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GERAL => Outros Temas => Biografias Espíritas => Tópico iniciado por: aruanda em 05 de Março de 2006, 02:08

Título: Eurípedes Barsanulfo
Enviado por: aruanda em 05 de Março de 2006, 02:08
 
EURÍPEDES BARSANULFO, que ficou conhecido como “O Apóstolo da Caridade”, era filho de Hermógenes Ernesto de Araújo e de Jerónima Pereira de Almeida, tendo nascido no dia 1 de  Maio de 1880, na pequena cidade de Sacramento, estado de Minas Gerais (Brasil).

  Desde muito pequeno mostrou possuir um carácter bondoso e ser dono de uma  inteligência   brilhante, características estas que lhe permitiram  trabalhar para ajudar a família desde tenra   idade (5/6 anos), pois na altura passavam por grandes dificuldades financeiras.

  Uns anos mais tarde e com a família a viver já com um certo desafogo económico, decidiu ir continuar os seus estudos para fora da cidade, pois Sacramento não oferecia grandes perspectivas. Contudo, a relutância da
sua mãe em vê-lo sair de casa, fê-lo ficar e, assim, tornou-se um autodidacta, desenvolvendo uma série de capacidades inatas para o seu espírito, já com um grau de evolução muito elevado. E tanto era assim que, com apenas 22 anos, fundou com um grupo de amigos o Liceu de Sacramento.

  Católico covicto, foi secretário da Irmandade de S. Vicente de Paulo, para além de jornalista e vereador da Câmara da cidade. Conhecido tanto pela sua inteligência como pela sua bondade, era sempre muito carinhoso e afável com toda a gente, inclusivé com os animais.

  Antes de fazer dezoito anos, já tinha montado na sua casa uma pequena farmácia homeopática, a fim de ajudar a curar os pobres das redondezas e, frequentemente, também visitava as favelas próximas.

  Ao estar já muito espiritualizado, ajudava na igreja da cidade e, quando lhe falavam em casamento, ria-se e respondia que já era casado com a pobreza. Apesar de ter alguns parentes espíritas, era um católico fervoroso.

O seu primeiro contacto com a Doutrina Espírita deu-se quando tinha 25 anos, através da leitura do livro de Léon Denis “Depois da Morte”, que lhe tinha sido emprestado pelo seu tio Mariano da Cunha Júnior, que tendo sido materialista, se tinha convertido ao Espiritismo. Quando lhe devolveu o livro, exclamou: “Realmente este livro é um monumento!”

  O tio convidou-o, então, para assistir a uma reunião mediúnica no centro espírita que frequentava, e ele aceitou. Foi uma noite muito especial, porque nessa sua primeira reunião, Eurípedes Barsanulfo, através da mediunidade psicofónica do seu tio, ouviu o Dr. Bezerra de Menezes dar-lhe as boas-vindas e dizer-lhe que estava ali um espírito de alta hierarquia que lhe queria falar. Apresentou-se então esse espírito, comunicando-lhe que era o seu protector, que o acompanhava desde o seu nascimento, e que já tinham sido amigos em muitos vidas.  Eurípedes perguntou-lhe então como se chamava e a resposta foi que na sua última existência tinha tido o nome de Vicente de Paulo. Insistindo, Eurípedes Barsanulfo perguntou-lhe se tinha sido São Vicente de Paulo, tendo ele respondido que sim.  Seguidamente, informou-o de que tinha uma missão a cumprir: “os espíritos do Senhor – disse-lhe -.   realizarão diversos trabalhos contigo. A Caridade, meu filho, é a nossa bandeira. O teu trabalho principal será o de curar, e Bezerra de Menezes irá ajudar-te nessa área. Tudo está planeado e, na verdade, é Jesus quem nos dirige.”

  A partir daí, abandonou o catolicismo e dedicou-se inteiramente ao Espiritismo. Pouco depois também a sua mãe, conhecida como D. Meca e, um pouco mais tarde o seu pai, “seu” Mogico, seguiram as suas pisadas...

A mediunidade desenvolveu-se-lhe completamente: era médium vidente, de audiência, de psicofonia, de cura, de psicografia, e de efeitos físicos, através da qual conseguia a bicorporeidade.

  Sob a tutela de espíritos muitos elevados e com a ajuda destes (entre eles Santo Agostinho), realizou curas difíceis de serem explicadas pela medicina e até chegou a fazer operações cirúrgicas.

  Sob a orientação do Dr. Bezerra de Menezes ampliou a sua farmácia homeopática, anexando-lhe um laboratório.

  Começa, igualmente, a pregar a Doutrina ao povo, o qual, em vez de ir à igreja católica, prefere ir ouvi-lo falar sobre o Evangelho Segundo o Espiritismo, num largo de Sacramento, aos sábados.  Nesta altura principiou a ser objecto de perseguições mas, apesar disso, nunca se dirigiu a nenhum dos seus ofensores de maneira hostil, mesmo depois de ter sido obrigado a fechar o Liceu de Sacramento.

  Fundou o Grupo Espírita “Esperança e Caridade”, em 1905, e em 1 de Abril de 1907 o primeiro colégio espírita do mundo: o Colégio “Allan Kardec”. Os alunos, para além das disciplinas habituais, estudavam também o Evangelho, bem como o resto da codificação espírita. A extraordinária metodologia pedagógica que utilizava despertou  grande  respeito entre todos os seus conterrâneos.

  No livro “A Vida Escreve”, escrito através da psicografia de Chico Xavier, o espírito Hilário Silva dá-nos a conhecer o episódio mais sublime da sua vida: uma noite, após adormecer, Eurípedes desdobrou-se  espontâneamente e sentiu-se a subir, a subir, a subir, notando uma atmosfera cada vez mais límpida e ténue. Viu-se então numa paisagem linda e, olhando à sua volta, reparou que, ao longe, havia alguém sentado que parecia meditar.  Aproximou-se, viu que era Jesus, e que estava a chorar.  Perguntou-Lhe então porque o fazia, e o Senhor disse-lhe que era por causa daqueles que conheciam o Evangelho, mas que não o praticavam. Desde essa noite e até ao fim da sua vida, nunca mais deixou de trabalhar com Jesus.

  Temos aqui mais uma prova de que, efectivamente, Eurípedes era já um espírito de uma elevação enorme, pois estes sublimes encontros só se dão, se os espíritos já tiverem uma alta hierarquia... E no seu caso, já tinha sido até, amigo de Jesus, pois numa das suas encarnações foi o Apóstolo João Evangelista, e noutra, ocorrida durante a Idade Média, foi Francisco de Assis.

  A abnegação deste espírito, pouco conhecido pela humanidade na sua encarnação como Eurípedes Barsanulfo, chegou até ao extremo de que, quando, em 1918, se deu a epidemia que ficou conhecida como “gripe espanhola”, e sentindo-se também atacado por ela, não parou de atender os doentes na sua farmácia homeopática até ao momento em que o seu corpo desfaleceu.

  A sua missão estava no fim e, tal como ele já tinha previsto, desencarnou no dia 1 de Novembro de 1918.

  Espíritos das altas esferas vieram receber o amoroso amigo de Jesus, um verdadeiro Apóstolo da Caridade...

 
 Grupo Espírita Batuíra Portugal




Título: Re: Eurípedes Barsanulfo
Enviado por: crisar em 05 de Março de 2006, 20:39
Olá Olga,

Fazia falta a Biografia do Eurípedes Barsanulfo boa lembrança que tiveste em colocá-la aqui.
Tenho um carinho muito especial por este Espirito, porque a casa Espirita que frequento chama-se Associação Eurípedes Barsanulfo, e este é seu mentor. O nome era dificil para mim no inicio porque era invulgar mas rapidamente o memorizei para não mais o esquecer.Depois li uma Biografia dele para conhecer um pouco melhor quem tinha sido e fiquei a amá-lo. Gostei muito desta Biografia que postaste aqui.

Um beijinho
Crisar
Título: Re: Eurípedes Barsanulfo
Enviado por: Gigii em 22 de Novembro de 2007, 17:39
Querida Olga

Se me permite irei adicionar um pouco mais á biografia de Euripedes, dando a conhecer um pouco mais a sua acção como educador, e que graças á investigação de Alessandro Cesar Bigheto conseguimos agora reconhecer o quanto ele foi também inovador na área da pedagogia.
Transcrevo um resumo de um pequeno trabalho que fiz sobre ele.

Apesar de viver num século de grandes transformações sociais, culturais e politicas, Euripedes Barsanulfo, não teve acesso directo aos estudos filosóficos e pedagógicos de J.J. Rousseau, ou de J.H. Pestalozzi, mas, no entanto, vamos encontrar na sua acção pedagógica métodos, conceitos e objectivos muito similares.
O Colégio Allan Kardec, teve uma média de inscrições anuais de 100 alunos, com idades compreendidas entre os 7 e os 16 anos, distribuídos por três cursos: primário (elementar), médio e superior.

Como fundador e orientador do Colégio, desde 1907 até 1918 (data do seu desencarne), Euripedes Barsanulfo pôs em prática as seguintes inovações pedagógicas:

·   Turmas mistas de ambos os sexos

·   Integração de alunos e professores de raça negra

·   Horários flexíveis, adaptados ás necessidades dos educandos, para que estes não perdessem as aulas

·   A duração das aulas variava entre 30 minutos a várias horas, podendo integrar conversas, debates e passeios

·   Os professores eram todos voluntários

·   A equipa de professores, director, família, alunos, trabalhava em colaboração, não existindo hierarquias

·   Não existiam aulas de Espiritismo, mas sim o estudo comparado das religiões, onde se estudava o Espiritismo

·   A avaliação era contínua, sobretudo oral, e os exames finais eram partilhados por toda a comunidade que era convidada a assistir

·   Alunos e professores faziam visitas aos doentes e prestavam auxilio aos familiares, numa acção social permanente, integrada na educação proporcionada pelo Colégio

·   Inexistência de prémios (deveriam estudar por prazer e por dever) e castigos (reparação do erro em vez da repreensão)

·   Criação de debates colectivos sobre Deus, a guerra, a vida, a felicidade, as religiões, a pobreza, etc.

Para Eurípedes Barsanulfo os educandos faziam parte de uma grande família, e a escola era o complemento do lar.

Sem estudos superiores, Eurípedes deu aulas de Matemática, Geometria, Aritmética, Trigonometria, Ciências Naturais, Anatomia, Botânica, Zoologia, Geologia, Paleontologia, Português, Francês, Inglês, Castelhano, Latim, Astronomia e Química… conforme relatos dos seus alunos.

Euripedes propôs uma pedagogia que respeitava a liberdade e a individualidade da criança, cuja aprendizagem nascia da acção, da experiência. Para orientá-la nesse processo, era essencial a figura do mestre amigo, do educador, que com o seu amor e incentivo, despertava nela a vontade de saber mais, e pelo diálogo, o desenvolvimento da inteligência.
A sua preocupação não era só com o desenvolvimento físico, cultural, intelectual e moral da criança. Sendo a criança um espírito eterno, imortal, e tendo vivido antes, a educação devia promover a recordação da aprendizagem anterior, já feita, fazendo desabrochar as suas virtudes, a centelha divina que cada um traz dentro de si.

Como vemos, Euripedes, foi mais um daqueles seres que nos iluminaram com a sua presença...quase silenciosa, mas profundamente marcante para quem com ele conviveu e aprendeu...

Abraços
Gi
Título: Re: Eurípedes Barsanulfo
Enviado por: washington luiz em 17 de Outubro de 2010, 12:31
 :)maravilhoso medium
Título: Re: Eurípedes Barsanulfo
Enviado por: bisognini em 30 de Outubro de 2010, 22:42
Foi um médium muito importante, mas hoje é pouco lembrado.

Abs.
Título: Re: Eurípedes Barsanulfo
Enviado por: Klauz em 30 de Janeiro de 2011, 23:32
Euripedes Barsanulfo hoje dirige do mundo espiritual um trabalho fabuloso em evangelização de espiritos em Sacramento com resultados muito positivos vale a pena conferir
Paz e que J esus nos abençoe
Título: Re: Eurípedes Barsanulfo
Enviado por: Edna☼ em 01 de Novembro de 2018, 14:23
100 anos da Desencarnação de Eurípedes Barsanulfo

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Citar
Eurípedes Barsanulfo (Sacramento, 1 de maio de 1880 — Sacramento, 1 de novembro de 1918) foi um educador, político, jornalista, e médium brasileiro, um dos expoentes do espiritismo no país. Notório principalmente por sua atividade na educação brasileira e no tratamento espiritual, fundou o primeiro colégio espírita do país, o Colégio Allan Kardec, que disponibilizou educação gratuita para milhares de pobres e órfãos. (Wikipédia)

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