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GERAL => Outros Temas => Biografias Espíritas => Tópico iniciado por: *Leni* em 25 de Dezembro de 2008, 21:43

Título: Paulo de Tarso III
Enviado por: *Leni* em 25 de Dezembro de 2008, 21:43


CRISTIANISMO OU PAULINISMO?

As 13 cartas escritas por São Paulo sintetizam o pensamento do apóstolo, que viria a moldar a doutrina cristã. Elas foram redigidas entre os anos 50 e 60 e são os mais antigos documentos da história do cristianismo – os quatro evangelhos canônicos de Mateus, Marcos, Lucas e João ficaram prontos apenas entre os anos 70 e 100. A influência do apóstolo na consolidação da doutrina cristã pode ser medida pelo fato de suas epístolas representarem quase metade dos 27 livros do Novo Testamento. Com elas, dizem os estudiosos, Paulo não tinha a pretensão de formular tratados teológicos. "Elas são resultado de experiências vivenciadas pelas comunidades paulinas", afirma o André Chevitarese. Uma corrente de biblistas defende que nem todas foram de fato escritas por Paulo – algumas teriam sido redigidas por seus discípulos após a morte do apóstolo. "Elas são muito diferentes em estilo literário e conteúdo", afirma Pedro Vasconcellos, da PUC. Para a Igreja, no entanto, todas as cartas são de autoria de Paulo.

Se são uma rica fonte de difusão da doutrina cristã, esses documentos são também a principal causa da controvérsia sobre o apóstolo. Na opinião de Fernando Travi, líder da Igreja Essênia Brasileira, a descoberta, no século passado, de escrituras datadas dos primeiros anos do cristianismo, como os Manuscritos do Mar Morto, o Evangelho dos 12 Santos (ou da Vida Perfeita) e o Evangelho Essênio da Paz, indica que boa parte do conteúdo das cartas de Paulo está em oposição aos ensinamentos de Jesus (leia quadro na pág. 64). "Existem sérios indícios de que, como num plano de sabotagem, Paulo divulgou uma doutrina falsificada em nome do messias", diz ele. Opinião parecida tem o pastor batista americano Edgar Jones, autor do livro Paulo: O Estranho. "Jesus de Nazaré deve ser cuidadosamente diferenciado do Jesus de Paulo. Gerações e séculos passaram até que a corrente paulina com seu forte apelo em favor do Império Romano ganhasse ascendência sobre a corrente apostólica", diz o teólogo. O fato é que, até o século 4, o cristianismo dividia-se em duas correntes distintas, uma liderada pelos discípulos de Paulo e outra pelos seguidores dos apóstolos de Cristo. Quando o cristianismo tornou-se a religião oficial do Império Romano, a corrente paulina saiu-se vitoriosa. "As idéias de Paulo, afáveis aos dominadores, foram definitivamente incorporadas à doutrina cristã", diz Fernando.

Para os críticos de Paulo, um exemplo dessa "afabilidade" está presente na Epístola aos Romanos. "Cada um se submeta às autoridades constituídas, pois não há autoridade que não venha de Deus, e as que existem foram estabelecidas por Deus. Aquele que se revolta contra a autoridade opõe-se à ordem estabelecida por Deus", escreve Paulo. E continua: "É também por isso que pagais impostos, pois os que governam são servidores de Deus". "Essa passagem revela que ele estava a serviço das autoridades romanas. Jesus, por sua vez, se insurgia contra as leis de Estado", afirma Fernando. Para os defensores de Paulo, esse texto foi tirado de seu contexto e tornou-se, ao longo dos séculos, uma teoria metafísica do Estado. "O texto só tinha valor para quem vivia em Roma, onde qualquer movimento de desobediência seria esmagado", diz o teólogo Pedro Vasconcellos.

Para outros teóricos, deve-se diferenciar a doutrina religiosa paulina das opinões do apóstolo sobre a ordem social. "A teoria de Igreja de Paulo é fundamentada no antiautoritarismo, o que influenciou muito a doutrina protestante. Na sua igreja, a idéia de liberdade é plena, mas quando ela é extrapolada para o meio social, surge o seu conservadorismo", diz o pastor luterano Milton Schwantes, professor da Universidade Metodista de São Paulo e doutor em literatura bíblica. O sacerdote franciscano Jacir de Freitas Faria, mestre em exegese bíblica pelo Pontifício Instituto Bíblico (PIB), de Roma, comunga da mesma opinião: "Paulo é uma figura basilar do cristianismo, mas não podemos deixar de ser críticos a ele nessa relação com o Império Romano".

Outro ponto controverso das epístolas paulinas refere-se à defesa que seu autor faz da escravidão. Na Epístola aos Efésios, Paulo é taxativo: "Servos, odedecei, com temor e tremor, em simplicidade de coração, a vossos senhores nesta vida, como a Cristo". Para os antipaulinos, o apoio dado pelo apóstolo à escravidão tem sido usado pela Igreja ao longo dos séculos para legitimar situações espúrias de dominação e diverge radicalmente da palavra de Cristo, que pregava um mundo livre de opressões. A corrente pró-paulina argumenta, mais uma vez, que é preciso analisar o contexto histórico para entender seus escritos: "Sua falha em condenar a escravidão torna-se compreensível quando sabemos que cerca de 60% da população de qualquer cidade grande daquele tempo era formada por escravos. Toda economia estava estruturada em torno desse fato e, por isso, uma atitude crítica seria incompreensível", afirma o biblicista Jerome Murphy-O’Connor, de Jerusalém.

O apóstolo dos pagãos também é bombardeado por suas posições a respeito das mulheres. Na carta endereçada à comunidade cristã de Colosso, ele escreve: "Quanto às mulheres, que elas tenham roupas decentes, se enfeitem com pudor e modéstia. (...) Durante a instrução, a mulher conserve o silêncio, com toda submissão. Não permito que a mulher ensine, ou domine o homem". Suas palavras atraem até hoje a ira das feministas, que o acusam de misoginia. Seus defensores, por outro lado, argumentam que , ao contrário, ele incentivava a participação das mulheres na vida social. "Paulo acreditou firmemente na igualdade entre os sexos e, em suas igrejas, as mulheres exerciam todos os ministérios. Alguns exegetas munidos de preconceito interpretaram erroneamente os textos paulinos", diz Murphy-O’Connor.

Outro petardo disparado pelos críticos diz respeito à doutrina da salvação defendida por Paulo. "Paulo diz que os pecados são perdoados se a pessoa acreditar que Jesus morreu na cruz por ela. É a doutrina da salvação em que o herói derrama seu sangue e todos são perdoados por causa dele. Enquanto isso, Jesus diz: ‘Eu sou o caminho, a verdade e a vida’. Para Jesus, a salvação será dada àqueles que seguirem seus ensinamentos", afirma Fernando Travi. Os defensores de Paulo discordam e afirmam que o apóstolo foi mais uma vez mal interpretado.

"Creio que houve uma transformação conservadora da mensagem de Paulo. Temos que libertá-lo das idéias errôneas a seu respeito perpetuadas ao longo dos séculos", diz Pedro Vasconcellos, da PUC.

Conservador ou radical, fiel ou não a Jesus Cristo, São Paulo foi, sem dúvida, um dos poucos evangelizadores – se não o único – a fazer o cristianismo passar da cultura semita à greco-romana, possibilitando que ela se tornasse uma religião mundial. "Ele criou condições para que povos não-judaicos, ao receberem a mensagem de Deus, fossem inseridos de forma igualitária na comunidade cristã", afirma o André Chevitarese, da UFRJ. Sem Paulo, considerado por muitos o pai do cristianismo, a história da humanidade teria tomado outro rumo. A Idade Média, marcada pela força da Igreja Católica, ocorreria de outra forma e o mundo em que vivemos seria totalmente diferente. Nada seria como é.

FONTE:
Yuri Vasconcelos


Título: Re: Paulo de Tarso III
Enviado por: *Leni* em 04 de Março de 2009, 17:02



Entrevista com Paulo de Tarso

Paulo, por ele mesmo.
Ricardo Gondim.

Paulo de Tarso, principal teólogo cristão do primeiro século, graciosamente concedeu-me esta entrevista.

Ricardo Gondim: O senhor já se sente realizado ou que tenha alcançado seus alvos espirituais?
Paulo de Tarso: “Não que eu já tenha obtido tudo… ou tenha sido aperfeiçoado, mas prossigo para alcançá-lo, pois para isso também fui alcançado por Cristo Jesus”.  Filipenses 3.12.

Ricardo Gondim: Eu pensei que o senhor já estivesse acima desses pecados grosseiros que tantas vezes sou tentado:
Paulo: “Sei que nada de bom habita em mim, isto é, em minha carne. Porque tenho o desejo de fazer o que é bom, mas não consigo realizá-lo. Pois faço não o bem que desejo, mas o mal que não quero fazer, esse eu continuo fazendo. Assim, encontro essa lei que atua em mim: Quando quero fazer o bem, o mal está junto a mim”.  Romanos 7.18.

Ricardo Gondim: Impressionante, imaginei que o senhor resolvesse essas questões mais facilmente.
Paulo: “Esmurro o meu corpo e faço dele meu escravo, para que, depois de ter pregado aos outros, eu mesmo não venha a ser reprovado”. 1 Coríntios 9.27.

Ricardo Gondim: O senhor não acha que, como apóstolo, tem o direito de se orgulhar?
Paulo: “Se devo orgulhar-me, que seja nas coisas que mostram a minha fraqueza”. 2Coríntios 11.30. “Quanto a mim, que eu jamais me glorie, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, por meio da qual o mundo foi crucificado para mim, e eu para o mundo”. Gálatas 6.14.

Ricardo Gondim: Mas o senhor é apóstolo…
Paulo: “O Senhor apareceu a mim, como a um abortivo. Pois sou o menor dos apóstolos e nem sequer mereço ser chamado apóstolo, porque persegui a igreja de Deus”. 1 Coríntios 15.8-9.

Ricardo Gondim: Espere um pouco, o senhor não se sente melhor do que as pessoas comuns, como eu e todos os que lhe lerão?
Paulo: “Esta afirmação é fiel e digna de toda aceitação: Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o pior”. 1 Timóteo 1.15.

Ricardo Gondim: Essa visão de si mesmo me parece bastante pessimista, porque o senhor se enxerga assim?
Paulo: “Mas por isso mesmo alcancei misericórdia, para que em mim, o pior dos pecadores, Cristo Jesus demonstrasse toda a grandeza da sua paciência, usando-me como um exemplo para aqueles que nele haveriam de crer para a vida eterna”. 1 Timóteo 1.16.

Ricardo Gondim: Como lida com sentimentos de culpa?
Paulo: “Uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que ficaram para trás e avançando para as que estão adiante,prossigo para o alvo, a afim de ganhar o prêmio do chamado celestial de Deus em Cristo Jesus”.  Filipenses 3.13-14.

Ricardo Gondim: Que conselho daria para as pessoas que buscam maior maturidade espiritual?
Paulo: “Tudo o que for verdadeiro, tudo o que for nobre, tudo o que for correto, tudo o que for puro, tudo o que for amável, tudo o que for de boa fama, se houver algo de excelente ou digno de louvor, pensem nessas coisas”.  Filipenses 4.8.

Ricardo Gondim: Fala-se muito em prosperidade nas igrejas evangélicas de hoje. Há alguma coisa errada com essa ênfase?
Paulo: “A vocês foi dado o privilégio de não apenas crer em Cristo, mas também de sofrer por ele”. Filipenses 1.29. “Trazemos sempre em nosso corpo o morrer de Jesus, para que a vida de Jesus também seja revelada em nosso corpo”.  2 Coríntios 4.10.

Ricardo Gondim: Muito obrigado, deixe uma mensagem final, por favor:
Paulo: “Vivam em paz uns com os outros. Alegrem-se sempre. Orem continuamente. Dêem graça em todas as circunstâncias, pois esta é a vontade de Deus para vocês em Cristo Jesus. Não apaguem o Espírito. Não tratem com desprezo as profecias, mas ponham à prova todas as coisas e fiquem com o que é bom. Afastem-se de toda forma de mal. Saúdem a todos com beijo santo”.  1 Tessalonicenses 5.12-25.


"AINDA QUE VOCÊ SEJA O MAIS SÁBIO, O MAIS RICO, O MAIS
INTELIGENTE DOS HOMENS OU ATÉ FALE A LINGUAGEM DOS ANJOS
MAS, SE NÃO TEM AMOR NO SEU CORAÇÃO, VOCÊ É NADA".

Paulo de Tarso.

Soli Deo Gloria.
Fonte:
www.ricardogondim.com.br (http://www.forumespirita.net/fe/go.php?url=aHR0cDovL3d3dy5yaWNhcmRvZ29uZGltLmNvbS5icg==)
 



Título: Re: Paulo de Tarso III
Enviado por: Telmaluz em 26 de Julho de 2009, 02:44
"AINDA QUE VOCÊ SEJA O MAIS SÁBIO, O MAIS RICO, O MAIS
INTELIGENTE DOS HOMENS OU ATÉ FALE A LINGUAGEM DOS ANJOS
MAS, SE NÃO TEM AMOR NO SEU CORAÇÃO, VOCÊ É NADA".

Paulo de Tarso.