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GERAL => Psicologia & Espiritismo => Auto-Conhecimento => Tópico iniciado por: dOM JORGE em 05 de Setembro de 2018, 09:46

Título: Desejo do melhor
Enviado por: dOM JORGE em 05 de Setembro de 2018, 09:46
                                                              VIVA JESUS!





              Bom-dia! queridos irmãos.




                     
Desejo do melhor


No Evangelho segundo o Espiritismo, capítulo XXV – Busca e achareis - Kardec, ao examinar o conceito de progresso como filho do trabalho (na medida em que o trabalho põe em ação as forças da inteligência), se vale da expressão desejo incessante do melhor.

Lembra o codificador que, na infância da humanidade, o homem só aplicava a inteligência à procura do alimento, dos meios de se preservar das intempéries e de se defender dos seus inimigos. Deus, porém, lhe concedeu mais do que facultou aos animais, o desejo incessante do melhor, e é esse desejo que o impele à pesquisa dos meios de melhorar a sua posição, que o leva às descobertas, às invenções e ao aperfeiçoamento da ciência.

O pensamento kardequiano se identifica com conceitos recentes apresentados pela Psicologia evolutiva, segundo os quais a evolução selecionou genes relacionados à construção e ao funcionamento do cérebro, que o equiparam com recursos geradores de prazer, possivelmente relacionados à sobrevivência humana. Centros geradores de prazer, estabelecidos em regiões específicas do cérebro, são ativados por alimentos saborosos, intercurso sexual, sensação de segurança, certa dose de poder ou a condição de ser considerado como uma pessoa especial e importante. Situações como essas por serem prazerosas, são buscadas com frequência, e nessa busca o indivíduo desenvolve as inteligências, como citado previamente por Kardec.

Se ingerir alimentos, sentir-se importante ou fazer sexo não gerasse certa dose de prazer, o homem se descuidaria  de tudo isso e caminharia para a estagnação  ou a morte.

Em decorrência dessa caixa prazerosa de ferramentas evolutivas chegamos onde estamos, em um nível de progresso intelectual jamais imaginado pela criatura humana, no entanto, o perfeito equilíbrio no trato com essa ferramenta evolutiva está ainda bem distante de nós. O prazer decorrente da ingestão de alimentos saborosos e altamente calóricos tem tido responsável pela mais obesa geração da história e os prazeres da libido têm atormentado milhões de almas e destruído lares e relações afetivas sinceras. O desejo de segurança se transformou para muitos em transtorno de personalidade, assustados diante de medos reais e imaginários, vivendo acuados em verdadeiras fortalezas. O prazer decorrente da sensação de controle vem sendo canalizado para o vício do poder com suas consequências danosas e a necessidade de destaque tem feito de muitas pessoas fantoches da opinião alheia, viciados no sucesso, no aplauso e no elogio.

Necessário tomarmos ciência dessa dinâmica e nos equiparmos de recursos que nos levem a um saudável equilíbrio entre a satisfação dos desejos através de prazeres universais e atitudes corretas, justas, responsáveis e nobres.

Viver em harmonia a fase evolutiva em que nos encontramos é saber adequar desejo e ponderação, uso e continência, prazer e responsabilidade.


          Ricardo Baesso de Oliveira









                                                                                                      PAZ, MUITA PAZ!
Título: Re: Desejo do melhor
Enviado por: Gustavo Rettenmaier em 05 de Setembro de 2018, 16:07
A Lei de Conservação nos da os elementos necessários para a boa compreensão desse dilema.
A questão 713 deixa claro que o gozo dos bens terrenos possui um limite, e a questão 715 assevera um dos quesitos básicos da doutrina: aprendizado pela experiência, muitas vezes com sofrimento.
Já a questão 780 esclarece outro ponto fundamental: é o progresso intelectual que fomenta o progresso moral, fazendo compreensíveis o bem e o mal e dando ao homem a oportunidade de discernimento.
Dito isso, temos que o progresso intelectual trouxe todos os benefícios que a sociedade moderna possui em termos de tecnologia e conforto, gozo dos prazeres, mas nosso atraso moral ainda não consegue estabelecer os limites para que esses prazeres não se tornem vícios, arrastando uma multidão de irmãos aos desvios morais que ainda vivemos.