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GERAL => O que é o espiritismo => Comunicabilidade dos Espíritos => Tópico iniciado por: Edna ☼ em 14 de Janeiro de 2019, 19:05

Título: A Mediunidade de Moisés a Jesus
Enviado por: Edna ☼ em 14 de Janeiro de 2019, 19:05
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A Mediunidade de Moisés a Jesus


Ser espírita

Ser espírita é crer em Deus, inteligência suprema do Universo, causa primária de todas as coisas, único, eterno, imaterial, imutável, onipotente, onisciente, soberanamente justo e bom, infinito em todas as suas perfeições.

E, também, no Espírito, que tem sua origem no princípio inteligente criado por Deus e anima a matéria em todo o Universo e, individualizado, torna-se o ser espiritual que pensa, sente e age sobre fluidos, coisas e seres. Preexistindo em relação ao corpo e o transcendendo durante a vida física, o Espírito a ele sobrevive após a morte, conservando sempre a sua individualidade.

Ser espírita é crer na evolução dos Espíritos, que, criados todos simples e ignorantes, partem de um mesmo começo, passam por experiências semelhantes, a fim de desenvolver suas potencialidades, até atingirem um mesmo fim: a perfeição, estágio último em que se frui felicidade total e paz verdadeira.

É igualmente, crer na reencarnação, pois, para evoluir, o Espírito se liga à matéria e dela se desliga incontáveis vezes. Encarna, desencarna e reencarna, neste planeta ou em outros mundos habitados, que os há miríades no espaço infinito.

Ser espírita é crer na justiça divina e na divina misericórdia, compreendendo que a sabedoria divina, que a tudo prevê e provê, submete o Espírito a uma programação, em que lhe dá livre-arbítrio para agir, relativo a princípio e mais amplo à medida em que o Espírito evolui, regendo-lhe a ação pela lei de causa e efeito. Assim, cada ser recebe segundo os seus atos, as suas obras, usufruindo dos resultados, se bons, suportando, se maus, sem que jamais haja condenação eterna.

E crer, ainda, na solidariedade e comunicação entre todos os mundos do Universo e entre todos os seres que habitam os diferentes planos da Criação. Envoltos, tudo e todos, no fluido cósmico universal, temos nele o meio que permite nos comuniquemos: de mundo a mundo, através das forças que percorrem o espaço; de pessoa a pessoa, pelos pensamentos e sentimentos ao impulso vontade; e do plano material ao espiritual e vice-versa, pelo intercâmbio mediúnico. Qualquer que seja nosso grau de evolução, sempre temos alguém de quem recebemos o que não sabemos ou podemos, alguém a quem doamos do que somos, e alguém com quem permutamos em igualdade os valores da vida: a inteligência, o sentimento e a ação.

Ser espírita, finalmente, é crer no amor, como lei maior que harmoniza todas as coisas e seres e, também, as demais leis divinas entre si.

Ser espírita é crer assim, em tudo isso, não apenas por ouvir dizer e aceitar, mas por conhecer, entender e saber, aliando a fé à razão. E não somente crer assim mas procurar agir de acordo com todos esses conhecimentos, a fim de viver em plenitude o preceito evangélico de amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.

Entretanto, quando nos declaramos espíritas, qual a reação mais comum, nos que nos ouvem? Ah, que fala com os mortos ! Lida com os Espíritos! Tão-somente porque, entre as práticas espíritas, temos o exercício da mediunidade, que enseja o intercâmbio com o Além.

E argumentam: E' perigoso! Está proibido na Bíblia, o livro sagrado, o livro santo, onde está escrita a lei de Deus.


Continua
Título: Re: A Mediunidade de Moisés a Jesus
Enviado por: Edna ☼ em 17 de Janeiro de 2019, 11:24
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A Bíblia

Estudando a Bíblia, verificamos que não é um livro e, sim, um conjunto de livros, escritos não apenas por Moisés mas por vários autores, em épocas diferentes, ao longo de 16 séculos.

Esses livros contam a história dos hebreus ou israelitas, povo oriental da Antiguidade, informando quem eram, como pensavam, em que acreditavam e como lutaram com outros povos para conquistar uma terra para habitarem, pois inicialmente eram nômades. Contêm, também, as revelações espirituais que receberam ao longo de sua história.

Os livros da Bíblia apenas nos interessam porque os israelitas foram os ancestrais de Jesus, nosso mestre espiritual, que era judeu, de uma das tribos desse povo. Conhecendo melhor os israelitas, seus usos e costumes ao tempo em que Jesus viveu, entenderemos melhor a mensagem do nosso mestre.

Os espíritas nos interessamos pelo estudo da Bíblia, distinguindo nela, porém, uma parte humana ao lado de seu conteúdo divino.

Na parte humana da Bíblia, temos as idéias que os israelitas faziam sobre a origem do Universo, a criação do mundo e dos seres, e a legislação civil e disciplinar, estatuída por Moisés e outros dirigentes israelitas. Como tudo que é humano, nessa parte muita coisa ficou ultrapassada pelo progresso do conhecimento e a mudança dos costumes sociais. Assim foi com a determinação de que a viúva sem filhos teria direito a casar com o cunhado, que os pais deviam levar os filhos rebeldes para serem apedrejados, a escravidão de quem devesse sem poder pagar, a proibição de o filho bastardo frequentar a congregação, até a décima geração, mandamentos todos que já não mais seguimos.

Na parte divina da Bíblia, encontramos as revelações que mensageiros espirituais fizeram em nome do Altíssimo a Moisés e aos demais profetas dos israelitas, ensinos superiores sobre as leis de Deus, que regem a vida dos mundos e dos seres e o universo moral. Como tudo que é de origem divina, essa parte dos ensinamentos bíblicos não mudou nem perdeu seu valor, permanecendo atual sempre, como os dez mandamentos.

Não basta, pois, ler a Bíblia, sendo necessário entender, discernir e interpretar o que nela se contém.

Os espíritas, não damos tanto valor ao Velho Testamento, a parte da Bíblia que abrange tudo que aconteceu com o povo israelita antes do nascimento de Jesus, consideramos mais o Novo Testamento, que contém os relatos sobre a vida de Jesus e a de seus apóstolos, e onde encontramos o ensino do Cristo, mensagem mais avançada e aperfeiçoada que a de Moisés. O livro O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, faz, especialmente, o estudo da parte moral do ensino evangélico.


Continua
Título: Re: A Mediunidade de Moisés a Jesus
Enviado por: Edna ☼ em 22 de Janeiro de 2019, 15:11
A proibição do intercâmbio

Feita essa explicação preliminar, perguntemos: Onde se encontra, na Bíblia, a proibição da prática do intercâmbio com o Além?  ???  Está no Deuteronômio, cap. 18:9/14, e repetida no Levítico, cap. 19:31, livros atribuídos a Moisés, o grande médium e legislador israelita, e ambos do Velho Testamento, anteriores a Jesus.

Quando entrares no país que Javé, teu Deus, te der, inicia Moisés ao enunciar a proibição. Esclareçamos que Javé ou Jeová significa "Eu sou", porque assim se identificou para os israelitas aquele que é eterno, Deus.

A promessa de dar uma terra tinha grande valor para os israelitas, até então nômades. Mas para merecê-la, não poderiam ter práticas más.

Não se achará entre ti quem faça passar pelo fogo o seu filho ou a sua filha, começa Moisés listando uma primeira proibição, que era usual em povos daquela época, mas nada tem a ver conosco, os espíritas, embora os jornais ainda noticiem que o façam grupos fanáticos de outras confissões religiosas.

Quem se entregue à adivinhação, aos augúrios, às feitiçarias e à magia, quem recorra aos encantamentos, continua Moisés e igualmente não há relação com as práticas espíritas, mas com aqueles que se apresentam como "madames" ou "professores" e, se remunerados, prometem realizar "trabalhos" que resolveriam todos os problemas humanos.

Quem invoque os mortos, prossegue Moisés, e ficamos sabendo que invocar é pedir ajuda, proteção. Sim, isso os espíritas fazemos, mas também o fazem os que oram aos santos e pedem a ajuda espiritual de seus familiares mortos.

O que se pensa proibir, porém, é o evocar os mortos, chamá-los de algum lugar, nominalmente, fazer que apareçam e se manifestem. Ora, o impossível não é preciso proibir; se a evocação dos mortos foi proibida é por ser possível obter a manifestação deles.

Tanto é possível que Saul procurou, em Endor, uma pitonisa, ou seja, uma mulher que tinha espírito de adivinhação, uma médium, e pediu que o fizesse subir a Samuel e Samuel, já desencarnado, apareceu e falou com ele, dando-lhe notícias tristes (I Sam 28:1/25).

Sim, é possível o intercâmbio com os que se encontram no plano espiritual, graças à mediunidade, faculdade inerente ao ser humano, em maior ou menor grau. E' uma faculdade natural e os Espíritos acorrem a se utilizarem dela mesmo espontaneamente, mesmo sem que os chamemos e, às vezes, até sem serem desejados.

Kardec evocou muitos Espíritos e com eles dialogou. Tinha, porém, motivação superior para fazê-lo, a fim de, como pioneiro, conhecer e poder informar à humanidade, na codificação espírita, a origem e destinação dos Espíritos, bem como suas relações com o mundo corporal. Já esclarecidos a respeito, atualmente os espíritas não mais precisam evocar nominalmente os Espíritos nem os consultam usualmente, apenas, ao nos reunirmos, oramos e aguardamos as manifestações que a santa vontade de Deus permitir se façam em nosso meio.



Os desvios na prática mediúnica

Possíveis e naturais, os fenômenos mediúnicos sempre ocorreram, em todos os tempos e povos, como o registra a história, geralmente, em ligação com serviço religioso, em que o ambiente se faz mais propício à relação com o plano espiritual. Homens e mulheres eram especialmente preparados para a atividade do intercâmbio, em longos anos de treinamento.

A mediunidade é, simplesmente, a faculdade que nos permite sentir, perceber e intermediar para o nosso plano o pensamento e ação dos Espíritos. Diz Allan Kardec que ela se deve a causas físicas e morais imperfeitamente conhecidas.

Mas, para o povo, os fenômenos mediúnicos se apresentam como maravilhosos, sobrenaturais e, desde sempre, quem os podia produzir era considerado um ser privilegiado, divino, investido de poderes sobrenaturais, atitude que perdura nos dias de hoje, quando confundem mediunidade com santidade.

Do prestígio e temor que a mediunidade inspira aos leigos, se aproveitavam, na Antiguidade, os círculos sacerdotais que usavam as faculdades mediúnicas e, ao fazerem a orientação religiosa, se atribuíam poder sobre povo e até sobre governantes. Para assegurar esse poder sobre as massas, não hesitavam em fingir fenômenos mediúnicos, imitando-os com práticas de ilusionismo e prestidigitação.

E como os crentes não compreendiam que o intercâmbio mediúnico tem finalidades superiores, como confortar, esclarecer e elevar espiritualmente a humanidade, a tendência geral era de usar a mediunidade para fins pessoais, imediatistas.

Assim, pela má-fé e exploração de alguns e pela ignorância e imediatismo de todos, o intercâmbio mediúnico acabava sendo desvirtuado, servindo para adivinhações, atendendo a interesses egoístas e puramente materiais, misturando-se com práticas mágicas, fraudes, sacrifícios de animais e até de seres humanos.



Porque Moisés proibiu o intercâmbio mediúnico

Esse o panorama que Moisés encontrou, quando assumiu a liderança do povo israelita. Após quase quinhentos anos vivendo no Egito, o caráter do povo israelita se amolentara em virtude da mescla de hábitos com os estrangeiros, chamados de gentios.


Como legislador e líder, Moisés precisava disciplinar as atividades dos israelitas, corrigir desvios nos costumes, fortalecer o caráter do povo.

Para tanto, proibiu muitas coisas, entre elas a prática mediúnica, que estava generalizada mas era feita de modo inconveniente, prejudicial.

O Espiritismo também não concorda em que se faça mau uso da mediunidade e procura esclarecer quanto à sua finalidade superior, orientando a sua prática, para que haja nela segurança e proveito espiritual, como vemos em O Livro dos Médiuns, de Allan Kardec.

Mas a proibição de Moisés não era uma condenação da mediunidade em si mesma, visava, apenas, a reprimir os abusos. Particularmente, Moisés a continuou usando para orientar o povo que acorria a ele e ao qual atendia por sua própria experiência ou mediunizado, englobando as funções de legislativo, executivo e judiciário. E até desejaria que o intercâmbio bem orientado se generalizasse. É o que vemos no episódio registrado em Números (11:26/29), resumido a seguir.

Moisés se queixara a Deus da dificuldade que tinha para conduzir na direção da "terra prometida" o povo israelita, agora muito numeroso e ainda bastante despreparado espiritualmente. Mandou o Senhor a Moisés reunisse na Tenda da Congregação setenta anciãos do povo, prometendo-lhe que "derramaria o espírito" também sobre eles, para o ajudarem na sua tarefa. Na hora preestabelecida, de fato aconteceu de todos os reunidos na Tenda começarem a profetizar, ou seja, a falar sob a influência de Espíritos, pois profeta é aquele que fala em lugar de alguém, como seu porta-voz ou anunciador. Fosse hoje, diríamos que os anciãos ficaram mediunizados, mas, naqueles dias, Kardec ainda não criara a palavra médium para designar o intermediário entre os dois planos. Mas os anciãos Eldad e Medad, que por alguma razão, haviam ficado no acampamento, quando as manifestações mediúnicas se deram na Tenda, também, ali mesmo onde se achavam, começaram a profetizar, ficaram mediunizados. Como o intercâmbio mediúnico estava oficialmente proibido para o povo, foram contar a Moisés. Josué, seu auxiliar, queria que ele mandasse impedir a manifestação, mas Moisés lhe disse: Por que hás de ser tão ciumento a meu respeito? Prouvera a Deus que todo o povo fosse feito de profetas e que o Senhor lhes desse o seu espírito!

Quando a manifestação mediúnica é superior, benéfica, comprova a vida imortal (que o Espírito existe, sobrevive, conserva a sua individualidade), é fonte de ensinamentos espirituais (conforta, esclarece e estimula ao bem) e amplia a fraternidade e o campo de ação entre os encarnados ou não (como o fazem na Terra os meios de comunicação entre povos e continentes). Sendo assim, como ignorá-la, desprezá-la ou proibi-la? Como Moisés, anelamos: Quem dera que todas as pessoas fossem médiuns e usassem bem suas mediunidades, para que, através delas, os Espíritos do Senhor se manifestassem!


Continua
Título: Re: A Mediunidade de Moisés a Jesus
Enviado por: Edna ☼ em 22 de Janeiro de 2019, 15:13
(https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/1/15/Transfigurationbloch.jpg/220px-Transfigurationbloch.jpg)

Jesus e a mediunidade

Cerca de 1.300 anos depois, saindo da época de Moisés e do Velho Testamento, entramos na era de Jesus e já não mais encontraremos, no Novo Testamento, nenhuma menção à proibição mosaica. Pelo contrário, ali vemos Jesus utilizando a mediunidade, ensinando e orientando os discípulos na prática desse recurso tão valioso para a espiritualização e progresso moral da humanidade.

Afirmava Jesus a influência espiritual sobre as pessoas e que podemos aceitá-la ou não, como na passagem em que cumprimenta Pedro por ter sido ele o intermediário de um bom Espírito (não foi carne nem sangue que t'o revelou) e, pouco depois, alertando que o apóstolo agora estava sendo intérprete de sugestão de um Espirito inferior, por tentar dissuadir Jesus de prosseguir em sua tarefa. (Mt 16:17/23)

E praticou ele mesmo o intercâmbio, a exemplo da passagem em que, orando, se transfigurou e apareceram Moisés e Elias, Espíritos materializados, a conversar com ele (Mateus 17:1/18). Também conversou com Espíritos inferiores, afastando os que perturbavam pessoas, como o pobre endemoninhado gadareno (Mc 5:1/14).

Também ensinou discípulos a trabalharem com os Espíritos, tanto no caso do menino obsidiado, em que afirma: esta casta de Espíritos somente se expulsa com jejum e oração (Mt 17:21), como ao esclarecer que o obsessor afastado de alguém pode voltar a assediá-lo, se a pessoa não melhorar a sua casa mental. (Lc 11:24/26)

E mandou-os trabalhar com a mediunidade (Mt 10:8), especialmente ressuscitando os mortos, ou seja, fazendo-os ressurgir, reaparecer mediunicamente e se comunicarem conosco no cenário terreno. Mas sem nada cobrar pelo exercício mediúnico: De graça recebestes, de graça dai.

Moisés proibira o intercâmbio com o Além? Mas Jesus, que é o nosso Mestre, o liberou, com ele aprendemos o exercício da faculdade mediúnica, que Deus sábia e providencialmente estabeleceu, para o esclarecimento, consolo e progresso da humanidade encarnada.



A mediunidade entre os apóstolos

Narra o livro Atos dos Apóstolos (1:5) que, ao ressurgir, Jesus disse aos apóstolos que não se ausentassem de Jerusalém, porque ali, em breve, receberiam um batismo não de água, como o de João, mas de Espírito Santo, isto é, seriam mergulhados em manifestação espiritual superior, teriam assistência espiritual via mediúnica.

O que Jesus prometeu veio a ocorrer no Dia de Pentecostes, festa religiosa dos judeus; também chamada das colheitas, das semanas. A cidade de Jerusalém estava, então, cheia de visitantes, tanto judeus como de homens religiosos de muitas outras nações.

Estavam os apóstolos reunidos no Cenáculo, uma sala de refeições, e de repente, veio do céu um som, como de um vento veemente e impetuoso, e encheu toda a casa em que estavam assentados; e apareceram, distribuídas entre os apóstolos, línguas como de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles, e começaram a falar em outros idiomas, conforme o Espírito lhes concedia que falassem.

O vozerio chamou a atenção dos passantes, que se aglomeraram ao redor e se admiravam: São galileus, como os ouvimos "falarem das grandezas de Deus" no idioma natal de cada um de nós? Que quer isto dizer?

Houve quem zombasse: Estão cheios de mosto, querendo dizer que os apóstolos poderiam estar embriagados. Pedro explicou que não era embriaguez, por serem apenas nove horas da manhã, mas o cumprimento de uma profecia de Joel: nos últimos dias acontecerá (diz Deus) que do meu Espírito derramarei sobre toda a carne; e vossos filhos e filhas profetizarão, vossos mancebos terão visões, vossos velhos, sonhos". Essa profecia, que constituía uma promessa de liberação do intercâmbio mediúnico para toda a humanidade (toda a carne), estava sendo cumprida naquele dia.

Em seguida, Pedro falou sobre Jesus, sua vida, seu sacrifício e ressurgimento, e muitos se converteram. Aos convertidos, Pedro assegurou que também receberiam o Espírito Santo, a manifestação de bons Espíritos: a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos e a todos os que estão longe, a tantos quantos Deus, nosso Senhor, chamar, porque, desde então, a mediunidade não seria mais apenas uma possibilidade eventual, mas estaria generalizada, ante a evolução da humanidade e por permissão espiritual.

Assim, discípulos e apóstolos utilizavam largamente a mediunidade e ficam registrados em Atos dos Apóstolos muitos prodígios e sinais por intermédio deles (2:43), o que fez Eliseu Rigonatti chamar aquele livro de O Evangelho da Mediunidade.

Lá estão os fenômenos de efeitos físicos, como os de Pedro e João curando um coxo à porta Formosa, do Templo; a sombra de Pedro curando enfermos (isto é, sua influência magnética alcançando mesmo a certa distância); ainda Pedro em Jope, ressuscitando Tabita (retirando-a do estado cataléptico ou letárgico); e Paulo curando enfermos com o seu magnetismo, levando o povo a dizer que Deus, pelas mãos de Paulo, fazia maravilhas, magnetismo que também era transferido até através de suas vestes e lenços. Ainda por efeitos físicos se pode entender aquela vez, em que aos apóstolos orarem, tremeu o local, (4:31), ou podemos achar que vibrações fluídicas foram por todos sentidas, evidenciando os grandes efeitos da oração sincera. E, também por efeito físico, duas vezes um anjo, um mensageiro espiritual, libertou Pedro da prisão. (12:1/18)

Quanto aos efeitos intelectuais, vemos a psicofonia, quando todos ficaram cheios do Espírito Santo (4:31), isto é, foram envolvidos por bons Espíritos; ou quando Barnabé e Saulo, por instrução dos Espíritos, foram enviados a pregar em outras regiões. (Atos 13:2)

Promoviam a desobsessão, libertando os atormentados por Espíritos inferiores. Registravam fenômenos de vidência e audição, como Estêvão vendo, no plano fluídico, Jesus em glória; e Paulo vendo Jesus e com ele dialogando na estrada de Damasco, e posteriormente vendo e ouvindo um Espírito que lhe pedia fosse à Macedônia pregar a boa nova.

Fenômenos de predições, como as de Ágabo: uma anunciando grande fome na Judeia, que realmente veio a acontecer, providenciando os cristãos da Antioquia ajuda para os de lá; e outra avisando que Paulo seria aprisionado em Jerusalém.

E' como a mediunidade estava liberada, estimulavam seu desenvolvimento e manifestações nos novos adeptos: Oraram por eles, para que recebessem o Espírito Santo, ou impunham-lhe as mãos, e recebiam estes o Espírito Santo. Mas só procediam assim nos que se mostrassem realmente convertidos, conscientizados e disposto a se renovarem e servirem.

Naturalmente, a prática mediúnica se expandia no nascente movimento cristão. De início, os apóstolos, sendo israelitas, supunham que aquelas manifestações estariam restritas às pessoas de seu povo e de sua raça. Os fatos iriam mostrar que não era só para eles, mas para toda a carne, como na profecia de Joel.

Foi o que descobriu Pedro, quando chamado para atender ao centurião Cornélio, na Cesaréia. Esse centurião era um gentio, um estrangeiro, mas homem de fé, temente a Deus e caridoso. Numa tarde, orando, ele teve a visão de um anjo, de um mensageiro espiritual, que lhe disse para chamar Simão Pedro, que estava em Jope, para por ele ser orientado. Os enviados do centurião partiram. Mas, haveria a probabilidade de Pedro não querer acompanhá-los, pois os cristãos estavam sendo perseguidos; para que o apóstolo se dispusesse a atender ao estrangeiro, o plano espiritual se manifestou a Pedro, em uma visão e num alerta especial: Não faças tu comum ao que Deus purificou, ou seja, não consideres mal a pessoas que Deus aprovou.

Pedro, então, seguiu os emissários do centurião e, na casa dele, que reunira familiares e agregados para ouvir a palavra do apóstolo, começou a lhes falar sobre Jesus. Inesperadamente, o Espírito Santo caiu sobre todos que ali lhe ouviam a palavra, e falavam línguas e glorificavam a Deus. Não eram israelitas, mas tinham fé em Deus e observavam boa conduta, merecendo já o mesmo batismo do espírito, o mergulho em manifestações espirituais superiores, que tinham recebido os apóstolos no Dia de Pentecostes. Assim Pedro explicou aos seus companheiros, quando admoestado por haver aberto a gentios os ensinos da boa nova.


Continua
Título: Re: A Mediunidade de Moisés a Jesus
Enviado por: Edna ☼ em 18 de Fevereiro de 2019, 12:39
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Paulo orienta a prática mediúnica

A prática da mediunidade se difundiu tanto no Cristianismo nascente, que Paulo sentiu necessidade de instruir a respeito aqueles que se iniciavam no seu conhecimento e exercício. Os capítulos 12 a 14 de sua primeira epístola aos Coríntios pode ser comparada a um sucinto, mini Livro dos Médiuns, como fica evidente num breve estudo de algumas de suas proposições.

A respeito dos dons espirituais, não quero, irmãos, que sejais ignorantes.

Os cristãos precisam saber que há dons espirituais, carismas, não devem ignorar a existência de faculdades mediúnicas no ser humano.


Quando éreis gentios, deixáveis conduzir-vos aos ídolos mudos, segundo éreis guiados.

Quando ainda não conhecia o Deus único, a humanidade adorava deuses representados em imagens, em estátuas; ídolos mudos que não ensejavam o diálogo com os crentes. Com a mediunidade, os seres espirituais nos falam, dialogamos com eles. E' uma situação inteiramente nova, na qual se torna necessário discernir, entre os Espíritos comunicantes, os bons e os maus.


Por isso vos faço compreender que ninguém que fala pelo Espírito de Deus e afirma: Anátema Jesus! Por outro lado, ninguém pode dizer: Senhor Jesus! Senão pelo Espírito Santo.

Também João Evangelista convidava a essa análise dos comunicantes, alertando: Amados, não acrediteis em todos os Espíritos, mas experimentai se os Espíritos são de Deus. (I Jo 4:1/13)



A manifestação do Espírito é concedida a cada um visando um fim proveitoso. Ora, os dons são diversos, mas o Espírito é o mesmo. E também há diversidades nos serviços mas o Senhor é o mesmo. E há diversidade nas realizações mas o mesmo Deus é quem opera tudo em todos.

As faculdades mediúnicas são muito variadas e, com elas se fazem diferentes serviços, realizações diversas. Mas é sempre o elemento espiritual se manifestando, segundo o que as leis de Deus permitem e objetivando um propósito divino, um fim proveitoso, o da evolução e aperfeiçoamento moral dos seres.

Continuando em suas instruções, nesse mini Livro dos Médiuns, Paulo relaciona mediunidades e as classifica, dizendo que a uns é dada, pelo Espírito, a palavra de sabedoria (transmitem a fala de Espíritos sábios); a outros, a palavra de conhecimento (a fala de Espíritos eruditos); a outros, ainda, a fé (as expressões de convicção, de fervor religioso), ou os dons de curar e os de operar maravilhas (produzir efeitos físicos), os de discernimento de Espíritos (a percepção da natureza dos comunicantes), a variedade de línguas (xenoglossia) e a capacidade de interpretá-las (entender telepaticamente o conteúdo mental delas).

Ponto importante das instruções de Paulo é quando compara a ecclesia, o agrupamento cristão, com um corpo, do qual Cristo é a cabeça e cada participante, com sua faculdade, um membro desse corpo; que, embora com muitos membros, corpo é um só, cada membro faz parte dele e todos precisam um do outro. E pede o apóstolo que não haja divisão no corpo, pelo contrário, cooperem os membros com igual cuidado, em favor uns dos outros.

Preocupa-se Paulo, também, com a ordem na reunião mediúnica, recomendando que, quando nos reunimos para o intercâmbio, cada qual com sua faculdade mediúnica, seja tudo feito para edificação, com decência e ordem; que nas mensagens falem dois ou três apenas e os demais analisem, e que elas sejam em sequência e não a um só tempo, para todos aprenderem e serem consolados; que os Espíritos dos profetas (os que falam por meio dos médiuns) estão sujeitos aos próprios profetas (sob controle dos médiuns) e que Deus não é Deus de confusão[/i]; e, sim, de paz.

Aconselha o apóstolo que se procurem com zelo os melhores dons, deixando claro que a melhor mediunidade será a que for mais útil e adequada à edificação dos participantes, pois a xenoglossia, por exemplo, pode ser sinal para os incrédulos, mas se não interpretada, só Deus entende e o médium, então, fala mistérios e a si mesmo se edifica. Se não houver quem interprete, é melhor o médium ficar calado, ou então, ore para que a possa interpretar. Considera Paulo ser melhor a profecia, a mediunidade falante, no idioma comum ao grupo, porque é para os que creem, todos entendem e edifica os que a ouvem, exortando, consolando.

Posto que desejais dons espirituais, diz o apóstolo para aqueles que queiram desenvolver faculdades mediúnicas e com elas trabalhar na seara cristã, procurai progredir para a edificação da igreja, ou seja, que se exercitem estudando, orando e servindo nas atividades do grupo.



Mediunidade e caridade

E eu passo a mostrar-vos ainda um caminho sobremodo excelente.

Finalmente, coroa Paulo os seus ensinamentos sobre os dons espirituais, as faculdades mediúnicas. Depois de estimular sua busca, exercício e aperfeiçoamento, afirma haver algo que ele considera melhor caminho, ainda, para nossa realização espiritual do que as mediunidades.


Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos se não tiver amor, serei como o bronze que soa, ou o címbalo que retine.

Podemos intermediar a fala dos Espíritos e não nos darmos conta de seu significado e valor. Neste caso, nos assemelharemos a um sino ou campainha que produz sons sem os entender.


Ainda que eu tenha o dom de profetizar e conheça todos os mistérios e toda a ciência; ainda que eu tenha tamanha fé ao ponto de transportar montes, se não tiver amor, nada serei.

Ser intermediário das mais sublimes e reveladoras mensagens, conhecer tudo do plano espiritual ou terreno, ter plena convicção das coisas espirituais, mas não ser caridoso, fraterno? É apenas dispor de recursos para ação superior, mas não estar realizado espiritualmente. É perfeita a coerência entre esse ensinamento paulino e a diretriz espírita "Fora da caridade não há salvação", proposta por Kardec.


Ainda que eu distribua todos os meus bens entre os pobres e ainda que entregue o meu próprio corpo para ser queimado se não tiver amor, nada disso me aproveitará.

Doar bens aos carentes evita os efeitos danosos de se reter recursos sem os usarmos acertadamente; o sacrifício do corpo não substitui a oferta que se deve fazer do próprio eu. Qualquer atitude ou ação que não traduza o sentimento maior, o amor, não passa de mera exterioridade.


E, então, que o apóstolo Paulo fala sobre o amor.


O amor é paciente, benigno.

Quem está inspirado pelo amor age com calma e perseverança e só faz o bem.


Ele não arde em ciúmes, não se ufana ou ensoberbece.

Quem ama não tem inveja de ninguém, não exalta a si mesmo, pois seria diminuir o outro.


Não se conduz inconvenientemente nem procura os seus interesses.

Sua conduta não é temerária, precipitada nem indecorosa, e não age egoisticamente.


Não se exaspera, não se ressente do mal, não se alegra com a injustiça, mas se regozija com a verdade.

Aquele que ama não se irrita nem se descontrola, não se melindra nem se ofende, não se alegra com a injustiça, pois que não beneficia o próximo, mas se regozija com a verdade, porque somente ela constrói o bem de todos de modo duradouro.


O amor tudo sofre, crê, espera, suporta.

Recebe agressão, calúnia, prejuízo sem revidar com o mal. Confia, em tudo e em todos, pois tudo e todos são obra divina. Aguarda, porque sabe que Deus nada inútil ou mau faz e, portanto, seja o que for que se nos depare, situações ou pessoas, ao fim haverá sempre uma solução, proveito ou compensação. E, assim, quem ama consegue ser forte, capaz de aguentar ou superar cargas, trabalhos, sacrifícios.


Continua
Título: Re: A Mediunidade de Moisés a Jesus
Enviado por: Edna ☼ em 19 de Fevereiro de 2019, 14:12
(http://4.bp.blogspot.com/_BPMKQ2xsVkM/S0OBDq8ITbI/AAAAAAAAANo/pIis8Jbrneg/s320/espiritos-de-demonios1.jpg)

Há mais de três mil anos, Moisés proibira o exercício da mediunidade, para evitar seu mau uso ou desvios na sua prática, mas particularmente a exercia e a desejava para todo o povo.

Dois mil anos depois, estando a humanidade mais consciente do valor e finalidade das faculdades mediúnicas Jesus ensinou, exemplificou e recomendou sua prática.

Há alguns séculos, os que dominavam o movimento cristão voltaram a ocultar os dons espirituais.

Mas, em meados do século 19, os Espíritos do Senhor, promovendo manifestações mediúnicas por toda a parte, romperam o indevido bloqueio dos dons espirituais e Allan Kardec, codificando os ensinos dos imortais, orientou e disciplinou a prática mediúnica, encaminhando-a para seus elevados objetivos espirituais: esclarecimento, consolação e maior vivência espiritual.

Iluminados pelo entendimento espírita, usemos a mediunidade sem nenhum receio, mas, também, sem abuso, com respeito e responsabilidade, sem nos deixarmos levar pelo egoísmo, que a pretenda restringir a nós e aos nossos, e, sim, com amor, para o serviço do bem a toda a humanidade."


Fonte: Na Luz da Mediunidade – Therezinha Oliveira