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CODIFICAÇÃO => Estudos mensais => Tópico iniciado por: Kazaoka em 02 de Janeiro de 2014, 01:13

Título: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: Kazaoka em 02 de Janeiro de 2014, 01:13
Primeiramente desejamos a todos um ano de realizações. Que todos nós possamos, com o uso dos recursos que Deus deu a cada um, alcançarmos nossos objetivos e que estes objetivos sejam de interesse e bem comum.

Mais uma vez estamos aqui nos expondo ao risco de por a perder uma existência de expiação. Sim! Por que sabemos que todos que estão por aqui estão por este motivo, e expiação sugere uma situação de sacrifício. E é, justamente, por isso que temos este receio. Porque para nós, falar sobre doutrina espírita é tão prazeroso quanto estar no deleite de alguma atividade que nos dá o maior prazer e alegria. Portanto, não é possível que Deus tenha nos dado como prova uma expiação tão agradável assim.

Como medida preliminar sugiro a leitura desta parte do OESE para que o nosso estudo comece do começo. O arquivo anexado contém alguns questionamentos que têm relação com o tema e podem ser tomados como ponto de partida para as nossas discussões.

Mas, de qualquer forma, está bom demais poder estar abrindo o estudo mensal (o primeiro de 2014) e espero que este prazer que experimentamos possa ser compartilhado com todos e se for isso uma de nossas expiações, tá bom demais Deus! Obrigado.

Dedicamos este estudo e todas as boas vibrações que aqui se estabelecerem ao nosso companheiro Manuel Altino, que se encontra convalescendo de uma enfermidade. Que Deus abençoe o nosso irmão, os seus familiares e toda equipe de encarnados e desencarnados que neste momento zelam pela saúde do nosso querido Altino.

O tema do estudo é a vingança, e está baseado no item 9 do capítulo XII do  "O Evangelho Segundo o Espiritismo".
forum espiritanet (http://www.forumespirita.net/fe/go.php?url=aHR0cDovL3d3dy55b3V0dWJlLmNvbS93YXRjaD92PXJTOEJsZTRjc1kwJmFtcDtmZWF0dXJlPXlvdXR1LmJlIw==)
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 02 de Janeiro de 2014, 09:53
Olá Kazaoka

Excelente tema
e bela advertência

Sim!

Estamos num Mundo de provas e expiações,
que saibamos compreender todos os recursos que esta Escola Terrena nos proporciona
e que não se distancie das nossas vistas, pelas janelas e pelas portas deste Mundo, as destinações de progresso que esta Escola no oferece.

Vingança!
uma atitude a eliminar.

Abraços
e bons estudos
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: Gustavo Rettenmaier em 02 de Janeiro de 2014, 10:24
Parabens mano kazaoka, pela escolha do tema, um estudo fantástico.
Quando vemos, e isso tem sido muito comum, uma tragédia, assassinatos e outros crimes, vemos com frequencia vitimas e seus parentes exigindo justiça.
Mas o que é realmente justiça?
Remetendo a sua pergunta, quantas vezes, com o disfarce de justiça estamos apenas buscando a vingança?
Realmente meu caro, um tema para se estudar, e muito.
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: Kazaoka em 02 de Janeiro de 2014, 10:42
Bom dia a todos companheiros.

Pois é, Gustavo e Moisés. Quanta dificuldade para delinearmos nossos atos e ações sabendo separar a verdadeira justiça da sede de vingança. Este é o cerne da questão e acredito que poderemos desenvolver antigos conceitos partindo dessa premissa.
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: Kazaoka em 02 de Janeiro de 2014, 10:53
Conforme o Gustavo citou, como é comum a gente ver a sociedade clamando por justiça diante de crimes de qualquer natureza. E a justiça, segundo o pensamento dessa grande maioria, deve ser feita com "mão de ferro", dando ao infrator uma penalização com tamanho e peso proporcional ou, se possível, maior do que a do próprio delito. E não é a vontade de sociedade se não a comunhão de sentimentos e desejos das individualidades que a formam? E estas individualidades estão moralmente aptas a legislar em causa do bem comum? E as religiões, qual o papel destas diante de tais fatos e diante da aplicação da justiça?
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: Gustavo Rettenmaier em 02 de Janeiro de 2014, 10:58
"E o que é a vontade de sociedade se não a comunhão de sentimentos e desejos das individualidades que a formam?"
Esta é uma verdade que muitas vezes nos incomoda, a sociedade é o reflexo de seus membros.
Acho que podemos começar tentando compreender o que significa efetivamente justiça, como cad um de nós classifica esse valor chamado justiça.
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: Antonio Renato em 02 de Janeiro de 2014, 11:01
Meu nobre(nobre na alma)irmão Kazaoca,parabéns pelo tema escolhido,muito instigante este tema e que nos
levam a vários questionamentos.A vingança é fruto de nossos pensamentos impuros motivado pela nossa
imperfeiçao,ou será o desejo de fazer justiça pelas próprias mãos,conduzido por esta vontade.O revide a
quem nos fazem algum mal,é sempre o que nos veem primeiro em nosso pensamento,a ação que se segui-
-rá irá depender do nosso progresso moral.Conter este sentimento, será sempre uma prova para o nosso es-
-pírito em evolução.Assim eu penso.
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: Vitor Santos em 02 de Janeiro de 2014, 11:03
Olá amigo Kazaoka

O amigo escolheu um tema muito interessante e central, na doutrina espirita.

Na minha opinião a justiça, no sentido espiritual e terrestre, tem dois objectivos:

- A correcção do comportamento errado;
- A reparação;

A pena, no caso da justiça terrestre tem a função de dissuadir as pessoas de cometer crimes, e de protecção da sociedade em relação aqueles que não capazes de se comportar de forma a respeitar os direitos alheios. A pena deixa de ser necessária se a pessoa alterou a sua conduta e passou a respeitar os direitos alheios. Mas, aqui na Terra, não é fácil obter uma avaliação segura dessa alteração de conduta. A obrigatoriedade de reparação, essa sim, deve ter a haver com os crimes cometidos aqui na Terra, através da compensação da vitima e/ou família com a prestação de um serviço positivo, ou de uma indemnização.       

No caso da justiça divina, a pena, ou expiação, visa convencer o espírito a mudar de ideias, pela força. A causa nada tem a haver com os crimes cometidos em outras encarnações, mas no facto de o espírito se recusar a alterar a sua conduta no sentido de evoluir espiritualmente. A lei do progresso é obrigatória. Assim que o espírito decide real e consistentemente alterar a conduta e progredir espiritualmente, cessam as causas da expiação e ele passa a encarnar em mundos mais felizes do que este. Na minha óptica a Terra é um purgatório. Os verdadeiros purgatórios são as encarnações em mundos destes, ou piores ainda.

A reparação corresponde à realização de um bem que compense o mal que foi feito. Sofrer um mal, na minha óptica, não é uma forma de reparação.

Finalmente, a vingança é um crime que se comete a pretexto de compensar um crime de que se foi vitima. Mas, na minha óptica, embora a minha imaturidade espiritual, infelizmente, me permita compreender o desejo de vingança, esta última não passa de um novo crime. O facto de ter sofrido um crime não nos dá o direito de praticar um outro crime para o compensar. Se há algum direito da vitima de um crime, cometido nesta ou noutras encarnações, é o direito de reparação, não o de retaliação, a não ser como única forma possível de legitima defesa, perante a ameaça de insistência do criminoso.

Todavia, aqui na Terra todos somos ou já fomos vitimas e criminosos, nesta ou noutras encarnações. Os mundos são constituídos por pessoas de níveis espirituais próximos, em regra. Merecemo-nos uns aos outros, de certa forma.

Mas o desejo de vingança não afecta apenas a vitima da vingança, mas também o promotor da mesma. Quando sofremos um crime e ficamos com ódio, com ressentimento, o sofrimento devido a esse crime permanece nas nossas mentes. Perpetuamos o sofrimento, mesmo depois de já não estarmos a ser afectados pelo crime. Pretendemos afectar o outro, mas acabamos por nos afectar a nós também. Inclusive em relação à nossa saúde física e mental. A vingança é um erro que não afecta apenas aquele que julgamos que nos fez mal, é um erro contra nós mesmos, também.

Se as expiações fossem penas de encarnações anteriores, então seriam uma forma de vingar as vitimas que fizemos noutras encarnações. Seria o contrário do ensinamento de Jesus: "amai os vossos inimigos" - ou seja, não vos vingueis. Estando num mundo como este, estamos sujeitos a vinganças, mas não por questões de justiça, mas por estarmos sujeitos à acção de espiritos imaturos encarnados e desencarnados. Para nos livrarmos disso, só progredindo para mundos melhores, evoluindo nós mesmos. Se cá estamos, ou estamos em missão - não é meu caso, infelizmente - ou estamos entre espiritos de nível próximo do nosso.

bem hajam
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: Kazaoka em 02 de Janeiro de 2014, 11:26
Antonio Renato e Vitor, que bom poder contar com a participação de vocês colaborando para o desenvolvimento deste estudo.

[...]O revide a quem nos fazem algum mal,é sempre o que nos veem primeiro em nosso pensamento,a ação que se seguirá irá depender do nosso progresso moral.[...]

É assim que comumente as coisas andam por aqui. E como o Vitor discorreu em seu post, o foco no qual devemos nos centrarmos para a implementação do progresso moral da sociedade não deve ser apenas na penalização terrena do delituoso, feita legalmente pela justiça dos homens e que, antes de tudo, visa  resguardar os direitos e a segurança dos demais. É nesse ponto que entra o papel da moral Cristã e de todas filosofias que trataram de estudar a natureza humana. É nesse ponto que o Espiritismo vem dar seu contributo para a edificação a redenção da Alma e para o estabelecimento de um mundo justo antes de ser um mundo de aplicação de justiça.
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: Kazaoka em 02 de Janeiro de 2014, 21:57
Dentro do processo de buscar a compreensão e prática da moral Cristã, um ponto do estudo que sempre traz um sentimento de frustração é quando chegamos no ponto que Jesus diz que devemos encaixar em nossa personalidade a capacidade de oferecer a face esquerda quando alguém nos bater na direita (S. MATEUS, cap. V, vv. 38 a 42.). Isso porque percebemos o quanto é difícil para nós este comportamento quando temos o nosso orgulho, suscetibilidade ou nossa honra feridos.
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: Antonio Renato em 02 de Janeiro de 2014, 23:53
Quão difícil que é perdoar e amar o nosso inimigo.Não aquele que por ignorância praticou um
ato que nos tenha atingido,mas aquele que meticulosamente arquiteta um mal contra nós,
sendo que por inveja,cobiça,vaidade e egoismo.Em seus ensinamentos,Jesus disse para todos
os seu seguidores:" Pedoai não sete,mas setenta vezes sete ".Entretanto a nossa imperfei-
-ção,dificulta essa prática de uma forma incondicional,mas só em não procurar a vingança
como resposta,já nos dá uma prova de que temos um fortalecimento moral e não deixamos le-
-var por este sentimento.
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: Kazaoka em 03 de Janeiro de 2014, 00:49
Exato, Renato!!!!
É esse sentido de não buscar o revide que o Cristianismo expressa o "oferecer a outra face". É tomarmos uma postura diferente daquela que desencadeou a ofensa contra nós.
O mal está sempre exposto a penalizações que ele mesmo cria e a perseverança no bem é sempre merecedora de consolações.
A vontade de aplicar a justiça tem uma raiz muito forte em nossos sentimentos e paixões inferiores, fazendo que em nome dessa justiça, e com amparo legal, satisfaçamos a nossa sede de vinganças.
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: Felipa em 03 de Janeiro de 2014, 00:57
A vingança e o ódio
Mauro Falaster

No período que conhecemos como “homem das cavernas”, o ser humano tinha como inimigos naturais os animais, as intempéries e, com o tempo oscilando entre o frio intenso dos invernos e as épocas de forte calor.

Com o passar do tempo e, como fruto direto da multiplicação da espécie humana, o homem passou a viver em pequenos grupos, que lhe facilitava sua sobrevivência ante as adversidades.

No entanto, com tal convivência o homem foi desenvolvendo outros sentimentos, uns até necessários, outros, extravagantes a ponto de serem desagregadores do grupo familiar.

O inevitável aconteceu; o homem viu-se diante das diferenças entre ele e os demais integrantes do grupo. Não sabendo lidar com essas diferenças, o convívio tornou-se difícil.

Agora os problemas não estavam mais restritos a sua sobrevivência ante as intempéries e animais ferozes. Novos surgiam sob a forma de conflitos e divergências entre seus pares, que aumentavam dia-dia.

A partir daí não conseguiu conter o surgimento dos sentimentos mesquinhos coma a inveja, o ciúme, a vingança, o ódio, a traição e tantos outros, que foram se impregnando na formação milenar da personalidade humana até chegar aos tempos hodiernos, onde a competição inter-humana, dentro da ética ou fora desta, parece não ter limites.

Assim, crescemos querendo que aquele que sofreu um mal (o mocinho), busque sua reparação utilizando de quaisquer meios contra quem o praticou (o bandido). É a vingança, o ódio justificado, fala.

O homem acabou de encontrar o seu maior inimigo, ele próprio.

Perdoar como é difícil ! Parece que a reação imediata para algo que nos prejudique deve ser a vingança.

Pena de talião. Olho por olho, dente por dente.


O ódio

De onde surge o ódio ?
Muitos de nós temos uma vaga idéia de onde nasce o ódio porque, em algum lugar, lá nas profundezas de nosso inconsciente, há muitos ódios guardados. A pior notícia é que eles não estão mortos.

O ódio é um sentimento rejeitável, insuportável. Paixão que impele a causar ou desejar mal a alguém. Assim como muitos outros sentimentos, não desaparecem só porque não se dão à consciência.

Ao contrário, eles atuam causando-nos muitos males. O ódio reprimido é o responsável por muitas de nossas emoções, como ansiedade (fobias), medo e mesmo por doenças como o câncer.

O ódio é o amor ao contrário. Por isso, o ódio preserva as mesmas intensidades do amor que o gerou. Seria o ódio o amor frustrado ?

A diferença que pode existir entre o amor e o ódio, é que o primeiro, quando não bem compreendido, às vezes, é destrutivo e os ódios sempre são.

O ódio pode ser visto naquelas pessoas que passam a vida referindo-se a alguém com mágoa e desprezo. Tais pessoas, falam de outra como se quisessem destruí-la e por isso é fácil perceber o ódio, porque ele é um sentimento que “nunca acaba”.

Nós ainda não aceitamos a vida como ela é de fato. Da mesma forma, temos dificuldade em aceitar as pessoas como elas realmente são, dada nossa baixa moral. Por isso, tendemos a destratar inconscientemente e, com medo de sermos destratados.

Nos dias atuais, a competição não é saudável. Pisar, humilhar, ultrapassar o outro é a nossa forma de nos sentirmos melhor, de ficar, bem diante deles. Levar vantagem sobre o outro, ultrapassá-lo, humilhá-lo parece ser a única forma de subir. É assim que vivemos.

Atualmente as pessoas somente se sentem valorizadas se conseguirem ultrapassar e despertar sua inveja sobre os outros, o que é o mesmo que despertar o ódio, rebaixando os demais.

O problema é que a auto-estima conseguida dessa forma é temporária. Dura só o tempo necessário para o indivíduo encontrar outra pessoa que, segundo seus cálculos, está melhor que ele.

Nesse momento sua auto-estima desmorona e o indivíduo fica se sentindo por baixo pois, os mecanismos que utilizou contra aquele que era mais fraco que ele, agora faz com que se sinta mal diante de alguém, que ele acha mais forte. Nesse momento, seu ódio vira contra ele: cobra, desvaloriza, rebaixa, diminui e humilha.

Vejamos o que desencadeia o ódio:

Primeiramente, não devemos confundir ódio com raiva. Enquanto o ódio tem uma natureza constante e contínua, a raiva é uma manifestação intensa, como um estouro, mas, passageira e rompe mais facilmente com os laços que a geraram.

Sentimentos que não tratados no nascedouro, podem por despertar ódios:

A mágoa é um desgosto recolhido que se deriva da decepção, um descontentamento, que pode ser por alguém ou pela própria vida. É decorrente de tristeza, decepção, desilusão, amargura...

A mágoa é uma forma de pensar e sentir, que causa muita dor e sofrimento. Muito mais em quem a sente, do que em seu alvo. Estar magoado é como tomar uma dose de veneno, esperando que o outro morra.

Uma pessoa se magoa quando vive um episódio doloroso e não consegue lidar com a inerente dor emocional daquele momento, quando descobre que aquilo que desejava, no final, não aconteceu da forma idealizada. Sente-se o acontecimento como injusto o que acaba alugando um espaço muito grande em sua mente e emoções.

Fanatismo: é a cega obediência a uma idéia, servida com zelo obstinado, até exercer violência para obrigar outros a segui-la e punir quem não está disposto a abraçá-la.
Pessoas partidárias extremistas exaltadas e acríticas de uma causa religiosa ou política. O grande perigo do fanático consiste exatamente na certeza absoluta e incontestável que ele tem a respeito de suas verdades.

No fanatismo, encontramos o ódio mobilizando os esforços do indivíduo para um fim, que é a negação do próprio ódio.
Exemplo: o fanatismo religioso funciona como uma referência que o sujeito fanático não conseguiu construir internamente (os valores são externos – religiosos).

As regras religiosas são utilizadas para que o indivíduo possa se livrar da culpa que seus ódios (conscientes e inconscientes) despertam e que ele não sabe compreender.

O fanático, por sua insegurança quanto à legitimidade de suas próprias crenças, apega-se rigidamente á religião, torna-se escravo das regras, por temer que Deus vá castigá-lo se ele vier a falhar.

Há uma projeção do ódio interno na imagem de Deus: um Deus ruim, vingativo e rígido.

Assim, as crenças religiosas são utilizadas para legitimar ( e não para livrar-se) os ódios e, ao mesmo tempo, torná-los menos pesados.

É uma forma narcísea porque o indivíduo acredita que só a sua fé é que é verdadeira e legitima e as demais, são aberrações a serem desprezadas.

Podemos ver o ódio dessa natureza naquelas atitudes fanáticas como é o caso de Bin Laden, que quer destruir tudo o que não compactue com suas crenças.

Na paranóia o ódio, é inconsciente. O ódio do paranóico está, como um par de óculos, interferindo durante todo o tempo com a percepção do indivíduo.

Paranóia é o termo usado por profissionais de saúde mental para descrever aqueles indivíduos que sofrem de uma desconfiança exagerada e um receio constante de ser atacado ou agredido verbal ou mesmo fisicamente pelos outros.

Uma outra característica dos paranóicos é a necessidade de controlar os outros. O que reflete uma auto-estima muito baixa.

Eles nunca perdoam um insulto, injúria, desprezo, mesmo que sejam eles os únicos a perceberem as coisas dessa forma.

Na paranóia há um ódio interno que o indivíduo projeta no mundo o que, por sua vez, deixa o mundo ameaçador e que faz com que o indivíduo tem medo e reaja.

O ciúme é algo que está relacionado a um sentimento de ódio, que também não é identificável pelo indivíduo. Esse ódio, como acontece sempre, é um dos elementos responsáveis pelo rebaixamento da auto-estima, pois, o ódio sempre deixa a pessoa com uma sensação desagradável e desvalorizada sobre ele mesmo.
Continua...
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: Felipa em 03 de Janeiro de 2014, 01:07
Continuação...

Então diante do que ama (e idealiza), o sujeito fica inseguro. Ele não acredita que é suficientemente bom para ser amado e assim, fica procurando detectar pessoas que “ele valoriza” e ao encontrá-las, acha que sua parceira estará interessada ( na verdade o interessado é ele, porque, ele, que gerou a valorização).
Assim, o indivíduo pode achar um outro homem mais bonito enquanto enfeia a si próprio e fica temeroso.
Veja que todo processo se passa na cabeça do ciumento.

O ciumento, em geral, sempre se sente desvalorizado diante do seu preponente e com receio de que não é amado suficiente e assim, pode ser trocado por aqueles a quem ele próprio atribui um grande valor.

Tipificando insegurança psicológica e desconfiança sistemática, a presença do ciúme na alma transforma-se em algoz implacável do ser. O paciente que lhe tomba nas malhas estertora em suspeitas e verdades, que nunca encontram apoio nem reconforto.

O ciúme atenaza quem o experimenta e aquele que se lhe torna alvo preferencial.

Na inveja, a questão é muito mais interessante: o ódio voltado contra o próprio indivíduo é tão grande que ele se sente totalmente destituído de valor. Quanto maior o auto-ódio interno, menor o senso de valor. Geralmente acreditamos que o que caracteriza a inveja é o desejo que se tem por algo que o outro possui.

Mas não é bem assim ou, pelo menos, não é só isso. O precursor da inveja é a percepção daquilo que o outro tem a constatação de que, o indivíduo que inveja, não tem condições de conseguir algo semelhante. Assim, a posse do outro serve para pontuar a insuficiência do indivíduo.

A auto-estima do invejoso sempre é baixa e por isso gera o sentimento de insuficiência que é responsável pela inveja. A partir daí, por várias implicações possíveis, o sujeito vai tentar destruir o objeto invejado pela desvalorização, ou outros meios. Essa é a maneira que ele encontra de colocar os outros no mesmo lugar que ele: o lugar da impotência.

Ao invés de empenhar-se na autovalorização, o invejoso lamenta o triunfo alheio e não luta pelo seu; compete mediante a urdidura da intriga e da maledicência; observa e persegue, acoimado por insidiosa desdita íntima.

A inveja é resultado da indisciplina mental e moral que não considera a vida como patrimônio divino para todos, senão, para si apenas. Trabalha, por inveja, para competir, sobressair, destacar-se. Não tem ideal, nem respeito pelas pessoas e pelas suas árduas conquistas.

Devemos ficar atentos também, com os seguintes sintomas, que não extinguido no seu início, poderá desencadear-se em ódio:

a) Se você é daquele tipo que está sempre esperando o pior da vida, você é uma presa fácil do ódio. Você pode dizer: o mundo atual é feio! É verdade que tem lá seus defeitos, mas não é completamente feio. Há coisas muito agradáveis na vida. Se seu mundo interno é cheio de ódio, você vai sempre ver o mundo como um lugar semelhante. Espelhamos quem somos.

b) Se você tem uma péssima auto-estima, está na hora de olharmos para dentro de si mesma,
para detectar o que está acontecendo. Geralmente a auto-estima rebaixada é uma indicação de que você não gosta de você, portanto, há algo de errado dentro de você. Conseqüentemente, terá dificuldades em gostar dos que a rodeiam.

c) Se você está sempre competindo com os outros, tome cuidado, isso pode ser uma manifestação de ódio. Geralmente na competição “fora de hora” nós enxergamos, nas coisas que o outro faz, um ataque á nossa pessoa e assim, invejosos e humilhados, queremos revidar.

d) Quando exageremos ao desconfiar de todo mundo. É o momento de refletirmos, porque tanta dificuldade de confiar. É impossível viver sem confiar. Provavelmente está acreditando que ninguém presta; de que todo mundo é ruim. Esta é uma visão odiosa do mundo.

e) Se você é do tipo que não sabe perdoar, temos um problema muito sério aí, o principal de todos. Isso significa que você não consegue livrar-se do rancor. Talvez você dê a si mesmo bons motivos para justificar seu ódio contra uma pessoa ou contra o mundo. Mas manter o ódio no coração é algo que não se justifica em hipótese alguma. Perdoar significa esperança, solidariedade e capacidade empática. Não perdoar é manter-se prisioneiro a quem direcionamos nosso ódio.

f) Buscar a perfeição é louvável e até uma necessidade do espírito. Entretanto, pessoas perfeccionistas e rígidas, tem grandes probabilidades de estarem desviando seus ódios ao exigirem muito de si mesmas, como andar “na linha”, fazerem um trabalho ou tarefa repetidas vezes, chegando em alguns casos, quase a exaustão para atingirem a perfeição. No entanto, a perfeição que tanto perseguem está restrita ao seu mundo interior.

g) Temos também os casos de pessoas que são expostas ao ridículo ou se sentirem envergonhadas, que menos que possa parecer, pode dá origem a raiva e ao ódio de retaliação. Muitas vezes quando fizemos brincadeiras (geralmente de mau gosto), atingimos pessoas que podem estarem vivenciando conflitos interiores que negamos, podendo levar a uma reação negativa imediata ou futura.

O ódio é um sentimento que existe e não pode e, não deve ser ignorado. O ódio é mais duradouro (podendo superar os séculos) e, se não for eliminado através da expressão e do diálogo e, principalmente do perdão, ele fica lá, atormentando, feito uma pedrinha no sapato.

O ódio funciona como automatismo violento, labareda voraz que deixa destruição, para que as mãos do amor trabalharem na reconstrução que ressurgirá dos escombros.

A vingança

Em não conseguindo dominar, superar o ódio, passamos a alimentar um desejo sem limites de vingança.

É muito comum que tal pessoa tem o gênio forte, porque não leva “desaforo para casa”. Ou então, que se nosso “orgulho” for ferido, devemos devolver o insulto com a mesma intensidade. Não agir desta forma é visto como uma covardia, uma fraqueza, falta de personalidade.

Tornou-se como “ponto de honra” a necessidade de retribuir-se o mal com o mal. O resultado é que a cada dia aumenta a violência em todos os setores.

Se analisarmos nosso cotidiano, veremos que tanto em nossa casa, no trabalho e até no lazer nos melindramos por qualquer discordância de ponto de vista.

Também não deixamos que a opinião que emitimos seja contrariada; que nossos desejos, às vezes absurdos e egoístas, sejam ignorados.

Sentimos estranha satisfação quando alguém que não gostamos ou nos desentendemos sofre dificuldades.

Há casos, então, em que a vingança se torna patente. É o que acontece quando tomamos conhecimento de crimes hediondos.

O primeiro sentimento é de desejarmos que o indivíduo sofra na própria carne a dor que fez outros passarem. Então, passamos a ser cúmplices da violência, incentivando-a inconscientemente.
continua..
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: Felipa em 03 de Janeiro de 2014, 01:08
Continuação...

A vontade de ver a justiça sendo feita muitas vezes nos torna injusto.

Desencorajar a vingança não significa ser conivente com o mal. Pelo contrário, mostra a necessidade de combatermos a maldade com razão e não com o ódio e a emoção que cegam e destroem.

A impunidade às vezes os preserva das leis humanas, e isso pode nos revoltar. Não nos esqueçamos das Escrituras, onde é claro que a “Vingança a Deus pertence”. Não que Deus, o Pai criador, vá se vingar. Mas Ele criou as leis espirituais, dentre as quais está a de “Causa e Efeito”, na qual tudo o que fizermos ao próximo , de bom ou ruim, será retornado a nós mesmos.

Portanto, não há malefício que não seja cobrado; não há injustiça que não seja reparada.
A vingança se manifesta em nosso íntimo como reação de um coração ressentido pelo ódio e que guarda mágoa de uma ofensa recebida.

Quando estamos ressentidos e magoados com alguém, começamos a percorrer uma perigosa estrada de ódio, que é fruto de nossa condição de espíritos inferiores.

Quando nos vem à mente o sentimento de vingança já estamos sendo movidos pelo ódio. E quem odeia fere a si próprio em primeiro lugar.

O vingador é alguém que carrega pesado fardo de dores, do qual só se libertará quando iniciar a prática do perdão.

Quem se entrega a cega paixão da vingança, quase nunca se vinga a céu aberto. Quando é ele o mais forte, cai qual fera sobre o outro a quem chama seu inimigo, desde que a presença deste último lhe inflame a paixão, a cólera, o ódio.

Porém, as mais das vezes assume aparências hipócritas, ocultando nas profundezas do coração os maus sentimentos que o animam. Toma caminhos escusos, segue na sombra o inimigo, que de nada desconfia, e espera o momento oportuno para sem perigo feri-lo.

Esconde-se do outro, espreitando-o de contínuo, prepara-lhe odiosas armadilhas e, em sendo propícia a ocasião, derrama-lhe no copo o veneno. Quando seu ódio não chega a tais
extremos, ataca-o então na honra e nas afeições; não recua diante da calúnia, e suas pérfidas insinuações, habilmente espalhadas a todos os ventos, se vão avolumando pelo caminho.

Em conseqüência, quando o perseguido se apresenta nos lugares por onde passou o sopro do perseguidor, espanta-se de dar com semblantes frios, em vez de fisionomias amigas e benevolentes que outrora o acolhiam. Fica estupefato quando mãos que se lhe estendiam, agora se recusam a apertar as suas.

Enfim, sente-se aniquilado, ao verificar que seus mais caros amigos e parentes se afastam e o evitam. Ah ! o covarde que se vinga assim é cem vezes mais culpado do que o que enfrenta o seu inimigo e o insulta em plena face.

A vingança, fruto do atraso moral do homem, é condenável, pois consiste na manifestação de um coração rancoroso. Este sentimento, contrário à lei de Deus, deixará de existir na Terra quando homem, usando os recursos do Evangelho e da prece, se esforçar por perdoar as ofensas.

Quando o sentimento de vingança for mais forte que o desejo de perdoar, devemos empreender todo o nosso esforço por desenvolver os sentimentos de fraternidade e tolerância, buscando no Evangelho e na prece o amparo e a inspiração para nos libertarmos do desejo de vingança.

Aquele que se vinga, além de aumentar seus débitos para com a justiça divina, deixa escapar a oportunidade de se regenerar através do perdão ao agressor, com quem terá, inevitavelmente, de se reconciliar um dia.

O ódio envenena os sentimentos e entorpece a razão. Dando vitalidade à vingança, conduz a transtornos comportamentais mórbidos de recuperação difícil.
Trata-se, à luz da psicologia profunda, de provar que o Bem é mais forte que o mal, que a não violência é o antídoto para a ferocidade, a paciência é o remédio para a irritação, a esperança é o recurso para o desalento...

A vingança é atraso moral do espírito, que permanece em primarismo; o perdão exalta o indivíduo. A primeira, leva-o a futuros conflitos e ata aquele que a cultiva a quem detesta; o segundo liberta do agressor e lignifica os sentimentos que restauram a alegria de viver. Uma aflige sem pausa e o outro equilibra, desenvolvendo estímulos para novos embates.

Conclusão

Como no campo psíquico, os afins se atraem. É preciso cortar a sintonia negativa estabelecida com nossos desafetos.

Orar pelos que nos fazem mal, sendo uma das formas de fazer-lhes o bem, significa interromper qualquer ligação negativa, por isso Jesus nos convida à orar por aqueles que nos difamam e nos perseguem:
“A vós que me escutais, eu digo: Amai os vossos inimigos, fazei o bem aos que vos odeiam, bendizei aos que vos amaldiçoam, orai pelos que vos difamam.” (Lc 6:27-28)

A vibração positiva da prece em favor dos que nos querem mal age sobre o psiquismo de nosso desafeto, colaborando assim para que saiam dessa situação, influenciando seu inconsciente de forma favorável a nosso respeito.
Está provado que o ódio, a raiva, a mágoa e o ressentimento causam doenças graves em nosso corpo somático.

A medicina moderna já descobriu que existe uma relação estreita entre nosso estado emocional e o surgimento de inúmeras patologias de difícil cura. Não podemos esquecer também de orar pelos nossos inimigos espirituais e por nossos obsessores, porque eles se enquadram nas recomendações do Cristo.

Sejamos mais sábios e inteligentes. Não guardemos ódio nem rancor que poderão desestruturar nosso íntimo. Ao invés de ódio, amor, tolerância, compreensão; e sobretudo, muita prece, não apenas para nossos amigos mas também para nossos desafetos.

Vitorioso é somente aquele que se vence interiormente, mesmo que vencido exteriormente, por isso amarás o teu próximo como a ti mesmo.
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: Gustavo Rettenmaier em 03 de Janeiro de 2014, 10:16
"A medicina moderna já descobriu que existe uma relação estreita entre nosso estado emocional e o surgimento de inúmeras patologias de difícil cura. Não podemos esquecer também de orar pelos nossos inimigos espirituais e por nossos obsessores, porque eles se enquadram nas recomendações do Cristo."
Minha cara Maria, e demais amigos do FE, parece que nosso Mestre nos antecipou um tratamento de saúde de otimos resultados.
Na realidade, a vingança, tema do estudo, é o auge da ignorância, pois nos toma nosso precioso tempo na busca de algo que satisfaz apenas um ego doente.
Ao abrir mão da vingança, seguindo a orientação do Mestre e perdoando, estamos retomando o controle de nossas faculdades, bem como efetuando um tratamento de saude, fisica e mental, quase impereceptivel, mas que faz uma enorme diferença na nossa vida.
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: Kazaoka em 03 de Janeiro de 2014, 11:15
Sempre que vamos falar sobre as torpezas humanas buscamos o primitivismo da civilização humana para mostrar que a causa desses males remontam à colonização do planeta e, por conseguinte, a origem do homem na Terra. O que devemos tomar como parâmetro disso para os dias atuais é que naquela época imperava no Espírito a necessidade de desenvolvimento de sistemas de auto preservação. Havia ali uma necessidade premente de preocupar-se consigo mesmo e com a própria segurança, era o sentimento egoístico agindo positivamente na ordem natural das coisas.

Hoje em dia, quando falamos em paixões inferiores tais como ódio, rancor, desejo de vingança, ciumes, inveja, orgulho, vaidade, etc., não estamos falando nada mais do que o efeito dessas reminiscências primitivas em nós. A questão de amar os inimigos nada mais é do que respeitar os limites e as condições morais de cada um, e esse respeito não dispensa a previdência e nem os cuidados e precauções necessários quando lidamos com alguém que não seja de nossa inteira confiança. É lógico que temos que lutar contra nós mesmos quando sentimos incitados a buscar na força dessas paixões inferiores a satisfação de nossos desejos e formas pessoais de aplicação daquilo que chamamos de justiça, mas o ideal é que nos precavemos para que o efeito das ações que nos rodeiam e que, eventualmente nos atinjam, subjugue a nossa razão e nos entregue ao domínio do amor próprio exagerado.

Em nome de todos que acompanham este estudo agradeço à Maria47 pela sua contribuição ao tópico.
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: Antonio Renato em 03 de Janeiro de 2014, 11:58
Sim meus irmãos,quando nos deixamos levar pelo desejo de vingança,acreditando que estamos
fazendo justiça,pelo mal que nos tenha sido causado por uma pessoa,mesmo que esse ato não
seja intencional,estamos na verdade voltando ao primitivismo,ou seja,nos deixando levar pelas paixões inferiores.
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: Gustavo Rettenmaier em 03 de Janeiro de 2014, 13:30
"A questão de amar os inimigos nada mais é do que respeitar os limites e as condições morais de cada um, e esse respeito não dispensa a previdência e nem os cuidados e precauções necessários quando lidamos com alguém que não seja de nossa inteira confiança."
Rapaz, que belo resumo.
Acho essa frase de uma lucidez, e uma clareza fantástica, é exatamente assim que penso.
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: fernandes adalberto em 03 de Janeiro de 2014, 19:46
muitas vezes somos ignorantes, orgulhosos, mentimos, caluniamos, fazemos de uma vida cheia de vaidade. onde muitas vezes não somos paciente com aqueles que precisam aprendem com a vida.
a vingança sempre vem quando uma pessoa humilhar a outra, faz trapaças, e outras coisas mais.....
para começar tá bom...
Fernandes Adalberto
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: EsoEstudos em 03 de Janeiro de 2014, 21:14

O homem progrediu descobrindo que há circunstâncias abundantes que o expõem a toda sorte de perigos. Logo associou tais circunstâncias à noção de Mal. Percebeu, também, que há circunstâncias outras, normalmente dependentes de atitudes suas, que lhe trazem maior segurança para sobreviver. Por serem circunstâncias contrárias aos riscos e perigos, associou-as ao conceito primitivo de Bem.


Ora, de se ver que o homem primitivo já lançava as bases da religiosidade que ainda hoje campeia na sociedade: o Mal como algo ruim externo ao homem; e o Bem como algo bom, que o homem traz de si para evitar o mal.


Como o mal era, para o homem primitivo, algo imposto pela vida e que poderia matá-lo caso não tivesse os cuidados necessários, mais significativo fica o seguinte texto de Kardec:


Mas o homem geralmente é mais sensível ao mal que ao bem; o bem lhe parece natural, enquanto que o mal o afeta mais; eis por que, em todos os cultos primitivos, as cerimônias em homenagem ao poder maligno são as mais numerosas; o medo prevalece sobre o reconhecimento.
(O Céu e o Inferno)



Se alguém nos comete uma agressão, física, moral ou ambas, é perfeitamente natural que nosso imenso acervo de instintos, notadamente o de conservação, seja acionado remetendo-nos a reações de fuga, luta ou simplesmente raiva.


O erro não está em sentir os efeitos que a evolução nos amoldou por necessidade de sobrevivência. O erro está em cultuar esses efeitos na realização de condutas desnecessárias (se forem necessárias, serão mera defesa), iniciando um projeto de vingança que poderá ser até mesmo uma requintada atitude de falso perdão, na verdade uma encenação enunciativa do grau de inferioridade do agressor.


Certa vez já se disse "let it be"...


Quando formos agredidos e não houver necessidade de desforço imediato para afastar a agressão (temos o dever de manter nossa integridade), amaremos verdadeiramente nosso "inimigo" através do perdão real: falar é prata, calar é ouro. Deixe estar... Isso sim exige desprendimento.







Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: Kazaoka em 04 de Janeiro de 2014, 00:51

a vingança sempre vem quando uma pessoa humilhar a outra, faz trapaças, e outras coisas mais.....


A humilhação é um sentimento que nasce naquele que é humilhado, quer dizer, depende da suscetibilidade daquele a quem é dirigida a ação com carga humilhante. Assim como devemos dispender esforço moral para o perdão, esforço proporcional, ou talvez maior, deve ser aplicado para que o nosso orgulho e amor próprio não nos coloque na jurisdição da humilhação.
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: Kazaoka em 04 de Janeiro de 2014, 01:06


Mas o homem geralmente é mais sensível ao mal que ao bem; o bem lhe parece natural, enquanto que o mal o afeta mais; eis por que, em todos os cultos primitivos, as cerimônias em homenagem ao poder maligno são as mais numerosas; o medo prevalece sobre o reconhecimento.
(O Céu e o Inferno)



Se alguém nos comete uma agressão, física, moral ou ambas, é perfeitamente natural que nosso imenso acervo de instintos, notadamente o de conservação, seja acionado remetendo-nos a reações de fuga, luta ou simplesmente raiva.


O erro não está em sentir os efeitos que a evolução nos amoldou por necessidade de sobrevivência. O erro está em cultuar esses efeitos na realização de condutas desnecessárias (se forem necessárias, serão mera defesa), iniciando um projeto de vingança que poderá ser até mesmo uma requintada atitude de falso perdão, na verdade uma encenação enunciativa do grau de inferioridade do agressor.



Aqui podemos realçar a importância do prevalecimento da razão sobre o instinto. Estamos humanamente expostos a estas duas forças regentes do homem, e a arte que precisamos desenvolver (pois a temos latente) é a de saber equilibrar estes dois instrumentos de aplicação compulsória na obra de ascensão do Espírito.
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: nação de Aruanda em 04 de Janeiro de 2014, 03:37
bom tema

muito vasto, sempre explorado no campo da filosofia e da ciência, mas, muito esquecido na prática do dia a dia e no relacionamento humano e social, falar de vingança envolve e mexe com a justiça, o ódio e os sentimentos mais profundos, mexe também com as energias, principalmente as magnéticas, que gera todo tipo de sentimento dentro de nos, quando se dá enfase ao estudo mais direcionado para as teorias e sem a prática  é aí que se esquece como se debelar o ato em si da vingança, veja como o evangelho do Cristo é feito de poucas palavras e sugere mais ação, só que ainda não conseguimos entender seus objetivos e prolongamos em estudos e formas que dificulta o entendimento para a maioria das pessoas, porque vem carregado de intelectualidade, inaccessível para a maioria de quem realmente necessita, o estudo é muito bom, mas se não vem acompanhado de pratica, de nada serve, como disse Tiago, "a fé sem obras é morta", muito se fala, escreve,e se diz como fazer, mas, pouco se pratica.

paz pra todos
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: Kazaoka em 04 de Janeiro de 2014, 12:30
Bom dia Aruanda.

O que acontece com as virtudes, incluindo entre estas a do perdão das ofensas e a não-vingança, é que suas ações são discretas, não são percebidas. Além do que, quando são clamadas dentro de circunstâncias que justificam suas manifestações, há ai ainda duas situações que camuflam a verdadeira virtude. Se a vingança é cometida a virtude literalmente deixou de existir, se não é cometida pode ser considerada pelos outros ou até mesmo por si próprio, como um ato de covardia. Sim! Disse por "si próprio" porque quantas vezes sufocamos  os impulsos que nos incitam a tomarmos atitudes vingativas mesmo quando nos detemos, por esforço inaudito, em não os cometer.
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: Kazaoka em 04 de Janeiro de 2014, 13:17


Mas o homem geralmente é mais sensível ao mal que ao bem; o bem lhe parece natural, enquanto que o mal o afeta mais; eis por que, em todos os cultos primitivos, as cerimônias em homenagem ao poder maligno são as mais numerosas; o medo prevalece sobre o reconhecimento.
(O Céu e o Inferno)



A maior sensibilidade do homem para o mal está em razão de que este sempre nos atinge em nosso orgulho. E isso pode ocorrer de duas formas; ou mexendo com nossa suscetibilidade quando somos atingidos; ou com nosso egoismo quando quando o praticamos.
Título: A Vingança
Enviado por: Edna☼ em 04 de Janeiro de 2014, 14:28
Olá a todos,

Amigo Kazaoka, oportuno o tema que trouxe para debate.

A vingança é resquício de um costume bárbaro, fruto da ignorância que a autorizava como meio “dar o troco” a ofensa e danos sofridos, e as “supostas” vítimas permitiam (ou permitem) o revide até mesmo porque julgavam justo, ato este que iguala a vitima ao “suposto” ofensor, e vemos que, muitas vezes, tornam o ofendido mais cruel que o ofensor.

O “Olho por olho, dente por dente” há muito foi substituído pelo exemplo do Cristo e a “lei do amor” que impera soberana e a tudo esclarece, pois nos faz voltar os olhos ao passado e saber que tudo o que recebemos não é obra do acaso, mas consequência do pretérito delituoso, ou, de provas escolhidas.

Por mais difícil que seja o ato recebido temos ai valiosa oportunidade de provar a nós mesmos que assimilamos o que tanto estudamos, colocando em prática a compreensão e o perdão ao ofensor e, tendo-o como um grande professor.


Bons estudos a todos!

Abraços fraternos.

Edna ;)
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: Kazaoka em 04 de Janeiro de 2014, 14:45
É isso ai, Edna.

Todos os nossos sentimentos inferiores são resquícios, ou ainda, sentimentos muito vivos em alguns, daquilo que fomos no alvorecer do Espírito humano. E constituem elos que os justificam ligando-os ao nosso passado primitivo.
Mas passado é passado. E veja que o que Jesus nos anunciou com a Lei de Amor é que não importa o passado, o valor positivo ou negativo de tudo não está no que já fizemos, mas no que estamos fazendo agora e no que, eventualmente, faremos no futuro e no "daqui em diante". Mesmo porque uma má ação hoje pode anular várias boas do ontem de nossa história. Inclusive o próprio Jesus nos convida a seguir o seu enunciado dizendo que seu jugo é suave e seu fardo é leve, Com essa frase Ele queria dizer que a suavidade de seu julgamento estava em função de considerar apenas a resolução de boa vontade daquele que quer tomar uma postura de busca do caminho reto e que não existe "causa perdida" quando se fala em reforma moral.
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: Gustavo Rettenmaier em 04 de Janeiro de 2014, 16:01

a vingança sempre vem quando uma pessoa humilhar a outra, faz trapaças, e outras coisas mais.....


A humilhação é um sentimento que nasce naquele que é humilhado, quer dizer, depende da suscetibilidade daquele a quem é dirigida a ação com carga humilhante. Assim como devemos dispender esforço moral para o perdão, esforço proporcional, ou talvez maior, deve ser aplicado para que o nosso orgulho e amor próprio não nos coloque na jurisdição da humilhação.
Na realidade, meu caro, entendo que so se sente humilhado, quem for orgulhoso.
Se tivermos em mente que nosso irmão esta em seu momento próprio de evolução, qualquer ato ou palavra que nos dirija, ainda que tenha nele o objetivo de nos espezinhar, de humilhar, só conseguira se permitirmos que nosso ego seja maior que nosso amor.
Não importa o que me façam, só me sentirei humilhado se deixar meu orgulho falar mais alto.
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: Kazaoka em 05 de Janeiro de 2014, 00:37
Os sentimentos inferiores do homem (raiva, ódio, rancor, vingança)
Sobre os sentimentos de ódio, rancor e vingança - Psiquiatra Aloísio Andrade (http://www.forumespirita.net/fe/go.php?url=aHR0cDovL3d3dy55b3V0dWJlLmNvbS93YXRjaD92PTJlNUNYcnA0cUI0Iw==)
Título: O ódio
Enviado por: Edna☼ em 05 de Janeiro de 2014, 15:24
Os sentimentos inferiores do homem (raiva, ódio, rancor, vingança)

 “Amai-vos uns aos outros, e sereis felizes. Tratai sobretudo de amar aos que vos provocam indiferença, ódio e desprezo. O Cristo, que deveis tornar o vosso modelo, deu-vos o exemplo dessa abnegação: missionário do amor, amou até dar o sangue e a própria vida. O sacrifício de amar os que vos ultrajam e perseguem é penoso, mas é isso, precisamente, o que vos torna superiores a eles. Se vós os odiásseis como eles vos odeiam, não valereis mais do que eles. É essa a hóstia imaculada que ofereceis a Deus, no altar de vossos corações, hóstia de agradável fragrância, cujos perfumes sobem até Ele.

Mas embora  lei do amor nos mande amar  indistintamente  todos os nossos irmãos, não endurece o coração para os maus procedimentos. É essa, pelo contrário, a prova mais penosa. Eu o sei, pois durante minha última existência terrena experimentei essa tortura. Mas Deus existe, e pune, nesta e na outra vida, os que não cumprem a lei do amor. Não vos esqueçais, meus queridos filhos, de que o amor nos aproxima de Deus, e o ódio nos afasta dele.”

FÉNELON
Bordeaux, 1861
(in, OESE)

Abraços fraternos,

Edna
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: Felipa em 05 de Janeiro de 2014, 20:11

A vingança é uma arma que muitos ainda trazem consigo.
Perigosa e traiçoeira é usada sempre de maneira imprevisível. Muitos nem mesmo sabem fazer o uso dessa arma e como um poderoso caçador que atravessa longas florestas a procura de sua caça, vão muitas vezes ao encontro de suas próprias tragédias.
Outros, espertos, porque planejam por dias, vão também ao encontro da sua tragédia e levam outros tantos consigo.
Vingança, um mal que muitos usam como um escrito mal planejado e deixam sempre uma fresta pela qual o retorno de seu ato traz de volta os resíduos que penetram em seu ser e que certamente os farão sofrer muito mais do que àqueles a quem foi dirigida.
Haroldo
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: Kazaoka em 06 de Janeiro de 2014, 00:17
Não observamos entre os animais a ação vingativa como observamos e sentimos em nós. Entre os animais o que comumente ocorre são reações imediatas visando a própria preservação ou ações coletivas visando a preservação das espécies. E até aí agimos semelhantemente a qualquer outro animal. O sentimento de desejar vingar-se parece que está relacionado com os atributos que o homem tem a mais que os animais, ou seja, a moral, a consciência de si mesmo e o livre arbítrio. Se esse pensamento estiver correto, não podemos ficar jogando a culpa desse sentimento em nosso passado primitivo. Quer dizer, esse sentimento surgiu em nós num momento entre o primitivismo e a nossa condição atual. E aí!? Que momento seria esse?
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: Gustavo Rettenmaier em 06 de Janeiro de 2014, 10:41
Não observamos entre os animais a ação vingativa como observamos e sentimos em nós. Entre os animais o que comumente ocorre são reações imediatas visando a própria preservação ou ações coletivas visando a preservação das espécies. E até aí agimos semelhantemente a qualquer outro animal. O sentimento de desejar vingar-se parece que está relacionado com os atributos que o homem tem a mais que os animais, ou seja, a moral, a consciência de si mesmo e o livre arbítrio. Se esse pensamento estiver correto, não podemos ficar jogando a culpa desse sentimento em nosso passado primitivo. Quer dizer, esse sentimento surgiu em nós num momento entre o primitivismo e a nossa condição atual. E aí!? Que momento seria esse?
Como o amigo diz, é um sentimento, portanto para "animais" superiores intelectualmente falando, os que ja passaram da fase institiva.
Revela, para mim, uma supremacia do orgulho, sobre qualquer outro sentimento, visto que apenas nos vingamos de quem nos fere esse sentimento equivocado.
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: Antonio Renato em 06 de Janeiro de 2014, 10:51
Meus irmãos,pelo que eu posso entender o ser humano não pode mais ser levado pelo instinto
de preservação,dado a sua evolução,servindo  apenas como alerta de perigo em que possa
está,seja este de qualquer tipo de agressão.A vingança advem de valores que lhes foram agre-
-gados e que estão sendo atingidos,por não aceitar,lhes vem pensamentos impuros,que os con-
-duzem ao revide.Está no seu progresso moral se deixar levar ou não por esses sentimentos.
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: fernandes adalberto em 06 de Janeiro de 2014, 14:02
8 - Se o amor do próximo constitui o principio da caridade, amar os inimigos é mais sublime aplicação desse principio, porque a posse dessa virtude é uma das maiores vitória alcançada contra o egoísmo e o orgulho. (Evangelho Segundo Espiritismo).
Fernandes Adalberto
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: Kazaoka em 06 de Janeiro de 2014, 17:13
Como o sentimento de vingança sucede ao primitivismo do homem, isso significa que este sentimento faz parte de mentes mais elaboradas. E, talvez, isso explique o "por quê" dessa paixão parecer tomar corpo à medida que a sociedade avança em inteligência. Sendo assim, ela tende a crescer com a evolução do homem intelectualizado, deixando de ser praticada de forma embrutecida para ser usada de forma silenciosa e sorrateira e, portanto, mais difícil de ser identificada.
Na leitura do Evangelho que serve de móbil deste estudo o texto fala em tendência ao desaparecimento desta e de outras paixões como o duelo, por exemplo. Mas essa tendência leva em conta a possibilidade de ascensão moral dos Espíritos e não o decurso de prazo como pensam aqueles que as associam à era do primitivismo humano. Por isso temos que tomar cuidado com o aspecto moral mediante a todo grande avanço intelectual que temos observado sobretudo nos últimos tempos, considerando como últimos tempos os dois séculos passados e este que estamos iniciando. Séculos que as raízes que sustentam a arquitetura do Espírito sofreram grande impacto de desenvolvimento, mas que as raízes do conhecimento intelectivo sobrepôs de forma acentuada ao desenvolvimento muito mais lento das raízes da moralidade.
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: Gustavo Rettenmaier em 06 de Janeiro de 2014, 18:14
Como o sentimento de vingança sucede ao primitivismo do homem, isso significa que este sentimento faz parte de mentes mais elaboradas. E, talvez, isso explique o "por quê" dessa paixão parecer tomar corpo à medida que a sociedade avança em inteligência. Sendo assim, ela tende a crescer com a evolução do homem intelectualizado, deixando de ser praticada de forma embrutecida para ser usada de forma silenciosa e sorrateira e, portanto, mais difícil de ser identificada.
Na leitura do Evangelho que serve de móbil deste estudo o texto fala em tendência ao desaparecimento desta e de outras paixões como o duelo, por exemplo. Mas essa tendência leva em conta a possibilidade de ascensão moral dos Espíritos e não o decurso de prazo como pensam aqueles que as associam à era do primitivismo humano. Por isso temos que tomar cuidado com o aspecto moral mediante a todo grande avanço intelectual que temos observado sobretudo nos últimos tempos, considerando como últimos tempos os dois séculos passados e este que estamos iniciando. Séculos que as raízes que sustentam a arquitetura do Espírito sofreram grande impacto de desenvolvimento, mas que as raízes do conhecimento intelectivo sobrepôs de forma acentuada ao desenvolvimento muito mais lento das raízes da moralidade.
Meu caro amigo, todos os vicios e desvios existentes só poderão ter cabo quando a moral dos espiritos assim o permitir.
É necessario primeiro que compreendamos as leis eternas e imutáveis de Deus, para que esses desvios sejam superados.
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: EsoEstudos em 06 de Janeiro de 2014, 21:32

É muito difícil entender exatamente em que ponto o ser adquire discernimento suficiente para identificar o caráter ilícito de uma conduta, deixando de se arrastar pelos instintos para decidir sobre o que deve ou não ser feito. Kardec denomina paixões os impulsos que advêm do instinto de conservação, paixões cujo exercício constituem uma necessidade para o atendimento das necessidades materiais das primeiras fases da existência corpórea do Espírito. Em um dado momento, o ser entende que deve atender a essas necessidades ao mesmo tempo em que se vai estabelecendo uma escala de valores em sua incipiente capacidade de avaliação. O ser passa a considerar, desde os rudimentos mais simples, a idéia de certo e errado. Para cada aumento na capacidade de valorar entre certo e errado, aumenta-lhe simetricamente a responsabilidade pela decisão que tomar.

Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: Kazaoka em 09 de Janeiro de 2014, 15:28
Dentro da Lei de Causa e Efeito, o que sofre o efeito de uma ação vingativa é porque, por algum motivo e em algum momento, ele mesmo foi o agente causal de uma má ação que culminou nisso. Por outro lado, o que vinga assim o faz porque não conseguiu conter em si o sentimento de raiva e de rancor pelo mau sofrido e fez com que ele sentisse a necessidade da vingança para acalmar o seu íntimo. Numa situação como essa, sabendo que o perdão é a saída, quem tem maior obrigação de partir essa iniciativa?
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: EsoEstudos em 10 de Janeiro de 2014, 23:18



Boa pergunta...


Sem nenhuma pretensão, pude postar no face desta forma:


P ostura
E spiritual
R estauradora do
D omínio do

A mor
O lvidado


Deixando de lado a poesia, tenho que serve de referência que o perdão pode, de fato, ser visto como a restauração do equilíbrio entre ofensor e ofendido, iniciativa que há de partir de um deles, sem expectativas, deixando que a Harmonia Universal cuide de cativar o outro, leve o tempo que levar.
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: Kazaoka em 11 de Janeiro de 2014, 02:22
Não deve ser a fadiga da luta e nem o amor próprio saciado as causas do verdadeiro perdão. A virtude do perdão está na compreensão que o indivíduo adquire sobre a marcha progressista da moral do Espírito. E que todas intercorrências desta marcha, incluindo ai as relações amargas que experimentamos, fazem parte de um processo de aprendizado e que a capacidade de compreender as causas dos erros é a pedra angular para alicerçarmos o verdadeiro perdão, quebrando este círculo vicioso de débitos e créditos que, pela justiça terrena, parece ser uma combinação de erros plenamente justificados, porém, numa conta que não fecha e tendendo a não ter fim.
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: lconforjr em 11 de Janeiro de 2014, 15:24
Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança

      Kazaoka  « ref #39 em: 09 Jan 2014, 15:28 »

      Amigos,

      Qual é a finalidade deste estudo da vingança?

      Me desculpem o que vou dizer. Não estarão todos apenas perdendo tempo com esta discussão? Não será apenas curiosidade ou desejo de ilustração?

      Qual é a finalidade de compará-la, ou de julgá-la melhor ou pior que a justiça dos homens? De tentar compreender se ela cabe a nós, à justiça dos homens ou à de Deus? De procurar conhecer os males que ela pode causar no que vinga, ou pensa em se vingar, ou naquele que é, ou poderá ser alvo da vingança?

      Saber que a vingança é um mal, ajuda a evitar o sentimento de vingança? Saber que, também para o vingador, a vingança é um mal, ajuda a evitá-la? Saber o que é a vingança, os males que ela pode causar, modificará o sentimento de ódio que está em nós?

      Ou, o que é a mesma coisa, saber o que é o ódio, ou a falta de amor, que isso é um mal que pode resultar em conseqüências assustadoras, fará que nosso ódio se vá ou que nosso coração se encha de amor?

      A vingança não e uma entidade em si mesma; é um sentimento, sentimento de ódio, raiva, de falta de amor, de impotência e, sem dúvida, quem de nós consegue, devido ao fato de saber ou conhecer o que é a vingança, afastar ou anular em nosso coração, o sentimento de ódio que ali se instalou? 

      Podemos, quando muito, controlar ou evitar a exteriorização desse sentimento, evitar que se manifeste, evitar que cause danos ao desafeto, ao inimigo.

      Mas controlar ou evitar ou fazer cessar ou que se modifique esse sentimento que está em nosso peito, quem consegue fazer isso? Isso está fora de nosso alcance. E não fomos nós que o colocamos ali!

      Quem é que controla ou comanda o sentimento de vingança, o sentimento de amor, ou de ódio, ciúme, inveja, ou de pena, dó, qualquer sentimento? Esse controle não depende de nossa vontade, do mesmo modo que esses sentimentos não dependem de nossa vontade de tê-los ou não tê-los, e nunca nascem espontaneamente em nós, ou causados por nós.

      Os sentimentos, quaisquer sentimentos, não os controlamos,  pois nem mesmo sabemos “como fazer” isso. Sobre sua exteriorização ou manifestação, sobre isso “podemos ter, embora nem sempre”, algum controle mas, só isso!

      Todos esses sentimentos, a que chamamos de “doenças da alma” ou de defeitos morais, imperfeições, se resumem num só: no desamor, na falta de amor. Desse modo, qualquer um pode perceber que o único remédio para todas essas doenças também é um só: ter amor, conseguir que o sentimento de amor exista em nosso íntimo, em nosso coração.

      Mas, quem, qual doutrina ou religião, filosofia ou ciência, sabe ensinar como fazer para que o amor exista em nosso coração? Sem dúvida, nenhuma pois, a amar ou a ter amor, ninguém sabe ensinar e ninguém aprende, nem com conselhos, nem com ensinamentos escritos ou falados, nem com exemplos de quem quer que sejam e, muito menos, se for alvo de torturantes sofrimentos.

      No entanto, não estamos totalmente desamparados, à deriva. Há, sim, quem ensine a como fazer o “trabalho” que, eventualmente, apenas eventualmente, e se estivermos no ponto de fazer isso, que possa nos fazer compreender como fazer para que, em nós, nasça e frutifique o amor.

      Nosso amigo Antonio Renato nos trouxe a correta e sábia afirmação de que “tudo depende de nosso progresso moral”. Verdade absoluta! Mas, e de que depende nosso progresso moral senão de nosso trabalho esforçado para que tenhamos em nós a virtude do amor?

      Por isso é que perguntei acima: “não será apenas perda de tempo, ou só curiosidade, ou desejo de ilustração ou de erudição?”  Por que não usar esse tempo para a tentativa de chegar a compreender, a conhecer, a saber o “como fazer” para que em nosso coração exista amor?

       É só isso que nos "salvará", é só o amor que trará um lenitivo para as dores do mundo!

...................
...............
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: Cícero Arruda em 12 de Janeiro de 2014, 15:15
É isso aí, Irmão Kazaoka. O tema é profundo e nos leva a uma profunda,a também, análise de nossas atitudes ente o mundo atual: nossos lares, nossos trabalhos, nossos Centro Espíritas e muitas outras situações.
VINGANÇA!!!
Será que estamos preparados para enfrentar e vencer essa terrível falta de conhecimento das leis divinas?
Estudar, debater, tirar dúvidas, dar opiniões, apresentar conclusões, sugerir, etc., etc., etc., tudo é muito fácil! Mas... e a prática?
Unamo-nos e, juntos, certamente que avançaremos na luta para vencer esse mal terrível que está fazendo estremecer o nosso "planetinha" !
Abraços fraternos a todos.     
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: Kazaoka em 12 de Janeiro de 2014, 17:10
Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança

      A vingança não e uma entidade em si mesma; é um sentimento, sentimento de ódio, raiva, de falta de amor, de impotência e, sem dúvida, quem de nós consegue, devido ao fato de saber ou conhecer o que é a vingança, afastar ou anular em nosso coração, o sentimento de ódio que ali se instalou? 

      Podemos, quando muito, controlar ou evitar a exteriorização desse sentimento, evitar que se manifeste, evitar que cause danos ao desafeto, ao inimigo.

      Mas controlar ou evitar ou fazer cessar ou que se modifique esse sentimento que está em nosso peito, quem consegue fazer isso? Isso está fora de nosso alcance. E não fomos nós que o colocamos ali!

      Quem é que controla ou comanda o sentimento de vingança, o sentimento de amor, ou de ódio, ciúme, inveja, ou de pena, dó, qualquer sentimento? Esse controle não depende de nossa vontade, do mesmo modo que esses sentimentos não dependem de nossa vontade de tê-los ou não tê-los, e nunca nascem espontaneamente em nós, ou causados por nós.

      Os sentimentos, quaisquer sentimentos, não os controlamos,  pois nem mesmo sabemos “como fazer” isso. Sobre sua exteriorização ou manifestação, sobre isso “podemos ter, embora nem sempre”, algum controle mas, só isso!

      Todos esses sentimentos, a que chamamos de “doenças da alma” ou de defeitos morais, imperfeições, se resumem num só: no desamor, na falta de amor. Desse modo, qualquer um pode perceber que o único remédio para todas essas doenças também é um só: ter amor, conseguir que o sentimento de amor exista em nosso íntimo, em nosso coração.

      Mas, quem, qual doutrina ou religião, filosofia ou ciência, sabe ensinar como fazer para que o amor exista em nosso coração? Sem dúvida, nenhuma pois, a amar ou a ter amor, ninguém sabe ensinar e ninguém aprende, nem com conselhos, nem com ensinamentos escritos ou falados, nem com exemplos de quem quer que sejam e, muito menos, se for alvo de torturantes sofrimentos.

      No entanto, não estamos totalmente desamparados, à deriva. Há, sim, quem ensine a como fazer o “trabalho” que, eventualmente, apenas eventualmente, e se estivermos no ponto de fazer isso, que possa nos fazer compreender como fazer para que, em nós, nasça e frutifique o amor.

      Nosso amigo Antonio Renato nos trouxe a correta e sábia afirmação de que “tudo depende de nosso progresso moral”. Verdade absoluta! Mas, e de que depende nosso progresso moral senão de nosso trabalho esforçado para que tenhamos em nós a virtude do amor?

      Por isso é que perguntei acima: “não será apenas perda de tempo, ou só curiosidade, ou desejo de ilustração ou de erudição?”  Por que não usar esse tempo para a tentativa de chegar a compreender, a conhecer, a saber o “como fazer” para que em nosso coração exista amor?

       É só isso que nos "salvará", é só o amor que trará um lenitivo para as dores do mundo!

...................
...............

Pois muito bem, sr. Coronel.
Esse Amor que o sr. cita como algo que não existe na maioria de nós ou, ao menos, nos que estão entregues aos impulsos das paixões, nessa afirmação o sr. está equivocado.
Todas nossas ações ou mesmo nossos pensamentos, têm todos eles suas raízes fincadas na consciência e nutridas pelo Amor que todos nós trazemos conosco e que é o gérmen que devemos fazer com que se desenvolva junto com nosso amadurecimento moral e intelectual. Todos os nossos atos ou pensamentos maus são os que agimos ou pensamos apenas em nosso favor individual e em nome de um amor-próprio exacerbado que recebe o nome de egoísmo. Ao contrário, todos os nossos pensamentos e atos que visam o nosso bem estar e que, de alguma forma, possa beneficiar ao próximo também, estes são os bons sentimentos e o que lhe deu origem é o mesmo Amor do caso anterior, só que usado de forma diferente. 
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: Kazaoka em 12 de Janeiro de 2014, 22:58
É isso aí, Irmão Kazaoka. O tema é profundo e nos leva a uma profunda,a também, análise de nossas atitudes ente o mundo atual: nossos lares, nossos trabalhos, nossos Centro Espíritas e muitas outras situações.
VINGANÇA!!!
Será que estamos preparados para enfrentar e vencer essa terrível falta de conhecimento das leis divinas?
Estudar, debater, tirar dúvidas, dar opiniões, apresentar conclusões, sugerir, etc., etc., etc., tudo é muito fácil! Mas... e a prática?
Unamo-nos e, juntos, certamente que avançaremos na luta para vencer esse mal terrível que está fazendo estremecer o nosso "planetinha" !
Abraços fraternos a todos.     

Boa noite Cicero.
Sem dúvida que a união de forças contra um mau comum é medida sábia para que alcancemos bons resultados. Mas quando se fala em imperfeições morais, esta tarefa pode sim, ser feita de forma conjunta, embora seja uma mudança que tem que acontecer individualmente.
A meta não deve ser a de querer que o próximo melhore de acordo com o conceito que temos dele. O objetivo maior deve ser a nossa busca de melhorarmos o mínimo que seja em qualquer ponto que reconheçamos em nós mesmos esta possibilidade de melhora. 
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: EMERSON ROGÉRIO LOPES em 12 de Janeiro de 2014, 23:06
O desejo de vingança é um sinal indicador da nossa inferioridade moral, deixando claro que continuamos mais próximos dos interesses materiais e distantes dos interesses espirituais. Se um dia foi útil à sobrevivência e manutenção da sociedade, como o egoísmo e o orgulho também foram, hoje nos impedem de progredirmos moralmente. Daí a importância do evangelho segundo o espiritismo que nos esclarece, e o evangelho do Cristo que nos mostra o caminho a seguir em busca da nossa transformação íntima. Que Deus abençoe a todos nós, espíritos encarnados e desencarnados em contínuo processo evolutivo.
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: Kazaoka em 12 de Janeiro de 2014, 23:34
Boa noite Emerson.

A questão que você levantou, a de colocarmos os interesses materiais acima dos valores morais, acaba sendo causa de uma infinidade de ações infelizes. E essa característica de inversão desses valores é próprio daqueles que descreem na vida futura através da sobrevivência da alma à morte do corpo físico. E é aí que a segunda revelação trazida por Jesus e a terceira trazida pelo Espiritismo tem nos ajudado a encontrarmos o caminho certo que nos conduzirá à verdadeira felicidade. Felicidade essa que não está nos aguardando em outro planeta. Mas neste mesmo quando a população de Espíritos que habitam este mundo forem de Espíritos hábeis no manuseio desse instrumento de libertação que todos nós trazemos como semente Divina dada pelo Criador e que se chama AMOR.
 
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: Antonio Renato em 12 de Janeiro de 2014, 23:57
Meus irmãos,quando tivermos verdadeiramente o domínio das nossas paixões,teremos 
assim o controle do desejo de vingança que se possa ter.A vingança não é uma ação espontânea,ela é trabalhada na mente após uma agressão sofrida,e que esta venha  ferir os sentimentosde uma pessoa.Por se sentir ferido ou mesmo magoado,guarda esta um sentimento de ódio e rancor,passando a ter então pensamentos de revide,ou seja de
vingança.Em geral isto acontece em pessoas que não trabalham o seu progresso moral,
não exercitam a lei maior de Deus,que é a lei do amor,e fazem da ação de vingança uma  recompensa pelo mal que tenha sofrido.Assim eu penso.
Fiquem na paz.
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: marcelo_sleipnir em 13 de Janeiro de 2014, 11:18
Bom dia a todos!
Esta é minha primeira participação aqui!
Amigo Kazaoka, é curioso ter proposto este tema.
Sabe que ontem mesmo estava pensando em um caso ocorrido aqui no DF há algumas semanas, quando um irmão detento, ao sair da prisão beneficiado por um chamado "Saidão de Natal", foi assassinado na porta de casa, por vingança. Então fiquei me questionando como uma pessoa se sente ao planejar a morte de outra. Tamanho é o sentimento de ódio, de vontade de revidar o mal que um dia recebeu, que a cegueira toma conta de todo o espírito e todas as leis divinas e humanas são postas de lado. Como diz o OESE, atua-se na sombra para ferir o dito inimigo.

Ao mesmo tempo, não são somente casos extremos como este que citei que remetem à vingança. Por várias vezes, até mesmo inconscientemente, a resposta a uma ofensa nos vem à mente, talvez como um instinto e reflexo de nossa imperfeição. É preciso sempre ter os ensinamentos de Cristo como princípio de nossas atitudes. Penso que devemos sempre pedir para que estejamos próximos ao Anjo de Guarda e que não atuemos conforme nossos instintos.
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: marcelo_sleipnir em 13 de Janeiro de 2014, 11:28
É isso aí, Irmão Kazaoka. O tema é profundo e nos leva a uma profunda,a também, análise de nossas atitudes ente o mundo atual: nossos lares, nossos trabalhos, nossos Centro Espíritas e muitas outras situações.
VINGANÇA!!!
Será que estamos preparados para enfrentar e vencer essa terrível falta de conhecimento das leis divinas?
Estudar, debater, tirar dúvidas, dar opiniões, apresentar conclusões, sugerir, etc., etc., etc., tudo é muito fácil! Mas... e a prática?
Unamo-nos e, juntos, certamente que avançaremos na luta para vencer esse mal terrível que está fazendo estremecer o nosso "planetinha" !
Abraços fraternos a todos.     

Boa noite Cicero.
Sem dúvida que a união de forças contra um mau comum é medida sábia para que alcancemos bons resultados. Mas quando se fala em imperfeições morais, esta tarefa pode sim, ser feita de forma conjunta, embora seja uma mudança que tem que acontecer individualmente.
A meta não deve ser a de querer que o próximo melhore de acordo com o conceito que temos dele. O objetivo maior deve ser a nossa busca de melhorarmos o mínimo que seja em qualquer ponto que reconheçamos em nós mesmos esta possibilidade de melhora. 

Há uns dias atrás, assisti a uma palestra em que foi abordado o longo percurso que temos a fazer na busca pela evolução.
Certo é que ninguém ficará esquecido.
Nesta caminhada, todos chegaremos, porém, cada um tem seu ritmo. Sempre haverá quem esteja à nossa frente, aos quais podemos recorrer quando necessitarmos. Mas sempre haverá também os irmãos que estão atrás de nós, que evoluem a ritmo mais lento. E a solução não é diminuir o nosso ritmo e pegar suas mesmas estradas errôneas (a vingança é uma delas), mas sim fazer nosso melhor para trazer quem está atrás de nós para o caminho do bem e da luz.
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: BernadeteLemes em 13 de Janeiro de 2014, 14:18
Ola, sou novata aqui, venho procurando um meio pratico e fácil de me aprofundar mais nos conhecimentos da doutrina espirita. Vou estudar melhor e tema desse mês e participar do debate.
Em breve postarei minhas duvidas e questionamentos, desde já Obrigada :)
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: lconforjr em 13 de Janeiro de 2014, 16:51
Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança

      Kazaoka « ref #44 em: 120114, às 17:10 »

      Conf (msg ant):... Mas, quem, qual doutrina ou religião, filosofia ou ciência, sabe ensinar como fazer para que o amor exista em nosso coração? Sem dúvida, nenhuma pois, a amar ou a ter amor, ninguém sabe ensinar e ninguém aprende, nem com conselhos, nem com ensinamentos escritos ou falados, nem com exemplos de quem quer que sejam e, muito menos, se for alvo de torturantes sofrimentos.

      No entanto, não estamos totalmente desamparados, à deriva. Há, sim, quem ensine a como fazer o “trabalho” que, eventualmente, apenas eventualmente, e se estivermos no ponto de fazer isso, que possa nos fazer compreender como fazer para que, em nós, nasça e frutifique o amor.

      Nosso amigo Antonio Renato nos trouxe a correta e sábia afirmação de que “tudo depende de nosso progresso moral”. Verdade absoluta! Mas, e de que depende nosso progresso moral senão de nosso trabalho esforçado para que tenhamos em nós a virtude do amor?

      Por isso é que perguntei acima: “não será apenas perda de tempo, ou só curiosidade, ou desejo de ilustração ou de erudição?”  Por que não usar esse tempo para a tentativa de chegar a compreender, a conhecer, a saber o “como fazer” para que em nosso coração exista amor?

...

      O amigo Kazaoka comentou: Esse Amor que o sr. cita como algo que não existe na maioria de nós ou, ao menos, nos que estão entregues aos impulsos das paixões, nessa afirmação o sr. está equivocado.

      Conf: meu amigo (gostei do duplo sr.), não é na maioria que esse amor não existe; esse amor não existe em nenhum de nós. Em nós pode existir afeto, apreço, consideração, admiração, gratidão, apego, atração, dependência, amizade mas, amor incondicional, e é neste sentido que sempre me refiro ao amor, só nasce naquele que se aproxima da liberdade que a percepção da verdade nos faz conhecer, naquele que se libertou de modo absoluto do egoismo.

      Nem a mãe que “adora” seu filhinho, que oferece a vida por ele, tem esse amor que é aquele que devemos possuir para que atinjamos o alvo por todos desejado, a que damos o nome de perfeição. O amor incondicional não tem endereço determinado; é endereçado a todos, sejam bons ou os mais terríveis assassinos ou malfeitores, perversos e pervertidos, e vazios de coração.

     A mãe ama seu filhinho, dá a vida por ele, mas esse não é um amor incondicional. Amor incondicional é aquele que Jesus, e outros, mostraram possuir, e que não dá a vida por este ou por aquele, por ser seu filhinho ou o que for: dá a vida por todos; que ama igualmente seu filhinho e o filhinho de seu inimigo, e que levou Jesus a dizer: “Pai, perdoai-os porq eles não sabem o que fazem!”

      È aquele a que Jesus se referiu qdo disse “eu não vim para os sãos, mas para os doentes (os pecadores)!” e o apostolo ao dizer: “Deus não faz acepção de pessoas, sejam ímpios ou piedosos!”

      Kaza: Todas nossas ações ou mesmo nossos pensamentos, têm todos eles suas raízes fincadas na consciência e nutridas pelo Amor que todos nós trazemos conosco e que é o gérmen que devemos fazer com que se desenvolva junto com nosso amadurecimento moral e intelectual.

      Conf: sim, meu jovem, essa é apenas sua interpretação pessoal. Amor adormecido ou escondido não é amor; amor que não se revela, não é amor. Como disse o apóstolo (nem precisava ter dito isso): “a fé sem obras é coisa morta!” Não que, pelo fato de, se termos fé "devemos" manifestar amor, mas pelo fato de que se temos fé verdadeira, o amor se manifesta expontaneamente, naturalmente.

      Kaza: Todos os nossos atos ou pensamentos maus são os que agimos ou pensamos apenas em nosso favor individual e em nome de um amor-próprio exacerbado que recebe o nome de egoísmo.

      Conf: não, amigo, egoísmo é amor exacerbado" por si mesmo, “o melhor para mim e para os meus”. Egoismo é, embora muitos repilam esta idéia, um sentimento natural de defesa que nasce em todos, humanos e não humanos, naturalmente, ao se depararem com um mundo ameaçador ao seu derredor.

      E é natural porq nasce do confronto natural, pois inevitável, de nossa natureza, ignorante e insegura, como Deus nô-la deu, com a natureza do mundo, ameaçador e poderoso, como Deus ao mundo
deu.
 
      Egoísmo, amor-próprio nada tem a ver com o amor como Jesus tentou ensinar; é exatamente seu exato oposto, pois é dele que se originam todos os mais cruéis sofrimentos do mundo, exceto aqueles provocados pela, vamos dizer, operação das leis de Deus. Por isso a DE o considera a “chaga da humanidade”.

.......     
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: Kazaoka em 13 de Janeiro de 2014, 21:08

[...]
Sabe que ontem mesmo estava pensando em um caso ocorrido aqui no DF há algumas semanas, quando um irmão detento, ao sair da prisão beneficiado por um chamado "Saidão de Natal", foi assassinado na porta de casa, por vingança. Então fiquei me questionando como uma pessoa se sente ao planejar a morte de outra. Tamanho é o sentimento de ódio, de vontade de revidar o mal que um dia recebeu, que a cegueira toma conta de todo o espírito e todas as leis divinas e humanas são postas de lado. Como diz o OESE, atua-se na sombra para ferir o dito inimigo.
[...]


Pois é, Marcelo.
Quando agimos como no caso que você citou acima, sempre estaremos negando nossa crença na vida futura e acreditando que tudo pode ser resolvido aqui mesmo e numa única existência. Esquecemos que a raiva, o ódio, o rancor e, consequentemente, a sede de vingança, sendo sentimentos do Espírito sobrevivem com ele à morte do corpo, podendo passar para o plano dos desencarnados e assim estabelecer os tristes laços obsessivos que tão comumente observarmos entre encarnados e desencarnados.
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: Kazaoka em 13 de Janeiro de 2014, 21:26
[[...]
Há uns dias atrás, assisti a uma palestra em que foi abordado o longo percurso que temos a fazer na busca pela evolução.
Certo é que ninguém ficará esquecido.
Nesta caminhada, todos chegaremos, porém, cada um tem seu ritmo. Sempre haverá quem esteja à nossa frente, aos quais podemos recorrer quando necessitarmos. Mas sempre haverá também os irmãos que estão atrás de nós, que evoluem a ritmo mais lento. E a solução não é diminuir o nosso ritmo e pegar suas mesmas estradas errôneas (a vingança é uma delas), mas sim fazer nosso melhor para trazer quem está atrás de nós para o caminho do bem e da luz.


Outra participação sua Marcelo e que serve para elucidações importantes.
Nesse "longo processo evolutivo" que todos nós estamos fazendo, e que sempre é lembrado na maioria das palestras e explanações com temas Espíritas. O que quase sempre acontece é que esquecemos de citar que ao "longooo..." desse processo, independente do ponto em que nos encontramos nele, a nossa condição de Espírito inferior ou superior estará naquilo ou naquele que tomamos como referência, é assim que a DE ensina. Sempre teremos alguns Espíritos moralmente superiores a nós aos quais devemos recorrer para o nosso aprendizado. Como, também, haverão sempre os que estarão em situações morais que a nossa intercessão a eles afigurar-se-a para eles como a de um Espírito superior. Condição que às vezes não sentimos em nós mesmos e que é normal que seja assim, pois o bom não sabe quantificar o bem que é capaz de fazer porque o faz naturalmente e, muitas vezes, nem têm eles a noção do valor daquilo que fazem.
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: Kazaoka em 14 de Janeiro de 2014, 00:28
Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança

     
      O amigo Kazaoka comentou: Esse Amor que o sr. cita como algo que não existe na maioria de nós ou, ao menos, nos que estão entregues aos impulsos das paixões, nessa afirmação o sr. está equivocado.

      Conf: [...] não é na maioria que esse amor não existe; esse amor não existe em nenhum de nós. Em nós pode existir afeto, apreço, consideração, admiração, gratidão, apego, atração, dependência, amizade mas, amor incondicional, e é neste sentido que sempre me refiro ao amor, só nasce naquele que se aproxima da liberdade que a percepção da verdade nos faz conhecer, naquele que se libertou de modo absoluto do egoismo.

      .......     

Aqui noto a primeira incoerência na sua teoria. Como pode nascer alguma coisa em terreno que não há o gérmen ou semente daquela coisa?

Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança

     

      Nem a mãe que “adora” seu filhinho, que oferece a vida por ele, tem esse amor que é aquele que devemos possuir para que atinjamos o alvo por todos desejado, a que damos o nome de perfeição. O amor incondicional não tem endereço determinado; é endereçado a todos, sejam bons ou os mais terríveis assassinos ou malfeitores, perversos e pervertidos, e vazios de coração.

     .......     

Aqui o sr. fala em transformação. E nisso havemos de concordar com suas colocações pois, como os Espíritos ensinam, a diferença do "diabo" para um "serafim" é apenas o grau de evolução moral. Então, o Amor não nasce, ele apenas se transforma e desenvolve. E se é transformação, como o sr. mesmo concorda que é, então ele já pré-existia naquele Espírito transformado. E, realmente, o trabalho íntimo é a maior demanda para que tal transformação ocorra.
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: Kazaoka em 14 de Janeiro de 2014, 10:15
Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança

     [...]

      Nosso amigo Antonio Renato nos trouxe a correta e sábia afirmação de que “tudo depende de nosso progresso moral”. Verdade absoluta! Mas, e de que depende nosso progresso moral senão de nosso trabalho esforçado para que tenhamos em nós a virtude do amor?

      .......     

O Renato está certo no que afirma e sua interpretação, sr. Coronel, sobre a postagem é que está equivocada. O trabalho esforçado contra nossas imperfeições é o resultado do afloramento desse sentimento, e ele é capaz de nos transformar em seres angelicais (aperfeiçoados).
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: Antonio Renato em 14 de Janeiro de 2014, 11:50
Meus irmãos,somos ainda muito imperfeitos e temos consciência disto.Quando nos sentimos feridos pelos nossos inimigos ou por aqueles que julgamos ser,aflora-nos pensamentos de revide por uma agressão sofrida.Está em nós raciocinarmos antes de qualquer ação,pois levar adiante esses pensamentos,seria como retroceder no nosso progresso moral.O perdão é o primeiro passo para o exercício da lei maior de Deus,que é a lei do amor.Vivemos em um mundo moderno e globalizado,que nos tornam dependentes do progresso material,e a cada vez mais por necessidade,intelectualizamo-nos mais, para fazer face a este progresso.Daí então surge as competições pelas conquistas dos espaços,consequentemente tornando as pessoas mais individualistas,e qualquer ação de outrem é visto como uma agressão,ou uma tentativa de tomar o seu espaço.Se faz então necessário que estejamos atentos para não cairmos na tentação do desejo de vingança.
Fiquem na paz.
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: Kazaoka em 14 de Janeiro de 2014, 15:51
Nessa batalha íntima para encontrarmos o caminho do próprio aperfeiçoamento muitas vezes nos perdemos no estabelecimento de nossas metas e sobre o que e como combater em nós as nossas más inclinações.
É comum concentrarmos nossos esforços sobre o efeito e, por displicência ou acomodamento mesmo, ignorarmos as causas. Assim é em relação à problemática que é tema deste estudo. A vingança é sempre um efeito, e a sua causa é a mesma causa de tantos outros males. O domínio que exercemos sobre o desejo de vingança é uma vitória sobre um impulso do momento, mas que se não for trabalhado de forma mais profunda sobre suas causas as recidivas com certeza ocorreram com muito maior frequência. E o crescimento espiritual promove uma reação em cadeia fazendo cessar uma gama muito grande de tendências a quedas morais. 
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: Aline Alarcão Lemos em 14 de Janeiro de 2014, 17:30
Boa tarde amigos, irmãos... Um tanto tardio mas desejo um ano novo repleto de AÇÃO a todos nós que buscamos mudanças para melhorar enquanto seres humanos...  :-*

Existe um pensamento que diz, que não é o que você junta, mas o que você espalha que caracteriza sua vida, e apoiados em nossas falhas, praticamos efetivamente muitas vinganças... Em atos, palavras e pensamentos... Revidando à altura todo tipo de coisa que nos atinge, que nos incomoda...

Na realidade não raciocinamos na hora, agimos, de forma errada na mais das vezes, se basearmos nos preceitos cristãos, e usamos o velho 'olho por olho dente por dente' de Moisés. E se raciocinarmos, perceberemos que tudo aquilo que nos incomodou, é justamente aquilo que devemos lapidar, trabalhar... É uma questão de autoconhecimento, de silenciar nossa mente e perceber estas arestas e lutar com afinco para apará-las...
E finalizo com uma frase instigativa para mim, espero que sirva para vcs...

#Bateu em você, doeu, leva que é seu! #Resolva!

Abraço fraterno a todos com votos de paz!!!!!
!
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: Kazaoka em 14 de Janeiro de 2014, 17:59
Boa Tarde Aline. É muito bom contar com sua participação auxiliando no discorrer do tema deste estudo.

Sempre que recebemos o efeito de uma ação de alguém sobre nós, esta ação serve como indicativo do tipo de sentimento daquela pessoa em relação a nós, seja naquele momento, seja no geral de nossa convivência. Independente de nos agradar ou não, baseado nestas impressões passamos a traçar os caminhos e as formas de lidarmos com estes indivíduos, evitando-os ou tentando nos aproximarmos. Em se tratando dos desafetos a primeira atitude deve ser mesmo a de reserva e cuidado quando se faz necessário o relacionamento. Esta é a postura normal e aceitável. Atitude ou mesmo pensamento de revide, são sempre o primeiro passo em favor de uma abertura de brecha na moral de quem assim se comporta para que as paixões inferiores se manifestem.
Não precisamos simular aos desafetos uma afeição que não existe. Isso é hipocrisia. Mas, também, não precisamos agir com repulsas se, simplesmente, podemos evitá-los ou tratá-los com o cuidado necessário quando as circunstâncias assim o exigir. As maiores desafeições surgem, justamente, nos revides, pois se no primeiro havia motivo em um, após o revide passam a serem dois os ofendidos e teremos, ai, o mal multiplicado.   
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: BernadeteLemes em 14 de Janeiro de 2014, 18:17
Olá Kazaoka

Excelente tema
e bela advertência

Sim!

Estamos num Mundo de provas e expiações,
que saibamos compreender todos os recursos que esta Escola Terrena nos proporciona
e que não se distancie das nossas vistas, pelas janelas e pelas portas deste Mundo, as destinações de progresso que esta Escola no oferece.

Vingança!
uma atitude a eliminar.

Abraços
e bons estudos

Vingança, é uma palavra ilusória, pensamos que ao se vingar seremos felizes, mas apenas contribuímos para o
desamor, e se não temos amor não temos paz. Há pessoas que nos fere profundamente, nos deixa sem ação, a ponto acharmos que o que ela terá em troca sera a nossa felicidade, enganamos.
Porem temos que  reconhecer que o ser humano e uma criatura movida por emoções, amor e ódio,  o que fará diferença é a fé e a sua origem. Um lar que sempre ensinou o perdão aos filhos, a probabilidade de uma vingança e muito pequena. 
Eu particularmente prefiro distanciar dos que me ferem, e deixa-los nas mãos de Deus, é uma forma de não dar passagem para o ódio e por fim a vingança. Porque não sabemos exatamente o porque da quela pessoa estar em nossas vidas e fazendo tal coisa, nada e por acaso, por isso temos que nos vigiar e tomar cuidado com nossas atitudes,  nada se acaba principalmente o que vem do coração, este levaremos para sempre junto de nós.    :)
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: marcelo_sleipnir em 14 de Janeiro de 2014, 18:21

#Bateu em você, doeu, leva que é seu! #Resolva!
!


Gostei muito da frase.
Ultimamente tenho praticado muito a paciência, que, de certa forma, é uma maneira de perdoar... ou seja, não vingança.
E realmente o resultado é fantástico!
Em um encontro fraterno da FEB, um irmão me disse uma coisa certíssima, que gostaria de compartilhar com vcs aqui:
"Todos os dias levamos tantas pessoas conosco, carregamos tanta gente, que qualquer hora dessas cairemos da cama por não haver espaço para tantos!"
Parece uma piada, mas, na verdade, quando não perdoamos, quando remoemos algo de ruim que nos fazem, quando nos vingamos, acabamos por carregar aquela pessoa conosco. Aquele ato permanece em nosso pensamento grande parte do dia e ocupa espaço demais em nossa vida, peso demais, que muitas vezes, erroneamente, achamos que só se alivia com a vingança.
Ao passo que, ao perdoarmos, não há mais aquele peso, simplesmente deixamos de carregar aquela pessoa (ou aquele pensamento) para todos os lugares e nossa cama fica bem mais espaçosa :)

Abraço a todos!
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: marcelo_sleipnir em 14 de Janeiro de 2014, 18:29
As maiores desafeições surgem, justamente, nos revides, pois se no primeiro havia motivo em um, após o revide passam a serem dois os ofendidos e teremos, ai, o mal multiplicado.   

O mesmo irmão que citei acima costuma dizer que, em um relacionamento, todos temos o direito de explodir às vezes. O que devemos atentar é para não explodirmos na vez do outro, pois aí surgem os revides.
Então, quando alguém estiver em seu momento explosivo, nosso papel é, como vc disse, o de polo passivo, calmo e agindo com empatia.

Abraço!
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: Kazaoka em 14 de Janeiro de 2014, 21:32


[...] todos temos o direito de explodir às vezes. O que devemos atentar é para não explodirmos na vez do outro, pois aí surgem os revides.
Então, quando alguém estiver em seu momento explosivo, nosso papel é, como vc disse, o de polo passivo, calmo e agindo com empatia.


Isso é a correta interpretação do que Jesus quis dizer quando recomendou que se oferecesse a outra face. É assumir uma postura moral contrária àquela que estamos recebendo. Aos olhos dos outros isso pode parecer passividade ou até mesmo acovardamento.Mas não é nada disso. Nesse caso, o que ocorre é a manifestação de uma firme convicção que o melhor é anularmos as possibilidades de perpetuação do mal.
Coisa simples de se fazer, é só colocar o orgulho ferido de lado.
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: Kazaoka em 14 de Janeiro de 2014, 21:53
Estou postando estes vídeos, primeiramente para dar uma descontraída num estudo com tema tão "sisudo" como o deste tópico. Mas, também, para ilustrar o quanto as pessoas estão receptivas a uma influência positiva em suas vidas. No caso destes vídeos a influência vem através da música, mas isso pode acontecer através de uma atenção maior para tudo que acontece em nosso entorno. Estejamos atentos, pois receptivos com certeza estamos. Estes dois eventos foram promovidos em ambientes públicos sem que a os transeuntes fossem previamente avisados. É muito legal!

Flashmob Flash Mob - Ode an die Freude ( Ode to Joy ) Beethoven Symphony No.9 classical music (http://www.forumespirita.net/fe/go.php?url=aHR0cDovL3d3dy55b3V0dWJlLmNvbS93YXRjaD92PWtiSmNRWVZ0Wk1vIw==)

The sound of music - "DO-RE-MI" na estação Central de Antuérpia(Bélgica) (http://www.forumespirita.net/fe/go.php?url=aHR0cDovL3d3dy55b3V0dWJlLmNvbS93YXRjaD92PWRNd3g2M3FaQURVIw==)
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: Gustavo Rettenmaier em 14 de Janeiro de 2014, 23:16
Estou postando estes vídeos, primeiramente para dar uma descontraída num estudo com tema tão "sisudo" como o deste tópico. Mas, também, para ilustrar o quanto as pessoas estão receptivas a uma influência positiva em suas vidas. No caso destes vídeos a influência vem através da música, mas isso pode acontecer através de uma atenção maior para tudo que acontece em nosso entorno. Estejamos atentos, pois receptivos com certeza estamos. Estes dois eventos foram promovidos em ambientes públicos sem que a os transeuntes fossem previamente avisados. É muito legal!

Flashmob Flash Mob - Ode an die Freude ( Ode to Joy ) Beethoven Symphony No.9 classical music (http://www.forumespirita.net/fe/go.php?url=aHR0cDovL3d3dy55b3V0dWJlLmNvbS93YXRjaD92PWtiSmNRWVZ0Wk1vIw==)

The sound of music - "DO-RE-MI" na estação Central de Antuérpia(Bélgica) (http://www.forumespirita.net/fe/go.php?url=aHR0cDovL3d3dy55b3V0dWJlLmNvbS93YXRjaD92PWRNd3g2M3FaQURVIw==)

Essas musicas meu caro, chegam a emocionar, acho que na proxima encarnação vou tentar ir para o velho mundo, la não tem "quadradinho de 8".
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: Kazaoka em 15 de Janeiro de 2014, 01:21

Essas musicas meu caro, chegam a emocionar, acho que na proxima encarnação vou tentar ir para o velho mundo, la não tem "quadradinho de 8".

KKKKK.... Mas meu caro, do que você está se queixando? Você está na região do Brasil cuja cultura mais se aproxima da deles. E nós? Já pensou?
Na verdade estamos onde merecemos ou onde precisamos estar.

                                                                 Um abraço.
E vê se lembra da gente quando chegar lá, pois, parece que você tá mais "adiantadinho" do que nós e deve chegar lá primeiro do que a gente.
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: Kazaoka em 15 de Janeiro de 2014, 10:32
A vingança silenciosa.

Esta seja talvez a forma mais comum e menos notada da ação dessa força em nossas vidas. Tanto praticando-a como sendo vitimados por ela.
Sempre pesamos na vingança como sendo algo que se pratica a céu aberto, de forma perceptível e notória por parte da vitima e daqueles que observam. Mas nem sempre é assim. Muitas vezes ela ocorre de forma silenciosa e tão discreta que nem a vítima é capaz de perceber o que se passa com ela, sentindo apenas as mudanças em seu cotidiano devido as alterações que passa a notar em sua interação com o ambiente social de sua convivência.
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: Gustavo Rettenmaier em 15 de Janeiro de 2014, 11:39

Essas musicas meu caro, chegam a emocionar, acho que na proxima encarnação vou tentar ir para o velho mundo, la não tem "quadradinho de 8".

KKKKK.... Mas meu caro, do que você está se queixando? Você está na região do Brasil cuja cultura mais se aproxima da deles. E nós? Já pensou?
Na verdade estamos onde merecemos ou onde precisamos estar.

                                                                 Um abraço.
E vê se lembra da gente quando chegar lá, pois, parece que você tá mais "adiantadinho" do que nós e deve chegar lá primeiro do que a gente.
Quem me dera meu caro, sou apenas um espirito ignorante e orgulhoso, tentando aprender alguma coisa, mas pelo menos estou tentando.. rsrsrsrsrs
Realmente, sou um gaúcho convicto, com muito orgulho das tradições culturais da minha terra, e da minha ascendência européia, pois meu avô materno era alemão puro, que migrou para o Brasil depois da primeira guerra.
Mas algumas tradições, que felizmente estão se perdendo, são questionáveis, e entre elas esta a vingança.
O gaucho mais tradicional é, como dizia minha mãe, "de faca na bota", não leva desaforo para casa e se achar que foi prejudicado busca a revanche, ou vingança.
O grande cantor e compositor regionalista Vitor Mateus teixeira, o popular Teixeirinha, em uma de suas musicas ja dizia que: "se pisar no pala o meu revolver fala e o bochincho esta feito".
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: Renato.Oliv em 15 de Janeiro de 2014, 12:52
Olá amigos.

Parabéns Kazoaka pelo excelente tema! Um defeito muito comum e arraigado mesmo nos dias atuais. Já vi crianças com menos de 5 anos se vingarem de seus coleguinhas, retribuindo negativamente o mal que lhe fizeram, algo que prova a existência da pluralidade das existências e também de uma bagagem negativa de vidas passadas.

Como Kardec fala é um traço ainda, ao meu ver muito forte, de animalidade, da época primitiva, mas que tende a desaparecer conforme a sociedade evolui.
Está fundado no orgulho, pois o indivíduo que toma esse caminho não admite a ação de fato ou a suposição de outrem tê-lo feito algum mal que ele acha ser "imperdoável".
Dentre outros temos os motivos mais comuns, todos originados no orgulho: noções morais distorcidas, vontade de resolver por conta própria, impaciência, inveja e ódio por ver o possível algoz triunfar, humilhação que sofreu, sentimento de frustração, inconformidade, revolta, etc.
É uma tremenda falta de crença e confiança em Deus, pois assumimos que podemos nos transformar em justiceiros, trazendo a suposta justiça. Achando que a Lei Divina deixará o mal "passar batido" sem consequências.
É também uma das mais terríveis fontes de Obsessões espirituais, onde mesmo depois de desencarnar o indivíduo continua na peleja em busca de trazer ruína ao seu antigo algoz. É um tipo de expiação para o autor do ato errôneo, por isso muitas vezes, o tempo de Obsessão pode acabar perdurando.

Allan Kardec: Todo espírita que pretendesse ter, ainda hoje, o direito de vingar-se, seria indigno de figurar por mais tempo na falange que tomou por divisa o lema: Fora da caridade não há salvação. Mas não, não me deterei em semelhante idéia, de que um membro da grande família espírita possa jamais ceder ao impulso da vingança, mas, pelo contrário, ao do perdão.
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: Kazaoka em 15 de Janeiro de 2014, 15:19
Boa tarde Renato.

A vingança brutalizada tem a ver com o primitivismo de nossa forma animalizada. E é cometida dessa forma porque o Espírito que dirigi o corpo utiliza desse recurso físico/material que lhe é facultado para manifestar o seu sentimento. Enquanto tivermos encarnando em corpos animalizados humanos vamos ter que conviver com essas reações instintivas dos corpos que nos servem de instrumento de manifestação. Mas como você citou da passagem do OLE, à medida que evoluímos moralmente os nossos corpos passam a serem subjugados em seus instintos pela razão (consciência) dos Espíritos que os animam. Enquanto não conseguimos exercer essa predominância das virtudes do Espírito sobre a força instintiva da matéria teremos que estar reencarnando nessas condições que temos encarnado até hoje.
Temos que tirar de nossos pensamentos essa justificativa de atrelar as nossas imperfeições às reminiscências de nosso primitivismo animalizado. Somos Espíritos eternos e a fase hominal é apenas um degrau que sucede outros que já galgamos anteriormente e que eram em condições piores do que a do primitivismo humano que temos lembrança. Estamos aqui para abraçar o presente e objetivar o futuro, e não para ficar buscando no passado justificativas para aquilo que já compreendemos que não nos convém mas que, mesmo assim, ainda não conseguimos nos desvencilhar.
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: Renato.Oliv em 15 de Janeiro de 2014, 17:48
Temos que tirar de nossos pensamentos essa justificativa de atrelar as nossas imperfeições às reminiscências de nosso primitivismo animalizado. Somos Espíritos eternos e a fase hominal é apenas um degrau que sucede outros que já galgamos anteriormente e que eram em condições piores do que a do primitivismo humano que temos lembrança. Estamos aqui para abraçar o presente e objetivar o futuro, e não para ficar buscando no passado justificativas para aquilo que já compreendemos que não nos convém mas que, mesmo assim, ainda não conseguimos nos desvencilhar.

Realmente amigo Kazaoka, mas como melhorar sem identificar o erro? Pode-se alegar que todos já sabem como funciona a inveja, sensualidade, raiva, vingança, ódio, etc. Mas será que de fato estamos fazendo algo concreto para mudar isso? Afinal, melhoramos sempre muito na parte intelectual deixando a parte moral somente para palavras bonitas e na prática fazemos muito pouco.
Intelectualmente falando, no que abrange o conhecimento, realmente conhecemos muito bem como funcionam os defeitos morais, porém, para transformarmos isso em sabedoria, ou seja, conhecimento aplicado, é dificílimo. Eis a porta estreita do Evangelho. Por isso temos que manter o "alarme ligado", pois se já acreditamos que somos criaturas mais espirituais do que materiais, estamos enganados, senão não estaríamos aqui passando por tanta dificuldade, seja pelas provações ou pelas expiações.
O nosso atraso é enorme. Somos trabalhadores da última hora; nos deram uma chance maravilhosa que é o Espiritismo. Saibamos utiliza-la da melhor forma para evoluirmos o máximo que pudermos nessa e nas próximas existências.
Não devemos nos iludir, nem achar que pelo fato de estarmos em contato com a Doutrina Espírita, já nos encontramos espiritualizados. O além está cheio de Espíritas que assim pensavam e encontraram uma realidade completamente diferente. Há muito trabalho a ser feito dentro de nós mesmos. Esperança e confiança num futuro mais espiritual são importantes mas sozinhas não bastam; já colocar a "mão na massa" a cada minuto de cada dia é o que realmente gera resultado.
Vigiemos a inércia ao nosso redor, pois acreditem, ela quer "nos pegar".
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: lconforjr em 15 de Janeiro de 2014, 19:01
     

      Kazaoka  « ref #55 em: 140114 às 00:28 »
     
      Kazaoka comentou (em msg anterior: Esse Amor que o sr. cita como algo que não existe na maioria de nós ou, ao menos, nos que estão entregues aos impulsos das paixões, nessa afirmação o sr. está equivocado.

      "Conf: [...] não é na maioria que esse amor não existe; esse amor não existe em nenhum de nós. Em nós pode existir afeto, apreço, consideração, admiração, gratidão, apego, atração, dependência, amizade mas, amor incondicional, e é neste sentido que sempre me refiro ao amor, só nasce naquele que se aproxima da liberdade que a percepção da verdade nos faz conhecer, naquele que se libertou de modo absoluto do egoísmo".
      .......     
      Kazaoka comentou: Aqui noto a primeira incoerência na sua teoria. Como pode nascer alguma coisa em terreno onde não há o gérmen ou semente daquela coisa?

      Conf: a que incoerência o jovem se refere? Ao fato de dizer que o amor nasce em terreno onde não há gérmen ou semente de amor, é isso? Meu jovem, na concepção das religiões e dos religiosos, quantas imperfeições e defeitos morais possuem os espíritos encarnados, que “apenas surgiram”, como se fosse do "nada", sem semente ou gérmen anterior?!

      Onde está a semente da impiedade? Quem a lançou no terreno do coração do impiedoso? Se me refiro à semente do amor, vc dirá que quem a lança no terreno do coração dos espíritos é Deus, certo?Mas, e a semente do assassino, do pedófilo, do perverso, quem é que a lança no coração dos homens? É Deus, também?

      Onde estão as sementes das mais monstruosas imperfeições? Pelas doutrinas e religiões tantas coisas surgem, ou nascem, de onde, anteriormente, não havia gérmen nenhum daquela coisa.

      Devemos crer que o Criador, justo e misericordioso, ao nos criar, já colocou, em nosso espírito, o gérmen ou semente de todas essas paixões, inclinações para as atrocidades que cometemos, perversões e perversidades, as sementes do egoísmo e do orgulho e tantas coisas mais correlacionadas, que constituem as imperfeições e defeitos morais?

      O Criador, no ato da criação, nos deu a todos todas as sementes de todas as imperfeiçoes, ou só de algumas?!  Se foi isso, deve nos ter dado igual quantidade de sementes para cada defeito moral, pois que todos somos criados perfeitamente iguais. E sendo assim, meu jovem, qual é a causa de entre aqueles que receberam do Criador iguais quantidades de germens de imperfeições, uns apresentarem virtudes e outros enormes defeitos morais?

      Meu jovem, na concepção das religiões e dos religiosos, quantas imperfeições e defeitos morais possuem os espíritos, que “brotaram” de solo onde não havia qualquer semente ou gérmen anterior!

      Tanto a semente do amor, quanto a semente do ódio são lançadas pelo aprendizado que recebemos desta escola do bem e do mal, que é a vida!

      Ou o jovem acredita que possam, espontaneamente, brotar do coração, ou nascer na erraticidade, antes de virmos para esta escola?


      É exatamente na mesma escola para onde somos forçados a vir para aprender a como nos libertarmos das imperfeições, que aprendemos a nos prender até as mais monstruosas delas.

      O que o amigo diz?

.....................
 
     
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: Kazaoka em 15 de Janeiro de 2014, 20:59
Os erros nós os identificamos ao experimentarmos o seu efeito. É por isso que se diz que o sofrimento ensina. Ninguém erra só para experimentar o efeito do erro. Quando erramos isso acontece por aplicarmos a ação errada para a situação que nos vemos naquele momento, e essa ação errada reflete em nós o sofrimento e todas as suas matizes. Pode ser que em uma outra situação esta mesma ação seja a correta e traga a todos um bem. Esse raciocínio só não é válido para os erros capitais, aqueles mesmo do decálogo de Moisés. E a vingança contraria mais de um dos dez, a começar do primeiro.
Quanto à necessidade de ações, a primeira deve ser a tomada de consciência sobre nossa condição de Espíritos. Não estamos na matéria para sermos submissos aos seus impulsos instintivos, mas para guiá-los com a razão que já temos, razão essa que deve evoluir em função das experiências obtidas nessa relação Espírito/matéria. Após isso o corpo animalizado continuará um ser mais evoluído fisicamente falando, mas continuará instintivo. O Espírito estará cada vez mais espiritualizado e menos necessitado de passar por estes tipos de experiências.
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: Kazaoka em 15 de Janeiro de 2014, 21:13
     

      Onde está a semente da impiedade? Quem a lançou no terreno do coração do impiedoso? Se me refiro à semente do amor, vc dirá que quem a lança no terreno do coração dos espíritos é Deus, certo?Mas, e a semente do assassino, do pedófilo, do perverso, quem é que a lança no coração dos homens? É Deus, também?

      Onde estão as sementes das mais monstruosas imperfeições? Pelas doutrinas e religiões tantas coisas surgem, ou nascem, de onde, anteriormente, não havia gérmen nenhum daquela coisa.

      Devemos crer que o Criador, justo e misericordioso, ao nos criar, já colocou, em nosso espírito, o gérmen ou semente de todas essas paixões, inclinações para as atrocidades que cometemos, perversões e perversidades, as sementes do egoísmo e do orgulho e tantas coisas mais correlacionadas, que constituem as imperfeições e defeitos morais?


Sim Coronel. Deus é causa primária de tudo e sendo assim todos estes males que o sr ilustrou são ramos mal cuidados da árvore do Amor, da qual recebemos de Deus uma única semente e o direito e dever de zelar pelo seu desenvolvimento. Veja bem! Se o homem usa uma ferramenta, que deveria ser de trabalho, como arma para ofender seu irmão, não será diferente com a ferramenta do Amor. A responsabilidade não é da causa primária, mas sim da causa imediata que é as escolhas que fazemos no uso da liberdade que temos de pensar e de agir.
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: Kazaoka em 17 de Janeiro de 2014, 10:33
As imperfeições e a necessidade de reforma

Nessa altura de nosso estudo todos nós admitimos que não só a prática mas, como também, o desejo de vingança são sinais de imperfeições morais.
Façamos uma analogia simples comparando nós a uma máquina, um carro por exemplo, que sempre é o sonho e a paixão da maioria. Quantos acalentam o sonho de poder ir a uma concessionária e sair de lá dentro de um carro "zerinho", todo perfeito e sem nada a retocar. A satisfação é muito grande quando podemos fazer isso. Mas, exposto ao uso e submetido às tarefas este veículo começa a acumular marcas devido ao uso. Toda aquela euforia e satisfação pessoal experimentada no momento da aquisição do carro "zerinho" e perfeito, começa a desmoronar com o primeiro esbarrão na sarjeta na hora de estacionar, com o furo no pneu que nunca havia furado, com o primeiro sinal deixado na lateral por conta daquele que deixou a porta do carro dele bater na minha lá na garagem do aparteamento ou no estacionamento do shopping, etc. Quer dizer, todo aquele envaidecimento inicial começa a se transformar numa série de pequenas contrariedades e decepções por conta do nosso envaidecimento ferido. Assim acontece conosco como Espíritos.
Deus nos deu a consciência de si mesmo "zerinha" junto com a capacidade de conduzi-la na nossa jornada de trabalho de existência a existência, como se fosse um dia após o outro. Assim como acontece com as máquinas, as experiências e as circunstâncias vão deixando marcas no Espírito que nos incomodam ou que, às vezes, chegam a limitar o uso comprometendo a capacidade de realizações.
Quando este momento chega, tanto para as máquinas como para o Espírito, torna-se necessária a reforma, a readequação.

E aí acontece uma coisa incrivelmente maravilhosa...

Pois começamos perceber que a satisfação de ver um defeito ou uma imperfeição corrigida repete em nós aquela mesma emoção e sensação que experimentamos quando adquirimos o carro "zerinho" no que tange ao material ou a consciência de si mesmo como acontece com as crianças no que tange ao Espírito. E, algumas vezes, por real falta de condição e em outras tantas, e que são na maioria, por acomodamento ou descrença, protelamos estas reformas que podem renovar a nossa satisfação com a vida recuperando nossa capacidade de continuar produzindo.

O sentimento de vingança está inserido neste sentimento de insatisfação com a vida e com as imperfeições e defeitos acumulados nas experiências vividas.

                                Que Deus abençoe mais este dia de estudos e trabalho.


Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: tatianepoderoso em 19 de Janeiro de 2014, 04:26
 :) Bom dia a todos! Sou nova aqui no Fórum Espírita, mas não tão nova no caminho do aprendizado da Doutrina Espírita. O Estudo Mensal deste mês, 01/2014, é de profunda análise e aprendizado, visto que muitos de nós, digo, seres imperfeitos em constate busca da evolução espiritual, temos em algum momento, um desejo repentino de vingança. Será condição humana/terrena, ou condição espiritual? Creio que a natureza da vingança vêm, em seu ímpeto, da influência ambiental a qual estamos temporariamente submetidos, ou seja, Terra. Lógico, que todas as nossas manias, desejos, são características do nosso ser, mas, como aqui estamos em provas e expiações, e pela misericórdia divina pela dádiva do "esquecimento", devemos ser fortes na fé, no caminho do Cristo e exterminar esse ímpeto vingativo que não nos leva a nada, pelo contrário, soma débitos futuros. Digo por experiência própria, pois, não que algum dia me vinguei, jamais, mas justamente por um dia ter tido o ímpeto de pensar em executar materialmente atos vingatórios, mas que, graças à muita orientação espiritual, aprendi na dor, sim, na dor da ansiedade de, por exemplo, como e quando Deus ou a própria reação fará justiça ao que aquela pessoa me fez? Então, aprendi na dor, a entender que DEUS a tudo vê, a tudo sente, a tudo ouve, e que um dia, cedo ou tarde, não interessa, pois DEUS sabe do tempo de cada um de nós, o irmão que nos afetou será repreendido. O irmão/irmã que devemos perdoar.
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: Kazaoka em 19 de Janeiro de 2014, 14:04
Bom dia Tatiane.

A sua postagem é muito boa e importante como geradora de subsídio para o avançar de nosso estudo. O que você nos trouxe é uma questão muito comum em nosso meio, que é esse pensamento de perdoar nossos ofensores "desde que" Deus os puna, aplicando a eles as penalizações que gostaríamos, nós mesmo, de aplicá-las. Ou seja, passamos para Deus a tarefa de punir e, simplesmente, recolhemos ao nosso íntimo o rancor e a raiva. Isso não é perdoar e não deixa de ser uma forma de vingança. Então Tatiane, como disse no início desta postagem, você levantou uma questão que é corriqueira e que o envolvimento Deus em quem pensa dessa forma, camufla em si mesmo um sentimento que não difere muito daquele que deixa sua manifestação ser percebida por todos e não somente por si mesmo e por Deus, como acontece nestes casos.
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: Felipa em 19 de Janeiro de 2014, 17:03

VINGANÇA, VINGANÇA

Terrível esta palavra companheiros.
Por que ela nos acompanha?
Por que sentimos necessidade de tê-la perto de nós?
Somos ainda como bebês a começar a engatinhar.
Assim companheiros, bem pouco podemos ainda compreendê-la.
Mas nós, como os bebês, vamos crescer e crescendo iremos aprender as mil maneiras de nos livrarmos dela.
Vou neste momento dar um exemplo da primeira das mil maneiras que devemos praticar para irmos, aos poucos, nos livrando dela.
É o "amor". O amor puro, o amor limpo, o amor radioso que sai dos nossos corações.
É aquele amor que gostaríamos que nossos irmãos sentissem por nós. Isso mesmo companheiros, já imaginaram se esse amor unisse a todos nós? Seria muito belo, muito gratificante.
Mas nós, companheiros, não precisamos esperar que nossos irmãos o demonstrem primeiro. Comecemos nós a sermos os primeiros a praticá-lo.
Se cada um de nós ficar esperando que o outro o demonstre primeiro, iremos levar muitas e muitas encarnações com essa espera.
Nossa permanência aqui é bem curta, por isso devemos aproveitá-la ao máximo com nossa demonstração de amor.
Devemos ser os primeiros a nos levantarmos e caminharmos por este caminho, não nos esquecendo de ajudar os que ainda se encontram a engatinhar. Como fazer isso? É simples companheiros, sorriam para eles, estendam suas mãos e os ajudem a caminhar ao seu lado. Mostrem a eles que no fim desse caminho um outro mundo os aguarda.
Vocês notaram que eu falei de apenas um exemplo, ainda faltam 999 a lhes ensinar.
Mas esse "primeiro" irá ensiná-los a encontrar os outros 999 que faltam.
Comecem a praticá-lo e vocês chegarão lá.
Um abraço carinhoso deste irmão que está sempre a vibrar por vocês.
Haroldo
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: Kazaoka em 19 de Janeiro de 2014, 18:24

[...]
Devemos ser os primeiros a nos levantarmos e caminharmos por este caminho, não nos esquecendo de ajudar os que ainda se encontram a engatinhar. Como fazer isso? É simples companheiros, sorriam para eles, estendam suas mãos e os ajudem a caminhar ao seu lado. Mostrem a eles que no fim desse caminho um outro mundo os aguarda.
[...]


Tomei a liberdade de fazer o grifo na parte do texto, pois essa frase resume tudo.
É a certeza da vida futura e, consequentemente, da sobrevivência da Alma e de suas virtudes e pendores é que pode fazer com que o Espírito, ainda como homem, ou seja, como encarnado, compreenda que os sentimentos de raiva e rancor como, também, todas as simpatias não perecem com a morte. Mostrando que a nutrição de sentimentos como o desejo de vingança sobreviverá à morte do corpo e se estenderá ao plano espiritual e, não raro, retornarão juntamente com a nova encarnação dos Espíritos envolvidos.

Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: Antonio Renato em 19 de Janeiro de 2014, 20:43
Meus irmãos."Só o amor constroi",pode ser vista como uma frase de efeito,quantas e quantas vezes muitos de nós já ouvimos alguém dizer.Na verdade meus irmãos para que se possa entender,essa construção começa em nós mesmo,pois apartir do momento em que dominamos os maus pensamentos, buscando o sentimento maior que é o amor,e no exercício dele como uma lei,atendemos assim o que foi determinado por Deus.Na prática da caridade,e no que podemos fazer de bem,é que nos fortalecemos,impedindo assim que nos invada,sentimentos que não devemos ter,assim como o da vingança,motivado pelo ódio,ou pelo rancor.Assim eu penso.
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: Kazaoka em 19 de Janeiro de 2014, 23:15
O nosso esforço maior diante das situações que exigem a prática da resignação e da não reação vingativa deve ser a de não deixar que permaneça em nosso íntimo o sentimento de sacrifício e subjugamento de nós mesmos sobre a nossa natureza quando "sufocamos" nosso ímpeto de querer fazer justiça ao nosso modo.
Devemos concentrar nossos pensamentos e capacidade de raciocínio buscando compreender o sentido moral de nos abstermos de sermos agressivos ou violentos ainda que as circunstância sugestionem e, supostamente, permitam isso. Como disse W. Shakespeare; "quando estamos com raiva, temos o direito de estarmos com raiva. Mas isso não nos dá o direito de sermos cruéis."
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: Gustavo Rettenmaier em 20 de Janeiro de 2014, 10:40
O nosso esforço maior diante das situações que exigem a prática da resignação e da não reação vingativa deve ser a de não deixar que permaneça em nosso íntimo o sentimento de sacrifício e subjugamento de nós mesmos sobre a nossa natureza quando "sufocamos" nosso ímpeto de querer fazer justiça ao nosso modo.
Devemos concentrar nossos pensamentos e capacidade de raciocínio buscando compreender o sentido moral de nos abstermos de sermos agressivos ou violentos ainda que as circunstância sugestionem e, supostamente, permitam isso. Como disse W. Shakespeare; "quando estamos com raiva, temos o direito de estarmos com raiva. Mas isso não nos dá o direito de sermos cruéis."
"Reconhece-se um espírita pelo esforço que faça para domar suas más tendências".
Acho que essa frase da uma dimensão muito correta sobre muitos aspectos e temas, não seria diferente com relação a vingança.
Em minha opinião, qualquer situação que nos sugira a vingança, a retaliação, é uma situação que nos afronta, nos sentimos confrontados, humilhados, menosprezados.
Se conseguirmos compreender duas condições básicas e simples para isso, quais sejam o nosso orgulho e a ignorância de ambos, veremos que não temos nenhuma razão para a revanche.
Mas ainda estamos muit no começo da nossa caminhada evolutiva, muito perto dos instintos animais, devendo lutar constantemente para domar esses instintos, essas más tendências.
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: lconforjr em 20 de Janeiro de 2014, 17:26
     
      Bom dia amigos.

      Discute-se e discute-se a vingança mas, será que pelo fato de se saber o que é a vingança, o desejo de vingança deixará de existir ou, ao menos, será  suavizado no coração de alguém?!

      Será que alguém, dentre os nossos companheiros do fórum, ainda não sabe que a causa do sentimento de vingança é uma só, a falta do amor no coração dos homens, em nosso coração?

      E alguém não sabe que a única solução para a falta de amor é ter amor?! Existe um outro remédio, ou para a vingança, ou para o ódio, afinal, para todas as imperfeições morais dos homens, que não seja o amor?

      O que precisamos não é tentar conhecer o que é a vingança, mas tentar conhecer o que é o amor, conhecer o como fazer para que nosso coração tenha amor. Sabendo como fazer para que nosso coração tenha amor, não haverá mais porq discutir vingança, ódio ou o qualquer imperfeição moral que seja, porq todas elas desaparecerão!

....................
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: Kazaoka em 21 de Janeiro de 2014, 00:35
O Amor todos nós já trazemos intrínseco em nosso ser, o que fazemos atualmente é buscar meios para que este sentimento seja disciplinado pela razão. É a razão (desenvolvimento do nível consciencial) que dará diretrizes corretas para esse sentimento inato.
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: Thiago D. em 21 de Janeiro de 2014, 01:42
     
      Bom dia amigos.

      Discute-se e discute-se a vingança mas, será que pelo fato de se saber o que é a vingança, o desejo de vingança deixará de existir ou, ao menos, será  suavizado no coração de alguém?!

      Será que alguém, dentre os nossos companheiros do fórum, ainda não sabe que a causa do sentimento de vingança é uma só, a falta do amor no coração dos homens, em nosso coração?

      E alguém não sabe que a única solução para a falta de amor é ter amor?! Existe um outro remédio, ou para a vingança, ou para o ódio, afinal, para todas as imperfeições morais dos homens, que não seja o amor?

      O que precisamos não é tentar conhecer o que é a vingança, mas tentar conhecer o que é o amor, conhecer o como fazer para que nosso coração tenha amor. Sabendo como fazer para que nosso coração tenha amor, não haverá mais porq discutir vingança, ódio ou o qualquer imperfeição moral que seja, porq todas elas desaparecerão!

....................

Concordo com nosso amigo lconforjr. Somente no amor que poderemos vencer as nossas imperfeições morais..
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: tatianepoderoso em 21 de Janeiro de 2014, 12:13
irmão Kazaoka.
De fato, não há perdão se pensarmos no castigo futuro. Aprendi a perdoar completamente, independente de sequer questionar se o ofensor(a) terá sua reação, logicamente através das mãos Divina. Na maioria dos casos, os ofendidos colocam-se muito em posição de vítima dos seus ofensores, mas, pensemos: se hoje somos vítimas, quem sabe se antes fomos algozes dos nossos ofensores?
 
Devemos fazer um estudo muito profundo acerca do tema e também não procurar pensar que estamos numa "troca", num "fez, pagou". Se assim pensarmos, estaremos compelidos a cair no pensamento do mundo primitivo e animal, na lei de talião. O que existe é a Misericórdia Divina. ELE sim, nosso Pai, sabe de cada um de nós. De certo que nós mesmos que buscamos nossa colheita, seja ela boa ou não tão boa assim.
Busquemos também muito orar pelos nossos irmãos que assim como nós, estão na longa jornada rumo à Evolução Espiritual, o que demanda tempo, e, Tempo de Cada Um de Nós. 
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: Kazaoka em 21 de Janeiro de 2014, 16:03
Deus criou o Universo, tanto o macro como o micro e, também, o universo moral em que vivem os Espíritos, tudo isso de forma perfeita. E a perfeição do universo está em função das forças que o regem. Essas forças constituem-se em Leis que nada mais são do que as diretrizes sobre as quais manifestam-se os efeitos dessas forças.
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: lconforjr em 21 de Janeiro de 2014, 22:31
      Kazaoka  (ref msg 88, 210114

      Olá, Kazaoka, vamos raciocinar um pouco, como manda a DE?
...
      O jovem amigo Kazaoka escreveu: Deus criou o Universo, tanto o macro como o micro e, também, o universo moral em que vivem os Espíritos, tudo isso de forma perfeita. E a perfeição do universo está em função das forças que o regem. Essas forças constituem-se em Leis que nada mais são do que as diretrizes sobre as quais manifestam-se os efeitos dessas forças.

      Conf: sem dúvida, meu querido amigo, nessas suas palavras, vc deve perceber, há a um mundo de questões e raciocínios a serem feitos.

      Se, como vc afirma, absolutamente tudo foi criado de forma perfeita, pois Perfeito é o Criador, e essa perfeição está em função das forças que regem o universo, o que houve com essas forças que não mais puderam manter a perfeição original?

     Se “tudo” foi criado de forma perfeita, inclusive o mundo moral onde vivemos, o moral, ou a moral de todos nós e,  conseqüentemente, tudo o mais, como pensamentos, sentimentos, raciocínio, entendimento, compreensão, os seres todos, tudo isso foi, também, criado perfeito, concorda? 

     Estará correta essa sua afirmação, meu jovem? Se, como vc afirma, o mundo, o universo, "tudo" foi criado de forma perfeita, os espíritos não estão incluídos nesse "tudo"? Pois se os espíritos, nós, houvéssemos sido, também, criados de forma perfeita, como, ou porq, ou qual foi a causa de nos tornamos tão gigantescamente imperfeitos, carregados de monstruosos e assustadores defeitos morais? Aquele que é perfeito pode cometer atos imperfeitos?! Aquele que é perfeito pode escolher praticar o mal e não o bem?!

      Não se poderá atribuir ao nosso uso indevido do livre-arbítrio o fato nos tornarmos cheios de imperfeições pois, sem dúvida, se tudo é perfeito, os livres-arbítrios serão também perfeitos e o modo de usá-lo obedecerá à essa perfeição!

      Assim, se não é devido ao uso indevido do livre-arbítrio que o mundo se carregou de imperfeições, devido a que foi? O que foi que do nada surgiu (do nada, pois tudo era perfeito e da perfeição não pode surgir a imperfeição), e destruiu a perfeição original? Ou melhor, já que a criação continua, o que é que continua destruindo a perfeição original?

      Amigo, sem dúvida temos de raciocinar, e muito e profundamente!

..........
       
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: Kazaoka em 21 de Janeiro de 2014, 23:38
     

      Se, como vc afirma, absolutamente tudo foi criado de forma perfeita, pois Perfeito é o Criador, e essa perfeição está em função das forças que regem o universo, o que houve com essas forças que não mais puderam manter a perfeição original?

     Se “tudo” foi criado de forma perfeita, inclusive o mundo moral onde vivemos, o moral, ou a moral de todos nós e,  conseqüentemente, tudo o mais, como pensamentos, sentimentos, raciocínio, entendimento, compreensão, os seres todos, tudo isso foi, também, criado perfeito, concorda? 


O momento que vivemos é um lapso no tempo que temos para alcançarmos a perfeição relativa a nossa condição de Espíritos imortais. Ou seja, estamos em um momento de toda uma eternidade. Não existe trabalho acabado.
Sermos momentaneamente imperfeitos não anula a perfeição original. Esta diz respeito à nossa condição de seres capazes de lapidar a própria moral. Não somos imperfeitos. Estamos imperfeitos. E isso é transitório.
A perfeição original não é algo a ser resgado porque nunca esteve perdida. A perfeição que objetivamos é o desenvolvimento desta perfeição original.
Não nutrimos sentimento e desejo de vingança porque perdemos a perfeição original. Temos esses sentimentos porque estamos num processo que torna-se necessário dominar essas inclinações e para alcançar este domínio precisamos conhecer o que precisa ser dominado.
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: Kazaoka em 22 de Janeiro de 2014, 10:30
Um dia de vivência prática deste estudo

Desejo que neste dia todos nós consigamos aproveitar as oportunidades de oferecermos a outra face quando sentirmos atingidos. E que façamos isso com a segurança do entendimento da mensagem Cristã e não com o sentimento de passividade ou acovardamento, que nossos instintos nos sugestiona. E que ao findar este dia o Espírito esteja fortalecido e encorajado para a continuidade da tarefa no porvir.

Bom dia a todos.
Esta é nossa prece para este dia e serve de convite para adotarmos conscientemente ou mesmo mediante esforço, a postura moral que a mesma sugere baseada nos ensinamentos do Cristo. Serve, também, como uma atividade de vivência prática daquilo que estamos estudando aqui. No final, se alguém desejar fazer um comentário sobre o que vivenciou, e o tipo de sentimento que experimentou, será de muito bom grado e importante para este estudo.
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: Antonio Renato em 22 de Janeiro de 2014, 12:21
Bom dia meus irmãos.Exercitar o amor através do perdão,pode ser difícil para muitos,mas não para aqueles que têm a consciência da responsabilidade desta ação.Dá a outra face não é um acovardamento como bem colocou o nosso irmão Kazaoka em sua oração inicial,no entanto dada a nossa imperfeição,ainda nos veem pensamentos de revide. Entretanto,dado o nosso progresso moral,podemos dominar esse nosso ímpeto de revide,de vingança,julgando assim que estamos fazendo justiça pelo mal que tenhamos sofrido quando fomos agredidos.Em tempos passados,quando ainda em minha juventude e meia idade,como aprendi,não era de levar desaforo para casa como diz o dito popular,sempre revidava a uma agressão sofrida,física ou moral,mas com o tempo,mesmo antes de me tornar espirita, fui aprendendo que isso não me levava a nada, poderia até mesmo alimentar um ódio,rancor,pelo meu agressor.Hoje mais consciente,mais esclarecido me venha de verdade o entendimento,dos ensinamentos de Jesus.
Fiquem na paz.
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: Kazaoka em 23 de Janeiro de 2014, 14:24
Dentro do que propusemos que fosse feito no post #91 , se alguém assim o fez é bem provável que a lembrança do que foi recomendado veio depois da consumação do ato ou do pensamento. Pois é isso que acontece com a gente em relação ao balizamento moral de nossas ações. Ainda estamos condicionados às reações imediatas sem fazermos uso da fração de segundo que temos para pensar antes de agirmos. É esta fração preciosa do tempo que dispomos e que estamos abrindo mão dela constantemente. É ela que nos faz, muitas vezes, ficar em posição incômoda perante ao próximo, a nós mesmos e Deus. É esse tempo ínfimo que determina mudanças e situações que perduram por muito tempo em nossas vidas ou, até mesmo, para a eternidade.
Se alguém quiser fazer esta experiência consigo mesmo, basta reler o post #91 , se prevenir para agir de maneira Cristã independentemente das situações que vier a vivenciar no transcurso de um único dia, e perceberá que, ainda que prevenido, o resultado final não será o desejável.
E isso não deve ser tomado como desestímulo às mudanças necessárias. Pelo contrário, serve para fortalecer o pensamento que necessitamos implantar mudanças positivas em nossa maneira de portarmos diante dos problemas e dificuldades do nosso dia-a-dia.
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: Aline Alarcão Lemos em 23 de Janeiro de 2014, 16:00
Abençoado dia a todos amigos e estudantes do Fórum... Segue abaixo fragmentos de um livro, para nos encorajar e estimular, no livro Jesus fala com a mulher que está na Terra tentando servi-lo... Como achamo-nos na mesma situação da mulher... Cai para nós como uma luva...

"(...)Você me amou desde que me compreendeu, desde o instante em que o meu amor pela humanidade comoveu o seu coração. A ciência nos ensina a ver as estrelas, mas não as profundezas do coração humano. Acima de toda a sabedoria do mundo, estão as criancinhas quando abraçam ternamente seus pais e lhes dizem: 'dê-me um beijo, porque lhe quero muito'. É preciso trabalhar para que os povos, à semelhança das criancinhas, abracem os libertadores, os implementadores da doutrina do amor, dizendo-lhes: 'deem-nos o pão da alma! Deem-nos a água da saúde! Deem-nos a igualdade, para não gemermos na escravidão!'
Quanto há que se trabalhar! Quanto há que se sofrer! Mulher, nossa obra não é de um século, de dois, nem de cem ou de mil. Não tem prazo fixado, como também o progresso das almas não o tem. Hoje, atiramos a semente à terra e passarão muitos séculos antes que ela frutifique. Mas o que importa? Deixará, por isso, de ser benéfica a nossa obra? As flores deixarão de ter aroma por não poderem, durante muito tempo, abriri seus botões? A impaciência é má conselheira. A perseverança é a noss melhor amiga. Continue a sua obra. Caminhe sem desânimo, pois você está unida a mim para remir suas faltas, porque viu a luz, porque ama aquele que a amou e a perdoou. (...)"

Do livro: Perdoo-te - Memórias de um Espírito
Amália Domingo y Soler
Pelo médium - Eudaldo Pagés
Íris - Espírito.

#Abraço fraterno a todos e sigamos na Paz de Nosso Pai amado... 
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: Edna☼ em 23 de Janeiro de 2014, 17:40
“Há na prática do perdão, e na prática do bem, em geral, além de um efeito moral, um efeito também material. A morte, como se sabe, não nos livra dos nossos inimigos. Os Espíritos vingativos perseguem sempre com o seu ódio, além da sepultura, aqueles que ainda são objeto do seu rancor. Daí ser falso, quando aplicado ao homem, o provérbio: “Morto o cão, acaba a raiva”.

O Espírito mau espera que aquele a quem queira mal esteja encerrado em seu corpo, e assim menos livre, para mais facilmente o atormentar, atingindo-o nos seus interesses ou nas suas mais caras afeições. É necessário ver nesse fato a causa da maioria dos casos de obsessão, sobretudo daqueles que apresentam certa gravidade, como a subjugação e a possessão. O obsedado e o possesso são, pois, quase sempre, vítimas de uma vingança anterior, a que provavelmente deram motivo por sua conduta.

Deus permite a situação atual, para os punir do mal que fizeram, ou, se não o fizeram, por haverem faltado com a indulgência e a caridade, deixando de perdoar.

Importa, pois, com vistas à tranquilidade futura, reparar o mais cedo possível os males que se tenham praticado em relação ao próximo, e perdoar aos inimigos, para assim se extinguirem, antes da morte, todos os motivos de desavença, toda causa profunda de animosidade posterior. Dessa maneira se pode fazer, de um inimigo encarnado neste mundo, um amigo no outro, ou pelo menos ficar com a boa causa, e Deus não deixa ao sabor da vingança aquele que soube perdoar.

Quando Jesus recomenda que nos reconciliemos o mais cedo possível com o nosso adversário, não quer apenas evitar as discórdias na vida presente, mas também evitar que elas se perpetuem nas existências futuras. Não sairás de lá, disse ele, enquanto não pagares o último ceitil, ou seja, até que a justiça divina não esteja completamente satisfeita.”

por Allan Kardec


Abraços fraternais,

Edna


Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: lconforjr em 23 de Janeiro de 2014, 19:17
Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança

      Kazoka  « ref #90 em: 210114 às 23:38 »

      Conf: meu jovem Kazaoka, temos de raciocinar, pesquisar e refletir muito! Há coisas que não se ajustam e até parece que foram incorretamente interpretadas.
...
      É possível que eu não esteja sendo claro, mas a questão que propus, e que foi provocada por uma msg sua, é: qual é a causa de, tudo tendo sido criado de forma perfeita, dessa perfeição surgir imperfeição?

      Essa pergunta é extremamente necessária para que possamos entender qual é a causa de os espíritos se tornarem tão imperfeitos, de a vida e o mundo serem como são! Não entendendo isso, como vamos entender a doutrina, se ela toda se baseia na busca da perfeição?

      E como dizer-se que algo que é criado de forma perfeita tem apenas uma perfeição relativa, ou é momentaneamente imperfeito, ou tem de alcançar a perfeição? Isso não é estranho?   

      Diz o jovem que “não somos imperfeitos"; que ‘estamos’ imperfeitos” e é isso que tento entender: como aquilo que é, como tudo o mais, criado perfeito, está “num dado momento” imperfeito?   

      E se, como vc diz, a perfeição original nunca esteve perdida, se tudo foi criado perfeito, é impossível que tenha existido alguma coisa imperfeita, de onde surgisse o gérmen da imperfeição que contaminou a perfeição origina! e deu lugar às monstruosas imperfeições que vemos, hoje, no mundo! De onde veio algo que destruiu a perfeição original? Do nada?

     Kaza: A perfeição que objetivamos é o desenvolvimento desta perfeição original.

      Conf: sinto, meu jovem, mas tenho de novamente perguntar: como aquilo que é perfeito pode aperfeiçoar-se?! A perfeição original não é perfeição? A perfeição original é uma perfeição relativa? Se é uma perfeição relativa, não é perfeição pois perfeição é perfeição sob todos os aspectos que se a considere.  Seria como dizer-se que aquela mulher está meio-grávida, ou que aquele não é mau, é apenas meio-mau!

      Assim, uma coisa é perfeita ou não é perfeita; se uma coisa é meio-perfeita, essa coisa não é perfeita, é evidente. Se a perfeição original era perfeita, não pode aperfeiçoar-se mais do que já é perfeita.

      Kaza: Não nutrimos sentimento e desejo de vingança porque perdemos a perfeição original. Temos esses sentimentos porque estamos num processo que torna-se necessário dominar essas inclinações e para alcançar este domínio precisamos conhecer o que precisa ser dominado.

      Conf: meu distinto amigo, como pode, naquilo que é perfeito, haver imperfeições que precisam ser dominadas? E qual é a finalidade de aquilo que já é perfeito precisar conhecer mais alguma coisa? É ara se tornar mais perfeito?
...
      Viu, meu jovem, quantas perguntas, como temos de raciocinar para encontrar as respostas?

      E observe como é mesmo necessário raciocinar, e profundamente. Veja se responde esta simples pergunta: qual é a causa de este ser bom e aquele ser mau?

......................
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: Kazaoka em 23 de Janeiro de 2014, 23:47
A perfeição original a que os estudiosos da DE referenciam, diz respeito à perfeição do Criador que criou criaturas capazes de desenvolverem pelos próprios esforços partindo de um ponto zero onde haviam apenas potencialidades. É nisso que consiste esta perfeição original. E a imperfeição não é, também, um ponto final na escalada do Espírito rumo à sua destinação. Muito pelo contrário, em se tratando de evolução espiritual o estado de imperfeição é apenas uma etapa, um estágio nesse processo.

Nunca "perdemos" a perfeição original, o que estamos vivenciando é o desenvolvimento da mesma que, com sua plasticidade, acompanha nosso desenvolvimento num todo.
Por isso digo que não nos tornamos imperfeitos, estamos apenas vivendo um momento de ajustes da nossa condição original às condições do momento presente. E isso acontecerá ao longo de nossa existência e de nosso progresso.

O pensamento de que estamos em um beco sem saída e que isso que chamamos de imperfeição é um estado permanente para as Almas, está totalmente alheio ao que a DE explica a esse respeito e não menos contrário à justiça Divina do Onipotente.
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: Kazaoka em 24 de Janeiro de 2014, 00:07
Buscando uma interpretação sucinta sobre o que postou a Edna. Nessa passagem do OESE que fala sobre a necessidade da reconciliação e do perdão o mais rápido possível. Além de toda a clareza da mensagem intrínseca no texto, há de se extrair dessa passagem a chamada de atenção para as consequência da consumação do desejo de vingança. Essa pode até trazer alguma satisfação momentânea para o Espírito opresso, mas gera um débito que deverá ser resgatado e cujo resgate pode ter um peso maior do que aquele imposto pelo ato da vingança. Por que, nestes casos, teremos que redimir com o próximo e com a nossa própria consciência que estará nos acusando sobre o erro cometido. Uma tarefa árdua, mas que poderá ser reduzida a metade se não chegarmos à via dos fatos.
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: Antonio Renato em 24 de Janeiro de 2014, 11:36
Meus irmãos,o revide imediato a uma ação que venha nos ferir,aumenta o nosso débito pelo
que tenhamos que resgatar,sendo atenuado quando houver arrependimento.Diferente de
quando alimentamos o ódio e arquitetamos uma vingança pelo mal que alguém tenha nos
causado,esse aumenta mais o peso da carga,consequentemente um débito maior.Quanto
mais formos esclarecidos e consciente das nossas responsabilidades,muito menos seremos
contaminados pelo sentimento de vingança.
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: Fernando Fazzane em 24 de Janeiro de 2014, 14:03
O que é perfeito, são as leis da natureza.

Não podemos confundir as “perfeitas condições” para desenvolvimento com “perfeição do Espírito”.

Do ponto de vista natural, sendo espírito parte da Natureza e não algo sobrenatural que lhe define as condições circunscritas e limitadas, o Espírito é perfeito porque reúne em si, tudo o que é necessário para seu avanço.

O Espírito "nasce" ou inicia sua jornada, sendo Simples e Ignorante. (Lei da Unicidade) Isto está longe de perfeição Intelectual e Moral. Algo simples e ignorante não pode nascer perfeito, pois se assim fosse, não necessitaria ajuste, evolução, sofrimento. Esta é a história Bíblica de Adão e Eva, que eram perfeitos e ficaram imperfeitos após cometerem o pecado, como que num ato de fúria de Deus que os "castigou"ou seja, vingou-se e os fez "trabalhar" e envelhecer... Esta história não pode migrar para o Espiritismo.

O Espírito possui perfeitas condições para evoluir. As leis que regem tanto o Espírito quanto o Universo (que são as mesmas) são perfeitas, complementares e permitem combinações entre si que geram toda a diversidade incrível da qual conhecemos alguma parte.

Se as leis são perfeitas e imutáveis, é porque são o efeito, ou manifestação de um ser inteligente, no caso conhecido por Inteligência Suprema Causa Primeira de Todas as Coisas.

Se as leis não fossem perfeitas, ou mutáveis, elas permitiriam abusos e instabilidade ao sistema, o que negaria a justiça, pois alguns poderiam ser privilegiados.

A justiça divina está na irrevogabilidade da aplicação plena das leis naturais a tudo que se insere no Universo. Sem privilégios. Sem preferidos. Sem preteridos. Estas são as bases da justiça que o homem não consegue implantar em sua sociedade e é o que gera desconforto, pobreza e fome, consequentemente guerra, conflito e crime.

Todos os Espíritos possuem perfeitas condições para o desenvolvimento Intelectual e Moral, porém, cada um utiliza suas faculdades mentais de maneira única e isto faz com que ele avance em velocidade única. Uns mais rápido outros menos, mas todos evoluem pois sempre aprendem com suas vivências encarnadas e levam novos conhecimentos e teorias consigo após desencarnarem, que será utilizado em sua experiência tanto como desencarnado quanto na sua próxima encarnação.

O fato dos Espíritos sofrerem é o reflexo do mau uso e da limitação de seu conhecimento que fica restrito ao seu adiantamento intelectual e moral.

A partir do ponto em que ele adquire conhecimento e dá um passo no desenvolvimento intelectual e/ou moral, percebe que há outras maneiras e possibilidades de realizar trabalho que lhe trarão menor ou aparentemente nenhum sofrimento, e jamais retorna ao ponto anterior, ou seja, jamais regride, apenas avança.

Veja que avançar não implica em livrar-se do sofrimento, mas encontrar problemas novos ainda mais complexos e difíceis que trarão novos sofrimentos, diferentes dos anteriores, pois sempre haverão problemas mais complexos a serem resolvidos.

O fato de não conseguir lidar com o sofrimento e atribuí-lo a outrem, pode gerar o sentimento de vítima, que é puro ressentimento e aí culminar no desejo de vingança, que é a aplicação da lei de Talião. Olho por olho, dente por dente.

Vingança não é nada mais que a ReTaliação, que tem origem na própria Lei de Talião, ou seja, impor ao outro (algoz) o sofrimento igual ou maior ao que sofreu a vítima, com a finalidade de fazê-lo sentir a dor que a vítima sentiu e assim, fazer justiça, pois o “troco” ou retaliação foi dada.

O problema da vingança é que ao invés de resolver um problema, cria-se outros e perde-se tempo precioso arquitetando a mesma. Por sorte, neste tempo, muitos percebem que não vale a pena vingar-se e acabam por abandonar a idéia, mas outros tantos levam em frente e executam seu plano que certamente trará ainda mais sofrimento pois os desdobramentos da vingança podem inclusive fazer com que ele fique ainda mais triste e encontre outro algoz para vingar-se.

A vingança ocorre em escalas que vão de atos simples e banais até o homicídio. Que seja um simples revide em uma discussão acalorada, que gera ainda mais dor e muitas vezes impede que haja evolução dentro da discussão ou uma fechada proposital vingativa no trânsito, …ou até mesmo matar uma formiga que lhe picou… todos possuem a mesma raiz e o mesmo objetivo, apenas em escalas diferentes.

Este sentimento de vingança é próprio do homem primitivo (simples e ignorante) que após ter sua cabana atacada não descansa até que consiga eliminar toda a família do que o atacou. Assim, passa a vida regurgitando (ressentindo) estas memórias, impedindo que o sentimento seja esmaecido, pois ele encontra neste sentimento a justificativa do ódio e muitas vezes pode ser sua única razão de viver... ele constrói um laço com este sentimento e torna-se viciado no sentimento de vingança, por isto, pode passar anos e anos ressentindo, sem pressa de colocar seu plano em ação. Daí o ditado: "A vingança é um prato que se come frio".

A questão é que muitas vezes o algoz, em uma atitude corriqueira e banal, não sabe que está causando uma ferida e não imagina que sua atitude implantará no outro o sentimento de culpa e ressentimento que culminará na vingança. Cada um possui uma escala de valores do que é aceitável e do que não é aceitável e esta escala é pessoal. Nós a construímos e alteramos constantemente seus valores, dando mais importância a uma ação hoje que amanhã perde importância.

E assim, o processo quando desencarnado é semelhante, porém o alcance que o vingativo possui é infinitamente menor, pois como Espírito, resta-lhe tentar induzir as idéias dos outros para que conduzam a vingança.

Estes que aceitam a proposta, possuem nível semelhante e afinidade com o vingador. Se o vingador procurar um Espírito que rejeite suas idéias, não obterá sucesso. Fatalmente, precisa buscar dentro daqueles que possuem inclinação para as mesmas. Lei da Afinidade.

Jesus, sendo um Espírito na máxima colocação dentre os Espíritos, jamais conduziria alguém ao sofrimento, pois isto não condiz com sua classe moral. Por isto, a idéia de “resgate” não procede pois ela seria uma espécie de vingança e isto não é justiça, que não a do homem!

Cada Espírito possui limitações e por isto não sabe escolher outra atitude naquele momento. Se comete um crime, é porque lhe falta conhecimento para que possa julgar moralmente inadequado cometer crimes. Igualmente para a maldade. Ele a pratica porque ignora a moral e não vê outra alternativa, por mais que ela exista.

Um Espírito superior, vale lembrar, também já foi inferior, também já cometeu atrocidades e equívocos que a partir do momento que possui conhecimento e destreza em seus pensamentos, deixa de praticar pois enxerga outras possibilidades de conduta.

Se um Espírito causa dor, comete crime, pratica o mal (que é temporal e aceito como válido hoje), ele encontrará pelo caminho (encarnado e desencarnado) Espíritos similares que estarão inclinados a praticarem o mal pelo simples fato de serem ainda ignorantes no sentido de conhecimento.

Felizmente os tempos são outros e há mais diálogo e menos fogueiras e espadas, porém estes traços são facilmente perceptíveis nos encarnados de hoje, o que de fato confirma que a evolução é lenta e gradual, passo a passo, mostrando que o Espírito é parte da Natureza e na Natureza, a evolução é lenta, sem saltos. Assim o Espírito procede.

Vários estudos de tomografia e dissecação foram feitos com psicopatas e pessoas normais e foi diagnosticado que em psicopatas, a amígdala é sensivelmente menor, ou seja, atrofiada. A amígdala está localizada no sistema límbico e faz parte do mecanismo de defesa, identificando o perigo, disparando neuro-peptídeos e informando o hipotálamo para que ele entre em estado de alerta e também injete neuro-peptídeos na corrente sanguínea, causando um efeito dominó emocional que impede que o córtex-pré-frontal tenha tempo de calcular se realmente é um perigo ou ameaça.

É como um alarme de carro que dispara sozinho ou por qualquer motivo. Imagine se atrás do alarme viesse um esquadrão da SWAT com fuzis e metralhadoras, matando quem tivesse perto do carro sem ter tempo de julgamento de quem é ou não bandido, que demandaria investigação, análise dos fatos, reflexão e tempo… É uma reação desproporcional frente a uma ofensa mínima ou mesmo sem ofensa alguma.

Assim, o psicopata (pior nível de quem comete crimes) é impedido de sentir empatia e com frieza indescritível, comete crimes que para nós são horríveis e inaceitáveis.

Mas é o Espírito que “molda” seu cérebro, e não o contrário. Então a doença está no Espírito, consequentemente no Perispírito que carrega as informações de instruções do corpo físico denso.

Assim, fortalece-se a idéia de que “Matando-se o cão, não acaba-se com a raiva…”, mas sim uma solução simplória e imediatista, que permite o prolongamento do erro e do sofrimento.

Cabe ao Espírito perceber que precisa de mudança e ajuda, para assim dar um passo adiante. Não é possível de maneira sustentável induzir o Espírito a não praticar o mal. Até porque o mal é subjetivo. Em um encarnado, pode-se trancá-lo em uma prisão. Ao desencarnado, ele mesmo cria a sua prisão, busca suas afinidades e possui os mesmos pensamentos que quando encarnado. Lei da Continuidade e Similaridade.

Vejam que é impossível falar de vingança de maneira superficial.

Abraço!
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: Kazaoka em 25 de Janeiro de 2014, 01:08
Muito boas suas colocações Fernando. Obrigado.
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: Kazaoka em 25 de Janeiro de 2014, 01:39
Sobre o que o Fernando postou, em certa altura de sua mensagem ele cita o revide como um nível de vingança. Será que o revide é mesmo uma das raízes do sentimento de vingança? Será que o revide é uma ação moral (do Espírito) ou instintiva (do ser animalizado)?

O revide existe em todos os seres animalizados. E nestes seres servem como mecanismo de defesa e de auto-preservação.

No homem, além do instinto de defesa ele pode vir seguido de uma carga de rancor que o nível de consciência hominal permite formar. Raciocinando dessa forma poderemos dizer que, tem sim, a vingança praticada pelo homem raízes no ato instintivo do revide. Mas este instinto não é a causa e nem a origem dessa imperfeição. O que vemos em tais casos é o ser inteligente usando um instrumento que é de defesa e preservação, sendo usado como arma de ataque para satisfazer um impulso de ordem inferior, que por ser inferior aproxima e identifica-se com os instintos animalizados . É a deturpação de propósito daquilo que foi criado pelo Onipotente devido à sobreposição da matéria sobre o Espírito. Por isso o Espírito Julio Olivier, na sua mensagem que consta no cap Xii do OESE e que é a base deste estudo, lá ele diz que o sentimento de vingança é inadmissível naquele que se diz Espírita.
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: uncjoao em 26 de Janeiro de 2014, 04:29
Olá a toudos!
Sou frequentador diario deste forum há muito tempo,e muito tenho aprendido,embora
deva confessar,pouco tenho absorvido.
Ninguem tenho de me vingar,como a ninguem tenho para perdoar,só a mim mesmo
pois iso é um pouco mais dificil.
Minha pergunta ,se for pemitido,há alguem que no passado muito me prejudicou,hoje
tenho relações cordiais com ela,não a odeio,desejo toudo o bem,oro por ela,mas por
vezes quando ela me conta algum problema pessoal,sinto bem dentro de mim,por um
Segundo,um prazer mórbido que me desgosta.
Será´que eu perdoei mesmo,ou será somente covardia minha e um falso perdão?

Muita paz para toudos
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: Kazaoka em 26 de Janeiro de 2014, 13:53
O que você sente é o que a maioria de nós sentiríamos em semelhante situação. A grande importância da questão não está em você ter esse sentimento mórbido latente, mas em resisti-lo e tentar combater em você esta má inclinação. Não somos seres angelicais e na condição em que nos encontramos o que nos cabe é lutar e vencer as forças que nos impulsionam ao encontro de nossas más tendências. E essas forças negativas não nascem nos obsessores, que muitas vezes levam a culpa, nascem em nós mesmos e é em nós que devemos primeiro dominá-las.
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: lconforjr em 26 de Janeiro de 2014, 18:32
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      Uncjoao « ref #103 em: 26.01.14, às 04:29 »

      Olá, novo companheiro de jornada.

      Vc não precisa perguntar nem para vc mesmo se seu perdão foi verdadeiro perdão; se vc pergunta, é porq não perdoou; apenas disse que perdoou, mas não sentiu, em seu íntimo, a satisfação que nasce de perdoar no sentido em que é o verdadeiro perdão, no sentido de amor.

      E isso não depende de sua vontade, mas do fato de ter amor no coração, coisa que também não depende de vc. Se não há amor, não é perdão.

      Perdão não são as palavras “eu te perdoo”. Essas palavras não significam que, realmente, perdoamos a quem nos ofendeu; são apenas palavras, “da boca para fora”, nas quais o outro pode acreditar ou não.

      O verdadeiro perdão é amor, não uma manifestação exterior, como são as palavras que pronunciamos. As palavras: “eu te perdôo” podem não significar nada, senão para aquele que foi perdoado e, esse mesmo, pode não crer que o perdão tenha sido sincero.

      O dizer “eu perdôo” nada mais é que uma formalidade exterior. E o perdão não é formalidade, não é uma coisa protocolar. Perdão não é a emissão de certas palavras; perdão é amor. Perdão não está nas palavras pronunciadas; perdão está no sentimento que faz bem ao coração de quem perdoa, acredite ou não o outro que o perdão tenha sido sincero.

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Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: Fernando Fazzane em 26 de Janeiro de 2014, 23:56
Kazaoka, sem dúvida a vingança deveria ser banida, mas não é possível pois as leis permitem que ela exista. As leis são perfeitas e não mudarão por isto.

O fato de não aceita-la moralmente indica um nível de complexidade, entendimento e sabedoria superior do Espírito que entende o mecanismo e evita-o conscientemente, descartando esta hipótese por mais que ela exista e seja válida, ou aplicável.

O Espírito humano está em um nível superior ao dos animais, que são considerados Princípio Inteligente (pois ainda não se emanciparam), e tem Faculdades Mentais mais desenvolvidas que tornam o processo de raciocínio muito complexo e lindo.

Nós temos capacidade de julgar os fatos levando em conta a Emoção que eles carregam. Dentro deste cenário, um fato com alta carga emocional marca mais tanto para o lado da felicidade quanto para o lado da tristeza.

Se o ofendido catalogar o peso emocional da tristeza e endereça-lo a um algoz como autor, pode ele decidir por vingar-se, que é uma atitude sabidamente de nível moral baixo.

Portanto, para aqueles que desejam buscar evolução Intelectual e Moral, a vingança jamais será uma alternativa válida, seja ele Espírita ou não, pois somos todos Espíritos.

Entender o mecanismo que dispara este sentimento ajuda o autocontrole, ou seja o Conhecimento Intelectual é primeiro, pois é necessário saber para depois fazer e colocar em prática como Moral.

A evolução se dá neste sentido. Primeiro Intelectual, depois Moral.

Grande abraço!
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: Kazaoka em 27 de Janeiro de 2014, 01:36
Rapaz... Parabéns! Você deveria estar participando mais deste estudo desde o começo.
Sei que elogios podem ser prejudiciais por aguçarem nosso ego, mas vejo que você tem madureza de personalidade para receber os meus sem correr o risco de cair nessa situação.
Muito positivas suas intervenções. Obrigado!
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: Gustavo Rettenmaier em 27 de Janeiro de 2014, 10:39
"Portanto, para aqueles que desejam buscar evolução Intelectual e Moral, a vingança jamais será uma alternativa válida, seja ele Espírita ou não, pois somos todos Espíritos."
Meu caro Fernando, essa frase é muito correta, mas precisamos divagar sobre ela.
A história da humanidade, e nosso tempo infelizmente não foge muito disso, nos mostra a dificuldade que temos de perceber essa frase como uma realidade.
A moral cristão, ou os ensinamentos de Jesus, se preferir, esta baseada nessa realidade.
Talvez por isso nossa dificuldade de compreender o evangelho, mesmo depois de tanto tempo.
O "véu da matéria", por assim dizer, nos impede, no mais das vezes, de compreender que o que é material, ficará na matéria.
Por isso temos em nós, o desejo de vingança, travestido de "reparação", quando não de "justiça", sempre que alguem nos atinge no orgulho e na vaidade, os quais estão intimamente ligados a nossa condiçãomaterial.
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: Kazaoka em 31 de Janeiro de 2014, 10:59
Em nome do Fórum agradecemos a todos e a Deus que na sua perfeição absoluta nos dá as possibilidades de aperfeiçoamento. Que o estudo de Janeiro tenha, de alguma forma, contribuído para que o pensamento Cristão estenda seus ramos aos pontos mais obscuros da natureza humana daqueles que aqui marcaram presença.

Cada um de nós vive o momento que lhe é peculiar e em concordância com o que precisamos para que nos sirva de meios ao nosso aprimoramento. Oferecer resistência aos arrastamentos e aos desregramentos é o que objetivamos ao darmos ênfase à moral Cristã e aos ensinamentos dos Espíritos neste e em todos os tópicos disponibilizados neste espaço diplomático e de interatividade das Almas em evolução.

Não importa se estamos sentindo bem ou se estamos nos sentindo perturbados. Em ambas as situações o que nos cabe é viver da melhor forma possível para nós mesmos e, principalmente, para o próximo. dentro daquilo que a vida tem nos oferecido e porque para o Amor não existe situação que ele não caiba..

Amar o próximo como a si mesmo é Lei que deve ser obedecida para alcançarmos a felicidade, jamais a encontraremos trilhando o caminho da animosidade e agressão mútua que pode culminar com o desastre moral chamado vingança.

                                                                 Que estejamos todos com Deus.
 
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: lconforjr em 31 de Janeiro de 2014, 17:36
Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança

      Kazaoka  « Responder #109 em: Hoje às 10:59 »

      Amigo, vc foi muito feliz no tema escolhido. Ele exigiu, e exige ainda,  que raciocinemos, e nos leva a conclusões que nos despertam para o que devemos fazer, não só para não guardar no coração o sentimento de vingança (coisa que não depende de nossa vontade, como não depende de nossa vontade dali extirpá-lo), mas qualquer sentimento mau que seja.

      Sem dúvida, ter ou deixar de ter qualquer sentimento, seja no sentido do mal ou no sentido do bem, não depende de nosso querer. E, portanto, não é nossa a responsabilidade ou culpa tê-los ou não, e, consequentemente, o fato de termos sentimentos ou desejos maus, baixos, inconfessáveis, como o de vingança, não traz a justificativa para nossos sofrimentos.

      Todos os sentimentos como todos os desejos, qualquer um, apenas vêm e se vão de conformidade com o que a vida nos faz conhecer, ou nos mostra, com todas essas incessantes experiências/lições de todos os dias. É pelo que a vida nos faz conhecer (aprender) que nos vem o sentimento de amor, humildade e solidariedade, e amamos, somos humildes e solidáriso; e é pelo que a vida nos faz conhecer que nos vem o sentimento de ódio, de luxúria, de ambição, de cobiça, e então odiamos, podemos ser monstros sexuais, ambiciosos, e cobiçosos.   

      Do que o amigo escreveu, tenho de lhe fazer uma pergunta (não estranhe novamente perguntar; como o amigo sabe, tento sempre fazer que os amigos raciocinem para melhor entender o que estamos estudando):

      - porq é que, se vivemos o momento que nos é peculiar (ou “mais conveniente para o aprendizado de cada um”, é isso?), e de acordo com o que precisamos (“aprender”, é isso?) para nosso aprimoramento, qual é a causa de sofrermos, e tantas vezes de modo torturante, desesperador e insuportável?

      - O momento mais conveniente implica sofrimentos?! Conforme ensina a DE, pela justiça divina, todos os sofrimentos são merecidos e aplicados com perfeita justiça, pois provenientes de transgressões à lei do amor, certo? Sendo assim, qual é a causa de sofrermos, se estamos aprendendo? 

      - E se objetivamos resistir aos arrastamentos e desregramentos e a dar ênfase à moral Cristã e aos ensinamentos dos Espíritos, qual é a causa de sofrermos se não resistirmos a eles? Nossa não-resistência é escolha nossa? Ou, não resistimos por impossibilidade nossa? O que diz o amigo?

      E apenas mais uma questão: se “amar o próximo como a si mesmo” é Lei que deve ser obedecida para alcançarmos a felicidade, qual é a causa que nos leva a tantas vezes não obedecê-la? Não queremos alcançar a felicidade? De caso pensado, escolhemos ser infelizes?! Como entender isso?

................                                                       


Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: Edna☼ em 31 de Janeiro de 2014, 20:33
Amar o próximo como a si mesmo é Lei que deve ser obedecida para alcançarmos a felicidade, jamais a encontraremos trilhando o caminho da animosidade e agressão mútua que pode culminar com o desastre moral chamado vingança.

Que estejamos todos com Deus.


Dai-nos, Senhor, a força de sufocar em nosso íntimo todo ressentimento, todo ódio e todo rancor. Fazei que a morte não nos surpreenda com nenhum desejo de vingança no coração. Se Vos aprouver retirar-nos hoje mesmo deste mundo, fazei que possamos nos apresentar a Vós inteiramente limpos de animosidade,  a exemplo do Cristo, cujas últimas palavras foram a favor dos seus algozes.

(in, OESE)


Assim seja!


Kazaoka e demais participantes, obrigada pelo importante aprendizado do mês!

Abraços fraternos,

Edna  ;)
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: lconforjr em 04 de Fevereiro de 2014, 22:37
     
      Edna  (ref #111, de 310114)

      Kazaoka escreveu: "Amar o próximo como a si mesmo é Lei que deve ser obedecida para alcançarmos a felicidade; jamais a encontraremos trilhando o caminho da animosidade e agressão mútua..."

      E Edna colocou uma oração: “Dai-nos, Senhor, a força de sufocar em nosso íntimo todo ressentimento, todo ódio e todo rancor. Fazei não tenhamos nenhum desejo de vingança no coração. Que possamos nos apresentar a Vós inteiramente limpos de animosidade,  a exemplo do Cristo...”
........
      Conf: Meus amigos, quem se aventura a responder:

      - Se amar o próximo é Lei que deve ser obedecida para  conquistar a felicidade, e se possuímos o livre-arbítrio que nos dá a liberdade de escolher amá-lo ou não amá-lo, qual é a causa de tantas vezes escolhermos o “não amá-lo”?!  Estamos, então, escolhendo fugir da felicidade? Estamos, de caso pensado, escolhendo ser infelizes?!

      E quem se aventura a responder está outra pergunta:

      - qual é a causa que nos obriga a sempre estarmos orando e pedindo a Deus que nos ajude a ter amor no coração, a sufocar o ressentimento, o ódio, a limpar as impurezas que estão em nós, a conseguir isto e aquilo?

      Sem dúvida, esses pedidos a Deus mostram, de modo claro como a luz do sol do meio-dia, que, por nós mesmos, por nossa vontade, por nossa escolha, não temos a capacidade de fazer essa limpeza; que, em vez de escolher o que é bom para nós mesmos, estranhamente, escolhemos o que é mau para nós mesmos; significa que estamos à mercê de todas essas incapacidades que a vida (a vida, e não nós!) colocou em nosso íntimo; que, por nós mesmos, não somos capazes de agir de acordo com o bem, e, portanto, tantas vezes, agimos de acordo com o mal.

      E os amigos já se perguntaram qual é a causa de as coisas serem assim? Qual é a causa dessa nossa absoluta incapacidade? Qual é a causa de, mesmo possuindo, como ensinam as doutrinas cristãs, a liberdade de escolher, não conseguimos escolher o que é o correto a fazer e tantas vezes escolhemos fazer o que é errado?

      Afinal, “espremendo” todos os tópicos “importantes” deste Fórum (de todos os fóruns, de todas as religiões e doutrinas, literaturas religiosas etc), vemos que todos discutem e debatem o que de mais necessita a humanidade, qual é o remédio para todas as mazelas dos homens, qual é o caminho para o aperfeiçoamento do espírito. E, com certeza, todos sabem (quem não sabe, acabará sabendo), que esse remédio é o Amor.

      Se é assim, os amigos já se perguntaram, se o remédio é o amor, qual é a causa de estarmos sempre orando, sempre pedindo alguma coisa a Deus, ou a Jesus, ou a espíritos amigos? Qual é a causa de, nós mesmos, não fazermos o trabalho de limpar nosso próprio coração de suas sujeiras acumuladas por tantos anos e anos ou, como diz a doutrina, por tantas e tantas existências? Não temos amor suficiente para isso? E qual é a causa de não termos amor suficiente para oferecê-lo aos irmãos?

      Se não sabemos como fazer para ter em nós amor suficiente para dá-lo aos semelhantes, qual é a causa de não procurarmos saber como ter amor em nosso coração? Existe quem nos ensine; nosso trabalho, em vez de pedir e pedir, orar e orar, deve ser procurar encontrar quem nos ensine!

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Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: Kazaoka em 05 de Fevereiro de 2014, 10:16
     
      - Se amar o próximo é Lei que deve ser obedecida para  conquistar a felicidade, e se possuímos o livre-arbítrio que nos dá a liberdade de escolher amá-lo ou não amá-lo, qual é a causa de tantas vezes escolhermos o “não amá-lo”?!  Estamos, então, escolhendo fugir da felicidade? Estamos, de caso pensado, escolhendo ser infelizes?!

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Nisso como em tudo a causa primária é Deus. E Ele deu ao Espírito humano a condição de desenvolver sua inteligência e, com isso, seu discernimento, fazendo-o responsável pelas suas escolhas. E erramos muito porque ainda estamos nos desenvolvendo.


     
     - qual é a causa que nos obriga a sempre estarmos orando e pedindo a Deus que nos ajude a ter amor no coração, a sufocar o ressentimento, o ódio, a limpar as impurezas que estão em nós, a conseguir isto e aquilo?

      Sem dúvida, esses pedidos a Deus mostram, de modo claro como a luz do sol do meio-dia, que, por nós mesmos, por nossa vontade, por nossa escolha, não temos a capacidade de fazer essa limpeza; que, em vez de escolher o que é bom para nós mesmos, estranhamente, escolhemos o que é mau para nós mesmos; significa que estamos à mercê de todas essas incapacidades que a vida (a vida, e não nós!) colocou em nosso íntimo; que, por nós mesmos, não somos capazes de agir de acordo com o bem, e, portanto, tantas vezes, agimos de acordo com o mal.


Estamos sempre orando e pedindo ajuda a Deus porque já passamos da era pagã e sabemos que há um Deus único, criador e regente universal. Sabemos, também, que vivemos em comunidade para que nos auxiliemos mutuamente. Somos responsáveis uns pelos outros partindo da responsabilidade de nós para conosco mesmo. E essa situação de vida em comunidade e a necessidade de nos auxiliarmos mutuamente é, também, uma criação de Deus para servir de meio para que alcancemos nossos objetivos de felicidade. Então, é natural que peçamos ajuda a quem se encontre em condições de nos ajudar.
O esforço pode ser individual, mas o trabalho é coletivo.


     
     
      Afinal, “espremendo” todos os tópicos “importantes” deste Fórum (de todos os fóruns, de todas as religiões e doutrinas, literaturas religiosas etc), vemos que todos discutem e debatem o que de mais necessita a humanidade, qual é o remédio para todas as mazelas dos homens, qual é o caminho para o aperfeiçoamento do espírito. E, com certeza, todos sabem (quem não sabe, acabará sabendo), que esse remédio é o Amor.

      Se é assim, os amigos já se perguntaram, se o remédio é o amor, qual é a causa de estarmos sempre orando, sempre pedindo alguma coisa a Deus, ou a Jesus, ou a espíritos amigos? Qual é a causa de, nós mesmos, não fazermos o trabalho de limpar nosso próprio coração de suas sujeiras acumuladas por tantos anos e anos ou, como diz a doutrina, por tantas e tantas existências? Não temos amor suficiente para isso? E qual é a causa de não termos amor suficiente para oferecê-lo aos irmãos?

      Se não sabemos como fazer para ter em nós amor suficiente para dá-lo aos semelhantes, qual é a causa de não procurarmos saber como ter amor em nosso coração? Existe quem nos ensine; nosso trabalho, em vez de pedir e pedir, orar e orar, deve ser procurar encontrar quem nos ensine!

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O trabalho é uma oração e o trabalho de fazermos a "limpeza" íntima para que o amor desenvolva e tome corpo em nós, é feito mediante o concurso de tudo e de todos que compõe o meio onde vivemos. Então, sabendo que "tudo" faz parte de um mesmo processo remetemos nossas preces àquele que tudo criou.
E encontramos quem nos ensine, ou o que nos ensine em todas as experiências que a vida nos oferece. O grande mestre é a vida com seus eventos. E nem precisa procurar, basta estarmos atentos ao que a ela tem nos oferecido e tentarmos tirar dela os ensinamentos que cada evento traz.
Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: lconforjr em 05 de Fevereiro de 2014, 18:44
      Kazaoka  « ref #113 em: 050214, às 10:16 »

      Conf: olá, amigo Kaza; é verdade que erramos muito, pois a natureza que Deus nos deu nos faz errar muito mais do que acertar.

      É verdade que já passamos da era pagã e que muitos acreditam num Deus único (embora tenham concepções tão diferentes que é o mesmo que acreditassem em vários deuses, ou que há muitos deuses, pois que há concepções nas quais o Deus de uns é o oposto do Deus de outros);

      Também é verdade que é natural e extremamente necessário, termos de procurar quem nos ajude, já que não somos capazes de, por nós mesmos, sair dessa gigantesca ignorância cuja causa é a natureza que Deus nos deu;

      É verdade, também, que a ignorância é acrescida pelo fato de Deus nos ter colocado nesta vida que, denominada, pela doutrina, de escola de espíritos é, ao mesmo tempo, uma escola do bem e do mal, na qual, como diz a doutrina, viemos para aprender a nos libertar das imperfeições (só tínhamos uma, aquela que se origina do ato da criação, a ignorância, a mãe de todas as outras imperfeições), mas é exatamente nesta mesma escola, e só nela, que vindo apenas com uma imperfeição, aprendemos a nos prender às mais monstruosas delas.

      Mas onde, meu amigo, onde, em todos esses seus cometários/ justificativas/explicações referentes ao que coloquei, está algo que explique o que de mais importante interessa a todos os seres humanos: qual é a causa de seus sofrimentos?

       E mais um ponto, meu amigo: como fazer a reforma íntima se absolutamente ninguém, nem filósofos, psicólogos, doutrinadores, doutrinas sabem como fazê-la? Pois, o que é reforma íntima senão a reforma de sentimentos? E quem é capaz ou tem poder de reformar seus próprios sentimentos? Pode ter o desejo, a vontade, a determinação, mas não tem o poder de fazê-lo.

      Nenhuma religião, filosofia, psicologia, escola, ciência, ou doutrina popular sabe ensinar como fazer a RI! E não sabe porq não há o que fazer, já que não temos poder sobre nossos próprios sentimentos!

      Sendo assim, como é que vamos substituir, em nossa natureza íntima, os sentimentos que necessitam de reforma, por sentimentos “reformados ou corrigidos”? Por exemplo: como é que podemos fazer para que em nós, em vez do sentimento de ódio, exista o sentimento de amor? 

      Não temos como modificar qualquer sentimento que exista em nós, como tb não temos como fazer para atrair, para nós, um sentimento bom, nem para repelir um sentimento mau. Essa operação está fora de nosso alcance, pois não existe em nós o poder de "manipular" qualquer sentimento que possamos imaginar, seja bom ou mau, elevado ou baixo, como o de bem-querer, de raiva, de ódio, de amor aos semelhantes, de medo, dó, angústia, empatia, alegria, tristeza, felicidade ou infelicidade!

      Tentem fazer isso, por exemplo de inveja ou ciume, e verão que, por mais que se esforcem, não conseguirão.

      Ninguém, absolutamente ninguém sabe fazer isso e, portanto, ninguém fará uma reforma íntima, por mais que deseje, por mais que tenha vontade de se reformar. Não há como fazer isso, pois ninguém tem controle ou comando sobre qualquer sentimento que seja.

      Os sentimentos, de qualquer natureza, não somos nós mesmos que os colocamos em nosso íntimo. Eles vêm do que a vida nos mostra, e se incorporam em nossa natureza devido a isso, muitas vezes nos dominando completamente. Nada mais, nada menos do que isso! 

      Assim, nossa reforma interior depende, não de nós, mas do que a vida, com  suas experiências/lições incessantes, nos mostra em nosso dia-a-dia.

      Assim, sem saber como fazer a RI, ninguém a fará e daí, meu jovem, como é que o Amor se desenvolverá em nós e em nós tomará corpo? Se isso é feito, como vc disse, com o concurso de todos que compõe o meio em que vivemos, e se absolutamente ninguém desse meio sabe como fazê-la, nunca a faremos!

      Vc diz que “encontramos quem nos ensine, ou o que nos ensine em todas as experiências que a vida nos oferece”. Sim, meu amigo, encontramos, mas não nas religiões, filosofias e doutrinas populares. Esse ensinamento está além das religiões e doutrinas que conhecemos! Além das doutrinas populares!

       Mas nós, nos agarramos com todas as forças às nossas crenças, só temos olhos para elas e não olhamos em  torno de nós! É preciso retirar os antolhos! A própria DE nos recomenda fazer isso.

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Título: Re: Estudo Mensal de Janeiro de 2014 - A Vingança
Enviado por: Brenno Stoklos em 05 de Março de 2014, 05:26

Ninguém, absolutamente ninguém sabe fazer isso e, portanto, ninguém fará uma reforma íntima, por mais que deseje, por mais que tenha vontade de se reformar. Não há como fazer isso, pois ninguém tem controle ou comando sobre qualquer sentimento que seja.



833. Haverá no homem alguma coisa que escape a todo constrangimento e pela qual goze ele de absoluta liberdade?

No pensamento goza o homem de ilimitada liberdade, pois que não há como pôr-lhe peias. Pode-se-lhe deter o vôo, porém, não aniquilá-lo.”

834. É responsável o homem pelo seu pensamento?

“Perante Deus, é. Somente a Deus sendo possível conhecê-lo, Ele o condena ou absolve, segundo a Sua justiça.

835. Será a liberdade de consciência uma conseqüência da de pensar?

“A consciência é um pensamento íntimo, que pertence ao homem, como todos os outros pensamentos.”

843. Tem o homem o livre-arbítrio de seus atos?

“Pois que tem a liberdade de pensar, tem igualmente a de obrar. Sem o livre-arbítrio, o homem seria máquina.”

845. Não constituem obstáculos ao exercício do livre-arbítrio as predisposições instintivas que o homem já traz consigo ao nascer?

“As predisposições instintivas são as do Espírito antes de encarnar. Conforme seja este mais ou menos adiantado, elas podem arrastá-las à prática de atos repreensíveis, no que será secundado pelos Espíritos que simpatizam com essas disposições. Não há, porém, arrastamento irresistível, uma vez que se tenha a vontade de resistir. Lembrai-vos de que querer é poder.”

846. Sobre os atos da vida nenhuma influência exerce o organismo? E, se essa influência existe, não será exercida com prejuízo do livre-arbítrio?

“É inegável que sobre o Espírito exerce influência a matéria, que pode embaraçar-lhe as manifestações. Daí vem que, nos mundos onde os corpos são menos materiais do que na Terra, as faculdades se desdobram mais livremente. Porém, o instrumento não dá a faculdade. Além disso, cumpre se distingam as faculdades morais das intelectuais. Tendo um homem o instinto do assassínio, seu próprio Espírito é, indubitavelmente, quem possui esse instinto e quem lho dá; não são seus órgãos que lho dão. Semelhante ao bruto, e ainda pior do que este, se torna aquele que nulifica o seu pensamento, para só se ocupar com a matéria, pois que não cuida mais de se premunir contra o mal. Nisto é que incorre em falta, porquanto assim procede por vontade sua.”

872. A questão do livre-arbítrio se pode resumir assim: O homem não é fatalmente levado ao mal; os atos que pratica não foram previamente determinados; os crimes que comete não resultam de uma sentença do destino. Ele pode, por prova e por expiação, escolher uma existência em que seja arrastado ao crime, quer pelo meio onde se ache colocado, quer pelas circunstâncias que sobrevenham, mas será sempre livre de agir ou não agir. Assim, o livre-arbítrio existe para ele, quando no estado de Espírito, ao fazer a escolha da existência e das provas e, como encarnado, na faculdade de ceder ou de resistir aos arrastamentos a que todos nos temos voluntariamente submetido.
Desprendido da matéria e no estado de erraticidade, o Espírito procede à escolha de suas futuras existências corporais, de acordo com o grau de perfeição a que haja chegado e é nisso, como temos dito, que consiste sobretudo o seu livre-arbítrio. Esta liberdade, a encarnação não a anula. Se ele cede à influência da matéria, é que sucumbe nas provas que por si mesmo escolheu.
Sem o livre-arbítrio, o homem não teria nem culpa por praticar o mal, nem mérito em praticar o bem.

                                                              O Livro dos Espíritos