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GERAL => Outros Temas => Biografias Espíritas => Tópico iniciado por: macili em 24 de Fevereiro de 2012, 02:45

Título: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 24 de Fevereiro de 2012, 02:45
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José Herculano Pires
Desvendando o grande desconhecido

(Mauro Spinola)


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José Herculano Pires, o maior escritor espírita brasileiro, decididamente não se conformava com o que via: de um lado o Espiritismo sendo duramente atacado, e por outro, apaixonadamente defendido. O problema estava num aspecto comum entre os atacantes e defensores: em sua maioria desconheciam o próprio Espiritismo.


“Os adversários partem do preconceito e agem por precipitação. Os espíritas formularam uma idéia pessoal da Doutrina, um estereótipo mental a que se apegaram” (Introdução à Filosofia Espírita).


Guardo comigo a convicção de que se baseie nessa análise (que podemos também desfrutar no Curso Dinâmico de Espiritismo) a sua maior motivação para o extenso e vigoroso trabalho que desenvolveu.


Herculano escreveu muito, num trabalho extenso e intenso. Abarcou os mais variados temas relacionados ao Espiritismo. Filosofia, educação, ciência, religião e movimento espírita eram seus temas prediletos. Este último foi motivo de muitas e fundadas polêmicas (nunca fugiu delas). No movimento espírita e fora dele, Herculano defendeu o Espiritismo com a energia de um Don Quixote. Os livros e artigos que escreveu, além dos debates do qual participou, construíram uma estampa única de defesa pública e destemida do Espiritismo, marcada pelo compromisso com a verdade e a lógica, mais do que com pessoas e instituições. Os “padres mágicos” (que chegavam a inventar experiências televisivas para “provar as fraudes dos espíritas”) e os pastores dedicados a atacar o Espiritismo tiveram cada um de seus argumentos ou simples acusações respondidos, na imprensa escrita, no rádio, na televisão. A sintaxe utilizada era a da exposição objetiva de fatos e argumentos. A semântica preferida era a do desenvolvimento lógico e racional.


No âmbito interno do movimento espírita foram igualmente combatidos as práticas espíritas que condenava (como as aplicações inadequadas da mediunidade) e conceitos espíritas equivocados (como o da reforma íntima). Inconformado com as inúmeras distorções que se aplicavam ao Espiritismo no próprio meio espírita, sobretudo pela Federação Espírita Brasileira, com sua inexplicável defesa de teses de Roustaing, Herculano não se fazia calar. Chegava mesmo a ferir susceptibilidades: o amor só tinha sentido e lugar se amparado na verdade.


Não tenho dúvidas de que Herculano era apaixonado pelo Espiritismo. Os seus estudos científicos, por exemplo, sempre recheados com uma infinidade de informações levantadas à exaustão junto a pesquisadores do mundo inteiro, e fortemente calcados na base e na metodologia kardequiana, chegavam a conclusões profundamente otimistas sobre os resultados conseguidos pela pesquisa espírita. Em Mediunidade chega a afirmar que a tese espírita da existência de energias espirituais típicas já havia sido comprovada cientificamente. A conclusão talvez seja discutível, haja vista a relutância ainda vigente nos dias atuais aos métodos e conclusões da pesquisa espírita, mas o que mais chama a atenção nesses estudos é a profunda capacidade de correlacionar informações diversas de maneira a cercar um problema e suas causas potenciais, lembrando e complementando o que faziam Bozzano e Kardec: a razão nos diz que não basta encontrar uma causa para um fenômeno, é necessário buscar a causa de um conjunto consistente de fenômenos.


Na discussão científica, o defensor também mostrou sua face. Em A Pedra e o Joio dedicou-se a combater as teorias científicas que se constroem entre os espíritas sem base sólida. Para Herculano, Kardec é a base fundamental. O método kardequiano, apoiado na razão e na universalidade de informações, e os conceitos fundamentais do Espiritismo, seriam para ele a estrutura sólida para o desenvolvimento das pesquisas espíritas. A destruição gratuita dessa base poderia colocar em risco todo o conjunto.


Na questão científica é também fundamental notar uma outra contribuição importante de Herculano: ele estabelecia em seus estudos a discussão explícita entre o Espiritismo e os diversos segmentos da pesquisa psíquica, do americano Rhine ao russo Vassiliev, do psicanalista Freud ao engenheiro Bozzano. Ao contrário de muitos, que timidamente preferem dogmatizar a Doutrina, discutindo apenas a sua lógica interna, Herculano expunha e desta forma mostrava a força da visão e do método espírita.


No que se refere ao tema educação, o seu trabalho foi, e continua sendo, ímpar. Numa única frase - “o educando é um espírito encarnado” - resumiu filosoficamente a contribuição do Espiritismo à educação. Propôs e estruturou a Pedagogia Espírita, fortemente calcada nos princípios da imortalidade e da evolução do espírito. Criou e dirigiu a revista Educação Espírita, que a despeito do pequeno número de edições (quantos realmente a apoiaram?), mantém-se ainda hoje como uma das mais importantes contribuições ao tema na nossa literatura. Também nesta área encontramos marcas de sua energia e seu entusiasmo. Afinal, quem além dele poderia se debruçar sobre um projeto de Faculdade de Espiritismo, com processo pedagógico diferenciado e com detalhamento da estrutura organizacional e do currículo? A educação espírita ganha identidade e corpo nas mão de Herculano, mas a sua meta não é apenas influenciar os currículos escolares: o alcance da Pedagogia Espírita transcende a esta vida. Coerente com a visão kardequiana de que a consciência da imortalidade, a proposta de Herculano se resume atribuir transcendência aos atores e ao processo educacional. Em Educação para a Morte fica claro que o papel educacional do Espiritismo não está focalizado estritamente numa das duas facetas da vida (a encarnada ou a desencarnada), mas sim na sua totalidade. Visa o espírito integral.


Herculano foi jornalista e trabalhou vários anos nos Diários Associados. Escrever foi realmente a sua vida. O que chama mais a atenção, no entanto, é que seu estilo não se pautou estritamente na objetividade jornalística. Era fundamental a discussão, a análise, às vezes até a divagação por caminhos longos que no retorno davam nova feição ao ponto original. Não há dúvida de que Herculano foi acima de tudo um filósofo do Espiritismo. Para seu amigo argentino Humberto Mariotti, em Herculano Pires: Filósofo e Poeta, ele era um filósofo e pensava sobre o mundo e o ser com evidentes profundidades metafísicas. Ao publicar a sua Introdução à Filosofia Espírita, Herculano enfrentou o problema da análise do Espiritismo como doutrina filosófica, discutiu a teoria do conhecimento espírita, e propôs uma Filosofia Espírita da Existência, que chamou de Existencialismo Espírita: a busca na realidade concreta da essência possível, partindo dela para as induções metafísicas. Ao invés de partir da essência impalpável, e nela ficar, o Espiritismo parte dos fatos, dos fenômenos, do real, da vida. A discussão da existência leva à essência, não o contrário.


Ao propor uma concepção existencial, Herculano permite-nos também compreender o processo dialético vivido pelo espírito ao nascer, viver, morrer e renascer. Analisando mais especificamente o trabalho de Kardec percebemos que toda a teoria espírita se construiu a partir da observação dos fatos. A visão existencialista permite ver o papel de Kardec e dos demais elaboradores do Espiritismo na sua construção. O maior kardeciólogo que o mundo já viu também buscou, a cada instante, compreender, interpretar e avaliar o papel de Kardec.


Talvez seja possível resumir o que buscou continuamente Herculano: desvendar o grande desconhecido, ou seja, compreender e discutir visão de mundo do Espiritismo, analisar sua contribuição ao conhecimento humano, detalhar seu método, avaliar o papel de Kardec e dos Espíritos na sua elaboração, e mostrar a todos tudo o que descobriu.



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Mauro Spinola é Engenheiro, Doutor em Engenharia de Computação, Professor Universitário, participante do CPDoc (Centro de Pesquisa e Documentação Espírita) e do Centro de Estudos Espíritas José Herculano Pires, de São Paulo, Capital.
Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 24 de Fevereiro de 2012, 02:58
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José Herculano Pires


José Herculano Pires (Avaré, SP, 25 de setembro de 1914, — São Paulo, SP, 9 de março de 1979) foi um jornalista, filósofo, educador e escritor espírita brasileiro.

Destacou-se como um dos mais ativos divulgadores do espiritismo no país. Traduziu os escritos de Allan Kardec e escreveu tanto estudos filosóficos quanto obras literárias inspirados na doutrina espírita.





Biografia


Filho do farmacêutico José Pires Corrêa e de sua esposa, a pianista Bonina Amaral Simonetti Pires, fez os seus primeiros estudos em Avaré, Itaí e Cerqueira César. Desde cedo revelou vocação literária, tendo composto aos 9 anos de idade, o seu primeiro soneto, um decassílabo sobre o Largo São João, da sua cidade natal. Aos 16 anos publicou o seu primeiro livro, "Sonhos Azuis" (contos) e, aos 18 anos, o segundo, "Coração" (poemas livres e sonetos).

Colaborou em jornais e revistas da época, tanto do estado de São Paulo quanto do Rio de Janeiro. Teve vários contos publicados, com ilustrações, na "Revista Artística do Interior", que promoveu dois concursos literários, um de poemas, pela sede, em Cerqueira César, e outro de contos, pela Seção de Sorocaba.

Em 1940 transferiu-se para Marília, onde adquiriu o jornal Diário Paulista, que dirigiu por seis anos. Com José Geraldo Vieira, Zoroastro Gouveia, Osório Alves de Castro, Nichemja Sigal, Anthol Rosenfeld e outros promoveu, através do jornal, um movimento literário na cidade e publicou "Estradas e Ruas" (poemas) que Érico Veríssimo e Sérgio Milliet comentaram favoravelmente.

Em 1946 mudou-se para São Paulo, onde lançou o seu primeiro romance "O Caminho do Meio", que mereceu críticas elogiosas de Afonso Schimidt, Geraldo Vieira e Wilson Martins.

Em sua carreira, foi ainda repórter, redator, secretário, cronista parlamentar e crítico literário dos Diários Associados, tendo exercido essas funções por cerca de trinta anos.

Graduado em Filosofia pela Universidade de São Paulo, publicou uma tese existencial: "O Ser e a Serenidade".




Obra


Autor de oito dezenas de livros, distribuídos por filosofia, ensaios, histórias, psicologia, parapsicologia e espiritismo, vários em parceria com o médium Francisco Cândido Xavier, é considerado um dos autores mais críticos dentro do movimento espírita. A sua linha de pensamento era forte e racional, combatendo os desvios e mistificações, sendo a maior característica do conjunto de suas obras a luta por demonstrar a consistência do pensamento espírita e defender a valorização dos aspectos crítico e investigativo originalmente propostos por Kardec.

Em seus ensaios nota-se a preocupação em combater interpretações e traduções deturpadas das obras de Kardec, inclusive aquelas que surgiram no seio do movimento espírita brasileiro ao longo do século XX.

Defendia o conceito de pureza doutrinária, segundo o qual era preciso preservar a doutrina de todo tipo de influência mística, esotérica ou meramente cultural religiosa.

Em monografias filosóficas, a exemplo de "Introdução à Filosofia Espírita", propõe-se a esclarecer a contribuição do espiritismo para o desenvolvimento da Filosofia, em especial no tocante ao sentido da existência humana. Contrapõe-se frontalmente ao niilismo e ao existencialismo materialista.

A maioria das suas obras é atualmente publicada pela Editora Paidéia (de sua família), que fundou na década de 1970 para publicar suas obras.

A sua tradução dos livros de Kardec tem sido editada por várias editoras, a exemplo da Livraria Allan Kardec Editora (LAKE), da Editora Argentina e da Federação Espírita do Estado de São Paulo (FEESP).




Fonte: Wikipédia


Bibliografia

RIZZINI, Jorge. J. Herculano Pires, o apóstolo de Kardec. São Paulo: Paidéia, 2000. 282p. ISBN 0000035491
Expoentes da Codificação Espírita. Curitiba: Federação Espírita do Paraná, 2002. ISBN 8586255114
Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 24 de Fevereiro de 2012, 03:01
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A Felicidade na Terra

*Irmão Saulo


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A felicidade é uma questão de compreensão. As criaturas que encaram a vida sem nenhuma compreensão da sua realidade espiritual não podem ser felizes. Seus momentos de alegria e satisfação passam depressa e são em poucos. Porque elas colocam a felicidade onde ela não pode estar, querem encontrá-la em coisas ilusórias que logo se desfazem. A felicidade mora em nós mesmos, em nossa consciência. Temos um objetivo na vida e só somos felizes quando o estamos realizando.


As regras que André Luiz nos oferece mostram isso de maneira bem clara e confirmam O Livro dos Espíritos em sua questão 921. No comentário a essa questão Kardec adverte: “O homem bem compenetrado do seu destino futuro só vê na existência corpórea uma rápida passagem”. Descartes já nos alertava contra o perigo de confundirmos a alma com o corpo. Quando não sabemos nos distinguir do próprio corpo o que buscamos é uma felicidade ilusória, egoísta e efêmera. Ela pode nos satisfazer por alguns instantes, mas logo murchará em nossas mãos e nos sentiremos grandemente infelizes.


É bom gravarmos em nossa mente este ensino de André Luiz: “Criar alegria e segurança nos outros é aumentar o nosso rendimento de paz e felicidade”. Esta não é apenas uma recomendação moral, é uma lei cientifica. Porque a vida humana é psíquica e não material. Vivemos num oceano de vibrações psíquicas, em permanente permuta com as outras pessoas. Se pensamos no mal atraímos vibrações más, se pensamos no bem atraímos boas vibrações, e se fazemos o bem criamos um potencial de bondade, paz e felicidade ao nosso redor, beneficiando também os outros.


É evidente que não podemos mudar o mundo por nós mesmos. Nem podemos fazer-nos anjos de um momento para outro. Temos o nosso passado negativo, mas o presente nos oferece a oportunidade de criar um futuro positivo. Enquanto o criarmos com nossos bons pensamentos e boas ações teremos a felicidade que é possível ao homem gozar na Terra, mundo ainda inferior, de provas e expiações. Venceremos nossas provas com alegria e superaremos nossas provações com esperança, compreendendo que nos libertamos a nós mesmos para a felicidade real do espírito que é o destino de todas as criaturas.



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* Irmão Saulo foi o pseudônimo utilizado por José Herculano Pires em alguns dos seus textos, quando ainda encarnado.



Do livro “Na Era do Espírito”, de Francisco C. Xavier e José Herculano Pires.
Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 24 de Fevereiro de 2012, 03:03
Poder do Pensamento


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Nossa vida não é Material


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Nossa vida não é material, é espiritual e como tal regida pela mente. Alimentamo-nos de matéria para sustento do corpo, mas vivemos de anseios, sonhos, aspirações, idéias e impulsos espirituais, que brotam do nosso íntimo ou nos chegam em forma de sugestões, às vezes, de envolvimento emocional do meio em que vivemos, das mentes encarnadas e desencarnadas que nos cercam e convivem conosco.


Somos indivíduos e não massa, que a nossa individualidade é definida e nos caracteriza como personalidades livres e responsáveis. Tomando consciência disso deixamos de nos entregar a influências estranhas, assumimos a jurisdição de nós mesmos, tomamos o volante do corpo em nossas mãos e aprendemos a guiar-nos com a lucidez necessária. Aprendemos a distinguir as nossas idéias das idéias que nos são transmitidas pelos outros.


Mantendo a mente livre e confiante – livre do medo, das desconfianças infundadas, da pretensão vaidosa, dos interesses mesquinhos, e confiante nas leis da vida e na integridade do ser – tornando a nossa mente aberta e flexível.


Quando concentramos o pensamento de maneira tensa na solução de um problema, a nossa mente se fecha sobre si mesma, como a carapaça de uma tartaruga que se defende de ameaça de fora. Impedimos o fluxo livre do pensamento. Essa concentração nos isola em nossa angústia, em nosso desespero. Tudo então se torna difícil e escuro ao nosso redor, tudo se amesquinha. Mas quando encaramos um problema sem aflição, de mente aberta e confiante, as vozes internas conseguem soar em nossa acústica mental e a vida nos revela as suas múltiplas e ricas perspectivas.



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José Herculano Pires
Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 24 de Fevereiro de 2012, 03:05
A Infância de José Herculano Pires


(http://dl10.glitter-graphics.net/pub/291/291140i3ctcbj7an.jpg) (http://www.forumespirita.net/fe/go.php?url=aHR0cDovL3d3dy5nbGl0dGVyLWdyYXBoaWNzLmNvbQ==)



“Prestamos essa homenagem a José Herculano Pires pela data do seu nascimento, com esse texto que conta um pouco a história da sua infância.”


O nosso sempre lembrado Prof. José Herculano Pires chegou a este mundo em sua mais recente reencarnação na madrugada do dia 25 de setembro de 1914, na Província do Rio Novo — hoje a próspera e bela cidade de Avaré, no Estado de São Paulo. O parto não foi tranqüilo e o nosso reencarnante logo se viu ameaçado pelo próprio cordão umbilical que, tendo enrolado o seu pescocinho, quase o enforcou. Filho primogênito de José Pires Correa (um farmacêutico que, mais tarde, se tornaria um dos mais brilhantes jornalistas do interior paulista) e de Bonina Amaral Simonetti Pires, descendente de tradicional família de Rio Novo e exímia pianista. Depois do filho Herculano, o casal recebeu outros seis: Heraldo, René, Lourdes, Marília, Diógenes e Nancy, sendo que os dois últimos desencarnaram em tenra idade.



Estátua "menino com a luminária" no Largo São João (1939).

(http://3.bp.blogspot.com/_WtLKqFC3tOo/SrvD6PltxYI/AAAAAAAABeM/jNNL5hRdZgc/s400/Foto016+_+Fotos+Antigas+de+Avare.jpg)

(http://4.bp.blogspot.com/_WtLKqFC3tOo/SrvD6p7kpsI/AAAAAAAABeU/lE27IHVcuFU/s400/Foto017+_+Fotos+Antigas+de+Avare.jpg)

Fotos antigas, datadas do ano de 1939,
do Largo São João (em Avaré - São Paulo), cidade natal de José Herculano Pires



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A origem do nome de Herculano

A família Pires, como a maioria das famílias da época, era católica. Pois bem, o dia 25 de setembro, conforme registrava o calendário, era dedicado a São Herculano. O casal, então, deu ao filho recém-nascido esse nome. Logo depois, o tio Franco chegou para conhecer o pimpolho e, quando soube que lhe tinham dado o nome de Herculano, comentou: “Mas São Herculano não é muito conhecido; para reforçar a proteção do menino, sugiro que juntem ao nome já escolhido o nome popular de São José”. E foi assim que Herculano tornou-se José Herculano Pires.

Herculaninho, como o chamavam carinhosamente na infância, passou os primeiros anos de vida com problemas de saúde, aliás, esses problemas o acompanharam pela vida toda. Contudo, foi uma criança feliz, pois o clima e as águas do Rio Novo lhe deram robustez, tanto que em 1918 veio a chamada gripe espanhola e logo depois a endemia de tifo, enfermidades terríveis, mormente naquela época em que os recursos farmacêuticos eram escassos, que ceifaram milhares de vidas.

Herculaninho, felizmente, não foi molestado por essas duas endemias. Como dissemos, ele foi feliz porque sua infância, apesar dos problemas de saúde, foi embalada pelas coisas simples do interior daquele tempo que não volta mais na roda da história. A paisagem bucólica de Avaré: ruas de areia; a igreja matriz; o jardim São Paulo com seu coreto, onde, aos domingos, a banda executava emocionantes dobrados; o poético coaxar dos sapos; as águas cristalinas do Rio Novo, onde adultos e crianças pescavam e tomavam banho; o ranger dos carros de bois que transitavam pelas ruas da cidade chorosos; as boiadas que de quando em quando atravessavam a cidade em busca de invernadas e despertavam a curiosidade infantil; e ainda o trem-de-ferro da Sorocabana, que corria sobre os trilhos fazendo um barulho engraçado, “fuque, fuque, fuque”, e soltando rolos de fumaças e muitas fagulhas quando atingia sua velocidade máxima de 40 quilômetros por hora.





A sua paranormalidade

Embora Herculano Pires tenha passado pela vida sem ser médium propriamente identificado, sua paranormalidade aflorou bem cedo, pois desde menino tinha visões espirituais bem definidas. Além de vidente, era também médium audiente, como veremos adiante. Herculano dizia para amigos que quando ainda dormia no berço muitas vezes se levantava e ficava em pé agarrado à grade da caminha observando os espíritos passeando no interior de sua casa. Não via somente criaturas desencarnadas, mas também espíritos de pessoas encarnadas. Dizia ter visto o espírito de sua mãe inúmeras vezes passeando pela casa enquanto o seu corpo físico descansava em outro ambiente da mesma. Fatos estes que algumas vezes assustavam a família, pois, por vezes, ele via espíritos assustadores e gritava. Os pais, querendo saber o que acontecera corriam para junto dele. O pai, entretanto, procurava acalmar o ambiente dizendo: “Ele está delirando, mas precisamos saber o que esse menino tem para gritar tanto à noite”. Quando Herculano já sabia falar e essa cena se repetia, ele contava aos pais sobre as figuras que via.



Uma vidência confirmada

Herculano contava com seus sete ou oito anos, e foi, como fazia normalmente, brincar na casa do avô materno, um italiano casado com uma brasileira, em Avaré. O quintal da casa era enorme e possuía várias mangueiras. Cenário ideal para a garotada. Herculano brincava, então, com alguns amiguinhos naquele espaço aprazível. De repente, ele ouviu um estranho estrondo. Olhou para o lado de onde veio o som esquisito e notou que uma velhinha vinha em sua direção apressadamente. Ele ficou ali parado olhando aquela criatura que trajava um vestido que lembrava os vestidos de mulheres idosas estrangeiras. Olhou para baixo e viu que ela calçava meias com listras circulares vermelhas e azuis. Os seus sapatos também eram muito estranhos. O espectro entrou no depósito que havia no quintal e uma vez estando dentro daquele ambiente a velhinha cerrou a porta um tanto bruscamente e o barulho da batida da porta fez com que Herculano saísse do transe. Ele, imediatamente, correu para dentro de casa gritando de medo. O seu avô foi o primeiro a vir ao seu encontro, em seguida veio a avó. Quiseram saber a razão do seu desespero e ele relatou o que tinha visto e seu avô se virou para a esposa e disse: “É minha mãe! É minha mãe!”.



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- Continuação -
Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 24 de Fevereiro de 2012, 03:07
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Fotos de José Herculano Pires (1914-1979)



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Um menino poeta

Não há dúvida de que o nosso biografado trouxera de outras vidas um vastíssimo lastro cultural que permeou toda a sua história como jornalista, escritor, conferencista e lúcido filósofo, entre outras qualidades.

Em 1920, José Pires Correa, à caça de melhorias para a sua família, transferiu sua residência para a cidade de Itaí. Herculano estava, então, com seis anos de idade. Pois bem, aos nove anos, ele, que de fato era um reencarnante prodigioso, revelou-se poeta (pasme, caro leitor). Ele escreveu um soneto decassílabo que, ao contrário do que os leigos pensam, é a forma poética mais difícil de ser dominada, demonstrando, assim, conhecer as leis rígidas da Arte Poética. O tema escolhido pelo menino Herculano foi “O Largo São João de Avaré”, um tema adulto e árido.

Herculano permaneceu em Itaí até os dez anos de idade e teve a oportunidade de participar ali do Escotismo, onde aperfeiçoou sua disciplina.

Seu pai, quatro anos depois, buscando mais uma vez melhoria financeira, fixou residência na cidade de Cerqueira César, mas foi por pouco tempo, voltando, então, para Avaré, onde matriculou Herculano na Escola de Comércio, curso que ele, infelizmente, não pôde concluir. A vida profissional do Sr. José Pires Correa não fora fácil e logo tiveram que voltar a residir em Cerqueira César. Desta vez, as coisas para a família Pires melhoraram. Herculano agora estava com doze anos de idade e continuava elaborando seus poemas. O seu genitor foi nomeado coletor estadual e tudo para eles se tornou mais ameno. Algum tempo depois, o Sr. José Pires e seu irmão Ananias montaram uma pequena gráfica na Rua do Comércio a que deram o nome de “Casa Ipiranga”. Vemos aí o dedo da Espiritualidade que, pouco a pouco, preparava a trajetória brilhante de Herculano Pires.

Não demorou muito, o Sr. José Pires lançava um jornal chamado “Porvir”, de cunho político, um tablóide com circulação aos domingos. Ao “Porvir” se deve a primazia de ser o primeiro jornal de Cerqueira César. Ele nasceu com uma clara vocação: defender os “Cartolas” do Partido Republicano Paulista (PRP) contra os ataques do Partido Democrático. Washington Luís era o então Presidente da República e Júlio Prestes era o Governador do Estado de São Paulo.

Herculano Pires estava com apenas 12 anos e já trabalhava como aprendiz de tipógrafo na Tipografia Central (Se fosse hoje, isso seria logo bombardeado por certos defensores dos menores: “Onde já se viu uma coisa dessa! Um menino de 12 anos trabalhando!...”.) Esquecem-se, hoje, talvez por miopia, que o trabalho é salutar e educativo.

Ele sentiu que poderia, agora, trabalhar com o pai, pois família unida trabalha unida, e demitiu-se do emprego indo para a “Casa Ipiranga”, onde foi admitido como tipógrafo auxiliar. A composição do primeiro número do “Porvir” saiu de suas mãos e das mãos de seu tio Ananias, que exercia a função de Chefe da Oficina.

Alguns meses depois, o menino Herculano alcançou os seus treze anos de idade e já se encontrava no caminho que iria trilhar pelo resto da vida: o jornalismo.




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Referências:

“José Herculano Pires, O Missionário da Terceira Revelação”, trecho da matéria do Correio Fraterno do ABC. Julho de 2002. Por Cirso Santiago
Fonte: ADE-RJ

*Imagens antigas do Largo de São João em Avaré (Cidade natal de Herculano Pires) do site Crystal Imóveis

Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 24 de Fevereiro de 2012, 03:09
Toque de Recolher ou Toque de Acolher


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"A responsabilidade é uma flor delicada que só nasce no solo da liberdade"
Herculano Pires


(http://3.bp.blogspot.com/-P_2MkmbdOXA/TlbjZQ9FrCI/AAAAAAAAH3M/iPQJmQAepr8/s220/02.png)


Não é de hoje que se fala em “toque de recolher”. O também denominado “recolhimento obrigatório” nada mais é do que a proibição, decretada por uma autoridade competente, de que as pessoas permaneçam nas ruas após determinada hora, individual ou coletivamente, de sorte que aquele que desobedecer aos mandamentos impostos pode ser detido e penalizado (pt.wikipedia.org/wiki). Costuma-se dizer que o toque é uma medida de segurança pública e garantia da ordem civil, podendo ser usado, também, como método de repressão política. O nome deriva essencialmente da prática européia, na qual, durante as guerras, o toque de uma sirene sinalizava a necessidade de recolhimento dos cidadãos.


Exemplo clássico de seu uso deu-se na Alemanha nazista, entre 1933 e 1945, em que se limitava à liberdade dos judeus, entretanto, existem vários outros exemplos.


No Brasil, atualmente, cidades como Fernandópolis, Mirassol, Itapura e, mais recentemente, Ilha Solteira aderiram à idéia. Estabeleceu-se, de um modo geral, que:

a) os menores de 13 anos desacompanhados dos pais só poderão ficar nas ruas até as 20h30m;
b) os menores entre 13 e 15 anos podem permanecer nas ruas até as 22h00m; e
c) os menores entre 15 e 17 anos estão autorizados a permanecer fora de seus lares até as 23h00m.

Sem discutir o aspecto processual, a pergunta que se faz é a seguinte: É possível restringir direitos constitucionalmente assegurados às crianças e dos adolescentes, tendo como fundamento uma genérica e imprecisa política de “segurança pública”, visando diminuir a prática de atos infracionais?


Recentemente, uma matéria jornalística a respeito do assunto afirmava que “toque de recolher reduziu a violência em Fernandópolis/SP”. Contudo, não seria mais adequado estabelecer o toque de acolher em relação a estas crianças e aos adolescentes como forma de combater a criminalidade infanto-juvenil?


Tal população encontra-se em pleno desenvolvimento e a adoção do recolhimento obrigatório, afora o nítido cerceamento do direito de liberdade, fere os princípios da dignidade, do respeito, e do desenvolvimento da pessoa humana. Embora tais direitos não sejam absolutos, podendo ser limitados justamente em vista da proteção integral das crianças e adolescentes, certo é que o caso não é de limitação válida.


O que se deve ter em mente é que o recolhimento obrigatório não pode ser arbitrariamente instituído com base simplesmente num suposto “interesse público”. Tentar suprir a ineficiência estatal no combate à delinqüência com a restrição de direitos das crianças e adolescentes é, de fato, uma forma infundada.


Ademais, estará se punindo ou colocando sob suspeita toda uma camada de jovens (posto que todos são colocados num mesmo plano), sendo que apenas uma minoria pratica atos infracionais e necessita de uma atenção especial. Por outro lado, diversos problemas geradores de conflitos e violência decorrem de atos praticados no interior da casa (e não nas ruas) pelos próprios pais que não exercem a devida educação em relação aos filhos. Neste caso, indaga-se: por que não instituir o toque de recolher em relação aos pais que ficam nos bares ao invés de dar atenção à educação dos filhos? Por que não instituir um toque de recolher contra estabelecimentos comerciais que pouco contribuem para uma cultura de paz?


O certo é que não se pode haver a pretensão de se instituir, por meio do direito punitivo, uma sociedade sem crime ou violência, posto que se instalaria o mais tenebroso totalitarismo, uma sociedade policialesca de submissão total.


Deve-se, ao contrário, instituir políticas públicas em prol da melhoria de qualidade de vida e da busca pela paz direcionada aos infratores ou crianças e adolescentes em situação de risco social e pessoal, e não de forma genérica. O direito punitivo emergencial, embora muitas vezes sedutor, não é o meio mais adequado para a pacificação social.


Conforme lembra Andréa Rodrigues Amin, cabe ao Estado executar as políticas públicas de forma eficaz, “(...) não se limitando a recolher o público infanto-juvenil da rua, mas também apoiá-lo, curá-lo, identificar as causas que motivaram o enfrentamento dos perigos das ruas, não esquecendo de cuidar da família, sem a qual todo o trabalho realizado se mostrará inócuo”.


Em suma, se é certo que ao Poder Público incumbe garantir a primazia dos direitos fundamentais infanto-juvenis, não há como aplaudir a implantação do chamado “toque de recolher”. Aliás, é fato que em tais cidades não ocorre o atendimento integral da população na educação infantil. Nenhuma das citadas cidades atenderam ao Plano Nacional da Educação que determinava como meta para o ano de 2006 atender 30% da população de crianças nas unidades de creche e estão longe de atingir a meta prevista para 2011 que é atender 50% das crianças. Se se pretende combater a criminalidade e a violência, não seria mais adequado investir na educação cumprindo o que estabelece o Plano Nacional de Educação?


Pelo que se expôs, percebe-se que o recolhimento obrigatório não é a medida mais adequada para se combater à delinqüência juvenil, haja vista que restringe direitos constitucionais das crianças e dos adolescentes e não ataca o foco principal que gera tal insegurança.



(http://3.bp.blogspot.com/-P_2MkmbdOXA/TlbjZQ9FrCI/AAAAAAAAH3M/iPQJmQAepr8/s220/02.png)


Luiz Antonio Miguel Ferreira: Promotor de Justiça da Infância e da Juventude do Ministério Público do Estado de São Paulo. Mestre em educação pela UNESP.

Sérgio Fedato Batalha: Estagiário do Ministério Público do Estado de São Paulo. Aluno do 4º ano de direito da Faculdades Integradas Antonio Eufrásio de Toledo.

Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 24 de Fevereiro de 2012, 03:10
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Resignação Espírita



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Uma das acusações que se fazem ao Espiritismo é a de levar o homem ao conformismo. "Os espíritas se conformam com tudo, — escrevem-nos — e dessa maneira acabarão impedindo o progresso, criando entre nós um clima de marasmo, favorável às tiranias políticas do Oriente. A idéia da reencarnação é o caldo de cultura do despotismo, pois as massas crentes se entregam a qualquer jugo."

Muitos confundem a resignação espírita com o conformismo religioso. Mas, contraditoriamente, acusam o Espiritismo e não acusam as religiões. Por outro lado, tiram conclusões teóricas de fatos que podem ser observados na prática. A idéia da reencarnação não é nova, não nasceu com o Espiritismo, e não precisamos teorizar a respeito, pois temos toda a história da humanidade ante os olhos, para nos mostrar praticamente os seus efeitos.

Vamos, entretanto, por ordem. E tratemos, primeiro, da resignação e do conformismo. A resignação espírita decorre, não de uma sujeição místico-religiosa a forças incontroláveis, mas de uma compreensão do problema da vida. Quando o espírita se resigna, não está se submetendo pelo medo, mas apenas aceitando uma realidade à qual terá de sujeitar, exatamente para superá-la, para vencê-la. Não é, pois, o conformismo que se manifesta nessa resignação, mas a inteligente compreensão de que a vida é um processo em desenvolvimento, dentro do qual o homem tem de se equilibrar.

Acaso não é assim que fazemos todos, espíritas e não-espíritas, em nossa vida diária? O leitor inconformado não é também obrigado, diariamente, a aceitar uma porção de coisas a que gostaria de furtar-se? Mas a diferença entre resignação ou aceitação, de um lado, e conformismo, de outro, é que a primeira atitude é ativa e consciente, enquanto a segunda é passiva e inconsciente. O Espiritismo nos ensina a aceitar a realidade para vencê-la.

"Se a doença o acossa, — dizem — o espírita entende que está sendo vítima do fatalismo cármico, do destino irrevogável. Se a morte lhe rouba um ente querido, ele acha que não deve chorar, mas agradecer a Deus. Se o patrão o pune, ele se submete; se o amigo o trai, ele perdoa; se o inimigo lhe bate na face esquerda, ele lhe oferece a direita. O Espiritismo é a doutrina da despersonalização humana."

Mas acontece que essa despersonalização não é ensinada pelo Espiritismo, e sim pelo Cristianismo. Quando o Espiritismo ensina a conformação diante da doença e da morte, o perdão das ofensas e das traições, nada mais está fazendo do que repetir as lições evangélicas. Ora, como o leitor acusa o Espiritismo em nome do Cristianismo, é evidente que está em contradição. Além disso, convém esclarecer que não se trata de despersonalização, mas de sublimação da personalidade. O que o Cristianismo e o Espiritismo querem é que o homem egoísta, brutal, carnal, agressivo, animalesco, seja substituído pelo homem espiritual. A "personalidade" animal deve dar lugar à verdadeira personalidade humana.

Quanto ao caso das doenças, seria oportuno lembrar ao leitor as curas espíritas. Não chega isso para mostrar que não há fatalismo cármico? O que há é a compreensão de que a doença tem o seu papel na vida humana. Mas cabe ao homem, nesse terreno, como em todos os demais, lutar para vencê-la. O Espiritismo, longe de ser uma doutrina conformista, é uma doutrina de luta. O espírita luta incessantemente, dia e noite, para superar o mundo e superar-se a si mesmo. Conhecendo, porém, o processo da vida e as suas exigências, não se atira cegamente à luta, mas procurando realizá-la com inteligência, num constante equilíbrio entre as suas forças e o poder dos obstáculos.





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- José Herculano Pires -
Livro: "O Homem Novo".
Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 24 de Fevereiro de 2012, 03:13
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O  Mestre  Herculano


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Lembranças da adolescência

Escrever sobre o mestre Herculano é para mim um dever e um deleite, pois o despertar de minhas pro­postas existenciais nesta vida se deu sob a sua influên­cia. Eu o admirava com fervor durante minha infância e adolescência, a ponto de ficar horas prestando aten­ção nas conversas que mantinha com a multidão de pessoas que frequentava sua casa, bebericando o café de D. Virgínia. Esta, sempre muito preocupada, queria me arranjar outras crianças para brincar, queria me dar alguma tarefa mais de acordo com minha idade… mas eu teimava em ficar na sala, embora fosse grande amiga da neta Regina, com quem costumava me en­treter.

Desde os 11, comecei a receber poemas psicogra­fados. Herculano os escutava, me estimulava e orien­tava. Aos 13 anos, já estava decidida a me tornar es­critora como ele. E ele me indicava livros, discutia po­etas de que gostávamos. Lembro-me de ele dizer o quanto apreciava Cecília Meirelles. Falávamos dos escritores russos – outra paixão – sobretudo Tolstoi, de quem ele tinha um retrato no escritório. Para fazer par, eu mandei enquadrar um de Dostoievski, que lhe dei de presente de aniversário. Atento à minha sede de aprender, o mestre me fazia dedicatórias esperançosas nos livros que me dava. Aos 14 anos, fez-me um fan­tástico poema, A Hora de Dora. Uma resposta a uma incipiente poesia que eu fizera em sua homenagem, cheia daquele ardente amor filial. Nele, Herculano procurava me trazer para a realidade presente, pois eu era muito fixada em recordações espontâneas de vidas passadas:



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Dora cisma à luz da aurora
Musas cantam céu em fora.
Dora, Dora, por que chora?
Na distância a lua agora
Fria e trêmula descora,
Baço espelho a Dora enflora
Tempo antigo a Dora adora,
Dora sonha, rememora…
Ora às musas Dora ora
Morre a lua em cada aurora,
Toda aurora é cor de amora.
Canta agora, Dora, Dora,
Da poesia a voz sonora
Canta e exalta a nova Dora
Céu em fora terra em flora
Na pletora de outra hora.
 
Dora é Dora em cada hora,
Integrada tempo em fora
Na hora de Dora – ora!


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Aos 15, inaugurei minha mediunidade de psicofo­nia, numa reunião mediúnica dirigida por ele. Como eu era novata, fez questão ele próprio de conversar com os três Espíritos que recebi logo na primeira vez. De­pois do terceiro, mandou que eu saísse da mesa, por­que já bastava para começo. Não me esqueço da do­çura firme com que falava com os Espíritos mais difí­ceis, nem da vibração de amor, com que suas palavras vinham carregadas.

A participação nas reuniões mediúnicas, dirigidas por Herculano, durou muito pouco. Logo em seguida, fui morar na Alemanha, com minha família, pela se­gunda vez. Então, em janeiro de 1979, meu irmão mais novo, Luis, ficou com hepatite em pleno inverno euro­peu. Apavorados com a possibilidade de os médicos alemães, como era de praxe, isolarem o menino num hospital de doenças infecto-contagiosas, viemos às pressas para o Brasil, para que ele fosse tratado em casa. Foi a oportunidade de nos despedirmos de Her­culano.

No início de março, no dia 4, fomos lhe fazer uma visita, meus pais, meu irmão, já curado, que Herculano chamava de Luigino, e eu. Ele estava com muita difi­culdade de enxergar, com uma catarata avançada. Nas dedicatórias que nos fez, os emes tinham muitas per­nas. A serenidade de sempre, o acolhimento de cos­tume mataram nossas saudades.

Na noite do dia 9 de março, meus pais haviam saído e eu fiquei sozinha, em meu quarto, na casa da minha avó. Senti uma inexplicável vontade de chorar. Não sabia por que a sensação de melancolia. Entendi no dia seguinte, quando de manhã, recebemos o telefo­nema com a notícia de que Herculano se fora na vés­pera.

A imagem que guardo dele, de seu rosto, de seus gestos, de seu olhar é a da figura paterna, benevolente, bem humorada. Ao mesmo tempo, lembro de sua ines­gotável erudição, de sua paciência em ensinar, de sua despretensão ao abordar os temas mais difíceis e trans­cendentes.

Tinha eu 16 anos, quando acabou essa relação na terra, mas iniciou-se a leitura aprofundada e a crescente identifi­cação com seu pensamento. Ao mesmo tempo, em Es­pírito, sua inspiração nunca me falta, seu olhar nunca se afasta.

Das mãos de Herculano, recebi a compreensão da genialidade de Kardec e a veneração pelo mestre; re­cebi também o ideal da Pedagogia Espírita. Seguindo seus passos, fui estudar jornalismo e adotei a filosofia como objeto permanente de estudo. Obedeço ao seu conselho, em uma dedicatória que me fez, tentando “viver a poesia em ritmo existencial” e procuro dar minha contribuição para “aclarar os nevoeiros do mundo”. E ainda me integrando “no tempo de Dora”, ajustada ao tempo de agora, para melhor atuar no presente.

Esse testemunho pessoal parece-me  re­levante para o entendimento do pensador. É que existe uma coerência vital entre o homem e a obra. Não havia contradição entre o que escrevia, o que falava, o que fazia e a vibração que irradiava. Herculano era um homem reto, bom, generoso, sobretudo sincero. Nele não havia dissimulações, meias palavras, mas pesso­almente não havia também agressividade. A exaltação que revelava às vezes nos escritos era indignação justa, era ardor na batalha das ideias. Não era ódio, violência ou qualquer sentimento antagônico que fosse – porque não havia nada disso em Herculano. Era essencial­mente sereno. Mas como ele mesmo explicou em sua obra O Ser e a Serenidade, a serenidade existencial não exclui a defesa viril de uma ideia ou a luta enga­jada por uma causa.

Lembro-me certa vez de uma conversa em família. D. Virgínia, como defensora natural do marido, refe­ria-se a certa liderança do movimento espírita de São Paulo que (como outras tantas) havia traído a confi­ança de Herculano e que, de amigo, passara a adversá­rio… Herculano, então, com palavras mansas, relatou um encontro que tivera com essa pessoa na rua e como lhe estendera a mão, como se compadecera de seu es­tado físico aparentemente doentio. Mas não dizia isso com nenhum laivo de pretensão à santidade, nenhum exibicionismo de parecer superior. Era fraternidade autêntica, era benevolência pura.

Era evidente que lutava por ideias, apaixonada­mente, mas não se deixava atingir por nenhum ressen­timento ou revolta contra as pessoas que pensavam diferentemente dele.

Jamais vi Herculano alterar a voz. Mas nunca senti algo de excessivamente açucarado, que pudesse ensejar qualquer desconfiança quanto à sinceridade absoluta do que dizia. Se tivesse que caracterizá-lo com poucas palavras, escolheria estas três: coerência, serenidade e benevolência.



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Continuação
Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 24 de Fevereiro de 2012, 03:14
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O reencontro na maturidade

Apenas mais tarde, porém, pude compreender a pujança intelectual de Herculano Pires. Quando me aprofundei em suas obras e nas de Kardec é que pude aquilatar a contribuição única que Herculano dera ao desenvolvimento do espiritismo.

A primeira dessas contribuições está na própria compreensão da ideia espírita. Tratando-se de uma re­volução conceitual, uma quebra de paradigma, um passo inédito na história do conhecimento – a sua di­mensão e o impacto renovador de suas propostas ainda não foram entendidos pelos seus adeptos mesmos, que o tocam apenas superficialmente, carregados dos vícios religiosos do passado, incapazes de singrarem nos ma­res abertos, descortinados por Kardec.

A maioria dos espíritas no Brasil aceita o espiri­tismo como mais uma religião apenas, embora mante­nham o discurso do tríplice aspecto. Herculano soube sondar as profundidades da obra de Kardec, enten­dendo-a como uma revolução cultural, como uma pro­posta pedagógica, como ciência nova, como filosofia inédita, sem negar seu aspecto religioso.

Muitos espíritas – ouvia eu desde pequena mur­múrios neste sentido – o consideravam fanático por Kardec, mas Herculano não tinha nenhum laivo de fa­natismo, era aliás uma pessoa avessa às idolatrias. O caso é que ele entendeu como ninguém o papel de Kardec no espiritismo. Ainda hoje, a maioria dos espí­ritas tem a ideia equivocada de que Kardec teria apenas organizado (por isso a ênfase na palavra codificador) uma revelação pronta, dada pelos Espíritos. Entretanto, apesar de ter havido sim uma revelação, a estruturação da filosofia espírita e a criação de uma metodologia de abordagem científica foram do homem Kardec. Her­culano colocou em relevo esta contribuição de mestre.

Fez isso, não de maneira histórica, inserindo-o no seu contexto, mas na contemporaneidade, com que tra­vou permanente diálogo. Como jornalista-filósofo, Herculano esteve sempre ligado à realidade, ao turbi­lhão de ideias do seu tempo e procurou mostrar a co­nexão do pensamento espírita com o processo evolu­tivo da filosofia, das pesquisas e da história humana. Temos assim não um mero divulgador de ideias espí­ritas do século XIX, mas um pensador que pensou es­piritamente o século XX.

Essa é a função de todo conhecimento vivo. O es­piritismo não pode se tornar letra morta, bíblica, que adotamos de forma postiça, como um credo fechado. É uma nova maneira de ver, pensar e sentir o mundo e assim pode iluminar o progresso do pensamento hu­mano, interagindo com as ciências, as filosofias, as correntes pedagógicas.

Isso, porém, não é ecletismo. Certa vez, muitos anos atrás, ainda no início da minha jornada intelec­tual, travei conhecimento em Portugal com uma pessoa formada em Filosofia e ela me dizia indignada que Herculano era eclético. Como se sabe, tal adjetivo é altamente pejorativo no meio acadêmico, porque signi­fica colocar diferentes elementos, díspares, numa pro­posta de pensamento ­– o que revelaria superficiali­dade e falta de conhecimento aprofundado das nuanças das diversas correntes. Uma salada mista, em suma. Essa crítica na época me irritou sobremaneira, mas foi ex­celente desafio, porque mergulhei com mais afinco do pensamento de Herculano, para desmentir a acusa­ção. Nunca mais encontrei essa pessoa, mas depois de mais de 20 anos de estudo das obras de Herculano e tendo percorrido os bancos acadêmicos da graduação ao pós-doutorado, posso afirmar com toda certeza que não há o mínimo ecletismo em Herculano.

O filósofo de Avaré nunca perde a identidade do pensamento espírita, mas compreende que faz parte dessa identidade o enxergar os elos com outras formas de pensamento e entender a história das ideias huma­nas como uma construção coletiva de conhecimento e descoberta da verdade. Assim, dialogar e integrar evita o dogmatismo e a estagnação, mas o eixo da racionali­dade metodológica, proposta por Kardec, é o que dá sentido e nos faz ver as possíveis conexões.

Podemos portanto dizer que o pensamento de Herculano Pires é amplo e aberto e por isso mesmo fiel aos princípios lançados por Kardec.

Foi essa leitura estimulante que me levou ao tra­balho que tenho procurado realizar de encarar o espiri­tismo como proposta cultural abrangente, estabele­cendo um diálogo com o conhecimento acadêmico, para que ele não se feche nos guetos dos centros espí­ritas, apenas como forma de manifestação religiosa, e ainda muito carregada de misticismo.



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por Dora Incontri
Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 24 de Fevereiro de 2012, 03:15
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O Que é Espiritismo?

*Por José Herculano Pires


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Fala-se muito em Espiritismo, mas quase nada se sabe a seu respeito.


Kardec afirma, na introdução de "O Livro dos Espíritos", que a força do Espiritismo não está nos fenômenos, como geralmente se pensa, mas na sua "filosofia", o que vale dizer na sua mundividência, na sua concepção da realidade. Mas de onde vem essa concepção? Como foi elaborada?


Os adversários do Espiritismo desconhecem tudo a respeito e fazem tremenda confusão. Os próprios Espíritas, por sua vez, na sua esmagadora maioria estão na mesma situação. Por quê? É fácil explicar. Os adversários partem do preconceito e agem por precipitação. Os espíritas, em geral, fazem o mesmo: formulam uma idéia pessoal da Doutrina, um estereótipo mental a que se apegaram. A maioria, dos dois lados, se esquece desta coisa importante: o Espiritismo é uma doutrina que existe nos livros e precisa ser estudada.


Trata-se, pois, não de fazer sessões, provocar fenômenos, procurar médiuns, mas de debruçar o pensamento sobre si mesmo, examinar a concepção espírita do mundo e reajustar a ela a conduta através da moral espírita.


Assim, temos alguns dados: o Espiritismo é uma doutrina sobre o mundo, dá-nos a sua interpretação e nos mostra como nos devemos conduzir nele. Mas como nasceu essa doutrina, em que cabeça apareceu pela primeira vez? Dizem que foi na de Allan Kardec, mas não é verdade. O próprio Kardec nos diz o contrário. Os dados históricos nos revelam o seguinte: o Espiritismo se formou lentamente através da observação e da pesquisa científica dos fenômenos espíritas, hoje, parapsicologicamente, chamados de fenômenos paranormais. Os estudos científicos começaram seis anos antes de Kardec, nos Estados Unidos, com o famoso caso das irmãs Fox em Hydesville. Quando Kardec iniciou as suas pesquisas na França, em 1845, já havia uma grande bibliografia espírita, com a denominação de neo-espiritualista, nos Estados Unidos e na Europa. Mas foi Kardec quem aprofundou e ordenou essas pesquisas, levando-as às necessárias conseqüências filosóficas, morais e religiosas.


"O Livro dos Espíritos" nos oferece a súmula do trabalho gigantesco de Kardec. Mas se quisermos conhecer esse trabalho em profundidade temos de ler toda a bibliografia kardeciana: os cinco volumes da codificação doutrinária, os volumes subsidiários e mais os doze volumes da Revista Espírita, que nos oferecem o registro minucioso das pesquisas realizadas na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas. E precisamos nos interessar também pelos trabalhos posteriores de Camille Flammarion, de Gabriel Dellane, de Ernesto Bozzano, de Léon Denis (que foi o continuador e o consolidador do trabalho de Kardec).


Veremos, assim, que Kardec partiu da pesquisa científica, originando-se desta a Ciência Espírita; desenvolveu, a seguir, a interpretação dos resultados da pesquisa, que resultou na Filosofia Espírita, tirou, depois, as conclusões morais da concepção filosófica, que levaram naturalmente à Religião Espírita. É por isso que o Espiritismo se apresenta como doutrina de tríplice aspecto. A Ciência Espírita é o fundamento da Doutrina. Sobre ela se ergue a Filosofia Espírita. E desta resulta naturalmente a Religião Espírita. Muitas pessoas se atrapalham com isso e perguntam: "Como uma doutrina pode ser ao mesmo tempo Ciência, Filosofia e Religião?" Mas essa pergunta revela a ignorância do processo gnosiológico. Porque, na verdade, o conhecimento se desenvolve nessa mesma seqüência e em todas as formas atuais de conhecimento repete-se o processo filogenético.


No Espiritismo, porém, esse processo aparece bem preciso, bem marcado por suas fases sucessivas, entrosadas numa seqüência lógica. Podem alguns críticos alegar que Kardec não partiu da pesquisa, mas da crença. Alguns chegam a afirmar que foi assim, que ele já acreditava nas comunicações espíritas antes de iniciar o seu trabalho de investigação. Mas essa afirmação é falsa, a suposição é gratuita. Basta uma consulta às anotações intimas de "Obras Póstumas" e às biografias do mestre para se ver o contrário. Quando lhe falaram pela primeira vez em mesinhas falantes, Kardec respondeu como o fazem os céticos de hoje: "Isso é conversa para fazer dormir em pé". Só deixou essa atitude cética depois de constatar a realidade dos fenômenos. Então pesquisou, aprofundou a questão e levou-a as últimas conseqüências, como era, aliás, de seu habito, do seu feitio de investigador. Charles Richet lhe faz justiça (embora discordando dele) em seu Tratado de Metapsíquica.


Encarando a obra de Kardec pelo seu aspecto científico, sem os preconceitos que têm impedido a sua justa avaliação, ela nos parece inatacável. Alega-se que o seu método de pesquisa não era científico, mas foi ele o primeiro a explicar que não se podiam usar na pesquisa psíquica os métodos das ciências físicas. O desenvolvimento da Psicologia provaria, mais tarde, que Kardec estava com a Razão. Hoje, as pesquisas parapsicológicas o confirmam. No tocante ao aspecto filosófico, o desenvolvimento atual das investigações mostra a posição acertada do Espiritismo como doutrina assistemática, "livre dos prejuízos de espírito de sistema", como declara "O Livro dos Espíritos", utilizando a conjugação dos métodos indutivo e dedutivo para o esclarecimento da realidade em seu duplo sentido: o objetivo e o subjetivo. A Filosofia Espírita se apresenta como antecipação das conquistas atuais do campo filosófico e abertura de perspectivas para o futuro.



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Filosofia Espírita – Feesp
Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 24 de Fevereiro de 2012, 03:17
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A Contribuição de José Herculano Pires
*Por: Dora Incontri


(http://lh5.ggpht.com/_EUk_hsxZ1Vw/SHE7_Hy7_JI/AAAAAAAABp0/SSzRp9nVxIA/media13vf6.gif)


Ainda poucos no movimento espírita conseguem aquilatar a contribuição única que Herculano dera ao desenvolvimento do espiritismo.


A primeira dessas contribuições está na própria compreensão da idéia espírita. Tratando-se de uma revolução conceitual, uma quebra de paradigma, um passo inédito na história do conhecimento – a sua dimensão e o impacto renovador de suas propostas ainda não foram entendidos pelos seus adeptos mesmos, que o tocam apenas superficialmente, carregados dos vícios religiosos do passado, incapazes de singrarem nos mares abertos, descortinados por Kardec.


A maioria dos espíritas no Brasil aceita o espiritismo como mais uma religião apenas, embora mantenham o discurso do tríplice aspecto. Herculano soube sondar as profundidades da obra de Kardec, entendendo-a como uma revolução cultural, como uma proposta pedagógica, como ciência nova, como filosofia inédita, sem negar seu aspecto religioso.


Muitos espíritas o consideravam fanático por Kardec, mas Herculano não tinha nenhum laivo de fanatismo, era aliás uma pessoa avessa às idolatrias. O caso é que ele entendeu como ninguém o papel de Kardec no espiritismo. Ainda hoje, a maioria dos espíritas tem a idéia equivocada de que Kardec teria apenas organizado (por isso a ênfase na palavra codificador) uma revelação pronta, dada pelos Espíritos. Entretanto, apesar de ter havido sim uma revelação, a estruturação da filosofia espírita e a criação de uma metodologia de abordagem científica foram do homem Kardec. Herculano colocou em relevo esta contribuição de mestre.


Fez isso, porém, não de maneira histórica, inserindo-o no seu contexto, mas na contemporaneidade, com que travou permanente diálogo. Como jornalista-filósofo, Herculano esteve sempre ligado à realidade, ao turbilhão de idéias do seu tempo e procurou mostrar a conexão do pensamento espírita com o processo evolutivo das idéias, das pesquisas e da história humana. Temos assim não um mero divulgador de idéias espíritas do século XIX, mas um pensador que pensou espiritamente o século XX.


Essa é a função de todo conhecimento vivo. O espiritismo não pode se tornar letra morta, bíblica, que adotamos de forma postiça, como um credo fechado. É uma nova maneira de ver, pensar e sentir o mundo e assim pode iluminar o progresso do pensamento humano, interagindo com as ciências, as filosofias, as correntes pedagógicas.


Isso, porém, não é ecletismo. Certa vez, muitos anos atrás, ainda no início da minha jornada intelectual, travei conhecimento em Portugal com uma pessoa formada em Filosofia e ela me dizia indignada que Herculano era eclético. Como se sabe, tal adjetivo é altamente pejorativo no meio acadêmico, porque significa colocar diferentes elementos, díspares, numa proposta de pensamento ¬– o que revelaria superficialidade e falta de conhecimento aprofundado das nuanças das diversas correntes. Uma salada mista, em suma. Essa crítica na época me irritou sobremaneira, mas foi excelente desafio, porque mergulhei com mais afinco do pensamento de Herculano, para desmentir a acusação. Nunca mais encontrei essa pessoa, mas depois de mais de 20 anos de estudo das obras de Herculano e tendo percorrido os bancos acadêmicos da graduação ao pós-doutorado, posso afirmar com toda certeza que não há o mínimo ecletismo em Herculano.


O filósofo de Avaré nunca perde a identidade do pensamento espírita, mas compreende que faz parte dessa identidade o enxergar os elos com outras formas de pensamento e entender a história das idéias humanas como uma construção coletiva de conhecimento e descoberta da verdade. Assim, dialogar e integrar evita o dogmatismo e a estagnação, mas o eixo da racionalidade metodológica, proposta por Kardec, é o que dá sentido e nos faz ver as possíveis conexões.


Podemos portanto dizer que o pensamento de Herculano Pires é amplo e aberto e por isso mesmo fiel aos princípios lançados por Kardec.



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Dora Incontri (São Paulo, 1962) é uma jornalista, escritora brasileira. É doutora em educação pela Universidade de São Paulo. É um importante nome da Pedagogia espírita. Por todo Brasil, participa de seminários proferindo palestras embasadas neste tema. (Wikipédia)
Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 24 de Fevereiro de 2012, 03:19
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Sucesso e Nós


Você é o seu próprio pensamento em ação.

Todos somos filhos de Deus e em qualquer lugar estamos todos na presença Divina.

A Suprema Lei da Vida é o bem de todos, concentre-se tão somente no bem e a sua imaginação funcionará por lente vigorosa ampliando a visão dos bens que lhe enriquecem a vida.

A palavra é força criadora, coloque bondade e compreensão no verbo que lhe expõe o modo de ser e a sua palavra realizará maravilhas.

Aceite a Lei do Progresso, observe a árvore que você planta e verificará o imperativo da evolução.

Você pode e deve conservar-se fiel ao seu amor e ao seu ideal, mas não conseguirá ser feliz sem renovar-se.

Aprendamos com a fonte que prossegue sem alteração na estrutura essencial da corrente, entretanto avança em movimento constante para os seus próprios objetivos.

A tarefa em suas mãos é semelhante à determinada empresa com os clientes que se lhe agregam aos interesses; o seu êxito terá sempre o tamanho do serviço que você preste.

Apague de sua mente e de sua conversação toda idéia ou palavra que estabeleça imagens condenatórias ou deprimentes.

A nossa existência é comparável a escada e todos somos capazes de utilizar os degraus que nos levem acima.

Nunca despreze os outros nem despreze a você mesmo, ninguém existe sem utilidade ou sem importância na obra Divina da Criação.

Auxilie para o bem quanto e como possa resguardando a consciência tranqüila, de tudo que dermos receberemos centuplicadamente.

Faça de Deus o seu mentor, o seu companheiro, o seu amigo e o seu sócio, reconhecendo que é nosso dever colocar-nos em Deus tanto quanto Deus por suas Leis está em nós.

Praticando o bem com o esquecimento do mal, conforme evidenciam as Leis de Deus, entreguemo-nos as obrigações que a Divina Providencia nos confiou nos quadros do dia a dia.

E em matéria de sucesso e segurança, paz e alegria, o nosso próprio trabalho com a benção de Deus fará o resto.



André Luiz
(De "Diálogo dos Vivos", de Francisco Cândido Xavier e J. Herculano Pires - Espíritos Diversos)
Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 24 de Fevereiro de 2012, 04:06
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Obras de José Herculano Pires
(1a. Parte)


(https://lh3.googleusercontent.com/-Xws7rM6nnko/Tw6QEzvlOsI/AAAAAAAAS-k/d_RYGFV6Up8/s400/border-031_thumb.gif)


José Herculano Pires manteve, durante muitos anos, no jornal “Diário de São Paulo”, órgão dos Diários e Emissoras Associados, uma coluna de crônicas espíritas, na qual abordava temas de interesse geral relacionados com a doutrina codificada por Allan Kardec.

Assinava-as com o pseudônimo de Irmão Saulo.

Nesta obra estão reunidas 39 das mais interessantes crônicas do autor, publicadas entre os anos 1969/1970.

Jornalista, filósofo, escritor e professor, Herculano Pires alcançou grande conceito dentro e fora do movimento espírita. Sua produção literária ultrapassa aos oitenta títulos; alguns deles constituem-se verdadeiras obras filosóficas.

Herculano dedicou a maior parte de sua existência em favor da Doutrina Espírita, seja buscando interpretá-la com fidelidade, seja defendendo-a dos ataques dos adversários.



. O Homem Novo

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Coletânea de crônicas que Herculano Pires publicou no extinto jornal Diário de São Paulo, sob o pseudônimo Irmão Saulo. Incisivo defensor da preservação da doutrina contra falsas interpretações.

"Todo o sentimento que eleva o homem acima da natureza animal, anuncia a predominância do Espírito sobre a matéria e o aproxima da perfeição."
Allan Kardec


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. O Infinito e o Finito

(http://4.bp.blogspot.com/_WtLKqFC3tOo/Sq6w4eW2PaI/AAAAAAAABXU/Pn6DjWkeC80/s400/capainfinito_finito_p.jpg)

Neste livro, um dos melhores intérpretes do pensamento kardequiano brinca com as palavras, discute lições religiosas magnânimas e afirma a necessidade de regermos nossa própria conduta e não esperarmos uma ação externa e artificial que nos purifique.

"O homem é um Deus para os animais, como outrora os Espíritos foram deuses para os homens."
Allan Kardec


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. O Mistério do Bem e do Mal

(http://4.bp.blogspot.com/_WtLKqFC3tOo/Sq6xnHE3p2I/AAAAAAAABXc/4zP2X7c0vro/s400/capamisterio_bem_mal_p.jpg)

Este livro é uma reunião de crônicas escritas por J. Herculano Pires e publicadas, em sua maioria, no jornal Diário de São Paulo, do Grupo Assis Chateaubriand.

[size=10pt]"A nossa felicidade será naturalmente proporcional em relação à felicidade que fizermos para os outros."
Allan Kardec


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. Visão Espírita da Bíblia

(http://2.bp.blogspot.com/_WtLKqFC3tOo/Sq6yL0qu2hI/AAAAAAAABXs/ECzP6B5PsW8/s400/capavisao_esprt_p.jpg)

Para os espíritas, assim como para J.Herculano Pires, O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, constitui a seqüência natural da Bíblia. Não há contradição. Um integra-se no outro e a soma de ambos mostra a grandeza dos Céus e o crescimento interior dos homens!

Nesta obra Herculano demonstra a estreita relação entre as escrituras bíblicas e a terceira revelação – a doutrina espírita. Analisando diversas passagens da Bíblia, assim como as interpretações das diversas correntes religiosas, o autor demonstra, principalmente, que a Bíblia é essencialmente uma obra mediúnica.

De grande importância para o estudioso espírita, neste livro Herculano Pires ressalta o valor real da Bíblia – a codificação da primeira revelação do ciclo do Cristianismo – e conduz sua argumentação.


"No intervalo das encarnações, aprendeis em uma hora o que vos exigiria anos sobre a vossa terra."
Allan Kardec

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. Os 3 Caminhos de Hécate

(http://2.bp.blogspot.com/_WtLKqFC3tOo/Sq6x-K9V4GI/AAAAAAAABXk/lzBgZBCuMmE/s400/capa3_caminhos_p.jpg)

É um livro de crônicas de Herculano Pires que foram publicadas nos anos 60, com o pseudônimo Irmão Saulo. Nesta nova edição estão separadas as crônicas por assunto: Ciência, Filosofia ou Religião.

"O sinal mais característico da imperfeição do homem, é o seu interesse pessoal."
Allan Kardec

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(https://lh3.googleusercontent.com/-Xws7rM6nnko/Tw6QEzvlOsI/AAAAAAAAS-k/d_RYGFV6Up8/s400/border-031_thumb.gif)



Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 24 de Fevereiro de 2012, 04:25
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Lema da Vida


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Indagas, muita vez, alma querida, como apagar ofensas,
Conforme ensinas, crês, queres ou pensas no perdão por dever...

Fita o mundo em que moras, todo bem que se faz ou que se imortaliza, conserva por divisa: renovar e esquecer.

A noite cria a escuridão que aflige pelo fardo das sombras exteriores, mas, eis que surge a aurora e canta em cores, saudando o novo dia a renascer...

Nada recorda as trevas dissipadas, o Sol fulge nos lares onde estamos, não longe louvam pássaros nos ramos: renovar e esquecer.

O grande rio abaixa-se de todo para abraçar os córregos da serra e colhe humildemente os detritos da terra, a servir e a correr.

Por mais que se lhe atire pedra e lodo à face, não revida, não chora, não blasfema, segue espalhando amor, sustentando por lema: renovar e esquecer.

No mar, a tempestade grita em fúria...

A nave mais potente, a mais ampla e veloz, recorda simplesmente uma casca de noz em férrea luta por sobreviver...

Depois a paz do Céu derrama-se no abismo, o torvelinho cessa, a estrada é mansa e a maré balbucia a oração da esperança: renovar e esquecer.

Assim também, se amados te esqueceram, se pelos bens, que aguardas e produzes,recebes tão-somente as lágrimas e as cruzes de provas que te fazem padecer,

Desculpa, serve, ampara, ama e auxilia e encontrarás enfim, por mais triste ou cansada, a clara voz de Deus, lembrando-te na estrada:

Renovar e esquecer...



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Maria Dolores
Do livro Chico Xavier Pede Licença,
Francisco Cândido Xavier e José Herculano Pires
Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 17 de Junho de 2012, 02:58
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No Rumo da Paz


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Se você retirar a sombra da tristeza que lhe cobre o olhar, observará que o Sol e o Tempo renasceram, hoje, a fim de que você possa refazer-se e recomeçar.

Não se sabe de ninguém que houvesse conseguido a restauração ou o êxito em clima de desabafo.

Sorrir atraindo dedicações e possibilidades ou mostrar a face agoniada da irritação, suscitando adversários ou problemas, dependerá sempre de você mesmo.

Ódio e medo, inveja ou ciúme, desespero ou ressentimento desajustam a mente, e a mente desequilibrada envenena o corpo.

Procure ver o melhor dos outros e dê aos outros o melhor de você, porque o pessimismo jamais edifica.

Você receberá auxílio e assistência na medida exata das suas prestações de serviço ao próximo, recebendo ainda, por acréscimo, valiosas bonificações da Providência Divina.

Recordemos que situar-nos nas dificuldades dos outros, de modo a senti-las como se fossem nossas, para auxiliar aos outros, sem exigência ou compensação, é a maneira mais justa de garantir a paz.

Lembremo-nos sempre de que a criatura humana, seja qual for a condição em que se encontre, conquanto as imperfeições ou fraquezas que ainda carregue, é um anjo em formação, caindo às vezes para levantar-se e aprender as lições do Bem com mais segurança. E, segundo as leis da evolução, toda a criatura, a fim de burilar-se, é chamada a esforço máximo, no qual a dificuldade e o sofrimento estão incluídos por ingredientes de progresso e sublimação.

Por isso mesmo, em quaisquer ocasiões, seja de alegria ou inquietação, fracasso ou refazimento, se aspiramos a seguir para as vanguardas de elevação e felicidade, amor e luz, só nos resta uma solução: trabalhar.



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André Luiz
Psicografia de Francisco Cândido Xavier
Livro Astronautas do Além,
de Francisco Cândido Xavier e José Herculano Pires.
Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 17 de Junho de 2012, 03:16
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O Espírita e o Mundo Atual




A Terra está passando por um período crítico de crescimento. Nosso pequenino mundo, fechado em concepções mesquinhas e acanhados limites, amadurece para o infinito. Suas fronteiras se abrem em todas as direções. Estamos às vésperas de uma Nova Terra e um Novo Céu, segundo as expressões do Apocalipse. O Espiritismo veio para ajudar a Terra nessa transição.

Procuremos, pois, compreender a nossa responsabilidade de espíritas, em todos os setores da vida contemporânea. Não somos espíritas por acaso, nem porque precisamos do auxílio dos Espíritos para a solução dos nossos problemas terrenos. Somos espíritas porque assumimos na vida espiritual graves responsabilidades para esta hora do mundo. Ajudemo-nos a nós mesmos, ampliando a nossa compreensão do sentido e da natureza do Espiritismo, de sua importante missão na Terra. E ajudemos o Espiritismo a cumpri-la.

O mundo atual está cheio de problemas e conflitos. O crescimento da população, o desenvolvimento econômico, o progresso cientifico, o aprimoramento técnico, e a profunda modificação das concepções da vida e do homem, colocam-nos diante de uma situação de assustadora instabilidade. As velhas religiões sentem-se abaladas até o mais fundo dos seus alicerces. Ameaçam ruir, ao impacto do avanço cientifico e da propagação do ceticismo. Descrentes dos velhos dogmas, os homens se voltam para a febre dos instintos, numa inútil tentativa de regressar à irresponsabilidade animal.

O espírita não escapa a essa explosão do instinto. Mas o Espiritismo não é uma velha religião nem uma concepção superada. É uma doutrina nova, que apareceu precisamente para alicerçar o futuro. Suas bases não são dogmáticas, mas cientificas, experimentais. Sua estrutura não é teológica, mas filosófica, apoiada na lógica mais rigorosa. Sua finalidade religiosa não se define pelas promessas e as ameaças da Teologia, mas pela consciência da liberdade humana e da responsabilidade espiritual de cada indivíduo, sujeita ao controle natural da lei de causa e efeito. O espírita não tem o direito de tremer e apavorar-se, nem de fugir aos seus deveres e entregar-se aos instintos. Seu dever é um só: lutar pela implantação do Reino de Deus na Terra.

Mas como lutar? Este livrinho procurou indicar, aos espíritas, várias maneiras de proceder nas circunstâncias da vida e em face dos múltiplos problemas da hora presente. Não se trata de oferecer um manual, com regras uniformes e rígidas, mas de apresentar o esboço de um roteiro, com base na experiência pessoal dos autores e na inspiração dos Espíritos que os auxiliaram a escrever estas páginas. A luta do espírita é incessante. As suas frentes de batalha começam no seu próprio íntimo e vão até os extremos limites do mundo exterior. Mas o espírita não está só, pois conta com o auxílio constante dos Espíritos do Senhor, que presidem à propagação e ao desenvolvimento do Espiritismo na Terra.

A maioria dos espíritas chegaram ao Espiritismo tangidos pela dor, pelo sofrimento físico ou moral, pela angústia de problemas e situações insolúveis. Mas, uma vez integrados na Doutrina, não podem e não devem continuar com as preocupações pessoais que motivaram a sua transformação conceptual. O Espiritismo lhes abriu a mente para uma compreensão inteiramente nova da realidade. É necessário que todos os espíritas procurem alimentar cada vez mais essa nova compreensão da vida e do mundo, através do estudo e da meditação. É necessário também que aprendam a usar a poderosa arma da prece, tão desmoralizada pelo automatismo habitual a que as religiões formalistas a relegaram.

A prece é a mais poderosa arma de que o espírita dispõe, como ensinou Kardec, como o proclamou Léon Denis e como o acentuou Miguel Vives. A prece verdadeira, brotada do íntimo, como a fonte límpida brota das entranhas da terra, é de um poder não calculado pelo homem. O espírita deve utilizar-se constantemente da prece. Ela lhe acalmará o coração inquieto e aclarará os caminhos do mundo. A própria ciência materialista está hoje provando o poder do pensamento e a sua capacidade de transmissão ao infinito. O pensamento empregado na prece leva ainda a carga emotiva dos mais puros e profundos sentimentos. O espírita já não pode duvidar do poder da prece, pregado pelo Espiritismo. Quando alguns "mestres" ocultistas ou espíritas desavisados chamarem a prece de muleta, o espírita convicto deve lembrar que o Cristo também a usava e também a ensinou. Abençoada muleta é essa, que o próprio Mestre dos Mestres não jogou à margem do caminho, em sua luminosa passagem pela Terra!

O espírita sabe que a morte não existe, que a dor não é uma vingança dos deuses ou um castigo de Deus, mas uma força de equilíbrio e uma lei de educação, como explicou Léon Denis. Sabe que a vida terrena é apenas um período de provas e expiações, em que o espírito imortal se aprimora, com vistas à vida verdadeira, que é a espiritual. Os problemas angustiantes do mundo atual não podem perturbá-lo. Ele está amparado, não numa fortaleza perecível, mas na segurança dinâmica da compreensão, do apercebimento constante da realidade viva que o rodeia e de que ele mesmo é parte integrante. As mudanças incessantes das coisas, que nos revelam a instabilidade do mundo, já não podem assustar o espírita, que conhece a lei de evolução. Como pode ele inquietar-se ou angustiar-se, diante do mundo atual?

O Espiritismo lhe ensina e demonstra que este mundo em que agora nos encontramos, longe de nos ameaçar com morte e destruição, acena-nos com ressurreição e vida nova. O espírita tem de enfrentar o mundo atual com a confiança que o Espiritismo lhe dá, essa confiança racional em Deus e nas suas leis admiráveis, que regem as constelações atômicas no seio da matéria e as constelações astrais no seio do infinito. O espírita não teme, porque conhece o processo da vida, em seus múltiplos aspectos, e sabe que o mal é um fenômeno relativo, que caracteriza os mundos inferiores. Sobre a sua cabeça rodam diariamente os mundos superiores, que o esperam na distância e que os próprios materialistas hoje procuram atingir com os seus foguetes e as suas sondas espaciais. Não são, portanto, mundos utópicos, ilusórios, mas realidades concretas do Universo visível.

Confiante em Deus, inteligência suprema do Universo e causa primária de todas as coisas, - poder supremo e indefinível, a que as religiões dogmáticas deram a aparência errônea da própria criatura humana, - o espírita não tem o que temer, desde que procure seguir os princípios sublimes da sua Doutrina. Deus é amor, escreveu o apóstolo João. Deus é a fonte do Bem e da Beleza, como afirmava Platão. Deus é aquela necessidade lógica a que se referia Descartes, que não podemos tirar do Universo sem que o Universo se desfaça. O espírita sabe que não tem apenas crenças, pois possui conhecimentos. E quem conhece não teme, pois só o desconhecido nos apavora.

O mundo atual é o campo de batalha do espírita. Mas é também a sua oficina, aquela oficina em que ele forja um mundo novo. Dia a dia ele deve bater a bigorna do futuro. A cada dia que passa, um pouco do trabalho estará feito. O espírita é o construtor do seu próprio futuro do mundo. Se o espírita recuar, se temer, se vacilar, pode comprometer a grande obra. Nada lhe deve perturbar o trabalho, na turbulenta, mas promissora oficina do mundo atual.

Em resumo: o espírita é o consciente construtor de uma nova forma de vida humana na Terra e de vida espiritual no Espaço; sua responsabilidade é proporcional ao seu conhecimento da realidade, que a Nova Revelação lhe deu; seu dever de enfrentar as dificuldades atuais, e transformá-las em novas oportunidades de progresso, não pode ser esquecido um momento sequer; espíritas, cumpramos o nosso dever!





Autor: José Herculano Pires, inspirado por: Miguel Vives, do livro “Tesouro dos Espíritas
Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 17 de Junho de 2012, 04:07
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Especial: Entrevista com o filho de Herculano Pires



Antes de sua partida, Herculano deixou vários originais escritos, os quais vêm sendo publicados pela Editora Paidéia, dirigida atualmente pela família. Herculano Ferraz Pires relata como foi a trajetória de vida de Herculano Pires, um dos jornalistas e divulgadores da doutrina espírita mais respeitados do Brasil.


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"A vida ao lado de meu pai foi repleta de momentos marcantes,
difícil destacar um em especial.
Quem teve oportunidade de conviver com ele, sabe que era um espírito
que transmitia calma e confiança no futuro".


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Entrevista:


Como foi Herculano como pai, pessoa e jornalista?

Herculano Pires sempre foi a mesma pessoa em todos os aspectos, quer seja como pai, como cidadão ou como profissional. Sua grande virtude foi a sinceridade, que era cultivada com base nas verdades da doutrina espírita. Sempre foi o meu melhor amigo. Quando o procurava para receber conselhos sobre um problema sério, ele sempre me acalmava e mostrava que todas as dificuldades podem ser superadas, mas lembrando que as responsabilidades assumidas não podem ser negligenciadas. Como profissional, além do reconhecimento do seu valor pelos seus empregadores, foi eleito presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo, em 1957, o que prova como era respeitado pelos colegas de profissão.



Como era sua personalidade?


Tinha um belo senso de humor, a certeza de que o nosso verdadeiro mundo é o espiritual e que estamos apenas de passagem pela Terra para nos aperfeiçoarmos. Sempre nos lembrava que a lei da reencarnação nos mostra o quanto seríamos ignorantes ao criarmos qualquer tipo de preconceito, pois sabemos que a cada instante de nossa existência eterna estamos ocupando uma posição diferente, em uma nova encarnação, na sociedade dos homens.


Quais foram os principais meios de comunicação nos quais trabalhou?

Trabalhou em vários jornais e teve programa no rádio, porém esses programas não eram remunerados, visando apenas à divulgação da doutrina. Quanto à televisão, apenas teve participações como convidado, sendo exceção o caso da novela de Ivani Ribeiro A Viagem, na extinta TV Tupi, quando foi assessor para assuntos doutrinários, a convite da própria autora, por indicação de Chico Xavier.


Como foi a infância de seu pai, segundo seus relatos?

Segundo Jorge Rizzini registrou, no livro José Herculano Pires, O Apóstolo de Kardec, o próprio Herculano escreveu, em um de seus diários, a seguinte frase: "Tive uma infância com problemas de saúde que me acompanhariam por toda a vida. Mas a terra de Avaré e as águas do Rio Novo me fortaleceram."


E a fundação do Centro Espírita Cairbar Schutel?

Desde que me entendo por gente, me lembro das reuniões de estudos e reuniões mediúnicas realizadas em casa, por meu pai. Quando mudamos para a R. Dr. Bacellar, que possuía uma ampla garagem, as reuniões passaram a ter uma freqüência semanal e abertas para o público. Um certo dia, minha filha, que tinha aproximadamente oito anos, chegou na sala de jantar com um envelope que havia encontrado na caixa do correio e entregou ao meu pai. Estávamos reunidos com alguns amigos, e ao abrir o envelope, foi encontrado um volume de dinheiro, com um bilhete que dizia mais ou menos assim:


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"Para vocês organizarem a creche que pretendem, assinado, um amigo".


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A partir desse momento meu pai achou que era necessário ser criado, juridicamente, um Grupo de Estudos Espíritas, e assim surgiu o Grupo Espírita Cairbar Schutel, que hoje tem sede própria na Rua Pinto Ferras, 70 - Vila Mariana, e realiza reuniões de estudos e mediúnicas, abertas ao público, nas quartas e sextas-feiras, às 20h30, e nos sábados, às 14h. Existe um trabalho de assistência a gestantes carentes, que é coordenado pela minha tia Maria de Lourdes.


Ele ajudou algum outro centro espírita a ser fundado?

Em 1936 Herculano Pires foi eleito presidente do primeiro Centro Espírita, que dois amigos seus fundaram, na cidadezinha de Cerqueira Cesar. Além disso, ele realizava palestras em vários centros, por todo o Brasil.


Havia algum lugar ou horário para escrever?


Escrevia em qualquer horário, bastava ter um tempo disponível. Quando se aposentou, passou a escrever mais durante a noite, entrando pela madrugada. Seu escritório de trabalho era seu próprio quarto, onde também se encontrava sua biblioteca.


Deixe-nos uma mensagem:

Herculano Pires, como dizia Chico Xavier, foi quem mais se aprofundou e compreendeu a obra de Kardec. Faz parte dos espíritas que mais se preocuparam com a divulgação da doutrina, sem permitir que novidades, sem nenhum critério científico, fossem consideradas pertencentes a ela. Ele sempre deixou bem claro que, se acreditamos nas verdades espíritas não podemos nos omitir quando encontramos situações que possam provocar distorções na obra de Kardec.

O jornalista e escritor Jorge Rizzini foi amigo, companheiro de profissão e confidente de Herculano Pires durante trinta anos. Jorge também presidiu o Clube dos Jornalistas Espíritas do Estado de São Paulo, criou a primeira revista infanto-juvenil espírita (Kardequinho), e a primeira filmoteca espírita nacional. Psicografou quarenta e quatro poetas, entre eles, Castro Alves e Monteiro Lobato.

Jorge e Herculano se conheceram no ano de 1952, em São Paulo, na tradicional e atualmente extinta Livraria Teixeira, ponto de encontro de intelectuais da época. "Eu tinha vinte e oito anos e ele trinta e oito. Um fato curioso que nascemos ambos no dia 25 de setembro, ele em 1914, durante a primeira grande guerra e eu dez anos depois, no período da revolução de 1924. Mas, segundo relatos espirituais, nossa amizade tem razões em vidas anteriores, desde o tempo da Roma imperial, quando trabalhamos secretamente em favor do triunfo das idéias revolucionárias de Cristo", conta.

O vínculo de amizade e companheirismo foi tão grande entre ambos, que Jorge Rizzini publicou o livro José Herculano Pires, O Apóstolo de Kardec, pela editora Paidéia.



Como definiria Herculano Pires?

Foi o que podemos chamar de "homem múltiplo". Filósofo, educador, jornalista, escritor, parapsicólogo, romancista, poeta, e fiel tradutor de Allan Kardec. Sua inteligência superior iluminada pelo espiritismo e aliada a uma cultura humanística, brilhou com grande magnitude. As dezenas de livros doutrinários que escreveu, inclusive em parceria com Chico Xavier, são fundamentais para o perfeito conhecimento do espiritismo, e, devo acrescentar, alguns de seus romances são autênticas obras-primas.


Tem conhecimento de como Herculano Pires tornou-se espírita?

Até os quinze anos de idade era católico, mas desiludiu-se com o clero porque não respondia satisfatoriamente às suas perguntas. E buscou-as na teosofia, em vão. Já estava aceitando o materialismo, quando lhe caiu nas mãos um exemplar de O Livro dos Espíritos.

Eis o que ele nos narrou o que ocorreu: "Eu não queria saber do espiritismo, que por minha formação, considerava supersticioso. Em 1936, quando tinha 22 anos de idade, meu saudoso amigo Dadício de Oliveira Baulet me desafiou a ler O Livro dos Espíritos". Esse foi o ponto de partida.




- Continua -



Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 17 de Junho de 2012, 04:19
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Especial: Entrevista com o filho de Herculano Pires


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- Continuação -


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Para Herculano, o que significa ser espírita?

Disse ele em entrevista concedida ao Diário de São Paulo, em junho de 1952: 'É sempre transformar os princípios doutrinários em norma viva de conduta, para todos os instantes de nossa curta existência na Terra. Praticar o espiritismo não apenas no recinto dos centros ou no convívio dos confrades, mas em toda parte em que nos encontremos na rua, no trabalho, no lar, na solidão dos próprios pensamentos".


Ele participou do movimento espírita durante décadas. Como foi seu início?

Atuou como líder quarenta e três anos consecutivos.

Foi o primeiro presidente do centro espírita Humberto de Campos, na cidade de Cerqueira César. Recordemos que Herculano contava apenas com vinte e dois anos de idade, mas já era jornalista e escritor.



Quem publicou o primeiro trabalho jornalístico de cunho espírita de Herculano?

Ele tinha vinte e quatro anos, quando remeteu o primeiro artigo de cunho espírita ao inesquecível Cairbar Schutel, que encantado, publicou na Revista Internacional de Espiritismo. Desde então, nunca mais parou de escrever na imprensa espírita e fazer palestras.


Como foi a fundação e atuação do Clube dos Jornalistas Espíritas de São Paulo?

Herculano Pires fundou o clube em 1948. Participaram inclusive escritores e grandes profissionais da imprensa da época. Faziam parte: Pedro Granja, Júlio Abreu Filho. Odilon Negrão, entre outros. A ação do clube não se limitava ao movimento espírita brasileiro. Chegou até mesmo a protestar contra o governo do ditador Perón, por obrigar os médiuns argentinos a se registrarem no Departamento de Psicopatologia, com fichário de exames psiquiátricos como se fossem doentes mentais. Protesto este amplamente noticiado pela grande imprensa de São Paulo e do Rio de Janeiro. Enfrentava também opositores do espiritismo e denunciava os confrades que mistificavam dentro do movimento doutrinário.



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Érika Silveira - Revista Cristã de Espiritismo












Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 17 de Junho de 2012, 04:46
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Novos Caminhos que se Abrem para a Compreensão da Vida




Três objetivos do Espiritismo – Fé iluminada pela razão e razão iluminada pela fé – Como se pode “naturalizar a religião"


O grande trabalho do Espiritismo no mundo é mostrar aos homens a realidade da sobrevivência, a finalidade evolutiva da vida terrena e a necessidade de orientação evangélica do indivíduo e da sociedade. A sobrevivência, ao mesmo tempo em que liberta o homem do terror da morte, sobrecarrega-o de responsabilidades morais. A compreensão de seu destino evolutivo, alargando-lhe os horizontes mentais, aprofunda-lhe o senso dessas responsabilidades. E o Evangelho então lhe aparece na sua verdadeira significação de código divino, para orientação das criaturas terrenas em direção ao céu.

Não é somente o Espiritismo que prega a sobrevivência. Todas as religiões o fazem. Não é ele apenas que ensina a lei da evolução, através das vidas sucessivas. Numerosas escolas espiritualistas o fazem. Não é só ele que indica ao homem o roteiro do Evangelho. Todas as religiões cristãs o pregam. Mas acontece que o Espiritismo reúne, em sua estrutura doutrinária, tudo quanto mais condiz com o espírito do homem moderno: a sobrevivência não é apenas pregada por ele, mas sobretudo demonstrada, através de observações e pesquisas científicas; a reencarnação não é ensinada como um dogma de fé, mas como uma lei natural, que se pode comprovar em toda a natureza, e suscetível também de investigação científica; o Evangelho não é apontado como um código misterioso, em que as contradições ou dubiedades tenham de ser respeitadas, mas como um livro humano em que se refletem os ensinos divinos de Jesus, que a mente esclarecida deve saber separar dos elementos circunstanciais.

De um lado, pois, a missão do Espiritismo é restabelecer no espírito moderno, através da razão e da Ciência, a fé religiosa. De outro lado, porém, é libertar essa fé das imposições dogmáticas e dos convencionalismos sociais. Provando a sobrevivência, através de demonstrações científicas, o Espiritismo reforça a crença espiritual do homem, mas ao mesmo tempo transfere os motivos dessa crença, do terreno da fé dogmática, do crer pelo crer, para o terreno da razão. Demonstrando a realidade da reencarnação, como uma lei natural, o Espiritismo reafirma os ensinos de várias religiões e ordens teosóficas ou ocultistas, mas não o faz de maneira mística ou por motivos apenas tradicionais, e sim mediante o raciocínio e a pesquisa. Indicando ao homem os rumos do Evangelho, o Espiritismo restabelece a velha orientação cristã, mas não por obediência a costumes e sistemas, e sim pela compreensão da verdade dos princípios do Cristo.

O Espiritismo se apresenta, assim, como um elemento reorganizador da vida espiritual do mundo moderno. Suprime as divergências entre Religião, Filosofia e Ciência, reintegrando esses três ramos do conhecimento no contexto da consciência contemporânea, como três formas distintas do conhecer, mas necessariamente ligadas na harmonia do todo. Graças à sua posição renovadora, desloca os fatos espirituais do terreno incerto do miraculoso, para transportá-los ao da razão. Com isso, transforma a alma e o espírito, de objetos de suposições e especulações abstratas, em objetos de observação e pesquisa científica. Podemos dizer, repetindo uma expressão de Labriola, que o Espiritismo “naturaliza a Religião”.

É claro que toda essa revolução parece herética, para as pessoas apegadas ao misticismo religioso. Dificilmente uma criatura que se acostumou a crer por crer, a aceitar o que lhe disseram desde criança, a ter fé no mistério e a encarar o mundo e a vida como coisas procedentes do sobrenatural, poderá aceitar a posição renovadora do Espiritismo. Mas, por outro lado, as pessoas, cada vez mais numerosas, que não podem aceitar as crenças tradicionais, e que flutuam entre a crença e a descrença, encontrarão no Espiritismo um rumo seguro para a sua própria renovação espiritual.

A fé espírita, como dizia Kardec, é iluminada pela razão, mas a razão espírita, por sua vez, é iluminada pela fé, de maneira que não pode ser confundida com a razão cética. Enquanto esta é espiritualmente estéril, a razão espírita é espiritualmente fecunda, abrindo para a mente humana perspectivas cada vez mais amplas de compreensão do homem, do mundo e da vida.





José Herculano Pires
Do livro O Infinito e o Finito (Crônicas Espíritas do “Diário de São Paulo”)
Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 25 de Junho de 2012, 05:33
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Obras de José Herculano Pires
(2a. Parte)


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Ficção Científica (Paranormal):


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. O Túnel das Almas

É um romance tolstoiano que rompe o mistério da morte e anuncia a revolução cientifica da nova genética humana. Desponta aos olhos do leitor um panorama apocalíptico de um novo mundo e uma nova humanidade, não mais arrancada a fórceps das entranhas humanas, mas forjada pela mente paranormal, na doação de amor e ectoplasma dos processos mediúnicos. Não é produto de imaginação gratuita, mas ficção literária firmada nas bases de descobertas científicas incontestáveis. O Túnel das Almas corresponde à previsão de Sir Oliver Lodge, o famoso cientista inglês que abalou a Europa com seu livro Raymond.


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. Metrô para outro mundo

É o segundo volume da Ficção Científica Paranormal. Se O Túnel das Almas anuncia a revolução cientifica da nova genética humana, o Metrô para o outro mundo vem mostrar que nada pode deter os viajantes solitários que rasgam o véu de Ísis do infinito. O viajante solitário Jádi viaja milhões de anos luz, da Estrela de Olegon, da constelação da Baleia para chegar a Terra. Vence o tempo e os espaços siderais com a rapidez do pensamento. No século XIX, Mozart e Bernard Palissy vinham de Júpiter a Paris dessa maneira, dando informações astronáuticas a Flammarion. O espírito humano é mais poderoso do que as águias e os foguetes espaciais.


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Filosofia


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. Introdução a Filosofia Espírita

Um filosofo, um professor de filosofia, um pensador honesto e até mesmo uma simples criatura de bom-senso, não podem negar a existência da Filosofia Espírita, a menos que não saibam o que essa palavra significa. Muito menos negar a natureza filosófica de O Livro dos Espíritos, que é um verdadeiro tratado de Filosofia. Veja-se por exemplo, como Yvonne Castellan, que não é espírita, encara esse livro em seu estudo sobre o Espiritismo. Consulte-se o Dicionário Técnico e Científico de Filosofia, de Lallande. E leia-se o admirável ensaio de Gonzáles Soriano, desafiadoramente intitulado El Espiritismo es la Filosofia.
A definição de filosofia que subsiste como essencial é a de Pitágoras “Amor da Sabedoria”. Daí a exatidão do axioma: “A Filosofia é o pensamento debruçado sobre si mesmo”. Assim, o objeto da Filosofia é ela mesma, não está fora, mas dentro dela. Podemos defini-lo como a relação entre o pensamento e a realidade. Essa a razão de Gonzáles Soriano afirmar que o Espiritismo é a Filosofia.



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. Agonia das Religiões

As religiões aparecem como criações humanas que nascem do esforço do homem para compreender o mundo. Ao conceitua-las o autor lhes nega a origem divina que todas elas se arrogam. Apesar disso, admite as revelações como ocorrências naturais do processo de desenvolvimento do homem na Terra. Não se trata de uma interpretação materialista do fenômeno religioso. O que mais agrada neste livro é o jogo de contradições aparentes que vão se diluindo em fusões naturais dos opostos, não no sentido dialético de luta, mas no sentido (segundo a dialética de Hammeleim) de conjugação complementar dos opostos. Por exemplo: magia e misticismo fundem-se na mitologia. E, mitologia e mística fundem-se nas religiões cristãs.
Nessa seqüência histórica, o autor sustenta que as religiões atuais estão em agonia e vão morrer, como as antigas morreram, o que provocará um novo surto religioso de natureza superior. Como vemos a posição do autor é nova e revolucionária, abrindo novas possibilidades para a compreensão do fenômeno religioso.



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. Concepção existencial de Deus

Com uma capacidade de falar sobre o complexo de uma maneira simples, Herculano Pires enfrenta o desafio do tema que se expressa no próprio título: Concepção Existencial de Deus. Abordar o Criador, tentando coloca-lo em termos humanos, “Deus – diz ele – como Existente, que existe na nossa realidade humana, pode ser tocado com os dedos e sentido, captado pelo nosso sensório comum”. Ao dar-lhe esse rosto coerente com a filosofia espírita, o rosto do Existente, ao contrário de confundi-lo com o ser finito fisicamente, Herculano vai torna-lo um pouco mais compreensível aos sentidos humanos. Herculano ao mesmo tempo em que combate o erro das religiões, essa dupla tentativa de “apresentar Deus como enigma insolúvel e exigir que o amemos de todo o coração e de todo o entendimento”, empreende o esforço de refletir sobre a “concepção existencial de Deus, entendido este não mais como elaboração imaginária dos homens deslumbrados pelo esplendor da Natureza, mas como necessidade lógica e ôntica da compreensão do real”.


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. Educação para a morte


Ainda não aprendemos que vida e morte são ocorrências naturais. E as religiões da morte, que vivem dos gordos rendimentos das celebrações fúnebres e das rezas pagas pelos familiares e amigos dos mortos, empenham-se num combate contra os que pesquisam e revelam o verdadeiro sentido da morte. A idéia fixa de que a morte é o fim, e o terror das condenações de após morte, sustentam esse comércio necrófilo em todo o mundo.
Wilson Garcia escreveu: “Um pouco antes, porém, que o sol da vida somática baixasse de vez no horizonte da experiência terrena, Herculano revisou os conceitos humanos da morte, chegando à conclusão de que a fuga da morte, tantas e tantas vezes repetida pelo homem, significa a fuga da própria vida. Por isso, às vésperas de encetar a grande viagem, na tranqüilidade silenciosa de suas pródigas madrugadas, gostosamente insones, o filósofo leal a Kardec reuniu as experiências, positivas ou frustradas, da cultura humana para afirmar a necessidade de instituir-se na Terra a Educação para a Morte.”



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. Evolução espiritual do homem na perspectiva da doutrina espírita

Este livro explica como a Doutrina Espírita entende a evolução espiritual do homem.
Herculano escreve: “O processo evolutivo adquire assim dimensões cósmicas, segundo a proposição espírita: Tudo se encadeia no Universo. Vemos assim que a evolução espiritual do homem não é um caso especifico de transformação individual, de santificação canônica ou de reforma íntima de modelagem católica. O homem evolui espiritualmente na medida em que, amalgamado na experiência cósmica, é levado por essa experiência incontrolável por curas e pastores. Por isso Jesus não ensinou nem aprovou as formalidades do templo de Jerusalém nem submeteu os seus discípulos às exigências pretensiosas do rabinato judeu. Sua lição a respeito se resume na advertência: O que se apega à sua vida, perdê-la-á, mas o que a perder por amor de mim, esse a encontrará. Quem vive debruçado sobre si mesmo, cuidando apenas do seu umbigo, não pode perceber e muito menos compreender a grandeza espiritual que é a sua imperecível herança de filho de Deus.”




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Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 25 de Junho de 2012, 05:42
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Formação do Novo Homem




A tarefa da Educação Espírita é a formação de um homem novo. A Educação Clássica greco-romana formou o cidadão, o homem vinculado à cidade e suas leis, servidor do Império; a Educação Medieval formou o cristão, o homem submisso a Cristo e sujeito à Igreja, à autoridade desta e aos regulamentos eclesiásticos; a Educação Renascentista formou o gentil-homem, sujeito às etiquetas e normas sociais, apegado à cultura mundana; a Educação Moderna formou o homem esclarecido, amante das Ciências e das Artes, céptico em matéria religiosa, vagamente deísta em fase de transição para o materialismo; a Educação Nova formou o homem psicológico do nosso tempo, ansioso por se libertar das angústias e traumas psíquicos do passado, substituindo o confessionário pelo consultório psiquiátrico e psicanalítico, reduzindo a religião a mera convenção pragmática.

Nesse rápido esquema temos uma visão do desenvolvimento do processo educacional e de suas conseqüências. Não pretendemos que seja uma visão perfeita e completa. É apenas um esboço destinado a nos orientar na compreensão do assunto. E vemos que ele pode nos dar uma idéia negativa da Educação, mas se refletirmos a respeito veremos o contrário. Do homem submisso ao Estado ou a Deus, preso a leis, regras e convenções que o amoldam e desfiguram, avançamos para o homem livre do futuro, responsável por si mesmo, que chega a se revoltar contra o próprio Deus no seu profundo anseio de liberdade, mas sempre em busca da sua afirmação como Ser.

Essa afirmação é a que nos traz o Espiritismo com as provas científicas da sobrevivência e a perspectiva da imortalidade, com a desmitização da morte, com a racionalização do nebuloso conceito de Deus e de suas relações com o homem, com o esclarecimento decisivo do destino do homem e da razão de ser da vida e suas peripécias. Cabe, portanto, à Educação Espírita formar o homem consciente do futuro, que já começa a aparecer na Terra, senhor de si, responsável direto e único pelos seus atos, mas ao mesmo tempo reverente a Deus, no qual reconhece a Inteligência suprema do Universo, causa primária de todas as coisas.

Não é mais possível educar as gerações novas segundo nenhum dos tipos anteriores de Educação. Daí a rebeldia que vemos nas escolas, a inquietação da juventude, insatisfeita com a ordem social e cultural, ambas obsoletas, em que se encontram. A Educação Espírita se impõe como exigência dos tempos. Só ela poderá orientar os espíritos para a formação do homem novo, consciente de sua natureza e de seu destino, bem como de pertencer à Humanidade Cósmica e não aos exíguos limites da humanidade terrena. Só ela pode nos dar, nesse homem novo, a síntese de todas as fases da evolução anterior, numa formulação superior. Porque o homem espírita –– ou o homem consciente –– que essa nova Educação nos dará, será ao mesmo tempo o cidadão, o cristão, o gentil-homem, o homem esclarecido e o homem psicológico, mas na conjugação de todos esses elementos numa dimensão espiritual e cósmica.

Com isso não queremos dizer que toda a Humanidade se converta ao Espiritismo, mas tão somente que os princípios fundamentais do Espiritismo serão as coordenadas do futuro, marcando o âmbito conceptual e ético da nova formação educacional. Não foi necessário que toda a Humanidade se convertesse ao Cristianismo para que os princípios deste remodelassem o mundo. O mesmo acontecerá com o Espiritismo. A função da Educação Espírita é portanto a de abrir perspectivas novas ao processo educacional, adaptando-o às necessidades novas que surgiram com o desenvolvimento cultural e espiritual do homem. As escolas espíritas –– como as escolas cristãs o fizeram –– serão os centros dinamizadores da renovação. E a Pedagogia Espírita –– como o fez a Pedagogia Cristã –– orientará a nova concepção educacional que está nascendo em nossos dias.

Por outro lado, correntes avançadas da Pedagogia Contemporânea, como especialmente a do néo-kantismo, representada por Kerchensteiner na Alemanha e René Hubert na França, darão sua contribuição para o desenvolvimento dessa profunda revolução educacional em marcha. Seria bom, por sinal, que os educadores espíritas procurassem aprofundar-se no estudo do Traité de Pédagogie Générale, de Hubert, que nos parece um verdadeiro monumento de renovação educacional dentro das coordenadas espíritas.

Como vemos, o nascimento da Educação Espírita ainda não se completou. Começando com Kardec, há mais de um século, ainda está se processando em nossos dias. Por isso mesmo, somos todos convocados a participar desse acontecimento espiritual, contribuindo cada qual da maneira que puder para que ele se complete o quanto antes.




José Herculano Pires

Fonte: Pedagogia Espírita, Edição EDICEL.
Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 25 de Junho de 2012, 05:53
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O Mais Importante



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Provavelmente você estará atravessando longa faixa de provações em que o ânimo quase que se lhe abate.

Crises e problemas apareceram.

Entretanto, paz e libertação, esperança e alegria dependem de sua própria atitude.

Se veio a colher ofensa ou menosprezo, você mesmo pode ser o perdão e a tolerância, doando aos agressores o passaporte para o conhecimento deles próprios.

Se dificuldades lhe contrariaram a expectativa de auto-realização, nesse ou naquele sentido, a sua paciência lhe fará ver os pontos fracos que precisa anular a fim de atingir a concretização dos seus planos em momentos mais oportunos.

Se alguém lhe impôs decepções, o seu entendimento fraterno observará que isso é uma benção da vida imunizando-lhe o espírito contra a aquisição de pesados e amargos compromissos futuros.

Se experimenta obstáculos na própria sustentação, o seu devotamento ao trabalho lhe conferirá melhoria de competência e a melhoria de competência lhe elevará o nível de compensações e recursos.

Se você está doente, é a sua serenidade, com a sua cooperação, que se fará base essencial de auxílio aos médicos e companheiros que lhe promovem a cura.

Se sofre a incompreensão de pessoas queridas, é a sua bondade, com o seu despreendimento, que se lhe transformará em arrimo para que os entes amados retornem ao seu mundo afetivo.

Evite as complicações de rebeldia e inconformidade, ódio e inveja, egoísmo e desespero que apenas engrossarão o seu somatório de angústia.

Mudanças, aflições, anseios, lutas, desilusões e conflitos sempre existiram no caminho da evolução.

Por isso mesmo, o mais importante não é aquilo que aconteça e sim o seu modo de reagir.




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André Luiz

Do livro "Na Era do Espírito", Francisco Cândido Xavier e José Herculano Pires.
Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: dOM JORGE em 25 de Junho de 2012, 14:48
                                                                     VIVA JESUS!




             Bom-dia! queridos irmãos.



                     O cultivo do amor

(J. Herculano Pires)



A lei civil do casamento, segundo lemos no item 4 do capítulo XXII de O Evangelho Segundo o Espiritismo, “tem por fim regular as relações sociais e os interesses familiares, segundo as exigências da civilização”. E a seguir vem esta observação: “Mas nada, absolutamente, impede que ela seja um corolário da lei de Deus”. E a lei de Deus, no caso, é a lei do amor. Quer dizer que o casamento civil deve efetuar-se por amor e não por conveniência de qualquer espécie. A falta de conjugação dessas duas leis, a humana e a divina, é a causa principal dos fracassos no casamento.
Entre os interesses que podem influir na determinação do casamento figuram também a vaidade e a atração sexual, ambos elementos estranhos ao amor e por isso mesmo de natureza efêmera. Em casos dessa natureza, como em vários outros, a separação se torna inevitável e o divórcio aparece então como a lei civil que serve de remédio à separação dos casais, permitindo aos pares frustrados a reconstrução do lar em bases legítimas com outros cônjuges. “Um dia se perguntará – diz ainda o trecho citado – se uma cadeia indissolúvel não aumentará o número das uniões irregulares”.
Mas quando o lar se formou com base no amor as decepções que podem surgir têm o remédio no próprio amor. Quem ama sabe tolerar e perdoar. As dificuldades serão superadas dia a dia pelo cultivo do amor. Basta que cada cônjuge se lembre de que as frustrações são recíprocas. O mesmo acontece com o artista na realização de sua obra. O ideal está sempre acima do real. Mas o verdadeiro artista sabe disso e procura superar a sua frustração pelo esforço constante de aperfeiçoamento. O cultivo do amor é como o cultivo da arte. E quem romper um casamento de amor, por simples intolerância, não encontrará mais remédio para a sua solidão.






                                                                                       PAZ, MUITA PAZ!




Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 25 de Junho de 2012, 17:55
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Boa tarde a todos...


Irmão dOM JORGe,

É uma alegria contar com sua presença, nesta singela homenagem que dedicamos ao querido Herculano Pires.

Obrigada pela bela contribuição.

Sejam todos muito bem-vindos!!!


Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 25 de Junho de 2012, 18:02
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José Herculano Pires - O apóstolo de Kardec


Herculano Pires foi o que podemos chamar de homem múltiplo. Filósofo, educador, jornalista, escritor, parapsicólogo, romancista, poeta, fiel tradutor de Kardec, em todas as atividades – inclusive, fora do movimento espírita – sua inteligência superior iluminada pelo espiritismo e aliada a uma cultura onímoda e humanística brilhou com grande magnitude, fazendo o público crescer espiritualmente.

Espírita desde os 22 anos de idade (foi menino-prodígio), ninguém no Brasil e no estrangeiro mergulhou tão fundo na obra da codificação kardeciana e ninguém defendeu mais – e com mais competência do que ele – a pureza doutrinária, que colocava acima das instituições e dos homens, de que é exemplo a batalha dantesca que travou quando O evangelho segundo o espiritismo foi adulterado.




(http://www.herculanopires.org.br/images/stories/jorgerizzini1.jpg)
Jorge Rizzini (1924-2008)



O escritor Jorge Rizzini (premiado pela União Brasileira de Escritores e pela Secretaria de Cultura de São Paulo), por mais de 30 anos companheiro de Herculano Pires, relata no livro J. Herculano Pires – o apóstolo de Kardec, rigorosamente documentado, a vida e a obra fantástica desse imbatível e legítimo apóstolo de Allan Kardec.



(http://www.herculanopires.org.br/templates/templatesite/images/logo_apoio_blog.png)





Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 25 de Junho de 2012, 18:11
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Apresentação
Jorge Rizzini


Laureado pela Academia Brasileira de Letras e pela Câmara Brasileira do Livro, Caio Porfírio Carneiro (escritor sem vínculo com o espiritismo) publicou no jornal Linguagem Viva – edição de outubro de 2000 – uma crônica sobre Herculano Pires, da qual extraio os seguintes tópicos que retratam o mestre:

“Parece que estou vendo o Herculano Pires sentado no bar, em frente ao prédio dos Diários Associados, na rua 7 de Abril, aqui em São Paulo, onde trabalhava, naquela tarde ensolarada, cercado de amigos, bebendo qualquer coisa, creio que nada alcoólico, e respondendo nossas perguntas curiosas sobre espiritismo. Era ele um estudioso e devoto da doutrina, kardecista famoso, convidado anualmente pela direção do Bradesco para a festa na Cidade de Deus, criação do presidente do banco, Amador Aguiar, para os funcionários. Era e sempre foi uma festa belíssima no dia de Ação de Graças. Compareciam representantes de destaque das mais diversas religiões cristãs. O único que representava uma corrente espiritual não-religiosa era Herculano Pires. Quando chegava sua vez de falar e abria o verbo, encantava a todos. (...) Tipo mais ou menos gordo, estatura mediana, óculos, andar meio bamboleante, rosto cheio, corado, irradiava uma simpatia pessoal muito grande. (...) Não externava sua cultura, sua vasta leitura em praticamente todos os campos do conhecimento. Criatura modesta, cavalheiro de primeira linha, simples por natureza. Apenas quando soltava o verbo, como nas festas na Cidade de Deus, o vulcão vinha ao vivo, mostrava-se fulgurante, brilhante, dono de uma inteligência privilegiada.”

Observações precisas, as de Caio Porfírio Carneiro.

José Herculano Pires foi o que podemos chamar homem múltiplo. Em todas as áreas do conhecimento em que desenvolveu atividades – dentro e fora do movimento doutrinário – sua inteligência superior iluminada pela doutrina espírita e pela cultura humanística brilhava com grande magnitude fazendo o povo crescer espiritualmente.

Herculano Pires foi mestre em filosofia da educação na Faculdade de Filosofia de Araraquara e membro da Sociedade Brasileira de Filosofia. Presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo e fundador do Clube dos Jornalistas Espíritas de São Paulo, que presidiu por longos anos. Diretor da União Brasileira de Escritores e vice-presidente do Sindicato dos Escritores de São Paulo. Presidente do Instituto Paulista de Parapsicologia. Romancista, recebeu em São Paulo o “Prêmio Municipal de Cultura” e foi reconhecido pela crítica como um dos renovadores do romance brasileiro.

E, o que é mais importante: espírita desde os vinte e dois anos de idade, ninguém no Brasil e no estrangeiro mergulhou tão fundo nas águas cristalinas da codificação kardeciana, e ninguém defendeu mais – e com mais competência do que ele – a pureza doutrinária, que colocava acima das instituições e dos homens, de que é exemplo a batalha dantesca que travou quando uma edição adulterada de trinta mil exemplares do Evangelho Segundo o Espiritismo fora publicada por uma das maiores federações espíritas do Brasil.

“Todo espírita consciente de suas responsabilidades humanas e doutrinárias está no dever intransferível de lutar contra essas ondas de poluição espiritual que pesam na atmosfera terrena. Ninguém tem o direito de cruzar os braços em nome de uma falsa tolerância que os levará à cumplicidade”, declarou o mestre. (Curso dinâmico de espiritismo, capítulo 20, Editora Paideia)

Para comer o pão da verdade só necessitamos dos dentes do bom-senso, dizia ele.

Herculano Pires, desde o ano da conversão ao espiritismo ao de sua desencarnação, ou seja, durante quarenta e três anos ininterruptos, ampliou superlativamente a cultura espírita, propagou e defendeu os princípios doutrinários no rádio, na TV, nos jornais, no livro e na tribuna. Ele foi o fermento de que nos fala o Evangelho. E, notemos, foi imbatível esse apóstolo de Allan Kardec! Suas principais batalhas doutrinárias estão relatadas nesta biografia com absoluta fidelidade, pois além de testemunhá-las, participei de algumas, e seu vasto acervo doutrinário, incluindo o diário íntimo*, me fora cedido pela esposa.

Reencontrei Herculano Pires nesta existência no ano de 1952, na cidade de São Paulo, na tradicional Livraria Teixeira – ponto de encontro de escritores e poetas. Tinha eu vinte e oito anos de idade e ele trinta e oito. É curioso: reencarnamos no dia 25 de setembro. Ele em 1914 durante a primeira grande guerra e eu dez anos após durante a revolução de 1924. Mas nossa amizade tem raízes em vidas anteriores – desde ao tempo da Roma imperial. Quando nossas vozes eram ouvidas no senado romano, trabalhamos secretamente em favor do triunfo das ideias revolucionárias de Cristo. E, como toquei agora em assunto tão delicado que, certamente, despertará a curiosidade dos leitores, convido-os a ler o trecho de uma conversa de Herculano Pires comigo e por mim gravada em 1972 – trecho que somente hoje dou à publicidade, no qual relata ele uma encarnação sua no século dezenove (ao tempo de Allan Kardec), quando foi eminente historiador, romancista e poeta português.

O referido trecho do saudoso companheiro de batalhas espirituais encontra-se no fim deste volume.



São Paulo, 1º de dezembro de 2000


 

* Herculano Pires, desde menino, gostava de fazer anotações em um diário. Escreveu vários. Em um deles anotou estes pensamentos: “Às vezes me pergunto porque este prazer mórbido de registrar num diário os acontecimentos, os pensamentos, as emoções, as ocorrências de uma vida obscura. (...) O fato é que anoto, registro, comento, protesto, censuro e louvo para mim mesmo – ao menos assim me parece –, mas nem por isso deixo de pensar, às vezes, que estes rabiscos possam ter um destino diferente, um endereço oculto.” Palavras proféticas, porque os rabiscos de Herculano Pires tinham, realmente, um endereço oculto: o meu, o de seu futuro biógrafo...



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Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 25 de Junho de 2012, 18:40
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"O Espiritismo é uma doutrina de bom senso, de equilíbrio,
de esclarecimento positivo dos problemas espirituais,
e não de hipóteses sem base
ou de suposições imaginosas"


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(Herculano Pires)
Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 25 de Junho de 2012, 19:07
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Os frutos da Terra



A terra dá frutos. Há frutos silvestres e frutos cultivados pelo homem. Os frutos da terra alimentam os filhos de Deus. Mas há homens que usam os frutos da terra para enriquecer. É justo que haja riqueza na Terra e que os frutos da terra enriqueçam os ho-mens. Deus não quer a pobreza, mas a riqueza. Olhai para o Céu e vereis o tesouro de Deus semeado no infinito. Olhai para as entra-nhas da Terra e vereis estrelas ocultas. Também elas são frutos da terra. Frutos que os homens extraem, colhendo-os nos misteriosos ramos de árvores subterrâneas. Esses frutos também produzem riquezas pessoais.
Deus quer que a riqueza se espalhe no mundo. A riqueza é a he-rança de Deus e o apóstolo Paulo ensinou:
“Somos herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo.”
Ai daquele que pretender empobrecer os homens e empobrecer a Terra. Este pequeno mundo não foi lançado na rota dos mundos para se tornar miserável, um mendigo do espaço. Seu destino é a grandeza universal, a glória do infinito, a riqueza inumerável do Céu. Deus lhe concedeu um Sol de ouro e uma Lua de prata. E rodeou-o de uma rede cintilante de estrelas. As torres do Reino apontam para esses tesouros, que são a herança dos homens.
O mensageiro do Reino me disse um dia:
– Pensais que Deus é Deus de pobres e esfarrapados? Assim como as escrituras nos dizem que Ele não é Deus de mortos, mas de vivos, também nos mostram que ele é Deus de ricos e não de mendigos. Os mundos mais próximos de Deus são de maravilhosa riqueza, transbordantes de cintilações. Não vistes a descrição de Jerusalém celeste no Apocalipse? O Reino é rico, mas a riqueza do Reino é abundante e impessoal. O que faz a pobreza é a riqueza pessoal. Há um caruncho da alma: o egoísmo. Esse caruncho destrói a maior riqueza do Universo, que é o espírito, quando o homem se julga dono pessoal dos frutos da terra.
Lembrei-me do canto de Maria, que foi o prelúdio da proclamação de Nazaré. A suave mãe do jovem Carpinteiro exclama, referindo-se ao Senhor:
“Depôs do trono os poderosos e elevou os humildes; encheu de bens os que tinham fome e despediu vazios os que eram ricos.”
Não é a riqueza que é condenada, pois o Senhor a tira de uns para dá-la a outros, segundo a justiça. E, segundo o amor, remete à pobreza aqueles que devem conhecê-la melhor, para não se julga-rem os privilegiados da Terra. Que são os bens, se não os frutos da terra? Maria previu, na sua intuição humana de mãe e na sua previsão divina de espírito, a redistribuição dos frutos da terra para que o amor e a justiça do Reino triunfem entre os homens.
A árvore que lança suas raízes ao solo e estende seus ramos aos ventos não dá frutos para este ou aquele, mas para todos. Vede uma árvore em estado de pureza, em estado natural, na mata ou no campo. Ela se enfeita de flores e se cobre de frutos para as aves, os animais e os homens, se os houver. Se os homens não a conhecerem, pouco importa. Porque os frutos da terra não são dados apenas aos homens. Também os ventos se alimentam de pólens e folhas, arrancam os frutos maduros dos ramos e os semeiam na distância, para que os bichos aproveitem a sua polpa e o solo absorva as sementes, fazendo-as germinar. Que direito tem um homem de cercar uma árvore ou mais árvores, de torná-las suas escravas particulares, de arrebatar-lhes sistematicamente os frutos para transformá-los em riqueza pessoal? Os frutos devem saciar a fome dos famintos, alimentar as crianças e fortalecê-las para o futuro.
A riqueza dos frutos é para todos. A árvore é o gesto de Deus ensinando aos homens a eterna doação. Nada lhe pedem e ela tudo dá. Podia enrolar os frutos em cipós e escondê-los para si mesma, devorá-los em silêncio ou deixá-los morrer sem proveito entre as suas garras. Mas ela estende os ramos no Céu e a sombra na Terra. Distribui perfume e pólen aos ventos e oferece os seus frutos sem pedir recompensa. O Reino é cercado de árvores, de vastos arvoredos com flores e frutos, de pomares e jardins abertos para que todos possam desfrutá-los. Os filhos do Reino não estão sujeitos aos monopolizadores dos frutos.
O jovem Carpinteiro ensinou um dia:
“O campo de um homem rico havia dado abundantes frutos e ele revolvia dentro de si estes pensamentos, dizendo: “Que farei, pois não tenho onde recolher os meus frutos?” E disse: “Farei isto. Derribarei os meus celeiros e construirei outros maiores. Neles recolherei tudo o que tenho e todos os meus frutos. E então poderei dizer à minha alma: tens muitos bens em depósito para muitos anos, ó alma minha! Descansa, come, bebe, regala-te!” Mas Deus disse a esse pobre homem rico: “Néscio! Esta noite te virão demandar a tua alma, e os frutos da terra que amontoaste e todos os teus bens para quem serão?” Assim é o que entesoura para si mesmo e não é rico para com Deus.”
Os entesouradores pessoais organizam-se em associações, em trustes, em gigantescos monopólios. Pegam os frutos das árvores, os frutos minerais das entranhas da terra, os frutos aquáticos dos rios e dos mares, sugam os lençóis subterrâneos e as misteriosas jazidas que os séculos formaram, e de tudo isso fazem moedas ingênuas, doiradas ou prateadas, cintilantes de pureza, que trans-formam em instrumentos de suplício e de vício. Os entesouradores pessoais se associam contra os pobres, dominam nações e povos, exploram multidões e se consideram benfeitores da Humanidade. Graças ao poder do dinheiro acumulado, o ingênuo e puro dinheiro que leva saúde ao doente e alimento ao faminto, mas que em suas mãos se transforma em lâminas do punhal assassino, derrubam governos, subvertem regimes, tripudiam sobre o direito das gentes. Mas um dia alguém vem demandar-lhes a alma néscia e apagar-lhes das gerações a odiosa memória, o exemplo corruptor.
Salomão vestiu-se de púrpura e ouro, mas apenas os cânticos que lhe atribuíram, pois nem isso era dele, conservaram sua me-mória entre os homens. E o jovem Carpinteiro lembrou que as flores do campo se vestiam com maior riqueza e maior esplendor do que o rei cantor. Os homens se inquietam pelo vestir e pelo comer, querem garantir o futuro com as escoras inúteis dos bens materiais. Mas o futuro do homem não está na matéria e sim no Espírito, porque o homem é Espírito, é uma chama e não o corpo de lama, a vasilha frágil de argila em que a chama crepita. O futuro do homem é o Reino. Ai dele quando não pode entrar pela porta estreita.
Por isso, o jovem Carpinteiro ensinou:
“Buscai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça, e tudo o mais vos será dado por acréscimo. Não temais, ó inquieto rebanho, pois foi do agrado do vosso Pai dar-vos o seu Reino. Vendei o que possuís e dai-o aos pobres; provei-vos de bolsa de estrelas, que não se gastam com o tempo nem se consomem na morte. Ajuntai o tesouro das coisas do Céu, que não estão sujeitas ao ladrão, nem à ferrugem ou às traças. Porque onde está o vosso tesouro, ali estará também vosso coração!”
O mensageiro do Reino me disse, a respeito destas palavras:
– Que fazeis ao ajuntar frutos e pedras da terra? Quando a chama rompe a vasilha de barro, vossa alma se evapora titubeante e incerta. Conheceis o fogo fátuo? Não sereis mais do que isso. Mas tereis a dolorosa consciência da vossa fragilidade, da vossa insegurança e da vossa inutilidade. Néscios! Os frutos e as pedras da terra devem servir aos vossos corpos na medida do necessário, pois podeis convertê-los em estrelas e sóis pela magia do Espírito. Não existe mais bela alquimia. Sede os alquimistas da caridade!
Pensei nessas frases e disse a mim mesmo: Deus pôs as árvores na terra carregadas de frutos materiais, mas sobre nossas cabeças estendeu também a fronde do Céu, carregada de frutos de luz. Por que havemos de preferir, para o nosso tesouro, os frutos efêmeros, em vez de guardar os que são eternos? Quando colho os frutos de uma árvore e os converto em moedas, cobrando ao faminto o preço exorbitante que deve me garantir o lucro, devolvo a pureza da polpa e o mistério das sementes à rigidez do metal. Mas quando tomo esses frutos e sacio com eles a fome das crianças pobres, transformo a polpa e as sementes em luz para o Reino de Deus.



- continua -
Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 25 de Junho de 2012, 19:23
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Os frutos da Terra


- Continuação -


O jardim do Éden é o jardim do Reino. A serpente que nele penetrou para tentar Eva estava aninhada no coração de Adão. A serpente, por si mesma, jamais poderia entrar lá. Mas como Deus concedeu a Adão o direito à liberdade, foi através dele que ela invadiu o Éden. Antes de comer a maçã, Adão e Eva já estavam condenados. A tentação não vem de fora, mas do próprio coração do homem. A alegoria bíblica do Éden é a primeira referência das Escrituras ao mistério do Reino. Mas ela mesma foi transformada, essa simples e encantadora referência, em motivo de ganância e exploração para os homens. Entretanto, como era de origem divina, os homens não conseguiram corrompê-la. O apóstolo Paulo lembraria mais tarde:
“Se por um homem, Adão, fomos perdidos, também por um homem, o novo Adão, o Cristo, fomos salvos.”
O mensageiro do Reino me explicou:
– A alegoria da perdição conduz à alegoria da salvação. O homem cometeu o pecado da desobediência ao comer a maçã da sabedoria, ao adquirir a razão. Porque então se definiu como um ego, como um ser, e julgou-se semelhante a Deus. Nas fases primitivas da sua existência ele vagava no Éden, livre e puro, dirigido pelos instintos como os demais seres. Depois que come-çou a raciocinar acreditou-se dono das coisas e dos seres. Quis possuir, entesourar, engrandecer-se aos próprios olhos e aos olhos dos outros. Foi então que fugiu de Deus e criou seu próprio mundo. Mas Deus o deixou em liberdade, amadurecendo na experiência e na dor. E por fim mandou-lhe o jovem Carpinteiro para construir-lhe, com as tábuas e os troncos das árvores, sempre generosas, a Tenda da Reconciliação. Entendei as coisas em Espíri-to e Verdade e não vos enredeis no cipoal das letras.
Entremos na Tenda da Reconciliação, procurando de novo o amor e a justiça de Deus, e em breve estaremos de novo no jardim do Éden. Passaremos alegres e leves pela porta estreita, que se abre como pequena brecha no grande portal do Reino. Façamos dos frutos da terra o tesouro da nossa caridade permanente. Não entesouremos nada em prejuízo dos outros. Não roubemos. Sejamos capazes de imitar as árvores: De ramos abertos no Céu e sombra estendida na Terra. O Reino começa em nosso coração.



José Herculano Pires
Obra: O Reino
Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 25 de Junho de 2012, 19:32
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Herculano Pires (o mais alto), aos quatro anos de idade



O Menino Poeta
Jorge Rizzini



O ano de 1914 é um marco doloroso na história da humanidade.

No dia primeiro de agosto daquele ano a Alemanha declarou guerra à Rússia e, dois dias depois, à França. No dia seguinte invadiu a Bélgica. Vinte e quatro horas depois, exatamente à meia noite, a Inglaterra atacou a Alemanha. O rastilho de pólvora alastrou-se e, antes de findar agosto, o Japão investiu contra a China, tomando-lhe várias ilhas. A ânsia do poder enlouquecera a Humanidade. A guerra espalhava-se, rapidamente, em todos os continentes envolvendo, também, o Brasil.

A Primeira Guerra Mundial foi uma das provas mais estarrecedoras do atraso espiritual da Humanidade. Durou, exatamente, quatro anos e três meses. Desencarnou e aleijou milhões de pessoas. Mas a espiritualidade jamais deixara de enviar missionários à Terra e, na madrugada do dia 25 de setembro de 1914 (cerca de dois meses após eclodir a Primeira Grande Guerra), um espírito superior reencarnou na antiga província do Rio Novo – hoje a bela cidade de Avaré, no interior do estado de São Paulo. Sua missão: defender a pureza doutrinária e consolidar a doutrina espírita em terras brasileiras.

José Herculano Pires filósofo, parapsicólogo, educador, romancista, poeta, jornalista, tradutor – esse legítimo apóstolo de Allan Kardec era filho primogênito de José Pires Correa (um farmacêutico que abandonaria a profissão para tornar-se um dos mais vibrantes jornalistas do interior paulista) e de Bonina Amaral Simonetti Pires, descendente de antiga família de Avaré e distinta pianista. O casal teve sete filhos: Herculano, Heraldo, Renê, Lourdes, Marília, Diógenes e Nancy, os dois últimos desencarnados com tenra idade.

O nascimento de Herculano Pires se deu na residência de seus pais, uma ampla casa pintada de verde no meio do quarteirão da rua Rio Grande do Sul, no largo São João, onde José Pires Correa instalara, também, sua farmácia. O parto não foi tranqüilo...

Em um diário íntimo escreveu Herculano Pires que, ao nascer, viu-se em apuros:

“Eram cinco horas de uma fria madrugada de setembro – fim de inverno e início de primavera –, quando abri os olhos para a visão caótica do mundo. Estávamos em 1914, ano da Primeira Guerra Mundial. Nasci ameaçado pelo cordão umbilical, que me apertava o pescoço. Mundo ingrato. Mal nascia e as próprias cordas da vida me agrediam em forma de tenazes da morte .”

Nesse diário, em cujas páginas foram, infelizmente, registradas poucas reminiscências, ainda nos dá Herculano Pires informações sobre seu nome e sua infância:

“Mamãe me contou que eu já trazia um nome. Não o trazia escrito na testa, mas na folhinha, pois o 25 de setembro é o dia de são Herculano. Tio Franco sugeriu que, para reforçar a minha proteção – pois esse são Herculano não era muito conhecido –, me dessem também o nome popular de são José. Assim, ao nome que eu trouxera, a família juntava outro.”

E o menino, então reencarnado em família católica, ganhou o nome completo de José Herculano Pires. Não foi garoto robusto.

“Tive uma infância com problemas de saúde que me acompanhariam por toda a vida. Mas a terra de Avaré e as águas do Rio Novo me fortaleceram. Na gripe de 1918, que completou no Brasil a matança da guerra na Europa, flutuei sobre as águas e continuei. O tifo era endêmico na região e depois da gripe fez grandes devastações, mas dele também me livrei.”

Os problemas de saúde não impediram, no entanto, que sua infância fosse feliz. Era Avaré uma cidade jovem, por demais agradável. A paisagem era bucólica: ruas de areia, a matriz, o jardim São Paulo, com sua banda aos domingos, e o coaxar dos sapos… O rio Novo de águas cristalinas, onde homens e crianças pescavam… Os carros de boi com as rodas rangendo alto no largo da Estação e, naturalmente, o famoso trenzinho da Sorocabana, soltando muita fumaça, quando atingia quarenta quilômetros por hora, a velocidade máxima...




- continua -
Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 25 de Junho de 2012, 19:40
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- continuação -




Avaré, embora pacata, vez por outra era sacudida por acontecimentos dramáticos. Quis a espiritualidade que Herculano Pires presenciasse alguns, certamente para fazê-lo compreender, embora ainda criança, que a terra era um planeta de angústias e que muito havia por se fazer em prol da espiritualização do povo.


Em seu diário escreveu ele:

Ainda criança vi muita maldade fervendo em Avaré. Vi, à distância de um quarteirão, o velho João do Prado, grandalhão, sair de um cartório da rua São Paulo, dar alguns passos e cair fulminado pelos tiros de revólver que um advogado lhe desfechara nas costas. Vi, no largo do Mercado, um homem tombar esfaqueado por outro, esvaindo-se em sangue. Vi Rosinha casar-se por amor e por amor suicidar-se tomando formicida. Vi um homem com a cabeça arrebentada pela própria esposa. E vi crianças chorando na orfandade súbita, porque o pai e a mãe haviam sido mortos pela ferocidade de alguns parentes. E vi ainda – meu Deus, que horror! –, um homem carregar pelas ruas da cidade, obrigado pela polícia, o tronco carbonizado da vítima que tentara destruir pelo fogo.”

Esses bárbaros crimes de morte, evidentemente, levaram Herculano Pires, menino ainda de cinco ou seis anos de idade, mas dotado de aguda inteligência, a pensar em Deus com frequência. A verdade é que já estava sendo preparado pelos espíritos, a fim de, quando adulto, bem cumprir sua missão.

Notemos agora que, desde menino, tinha visões espirituais. Esse fato, que teria importância fundamental no decorrer de toda sua vida, Herculano Pires revelou a Rizzini em uma entrevista gravada. Ouçamos:

“Não eram visões místicas. Eram visões reais. Eu via espíritos andando pela casa, à noite (disse-nos ele). Ainda me lembro muito bem, eu era pequenino, me levantava, me afirmava na guarda do berço e ficava olhando os espíritos vagarem pela casa. Não eram apenas espíritos de mortos. Eu via o espírito de minha mãe, que estava viva, andar pela casa. Minha mãe dormia e seu espírito se desprendia. E isto eu via com bastante frequência. Esses fatos provocaram alarme em casa porque, às vezes, via certos espíritos que me assustavam e, então, eu gritava e acordava todo o mundo. Vinham saber de mim o que acontecera e meu pai dizia: 'Ele está delirando, é preciso saber o que tem esse menino.' Mas eu explicava o que tinha visto. Certa vez me aconteceu, também, um fato muito curioso. Eu já tinha uns sete ou oito anos e, na casa do meu avô materno, em Avaré, havia um quintal muito grande (meu avô materno era italiano e minha avó materna brasileira). E eu, brincando com as crianças no fundo do quintal cheio de grandes mangueiras, de repente ouvi um estalo esquisito, estranho. Olhei para o lado. Vinha vindo uma velhinha, mais ou menos apressada, com um vestido que parecia estrangeiro e com meias listadas de vermelho e azul; listas circulares em torno da perna. E ainda me lembro, também, dos sapatões, para mim esquisitos... Ela não me deu satisfação, passou perto de mim e se dirigiu para uma espécie de depósito que havia no quintal, abriu a porta e entrou. A porta bateu e, com o estalo, voltei a mim. Quer dizer, saí daquele encantamento. Fui correndo desesperado para casa, gritando. Meu avô foi o primeiro a sair ao meu encontro: 'O que há?'. Eu contei. 'Repita isso!' Eu repeti. 'Como era ela?' Eu contei. E dei dois detalhes de que hoje não me lembro. Então ele virou-se para minha avó e disse: 'É minha mãe! É minha mãe!' Foi um fenômeno que ficou gravado na minha memória.”

A família de Herculano Pires, já o dissemos, era, então, católica. É inegável que essas visões na infância tinham o objetivo maior de levá-lo, posteriormente, ao encontro do espiritismo.

Herculano Pires, quando criança, foi uma prova vigorosa da reencarnação. Ele trazia da espiritualidade um lastro cultural vastíssimo, adquirido em vidas anteriores, e uma vocação perfeitamente definida. Menino notável, com nove anos de idade, calças curtas, ainda nos bancos de uma escola primária na cidade de Itaí, para onde sua família se transferira em 1920, ele se revelou poeta. Já conhecedor das leis rígidas da arte poética (que prodígio!), o menino redigiu em versos decassílabos um soneto, que é, ao contrário do que o vulgo pensa, a forma poética mais difícil de ser dominada. O tema escolhido pelo garoto foi o largo São João, de Avaré; tema adulto e árido.

Viveu Herculano Pires em Itaí dos seis aos dez anos de idade. No dia 7 de setembro de 1922 (relembraria ele cinquenta anos depois em uma crônica), “era então um menino de oito anos e formava numa tropa de escoteiros, orgulhoso do meu uniforme cáqui e do meu lenço vermelho tatalando ao pescoço. Meu comandante era o professor Victorino, gordinho e baixo, também vestido de uniforme. E quem proferiu o discurso mais bonito e mais retumbante, comemorando o primeiro centenário da Independência do Brasil, foi naturalmente o meu pai. Na festinha da escola, em dias de feriados, éramos dois, eu e a menina Adélia, minha namorada (os primeiros das duas turmas: masculina e feminina) que ficávamos em pé ladeando o mastro, na hora do hasteamento.”

Quatro anos depois seu pai, buscando melhoria financeira, fixou residência na cidade de Cerqueira César. Mas por pouco tempo. Voltou a residir com a família em Avaré, onde matriculou o filho na Escola de Comércio, fundada e dirigida pelo professor Jonas Alves de Almeida, de quem, ao longo da vida, guardaria Herculano Pires a mais grata recordação. Mas não pôde concluir o curso.

A vida profissional de José Pires Correa não era fácil. E, assim, buscando sempre melhores condições para o sustento da família, tornou a residir na cidade de Cerqueira César. Herculano tinha, então, doze anos de idade e… continuava a escrever poesias.




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Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 25 de Junho de 2012, 20:12
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O Espiritismo,
surgindo na Terra em cumprimento à promessa do Consolador,
para restabelecer a pureza do ensino de Jesus,
restabelece o conceito cristão de Deus como Pai.


Por isso Kardec ensinou,
em "O Evangelho Segundo o Espiritismo",
que o nosso lema deve ser:
"Fora da caridade não há salvação".


A bandeira sectarista das religiões apegadas ao velho exclusivismo
é substituída pela bandeira cristã do
"Amai-vos uns aos outros".




(José Herculano Pires, “O Homem Novo”)
Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 09 de Julho de 2012, 14:14
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Galerie d’Orleans em Paris no ano de 1830
A primeira edição francesa de “O Livro dos Espíritos”.
 Foi lançado na loja nº 13 desta galeria em 18 de abril de 1857



O Livro dos Espíritos

(explicação do Livro, por José Herculano Pires)



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Sobre Esta Obra



Com este livro surgiu no mundo o Espiritismo. Sua primeira edição foi lançada a 18 de abril de 1857, em Paris, pelo editor E. Dentu, estabelecido no Falais Royal, Galérie d’0rléans, 13. Três novidades, à maneira das tríades druídicas, apareciam com este livro: a Doutrina Espírita, a palavra Espiritismo, que a designava; e o nome Allan Kardec, que provinha do passado celta das Gálias.

A primeira novidade era apresentada como antiga, em virtude de representar a eterna realidade espiritual, servindo de fundamento a todas as religiões de todos os tempos: a Doutrina Espírita. Era, entretanto, a primeira vez que aparecia na sua inteireza, graças à revelação do Espírito de Verdade prometida pelo Cristo. A segunda, a palavra Espiritismo, era um neologismo criado por Kardec e desde aquele momento integrado na língua francesa e nos demais idiomas do mundo. A terceira representava a ressurreição do nome de um sacerdote druida desconhecido.

A maneira por que o livro fora escrito era também inteiramente nova. O Prof. Denizard Hippolyte Léon Rivail fizera as perguntas que eram respondidas pelos Espíritos, sob a direção do Espírito de Verdade, através das cestinhas-de-bico. Psicografia indireta. Os médiuns, duas meninas, Caroline Baudin, de 16 anos, e Julie Baudin, de 14, colocavam as mãos nas bordas da cesta e o lápis (o bico) escrevia numa lousa. Pelo mesmo processo, o livro foi revisado pelo Espírito de Verdade, através de outra menina, a Srtª Japhet. Outros médiuns foram posteriormente consultados e Kardec informa, em Obras Póstumas: “Foi dessa maneira que mais de dez médiuns prestaram concurso a esse trabalho”.

Este livro é, portanto, o resultado de um trabalho coletivo e conjugado entre o Céu e a Terra. O Prof. Denizard não o publicou com o seu nome ilustre de pedagogo e cientista, mas com o nome obscuro de Allan Kardec, que havia tido entre os druidas, na encarnação em que se preparava ativamente para a missão espírita. O nome obscuro suplantou o nome ilustre, pois representava, na Terra, a Falange do Consolador. Esta falange se constituía dos Espíritos Reveladores, sob a orientação do Espírito de Verdade e dos pioneiros encarnados, com Allan Kardec à frente.

A 16 de março de 1860, foi publicada a segunda edição deste livro, inteiramente revisto, reestruturado e aumentado por Kardec, sob orientação do Espírito de Verdade, que, desde a elaboração da primeira edição, já o avisara de que nem tudo podia ser feito naquela. Assim, a primeira edição foi o primeiro impacto da Doutrina Espírita no mundo, preparando ambiente para a segunda que a completaria. Toda a Doutrina está contida neste livro, de forma sintética, e foi posteriormente desenvolvida nos demais volumes da Codificação.

Escrito na forma dialogada da Filosofia Clássica, em linguagem clara e simples, para divulgação popular, este livro é um verdadeiro tratado filosófico que começa pela Metafísica, desenvolvendo com novas perspectivas a Ontologia, a Sociologia, a Psicologia, a Ética, e estabelecendo as ligações históricas de todas as fases da evolução humana em seus aspectos biológico, psíquico, social e espiritual. Um livro para ser estudado e meditado, com o auxílio dos demais volumes da Codificação.




José Herculano Pires,

tradutor

Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 09 de Julho de 2012, 14:25
Fatos sobre a vida de J. Herculano Pires



Fatos sobre a vida do professor J. Herculano Pires, narrados por familiares e amigos.

A organização dos depoimentos e narrativas do vídeo foi feita pelo grupo de colaboradores
da Videoteca Espírita PAF de São Carlos, SP, e as gravações foram feitas no
Centro Espírita Cairbar Schutel, de São Paulo, SP.

Este vídeo faz parte do acervo da Fundação Maria Virgínia e J. Herculano Pires




Fatos sobre a vida de J. Herculano Pires (http://www.forumespirita.net/fe/go.php?url=aHR0cDovL3d3dy55b3V0dWJlLmNvbS93YXRjaD92PVFlei1XU0FOamR3JmFtcDtmZWF0dXJlPXBsYXllcl9lbWJlZGRlZCM=)
Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 09 de Julho de 2012, 14:43
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“Mas o que, sobretudo, me comove é verificar
que as mãos de Jesus como que estiveram abertas sobre mim,
livrando-me sempre de cair nos abismos marginais do caminho.”




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Do “Diário íntimo” de Herculano Pires
Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 09 de Julho de 2012, 15:09
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Uma tomada de consciência

J. Herculano Pires



O apego ao contingente, ao imediato, apaga na consciência dos nossos dias o senso da responsabilidade espiritual. Nem mesmo a ronda constante da morte consegue arrancar o homem atual da embriaguez do presente. O problema do espírito e da imortalidade só se aviva quando ligado diretamente a questões de interesse pessoal. O católico, o protestante, o espírita se equivalem nesse sentido. Todos buscam os caminhos do espírito para a solução de questões imediatistas ou para garantirem a si mesmos uma situação melhor depois da morte.


A maioria absoluta dos espiritualistas está sempre disposta a investir (este é o termo exato) em obras assistenciais, mas revela o maior desinteresse pelas obras culturais. Apegam-se os religiosos de todos os matizes à tábua de salvação da caridade material, aplicando grandes doações em hospitais, orfanatos e creches, mas esquecendo-se dos interesses básicos da cultura. Garantem os juros da caridade no após-morte, mas contraem pesadas dívidas no tocante à divulgação, sustentação e defesa de princípios fundamentais da renovação da cultura planetária.


A imprensa, a literatura, o ensaio, o estudo, a fixação das linhas mestras da nova cultura terrena ficam ao deus-dará. Falta uma tomada de consciência, particularmente no meio espírita, da responsabilidade de todos na construção e na elaboração da Nova Era, que é trabalho dos homens na Terra. Ninguém ou quase ninguém compreende que sem uma estruturação cultural elevada, sem estudos aprofundados no plano cultural, que revelem as novas dimensões do mundo e do homem na perspectiva espírita, o espiritismo não passará de uma seita religiosa de fundo egoísta, buscando a salvação pessoal de seus adeptos, precisamente aquilo que Kardec lutou para evitar.


A finalidade do espiritismo, como Kardec acentuou, não é a salvação individual, mas a transformação total do mundo, num vasto processo de redenção coletiva. Proporcionar aos jovens uma formação cultural apoiada na mais positiva e completa base espiritual, que mostre a insensatez das concepções materialistas e pragmatistas, dando-lhes a firmeza necessária na sustentação e defesa dos princípios doutrinários, não é só caridade, mas também realização efetiva dos objetivos superiores do espiritismo nesta fase de transição. Sem esse trabalho não poderemos avançar com segurança e eficácia na direção da Era do Espírito. Temos de dar às novas gerações a possibilidade de afirmarem, diante do desenvolvimento das ciências e do avanço geral da cultura, como disse Denis Bradley: “Eu não creio, eu sei!” Porque é pelo saber, e não pela crença, pela fé racional e não pela fé cega, pelo conhecimento e não pelas teorias indemonstráveis, que o espiritismo, como revelação espiritual, terá de modelar a nova realidade terrena, apoiado na confirmação científica, pela pesquisa, dos seus postulados fundamentais. A revelação humana confirma e comprova a revelação divina.


Esse é o problema que ninguém parece compreender. Todos sonham com o momento em que a ciência deverá proclamar a realidade do espírito. Mas essa proclamação jamais será feita, se a ciência espírita não atingir a maioridade, não se confirmar por si mesma, podendo enfrentar virilmente, no plano da inteligência e da cultura, a visão materialista do mundo e a concepção materialista do homem. Por isso precisamos de universidades espíritas, de institutos de cultura espírita dotados de recursos para uma produção cultural digna de respeito, de laboratórios de pesquisa psíquica estruturados com aparelhagem eficiente e orientados por metodologia segura, planejada e testada por especialistas de verdade, capazes de dominar o seu campo de trabalho e de enfrentar com provas irrefutáveis os sofismas dos negadores sistemáticos. É uma batalha que se trava, o bom combate de que falava o apóstolo Paulo, agora desenvolvido com todos os recursos da tecnologia.


Chega de pieguice religiosa, de palestras sem fim sobre a fraternidade impossível no meio de lobos vestidos de ovelhas. Chega de caridade interesseira, de imprensa condicionada à crença simplória, de falações emotivas que não passam de formas de chantagem emocional. Precisamos da Religião viril que remodela o homem e o mundo na base da verdade comprovada. Da caridade real que não se traduz em esmolas, mas na efetivação da fraternidade humana oriunda do conhecimento de nossa constituição orgânica e espiritual comuns, ou seja, da inelutável igualdade humana. De exposições sábias e profundas dos problemas do espírito, nascidas da reflexão madura e do estudo metódico e profundo. Temos de acordar os dorminhocos da preguiça mental e convocar a todos para as trincheiras da guerra incruenta da sabedoria contra a ignorância, da realidade contra a ilusão, da verdade contra a mentira. Sem essa revolução em nossos processos não chegaremos ao mundo melhor que já está batendo, impaciente, às nossas portas.


Não façamos do espiritismo uma ciência de gigantes em mãos de pigmeus. Ele nos oferece uma concepção realista do mundo e uma visão viril do homem. Arquivemos para sempre as pregações de sacristão, os cursinhos de miniaturas de anjos, à semelhança das miniaturas japonesas de árvores. Enfrentemos os problemas doutrinários na perspectiva exata da liberdade e da responsabilidade de seres imortais. Reconheçamos a fragilidade humana, mas não nos esqueçamos da força e do poder do espírito encerrado no corpo. Não encaremos a vida cobertos de cinzas medievais. Não façamos da existência um muro de lamentações. Somos artesãos, artistas, operários, construtores do mundo e temos de construí-lo segundo o modelo dos mundos superiores que explendem nas constelações.


Estudemos a doutrina aprofundando-lhe os princípios. Remontemos o nosso pensamento às lições viris do Cristo, restabelecendo na Terra as dimensões perdidas do seu Evangelho. Essa é a nossa tarefa.
Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 09 de Julho de 2012, 16:40
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Cronologia



1914
Nasce, no dia 25 de setembro, na antiga Província de Rio Novo, hoje a bela cidade de Avaré, no interior de São Paulo.

1923
Redige seu primeiro soneto, com apenas nove anos.

1927
Trabalha, como tipógrafo auxiliar, ajudando na publicação do tablóide O PORVIR, jornal de seu pai, que mais tarde ele dirigiria até 1929.

1930
Publica uma coletânea de pequenos contos, com o título Sonhos azuis, tinha apenas 16 anos incompletos. Nesse mesmo ano, Herculano escreve: "O sonho das vagas", poema em prosa, "Cidades vivas", "Cabo Velho e Cia.", "Nhô Chico Bananeiro" e "O serenista".

1932
Publica seu segundo livro, com dezoito anos de idade, Coração, livro de sonetos e poemas. O lançamento deste livro foi registrado pela imprensa de São Paulo e a do Rio de Janeiro.
Nesse ano assume a direção da tipografia de seu pai e torna o jornal, O Porvir, órgão oficial da União Artística do Interior (UAI) que funda em Cerqueira César.


1936
Transforma o jornal O Porvir em uma revista literária, dando-lhe o nome de A Semana. Neste ano conhece, O livro dos espíritos, de Allan Kardec, e converte-se ao espiritismo.
É eleito presidente do primeiro centro espírita da cidadezinha de Cerqueira César.
Herculano Pires pronuncia sua primeira conferência doutrinária, por ocasião de uma concentração espírita na cidade de Ipauçu, no interior de São Paulo. Nesse evento conheceu Maria Virgínia de Anhaia Ferraz, com que se casa em 1938.


1938
Envia para Cairbar Schutel um artigo analisando o livro de Paulo Setúbal, Confiteor, que Schutel seleciona para publicar na Revista Internacional de Espiritismo. Schutel desencarnou antes da publicação do número da revista que continha o referido artigo.
Em 08 de agosto, cria A Cruzada Papai Noel, com a finalidade de preparar um Natal risonho, para as crianças pobres de Cerqueira César.
Em 11 de dezembro, casa-se com Maria Virgínia Anhaia Ferraz, com quem teve quatro filhos. O casamento foi realizado somente no civil, pois os noivos eram espíritas porém houve uma grande festa para comemorar.


1940
Muda-se para Marília, uma cidade com maiores possibilidades profissionais. Trabalha como jornalista no Diário Paulista, jornal do qual se torna proprietário, com vinte seis anos de idade.

1946
Realiza o I Congresso Espírita da Alta Paulista, onde teve sua tese sobre a formação de Conselhos Espíritas Municipais em todas as cidades, aprovada por unanimidade.
A Editora Lake, publica o livro O reino, tese de Herculano Pires apresentada no I Congresso Espírita da Alta Paulista com o título O espiritismo e a construção de um novo mundo – estabelecimento do reino de Deus na Terra.
A Editora Civilização Brasiliense lança seu livro Estradas e ruas, poemas da Alta Paulista, que recebeu, de Érico Veríssimo, a seguinte crítica: “são vigorosos e me parecem muito mais cheios de substância do que muita coisa que anda por aí, editada e reeditada.”
Em 31 de outubro, muda-se para São Paulo, pois o jornal Diário Popular começava a tornar-se deficitário.


1947
Cria a revista Cabocla, em formato grande, a revista no entanto, não teve a repercussão que merecia e faliu.
Ingressa nos Diários Associados, como repórter e, meses depois assume o cargo de cronista parlamentar, fazendo a cobertura jornalística da Câmara Municipal de São Paulo.
Neste ano Herculano Pires ingressa na Academia Paulista de Jornalismo, ocupando a cadeira cujo patrono — por ele mesmo escolhido — é Cornélio Pires.
Colabora com a realização do l Congresso Espírita do Estado de São Paulo, trabalhando como Diretor de Propaganda e na Comissão de Teses.
Foi integrante do Conselho Deliberativo da USE-SP, fundada em 05 de junho.


1948
Começa a fazer uso do pseudônimo Irmão Saulo, para publicação de crônicas espíritas nos Diários Associados.
Funda o Clube dos Jornalistas Espíritas do Estado de São Paulo que funcionou por 22 anos.


1949
Herculano faz parte do recém-criado Departamento de Educação da USE, onde projeta e convoca o I Congresso Educacional Espírita Paulista, um congresso pioneiro no Brasil.
Funda o Comando Jornalístico do Diário da Noite, sendo que em 19/04/1949, a primeira série de reportagens é publicada: “Há ou não fenômenos espíritas em São Paulo?”.


1950
Dirige o jornal O Kardecista, órgão oficial do Clube dos Jornalistas, fundado em 31 de março.
Realiza no Teatro Municipal de São Paulo, uma das maiores Campanhas do Livro Espírita, do Brasil.
Ajuda a organizar o II Congresso Estadual Espírita, no qual também é palestrante.


1952
Termina de escrever o romance Daga Moriga, que retrata a aparente vida pacata da cidadezinha de Itaí, onde passou grande parte da sua infância.

1953
Escreve o romance Barrabás, o primeiro da trilogia "A conversão do mundo".

1954
A editora Lake publica o livro Daga Moriga.
Em outubro, a TV Paulista canal 5, apresenta o livro Barrabás, em forma de tele-teatro.


1955
Edições O Minuto lança primeira edição de África — um opúsculo contendo um poema que foi distribuído ao público no dia 13 de maio, no auditório do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo, durante sessão comemorativa da libertação dos escravos.
Sua obra Barrabás é laureada com o Prêmio do Departamento Municipal de Cultura de São Paulo.



-  Continua -
Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 09 de Julho de 2012, 16:55
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Cronologia



- Continuação -



1956
Inicia "Os Serões Espíritas", no Clube dos Jornalistas Espíritas do Estado de São Paulo, que consistia debater com o público temas doutrinários, em clima democrático.

1957
É eleito presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo.
Gradua-se em Filosofia, especializando-se em História e Filosofia da Educação, na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo.


1958
Em 14 de janeiro, é sua formatura, no auditório do Teatro de Cultura Artística.
Preside o Clube dos Jornalistas e Escritores Espíritas do Estado de São Paulo e organiza o II Congresso Brasileiro de Jornalistas e Escritores Espíritas em comemoração ao I Centenário da Revue Spirite.
O romance Barrabás é adaptado para o teatro, e apresentado no dia 11 de outubro no Teatro João Caetano.


1959
Herculano assume o cargo de Professor da Cadeira de Filosofia da Educação da Faculdade de Filosofia de Araraquara, exerce este cargo até 1962.

1960
Orienta o Clube dos Jornalistas do Estado de São Paulo a convocar a Primeira Convenção Espírita em Defesa da Escola Pública, realizada em julho no auditório da Federação Espírita do Estado de São Paulo.

1961
Em março, é convidado pelo governador Carvalho Pinto, em nome do Presidente Jânio Quadros, para assumir a chefia do Sub-Gabinete Civil da Presidência da República em São Paulo, cargo que recusa, por não ser político.
Em novembro preside o III Congresso de Jornalistas e Escritores Espíritas, realizado em Belo Horizonte.


1962
A Câmara Brasileira do Livro homenageia Herculano Pires com um diploma “como reconhecimento de sua atuação em favor da difusão do livro e da cultura no Brasil”.
Em agosto, deixa a cátedra na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Araraquara.


1963
Em 30 de agosto, Herculano participa ativamente da criação do Instituto Paulista de Parapsicologia.

1964
A Editora Pensamento publica o livro O espírito e o tempo.

1968
Em 25 de outubro é lançado oficialmente o livro Murais no saguão da Estação da Luz.


1970
Após 22 anos de atividades é extinto o Clube dos Jornalistas e Escritores Espíritas.
A 31 de março, Herculano aposenta-se, aos 56 anos, nos Diários Associados.
Participa da organização do III Congresso Educacional Espírita Paulista.
Em dezembro escreve a primeira revista Educação Espírita.


1971
Termina e publica o romance Lázaro, o segundo livro da trilogia.
Em 03 de janeiro há o lançamento da revista Educação Espírita, no auditório da Federação Espírita do Estado de São Paulo.
Em 17 e 18 de novembro, Herculano ministra um curso de Parapsicologia na PUC.


1972
No dia 25 de junho participa da Segunda Bienal Internacional do Livro, no Parque Ibirapuera , dando autógrafos junto com Chico Xavier.

1974
Devido à publicação, pela FEESP, de uma tradução de O evangelho segundo o espiritismo adulterado, lança o tablóide Mensagem, em defesa da obra de Kardec, distribuindo gratuitamente mais de 60.000 exemplares por todo o Brasil.

1976
Em 19 de agosto, Herculano funda a Editora Paidéia Ltda., sem fins lucrativos, para divulgação da doutrina espírita.

1979
Publica o romance Madalena, que completa a trilogia.
Em 09 de março, retorna ao mundo espiritual. Desencarna às 22 horas, sendo sepultado no Cemitério São Paulo, quadra 37/lote 62 A.




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Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 09 de Julho de 2012, 17:17

Entrevista Coletiva com Heloisa Pires




15º Congresso Estadual de Espiritismo da U.S.E. em Franca/SP






http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=oLoIssjIln0#!
Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 25 de Julho de 2012, 20:57
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Relações Mediúnicas Naturais



O medo da morte é natural, pois o instinto de conservação dos seres é a própria garantia da sua manutenção e sobrevivência. Todo ser é o que é e quer continuar como é. Todas as coisas estão sujeitas a essa lei de inércia, que garante a estabilidade e a instabilidade das coisas no fluxo eterno da realidade mutável. Mas desde as selvas o homem sabe que sobrevive à morte e essa certeza íntima o livra do desespero e o conduz à aceitação e até mesmo ao desejo da morte, quando a vida se lhe torna pesada. O medo da morte gerou o medo dos mortos e o culto dos mortos, convertidos em deuses misteriosos ao deixar o corpo carnal. Os deuses são de duas espécies: bons e maus. Os bons nos protegem, mas os maus têm mais poder do que os bons, e nos convém manter relações amistosas com eles.

Dessa situação ambivalente do homem frente à morte nasceram os rituais da morte e os cultos dos manes ou deuses familiais. Egípcios e sumerianos, árabes e indianos, judeus e fenícios, gregos e romanos, todos possuíam os seus deuses domésticos e os adoravam e temiam. As religiões organizadas exploraram essa situação ao máximo e desenvolveram ao máximo o temor da morte nos povos. Podemos medir o poder de uma religião pela capacidade apavorante dos seus rituais mortuários. Essa exploração serviu como freio para a crueldade dos povos bárbaros, mas deixou em todos nós a marca invisível de Caim. Aprendemos a matar Abel e a temê-lo, pois sabemos que ele sobrevive como um deus que nos pode ferir. É tão forte essa marca em nosso espírito que ainda hoje, nos povos mais adiantados, há pessoas sábias e ilustradas que temem violar o segredo da morte. Os mortos não sobrevivem como seres humanos, mas como seres fantásticos num mundo de mistérios. Por isso, as pesquisas metapsíquicas de Richet, provocando materializações de espíritos, apavoraram a cultura européia, já assustada com o atrevimento de Kardec, que não temia conversar com os mortos. Um dos maiores escritores alemães, assistindo a um desses fenômenos, declarou assustado: “É uma profanação dos mistérios da morte!” E o próprio Richet, só no fim da vida escreveu a Cairbar Schutel: Mors janua vita, ou seja: A morte é a porta da vida. Imunda para os judeus, sagrada para os egípcios, a morte revestiu-se de todas as contradições no Cristianismo e o choro venal das carpideiras antigas transformou-se nas recomendações pagas do sacerdócio, com o lamento de bronze dos sinos e as litanias chorosas dos cultos mortuários. As comunicações mediúnicas dos mortos, conhecidas desde a selva até as mais avançadas civilizações, perderam a naturalidade primitiva para se transformarem nas vozes soturnas que vinham do Além, em reuniões de sabat ou através de evocações dramáticas ou trágicas, no tom assustador das tragédias de Shakespeare, pelas megeras da linhagem da Pitonisa de Endor. Estabeleceu-se a mais rígida separação entre mortos e vivos, o que deu a muitos mortos mais vivos que os vivos a oportunidade de se apresentarem como demônios em manifestações de ectoplasmia, em que o cheiro de ozônio transformou-se no cheiro de enxofre do Diabo. “Não perturbem os mortos!” – pregavam os padres nos púlpitos, enquanto nas próprias igrejas, conventos e mosteiros, como em toda parte, os mortos viviam perturbando os vivos.

Kardec, mais paciente que Jó, expôs-se a todas as maldições e zombarias para mostrar que essa interpretação fantástica não era só absurda e contrária a toda a realidade, mas também ofensiva aos seres humanos que haviam morrido e ressuscitado, como o Cristo ensinara e exemplificara. Foi dura e tenaz a sua luta para restabelecer a verdade sobre a morte. Negaram-lhe tudo: o reconhecimento da sua posição cultural, de seu valor intelectual e científico, de sua sinceridade e seus propósitos elevados, e sua condição de precursor e iniciador da Psicologia Experimental, da descoberta do inconsciente e da catarse psicológica, das instâncias da personalidade, dos arquétipos individuais e coletivos, de iniciador das pesquisas psíquicas de profundidade, descobridor do sentido oculto dos sonhos, da telepatia ou, como ele a chamou, da Telegrafia Humana, da percepção extra-sensorial e descobridor das leis de todos esses fenômenos e da cura dos processos obsessivos que ainda hoje aturde e desanima os mais eminentes psicanalistas e psiquiatras. Tudo isso lhe negaram para reduzi-lo a um charlatão interesseiro, no resguardo dos interesses profissionais de sacerdotes e médicos gananciosos.

Só uma coisa interessava a Kardec: revelar a verdade sobre a natureza e o destino do homem, provar cientificamente a sua sobrevivência natural, como o Cristo ensinara e provara. Para isso esgotou-se em trabalhos excessivos, deixando em apenas quinze anos de lutas a bibliografia espírita fundamental de vinte volumes de quatrocentas páginas em média. Ele foi também o precursor da Era Cósmica, das comunicações telepáticas através do espaço cósmico, da teoria da pluralidade dos mundos habitados, da classificação dos mundos estelares segundo sua constituição física e o grau de desenvolvimento de suas populações. Certos Espíritos lhe falavam de mundos habitados, de civilizações inferiores e superiores à nossa. Ele os interrogava, discutia com eles para avaliar a capacidade intelectual e a pureza espiritual desses informantes. Aceitou as informações como possíveis, mas não as incluiu na doutrina como verdadeiras, pois lhes faltavam as provas objetivas, que só no futuro poderiam ser obtidas. A teoria, como tal, já estava integrada na doutrina, mas as informações específicas sobre cada um deles não podia figurar como princípio. Na Escala dos Mundos, que figura n’O Livro dos Espíritos, explica os tipos de mundos com base nas várias teorias da evolução da Terra. Serviu-se de seus conhecimentos geológicos e astronômicos para essa operação lógica. O famoso astrônomo Camille Flammarion era médium psicógrafo e trabalhava com ele em reuniões mediúnicas da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas. Flammarion escreveu um volume sobre A Pluralidade dos Mundos Habitados. As indicações que alguns Espíritos deram a Kardec sobre a rotação da Lua estavam erradas, o que só foi verificado mais tarde. Na época, esse problema não estava solucionado e não havia nenhuma teoria lógica a respeito. Kardec publicou a informação com reservas, na simples condição de teoria. Fez o mesmo com relação a Marte e Júpiter. As informações sobre Júpiter foram dadas por Mozarth e pelo grande oleiro do Século XVII, Bernard Pallissy. O dramaturgo Victorien Sardou recebeu vários desenhos psicográficos sobre aspectos de Júpiter, que seria o mundo mais elevado do nosso Sistema Solar. Os desenhos foram publicados, com reservas.

É curioso notar que esse roteiro de pesquisas cósmicas foi precisamente o seguido pelas pesquisas astronáuticas atuais: Lua, Marte e Júpiter, os três corpos celestes que figuraram nas primeiras pesquisas atuais. Quanto a Marte as informações recebidas por Kardec foram comprovadas atualmente, com exceção apenas quanto à sua população, que os Espíritos disseram ser primitiva. Júpiter que os Espíritos consideraram como um mundo de matéria bastante rarefeita, a tal ponto que os corpos dos seus habitantes assemelham-se ao nosso corpo espiritual ou perispírito, ou corpo bioplásmico descoberto pelas atuais pesquisas russas na Universidade de Kirov. As sondas espaciais soviéticas e norte-americanas dirigidas a Júpiter confirmaram a natureza mais energética do que massiva desse planeta, o maior do nosso Sistema.

Kardec delimitou a Ciência Espírita ao estudo e pesquisa da vida espiritual e das relações dos espíritos com os homens. Ao tratar da pluralidade dos mundos ele apenas atendia a um interesse lógico da doutrina, mas sempre aguardando o resultado conseguido pelas Ciências especializadas. O Espiritismo, como mundividência, concepção geral do Universo, interessa-se por todos os problemas da realidade cósmica, mas não faz afirmações temerárias sobre questões que dependem de pesquisas das ciências especificas.
Entra nesse problema uma questão não apenas de critério lógico, mas também de conhecimento das possibilidades humanas no estágio evolutivo em que nos encontramos. Os instrumentos da pesquisa espírita, como dizia Kardec, são os médiuns, instrumentos de extrema sensibilidade e complexidade. Todos os médiuns estão sujeitos a interferências anímicas nas comunicações que transmitem. A alma do médium (que é o seu espírito) pode interferir com informações suas pessoais, sem o perceber. Por isso Kardec sempre aconselhou o exame atento das comunicações recebidas, com rejeição de todas as que pudessem ser consideradas suspeitas. Numerosos médiuns, desde antes de Kardec, deram comunicações sobre outros mundos, que não passavam de fantasias facilmente reconhecíveis. Essas fantasias, como as recentes, de Ramatis, muito divulgadas no Brasil, são sempre consideradas como mistificações. Entretanto, as interferências anímicas não constituem mistificações, que são elaborações conscientes, com o fim de enganar. A segurança da comunicação mediúnica depende do controle dos pesquisadores e particularmente da sua experiência na prática mediúnica. Muitas comunicações que Kardec considerava como válidas, do seu ponto de vista pessoal, ele as divulgou sob reserva, por falta de comprovações objetivas. Essa cautela ele a transformou em regra doutrinária. O critério kardeciano mostrou-se seguro através de mais de um século de experiências e os que não o adotaram caíram sempre em situações ridículas, muitas vezes afetando o próprio conceito da doutrina perante os que não conhecem o problema.




- Continuação -
Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 25 de Julho de 2012, 21:24

Relações Mediúnicas Naturais

- Continuação -



A naturalidade das comunicações mediúnicas, e portanto das relações entre os espíritos e os homens, ressalta dessas pesquisas de Kardec. Não há o medo dos mortos influindo na aceitação de maneira supersticiosa nessas relações. Os Espíritos são considerados como criaturas humanas naturais, apenas desprovidas de seus corpos carnais. Simplesmente trocaram de roupas ao viajar para outro dimensão da realidade que escapa aos nossos sentidos físicos. A morte se transforma na páscoa da ressurreição, pois a palavra páscoa, derivada do hebraico, quer dizer passagem. O espírito não se reveste da carne, mas da matéria fluídica do perispírito. Kardec assinalou que essa matéria fluídica é semimaterial, ou seja, constituída de elementos espirituais e materiais em mistura. A descoberta da antimatéria e do corpo bioplásmico vieram sanar as dúvidas dos sábios a respeito. As pesquisas da Universidade de Kirov, na URSS, levaram os cientistas à comprovação de que o corpo bioplásmico é constituído por um plasma físico, ou seja, um elemento que William Crookes descobriu no século passado e chamou de matéria radiante, considerando-o como quarto estado da matéria. Os elementos espirituais se mesclam nesse plasma, constituído de partículas atômicas livres (não ligadas à estrutura de nenhum átomo) formando assim a semimatéria do perispírito, que estabelece a ligação entre o espírito e o corpo material. O fato de a antimatéria, ao contrário do que pensavam os físicos até há pouco, não estar separada da matéria, mas entranhada nela, explica a constituição semimaterial do chamado corpo espiritual. A imagem da crisálida que se livra do casulo para abrir as asas e librar-se no ar, em forma de borboleta, tantas vezes aplicada à morte, confirma a sua validade nessa importantíssima descoberta científica do nosso tempo.

O Espiritismo provou que a transformação produzida pela morte não afeta o espírito. E como a personalidade é o espírito e não o corpo, a identificação dos espíritos de mortos torna-se fácil para os que os conheceram em vida. Através de médiuns flexíveis os espíritos conversam conosco com toda a naturalidade, tirando-nos a falsa idéia de que se tornaram estranhos ou se metamorfosearam em entidades sobrenaturais. Nas sessões de voz-direta, sem usar o médium como instrumento, servindo-se apenas da sua ectoplasmia, essas conversações nos despertam a compreensão da vida num sentido que nem os místicos e videntes conseguem obter, por continuarem apegados à idéia falsa do sagrado ou do demoníaco, ambos deformantes da realidade física e da realidade espiritual. As igrejas e as ordens ocultistas – necessárias nas fases anteriores da evolução humana – hoje não podem mais corresponder às exigências espirituais do mundo. Seus rituais, seus dogmas, seus signos e aparatos não impressionam mais a ninguém. E na proporção em que as ciências avançam em suas pesquisas, a cultura se amplia atingindo a unidade do Conhecimento, bênçãos e maldições, sacramentos e rezas, todo o formalismo aparatoso dos cultos, os segredos guardados a sete chaves e a pompa grotesca e não raro forçada dos clérigos e mandatários divinos, guardiães da Arca Sagrada e dos mistérios de Isis, aparecem aos olhos do povo como encenações e aparelhagem teatral.

Estamos no fim do mundo da trapaça, dos malabarismos impressionantes, das sugestões hipnóticas, da falsa importância e do falso poder dos que se dizem ministros de Deus ou gurus e ioguis detentores de poderes sobrenaturais. Caem as máscaras da hipocrisia na moral e na religião. O homem se emancipa e reconhece a sua condição humana com destino transcendente, mas de uma transcendência que não depende de sagrações, unções, ordenações de natureza secreta. Os poderes do homem não são sobrenaturais, estão nele mesmo, no seu íntimo, e o fazem superar o comum, transcender a condição geral através do desenvolvimento natural de suas potencialidades morais e intelecto-afetivas, volitivas e cognitivas. Fora disso, tudo são balelas de um passado agonizante e ridículo. Vai longe o tempo em que o Cardeal de Richelieu podia traçar um círculo imaginário ao seu redor, usando o seu misterioso latinório, para que os adversários não o agredissem.

Por isso, o Espiritismo só admite, em seu aspecto religioso, ligado à Ciência e a Filosofia, portanto à Razão, a prática da prece e do recolhimento em seu culto, a persuasão e o esclarecimento em lugar dos exorcismos pagãos, e só reconhece uma autoridade espiritual no trato com os espíritos: a autoridade moral. Fora disso, não há títulos nem fórmulas sacramentais, nem rezas especiais, nem símbolos religiosos que possam livrar uma criatura perturbada dos espíritos inferiores que a assediam.

Entre os rabinos de barbas untadas de óleo aromático e envoltos em suas vestes sagradas e os romanos de barba raspada, marcados pelos signos de César, Jesus de Nazaré preferiu a túnica de estamenha dos carpinteiros humildes. As quinquilharias sagradas e as insígnias oficiais nada representam para os Espíritos, que não vivem mais no mundo fantasioso dos homens, mas no seu próprio mundo. Libertos do corpo material, eles guardam por algum tempo os costumes e hábitos, os falsos conceitos e a estreita visão das coisas que levaram da Terra. Mas pouco a pouco, nos choques inevitáveis da sua conduta terrena com o novo mundo em que se encontram, vão sendo obrigados a adaptações renovadoras. Os antigos hebreus, como nos ensina Matim Burbe, consideravam o plano espiritual mais próximo da crosta terrena como mundo da ilusão. Nesse mundo, aparentemente semelhante ao nosso, mas com muitas condições diferentes, os espíritos mais apegados à vida material ali conservam suas velhas ilusões o mais que podem, mas a realidade nova se impõe a cada instante e eles acabam percebendo que as vibrações morais são mais poderosas do que as tradições humanas. A autoridade moral não decorre de títulos e posições, mas do poder natural do espírito equilibrado.

As relações desses espíritos com os homens são naturais, pois os homens são espíritos e por toda parte os espíritos se comunicam uns com os outros. Essa naturalidade se acentua quando sabemos que esses espíritos estão no mesmo plano em que estamos, são nossos vizinhos dimensionais e convivem conosco. Desde as selvas por toda a Antigüidade sabemos que estamos divididos dos espíritos dos mortos por uma tênue barreira, um só dos véus de Isis, de maneira que eles se misturam a nós e interferem em nossos pensamentos e sentimentos, muitas vezes a nosso pedido. Kardec demonstrou isso de maneira absoluta e a Parapsicologia atual sancionou com novos métodos de pesquisa essa realidade em toda a sua extensão. A telepatia é uma realidade social permanente nas relações humanas e nas relações do intermúndio. Todos nós falamos constantemente com os espíritos que vivem ao nosso redor, e não raro de maneira consciente. O trânsito permanente entre os dois mundos, o dos homens e o dos espíritos, se processa a todo instante. Os que morrem no aquém vão para o além, os que nascem no aquém procedem do além. Nessa convivência multimilenar o medo dos mortos é um contra-senso que só os preconceitos religiosos e materialistas podem justificar. Falar em profanação da morte, violação do mistério e coisas semelhantes é simples absurdo, ante essa realidade das inter-relações milenares entre homens e espíritos.

As provas acumuladas a respeito nas sociedades de pesquisas psíquicas, nos anais da Metapsíquica e na vasta literatura de pesquisa séria, em obras publicadas por cientistas eminentes do século passado e do nosso século, todas elas atualmente comprovadas pelas pesquisas recentes, não deixam margem alguma para dúvidas. As exigências científicas nesse campo foram todas cobertas por pesquisas rigorosas realizadas por figuras exponenciais das Ciências. Mas a menor dúvida levantada anulava os esforços realizados e seus inegáveis resultados. Os métodos de pesquisa sob controle estatístico, na Parapsicologia atual, – postos também em dúvida – acabaram vencendo a teimosia dos cientistas alérgicos ao futuro (segundo a expressão de Remy Chauvin) e a aceitação inevitável da realidade implicou no assunto as áreas ideologicamente materialistas da URSS e sua órbita. O que mais querem os negadores? Que os levemos a uma assembléia do mundo dos espíritos? Isso não compete a nós, mas à morte, que fatalmente os levará para esse mundo, sem os convidar nem lhes pedir licença.

O caso dos agêneres é a comprovação objetiva da realidade dessas relações mediúnicas naturais. O agênere (não gerado) é uma espécie de materialização espontânea, sem reunião especial, sem médiuns presentes, em pleno dia, nas ruas e praças, a céu-aberto, em que uma pessoa falecida encontra um amigo ou um parente, abraça-o, conversa com ele e despede-se naturalmente. Os casos comprovados são numerosos. Assim, o direito espírita de tratar desses assuntos, que as igrejas se reservam a si mesmas e negam ao Espiritismo, é um direito natural, decorrente das próprias condições humanas e comprovada pelas manifestações espontâneas em todos os tempos e em todas as latitudes geológicas e históricas do nosso planeta.




Curso Dinâmico de Espiritismo - Herculano Pires



Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 25 de Julho de 2012, 22:16
Entrevista para o Futuro - 40 anos depois



Entrevista exclusiva que J. Herculano Pires concedeu a Jorge Rizzini, em 14 de julho de 1972, e que foi mantida inédita por 40 anos. A data lembra a Tomada da Bastilha, evento central da Revolução Francesa, ocorrido em 14 de julho de 1789.




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Jorge Rizzini - Quem vos fala é Jorge Rizzini, e hoje é o dia 14 de julho do ano de 1972. E eu me encontro nesse momento na casa de Herculano Pires a fim de gravar, nesta fita, uma conversa assim, vamos dizer, que será julgada para a posteridade. Esta fita, não vamos divulgá-la na atualidade. É realmente o futuro; visa aos ouvintes do futuro. Isto é muito importante, porque é um depoimento que irá ficar na história do espiritismo, na história do movimento espírita de São Paulo e do Brasil. Informal, sem outro objetivo que não seja aquele de dar o parecer do Herculano Pires, o parecer atual de Herculano Pires, porém projetado no futuro. É uma visão, vamos dizer, à distância e vendo o futuro.

De modo que nós vamos, primeiramente, fazer a seguinte pergunta ao Herculano, porque se trata de um homem que tem realmente uma visão muito ampla, uma visão aprofundada das culturas de vários países e de várias épocas. Vamos perguntar ao Herculano o seguinte: suponhamos que Herculano Pires estivesse no século passado, vivendo na França, e visse nas livrarias de Paris O livro dos espíritos, de Allan Kardec, que então teria sido lançado neste dia. Como Herculano veria essa obra? Qual a impressão que teria após a leitura dessa obra?

J. Herculano Pires - Jorge Rizzini, você me dá uma oportunidade de fazer aqui, já que você não pretende divulgar imediatamente isto – esta é uma fita que vai ficar para o futuro –, eu nunca pensei que tivesse oportunidade de falar para o futuro. Acho que é uma pretensão muito grande, mas em todo caso, como você está abrindo esta porta, eu vou falar para o futuro.

Eu queria dizer a você que no século passado, e isto não é um sonho, uma ilusão, é uma convicção adquirida através de pesquisas que eu fiz – que nunca revelei a ninguém –, mas que eu fiz levado por uma revelação, uma revelação completamente inesperada através de um médium inteiramente ignorante no assunto, e que me abriu o caminho para uma possibilidade muito interessante. Vamos esclarecer isto. No século passado, eu estive na França realmente, mas não era francês; eu era português, eu morava em Portugal, tive uma encarnação em Portugal. Eu fui parar na França como exilado, e como exilado eu tomei conhecimento do espiritismo.

Mas não aceitei o espiritismo, porque eu era católico, e era um tipo de católico muito interessante – muito comum, aliás, em Portugal naquela época –, um católico que discordava dos padres, brigava com o clero e não aceitava muito o catolicismo. O meu desejo era encontrar uma forma de fazer o cristianismo voltar ao seu estado primitivo, quer dizer, voltar à verdade pura do Cristo. Era este o meu desejo. Como naquela época eu era também jornalista, como sou hoje, isso ficou gravado em alguns jornais portugueses – e se pode constatar –, de modo que isso me facilitou muito a verificação da realidade.



Jorge Rizzini - Um pormenor, Herculano: você se lembraria do nome que então você tinha?

J. Herculano Pires - Eu não quero dizê-lo Rizzini, você me perdoa isso; mas eu não quero dizer. Eu sei que nessa ocasião...



Jorge Rizzini - Mas é uma fita para o futuro!

J. Herculano Pires - Sim, mas o futuro depois verá. Mas eu tive então a oportunidade de saber que estava se processando uma nova revelação, aquela coisa toda. Mas como católico, eu tinha ideia de que Portugal era um país profundamente católico e que qualquer infiltração de outra religião lá seria prejudicial, porque o povo não estava à altura – segundo eu pensava – de aceitar uma nova concepção de Deus. Então eu não adotei o espiritismo, continuei católico até o fim, mas um católico às avessas porque completamente em luta com o próprio clero.

Então eu diria a você: eu não tenho certeza se eu vi algum livro espírita. Eu sei que tive conhecimento do espiritismo, mas se eu visse O livro dos espíritos em Paris nesse dia 14 de julho, naquela época, na Tomada da Bastilha, na data da Tomada da Bastilha, certamente não teria o impacto que hoje me provocaria essa visão. Porque não sabia ainda o que era o espiritismo, nem compreendia, nem tinha possibilidade de saber que o espiritismo realizava aquele meu sonho, o sonho da volta ao cristianismo primitivo. Só depois de passar para o mundo espiritual foi que eu tive contato pleno com a nova revelação.

E interessante: foi no espaço em que eu me tornei espírita. Quando eu vim para a Terra, portanto, nascendo aqui no Brasil, dessa vez, e nascendo em Avaré, no estado de São Paulo, no dia 25 de setembro de 1914...



Jorge Rizzini - Um menino católico também...

J. Herculano Pires - Também de uma família católica, tendo educação católica, eu, entretanto, já trazia ideias espíritas bem acentuadas, que foram se revelando em mim independentemente de qualquer influência exterior, de maneira que, agora sim, se eu tivesse depois disso um encontro com O livro dos espíritos, numa livraria de Paris, para mim seria uma grande emoção, uma emoção extraordinária.



- Continua -




Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 25 de Julho de 2012, 22:19
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Entrevista para o Futuro - 40 anos depois


- Continuação -



Jorge Rizzini - E se você encontrasse, nesta hipótese, por uma das ruas do centro de Paris, de súbito, ao dobrar uma esquina, a figura de Allan Kardec?

J. Herculano Pires - Bom, se eu encontrasse agora, nesta época, quer dizer, depois que sou espírita, então para mim seria uma coisa extraordinária, porque Allan Kardec representa para mim a figura exponencial dos novos tempos na Terra. Assim como Jesus veio para implantar no mundo o reino de Deus, e realmente realizou esse trabalho maravilhoso de implantação do reino de Deus, ele o implantou no coração e na consciência dos homens, dos poucos homens que foram capazes de compreendê-lo até hoje, mas implantou na Terra.

E esse reino de Deus vai se desenvolvendo lentamente através dos séculos e vai se realizando apesar dos homens, de maneira que Jesus representou essa figura extraordinária, e Kardec é o seu continuador. Kardec foi aquele que veio trabalhar na era decisiva da implantação do reino de Deus em maior amplitude, quando o reino de Deus vai se efetivar na Terra. Kardec é que trouxe – recebendo o amparo do Espírito da Verdade, a revelação que o Espírito da Verdade transmitiu – esta possibilidade extraordinária de abrir as perspectivas do mundo para uma era inteiramente nova, que está nascendo aos nossos olhos neste momento, neste século 20.



Jorge Rizzini - Muito bem, Herculano. Então se passaram cento e tantos anos que Allan Kardec fez a codificação da doutrina espírita no planeta Terra. Pois bem, como você vê hoje, cento e tantos anos depois, a doutrina espírita em face da humanidade atual?

J. Herculano Pires - Vejo a doutrina espírita, nesse momento, como a única solução para os problemas que afligem a nossa humanidade. Realmente é ela que traz o remédio para todos os males do planeta. Por quê? Porque ela indica os caminhos em todos os sentidos, ela representa, neste momento na Terra, o alicerce de uma nova civilização: a civilização do futuro – para a qual talvez nós estejamos falando nesse momento.

Essa civilização do futuro será construída pelos lineamentos da doutrina espírita. A doutrina espírita é o planejamento geral dessa civilização, e ela está se erguendo nesse sentido, sobre esses alicerces – os alicerces da codificação –, incluindo-se também na codificação, é conveniente dizer, os doze volumes da Revista Espírita do tempo de Allan Kardec, redigidos por ele. Incluindo-se aí, nós temos então um vasto alicerce sobre o qual se desenvolverá a civilização do futuro. Isso nós estamos vendo agora, Rizzini, neste momento, porque nós estamos vendo que tanto no campo das ciências, quanto da filosofia, quanto no campo da religião, os lineamentos do espiritismo estão sendo cumpridos, estão sendo seguidos para a construção de um novo edifício.



Jorge Rizzini - Bem, Herculano, você acaba de abrir um parêntese aqui. Nós vamos formular, de acordo com o que você disse, três perguntas que são básicas para esses ouvintes. Primeira pergunta: como você vê, em face da evolução dos nossos dias, o aspecto científico do espiritismo? É a primeira pergunta. A doutrina espírita responde aos anseios, às interrogações da ciência moderna, nesse momento em que o homem está buscando novos mundos através da astronáutica?

J. Herculano Pires - Você tocou no ponto importante para se desenvolver o problema. Realmente, a simples pesquisa cósmica que se está fazendo neste momento já vem confirmar um dos pontos básicos do espiritismo. É o espiritismo no campo do pensamento moderno, aquela doutrina que afirmou e que vem afirmando há quase um século e meio, vem sustentando a existência real dos mundos habitados no espaço. Assim, o espiritismo precedeu de mais de um século o advento da astronáutica.

Isto bastaria para mostrar que no campo das ciências, nós encontramos no espiritismo uma antecipação muito grande a todas as conquistas atuais, porque a astronáutica, ela não resulta apenas de uma tentativa isolada de penetração no cosmos; a astronáutica resulta de um conjunto de evoluções científicas, de processos de desenvolvimento em vários campos da ciência que permitiram então essa tentativa cósmica. Mas, considerando que a ciência que mais contribuiu para esse desenvolvimento foi a física, nós podemos examinar no campo da física o que se passa neste momento. Nós sabemos que depois da penetração, na estrutura da matéria através da física atômica e depois da física nuclear, nós agora já estamos além da matéria com a descoberta, pela física, da antimatéria.

Ora, a descoberta da antimatéria representa inegavelmente um rompimento de toda estrutura puramente materialista da física do século 18 e do século 19. A física perde, por assim dizer, a sua qualidade de ciência da matéria, porque ela já passou a investigar o campo da antimatéria, reconhecendo que essa antimatéria, não obstante esteja presente junto à matéria, não obstante se entranhe, por assim dizer, na matéria, interpenetrando-a, esta antimatéria não é matéria. Por isso mesmo que lhe dá o nome de antimatéria. Ela representa um outro elemento. E, além disso, nós sabemos que esta conquista da física projetou-se, por exemplo, na astronomia, de uma maneira bastante significativa, porque os astrônomos, diante das conquistas progressivas da física no campo na antimatéria, passaram a admitir a existência de mundos de antimatéria.

Esses mundos de antimatéria no cosmo podem ser considerados por nós, espíritas, como aqueles elementos que constituem o outro mundo, o mundo espiritual de que fala o espiritismo. Ora, descobrindo-se então a existência dos mundos espirituais no espaço, nós estamos em face de uma perspectiva inteiramente nova nas ciências e que vem confirmar princípios básicos do espiritismo. Mas, caminhando ainda no campo da astronomia, nós veremos que até certos enganos verificados nesse processo científico deram resultados favoráveis ao espiritismo.



-  Continua -
Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 25 de Julho de 2012, 22:31
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Entrevista para o Futuro - 40 anos depois


- Continuação -




Eu quero lembrar aqui, por exemplo, uma teoria exposta no livro de Isaac Asimov sobre o universo, uma teoria que ele formulou para explicar a possibilidade da existência simultânea de mundos de matéria e de antimatéria no espaço. De acordo com o que pensavam os cientistas até há pouco tempo, até a questão de uns dois ou três anos atrás, de acordo com o que pensavam os cientistas, os mundos de antimatéria eram completamente isolados, distanciados dos mundos de matéria. Não poderia haver um encontro, um contato desses mundos, porque eles explodiriam. Isso em virtude do quê? Em virtude de pesquisas de laboratório, onde a criação, a produção de uma partícula que fosse, uma partícula mínima atômica de antimatéria, essa produção não tinha duração, porque ela mal se encontrava com a partícula contrária de matéria, da sua mesma natureza, mas oposta, e as duas explodiam e, dessa explosão, resultava a formação de raios gama.

Então os cientistas chegaram à conclusão de que como há fontes no espaço, grandes fontes distanciadas da Terra, de raios gama, que eram captados aqui, essas fontes deviam representar explosões de mundos materiais e antimateriais que se encontraram. Pois bem, esta teoria levou então os cientistas a procurarem uma hipótese para a explicação da possibilidade de mundos materiais e antimateriais permanecerem conjuntamente no espaço, sem explodir durante milhões e milhões de anos. E a conclusão foi a seguinte: a hipótese mais aventada e que mais conseguiu sustentação foi a que Isaac Asimov expõe nesse livro, a hipótese de que no seu estado natural, grandes massas de antimatéria constituindo mundos, e de matéria também, ao se encontrarem, elas não provocavam explosão imediata porque, agindo uma sobre a outra, produziam um terceiro elemento, que seria uma espécie de intermediário entre a matéria e a antimatéria. A este elemento eles deram o nome de fluido. Um fluido ainda desconhecido, que separava os dois mundos e permitia que eles vivessem conjuntamente.

A explicação de Asimov é muito curiosa, porque ele diz que quando uma gota d’água cai na chapa do fogão, a gota não se evapora imediatamente, porque ao tocar a chapa ela produz vapor; o vapor a levanta sobre a chapa, ela fica no ar, e então continua ainda a existir durante um certo tempo, graças ao vapor que separa a chapa do fogão da água. Esta é a explicação que ele deu para se ter a ideia da possibilidade da convivência dos dois mundos no espaço, de matéria e antimatéria. Pois bem, essa explicação coincide com a teoria espírita do perispírito, que permite a existência conjunta do espírito e da matéria, do corpo material.

O corpo perispiritual, que é considerado no espiritismo como semimaterial, segundo nós vemos no Livro dos espíritos – quer dizer, contendo elementos de matéria e elementos espirituais –, este corpo serve de intermediário entre o espírito e a matéria. Pois bem, a teoria física para explicação da convivência de mundos de antimatéria e mundos de matéria no espaço vem reproduzir simplesmente no plano cósmico a teoria espírita existente para o microcosmo, que é o nosso corpo.

Acho que este passo da ciência é de grande importância. Mas sabemos que posteriormente, dois ou três anos depois, os cientistas soviéticos materialistas descobriram, nas suas pesquisas de laboratório, que a antimatéria existe aqui mesmo na Terra, e ligada mesmo ao átomo; o antiátomo e o átomo estão interpenetrados. Esta outra descoberta traz uma posição também muito favorável ao espiritismo, porque vem confirmar a interpenetração de espírito e matéria, que é sustentada como fundamento da doutrina espírita.



(http://www.fundacaoherculanopires.org.br/images/stories/entrevista_para_o_futuro_rhine.jpg)
Professor Rhine


Jorge Rizzini - E você acredita, Herculano Pires, que a ciência materialista dos nossos dias, que já fez essas descobertas formidáveis, que confirmam pelo menos em parte o que a doutrina espírita vem apregoando há mais de um século, você acredita que essa ciência materialista, em particular a parapsicologia, essa ciência irá comprovar todos os fenômenos que Allan Kardec, há mais de cem anos, comprovou e deu em miúdos, em trocados, no seu livro O livro dos médiuns?

J. Herculano Pires - Nem há dúvida a respeito. Nem há dúvida pelo seguinte: porque você falou da parapsicologia. Bom, nós estamos falando da física. A física é, como disse o professor Rhine – que é um dos fundadores da parapsicologia moderna –, a física foi até agora a ditadora das ciências. Todas as ciências seguiram os métodos físicos de pesquisa e basearam-se sempre nos conceitos físicos para a sua formulação de hipóteses e as suas concepções. Pois bem. Apesar disso, a física, como nós vimos, já rompeu os limites físicos da sua estrutura, ela penetrou no campo do espírito.

Quanto à parapsicologia, ela não é propriamente uma ciência que possa ser incluída no campo materialista. Aliás, foi uma das declarações mais importantes dos seus fundadores, tanto o professor Willian McDougall, inglês, quanto o professor Joseph Banks Rhine, norte-americano, a declaração de que a parapsicologia era a ciência que dava o primeiro passo no rompimento do arcabouço materialista da nossa concepção científica do universo. Realmente era, porque quando ela provou, em 1940, depois de dez anos de pesquisa intensiva de laboratório, quando a parapsicologia provou a existência da telepatia e da clarividência, sendo em primeiro lugar a clarividência, ela já demonstrou aquilo que o professor Ernesto Bozzano dizia: demonstrou que existe no homem um conteúdo que não é físico, não é material.



(http://www.fundacaoherculanopires.org.br/images/stories/entrevista_para_o_futuro_mcdougall.jpg)
Professor Willian McDougall


Então a parapsicologia deu um passo realmente anterior ao passo da física no rompimento do arcabouço materialista da nossa concepção do universo. Mas, na parapsicologia atual, nós já vemos que praticamente a escala de fenômenos paranormais, ou de fenômenos mediúnicos, registrados no Livro dos médiuns, desde a simples transmissão de pensamento até a clarividência, a precognição – ou visão do futuro –, a retrocognição e assim por diante, subindo essa escala, nós vamos passando pelos fenômenos teta, que são os fenômenos de manifestações do espírito, e vamos chegar até mesmo a este último fenômeno que está sendo investigado atualmente que é o da memória extracerebral, ou seja, chegamos ao campo da reencarnação.

Então vemos que a parapsicologia cobriu praticamente, a partir dos fenômenos mais simples, mais rudimentares, como a telepatia e a clarividência, cobriu todo o campo fenomênico do espiritismo. Quanto à materialização, que você lembrou, ela também está incluída, não só pelas pesquisas já feitas pela metapsíquica e que a parapsicologia atual aceita – mas pretende renovar no campo de pesquisas –, mas também pelas pesquisas feitas na parapsicologia sobre os fenômenos psicocinéticos, ou seja, de ação da mente sobre a matéria: os fenômenos chamados psi-kapa.

De maneira que no campo geral da fenomenologia espírita, a parapsicologia como ciência de tipo comum, ligada às ciências normais, sem nenhuma tentativa assim de colocação do problema em termos espíritas, ela já endossou praticamente toda a verdade espírita.



- Continua -
Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 25 de Julho de 2012, 22:41

Entrevista para o Futuro - 40 anos depois


- Continuação -



Jorge Rizzini - Perfeito. Vamos então à segunda pergunta, Herculano. E a sua resposta é dirigida aos ouvintes do futuro. Esta fita pretende ser guardada, ser doada ao Museu Espírita da Guanabara. Ela, portanto, pertence ao homem do futuro. Como você vê o espiritismo hoje, em 1972, em face da filosofia?

J. Herculano Pires - Esta pergunta é bastante interessante, Rizzini, porque realmente a filosofia espírita é uma filosofia de renovação, como nós já tivemos a ocasião de ver no início da conversa. É uma filosofia que pretende renovar inteiramente a nossa concepção do mundo, da vida e do homem, e que está – não apenas pretende –, porque ela está realmente na prática promovendo essa transformação.

Nós sabemos que no nosso século, o século 20 em que estamos, a filosofia característica desse século, considerada por todos os que conhecem o assunto, é a chamada filosofia da existência, a filosofia existencial ou, como alguns chamam, o existencialismo. Pois bem, no campo da filosofia da existência, nós temos várias divisões: temos o seu nascimento, por exemplo, no meio puramente protestante, com Søren Kierkegaard. Mas temos também o seu desenvolvimento no campo católico, com Gabriel Marcel, na França, e temos o desenvolvimento também na Alemanha, no campo protestante dessa filosofia, com grandes pastores e grandes pensadores.

E temos, como sabemos, na França, ainda, o grande desenvolvimento dessa filosofia no campo, não digo materialista, mas pelo menos no campo do ceticismo e ligada praticamente ao ateísmo, que é a corrente que tem à sua frente Jean Paul Sartre. O existencialismo sartriano é a filosofia da negação, a filosofia do nada. Mas quando nós investigamos o problema do existencialismo em relação com o espiritismo, nós vemos que o espiritismo se antecipou mais de cem anos ao aparecimento, ao desenvolvimento desta filosofia em nosso tempo. Não digo propriamente o aparecimento, porque Kierkegaard é praticamente um contemporâneo de Kardec.



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Kierkegaard



Mas Kierkegaard não fundou uma filosofia; ele apenas deu as notas fundamentais que seriam desenvolvidas posteriormente e que tomariam então, em nosso século, o aspecto de filosofia da existência. Portanto, o problema foi colocado, mas não desenvolvido. Ora, nós verificamos o seguinte: a filosofia da existência tem por finalidade examinar o problema do ser através da existência. A existência nos oferece a possibilidade de uma investigação do ser, não apenas no campo do pensamento abstrato, através da cogitação filosófica, mas diretamente no estudo do homem. O homem é o ser que está concretizado na Terra, manifestado na Terra. Esse homem manifestado na Terra, ele nos oferece uma possibilidade de abordagem para o estudo filosófico do ser, de maneira, podemos dizer, quase concreta.

Pois bem, essa tentativa da filosofia da existência, que inverte os termos da filosofia clássica, em vez de partir do exame dos problemas puramente espirituais para a indagação filosófica, parte da existência viva do homem na Terra – essa posição é precisamente a posição espírita. Quando Kardec afirmou que nós temos de investigar a natureza do homem através da mediunidade – porque a mediunidade oferece um novo campo para a descoberta dessa verdadeira natureza humana –, ele já se colocava na mesma posição de Kierkegaard, com uma diferença: que Kierkegaard partia, como teólogo, de uma posição abstrata, ao passo que Kardec partia, como cientista, de uma posição concreta.

Ele submetia a criatura humana a todas as experiências necessárias para investigar a realidade essencial do homem. E foi através dessa investigação que ele descobriu não só o espírito humano encarnado, mas também a possibilidade das comunicações e manifestações dos espíritos desencarnados. Isto é de importância muito grande. A filosofia da existência implica ainda no exame da importância da existência do homem na Terra, e do seu destino, o seu destino após o terminar a existência.

Podemos lembrar, por exemplo, que Martin Heidegger, na Alemanha, que foi praticamente um dos mestres de Sartre, Martin Heidegger na sua filosofia do ser – ele que se nega a se chamar existencialista, mas que se inclui na filosofia da existência, porque a sua posição é tipicamente existencial –, ele na sua filosofia do ser afirma o seguinte: que o homem, ou melhor, o ser se completa na morte... [inaudível] E de experiências de vital importância para ele, e ele completa realmente um ciclo da sua evolução, partindo então para uma experiência no espaço, da qual voltará em nova existência na Terra. Como vemos, a filosofia, no campo da filosofia, o espiritismo está também confirmado pela mais recente corrente de filosofias atuais, sem contar as confirmações anteriores, que vêm desde Platão, desde os gregos, através de todo espiritualismo na filosofia clássica.


Jorge Rizzini - Perfeito, Herculano Pires. E vamos então à terceira pergunta básica, para os ouvintes do futuro. Como você enxerga, qual a visão que você tem do espiritismo, do ponto de vista religioso, em face do mundo moderno e em face das religiões atuais, em geral?

J. Herculano Pires - Nesse campo também nós assistimos aquilo que podemos dizer uma verdadeira corrida do pensamento contemporâneo em direção aos princípios espíritas. Poderíamos lembrar, por exemplo, inicialmente, no campo do catolicismo, o catolicismo romano, que tem sido o mais renitente, o mais teimoso em permanecer no passado. Nós vemos que a Igreja Católica Apostólica Romana apresenta-se fragmentada e profundamente abalada em nosso tempo. E fragmentada não apenas na sua estrutura religiosa, social e política, mas também fragmentada no tocante ao seu pensamento, à sua solidez teológica, que desapareceu ao impacto do mundo moderno.

Então nós vemos as renovações que se passam no catolicismo, todas elas na direção da verdade espírita. Poderíamos falar exteriormente, no tocante ao culto, à liturgia, às transformações, seguindo essa tese famosa, que se tornou famosa em nosso tempo, do esvaziamento da Igreja, no sentido de esvaziar a Igreja de todos os acessórios que lhe foram dados através dos séculos, para que ela possa voltar ao cristianismo primitivo. A eliminação das imagens, dos altares excessivos, de todos os enfeites que existem na Igreja, a eliminação do ritualismo, de tudo isso que está realmente desaparecendo. Isso tudo está mostrando que, do ponto de vista exterior, as religiões – isto não se passa apenas no catolicismo, como sabemos, mas nas demais religiões –, estão caminhando para aquela simplicidade primitiva do cristianismo que o espiritismo sustenta, defende e prega. Mas no campo teológico, que é o mais importante porque é o substancial, é o campo do pensamento dirigindo as igrejas, nós encontramos essa revolução extraordinária que está aí.



(http://www.fundacaoherculanopires.org.br/images/stories/entrevista_para_o_futuro_chardin.jpg)
Padre Teilhard de Chardin


Por exemplo, a teologia do padre Teilhard de Chardin no catolicismo. O padre Teilhard de Chardin foi quase fulminado pelos anátemas dos seus contemporâneos. No entanto, agora, a Igreja está caminhando rapidamente para a aceitação de todas as teses do padre Chardin. E quais são essas teses? Basta dizer que o padre Chardin nos parece, quando nós lemos o seu livro fundamental, O fenômeno humano, ou qualquer outro dos seus livros, nos parece um decalque, ou simplesmente uma cópia carbono, modificada um pouco para se adaptar ao pensamento católico, dos livros de Léon Denis, que foi o continuador de Allan Kardec, o discípulo dele.


- Continua -




Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 25 de Julho de 2012, 22:51

Entrevista para o Futuro - 40 anos depois


- Continuação -




Jorge Rizzini - Aproveitando essa deixa, vamos abrir um parêntese: você acredita então, Herculano Pires, que a doutrina espírita, avançando como está, avançando dia a dia por toda a superfície da Terra, acredita que o espiritismo, pelo seu desenvolvimento no sentido da amplitude do movimento espírita de todos os países, acredita que o espiritismo irá dominar totalmente, as religiões irão desaparecendo aos poucos, em face das conversões do povo, das massas?

J. Herculano Pires - Rizzini, eu não encaro precisamente assim. Eu acredito que a função do espiritismo, como, aliás, queria Kardec desde o princípio, ele não pretendeu, segundo ele declara positivamente, inclusive no livro O que é o espiritismo, ele não pretendeu de maneira alguma fazer uma nova religião, entre tantas religiões existentes na Terra. Ele queria, como codificador do espiritismo, dar uma contribuição para a modificação das religiões, para a modificação da concepção humana a respeito da vida na Terra.

Essa contribuição é que era importante, era a que ele dava grande importância. Mas nós sabemos que o Espírito da Verdade, em suas comunicações com Kardec, e outros espíritos pertencentes à sua falange, deram grande importância ao problema religioso. Por quê? Porque o problema religioso é fundamental. O homem que não estiver integrado numa concepção religiosa profunda, ele não tem as possibilidades da evolução necessária, não se abrem diante dele as perspectivas do futuro como devem se abrir. É necessário que haja religião.

Eu entendo que o espiritismo não irá dominar a Terra, como uma forma religiosa. Entendo que ele fará o que o cristianismo fez, com relação à transformação do mundo antigo, o mundo clássico greco-romano. Nós sabemos que o cristianismo modificou esse mundo em todos os seus aspectos; modificou no campo da política, modificou no campo jurídico, no campo filosófico, no campo das estruturas sociais, enfim, em todos os sentidos ele modificou, de acordo com os seus lineamentos, os lineamentos cristãos. Estes lineamentos não eram perfeitos, a modificação não foi total. Mas o espiritismo está realizando o completamento dessa obra; o espiritismo está transformando tudo através da influência dos seus princípios fundamentais, porque esses princípios correspondem à realidade, correspondem à verdade.



Jorge Rizzini - Mas o espiritismo, dominando, penetrando em toda a humanidade, reformando, trazendo à humanidade uma nova cultura, uma nova visão de Deus, uma nova visão do destino, uma nova visão cósmica, as religiões irão subsistir?

J. Herculano Pires - Acredito que as religiões podem subsistir. Não todas, é claro, porque há religiões ainda tão retrogradas, tão atrasadas mesmo no seu desenvolvimento, que não podem atingir o futuro, a não ser que se reformulem totalmente. Mas nós sabemos que uma característica do ser, ou seja, da criatura, seja ela humana ou divina, uma característica é a sua individualidade. Cada criatura humana é uma posição na corrente do tempo, assim como um barqueiro na corrente de um rio tem a sua posição própria e o outro tem outra. Cada consciência humana tem, portanto, a sua própria posição diante da vida, do mundo e dos problemas humanos.

Então, nós sabemos que os homens nunca poderiam ser totalmente aglomerados numa posição única. E essas diferenças individuais produzem também as diferenças de agrupamentos. Assim como, apesar do domínio do cristianismo durante os dois mil anos decorridos – apesar do domínio do cristianismo, nós vimos que ele se fragmentou em numerosas posições, determinadas pelas seitas religiosas –, também acredito que a modificação produzida pelo espiritismo não será igualitária do homem, não irá estabelecer uma igualdade absoluta, mas irá criar a possibilidade de uma sintonia, no tocante aos problemas fundamentais. Isto sim. Isto caracterizará a era espírita que, para nós, está surgindo agora no século 20.

Essa era espírita está marcando já os pontos fundamentais, para os quais estão convergindo todas as correntes do conhecimento, como nós vimos no campo da ciência, da filosofia e da religião. É nesse sentido que eu acredito que haja uma igualdade, não total, não massiva, por assim dizer, mas uma igualdade num plano abstrato do pensamento, numa concentração de todos os espíritas para os pontos fundamentais da doutrina espírita.




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Rizzini



Jorge Rizzini - Todavia, Herculano, ainda abordando esse aspecto, que é muito importante: com a evolução da técnica, com a evolução da sociedade, da humanidade em geral, escolas, faculdades, universidades, a humanidade alfabetizada, porque está marchando para isso, o problema da fome sendo resolvido no futuro com a técnica, com a ciência, e todos os povos tendo conhecimento da doutrina espírita, espalhando-se centros por todo o nosso orbe, você não acredita que esta humanidade lúcida, culta, consciente da sua posição em face do universo, você não crê que não haverá então, em nosso planeta, condição para as religiões vigentes?

J. Herculano Pires - Acho, Rizzini, que realmente a transformação será tão grande, que nós não podemos prever certos aspectos. E é até uma temeridade nós querermos falar deste assunto para o futuro. Mas em todo o caso, nós estamos dando a medida do nosso alcance no presente.



Jorge Rizzini - Mas eu estou me referindo ao futuro sem marcar data, lembre-se disso.

J. Herculano Pires - Sim, não há dúvida. Mas de qualquer forma, o futuro sempre virá trazendo coisas em que nós nem sequer pensamos hoje. Mas eu acredito que realmente não haverá necessidade de insistirmos no domínio, por exemplo, do pensamento espírita, no sentido como nós o conhecemos hoje, para todo mundo. O importante é que o espiritismo sirva de fermento, aquele fermento de que fala Jesus no Evangelho, o fermento que modifica, que leveda a massa do mundo e a transforma. É esta a grande função do espiritismo.

E ele não tem mesmo pretensões a um domínio religioso, porque ele acha – e os seus postulados são bem claros nesse sentido – que deve haver sempre, como base fundamental para a evolução das criaturas, o princípio da liberdade, sem o qual não haverá também o princípio da responsabilidade. Ora, a liberdade de cada indivíduo e a liberdade de grupos de indivíduo é que possibilitará, dentro mesmo da concepção espírita da vida, que irá dominar o planeta – a concepção espírita sim, esta irá dominar totalmente o planeta –, haverá a possibilidade de formações, de agrupamentos, de ponto de vista religioso, que possam divergir de outros agrupamentos. Acho que poderá haver realmente diversidade de religiões, mas sempre dentro de uma norma geral, que será a norma espírita.



- Continua -





Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 25 de Julho de 2012, 22:59

Entrevista para o Futuro - 40 anos depois



- Continuação -



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Humberto Mariotti



Jorge Rizzini - Bom, de qualquer maneira, é a implantação da doutrina espírita, não nos seus detalhes, mas no seu conjunto na Terra. Seria?

J. Herculano Pires - Sim, o espiritismo, como nós analisamos ao falar da ciência, filosofia e religião, o espiritismo está, como aquilo que escreveu Humberto Mariotti, o nosso companheiro da Argentina: o espiritismo está como uma estrela de amor no horizonte do mundo, esperando que todas as correntes do conhecimento cheguem até ela. A ciência está chegando, a filosofia está chegando, a religião está chegando, a estética está chegando, a técnica está chegando, a descoberta, por exemplo, agora recentemente pelos russos – pelos russos no seu pensamento materialista de Estado, sustentado pelo Estado –, a descoberta que eles fizeram do perispírito é um passo gigantesco no campo da técnica, mostrando que a técnica também está evoluindo para a pesquisa além da matéria e no campo espiritual.



Jorge Rizzini - E sem esquecer, Herculano, a contribuição dos próprios espíritos, através do fenômeno mediúnico.

J. Herculano Pires - Sim, é claro. É como dizia Sir Oliver Lodge: nós estamos trabalhando dos dois lados de uma montanha, furando um túnel, dizia ele. Do lado de lá está o mundo espiritual, do lado de cá o mundo material. Nós cavoucamos o túnel através da montanha, do lado de cá, mas os espíritos estão cavoucando do lado de lá. E vamos nos encontrar no meio do túnel.



Jorge Rizzini – Bem, Herculano, hoje, dia 14 de julho do ano de 1972 – até vamos dar a hora: exatamente às duas horas da madrugada –, vou pedir a você que dê a sua mensagem aos ouvintes, ao povo do futuro, sem data marcada, porque essa fita será apresentada através dos séculos. Nós, Herculano, lutamos muito, estamos em 1972, nós lutamos vinte, trinta anos consecutivos na defesa da doutrina espírita, em polêmicas, na defesa do Cristo, na defesa de Kardec, na defesa dos nossos princípios, na rádio, na televisão, nos jornais. Então eu peço a você, que traz este lastro, esse currículo maravilhoso na defesa da doutrina, que dê a sua mensagem de estímulo aos espíritas do futuro.

J. Herculano Pires - Eu acho, Rizzini, que a minha mensagem não poderá ser de estímulo a eles. Acredito que essa gente do futuro será tão superior a nós, terá tantas possibilidades maiores diante dela, que essa gente do futuro dispensaria qualquer palavra de estímulo de nossa parte.

Eu quero apenas saldar, nesses elementos do futuro, nesses homens maravilhosos de amanhã, nessas criaturas que irão povoar não só o nosso país, o Brasil, de Norte a Sul, de Leste a Oeste, mas que irão povoar todos os países do mundo, quero saldar neles a aurora do novo mundo que está raiando na Terra. E quem sabe, Rizzini, se nós teremos a esperança de estar também presente nessa humanidade nova. Se nós fizermos jus a essa situação, quem sabe se estaremos participando daqueles que irão realmente efetivar na Terra a construção do reino de Deus, iniciada pelo Cristo há dois mil anos. É bem possível que isso aconteça.

Então, eu, deixando gravadas aqui essas minhas palavras, despretensiosamente – porque o problema delas serem reproduzidas no futuro não é nosso, é um problema que depende apenas dos organismos que forem guardar essa fita –; deixando essas palavras aqui, eu quero dizer a essa gente de amanhã que nós trabalhamos para que o amanhã se realizasse, nós lutamos aqui no Brasil, como lutaram outros na Europa, lutaram outros na América do norte, lutaram outros na América do sul, lutaram outros na Ásia, na África, por toda parte. Lutamos para que o espiritismo pudesse ser estabelecido na Terra como fundamento da nova civilização, do mundo do futuro.

Assim, nós temos de certa maneira um orgulho antecipado, uma satisfação, um encantamento prévio por aquilo que essa gente do futuro estará realizando. Porque nós todos fizemos o nosso esforço, e demos tudo o quanto pudemos para transformar o mundo bárbaro em que vivemos hoje, o mundo do século 20, que é ainda um mundo bárbaro, um mundo de violências, um mundo de guerras, um mundo de provas duríssimas, de tristes e amargos sofrimentos; transformar este mundo bárbaro naquele mundo de maravilhosa civilização, de elevação espiritual, de fraternidade humana, anunciado pelo Cristo no seu Evangelho. Nós procuramos fazer o possível, nas nossas imperfeições, com as nossas deficiências e dificuldades, nós batalhamos sem cessar para isso e continuaremos a batalhar.



(http://www.fundacaoherculanopires.org.br/images/stories/entrevista_para_o_futuro_bastilha.jpg)


É assim que envio daqui, nessa noite de 14 de julho de 1972, em São Paulo, Brasil, no momento em que nós lembramos as lutas da Revolução Francesa, as lutas para a implantação no mundo do regime político mais suave, melhor; quando os pioneiros do momento em que nós estamos, no presente, também lutaram e sofreram como nós; lembrando a epopeia da queda da Bastilha e lembrando também que, na Revolução Francesa, nos ideólogos dessa Revolução, nas transformações que ela produziu no mundo, nós podemos encontrar muitas raízes, por assim dizer, do pensamento espírita, que se desenvolveram através do tempo – problema esse que eu procurei colocar no meu livro O espírito e o tempo, mostrando a Revolução Francesa como um episódio alegórico da história do mundo, um episódio em que o mito e a história se misturam de tal forma que muitas vezes se confundem.

Lembrando tudo isso, nós queremos dirigir também a nossa saudação neste momento à França de amanhã, à França que viu Kardec nascer, à França que viu o espiritismo nascer em seu seio, na cidade de Paris – que era então o cérebro do mundo –, à França que teve Léon Denis – aquele que Conan Doyle dizia ser um lutador contínuo através do espaço e do tempo –, de Gabriel Delanne, de Alexandre Delanne e de todos os demais, Flammarion, o grande Flammarion, que anteviu a era cósmica com tanta visão, tanta grandeza de visão.

À França de todos esses gênios e de todos os gênios que realmente lutaram para que o mundo se transformasse, nós queremos enviar daqui a nossa saudação à França de amanhã, à França do futuro, na esperança de que ela – que neste momento, no século 20, está ainda numa situação bastante inferior em face do desenvolvimento do espiritismo –, que ela tenha readquirido no futuro o seu elã espiritual, e através disso tenha realmente feito jus à sua condição de berço do espiritismo ao mundo, de berço da doutrina que trouxe a nova civilização. Esperamos muito da França, e temos a certeza de que, se Deus quiser, brilhará sobre a França, no futuro, o triunfo do espiritismo.



Jorge Rizzini - E aqui, ouvintes do futuro, fica o depoimento de José Herculano Pires. Que você possa tirar dessas palavras, saídas da inteligência e do coração de Herculano Pires, o melhor proveito. Que essas palavras sejam para você um estímulo, para que continue a praticar e a divulgar, a propagar a doutrina espírita, que é a redenção da humanidade, dessa humanidade que vai marchando gradativamente a caminho de Deus, que é o criador do universo, o criador da vida e o nosso verdadeiro pai. Que Deus nos abençoe hoje e sempre.



(http://www.fundacaoherculanopires.org.br/templates/templatesite/images/logo.png)

Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 25 de Julho de 2012, 23:24
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Canto do Homem Novo

(Poema de J. Herculano Pires,
publicado no jornal Mensagem,
em julho de 1975)



Pisarei de cabeça erguida no limiar do amanhã.
Desvencilhei-me do passado. Meu compromisso é o
futuro.
Rasguei a carta fajuta da moral hipócrita,
quebrei os ídolos de barro,
esmaguei sob os pés os dogmas da crença e da
descrença.
Não busco a verdade nos mitos: encontrei-a em
mim mesmo.


Bebo o vinho da vida sem pedir licença.
Lavo a face da Terra com a água da verdade.
O fingimento, a mentira, a adulação, a perfídia
provocam-me náuseas.
Quero o mundo como ele é, a vida como ela é.
Quero olhar para a face de Deus
como a águia olha para o Sol.


Ninguém é responsável por mim, ninguém me
salva.
Deus emancipou-me na minha liberdade
e os temores do passado eu mesmo os supultei.
Não é orgulho saber que sou livre
e posso conquistar o Cosmos.
Minha humildade consiste em reconhecer os meus
limites.
Não nasci para ser escravo: a vida é liberdade.
Jogo no presente tudo o que possuo
e ganho o futuro.


Descobri que não sou frágil e não morro: sou
imortal.
Meu avô falhou, meu pai falhou, eu mesmo falhei
porque temíamos a vida. Mas agora amo a vida
e sei que viverei através dos milênios.
Meus limites se alargam na proporção em que
avanço.


A Razão é a minha bússola, a Verdade o meu norte.
Construirei o meu mundo, o mundo do meu tempo,
e o tempo renovado renovará o mundo.


Fui velho na juventude, serei jovem na velhice.
Que importa se o corpo envelhece? Ninguém deterá
os meus passos
e farei da morte um novo salto para as constelações.
Saltarei feliz sobre as galáxias do amanhã.


Não troquei o confessor pelo psicanalista,
nem a moral pela libertinagem.
Tenho uma estrela na fronte e sou a vestal do meu
fogo sagrado.
Quem apagará a labareda das minhas certezas?
Quem guiará os meus passos além da minha
consciência?
Aos que me odeiam, respondo com uma palavra:
amor!
Aos que me acusam, respondo com a piedade.
Aos que tentam escravizar-me, ajudo-os a se
libertarem.


Minha consciência é o Tribunal de Deus. Só Ele
me julga.
Como posso pedir o perdão daqueles que erram
mais do que eu?
Como posso dirigir-me a Deus através dos agentes
comerciais
da sua misericórdia, que ninguém pode vender?


Estou diante do mundo e sei que o mundo é a
minha oportunidade.
Deus não está no Céu nem o Diabo no Inferno.
Mas eu – homem – estou na Terra e a Terra é dos
Homens.
Temos de transformar a Terra – nós, os homens –
no Reino de Deus.
E onde estão as leis desse Reino, senão em nossa
consciência?
Se Deus está em mim, como posso adorá-lo fora?
E como posso negá-lo?
Como posso tremer ao lembrar-me de Deus, se Ele
é a minha consciência?
Basta voltar-me para mim mesmo para ver a Sua
face.


Os anos de terror já passaram. A ignorância morreu.
A rosa da Verdade abriu-se em meu coração.
Não choro, não gemo, não me apavoro.
Confio.
A vida cresce em mim e nada pode extingui-la.
Não me interessam os mistérios ocultos, os poderes
secretos.


Todo o poder me foi dado. E ninguém me pode
arrebatá-lo.
Contarei os átomos e as estrelas,
os grãos de areia e as galáxias,
e multiplicarei em minhas mãos
as rosas da Verdade.



J. Herculano Pires
Livro: Pedagogia Espírita
Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 25 de Julho de 2012, 23:59
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As lições de Kardec ao crítico



Quando Kardec escreveu e publicou o livro “O que é o Espiritismo” em 1859, tinha como proposta apresentar “num rápido esboço“, o esclarecimento de questões fundamentais, que constantemente vinham à baila. Diante do objetivo proposto para obra, J. Herculano Pires esclarece que Kardec aplica na sua execução o seu “agudo senso de professor formado na escola pestaloziana e orientado pela disciplina e o rigor lógico do pensamento francês”. Com essa formação e estilo, imprimiu a forma decisiva e disciplinada no campo do conhecimento espírita.

A organização do livro se fez da seguinte forma: o primeiro capítulo sob a forma de diálogos, onde Kardec responde às objeções mais comuns da parte dos que desconhecem os princípios fundamentais da doutrina espírita, bem como a refutação dos principais argumentos de seus contraditores; o segundo capítulo apresenta um resumo do Livro dos Médiuns, esclarecendo falsas idéias que se formam em razão do desconhecimento; e o terceiro e último capítulo que traz um resumo do Livro dos Espíritos. O presente texto se deterá apenas ao diálogo travado entre Allan Kardec e o Crítico.

Inicialmente, faz-se por oportuno ressaltar o comportamento prepotente do visitante (crítico), que procurava Kardec objetivando que este o convencesse da realidade dos fenômenos mediúnicos, posto que na sua convicção tudo não passava de pura imaginação, e/ou trapaça.

O crítico acreditava que sua opinião era de grande relevância para o espiritismo. Informava estar escrevendo um livro que segundo sua opinião, ao ser publicado poderia destruir de vez a doutrina espírita. Tal fato poderia ser evitado, caso o interlocutor fosse convencido por Kardec da veracidade dos fenômenos mediúnicos. No caso, sua opinião levaria respeito e credibilidade à doutrina.

Na realidade, queria ser convencido! Considerava-se uma pessoa importante, tendo sua opinião um grande peso para o público, e caberia a Kardec permitindo a sua participação em uma ou duas reuniões experimentais na Sociedade de Paris, fazer com que viesse a mudar de opinião.

Oportuno conferir as palavras iniciais do visitante, quando se reporta ao mestre da seguinte forma: - “Digo-lhe, senhor, que minha razão se recusa a admitir a realidade dos fenômenos extraordinários atribuídos aos Espíritos que, estou persuadido, existem apenas na imaginação. Entretanto, temos que nos inclinar ante a evidência; e isso eu faria se tivesse provas incontestáveis. Venho, pois, solicitar de sua bondade a permissão para assistir, não desejando tornar-se indiscreto, pelo menos a uma ou duas experiências que me convencessem, se isso for possível.”

Vale observar que o crítico alegava que sua razão não admitia a realidade dos fenômenos, levando-o a crer que não passavam de fatos imaginários. Não obstante, se houvessem provas incontestáveis, ele se curvaria às evidências. Insistia que para isso, seria suficiente assistir a uma ou duas sessões experimentais...

Allan Kardec se depara no caso em tela, com uma personalidade prepotente e totalmente ignorante dos princípios espíritas, que se arvorava de crítico do espiritismo! Diante do arrogante interlocutor, o Codificador dá uma lição de equilíbrio emocional, educação, rigor e clareza nas respostas.

Kardec começa argumentando que se a “razão” do crítico se recusa a admitir fatos considerados pelos espíritas como irrecusáveis, é porque tem a sua razão em alta conta, se sobrepondo às convicções de todas as outras pessoas que pensam de forma diferente. Diante de tal fato, não caberia, portanto mais nenhum tipo de diálogo.

Entretanto, o interlocutor propõe que o Mestre procure convencê-lo, posto que, na condição de conhecido antagonista de Kardec, o seu convencimento “constituiria um milagre favorabilíssimo” à causa espírita.

A argumentação do Codificador passa primeiramente pela “desconstrução” do que o oponente considera como um “milagre” favorável à causa espírita. Assevera ao interlocutor que, não seriam apenas uma ou duas sessões suficientes para que este tivesse o real conhecimento do fenômeno mediúnico. Além do que, as reuniões experimentais que organizava, não objetivavam satisfazer a curiosidade, nem muito menos forçar o convencimento de ninguém. Acrescenta que, em relação aos antagonistas com convicções arraigadas, não daria “um passo para desviá-los”, pois não tinha o menor interesse em fazer prosélitos.

Kardec, de forma clara e direta diz ao crítico que aprendeu com o Espiritismo a “dar pouco valor às mesquinhas suscetibilidades do amor próprio,”, pois “aprendeu a não se ofender com palavras“. Caso as palavras do interlocutor viessem a ultrapassar os limites da cortesia e decência, concluiria apenas que este não passava de um homem mal educado, preferindo não partilhar dos defeitos alheios. (O que é o Espiritismo - Cap. I, pag. 14)

Depois de deixar claro que não teria o menor interesse em convencer o visitante, o Mestre adverte-o que caso tivesse a pretensão de se colocar na condição de crítico do espiritismo, deveria antes de mais nada, tornar-se um profundo conhecedor deste. O Codificador preceitua que o crítico não pode limitar-se a dizer que determinada coisa é boa ou má. A condição sine qua non que justificaria e daria credibilidade à sua opinião, passaria pelo estudo profundo da matéria, que o levaria ao conhecimento dos princípios doutrinários objeto da critica.

Pretendendo firmar seu posicionamento, indaga ao interlocutor, como poderia este criticar os fenômenos espíritas, se desconhecia os postulados que os justificavam e serviam de esteio? Acrescenta que “cada qual é perfeitamente livre de aprovar ou desaprovar os princípios do Espiritismo, de deduzir deles as conseqüências boas ou más que lhe aprouverem. Mas a consciência impõe um dever a todo crítico honesto: o dever de não dizer o contrário daquilo que realmente é. Ora, para isso, a primeira condição é calar sobre o que ignora.” (O que é o Espiritismo - Cap. I, pag. 19)

Adiante surge outra questão relevante no diálogo, quando o crítico se diz persuadido de que os fenômenos das mesas girantes, as pancadas, psicografias, não passavam de embuste. Kardec indaga de pronto, quanto este pagou para apreciar o espetáculo. Responde-lhe o interlocutor que nada foi cobrado por parte dos charlatães.

O Mestre refuta mais uma vez o equívoco do visitante, chamando-lhe a atenção para o fato de que nunca tinha visto charlatães desinteressados, esclarecendo-o que mesmo que haja “uma manobra fraudulenta positivamente constatada, o fato nada prova contra a realidade do princípio. Basta levar-se em conta que tudo é passível de abuso.” (O que é o Espiritismo - Cap. I, pag. 18) Ou seja, não se pode generalizar que em todos os fenômenos haja fraude. Que todos os médiuns sejam charlatães, movidos pelo simples prazer de vivenciar o embuste e que, por conseguinte não existiriam fenômenos mediúnicos, sendo tudo mera armação!

Kardec mais uma vez de forma direta e educada, esclarece ao interlocutor que trata de forma diferenciada o incrédulo por ignorância do incrédulo sistemático, pois sempre que percebia as “disposições favoráveis” de alguém, tinha prazer em esclarecê-lo. Não obstante, não perderia seu tempo com aqueles que apresentassem apenas a falsa aparência do desejo de aprender.

Orienta o crítico a instruir-se primeiramente pela teoria, e preceitua: “Leia as obras que tratam da ciência e medite. Nelas encontrará os princípios fundamentais, a descrição de todos os fenômenos.”

Diante do exposto, podemos constatar que Kardec não se preocupava em firmar convencimento de quem não estava intimamente interessado em compreender os preceitos espíritas. O Codificador não tinha o menor interesse de alimentar a curiosidade de ninguém, nem de fazer prosélitos. Também não temia a crítica dos antagonistas, pois confiava na força da Doutrina dos Espíritos.

Em várias oportunidades o Mestre foi categórico na necessidade do estudo sério dos preceitos espíritas, começando pela análise teórica. Isto porque, no seu entendimento para a organização das sessões experimentais fazia-se imprescindível a compreensão de toda a dinâmica dos fenômenos mediúnicos. Para tanto o conhecimento doutrinário daria toda a segurança e confiabilidade para lidar com a complexidade que envolve o processo mediúnico.




Referência Bibliográfica
Kardec, Allan. O Que é o Espiritismo. Editora Lake. SP-SP. 26ª edição. 2001.

Fonte: Um Olhar Espírita, por Maria das Graças Cabral
Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 26 de Julho de 2012, 00:50





Curso Dinâmico de Espiritismo - O Grande Desconhecido







http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&list=PLAB5B8622DD201DB5&v=BbZIkZ2xQ4A#!
Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 26 de Julho de 2012, 01:12




Curso Dinâmico de Espiritismo - O Grande Desconhecido - 2








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Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 26 de Julho de 2012, 01:16




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Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 26 de Julho de 2012, 01:20






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Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 26 de Julho de 2012, 01:23






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Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 26 de Julho de 2012, 01:26







Curso Dinâmico de Espiritismo - O Grande Desconhecido - 6





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Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 26 de Julho de 2012, 14:36
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Torre de Vigia Doutrinária


Proposta de Ubaldi ao Congresso Pan-Americano

Revista Internacional de Espiritismo — Novembro de 1963



 
“Irmão Saulo”

(J. Herculano Pires)

 

A mensagem que Pietro Ubaldi enviou ao VI Congresso Espírita Pan-Americano, realizado neste mês em Buenos Aires [outubro de 1963], vem causando estranheza nos meios doutrinários. Depois de discorrer sobre a estagnação das religiões, o autor de “A Grande Síntese” chega às seguintes conclusões:


1 — O Espiritismo estacionou na teoria da reencarnação e na prática mediúnica;


2 — Não possuindo “um sistema conceptual completo”, não pode ele ser levado a sério pela cultura atual;


3 — A filosofia espírita é limitada, não oferece uma visão completa do todo e “não abrange to­dos os momentos da lei de Deus;


4 — O Espiritismo não construiu uma “teologia espírito-científica, que explique o que a católica não explica”;

5 — O Espiritismo “corre o perigo de ficar parado no nível Allan Kardec, como o catolicismo ficou no nível São Tomás e o protestantismo no nível Bíblia”.



Diante dessa situação, propõe Ubaldi a adoção, pelo Espiritismo, dos livros de sua autoria, abrangendo a “série italiana” e a “série brasileira”. E explica: “Trata-se de um produto realizado de uma forma que permite que ele caiba dentro do Espiritismo, porque atingido por inspiração, que é por ele julgada a mais alta forma de mediunidade, aquela consciente, controlada pela razão”. E logo mais afirma: “Só assim o Espiritismo poderá avançar paralelo à ciência e exigir atenção de parte dos materialistas, porque usa a forma mental e os métodos racionais dele. Só as­sim o Espiritismo poderá sair do trilho dos costumeiros conceitos que se repetem nas sessões rnediúnicas e colocar­-se no nível do mais adiantado pensa­mento moderno, penetrando no terreno da filosofia e da ciência e situando-se na sua altura”.


A redação e a tradução dessa mensagem de Ubaldi, como se vê, por estes pequenos trechos, estão muito abaixo do texto de suas obras mais inspiradas, que pertencem à “série italiana”. Por outro lado, verifica-se que faltou a Ubaldi a percepção necessária para captar o processo espírita em suas verdadeiras dimensões. O admirável médium de “A Grande Síntese” revela absoluta falta de acuidade e de compreensão da realidade espírita no mundo de hoje, onde o Espiritismo vem cumprindo serenamente a sua finalidade. A sua crítica ao Espiritismo, resumida nos cinco pontos acima, coincide com a dos adeptos menos instruídos na Doutrina, e pode ser respondida, ponto por ponto, por qualquer adepto de inteligência e cultura medianas, que conheça a Doutrina Espírita. Por outro lado, o oferecimento de suas obras ao Espiritismo revela desconhecimento da natureza da nossa Doutrina e das exigências metodológicas para a aceitação da proposta, que não cobre essas exigências. Ubaldi desenvolveu suas faculdades mediúnicas à margem do Espiritismo. Seu primeiro livro, “A Grande Síntese”, apresenta curioso paralelismo com o Espiritismo, o que lhe valeu a simpatia e a amizade dos espíritas brasileiros. Na Itália ou no Brasil, porém, Ubaldi recusou-se sempre a integrar-se no movimento espírita, filiando-se na península à corrente da Ultrafânia, do prof. Trespioli, que pretende haver superado a concepção espírita. Em seu livro “As Noures”, Ubaldi nos oferece a concepção ultrafâníca da mediunidade, na qual enquadra o seu caso pessoal. É uma pretensiosa concepção de mediunidade cósmica, fugindo à naturalidade e simplicidade das comunicações espirituais entre espíritos desencarnados e médiuns. As pretensões de Ubaldi o transformaram, de simples médium em autor messiânico, agora arvorado em re­formador do Espiritismo.



Respondemos aos itens da sua crítica da seguinte maneira:


1 — O Espiritismo é uma doutrina evolucionista, co­mo o provam as suas obras fundamentais e o seu imenso desenvolvimento em apenas cem anos de existência;


2 — O sistema conceptual espírita é completo e sua síntese está em O Livro dos Espíritos;


3 — A filosofia espírita não pode abranger o todo e muito menos “to­dos os momentos da lei de Deus”, por­que isso não está ao alcance de nenhuma elaboração mental, no plano relativo da vida terrena;


4 — A teologia espírita é limitada às possibilidades atuais do conhecimento de Deus, segundo ensina Allan Kardec, e essas possibilidades não admitem ainda a criação na Terra de uma teologia científica, nem dentro nem fora do Espiritismo;


5 — O “nível Allan Kardec” não é o do Espiritismo, mas sim o “nível Espírito da Verdade”, de quem Kardec, segundo dizia, foi um “simples secretário”.




Encontrando-se, pois, nesse plano de revelação constante e progressiva, que é o da manifestação do Espírito da Verdade, segundo o próprio Kardec adverte, o Espiritismo está livre dos perigos da estagnação dogmática. Se, pelo contrário, adotasse as obras de Ubaldi para completá-lo, o Espiritismo cairia imediatamente no dogmatismo. Para cumprir sua missão, em todos os campos da atividade humana, o Espiritismo tem de manter-se como Ciência do Espírito (que investiga o elemento inteligente do Universo, paralelamente com a Ciência da Matéria, que investiga o elemento material); como Filosofia Livre, “sem os prejuízos do espírito de sistema”, segundo a expressão feliz de Kardec; e como Religião em Espírito e Verdade, de acordo com o anúncio do Cristo à Mulher Samaritana.


De nossa parte, não obstante o respeito que votamos ao médium e sua obra, altamente inspirada, não poderíamos dar-lhe outra resposta, além da que apresentamos nestas linhas. Se Ubaldi tivesse lido “O Livro dos Espíritos” certamente jamais faria a proposta que fez. Mesmo porque a sua obra, como a de Flamarem, a de Delanne, a de Denis, a de Bozzano e tantas outras, longe de completar o Espiritismo, apenas procuram desenvolver alguns dos grandes temas que o Espiritismo levantou e sustenta no mundo moderno.




Fonte:
(http://www.ade-rj.org.br/__imagelib/634ef54e07dd5ddd188b95b165b017f1.jpg)
Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 26 de Julho de 2012, 14:47
Atualidade das Recomendações de
José Herculano Pires


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Deus abençoe a todos...

Diante de tantas incoerências dentro do movimento espírita brasileiro com relação ao Espiritismo sério, José Herculano Pires, a mais de 30 anos, já nos advertia e previa essa bagunça doutrinária que infelizmente vemos hoje. E em sua visão de filósofo e estudioso do Espiritismo dava-nos a solução para o problema: Estudar sistematicamente e compreender as obras de Allan Kardec abandonando esse Pseudo-Espiritismo fanático-mediúnico, adorador de médiuns, igrejeiro e católico que se instalou como uma praga no falido movimento Espírita Brasileiro.




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Vejamos um trecho do Livro Curso Dinâmico de Espiritismo, em seu capítulo 17: Ação Espírita na Transformação do Mundo.

"As relações humanas se baseiam na afetividade humana. Não há afetos entre corações insensíveis. Por isso a dor campeia no mundo, pois só ela pode abalar os corações de pedra. Mas o Espiritismo nos mostra que o coração de pedra é duro por falta de compreensão da realidade, de tradições negativas que o homem desenvolveu em tempos selvagens e brutais. Essas relações se modificam quando oferecemos aos homens uma visão mais humana e mais lógica da Realidade universal. Essa visão não tem sido apresentada pelos espíritas que, na sua maioria, se deixam levar apenas pelo aspecto religioso da doutrina, assim mesmo deformado pela influência de formações religiosas anteriores. Precisamos restabelecer a visão espírita em sua inteireza, afastando os resíduos de um passado de ilusões e mentiras prejudiciais. Se compreenderem a necessidade urgente de se aprofundarem no conhecimento da doutrina, de maneira a fornecerem uma sólida e esclarecida doutrina espírita, poderão realmente contribuir para a modificação do mundo em que vivemos. Gerações e gerações de espíritas passaram pela Terra, de Kardec até hoje, sem terem obtido sequer um laivo de educação espírita, de formação doutrinária sistemática. Aprenderam apenas alguns hábitos espíritas, ouviram aulas inócuas de catecismo igrejeiro, tornaram-se, às vezes, ardorosos na adolescência e na juventude (porque o Espiritismo é oposição a tudo quanto de envelhecido e caduco existe no mundo), mas ao se defrontarem com a cultura universitária incluíram a doutrina no rol das coisas peremptas por não terem a menor visão da sua grandeza. Pais ignorantes e filhos ignorantes, na sucessão das encarnações inúteis, nada mais fizeram do que transformar a grande doutrina numa seita de papalvos (Parvo, pateta, boboca. Indivíduo que se deixa enganar facilmente.). Duras são e têm de ser as palavras, porque ineptas e criminosas foram as ações condenadas. A preguiça mental de ler e pensar, a pretensão de saber tudo por intuição, de receber dos guias a verdade feita, o brilhar inútil e vaidoso dos tribunos, as mistificações aceitas de mão beijada como bênçãos divinas e assim por diante, num rol infindável de tolices e burrices fizeram do movimento doutrinário um charco de crendices que impediu a volta prevista de Kardec para continuar seu trabalho. Em compensação, surgiram os reformadores e adulterados, as mistificações deslumbrantes e vazias e até mesmo as séries ridículas de reencarnações do mestre por contraditores incultos de suas mais valiosas afirmações doutrinárias.”



                                                                                  José Herculano Pires



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Quem tem olhos para ver, veja!  Meu Deus!  É um retrato trágico e verídico do que se observa nos dias de hoje!  Só um espírito superior da equipe de Kardec poderia escrever uma verdade tão simples, dura e necessária sobre o movimento espirita brasileiro. Só nesse site poderemos observar muitos que por seus escritos se enquadram perfeitamente nesse texto de Herculano Pires.   Espero que todos nós possamos ter a humildade de vestir a carapuça, se for o caso, e mudar de atitude perante o Espiritismo.

Fico feliz de saber que se Herculano Pires escrevesse esse artigo aqui, nesse site, seria alvo de muitos dos fanáticos-igrejeiros que diriam que ele está sendo incompreensível, obsidiado, sem caridade, que gosta de polemizar, que adora fazer confusão, que esse tipo de comentário não agrega valor, que o espiritismo não precisa disso, que essas questões são acessórias, que o que importa é o amor e não as críticas, que é muito duro, que esta sendo injusto com os santos médiuns e famosos palestrantes, que o espírita não pode ser tão crítico, que deveria aceitar as novas revelações e todo o "blábláblá" que vez por outra encontramos aqui nos posts.


Fiquem todos com Deus e até a próxima.




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Tadeu Saboia
Fonte: Kardec Online
Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 06 de Agosto de 2012, 15:34
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Pense Nisso!



Não se pode exercer qualquer atividade sem primeiro aprender o que ela é, qual a sua finalidade, quais são as suas regras, quais as dificuldades e inconvenientes que devem ser evitados.

Para fazer as coisas mais simples, temos de aprender a fazê-las e adquirir treinamento na prática.

Mas, quando se trata de Espiritismo, muita gente pensa que basta assistir algumas sessões para poder fazer tudo e dentro de pouco tempo tornar-se mestre no assunto.

Entretanto, o Espiritismo, como ensinava Kardec, é um campo de atividades difíceis, complicadas, melindrosas, exigindo dos seus praticantes conhecimento seguro de sua natureza e finalidade, de suas possibilidades e dificuldades.

Por isso muita gente fracassa na prática espírita, caindo em situações confusas, ensinando aos outros uma porção de coisas erradas, trocando as mãos pelos pés e escorregando sem perceber em obsessões e fascinações.

Quantos se afastam da verdade porque mentiram a si mesmos e semearam mentiras ao seu redor!

Evite esse desastre moral e espiritual estudando a doutrina na fonte, com o respeito e a humildade de quem compreende que está lidando com a mais elevada sabedoria já concedida à espécie humana.

Espiritismo quer dizer Sabedoria dos Espíritos Superiores.

É a Ciência do Espírito, que se desdobra em Filosofia e Religião.

Pense bem nisto: se a Ciência dos homens, a Filosofia dos homens e as religiões feitas pelos homens exigem anos de estudo, como se pode querer adquirir a Sabedoria dos Espíritos de uma hora para outra?

Não seja vaidoso e não se faça discípulo dos mestres vaidosos que nada sabem e tudo ensinam.

Leia os livros iniciáticos de Kardec.

Aprenda passo a passo com o único mestre verdadeiro de Espiritismo que já existiu na Terra, aquele ao qual os Espíritos Superiores confiaram a missão de codificar a doutrina esclarecedora.

Estude atenciosamente esses livros, mesmo que você já se considere espírita.

Desenvolva e aprimore o seu bom-senso, evitando a insensatez. Deus, concedeu bom-senso a nós todos, mas nos deixou o trabalho de cultivá-lo.

Não se julgue sábio por conta própria.

Chega sempre o momento em que teremos de ver que não sabíamos nada e perdemos a grande oportunidade que Deus nos concedeu de encontrar a verdade.




(J. Herculano Pires)

Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 09 de Agosto de 2012, 17:55
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José Herculano Pires


Pequena Biografia compilada por
Ellio Mollo



(https://lh4.googleusercontent.com/_EUk_hsxZ1Vw/TcHy_vPAQfI/AAAAAAAAP1U/YQVJc4ol41k/barra24.gif)



Na antiga Província de Avaré, Zona Sorocabana, SP no dia 25 de setembro de 1915, chegava ao mundo, José Herculano Pires.

Seus pais terrenos foram o farmacêutico José Pires Correa e a pianista Bonina Amaral Simonetti Pires.

Seus primeiros estudos aconteceram em Avaré, Itai e Cerqueira César.

Herculano, desde que começou a escrever já demonstrou, ou melhor, revelou a sua vocação literária, pois aos nove anos de idade fez o seu primeiro soneto, era um decassílabo sobre o Largo São João, da cidade onde nasceu, Avaré. Aos 16 anos publicou o primeiro livro de contos de sua autoria, «Sonhos Azuis», e com 18 anos o segundo, de poemas e sonetos «Coração».

Nessa época, já possuía seis cadernos de poemas na gaveta e, também, colaborava com jornais e revistas na Província de São Paulo e Rio de Janeiro.

A Revista Artística do Interior, certa feita, promoveu dois concursos literários, um de poemas, pela sede da UAI em Cerqueira César, e outro de contos, pela Seção de Sorocaba, Herculano teve vários contos publicados com ilustrações nessa revista.

Colaborou na seção literária de «A Razão», em São Paulo, onde publicava um poema de sua autoria todos os domingos.

Em 1928 mudou o jornal político de seu pai para semanário literário e órgão da (UAI) União Artística do Interior. Em 1940, com 26 anos de idade foi residir em Marília, onde adquiriu o jornal «Diário Paulista» administrando-o por seis anos. Junto com outros colegas, promoveu, através do jornal, um movimento literário nesta cidade.

Publicou «Estradas e Ruas», poemas que recebeu elogios de Érico Veríssimo e Sérgio Milet.

Veio para a capital paulista em 1946 onde lançou o seu primeiro romance «O Caminho do Meio» que mereceu críticas elogiosas de Afonso Schimidt, Wilson Martins e Geraldo Vieira.

No «Diários Associados» situado à Rua 7 de Abril, SP, exerceu a função de repórter, redator, secretário, cronista parlamentar e crítico literário durante 30 anos. E num dos jornais que pertencia a este empresa durante muitos anos manteve uma coluna de crônicas espíritas, na qual abordava temas de interesse a dou-trina codificada por Allan Kardec. Assinava-as com o pseudônimo de Irmão Saulo.

Foi autor de 80 livros que abordam diversos temas, assim como: Filosofia, Ensaios, História, Psico-logia, Parapsicologia e espiritismo. Dentre eles citaremos alguns: «A Busca da Serenidade», «Arigó, um caso de Fenomenologia Paranormal», «Um Deus vigia o Planalto», «Barrabás, o Enjeitado», «Espigão», «Curso Dinâmico de Espiritismo», «O Centro Espírita», «Ciência Espírita e suas Implicações Terapeuticas», etc, alguns em parceria com Francisco Cândido Xavier. Sendo graduado pela USP em Filosofia, publicou uma obra sobre uma tese existencial: «O Ser e a Serenidade».

Foi um dos autores mais críticos dentro da Doutrina Espírita. Altamente racional e de caráter forte, combateu energicamente os desvios e mistificações no Espiritismo.

Escrevia dia e noite, dizia sofrer de grafomania. Não possuía vocação acadêmica e não seguia escolas literárias. Sua meta era comunicar o que achava útil, e da forma mais clara possível.

Diz Herculano, no livro «O Centro Espírita» que: "Os espíritas atuais, na sua maioria, tanto no Brasil como no mundo, não compreenderam ainda que estão num ponto intermediário da filogênese da divindade. Superando os reinos inferiores da Natureza, segundo o esquema poético de Leon Denis, na seqüência divinamente fatal de Kardec: mineral, vegetal, animal e homem, temos o ponto neutro de gravidade entre duas esferas celestes, e esse ponto é o que chamamos  Espírita.  As visões fragmentárias da Realidade se fundem dialeticamente na concepção monista preparada pelo monoideísmo. Liberto, no ponto neutro, da poderosa reação da Terra, o espírita está em condições de se elevar ao plano angélico. Mas estar em condições é uma coisa, e dar esse passo para a divindade é outra coisa. Isso depende do grau de sua compreensão doutrinária e da sua vontade real e profunda, que afeta toda a sua estrutura individual. (...)" Trabalhador incansável, lutou bravamente pela pureza doutrinária do Espiritismo até o dia 9 de março 1979 em São Paulo, quando o Pai Criador o chamou de volta a Pátria Espiritual para novas tarefas importantes em algum lugar do Universo.




(https://lh4.googleusercontent.com/_EUk_hsxZ1Vw/TcHy_vPAQfI/AAAAAAAAP1U/YQVJc4ol41k/barra24.gif)
Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 09 de Agosto de 2012, 17:56
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Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 09 de Agosto de 2012, 18:12
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Necessidade de estudo de Kardec para discernimento doutrinário

(José Herculano Pires)


(https://lh6.googleusercontent.com/-M1rxGullDlk/Tlu7HRIVr1I/AAAAAAAARCI/ARNHnVffkP0/dressa3.gif)(https://lh6.googleusercontent.com/-M1rxGullDlk/Tlu7HRIVr1I/AAAAAAAARCI/ARNHnVffkP0/dressa3.gif)


Há muitas confusões, feitas intencionalmente ou não, entre o Espiritismo e numerosas formas de crendice popular, inclusive as formas de sincretismo religioso afro-brasileiro, hoje largamente difundidas. adversários da doutrina espírita costumam fazer intencionalmente essas confusões, com o fim de afastar do Espiritismo as pessoas cultas. Por outro lado, alguns espíritas mal-orientados, que não conhecem a própria doutrina, colaboram nesse trabalho de confusão, admitindo como doutrinárias as mais estranhas manifestações mediúnicas e as mais evidentes mistificações.

Alguns leitores se mostram justamente alarmados com a larga aceitação que vem tendo, em certos meios doutrinários, práticas de Umbanda e comunicações de Ramatis. E nos escrevem a respeito, pedindo uma palavra nossa sobre esses assuntos. Na verdade, já escreve­mos numerosas crônicas tratando da necessidade de vigilância nos meios espíritas, de maior e mais seguro conhecimento dos nossos princípios, e apontando os perigos decorrentes do entusiasmo fácil, da aceitação apressada de certas inovações. Mas, para atender às solicitações, voltaremos hoje ao assunto.

Kardec dizia, com muita razão, que os adeptos demasiado entusiastas são mais perigosos para a doutrina do que os próprios adversários. Porque estes, com­batendo o que não conhecem, evidenciam a própria fraqueza e contribuem para o esclarecimento do povo, enquanto os adeptos de entusiasmo fácil comprometem a causa. O que estamos vendo hoje, no meio espírita brasileiro, não é mais do que a confirmação dessa assertiva do codificador. Espíritas demasiado entusiastas estão sempre prontos a receber qualquer “nova revelação” que lhes seja oferecida, e a divulgá-la sofregadamente, como verdades incontestáveis. Que diferença entre o equilíbrio e a ponderação de Kardec e essa afoiteza inútil e prejudicial!

No tocante à Umbanda, já dissemos aqui, numerosas vezes, que se trata de uma forma de sincretismo religioso, ou seja, de mistura de religiões e cultos, com a qual o Espiritismo nada tem a ver. As formas de sincretismo religioso são, praticamente, as nebulosas sociais de que nascem as novas religiões. A Umbanda já superou a fase inicial de nebulosa, estando agora em plena fase de condensação. E por isso que ela se difunde com mais intensidade. Já se pode dizer que é uma nova religião, formada com elementos das crenças africanas e indígenas, misturados a crenças e formas de culto do catolicismo e do islamismo em franco desenvolvimento entre nós. O Espiritismo não participou da sua formação, embora os nossos sociólogos, em geral, exatamente por desconhecerem o Espiritismo, digam o contrário, pois confundem o mediunismo primitivo, de origem africana e indígena, com os princípios de uma doutrina moderna. Nós, espíritas, devemos respeitar na Umbanda uma religião nascente, mas não pode­mos admitir confusões entre as suas práticas sincréticas e as práticas espíritas.

Quanto às mensagens de Ramatis, também já tive­mos ocasião de declarar que se trata de mensagens mediúnicas a serem examinadas. De nossa parte, consideramo-las como mensagens confusas, dogmáticas, vaza­das na linguagem típica dos espíritos pseudo-sábios, a que Kardec se refere na escala espírita de O Livro dos Espíritos. Cheias de afirmações absurdas, e até mesmo contraditórias, essas mensagens revelam uma fonte que devia ser encarada com menos entusiasmo e com mais cautela pelos espíritas. Em geral, nossos confrades se entusiasmam com “as novas revelações” aparentemente contidas nas mesmas, esquecendo-se de passá-las, como aconselhava Kardec, pelo crivo da razão.

O que temos de aconselhar a todos, pelo menos a todos os que nos consultam a respeito, é mais leitura e mais estudo de Kardec, e menos atenção a espíritos que tudo sabem e a tudo respondem com tanta facilidade, usando sempre uma linguagem envolvente, em que nem todos sabem dividir a verdade do erro. “O Espiritismo”, dizia Cairbar Schutel, “é uma questão de bom-senso”. Procuremos andar de maneira sensata, na aceitação de mensagens mediúnicas.




(https://lh6.googleusercontent.com/-M1rxGullDlk/Tlu7HRIVr1I/AAAAAAAARCI/ARNHnVffkP0/dressa3.gif)(https://lh6.googleusercontent.com/-M1rxGullDlk/Tlu7HRIVr1I/AAAAAAAARCI/ARNHnVffkP0/dressa3.gif)



O Mistério do Bem e do Mal.
Artigo 1. S. Bernardo do Campo:
Correio Fraterno do ABC, 1992. p. 9-11.




Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 09 de Agosto de 2012, 18:31
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José Herculano Pires - Bibliografia



  1. Nhô Chico Bananeiro, Contos, Ed. O Porvir, Cerqueira César, SP. -- 1928
  2. Cabo velho & Cia, Contos, Ed. O Porvir, Cerqueira César, SP, -- 1929
  3. Sonhos Azuis, Tipografia Ipiranga, Cerqueira César, SP. -- 1930
  4. O Serenista, Editora A Semana, Cerqueira César, SP. -- 1930
  5. Cidades Vivas, Contos, Editora Rio Novo, Avaré, SP. -- 1930
  6. Coração, Poemas, Tipografia Ipiranga, Cerqueira César, SP. -- 1932
  7. Quando Outono Chegar, Poemas, Dat. Avareense, Avaré, SP. -- 1932
  8. Estradas e Ruas, Poemas, Francisco Alves, SP. -- 1933
  9. Abandono da Infância, Crônicas, Editora O Porvir, Cerqueira César, SP.-- 1936
10. Orientação Pediátrica, Estudo, Editora A Semana, Cerqueira César, SP. -- 1936
11. Poemas do Tempo e Da Morte,Editora A Semana, Cerqueira César, SP. -- 1936
12. Flores Murchas, Estudo, Editora O Porvir, Cerqueira César, SP. -- 1937
13. Árvores Sagradas, Artigos, Tipografia Central, Avaré, SP. -- 1937
14. Mulher de Pedra, Poemas, Mim. Paulista, SP. -- 1938
15. A Busca da Serenidade, Tipografia Ipiranga, Cerqueira César, SP.-- 1945
16. À Margem da Guerra, Diário Paulista, Marília, SP. -- 1945
17. Conceito Moderno de Poesia, Tipografia Ipiranga, Cerqueira César, SP. -- 1946
18. Espigão, Crônica, Diário Paulista, Marília, SP. -- 1946
19. Argila, Editora Lake, SP. -- 1946
20. O Reino, Editora Lake, SP. -- 1947
21. Atlântida, Poesia e Mito, Editora A Semana, Cerqueira César,SP. -- 1948
22. O Caminho do Meio,Editora Brasiliense, SP. -- 1948
23. Blavatski e Gandhi, Editora Lake, SP.-- 1949
24. Introdução a Psicologia, Curso, Instituto Brasileiro de Filosofia, SP.-- 1952
25. Crítica da Teoria Corpusucular do Espírito, Cruso, SP. -- 1952
26. Barrabás, O Enjeitado, Editora Lake, SP. -- 1954
27. Um Deus vigia o Planalto, Romance, DN (folhetim Ilustrado), SP. -- 1954
28. Daga Moriga, Piratininga, SP.-- 1955
29. África, Poema, Tipografia O Minuto, SP.-- 1955
30. Os Filósofos, Cultrix, SP. -- 1960
31. Farias Brito, Revista Filosofia, SP. -- 1960
32. O Ser e a Serenidade, Edicel, SP. -- 1960
33. Tempo de Magnólias, Piratininga, SP.-- 1961
34. Os 3 Caminhos de Hécate, Edicel, SP. -- 1962
35. Arigó, um caso de fenomenologia Paranormal, Francisco Alves, SP.-- 1963
36. Psicologia do Desenvolvimento Cultural, Curso, Faculdade de Filosofia, Ciências e         Letras de Araraquara, Araraquara, SP. -- 1963
37. O Espírito e o Tempo, Edicel, SP.-- 1964
38. Parapsicologia e suas Perspectivas, Edicel, SP.-- 1964
39. Introdução a Filosofia Espírita, MUE, SP.-- 1965
40. Rousseau e a Educação, Cultrix, SP.-- 1965
41. Renan e os Evangelhos, Cultrix, SP.-- 1965
42. Parapsicologia Hoje e Amanhã, Edicel, SP.-- 1966
43. Murais, Poemas, Editora Palma, SP.-- 1968
44. Um Deus Vigia o Planalto, livro, Francisco Alves, SP.-- 1968
45. Educação Espírita, Edicel, SP.-- 1970
46. O Verbo e a Carne, Editora Cairbar, SP.--1972
47. Chico Xavier pede Licença, Crônicas, Editora GEEM, SP.-- 1972
48. A Pedra e o Joio, Editora Cairbar, SP.-- 1973
49. Na Era do Espírito, Editora GEEM, SP.-- 1973
50. Cânticos, Dat. Avareense, Avaré, SP.-- 1973
51. Parapsicologia e suas Perspectivas, edição atualizada, Edicel, SP.-- 1974
52. Diálogo dos Vivos, Editora GEEM, SP.-- 1974
53. Lázaro, Romance, Edicel, SP. -- 1975
54. Agonia das Religiões, Editora Paidéia, SP -- 1976
55. Arigó, Vida e Mediunidade, Edicel, SP. -- 1976
56. Mensagens, Poemas, Tipografia Paulista, SP. -- 1976
57. A Viagem, Editora Beira, Porto Alegre, RS. -- 1976
58. Revisão do Cristianismo, Editora Paidéia, SP. -- 1977
59. Psicologia da Liderança, Editora Paidéia, SP.-- 1977
60. Adão e Eva, Editora Paidéia, SP. -- 1977
61. O Menino e o Anjo, Editora Paidéia, SP.-- 1977
62. Na Hora do Testemunho, Editora Paidéia, SP. -- 1977
63. Madalena, Romance, Edicel, SP. -- 1978
64. Os Sonhos Nascem na Areia, Editora Paidéia, SP. -- 1978
65. Jamurana e as Águas Selvagens, Editora Paidéia, SP. -- 1978
66. Para uma Poética da Era Cósmica, Editora Paidéia, SP. -- 1978
67. O Túnel das Almas, Editora Paidéia, SP. -- 1978
68. Metrô para o Outro Mundo, Editora Paidéia, SP. -- 1978
69. Ciência Espírita Editora Paidéia, (póstumo), SP -- 1979
70. Curso Dinâmico do Espiritismo Editora Paidéia, (póstumo),SP, -- 1979
71. Obsessão, o Passe a Doutrinação, Editora Paidéia, (póstumo), SP.-- 1979
72. Vampirismo, Editora Paidéia, (póstumo), SP. -- 1980
73. O Centro Espírita, Editora Paidéia, (póstumo), SP.-- 1980
74. Concepção Existencial de Deus, Editora Paidéia, (póstumo), SP. -- 1981
75. O Mistério do Ser Ante a Dor e a Morte, Editora Paidéia, (póstumo), SP.-- 1981
76. Pedagogia Espírita, Editora Paidéia, (póstumo), SP.-- 1982
77. Pesquisa sobre o Amor, Editora Paidéia, (póstumo), SP. -- 1983
78. O Infinito e o Finito, Editora Correio Fraterno, (póstumo), SP. -- 1983
79. O Homem Novo, Editora Correio Fraterno, (póstumo), SP.-- 1983
80. Educação para a Morte, Editora Correio Fraterno, (póstumo), SP. -- 1984
81. Mediunidade, Editora Paidéia, (póstumo), SP -- 1986
82. Poesias (união dos livros Murais e Argila), Editora Paidéia, (póstumo), SP -- 2004
83. Sonhos de Liberdade, Editora Paidéia, (póstumo), SP -- 2005
84. A Evolução Espiritual do Homem, Editora Paidéia, (póstumo), SP -- 2005
85. O Sentido da Vida, Editora Paidéia, (póstumo), SP -- 2005



(http://lh3.ggpht.com/_piN8DuLL04A/SdSMOXNdB-I/AAAAAAAAhk0/VgF0bYOiktc/.gif)



(Fonte: Mensagem de Luz)
Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 09 de Agosto de 2012, 18:42
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Verdades (In)discutíveis




“[...] o homem constrói o seu destino no plano do contingente,
mas no plano do transcendentes o seu destino
já está determinado pelas leis universais.”


José Herculano Pires



(http://1.bp.blogspot.com/-Ywm04yuaqqM/TXrnzV1vZYI/AAAAAAAAHPY/lKtPJ9e8JtM/s220/3zvv7qor7.png)



“O homem é livre de pensar, querer e agir,
mas sua liberdade é limitada pelas suas próprias condições de ser.
O simples fato de existir é uma condição.”


José Herculano Pires



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Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 09 de Agosto de 2012, 19:04
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Capítulo da introdução redigida por Herculano Pires para o "O Livro dos Espíritos",
por ocasião da edição especial da LAKE, comemorativa do centenário da obra,
em 18 de abril de 1957.



Introdução

(por Herculano Pires)



Com este livro, a 18 de abril de 1857, raiou para o mundo a era espírita. Nele se cumpria a promessa evangélica do Consolador, do Paracleto ou Espírito da Verdade. Dizer isso equivale a afirmar que "O Livro dos Espíritos", é o código de uma nova fase da evolução humana. E é exatamente essa a sua posição na história do pensamento. Este não é um livro comum, que se pode ler de um dia para o outro e depois esquecer num num canto da estante. Nosso dever é estudá-lo e meditá-lo, lendo-o e relendo-o constantemente.


Sobre este livro se ergue todo um edifício: o da Doutrina Espírita. Ele é a pedra fundamental do Espiritismo, o seu marco inicial. O Espiritismo surgiu com ele e com ele se propagou, com ele se impôs e consolidou no mundo. Antes deste livro não havia Espiritismo, e nem mesmo esta palavra existia. Falava-se em Espiritualismo e Neo-Espiritualismo, de maneira geral, vaga e nebulosa. Os fatos espíritas, que sempre existiram, eram interpretados das mais diversas maneiras. Mas, depois que Allan Kardec o lançou à publicidade, "contendo os princípios da Doutrina Espírita", uma nova luz brilhou nos horizontes mentais do mundo.


Há uma seqüência histórica que não podemos esquecer, ao tomar este livro nas mãos. Quando o mundo se preparava para sair do caos das civilizações primitivas, apareceu Moisés, como o condutor de um povo destinado a traçar as linhas de um novo mundo: e de suas mãos surgiu a Bíblia. Não foi Moisés quem a escreveu, mas foi ele o motivo central dessa primeira codificação do novo cliclo de revelações: o critão. Mais tarde, quando a influência bíblica já havia modelado um povo, e quando este povo já se dispersava por todo o mundo gentio, espalhando a nova lei, apareceu Jesus: e das suas palavras, recolhidas pelos discípulos, surgiu o Evangelho.


A Bíblia é a codificação da primeira revelação cristã, o código hebraico em que se fundiram os princípios sagrados e as grandes lendas religiosas dos povos antigos. A grande síntese dos esforços da antigüidade em direção ao espírito. Não é de admirar que se apresente, muitas vezes, assustadora e contraditória, para o homem moderno. O Evangelho é a codificação da segunda revelação cristã, a que brilha no centro da tríade dessas revelações, tendo na figura do Cristo, o sol que ilumina as duas outras, que lança a sua luz sobre o passado e o futuro, estabelecendo entre ambos a conexão necessária. Mas, assim como, na Bíblia, já se anunciava o Evangelho, também neste aparecia a predição de um novo código, o do Espírito da Verdade, como se vê em João, XVI. E o novo código surgiu pelas mãos de Allan Kardec, sob a orientação do Espírito da Verdade, no momento exato em que o mundo se preparava para entrar numa fase superior do seu desenvolvimento.


Hegel, em suas lições de estética, mostra-nos as criações monstruosas da arte oriental, - figuras gigantescas, de duas cabeças e muitos braços e pernas, e outras formas diversas, - como a primeira tentativa do Belo para dominar a matéria e conseguir exprimir-se através dela. A matéria grosseira resiste à força do ideal, desfigurando-o nas suas representações. Mas acaba sendo dominada, e então aparecem no mundo as formas equilibradas e harmoniosas da arte clássica. Atingido, porém, o máximo de equilíbrio possível, o Belo mesmo rompe esse equilíbrio, nas formas românticas e modernas da arte, procurando superar o seu instrumento material, para melhor e mais livremente se exprimir. Essa grandiosa teoria hegeliana nos parece perfeitamente aplicável ao processo das revelações cristãs: das formas incongruentes e aterradoras da Bíblia, passamos ao equilíbrio clássico do Evangelho, e deste à libertação espiritual de "O Livro dos Espíritos".


Cada fase da evolução humana se encerra com uma síntese conceptual de todas as suas realizações. A Bíblia é a síntese da antigüidade, como o Evangelho é a síntese do mundo greco-romano-judáico, e o "O Livro dos Espíritos" a do mundo moderno. Mas, cada síntese não traz em si tão somente os resultados da evolução realizada, porque encerra também os germens do futuro. E na síntese evangélica temos de considerar, sobretudo, a presença do Messias, como uma intervenção direta do Alto para a reorientação do pensamento terreno. É graças a essa intervenção que os princípios evangélicos passam diretamente, sem necessidade de readaptações ou modificações, em sua pureza primitiva, para as páginas deste livro, como as vigas mestras da edificação da nova era.



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Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 09 de Agosto de 2012, 19:12
- Continuação -



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II - A codificação espírita

(por Herculano Pires)



"O Livro dos Espíritos" não é, porém, a pedra fundamental ou o marco inicial da nova codificação. Porque é o seu próprio delineamento, o seu núcleo central e ao mesmo tempo o arcabouço geral da doutrina. Examinando-o, em relação às demais obras de Kardec, que completam a codificação, verificamos que todas essas obras partem do seu conteúdo.

Podemos definir as várias zonas do texto correspondentes a cada uma delas.

Assim como, na Bíblia, há o núcleo central do Pentateuco, e no Evangelho, o do ensino moral do Cristo, no "O Livro dos Espíritos" podemos encontrar uma parte que se refere a ele mesmo, ao seu próprio conteúdo: é o constante dos Livros I e II, até o capítulo quinto. Este núcleo representa, dentro da esquematização geral da codificação, que encontramos no livro, a parte que a ele corresponde. Quanto aos demais, verificamos o seguinte:

1.º) "O Livro dos Médiuns", seqüência natural deste livro, que trata especialmente da parte experimental da doutrina, tem a sua fonte no Livro II, a partir do capítulo sexto, até o final. Toda a matéria contida nessa parte é reorganizada e ampliada naquele livro, principalmente a referente ao capítulo nono: "Intervenção dos Espíritos no mundo corpóreo".

2.º) "O Evangelho segundo o Espiritismo" é uma decorrência natural do Livro III, em que são estudadas as leis morais, tratando-se especialmente da aplicação dos princípios da moral evangélica, bem como dos problemas religiosos da adoração, da prece e da prática da caridade. Nessa parte o leitor encontrará, inclusive, as primeiras formas de "Intruções dos Espíritos", comuns aquele livro, com a transcrição de comunicações por extenso e assinadas, sobre questões evangélicas.

3.º) "O Céu e o Inferno" decorre do Livro IV, "Esperanças e Consolações, em que são estudados os problemas referentes às penas e aos gozos terrenos e futuros, inclusive com a discussão do dogma das penas eternas e a análise de outros dogmas, como o da ressurreição da carne, e os do paraíso, inferno e purgatório.

4.º) "A Gênese, os milagres e as predições, segundo o Espiritismo", relaciona-se aos capítulos II, III e IV do Livro I, e capítulos IX, X e XI do Livro II, assim como a parte dos capítulos do Livro III que tratam dos problemas genésicos e da evolução física da Terra. Por seu sentido amplo, que abrange, ao mesmo tempo as questões da formação e do desenvolvimento do globo terreno, e as referentes a passagens evangélicas e escriturísticas, esse livro da codificação se ramifica de maneira mais difusa que os outros, na estrutura da obra-mater.

5.º) O pequenos livro introdutório ao estudo da doutrina, "O que é o Espiritismo", que não se inclui propriamente na codificação, também ele está diretamente relacionado com "O Livro dos Espíritos", decorrendo da "Introdução" e dos "Prolegômenos".

6.º) "Obras Póstumas", que representa o testamento doutrinário de Allan Kardec. Reúne os seus derradeiros escritos e as anotações íntimas, destinadas a servir mais tarde para a elaboração da História do Espiritismo que ele não pôde realizar.

A codificação se apresenta, pois, como um todo homogêneo e conseqüente. À luz desse estudo, caem por terra as tentativas de separar de um ou outro livro do bloco da codificação, como possível expressão de uma forma diferente de pensamento. E note-se que as ligações aqui assinaladas, de maneira apenas formal, podem e devem ser esclarecidas em profundidade, por um estudo minucioso do conteúdo das diversas partes de "O Livro dos Espíritos", em confronto com os demais livros. Esse estudo exigiria, também, uma análise dos textos primitivos, como a primeira edição deste livro e a primeira de "O Livro dos Médiuns" e do "Evangelho", pois, como se sabe, todas essas obras foram ampliadas por Kardec depois de suas primeiras edições, sempre sob a assistência e orientação dos Espíritos. Num estudo mais amplo e profundo, seria possível mostrar-se o desenvolvimento de certos temas, que apenas colocados pelo "O Livro dos Espíritos" vão ter a sua solução em obras posteriores. É o que se verifica, por exemplo, com as ligações do Cristianismo e o Espiritismo, que se definem completamente em "O Evangelho", ou com o problema controvertido da origem do homem, que vai ter a sua explicação definitiva em "A Gênese", ou ainda com as questões mediúnicas, solucionadas no "O Livro dos Médiuns", e as teológicas e escriturísticas, no "O Céu e o Inferno".

Convém notar, entretanto, que o desenvolvimento de todas essas questões não representa, em nenhum caso, a modificação dos princípios firmados neste livro. Ás vezes, problemas apenas aflorados em "O Livro dos Espíritos" vão ser desenvolvidos de tal maneira em outras obras, que, ao lê-las, temos a impressão de encontrar novidades. A verdade, entretanto, é que neste livro eles já foram assinalados de maneira sintética. É o que ocorre, por exemplo, com o problema da evolução geral, definida por Leon Denis naquela frase célebre: "A alma dorme na pedra, sonha no vegetal, agita-se no animal e acorda no homem". Veja-se, a este respeito, a definição do item 540 deste livro, que para maior fidelidade a reproduzimos. "É assim que tudo serve, tudo se encadeia na Natureza, desde o átomo primitivo até o arcanjo, pois ele mesmo começou pelo átomo. Admirável lei de harmonia, de que o vosso Espírito limitado ainda não pode abranger o conjunto".



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Capítulo da introdução redigida por Herculano Pires para o "O Livro dos Espíritos",
por ocasião da edição especial da LAKE, comemorativa do centenário da obra,
em 18 de abril de 1957.
 


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Enviado por: macili em 09 de Agosto de 2012, 19:18
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III - A filosofia espírita

(por Herculano Pires)




Esta rápida apreciação da estrutura de "O Livro dos Espíritos", em suas ligações com as demais obras da codificação, parece-nos suficiente para mostrar que ele constitui, como dissemos, no início, o arcabouço filosófico do Espiritismo. Contém, segundo Kardec declarou no frontispício, "Os princípios da Doutrina Espírita". É, portanto, o seu tratado filosófico. Embora não tenha sido elaborado em linguagem técnica, e não observe os rigores da minuciosa exposição filosófica, é todo um complexo e amplo sistema de filosofia que nele se expõe.

Ao apreciá-lo, sob esse aspecto, devemos considerar que Kardec não era um filósofo, mas um educador, um especialista em pedagogia, discípulo emérito de Pestalozzi. Daí o aspecto antes didático do que propriamente de exposição filosófica que imprimiu ao livro.

Em segundo lugar, o obra não foi propriamente escrita por ele, mas elaborada com as respostas dadas pelos Espíritos às suas perguntas, nas sessões mediúnicas, com as meninas Boudin e Japhet, e mais tarde com outros médiuns.

Em terceiro lugar, o livro não se destinava a formar escola filosófica, a conquistar os meios especializados, mas apenas a divulgar os princípios da doutrina de maneira ampla, convocando os homens em geral para o estudo de uma realidade superior a todas as elucubrações do intelecto.

Em quarto lugar, o próprio Kardec teve o cuidado de advertir, nos "Prolegômenos", que evitava os prejuízos do espírito de sistema, como vemos neste trecho, em que se refere ao ensino dos Espíritos:

"Este livro é o compêndio dos seus ensinamentos. Foi escrito por ordem e sob ditado dos Espíritos superiores para estabelecer os fundamentos de uma filosofia racional, livre dos prejuízos do espírito de sistema".

Como se vê, "estabelecer os fundamentos de uma filosofia racional, livre dos prejuízos do espírito de sistema", e não criar uma nova escola filosófica, o que implicaria toda uma rígida sistematização. Esse propósito vem ao encontro do pensamento dos filósofos modernos, como vemos, por exemplo, em Ernest Cassirer, que em sua "Antropologia Filosófica", referindo-se à incoveniência dos sistemas, diz: "Cada teoria se converte num leito de Procusto, em que os fatos empíricos são obrigados a se acomodar a um padrão preconcebido". Max Scheller, por sua vez, comenta: "Dispomos de uma antropologia científica, outra filosófica e outra teológica, que se ignoram entre si". Kardec esquivou-se precisamente a isso, tanto mais que o espírito de sistema seria a própria negação dos objetivos da doutrina.

Quanto ao problema da linguagem técnica, não devemos nos esquecer de que o livro se destinava ao grande público, e não apenas aos especialistas. Podemos lembrar, a propósito, o exemplo de Descartes, que escreveu o seu "Discurso do Método" em francês, quando o latim era a língua oficial da filosofia, porque desejava dar-lhe maior divulgação. Mesmo que Kardec fosse um filósofo especializado, a linguagem técnica não serviria aos seus propósitos nesta obra.

Quanto ao método didático, não seria este o primeiro livro de filosofia a dele se socorrer. Podemos lembrar, por exemplo, "A Ética", de Espinosa. Kardec inicia este livro com a definição de Deus, como Espinosa naquele, e se não segue a forma geométrica de exposição, por meio de definições, axiomas, proposições e escólios, segue entretanto a forma lógica, através de perguntas e respostas, intercaladas de comentários e explicações. Há, aliás, curiosas similaridades de estrutura, de posição, de ligações históricas e de princípios, entre esses dois livros, reclamando estudo mais aprofundado. Como as há entre o que se pode chamar a revolução cartesiana e o Espiritismo, a começar pelos famosos sonhos de Descartes e a sua convicção de haver sido inspirado pelo Espírito da Verdade.

Yvonne Castellan, num breve, falho, às vezes gritantemente injusto, mas em parte simpático estudo da doutrina referindo-se ao "O Livro dos Espíritos", mostra que: "O sistema é completo, e compreende uma matafísica, inteiramente repleta de considerações físicas ou genéticas, e uma moral". Numa análise mais séria, a autora teria visto que a estrutura é mais complexa do que supôs.

O livro começa pela metafísica, passando depois à cosmologia, à psicologia, aos problemas propriamente espíritas da origem e natureza do espírito e suas ligações com o corpo, bem como aos da vida após a morte, para chegar, com as leis morais, à sociologia e à ética, e concluir, no Livro IV, com as considerações de ordem teológica sobre as penas e gozos futuros e a intervenção de Deus na vida humana. Todo um vasto sistema, sem as exigências opressoras ou os prejuízos do espírito de sistema, numa estrutura livre e dinâmica, em que os problemas são postos em debate.

Lembrando-nos dos primódios do Cristianismo, podemos dizer que o Espiritismo tem sobre ele uma vantagem, no tocante ao problema filosófico. A simplicidade de "O Livro dos Espíritos" não chega ao ponto de nos obrigar a adaptar sistemas antigos aos nossos princípios, como aconteceu com Santo Agostinho e São Tomaz, em relação a Platão e Aristóteles, para a criação

da chamada filosofia cristã. O Espiritismo já tem o seu próprio sistema, na forma ideal que o futuro consagrará, e cujas vantagens vimos acima.

Por outro lado, é curioso notar que "O Livro dos Espíritos" se enquadra numa das formas clássicas e mais fecundamente livres da tradição filosófica: o diálogo. Por tudo isso, vê-se que Kardec, sem ser o que se pode chamar um filósofo profissional, tinha muita razão ao afirmar, no capítulo VI da "Conclusão", referindo-se ao Espiritismo: "Sua força está na sua filosofia, no apelo que faz à razão e ao bom senso".




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Enviado por: macili em 09 de Agosto de 2012, 19:22
- continuação -



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IV - A dialética espírita

(por Herculano Pires)




Hegel definiu a estrutura e a função do diálogo, identificando as suas leis com as do próprio ser: tese, antítese e síntese. Mais tarde, Marx e Engels deslocaram o diálogo dessa concepção antológica, para lher dar um sentido materialista e revolucionário. Coube a Hamelin, entretanto, definí-lo em seu aspecto mais fecundo, como um processo de fusão necessária da tese e da antítese, na produção de uma nova idéia ou nova tese.

Este, a nosso ver, é o processo dialético do Espiritismo, que em vez de dar ênfase à contradição em si, à luta dos opostos, prefere dá-la à harmonia, à fusão dos contrários, para uma nova criação. E é nesse sentido que se desenvolve o diálogo no "O Livro dos Espíritos".

Nunca houve, aliás, um diálogo como este. Jamais um homem se debruçou, com toda a segurança do homem moderno, nas bordas do abismo do incognoscível, para interrogá-lo, ouvir as suas vozes misteriosas, contradizê-lo, discutir com ele, e afinal arrancar-lhe os mais íntimos segredos. E nunca, também, o abismo se mostrou tão dócil, e até mesmo desejoso de se revelar ao homem em todos os seus aspectos.

Sócrates ouvia as vozes do seu "daimónion" e discutia com o Oráculo de Delfos. Mas Kardec não se limitou a isso: foi mais longe, dialogando com todo o mundo invisível, analisando rigorosamente as suas vozes, ouvindo inferiores e superiores, para descobrir as leis desse mundo, as formas de vida nele existentes, o mecanismo das suas relações com o nosso.

O método dialético é o processo natural do desenvolvimento, tanto do pensamento como de todas as coisas. Emmanuel, certa vez, comparou o Velho Testamento a um apelo dos homens a Deus, e o Novo Testamento, à resposta de Deus. Aceitando essa imagem, podemos dizer que "O Livro dos Espíritos" é a síntese desse diálogo, é o momento em que segundo a definição de Hamelin, o apelo e a resposta se fundem na compreensão espiritual, abrindo caminho a uma nova fase da vida terrena.




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Capítulo da introdução redigida por Herculano Pires para o "O Livro dos Espíritos",
por ocasião da edição especial da LAKE, comemorativa do centenário da obra,
em 18 de abril de 1957.




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Enviado por: macili em 09 de Agosto de 2012, 19:26
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V - A legitimidade do livro

(por Herculano Pires)




Ao publicar "A Gênese", em 1868, Kardec pode acentuar que "O Livro dos Espíritos", lançado dez anos antes, continuava tão sólido como então. Nenhum dos seus princípios fundamentais havia sido abalado pela experiência, todos permaneciam em pé. Hoje, cem anos depois, se ainda vivesse entre nós, o codificador poderia dizer o mesmo.

E isso num século em que o mundo se transformou de maneira vertiginosa, em que a chamada ciência positiva foi revirada de ponta a ponta, em que as concepções filosóficas sofreram tremendos impactos. Há conceitos que, à primeira vista, parecem desmentidos, ou pelo menos postos em dúvida pela ciência. É o caso do fluido universal, mas somente quando o confundimos com o conceito científico do éter espacial.

Na verdade, o desenvolvimento da ciência se processa exatamente na direção dos princípios espíritas. A desintegração da matéria pela física nuclear, a concepção da matéria como concentração de energia, a percepção cada vez mais clara de uma estrutura matemática do universo, a conclusão a que alguns cientistas são forçados a chegar, de que, por trás da energia parece haver outra coisa, que seria o pensamento, - tudo isso nos mostra que Kardec tinha razão ao proclamar que nem Deus, nem a religião verdadeira, nem portanto o Espiritismo, tinham nada a perder com o avanço da ciência. Pelo contrário, só tem a ganhar, como os fatos demonstram, dia-a-dia.

Essa segurança dos princípios espíritas decorre da legitimidade da fonte espiritual deste livro, da pureza dos seus meios de transmissão mediúnica, da precisão do método kardeciano. A fonte, como se vê pela revelação espontânea e inesperada do Espírito da Verdade a Kardec, segundo as anotações autobiográficas de "Obras Póstumas", e pela confirmação posterior de tantos outros Espíritos, ou como se pode constatar, lógica e historicamente, pelo processo de restabelecimento do Cristianismo, que o Espiritismo realiza, é a mesma de que precedeu aquele. Não é Kardec, nem este ou aquele Espírito em particular, nem um grupo de homens, mas toda a falange do Espírito da Verdade, enviada à Terra em cumprimento da promessa de Jesus - a fonte espiritual de "O Livro dos Espíritos".

Quanto aos meios mediúnicos de transmissão, correspondiam à pureza da fonte. As médiuns que serviram a esse trabalho foram duas meninas, Caroline e Julie Boudin, de 16 e 14 anos respectivamente, a que mais tarde se juntaria outra menina, a srta. Japhet, no processo de revisão do livro. As reuniões se realizavam na casa da família Boudin, na intimidade do lar, entre pessoas amigas, e as respostas dos Espíritos eram transmitidas por meio da cesta de bico, a que se adaptava um lápis. As meninas punham as mãos sobre a cesta e esta se movimentava, escrevendo as mensagens, com absoluta impossibilidade de ação dos médiuns na escrita. Mais tarde, seguindo instruções dos próprios Espíritos, Kardec submete o livro ao controle de outros médiuns, mas todos escolhidos criteriosamente. Além disso, as respostas dos Espíritos eram confrontadas com as comunicações obtidas em outros grupos, em obediência ao princípio da universalidade das revelações, que veremos a seguir.

O método de Kardec transformou-se no método da própria doutrina, e tem, na sua própria simplicidade, a garantia da sua eficiência. Podemos resumi-lo assim:

1.º) Escolha de colaboradores mediúnicos insuspeitos, tanto do ponto de vista moral, quanto da pureza das faculdades e da assistência espiritual;

2.º) Análise rigorosa das comunicações, do ponto de vista lógico, bem como do seu confronto com as verdades científicas demonstradas, pondo-se de lado tudo aquilo que não possa ser logicamente justificado;

3.º) Controle dos Espíritos comunicantes, através da coerência de suas comunicações e do teor de sua linguagem;

4.º) Consenso universal, ou seja, concordância de várias comunicações, dadas por médiuns diferentes, ao mesmo tempo e em vários lugares, sobre o mesmo assunto.

Armado desses princípios, escudado rigorosamente nesse critério, Kardec pode realizar a difícil tarefa de reunir a série de informações que lhe permitiram organizar este livro. Interessante lembrar que esse mesmo critério, em parte, havia sido ensinado por João, em sua primeira epístola (IV:1) bem como pelo apóstolo Paulo, em sua primeira epístola aos coríntios. As raízes do método kardeciano estão no Novo Testamento.

Não se pode confundir, porém, o método doutrinário com os métodos de investigação científica dos fenômenos espíritas. No trato mediúnico, a premissa da existência do Espírito e da possibilidade da comunicação já está firmada. O que importa é o controle da legitimidade da comunicação. Na pesquisa científica, tudo ainda está para ser descoberto e provado. As investigações científicas podem variar infinitamente de processos e métodos, de acordo com os investigadores. As sessões mediúnicas não podem fugir ao método kardeciano, que se comprovou na prática, há um século, o único realmente eficiente, e que procede, como vimos, das reuniões mediúnicas da era apostólica.

Problemas secundários, como o da assinatura de certas comunicações por nomes célebres, são explicados por Kardec na "Introdução ao Estudo da Doutrina Espírita", capítulos XI e XII, para os quais remetemos o leitor interessado. Algumas pessoas perguntam por que motivo Kardec não ocultou os nomes que subscrevem os "Prolegômenos", publicando apenas a mensagem, como fez com a maioria das respostas deste livro.

Essas assinaturas, segundo dizem, afastam da obra muitos leitores, que a consideram mistificação grosseira.

A explicação está na sinceridade de Kardec e na sua fidelidade aos Espíritos que lhe revelaram a doutrina. Ocultar-lhes os nomes seria deixar uma possibilidade de lhe atribuírem a obra, e ele sempre fez questão de precisar que não passava de um colaborador dos autores espirituais. Além disso, suas explicações a respeito são absolutamente claras, para todos os que estão aptos a compreender o fenômeno espírita em sua plenitude.




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por ocasião da edição especial da LAKE, comemorativa do centenário da obra,
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Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 09 de Agosto de 2012, 19:34
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VII - O problema religioso

(por Herculano Pires)





A natureza religiosa de "O Livro dos Espíritos", ressalta desde as suas primeiras páginas. Como já vimos, Kardec o inicia pela definição de Deus. Mas o Deus espírita não é antropomórfico, não é um ser constituído à imagem e semelhança do homem, como o das religiões. A definição espírita é incisiva: "Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas".

Assim como, para Espinosa, Deus é a substância infinita, para Kardec é a inteligência infinita. Mas assim como erraram os que confundiram a substância espinosiana com o Universo, assim também se enganaram os que confundem a inteligência infinita com o homem finito, e a religião espírita com os formalismos religiosos.

Os atributos de Deus não se confundem com os precários atributos humanos: Ele é eterno, imutável, imaterial, único, todo-poderoso, soberanamente justo e bom. Deus não se confunde com o Universo, pois é o criador e o mantenedor do Universo. Entretanto, ao tratar da justiça de Deus, vemos Kardec empregar uma terminologia antropomórfica, falando em castigos e recompensas, o que tem dado motivo a afirmar-se que o Deus espírita é semelhante ao das religiões.

A explicação desse fato, que à primeira vista parece contraditório, está na questão décima: "O homem pode compreender a natureza íntima de Deus? - Não. Falta-lhe, para tanto, um sentido". E logo a seguir vem a explicação de Kardec a respeito. Mais adiante, no item treze, encontramos a resposta de que os atributos de Deus, a que nos referimos acima, são apenas uma interpretação humana, aquilo que o homem pode conceber a respeito de Deus, no seu estágio atual de evolução. Kardec, portanto, emprega a linguagem que podemos empregar, de maneira compreensiva, para tratar de Deus. Não humaniza a Deus, mas apenas o coloca ao alcance da compreensão humana.

Não obstante, a natureza suprema de Deus, como inteligência infinita e causa primária, é sempre resguardada. Vemos isso em todo o primeiro capítulo e em muitas outras passagens do livro. No capítulo sobre o Panteísmo, qualquer confusão entre o Criador e a Criação foi afastada. O Deus espírita não é antropomórfico, mas também não é panteísta. Por outro lado, "O Livro dos Espíritos" veda imediatamente o caminho às especulações ilusórias e imaginosas sobre a natureza de Deus.

Uma vez que falta ao homem o meio de compreendê-lo, inútil será tentar a sua definição através de suposições ingênuas ou atrevidas. É o que vemos no item 14º do primeiro capítulo, no estabelecimento de um princípio que define de maneira absoluta a posição do Espiritismo em face do problema, separando-o decisivamente de todas as escolas de teologia especulativa ou de ocultismo de qualquer espécie. Vejamos esse trecho fundamental, podendo o leitor encontrá-lo no lugar próprio deste volume: "Deus existe, não o podeis duvidar, e isso é o essencial. Acreditai no que vos digo e não queirais ir além. Não vos percais num labirinto, de onde não podereis sair.

Isso não vos tornaria melhores, mas talvez um pouco mais orgulhosos, porque acreditaríeis saber, quando na realidade nada saberíeis. Deixai, pois, de lado, todos esses sistemas; tendes que vos desembaraçar de muitas coisas que vos tocam mais diretamente. Isto vos será mais útil do que querer penetrar o que é impenetrável".

Deus, como inteligência infinita ou suprema, é o que é. Não comporta especulações ociosas, definições imaginosas. O homem deve conter-se nos limites de si mesmo, cuidar das suas imperfeições, melhorar-se. Basta-lhe saber que Deus existe, e que é justo e bom. Disso ele não pode duvidar, porque "pela obra se reconhece o obreiro", a própria natureza atesta a existência de Deus, sua própria consciência lhe diz que ele existe, e a lei geral da evolução comprova a sua justiça e a sua bondade. Descartes dizia que, Deus está na consciência do homem, como a marca o obreiro, na sua obra. Os Espíritos confirmam esse princípio, mas vão além, mostrando que a marca do obreiro está em todas as coisas, na natureza inteira. A negação de Deus é, para o Espiritismo, como a negação do sol. O ateu, o descrente, não é um condenado, um pecador irremissível, mas um cego, cujos olhos podem ser abertos, e realmente o serão. Porque Deus é necessariamente existente, segundo o princípio cartesiano. Nada se pode entender sem Deus. Ele é o centro e a razão de ser de tudo quanto existe. Tirar Deus do universo é como tirar o sol do nosso sistema. Simples absurdo.

Mas, pelo fato de não ter a forma humana, de não se assemelhar ao homem, no tocante à constituição física deste, não se segue que Deus esteja distante do homem e indiferente a ele. O Deus espírita se assemelha ao aristotélico, pelo seu poder de atração, mas se afasta dele, quanto à indiferença em relação ao cosmos. Porque Deus é providência, Deus é amor, é o criador e o pai de tudo e de todos.

O universo se define por uma tríade, semelhante às triades druídicas: Deus, espírito e matéria. Vemos isso no item 27, quando Kardec pergunta se existem dois elementos gerais, o espírito e a matéria, e os Espíritos respondem: "Sim, e acima de ambos, Deus, o criador, o pai de todas as coisas. Essas três coisas são o princípio de tudo o que existe, a trindade universal". A matéria, porém, não é só o elemento palpável, pois há nela o fluido universal, o seu lado fluídico, que desempenha o papel de intermediário entre o plano espiritual e o propriamente material.

Diante dessa concepção, surge um problema de ordem teológica e escriturística. Se Deus não se assemelha ao homem, como entender-se a passagem bíblica segundo a qual ele criou o homem à sua imagem e semelhança? A explicação vem no item 88, quando Kardec pergunta pela forma do Espírito, não daquele que ainda está revestido do corpo espiritual ou perispírito, mas do espírito puro.

Vejamos a pergunta e a resposta no original: "Os Espíritos têm uma forma determinada, limitada e constante? - Aos vossos olhos, não; aos nossos, sim. Eles são, se o quiserdes, uma flama, um clarão ou uma centelha etérea". Como se vê, o homem, na sua essência, - naquilo unicamente em que ele pode assemelhar-se a Deus: - não é um animal de carne e osso, nem mesmo uma forma humana em corpo espiritual, mas uma centelha etérea. Foi assim que Deus o fêz à sua imagem e semelhança.

Colocando o problema fundamental de Deus e da criação, "O Livro dos Espíritos" entra pelo controvertido terreno da destinação humana. Sua concepção deísta do Universo é necessariamente teológica. Tudo avança para Deus, do átomo ao arcanjo, como vimos no item 540, e à frente dessa marcha, no plano terreno, encontra-se o homem. Vêmo-lo numa escala evolutiva, na terra como no espaço: do imbecil ao sábio, do criminoso ao santo.

A "escala espírita", que começa no item 100, nos oferece uma visão esquemática dessa escada de Jacó, que vai da terra ao céu. O estudo da "progressão dos espíritos", que começa no item 114, nos mostra a necessidade do esforço próprio para que o Espírito se realize a si mesmo, revelando-nos ao mesmo tempo o papel da Providência, sempre amorosamente voltada para as criaturas. No estudo sobre "anjos e demônios", que se inicia no item 128, defrontando-nos com um debate teórico sobre passagens evangélicas. O problema da justiça de Deus é equacionado à luz dos ensinos de Cristo, no seu verdadeiro sentido.

À seguir, "O Livro dos Espíritos" trata da encarnação dos Espíritos e da finalidade da vida terrena. Combate o materialismo, mostrando a sua inconsistência. Não são os estudos que levam o homem a ele, não é o desenvolvimento do conhecimento que o torna materialista, mas apenas a sua vaidade. É o que vemos no item 148: "Não é verdade que o materialismo seja uma conseqüência desses estudos. É o homem que deles tira uma falsa conseqüência, pois ele pode abusar de tudo, mesmo das melhores coisas"..




(http://www.se-novaera.org.br/userimages/leselo.jpg)



- em continuação -
Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 09 de Agosto de 2012, 19:37
- Continuando o Item VII - O problema religioso -




Kardec corrobora a tese dos Espíritos: o materialismo é uma aberração da inteligência. É o que nos diz no início do seu comentário: "Por uma aberração da inteligência, há pessoas que não vêem nos seres orgânicos nada mais que a ação da matéria, e a esta atribuem todos os nossos atos".

E assim prossegue o livro, todo ele impulsionado pelo sopro do espírito, impregnado pelo sentimento religioso, e mais particularmente, pelo sentido cristão desse sentimento. Quando, no item 625, Kardec pergunta qual o tipo humano mais perfeito que Deus ofereceu ao homem, para lhe servir de guia e modêlo, a resposta é incisiva: "Vede Jesus". E Kardec comenta: "Jesus é para o homem o tipo de perfeição moral a que pode aspirar a Humanidade na Terra. Deus no-lo oferece como o mais perfeito modelo e a doutrina que ele ensinou é a mais pura expressão de sua lei, porque ele estava animado do espírito divino e foi o ser mais puro que já apareceu na Terra".

A religião espírita se traduz em espírito e verdade. O que interessa a Deus não é a precária exterioridade dos ritos e do culto convencional, quase sempre vazio: é o pensamento e o sentimento do homem. A adoração da divindade é uma lei natural, quanto a lei de gravidade. O homem gravita para Deus, como a pedra gravita para a terra e esta para o sol. Mas as manifestações exteriores da adoração não são necessárias.

No item 653, vemos a clara resposta dos Espíritos a respeito: "A verdadeira adoração é a do coração. Em todas as vossas ações, pensai sempre que um Senhor vos observa". A vida contemplativa é condenada, porque inútil, assim também a monacal, pois Deus não quer o cultivo egoísta do sentimento religioso, mas a prática da caridade, a experiência viva e constante do amor, através das relações humanas.

"O Livro dos Espíritos" não deixa de lado o problema do culto religioso, que necessita manifestar a sua religiosidade:

Essa manifestação se verifica nas formas naturais de adoração, uma das quais é a prece. Pela prece, o homem pensa em Deus, aproxima-se dele, põe-se em comunhão com ele. É o que vemos a partir do item 658. Pela prece, o homem pode evoluir mais depressa, elevar-se mais ràpidamente sobre si mesmo. Mas a prece também não pode ser apenas formal. Por ela, podemos fazer três coisas: louvar, pedir e agradecer a Deus, mas desde que o façamos com o coração, e não apenas com os lábios.

Temos assim a religião espírita, que mais tarde se definirá de maneira mais objetiva ou direta em "O Evangelho, segundo o Espiritismo". Uma religião psíquica, como a chamou Conan Doyle, equivalente à "religião dinâmica" de Bergson. No capítulo V da "Conclusão", Kardec afirma: "O Espiritismo é forte porque se apóia nas próprias bases da religião: Deus, a alma, as penas e recompensas futuras, e porque sobretudo mostra essas penas e compensas como conseqüências naturais da vida terrena, oferecendo um quadro do futuro em que nada pode ser contestado pela mais exigente razão". Enfim: religião positiva, baseada nas leis naturais, destituída de aparatos misteriosos e de teologia imaginosa.

Para completar o quadro religioso de "O Livro dos Espíritos" temos ainda o capítulo XII do Livro III e todo o Livro IV. No capítulo referido Kardec trata do aperfeiçoamento moral do homem, encara os problemas referentes às virtudes e aos vícios, às paixões, ao egoísmo, define por fim o caráter do homem de bem e conclui com uma mensagem de Santo Agostinho sobre a maneira de conhecermos a nós mesmos. No Livro IV temos um capítulo sobre as penas e gozos terrenos, que é um código da vida moral na terra, verdadeiro catecismo da conduta espírita, e um capítulo sobre as penas e gozos futuros, sobre as conseqüências espirituais do nosso comportamento terreno.




(http://1.bp.blogspot.com/-UPAJQMl9mm0/TlbkmbdTngI/AAAAAAAAH3U/_5JRh5QbMQ8/s220/68.gif)



Capítulo da introdução redigida por Herculano Pires para o "O Livro dos Espíritos",
por ocasião da edição especial da LAKE, comemorativa do centenário da obra,
em 18 de abril de 1957.
Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 09 de Agosto de 2012, 19:41
- Continuação -




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VIII - Estudos Futuros

(por Herculano Pires)





Este, em linhas gerais, o livro que a 18 de abril deste ano (1) completou cem anos, e cujo primeiro centenário foi celebrado em todo o mundo civilizado, pelos adeptos do Espiritismo. Sua estrutura, como se vê, o coloca entre os tratados filosóficos, e seu conteúdo se relaciona com todos os aspectos fundamentais do conhecimento. Sua simplicidade aparente é tão ilusória como a da superfície tranqüila de um grande rio.

Como no "Discurso do Método", de Descartes, a clareza do texto pode enganar o leitor desprevenido. As coisas mais profundas e complexas aparecem na linguagem mais direta e simples, e a compreensão geral do livro só pode ser alcançada por aquele que fôr capaz de apreender todos os nexos entre os diversos assuntos nele tratados.

Até hoje, cem anos depois de sua publicação, "O Livro dos Espíritos" vem sendo lido e meditado, no mundo inteiro, mas pouco se tem cuidado de analisá-lo em suas múltiplas implicações e em sua mais profunda significação. Acreditamos que o segundo século do Espiritismo, que se iniciou neste ano, será assinalado por uma atitude mais consciente dos próprios espíritas em face deste livro, e que estudos futuros virão revelar, cada vez de maneira mais clara, o seu verdadeiro papel na história do conhecimento.

Para concluir, lembremos que sir Oliver Lodge, o grande físico inglês, uma das mais altas expressões de cultura científica do nosso tempo, considerou o Espiritismo, no seu livro sobre "A imortalidade pessoal", como "uma nova revolução copérnica". E Leon Denis, o sucessor de Kardec, legítima expressão da cultura francesa, proclamou no Congresso Espírita Internacional de Paris, em 1925, e no seu livro "Le Genie Celtique et le Monde Invisible", de 1927, que o Espiritismo tende a reunir e a fundir, numa síntese grandiosa, todas as formas do pensamento e da ciência.




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Capítulo da introdução redigida por Herculano Pires para o "O Livro dos Espíritos",
por ocasião da edição especial da LAKE, comemorativa do centenário da obra,
em 18 de abril de 1957. 






Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 09 de Agosto de 2012, 19:46
- Continuação -




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VI - O problema científico

(por Herculano Pires)





Kardec examina o problema científico do Espiritismo no capítulo VII da "Introdução ao Estudo da Doutrina Espírita". Vejamos um trecho bastante esclarecedor, que o leitor encontrará no lugar próprio desta edição: "A ciência propriamente dita, como ciência, é incompetente para se pronunciar sobre a questão do Espiritismo: não lhe cabe ocupar-se do assunto e seu pronunciamento a respeito, qualquer que seja, favorável ou não, nenhum peso teria".

Não obstante, Kardec insiste no caráter científico da doutrina. Caráter próprio, como ele explica nos capítulos citados, pois se trata de uma ciência que deve ter os seus próprios métodos, uma vez que o seu objeto não é a matéria, mas o espírito.

Por que essa insistência no caráter científico? Porque "O Livro dos Espíritos" vem abrir uma nova era no estudo dos problemas espirituais. Até a sua publicação, esses problemas eram tratados de maneira empírica ou apenas imaginosa. As religiões, com seus intrincados sistemas teológicos, ou as ordens ocultas, as corporações místicas e teosóficas, deslocavam os problemas do espírito para o terreno do mistério. O conhecimento humano se dividia, para nos servirmos das expressões de Santo Agostinho, na "iluminação divina" e na "experiência".

O Espiritismo veio modificar essa ordem de coisas, mostrando a possibilidade de encararmos os problemas espirituais através da experiência agostiniana, ou seja, através da mesma razão que aplicamos aos problemas materiais. Nesse sentido, "O Livro dos Espíritos" se apresenta como um divisor de águas. Tudo aquilo que, antes dele, constitui o espiritualismo, pode ser chamado "espiritualismo utópico", e tudo o que vem com ele e depois dele, seguindo a sua linha doutrinária, "espiritualismo científico", como fazem os marxistas com o socialismo de antes e depois de Marx.

Esta a posiçao especial de "O Livro dos Espíritos", no plano da cultura espiritual. Com ele, o espírito e os seus problemas sairam do terreno da abstração, para se tornarem acessíveis à investigação racional, e até mesmo à pesquisa experimental. O sobrenatural tornou-se natural. Tudo se reduziu a uma questão de conhecimento das leis que regem o universo.

A tese espinosiana da impossibilidade do milagre, como violação da ordem natural, veio comprovar-se nas suas demonstrações. E as leis dessa ordem, como vemos no capítulo primeiro do Livro III, são todas naturais, quer digam respeito às relações materiais, quer às espirituais e morais. Não existe o sobrenatural, senão para a ignorância humana das leis naturais, uma vez que o universo é um sistema único, e todas as suas partes se entrosam na grande estrutura.




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Capítulo da introdução redigida por Herculano Pires para o "O Livro dos Espíritos",
por ocasião da edição especial da LAKE, comemorativa do centenário da obra,
em 18 de abril de 1957.
 



Fonte: Sociedade Espírita Nova Era.
Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 16 de Agosto de 2012, 19:02
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Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 16 de Agosto de 2012, 19:27
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Ação Espírita na Transformação do Mundo



Três são os elementos fundamentais de que o Espiritismo se serve para transformar o nosso mundo num mundo melhor e mais belo:

a) Amor,
b) Trabalho,
c) Solidariedade.




O Amor


O Amor abrange a compreensão e a tolerância, pois quem ama compreende o ser amado e sabe tolerá-lo em todas as circunstâncias. Abrange também a Verdade, pois quem ama sabe que o alvo supremo do Amor é a Verdade. Ninguém ama a mentira, pois mesmo os mentirosos apenas a suportam na falta da verdade.

O amor egoísta do homem por si mesmo expande-se no desenvolvimento psicobiológico como, segundo já vimos, em amor altruísta, amor pelos outros, a partir do núcleo familial até à Sociedade, à Pátria e à Humanidade.

Alguns espíritas dizem que os espíritas não têm pátria, pois sabem que todos podem renascer em várias nações. Isso é uma incongruência, pois então não poderíamos também amar pai e mãe, que variam nas encarnações sucessivas.

O Amor não tem limites, mas nós, os homens, somos criaturas limitadas e estamos condicionados, em cada existência, pelas limitações da condição humana. Amamos de maneira especial aqueles que estão ligados a nós nesta vida ou se ligaram a nós em vidas anteriores. Amamos a todos os seres e a todas as coisas na proporção do nosso alcance mental de compreensão da realidade.

E amamos a nossa Terra, o pedaço do mundo em que nascemos e vivemos e a parte populacional a que pertencemos, no recorte da população mundial que corresponde à população da nossa terra. E amamos os que estão além da Terra, nas zonas planetárias espirituais, como amamos, por intuição mental e afetiva, a todos os seres e coisas de todo o Universo.

O ilimitado do Amor se impõe aos limites temporários da nossa condição imediata. E é esse o nosso primeiro degrau para a transcendência espiritual. Na proporção em que a nossa capacidade infinita de amar se concretiza na realidade afetiva (nascida dos sentimentos profundos e verdadeiros do amor) sentimo-nos elevados a planos superiores de afetividade intelecto-moral, respeitando progressivamente todas as expressões da vida e da beleza em todo o Universo.

O Amor não é gosto, nem preferência, nem desejo — é afeição, ou seja, afetividade em ação, fluxo permanente de vibrações espirituais do ser que se expandem em todas as direções da realidade. Foi por isso que Francisco de Assis amou com a mesma ternura e o mesmo afeto, chamando-os de irmãos, aos minerais, aos vegetais, aos animais, aos homens e aos astros no Infinito.

As ondas do Amor atingem a todas as distâncias, elevações e profundidades, não podendo ser medidas, como fazemos com as ondas hertzianas do rádio. Depois de ultrapassar os limites possíveis da Criação, o Amor atinge o seu alvo principal, que é Deus, e Nele se transfunde.

O Espiritismo aprofunda o conhecimento da Realidade Universal e não pretende modificar o Mundo em que vivemos através de mudanças superficiais de estruturas. Essa é a posição dos homens diante dos desequilíbrios e injustiças sociais. Mas o homem-espírita vê mais longe e mais fundo, buscando as causas dos efeitos visíveis.

Se quisermos apagar uma lâmpada elétrica não adianta assoprá-la, é necessário apertar a chave que detém o fluxo de eletricidade. Se quisermos mudar a Sociedade, não adianta modificar a sua estrutura feita pelos homens, mas modificar os homens que modificam as estruturas sociais.

O homem egoísta produz o mundo egoísta, o homem altruísta produzirá o mundo generoso, bom e belo que todos desejamos. Não podemos fazer um bom plantio com más sementes. Temos de melhorar as sementes.

As relações humanas se baseiam na afetividade humana. Não há afetos entre corações insensíveis. Por isso a dor campeia no mundo, pois só ela pode abalar os corações de pedra. Mas o Espiritismo nos mostra que o coração de pedra é duro por falta de compreensão da realidade, de tradições negativas que o homem desenvolveu em tempos selvagens e brutais.

Essas relações se modificam quando oferecemos aos homens uma visão mais humana e mais lógica da Realidade universal. Essa visão não tem sido apresentada pelos espíritos que, na sua maioria, se deixem levar apenas pelo aspecto religioso da doutrina, assim mesmo deformado pela influência de formações religiosas anteriores.

Precisamos restabelecer a visão espírita em sua inteireza, afastando os resíduos de um passado de ilusões e mentiras prejudiciais. Se compreenderem a necessidade urgente de se aprofundarem no conhecimento da doutrina, de maneira a fornecerem uma sólida e esclarecida doutrina espírita, poderão realmente contribuir para a modificação do mundo em que vivemos.

Gerações e gerações de espíritas passaram pela Terra,de Kardec até hoje, sem terem obtido sequer um laivo de educação espírita, de formação doutrinária sistemática. Aprenderam apenas alguns hábitos espíritas. Ouviram aulas inócuas de catecismo igrejeiro, tornaram-se, às vezes, ardorosos na adolescência e na juventude (porque o Espiritismo é oposição a tudo quanto de envelhecido e caduco existe no mundo), mas ao se defrontarem com a cultura universitária incluíram a doutrina no rol das coisas peremptas por não terem a menor visão da sua grandeza.

Pais ignorantes e filhos ignorantes, na sucessão das encarnações inúteis, nada mais fizeram do que transformar a grande doutrina numa seita de papalvos. Duras são e têm de ser as palavras, porque ineptas e criminosos foram as ações condenadas.

A preguiça mental de ler e pensar, a pretensão de saber tudo por intuição, de receber dos guias a verdade feita, o brilhareco inútil e vaidoso dos tribunos, as mistificações aceitas de mão beijada como bênçãos divinas e assim por diante, num rol infindável de tolices e burrices fizeram do movimento doutrinário um charco de crendices que impediu a volta prevista de Kardec para continuar seu trabalho.

Em compensação, surgiram os reformadores e adulterados, as mistificações deslumbrantes e vazias e até mesmo as séries ridículas de reencarnações do mestre por contraditores incultos de suas mais valiosas afirmações doutrinárias.

Este amargo panorama afastou do meio espírita muitas criaturas dotadas de excelentes condições para ajudarem o movimento a se organizar num plano superior de cultura. Isso é tanto mais grave quanto o nosso tempo que não justifica o que aconteceu com o Cristianismo deformado totalmente num tempo de ignorância e atraso cultural.

Pelo contrário, o Espiritismo surgiu numa fase de acelerado desenvolvimento cultural e espiritual, em que os espíritas contaram e contam com os maiores recursos de conhecimento e progresso de que a humanidade terrena já dispôs.

Todos os grandes esforços culturais em favor da doutrina foram negligenciados e continuam a sê-lo pela grande maioria dos espíritas de caramujo, que se encolhem em suas carapaças e em seus redutos fantásticos.

Falta o amor pela doutrina, de que falava Urbano de Assis Xavier: falta o amor pelos companheiros que se dedicam é seara com abnegação de si mesmos e de suas próprias condições profissionais e intelectuais; falta o amor pelo povo faminto de esclarecimentos precisos e seguros; falta o amor pela Verdade, que continua sufocada pelas mentiras das trevas.




- Continua -
Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 16 de Agosto de 2012, 19:30
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- Continuação -



Os médiuns de grandes possibilidades se vêem cercados de multidões interesseiras, que os levam quase sempre ao fracasso ou ao esgotamento precoce. Só os interessados os procuram: os que pretendem aproveitar suas produções em proveito próprio; os que desejam apenas dizer-se íntimos do médium; os que procuram consolação passageira em sua presença; os que buscam sugar-lhes os benefícios fluídicos e assim por diante. Os próprios médiuns acabam muitas vezes entregando-se ao desânimo e desviando-se para outros campos de atividade onde, pelo menos, poderiam gozar de convivências menos penosas.

A exploração inconsciente e consciente dos médiuns pelos próprios adeptos da doutrina é um dos fatores mais negativos para o desenvolvimento do Espiritismo em nosso país e no mundo. A contribuição que eles poderiam dar para a execução das metas doutrinárias perde-se na miudalha das consultas pessoais e nas mensagens cotidianas de sentido religioso-confessional, mais tocadas de emoção embaladora do que de raciocínio e esclarecimento.

E isso o que todos pedem, como crianças choramingas acostumadas a dormir ao embalo das cantigas de ninar. Até mesmo um médium como Arigó, dotado de temperamento agressivo como João Batista e assistido por uma entidade positiva como Fritz, acabou envolvido numa rede de interesses contraditórios que o envolveram através de manobras que o aturdiram, misturadas a calúnias e campanhas difamatórias que o levaram, na sua ignorância do roceiro inculto, a precipitar-se, sem querer, na sua destruição precoce.

As grandes teses da Doutrina Espírita não foram suficientes para mobilizar os espíritas em favor do médium, resguardando-o e facilitando, pelo menos, a investigação dos cientistas norte-americanos, de diversas Universidades e da NASA, que tentaram desesperadamente colocar o problema em termos de equação científica.

O que devia ter sido uma vitória da Verdade em plano universal, reverteu-se em mesquinho episódio de disputas profissionais acirradas por clérigos e médicos de visão rasteira. E tudo isso por que estranho motivo. Porque os espíritas não foram capazes de sair de suas tocas, empunhando as armas poderosas da doutrina, para enfrentar o conluio miserável das ambições absorventes e vorazes?

Cada espírita, ao aceitar e compreender a grandeza da causa doutrinária e sua finalidade suprema — que é a transformação moral, social, cultural e espiritual do nosso mundo — assume um grave compromisso com a sua própria consciência. O aparecimento de um médium como Chico Xavier ou Arigó não tem mais o sentido restrito do aparecimento de uma pitonisa ou um oráculo no passado, mas o do aparecimento de um João Batista ou de um Cristo na fase crítica da queda do mundo clássico greco-romano, da trágica agonia da civilização mitológica.

Mas após um século da semeadura evangélica, na hora certa e precisa da colheita, vemos de novo o povo eleito enrolado em intrigas na Porta do Monturo, enquanto os romanos crucificam entre ladrões os que se imolaram em reencarnações providenciais.

Essa mentalidade de corujas agoureiras, e troianos que não ouvem Cassandra, decorre do egoísmo (essa lepra do coração humano, segundo a expressão Kardeciana) do comodismo e da preguiça mental. A falta de estudo sério e sistemático da doutrina, que permite a infiltração de elementos estranhos no corpo doutrinário, causando-lhe deformações rebarbativas e fantasiada de novidades, avilta a consciência espírita com a marca de Caim nos grupos de traidores.

Esses traidores não traem apenas a doutrina, ao Cristo e a Kardec,  mas também à Humanidade e ao Futuro. Onde fica o principio do Amor em tudo isso? Quem revelou amor à Verdade? Quem provou amar e respeitar a doutrina? Quem mostrou amar ao seu semelhante e por isso querer realmente ajudá-lo, orientá-lo, esclarecê-lo?

A esse fim superior sobrepõe-se o interesse falso e mesquinho de fazer bonito aos olhos que necessitam de luz, bancar saberetas para os que nada sabem, impor a criaturas ingênuas a sua maneira mentirosa de ver o ensino puro e claro de Kardec.

O amor não está nos que se acumpliciam, se comprometem reciprocamente na trapaça, enleando-se na solidariedade da profanação consciente ou inconsciente. O amor está nos que repelem a farsa e condenam o gesto egoísta dos escamoteadores da verdade em proveito próprio, levando multidões ingênuas e desprevenidas à deturpação da doutrina esclarecedora.

O amor, nesse caso, pode parecer impiedade, mas é piedade, pode assemelhar-se à injúria e agressão, mas é socorro e salvação. As condenações violentas de Jesus a escribas e fariseus não foram ditadas pelo ódio, mas pela indignação justa, necessária, indispensável do Mestre, que sacudia aquelas almas impuras para livrá-las da impureza com que aviltavam o simples.

Quem não tiver condições para compreender isso deve ter pelo menos a humildade de André Luiz, o médico lançado às zonas umbralinas, de contentar-se com trabalhos de limpeza e lavagem nos hospitais dos planos superiores para aprender a grandeza da humildade, a nobreza dos pequeninos, ao invés de rebelar-se contra as leis divinas da busca da Verdade.

Nosso movimento espírita, como todo o negro panorama religioso da Terra, está cheio de ignorantes revestidos ou não de graus universitários, que se julgam mestres iluminados e são apenas os cegos do Evangelho que levam outros cegos ao barranco. Impedi-los de cometer esse crime de vaidade afrontosa é o dever dos que sabem realmente amar e servir. “Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas!” advertiu Jesus, não para condená-los ao fogo do inferno, mas para salvá-los do inferno de si mesmos.




- Continua -
Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 16 de Agosto de 2012, 19:47
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- Continuação -



O Trabalho




O Trabalho é exigência do princípio de transcendência. O homem trabalha por necessidade, como querem os teóricos da Dialética Materialista, mas não apenas para suprir as suas necessidades físicas de subsistência e sobrevivência. Não só, como querem os teóricos da vontade de potência, para adquirir poder.

E nem só, também, como pretendem Bentham e os teóricos da ambição, para acumular posses que representam poder. A busca das causas, nesse campo, morreria no plano das causas secundárias.

Mas a Filosofia Existencial, em nosso tempo, descobrindo o conceito de existência e definindo o homem como o existente (aquele ser que existe, sabe que existe e luta para existir cada vez mais e melhor), mostrou e provou que a natureza humana é subjetiva e não objetiva (extrema e material) e que a mola do mundo não está nos braços e nas mãos, mas na consciência.

Confirmou-se assim, no plano geral da Cultura, o tantas vezes rejeitado e ridicularizado conceito espírita do trabalho. No Livro dos Espíritos temos a afirmação de que tudo trabalha na Natureza. Essa tese espírita antecipou a tese de John Dewey sobre a natureza universal da experiência.

Em todo o Universo há forças em ação, inteligentemente dirigidas segundo planos determinados. Nada se fez ao acaso. Em termos atuais de eletrônica podemos dizer que o universo que é uma programação gigantesca de computadores em incessante atividade rigorosamente controlada.

De um grão de areia a uma constelação estelar, de um fio de cabelo e de um vírus isolado até às maiores aglomerações humanas dos grandes parques industriais do mundo, tudo trabalha. O próprio repouso é uma forma de diversificação do trabalho para recuperações e reajustes nos organismos materiais e nas estruturas psicomentais do homem.

As criaturas humanas que só trabalham para si mesmas ainda não superaram a condição animal. Vivem e trabalham, mas não existem. Porque existir é uma forma superior de viver, que inclui em seu conceito plena consciência das atividades desenvolvidas com finalidade transcendentes.

No próprio desenvolvimento da Civilização o trabalho individual se abre, progressivamente, nos processos de distribuição, para o plano superior do trabalho coletivo. Por isso, é no trabalho e através do trabalho que o homem se realiza como ser, desenvolvendo suas potencialidades.

A extrema especialização da Era Tecnológica nasceu nas selvas, quando dos primeiros dás o homem se incumbiu da guerra, da caça e da pesca, e a mulher da criação, alimentação e orientação dos filhos. A Revolução Industrial na Inglaterra marcou um momento decisivo da evolução humana para a consciência da solidariedade.

É no esforço comum e conjugado das relações de trabalho que se desenvolve o senso da comunidade, provando a necessidade do principio espírita de solidariedade e tolerância para o maior rendimento, maior estimulo e maior aperfeiçoamento das técnicas de produção.

A concorrência de mercado, que estimula a ganância e a voracidade dos indivíduos e dos grupos, das empresas e dos sistemas de produção, opõe-se a conjugação das consciências, na solidariedade do trabalho comum, com vistas ao bem-estar de todos.

Os teóricos que condenam as comunidades de trabalho voltadas para o interesse da maioria reduzem a finalidade superior do trabalho a interesses mesquinhos de enriquecimento individual e de grupos. A própria realidade os contesta com o espetáculo gigantesco do trabalho da Natureza, voltado para a grandeza do todo.

Remy Chauvin considera os insetos sociais como expressões de sistemas coletivos de trabalho e de vida em que o egoísmo individualista e grupal (sociocentrismo) não impediu o desenvolvimento normal da solidariedade. A Natureza inteira é um exemplo que o homem rejeita em nome de seu egoísmo, da sua vaidade e das suas ambições desmedidas.

Esses três elementos funcionaram na espécie humana como pontos hipnóticos que impediram o livre fluxo das energias livres do trabalho, condensando-as em formas institucionais absorventes. As tentativas de romper essas formas por métodos violentos representam uma reação instintiva que leva fatalmente, como o demonstra o panorama histórico atual, a novas formas de condensação.

Esse círculo vicioso só pode ser rompido por uma profunda e geral compreensão do verdadeiro sentido do trabalho, que não leva a lutas e dissensões, mas à conjugação e harmonização de todas as fontes e todos os recursos do trabalho, nos mais diferenciados setores de atividade.

A proposição espírita nesse sentido, como foi em seu tempo a proposição cristã original, encarna os mais altos ideais da espécie, voltados para o trabalho comunitário em ação e fins.

Hegel observou, em seus estudos de Estética, que a dialética do trabalho se revela nos remos da Natureza. O mineral é a matéria-prima das elaborações futuras, apresentando-se como concentração de energias que formam as reservas básicas; o vegetal é a doação em que as forças do mineral se abrem para a floração e os frutos da vida; o animal é a vida em expansão dinâmica, síntese das elaborações dos dois reinos anteriores, endereçando esses resultados ao futuro, à síntese superior do Homem, no qual as contradições se resolvem na harmonia psicofísica e espiritual da criatura humana, dotada de consciência.

Cabe agora a essa consciência elaborar a grandeza da Terra dos Homens (segundo a expressão de Saint-Exupéry). Por sinal que Exupéry, aviador, poeta e profeta, representa o arquétipo atual da evolução humana, na busca do Infinito. Por isso, Simone de Beauvoir considerou a Humanidade, não como a espécie a que nos referimos por alegoria com os planos inferiores, mas como um devir, um processo de mutações constantes na direção do futuro.

Hoje somos ainda projeções dos primatas obtusos e violentos, antropófagos (segundo Tagore) devoradores de si mesmos e dos semelhantes, escameadores e aviltadores da condição humana. Mas amanhã seremos homens, criaturas humanas que encarnarão as forças naturais sob o domínio da Razão e da Consciência. Teremos então a República dos Espíritos, formada pela solidariedade de consciências de que trata René Hubert em sua “Pedagogia Generale”.

Como vemos através desses dados, a Doutrina Espírita não nos oferece uma visão utópica do amanhã, mas uma precognição do homem em sua condição espiritual, sem as deformações teológicas e religiosas da visão comum, calcada em superstições e idealizações rebarbativas.

Tendo penetrado objetivamente no mundo das causas, um século antes que as Ciências Materiais o fizessem, a Ciência Espírita, experimental e indutiva — e que tem agora todos os seus princípios fundamentais endossados por aquelas, em pesquisas de laboratório e tecnológicas — não formulou uma estrutura dogmática de pressupostos para figurar o homem de após a morte e o homem do futuro.

A imagem que nos deu do homem novo há um século está hoje plenamente confirmada pelos fatos. A controvertida questão da sobrevivência espiritual foi resolvida tecnologicamente de maneira positiva, comprovando a tese espírita.

Falta pouco para romper-se, nas mãos já trêmulas dos teólogos, a Túnica de Nessus da dogmática religiosa, que gerou por toda a parte angústias e desesperos. Estamos agora em condições de pensar tranqüilamente num futuro melhor para a Humanidade em fases melhores da sua evolução. Podemos agora nos integrar conscientemente na gigantesca oficina de trabalhos da Terra, preparando o caminho das gerações vindouras.

As revelações não nos chegam mais de mão beijada, pois, como ensina Kardec, brotam dos esforços conjugados do homem esclarecido com os espíritos conscientes. Os dois mundos em que nos movemos, o espiritual e o material, abriram as suas comportas para que as suas águas se encontrem no esplendor de uma nova aurora.

E o Sol que acende essa aurora não é mais uma chama solitária na escuridão total dos espaços vazios, mas apenas uma tocha olímpica entre milhões de tochas que balizam as conquistas futuras do homem na escalada sem fim.

Prometeu não será mais sacrificado por querer roubar o fogo celeste de Zeus, pois esse fogo é o mesmo que resplandece no corpo espiritual da ressurreição, que brilha na alma humana e define a sua natureza divina.

Basta-nos continuar em nossos trabalhos para termos a nossa parte assegurada na Herança de Deus, pois como ensinou o Apóstolo Paulo, somos herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo.

O conhecimento é a nossa fé, que não se funda em palavras, sacramentos e Ídolos mortos, mas na certeza das verificações positivas e nas conquistas do trabalho humano, gerador constante de novas formas de energia para a escalada humana da transcendência.



- Continua -
Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 16 de Agosto de 2012, 20:10
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- Continuação -



A Solidariedade Espírita




A Solidariedade Espírita se manifesta particularmente no campo da assistência à pobreza, aos doentes e desvalidos. O grande impulso nesse sentido foi dado desde o início do movimento doutrinário da França, pelo livro “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, de Allan Kardec, que trabalhou em silêncio na elaboração dessa obra, sem nada dizer a ninguém. Selecionou numerosas mensagens psicografadas, procedentes de diversos países em que o Espiritismo já florescia. Sua intenção era oferecer aos espíritas um roteiro para a prática religiosa, baseado no que ele chamava de essência do ensino moral do Cristo.

Conhecendo profundamente a História do Cristianismo e as dificuldades com que os originais do Evangelho haviam sido escritos, em épocas e locais diferentes, bem como o problema dos evangelhos apócrifos e das interferências mitológicas nos textos canônicos e as interpolações ocorridas nestes, afastou todos esses elementos espúrios para oferecer aos espíritas uma obra pura, despojada de todos os acessórios comprometedores.

Seu trabalho solitário e abnegado deu-nos uma obra-prima, que conta com milhões de exemplares incessantemente reeditados no mundo. Essa obra foi ameaçada com a tentativa de adulteração. Foi o maior atentado que a obra de Kardec já sofreu no mundo, pior que a queima de seus livros em Barcelona pela Inquisição Espanhola.

Muito pior, porque foi um atentado provindo dos próprios espíritas, através de uma instituição doutrinária que tem, por obrigação estatutária, defender, preservar e divulgar a Doutrina Espírita codificada por Kardec. A conseqüência mais grave desse fato lamentável foi a quebra da solidariedade espírita, a desconfiança e a mágoa provocadas entre velhos companheiros.

O ataque das Trevas à vaidade e à ignorância de alguns espíritas invigilantes produziu os efeitos necessários. Sirva o exemplo doloroso para todos os que assumem encargos doutrinários, julgando receber prebendas e consagração. A vaidade excitada leva monges de pedra a se julgarem poderosos na aridez e na solidão dos desertos.

A solidariedade espírita não é apenas interna, entre os adeptos e companheiros. Projeta-se pelo menos em três dimensões:

a) no plano social geral da comunidade espírita, além dos grupinhos domésticos e das instituições fechadas;

b) envolve todas as criaturas vivas, protegendo-as, amparando-as, estimulando-as em suas lutas pela transcendência, procurando ajudá-las sem nada pedir em troca, nem mesmo a simpatia doutrinária, pois quem ajuda não tem o direito de impor coisa alguma;

c) eleva-se aos planos superiores para ligar-se a Kardec e sua obra, a todos os espíritos esclarecidos que lutam pela propagação do Espiritismo no mundo e a Deus e a Jesus na Solidariedade cósmica dos mundos solidários.

 

Nessas três dimensões a Solidariedade Espírita realiza, como que apoiada em três poderosas alavancas, o esforço supremo de elevação do mundo, estimulando a transcendência humana.

As mentes que ainda não atingiram a compreensão desse processo podem fechar-se em grupos e instituições de tipo igrejeiro, isolando-se em seus ambientes de furna, onde os espíritos mistificadores e embusteiros se acoitam facilmente.

Mas na proporção em que os adeptos assim isolados, ou pelo menos alguns deles, procurarem realmente compreender a doutrina, a situação se modificará, despertando os indolentes para atividades maiores.

Todo trabalho espírita é exigente e penoso, porque faz parte de uma grande batalha — a da Redenção do Mundo, iniciada pelo jovem carpinteiro Jesus,   filho de Maria e  José.
                                       
Essa batalha não é a de Deus contra o Diabo, o estranho anjo de luz que se revoltou para fundar o inferno. Essa ingênua concepção das civilizações agrárias e pastoris teve o seu tempo e sua função, o seu efeito de controle em fases de barbárie, mas não passa de uma alegoria inadequada ao nosso tempo.

Tudo no Evangelho, como Kardec demonstrou, desde que afastado do clima mitológico, torna-se claro e demonstra a posição evidentemente racional do Cristo.

O jovem carpinteiro não pertencia à Era Mitológica e encerrou essa era com a sua passagem pela Terra e a propagado seu ensino. O mito vingou-se dele, pois o transformou também em mito. Por muito tempo, até aos nossos dias, a figura humana de Jesus figurou na nova mitologia, na fase romana do Renascimento Mitológico, em que se destacou a figura do Imperador Juliano, o Apóstata, que depois de aceitar o Cristianismo apostatou-se e empenhou-se na salvação dos seus deuses antigos.

Os resíduos da mentalidade mitológica das civilizações arcaicas, particularmente a Grega e a Romana, reagiram, como era natural, contra o racionalismo cristão. Dessa maneira, na mente das populações bárbaras do Império Romano decadente, Jesus foi transformado num mito da Era Agrária.

Os padres e bispos do Cristianismo nascente, todos impregnados pela carga mitológica de um longo passado de ignorância e superstições, não foram capazes de compreender o racionalismo das proposições cristãs. Pelo contrário, cheios de temor e de espanto, contribuíram para a deformação do Cristianismo.

Antes e depois da queda do Império, os cristãos fizeram concessões necessárias aos povos bárbaros para absorvê-los no seio da Religião Redentora. Onde quer que os cristãos se impusessem pela força do número e das armas, as igrejas pagãs eram transformadas em templos cristãos, conservando-se cautelosamente as tradições mitológicas mais arraigadas.

O exemplo clássico e mais conhecido dessa tática romana é a Catedral de Notre Dame, em Paris, que ainda guarda nos seus subterrâneos os restos do templo pagão da Deusa Lutécia. A Deusa pagã foi conservada no templo, mas com o nome de Nossa Senhora, para que o povo ingênuo aceitasse assim o culto cristão a Maria sob o prestigio secular da deusa pagã.

Navatsky lembra que a Deusa Céres, divindade da fecundação e em muitas regiões, mais especificamente, deusa dos cereais, forneceu ao Cristianismo nascente uma das mais conhecidas imagens de Nossa Senhora, em que ela é representada com o manto estrelado do Céu, em pé sobre o globo terreno: Céres cobrindo a Terra com seu manto celeste para fecundá-la.

Esse mesmo processo de transposição ocorre hoje no Sincretismo Religioso Afro-Brasileiro e nas formas de sincretismo de outros países da América, onde os ritos e as figuras dos deuses ou santos católicos são absorvidos pelas religiões africanas transplantadas pelo tráfico negreiro de escravos ao novo continente. Jesus virou Oxalá, Nossa Senhora virou Iemanjá, São Jorge virou Ogum (deus da guerra), São Sebastião virou Oxum (deus da caça, e assim por diante).

Basta lermos o Livro de Atos dos Apóstolos no Evangelho, e as epístolas de Paulo (anteriores aos Evangelhos) para termos a confirmação dessa verdade histórica. Na primeira epístola de Paulo ao Corintos, no tópico referente aos Dons Espirituais, temos uma descrição viva do chamado culto pneumático (do Grego: Pneuma, sopro, espírito), as sessões mediúnicas realizadas pelos primeiros cristãos e nas quais, segundo as pesquisas históricas modernas, que confirmam os dados da Tradição, manifestavam-se espíritos inferiores cheios de ódio a Cristo. Essas manifestações assustadoras foram consideradas como diabólicas, reforçando a imagem tradicional do Diabo na mente ingênua dos adeptos.

A luta entre o Bem e o Mal é simplesmente o processo dialético da evolução. O Mal é a ignorância, o atraso, a superstição. O Bem é o conhecimento, o progresso, a adequação da mente à realidade. Essa é a grande luta das coisas e dos seres, figurada na revolta absurda de Luzbel, o anjo de luz que se entregou à inveja e converteu-se em adversário de Deus. Esses símbolos de um passado bárbaro e longínquo ainda prevalecem na Terra como resíduos míticos que o tempo desgasta na proporção em que a Cultura se desenvolve.

A Ciência incumbiu-se de ajustar a mente humana à realidade terrena, mas os homens se envaideceram e negaram-se a si mesmos nas idéias materialistas, colocando-se abaixo de tudo quanto existe. Duro castigo que o orgulho humano ainda não reconheceu. A Ciência afirma que nada se perde na Natureza, tudo se transforma. O homem aprova isso com entusiasmo e sorri de si mesmo (sem perceber), pois só ele não subsiste, só ele é pó que reverte ao pó.




- Continua -
Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 16 de Agosto de 2012, 20:17
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- Continuação -




Essa é a verdadeira queda do homem, que se rebaixa ao pó num mundo em que tudo se eleva incessantemente na direção dos planos superiores. A tentação simbólica de Jesus no deserto assemelha-se à tentação de Buda na floresta. É a tentação dos homens pelas fascinações dos bens terrenos.

Quando o homem se apega à terra (com t minúsculo,porque a terra que pisamos e não o Globo Terreno), ele se nega evoluir e é castigado pelas forças da evolução, que o impelem a sair da sua toca de bicho para atingir a condição existencial da espécie. A lei da existência não é o pó, mas a transcendência.

Pode o homem andar de joelhos pelas ruas e as estradas, jejuar, mortificar-se, ciliciar-se quanto quiser, mas com isso não se tomará melhor. Voltará às reencarnações difíceis e dolorosas para aprender, no sofrimento e na decepção, que não se busca Deus rastejando, mas elevando-se no amor e na dedicação aos outros.

As práticas religiosas de purificação são egoístas, aumentam a miséria humana e o apego do homem a si mesmo. As tentações que sofremos não vêm do Diabo, mas de nós mesmos, da nossa ignorância e do nosso apego hipnótico aos bens perecíveis da vida terrena.

O Diabo é o Bicho-Papão dos adultos, o espantalho dos supersticiosos.  Giovanni Papini, escritor católico italiano, contemporâneo, em seu livro IL DIA VOLO, escandalizou o Vaticano, pregando a conversão do Diabo. Não conseguia admitir esse mito impiedoso em sua teologia. O Padre Teilhard de Chardin, em seus estudos teológicos, negou a condenação eterna do Diabo.

O Espiritismo se limita a mostrar a natureza mitológica do Diabo e a demonstrar, prática e logicamente, a impossibilidade da queda do Anjo Luzbel. A evolução espiritual é irreversível. O espírito que se elevou ao plano angélico não pode regredir, não pode ter inveja e outros sentimentos humanos. O anjo-mau é uma contradição em si mesmo, pois a Angelitude é a condição divina que o espírito busca e atinge na existência.

A luta do homem para transformar o mundo é a luta do homem consigo mesmo, pois é ele quem faz o mundo, e o faz à sua imagem e semelhança. Deus criou a Terra e todos os mundos do espaço, mas deu cada mundo aos homens que os habitam, para que eles aprendam o seu ofício paterno de Criador, tentando criar o mundo humano que lhes compete.

É evidente que existe o mundo físico, material, em que nascemos, vivemos e morremos. E é também inegável que, sobre esse mundo físico e com os seus materiais, os homens construíram um mundo diferente, feito de artifícios humanos.

O mundo material e sua contraparte espiritual (que os cientistas começam a descobrir como antimatéria) constituem o mundo natural. Mas sobre ambas as partes desse mundo natural os homens constroem os seus mundos fictícios. Cada Civilização é um mundo imaginário que o homem constrói com o seu trabalho, modelando em argila e pedra os seus sonhos e as suas ilusões.

Esses mundos artificiais são o reflexo das ideações humanas na matéria. Nós os criamos, alimentamos, desenvolvemos, dirigimos e matamos. Os mundos bárbaros criados na Terra eram ingênuos; os mundos civilizados apresentam uma gradação que reflete a evolução humana, indo das civilizações agrárias, fantasiosas e alegóricas, até às grandes civilizações orientais, massivas e arrogantes e às Civilizações Teocráticas, míticas e supersticiosas; chegando às Civilizações Científicas, politeístas e pretensiosas, que se transformam em Civilizações Tecnológicas, materialistas e conflitivas, que morrerão para dar lugar à Civilização do Espírito, na busca cultural da Transcendência. Segundo Toynbee, mais de vinte grandes civilizações já existiram na Terra.

Agora está surgindo aos nossos olhos e sob nossos pés uma Nova Civilização — a do Espírito —que podemos chamar de Cósmica ou Espiritual. E para preparar o advento dessa Civilização do Espírito que o Espiritismo surgiu. Não adianta querermos fazer do Espiritismo uma religião dogmática, carregada de misticismo tolo ou de materialismo alienante.

As novas gerações que se encarnam para realizá-la não temem a Deus nem ao Diabo, simplesmente confiam nos planos irreversíveis do Deus,  que se executam segundo as leis da consciência humana em relação telepática permanente com as entidades angélicas a serviço de Deus.

O Espiritismo é a Plataforma de Deus, aprovada pelos Espíritos Superiores para a transformação e elevação da Terra.





Autoria de José Herculano Pires
Curso Dinâmico de Espiritismo
(O Grande Desconhecido)
Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 24 de Agosto de 2012, 04:50
J. Herculano Pires



Evolução Espiritual do Homem

Na Perspectiva da Doutrina Espírita


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(William Blake)
A escada de Jacó


Conteúdo resumido

Herculano Pires demonstra, neste livro, como a Doutrina Espírita entende a evolução espiritual do homem, analisando: o ser na existência; tentativa de fuga para o espaço sideral; importância das manifestações mediúnicas; pureza e impureza e outros aspectos.

Faz um estudo da evolução espiritual do ser humano, desde a antigüidade, passando pelo Cristianismo primitivo até os tempos modernos, com o advento da Doutrina Espírita.

Por fim, Herculano dirige um alerta aos adeptos da doutrina sobre o comportamento moral dos espíritas, diante da grande responsabilidade destes em relação às atividades nos centros espíritas e à divulgação do Espiritismo.



Sobre o autor

José Herculano Pires foi o que podemos chamar homem múltiplo. Em todas as áreas do conhecimento em que desenvolveu atividades – dentro e fora do movimento doutrinário – sua inteligência superior iluminada pela doutrina espírita e pela cultura humanística brilhava com grande magnitude, fazendo o povo crescer espiritualmente. Herculano Pires foi mestre em Filosofia da Educação na Faculdade de Filosofia de Araraquara e membro da Sociedade Brasileira de Filosofia. Presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo e fundador do Clube dos Jornalistas Espíritas de São Paulo, que presidiu por longos anos. Diretor da União Brasileira de Escritores e vice-presidente do Sindicato dos Escritores de São Paulo. Presidente do Instituto Paulista de Parapsicologia (...). E, o que é mais importante: espírita desde os vinte e dois anos de idade, ninguém no Brasil e no estrangeiro mergulhou tão fundo nas águas cristalinas da Codificação Kardeciana e ninguém defendeu mais e com mais competência do que ele a pureza doutrinária (...)


(Do livro J. Herculano Pires, o Apóstolo de Kardec, de Jorge Rizzini)



O homem no mundo como ser na existência


A Teoria da Evolução das Espécies, de Darwin, foi rejeitada pela Igreja e pela maioria das escolas espiritualistas como absurda e humilhante para a Humanidade. Evidentemente chocante era, para a criatura humana, que pudéssemos descender das formas hominóides do reino animal. Feriu a suscetibilidade do homem, milenarmente cultivada no estudo das culturas religiosas, que nos apresentavam como criação à parte no Universo, a única dotada de capacidade de abstração e capacidade de discernimento suficiente, para reconhecer a sua superioridade ante todos os demais seres. A idéia bíblica e de outras escrituras sagradas, segundo a qual fomos criados por Deus à sua imagem e semelhança, conferia-nos uma posição privilegiada, muito grata do nosso orgulho, e não nos permitia aceitar a proposição atrevida e insolente de Darwin, que profanava a nossa natureza divina. Nem mesmo aceitamos a teoria conciliatória de Roussell Wallace, êmulo de Darwin, que admitia o elemento espiritual no processo evolucionista.


O próprio mestre francês da Universidade de França, Professor Denizard Rivail, de tradicional família lionesa, ao publicar O Livro dos Espíritos, em que compendiava a Doutrina Espírita, sob o pseudônimo de Allan Kardec – ocultando os nomes das médiuns que atuaram nas suas pesquisas –, evitou aprofundar a questão e definir claramente a sua posição no assunto, preservando as médiuns, as meninas Boudin, e evitando empecilhos maiores para a divulgação da Nova Doutrina. Só no quinto e último volume da Codificação do Espiritismo, seu livro A Gênese - os milagres e as predições segundo o Espiritismo, tornou clara e precisa a sua posição evolucionista quanto ao problema da evolução das espécies.


Na verdade, ele já havia antecipado a sua posição em várias passagens dos quatro livros anteriores e livros acessórios. Mas a declaração chocante de que o ser animal não se humanizava sem haver passado pela fieira devidamente fatal dos seres inferiores, constante de uma comunicação de Galileu pela mediunidade do astrônomo Camille Flammarion, só então foi incluída na Codificação. Isso revela, ao mesmo tempo, o cuidado cartesiano de Kardec e as dificuldades com que ele teve de lutar para sustentar a batalha espírita na cultura européia do século XIX. Como Descartes, seu predecessor na visão dos novos tempos, Kardec inscreveu, não no seu brasão, que não tinha, mas na sua mente, a palavra Cristo. Apesar disso, o Bispo de Barcelona ateou uma fogueira em praça pública para incinerar os seus livros, pois o homem não estava ao seu alcance e na França a Inquisição já não mais existia.


O religiosismo popular, na França como em toda parte, foi abalado pela resistência e a insistência de Kardec, absorvendo os seus princípios básicos. Foi então que ele se entregou à elaboração secreta de O Evangelho Segundo o Espiritismo, proporcionando ao povo os esclarecimentos espíritas. Nesse livro ele amparava e estimulava a religião do povo, mas sustentando essa religiosidade em termos racionais. Apoiava-se então no princípio doutrinário da lei de adoração – lei universal que só ele descobriu e explicou –, reativando a religião nos corações abalados. Ainda hoje há espíritas, não raro ocupando posições de direção em instituições doutrinárias, que não compreendem a necessidade e o valor desse livro orientador da intuição religiosa popular. Não compreendem que o aspecto religioso do Espiritismo constitui a base inabalável do movimento espírita no mundo. Outros chegam a criticar Kardec por essa capitulação e outros, mais ingênuos, chegam ao cúmulo de alegar que essa tarefa cabia a Roustaing, o infeliz fascinado de Bordeaux, que lançou a obra de evidente mistificação Os Quatro Evangelhos, em que os evangelistas se contradizem a si mesmos e tentam forçar um retrocesso católico do religiosismo popular. A tese espúria, levantada pela Federação Espírita Brasileira, de que Roustaing estava incumbido do problema da fé é simplesmente alucinante. O pobre fascinado não foi discípulo de Kardec, jamais militou ao seu lado e teve sua obra rejeitada pelo mestre. A fé de Roustaing não podia entrosar-se na obra de Kardec, pois era a fé católica medieval, enquanto a fé espírita, definida por Kardec como fé racional, não precisava de nenhum assessor místico e fanático para se implantar na consciência dos novos tempos.


O Espiritismo rejeita toda mitologia de ontem, de hoje e de amanhã. Sua função é de transformar os erros em verdades, como se lê em Kardec, e não em remendar as mitologias antigas com novos e ridículos mitos, como Roustaing tentou fazer em sua obra mistificadora, em que a obra kardeciana é deformada por um trabalho de plágio vergonhoso e de remendos adulteradores que denunciam a debilidade mental do autor. Por sinal que este mesmo declara, na introdução de sua obra, que a obteve mediunicamente (por uma médium, que foi a primeira a rejeitar a mistificação) após haver saído de um internamento em hospital de doentes mentais.


Feito esse preâmbulo necessário, convém lembrar que a religiosidade popular nada tem a ver com as religiões dos teólogos e, portanto, das igrejas. A religião pura e natural do povo nasce da lei de adoração e não das sacristias. É um impulso instintivo do homem, que busca Deus na natureza. Expusemos esse processo, como base em pesquisas antropológicas, em nosso livro O Espírito e o Tempo. O Espiritismo reconhece a legitimidade desse processo, a naturalidade desse impulso. A lei de adoração é hoje plenamente reconhecida pelas Filosofias da Existência, com a designação de impulso de transcendência. Esse impulso é disciplinado pela razão, na medida do desenvolvimento cultural da humanidade.


O conceito de Deus se aprimora e refina na mente humana, acompanhando o desenvolvimento da Civilização. O refinamento intelectual gera ilações atrevidas que o homem vaidoso e entusiasmado com o seu progresso transforma em afirmações definitivas, desencadeando o processo das dogmáticas asfixiantes e intocáveis, porque sagradas. As revelações sutis de entidades espirituais, que o homem capta como percepções extra-sensoriais, acabam cercadas de aparatos materiais imaginários, que reforçam os dogmatismos exclusivistas. Os fatos da selva, pragmáticos e funcionais, provindos dos ritos necessários da vida animal, complicam-se com os adendos da imaginação e a vontade de potência, o anseio de poder dos homens e das organizações religiosas naturalmente absorventes. Instaura-se o poder como conquista humana e desencadeiam-se ações repressivas dos possíveis cismas e gerados por opiniões contrárias. Acendem-se as fogueiras inquisitórias e borbulham em sangue os massacres das dissidências audaciosas e as Noites de São Bartolomeu.




((segue))



Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 24 de Agosto de 2012, 04:56
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O homem no mundo como ser na existência

(continuação)




Todo esse processo, contraditório em si mesmo, revela a condição espiritual do homem no mundo. Desde o instante em que o ser espiritual se lança na realidade material, a sua estrutura ôntica, a estrutura espiritual do ser, inverteu todo o seu sistema direcional e seus vetores psíquicos se voltaram para os alvos terrenos. Não se trata de uma queda, mas de uma experiência necessária, em que dominam as forças materiais e prevalecem os instintos animais; o ser está submetido ao desafio do não-ser. Esta expressão filosoficamente tão discutida não se refere a uma possível entidade mitológica (como a do Anti-Cristo, por exemplo), mas a uma realidade inversa à que corresponde a natureza do ser.


Ninguém explicou melhor essa inversão do que Frederic Myers em sua teoria das duas mentes, a subliminar e a supraliminar. O ser como ser fica soterrado em si mesmo, guardando suas conquistas da filogênese evolutiva no inconsciente, e o homem se define na mente consciente, nivelado no plano dos interesses terrenos imediatistas. A Religião do Homem, para usarmos essa expressão de Tagore, define-se então como um sistema práxico, ou seja, integrado na práxis de cada conquista do mundo. Historicamente essa visão é decepcionante. Tem-se a impressão de que a evolução humana faliu, voltando ao seu marco zero.


Os poderes religiosos nada têm de divino, são exclusivamente humanos. A recente tragédia do Iran, deflagrada friamente pelo Aiatolá Comeine, num retrocesso brusco e violento à época das Civilizações Teológicas, com toda a brutalidade dos processos inquisitoriais, mostra-nos o poder de reversão dos vetores ou cargas de força da gravidade terrena. Comeine é o Grão Sacerdote da Era Teocrática, de Israel, da Mesopotâmia e do Egito ou da antiga Catai, a China Arcaica, das religiões do homem, ansiosas pela dominação material do mundo. Apoiado no Corão, esse Evangelho às avessas, ele ressurge na abertura dos despotismos desencadeados pelas conflagrações mundiais do século, numa tentativa perigosa de repetir as audácias islâmicas do passado.


A atitude agressiva da China invadindo o Vietnã de maneira brutal, depois de prudente reatamento de relações com os Estados Unidos, mostra que os telúricos do mandarinato não estavam extintos, mas apenas ressonando em seus esconderijos subterrâneos. Por outro lado, a reação russa de apoio ao Vietnã corresponde às exigências do determinismo histórico do restabelecimento do Império de Tamerlão. É evidente que esses fatos atuais se revestem de aparências como se fossem determinados apenas por circunstâncias do nosso tempo. Mas são as molas secretas dessa situação, como no caso dos totalitarismos europeus que romperam o falso equilíbrio do século com as explosões da barbárie germânica do passado.


Temos, assim, a demonstração flagrante, no panorama atual do mundo, da sobrevivência do passado histórico na conjuntura contemporânea. O princípio espírita do encadeamento de todos os fatos e todas as coisas no sistema universal nos permite ver, por trás da roupagem moderna dos conflitos atuais, a continuidade inevitável da lei de ação e reação. A lei grega da palingenesia determinava a repetição contínua dos ciclos históricos em todas as suas minúcias. Nos períodos de destruição as civilizações desapareciam, mas nos períodos de reconstrução tudo se repetia, minuciosamente: renovavam-se as figuras do passado em suas posições antigas, as cidades renasciam das cinzas com todos os seus atributos, as situações arcaicas se restabeleciam, as aldeias ressurgiam em seus antigos lugares e até mesmo as estradas e os trilhos dos campos eram restabelecidos. É evidente o exagero absurdo dessa concepção, mas não menos evidente a intuição das repetições históricas, necessárias ao encadeamento dos tempos no processo evolutivo. A repetição não é nem poderia ser escrita, pois com isso se anularia a sua finalidade evolutiva.


Levada por Pitágoras, do Egito à Grécia, a lei da palingenesia adaptou-se a várias concepções das diversas escolas filosóficas. Hoje o astrônomo J. Opiki sustenta a teoria do Universo Oscilante, baseada nas observações dos movimentos das galáxias. De milhões em milhões de anos o Universo se expande no infinito e depois retorna sobre si mesmo, num ritmo de sístoles e diástoles. Nesse abrir e fechar o universo se destrói e se recompõe, marcando o ritmo assombroso das transformações evolutivas. A repetição histórica é apenas um detalhe desse eterno retorno no qual se abre, humílima e fragmentária, a teoria espírita da reencarnação, hoje submetida a pesquisas científicas nos grandes centros universitários do mundo, desde os trabalhos do prof. Wladmir Raikov, na Universidade de Moscou, aos de Ian Stevenson, na Universidade da Califórnia e aos de Hamendras Nat Barnejee, na Universidade de Rajastã, na Índia. O problema pitagórico, egípcio e grego retorna às cogitações filosóficas e às pesquisas científicas na nossa civilização.


O processo evolutivo adquire assim dimensões cósmicas, segundo a proposição espírita: Tudo se encadeia no universo. Vemos assim que a evolução espiritual do homem não é um caso específico de transformação individual, de santificação canônica ou de reforma íntima de modelagem católica. O homem evolui espiritualmente na medida em que, amalgamado na experiência cósmica, é levado por essa experiência incontrolável por curas e pastores. Por isso Jesus não ensinou nem aprovou as formalidades do templo de Jerusalém, nem submeteu os seus discípulos às exigências pretensiosas do rabinato judeu. Sua lição a respeito se resume na advertência: O que se apega à sua vida, perdê-la-á, mas o que a perder por amor de mim, esse a encontrará. Quem vive debruçado sobre si mesmo, cuidando apenas do seu umbigo, não pode perceber e muito menos compreender a grandeza espiritual que é a sua imperecível herança de filho de Deus.


Essa a razão porque o Espiritismo rejeita a alienação do homem no culto externo, em que os mitos supostamente sagrados servem apenas aos espíritos em fase primária de evolução. A lei de adoração não nos obriga a adorar mitos de qualquer espécie. É uma lei natural que leva o homem a adorar a Deus em espírito e verdade. O impulso de transcendência que marca a natureza humana não comporta aparatos de cultos, nem sacramentos inventados pelas igrejas para o comércio da simonia. Os vendilhões do templo, condenados pelo Messias, encontraram mil maneiras de continuar na venda de suas ovelhas inocentes. Substituíram os animais sacrificiais por palavras, gestos e cerimônias, evitando complicações fiscais. Transformaram-se em mascates de palavrórios eletrônicos, vendendo palavras vazias como faziam em seu tempo os sofistas gregos que Sócrates desmascarou. Isso mostra que o espiritual caiu num ciclo vicioso, exibindo o refluir do passado na geena de fogo do Vale do Kidron, do lixo acumulado na Porta do Monturo. Estamos queimando os resíduos que impedem o fluxo natural da evolução. Nossa atualidade trágica brota ameaçadora da fermentação do lixo histórico às portas de Jerusalém. Não é Deus quem nos castiga, mas nós mesmos que nos asfixiamos em nossa incapacidade de compreender, amar e perdoar. Apegados aos interesses terrenos, não conseguimos ainda abrir os olhos, doentes de ganância e violência, para a realidade de nossos próprios impulsos de transcendência.




((segue))
Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 04 de Setembro de 2012, 17:44









Fidelidade à Kardec em Herculano Pires



http://www.youtube.com/watch?v=gKUwoiHXv2g&feature=player_embedded#!



Palestra de Sergio Aleixo sobre o pensamento de Herculano Pires
em relação à fidelidade Doutrinária.




Fonte: Kardeconline


Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 04 de Setembro de 2012, 18:39
J. Herculano Pires



Evolução Espiritual do Homem

Na Perspectiva da Doutrina Espírita



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(Parte II)


As tentativas de fuga
para o espaço sideral



A inversão dos vetores ônticos, portanto psíquicos, realizada no momento da encarnação, no de precipitação do ser na existência, segundo a Teoria das Filosofias da Existência, forma típica do pensamento contemporâneo, ao invés de avançar na direção do alvo natural da morte, para superá-la, desviou-se para vícios da rotina. O Ser feito homem, imantado ao magnetismo das sensações carnais (portanto animais), perdeu-se a si mesmo na atração de fatores humanos, contraditórios entre si e contrários aos objetivos existenciais. Verificando esse fato com sua aguda percepção dos processos materiais, Sartre cria a teoria da frustração do homem – essa paixão inútil – na morte. Então os existencialistas espiritualizados, como o próprio Kierkegaard, Cassirer, Jaspers, Heidegger, Garrilr Marcel (católico) se opuseram à teoria da frustração do homem na morte, antes de Sartre fazer sucesso, demonstrando a preponderância da gravidade terrena na mentalidade do nosso tempo. Evidenciava-se o teor materialista do homem atual, que prefere a sua frustração na morte, a sua nadificação, segundo a linguagem sartreana, à continuidade da vida após a morte. De nada se precisaria para diagnosticar o fracasso do pro-jeto humano lançado na existência; e, como conseqüência, a necessidade de prosseguimento das dolorosas experiências do passado.

Nesse episódio filosófico evidenciava-se a condenação do mundo contemporâneo  repetição dos descalabros do passado. E isso não como castigo divino, mas como inevitável reparação das falhas do processo evolutivo, na pauta da lei de ação e reação. Nossa humanidade se condenava, por sua leviandade inconseqüente, a repetir o curso doloroso das experiências inúteis. O livre-arbítrio do homem, que o levara a preferir o caminho mais longo e doloroso, dera o seu próprio veredicto no tribunal de sua própria consciência. Os monstros não domados no passado voltam a assediar-nos, repontando ferozes no trágico panorama da atual realidade. As leis se cumprem na mecânica inexorável da estrutura vital e contínua da história, mestra dos homens, como queria Cícero.

As duas conflagrações mundiais, de 1914 e 1939, trouxeram à tona, na atualidade mundial, a ferocidade aparentemente soterrada e as ambições desmedidas das tribos germânicas que, no passado, esmagaram o predomínio romano da Europa. Os romanos, por sua vez, tiveram de pagar, por assim dizer, as atrocidades cometidas contra os celtas, o único povo filósofo do mundo, segundo Aristóteles. A sabedoria druídica, da religião pura dos celtas, teve o seu herói em Vercingetóridix, o grande e generoso chefe celta, que César arrastou pelas ruas de Roma, cego e humilhado, como um bárbaro sem entranhas. O druidismo, religião mediúnica e poética dos sacerdotes poetas e cantores, fazia parte da preparação do advento do Cristianismo. Kardec explicaria mais tarde, em comunicação mediúnica a Léon Denis (que Conan Doyle chama de o Druída de Lorena), a importância dos bardos celtas e o sentido profundo das tríades druídicas nas Gálias, para a libertação humana, imantação telúrica que invertera os vetores do ser em sua projeção na existência.

O plano divino foi frustrado pelo arbítrio dos homens. A hierarquia espiritual foi sacrificada em favor das necessidades da experiência livre do homem em seu processo evolutivo. As ambições nazi-fascistas de Hitler e Mussolini constituíram a prova do círculo na repetição das experiências frustradas. O homem teve de voltar à barbárie, rompendo o frágil equilíbrio da Belle Epoque européia que mergulhou no caos da evolução material, no horror de suas conquistas tecnológicas. Milhares de criaturas sensíveis, como no caso doloroso de Stefan Zweig, tentaram escapar do caos pelo suicídio. Os indivíduos, ligados naturalmente às suas comunidades intelectuais, não dispunham de meios para escapar à pressão das forças cármicas desencadeadas no plano social.

Em seu livro O Mundo que eu vi, Zweig estabeleceu o contraste da Viena de seu tempo, paraíso musical de harmonia e beleza, centro intelectual e artístico da Áustria fervilhante de idéias elevadas com a avalanche de brutalidades, sujeira moral e ferocidade selvagem que se despencou sobre a cidade, o país e o mundo. De onde vinha toda essa miséria humana, esse retrocesso histórico, arrasador, senão das camadas temporais subterrâneas, onde os monstros do passado despertavam de sua catalepsia providencial? Ainda hoje podemos ver em Viena uma imagem de bronze de Nossa Senhora, aparente objeto de culto religioso, mas provido por dentro de um sistema de espadas de aço. Os infelizes que eram ali encerrados morriam trespassados pelas espadas, ao fechar da imagem. As espadas simbólicas do martírio de Maria de Nazaré, ante a crucificação do filho, transformavam- se em espadas cruéis de morte sangrenta, e isso ainda nos tempos imperiais da grandeza austríaca. O sadismo infernal dessa forma de execução prova o estado real da evolução moral da Europa, que escondia suas garras de fera sob o manto piedoso da Virgem. Era inevitável a eclosão do Novo Terror, mil vezes pior que o da Revolução Francesa, na proporção em que a frágil camada de civilização fosse sendo rompida, ao despertar dos monstros subterrâneos. Esse rompimento verificou-se em escala mundial, como vimos em nossa contemporaneidade, pois tudo se encadeia no universo.

A Tecnologia da guerra ameaçou o mundo inteiro. Das bombas voadoras de Hitler sairiam mais tarde, como borboletas cósmicas do futuro, os foguetes da pesquisa espacial que romperam as barreiras da gravidade terrena. Premida pela pressão do ambiente caótico do mundo, a consciência humana gerou a angústia existencial, com o apelo desesperado aos tóxicos, o aumento da criminalidade mundial, os surtos de criminalidade infantil e o anseio de fuga do planeta, nas tentativas de fuga pelo espaço sideral. A Astronáutica, nascida das entranhas da tecnologia de matança, transformou-se em esperança, embora remota, de libertação cósmica do homem. Fugir da Terra infestada de monstros do passado e devastada, poluída, aviltada pela raça humana, esse é o objetivo do homem contemporâneo. Mas como as barreiras das distâncias cósmicas parecem invencíveis, surgem os projetos líricos de construção de cidades cósmicas no espaço sideral, nos pontos neutros de gravidade entre a Terra e a Lua, bem como os projetos de revitalização da própria Lua, com arborização artificial para restabelecimento de sua atmosfera. Delírios de uma fase histórica de pesadelo, que não passará com essas invenções, mas apenas com o processo purgatorial em marcha dolorosa.

Os desgastes da natureza forçam o homem a despertar para as exigências da sua própria transformação, no desenvolvimento de suas potencialidades espirituais. Antes da transcendência artificial na conquista do espaço cósmico, cabe-lhe atentar para a transcendência natural de suas possibilidades ônticas. Cabe-lhe ainda o dever moral de restabelecer a ordem terrena, harmonia e sua beleza primitiva. Os mundos superiores do Cosmos não podem receber os demônios da Terra, a não ser pela ordem de graduação evolutiva dos que conseguirem elevar-se acima do nível moral negativo do nosso planeta.

Em seu livro O Jogo de Avelórios, Herman Hesse observa que as fases da decadência do mundo são precedidas de fases musicais em que a estridência supera a harmonia. Nosso mundo atual chegou ao máximo da estridência na música. E essa estridência se reflete em todas as demais atividades artísticas. Voltamos ao primitivismo com técnicas inúteis de disfarce; resposta desses artifícios, não o desejo de progresso, mas a consciência da fragilidade humana, da impotência do homem atual para manter-se no equilíbrio dos gênios do passado, quanto mais para superá-los.

A genialidade escasseou no mundo, porque a civilização atual perdeu-se na subalternidade das aspirações inferiores. Por toda parte as atividades humanas se aviltaram na busca do pragmático. As mentes se fecham nos limites do interesse imediatista da sobrevivência corporal. Reduzido à imperfeição das funções orgânicas, o espírito só agora está voltando a ser considerado real e digno de atenção das ciências.



((segue))

Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 04 de Setembro de 2012, 19:51
J. Herculano Pires



Evolução Espiritual do Homem


Na Perspectiva da Doutrina Espírita


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(Parte II)


As tentativas de fuga
para o espaço sideral


(( continuação))



As últimas descobertas da ciência revelaram, mau grado a obstinação materialista, que o espírito é o elemento estruturador da matéria, confirmando o princípio espírita da dispersão da matéria no espaço e sua aglutinação pelo poder estruturador do espírito. A teoria de força e matéria do século XVIII é agora substituída pelo princípio cientificamente  provado de espírito e matéria. Nas ciências biológicas as experiências com embriões de animais provaram que os centros padronizadores do organismo dominam a estruturação dos corpos. No tocante ao homem, as pesquisas russas da Universidade de Kirov revelaram que a formação do corpo humano e seu funcionamento são determinados pelo corpo bioplásmico, constituído de plasma físico, correspondente ao corpo espiritual da tradição cristã, que no Espiritismo aparece com a denominação kardeciana de perispírito. O materialismo oficial e ideológico do Estado Soviético reagiu contra essa descoberta, mas as provas em contrário não foram feitas. Esses avanços da Ciência, mau grado a teimosia materialista e religiosa, reparam no campo científico atual os erros e distorções intencionais do passado, geralmente feitas em defesa de posições dogmáticas interesseiras.

Há uma enxurrada de crimes materiais, intencionais, morais e de toda a espécie submetidos a revisões penosas da atualidade. Mas a disposição de regresso à posição certa, poderá atenuar a violência das reações cármicas já desencadeadas em nosso tempo. Para essa atenuação muito poderão contribuir os homens de boa-vontade, em todas as circunstâncias em que se encontrarem. Volta assim a responsabilidade do livre-arbítrio humano a correção e a superação de seus desmandos no passado.

É natural o anseio atual do homem, de fuga para outros mundos. Ao se projetar na existência, o ser traz consigo, fixada em sua sensibilidade ôntica, o esquema de sua destinação cósmica. No homem, segundo a teoria genial de Frederic Myers, esse esquema secreto permanece em sua mente subliminar, influindo sutilmente em sua mundividência. Depende da maior ou menor permeabilidade do limiar sobre o qual se assenta, por assim dizer, a consciência supraliminar, a percepção mais ativa ou mais imprecisa do futuro existencial do homem. Kardec esboçou, em O Livro dos Espíritos, a sua famosa Escala Espírita, com a caracterização admiravelmente precisa dos quadros superpostos dos graus de evolução espiritual do homem. Essa escala marca o roteiro cósmico do homem na direção dos mundos superiores do Infinito. A Terra figura nesse esquema como base de lançamento espacial dos grupos humanos devidamente preparados para a transferência a mundos mais elevados. A condição para integrar esses grupos é apenas uma: haver superado o nível moral do planeta. Uma vez superado esse nível, o homem está apto a viver no mundo de regeneração, de onde partirá, completado seu estágio regenerador, para mundos superiores, sempre na medida exata de suas possibilidades. Dessa maneira, todos nós sentimos o anseio da fuga sideral, em menor ou maior grau.

Desejamos todos viver num mundo diferente do nosso, que, segundo Kardec, é o Purgatório que os teólogos e os videntes nunca souberam onde colocar. É aqui, na Terra dos homens, segundo a expressão acertada de Saint Exupéry, que temos de aprender a lutar contra a nossa fragilidade carnal, conquistando a invulnerabilidade do espírito. Na proporção em que o homem progride na sua evolução, mais vivas se tornam em sua memória subliminar e mais fortes projetam em sua mente supraliminar as esperanças da escalada cósmica. Não há técnicas específicas para essa preparação do homem, pois a evolução de cada existente, ou seja, de cada criatura humana na Terra, se faz unicamente através das experiências vivenciais. As regras morais, as religiosas, as mentais não passam de arranjos criados por criaturas imaginosas e sistemáticas, que nem a si mesmas conseguem melhorar. O único manual possível de evolução espiritual é o Evangelho de Jesus compreendido em espírito e verdade, sem as interpretações dogmáticas do sectarismo religioso. Só a vida guarda o segredo da preparação específica de cada existente para o colocar em condições de partir para os mundos do espaço sideral.

O Espiritismo nos mostra e prova, desde as pesquisas de Kardec até as atuais, que antes de nos libertarmos do planeta temos de passar pelos estágios progressivos da própria esfera espiritual da Terra. Não devemos, pois, olhar com muito anseio e pretensão para as estrelas distantes, esquecidos de nossas contas finais com a própria Terra. Para pisar no primeiro degrau dos mundos superiores, precisamos antes provar as escadinhas internas da nossa morada atual. Não há milagres na evolução, há leis.

Algumas instituições espíritas inventaram ou adotaram sistemas de santificação, à maneira dos usados no Catolicismo e no Protestantismo. Ao invés de ensinarem doutrina espírita, passaram a dar cursos de boas maneiras, de impostação de voz e assim por diante; cometem um grande erro, pois na verdade as pessoas se revestem de hipocrisia, logrando-se a si mesmas. Perdem a naturalidade, a espontaneidade e com esta a virtude preciosa da sinceridade. Jogam fora o que têm de melhor, que é a capacidade de não mentir e não fingir. Às vezes em mensagens mediúnicas de espíritos ainda apegados ao ranço clerical das sacristias, aparecem recomendações desse teor. É natural que uma criatura queira dominar e controlar o seu comportamento na medida das exigências da sociabilidade. Mas daí a entregar-se à deformação de si mesma para aparentar angelitude vai grande distância.

A evolução humana não se faz por meio desses artifícios ridículos. Não vem de fora, mas de dentro, das profundezas do ser. A experiência vital é o corretivo natural dos espíritos indisciplinados. Na Terra podemos fingir e mentir à vontade, mas ao deixá-la nos defrontaremos com a realidade nua e crua do que somos. O que nos interessa, portanto, não é aprender regras padronizadas de comportamento fingido, mas refirnar-nos na medida do possível, cultivando o respeito aos outros, o amor aos semelhantes, a humildade que nasce da compreensão de nossas imperfeições. O fingimento é logo percebido por todos os que não se utilizam dele.

O Espiritismo nos ensina que temos em nós mesmos, em nossa natureza específica, os recursos de que a vida se serve para nos tornar mais aptos a viver com dignidade e nobreza espiritual legítima. Não podemos instalar em nossas instituições esses modelos falidos que modelaram os carrascos das inquisições, cobrindo a astúcia de serpentes venenosas. Ninguém pode atingir o Céu com as asas de cera de Ícaro, e muito menos com as asas de papel de seda dos anjos de procissões. Temos de enfrentá-la como ela é, com a nossa própria realidade, para podermos amadurecer ao sol da verdade, longe das sombras da mentira.



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Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 07 de Novembro de 2013, 00:52
J. Herculano Pires



Evolução Espiritual do Homem


Na Perspectiva da Doutrina Espírita



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(Parte II)


Pureza e impureza, na
concepção espiritual da vida


(( Continuação ))



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O conceito de pureza nasce das relações sensoriais e, portanto, epidérmicas do homem com as coisas e os seres. A sensação desagradável ou repugnante determina a natureza impura da coisa. Ao contrário, a sensação agradável é de limpeza. Na gama infinita das sensações e em suas diversificações influem também as condições ambientais, mesológicas, ecológicas, o usos e costumes, as tradições e assim por diante. Mas o que interessa ao nosso estudo pode resumir-se no primeiro contraste, que é o desencadeante do processo. A influência racional aparece tardiamente, não conseguindo modificar os esquemas estabelecidos. O critério religioso do puro e do impuro é uma consequência refinada e racionalizada do processo natural e instintivo, geralmente determinado por processos intelectuais e pelas exigências do conceito do sagrado e os preceitos de santificação.

Para os judeus a vida era pura e a morte impura. Bastava uma pessoa cair morta entre pessoas puras e todas elas ficavam impuras e tinham de submeter-se no Templo aos ritos de purificação. Lázaro, morto e ressuscitado por Jesus, tornara-se impuro. Para os gregos a impureza vinha das derrotas em lutas físicas ou na escravidão. Para os romanos, a impureza vinha dos espíritos malignos que deviam ser afastados das cidades pelas procissões dos ancestrais, carregados em esfinge como santos ou pelas festas dedicadas aos deuses. Mas em todos os casos a impureza era aviltante e exigia ritos de purificação. Para os indianos a impureza era atributo dos párias e contagiava as castas superiores, nascidas da cabeça e do espírito de Brama. Para todos os povos antigos a relação sexual era impura, mas os deuses podiam purificá-la. Não obstante, as criaturas superiores não podiam nascer dessa relação, mas apenas de mães virgens fecundadas por um deus, como no caso de Pitágoras. A virgindade era pura e sagrada, mas a esterilidade feminina denunciava a maldição dos deuses para a mulher. As virgens mães eram puras e geravam messias e profetas. No culto de Vesta, introduzido em Roma, as vestais deviam ser puras e manter-se virgens até os 30 anos de idade, sendo enterradas vivas se tivessem relação sexual antes daquela idade. Não obstante, o culto fálico se propagava entre todos os povos. E a prostituição sagrada oficialmente nos tempos de Vênus dignificava as prostitutas. Dessa situação confusa nasceram as regras de pureza e impureza do mundo cristão primitivo, ligado umbilicalmente às prescrições judaicas. Afrodite era cultuada e aos templos da Suméria havia cópulas sagradas nos altares sob as bênçãos dos sacerdotes.

De todo esse panorama confuso, as bacanais e as saturnais eram festas gloriosas, que agradavam os deuses. Todas as religiões atuais estão ainda carregadas dos resíduos dessa fase. Esse prolongamento da confusão erótica ao nosso tempo revela a predominância, no homem pretensioso de hoje, de sua instintividade animalesca, acrescida de um falso refinamento produzido pelo progresso material. A imensa maioria das criaturas humanas, às vésperas da Era Cósmica, vive o dia-a-dia das sensações primárias da espécie. O desenvolvimento do princípio inteligente foi atrofiado na civilização tecnológica pela importância dada, de maneira quase absoluta, aos problemas do bem-estar, das comodidades e da elegância do supérfluo. Em geralo, somos ainda macacos - não os que atribuíram a Darwin, mas os posteriores - mais interessados a cuidar da barriga do que da cabeça.

Nossa civilização é uma caricatura, em traços grotescos, daquela com que Augusto Comte sonhou, confiante no seu lema ingênuo de ordem e progresso. Com a ordem tecnológica só conseguimos o progresso das devastações ecológicas, do enriquecimento de minorias inúteis e desprovidas do mínimo senso de equilíbrio social, corroídas pela febre das ambições alucinantes, em contraste aterrador com a proliferação das maiorias depauperadas, das multidões esfarrapadas, famintas e doentes. Destruímos a inocência das crianças, que se transformaram em assaltantes e assassinas. Nosso fracasso é total. Os avanços científicos do século compensam em parte o atraso moral e espiritual, mas ao mesmo tempo fazem ressaltar os descalabros das gerações levianas, viciosas, pedantes e insolentes, que desprezam os valores significativos da civilização terrena.

Superando os condicionamentos multimilenares do passado, o Espiritismo superou também os formalismos e as sistemáticas da era moderna, estabelecendo, às vésperas do advento do século XX, as diretrizes de uma nova mundividência. Kardec, culturalmente filiado à chamada era das luzes, não se prendeu aos excessos do cientifismo acadêmico. A nova cultura surgia sobre os anátemas da Igreja e as ameaças dos sabichões, como diria Richet. Sábios, filósofos e cientistas temiam os fantasmas das superstições populares. Levantava-se assim uma nova barreira ao avanço livre das ciências. Repelindo o temor infantil, Kardec resolveu enfrentar os fantasmas. Lembrando o episódio da revolta de Descartes contra a cultura mumificada dos jesuítas de La Fleche, à reação de Rousseau ao tradicionalismo educacional e, mais especificamente, o estudo de Galvani sobre a dança das rãs, não vacilou em verificar o que se passava nos salões parisienses com a dança das mesas. Cauteloso e audacioso ao mesmo tempo, descobriu o mecanismo do fenômeno e aprofundou-se na sua pesquisa. Foi assim, como um cientista e não como um místico (que nunca havia sido), que ele afugentou da mentalidade do tempo os fantasmas das superstições, substituindo-os pelos fantasmas reais dos espíritos manifestantes. Provou de maneira irrefutável a sobrevivência do homem após a morte corporal e que os sobreviventes não viravam anjos nem demônios, mas guardavam a dimensão espiritual da realidade terrena, não no céu nem no inferno, mas aqui mesmo, na Terra dos homens, a sua condição humana.

Hoje, as pesquisas da Física moderna e da Parapsicologia comprovaram inteiramente o acerto do mestre francês. Revelada a face oculta do planeta, em que a vida prossegue vitoriosa e livre, houve pânico nas ciências e profunda modificação nos conceitos da própria modernidade dominante. Os conceitos relativos de pureza e impureza romperam suas ligações umbilicais com o passado e abriram-se em novas dimensões de uma realidade surpreendente. A pureza deixou de ser um tabu para se transformar num conceito real, de bases científicas. Passou-se a entender por pureza a naturalidade das coisas e, consequentemente, por impureza as deformações das realidades sistemáticas imaginárias dos clérigos, dos teólogos e também dos positivistas e materialistas, todos eles mais amigos de Platão do que da verdade. Kardec mudava o sentido dos conceitos fundamentais do bem e do mal, mostrando através de suas pesquisas psicológicas, na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, que mal e bem são conceitos relativos ligados ao processo universal da evolução. O mal é a estagnação, o atraso, a ignorância, e o bem é o progresso, o fluxo das coisas e dos seres, a transcendência. Morrer é um mal, pois a morte corta o fluxo vital do homem que se imobiliza no cadáver. Mas da própria morte resulta o bem da ressurreição, em que a essência do homem que é o espírito, entra no fluxo superior da vida espiritual. A morte como nadificação do homem, segundo Sartre, é um contra-senso filosófico e científico, pois o nada não existe, é um conceito vazio, como Kant já o verificara. Na plenitude do Universo, hoje comprovada pelas pesquisas astronáuticas, não há lugar para o nada, essa abstração sem sentido.

O estudo da doutrina espírita nos mostra que ela representa uma reformulação total do conhecimento humano. Mas as implicações religiosas da doutrina -- embora Kardec jamais a tivesse apresentado como religião, e sim como ciência, -- moveram as forças estacionárias das religiões contra Kardec e a doutrina, tentando sufocá-los e eliminá-los da realidade cultural do planeta. Não o conseguiram, mas apoiados na ignorância, de populares e sábios (os sabichões de Richet), conseguiram confundir os fatos espíritas com a magia das religiões primitivas das tribos selvagens, afastando do estudo da doutrina muitas pessoas supostamente cultas. Instalado numa casa pobre da Rua dos Mártires, em Paris, Kardec fez jus ao nome da rua, pois ali se transformou no mártir da ciência admirável, de que falava Descartes. Ainda hoje o Espiritismo é encarado, por medo e preguiça mental, pela maioria das criaturas humanas, tão necessitadas do seu socorro, como uma ciência suspeita. E isso não obstante as comprovações científicas das verdades espíritas feitas pelos cientistas eminentes em todos os grandes centros universitários do mundo.




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( Segue )

Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 07 de Novembro de 2013, 01:17
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(( Continuação ))




Léon Denis, discípulo e continuador de Kardec, percorreu toda a Europa, em meados e fins do século passado, pronunciando conferências sobre o Espiritismo, na esperança de superar as barreiras levantadas pelas religiões e pelas ciências contra a doutrina. Uma das suas principais conferências, que abalaram a Europa, intitulava-se  A Missão do Século XX. Denis previa o avanço das pesquisas espíritas nos meios científicos e culturais em geral, anunciando o reconhecimento científico do Espiritismo pelas ciências. Já no final do nosso século podemos constatar o acerto de Denis. Se não houve um reconhecimento fora da Ciência Espírita, houve o reconhecimento de fatos pelas comprovações científicas, no interesse do próprio desenvolvimento das ciências.

A Ciência Espírita presenta-se hoje como a pedra enjeitada da parábola evangélica, que teve de ser colocada como a pedra angular da cultura do nosso tempo. Sua abertura generosa, jamais se fechando em dogmas e sistemas fechados, é um desafio constante ao mundo convencional da cultura que tenta desprezá-la e não consegue libertar-se dos rumos teóricos e metodológicos por ela traçados, sem outra imposição de sua realidade do que a própria realidade dos fatos em que se fundamenta. Cassirer, filósofo alemão contemporâneo, condenou os sistemas, considerando-os como leito de Procusto, em que os fatos empíricos das pesquisas têm de adaptar-se, deformados, a uma sistemática prévia. Ao elaborar a Ciência Espírita, Kardec, muito antes dessa opinião do filósofo, declarou que o Espiritismo oferecia, ao mesmo tempo, uma filosofia e uma ciência livres dos prejuízos do espírito de sistema. A palavra grega dogma equivale apenas a opinião, mas as religiões lhe deram o sentido de veredicto intocável. Kardec se refere ao dogma da reencarnação, mas não com o sentido religioso, esclarecendo que não se trata de dogma da fé, mas de razão. Todos os princípios da doutrina estão sujeitos à crítica e à reformulação, desde que uma prova científica, prova comprovada, seja reconhecida como tal pelo consenso universal dos sábios.

Assim como, na lei universal de ação e reação, os fracassos existenciais das civilizações acarretam consequências desastrosas no futuro, também os sucessos resultam em consequências benéficas. Equilibram-se os pratos da balança no processo da evolução humana. Às situações conflitivas de hoje, em nosso mundo, essa lei opõe as situações favoráveis da cultura. Ao mesmo tempo em que os dragões do passado acordam em seus esconderijos, acendem-se as luzes de esperança nas conquistas atuais da Humanidade. A influência dessas conquistas sobre os povos abranda os mitos negativos do assado, predispondo o presente para os avanços necessários, na elaboração universal de um mundo melhor.

John Dewey considera como experiência não apenas os ensaios humanos, mas também os ensaios da natureza. Todo o Universo, segundo a concepção espírita, é um gigantesca experiência nos rumos das realizações arquetípicas, baseadas na elaboração de novos tipos da realidade para o futuro. Deus opera e experimenta em plano maior, enquanto os homens realizam suas experiências infantis nas dimensões possíveis de sua condição presente. O conceito de Deus, formulado constantemente pelos homens, nunca pode expressar essa realidade cósmica, mas na evolução espiritual do homem esse conceito avança em dinâmica progressiva. Tanto podemos fazer de Deus uma imagem humana como a imagem de um poder sem forma, semelhante ao fogo, como queira Zoroastro na antiga Pérsia. O importante é compreendermos que não há ordem sem poder disciplinador e que a ordem do Universo não poderia surgir do acaso, a menos que consideremos o acaso como um poder inteligente.

Kant, que considerou o nada como um conceito vazio, considerou também o conceito de Deus como a mais alta expressão do pensamento humano, um conceito pleno, em que toda a realidade universal se expressa numa só palavra de poucas letras.

As transformações conceptuais que o Espiritismo acarreta em nossa visão do mundo seria suficiente, por si só, para caracterizá-lo como a maior e mais completa revolução cultural do planeta, em todos os tempos. Por isso é necessário que os estudiosos do Espiritismo procurem definir bem os seus conceitos doutrinários.






(http://2.bp.blogspot.com/-SaFPiOM5wGc/TccifcQ3oZI/AAAAAAAAEHU/SueaNuhxUrs/s200/butterflies2.png)
Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 25 de Novembro de 2013, 14:50
Centenário Herculano Pires - Encontros com Herculano Pires


Heloisa Pires   ( Perguntas  e  Respostas )


Para responder à questão "O que é o homem?", J. Herculano Pires se debruçou sobre as concepções de homem, desde a antiguidade até a atualidade, e aponta para a "era do espírito", descortinada por Allan Kardec.

Heloisa Pires explora, na 1ª conferência dos "Encontros com Herculano Pires", intitulada "O Homem no Mundo" e realizada em 25/09/2013, a trajetória das reflexões de Herculano, seu compromisso com a doutrina espirita e seu papel de homem no mundo.
Heloisa Pires é professora.





Encontros com Herculano Pires - Heloisa Pires (http://www.forumespirita.net/fe/go.php?url=aHR0cDovL3d3dy55b3V0dWJlLmNvbS93YXRjaD92PUpnYUlPeWxtdW1NIw==)




Este outro vídeo apresenta as perguntas e respostas realizadas depois da conferência.



http://www.youtube.com/watch?v=mXpnQVH5P9E#t=269


Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 27 de Novembro de 2013, 18:20
Centenário Herculano Pires


Encontros com Herculano Pires / Júlio David Alonso



No seu livro "O Centro Espírita", J. Herculano Pires nos ensina:

"Se os espíritas soubessem o que é o centro espírita, quais são, realmente, a sua função e a sua significação, o Espiritismo seria hoje o mais importante movimento cultural e espiritual da Terra".

"O Centro Espírita não é templo nem laboratório - é, para usarmos a expressão espírita de Victor Hugo: point d'aptique do movimento doutrinário."

Julio David Alonso explora, na 2ª conferência dos "Encontros com Herculano Pires", intitulada "O Centro Espirita: Simplicidade e Atualidade " e realizada em 09/10/2013, esta obra de Herculano. Julio David Alonso é advogado.





Encontros com Herculano Pires - Júlio David Alonso (http://www.forumespirita.net/fe/go.php?url=aHR0cDovL3d3dy55b3V0dWJlLmNvbS93YXRjaD92PTc1cXZ2SzF6Y3FFIw==)
Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 27 de Novembro de 2013, 18:27
Centenário Herculano Pires


Encontros com Herculano Pires / Paulo Henrique de Figueiredo



Baseada no livro "Curso dinâmico de Espiritismo -- o grande desconhecido", esta é a 3ª conferência dos "Encontros com Herculano Pires", intitulada "Espiritismo: o grande desconhecido e realizada em 23/10/2013.

Nesta obra J. Herculano Pires nos ensina que "muitos falam de Espiritismo, bem ou mal. Mas poucos o conhecem. " "Durante muito tempo ele foi encarado com pavor pelos religiosos, que viam nele uma criação diabólica para perdição das almas." "Hoje a situação mudou. Existem sociedades de médicos espíritas e as pesquisas de fenômenos mediúnicos invadiu as maiores Universidades do Mundo. Não se pode negar que a coisa é séria, mas definir o Espiritismo não é fácil. Porque poucos o conhecem, poucos acreditam que precisam estudá-lo, pensam quase todos que se aprende a doutrina ouvindo espíritos."

Paulo Henrique de Figueiredo é administrador de empresas, escritor e pesquisador espírita.




Encontros com Herculano Pires - Paulo Henrique de Figueiredo (http://www.forumespirita.net/fe/go.php?url=aHR0cDovL3d3dy55b3V0dWJlLmNvbS93YXRjaD92PWV4QmxRbzd0TmZzIw==)

Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 27 de Novembro de 2013, 21:50
Centenário Herculano Pires


Encontros com Herculano Pires  /  Dora Incontri



Baseada no livro "Pedagogia espírita", esta é a 4ª conferência dos "Encontros com Herculano Pires", intitulada "Herculano - por uma pedagogia espírita" e realizada em 06/11/2013.


"Pedagogia espírita" é um livro que reúne trabalhos de J. Herculano Pires sobre a necessidade de uma reformulação do problema educacional à luz do espiritismo, pela implantação de uma pedagogia espírita.


Dora Incontri é jornalista, escritora, pedagoga e pós-doutora em Pedagogia pela USP.




Encontros com Herculano Pires - Dora Incontri (http://www.forumespirita.net/fe/go.php?url=aHR0cDovL3d3dy55b3V0dWJlLmNvbS93YXRjaD92PTJxUDZNaWlFa09zIw==)

Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 27 de Novembro de 2013, 21:57
Centenário Herculano Pires


Encontros com Herculano Pires / Sérgio Aleixo



"Na primeira intervenção em defesa do espiritismo, Herculano Pires tinha vinte e poucos anos e deixou claro que colocava o espiritismo acima das lideranças e das instituições doutrinárias." (Jorge Rizzini, in J. Herculano Pires -- o apóstolo de Kardec).

Herculano Pires foi um incansável divulgador e defensor da doutrina, contra os pseudossábios que ainda hoje tentam introduzir "novidades" no espiritismo.

Sergio Aleixo discorreu sobre O verbo e a carne -- uma análise do roustainguismo (escrita em conjunto com Julio de Abreu Filho), Na hora do testemunho (sobre a adulteração de O evangelho segundo o espiritismo, ocorrida em 1973, escrita em parceria com Chico Xavier) e outros livros, como A pedra e o joio (sobre a Teoria Corpuscular do Espírito), nesta 5ª conferência dos "Encontros com Herculano Pires", intitulada "Fidelidade a Kardec no espiritismo".

Sérgio Aleixo é escritor, graduado em língua e literatura portuguesa pela UFRJ.




Encontros com Herculano Pires - Sergio Aleixo (http://www.forumespirita.net/fe/go.php?url=aHR0cDovL3d3dy55b3V0dWJlLmNvbS93YXRjaD92PTk5eWpEM0xKVFFzIw==)
Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 30 de Dezembro de 2013, 00:31




Bíbliossíntese - "Vampirismo" - José Herculano Pires








Bibliossíntese - "VAMPIRISMO" José Herculano Pires (http://www.forumespirita.net/fe/go.php?url=aHR0cDovL3d3dy55b3V0dWJlLmNvbS93YXRjaD9mZWF0dXJlPXBsYXllcl9lbWJlZGRlZCZhbXA7dj1udzh2SmYxalhaTSM=)
Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: wender100%espirita em 30 de Dezembro de 2013, 00:47
(Ligação para o anexo)


José Herculano Pires
Desvendando o grande desconhecido

(Mauro Spinola)


(http://dl.glitter-graphics.net/pub/1218/1218511akwyyjuv5y.gif) (http://www.forumespirita.net/fe/go.php?url=aHR0cDovL3d3dy5nbGl0dGVyLWdyYXBoaWNzLmNvbQ==)(http://dl.glitter-graphics.net/pub/1218/1218511akwyyjuv5y.gif) (http://www.forumespirita.net/fe/go.php?url=aHR0cDovL3d3dy5nbGl0dGVyLWdyYXBoaWNzLmNvbQ==)


José Herculano Pires, o maior escritor espírita brasileiro, decididamente não se conformava com o que via: de um lado o Espiritismo sendo duramente atacado, e por outro, apaixonadamente defendido. O problema estava num aspecto comum entre os atacantes e defensores: em sua maioria desconheciam o próprio Espiritismo.


“Os adversários partem do preconceito e agem por precipitação. Os espíritas formularam uma idéia pessoal da Doutrina, um estereótipo mental a que se apegaram” (Introdução à Filosofia Espírita).


Guardo comigo a convicção de que se baseie nessa análise (que podemos também desfrutar no Curso Dinâmico de Espiritismo) a sua maior motivação para o extenso e vigoroso trabalho que desenvolveu.


Herculano escreveu muito, num trabalho extenso e intenso. Abarcou os mais variados temas relacionados ao Espiritismo. Filosofia, educação, ciência, religião e movimento espírita eram seus temas prediletos. Este último foi motivo de muitas e fundadas polêmicas (nunca fugiu delas). No movimento espírita e fora dele, Herculano defendeu o Espiritismo com a energia de um Don Quixote. Os livros e artigos que escreveu, além dos debates do qual participou, construíram uma estampa única de defesa pública e destemida do Espiritismo, marcada pelo compromisso com a verdade e a lógica, mais do que com pessoas e instituições. Os “padres mágicos” (que chegavam a inventar experiências televisivas para “provar as fraudes dos espíritas”) e os pastores dedicados a atacar o Espiritismo tiveram cada um de seus argumentos ou simples acusações respondidos, na imprensa escrita, no rádio, na televisão. A sintaxe utilizada era a da exposição objetiva de fatos e argumentos. A semântica preferida era a do desenvolvimento lógico e racional.


No âmbito interno do movimento espírita foram igualmente combatidos as práticas espíritas que condenava (como as aplicações inadequadas da mediunidade) e conceitos espíritas equivocados (como o da reforma íntima). Inconformado com as inúmeras distorções que se aplicavam ao Espiritismo no próprio meio espírita, sobretudo pela Federação Espírita Brasileira, com sua inexplicável defesa de teses de Roustaing, Herculano não se fazia calar. Chegava mesmo a ferir susceptibilidades: o amor só tinha sentido e lugar se amparado na verdade.


Não tenho dúvidas de que Herculano era apaixonado pelo Espiritismo. Os seus estudos científicos, por exemplo, sempre recheados com uma infinidade de informações levantadas à exaustão junto a pesquisadores do mundo inteiro, e fortemente calcados na base e na metodologia kardequiana, chegavam a conclusões profundamente otimistas sobre os resultados conseguidos pela pesquisa espírita. Em Mediunidade chega a afirmar que a tese espírita da existência de energias espirituais típicas já havia sido comprovada cientificamente. A conclusão talvez seja discutível, haja vista a relutância ainda vigente nos dias atuais aos métodos e conclusões da pesquisa espírita, mas o que mais chama a atenção nesses estudos é a profunda capacidade de correlacionar informações diversas de maneira a cercar um problema e suas causas potenciais, lembrando e complementando o que faziam Bozzano e Kardec: a razão nos diz que não basta encontrar uma causa para um fenômeno, é necessário buscar a causa de um conjunto consistente de fenômenos.


Na discussão científica, o defensor também mostrou sua face. Em A Pedra e o Joio dedicou-se a combater as teorias científicas que se constroem entre os espíritas sem base sólida. Para Herculano, Kardec é a base fundamental. O método kardequiano, apoiado na razão e na universalidade de informações, e os conceitos fundamentais do Espiritismo, seriam para ele a estrutura sólida para o desenvolvimento das pesquisas espíritas. A destruição gratuita dessa base poderia colocar em risco todo o conjunto.


Na questão científica é também fundamental notar uma outra contribuição importante de Herculano: ele estabelecia em seus estudos a discussão explícita entre o Espiritismo e os diversos segmentos da pesquisa psíquica, do americano Rhine ao russo Vassiliev, do psicanalista Freud ao engenheiro Bozzano. Ao contrário de muitos, que timidamente preferem dogmatizar a Doutrina, discutindo apenas a sua lógica interna, Herculano expunha e desta forma mostrava a força da visão e do método espírita.


No que se refere ao tema educação, o seu trabalho foi, e continua sendo, ímpar. Numa única frase - “o educando é um espírito encarnado” - resumiu filosoficamente a contribuição do Espiritismo à educação. Propôs e estruturou a Pedagogia Espírita, fortemente calcada nos princípios da imortalidade e da evolução do espírito. Criou e dirigiu a revista Educação Espírita, que a despeito do pequeno número de edições (quantos realmente a apoiaram?), mantém-se ainda hoje como uma das mais importantes contribuições ao tema na nossa literatura. Também nesta área encontramos marcas de sua energia e seu entusiasmo. Afinal, quem além dele poderia se debruçar sobre um projeto de Faculdade de Espiritismo, com processo pedagógico diferenciado e com detalhamento da estrutura organizacional e do currículo? A educação espírita ganha identidade e corpo nas mão de Herculano, mas a sua meta não é apenas influenciar os currículos escolares: o alcance da Pedagogia Espírita transcende a esta vida. Coerente com a visão kardequiana de que a consciência da imortalidade, a proposta de Herculano se resume atribuir transcendência aos atores e ao processo educacional. Em Educação para a Morte fica claro que o papel educacional do Espiritismo não está focalizado estritamente numa das duas facetas da vida (a encarnada ou a desencarnada), mas sim na sua totalidade. Visa o espírito integral.


Herculano foi jornalista e trabalhou vários anos nos Diários Associados. Escrever foi realmente a sua vida. O que chama mais a atenção, no entanto, é que seu estilo não se pautou estritamente na objetividade jornalística. Era fundamental a discussão, a análise, às vezes até a divagação por caminhos longos que no retorno davam nova feição ao ponto original. Não há dúvida de que Herculano foi acima de tudo um filósofo do Espiritismo. Para seu amigo argentino Humberto Mariotti, em Herculano Pires: Filósofo e Poeta, ele era um filósofo e pensava sobre o mundo e o ser com evidentes profundidades metafísicas. Ao publicar a sua Introdução à Filosofia Espírita, Herculano enfrentou o problema da análise do Espiritismo como doutrina filosófica, discutiu a teoria do conhecimento espírita, e propôs uma Filosofia Espírita da Existência, que chamou de Existencialismo Espírita: a busca na realidade concreta da essência possível, partindo dela para as induções metafísicas. Ao invés de partir da essência impalpável, e nela ficar, o Espiritismo parte dos fatos, dos fenômenos, do real, da vida. A discussão da existência leva à essência, não o contrário.


Ao propor uma concepção existencial, Herculano permite-nos também compreender o processo dialético vivido pelo espírito ao nascer, viver, morrer e renascer. Analisando mais especificamente o trabalho de Kardec percebemos que toda a teoria espírita se construiu a partir da observação dos fatos. A visão existencialista permite ver o papel de Kardec e dos demais elaboradores do Espiritismo na sua construção. O maior kardeciólogo que o mundo já viu também buscou, a cada instante, compreender, interpretar e avaliar o papel de Kardec.


Talvez seja possível resumir o que buscou continuamente Herculano: desvendar o grande desconhecido, ou seja, compreender e discutir visão de mundo do Espiritismo, analisar sua contribuição ao conhecimento humano, detalhar seu método, avaliar o papel de Kardec e dos Espíritos na sua elaboração, e mostrar a todos tudo o que descobriu.



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Mauro Spinola é Engenheiro, Doutor em Engenharia de Computação, Professor Universitário, participante do CPDoc (Centro de Pesquisa e Documentação Espírita) e do Centro de Estudos Espíritas José Herculano Pires, de São Paulo, Capital.
perfeito topico irma macili Herculano e nosso grande exemplo de como estudar o Espiritismo! paz e luz
Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 21 de Janeiro de 2014, 02:07
Olá a todos...

Olá Amigo Wender, seja bem-vindo a este espaço...


Paz e luz em nossos corações...


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Encontros com Herculano Pires - Astrid Sayegh



Vídeo da 6ª conferência dos "Encontros com Herculano Pires", baseada no livro "Introdução à Filosofia Espírita", de autoria de J. Herculano Pires, em que o autor responde à pergunta frequente dos detratores do Espiritismo: "Pode uma doutrina ser ao mesmo tempo Ciência, Filosofia e Religião?"

Astrid Sayegh é pesquisadora e Doutora em Filosofia pela USP, fundadora do Instituto Espírita de Estudos Filosóficos.




http://www.youtube.com/watch?v=FYeeAxCTzEA#t=165








Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 07 de Fevereiro de 2014, 13:26

Olá queridos Amigos e Irmãos...



Para refletirmos...







(http://1.bp.blogspot.com/-tqHWoT9VlJk/UvTdgL2hBAI/AAAAAAAAPPc/6DPILe4_Rhs/s600/herculanopires.n%C3%A3osejavaidoso.jpg)
Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 01 de Março de 2014, 17:15
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Encontros com Herculano Pires - Julia Nezu




Vídeo da 7ª Conferência intitulada "Conceituação da mediunidade e análise dos seus problemas atuais" e baseada no livro "Mediunidade - vida e comunicação", de autoria de J. Herculano Pires, em que o autor procura demonstrar o que é em essência essa faculdade, como funciona em nosso corpo e na relação com o mundo, os homens e os espíritos.


Julia Nezu é formada em Direito pela USP, presidente da USE - União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo e do CCDPE-ECM - Centro de Cultura, Documentação e Pesquisa do Espiritismo Eduardo Carvalho Monteiro.




Encontros com Herculano Pires - Julia Nezu (http://www.forumespirita.net/fe/go.php?url=aHR0cDovL3d3dy55b3V0dWJlLmNvbS93YXRjaD92PUVYZm55T1RiUm1ZIw==)
Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 01 de Março de 2014, 17:27
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Encontros com Herculano Pires - Milton Calciolari





Vídeo da 8ª Conferência baseada no livro "Concepção existencial de Deus". Nesta obra, J. Herculano Pires ensina que "Deus como existente, que existe na nossa realidade humana, pode ser tocado com os dedos e sentido, captado pelo nosso sensório comum. Não necessitamos da percepção extrassensorial para captar sua existência...".

Milton Calciolari é formado pela Faculdade de Odontologia da USP, coronel reformado da Polícia Militar e participa há mais de 30 anos do Grupo Espírita Cairbar Schutel, dirigindo reuniões de estudos e realizando palestras em várias instituições espíritas.




Encontros com Herculano Pires - Milton Calciolari (http://www.forumespirita.net/fe/go.php?url=aHR0cDovL3d3dy55b3V0dWJlLmNvbS93YXRjaD92PVlvYnVZVjJOa1E0Iw==)

Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 01 de Março de 2014, 17:32
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Encontros com Herculano Pires - Fernando Benesi




Vídeo da 9ª Conferência baseada no livro "A obsessão, o passe, a doutrinação". Nesta obra, J. Herculano Pires esclarece: "a obsessão se caracteriza pela ação de entidades espirituais inferiores sobre o psiquismo humano"; "o passe espírita é simplesmente a imposição das mãos, usada e ensinada por Jesus, como se vê nos Evangelhos"; "a doutrinação é a moderna técnica espírita de afastar os espíritos obsessores através do esclarecimento doutrinário".

Fernando Benesi é graduado em Medicina Veterinária, doutorado pela Universidade de São Paulo, pós-doutorado pela Escola Superior de Veterinária de Hannover/Alemanha. Faz parte do Conselho Curador da Fundação Maria Virgínia e J. Herculano Pires




Encontros com Herculano Pires - Fernando Benesi (http://www.forumespirita.net/fe/go.php?url=aHR0cDovL3d3dy55b3V0dWJlLmNvbS93YXRjaD92PUVpUDdxUXdTM0I4Iw==)

Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 01 de Março de 2014, 17:36
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Encontros com Herculano Pires - Francisco Cajazeiras




Vídeo da 10ª Conferência baseada no livro "Revisão do cristianismo". Nesta obra, J. Herculano Pires escreveu: "Há um abismo entre o Cristo e o cristianismo, tão grande quanto o abismo existente entre Jesus de Nazaré, filho de José e Maria, nascido em Nazaré, Na Galileia, e Jesus Cristo, nascido da Constelação da Virgem, na cidade do Rei Davi em Belém da Judeia, segundo o mito hebraico do Messias."

Francisco Cajazeiras é formado em Medicina, pela Universidade Federal do Ceará, professor na Universidade de Fortaleza e na Faculkdade Integrada do Ceará, escritor espírita, fundador e atual presidente do Instituto de Cultura Espírita do Ceará.




Encontros com Herculano Pires - Francisco Cajazeiras (http://www.forumespirita.net/fe/go.php?url=aHR0cDovL3d3dy55b3V0dWJlLmNvbS93YXRjaD92PTVqZXJXWklsTXEwIw==)


Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 15 de Março de 2014, 19:45
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Encontros com Herculano Pires - Wilson Garcia



"Existem vampiros espirituais? Vampirismo e obsessão é a mesma coisa? J. Herculano Pires esclarece a questão."


Vídeo da 11ª Conferência baseada no livro "Vampirismo". Nesta obra, J. Herculano Pires escreveu neste livro: "Vivendo no plano extra-físico, os vampiros agem sobre nós por indução mental e afetiva. Induzem-nos a fazer o que desejam e que não podem fazer por si mesmos. Podemos resistir a essas induções e fazê-los afastar-se de nosso ambiente, com a simples recusa de atendê-los?"


Wilson Garcia é jornalista, escritor e professor universitário na Faculdade Maurício de Nassau e nas Faculdades Unidas de Pernambuco. É membro do Conselho Curador da Fundação Maria Virgínia e J. Herculano Pires.



Encontros com Herculano Pires - Wilson Garcia (http://www.forumespirita.net/fe/go.php?url=aHR0cDovL3d3dy55b3V0dWJlLmNvbS93YXRjaD92PS03TnZsZnh4VHNFIw==)

Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 18 de Abril de 2014, 20:06
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Encontros com Herculano Pires - Vagner Doja Barnabé




Conferência baseada no livro "O mistério do ser ante a dor e a morte". Nesta obra, J. Herculano Pires escreveu: "Queremos hoje a verdade provada e não apenas o carimbo oficial dos supostos donos da infalibilidade consagrada pela evidente falibilidade humana."

Vagner Doja Barnabé é físico formado pela USP - Universidade de São Paulo e médico homeopata formado pela UNIFESP - Universidade Federal de São Paulo.






Encontros com Herculano Pires - Vagner Doja Barnabé (http://www.forumespirita.net/fe/go.php?url=aHR0cDovL3d3dy55b3V0dWJlLmNvbS93YXRjaD92PXJaSjFoaHRVNXhBIw==)


Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 07 de Junho de 2014, 01:14
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Encontros com Herculano Pires - Sarau Poesias e Cia.



O Sarau "Poesias e Cia." vai contar com a leitura de textos literários e a declamação de poesias de J. Herculano Pires. Grande parte das poesias estão presentes no livro "Poesias", onde encontramos o poema Deus: "Inteligência do Universo, causa primária. / Tudo o mais palavras! // Pode, acaso, a ânfora de argila, / conter o oceano?"

Maria de Lourdes Pires Chaim é professora aposentada do estado de São Paulo. Marilia Pires de Almeida Ward é poetisa e radialista da cidade de Avaré, autora do livro de poesias "Boninas".




Encontros com Herculano Pires - Sarau Poesias e Cia. (http://www.forumespirita.net/fe/go.php?url=aHR0cDovL3d3dy55b3V0dWJlLmNvbS93YXRjaD92PWcyUjJaenhla1I4Iw==)

Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 07 de Junho de 2014, 01:21
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Encontros com Herculano Pires - Rita Foelker



Conferência baseada no livro "Ciência espírita e suas implicações terapêuticas". Nesta obra, J. Herculano Pires esclarece que seu objetivo é expor os aspectos fundamentais da menosprezada ciência espírita, ao mesmo tempo que foi ela a pioneira desse grande avanço do nosso conhecimento nos planos do extraterreno, e coloca o problema da ciência espírita em toda a sua grandeza, no exato lugar epistemológico que sempre lhe foi negado.

Rita Foelker é mestre em filosofia, escritora e jornalista. Idealizadora e fundadora do Projeto "Filosofia Espírita para Crianças", realiza palestras e seminários no Brasil e no exterior.



Encontros com Herculano Pires - Rita Foelker (http://www.forumespirita.net/fe/go.php?url=aHR0cDovL3d3dy55b3V0dWJlLmNvbS93YXRjaD92PTJpbG44SGlRc0xjIw==)

Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 07 de Junho de 2014, 01:25
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Encontros com Herculano Pires - Marco Milani



Conferência baseada no livro "A pedra e o joio". Nesta obra, J. Herculano Pires escreve: "O toque é a forma mais comum de verificação da verdade. Usa-se o toque na medicina, na agricultura, na joalheria - onde é tão conhecida a função da pedra de toque - e praticamente em todas as atividades humanas. Foi pelo toque dos dedos nas chagas que Tomé reconheu a legitimidade da aparição de Jesus ressuscitado. No espiritismo a pedra de toque é a obra de Kardec."

Marco Milani é economista, mestre e doutor em economia pela USP, pós-doutor pela Carleton University, do Canadá, e pela Universidade de Salamanca, na Espanha.




Encontros com Herculano Pires - Marco Milani (http://www.forumespirita.net/fe/go.php?url=aHR0cDovL3d3dy55b3V0dWJlLmNvbS93YXRjaD92PWhUSXpsck5rWTdJIw==)


Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 07 de Junho de 2014, 01:27
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Encontros com Herculano Pires - Antônio João Tedesco-Marchese



Conferência baseada no livro "Educação para a morte". Nesta obra, J. Herculano Pires escreve: "Quem primeiro cuidou da psicologia da morte e da educação para a morte, em nosso tempo, foi Allan Kardec. Ele realizou uma pesquisa psicológica exemplar sobre o fenômeno da morte. Por anos seguidos falou com os espíritos de mortos. E, considerando o sono como irmão ou primo da morte, pesquisou também os espíritos de pessoas vivas durante o sono. Isso porque, segundo verificara, os que dormem saem do corpo durante o sono. Alguns saem e não voltam: morrem."

Antônio João Tedesco-Marchese é médico pela Escola Paulista de Medicina e neurocirurgião pela Faculdade de Medicina da USP - Universidade de São Paulo.




Encontros com Herculano Pires - Antônio João Tedesco-Marchese (http://www.forumespirita.net/fe/go.php?url=aHR0cDovL3d3dy55b3V0dWJlLmNvbS93YXRjaD92PXNCVjNtNGFpWC1zIw==)

Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 18 de Junho de 2014, 00:56
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Encontros com Herculano Pires - Herculano Ferraz Pires



Conferência baseada no livro "J. Herculano Pires -- o apóstolo de Kardec". Nesta obra rigorosamente documentada, o escritor Jorge Rizzini (premiado pela União Brasileira de Escritores e pela Secretaria de Cultura de São Paulo), por mais de 30 anos companheiro de Herculano Pires, relata a vida e a obra fantástica desse imbatível e legítimo apóstolo de Allan Kardec.

Herculano Ferraz Pires é administrador de tecnologia da informação, diretor executivo da Fundação Maria Virgínia e J. Herculano Pires e diretor da Editora Paideia.




Encontros com Herculano Pires - Herculano Ferraz Pires (http://www.forumespirita.net/fe/go.php?url=aHR0cDovL3d3dy55b3V0dWJlLmNvbS93YXRjaD92PVBEdGh3LXM0VnhFIw==)

Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 24 de Outubro de 2014, 23:30
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Encontros com Herculano Pires - Gustavo Leopoldo Daré



Conferência baseada no livro "Evolução espiritual do homem na perspectiva da doutrina espírita". Nesta obra, Herculano Pires escreve: "Convém lembrar que a religiosidade popular nada tem a ver com a religião dos teólogos e portanto das igrejas A religião pura e natural do povo nasce da lei de adoração e não das sacristias. É um impulso instintivo do homem, que busca Deus na sua natureza".

Gustavo Leopoldo Daré é médico endocrinologista da Clínica Daré, membro fundador da Associação Caminhos para o Espiritismo e coordenador do curso de educação mediúnica na Associação de Costura Meimei.




Encontros com Herculano Pires - Gustavo Leopoldo Daré (http://www.forumespirita.net/fe/go.php?url=aHR0cDovL3d3dy55b3V0dWJlLmNvbS93YXRjaD92PVY2VzNUUVFQbUU0JmFtcDtsaXN0PVBMRzVQRU5DeU9pNHN5ZDlqVG1FZDY2WncxR1gzWVZsVFUj)
Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 15 de Abril de 2015, 23:19
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Encontros com Herculano Pires - Walter Paulo Sabella


Conferência baseada no livro "Agonia das religiões". Nesta obra, Herculano Pires escreve: "A agonia das religiões é um fenômeno cíclico na história da civilização. As religiões são seres sociais que nascem, crescem e morrem. São corporificações dos anseios de transcendência inatos no homem. Por que motivo podemos afirmar que as religiões do nosso tempo estão agonizando? O que virá depois delas?".


Walter Paulo Sabella é Procurador de Justiça do Ministério Público do Estado de São Paulo e membro do Grupo Espírita Cairbar Schutel.




Encontros com Herculano Pires - Walter Paulo Sabella (http://www.forumespirita.net/fe/go.php?url=aHR0cDovL3d3dy55b3V0dWJlLmNvbS93YXRjaD92PWg1eFhqQmdTZ0tBJmFtcDtpbmRleD05JmFtcDtsaXN0PVBMRzVQRU5DeU9pNHN5ZDlqVG1FZDY2WncxR1gzWVZsVFUj)



Título: Re: José Herculano Pires - nossa homenagem
Enviado por: macili em 15 de Abril de 2015, 23:37
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Encontros com Herculano Pires - Alessandro Cesar Bigheto



Conferência baseada no livro "O sentido da vida". Nesta obra, Herculano Pires escreve: "Somente a concepção espírita, aliás comprovada pela observação que nos fala da imortalidade pessoal, oferece ao homem a visão real do seu destino, e mais do que isso, da sua responsabilidade em face da vida e do mundo."

Alessandro Cesar Bigheto é pedagogo e filósofo de formação e trabalha como professor e escritor.




Encontros com Herculano Pires - Alessandro Cesar Bigheto (http://www.forumespirita.net/fe/go.php?url=aHR0cDovL3d3dy55b3V0dWJlLmNvbS93YXRjaD92PWxtVWdCSXBORXNvJmFtcDtpbmRleD04JmFtcDtsaXN0PVBMRzVQRU5DeU9pNHN5ZDlqVG1FZDY2WncxR1gzWVZsVFUj)