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GERAL => Outros Temas => Espiritismo & Jovens => Tópico iniciado por: Victor Passos em 19 de Agosto de 2007, 13:00

Título: Pais e Filhos: Princípio, Meio e Fim
Enviado por: Victor Passos em 19 de Agosto de 2007, 13:00
Pais e Filhos: Princípio, Meio e Fim

Vera Meira Bestene

Todo processo tem seu princípio, meio e fim e o início desta vida está na fecundação do óvulo pelo espermatozóide. Ai começa o relacionamento mãe e filho, aquele que já desde a espiritualidade cumpriu uma programação de reencarne. Com a fecundação inicia-se a trindade do corpo se desenvolvendo, o espírito se acoplando à ele, e a mãe promovendo o ambiente ideal para que tudo venha a se cumprir nesta nova reencarnação. Nove meses... o ser vem ao mundo e é alimentado por sua mãe. Já aí inicia-se o processo da educação daquele espírito que nos foi dado à educar e promover, fazer mesmo o impossível para facilitar ou dar condições para seu amadurecimento no bem e o evoluir constante.
Mas o que poderemos entender por educação? A quem é dada a tarefa de educar, às mães, às escolas ou a própria vida?
O processo educativo é um trabalho de equipe. A mãe, tem o primeiro de todos eles que é o de proceder no amor na amamentação. Uma tarefa aparentemente comum, simples e sem significado, mas que encerra uma comunicação enorme entre o espírito reencarnante e a mãe, pois que é o primeiro contacto físico e a troca de sentimentos profundos.
A criança cresce e começa a aprender a linguagem da vida e cabe à mãe a tarefa de ir mostrando o caminho do bem pela orientação e pelo exemplo. A criança cresce um pouco mais e aquela tarefa passa a ser dividia com a escola. Os educadores também devem entrar neste processo, complementando a educação moral com a educação cultural, fazendo com que as crianças que ali estão sob sua proteção tenham a confiança de que estão aprendendo o melhor para o usufruto nesta existência e a arrumação da bagagem para a próxima viagem. Aí a importância do professor ou mestre que tem o verdadeiro sentido e compreensão de seu papel, este que também é muito importante. Precisa ele antes de tudo, saber que é auxílio, não carrasco ou benfeitor; que cada ser que ali se encontra tem seu próprio desenvolvimento espiritual e em razão disto apresenta uma bagagem diferenciada e precisa ser tratado com adequação, individualmente segundo seu temperamento e necessidades.
O jovem passa a ser quase adulto e tudo quer, tudo acha que é capaz de fazer sozinho, em tudo se crê melhor. Aí começa uma nova etapa e um novo direccionamento educacional onde a firmeza das colocações tem que ser presentes e a verdade no relacionamento uma confirmação de que todos estão no caminho do entendimento. O relacionamento franco e honesto cabe sempre, pois que dentro deste clima torna-se mais fácil estabelecer conversas e solucionar problemas sem deixar arestas. Não é fácil lidar com jovens neste mundo de hoje, precisa-se ter consciência disto. Em razão desta dificuldade é que precisamos, cada vez mais, nos fortalecer no bem e na firmeza de caráter, evitando os próprios vícios, melhorando a conduta sempre e a cada dia, para que possamos ser espelho e guia. A mãe sempre como figura central neste processo, pois mais que mãe é a âncora da família, aquela que faz com que todas as coisas tenham o seu lugar e fim. O Pai a fortaleza que complementa e protege a família. O filho, o objetivo, a complementação da família.
E o jovem fica adulto e depois também passa a constituir a própria família. A mãe muitas vezes é esquecida, os pais passam a ser “os velhos” e, se todo este processo educativo não tiver sido muito bem feito, haverá uma aberração onde os filhos passam a ignorar os pais acreditando que já não servem para nada, esquecendo-se que aos pais é dado cuidar dos filhos até que se tornem adultos e aos filhos é dado amparar os pais na velhice.
Portanto, alertar sobre a trajectória que é a ciência da vida e da educação, será, obviamente, a busca de maiores chances de êxito diante dos filhos recebidos.
Filhos, devidamente instruídos terão bem mais oportunidades de acertarem seus passos, de retomarem caminhos que por algum deslize tenham sido desviados da rota, sendo muito mais fácil a compreensão de que as paixões e excessos levam, muitas vezes, a caminhos sem volta.
Pais e filhos, lado a lado, crescendo juntos e aprendendo sempre, podem através desta união e da busca da verdade, montar um exército de PAZ.
Filhos acertados, tarefa cumprida, consciência livre para o amor.

(Retirado do Boletim GEAE Número 454 de 29 de Abril de 2003)

Título: Re: Pais e Filhos: Princípio, Meio e Fim
Enviado por: preocupada em 04 de Fevereiro de 2011, 21:12
 ???É cada dia aprendo mais com minha filha de 3 anos,mas confesso,é dificil,ficar em cima diariamente ,sou mae de 1 viagem.chego a ser chata de tao cuidadosa,que eu e o  pai somos,as vezes tenho medo de errar tentando acertar.Só Deus para iluminar e para eu ficar calma muito calma.......Como ficar calma?leio o evangelho segundo o espiritismo antes de dormirpara ser mais calma.tranquila com minha filha mas e dificil,como me ajudar?
Título: Re: Pais e Filhos: Princípio, Meio e Fim
Enviado por: Victor Passos em 05 de Fevereiro de 2011, 10:21
Ola muita paz e harmonia
Amiga Visitante

  Uma das regras para que sua filha cresça com estabilidade emocional e expressão educativa boa, é a sua própria confiança.
   É importante saber que a fase mais importante para adquirir educação e valores de grandeza é até os 7 anos de idade.
   Nesta fase de crescimento a criança apanha todas as energias que a envolvem, daí ser a fase para poder moldar o seu espirito com todos valores de amor.
    Se você ficar ansiosa, se estiver preocupada ela vai sentir que voce não está bem e isso não é benefico.
    A educação exige atenção , confiança, motivação, claro amor e razão sentida pela valorização moral.  Deve procurar todos os meios para chegar sempre até ela, converse, os seus exemplos de bondade são obras importantes para que a sua filhota , venha a saber estar e encarar o Mundo de forma positiva e equilibrada.
lembro pensamentos , emoções  e atos benfeitores...ame sempre ..
Muita paz

Victor Passos
Título: Re: Pais e Filhos: Princípio, Meio e Fim
Enviado por: Natascha em 27 de Novembro de 2012, 12:47
Gostei muito do texto, porque ele segue uma linha de pensamento claro e com bons exemplos.
Mas acho que também não podemos definir uma " educação correta " para os pais seguirem, já que cada ser é um ser, com o seu grau de evolucionário específico.
Uma criança pode ser obediente aos pais e os velhos, outras não. Porém isso não significa que os pais estão errando na educação da criança ou que precisam mudar de " tática " na educação desta. Pois há crianças que, naturalmente, são questionadoras natas. Elas não aceitam um " não ", elas precisam de um argumento lógico dos pais para este " não " que os pais impuseram, ou uma resposta racional para uma obrigação específica que os pais impoem. Essas crianças não são rebeldes, elas simplesmente são a nova geração de crianças criadas que vivenciam um mundo mais racional, com explicações para os " porques " e que como todos nos, procuramos o nosso entendimento existencial.

Mas, certamente, o texto acima deve ser lido pelos pais de um modo geral, já que fala de premissas básicas para a educação  de uma criança.

Bom dia a Todos,
Natascha
Título: Re: Pais e Filhos: Princípio, Meio e Fim
Enviado por: Victor Passos em 27 de Novembro de 2012, 16:13
Ola Amiga Natascha
Muita paz e harmonia

  Antes demais , nunca devemos esquecer que quando se trata de Seres encarnados, todos sem excepção estão imbuídos de um espirito. O qual pode ou ter um estado de evolução dispare da afinidade a que está a cometido.
Porque não podemos esquecer que a similitude de atração tem , muito que ver com o aprendizado educativo.

A criança até os sete anos, precisa da palmada evangélica, que é aquela que não precisa ser com a mão, não é a força física, mas a moral. Pode ser a voz, a postura com autoridade e ao mesmo tempo com amor. Uma palavra ou até mesmo um olhar, as vezes podem representar muito mais que um tapa ou uma chinelada.

Algo muito importante é enriquecer a vida de nossos filhos. Livrá-los de nossas neuroses, deixar eles sujarem as mãos, tomar banho de chuva, experimentar, socializar. Apresentar novos valores, como olhar a natureza e a vida de forma diferente, observando a beleza de seus detalhes, que não conseguimos visualizar na correria do dia a dia. Evitar a rotina desgastante, praticar esportes, correr, brincar ao ar livre.

Dos sete aos 14 anos, a palmada evangélica não faz efeito mais. É preciso negociar a vida. Surge outro método: o castigo.

Se a conversa não surtir efeito, parte-se para o castigo: não à TV, aos amigos, ao computador, à mesada. É preciso que o filho entenda o que é certo e faça o certo. Trata-se da criação do ser como indivíduo e trabalha-se nele o senso de responsabilidade. É preciso que aprenda a organização, a disciplina, o respeito. Pode-se impor tarefas como arrumar o quarto, ajudar nas tarefas de casa, cuidar do seu animal de estimação.

Não deve-se combater o mal, mas estimular o bem e se ligar a genes benéficos, ou seja, cremos naquilo que ouvimos. Se dissermos: "Este menino é preguiçoso!", logo ele vai acreditar e passará a ser mesmo preguiçoso.

Sempre fui muito tímida e sempre amei a dança, mas por causa da timidez, nunca ousava dançar. Já minha irmã mais nova (seis anos!) era o contrário e até com a música dos comerciais de tv ela se mexia. Um dia (tinha lá meus 9 ou 10 anos), resolvi acompanhar minha irmã na dança e ouvi uma frase de minha mãe que iria me derrubar por muitos anos: "...é, não adianta, a Clarissa não leva mesmo jeito pra dança...". Pronto! Nunca mais ousei dançar, porque realmente acreditei naquilo que ouvi. Hoje, superado o trauma, faço aulas de dança flamenca e amo bailar. Talvez não tenha mesmo geito pra coisa, mas não me importa, danço porque me sinto feliz! E quando noto que um de meus filhos tem dificuldade em alguma atividade, ao invés de dizer; "é, o menino não tem jeito pra isso", digo: "Ele sabe, só precisa treinar mais um pouco..."

Apresentar novos valores: cuidar com o consumismo, mostrar que a vida não é só ter, que o ser é mais importante, que para passear não é preciso gastar, existem passeios ao parque para apreciar a natureza, relaxar, correr, soltar pipa, enfim, não é só no shopping que seremos felizes, mas a felicidade também está no fato de estarmos junto, de conversarmos.

Participar da vida de nossos filhos, como falei em outra postagem, é muito importante. Eles se sentirão valorizados, recebendo atenção. Abraçá-los, beijá-los, demonstrar para eles o quanto amamos e o quanto é bom receber carinho, é fundamental.

Algo que não deve ser esquecido é a visão otimista da vida. Não devemos miná-los de pensamentos como: "...o mundo vai mesmo acabar, do geito que está não vai longe, é a violência, a politicagem, a miséria, a fome, isso aqui é um inferno!..." Tudo vai da visão de cada um. O palestrante citou um exemplo ótimo: Se perguntarmos a duas pessoas sobre nossa cidade, provavelmente uma vai achar um caos por causa do trânsito, por causa da violência, da poluição do nosso rio, enfim, a outra poderá dizer o oposto: nossa cidade é linda, banhada por um rio que é ponto turístico, a capital mais cheia de praças e parques, ...maravilhosa!

Tudo depende da visão otimista ou pessimista de cada um. Muitos já disseram que o mundo acabaria e tinha até várias datas para isso, mas ele continua...

Dos 14 aos 21 anos: o cérebro cria conecções que se estruturam até os 25 anos. Ele vai sendo modelado com as crenças que colocamos em nossos filhos (lembram dos genes benéficos?).
TV e internet são instrumentos importantíssimos para o aprender e para a comunicação, mas é preciso impor limites ao seu uso.
Nesta fase os pais devem ser os melhores amigos e não devem projetar para seus filhos coisas do tipo: " ele vai ser o que não fui", "vai ter o que eu não tive", "não vai sofrer o que eu sofri"...
Cada ser é uma individualidade, vai ter a experiência que necessitar para sua evolução.

Mais de 21 anos: na visão espirita falamos que nesta fase o espírito reencarna totalmente.

Segundo Jung: "a juventude vai até os 45 anos".
Segundo Emmanuel: "a maturidade e plenitude da força de ação só chegam após os 60 anos de idade."

Espero ter passado um pouquinho da idéia que o palestrante procurou nos ensinar.
Lamento não ter pego a palestra desde o início, mas o puco que ouvi me ensinou muito!
Obrigada Rogério pelas tuas palavras.

Rogério Pereira: A Arte de educar fraternalmente seus filhos - Sociedade União Espírita Portoalegrense,