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GERAL => O que é o espiritismo => Comunicabilidade dos Espíritos => Tópico iniciado por: Marianna em 18 de Setembro de 2009, 04:32

Título: TERAPIA DE VIDAS PASSADAS
Enviado por: Marianna em 18 de Setembro de 2009, 04:32



TERAPIA DE VIDAS PASSADAS
É aconselhável praticá-la no Centro Espírita?

Antes de se comentar alguns aspectos interessantes relativos ao processo de regressão de memória, é preciso convir que o mesmo remonta a épocas muito antigas, especialmente ao velho Egito, onde os sacerdotes-médicos o usavam promovendo o desdobramento espiritual dos enfermos, através da indução magnética, fazendo com que eles, tendo a percepção amplificada, conseguissem muitas vezes, pela memória extracerebral, chegar às causas profundas de seus males psicológicos e até físicos.

Nos tempos atuais, o Conde Albert de Rochas[ii] , autor de “Les Vies Sucessives”, dentre outras obras, é apontado como o pioneiro nas experiências de regressão de memória, servindo de referencial para outras tantas pesquisas, hoje bastante difundidas nos principais centros culturais, com o uso das técnicas de indução, como a hipnose,  tanto que especialmente psiquiatras e psicólogos terminam tendo impactuais contatos com a realidade reencarnatória, renovando sua própria ideologia de vida. Dentre os inúmeros cientistas, não espíritas, trabalhando com a Terapia de Vidas Passadas (TVP), alguns têm se destacado pelos ensaios transformados em “best-selers”, terminando respeitados até pelo meio científico ortodoxo, como as dras. Edith Fiore[iii] e Helen Wambach[iv], ambas PhD em Psicologia, e o dr. Brien Weiss[v], psiquiatra e neurologista, professor catedrático da Universidade de Miami.

RELATOS DOS CIENTISTAS
 
A dra. Edith Fiore conta que, um dia, cuidava de um paciente hipnotizado que sofria complexas inibições de natureza sexual, quando ele falou: “Duas ou três existências atrás fui padre católico”. Esse fato chamou-lhe bastante a atenção, especialmente pela forma com que foram narradas suas experiências como sacerdote italiano do século XVII, porque surpreendentemente o mesmo terminou, após analisar tais lembranças, curado dos distúrbios antes apresentados.

A dra. Helen Wambach fala que tinha uma vida ativa, dinâmica, sintonizada com a realidade científica em que laborava, o que não impediu de, certa feita, quando visitava uma espécie de museu, já ao subir a escadaria, sentir a sensação de que estava em outro tempo e em outro local. Entrou na biblioteca e foi automaticamente apanhar um livro que sentia haver sido seu. Ao contemplar as páginas de tal livro, uma cena se projetou em visão interior: estava no lombo de uma mula, conduzida através de um campo, e aquele livro estava aberto, apoiado no arreio. Enquanto o sol queimava suas costas e aquecia suas rústicas roupas, lia sobre a experiência de um sacerdote no estado intermediário entre a vida e a morte, num período em que ele esteve em coma.

O dr. Brien Weiss diz que era cético e que seu passado em nada o preparara para o contato com a realidade reencarnacionista, tanto que foi com surpresa que ouviu uma jovem cliente, em transe hipnótico, recordar-se de fatos ligados a vidas passadas e que revelavam a causa do que estava sentido. Conta que o seu ceticismo desmoronou quando a cliente passou a receber mensagens da Espiritualidade com revelações sobre a sua vida pessoal.

DEFINIÇÃO E MÉTODOS

Por mais que muitos adotem a teoria da reencarnação como embasamento da terapia regressiva, que ainda não é reconhecida pelos meios científicos convencionais, alguns se constrangem em ostensivamente adotar tal modelo, criando outro alternativo, apoiado em Freud, Jung e outros notáveis, e trabalhando com a idéia de inconsciente, tanto que em vez de “Terapia de Vidas Passadas” preferem “Terapia de Vivências Passadas”, uma pequena mas sutil diferença conceitual.

A regressão de memória é uma técnica terapêutica alternativa, com a finalidade de acessar o princípio dos traumas, das fobias, de determinados aspectos de caráter do indivíduo que o incomodam e que interferem em sua existência atual, impedindo-o de viver de forma equilibrada. Pode ser conduzida a vários estágios, levando o paciente a revivenciar momentos da infância, do seu nascimento, da fase intra-uterina, da fecundação, de experiências intervidas e de vidas anteriores.

Os fenômenos regressivos têm o mérito de ensejar algumas reflexões importantes até para os terapeutas que o aplicam, porque indicam que somos efetivamente seres preexistentes, já que muitas informações ofertadas em momentos regressivos ganharam pesquisas confirmatórias;  porque revelam as marcas da influência familiar no período gestacional, com sérios reflexos futuros; porque alenta a todos nós de que somos seres sobreviventes à morte biológica, além de nos indicar a realidade das intervidas[vi], isto é, de vivermos no mundo dos Espíritos um tempo mais longo ou mais breve, conforme o caso, antes de decidirmos voltar a um novo corpo material, para novas experiências de aprendizado e aperfeiçoamento para a nossa individualidade espiritual.

TODOS PODEM REGREDIR?

Os psicoterapeutas apontam algumas contra-indicações referentes ao tratamento regressivo, que deve ser buscado quando o convencional se tornou inoperante:

  Crianças com idade inferior a dezesseis anos;

  Idosos com idade superior a sessenta anos;

  Gestantes ( o feto participa da descarga emocional, podendo desencadear processo abortivo);

  Cardíacos;

  Psicóticos.

A essas contra-indicações, tomamos a liberdade de acrescentar ao menos duas outras. O obsidiado, em vista da sintonia negativa mantida com Espíritos desencarnados, não deve ser paciente de tais experiências, as quais poderiam ser ainda mais desequilibrantes, por ensejar oportunidade de interferência do(s) obsessor(es). Assim também o curioso, aquele que não apresenta sintomatologia indicativa para o tratamento, e que apenas deseja saber quem foi em outras vidas, coisa que pode fazer a partir de indícios fortes como as vicissitudes pelas quais passa e, principalmente, pelas tendências instintivas que demostra.

Aliás, para os que se interessam pelo assunto, no que possa ter de vinculação às orientações da Doutrina Espírita, seria interessante analisarem o que consta das questões 392 a 399 de “O Livro dos Espíritos”; do item 11 do capítulo quinto de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, assim como do item 22 do capítulo décimo-primeiro de “A Gênese”.

TERAPIA DE VIDAS PASSADAS NO ESPIRITISMO?

A TVP é uma prática que exige formação de especialista da área médico-psicológica, cujo único ponto possível de ligação com o Espiritismo é a crença na existência do Espírito e de suas vidas sucessivas. Por conseqüência, a recomendação é para ser aplicada apenas em consultório especializado, por psicoterapeutas responsáveis; não em Centro Espírita, cujo objetivo é servir de escola para as almas, oportunizando aos seus freqüentadores a excelência da codificação de Allan Kardec dos ensinos dos Espíritos superiores e da insuperável moral de Jesus à luz do entendimento kardecista.

Isto, todavia, não significa que deixe de existir espontânea ou provocadamente o processo de regressão de memória nas atividades mediúnicas e especialmente entre os Espíritos desencarnados.

REGRESSÕES EM SESSÕES MEDIÚNICAS

Quando, no decorrer de uma sessão mediúnica, notadamente aquelas de desobsessão, verificar-se que o médium manifesta a sua vida interior e não a comunicação de um Espírito desencarnado, sentindo que ocorre a exteriorização de vivências de outras encarnações do mesmo, estamos frente a um fenômeno classificado por Aksakof[vii] de personismo, em virtude de revelar outras personalidades (reencarnações) que não a atual do manifestante, ou de animismo, naquelas situações em que o médium pode estar na dependência da própria alma, mesmo acreditando em psicofonia (incorporação) para um desencarnado.

Bozzano[viii] nos diz: “o que um Espírito desencarnado pode realizar, também deve podê-lo um Espírito encarnado”. Por isso, não deve surpreender o relato do Espírito André Luiz[ix] de um autêntico caso de animismo, em que o médium supõe incorporar personalidade diferente, sendo que exteriorizava unicamente seu mundo interior, porém foi esclarecido como se fosse um Espírito incorporado, o que deve ser feito em todos os casos semelhantes, em diálogo fraterno e caridoso. O médium, na verdade, deu vazão a um processo espontâneo, ainda que por ele não compreendido, de regressão de sua memória extracerebral, aquela que é arquivada nos escaninhos do perispírito.

REGRESSÕES CONDUZIDAS POR DESENCARNADOS

Além das obras editadas pela FEB e conhecidas como “Coleção André Luiz” , vários são os livros que trazem narrativas de casos de regressão de memória promovidos por técnicos desencarnados, sempre com finalidade terapêutica.

O célebre escritor português Camilo Castelo Branco, que se suicidou aos 65 anos em 1890, retornou a escrever, através da psicografia de Yvonne A . Pereira, contando sua situação de desencarnado no livro “Memórias de um Suicida”. Em certa altura de seus relatos, conta que um dos seres em tratamento na comunidade espiritual especializada na problemática do suicídio, não vinha respondendo ao tratamento habitual, objetivando fazê-lo sair de seus bloqueios. Ele precisava admitir suas culpas e, conseqüentemente, assumir as responsabilidades correspondentes, a fim de poder reiniciar a sua jornada de progresso. Terminou levado à regressão de memória, recapitulando os episódios que precisavam ser reexaminados, para o reajuste de seu psiquismo.

O Espírito Manoel P. de Miranda
  • também teve oportunidade de narrar uma reunião coordenada pelo Dr. Bezerra de Menezes, com os envolvidos no drama de uma jovem que se viu em terrível assédio obsessivo a partir da festa de seus quinze anos. Foi indispensável incursionar no passado dos que participavam do caso, para ter condições de esquematizar um trabalho de socorro.
REGRESSÃO NA CASA ESPÍRITA?

O argumento de que se os Espíritos desencarnados podem também os encarnados pode-lo-ão não deve ser generalizado sem uma boa interpretação. No mundo espiritual, especialmente entre aqueles que já amadureceram para a responsabilidade, os processos regressivos de memória são executados por técnicos, especialistas formados e treinados para tal, sabendo o que faz e como fazer, a fim de não causar quaisquer prejuízos a seus pacientes. O mesmo deve ser para os encarnados, já que há cursos de formação e especialização de psicoterapeutas para a TVP, prática que não pode ser conferida a qualquer um, assim como não se permite ao açougueiro realizar uma cirurgia, por mais que os instrumentos sejam assemelhados, devidamente afiados e cortantes.

Assim, o dirigente de Casa Espírita deve estar consciente da elevada finalidade da mesma, para não permitir desvios para práticas antidoutrinárias e inconvenientes, lembrando e alertando dos riscos de maiores desequilíbrios para aqueles que mexem no que normalmente é útil ficar esquecido, conforme recomendação dos Benfeitores Espirituais, comentada por Allan Kardec[xi]: “as vidas passadas podem ser reveladas em certas circunstâncias; mas é apenas pela vontade dos Espíritos superiores que o fazem espontaneamente, com um fim útil e jamais para satisfazer uma vã curiosidade”.         

Niederauer de Lima.

NOTAS EXPLICATIVAS:

Adotamos aqui o termo originalmente usado em relação ao fenômeno de lembranças de outras vidas, pelo cientista indiano Hamendre N. Banerjee, autor de notável investigação reencarnacionista, exposta no livro “Vida Pretérita e Futura”.
[ii] Eugène-Auguste Albert de Rochas d’Aiglun (1837-1914), conde francês e coronel-engenheiro, discípulo do Barão du Potet ao usar a técnica do passe e dos toques aliada à sugestão,  para conduzir as experiências de regressão de memória.
[iii] Catedrática da Universidade de Miami, Flórida, Estados Unidos, autora do livro “You Have Been Here Before”.
[iv] Psicóloga no Centro Médico de Monmouth de Long Branch, Estado de Nova Jérsei, Estados Unidos, e catedrática na Faculdade local, autora de livros como “Recordando Vidas Passadas” e “Vida depois da Vida”.
[v] Médico psiquiatra e neurologista catedrático da Universidade de Miami, Estados Unidos, autor de trinta e sete ensaios na área psiquiátrica, quando começou sua pesquisa na área da regressão de memória, o que o levou à publicação de “best-selers” como “Só o amor é real”, “A cura através da terapia de vidas passadas” e “Muitas Vidas, Muitos Mestres”.
[vi] Intervidas deve ser entendida como sinônimo de Erraticidade, conforme a nomenclatura espírita.
[vii] Alexandre Aksakof, sábio russo, autor de “Animismo e Espiritismo”
[viii] Ernesto Bozzano, escritor italiano que se dedicou ao estudo dos problemas psíquico, autor dentre outras obras, de “Fenômenos Psíquicos no Momento da Morte”, “As Manifestações Metapsíquicas e os Animais” e “Animismo e Espiritismo?”.
[ix] Caso contido no capítulo 22 do livro “Nos Domínios da Mediunidade”, psicografado por Francisco Cândido Xavier.
  • “Grilhões Partidos”, livro psicografado por Divaldo Pereira Franco, nos capítulos 20 e 21.
[xi] Nota de Allan Kardec, após a questão 399 de “O Livro dos Espíritos”.   


Título: Re: TERAPIA DE VIDAS PASSADAS
Enviado por: Bluemoon em 02 de Maio de 2010, 23:43
Olá amiga Marianna, muita Paz...

Andava eu por aqui á procura da alguma coisa sobre hipnose e vim dar a este texto!

É muito elucidativo! Há algum tempo que tinha essa dúvida:como era vista a hipnose à luz do Espiritismo, e, realmente aprendi muito!! Tirei todas as dúvida acerca disso.

Continuo dizendo que tenho aprendido muito mesmo com você Marianna, obrigada de coração amiga.

Penso que todos nós temos que lhe agradecer por postar textos que são um pouco de tudo: elucidativos, inteligentes, comoventes, interessantes, e muitos outros bons adjectivos que muitos amigos ao lerem isto irão lembrar-se concerteza!

Um abraço fraterno...