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GERAL => Psicologia & Espiritismo => Auto-Conhecimento => Tópico iniciado por: Hebe M C em 11 de Maio de 2011, 13:08

Título: Jung e os Fenômenos Mediúnicos
Enviado por: Hebe M C em 11 de Maio de 2011, 13:08
Jung e os Fenômenos Mediúnicos

(3o artigo)

Allan Kardec (1804-1869), dentro de uma visão mais ampla e que oferece um panorama coerente da vida, definiu o Espiritismo como ciência, filosofia e religião, sendo, por isto, uma árvore frondosa e capaz de acolher toda manifestação do sentimento e do conhecimento humanos. Assim, a investigação sobre a realidade espiritual, a reflexão acerca da mesma e a associação desses esforços às noções de Deus e do destino, se incluem, naturalmente, no Espiritismo.

Carl Gustav Jung (1875-1961) foi um dos grandes colaboradores para a divulgação dos fenômenos mediúnicos, embora não conste que tenha feito uma profissão de fé nos moldes espíritas, pois, como cientista, evitou pronunciar-se ostensivamente quanto à realidade das comunicações, a sobrevivência da alma e até mesmo a reencarnação, embora toda a sua vida tenha sido cercada por médiuns e fenômenos. Destacamos a mediunidade de sua mãe Emilie, que possuía a faculdade de vidência, naquele tempo interpretado como “segunda vista”, e que proporcionou algumas revelações na intimidade familiar, como descreve a Profª. Paola Giovetti em longo artigo recentemente divulgado pela revista “Luce e Ombra” (Luz e Sombra), da Itália, no qual afirma: “Este interesse pelos fenômenos ocultos foi sempre característico na família materna de Jung, e o próprio Jung, em avançada idade, confessou que a mediunidade de sua prima Elene lhe possibilitou caminhar muito em direção ao que ele chamava ‘reino das sombras’, e que ela foi ‘uma alma realizada”. Assim, enaltecendo a médium, Jung enaltece e valoriza a mediunidade.

Avançando em estudos sobre a fenomenologia mediúnica, Jung modifica a usada conceituação do subconsciente para empregar um novo termo, e assim definir os fenômenos mediúnicos: sincronicidade, conforme texto de uma carta enviada ao estudioso da paranormalidade, o inglês Dr. John R. Smythies, na qual se lê: “No meu trabalho sobre a sincronicidade não me esgoto de fazer especulações”. Isto escrevia ele em 1952, quando em seus estudos constatou e existência de relações significativas entre ocorrências nas quais não se observava uma ligação de natureza causal.

Jung dedicou boa parte de sua vida ao estudo dos sonhos e das visões, e ele mesmo viveu experiências interessantes neste vasto campo, embora lutasse com sérias limitações, pois agia sem o amparo e sem a interpretação que a Doutrina Espíritas oferece e que o ajudaria a melhor compreender que todos os espíritos  reencarnados gozam de parcial liberdade enquanto repousa o corpo físico, o que lhes permite entrar em contato com outros espíritos, encarnados ou não.

Num desses momentos de parcial liberdade, Jung-espírito entrou em contato com vários desencarnados, sendo que um destes era uma entidade culta, que dialogou com ele em latim. Isto o deixou em desvantagem, pois não dominava inteiramente aquela língua. E despertou sob forte agitação, como que envergonhado. Outro exemplo: quando em desdobramento (na terminologia espiritista), Jung vai ao encontro do espírito do pai em busca de orientação e conselho em relação à maneira de conduzir seus estudos psicológicos. Pouco antes do falecimento de sua genitora, Jung teve um outro encontro com o pai, na erraticidade,  e este lhe falou de um problema consciencial gerado durante a vida de casado, quando cometera pequeno deslize de adultério.

Numa carta datada de 1934, Jung escreve ao Prof. J.B. Rhine narrando um importante fenômeno físico ocorrido na sala de sua casa quando teve os sentidos atraídos para um determinado armário, onde se guardava os talheres de uso normal. Ao abrir uma gaveta, notou que a faca mais usada pela família estava quebrada em quatro pedaços. A revista “Luce e Ombra” publica a foto da faca, como ilustração.

Fonte: SEI – Serviço Espírita de Informações
Boletim nº 1909

www.vivercomalma.com.br (http://www.forumespirita.net/fe/go.php?url=aHR0cDovL3d3dy52aXZlcmNvbWFsbWEuY29tLmJy)
Título: Re: Jung e os Fenômenos Mediúnicos
Enviado por: adriano-aliberti@uol.com. em 11 de Maio de 2011, 15:27
O fenômeno da mediunidade,sempre nos mostra a realidade do outro lado,tanto física no sentido de paupável ou não.Quando do físico,já é mais,complexo.Mas o mais importante é termos sempre fé,nos espíritos de luz,que sempre estão nos ajudando e nos amparando.
Título: Re: Jung e os Fenômenos Mediúnicos
Enviado por: Adela Soriano Gimenez em 11 de Maio de 2011, 18:13
Jung e os Fenômenos Mediúnicos

(3o artigo)

Allan Kardec (1804-1869), dentro de uma visão mais ampla e que oferece um panorama coerente da vida, definiu o Espiritismo como ciência, filosofia e religião, sendo, por isto, uma árvore frondosa e capaz de acolher toda manifestação do sentimento e do conhecimento humanos. Assim, a investigação sobre a realidade espiritual, a reflexão acerca da mesma e a associação desses esforços às noções de Deus e do destino, se incluem, naturalmente, no Espiritismo.

Carl Gustav Jung (1875-1961) foi um dos grandes colaboradores para a divulgação dos fenômenos mediúnicos, embora não conste que tenha feito uma profissão de fé nos moldes espíritas, pois, como cientista, evitou pronunciar-se ostensivamente quanto à realidade das comunicações, a sobrevivência da alma e até mesmo a reencarnação, embora toda a sua vida tenha sido cercada por médiuns e fenômenos. Destacamos a mediunidade de sua mãe Emilie, que possuía a faculdade de vidência, naquele tempo interpretado como “segunda vista”, e que proporcionou algumas revelações na intimidade familiar, como descreve a Profª. Paola Giovetti em longo artigo recentemente divulgado pela revista “Luce e Ombra” (Luz e Sombra), da Itália, no qual afirma: “Este interesse pelos fenômenos ocultos foi sempre característico na família materna de Jung, e o próprio Jung, em avançada idade, confessou que a mediunidade de sua prima Elene lhe possibilitou caminhar muito em direção ao que ele chamava ‘reino das sombras’, e que ela foi ‘uma alma realizada”. Assim, enaltecendo a médium, Jung enaltece e valoriza a mediunidade.

Avançando em estudos sobre a fenomenologia mediúnica, Jung modifica a usada conceituação do subconsciente para empregar um novo termo, e assim definir os fenômenos mediúnicos: sincronicidade, conforme texto de uma carta enviada ao estudioso da paranormalidade, o inglês Dr. John R. Smythies, na qual se lê: “No meu trabalho sobre a sincronicidade não me esgoto de fazer especulações”. Isto escrevia ele em 1952, quando em seus estudos constatou e existência de relações significativas entre ocorrências nas quais não se observava uma ligação de natureza causal.

Jung dedicou boa parte de sua vida ao estudo dos sonhos e das visões, e ele mesmo viveu experiências interessantes neste vasto campo, embora lutasse com sérias limitações, pois agia sem o amparo e sem a interpretação que a Doutrina Espíritas oferece e que o ajudaria a melhor compreender que todos os espíritos  reencarnados gozam de parcial liberdade enquanto repousa o corpo físico, o que lhes permite entrar em contato com outros espíritos, encarnados ou não.

Num desses momentos de parcial liberdade, Jung-espírito entrou em contato com vários desencarnados, sendo que um destes era uma entidade culta, que dialogou com ele em latim. Isto o deixou em desvantagem, pois não dominava inteiramente aquela língua. E despertou sob forte agitação, como que envergonhado. Outro exemplo: quando em desdobramento (na terminologia espiritista), Jung vai ao encontro do espírito do pai em busca de orientação e conselho em relação à maneira de conduzir seus estudos psicológicos. Pouco antes do falecimento de sua genitora, Jung teve um outro encontro com o pai, na erraticidade,  e este lhe falou de um problema consciencial gerado durante a vida de casado, quando cometera pequeno deslize de adultério.

Numa carta datada de 1934, Jung escreve ao Prof. J.B. Rhine narrando um importante fenômeno físico ocorrido na sala de sua casa quando teve os sentidos atraídos para um determinado armário, onde se guardava os talheres de uso normal. Ao abrir uma gaveta, notou que a faca mais usada pela família estava quebrada em quatro pedaços. A revista “Luce e Ombra” publica a foto da faca, como ilustração.

Fonte: SEI – Serviço Espírita de Informações
Boletim nº 1909

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Título: Re: Jung e os Fenômenos Mediúnicos
Enviado por: Lingia em 11 de Maio de 2011, 20:58
Sou estudante de psicologia, e fico muito triste com a pouca enfase que a grade do curso aborda Jung, mas eu leio muito sobre ele, li um livro de sincronicidade muito bom, e acredito mesmo que eventos causais não existam, o que existe é a emanação de energia em prol do evento.
Muito boa essa materia.
Título: Re: Jung e os Fenômenos Mediúnicos
Enviado por: Hebe M C em 11 de Maio de 2011, 23:23
Oi Lingia,
Eu deveria abrir o tópico especificando o motivo de ter postado o artigo.
Muito de Joanna de Ângelis vem de encontro com a psicologia Junguiana.
Os fenômenos espírituais que Jung viveu, seus estudos de símbolos e sonhos a própria construção de sua casa, cada andar correspondendo a uma parte da psique.
Enfim, a personalidade fragmentada precisando encontrar o todo.
Gostaria mesmo que esse tópico fosse adiante.
Vou colocar em seguida um texto de Joanna de Ângelis para reflexão.
Um abço Hebe
Título: Re: Jung e os Fenômenos Mediúnicos
Enviado por: Hebe M C em 11 de Maio de 2011, 23:24
Amor Imbatível Amor - Joanna de Angelis
Escrito por Joana de Ângelis   


A identidade é conquista valiosa do ser, através da qual se afirma e se caracteriza no grupo social, de for­ma a existir conscientemente. Não se trata de uma he­rança psicológica, mas de um desenvolvimento gradu­al que se inicia no momento em que nasce, e se mani­festa através do primeiro choro, que lhe expressa des­conforto de qualquer natureza. Logo seja atendido, volta a silenciar, demonstrando que o motivo desagra­dável cessou. Muitas vezes, são a falta do corpo mater­no, o frio ou o calor, a fome ou a dor, que se apresen­tam, produzindo a sensação desagradável e chamando a atenção para si.
Na juventude como na idade adulta, revela-se pelo conhecimento da sua realidade, por imperiosa necessi­dade de estar consciente e de enfrentar com segurança as situações mais variadas possíveis. Nessa fase, a ex­periência emocional é quase sem sentido e os sentimen­tos se apresentam confusos, sem direcionamento, ca­racterizando a ausência de identidade. É certo que, no inconsciente, de alguma forma, todos possuem uma identidade. No entanto, vários fatores adstritos ao Eu profundo, podem apresentar-se como ausência da mes­ma, especialmente quando trazido o conflito de reen­carnação anterior.
Nesse caso, a partir do renascimento carnal, à me­dida que a identidade for sendo formada, o desenvol­vimento do ego não se faz normalmente com expres­são saudável.
Há três fatores que contribuem para um bom e bem direcionado senso de identidade: percepção do desejo, reconhecimento da necessidade e consciência da sen­sação corporal.
Experimentar desejos e saber direcioná-los é de suma importância, no balizamento da identidade, por­que para um paciente que não os possua, difícil se tor­na distinguir exatamente o que quer, exclamando, no seu conflito, que não o sabe, que nada sente, nem mes­mo o de que necessita, por mais importante seja. Há uma espécie de vácuo emocional, com anulação da ca­pacidade de querer. Quando isso não se dá, mascara as aspirações e entrega-se a sensações e buscas que não correspondem às suas necessidades reais.
O reconhecimento da necessidade resulta numa bem urdida busca de solução, em bom encaminhamen­to para alcançar o que deseja. Faculta-lhe distinguir as próprias emoções de tristeza, de alegria, de aborreci­mento ou de afetividade. Invariavelmente, esses senti­mentos ficam bloqueados na ausência do senso da iden­tidade, tornando o paciente um autômato desmotiva­do de novas e constantes realizações, bastando-se com o conseguido, sem a experiência do prazer dinamiza­dor de conquistas desafiadoras.
A consciência da sensação física é adquirida a partir do momento do parto, quando se expressam por automatismos as primeiras necessidades, afir­mando, através do choro, a realidade existencial e a sua presença como ser consciente. No entanto, essa ocorrência dá-se fora do limite da consciência, em estado ainda embrionário, incapaz de realmente dis­tinguir, porqüanto as suas funções seletivas se irão desenvolver a pouco e pouco, tornando-se pujantes e ativas.
À medida que vai crescendo, as sensações cor­porais se tornam mais imperiosas, como é natural, graças também, às necessidades mais volumosas e aos desejos mais característicos, terminando num estado de lucidez mais profunda, a exteriorizar-se por sentimentos mais definidos. Essa é a marcha natural da aquisição do senso de identidade. E quan­do assim não ocorre, desaparece a motivação para o crescimento interior, a valorização do corpo e da oportunidade da vida, necessitando de terapia con­veniente, a fim de ser adquirido.
Esse ego fracionado, enfermo, não conseguiu o desenvolvimento harmônico, que é viável quando a percepção e a sensação se unem ao sentimento numa proposta de integração.
É muito comum, no relacionamento psicológico, a aparência de identidade, mediante representações de papéis que agradam ao ego. No início houve a família que participou da exibição em cena, quando a criança exteriorizava aparência imitando o conhe­cido, que lhe chegava ao alcance, o que era percebi­do pelos sentidos. À medida que cresce, torna-se necessária outra audiência, mudando-se de cenário mas não de conteúdo. E como é natural, em qualquer representação o tédio termina por predominar, ao tempo em que surgem os desencantos, face à ausência de autenticidade. Após as decepções, bus­cam-se novas personagens e novos auditórios.
Quando essa situação se faz presente nos relaci­onamentos mais próximos, entre cônjuges, familia­res, a representação perde o seu caráter de impres­sionar, assumindo a postura de uma farsa que não convence e mui facilmente se desvanece. Ocorre que, naqueles que estão sempre representando, existe um imenso vazio existencial, e, por falta de objetivo, um desespero que arde interiormente, não permitindo tranqüilidade.
A representação gera uma distorção na área da autopercepção, porque somente são captadas as si­tuações e experiências mais próximas do ato, o que evita uma boa formulação de respostas aos desafios existenciais.
O indivíduo, nessa situação, acredita no valor da sua identidade confusa, fugindo para as fatalida­des do destino, com que se compensa, informando que tudo quanto lhe ocorre desastrosamente é resul­tado da má sorte como do infortúnio. Entrega-se a queixas sistemáticas e descobre um mundo que se apresenta hostil, dificultando-lhe a marcha, a felici­dade.
É mais fácil a acusação do que a reparação, que o levaria à busca de solução terapêutica para o dis­túrbio e à vivência do amor, para ampliar a percep­ção de sua realidade.
A formação do senso de identidade é também recurso para a instalação do caráter. Quando não se possui uma faculdade, a outra se apresenta deficitária, em razão da ausência de parâmetros para defini-las no ser turbado e tedioso.
Para que contribua em favor da aquisição do senso de identidade, o paciente será conduzido à análise de que os seus atos não necessitam ser apro­vados sempre, conforme ocorria na infância, ter medo das repressões e reprovações sociais, porqüanto ele também é membro da sociedade, experimentar cul­pa a respeito do seu corpo, dos seus sentimentos de natureza sexual, tendo direito a apresentar também sentimentos negativos, sem que isso constitua sinal de vulgaridade ou de desajuste emocional.
Um senso de identidade normal transita entre os acertos e os erros, sem auto-exaltação nem auto-punição, enfrentando as situações como parte do pro­cesso evolutivo que todos encontram pelo caminho.
Ao identificar-se com a vida, experienciando as ocorrências com ambições bem direcionadas, o indi­víduo cresce psicologicamente, na razão direta em que desenvolve o corpo e a mente se amplia, ense­jando-lhe tirocínios corretos e impulsos estimulado­res para a existência.
A perda ou a ausência de identidade confunde e atormenta, deixando o paciente à mercê dos fenô­meno automáticos, pesando na economia da socie­dade, sem direcionamento nem significado.
O dever dos pais em relação aos filhos, na mol­dagem da identidade, é muito grave, porqüanto, de acordo com a conduta mantida, essa será plasmada dentro dos padrões vigentes no lar. As castrações e as inibições, os conflitos não superados e as necessi­dades emocionais não satisfeitas contribuem para o transtorno da identidade, gerando a necessidade da projeção do papel dos mesmos nas outras pessoas. A criança é um ser imitador por excelência, afinal, tudo quanto aprende decorre, na sua maioria, da capaci­dade de imitar, de memorizar, de reflexionar. Imitar faz parte do processo de desenvolvimento psicológi­co saudável. Todavia, adquirir a identidade do ou­tro, por que lhe foi plasmada, oferece uma situação patológica. Quando se imita, adquire-se capacidade de discernimento para saber-se que tal não passa de uma experiência, no entanto, quando se identifica e assimila, perde-se a liberdade de pensar e de agir, buscando sempre a fonte de ligação para prosseguir no desempenho do papel assumido.
A imitação ocorre em relação a tudo e a todos, enquanto que a identificação perturbadora é sempre fruto de pais exigentes, ameaçadores, que se tornam imagens dominantes na mente infantil. Para enfren­tá-los, o indivíduo se torna igualmente insensível, às vezes cruel, adquirindo essas características pertur­badoras que foram incorporadas ao seu comporta­mento. Essa ocorrência pode ser inconsciente, graças ao que, nada pode ser produzido em favor do equi­líbrio pelo próprio paciente, levando-o a vivenciar experiências que se transmudam em necessidades dos outros.


Joana de Ângelis - Psicografado por Divaldo franco
Título: Re: Jung e os Fenômenos Mediúnicos
Enviado por: edson faccin em 16 de Maio de 2011, 22:07
Jung e os Fenômenos Mediúnicos

(3o artigo)

Allan Kardec (1804-1869), dentro de uma visão mais ampla e que oferece um panorama coerente da vida, definiu o Espiritismo como ciência, filosofia e religião, sendo, por isto, uma árvore frondosa e capaz de acolher toda manifestação do sentimento e do conhecimento humanos. Assim, a investigação sobre a realidade espiritual, a reflexão acerca da mesma e a associação desses esforços às noções de Deus e do destino, se incluem, naturalmente, no Espiritismo.

Carl Gustav Jung (1875-1961) foi um dos grandes colaboradores para a divulgação dos fenômenos mediúnicos, embora não conste que tenha feito uma profissão de fé nos moldes espíritas, pois, como cientista, evitou pronunciar-se ostensivamente quanto à realidade das comunicações, a sobrevivência da alma e até mesmo a reencarnação, embora toda a sua vida tenha sido cercada por médiuns e fenômenos. Destacamos a mediunidade de sua mãe Emilie, que possuía a faculdade de vidência, naquele tempo interpretado como “segunda vista”, e que proporcionou algumas revelações na intimidade familiar, como descreve a Profª. Paola Giovetti em longo artigo recentemente divulgado pela revista “Luce e Ombra” (Luz e Sombra), da Itália, no qual afirma: “Este interesse pelos fenômenos ocultos foi sempre característico na família materna de Jung, e o próprio Jung, em avançada idade, confessou que a mediunidade de sua prima Elene lhe possibilitou caminhar muito em direção ao que ele chamava ‘reino das sombras’, e que ela foi ‘uma alma realizada”. Assim, enaltecendo a médium, Jung enaltece e valoriza a mediunidade.

Avançando em estudos sobre a fenomenologia mediúnica, Jung modifica a usada conceituação do subconsciente para empregar um novo termo, e assim definir os fenômenos mediúnicos: sincronicidade, conforme texto de uma carta enviada ao estudioso da paranormalidade, o inglês Dr. John R. Smythies, na qual se lê: “No meu trabalho sobre a sincronicidade não me esgoto de fazer especulações”. Isto escrevia ele em 1952, quando em seus estudos constatou e existência de relações significativas entre ocorrências nas quais não se observava uma ligação de natureza causal.

Jung dedicou boa parte de sua vida ao estudo dos sonhos e das visões, e ele mesmo viveu experiências interessantes neste vasto campo, embora lutasse com sérias limitações, pois agia sem o amparo e sem a interpretação que a Doutrina Espíritas oferece e que o ajudaria a melhor compreender que todos os espíritos  reencarnados gozam de parcial liberdade enquanto repousa o corpo físico, o que lhes permite entrar em contato com outros espíritos, encarnados ou não.

Num desses momentos de parcial liberdade, Jung-espírito entrou em contato com vários desencarnados, sendo que um destes era uma entidade culta, que dialogou com ele em latim. Isto o deixou em desvantagem, pois não dominava inteiramente aquela língua. E despertou sob forte agitação, como que envergonhado. Outro exemplo: quando em desdobramento (na terminologia espiritista), Jung vai ao encontro do espírito do pai em busca de orientação e conselho em relação à maneira de conduzir seus estudos psicológicos. Pouco antes do falecimento de sua genitora, Jung teve um outro encontro com o pai, na erraticidade,  e este lhe falou de um problema consciencial gerado durante a vida de casado, quando cometera pequeno deslize de adultério.

Numa carta datada de 1934, Jung escreve ao Prof. J.B. Rhine narrando um importante fenômeno físico ocorrido na sala de sua casa quando teve os sentidos atraídos para um determinado armário, onde se guardava os talheres de uso normal. Ao abrir uma gaveta, notou que a faca mais usada pela família estava quebrada em quatro pedaços. A revista “Luce e Ombra” publica a foto da faca, como ilustração.

Fonte: SEI – Serviço Espírita de Informações
Boletim nº 1909

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