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GERAL => Psicologia & Espiritismo => Auto-Conhecimento => Tópico iniciado por: Almeida em 09 de Julho de 2005, 20:54

Título: REFORMA-ÍNTIMA
Enviado por: Almeida em 09 de Julho de 2005, 20:54

A REFORMA-ÍNTIMA

Sempre ouvimos dizer no meio espírita que temos necessidade de fazer a reforma-íntima.

Mas o que é reforma-íntima?

É um convite que a doutrina faz a todos nós seus adeptos para que voltemos o olhar para nós mesmos e procuremos detectar as necessidades de aprimoramento, de reformulação interior.

Como nos comportamos intimamente?
Somos cordatos, amigos, sinceros, honestos, respeitosos, amáveis, na essência dos termos?

Diante da agressividade como reagimos?
Perante o necessitado, qual o móvel de nossas ações interiores? Se temos autoridade, como a utilizamos?
Se estamos subordinados, qual o nosso comportamento?
Dentro dos nossos lares, somos compreensivos, amigos, sensíveis, cooperadores?
Como cidadãos, cumprimos retamente nossos deveres?
Como pais, agimos visando cumprir a sagrada tarefa de educar que nos foi confiada?
Profissionalmente damos o nosso melhor visando criar e educar?

São muitos os questionamentos que podemos fazer a nós mesmos e com eles identificar a necessidade de amainar, reformular, alguns procedimentos.

O Espiritismo nos esclarece que somos seres eternos, que só temos uma vida, a vida espiritual. Mostra que estamos temporariamente localizados em determinadas tarefas pessoais e sociais cujos cumprimentos delas redundarão em crescimento pleno, em nosso próprio benefício.

Ser espírita é ser Cristão, pois com o Cristo, recomenda que:

Se tentarem nos ofender, perdoemos; desenvolvendo a humildade,
Se a calúnia nos atingir, compreendamos; assimilando a coragem,
Frente a injustiça a nós mesmos, renunciemos; exercitando a fortaleza íntima,
Quando a dor nos procure, resignemo-nos; alimentando a fé,
Perante os revezes que a vida apresenta, recomecemos; temperando o caráter.
Se o luxo transparece em nós, simplifiquemo-nos; instalando a modéstia,
Quando a vaidade se apossar de nossa índole, sejamos parcimoniosos; adquirindo a simpatia,

O Cristo nos ensinou que a cada um é dado segundo as suas obras, ou seja, somos nós mesmos os fautores de nossas alegrias ou de nossas tristezas.
Com Ele aprendemos a necessidade de amarmo-nos uns aos outros como ele nos ama e que os seus discípulos seriam reconhecidos pelo amor que dedicassem uns aos outros.

Reforma-íntima. Pequena palavra mas que contém um universo de atitudes árduas pois dependem da vontade e da determinação particular para ser realizada.

Que Jesus, o Nosso Mestre, nos auxilie e fortaleça a fim de possamos levar a bom termo a tarefa maior que nos compete; a de aprendermos a amar ao próximo como a nós mesmos, contribuindo assim para a instalação do Seu Reino entre nós.


Título: Re: REFORMA-ÍNTIMA
Enviado por: Liana em 10 de Julho de 2005, 07:07
Olá Amigo

Concordo com você, realmente, a reforma intima envolve muito mais do que se possa pensar.  E como envolve.
É necessário um grande esforço de nossa parte, muita determinação e vontade férrea.
Somos imperfeitos, mas a caminho da perfeição, para tanto, se faz necessário a reforma em nós mesmos, processo lento, constante, doloroso, sobretudo gratificante, quando alcançado.
 Que todos tenhamos essa determinação e força, e que deus nos ajude nessa tarefa.

Um Grande Abraço
Muita Paz e luz

Liana
Título: Re: REFORMA-ÍNTIMA
Enviado por: Almeida em 19 de Julho de 2005, 15:56

O ARGUEIRO E A TRAVE NO OLHO


Qual o meio prático mais eficaz que tem o homem de se melhorar nesta vida e
de resistir à atração do mal?
Um sábio da antigüidade vo-lo disse: Conhece-te a ti mesmo
.”(1)

O Espiritismo tem a reforma-íntima como meta para a humanidade.
A reforma-íntima consiste em perquirir a si mesmos. Analisar cuidadosamente as próprias tendências, os arrastamentos psicológicos.

Visto que estamos num mundo de expiação e provas, o segundo na escala evolutiva estabelecida didaticamente pelo Codificador, somos constrangidos a admitir que a negatividade prevalece nessa fase de nossa da evolução.

Assim, quando voltamos o olhar para nós mesmo, quando fazemos uma introspecção, descobrimos, entristecidos que muito ainda falta para nos classificarmos como equilibrados espiritualmente.

Descobrimos que a inveja, o ciúme, a vaidade, a preguiça, a ambição desmedida, o melindre, todas filhas do orgulho e do egoísmo ainda se encontram enraizadas em nosso psiquismo.

Urge sublimá-las, amainá-las.
Este é um trabalho individual, particular, ninguém encarnado ou desencarnado, poderá fazê-lo por nós.

O Mestre Jesus já nos advertira nesse aspecto em muitas oportunidades.

Lemos em Mateus, capítulo sete, versículos de três a cinco: “Porquê vês tu, pois, o argueiro no olho do teu irmão, e não vês a trave no teu olho? Ou como dizes a teu irmão: Deixa-me tirar-te do teu olho o argueiro, quando tens no teu uma trave? Hipócrita, tira primeiro a trave no teu olho, e então verás como hás de tirar o argueiro no olho de teu irmão”.

Os espíritos nos lembram que a forma correta de nos tornarmos melhores está no autoconhecimento. Tal procedimento é um convite ao estudo, ao aprimoramento intelectual que desperta as qualidades e virtudes. Descobre nosso potencial, nossas faculdades e, não raro, nos surpreendemos com o que podemos realizar nos mais diversos campos.

Com naturalidade passamos a ser bons administradores, bons professores, eficientes médicos, dentistas, advogados. Também aprendemos a ser bons pais, irmãos, filhos, cônjuges, cidadãos, etc.

O Espiritismo, revivendo a singela presença de Jesus entre nós, nos convida a Cristianizar essas faculdades, tanto as materiais quanto as do espírito, morais.

Para tanto é imprescindível que assumamos os compromissos conosco mesmos. Que, diante dos percalços a que todos estamos sujeitos não transfiramos as responsabilidades do que nos couber. Procuremos ver a trave nosso olho e não no olho do próximo. Se nossos erros encontrarem sempre um responsável alheio, continuaremos a cometê-los, adiando a sua correção.

O processo evolutivo constitui-se de tentativa e de erro. Todo aprendizado é assim. Mas se nas primeiras tentativas não colhemos a experiência transferindo-as a alguém, se elegemos sempre um “bode expiatório”, como aprender?

O engano de alguém é um convite ao ensino, como amor, mansuetude, carinho.Compreendendo que ao amparar alguém estamos amealhando mais capacitação para amar.

Na violência, exercitemos a paz.
Para a maledicência, instalemos o silêncio.
Perante a vaidade, consolidemos a compreensão.
Frente a malícia, invoquemos a prudência.
Se a ignorância de manifesta, providenciemos o esclarecimento.
Se surge o ciúme, tenhamos compreensão.

Ao destacar os erros os fomentamos, e, pela permuta de energias afins despertaremos em nós as fraquezas que ainda não conseguimos sublimar.

Jesus, o Divino Amigo, naquela advertência nos revela que a Lei de Causa e Efeito, ao agir sobre nós, impingirá comportamentos de retificação tantas vezes quantas forem necessárias até a aquisição da virtude suscitada.


(1) Livro dos Espíritos: Perg. 919




Título: Re: REFORMA-ÍNTIMA
Enviado por: Almeida em 30 de Julho de 2005, 11:13

NÃO JULGUEIS


Não julgueis, a fim de não serdes julgados; - porquanto sereis julgados conforme houverdes julgado os outros; empregar-se-á convosco a mesma medida de que vos tenhais servido para com os outros”. – (Mateus, cap. VII, vv. 1 e 2).



No Espiritismo os ensinamentos de Jesus não são preceitos religiosos, mas sim de revelações de Leis Morais.

No ensinamento acima, escrito pelo evangelista Mateus, ressalta-se a Lei da Sintonia.

Julgar a alguém, neste contexto significa penetrar-lhe as intenções negativas, detectá-las, para a seguir lhe dar um veredicto condenatório.

Não estamos nos referindo a análise consciente das atitudes alheias com objetivo de conhecê-las como prevenção ou para alguma medida saneadora, o que poderia ser benéfica.

No primeiro sentido, ao julgar alguém, sintoniza-se-lhe as falhas e, inevitavelmente pela afinidade que proporcionou a sintonia, há a permuta das energias mentais comuns, influenciando-se mutuamente.

Uma vez que os homens têm ainda tendências negativas a serem sublimadas, essa sintonia facilmente despertará e fortalecerá as suas próprias mazelas morais.

As falhas morais e psicológicas não sublimadas por despertarem as suas próprias incomodam o homem quando percebidas nos outros. Se as não mais possuísse elas seriam observadas com compreensão e não com condenação.

Estabelecida a ligação mentoeletromagnética, a indução mental criada pelo magnetismo que o pensamento contém, fará com que em pouco tempo o acusador adote comportamentos semelhantes aos que condena.
Assim sendo, será medido com a mesma medida que mediu.

A caridade moral; a compreensão, a indulgência, são atitudes antes de tudo autobeneficentes, pois pela mesma Lei da Sintonia a assimilação de estímulos mentais mais adiantados sublimará as causas enquistadas no próprio julgador.



Título: Re: REFORMA-ÍNTIMA
Enviado por: Almeida em 03 de Agosto de 2005, 01:49


AINDA SOBRE A REFORMA-ÍNTIMA


No Livro dos Espíritos encontramos a seguinte questão:
O progresso moral acompanha sempre o progresso intelectual?
“Decorre deste, mas nem sempre o segue imediatamente.”

a) - Como pode o progresso intelectual engendrar o progresso moral?
“Fazendo compreensíveis o bem e o mal. O homem, desde então, pode escolher. O desenvolvimento do livre-arbítrio acompanha o da inteligência e aumenta a responsabilidade dos atos
.”(1)

Conforme os Espíritos Superiores que elaboraram a Doutrina Espírita com o Sr. Allan Kardec, e ainda de acordo com a observação dos fatos, o progresso intelectual precede o moral.

No livro Autodescobrimento lemos:

O desenvolvimento intelectual do ser nem sempre é acompanhado pelo de natureza emocional.
A conquista do conhecimento cultural faz-se com relativa facilidade, quando se é portador de equilíbrio mental, mediante o estudo, o exercício, as leituras. No entanto, o amadurecimento psicológico é mais complexo, exigindo contínua atividade moral e cuidadosa realização pessoal.

Muitos fatores contribuem para essa ocorrência, na generalidade dos fenômenos emocionais. Entre outros destacamos os atavismos culturais e sociais, no que dizem respeito à infância e aos poucos direitos que lhe são concedidos durante a formação da personalidade da criança
”.(2)


O espírito ao encarnar tem o lar como o primeiro fator de indução mental. Conforme o modo como ele é criado, educado, pode ocasionar muitos condicionamentos mentais que se tornam de difícil extirpação, pois, pela Lei de Recapitulação, despertam-se-lhe tendências mal resolvidas.

Muitos carregam pelas diversas etapas da vida os resquícios mentais dos ambientes em que passaram nos primeiros anos de vida física, e não raro, comportam-se diante de algum fator indutivo como os que obedecem a ordem pós-hipnótica.
Manifestam-se submissos, violentos, agressivos, irrequietos, dissimulados, isso de acordo com o temperamento que pode ser Sanguíneo, Melancólico, Colérico ou Fleumático.

Tais comportamentos se manifestam, portanto, de acordo com a bagagem psicológica que o espírito acumula acrescida daquelas que recebe na presente existência física.

O que o Espiritismo chama de reforma-íntima é a substituição das tendências que causam tolhimento, limitações, por outras novas e que ensejam crescimento, frutos do aprimoramento intelectual e moral.

Essa é uma atitude intransferível, não se dá automaticamente. Não são os bons espíritos nem qualquer entidade angelical que virá ao encontro do necessitado e, por “graça” lhe inoculará uma nova personalidade, um novo temperamento.

Ao espírito encarnado, diante da descoberta de suas necessidades urge providenciar pelo estudo e dedicação, novas estruturas mentais, intelectuais, que o habilitará a se conhecer e a se movimentar espontaneamente rumo ao crescimento fatal.

A expectativa de que um terceiro (mitos, rituais, entidades angelicais, espíritos) irá beneficiá-lo pela graça adia a sua evolução. Além disso denota infantilidade e desconhecimento da natureza das Leis Divinas que dá “a cada um segundo as suas obras”(3).

O Espiritismo mostra a providência a ser tomada: Estudo e Caridade, ou seja, a conquista da sabedoria e do amor, as asas que conduzem o homem ao aperfeiçoamento relativo.

O estudo aprimora intelectualmente, dá a sabedoria. A caridade, que é o amor em ação, propicia a aquisição de qualidades e virtudes pela prática do bem ao próximo, através da Lei do Aprendizado; instala o amor.

O bom médico, advogado, engenheiro, missionário, médium, administrador, artista, só o será após capacitar-se intelectualmente para as suas atividades e depois de dominar comportamentos e emoções pela convivência com suas funções, ou seja, por esforço próprio.
É um por cento de inspiração e noventa e nove por cento de transpiração, diz-se.

Amai-vos e instruí-vos pode ser entendido como um novo mandamento.


(1) Livro dos Espíritos – perg. 780
(2) Auto Descobrimento: Triunfo sobre o Ego; Joanna de Ângelis/Divaldo Pereira     Franco
(3) Romanos:2,6

Título: Re: REFORMA-ÍNTIMA
Enviado por: Almeida em 09 de Agosto de 2005, 01:43



APRENDIZADO

O Mestre Jesus, em Mateus 18 versículo 22 respondendo a Pedro diz que é preciso perdoar não sete vezes, mas setenta vezes sete.
O Governador do Planeta, em sua sabedoria, deixava transparecer um conhecimento que só atualmente o homem começa a ter os primeiros contatos. O de que a aquisição de virtudes obedece à mesma lei de conquista do conhecimento: A Lei do Aprendizado.

Para se obter o conhecimento das leis que regem a matéria é necessário muito esforço, dedicação, disciplina e os assuntos novos devem ser repetidos exaustivamente pelo aprendiz a fim de automatizá-los. No que se refere à conquista de virtudes as exigências são as mesmas, pois ambas são atitudes do espírito.

Podemos fazer algumas analogias.
Nos quartéis, no início da prestação do serviço militar, os recrutas têm muitas dificuldades para executar os comandos recebidos.  A marcha é desconexa, os movimentos vacilantes, as atitudes indecisas. Após um período de treinamentos exaustivamente repetidos, a marcha torna-se uniforme, os comandos obtém respostas instantâneas, os movimentos surgem automáticos e as atitudes são seguras e determinadas.  Isto porque a mente automatizou aqueles novos comandos.

Outro exemplo. O dirigir automóvel. No início os movimentos são extemporâneos. O tráfego, as esquinas, a sinalização, os pedestres, tudo causa temor, indecisão. A cada situação o novo motorista necessita de alguns segundos para pensar, medir, avaliar e decidir. Depois de alguns meses de insistência, de repetição das diversas nuanças que o tráfego proporciona, as decisões, as atitudes, as avaliações são feitas instantaneamente. A mente automatizou esse novo estágio.

Assim também se dá em relação às conquistas de virtudes.
No nosso cotidiano, seja ele profissional, familiar, social, estamos constantemente sendo solicitados a executar alguma atitude espiritual, moral.
É o colega de trabalho insensato, é o chefe exigente, são os filhos com seus impulsos juvenis, o cônjuge atribulado, as dificuldades para cumprir os compromissos sociais necessários a sobrevivência digna. Toda essa carga de exigências compõe as lições que a Terra-Escola nos faculta e que nos obriga a assimilá-las, aprimorando-nos. Mas mesmos essas assimilações necessitam de aprendizado, requerem participação da razão para o seu cumprimento consciente.

Somos, portanto, a todo momento constrangidos a praticar a compreensão, a paciência, o devotamento, a energia, a doçura, a tolerância a fim de poder sobreviver de uma forma relativamente equilibrada.
Essas atitudes morais são geradas na mente e obedecem a mesma Lei. A repetição incansável dessas virtudes fará com que se automatizem passando a ser uma conquista do espírito. Tornam -se partes componentes da personalidade e consequentemente em atitudes naturais, sem esforço, sem afetação.

Quando Jesus recomendou a Pedro que perdoasse setenta vezes sete, isto é que praticasse o perdão infinitamente não quis apenas ensinar-nos a viver simplesmente perdoando a tudo e a todos, mas a conquistar essa capacidade através da prática e da repetição.
André Luiz afirma que o homem se desobrigará da reeencarnações na Terra quando tiver automatizado o comportamento evangélico.



Título: Re: REFORMA-ÍNTIMA
Enviado por: Haga em 04 de Abril de 2008, 14:30
Reforma íntima e Jesus

“Aquele que é a Palavra estava no mundo. Deus fez o mundo por meio dele, mas o mundo não conheceu. Ele veio para o seu próprio país, mas o seu povo não o recebeu”. (João – 1,10)

A Boa Nova de Cristo são os subsídios para a reforma íntima. Os ensinamentos do mestre nazareno devem servir como base para a completa compreensão de como vivenciar os acontecimentos da vida para se reformar. Por isto, em qualquer momento que tenha dúvida como agir, procure imaginar como Jesus agiria e imite seus atos.

“Não pensem que eu vim trazer paz ao mundo. Não vim trazer a paz, mas a espada”. (Mateus 10,34)

Para aquele que tem o ilusório poder de determinar do “bem ou mal”, para existir paz é necessário que todos sigam a sua lei. Só desta forma ele conseguirá a felicidade e se encontrará em paz.

Está certo... Mas, ele encontrou a sua paz, mas e a dos outros?

Desta forma, quando o mestre afirma que não veio para trazer a paz, quer dizer que não trouxe seus ensinamentos para que o ser humanizado os utilize como lei para mudar os outros, mas sim a si mesmo.

Ele não trouxe os ensinamentos para servir de base para o ser humanizado julgar se os outros estão “certos” ou “errados”, mas sim para que os siga. Ele não veio para trazer a paz, mas sim promover a destruição de tudo aquilo que se imagina “bem” ou “mal”.

Para auxiliar nesta destruição ele fornece aos seres humanizados uma espada. Esta espada é o amor que deve ser usado como arma para destruir todas as leis individuais criadas. Essa é a espada de Cristo: o amor que acaba com você mesmo, com as suas leis.

Por isto afirmo que a reforma do planeta não passará por você corrigir todos, mas dar a eles a liberdade de agirem da forma que quiserem, sem que você veja “bonito” ou “feio”.

Portanto, os ensinamentos de Cristo não devem ser entendidos como coletivos, mas individuais. Eles são dirigidos a cada um individualmente para que este ser se mude e não para que sirva de código de leis para julgar os outros.

A reforma íntima verdadeira é pegar a espada de Cristo (amor) e aplicá-la a si mesmo, ferindo mortalmente as suas verdades individuais. Como resultado desta ferida de morte, surgirá a permissão para todos fazerem o que quiserem, inclusive você, sem acusações.

O direcionamento do ensinamento do mestre nazareno sempre foi esse, mas até hoje não foi entendido. Isto porque os seres humanizados ainda estão procurando fórmulas mágicas que processem alterações na coletividade para o que ele acha “certo”.

Para que este sonho utópico de vida se torne realidade, cada vez mais os seres humanizados juntam novas leis ao que Deus e Cristo falaram. No entanto, este procedimento não deu certo, ou seja, não conseguiram obrigar aos outros a se transformarem em cópias sua.

O ser humanizado imagina que criando leis que satisfaçam a sua vontade individual conseguirá transformar o planeta em um paraíso e, com isso, ele alcançará a paz. Entretanto se isto acontecesse, o ser humanizado encontraria um “inferno”, pois pela complexidade da mente deste ser, na hora que todos agissem iguais, ele alteraria o seu querer. Isto, aliás, é comum na vida do ser humano.

A reforma não pode ser mudar os outros para o que acha “certo”, mas deixar cada um ser do jeito que quiser e você não ver mais “bem ou mal” no que eles fazem.

Você não foi “expulso” do paraíso porque feriu Deus com sua atitude, mas passou a olhar (“seus olhos se abrem”) e conseguiu distinguir o “bem do mal”, o “certo dou errado”, o “bonito do feio”. Para voltar para o “paraíso”, é preciso fechar seus olhos e não “ver” mais.

“Eu vim a este mundo a fim de julgar para que os cegos vejam e para que os que vêem se tornem cegos”.

“Isso quer dizer que nós também somos cegos?”

“Se vocês fossem cegos, não seriam culpados! Mas como dizem que podem ver, então ainda são culpados”. (João 9,35)


Esta é a Palavra de Cristo, como dizem os padres: enquanto você achar que pode “ver” as coisas que acontecem, ainda não promoveu a sua reforma íntima e por isso é “culpado”. Quando conseguir a sua reforma intima não mais verá (se tornará cego) e, então, deixará de ser “culpado” por qualquer coisa que pratique.

Aquele que conseguiu a reforma íntima não “vê” mais nada. Ele olha para o chão e não “vê” sujeira; olha para a roupa e não “vê” amassado, se está nova ou velha, desbotada ou com cor, bonita ou feia, se está na moda ou não. Ele só “vê“ roupa: não coloca adjetivo nela.

Enquanto você achar que pode “ver” as coisas não consegue promover a sua reforma íntima porque tudo que é visto é interpretado por você dentro das suas leis.

Título: Re: REFORMA-ÍNTIMA
Enviado por: Haga em 04 de Abril de 2008, 14:32
A reforma íntima e Buda

Para se quebrar as leis individuais é necessário que o ser humanizado viva com “atenção plena”, como ensinou o Buda Gautama. 

Viver cada segundo separado do próximo ou do anterior, buscando não utilizar os conhecimentos anteriores para compreender o que está se passando agora. Policiar e vigiar-se para não pôr em prática as leis individuais, pois elas são mais que hábitos para cada um: são vícios. O ser humano nem sabe que só pratica as coisas por força de leis, mas imagina que seja seu livre arbítrio.

Promover a reforma íntima é vigiar cada segundo da sua vida para que não ponha os hábitos (leis) na prática.

 
A reforma íntima e Krishna

Sri Krishna é o nome dado ao espírito que serve de mestre para as religiões hindus. Apesar da multiplicidade de doutrinas que surgiram dos ensinamentos deste mestre, a base é apenas uma e ela está nos livros védicos.

Krishna afirma que para se promover a reforma íntima é preciso atingir a consciência de que tudo que o ser humanizado vivencia é maya (ilusão). Ou seja, trata-se de uma interpretação individualizada da Realidade.

Esta ilusão, no entanto, não pode ser alterada, ou seja, Krishna afirma que a reforma íntima acontecerá quando o ser humanizado se conscientizar da ilusão que vive e não alterando os valores da existência. Por isso ele ensina o sacrifício.

Não estamos falando aqui em velas ou em ofertar outros elementos materiais a deuses. O sacrifício ao qual Krishna conclama os seres humanizados é de sua intencionalidade.

Ligando este ensinamento a tudo o que vimos até agora, posso afirmar que para Sri Krishna a reforma íntima acontecerá quando o ser humanizado se conscientizar que seus padrões de “certo e errado” são ilusórios. Quando esta consciência for alcançada, os seres humanizados não mudarão seus conceitos, mas deverão sacrificar a Deus a intenção de que eles aconteçam para que possam dizer que as coisas estão “certas”.

Aquele que é consciente da ilusão que vive, apesar de ainda ter leis, não julga os outros, pois deixa de ter o desejo de que seus padrões individuais sejam seguidos pelos outros.



Título: Re: REFORMA-ÍNTIMA
Enviado por: Haga em 04 de Abril de 2008, 14:33
Reforma íntima e as doutrinas religiosas

As doutrinas das diversas religiões não conseguem levar o ser humano a promover a sua reforma íntima porque são compostas por códigos de leis que devem ser cumpridas. Como a execução da reforma se caracteriza por se abolir as leis, é impossível se alcançá-la através de novas leis.

As leis das doutrinas religiosas também não podem ter valia para a elevação espiritual porque buscam atemorizar o ser humano com penas para que aquele que não cumpre os desígnios de Deus. Mesmo o Espiritismo, que afirma ter extinto o inferno, ainda prevê como expiação o pagamento de faltas de outras vidas.

Entretanto, Cristo afirmou que a única lei que existe é a do amor: amar a Deus a si e aos outros. Portanto, só se consegue a reforma íntima com o amor e não com o temor.

Não será atemorizando seus fiéis com “pragas”, “excomunhão”, “fogo eterno”, “inferno” ou com expiações futuras que se conseguirá auxiliar a qualquer ser universal a aproximar-se de Deus. .Apenas quando o ser humano atingir a consciência que leva à prática do amor eterno e incondicional ele promoverá a sua reforma e passará a se ver como espírito, pertencente ao reino de Deus.

fonte: http://br.groups.yahoo.com/group/ceu_eeu/message/469
Título: Re: REFORMA-ÍNTIMA
Enviado por: aruanda em 04 de Abril de 2008, 16:36
Olá Mahatma, gostei deste seu tópico mas, esta frase no meu entender não está bem colocada.


Citar
Mesmo o Espiritismo, que afirma ter extinto o inferno, ainda prevê como expiação o pagamento de faltas de outras vidas.

O Espiritismo acha que o "céu" e o "inferno"são estados de alma.São  forma como nos sentimos e vemos a vida e, não locais.

O espiritismo não prevê nada e, muito menos "pagamentos" de faltas.

Penso que é uma interpretação básica.

O espiritismo diz que existe uma lei natural, que sempre dá em troca aquilo que nós semeamos, seja nesta ou em vidas anteriores.

Costumamos dizer que estamos a colher o que semeamos no passado e , a semear o que vamos colher no futuro.

Isso, acontece com todos nós e , em qualquer situação da vida.

Daí cada vez mais se falar em pensamento positivo, amor, etc etc etec.
Não existem erros, nem pecados. Existem sim situações mais ou menos "boas" que praticamos contra nós mesmos. Sim, porque quando magoamos alguém podemos ter  a certeza que o único verdadeiramente magoado somos nós que vamos receber de volta a energia que colocamos em acção .

Portanto, não há pagamento nenhum..há sim uma colheita que pode ser alterada a qualquer momento com atitudes de amor para com nós mesmos e para com os outros.

Colocando as coisas da forma como o fez, dá a sensação que o espiritismo defende  a lei de talião...do "olho por olho, dente por dente".
Vamos tentar ser mais racionais e, perceber que tudo está em nós. Quer queiramos ou não somos os construtores da nossa própria vida e, a forma como o fazemos é que vai definir a maneira como vivemos, sentimos, amamos e, colocamos em prática o:

" fazer aos outros, aquilo que gostaríamos que nos fizessem  a nós"

Desculpando a brincadeira...pagamentos só às finanças e, já é violento que chegue.

Abraços
Título: Re: REFORMA-ÍNTIMA
Enviado por: Naira em 18 de Junho de 2008, 17:05
Aruanda,

ainda bem que esclareceste esta questão... de facto existe uma má interpretação da lei kármica...

Faço minhas as tuas palavras.

Naira
Título: Re: REFORMA-ÍNTIMA
Enviado por: Elis em 03 de Agosto de 2008, 13:16
Para fazermos a verdadeira reforma intima precisamos olhar para si mesmo
e por mais doloroso que seja precisamos transformar isso e não camuflar,
os nossos defeitos. Não adianta estudar, ler, estar bem informado no
espiritismo e não colocarmos em prática tudo isso. Precisamos ir além das
nossas resistências.
Chegará um momento que casaremos de si instruir e ficarmos desanimados.
Sem trabalhar primeiro nós mesmos, e não achar defeitos no próximo, querer
mudar o proximo se nos mesmo não fazermos a reforma intima.