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CODIFICAÇÃO => Estudos Avançados => Tópico iniciado por: FENet em 09 de Setembro de 2010, 10:11

Título: Allan Kardec
Enviado por: FENet em 09 de Setembro de 2010, 10:11
Objectivo desta investigação:
Conhecer detalhadamente o codificador do espiritismo, nos seus diversos aspectos:
-DADOS BIOGRÁFICOS
-CARACTERIZAÇÃO FÍSICA E PSICOLÓGICA
-PERCURSO ACADÉMICO
-PERCURSO PROFISSIONAL
-NO ESPIRITISMO
-OBRAS ESPÍRITAS
-DEPOIS DA SUA MORTE





Ideias chave desta mensagem:
Allan Kardec nasceu em Lyon, França, no dia três de Outubro de 1804.
Casou com Amélie Gabrielle Boudet.
Não tiveram descendentes.
Faleceu em Paris, no dia trinta e um de Março de 1869.
Tinha sessenta e cinco anos.




O conhecimento do Espiritismo começa com um passeio ao longo da história da Humanidade, nomeadamente através dos seus precursores.

Quanto a Allan Kardec, o notável Codificador da Doutrina Espírita, torna-se necessário conhecermos com alguma profundidade a sua vida, pois a sua personalidade reflecte-se e identifica-se com a verdadeira e única essência do Espiritismo.
Muitos adeptos do Espiritismo manifestam muitas vezes o pesar de não possuírem senão um imperfeito conhecimento da biografia de Allan Kardec.


DADOS BIOGRÁFICOS


Nasceu em Lyon, França, a três de Outubro de 1804, pelas 19 horas. Aquele que devia mais tarde usar o pseudónimo de Allan Kardec, era descendente da família Rivail.

Do documento oficial do seu nascimento consta o seguinte:
“Aos 12 do vindemiário 3 do ano 13º, auto do nascimento de Hippolyte-Léon Denizard Rivail, nascido ontem às 7 horas da noite, filho de Jean Baptiste-Antoine Rivail, magistrado, juiz, e Jeanne Louise Duhannel, sua esposa, residentes em Lyon, rua Sala nº 76.
O sexo da criança foi reconhecido como masculino.
Testemunhas maiores:
Syriaque-Frédéric Dittmar, director do estabelecimento das águas mineriais da rua Sala, e Jean-François Trage, mesma rua Sala, à requisição do médico Pierre Radamel, rua Saint-Dominique nº 78.” (1)

O futuro fundador do Espiritismo recebeu, desde o berço, um nome querido e respeitado e todo um passado de virtudes, de honra e de rectidão. Pelo seu talento, saber e escrupulosa probidade, um grande número dos seus antepassados tinha-se distinguido na advocacia e na magistratura, desde o Séc. XV.
 
“Os estudos de Kardec foram iniciados em Lyon, tendo-os completado em Yverdun, na Suíça, sob a direcção do célebre e inesquecível professor Johann Heinrich Pestalozzi. Teve uma sólida instrução, servida por uma robusta inteligência. Conhecia alemão, inglês, italiano, espanhol, holandês, sem falar na língua materna, e tinha  grande cultura científica.” (2)
Criado numa familia católica,  via-se  agora na dualidade Catolicismo/Protestantismo, mostrando cedo a sua individualidade positiva e sobrepondo a razão a qualquer afirmativa dogmática.

A partir dos quinze anos começou a conceber a ideia de uma reforma religiosa com o propósito de conseguir a unificação das crenças na “moral” e evitar estas intolerâncias irracionais.

O seu trabalho pedagógico é rico e extenso. Produziu, em França, quase uma dezena de obras sobre educação, no período de 1828 a 1849. Os seus livros foram adoptados pela Universidade de França. Traduzia para a língua alemã, que conhecia profundamente, diferentes obras de educação e moral, dentre elas, Telémaco, de Fénelon.
Foi bacharel em Ciências e Letras e membro de sociedades sábias francesas, entre outras, da Real Academia de Ciências Naturais.

Emérito educador, criou em Paris o Instituto Técnico, estabelecimento de ensino com base no método Pestalozzi.
Foi professor no Liceu Polimático.

Fundou, em sua casa, cursos gratuitos de Química, Física, Anatomia Comparada, Astronomia, etc.
Criou um método original, por processos mnemónicos, que levava o estudante a aprender e a compreender as lições com facilidade e rapidez.

No mundo das letras e do ensino, que frequentava em Paris, Denizard Rivail encontrou a senhorita Amélie Boudet - a sua doce Gabi - como ele carinhosamente a chamava, uma professora com diploma de primeira classe. “Pequena, mas bem proporcionada, gentil e graciosa, rica por seus pais e filha única, inteligente e viva, ela soube, pelo seu sorriso e predicados, fazer-se notar pelo sr. Rivail. Sob a franca e comunicativa alegria do homem amável, ela adivinhou o pensador sábio e profundo que aliava grande dignidade à mais esmerada urbanidade.”

No dia seis de Fevereiro de 1832, Allan Kardec e Amélie Gabrielle Boudet casaram. Ele com 28 anos e ela com 37. Amélie nasceu em 23.11.1795 e desencarnou em 21.01.1883, com 88 anos.

Sobre o casamento de ambos, o registo civil informa-nos que: “No dia 6 de Fevereiro de 1832, firmou-se em Paris o contrato de casamento de Hippolyte-Léon-Denizard Rivail com Amélie Gabrielle Boudet residentes em Paris, 35 rue de Sèvres.” A senhorita Amélie Boudet tinha, pois, mais nove anos do que o sr. Rivail, mas na aparência dir-se-ia ter menos dez do que ele. Amélie foi uma personalidade muito importante na vida de Allan Kardec. Ajudou-o intensamente, tanto nas suas actividades pedagógicas quanto no seu fecundo labor pela causa espírita.
 
A partir do instante em que se dedicou ao estudo dos fenómenos da intervenção dos espíritos, no ano de 1855, Allan Kardec trabalhou intensa e incansalvelmente, tendo produzido o maior acervo da Doutrina Espírita.
Durante catorze anos, a sua vida girou à volta do Espiritismo. Como escreveu mais tarde, “quase não dormia”, com a vontade de terminar um trabalho: “O Espíritismo foi a  Obra da Minha Vida.”

O excesso físico e intelectual esgotou-lhe o organismo, e repetidas vezes os espíritos chamavam-no à razão, a fim de obrigá-lo a poupar a saúde. Ele, porém, não se deixava intimidar e estava, com todos os preparativos de mudança de residência, quando a trinta e um de Março a doença do coração, que o minava surdamente, pôs termo à sua robusta constituição.

“Hippolyte-Léon Denizard Rivail – Allan Kardec – faleceu em Paris, na Rua e passagem de Sant’Ana, 59, 2ª. circunspecção e mairie de la Banque, em 31 de Março de 1869, com a idade de 65 anos, sucumbindo da ruptura de um aneurisma.”
Num dos discursos pronunciados sobre o túmulo de Allan Kardec, Leymarie afirma que: “DEU-SE COM ELE O QUE SE DÁ COM TODAS AS ALMAS DE FORTE TÊMPORA - A LÁMINA GASTOU A BAÍNHA.”

Unânimes sentimentos acolheram a dolorosa notícia. E numerosíssima concorrência acompanhou os seus despojos mortais ao Cemitério Montmartre, no dia dois de Abril de 1869, para depois serem trasladados para o Cemitério  Père-Lachaise, no dia trinta e um de Março de 1870, sua derradeira morada. Foram proferidos quatro discursos junto ao túmulo do inegável lutador: “o primeiro, pelo sr. Levent, em nome da Sociedade Espírita de Paris; o segundo, pelo sr. Camille Flammarion, que não fez somente um esboço do carácter de Allan Kardec e do papel que cabe aos seus trabalhos no movimento contemporâneo, mais ainda, e sobretudo, um exame da situação das ciências físicas, do ponto de vista do mundo invisível, das forças naturais desconhecidas, da existência da alma e da sua indestrutibilidade. Em seguida, tomou a palavra o sr. Alexandre Delanne, em nome dos espíritas dos centros afastados; e, depois, o sr. E. Muller, em nome da família e dos seus amigos dirigiu ao morto querido o último adeus.”

Todos os jornais da época se ocuparam da morte de Allan Kardec e procuraram medir-lhe as consequências. Retiramos do «Journal de Paris», do dia três de Abril de 1869, escrito pelo sr. Pagés de Noyes, o seguinte: “Aquele que por tão longo tempo ocupou o mundo científico e religioso sob o pseudónimo de Allan Kardec chamava-se Rivail e morreu com a idade de 65 anos. Vimo-lo deitado num simples colchão, no meio da sala das sessões a que há tantos anos presidia; vimo-lo com o semblante calmo como se extinguem aqueles a quem a morte não surpreende e que, tranquilos quanto ao resultado de uma vida honesta e laboriosamente preenchida, imprimem como que um reflexo da pureza da sua alma sobre o corpo que abandonaram. Resignados pela fé numa vida melhor, e pela convicção da imortalidade da alma, inúmeros discípulos vieram lançar um derradeiro olhar àqueles lábios descorados que, ainda na véspera, lhes falavam a linguagem da Terra.”

Os despojos mortais de Allan Kardec repousam no Père Lachaise, em Paris, sob modesta lápide erigida pela piedade dos seus discípulos. É aí que se reúnem todos os anos, desde 1869, os adeptos que têm guardado fidelidade à memória do amigo e conservam preciosamente no coração o culto da saudade.
A esposa de Allan Kardec tinha setenta e quatro anos por ocasião da morte do marido. Sobreviveu até vinte e um de Janeiro de 1883. Tinha oitenta e oito anos.
Não deixaram herdeiros directos.

Referências bibliográficas:
Curso Complementar de Espiritismo
Wantuil, Zêus e Thiesen, Francisco, «Allan Kardec – Meticulosa Pesquisa Biobibliográfica», Volume I, Capítulo I.
Kardec, Allan, «Revista Espírita – Jornal de Estudos Psicológicos», Maio de 1869.


No seguimento deste tópico será publicado outra mensagem com a seguinte informação: CARACTERIZAÇÃO FÍSICA E PSICOLÓGICA
Título: Re: Allan Kardec
Enviado por: Carmen.gbi em 10 de Setembro de 2010, 15:33


Bom dia, amigos

Oi, Unformatted,


Adorei essa idéia do novo quadro e começar com Allan Kardec, melhor ainda. Muitos de nós, lemos e estudamos bastante a Doutrina Espírita , mas nem sempre conhecemos sobre a vida do responsável pela codificação da mesma.Sei que muito  nos acrescentará com esse tópico.

Coloco aqui , uma" homenagem a Allan Kardec".



Salve, Kardec

Sobre a terra de sombra e de amargura
A treva espessa e triste se fizera
A ciencia e a Fé nas asas da quimera
Mais de afundavam pela noite escura.

A alma humana de então se desespera,
E eis que das luzes místicas da altura
Desce outra luz confortadora e pura,
de que o mundo infeliz se achava á espera.

E KARDEC recebe-a , sobre o abismo
Espalhando as lições do Espiritismo,
Em claridades de consolação.

Emissario da Luz e da verdade,
Entrega ao coração da Humanidade
A Doutrina de Amor e Redenção.


Casimiro Cunha

( página psicografada pelo medium Francisco Cândido Xavier , do livro Doutrina e Vida)
[/b]
Título: Re: Allan Kardec
Enviado por: Mourarego em 10 de Setembro de 2010, 19:55
Falar do homem Rivail, conhecido de todos os Espíritas por Allan klardec seria apenas o repetir das contribuições dos amigos que aqui já se pronunciaram.
todavia, cumpre-me colocar o que este homem, que certamente hoje, ainda estaria a frente de todos nós, expressou sobre a doutrina que com sua natural característica viu nascer dos ditados recebidos pelas tres mocinhas francesas.
"Se este livro não tivesse por fim mais do que mostrar o lado sério da
questão, provocando estudos a respeito, isto já seria bastante e nos
felicitaríamos por termos sido escolhidos para realizar uma obra sobre a
qual não pretendemos ter nenhum mérito pessoal, pois os princípios
aqui expostos não são de nossa criação: o mérito é, portanto,
inteiramente dos Espíritos que o ditaram. Esperamos que ele tenha
outro resultado, – o de guiar os homens desejosos de se esclarecerem,
mostrando-lhes nestes estudos um objetivo grande e sublime, o do
progresso individual e social, e indicando-lhes o caminho a seguir para
a sua consecução."
Esta assertiva, se levada a sério e perseverante estudada nas páginas dos códigos reconhecidos como princípios básicas da doutrina Espírita, envolveriam-nos em tal halo dignificante que afastariam quais quer objeções que nossas poucas luzes pudessem fazer bruxolear.

Excerto feito da Obra O Livro dos Espíritos
"XVII – PREENCHENDO OS VAZIOS NO ESPAÇO"
Abraços,
Moura
Título: Re: Allan Kardec
Enviado por: Carmen.gbi em 11 de Setembro de 2010, 22:22


Boa tarde!


O sonho do jovem estudante Rivail


Em 12 de janeiro de 1818 , na data do seu septuagésimo segundo aniversário, o professor João Henrique Pestalozzi, cognominado O Educador da Humanidade, nascido em 1746 e desencarnado em 1827, proferiu um discurso diante dos corpos docente e discente do Instituto de Yverdon, por ele instalado em 1805 , localizado num castelo na cidade suíça do mesmo nome.
Em seu pronunciamento Pestalozzi explica o papel do educador, que a seu ver, "deve preservar e assistir o desenvolvimento das energias saudáveis da criança, como o jardineiro preserva e assiste o nascimento de uma planta , de uma flor".A imagem de Pestalozzi, (...), ficaria gravada no espírito de um jovem de 13 anos, aluno do Instituto , discípulo fiel do grande educador.
O pedagogo Suíço admitia que a criança , desde a mais tenra idade , possuia, em germe, a razão e os sentimentos morais. Por isso o jovem de 13 anos, como discípulo de Pestalozzi, também,"entendia a necessidade de fazer desabrochar na criança os germes das virtudes e de reprimir os do vício , e que se podem transmitir ao educando, mediante adequada educação , as impressões próprias ao desenvolvimento das virtudes".
Esse menino de 13 anos era  o jovem Rivail, Hippolyte Léon Denizard Rivail, que mais tarde , sob a orientação do Espírito de Verdade , assinaria as obras da Codificação espírita como Allan Kardec, nome de sua antiga personalidade druida.

( do livro Allan Kardec e o Centro Espírita - Adilton Pugliese)
Título: Re: Allan Kardec
Enviado por: Mourarego em 12 de Setembro de 2010, 17:50
Bem lembrado esta parte da história de vida de Kardec Carmem, e melhor ainda a lembrança a este Espíritos que alguns confundem com Jesus, e que a maioria de nós dá-lhe um nome diferente do que ele mesmo deu ao codificador.
Se observarmos  em Obras Póstumas por exemplo veremos o relato do próprio Allan Kardec quando inquiriu ao Espírito que lhe ajudava pelo nome que realmente teria e ele lhe respondeu: "A ti me chamarei A Verdade". como pocemos ver nesse pequeno excerto da citada obra:
"Perg. – Meu Espírito familiar, quem quer que sejais, vos agradeço por ter vindo me visitar; quereríeis me dizer quem sois? – Resp. Para ti, me chamarei A Verdade, e todos os meses, aqui, durante um quarto de hora, estarei à tua disposição."
mas o codificador, insistiu mais a frente e voltou a perguntar: "Perg. – O nome de Verdade, que tomastes, é uma alusão à verdade que procuro? – Resp. Talvez; ou, pelo menos, é um
guia que te protegerá e te ajudará."
Ainda não satisfeito Kardec deixando a conversa se estender mais, volta à carga: Notem como ele coloca a pergunta principal, o foco da investigação que fazia, ao lado de outra, exatamente pra fazer com que o pensamento do Espíritos dividindo-se em dois assuntos pudesse deixar escapar informação ainda não dada."Perg. Poderíeis vir com mais freqüência do que todos os meses? – Resp. Sim, mas não prometo senão uma vez por
mês, até nova ordem. – Perg. Animastes algum personagem conhecido sobre a Terra? – Resp. Eu te disse que, para ti, era a Verdade; esse para ti queria dizer discrição: disso não saberás mais.
Como se Vê o Espírito mostrando lucidez e grande perspicácia não se deixa levar pelo pensamento  do codificador e responde, desta vez com maior rigor, como podemos anotar na parte em que usei o negrito.
Esse pequeno item, da história não só de Kardec mas do Espiritismo em si, pode parecer pouco importante para muitos mas não o é pois mais a frente nos livrará de ensinarmos errado aos iniciantes que crescem no terreno fértil do movimento espírita.
O importante é ensinar-se corretamente, mesmo que levemos mais tempo aparando arestas.
O motivo de ter alertado para esse ponto, é exatamente por estarmos nesta área nova do FE, que nos remete a um estudo mais apurado, mais cioso da investigação que deve ser mister de todo o nosso trabalho no campo da doutrina dos Espíritos.
Vemos que mesmo bons tradutores deixam escapar essa incorreção que ao inciante na doutrina ficará por tempo grande até ser apagada pela informação mais correta que este fizer da própria doutrina. A internet, é um meio fabuloso de propagação do ensino espírita, mas serve também de pedra de tropeço ao iniciante afoito ou mesmo ao já iniciado que não faça uma boa pesquisa ou que dê crédito de verdade ao que dizem muitos sites ditos Espíritas.
Essa a razão de ter tocado nesse ponto, pois o ditado popular nos ensina que o "uso do cachimbo é que faz a boca torta"
Se nós fomentarmos uma informação isenta de erros de convicção própria, se nos atermos ao que a doutrina ensina, se em nossas citações a outras obras, tomarmos o cuidado de mostra que são apenas obras que trazem a opinião daqueles Espíritos vamos estar fomentando a fortificação intelectual do movimento espírita e só isso já é uma boa prática Espírita, todavia, se nos alijarmos dos momentos de pesquisa nas obras básicas, se nos estiolarmos em nossas poucas luzes e naquilo que hoje pensamos ser também doutrina, passando por cima de ensinos tidos em obras básicas diferentes em nossa doutrina,  além de passarmos um mau ensino, também continuaremos dentro dos estreitos limites que a paixão nos deixa ter.
Abraços,
Moura
Bibliografia: 
Kardec. Allan, in Obras Póstumas.
Título: Re: Allan Kardec
Enviado por: mecame em 12 de Setembro de 2010, 18:55
A dignidade dos homens de boa vontade é uma luz que ilumina a humanidade. Eu fico a meditar nestas influencias que Rivail sofreu. Era uma linha ilustre de grandes homens voltados para a moral humana, visto que tudo começou com Comêneos totalmente inseridos nas questões morais e seu discipulo foi Rousseau, que por sua vez teve Pestalizzy como discípulo de quem foi Rivail o discípulo. E se formos cavar esta corrente iluminada vamos chegar a Sócrates, de quem Comênios era admirador profundo. Isso, faz-me pensar na frase : " Pelos frutos se conhece a árvore" Tenho muito orgulho de ser um Pedagogo, pois abracei esta linhagem com muito amor. Que Deus abençoe a todos.  A paz de Cristo.
Título: Re: Allan Kardec
Enviado por: MarcoALSilva em 12 de Setembro de 2010, 19:59

Em colaboração, um trecho da obra ALLAN KARDEC
SUA VIDA E SUA OBRA, de André Dumas



O codificador do espiritismo moderno não foi
somente um precursor no domínio da constituição
energética da matéria, mas também no da biologia.
Ensinou a transformação progressiva das espécies
e a origem animal do homem. Exprimindo-se claramente
a este respeito na sua obra de síntese, A Gênese,
publicada em 1868:

Por pouco que se observe a escala dos seres
vivos do ponto de vista orgânico, reconhece-
se que, desde o líquem até à árvore e
desde o zoofito até ao homem, existe uma
cadeia que se eleva gradativamente sem solução
de continuidade, cujos anéis têm um
ponto de contato com o anel precedente:
acompanhando passo a passo a série dos seres,
diríamos que cada espécie é um aperfeiçoamento,
uma transformação da espécie imediatamente
inferior. Visto que o corpo do
homem está em condições idênticas aos outros
corpos, química e constitucionalmente,
que ele nasce, vive e morre da mesma maneira,
ele deverá ser formado nas mesmas condições.
Ainda que possa ferir o seu orgulho, o homem
tem de se resignar a não ver em seu
corpo material mais do que o último anel da
animalidade na Terra. È este o inexcedível
argumento dos fatos, contra o qual ele protestará
em vão.

A Gênese, cap. X, § 28.

Aliás, não foi necessário aguardar 1868 para ele
nos ensinar a doutrina da evolução. A este propósito,
o capitão Bourgés escreveu no seu trabalho
intitulado Psicologia Transformista, Evolução da
Inteligência: (Citado por Ch. Truffy, Palestras Espíritas, 2ª. Palestra, pp. 157-158.)

"No decurso da sua viagem espirita em 1862, Allan
Kardec visitou-nos em Provins, onde nos encontrávamos
em guamição militar. Tivemos a satisfação
de ter o Mestre entre nós, durante alguns dias. Em
suas conversas, ele não escondia a nossa origem
animal, falando-nos do progresso que o espírito tem
de conseguir para chegar à perfeição. Recomendava-
-nos, essencialmente, que aprofundássemos todos os
ramos da ciência, assegurando-nos que através dela
nos elevaríamos e encontraríamos em O Livro dos
Espíritos os elementos que deveríamos conhecer e
abraçar. Assim, em 1868 demos-lhe conta do andamento
dos nossos trabalhos e da descoberta que
julgávamos ter feito nos estudos das obras de
Darwin, quanto à evolução do espírito, tal como
hoje nos é apresentada."


Portanto, três anos somente após a publicação de
A Origem das Espécies para a Seleção Natural,
por Charles Darwin, dois anos antes do trabalho
de Thomas Huxley, O Lugar do Homem na Natureza,
no qual ele proclamava o parentesco do macaco
e do homem, já Allan Kardec ensinava a origem
animal do homem, enquanto que o próprio
Darwin somente em 1871 abordou abertamente este
problema em A Descendência do Homem.

Isto acontece numa época em que eminentes homens,
como Fabre, Flouriens, Claude Bernard e
Quatrofages, uns porque eram discípulos de Cuvier,
outros por razões de ordem religiosa, se opunham
ao evolucionismo e sustentaram em França uma tal
oposição a estas novas ideias que, em 1873, o Instituto
de França recusa eleger Darwin como seu correspondente
estrangeiro.

Basta situarmos Allan Kardec no ambiente intelectual
da sua época, para bem avaliarmos até que
ponto o seu pensamento era vanguardista.
Ele já havia, com efeito, ultrapassado, antes de
Henri Bergson, Gustave Geley ou Teilhard de Chardin,
a etapa estritamente materialista que o evolucionismo
atravessou no seu início:

Quanto mais o corpo diminui de valor a
seus olhos (os olhos do homem), mais o
princípio espiritual ganha importância; se o
primeiro o nivela com os ignorantes, o segundo
o eleva a uma altura incomensurável.
Vemos o círculo onde o animal se detém;
não vemos o limite que possa alcançar o espírito
do homem.

O materialismo pode, por aí, perceber que o
espiritualismo, longe de pôr em dúvida as
descobertas da ciência, e sua atitude positiva,
vai mais longe provocando-as, pois é certo
que o princípio espiritual, que tem sua existência
própria, não pode sofrer nenhum dano.
O espiritismo caminha a par com o materialismo,
no terreno da matéria; admite tudo
o que este admite; porém, onde o materialismo
se detém, o espiritismo prossegue. O
espiritismo e o materialismo são como dois
viajantes que caminham lado a lado, partindo
do mesmo ponto; chegados a uma certa distância,
um diz: "Não posso ir mais longe"; o
outro continua a sua rota e descobre um
mundo novo. (A Gênese, cap. X, § 29-30.)


Substituamos "materialismo" por "parapsicologia"
e teremos um mesmo programa de colaboração
e de adiantamento que caracteriza o esforço da renovação
que atualmente prosseguimos.


Fonte; ALLAN KARDEC, SUA VIDA E SUA OBRA - André Dumas - Ed. PENSE
ANDRÉ DUMAS
Secretário da Union des Sociétés Francophones
pour l'Investigation Psyquique et l'Étude de la
Survivance (USFIPES) Paris - França
Título: Re: Allan Kardec
Enviado por: hcancela em 12 de Setembro de 2010, 21:26
Olá amigos(as)

Contrariando numerosas opiniões, aquele que viria a ser Allan Kardec era um homem ponderado,
prudente e pouco dado a entusiasmos irrefletidos. Após a sua juventude, familiarizou-se com o magnetismo
e sonambulismo, prosseguindo seus estudos paralelamente com seus trabalhos pedagógicos
e cursos científicos que dirigia no liceu. Quando ouviu falar da existência de mesas girantes e falantes,
teve a seguinte exclamação: "histórias para adormecer". No entanto, isto não o impediu de
mais tarde se interessar e interrogar sobre o assunto.
Passou-se em 1854. Tinha ele 50 anos. As sessões a que fora convidado a assistir persuadiram-
no de que, sob a aparente futilidade da "espécie de diversão que faziam com aqueles fenômenos",
havia "algo de sério e como que a revelação duma nova lei", que a si mesmo prometeu investigar a fundo.
No entanto, ele continuava prudente:
Apliquei a esta nova ciência, como sempre
fizera, o método da experimentação: jamais utilizei teorias preconcebidas; observava atentamente,
comparava e deduzia as consequências
e através dos efeitos procuro remontar às causas pela dedução e o encadeamento lógico
dos fatos, admitindo somente qualquer explicação como válida, quando esta resolver
todas as dificuldades da questão... vislumbro naqueles fenômenos a chave do problema, tão
obscuro quanto controverso, do passado e do futuro da humanidade, a solução daquilo que
tenho procurado toda a minha vida; em suma, uma total revolução nas ideias e nas crenças;
era, portanto, necessário agir com circunspecção, não levianamente; ser positivista e
não idealista, para não me deixar arrastar por ilusões.
Não compartilhava do entusiasmo de alguns experimentadores, entre eles Victorien Sardou, o editor
Didier e René Taillandier, membro da Academia Francesa, os quais, após cinco anos de reuniões, lhe
solicitaram coligisse e organizasse, numa síntese, todas as comunicações contidas em cinquenta cadernos.
Ele, porém, recusou e é através duma mensagem mediúnica pessoal, assegurando-lhe o apoio
do mundo invisível, que se decidiu a aceitar tão ingrata incumbência.
Examinando estas mensagens, a fim de as coligir, as perguntas científicas e filosóficas que interpos
através de vários médiuns e das pesquisas experimentais,levaram Rivail à convicção da realidade
dum mundo invisível; no entanto, para ele, os espíritos, não sendo necessariamente os detentores da
Verdade, nada mais são do que a alma dos homens,sendo seu saber condicionado ao nível da sua evolução,
"cada um de nós pode ensinar alguma coisa,ao passo que individualmente nenhum nos poderia
ter inteirado de tudo, cabe ao observador formular o conjunto com o auxílio dos dados provenientes
de várias fontes, comparados, coordenados e controlados uns pelos outros". Os espíritos foram para
mim — dizia o futuro Allan Kardec — "desde o menorzinho até ao maior, veículos de informação e
não reveladores predestinados".

Do livro de " André Dumas"
Allan Kardec " Sua vida e obra"
ANDRÉ DUMAS
Secretário da Union des Sociétés Francophones
pour l'Investigation Psyquique et l'Étude de la
Survivance (USFIPES) Paris - França


Saudações fraternas
Título: Re: Allan Kardec
Enviado por: Edna☼ em 12 de Setembro de 2010, 22:33
Olá amigos! :)

Unformatedd, por certo foi a inspiração superior que levou a abertura deste tópico, para que através destas páginas, possamos ter a oportunidade de relembrarmos a vida e a obra do valoroso homem que foi o Codificador da Doutrina Espírita.

No momento em que a Humanidade estava preparada, Deus nos envia o Consolador Prometido por Jesus.

A incumbência de tão importante missão, é confiada ao Professor Denizard Rivail, homem nobre e íntegro, possuidor de elevados conhecimentos intelectuais e morais, apto para receber a mensagem a ser transmitida pela Espiritualidade Maior.

Allan Kardec, cumpre com êxito e desvelado amor o mandato divino, codificando e legando a Humanidade as eternas luzes da Terceira Revelação!



Obrigada por tudo Allan Kardec!

Que haja paz e luz em nossos corações!

Abraços fraternos, ;)

Edna ;)
Título: Re: Allan Kardec
Enviado por: pati em 12 de Setembro de 2010, 23:07
Olá!!

Que bom saber mais do codificador da Doutrina dos Espíritos!
Sua vida acadêmica, nos parece, é mais conhecida aqui no Brasil do que no seu país de origem.

Pati

Estejamos em Deus
Título: Re: Allan Kardec
Enviado por: Mourarego em 13 de Setembro de 2010, 01:36
Meus amigos a grande diferença dessa área para as outras áreas deste fórum é que por estarmos aqui, reunidos para um estudo Avançado, deveremos sempre  colocar as bases em que baseamos nossa contribuição.
Essa é uma das regras desta área e que, existe, exatamente para que aqui possamos estabelecer aquilo que a doutrina traga.
Não podemos nos esquecer disso.
Obrigado,
Moura
Título: Re: Allan Kardec
Enviado por: hcancela em 13 de Setembro de 2010, 19:57
Olá amigos(as)

O PEDAGOGO
Léon Rivail publicou numerosos trabalhos
didáticos:
— Plano proposto para o aperfeiçoamento da
instrução pública (1828);
— Curso Prático e Teórico de Aritmética (1829),
a fim de ser usado pelas mães de família e
professores após o método de Pestalozzi;
— Gramática Francesa Clássica (1831).
No mesmo ano foi doutorado pela Academia Real
de Assis, com um estudo sobre o tema:
— Qual o sistema de estudo que mais se harmoniza
com as necessidades da época?
De 1835 a 1840, organiza em sua casa, situada na
Rua de Sèvres, cursos gratuitos de química, física,
astronomia e anatomia comparada.
Em 1848 publica:
— Catecismo gramatical de língua francesa.
Em 1849, dirige no Licée Polimathique cursos de
filosofia, astronomia, química e física.


ALLAN KARDEC, SUA VIDA E SUA OBRA - André Dumas
ANDRÉ DUMAS
Secretário da Union des Sociétés Francophones
pour l'Investigation Psyquique et l'Étude de la
Survivance (USFIPES) Paris - França

Saudações fraternas



Título: Re: Allan Kardec
Enviado por: Edna☼ em 15 de Setembro de 2010, 03:19
Boa noite a todos! :)

Conhecendo um pouco mais sobre a vida de Allan Kardec...


   Nascimento e infância de Rivail


“O dia 3 de Outubro de 1804 raiou belo e luminoso.

A Terra, bendita escola, governada pelo Mestre Jesus, acabara de receber em seu seio, por misericórdia do Pai Eterno, aquele que seria a bússola do Consolador Prometido por Jesus.

Viera ao mundo no País França, cidade de Lyon, Hippolyte Leon Denizard Rivail! O lar do senhor magistrado e íntegro em sua profissão, Jean Baptiste Antoine Rivail e de dona Louise Duhamel, enchera-se de luz e alegria. O Senhor Jean apresentava a todos os familiares e amigos, com todo orgulho paternal, o tão esperado filho do casal.

Renascera o futuro “Codificador do Espiritismo”, numa família de antepassados que muitos se sobressaiam nas profissões de advocacia, magistrados e grandes educadores.

O menino Rivail começou a mostrar sua parte intelectual muito cedo. Suas inclinações eram voltadas para a ciência e filosofia.” 

[...]

“Houve um pensador alemão de nome João Fichte que disse a respeito do Instituto do famoso Pestalozzi, “dele espero a salvação da Alemanha”, isto porque, ali eram ministradas as fontes limpas dos conhecimentos elaborados pela inteligência do emérito professor Pestalozzi. Este afirmava com veemência que “o amor é eterno fundamento da educação”.

Palavras sábias e tão pouco usadas atualmente.

Sob esta regra formou-se o menino Rivail. Os exemplos passados pelo professor suíço foram transmitidos a Rivail desde cedo, que viera a uma importante missão, sobre a Terra..

Sem ainda saber, admirava a postura do mestre Pestalozzi com relação aos exemplos dados de amor ao próximo, que viria a ser seu caminho já delineado por Jesus na continuidade de sua obra.

Pestalozzi, já contava com 70 anos de lutas, de realizações e também de decepções, mas era um espírito forte e sua inteligência abrangia todos os aspectos da ciência e da filosofia e, com seu avançado método sobre a pedagogia contagiava o coração do menino Rivail, que cada vez mais progredia na carreira de educador. Seguia os passos do mestre Pestalozzi.

O professor Pestalozzi, a cada dia admirava mais o menino Rivail; sua inteligência e a maneira como desenvolvia os trabalhos sobre os métodos educacionais o elevavam acima dos outros alunos também dedicados e estudiosos. Assim, Rivail logo se fazia notar, o que mais tarde o colocaria na condição de homem progressista e livre pensador.”

continua...:)
Título: Re: Allan Kardec
Enviado por: Edna☼ em 15 de Setembro de 2010, 03:24
   Juventude de Rivail 

Rivail, já com 14 anos, mostrava a todos a que viera, pois para seus condiscípulos, os menos adiantados, ele abriu cursos de aperfeiçoamento, para os que tinham menos capacidade de raciocínio, dando belo exemplo de paciência, revelando ser um semeador que rapidamente aprendeu a lição do mestre Pestalozzi.

Entendendo e sabendo ampliar mais seus conhecimentos para poder passá-los aos outros, fossem alunos ou não, Rivail procurava aplicá-los na educação social, onde aprendera com Pestalozzi, que para melhorar a posição social dos indivíduos era necessário melhorar a moral de cada um ou de uma coletividade. Portanto, dizia “não adianta mascarar com verniz a corrupção, é necessário extirpá-la”. E para que isto fosse possível, precisaria trabalhar a natureza do ser humano, desde a infância, ministrando-lhe aulas em torno da natureza e firmando em cada uma o reacender de uma crença, com a finalidade de irem se modificando atos, que na maioria das vezes revelam os instintos ainda ocultos, para fazerem burilar e tornar-se sentimentos.

Rivail aprendera com a prática, que com o desenvolvimento da inteligência e as ações realizadas pelo raciocínio, o espírito infantil fortalece a razão para o “bem”, sempre construindo e não se danificando. Por isso, sem empenho em persistir mais pela educação do que pela instrução. Entendia que só assim a Humanidade poderia se transformar.

Seguindo as pegadas do mestre Pestalozzi, Rivail, em 1824, estando com 20 anos de idade, edita seu primeiro livro “Cours Pratique Et Théorique D’Arithmétique D’Apres La Méthode De Pestalozzi”. Foi, portanto, sua primeira obra pedagógica, colocada na área educativa.

Já por essa época, Rivail mostrava sua preocupação com  os laços familiares, pois, segundo aprendera com Pestalozzi, “A primeira educação é a mais importante como os primeiros anos de vida de uma criança. Portanto, cabe à mulher, isto é, à mãe essa responsabilidade.” O lar bem formado é peça fundamental para que essa educação seja de melhor qualidade.

Assim pensando, era seu habito reunir os pais dos pequenos alunos, para que recebessem as orientações necessárias de como conduzir a criança para a vida, isto é, para o caminho do respeito mútuo, desejando para as outras crianças o beneficio que cada uma gostaria de ter para si.. Com isto a idéia do egoísmo começaria a ser trabalhado sem grandes sermões.

Após alguns anos Rivail deixou a Suíça e mudou-se novamente para França, seu país de origem. Aí, além de lecionar, começou a fazer traduções dos livros do francês para o alemão, assim, como outras traduções pois Rivail era poliglota. Com isto amealhava recursos para seu sustento e economias para realizar seu ideal, que seria a formação moral e intelectual  dos jovens.”


Continua... :)
Título: Re: Allan Kardec
Enviado por: Edna☼ em 15 de Setembro de 2010, 03:28
   Os eternos laços do amor, um reencontro de almas

Ah! o amor... :D


“Com sua vinda a Paris, vem ele a conhecer aquela que seria seu arrimo, o sustento para as dificuldades que por certo enfrentaria, como veio a acontecer.

Logicamente, já estava tudo programado pelos espíritos superiores e o encontro com aquela que seria a futura senhora “Allan Kardec” aconteceu num belo dia, onde a professora Amélie-Gabrielle Boudet lançava sua obra sobre Belas Artes e livros de poesia.

Profundamente romântica, assim que conheceu o professor Rivail apaixonou-se pela sua inteligência e honradez.

Rivail, por sua vez, encantou-se pela simplicidade e pelos belos olhos de profunda nitidez de espírito, trazendo a beleza interior refletida no rosto de Amélie. Rivail, considerava-a, a moça mais linda que vira, até então. Ela era nove anos mais velha que ele, mas isso nunca fora problema para eles, pois o amor que os unia não levava em consideração os falatórios, que julgavam pueris, da sociedade.

E no dia 6 de fevereiro de 1832, casaram-se, confirmando o eterno amor entre ambos.”


“Com o passar do tempo, o casal unido no mesmo ideal conseguiu fundar em Paris, onde residiam, um Instituto Técnico, baseado nos métodos pestalozzianos, por quem Rivail continuava a se orientar.

[...]

Tudo parecia correr bem, quando ambos foram vitimas de acontecimentos não previstos por eles.

Antes mesmo de tentarem entender o procedimento judicial em que foram envolvidos, foram obrigados a  encerrar as atividades do Instituto, pois este falira. A pessoa a quem Rivail confiara suas economias como empréstimo para serem devolvidas no dia em que o professor se comprometera a saldar o compromisso, abriu falência. Portanto, nada poderia ser feito.

Gabi, como era chamada  carinhosamente pelo esposo, não se deixou abater e levantando o ânimo de Rivail, passou a auxiliá-lo na preparação de cursos gratuitos, que começaram a funcionar na própria residência do casal, enquanto Rivail fazia a contabilidade de várias casas comerciais e as traduções à noite, Com isto garantiam o pão de cada dia, sem alterar a programação de orientações aos jovens. Isto ocorreu entre os anos de 1835 a 1850.”

continua... :)
Título: Re: Allan Kardec
Enviado por: Edna☼ em 15 de Setembro de 2010, 03:38
   O saber de Rivail

"Para que possamos saber a grandeza do espírito de Rivail, que no futuro todos conheceriam como Allan Kardec, é necessário que saibamos o arquivo de sabedoria que o tornaria a pessoa mais culta e eficiente em todos os setores em que se diplomou.

Vejamos:

   1º Diploma de Fundador da Sociedade de Previdência dos Direitos de Colégios e Internatos de Paris.

   2º Diploma de Sociedade para a Instrução Elementar.

   3º Diploma do Instituto de Línguas.

   4º Diploma da Sociedade de Ciências Naturais da França

   5º Diploma da Sociedade de Educação Nacional, constituída pelos Diretores de Colégios e de Internatos da França.

   6º Diploma da Sociedade Gramatical, fundada em Paris.

   7º Diploma da Sociedade de Emulação e de Agricultura do Departamento de Ain. Nessa sociedade, em 1828, Rivail foi designado para expor e apresentar na França o método de Pestalozzi.

   8º Diploma do Instituto Histórico, da Academia Francesa.

   9º Diploma da Sociedade Francesa de Estatística Universal em Paris.

   10º Diploma da Sociedade de Incentivo a Indústria Nacional.

   11º Diploma da Academia Real das Ciências de Arras.

Além disso, lecionou como pedagogo muitas matérias como: Química, Matemática, Astronomia, Física, Filosofia, Retórica, Anatomia Comparada e Francês, além de ser profundo conhecedor das línguas alemã, inglesa, francesa, holandesa. Também conhecia o latim, o grego, o gaulês, o italiano e o espanhol, ele falava fluentemente, o que o ajudou em suas viagens tão conhecidas no meio espírita pela facilidade que lhe deu na comunicação, nos países visitados."


Fonte: Os trechos entre aspas foram extraídos do Seareiro, Ano VII - nº 53 (que gentilmente me autorizou a utilizá-lo em estudo espírita).

Os títulos e subtítulos inseridos e os destaques são meus.

Abraços fraternos, ;)

Edna
Título: Re: Allan Kardec
Enviado por: Robert Hebert em 15 de Setembro de 2010, 03:57
Hippolyte Léon Denizard Rivail (Lyon, 3 de outubro de 1804 — Paris, 31 de março de 1869) foi educador, escritor e tradutor francês. Sob o pseudônimo de Allan Kardec, notabilizou-se como o codificador do Espiritismo (neologismo por ele criado), também denominado de Doutrina Espírita.

O pseudônimo "Allan Kardec", segundo biografias, foi adotado pelo Prof. Rivail a fim de diferenciar a Codificação Espírita dos seus trabalhos pedagógicos anteriores. Segundo algumas fontes, o pseudônimo foi escolhido pois um espírito revelou-lhe que haviam vivido juntos entre os druidas, na Gália, e que então o Codificador se chamava "Allan Kardec".

No 4º Congresso Mundial em Paris (2004), o médium brasileiro Divaldo Pereira Franco psicografou uma mensagem atribuída ao espírito de León Denis em francês declarando que Allan Kardec fora a reencarnação de Jan Hus, um reformador religioso do século XV. Esta informação já foi dada em diversas fontes diferentes, o que está de acordo com o Controle Universal do Ensino dos Espíritos, que Kardec definiu da seguinte forma: "uma só garantia séria existe para o ensino dos Espíritos - a concordância que haja entre as revelações que eles façam espontaneamente, servindo-se de grande número de médiuns estranhos uns aos outros e em vários lugares."

Biografia

A juventude e a atividade pedagógica

(http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/3/3d/A._Kardec_et_A._Boudet.jpg)
Allan Kardec e sua esposa Amélie Gabrielle Boudet.

Nascido numa antiga família de orientação católica com tradição na magistratura e na advocacia, desde cedo manifestou propensão para o estudo das ciências e da filosofia.

Fez os seus estudos na Escola de Pestalozzi, no Castelo de Zahringenem, em Yverdon-les-Bains, na Suíça (país protestante), tornando-se um dos seus mais distintos discípulos e ativo propagador de seu método, que tão grande influência teve na reforma do ensino na França e na Alemanha. Aos quatorze anos de idade já ensinava aos seus colegas menos adiantados, criando cursos gratuitos para os mesmos. Aos dezoito, bacharelou-se em Ciências e Letras.

Concluídos os seus estudos, o jovem Rivail retornou ao seu país natal. Profundo conhecedor da língua alemã, traduzia para este idioma diferentes obras de educação e de moral, com destaque para as obras de François Fénelon, pelas quais manifestava particular atração. Conhecia a fundo os idiomas francês, alemão, inglês e holandês, além de dominar perfeitamente os idiomas italiano e espanhol.

Era membro de diversas sociedades, entre as quais da Academia Real de Arras, que, em concurso promovido em 1831, premiou-lhe uma memória com o tema "Qual o sistema de estudos mais de harmonia com as necessidades da época?".

A 6 de fevereiro de 1832 desposou Amélie Gabrielle Boudet. Em 1824, retornou a Paris e publicou um plano para aperfeiçoamento do ensino público. Após o ano de 1834, passou a lecionar, publicando diversas obras sobre educação, e tornou-se membro da Real Academia de Ciências Naturais.

Como pedagogo, o jovem Rivail dedicou-se à luta para uma maior democratização do ensino público. Entre 1835 e 1840, manteve em sua residência, à rua de Sèvres, cursos gratuitos de Química, Física, Anatomia[10] comparada, Astronomia e outros. Nesse período, preocupado com a didática, criou um engenhoso método de ensinar a contar e um quadro mnemônico da História de França, visando facilitar ao estudante memorizar as datas dos acontecimentos de maior expressão e as descobertas de cada reinado do país.

As materias que lecionou como pedagogo são: Química, Matemática, Astronomia, Física, Fisiologia, Retórica, Anatomia Comparada e Francês.

Das mesas girantes à Codificação


(http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/5/57/Allan_Kardec_portrait001.jpg/220px-Allan_Kardec_portrait001.jpg)
Kardec em 1865.

Conforme o seu próprio depoimento, publicado em Obras Póstumas, foi em 1854 que o Prof. Rivail ouviu falar pela primeira vez do fenômeno das "mesas girantes", bastante difundido à época, através do seu amigo Fortier, um magnetizador de longa data. Sem dar muita atenção ao relato naquele momento, atribuindo-o somente ao chamado magnetismo animal de que era estudioso, só em maio de 1855 sua curiosidade se voltou efetivamente para as mesas, quando começou a frequentar reuniões em que tais fenômenos se produziam.

Durante este período, também tomou conhecimento do fenômeno da escrita mediúnica - ou psicografia, e assim passou a se comunicar com os espíritos. Um desses espíritos, conhecido como um "espírito familiar", passa a orientar os seus trabalhos. Mais tarde, este espírito iria lhe informar que já o conhecia no tempo das Gálias, com o nome de Allan Kardec. Assim, Rivail passa a adotar este pseudônimo, sob o qual publicou as obras que sintetizam as leis da Doutrina Espírita.[9]

Convencendo-se de que o movimento e as respostas complexas das mesas deviam-se à intervenção de espíritos, Kardec dedicou-se à estruturação de uma proposta de compreensão da realidade baseada na necessidade de integração entre os conhecimentos científico, filosófico e moral, com o objetivo de lançar sobre o real um olhar que não negligenciasse nem o imperativo da investigação empírica na construção do conhecimento, nem a dimensão espiritual e interior do Homem.

Tendo iniciado a publicação das obras da Codificação em 18 de abril de 1857, quando veio à luz O Livro dos Espíritos, considerado como o marco de fundação do Espiritismo, após o lançamento da Revista Espírita (1 de janeiro de 1858), fundou, nesse mesmo ano, a primeira sociedade espírita regularmente constituída, com o nome de Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas.

Os últimos anos



(http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/a/ad/Tombe_Allan_Kardec.JPG/200px-Tombe_Allan_Kardec.JPG)
Túmulo de Allan Kardec em Paris.

Kardec passou os anos finais da sua vida dedicado à divulgação do Espiritismo entre os diversos simpatizantes, e defendê-lo dos opositores. Faleceu em Paris, a 31 de março de 1869, aos 64 anos (65 anos incompletos) de idade,[12] em decorrência da ruptura de um aneurisma, quando trabalhava numa obra sobre as relações entre o Magnetismo e o Espiritismo, ao mesmo tempo em que se preparava para uma mudança de local de trabalho. Está sepultado no Cemitério do Père-Lachaise, uma célebre necrópole da capital francesa. Junto ao túmulo, erguido como os dólmens druídicos, Acima de sua tumba, seu lema: "Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sem cessar, tal é a lei", em francês.

Em seu sepultamento, o astrônomo francês e amigo pessoal de Kardec, Camille Flammarion, proferiu o seguinte discurso, ressaltando a sua admiração por aquele que ali baixava ao túmulo:


“ Voltaste a esse mundo donde viemos e colhes o fruto de teus estudos terrestres. Aos nossos pés dorme o teu envoltório, extinguiu-se o teu cérebro, fecharam-se-te os olhos para não mais se abrirem, não mais ouvida será a tua palavra… Sabemos que todos havemos de mergulhar nesse mesmo último sono, de volver a essa mesma inércia, a esse mesmo pó. Mas, não é nesse envoltório que pomos a nossa glória e a nossa esperança. Tomba o corpo, a alma permanece e retorna ao Espaço. Encontrar-nos-emos num mundo melhor e no céu imenso onde usaremos das nossas mais preciosas faculdades, onde continuaremos os estudos para cujo desenvolvimento a Terra é teatro por demais acanhado. (…) Até à vista, meu caro Allan Kardec, até à vista!”


—Camille Flammarion

Sobre Kardec, Gabriel Delanne escreveu:

“ Substituindo a fé cega numa vida futura, pela inquebrantável certeza, resultante de constatações científicas, tal é o inestimável serviço prestado por Allan Kardec à humanidade.”

—Gabriel Delanne


Título: Re: Allan Kardec
Enviado por: Robert Hebert em 15 de Setembro de 2010, 04:00
Obras

Obras didáticas


(http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/5/53/Le_Livre_des_Esprits_2.jpg/220px-Le_Livre_des_Esprits_2.jpg)

Contracapa da versão de 1860 d'O Livro dos Espíritos, a principal obra publicada por Kardec.


O professor Rivail escreveu diversos livros pedagógicos, dentre os quais destacam-se:

    * 1824 - Curso prático e teórico de Aritmética, segundo o método de Pestalozzi, para uso dos professores e mães de família, com modificações - 2 tomos
    * 1828 - Plano proposto para melhoramento da Instrução Pública
    * 1831 - Gramática Francesa Clássica
    * 1831 - Qual o sistema de estudo mais consentâneo com as necessidades da época?.
    * 1846 - Manual dos exames para os títulos de capacidade: soluções racionais de questões e problemas de Aritmética e de Geometria
    * 1848 - Catecismo gramatical da Língua Francesa
    * 1849 - Programa dos Cursos ordinários de Química, Física, Astronomia, Fisiologia
    * 1849 - Ditados normais dos exames da Municipalidade e da Sorbona
    * 1849 - Ditados especiais sobre as dificuldades ortográficas

Diplomas obtidos

Lista dos principais diplomas obtidos por Denizard Rivail durante a sua carreira de professor e diretor de colégio:

    * Diploma de fundador da Sociedade de Previdência dos Diretores de Colégios e Internatos de Paris - 1829
    * Diploama da Socidedade para a Instrução Elementar - 1847. Secretário geral: H. Carnot.
    * Diploma do Instituto de Línguas, fundado em 1837. Presidente: Conde Le Peletier-Jaunay.
    * Diploma da Sociedade de Educação Nacional, constituída pelos diretores de Colégios e de Internatos da França - 1835. Presidente: Geoffroy de Saint-Hilaire.
    * Diploma da Sociedade Gramatical, fundada em Paris em 1807, por Urbain Domergue - 1829.
    * Diploma da Sociedade de Emulação e de Agricultura do Departamento do Ain - 1828 (Rivail fora designado para expor e apresentar em França o método de Pestalozzi).
    * Diploma do Instituto Histórico, fundado em 24 de Dezembro de 1833 e organizado a 6 de Abril de 1834. Presidente: Michaud, membro da academia francesa.
    * Diploma da Sociedade Francesa de Estatística Universal, fundada em Paris, em 22 de Novembro de 1820, por César Moreau.
    * Diploma da Sociedade de Incentivo à Indústria Nacional, fundada por Jomard, membro do Instituto.
    * Medalha de ouro, 1º prêmio, conferida pela Sociedade Real de Arrás, no concurso realizado em 1831, sobre educação e ensino.

Obras espíritas

As cinco obras fundamentais que versam sobre o Espiritismo, sob o pseudônimo Allan Kardec, são:

    * O Livro dos Espíritos, Princípios da Doutrina Espírita, publicado em 18 de abril de 1857;
    * O Livro dos Médiuns ou Guia dos Médiuns e dos Evocadores, em janeiro de 1861;
    * O Evangelho segundo o Espiritismo, em abril de 1864;
    * O Céu e o Inferno ou A Justiça Divina Segundo o Espiritismo, em agosto de 1865;
    * A Gênese, os Milagres e as Predições segundo o Espiritismo, em janeiro de 1868.

Além delas, como Kardec, publicou mais cinco obras complementares:

    * Revista Espírita (periódico de estudos psicológicos), publicada mensalmente de 1 de janeiro de 1858 a 1869;
    * O que é o Espiritismo (resumo sob a forma de perguntas e respostas), em 1859;
    * Instrução prática sobre as manifestações espíritas (substituída pelo Livro dos Médiuns; publicada no Brasil pela editora O Pensamento)
    * O Espiritismo em sua expressão mais simples, em 1862;
    * Viagem Espírita de 1862 (publicada no Brasil pela editora O Clarim).

Após o seu falecimento, viria à luz:

    * Obras Póstumas, em 1890.

Outras obras menos conhecidas foram também publicadas no Brasil:

    * O principiante espírita (pela editora O Pensamento)
    * A Obsessão (pela editora O Clarim)

Citações

    * "A Doutrina Espírita transforma completamente a perspectiva do futuro. A vida futura deixa de ser uma hipótese para ser realidade. O estado das almas depois da morte não é mais um sistema, porém o resultado da observação. Ergueu-se o véu; o mundo espiritual aparece-nos na plenitude de sua realidade prática; não foram os homens que o descobriram pelo esforço de uma concepção engenhosa, são os próprios habitantes desse mundo que nos vêm descrever a sua situação."

 "Como meio de elaboração, o Espiritismo procede exatamente da mesma forma que as ciências positivas, aplicando o método experimental. Fatos novos se apresentam, que não podem ser explicados pelas leis conhecidas; ele os observa, compara, analisa e, remontando dos efeitos às causas, chega à lei que os rege; depois, deduz-lhes as consequências e busca as aplicações úteis. Não estabeleceu nenhuma teoria preconcebida; assim, não apresentou como hipóteses a existência e a intervenção dos Espíritos, nem o perispírito, nem a reencarnação, nem qualquer dos princípios da doutrina; concluiu pela existência dos Espíritos, quando essa existência ressaltou evidente da observação dos fatos, procedendo de igual maneira quanto aos outros princípios. Não foram os fatos que vieram a posteriori confirmar a teoria: a teoria é que veio subsequentemente explicar e resumir os fatos. É, pois, rigorosamente exato dizer-se que o Espiritismo é uma ciência de observação e não produto da imaginação. As ciências só fizeram progressos importantes depois que seus estudos se basearam sobre o método experimental; até então, acreditou-se que esse método também só era aplicável à matéria, ao passo que o é também às coisas metafísicas."
   
 "(…)o Espiritismo, restituindo ao Espírito o seu verdadeiro papel na criação, constatando a superioridade da inteligência sobre a matéria, apaga naturalmente todas as distinções estabelecidas entre os homens segundo as vantagens corpóreas e mundanas, sobre as quais o orgulho fundou castas e os estúpidos preconceitos de cor. O Espiritismo, alargando o círculo da família pela pluralidade das existências, estabelece entre os homens uma fraternidade mais racional do que aquela que não tem por base senão os frágeis laços da matéria, porque esses laços são perecíveis, ao passo que os do Espírito são eternos. Esses laços, uma vez bem compreendidos, influirão pela força das coisas, sobre as relações sociais, e mais tarde sobre a Legislação social, que tomará por base as leis imutáveis do amor e da caridade; então ver-se-á desaparecerem essa anomalias que chocam os homens de bom senso, como as leis da Idade Média chocam os homens de hoje…"
[editar] Notas

   1.  Diz-se codificador pois o seu trabalho foi o de reunir, compilar e sistematizar textos recebidos por diversos médiuns naquela época.




Referências

   1. PENSE - Allan Kardec
   2. Esboço biográfico e curiosidades
   3. Mensagem através da psicografia da médium Ermance Dufaux (uma das médiuns de Kardec) em 1857. Esta mensagem foi encontrada na livraria Leymarie, na França, por Canuto de Abreu. Esta informação consta no livro A missão de Allan Kardec, de Carlos Imbassahy.
   4. Holocausto Pela Verdade, palestra de Divaldo Pereira Franco (em DVD).
   5. Os Luminares Tchecos", obra da médium Wera Krijanowskaia, pelo espírito de J.W. Rochester.
   6. João Huss na História do Espiritismo, artigo de Wallace Leal V. Rodrigues, publicado no Anuário Espírita de 1973 (órgão do Instituto de Difusão Espírita (IDE), Ano X, N º 10, Araras, SP, pág. 75 –85).
   7. Allan Kardec. Revista Espírita - Abril de 1864 e em O Evangelho segundo o Espiritismo, introdução, item II.
   8. Textos - Allan Kardec
   9. a b Encyclopædia Britannica, 1997. Vol.8. p.390.
  10. Algumas fontes não confirmadas dizem que Allan Kardec teria sido médico. Pesquisas posteriores, no entanto demonstraram que ele foi professor de Anatomia. Retirado do rodapé desta página da FEB:
  11. SOARES, p. 13.
  12. Dados pessoais
  13. KARDEC, Allan. Obras Póstumas (14a. ed.). Rio de Janeiro: FEB, 1975. p. 30
  14. Carta de Delanne publicada na Revista Espírita em 1907. Disponível em Autores Espíritas Clássicos. Gabriel Delanne - sua vida, seu apostolado e sua obra . Paul Bodier e Henri Regnault. Página visitada em 03/04/2010.
  15. SOARES, p. 14.
  16. SOARES, p. 13
  17. O Céu e o Inferno, Primeira Parte, cap. 2
  18. A Gênese, Capítulo I, item 14
  19. Revista Espírita 1861, pág. 297-298



Título: Re: Allan Kardec
Enviado por: Edna☼ em 17 de Setembro de 2010, 12:12
Falando um pouco sobre a importante missão e obras de Allan Kardec.


   Das mesas girantes à primeira Sociedade Espírita

“Quando os fenômenos das chamadas “mesas girantes” ou “table volante”, na língua francesa, começaram, causaram fortes impactos na Europa, em todos os lugares, desde as mais simples camadas sociais, até os mais cultos historiadores. Tornaram-se verdadeira loucura na época.

Rivail, tomando conhecimento do fato, passou a pesquisá-lo com toda a seriedade, pois da forma com que ouvia falar sobre o assunto, achou dentro do senso critico que lhe era natural, que havia algo estranho, pois não era razoável uma mesa falar ou rodar sozinha.

E foi então que começou a se clarear o espírito de Rivail, que daí para adiante, se tornaria o emérito Allan Kardec, aquele que traria ao mundo o “Consolador Prometido” por Jesus.

Após muita dedicação e estudos aprofundados nos fenômenos que passou a ver e ouvir, chegou à conclusão de que eram realmente Espíritos daqueles que haviam deixado a Terra que tentavam comunicar-se com o plano físico, para confirmar que a chamada “morte” não existe, porque o Espírito é eterno.

Essa revelação chegava num momento grave. O século XIX mostrava-se desolador. Era a época do tudo ou nada.

O comando geral girava em torno do materialismo, a moral era a suprema liberdade, pois  a pregação era de que a morte significava o fim de tudo, portanto era necessário “viver intensamente”. Sentia-se por toda parte a corrupção e a fé estava em decadência [...]

Mas a espiritualidade superior sabia qual hora seria a mais adequada para agir, pois nesse desespero, muitos já estavam à procura da fé verdadeira.

Já agora com o nome que passa a usar nos seus apontamentos e instituições espirituais, Kardec sentia-se temeroso diante da grande Revelação que a Espiritualidade trazia para a Terra. Sabia que teria que assumir uma responsabilidade que mudaria os conceitos mais ferrenhos até então, para mostrar a solução dos muitos problemas que atingiam a Humanidade, de forma clara e não mais com tantos mistérios e horrores. E isto é o que Kardec procurava em toda sua vida, ser positivista e não idealista. Tudo precisava de muita seriedade, de aprofundamento amplo para chegar à verdade de uma “nova crença”, sem ilusões de céu ou inferno.

Já em 1855, Allan Kardec estudava intensamente as manifestações dos espíritos e, observando com muito cuidado e perseverança essas manifestações do mundo visível para o mundo invisível, reconheceu neste ultimo, uma ação das forças da Natureza e que isto sim iria trazer luz para a compreensão dos problemas humanos... tidos como insolúveis, para um grande alcance sob o ponto de vista religioso, como previra anteriormente sem fantasias.

Com isto, para dar continuidade às suas tarefas de estudo e precisando de um local para essas reuniões, fundou em Paris, no dia 1º. de Abril de 1858 a primeira Sociedade Espírita, formando com isso o estudo sério de uma doutrina, com fatos verídicos e não de superstição.”

continua... :)
Título: Re: Allan Kardec
Enviado por: Edna☼ em 17 de Setembro de 2010, 12:18
As obras básicas da Codificação:  O Pentateuco Espírita

   O Livro dos Espíritos

“Diante dos fatos consumados feitos por ele sobre questões importantes de diversos assuntos e obtendo respostas seguras, Kardec fez vir a público no dia 18 de Abril de 1857  “O Livro dos Espíritos”.

A partir daí, a Doutrina passou a ser vista sem a curiosidade inicial e começou a  ser de fato estudada, pois as questões abordadas por Kardec e as respostas vindas do mundo espiritual surtiram um efeito rápido. Grandes pensadores e escritores renomados procuravam Kardec, para ficarem mais a par desse livro que começou a ser pedido em outros países, que despertaram para o fenômeno da “vida no além”, principalmente o capitulo que cita a "Pluralidade das Existências”. Encontravam aí a explicação de todo aparecimento de anomalias da vida humana, das desigualdades intelectuais, morais e sociais, mostrando ao ser humano de onde vem, para onde vai, “o porque” de estar na Terra e a razão do sofrimento”.


   O Livro dos Médiuns

“Continuando os estudos, já agora, na área mais cientifica e experimental, Kardec publicou em 1861, outra obra que viria a ser “O Livro dos Médiuns”. Este seria o guia dos médiuns e dos evocadores.

Kardec expõe claramente a teoria e todos os gêneros de comunicações.

Ele trata do mundo invisível e o desenvolvimento mediúnico, suas dificuldades e o recolhimento das mensagens serem verdadeiras ou falsas, isto é, vindas dos mundos superiores, inferiores ou mistificadas sob a influencia do próprio médium..

Já na primeira parte desse precioso volume, no 1º. capitulo, sob o titulo de Noções Preliminares, lemos no subtítulo a pergunta:

Há Espíritos?

Kardec fala sobre a dúvida e esclarece a ignorância do ser humano sobre a verdadeira natureza deles. Diz ainda que muitas pessoas vêem nos espíritos aqueles que são contados através de contos fantásticos que só servem para atemorizar, principalmente, as crianças. Não procuram se aprofundar para saberem a existência dos mesmos, como um princípio de inteligência fora da matéria.”


   O Evangelho Segundo o Espiritismo

“Em abril de 1864, veio a obra prima da Espiritualidade Superior: O Evangelho Segundo o Espiritismo.

Este compêndio é o roteiro da vida.

Suas mensagens, além de aclararem as mentes e serem o sustento do espírito, são o bálsamo que refrigera, ampara e soergue o ânimo dos seres, através da elucidação de cada parábola ou tema estabelecido na Fé, na Esperança e Caridade, e reacende o fortalecimento dos elos entre o “Céu e a Terra”.

“As matérias, portanto, aí contidas dividem-se em cinco partes: Os atos da Vida do Cristo; os chamados milagres; as predições, as parábolas que foram tomadas para estabelecer dos dogmas da Igreja e os ensinamentos morais.” (Trecho extraído do Evangelho Segundo o Espiritismo: Introdução e Finalidade desta Obra).”


   O Céu e o Inferno

“No mês de agosto de 1865 surgiu o “Céu e o Inferno” ou a Justiça Divina Segundo o Espiritismo”.

Kardec, nesse livro, explana a passagem da vida corporal para a vida no Além, as penas sofridas sobre os erros da vida física e as revelações futuras. Descreve os anjos ou demônios, etc.

Há, portanto, farto material para profundos estudos sobre a chamada “morte”, na real condição de cada um.”


   A Gênese

"Em janeiro de 1868, Kardec publicou o livro “A Gênese”, os Milagres e as Predições.

Estudam-se nesse volume os milagres e suas predições com relação às novas leis que aparecem diante dos fenômenos espíritas, e os dois elementos que formam o universo: o elemento espiritual e o material. Daí para frente tem-se a abertura de uma outra forma de entendermos os projetos Divinos."

continua... :)
Título: Re: Allan Kardec
Enviado por: Edna☼ em 17 de Setembro de 2010, 12:25
   Da Revista Espírita

"Kardec   também lançou em 1º. de janeiro de 1858, antes destes  fabulosos estudos já citados, com exceção do Livro dos Espíritos que datou um ano antes, a publicação da Revista Espírita, que era um jornal de estudos sobre assuntos psicológicos, temas que para Kardec eram de profundo interesse por se tratarem de fatos relacionados com a alma humana, que ele sabia tão bem conduzir para tratamentos aliados com o lado físico e espiritual.

Com isto vemos a grandeza da doutrina. Renascia Kardec para continuar a obra do Cristo, em outro corpo, sendo necessário reconhecê-lo pela simplicidade e fidelidade a Jesus. Sem rituais, pompas ou liturgias.

Seu conhecimento, sua inteligência, suas experiências lhe deram a conquista gloriosa de ser o “Codificador da Doutrina Espírita.”


Fonte: Os trechos entre aspas foram extraídos do Seareiro, Ano VII - nº 53 (que expressa e gentilmente autorizou-me a utilizá-lo em estudo espírita).

Os títulos e subtítulos inseridos e os destaques são meus.

Abraços fraternos, ;)

Edna
Título: Re: Allan Kardec
Enviado por: Edna☼ em 18 de Setembro de 2010, 04:27
   Impacto e repercussão das obras Espíritas

“Com o passar do tempo “ O Livro dos Espíritos”, se espalhou como luz e consolo. Todos o tinham em mãos chegavam à conclusão que era realmente o que faltava  para a humanidade. Com isso, o clero se agitou, pois havia uma séria ameaça para a Igreja.

Isso não impediu que Kardec continuasse a obra de esclarecimento para a humanidade. Apenas passou a agir com mais cautela.

Mas, em Barcelona, o bispo que exercia rigorosa atuação sobre as livrarias, sabedor pelo próprio clero da imensa repercussão dos livros de Kardec, ordenou que as obras fossem retiradas e queimadas. E essa sentença foi fixada para o dia 9 de outubro de 1861 às 10 horas da manhã, na colina da cidade de Barcelona.

Esse ato, chamado de “Auto-de-fé” de Barcelona, repercutiu imenso efeito. Porém, como esperava a espiritualidade superior, favoreceu e muito a curiosidade dos povos, pois da Espanha, da França e de outros países vieram pessoas para conhecer de perto as obras de Allan Kardec!.

Portanto, o “Auto-de-fé” de Barcelona ficou na História como um marco de glória para o Espiritismo, pois as obras de Kardec, principalmente “O Livro dos Espíritos, alcançaram a consagração internacional.

Atualmente, todos são unânimes em afirmar que os cientistas, os biólogos, os astrônomos, os materialistas enfim, que se julgavam capazes de inventar “algo” sobre a teoria da criação que é contínua, se conseguissem deixar o orgulho e prestassem mais atenção as obras de Kardec, veriam que tudo estava ali, e isto há séculos, assuntos que continuam em evidência "hoje”.

Por isso, já afirmava Kardec em “A Gênese”:

É, pois, injusto se lhes lance anátema em nome da ortodoxia, porque dia virá em que todas essas crenças tão diversas na forma, mas que repousam realmente sobre um mesmo princípio fundamental – Deus e a imortalidade da alma, se fundirão numa grande e vasta unidade, logo que a razão triunfe dos preconceitos.”

Portanto, pela doutrina filosófica, pelo método científico, pela sua moral universal, as obras espíritas de Allan Kardec atingiram todas as partes do Mundo e, como profundo admirador do Mestre leonês destaca-se o sábio e então Prêmio Nobel da Medicina e profundo estudioso dos fenômenos metapsíquicos, professor Charles Richet, que disse em seu Tratado de Metapsíquica, “a obra de Allan Kardec, de quem se deve admirar, sem restrição, a energia intelectual, além de ser uma teoria grandiosa e homogênea, é também admirável feixe de fatos”. (Trecho do livro “Grandes Espíritas do Brasil, Zeus Wantuil).

Soube ele honrar a França e dignificar a raça humana.

As grandes enciclopédias brasileiras e luso-brasileiras, antigas ou atuais, salientam a figura notável do Codificador do Espiritismo.”

Continua... :)
Título: Re: Allan Kardec
Enviado por: Edna☼ em 18 de Setembro de 2010, 04:34
   A dedicação à causa Espírita, o esgotamento e o desencarne de Allan Kardec

“Estando já com 64 anos, Kardec estudava novos planos de organização, com mais vigor e ação à filosofia, desenvolvendo o lado mais prático e social da Doutrina. Esta tarefa e outras já em grandes atividades o esgotaram profundamente. Sentia-se cansado, pois desde 1860 realizava muitas conferências por muitos lugares, mais de vinte cidades entre a França e a Bélgica. Quase não dormia e mal tinha tempo para alimentar-se, trazendo grande preocupação a sua amada Gabi. Ela tudo fazia para aquietá-lo, mas Kardec dizia  que o tempo lhe era muito precioso e não parava, apesar dos protestos de Gabi.

O dia 31 de março de 1869 amanheceu em grande confusão na residência do casal, pois estavam preparando a mudança para outro local, onde haveria mais espaço para Kardec. Porém, este, sentindo uma forte dor, tombou fulminado por um aneurisma. :'(

Estava Kardec com 65 anos incompletos.

Gabi socorreu-o, abraçou-o e, sentindo o inevitável aconchegou-o ao seu coração, orando a Jesus recebê-lo em seu regaço.

Estava ela com 74 anos, seus cabelos estavam grisalhos e de seus olhos tão admirados por Kardec brotaram lágrimas :'( que demonstravam o profundo amor que sempre os uniu.

Num relance sentiu a enorme perda para o mundo espírita dessa criatura que trouxe tantos ensinamentos e deixou um grande tesouro para a eternidade, sobre a “Verdade das Leis de Deus”, transcritas em livros que se prolongarão por muitos e muitos milênios.

Gabi portou-se como verdadeira espírita, mostrando-se, como sempre o fora junto a Kardec, forte e com a fé demonstrada em sua vida, apesar  da profunda dor que lhe dilacerava o coração pela partida, embora temporária, de seu amado companheiro.”

Continua...
Título: Re: Allan Kardec
Enviado por: Edna☼ em 18 de Setembro de 2010, 04:50
   O sepultamento e as homenagens ao ilustre Codificador da Doutrina Espírita: Allan Kardec

“O sepultamento de Kardec, realizou-se com toda simplicidade em 2 de abril de 1869, no cemitério de Montmartre.

Uma verdadeira multidão seguiu o féretro de Kardec entre muitas lágrimas e orações.

Muitos foram os oradores que discursaram ante o túmulo de Kardec.

Entre tantos, destacou-se o senhor Muller, amigo inseparável do casal que emocionadamente falou: “Em nome de sua viúva, que lhe foi companheira fiel, durante trinta e sete anos de felicidade sem rusgas, acompanhando-o em toda luta, entre alegrias e tristezas, dá-nos mais uma vez seu exemplo de coragem, pois temos a certeza que nosso amigo Kardec estará junto ao seu coração para que sua obra não pare, pois sua esposa continuará a desenvolvê-la e nós, seus admiradores, estaremos juntos, embora sofrendo a perda desse eminente professor de almas.”

Logo após ouviu-se um longo discurso do sábio astrônomo Camille Flamarion, que destacou o papel de Allan Kardec no pensamento cientifico e filosófico chamando-o de “o bom senso encarnado”.

Foram depois os despojos mortais de Kardec transferidos para o Cemitério do Père-Lachaise, onde estão até hoje, sob um monumento em estilo dolmênico, isto é, composto por uma grande pedra chata, colocada sobre duas outras verticais, onde inscreveu-se a frase: “Naître, mourir, renaître encore et progresser sans cesse, telle est la loi”.

Nascer, morrer, renascer e ainda progredir sem cessar, esta é a Lei”.

No meio do monumento druídico, inaugurado em 31 de março de 1870, encontra-se o busto de bronze do imortal Codificador, realizada por Capellaro.

O túmulo de Allan Kardec durante todo o ano é coberto de flores e visitado por milhares de pessoas vindas do mundo inteiro. Todos oram e dizem que as vibrações e o perfume que aí pairam são inconfundíveis."

continua...
Título: Re: Allan Kardec
Enviado por: Edna☼ em 18 de Setembro de 2010, 05:17
   O legado de Allan Kardec à Humanidade

"Os livros de Allan Kardec, segundo o senhor André Moreil, transformou-o no “homem universal”, pois seus livros doutrinários foram traduzidos e publicados nas línguas tcheca, russa, inglesa, italiana, alemã, norueguesa, holandesa, polonesa, grega moderna, croata, castelhana, portuguesa, esperanto e japonesa e no alfabeto Braille.

Kardec foi e será sempre a luz que iluminará as trevas das noites densas nos corações endurecidos, pois dia virá em que todos se renderão ao “Bem Maior”, em nome de Jesus.”

                            ***


Fonte: Os trechos entre aspas foram extraídos do Seareiro, Ano VII - nº 53 (que expressa e gentilmente autorizou-me a utilizá-lo em estudo espírita).

Os títulos e subtítulos inseridos e os destaques são meus.


Que Deus te abençoe querido e amado Allan Kardec!

Que haja sempre muita paz e muita luz em nossos corações.

Abraços fraternos, ;)

Edna


Título: Re: Allan Kardec
Enviado por: hcancela em 19 de Setembro de 2010, 12:56
Olá amigos(as)


Ao mesmo tempo que definia o espiritismo como uma teoria filosófica, Allan Kardec criava-lhe
bases científicas, podendo ser considerado como o verdadeiro fundador do que hoje em dia se chama
"metapsíquica" ou "parapsicologia", embora grande parte dos especialistas de outros ramos de
investigação científica se esforçassem por minimizar as implicações teóricas decorrentes de tais fatos.
É o prof. Charles Richet que, em seu Tratado de Metapsíquica, afirma: quanto às célebres experiências
de William Crookes em 1871, foi Allan Kardec o homem que "exerceu a mais intensa influência,
abrindo rasgo profundo na ciência metapsíquica.
Sua obra não é apenas uma teoria grandiosa e homogênea, mas também um imponente repositório de fatos." (5)

Com efeito, Allan Kardec estudou e classificou
todas as categorias de fenômenos paranormais, baseando a sua teoria, tal como já o havia definido
nas diversas modalidades das faculdades mediúnicas:
O estudo das propriedades do perispírito,dos fluidos espirituais e dos atributos fisiológicos
da alma, abre novos horizontes à ciência e fornece a chave para a compreensão de
grande número de fenômenos até então incompreendidos,por desconhecimento da lei
que os rege, fenômenos negados pelo materialismo,por se ligarem à espiritualidade, e
qualificados, segundo as crenças, de milagres ou sortilégios. Tais são, entre outros, os fenômenos
da dupla visão, da visão à distância,do sonambulismo natural e artificial, dos efeitos
psíquicos da catalepsia e da letargia, da presciência, dos pressentimentos, das aparições,
das transfigurações, da transmissão de pensamento, da fascinação, das curas instantâneas,
das obsessões e possessões etc. Demonstrando que esses fenômenos se baseiam
em leis naturais, assim como os fenômenos elétricos e as condições normais em que se
podem reproduzir, o espiritismo fez derrocar o reino do maravilhoso e do sobrenatural,
e consequentemente a fonte da maiorparte das superstições, além de outras coisas
consideradas por alguns como quiméricas,impedindo também de se crer em muitas outras
cuja possibilidade e escassez ele demonstra.

(5) Charles Richet: Tratado de Metapsíquica, l i v ro 1, § 3.°,
p. 334 (Alcan, 1923).

Allan Kardec: A Gênese, cap. I 40
ALLAN KARDEC, SUA VIDA E SUA OBRA - André Dumas


Saudações fraternas
Título: Re: Allan Kardec
Enviado por: Carmen.gbi em 20 de Setembro de 2010, 18:13


Boa tarde!



DESCRIÇÃO FÍSICA E PSICOLÓGICA:


As duas missões de Allan Kardec


" Glória a ti, desbravador do Continente da alma!"
( Viana de Carvalho - Divaldo Franco - Á luz do Espiritismo)


Em 11 de junho de 1857 , a edição do Jornal Courrier de Paris estampava extenso artigo do jornalista G. Du Chalard, apresentando aos leitores o seu parecer acerca de  O Livro dos |Espíritos, lançado por Allan kardec a 18 de abril do referido ano.

Em seu comentário , Du Charlard informa não conhecer o autor do livro, mas declara: " Ficaríamos felizes em conhecê-lo . Quem escreveu a Introdução de O livro dos Espíritos deve ter a alma aberta a todos os sentimentos nobres.

Em referencia à personalidade do Codificador da Doutrina |Espírita, como possuidor de uma alma de escol e virtuosa, foi também caracterizada por dois de seus biográfos : Henri Sausse (1852-1928) e André Moreil.

O primeiro , tracejou a vida de Allan Kardec num texto de coferencia lido " por ocasião de solenidade com que os Espíritas de Lião celebraram a 31 de março de 1896 , anivers´´ario de seu decesso. Essa biografia poderá ser lida na íntegra , no livro O que é o Espiritismo, publicado pela Federação Espírita Brasileira.

André Moreil, em 1961, publicou , em Paris , por Editions Sperar, La vie et lÓeuvre dÀllan Kardec , traduzindo no Brasil em 1954 , com prefácio de Herculano Pires.

" Denizarde Rivail " declara Sausse "era um alto e belo rapaz , de maneiras distintas, humor jovial na intimidade , bom e obsequioso" e que desde o começo de sua juventude , se sentiu atraido para a Ciencia e a Filosofia".

A primeira missão desse valoros Espírito que codificou o Espiritismo  foi como Pedagoogo emérito , laureado em sua pátria , tendo escrito e lançado , a partir de 1824, então com 20 anos , várias obras sobre aritimética e gramática francesa, muitas delas adotadas pelas Universidades da França.

Contudo , além da " carreira pedagógica" , outra missão " o chamava a uma tarefa mais onerosa , a uma obra maior" e, "ele sempre se  mostrou á altura da missãogloriosa que lhe estava reservada"!.

André Moreil chama de vida do homem laico a primeira etapa da existência de allan Kardec , desde o seu nascimento em 3 de outubro de 1804 , até 1854 , quando se encontra com Sr. Fortier e , pela primeira vez, ouve falar das mesas girantes.


(do LivroAllan Kardec e o Centro Espírita de Adilton Pugliese)


Segue abaixo foto de Allan Kardec aos 25 anos
Título: Re: Allan Kardec
Enviado por: hcancela em 25 de Setembro de 2010, 11:05
Olá amigos(as)

A leitura de O Livro dos Médiuns, de A Gênese e de Obras Póstumas, revela-nos toda a elaboração,
por Allan Kardec, das bases científicas da parapsicologia moderna; ele conhecia a telepatia, que
designava por "telegrafia espiritual", a fotografia do pensamento, a clarividência, a qual denominava
"lucidez", a precognição (para a qual tentou uma explicação racional), as aparições de vivos, dos fenômenos
de bilocação (out-of-body, assim dizem os parapsicólogos anglo-americanos) e que designam
pelo termo de "bicorporeidade", e os fantasmas materializados, a que deu o nome de "agêneres".

Também não ignorava, tão pouco, a ideoplastia (modelagem da matéria, subtil ou completa, pelo
pensamento), que tem um papel importante na ectoplasmia e nas teorias metapsíquicas; deu numerosos
exemplos das descobertas "fluídicas" do pensamento,observadas no "laboratório do mundo invisível."

Num estudo publicado na Revista Espírita (julho de 1861), Allan Kardec escrevia:
Não se tendo em conta o elemento espiritual, a ciência encontra-se na impossibilidade
de explicar uma série de fenômenos, caindo no absurdo por querer considerar tudo como
matéria. É, principalmente, na medicina que o elemento espiritual tem um papel importante; quando os médicos não o têm em conta eles se afastam do caminho, onde muitas vezes poderão encontrar a luz que os guiará
mais seguramente no diagnóstico e no tratamento das doenças.
Allan Kardec: Livro dos Médiuns, cap. VII

Poderá não ter sido ele, de fato, o detentor da verdade fundamental que hoje em dia se pretende
demonstrar com a psicoterapia, a psicanálise, o método de Coué, a medicina psicossomática e a sofrologia,
sabendo que aquilo a que chamamos "subconsciente", a criptopsíquica (como dizia Charles
Richet), é a parte oculta do ser que exerce uma influência permanente no nosso equilíbrio físico e
mental e no nosso comportamento cotidiano?
Não será isso, também, uma forte intuição dos"circuitos de energia" que o Ocidente só muito recentemente
conheceu e que está na base da acupuntura chinesa? E dos diagnósticos médicos praticados
pelos investigadores soviéticos para a análise das "auras" obtidos com a ajuda dos processos foto-eletrônicos kirlian?

A influência do subconsciente exerce-se igualmente nos fenômenos paranormais e nas diversas formas
de mediunidade, como o demonstrou Gabriel Delanne  e Allan Kardec jamais o ignorou.
 Gabriel Delanne: Investigações sobre a Mediunidade

Apesar do estudo da mediunidade como parte integrante do espiritismo ainda estar
longe de se completar, estamos também longe dos tempos em que bastava crer-se no recebimento dum impulso mecânico para nos considerarmos médiuns e estarmos aptos a receber as comunicações dos espíritos. O progresso da ciência espirita, que é enriquecido em cada dia através de novas observações,demonstra-nos todavia as diversas causas e sensíveis influências, das quais não podemos duvidar e que com todos os seus benefícios nos advém do mundo espiritual.
Revista Espirita, maio de 1865, pág. 155.

ALLAN KARDEC, SUA VIDA E SUA OBRA - André Dumas

Saudações fraternas
Título: Re: Allan Kardec
Enviado por: Edna☼ em 26 de Setembro de 2010, 17:37
Boa tarde a todos! :)

A nobreza de Allan Kardec é revestida da mais completa simplicidade, dedicação, fé e boa vontade, que caracterizam aqueles que atingiram o patamar superior da evolução, pois revelam acima de tudo o mais puro e desvelado amor.

Vale relembrar seu exemplo de submissão aos desígnios Superiores, quando,  humildemente, sem qualquer restrição, aceita a grande e difícil missão recebida do Espírito de Verdade, revelando alí sua perfeita comunhão com o Bem Maior, como podemos sentir em cada uma das suas palavras contidas nesta linda prece:
 

“Senhor! Se vos dignaste lançar os olhos sobre mim, para satisfazer os vossos desígnios, seja feita a vossa vontade! A minha vida está em vossas mãos; disponde do vosso servo. Para tão alto empenho, eu reconheço a minha fraqueza. A minha boa vontade não falhará, mas podem trair-me as forças. Supri a minha insuficiência, daí-me as forças físicas e morais, que me sejam necessárias. Sustentai-me, nos momentos difíceis e com o vosso auxílio e dos vossos celestes mensageiros esforçar-me-ei por corresponder às vossas vistas.”     

(in, Obras Póstumas)


Abraços fraternos,

Edna* ;)
Título: Re: Allan Kardec
Enviado por: Edna☼ em 26 de Setembro de 2010, 17:50
Kardec um homem de bem

Como o querido Codificador compreendia a caridade cristã:


“Este princípio não é para mim simples teoria, pois que o ponho em prática. Faço o bem, quando me permitem as minhas condições; presto os serviços que posso; os pobres nunca foram enxotados de minha casa, nem tratados com dureza, antes são sempre acolhidos com benevolência. Nunca lastimei os passos, que dei em favor de alguém. Muitos pais de família foram tirados das prisões por esforço meu.

Não me é lícito fazer o relatório dos bens, que tenho feito, mas ao tempo em que tudo é esquecido, julgo que me é permitido relembrar que a consciência não me acusa de ter feito mal a quem quer que seja, que tenho feito o bem que posso  e isto repito sem ostentação. A este respeito minha consciência está tranqüila, e as ingratidões, que tenho recebido, não me tolhem a disposição de continuar na senda até hoje seguida.

A ingratidão é uma das imperfeições da humanidade e como não há quem seja isento delas, é preciso relevar aos outros, para que nos relevem a nós a fim de podermos dizer com Jesus Cristo: “O que estiver limpo de culpa, atire a primeira pedra”.

Continuarei pois a fazer o bem que me for possível, mesmo aos meus inimigos, porque o ódio não me cega; estender-lhes-ei sempre a mão para arrancá-los aos precipícios, quando para isto se me oferecer ocasião. É assim que compreendo a caridade cristã, essa religião que manda pagar o mal com o bem e, com mais forte razão, o bem com o bem. Não compreendo porém aquela que retribui o mal pelo mal.”

(in, Obras Póstumas, Pensamentos íntimos de Allan Kardec encontrado entre seus papéis)


Que haja sempre muita paz e muita luz em nossos corações!

Abraços fraternos,

Edna* ;)
Título: Re: Allan Kardec
Enviado por: Edna☼ em 09 de Outubro de 2010, 23:48
Em cada linha escrita por Kardec, conhecemos um pouco mais sobre este homem íntegro, justo e nobre.

Manteve sempre sua postura corajosa e digna em todos os momentos de sua vida, inclusive, no lamentável ato violento que se constituiu o auto-de-fé de Barcelona.

Acatando orientação da Espiritualidade Superior,  pacientemente aguardou o desfecho, o qual foi recompensado, pois ao contrário do que esperavam, tal ato foi revertido em favor da expansão e divulgação da Doutrina Espírita.
 Hoje é 09/10/2010, portanto, 149 anos da ocorrência do auto-de-fé de Barcelona, assim, vale relembrar o que Kardec disse a respeito deste ato, que se tornou um marco na história do Espiritismo:

                     

[attach=1 align=left width=200]
"Espíritas de todos os países!

Não esqueçais esta data: 9 de outubro de 1861; será marcada nos fastos do Espiritismo.
Que ela seja para vós um dia de festa, e não de luto, porque é a garantia de vosso próximo triunfo!"



                                                                        (in, Revista Espírita)



Abraços fraternos,

Edna ;)
Título: Re: Allan Kardec
Enviado por: hcancela em 13 de Outubro de 2010, 21:49
Olá amigos(as)

A MATÉRIA E O FLUIDO UNIVERSAL

A noção de "fluido" foi elaborada no século 17e no início do século 19, pela escola magnética,
com Mesmer, Puységur, Deleuze, Cachagnet e o Barão Du Potet, pelos investigadores da Reichen
Back e através das experiências de Agenor de Gasparin (1853) e de Marc Thury (1858) sobre as mesas girantes.
Na obra de Allan Kardec, o fluido individual donde provém o "perispírito", elo semimaterial entre
o espírito e o corpo, é uma particularidade do "fluido cósmico universal". Este corresponde ao que William Crookes mais tarde apelidou de "protyle".
É a matéria elementar primitiva "da qual as modificações e transformações constituem as inumeráveis
variedades dos corpos da natureza."
Como princípio elementar universal, oferece dois estados distintos: o de eterização
ou de imponderabilidade que se pode considerar como estado normal primitivo, e o desmaterialização ou de ponderabilidade, que é, de certo modo, consecutivo àquele. O ponto intermediário é o da transformação do fluido
em matéria tangível; porém, ainda neste caso, não há transição brusca, pois podemos considerar
os nossos fluidos imponderáveis como um termo médio entre dois estados.
Allan Kardec: A Gênese, cap. XIV, § 2.
Estas linhas, escritas em 1868, demonstram que a noção de "fluido", segundo Allan Kardec, se integra
num conceito nitidamente "monista", unitário, de substância universal e constitui uma demarcada antecipação
das teorias energéticas modernas.
Numa outra passagem, ele é também bastante claro:
A matéria tangível, tendo por elemento primitivo o fluido cósmico etéreo, ao desagregarse
deve poder voltar ao estado de eterização, assim como o diamante, o mais duro dos corpos, se pode volatizar num gás impalpável.
A solidificação da matéria, na realidade, não passa de um estado transitório do fluido universal, o qual pode voltar ao seu estado primitivo quando as condições de coesão cessam de existir.
Estes estudos de Allan Kardec precedem, curiosamente, os de Gustave le Bon, publicados em 1906 e 1907, sobre a "materialização do éter" e a "volta da matéria ao éter"
(11) Allan Kardec: A Gênese, cap. XIV, § 2.
(12) Allan Kardec: A Gênese, cap. XIV, § 6.


ALLAN KARDEC, SUA VIDA E SUA OBRA - André Dumas PENSE

Saudações fraternas
Título: Re: Allan Kardec
Enviado por: Carmen.gbi em 30 de Outubro de 2010, 12:02

Bom dia!

Tem um pps postado aqui no Forum Espírita , trazido por uma amiga, a Marlene Soares,  sobre a criação do primeiro Centro Espírita do mundo que acredito deva estar aqui nesse quadro também ,  porque foi por iniciativa de Allan Kardec e por isso trago o link .

http://www.forumespirita.net/fe/power-point/primeiro-ce-30825/msg160942/#msg160942
Título: Re: Allan Kardec
Enviado por: Edna☼ em 02 de Novembro de 2010, 19:35
•   A árdua missão de Allan Kardec

Para conhecermos um pouco mais sobre tão importante missão, relembramos a resposta dada pelo Espírito de Verdade ao querido Codificador da Doutrina Espírita:


    “... a missão dos reformadores é cheia de tropeços e perigos. A tua é rude, previno-te, porque tens de revolver e formar o mundo inteiro. Não suponhas que basta publicar um livro, dois, dez, e ficar tranqüilo em casa; não, será preciso expor a tua pessoa.

   Levantarás contra ti ódios terríveis; inimigos encarniçados conjurarão a tua perda; serás alvo da maledicência, da calúnia, da traição, até dos que te parecem dedicados; as tuas melhores instruções serão desprezadas e adulteradas; mais de uma vez vergarás ao peso da  fadiga; em uma palavra, haverá uma luta quase constante e o sacrifício do teu repouso, da tua tranqüilidade, da tua saúde, e até da tua vida, porque, sem isto, viverias mais tempo. Pois bem! Nem um passo para trás tu deves dar quando, em vez de um caminho juncado de flores, encontrares, sob os teus pés, urzes, agudas pedras e venenosas serpentes. Para tais missões não basta a inteligência; é preciso principalmente, para agradar a Deus, humildade, modéstia e desinteresse, porque Ele abate os orgulhosos, os presunçosos e ambiciosos.

   Para a luta contra os homens é preciso coragem, perseverança e inabalável firmeza; igualmente é preciso prudência e jeito de levar as coisas de modo a não comprometer os acontecimentos por medida ou palavras intempestivas; é preciso finalmente dedicação, abnegação e disposição para o sacrifício, pois vários já recuaram.

   Já vês que a tua missão é subordinada a condições, que só de ti dependem.

                                            Espírito de Verdade
                                                                                                       (In, Obras Póstumas)
Título: Re: Allan Kardec
Enviado por: Edna☼ em 02 de Novembro de 2010, 19:45
•   Do testemunho de Kardec

Não foi fácil, mas o querido Codificador cumpriu com todas as condições, posto que, possuía todas as qualidades para alcançar o êxito de tão importante missão, da qual não recuou.

Passados alguns anos desta comunicação do Espírito de Verdade,  vejamos o que Kardec relata sobre o que ocorreu desde então:


[attachimg=1 align=left width=200]  "Observação. – Escrevo esta nota em 1º de janeiro de 1867, dez anos e meio depois de me haver sido feita esta comunicação e dou testemunho de que ela se realizou em todos os pontos, porque passei por todas as vicissitudes que me foram anunciadas.

    Fui alvo do ódio de inimigos intransigentes, da calúnia, da inveja e do ciúme, infames libelos foram publicados contra mim; as minhas melhores instruções foram adulteradas, fui traído por aqueles em quem mais confiava e pago com ingratidão por aqueles a quem servi.

   A Sociedade de Paris foi um foco constante de intrigas urdidas por aqueles próprios que se diziam estar a meu favor e que, abraçando-me pela frente, me apunhalavam pelas costas. Disseram que os meus sectários eram pagos com o dinheiro que eu arranjava com o Espiritismo. Não tive mais repouso e muitas vezes verguei ao peso do trabalho; comprometi a saúde e arrisquei a vida.

   Entretanto, graças à proteção e assistência dos bons Espíritos, que sempre me deram provas sensíveis da sua solicitude, sou feliz porque posso dizer que nunca num momento sequer senti falta de ânimo ou de coragem e prossegui sempre em minha obra com o mesmo ardor, sem preocupar-me com as setas que me jogavam. Eu devia esperar tudo isso e tudo isto se verificou, conforme me comunicou o Espírito de Verdade.

    A par de tais vicissitudes, porém, que satisfação por ver a obra progredir prodigiosamente! Que doces compensações tive para as minhas tribulações! Quantas bênçãos, quantos testemunhos de real simpatia recebi dos aflitos, que a Doutrina consolou! Este resultado me havia sido comunicado pelo Espírito de Verdade que, sem dúvida, de propósito, não me tinha mostrado senão as asperezas do caminho. Seria ingratidão minha queixar-me!

   Se eu dissesse que o bem compensa o mal, não diria a verdade; porque o bem – falo das satisfações morais – sobrepujou o mal, sem comparação possível. Quando me vinha uma decepção, uma contrariedade, eu me elevava, em pensamentos, acima da humanidade, colocava-me, por antecipação, na região dos Espíritos, e desse ponto culminante, onde descobria muitas razões, as misérias da vida passavam por mim sem me atingir. Habituei-me tanto a isso, que os maus nunca mais me perturbaram.”

                                               (In, Obras Póstumas)



Que haja sempre muita paz e muita luz em nossos corações!

Edna ;)
Título: Re: Allan Kardec
Enviado por: hcancela em 10 de Novembro de 2010, 21:34
Olá amigos(as)

A matéria e o fluído Universal

Os estudos atrás referidos, procedem curiosamente os de Gustave le Bon, publicados em 1906 e 1907, sobre a "materialização do éter" e a "volta da matéria ao éter".
Precedem ainda, e em maior número, as experiências de Fréderic e Irene Juliot-Curie, sobre a materialização dum "Photo-Gama", corpúsculo de luz, em duas cargas eléctricas de tipos opostos, ou seja num "pare" constituinte elementar da matéria.
Allan Kardec parece ainda ter tido a presciência, trinta anos antes da descoberta por Becquerel, da radioactividade:
Quem sabe mesmo se, no estado de tangibilidade,a matéria não é susceptível de adquiriruma espécie de eterização que lhe daria propriedades particulares?

Em O Livro dos Espíritos, publicado em 1857, já encontramos ensinamentos monistas, atribuídos nãosó a Allan Kardec, como também aos seus instrutores espirituais; segundo estes ensinamentos, a matéria é formada por "um só elemento primitivo":
Os corpos que considerais simples não são verdadeiros elementos, mas sim transformações de matéria primitiva.
As diferentes propriedades de matéria são modificações que as moléculas elementares sofrem, por defeito da sua união, em certas circunstâncias.

Gustave Le Bon: A Evolução da Matéria (1906);A Evolução das Forças (1907).
Allan Kardec: A Gênese, 1868, cap. XIV

ALLAN KARDEC, SUA VIDA E SUA OBRA - André Dumas

Saudações fraternas


Título: Re: Allan Kardec
Enviado por: adrisim em 17 de Novembro de 2010, 12:34
Nasceu em Lyon, na França, às 19 horas do dia 3 de Outubro de 1804, à rua sala 76 filho de Jean Baptiste Antonie Rivail magistrado integro, juiz e Jeane Louise Duhamel.

Sua certidão de nascimento não foi passada em cartório, mas impressa nas oficinas do editor Didier e exposta ao público em sua livraria.

Foi batizado pelo padre Barthe a 15 de junho de 1805 na Igreja de Saint Denis de la Croix-Rousse.

Recebeu desde do berço uma tradição de virtudes, honra e probidade (de caráter integro). Seus antepassados tinham se distinguido na advocacia e na magistratura pelo talento, saber e honestidade, e até mesmo no trato dos problemas educaionais.

O pai de Hippolyte o iniciou com todo o cuidado nas primeiras letras e o incentivou à leitura dos clássicos, já em tenra idade.

Bem cedo o menino se revelou altamente inteligente e agudo observador, denotando franca inclinação para as ciências e para os assuntos filosóficos, compenetrado de seus deveres e responsabilidades, como se fora um adulto.

Denizard Rivail sempre se mostrou muito interessado em ciências e línguas.

Rivail realizou seus primeiros estudos em Lyon, sua cidade natal, sendo educado dentro de severos princípios de honradez e retidão moral. É de presumir que a influência paterna e materna tenha sido das mais benéficas na sua infância, constituindo-se em fonte de nobres sentimentos.

Em 1814, com a idade de 10 anos, seus pais o enviam a Yverdon (ou Yverdun) cidade da Suíça do Cantão de Vaud situada na extremidade S. º do lago Neuchátel e na foz do Thiele, a fim de completar e enriquecer sua bagagem escolar no célebre Instituto de Educacção instalado em 1805, pelo professor-filantrópico João Henrique Pestalozzi. Freqüentado todos os anos por grande número de estrangeiros e considerado como Escola Modelo da Europa.

O Instituto de Yverdon, pela sua fama recebia alunos de todo o continente europeu. Pestalozzi colocava em prática os princípios que revolucionaram a pedagogia prover a criança de bons exemplos, considerar que com uma ajuda mínima a criança pode desenvolver o espírito de observação e exercitar a memória, ao invés de obriga-la a estudar despertar nela motivação ao estudo. Abolindo a palmatória.

O dia-a-dia do Instituto, os alunos gozavam de grande liberdade, as portas do castelo permaneciam abertas o dia todo e sem porteiros. Não havia castigo nem recompensas. Pestalozzi não queria a emulação (não admitia rivalidades pois todos eram iguais), nem o medo. Só admitia a disciplina do dever ou melhor, a da perfeição, a do amor.

A jornada escolar tinha inicio às 6:00 horas da manhã até às 20:00 horas.

As matérias estudadas no Instituto eram num total de 24.

Em Yverdon a responsabilidade cabia ao aluno e o estudo era motivo de prazer. Neste clima de aceitação e respeito, o jovem Denizard assimilou virtudes que enfaticamente contribuíram na formação do seu caráter.

O menino Denizard Rivail, ao qual os destinos reservariam sublime missão logo se revelou um dos discípulos mais fervoroso do insigne pedagogista suíço.

Dotado de notável inteligência é atraído pelo ensino, pelo seu caráter e pelas suas aptidões especiais, já aos 14 anos ensinava o que sabia àqueles dos seus condiscípulos que haviam aprendido menos do que ele. Foi nesta escola que lhe desabrocharam as idéias que mais tarde o coloriam na classe dos homens mais progressistas e dos livres-pensadores.

Nascido sob a religião católica, mas educado num país protestante, os atos de intolerância que por isso teve de suportar no tocante a essa circunstãncia.

Rivail que tinha um alto Espírito de observação e mais inclinado para a solução dos importantes problemas do ensino e para o estudo das ciências e da filosofia, cativou a simpatia e a admiração do velho professor Pestalozzi, deste se tornando, pouco depois eficiente colaborador.

Os exemplos de amor ao próximo fornecidos por Pestalozzi (para quem o amor é eterno fundamento da educação), norteariam para sempre a vida do futuro Codificador do Espiritismo.


Denizard foi o auxiliar de Pestalozzi nos trabalhos acadêmicos que exercia e tendo algumas vezes que substitui-lo na direção da escola, enquanto o mesmo fazia viagens de divulgação de sua metodologia de ensino ou para criar instituições nos moldes de Yverdon.


Denizard era visto como um jovem amável e espirituoso, mas muito disciplinado. Não há registros de que ele tenha sido mal-quisto em qualquer período estudantil.


Denizard, diplomou-se em 1818 em Letras e Ciências. Com excelente preparo intelectual e notável formação moral. Dominava por força da circunstância os idiomas Inglês, Alemão e Holandês falando-os fluentemente, além de sua língua natal o Francês, o que sem dúvida viria facilitar o trabalho de difusão do espiritismo em suas futuras viagens.

Paz
Título: Re: Allan Kardec
Enviado por: Edna☼ em 29 de Novembro de 2010, 00:23
Kardec era assim...

[attachimg=1 align=left width=200]    “Quem, entre nós , sem ser taxado de presunçoso, poderia possuir o espírito de método e organização com a qual se iluminam os trabalhos do mestre? Só aquela robusta inteligência poderia empregar tanto material, de natureza tão diversa, triturá-lo, transformá-lo para esparzi-lo como saudável orvalho pelas almas sequiosas  de conhecer e de amar.”

     Incisivo, conciso, profundo, sabia agradar e fazer-se compreender através de uma linguagem simples e elevada, tão afastada do estilo familiar como das obscuridades da metafísica.

     Multiplicando-se incansavelmente, conseguiu ele sozinho bastar a tudo; como porém aumentasse, dia a dia, o trabalho pelo alargamento das relações e pelo incessante desenvolvimento do Espiritismo, preciso lhe foi valer-se de auxiliares inteligentes.

         ALLAN KARDEC havia inscrito em sua bandeira o lema: trabalho, solidariedade, tolerância.

 
   Sejamos como ele, infatigáveis e, como o desejava, tolerantes e solidários; sigamos-lhe o exemplo, lançando de contínuo à arena os princípios ainda pendentes de discussão.

   [...] homem íntegro e honrado, o sábio de escol, fecundo, cujo nome passará à posteridade cercado da auréola própria de benfeitores da humanidade.”

                                               (in Revue Spirit. Maio 1869)


Abraços fraternos,

Edna ;)
Título: Re: Allan Kardec
Enviado por: Dothy em 30 de Novembro de 2010, 23:48
Kardec, o Pedagogo

Com apenas vinte anos de idade (1824), o jovem e talentoso professor Rivail dava, a público, pela tipografia de Pillet Ainé, de Paris, o seu primeiro livro: “Curso Prático de Aritmética, segundo o Método de Pestalozzi, com modificações”. Eram dois tomos em formato grande, recomendados aos educadores e às mães de família. Essa valiosa obra, que teve várias reedições, abre-se com um “Discurso Preliminar” em que Rivail recorda um dos seus primeiros e mais queridos mestres e escreve: «Devo aqui prestar homenagem a uma pessoa que protegeu minha infância, o sr. Boniface, discípulo de Pestalozzi, professor tão distinto pela sua erudição como pelo seu talento para ensinar. Ninguém mais do que ele possui a arte de fazer-se amado pelos seus alunos. Foi um dos meus primeiros mestres e sempre me hei de lembrar com que prazer meus colegas e eu freqüentávamos as suas aulas. Cheio de amor pela infância, ao mesmo tempo que verdadeiro filantropo, fundou uma escola à Rua de Tournon, no bairro de Sain-Germain, que bem mereceu os elogios que lhe dispensam as pessoas mais distintas e merecedoras. Ë autor de vários trabalhos, entre os quais um “Curso de Desenho Linear”, muito estimado».

Daí se poderia deduzir que Rivail freqüentou a escola da Rua de Tournon. O sr. Boniface deve ter sido parisiense. Ora, ao que parece, Rivail não foi a Paris antes de 1820. De qualquer maneira, foi graças a este mestre que Rivail escreveu sua primeira obra. “O sr. Boniface - diz ele - houve por bem ajudar-me com seus conselhos”, melhor ainda, sugeriu-lhe a idéia desse “Curso”, no qual explica o método do professor pestaloziano e os princípios que lhe formam a base, revelando a seguir o seu alto espírito altruístico, ao declarar: “Desejando tornar-me útil aos jovens e concorrer com todas as minhas forças para aplainar-lhes a trilha árdua dos estudos, aproveitarei, com empenho, os conselhos que de boa vontade me chegarem de pessoas que me são superiores pelo saber e pela experiência, considerando que a aprovação dos homens de bem sempre me será gratíssima recompensa”.

Quem assim se expressava era um jovem de vinte anos, mal saído dos bancos escolares, mas já vivamente interessado em libertar da ignorância, com todas as suas perniciosas conseqüências, a juventude de sua pátria. Com esse primeiro livro, Rivail iniciou na França a sua missão de educador e pedagogo emérito, ali se afirmando como a maior autoridade no método Pestalozzi.

Durante trinta anos, sobrepondo-se às incompreensões e aos reveses, empenhou-se de corpo e alma em instruir e educar um sem número de crianças e jovens parisienses, segundo modernas práticas pedagógicas por ele mesmo criadas, muitas das quais só mais tarde, no século XX, seriam retomadas e largamente difundidas por ilustres reformadores do ensino.

Quando o Prof. Rivail deixou a Suíça, rumo a Paris, ocupou-se em traduzir para o alemão obras de grandes autores clássicos da França, dando preferência aos escritos de Fénelon, alguns dos quais, como “Telêmaco” receberam inteligentes notas e foram publicados posteriormente para uso nos educandários. Já nessa época Rivail era lingüista notável e poliglota, tanto que conhecia a fundo e falava correntemente o alemão, o inglês, o italiano e o castelhano, podendo exprimir-se facilmente em holandês e possuindo sólidos conhecimentos de latim, grego e gaulês.

Fundou e dirigiu em Paris uma Escola do Primeiro Grau (1825), que não sabemos por quanto tempo subsistiu. Sabemos que ele criava, logo em seguida, um Instituto Técnico e que rapidamente ganhou fama. Situava-se à Rua de Sêvres nº 35 e era semelhante ao Instituto de Yverdun. Posteriormente auxiliado pela Professora Amélie Gabrielle Boudet, com quem se consorciou em 1832, desenvolveu ali notável trabalho de aprimoramento da inteligência de centenas de alunos, aos quais carinhosamente chamava “meus amigos”, dando-lhes repetidas vezes este conselho: “Instruindo-vos, trabalhais para a vossa própria felicidade”.

O associado do Prof. Rivail - ao que parece um seu tio - tinha paixão pelo jogo; ele arruinou o sobrinho perdendo grandes quantias em Spa e Aixla-Chapelle. Rivail liquidou o Instituto, restando da partilha 45.000 francos para cada um dos sócios. Essa soma foi colocada pelo casal Rivail nas mãos de amigos íntimos que fizeram maus negócios e cuja falência deixou sem nada os credores. Necessitando de capital para dar prosseguimento à sua obra educativa, o Prof. Rivail empregou-se como “contrôleur” no Théatre des Délassements — Comiques. então funcionando no Boulevard du Temple, episódio que os adversários do Espiritismo não se esquecem de lembrar, fazendo-o com ironia e sarcasmo. Afirma o jornalista parisiense René du Merzer, do qual promana a informação, revelada logo após o sepultamento de Kardec, que pouco depois o Professor Denizard Rivail abandonava o referido Teatro para trabalhar como guarda-livros na livraria religiosa de Pélagaud e nos escritórios de “L’Univers, influente folha católica (se assim se pode considerá-la) fundada em 1836.

Ocupado durante todo o dia, dedicava as noites à elaboração de novos e importantes livros de ensino e pedagogia, à tradução de obras do inglês e do alemão e à preparação de todos os cursos que ele, juntamente com o Prof. Lévi Alvarés, dava a alunos de ambos os sexos no Faubourg de Saint-Germain. “A educação, - frisava na época o grande discípulo de Pestalozzi - é a obra de minha vida, e todos os meus instantes eu os dedico a esta matéria”

Fundando à Rua de Sêvres n.º 35, um Liceu Polimático, ai organizou, de 1835 a 1850, cursos gratuitos de Química, Física, Astronomia e Fisiologia, “empresa digna de encômios em todos os tempos, mas, sobretudo, numa época que só um número muito reduzido de inteligências ousava enveredar por esse caminho”.

Lecionou também Matemática e Retórica, sendo vastos os seus conhecimentos filológicos e de gramática da língua francesa, como o demonstram algumas obras de sua autoria. Preconizou o desenho geométrico, a leitura ponderada, os exercícios práticos de redação, e considerou útil o estudo e o exercício da música vocal.

Aplicando todos os seus esforços no desenvolvimento das virtualidades intelectuais e morais da juventude, não lhe pode ser contradita a formação de humanista cristão. Dirigiu críticas ao método pelo qual se aprendia História, em que dava importância demasiada a datas e a fatos políticos, salientando que o verdadeiro objetivo da História deve ser “o estudo dos usos e costumes, do progresso artístico e científico das várias épocas”. A fim de obter maior aproveitamento dos alunos, chegou a inventar um quadro mnemônico que facilitasse o estudo da História da França. Chef d’ Institution da Academia de Paris, o Prof. Denizard Rivail tornou-se membro de dezenas de Sociedades e Institutos culturais de sua Pátria, quase todos da capital.

Ë bastante longa a lista de obras didáticas que escreveu, só ou com Levy-Alvarés. O ano de publicação é, às vezes, incerto, mas julgamos útil lembrar alguns títulos, para dar Idéia de sua atividade pedagógica:

“Gramática normal dos exames”, ou soluções racionais de todas as perguntas sobre gramática francesa, pro­postas nos exames da Sorbonne e em todas as Academias da França para obtenção de certificados e diplomas de habilitação e para admissão ao funcionalismo público, resumindo a opinião da Academia Francesa e de vá­rios gramáticos sobre os princípios e dificuldades da língua francesa. Obra escrita em colaboração com Lévy-Al­varés.

“Curso de cálculo de cabeça”, pelo método Pestalozzi (para uso das mães de família e dos professores, no ensino de crianças pequenas).

“Tratado de Aritmética”- (3.000 exercícios e problemas graduados). Único que contém o método adotado pelo comércio e pelos bancos para o cálculo de juros.

“Questionário gramatical, literário e filosófico”, em colaboração com Le­vy-Alvarés.

“Manual dos exames para certificados de habilitação”.

“Catecismo gramatical da língua francesa”.

“Soluções racionais das perguntas e dos problemas de aritmética e de geometria usual”, propostos nos exames do “Hôtel de Ville” e da Sorbone.

“Solução dos exercícios e problemas do tratado completo de aritmética».

Suas últimas obras pedagógicas publicadas foram:

“Ditados normais dos exames do “Hôtel de Ville” e da Sorbonne”.

“Ditados especiais sobre as dificuldades ortográficas”.

As suas obras são adotadas pela Universidade de França, o que vem coroar, de certa maneira, um quarto de século de atividades ao serviço da instrução pública.

Aliás Rivail não renuncia aos seus “Planos e Projetos”. Depois do “Pro­grama de estudos conformes ao plano de instrução”, editado em 1838, publica às suas custas, um “Projeto de reforma”, em que trata dos exames e dos educandários para jovens, acompanha­do de uma proposta concernente à adoção das obras clássicas pela Universidade, a respeito do novo projeto de lei do ensino, O Projeto é de 1847 e a indicação “impresso na casa do autor, Rua Mauconseil, 18, leva-nos a crer que Rivail se tivesse mudado da Rua de Sévres. Também é interessante notar que, entre os seus títulos citados na obra «Membro da Real Academia de Ciências Naturais de França, etc. já não figura o de “discípulo de Pes­talozzi”. Isto não significa, entretanto, que o autor tivesse esquecido completamente as lições do mestre sobre a “natureza da criança”, o “papel da mãe e do Professor-Jardineiro”.

ver continuação na revista)

Revista Internacional de Espiritismo - Julho - 1969
 

Nossa... Que inteligência!!
Título: Re: Allan Kardec
Enviado por: Gisella em 03 de Dezembro de 2010, 14:00
Amigos, que a Luz de Jesus nos ilumine a todos....

Como é prazeroso ler tantas linhas sobre o Grande Codificador!!!!

Com a certeza de que nada nos acontece por acaso, tive que rever o Projeto 1868, para embasar o nosso I Encontro dos Membros do Forum Espírita on line....

Infelizmente, poucos o conhecem, ao qual indico a leitura completa, pois aki colocarei só a primeira parte...

Abraços aos corações fraternos

Gisella  ;)

                                                          Projeto - 1868

Um dos maiores obstáculos que podem entravar a propagação da Doutrina, seria a falta de humildade; o único meio de evitá-la, senão para o presente, pelo menos para o futuro, é de formulá-la em todas as suas partes, e até nos mais minuciosos detalhes, com tanto de precisão e de clareza, que toda interpretação divergente seja impossível.

Se a doutrina do Cristo deu lugar a tantas controvérsias, se é ainda hoje tão mal compreendida e tão diversamente praticada, isso prende-se a que o Cristo se limitou a um ensinamento oral, e que os seus próprios apóstolos, não deram senão princípios gerais que cada um interpreta segundo as suas ideias ou seus interesses. Se tivesse formulado a organização da Igreja cristã com a precisão de uma lei ou de um regulamento, é incontestável que isso teria prevenido a maior parte dos cismas e das querelas religiosas, assim como a exploração, que foi feita, da religião em proveito das ambições pessoais. Disso resultou que, se o Cristianismo foi para alguns homens esclarecidos uma causa de reforma moral séria, não o foi e não o é ainda para muitos senão o objeto de uma crença cega e fanática, resultado que, num grande número, engendrou a dúvida e a incredulidade absoluta.

Só o Espiritismo, bem entendido e bem compreendido, pode remediar esse estado de coisas, e se tornar, assim como disseram os Espíritos, a grande alavanca da transformação da Humanidade. A experiência deve nos esclarecer sobre a marcha a seguir; mostrando-nos os inconvenientes do passado, diz-nos claramente que o único meio de evitá-los para o futuro, é assentar o Espiritismo sobre as bases sólidas de uma doutrina positiva, nada deixando ao arbítrio das interpretações. As dissidências que poderiam se levantar se fundirão, por si mesmas, na unidade principal que será estabelecida sobre as bases mais racionais, se essas bases são claramente definidas e não deixadas no vago. Ressalta, ainda, dessas considerações que esta marcha, dirigida com prudência, é o mais poderoso meio de lutar contra os antagonistas da Doutrina Espírita. Todos os sofismas virão se quebrar contra os princípios aos quais a sã razão não poderia nada encontrar para censurar.

Dois elementos devem concorrer para o progresso do Espiritismo; estes são: o estabelecimento teórico da Doutrina e os meios de popularizá-la. O desenvolvimento que ela toma, cada dia, multiplica as nossas relações que não podem senão aumentar pelo impulso que dará a nova edição de O Livro dos Espíritos, e a publicidade que será feita a esse respeito.

Para poder utilizar essas relações de maneira mais proveitosa, se, depois de ter constituído a teoria, devo concorrer para a sua instalação, seria necessário que, não somente a publicação de minhas obras, mas dispusesse de meios de ação mais diretos; ora, creio que seria útil que aquele que fundou a teoria pudesse dar-lhe, ao mesmo tempo, o impulso, porque teria mais unidade. Sob esse aspecto, a sociedade deve necessariamente exercer uma grande influência, assim como disseram os próprios Espíritos, mas sua ação não será realmente eficaz senão quando ela servir de centro e de ponto de reunião de onde partirá um ensinamento preponderante sobre a opinião pública. Para isso lhe é necessária uma organização mais forte e elementos que ela não possui. No século em que estamos e tendo em vista o estado dos nossos costumes, os recursos financeiros são o grande motor de todas coisas, quando eles são empregadas com discernimento. Na hipótese em que esses recursos não viriam por um caminho qualquer, eis o plano que me proporia seguir, e cuja execução seria proporcional à importância dos meios e subordinada aos conselhos dos Espíritos.
Título: Re: Allan Kardec
Enviado por: Edna☼ em 04 de Dezembro de 2010, 10:48
O trabalho amoroso e silencioso de Allan Kardec visando a unificação das crenças


     "Nascido na religião católica, mas educado no protestantismo, serviram-lhe os atos de intolerância porque passou, de incentivo, em boa hora, ao pensamento de uma reforma religiosa, na qual trabalhou em silêncio, por dilatados anos, procurando alcançar o meio de unificar as crenças, sem que pudesse descobrir, entretanto, o elemento indispensável para a solução do grande problema.

    Foi o Espiritismo que, mais tarde, lhe facultou esse meio, imprimindo-lhe aos trabalhos particular orientação."

                                                             (In Revue Spirit)


Abraços fraternos,

Edna* ;)
Título: Re: Allan Kardec
Enviado por: hcancela em 04 de Dezembro de 2010, 11:53
Olá amigos(as)

Continuemos na matéria e no fluído Universal.


A unidade de substância é muito claramente enunciada.Allan Kardec, com a sua ponderação habitual,acentua:
O oxigênio, o hidrogênio, o azoto, o carbono e todos os corpos que nós consideramos simples não são mais que meras modificações duma substância primitiva. Na impossibilidade em que ainda nos encontramos de remontar, a não ser pelo pensamento, a esta matéria primitiva, esses corpos são para nós verdadeiros elementos, e podemos, sem maiores
consequências, considerá-los como tais, até nova ordem.

A possibilidade das transmutações (que se obtêm nos laboratórios actuais de física atômica) é igualmente
designada como conseqüência normal da unidade da matéria:

A mesma matéria elementar é susceptível de experimentar todas as modificações e de adquirir todas as propriedades?
— Sim, e é isso que se deve entender quando dizemos que tudo está em tudo.
Quanto a sabermos se isto é exato, "a opinião dos que não admitem na matéria mais do que dois elementos essenciais: a força e o movimento, entendendo que todas as demais propriedades não passam de efeitos secundários, que variam em conformidade à intensidade da força e à direcção do movimento", os instrutores invisíveis respondem afirinativamente, mas insistem na estrutura interna dos elementos:
Esta opinião é exata. Falta somente acrescentar que, também, segundo a disposição das moléculas, como se vê, por exemplo, num corpo opaco que se pode tornar transparente e vice-versa.
Quanto à forma das moléculas ele é:
Constante para as moléculas elementares primitivas, mas variável para as moléculas secundárias, que são aglomerações das primeiras.
Isso a que chamais moléculas está ainda longe da molécula elementar. (15)
Esta última consideração dá-nos a conhecer claramente os constituintes inter-atômicos de hoje em dia, tais como os electrões, os protões, os neutrões, demonstrando seguidamente e sem ambiguidade a afinidade entre a matéria e a eletricidade:
O fluido universal, ou primitivo, ou elementar... é suscetível de inúmeras combinações: o que chamais de fluido elétrico, fluido magnético, são modificações do fluido universal, que não ê, propriamente dito, senão matéria
mais perfeita, mais sutil e que se pode considerar independente. (16)
(15) Allan Kardec: O Livro dos Espíritos, 1857, livro I,
cap. II, § 24 a 30.
(16) Allan Kardec: O Livro dos Espíritos, livro I, cap. II, § 27.
ALLAN KARDEC, SUA VIDA E SUA OBRA - André Dumas PENSE

Saudações fraternas
Título: Re: Allan Kardec
Enviado por: Dothy em 28 de Dezembro de 2010, 14:57
Infalibilidade

Os críticos do Espiritismo procuraram gratificar a Allan Kardec com os títulos de sumo sacerdote, soberano pontífice, papa, tendo ele chamado a atenção de que jamais os aceitou nem os Espíritas lhe os conferiram (RE 4/1866:115).

Infelizmente, uma parcela do movimento espírita no Brasil deseja-lhe conferir um outro título que somente foi conferido ao Papa em 1870, o de infalível, o que, naturalmente, como a Chico Xavier, causar-lhe-ia horror.

A infalibilidade seria o “caixão e vela” do Espiritismo. Kardec nem se julgou infalível, nem conferiu aos Espíritos esta qualidade.

E a maior demonstração disto é o fato de ter retificado, ante novos ensinos, assertivas dos Espíritos transcritas na edição de 1857, ao publicar a 2a edição de O Livro dos Espíritos, em 1860.

Além do mais, poder-se-ia dizer que ele adotaria todas as sugestões lançadas provisoriamente nos papeis encontrados após a sua morte e publicadas no livro Obras Póstumas, no capítulo – “Constituição do Espiritismo” n.º VIII? Elas não parecem em contradita com o que escreveu na Revista Espírita 7/1864:197)?

A compreensão de Kardec em relação ao Espiritismo era sua própria posição: ele estaria sempre disposto a corrigir-se quando encontrado em erro, ou a explicar e reexplicar seu pensamento.
Título: Re: Allan Kardec
Enviado por: Edna☼ em 27 de Janeiro de 2011, 14:38
Olá a todos! :)

Quanto ao tempo de duração dos trabalhos da Codificação Espírita, o querido e incansável Allan Kardec pensava em sua intimidade:

[attach=1 align=left width=300]    “Calculava que me seriam precisos dez anos para terminar os meus trabalhos; mas a ninguém comuniquei este pensamento.

    Fui porém surpreendido por uma comunicação, que me transmitiu um dos meus correspondentes de Limoges, na qual um Espírito, falando dos meus trabalhos, me dizia que eu não terminaria antes de dez anos
.”

     Em continuação a este assunto, temos a seguinte observação de Allan Kardec escrita em dezembro de 1866:

      “_ Publiquei quatro volumes sobre o assunto essencial, sem falar nas publicações acessórias. Os Espíritos me inspiraram a publicar A Gênese em 1867, ... em cujo período deverei trabalhar nos livros complementares da Doutrina, ... e com os quais levarei de três a quatro anos, o que nos leva a 1870, isto é, quase 10 anos.


     Em notas, o revisor  J. Herculano Pires, evidencia que: "Kardec calculou bem o tempo de que necessitava, pois apressou o trabalho e o concluiu em princípios de 1869, quando desencarnou."

                                                                             (in, Obras Póstumas)


                                                                         *********


Que estudemos sempre as obras da Codificação Espírita, lendo e relendo quantas vezes forem necessárias, dada a importância e profundidade dos ensinamentos ali contidos.

Ao ler estas obras, de certa forma, nos encontramos com Kardec, conhecendo-o em cada linha, em cada pergunta, em cada colocação, em cada discurso...

A partir daí a admiração por este grande homem é inevitável!  :)


Como és especial e maravilhoso querido Allan Kardec! Que Deus te abençoe pela obra de valor inestimável que nos legou.

Que haja sempre muita paz e muita luz em nossos corações.

Abraços fraternos,

Edna* ;)

Título: Re: Allan Kardec
Enviado por: hcancela em 29 de Janeiro de 2011, 10:12
Olá amigos(as)


ALLAN KARDEC
EVOLUCIONISTA

O codificador do espiritismo moderno não foi somente um precursor no domínio da constituição energética da matéria, mas também no da biologia.
Ensinou a transformação progressiva das espécies e a origem animal do homem. Exprimindo-se claramente a este respeito na sua obra de síntese, A Gênese, publicada em 1868:

Por pouco que se observe a escala dos seres vivos do ponto de vista orgânico, reconhece-se que, desde o líquem até à árvore e desde o zoofito até ao homem, existe uma cadeia que se eleva gradativamente sem solução
de continuidade, cujos anéis têm um ponto de contato com o anel precedente: acompanhando passo a passo a série dos seres, diríamos que cada espécie é um aperfeiçoamento, uma transformação da espécie imediatamente inferior. Visto que o corpo do homem está em condições idênticas aos outros corpos, química e constitucionalmente, que ele nasce, vive e morre da mesma maneira, ele deverá ser formado nas mesmas condições.
ALLAN KARDEC, SUA VIDA E SUA OBRA - André Dumas PENSE

Ainda que possa ferir o seu orgulho, o homem tem de se resignar a não ver em seu corpo material mais do que o último anel da animalidade na Terra. È este o inexcedível argumento dos fatos, contra o qual ele protestará em vão.
Aliás, não foi necessário aguardar 1868 para ele nos ensinar a doutrina da evolução. A este propósito, o capitão Bourgés escreveu no seu trabalho
intitulado Psicologia Transformista, Evolução da Inteligência:
"No decurso da sua viagem espirita em 1862, Allan Kardec visitou-nos em Provins, onde nos encontrávamos em guamição militar. Tivemos a satisfação
de ter o Mestre entre nós, durante alguns dias. Em suas conversas, ele não escondia a nossa origem animal, falando-nos do progresso que o espírito tem de conseguir para chegar à perfeição. Recomendava- -nos, essencialmente, que aprofundássemos todos os ramos da ciência, assegurando-nos que através dela nos elevaríamos e encontraríamos em O Livro dos Espíritos os elementos que deveríamos conhecer e abraçar. Assim, em 1868 demos-lhe conta do andamento dos nossos trabalhos e da descoberta que julgávamos ter feito nos estudos das obras de
Darwin, quanto à evolução do espírito, tal como hoje nos é apresentada."
 A Gênese, cap. X,
Citado por Ch. Truffy, Palestras Espíritas, 2ª. Palestra, pp. 157-158.
ALLAN KARDEC, SUA VIDA E SUA OBRA - André Dumas PENSE

Saudações fraternas
Título: Re: Allan Kardec
Enviado por: hcancela em 08 de Março de 2011, 11:48
Olá amigos(as)


Origem das Espécies para a Seleção Natural, por Charles Darwin, dois anos antes do trabalho de Thomas Huxley, O Lugar do Homem na Natureza, no qual ele proclamava o parentesco do macaco e do homem, já Allan Kardec ensinava a origem animal do homem, enquanto que o próprio Darwin somente em 1871 abordou abertamente este problema em A Descendência do Homem.
Isto acontece numa época em que eminentes homens, como Fabre, Flouriens, Claude Bernard e Quatrofages, uns porque eram discípulos de Cuvier, outros por razões de ordem religiosa, se opunhamao evolucionismo e sustentaram em França uma tal oposição a estas novas ideias que, em 1873, o Instituto de França recusa eleger Darwin como seu correspondente estrangeiro.
Basta situarmos Allan Kardec no ambiente intelectual da sua época, para bem avaliarmos até que ponto o seu pensamento era vanguardista.
Ele já havia, com efeito, ultrapassado, antes de Henri Bergson, Gustave Geley ou Teilhard de Chardin, a etapa estritamente materialista que o evolucionismo atravessou no seu início:
Quanto mais o corpo diminui de valor a seus olhos (os olhos do homem), mais o princípio espiritual ganha importância; se o primeiro o nivela com os ignorantes, o segundo
o eleva a uma altura incomensurável. Vemos o círculo onde o animal se detém;
não vemos o limite que possa alcançar o espírito do homem.
ALLAN KARDEC, SUA VIDA E SUA OBRA - André Dumas PENSE

O materialismo pode, por aí, perceber que o espiritualismo, longe de pôr em dúvida as
descobertas da ciência, e sua atitude positiva, vai mais longe provocando-as, pois é certo
que o princípio espiritual, que tem sua existência própria, não pode sofrer nenhum dano.
O espiritismo caminha a par com o materialismo, no terreno da matéria; admite tudo
o que este admite; porém, onde o materialismo se detém, o espiritismo prossegue. O
espiritismo e o materialismo são como dois viajantes que caminham lado a lado, partindo
do mesmo ponto; chegados a uma certa distância, um diz: "Não posso ir mais longe"; o
outro continua a sua rota e descobre um mundo novo.
Substituamos "materialismo" por "parapsicologia" e teremos um mesmo programa de colaboração e de adiantamento que caracteriza o esforço da renovação
que atualmente prosseguimos. A Gênese, cap. X, § 29-30.
ALLAN KARDEC, SUA VIDA E SUA OBRA - André Dumas PENSE


Saudações fraternas
Título: Re: Allan Kardec
Enviado por: Edna☼ em 31 de Março de 2011, 01:27
Homenagem ao desencarne de  Allan Kardec

[attachimg=1 align=left width=300] Trabalhador infatigável, sempre o primeiro a iniciar o trabalho e o ultimo a deixá-lo, ALLAN KARDEC sucumbiu a 31 de março de 1869, em meio dos preparativos para mudar de domicilio, como lhe exigia a extensão considerável das múltiplas ocupações.

Morreu como viveu: trabalhando. Desde longos anos sofria do coração, que reclamava, como meio de cura, o repouso intelectual, com pequena atividade material. Ele, porém, inteiramente entregue às obras, negava-se a tudo o que lhe roubasse um instante das suas ocupações e predileção.

     Nele, como em todas as almas de boa têmpera, a lima do trabalho gastou o aço do invólucro. O corpo, entorpecido, recusava-lhe os serviços; mas o espírito, cada vez mais vivaz, mais enérgico, mais fecundo, alargava-lhe o círculo da atividade. Na luta desigual a matéria nem sempre podia resistir. Um dia foi vencida: o aneurisma rompeu-se e ALLAN KARDEC caiu fulminado.

     Um homem desapareceu da Terra, mas o seu grande nome tomou lugar entre as ilustrações do século e um culto espírito foi retemperar-se no infinito, onde aqueles, que ele próprio havia consolado e esclarecido, lhe esperavam a volta com impaciência.

     “A morte – dizia mui recentemente --, a morte amiúda os golpes na falange dos homens ilustres!... A quem virá ela agora libertar?”.

    Foi ele, depois de tantos outros, retemperar-se no espaço me buscar outros elementos para renovar o organismo gasto por uma vida de labores incessantes. Partiu com aqueles que virão a ser os luminares da nova geração, a fim de voltar com eles para continuar e concluir a obra que deixou confiada a mãos dedicadas.

     O homem deixou-nos, mas a sua alma estará sempre conosco. É um protetor seguro, uma luz a mais, um labutador infatigável, que foi aumentar as forças das falanges do espaço.

     Como na Terra, saberá moderar o zelo dos impetuosos, secundar as intenções dos sinceros e dos desinteressados, estimular os vagarosos – saberá enfim, sem ferir a ninguém, fazer com que todos lhe ouçam os mais convenientes conselhos.

     Ele vê e reconhece agora o que ainda ontem apenas previa. Não mais está sujeito às incertezas e aos desfalecimentos e contribuirá para participarmos das suas convicções, fazendo-nos alcançar a meta, dirigindo-nos pelo bom caminho, tudo nessa linguagem clara, precisa, que constitui um característico nos anais literários.

     O homem, nós o repetimos, deixou-nos, mas ALLAN KARDEC é imortal, e a sua memória, os trabalhos, o Espírito, estarão sempre com aqueles que sustentaram com firmeza e elevação a bandeira que ele sempre soube fazer respeitar.

     Uma individualidade pujante construiu o monumento. Esse monumento será, para nós na Terra a personificação daquela individualidade. Não se congregarão em torno de ALLAN KARDEC: congregar-se-ão em torno do Espiritismo, que é o monumento por ele erigido. Através dos conselhos dele, sob a sua influência, caminharemos com passo firme para essas fases venturosas prometidas à humanidade regenerada.

(Revue Spirit, Maio 1869)


[attachimg=2 align=left width=100]

"Nascer, morrer, renascer ainda
e progredir sem cessar,
tal é a lei
".






Obrigada Allan Kardec!

Paz e luz!

Edna ;)
Título: Re: Allan Kardec
Enviado por: hcancela em 25 de Abril de 2011, 10:56
Olá amigos(as)


ALLAN KARDEC
E AS RELIGIÕES

É situando o pensamento e a obra de Allan Kardec no contexto da sua época que poderemos apreciar o seu caráter vanguardista, sob o ponto de vista científico. Da mesma forma podemos compreender as suas posições quanto às questões religiosas.
Quando estudamos atentamente a obra de Allan Kardec, nela encontramos três períodos distintos: após a exposição da doutrina, a parte filosófica da ciência espirita em O Livro dos Espíritos e depois a parte experimental, com a teoria científica dos fenômenos e sua classificação, em O Livro dos Médiuns.
Num segundo período, apercebemo-nos de que Allan Kardec perante o sucesso inesperado do seu primeiro trabalho, sentiu-se na necessidade não só de renunciar ao isolamento e à sua tranquilidade, como também de responder às insistentes solicitações de milhares de correspondentes ávidos de conhecer o espiritismo, embora não desejassem romper com as suas crenças, às quais se encontravam radicados. É este um período insólito e que poderemos considerar de concessão à sociedade. É assim que Allan Kardec — que embora
desde a sua juventude tivesse acalentado a esperança duma reforma evangélica do cristianismo — sentindo-se na obrigação de esclarecer, quanto à sua religião, os cristãos que se lhe dirigiam, publica a Imitação do Evangelho, título primitivo do Evangelho
Segundo o Espiritismo, e seguidamente O Céu e o Inferno ou A Justiça Divina Segundo o Espiritismo. Entre estas obras e A Gênese, publicada mais tarde, medeia um pequeno período em que o "crente" cristão e o professor de ciências parecem dominar-se alternadamente e cujas contradições não podem escapar a uma análise atenta (o espiritismo estava definido não só como uma ciência positiva, tendo por base a observação dos fatos sem ideia preconcebida, como também a revelação dos ensinamentos de Jesus) e que caracterizam este seu período de confusão e mesmo de retrocesso, se considerarmos as suas consequências atuais, pois encobre gravemente o caráter não confessional,
laico e universal da doutrina em sua essência.
É exclusivamente nesta parte da obra( kardequiana) que se apoiam as correntes ideológicas que pretendem ignorar os seus dois primeiros trabalhos e os
cinco anos de pensamento ativo que decorreram entre a publicação de O Evangelho Segundo o Espiritismo e o falecimento do Mestre, pretendendo fazer do espiritismo — isto para grande satisfação dos seus adversários — uma nova religião, tendo em vista uma certa forma de cristianismo, baseada num esquema muito elementar afastado quanto
possível da real e complexa evolução religiosa da humanidade, a de uma "terceira revelação"; a dos espíritos, em seguimento da segunda, a do Cristo, e que sucede à primeira, a de Moisés!

ALLAN KARDEC, SUA VIDA E SUA OBRA - André Dumas PENSE


Saudações fraternas



Saudações fraternas
Título: Re: Allan Kardec
Enviado por: Edna☼ em 10 de Maio de 2011, 20:08
     •   Allan Kardec, um pedagogo por excelência   


     "Allan Kardec, com seu olhar acobreado e fosforescente, não apreciava ver-se colocado na galeria marcial dos filósofos e enfrentava os louvores que lhe tributavam como algo de perigoso e inquietante. Era taciturno, e a única coisa que parecia interessá-lo – ele haveria de ser sempre um pedagogo! – era um processo de educação ao qual se engajara com tanta paixão quanto dantes o fizera em relação ao de Pestalozzi.  Consistia em varrer do homem e das instituições sociais um fator tão simples quanto terrível: o egoísmo substituindo-o por outro igualmente tão simples que faria muita gente, durante anos de insensatez, rir-se à socapa: a Caridade. Em seu sentido global essas duas categorias breves guardam em si toda a complexidade da dor e da alegria humana, da mais negra miséria e da mais estuante felicidade. A negação de um e a afirmação da outra eram a garantia do Reino prometido e, por isso, o professor sentia-se impelido a escrever milhares de palavras, a deixar após si livros capazes de, nas coordenadas mesmas dos Evangelhos do Cristo enfrentar os séculos. Em conjunto esse trabalho deveria contar com um fator decisivo para sua definitiva conclusão: o tempo.  E os ponteiros do relógio, como dedos acusadores, muitas vezes apontavam em riste para o professor.  Por este motivo suas viagens de propaganda se reduziram a menos de meia dúzia. Não podia comprometer a feitura da obra, toda ela dependente de introspecção, toda ela de educação, recursos do intelecto para lutar contra as intimações do coração violento."

(in, a Viagem Espírita em 1862)


Fonte: O texto acima é colocado com autorização da Editora O Clarim, que gentil e expressamente autorizou-me a sua publicação para fins de estudo.


Paz e luz!

Edna ;)
Título: Re: Allan Kardec
Enviado por: hcancela em 11 de Junho de 2011, 11:17
Olá amigos(as)


No entanto, a ideia do caráter universal e evolutivo do espiritismo, distinto de todos os cultos e encontrando a sua força essencial na observação científica e indução racional, domina toda a sua obra.

Na sua viagem de 1862 junto dos vários grupos da província, ele declarou que "se o espiritismo se colocasse abertamente no terreno de qualquer religião, ele se afastaria das outras", perpetuando assim "o antagonismo religioso que ele pretende esbater", que "as questões de moral são de todas as religiões e de todos os países" e que "o espiritismo
é um terreno neutro no qual todas as opiniões religiosas se podem encontrar e dar as mãos.
Talvez que se Allan Kardec tivesse nascido num país muçulmano, as circunstâncias fossem outras, e ele poderia ter escrito, com maior ou menor oportunidade, "O Alcorão Segundo o Espiritismo", ou se até tivesse nascido na Índia, "O Upanishads e o Bhagavad-Gita Segundo o Espiritismo".Se os estudos sobre os textos sagrados da Índia
antiga na época de Allan Kardec estivessem sufi-cientemente desenvolvidos, certamente que ele não teria sido menos categórico, quanto ao valor dos seus ensinamentos, do que o foi o papa João XXIII quando da sua viagem à Índia.
23) Allan Kardec: Viagens Espiritas em 1862. Instruções particulares dadas nos grupos em respostas a algumas das perguntas formuladas, X I.
ALLAN KARDEC, SUA VIDA E SUA OBRA - André Dumas PENSE

Este ponto de vista é confirmado pela análise que insere na "Introdução" de O Evangelho Segundo o Espiritismo (1864), comparando a doutrina de Sócrates e Platão aos princípios do espiritismo, e ainda pelo profundo estudo dedicado a Maomé e o islamismo (Revista Espirita, Agosto e Novembro de 1866) e, remontando às suas origens, descreve a mediunidade de Maomé, contesta a veracidade das narrativas difamantes, "acentua"
o profundo sentimento de piedade que o animava, a ideia grande e sublime que ele fazia de "Deus", cita passagens do Alcorão relativas ao retorno à Terra "para nos corrigirmos" e a "máxima caridade e tolerância que gostaria de ver em todos os corações cristãos".
É a aurora dum terceiro período, a que poderemos chamar de reparação e prosseguido por
Allan Kardec até à sua morte.

As línguas, literaturas e religiões da Índia e da Pérsia eram muito pouco conhecidas no Ocidente naquela época. Foi o sábio orientalista Eugênio Burnouf (1801-1852}
que reconstituiu, com a ajuda do sânscrito, a língua zenda empregada nos livros sacros iranianos e atribuídos a Zoroastro (Zaratustra). Através de outros trabalhos muito
importantes, Burnouf revelou a origem, os princípios e a história do budismo. O primeiro tomo da sua Introdução à História do Budismo foi publicado em 1844. Sabemos
no entanto que todo o período decorrido entre 1828 e 1849 foi inteiramente consagrado por Léon Rivail, o futuro Allan Kardec, à reforma do ensino e a seus trabalhos pedagógicos.
Ele não teve nessa altura nem posteriormente, conhecimento destas investigações no domínio das religiões, pois deixou-se empolgar pela expansão do movimento que havia
criado e promovera.
ALLAN KARDEC, SUA VIDA E SUA OBRA - André Dumas Pense


Um desses últimos testemunhos, que por desejo unânime dos seus mais próximos colaboradores a "Sociedade Espírita", é o dólmen erigido em seu
túmulo, como "a mais expressiva demonstração do caráter do homem e a obra que ele se esforçou por simbolizar" (Revista Espirita, junho de 1869).
Dólmen evocador da filosofia céltica que Allan Kardec tanto admirava e que, desde a introdução do cristianismo na Gália, foi objeto — não o podemos ignorar — de cruéis perseguições, cujos monumentos, usos e tradições foram sistematicamente destruídos e desfigurados.
Este período de reparação ou correção, manifesta- se muito nitidamente com a publicação de A Gênese, Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo em janeiro de 1868, onde a noção de "revelação" ultrapassa o caráter um pouco primário que imprimiu nos seus dois trabalhos precedentes, a fim de apresentar a revelação permanente, contínua e progressiva da ciência, como início para o estudo do mundo físico (astronomia, geologia,
paleontologia, fisiologia) e culminando no conhecimento do mundo espiritual.
Este aspecto fundamental, consolidado pelo pensamento de Allan Kardec, do qual Gabriel Delanne, através da sua obra científica, foi o continuador e porta-voz quando declarava que "o espiritismo se suicidaria se se deixasse arrastar por certas formas
cultuais existentes hoje em dia" (25) — se afirma ainda no seu Projeto da Constituição do Espiritismo publicado na Revista Espirita (dezembro de 1868) que com seus comentários e outros textos da mesma revista recolhidos por P. G. Leymarie e publicados em Obras Póstumas, constituem de f a t o o testamento filosófico de Allan Kardec.

 Gabriel Delanne - As Conseqüências Filosóficas do Espiritismo,
Revista Científica e Moral do Espiritismo, outubro de 1910.
ALLAN KARDEC, SUA VIDA E SUA OBRA - André Dumas PENSE

Confirma ele, ainda mais categoricamente, o caráter não cultual, não-sectário, não-religioso do espiritismo, que "teve como todas as coisas o seu período primário" e que definia como "resultante de milhares de observações feitas em todos os pontos do Globo, que lhe eram enviadas e que ele coligia e coordenava".
Ainda, no último número da Revista Espirita redigido por ele (abril de 1869) e que saiu a público no próprio dia do seu falecimento (31 de março de 1869), ele comparava a "profissão de fé espirita americana", aos princípios fundamentais da doutrina segundo "a escola europeia" tal como ele os enunciava (26) — última expressão que deu à doutrina — confirmando claramente o caráter estritamente científico-filosófico desta e a sua neutralidade total perante quaisquer tradições religiosas.
Estes princípios fundamentais, que vêm enunciados no final do presente trabalho, completam, assim, o preâmbulo do Credo Espirita.


Saudações fraternas
Título: Re: Allan Kardec
Enviado por: Edna☼ em 20 de Julho de 2011, 19:48
•   Retorno a Lyon através das marcantes viagens...

     Cortada em duas pela fita nebulosa do Rhône, Kardec deve ter percebido que a cidade de sua infância já não existia mais. Quarenta anos se tinham passado e da casa da Rua Sala nº 76, onde nascera, nem um único vestígio podia ser encontrado. Fora posta abaixo logo em seguida às inundações de 1840. O mesmo destino sofreram o estabelecimento de águas minerais de Fréderico Syriaque Dittmar e a residência de François Targe, os dois amigos de seu pai que tinham firmado, no Tribunal, a certidão de nascimento do menino Hippolyte. Por outro lado as escassas notas históricas não informam se o velho juiz Rivail ou a dama Jeanne Duhamel, seus pais, ainda viviam. Allan Kardec é sempre extremamente econômico acerca de Hippolyte Léon Denizard Rivail, de sorte que a biografia do segundo se dilui na obra do primeiro, um alicerce tenaz e insólito, mas fatalmente oculto e desapercebido. Como Saulo possuído de vertiginosa incerteza e que se transforma em Paulo pela decisão de agir!


Fonte: O trecho é colocado com autorização da Editora O Clarim, que expressamente, autorizou-me a publicação para fins de estudo.

(Os destaques em negrito são meus)


Abraços fraternos,

Edna ;)
Título: Re: Allan Kardec
Enviado por: dOM JORGE em 08 de Setembro de 2011, 10:52
                                       VIVA JESUS!


       Bom-dia! queridos irmãos.

              A desencarnação de
Allan Kardec

Ocorrida há 139 anos, no dia 31 de março de 1869, a
desencarnação do Codificador do Espiritismo se deu
quando ele contava apenas 64 anos de idade

A jornalista Ana Blackwell, que traduziu para o inglês as principais obras de Kardec, assim descreveu o codificador:

 "Kardec era de estatura média. Compleição forte, com uma cabeça grande, redonda, maciça, feições bem marcadas, olhos pardos, mais se assemelhando a um alemão do que a um francês. Enérgico e perseverante, mas de temperamento calmo, cauteloso e não imaginoso até a frieza, incrédulo por natureza e por educação, pensador seguro e lógico e eminentemente prático no pensamento e na ação, era igualmente emancipado do misticismo e do entusiasmo...

"Grave, lento no olhar, modesto nas maneiras, embora  não   lhe  faltasse  uma  certa  dignidade,
 
resultante da seriedade e da segurança mental, que eram traços distintivos de seu caráter. Nem provocava nem evitava a discussão, mas nunca fazia voluntariamente observações sobre o assunto a que havia devotado toda a sua vida. Recebia com afabilidade os inúmeros visitantes de todas as partes do mundo que vinham conversar com ele a respeito dos pontos de vista nos quais o reconheciam um expoente, respondendo a perguntas e objeções, explanando as dificuldades e dando informações a todos os investigadores sérios, com os quais falava com liberdade e animação, de rosto ocasionalmente iluminado por um sorriso genial e agradável, conquanto tal fosse a sua habitual seriedade de conduta, que nunca se lhe ouvia uma gargalhada..." (Do livro "História do Espiritismo", de Arthur Conan Doyle.)
 

Quem foi Kardec?

Nascido em Lyon, França, a 3 de outubro de 1804, Kardec recebeu na pia batismal o nome de Hippolyte Léon Denizard Rivail. No dia 6 de fevereiro de 1832, casou-se com Amélie Gabrielle Boudet (foto). Sua desencarnação ocorreu em Paris em 31 de março de 1869, quando contava 64 anos e meio.

Filho de tradicional família francesa que se destacara na magistratura, Kardec nasceu em ambiente católico, mas
 
foi educado no protestantismo. Aluno e depois discípulo de Pestalozzi, foi uma pessoa devotada à educação e um entusiasta do sistema de ensino criado por seu mestre, que exerceu grande influência na França e na Alemanha. Falava fluentemente o alemão, o inglês, o italiano e o espanhol, assim como o holandês. Tradutor das obras de Fénelon para o alemão, verteu também para o francês diversas obras inglesas e alemãs, mas foi no magistério que estava a sua indiscutível vocação.
 

No período de 1835 a 1840, organizou em sua casa em Paris cursos gratuitos de química, física, astronomia e anatomia comparada, que eram muito freqüentados. Aos 27 anos, em 1831, foi premiado em concurso pela apresentação de um trabalho intitulado: "Qual o sistema de estudo mais em harmonia com as necessidades da época?" Nessa mesma época, ele preparava todos os cursos de Levy-Alvares, freqüentados por discípulos de ambos os sexos do "fauborg" Saint-Germain.

Voltado para a educação, escreveu inúmeras obras didáticas no período de 1824 a 1849, tais como: "Curso prático e teórico de Aritmética", segundo o método de Pestalozzi, para uso das mães e dos profes­sores (ele contava então 20 anos de idade); "Plano apresentado para o melhoramento da instrução pública" (aos 24 anos); "Gramática Francesa Clássica" (aos 27 anos); "Manual dos exames para obtenção dos diplomas de capacidade, soluções racionais das questões e problemas de Aritmética e Geometria" (aos 42 anos); "Catecismo gramatical da língua francesa" (aos 44 anos); "Ditados normais dos exames na municipalidade e na Sorbonne"  e "Ditados especiais sobre as dificuldades ortográficas" (aos 45 anos). Nessa época (1849), Kardec lecionava no Liceu Polimático de Paris, regendo as cadeiras de fisiologia, astronomia, física e química.

Uma carta consoladora

O primeiro contato do professor com os fenômenos espíritas se deu em maio de 1855. Ele já era, então, aos 50 anos de idade, um indivíduo maduro e experimentado, além de talhado para a tarefa de codificação da Doutrina, cujo fato inicial marcante foi a publicação em 18 de abril de 1857 da conhecida obra que ele intitulou O Livro dos Espíritos. A ela seguiram-se outras obras, as palestras, as reuniões, a fundação da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas e as edições mensais da Revista Espírita.

O resultado do seu trabalho como codificador do Espiritismo é algo difícil de avaliar. Eis, no entanto, uma pequena amostra dele no relato que se segue.

Numa manhã muito fria de abril de 1860, Kardec estava triste e só, em seu escritório. Idéias de desânimo perpassavam sua mente. Escasseavam os recursos financeiros. Críticas ferinas, até de companheiros da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, ele vinha recebendo de todos os lados. Bem que os espíritos o haviam alertado!

De repente, Amélie penetra o recinto e lhe entrega um pacote que alguém havia remetido. Kardec o abre e vê que dentro dele havia uma carta e um outro pacote fechado. O codificador abre a carta e lê:

"Sr. Allan Kardec.

Respeitoso abraço.

Com a minha gratidão, remeto-lhe o livro anexo, bem como a sua história, rogando-lhe, antes de tudo, prosseguir em suas tarefas de esclarecimento da humanidade, pois tenho fortes razões para isso.

Sou encadernador desde a meninice, trabalhando em grande casa desta capital.

Há cerca de 2 anos, casei-me com aquela que se revelou minha companheira ideal. Nossa vida corria normalmente e tudo era alegria e esperança, quando, no início deste ano, de modo inesperado, minha Antoniete partiu desta vida, levada por sorrateira moléstia. Meu desespero foi indescritível e julguei-me condenado ao desamparo extremo. Sem confiança em Deus, sentindo as necessidades do homem do mundo e vivendo com as dúvidas aflitivas de nosso século, resolvera seguir o caminho de tantos outros, ante a fatalidade...

A prova da separação vencera-me, e eu não passava, agora, de trapo humano. Faltava ao trabalho e meu chefe, reto e ríspido, ameaçava-me com a dispensa. Minhas forças fugiam..."

O missivista relatou então que passou a acalentar a idéia do suicídio, jogando-se no Sena, projeto que pôs em execução em determinada madrugada, quando o desespero lhe tomou por completo a alma. Buscou a ponte Marie e, no momento em que colocou a mão sobre o parapeito da ponte, um objeto caiu-lhe aos pés: era um livro. Ele procurou a luz de um poste próximo, achou estranho o título do livro e viu que na sua primeira página havia uma nota: ESTA OBRA SALVOU-ME A VIDA. LEIA-A COM ATENÇÃO E TENHA BOM PROVEITO. - A. Laurent.

"Li aquele livro com redobrada atenção: era O Livro dos Espíritos, que encadernei e lhe envio, anexo, como um presente."

Kardec desembrulhou o pacote anexo à carta e viu ali o livro a que se referia o missivista, luxuosamente encadernado, com o nome do autor e o título gravados a ouro. O codificador, ao abri-lo, encontra a citação de A. Laurent, mencionada na carta, e debaixo dela, uma outra inscrição: SALVOU-ME TAMBÉM. DEUS ABENÇOE AS ALMAS QUE COOPERARAM EM SUA PUBLICAÇÃO. - Joseph Perrier.

Kardec respirou a longos haustos e, antes de retomar o serviço, levou o lenço aos olhos e limpou uma lágrima." (Hilário Silva, cap. 52 d' "O Espírito da Verdade", FEB.)

      Astolfo O. de Oliveira Filho                      ( continua )


 
                                                              PAZ, MUITA PAZ!
Título: Re: Allan Kardec
Enviado por: dOM JORGE em 08 de Setembro de 2011, 10:56
                                     VIVA JESUS!


        Bom-dia! queridos irmãos.


                O reconhecimento de sua obra: Emmanuel fala
sobre Kardec

Após 150 anos desde o lançamento d’ O Livro dos Espíritos, Kardec é hoje conhecido e respeitado mundialmente pelos espiritistas. A reverência à sua obra, vencedora no tempo, está expressa nas seguintes palavras de Emmanuel, a mesma entidade que recomendara a Chico Xavier comparar os seus escritos com o Evangelho de Jesus e Kardec, antes de torná-los públicos:

"Antes de Kardec, embora não nos faltasse a crença em Jesus, vivíamos na Terra atribulados por flagelos da mente, quais o que expomos:

o combate recíproco e incessante entre os discípulos do Evangelho;

o cárcere das interpretações literais;

o espírito de seita;

a intransigência delituosa;

a obsessão sem remédio;

o anátema nas áreas da filosofia e da ciência;

o cativeiro aos rituais;

a dependência quase absoluta dos templos de pedra para a tarefa da edificação íntima;

a preocupação da hegemonia religiosa;

a tirania do medo, ante as sombrias perspectivas do além-túmulo;

o pavor da morte, por suposto fim da vida.

Depois de Kardec, porém, com a fé raciocinada nos ensinamentos de Jesus, o mundo encontra no Espiritismo Evangélico benefícios incalculáveis, como sejam:

a libertação das consciências;

a luz para o caminho espiritual;

a dignificação do serviço ao próximo;

o discernimento;

o livre acesso ao estudo da lei de causa e efeito, com a reencarnação explicando as origens do sofrimento e as desigualdades sociais;

o esclarecimento da mediunidade e a cura dos processos obsessivos;

a certeza da vida após a morte;

o intercâmbio com os entes queridos domiciliados no Além;

a seara da esperança;

o clima da verdadeira compreensão humana;

o lar da fraternidade entre todas as criaturas;

a escola do Conhecimento Superior, desvendando as trilhas da evolução e a multiplicidade das "moradas" nos domínios do Universo.

Jesus - o amor. Kardec - o raciocínio.

Jesus - o Mestre. Kardec - o apóstolo.

Seguir o Cristo de Deus, com a luz que Kardec acende em nossos corações, é a norma renovadora que nos fará alcançar a sublimação do próprio espírito, em louvor da Vida Maior.” (Mensagem psicografada por Chico Xavier em 24/1/1969.)

O retorno à pátria espiritual

"Ele morreu esta manhã, entre 11 e 12 horas, subitamente, ao entregar um número da "Revista Espírita" a um caixeiro de livraria que acabava de comprá-lo; ele se curvou sobre si mesmo, sem proferir uma única palavra: estava morto.

Sozinho em sua casa (rua de Sant'Anna), Kardec punha em ordem seus livros e papéis para a mudança que se vinha processando e que deveria terminar amanhã. Seu empregado, aos gritos da criada e do caixeiro, acorreu ao local, ergueu-o.. nada, nada mais. Delanne acudiu com toda presteza, friccionou-o, magnetizou-o, mas em vão. Tudo estava acabado.

Venho de vê-lo. Penetrando a casa, com móveis e utensílios diversos atravancando a entrada, pude ver, pela porta aberta da grande sala de sessões, a desordem que acompanha os preparativos para uma mudança de domicílio; introduzido numa pequena sala de visitas, que conheceis bem, com seu tapete encarnado, e seus móveis antigos, encontrei a sra. Kardec assentada no canapé (espécie de sofá com costas e braços), de face para a lareira; ao seu lado, o sr. Delanne; diante deles, sobre dois colchões colocados no chão, junto à porta da pequena sala de jantar, jazia o corpo, restos inanimados daquele que todos amamos. Sua cabeça, envolta em parte por um lenço branco atado sob o queixo, deixava ver toda a face, que parecia repousar docemente e experimentar a suave e serena satisfação do dever cumprido.

Nada de tétrico marcara a passagem de sua morte; se não fosse a parada de respiração, dir-se-ia que ele estava dormindo.

Cobria-lhe o corpo uma coberta de lã branca, que, junto aos ombros dele, deixava perceber a gola do "robe de chambre", a roupa que ele vestia quando fora fulminado; a seus pés, como que abandonadas, suas chinelas e meias pareciam possuir ainda o calor do corpo dele.

Tudo isto era triste e, entretanto, um sentimento de doce quietude penetrava-nos a alma; tudo na casa era desordem, caos, morte, mas tudo aí parecia calmo, risonho e doce e, diante daqueles restos, forçosamente meditamos no futuro." (Trecho da carta escrita por E. Muller ao sr. Finet, em 31/3/1869, logo após o falecimento de Kardec.)

Conta-se que logo após a sua desencarnação, quando o corpo ainda não havia baixado ao Cemitério de Montmartre (a trasladação dos despojos para o dólmen do Pére-Lachaise ocorreu um ano depois), uma multidão de Espíritos veio saudar o mestre no limiar do sepulcro. Eram antigos homens do povo, seres infelizes que ele havia consolado e redimido com as suas ações prestigiosas e, quando se entregavam às mais santas expansões afetivas, uma lâmpada maravilhosa caiu do céu sobre a grande assembléia dos humildes, iluminando-a com uma luz que, por sua vez, era formada de expressões do seu "Evangelho segundo o Espiritismo", ao mesmo tempo que uma voz poderosa e suave dizia do Infinito:

"Kardec, regozija-te com a tua obra! A luz que acendeste com os teus sacrifícios na estrada escura das descrenças humanas vem felicitar-te nos pórticos misteriosos da Imortalidade... O mel suave da esperança e da fé que derramaste nos corações sofredores da Terra, reconduzindo-os para a confiança na minha misericórdia, hoje se entorna em tua própria alma, fortificando-te para a claridade maravilhosa do futuro.

"No Céu estão guardados todos os prantos que choraste e todos os sacrifícios que empreendeste... Alegra-te no Senhor, pois teus labores não ficaram perdidos. Tua palavra será uma bênção para os infelizes e desafortunados do mundo, e ao influxo de tuas obras a Terra conhecerá o Evangelho no seu novo dia!..." (Trecho do cap. 21 do livro "Crônicas de Além-Túmulo", por Humberto de Campos, por meio de Chico Xavier.)

Conta-se, ainda, que grandes legiões de Espíritos entoaram na imensidade um hino de hosanas ao homem que organizara as primícias do Consolador para o planeta terreno e que, escoltado pelas multidões de seres agradecidos e felizes, foi o mestre, em demanda das esferas luminosas, receber a nova palavra de Jesus.

       Astolfo O. de Oliveira Filho



                                                               PAZ, MUITA PAZ!
Título: Re: Allan Kardec
Enviado por: Edna☼ em 11 de Setembro de 2011, 15:56
                                      
A jornalista Ana Blackwell, que traduziu para o inglês as principais obras de Kardec, assim descreveu o codificador:

 "Kardec era de estatura média. Compleição forte, com uma cabeça grande, redonda, maciça, feições bem marcadas, olhos pardos, mais se assemelhando a um alemão do que a um francês. Enérgico e perseverante, mas de temperamento calmo, cauteloso e não imaginoso até a frieza, incrédulo por natureza e por educação, pensador seguro e lógico e eminentemente prático no pensamento e na ação, era igualmente emancipado do misticismo e do entusiasmo...

"Grave, lento no olhar, modesto nas maneiras, embora  não   lhe  faltasse  uma  certa  dignidade,
 
resultante da seriedade e da segurança mental, que eram traços distintivos de seu caráter. Nem provocava nem evitava a discussão, mas nunca fazia voluntariamente observações sobre o assunto a que havia devotado toda a sua vida. Recebia com afabilidade os inúmeros visitantes de todas as partes do mundo que vinham conversar com ele a respeito dos pontos de vista nos quais o reconheciam um expoente, respondendo a perguntas e objeções, explanando as dificuldades e dando informações a todos os investigadores sérios, com os quais falava com liberdade e animação, de rosto ocasionalmente iluminado por um sorriso genial e agradável, conquanto tal fosse a sua habitual seriedade de conduta, que nunca se lhe ouvia uma gargalhada..." (Do livro "História do Espiritismo", de Arthur Conan Doyle.)
 

Olá Dom Jorge, :)

Muito boa a descrição que trouxe de Allan Kardec por parte de quem o conheceu.

Ana Blackwell  - é uma das mais ilustres personalidades espíritas femininas, contemporânea do Sr. Allan Kardec, foi a tradutora do “Livro dos Espíritos” para a língua inglesa, conforme vemos na Revista Espírita, traduzida rigorosamente conforme o original por Júlio Abreu Filho, da Ediciel (que autorizou-me por escrito a publicar trechos desta obra para fins de estudo espírita).



Citar
Uma carta consoladora...

Quanto ao episódio narrado como uma “carta consoladora” é tocante por demais!

Basta fechar os olhos para visualizar o querido codificador em um dos muitos momentos difíceis que atravessou, mas que se viu recompensando com os frutos  desta obra espírita que nos conduz através da fé racionada e do mais puro amor, a qual ele e a falange presidida pela Espírito da Verdade espalharam por cada cantinho deste mundo, beneficiando a todos que estejam abertos a esta verdade que é luz a guiar os caminhos das nossas vidas rumo a felicidade.

Conheço esta história intitulada como “Há um século”, constante no item 52, da obra “O Espírito da Verdade”, ditada pelo Espírito Hilário da Silva, psicografado por Chico Xavier e Waldo Vieira, conforme mencionado.

Entretanto, pelo que ouvi dizer este episódio consta de uma das obras de  Amélie Gabrielle Boudet, aquela que foi um importante apoio na vida do Codificador a quem ele  carinhosamente chamava de “minha doce Gabi...”

Entretanto, se difícil foi a trajetória de Kardec, ele foi, e é recompensado com o auxílio efetivo das obras espíritas que tem livrado muitos do suicídio como vemos no caso em tela, o que nos faz admirar mais e mais este homem digno, forte, inteligente, generoso, trabalhador incansável do bem, com certeza um dos discípulos mais lúcidos de Jesus, conforme atestam as sábias palavras de Emmanuel.


Abraços fraternos sempre,

Edna ;)
Título: Re: Allan Kardec
Enviado por: dOM JORGE em 11 de Setembro de 2011, 16:35
                                      VIVA JESUS!


           Boa-tarde! queridos irmãos.

                 
Kardec e a ambiguidade do termo espírita

Embora tenha sido criado por Kardec, o vocábulo espírita – neologismo que surgiu juntamente com os vocábulos Espiritismo e perispírito, também criados pelo Codificador da doutrina espírita – em pouco tempo revelou-se ambíguo. O adjetivo ambíguo significa o que se pode tomar em mais de um sentido, indeterminado, impreciso, incerto.

Quem o disse foi o próprio Codificador, conforme texto que podemos ler na parte final do livro Obras Póstumas.

Segundo Kardec, o título de espírita - e mesmo de espírita convicto - não indica, de nenhum modo, a medida da crença. Uma assembleia na qual se convocassem todos aqueles que se dizem espíritas apresentaria um amálgama de opiniões divergentes que não saberiam se assimilar e não desembocariam em nada de sério. Essa falta de precisão, inevitável no início e durante o período de elaboração, frequentemente causou equívocos lamentáveis, naquilo que fez atribuir à Doutrina o que não era senão o abuso ou um desvio. E foi em consequência dessa falsa aplicação, que é diariamente feita da qualidade de espírita, que a crítica pôde encontrar matéria para a zombaria. 

As palavras que lemos foram escritas por Kardec e, no entanto, mais de um século depois, podemos dizer que a ambiguidade do termo espírita persiste e até se ampliou no caso brasileiro, como se viu recentemente na polêmica acerca do Censo 2010, havendo em nosso meio quem sugira o uso do vocábulo kardecista para evitar tal ambiguidade, embora todos saibamos que o próprio Codificador repudiou a expressão “doutrina de Allan Kardec”, como podemos conferir à vista do seguinte trecho constante do livro O que é o Espiritismo:

“Há entre o Espiritismo e outros sistemas filosóficos esta diferença capital; que estes são todos obra de homens, mais ou menos esclarecidos, ao passo que, naquele que me atribuís, eu não tenho o mérito da invenção de um só princípio. Diz-se: a filosofia de Platão, de Descartes, de Leibnitz; nunca se poderá dizer: a doutrina de Allan Kardec; e isto, felizmente, pois que valor pode ter um nome em assunto de tamanha gravidade? O Espiritismo tem auxiliares de maior preponderância, ao lado dos quais somos simples átomos”. (O que é o Espiritismo, Elementos de convicção, pág. 120.)

Foi essa ambiguidade – aliada certamente à falta de conhecimento dos princípios espíritas – que produziu mais um desses episódios em que um jornal de renome atribuiu ao Espiritismo fato que é inteiramente estranho ao que aprendemos nas obras da doutrina espírita.

Veja o que nosso estimado colaborador Gerson Simões Monteiro, colunista do jornal Extra desde abril de 1998 e ex-presidente da União das Sociedades Espíritas do Estado do Rio de Janeiro, atual CEERJ (Conselho Espírita do Estado do Rio de Janeiro), escreveu ao jornalista Joaquim Ferreira dos Santos, editor da coluna Gente Boa do jornal O Globo:

Prezado Jornalista Joaquim Ferreira dos Santos,       

Na nota "Lei Seca Espiritual", publicada em sua coluna na edição de domingo (21/08/2011) do jornal O Globo, foi divulgado que "O Centro Espírita Bezerra de Menezes, no Estácio, está proibindo seus cambonos de tomar cachaça no processo ritualístico de se elevar até aos santos daquele terreiro. A medida serve também para os fiéis. Procura-se com isso evitar que, na saída do transe, os espíritas tenham problemas com os terráqueos da Lei Seca”.

Revela-se na nota uma total incoerência, uma vez que os termos usados dizem respeito a Umbanda, não havendo motivo para que sejam confundidos com o Espiritismo, doutrina codificada por Allan Kardec.

Acredito que isso já é consequência do Jornalista não precisar frequentar os bancos da Faculdade para exercer a venerável profissão, pois nos erros cometidos na curta nota vê-se total desconhecimento da cadeira de Antropologia, ministrada nos Ciclos Básicos dos cursos de Jornalismo, na qual é ensinado que historicamente a Umbanda teve início em nosso país no século XVI, com a vinda dos nossos irmãos africanos através da escravatura do negro no Brasil, os quais incorporaram impositivamente rituais do catolicismo às suas crenças de origem. 

Já o Espiritismo teve início na França, a partir de 18 de abril de 1857, com a publicação de "O Livro dos Espíritos", que chegou ao Brasil por volta de 1860. Portanto, a Doutrina Espírita não tem vínculo algum com cultos de origem africana, seitas ou rituais de magismo, pois não resulta de qualquer forma de sincretismo religioso e muito menos vinculado se encontra a outras práticas assemelhadas, como é o caso da Umbanda, que está mais próxima do Catolicismo do que de qualquer outro culto religioso adotado no Brasil.

Além do mais, no Espiritismo não há função sacerdotal. Por essa razão ele não adota de forma alguma denominações como pai-de-santo, cambono e outras do gênero. 

Assim sendo, vale frisar que o espírita (neologismo criado por Allan Kardec) é o seguidor do Espiritismo, doutrina por ele codificada que não adota rituais de espécie alguma, não faz uso de bebidas alcoólicas, nem tampouco usa imagens de santos ou de entidades de cultos africanos nos Centros Espíritas.

Outro fato ainda que não pode ser deixado de lado é o de que o IBGE, de acordo com as determinações estabelecidas pelo Ministério da Justiça diante da realidade brasileira, faz a distinção em seus questionários para fins de coleta de dados, inclusive os dos Censos de 2000 e 2010, separando Católicos, Evangélicos, Espíritas, Umbandistas e Candomblecistas.

Certo de estar colaborando para que esta renomada coluna e o jornal informem com precisão os fatos para seus leitores, agradeço a atenção dispensada e coloco-me a sua inteira disposição, para qualquer esclarecimento posterior. (Assinado: Gerson Simões Monteiro.)



                                                           PAZ, MUITA PAZ!
Título: Re: Allan Kardec
Enviado por: Edna☼ em 11 de Setembro de 2011, 20:22
Olá Dom Jorge e demais amigos, :)

Neste sentido, o querido Codificador deixou claro que, “a Doutrina Espírita ou o Espiritismo tem por princípio as relações do mundo material com os Espíritos ou seres do mundo invisível. Os adeptos do Espiritismo serão os espíritas, ou, se o quiserem, os espiritistas.”

(in, O Livro dos Espíritos)

********


Vamos aproveitar esta oportunidade, para relembrar as palavras de Allan Kardec ao esclarecer que, entre os que adotam as idéias espíritas há, como bem sabeis, três categorias bem distintas:

1)   os que crêem pura e simplesmente nos fenômenos das manifestações, mas que deles não deduzem qualquer conseqüência moral;

2)   os que percebem o alcance moral, mas o aplicam aos outros e não a si mesmos;

3)   os que aceitam pessoalmente todas as conseqüências da doutrina e que praticam ou se esforçam por praticar sua moral.

Estes últimos, vós bem o sabeis, são os espíritas praticantes, os verdadeiros espíritas. Essa distinção é importante, pois que bem explica as anomalias aparentes. Sem isso seria difícil compreendermos as atitudes de determinadas pessoas. Ora, o que preceitua essa moral? Amai-vos uns aos outros; perdoai os vossos inimigos; retribuí o bem ao mal; não tenhais ira, nem rancor, nem animosidade, nem inveja, nem ciúme; sede severos para convosco mesmos e indulgentes para com os outros. Tais devem ser os sentimentos do verdadeiro espírita, aquele que se atém ao fundo e não à forma, que coloca o espírito acima da matéria. Ele pode ter inimigos, mas não é inimigo de ninguém, pois que não deseja o mal a quem quer que seja e, com maiores razões, não procura fazer o mal a ninguém.

Esse, como vede, senhores, é um princípio geral, do qual toda a gente pode beneficiar-se. Se, pois, tenho inimigos, eles não podem ser contados entre os espíritas dessa categoria, pois que, admitindo que tivessem motivos legítimos de queixa contra mim, o que me esforço por evitar, esse não seria um motivo para me odiarem e, com melhores razões se nunca lhes fiz qualquer mal. O Espiritismo tem por divisa: Fora da caridade não há salvação, o que equivale dizer: Fora da caridade não pode existir verdadeiros espíritas. Solicito-vos inscrever, daqui para a frente, essa divisa em vossas bandeiras, pois que ela resume ao mesmo tempo a finalidade do Espiritismo e o dever que ele impõe.


Fonte: A Viagem Espírita em 1862, Editora o Clarim, que por escrito autorizou-me a publicação de trechos desta obra para fins de estudo.

Abraços fraternos,

Edna ;)
Título: Re: Allan Kardec
Enviado por: dOM JORGE em 27 de Setembro de 2011, 11:07
                                           VIVA JESUS!


        Bom-dia! queridos irmãos.

                Allan Kardec - breve notícia

Diz Irmão X 1 que, em 31.12.1799, houve reunião de Espíritos sábios em esferas superiores da Terra.

Em meio a reduzido cortejo de sombras, chega Napoleão, para reafirmar compromissos. Kardec chega por uma estrada de luz. Napoleão chora, indo ao seu encontro.

Uma voz do céu lhe diz: “(...) Eis-te à frente do apóstolo da fé, que, sob a égide do Cristo, descerrará para a Terra atormentada um novo ciclo de conhecimento... Renova, perante o Evangelho, o compromisso de auxiliar-lhe a obra renascente!... Indicado para consolidar a paz e a segurança, necessárias ao êxito do abnegado apóstolo que descortinará a era nova, serás visitado pelas monstruosas tentações do poder”.

Bem sabemos, pela História, que Napoleão rendeu-se aos apelos da vaidade, do poder, da ambição e, “(...) por determinação do Alto (...)”, em 1815 foi exilado para a ilha de Elba e, depois, preso na ilha de Santa Helena, onde esperou a morte, ocorrida em 1821.

Allan Kardec, “(...) apagando a própria grandeza, na humildade de um mestre-escola, muita vez atormentado e desiludido, como simples homem do povo, deu integral cumprimento à divina missão que trazia à Terra, inaugurando a era espírita-cristã (...)”.

*

Renasceu em 3 de outubro de 1804 – em Lião, França – Hippolyte Léon Denizard Rivail, adotando, mais tarde, o pseudônimo Allan Kardec. Com esse nome, fora sacerdote druida nas Gálias, revelou-lhe seu guia espiritual. 2

Recebeu a tarefa de codificar a Doutrina Espírita, para trazer-nos informações do mundo espiritual, a Terceira Revelação; acabar com os ‘mistérios’, desmistificando a fé; missão que cumpriu integralmente.

Aos dez anos segue para Yverdum (Suíça), a estudar no Instituto de Educação de Yverdum, fundado em 1805, por Johann Heinrich Pestalozzi.

Na escola de Pestalozzi os alunos aprendiam, além das matérias curriculares, “(...) a lição da fraternidade, da igualdade e da liberdade”. Ali “Não havia castigos nem recompensas. Não queria a emulação nem o medo. Só admitia a disciplina do dever, ou melhor, da afeição, do amor”. 2

Aos catorze anos, ensinava aos condiscípulos, como “colaborador” no Instituto.

*

Dedicou-se a estudos do magnetismo, provavelmente a partir de 1823. Escreveu obras sobre a educação. Conhecia o alemão, o inglês, o italiano e o espanhol, além do holandês e o francês, sua língua materna.

Em 1825 fundou a “Escola de Primeiro Grau”, a qual “(...) não sabemos por quanto tempo... sobreviveu...”. Fundou também, em 1826, a “Instituição Rivail; um instituto técnico que funcionou até 1834”.

A Instituição Rivail era sociedade dele com um tio, o qual, mais tarde (1834), a levou ao fechamento, com o perder grandes quantias no jogo. Com a liquidação, cada um recebeu 45.000 francos.  Essa quantia foi emprestada por ele a um amigo, que, falindo, deixou-o sem um tostão.

Fazendo contabilidade de três casas comerciais, recebia cerca de 7.000 francos por ano. À noite escrevia novos livros; traduzia obras inglesas e alemãs, além de preparar cursos, entre os quais: de química, física, astronomia, fisiologia, anatomia comparada. Ministrou-os, gratuitamente, de 1835 a 1840.

Não obstante sábio, cultuando vários ramos do conhecimento, Kardec não era médico, como muitos apregoam. Ele próprio o afirma, textualmente: “Mas a Medicina não é do nosso domínio (...)”. 3

Em 06.02.1832, casou-se com Amélie-Gabrielle Boudet, nove anos mais velha do que ele, mas que não aparentava sê-lo. Dedicada colaboradora do marido. Não tiveram filhos.

Em 1850, abandona o ensino, por discordar de uma lei que subordinava as escolas à fiscalização dos padres. Dedicou-se, pois, ao ensino, de 1819 a 1850.

*

Houve, em todo o mundo, no século XIX, generalizada manifestação de fenômenos mediúnicos.          Dentre as mais importantes, as das irmãs Fox, em Hydesville, Estado de New York.

Tiveram início em 28.03.1848, com pancadas nas paredes de madeira da casa de Kate (Katherine) e Margaret – 9 e 12 anos –, de família metodista.

Kate imita as pancadas – acostumada já às manifestações e, assim, cria uma forma de se comunicar com o “desconhecido”. É, aí, confirmada a sobrevivência do espírito.

Era o Espírito de um caixeiro viajante que fora assassinado e enterrado naquela casa, no porão. Procuraram seus ossos, mas só acharam parte. Anos depois, encontraram todos os ossos.

Quem o matou, mudou-o de lugar, talvez temeroso de ser descoberto.

Ao viajarem, as irmãs Fox verificaram que as manifestações as seguiam. Descobriram, assim, que possuíam faculdade que as distinguiam de outras pessoas. Trata-se da mediunidade de efeitos físicos.

As manifestações físicas na América espalharam-se pela Europa. Proliferaram as mesas girantes, dançantes, transmitindo mensagens dos “mortos”, algumas falando de revolução no campo moral. Chegou-se à escrita mediúnica, inicialmente utilizando-se de cestinha de vime e lápis preso a ela. Depois o próprio médium, segurando o lápis, recebia a mensagem – método até hoje utilizado.

Em 1854, o magnetizador Fortier falou, pela primeira vez, a Kardec, das mesas girantes.  Kardec, a princípio, explicou o movimento das mesas como efeito do magnetismo animal, que estudava desde os 19 anos.

Em maio de 1855, presenciou fenômenos da mesa girando, saltando, correndo, e a escrita mediúnica. “Naquilo havia um fato que devia ter uma causa. Entrevi, sob essas aparentes futilidades e a espécie de divertimento que com esses fenômenos se fazia, alguma coisa de sério e como que a revelação de uma nova lei, que a mim mesmo prometi aprofundar.” 4

“Foi a 30 de abril de 1856, em casa do Sr. Roustan, pela médium M.lle Japhet, que Allan Kardec recebeu a primeira revelação da missão que tinha a desempenhar. Esse aviso, a princípio muito vago, foi precisado no dia 12 de junho de 1856, por intermédio de M.lle Aline C., médium.” 4

E passou a investigar, fazendo perguntas aos Espíritos. Até então, cada um analisava de forma incompleta os fenômenos. Coube a Kardec enfeixá-los, codificá-los.

De cinquenta cadernos reunidos por amigos e mais perguntas que formulou aos Espíritos, resultou a primeira edição de “O Livro dos Espíritos”, com 501 perguntas, em 18.04.1857. Em março de 1860, passa a ser vendida a segunda edição, definitiva, com a forma atual: 1.019 questões.

Na Codificação do Espiritismo, Kardec estabeleceu o controle universal do ensino dos Espíritos.

“Na posição em que nos encontramos, a receber comunicações de perto de mil centros espíritas sérios, disseminados pelos mais diversos pontos da Terra, achamo-nos em condições de observar sobre que princípio se estabelece a concordância.” 5

As principais obras do Codificador foram:

“O Livro dos Espíritos”, com 501 perguntas, em 18.04.1857. Em março de 1860, passa a ser vendida a segunda edição, definitiva, com a forma atual: 1.019 questões. Esta última esgotou-se em 4 meses;

“O Livro dos Médiuns”, na primeira quinzena de jan./1861;

“O Evangelho segundo o Espiritismo”, em abr./1864, inicialmente com o título de “Imitação do Evangelho segundo o Espiritismo”;

“O Céu e o Inferno” (ou A Justiça Divina segundo o Espiritismo), em 01/08/1865;

“A Gênese” (ou: Os Milagres e as Predições segundo o Espiritismo), em jan./1868; “Revista Espírita”, de 01 de janeiro/58 a mar/1869, ininterruptamente;

“O que é o Espiritismo”, em 1859; e “Obras Póstumas”, publicada em 1890.

Em 0l/abr./1858, funda a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas – o primeiro Centro Espírita da Terra.

Allan Kardec, “(...) apagando a própria grandeza (...)”, como mestre-escola, simples homem do povo, cumpriu sua missão na Terra, inaugurando Nova Era para a Humanidade.

Em 3l de março de 1869, desencarnou em Paris, após vida intensamente laboriosa, sobretudo nos últimos quinze anos, dedicados ao estudo, à codificação e à divulgação do Espiritismo.

Em seu dólmen, no Cemitério Père-Lachaise, da Cidade Luz, está inscrito: “Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sem cessar. Tal é a Lei”. 6

Louvor e Honra a Kardec! Gratidão a esse Espírito, a quem tanto devemos!

 

Bibliografia:

(1) - XAVIER, Francisco C. Cartas e Crônicas. Pelo Espírito Irmão X, Cap. 28, 7 ed., FEB. 181p., pp. 121-127;

(2) - WANTUIL, Zêus e Francisco Thiesen. Allan Kardec. Vols. I, II e III - FEB: Rio de Janeiro — toda a obra;

(3) - KARDEC, Allan. Revista Espírita. Terceiro Ano — 1860. EDICEL: São Paulo. 415p., p. 10;

(4) - KARDEC, Allan. O que é o Espiritismo.  22 ed., FEB. 217p., pp. 16 e 14, respectivamente;

(5) - KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. 104 ed. FEB: Rio de Janeiro. 456 p., p. 32;

(6) - KARDEC, Allan. Obras Póstumas. 26 ed. FEB: Rio de Janeiro. 395p., p. 5.

          Gebaldo José de Sousa



                                                           PAZ, MUITA PAZ!
Título: Re: Allan Kardec
Enviado por: dOM JORGE em 03 de Outubro de 2011, 10:40
                                         VIVA JESUS!


        Bom-dia! queridos irmãos.

                Jesus, a porta.
Kardec, a chave

Em muitas passagens do Evangelho, vemos que Jesus ensinou o homem a pensar. Quando, por exemplo, era surpreendido com alguma pergunta, Ele geralmente não dava uma resposta direta (sim ou não), mas fazia com que a própria pessoa que lhe perguntava (fosse para prová-lo ou não), chegasse, através do raciocínio, à resposta da questão proposta.

Ao ser indagado, por um doutor da lei, o que era preciso fazer para possuir a vida eterna, Jesus lhe perguntou o que está escrito na lei e o que o doutor da lei lia, nela. “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, com todas as tuas forças e de todo o teu espírito, e a teu próximo como a ti mesmo”, foi a resposta. Jesus lhe disse que ele havia respondido muito bem. “Faze isso e viverás”, recomendou-lhe o Mestre.

O homem, no entanto, querendo parecer que era um justo, voltou a perguntar: “Quem é o meu próximo?”. Tomando a palavra, Jesus conta a Parábola do Bom Samaritano.

Depois, volta a perguntar qual das três pessoas que passou pelo homem ferido lhe pareceu ter sido o próximo do mesmo: o sacerdote, que o viu e passou adiante; o levita, que teve o mesmo procedimento, ou o samaritano, que foi tocado de compaixão e assistiu o homem? O doutor da lei respondeu: “Aquele que usou de misericórdia para com ele”. “Então, vai – diz Jesus – e faze o mesmo”.

Ensinando o homem a pensar, Jesus lançou as bases para a fé raciocinada, que mais tarde seria valorizada pelo Espiritismo, que surgiu na Terra com a primeira edição de O Livro dos Espíritos, em Paris, França, em 18 de abril de 1857.

Nascido em Lyon, França, em 3 de outubro de 1804, Hippolyte Léon Denizard Rivail – Allan Kardec – fora designado pelo Alto para ser o codificador da Doutrina Espírita, que viria dar as luzes definitivas do esclarecimento às lições de Jesus, assim como Jesus viera para dar novas luzes aos ensinamentos deixados por Moisés.

Como disse Emmanuel, na mensagem O Mestre e o Apóstolo, recebida por Francisco Cândido Xavier, inserida no livro Opinião Espírita (Edição CEC), foi luminosa a coerência entre o Cristo e o Apóstolo que lhe restaurou a palavra.

Jesus disse que Deus é Espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade (João, 4: 24). Allan Kardec nos apresenta Deus na sua real significação. Quando ele pergunta: O que é Deus?, os Espíritos respondem: Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas (questão número 1 de O Livro dos Espíritos). No livro A Gênese, capítulo II, item 19, Kardec explica: Em Filosofia, em Psicologia, em moral, em religião, nada há de verdadeiro que não esteja conforme as qualidades essenciais da Divindade. A religião perfeita seria aquela da qual nenhum artigo de fé estivesse em oposição com estas qualidades, da qual todos os dogmas pudessem suportar a prova deste controle, sem dele receber nenhuma contradita.

A Doutrina Espírita diz: Fé inabalável só é a que pode encarar de frente a razão, em todas as épocas da Humanidade. (O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XIX, item 7.) Usando a fé raciocinada, Allan Kardec uniu o Espiritismo, não à Teologia, mas à Ciência.

O capítulo 1, item 8 do Evangelho, diz: ”A Ciência e a Religião são as duas alavancas da inteligência humana: uma revela as leis do mundo material e a outra as do mundo moral. Tendo, no entanto, essas leis o mesmo princípio, que é Deus, não podem contradizer-se. Se fossem a negação uma da outra, uma necessariamente estaria em erro e a outra com a verdade, porquanto Deus não pode pretender a destruição de sua própria obra. A incompatibilidade que se julgou existir entre essas duas ordens de ideias provém apenas de uma observação defeituosa e de excesso de exclusivismo, de um lado e de outro. Daí um conflito que deu origem à incredulidade e à intolerância”.

         Altamirando Carneiro



                                                             PAZ, MUITA PAZ!
Título: Re: Allan Kardec
Enviado por: dOM JORGE em 09 de Outubro de 2011, 09:36
                                          VIVA JESUS!


       Bom-dia! queridos irmãos.

               Kardec e Napoleão

Irmão X

Logo após o 18 Brumário (9 de novembro de 1799) quando Napoleão se fizera o Primeiro-Cônsul da República Francesa, reuniu-se, na noite de 31 de dezembro de 1799, no coração da latinidade, nas Esferas Superiores, grande assembleia de Espíritos sábios e benevolentes, para marcarem a entrada significativa do novo século.

Antigas personalidades de Roma imperial, pontífices e guerreiros das Gálias, figuras notáveis da Espanha, ali se congregavam à espera do expressivo acontecimento.

Legiões dos Césares, com os seus estandartes, falanges de batalhadores do mundo gaulês e grupos de pioneiros da evolução hispânica, associados a múltiplos representantes das Américas, guardavam linhas simbólicas de posição de destaque.

Mas não somente os latinos se faziam representados no grande conclave. Gregos ilustres, lembrando as confabulações da Acrópole gloriosa, israelitas famosos, recordando o Templo de Jerusalém, deputações eslavas e germânicas, grandes vultos da Inglaterra, sábios chineses, filósofos hindus, teólogos budistas, sacrificadores das divindades olímpicas, renomados sacerdotes da Igreja Romana e continuadores de Maomé ali se mostravam, como em vasta convocação de forças da ciência e da cultura da Humanidade.

No concerto das brilhantes delegações que aí formavam, com toda a sua fulguração representativa, surgiam Espíritos de velhos batalhadores do progresso que voltariam à liça carnal ou que a seguiriam, de perto, para o combate à ignorância e à miséria, na laboriosa preparação da nova era da fraternidade e da luz.

No deslumbrante espetáculo da Espiritualidade Superior, com a refulgência de suas almas, achavam-se Sócrates, Platão, Aristóteles, Apolônio de Tiana, Orígenes, Hipócrates, Agostinho, Fénelon, Giordano Bruno, Tomás de Aquino, S. Luís de França, Vicente de Paulo, Joana D’Arc, Teresa d’Avila, Catarina de Siena, Bossuet, Spinoza, Erasmo, Milton, Cristóvão Colombo, Gutenberg, Galileu, Pascal, Swedenborg e Dante Alighieri, para mencionar apenas alguns heróis e paladinos da renovação terrestre; e, em plano menos brilhante, encontravam-se, no recinto maravilhoso, trabalhadores de ordem inferior, incluindo muitos dos ilustres guilhotinados da Revolução, quais Luiz XVI, Maria Antonieta, Robespierre, Danton, Madame Roland, André Chenier, Bailly, Camille Desmoulins e grandes vultos como Voltaire e Rousseau.

Depois da palavra rápida de alguns orientadores eminentes, invisíveis clarins soaram na direção do plano carnal e, em breves instantes, do seio da noite, que velava o corpo ciclópico do mundo europeu, emergiu, sob a custódia de esclarecidos mensageiros, reduzido cortejo de sombras, que pareciam estranhas e vacilantes, confrontadas com as feéricas irradiações do palácio festivo.

Era um grupo de almas, ainda encarnadas, que, constrangidas pela Organização Celeste, remontavam à vida espiritual, para a reafirmação de compromissos.

À frente, vinha Napoleão, que centralizou o interesse de todos os circunstantes. Era bem o grande corso, com os seus trajes habituais e com o seu chapéu característico.

Recebido por diversas figuras da Roma antiga, que se apressavam em oferecer-lhe apoio e auxílio, o vencedor de Rivoli ocupou radiosa poltrona que, de antemão, lhe fora preparada.

Entre aqueles que o seguiam, na singular excursão, encontravam-se respeitáveis autoridades reencarnadas no Planeta, como Beethoven, Ampère, Fulton, Faraday, Goethe, João Dalton, Pestalozzi, Pio VII, além de muitos outros campeões da prosperidade e da independência do mundo.

Acanhados no veículo espiritual que os prendia à carne terrestre, quase todos os recém-vindos banhavam-se em lágrimas de alegria e emoção.

O Primeiro-Cônsul da França, porém, trazia os olhos enxutos, não obstante a extrema palidez que lhe cobria a face. Recebendo o louvor de várias legiões, limitava-se a responder com acenos discretos, quando os clarins ressoaram, de modo diverso, como se se pusessem a voar para os cimos, no rumo do imenso infinito...

Imediatamente uma estrada de luz, à maneira de ponte levadiça, projetou-se do Céu, ligando-se ao castelo prodigioso, dando passagem a inúmeras estrelas resplendentes.

Em alcançando o solo delicado, contudo, esses astros se transformavam em seres humanos, nimbados de claridade celestial.

Dentre todos, no entanto, um deles avultava em superioridade e beleza. Tiara rutilante brilhava-lhe na cabeça, como que a aureolar-lhe de bênçãos o olhar magnânimo, cheio de atração e doçura. Na destra, guardava um cetro dourado, a recamar-se de sublimes cintilações...

Musicistas invisíveis, através dos zéfiros que passavam apressados, prorromperam num cântico de hosanas, sem palavras articuladas.

A multidão mostrou profunda reverência, ajoelhando-se muitos dos sábios  e guerreiros, artistas e pensadores, enquanto todos os pendões dos vexilários arriavam, silenciosos, em sinal de respeito.

Foi então que o grande corso se pôs em lágrimas e, levantando-se, avançou com dificuldade, na direção do mensageiro que trazia o báculo de ouro, postando-se, genuflexo, diante dele.

O celeste emissário, sorrindo com naturalidade, ergueu-o, de pronto, e procurava abraçá-lo, quando o Céu pareceu abrir-se diante de todos, e uma voz enérgica e doce, forte como a ventania e veludosa como a ignorada melodia da fonte, exclamou para Napoleão, que parecia eletrizado de pavor e júbilo, ao mesmo tempo:

– Irmão e amigo, ouve a Verdade, que te fala em meu espírito! Eis-te à frente do apóstolo da fé, que, sob a égide do Cristo, descerrará para a Terra atormentada um novo ciclo de conhecimento...

César ontem, e hoje orientador, rende o culto de tua veneração, ante o pontífice da luz! Renova, perante o Evangelho, o compromisso de auxiliar-lhe a obra renascente!...

                                                                    ( continua )



                                                        PAZ, MUITA PAZ!
Título: Re: Allan Kardec
Enviado por: dOM JORGE em 09 de Outubro de 2011, 09:40
                                          VIVA JESUS!


        Bom-dia! queridos irmãos.


                Aqui se congregam conosco lidadores de todas as épocas. Patriotas de Roma e das Gálias, generais e soldados que te acompanharam nos conflitos da Farsália, de Tapso e de Munda, remanescentes das batalhas de Gergóvia e de Alésia aqui te surpreendem com simpatia e expectação... Antigamente, no trono absoluto, pretendias-te descendente dos deuses para dominar a Terra e aniquilar os inimigos... Agora, porém, o Supremo Senhor concedeu-te por berço uma ilha perdida no mar, para que te não esqueças da pequenez humana e determinou voltasses ao coração do povo que outrora humilhaste e escarneceste, a fim de que lhe garantas a missão gigantesca, junto da Humanidade, no século que vamos iniciar.

Colocado pela Sabedoria Celeste na condição de timoneiro da ordem, no mar de sangue da Revolução, não olvides o mandato para o qual foste escolhido.

Não acredites que as vitórias das quais foste investido para o Consulado devam ser atribuídas exclusivamente ao teu gênio militar e político. A Vontade do Senhor expressa-se nas circunstâncias da vida. Unge-te de coragem para governar sem ambição e reger sem ódio. Recorre à oração e à humildade para que te não arrojes aos precipícios da tirania e da violência!...

Indicado para consolidar a paz e a segurança, necessárias ao êxito do abnegado apóstolo que descortinará a era nova, serás visitado pelas monstruosas tentações do poder.

Não te fascines pela vaidade que buscará coroar-te a fronte... Lembra-te de que o sofrimento do povo francês, perseguido pelos flagelos da guerra civil, é o preço da liberdade humana que deves defender, até o sacrifício. Não te macules com a escravidão dos povos fracos e oprimidos e nem enlameies os teus compromissos com o exclusivismo e com a vingança!...

Recorda que, obedecendo a injunções do pretérito, renasceste para garantir o ministério espiritual do discípulo de Jesus que regressa à experiência terrestre, e vale-te da oportunidade para santificar os excelsos princípios da bondade e do perdão, do serviço e da fraternidade do Cordeiro de Deus, que nos ouve em seu glorificado sólio de sabedoria e de amor!

Se honrares as tuas promessas, terminarás a missão com o reconhecimento da posteridade e escalarás horizontes mais altos da vida, mas, se as tuas responsabilidades forem menosprezadas, sombrias aflições amontoar-se-ão sobre as tuas horas, que passarão a ser gemidos escuros em extenso deserto...

Dentro do novo século, começaremos a preparação do terceiro milênio do Cristianismo na Terra.

Novas concepções de liberdade surgirão para os homens, a Ciência erguer-se-á a indefiníveis culminâncias, as nações cultas abandonarão para sempre o cativeiro e o tráfico de criaturas livres, e a religião desatará os grilhões do pensamento que, até hoje, encarceram as melhores aspirações da alma no inferno sem perdão!...

Confiamos, pois, ao teu espírito valoroso a governança política dos novos eventos e que o Senhor te abençoe!...

Cânticos de alegria e esperança anunciaram nos céus a chegada do século XIX e, enquanto o Espírito da Verdade, seguido por várias coortes resplandecentes, voltava para o Alto, a inolvidável assembleia se dissolvia...

O apóstolo que seria Allan Kardec, sustentando Napoleão nos braços, conchegou-o de encontro ao peito e acompanhou-o, bondosamente, até religá-lo ao corpo de carne, no próprio leito.

Em 3 de outubro de 1804, o mensageiro da renovação renascia num abençoado lar de Lião, mas o Primeiro-Cônsul da República Francesa, assim que se viu desembaraçado da influência benéfica e protetora do Espírito de Allan Kardec e de seus cooperadores, que retomavam, pouco a pouco, a integração com a carne, confiantes e otimistas, engalanou-se com a púrpura do mando, e, embriagado de poder, proclamou-se Imperador, em 18 de maio de 1804, ordenando a Pio VII viesse coroá-lo em Paris.

Napoleão, contudo, convertendo celestes concessões em aventuras sanguinolentas, foi apressadamente situado, por determinação do Alto, na solidão curativa de Santa Helena, onde esperou a morte, enquanto Allan Kardec, apagando a própria grandeza, na humildade de um mestre-escola, muita vez atormentado e desiludido, como simples homem do povo, deu integral cumprimento à divina missão que trazia à Terra, inaugurando a era espírita-cristã, que, gradativamente, será considerada em todo os quadrantes do orbe como a sublime renascença da luz para o mundo inteiro.
 

Do livro Cartas e Crônicas, de Irmão X, obra psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier.



                                                          PAZ, MUITA PAZ!
Título: Re: Allan Kardec
Enviado por: Edna☼ em 09 de Outubro de 2011, 15:21
150 anos da ocorrência do auto-de-fé de Barcelona

Vejamos o que disse Kardec a respeito:


[attachimg=1 align=left width=150]Resquícios da Idade Média

AUTO-DE-FÉ DAS OBRAS ESPÍRITAS EM BARCELONA


Nada informamos aos leitores sobre esse fato, que já não o saibam através da imprensa. O que é de admirar é que certos jornais, que geralmente passam por bem informados, o tenham posto em dúvida. A dúvida não nos surpreende, mas o fato em si mesmo parece tão estranho ao tempo em que vivemos, está de tal modo longe de nossos costumes que, por maior cegueira reconheçamos no fanatismo, pensamos sonhar ao ouvir dizer que as fogueiras da Inquisição ainda se acendem em 1861, às portas da França. Nestas circunstâncias a dúvida é uma homenagem prestada à civilização européia e ao próprio clero católico. Hoje, em presença de uma realidade incontestável, o que mais deve surpreender é que um jornal sério, que diariamente cai sem dó nem piedade sobre os abusos e usurpações do poder sacerdotal, não tenha encontrado, para registrar esse fato, senão algumas palavras zombeteiras, acrescentando: “Em todo o caso, não seríamos nós que nos divertiríamos neste momento em fazer girar as mesas na Espanha.” (Siècle de 14 de outubro de 1861). Então o Siècle ainda vê o Espiritismo nas mesas girantes? Estará tão enceguecido pelo cepticismo para ignorar que toda uma doutrina filosófica, eminentemente progressiva, saiu dessas mesas, das quais tanto zombaram? Não sabe que esta idéia fermenta em toda parte? Que nas grandes cidades, como nas pequenas localidades, de alto a baixo da escala social, tanto na França quanto no estrangeiro, esta idéia se espalha com inaudita rapidez? Que por toda parte agita as massas, que nela saúdam a aurora de uma renovação social? O golpe com que imaginaram feri-lo não é um indício de sua importância? Porque ninguém se atira assim contra uma infantilidade sem conseqüência, e Dom Quixote não voltou à Espanha para se debater contra moinhos de vento.

O que não é menos exorbitante, o que causa admiração por não se ver nenhum protesto enérgico, é a estranha pretensão que se arroga o bispo de Barcelona, de policiar a França. Ao se pedir a reexportação das obras, ele respondeu com uma recusa assim justificada: A Igreja católica é universal; e sendo estes livros contrários à fé católica, o governo não pode consentir que venham perverter a moral e a religião de outros países. Eis, assim, um bispo estrangeiro que se institui juiz do que convém ou não convém à França! Então a sentença foi mantida e executada, sem mesmo isentar o destinatário das taxas alfandegárias, cujo pagamento lhe foi exigido.

Eis o relato que nos foi dirigido pessoalmente:

“Hoje, nove de outubro de mil oitocentos e sessenta e um, às dez horas e meia da manhã, na esplanada da cidade de Barcelona, lugar onde são executados os criminosos condenados ao último suplício, e por ordem do bispo desta cidade, foram queimados trezentos volumes e brochuras sobre o Espiritismo, a saber:

“A Revista Espírita, diretor Allan Kardec;
“A Revista Espiritualista, diretor Piérard;
“O Livro dos Espíritos, por Allan Kardec;
 “O Livro dos Médiuns, pelo mesmo;
“O que é o Espiritismo, pelo mesmo;
“Fragmentos de sonata ditada pelo Espírito Mozart;
“Carta de um católico sobre o Espiritismo, pelo Dr. Grand;
“A História de Joana d’Arc, ditada por ela mesma à Srta. Ermance Dufau51;
“A realidade dos Espíritos demonstrada pela escrita direta,
pelo Barão de Guldenstubbé.


“Assistiram ao auto-de-fé:

“Um sacerdote com os hábitos sacerdotais, empunhando a cruz numa mão e uma tocha na outra;
“Um escrivão encarregado de redigir a ata do auto-de-fé;
“Um ajudante do escrivão;
“Um empregado superior da administração das alfândegas;
“Três serventes da alfândega, encarregados de alimentar o fogo;
“Um agente da alfândega representando o proprietário das obras condenadas pelo bispo.
“Uma multidão incalculável enchia as calçadas e cobria a imensa esplanada onde se erguia a fogueira.

“Quando o fogo consumiu os trezentos volumes ou brochuras espíritas, o sacerdote e seus ajudantes se retiraram, cobertos pelas vaias e maldições de numerosos assistentes, que gritavam: Abaixo a Inquisição!

“Em seguida, várias pessoas se aproximaram da fogueira e recolheram as suas cinzas.”

Uma parte das cinzas nos foi enviada. Ali se encontra um fragmento de O Livro dos Espíritos, consumido pela metade.

Nós os conservamos preciosamente, como autêntico testemunho desse ato de insensatez.

À parte qualquer opinião, este caso levanta grave questão de direito internacional. Reconhecemos ao governo espanhol o direito de interditar, em seu território, a entrada de obras que não lhe convenham, como a de todas as mercadorias proibidas. Se as obras tivessem sido introduzidas clandestina e fraudulentamente, nada haveria a objetar; mas foram expedidas ostensivamente e apresentadas à alfândega; havia, pois, uma permissão legalmente solicitada. A alfândega julga dever reportar-se à autoridade episcopal que, sem qualquer formalidade processual, condena as obras a serem queimadas pelas mãos do carrasco. Então o destinatário pede que sejam reexportadas para o lugar de sua procedência e, por fim, lhe é respondido que não as receberá, conforme relatado acima.

Perguntamos se em tais circunstâncias a destruição dessa propriedade não é um ato arbitrário e contra o direito comum.

Examinando o caso do ponto de vista de suas conseqüências, diremos, inicialmente, não haver dúvida de que nada poderia ter sido mais benéfico ao Espiritismo. A perseguição sempre foi proveitosa à idéia que quiseram proscrever: exalta a sua importância, chama a sua atenção e a torna conhecida por quantos a ignoravam. Graças a esse zelo imprudente, todo o mundo na Espanha vai ouvir falar do Espiritismo e quererá saber o que é ele; é tudo quanto desejamos. Podem queimar-se livros, mas não se queimam idéias; as chamas das fogueiras as superexicitam, em vez de abafar. Aliás, as idéias estão no ar, e não há Pireneus bastante altos para as deter. Quando uma idéia é grande e generosa encontra milhares de pulmões prestes a aspirá-la. Façam o que quiserem, o Espiritismo já tem numerosas e profundas raízes na Espanha; as cinzas da fogueira vão fazê-la frutificar. Mas não é somente na Espanha que se produzirá tal resultado: o mundo inteiro sentirá o contragolpe. Vários jornais da Espanha estigmatizaram esse ato retrógrado, como bem o merece. Entre outros, Las Novedades de Madrid, de 19 de outubro, contém notável artigo a respeito. Será reproduzido em nosso próximo número.


Espíritas de todos os países! Não esqueçais esta data: 9 de outubro de 1861; será marcada nos fastos do Espiritismo.Que ela seja para vós um dia de festa, e não de luto, porque é a garantia de vosso próximo triunfo!

Allan Kardec (in, Revista Espírita de novembro 1861)

Título: Rivail e o magnetismo
Enviado por: Edna☼ em 19 de Outubro de 2011, 12:19
[attachimg=1 width=350 align=left]"O magnetismo animal, também conhecido por mesmerismo, visto ter sido Franz Anton Mesmer, doutor pela Universidade de Viena, o seu célebre renovador nos tempos modernos, esteve em voga nos fins do século XVIII, adquirindo maior impulso na primeira metade do XIX. Na França, sobretudo, sumidades médicas e ilustres prelados confirmavam a veracidade dos fenômenos magnéticos, principalmente no que diz respeito a curas psíquicas, a diagnósticos e prescrições terapêuticas fornecidos por sonâmbulos, com quem igualmente se observavam incontestáveis fatos de clarividência ou lucidez, de visão a distância, de visão através de corpos opacos, de previsão etc.

Pouco depois que o jovem discípulo de Pestalozzi chegou a Paris, teve a sua curiosidade despertada para o magnetismo animal, a que o marquês de Puységur, juntamente com d'Eslon, professor e regente da Faculdade de Medicina de Paris, e com o sábio naturalista Deleuze, haviam imprimido nova feição, ao modificarem os métodos de Mesmer, disso resultando na descoberta do sonambulismo provocado. Rivail refere-se elogiosamente a esses magnetistas franceses, colocando ao lado deles os nomes de dois outros grandes vultos: o barão Du Potet e o sr. Millet.

A iniciação de Rivail nesse novo ramo dos conhecimentos humanos deu-se aproximadamente em 1823, segundo ele próprio o afirmou. E nos anos que se seguiram aplicaria parte do seu tempo, mas sem prejuízo de suas tarefas educacionais, no estudo criterioso e equilibrado, teórico e prático, de todas as fases ou graus do sonambulismo, testemunhando muitos prodígios provocados pela ação do agente magnético. Suas leituras não se circunscreveram às obras favoráveis ao magnetismo. No propósito de aquilatar o valor das objeções, leu, igualmente, conforme frisou na página 277 da Revue Spirite de 1858, grande número de livros contra essa ciência, “escritos por homens em evidência”.

O barão Du Potet, que mais tarde seria amigo dos espíritas, tornara-se desde 1825 o chefe da escola magnética na França, tendo ido mais longe que seus predecessores na aplicação do magnetismo à terapêutica. Este justamente o lado que mais impressionou a Rivail, que com o tempo pôde inteirar-se bem da força magnética que todos os seres humanos possuem em graus diversos, vindo a ser, ele próprio, “experimentado magnetizador”, segundo escreveu seu amigo pessoal e discípulo Pierre-Gaëtan Leymarie, na Revue Spirite de 1871. Este valoroso espírita lembraria ainda, pela Revue Spirite de 1886, página 631, que o mestre lionês conheceu as pesquisas do padre português José Custódio Faria (o abbé Faria dos franceses) e lhe rendia as devidas homenagens. O padre Faria, iniciado nas práticas do Magnetismo pelo marquês de Puységur, a quem dedicou seu livro De la cause du somneil lucide, ou étude de la nature de l'homme (1819), considerando-o seu mestre, foi o precursor do hipnotismo de Braid. Lecionou em liceus e academias de várias cidades francesas.

Despido dos preconceitos dominantes na época, o padre Faria pôs por terra o caráter sobrenatural com que a Igreja cercava o magnetismo, iniciando em 1813 as suas concorridas conferências na rua de Clichy (Paris), seguidas de demonstrações práticas. A Igreja condenava o Magnetismo. Tudo provinha da ação de fluidos de origem infernal. Um teólogo francês escreveu que “o sonambulismo e o magnetismo eram sobrenaturais e diabólicos, anticristãos, anticatólicos e antimorais”. O padre Faria estudou as práticas magnéticas e convenceu-se da inanidade de tais interpretações. Crente e padre, não teve dúvida em afrontar as iras dos teólogos do seu tempo, para afirmar que nada havia de sobrenatural em tais fenômenos e que o sono hipnótico era, afinal, uma “modalidade da sugestão.” (Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira , Lisboa – Rio de janeiro, vol. X, p.919)

Diz Anna Blackwell, no prefácio à sua tradução inglesa (1875) de O Livro dos Espíritos, que Rivail tomou parte ativa nos trabalhos da Sociedade de Magnetismo de Paris, a mais importante da França. Ele, porém, ficaria equidistante das rivalidades doutrinárias que haviam surgido entre os magnetizadores parisienses. Soube fazer amigos nessa e naquela corrente de ideias, e um deles, o magnetizador Fortier, a quem conhecia desde muito tempo, foi quem, em 1854, lhe falaria pela primeira vez das chamadas mesas falantes.

Tendo, assim, adquirido sólidos conhecimentos de magnetismo, ciência que ele mais tarde, em diferentes ocasiões, demonstrou possuir em profundidade ao elaborar o corpo doutrinário do Espiritismo, foi capaz de perceber, logo ao início de suas observações pessoais junto às mesas girantes e falantes a íntima solidariedade entre o Espiritismo e Magnetismo, o que o levaria a afirmar: “Dos fenômenos magnéticos do sonambulismo e do êxtase às manifestações espíritas, não há senão um passo; sua conexão é tal, que é, por assim dizer, impossível falar de um sem falar do outro.”


(WANTUIL, Zeus e THIESEN, Francisco. ALLAN KARDEC. 1.ed. Rio de Janeiro: FEB, 1979. Vol. I, cap. 17. P. 102 a 105)

Fonte: bezerramenezes.org

Compartilhado para fins de estudo.
 




Título: Re: Allan Kardec
Enviado por: Edna☼ em 01 de Novembro de 2011, 10:45
“O Credo, a religião do Espiritismo"

“Crer num Deus todo-poderoso, soberanamente justo e bom;

Crer na alma e em sua imortalidade; na pré-existência da alma como única justificação do presente;

Na pluralidade das existências como meio de expiação, de reparação e de adiantamento moral e felicidade crescente com a perfeição; na equitável remuneração intelectual;

Na perfectibilidade dos seres mais imperfeitos; na do bem e do mal, conforme o princípio: a cada um segundo as suas obras;

Na igualdade da justiça para todos, sem exceções, favores nem privilégios para nenhuma criatura;

Na duração da expiação limitada pela imperfeição;

No livre-arbítrio do homem, que lhe deixa sempre a escolha entre o bem e o mal;

Crer na continuidade que religa todos os seres passados, presentes e futuros, encarnados e desencarnados;

Considerar a vida terrestre como transitória e uma das fases da vida do Espírito, que é eterna;

Aceitar corajosamente as provações, em vista do futuro mais invejável que o presente;

Praticar a caridade em pensamentos, palavras e obras na mais larga acepção da palavra;

Esforçar-se cada dia para ser melhor que na véspera, extirpando alguma imperfeição de sua alma;

Submeter todas as crenças ao controle do livre exame e da razão e nada aceitar pela fé cega;

Respeitar todas as crenças sinceras, por mais irracionais que nos pareçam e não violentar a consciência de ninguém;

Ver enfim nas descobertas da ciência a revelação das leis da natureza, que são as leis de Deus: eis o Credo, a religião do Espiritismo, religião que pode conciliar com todos os cultos, isto é, com todas as maneiras de adorar a Deus.

É o laço que deve unir todos os Espíritas numa santa comunhão de pensamentos, esperando que ligue todos os homens sob a bandeira da fraternidade universal.”


Allan Kardec



A íntegra deste discurso proferido no dia 1º de novembro de 1868, poderá ser lida na Revista Espírita de dezembro/1868


Fonte: O trecho do texto acima é colocado com autorização da Edicel, que expressamente, autorizou a sua publicação para fins de estudo.

Abraços fraternos sempre,

Edna ;)



Título: Re: Allan Kardec
Enviado por: Edna☼ em 10 de Dezembro de 2011, 18:21
    A vida de Allan Kardec pode ser contada de várias maneiras.


Para melhor compreensão de alguns aspectos, preferimos dividi-la em duas fases distintas: a primeira em que, desde o seu nascimento até a idade dos 50 anos, foi conhecido por Hippolyte Léon Denizard Rivail; e a segunda, quando se tornou espírita e passou a assinar Allan Kardec.


[attachimg=1 align=left width=300]1ª fase:

Allan Kardec nasceu em Lyon (França), a 3 de outubro de 1804 e foi registrado sob o nome de Hippolyte Léon Denizard Rivail.

Iniciou seus estudos na escola de Pestalozzi (em Yverdun, Suiça). A educação transmitida por Pestalozzi marcou profundamente a vida futura do jovem Rivail.
   
Tornou-se educador e entusiasta do ensino, tendo sido várias vezes convidado por Pestalozzi para assumir a direção da escola, na sua ausência. Durante 30 anos (de 1824 a 1854), dedicou-se inteiramente ao ensino e foi autor de várias obras didáticas, que em muito contribuíram para o progresso de educação, naquela época.


2ª fase:

Em 1855, o prof. Rivail depara, pela primeira vez, com o “fenômeno das mesas que giravam, saltavam e corriam, em condições tais que não deixavam lugar para qualquer dúvida”.

Passa então a observar estes fenômenos; pesquisa-os cuidadosamente, graças ao seu espírito de investigação, que sempre lhe fora peculiar, não elabora qualquer teoria pré-concebida, mas insiste na descoberta das causas.

Aplica a estes fenômenos o método experimental com o qual já estava familiarizado na função de educador; e, partindo dos efeitos, remonta às causas e reconhece a autenticidade daqueles fenômenos.

Convenceu-se da existência dos espíritos e de sua comunicação com os homens. Grande transformação se opera na vida do prof. Rivail: convencido de sua condição de espírito encarnado, adota um nome já usado em existência anterior, no tempo dos druidas: Allan Kardec.

De 1855 a 1869, consagrou sua existência ao Espiritismo; sob a assistência dos Espíritos Superiores, representados pelo Espírito da Verdade, estabelece as bases da Codificação Espírita, em seu tríplice aspecto: Filosófico, Científico e Religioso (Moral).

Além das obras básicas da Codificação, contribuiu com outros livros básicos de iniciação doutrinária, como: O que é o Espiritismo, O Espiritismo na sua mais simples expressão, Instruções práticas sobre as manifestações espíritas e Obras Póstumas.

A estas obras junta-se a Revista Espírita, “jornal” de estudos psicológicos, lançado a 1º de janeiro de 1858 e que esteve sob sua direção por 12 anos.

É também de sua iniciativa a fundação da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, em 1º de abril de 1858 - primeira instituição regularmente constituída com o objetivo de promover estudos que favorecessem o progresso do Espiritismo.

Assim surgiu o Espiritismo: com a ação dos Espíritos Superiores, apoiados na maturidade moral e cultural de Allan Kardec, no papel de codificador.

Com a máxima “Fora da caridade não há salvação”, procura ressaltar a igualdade entre os homens, perante Deus, a tolerância, a liberdade de consciência e a benevolência mútua.

E a este princípio cabe juntar outro: “Fé inabalável é aquela que pode encarar a razão face à face, em todas as épocas da humanidade”. Esclarece Allan Kardec:

 “A fé raciocinada que se apóia nos fatos e na lógica, não deixa qualquer obscuridade: crê-se, porque se tem certeza e só se está certo, quando se compreendeu”.

Denominado “o bom senso encarnado” pelo célebre astrônomo Camille Flammarion, Allan Kardec desencarnou aos 65 anos (incompletos), a 31 de março de 1869.

Em seu túmulo, no cemitério de Père Lachaise (Paris), uma inscrição sintetiza a concepção evolucionista da Doutrina Espírita: “Nascer, Morrer, Renascer ainda e progredir sem cessar, tal é a lei”.


Fonte: Boletim Espiritismo e Luz (O Seareiro), que, expressamente, autorizaram a publicação para fins de estudo, desde que citada a fonte.


Abraços fraternos,

Edna ;)
Título: Re: Allan Kardec
Enviado por: Edna☼ em 21 de Abril de 2012, 01:54
155 anos de O Livro dos Espíritos

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18 de abril de 1857. Era publicada a primeira edição de O Livro dos Espíritos, e um  novo tempo inaugurava-se para a Humanidade! Cabe a nós, espíritas, estudar, refletir, comparar com as demais obras da Codificação de Kardec e com os acontecimentos de nossa época o conteúdo desse livro sempre atual e de incomparável grandeza.









Leia aqui o artigo na íntegra, de autoria de Jorge Leite de Oliveira, publicado na Revista Reformador deste mês.

 
http://www.febnet.org.br/reformadoronline/pagina/?id=289


 
Fonte: FEB


Abraços fraternos,

Edna ;)
Título: Re: Allan Kardec
Enviado por: hcancela em 01 de Maio de 2012, 13:26
Olá amigos(as)


O MÉTODO DE
ALLAN KARDEC

Em A Gênese, o fundador do espiritismo modernoafirma que "a ciência é convocada a constituir a verdadeira gênese, conforme as leis da natureza (27) que "se a religião se recusar a caminhar com a ciência, a ciência prosseguirá só" (28), e que: "Enquanto o homem não conheceu as leis que regem a matéria, e enquanto não pôde aplicar o método experimental, andou errando de sistema em sistema no tocante ao mecanismo do universo
 à formação da Terra. Tanto na ordem moral como na ordem física se tem dado o mesmo; a fim de fixar as ideias tem faltado o elemento essencial: o conhecimento das leis do princípio espiritual.
Este conhecimento estava reservado à nossa época, como o conhecimento das leis da matéria foi obra dos dois últimos séculos." (29)
Em Obras Póstumas, os textos da Constituição do Espiritismo afirmam nitidamente a necessidade de precisão e clareza em todos os pontos da doutrina e o seu caráter essencialmente progressivo:
(27) Cap. IV, § 3, 15, 16, 17.
(28) Idem, § 9.
(29) Idem, § 15.
ALLAN KARDEC, SUA VIDA E SUA OBRA - André Dumas PENSE

Porque ela não se deixa embalar por sonhos irrealizáveis no presente, não se segue
que deva imobilizar-se. Apoiada exclusivamente nas leis naturais, não pode variar mais
do que essas leis, mas se uma nova lei for descoberta, deve juntar-se às demais; não
deve fechar as portas a qualquer progresso sob pena de se suicidar; assimilando todas
as ideias conhecidas como justas, quer sejam de ordem física ou metafísica, nunca
será ultrapassada, sendo esta uma das principais garantias da sua perpetuidade.
O exame profundo da obra de Allan Kardec, de toda a sua obra, permite-nos não nos afastarmos das linhas essenciais e definir claramente sua metodologia:
O espiritismo — escreve ele — dirige-se aos que não crêem ou que duvidam, e não aos
que têm fé e aos quais esta lhes basta; ele não diz a quem quer que seja que renuncie
ás suas crenças para adotar as nossas e nisto é coerente com os princípios de tolerância
e de liberdade de consciência que professa... acolhei dedicadamente os homens de
boa. vontade, dai-lhes a luz que procuram, pois com os que julgam já possui-la não tereis
êxitos.
 Obras Póstumas, Constituição do Espiritismo, II - Dos Cismas.
 Revista Espirita, dezembro, 1863, p. 367.


Saudações fraternas
Título: Re: Allan Kardec
Enviado por: kerteszsjnen em 27 de Junho de 2012, 11:05
A incumbência de tão importante missão, é confiada ao Professor Denizard Rivail, homem nobre e íntegro, possuidor de elevados conhecimentos intelectuais e morais, apto para receber a mensagem a ser transmitida pela Espiritualidade Maior.


Clique aqui para ler mais: http://www.forumespirita.net/fe/estudos-avancados/allan-kardec-28887/#ixzz1yzEsfS10(http://www.reachamazon.info/g.gif)                                                           
Título: Re: Allan Kardec
Enviado por: Mourarego em 27 de Junho de 2012, 18:07
Sobre a revelação de sua missão, é o próprio codificador que nos esclarece que, tal revelação veio por um espírito que nem a classe dos bons pertencia.
Seu nome é Zéfiro, um Espirito de ordem mediana, mas que pela sinceridade, seriedade e humor, logo veio a se transformar num grande ajudante de kardec.
Tal fato nos prova que certas opiniões tendentes a denegrir tod a a classe dos Espíritos em progresso, de modo a lhes retirar qualquer ação no Bem, não são verdadeiras.
Abraços,
Moura
Título: Re: Allan Kardec
Enviado por: Aimoré em 28 de Junho de 2012, 00:14
Trago uma contribuição para o tópico.Artigo escrito por José Reis Chaves na revista "o consolador".Esclarece o contexto da época em que Kardec viveu.

"Na época de Kardec,a ciência antropológica,ainda muito atrasada ,era racista.Para ela a raça branca era a mais inteligente.E o cientista Kardec recebeu um pouco da influência dessa ciência.Eu disse um pouco ,pois essa influência não foi suficiente para torná-lo um racista.Já a Igreja e as outras igrejas cristãs eram racistas,haja vista que elas toleravam a escravidão negra.
E Kardec não se sentia bem diante daquela situação.De certa feita ele disse meio desconsertado essa frase,que não era dele ,mas de cientistas seus contemporâneos:"Diz-se que o negro é um ser humano grosseiro,pouco inteligente etc.".Até acreditamos que Kardec,por causa da ciência e das religiões ocidentais a favor desse preconceito,tenha ficado um pouco tímido em sua posição contra o racismo.É que estava, como se diz, de pés e mãos atadas diante daquela situação.É que como cientista e respeitador,pois,da ciência e também das religiões,ela era prudente em combater as ideas delas.Mas seria um grande equívoco concluir disso que ele era racista,como alguns fanáticos antikardec,dando uma de advogados do diabo,em vão,tentam passar essa imagem dele.Ademais,a doutrina espírita,através das entidades manifestantes da Codificação Espírita,já se mostrava ,naquela época,radicalmente contra a escravidão negra.(LE,questões 54,831 e 918;e o ESE ,cap. 17 item 3.).E Kardec a condenou também ("Revista Espírita"de abril de 1862).

Entretanto,Kardec muito sensato e apegado a evolução,era consciente de que poderia ter cometido algum erro nas questões doutrinárias espíritas.Não tão grave para ser derrotado por um "advogado do diabo".Era também de opinião  que  um Espírito da Codificação,apesar de iluminado,poderia ter cometido,igualmente,algum equívoco.Por isso disse que, se futuramente,com a evolução,houvesse alguma discordância entre um ensino doutrinário e a ciência,que os espíritas seguissem a ciência.Ele era ,pois,consciente de que tanto ele,como os Espíritos,mesmo iluminados,estavam sujeitos a erros.

Aliás, nem Jesus era onisciente.Perguntaram-lhe quando seria o final dos tempos(Mateus 24:36).Ele respondeu que nem ele nem os anjos sabiam,e que somente Deus,o Pai,o sabia!"
Título: Re: Allan Kardec
Enviado por: u1ferno(Fernando) em 11 de Setembro de 2012, 12:30


Boa tarde!



DESCRIÇÃO FÍSICA E PSICOLÓGICA:


As duas missões de Allan Kardec


" Glória a ti, desbravador do Continente da alma!"
( Viana de Carvalho - Divaldo Franco - Á luz do Espiritismo)


Em 11 de junho de 1857 , a edição do Jornal Courrier de Paris estampava extenso artigo do jornalista G. Du Chalard, apresentando aos leitores o seu parecer acerca de  O Livro dos |Espíritos, lançado por Allan kardec a 18 de abril do referido ano.

Em seu comentário , Du Charlard informa não conhecer o autor do livro, mas declara: " Ficaríamos felizes em conhecê-lo . Quem escreveu a Introdução de O livro dos Espíritos deve ter a alma aberta a todos os sentimentos nobres.

Em referencia à personalidade do Codificador da Doutrina |Espírita, como possuidor de uma alma de escol e virtuosa, foi também caracterizada por dois de seus biográfos : Henri Sausse (1852-1928) e André Moreil.

O primeiro , tracejou a vida de Allan Kardec num texto de coferencia lido " por ocasião de solenidade com que os Espíritas de Lião celebraram a 31 de março de 1896 , anivers´´ario de seu decesso. Essa biografia poderá ser lida na íntegra , no livro O que é o Espiritismo, publicado pela Federação Espírita Brasileira.

André Moreil, em 1961, publicou , em Paris , por Editions Sperar, La vie et lÓeuvre dÀllan Kardec , traduzindo no Brasil em 1954 , com prefácio de Herculano Pires.

" Denizarde Rivail " declara Sausse "era um alto e belo rapaz , de maneiras distintas, humor jovial na intimidade , bom e obsequioso" e que desde o começo de sua juventude , se sentiu atraido para a Ciencia e a Filosofia".

A primeira missão desse valoros Espírito que codificou o Espiritismo  foi como Pedagoogo emérito , laureado em sua pátria , tendo escrito e lançado , a partir de 1824, então com 20 anos , várias obras sobre aritimética e gramática francesa, muitas delas adotadas pelas Universidades da França.

Contudo , além da " carreira pedagógica" , outra missão " o chamava a uma tarefa mais onerosa , a uma obra maior" e, "ele sempre se  mostrou á altura da missãogloriosa que lhe estava reservada"!.

André Moreil chama de vida do homem laico a primeira etapa da existência de allan Kardec , desde o seu nascimento em 3 de outubro de 1804 , até 1854 , quando se encontra com Sr. Fortier e , pela primeira vez, ouve falar das mesas girantes.


(do LivroAllan Kardec e o Centro Espírita de Adilton Pugliese)


Segue abaixo foto de Allan Kardec aos 25 anos
Companheira estava falandod esta foto que não é Allan Kardec mas sim de Raymond Auguste Quinsac Monvoisin, pesquise sobre ele, ok.
Título: Re: Allan Kardec
Enviado por: Mourarego em 12 de Setembro de 2012, 19:14
Segue imagem de Kardec aso 25 anos de idade.
Abraços,
Moura
Título: Re: Allan Kardec
Enviado por: dOM JORGE em 29 de Setembro de 2012, 13:34
                                                                  VIVA JESUS!



            Bom-dia! queridos irmãos.


                   
                     Viagens espíritas de
Allan Kardec

Nessas viagens Kardec protagonizava a história viva
do Espiritismo nascente


Durante as férias da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas nos anos de 1860, 1861, 1862, 1864 e 1867, Kardec realizou viagens pelo interior da França e da Bélgica para visitar os agrupamentos espíritas e verificar “in loco” os efeitos e dimensões do conhecimento espírita nessas cidades.

Segundo o Mestre Lionês, essas viagens tinham duplo objetivo: dar instruções onde essas fossem necessárias e, ao mesmo tempo, recolher subsídios para as leiras de serviço doutrinário.

Profundo observador, Kardec queria ver as coisas com seus próprios olhos a fim de aquilatar o estado real da Doutrina e sentir o modo pelo qual as pessoas a estavam compreendendo. Mas o Codificador estava também de olhos atentos sobre as causas locais que favoreciam ou não o progresso da Doutrina...

A par de todas essas pesquisas, ele sentia enorme prazer em abraçar os confrades e retribuir-lhes o imenso carinho e as lídimas provas de amizade que demonstravam em suas cartas.  Kardec nutria uma admiração muito grande por esses devotados e abnegados vanguardeiros da mensagem espírita-cristã.

Nessas viagens o nobre filho de Lyon escrevia e protagonizava a história viva do Espiritismo nascente rasgando horizontes novos para a Humanidade.

Quem vive nos tempos hodiernos rodeado por todas as facilidades tecnológicas e modernos meios de transporte, não pode fazer ideia das dificuldades daqueles recuados tempos.  Para fazer a viagem espírita em 1862, por exemplo, (vide mapa) o Codificador precisou de quase 2 meses para percorrer aproximadamente 5 mil quilômetros e visitar cerca de vinte cidades, e isto porque a França na metade do século XIX já contava com uma malha ferroviária que cortava o país em todas as direções, na qual os trens trafegavam a uma velocidade 10 vezes inferior a de um TGV[1] atual.

Das viagens espíritas realizadas, sem dúvida a mais importante de todas foi a de 1862, que mereceu um opúsculo onusto de observações interessantíssimas, publicado nesse mesmo ano em que o Espiritismo completava o seu quinto aniversário de existência.

Sintetizando suas observações nessa viagem de 1862, Kardec escreveria em seu relatório: “(...) Sob vários pontos de vista, nossa viagem foi muito satisfatória e, sobretudo, muito instrutiva pelas observações que recolhemos. Se pudessem restar algumas dúvidas quanto ao caráter irresistível da marcha da Doutrina e à impotência dos ataques sobre a sua influência moralizadora e sobre o seu futuro, o que vimos bastaria para dissipá-las”.

Dentre as muitas observações recolhidas pelo egrégio Mestre Lionês, destacamos[2]: "O Espiritismo apresenta um fenôme­no desconhecido na história da filosofia: a rapidez de sua propagação. Nenhuma outra doutrina oferece exemplo semelhan­te. Quando se afere o progresso que vem sendo feito, ano após ano, pode-se, sem nenhuma presunção, prever a época em que ele será a crença universal.

(...) Um fato não menos característico é que tudo quanto os adversários do Espiritismo fizeram para entravar sua marcha, longe de detê-lo, ativou o seu progresso. E pode-se afirmar que, por toda a parte, esse pro­gresso está em relação aos ataques sofri­dos. A imprensa o enalteceu? Todos sabe­mos que, longe de estender-lhe as mãos, ela lhe tem deitado os pés; e com isso não conseguiu senão fazê-lo avançar. O mes­mo ocorre relativamente aos ataques que, em geral, lhe têm sido endereçados.

(...) O caso é que o Espiritismo é uma ideia e quando uma ideia caminha, ela derru­ba todas as barreiras; não se pode detê-la nas fronteiras, como um pacote de mer­cadoria. Queimam-se livros, mas não se queimam ideias, e suas próprias cinzas, levadas pelo vento, fazem fecundar a terra onde ela deve frutificar. Todavia, não bas­ta lançar uma ideia ao mundo para que ela crie raízes. Não, certamente! Não se cria à vontade opiniões ou hábitos. O mes­mo ocorre relativamente às invenções e descobertas; mesmo a mais útil se perde se não chega a seu tempo, se a necessi­dade que está destinada a satisfazer não existe ainda. O mesmo ocorre quanto às doutrinas filosóficas, políticas, religiosas e sociais: é preciso que os Espíritos estejam maduros para aceitá-las. Se chegarem muito cedo, permanecem em estado la­tente, e, como os frutos plantados fora da estação, não vingam.                                           

(...) Ainda que não houvesse aqui senão um sistema, ele teria, sobre os outros, a vantagem de ser mais sedutor, embora sem oferecer certeza. Todavia, é o pró­prio mundo invisível que se vem revelar a nós, provar que está, não em regiões do espaço inacessíveis mesmo ao pensa­mento, mas aqui, ao nosso lado, em torno de nós, e que vivemos em meio dele, como um povo de cegos em meio a um outro capaz de ver.  Isso pode perturbar certas ideias, eu convenho. Mas, diante de um fato, queiramos ou não, temos de nos inclinar.  Poder-se-á negar tudo isso, poder-se-á querer provar que não pode ser assim.  A provas palpáveis, seria preciso opor provas mais palpáveis ainda. Toda­via, o que se oferece? Apenas a negação! O Espiritismo apoia-se sobre fatos. Os fatos, de acordo com o raciocínio e uma lógica rigorosos, dão ao Espiritismo o caráter de positivismo que convém à nos­sa época”.

Se, por um lado, o Espiritismo desagrada aos seus adversários de vários matizes, por outro lado ele agrada (e muito) a todas as pessoas que o examinam sem prevenção. Cabe aqui uma pergunta, cuja resposta é oferecida pelo próprio Kardec2:

POR QUE O ESPIRITISMO AGRADA?

“O Espiritismo agrada porque satisfaz à aspiração instintiva do homem em rela­ção ao futuro; porque apresenta o futuro sob um aspecto que a razão pode admitir; porque a certeza da vida fu­tura faz com que o homem enfrente com paciência as misérias da vida presente; porque, com a doutrina da pluralidade das existências, essas misérias revelam uma razão de ser, tornam-se ex­plicáveis e, ao invés de serem atribuídas à Providência, em forma de acusação, passam a ser justificáveis, compreen­síveis e aceitas sem revolta; porque é um motivo de felici­dade saber que os seres que amamos não estão perdidos para sempre, que os encon­traremos e que estão cons­tantemente junto de nós; porque as orientações dadas pelos Espíritos são de molde a tornar os homens melho­res em suas relações recí­procas; estes e além destes, outros motivos que só os espíritas podem compreender...

Como e por que meios acontecerá a transformação da Humani­dade, é o que nos resta examinar.  Ora, se o reino do bem é incompatível com o egoísmo, é pre­ciso que o egoísmo seja destruído. Mas o que pode destruí-lo? A predominância do sentimento do amor, que leva os homens a se tratarem como irmãos e não como inimi­gos.

A caridade é a base, a pedra angular de todo o edifício social. Sem ela o homem construirá sobre areia. Assim sendo, urge que os esforços e, sobretudo, os exemplos de todos os homens de bem a difundam; e que eles não se desencorajem ao defronta­rem as recrudescências das más paixões.”


          Rogerio Coelho
 
[1] - Trem de Alta Velocidade – Train à Grande Vitesse.

[2] - Trechos do livro “Viagem Espírita em 1862”. 2. ed. Matão: O Clarim, p.p. 65-80.







                                                                                PAZ, MUITA PAZ!
Título: Re: Allan Kardec
Enviado por: Mourarego em 07 de Novembro de 2012, 15:47
Só um adendo, Kardec ainda Denizar, nasceu numa estancia de veraneio chamada Ain, mas foi registrado, em virtude da volta de seu pai, eminente homem do Direito, em Lion, tendo ai passado a maior parte de sua vida.
Logo, não se o pode dizer nem mesmo Mestre de Lion, ou Mestre liones. a não ser que se queira esquece a naturalidade que ele tinha.
Abraços,
Moura
Título: Re: Allan Kardec
Enviado por: Edna☼ em 18 de Novembro de 2012, 17:08
Olá Fernando,

Raymond Auguste Quinsac Monvoisin, era membro da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, foi autor de um retrato de Allan Kardec e a ele doou 8 quadros, sendo que na ocasião não foi dado conhecer o nome do autor, pois este desejava guardar o incógnito e só ser conhecido depois da sua morte.

Kardec pretendia abrir um museu espírita, conforme vemos na Revista Espírita ele planejava criar “um museu que reunisse obras da arte espírita, os trabalhos mediúnicos mais notáveis, os retratos dos adeptos que bem tiverem merecido da causa por seu devotamento, os dos homens que o Espiritismo honra, posto que estranhos à doutrina, como benfeitores da humanidade, grandes gênios missionários do progresso, etc.”, em notas acrescenta que, “o futuro museu já possui oito quadros de grandes dimensões, que só esperam um local conveniente, verdadeiras obras primas de arte, especialmente executadas em vista do Espiritismo, por um artista de renome, que generosamente ofereceu à doutrina. É a inauguração da arte espírita, por um homem que reúne a fé sincera ao talento dos grandes mestres. Em tempo hábil daremos sua descrição detalhada.".

Entretanto, passados alguns meses Kardec desencarnou.

A Revista Espírita relacionou as obras doadas, à saber: "o retrato alegórico do Sr. Allan Kardec; o retrato do Autor; três cenas espíritas da vida de Joana d’Arc, assim designadas: Joana na fonte, Joana ferida e Joana sobre a sua fogueira; o Auto-de-fé de João Huss entre os Apóstolos, após sua morte corporal", onde vemos que a Sra. Allan Kardec conservou 6 dos 8 quadros deixando-os à livre apreciação em dia e hora por ela designados. E revela, ainda, que, "os outros dois outros quadros, ainda estão nas mãos do autor Sr. Monvoisin, que é conhecido e apreciado por todos, tanto como artista de talento quanto como espírita devotado, e tomará lugar ao lado do mestre nas fileiras que bem tiverem merecido o Espiritismo".

Fernando, esse motivo suscitou para algumas pessoas tal dúvida, pois dizem tratar-se, um dos quadros, do auto-retrato do Autor (Monvoisin), que foi publicado, erroneamente, como se fosse o codificador aos 25 anos de idade.

Assim sendo, até prova em contrário, o referido retrato continua como sendo do codificador.


Para conhecer um pouco mais sobre Raymond Auguste Quinsac Monvoisin, clique aqui:

http://www.estudoespirita.net/biografias/72.htm


Obrigada pela sua participação que nos proporciou a oportunidade de falar sobre o Sr. Monvoisin, um grande espírita,  que conviveu com Allan Kardec e forneceu as primeiras obras de arte para realização do museu espírita.


Abraços fraternos sempre,

Edna ;)


E.T.: (Os trechos destacados em itálico constam das Revistas Espíritas).
Título: Re: Allan Kardec
Enviado por: Edna☼ em 22 de Dezembro de 2012, 13:49
Dom Jorge, oportuno o texto que nos trouxe, uma vez que, no próximo mês estaremos comemorando os 150 anos de "Viagem Espírita em 1862", onde ali lemos que:

“É o próprio Codificador, lúcido e desperto, que se encarrega de iniciar a divulgação das verdades espíritas através das tribunas. Em seguida a ele, em perfeita coordenação, surgirá Léon Denis.

Em um como em outro, e tal como sucede ainda em nossos dias, a preocupação se converge para uma ética que, em sendo, até certo ponto, patrimônio das mais antigas culturas, era, praticamente, apenas “letra que mata”; agora vai ser “espírito que vivifica”, subversiva no sentido de arremeter do exterior para o interior, da teoria para a ação. Seu caráter renovador torna-a evangelicamente desmistificada e autenticamente apostolar, o que nos leva a estabelecer a comparação com o livro dos “Atos”, essa crônica de viagem, durante a qual os inúmeros personagens têm, o tempo todo, os lábios entreabertos, como que preparados para traduzir em palavras o pensamento da Boa Nova, em especulações sobre ações passadas e presentes, que se acumulam em seus espíritos com a força do rio comprimido contra as paredes de uma barragem.

Esta Viagem Espírita em 1862 é qualquer coisa de semelhante e assim Allan Kardec nela se comporta.

Entretanto tudo começa, não exatamente em 1862, como o título sugere, mas, dois anos antes. O Novo “Atos” se inicia nos derradeiros dias do outono de 1860."


Fonte: Viagem Espírita em 1862, sendo que a Editora O Clarim, expressamente, autorizou a publicação de trechos para fins de estudo.


* * * * *


Muitos, ainda, desconhecem essa importante obra, taí uma agradável e instrutiva sugestão para leitura.

Obrigada pela participação.

Abraços fraternos,

Edna ;)




Título: Período de luta
Enviado por: Edna☼ em 28 de Dezembro de 2012, 10:13
"O primeiro período do Espiritismo, caracterizado pelas mesas girantes, foi o da curiosidade. O segundo foi o período filosófico, marcado pelo aparecimento de O Livro dos Espíritos. A partir deste momento o Espiritismo tomou um caráter completamente diverso. Entreviram-lhe o objetivo e o alcance e nele hauriram fé e consolação, sendo tal a rapidez de seu progresso que nenhuma outra doutrina filosófica ou religiosa oferece exemplo semelhante. Mas, como todas as ideias novas, teve adversários tanto mais obstinados quanto maior era a ideia, porque nenhuma ideia grande pode estabelecer-se sem ferir interesses. É preciso que ocupe um lugar e as pessoas deslocadas não podem vê-la com bons olhos. Depois, ao lado das pessoas interessadas estão os que, por espírito de sistema e sem razões precisas, são adversários natos de tudo quanto é novo.

Nos primeiros anos, muitos duvidaram de sua vitalidade, razão por que lhe deram pouca atenção. Mas quando o viram crescer, a despeito de tudo, propagar-se em todas as fileiras da sociedade e em todas as partes do mundo, tomar o seu lugar entre as crenças e tornar-se uma potência pelo número de seus aderentes, os interessados na manutenção das ideias antigas alarmaram-se seriamente. Então uma verdadeira cruzada foi dirigida contra ele, dando início ao período da luta, de que o auto-de-fé de Barcelona, de 9 de outubro de 1861, de certo modo foi o sinal. Até então ele tinha sido alvo dos sarcasmos da incredulidade, que ri de tudo, principalmente do que não compreende, mesmo das coisas mais santas, e aos quais nenhuma ideia nova pode escapar: é o seu batismo de fogo. Mas os outros não riem: fitam-no com cólera, sinal evidente e característico da importância do Espiritismo. Desde então os ataques assumiram um caráter de violência inaudita. Foi dada a palavra de ordem: sermões furibundos, pastorais, anátemas, excomunhões, perseguições individuais, livros, brochuras, artigos de jornais, nada foi poupado, nem mesmo a calúnia.

Estamos, pois, em pleno período de luta, mas este não terminou. Vendo a inutilidade dos ataques a céu aberto, vão ensaiar a guerra subterrânea, que se organiza e já começa. Uma calma aparente vai ser sentida, mas é a calma precursora da tempestade; não obstante, à tempestade sucede a bonança.

Espíritas, não vos inquieteis, porque a saída não é duvidosa; a luta é necessária e o triunfo será mais retumbante. Disse e repito: vejo o fim; sei como e quando será alcançado. Se vos falo com tal segurança é que para tanto tenho razões, sobre as quais a prudência manda que me cale, mas vós as conhecereis um dia. Tudo quanto vos posso dizer é que virão poderosos auxiliares para fechar a boca de mais de um detrator. Contudo a luta será viva e se, no conflito, houver algumas vítimas de sua fé, que estas se rejubilem, como o faziam os primeiros mártires cristãos, dos quais muitos estão entre vós, para vos encorajar e dar o exemplo; que se lembrem destas palavras do Cristo: “Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o Reino dos céus. Bem-aventurados sois vós quando vos injuriarem, e perseguirem, e, mentindo, disserem todo o mal contra vós, por minha causa. Exultai e alegrai-vos, pois grande é o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que vieram antes de vós.” (São Mateus, capítulo V, versículos 10, 11 e 12) 

Estas palavras não parecem ter sido ditas para os espíritas de hoje, como para os apóstolos de então? É que as palavras do Cristo têm isto de particular: são para todos os tempos, porque sua missão era para o futuro, como para o presente.

A luta determinará uma nova fase do Espiritismo e levará ao quarto período, que será o período religioso; depois virá o quinto, período intermediário, consequência natural do precedente, e que mais tarde receberá sua denominação característica. O sexto e último período será o da regeneração social, que abrirá a era do século vinte. Nessa época, todos os obstáculos à nova ordem de coisas determinadas por Deus para a transformação da Terra terão desaparecido. A geração que surge, imbuída das ideias novas, estará em toda a sua força e preparará o caminho da que há de inaugurar o triunfo definitivo da união, da paz e da fraternidade entre os homens, confundidos numa mesma crença, pela prática da lei evangélica. Assim serão confirmadas as palavras do Cristo, já que todas devem ter cumprimento e muitas se realizam neste momento, porque os tempos preditos são chegados. Mas é em vão que, tomando a figura pela realidade, procurais sinais no céu: esses sinais estão ao vosso lado e surgem de todas as partes.

É notável que as comunicações dos Espíritos tenham tido um caráter especial em cada período: no primeiro eram frívolas e levianas; no segundo foram graves e instrutivas; a partir do terceiro eles pressentiram a luta e suas diferentes peripécias. A maior parte das que se obtém hoje nos diversos centros tem por objetivo prevenir os adeptos contra as intrigas de seus adversários. Assim, por toda parte são dadas instruções a este respeito, como por toda parte é anunciado um resultado idêntico. Tal coincidência, sobre este como sobre muitos outros pontos de vista, não é um dos fatos menos significativos. A situação se acha completamente resumida nas duas comunicações seguintes, cuja veracidade já foi reconhecida por muitos espíritas.


Fonte: A Obsessão, Allan Kardec.

Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.

Título: Re: Allan Kardec
Enviado por: dOM JORGE em 28 de Dezembro de 2012, 18:36
                                                                    VIVA JESUS!





               Boa-tarde! queridos irmãos.



                       
Em Defesa de Kardec


Muito frequentemente, ouvimos adeptos do Espiritismo, declararem, não sabemos, baseados em que autoridade, que os códigos firmados por Allan Kardec foram “ultrapassados”, por obras espíritas modernas, incluindo também Léon Denis, a par do Codificador nesse conceito irreverente.


Mesmo alguns espíritas de certa circunspeção têm afirmado tal à novidade de suas tribunas, incorrendo, portanto, em melindrosa responsabilidade perante a doutrina.


No entanto, bastará pequeno raciocínio para observamos que, nem Allan Kardec, nem Léon Denis foram ultrapassados agora, e nem serão tão cedo, assim como não foi o Evangelho , que há dois mil anos, aos homens o mais perfeito código de moral até hoje conhecido, código que, não obstante ainda não é acatado pelos próprios cristãos, com poucas exceções visto que a própria Terra, com seus prejuízos de planeta inferior, não comporta por enquanto, a prática integral de tão elevados, princípios. E não poderia Allan Kardec estar ultrapassado, porque ainda não apareceram, depois dele, no mundo inteiro obras melhores que as por ele firmadas, sobre o mesmo assunto.


A humanidade, por sua vez, ainda não foi despertada pelos ensinamentos que os livros deles apresentam, e os próprios espíritas os conhecem tão poucos que, no próprio movimento espírita, são eles ainda desconhecidos nas suas mais belas e significativas expressões.


Conhecemos até mesmo médiuns, cuja instrução doutrinaria, se limita a uma única leitura de o evangelho segundo o espiritismo, e orientadores de sessões que apenas leram (dizemos leram e não estudaram) uma só vez o livro dos Espíritos, desconhecendo completamente as demais obras clássicas que com elas formam a estrutura doutrinária espírita; não assimilaram os dois compêndios lidos e por isso consideram superado o grande codificador, porque se integraram somente nas obras modernas, as quais, conquanto excelentes, apenas irradiam detalhes extraídos da base já revelada. Isso acontece até mesmo com presidentes de centros e oradores o que vem a ser de suma gravidade. Se quisermos raciocinar serenamente, sem paixões nem ideias pessoais, constataremos que os nobres espíritos incumbidos da instrução aos humanos assim não pensam.


Consideram antes Allan Kardec o mestre terreno ainda credenciado para tudo quanto voluteie em torno do espiritismo, tanto assim que tudo quanto escrevem ou ditam aos seus médiuns é baseado nos códigos kardecistas, vazados deles e neles inspirados sendo todas as teses apontadas a desenvolver em suas produções as mesmas estudadas por Kardec, além daquelas também colhidas no Evangelho Cristão.


Allan Kardec poderá ter sido ampliado, talvez completado nos seus ensinamentos pela obra ditada do espaço visto ele próprio haver afirmado que apenas estabelecida os primeiros passos doutrinários mas ultrapassados não!


Mesmo assim vemos que essa ampliação, esses complementos são inteiramente assentados em duas obras porque, se não o forem, estarão deslocados, serão ilógicos e suspeitos , o próprio raciocínio os repele diante da leitura desconexa que apresentam, como sucede a várias obras que não logram o apoio da maioria dos leitores justamente pela ausência da dita base kardecista.


Precisamos refletir que Allan Kardec somente será superado no dia em que ele mesmo aparecer na Terra, reencarnado para prosseguir o assunto ou outro à altura do mandato insigne, e quando já a maioria dos espíritas, pelo menos, tiver adquirido amplo conhecimento da revelação por ele obtida dos espíritos superiores.


Os códigos Kardecistas serão sempre surpreendentes novidades para aqueles que os consultarem pela primeira vez, como o nascimento de Jesus Nazareno de Belém de Judá é novidade para aquele que no fato presta atenção , não obstante o dito fato haver se passado há quase dois mil anos.


Se os próprios espíritas desconhecem as verdadeiras bases da doutrina que professam, como ousaremos declarar superada a obra de Kardec? Essa obra é imortal como imortal é o Evangelho, uma vez que ambos são revelações divinas e sempre existirão cérebros e corações necessitados de renovação e esclarecimento através deles .


Por enquanto é, com efeito, a fonte kardecista a única habilitada em assuntos de espiritismo capaz de expandir renovações para o futuro, visto ser o alicerce de quanto existe a respeito, até agora. O mais que podermos aceitar é que, em futuro talvez próximo a obra de Allan Kardec, poderá sofrer uma revisão uma vez que ele próprio preveniu esse acontecimento.


Para os espíritas, pois Kardec ainda é o grande desconhecido, dado a minoria que o conhece plenamente.


Ele tratou de ciência, de filosofia e de moral e tais matérias, de sua grandeza, não podem ser apenas lidas uma ou duas vezes, mas estudadas continuadamente, com método analítico, observação acurada, amor e perseverança a fim de serem bem compreendidas e praticadas , e não interpretadas e sofismada , como vemos acontecer de quando em vez...

Yvonne do Amaral Pereira


Do livro “Pelos Caminhos da Mediunidade Serena”, de Yvonne do Amaral Pereira, pag.167 “Em Defesa de Kardec”.







                                                                                                       PAZ, MUITA PAZ!
Título: Re: Allan Kardec
Enviado por: dOM JORGE em 27 de Janeiro de 2013, 17:53
                                                                   VIVA JESUS!




             Boa-tarde! queridos irmãos.



                  
Allan Kardec, o missionário


dos nossos dias  

Desde que a Humanidade existe, Deus envia à Terra mensageiros diversos para instruir o homem sobre as Verdades Eternas.

No século 19 antes de Cristo, Abraão, o patriarca dos hebreus, levou ao seu povo à conscientização do Deus único.

No século 13 antes de Cristo, Moisés recebeu no Monte Sinai os Dez Mandamentos, que estão registrados no capítulo 20, versículos 2 a 17 do livro Êxodo e no capítulo 5, versículos 6 a 21 do livro Deuteronômio. Além disso, Moisés criou as leis civis ou disciplinares, para orientar o povo da época.

Aproximadamente 1.300 anos depois de Moisés, quando a Humanidade estava apta a usar mais a razão, Jesus simplificou os Dez Mandamentos em dois mandamentos principais: amar a Deus e ao próximo. E as leis civis e disciplinares, que eram baseadas no olho por olho, dente por dente, Jesus as modificou em leis baseadas na caridade, na humildade e no amor ao próximo.

Eis que chega o século 19, século das conquistas científicas, das grandes transformações, mas também de grande vazio no coração do homem.

É nesse panorama que reencarna em Lyon, França, no dia 3 de outubro de 1804, aquele que viria codificar uma nova Doutrina, o Espiritismo, que traria as luzes definitivas aos ensinamentos de Jesus. Nascia Hippolyte Léon Denizard Rivail, filho de Jean Baptiste Antoine Rivail, um magistrado, e Jeanne Duhamel.

Hippolyte foi educado em Yverdun, Suíça, na escola de João Henrique Pestalozzi, o fundador da educação popular moderna e da pedagogia social. Era um aluno tão brilhante, que substituía Pestalozzi nos seus impedimentos.

Numa outra cidade, Pestalozzi recolheu das ruas 150 crianças totalmente desamparadas e deu-lhes a educação. Mais tarde, ele confessou: “Vivi, durantes anos inteiros, rodeado de crianças mendigas; dividi com elas o meu pão; vivi, por minha vez, como um mendigo, para ensinar os mendigos a viver como homens”.

De volta a Paris, Hippolyte dedica-se à educação. Aos 51 anos, era um educador consagrado na França e autor de diversos livros sobre a educação, bacharel em ciências e letras, sabendo falar e escrever o alemão, o inglês, o espanhol, o italiano e o holandês. Foi grandemente auxiliado pela sua esposa, Amélie Gabriele Boudet, professora de Belas Artes, que desencarnou em 21 de janeiro de 1883.

Dedicou-se à observação e ao estudo das chamadas mesas girantes, ou falantes, fato comum na época. As mesas respondiam, mediante um número estabelecido de pancadas, “sim” ou “não”, a perguntas formuladas. Hippolyte concluiu: “Se uma mesa que não tem boca para falar, cérebro para pensar e nervos para sentir dá respostas inteligentes, é porque atrás dela tem algo inteligente”.

A partir daí ele adotou o pseudônimo de Allan Kardec, nome que teve em uma reencarnação como sacerdote druida, nas Gálias.

Surgiram, então, as Obras Básicas da Codificação Espírita:

O Livro dos Espíritos, em 18 de abril de 1857, primeira edição, com 501 perguntas de Kardec e as respostas dos Espíritos às questões importantes do conhecimento humano e em algumas questões, em negrito, a explicação de Allan Kardec. Em 16 de março de 1860, surgiu a segunda (e definitiva) edição, com 1.019 questões;

O Livro dos Médiuns, em 15 de janeiro de 1861;

O Evangelho segundo o Espiritismo, em abril de 1864;

O Céu e o Inferno, agosto de 1865;

A Gênese, em janeiro de 1868.

Em 1º. de abril de 1858, Allan Kardec funda a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, considerada o primeiro Centro Espírita do mundo. De 1858 a 1869, também fundou e dirigiu a Revista Espírita, que circulou de 1958 a 1869.

Em 1890, 21 anos após a desencarnação de Allan Kardec (em 31 de março de 1869, em Paris, pela ruptura de um aneurisma da aorta), surgiu o livro Obras Póstumas, com escritos que ele não teve a oportunidade de editar.

Os pilares em que se assentam a Doutrina Espírita são: a existência de Deus, a reencarnação ou pluralidade das existências, a pluralidade dos mundos habitados, a intercomunicação entre os dois planos da vida, o código de Moral do Evangelho do Cristo.



              Altamirando Carneiro






                                                                                PAZ, MUITA PAZ!

             
Título: Re: Allan Kardec
Enviado por: dOM JORGE em 26 de Abril de 2013, 10:11
                                                                  VIVA JESUS!




              Bom-dia! queridos irmãos.




                       
Referência de Allan Kardec
aos resgates coletivos


 
Uma ouvinte do programa “Debate na Rio”, da Rádio Rio de Janeiro, perguntou se Allan Kardec havia tratado dos Resgates Coletivos em suas obras, quando debatíamos as causas das tragédias nas quais ocorre a desencarnação de muitas pessoas. Respondi afirmativamente a essa ouvinte, esclarecendo que em Obras Póstumas, no capítulo 40, sob o título “QUESTÕES E PROBLEMAS - As expiações coletivas -, o codificador faz referência ao formular a seguinte pergunta aos instrutores espirituais:

“QUESTÃO — O Espiritismo explica perfeitamente a causa dos sofrimentos individuais, como consequências imediatas das faltas cometidas na existência precedente, ou, como expiação do passado; mas, uma vez que cada um só é responsável pelas suas próprias faltas, não se explicam satisfatoriamente as desgraças coletivas que atingem as aglomerações de indivíduos, às vezes, uma família inteira, toda uma cidade, toda uma nação, toda uma raça, e que se abatem tanto sobre os bons, como sobre os maus, assim sobre os inocentes, como sobre os culpados”.

A resposta a essa questão feita por Allan Kardec, com relação aos resgates coletivos, foi dada pelo Espírito Clélia Duplantier, que é a seguinte:

“Todas as leis que regem o Universo, sejam físicas ou morais, materiais ou intelectuais, foram descobertas, estudadas, compreendidas, partindo-se do estudo da individualidade e do da família para o de todo o conjunto, generalizando-as gradualmente e comprovando-se-lhes a universalidade dos resultados.

Outro tanto se verifica hoje com relação às leis que o estudo do Espiritismo dá a conhecer. Podem aplicar-se, sem medo de errar, as leis que regem o indivíduo à família, à nação, às raças, ao conjunto dos habitantes dos mundos, os quais formam individualidades coletivas. Há as faltas do indivíduo, as da família, as da nação; e cada uma, qualquer que seja o seu caráter, se expia em virtude da mesma lei, o algoz, relativamente à sua vítima, quer indo a encontrar-se em sua presença no espaço, quer vivendo em contacto com ela numa ou em muitas existências sucessivas, até à reparação do mal praticado. O mesmo sucede quando se trata de crimes cometidos solidariamente por um certo número de pessoas. As expiações também são solidárias, o que não suprime a expiação simultânea das faltas individuais.

Três caracteres há em todo homem: o do indivíduo, do ser em si mesmo; o de membro da família e, finalmente, o de cidadão. Sob cada uma dessas três faces pode ele ser criminoso e virtuoso, isto é, pode ser virtuoso como pai de família, ao mesmo tempo que criminoso como cidadão e reciprocamente. Daí as situações especiais que para si cria nas suas sucessivas existências.

Salvo alguma exceção, pode-se admitir como regra geral que todos aqueles que numa existência vêm a estar reunidos por uma tarefa comum já viveram juntos para trabalhar com o mesmo objetivo e ainda reunidos se acharão no futuro, até que hajam atingido a meta, isto é, expiado o passado, ou desempenhado a missão que aceitaram.

 Graças ao Espiritismo, compreendeis agora a justiça das provações que não decorrem dos atos da vida presente, porque reconheceis que elas são o resgate das dívidas do passado. Por que não haveria de ser assim com relação às provas coletivas? Dizeis que os infortúnios de ordem geral alcançam assim o inocente, como o culpado; mas, não sabeis que o inocente de hoje pode ser o culpado de ontem? Quer ele seja atingido individualmente, quer coletivamente, é que o mereceu. Depois, como já o dissemos, há as faltas do indivíduo e as do cidadão; a expiação de umas não isenta da expiação das outras, pois que toda dívida tem que ser paga até a última moeda. As virtudes da vida privada diferem das da vida pública. Um, que é excelente cidadão, pode ser péssimo pai de família; outro, que é bom pai de família, probo e honesto em seus negócios, pode ser mau cidadão, ter soprado o fogo da discórdia, oprimido o fraco, manchado as mãos em crimes de lesa-sociedade. Essas faltas coletivas é que são expiadas coletivamente pelos indivíduos que para elas concorreram, os quais se encontram de novo reunidos, para sofrerem juntos a pena de talião, ou para terem ensejo de reparar o mal que praticaram, demonstrando devotamento à causa pública, socorrendo e assistindo aqueles a quem outrora maltrataram. Assim, o que é incompreensível, inconciliável com a justiça de Deus, torna claro e lógico mediante o conhecimento dessa lei.

 A solidariedade, portanto, que é o verdadeiro laço social, não o é apenas para o presente; estende-se ao passado e ao futuro, pois que as mesmas individualidades se reuniram, reúnem e reunirão, para subirem juntas a escala do progresso, auxiliando-se mutuamente. Eis aí o que o Espiritismo faz compreensível, por meio da equitativa lei da reencarnação e da continuidade das relações entre os mesmos seres. - Clélia Duplantier.”

Nota de Allan Kardec

Depois dessa resposta, Allan Kardec tece comentários em uma nota, desdobrando o pensamento do Espírito Clélia Duplantier, da qual destacamos os parágrafos 1, 2 e 5:

“Conquanto se subordine aos conhecidos princípios de responsabilidade pelo passado e da continuidade das relações entre os Espíritos, esta comunicação encerra uma ideia de certo modo nova e de grande importância. A distinção que estabelece entre a responsabilidade decorrente das faltas individuais ou coletivas, das da vida privada e da vida pública, explica certos fatos ainda mal conhecidos e mostra de maneira mais precisa a solidariedade existente entre os seres e entre as gerações”.

“Assim, muitas vezes um indivíduo renasce na mesma família, ou, pelo menos, os membros de uma família renascem juntos para constituir uma família nova noutra posição social, a fim de apertarem os laços de afeição entre si, ou reparar agravos recíprocos. Por considerações de ordem mais geral, a criatura renasce no mesmo meio, na mesma nação, na mesma raça, quer por simpatia, quer para continuar, com os elementos já elaborados, estudos começados, para se aperfeiçoar, prosseguir trabalhos encetados e que a brevidade da vida não lhe permitiu acabar. A reencarnação no mesmo meio é a causa determinante do caráter distintivo dos povos e das raças. Embora melhorando-se, os indivíduos conservam o matiz primário, até que o progresso os haja completamente transformado.”

“Não se pode duvidar de que haja famílias, cidades, nações, raças culpadas, porque, dominadas por instintos de orgulho, de egoísmo, de ambição, de cupidez, enveredam por mau caminho e fazem coletivamente o que um indivíduo faz insuladamente. Uma família se enriquece à custa de outra; um povo subjuga outro povo, levando-lhe a desolação e a ruína; uma raça se esforça por aniquilar outra raça. Essa a razão por que há famílias, povos e raças sobre os quais desce a pena de talião. ‘Quem matou com a espada perecerá pela espada’ são palavras do Cristo, palavras que se podem traduzir assim: Aquele que fez correr sangue verá o seu também derramado; aquele que levou o facho do Incêndio ao que era de outrem, verá o Incêndio ateado no que lhe pertence; aquele que despojou será despojado; aquele que escraviza e maltrata o fraco será a seu turno escravizado e maltratado, quer se trate de um indivíduo, quer de uma nação, ou de uma raça, porque os membros de uma individualidade coletiva são solidários assim no bem como no mal que em comum praticaram.”

Conclusão

Portanto, para entendermos a questão das expiações coletivas, ou resgates coletivos, abordado por Allan Kardec, em Obras Póstumas, podemos concluir, pela resposta do Espírito Clélia Duplantier, que é preciso ver o homem sob três aspectos: o indivíduo, o membro da família e, finalmente, o cidadão. Sob cada um desses aspectos ele pode ser criminoso ou virtuoso. Em razão disso, existem as faltas do indivíduo, as da família e as da nação. Cada uma dessas faltas, qualquer que seja o aspecto, pode ser reparada pela aplicação da mesma lei.

A reparação dos erros praticados por uma família ou por um certo número de pessoas é também solidária, isto é, os mesmos Espíritos que erraram juntos reúnem-se para reparar suas faltas. A lei de ação e reação, nesse caso, que age sobre o indivíduo, é a mesma que age sobre a família, a nação, as raças, enfim, o conjunto de habitantes dos mundos, os quais formam individualidades coletivas.

Tal reparação se dá porque a alma, quando retorna ao Mundo Espiritual, conscientizada da responsabilidade própria, faz o levantamento dos seus débitos passados e, por isso mesmo, roga os meios precisos a fim de resgatá-los devidamente.



                     Gerson Simões Monteiro








                                                                                          PAZ, MUITA PAZ!
Título: Re: Allan Kardec
Enviado por: dOM JORGE em 20 de Maio de 2013, 21:18
                                                                        VIVA JESUS!




              Boa-tarde! queridos irmãos.




                     O Estilo é o Homem



    Aquele que, por tanto tempo, figurou no mundo científico e religioso sob o pseudônimo de Allan Kardec, chamava-se Rivail e morreu aos 65 anos.

 

     Vimo-lo deitado num simples colchão, no meio daquela sala das sessões que há longos anos presidia; vimo-lo com o rosto calmo, como se extinguem aqueles a quem a morte não surpreende, e que, tranqüilo quanto ao resultado de uma vida vivida honesta e laboriosamente, deixam como que um reflexo da pureza de sua alma sobre esse corpo que abandonam à matéria.

 

     Resignados pela fé numa vida melhor e pela convicção da imortalidade da alma, numerosos discípulos foram dar um último olhar a esses lábios descorados que, ainda ontem, lhes falava a linguagem da Terra. Mas já tinham a consolação do além-túmulo; o Espírito de Allan Kardec viera dizer como tinha sido o seu desprendimento, quais as suas impressões primeiras, quais de seus predecessores na morte tinham vindo ajudar sua alma a desprender-se da matéria. Se “o estilo é o homem”, os que conheceram Allan Kardec vivo só podiam comover-se com a autenticidade dessa comunicação espírita.

 

     A morte de Allan Kardec é notável por uma coincidência estranha. A Sociedade formada por esse grande vulgarizador do Espiritismo acabava de chegar ao fim. O local abandonado, os móveis desaparecidos, nada mais restava de um passado que devia renascer sobre bases novas. Ao fim da última sessão, o presidente tinha feito suas despedidas; cumprida a sua missão, ele se retirava da luta diária para se consagrar inteiramente ao estudo da Filosofia Espiritualista. Outros, mais jovens - os valentes - deviam continuar a obra, e fortes na sua virilidade, impor a verdade pela convicção.

 

     Que adianta contar detalhes da morte? Que importa a maneira pela qual o instrumento se quebrou e porque consagrar uma linha a esses restos integrados no imenso movimento das moléculas? Allan Kardec morreu na sua hora. Com ele, fechou-se o prólogo de uma religião vivaz que, irradiando cada dia, em breve terá iluminado a Humanidade. Ninguém melhor que Allan Kardec poderia levar a bom termo essa obra de propaganda, à qual era preciso sacrificar as longas vigílias que nutrem o espírito, a paciência que ensina continuamente, a abnegação que desafia a tolice do presente para só ver a radiação do futuro.

 

     Por suas obras, Allan Kardec terá fundado o dogma pressentido pelas mais antigas sociedades. Seu nome, estimado como o de um homem de bem, é desde muito tempo vulgarizado pelos que crêem e pelos que temem. É difícil realizar o bem sem chocar os interesses estabelecidos.

 

     O Espiritismo destroi muitos abusos; - também reergue muitas consciências doloridas, dando-lhes a convicção da prova e a consolação do futuro.

 

     Hoje os espíritas choram o amigo que os deixa, porque o nosso entendimento, demasiado material, por assim dizer, não se pode dobrar a essa idéia da passagem. Mas, pago o primeiro tributo à inferioridade do nosso organismo, o pensador ergue a cabeça, e para esse mundo invisível, que sente existir além do túmulo, estende a mão ao amigo que se foi, convencido de que seu Espírito nos protege sempre.

 

     O Presidente da Sociedade de Paris morreu, mas o número dos adeptos cresce dia a dia, e os valentes, cujo respeito pelo mestre os deixava em segundo plano, não hesitarão em se afirmar, para o bem da grande causa.

 

     Esta morte, que o vulgo deixará passar indiferente, é um grande fato na história da Humanidade. Este não é apenas o sepulcro de um homem; é a pedra tumular enchendo o vazio imenso que o Materialismo havia cavado sob os nossos pés, e sobre o qual o Espiritismo espalha as flores da esperança.

(Pagès de Noyez - Le Journal Paris - 3/4/1869)


O registro das testemunhas do óbito, ocorreu “ao primeiro de abril de 1869, às dez horas e meia da manha”. Informaram que Rivail faleceu “ontem... em seu domicílio em Paris, na rua Ste. Anne, nº 59”. A certidão ressalta o que todos sabemos: Allan Kardec retorna ao plano espiritual, numa quarta-feira, dia 31 de março do ano de 1869, fulminado, como citam seus biógrafos, pela ruptura de um aneurisma.


                   postado em 31/03/2011 12:32 por Webmaster SEJA








                                                                                                     PAZ, MUITA PAZ!
Título: Allan Kardec, o educador
Enviado por: Edna☼ em 03 de Outubro de 2013, 19:11
http://www.youtube.com/watch?v=KDQDEceOGKY#ws



Título: Re: Allan Kardec
Enviado por: dOM JORGE em 05 de Novembro de 2013, 13:52
                                                                   VIVA JESUS!




              Bom-dia! queridos irmãos.




                        A Ciência em
Kardec

Parte 1


Na segunda metade do Século XIX, quando Allan Kardec codificou a Doutrina Espírita, a Ciência humana recebia o trabalho gigantesco de sábios ilustres, Espíritos de elevada estatura que vieram até nós para modificar nossa compreensão sobre importantes fenômenos da natureza. O método científico já estava discutido e divulgado por filósofos da estatura de Descartes e Bacon. Agora, a experimentação iria se estabelecer como a melhor forma de produzir conhecimento.

Vale a pena fazermos uma revisão histórica desse momento vivido por Kardec e pinçarmos, nos seus textos, a contribuição que a Doutrina Espírita estava trazendo para a Ciência naquela época. Com o que conhecemos hoje, temos certeza de que o cientista daquele século não tinha informações suficientes para compreender tudo o que estava sendo revelado mediunicamente para Allan Kardec. Fica, também, a certeza de que até aos dias de hoje ainda não temos alcance para abrangermos cientificamente toda a obra da codificação. Há nela informações que a Ciência humana levará tempo para confirmar e compreender.
O obscurantismo medieval

O século de Kardec estava saindo definitivamente do ranço obscurantista que dominava a Ciência da época. Até o final da Idade Média acreditava-se que a “idade da Terra” não passava de 4.600 anos; que os fósseis não tinham nenhuma ligação com o nosso passado; que o homem fora criado num paraíso que ele desrespeitou comendo o fruto proibido e, mesmo assim, ainda ocupava um lugar privilegiado entre todos os seres criados por Deus; que a vida podia nascer na água empoçada ou no meio de roupas velhas; que a madeira se queimava pela presença nela de um “flogístico”; que a eletricidade era tida como um fluido que podia se deslocar obedecendo a forças de atração e repulsão, assim como a água se desloca dos lugares mais altos para os mais baixos; que a luz se deslocava pelo Éter; que a matéria era formada por substâncias, umas elementares outras complexas, que se misturavam obedecendo a leis de afinidade ainda desconhecidas; que algumas substâncias, chamadas de “orgânicas”, só poderiam ser produzidas pelos organismos vivos; que os corpos pesados caíam em decorrência de sua tendência de ficar na Terra.         
Início das descobertas 

Na época de Kardec a Ciência ainda não produzira seus grandes avanços tecnológicos. Até 1834 uma das maiores descobertas feita por um cientista tinha sido o para-raios desenvolvido por Benjamim Franklin.

Entretanto, as Leis fundamentais que permitiriam o nascimento da Ciência moderna já tinham sido descobertas:

Galileu conseguiu comprovar a teoria heliocêntrica de Copérnico e enunciava as primeiras Leis do movimento.

Newton descobrira a matemática da gravidade, explicou o vaivém das marés, a oscilação do pêndulo, a queda dos corpos, a órbita dos astros, e fragmentou a luz sugerindo sua propagação por partículas.

Lavoisier começara a esclarecer a química da respiração e estabelecera leis de conservação da matéria.

Charles Lyell iniciou o estudo da estratificação de áreas geológicas expandindo a idade da Terra em alguns milhares de anos.

Cuvier inaugurava os estudos da paleontologia.

Na filosofia, René Descartes introduzira a reflexão, analisou a conveniência da dúvida, destacou a importância do pensamento racional e separou o estudo do corpo e da alma.

Vessálius revolucionou a anatomia do corpo humano que ele dissecava como uma máquina cujas peças podiam ser desmontadas à semelhança dos relógios e dos moinhos.

Mesmer defendeu a existência do magnetismo animal e fez surgir o sonambulismo provocado.

Galvani se encantara com a eletricidade nas patas de uma rã e Volta descobriu a química que produziria a eletricidade numa pilha rudimentar.

Na Inglaterra, o filósofo Francis Bacon ensinara como observar e experimentar com a natureza, reunindo os fatos, organizando as ideias e produzindo leis gerais a partir do raciocínio indutivo.

Vultos iluminados

Curiosamente, no mesmo momento em que a espiritualidade inspirava Kardec na produção do seu grande trabalho espiritual, a humanidade recebia pela mão de cientistas excepcionais um volume considerável de descobertas no campo das Ciências da matéria.

Charles Darwin e Alfred Wallace divulgaram seus trabalhos sobre a origem e a evolução das espécies.

Richard Virchow, patologista alemão, afirmava que toda célula viva provém de outra célula.

Na Inglaterra, Faraday ampliou nossos conhecimentos sobre a eletricidade e Maxwell reuniu em suas leis a eletricidade e o magnetismo, conseguindo incluir a luz entre os fenômenos eletromagnéticos.

No laboratório de fisiologia, na França, Claude Bernard descobriu a importância da estabilidade dos elementos químicos do sangue e Louis Pasteur iniciou suas pesquisas com a fermentação, invalidou a geração espontânea e, mais tarde, inaugurou a vacinação contra a raiva.

Em 1804, Franz Gall revolucionou a interpretação do cérebro criando a frenologia (citada por Kardec na Revue Spirite de julho de 1860, p. 198, Frenologia e fisiognomia) e em 1864 Paul Broca descobriu a área do cérebro relacionada com a fala.

Tópicos de Ciência em Kardec

Vamos fazer agora uma coleta de informações científicas em duas obras da codificação – O Livro dos Espíritos (1857) e A Gênese (1868). A Ciência de hoje está a um século e meio distante dessas obras e só agora começamos a atinar com a importância dos seus textos. Vamos abordar apenas alguns poucos tópicos que nos pareceram instrutivos.

A origem do Universo - Na época de Kardec a Ciência não tinha qualquer proposta para a origem do Universo. Foi só em 1927 que a teoria da grande explosão – o Big Bang –  começou a ser enunciada. Uma grande concentração de energia, surgida do nada, teria provocado, há 13 ou 15 bilhões de anos, a explosão que produziu toda a matéria contida no Universo. Um efeito popular dessa teoria é que ela sugere um início para o mundo em que vivemos e satisfaz a visão teológica dos que admitem o momento bíblico da Criação quando “Deus fez a luz”.

Mais recentemente, a física quântica introduziu o conceito de antimatéria e levantou a possibilidade de existir outros Universos além da realidade física em que transitamos.

Nas lições que os Espíritos nos deixaram, a criação é eterna, renova-se permanentemente, e nossa inteligência não está em condições de apreender qualquer início para o Universo – “não desapareceu essa substância donde provêm as esferas siderais; não morreu essa potência, pois que ainda, incessantemente, dá à luz novas criações e incessantemente recebe, reconstruídos, os princípios dos mundos que se apagam do livro eterno” (A Gênese cap. VI, item 17).         

Elementos do Universo - A Ciência de hoje vive alguns dilemas contraditórios. Só admite a existência da matéria, enquanto suas mais recentes teorias propõem que o que existe é energia e a matéria é uma de suas transformações. Não aceita a existência de um mundo imaterial, mas reconhece a necessidade da mente para a percepção da realidade física. E não sabe de onde se origina essa energia nem consegue ter certeza do que é a mente.

Na Filosofia, as substâncias do Universo foram sempre uma preocupação importante. Tales de Mileto considerava que tudo procede da água. Empédocles adotou os quatro elementos, que passaram a fazer parte do conhecimento ocidental por dois milênios – a terra, a água, o ar e o fogo. Tomás de Aquino acrescentou-lhes uma substância espiritual. René Descartes considerava dois elementos – o res cogitans (o sujeito pensante) e o res extensa (o objeto, a matéria). Espinoza falava em apenas uma substância e Leibnitz criou a ideia de infinitas mônadas, sendo a Alma a maior dessas mônadas.
 
 

Nubor Orlando Facure é médico neurocirurgião e diretor do Instituto do Cérebro de Campinas-SP. Ex-professor catedrático de Neurocirurgia na Unicamp (Universidade de Campinas), é escritor e expositor espírita.



                  Nubor Orlando Facure









                                                                                               PAZ, MUITA PAZ!
Título: Re: Allan Kardec
Enviado por: dOM JORGE em 05 de Novembro de 2013, 13:54
                                                                   VIVA JESUS!




             Bom-dia! queridos irmãos.




                     

Para a Doutrina Espírita existem “dois elementos, ou, se quiserem, duas forças regem o Universo: o elemento espiritual e o elemento material. Da ação simultânea desses dois princípios nascem fenômenos especiais” (A Gênese, Introdução). Acrescenta, ainda, que “não há, em todo o Universo, senão uma única substância primitiva” – o fluido cósmico universal.
A vida - Dois momentos do século passado marcaram definitivamente nossa compreensão sobre a vida. A conferência sobre “O que é vida?” que Erwin Schroedinger proferiu em fevereiro de 1943 em Dublin e a publicação de Francis Crick e James Watson de seus estudos relativos à descoberta do DNA em 25 de abril de 1953 – “o oitavo dia da criação”.
O genial físico Erwin Schroedinger propôs que a hereditariedade seria transmitida por um cristal aperiódico, o que permitiria seu estudo com métodos radiológicos. A partir daí, Crick e Watson descobriram a química da dupla hélice que contém nossos genes. Schroedinger sugeriu, também, que a vida exige um aporte externo de energia para conservar sua baixa entropia, o que corresponde a uma alta organização. A termodinâmica dos seres vivos pressupõe a ordem a partir da desordem.

O Espiritismo ensina que a matéria orgânica assume propriedades especiais quando nela atua o “princípio vital”. É no fluido cósmico universal que reside o princípio vital que tem a capacidade de dar “origem à vida dos seres e a perpetua em cada globo” (A Gênese, cap. VI, item 18). É nessa matéria “vitalizada” pelo princípio vital que irá se desenvolver o “princípio inteligente”.

A origem do homem - O homem atual é classificado como uma espécie única denominada Homo sapiens. Ele habita a Terra há cerca de 200 mil anos e é procedente da evolução de hominídeos e outras espécies do gênero Homo cujos achados fósseis já se contam às dezenas.

Há duas correntes que tentam explicar a presença da nossa espécie em lugares tão variados da Terra. Para alguns, nós tivemos uma origem única em território africano e para outros é possível que tenhamos tido origem em diversos pontos do globo. Kardec aborda a origem do homem no capítulo XI de A Gênese e sugere que o corpo humano teria tido origem em diversos pontos da Terra; quanto ao Espírito humano, ele se desenvolveu tanto no planeta como migrou de outros mundos do nosso Universo.         

A origem e evolução das espécies - Charles Darwin publicou “A origem das espécies” dois anos após a primeira edição de O Livro dos Espíritos. Darwin sugere a evolução biológica para explicar a variedade das espécies, enquanto Kardec apresenta a evolução espiritual como princípio fundamental para justificar os propósitos da vida.

Darwin veio comprovar que todas as espécies vivas têm uma origem comum. O homem deixa de ser criatura que já nasce pronta nos jardins do Éden, para percorrer junto com todas as outras espécies a mesma  árvore da vida, obedecendo no percurso de milênios a transformações adaptativas.

Já ensinam, claramente, os Espíritos superiores que orientavam Kardec, que “o Espírito não chega a receber a iluminação divina que lhe dá, simultaneamente com o livre-arbítrio e a consciência, a noção de seus altos destinos, sem haver passado pela série fatal dos seres inferiores, entre os quais se elabora lentamente a obra da sua individualização” (A Gênese, cap. VI, item 19).   

Ideias inatas - Essa discussão esteve provocando os filósofos durante milênios. Platão considerava que a alma, ao nascer, já traz conhecimentos que adquiriu no mundo das ideias. No mito da caverna ele sugere que nossa vida material é apenas o reflexo de um mundo verdadeiro pré-existente, e fonte de todo conhecimento. Seu discípulo Aristóteles atribuía o aprendizado à experiência e acreditava que todo conhecimento provém dos sentidos. John Locke também via a mente como uma “tábula rasa”. René Descartes, pelo contrário, defendia a existência de ideias que nos são inatas, como a noção de Deus, as ideias matemáticas e as verdades eternas.

Atualmente essa polêmica envolve, principalmente, a biologia e a neuropsicologia. A descoberta dos genes permitiu-nos conhecer mais profundamente a extensão das nossas heranças e a discussão se estabeleceu em torno de quanto nosso conhecimento é aprendido através da experiência e quanto os genes programam nossos comportamentos. O dilema ganhou fama dividindo ambientalistas e geneticistas na expressão “nature versus nurture” (ambiente versus hereditariedade; aprendizado versus instinto). Nos dias de hoje, ninguém mais duvida da participação tanto dos genes como da estimulação do ambiente na produção do conhecimento.

Na questão 218–a, de O Livro dos Espíritos, Kardec pergunta se a teoria das ideias inatas não seria apenas uma quimera. Os Espíritos nos ensinaram que “os conhecimentos adquiridos em cada existência não mais se perdem. Liberto da matéria, o Espírito sempre os tem presentes. Durante a encarnação, esquece-os em parte, momentaneamente; porém, a intuição que deles conserva lhe auxilia o progresso. Se não fosse assim, teria que recomeçar constantemente”. (Continua na próxima edição desta revista.) 
 

Nubor Orlando Facure é médico neurocirurgião e diretor do Instituto do Cérebro de Campinas-SP. Ex-professor catedrático de Neurocirurgia na Unicamp (Universidade de Campinas), é escritor e expositor espírita.



              Nubor Orlando Facure









                                                                                                        PAZ, MUITA PAZ!
Título: Re: Allan Kardec
Enviado por: dOM JORGE em 10 de Novembro de 2013, 15:17
                                                            VIVA JESUS!




            Boa-tarde! queridos irmãos.




                    A Ciência em
Kardec

Parte 2 e final
 
Percepção da dor e visão



Nós já sabemos desde o século passado quais são os neurônios envolvidos na percepção da dor e das imagens visuais. O neurologista conhece todo o trajeto percorrido pela sensação de uma espetada na pele e que provoca dor. A mesma coisa para os objetos registrados pela retina e que o cérebro codifica em imagem. O que nós já sabemos, também, é que todo esse trajeto de vias nervosas representa apenas uma pequena percentagem nos dois fenômenos, a percepção de dor e a visão dos objetos.

Nos dois casos, o mais importante é o processo mental que interpreta a dor e que dá significado às imagens. Dizem os neurologistas que esse fenômeno mental depende de uma série de fatores. A maneira como expressamos a nossa dor e damos significado ao que estamos vendo está fortemente ligada à nossa cultura, à personalidade, às experiências anteriores, às memórias, ao ambiente. Na verdade, tanto a dor como a visão são processos mentais interpretativos, ou, como dizem neurologistas mais liberais, tudo não passa de “uma opinião pessoal”.

É surpreendente o que podemos aprender n´O Livro dos Espíritos, que nos ensina como esses dois fenômenos afetam o espírito: “A lembrança que da dor a alma conserva pode ser muito penosa”. “A dor que sentem não é, pois, uma dor física propriamente dita: é um vago sentimento íntimo... porque a dor não se acha localizada e porque não a produzem agentes exteriores” (O Livro dos Espíritos, pergunta 257).

Quanto à visão (perguntas 245, 246 e 247), “ela reside em todo ele. Veem por si mesmos, sem precisarem de luz exterior. Como o Espírito se transporta aonde queira, com a rapidez do pensamento, pode-se dizer que vê em toda parte ao mesmo tempo”.

A Neurologia deverá confirmar no futuro essas duas informações que Kardec nos legou para estudo. Precisará, inicialmente, considerar a mente como sinônimo de alma.

O tempo

Na teoria mecanicista de Newton, o tempo era considerado uma grandeza absoluta, caso contrário, os cálculos que mediam as distâncias entre os planetas dariam errados. Einstein, entretanto, perverteu essa relação, propôs a relatividade do tempo, aumentando a precisão dessas medidas.

Independente das proposições científicas, os filósofos sempre conjeturaram sobre a natureza do tempo. Henri Bergson deu-nos a afirmação poética de que “o Tempo da consciência não é o mesmo Tempo da Ciência”. Para o senso comum, todos nós já constatamos que o passar do tempo é circunstancial. Basta esperar o ano para os alunos da escola, os meses para a mulher grávida, os dias para quem paga o aluguel, as horas para quem marcou um encontro, os minutos para o trem passar e os milésimos de segundos para a Fórmula 1.

A Neurologia vê a noção de tempo como uma experiência nitidamente mental, ocupando diversas áreas do cérebro ao mesmo tempo.

Kardec recebeu dos Espíritos a informação de que “o tempo é apenas uma medida relativa da sucessão das coisas transitórias; a eternidade não é suscetível de medida alguma, do ponto de vista da duração; para ela, não há começo, nem fim: tudo é presente” (A Gênese, cap. VI, item 2). Precisamos destacar esta afirmação de consequências e complexidade extraordinárias: para o Espírito tudo é presente.

As propriedades da matéria

Em O Livro dos Espíritos (perguntas 29 a 34) ficamos sabendo sobre a existência de um só elemento primitivo que dá origem a todas as propriedades da matéria. Estando presos à realidade material do nosso mundo, conseguimos identificar as propriedades químicas e físicas da matéria grosseira que compõe nossa dimensão física. Entretanto, o elemento primitivo (fluido cósmico), que se expande por todo universo, tem propriedades especiais que ainda não conhecemos e que dão à matéria a capacidade de experimentar todas as modificações e adquirir todas as propriedades. Dizem então os Espíritos “que tudo está em tudo”.

Só assim poderemos entender as expressões extraordinárias dos fenômenos mediúnicos de efeitos físicos, quando as leis de ponderabilidade são pervertidas. Uma pedra, tão sólida como a conhecemos, pode atravessar um telhado e se acomodar dentro de um armário fechado. São essas mudanças nas propriedades da matéria que o fluido cósmico realiza e que a Ciência ainda não conhece, por ignorar os princípios de sua atuação.

Ainda não temos alcance, também, para compreendermos a extensão da ligação espiritual que esse fluido universal permite à matéria submeter-se ao pensamento de Deus. Em A Gênese (capítulo II) dizem os Espíritos que “cada átomo desse fluido, se assim nos podemos exprimir, possuindo o pensamento, isto é, os atributos essenciais da divindade e estando o mesmo fluido em toda parte, tudo está submetido à sua ação inteligente, à sua previdência, à sua solicitude”. “A natureza inteira está mergulhada no fluido divino.”

O pensamento criativo e as ideias fixas

O imaterialismo de Berkeley (Donald George Berkeley, filósofo irlandês, 1685-1753) propunha que o “existir não é mais do que ser percebido”. “A matéria só existe quando percebida.” “As percepções visuais não são de coisas externas, mas simplesmente ideias na mente.” Sócrates afirmava que “as coisas existem em virtude de como as percebemos”. Em O Livro dos Espíritos (pergunta 32) os Espíritos ensinam que as qualidades dos corpos (“os sabores, os odores, as cores, as qualidades venenosas ou salutares”) só existem devido à disposição dos órgãos destinados a percebê-las. É bem assim que a Neurologia de hoje compreende a percepção que fazemos de um objeto que atinge nossos sentidos.

Propostas da atualidade estão afirmando que a matéria só se manifesta como interação mental. Entretanto, os neurologistas ainda não conseguem compreender a natureza da criação mental, a não ser quando um comportamento expressa uma resposta a um estímulo sensorial. O pensamento intuitivo ou o pensamento abstrato estão longe de qualquer experimento laboratorial.

Na doutrina espírita aprendemos que o pensamento procede do Espírito, fonte de energia criadora que usa o cérebro como instrumento de suas ideias.

No campo do pensamento os Espíritos acrescentaram conhecimento inédito e tão extraordinário que até hoje a Ciência sequer tem instrumentos para estudá-lo. Dizem os Espíritos que o pensamento atua sobre o fluido universal criando nele “imagens fluídicas”, o pensamento se reflete no nosso envoltório perispirítico, como num espelho, e aí de certo modo se fotografa.

“Esse fluido (perispirítico) não é o pensamento do Espírito; é, porém, o agente e o intermediário desse pensamento. Sendo quem o transmite, fica, de certo modo, impregnado do pensamento transmitido” (A Gênese, capítulo II, item 23).

Daí a gravidade de nos escravizar a pensamentos persistentes que nos aprisionam; a desejos que nos perturbam; a vinganças que não se justificam; a ódios que não se apagam; a paixões que nos desequilibram; a projetos que não temos alcance. São todas elas “ideias fixas” que se “materializam” em nossa esfera mental, criando “ideias-formas”, “imagens fluídicas”, “miasmas mentais” que justificam as inúmeras expressões de neuroses e psicoses comuns na psicopatologia humana.



                Nubor Orlando Facure









                                                                                                      PAZ, MUITA PAZ!
Título: Desencarne de Allan Kardec
Enviado por: Edna☼ em 31 de Março de 2014, 15:17
[attachimg=1 align=left width=350]  31/03/1869  -  DESENCARNE DE ALLAN KARDEC

"Trabalhador infatigável, sempre o primeiro a iniciar o trabalho e o ultimo a deixá-lo, ALLAN KARDEC sucumbiu a 31 de março de 1869, em meio dos preparativos para mudar de domicilio, como lhe exigia a extensão considerável das múltiplas ocupações.

Morreu como viveu: trabalhando. Desde longos anos sofria do coração, que reclamava, como meio de cura, o repouso intelectual, com pequena atividade material. Ele, porém, inteiramente entregue às obras, negava-se a tudo o que lhe roubasse um instante das suas ocupações e predileção.

Nele, como em todas as almas de boa têmpera, a lima do trabalho gastou o aço do invólucro. O corpo, entorpecido, recusava-lhe os serviços; mas o espírito, cada vez mais vivaz, mais enérgico, mais fecundo, alargava-lhe o círculo da atividade. Na luta desigual a matéria nem sempre podia resistir. Um dia foi vencida: o aneurisma rompeu-se e ALLAN KARDEC caiu fulminado.

Um homem desapareceu da Terra, mas o seu grande nome tomou lugar entre as ilustrações do século e um culto espírito foi retemperar-se no infinito, onde aqueles, que ele próprio havia consolado e esclarecido, lhe esperavam a volta com impaciência.

“A morte – dizia mui recentemente --, a morte amiúda os golpes na falange dos homens ilustres!... A quem virá ela agora libertar?”.

Foi ele, depois de tantos outros, retemperar-se no espaço me buscar outros elementos para renovar o organismo gasto por uma vida de labores incessantes. Partiu com aqueles que virão a ser os luminares da nova geração, a fim de voltar com eles para continuar e concluir a obra que deixou confiada a mãos dedicadas.

O homem deixou-nos, mas a sua alma estará sempre conosco. É um protetor seguro, uma luz a mais, um labutador infatigável, que foi aumentar as forças das falanges do espaço.

Como na Terra, saberá moderar o zelo dos impetuosos, secundar as intenções dos sinceros e dos desinteressados, estimular os vagarosos – saberá enfim, sem ferir a ninguém, fazer com que todos lhe ouçam os mais convenientes conselhos.

Ele vê e reconhece agora o que ainda ontem apenas previa. Não mais está sujeito às incertezas e aos desfalecimentos e contribuirá para participarmos das suas convicções, fazendo-nos alcançar a meta, dirigindo-nos pelo bom caminho, tudo nessa linguagem clara, precisa, que constitui um característico nos anais literários.

O homem, nós o repetimos, deixou-nos, mas ALLAN KARDEC é imortal, e a sua memória, os trabalhos, o Espírito, estarão sempre com aqueles que sustentaram com firmeza e elevação a bandeira que ele sempre soube fazer respeitar.

Uma individualidade pujante construiu o monumento. Esse monumento será, para nós na Terra a personificação daquela individualidade. Não se congregarão em torno de ALLAN KARDEC: congregar-se-ão em torno do Espiritismo, que é o monumento por ele erigido. Através dos conselhos dele, sob a sua influência, caminharemos com passo firme para essas fases venturosas prometidas à humanidade regenerada.

Fonte: (Revue Spirit, Maio 1869)



"Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sem cessar,
tal é a lei
".

A Lápide (Música com texto gravado na lápide de Allan Kardec) (http://www.forumespirita.net/fe/go.php?url=aHR0cDovL3d3dy55b3V0dWJlLmNvbS93YXRjaD92PUZYTFlZXzNmMjRNI3dz)


Obrigada por tudo, Allan Kardec!


Edna ;)
Título: Re: Allan Kardec
Enviado por: wender100%espirita em 01 de Abril de 2014, 01:27
145 anos do desencarne do Mestre Kardec , com certeza se não fosse ele a Doutrina Espirita não seria tão bem codificada! paz e luz
Título: Re: Allan Kardec
Enviado por: Edna☼ em 01 de Abril de 2014, 16:19
[attach=1align=left width=350] Lembrando o codificador da Doutrina Espírita  é imperioso estejamos alerta em nossos deveres fundamentais.  Convençamo-nos que é necessário:

Sentir Kardec;

Estudar Kardec;

Anotar Kardec;

Meditar Kardec;

Analisar Kardec;

Comentar Kardec;

Interpretar Kardec;

Cultivar Kardec;

Ensinar Kardec e

Divulgar Kardec...

Que é preciso cristianizar a Humanidade é afirmação que não padece dúvida, entretanto, cristianizar, na Doutrina Espírita, é raciocinar com a verdade e construir com o bem de todos, para que, em nome de Jesus, não venhamos a fazer sobre a Terra mais um sistema de fanatismo e de negação.


Espírito Emmanuel, Francisco Cândido Xavier, Fonte de Paz. IDE.

Título: Allan Kardec - Defensor do Espiritismo
Enviado por: Edna☼ em 01 de Abril de 2014, 16:48
[attachimg=2 align=left width=350  ]KARDEC - DEFENSOR DO ESPIRITISMO
Ao longo de sua vida, Kardec teve de enfrentar inúmeros desafios, insultos e injúrias dirigidas tanto ao Espiritismo quanto à sua conduta pessoal como codificador da Doutrina. Os ataques, geralmente gratuitos ou movidos por interesses escusos, forma devidamente rebatidos por Kardec, principalmente nas páginas da Revista Espírita.

Eurípedes Kühl
Nosso objetivo aqui não é remoer o passado infeliz, mas sim pôr a descoberto para os espíritas de hoje como Kardec é para nós um modelo-defensor, a toda vez que o Espiritismo seja alvo de aleivosias que, infelizmente, ainda ocorrem com freqüência.

Será sempre útil conhecermos o amor puro que ele dedicou à Doutrina dos Espíritos e as lutas que teve que enfrentar em sua defesa.

Seu exemplo não pode, de maneira alguma, deixar de ser seguido sempre que idênticas ocasiões se apresentem para nós. Esse é um dever e mesmo um compromisso a que não deveremos jamais nos recusar ou omitir.

A data de nascimento do Espiritismo é a mesma da de Allan Kardec: 18 de abril de 1857. Certidão de ambos inexistem, em termos cartorários. Com efeito, ninguém jamais encontrará nos registros cíveis da França o nome de Allan Kardec, e entretanto esse personagem francês é bem conhecido pela história mundial.

Explica-se: em 3 de outubro de 1804, na cidade de Lyon (França), nasceu Hippolyte-Léon-Denizard Rivail, descendente de antiga família lionesa, católica, de nobres e dignas tradições. Ele se tornaria famoso por seus invulgares dotes morais e intelectuais, inteiramente voltados para a educação, como professor e tradutor, além de autor de inúmeras obras pedagógicas destinadas à instrução primária, secundária e até mesmo superior, algumas com aplicação até hoje na França.

Aos 50 anos de idade, o professor Hippolyte era membro efetivo de doze associações culturais francesas. Foi por essa época que teve a atenção voltada para os espetáculos públicos das chamadas “mesas girantes e dançantes” (mesas que se erguiam nos ares, desenhavam movimentos e respondiam, por pancadas, às perguntas dos circunstantes). Tais espetáculos eram então verdadeira epidemia no mundo.

Investigando o insólito fenômeno, seu cérebro privilegiado detectou que só por forças desconhecidas aquilo poderia acontecer: forças pensantes. Daí a atinar serem espíritos que, através de intermediação com encarnados, “davam vida e inteligência” à matéria, foi uma brilhante dedução, tão desapercebida à maioria das pessoas quanto simples, qual o “ovo de Colombo”.

DECIDIDO A “PÔR EM PRATOS LIMPOS” TAIS FENÔMENOS, valendo-se do invulgar tirocínio que abrilhantava sua mente e trilhando metodologia científica, não tardou a comprovar que os chamados “mortos” viviam além-túmulo. E mais, que esses tais, em circunstâncias naturais, com intermediação de encarnados (médiuns), podiam dialogar com aqueles que ainda não tinham ido para o reino “das sombras”.

A esse intercâmbio entre o plano material e o espiritual, denominou mediunidade. Descobriu logo que “do lado de lá” não existiam apenas “sombras”, bem ao contrário: de lá se originavam muitas luzes, permanentemente disponíveis àqueles que concedessem à razão uma chance de comprová-lo. Ele concedeu!

Num trabalho altamente didático, valendo-se de vários médiuns desconhecidos entre si, formulou centenas de perguntas “aos mortos” e deles obteve resposta para todas, paralelas no conteúdo, consentâneas com a lógica.

Com impecável pedagogia, garimpou esse farto material e catalogou-o em código, daí resultando as chamadas cinco “obras básicas”.

Não querendo comprometer a Doutrina dos Espíritos à sua já enaltecida carreira de homem público, houve por bem adotar o pseudônimo de Allan Kardec. Porém, ali se inaugurava um ciclo de grandes dificuldades para ele e esposa.

Em todos os campos da atividade humana, em todos os tempos, sempre ocorre de idéias novas não serem aceitas “a priori”, mas apenas após duros embates daqueles que as formulam, ou após a vida diplomá-las com o selo da verdade. O Espiritismo não ficou indene a tais investidas.

Mas, como não existe força no universo superior à “força da razão”, que será sempre vitoriosa nos embates contra aqueles que querem ter “razão à força”, também as multiplicadas críticas ao Espiritismo, eivadas de injúrias e controvérsias, não resistiram. Como jamais resistirão!

Allan Kardec codificou o Espiritismo e nele palmilhou por 12 anos. Foram anos difíceis, de permanentes ataques à nova ordem filosófica, bem como a ele próprio, “que não foi poupado, sequer, nos assuntos de sua vida pessoal, privada. Um escândalo que envolvesse dinheiro, riquezas, bem que serviria para ferir fundo os propósitos que o animavam, da implantação por tantos indesejada de uma Doutrina como a do Consolador prometido por Jesus. As acusações partiram de toda parte, de sacerdotes e de vários indivíduos e organizações (...) Houve até verdadeiros traidores, criaturas perturbadas e de intenções as mais sórdidas e torpes no movimento nascente, na própria Sociedade de Paris” (as notas foram extraídas da coleção Revista Espírita, 1858-69, e da obra Allan Kardec — Pesquisa Biobibliográfica e Ensaios de Interpretação, 11 Volume, de Zêus Wantuil e Francisco Thiesen. Ed. FEB, 1973).

continua... ;)
Título: Allan Kardec - Defensor do Espiritismo
Enviado por: Edna☼ em 01 de Abril de 2014, 17:38
SENTINDO QUE O ALTO O CREDENCIARA para tão glorioso cometimento, Kardec manteve-se destemido, atento, “o capitão e o alferes”, como ele próprio o diria, uma vez, num desabafo.

Kardec rebateu às inúmeras ofensas ao Espiritismo (e a ele próprio), a todas, apelando sempre para o bom senso e para a lógica, clareando as mentes agressoras com o ensino dos Espíritos. Aqui, vamos apresentar de forma sintética apenas alguns desagravos, mostrando como a inteligência e a evolução espiritual do Codificador o tornaram inigualável defensor do Espiritismo.

Na Revista Espírita de dezembro de 1859, responde a um articulista que lançara o ridículo sobre a ação dos espíritos que giravam mesas, sobre a “nova doutrina” (o Espiritismo), bem como aos seus partidários dizendo-lhe:

“(..) parece que não amais as doutrinas; cada um com seu gosto; todo o mundo não gosta da mesma coisa: somente direi que não sei muito a qual papel intelectual o homem seria reduzido se, desde que está sobre a Terra, não tivesse doutrinas que, fazendo-o refletir, o tirasse do estado passivo da brutalidade”.

Ainda na mesma revista, Kardec assim respondeu a um sacerdote que, discorrendo sobre o Espiritismo por volta de 1859, dissera que há os que em nada crêem: “(..) é prudente não nos pronunciarmos com muita leviandade a respeito de coisas que não conhecemos”. Na Revista Espírita de 1860, Kardec se expressou: “(...) deixando aos nossos contraditores o triste privilégio das injúrias e das alusões ofensivas, não os seguiremos no terreno de uma controvérsia sem objetivo (...) Estudai primeiro e veremos em seguida. Temos outras coisas a fazer do que falar àqueles que não querem ouvir”.

Na Revista Espírita de dezembro de 1861, há a narração do tenebroso “Auto-de-fé de Barcelona” (Espanha), pelo qual, em 9 de outubro de 1861, justamente no local onde eram executados os criminosos condenados à pena de morte, a Inquisição espanhola, representada por um padre revestido dos trajes sacerdotais próprios para o ato, tendo numa das mãos uma cruz, e na outra uma tocha, queimou em praça pública centenas de livros espíritas, dentre os quais O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O que é o Espiritismo, todos de Allan Kardec; coleções da Revue Spiritualiste, redigida por Piérat; Fragmento de Sonata, ditado pelo espírito de Mozart ao médium Sr. Bryon-Dorgeval; Carta de um Católico Sobre o Espiritismo, pelo Dr. Grand, antigo vice-cônsul de França; História de Joana D’Arc, ditada por ela mesma a Srta. Ermance Dufaux, de 14 anos de idade; e por fim A Realidade dos Espíritos Demonstrada pela Escrita Direta, do barão de Guldenstubbé.

O século não mais comportava aquela cena tão bizarra quanto ridícula, mas a praça estava atravancada por uma multidão que a tudo assistia, espantada.

Para não nos alongarmos, apenas uma frase de Kardec sobre o assunto: “Se examinarmos este processo sob o ponto de vista de suas conseqüências, desde logo vemos que todos são unânimes em dizer que nada podia ter sido mais útil para o Espiritismo”.

E como foi! No mundo todo, mentes se agitaram e buscaram avidamente conhecer o conteúdo de tão “pernicioso material” destruído naquelas “chamas salvadoras”.

Na Revista Espírita de 1862, nas páginas l79/183, num artigo intitulado Eis Como Escrevem a História!, e sub intitulado Os Milhões de Allan Kardec, o mestre responde a um eclesiástico de grande cidade comercial (Lyon, provavelmente), o qual propalava existir uma fabulosa fortuna amealhada por Allan Kardec, mediante o Espiritismo. Chegava o padre V...ao disparate de dizer que Kardec pisava, em sua casa, os mais belos tapetes de Aubusson, tinha carruagem puxada por quatro cavalos e gastava principescamente em Paris. O padre dizia que toda a fortuna de Kardec vinha da Inglaterra (?), e que ele vendia caro os manuscritos de suas obras, cobrando ainda, sobre elas, uma percentagem. E outras coisas mais, absurdas, verdadeiras sandices.

Respondendo à história ultra-leviana dos “milhões” registrou Kardec: “(...) carruagem de quatro cavalos: minhas viagens, faço-as por trem; vida principesca: (...) minhas refeições são bem mais magras que a magra de certos dignitários da Igreja; venda de seus manuscritos: isto entra no domínio privado, onde não reconheço a quem quer que seja o direito de se imiscuir (...) se tivesse vendido meus manuscritos nada mais faria que usar do direito que todo trabalhador tem de vender o produto do seu trabalho: mas, não vendi nenhum: há mesmo os que dei pura e simplesmente no interesse da causa, e que vendem como querem sem que me caiba um soldo”.

Revela, ainda: “A primeira edição de O Livro dos Espíritos foi feita por minha conta e risco total, pois não encontrei editor que dela quisesse encarregar-se”. Na Revista Espírita de junho de 1863 encontramos dois ataques. O primeiro de um padre considerando que “nada mais é abjeto, mais degradante, mais vazias de fundo e de atrativo na forma do que essas publicações (espíritas)”, logo bradando o padre: “destruí-os, pois, com isso não perdereis nada. Com o dinheiro que se dispensa em Lyon por essas inépcias, ter-se-iam facilmente fundado alguns lugares a mais nos hospícios de alienados, atravancados depois da invasão do Espiritismo”. Em magistral resposta, eis Kardec, enérgico, mas pacificador: “Lede, e se isto vos convém, retomais a nós; fazemos mais, dizemos: lede o pró e o contra e comparai. Respondemos aos vossos ataques sem fel, sem animosidade, sem amargor, porque não temos cóleras”.

continua... ;)

Título: Allan Kardec - Defensor do Espiritismo
Enviado por: Edna☼ em 01 de Julho de 2014, 20:00
O SEGUNDO FOI UM TEXTO DE ANTIGO OFICIAL REFORMADO, ex-representante do povo na Assembléia Constituinte de 1848, que publicou em Argel uma brochura de calúnias, injúrias, invenções e ofensas pessoais, dirigidas ao Espiritismo e ao mestre lionês. Sobre a Revista Espírita, assacou: “Existe uma revista mensal espírita, publicada pelo Sr. Allan Kardec, coletânea indigesta que ultrapassa de longe as lendas maravilhosas da antiguidade e da Idade Média”.

Procurava o difamador provar que a finalidade do Espiritismo era uma gigantesca especulação. Para tanto, alinhavou uma série de cálculos absurdos de que resultaram, para Kardec, rendimentos fabulosos que “deixavam bem para trás os “milhões” com que certo padre de Lyon (item acima) generosamente o gratificara”.


Arrematou o indigitado oficial, expondo quantias absurdas coletadas por Kardec: “Se a Europa se deixar infestar, não será mais por milhões que a renda (do proprietário da Reme e soberano pontífice) se avaliará, mas sim por bilhões”.

Sem se abalar, Kardec demonstra que do balanço anual da Sociedade de Paris, apenas restaram 429 francos e 40 centavos, sendo que de tudo ali jamais fora cobrado algo a quem quer que fosse. E que, ao invés dos 3.000 membros, o número não chegava a 100, dos quais apenas alguns eram pagantes (voluntários); que o que ali se arrecadava era gerido por uma comissão de despesas, sem jamais qualquer valor passar pelas mãos do presidente (ele, Kardec).

Na Revista Espírita de junho de 1864, há a notícia de que a Sagrada Congregação do Index, da corte de Roma, voltara suas vistas às obras de Kardec sobre Espiritismo. Assinalou Kardec: “Se uma coisa surpreendeu os espíritas, é que tal decisão não tenha sido tomada mais cedo, sendo que essa medida da Igreja, uma das que já esperava, só traria bons efeitos, e, segundo notícias por ele recebidas, a maioria das livrarias se apressou em dar maior evidência às obras proibidas”.

Na Revista Espírita de 1869, lendo num jornal a frase “Na França o ridículo sempre mata”, faz várias considerações a respeito e arremata: “Na França, ridículo sempre mata o que é ridículo. Isto explica porque o ridículo, derramado em profusão sobre o Espiritismo, não matou”.

Há muito mais, porém o espaço e a própria valia não o aconselham. E também, apresentar outras diatribes... para quê?

Contudo, se algum pesquisador quiser se inteirar das incontáveis atribulações por que passou Allan Kardec, sendo ferozmente atacado por todo tipo de calúnia, há mais notas na obra já citada Allan Kardec - Pesquisa Biobibliográfica e Ensaios de Interpretação, ainda que a obra também não se alongue em tais disparates.

continua.... ;)
Título: Allan Kardec - Defensor do Espiritismo
Enviado por: Edna☼ em 20 de Dezembro de 2014, 19:44
QUEM TIVER O CUIDADO DE PERCORRER A COLEÇÃO DA REVISTA ESPÍRITA se espantará diante de outros tantos absurdos e cruéis ataques desferidos contra Kardec, que a todos ripostou valente e doutrinariamente, esgrimindo sabedoria e amor, sobretudo.

A certa altura da sua vida, ele disse, na Revista Espírita de 1865, na página 163: “(...) jamais pedi nada a ninguém, ninguém jamais me deu algo para mim pessoalmente; nenhuma coleta de um ‘ceitil sequer’ veio prover minhas necessidades; numa palavra, não vivo a expensas de ninguém, pois, quanto às quantias que voluntariamente me foram confiadas no interesse do Espiritismo, nenhuma parcela foi desviada em meu proveito. (...) O Espiritismo foi a obra de minha vida. Dei-lhe todo o meu tempo, sacrifiquei-lhe meu repouso, minha saúde, porque diante de mim o futuro estava escrito em caracteres irrecusáveis. Eu o fiz de motu proprio, e minha mulher, que não é nem mais ambiciosa nem mais interessada do que eu, aderiu plenamente aos meus intentos e me secundou na minha laboriosa tarefa”.

Amélie Gabrielle Boudet (1795-1883), esposa de Kardec, nos 40 anos em que esteve com Kardec e mesmo após a morte do marido, nos 14 anos em que esteve encarnada prosseguiu corajosamente sustentando “a obra Espiritismo”, em todas as frentes de trabalho, particularmente na publicação da Revue Spirite.

Nós, os espíritas do mundo todo, muito devemos a ela! E apenas como breve registro, vejam a barbaridade perpetrada contra a viúva de Allan Kardec, já bem idosa: teve de enfrentar a tempestade de um processo contra a Revista Espírita, devido Pierre-Gaëtan Leymarie (editor das obras de Kardec) ter acolhido o trabalho de um fotógrafo, que dizia produzir fotografias transcendentais, ou seja, ao fotografar uma pessoa, parentes e amigos desencarnados do fotografado apareciam na foto.

O fotógrafo fez um acordo com o juiz, assinou uma confissão de fraude, escapando assim da prisão. Contudo, Leymarie foi condenado e cumpriu um ano de prisão na Penitenciária de Paris.

Intimada como testemunha, a velha senhora foi desrespeitada pelo juiz, aviltando a memória de Allan Kardec, o que provocou viva reação da viúva do Codificador, exigindo respeito à memória de seu esposo.

Sendo o Espiritismo verdadeira bússola para nossas rotas e farol a dissipar as brumas dos nossos limites, relembrando das lutas íntimas e das defesas intransigentes daquele que o codificou, certamente nosso coração, de par com a mente, estará murmurando:
Kardec, Kardec, Deus lhe pague!


Fonte:  Mythos Editor,  (Extraído da revista Espiritismo e Ciência número 20, páginas 14-20)

Texto compartilhado para fins de estudo.
Título: Allan Kardec, o Reformador
Enviado por: Edna☼ em 02 de Outubro de 2017, 21:34
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"Flammarion tinha razão quando, afirmou que Kardec era o "bom senso encarnado".

Se perlustrarmos a sua vida desde que foi inteirado das mesas girantes, pelo magnetizador M. Fortier, até o findar da sua existência terrena, veremos, realmente, que o Mestre pautou a sua vida estritamente pelas normas da ponderação, do exame sem preconceito e da análise imparcial.

Em seu espírito  de perscrutador profundo, contribuiu consideravelmente, para que a Doutrina dos Espíritos tomasse corpo, assumindo as proporções gigantescas de hoje.

A missão de Allan Kardec foi a de um Reformador. Ele codificou uma doutrina, que encerra a comunicação do Espírito de Verdade, que, no dizer de Jesus Cristo, viria, em tempo oportuno, trazer novos ensinamentos, quando o gênero humano estivesse mais bem preparado para assimilá-lo.

O preclaro professor desempenhou uma obra árdua e cheia de intensos sacrifícios, mormente por ter como cenário um século no qual a Ciência caminhava a largos para um materialismo distanciado de Deus.

A exemplo do que aconteceu com Jesus Cristo, Allan Kardec também teve opositores sistemáticos, que jamais esmoreciam no combate as novas ideias.

Entretanto, como os tempos eram chegados, a obra de Kardec logicamente se apresentou como a Verdade irretorquível, abalando a estrutura milenar dos velhos sistemas religiosos e empolgando a Humanidade do mundo onde vivemos.

O ilustre filho de Lyon veio para esclarecer melhor tudo aquilo que Jesus havia ensinado, dando-lhe novas configurações a luz da Doutrina Espírita, em cumprimento a promessa do Cristo sobre o advento do Espírito de Verdade, do Consolador."



Fonte: O Evangelho da Redenção, Paulo Alves Godoy


Compartilhado parte do texto para fins de estudo.