessoas que, quando elas se encontram unicamente empenhadas nas próprias buscas, não percebem que aqueles que com elas convivem podem estar enfrentando dificuldades muito mais intensas que as suas.  Sendo assim, deixam de amparar o semelhante, visto acreditarem que, somente com a solução de seus desafios, é que se tornarão aptas para acudir o outro.

         O comportamento caridoso não é algo espontâneo e natural em muitos de nós. Sê-lo, em determinadas circunstâncias, ainda nos causa um certo desconforto. E quantas são as desculpas que produzimos para não nos envolvermos com o próximo? É a falta de tempo, de recursos financeiros, de jeito... Por outro lado, quantas são as situações em que nos cobramos uma atitude de maior solicitude? Quantas são as atenções que dispensamos, justamente para abrandar nossas cobranças íntimas?

         O Espírito Hammed ressalta: “Muitas vezes, ‘doamos coisas’ ou ‘favorecemos criaturas’ a fim de proporcionar a nós mesmos, temporariamente, uma sensação de bem-estar, de poder íntimo ou de vaidade pessoal.”  [1]

         Mas Jesus ensinou que, no ato de oferecimento, o que vale são as motivações e intenções que geram tal comportamento. Temos, então, o clássico exemplo da oferta da viúva pobre. (Mc 12:41-44)

          Ela, ao colocar apenas duas moedas no gazofilácio (local reservado nos templos às oferendas) – diferentemente de outros que lá haviam colocado grandes quantias – fez com que o Cristo pronunciasse as seguintes palavras aos seus discípulos: “Em verdade vos digo que esta viúva pobre depositou no gazofilácio mais do que fizeram todos os ofertantes. Porque todos eles ofertaram do que lhes sobrava; ela, porém, da sua pobreza deu tudo quanto possuía, todo o seu sustento.”  [2]

         Para muitos indivíduos, a caridade consiste, basicamente, em doar aquilo que não lhes tem mais serventia e utilidade, acreditando que esse gesto seja o suficiente para caracterizá-los como pessoas caridosas.

         Entretanto, a caridade é uma disposição íntima ativa e dinâmica, que se manifesta das mais variadas formas: em pensamentos de bondade, em conselhos úteis, em alimento e recursos na hora certa, em força que reanima...

         Tanto assim é, que o léxico traz como sua definição:  “disposição favorável em relação a alguém em situação de inferioridade (física, moral, social etc.); compaixão, benevolência, piedade.”  [3]

         O autêntico comportamento caridoso é aquele que não espera ou exige reconhecimento, gratidão ou qualquer tipo de recompensa. E é justamente esse desapego dos resultados que caracteriza o indivíduo caridoso, pois ele se disponibiliza ao outro pela simples satisfação que isso lhe proporciona.

****

         O Espírito Cairbar Schutel ensina:

            “A caridade pressupõe necessariamente convívio. Afinal, caridade não é somente destinar verbas às obras filantrópicas, mas sim participar da vida em família, dos problemas dos semelhantes, das dificuldades dos necessitados, abrindo o coração para o mundo.”  [4]

 

         O ser humano vive em comunidade. Portanto, faz parte da caridade a criatura ser integrada ao meio social em que se encontre.

         Sem dúvida, a doação de alimentos, de roupas, de medicamentos e de quantias financeiras são valiosos recursos para os que sofrem e se encontram em dificuldades. E pelo fato de essas doações serem portadoras de mensagens de socorro, de esperança, de alívio e conforto, muitas pessoas conseguem recuperar a própria dignidade, encontrando, assim, motivações para continuar acreditando e vivendo.

         Mas, perante os postulados espíritas, podemos afirmar que as doações de natureza material, muito embora importantíssimas em situações variadas, representam tão somente a caridade em suas primeiras manifestações. Com o Espiritismo, a caridade abarca outros aspectos e opções, ampliando suas possibilidades.
Título: Re: Fora da caridade não há salvação
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 29 de Agosto de 2016, 15:39
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Na questão 886, de O LIVRO DOS ESPÍRITOS, temos: “Qual o verdadeiro sentido da palavra caridade, como entendia Jesus”? [5]

         Resposta:

            Benevolência para com todos, indulgência para com as imperfeições alheias, perdão das ofensas. A caridade, segundo Jesus, não está restrita à esmola. Ela abrange todas as relações que temos com os nossos semelhantes, quer sejam nossos inferiores, nossos iguais ou superiores. Ela nos ordena a indulgência porque nós mesmos temos necessidade dela.

         Ser benevolente é ter boa vontade para com os outros. É se deixar guiar pela amabilidade, pela generosidade e solidariedade, pelo interesse para com o bem-estar do outro, indistintamente.

         Como haver caridade sem boa vontade? Ou, segundo o próprio dicionário, sem essa “disposição favorável em relação a alguém”, principalmente quando ele se encontra em dificuldades?

         Porém, nesta mesma definição, caridade é sinônimo de piedade. E segundo o entendimento do Espírito Michel:

         "O sentimento mais próprio para vos fazer progredir, domando vosso egoísmo e vosso orgulho, o que dispõe vossa alma à humildade, à beneficência e ao amor ao próximo é a piedade! Essa piedade que vos comove até as entranhas, diante dos sofrimentos dos vossos irmãos, que vos faz lhes estender mão segura e vos arranca lágrimas de simpatia." [6]

         Cada comportamento de benevolência tem a possibilidade de nos preencher com pensamentos nobres e sentimentos de compaixão e piedade.

         No entanto, o Espírito Joanna de Ângelis define a benevolência como:

          “um sentimento de profundo amor pelo seu próximo, de compreensão pelos seus atos.”  [7]

         E é neste ponto que podemos destacar a indulgência: capacidade de aceitar e tolerar as atitudes alheias, julgando com bem menos severidade seus erros e equívocos. Mas isso se trata da caridade mais difícil de ser praticada, a caridade moral, porque simplesmente não sabemos lidar com as imperfeições alheias, compreendendo-as!

         O Espírito Irmã Rosália enfatiza:

         "A caridade moral consiste em se suportar uns aos outros. (...) Há um grande mérito, crede-me, em saber se calar para deixar falar um mais tolo; e ainda aí está um gênero de caridade. Saber ser surdo quando uma palavra de zombaria escapa de uma boca habituada a escarnecer; não ver o sorriso de desdém que acolhe a vossa entrada entre pessoas que, frequentemente, erradamente, se creem acima de vós, enquanto que, na vida espírita, a única real, estão algumas vezes bem longe disso; eis um mérito, não de humildade, mas de caridade; porque não anotar os erros de outrem é caridade moral." [8]

E o porquê de nossa dificuldade perante os defeitos alheios? Simplesmente, porque não sabemos entender e trabalhar nossas próprias deficiências!

         Quando alguma situação nos exige o exercício dessa tolerância, a reação mais comum é nos aferrarmos aos próprios conceitos, concepções e melindres. Porém, quando nos conscientizamos do esforço que precisamos empreender para superar nossas limitações, nos habilitamos à compreensão da luta alheia. Quando nos percebemos na condição de aprendizes da vida, constatamos que o outro também o é.

         Por fim, o terceiro aspecto da caridade na definição espírita: o perdão.

         Trata-se de um ponto delicadíssimo, porque a maioria de nós ainda não consegue elaborar de maneira eficiente o próprio orgulho ferido. Por isso é que se diz que “perdoar é libertar-se”, ou seja, desvincular-se da raiva e do ressentimento que mentalmente nos prendem ao outro.

         Como nos pautarmos pela caridade, guardando mágoa no coração? No entanto, é comum atuarmos em algum tipo de assistência social, ajudar, colaborar, mas não conseguir relevar uma ofensa recebida.

         A caridade do perdão é uma atitude que posiciona a pessoa que assim se comporta acima da média da sociedade contemporânea. É isso o que enfatiza Joanna de Ângelis:

         “O perdão, por sua vez, é o auge das conquistas íntimas que desidentificam o ser das próprias imperfeições, porque se dá conta do quanto necessita ser perdoado, naquilo que se refere às próprias fraquezas e delitos que tem cometido.” [9]
Título: Re: Fora da caridade não há salvação
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 29 de Agosto de 2016, 15:46
......       

       A caridade é tão fundamental para o ser humano, que ela é uma das leis de Deus para a evolução das criaturas. Não foi sem razão que os Espíritos Superiores ensinaram que “fora da caridade não há salvação”. [10]

         Como salvar-se, sem o trabalho construtivo no bem? Como poderíamos evoluir sozinhos, sem o próximo?

         Os homens precisam uns dos outros para aprenderem juntos, para trocarem afetos, para se auxiliarem mutuamente. Sem a caridade, ocorreria a frieza, a indiferença, enfim, o intensificar das dores e problemas humanos.

         Existe um pensamento que diz: “As mãos que oferecem flores ficam perfumadas”. Assim é a vida: ela sempre responde com o que fazemos. Praticando o bem, teremos o bem a nosso favor; amando, teremos o amor ampliado dentro de nós.

Desarme do ego

      “Senhor, quando foi que te vimos com fome, com sede, forasteiro, nu, enfermo ou preso, e não te assistimos? Então lhes responderá: em verdade vos digo que sempre que o deixastes de fazer a um destes mais pequeninos, a mim o deixastes de fazer.”
Mateus, 25:44 e 45.

            A palavra salvação, colocada por Allan Kardec, como título do capítulo XV de O Evangelho Segundo o Espiritismo, merece uma interpretação adequada ao que queremos demonstrar, pois ela tem um sentido mais psicológico que religioso. Salvar-se não se refere, necessariamente, a uma ameaça externa, nem tampouco a uma atitude para com o semelhante. Não há ameaça grave nem abismo a que o ser humano esteja ameaçado de cair, muito menos um inimigo contra o qual deva se precaver sob pena de perder a Vida. A salvação compreende a adoção de um estado de consciência que disponibilize a mente para a captação do mundo como ele se apresenta, isto é, sem os filtros impeditivos das defesas do ego. Salvar-se é predispor-se a viver a Vida sentindo suas conseqüências com maturidade e equilíbrio, quaisquer que sejam elas.   

            A salvação diz respeito a uma mudança de atitude psíquica. Trata-se de estabelecer um estado de espírito que possibilite a apreensão das leis de Deus sem os medos e os receios impregnados nos mecanismos de defesa que normalmente o ser humano adota frente à Vida e perante aquilo que desconhece.

            (...) Por outro lado, a afirmação de que fora da caridade não há salvação supõe que não existe outro estado possível. É determinante que se aja daquela forma sem a qual não se alcança o que se pretende. Nesse sentido, a caridade não é tão somente uma atitude externa ou um ato isolado. É também um estado de espírito, uma atitude psíquica. Uma predispõe à outra atitude mais elevada.

            A caridade é um meio, como uma ponte que nos leva de um lugar a outro, sem os perigos de se cair no abismo. Não se trata de uma atividade externa, como um compromisso social ou uma regra decorrente de um preceito religioso. Pode-se até iniciar-se a compreensão de seu significado pela prática externa, mas isso não garante alcançar seu sentido real. O exercício da caridade, como de qualquer atividade humana, leva à consolidação de seu sentido oculto. Em paralelo à prática, deverá ocorrer a internalização da mensagem significante, intrínseca à experiência.

            Num sentido psicológico, a caridade elimina as projeções, pois me possibilita enxergar o outro naquilo em que ele necessita e não no que desloco de minha personalidade e projeto nele. Doar algo a alguém é desprender-se de si mesmo vendo o outro como ele é. É não projetar sua sombra no outro. Ela, a caridade, leva o indivíduo a sair de si e a perceber o outro no momento evolutivo em que se encontra, permitindo que aquele que a exerce saia dos limites de seu ego e vá na direção do Self próprio e do outro.

            Esse deslocamento na direção do outro não se trata apenas de uma ação, mas, principalmente, de um sentimento; um estado de ser interior, de sentido de desprendimento.

            (...) Praticar a caridade pode ser apenas estar caridoso, isto é, realizar uma tarefa como outra qualquer. Quando se trata de um estado de espírito, o indivíduo é caridoso, isto é, trata-se de um traço de sua personalidade. Passar de um estado a outro requer, além de outros aspectos, conhecimento de si mesmo.

            (...) A atitude caridosa que atende somente a regras externas atua de modo contrário, ou seja, inflacionando o ego com sentimentos de vaidade e orgulho. Por mais que ajude o outro, a caridade aparente pode funcionar como um disfarce para a satisfação dos desejos de reconhecimento e destaque daquele que a pratica. Por outro lado, ser caridoso para com os demais pode significar uma fuga das próprias questões, de modo a não entrar em contato com sua sombra, evitando curar-se a si mesmo.

            O sentimento de caridade, complementado pela ação caridosa, diminui o poder do ego estimulando o processo de desenvolvimento espiritual. Psiquicamente, o indivíduo consegue melhor elaborar seus conteúdos inconscientes bem como aqueles conscientes que impedem a percepção de si mesmo. Esse sentimento provém do Espírito e se torna consciente com o exercício constante e persistente da ação caridosa.

            (...) As relações sociais naturalmente geram tensões, disputas e diferenças, colocando o ser humano em constante embate entre sua individualidade e as exigências do mundo. Ora ele afirma sua individualidade, ora ele busca sua identidade com o grupo social de que faz parte. O alívio dessas tensões significa o encontro consigo mesmo e a paz com o mundo. A caridade proporciona a necessária identidade com o mundo por trazer consigo a empatia nas relações com o próximo. Ela permite a identidade com o semelhante de tal forma que o indivíduo se sente uno com o outro, igualando-se a ele na sua necessidade. Psiquicamente diminui as barreiras que provocam tensões e elimina as vaidades do ego, aproximando as pessoas umas das outras.

            Estar em paz é garantia para o equilíbrio psíquico, previne os acessos abruptos do inconsciente e inibe as obsessões. Nesse estado, o indivíduo entra em contato com os Bons Espíritos, favorecendo sua motivação para viver. Semelhante estado se alcança com a vivência da caridade. Ela promove o bem estar psíquico preparando a mente para vencer as investidas persistentes dos conflitos oriundos das vidas passadas enraizados no inconsciente. A “fina camada” que separa a vida consciente da inconsciente, onde se encontram as experiências esquecidas da atual encarnação e das vidas anteriores, permite a passagem, para o aprendizado do Espírito, dos complexos afetivos oriundos de antigas situações dolorosas. Essa influência constante do passado sobre o presente é amenizada pelo sentimento de caridade, que age como um filtro, atenuando os efeitos sobre a vida consciente.

            A ação da caridade sobre o próximo é uma terapia fundamentada no amor que atinge principalmente aquele que a executa. [11]


Silvia Helena Visnadi Pessenda

REFERÊNCIAS
 
[1] HAMMED (espírito); SANTO NETO, Francisco do Espírito (psicografado por). Renovando Atitudes. 2. ed. Catanduva, SP: Boa Nova Editora. 1997. p. 207
[2] BÍBLIA. Português. Bíblia de estudo Almeida. Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 1999.
[3] MICHAELIS: moderno dicionário da língua portuguesa. São Paulo: Companhia Melhoramentos, 1998.
[4] SCHUTEL, Cairbar (espírito); GLASER, Abel (psicografado por). Fundamentos da reforma íntima. 3. ed. Matão: Casa Editora O Clarim, 2000. Cap. “Caridade e isolamento”. Item 870. p. 153.
[5] KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. Tradução de Salvador Gentile, revisão de Elias Barbosa. 100. ed. Araras, SP: IDE, 1996.
[6] KARDEC, Allan. O evangelho segundo o espiritismo. Tradução de Salvador Gentile, revisão de Elias Barbosa. 195. ed. Araras, SP: IDE, 1996. Cap. XIII. Item 17.
[7] ÂNGELIS, Joanna de (espírito); FRANCO, Divaldo Pereira (psicografado por). Diretrizes para o êxito. 2. ed. Salvador, BA: Livr. Espírita Alvorada, 2004. Cap. 3. p. 27.
[8] KARDEC, Allan. O evangelho segundo o espiritismo. Tradução de Salvador Gentile, revisão de Elias Barbosa. 195. ed. Araras, SP: IDE, 1996. Cap. XIII. Item 9.
[9] ÂNGELIS, Joanna de (espírito); FRANCO, Divaldo Pereira (psicografado por). Diretrizes para o êxito. 2. ed. Salvador, BA: Livr. Espírita Alvorada, 2004. Cap. 3. p. 27. Cap. 3. p. 27.
[10] KARDEC, Allan. O evangelho segundo o espiritismo. Tradução de Salvador Gentile, revisão de Elias Barbosa. 195. ed. Araras, SP: IDE, 1996. Cap. XV.
[11] NOVAES, Adenáuer Marcos Ferraz de. Psicologia do evangelho. 2. ed. Salvador, BA: Fundação Lar Harmonia, 2001. Cap. 15.
CAMARGO, Jason de. Educação dos sentimentos. 5. ed. Porto Alegre: Letras de Luz, 2003.
DE LUCCA, José Carlos. Sem Medo de ser Feliz. 1. ed. São Paulo: Petit, 1999.
Título: Re: Fora da caridade não há salvação
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 30 de Agosto de 2016, 21:07
Caridade sob a ótica espírita
 
 
Após a saída do Egito, Moisés passou a conviver com o seu povo no deserto, onde as frequentes queixas e revoltas, aliadas aos rigores climáticos, fatores determinantes da fome e da sede, eram a realidade diária.
 
A esmagadora maioria dos hebreus, devido à crueldade da escravidão, encontrava-se revoltada, brutalizada e reduzida à egoística satisfação das necessidades primárias.
 
Pais vendiam os seus filhos, as mulheres eram tratadas como alimárias, os velhos eram abandonados.
 
Nessas circunstâncias, em que o lado animal do homem sobressai, só a dor e o instinto de conservação conseguem domá-lo.
 
Daí a severa legislação mosaica contida no Código da Aliança (Êxodo capítulos 21 a 24).
 
Leis estas, temporárias, elaboradas para determinado período histórico daquele povo, onde a disciplina deveria suplantar tudo mais.

Não prejudicareis à viúva e ao órfão. Se os prejudicardes, eles clamarão a mim e eu os ouvirei; minha cólera se inflamará e vos farei perecer pela espada; vossas mulheres ficarão viúvas e vossos filhos, órfãos. (Êxodo, 22: 22 a 24)
 
Perecer pela espada. A justiça feita pelo fio da espada não nos parece um dos atributos divinizadores do Pai. Sem dúvida nenhuma, muitas das leis foram escritas por Moisés. Apresentar um Deus “vingativo” foi a única forma de redirecionar o comportamento dos ex-escravos.
 
A disciplina precede a espontaneidade, já nos alertou Emmanuel. De fato, a princípio adotamos determinados comportamentos por disciplina: um “bom dia” à caixa do supermercado, ao gari, um “por favor” antes de nossas solicitações, um “obrigado” àqueles que nos ajudaram, etc. Com o tempo estas atitudes incorporam-se ao nosso dia a dia de forma espontânea. Natural.
 
Caridade de Jesus
 
O Espírito Emmanuel, no capítulo 16, de Roteiro, psicografado por Francisco Candido Xavier, diz:
 
O Mestre não se limita a ensinar o bem. Desce ao convívio da multidão e materializa-o com o próprio esforço. Cura os doentes na via pública, sem cerimônia, e ajuda a milhares de ouvintes, amparando-os na solução dos mais complicados problemas de natureza moral, sem valer-se das etiquetas de culto externo.
 
E conclui em Caminho, Verdade e Vida, capítulo 106:
 
Jesus é o nosso Mestre nas ocorrências mínimas. E se ouvimo-Lo recomendando estejamos prontos a dar “a qualquer” que pedir (Lucas, 6:30), vemo-Lo atendendo a todas as criaturas, mas segundo as necessidades.
 
De fato, Jesus proporcionou a cada situação e a cada personalidade o que necessitavam. Concedeu:
 
Bem aventuranças aos aflitos;
Advertências aos vendilhões;
Deu alegrias nas botas de Caná; e
Repreensões em assembléias dos discípulos.
 
Caridade depois de Jesus pode ser:
 
- Paliativa: consiste na utilização de recurso para atenuar um mal ou adiar uma crise.
 
- Educativa: é a utilização de um conjunto de normas pedagógicas tendentes ao desenvolvimento geral do corpo e do espírito.
 
A esmola
 
Mais uma vez ouçamos Emmanuel em Caminho, Verdade e Vida, ainda no capítulo 106:
 
O ato de dar é dos mais sublimes nas operações da vida; entretanto, muitos homens são displicentes e incompreensíveis na execução dele.
 
Alguns distribuem esmolas levianamente, outros se esquecem da vigilância, entregando seu trabalho a malfeitores. (Grifei)
 
Quando agimos de forma leviana, de maneira precipitada, não raro esquecemos imprudentemente a vigilância.
 
A riqueza, assim como não é dada a uns para ser aferrolhada num cofre forte, também não o é a outros para ser dispensada ao vento. – LE questão 896.
 
A prodigalização não traduz desprendimento dos bens materiais.
 
Paulo em sua epístola aos Romanos, no capitulo 14, versículo 15, assim se manifesta sobre o comportamento leviano:
 
Mas, se por causa da comida se contrista teu irmão, já não andas conforme o amor. Não destruas por causa da tua comida aquele por quem Cristo morreu.
 
A esmola ou até mesmo a ajuda, o socorro, não devem ser objeto de tristeza ou humilhação para o assistido. Este gesto de assistência social, antes de tudo, deve estar revestido de amor ao próximo. Assim, não pode ser fruto da precipitação, mas resultante de um labor bem planejado.
 
Na questão 888 de “O Livro dos Espíritos”, a Espiritualidade Superior assim se manifesta ao Codificador com relação àquele que pede esmolas:
 
Condenando-se a pedir esmola, o homem se degrada física e moralmente: embrutece-se. Uma sociedade que se baseie na lei de Deus e na justiça deve prover à vida do fraco, sem que haja para ele humilhação. Deve assegurar a existência dos que não podem trabalhar, sem deixar a vida a mercê do acaso e da boa vontade de alguns.
 
O forte deve trabalhar para o fraco. Não tendo este família, a sociedade deve fazer as vezes desta. É a lei de caridade. LE questão 685 ”a”.
 
Através do trabalho o homem tem infinitas lições necessárias à evolução. Aprende:
 
a trabalhar em equipe;
a ter responsabilidade, observando os horários estabelecidos, desenvolvendo satisfatoriamente as tarefas sob sua condução;
a ter respeito pelo chefe e pelos colegas;
a ter humildade recebendo e observando as orientações recebidas de seus superiores;
a ter criatividade e iniciativa;
a lidar com situações imprevistas;
 
Na questão 255 de “O Consolador” Emmanuel nos esclarece quanto à Caridade espiritual e material assim dizendo:
 
Todo serviço da caridade desinteressada é um reforço divino na obra da fraternidade humana e da redenção universal.
 
Entretanto nos adverte:
 
Urge, contudo, que os espiritistas sinceros, esclarecidos no Evangelho, procurem compreender a feição educativa dos postulados doutrinários, reconhecendo que o trabalho imediato dos tempos modernos é o da iluminação interior do homem, melhorando-se-lhe os valores do coração e da consciência. (Grifei)
 
E conclui.
 
As obras da caridade material somente alcançam a sua feição divina quando colimam a espiritualização do homem, renovando-lhe os valores íntimos, porque, reformada a criatura humana em Jesus Cristo, teremos na Terra uma sociedade transformada.
 
Allan Kardec em sua nota à questão 685 ”a” assim fala da educação:
 
Há um elemento que se não costuma fazer pesar na balança e sem o qual a ciência econômica não passa de simples teoria. Esse elemento é a educação, não a educação intelectual, mas a educação moral. Não nos referimos, porém, à educação moral pelos livros e sim à que consiste na arte de formar caracteres, à que incute hábitos, porquanto a educação é o conjunto dos hábitos adquiridos. (Grifei)
 
Na questão 256 de “O Consolador” Emmanuel ao falar sobre esmola material assim se expressa:
 
Ninguém, decerto, poderá reprovar o ato de pedir e, muito menos, deixará de louvar a iniciativa de quem dá a esmola material;
 
Mas nos adverte:
 
Todavia é oportuno considerar que à medida que o homem se cristianiza, iluminando as suas energias interiores, mais se afasta da condição de pedinte para alcançar a condição elevada do mérito, pelas expressões sadias do seu trabalho.
 
E esclarece:
 
No mecanismo de relações comuns, o pedido de uma providência material tem o seu sentido e a sua utilidade oportuna, como resultante da lei de equilíbrio que preside o movimento das trocas no organismo da vida.
 
E por fim conclui:
 
A esmola material, porém, é índice da ausência de espiritualização nas características sociais que a fomentam.
 
Allan Kardec - ESE cap. XV – item 8 nos adverte que:
 
A máxima – Fora da caridade não há salvação consagra o princípio da igualdade perante Deus e da liberdade de consciência.
 
De fato, a caridade – que é o amor em ação, personifica a lei de igualdade, uma vez que, através da assistência social, fazemo-nos iguais. Se temos o cobertor que nos aquece nos dias mais frios, o assistido também o terá.
 
Na recomendação: "Dai antes esmola do que tiverdes" - (Lucas, 11:41), Jesus nos mostra que a caridade é muito mais que distribuição de valores e bens materiais. Portanto, a caridade sem recurso materiais, notadamente sem dinheiro, consiste em:
 
Extinguir todos os pensamentos inferiores que lhe são sugeridos;
Ante a maledicência retrair-se recordando pequenas virtudes do ausente;
Ante à cólera fácil quietar-se considerando-a uma enfermidade a ser tratada;
Não reagir aos insultos alheios continuando a tratar o ofensor com a fraternidade habitual;
Desfazer as nuvens da incompreensão, reparando a tranquilidade de alguém;
 
A sublimidade da virtude, porém, está no sacrifício do interesse pessoal, pelo bem do próximo, sem pensamento oculto. A mais meritória é a que assenta na mais desinteressada caridade, - LE questão 893.
 
Por fim não podemos esquecer que para Jesus o verdadeiro sentido da palavra caridade, consistia em:
 
Benevolência para com todos, indulgência para as imperfeições dos outros, perdão das ofensas. – LE, questão 886.
 
Jesus seja sempre conosco.
 
Marcos José Ferreira da Cruz Machado
Belo Horizonte (MG)
Dezembro/2012
Título: Re: Fora da caridade não há salvação
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 31 de Agosto de 2016, 15:51
Caridade para com os criminosos
O Evangelho Segundo o Espiritismo

14. A verdadeira caridade constitui um dos mais sublimes ensinamentos que Deus deu ao mundo. Completa fraternidade deve existir entre os verdadeiros seguidores da sua doutrina. Deveis amar os desgraçados, os criminosos, como criaturas, que são, de Deus, às quais o perdão e a misericórdia serão concedidos, se se arrependerem, como também a vós, pelas faltas que cometeis contra sua Lei. Considerai que sois mais repreensíveis, mais culpados do que aqueles a quem negardes perdão e comiseração, pois, as mais das vezes, eles não conhecem Deus como o conheceis, e muito menos lhes será pedido do que a vós.

Não julgueis, oh! não julgueis absolutamente, meus caros amigos, porquanto o juízo que proferirdes ainda mais severamente vos será aplicado e precisais de indulgência para os pecados em que sem cessar incorreis. Ignorais que há muitas ações que são crimes aos olhos do Deus de pureza e que o mundo nem sequer como faltas leves considera?

A verdadeira caridade não consiste apenas na esmola que dais, nem, mesmo, nas palavras de consolação que lhe aditeis. Não, não é apenas isso o que Deus exige de vós. A caridade sublime, que Jesus ensinou, também consiste na benevolência de que useis sempre e em todas as coisas para com o vosso próximo. Podeis ainda exercitar essa virtude sublime com relação a seres para os quais nenhuma utilidade terão as vossas esmolas, mas que algumas palavras de consolo, de encorajamento, de amor, conduzirão ao Senhor supremo.

Estão próximos os tempos, repito-o, em que nesse planeta reinará a grande fraternidade, em que os homens obedecerão à lei do Cristo, lei que será freio e esperança e conduzirá as almas às moradas ditosas. Amai-vos, pois, como filhos do mesmo Pai; não estabeleçais diferenças entre os outros infelizes, porquanto quer Deus que todos sejam iguais; a ninguém desprezeis. Permite Deus que entre vós se achem grandes criminosos, para que vos sirvam de ensinamentos. Em breve, quando os homens se encontrarem submetidos às verdadeiras leis de Deus, já não haverá necessidade desses ensinos: todos os Espíritos impuros e revoltados serão relegados para mundos inferiores, de acordo com as suas inclinações.

Deveis, àqueles de quem falo, o socorro das vossas preces: é a verdadeira caridade. Não vos cabe dizer de um criminoso: ~ um miserável; deve-se expurgar da sua presença a Terra; muito branda é, para um ser de tal espécie, a morte que lhe infligem." Não, não é assim que vos compete falar. Observai o vosso modelo: Jesus. Que diria ele, se visse junto de si um desses desgraçados? Lamentá-lo-ia; considerá-lo-ia um doente bem digno de piedade; estender-lhe-ia a mão. Em realidade, não podeis fazer o mesmo; mas, pelo menos, podeis orar por ele, assistir-lhe o Espírito durante o tempo que ainda haja de passar na Terra. Pode ele ser tocado de arrependimento, se orardes com fé. E tanto vosso próximo, como o melhor dos homens; sua alma, transviada e revoltada, foi criada, como a vossa, para se aperfeiçoar; ajudai-o, pois, a sair do lameiro e orai por ele.

Elisabeth de França. (Havre, 1862.)
Título: Re: Fora da caridade não há salvação
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 31 de Agosto de 2016, 22:45
Caridade

Caridade é a mão terna e compassiva
Que ampara os bons e aos maus ama e perdoa,
Misericórdia, a qual para ser boa,
De bens paradisíacos se priva.

Mão radiosa, que traz a verde oliva
Da paz, que acaricia e que abençoa,
Voz da eterna verdade que ressoa
Por toda a parte, promissora e ativa.

A caridade é o símbolo da chave
Que abre as portas do céu claro e suave,
Das consciências libertas da impureza;

É a vibração do espírito divino,
Em seu labor fecundo e peregrino,
Manifestando as glórias da Beleza!...


(Do livro Parnaso de Além-Túmulo
Cruz e Souza & Francisco C. Xavier )
Título: Re: Fora da caridade não há salvação
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 01 de Setembro de 2016, 13:38
Olá a todos

Obrigado pela companhia e participações

Aviso que
Iniciamos neste mês de setembro novos estudos
que seguirão com o tema:

Capítulo XVI
Servir a Deus e a Mamon


Coordenado pelo nosso amigo

Manuel Altino


Que se segue neste endereço:

http://www.forumespirita.net/fe/estudos-mensais/capitulo-xvi-servir-a-deus-e-a-mamon/#.V8ggLVsrKUk

Deus seja louvado