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GERAL => Outros Temas => Biografias Espíritas => Tópico iniciado por: Edna☼ em 29 de Agosto de 2011, 14:31

Título: Bezerra de Menezes - Grandes Pioneiros
Enviado por: Edna☼ em 29 de Agosto de 2011, 14:31
(http://www.meusonhonaotemfim.org.br/imagens/imagens/Bezerra_de_Menezes-20141112-083147.jpg)
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"Em uma madrugada, no estado do Ceará, no dia 29 de agosto de 1831, numa cidade chamada Riacho do Sangue, hoje Jaguaretama, a Espiritualidade Superior traz através da reencarnação, um Espírito iluminado, que mais tarde a humanidade reverenciaria como o “Kardec Brasileiro”. Esse grande vulto recebeu o nome de Adolfo Bezerra de Menezes.

Os responsáveis por esse magnífico retorno foram: Coronel Antônio Bezerra de Menezes, digníssimo Capitão das antigas milícias e Tenente Coronel da Guarda Nacional e dona Fabiana de Jesus Maria Bezerra, senhora respeitável e conhecida por seus caritativos humanitários gestos sociais.

Esse lar era repleto de Amor Cristão. A compreensão entre ambos era conhecida pelo carinho que os envolvia e pela educação passada aos filhos, irmãos mais velhos de Bezerra.

Traziam da espiritualidade e por experiências passadas em seus arquivos, os traços marcantes de trabalhos desenvolvidos no tocante à bondade, renúncia, humildade e fé.

A família possuía bons recursos financeiros e sabia repartir e multiplicar com quem quer que fosse o necessário para uma sobrevivência digna de um ser humano.

 Adolfo cresceu nesse lar honrado, dentro da religião católica, que era a fé professada por seus pais, mas aprendeu juntamente com seus irmãos a amar e respeitar a Deus e as lições do Evangelho de Jesus.

Seguia com desenvoltura o trabalho realizado por sua mãe, dona Fabiana, de atender os mais pobres nas distribuições de roupas, calçados, alimentos e leite para os desnutridos. Isto era feito todos os finais de semana pela família Bezerra e mais os congregados da igreja, que frequentavam assiduamente.

Tudo isto era como o despertar para o menino Adolfo, que parecia já haver participado desses acontecimentos.

Em 1838 foi matriculado no primário. Dez meses após, esse Menino Prodígio, pois era assim que os professores o chamavam, já dominava a matemática, o português, a literatura e a filosofia. Debatia qualquer assunto, até mesmo política, com grande desenvoltura. Falava sobre ciências e astronomia como se já fosse diplomado nessas matérias.

Seguia o ano de 1842. Tudo parecia correr normalmente, porém o senhor Coronel Antônio, pai de Adolfo, era ferrenho político.

Pertencia ao Partido Liberal e como militar, mantinha seus ideais acima de qualquer coisa. Com isto, inúmeros eram seus inimigos e pelas perseguições contínuas, para não prejudicar sua família, decidem mudar-se para o Rio Grande do Norte.

O menino Adolfo precisou ser transferido de escola também. Foi matriculado numa escola pública localizada na Serra do Martins, em Vila Maioridade, hoje cidade de Imperatriz. Continuou o mesmo aluno brilhante, chegando mesmo a substituir a falta de professores, quando necessário.

Passado todos esses problemas políticos e superadas as dificuldades, a família Bezerra de Menezes retornou ao Ceará, fixando residência na capital do estado.

Para completar os estudos, ele foi assistido pelo irmão mais velho, Dr. Manoel Soares da Silva.

Bezerra, que era um médico muito famoso e querido na cidade, lecionava na “Escola Liceu”, onde conseguiu formar-se em primeiro lugar, com honras ao mérito, facilitando assim sua entrada na Faculdade de Medicina.

Embora a situação política do velho Bezerra estivesse sob controle, suas finanças assim não correspondiam. Foi ele obrigado a renunciar à boa parte dos bens para cobrir algumas exigências do Partido Liberal. Com isto, suas finanças ficaram muito abaladas e, mais ainda, pelo seu bom coração que não negava auxílio a quem viesse pedir empréstimos, que nunca eram devolvidos.

Adolfo, assim como toda a família, sabia que toda despesa deveria ser contida. Um dos seus irmãos que também queria ser médico, teve de interromper seus estudos e só voltou à faculdade após ter arrumado um emprego e, pelos seus próprios recursos, pôde formar-se.

 Adolfo procurava acompanhar os acontecimentos. Ele também queria ser médico e, em conversa com seus pais, expôs seus objetivos dizendo que essa vocação estava em seu interior. Ele desejava ser útil, não para ganhar dinheiro ou ter um alto padrão de vida. Apenas queria fazer-se útil para as pessoas, sanar a dor física e torná-las mais vivas para Deus. Mas não gostaria de aumentar as despesas do orçamento doméstico, portanto, se concordassem, ele pediria ajuda aos parentes, pois precisaria de quatrocentos mil réis (valor da época), para poder partir para a Corte no Rio de Janeiro e conseguir algum modo de sobrevivência.

O senhor Bezerra abraçou-o, abençoou seu propósito e ajudou o filho a completar a quantia necessária para a sua nova etapa de vida.


Continua
Título: Re: Bezerra de Menezes
Enviado por: Edna☼ em 29 de Agosto de 2011, 14:32
E no dia 05 de fevereiro de 1851, o jovem Adolfo inicia seus propósitos, partindo com força e coragem para realizar seu grande desejo.

Começou dando aulas particulares. Ocupava todas as horas em realizar algo para cursar a faculdade. Como não tinha dinheiro para comprar livros, ia às bibliotecas públicas para estudar e fazer pesquisas. Pouco dormia e comia. Passava, às vezes, vários dias com um pedaço de pão e água, mas ele, com toda fé em seu coração, não desanimava. Sabia que Deus o ajudava sempre.

Finalmente no ano de 1856, recebeu seu almejado diploma médico, com notas máximas, em primeiro lugar.

Para seu doutorado, defendeu a tese “Diagnóstico do Cancro”. Com isto o já formado Dr. Adolfo Bezerra de Menezes instruía sobre as matérias de que se compõe o ensino médico, colocando o assunto em grandes discussões, pelas suas tão veementes afirmações, renovadas e atualizadas para a época ainda tão acanhadas nesse campo da medicina.

Porém, as dificuldades financeiras continuavam. Ele já estava atrasado com o aluguel do quarto em que morava, numa pensão do Rio de Janeiro. Fora isso, havia dívidas com as roupas usadas na formatura etc.

Não sabendo como fazer para aumentar o seu ganho, pois ainda tinha que praticar horas no hospital para adquirir experiência nas doenças e diagnósticos, recolheu-se em preces, pedindo como sempre fazia a Maria de Nazaré, sua mãe espiritual, para socorrê-lo com paciência e persistência, sem esmorecer, já que havia conseguido boa parte do seu ideal.

Ainda nessa posição de preces e reflexões, ouviu batidas na porta. Bezerra vagarosamente se dirigiu à porta. Era um moço, que ele não conhecia, mas o estranho lhe disse:

- Sei que o senhor dá aulas particulares para quem deseja prestar exame para passar para o ensino superior.

- Sim diz Bezerra. Por favor, entre e acertaremos dia e horário para tanto.

O rapaz fez todos os acertos com Bezerra, pagando adiantado o valor das aulas e saiu agradecendo a atenção de seu futuro professor. Bezerra voltou para dentro do quarto e agradeceu fervorosamente à Maria de Nazaré, pois nunca esperava ser atendido tão rapidamente. Adormeceu feliz, pois já tinha o suficiente para pagar as suas dívidas. Só que o jovem aluno nunca mais apareceu. Bezerra o esperou em vão por vários dias. Entendeu, então, que esse só poderia ter sido um enviado de Deus, para ajudá-lo a não desistir da luta por causas nobres, porque a fé deve estar sempre presente  em qualquer circunstância.

Fatos como este passaram a ser constantes na vida de Bezerra, principalmente quando não conseguia encontrar alguma causa que justificasse febres altas ou dúvidas sobre as doenças. Via médicos ao seu lado, ajudando-o e ensinando-o a lidar com o problema.

Mesmo antes de formar-se, Bezerra já era interno do Hospital da Misericórdia, quando passou a fazer parte do quadro clínico desse Hospital, em 1852. Era muito estimado entre os colegas e os doentes, que passaram a ser atendidos por ele. Admiravam-no muito pela forma carinhosa com que tratava a todos, principalmente na enfermaria onde ele encontrava, além da dor física, a solidão e a falta de vontade de viver.

Para estes, suas preces chegavam ao plano espiritual e muitos eram os espíritos que vinham em seu socorro. Certa feita, abeirando-se do leito de uma senhora, já na fase final da existência física, reparou ele o desespero estampado em seu rosto. Colocando suavemente suas mãos sobre os cabelos nevados da pobre senhora, disse:

- Calma, a senhora não está só. Jesus a ampara e lhe traz remédio renovador para suas energias.

Ela, com muita dificuldade e os olhos marejados pelo pranto, balbuciou:

- Doutor, preciso ver minha filha pela última vez.

Discutimos muito e ela foi embora brigada comigo. Quero pedir perdão, quero abraçá-la, preciso vê-la...

Bezerra sentiu o drama existente nessas vidas. Aquele fato havia se passado há tempos. Pôde ele ver com os olhos mediúnicos que a filha já havia desencarnado há muito sentiu-lhe a presença, e disse então à senhora:

- Veja que Deus lhe envia esse presente. Creia, sua filha aqui está para beijá-la. Ela também quer o seu perdão.

E Dr. Bezerra pôde assistir aquelas duas almas que puderam regenerar-se. Mãe e filha buscando a mesma luz em nome de Jesus. Dr. Bezerra fechou os olhos materiais daquela pobre enferma que parecia estar esperando a sua presença, para finalizar sua existência terrena em paz.

Em 1857, o Governo reformou o corpo clínico de saúde do Exército. Para isso nomeou como cirurgião-mor o Conselheiro Manoel Feliciano e este, sabendo e acompanhando a dedicação do Dr. Bezerra aos doentes, colocou-o como seu assistente, com a patente de Cirurgião-Tenente. Dessa forma, Dr. Bezerra poderia continuar atendendo e mantendo o seu consultório, pois era ali que os pobres recebiam remédios e orientações, daquele que ficou conhecido como o “médico dos pobres”. Esta nomeação só concretizou-se em 1858.

continua ;)
Título: Re: Bezerra de Menezes
Enviado por: Edna☼ em 29 de Agosto de 2011, 14:33
Nesse mesmo ano, isto é, em 06 de novembro, Dr. Bezerra vem a conhecer uma moça chamada Maria Cândida de Lacerda, filha de um de seus colegas. O carinho entre eles se fez presente e dessa união feliz nasceram dois filhos. Porém a saúde de dona Maria era muito frágil. Embora todos os esforços de Bezerra e de outros médicos, pouco puderam fazer e, após cinco anos dessa união, no dia 24 de março de 1863, ela deixou o mundo físico e partiu de retorno ao mundo espiritual. Duro golpe para o Dr. Bezerra, porém, sua cunhada, irmã de sua esposa, passou a auxiliá-lo na educação dos filhos. Dessa forma podia ele continuar a cuidar dos doentes e encontrar forças para continuar sua luta que mal começara.

Passando a dedicar o seu tempo integral em seu trabalho como médico e protetor dos desvalidos, sua fama crescia a toda hora. Seu nome passava em todas as camadas sociais. Com isto, os partidos políticos o cercavam por vários modos. Queriam a sua candidatura por qualquer coisa.

O que mais salientava na figura de Bezerra entre o povo, era o seu modo respeitoso e caritativo em tratar as pessoas. Todos queriam ouvir o Dr. Bezerra, ouvir suas orientações, confiar-lhe seus dramas, pois ele chorava com as dores e as desditas de cada um. Dava o que tinha e o que não tinha para ver o sorriso nos lábios dos sofredores. Fazia dívidas nas farmácias, nas lojas e nas mercearias, para dar o melhor a quem quer que fosse. O sorriso de uma criança, para ele, era como o sorriso de Cristo.

Os partidos políticos sentiam a força do povo, e pensando justamente no bem da coletividade, Bezerra resolveu aceitar se candidatar a vereador à Câmara Municipal do Rio de Janeiro, ganhando com facilidade a eleição e, depois se elegendo muitas vezes como Deputado Federal, perfazendo um total de 30 anos de vida parlamentar.

Como tudo isso implicava seu afastamento da vida familiar e sentindo a dedicação e entrosamento da família com a sua cunhada, tornou-a sua esposa no ano de 1865. Dona Augusta de Lacerda Machado foi uma companheira grata e compreensiva para Bezerra. Dessa união nasceram  filhos, que fizeram a alegria na vida de Bezerra.

continua ;)
Título: Re: Bezerra de Menezes
Enviado por: Edna☼ em 29 de Agosto de 2011, 14:35
No ano de 1886, Dr. Bezerra abraçou publicamente a sua adesão e aceitação da Lei de Deus pela Doutrina Espírita. Tornou-se um estudioso e defensor de Allan Kardec, pelo trabalho tão grandioso em torno dos esclarecimentos da fé cristã. Ele já aceitava, naturalmente, por arquivo do passado, a reencarnação, mas com acontecimentos tão inexplicáveis no decurso de sua vida, sentia que Deus o chamava para abraçar outra causa e não só a medicina.

No dia 16 de agosto de 1886, Dr. Bezerra estava com 55 anos e, como já havia se colocado ao trabalho espírita, foi ele convidado pelos jornalistas de “O País”, para confirmar perante o público a sua aceitação da Doutrina dos Espíritos. Ele fez um longo pronunciamento contando os casos inexplicáveis de sua vida e vários acontecimentos passados, que só mesmo a reencarnação confirmaria tudo. Falou por mais de uma hora e foi aclamado com uma salva de palmas ao deixar a tribuna e, principalmente, ovacionado pela sua fé transparente ao citar Allan Kardec como o “Consolador Prometido”.

Com tudo isto, concretizava-se a reunião espiritual em que Ismael, a pedido de Jesus, abençoava a Terra do Cruzeiro ao redor desse espírito, que muito teria a realizar nessa sua reencarnação, continuando a “Obra do Cristianismo”.

Em 1889, foi ele eleito presidente da Federação Espírita Brasileira. Essa foi uma época difícil para o meio espírita. Havia muita discórdia, muita mistura de crenças. Muitos médiuns querendo se salientar nas reuniões, achando-se em primazia, não sendo necessário o estudo, e com isto, Bezerra amargou ciúmes, revoltas, calúnias e dissabores mil, porque para ele as obras básicas de Allan Kardec não poderiam faltar, fosse onde fosse. Com infinita paciência e sem violência verbal, a tudo expunha colocando sempre a verdade do Cristo, procurando dar o exemplo através dos seus atos e das curas obtidas por muitas pessoas que o procuravam para o receituário e o passe reconfortante.

Para disciplina das tarefas, Bezerra organizou dias e horários para todos os trabalhos que estavam sendo realizados na Federação Espírita Brasileira.

Começou a organizar as reuniões de desobsessão, as quais grandes efeitos produziram, tanto no campo físico como no espiritual.

Conta Leopoldo Cirne, amigo inseparável de Bezerra, que, estando presente numa reunião de desobsessão a qual Bezerra era o esclarecedor, manifestou-se um espírito, que contaram os participantes, era constante nas reuniões falando sempre a mesma coisa: que não acreditava em Deus. Bezerra, incansável, mostrava-lhe todos os elementos da Natureza, o fato Dele existir, da continuidade da vida e nada. Passavam-se semanas e o espírito lá estava do mesmo jeito, com as mesmas palavras.

Quando deu-se o último encontro, Bezerra já não tinha argumentos. Voltando-se para os companheiros da reunião disse com toda humildade:

- Meus amigos, só nos resta orar. Peçamos a Deus e a Jesus enviarem os recursos necessários ao nosso amigo, pois não temos mais nada a oferecer.

Bezerra orou com toda humildade de seu coração. A emoção tomou conta de todos os componentes da reunião, inclusive de Leopoldo, que contara que as lágrimas foram abundantes entre eles. Terminada a prece, o espírito profundamente comovido disse:

- Basta, basta, não agüento mais! Orar desse modo como vocês fizeram para sentir o que estou sentindo, só posso acreditar que Deus realmente existe.

E o Espírito se foi e nunca mais manifestou-se. Dizia Bezerra que talvez naquele momento estabelecera-se um elo de compreensão entre a criatura e Deus.

Outro fato interessante ocorreu com uma jovem. Dissera ela a Bezerra que não conseguia dormir, pois uma ideia fixa estava em sua mente. Ela desejava vingar-se de alguém. Arquitetava todo o plano de ação para atingir a pessoa. Mas quem? Ela própria não sabia a quem atingir. Passava em seu pensamento todos seus conhecidos, amigos e parentes, mas não havia ninguém que lhe houvesse causado algum mal, para que ela pensasse em vingança. Por esse motivo, pedia socorro a Bezerra.

Levou ele o caso a reunião mediúnica. Um Espírito em grande estado de ódio pedia vingança. Bezerra perguntou-lhe, por que e para quem.

Disse ele:

- Para ela. Foi ela o grande mal em minha vida. Refugiou-se na reencarnação, mas encontrei-a.

Bezerra falou-lhe de Deus. Pediu a ele que refletisse no grande acontecimento trágico na vida do Cristo, que nenhum mal fizera e fora sacrificado por Amor à Humanidade. Ele não pediu vingança e sim perdão.

Falou Bezerra com tanta convicção, com tanto amor em suas palavras, que, envolvendo o Espírito, este num dado momento explodiu bradando:

- Chega,“velhinho santo”, você me convenceu, mas não pelas suas palavras, e sim pelos seus sentimentos, que calaram no fundo do meu coração.

Desde esse dia, a moça nunca mais teve idéias de vingança. Informava Bezerra que o espírito aceitara a reencarnação!

A dedicação desse grande médium era tanta em favor dos semelhantes que, indagado um dia por uma pessoa se ele gostava de ouvir músicas clássicas, ele respondeu:

- Sim, gosto imensamente, mas elas se fazem mais presentes quando eu procuro ouvir as harmonias dos corações que se voltam em preces de agradecimento a Deus, pela oportunidade de ser útil na vida em favor a alguém.


Continua
Título: Re: Bezerra de Menezes
Enviado por: Edna☼ em 29 de Agosto de 2011, 14:37
(http://4.bp.blogspot.com/-UDC5q-YELKc/TzpF92iwupI/AAAAAAAAACM/pYcdsmj_P-U/s240/consultorio%2BDr.Bezerra%2BRiodeJaneiro.jpg)
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O senhor José Guilherme Cordeiro era íntimo amigo do Dr. Bezerra e era proprietário da Farmácia Cordeiro,  onde Bezerra, quando necessitava, corria a pedir socorro para os doentes que não podiam comprar as medicações necessárias. Como as pessoas mais carentes sabiam que o Dr. Bezerra atendia ali também, muitos corriam até a Farmácia Cordeiro para as consultas.

Nesse local, Dr. Bezerra dizia que a Espiritualidade Superior se unia para auxiliar os encarnados e que os efeitos, embora não vistos, mas sentido pelas pessoas, eram o da verdadeira cura, só feita por Jesus. Isto porque Bezerra, antes de ministrar os passes, fazia o Evangelho ecoar entre os corações dos presentes. Descrevia a Virgem Maria, auxiliando na fluidificação e ministrando os remédios fluídicos nas feridas, nas ulcerações interiores, na serenidade espiritual, para que as depressões e amarguras fossem substituídas, pelo menos naqueles instantes, pela purificação dos pensamentos, para que as perturbações melhorassem.

Feito isto, Dr. Bezerra ensinava a todos que quisessem continuar no mesmo clima de paz que fizessem em seus lares o Culto do Evangelho, pois assim os espíritos superiores poderiam continuar tratando de todos, do mesmo modo que ali, pois ele Bezerra, nada mais era que um pecador comum e, assim sendo, todos teriam acesso ao coração de Maria de Nazaré, Mãe do Senhor Jesus, que era o verdadeiro Médico das Almas.

E a água fluidificada era esparzida, tanto material como espiritualmente, pois todos sentiam o perfume das pétalas de rosas, que chegavam a roçar, materializadas, os rostos dos que ali estavam presentes.

A Farmácia Cordeiro, nessa época, era conhecida como o “Pronto Socorro do Mundo Espiritual”, para aliviar os humildes das suas dores profundas. Mas o Dr. Bezerra dizia que, para ele, ali era como uma verdadeira aula de Geologia Humana, ciência essa que estuda as estratificações de um terreno multissecular, dando origem a várias doenças vinda de reencarnações passadas, comparando dessa forma a vida humana ao mundo espiritual.

Bezerra de Menezes teve também provas difíceis com relação à família. Primeiro, a partida em breve tempo de sua primeira esposa. Depois a partida de dois de seus filhos, quase doutorados em medicina. E pouco mais tarde, a partida de mais um filho e uma filha em plena mocidade, prestes a formarem suas famílias.

Se não tivesse abraçado a Doutrina Espírita, seria difícil entender essa experiência tão dolorosa, tanto para ele como para com o semelhante, pois como médico assistia a esse acontecimento a todos os instantes. Para ele dar a notícia do falecimento de pessoas aos seus familiares, era uma dor profunda e sofrida. Sentia-se impotente. Como era difícil trabalhar com o sofrimento alheio! Mas com sua próxima experiência, passou a entender os desígnios de Deus. Não existe lei mais perfeita. Entendeu ele que, para continuar a cuidar da dor, era preciso entender Deus. A lei reencarnatória é a resposta para tudo e para todos os acertos futuros.

Se ele já vivia afastado dos bens materiais, passou a renegá-los publicamente. Por isso, seu aspecto físico simples, sem vaidade, porém, com interior rico, foi aumentando a cada dia através da sua abnegação aos sentimentos cristãos. Sua vida pertencia ao bem do semelhante e continuou a distribuir os recursos espirituais a todo coração, voltado pelo poder da fé, e realizar o trabalho cristão.

Muitos políticos invejosos e crentes religiosos tentaram manchar a imagem do Dr. Bezerra entre o povo. Fizeram publicar em jornais inescrupulosos, desenhos que representavam um homem de sabida honestidade (Dr.Bezerra) como um salteador de estrada, tirando vantagens de sua figura administrativa, passando por cima das leis da terra, fazendo-as a seu bel prazer. A resposta de Bezerra foi o silêncio e a continuidade do trabalho pela honestidade e retidão de caráter.

Foi então que a Colônia Portuguesa quis homenageá-lo,e incumbiu o mais famoso pintor da época, Augusto Rodrigues Duarte, a fazer o retrato a óleo, em tamanho natural, desse ilustre político e médico, Dr. Adolfo Bezerra de Menezes. Essa tela ficou famosíssima, e vista por centenas de pessoas que iam admirá-la na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, na praça Floriano. E na moldura dessa tela lia-se em um cartão de prata as seguintes palavras:

Tributo do maior respeito e consideração que, em homenagem ao grande talento e honrado caráter do Dr. Adolfo Bezerra de Menezes, consagram os súditos portugueses, residentes nesta Corte. Rio de Janeiro, 8 de dezembro de 1879.” (este trecho foi extraído do livro “Vida e Obra de Bezerra de Menezes”, de Silvio Brito).


Continua
Título: Re: Bezerra de Menezes
Enviado por: Edna☼ em 29 de Agosto de 2011, 14:40
Para poder colaborar mais com esclarecimentos sobre a Doutrina dos Espíritos, Dr. Bezerra escrevia para vários periódicos espíritas ou não, com o pseudônimo de “Max”. Procurava ele alertar sobre o fanatismo religioso em todas as facções, principalmente sobre aqueles que falavam em nome de Deus, para fazer uso para si próprios, os chamados líderes religiosos, esses que fazem (até hoje) uma lavagem cerebral nos menos avisados, tirando deles tudo o que tem, em nome de uma falsa crença.

Isso deixava o clero indignado, e também os chamados “espíritas equivocados” pois, se não entendiam e se revoltavam contra as idéias descritas por “Max”, era porque não estudavam.

Como a descoberta de quem era “Max” só aconteceu após o desencarne do Dr. Bezerra, pode ele, naturalmente protegido pela Espiritualidade Superior, ocupar bom tempo nos jornais esclarecendo e alertando a todos os interessados a estudar Kardec. Com isto, muitos Centros Espíritas foram abertos pelo interior.

Dr. Bezerra de Menezes doou-se inteiramente e ficou conhecido como “O Apóstolo da Caridade”. Honrou o seu diploma de médico, sabendo respeitar o juramento de cuidar do semelhante, pois dizia que o médico ciente de seu dever, não tem hora para refeição nem escolhe paciente, nem reclama a hora em que é chamado, se é perto ou longe, se vai a pé ou não, se vai receber honorários, se o paciente pode ou não pagar. Acima de tudo isso, está o ser humano que deve ser respeitado e atendido, seja como ou onde for.

Se assim não proceder, esse médico é apenas um negociante da medicina, que quer recolher seu capital com juros, para valorizar seu potencial material e dar vazão ao seu orgulho e vaidade, em ver crescer seu nome como grande clínico de classes elevadas socialmente. Não se tocou ainda em entender que está a repelir o anjo da caridade, retardando assim o critério de “amar ao próximo”, como ensinamento maior do Mestre Jesus.

(http://api.ning.com/files/*oWmhl7LBlWDlB20bm*W0WIowD8Vwot4740C6J1ZyjbRxlg5pwK2IH5MvYrWiEeTKPgaJ1UTBVHNtWoSD5nqFY4ANOUyPJG1/bezerra_de_menezesdr_stars.jpg)
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Desencarnou Dr. Adolfo Bezerra de Menezes num belo dia de sol. Era como se essa luz irradiasse por sobre toda a Terra. Partia feliz por ter cumprido sua missão. Nada deixou em bens materiais, mas a miséria terrena nada representava pelo tesouro que levava consigo e que deixou em “bens espirituais” para sua família, amigos e parentes. Todos se uniram para que seu enterro fosse digno e acompanhado por todos os seus adeptos e reconhecidos por tudo que receberam dessa incansável criatura.

O relógio assinalava onze horas e trinta minutos nesse dia 11 de abril de 1900.

Muitas foram as hosanas para aquele desprendimento tão sereno. O mundo espiritual superior, ladeado por Maria de Nazaré, recolheu-o para breve refazimento de energias, pois esse Espírito está a colaborar intensamente para que as criaturas na Terra continuem recebendo de seu coração “Amor, só Amor” em nome de Jesus, renovando em esperanças, as experiências de cada dia.

Léon Denis ao saber do desencarne de Bezerra de Menezes, enviou da França seu recado aos espíritas: “Quando tais homens deixam de existir, enluta-se não somente o Brasil, mas os espíritas de todo o mundo”. (extraído do livro “Vida e Obra de Bezerra de Menezes” de Silvio Brito)

Belmiro Braga, através da poesia, diz:

"Pelo seu rosto sempre lindo
Somem-se os olhos imortais
Quais dois faróis que vão fugindo
E cada vez brilhando mais
.”


Em 24 de julho de 1964, Chico Xavier psicografou para o livro “Bezerra, Chico e Você” uma mensagem:

"Ainda mesmo com lágrimas,
saibamos sorrir, à luz da esperança,
conscientes de que Jesus
permanece velando, hoje e sempre."



Artigo pesquisado e elaborado por Eloísa.

(Os destaques são meus)


Fonte: O Seareiro (nº 52) que autorizaram-me a publicação para fins de estudo espírita.





Esta é uma singela homenagem feita ao amado Dr. Bezerra de Menezes , pois que não há palavras para agradecer a ele e a sua equipe pelo cuidado, amor e paciência que, incansavelmente, tem dedicado a cada um de nós.


Muito obrigado, querido Dr. Bezerra de Menezes.

(https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcQxOQUVh5weCkyYKeSy4Y4ZP_Ov9p2LZ0-IUOJQ2kvr-HOHnaH_Qg)
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Título: Re: Bezerra de Menezes
Enviado por: Weronica em 29 de Agosto de 2011, 18:13
Olá Edna!

 Muito tocante esta biografia do nosso querido Bezerra, ah que bom seria se todos houvessem ao menos 1% por cento da dedicação e abnegação dele, que seu exemplo possa nos deixar claro em qual caminho queremos percorrer.

E quero agradecer também a você Edna a dedicar seus minutos em nos presentear com esta linda história, obrigada pelo tópico. Eu adorei!


Bjinhuu fiquem com Deus.
Título: Re: Bezerra de Menezes
Enviado por: Edna☼ em 29 de Agosto de 2011, 21:56
Olá Weronica, :)

É sempre muito bom relembrar a vida e obra do querido Dr. Bezerra de Menezes, como você disse exemplo a seguir de dedicação e abnegação, sem falar na simplicidade em doar-se tão espontaneamente ao amor.

Tem razão ainda estamos longe, mas um dia chegaremos lá e ele conta com isso.

Aproveito para deixar um endereço onde poderemos conhecer um pouco mais sobre ele, que sob uma ótica diferente acaba por focar pontos diversos da sua bela trajetória.

 
http://www.feparana.com.br/biografia.php?cod_biog=14


Abraços fraternos sempre,

Edna ;)


Título: Re: Bezerra de Menezes
Enviado por: irmãlua em 30 de Agosto de 2011, 01:05
Obrigada, Edna, pela informação acerca desse benfeitor. Ja tinha ouvido falar muito dele, porem pouco tinha lido a respeito. Bela biografia.
Fiquem co Deus.
Título: Re: Bezerra de Menezes
Enviado por: Taísa34 em 30 de Agosto de 2011, 02:00
Realmente a vida do nosso querido e amado dr. Bezerra de Menezes é muito linda, é cheia de renúncia, e amor, ele realmente viveu para o próximo, para o amor de Deus, portanto ao ler está biografia o que nos resta é seguir estes caminhos, pelo menos 1%, como disse a irmã, pois assim conseguiremos ser luz na vida de muitos encarnados e desencarnados, e que o nosso amado dr. Bezerra de Menezes nos intua sempre para fazermos sempre o bem sem olharmos a quem.