Forum Espirita

GERAL => Outros Temas => Biografias Espíritas => Tópico iniciado por: Telma em 16 de Dezembro de 2005, 20:15

Título: Maria Dolores
Enviado por: Telma em 16 de Dezembro de 2005, 20:15
MARIA DOLORES

( 1900-1959 )


"Nasceu Maria de Carvalho Leite na cidade sertaneja de Bonfim de Feira - BA, no dia 10 de Setembro de 1900, filha de Hermenegildo Leite, escrivão da Prefeitura, e da doméstica Balbina de Carvalho Leite. Em Bufem passou a infância.

Do casal Hermenegildo e Balbina nasceram, com Dolores, três homens e duas mulheres.

Em 1916, diplomou-se Professora pelo Educandário dos Perdões, considerada pelas colegas e professores como adolescente-prodígio, graças à rara inteligência.

"A poesia, começou a senti-la na cidade natal, ainda quase criança, a transformar-se, mais tarde, na poetisa de bons versos que todos conhecemos.

Reuniu alguns de seus poemas no livro "Ciranda da Vida". Dizem os que a conheceram de perto que não sabia de cor nenhum de seus versos! Sendo reconhecida na Capital pela sua arte, passou a escrever nos jornais "Diário de Notícias" e "O Imparcial" sendo, neste último, Redatora-Chefe da "Página Feminina". Durante 13 anos, escrevera nos jornais citados, mostrando o mundo de ternura que trazia dentro de si, adotando o pseudônimo de "Maria Dolores". Apelidada pelos amigos e familiares de Madô e Mariinha, era reconhecida pela simpatia e bondade com que a todos cativava.

"Dolores lecionou no Educandário dos Perdões e no Ginásio Carneiro Ribeiro, em Salvador. Também dava cursos particulares. Daí, porque entendemos o seu modo todo especial de ensinar, através dos versos, às almas aflitas.

"Seu espírito não se limitou somente aos versos; ela também tocava piano, pintava, gostava da costura e da arte culinária. Humana por excelência, viveu desenvolvendo em si, contudo, qualidades inatas.

"Mas a sua vida não poderia ser somente flores: estava-lhe reservada uma prova de sofrimentos morais.

"Casara-se com o médico Odilon Machado. Suportando infeliz consorcio durante alguns anos, finalmente deu-se a solução pelo desquite. Não houve filhos desta união, como nunca os teria Maria Dolores.

"Em sua peregrinação, morou em várias cidades do próprio Estado baiano, como Pirangi e Itabuna. Nesta última, conheceu Carlos Carmine Larocca, italiano radicado no Brasil; tornou-se sua companheira, ajudando-o, ombro a ombro, em suas atividades.

"Notamos nos seus versos o quanto sofrera, buscando algo que não encontrava: a sua complementação afetiva, tal como fora planejado pela Providência, para que buscasse o Amor Maior, que ela soube encontrar um dia - JESUS! Tanto sofrimento não foi capaz de torná-la indiferente ao sofrimento humano. Na imprensa, falava dos direitos humanos e dos sofrimento dos menos felizes. Não foi compreendida: tacharam-na de "comunista", tendo de responder sobre as acusações que lhe faziam, pois fora intimada.

"Em menina, fora católica; em adulta, o sofrimento fizera-lhe conhecer a Doutrina de Allan Kardec, e veio a consolação, a aceitação do sofrimento.

"Quando Alziro Zarur fundou a Legião da Boa Vontade, ela tornou-se membro integrante, com o seu espírito aberto e cheio de ideais.

"Era a senhora voa e sempre bem-vinda aos bairros pobres de Salvador, fazendo campanhas, prendas para os bazares realizados em sua própria casa. Fundara um grupo que se reunia em sua residência, todas as semanas, quando saíam para distribuir, nos bairros carentes escolhidos, farnéis, roupas, remédios... Chamavam-se "As Mensageiras do Bem". No Natal, faziam campanha e distribuíam donativos assim como nos Dia das Mães. Dolores costurava enxovais, vendia o que era seu ou empenhava; às vezes, fazia dívidas para sim a fim de ajudar alguém. Contou-nos uma de suas filhas adotivas que, quando ela desencarnou, alguém viera com jóias que lhe pertenceram, as quais foram dadas para que ela providenciasse vender por uma campanha que faziam.

"E, no trabalho do Senhor, na dedicação à Causa Evangélica, foi desenvolvendo diversas mediunidades. Tudo isto a ajudou a sofrer injúrias, como quando fora acusada de "comunista", e outros sofrimentos que, em vez de a abater, a elevavam. Perdoando sempre por cima de suas lágrimas, qual ensinou Jesus.

"Trazia em si, Maria Dolores, um grande sentimento maternal e, como não lhe foi dado o direito da maternidade, adotou crianças. A primeira, em Itabuna, que foi registrada com o nome de Nilza Yara Larocca (1936), depois em Salvador mais duas filhas: Maria Regina e Maria Rita (1954). Em 1956, vieram Leny e Eliene e, um mês antes da sua desencarnação, Lisbeth.

"Lia muito e escrevia. Os amigos eram tantos e admiravam-na! Entre eles, podemos citar: José Nunes, Candinha, Maria Alice, Antonieta, José Bastos, Maria Alice Queirós, Faustino, Maria Carolina Sales...

"Carlos Larocca estava na Itália, quando Dolores adoecera. A pneumonia manifestara-se de forma violenta. Antonieta Bastos fora visitá-la com José e Faustino e, vendo o seu estado dispnéico e de real abatimento, providenciaram o seu internamento no Hospital Português. Inúteis foram os esforços médicos. Poucos dias depois, quatro ou cinco dias, era 27 de Agosto de 1959 ela partia de volta à Pátria Espiritual. Eram 1:40 horas. E, como disse Mara em sua crônica, "Partiu-se o Guizo de Cristal". Nilza foi avisar, imediatamente, a Antonieta e Maria Alice. Levaram o corpo para a "Casa de Tia Sara" - sede da LBV - e de lá partiu, com grande acompanhamento, para o Campo Santo.

"Numa carta escrita à Maria Alice, Francisco Cândido Xavier narra o seguinte: Maria Dolores lhe aparecera no dia 29 de março de 1964, bela e remoçada. As lágrimas vieram-me aos olhos, de v~vê-la tão claramente junto a mim. Que emoção!

"Dolores era alva, de cabelos e olhos pretos, alegre e brincalhona, de estatura mediana e robusta de físico. Desencarnara aos 59 anos, mas a sua lira continuou vibrando em benefício do amor, da caridade e do perdão - o seu hino ao Senhor, não diferente dos hinos que tocava e cantava, cheia da alegria de servir".

Perguntando a Chico qual o primeiro poema que Maria Dolores escreveu por seu intermédio, ele nos disse ser o belíssimo "Anseio de Amor", inserido nas páginas de "Antologia da Espiritualidade", que aqui transcrevemos.



Fonte Livro: Chico Xavier Mediunidade e Ação - 154 a 156

Autor: Carlos A. Baccelli

Título: Re: Maria Dolores
Enviado por: Telma em 16 de Dezembro de 2005, 20:17
Maria Dolores,
um poema de amor

Há 100 anos renascia a poetiza, que mesmo da Espiritualidade faz vibrar o coração de tantos quantos já vislumbraram no amor a maior de todas as inspirações.

Maria Dolores, a poetiza que ressurgiu pelas mãos abnegadas de Francisco Cândido Xavier, quando encarnada quase sempre engavetava os seus poemas. Em seu livro “Ciranda da Vida” ela diz o porquê: “O pavor à crítica, cujos apupos são uma das formas mais comuns em que se extravasa a vaidade humana, tem-me feito recuar ante a possibilidade de publicar os meus versos simplórios e passadistas. E, por isso, foi-se a mocidade, chegou a velhice, e eles continuam a entulhar o fundo de velha gaveta. Nunca tive jeito para o versejar moderno, atualizado até por alguns poetas da velha guarda. Nem mesmo cheguei a tentá-lo. Agora, porém, com a reforma espiritual que traçou um novo caminho para este meu fim de vida, sinto-me disposta e capaz de enfrentar a crítica, porque este livro se destina, com sua venda, a oferecer pequena ajuda a algumas instituições de caridade. Despretensiosa a minha atitude. Mas sincera. Bem intencionada.

Não tardou, porém, e a poetiza reaparece com seu ineludível estilo depois de uma existência inteira consagrada ao próximo, compondo, sobretudo aos leitores espíritas os mais belos poemas de encorajamento e reconhecimento da excelsitude de Jesus:

"Assim no mundo, coração amigo,
Faze o bem onde for, seja a quem for;
Em toda parte, Deus conta contigo
Na tarefa do amor"

“Se confias em Deus, alma querida,
Vem com Jesus, do lar, que te resguarda e eleva,
Ao vale da aflição onde vagam na sombra
Os romeiros da angústia e as vítimas da treva!...”



Bibliografia: Anuário Espírita 2000-09-06
Revista da Feesp / Dez./ 87
Setembro de 2000

Título: Re: Maria Dolores
Enviado por: Marlenelua em 16 de Dezembro de 2005, 20:57
CONFIANÇA

 

Maria Dolores

Alma querida, não temas.

Que a fé não se te degrade

Ao romper da tempestade,

Qual maremoto a rugir;

 

Muita vez, o sofrimento

É o campo alto e fecundo,

Que impele as forças do mundo

À elevação no porvir.

 

Nas mínimas formações

Que alteram a natureza,

A dor é uma luz acesa

No apoio da evolução.

 

Olha a semente no solo,

Depois de enterrada viva,

Mais a luta se lhe ativa

Na própria germinação.

 

O mármore vigoroso

Nunca dsvenda a obra-prima,

Que lhe atrai a humana estima

Sem o buril do escultor...

 

Fugindo à inércia do charco,

A fonte que desabrocha

Vence areia, pedra e rocha

E cria glebas em flor.

 

Reflete: o minério bruto,

Arrancado ao ninho morno,

Tomba aos martírios do forno

Para de novo se erguer;

 

É peça nas oficinas,

No ar, na terra, nos mares,

Nas máquinas que anotares

Do progresso a resplender.

 

Se o mal, por vezes, parece

Dragão de sombras à vista,

Na guerra que te contrista,

Pensa na dor por mais luz...

 

Sobre os domínios do mundo,

Nas lutas de todo plano,

Em qualquer conflito humano,

O vencedor é Jesus.

 

Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito María Dolores
Título: Re: Maria Dolores
Enviado por: Marlenelua em 16 de Dezembro de 2005, 21:17
AUSÊNCIA  E  FÉ



Alma fraterna, um dia meditando

Na imensidão do amor, assim qual é,

Interroguei, no mundo, as vidas simples

De que modo aliar distância e fé.

 

Por que meios guarda a confiança

Quando o amargo da ausência nos invade?

Quando a falta dos entes mais queridos

É suplício com o nome de saudade?

 

Ouvi uma andorinha

Que se encontrava anônima e sozinha,

Sob antigo telhado:

" Veja, irmã, o meu ninho desprezado!..."

 

Disse-me sem revolta e sem tristeza.

" Tive filhos que amei com desvelo e ternura,

Entretanto, segundo a Natureza,

Quando se viram emplumados,

 

Procuraram altura,

Desenvoltos, felizes, fascinados

Ante o Infinito Azul que os atraía...

A princípio, sofri terrível agonia...

 

Depois, vim a saber

Que Deus, de quem vieram para mim,

O Pai de Imenso Amor e Compaixão sem fim,

Que pode avaliar a minha longa espera,

 

É quem me fará vê-los,

Para cercá-los com meus zelos

No brilho de futura primavera!..."

 

Entrevistei robusta laranjeira;

Ela clamou serena e conformada:

"Irmã, tenho lutado a vida inteira

E estou sempre ferida e despojada...

 

Sabe o Céu com que amor gero os meus frutos,

No entanto, a todos vejo arrebatados,

Sob torções cruéis e, a gestos brutos,

Para serem vendidos nos mercados.

 

Mas sei que Deus, nosso Pai, que nos ama e nos fez,

Quem conserva o pomar por troféu da lavoura,

Devolverá meus frutos, outra vez,

Na colheita vindoura..."

 

Busquei ouvir formoso jasmineiro.

Ele falou-me apenas: " Minhas flores

São taladas sem meu consentimento

Por criaturas de instintos inferiores

 

Que nada sabem de meu sofrimento...

Uma certeza única, no entanto,

Resguarda as forças de que me levanto:

Deus, o Criador das Matas e Jardins

Dar-me-á novamente jasmins..."

 

Fui ver um manancial, a fim de ouvi-lo...

Ele aclarou tranqüilo:

"As fontes que me trocaram pelo chão

São filhas de meu próprio coração!...

 

Dói-me notar que correm sobre a lama,

Auxiliando ao solo que as reclama...

A fé, porém, me anima e me acalenta...

 

Em abordando o Mar,

O belo e imenso Mar que Deus sustenta,

Tornarão a voltar,

Primeiramente em forma de vapor,

 

Subindo ao firmamento...

No Alto, serão nuvens contemplando

As minhas grandes mágoas

E voltarão a mim, entre chuvas em bando,

De novo enriquecendo as minhas próprias águas..."

 

Reconheci, então, alma querida,

Que a saudade é esperança em nova vida,

Para o reencontro daqueles que nos são

Tesouros de alegria e de afeição,

 

A esperarem por nós no Mais Além...

Porque Deus que de amor nos fez o coração

Nunca nos deixa em solidão

Nem separa ninguém.

Livro:  Tesouro  De  Alegria

Francisco Cândido Xavier - Pelo Espírito Maria Dolores
Título: Escuta Alma Querida
Enviado por: andreia em 04 de Junho de 2006, 15:47

Escuta, alma querida!...
Se alguém te apedrejou o coração,
Não plantes ódio na alma contundida,
Nem pranteies em vão...
Sustenta, no caminho da esperança,
O perdão por dever,
Não te dês à vingança...
Esse alguém vai viver.
Dá sublimado amor que o mundo não descreve,
E, se alguém te despreza com mentiras,
Não repliques, de leve,
Nem lamentos profiras;
Segue à frente, na paz em que te escondas,
Abraçando a humildade por prazer.
Por maior seja o insulto, não respondas...
Esse alguém vai viver.
Seja onde for, se alguém te suplica,
Sob golpes brutais,
Não reclames, não percas a alegria,
Nem te azedes jamais!
Acende a fé no peito sofredor
E procura esquecer.
Infeliz de quem ri na capa de agressor!...
Esse alguém vai viver.
Escuta alma querida!...
Quem ofende ou se põe a revidar
Atira fogo e lama à própria vida,
Compra fel e pesar.
Cultiva a compaixão serena e boa,
Envolve todo o mal em bem-querer.
Ai daquele que fere ou que atraiçoa!...
Esse alguém vai viver.

(Maria Dolores - Francisco Cândido Xavier)


Beijinhos com carinho  :D

Andreia