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GERAL => Outros Temas => Biografias Espíritas => Tópico iniciado por: Edna☼ em 12 de Julho de 2015, 18:04

Título: Léon Denis - Grandes Pioneiros
Enviado por: Edna☼ em 12 de Julho de 2015, 18:04
(http://www.autoresespiritasclassicos.com/Leon%20Denis%20Livros/Fotos/10%20-%20L%C3%A9on%20Denis.jpg)
Léon Denis

"A pequena aldeia Foug situa-se aos arredores de Toul, na região da Alsácia-Lorena, França. Nesse local, numa modesta casinha, habitava o pedreiro Joseph Denis e sua esposa, de origem camponesa, Anne-Lucie Liouville. Estavam casados há menos de um ano.

O trabalho árduo e exaustivo do pedreiro Joseph não o tirava da alegria de retornar à simplicidade do lar e ser recebido pelos abraços de Anne-Lucie, que o aguardava ansiosa, com o jantar substancioso feito pelas verduras e legumes tirados do solo. Plantio esse cultivado pelas mãos de Anne-Lucie.


Certo dia, a alegria de Joseph foi maior. Ao chegar do trabalho, Anne-Lucie o surpreende com a notícia de que ele seria pai. Ela percebera que, em suas entranhas, uma nova vida palpitava: seria mãe!

Era o que faltava para completar a felicidade, dizia Joseph, abraçando e beijando a esposa.

Findava o ano de 1845.


Ao raiar o dia 1º de janeiro de 1846, ouvindo-se ainda o explodir dos fogos de artifícios, pelo ano-novo, ouvia-se também o vagido de um recém-nascido; Léon Denis anunciava a sua chegada ao mundo físico.

Entre risos e lágrimas, a criança foi aconchegada ao colo materno, tendo recebido antes o beijo paternal. Horas depois, Anne-Lucie, olhando pela janela de seu quarto, que dava acesso à ferrovia de Paris a Estrasburgo, olhava o trem que passava, apitando, anunciando sua chegada à aldeia.

Levantando o filhinho em seus braços, balbuciou:

— Este agora é o seu mundo, meu filho. É aqui que você crescerá, vendo a chegada e a partida desses trens, que conduzem vidas de lá para cá. Assim como nossas vidas, onde uns chegam e outros partem para novos rumos. E você está chegando a estas paragens, com as bênçãos de Deus.

Anne-Lucie, ainda com o filhinho nos braços, recordava o momento em que conhecera Joseph Denis. E, colocando o bebê a seu lado na cama, falava como se a criança pudesse ouvi-la, com os relatos do passado e continuava:

— Seu avô materno, meu filho, chama-se François Liouville. Nasceu numa região da França chamada Gondreville. Aí, seu avô possuía uma bela propriedade que precisou ser vendida por dificuldades financeiras. E veio morar justamente aqui, meu filho, em Foug, onde você e eu nascemos. Como seu avô era carpinteiro e aqui, em Foug, a construção civil se desenvolvia rápido, ele era contratado para fazer os forros ou tetos das casas novas. Seu avô sempre teve muito carinho com sua mãezinha; por isso quando conheci seu papai, ele não gostou porque temia que eu sofresse. Mas seu papai Joseph, mesmo tendo um forte caráter, sempre tratou bem sua mãezinha. Casamo-nos e Deus nos brindou com o presente mais belo, que é você, meu amor.

Com o choro do recém-nascido, Anne-Lucie desperta dos seus devaneios. Era preciso alimentar o bebê.

A vida segue seu curso. O menino crescia e as dificuldades também cresciam. Joseph já havia passado para oficial de empreiteiro, chegando até a ser suboficial da Companhia de Bombeiros da comunidade, para ter mais dinheiro e cobrir as despesas, enfrentando situações difíceis e se expondo aos incêndios, demonstrando muita coragem; porém era preciso vencer para que a família não passasse dificuldades maiores.

O pequeno Léon se desenvolvia entre os cuidados e carinho que recebia dos pais e principalmente do avô, François, que o levava todos os dias a passear pelos bosques vizinhos. Mas o que deixava o menino feliz era ver os patos que nadavam no regato cujas águas se lançavam num açude. Seus olhinhos brilhavam de contentamento, querendo participar da natação dos patinhos enfileirados.

O trabalho para garantir o sustento da família estava cada dia mais difícil. A última obra realizada por Joseph foi a da Igreja Bayonville. Sem mais objetivos monetários em Foug, a família de Joseph Denis transferiu-se para Estrasburgo. Nesse local, o pai de Léon, abandonando a profissão de empreiteiro e com o acréscimo salarial de bombeiro, consegue emprego na Casa da Moeda. Mas Joseph dizia à esposa, Anne-Lucie, que esse emprego seria provisório. Ele ouvira falar que na estrada de ferro, isto é, na rede ferroviária, estavam precisando de empregados; era só ter paciência e logo estariam em melhores condições.

Léon já tinha conhecimento do alfabeto e sabia contar porque sua mãe o preparava para matriculá-lo numa escola.

Com a procura de um estabelecimento escolar (nome dado pelos habitantes do local), Léon foi aceito numa escola particular, dirigida pelo professor Haas.

Os alunos dessa escola dividiam-se em dois grupos, pelo preconceito existente entre alemães e franceses. Embora a rígida educação que o professor Haas transmitia aos alunos das diferentes nacionalidades, após as aulas, saíam aos socos e pedradas, de ambos os lados. Com isso, o pequeno Léon ficava à margem dos acontecimentos; ele não gostava de violência e procurava se esconder. Mesmo na sala de aula, se esquivava de participar das matérias explicadas pelo professor Haas.

Léon era muito inteligente e absorvia as aulas, embora desse a impressão de que nada compreendia.

A família de Joseph viria a sofrer novas mudanças.


Continua
Título: Re: Léon Denis - Grandes Pioneiros
Enviado por: Edna☼ em 12 de Julho de 2015, 18:06
Embora todo o cuidado de Anne-Lucie em fazer economias, os ganhos não cobriam o necessário, frente as despesas. Joseph veio a tomar conhecimento de que em Bordeaux, mais exatamente na Casa da Moeda dessa localidade, precisavam de mão-de-obra para polimento de moedas.

De imediato, Joseph encaminhou-se para lá e, após alguns testes, foi aceito. Dias depois, a família mudava-se para Bordeaux. O salário ainda era insuficiente; por isso Léon teve que abandonar a escola, para ser ajudante de seu pai, no polimento das moedas.

As mãos do menino chegavam a sangrar pela rudeza do trabalho, porém Léon sentia-se feliz em ajudar no acréscimo de salário. Para ele, Espírito com farta bagagem espiritual, era o cumprimento de um dever filial. Amava a família e pouco se importava com as brincadeiras próprias de sua idade. Seus onze anos pareciam o dobro, pela sua maturidade.

Passado algum tempo, a Casa da Moeda termina seu período de refundição de moedas de cobre. Para Joseph, representava troca de emprego, o que até certo ponto o beneficiava porque, finalmente, conseguira empregar-se na Companhia das Estradas de Ferro do Sul. Mas teve, antes desse acontecimento, de fazer um estágio, como carteiro, da estação de Bordeaux. Após esse período, foi nomeado chefe da estação de Morcenx, em Landes. Isso deixava Anne-Lucie tranquila com Léon. A estabilidade salarial melhorara um pouco, e o fato de ver Léon voltar aos estudos deixava-a feliz.

As mudanças contínuas atrasaram os estudos de Léon. Porém o novo professor notou a precocidade e inteligência de Léon que, rapidamente, recuperou o tempo que o fizera afastar-se da escola.

O menino absorvia com entusiasmo as aulas ao ar livre, que eram administradas pelo professor, o qual teria sido aluno de Jean-Jacques Rousseau. Este último dizia que era o melhor método para aprender matérias como geografia, botânica, zoologia e tantos outros benefícios oferecidos pela Natureza e que nela devem ser buscados e apreciados. Léon sentia-se privilegiado, pois Landes possuía belas paisagens e florestas, portanto com farto material de onde todos os alunos participavam com muito interesse.

Anne-Lucie estava feliz com o progresso dos estudos de Léon. Parecia que a vida estava dando uma trégua na agitação familiar. Mas Joseph fora convocado para trabalhar na estação de Moux, na estrada do Sul. Como chefe de estação, ele não poderia recusar essa promoção.

E novamente a família teve que sofrer nova mudança. Moux é uma estação antes de Lézignan, na direção de Narbonne.

Foi com tristeza que Léon deixou Landes e sua bucólica paisagem e, mais ainda, seus estudos. Ambos ficariam guardados em sua memória juvenil.

Tanto Anne-Lucie como Léon, sentiam dificuldades de adaptar-se àquele local situado na região do Languedoc. Moravam em uma estação barulhenta e poeirenta, onde a Estrada de Ferro do Sul tinha passagem de trens a curtos intervalos. Era um local perigoso e exigia muito do chefe da estação. Toda atenção era importante, para evitar-se acidentes.

Léon estava sempre atento aos fatos. Logo percebeu que seu pai não correspondia à vigilância pedida pelos superiores. Passou então a trabalhar no telégrafo, atendendo às mensagens ali passadas.

Cobria, desse modo, as invigilâncias do pai, para que não viesse a sofrer punição ou demissão.

Léon era conhecido como o "ferroviário infantil".

Joseph Denis não conseguia fazer seu trabalho, como chefe responsável da estação de Moux. Vendo que Léon estava sobrecarregado e que, sendo ainda tão criança, tinha deixado os estudos, resolveu pedir demissão. Soubera que estava sendo construída a linha férrea de Montluçon a Limonges e pedira o emprego como chefe de obras, que era sua verdadeira profissão. Foi aceito como supervisor de outros trabalhos ferroviários, compreendendo linhas menores, de Tours a Vierzon.

E, dentro desse contexto, a família mais uma vez muda-se, parecendo ser definitivo, para Tours.

A situação financeira pouco melhorara. Léon, sentindo a precariedade nesse particular, consegue empregar-se numa fábrica de louças, chamada pelos franceses de "faïencerie". O serviço de Léon era braçal, tinha que carregar os cestos das louças que eram retiradas do forno, em sua fase final.

Léon aproveitava todos os momentos vagos para ler. Pela sua vontade de crescer com conhecimentos mais elevados, conseguiu matricular-se numa escola de curso noturno, do vilarejo próximo.

Seus trabalhos escolares eram perfeitos; todos os professores admiravam o capricho na caligrafia, seu pendor para com a geografia, a cartografia, enfim eram bagagens espirituais que começavam a brotar com o seu amadurecimento físico. E o grande desejo de Léon era o de adquirir, por seus próprios meios, os fascículos da "Geografia Universal de Malte-Brun" que eram publicados e ilustrados por Gustave Doré. Como ele recebia gratificações, além do salário, passou a economizar e, com o acréscimo, poderia comprar os fascículos.  Mas Anne-Lucie descobriu a economia guardada por Léon e, achando-se em dificuldades para as compras da casa, fez uso do dinheiro. Contando e agradecendo ao filho por ter guardado algo do salário, Léon ouviu, sem deixar que sua mãe sentisse sua desilusão.

Segue dessa forma o adolescente Léon, passando de um a outro emprego, até firmar-se como correspondente e fazendo também a contabilidade do escritório de uma das mais importantes empresas de fornecimento de couro, a "Casa Pillet". Devido ao seu esforço e suas constantes buscas através de livros e o seu extenuante trabalho noturno, começou a ter problemas nos olhos. Teve que se submeter a vários tratamentos, mas estava sempre otimista.

continua... ;)
Título: Re: Léon Denis - Grandes Pioneiros
Enviado por: Edna☼ em 12 de Julho de 2015, 18:08
(https://2.bp.blogspot.com/-WtYzhtlhQJE/WWp7QgriJsI/AAAAAAAAIBA/bIAnW5oGk0AZhKki6ZQIw8_xdRn9e6E6ACLcBGAs/s1600/KardecLeon%2BDenis%2Bblog.jpg)
imagem internet

Alcançando os 18 anos de sua existência física, já tendo vivido, pode-se afirmar, o dobro, pelas dificuldades e sua visão tão madura, ele começou a questionar o porquê da vida. Quais mistérios envolviam o ser?  ???  Essas questões começaram a invadir sua mente. Dentre seus mestres sábios, ele evoca Platão, quando afirma: "Recordar é viver". Ele também sente que algo o leva a recordar, mas o quê?  ??? E ainda quando Platão ensina: "A sabedoria é aprender a morrer e que a vida é a reflexão da morte", o que também encontra nas leituras de livros como os de Sêneca e de outros sábios. Mas o enigma continuava. Enquanto ele não conseguia ter soluções para essas indagações tão profundas, para apaziguar seu íntimo Léon olhava para o céu e, amando o estudo da astronomia, procurava fazer mapas astrais no conjunto da galáxia, através da sua brilhante matéria cerebral, isto é em suas memórias.

Era habitual que Léon, quando passava pelo centro comercial da cidade, parasse em frente das livrarias para ver os últimos lançamentos. E, em certa ocasião, sua atenção foi voltada para um curioso título: "O Livro dos Espíritos", de Allan Kardec. De imediato, consultando seus minguados níqueis, chegou à conclusão de que, deixando o lanche da tarde por um tempo, ele poderia adquirir o livro. E assim o fez. Com o exemplar em mãos, não cabia em si pelo contentamento de ter respostas para os seus problemas.

Algo em sua mente fazia essa confirmação. A verdade era que seus protetores espirituais aguardavam a hora certa, para que sua reencarnação missionária florescesse para fazer luz nas trevas, através de seus escritos esclarecedores. Seria a continuidade de mais um vanguardeiro da Verdade Cristã.

Léon, ao chegar a sua casa, trancou-se em seus aposentos e devorou o livro. Encontrou as tão esperadas respostas, aceitou a teoria espírita que eliminou todas as suas dúvidas. Encontrara, também, a lógica dos problemas universais.

O interessante era que Anne-Lucie, após ter descoberto o esconderijo de Léon, sempre que desconfiava de algo, procurava saber o que seu filho escondia; ela encontrava o livro, lía-o e aguardava, ansiosa, a chegada de Léon para comentar os assuntos que muito a impressionavam e faziam trabalhar sua mente para os problemas reencarnatórios. Isso trouxe muita alegria para o coração de Léon. Ele vivia sempre solitário com suas formas de pensar; agora já podia abrir-se com sua mãe.

Envolvido e muito interessado com os fenômenos espíritas, Léon passou a ler tudo o que se referisse ao Espiritismo. Através dos periódicos, tomou conhecimento dos estudos feitos por Emile de Girardin em Guernesey, junto à família de Victor Hugo, onde Vacquerie anotava os acontecimentos para publicar em Les Miettes de L´Histoire, periódico francês.

Sabia Léon que Tours fora uma das primeiras cidades, na França, a conhecer o Espiritismo. O doutor Chauvet, desde 1862, presidia um grupo espírita, que o fez publicar um livro intitulado: Espirit, Force, Matière. Queria Léon fazer parte desse grupo mas, por falta de tempo, não conseguia frequentá-lo.

Por esse motivo, juntou-se a alguns amigos e passaram a fazer as experiências com as tão comentadas mesas girantes. A princípio, as provas que Léon esperava não se confirmaram. Após vários meses, os fatos começaram a se concretizar. Léon e os amigos sentiram que o Plano Espiritual superior só se fez presente quando ficaram somente aqueles que, de fato, persistiram na realização, com seriedade, da reunião, sem espíritos embusteiros e mistificadores.

E foi, com essas experiências, que Léon Denis sentiu que o "Invisível" esperava a maturidade daqueles que pretendiam ser perseverantes no conhecimento espiritual.

Léon encontrava-se cada vez mais interessado nas pesquisas e estudos no campo doutrinário, quando veio, a saber, que o mestre lionês, Allan Kardec, viria a Touraine visitar uns amigos.

Todos os espíritas locais se empolgaram e queriam formar caravanas para irem cumprimentá-lo. Combinaram, então, em alugar uma sala na Rua Paul Louis Courrier. Para isso, Léon e outros amigos foram até a Prefeitura, para pedir a autorização da reunião, isso porque uma lei do Império proibia qualquer concentração com mais de 20 pessoas.


No exato momento da realização da reunião, uma recusa formal, vinda em comunicado, a impedia. Léon fora incumbido de dar o novo endereço para o fim almejado. Tinham conseguido, na última hora, permissão de se reunirem na casa do senhor Rebondin, na Rua Du Sentier, em Spirito-Villa. A reunião seria no jardim, ao ar livre. E sob um céu ricamente ornado de estrelas, numa agradável noite outonal, fez-se ouvir a doce e grave voz do mestre Allan Kardec.


O jardim da residência estava apinhado, pessoas que se apertavam umas às outras, mas o silêncio era total. Todos queriam ver a fisionomia sorridente e iluminada desse grande professor da matéria espiritual. Ele falava com sobriedade sobre os problemas obsessivos e os fenômenos das mesas girantes.

Chamava a atenção para que fossem feitos estudos sérios sobre o assunto, porque esse era apenas o começo de uma longa estrada a ser percorrida. E, quando interrompido pelas perguntas feitas pela assistência, respondia serenamente, aclarando o assunto, dizendo que era mesmo muito complexa a "vida d’além-túmulo". Ao término, todos queriam abraçá-lo, reconhecendo-se que a noite, além de proveitosa, seria inesquecível.

No dia imediato, Léon e alguns amigos retornaram a, para agradecerem pessoalmente a vinda de Kardec à reunião. Cumprimentando o mestre lionês, foram testemunhas de uma deliciosa visão: Kardec apanhava frutos de uma cerejeira e colocava-as amorosamente na boca de sua doce Gabi.

Após essa vez, Léon teve mais dois encontros com Allan Kardec. Um deles foi na residência do próprio Kardec à Rua Sainte-Anne, em Paris e, depois, em Bonneval, onde Kardec falou aos espíritas de Eure-et-Loir e de Loir-et-Cher.


Continua
Título: Re: Léon Denis - Grandes Pioneiros
Enviado por: Edna☼ em 12 de Julho de 2015, 18:10
Léon e amigos entusiasmados pelos estudos e pesquisas, após receberem orientações do próprio Kardec, fundaram em Tours o Grupo da Rue du Cygne, onde ele era o secretário, acompanhado de outros membros que faziam parte da diretoria do grupo formado.

Para Léon, essa experiência foi muito proveitosa. Nas primeiras reuniões, ele sentiu que a falta de estudos do grupo físico apresentava muitas falhas. Ele acreditava que havia muito mais animismo do que a real manifestação de Espíritos.

Essas preocupações, com o decorrer do tempo, passaram a dar lugar para outra série de acontecimentos desagradáveis. Léon estava com 24 anos, quando a guerra de 1870 assolou o país.

Foi ele dispensado do serviço militar, por ter sérios problemas na visão; pouco enxergava, mas, por sua livre vontade, foi para a região de La Rochelle juntar-se aos jovens do 26º Corpo do Exército, em formação. Com isso, o incansável Léon dizia cumprir com seus deveres cívicos. Tanta era a ansiedade de Léon para ser útil, e não um elemento figurativo, que aprendeu rapidamente o manejo das armas, servindo de instrutor aos jovens da sua corporação. Chegou ele a ser promovido a tenente e todos lhe depositavam muita confiança nas manobras perigosas.

Nas horas mais serenas, em conversas com os jovens, Léon ficou sabendo que um sargento era espírita e médium. Propõe ele uma experiência com os copos. Feita a prece, copos e objetos dentro da barraca, começaram a ser arremetidos para todos os lados, quando Léon recebe a intuição de cessarem a reunião, porque os Espíritos que ali se encontravam estavam muito revoltados e cheios de ódio no coração. Era preciso que a reunião, para surtir o efeito que eles queriam, fosse realizada em outro lugar. Os dias estavam cada vez mais sinistros. Os inimigos, os alemães, já estavam próximos a Tours. Embora todos os esforços usados pelas tropas defensoras, a queda do Império era iminente. Em Chagnolet, onde se encontravam Léon e sua companhia, a torcida era para que uma república livre viesse a acontecer. Pensavam ser essa a oportunidade da Europa viver uma era de paz, através da liberdade e da fraternidade.

Após dias aflitivos diante de uma trégua, Léon e os companheiros reúnem-se para uma prece, quando o sargento, médium psicofônico, transmite:

"A Alemanha e a França estão em negociações. A hora tão almejada da paz se aproxima. É preciso consolar os aflitos, aplacar a revolta das mães que não verão seus filhos retornarem desse mar de sangue e ódio. A hora é de prece e de esclarecer a todos a grandeza de Deus, que não desampara os aflitos. Portanto, façam o bem." (Lamennais).

Finda a guerra, Léon e todos que sobreviveram a esse triste episódio voltaram a seus lares, aos seus negócios. Léon voltou ao seu emprego na Casa Pillet.

A França, derrotada e humilhada por ter sido abalado o Império, lutava para se reerguer na ordem moral. Os republicanos lutavam para novos caminhos e Léon voltava-se para a Espiritualidade.

Tendo o dom da oratória, dedica-se a esclarecer o Evangelho. Torna-se o orador da Loja Maçônica dos Demófilos. E segue com os, de retorno ao Grupo da Rue Du Cygne, tendo já desenvolvida sua mediunidade, como vidente. Por esse meio, quando concentrado via aspectos que pressentia serem fatos vividos por ele em épocas da história medieval. A certeza lhe é dada pelo seu guia espiritual, informando-o que a sua vontade de ir ao front, no período da guerra, era o reflexo de seu passado por ter participado de lutas sanguinolentas. Mas, na atual reencarnação, sua luta maior seria no campo fraterno, pela união, enaltecendo o Evangelho do Cristo.

Léon Denis tinha por guia o Espírito de Durand e, por guia dos trabalhos do Grupo Cygne, Sorella. Muitas eram as orientações para o grupo, mas principalmente para Léon, onde a Espiritualidade o preparava para se tornar um fiel escritor de obras espíritas.

[attachimg=1 width=250 align=left ]Léon recebe de Joana D’Arc, numa reunião de efeitos físicos e de transportes, um ramalhete de lírios. Isso foi para incentivá-lo a esclarecer pela oratória, como ter coragem de falar perante intelectuais sobre temas tão cheios de preconceitos como: materialismo, ciência e razão. Léon deixou sempre claro que o ponto alto dos acontecimentos surgiu com a Revolução de 1789. Aí o problema político e o religioso entraram em alvoroço. O povo pedia um governo democrático e o clero que à religião pertencesse à ciência.

Joana D’Arc dava-lhe apoio, porque a ideia espiritualista estava longe de ser alcançada. Embora todo seu esforço, Léon não conseguia fazer sucessores com suas oratórias. A idéia da Doutrina Consoladora não era compartilhada por aqueles que se diziam simpatizantes do Espiritismo. A ciência materialista dominava a verdadeira ciência da razão e a religião.

Essa religião não levava à fé, mas para a descrença, pregando o absoluto do nada, isto é, a vida é só matéria; após isso, o "nada". Mas Léon continuava a lutar para a crença reencarnatória. Pregava a existência de Deus, da alma em evolução constante e o prosseguimento da vida pelos laços familiares.

Suas atividades aumentavam e os Espíritos o ajudavam no campo da divulgação doutrinária. Como conciliar, trabalho, estudo e o ganha-pão? Mas a resposta chegava rápida, acalmando a agitação de Léon.

Por conta da Casa Comercial Pillet, era preciso que ele viajasse para expandir o comércio de couro. De imediato, Léon aceitou a proposta do empresário. Dessa forma, ele poderia enriquecer seus conhecimentos espirituais e atender ao pedido do Plano Espiritual, na divulgação doutrinária.

De início, ele visita o centro das províncias como: Lorraine, Normandie, Bretagne, Périgord, Auvergne e países vizinhos. E depois seguiu para Londres. Como os negócios materiais progrediam e a oportunidade de falar sobre a Espiritualidade por onde passava, conseguiu convencer seu patrão para ir mais distante. Visitou a região de Vaud na Suíça, a Córsega, a Lombardia, a Argélia e a Tunísia, voltando pela Itália.

Retornou muitas vezes aos lugares já mencionados. Para Léon, todos os lugares da Itália estiveram sempre presentes em sua memória, tanto que, de Veneza, apreciando toda aquela beleza natural, tomou de papel e caneta e enviou uma longa carta a seus pais, descrevendo tudo o que sua retina guardou, ao visitar as paragens do solo italiano. Num dos trechos dessa carta, Léon lembra ao coração materno que, quando pequeno, ainda em idade escolar, estudando a geografia através do Atlas, ele dizia à mãezinha:

— Um dia, visitarei todos esses lugares. Hei de ganhar muito dinheiro para poder fazer grandes viagens.


E agora, pensava Léon, o fato que parecia só um sonho, tornava-se realidade.

Após o longo período como viajante e fornecedor das ideias, no campo profissional, e o aprendizado com oportunidades de sentir o efeito de suas palavras sobre as questões espirituais em outros países, Léon resolveu permanecer novamente em sua cidade. Nesse meio tempo, voltou a se informar das novidades doutrinárias. E através dos amigos fica sabendo que, em Touraine, um grupo de pessoas ligadas ao ensino do país, formou um círculo para que o povo pudesse receber instruções nos locais desprovidos de escolas. Essa “Liga do Ensino”, nome dado pelos organizadores do círculo, trabalharia para receberem doações de livros e objetos essenciais ao ensino. Criariam cursos para alfabetização de adultos e bibliotecas públicas populares, que deveriam ser criadas para facilitar esse projeto. O objetivo principal seria para que a França adotasse o ensino obrigatório gratuito, sem entraves burocráticos e a independência da escola do jugo das igrejas. Léon vibrou de contentamento e procuraria ser mais um interessado para que esse objetivo seguisse em frente.

A ideia implantada começou em Indre-et-Loire, modestamente, alcançando, em primeiro estágio, a fundação de uma biblioteca com inúmeras doações de livros. Em Tours, o Círculo da Liga de Ensino, começou logo a ser combatido. Isso porque certas obras referentes à biblioteca pública foram proibidas, mas Léon e outros organizadores, embora sentindo diminuir as atividades dos jovens, continuaram a luta e o movimento conseguiu subsistir.

Em Indre-et-Loire, praticamente onde a ideia nasceu, havia um deputado, o Dr. Belle que, desde o início, apoiara o Círculo da Liga, achando que seria um meio realmente válido para forçar a França a criar mais escolas gratuitas. Sabendo do trabalho sério desenvolvido por Léon, que criara e elevara o nível de negócios da Casa Pillet, sendo originário do povo pobre e que crescera em conhecimento mais pela vontade do que tivera facilidades para estudar, escolhe-o como seu secretário geral e conferencista em assuntos sobre educação e ensino.

Léon, tendo como presidente do Círculo da Liga de Ensino o próprio Dr. Belle, aceitou, honrado, o convite que lhe daria mais chances de colocar o lado religioso, sem que ninguém fosse censurado em sua forma de crença. E quanto a isso, Léon Denis sabia, por várias experiências passadas, como fazê-lo. Em suas conferências, seus temas preferidos eram: A República Americana, Astronomia Popular, As Terras do Espaço e os Universos Distantes. Mas, quando as reuniões do Círculo eram mais privativas, seus temas eram mais polêmicos como: O Mundo e a Vida, Os Problemas Morais e Religiosos, etc.


Inicia-se o ano de 1881.


continua... ;)
Título: Re: Léon Denis - Grandes Pioneiros
Enviado por: Edna☼ em 12 de Julho de 2015, 18:15
Léon sentia-se oprimido por tantas contradições. Sua saúde fragilizada e o problema da visão se acentuando o deixavam preocupado, sem saber ao certo o rumo que deveria tomar. O materialismo invadia as inteligências e o Positivismo dominava a Universidade. Com isso, o idealismo ficara esquecido e o Espiritismo tornara-se objeto de zombarias. Os ateus mostravam-se unânimes ante as crenças do “nada”, evidenciando com tudo isso que a Doutrina Espírita, tão defendida por Léon, estava sendo ridicularizada.

Léon não estava sozinho nas dúvidas e responsabilidades assumidas perante Deus. Os Espíritos enviados por Jesus estavam a ampará-lo. E numa manhã, quando o seu coração entristecido rogava auxílio, vê ao seu lado o Espírito de Joana D' Arc, dizendo-lhe:

—"Coragem Seareiro do Cristo, estaremos com você em todas as horas, no combate ao mal. Aguarde tranquilo a ajuda do Alto, que os meios lhe serão dados no momento certo da ação, para você cumprir a obra, a que se propôs, na divulgação do Evangelho do Senhor."


Mais restabelecido pelas vibrações de Joana D’Arc e com a certeza de que o Alto acompanhava sua intenção de continuar a divulgar a doutrina, embora veladamente, devido aos momentos críticos pelos quais passava, continuou Léon em seu trabalho profissional.

Estava de passagem pelo subúrbio de Le Mans e viera a saber que um grupo de operários espíritas reunia-se frequentemente numa pequena sala local, para receberem orientações e estudos daqueles que os ajudavam a manter o trabalho espírita. Léon quis conhecê-los e ficou perplexo com a surpresa que o aguardava.Após os cumprimentos cordiais, deu-se o início das tarefas noturnas e Léon fez breve comentário do mundo espiritual; a seguir, através de um dos médiuns presentes, o Espírito de Jerônimo de Praga se manifesta, saudando Léon Denis. Tomado de profunda emoção, Denis agradece a saudação e diz do seu carinho para com essa entidade, que há muito tempo atrás o havia incentivado para as tarefas mediúnicas.

Esse primeiro contato com o Espírito de Jerônimo de Praga, fez com que Léon descrevesse, aos presentes à reunião, a reencarnação passada desse vanguardeiro da Espiritualidade. Nascera na Tchecoslováquia e, como Espírito mandado pelo Alto, acompanhara todo o movimento cristão, vindo a ser um discípulo de Jan Huss. Como este, no século XV, por ordem do Concílio de Constança, foram ambos queimados vivos. Ao término do relato, Jerônimo deixa uma mensagem:

“A luta na Terra é desigual e continua, mas sempre surgirão os defensores corajosos, para manter firme o desejo de Paz. O Cristão estará à frente, reerguendo aos incautos em meio do caminho.”

No dia 31 de março de 1881, por ocasião do 12° aniversário do desencarne de Kardec, Léon, como todos aqueles que acompanhavam o mestre lionês no desenvolvimento da Doutrina Espírita, estava agora no Cemitério Père-Lachaise tentando, através da comoção a que todos estavam afeitos, prestar homenagens póstumas dirigidas ao ser indicado pelo Cristo para trazer a continuidade de Sua obra sobre a Terra. E, a pedido de muitos que ali teceram palavras de agradecimento ao mestre lionês, Léon Denis proferiu amais sentida oratória de sua vida.

Em1882, completamente integrado no movimento Espírita, une-se aos membros que realizariam um Congresso que definiria a reinauguração da em Paris. O senhor Leymarie que acompanhara seu grande amigo Allan Kardec desde que o conhecera, era o mais entusiasmado integrante desse movimento.

[attachimg=1 width=350 align=left]Após a aceitação realizada nesse Congresso, a senhora Gabi, esposa de Allan Kardec, sendo informada desse acontecimento, acatou de bom grado as resoluções tomadas. Gabi apontou como presidente da sociedade, nessa época, o senhor Dr. Josset que já havia dirigido todo o movimento congressista. Teria ele a assistência do senhor Chaigneau e Delanne. Leymarie continuaria sendo o grande apoio à senhora Allan Kardec que, apesar da idade avançada, continuava corajosamente a executar os planos deixados por seu companheiro.

Gabi também insistiu junto a todos esses defensores da associação que fosse criado um periódico, cujo nome Kardec já havia denominado como O Espiritismo sendo um divulgador da Doutrina Espírita. Tudo isso veio a lume com o prestígio de Léon Denis e todos faziam questão absoluta de sua palavra e de seus artigos, como matéria importante nesse novo periódico doutrinário.

Por essa época, Leymarie ocupava-se em tratar do espólio da viúva de Allan Kardec. Tinha ele pressa em poder contar com Léon, para uma ação conjunta em defesa dessa importante causa. Léon, por estar ausente e em viagens, dando continuidade ao seu trabalho profissional e doutrinário, soube por seu pai, o senhor Joseph, que lhe enviou uma carta contando a procura do senhor Leymarie para que fosse defensor da continuidade das obras kardequianas. Respondeu-lhe, satisfeito por poder ajudar em tão importante fato, que estaria presente na data oportuna. Acrescentava, em sua missiva a Leymarie, que não se preocupasse em mandar-lhe dinheiro para a sua volta, pois tinha o suficiente para cumprir tão importante compromisso.

Léon Denis tinha essa firmeza de caráter. Quando convidado para divulgar a doutrina, não admitia que pagassem suas despesas. Se ele não tivesse os recursos necessários, deixava claro porque não atendia ao convite. Ainda esclarecia que não era por orgulho e sim por não querer pesar às instituições com encargos necessários às obras indicadas por elas, no campo assistencial.

Léon Denis participara junto a Leymarie para tornar válido o testamento da senhora Allan Kardec no qual, sendo ela a única herdeira, deixava à "Sociedade" a continuação das obras espíritas de Allan Kardec. Isso, porque estava havendo uma questão em que parentes, por parte de Gabi, tentavam impugnar esses direitos autorais, alegando problemas mentais de Gabi. Mas as testemunhas apresentadas por Leymarie e Léon Denis foram esmagadoras.

Desde então, se o campo de trabalho de Léon já era sólido, tornou-se mais ainda pelas bases das obras de Kardec. Leymarie, por vezes preocupado com o movimento espírita, confessava a Léon que temia que as obras de Kardec viessem a ficar esquecidas, pois, enquanto vivia fisicamente, Gabi, a viúva do mestre lionês, continuava a tarefa da divulgação desses importantes livros. E, por certo, Kardec esperava que os amigos e os simpatizantes fizessem frente ao trabalho espiritual, com a continuidade das obras ditadas pelo Alto.

Praticamente, Léon começara suas publicações muito tempo após as oratórias. Essas publicações começaram em 1880. Com um opúsculo de umas cinquenta páginas, publicou Tunisi e a ]Ilha da Sardenhi. Como tudo o que passara a publicar, ele relatava os lugares por onde estivera em suas viagens. Descrevia a cultura do povo, os hábitos alimentares e, precisamente, a religião. Foram muitas as suas anotações, que se tornavam interessantes para quem as lia. E foi nesse estilo descritivo e repleto de fatos curiosos que foram publicados na [/i]Revue Spirite[/i], os romances: O Médico de Catâniai e Giovanna. No primeiro, ele relata a vida de um médico que, apaixonado pelas obras filosóficas, tornasse um discípulo de Allan Kardec por encontrar na Doutrina Espírita as respostas e o rumo para a sua vida. E Giovannai, que tem seu enredo desenvolvido na Itália, conta a história de uma meiga jovem chamada Giovanna. Teve esse romance grande repercussão entre os jovens.

Publicou também, em opúsculo, a sua famosa oratória, O Progresso, sob os auspícios da Liga de Ensino. Tratava essa publicação da Lei de Solidariedade, unindo em todos os tempos, todas as raças. Afirmava Léon nesse opúsculo: “A humanidade caminha vagarosamente, porque não sabe de onde vem, nem para onde vai. Por isso as crises de desespero, revolta e blasfêmias contra Deus”. Precisava Léon ir com cautela, havia muito preconceito. O povo ainda não estava preparado para esses e outros assuntos em torno de raça e religião.

Em 1885, Léon, já mais despojado dos preconceitos e impondo-se mais com as obras kardequianas, publica: O Porquê da Vida, em brochura. Aí, ele expõe, liberto de ideias preconcebidas, o problema da existência.

Essa obra obteve um grande sucesso na França e na Bélgica e, em menor escala em outros países.



Final da primeira parte.   ;)

Título: Re: Léon Denis - Grandes Pioneiros
Enviado por: Edna☼ em 12 de Julho de 2015, 19:02
No mês de setembro de 1889, realizavam-se as primeiras assembleias mundiais da Doutrina Espírita.

O primeiro Congresso realizado contou com as mais ilustres escolas espiritualistas, como: os kardecistas, aqueles que eram favoráveis às teorias de Swedenborg, os teosofistas, os cabalistas e os rosa-cruzes que, na época, contavam com grande número de adeptos aos seus conceitos.

[attachimg=1 width=350 align=left]Léon Denis já havia alcançado o respeito e a fama de um grande orador e escritor. Nesse congresso foi ele apontado pela comissão, composta pelos mais citados espíritas da época, para ser o divulgador da doutrina. Isso porque os seus discursos eram muito esperados, pelo carisma e a forma de comunicação ao povo. Diziam as pessoas intelectuais, e até as mais simples, que Léon Denis reencarnara para ser o condutor de almas, por demonstrar tanta convicção em suas palavras esclarecedoras.

A sessão inaugural desse congresso foi presidida por Jules Lermina, assistido pelo filósofo Charles Fauvety, pela Duquesa de Pomar, por Marcus de Veze e Eugène Nus. Encontrava-se também como o relator dos trabalhos entre os congressistas, o senhor Dr. Encausse, um ocultista célebre, que dirigia a revista A Iniciação, com o pseudônimo de Papus. Dedicava-se ele às ciências ou artes ocultas, como a magia, levitação, telepatia etc.

Durante a oratória brilhante de Léon, que foi interrompido várias vezes pelos aplausos da platéia, não ficou ele impune aos comentários, por vezes até irônicos, por alguns pontos abordados com relação às obras kardequianas.

Entre a polêmica iniciada por grupos diferenciados, Léon falou sobre as pequenas formações dissidentes, que criticavam as obras de Allan Kardec:

"O esforço pela divulgação de um Espiritismo positivista na França, dá a idéia de uma doutrina fria, ressecada dos princípios morais, que nada tem a ver com o ideal de Kardec. Alguns tentam transformar suas obras com interpretações errôneas, dizendo-as místicas e voltadas às ideias católicas. Mas isso é pura falsidade. O mestre lionês poupou o cristianismo e não o catolicismo. Manteve ele a moral evangélica, não só religiosa, pertencente a um povo, a uma raça. Não é só isso. Ele quis valorizar a moral superior, aquela que é eterna, que reconstrói todas as sociedades terrenas como as sociedades existentes no espaço.”

Diante da brilhante colocação, os cabalistas e os rosa-crucianos baixaram a cabeça, em sinal de respeito pela firmeza da exposição de Léon e a clareza tão evidente da obra kardequiana.

Depois da repercussão desse congresso, com relação à oratória de Léon, não teve ele mais tranquilidade. Muitas foram as conferências agendadas e o principal tema pedido era O Materialismo e o Espiritismo Experimental perante a Ciência e a Razão. Isso porque gerava muita polêmica, mas Léon o achava importante, pois, dessa forma, o povo procurava ler e ouvir as diferentes opiniões e as reuniões espirituais tinham mais consistência do lado doutrinário. Cada vez mais ficava claro, por aquela época, que os espíritas e os ocultistas não se entendiam.

Embora todo o sucesso de suas conferências, Léon era perseguido e sofria toda sorte de ataques, de difamações com respeito até à sua vida pessoal. E, para complicar mais a situação, os ocultistas e os espíritas começaram a se desentender verbalmente, não respeitando nem os lugares onde pudessem se encontrar. Formavam grupos e os ataques se sucediam. Léon sofria e se desgastava tremendamente com isso. Via a doutrina ser atingida e os componentes do ideal esqueciam a moral cristã e, com o orgulho ferido, deixavam-se enredar pelas sombras. Procurou aconselhar-se com os espíritos que lhe davam assistência no Grupo de Tours. Dizia-se cansado e com sérios problemas na visão. E os instrutores espirituais o orientavam:

"Nosso desejo é vê-lo fortalecido e o estamos amparando. Seja corajoso, você nunca estará sozinho enquanto trabalhar com a mesma seriedade que vem fazendo, ressaltando e divulgando a Doutrina de Jesus. Você conseguirá vencer essa fadiga e essas atribulações com o auxílio do Alto."

Reanimado pelas palavras ouvidas dos mentores espirituais, Léon refletia: Jesus ouvira muitas injúrias, muitas posições diferentes dos conceitos passados por Ele aos seus próprios discípulos, porém nunca os condenou; ouvia em silêncio e pregava sua compreensão através dos ensinamentos cristãos. Léon também precisava compreender que os seres humanos ainda estão muito arraigados no orgulho e retidos no egoísmo. Sabia que os piores ataques vinham exatamente dos chamados espiritualistas, mas ele deveria seguir o exemplo de Jesus, trabalhar e silenciar. Afinal, não poderia desistir no meio do caminho. Se parasse, sua consciência martelaria seu cérebro por ser ingrato com o Alto. Procurou conciliar seus horários de trabalho profissional, suas viagens e as tarefas doutrinárias com as conferências e suas obras escritas, já muito solicitadas pelos editores, pelo alcance obtido entre os leitores.

[attachimg=2 width=350 align=left] O grande sucesso obtido por Léon com seu livro "Depois da Morte" o revelara muito mais que um conferencista. Seu nome figurava entre os escritores mais renomados da época. Todos os jornais e revistas ecléticas, nos meios sociais, queriam ter o privilégio de entrevistá-lo e conhecê-lo. Esse grande interesse dos meios da sociedade em requisitar a presença de Léon fez com que Lady Caithness, a Duquesa de Pomar, o convidasse para falar sobre questões espirituais, em seu palacete. Suas reuniões literárias eram famosas por trazer os mais célebres escritores de Paris, onde se encontravam também as mais distintas damas da sociedade parisiense. Ao receber esse convite, Léon ficou sem saber o que seria certo fazer. Para ele, era completamente estranho falar sobre questões religiosas num meio social materialista. Sabia que o palacete da Duquesa de Pomar era profundamente rico na sua decoração. As celebridades ali se apresentavam para incentivar a vaidade de cada um. As senhoras traziam suas vestes ricamente adornadas de jóias. Que iria ele fazer num local tão inadequado à sua vida simples e sem utilidade para os que ali estariam para ouvi-lo falar de vidas sucessivas, de melhorias espirituais sem apegos aos prazeres carnais e materiais?

Procurou, através da oração, estabelecer uma organização mental para ser intuído no melhor a fazer. Sentiu a presença de Joana D' Arc. Aprendera a reconhecer seus fluidos e pôde ouvir a orientação dessa sublime instrutora espiritual:

"O nome de Jesus deverá estar sendo citado em qualquer ambiente, pois, muitas vezes, na seleção que ousamos fazer pelo nosso modo de ser, poderemos intervir em muitos corações que esperam ouvir algo diferente, para ajudá-los a sair do cansaço do orgulho aparente. Lembre-se de que a própria Duquesa de Pomar é médium, embora equivocada na maneira de exercer a mediunidade. Aceite, pois, o convite e procure saber mais dos feitos da Duquesa de Pomar, que poderá vir a ser sua aliada na difusão doutrinária."

Após esse momento tão precioso para Léon, agradecendo a presença da amiga espiritual, de imediato entrou em contato com a duquesa e comprometeu-se a aceitar o tão honroso convite.

O palácio de Holyrood, situava-se na Rua de Wagram, trazendo sua fachada uma evocação do século XV.

Era costume, na época, oferecer-se grandes bailes nos salões suntuosos, como os da Duquesa de Pomar. Ela procurava realizar, nos salões de festa de seu palácio, os mais famosos bailes, com a presença de notáveis músicos. E muitos comparavam esses salões, pois eram vários, com ornamentos diferentes, com os salões do Louvre ou de Fontainebleau, que eram revestidos das mais ricas madeiras e com tetos trabalhados em arabescos suntuosos.

A chegada de Léon ao palácio foi de muita alegria. A Duquesa de Pomar abraçava-o, agradecida, por ter aceito o convite. Levando-o para um salão reservado, a duquesa queria travar um melhor relacionamento com Léon, antes de apresentá-lo como o conferencista da noite. Nesse ínterim, ficou ele sabendo que ela era dedicada ao estudo do ocultismo. Dizia comunicar-se mediunicamente com Marie Stuart, de quem era profundamente devota, a ponto de ter um oratório, numa das salas do palácio, dedicado à consagração de Marie Stuart.

Léon ficou sabendo também, que a Duquesa de Pomar dirigia uma revista mensal, L’Aurore. Essa revista tratava, entre outros assuntos, a principal matéria, que era sobre o Cristianismo Esotérico. Faziam parte do corpo redator desse periódico, a senhora Adam e Edouard Schuré, que eram escritores espiritualistas e o padre Petit, que fazia parte dos estudos psíquicos e era o secretário geral da mencionada revista.

Depois dessa conversação, Léon Denis entendeu o recado que recebera da mentora Joana D´Arc. Era necessário falar sobre o Mestre Jesus e sua vinda à Terra. A Verdade sem mistificações. Léon Denis soubera também, após a sua brilhante oratória no salão do palácio, onde foi muito aplaudido e muito criticado, que outros oradores por ali já haviam passado, falando sobre o Espiritismo, sendo: Didier, Joseph Fabre e Flammarion, o qual falara com muito entusiasmo sobre Ciência, História e Astronomia. Porém, segundo a própria duquesa, nenhum havia levantado tanta polêmica sobre o Espiritismo como ele. E a duquesa ressaltava que ela mesma teria que repensar sobre a existência dos problemas reencarnatórios e dos conceitos cristãos.

No dia seguinte, os jornais noticiavam, em suas primeiras páginas, o sucesso que Léon Denis fizera, com sua conferência, no salão do palácio mais comentado da sociedade parisiense.

As damas, entre seus adornos, ficaram profundamente impressionadas com a
 Doutrina Espírita, tema levantado por Léon. Realmente, diziam os noticiários, Léon deixou todos preocupados com os horizontes futuros.


continua... ;)
Título: Re: Léon Denis - Grandes Pioneiros
Enviado por: Edna☼ em 12 de Julho de 2015, 19:07
Nesse mesmo ano, volta Léon ao salão do palácio de Holyrood, para falar sobre o Problema da Vida e do Destino. Cada vez mais procurado para as conferências, Léon já não tinha dias para atender a tantos convites, que se ampliavam por toda parte da França. E os temas mais concorridos entre os assistentes eram: O Espiritismo perante a Ciência e O Espiritismo perante a Razão.

Na cidade de Bordeaux, porém, era evidente a aversão que o clero incutia no povo. A imprensa fora proibida de anunciar as conferências que a Federação Lionesa faria realizar após o senhor Henri Sausse, que era o presidente da Federação de Bordeaux, ter ouvido Léon falar na Faculdade de Toulose e na Universidade de Genebra. Fora aplaudidíssimo, mas o senhor Henri ficara sabendo, por amigos, que Léon, por interferência dos católicos, não pudera cumprir seu compromisso de estar presente no Palácio Saint-Pierre, para responder às questões espirituais que um grupo de simpatizantes da doutrina lhe faria. Ao saber desse impedimento, Léon, com os amigos doutrinários do local, realizou a conferência no salão de festas da cervejaria das Estradas de Ferro. Dentre os que foram ouvi-lo, que era uma grande multidão, por o local ser mais popular, havia magistrados e eclesiásticos. O padre Favie, que era doutor em Teologia, fez uma série de perguntas, para ver se Léon se contradizia no assunto referente à existência de Deus, e ouviu-o descrever Deus numa eloqüente forma positiva, que deixou a todos emocionados, inclusive o padre Favie, que baixou a cabeça, num gesto de respeito significativo. A vida de Léon seguia nesse ritmo contagiante daqueles que reencarnam para o glorioso trabalho de Jesus. Léon era um desses missionários que enfrentavam qualquer obstáculo para fazer prevalecer a Verdade Cristã.

O Espiritismo já alcança um grande número de curiosos e em consequência, grupos iam-se formando por toda parte. Em Borinage, na Bélgica, cidade de habitantes, em sua maioria, operários de minas de carvão, começara o movimento espírita a tomar vulto. Povo simples e sofrido pelas durezas materiais, foi Léon convidado a vir trazer-lhe, com suas palavras, o conforto e as elucidações do Evangelho. E, pela primeira vez, Léon abordou um tema que, sabia, poderia falar aos chamados , tão mal interpretado entre os intelectuais espíritas da época. A propaganda em torno da conferência chamou-se foi uma bela oratória, onde Léon fora espiritualmente inspirado por Joana D´Arc. Esse mesmo assunto foi várias vezes pedido, para que Léon falasse para plateias ávidas desse conhecimento tão importante para o ser humano. Cada vez mais o trabalho em divulgar a doutrina, ao qual Léon se propusera, crescia; já havia ultrapassado em muito os limites da França. A Bélgica o solicitava para o conhecimento mais profundo das obras kardequianas.

O conferencista e escritor não se negava a ir onde quer que fosse. Ele nutria muita simpatia pelos mineiros que, embora rudes e muitas vezes apresentando-se em estado de embriaguez, tinham suas qualidades e fé em Deus. Por isso, sempre que podia, visitava seus amigos belgas.

Em 1898, comemorava-se o cinquentenário do Espiritismo. Léon Denis amplia mais seu campo de ação. Viaja para Haia, onde uma multidão o aguardava para o esclarecimento sobre o desenvolvimento da Doutrina Espírita. Depois vai para Marseille. Até o ano seguinte, 1899, chega a completar catorze conferências: temas mais divulgados: O Espiritismo no Mundo e a Ideia de Deus.

Por esse tempo, seu orçamento salarial estava em alta. Mesmo assim, continuava a desenvolver seu lado comercial, firme em seu emprego, a Casa Pillet. O patrão tinha em Léon profunda confiança pelo trabalho ali desenvolvido. Fora ele que havia expandido o comércio de couro. O estabelecimento era conhecido por toda a França e em outros países graças à presteza e dedicação de Léon. Com toda a tarefa de divulgação doutrinária, nunca deixou de fazer o máximo para valorizar sua condição de trabalhador honesto, tanto no mundo material, como servidor cristão.

Sentindo-se cansado e com a saúde fragilizada, achou prudente viajar em férias. Sentia vontade de percorrer lugares desconhecidos e tratar de uma persistente tosse, acompanhada de fortes dores no peito, com inflamações nas vias respiratórias. Após consultas médicas e aconselhado pelos clínicos, Léon viaja para Uriage, alcança Mont Doré, passa por Cauteret e chega a Allevard. Ali, hospeda-se no Hotel do Louvre. A cada ponto visitado por toda a França, ele escreve para Anne-Lucie, sua adorada mãezinha, mandando-lhe muitos cartões postais, dizendo:

"Mamãe, como gostaria de tê-la comigo, para a senhora sair um pouco da nossa Tours.


Em outro cartão postal, Léon conta a Anne-Lucie das geleiras do desfiladeiro, localizado em Allevard. Dizia, também, que ali estava sentindo-se como um verdadeiro urso polar, tanto frio que passava.

Após esse descanso, Léon volta às atividades. O ano de 1900 mostrava-se, desde o início, com muitas conferências a serem realizadas. Em sua agenda constavam palestras a se realizarem como em: Lyon, Grenoble, Pierrellate, Pont- Saint-Esprit, Avignon e Arles. Atravessou o Mediterrâneo e em Argel falou no prédio da Prefeitura, para uma platéia interessada, e até privilegiada, pelas perguntas relacionadas sobre a reencarnação.

Dias após, como ficara combinado entre os organizadores da palestra efetuada, Léon compareceu no mesmo prédio da Prefeitura, para fundar o Grupo Espírita Argelino.

Ao retornar, passou por Flandres e Bélgica, revendo os lugares que já havia visitado, assim como a sua querida cidade de Lorraine, onde muita saudade trazia de sua infância e adolescência. Após, Léon foi convidado para visitar Vaucouleurs e Domrémy, berço natal de Joana D´Arc.
 
Esses locais, por onde Léon passou, foram para ele maravilhosos, tanto era a sua afinidade com Joana D´Arc. Pareceu-lhe reviver a infância e a dolorosa juventude dessa guerreira cristã. Lembrou-se de quando Joana, ainda menina, viu Jesus, a confiar-lhe as tarefas verdadeiramente sacrificiais, para trazer a paz à França, em épocas tão trágicas. E foi em Tours que Léon fez uma palestra para uma seleta plateia de estudantes franceses, para lembrar os grandes feitos missionários desse espírito empreendedor de Joana D´Arc.

continua... ;)
Título: Re: Léon Denis - Grandes Pioneiros
Enviado por: Edna☼ em 12 de Julho de 2015, 19:10
Léon, de retorno a Tours, pôde sentir que o estado de saúde de sua mãezinha não estava bem. Encontrou-a fraca e visivelmente deprimida. Já não via seu olhar brilhante e seus alegres gritinhos ao vê-lo de retorno ao lar. Preocupado, pois teria que continuar suas viagens, pediu ao doutor Encausse que desse seu diagnóstico. Esse avaliou a profunda fraqueza física e debilidade cardíaca, mas como Anne-Lucie fora sempre forte e nunca quisera prender o filho ao seu lado, ela confortou-o, incentivando-o para cumprir seus compromissos. Brincando e tomando as suas mãos, dizia-lhe:

“Fique tranquilo, se eu morrer, serei a primeira a avisá-lo, esteja você, meu filho, onde estiver. Não é assim que nós, os espíritas, falamos?”


Léon sorriu e, beijando-a, despediu-se, seguindo para Lyon.

Dias depois de sua chegada a Lyon, estudando suas conferências, ouve um leve ruído na porta do quarto do hotel. Erguendo-se para ver do que se tratava, sentiu que um vulto estava ao seu lado. Seus pensamentos repentinamente voltaram-se para Anne-Lucie, e lhe parecia ouvi-la dizendo:

"Filho, não se preocupe."

Ainda absorto nessas frases, alguém bateu à porta, porém agora era real, pois o mensageiro dizia:

“Senhor Léon, acaba de chegar um telegrama de Tours...”

Antes que o rapaz terminasse a frase, Léon já estava com o telegrama em mãos. Abrindo-o rapidamente, leu a confirmação da morte de sua mãezinha, assinada pelo Dr. Encausse. Apertando o telegrama em suas mãos, Léon chorou convulsivamente. Voltando apressadamente para Tours, realiza os funerais de sua única amiga e companheira de toda a sua vida. Além de ser sua mãe, Anne-Lucie fora o maior amor em suas pegadas terrenas. Sempre solícita, alegre, reerguendo-o quando a saúde e o desânimo queriam derrubá-lo, ela ali estava junto de seu coração, até em suas viagens, pois ele sempre a mantinha a par dos acontecimentos, escrevendo-lhe longas cartas, mostrando seus feitos, através de fotos e cartões postais.

Esse dia 19 de novembro de 1903 jamais ficaria esquecido. Anne-Lucie estava com mais de 83 anos. Uma longa vida, repleta de experiências, com muito sofrimento oculto. Relembrando as dificuldades pelas quais passaram, as tribulações do dia-a-dia, as mudanças constantes e a insegurança que seu pai, Joseph, deixava em suas vidas. Os interesses materialistas do pai, fazendo sofrer o coração de Anne-Lucie, por ver o filho sem estudar, sem poder realizar seus sonhos intelectuais... enfim, tudo isso aproximou-os mais. Talvez, pensava Léon, Deus os tivesse reunido para que pudessem receber um do outro as energias necessárias para vencerem as dificuldades de cada dia. E Léon agradeceu intensamente a valiosa oportunidade desse encontro. Abençoada reencarnação!

E quanto a seu pai, cujo desencarne se dera em 1886, talvez, pela compreensão de sua mãezinha, ele pudesse encontrá-la e juntos seguirem o aprendizado espiritual. Para Léon, o pai tinha um lugar reservado em seu coração. Aprendera a conhecê-lo em suas dificuldades, mas ele o havia incentivado para lutar e alcançar seus objetivos.

O pior, para Léon, era quando voltava de suas viagens.Ao entrarem seu apartamento, na Rua de L´Alma, em Tours, sentia o vazio, não mais a alegre saudação à sua chegada, a mesa posta com seus pratos preferidos, os remédios e o copo de água, junto com as medicações para o tratamento de sua visão. Agora, tudo isso já não mais existia. Ficara a saudade, mas ele resistia por saber que Anne-Lucie estava sempre a acompanhá-lo. Sabia que ela não gostaria de vê-lo envolvido em tristezas e abandonando suas tarefas. Por isso, Léon retoma suas atividades. A conferência, que faria em Lyon, fora remarcada e, ao seu retorno, sua presença foi entusiasticamente recebida com muitas aclamações de boas vindas.

A vida agitada de Léon continuava. Já estava beirando seus 60 anos de existência física. Suas energias, mais fracas e, sempre, a diminuição visual. Sabia que o plano espiritual o ajudava, mas os órgãos desgastados pertenciam à matéria, portanto, ele é que precisaria tomar cautela. Nessas horas, a lembrança terna de sua mãezinha, chamando-o para tomar cuidado com a tosse. E cada vez que viajava, ao arrumar as malas, parecia-lhe ouvir Anne-Lucie dizer:

“Meu filho, você colocou agasalho suficiente, pegou as calças e luvas de lã... não esqueça o cachecol, e que Deus o acompanhe...”

Envolvido por essas lembranças, retorna à realidade de que era preciso continuar a divulgação da doutrina, embora todas as aversões e ataques. Era preciso falar sobre o Espiritismo em todos os tempos, esclarecendo o povo sobre a reencarnação.


A missão deveria continuar, o século XX se aproximava.

continua... ;)
Título: Re: Léon Denis - Grandes Pioneiros
Enviado por: Edna☼ em 12 de Julho de 2015, 19:14
Em 1908, Léon contava, em seu currículo, cerca de 300 conferências realizadas. Havia levado seus conhecimentos sobre o Espiritismo até Montauban, onde o pastor Bénézech, que era um grande defensor da Doutrina Espírita, convidou-o para que sua missão de evangelizador pudesse chegar aos corações daquela tão longínqua região a semente da Nova Revelação. Até esse ponto, Léon dizia ser feliz, pois seus esforços tinham alcançado o país inteiro. Todos aqueles que seguiram o caminho da Boa Nova juntaram-se em grupos, pequenos ou maiores, simples ou intelectualizados, mas passaram a vivenciar o "Culto Cristão", pela paz e união fraterna.

A grande preocupação de Léon Denis, para o século XX, era o problema da educação dos jovens, para o futuro. Para os que já estavam em cursos universitários, preparando o "amanhã" aqui, ainda no plano físico, sem pensarem num futuro mais dinâmico, mais voltado ao futuro espiritual. E foi pensando nisso, que Léon preparou e enviou uma carta aberta ao senhor Combes, Presidente do Conselho das Universidades da França.

Eis um trecho dessa carta:

“Artesão do seu próprio futuro, o homem continua sua evolução por meio de numerosas existências, na superfície dos mundos, elevando-se gradualmente em direção a um infinito de grandeza, de potência, de beleza... É nosso dever chamar a atenção dos poderes públicos para a importância de tais elementos do ponto de vista da educação nacional, a fim de proporcionar aos nossos filhos um conhecimento mais preciso das leis da vida, de lhes inspirar mais confiança no destino; de melhor armá-los para as lutas morais e a conquista do futuro. Enquanto as universidades ensinam tantos sistemas filosóficos criados pelo pensamento do homem, poder-se-ia considerar, como desprezíveis, ensinamentos dispensados pelas altas inteligências do espaço. Pertence aos poderes públicos regenerar o ensino universitário por essa noção das existências sucessivas da alma, por meio das quais o progresso continua e a justiça encontra sua realização.”

E no trecho final dessa carta, Léon completa:

"Mas nenhuma educação será eficaz, suficiente, se ela não se inspirar no estudo completo da vida, a vida em suas duas formas alternantes, terrestre e celeste; a vida em sua plenitude, em sua evolução ascendente, em direção aos cumes da natureza e do pensamento.” (Essa carta está completa no livro "Os Pioneiros do Espiritismo", autoria de J. Malgras).

Léon Denis estava sempre atento aos acontecimentos. Essa carta aberta fora divulgada por vários periódicos franceses. Ele queria alertar os jovens para o futuro, tão distantes se mostravam da religião. Via-os entregues aos vícios e prazeres carnais.

Por muitas vezes, Léon os ouvia falar com respeito à vida:

"Estamos em constantes guerras e até mesmo religiosas; queremos viver, pois o futuro ninguém sabe...” .Isso causava, em Léon profunda tristeza. Por isso, ele achava que o ensino deveria lhes dar mais noção de vida, incentivá-los a não perder um futuro mais proveitoso, uma vida mais consciente dos deveres a serem cumpridos. E, para ele, só a Religião seria o caminho de um ideal consistente.

Sempre voltado para conseguir falar aos corações dos jovens, Léon aproximou-se mais do grupo da Rua Du Rempart, onde fora um dos fundadores. Esse grupo localizava-se em Tours, portanto, sua frequência poderia ser constante, por ficar próximo ao seu lar. Tornando-se assíduo às reuniões, percebeu que em certos dias a frequência de jovens era maior. Dirigindo-se às pessoas mais antigas e mais conhecedoras dos espíritos que ali se comunicavam, procurou saber o que os atraía para certas reuniões.

Ficou sabendo que o espírito de uma jovem de nome Sophie era o motivo da presença dos jovens às reuniões. Residia, quando encarnada, nos arredores de Tours. Fora vendedora de frutas e legumes, que alegrava a todos que dela se aproximavam, pelas suas maneiras educadas e palavras que conquistavam a freguesia. Desencarnou em 1860, na cidade de Amiens, passando após alguns anos a manifestar-se em vários agrupamentos, onde permitiam-lhe a passividade mediúnica.

Numa ocasião, manifestou-se no Grupo Rempart e afeiçoou-se pelos integrantes jovens encarnados, os quais passaram a se integrar com mais assiduidade nas reuniões, pelo estilo alegre e comunicativo de Sophie. Os orientadores aproveitaram a boa vontade da jovem e, com as mesmas preocupações de Léon, incentivaram Sophie a contar-lhes o que descobrira através do seu desencarne, com a vida física que levara sem responsabilidades e, até certo ponto, com leviandade. Trabalhava muito para sustentar-se, sem se preocupar com os familiares. Seu dinheiro era somente para sua satisfação pessoal. Era alegre, mas só entendeu que nada fizera de útil na reencarnação. Nunca dera valor aos familiares, achava-os intolerantes e chatos. Seu pai fora um bêbado inveterado, e nem por isso ela deu atenção aos sofrimentos de sua mãe. Após a desencarnação onde permaneceu longo tempo em situação umbralina, só pôde entender o desencarne quando ouvia constantemente os gemidos e, por vezes, gritos de dor de seres que ela não atinava de onde partiam. Como o lugar em que se encontrava era muito escuro e úmido, ela quase não conseguia ficar em pé, porque sentia que o solo estava sempre molhado e escorregadio. Já não suportando as dores que sentia no corpo perispiritual, ela se lembrou de orar e pedir socorro. E foi então, contava mediunicamente, que viu uma intensa luz vir do Alto. Divisou um vulto que trazia em seus braços algo, como se fosse uma pessoa doente. Ouviu uma voz a dizer-lhe:

— Sophie, você precisa ajudar esse ser, tão necessitado quanto você.

E o vulto aproximou-se e colocou aos seus pés o ser que estava em seu regaço. Sophie diante da luz que se tornara mais evidente, abaixando-se, reconheceu seu pai. Esse, olhando-a com gestos desesperados, balbuciou:

—Sophie, precisamos pedir a Jesus, o que não fizemos a vida toda, aprendermos a nos amar. Ajude-me e eu a ajudarei. Não sei quem está nos dando essa chance. O que sei é que ambos não pertencemos mais à vida terrena.

Sophie ficara paralisada, seus pensamentos convulsionavam, levantando os braços e, vendo ainda o vulto ao seu lado, tentou alcançá-lo com as suas mãos,porém, meigamente ouviu a voz:

—Atenda o desejo de seu pai, levante-o e sigam juntos o caminho indicado pela luz e vocês saberão quem os auxilia.

Atendendo o pedido daquela entidade, Sophie, com dificuldades, consegue levantar-se e também a seu pai. Ambos amparados pelo espírito amigo, seguiram a luz que os levou a outra região. Puderam sentir o calor e o reconforto vindos de um lugar claro e de ares mais leves. Para Sophie, a confirmação do fato que ela nunca pensou que existisse, a continuidade da vida e de que a morte não existe. Abraçada ao pai e, vendo-o tão debilitado, sentiu que um fato estranho acontecia em seu interior e chegou à conclusão de que o homem, o ser que, fosse o que fosse, que ora estava junto a si era o responsável pela sua vida. A vida que ela pouco soubera valorizar pelo seu profundo egoísmo. Repentinamente, reviu em pensamento a figura sofrida de sua mãe, aquela a quem ela nunca dera valor, pois pouca atenção lhe dava pela presença, tão resignada fora diante de tantas privações. Sophie culpava-se muito agora por fazer de sua vida uma alegria egoísta, por fechar os olhos diante do que era sua realidade física, por insular-se em seu mundo fictício, ilusório, onde mostrava ser, por fora, o que nunca acontecia em seu interior. Olhando a paisagem mais amena que os abrigava, pergunta ao pai:

— Será que Deus nos perdoa por tantos desatinos, papai? E, agora, como reparar tantos erros? Sou-lhe franca a dizer que tudo poderia eu fazer para compreendê-lo... Mas nesse momento, consigo apenas ter profunda compaixão do seu estado, tanto quanto do meu.

Nesse instante, Sophie ouviu uma voz, muito conhecida, vindo ao encontro dos dois dizendo:

— Minha filha, Deus nos dá a oportunidade de nos perdoarmos mutuamente. Ele nos concede a vida e sei que breve nos reuniremos para os acertos futuros... Erguendo-se transida de real alegria, Sophie reconheceu-se nos braços de sua mãe. E os três, espiritualmente reunidos, agradeciam a Jesus o reencontro.

Léon estava completamente emocionado. Sentiu nessa história verídica, os ensinamentos de Jesus, quando só o exemplo poderá trazer a mudança de comportamento em cada pessoa. Exemplo que Ele mesmo deu, com a Lei de Amor.

Os jovens gostavam de ouvir Sophie narrar, a cada reunião, a sua mudança e a sua compreensão para com Deus. Ela os incentivava para o trabalho cristão e, principalmente, para não perderem a reencarnação com frivolidades próprias de juventude. Isso porque Sophie deixava sempre, para o final da sua comunicação, o alerta de que é preciso preservar a vida com boas atitudes perante a família e ante qualquer ser humano. Lembrarmo-nos constantemente das palavras de Jesus:

“Amai uns aos outros como eu vos amei e ao próximo como a vós mesmos."


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Título: Re: Léon Denis - Grandes Pioneiros
Enviado por: Edna☼ em 12 de Julho de 2015, 19:17
Léon tomou-se de simpatia por esse Espírito. Sempre que podia, assistia às reuniões junto com os jovens. Aproveitava para fazer perguntas relacionadas com a sua evolução espiritual. Ele se admirava da simplicidade de Sophie em falar de sua dificuldade de aceitar determinados conceitos que, para ela, ainda eram difíceis de entender. O importante era que os jovens, aqueles que se interessaram pela doutrina, através de Sophie, ouviam outros espíritos que se comunicavam e deixavam que seus ensinamentos com as experiências vividas os despertassem para as responsabilidades reencarnatórias. Com isso, o estudo doutrinário passou a ser uma matéria importante para eles, que começaram a sentir a vida com mais responsabilidade. E Léon pensava: que bom seria se os jovens, em sua maioria, aceitassem essa revelação espiritual.

Aproveitando esse elo que se estabelecera entre os jovens e a Espiritualidade, começou a realizar uma série de informações através das palestras, com relação ao tema de ação e reação. Explicou o medo da morte pelas pessoas, justamente por não compreenderem a maneira de fazer uso do livre-arbítrio. Léon lembrava que a melhor maneira de se conduzir perante a reencarnação, seria a do trabalho honrado e digno, que todo ser deveria preservar. Continuava falando sobre aquele que é ocioso, que nada procura produzir e, muitas vezes, aproveita-se dos que trabalham tornando-se um parasita. Que pode esperar de bom numa futura reencarnação?  ??? Quando a mente esta ocupada, as paixões se atenuam e cresce o desejo de aprender. Porém, o oposto acontece com a ociosidade, que só propicia a proliferação dos arrastamentos maus, levando o ser aos desvios, por vezes graves e de dolorosos resgates.

Durante as reuniões que aumentavam, a cada dia, o interesse desses adolescentes, viera Léon, através da sua mediunidade, a saber que as orientações de suas palestras pelo plano espiritual estavam entregues ao espírito de Jerônimo de Praga. Essa notícia o fez muito feliz. Jerônimo de Praga o fazia lembrar-se das primeiras reuniões mediúnicas realizadas com os operários mineiros, onde encontrou tanto apoio espiritual e bons amigos.

[attachimg=1 width=200 align=left] Léon escreveu uma importante obra, também inspirada em suas conferências, trata-se de “Cristianismo e Espiritismo”. Ela está compreendida em quatro partes; As Vicissitudes do Evangelho; A Doutrina Secreta do Cristianismo; Relações com os Espíritos dos Mortos e a Nova Revelação.

Aos amigos espíritas que ouviam as críticas sobre esse livro entre os religiosos, Léon respondia:

“Quis deixar bem claro, com essa obra, que sendo o Cristo a voz da humanidade em comunicação com Deus, como o Espiritismo poderia ser indiferente a esses sublimes ensinamentos?  ???  Como falar sobre o Cristianismo sem mencionar os dogmas da Igreja?   ??? Isso seria impossível. É necessário esclarecer o povo sobre os pontos que dão origem à obscuridade da chamada “religião-mater”. Não pretendo, também, dizer que esse livro seja uma obra “apologética”, isto é o estudo da religião com o único objetivo que venha restabelecer os argumentos históricos e racionais, como o fato da revelação cristã. Só pretendo lançar a claridade num estudo tão sério e de tanta necessidade, para os que têm fé saberem como ela poderá ser alcançada e quais os verdadeiros fins. A Doutrina de Jesus é aquela encontrada nos Evangelhos e nas Epístolas; é a Doutrina que ensina a liberdade espiritual.”


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Título: Re: Léon Denis - Grandes Pioneiros
Enviado por: Edna☼ em 12 de Julho de 2015, 19:21
O nome de Léon Denis alcançava todos os meios de comunicação da época. No segundo Congresso Internacional, realizado em 1900, em Paris, Léon foi indicado para Presidente Efetivo. Essa proposta feita e aceita por todos foi numa Assembléia realizada por Laurent de Faget. Hector Durville, que era um estudioso do Magnetismo, e Gillard, teosofista, aceitaram assessorar Léon e diziam-se honrados em poderem estar ao lado do escritor mais famoso no mundo dos espíritas convictos e defensores de Allan Kardec. Também participaram como Presidentes de Honra, desse segundo Congresso Espiritualista, os renomados escritores: Victorien Sardou, Russel Wallace e Aksakof.

Durante a duração do congresso, os debates foram muito concorridos e Léon soube se conduzir, como sempre, com brilhantismo e educação. No encerramento, foram muito aplaudidos os defensores da Doutrina Espírita, onde já, diziam muitos, era o surgimento de uma forma renovada de entender a Lei de Deus. E Léon, como o finalizador do movimento espiritual, não perdeu tempo e acrescentou:

O Espiritismo hoje, caros senhores, não pertence só aos pobre, como muitos diziam há tempos atrás e nem só aos analfabetos. Hoje ele está presente entre os cientistas, os intelectuais. Que preferem a obscuridade por não quererem dar, ainda, seus testemunhos de crença, mas a doutrina já está fazendo parte dos sábios e dos universitários, dos políticos e dos administradores, pois todos querem comprovar a realidade das comunicações com o Além. O Espiritismo ajudará a transformar a ciência e irá provocar mudanças nas religiões, para que elas saiam da letargia e caminhem para uma evolução mais humana de uns para com os outros, procurando o mesmo ideal de compreender a vida eterna e o ser infinito, que é Deus. O homem jamais caminhará sem a presença de Deus.”

[attachimg=1 width=150 align=left]  Após esse congresso, onde permaneceram as ideias das comunicações com o Além, o guia espiritual do Grupo de Tours sugeriu a Léon que escrevesse uma obra sobre a mediunidade. Dizia o mentor ser essa uma ocasião importante para maiores conhecimentos sobre esse assunto. E, em 1903, Léon publica a obra, “No Invisível”. Nela, o escritor salienta, em sua primeira parte, o desenvolvimento das leis do Espiritismo Experimental, as considerações devidas ao universo feminino. Léon acusava o catolicismo de delegar à mulher a inferioridade perante a família, quando a ela deveria ser dado o domínio do lar, por ser a mediadora de Deus entre os familiares. Hoje, essas ideias de Léon estão na prática mas, naquela época, tornou-se escandalosa e imprópria, principalmente para os católicos. Mas ele não se deixou abater e manteve a obra em evidência.

Na parte seguinte, a obra tratou do Espiritismo Experimental, isto é, estabelecendo uma classificação dos fenômenos, em que ele preparava a ideia da Metapsíquica, que estava bem imatura. A mediunidade precisava ser bem esclarecida contra as fantasias que já começaram a se formar, até mesmo nos agrupamentos sem muito estudo sério.

Como médium, Léon conseguia explicar as diversas faculdades mediúnicas. E, na última parte do livro, ele procura justamente isso: tentar fazer com que o raciocínio do leitor pudesse entender o perigo que corre o médium desavisado, dando passividade, sem preparo algum pelos assistentes e por ele mesmo.

Laurent de Faget, ao fazer uma conferência sobre “Os Pioneiros do Espiritismo”, em 1º de novembro de 1903, na Sociedade Francesa de Estudos dos Fenômenos Psíquicos, ressaltou o livro de Léon Denis, dizendo:

— A belíssima obra de Léon Denis, “No Invisível”, nos traz sua experiência nas investigações mediúnicas. Sai ele da prática comum do fenômeno, das rivalidades entre agrupamentos e nos dá a superioridade da vida espiritual e da moral. É o verdadeiro impulso da alma em busca da virtude cristã.Em seu último parágrafo, “A Mediunidade Gloriosa”, ele se retrata diante da misericórdia de Deus, dando a oportunidade do trabalho edificante do médium a serviço de Jesus, em favor do semelhante.

No ano de 1905, Léon e os espiritualistas belgas foram convidados a participar, em Liège, de um congresso que, para os habitantes locais, representaria a fortificação dos conceitos espíritas, pois o último congresso ali realizado fora há mais de trinta anos. Por essa data passada, deixaram muitas dúvidas, no meio dos agrupamentos, pela falta de conhecimentos doutrinários, ainda precários, da parte dos simpatizantes que pouco tinham acesso às obras espíritas de Kardec.

Como convidado de honra, Léon Denis, em seu caloroso discurso, enfatizou a necessidade da divulgação desses congressos mundiais, a serem realizados com frequência, para alcançar um número maior dos que confirmam os princípios reais das nossas crenças espirituais.

Outro ponto debatido por Léon, nessa ocasião, foi a sua ponderação com respeito à ciência, dizendo:

“Certo é que a ciência será obrigada a uma revisão completa de seus conceitos, segundo a parte relacionada aos fenômenos mediúnicos com base a religião, que a Doutrina Espírita tão bem explica.”

No encerramento desse encontro, Léon agradeceu a mais essa favorável companhia dos encarnados, pois tinha absoluta certeza de que o mundo Espiritual Superior havia coordenado esses laços de solidariedade que, de certa forma, unia espíritas de várias regiões, para retornarem à luta, com novas vibrações benéficas no campo cristão.

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Título: Re: Léon Denis - Grandes Pioneiros
Enviado por: Edna☼ em 12 de Julho de 2015, 19:24
Embora fragilizado pela saúde do corpo, ele continuava com sua pouca visão material (mas enriquecido pelos dotes espirituais), produzindo obras importantes para esclarecimentos doutrinários, que representavam para ele a didática para as futuras reencarnações.

Sentindo imensa saudade de sua mãezinha e refletindo nos problemas do destino humano, pareceu-lhe ouvir os passos de Anne-Lucie, chegando vagarosamente, tocando de leve sua cabeça e que falava ao seu ouvido:

“Meu filho, já esta tarde, tome seu remédio e procure descansar. Amanhã será outro dia e creia que suas idéias estarão mais ajustadas e a obra em andamento no seu cérebro, fluirá para o papel, com muita facilidade.”


[attachimg=1 width=350 align=left]Na mesma ocasião em que Léon publica o livro, abordando assuntos de grande importância como “O problema do ser, do destino e da dor” (o escritor deu esse título para a obra, mas a Editora Calvário o editou com o título “Ser, Destino-Dor em 1969), surgiu a edição do livro “Os enigmas do Universo”, de autoria do escritor e filósofo alemão Haeckel, o que deu início a um duelo entre os dois escritores, porque um defendia e provava o Espiritismo e o escritor alemão, o Materialismo, onde buscava defesa nas filosofias antigas, que afirmavam que a Verdade em sua profundidade era desconhecida, pois só existem o ser humano e suas paixões materiais. Léon deixou claro em seu livro que “por amor, Deus formou os seres”.

“Muitas contradições e problemas angustiosos que passaram a dar origem aos seres viventes na Terra, perturbaram os cientistas e analistas através dos séculos e os levaram a dúvidas e ao pessimismo exagerado, vítimas de seu próprio orgulho e egoísmo em não querer aceitar que Deus é a Inteligência Suprema.”


Com isso, continuava o escritor em suas páginas:

“A evolução é lenta, mas contínua. Esse é o preparo para o terreno da ciência, filosofia e religião, há uma união entre esse triângulo. Vejamos: A ciência estuda o átomo, a radioatividade dos corpos, a forma assombrosa da eletricidade e as ondas hertzianas. Como não associar os estranhos e até comoventes fenômenos do parapsiquismo? A lenta evolução da Humanidade irá tomando consciência de seu papel diante da vida, para atingir seu verdadeiro objetivo através dos sistemas filosóficos, com os estudos feitos por Sócrates, Platão e outros filósofos enviados por Deus para o progresso do conhecimento humano. Não havendo a profundidade dessas pesquisas, a solução dos problemas materiais do destino humano ficará sem maiores explicações.”

Embora as divergências entre os estudiosos sobre Espiritualismo e Materialismo provocassem grandes polêmicas, essa obra de Léon Denis deu-lhe êxito, amplamente comentado em todos os jornais e revistas principais da França como: A Revue Spirite, Vie Nouvelle, Le Mercure de France, L’Echo de Paris. Todos elogiavam a escrita clara e elegante de Léon. Sem ferir princípio algum, elucidava os pontos-chaves do escritor alemão, ao defender o materialismo explicado pela redundância do “nada”, na sobrevivência humana.

A vida de Léon, como escritor, esbarrava no grave problema de sua cegueira. Praticamente cego, resolveu estudar Braile. Começa seu esforço, continuou a escrever e a pesquisar sempre sobre filosofia, ciência e religião. Ele mesmo se confrontava, pensando:

“Será que Deus criou-me para lutar por esses esclarecimentos para o povo? Por que não consigo escrever outros assuntos e, até mesmo, romances?”


E, interiormente, levado pela intuição espiritual, ele ouvia:

“Precisamos ir em frente, a obra é essa e ela está apenas começando... naturalmente você não verá seu término, pois a obra de esclarecimento do Senhor é eterna. Busque a coragem, estamos a renovar-lhe as energias, enquanto Deus permitir.”
 

Léon Denis continuava seu esforço nos esclarecimentos sérios da doutrina. A questão dos fenômenos mediúnicos tomava vulto, porque queriam os filósofos materialistas que, com a metapsíquica avançando, o Espiritismo desapareceria. Léon reagia, falando e escrevendo. Seu tema era mostrar a diferença entre Espiritismo e Metapsiquismo. Os ataques e críticas caíam como tempestades sobre Léon. Os membros da Igreja Católica atacavam a doutrina e seus seguidores, como auxiliares do demônio. Mas Léon, com toda a dificuldade física, sentia suas energias recompostas e, por sua fidelidade a Kardec, foi denominado “O Apóstolo do Espiritismo”. Dizia que sua vida era inteiramente dedicada ao Espiritismo, porque tinha certeza de que seria essa a crença universal, a religião do futuro.

Ninguém encontrava fatos, na vida de Léon, que pudessem trazer provas para as maldades que inventavam a seu respeito.

Léon dizia, para os caluniadores, que sua vida seria sempre um livro aberto. Ele tinha convicção do que falava, era honesto, nunca tivera favorecimentos ilícitos. Não havia terminado curso algum que lhe desse título em formações acadêmicas. Obtivera todo o conhecimento, que demonstrava, pela formação na escola da vida. Por isso, ele pouca importância dava para o que diziam de sua vida particular. Mas, com relação à doutrina, ele exigia respeito e não permitia ataques sem provas de sabedoria para com as leis divinas. Léon Denis doava-se, inteiramente, de cérebro e coração para fazer luz na escuridão humana.



Final da Segunda parte.



Bibliografia:

• Léon Denis, O Apóstolo do Espiritismo Sua Vida, Sua Obra Gaston Luce, Tradução José Jorge, Editora CELD, 1ª ed., 2003.

• Grandes Espíritas do Brasil Zêus Wantuil, Editora FEB, 1ª ed., 1969.

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Título: Re: Léon Denis - Grandes Pioneiros
Enviado por: Edna☼ em 19 de Julho de 2015, 15:31
Um assunto começou a abalar o meio Espírita por toda a região da França. Era sobre o fenômeno de materialização. O médium em evidência era um senhor chamado Miller. Era francês por nascimento, mas residia em São Francisco, na Califórnia. Comerciante de antiguidades, costumava visitar Paris, para acrescer seus negócios comerciais e infiltrar-se nas conversações sobre materialização.

Os espíritas começaram a se interessar pelo assunto e como o senhor Miller era médium, mostrava-se apto para realizar essas sessões e comentar o sucesso das reuniões, exibindo a todos a sua agenda repleta de compromissos, com sessões até pagas.

Ninguém duvidava de sua fama como médium. Tanto acendeu a vontade dos grupos espíritas na realização dessas reuniões, que o deixaram à vontade. O senhor Miller tinha todo o controle sobre as sessões. Os espíritas faziam uma fiscalização muito ingênua, porque acreditavam piamente no que viam nas reuniões. Os espíritas, como Léon Denis e outros famosos da época, aguardavam o convite para participarem dessas reuniões, o que aconteceu em breve tempo.

Léon estava curioso para saber o que afinal se passava com essas materializações, que estavam causando tantas controvérsias nos agrupamentos sérios.

Léon Denis assistiu a várias reuniões, acompanhado pelos estudiosos em materialização, Gabriel Delanne, Chevreuil, William Crookes que, ainda jovem, viera com o espírito amadurecido por esses fenômenos, pois aprendera maravilhosas lições com Charles Richet e outros.

A princípio, Léon achou o acontecimento interessante, como objeto de estudos. Escreveu várias matérias a respeito, porém comentando-o com muito cuidado para que a doutrina não fosse ridicularizada.

Tempos depois, essas reuniões começaram a dar um resultado escandaloso para o movimento espírita.

Os espíritas, preocupados, reuniram nomes consagrados, que passaram a exigir mais fiscalização nesses fenômenos. E nomes como: Gabriel Delanne, Papus, Cesar de Vesme, Camille Chaigneau, Leymarie e Léon, em estudando as aparições, embora o inegável dom mediúnico de Miller, chegaram à conclusão de que, em muitas aparições, havia o talento do médium em praticar o ilusionismo. E na busca da verdade, Gabriel Delanne anunciou aos espíritas que havia muitas fraudes, em meio à pouca sinceridade nos fenômenos apresentados por Miller.

Léon Denis prontificou-se em tomar a frente do caso, publicando a descoberta. Foi censurado porque, nessa hora, poucos são aqueles que assumem o ato. Faltava coragem, não queriam os espíritas que houvesse a divulgação do fato.

Gabriel Delanne e William Crookes posicionaram-se, junto a Léon, dizendo apresentarem provas de reuniões em que participaram para estudar e todos poderiam tirar suas conclusões. O que era inadmissível era ficarem calados e os espíritas de grupos sérios concordarem com essa omissão.

Léon, em suas matérias escritas para os periódicos espíritas, deixava claro que, “diante de longo tempo dedicado ao esclarecimento da Doutrina pura, jamais concordaria em apoiar um homem astucioso, dissimulado, que zomba dos sentimentos humanos para obter recursos fáceis e dar vazão ao seu orgulho". E acrescentava:

—Há um grande perigo rondando a crença de todos nós. Sejamos cautelosos com os ensinamentos do Cristo: “A palavra escândalo implica sempre ideia de um certo tumulto, onde muitos se contentam em evitar o escândalo, por ferir seu orgulho e venha a ser prejudicado seu conceito pessoal".

E Léon convidava o povo a ler “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, obra deixada por Allan Kardec, no capítulo VIII, “Bem-Aventurados os puros de coração", no 12º item, para poderem estar atentos aos acontecimentos espirituais.

[attachimg=1 width=350 align=left ]Após as publicações de Léon, com outra matéria intitulada “Pró e Contra Miller", Gabriel Delanne conseguiu ajudá-lo, com provas de que Miller, em São Francisco, era conhecido como um espírito mistificador, dedicado à arte do ilusionismo e sendo também apontado como um hábil ventríloquo (aquele que fala sem abrir a boca).

Os falatórios maldosos em torno das atitudes de Léon, deixavam-no aturdido. O próprio meio espírita que deveria defender a Doutrina das “aves de rapina”, o julgava inimigo. Gabriel Delanne convoca uma reunião para tratar do assunto com todos os que se diziam idealistas cristãos, onde ele tentaria demonstrar por documentações os fenômenos produzidos por Espíritos Superiores, através de médiuns responsáveis.

Muitos dos espíritas convocados por Delanne para essa reunião compareceram. Estavam curiosos pelas apresentações das provas documentadas que, segundo Delanne, foram realizadas por pesquisadores, minuciosamente atentos a todas as aparições.

Com a fundação da Sociedade de Pesquisas Psíquicas em 1882, na Inglaterra, esses fenômenos passaram a revelar fatos importantes. Delanne queria demonstrar aos mais incrédulos a transmissão de pensamentos à distância, a dupla visão, as aparições de pessoas vivas ou desencarnadas.

Léon procurava ouvir atentamente a narrativa de Delanne a um acontecimento ocorrido em Cambridge. Espíritas convictos souberam que, nesse local, havia uma pessoa muito doente. Vivia sozinha e longe de seus pais.

A vizinha, muito chegada à enferma, passou a ajudá-la, dando-lhe alimento e medicações prescritas pelo médico. Numa noite, a doente parecia agonizar e a vizinha orava, pois não sabia o que fazer. O médico estava para chegar e não foi surpresa quando ela ouviu a porta abrir-se. Porém, a visita esperada não era a do médico e sim a de uma senhora que trazia uma vela acesa, colocada num castiçal de cor vermelha. Colocando o castiçal sobre o toucador, a senhora dirigiu-se até a cama e, aproximando-se, pegou a mão da doente trazendo-a até seu coração. Depois se abaixou e beijou ternamente a testa da enferma. Após esse ato, a figura dessa senhora desapareceu, permanecendo o castiçal com a vela acesa em cima do móvel. Tudo isso se passou diante dos olhos da vizinha, que ficara estática. Após o sucedido, a doente saiu da agonia e, abrindo os olhos e reconhecendo a amiga vizinha, perguntou-lhe:

—Por que a vela acesa, no castiçal que pertence a minha mãe e não faz parte de meus objetos?  ???

Muito assustada, a vizinha conta-lhe o que acontecera e, com a chegada do médico, o assunto foi repetido.

O médico aproximando-se da doente, examinando-a, constatou, surpreso, que ela havia se recuperado. Para ele, o fato precisava ser levado à Sociedade de Pesquisas Psíquicas. Ficou comprovado que a mãe da doente percebera, através do pensamento desta, o seu estado físico. A mãe estava no sono noturno, portanto seu espírito desdobrou-se e, para ter-se a certeza do fato acontecido, levara o castiçal que a filha tão bem conhecia.

Ficaram comprovados os efeitos físicos: transporte de objeto, desdobramento de espírito com a pessoa encarnada e o fluido composto de amor, medicação que, por permissão de Deus, salvou a enferma. E ainda o fenômeno da telepatia, quando a filha, através do pensamento, avisa a mãe de seu grave estado de saúde.

Esses e outros fatos foram narrados por Delanne, que continuou dando provas dos estudos avançados sobre esses fenômenos.

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Título: Re: Léon Denis - Grandes Pioneiros
Enviado por: Edna☼ em 19 de Julho de 2015, 18:37
As investigações sobre os fenômenos feitos pela Sociedade de Pesquisas renderam dois importantes volumes de estudos, editados pelos senhores Myers e Gurney com o título: “Phantasms of the Living” (Fantasmas dos Vivos) que abalaram a França. O assunto fora tão alardeado que o senhor Marillier, mestre de conferências na Escola de Altos Estudos, conseguiu traduzir essas obras, dando-lhes o título de “As Alucinações Telepáticas”, causando uma certa aversão entre os estudiosos, que não acataram o título da tradução, porém o teor investigativo foi bem aceito pelos franceses.

Com o propósito de mais seriedade sobre as investigações desses fenômenos mediúnicos, foi fundado na França o Instituto Metapsíquico Internacional, sob a direção do Dr. Geley. Juntaram-se a esse instituto o professor Charles Richet, Sir Oliver Lodge e o jovem William Crookes.

Léon Denis e outros espíritas que ouviram toda a exposição de fatos comprovados pela Doutrina, através dos estudiosos responsáveis pela verdadeira origem de tudo o que se processa no mundo físico, estavam satisfeitos. Léon sentiu-se em paz, com o caso Miller. Delanne havia colocado a ciência perante os desígnios de Deus e não dos impulsos inferiores dos homens.

Diante da oportunidade oferecida pelos acontecimentos sobre os fenômenos mediúnicos, Léon voltou a levantar a ideia da missão que Joana D'Arc viera desempenhar na Terra.

No começo do século XX, os falatórios sobre a verdade referente às lutas travadas pela chamada "virgem de Lorena", repercutiram nos meios políticos e religiosos da França.

Os escritores Thalamas eAnatole France, através de seus ensaios sobre a vida e os sofrimentos causados a Joana pela incompreensão e intolerância do clero, só fizeram confundir mais essa dolorosa página da História, nos idos caminhos políticos da França. Por esse motivo, Léon Denis fez vir a lume uma edição que ele achava ter sido editada pelo seu coração, por admirar profundamente a coragem reencarnatória dessa dedicada operária de Cristo.

[attachimg=1 width=150 align=left] Léon quis mostrar nessa época a mediunidade, autêntica, que levou Joana D´Arc a ouvir as vozes do mundo espiritual, que a orientavam a seguir em frente, nas lutas para um fim nobre. O escritor, em sua defesa a Joana D´Arc, em suas palestras, esclarecia que, após o desencarne doloroso na fogueira inquisitorial, quiseram os ministros católicos tornarem-na santa e a canonizaram e os materialistas e anticlericais, tendo por base apenas a parte científica, a condenaram por “ser histérica”. E Léon afirmava, ainda mais, que Joana não admitia interferências nas vozes que ouvia, pois sabia serem de Deus. Esse era o motivo pelo qual a jovem Joana se colocava acima de todas as autoridades que regem o mundo, pois dizia obedecer apenas ao Criador e isso desagradava profundamente o clero. Nessa mesma obra, "Joana D'Arc, Médium”, o escritor relata o ato odioso do processo clerical, onde obrigaram Joana a abjurar de seus feitos, ante o terror de ser queimada viva.

E após um instante de fraqueza, de imediato, ela toma coragem e exclama, bem alto:

“A voz me disse que seria uma traição abjurar. A verdade foi que Deus me enviou e o que eu fiz está, portanto, bem feito.”

Esse trecho, continuava Léon, foi para o meu coração a mais bela descrição sobre o final físico de Joana D´Arc, a virgem nascida em Domrémy. E a imagem mais fiel sobre a fisionomia e forma física de Joana D´Arc, para Léon, foi a pintura do francês Joseph Félix Barrias e a escultura feita pelo francês Antonin Mercier, nascido em Toulouse, que consta da capa da obra de Léon Denis.

A projeção, como fiel defensor da Doutrina Espírita, continuava a salientar cada vez mais o nome desse emérito escritor.


No Congresso de Bruxelas, Léon foi convidado como delegado da França e do Brasil. Após as saudações feitas pelo presidente deste evento, o Cavalheiro Le Clément de Saint-Marc, que destacou a influência do escritor nos meios espíritas, Léon foi chamado para fazer a conferência em que ressaltou e convidou os grupos de estudos e aqueles que pesquisavam os feitos mediúnicos, para observarem rigorosamente os fenômenos de materialização, a fim de não levar a Doutrina ao ridículo, pelas fraudes cometidas por espíritas irresponsáveis.

Os espíritas e apreciadores do escritor Denis sabiam de sua a versão a polêmicas , principalmente quando ele percebia o tom irônico dos polemistas. Porém, certa feita, o Jornal La Tribune, que era dirigido pela Sociedade Francesa de Estudos dos Fenômenos Psíquicos, através do senhor Chartier, quis desviar os estudos e críticas feitas por Léon sobre as manifestações mediúnicas que desvirtuavam o assunto para fins políticos, como sugestões ou orientações espirituais das quais os políticos poderiam fazer uso para defender seus interesses eleitoreiros. Léon Denis foi convidado a responder a essa matéria que estava dividindo as opiniões. Léon, como sempre, fora defensor ferrenho da Doutrina e agiu rapidamente com a resposta:

— Todos os espíritas sabem que não gosto de polêmicas, mas a esse assunto, onde querem usar a Doutrina e os médiuns desavisados em se tornarem oráculos sobre a política e seus adversários, ou propensos candidatos a serem seja lá o que for, responderei que nossos afazeres são muitos e não precisaremos dizer que esse assunto é profundamente estéril e nos parece fugir aos objetivos do Jornal La Tribune. O Espiritismo, assim como os espíritas sérios que escrevem no Jornal La Tribune, devem estar cientes de que a Doutrina não tem partido nenhum de ordem política. A política que porventura venha fazer parte de alguma instituição é de origem do homem e não de Jesus. Se alguma vez mencionei a questão social, foi apenas com a intenção religiosa, no meio coletivo. Portanto, peço a todos que não nos forcem mais a escrever matérias sobre problemas políticos. Damos por encerrado esse desagradável tema, para continuarmos usando nosso tempo com utilidade.

Denis, fechou-se por longo tempo para não dar ouvidos aos falatórios maldosos sobre seu procedimento, criado pelos opositores (e, por quê não dizer?) de seus obsessores, encarnados.

Isso o deixava triste, mas procurava orar ao Senhor, buscando coragem para continuar com as obras esclarecedoras e divulgadoras do Espiritismo.


[attachimg=2 width=350 align=left ]Certa tarde de inverno, sentindo o sol esmaecido sobre o mar que se mostrava tranquilo, Léon passeava calmamente pela orla da Provence. Olhando a beleza da Natureza, ele pensava em Deus. Súbito, parou e, numa atitude de louvor ao Pai, ouviu uma voz a lhe dizer:

— Escreva um livro onde você possa resumir o que o Espírito encarnado precisa saber para não se desviar do caminho reencarnatório. Um livro que esclareça o motivo dos sofrimentos, que é a recuperação de uma vida levada a sério, que as lutas não são vãs. Essa obra deverá explicar a condição do livre-arbítrio e a eterna justiça de Deus, seguido pelo Amor e Sua Misericórdia. Será uma obra dedicada a Deus, ao Universo e à Sua lei.

E Léon publicava com todo o seu empenho o livro: “O Grande Enigma”. Título esse movido pela certeza do autor de que todas as suas páginas foram enviadas pelo Alto, tanto a complexidade do assunto em trazer a vida e a missão do século XX. E por que a missão do século XX? Porque com a modernidade, os homens não querem mais acreditar em Deus, nem em Jesus. O orgulho seria a principal tônica desse afastamento. O egoísmo se corporifica na forma do “eu”, que deixa a humanidade enfraquecida no poder da fé e poucos se lembram da eficácia da prece.

Ao contrário do que se possa pensar, “O Grande Enigma” foi publicado numa pequena brochura de capa cor de rosa, com trinta páginas, de custo barato para que as pessoas de baixa renda pudessem obtê-lo. Isso contribuiu para que os críticos, que esperavam um belo livro de capa sugestiva, pudessem tecer comentários sobre o exterior da obra e não o seu importante conteúdo, como a matéria apresentada pelo Jornal dês Débats que assim se expressou:

“Nesse pequeno livro está a maior conclusão sobre a elevação da alma e seus propósitos. Aí, nesse fabuloso contexto, o mesmo Léon Denis explica o destino humano e sua origem perante Deus.”

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Título: Re: Léon Denis - Grandes Pioneiros
Enviado por: Edna☼ em 26 de Julho de 2015, 14:47
Denis dava continuidade às suas viagens, sua presença sempre constante nos congressos, fazendo muito sucesso com suas exposições sobre a Doutrina. Após longo tempo dedicado às conferências, ele conseguiu voltar ao seu ninho, em Tours. Mas novas decepções o esperavam. A inveja disfarçada e rancores dos invejosos se faziam presentes nos noticiários espíritas e não espíritas.

Membros do Conselho de Administração da Sociedade Francesa de Estudos dos Fenômenos Psíquicos atacavam violentamente as conferências que Denis fazia, ao chamar a atenção, com uma autoridade que não lhe cabia, para as falsas revelações que alguns médiuns transmitiam de Espíritos que, segundo o conferencista, comprometiam a Doutrina.

Ora, diziam os opositores, quem era Léon Denis, afinal? Não seria ele o inimigo da Doutrina, por achar-se tão sábio no assunto? E, dessa forma, foram muitas as injúrias sofridas.

Com toda essa divergência criada ao seu redor, Denis resolveu escrever uma carta a seu grande amigo, Gabriel Delanne. Nessa missiva, após desabafar seu coração, ele pediu ao amigo que retirasse seu nome, como Presidente de Honra dessa sociedade, pois esse título jamais lhe pertencera, muito menos diante dos falatórios agora inseridos à sua pessoa.

Pedindo ao amigo Delanne que não visse nessa sua atitude nenhuma ofensa: apenas sentia-se ocupar um lugar que outros estariam mais à vontade para ocupá-lo. Portanto, fosse encaminhada essa sua resolução ao Conselho de Administração, sem mais delongas. Dizia, ainda, que Delanne não viesse a se afastar, com esse seu propósito, da profunda amizade que os unia e, principalmente, da tarefa que juntos elaboravam em prol da Doutrina Espírita.

Delanne, ao receber a carta, de imediato respondeu-lhe:

“Não haverá motivo algum que possa separar nossa amizade e nosso interesse em estarmos sempre a defender a pureza doutrinária. Acho sua resolução condizente com seu caráter digno e não será por maldades e inveja que pensam em nos fazer calar. Continuaremos a luta, pois sabemos que muito há ainda a enfrentar”.

Ambos continuaram a lutar, paralelamente, em defesa da nobre expansão da Doutrina Espírita, sempre fiéis às bases kardequianas.

A grande preocupação de Léon era com a sua visão.

Embora tivesse se submetido a uma cirurgia de catarata, o efeito fora quase nulo. Seu sofrimento era maior, pois temia não poder mais intensificar suas tarefas, por seus padecimentos com as dores físicas acentuadas no aparelho respiratório.

A senhora Forget cuidava de Léon há muito tempo e agora, com sua viuvez, dedicava-se,exclusivamente a ele, dando toda assistência à limpeza da casa e às medicações prescritas pelo médico. Estava muito preocupada porque Léon alimentava-se pouco e trabalhava demais. Porém às suas observações quanto a isso, Léon respondia-lhe que estava bem e, se comesse demais, o colesterol aumentava.

A viúva Forget notava claramente a indisposição física de seu amigo Léon. Ele já não dava mais seus passeios, de todas as tardes, pelas ruas arborizadas do seu bairro. Encontrava-se com seu vizinho, também espírita, o senhor Valentin Tournier, que era cego mas não perdia as reuniões de estudos feitos por Léon, a quem admirava profundamente.

Esses passeios, ao entardecer, foram sagrados para ambos, que colocavam todos os assuntos referentes à Doutrina em dia. Agora, o mais habitual para a senhora Forget era ver Léon debruçado na janela de seu apartamento, na rue de L'Alma, que dava para a bela paisagem do jardim público de , onde as crianças faziam seus alaridos, com brincadeiras e correrias pelos canteiros floridos. E, quando a senhora Forget o abordava “o por quê” de não mais percorrer as alamedas com seu amigo Valentin, Léon respondia:

— Cara amiga, que poderá acontecer a dois cegos, caminhando juntos? Tenho que acomodar-me com esse presente. Além de tudo, Valentin também já não pode mais caminhar, está acamado, muito doente.

Pouco tempo depois, chegava a notícia do desencarne de Valentin, deixando profunda tristeza no coração de Léon.

Com a mudança de temperatura e a fragilidade física, Léon adoece e, com a afetação pulmonar provocada por forte resfriado, aparece uma grave pneumonia. Após longo período e cuidados médicos, seguidos pela vigilância da viúva Forget, Léon consegue se recompor. Volta a frequentar o grupo da rue du Rempart, mas por pouco tempo.

Com a queda dos frequentadores, a pouca vontade de estudar e sem o incentivo de Léon, afastado pela doença, o grupo veio a fechar as portas. Mas as reuniões com as poucas pessoas que ficaram, levadas por Léon, continuaram numa sala da residência da senhora Forget, que, alegremente, concedeu esse espaço para que Léon tivesse um local para repor suas energias e continuar recebendo as orientações do Alto.

Em 1914, novamente boatos percorriam todos os arredores europeus, na iminência de nova guerra. E ela chegou, abalando novamente o povo, trazendo muitas dores. Léon, não podendo partir para alistar-se, como o fizera quando jovem, resolveu retirar-se para Savoie, levando a senhora Forget, que também estava adoentada. Lá, souberam das batalhas e a retirada de Charleroi e a vitória do Marne.

Tempos passados e sentindo que o perigo de bombas sobre Tours havia desaparecido, Léon e a amiga Forget retornam ao doce lar. Era uma época de contenção de gastos; por isso, Léon resolveu mudar-se para um lugar bom e confortável, no número 19 da place desArts,emTouraine.

Léon ocupava-se em escrever e descrever, em seus artigos, a morte de muitos jovens nessa guerra cruel. Quantas vidas ceifadas pelo egoísmo e fanatismo do alto poder fantasioso aos apegos materiais! E para Léon uma pergunta tomava conta de seu cérebro: “Será que a França perderá para sempre a força maior da sobrevivência?”

E aí voltou a se ocupar de uma nova edição de sua obra “Joana D' Arc, médium”. Pelo Espírito de Jerônimo, Léon ficara sabendo dos apelos que a Espiritualidade Superior enviara a Joana D' Arc. Soubera que o Espírito da jovem guerreira estava à frente das batalhas, a fim de novamente enviar recursos para salvar a pátria invadida. Ela consolava os combatentes, contava Jerônimo, e suavizava as dores dos familiares. Levantava o ânimo dos soldados, pelos eflúvios do Alto, para chegarem à vitória. Joana tem o apoio daqueles que, na passada reencarnação, a ajudaram nas lutas, os libertadores da Pátria.

Léon comovia-se a cada palavra dita pelo Espírito de Jerônimo. Sentia que Joana protegeria a França para que o bem imperasse em nome do Cristo, pela justiça eterna. E lembrava-se de um texto que escrevera em épocas remotas, pelo mesmo motivo:

“Soldados, crescestes do ponto de vista terreno... Agora, deveis crescer para o céu; é preciso elevar vossos pensamentos para Deus, que é a fonte de toda a força e de toda a vida”.

[attachimg=1 width=350 align=left] Esse pequeno trecho está, em sua totalidade, no livro “O Mundo Invisível e a Guerra”, publicado em 1919. Léon fez uma coletânea de artigos no decurso da guerra e juntou-os nessa obra, comentada pelas revistas e pelos jornais espiritualistas da época. Somente o Jornal L' Eclair é que fez uma criteriosa análise e qualificou a obra como um fator preponderante sobre os males das guerras e seus efeitos nos seres humanos.

Os críticos foram unânimes em apontar, tempos depois dessa obra publicada, que realmente Léon Denis deveria ter suas obras em todas as bibliotecas, pela beleza moral e filosófica e a grandiosidade de suas ideias, tão bem colocadas e de fácil entendimento. Como acrescentavam os críticos, essa última coletânea de artigos sobre a guerra não fugia à sua regra de conduta, para ele, era a mais bela referência sobre a vida dessa mártir francesa e que seu conteúdo só poderia ter sido inspirado pelos enviados de Jesus.

continua... ;)
Título: Re: Léon Denis - Grandes Pioneiros
Enviado por: Edna☼ em 02 de Agosto de 2015, 14:48
[attachimg=1 width=350 align=left ]Em 1924, pelo final do período da guerra, Léon recebeu uma carta do famoso autor de “Sherlock Holmes”, Sir Arthur Conan Doyle, que lhe pedia autorização para traduzir seu livro “Joana D´Arc, Médium” pois, para ele, era a mais bela referência sobre a vida dessa mártir francesa e que seu conteúdo só poderia ter sido inspirado pelos enviados de Jesus.


Dizia ainda, em sua missiva, que Joana D' Arc estava novamente em evidência na Inglaterra, com a peça levada ao público inglês, de autoria de Bernard Shaw, com o título “Saint Joan”. O sucesso era fabuloso, por isso seu interesse em traduzir essa obra para o inglês.

Léon ficou radiante e deu a autorização necessária para a tradução. Daí para frente, a correspondência entre ambos foi constante. Trocavam fotos e documentos, e Doyle lhe enviava documentações com referência a fatos metapsíquicos.

Léon Denis , certa vez , ficou impressionado com uma foto enviada por Doyle, na qual antigos combatentes de guerra em Londres se destacavam em frente de um monumento fúnebre, com fortes emanações fluídicas e mostrando rostos perfeitamente materializados de soldados mortos durante a guerra.

Foram muitas as trocas de cartas e documentações valiosas entre eles. Tudo parecia bem, se não fosse por um acontecimento que acabou por deixar Léon aborrecido. Após Conan Doyle ter publicado o livro “Joana D´Arc, Médium”, com belas ilustrações e boa apresentação, com o título em inglês de: “The Mistery of Joan of Arc” e um elogioso prefácio, foi esse transformado no maior sucesso nos países de língua inglesa. Com isso, Doyle enviou a quantia correspondente a Léon pela venda dos livros, sem mesmo tê-lo consultado pelo feito. Porém Doyle achava ser essa a sua obrigação. Qual não foi, então, sua surpresa, quando recebeu de volta a quantia e a indignação de Léon, dizendo que não escrevia para obter lucros pelos livros publicados.

Foi necessária muita insistência para que Léon fosse cordato a Doyle, que afirmava serem os méritos do escritor Léon Denis e não os dele, que só fizera a tradução. Porém, o que mais comoveu Léon foi a afirmativa de Doyle, em dizer que ele ficara convencido de que Joana D´Arc é, depois do Cristo, o Espírito mais elevado que se possa conhecer e que a Humanidade deveria ajoelhar-se diante de sua figura, caso ela pudesse ressurgir, algum dia.

A aproximação entre Doyle e Léon deu-se durante o Congresso de 1925, cujo organizador foi um dos colaboradores da Revue Spirite, Jean Meyer. Este insistiu para que Léon aceitasse a presidência do Congresso, mas o escritor respondeu-lhe:

— Não posso dirigir congressos a vida toda. Estou com oitenta anos, pouco enxergo, não posso aceitar esse honroso convite.

Mas, numa das reuniões mediúnicas, com o favorecimento do Plano Espiritual Superior, Léon recebeu orientações de Allan Kardec e de Joana D'Arc para que se fizesse presente em mais esse congresso.

Diante desses Espíritos, logicamente, Léon aceitou o convite de Jean Meyer.

Fora Léon ajudado pelos amigos espirituais e, bem disposto pelos fluidos regeneradores, chegou a Paris desembarcando na estação ferroviária, sendo acolhido pelos muitos amigos que lá foram dar-lhe as boas-vindas. Entre esses, Conan Doyle. Ao apertarem-se as mãos, Doyle abraçou-o, comovidamente, dizendo-lhe:

— Tenho-o como mestre... Seus livros trazem consolo e esperança a jovens que aqui estão para saudá-lo e aos de cabelos encanecidos, como os meus, para traduzir-lhe a gratidão em nos agraciar, com tanta sabedoria, a verdadeira obra cristã.

Entre risos e, meio constrangido, Léon pergunta:

— Alguém, por favor, descreva-me a figura de Conan Doyle... Eu o vejo muito mal, mas quero essa descrição por outra pessoa, pois ele poderá aproveitar-se disso e descrever-se como um homem garboso e belo, e, rindo, prosseguia, ... quero a verdade.

Diante do aglomerado humano que se fizera ao seu redor, ouviu-se uma voz:

— Léon, nosso amigo Conan Doyle é alto, de boa aparência, cabeça bem redonda, de olhos meio claros, mais para o acinzentado e possui bigodes tipo gaulês.

E Léon, apertando ainda as mãos de Doyle, que sorria diante da descrição a seu respeito, diz-lhe:

—És um príncipe bretão...

E todos riram muito e seguiram a caravana que levava Léon para a “Casa dos Espíritas e do Instituto Metapsíquico Internacional".

Léon maravilhou-se com a organização dessas instituições, pois demonstravam o alcance de um ideal e de novas esperanças para ser identificado o caráter científico do Espiritismo Experimental.

Ainda em suas oratórias, nesse mesmo congresso , Léon salientava que a base de uma doutrina está na ciência e na razão, assim se constituindo em fé universal, deixando que o raciocínio identifique a verdade de cada religião em sua particularidade. E ele continuava , esclarecendo:

“A fé espírita tem seu efeito na Lei do Amor, mas é preciso conhecer a condição do Espírito e seu destino perante Deus. Sendo esse ensinamento um critério que desafia a todas as contradições religiosas”.

Ao término do Congresso , Léon agradeceu a todos e elevou a condição excelente do clima de harmonia entre todos. Disse da felicidade de ver Jean Meyer tão dedicado à Doutrina e do carinho expressado para a realização desse congresso.

Jean Meyer abraçou Léon, reconhecido pela presença tão significativa e de tão elevado teor que ele dera ao congresso, embora o esforço pela saúde frágil, que assegurara o sucesso obtido pelas vibrações benéficas que todos sentiram.

Todos os congressistas foram levados para uma recepção, na rue Copernic, onde vários artistas estavam presentes como: Marie Charbonnel, soprano da Ópera de Paris, a senhora Barjac, integrante da Comédia Francesa e Léonce Detroyat, jovem cientista do Conservatório de Paris.

Léon retorna, feliz e saudável, para reencontrar seus amigos em Tours.

continua... ;)
Título: Re: Léon Denis - Grandes Pioneiros
Enviado por: Edna☼ em 09 de Agosto de 2015, 14:06
Completando 81 anos, Léon Denis começa a escrever sua derradeira obra: “O Gênio Céltico e o Mundo Invisível”. Teve inúmeras dificuldades para concluir o livro. Sua falta de visão e a enfermidade que tomava conta de seu corpo não o impediram que os amigos espirituais o favorecessem para que, mais uma vez, ele concluísse nessa obra que: “O Espiritismo atual é, no fundo, o renascimento das práticas célticas e ele contém um elemento de renovação que deve ser levado em grande consideração. Não é essa ideia incompatível com a religião cristã. Essas duas crenças, longe de se chocarem, obtêm condições de se juntarem”. (Trecho do livro “O Gênio Céltico e o Mundo Invisível”).


Léon Denis trabalhava intensamente. Parecia que estava consciente de que sua vida física estava prestes a sucumbir. Todos viam seu abatimento, mas queriam ignorar essa realidade. A senhora Georgette, que passara a auxiliá-lo na correção dos textos escritos por Léon, estava preocupada. Chegou pela manhã do dia 5 de abril e encontrou Léon muito febril, embora ele não aceitasse que seu estado piorava a cada dia.

No dia 9 de abril, o médico fora chamado com urgência. Foi descrito pelo clínico que Léon estava com pneumonia grave. Porém Léon continuava a lutar, queria viver para ver sua última obra editada. Entre calafrios e variações pela febre altíssima, ele pedia a Georgette que enviasse a Jean Meyer as páginas finais para que este pudesse fazer o prefácio da obra.

Com Georgette a acalmá-lo, dizendo-lhe que assim o faria, ela pôde sentir que as forças físicas do escritor estavam se esvaindo.

Manhã do dia 12 de abril de 1927, Georgette segurava as mãos de Léon e acompanhava o olhar embaçado do doente que se dirigia para um ponto fixo no espaço. Leve sorriso estampava-se em seus lábios.

Alguém perguntou:

— Quem estaria buscando aliviar o sofrimento da partida desse grande Espírito empreendedor, em época tão difícil para a eternização da Doutrina?

Georgette, como os outros companheiros do ideal cristão, ali presentes, responderam em coro:

—Seria Allan Kardec, a quem Léon fora tão fiel?

E o silêncio foi interrompido pelos soluços dos que ali se encontravam.

Uma assistência silenciosa e comovida acompanhou os restos mortais de Léon Denis, que pedira fosse feito um enterro modesto, sem ofício algum. Seu corpo foi transladado para o Cemitério de La Salle e fora velado na place des Arts,emTours.

(http://www.amdi.usm.my/images/Plant_Database/Alamanda.png)

Coroas de sempre-vivas amarelas coloriram o carro fúnebre, onde se lia: “A União Espírita Francesa ao seu Presidente de Honra”.

À beira do túmulo, Wautier d' Aygalliers fez uma homenagem ao venerando amigo e mestre, lendo algumas passagens do livro “Depois da Morte”, com a prece mediúnica do espírito Jerônimo de Praga, que fora para Léon seu orientador espiritual.

Após, todos se retiraram jogando sobre o caixão um ramo de sempre-vivas, tão admiradas flores por Léon Denis. E os sinos irrompiam com suas badaladas, anunciando a Páscoa, que trepidavam o solo e pareciam falar, naquele instante, da ressurreição.

Na Revue Spirite, de outubro de 1927, foi editada uma comunicação de Léon Denis, em Tours, por incorporação, datada em 8 de julho de 1927. Eis um trecho da mesma:

“Entre 8 e 9 horas e 15 minutos, na noite de 12 de abril, senti o êxtase do desdobramento e da alegria da luminosa vertigem que senti, ao trocar de mundo, deixando a vida terrestre e encontrando a sensação radiosa da vida no espaço espiritual: A mudança das situações, o ponto morto que fica suspenso, no menor ou maior espaço de tempo, dependendo da evolução do estado do Espírito e a observação do indivíduo. Quando os órgãos do corpo físico pararam a minha forma de pensamento humano, e pude despertar para a luz do Além, senti uma espécie de sonolência, como um sono hipnótico. Nesse entorpecimento, formavam-se ao meu redor algo como um casulo fluídico, vapores que me envolviam serenamente. Com isso, os guias espirituais retiraram-me do invólucro carnal, sem que eu sentisse choque algum. Os pensamentos vaporosos dos guias espirituais se concretizavam em meu Espírito, sob a forma de emanações luminosas que me eram refletidas pelo perispírito dos meus entes queridos, já desencarnados. Eu flutuava ao redor deles, como se tivesse saído da casca do ovo que, como pássaro, tentava os primeiros voos no Além, no domínio maravilhoso criado por Deus. Sei agora, meus amigos, que todo ser humano rompe sua carcaça física, com maior ou menor dificuldade, de acordo com a sua evolução e pelo grau de fé que guarde na bondade e na Justiça de Deus.” Léon Denis


Final da terceira e última parte.


Os créditos desta matéria pertencem a Eloísa, do Seareiro.


Citar
Bibliografia:
• Fatos Espíritas, - William Crookes, Editora FEB, 6ª ed., 1971
• Joana D´Arc, - Roque Jacintho, Editora Luz no Lar, 1ª ed., 1995.
• Joana D' Arc, Médium - - Léon Denis, Editora FEB, 7ª ed., 1971.
• Léon Denis:OApóstolo do Espiritismo, sua vida, sua obra - - Gaston Luce, Editora CELD, 1ª ed., 2003.
• O Espiritismo Perante a Ciência - - Gabriel Delanne, Editora FEB, 1ª ed., 1952.
• Ser Destino Dor – Léon Denis, Editora Calvário, 2º Ed. 1969.


Título: Re: Léon Denis - Grandes Pioneiros
Enviado por: Edna☼ em 01 de Janeiro de 2016, 13:00
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