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GERAL => Psicologia & Espiritismo => Auto-Conhecimento => Tópico iniciado por: Det's me!... em 15 de Fevereiro de 2006, 20:48

Título: SORRISOS DA MORTE...... De Alma para Alma ..... Huberto Rohden
Enviado por: Det's me!... em 15 de Fevereiro de 2006, 20:48
Muita Paz!


SORRISOS DA MORTE

 

            Nunca esteve tão cheio de homens o círculo imenso do Coliseu...

            Diocleciano sorri, satisfeito, em seu trono excelso de ouro e marfim...

            Entra na vasta arena uma jovem patrícia romana — mais menina que moça...

            Flutua às carícias das auras matutinas a alvejante leveza da graciosa túnica...

            E, lá do alto das galerias, milhares de olhos contemplam a gentil criança...

            Ao longo, no escuro subterrâneo do anfiteatro, rugem leões da Núbia e panteras da Mesopotâmia...

            Resoluta, dirige-se a graciosa menina ao centro da vasta arena...

            Há, no passo firme da jovem romana, algo da energia férrea das legiões dos Césares que conquistaram o mundo...

            E ela se dispõe a conquistar mundos ainda mais belos que aqueles...

            Arde-lhe nas negras pupilas fulgor estranho — que lembra invisíveis clarões da eternidade...

            O Império Romano contempla uma criança...

            Por instantes, procuram os olhos da gentil heroína, nas imensas bancadas, as suas companheiras de adolescência...

            Com um sorriso se despede de todos, e envia com as mãos carinhosas beijos — de eterno adeus...

            De súbito — duas feras irrompem do subsolo da arena imensa...

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            A jovem, com a alvejante túnica feita um campo de rosas sanguíneas, arranca das veias abertas um punhado de sangue e, erguendo ao céu matutino as mãos ruborizadas, “Ave Christe, moritura te saluto!...” (*)

            E desapareceu, qual pétala de rosa arrebatada por insano vendaval...

            E quando nas galerias amainou a grita da plebe sanguinária, cantaram nas alturas vozes divinas:

“Aleluia! potências eternas...

Aleluia! espírito imortal!...

Que valem algemas, ó homens,

Se a alma é sopro de Deus?...

Que valem fogueiras e feras,

Que valem suplício e cruzes,

Que valem martírios e morte.

Se imortal é o Evangelho do Cristo?

Se onipotente é o amor de Jesus...

Se a morte perde os horrores

Em face da ressurreição e da vida?

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(*) Isto é: “Salve, ó Cristo, morrendo te saúdo”. Costumavam os gladiadores pagãos, agonizantes, lançar ao ar um punhado de sangue e saudar o imperador, bradando: “Ave, Caesar, moriturus te saluta!” (Salve, César, quem está a morrer te saúda!). Refere a história, ou a lenda, que alguns mártires cristãos saudavam a Jesus Cristo com palavras idênticas quando por ele morriam.

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(De “De alma para alma”, de Huberto Rohden)




Fiquem bem

Luís