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GERAL => Outros Temas => Artigos Espíritas => Tópico iniciado por: Marccello em 27 de Junho de 2010, 19:08

Título: Omissão de Deus?
Enviado por: Marccello em 27 de Junho de 2010, 19:08


O desconhecimento da Justiça Divina induz a pronunciamentos equivocados

1- O Papa Bento XVI, ao visitar o tragicamente famoso campo de concentração de Auschwitz, exclamou, entre outras coisas, o seguinte: "Onde estava Deus naqueles dias? Por que não se manifestou? Como pôde admitir essa matança sem limites, esse triunfo do mal"?

Tais indagações revelam, a um primeiro exame, que o ocupante do hipotético trono de São Pedro permanece, no que diz respeito a Deus, jungido ao "antropomorfismo divino", causa determinante da decretação de Sua morte pelo seu conterrâneo e precursor do nazismo, Friedrich Nietzsche.

Essa maneira de pensar é típica dos que cultivam posturas extremamente radicais e conservadoras, a exemplo do atual papa, um dos mais proeminentes teólogos da ortodoxia católica. Não se trata, por outro lado, de atitude exclusiva dos elementos mais conservadores da Igreja de Roma. As mesmas indagações foram feitas pelo teólogo protestante Erwin Lutzer1 , ao indagar, estarrecido, quando de uma visita ao mesmo campo de extermínio:

"Como Deus pôde permitir tanta crueldade?". "Onde estava a Igreja de Cristo quando seis milhões de judeus foram mortos por ordem de Hitler?"

Tanto o papa como o referido autor deixam subjacentes nos seus questionamentos uma interpretação absolutamente literal do que se acha escrito em Gn., 1 :26: "E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança", que os homens, incluindo-se aí os responsáveis pelas igrejas cristãs, deturparam, com a substituição do sujeito da frase que passou a ser: "E disse o homem: Façamos Deus à nossa imagem, conforme nossa semelhança".

Era a figura do antropomórfico Deus bíblico, portador em grau superlativo de todos os defeitos, falhas e vicissitudes humanas, herdada da cultura judaico-cristã ..

2. Sob tal enfoque, jamais aceito pelo Cristianismo de Jesus - que difere fundamental e ontologicamente do Cristianismo dos homens - nada há de estranhável ou surpreendente nas indagações de Bento XVI e do membro da igreja reformada. Elas funcionam como autênticas caixas de ressonância dos costumeiros favores divinos concedidos a alguns privilegiados, ou dos castigos terríveis decorrentes da ira de Deus, e que Cairbar Schutel2 reduziu à sua verdadeira insignificância ao dizer que "Deus não se presta a ficar, de chinelo na mão, a dar chineladas em nossos traseiros por causa de nossos erros".

O Deus caprichoso, voluntarioso, prepotente, vingativo e rancoroso, inatingível e distante e, ao mesmo tempo e paradoxalmente, tão perto do homem que o castiga pela menor falta cometida, ainda encontra abrigo em inúmeros segmentos do Cristianismo, que o adoram por obrigação e o temem por interesse e conveniência! Entre eles, muitos explicam e justificam as atrocidades cometidas nos campos de extermínio, principalmente as referentes à solução final, que acarretou, só em Auschwitz, a morte de quase um milhão de judeus, como mero extravasamento da cólera divina, uma vez que foram eles, os judeus, os responsáveis pela morte de Cristo. Tal idéia foi longamente cultivada pela Igreja, conforme dá conta David L Kertzer3 , tanto que somente por ocasião do Concílio Vaticano II é que foi excluída da liturgia da sexta-feira da paixão a oração pelos "nossos pérfidos irmãos judeus".

Continua...
Título: Re: Omissão de Deus?
Enviado por: Marccello em 27 de Junho de 2010, 19:09

3. Como figura de destaque do Vaticano, responsável, durante o pontificado de João Paulo II, pela Congregação para a Doutrina da Fé nome moderno da Inquisição - o atual Papa conhece melhor do que ninguém a posição de ostensiva hostilidade que Roma sempre dedicou aos judeus. É notória a, no mínimo condenável, omissão de Pio XII diante do genocídio contra esse povo, retratada, fria e imparcialmente, pelo historiador e jornalista católico John Cornwe1l4. A Igreja nem sequer pode alegar em sua defesa o desconhecimento do que, na época, se passava na Europa. A respeito, Michael R. Marrus5 informa que: 'Quando os assassinatos em massa começaram, o Vaticano mantinha-se muito bem informado por intermédio de seus próprios canais diplomáticos e por um grande número de outros contatos. Os funcionários da Igreja podem ter sido os primeiros a enviar à Santa Sé relatórios sinistros, acerca do significado dos trens de deportados em 1942, e continuaram a receber informações mais minuciosas sobre o assassinato em massa no leste europeu. Porém, apesar de numerosos apelos, o papa recusou-se a denunciar explicitamente o assassinato de judeus ou a conclamar de forma direta os nazistas para interromperem a matança. Pio XII sustentou com determinação sua postura de neutralidade e recusou-se a associar-se a declarações contra os crimes de guerra nazistas".

É incontestável que o holocausto não foi obra isolada de um grupo de obsediados, mas a somatória de inúmeros fatores que se desenvolveram no curso dos dois milênios do Cristianismo, marcados, de forma determinante, pelo radicalismo da igreja, conforme o magistério de Gerald Messadié6, em livro recentemente editado no Brasil

A questão, sob esse particular as¬pecto, pode ser encerrada em face das considerações de Debórah Dwork e Robert Jan van Pelt7, a saber: "Os Exércitos não são, tipicamente. agentes de civilização. No mundo ocidental, as Igrejas - Católica e Protestante - exercem esse papel. São aí instituições encarregadas de transmitir os valores tradicionais ao futuro. Têm apenas um trabalho: ser a consciência pública, a voz da moralidade, as defensoras da justiça, a face da humanidade. Em todas essas tarefas, as Igrejas fracassaram absoluta e abissalmente durante os anos do nazismo. Não falaram em favor dos judeus. Nem lembraram aos cristão, que era imoral e eticamente errado roubar os judeus por meio da "arianização", marcar, segregar, deportar matar. As Igrejas, em suma, fizeram um silêncio ensurdecedor".

4. O holocausto, aos olhos do Espiritismo, jamais poderia ser visto nem como castigo divino, nem com resultado da omissão ou da ausência de Deus, que não podem servir d explicação para os genocídios perpetrados pelos nazistas, não só em Auschwitz, como nos inúmeros outros campos de concentração espalhados pela Europa.

Existe, não obstante, uma explicação doutrinária para acontecimentos semelhantes. É de ver-se que salvo melhor e mais abalizado juízo ocorreu, na hipótese, mais um resgate ou provação coletiva dos que periodicamente, alcançam grupos de espíritos afins, que reencarnam como membros do povo judeu. Isso não implica, contudo, que tais espíritos sejam sempre os mesmos que sofreram os cativeiros no Egito e na Babilônia, que foram massacrados por Tito na tomada de Jerusalém no ano 70, que sucumbiram no cerco ( Massada, ou foram vítimas das Cruzadas ou da Inquisição na Espanha ou Portugal, tendo em vista a reencarnação e a lei de causa e efeito Algozes de ontem, vítimas de hoje tais espíritos vêm sendo, no decurso dos milênios, sucessivamente substituídos na verdadeira "operação resgate", que significa fazer parte desse povo.

De mais a mais, o Velho Testamento é uma verdadeira coletânea de massacres cometidos pelos israelitas contra seus inimigos, contando, invariavelmente com o beneplácito e até com a colaboração de Javé, fato enaltecido como sua especial demonstração de apreço e de predileção para com o povo de Israel. Não há, contudo, justificativa para a conduta dos nazistas em relação aos judeus. A eles não competia a execução do seu carma coletivo, porquanto a Justiça Divina dispõe de mecanismos próprios para a consecução de seus fins, prescindindo de toda e qualquer ação humana que vise a substituí-los.

Continua...
Título: Re: Omissão de Deus?
Enviado por: Marccello em 27 de Junho de 2010, 19:11

5. Por outro lado, deve ser levado em conta que os grandes responsáveis por semelhantes acontecimentos eram homens dotados de livre arbítrio, e que escolheram seus caminhos, livre e espontaneamente. Embora nada aconteça que não seja por vontade de Deus, Ele não interfere na liberdade de ação de seus filhos, dando-lhes autonomia para assumir as conseqüências, boas ou más, dessas ações. O que se poderia alegar, quando muito, era a inquestionável obsessão de que eram portadores, principalmente Hitler, que em seus devaneios alucinatórios de poder julgava ser a reencarnação de Tibério. Também não escapava da ação maléfica dos obsessores o encarregado de levar a termo a solução final, Heinrich Himmler, que além disso e, talvez por causa disso, era o comandante das tétricas e fantasmagóricas Schutz Staffel, as SS. A grande maioria inclusive acreditava piamente na decantada superioridade ariana, julgava que os judeus eram os grandes culpados por todos os males do mundo e que a sua eliminação traria grandes benefícios para a humanidade. As igrejas, católica e protestante, também participavam desse ponto de vista. O citado Erwin Lutzer informa que o altar da Catedral de Magdeburgo foi, desde 1933, cercado por flâmulas com suásticas, enquanto que o pastor Siegrified Leffer declarava do púlpito de sua igreja: "Na absoluta escuridão da história da igreja, Hitler se tomou, por assim dizer, maravilhosa transparência de nossa época, a janela de nossa era pela qual a luz incide sobre a história do cristianismo"8.

Em vista disso, é forçoso reconhecer que Auschwitz, Birkenau, Treblinka, Mai:danek, Sobibôr, Dachau e tantos outros tenebrosos campos de concentração erguidos pelos nazistas não passam de meras ações humanas, da mesma forma que não passaram de condenáveis ações dos homens as guerras santas, as Cruzadas, a Inquisição, a Noite de São Bartolomeu, a intolerância religiosa na Irlanda, ou o interminável conflito no Oriente Médio que, coincidentemente, tem como principal protagonista o mesmo povo de Israel.

Deus nada tem a ver com isto!

José Carlos Monteiro de Moura


BIBLIOGRAFIA

1 - A CRUZ DE HITLER, Editora Vida, São Paulo, 2001.

2 - DEUS CASTIGA? CAIRBAR SCHUTEL RESPONDE, LAKE, São Paulo, 1974.

3 - O VATICANO E OS JUDEUS. OS PAPAS E A ASCENÇÃO DO ANTI-SEMITISMO MODERNO, Ed. Rocco, Rio, 2003.

4 - O PAPA DE HITLER, Imago Editora, Rio, 2000.

5 - A ASSUSTADORA HISTÓRIA DO HOLOCAUSTO, Ediouro, Rio, 2003.

6 - HISTÓRIA GERAL DO ANTISEMITISMO, Ed Bertrand, Rio, 2003.

7 - HOLOCAUSTO, UMA HISTÓRIA. Imago Editora, Rio, 2004.

8 - Op. cit. .p.126

Revista Internacional de Espiritismo - Outubro de 2006

Muita paz. :)
Título: Re: Omissão de Deus?
Enviado por: Conforti em 28 de Junho de 2010, 22:18
          
          
          Olá,

          Cito o parágrafo final, da citação que Marccello fez de texto de José Carlos Monteiro de Moura:

          “Em vista disso, é forçoso reconhecer que Auschwitz, Birkenau, Treblinka, Mai:danek, Sobibôr, Dachau e tantos outros tenebrosos campos de concentração erguidos pelos nazistas não passam de meras ações humanas, da mesma forma que não passaram de condenáveis ações dos homens as guerras santas, as Cruzadas, a Inquisição, a Noite de São Bartolomeu, a intolerância religiosa na Irlanda, ou o interminável conflito no Oriente Médio que, coincidentemente, tem como principal protagonista o mesmo povo de Israel”.
          E termina afirmando: “Deus nada tem a ver com isso!”

          Não concordo, mas não concordo pois que pelas concepções das doutrinas cristãs, embora nunca o admitam, Deus-Criador tem tudo a ver com isso.
          Quem criou esses homens divinos que cometeram todas essas monstruosidades, senão o Criador? Criatura divinas que, idênticas sob todos os aspectos no princípio, se transformaram em seres/criaturas divinas monstruosas, cheias de ignorância, perversidade e tantas coisas terríveis mais?
          Observem que apenas afirmei que não concordo em face do que está ensinado  “DENTRO DAS CONCEPÇÕES DAS DOUTRINAS CRISTÃS”. Essa não é a minha visão.
          O Criador onisciente, todo poderoso, sabia em que monstros se transformariam suas divinas criaturas, que erros cometeriam, quando, em que tempos e lugares, e em que circunstâncias, não é verdade? Ou o Criador ignorava alguma dessas coisas? Ignorava que as suas criaturas divinas se tornaram infernais? E o Criador tanto sabia de tudo isso que, por antecipação, criou mundos de expiações, e sabia também exatamente quem e porquê cada criatura divina iria habitá-los.
          
          Para tentar expor mais claramente e melhor isto que afirmo, veja uma historieta:
          “Um fabricante de brinquedos produz brinquedos que sabia exatamente que produziriam, (pelos defeitos adquiridos ‘após’ a fabricação, como asseguram as doutrinas), sofrimentos, dores, desarmonia, conflitos, infelicidade; que machucariam, destruiriam, matariam e de que modos mais perturbariam a harmonia de sua criação. E, mesmo sabendo disso, fabrica-os e os entrega às crianças. Como conseqüência, estas vêm a sofrer pelos homens/criaturas divinas/brinquedos defeituosos. A quem cabe a responsabilidade pelos sofrimentos e infelicidade causados pelos brinquedos/criaturas divinas? Às crianças, aos brinquedos, ao fabricante?”
          É uma pequena história só para fazer refletir.

          Até mais.  
Título: Re: Omissão de Deus?
Enviado por: Azuramaya em 29 de Junho de 2010, 00:24
A Arena humana ou selva da nossa hipocrisia se renova constantemente. Jamais seriam Hitler, Gengiskan, Trajano, César, Napoleão, Bush, Stalin, Nicolau II, Henrique V de Azincourt, Churchill, Mao, Roosevelt, Gal Custer, Chefe Touro Sentado, Arafat, Ariel Sharon, etc., figuras temerárias, diabólicas ou más, mas apenas progressões dos nossos ideais de crescimento e emancipação econômica e cultural.
Quem não tem uma visão política? E se assim age, tem inimigos.
Alguém dirá que não é cúmplice da morte que espreita em cada esquina?
Somos conviventes com o mal e sem estarmos cientes, o endossamos.

Não há a necessidade de uma Guerra de extensão mundial entre países, mas talvez como a nossa própria imundícia interna que nasce e se manifesta pela política que cria contrastes sociais, onde morrem milhões de inocentes pela fome, droga, desafeto, trânsito, exclusão social, etc.
 
Somem todas as mortes que não são naturais (quando o coração pára de bater por senilidade) e vejam quantos morrem antes de seu dia!

Alguns dirão que Deus é culpado, mas não se culpam por que?

Quantas vezes ensinamos aos nossos descendentes a afiar suas garras preparando-se para abaterem seus rivais na estrada da vida?
Por acaso não ensinamos nossos filhos a matarem para não serem mortos?
Estude, faça faculdade, tenha profissão, tenha poder, tenha uma esposa bonita, constitua uma família, tenha poder....!
Nessa Selva de Pedra que já não mais vemos, as mortes pelas calçadas são provocadas por nós, isso mesmo, por nós!
Somos coniventes e gostamos de ser melhores, tal e qual os grandes Ditadores que assim também foram apoiados pelo povo, com esse exato desejo de crescer.

Por que tanta gente pudica com relação a esses eventos históricos e normais que sempre se multiplicaram?

Isso é apenas o que de melhor sabemos fazer.

O fato de nossas mãos não estarem no gatilho que arrebenta os miolos de alguém não implica que não fomos nós que causamos aquilo.
Deus nada tem a ver com a nossa hipocrisia e ignorância.

Todos os mortos na Guerra do narcotráfico, todos os marginais, desviados, bandidos, excluídos sociais, mortos, aleijados e em cativeiro como animais são nossa culpa, pois eles nascem da nossa permissividade em propalar o sistema capitalista onde todos querem o melhor para si e dão apenas  seus restos.

Será que existe alguém que ainda não acordou pra isso e insiste em por a culpa nos outros lavando suas mãos como Pilatos fez?

Os atos simples implicam em coisas complicadas que a maioria estulta não quer ver.

Ao consumir um refrigerante ou hambúrger de origem estrangeira ao invés de um nacional, você promove uma parcela da bomba que cai na cabeça do Iraquiano ou Afegão que teve seu país invadido por estrangeiros que buscam conquistas e para isso matam qualquer um.

Então, devemos aprender a relacionar nossas ações com as intenções políticas dos poderosos para que não hajam mais Césares assassinos.

E você veja que uma coisa tão simples assim, ainda virá algum que dirá que não vai parar de fazê-lo porque isso e aquilo e blá-blá-blá...
Título: Re: Omissão de Deus?
Enviado por: Marccello em 29 de Junho de 2010, 01:32
Boa noite amigos Coronel e Azuramaya!

Permitam-me citar um recorte de uma entrevista concedida por Gerson Simões Monteiro (escritor e palestrante espírita) a Marcos Leite (assessor de Imprensa da Rádio Rio de Janeiro)  sobre o tema "Deus na visão Espírita"
Ajudará na na reflexão do texto e nos questionamentos postados.

Marcos Leite  - Deus, de fato, está presente em tudo. Gostaríamos que você, agora, nos dissesse alguma coisa a respeito de outro problema intimamente ligado a Deus, ou seja, a compreensão que devemos ter da existência do Bem e do Mal. Eu pergunto: existe o mal? Deus é o seu autor? Se não é, porque permite a existência do mal?

Gerson – Nós, espíritas, sabemos que Deus é puro amor e jamais nos criaria para o sofrimento.  Deus,  portanto,  não é o autor do mal, fruto apenas de nossa imperfeição. Começamos por dar alguns conceitos emitidos por estudiosos desse assunto, que tanto tem preocupado filósofos e religiosos em todos os tempos:
“O Bem é essência do Criador,  o mal,  essência da criatura”  – S. Paulo.

“O Mal  é a medida da  inferioridade dos  mundos   e dos   seres”  – Gustave Geley.

“O que é o Mal? É Deus que adormece na consciência humana” – Victor Hugo.

“Fundamentalmente  considerada,  a dor  é uma  lei  de equilíbrio e educação” – Leon Denis.

“O Mal é a ausência do Bem” – Allan Kardec.

Ainda é de Léon Denis esta definição, que consideramos muito boa: "O Mal é o Menos evoluído para o Mais, o Inferior para o Superior, a Alma para Deus".

Emmanuel afirma, em “O Consolador”, pergunta 135, que "o mal essencialmente considerado, não pode existir para Deus, em virtude de representar um desvio do homem,  sendo zero na sabedoria e na previdência Divina".

ML – São conceitos muito  interessantes esses que você citou, do mal. Entretanto, gostaríamos de conhecer alguma explicação que  fosse aceitável a respeito da existência do mal e sua utilidade.

G – Vejamos a opinião, por exemplo, do prof. Carlos Toledo Rizzini, em seu ótimo livro "Evolução para o Terceiro Milênio": "Para progredir foi permitido ao Espírito humano violar a Lei, promover a desordem ao redor de seus próprios passos, de modo a conhecer as conseqüências do erro e afastar-se dele. Deus dispôs, portanto, que durante certo tempo lhe fosse possível abusar e errar para aprender, pagando o preço do sofrimento. É a dor o fator que traz o homem de volta ao regaço divino, depois que se desviou do rumo traçado pela Lei".

D. Ludegero Jaspers, em seu Manual de Filosofia, afirma que "Deus recusaria ao homem a  liberdade, nobre prerrogativa, se não  lhe desse possibilidade de agir e, portanto, de errar.  Por isso Ele dá mérito ao homem que resiste ao mal".

Outro professor de Filosofia, R. Jolivet, em seu livro “Cursos de Filosofia”, assim se exprime: "O mal resulta da criatura  finita, que peca criando-o, embora ele não seja absolutamente necessário: o homem tem livre-arbítrio, que Deus respeita, garantindo sua liberdade. Ele peca voluntariamente. Essa liberdade, mesmo falível, é um bem: o poder determinar-se, ser o fruto de seus erros e acertos. A criatura assume, sozinha, a responsabilidade do mal. Assim, o mal serve ao bem, é útil.
Seria absurdo se existisse sem nenhuma utilidade. É meio de reparação, fonte de mérito:  o homem corrige-se e segue o bem. Que é o bem? É o que nos faz realizar a perfeição de nossa natureza. Esse fim último está na conquista da felicidade".

Como vemos, esses conceitos se enquadram nos da filosofia espírita, segundo a qual o Espírito, criado simples e ignorante, é dotado de liberdade ou livre-arbítrio, que lhe permite escolher, optar entre o que é certo, segundo a Lei de Deus, e o que a contraria, ou seja, o mal. Pelo resgate das culpas, através do arrependimento, da expiação e da reparação, o Espírito se redime e alcança a felicidade.

Grande abraço! ;)

Muita paz. :)



   
Título: Re: Omissão de Deus?
Enviado por: Azuramaya em 29 de Junho de 2010, 03:16
Prosseguindo, conforme a Lei da sincronicidade, recebi esse vídeo de um amigo, o qual vem de encontro ao assunto de forma perfeita.
Basta vibrar com a Mente no estado Certo e a Natureza prove.


http://www.youtube.com/watch?v=JFOmnAjk1EQ&feature=PlayList&p=5E876630D2BF325B&playnext_from=PL&playnext=1&index=14 (http://www.forumespirita.net/fe/go.php?url=aHR0cDovL3d3dy55b3V0dWJlLmNvbS93YXRjaD92PUpGT21uQWprMUVRJmFtcDtmZWF0dXJlPVBsYXlMaXN0JmFtcDtwPTVFODc2NjMwRDJCRjMyNUImYW1wO3BsYXluZXh0X2Zyb209UEwmYW1wO3BsYXluZXh0PTEmYW1wO2luZGV4PTE0)
Título: Re: Omissão de Deus?
Enviado por: Conforti em 29 de Junho de 2010, 15:26


          Olá, amigo, bom dia

          Vamos tecer algum comentário sobre o vídeo que diz que “basta” vibrar com a mente no estado certo e a natureza provê”.
          O “basta vibrar” significa que é só vibrar, que é suficiente vibrar... como se dissesse: “Olha como é fácil! É só vibrar na freqüência certa!”.
          Como fazer a mente vibrar na freqüência correta? Quem sabe fazer isso? Alguém conhece quem faça isso e considere que é fácil? Quem tem a capacidade de comandar a mente? Quem tem domínio sobre os pensamentos? Tente dominar seus pensamentos, pensar somente no que deseja pensar! Como disse Krishna para Arjuna: “A mente é como um cavalo selvagem e impetuoso”.
          Se bem observarmos, vamos ver que, nem nós, nem ninguém, podemos fazer a mente nos obedecer! Como disse Paulo, não podemos reivindicar a paternidade de nossos pensamentos, isto é, nem os pensamentos que temos são nossos! Os pensamentos apenas surgem do nada, “brotam” e vêm. E Paulo, ainda, afirmou noutra passagem: “...como se tivéssemos algum pensamento como de nós mesmos, pois eles vêm de Deus”.
          Mas, se não podemos dominá-la, podemos, com muita dedicação e trabalho, aquietá-la, afastá-la, deixá-la para trás, mas essa é outra história mais profunda.

          Até mais.
Título: Re: Omissão de Deus?
Enviado por: Azuramaya em 29 de Junho de 2010, 23:16
É fácil para o condutor de um veículo conduzi-lo, quando sabendo seus comandos.
Paulo disse..., mas Jesus Disse:

"Os pássaros podem rodear nossas cabeças mas não podem fazer ninho nela..."

"Plante uma flor e colha um flor..." pois haveria alguém capaz de plantar uma flor e pretender colher um elefante?

Ora, se não podemos dirigir nossas cabeças deverímos estar num manicômio!

Ou então alguns de nós seríamos loucos? Sim, já ouvimos que o mundo jaz no maligno e todos somos loucos... talvez, mas nem todos.

Eu não disse que é fácil, eu disse que "basta vibrar na frequência certa"!
Ao violinista basta tocar na tonalidade certa para realizar o concerto, mas quem disse que é fácil tocar violino ou que qualquer um pode tocá-lo?

Quem tem a capacidade de comandar a mente?
Quem seria? O Seu Manoel, o Seu Joaquim?

O pensador ou a mente do homem é quem pensa, o que mais faltaria?
Quer dizer que você não pensa o que quer? Mas faz o quê? Faz o que não quer e o que não tenciona?
Note bem a contradição flagrante.
Não temos razão por que somos espíritas ou teósofos, ocultistas ou brâmanes, mas sim diante do nosso alcance mental e da nossa lógica que nos faz as coisas serem pertinentes.

A mente não nos obedece, a mente somos nós, o que bem é diferente.
Os pensamentos vêm de deus? O que somos então? Um nada? Algo inútil?
Então deus é responsável por tudo o que pensamos? Se assim for, para que Karman?

Aí você me dirá, mas o homem pode selecionar e escolher e.... livre arbítrio...

Então, não foi o que eu disse?

Para o bom entendedor meia palavra basta:

Nossa responsabilidade (karman) existe pelas nossas ações que nascem dos nossos pensamentos, portanto é tão simples ter um bom karman!
Basta agir de forma assertiva, basta vibrar na frequência certa.
Basta se esforçar para aprender e ter humildade para tanto.

Reconhecereis a árvore pelo fruto!

Vibrar no errado é colher o desnecessário.
Isso é muito simples.

Mas, já havia falado na última linha:

"E você veja que uma coisa tão simples assim, ainda virá algum que dirá que não vai parar de fazê-lo porque isso e aquilo e blá-blá-blá..."

E olha que não sou advinho, mas conheço o caráter polêmico do homem.

Namastê meu jovem.
Título: Re: Omissão de Deus?
Enviado por: Matheus RA em 30 de Junho de 2010, 00:52
Muito bom o video.

Se os EUA tem seus conflitos,nós tambem temos conflitos.

E gostaria de falar...
Varios massacres não são dada devida importancia midiatica ou lembrados como os dos Judeus.

Que depois da Segunda Guerra,ganharam o passaporte para o oriente medio e dominaram aquele pedaço de terra arido e pequeno e que estar relacionado a três correntes religiosas(Cristãos,Mulçumanos e Judaica)=Israel.

Na epoca do regime comunista,milhares de seres foram enviados a Siberia..
Na epoca das navegações,indios dizimados.
Na colonização da africa,destruição do continente africano.

A africa e o local aonde estar morrendo muito mais que 6 milhões de judeus e isto e atual.
Quem foi que chegou na Africa,dominou aquilo,tirou recursos e deu o pé,deixando aquilo um CAOS?
Esses países ou sociedades ajudam a Africa?
A algum apoio?

Existe paises ditadoriais e que tem apoio e relações com nossos governos e o assunto nem e tocado..(Arabia Saudita,China...)

Eu acredito em uma coisa.

Se Deus nos deu o livre Abitrio e relativamente impossivel ele saber o futuro de acontecimentos,pois são tantos fatores e podem ocorrer varias coisas..

Ele pode saber que um dia,sua criatura vai querer retornar a ele e fara o certo.
Mais isto pode durar 1 encarnação,20..
100 anos ou 1 milhão.

Vejo pessoas otimistas falarem que estamos caminhando para uma sociedade melhor.

Eu so digo esta frase que eu li:

¨Os Pessimistas são amargos
Os Otimistas são Ingenuos
Mas vale um Realista Esperançoso.

Se quisemos uma sociedade melhor...ha MUITO o que fazer.
Muito mesmo.

Podemos nos melhorar e evoluir muito mais rapidamente do que a sociedade melhorar.

Se vemos ao nosso redor.Existe muitos interreses e fatores que estão ao nosso redor.
Existe muita informação e muitas opiniões.

O mundo não vai se melhorar com pequenas atitudes solidarias de alguns ou algumas cestas basicas...Vai ter que se melhorar a politica,estudos,opiniões e afins.

Para mim,se a terra um dia vai ser o paraiso,Duvido que seja com seres ENCARNADOS sobre ela.E muito mais facil nos destruimos antes ou em guerras ou via o esgotamento ambiental.

E se este processo vai chegar,vai demorar.

Deus nos deixou livre.
E nos deu base para simplismente nos façamos as nossas escolhas e analises e tomemos nossas atitudes,para que assim tenhamos merito.

O holocausto,foi um grão de areia em comparação ao que pessoas sofreram..ou que irão sofrer...

O Nazismo foi um mal pequeno,em comparação ao mal que existe ou que vai existir.

So acho que,Passado=Imudavel e Conhecido(Em partes)
Futuro=Mudavel e Desconhecido

Não conheço a natureza de Deus,mas no meu intimo,acredito que ele seja a energia criadora e do bem.

E cabe a nos,tomamos as nossas responsabilidades.E não damos a terceiros,a espiritos elevados desencarnados ou ate mesmo Deus.

Deus criou o ambiente para nosso desenvolvimento.
E se a missão fosse facil,qual seria o merito?


Assunto otimo.
Vamos dialogar e ver o que aprendemos um com os outros.

Abraços Fratenos
Matheus
Título: Re: Omissão de Deus?
Enviado por: Azuramaya em 30 de Junho de 2010, 01:34
Matheus!
Destrinchou, deglutiu, mastigou, digeriu!
Parabéns, você confirma que realmente nós precisamos começar a mudança de dentro pra fora, absoluta verdade.
Assim, as informações manipuladas que os dominadores tentam nos infligir serão sempre desconsideradas a partir do nosso discernimento, quando conseguiremos optar com correção.
Cabe portanto a nós a escolha, pois valemos pelo nosso discernimento.
Bem colocastes:

O diálogo nos abre novas fronteiras, pois só assim  podemos aprender, razão pela qual a Natureza tenha feito o homem e demais animais com uma só boca e um par de orelhas para que estejamos sempre prestes a ouvir.

Abraços fraternos também a você Matheus.
Título: Re: Omissão de Deus?
Enviado por: Conforti em 30 de Junho de 2010, 03:08
          Amigo, retifico o que eu disse; não é difícil; é “impossível” que nós mesmos dirijamos nossas cabeças.

          Cito vc;
“Ou então alguns de nós seríamos loucos?...”      
          Sabemos que não são poucos os loucos; basta observar o que acontece no mundo! Mas, dessa loucura que eu falo, loucura que não aquela da alçada dos psicoterapeutas, todos, sem exceção somos portadores.

          Cito vc:
“Eu não disse que é fácil, eu disse que "basta vibrar na   freqüência certa"! O violonista basta tocar na tonalidade certa para realizar o concerto, ...”.
          Amigo, entendo seu pensamento; mas comandar as notas num instrumento nada tem a ver com comandar os pensamentos em nossa mente; para começar, nem podemos reivindicar a paternidade deles; pensamos que são nossos, mas não somos seus donos. E se alguém tem domínio sobre a mente, se é hábil para fazê-la vibrar na freqüência certa, esse é feliz; deu um passo gigantesco e se aproxima da realização final. Nesse caso eu até diria, como Confúcio: “És deveras um sábio; permita-me seguir seus passos”.

          Cito vc:
“Quem tem a capacidade de comandar a mente? Quem seria? O Seu Manoel, o Seu Joaquim? O pensador ou a mente do homem é quem pensa; o que mais faltaria?  Quer dizer que você não pensa o que quer? Faz o que não quer e o que não tenciona? Note bem a contradição flagrante”.
          Amigo, me perdoe se o irritei. Mas, não há contradição alguma. Tente pensar apenas naquilo que deseja! Consegue?

          Cito vc:
“A mente não nos obedece, a mente somos nós, o que é bem  diferente”.
          Exatamente, a mente somos nós, e veja como nós somos! Basta olhar para o mundo!

          Cito vc:
“Os pensamentos vêm de deus? O que somos então? Um nada? Algo inútil?”
          Vi, pelo seu perfil, que o amigo é panteísta e adepto do Vedanta e do Budismo Tibetano. Pois o que estou colocando está conforme o Vedanta; não tanto quanto ao Budismo Tibetano, pois este é reencarnacionista e para ele existe o livre-arbítrio e, conseqüentemente, o “carma”. Você, pelo panteísmo,  sabe que tudo é Deus, nós e tudo mais. Porque estranhar, então, quando digo que nossos pensamentos vêm de Deus?! E, se tudo é Deus, se você, eu e os demais, somos Deus, porque estranhar que Deus seja o responsável por tudo o que pensamos?! Só existe Deus no universo e além, se é que existe esse além. Tudo é Deus, tudo é um só. Haverá responsabilidade, livre-arbítrio, culpas...se tudo é Deus? Você pergunta: “O que somos então?” e você mesmo já respondeu: somos Deus, pois tudo é Deus.

          Cito vc:
“Então deus é responsável por tudo o que pensamos? Se assim for, para que Karman?”
          Não entendi. “Karman” é “carma”? Se é, digo que não há carma, pois não somos donos de nossos pensamento e, portanto, não somos responsáveis por nossos atos. É difícil, para nossa mente condicionada desde que viemos à existência pelas culturas, tradições, religiões, costumes, sociedade, e mesmo suposições nossas, aceitar essas concepções, eu sei...
Mas, na visão do panteísmo, se tudo é Deus, quem é o responsável por tudo? Nada conheço dessa filosofia...

          Cito vc:
“Aí você me dirá, mas o homem pode selecionar e escolher e.... livre arbítrio...”
          Amigo, como afirmam os sábios: “Aquele que pensa que escolhe é imaturo”; é o que também hoje afirma a ciência mais avançada do planeta: “a decisão, a escolha não é nossa”.
E, suponho, deve ser essa a visão do panteísmo, se tudo é Deus... Não é?

          Cito vc:
“Nossa responsabilidade (karman) existe pelas nossas ações que nascem dos nossos pensamentos, portanto é tão simples ter um bom karman! Basta agir de forma assertiva, basta vibrar na freqüência certa”. Basta se esforçar para aprender e ter humildade para tanto”.
          Então, se é assim tão simples, como entender os males e os sofrimentos do mundo, onde há mais dor do que alegria?        
E se nossas ações nascem de nossos pensamentos, estes de onde nascem? Já pensou nisso? E sendo tão simples ter um bom karman, porque o que ocorre com os homens é o contrário? O esforço, a prática, que nada mais são que treinamento podem nos dar poder de dominar a mente? E a humildade pode ser adquirida pelo treinamento? Pense nisso.

          Cito vc:
“Vibrar no errado é colher o desnecessário. Isso é muito simples”.
          Novamente digo que o amigo é feliz;  se sempre colhe o necessário e não o desnecessário, já deu aquele passo gigantesco...

          Vi, pelo seu perfil, sua afirmação de que você nunca encontrará a plena lucidez dentro de qualquer religião. Amigo, isso é apenas suposição ou você tem plena convicção, por experiência própria, do que afirma? Para ter essa convicção quantos anos, quantas tentativas, quantos exercícios, quanto raciocínio, quanta busca, quantas noites não dormidas, quantas decepções, quanta tenacidade... são necessários!

          Cito a Blavatsky “Nenhuma religião é superior à verdade”. Essa trouxe uma afirmação perfeita!

          Até mais. Agradeço pelo “meu jovem”; minha idade é quase duas vezes a sua.
Título: Re: Omissão de Deus?
Enviado por: Azuramaya em 01 de Julho de 2010, 05:21
Se o senhor acha impossível comandar a sua cabeça, por que tenta orientar a cabeça dos outros por meio de uma asserção unilateral que não respeita o estado, mas sim a estereótipo de presunção da vida através de uma doutrina?


Se tudo é Deus e assim Deus é amor, então não há mal?
O senhor concorda?
Isso eu já falei aqui, mostrando que não existe mal e nem bem além da consideração do homem que assim julga! Então, se tudo é Deus não existem, espíritos maus e nem homens maus! Certo?

Agora se o senhor me disser que existe a ignorância que considera o mal e o bem e que os homens ignorantes assim o fazem da mesma forma que pensam em Deus como um personagem antropomórfico se dirigindo pelas estórias da carochinha que foram servidas pela bestialidade do homem medieval e que entende que Deus jamais será serviçal da pobreza de espírito humana por não ser um ente, mas sim um princípio muto acima da capacidade de entendimento de um homem mediano, aí o senhor não se contradiz.

Karman é carma, a forma aportuguesada desse vernáculo sânscrito, mas muitos o confundem com castigo.

Os males e sofrimentos do mundo vêm da ignorância do homem e nunca de sua maldade, pois a Natureza não é má e os animais matam para comer e reinar, mas ignoram que são um estado de Deus, pois se tudo é Deus, o homem é Deus e assim se diverge dos animais.

Quer dizer que não escolhemos? Nosso livre arbítrio não acontece então? Toda a mitologia e simbolismo do Gênesis é absolutamente descartável? Logicamente que sabemos que Adão e Eva são apenas simbolismo, mas se não podemos escolher o que desejamos e tencionamos fazer que mérito ou demérito um homem teria para poder ser atingido pelo Karman? Dessa forma não exisitira Karman, pois tudo seria mecânico.

Se um homem não consegue pensar por si, para que Karman e reencarnação? Para que evolução? Seríamos todos apenas robozinhos de um Deus cruel e satânico que faz o que bem deseja.
Nesse ponto, por essa abordagem talvez Nietzsche tivesse razão.

Mas sei que realmente para o homen é muito difícil que compreenda ao seu semelhante, pois vive na sua casa a ter-se com seus patrícios, quando pois vêem a um estrangeiro o julgam sempre da pior forma, sem deitarem o sentido sobre o seu interior, mas apenas se orientando pelas suas vestes externas e o repudiando por jactância, tentando enquadrá-lo como a um ilota.
Quando o homem reparar que não tem obrigação de saber nem mais, mas que tem sim a chance de ser humilde e aprender a todo momento, os saltos se quebrarão, dia em que uma criança poderá ensinar a um homem senil que "querer é poder".

Os mortos já se foram e somos o que de melhor restou deles na sua melhor forma.

Sua idade pode ser quase o dobro da minha, o que daria algo ao redor de 96 anos, pois assim o felicito pela longevidade e percebo que justamente nesse  estado o entendimento se torna difícil, porém principalmente por ser espírita o senhor já deveria ter aprendido que posso ser alguns milhões de anos mais velho e por isso mesmo ser incapaz de ser compreendido, assim como foi Jesus diante dos escribas da Sinagoga.
Título: Re: Omissão de Deus?
Enviado por: Conforti em 01 de Julho de 2010, 19:49
          Olá, Auramaya,

          O amigo deve estar com razão, pois minha idade...

          Até mais.
Título: Re: Omissão de Deus?
Enviado por: Conforti em 02 de Julho de 2010, 15:12

          Olá, bom dia.

          Porque será que muitos, felizmente não todos, reagem, até mesmo com irritação, quando algo que é colocado não está conforme suas crenças ou com seu ponto de vista?
Está certo que este é um fórum espírita, no qual, conforme principalmente esses que se irritam, ninguém deve se referir a nada mais senão à doutrina. Mas tais reações não se harmonizam com os ensinamentos cristãos.
          Mesmo que alguém esteja tentando de algum modo contribuir, procurando tão só levar o semelhante a refletir se deve ou não ter mais atenção e, se for o caso, questionar tudo o que lhe vem às mãos com o rótulo de ensinamentos elevados, inspiradores, sábios etc, não aceitando tudo passivamente porque confiam em suas fontes, quanta reação!   
          E vejam que há razão de sobra para esses questionamentos, pois quantas coisas estranhas, obscuras, conflitantes ou mesmo incoerentes são percebidas se houver atenção.   
         
          E acredito que ninguém duvida que o objetivo dos que desejam contribuir não é perder tempo com polemicas tolas. Pois é o mesmo objetivo buscado pelos adeptos de qualquer designação religiosa ou doutrinária: realizar-se espiritualmente, conhecer a verdade, encontrar Deus.         

          Quando se diz, por exemplo, que ninguém, tem poder de controlar a própria mente, ou os pensamentos, desejos, sentimentos..., então, em vez de analisar se isso é verdadeiro ou falso, vêm os preconceitos e verdadeira disputa se instala.
          Observem se alguém, você ou quem for, tem comando sobre sua mente, sobre seus pensamentos, desejos etc. 

          Outra coisa que levanta reações enormes:
          Na concepção das doutrinas cristãs, o Criador é um ser de infinito amor, todo poderoso e justo, e conhecedor de todas as coisas pela sua onisciência. No entanto, a que espécie de criaturas deu existência! Não estou dizendo que a Divindade não seja de infinito amor e de... etc. O que desejo é mostrar que a interpretação dessas doutrinas acerca da criação, acerca de uma perfeita igualdade no princípio, deve ser repensada. Um ser que é a própria sabedoria e o próprio amor, conhecedor do passado e do futuro etc, na concepção dessas doutrinas, criou uma espécie que, e Ele evidentemente sabia disso, se transformaria em monstros de perversidade, assassinos, destruidores da harmonia da vida e da natureza, imorais e amorais, corruptos e tantas coisas terríveis mais.   
         
         Se alguém suspeita ou afirma que há alguma coisa a ser repensada, então, surgem os preconceitos que não permitirão que as palavras desse alguém sejam sequer levadas em consideração. E são preconceitos sim pois, mesmo que não conheçam as razões de quem discorda, julgam que aquilo que está sendo exposto é absurdo ou que aquele que está discordando está errado ou apenas querendo polemizar.

          Outro exemplo: Quando se diz que o mal é apenas ilusão do ser humano, em face de sua ignorância que não lhe permite conhecer a verdade, ...

          Outro: A doutrina espírita, na sua codificação, afirma que todos foram criados iguais (não fosse assim, onde estaria a sabedoria e a justiça?); iguais tendências para o bem quanto para o mal; perfeita igualdade em suas faculdades mentais, isto é, intelecto, pensamento, raciocínio, memória, compreensão, percepção, imaginação etc, tudo igual. No entanto, quando alguém questiona porque dessa total igualdade, os espíritos  agem com total desigualdade, qual foi o fator que interferiu e fez que iguais tomem decisões desiguais...
E não se pode dizer que aí interferiu o livre-arbítrio pois que, mais estranho ainda, a doutrina afirma que, mesmo todos sendo, no principio, totalmente ou perfeitamente iguais, agem totalmente desiguais! Que uns, desde o principio, se encaminham para o bem absoluto e outros, desde o princípio, para o mal absoluto! Não há nada a questionar aqui?
     
          Com relação a esta desigualdade estranha, sem motivo, muitos apresentam sim um motivo: o livre-arbítrio. O que é livre-arbítrio senão a faculdade de escolher, de decidir? Se “A” pensa, raciocina etc igualzinho a “B”, porque “A” e “B” divergem nas escolhas?

          (continua para terminar)
Título: Re: Omissão de Deus?
Enviado por: Conforti em 02 de Julho de 2010, 15:15
          (Continuação e fim)

          Quando se diz que o mal do mundo vem da ignorância e não da maldade dos homens, muitos dizem, mesmo sem qualquer análise, que essa é uma inverdade. Afirmam que não podendo ser Deus o criador do mal, a criação deste só pode estar nas costas da pobre criatura sofredora. Esquecem-se, então, de que todas as ações, todos os procedimentos dos homens vêm, tão somente, de seu maior ou menor adiantamento no aprendizado desta escola que é a vida. E alguém pode ser responsabilizado por ser ignorante? O aluno que está na fase da aritmética pode ser responsabilizado por nada conhecer de  uma matemática superior?

          Quando se pergunta se o homem é bom ou é mau  simplesmente porque quer ser ou bom ou mal, em vez de uma resposta, novamente há enormes reações como se aquela pergunta fosse uma coisa absurda...

          ...a historia do fabricante de brinquedos...

          Quando se diz que o que faz que os homens ajam de modo tão errado é apenas o fato de, nesta escola em que estamos, as aulas ainda não lhes terem dado suficiente compreensão para que saibam que devem agir de outro modo, a resposta é que essa explicação é absurda. Que os homens são errados porque são maldosos, recalcitrantes, orgulhosos, ociosos, indiferentes às leis de Deus, por má vontade etc..., mas nunca  há uma explicação coerente de porquê o homem é assim...

          Quando se pergunta porque o homem, podendo escolher viver sem sofrimentos etc, isto é, podendo escolher ser  feliz, escolhe viver com sofrimento, escolhe ser infeliz, não há respostas...    Pode escolher a felicidade, mas escolhe a infelicidade!!!

          Quando, em face de as doutrinas ensinarem que não há “castigos” para aquele que não cumpre a lei, que há somente “penalidades educativas”, obrigatoriedade de expiação dos erros etc, coisas que, sem sombra de dúvida, implicam em sofrimentos inenarráveis, se pergunta se tais sofrimentos e dores se harmonizam com o infinito amor, não há respostas...
e novas reações surgem.

          Aqui cabem muito bem as palavras de Jesus: “Veja quem tem olhos de ver! Escute quem tem ouvidos de ouvir!” e: “Não coloqueis vossa luz sob o alqueire, mas sobre o velador para que ilumine a todos”.
          E, também, as palavras de Paulo: “Estudai de tudo e guardai o que for bom”.

          Até mais.