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CODIFICAÇÃO => O Evangelho Seg. Espiritismo => Tópico iniciado por: Edna☼ em 21 de Dezembro de 2018, 14:15

Título: Não desprezeis as profecias
Enviado por: Edna☼ em 21 de Dezembro de 2018, 14:15
Profecia


Não desprezeis as profecias.
Paulo, I, Tes. 5:20


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Título: Re: Não desprezeis as profecias
Enviado por: Edna☼ em 21 de Dezembro de 2018, 14:17
Não Desprezeis as profecias
(Paulo I, Tes. 5:20)



Que é um profeta?

"No episódio evangélico, Jesus conversa com a samaritana, à beira do poço de Jacó, e lhe anuncia ser portador de água viva, da qual se alguém beber nunca mais terá sede e se fará nele uma fonte a jorrar eternamente (Jo 4:13/19). Referia-se o Mestre ao conhecimento espiritual, que sacia a sede de saber e se constitui, naquele que o possui, base para um incessante crescer de novas ideias e informações. A mulher, sem entender o simbolismo, mas interessada em obter o que julgava um líquido precioso, pede:

- Dá-me dessa água. Jesus lhe diz: Chama teu marido e volta aqui.  Não tenho marido, responde ela, e quando Jesus afirma cinco maridos tiveste e o que agora tens não é teu marido, a mulher exclama, admirada: - Senhor, vejo que és profeta'.

No entendimento comum, profeta é aquele que prediz o futuro, fala do que vai acontecer, e Jesus falou do que já acontecera, do passado, e da situação dela naquele momento, no então presente. Por que a samaritana o chama de profeta ?

Em outra passagem evangélica, Jesus está no palácio do sumo sacerdote (Lc 22:64), preso e maltratado pelos soldados, que lhe cobriam o rosto, espancavam-no e perguntavam: Profetiza, quem te bateu?

Tinha Jesus os olhos vendados, não podia enxergar. Queriam que ele soubesse sem ver, mas disseram: profetiza. Então, profetizar seria o mesmo que adivinhar?

No Velho Testamento (I Sam 9:9), encontramos esta informação: Antigamente, em Israel, todo o que ia consultar a Deus dizia: Vinde, vamos ao vidente. Chamava-se, então, vidente ao que hoje se chama profeta.

Afinal, que é um profeta : um vidente? um adivinho? alguém que diz o futuro? ou o passado?  ???  Nada disso, especialmente, mas pode o profeta ser tudo isso. Etimologicamente, profeta ](do grego profhetes) significa o que fala por, pessoa que fala em lugar de outra, como porta-voz, intérprete ou proclamador (Dicionário Bíblico de John D. Davis).

Nos tempos bíblicos, profeta eram homens ou mulheres chamados por Deus e por Ele qualificados para, em seu nome, falarem ao povo. Sobre o quê? O conselho secreto do Senhor, as coisas espirituais, que estão ocultas para o comum das pessoas.

Para falar do que estava em secreto, tinham antes de conhecer o que estava oculto: ver o que outros não viam, ouvir o que outros não ouviam, saber o que outros não sabiam; às vezes, tomar conhecimento do futuro e, em outras, do passado, ou do presente, tudo que por meios comuns não se poderia conhecer.

Se alguém apresentasse sinais assim, ficava evidente: era um profeta , um porta-voz divino. Por isso, a samaritana disse a Jesus: Vejo que és profeta! E os soldados ironizando, indagavam:  Profetiza, quem te bateu? Enquanto os antigos israelitas convidavam: Vamos ao vidente.

Como conseguiam os profeta ver, ouvir, saber o que, para o comum das criaturas, estava oculto? Certamente, pela mediunidade, que permite entrar em contato com os Espíritos e conhecer o que se passa no plano espiritual.

Notemos que em hebraico, profeta é a pessoa que anuncia: Nabi, palavra que, em sua forma verbal, tem significado de frenesi. Em inglês (Enciclopédia Britânica), o substantivo usado como sinônimo de profeta é inspiração e, em suas derivações, dá ideia de borbulhamento. Em assírio, prende-se à ideia de "transportar-se", cair em transe. Referências todas que têm algo a ver com o estado dos médiuns durante as manifestações dos Espíritos.

Então, para ser um profeta de Deus é indispensável ser médium? Não, mas precisa, de algum modo, conhecer, ter acesso ao que para a maioria está oculto, a fim de poder, depois, informar às outras pessoas a respeito.

A capacidade para tanto pode vir não só da inspiração ou influência dos Espíritos, mas, também, da própria percepção espiritual. E o que diz, aquilo que profetiza, não tem de se relacionar, obrigatoriamente, ao futuro, ao passado ou ao presente de uma pessoa ou de um povo, mas, sim, às coisas espirituais e à marcha da humanidade.

Kardec define assim: Profeta é todo o enviado de Deus com a missão de instruir os homens e de lhes revelar as coisas ocultas, e os mistérios da vida espiritual (O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. 21).


Continua
Título: Re: Não desprezeis as profecias
Enviado por: Edna☼ em 21 de Dezembro de 2018, 14:18
É possível predizer o futuro?

Com base em certos dados, sim. Enquanto houver aquele halo ao redor da lua, não choverá, diz o agricultor experiente. E a professora que conhece seus alunos, alerta: Se colocarmos aqueles dois meninos juntos, vão brigar. Ante eventuais desordens públicas, poderemos afirmar: Se isso continuar, o governo tomará medidas.

Futuro, nesses casos, é a consequência lógica da realidade, natural e presente, podendo ser previsto por dedução. Assim, futurólogos predizem o futuro de um país, se conhecerem sua população, os recursos de que dispõe e os programas de desenvolvimento que nele estão sendo executados. Acertarão, se os dados em que se basearem forem fiéis e os souberem deduzir corretamente.

E se não houver dados em que nos basearmos? Teremos, então, o inusitado, o inesperado, que não é sequência do estado atual, nem tem com ele qualquer relação aparente. Coisas futuras não existem, são o nada. Como podem ser anunciadas antes? Impossível! Mas contra fatos não há argumentos. Vejamos um exemplo.

1912 - Do porto de Southampton, na Inglaterra, zarpava em viagem inaugural com destino a Nova Iorque (EUA) o maior transatlântico jamais construído: o Titanic. Seus construtores o consideravam tão perfeito que, orgulhosamente, afirmaram: "Nem Deus conseguirá afundar este navio". Mas um enorme iceberg rasgou-lhe o flanco e o navio afundou, naufragou, tragicamente. Quem o poderia prever?

1898 - 14 anos antes dessa tragédia, Morgan Robertson, autor pouco conhecido, escrevia novela de ficção narrando o afundamento de um hipotético navio em The Wreck of the Titan, livro do qual existe exemplar na Biblioteca do Museu Britânico.

Ninguém lhe deu, então, maior atenção ou valor. Mas no que o livro narra há várias e impressionantes coincidências com o que de fato aconteceu ao Titanic.

A começar pelo nome do navio, que no livro era Titan e, na vida real, Titanic. Ambos considerados "o maior transatlântico jamais construído" e "impossível de afundar".

Quanto ao peso e medida, no livro constava 70 mil toneladas e 240 metros de comprimento; quase como na realidade, de 66 mil toneladas e 250 metros de comprimento.

O número de passageiros transportados era de 3.000, tanto no livro como na realidade, na maioria pessoas ricas, importantes, famosas, a fina flor da sociedade mundial e, a bordo, o maior conforto e luxo, com camarotes, salões, restaurantes, orquestras e piscinas.

Quanto à rota, foi a mesma, no Atlântico Norte e em viagem inaugural, só que no livro o Titán já estava regressando de Nova Iorque e, na realidade, o Titanic ainda seguia para aquela cidade. Mas o motivo do naufrágio foi o mesmo, a colisão com um iceberg.

E a data? Numa noite de abril, dizia o livro, e na realidade o naufrágio aconteceu na noite de 14 de abril. O número de mortos foi de 1.500 pessoas, a metade dos passageiros. Se o navio demorou para afundar, por que tantos morreram? Livro e realidade apontaram a mesma causa: não havia botes salva-vidas suficientes, já que achavam que não poderia afundar...


Continua



Título: Re: Não desprezeis as profecias
Enviado por: Edna☼ em 21 de Dezembro de 2018, 14:58
A teoria da presciência

Em todo fenômeno, há uma lei que o rege. Sem a conhecer, constataremos o fato, mas não teremos explicação para ele.

Sobre o conhecimento do futuro, Kardec, em A Gênese, estudando as predições e os milagres, formula uma interessante Teoria da Presciência, do conhecimento prévio das coisas futuras, que não chega a explicar todos os casos de predição, mas lança princípios fundamentais para a compreensão do processo.

Kardec idealiza um viajor entrando numa estrada. Que sabe ele? Que encontrará ao fim dela, prevê a consequência final. O que ignora? Os acidentes que o terreno da estrada possa apresentar, se haverá nela edificações, os caminhantes que acaso encontrará. Tudo isso, para ele, é o futuro, a realidade com a qual não tem contato, que não está no seu conhecimento e independe de sua vontade.

Entretanto, se subir a um monte, verá área de quilometros ao redor e tudo que nela há, de um ponto a outro da estrada. Com base nesses novos elementos conhecidos, poderá fazer alguns cálculos e previsões, como, por exemplo, em tal momento, encontrarei isto ou aquilo, serei atacado, terei alimento, abrigo.

Em seguida, Kardec fala de nós como viajores da vida universal, em que há realidades muito mais amplas do que normalmente sabemos ou conhecemos e podem estar dando origem a fatos e acontecimentos. Entretanto, como nos são invisíveis, imperceptíveis, constituem para nós, ainda, o futuro ignorado, desconhecido, com o qual não temos contato e sobre o qual não podemos intervir.

Mas, se encontrássemos meio de acesso a essas realidades mais amplas que, por ora, nos são desconhecidas? De posse de novas informações e raciocinando, poderíamos calcular e predizer algo do futuro: falar de coisas que ora não sabemos, anunciar acontecimentos que parecem fora da previsão comum e intervir em coisas que, de outro modo, estariam fora de nossa vontade e poder de ação.

Como poderíamos fazer isso: subindo ao monte mais alto do mundo? Recorrendo à percepção extra-sensorial, a que temos como Espírito e que é muito mais ampla e perfeita que a dos órgãos físicos. O corpo impede ou limita essa percepção, mas, em desdobramento, transcendemos limites do corpo, retomamos nossa percepção como um ser espiritual. E' uma percepção global, pelo perispírito. Alcança o que os sentidos comuns não alcançam no mundo terreno, mesmo a distância, atrás de obstáculos, através deles; e, no mundo espiritual, o que é invisível, impalpável.

Em desdobramento, poderemos ter acesso, ainda, a conhecimentos e recursos de outras vidas que estão velados pelo esquecimento causado pela reencarnação, mas fazem parte do nosso acervo espiritual.

Quando nos encontramos em desdobramento, pois, é como estar num ponto mais alto de observação da vida universal, dali podendo colher informações do mundo físico e do Além, e até divisar algo que, para os habitantes comuns da Terra, ainda é futuro, ou seja, o desconhecido, o imprevisível.



A presciência dos Espíritos

Em nós, encarnados, essa percepção perispiritual, extrasensorial, é ocasional, esporádica. Nos desencarnados, é natural e constante. Em relação a nós, os Espíritos libertos são como o vidente ao lado de um cego.


Mas nem todos os Espíritos enxergam igualmente. Como na Terra há homens mais bem dotados de visão, há Espíritos que "enxergam", que percebem melhor que outros, devido à sua maior evolução.

Nos Espíritos inferiores, o perispírito é grosseiro, vela suas percepções, como um nevoeiro, e não permite que eles se afastem muito do plano fluídico ou mundo que habitam. Assim, não veem nem conhecem todas as realidades e, do que chegam a perceber, nem tudo entendem e nem sempre sabem tirar as deduções mais corretas.

Os Espíritos superiores têm perispírito mais sutil, sua vista espiritual alcança maior extensão e penetração e, também, podem percorrer maior porção do espaço universal. Portanto, têm acesso a mais realidades e, do que veem, tiram melhor entendimento, por isso, podem antever de séculos a milhares de anos. Comparados aos Espíritos inferiores, são como quem tem telescópio (ou microscópio) ante os que só têm olhos.


Continua

Título: Re: Não desprezeis as profecias
Enviado por: Edna☼ em 22 de Dezembro de 2018, 13:33
As revelações dos Espíritos

Os Espíritos veem mais do que nós. E o que vêem, podem nos revelar por meio das faculdades dos médiuns, tais como:

Vidência - Os profetas geralmente são videntes, como João, o Evangelista, que registra no Apocalipse (1:19): Escreve, pois, as coisas que viste e as que são e as que hão de acontecer depois destas.

Audição - Fala, Senhor, o teu servo te ouve, instrui Eli a Samuel como responder ao Espírito que lhe fala em nome de Deus (Sam I 3:1/4).

E narra o evangelho que a João Batista lhe veio no deserto a palavra de Deus.

Psicofonia - Ao encontrar-se Saul com um grupo de profetas, o Espírito de Deus apoderou-se dele e Saul se pôs a profetizar no meio deles. (I Sam 10:9/13)

Sonhos - Conte o profeta o sonho que tiver. (Jeremias 23:28). Neste item, vale recordar o sonho de Dom Bosco, em 29/8/1883, comentado por Monteiro Lobato ("Na Antevéspera") e que tem relação com o nosso país.

Preocupado em criar vicariato e prefeitura apostólica na Patagônia (Argentina), em sonho (desdobramento pelo sono) se viu viajando, num comboio, pela lombada dos Andes, de Cartagena (Colômbia) a Punta Arenas (extremo sul do Chile). Via a superfície e o interior das terras.

No grau 15, a caminho do grau 20 de latitude, viu riquezas imensas, que um dia seriam descobertas; numerosos minérios de metais preciosos, jazidas inesgotáveis de carvão de pedra, depósitos de petróleo (mais abundantes como jamais achados). Viu, também, um lago e uma elevação larga e longa (seria o pantanal de Xaraés, no Mato Grosso, e serra da Bodoquena?) Então, ouviu dizerem: Quando vierem escavar os minerais ocultos no meio destes montes, surgirá aqui a terra da promissão.



Por que não nos revelam os Espíritos tudo e sempre?

Os bons Espíritos só fazem revelações quando têm um fim útil, nunca se for apenas para satisfação da curiosidade vã, e revelam unicamente o que não prejudique o ser humano. Revelações prematuras podem tirar o livre-arbítrio, paralisar a ação, o trabalho e o progresso; e, ignorar o bem e o mal com que se poderá enfrentar constitui prova necessária para o encarnado.

Fazem revelações sobre o futuro, ou fazem que seja pressentido, em casos especiais, quando a pessoa tem de concorrer para o progresso geral e precisa preparar o encaminhamento dos fatos, ou estar pronto para agir.

No caso do Titanic, os Espíritos saberiam dos planos de construção do navio e quais pessoas os conceberiam, a possibilidade do naufrágio e as causas prováveis e, dos passageiros, quais os em resgate ou provação. Não faltou ajuda premonitória e de orientação: a própria novela, 14 anos antes, talvez fosse endereçada aos construtores e responsáveis pelo navio e a outros que a lessem, também; três outros navios avisaram, desde a manhã daquele dia, sobre imensas montanhas de gelo flutuando na direção da rota do Titanic, mas o capitão ordenou continuar navegando com a força total das caldeiras; várias pessoas não chegaram a embarcar por motivos diversos, inclusive sonhos e pressentimentos. Intervir mais que isso, não foi possível, nem seria recomendável que se fizesse. Os que desencarnaram no naufrágio não ficaram sem assistência e ajuda espiritual na imortalidade. Os 1.500 que se salvaram não estavam comprometidos com a necessidade de resgate, ou precisavam continuar vivendo suas experiências terrenas.



Dificuldades na previsão do futuro

Para perceber bem os fatos e discernir as idéias espirituais, é preciso certo preparo. Senão, visões de simples intenções na mente de alguém podem ser tomadas erroneamente como algo já realizado, e projeções sem fundo real ou rememorativas, serem tidas como fatos reais, quando se trata apenas de ideoplastia.

Além disso, é preciso considerar que tempo e espaço para a espiritualidade não são contados nem medidos como na Terra. E, também, um evento percebido poderá ser apressado ou retardado pelas circunstâncias ou o livre-arbítrio das pessoas, o que fez Jesus nos alertar, quanto ao fim dos tempos: Daquele dia e hora, ninguém sabe, nem o filho do homem, nem os anjos do céu, senão Deus.



Jonas e a profecia que não se cumpriu

Enviado por Deus a Nínive (capital do império da Assíria), para profetizar contra ela, anunciando sua próxima destruição, Jonas não o quis fazer e tentou fugir para Társis, num navio. Sobreveio grande tempestade e os marinheiros, verificando por sorteio que Jonas era o causador do mal por rebeldia à ordem divina, lançam-no ao mar e a bonança se faz.

Engolido por grande peixe, Jonas ficou três dias e três noites em seu ventre, simbolismo da situação difícil em que fica quem foge ao cumprimento do dever. Ali mesmo, Jonas, arrependido, ora ao Senhor e dele recebe nova oportunidade, simbolizada no ser lançado de novo à praia.

E Jonas foi a Nínive profetizar. Para percorrer a grande cidade três dias seriam necessários. O profeta pregou o primeiro dia inteiro: Daqui a quarenta dias, Nínive será destruída.

Amedrontados pela profecia, todo o povo se arrependeu de sua má conduta, até o próprio rei, que decretou disciplina, não violência, oração e jejum geral, até para os animais. E Deus se arrependeu do mal que resolvera fazer-lhes e não o executou.

Sentindo-se desacreditado ante todos, Jonas ficou profundamente indignado e dizia: Por isso me esquivei, sabia que sois um Deus compassivo, clemente, longânime, rico em bondade e pronto a renunciar aos vossos castigos. Faze-me morrer.

Deus, isto é, o Espírito que falava a Jonas em nome do Criador, perguntou: Tens razão para te afligires assim?

Jonas disse que sim e saiu da cidade, construiu uma cabana, sentou-se à sua sombra, talvez esperando para ver o que aconteceria.

Deus fez crescer uma planta do tipo trepadeira, que se levantou acima da cabeça de Jonas, para fazer-lhe sombra e curá-lo de seu mau humor. Jonas se alegrou muito com a planta, mas, no dia seguinte, ao romper da manhã, Deus mandou um verme que roeu a raiz da planta e ela secou. De novo desprotegido ante o sol e o vento ardente, Jonas sofria e desejou, de novo, a morte.

É razoável a tua ira por causa da planta? Indagou Deus.

Sim, tenho razão para me irar até à morte, afirmou Jonas.

Tiveste compaixão de uma planta pela qual nada fizeste, que não fizeste crescer, que nasceu numa noite e numa noite morreu. E não hei de ter compaixão da grande cidade de Nínive, onde há mais de 120 mil seres humanos, que não sabem discernir entre sua mão direita e esquerda e também muitos animais?

Quanta compreensão divina da ignorância humana! De fato, a maioria do povo nem sabe "discernir entre as mãos".

A responsabilidade é de acordo com o conhecimento e o objetivo do aviso era promover a recuperação e não a destruição. Ante a reação favorável, veio a mudança de planos, o que não significa que os acontecimentos fujam ao controle supremo.

Tudo que envolve interesses mais amplos e gerais da humanidade está regulado pela Providência divina, através de leis naturais, perfeitas e imutáveis e o concurso dos bons Espíritos, que lhe executam as ordens.

O que estiver nos desígnios divinos, cumpre-se a despeito de tudo, por um meio ou por outro. Apenas o modo de execução e certos pormenores é que dependem das circunstâncias e do livre-arbítrio das criaturas.

Os homens concorrem para a execução dos planos divinos, mas nenhum, por si só, é indispensável. Deus não está na dependência da criatura. Mesmo Kardec, o codificador; se falisse, se omitisse ou desviasse, já estava previsto um eventual substituto (Obras Póstumas, p. 282, "Minha Missão").



A forma de apresentação

Tem sido, muitas vezes, misteriosa e cabalística, a forma sob que se enunciam as predições, o que as torna como enigmas, às vezes quase indecifráveis.

Essa forma é resultado da percepção imperfeita ou intencionalmente adotada, para não revelar abertamente a todos seu conteúdo. Assim parecem ter sido as profecias do famoso Nostradamus, e correspondem as demais ao modo de outras épocas.

Atualmente, o positivismo do século exige clareza e objetividade nas informações vindas por via mediúnica, mas ainda há quem use essa forma velada, incompreensível e dúbia, para manter indevido prestígio ante o público.


Continua


Título: Re: Não desprezeis as profecias
Enviado por: Edna☼ em 27 de Dezembro de 2018, 15:04
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Falsos profetas

Existem falsos profetas que agem de boa-fé, porque eles mesmos estão enganados ou se sugestionam, pensando serem profetas, mensageiros do Senhor.

Já os de má-fé agem conscientemente. Querem fazer pensar que têm um poder sobre-humano e estão investidos de missão divina. Possuem certos conhecimentos e os exploram em proveito de suas ambições, interesses e anseio de domínio.

Recordemos, no sertão de Goiás, em 1682, Bartolomeu Bueno da Silva, parecendo queimar água, quando em verdade era álcool, desconhecido dos indígenas que, apavorados, o chamaram de Anhanguera, "Diabo Velho", revelando-lhe onde estava o ouro desejado pelo bandeirante.

No Velho Testamento, Jeremias alertava contra os falsos profetas: Eu ouvi o que disseram esses profetas que profetizavam a mentira em meu nome dizendo: "Sonhei, sonhei". E' a visão do coração deles que os faz falar...

Também os desencarnados podem ser falsos profetas, razão por que o evangelista João recomenda: Amados, não acrediteis em todos os Espíritos mas provai se os Espíritos são de Deus, porquanto muitos falsos profetas se têm levantado no mundo (Jo I, 4:1), e Jesus nos aconselha: Guardai-vos dos falsos profetas que vêm ter convosco cobertos de pele de ovelha e que, por dentro, são lobos vorazes. (Mt 7:15/20)

É preocupante saber que tanto Espíritos encarnados como desencarnados, podem nos enganar, causando prejuízos!



Como reconhecê-los, para evitá-los?

Pelos seus frutos os conhecereis, esclareceu-nos Jesus. Mas a que frutos se referia? Prodígios, sinais extraordinários? Não, porque: Levantar-se-ão falsos Cristos e falsos profetas que farão grandes prodígios e coisas de espantar, a ponto de seduzir, se possível fora, os próprios escolhidos (Mt 24:11 e 24:24).

Sim, os fenômenos dos "demônios" podem ser tão maravilhosos quanto os dos "santos", porque tais prodígios podem ser obra de acontecimentos fortuitos, coincidências, artifícios, ou resultado de conhecimentos cuja aquisição está ao alcance de qualquer um, ou de faculdades orgânicas especiais, que o indigno não se acha inibido de possuir, como a mediunidade.

Como reconhecer a qualidade dos profetas: pelo cumprimento do que predisserem? Ainda podem estar no mesmo caso dos outros fenômenos. E' como verificar se os fatos anunciados se cumprem ou não? Temos acesso a eles, especialmente se preditos para muitos anos depois?

Como reconhecer o verdadeiro profeta? Por caracteres "mais sérios" e "exclusivamente morais". Que pensa, sente, faz? Seus ensinos têm pureza, valor moral? O verdadeiro profeta é um homem de bem, inspirado por Deus. (O Livro dos Espíritos, 624)

Desvia o homem das leis divinas? Então, não é: homem de Deus nem seu servo ou mensageiro, pastor do povo de Deus nem seu vigia ou intérprete, nem homem do Espírito nem íntimo do Senhor, denominações todas usadas para designar os profetas.

Por que somos enganados por falsos profetas e os escolhidos, não? Pela nossa ignorância das coisas espirituais, por nos deixarmos impressionar com as aparências. Gostamos das coisas misteriosas, exóticas, dos rituais, do alarde de poderes ocultos e da promessa de concessões fáceis, tudo feito de forma velada, incompreensível e dúbia. Nossa credulidade é que enseja o surgimento dos falsos profetas. Assim foi com Jim Jones, no fatídico Templo do Povo, na Guiana.

Os "escolhidos" não são enganados. Mas, quem são os "escolhidos"? São aqueles que não têm maus apetites pelos quais possam ser atraídos, os que sabem analisar para reconhecer o verdadeiro profeta.



A indispensável função dos profetas

Ante a possibilidade das fraudes e enganos nas profecias, não seria melhor proibi-las de todo? Não, porque não havendo profecia, o povo fica dissoluto. (Provérbios, 29:18)

A função dos profetas é importantíssima, indispensável. Sem a doutrina e ação dos emissários inspirados por Deus, a incredulidade, o egoísmo e a corrupção invadem a sociedade.

Por serem tão necessários, são preparados para sua missão até mesmo antes de nascer, como Jeremias, a quem o Espírito do Senhor revelou: Antes que no seio de tua mãe fosses formado, eu já te conhecia; antes do teu nascimento, eu já te havia consagrado e te havia designado profeta das nações (Jer 1:5). E o próprio Jesus endossou a atividade deles, ao afirmar: Não vim revogar a lei ou os profetas; não vim revogar mas dar cumprimento. (Mt 5:17)

Providencialmente, não faltarão profetas neste mundo, porque a mediunidade está aflorando em muitas pessoas, confirmando o anunciado pelo profeta Joel (2:28): "Nos últimos tempos, derramarei do meu Espírito sobre toda a carne; vossos filhos e filhas profetizarão, vossos jovens terão visões, vossos velhos, sonhos.

Poucos desses médiuns virão a ser profetas no sentido maior, o de missionários. Ainda assim, graças a Deus, pelo intercâmbio mediúnico.

Não extingais o Espírito, não desprezeis as profecias, conclama Paulo (I Tes. 5:19/21), mas acrescenta uma recomendação: Examinai tudo. Retende o que for bom.

Atendamos ao que Paulo recomenda e, também, ao que aconselha Kardec: empreguemos o consenso universal, ou seja, considerar apenas as mensagens, informações vindas por meio de vários Espíritos que demonstrarem elevação, por meio de diferentes médiuns seguros, de confiança, em muitos lugares, em diferentes grupos, e analisá-las sempre à luz da razão e dos princípios fundamentais do Espiritismo.

Não dependamos exclusivamente dos médiuns ostensivos, pois já aprendemos com o Codificador: [font=arial]Profeta [/font]é todo o enviado de Deus com a missão de instruir os homens e de lhes revelar as coisas ocultas e os mistérios da vida espiritual. Kardec não era médium, propriamente, entretanto, soube ver, entender, revelar com fidelidade.

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Médiuns ou não, estudemos as coisas espirituais, usando também o intercâmbio mediúnico. Mas busquemos, principalmente, o desenvolvimento moral, que desmaterializa, alarga o círculo das ideias e da concepção.

Assim, conheceremos e sentiremos mais e melhor as coisas que se referem ao "reino dos céus", à realidade do mundo invisível e impalpável que para muitos é o oculto.

E entenderemos qual é a vontade de Deus, evidenciada nas leis naturais, perfeitas e imutáveis, que regem os mundos e os seres, e como cumpri-las, como agir acertadamente dentro delas.

Poderemos até revelá-las aos outros, profetizando, nós também, o que a todos nos aguarda.

Nosso passado? Tivemos origem no princípio inteligente criado por Deus. De começo, éramos simples e ignorantes, mas evoluímos através de milenares experiências na matéria, encarnados, ou fora dela, até nos individualizarmos e chegarmos ao que somos hoje, um Espírito consciente e responsável.

Nosso presente é o resultado de tudo quanto já aprendemos e fizemos de certo ou errado, através de repetidas reencarnações.

É consequência do ontem de nossa vida espiritual, que o nosso hoje deve usufruir, mudar e desenvolver, num permanente esforço contra a ignorância, o materialismo, o egoísmo e a inércia, buscando sempre o reequilíbrio e o aperfeiçoamento.

Nosso futuro, a curto e médio prazo, será bom ou mau, conforme o que estivermos realizando, desde agora, em cada instante. Não importa que não tenhamos dele perfeito conhecimento prévio, porque irá se definindo pelas nossas aspirações e comportamento, e sendo assegurado pelas afinidades que estabelecermos, pelos resultados que gerarmos, segundo a lei de causa e efeito.

Mas, a longo prazo, será fatalmente um destino de grande perfeição e de muita felicidade, pois fomos criados para evoluir, desenvolver as faculdades que trazemos em potencial, passando a usufruir com acerto de tudo que formos capazes de saber, de sentir e de fazer.

Therezinha Oliveira


Fonte: Na Luz da Mediunidade – Therezinha Oliveira