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CONVÍVIO => Off-topic => Espiritualismo => Tópico iniciado por: Olé em 12 de Agosto de 2013, 21:42

Título: Existe o pensador, ou apenas o pensamento?
Enviado por: Olé em 12 de Agosto de 2013, 21:42
Sem memória existe pensamento?

Dizem que o lvre-arbítrio tem a ver com a liberdade de pensar. Há, existe, pensador sem pensamento?

Título: Re: Existe o pensador, ou apenas o pensamento?
Enviado por: Olé em 14 de Agosto de 2013, 14:38
"O pensamento-eu é a fonte de todos os pensamentos.

A mente só vai se dissolver através da autoinvestigação "Quem sou eu?". O pensamento "Quem sou eu?" destruirá todos os outros pensamentos e depois destruirá a si mesmo também. Se outros pensamentos surgirem, devemos perguntar a quem esses pensamentos ocorrem, sem tentar completá-los. Que importa quantos pensamentos surgem? Na medida em que cada pensamento surgir, devemos estar vigilantes e perguntar para quem ele ocorre. A resposta será "para mim".

Se você perguntar "quem sou eu?", a mente então voltará à sua Fonte. O pensamento que surgiu também desaparecerá. À medida que você praticar dessa forma mais e mais, o poder da mente de permanecer em sua Fonte aumentará.

Embora os apegos sensoriais, antigos e imemoriais, possam surgir sob forma de incontáveis tendências mentais, assim como as ondas surgem no mar, todos eles serão destruídos na medida em que a meditação  avançar. Devemos nos agarrar sem cessar à meditação do Ser, sem duvidar da possibilidade de erradicar todas essas tendências e de só o Ser permanecer. Por mais pecadora que uma pessoa possa ser, se ela parar de se lamentar "Ai de mim que sou um pecador! Como posso eu alcançar a libertação?" e, abandonando até mesmo o pensamento de que é pecadora, se dedicar zelosamente à autoinquirição, ela com certeza realizará o Ser (Atman).

Se o ego estiver presente, tudo o mais também existirá. Se estiver ausente, tudo o mais desaparecerá. Como o ego é tudo isso, investigar a sua natureza é a única forma de abandonar todo apego. Controlando a fala e a respiração, e mergulhando fundo em nós mesmos, como alguém que mergulha na água para recuperar algo que nela caiu, devemos, por meio de um insight aguçado, descobrir a fonte de onde surge o ego.

A investigação, que é o caminho da Sabedoria, não consiste em repetir verbalmente "eu, eu", mas em buscar, por meio de uma mente profundamente interiorizada, de onde o "eu" surge. Pensar "Eu não sou isso", "Eu sou aquilo" pode ajudar, mas não constitui a inquirição em si.

Quando questionamos dentro da nossa mente "Quem sou eu?" e chegamos ao Coração, o "eu" sucumbe e imediatamente outra entidade se revela proclamando "Eu-Eu". Muito embora ela também surja dizendo "eu", não se trata mais do ego, mas sim da Existência Única, perfeita.

Se investigarmos incessantemente a forma da mente, descobriremos que não existe algo chamado "mente". Este é o caminho direto aberto a todos.

A mente é constituída apenas de pensamentos, e para todos eles a base ou fonte é o pensamento-"eu". O "eu" é a mente. Se nos voltarmos para dentro perguntando pela Fonte do "eu", o "eu" sucumbe. Esta é a investigação da Sabedoria. Onde o "eu" se dissolve, outra entidade emerge como "Eu-Eu" por conta própria: é o Ser Perfeito."

Continua...
Título: Re: Existe o pensador, ou apenas o pensamento?
Enviado por: Olé em 14 de Agosto de 2013, 14:58
"É inútil remover as dúvidas. Se esclarecermos uma, outra surgirá e não haverá fim para elas. Todas as dúvidas cessarão apenas quando quem duvida e sua Fonte forem encontrados. Procure a Fonte do responsável pela dúvida e você descobrirá que ele na realidade não existe. Se o questionador cessar, as dúvidas também cessarão.

Como a Realidade é você mesmo, não há nada a realizar. Todos tomam o irreal por real. É preciso que você desista de tomar o irreal por real. A finalidade de toda meditação ou repetição de mantras é apenas isso - abrir mão de todos os pensamentos referentes ao não Eu; é desistir de todos os pensamentos e concentrar-se num só. O objetivo de toda prática é fazer com que a mente fique unifocada, concentrando-a num só pensamento e assim excluindo os demais. Fazendo isso, no final até mesmo esse pensamento único irá embora e a mente se extinguirá em sua fonte.

Quando inquirimos "Quem sou eu?", o "eu" investigado é o ego. Também é esse "eu" quem faz a autoinvestigação. O Ser não tem inquirição. É o ego que faz a investigação. O "eu" sobre o qual a investigação é feita também é ego. Como resultado da investigação, o ego deixa de existir e descobrimos que somente o Eu Real existe.

Qual a melhor maneira de matar o ego? Para cada um o melhor caminho é aquele que parece mais fácil ou que tem maior apelo. Todos os caminhos são igualmente bons, na medida em que conduzem ao mesmo objetivo: dissolver o ego no Eu Real. O que o devoto chama de entrega, aquele que faz investigação chama de Sabedoria. Ambos estão tentando levar o ego de volta à Fonte da qual ele surgiu e fazê-lo ser absorvido por ela. Pedir que a mente mate a si mesma é como fazer do ladrão um policial. Ele irá com você e fingirá prender o ladrão, mas nada será ganho. Portanto, volte-se para dentro, veja de onde surge a mente e ela deixará de existir.

A respiração e a mente surgem da mesma fonte e quando uma delas é controlada, a outra também fica controlada. De fato, no método investigativo - no qual, aliás, a pergunta "De onde eu vim?" seria mais correta do que "Quem sou eu?" - não estamos simplesmente tentando eliminar, dizendo "não sou o corpo, nem os sentidos" e assim por diante, visando alcançar a realidade última, mas sim estamos procurando descobrir onde surge o pensamento-"eu" ou ego dentro de nós. O método contém em si - de forma implícita - a observação da respiração.

Quando observamos de onde o pensamento-eu surge, estamos observando também a fonte da respiração, já que tanto o pensamento-"eu" quanto a respiração provêm da mesma Fonte.

O controle da respiração pode servir como uma ajuda, mas por si mesmo nunca pode levar ao objetivo. Enquanto você o pratica mecanicamente, procure manter a mente alerta, lembrando do pensamento-eu e da busca pela sua Fonte. Então você descobrirá que o pensamento-eu surge do lugar no qual a respiração desaparece. Eles desaparecem e emergem juntos. O pensamento-"eu" também submergirá junto com a respiração. Simultaneamente, um outro "Eu-Eu"- luminoso e infinito - emergirá, e será constante e inquebrantável. Este é o objetivo, o qual recebe diferentes nomes: Deus, Eu Real, Kundalini , Shakti, Consciência, etc.

"Quem sou eu?" não é um mantra. Significa que você deve descobrir onde em você surge o pensamento-"eu", que é a fonte de todos os outros pensamentos. Mas se você achar que o caminho da investigação é difícil demais, continue a repetir "eu-eu", e isso o levará ao mesmo objetivo. Não há nenhum mal em usar o "eu" como um mantra. Trata-se do primeiro nome de Deus, Eu Sou.

Peço que veja onde o "eu" surge em seu corpo; mas realmente não é muito correto dizer que o "eu" surge e dissolve-se no Coração no lado direito do peito. O Coração é outro nome para a Realidade e não está nem dentro nem fora do corpo. Não pode haver nenhum dentro e fora para Ela, já que a Realidade apenas é. Por "Coração" não me refiro a nenhum órgão fisiológico, nenhum plexo de nervos ou qualquer coisa do gênero.

Mas enquanto a pessoa se identificar com o corpo e pensar ser o corpo, ela é aconselhada a ver no corpo onde o pensamento-"eu" surge e volta a se dissolver. Deve ser no Coração, no lado direito do peito. Todo homem de qualquer raça, língua ou religião, quando diz "eu", aponta para o lado direito do peito para referir-se a si mesmo. Isso é verdadeiro em todo o mundo.

Portanto, esse deve ser o lugar. E observando-se de forma perspicaz o constante surgimento do pensamento-"eu" no estado de vigília e de seu desaparecimento no sono, podemos ver que surge no Coração no lado direito.

Saiba primeiro quem você é. Isso não requer escrituras ou erudição. É simplesmente experiência. O estado de Ser está aqui e agora o tempo todo. Você perdeu contato consigo mesmo e está pedindo orientação aos outros. O propósito da espiritualidade é voltar a mente para dentro. Se você conhecer a si mesmo, nenhum mal poderá lhe acontecer. Como você me perguntou, eu estou lhe dizendo. O ego só surge agarrando-se a você. Permaneça no Eu Real e o ego desaparecerá. Até este momento o sábio estará feliz dizendo: "Eis aí", e o ignorante perguntando: "Onde?". A regulação da vida, tal como levantar-se em uma hora determinada, tomar banho, praticar repetição de mantras, etc., tudo isso é para quem não se sente atraído pela auto investigação ou não é capaz de fazê-la. Mas para aqueles que podem praticar esse método, todas as regras e disciplinas são desnecessárias. Sem dúvida é dito em alguns livros que devemos cultivar uma virtude após outra e assim nos prepararmos para a Libertação; mas para os que seguem o caminho da Sabedoria ou da investigação, sua meditação é por si só suficiente para adquirir todas as qualidades divinas. Eles não precisam fazer mais nada." (Ramana Maharshi)
Título: Re: Existe o pensador, ou apenas o pensamento?
Enviado por: Olé em 15 de Agosto de 2013, 01:05
"O pensamento cessou - o pensamento que é memória, acumulação de experiências, de cicatrizes do passado; e quando a mente está de todo em todo tranquila - sem ter sido posta tranqüila - a realidade se manifesta. Essa experiência é a experiência da realidade, e não da ilusão, e tais experiências proporcionam bênçãos ao homem. A verdade, o amor, é o desconhecido, e o desconhecido não pode ser capturado pelo conhecido. O conhecido precisa cessar, para o desconhecido ser; e quando o desconhecido surge na existência, derrama-se uma benção.

A pergunta sobre se há Deus, verdade, ou realidade ou como se queira chamá-lo - jamais será respondida pelos livros, pelos sacerdotes, filósofos ou salvadores. Ninguém e nada pode responder a essa pergunta, porém somente vós mesmo, e essa é a razão por que deveis conhecer-vos. Só há falta de madureza na total ignorância de si mesmo. A compreensão de si próprio é o começo da sabedoria.

Nós, entes humanos, somos os mesmos que éramos há milhões de anos - enormemente ávidos, invejosos, agressivos, ciumentos, ansiosos e desesperados, com ocasionais lampejos de alegria e afeição. Somos uma estranha mistura de ódio, medo e ternura; somos a um tempo a violência e a paz. Têm-se feito progressos, exteriormente, do carro de boi ao avião a jato, porém, psicologicamente, o indivíduo não mudou em nada, e a estrutura da sociedade, em todo o mundo, foi criada por indivíduos. A estrutura social, exterior, é o resultado da estrutura psicológica, interior, das relações humanas, pois o indivíduo é o resultado da experiência, dos conhecimentos e da conduta do homem, englobadamente. Cada um de nós é o depósito de todo o passado. O indivíduo é o ente humano que representa toda a humanidade. Toda a história humana está escrita em nós." (Krishnamurti)
Título: Re: Existe o pensador, ou apenas o pensamento?
Enviado por: Brenno Stoklos em 15 de Agosto de 2013, 01:12

Sem ..........................
................................. Perfeito."



"O pensamento.......................
...........................................Perfeito."



"É inútil ............................
............................................. nada."



"O pensamento.................................
....................................................em nós."



O pensamento é o Espírito em atividade e a atividade do Espírito!

Aquilo que chamamos mente, consciência, é o próprio Espírito!

Título: Re: Existe o pensador, ou apenas o pensamento?
Enviado por: Olé em 15 de Agosto de 2013, 01:22
O pensamento é o Espírito em atividade e a atividade do Espírito!

Aquilo que chamamos mente, consciência, é o próprio Espírito!


"O êxtase é o estado em que a independência da alma e do corpo se manifesta de maneira mais sensível e torna-se de certo modo palpável.

Nesse estado, todos os pensamentos terrestres desaparecem para dar lugar ao sentimento puro, que é a própria essência de nosso ser imaterial. Inteiramente envolto nessa contemplação sublime, o extático encara a vida apenas como uma paragem momentânea. Para ele tanto o bem quanto o mal, as alegrias grosseiras e misérias aqui da Terra são apenas incidentes fúteis de uma viagem cujo término que avista o deixa feliz.

E o ponto delicado do sentimento é o amor, não o amor no sentido vulgar do termo, mas esse sol interior que condensa e reúne em seu ardente foco todas as aspirações e todas  as revelações sobre-humanas A lei de amor substitui a personalidade pela fusão dos seres; extingue as misérias sociais." (Kardec)
Título: Re: Existe o pensador, ou apenas o pensamento?
Enviado por: Brenno Stoklos em 15 de Agosto de 2013, 01:27

Nesse estado, todos os pensamentos terrestres desaparecem



E permanecem os pensamentos próprios da Individualidade Espiritual (O Espírito).


Título: Re: Existe o pensador, ou apenas o pensamento?
Enviado por: Olé em 15 de Agosto de 2013, 01:47
E permanecem os pensamentos próprios da Individualidade Espiritual (O Espírito).

A lei de amor substitui a personalidade pela fusão dos seres" (Kardec)


"... O egoísmo está fundado sobre a importância da personalidade; portanto, o Espiritismo bem compreendido, repito, mostra as coisas de tão alto que o sentimento da personalidade desaparece...

... é preciso uma verdadeira virtude para se desprender de sua personalidade...

... É principalmente para os que possuem essa virtude que o reino dos céus está aberto..." (Kardec)
Título: Re: Existe o pensador, ou apenas o pensamento?
Enviado por: Brenno Stoklos em 15 de Agosto de 2013, 04:39

A lei de amor substitui a personalidade pela fusão dos seres....



Sem pinçagens que lhes deturpe o sentido, os ensinos da Doutrina Espírita são sempre perfeitos:

                                                         A lei de amor

8. O amor resume a doutrina de Jesus toda inteira, visto que esse é o sentimento por excelência, e os sentimentos são os instintos elevados à altura do progresso feito. Em sua origem, o homem só tem instintos; quando mais avançado e corrompido, só tem sensações; quando instruído e depurado, tem sentimentos. E o ponto delicado do sentimento é o amor, não o amor no sentido vulgar do termo, mas esse sol interior que condensa e reúne em seu ardente foco todas as aspirações e todas as revelações sobre-humanas. A lei de amor substitui a personalidade pela fusão dos seres; extingue as misérias sociais. Ditoso aquele que, ultrapassando a sua humanidade, ama com amplo amor os seus irmãos em sofrimento! ditoso aquele que ama, pois não conhece a miséria da alma, nem a do corpo. Tem ligeiros os pés e vive como que transportado, fora de si mesmo. Quando Jesus pronunciou a divina palavra -amor, os povos sobressaltaram-se e os mártires, ébrios de esperança, desceram ao circo.
O Espiritismo a seu turno vem pronunciar uma segunda palavra do alfabeto divino. Estai atentos, pois que essa palavra ergue a lápide dos túmulos vazios, e a reencarnação, triunfando da morte, revela às criaturas deslumbradas o seu patrimônio intelectual. Já não é ao suplício que ela conduz o homem: condu-lo à conquista do seu ser, elevado e transfigurado. O sangue resgatou o Espírito e o Espírito tem hoje que resgatar da matéria o homem.
Disse eu que em seus começos o homem só instintos possuía. Mais próximo, portanto, ainda se acha do ponto de partida, do que da meta, aquele em quem predominam os instintos. A fim de avançar para a meta, tem a criatura que vencer os instintos, em proveito dos sentimentos, isto é, que aperfeiçoar estes últimos, sufocando os germes latentes da matéria. Os instintos são a germinação e os embriões do sentimento; trazem consigo o progresso, como a glande encerra em si o carvalho, e os seres menos adiantados são os que, emergindo pouco a pouco de suas crisálidas, se conservam escravizados aos instintos. O Espírito precisa ser cultivado, como um campo. Toda a riqueza futura depende do labor atual, que vos granjeará muito mais do que bens terrenos: a elevação gloriosa. E então que, compreendendo a lei de amor que liga todos os seres, buscareis nela os gozos suavíssimos da alma, prelúdios das alegrias celestes.
                                                                         
                                                                                                        Lázaro. (Paris, 1862.)

                                                  O Evangelho Segundo o Espiritismo

Título: Re: Existe o pensador, ou apenas o pensamento?
Enviado por: Brenno Stoklos em 15 de Agosto de 2013, 04:56

O egoísmo ......................
...................................aberto..."



Sem pinçagens que lhes deturpem o sentido, os ensinos da Doutrina Espírita são sempre perfeitos:

                                                                             O egoísmo

913. Dentre os vícios, qual o que se pode considerar radical?

“Temo-lo dito muitas vezes: o egoísmo. Daí deriva todo mal. Estudai todos os vícios e vereis que no fundo de todos há egoísmo. Por mais que lhes deis combate, não chegareis a extirpá-los, enquanto não atacardes o mal pela raiz, enquanto não lhe houverdes destruído a causa. Tendam, pois, todos os esforços para esse efeito, porquanto aí é que está a verdadeira chaga da sociedade. Quem quiser, desde esta vida, ir aproximando-se da perfeição moral, deve expurgar o seu coração de todo sentimento de egoísmo, visto ser o egoísmo incompatível com a justiça, o amor e a caridade. Ele neutraliza todas as outras qualidades.”

914. Fundando-se o egoísmo no sentimento do interesse pessoal, bem difícil parece extirpá-lo inteiramente do coração humano. Chegar-se-á a consegui-lo?

“À medida que os homens se instruem acerca das coisas espirituais, menos valor dão às coisas materiais. Depois, necessário é que se reformem as instituições humanas que o entretêm e excitam. Isso depende da educação.”

915. Por ser inerente à espécie humana, o egoísmo não constituirá sempre um obstáculo ao reinado do bem absoluto na Terra?

“É exato que no egoísmo tendes o vosso maior mal, porém ele se prende à inferioridade dos Espíritos encarnados na Terra e não à Humanidade mesma. Ora, depurando-se por encarnações sucessivas, os Espíritos se despojam do egoísmo, como de suas outras impurezas. Não existirá na Terra nenhum homem isento de egoísmo e praticante da caridade? Há muito mais homens assim do que supondes. Apenas, não os conheceis,
porque a virtude foge à viva claridade do dia. Desde que haja um, por que não haverá dez? Havendo dez, por que não haverá mil e assim por diante?

916. Longe de diminuir, o egoísmo cresce com a civilização, que, até, parece, o excita e mantém. Como poderá a causa destruir o efeito?

“Quanto maior é o mal, mais hediondo se torna. Era preciso que o egoísmo produzisse muito mal, para que compreensível se fizesse a necessidade de extirpá-lo. Os homens, quando se houverem despojado do egoísmo que os domina, viverão como irmãos, sem se fazerem mal algum, auxiliando-se reciprocamente, impelidos pelo sentimento mútuo da solidariedade. Então, o forte será o amparo e não o opressor do fraco e não mais serão vistos homens a quem falte o indispensável, porque todos praticarão a lei de justiça. Esse o reinado do bem, que os Espíritos estão incumbidos de preparar.”

917. Qual o meio de destruir-se o egoísmo?

“De todas as imperfeições humanas, o egoísmo é a mais difícil de desenraizar-se porque deriva da influência da matéria, influência de que o homem, ainda muito próximo de sua origem, não pôde libertar-se e para cujo entretenimento tudo concorre: suas leis, sua organização social, sua educação. O egoísmo se enfraquecerá à proporção que a vida moral for predominante sobre a vida material e, sobretudo, com a compreensão, que o Espiritismo vos faculta, do vosso estado futuro, real e não desfigurado por ficções alegóricas. Quando, bem compreendido, se houver identificado com os costumes e as crenças, o Espiritismo transformará os hábitos, os usos, as relações sociais. O egoísmo assenta na importância da personalidade. Ora, o Espiritismo, bem compreendido, repito, mostra as coisas de tão alto que o sentimento da personalidade desaparece, de certo modo, diante da imensidade.
Destruindo essa importância, ou, pelo menos, reduzindo-a às suas legítimas proporções, ele necessariamente combate o egoísmo.
“O choque, que o homem experimenta, do egoísmo os outros é o que muitas vezes o faz egoísta, por sentir a necessidade de colocar-se na defensiva. Notando que os outros pensam em si próprios e não nele, ei-lo levado a ocupar-se consigo, mais do que com os outros. Sirva de base às instituições sociais, às relações legais de povo a povo e de homem a homem o princípio da caridade e da fraternidade e cada um pensará menos na sua pessoa, assim veja que outros nela pensam. Todos experimentarão a influência moralizadora do exemplo e do contacto. Em face do atual extravasamento de egoísmo, grande virtude é verdadeiramente necessária, para que alguém renuncie à sua personalidade em proveito dos outros, que, de ordinário, absolutamente lhe não agradecem.
Principalmente para os que possuem essa virtude, é que o reino dos céus se acha aberto. A esses, sobretudo, é que está reservada a felicidade dos eleitos, pois em verdade vos digo que, no dia da justiça, será posto de lado e sofrerá pelo abandono, em que se há de ver, todo aquele que em si somente houver pensado.”
                         
                                                                                                                         FÉNELON

                                                              O Livro dos Espíritos
Título: Re: Existe o pensador, ou apenas o pensamento?
Enviado por: Olé em 15 de Agosto de 2013, 21:15
"Nós temos que compreender o fato de que o controlador é o controlado. O pensamento criou o pensador separado do pensamento que então diz: "Eu devo controlar". Assim, quando vocês percebem que o controlador é o controlado, vocês eliminam totalmente o conflito. O conflito só existe quando há divisão. Nossa vida está em conflito porque nós vivemos com essa divisão. Mas essa divisão é falaciosa, não é real; ela tornou-se um hábito nosso, uma cultura nossa."

"Assim, quando percebemos esse fato (que o pensador é o pensamento) então todo o modelo do nosso pensamento sofre uma mudança radical e não há nenhum conflito. Essa mudança é absolutamente necessária se estamos meditando porque a meditação exige uma mente altamente compassiva e, portanto, altamente inteligente, com uma inteligência que nasce do amor, não do pensamento astucioso." (Krishnamurti)
Título: Re: Existe o pensador, ou apenas o pensamento?
Enviado por: Brenno Stoklos em 16 de Agosto de 2013, 06:13

o pensador é o pensamento



Exato!

O pensamento é o Espírito em atividade e a atividade do Espírito!

O Espírito é o pensamento, a consciência e a mente.

Título: Re: Existe o pensador, ou apenas o pensamento?
Enviado por: Vitor Santos em 16 de Agosto de 2013, 13:15
Olá

Estas conversas são um pouco vagas. Todavia penso que todos têm um pouco de razão.

Se nós colocarmos uma pessoa numa sala, a comandar remotamente um robô que circula na via pública, quando o robô comunica com outra pessoa que se encontra na rua, não é a pessoa que está na sala que está ali, mas uma máquina. A voz que sai da máquina, sai de um circuito que sintetiza uma voz, ouvida através de um altifalante. O que a pessoa que está na sala vê e ouve é o que os microfones e as câmaras de video lhe fazem chegar. Entretanto há funções automáticas que o robô realiza automaticamente, através da respectiva unidade de processamento, sem que a pessoa que está na sala tenha de se preocupar com isso. Se a temperatura for muito alta, o robô liga automaticamente os ventiladores dele, por exemplo.

Podemos fazer uma analogia com esta situação e com que se passa no caso dos espiritos encarnados.

A alma é a pessoa que está na sala. O corpo de carne é o robô. A questão a colocar é a seguinte: independentemente das nossas crenças, tanto no que se refere ao que dizemos aos outros como ao que narramos a nós mesmos, como é que nós nos vemos? Como o robô ou como a pessoa que está na sala a comandar o mesmo?

Ainda ontem estava a ver um documentário de uma jovem de 21 anos que foi fazer uma operação plástica para aumentar os seios. Ela tinha uns seios perfeitinhos e bonitos, do meu ponto de vista, e também saudáveis, mas mandou cortá-los e alterá-los, com a aprovação e o financiamento da mãe (eu nunca financiaria, se fosse pai dela, pois o facto de a moça estar traumatizada com aquilo não era um sinal de que algo se passava de errado a nível físico, mas a nível psicológico).

Outras moças mandam alterar os lábios vaginais, por razões estéticas. Uma pessoa e uma sociedade que reagem desta forma, mostra que se vê como o robô e não como a pessoa que está a comandar o mesmo, na sala. A nossa sociedade é cada vez mais fútil, mais virada para o corpo de carne. Isso mostra que as pessoas não pensam como espiritos imortais, que são, mas que se vêm como meros corpos de carne, mortais.     

A minha forma de ver a questão não é bem a mesma do que a maioria dos espíritas. eu não acho a futilidade moralmente condenável, não acuso  nem condeno a menina que mandou aumentar os seios de nada. E a maioria dos espíritas diz que não, mas faz condenações morais frequentemente. Apenas me faz um pouco de impressão viver num mundo tão fútil, tão pouco espiritual. Tenho pena que a juventude seja tão fútil.

É verdade que eu também tenho as minhas futilidades, mas sinto-me bem por não ter estas manias normóticas. tenho outras manias, talvez não menos graves, não sei, mas essas não tenho, nem nunca tive. Vaidades de adolescente, numa altura em que as hormonas estão em grande actividade, e em que o sexo e o namoro são novidades, são perfeitamente aceitáveis. É assim mesmo. Mas há limites... 

bem hajam
Título: Re: Existe o pensador, ou apenas o pensamento?
Enviado por: Diegas em 16 de Agosto de 2013, 14:56
'...Estas conversas são um pouco vagas. Todavia penso que todos têm um pouco de razão...'


Olá, Vitor


Diria que estes tipos de conversas são confusas. Mas é claro, todos tem razão !!... O que digo é ser a questão das prioridades muito relativa. O que é futil para mim, deixa de ser para outrem. Para mim, por exemplo, esses Eus e Egos são conversas-fúteis que mais complicam do que explicam. São tantos Eu-eus, Ego-eus e Ego-egos que a conversa torna-se muito complicada, mas repito, respeito a complicação.

Em relação ao individuo ver-se como um robô em vez de Espirito, pelo que entendo, é em virtude da ausência de conhecimento da espiritualidade. O que é prioritário ou importante para os apegados à matéria, deixa de ser para os mais espiritualizados. A falta de conhecimento da espiritualidade transforma um individuo num consumidor insaciável do materialismo, e este tipo de individuo tem de sempre compensar/preencher a existencia com algo que o qualifique/credencie positivamente diante da sociedade, numa espécie de continuada satisfação. A sociedade materialista glorifica somente os mais fortes, os seios mais belos, e os financeiramente mais bem sucedidos - quem estiver fora desta relação tem pouquissima chance de sobreviver ou se destacar.



Abç
Título: Re: Existe o pensador, ou apenas o pensamento?
Enviado por: Conforti84 em 16 de Agosto de 2013, 21:50
      Brenno Stoklos   (ref #4 e #11)

      O amigo Brenno respondeu ao Olé: O pensamento é o Espírito em atividade e a atividade do Espírito! Aquilo que chamamos mente, consciência, é o próprio Espírito!

      Conf: terá a Extrema Perfeição criado espíritos que se tornarão de extrema imperfeição, ou melhor, não que se tornarão, mas que já são, no ato da criação, de extrema imperfeição?

      Pois se o espirito é o pensamento, nesse ato deve ser/estar imperfeitíssimo pois que terá de viver milhares de encarnações, caminhar longuíssimo e dificílimo caminho, para, aos poucos, mediante sofrimentos sem conta, ir se aperfeiçoando até se tornar perfeito o qto pode ser.

      E, se todo efeito tem sua causa, qual deve ser a causa que teve como efeito a mente, consciência, Espírito, que vem do Mais que Perfeito, se tornar tão gigantescamente imperfeito?
...................
Título: Re: Existe o pensador, ou apenas o pensamento?
Enviado por: Norizonte da Rosa em 17 de Agosto de 2013, 00:26
Diria que estes tipos de conversas são confusas. Mas é claro, todos tem razão !!... O que digo é ser a questão das prioridades muito relativa. O que é futil para mim, deixa de ser para outrem. Para mim, por exemplo, esses Eus e Egos são conversas-fúteis que mais complicam do que explicam. São tantos Eu-eus, Ego-eus e Ego-egos que a conversa torna-se muito complicada, mas repito, respeito a complicação.

Clique aqui para ler mais: http://www.forumespirita.net/fe/auto-conhecimento/existe-o-pensador-ou-apenas-existe-o-pensamento/#ixzz2cB36gpwe

Pois é amigo e além de muito complicada é de natureza confusa o que não acompanha a Doutrina Espírita que é direta, sem linguagem cifrada, racional, lógica,..e o pior ainda é saber que poderíamos estar nos aprofundando em questões da Doutrina e caso se tente fazer isso aqui, logo vêm essas conversas exóticas e muitas vezes sob conselho de Paulo de que devemos estudar de tudo e aproveitar o que for bom. Qual o sentido dessas manifestações exóticas em um fórum Espírita? e as respostas aos questionamentos que fazemos sempre vêm em forma de mais linguagem confusa, alegórica; parece até, em certas vezes, uma tática para escapara de uma discussão mais direta. Talvez seja por uma suposta caridade que ajam assim. Vai se saber! o que até agora não entendo é o que tem a ver esses misticismos, conversas exóticas, com citações de 'sábios' que não tem nada a ver com Espiritismo. Fazer o quê? :-\
Título: Re: Existe o pensador, ou apenas o pensamento?
Enviado por: Brenno Stoklos em 17 de Agosto de 2013, 02:08

Se nós colocarmos.................................
........................................................por exemplo.

bem hajam


O problema é que não estamos numa sala mas dentro desse tal "robô"!

E somos nós, Espíritos imortais, que sentimos, pensamos, sofremos, nos comunicamos, enfim, nos manisfestamos através desse corpo de carne (robô) que nada mais é que "veste que apodrece".

Título: Re: Existe o pensador, ou apenas o pensamento?
Enviado por: Brenno Stoklos em 17 de Agosto de 2013, 02:11
      Brenno Stoklos   (ref #4 e #11)

      O amigo Brenno respondeu ao Olé: O pensamento é o Espírito em atividade e a atividade do Espírito! Aquilo que chamamos mente, consciência, é o próprio Espírito!

      Conf: terá a Extrema Perfeição criado espíritos que se tornarão de extrema imperfeição, ou melhor, não que se tornarão, mas que já são, no ato da criação, de extrema imperfeição?

      Pois se o espirito é o pensamento, nesse ato deve ser/estar imperfeitíssimo pois que terá de viver milhares de encarnações, caminhar longuíssimo e dificílimo caminho, para, aos poucos, mediante sofrimentos sem conta, ir se aperfeiçoando até se tornar perfeito o qto pode ser.

      E, se todo efeito tem sua causa, qual deve ser a causa que teve como efeito a mente, consciência, Espírito, que vem do Mais que Perfeito, se tornar tão gigantescamente imperfeito?
...................


Quando se quer saber à respeito de uma obra deve-se questionar o seu autor!

Título: Re: Existe o pensador, ou apenas o pensamento?
Enviado por: Brenno Stoklos em 17 de Agosto de 2013, 02:17

Pois é amigo e além de muito complicada é de natureza confusa o que não acompanha a Doutrina Espírita que é direta, sem linguagem cifrada, racional, lógica,..e o pior ainda é saber que poderíamos estar nos aprofundando em questões da Doutrina e caso se tente fazer isso aqui, logo vêm essas conversas exóticas e muitas vezes sob conselho de Paulo de que devemos estudar de tudo e aproveitar o que for bom. Qual o sentido dessas manifestações exóticas em um fórum Espírita? e as respostas aos questionamentos que fazemos sempre vêm em forma de mais linguagem confusa, alegórica; parece até, em certas vezes, uma tática para escapara de uma discussão mais direta. Talvez seja por uma suposta caridade que ajam assim. Vai se saber! o que até agora não entendo é o que tem a ver esses misticismos, conversas exóticas, com citações de 'sábios' que não tem nada a ver com Espiritismo. Fazer o quê? :-\


Nada a acrescentar! Perfeito!   ;)

Título: Re: Existe o pensador, ou apenas o pensamento?
Enviado por: Olé em 17 de Agosto de 2013, 13:51
"Deveria ser-vos tão fácil expulsar da vossa mente um pensamento intruso e desagradável, como sacudir da vossa bota uma pedrinha; e enquanto o homem não puder fazê-lo, é insensato falar dele como de um senhor sobre a Natureza e todos os demais. Ele é um mero escravo e presa dos fantasmas alados que lhe voam pelos corredores do cérebro.

As faces tristes e cheias de cuidados, das quais encontramos milhares até no meio das classes ricas e civilizadas, provam-nos muito claramente como é raro obter-se o referido domínio sobre a mente.

Com efeito, como é raro encontrar-se um homem! E como é comum ver-se uma criatura perseguida por pensamentos tirânicos de cuidados ou desejos, que se curva sob o seu domínio — ou talvez se orgulhe de correr alegremente em obediência àquele que segura as rédeas, julgando-se e considerando que está livre; uma criatura com quem não é possível conversar confidencialmente, por causa dessa presença de um estranho na sua mente que não cessa de espiar." ( Ramacharaca )
Título: Re: Existe o pensador, ou apenas o pensamento?
Enviado por: Brenno Stoklos em 18 de Agosto de 2013, 04:23

"Deveria........................
....................................espiar."



"Se o homem se conformasse rigorosamente com as leis divinas, não há duvidar de que se pouparia aos mais agudos males e viveria ditoso na Terra. Se assim procede, é por virtude do seu livre-arbítrio: sofre então as conseqüências do seu proceder".

                                                                      A Gênese

Título: Re: Existe o pensador, ou apenas o pensamento?
Enviado por: Andressa Z. em 18 de Agosto de 2013, 05:03
Olá pessoal!
Não fugindo da ideia inicial, aqui vai uma dúvida minha: sabemos através da doutrina que as grandes invenções da humanidade são "inspirações" da esfera espiritual. A questão é se há alguma grande ideia original de algum espírito encarnado? Que não sofreu influências de seu mentor ou de algum espírito superior ???
Título: Re: Existe o pensador, ou apenas o pensamento?
Enviado por: Brenno Stoklos em 18 de Agosto de 2013, 05:31
Olá pessoal!
Não fugindo da ideia inicial, aqui vai uma dúvida minha: sabemos através da doutrina que as grandes invenções da humanidade são "inspirações" da esfera espiritual. A questão é se há alguma grande ideia original de algum espírito encarnado? Que não sofreu influências de seu mentor ou de algum espírito superior ???


O que acontece, amiga Andressa Z, é que no nosso atual estágio evolutivo ainda não somos capazes de grandes ideias.

Título: Re: Existe o pensador, ou apenas o pensamento?
Enviado por: EsoEstudos em 18 de Agosto de 2013, 18:31
O grande problema da individualidade é o personalismo, o egocentrismo que, a rigor, não deveriam contaminar essa mesma individualidade.
Título: Re: Existe o pensador, ou apenas o pensamento?
Enviado por: Conforti84 em 18 de Agosto de 2013, 18:47
      Amigos do estudo          (ref Brenno Stoklos, #20, 18.08.13)

      Se desejamos entender, temos mesmo de, com determinação, raciocinar sobre nossa fé ("fé raciocinada").
 
      Brenno citou, de "A Gênese": Se o homem se conformasse rigorosamente com as leis divinas, não há duvidar de que se pouparia aos mais agudos males e viveria ditoso na Terra.

      Conf: perfeita a afirmação acima; porém, como "zilhares" de outras que vemos todos os dias nos ensinamentos de msgs, textos, fábulas, parábolas, poesias, conselhos, de todas as literaturas religiosas, apenas nos dá a dica de <o que fazer>: "conformar-nos com as leis divinas"; nunca ensina ou diz o <como fazer>.

      Como fazer para nos conformarmos com as leis divinas? Alguma doutrina, crença, algum religioso sabe o <como> fazer isso? Basta dizer ou prometer a Deus, a nós mesmos ou a quem quer que seja: "a partir de hoje vou me conformar com as leis de Deus", e pronto? Todos sabemos que não é assim!

      E outra coisa a questionar e raciocinar: porq é que, ou onde é que nós, os espíritos, criaturas da Infinita Sabedoria, adquirimos, ou qual é a causa que tem como efeito o fato de herdarmos todos nós essa imensa dificuldade de nos conformarmos com as leis de Deus?

      Alguém me ajudará a compreender qual é a causa disso, tendo em vista que o conformar-nos será, para todos nós, infinitamente prazeroso pois, como afirma A Gênese, "nos poupará dos mais agudos males e nos fará viver ditosos na Terra"?

     Qual será a causa de, mesmo sabendo que essa libertação nos trará felicidades sem mácula, nada fazemos para nos libertar, pois não nos conformamos? Não "queremos" nos conformar? Não "conseguimos" nos conformar? Não sabemos "como fazer para nos conformar"? Isso é ignorância ou o quê é?

      E vejam que, nem em "A Gênese", nem em qualquer outra obra básica, nem em qualquer doutrina, crença, ou religião popular, está esse ensinamento imprescindível, sem o qual ficaremos apenas marcando passo no mesmo lugar, esse ensinamento de <como fazer>, no caso em tela, <como fazer para nos conformar com as leis divinas>.

      E, se a finalidade das doutrinas é nos ensinar <como fazer> para que nos libertemos da escravidão à carne, da prisão da escola do bem e do mal em que o Criador nos colocou, da prisão da ignorância e de sua consequência maior, que é a infelicidade, se elas não ensinam é porq não sabem (pois esse é seu compromisso para com seus adeptos, essa é a razão de sua existência! Mas, não cumprem esse compromisso porq não sabem como cumpri-lo!).

      Se soubessem, com certeza, estariam todas ensinando a todos, independentemente de credo, raça, etc, incondicionalmente, portanto. Mas, o que vemos no mundo não é isso; o que vemos é que não ensinam e, se não ensinam é porq não sabem!

      Pois, onde está, em qualquer doutrina dos povos do mundo, esse ensinamento? Jesus, como outros, tentou ensinar sobre essa emancipação espiritual, mas o que restou nas escrituras foi mal interpretado e a essência de muitos ensinamentos do Sábio Galileu, com certeza, dos mais importantes, foi esquecida.     

      Brenno, ainda citando A Gênese: "Se assim procede, é por virtude do seu livre-arbítrio: sofre então as conseqüências do seu proceder".

      Conf: aí está outro assunto interessante sobre o qual devemos raciocinar: qual será a causa de o filho de Deus, nós, usarmos nosso livre arbítrio de modo tão errado, se isso, como diz A Gênese, nos levará a "sofrer as consequências do nosso proceder", consequências que implicam sofrimentos torturantes, encarnações multiplicadas a se estenderem por milhões de anos, q até nos parecerão eternas, como diz a DE?! Não será a ignorância?

      Ou não somos ignorantes a respeito disso e o que acontece é que queremos mesmo sofrer e, por isso, escolhemos, por nosso livre-arbítrio, sofrer as terríveis e desesperadoras consequências de nosso mal-proceder?!

      Quem é que podendo escolher não sofrer, escolhe sofrer? Somente aquele que não tem sua mente sã, aquele que é desequilibrado mentalmente                                                     
..........................
Título: Re: Existe o pensador, ou apenas o pensamento?
Enviado por: Conforti84 em 18 de Agosto de 2013, 19:07
      EsoEstudos   (ref #23, de 18.08.13)

      O amigo da Eso escreveu: O grande problema da individualidade é o personalismo, o egocentrismo que, a rigor, não deveriam contaminar essa mesma individualidade.

      Conf: será que, se conhecermos as causas que têm como efeito esse problema, esse personalismo, esse egocentrismo que, como vc afirma, não deveriam contaminar a individualidade, chegaremos a eliminá-las? Com certeza que sim!

      Mas, qual é a causa de não as conhecermos? O amigo já raciocinou profundamente a respeito do porque e de como adquirimos o egocentrismo? Se, como todos sabemos e como a doutrina afirma, é esse egocentrismo que nos traz sofrimentos sem conta, as terríveis consequências da também terrível lei divina de causa e efeito, qual é a causa de não o eliminarmos? Desejamos permanecer sofrendo?

      Não queremos eliminá-lo? Escolhemos não eliminá-lo? Não conseguimos eliminá-lo? Se sabemos <como> fazer para eliminá-lo, porq não o eliminamos? Devemos acreditar que desejamos permanecer mergulhados em egocentrismo, o causador da "maior chaga da humanidade", que escolhemos que ele permaneça em nós?!

      Quem nos ajudará a compreender? As doutrinas não sabem ensinar <como> fazer isso! É verdade que as respostas podem ser obtidas a partir dos ensinamentos da doutrina; quem estudar e raciocinar com profunda atenção, eventualmente, as encontrará.
..................
Título: Re: Existe o pensador, ou apenas o pensamento?
Enviado por: Vitor Santos em 18 de Agosto de 2013, 19:36
Olá amigo EsoEstudos

Citar
O grande problema da individualidade é o personalismo, o egocentrismo que, a rigor, não deveriam contaminar essa mesma individualidade.

Clique aqui para ler mais: http://www.forumespirita.net/fe/outras-doutrinas-espiritualistas/existe-o-pensador-ou-apenas-existe-o-pensamento/15/?action=post;num_replies=23#ixzz2cLPdeilW

O egoísmo é próprio de seres que competem entre si, pela sobrevivência. Tem muito a haver com o facto de estarmos associados a um corpo de carne. Na verdade as pessoas vêem-se a si mesmas como uma entidade diferente dos outros, ainda que digam ou pensem para si mesmos que são espiritualistas. Quem é que confia num estranho logo à partida?

Nós não temos confiança uns nos outros, e isso é justificado, pois nem todos são de confiança, efectivamente. Inclusivamente algumas pessoas podem ameaçar a nossa integridade física. Podem roubar-nos o que nos permite o sustento, etc. O próprio Estado, quando os governantes falham, na respectiva missão, atiram-se aos cidadãos e sacam-lhe parte do que elas têm, por via de impostos demasiado altos, ou por outras vias. A vida é uma luta, e para algumas pessoas é mesmo uma luta muitíssimo dura. O nosso estômago não perdoa.

A melhor criatura da Terra, se ficar numa situação desesperada, pode ter que optar entre deixar-se morrer de fome e roubar, se ficar desempregada, com filhos para sustentar, se pedir, prostituir-se, etc. não lhe chegarem para sobreviver. Ainda aqui há pouco tempo, por via da crise, uma professora portuguesa, que estava desempregada, com 2 filhos para criar, separada e deprimida acabou por se suicidar depois matar os 2 filhos. A família e os médicos não levaram tão a sério a depressão como deviam, e ela não via outra solução para a vida. Mas a realidade é que esta sociedade em que vivemos, muitas vezes não consegue dar apoio a pessoas em situações dramáticas.

Enfim, seria desejável podermos confiar todos uns nos outros, para nos sentirmos irmãos. Mas será que podemos confiar? Será que os habitantes da Terra são espiritos com elevação moral para poderem fazer melhor? Será que era possível vivermos numa comunidade justa, honesta, equilibrada?

A mentalidade espirita, de acordo com grande parte dos espíritas que tenho ouvido, dizem que este planeta é uma comunidade justa, pois que as infelicidades das pessoas são culpa da justiça divina, que por sua vez é como a pena de Talião, mas diferida, relativa a vidas anteriores. São penas de outras encarnações. Desta forma, por muito que as pessoas queiram não podem mudar isso. A justiça divina não depende de nós, ou depende? Mesmo que tenhamos sido nós, espiritos, que determinámos isso, aquando na erraticidade, agora temos de aguentar e calar. Não podemos alterar o nosso destino.

Mas, também entre os espíritas é comum dizer-se que nós não somos melhores apenas porque não queremos. Como se fossemos espiritos sábios, mas rebeldes, em vez de sermos aprendizes que, por isso, erram.

Na verdade os espiritos disseram que somos criados espiritos simples e ignorantes. E que na fase em que nos encontramos, não somos espiritos sábios, mas aprendizes ignorantes, em relação às verdades espirituais. Somos crianças espirituais.

Ainda há dias ouvi alguém num centro espirita a dizer que João Baptista foi decapitado, a mando de Herodes, porque tinha mandado decapitar pessoas quando encarnou como Elias. Será?

bem hajam
Título: Re: Existe o pensador, ou apenas o pensamento?
Enviado por: Brenno Stoklos em 18 de Agosto de 2013, 21:01
O grande problema da individualidade é o personalismo, o egocentrismo que, a rigor, não deveriam contaminar essa mesma individualidade.


Pois é, amigo MarcoALSilva,

A dádiva da individualidade não deveria gerar em nós a ideia de que somos melhores, ou mais dignos, do que os outros. Pois que também eles são individuais e únicos!

 
Título: Re: Existe o pensador, ou apenas o pensamento?
Enviado por: Brenno Stoklos em 18 de Agosto de 2013, 21:06

Se desejamos ............................
.............................................. mentalmente                                                     



É o amigo mesmo quem tem que buscar essas respostas por si mesmo!

E todas elas encontram-se na Doutrina Espírita.

Nenhuma resposta que lhe dermos satisfará o amigo, senão aquelas que o amigo encontrar por si próprio!

Título: Re: Existe o pensador, ou apenas o pensamento?
Enviado por: Brenno Stoklos em 18 de Agosto de 2013, 21:13

O egoísmo é próprio de seres que competem entre si, pela sobrevivência. Tem muito a haver com o facto de estarmos associados a um corpo de carne. Na verdade as pessoas vêem-se a si mesmas como uma entidade diferente dos outros

bem hajam


Estando, ou não, associados à um corpo de carne seremos sempre Espíritos Imortais Individuais e com personalidade própria. Portanto, diferentes dos demais.

Título: Re: Existe o pensador, ou apenas o pensamento?
Enviado por: Olé em 19 de Agosto de 2013, 00:31
"A Observação Silenciosa

Quando falamos da observação silenciosa, referimo-nos a um modo de escutar, uma forma de ver, a qual permite o observar em sua expressão direta e não qualificada. No processo da escuta, você pode descobrir que o observador está sempre julgando, criticando, comparando e avaliando. Este discernimento o leva por si só a uma posição na qual você não está envolvido no percebido. Então, uma sensação de espaço se abre entre sua observação e o observado, suscitando a compreensão de que o percebido surge em você, mas você não está limitado a qualquer coisa perceptível. O silêncio é nossa verdadeira natureza.

Então, o próprio pensamento é a raiz do problema?

Geralmente, conhecemos a nós mesmos nas percepções, nos estados. Nós apenas conhecemos a consciência de alguma coisa, a escuta de algo, etc. Nós não conhecemos a consciência pura sem um objeto.

Pensamentos, sentimentos e sensações são objetos da consciência, e não têm existência sem um sujeito que os observa. Visto que o que percebe nunca pode ser percebido, no momento em que um pensamento ou uma percepção aponta para ele, leva-o ao silêncio, ao ser puro, à consciência sem um objeto.

Então, o que é o que percebe?

O que percebe é uma faculdade, uma qualificação, a qual existe no momento em que há uma percepção no espaço-tempo. Sem a percepção, não há tampouco o que percebe. Ambos são movimentos de energia no espaço-tempo, e ambos surgem e se dissolvem novamente na consciência, a única que é atemporal. O que percebe e o percebido são como ferramentas, instrumentos da consciência.

Tudo o que aparece é uma expressão da consciência.

Encontro realmente, se vir de mais perto, que, ao desejar realização, estou buscando a unidade fundamental ou a segurança, a paz se assim você quiser, euforia, se tiver sorte.... A consciência pura da qual você fala tem alguma destas qualidades?

Não. O que você busca é apenas memória, algo que já conhece e avalia como desejável. Todas estas coisas que você nomeia são atributos, sobreposições sobre a consciência pura. Há um entendimento profundo a ser ganho quando vê que, no momento da obtenção da qualidade desejada, não há nem uma qualidade-objeto nem um sujeito que a experimenta. Neste momento, há apenas unidade não-qualificada. É apenas depois de abandonar esta unidade que você procura uma causa e diz: “A causa desta alegria foi esta qualidade que alcancei”. Mas, no momento da vivência da unidade, não há lugar para qualquer qualidade, para qualquer objeto, seja qual for.

Esta unidade é nosso desejo verdadeiro?

É nosso desejo verdadeiro. Todos os outros desejos aparecem mais ou menos através da falta de discernimento. O desejo é um esforço para obter compensação, a busca de um modo de preencher um sentimento de vacuidade em você mesmo. Assim, quando, por um momento, o esforço termina e o objeto desejado é obtido, há um instante em que você vive em unidade, na satisfação final, mas esta satisfação não tem causa. E este instante nem mesmo pode ser chamado de um instante, pois é atemporal.

O que então é o Karma, o qual é produzido pela relação de causa e efeito?

No momento em que você vive sem qualquer programação, sem uma imagem ou uma idéia de ser alguém, não há Karma. A quem pertenceria o Karma? Remova o problema do Karma. Abandone-o completamente. A idéia lhe dá um apoio à existência de alguém que não existe. Quando você está completamente silencioso, onde está a imagem de ser alguém? Quando o reflexo de identificação com uma imagem desaparece, há a certeza de que a entidade pessoal não existe. Há apenas unidade. Então você está livre do Karma, pois o Karma pertence a alguém. Mas, quando você adiciona uma imagem de uma personalidade, de um homem, ou de ser isto ou aquilo, neste momento, você está ligado ao Karma."

Continua...
Título: Re: Existe o pensador, ou apenas o pensamento?
Enviado por: Olé em 19 de Agosto de 2013, 00:32
"Você poderia dar-me um exemplo concreto do que significa identificar-se com uma imagem?

Observe que desde a manhã até à noite você busca constantemente localizar-se. Você tem uma necessidade de localizar-se em algum lugar, seja na sensação corporal, na emoção, ou em uma idéia. Mas, quando você aceita que não pode encontrar a si mesmo, seu Eu verdadeiro, dentro de nenhuma percepção, o processo de produção cessa. Você deixa de criar idéias, imagens e situações.

Você deve viver na abertura sem qualquer memória. Isto significa que você está aberto completamente à vida, a tudo o que vier. E, desde que nesta abertura não há memória, nem reação, você está alerta completamente a cada momento para o frescor e para a novidade da vida. Não há mais repetição.

A mais próxima experiência do silêncio de que você fala é o sentimento e a satisfação do amor?

O silêncio é o plano de fundo de tudo o que acontece, de tudo o que aparece e desaparece. É o amor não-qualificado, o amor que não tem necessidade de qualquer estímulo. Estimula-se a si mesmo por si mesmo.

No momento em que você vive conscientemente na unidade, não há “outros”. Há apenas Eu. Isto é amor. Mas, quando você se toma por alguém, todas as relaçãoes são de objeto para objeto, de homem para mulher, de mãe para filho, de personalidade a personalidade. E, aí, não há comunhão, não há possibilidade de amor.

Você diz que devemos aceitar a nós mesmos, a nossos corpos, capacidades, personalidades, e assim por diante. O que acontece depois disto?

Quando realmente você aceitou a si mesmo – e quero dizer que você aceitou de forma funcional, não psicológica – você sentirá um espaço entre sua posição de aceitação e tudo o que você aceitar. Esta sensação de espaço entre sua natureza real e sua imagem projetada é muito importante. Na aceitação de tudo o que aparece, você está livre dele. No começo, você se sente livre do que aceita, mas, mais tarde, você se verá a si mesmo na própria aceitação.

Na aceitação, há alguma noção de bem e de mal?

Bem e mal são projeções de idéias pré-concebidas, da memória. Cesse de projetar seus desejos e medos sobre o que você vê. Tome as coisas como são. Você deve aceitar algo para, realmente, conhecê-lo. Ao aceitar, a ênfase não é sobre o que aceitou, mas sobre a atitude de aceitação. Você descobrirá que você é um com a aceitação.

O que aceita não é um objeto. É uma realidade interior. A aceitação dá liberdade a tudo o que é aceite. O que você verdadeiramente aceita torna-se vivo e tem sua própria história para lhe contar. Mas o problema aqui não é simplesmente aceitar sua personalidade, sua “paisagem”. Esta é simplesmente uma condição preliminar para passar à experiência essencial, a atitude de aceitação em si mesma.

Mas, na vida, é necessário tomar decisões. Como podemos fazer isto se não discernimos?

Você apenas pode realmente tomar decisões quando aceita a situação. Na aceitação, a situação pertence à totalidade, à sua perfeição, e a decisão resulta desta perspectiva global. Não há nada passivo nesta aceitação. É a vigilância suprema. E a decisão resultante é uma ação, não na reação.

Quando vive na abertura e permite que cada situação venha a você, você flui com a verdadeira corrente da vida. Se você impõe o ego sobre cada acontecimento para de alguma forma controlá-lo, você percebe que não está de acordo com esta corrente de vida. A reação e a luta começam; você diz: “Tenho isto e gosto daquilo”. Este é um estado de conflito. Na aceitação, você vive simplesmente aqui onde está."

"A Simplicidade de Ser" Dialogos com Jean Klein
Título: Re: Existe o pensador, ou apenas o pensamento?
Enviado por: Diegas em 19 de Agosto de 2013, 02:21
'...A questão é se há alguma grande ideia original de algum espírito encarnado? Que não sofreu influências de seu mentor ou de algum espírito superior ???...'


Olá, Andressa


Nunca estamos sós, encontramo-nos sempre acompanhados. Há espiritos amigos, que querem o nosso Bem, e assim como procede um pai zeloso para com um filho amado, comprometeram-se nos acompanhar por toda a jornada terrestre. Esses mentores podem se afastar, acompanhar-nos à distância, desde que sintonizemos faixas de frequencias vibratorias repulsivas. Mas mesmo assim, esse dedicado mentor nunca nos abandona, dá-nos bons conselhos e boas idéias, sem interferir diretamente em nosso livre-arbitrio, deixa para nós a liberdade de decidir entre o Bem e o Mal.

Por isso, entender não existir em nosso planeta ou qualquer lugar no Universo uma ideia original. Ou seja, idéia original só Deus.



Abç
Título: Re: Existe o pensador, ou apenas o pensamento?
Enviado por: Andressa Z. em 19 de Agosto de 2013, 04:02
Brenno e Diegas, obrigada por suas respostas!Então, as "grandes ideias" não temos capacidade de pensá-las sozinhas, é um trabalho em grupo com os espíritos superiores digamos assim...eles vão enviando informações na forma de "inspirações" e a pessoa escolhida para tal tarefa coloca elas em prática.
E os pensamentos habituais são frutos de nosso livre arbítrio somado (ou não) às ideias de espíritos afins (com as mesmas frequencias vibratórias).Seria isso?
Abraços :D
Título: Re: Existe o pensador, ou apenas o pensamento?
Enviado por: Brenno Stoklos em 19 de Agosto de 2013, 05:27

Quando...................
........................... Karma."

Continua...


"Você poderia..........................
....................................................está."



14. - Os Espíritos atuam sobre os fluidos espirituais, não manipulando-os como os homens manipulam os gases, mas empregando o pensamento e a vontade. Para os Espíritos, o pensamento e a vontade são o que é a mão para o homem. Pelo pensamento, eles imprimem àqueles fluidos tal ou qual direção, os aglomeram, combinam ou dispersam, organizam com eles conjuntos que apresentam uma aparência, uma forma, uma coloração determinadas; mudam-lhes as propriedades, como um químico muda a dos gases ou de outros corpos, combinando-os segundo certas leis. É a grande oficina ou laboratório da vida espiritual.
Algumas vezes, essas transformações resultam de uma intenção; doutras, são produto de um pensamento inconsciente. Basta que o Espírito pense uma coisa, para que esta se produza, como basta que modele uma ária, para que esta repercuta na atmosfera.
É assim, por exemplo, que um Espírito se faz visível a um encarnado que possua a vista psíquica, sob as aparências que tinha quando vivo na época em que o segundo o conheceu, embora haja ele tido, depois dessa época, muitas encarnações. Apresenta-se com o vestuário, os sinais exteriores -enfermidades, cicatrizes, membros amputados, etc. - que tinha então. Um decapitado se apresentará sem a cabeça. Não quer isso dizer que haja conservado essas aparências, certo que não, porquanto, como Espírito, ele não é coxo, nem maneta, nem zarolho, nem decapitado; o que se dá é que, retrocedendo o seu pensamento à época em que tinha tais defeitos, seu perispírito lhes toma instantaneamente as aparências, que deixam de existir logo que o mesmo pensamento cessa de agir naquele sentido. Se, pois, de uma vez ele foi negro e branco de outra, apresentar-se-á como branco ou negro, conforme a encarnação a que se refira a sua evocação e à que se transporte o seu pensamento.
Por análogo efeito, o pensamento do Espírito cria fluidicamente os objetos que ele esteja habituado a usar. Um avarento manuseará ouro, um militar trará suas armas e seu uniforme, um fumante o seu cachimbo, um lavrador a sua charrua e seus bois, uma mulher velha a sua roca. Para o Espírito, que é, também ele, fluídico, esses objetos fluídicos são tão reais, como o eram, no estado material, para o homem vivo; mas, pela razão de serem criações do pensamento, a existência deles é tão fugitiva quanto a deste. (1)
15. - Sendo os fluidos o veículo do pensamento, este atua sobre os fluidos como o som sobre o ar; eles nos trazem o pensamento, como o ar nos traz o som.. Pode-se pois dizer, sem receio de errar, que há, nesses fluidos, ondas e raios de pensamentos, que se cruzam sem se confundirem, como há no ar ondas e raios (2) sonoros.
Há mais: criando imagens fluídicas, o pensamento se reflete no envoltório perispirítico, como num espelho; toma nele corpo e aí de certo modo se fotografa. Tenha um homem, por exemplo, a idéia de matar a outro: embora o corpo material se lhe conserve impassível, seu corpo fluídico é posto em ação pelo pensamento e reproduz todos os matizes deste último; executa fluidicamente o gesto, o ato que intentou praticar. O pensamento cria a imagem da vítima e a cena inteira é pintada, como num quadro, tal qual se lhe desenrola no espírito.
Desse modo é que os mais secretos movimentos da alma repercutem no envoltório fluídico; que uma alma pode ler noutra alma como num livro e ver o que não é perceptível aos olhos do corpo. Contudo, vendo a intenção, pode ela pressentir a execução do ato que lhe será a consequência, mas não pode determinar o instante em que o mesmo ato será executado, nem lhe assinalar os pormenores, nem, ainda, afirmar que ele se dê, porque circunstâncias ulteriores poderão modificar os planos assentados e mudar as disposições. Ele não pode ver o que ainda não esteja no pensamento do outro; o que vê é a preocupação habitual do indivíduo, seus desejos, seus projetos, seus desígnios bons ou maus.

                                                                                           A Gênese
Título: Re: Existe o pensador, ou apenas o pensamento?
Enviado por: Brenno Stoklos em 19 de Agosto de 2013, 05:32
Brenno e Diegas, obrigada por suas respostas!Então, as "grandes ideias" não temos capacidade de pensá-las sozinhas, é um trabalho em grupo com os espíritos superiores digamos assim...eles vão enviando informações na forma de "inspirações" e a pessoa escolhida para tal tarefa coloca elas em prática.
E os pensamentos habituais são frutos de nosso livre arbítrio somado (ou não) às ideias de espíritos afins (com as mesmas frequencias vibratórias).Seria isso?
Abraços :D


É assim mesmo amiga Andressa Z.

Quis Deus que a nossa evolução estivesse baseada numa constante relação de interdependência entre todas as classes de Espíritos.

Título: Re: Existe o pensador, ou apenas o pensamento?
Enviado por: Diegas em 19 de Agosto de 2013, 11:50
Seria isso?


Olá, Andrezza



Sim, penso ser exatamente da forma como vc manifestou.

Observe que as grandes invenções não surgem repentinamente, mas de forma gradual e com a participação de vários pensadores. Sempre houve entre os filosofos o desafio de saber como surgem as ideias. Platão e Aristoteles são exemplos clássicos de pensadores que se opunham na forma de pensar sobre o surgimento das idéias. Cada um tinha a sua maneira de raciocinar sobre esse assunto: Platão defendia a hipotese de que a essencia (idéias) precede a existencia (mundo material), enquanto Aristoteles defendia o contrário, ser da existencia que precedia a essencia. E é assim, nessa variedade de questionamentos e participações, tanto de encarnados como de desencarnados, que se constrói aos poucos, até surgir um eufórico a gritar: 'Eureka' !!

Eureka = finalmente, alguém conseguiu sintetizar o pensamento de um montão de individuos, de modo a materializar/inventar/construir algo de positivo para a coletividade




Abç
Título: Re: Existe o pensador, ou apenas o pensamento?
Enviado por: Vitor Santos em 19 de Agosto de 2013, 16:39
Olá amigo Brenno

Citar
Estando, ou não, associados à um corpo de carne seremos sempre Espíritos Imortais Individuais e com personalidade própria. Portanto, diferentes dos demais.

Clique aqui para ler mais: http://www.forumespirita.net/fe/outras-doutrinas-espiritualistas/existe-o-pensador-ou-apenas-existe-o-pensamento/15/#ixzz2cQdNzIL1

Concordo!

Somos diferentes dos demais, mas podemos ver as outras pessoas como se vêem irmãos de sangue, que se amam, apesar de serem pessoas diferentes. Ou podemos ver os outros como rivais nesta competição pela sobrevivência. Como é que nós nos vemos?

Todos necessitam de resolver as necessidades básicas, de ter meios mínimos. Se duas pessoas estão desempregadas e lutam pela mesma vaga, a vitória de uma é a derrota da outra, por exemplo. Será que alguém, nessa situação, cede voluntariamente a vaga a outra pessoa? Se duas pessoas têm interesses opostos podem não ser egoístas? Somos como os leões que lutam por uma presa. Se há concorrência, somos contra a concorrência.

Somos diferentes dos demais, mas somos todos espiritos igualmente importantes, para Deus e para todos os efeitos. É essa a lei da natureza que Deus concebeu e impôs. Todavia é dessa forma que nos vemos, a nós, e aos outros?

bem haja
Título: Re: Existe o pensador, ou apenas o pensamento?
Enviado por: Conforti em 19 de Agosto de 2013, 16:48
      Brenno   (ref #16)

      O amigo Brenno escreveu: O problema é que não estamos numa sala mas dentro desse tal "robô"! E somos nós, Espíritos imortais, que sentimos, pensamos, sofremos, nos comunicamos, enfim, nos manisfestamos através desse corpo de carne (robô) que nada mais é que "veste que apodrece".

      Conf: e é exatamente na interação dessa “veste que apodrece” com o mundo material, que está a causa de <todos> os males e problemas do mundo, e de <todas> as imperfeições e defeitos morais e físicos (psicológicos/mentais e fisiológicos) daquele que, ilusoriamente, a tem como veste.

      Não existisse a "veste que apodrece", o corpo carnal q, conforme as doutrinas, é exatamente o próprio Deus que nos dá, a vida seria perfeita, felicidade sem mácula.

      Dentro desse raciocínio, a causa de todos os males é a carne, a matéria. A não ser que alguém possa nos convencer do contrário.
..................

Título: Re: Existe o pensador, ou apenas o pensamento?
Enviado por: Aline Alarcão Lemos em 19 de Agosto de 2013, 18:19
Boa tarde irmãos...

Sugiro que retornem à 1ª parte do estudo mensal do mês passado... Temos vários textos, de diversos autores falando a cerca do pensamento.
Mas só para contribuir, deixo aqui a conclusão do livro Pensamento e Vontade de Ernesto Bozzano, (que é fundamental estudarmos, bem como a série psicológica da Joanna de Ângelis), onde encontraremos subsídios complementares às obras da codificação no que tange ao assunto Pensamento...


"Pela demonstração experimental do Pensamento e
Vontade como forças plásticas e organizadoras -
demonstração confirmada no conceito unânime de todos os
investigadores favoráveis ou adversos à hipótese espiritista -
chegamos a atingir os seguintes objetivos científicos, de
imenso valor teórico:
1.°-Conseguimos demolir, irremediàvelmente, o
materialismo científico, provando que os seus defensores têm
sido iludidos pelas aparências, graças às quais erroneamente
concluíram que o pensamento é função do cérebro, quando o
exame aprofundado dos fenômenos metapsíquicas, em nos
revelar a Realidade oculta nas aparências, demonstrou
precisamente o contrário, ou seja - que é o pensamento que
condiciona o cérebro.
2.°- Conseguimos a confirmação ulterior da hipótese
espiritista por meio de novas provas complementares,
favoráveis à existência e sobrevivência da alma, e capazes de
conferir a esta hipótese uma solidez científica inabalável.
3.°- Demonstramos, finalmente, que a concepção panteísta
do Universo, que, conforme todas as concepções filosóficas
fundava-se exclusivamente em postulados incertos, de pura
abstração, era, ao invés, suscetível de ser discutida e apoiada
em bases e processos científicos da análise comparada ."

Tenhamos todos uma semana abençoada de muito estudo e discernimento!!!
Título: Re: Existe o pensador, ou apenas o pensamento?
Enviado por: Brenno Stoklos em 19 de Agosto de 2013, 21:06

Somos diferentes dos demais, mas somos todos espiritos igualmente importantes, para Deus e para todos os efeitos. É essa a lei da natureza que Deus concebeu e impôs. Todavia é dessa forma que nos vemos, a nós, e aos outros?

bem haja


O aprendizado desta e de outras verdades é a razão pela qual Deus nos deu a possibilidade de encarnarmos em corpos perecíveis.

Título: Re: Existe o pensador, ou apenas o pensamento?
Enviado por: Brenno Stoklos em 19 de Agosto de 2013, 21:15

3.°- Demonstramos, finalmente, que a concepção panteísta
do Universo, que, conforme todas as concepções filosóficas
fundava-se exclusivamente em postulados incertos, de pura
abstração, era, ao invés, suscetível de ser discutida e apoiada
em bases e processos científicos da análise comparada ."



                                                                          Panteísmo

14. Deus é um ser distinto, ou será, como opinam alguns, a resultante de todas as forças e de todas as inteligências do Universo reunidas?

“Se fosse assim, Deus não existiria, porquanto seria efeito e não causa. Ele não pode ser ao mesmo tempo uma e outra coisa.
“Deus existe; disso não podeis duvidar e é o essencial. Crede-me, não vades além.
Não vos percais num labirinto donde não lograríeis sair. Isso não vos tornaria melhores, antes um pouco mais orgulhosos, pois que acreditaríeis saber, quando na realidade nada saberíeis. Deixai, consequentemente, de lado todos esses sistemas; tendes bastantes coisas que vos tocam mais de perto, a começar por vós mesmos. Estudai as vossas próprias imperfeições, a fim de vos libertardes delas, o que será mais útil do que pretenderdes penetrar no que é impenetrável.”

15. Que se deve pensar da opinião segundo a qual todos os corpos da Natureza, todos os seres, todos os globos do Universo seriam partes da Divindade e constituiriam, em conjunto, a própria Divindade, ou, por outra, que se deve pensar da doutrina panteísta?

“Não podendo fazer-se Deus, o homem quer ao menos ser uma parte de Deus.”

16. Pretendem os que professam esta doutrina achar nela a demonstração de alguns dos atributos de Deus: Sendo infinitos os mundos, Deus é, por isso mesmo, infinito; não havendo o vazio, ou o nada em parte alguma, Deus está por toda parte; estando Deus em toda parte, pois que tudo é parte integrante de Deus, Ele dá a todos os fenômenos da Natureza uma razão de ser inteligente. Que se pode opor a este raciocínio?

“A razão. Refleti maduramente e não vos será difícil reconhecer-lhe o absurdo.”

Esta doutrina faz de Deus um ser material que, embora dotado de suprema inteligência, seria em ponto grande o que somos em ponto pequeno. Ora, transformando-se a matéria incessantemente, Deus, se fosse assim, nenhuma estabilidade teria; achar-se-ia sujeito a todas as vicissitudes, mesmo a todas as necessidades da Humanidade; faltar-lhe-ia um dos atributos essenciais da Divindade: a imutabilidade. Não se podem aliar as
propriedades da matéria à idéia de Deus, sem que Ele fique rebaixado ante a nossa compreensão e não haverá sutilezas de sofismas que cheguem a resolver o problema da Sua natureza íntima. Não sabemos tudo o que Ele é, mas sabemos o que Ele não pode deixar de ser e o sistema de que tratamos está em contradição com as suas mais essenciais propriedades. Ele confunde o Criador com a criatura, exatamente como o faria quem pretendesse que engenhosa máquina fosse parte integrante do mecânico que a imaginou. A inteligência de Deus se revela em Suas obras como a de um pintor no seu quadro; mas, as obras de Deus não são o próprio Deus, como o quadro não é o pintor que o concebeu e executou.

                                                                               O Livro dos Espíritos

Título: Re: Existe o pensador, ou apenas o pensamento?
Enviado por: Olé em 21 de Agosto de 2013, 18:11
"Há muito- não sei se há dias, se há meses- não registo impressão nenhuma; não penso, portanto não existo. Estou esquecido de quem sou; não sei escrever porque não sei ser. Por um adormecimento oblíquo, tenho sido outro. Saber que me não lembro é despertar." (Fernando Pessoa)



"A verdade tem poucos amigos.

Fazes o impossível para morrer um pouco mais tarde, e nada fazes para não morrer para sempre?

Como te podes prometer o dia de amanhã, se não dispões de uma hora de vida?

As pessoas costumam amar a verdade quando esta as ilumina, porém tendem a odiá-la quando as confrontam.

A procura de Deus é a procura da felicidade, o encontro com Deus é a própria felicidade.

A verdade não é minha nem tua, para que possa ser tua e minha.

No recolhimento e na solidão, estais com Deus. Para vós, já não há mistérios; eles se vos desvendam.

Apenas existe, verdadeiramente, aquilo que permanece imutável" (S. Agostinho)

Título: Re: Existe o pensador, ou apenas o pensamento?
Enviado por: Brenno Stoklos em 31 de Agosto de 2013, 00:04
......................................


Deus promulgou leis plenas de sabedoria, tendo por único objetivo o bem. Em si mesmo encontra o homem tudo o que lhe é necessário para cumpri-las. A consciência lhe traça a rota, a lei divina lhe está gravada no coração e, ao demais, Deus lha lembra constantemente por intermédio de seus messias e profetas, de todos os Espíritos encarnados que trazem a missão de o esclarecer, moralizar e melhorar e, nestes últimos tempos, pela multidão dos Espíritos desencarnados que se manifestam em toda parte. Se o homem se conformasse rigorosamente com as leis divinas, não há duvidar de que se pouparia aos mais agudos males e viveria ditoso na Terra. Se assim procede, é por virtude do seu livre-arbítrio: sofre então as conseqüências do seu proceder.

7. - Entretanto, Deus, todo bondade, Pôs o remédio ao lado do mal, isto é, faz que do próprio mal saia o remédio. Um momento chega em que o excesso do mal moral se torna intolerável e impõe ao homem a necessidade de mudar de vida. Instruído pela experiência, ele se sente compelido a procurar no bem o remédio, sempre por efeito do seu livre-arbítrio. Quando toma melhor caminho, é por sua vontade e porque reconheceu os inconvenientes do outro. A necessidade, pois, o constrange a melhorar-se moralmente, para ser mais feliz, do mesmo modo que o constrangeu a melhorar as condições materiais da sua existência.

                                                                              A Gênese

Título: Re: Existe o pensador, ou apenas o pensamento?
Enviado por: Conforti em 24 de Setembro de 2013, 05:22
Existe o pensador, ou apenas o pensamento?

      Brenno   (ref #43 em: 21.08.13)

      Conf: Meu amigo Brenno, desculpe o atraso.

      Tendo em vista o texto ditado por “Sto” Agostinho, q vc cita na #43, apresento algumas questões baseadas no que ele diz.

      Sto Agostinho fala de nossas desigualdades: que uns são vaidosos, o que significa que outros não são; que uns julgam que sabem tudo; que nem todos têm em vista o grande princípio do amor que Jesus trouxe; que nem todos são perseverantes em suas decisões etc.

      Podemos, a essas, acrescentar todas as demais numerosas desigualdades que entre nós existem, que as questões servirão, também, para elas.

      O amigo, ou algum amigo, sabe explicar qual é a origem, qual é a causa de tanta desigualdade entre espíritos criados perfeitamente iguais?

      Afirma-se que a desigualdade vem do uso desigual do livre-arbítrio, uns para o bem, outros para o mal, mas não podemos esquecer o óbvio: seres perfeitamente iguais terão, eqto essa perfeita igualdade persiste, livres-arbítrios perfeitamente iguais.

      Assim, qual é a explicação para qual é a causa de, sendo os livres-arbítrios, de início, perfeitamente iguais, se tornarem tão desiguais, levando-nos a escolhas e decisões gigantescamente desiguais, uns escolhendo o bem e caminhando para a felicidade, outros escolhendo o mal e, conseqüentemente, caminhando para extremas infelicidades.

      Frente a esta constatação, a explicação que alguns dão é que nos tornamos desiguais devido ao tempo desigual desde a criação (ou desde que nos tornamos conscientes) e, também, devido às experiências/lições desiguais que nos são, incessantemente, proporcionadas pela escola da vida.

      Se é assim, então o que nos torna desiguais são, exatamente, o tempo citado e as experiências/lições desiguais que a escola da vida nos ministra, concordam? E, inquestionavelmente, nada disso é responsabilidade ou culpa nossa, certo?

      Uns de nós sofreremos, ou gozaremos mais do que outros sendo que é a vida, e não somos nós, quem cria essa desigualdade de sofrimentos ou gozos?!.

      Pois, em face da Justiça divina, se nós possuirmos livres-arbítrios iguais e recebermos, da escola da vida, experiências/lições perfeitamente iguais, reagiremos, em todas as circunstancias, com ações e reações, procedimentos perfeitamente iguais, pois nossas decisões e escolhas serão perfeitamente iguais! E, se por nossas ações gozarmos ou sofrermos, nossas recompensas ou penalidades, é óbvio, serão perfeitamente iguais, concordam?

     No entanto, todos sofrem e, conforme a doutrina ensina (todas as doutrinas do planeta) o sofrimento vem exatamente das transgressões às leis de Deus (exceções apontadas pela DE).

       Então, forçosamente, temos de perguntar: se éramos todos, no princípio, perfeitamente iguais e nos tornamos desiguais, isto é, virtuosos ou corruptos, bondosos ou perversos etc, não porq quisermos ser desiguais, mas pelo fato de essas desigualdades serem resultantes das desiguais experiências/lições desta escola, ou do desigual tempo de criação, o que ou quem é que nos tornou desiguais ao ponto de uns gozarem ou sofrerem mais do que outros?

      Receber lições desiguais e, por isso, cometer ações ou escolhas desiguais, é evidente, não é transgressão às leis de Deus. Cabe-nos responsabilidade pelo maior ou menor tempo de encarnação que temos? Pelas diferenças nas lições que a escola de espíritos nos proporciona?     

      Afinal, onde está a justificativa para os desiguais sofrimentos dos homens, se os procedimentos que levam uns para o bem e outros para o mal e, em conseqüência, para a felicidade ou para a infelicidade, não dependem deles, mas ou do desigual tempo de criação e/ou das desiguais experiências recebidas da vida?

      Quem sabe responder?
.........
      E, agora, uma estranheza referente ao texto de Agostinho. Percebam os amigos como é comum o nos deixamos facilmente iludir por palavras bonitas ou pela confiança ou respeito que sentimos pelo autor de certos textos:   

      - porq é que "os Bons Espíritos", como disse Agostinho, "só dispensam assistência aos que servem a Deus com humildade e desinteresse, aos que não são orgulhosos e nem ambiciosos, por serem estes que trazem luz aos homens"?

      - porq é que "os Bons Espíritos  não dispensam assistência aos outros por serem os outros", como tb disse Sto Agostinho, "cegos e os cegos não conseguem ajudar a que se faça luz entre os homens"?

      - porq é que os Bons Espíritos agem assim, se o Mestre do Amor, fazia exatamente o contrário disso?

      - Porq é que consideramos tantos textos dignos de atenção, de neles confiarmos e acreditarmos, se muitos deles apenas nos parecem, ou por nossa deficiente atenção, ou por outro motivo, corretos, instrutivos, qdo na verdade não o são? Esse de Sto Agostinho é um exemplo do que estou dizendo.

      Por isso é que sábios recomendam "atenção! atenção!" e a doutrina "tenha uma fé raciocinada".

      E,apenas para relembrar: onde encontramos a justificativa para os sofrimentos dos homens? E para que uns sofram mais do que outros?
..................
Título: Re: Existe o pensador, ou apenas o pensamento?
Enviado por: Brenno Stoklos em 25 de Setembro de 2013, 05:06

Tendo ...................
.............................outros?



Quando ignoramos (não temos conhecimento, não sabemos) se uma ação que queremos praticar resultará num bem ou num mal, escolhemos praticá-la, ou não, pensando apenas no que resultará de bom ou mau para nós mesmos em termos materiais.

Quanto ao valor Moral dessa mesma ação, só nos tornaremos conscientes dele após sofrermos as consequências, boas ou más, que resultarem dessa prática.

Todos temos que passar por todas as vicissitudes Morais para atingirmos o conhecimento.

Título: Re: Existe o pensador, ou apenas o pensamento?
Enviado por: Olé em 03 de Outubro de 2013, 20:05
A revolução está no Ser e não no vir a ser

Só pode haver revolução, quando há SER, do qual pode resultar ação verdadeira. Enquanto, porém, a mente se encontra aprisionada no perene processo de VIR A SER, não pode haver revolução, nem transformação, e não pode haver amor; apenas infelicidade, mais ódios, e maiores guerras. Que deve, pois, fazer a mente? Ela não pode passar para o outro estado. A mente que é, em sim, o processo de vir a ser, não pode passar para o outro estado e assimilá-lo; ELA NÃO PODE TORNAR-SE O SER. Não pode buscar o SER. No momento em que ela está consciente DO SER, está morto O SER; já não é O SER uma coisa vital, já não exulta, já não vive, já não age construtivamente. Que deve então fazer a mente, reconhecendo a sua IMPOSSIBILIDADE de promover uma revolução em si mesma? (...) só pode verificar-se esta revolução quando há SER e não VIR A SER. Assim, pois, todo e qualquer esforço que fizerem para revolucionar O SER, constitui justamente uma negação da revolução. Isto é, se faço um esforço para compreender aquele "estado de ser", em que há revolução radical, o ser se torna um estado morto. Assim, quando minha mente compreende essa coisa, inteiramente, ela, a mente, se torna muito tranquila; não faz, então, mais esforço para ser ou não ser;(...) A se torna tranquila, e compreende-se então, na sua totalidade, o processo do VIR A SER.

A mente não pode chamar a si O SER. O SER apenas pode manifestar-se quando a mente está de todo tranquila, quando não persegue alguma coisa, quando não busca um resultado, quando não quer tornar-se virtuosa. Porque, o "eu" é VIR A SER, o "eu" é O QUE VEM A SER; e enquanto existir o "eu" não pode haver SER. O "eu" pode colocar vestes diferentes, de cores diversas, e pensar que está se modificando, que está produzindo revolução; mas, no centro, continua presente o "eu", e ele não pode extinguir-se por meio da disciplina, de controle, de sacrifício, da observância de exemplos. O "eu" existe em virtude do próprio esforço que faz, para ser ou não ser. (...)

Toda vez que a mente faz um esforço, esse próprio esforço vai reforçar o "eu" — o "eu" que se identifica com o Estado, com o partido, com a virtude, com certo sistema de pensamento, com a religião, com qualquer coisa, enfim. Por conseguinte, não há, através desse processo, revolução nenhuma, não há transformação; há tão-somente mais desgraças, maior confusão, mais guerras, mais ódios. Quando reconheço isso, quando minha mente reconhece isso, há então tranquilidade; há aquele silêncio tão essencial AO SER; e, só então, há uma possibilidade de revolução radical.

(...) É só quando a mente já não está buscando engrandecer-se, já não está à procura de um resultado, já não está tentando produzir uma ação por meio de ideias — só então, existe a possibilidade de uma revolução que não procede da mente, que não é produto do pensamento. Tal é a revolução do SER, da verdade, do Amor. Isto não é uma coisa sentimental, uma superstição, uma miragem religiosa. Não é um mito, mas uma realidade que pode ser descoberta por cada um de nós. Esta Realidade pode encontrar-se apenas quando estamos possuídos de um sério empenho, quando sabemos escutar a algo que é verdadeiro e deixar essa Verdade operar e purificar a nossa mente de todos os seus pensamentos. (Krishnamurti)
Título: Re: Existe o pensador, ou apenas o pensamento?
Enviado por: lconforjr em 03 de Outubro de 2013, 22:14
      Brenno   (ref #45 em: 25 de Setembro de 2013, 05:06)

      O amigo Brenno escreveu: "Quando ignoramos (não temos conhecimento, não sabemos) se uma ação que queremos praticar resultará num bem ou num mal, escolhemos praticá-la, ou não, pensando apenas no que resultará de bom ou mau para nós mesmos em termos materiais.

      "Quanto ao valor Moral dessa mesma ação, só nos tornaremos conscientes dele após sofrermos as consequências, boas ou más, que resultarem dessa prática.

      "Todos temos que passar por todas as vicissitudes Morais para atingirmos o conhecimento".


      Conf: pelo que ensinam determinadas doutrinas e determinados seres considerados sábios, suas afirmações acima estão perfeitamente corretas! Mas, pelo que ensina a doutrina espirita, estão absolutamente erradas!

      Perceba que suas afirmações serão corretas se admitirmos (o que a doutrina não admite) que as leis que regem sobre nós são frias e destituídas de justiça, como a conhecemos (como consideramos que deve ser a justiça), e sem qualquer resquício de amor.

      Mas, em mais de sessenta anos que estudo a doutrina, nunca me deparei com alguma afirmação como essa: que temos de, obrigatoriamente, forçosamente, sofrer para atingir o conhecimento. (!!??).

      Teríamo de perguntar à DE: onde está aí a tão perfeita justiça divina? Fazer sofrer quem nada de mal cometeu?!!

      É como o pai que surra o filho que ainda não aprendeu a ficar de pé, e que, por isso cai quando tenta se erguer!

      Pelo que tenho na memória, pela doutrina só sofre quem merece sofrer e só merece sofrer quem transgride as leis de Deus!

      Se sua msg estivesse correta, teríamos obrigatoriamente de perguntar: onde estão o soberano amor, a infinita sabedoria, a justiça sem defeitos? Serão apenas atributos conferidos a Deus, inventados pela imaginação dos homens?
..............
      E, talvez por uma falha em minha máquina pensante, me esqueço do que são "todas as vicissitudes morais". São as dores, os sofrimentos morais? É isso? E o supremo amor exige que passemos por todos os sofrimentos morais, que soframos todos eles para aprender?!

      No plano criado por Deus, para a evolução dos espíritos, se não há sofrer, não há evoluir?!
..................
Título: Re: Existe o pensador, ou apenas o pensamento?
Enviado por: Brenno Stoklos em 03 de Outubro de 2013, 23:59

Só pode ..................
.......................a pensamentos.



O conhecimento da Verdade só se atinge através da Evolução Espiritual (Reencarnação, Reforma Íntima, Prática do Amor e da caridade, etc...)!


Título: Re: Existe o pensador, ou apenas o pensamento?
Enviado por: lconforjr em 07 de Outubro de 2013, 18:46

      Brenno   (ref #48, de 031013)

      O jovem (para mim) amigo Brenno escreveu: O conhecimento da Verdade só se atinge através da Evolução Espiritual (Reencarnação, Reforma Íntima, Prática do Amor e da caridade, etc...)!

      Conf: meu amigo, estou tentando entender o que vc sempre diz, estou tentando raciocinar para entender a doutrina do mesmo modo que os companheiros de estudo estão entendendo, mas o amigo não ajuda.

      Por isso coloquei aquela pergunta, que vc não respondeu, e que nunca responde, senão com citações bem conhecidas, mas nunca definitivas ou conclusivas.

      A pergunta é:  "No plano criado por Deus, para a evolução dos espíritos, se não há sofrer, não há evoluir?!"

      Não respondeu por que a doutrina não lhe ensinou, ou por que ainda não encontrou a  resposta? Se encontrou, amigo, afinal "se não há sofrer, não há evoluir?!"

      E para todas as questões que apresento, seja essa ou semelhantes, o amigo, que, pelo que tem mostrado conhece muito bem a Doutrina como está escrita nos livros, sempre tem a mesma resposta, mas sempre incompletas, pois sempre questionáveis.

      Nesta, vc diz que Evolução Espiritual vem da Reencarnação, Reforma Íntima, Prática do Amor e da caridade, etc...)! E lhe peço nos explicar, para que também aprendamos a fazê-la: como é que vc faz a reforma Íntima? Já sabe como fazê-la? Quem o ensinou? Não foi a doutrina, pois a doutrina não tem esse ensinamento!

      E é mesmo o praticar ações de amor e de caridade que traz evolução? Ou é exatamente o contrário: isto é, a evolução é que permite a existência do amor, do qual virá a prática desinteressada do amor e da caridade?
 
      Por que seria a prática que muda o intimo de alguém? A prática muda o intimo, coloca amor num coração vazio de amor? Ou é o intimo, modificado pela evolução que vem da compreensão, que se enche de amor e, em consequência, leva à prática desinteressada do amor e da caridade? 

      Sem dúvida é o evoluir que traz a capacidade e o desejo de praticar o amor e a caridade; e nunca o contrário. Pois como praticar o amor, como dá-lo aos demais, se não o temos ainda em nós mesmos?

      Assim, a questão principal, talvez mesmo a única questão cuja resposta pode trazer luz para todas as dúvidas dos homens, é esta: como fazer para ter amor de forma a poder dar amor aos semelhantes?

      Tenho certeza de que o amigo não sabe, pois a doutrina, aliás nenhuma doutrina do mundo, ensina isso!

      Será que as doutrinas também não sabem? Se o amigo sabe qual é a resposta, por fazer cite-a para aqueles que não sabem, pois ter amor e dar amor é o de que o mundo mais necessita!

      Essa resposta existe. Infelizmente, muitos acreditam que sabem como ter amor, como colocar amor no próprio coração, como ter amor do qual nos venha o desejo e mesmo a necessidade de dá-los.

      Mas, absolutamente não sabem! Pois, se soubessem, porq o mundo ainda é o que é? Se soubessem, porq, vc, eu e os demais, ainda estamos num mundo de expiações?

      Muitos sabem apenas praticar gestos, ações que podem auxiliar o próximo, ou porq aprenderam que é isso que deve fazer, e por muitos outros motivos. Mas isso não é amor; isso pode ser obediência, mas não é amor.

      Por que, por mais que repita a prática de ações que auxilem, que amparem, que consolem o necessitado, isso não significa que o praticante tenha amor em seu íntimo.

      Então, meu amigo, é exatamente isto que precisamos urgentemente aprender: como ter amor em nós mesmos, como fazer para colocar amor em nosso coração. Aprendido isso podemos vir a praticar o necessário que faça nascer em nós, eventualmente, o amor que ainda não possuimos.
...........................
Título: Re: Existe o pensador, ou apenas o pensamento?
Enviado por: Brenno Stoklos em 08 de Outubro de 2013, 06:09

temos de, obrigatoriamente, forçosamente, sofrer para atingir o conhecimento. (!!??).

      Teríamo de perguntar à DE: onde está aí a tão perfeita justiça divina? Fazer sofrer quem nada de mal cometeu?!!

      É como o pai que surra o filho que ainda não aprendeu a ficar de pé, e que, por isso cai quando tenta se erguer!

     


temos de, obrigatoriamente, forçosamente, sofrer para atingir o conhecimento. (!!??).

Exatamente!

Temos que sofrer as consequências más e também as consequências boas.


Teríamo de perguntar à DE: onde está aí a tão perfeita justiça divina? Fazer sofrer quem nada de mal cometeu?!!

Também é exato!

Ninguém sofre uma consequência má se nada fez de mal.


É como o pai que surra o filho que ainda não aprendeu a ficar de pé, e que, por isso cai quando tenta se erguer!

Realmente, louco seria o pai que assim procedesse.

Na Verdade, o que o filho sofre no caso é a consequência do seu ato (tentativa de ficar em pé) = O tombo!

Título: Re: Existe o pensador, ou apenas o pensamento?
Enviado por: Brenno Stoklos em 08 de Outubro de 2013, 06:14

A pergunta é:  "No plano criado por Deus, para a evolução dos espíritos, se não há sofrer, não há evoluir?!"



A resposta é sim!

Se o Espírito não sofre as consequências, boas ou más, de seus atos, ele não se torna consciente do valor dessas ações, não aprende, portanto, não evolui!

Título: Re: Existe o pensador, ou apenas o pensamento?
Enviado por: Mourarego em 08 de Outubro de 2013, 12:31
A regra é clara!
o Espírito sofre sim, dores morais, diz OLE.
Abraços,
moura
Título: Re: Existe o pensador, ou apenas o pensamento?
Enviado por: lconforjr em 08 de Outubro de 2013, 21:22
  lconforjr: Mano,

A DE não trata co merecer ou não, mas sim com o que atinja a lei natural, correta ou incorretamente.
Assim se o Espírito dseu azo a que um sofrimento tivesse de se abatter sobre ele ele o sentirá.
Abraços,
Moura
    Aos amigos Brenno e Moura

      Brenno   (ref #51, de 081013)

      Moura   (ref #52, de 081013)

      Conf (msg anterior): A pergunta é: "No plano criado por Deus, para a evolução dos espíritos, se não há sofrer, não há evoluir?!"

      Brenno respondeu: A resposta é sim! Se o Espírito não sofre as consequências, boas ou más, de seus atos, ele não se torna consciente do valor dessas ações, não aprende, portanto, não evolui!

      Conf: vejo que tenho de reestudar toda a doutrina espírita pois, pelo que me lembro, a DE afirma serem verdadeiros os atributos divinos de Soberano Amor e Perfeita Justiça e, pela resposta do Brenno, vejo que estava enganado... Pois sempre considerei que, pela DE, só sofre quem merece sofrer (exceções apontadas pela DE) e só merece sofrer aqueles que transgridem as leis divinas e, não por ignorância, mas dolosamente!!!
.......
      Moura escreveu: A regra é clara! o Espírito sofre sim, dores morais, diz OLE.

      Conf: Como o mano Moura não fez referência a qual msg está respondendo, vou considerar que está respondendo à mesma que o Brenno respondeu acima.

      Assim, a resposta para o mano Moura é a mesma que dei ao amigo Brenno.
.................
Título: Re: Existe o pensador, ou apenas o pensamento?
Enviado por: Brenno Stoklos em 09 de Outubro de 2013, 04:41

      Conf (msg anterior): A pergunta é: "No plano criado por Deus, para a evolução dos espíritos, se não há sofrer, não há evoluir?!"



O que torna difícil para o amigo compreender a verdade é o fato de só enxergar um sentido para o termo sofrer.

Também pode-se sofrer consequências boas, resultantes de atos concordes com as Leis Divinas, portanto bons.

Título: Re: Existe o pensador, ou apenas o pensamento?
Enviado por: lconforjr em 09 de Outubro de 2013, 19:37

Re: Existe o pensador, ou apenas o pensamento?
      Brenno   (ref #54 em: 091013)

      Conf (msg anterior): A pergunta é: "No plano criado por Deus, para a evolução dos espíritos, se não há sofrer, não há evoluir?!"

      Brenno respondeu: Exatamente!

      O que torna difícil para o amigo compreender a verdade é o fato de só enxergar um sentido para o termo sofrer.

Também pode-se sofrer consequências boas, resultantes de atos concordes com as Leis Divinas, portanto bons.

      Conf: pois é, meu jovem, sofrer ou gozar; mas isso de modo algum, absolutamente, explica o que vc sempre diz: que temos de sofrer misérias para evoluir, que se sofra canceres etc (estamos cansados de saber esta lista) mesmo que não se mereça sofrê-los e isso vai contra a DE que afirma que só sofre quem merece sofrer.

      Devido a vc sempre citar trechos das obras básicas, sempre julguei que vc fosse espirita mas, por suas colocações contrárias à DE, agora tenho dúvidas.
.............
Título: Re: Existe o pensador, ou apenas o pensamento?
Enviado por: Olé em 09 de Outubro de 2013, 20:51
O gosto da liberdade

"O Buda disse que quando experimentamos visões, sons, sabores, aromas, sensações corporais ou estados mentais, deveríamos libertá-los.Quando o ouvido ouve um som, deixe-o ir. Quando o nariz cheira um aroma, deixe-o ir…deixe-o no nariz! Quando as sensações corporais surgem, solte-se do gostar ou não gostar que vem em seguida, deixe que retornem para onde vieram. O mesmo para os estados mentais. Todas essas coisas, deixe que elas sigam o seu caminho. Isso é o conhecimento. Quer seja felicidade ou infelicidade, é a mesma coisa. A isto se chama meditação.

Meditação significa pacificar a mente de forma que a sabedoria possa surgir. Isso exige que pratiquemos com o corpo e a mente de forma a ver e conhecer as impressões sensuais da forma, do som, do sabor, do toque e das formações mentais. Colocando de modo resumido, é somente uma questão de felicidade e infelicidade. A felicidade é uma sensação agradável na mente, a infelicidade é justamente a sensação desagradável. O Buda ensinou a separar essa felicidade e infelicidade da mente. A mente é aquela que sabe. A sensação é a característica da felicidade ou infelicidade, gostar ou não gostar. Quando a mente se entrega a essas coisas dizemos que ela se apega ou assume que essa felicidade e infelicidade merecem ser guardadas. Esse apego é uma ação mental, essa felicidade ou infelicidade é a sensação.

Quando afirmamos que o Buda nos disse para separar a mente da sensação, ele não quis dizer literalmente colocá-los em lugares diferentes. Ele quis dizer que a mente deve conhecer a felicidade e a infelicidade. Quando estamos sentados em samadhi, por exemplo, e a paz preenche a mente, então a felicidade pode vir mas ela não nos atinge, a infelicidade pode vir mas não nos atinge. Isto é o que quer dizer separar a sensação da mente. Podemos compará-lo com a água e óleo numa garrafa. Eles não se combinam. Mesmo se você tentar misturá-los, o óleo permanece como óleo e a água permanece como água. Por que ocorre isso? Porque eles possuem densidades diferentes." (Ajaan Chah)
Título: Re: Existe o pensador, ou apenas o pensamento?
Enviado por: Brenno Stoklos em 09 de Outubro de 2013, 21:37

separar a mente da sensação



Não há como separar a mente (Espírito) daquilo é próprio dela (sensações)!

Título: Re: Existe o pensador, ou apenas o pensamento?
Enviado por: lconforjr em 10 de Outubro de 2013, 18:17
      Brenno Stoklos

      Um companheiro colocou: "... separar a mente da sensação".

      Brenno respondeu: Não há como separar a mente (Espírito) daquilo é próprio dela (sensações)!

      Conf: jovem Brenno; lembra-se que, conforme vc mesmo disse, há palavras que têm significados diferentes daqueles que nela percebemos? Vc mesmo deu um exemplo: que sofrer não tem apenas o significado de passar por sofrimentos, mas também o de sofrer no sentido de "sentir" ou "gozar" as coisas boas que a vida nos oferece; e concordo com vc.

      Do mesmo modo a palavra "separar", que o amigo Olé colocou, pode ter, aí, o significado de afastar, evitar, não permitir que perturbem etc. Acredito ser essa a intenção do Olé: afastar as sensações, não permitir que perturbem, se desligar delas, e isso é sim possível à mente bem treinada. Esta pode se "separar", isto é, evitar de sentir dores, sensações, pensamentos, e mesmo a sua própria existência, a vida e o mundo ao derredor.
.....................
Título: Re: Existe o pensador, ou apenas o pensamento?
Enviado por: Brenno Stoklos em 11 de Outubro de 2013, 05:09

Conf: pois é, meu jovem, sofrer ou gozar; mas isso de modo algum, absolutamente, explica o que vc sempre diz: que temos de sofrer misérias para evoluir, que se sofra canceres etc (estamos cansados de saber esta lista) mesmo que não se mereça sofrê-los e isso vai contra a DE que afirma que só sofre quem merece sofrer.



Jamais fiz tal afirmação!

Sempre afirmei que, segundo a Doutrina Espírita, os sofrimentos (ruins) são consequências de nossos atos contrários às Leis Divinas. Portanto se sofremos (cânceres, etc...) é porque merecemos.

Título: Re: Existe o pensador, ou apenas o pensamento?
Enviado por: Brenno Stoklos em 11 de Outubro de 2013, 05:13
      Brenno Stoklos

      Um companheiro colocou: "... separar a mente da sensação".

      Brenno respondeu: Não há como separar a mente (Espírito) daquilo é próprio dela (sensações)!

      Conf: jovem Brenno; lembra-se que, conforme vc mesmo disse, há palavras que têm significados diferentes daqueles que nela percebemos? Vc mesmo deu um exemplo: que sofrer não tem apenas o significado de passar por sofrimentos, mas também o de sofrer no sentido de "sentir" ou "gozar" as coisas boas que a vida nos oferece; e concordo com vc.

      Do mesmo modo a palavra "separar", que o amigo Olé colocou, pode ter, aí, o significado de afastar, evitar, não permitir que perturbem etc. Acredito ser essa a intenção do Olé: afastar as sensações, não permitir que perturbem, se desligar delas, e isso é sim possível à mente bem treinada. Esta pode se "separar", isto é, evitar de sentir dores, sensações, pensamentos, e mesmo a sua própria existência, a vida e o mundo ao derredor.
.....................


O Espírito (Mente) não pode se separar, afastar, impedir que perturbem, se desligar, daquilo que é próprio dele mesmo.

Título: Re: Existe o pensador, ou apenas o pensamento?
Enviado por: Olé em 13 de Outubro de 2013, 17:59
O homem livre

"Quando a mente está toda despojada do passado, que é conhecimento, vê-se surgir um sentimento de qualidade bem diversa, e as pessoas com esse sentimento não pertencem a nenhuma organização religiosa, não têm pátria, não se aproximam dos políticos, pois não estão em busca de poder nem de posição, e tampouco tentam reformar o mundo. A mente interessada em reformas não é uma mente religiosa, nem bondosa, compassiva. Ela pode falar sobre a compaixão, a bondade, mas no próprio ato de reformar há destruição, sofrimento, porque qualquer reforma torna necessária nova reforma, inadequadas como são todas as reformas. Mister se faz uma ação total, mas a ação total não se produz pela reunião de pequenas partes. Surge só quando você descobre por você mesmo, como ente humano individual, isto é, quando você reage não como coletividade, mas como um indivíduo real que se libertou da sociedade e de sua avidez, inveja, ambição, etc. Só esse indivíduo conhecerá aquela experiência extraordinária de algo incomensurável. Não é uma experiência estática. Nem uma experiência para ser lembrada. O que é lembrado não é verdadeiro; já se juntou aos mortos de ontem. E, sem essa experiência da realidade, o que quer que você faça, nunca terá um mundo são, ordeiro, equilibrado, feliz. Mas você não pode buscar essa experiência; ela tem de vir a você, e isso só poderá ocorrer quando você já não estiver interessado em si mesmo." (Krishnamurti)
Título: Re: Existe o pensador, ou apenas o pensamento?
Enviado por: Mourarego em 13 de Outubro de 2013, 18:16
A pergunta dotítulo é:  Existe o pensador, ou apenas o pensamento?
Logo, a resposta deve estar dentro deste tema...
A questão não trata e nem tras expansão para a qualidade do pensamento nem do pensador. aliás deveria ter o campo doutrinário explicitado na resposta.
Diz OLE que "o ser pensante é o Espírito", logo, se o pensamento, de qualquer calibre, qualidade ou moralidade, não aparece por osmose, é que há sempre um ser dando-lhe origem.
Abraços,
Moura
Título: Re: Existe o pensador, ou apenas o pensamento?
Enviado por: Brenno Stoklos em 13 de Outubro de 2013, 22:21

"Quando a mente....................
.....................................si mesmo."



A mente é o próprio Espírito!


Título: Re: Existe o pensador, ou apenas o pensamento?
Enviado por: Brenno Stoklos em 13 de Outubro de 2013, 22:24
A pergunta dotítulo é:  Existe o pensador, ou apenas o pensamento?
Logo, a resposta deve estar dentro deste tema...
A questão não trata e nem tras expansão para a qualidade do pensamento nem do pensador. aliás deveria ter o campo doutrinário explicitado na resposta.
Diz OLE que "o ser pensante é o Espírito", logo, se o pensamento, de qualquer calibre, qualidade ou moralidade, não aparece por osmose, é que há sempre um ser dando-lhe origem.
Abraços,
Moura


É como já coloquei aqui algumas vezes, amigo Moura,

O Pensamento é a atividade do Espírito e o Espírito em atividade.

Não há como dissociá-los!

Título: Re: Existe o pensador, ou apenas o pensamento?
Enviado por: Olé em 26 de Outubro de 2013, 01:15
Existe separação entre o viver e o morrer?

É verdadeiramente interessante observar o funcionamento de nosso próprio pensar, observar essa reação que chamamos pensar. De onde ela nasce? Obviamente da memória. Existe um começo do pensamento?... "Posso descobrir o começo do pensamento, isto é, o começo da memória?" — pois se vocês não tivessem memória não teriam o pensamento. Qual é o começo do pensamento, e tem ele alguma importância? O pensamento tem para nós extraordinária importância. Quanto mais inteligente, e sagaz, e sutil, tanto melhor sabemos expressá-lo. Vocês sabem quantas ideias, racionais ou não, enchem os livros dos intelectuais, teólogos ou não teólogos — de Santo Tomás, ou de Sankara, ou dos intelectuais do Extremo Oriente. Quer no campo sectário, religioso, quer no campo não religioso, encheram-se milhares de livros de ideias e nós veneramos esses livros e essas ideias, que são para nós de tremenda importância. Estamos fortemente condicionados. E, aqui, quando falamos sobre ideias, as estamos atacando nas próprias raízes, e não simplesmente umas poucas ideias insignificantes; estamos atacando todas as formulações de ideias.

Para nós, o pensar — ideias, ideais — o analisar, o apresentar dialeticamente opiniões, etc. se tornou extraordinariamente importante. E, aqui, estamos questionando todo esse edifício — inclusive o edifício da Igreja, com todos os seus dogmas e crenças, suas fórmulas de Deus, da Virgem Maria e do salvador. O mundo cristão e o mundo asiático têm, cada um deles, sua estrutura própria, seu próprio edifício, seus próprios andaimes para alcançar os Deuses, e quando falamos sobre o pensamento como ideia e tempo, estamos questionando tudo isso.

Como entes humanos que têm de viver nesta sociedade monstruosa e horrível, com suas brutalidades, seus "pecados" e ansiedades, seus temores e guerras e desesperos — estamos nos interrogando: "Pode isso acabar?" — não como esperança, porém como fato? Pode a mente tornar-se vigorosa, nova e inocente, para que possa olhar esta existência e criar um mundo totalmente diferente?

Como vemos, separamos a ação da ideia e, para nós, as ideias se tornam muito mais importantes do que a ação. Mas, as ideias estão sempre no passado e a ação sempre no presente. Como esse presente vivo nos assusta, o passado e as ideias se tornam importantíssimos, e por isso há a morte.

Um dos fatores da vida é a morte. Temos medo do viver, da velhice, da doença, da dor e do sofrimento, que conhecemos desde o momento de nascermos até o momento de morrermos. Isto é o que chamamos viver. E temos medo também de algo que desconhecemos, e que chamamos morte. Esse campo, todo inteiro, é nossa vida.

Vê-se como o pensamento cria o medo... Temos, pois, medo da vida e medo da morte, do conhecido e do desconhecido, e esse medo é gerado pelo pensamento. Acumulei experiência, alcancei um certo posto, uma certa posição, adquiri um certo saber que me dá vitalidade, energia, impulso. Esse ímpeto (momentum) do pensamento me sustenta e tenho medo de perdê-lo. A todo aquele que ameaça meu triunfo, meu êxito, meu pedestal, eu detesto, odeio, sou seu inimigo. Ora isso é bem óbvio. Vocês não sabem, quando em seus negócios, ou em suas atividades de instrutor, alguém lhes supera, não sabem como sentem medo, hostilidade? Continuam a falar em Deus, em vida espiritual, etc., mas no coração de vocês há veneno. Vocês têm medo de perder suas posições, e também sentem medo de outra coisa muito mais temível que há de vir  a morte. Pensam, pois, na morte e, nela pensando, estão criando aquele intervalo entre o viver e aquilo que chamam "morte". Isso é bastante simples. As coisas que sabem, os prazeres, as alegrias, os divertimentos, o conhecimento, a experiência, os triunfos, os desesperos, os conflitos, os domínios, suas casas, suas famílias, suas insignificantes nações — a tudo isso estão ferozmente apegados, porque é só o que possuem. Pelo pensar nessas coisas, criam um intervalo entre o que pensam, como ideia, ser duradouro, e o fato real.

O pensamento gera, por meio do tempo, não só o medo de viver, senão também o medo da morte, e porque a morte é algo que desconhecem, o pensamento diz: "Adiemo-la, evitemo-la, mantenhamo-la o mais distante possível, não pensemos nela". Mas vocês pensam nela, Quando dizem "não quero pensar nela", nela já pensaram. Vocês têm idealizado maneiras de fugirem dela e sabem evitá-la por vários meios — igrejas, deuses, salvadores, a ressurreição e a ideia de que existe um EU permanente, eterno, que a Índia, que a Ásia inventou. Isto é, o pensamento afirmou-nos muito sutilmente que, em vocês, em mim, existe uma realidade que existirá eternamente — mas isso, uma vez que é "coisa pensada", não é o real. O pensamento criou a ideia de um EU eterno — alma, Atman, — a fim de encontrar a segurança, a esperança, mas toda coisa criada pelo pensamento já é de "segunda mão", porque o pensamento é sempre velho. Tememos a morte, porque a temos adiado. Assim, deparamo-nos com o problema de como transcender essa coisa chamada viver e a coisa chamada morte. Existe real separação entre as duas? Compreendem? Viver intensamente significa, decerto, morrer para todas as coisas de ontem — todos os prazeres, conhecimentos, opiniões, juízos, nossos estúpidos e insignificantes sucessos; morrer para tudo isso; morrer para a família, para as nossas conquistas, que só tem produzido caos no mundo e tamanho conflito em nós mesmos. Pois esse morrer cria uma intensidade, um estado mental em que o passado deixou de existir, e o futuro, na figura da morte, extinguiu-se. Assim, viver é morrer; não podem viver se não há morrer. Mas, a maioria de nós sente medo porque deseja segurança, deseja a continuidade da aflição que conhecemos, da doença, da dor, do prazer, da ansiedade. Porque evitamos e repelimos a morte (o pensamento repele a morte), há o medo ao conhecido e o medo ao desconhecido. Quando não existe intervalo entre a morte e o viver, sabe-se então o que significa o morrer, morrer para tudo o que temos. Torna-se então a mente sobremodo juvenil e ardorosa, vigilante e inocente. Quando morremos para os milhares de dias passados — então viver é morrer. Só nesse estado o tempo cessa, e o pensamento só funciona onde dele necessitamos e em nenhum outro nível, em nenhum outro caso, em nenhuma outra de nossas pretensões. (Krishnamurti)

Título: Re: Existe o pensador, ou apenas o pensamento?
Enviado por: Anton Kiudero em 26 de Outubro de 2013, 01:27
A mente é o próprio Espírito!

Resposta aparentemente correta mas falha em sua esencia, já que a mente é a prova do espírito. A mente é formatada para criar as provas solicitadas pelo espírito e por este motivo muitos dizem que a mente é o satanas. Quem tentou Jesus? A mente, as ideias que criou e que eram contrarias ao exercicio de seu trabalho quando encarnado.

A mente formata os pensamentos e a vontado do espirito a cada segundo. Triste é o destino de quem acredita no que lhe sugere a mente, pois não passando pelas provas, sofrerá pela encarnação perdida. Não regride mas tampouco avança.

Título: Re: Existe o pensador, ou apenas o pensamento?
Enviado por: Brenno Stoklos em 26 de Outubro de 2013, 01:42

É verdadeiramente................
..................................pretensões.



Não se pode dissociar o pensamento (atividade) do pensador (Espírito).

Título: Re: Existe o pensador, ou apenas o pensamento?
Enviado por: Brenno Stoklos em 26 de Outubro de 2013, 01:45

Resposta..................
...............................avança.



A Mente é a consciência do Espírito, logo, o próprio Espírito.



Título: Re: Existe o pensador, ou apenas o pensamento?
Enviado por: Olé em 09 de Agosto de 2015, 14:57
Aos "istas", defensores de "ismos"...

"Vede o que se passa no mundo. As soluções secundárias — atividades políticas, reformas sociais, ou identificação da pessoa com determinado movimento reformador — estão assumindo valores fundamentais em nossa vida. Por quê? Não é porque oferecem ao indivíduo um meio de autopreenchimento? Isto é, oferecem um meio pelo qual posso “vir a ser” algo, embora continue a criar sofrimento ao redor de mim e dentro de mim mesmo. A ânsia de vir a ser algo, esse desejo egotístico de expansão, tão poderoso, tão vital, encontra necessariamente meios e modos de expressar-se, e tal é a razão por que as soluções secundárias dominam hoje em dia nossa existência. Todas as manhãs, os jornais estão cheios de “soluções secundárias”, e o barulho que fazem abafa os “sussurros” da solução fundamental, coisa inteiramente diferente. A solução fundamental é a compreensão do “não vir a ser” , do “não ser nada” — esse nada em que se manifesta, em sua totalidade, a Verdade, Realidade, Deus ou o nome que quiserdes. Mas a mente que, de diversas maneiras, busca “vir a ser”, preencher-se — pela memória, a identificação com a família, com a pátria, com uma ideologia — nunca encontrará “a outra coisa” ; e sem essa “outra coisa”, todas as ideologias, e atividades políticas, e movimentos reformadores só gerarão mais sofrimento e mais confusão. Não parecemos perceber isso, porque estamos sempre interessados na satisfação imediata, no imediato preenchimento de nós mesmos por meio de “soluções secundárias”."

(Krishnamurti)
https://www.facebook.com/groups/UmSemSegundo/
Título: Re: Existe o pensador, ou apenas o pensamento?
Enviado por: Olé em 15 de Agosto de 2015, 21:39
O pensamento proporciona segurança?

"Será que o pensamento, fundamentalmente, basicamente, proporciona segurança psicológica? O pensamento tem o seu lugar, mas, quando o pensamento acha que pode dar segurança psicológica, então ele está vivendo na ilusão. Em seu desejo de obter completa segurança, o pensamento criou uma coisa chamada deus, e a humanidade agarra-se a essa ideia. O pensamento é capaz de criar todo tipo de ilusão romântica. E quando a mente, psicologicamente, busca segurança em um dogma da Igreja, em alguma outra alegação dogmática, ou outra coisa qualquer, ela está buscando segurança na estrutura do pensamento.
O pensamento é a resposta da experiência e do conhecimento, armazenados no cérebro como memória; tal resposta, portanto, sempre se move a partir do passado. E há, porventura, segurança no passado?"

(Krishnamurti)
https://www.facebook.com/groups/UmSemSegundo/
Título: Re: Existe o pensador, ou apenas o pensamento?
Enviado por: Olé em 18 de Agosto de 2015, 22:53
Pergunta: Acredita na reencarnação? É um facto? Pode dar-nos provas da sua experiência pessoal?

Krishnamurti: A ideia da reencarnação é tão velha como as colinas; é a ideia de que o homem, através de muitos renascimentos, passando através de inúmeras experiências, chegará finalmente à perfeição, à verdade, a Deus. Ora bem, o que é que renasce, o que é que continua? Para mim, essa coisa que se supõe continuar nada mais é que uma série de camadas de memória, de determinadas qualidades, de determinadas acções incompletas que foram condicionadas, impedidas pelo medo nascido da auto-protecção. Ora essa consciência incompleta é o que nós chamamos o ego, o “eu”. Conforme expliquei no início da minha breve conversa introdutória, a individualidade é a acumulação dos resultados de várias acções que foram impedidas, entravadas por determinados valores herdados e adquiridos, pelas limitações. Espero não estar a tornar isto muito complicado e filosófico. Tentarei torná-lo simples.

Quando falam do “eu”, querem dizer com isso um nome, uma forma, determinadas ideias, certos preconceitos, determinadas distinções de classe, qualidades, preconceitos religiosos, etc., que foram desenvolvidos através do desejo de auto-protecção, de segurança, de conforto. Portanto, para mim, o “eu”, baseado numa ilusão, não tem realidade. Por isso a questão não é saber se existe a reencarnação, se há uma possibilidade de um crescimento futuro, mas se a mente e o coração se podem libertar desta limitação do “eu”, do “meu”.

Perguntam-me se eu acredito ou não na reencarnação porque esperam que através da minha certeza possam adiar a compreensão e a acção no presente, e que eventualmente chegarão a realizar o êxtase da vida ou a imortalidade. Querem saber se, sendo forçados a viver num meio condicionado com oportunidades limitadas, chegarão alguma vez através da infelicidade e do conflito a compreender esse êxtase da vida, a imortalidade. Como se está a fazer tarde tenho que expor o assunto brevemente, e espero que reflictam sobre ele.

Ora eu digo que a imortalidade existe, para mim é uma experiência pessoal; mas ela só pode ser compreendida quando a mente não estiver a contar com um futuro no qual viva com mais perfeição, mais completamente, mais ricamente. A imortalidade é o presente infinito. Para compreender o presente com o seu significado pleno, rico, a mente tem que estar livre do hábito da aquisição auto-protectora; quando estiver totalmente despida, só então há imortalidade."

Krishnamurti - Rio de Janeiro - 17 de abril de 1935