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GERAL => Outros Temas => Artigos Espíritas => Tópico iniciado por: Marianna em 08 de Abril de 2010, 13:18

Título: Resposta sobre Chico a Revista Superinteressante
Enviado por: Marianna em 08 de Abril de 2010, 13:18


 
▬  Quem foi o homem que fez milhões de brasileiros acreditar em espíritos?



(http://img339.imageshack.us/img339/157/frasechico14.jpg)


Chico Xavier - Uma Investigação

Senhor Sérgio Gwercman
Diretor de redação da revista Super Interessante
 
Sou assinante dessa revista há muitos anos. Sempre a encarei como publicação séria, fonte de informações a oferecer subsídios para meu trabalho como escritor espírita, autor de 49 livros publicados.

Essa concepção caiu por terra ao ler, na edição de abril, infeliz reportagem sobre Francisco Cândido Xavier, pretensiosa e tendenciosa, objetivando, nas entrelinhas, denegrir e desvalorizar o trabalho do grande médium. Isso pode ser constatado já na seção “Escuta”, com sua assinatura, em que V.S. pretende distinguir respeito de reverência, como se reverência não fosse o respeito profundo por alguém, em face de seus méritos.

Podemos e devemos reverenciar Chico Xavier, não por adesão de uma fé cega, mas pela constatação racional, lúcida, lógica, de que estamos diante de uma personalidade ímpar, que fez mais pelo bem da Humanidade do que mil edições de Superinteressante, uma revista situada como defensora do bom jornalismo, mas que fez aqui o que de pior existe na mídia – a apreciação superficial e tendenciosa a respeito de alguém ou de uma notícia, com todo respeito, como pretende seu editorial, como se fosse possível conciliar o certo com o errado, o boato com a realidade, o achincalhe com o respeito.

Para reflexão da repórter Gisela Blanco e redatores dessa revista que em momento algum aprofundaram o assunto e nem mesmo se deram ao trabalho de ler os principais livros psicografados pelo médium, sempre com abordagem superficial, pretendendo “explicar” o fenômeno Chico Xavier, aqui vão alguns aspectos para sua reflexão e – quem sabe? – um cuidado maior em futuras reportagens.

▬  De onde a repórter tirou essa bobagem de que “toda essa história começou com as cartas dos mortos?”

Se as eliminarmos em nada se perderá a grandeza de Chico Xavier. A história começa bem antes disso, com a publicação, em 1932, do livro Parnaso de Além-Túmulo, quando o médium tinha apenas 22 anos.

A reportagem diz: “Ele dizia que não escolhia os espíritos a quem atenderia, só via fantasmas e ouvia vozes. Mas parecia ser o escolhido por celebridades do céu. Cruz e Souza, Olavo Bilac, Augusto dos Anjos e Castro Alves lhe ditaram versos e prosa.”

Afirmativa maliciosa, sugerindo o pastiche, a técnica de copiar estilo literário. O repórter não se deu ao trabalho de observar que no próprio Parnaso há, nas edições atuais, 58 poetas desencarnados, menos conhecidos e até desconhecidos, como José Duro, Alfredo Nora, Alma Eros, Amadeu, B.Lopes, Batista Cepelos, Luiz Pistarini, Valado Rosa… Poetas do Brasil e de Portugal que se identificam pelo seu estilo, em poesias personalíssimas enriquecidas por valores de espiritualidade.

Não sabe ou preferiu omitir a repórter que Chico psicografou poesias de centenas de poetas desencarnados, ao longo de seus 75 anos de apostolado, na maior parte poetas provincianos, conhecidos apenas nas cidades onde residiam no interior do Brasil. Pesquisadores constatam que esses poemas não são “razoavelmente fiéis ao estilo dos autores”. São totalmente fiéis.

Não tem a mínima noção de que a técnica do pastiche, a imitação de estilo literário, é extremamente difícil, quase impossível. Pastichadores conseguem imitar uma página, uma poesia de alguém, jamais toda uma obra ou as obras de centenas de autores.

Afirma que Chico foi autodidata e leitor voraz durante toda a vida, sempre insinuando o pastiche.

▬  Leitor voraz?
▬  Passava os dias lendo?

Só quem não conhece sua biografia pode falar uma bobagem dessa natureza, já que Chico passava a maior parte de seu tempo atendendo pessoas, psicografando, participando de reuniões e atendendo à atividade profissional. Não conheço um único documentário, uma única foto mostrando Chico lendo “vorazmente”.

▬  Ah! Sim! Para a repórter Chico certamente escondia isso.


Título: Re: Resposta sobre Chico a Revista Superinteressante
Enviado por: Marianna em 08 de Abril de 2010, 13:22


Fala também que Chico teria 500 livros em sua biblioteca e que “a lista inclui volumes de autores cujo espírito o teria procurado para escrever suas obras póstumas, como Castro Alves e Humberto de Campos”.

▬  E as centenas de poetas e escritores que se manifestaram por seu intermédio.
▬  Chico tinha livros deles?
▬  E de poetas que sequer publicaram livros?

Quanto a Humberto de Campos, cuja família tentou receber na justiça os direitos autorais pelas obras psicografadas por Chico, o que seria ótimo acontecer, o reconhecimento oficial da manifestação dos Espíritos, esqueceu-se a repórter de informar que Agripino Grieco, o mais famoso crítico literário de seu tempo, recebeu uma mensagem do escritor, de quem era amigo. Reconheceu que o estilo era autenticamente de Humberto de Campos, mas que o fato para ele não tinha explicação, já que, como católico praticante, não admitia a possibilidade de manifestação dos espíritos.

Esqueceu ou ignora que Chico, médium psicógrafo mecânico, recebia duas mensagens simultaneamente, com ambas as mãos sendo usadas por dois espíritos. Desafio Superinteressante a encontrar um prestidigitador capaz de fazer algo semelhante.

Uma pérola de ignorância jornalística está na referência sobre materialização de Espíritos: “seria necessário produzir um total de energia duas vezes maior do que é hoje produzido pela hidroelétrica de Itaipu por ano, segundo os cálculos feitos por especialistas exibidos por reportagens sobre Chico nos anos 70.”

Seria superinteressante a repórter ler sobre as pesquisas de Alfred Russel Wallace, Oliver Joseph Lodge, Lord Rayleigh, William James, William Crookes, Ernesto Bozzano, Cesare Lombroso, Alexej Akzacof e muitos outros cientistas respeitáveis que estudaram o fenômeno da materialização e o admitiram. Leia, também, sobre quem eram esses cientistas, para constatar que não agiam levianamente como está na revista.

A repórter reporta-se às reuniões mediúnicas das quais Chico participava como shows que o tornaram famoso e destila seu veneno. Cita o sobrinho de Chico que, dizendo-se médium, confessou que era tudo de sua cabeça, o mesmo acontecendo com o tio.

▬  Por que passar essa informação falsa, se o próprio sobrinho de Chico, notoriamente perturbado e alcoólatra, pediu desculpas pela sua mentira?
▬  Joga penas ao vento e espera que o leitor as recolha?

Omitiu também a informação de que ele confessou que pessoas interessadas em denegrir o médium pagaram-lhe pela acusação.

Eram frequentes nas reuniões a ocorrência de fenômenos como a aspersão de perfumes no ambiente, algo que, deveria saber a repórter, costuma ocorrer com os médiuns de efeitos físicos. No entanto, recusando-se a colher informações mais detalhadas sobre o assunto, limitou-se a dizer que em 1971 um repórter da revista Realidade, José Hamilton Ribeiro, denunciou que viu um dos assessores de Chico Xavier levantar o paletó discretamente e borrifar perfume no ar. Sugere que havia mistificação, aliás, uma tônica na reportagem.

▬  Por que não foram consultadas outras pessoas, inclusive centenas que tiveram seus lenços inexplicavelmente encharcados de perfume ou a água que levavam para magnetizar, a exalar também um olor suave e desconhecido que perdurava por muitos dias?

Na questão das cartas, milhares e milhares de cartas de Espíritos que se comunicavam com os familiares, sugere a repórter que assessores de Chico conversavam com as pessoas, anotando informações para dar-lhes autenticidade.

Lamentável mentira. E ainda que isso acontecesse, Chico precisaria ser um prodígio para ler rapidamente as informações e inseri-las no contexto de cada mensagem, de cada espírito, mistificando sempre.

▬  E as mensagens dirigidas a pessoas ausentes?
▬  E os recados aos presentes?

Não eram só mensagens. Eram incontáveis recados. A pessoa aproximava-se de Chico e ele, sem conhecer nada de sua vida, transmitia recados de familiares desencarnados, na condição de um ser interexistente, que vivia simultaneamente a vida física e a espiritual, em contato permanente com os Espíritos.


Título: Re: Resposta sobre Chico a Revista Superinteressante
Enviado por: Marianna em 08 de Abril de 2010, 13:29


Lembro o caso de um homem inconformado com a morte de um filho. Ia toda noite deitar-se na sepultura do rapaz, querendo “ficar com ele”. Não contava a ninguém, nem mesmo aos familiares. Em Uberaba recebeu mensagem do filho pedindo-lhe que não fizesse isso, porquanto ele não estava lá.

Durante muitos anos Chico psicografou receituário mediúnico de homeopatia. Perto de 700 receitas numa noite. Ficava horas psicografando. E os medicamentos correspondiam à natureza do mal dos pacientes, sem que o médium deles tivesse o mínimo conhecimento.

Na década de 70 tive uma uveíte no olho esquerdo. Compareci à reunião de receituário. Escrevi meu nome e idade numa folha de papel. Não conversei com ninguém. Após a reunião recebi a indicação de dois medicamentos. Tornando a Bauru, onde resido, verifiquei num livro de homeopatia que o dois medicamentos diziam respeito ao meu mal. Curaram-me.

Concebesse a repórter que, como dizia Shakespeare, há mais coisas entre a Terra e o Céu do que concebe nossa vã sabedoria, e não se atreveria a escrever sobre assuntos que desconhece, com o atrevimento da ignorância.

Outras “pérolas” da reportagem:

Oferece “explicações” lamentáveis para o fenômeno Chico Xavier. Psicose, confundindo mediunidade com anormalidade. Epilepsia, descarga elétrica que “poderia causar alheamento, sensação de ausência, automatismo psicomotor”, segundo a opinião de um médico.

▬  Descreve algo inerente ao processo mediúnico, que não tem nada a ver com desajuste mental, ou imagina-se que o contato com o Espírito comunicante não imponha uma alteração nos circuitos cerebrais, até para que ocorra a manifestação?
▬  E porventura o médico consultado sabe de algum paciente que produza textos mediúnicos durante a crise epilética?

Criptomnésia, memórias falsas, lembranças escondidas no subconsciente do médium, ao ouvir informações sobre o morto. Inconscientemente ele “arranjaria” essas informações para forjar a “manifestação”.

Telepatia. Aqui o médium captaria informações da cabeça dos consulentes e as fantasiaria como manifestação do morto. Como dizia Carlos Imbassahy, grande escritor espírita, inconsciente velhaco, porquanto sempre sugere que é um morto quem se manifesta, não ele próprio.  Informa a repórter que “acuado pelas críticas na Pedro Leopoldo de 15 mil habitantes, Chico resolveu fazer as malas e partir para Uberaba, um polo do Espiritismo onde contaria com um apoio de amigos”.

É MENTIRA!

Ele deixou Pedro Leopoldo, onde tinha muitos amigos, não por estar “acuado”, mas simplesmente seguindo uma orientação do Mundo Espiritual, em face de tarefas que desenvolveria em Uberaba que, então sim, com sua presença transformou- se em “polo do Espiritismo”.

Título: Re: Resposta sobre Chico a Revista Superinteressante
Enviado por: Marianna em 08 de Abril de 2010, 13:31



Na famoso pinga-fogo a que Chico compareceu, em 1971, na TV Tupi, um marco na história das entrevistas televisivas, com uma quase totalidade de audiência, diz a repórter que Chico foi “bombardeado por perguntas. Mas se safou.”

▬  Bombardeado?
▬  Safou-se?
▬  O que foi essa entrevista, um libelo acusatório contra um mistificador?

Se a repórter se desse ao trabalho de ver a entrevista toda, o que lhe faria muito bem, verificaria que o clima foi de cordialidade, de elevada espiritualidade, e que em nenhum momento os entrevistadores “bombardearam” Chico. E em nenhum momento ele deixou de responder as perguntas com a sobriedade e lisura de quem não está ali para safar-se, mas para ensinar algo de Espiritismo.

Falando da indústria (?) Chico Xavier, há um box sobre “Dieta do Chico Xavier”, que jamais seria veiculada por Chico. Usaram seu nome. Por que incluí-la nas inverdades sobre o médium, simplesmente para denegrir sua imagem, aqui sugerindo que seria ingênuo a ponto de conceber semelhante bobagem?

▬  Se eu divulgar via internet que Superinteressante recomenda o uso de cocô de galinha para deter a queda de cabelos, seria razoável que alguma revista concorrente citasse essa tolice, mencionando a suposta autoria, sem verificação prévia?

Falando dos 200 livros biográficos sobre Chico Xavier, a repórter escreve: “Tem até um de piadas, Rindo e Refletindo com Chico Xavier”. Certamente não leu o livro, porquanto não conhece nem o autor, eu mesmo, Richard Simonetti, nem sabe que não se trata de um livro de piadas, mas um livro de reflexão em torno de ensinamentos bem-humorados do médium.

Não fosse algo tão lamentável, tão séria essa agressão contra a figura respeitável e venerável de Chico Xavier, eu diria que essa reportagem, ela sim, senhor redator, foi uma piada de péssimo gosto!  Doravante porei “de molho” as informações dessa revista, sem o crédito que lhe concedia.

A repórter Gisela Branco esteve em Pedro Leopoldo e Uberaba com o propósito de situar Chico Xavier como figura mitológica. É uma pena! Não teve a sensibilidade nem o discernimento para descobrir o médium Chico Xavier, cuja contribuição em favor do progresso e bem estar dos homens foi tão marcante que, a exemplo do que disse Einstein sobre Mahatma Gandhi, “as gerações futuras terão dificuldade para conceber que um homem assim, em carne e osso, transitou pela Terra.”

E deveria saber que não vemos Chico Xavier como um mártir, conforme sugere.

▬  Não morreu pelo Espiritismo.
▬  Viveu como espírita.

E se algo se aproxima de um martírio em seu apostolado, certamente foi o de suportar tolices e aleivosidades como aquelas presentes na citada reportagem.

Finalizando, um ditado Zen para reflexão dos redatores da Super:

▬  O dedo aponta a lua.
▬  O sábio olha a lua.
▬  O tolo olha o dedo.

Resposta de Richard Simonetti para a Superinteressante ed. 277.

Richard Simonetti
Bauru, 3 de abril de 2010

Título: Re: Resposta sobre Chico a Revista Superinteressante
Enviado por: Nanda Cris em 08 de Abril de 2010, 14:16
Parabens Richard.
Título: Re: Resposta sobre Chico a Revista Superinteressante
Enviado por: fbainha em 08 de Abril de 2010, 16:14
Prezado Richard:

Comprei eta edição da Superinteressante pelos mesmos motivos seus, achando que era algo sério. Ainda não a li, mas agora o farei com redobrada atenção, pois os absurdos relatados por você não são dignos de uma revista isenta e de qualidade, e farei meu próprio juízo de valor. Como este dificilmente será diferente do seu, corretíssimo, tenho a declarar que esta revista perdeu um leitor definitivamente.
Título: Re: Resposta sobre Chico a Revista Superinteressante
Enviado por: Marianna em 08 de Abril de 2010, 17:43


O Richard Simonetti é um espírita de muita credibilidade e respeito, faz há muitos anos, um maravilhoso trabalho como Dirigente e incasável trabalhador do Centro Espírita "Amor e Caridade" em Bauru, São Paulo.
 
Pra ele, eu bato palmas.
 
B.jinhos.
Título: Re: Resposta sobre Chico a Revista Superinteressante
Enviado por: Telmaluz em 08 de Abril de 2010, 22:18
Richard Simonetti, grande FIGURA, é tudo de bom.
Título: Re: Resposta sobre Chico a Revista Superinteressante
Enviado por: Marianna em 09 de Abril de 2010, 03:30
É mesmo amiga, eu também gosto muito dele.
Telma, tem um recadinho meu pra você em nosso cantinho.
Acho que tanto você como os outros vão gostar.

B.jinhos.
Título: Re: Resposta sobre Chico a Revista Superinteressante
Enviado por: ClaudiaC. em 09 de Abril de 2010, 07:27
Amigos,
 
Segue a resposta do Diretor da Superinteressante.

Como não consegui colocar cores nas observações do diretor como ele indica em seu texto, sinalizei colocando-as entre ** **.
 
Bjs
Claudia
 
 

 
 
amigas e amigos,
não pensei que ele fosse responder, mas o fez.  Se tiverem paciência, leiam e julguem.
ao final da resposta do Diretor, encontrarão o meu texto !!!.
 
( grifos meus )
 
paz e harmonia, gioconda
 
*****************************
Cara Gioconda,


obrigado pelo contato e pela leitura. É muito importante para nós na Super receber o retorno dos leitores sobre nosso trabalho. Críticas e elogios são importantes para avaliarmos a revista e refletirmos sobre o que publicamos. As mensagens que recebemos sobre Chico Xavier estão sendo lidas por mim, pela editora e pela repórter da matéria e servirão de tema para nossa reflexão.


Tenho tentado responder individualmente a todas as mensagens. Mas como elas são muitas, e tem teor semelhante, redigi um texto explicando a proposta da reportagem e respondendo aos principais questionamentos que temos recebido. É uma mensagem longa, mas acho que merece ser lida. Sabemos que Chico Xavier foi uma figura importantíssima no cenário religioso do Brasil e que é muito querido por diversas pessoas. Como escrevi na minha carta ao leitor, preparamos essa matéria com muito respeito. Procuramos deixá-la equilibrada, apresentando uma visão plural sobre a trajetória de Chico Xavier e trazendo também os requisitos necessários a qualquer trabalho jornalístico - distanciamento, parcimônia e rigor na apuração. Todo o texto foi baseado em profundo trabalho de reportagem e depoimentos de várias fontes, inclusive espíritas, muitas delas citadas na reportagem.


A reportagem deu a Chico Xavier o mesmo tratamento que já demos à Igreja Católica, ao papa, aos evangélicos, a Charles Darwin ou a qualquer outro assunto que publicamos. Afinal, todas as matérias da Super têm a mesma características: sempre buscamos a pluralidade. Fazemos questão de ouvir todos os lados de uma questão. Entrevistamos pessoas que pensem diferente. E deixamos as conclusões para o leitor. Não sobram mensagens nas entrelinhas. E o fato de a Super trazer a versão de fulano ou de beltrano não significa que aquela seja a opinião da revista. Aliás, a Super não tem opinião sobre os temas que reporta. Sei o quanto é frustrante ler ideias que consideramos errôneas. Mas lembre-se que aquilo que você tem como verdadeiro, outra pessoa pode ter como falso. Não cabe à revista decidir quem tem razão. Cabe a nós respeitar pontos de vista. O verdadeiro respeito à livre expressão não está em falar tudo o que queremos, mas em admitir que os outros falem aquilo que não gostamos. Melhor assim: é a única maneira de garantir que sua opinião será sempre terá espaço para ser apresentada. E é por isso que acreditamos tanto que ao escrever sobre qualquer assunto, devemos apresentar ao leitor um leque de opiniões distintas.

Muitas das críticas que recebemos são baseadas em um texto publicado por Richard Simonetti. Sei que ele é uma pessoa respeitada, autor de diversos livros. Mas acho que cometeu uma injustiça com a Super: o da descontextualização. Apresentados como estão os fatos na mensagem dele, não é impossível alguém concluir que a matéria tinha como objetivo atacar Chico Xavier. O que o texto de Richard Simonetti não diz é que a reportagem tinha larga biografia de espíritas e defensores de Chico Xavier. Que a Super apresentou os resultados de estudos positivos sobre a obra de Chico Xavier, como os da Associação Médico-Espírita e a Federação Espírita Brasileira. Que citamos a frase de Monteiro Lobato impressionado com os livros de Chico Xavier ("se produziu tudo aquilo por conta própria, merece quantas cadeiras quiser na Academia Brasileira de Letras".) Que dedicamos amplo espaço às cartas psicografadas e entrevistas de pessoas que diziam ser impossível Chico Xavier conhecer as informações que psicografou. Que contamos que Chico Xavier morreu da maneira como previra: num dia feliz para o Brasil, o da conquista da Copa do Mundo. Que entrevistamos e citamos a opinião de pessoas muito próximas a Chico Xavier, como seu filho, seu médico, a administradora do centro espírita que ele fundou. Está tudo lá na reportagem.
...
Título: Re: Resposta sobre Chico a Revista Superinteressante
Enviado por: ClaudiaC. em 09 de Abril de 2010, 07:37
 espírita que ele fundou. Está tudo lá na reportagem.


Até o momento, recebemos críticas e elogios ao texto. É normal: as pessoas têm opiniões diferentes. E o debate entre essas opiniões enriquece a todos - é a raiz da construção do conhecimento. Richard apontou uma série de erros que ele viu na reportagem. Muitos, na verdade são trechos que ele gostaria de ver escritos de outra maneira. Nesses casos, só me resta respeitar a opinião dele: como disse, as pessoas tem opiniões distintas. Nós decidimos sempre pensando no equilíbrio do texto. Abaixo, respondo aos casos em que ele aponta uma informação errada, pois temos compromisso com a correção de cada informação que é publicada na Super. O texto dele vai em itálico,  minha resposta logo em seguida, em vermelho.


Obrigado e um grande abraço,
Sérgio Gwercman

Diretor de Redação da Super


Não sabe ou preferiu omitir a repórter que Chico psicografou poesias de centenas de poetas desencarnados, ao longo de seus 75 anos de apostolado, na maior parte poetas provincianos, conhecidos apenas nas cidades onde residiam no interior do Brasil. Pesquisadores constatam que esses poemas não são “razoavelmente fiéis ao estilo dos autores”. São totalmente fiéis.  **Incongruências de estilo foram apontadas por especialistas consultados pela SUPER, como o professor Alexandre Caroli Rocha, do Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp. Rocha citou especificamente os textos atribuídos a Antero de Quental, que apresentam "dessemelhanças com o original", segundo o professor. **

Afirma que "Chico foi autodidata e leitor voraz durante toda a vida", sempre insinuando o pastiche. Leitor voraz? Passava os dias lendo? Só quem não conhece sua biografia pode falar uma bobagem dessa natureza, já que Chico passava a maior parte de seu tempo atendendo pessoas, psicografando, participando de reuniões e atendendo à atividade profissional. Não conheço um único documentário, uma única foto mostrando Chico lendo “vorazmente”. Ah! Sim! Para a repórter Chico certamente escondia isso.  **Entre as fontes da informação de que Chico Xavier lia, sim, bastante estão pessoas que conviveram, trabalharam com ele e estudaram a vida de Chico Xavier, tanto em Pedro Leopoldo quanto em Uberaba: um antigo colega de trabalho na fazenda; Célia Diniz, administradora do centro espírita fundado por Chico Xavier;  Magali Fernandes, professora da PUC e autora de um livro sobre o Chico Xavier.**

E as centenas de poetas e escritores que se manifestaram por seu intermédio. Chico tinha livros deles? E de poetas que sequer publicaram livros?  ** A repórter visitou a biblioteca de Chico e viu pessoalmente obras de Castro Alves e Humberto de Campos lá. Esses são apenas exemplos de autores psicografados por Chico. **
Título: Re: Resposta sobre Chico a Revista Superinteressante
Enviado por: ClaudiaC. em 09 de Abril de 2010, 07:43
Uma pérola de ignorância jornalística está na referência sobre materialização de Espíritos: “seria necessário produzir um total de energia duas vezes maior do que é hoje produzido pela hidroelétrica de Itaipu por ano, segundo os cálculos feitos por especialistas exibidos por reportagens sobre Chico nos anos 70.” Seria superinteressante a repórter ler sobre as pesquisas de Alfred Russel Wallace, Oliver Joseph Lodge, Lord Rayleigh, William James, William Crookes, Ernesto Bozzano, Cesare Lombroso, Alexej Akzacof e muitos outros cientistas respeitáveis que estudaram o fenômeno da materialização e o admitiram.  **Não dissemos que a materialização é impossível. Dissemos que ela é muito difícil de ser concretizada. Por uma razão simples: matéria e energia são, no fundo a mesma coisa. Tanto que conseguimos transformar matéria em energia pura - fazemos isso sempre que explodimos uma bomba atômica, por exemplo. Mas fazer o inverso é algo que está além do conhecimento científico atual. Ocorre que não existe um cientista que saiba como pegar energia pura, que se manifesta na forma de luz e calor, e, a partir disso, construir átomos (ou qualquer coisa formada por átomos, como pessoas). E mesmo que soubesse, seria complicado. Para materializar 70 quilos de átomos seria preciso usar mais energia do que o Brasil inteiro consome. Não há qualquer pérola de ignorância jornalística, portanto.**

Eram frequentes nas reuniões a ocorrência de fenômenos como a aspersão de perfumes no ambiente, algo que, deveria saber a repórter, costuma ocorrer com os médiuns de efeitos físicos. No entanto, recusando-se a colher informações mais detalhadas sobre o assunto, limitou-se a dizer que em 1971 um repórter da revista Realidade, José Hamilton Ribeiro, denunciou que viu um dos assessores de Chico Xavier levantar o paletó discretamente e borrifar perfume no ar. Sugere que havia mistificação, aliás, uma tônica na reportagem. Por que não foram consultadas outras pessoas, inclusive centenas que tiveram seus lenços inexplicavelmente encharcados de perfume ou a água que levavam para magnetizar, a exalar também um olor suave e desconhecido que perdurava por muitos dias?  ** A reportagem apresenta os dois lados: o relato do repórter José Hamilton Ribeiro, jornalista vencedor do prêmio Esso, o mais importante do Brasil, que narrou o testemunho de um episódio em que perfume era borrifado no ar, e a do casal Muszkat, que que sentiu, sem saber explicar como, um cheiro de perfume durante a sessão de psicografia (página 53, parágrafo sobre Sônia e Roberto Muszkat).**

Na questão das cartas, milhares e milhares de cartas de Espíritos que se comunicavam com os familiares, sugere a repórter que assessores de Chico conversavam com as pessoas, anotando informações para dar-lhes autenticidade. Lamentável mentira. E ainda que isso acontecesse, Chico precisaria ser um prodígio para ler rapidamente as informações e inseri-las no contexto de cada mensagem, de cada espírito, mistificando sempre. ** A informação de que assessores de Chico conversavam com os participantes das sessões de psicografia foi dada por Waldo Vieira, que trabalhou no centro de Chico por anos. É uma informação importante, vinda de uma pessoa que teve contato relevante com Chico Xavier. Portanto, não poderíamos omiti-la na reportagem.  **

Há um box sobre “Dieta do Chico Xavier”, que jamais seria veiculada por Chico. Usaram seu nome. Por que incluí-la nas inverdades sobre o médium, simplesmente para denegrir sua imagem, aqui sugerindo que seria ingênuo a ponto de conceber semelhante bobagem?  **Em nenhum momento dissemos que Chico Xavier divulgava a simpatia. O texto da reportagem diz que "revistas dos ano 80 publicavam o ritual". **

Falando dos 200 livros biográficos sobre Chico Xavier, a repórter escreve: “Tem até um de piadas, Rindo e Refletindo com Chico Xavier”. Certamente não leu o livro, porquanto não conhece nem o autor, eu mesmo, Richard Simonetti, nem sabe que não se trata de um livro de piadas, mas um livro de reflexão em torno de ensinamentos bem-humorados do médium.  ** O livro mostra exempos do bom humor de Chico Xavier e de algumas de suas afirmações descontraídas. Por isso, a referência a "piadas". Pedimos desculpas se o autor sentiu que sua obra foi depreciada de alguma maneira.**
Título: Re: Resposta sobre Chico a Revista Superinteressante
Enviado por: Marianna em 10 de Abril de 2010, 11:09
Obrigada Claudia.
Título: Re: Resposta sobre Chico a Revista Superinteressante
Enviado por: charlelito em 10 de Abril de 2010, 11:45
Aqui mando aquele abraço  a Chico Chavier, cujas obras e exemplo de vida me ajudaram a chegar onde eu estou hoje e tambem para todos do forum.
Título: Re: Resposta sobre Chico a Revista Superinteressante
Enviado por: Marianna em 10 de Abril de 2010, 23:45
Obrigada por compartilhar.
Título: Re: Resposta sobre Chico a Revista Superinteressante
Enviado por: Angela Calegari em 12 de Abril de 2010, 12:08
Marianna, também adoro o Richard, de quem já li diversos livros e tive o prazer de assistir a palestras. Ele é uma pessoa muito inteligente e sensível e colocou muito bem as palavras na resposta dele à Revista. Também bato palmas a ele.
Agora, jornalismo é complicado mesmo. Felizmente tenho certeza que não será uma reportagem como essa da Superinteressante que apagará sequer um décimo do que fez e foi o nosso Chico.
O legado que ele nos deixou jamais se apagará e, acredito do fundo do meu coração, que só tem a crescer.
Angela.
Título: Re: Resposta sobre Chico a Revista Superinteressante
Enviado por: Marianna em 13 de Abril de 2010, 21:54

Muitas pessoas elogiam o Divaldo, - e tem razão em elogiar - porque ele é o Maior Conferencista de todos os tempos, mais o Richard também tem sua importância no Espiritismo. Só de espírita ele tem 56 anos, isso significa que ele tem uma bagagem que lhe dá o conhecimento para discordar de uma jornalista que com certeza nada sabe da vida do Chico.
 
Beijão minha loira linda.

Mariana.
Título: Re: Resposta sobre Chico a Revista Superinteressante
Enviado por: T em 15 de Abril de 2010, 21:28
O filme de Chico Xavier está batendo recorde de bilheteria em todo o País. Esta é a MAIOR resposta para aqueles que tentam, de alguma forma, atacar essa doutrina tão edificante. Portanto meus irmãos: " Enquanto os cães ladram, a caravana passa" ... Muita Paz!
Título: Re: Resposta sobre Chico a Revista Superinteressante
Enviado por: Marianna em 28 de Abril de 2010, 18:34

Citar
"Enquanto os cães ladram, a caravana passa"

É isso mesmo Tânia.